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CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSOS Francisco Santos Sabbadini Normas para amostragem e CEP Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Enumerar as principais normas relacionadas à inspeção por amos- tragem. � Descrever o uso das normas de amostragem. � Usar as normas de amostragem em aplicações práticas. Introdução No controle da qualidade, as análises estatísticas contribuem para orientar os procedimentos e melhorar os processos de inspeções, possibilitando que estas sejam feitas por amostragem, no lugar de 100% de um lote, e, como consequência, reduzindo o tempo e os custos relacionados. A inspeção de matérias-primas, produtos semiacabados e produtos aca- bados representa um aspecto da garantia da qualidade, e, nesse sentido, a amostragem de aceitação se destina à inspeção e à tomada de decisão quanto aos produtos inspecionados (MONTGOMERY, 2016). Assim, as normas contribuem estabelecendo procedimentos para a realização das inspeções, definindo a terminologia e os conceitos, apresentando métodos, critérios quanto ao tamanho de lotes e amostras, bem como de aceitação ou rejeição, tabelas que disciplinam o processo de inspeção e facilitam o trabalho dos usuários. Segundo Rocha (2019), um dos benefícios das normas associa-se ao fato de que as tabelas eli- minam a necessidade de cálculos estatísticos complexos. No âmbito internacional, a International Organization for Standardiza- tion (ISO), fundada em 1947 e com sede na Suíça, é uma organização não governamental que elabora normas de aplicação internacional relaciona- das a um amplo campo de conhecimento, como qualidade, segurança alimentar, tecnologia da informação, energia e gestão ambiental, para citar apenas algumas, atualmente contando com mais de 100 países. Já no Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a agente responsável pela elaboração, difusão e implementação das normas. Quanto aos sistemas e padrões relacionados à qualidade, a partir de 1987 normas foram desenvolvidas abrangendo um conjunto de aplicação genérica a qualquer segmento produtivo. Nesse sentido, estabelecem: 1. a ISO 9000:2005, os fundamentos e a terminologia; 2. a ISO 9001:2008, os requisitos; e 3. a ISO 9004:2009, as diretrizes para a melhoria do de- sempenho (MONTGOMERY, 2016). As referidas normas revistas são agora especificadas, respectivamente, como ISO 9000:2015, ISO 9001:2015 e ISO 9004:2018. Muitos segmentos industriais têm exigido de seus fornecedores a aderência a padrões de qualidade de acordo com normas específicas do seu setor, como a QS 9000 e a ISO/TS para a indústria automotiva, a TL 9000 para telecomunicações e a AS 9100 para a indústria aeroespacial. Rocha (2019, p. 34) destaca a “IATF 16949:2016 (que substitui a norma ISO/TS 16949, de sistemas de qualidade automotiva dentro da indústria automotiva global e era específica para a cadeia automobilística, incluindo montadoras, sistemistas e fornecedores em todos os níveis) [...]”. Você poderá conhecer mais detalhadamente sobre o propósito, a estrutura, os mem- bros e as publicações da ISO, assim como normas relacionadas à qualidade e a suas atualizações e normas setoriais, no site oficial da organização. Normas internacionais especificamente relacionadas à inspeção e ao controle estatístico de processo (CEP) foram definidas pela ISO, a saber: 1) ISO 2859-1:1999 e ISO 2859-2:2020 — Sampling procedures for inspections by atributes; 2) ISO 3951-1:2005 e ISO 3951-2:2006 — Sampling procedures for inspections by variables; e 3) ISO 21247:2005 — Combined accept-zero sampling systems and process control procedures for product acceptance. A parte 1 da ISO 2859-1:1999 especifica um sistema de amostragem de aceitação para inspeção por atributos, cujo objetivo consiste em induzir o fornecedor a manter um nível de aprovação de lotes na inspeção pelo menos tão boa quanto o limite de qualidade de aceitação especificado, Normas para amostragem e CEP2 fornecendo um limite de risco para o consumidor de aceitar o eventual lote com itens defeituosos. Os esquemas de amostragem especificados são aplicáveis, mas não limitados, à inspeção de itens finais, componen- tes, matérias-primas, materiais em processo, operações, suprimentos armazenados e procedimentos administrativos. A parte 2 