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Conceitos e Contextualização da Psicopedagogia Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Mônica Hoehne Mendes Revisão Textual: Aline Gonçalves A Construção da Identidade Psicopedagógica A Construção da Identidade Psicopedagógica • Delinear a identidade do psicopedagogo a partir do estudo de sua formação; • Compreender as transformações dessa identidade por meio dos relatos de psicopedagogos; • Assumir seu papel transformador no processo de aprendizagem do sujeito com dificuldade de aprendizagem. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • A Concepção de Identidade; • Fortalecendo as Raízes Históricas. UNIDADE A Construção da Identidade Psicopedagógica A Concepção de Identidade Estudos sobre a identidade levam em conta o processo histórico e os vários personagens que compõem esse cenário. Mendes (1998) propõe a análise da iden- tidade a partir da visão de metamorfose, de transformação do próprio processo de identidade, observando a ligação entre pressupostos teóricos dos diferentes campos de conhecimento. Entretanto, veremos como alguns autores entendem o conceito de identidade. Jean-Claude Kaufman, sociólogo francês, refere-se à identidade como: Uma (re)construção subjetiva de uma definição de si, pelas diversas maneiras a partir das quais os indivíduos tentam dar conta de suas traje- tórias (familiares, escolares, profissionais) por meio de uma história, no intuito, por exemplo, de justificar sua “posição” em dado momento e, às vezes antecipar seus possíveis futuros. (KAUFMANN, 2006, apud SCOZ, 2011, p. 27) Para Claude Dubar, que também é um sociólogo francês (1998), a construção da identidade refere-se às trajetórias objetivas, compreendendo-as como uma sequência de posições sociais ocupadas por um indivíduo ou sua linhagem (p. 14). Para ele, os processos identitários individuais, as crenças e as práticas dos membros de uma socie- dade contribuem para inventar novas categorias, modificar as antigas e reconfigurar permanentemente os próprios quadros de socialização, isto é, as formas identitárias não podem ser consideradas estáveis, estão constantemente em transformação. Antônio da Costa Ciampa, psicólogo social brasileiro, em seus estudos sobre identidade, leva em conta o processo histórico e os vários personagens/autores que contribuem para a construção do cenário onde a identidade se constrói. Considera as construções identitárias como formas de organização da subjetividade, pois é no desenrolar de uma história que a identidade dos personagens vai se configurando, o que nos mostra que identidade é transformação. Em Mendes (2002), apoiada na pers- pectiva de Ciampa, a identidade da Psicopedagogia é analisada a partir da visão de metamorfose, de transformação do fazer de seus personagens (psicopedagogos), por meio de um agir e da consciência de que são condições presentes nos movimentos objetivos e subjetivos do processo de metamorfose. Importante! Reconhecemos a identidade como movimento da história vivida, procurando sempre a articulação entre subjetividade e objetividade. Zygmunt Bauman (2005), sociólogo polonês, analisa essa temática como moder- nidade líquida e define identidade como autodeterminação. Para ele, as identidades referem-se às comunidades como sendo as entidades que as definem. Faria e Souza explicam que para Bauman: 8 9 Há dois tipos de comunidades, as de vida e destino, nas quais os mem- bros vivem juntos em uma ligação absoluta e as comunidades de ideias, formadas por uma variedade de princípios. A questão da identidade só se põe nas comunidades do segundo tipo, onde há a presença de diferentes ideias e, por isso, também a crença na necessidade de escolhas contínuas. (2005, p. 37) Para Bauman, a identidade se revela como construção, é algo inconcluso. “A es- sência da identidade constrói-se em referência aos vínculos que conectam as pessoas umas às outras e considerando-se esses vínculos estáveis” (FARIA; SOUZA, 2011). De acordo com seu conceito de modernidade líquida, há uma infinidade de identi- dades à escolha e outras ainda a serem inventadas, marcando um período em que a fragilidade de laço entre pessoas e de pessoas com instituições eram a tônica. Para Bauman, a identidade não ocorre quando se acredita no pertencimento, mas quando se pensa em uma atividade a ser continuamente realizada. Passamos por um momento em que a modernidade líquida favoreceu o surgimento da Psicopedagogia pela sua agilidade, então um novo olhar sobre o aprender pode permear a busca de tantos educadores e outros profissionais ocupados nessa busca e as identidades se transformaram. Hoje procuramos uma identificação mais determi- nada, mais objetiva. Outra característica da modernidade líquida é a fluidez