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AULA 1 GERAÇÃO DE PORTFÓLIO E PLANOS DE INOVAÇÃO Prof. Fabrício Palermo Pupo 2 CONVERSA INICIAL Olá, como está? Curtindo a modernidade e a era dos estudos a distância? Eu também, pois posso compartilhar com você novos conhecimentos, promover debates sobre temas recém-chegados ao mundo dos negócios e também enriquecer ambas experiências para atuar de maneira mais precisa e eficiente em inovação empresarial. Eu sou o Prof. Fabrício Palermo Pupo, responsável por essa disciplina, e quero proporcionar a você e seus colegas de estudo um material de imersão na área de inovação. Nosso foco é a geração de portfólio e planos de inovação, e você vai ler no decorrer das seis aulas, cinco temas, que o farão refletir sobre a gestão de inovação dentro e fora das empresas. Nesta aula, os temas são: o contexto da gestão da inovação; definição clássica; exemplos; princípios; gestão de portfólio. Haverá momentos em que lhe convidaremos a assistir a vídeos ou a fazer uma leitura dirigida, a qual pode estar em um capítulo de livro ou mesmo um post do LinkedIn, ou seja, constantemente incentivaremos você a buscar conhecimentos novos, os quais podem estar espalhados em diversos lugares, para conectá-los, interpretá-los e gerar outros conhecimentos para usarmos no dia a dia das empresas. Por fim, desejamos que você seja muito bem-vindo(a) e que explore este conteúdo da melhor maneira possível. Tenha um ótimo aprendizado. CONTEXTUALIZANDO Ao levar em consideração que o termo inovação, tem sido comentado em muitas “conversas de bar”, que as pessoas, dentro ou fora de uma empresa, ouvem, falam e discutem sobre o que surgiu ou o que é uma novidade de produtos no mercado, vamos, a partir desta primeira aula, buscar um conceito clássico, aceito por entidades de fomento a inovação no brasil, e que também disseminem uma definição formal, bem como tipos de inovação, técnicas, planos e processos. Há uma problemática em relação à busca por um único conceito, no entanto isso não tem sido possível, pois, de acordo com Inmetro (2018) “a inovação vem sendo desmistificada e não mais associada exclusivamente a produtos de alta tecnologia. Para o Inmetro, a inovação é um conceito amplo”. 3 Essa definição ampla a que o Inmetro se refere será contemplada no subitem 1.1, e é originária do Manual de Oslo, o qual oferecerá conteúdo suficiente para você entender a inovação de uma forma comercial e acessível. Enfim, ao citar que o próprio conceito de inovação é algo mutável, percebe- se que planejar, organizar, dirigir e controlar um processo de inovação pode ser algo complexo, mas não impossível de ser administrado. Mas, para facilitar todo o entendimento e prática deste conhecimento, este conteúdo foi elaborado de forma que você possa entender e ver na prática como a inovação funciona em empresas reais e, como consequência, atender ao objetivo central, que é a aplicação da geração de portfólio e planos de inovação. Conceito de inovação e geração de portfólio de inovação Nesta aula, o propósito será estudar a conceituação técnica de inovação, pois, conforme mencionado anteriormente, muito se comenta a respeito do tema. Enquanto escrevo este texto, estão sendo apresentados por empresas do setor do varejo (Amazon.com), do transporte automotivo (Tesla) e do transporte aéreo (Virgin), foguetes e protótipos de espaçonaves capazes de levar “turistas” ao espaço (Yuhas, 2018). Para começar a pesquisar o tema de uma forma que possa ser discutido de maneira pós-industrial, busquei uma referência nacional, uma lei a respeito do tema, pois determina conceitos e embasa projetos inovação para o gerenciamento em iniciativa pública e privada. Proposto isto, considera-se, na Lei n. 10.973/2004, que o conceito de inovação trata da introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços. Essa lei tem por objetivo dispor sobre incentivos à inovação e à pesquisa científico- tecnológica no ambiente produtivo (Brasil, 2004). Por outro lado, menos objetivo como uma lei, mas com um caráter focado no mercado, Meira (2010) propõe às empresas uma visão comercial e considera que uma inovação é: [...] ao mesmo tempo simples e complexa; e não é uma, são muitas, para todos os gostos. uma das que eu mais uso, olhando para as empresas, é que inovação é a emissão de mais e melhores notas fiscais. porque só acontece no mercado; porque seria muito bom que estivesse refletido nas notas fiscais e porque mais