especifica um sistema de amostragem de aceitação para inspeção por atributos em que o sistema de amostragem é utilizado para lotes isolados (sequências isoladas de lotes, um lote isolado, um lote único ou uma série curta de lotes) e as regras da ISO 2859-1:1999 não são aplicáveis. Os níveis de inspeção, conforme oferecidos pela ISO 2859-1:1999 para controlar a quantidade relativa de inspeção, não são fornecidos neste documento. Em muitas situações industriais, nas quais as regras de troca podem ser usadas, elas não são aplicadas por uma série de razões, as quais nem todas podem ser válidas: a) a produção é intermitente (não contínua); b) a produção é de várias fontes diferentes em quantidades variáveis, ou seja, “lotes de trabalho”; c) os lotes são isolados; d) os lotes são reapresentados após vistoria. Planos de amostragem por variáveis são especificados na ISO 3951- 1:2005 e ISO 3951-2:2006, projetados para usuários com requisitos simples em que a aceitabilidade de um lote é determinada implicitamente a partir de uma estimativa da porcentagem de itens não conformes no processo, com base em uma amostra aleatória de itens do lote. Para amostragem, um tratamento mais abrangente e técnico é fornecido na ISO 3951-2:2006. A ISO 3951-1:2005 é complementar à ISO 2859-1:1999, na qual a aceitabilidade de um lote é determinada implicitamente a partir de uma estimativa da porcentagem de itens não conformes no processo, com base em uma amostra aleatória de itens do lote. A ISO 21247:2005, por sua vez, define um conjunto de sistemas e procedimentos de amostragem com aceitação zero para planejamento e realização de inspeções de modo a avaliar a qualidade e a conformidade com os requisitos especificados. Nesse sentido, fornece requisitos para métodos alternativos de aceitação propostos pelo fornecedor baseados no estabelecimento de um sistema de gestão da qualidade com foco na prevenção interna como um meio de garantir a conformidade dos produtos com os requisitos especificados pelo contrato e os padrões associados. Quando citada no contrato, é aplicável ao fornecedor e estende-se a subcontratados ou fornecedores, devendo-se aplicar os planos de qualidade conforme especificado nos documentos do contrato. 3Normas para amostragem e CEP Nesta aula, você conhecerá as principais normas relacionadas à inspe- ção, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entenderá como são utilizadas e verá exemplos de uso em situações como a definição de planos de inspeção e inspeção conjunta entre fornecedor e consumidor. 1 Normas relacionadas à inspeção por amostragem A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) definiu um conjunto normativo relacionado a diversos aspectos da inspeção, como: 1. inspeção por amostragem no controle e na certificação da qualidade; 2. planos de amostragem e procedimentos por atributos e por variáveis; 3. procedimentos estatísticos para inspeção feita por fornecedores; 4. guias de utilização. No Quadro 1, são apresentadas as principais normas relacionadas à ins- peção por atributos e por variáveis, à definição de tamanhos de amostra e à aceitação de lotes. Norma Especificações ABNT NBR 5425:1985 � Título: Guia para inspeção por amostragem no controle e certificação de qualidade. � Objetivo: reunir em um corpo documental único as regras e recomendações a serem aplicadas pelos órgãos responsáveis pelo controle e certificação da qualidade. � Escopo: descreve os procedimentos básicos de amostragem. Explica os princípios fundamentais da inspeção por amostragem e demonstra como os planos de amostragem estabelecidos em normasespecíficas são usados de modo que as formas adequadas de inspeção e decisão fiquem convenientemente definidas. � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5426:1985, ABNT NBR 5427:1985, ABNT NBR 5428:1985, ABNT NBR 5429:1985 e ABNT NBR 5430:1985. Quadro 1. Principais normas de inspeção (Continua) Normas para amostragem e CEP4 Norma Especificações ABNT NBR 5426:1985 � Título: Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos. � Objetivo: estabelecer os planos de amostragem e os procedimentos para inspeção por atributos. � Escopo: define os elementos essenciais, como inspeção, defeitos, tipologia de defeitos, nível de qualidade aceitável (NQA), lote de inspeção, tamanho de lote e as condições gerais de