das rela- ções marcadas pelos inúmeros recursos tecnológicos que regem os relacionamentos a distância, dificultam os contatos diretos e priorizam os virtuais. Logicamente que “toda moeda tem dois lados”, portanto temos que tirar proveito dos pontos positivos dessa realidade e usarmos a tecnologia de forma que ela não se cristalize na liquidez. Como Entender a Identidade da Psicopedagogia? Se lembrarmos do histórico da Psicopedagogia, visto nas unidades anteriores, vamos perceber as várias transformações pelas quais passaram os cursos de for- mação desde seu surgimento até os dias atuais, a bibliografia utilizada também foi mudando, foi sendo acrescida ano a ano, bem como foi ampliando a diversidade de temas e subtemas da área. A transformação do acervo bibliográfico é incontestável! Cursos na década de 1970 - visão organicista. Cursos da década de 1980 - visão dinâmica. Cursos na década de 1990 - articulação entre subjetividade e objetividade - visão transdisciplinar. Figura 1 – Transformações da Psicopedagogia Para melhor entendermos o processo de construção da identidade dos psicopeda- gogos, assim como o da Psicopedagogia, trabalhamos sob a perspectiva de Ciampa, isto é, da metamorfose. Podemos observar ainda o movimento dos profissionais bus- cando um curso que os instrumentalizasse para atuar com os problemas de aprendi- zagem, e então vemos a subjetividade provocando uma transformação, tornando o profissional diferente daquele ao iniciar o processo de formação. Após se submeter 9 UNIDADE A Construção da Identidade Psicopedagógica a essa primeira etapa, é quando se constata uma metamorfose em seu agir, confir- mando um fenômeno dialético na transformação da identidade. A Psicopedagogia, como já vimos, é constituída por profissionais oriundos de diferentes graduações: Letras, Matemática, Pedagogia, Fonoaudiologia, Psicologia, Serviço Social etc., que buscam uma mudança em suas concepções e em seu fazer. Portanto, não é difícil compreendermos as transformações pelas quais esses profis- sionais passam no decorrer de sua formação. Outro aspecto a se considerar no histórico da Psicopedagogia é o fato de que os profissionais dessa área estão construindo sua identidade, ou seja, a identidade indi- vidual de cada um, e consequentemente estão constituindo uma identidade coletiva, do conjunto de profissionais inscritos em determinado tempo e lugar, em categoria. Vemos então o caráter temporal da identidade que fica restrito ao momento em que nos tornamos algo, por exemplo, “sou psicopedagoga”. Além disso, há uma relação dialética entre identidade individual e coletiva, pois é esta última que dá o sentido de continuidade e pertencimento para as pessoas. É então dentro de um contexto em que se permite a participação concreta do indi- víduo que a identidade surge. A Identidade Psicopedagógica em Construção Logo, para entendermos o cenário da Psicopedagogia, precisamos levar em conta que sua identidade representa uma identidade coletiva, como acabamos de ver, pois é resultado de um conjunto de identidades individuais dos vários psicopedagogos que exercem sua práxis! Quando se tem a oportunidade de conversar com nossos pares de profissão, vamos compreendendo o motivo que os levoupara essa área de conhecimento, e é dessa forma que a subjetividade vai se manifestando e dando o perfil de atuação de cada um. A maneira que cada psicopedagogo realiza sua intervenção, que é exata- mente o que mostrará sua identidade, tem relação inicialmente com sua graduação, isto é, o que eu chamo de formação de origem, em seguida, com a proposta de seu curso de especialização em Psicopedagogia, e outro elemento que dará diretriz ao seu trabalho é o perfil (ou identidade) do profissional com quem ele faz supervisão. Tudo isso representa simultaneamente aspectos objetivos: a graduação, a especia- lização, a supervisão, mas a forma como cada um deles foi “vivida” é exatamente o aspecto subjetivo. Para exemplificar melhor o aspecto subjetivo, podemos fazer algumas perguntas ao profissional que queremos conhecer melhor: por que a escolha daquela gradu- ação? Por que a especialização da faculdade “X” e não a da faculdade “Y”? Por que essa supervisora e não outra? As respostas podem ter alguns dados de objetividade, como proximidade, custo ou se a instituição tem uma representatividade na comu- nidade acadêmica, mas com certeza terá dados subjetivos, como “gosto do astral daquela faculdade”, “era muito importante ter um certificado daquela instituição”, “a supervisora me acolheu muito bem, me deu segurança” etc. 10 11 A formação em Psicopedagogia, nos faz rever nossos conceitos e nossas refe- rências para o ato de ensinar, e assim começa uma transformação de identidade profissional. Ao iniciarmos nossa atuação