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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 1 Direito Penal – Parte Geral (Ponto 7) Limites das penas. Dos efeitos da condenação. Da reabilitação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 2 CURSO MEGE Site para cadastro: www.mege.com.br Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) Turma: Clube Delta Material: Direito Penal – Parte Geral (Ponto 7) Direito Penal – Parte Geral (Ponto 7) Limites das penas. Dos efeitos da condenação. Da reabilitação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 3 SUMÁRIO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 1.1. LIMITES DAS PENAS ................................................................................................... 5 1.2. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ........................................................................................ 7 1.3. REABILITAÇÃO.......................................................................................................... 25 2. QUESTÕES ................................................................................................................... 29 3. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 31 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA (Conforme Edital Mege) DIREITO PENAL Limites das penas. Dos efeitos da condenação. Da reabilitação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 5 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. LIMITES DAS PENAS 1.1.1. REGRAS GERAIS Limite das penas Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. § 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. § 2º Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando- se, para esse fim, o período de pena já cumprido. Estabelece a Constituição Federal que não haverá penas de caráter perpétuo (art. 5º, XLVII, “b”). Nessa esteira, o art. 75 do CP estabelece que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 anos. Por conseguinte, quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 anos, devem elas ser unificadas pelo juiz da execução penal para atender ao limite máximo de 40 anos. Observe, portanto, que o art. 75 é aplicável em sede de execução penal. O juiz da condenação, ao aplicar a pena, não está adstrito a esse limite. OBSERVAÇÃO: O limite de 40 anos não incide sobre benefícios da execução (ex.: progressão de regime, livramento condicional etc.). Ex.: se o sujeito tem 100 anos de pena a cumprir, o lapso de progressão será calculado com base em 100 anos, não com base em 40 anos. Súmula 715 do STF - A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução. ATENÇÃO! O art. 75 do Código Penal sofreu alteração pela publicação da Lei 13.964/19. Assim sendo, atualmente, onde se lê “trinta anos”, leia-se: quarenta anos. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 6 ATENÇÃO! O art. 10 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-lei 3.688/41) traz regra específica: “A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior a 5 anos”. 1.1.2. CONDENAÇÃO POR FATO POSTERIOR E NOVA UNIFICAÇÃO Caso sobrevenha condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido. Ex.: sujeito foi condenado a 100 anos de prisão. A pena foi unificada em 40 anos e ele já cumpriu 20 anos. Mata o carcereiro, recebendo mais 25 anos de pena. Desprezam-se os 20 anos já cumpridos e faz-se nova unificação, podendo o sujeito ficar preso mais 40 anos. Essa regra busca evitar que os condenados a penas de longa duração tenham um “cheque em branco” para praticarem delitos no cárcere. Há uma falha: se o agente praticar o novo crime logo no início do cumprimento da pena, acabará ficando impune. Ex.: condenado a 100 anos de prisão, tem a pena unificada em 40 anos. No primeiro dia, mata 5 carcereiros e 8 presos, recebendo mais 300 anos de prisão. Haverá nova unificação, em 40 anos. 1.1.3. FUGA DO ESTABELECIMENTO PENAL Em caso de fuga do condenado do estabelecimento prisional, e desde que não seja praticado um novo crime, o limite de 40 anos é contado a partir do início do cumprimento da pena, e não da recaptura. Portanto, a fuga não interrompe a execução da PPL, provocando, apenas, a sua suspensão. Nesse prisma: STF: “A fuga do condenado não constitui causa de interrupção do cumprimento da pena privativa de liberdade, nem impõe, por isso mesmo, quando recapturado, o reinício de contagem, “ex novo et ex integro”, da pena unificada, revelando-se incompatível, com o ordenamento jurídico, o desprezo, pelo Estado, do período em que o sentenciado efetivamente esteve recolhido ao sistema prisional, sob pena de sofrer, por efeito da evasão, gravame sequer previsto em lei. A data da recaptura do sentenciado, portanto, não pode ser considerada o (novo) marco inicial de cumprimento da pena unificada” (STF, HC 84766/SP, Rel. Min. Celso de Mello, 2ª T., j. 11/09/2007, v.u.). Por outro lado, tendo havido a prática de um novo crime, o limite de 40 anos deve ser contado da recaptura. Vejamos: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 7 HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PACIENTE QUE, FORAGIDO, PRATICA NOVO CRIME. NOVA UNIFICAÇÃO DE PENAS. DESPREZO DO QUANTUM JÁ CUMPRIDO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. INOCORRÊNCIA. (...) Ante a superveniência de nova condenação do Paciente, por fatos ocorridos quando se encontrava foragido, o Juízo singular, no que foi referendado pela Corte a quo, unificou as reprimendas e, a fim de respeitar o teto de 30 anos para o cumprimento do restante das penas privativas de liberdade, observando a regra estabelecida pelo § 2.º do art. 75, do Código Penal, considerou como termo inicial para cálculo da limitação de pena a data da recaptura do Paciente. O acórdão ora objurgado está em conformidadecom o entendimento deste Tribunal Superior, uma vez que, apesar do limite constitucional relativo à imposição de pena privativa de liberdade, fixado em 30 (trinta) anos de prisão (art. 75 do Código Penal), na hipótese de fuga do Paciente, ante a superveniência de novas condenações, impõe-se uma outra unificação, desprezando-se o quantum de pena já cumprida. Ordem denegada. (HC 193.381/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 17/03/2011, DJe 04/04/2011) 1.2. EFEITOS DA CONDENAÇÃO 1.2.