amostragem e plano de amostragem, curvas características de operação, riscos associados e interrupção da inspeção. � Observação: quando especificada pelo responsável, esta norma deve ser citada em contratos, instruções ou outros documentos, e as determinações estabelecidas obedecidas. � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5428:1985. ABNT NBR 5427:1985 � Título: Guia para utilização da norma ABNT NBR 5426:1985 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos. � Objetivo: fornecer instruções detalhadas e exemplos ilustrativos para aplicação e administração dos procedimentos de amostragem por atributos estabelecidos pela ABNT NBR 5426:1985. � Escopo: abrange campos de aplicação da ABNT NBR 5426:1985, procedimentos típicos, condições específicas quanto a NQA e de inspeção, plano de amostragem, tamanho médio de amostra e tipos de amostragem, regime de inspeção, sistemas de comutação, qualidade média resultante e limite de qualidade média resultante, proteção de qualidade limite, tamanho de amostra e retirada de amostras. � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5425:1985 e ABNT NBR 5426:1985. ABNT NBR 5428:1985 � Título: Procedimentos estatísticos para determinação da validade de inspeção por atributos feita pelos fornecedores. � Objetivo: estabelecer testes estatísticos apropriados e tabelas de valores críticos para uso na determinação da validade dos resultados registrados nos relatórios de inspeção do fornecedor, quando for especificada inspeção por amostragem por atributos. � Escopo: estabelece conceitos uniformes para controlar e assegurar a qualidade, tendo-se em conta a inspeção realizada pelo fornecedor e o mútuo acordo com o cliente. Quadro 1. Principais normas de inspeção (Continua) (Continuação) 5Normas para amostragem e CEP Norma Especificações ABNT NBR 5428:1985 � Abrange aspectos como: direito de rejeição, reinspeção, amostragem independente, teste de homogeneidade, critérios estatísticos para amostragem conjunta por atributos, combinação de testes para homogeneidade, determinação do critério de amostragem de verificação, procedimentos baseados nas curvas características de operação (CCO), amostragem duplas e múltiplas e ação corretiva — critérios estatísticos indicativos de “advertência”. � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5425:1985, ABNT NBR 5426:1985 e ABNT NBR 5427:1985. ABNT NBR 5429:1985 � Título: Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por variáveis. � Objetivo: estabelecer planos de amostragem e procedimentos para inspeção por variáveis. Quando especificada pelo responsável, a presente norma deve ser citada em contratos, instruções ou outros documentos, e as determinações estabelecidas obedecidas. � Escopo: compreende a definição conceitual de inspeção por variáveis, características de qualidade, não conformidade, nível de qualidade aceitável e limitações, lote de inspeção e condições específicas, como determinação dos índices de qualidade, planos de amostragem e interrupção da inspeção � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5426:1985. ABNT NBR 5430:1985 � Título: Guia de utilização da norma ABNT NBR 5429:1985 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por variáveis. � Objetivo: fornecer instruções detalhadas, com exemplos ilustrativos, para aplicação e administração dos procedimentos de amostragem por variáveis estabelecidos na ABNT NBR 5429:1985. � Escopo: abrange o detalhamento dos procedimentos típicos, como sequência de operações, além de condições específicas, como níveis de qualidade, níveis de inspeção e regimes de inspeção, planos de amostragem. � Documentação complementar: na sua aplicação, é necessário consultar a ABNT NBR 5426:1985. Quadro 1. Principais normas de inspeção (Continuação) Normas para amostragem e CEP6 A inspeção por atributos consiste na inspeção segundo a qual a unidade de produto é classificada simplesmente como defeituosa ou não (ou o número de defeitos é contado) em relação a um dado requisito ou conjunto de requisitos. Você poderá ter acesso ao catálogo de normas da ABNT no site oficial da organização. 