em contexto psicopedagógico, outra trans- formação ocorrerá, pois é na interação com o sujeito ou com a instituição que há necessidade de intervenção, é o psicopedagogo quem primeiro entrará em processo de aprendizagem para que possa traçar um plano de intervenção. Os processos identitários levam em conta aspectos subjetivos ao considerar os dese- jos do sujeito em relação às possibilidades que o contexto apresenta de forma objetiva. É nessa situação que as transformações do fazer psicopedagógico acontecerão. A subjetividade e identidade podem ser compreendidas como algo em construção, com base nos sentidos que os sujeitos vão produzindo na condição singular em que se encontram inseridos em suas trajetórias de vida e, ao mesmo tempo, em suas diferentes atividades e formas de relação. Assim, são o resultado de complexas sínteses das experi- ências individuais dos sujeitos em diferentes contextos de expressão. (SCOZ, 2011, p. 28-29) É assim que vemos os psicopedagogos atuando seja no âmbito clínico, seja no institucional: passando por transformações a cada intervenção que realiza, pois em cada uma ele passará por uma aprendizagem, como vemos na figura a seguir: aprendizagem transformação aprendizagem Figura 2 – O psicopedagogo e as transformações em uma intervenção González Rey explica: Qualquer experiência humana é constituída por diferentes elementos de sentido que, procedentes de diferentes esferas da experiência, determi- nam em sua integração o sentido subjetivo da atividade atual desenvolvi- da pelo sujeito. (2003, p. 127) Por que surge a demanda por Psicopedagogia? 11 UNIDADE A Construção da Identidade Psicopedagógica Se nos reportarmos às unidades anteriores, vamos lembrar que a Psicopedagogia surge de “um vazio” deixado pelas duas áreas de referência (Pedagogia e Psico- logia), portanto os profissionais que começaram a procurar por formação iniciam o seu processo de transformação. Entendendo a Transformação Caso 1 • Transformação 1: Marina iniciou seu percurso profissional no início da década de 1980 como professora substituta do Primeiro Grau; • Transformação 2: Depois de alguns anos, parou de trabalhar, pois se casara e vieram os filhos (nesse período desenvolveu a identidade materna); • Transformação 3: Anos mais tarde resolveu voltar a estudar e fez a graduação de Matemática e concomitantemente voltou a trabalhar dando aulas particu- lares, posteriormente assumiu aulas em duas escolas (aqui entra em atuação a identidade de estudante e de professora particular e professora contratada); • Transformação 4: Agora insatisfeita com o baixo rendimento de alguns alunos e sem saber o que fazer para estimular um melhor desenvolvimento deles, resolve fazer o curso de Psicopedagogia, por indicação de uma colega de trabalho (passa a desenvolver a identidade de estudante de uma especialização); • Transformação 5: Durante o curso, foi percebendo algumas possibilidades de intervenção junto a seus alunos como professora e não como terapeuta psico- pedagoga (assume a identidade de professora/psicopedagoga); • Transformação 6: Posteriormente, passou a fazer a formação no E.Psi. B.A. com Alicia Fernandez e passa então a perceber, além de outras coisas, a impor- tância da família no processo de aprendizagem do indivíduo. Desta forma, pode pensar em estratégias mais adequadas aos alunos com dificul- dades de aprendizagem, bem como orientar melhor os pais destes. Caso 2 • Transformação 1: Julia formou-se em Pedagogia em 1989 e iniciou sua vida profissional como professora auxiliar em classe pré-escolar (começa a desenvol- ver a identidade de professora); • Transformação 2: A escola proporcionava treinamento, cursos, palestras, pois estimulava uma formação cada vez mais competente (a identidade de professora passa a evoluir e tornar-se mais consistente); • Transformação 3: Assumiu uma classe como professora titular e então passou a observar que muitas crianças que eram encaminhadas para tratamento psico- lógico e fonoaudiológico melhoravam quanto à aquisição de conhecimentos e 12 13 não quanto à aprendizagem propriamente dita (a identidade como observadora do processo de aprendizagem passa a aflorar); • Transformação 4: no final da década de 1990 conheceu Ana Maria Muniz e passou a fazer formação com ela. Ela conta: “(...) quando a Ana mostrava a relação do comportamento do sujeito com os aspectos cognitivos e com os fenômenos explicados pela psicanálise, aí eu pensei ‘é isso, essas duas áreas precisam ser consideradas no processo de aprendizagem!’” (a identidade como psicopedagoga passa a se constituir). Nessas duas narrativas podemos observar as situações geradoras de transformação e o quanto elas são permeadas pela subjetividade das pessoas. A partir do momento em que a identidade