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS Efeitos da condenação são todas as consequências provenientes de uma sentença penal condenatória transitada em julgado. Por consequência, já que não há que se falar em condenação, as sentenças absolutórias (incluindo as que impõem medida de segurança) e decisões judiciais que homologam transação penal não produzem tais efeitos. A condenação criminal traz efeitos penais e efeitos extrapenais. São efeitos penais: Principais Imposição de sanção penal - Pena (privativa de liberdade, restritiva de direitos ou multa); - Medida de segurança (internação ou tratamento ambulatorial). EFEITOS PENAIS Secundários (ou mediatos, acessórios, a) Penais: desaparecem com a abolitio criminis e a anistia. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 8 reflexos, indiretos) - Reincidência (art. 63 do CP); - Maus antecedentes; - Revogação do sursis, do livramento condicional ou reabilitação (arts. 81, 86, 87 e 95 do CP); - Conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade; - Aumento ou interrupção do prazo de prescrição da pretensão executória (art. 110 do CP). b) Extrapenais: não desaparecem com a abolitio criminis e a anistia. b.1) Genéricos (art. 91 do CP); b.2) Específicos (arts. 91-A e 92 do CP). Os efeitos penais já foram examinados. Analisemos, portanto, os efeitos extrapenais, que são assim denominados por incidirem em áreas diversas do Direito. Dividem-se em efeitos genéricos e efeitos específicos. Genéricos (art. 91 do CP) Recaem sobre todos os crimes São efeitos automáticos e o juiz não precisa declará-los expressamente na sentença. São: 1) obrigação de reparar o dano; 2) confisco. EFEITOS EXTRAPENAIS Específicos (arts. 91-A e 92 do CP) Recaem sobre certos delitos determinados Não são efeitos automáticos, ou seja, precisam ser motivadamente declarados na sentença condenatória. São: 1) perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito (art. 91-A do CP, incluído pela Lei 13.964/2019. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 9 Somente se aplica às hipóteses de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão); 2) perda do cargo, função pública ou mandado eletivo; 3) incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei nº 13.715, de 2018) 4) inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. 1.2.2. EFEITOS EXTRAPENAIS GENÉRICOS 1.2.2.1. Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime Art. 91. São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime. O cometimento de um crime acarreta responsabilidade penal e civil. Sabemos que as duas instâncias são independentes, mas a existência de sentença penal condenatória, com prova da materialidade e autoria, transitada em julgado, faz desaparecer a necessidade da vítima ou seu representante legal ingressar com uma ação de conhecimento para alcançar a reparação do dano. A sentença penal condenatória transitada em julgado é título executivo judicial (art. 515, VI, do CPC). Logo, pode ser executada no âmbito cível, onde haverá liquidação para se apurar o montante da indenização (quantum debeatur). OBSERVAÇÃO: A sentença que concede o perdão judicial é declaratória (súmula 18 do STJ); a que aplica a medida de segurança ao inimputável é absolutória; a que impõe sanção penal ao semi-imputável é condenatória. Vale observar que a Lei 11.719/08 alterou o Código de Processo Penal, permitindo que o juiz, ao proferir a sentença penal condenatória, fixe, desde logo, valor CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 10 mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido (art. 387, inciso IV). No entanto, a jurisprudência aponta a necessidade de pedido expresso e formal nesse sentido. “Para que seja fixado, na sentença, o valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima (art. 387, IV, do CP), é necessário que haja pedido expresso e formal, feito pelo parquet ou pelo ofendido, a fim de que seja oportunizado ao réu o contraditório e sob pena de violação ao princípio da ampla defesa”. STJ. 5ª Turma. HC 321279/PE, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Des. Conv. do TJ/PE), julgado em 23/06/2015. Nada impede que a vítima pleiteie uma indenização maior no juízo cível, executando, desde logo, o valor mínimo fixado na sentença penal condenatória e provando (em fase de liquidação pelo procedimento comum, regulado pelos arts. 509, I e 511 do CPC 2015) que os prejuízos suportados foram maiores do que a quantia estabelecida na sentença. - Além dos prejuízos materiais, o juiz criminal pode condenar o réu ao pagamento de indenização a título de danos morais? Muito interessante a decisão da 6ª Turma do STJ no Informativo 588. Vejamos: “O juiz, ao proferir sentença penal condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto diante de um caso concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano moral sofrido pela vítima, desde que fundamente essa opção. Isso porque o art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos materiais e a legislação penal deve sempre priorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os prejuízos sofridos”. REsp 1585684-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 9/8/2016. O STJ foi além. Em decisão de 28/02/2018, a 3ª Seção da Corte, no REsp 1.643.051-MS, de relatoria do Min. Rogerio Schietti Cruz, sob o regime dos recursos repetitivos, decidiu que nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral independentemente de instrução probatória, porquanto a humilhação e a dor que geram dano moral decorrem, inequivocamente, da situação de quem é vítima de uma agressão verbal, física ou psicológica, na condição de mulher. Para os Ministros, é irrazoável a exigência de instrução probatória para comprovar o dano psíquico, o grau de humilhação, a diminuição da autoestima da vítima. A própria conduta criminosa empregada pelo agressor já está imbuída de desonra, descrédito e menosprezo ao valor da mulher como pessoa e à sua própria dignidade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com| CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 11 A única prova que se exige é a de que houve o crime porque, uma vez demonstrada a agressão à mulher, os danos psíquicos dela resultantes são evidentes. Nesta hipótese, o dano moral é in re ipsa (Info 621). OBSERVAÇÃO: Em caso de danos materiais, o juiz somente poderá fixar a indenização se existirem provas nos autos que demonstrem os prejuízos sofridos pela vítima em decorrência do crime. ATENÇÃO! O réu que praticou corrupção passiva pode ser condenado, no âmbito do próprio processo penal, a pagar danos morais coletivos. O ordenamento jurídico tutela, no