2 Uso das normas A partir de agora, você vai aprender sobre a utilização e aplicação das normas brasileiras e entender como contribuem para a sistematização dos procedi- mentos, tanto nas tabelas que substituem cálculos estatísticos complexos para a definição do plano de amostragem por atributos e por variáveis quanto nos procedimentos de inspeção. ABNT NBR 5425:1985 Por estabelecer os procedimentos básicos de amostragem, conceituar e explicar os princípios fundamentais da inspeção por amostragem e demonstrar a maneira pela qual os planos de amostragem são usados, a ABNT NBR 5425:1985 se aplica a todas as atividades de controle e certificação de qualidade. ABNT NBR 5426:1985 e ABNT NBR 5427:1985 A ABNT NBR 5426:1985 especifica os planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos e se aplica à realização de inspeções de: a) produtos terminados; b) componentes e matéria-prima; c) operações; d) materiais em processamento; 7Normas para amostragem e CEP e) materiais estocados; f) operações de manutenção; g) procedimentos administrativos; h) relatórios e dados. Cabe destacar que, inicialmente, os planos se destinam à inspeção de lotes contínuos, podendo ser usados para inspeção de lotes isolados desde que mantido o NQA. Um aspecto importante a considerar nos procedimentos reside na forma como se aplica a inspeção da(s) amostra(s) em cada um dos casos de uso da inspeção por atributos da ABNT NBR 5426:1985, aspecto detalhado na ABNT NBR 5427:1985, cuja informação está sintetizada no Quadro 2. Item Aplicação Produtos terminados Inspeção antes ou após embalagem e expedição para embarque ou armazenagem Componentes e matéria-prima Inspeção na origem, onde são fabricados, próximo à recepção no ponto de montagem ou em qualquer outro lugar conveniente ao longo do processo de montagem em que são formados os produtos terminados Operações Inspeção por amostragem para determinar se as máqui- nas de produção e operadores estão desempenhando satisfatoriamente o trabalho Materiais em processamento Inspeção por amostragem para determinar a qualidade após qualquer fase ao longo da linha de produção, bem como a extensão do dano ou deterioração durante a armazenagem temporária entre as fases de produção ou a qualidade antes de o produto continuar até a próxima etapa do processo de produção Materiais estocados Os procedimentos e as tabelas de amostragem da ABNT NBR 5426:1985 podem ser usadas para determinação da qualidade de materiais estocados Operações de manutenção Faz-se inspeção por atributos depois de tais operações terem sido executadas para determinar a qualidade do produto após conserto Quadro 2. Aplicações da NBR 5426 (Continua) Normas para amostragem e CEP8 Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (1985c). Item Aplicação Procedimentos administrativos Se os resultados de procedimentosadministrativos puderem ser medidos na base de atributos, os planos de amostragem e os procedimentos previstos na ABNT NBR 5426:1985 poderão ser aplicados para sua avaliação e controle Relatórios e dados Os procedimentos de inspeção por amostragem por atributos podem ser usados sempre que forem proces- sadas grandes quantidades de dados (p. ex., registros contábeis, dados de custo, pedidos, contas de fretes, etc.) como uma base para determinação da precisão e outras medidas da qualidade dos dados ou registros Quadro 2. Aplicações da NBR 5426 (Continuação) Na ABNT NBR 5426:1985, os planos de amostragem, que determinam o número de unidades de produto de cada lote a ser inspecionado (tamanho da amostra) e o critério de aceitação do lote em termos de números de aceitação e de rejeição, são tabelados em função do tamanho do lote e do NQA. Ainda, o usuário precisa definir o nível de inspeção em que deseja trabalhar, uma vez que ele fixa a relação entre o tamanho do lote e o da amostra. As operações a serem realizadas, de modo sequencial, para a realização das inspeções descritas na ABNT NBR 5427:1985 consistem em: � determinar o tamanho do lote; � escolher o nível de inspeção; � determinar o código literal do tamanho da amostra; � escolher o plano de amostragem; � estabelecer a severidade da inspeção; � determinar o tamanho da amostra e o número de aceitação; � retirada da amostra; � inspeção da amostra. 