individual vai se constituindo, é na iden- tidade coletiva que encontramos o sentimento de pertencimento. Somente quando o contexto em que atuamos possibilita a participação concreta é que nos apropriamos dessa transformação. Aqui cabe lembrar a fala de Barone em sua conferência de abertura do II Encontro de Psicopedagogos em 1986: O psicopedagogo reconhece que deve assumir a dupla polaridade de seu papel – transmissão de conhecimento e compreensão dos fatores psicoló- gicos que interferem no ato de aprender. Este aspecto levanta questão de fronteiras com outras áreas. O psicopedagogo deverá, respeitando os limites de sua atuação, requerer a plena preparação e utilização de recursos dispo- níveis no acervo científico para uma competente e responsável atuação. (BARONE, 1987, p. 20) À medida que o número de psicopedagogos cresce quantitativamente, sua atuação se transforma qualitativamente e a identidade coletiva se fortalece gradativamente. Neste caso, a identidade se constrói a partir dos vínculos que conectam as pessoas umas às outras, desde que esses vínculos sejam estáveis. Mas para que a transformação seja significativamente positiva é necessário que, ao lado de sua atuação, o psicopedagogo aprofunde seus conhecimentos teóricos e as estratégias interventivas mais diversificadas. Você deve estar se perguntando: “Como esse profissional fará isso?”. Resposta: por meio da supervisão com outro psicopedagogo mais experiente! É nessa parceria que podemos “crescer” e ampliar nossos conhecimentos, vencer as inseguranças e ressignificar nosso próprio pro- cesso de aprendizagem. Outra iniciativa necessária a esseprofissional é se engajar a um grupo de estudos sob a orientação de um psicopedagogo com quem estudará os temas pertinentes à sua atuação, que complementarão o que iniciou na especia- lização e nos quais agora se aprofundará. Afinal, uma questão complexa: O que é identidade? 13 UNIDADE A Construção da Identidade Psicopedagógica Fortalecendo as Raízes Históricas Como já relatamos em unidade anterior, na metade da década de 1980 foi ela- borado pela ABPp um documento nomeado “A identidade profissional do psicope- dagogo”, onde definia os Campos de Conhecimento e os Campos de Atuação do Psicopedagogo. Vejamos aqui quais os Campos de Conhecimento que ele previa para uma boa formação desse profissional: • Teorias de Aprendizagem: Aspectos específicos – o ato de aprender e suas características segundo as teorias de aprendizagem. Aplicação em Psicopeda- gogia – sistematização das condições favoráveis à aprendizagem segundo as teorias de aprendizagem; • Psicologia Genética: Aspectos específicos – estruturas cognitivas, gêneses da inteligência, organização da objetividade. Aplicação em Psicopedagogia – tradu- ção de comportamentos em termos de mecanismos e operações mentais; • Fundamentos da Biologia: Aspectos específicos – processos de inscrição das aprendizagens. Aspectos neurológicos e neuropatologia do conhecimento. Aplicação em Psicopedagogia – avaliação dos aspectos orgânicos e corporais da aprendizagem; • Fundamentos da Linguística: Aspectos específicos – relações entre pensa- mento e linguagem. Aplicação em Psicopedagogia – compreensão da comuni- cação inter-relacional e social; • Metodologia da Investigação: Aspectos específicos – métodos de sistematização das experiências (análise qualitativa, métodos clínicos, técnicas estatísticas). Apli- cação em Psicopedagogia – construção e avaliação de ações psicopedagógicas. Estes foram alguns dos campos propostos no documento, logicamente que as ideias avançaram e as grades curriculares foram sofrendo metamorfoses também, e em 2003 o Conselho da ABPp elaborou as Diretrizes da Formação de Psicopeda- gogos no Brasil, revisado em 2013, e nas quais encontramos definido o Perfil Pro- fissional – o psicopedagogo é o profissional habilitado para atuar com os processos de aprendizagem junto aos indivíduos, aos grupos, às instituições e às comunidades. Outros aspectos definidos: princípios norteadores da formação, habilidades e competências, níveis de formação e modalidades de curso, eixos temáticos, organi- zação dos cursos. Com o intuito de registrar o percurso da Psicopedagogia, a ABPp publicou em 2007 uma obra que traz o relato das várias gestões por meio de suas respectivas presidentes, a quem coube redigir o histórico dos acontecimentos de seu período. O resultado foi um livro que até hoje é referência, pois trata-se de um documento! Todas as produções escritas e até mesmo orais (em palestras nos congressos e simpósios da ABPp) representam a fonte da identidade da Psicopedagogia, são esses registros que nos permitem “ler” e compreender como a identidade psicopedagógica vem se constituindo por meio de seus personagens, os psicopedagogos! 