âmbito da responsabilidade, o dano moral não apenas na esfera individual como também na coletiva, conforme previsto no inciso X do art. 5o da Constituição Federal e no art. 186 do Código Civil. Destaque-se ainda a previsão do inciso VIII do art. 1o da Lei no 7.347/85 (Lei de Ação Civil Pública). STF. 2a Turma. AP 1002/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2020 (Info 981). - A sentença penal condenatória transitada em julgado perde a condição de título executivo judicial se posteriormente a ela se verificar a extinção da punibilidade? Não. Ainda que a extinção da punibilidade ocorra pela abolitio criminis ou pela anistia, embora rescindam a sentença penal condenatória, o efeito civil da condenação persiste. No entanto, se a punibilidade do condenado for extinta pela prescrição da pretensão punitiva, haverá extinção também do valor de reparação imposto na sentença pois dela decorrente, ficando ressalvada a utilização de ação cível, caso a vítima entenda que haja prejuízos a serem reparados (EDcl no AgRg no REsp 1260305/ES, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/03/2013). ATENÇÃO! A reparação do dano pode figurar como arrependimento posterior (art. 16 do CP), atenuante genérica (art. 65, III, “b”, do CP) e requisito para a progressão de regime nos crimes contra a Administração Pública (art. 33, § 4º, do CP). 1.2.2.2. Confisco Confisco é a perda de bens de natureza ilícita em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé. A medida tem dupla finalidade: impedir a difusão de instrumentos adequados à prática de novos crimes e proibir enriquecimento ilícito por parte do criminoso. a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 12 Instrumento do crime é o meio de que se vale o agente para cometer o ilícito, ou seja, são os objetos utilizados na prática do crime. Nem todo instrumento do crime poderá ser confiscado, mas tão somente aqueles cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito (ex.: documentos falsos, dinheiro falso, armas de uso restrito ou cujo agente não possua porte, chave micha etc.). Apesar do confisco, ressalva-se o direito do lesado ou do terceiro de boa-fé. A perda não se aplica à contravenção penal (interpretação restritiva). OBSERVAÇÃO: O art. 243 da CF estabelece o confisco de propriedades urbanas e rurais, utilizadas para a cultura de plantas psicotrópicas ou para exploração do trabalho escravo, sem pagamento de indenização. b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. A perda abrange: - produto do crime – o que foi obtido diretamente com o delito (ex.: computador ou celular furtado etc.); - proveito do crime – o que foi obtido indiretamente com o delito, isto é, aquilo em que o produto do delito foi convertido por especificação (ex.: pingente feito com o ouro subtraído etc.) ou aquilo que foi adquirido pela alienação do produto do delito (ex.: dinheiro obtido com a venda do celular furtado). Logicamente, o confisco não compreende o direito do lesado ou do terceiro de boa-fé. Ex.: policial tem uma arma particular devidamente regularizada. Bandido furta a arma e a emprega em um roubo. A arma será restituída ao dono. É possível o confisco do produto ou proveito obtido com contravenção penal? O art. 91 prevê o confisco em se tratando de crime. Há entendimento tanto no sentido de que a lei penal deve ser interpretada restritivamente quanto no sentido de que o texto legal, neste caso, admite interpretação extensiva, para abranger também o produto ou proveito advindo da prática de contravenções penais (Nucci). c) confisco de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime. § 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 2º Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 13 equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) O confisco por equivalência, previsto nos §§ 1º e 2º do art. 91 do CP, foram introduzidos pela Lei nº 12.694, de 2012, com o propósito de proporcionar maior eficácia nas condenações proferidas em delitos cometidos no âmbito das organizações criminosas. Se não for possível o confisco do produto ou proveito do crime, quer porque não foram encontrados, quer porque estão no exterior, poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes (§ 1º). Ex.: agente furta R$ 200.000,00 do banco. Não sendo localizado o dinheiro, é possível decretar a perda de um imóvel do agente de valor equivalente. Para garantir o confisco dos bens ou valores referidos no dispositivo anterior, admitem-se as medidas assecuratórias previstas na legislação processual (§ 2º). 1.2.3. EFEITOS EXTRAPENAIS ESPECÍFICOS 1.2.3.1. Confisco alargado (confisco ampliado ou perda alargada) Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. § 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado todos os bens: I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade criminal. § 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio. § 3º A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. § 4º Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada. § 5º Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cívele penal. 14 Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. Trata-se de efeito específico da condenação, na medida em que o legislador limitou a aplicação de tais regras aos crimes cuja pena máxima seja superior a 6 seis anos de reclusão. A exigência feita para fins de aplicação do confisco alargado é a existência de volume patrimonial do condenado que seja incompatível com o seu rendimento lícito. Dessa forma, alcança-se bens do condenado sem que seja necessária a prova de que são decorrentes diretos ou indiretos da atividade criminosa. Ou seja, com esta previsão legislativa, a perda patrimonial do condenado englobará ativos que não estão diretamente ligados ao fato criminoso investigado. A incompatibilidade patrimonial é aferida com base em ativos do condenado: I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade criminal. Podemos perceber, assim, que há uma distinção entre a sanção penal e os seus efeitos. Isso porque, para fins de condenação, prevalece a ideia da dúvida razoável, devendo haver prova clara da ligação direta ou indireta do produto ou proveito do crime com o fato que se está condenado. Por outro lado, no caso dos efeitos da condenação oriundos da perda alargada, há visível mitigação do patamar probatório, pois o confisco cairá sob a parcela do patrimônio do condenado que se mostrar incongruente com seus rendimentos