9Normas para amostragem e CEP Na ABNT NBR 5426:1985, são previstos quatro níveis para uso geral (I, II e III) e quatro níveis especiais (S1, S2, S3 e S4). A norma estabelece que será adotada inspeção em nível II para os casos gerais, salvo a ocorrência de qualquer indicação em contrário, e, no mesmo sentido, define a prescrição do nível pelo responsável pela inspeção, nos casos particulares. Os níveis especiais se aplicam a casos em que somente podem ser usadas amostras de tamanho muito pequeno, como é o caso de ensaios destrutivos de custo elevado. Os tamanhos de amostra são especificados por um código literal (A, B, C, D, .., R) e organizados de modo que os associa a cada nível de inspeção de uso geral e específicos, como mostrado resumidamente no Quadro 3. A codificação de amostragem completa pode ser obtida no anexo da norma. A letra do código e o NQA serão utilizados para a obtenção do plano de amostragem, a partir de um conjunto de tabelas constantes do anexo A da ABNT NBR 5426:1985. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (1985b). Tamanho do lote Níveis especiais de inspeção Níveis gerais de inspeção S1 S2 S3 S4 I II III 2 a 8 A A A A A A B 9 a 15 A A A A A B C 16 a 25 A A B B B C D 501 a 1.200 C C E F G J K 3.201 a 10.000 C D F G J L M 150.001 a 500.000 D E G J M P Q Acima de 500.001 D E H K N Q R Quadro 3. Codificação literal de tamanho de amostra Normas para amostragem e CEP10 Os planos de amostragem definidos na ABNT NBR 5426:1985 são tipi- ficados em três categorias: simples, duplo e múltiplos. A decisão quanto ao tipo de plano a ser usado leva em consideração a relação entre os tamanhos médios das amostras e a dificuldade administrativa para a operacionalização da inspeção, a qual se torna menor para a amostragem simples e com custos por unidade de amostra menores do que para os demais tipos. A Figura 1 apresenta um exemplo de tabela de um plano de aplicação por atributos para amostragem simples. Figura 1. Plano de amostragem simples. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (1985b, p. 8). Observe na Figura 1 que o plano de amostragem relaciona o tamanho da amostra e o NQA. A sigla Ac indica o número de peças defeituosas que per- mite a aceitação do lote e Re o número de peças defeituosas quem implicam rejeição do lote. O símbolo seta para baixo aponta que é para usar o primeiro plano abaixo da seta e o símbolo seta para cima para usar o plano acima da seta. Para facilitar seu entendimento, considere um NQA igual a 1% e nível geral de inspeção II (vide Quadro 3). O tamanho de lote é definido pela letra A, faixa para a qual a seta está para baixo. Você deverá considerar Ac = 0 e Re = 1, ou seja, uma única peça defeituosa define a rejeição do lote totalmente. 11Normas para amostragem e CEP ABNT NBR 5428:1985 A necessidade de assegurar a qualidade para manter e melhorar produtos e processos em determinadas situações requer a inspeção de lotes de produtos recebidos dos fornecedores, a fim de garantir que apresentem um nível de qualidade aceitável. Isso é particularmente importante no início da produção, quando se conhece pouco sobre o histórico da qualidade do fornecedor, seus critérios de inspeção e a validade dos seus registros. E este é justamente o foco da ABNT NBR 5428:1985, que estabelece conceitos de controle e garantia da qualidade, levando em conta a inspeção realizada pelo fornecedor, uma vez que define procedimentos estatísticos para determinação da validade de inspeção por atributos feita pelos fornecedores. Nesse sentido, a norma destaca a importância do estabelecimento de um acordo mútuo entre o fornecedor e o consumidor, uma vez que será realizada uma amostragem conjunta. Isso requer que o fornecedor concorde em manter os registros das inspeções feitas em seus produtos para que o consumidor possa utilizar aqueles dados para validar o processo de inspeção do fornecedor. A utilização de análises estatísticas possibilita empregar a amostragem na inspeção, para que, a partir da identificação de peças não conformes en- contradas, se possa inferir sobre a qualidade do lote recebido e definir a sua aceitação ou rejeição. Assim, a norma estabelece testes estatísticos e apresenta um conjunto de tabelas de valores, ditos valores críticos, para uso na validação dos relatórios de inspeção registrados pelo fornecedor, quando for especificada a inspeção por atributos. A ABNT NBR 5428:1985 considera a amostragem independente e a inspe- ção por meio da confrontação de duas amostras — uma do fornecedor e outra do consumidor — de um mesmo lote, sendo a inspeção feita por este último definida