14 15 É nessa evolução histórica que vamos encontrar a legitimação desse “fazer”. A legi- timação traduz o processo de explicações e justificativas reforçando a possibilidade de transmissão para outros grupos. A Identidade Profissional do Psicopedagogo, documento publicado no periódico Bole- tim da Associação Brasileira de Psicopedagogia, ano 9, n. 19, 1990. Como afirma Baptista (1997), o importante neste momento é entender o: Movimento permanente de mudanças, relacionando as histórias pessoais, grupais e institucionais, ou seja, desvelar a situação atual para que novas alternativas de ação possam ser buscadas no sentido de superar o atual status quo. (p. 27) Status quo: locução latina que significa “o estado das coisas”. Para finalizar, é essencial tratarmos de dois conceitos que a academia vem desen- volvendo dentro da área de ciências humanas desde Piaget, que é a interdisciplinari- dade e a transdisciplinaridade. Gasparian afirma que as ações permeadas por esses enfoques leva a romper hábitos e acomodações; ir em busca do novo e do desco- nhecido, o que é um grande desafio, pois desafia certa insegurança nos sujeitos em adotar uma nova atitude pedagógica, porém, quando conseguem uma transformação em seu agir, tornam-se cada vez mais independentes. A interdisciplinaridade acontece quando uma ou mais disciplinas relacionam seus conteúdos para aprofundar seus conhecimentos. A transdisciplinaridade procura uma nova compreensão da realidade articulando fatos que permeiam as disciplinas de grade curricular de um curso, por exemplo, pois possibilita um pensamento organizador. Trouxemos esses conceitos com o intuito de apontar que o desenvolvimento natural do indivíduo que constrói sua identidade pode buscar um lugar cada vez mais desafiador, ou seja, os conhecimentos não podem mais ficar estanques, é neces- sário que sejam articulados, que façam sentido no todo e não só nas partes. A falha de muitos cursos, tanto de graduação quanto de especialização, é organizar uma grade curricular com várias disciplinas que não “conversam” entre si, e o aluno, geralmente, tem dificuldade em tecer a articulação entre elas. Por este motivo é impor- tante que as instituições busquem conhecer (e seguir) as Diretrizes da Formação do Psicopedagogo Brasileiro. 15 UNIDADE A Construção da Identidade Psicopedagógica Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros A Estória do Severino e a História de Severina: Um Ensaio de Psicologia Social CIAMPA, A. da C. A estória do Severino e a história de Severina: um ensaio de psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 2002. Vídeos A Estória do Severino e a História de Severina https://youtu.be/HV70VKPNDM8 O Que é Transdisciplinaridade, com Regina Migliori https://youtu.be/UDozoA-NryM Leitura Psicopedagogia: Formação, Identidade e Atuação Profissional https://bit.ly/2AXHiFm Subjetividade, Individualidade, Personalidade e Identidade: Concepções a partir da Psicologia Histórico-Cultural https://bit.ly/3ai7tn4 Diretrizes da Formação de Psicopedagogos no Brasil https://bit.ly/39fzQko 16 17 Referências BARONE, L. C. Considerações a respeito do estabelecimento da ética do psicopedagogo. In: SCOZ B. J. L. et.al. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. BAPTISTA, M. T. Identidade e transformação: o professor na universidade brasileira. São Paulo: Unimarco Editora; EDUC, 1997. CIAMPA, A. da C. A estória do Severino e a história de Severina. São Paulo: Brasiliense, 2000. DUBAR, C. Trajetórias sociais e formas identitárias: alguns esclarecimentos conceituais e metodológicos. Educação & Sociedade, São Paulo, n. 62, p. 13-31, 1998. FARIA, E. de; SOUZA, V. L. T. de. Sobre o conceito de identidade: apropriações em estudos sobre formação de professores. Revista Semestral da Associação Brasi- leira de Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 35-42, jan./ jun. 2011. GASPARIAN, M. C. C. A Psicopedagogia e as questões da interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, São Paulo, n. 72, p. 260-268, 2006. (Revista on-line) GONZÁLEZ REY, F. G. Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Pioneira Thompson, 2003. KAUFMANN, J. C. A invenção de si: uma teoria da identidade. In: SCOZ, B. Identidade e subjetividade de professores: sentidos do aprender e do ensinar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. MENDES, M. H. Psicopedagogia: uma identidade em construção. Constr. Psico- pedagógica, São Paulo, v. 14, n. 11, dez. 2006. Disponível em: <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542006000100003&lng= pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2020. SCOZ, B. Identidade e subjetividade de professores:sentidos do aprender e do ensinar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. 17