lícitos, de onde se extrai a aplicação uma presunção de ilicitude dos ativos do condenado. Visando a minimizar os efeitos de tal presunção, a legislação permite que o condenado demonstre a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio, o que permitirá o afastamento do efeito do confisco alargado. Para fins de aplicação da perda alargada, deverá haver requerimento expresso do Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. A resposta ao requerimento ministerial será apresentada na sentença condenatória, na qual o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada. Trata-se, pois, de um efeito não automático da condenação, na medida em que deve ser decretado de forma expressa pelo magistrado em sua sentença condenatória. Há, por fim, regra específica para os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias, que deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 15 Tal regra visa a impossibilitar, ou pelo menos dificultar, a sobrevivência das atividades ilegais desenvolvidas pelas organizações criminosas e milícias, com o confisco de todos os bens por elas utilizados. Vale ressaltar que o confisco alargado, previsto pelo art. 91-A do CP, não se confunde com o confisco equiparado, previsto no art. 91, §1º e 2º, do CP. Este ocorre quando o produto ou proveito do crime não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior, ocasião em que, por equivalência, poderá ser decretada a perda de bens ou valores do condenado. Aquele, por sua vez, se apresenta como uma extensão do perdimento de bens ou valores que, apesar de não se encontrarem ligados ao crime investigado e julgado, de algum modo, advém de práticas ilícitas, na medida em que a sua posse é incompatível com o rendimento lícito do sujeito. Por fim, cumpre esclarecer que o § 5º do art. 91-A, diferentemente dos outros parágrafos do mesmo artigo, traz outro efeito extrapenal específico, distinto e independente do caput (perda dos instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias). 1.2.3.2. Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo Art. 92. São também efeitos da condenação: I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 anos nos demais casos. São efeitos não automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença. Por isso, o juiz deve fazer análise da natureza e extensão do dano, e das condições pessoais do réu, para aferir, no caso concreto, o cabimento desse efeito. O art. 92, parágrafo único, tem expressa previsão nesse sentido. Estabelece o CP que a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo somente pode ser decretada nas hipóteses trazidas no art. 92, I: - aplicada pena privativa de liberdade igual ou superior a 1 ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública. Ex.: peculato, corrupção. A perda do cargo refere-se somente à função pública ou cargo público que o agente ocupava à época da prática do delito? Em outras palavras, se no momento de prolação da sentença condenatória o réu ocupa outra posição no âmbito da Administração Pública, o juiz pode atribuir esse efeito ao atual cargo do funcionário Público? CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 16 Em regra, o perdimento deve ser restrito ao cargo público ocupado ou função pública exercida no momento da prática do delito. O STJ tem precedentes nesse sentido: STJ: “Em regra, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida no momento do delito. Assim, a perda do cargo público, por violação de dever inerente a ela, necessita ser por crime cometido no exercício desse cargo, valendo-se o envolvido da função para a prática do delito” (REsp 1452935 / PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª. T., j. 14/03/2017, v.u.). No entanto, na análise do caso concreto, se o juiz motivadamente considerar que o novo cargo guarda correlação com as atribuições do anterior, mostra-se devida a perda da nova função como uma forma de evitar a possibilidade de que o agente pratique novamente delitos da mesma natureza. STJ. 5ª Turma. REsp 1452935/PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/03/2017 (Info 599). - aplicada pena privativa de liberdade superior a 4 anos nos demais casos. Ex.: roubo, furto. Neste caso, o efeito é possível ante a condenação em qualquer crime, bastando, além de decisão judicial fundamentada: natureza da pena, que deve ser PPL; e quantidade da pena, que deve ser superior a 4 anos. Nos dois casos de aplicação do efeito extrapenal de perda do cargo, função pública ou mandato eletivo, por não se tratar de efeito automático, exige-se fundamentação concreta e específica. A fundamentação, entretanto, não se fará necessária quanto ao crime de tortura, pois, neste caso, o presente efeito possui caráter automático, conforme prescreve o art. 1º, § 5º, da Lei 9.455/97: Art. 1º, § 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. OBSERVAÇÃO: A reabilitação não tem o condão de reintegrar o agente nocargo, função pública ou mandato eletivo (ver tópico “reabilitação”). O efeito da condenação é permanente. - Outros apontamentos relevantes sobre o tema: a) Perda de cargo de parlamentares CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 17 Art. 15, III, da CF - estabelece a suspensão dos direitos políticos em razão da condenação criminal. X Art. 55, § 2º, da CF - prevê que a perda do mandato de deputados federais e senadores será votada na Casa Legislativa. A CF/88 determina que o indivíduo que sofre condenação criminal transitada em julgado fica com seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação (art. 15, III). No entanto, no tocante aos parlamentares federais, prevê a Lei Fundamental que “a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa” (art. 55, § 2º). Afinal, a condenação criminal de um parlamentar federal pelo STF gera a perda imediata e automática do mandato ou é preciso votação na casa legislativa? Há 3 correntes: a) Sim. Aplica-se o art. 15, III, da CF. A decisão judicial de perda do mandato eletivo produz efeitos por si, cabendo à Casa Legislativa tão somente declará-la. É a antiga posição do STF (AP 470/Mensalão - informativo 693). b) Não, a perda não é automática, devendo a Casa deliberar. Aplica-se o art. 55, § 2º, CF, por ser norma especial e específica que excepciona a regra geral. A decisão judicial de perda do mandato eletivo somente produz efeitos após votação pela Casa Legislativa, se esta decidir desta maneira, por maioria absoluta de seus membros (STF, AP 565/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, Pleno, j. 07 e 08.08.2013, m.v. - informativo 714 e posição adotada pela 2ª Turma do STF: AP 996, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/05/2018). c) Depende. Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado: a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos termos do art. 55, III e § 3º da CF (perda do mandato por deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada); Mas se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo, já que nesses regimes é possível autorização de trabalho externo. Logo, cabe ao Plenário da Câmara ou do Senado deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato. É a posição adotada pela 1ª Turma. Nesse sentido STF. 1ª Turma. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 18 AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863).STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). ATENÇÃO! Em caso de condenação criminal transitada em julgado no caso de Vereadores, Prefeitos, Governadores e Presidente da República, não há a divergência acima apontada. Haverá a perda imediata do mandato eletivo, sendo desnecessária qualquer outra providência adicional além da determinação na decisão condenatória. b) Perda de cargo vitalício No tocante à perda de cargo vitalício (como o de juiz ou promotor), havendo norma específica disciplinando a perda, não se aplica o disposto no art. 92 do Código Penal. Nesse sentido é a posição do STJ. STJ: “1. Em relação ao art. 92 do Código Penal, o art. 38 da Lei n. 8.625/1993 é norma especial, razão pela qual deve esta última prevalecer, por trazer forma particular da perda do cargo de membro do Ministério Público. 2. A teor do art. 38, § 1º, inciso I, e § 2º da Lei n.º 8.625/93, a perda do cargo de membro do Ministério Público somente pode ocorrer após o trânsito em julgado de ação civil proposta para esse fim. E, ainda, essa ação somente pode ser ajuizada pelo Procurador-Geral de Justiça, quando previamente autorizado pelo Colégio de Procuradores, o que constitui condição de procedibilidade, juntamente com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. (...) 3. Para que possa ocorrer a perda do cargo do membro do Ministério Público, são necessárias duas decisões. A primeira, condenando- o pela prática do crime e a segunda, em ação promovida pelo Procurador-Geral de Justiça, reconhecendo que o referido crime é incompatível com o exercício de suas funções, ou seja, deve existir condenação criminal transitada em julgado, para que possa ser promovida a ação civil para a decretação da perda do cargo (art. 38, §2º, da Lei n. 8.625/1993). 4. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1409692/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., j. 23/05/2017, v.u.) c) Servidor já aposentado Há precedente no sentido de que não se admite a cassação da aposentadoria, ainda que o crime tenha sido praticado quando o agente estava em atividade: STJ: “1. O art. 92 do Código Penal apresenta hipóteses estreitas de penalidade, entre as quais não se encontra a perda da aposentadoria e, por se tratar de norma penal punitiva, não CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 19 admite analogia in malam partem. 2. Precedentes da Quinta e da Sexta Turma” (STJ, AgInt no REsp 1529620, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª T., j. 20/09/2016, v.u.). STJ: “Os efeitos de condenação criminal previstos no art. 92, I, do CP, embora possam repercutir na esfera das relações extrapenais, são efeitos penais, na medida em que decorrem de lei penal. Sendo assim, pela natureza constrangedora desses efeitos (que acarretam restrição ou perda de direitos), eles somente podem ser declarados nas hipóteses restritas do dispositivo mencionado, o que implica afirmar que o rol do art. 92 do CP é taxativo, sendo vedada a interpretação extensiva ou analógica para estendê-los em desfavor do réu, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. Dessa maneira, como essa previsão legal é dirigida para a ‘perda de cargo, função pública ou mandato eletivo’, não se pode estendê-la ao servidor que se aposentou, ainda que no decorrer da ação penal”. 5ª Turma. REsp 1.416.477-SP, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em 18/11/2014 (Info 552). 1.2.3.3. Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela II - a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei nº 13.715, de 2018) A incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela somente tem lugar nos crimes dolosos (natureza do crime), sujeitos à pena de reclusão (natureza da pena). Presente esses requisitos, o juiz pode (pois a aplicação não é obrigatória e deve ser analisada no caso concreto) declarar na sentença esse efeito, independentemente da quantidade da pena e do regime prisional. A Lei nº 13.715/2018 alterou a redação do inciso II do art. 92 do Código Penal, para abarcar mais duas situações. Na primeira, se incluem os casos de violência doméstica e familiar,não importando se do homem contra a mulher ou da mulher contra o homem. Da mesma forma, ex-cônjuges, ex-companheiros ou mesmo ex-namorados que exerçam o poder familiar sobre menores de idade, e que cometam crimes dolosos e apenados com reclusão contra a outra pessoa que partilhe do mesmo poder, podem sofrer este efeito da condenação. Na segunda, se incluem os crimes cometidos contra descendente que não o próprio filho (netos e bisnetos). Por exemplo, um caso de abuso sexual cometido pelo CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 20 avô contra o neto de tenra idade. Sendo este último, filho de um adolescente de dezesseis anos, submetido ao poder familiar do agressor, a nova lei permite que o autor do crime perca o poder familiar em relação a seu filho. A incapacidade se estende aos outros filhos que não foram vítimas do crime? Há 2 correntes: a) Não se estende (Nucci). b) Estende-se (Cleber Masson). Na doutrina, é a posição que prevalece. Tal conclusão ganha ainda mais força com a inclusão do descendente no rol do inciso II do art. 92 do CP. OBSERVAÇÃO 1: A Lei 13.715/18 alterou a redação do art. 23, § 2º do ECA. A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do poder familiar, exceto na hipótese de condenação por crime doloso sujeito à pena de reclusão contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro descendente. A Lei 13.715/18 também alterou a redação do art. 1.638 do CC, acrescentando-lhe um parágrafo único, com a seguinte redação: Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; II – praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. Para Rogério Sanches, como todas as hipóteses do parágrafo único do art. 1.638 do CC, já estão contempladas pela nova redação do art. 92, II, do CP, as situações do CC são autônomas, ou seja, independem de sentença penal condenatória, podendo a perda do poder familiar ser decretada por decisão do juízo cível. OBSERVAÇÃO 2: Conforme art. 93, parágrafo único, do CP, reabilitação não tem o condão de restituir a capacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela (ver tópico “reabilitação”). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 21 1.2.3.4. Inabilitação para dirigir veículo III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso A inabilitação para dirigir veículo, como efeito da condenação, é possível quando for utilizado como meio (instrumento) para a prática de crime doloso. Esse efeito da condenação não se confunde com a suspensão da autorização ou de habilitação, definida no art. 47, III, do CP, como pena restritiva de direitos aplicável aos responsáveis por crimes de trânsito culposos, com igual duração da PPL substituída. Estão abrangidos não apenas veículos automotores, mas embarcações e aeronaves. No entanto, no caso de crime praticado na direção de veículo automotor, os arts. 292 e 293 do CTB preveem a suspensão ou proibição de se obter permissão ou habilitação como pena, a ser aplicada isolada ou cumulativamente. 1.2.4. LEIS ESPECIAIS E EFEITOS DA CONDENAÇÃO Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/19) Art. 4º São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos; II - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; III - a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença. Lei de Organização Criminosa (Lei 12.850/13) Art. 2º, § 6º A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público a perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena. Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) Art. 56, § 1º Tratando-se de condutas tipificadas como infração do disposto nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o afastamento cautelar do denunciado de suas atividades, se for funcionário público, comunicando ao órgão respectivo. Trata-se de medida cautelar. Em caso de condenação, a perda do cargo observa a regra geral do CP. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 22 Lei de Drogas (Lei 11.343/2006) Art. 63-F. Na hipótese de condenação por infrações às quais esta Lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele compatível com o seu rendimento lícito. Tráfico de drogas e exploração de trabalho escravo CF/88 – Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. Lei de Falência (Lei 11.101/05) Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei: I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial; II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei; III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. § 1º Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença, e perdurarão até 5 anos após a extinção da punibilidade, podendo, contudo, cessar antes pela reabilitação penal. § 2º Transitada em julgado a sentença penal condenatória, será notificado o Registro Público de Empresas para que tome as medidas necessárias para impedir novo registro em nome dos inabilitados. Lavagem de Capitais (Lei 9.613/98) Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal: I – a perda, em favor da União – e dos Estados, nos casos de competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestara fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; II – a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada. § 1º A União e os Estados, no âmbito de suas competências, regulamentarão a forma de destinação dos bens, direitos e valores CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 23 cuja perda houver sido declarada, assegurada, quanto aos processos de competência da Justiça Federal, a sua utilização pelos órgãos federais encarregados da prevenção, do combate, da ação penal e do julgamento dos crimes previstos nesta Lei, e, quanto aos processos de competência da Justiça Estadual, a preferência dos órgãos locais com idêntica função. § 2º Os instrumentos do crime sem valor econômico cuja perda em favor da União ou do Estado for decretada serão inutilizados ou doados a museu criminal ou a entidade pública, se houver interesse na sua conservação. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012) Lei de Tortura (Lei 9.455/97) Art. 1º, § 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. - Prevalece que é efeito automático: “A perda do cargo, função ou emprego público é efeito automático da condenação pela prática do crime de tortura, não sendo necessária fundamentação concreta para a sua aplicação” (STJ, AgRg no AgRg no AREsp 1079767/SE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., j. 17/10/2017, v.u.). Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) Art. 227-A Os efeitos da condenação prevista no inciso I do caput do art. 92 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para os crimes previstos nesta Lei, praticados por servidores públicos com abuso de autoridade, são condicionados à ocorrência de reincidência. Preconceito racial (Lei 7.716/89) Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses. Não é efeito automático, conforme expressa redação do art. 18. Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável Art. 218-B, § 3º, do CP. Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento [em que se verifiquem as práticas referidas no caput do artigo]. Crimes contra a propriedade material CPP - Art. 530-G. O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, poderá determinar a destruição dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos e o perdimento dos equipamentos apreendidos, desde que precipuamente destinados à produção e reprodução dos bens, em favor da Fazenda Nacional, que deverá destruí-los ou CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 24 doá-los aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a instituições públicas de ensino e pesquisa ou de assistência social, bem como incorporá-los, por economia ou interesse público, ao patrimônio da União, que não poderão retorná-los aos canais de comércio. Redução à condição análoga à de escravo Art. 1º da Lei 12.781/13 - É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta. Crimes praticados contra prefeitos e vereadores Decreto-lei 201/67 – Art. 1º, § 2º A condenação definitiva em qualquer dos crimes definidos neste artigo, acarreta a perda de cargo e a inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação civil do dano causado ao patrimônio público ou particular. 