como padrão e os resultados da inspeção realizada pelo fornecedor confrontadas com ela. O exame e a comparação devem ser das frações defeituo- sas, tolerando-se somente discrepâncias por variação aleatória da amostragem. No caso de grandes diferenças entre os resultados das amostragens, deve-se investigar as causas de tais divergências. Para isso, realiza-se o teste de homogeneidade, que permite identificar se as diferenças entre as inspeções por amostragem do fornecedor e do consumidor são resultantes da retirada aleatória das unidades de amostra do lote ou de discrepâncias significativas no processo de inspeção. De acordo com a ABNT NBR 5428:1985, o procedimento dos testes considera os seguintes passos: Normas para amostragem e CEP12 � cada lote individual será inspecionado pelo fornecedor de acordo com as normas de amostragem; � será retirada do mesmo lote, pelo consumidor, uma segunda amostra, proporcional em tamanho àquela tomada pelo fornecedor; � considerando a razão de proporcionalidade entre os tamanhos das amostras, o consumidor deve consultar na tabela 4, limites para a deter- minação das discrepâncias entre inspeções por amostragem combinadas na norma, a coluna que contém os valores da variável de avaliação “número de ação” (dc (A)); � comparar esse resultado com a quantidade de peças defeituosas (dc) encontrada pelo consumidor com a variável de decisão. A variável “número de ação” (dc(A)) está associada à quantidade de peças defeituosas encontradas na inspeção feita pelo fornecedor. Ao comparar o número de peças defeituosas (dc) identificadas na inspeção por amostragem que realizou, o consumidor terá evidências quantitativas para avaliar a quali- dade do resultado de inspeção do fornecedor em relação ao lote em questão. Por fim, o critério especificado na norma é: se o número de encontrado pelo consumidor na sua inspeçãopor amostragem for igual ou superior ao número de ação dc(A), ele adota uma linha de ação partindo do princípio de que existe discrepância no sistema de inspeção do fornecedor, devendo monitorar mais de perto, buscar as causas e, se necessário, proceder a uma nova inspeção. Caso contrário, não identificando discrepâncias significativas, situação em que dc < dc(A), pode reduzir proporcionalmente o tamanho da amostra. ABNT NBR 5429:1985 e ABNT NBR 5430:1985 A ABNT NBR 5429:1985 especifica os planos de amostragem e procedimentos na inspeção por variáveis e se aplica à realização de inspeções de: a) produtos terminados; b) componentes e matéria-prima; c) operações; d) materiais em processamento; e) materiais estocados; f) operações de manutenção. 13Normas para amostragem e CEP De modo semelhante ao que ocorre na ABNT NBR 5426:1985, cabe destacar que os planos inicialmente se destinam à inspeção de lotes de séries contínuas, podendo ser usados para inspecionar lotes isolados, desde que, no último caso, seja mantido o nível de proteção e de qualidade aceitável. Outros aspectos comuns com as normas ABNT NBR 5426:1985 e ABNT NBR 5427:1985 são: � os planos de amostragem, que determinam o número de unidades de produto de cada lote a ser inspecionado (tamanho da amostra) e o critério de aceitação do lote em termos de números de aceitação e de rejeição são tabelados em função do tamanho do lote e do NQA; � o usuário precisa definir o nível de inspeção em que deseja trabalhar, uma vez que ele fixa a relação entre o tamanho do lote e o tamanho da amostra; � as operações a serem realizadas até a realização da inspeção são as mesmas detalhadas na ABNT NBR 5427:1985, sendo neste caso espe- cificadas na ABNT NBR 5430:1985, com as devidas especificidades da ABNT NBR 5429:1985; � são previstos alguns níveis para uso geral (I, II e III) e quatro níveis especiais (S1, S2, S3 e S4) e os tamanhos de amostra são especificados por um código literal (B, C, D,…, R). Já os planos de amostragem são também elaborados para diferentes níveis de severidade (definidas na ABNT NBR 5425:1985): normal, severa e ate- nuada. Para cada nível de inspeção, o plano é obtido a partir de uma tabela específica constante da norma, o que é detalhado na ABNT NBR 5430:1985, para cada nível, além de descrever os procedimentos que se aplicam aos casos de comutação no regime inspeção, por exemplo, quando mudar da inspeção severa para a normal, e vice-versa. Outro ponto comum entre a ABNT NBR 5429:1985 e a ABNT NBR 5426:1985, apontado por Rocha (2019), reside no fato de os cálculos estatísticos complexos serem substituídos por tabelas de variáveis, as quais definem os tamanhos de amostra e critérios de aceitação dos lotes por meio de normas específicas. Normas para amostragem e CEP14 A ABNT NBR 5429:1985, diferentemente da ABNT NBR 5426:1985, estabelece somente procedimentos para inspeção por variáveis, por planos de amostragem simples, não sendo feitas amostragens duplas ou múltiplas, além de serem considerados os seguintes aspectos: 1. Conhecimento da variabilidade do processo (plano de amostragem para variabilidade conhecida e plano de amostragem para variabilidade desconhecida); e 2. O método utilizado para estimar essa variabilidade (desvio-padrão ou amplitude média da amostra). Em relação ao primeiro aspecto e de acordo com a norma ABNT NBR 5430:1985: “Geralmente usa-se o plano de amostragem para variabilidade desconhecida, método do desvio-padrão. Quando especificado no contrato ou outro documento, pode ser utilizado o método da amplitude [...]” (ASSO- CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985f, p. 2). No caso de a variabilidade ser conhecida, a norma ABNT NBR 5430:1985 especifica ainda que: “A variabilidade conhecida só deve ser utilizada quando houver certeza do conhecimento da variabilidade do processo do fornece- dor, devendo antes ser consultado o departamento técnico competente sobre a possibilidade de sua utilização [...]” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985f, p. 2). As operações a serem realizadas, de maneira sequencial, para a definição do plano de amostragem na inspeção por variáveis, descritas na ABNT NBR 5430:1985, são: “1. Determinar o tamanho do lote; 2. Escolher o nível de inspeção; 3. Determinar o código literal do tamanho da amostra; 4. Escolher o plano de amostragem; 5. Estabelecer a severidade da inspeção; 6. Determinar o tamanho da amostra e o número de aceitação; 7. Retirada da amostra; e 8. Inspeção da amostra [...]” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985f, p. 2). Nesse sentido, ela se diferencia da ABNT NBR 5426:1985 em relação às tabelas e ao seu conteúdo, assim como as particula- ridades da inspeção por variáveis. 3 Aplicações do uso das normas Para efeitos práticos, nesta seção você conhecerá algumas situações nas quais os procedimentos e as tabelas das normas podem ser utilizadas, como apre- sentaremos a seguir. 15Normas para amostragem e CEP Plano de amostragem por atributos Um elemento fundamental a ser obtido consiste no tamanho da amostra, o que requer o conhecimento prévio do tamanho do lote, do nível de inspeção e do NQA. Para isso, vamos considerar um lote com tamanho igual a 3.500 unidades, nível de inspeção geral II e um NQA = 1,5%, além de amostragem simples e regime de inspeção normal. 1. Encontra-se o código literal para determinar o tamanho da amostra, a partir da tabela 1 da ABNT NBR 5426:1985. No Quadro 3 deste material, você pode observar a referida tabela resumida e consultar o tamanho da amostra. Para isso, na coluna do tamanho do lote, veja a linha da faixa na qual se enquadram 3.500 unidades. Na coluna do nível geral de inspeção II, você vai encontrar a letra L, que corresponde ao código literal. 2. Tamanho da amostra e número de aceitação. Obtido o código literal, você identificará o tamanho da amostra na tabela 2 da ABNT NBR 5426:1985, apresentada neste material na Figura 1. O resultado será uma amostra de 200 unidades. Verificando a coluna do NQA = 1,5%, na linha do código literal L, os números de aceitação e rejeição serão, respectivamente, Ac = 7 e Re = 8. 3. Feito isso, realiza-se a inspeção. Critério de aceitação e rejeição de lotes Tomando como base o plano de amostragem simples do exemplo anterior, do lote de 3.500 unidades, retira-se ao acaso uma amostra de 200 unidades. Em cada unidade na amostra, inspecionam-se todas as características da qualidade especificadas para determinar se a unidade é defeituosa ou não. Se forem encontradas 7 unidades defeituosas ou menos, o lote inteiro de 3.500 unidades será aceito; caso 8 ou mais unidades defeituosas forem encontradas, o lote deve ser rejeitado. Amostragem conjunta por atributos para validação de inspeção feita pelo fornecedor Considere em um acordo mútuo