1.2.5. RESUMO - EFEITOS EXTRAPENAIS DA CONDENAÇÃO GENÉRICOS Automáticos; Aplicam-se genericamente para qualquer crime. ESPECÍFICOS Não automáticos (devem ser motivadamente declarados na sentença); Aplicáveis para crimes específicos. Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime. Perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. - Aplicada na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão. - Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 25 - Aplicada PPL igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; - Aplicada PPL superior a 4 anos nos demais casos (reabilitação não afasta este efeito). Perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: - Dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; - Do produto ou do proveito auferido com o crime. Incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado, contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, ou contra outros descendentes (reabilitação não afasta este efeito). Inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso (reabilitação afasta este efeito). 1.3. REABILITAÇÃO Reabilitação Art. 93. A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação. Parágrafo único. A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Art. 94. A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado; III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 26 documento que comprove a renúncia da vítimaou novação da dívida. Parágrafo único. Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários. Art. 95. A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa. 1.3.1. CONCEITO E FINALIDADES É o instituto jurídico penal de medida de política criminal destinado à reinserção social do apenado, garantindo-lhe o sigilo dos registros sobre seu processo e a suspensão condicional dos efeitos da condenação extrapenais específicos. Tem como pressuposto a existência de uma sentença condenatória transitada em julgado. Pode ser pleiteada em face de qualquer pena aplicada em sentença definitiva e tem 2 finalidades: 1.3.1.1. Assegurar ao condenado o sigilo dos registros sobre o processo e condenação Com o advento da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984), o sigilo é automático e ocorre tão logo cumprida ou extinta a pena, conforme art. 202: “Cumprida ou extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei”. Logo, entende-se que a reabilitação se tornou inútil para esta finalidade. Contudo, parte da doutrina afirma que o sigilo decorrente da reabilitação é mais amplo, pois as informações abrangidas por ele somente podem ser obtidas por requisição de juiz criminal (nos termos do art. 748 do CPP), ao passo que o sigilo da LEP pode ser quebrado por qualquer autoridade judiciária, por membro do Ministério Público ou por Delegado de Polícia. 1.3.1.2. Afastar os efeitos extrapenais específicos da condenação, vedada a reintegração na situação anterior nos casos de perda de cargo, função pública ou mandato eletivo ou de incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela Há duas observações importantes sobre o tema: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 27 a) Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo – o agente pode retornar à Administração Pública, mas somente mediante nova investidura (ex.: presta novo concurso); b) Incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela – para alguns, esta incapacidade é permanente em relação à vítima do crime, mas não em relação aos outros filhos, tutelados ou curatelados (ex.: Pedro tem 3 filhos e praticou estupro contra um deles. A reabilitação resgataria a capacidade para o exercício do poder familiar em relação aos outros dois filhos). 1.3.2. REQUISITOS 1.3.2.1. Requisitos objetivos - Decurso do prazo de 2 anos contados do dia em que for extinta a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação. Ex.: condenado a pena de um ano de reclusão recebe sursis pelo prazo de dois anos. Decorrido o prazo sem revogação e ocorrendo a extinção da pena, o sujeito pode pedir a reabilitação, pois decorrido o prazo necessário. O prazo é o mesmo tanto para réus primários quanto para os reincidentes. Se o agente ostentar diversas condenações, o pedido de reabilitação deve ser formulado em relação a todas elas. - O condenado tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. Em razão da independência das instâncias, a obrigação de reparar o dano, como requisito para a concessão da reabilitação, permanece, ainda quando o pedido de indenização formulado pela vítima, no juízo cível, tenha sido julgado improcedente. No entanto, não há que se falar em reparação do dano nos crimes em que esse resultado não se produz ou quando a vítima do crime for indeterminada ou nos crimes vagos. 1.3.2.2. Requisitos subjetivos Dizem respeito à pessoa do condenado. Também são dois: - O condenado tenha tido domicílio no País no prazo referido O condenado deve ter tido domicílio no Brasil no prazo de dois anos após a extinção da pena. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 28 - O condenado tenha dado demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado no prazo referido No prazo de dois anos posteriores à extinção da pena, o condenado deve ter demonstrado, de forma efetiva e constante, bom comportamento público e privado. Não é somente a prática de uma nova infração penal que impede a reabilitação, mas sim, qualquer ato capaz de macular a reputação do agente. 1.3.2.3. Pedido de Reabilitação A legitimidade para formular o pedido é privativa do condenado. Trata-se de ato pessoal e intransferível, ou seja, em caso de morte do condenado, não se estende aos seus herdeiros ou sucessores. A quem deve ser dirigido o pedido de reabilitação? Ao juízo de primeiro grau em que tramitou a ação penal (e não ao juiz da execução) ainda que a decisão condenatória transitada em julgado tenha sido proferida em sede recursal (exceto nos casos de competência originária, em que o pedido deve ser feito perante o Tribunal). Se a reabilitação for negada, pode ser requerida novamente? Sim, a qualquer tempo, desde que o pedido seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários (art. 94, parágrafo único). Se a reabilitação for concedida ou negada, qual o recurso cabível? Apelação (art. 593, II, do CPP). Estabelece o CPP que haverá recurso de ofício da decisão que concede a reabilitação (art. 746 do CPP). Para alguns, esta hipótese de recurso de ofício foi revogada. A reabilitação poderá ser revogada? Sim, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa (art. 95). Portanto, a revogação somente pode ocorrer no prazo referido no art. 64, I. Conforme item 82 da exposição de motivos do Código Penal, “a reabilitação não é causa extintiva da punibilidade e, por isso, ao invés de estar disciplinada naquele Título, como no Código vigente, ganhou Capítulo próprio, no Título V. Trata-se de instituto que não extingue, mas tão-somente suspende alguns efeitos penais da sentença condenatória, visto que a qualquer tempo, revogada a reabilitação, se restabelece o status quo ante. Diferentemente, as causas extintivas da punibilidade operam efeitos irrevogáveis, fazendo cessar definitivamente a pretensão punitiva ou a executória”. A reabilitação afasta a reincidência? Não! Se o reabilitado cometer novo crime, poderá ser considerado reincidente. Ademais, convém lembrar que a reincidência revoga a reabilitação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 29 2. QUESTÕES 1. É consequência automática da condenação criminal transitada em julgado: a) a perda do mandato eletivo do Senador da República. b) a imediata suspensão de qualquer mandato eletivo. c) a perda do mandato eletivo do Deputado Federal. d) a perda de qualquer mandato eletivo. e) a perda do mandato eletivo do Vereador. 2. Acerca da concessão da reabilitação, considere: I. Ter domicílio no país pelo prazo de quatro anos. II. No cômputodo prazo de sursis não ter havido revogação. III. Ter demonstrado efetiva e constantemente bom comportamento público e privado. IV. Condenação a pena superior a dois anos, no caso de pena privativa de liberdade. V. Ter ressarcido o dano causado ou demonstrado a impossibilidade absoluta de fazê- lo. Está correto o que se afirma APENAS em: a) III e IV. b) I, II, III e V. c) II, III, IV e V. d) II, III e V. e) I, II e IV. 3. O principal efeito da sentença criminal condenatória é a ____________. A legislação penal brasileira, porém, prevê também efeitos secundários da condenação, tanto de natureza penal quanto extrapenal. Os efeitos secundários de natureza _____________ se dividem em genéricos e específicos. ____________ é exemplo de efeito secundário ______________da decisão criminal condenatória transitada em julgado. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, a frase. a) medida de segurança, nunca a pena … penal … Reincidência … penal específico b) sanção penal (pena ou medida de segurança) … penal … A perda de função pública quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos … extrapenal c) sanção penal (pena ou medida de segurança) … extrapenal … Reincidência … penal d) pena, nunca a medida de segurança … extrapenal … Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime … extrapenal genérico CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 30 4. Conforme o Código Penal e a legislação aplicável, constitui efeito automático da condenação criminal, que independe de expressa motivação em sentença: a) nos casos de crime doloso sujeito à pena de reclusão cometido contra filho, tutelado ou curatelado, a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela. b) nos casos de crimes praticados com violação de dever para com a administração pública, a perda de cargo ou função pública, quando aplicada pena privativa de liberdade igual ou superior a um ano. c) nos casos de servidor público condenado pela prática de crime resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência nacional, a perda do cargo ou da função pública. d) nos casos de condenação pela prática de crime falimentar, a inabilitação para o exercício de atividade empresarial, pelo prazo de cinco anos após a extinção da punibilidade. e) no caso de servidor público condenado pela prática de crime de tortura, a perda do cargo ou da função pública e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 31 3. GABARITO COMENTADO 1. Resposta: E A perda de mandato eletivo em razão da condenação criminal é automática para Vereadores, Prefeitos, Governadores e Presidente da República. Segundo posição recente do STF, se o Deputado Federal ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado, a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação (art. 55, III, da CF). Se Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto, a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. No último caso, o Plenário da Câmara ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato. 2. Resposta: D I. Errada. O período é de 02 anos (art. 94, I do CP) II. Certa. Art. 94, caput do CP. III. Certa. Art. 94, II, do CP. IV. Errada. Não há essa limitação. V. Certa. Art. 94, III, do CP. 3. Resposta: C Após a sentença penal condenatória, surgem alguns efeitos, tanto de natureza penal quanto extrapenal. Pode-se dizer que a condenação, seja ela a imposição de pena privativa de liberdade, restritiva de direitos, de multa ou medida de segurança, é o efeito principal da sentença criminal condenatória (SANÇÃO PENAL). Existem também outros efeitos, ainda no âmbito penal, denominados secundários, como a reincidência, a impossibilidade e revogação da suspensão condicional da pena, a revogação do livramento condicional, dentre vários outros. Contudo, a condenação penal gera efeitos para além desse ramo do direito. São os chamados efeitos extrapenais, que, por sua vez, podem ser genéricos ou específicos. Os efeitos genéricos (obrigação de indenizar o dano causado pelo crime e confisco dos instrumentos e produtos do crime) são automáticos, ou seja, não precisam ser declarados pelo juiz na sentença (art. 91, CP). Já os efeitos específicos (perda do cargo, função pública ou mandato eletivo, incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela e inabilitação para dirigir veículo) devem constar expressamente na sentença penal condenatória (art. 92, CP). 4. Resposta: E (A) Não é automático. Art. 92, II, parágrafo único, do CP. (B) Não é automático. Art. 92, I, “a”, parágrafo único, do CP. (C) Não é automático. Arts. 16 e 18 da Lei 7.716/89. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 32 (D) Não á automático. Art. 181, § 1º, da Lei 11.101/05. (E) É automático. Art. 1º, § 5º, Lei 9.455/97.