entre um consumidor e seu fornecedor, a inspeção de um lote por amostragem de acordo com a ABNT NBR 5426:1985 com nível de inspeção II e NQA = 1,5%. O fornecedor, em virtude das ca- Normas para amostragem e CEP16 racterísticas do produto e das questões operacionais, produziu lotes de 1.200 unidades cada um e usou amostragem simples. Para esse plano de inspeção, a amostra terá tamanho igual a 80 unidades e número de aceitação igual a 3. Após inspecionada a amostra, foram registradas 3 unidades defeituosas na amostra de 80 unidades, tendo sido apresentado o lote com o registro ao consumidor. Ao receber, o consumidor decide realizar a inspeção de verificação do produto, por amostragem, usando o tamanho da amostra igual ao do fornecedor e encontrando 6 unidades defeituosas. Com base nesses dados, pode-se realizar um teste de homogeneidade, considerando-se, nos termos da ABNT NBR 5428:1985, a inspeção do consu- midor como padrão para efeitos de confrontação. Assim, temos que os defeitos observados pelo fornecedor (df) são iguais a 3 e pelo consumidor (dc) iguais a 6. Como ambos foram obtidos para um tamanho de amostra igual,de 80 unidades, consequentemente a razão do tamanho de amostra é r = 1. Na tabela 4 da ABNT NBR 5428:1985, para r = 1, o consumidor com base no número de peças defeituosas observadas na inspeção do fornecedor (d(f) = 3) obtém um número de ação dc(A) = 9, conforme se pode verificar no Quadro 4, a seguir. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (1985b). r = 1 r = 2 r = 3 r = 5 r = 8 d(f) dc(A) dc(A) dc(A) dc(A) dc(A) 0 3 2 2 1 1 1 5 3 3 2 2 2 7 4 3 3 2 3 9 5 4 3 2 5 11 6 5 3 3 4 12 7 5 4 3 6 14 8 6 4 3 Quadro 4. Limites para a determinação das discrepâncias entre inspeções por amostra- gem combinadas 17Normas para amostragem e CEP Para avaliar se há discrepância significativa entre a inspeção do fornecedor e a do consumidor, de acordo com a norma, o número de ação dc(A) deve ser confrontado com o número de peças defeituosas observado na amostra do consumidor (dc). Nesse caso, como o número das defeituosas em sua amostra de verificação (dc = 5) é menor que o valor crítico (dc(A) = 9), não há evidência ainda para que o consumidor duvide da qualidade do resultado de inspeção do fornecedor em relação ao lote em questão. Segundo a norma ABNT NBR 5428:1985, não sendo encontradas discre- pâncias significativas entre os resultados do fornecedor e os do consumidor, após realizadas as inspeções, o último pode reduzir seu tamanho de amostra para a metade do tamanho adotado pelo fornecedor em inspeções futuras. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5425:1985. Guia para ins- peção por amostragem no controle e certificação de qualidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1985a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5426:1985. Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos. Rio de Janeiro: ABNT, 1985b. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5427:1985. Guia para uti- lização da norma NBR 5426 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos. Rio de Janeiro: ABNT, 1985c. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5428:1985. Procedimen- tos estatísticos para determinação da validade de inspeção por atributos feita pelos fornecedores. Rio de Janeiro: ABNT, 1985d. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5429:1985. Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por variáveis. Rio de Janeiro: ABNT, 1985e. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5430:1985. Guia de utilização da norma ABNT NBR 5429 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por variáveis. Rio de Janeiro: ABNT, 1985f. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 2859-1:1999. Sampling procedures for inspection by attributes – Part 1: Sampling schemes indexed by accep- tance quality limit (AQL) for lot-by-lot inspection. Geneva: ISO, 1999. Disponível em: https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso:2859:-1:ed-2:v1:en. Acesso em: 15 out. 2020. Normas para amostragem e CEP18 INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 2859-2:2020. Sampling procedures for inspection by attributes – Part 2: Sampling plans indexed by limiting quality (LQ) for isolated lot inspection. Geneva: ISO, 2020. 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