notas é mais vendas e melhores notas quer dizer que a margem, a diferença entre custo e preço, estaria 4 aumentando, ou que a empresa estaria se tornando mais competitiva. (Meira, 2010) Leia-se, quando Meira cita notas fiscais, geração de caixa, pois uma característica indiscutível a respeito de inovação é que, para ser inovação, tem que ter mercado, tem que ir para as prateleiras das lojas e ser comercializado, caso contrário, torna-se uma invenção sem uso (Meira, 2010). TEMA 1 – CONTEXTO DA GESTÃO DE INOVAÇÃO NO INÍCIO DO SÉCULO XXI Para abordarmos o contexto da gestão da inovação, escolhi uma delimitação temporal, a partir dos primórdios da Revolução Industrial, mais precisamente após 1689, quando Thomas Savery concebeu um motor para erguer a água “pela impulsora força do fogo”. E que, mais tarde, Thomas Newcomen adaptou para um uso comercial e vendou para os exploradores de minas de carvão. Mais tarde, James Watt usou de seu talento para converter esses motores em rudimentares, porém eficazes, máquinas a vapor, e isso representou a característica central dessa revolução (Williams, 2009, p. 122). Dessa forma, o título deste tema aponta para o início do século XXI. Caso não fosse assim, iríamos buscar o contexto da inovação desde os primórdios da criatividade humana e citar inovações dos antepassados, os quais foram capazes de criar as primeiras ferramentas com pedras lascadas ou ainda organizaram as primeiras cidades, com suas políticas, regras, divisão de tarefas e hierarquia. (De Masi, 2003). Diante desse contexto, toda vez que, nesta aula, for abordado o tema gestão de inovação, saiba que se trata de exemplos que foram aplicados e se tornaram um produto ou serviço. Outras questões importantes para se tratar nestes parágrafos iniciais é que muitas inovações são oriundas de desdobramentos de várias outras tecnologias que já foram inventadas há algum tempo, e que, com o decorrer de novas invenções, foram se encaixando e formando algum produto ou serviço que conhecemos hoje. De acordo com Tigre (2014, p. 129), do ponto de vista das inovações tecnológicas radicais, há evidências provenientes da: [...] nanotecnologia, das ciências cognitivas, da biotecnologia e das tecnologias da informação, seja isoladamente ou pela convergência entre essas áreas do conhecimento. Os adventos do big data e da computação em nuvem renovam as possibilidades de acesso a informação e ao conhecimento, favorecendo o desenvolvimento de novos serviços e modelos de negócios. Estima-se que 80% dos dados 5 existentes em 2014 foram gerados nos dois anos anteriores, fato que eleva o potencial de análise, manipulação e distribuição de informações a patamares inimagináveis poucos anos atrás. Isso vem permitindo a multiplicação de redes temáticas virtuais, os adventos a cauda longa, a intensificação das inovações em serviços e a globalização da indústria, dos mercados e das tecnologias. Outra questão a respeito dessa movimentação e crescimento no volume de dados utilizados pela sociedade, indústria e serviços, tem a ver com o interesse em “avaliar os impactos econômicos e organizacionais, atribuindo maior peso a: prospecção tecnológica, propriedade intelectual e aos novos arranjos institucionais que condicionam e potencializam a difusão de inovações” (Tigre, 2014, p. 130). Aointerpretar essas informações, entende-se que o contexto da gestão da inovação, pós anos 2010, passou por diversos momentos, experiências e descobertas, e que é necessário ampliar a discussão, a publicação de conceitos, métodos e técnicas segundo a realidade que se encontra. Alguns empresários, e mesmo autores, afirmam que a inovação, além de estar em constante evolução de seus desdobramentos, passa por um momento de consciência social, que, segundo Rocha (2017), para inovar em uma época pós-industrial, as empresas necessitam buscar a essência de seus negócios, e isto vai além de produtos ou serviços. Essa ideia não é totalmente nova, pois, na década de 1960, um artigo publicado por Theodore Levitt propôs essa questão da essência, e sintetizou que o benefício central de um produto ou serviço está à frente de sua própria concepção física ou aparente, o que se extrai de uma marca é o seu objetivo central, por exemplo o caso das empresas construtoras de ferrovias, que desapareceram por focar apenas nas estradas de ferro, em vez de transporte, que se tratava do uso, do benefício à sociedade. Diante disso, ao fazer com que esse conceito permaneça na cabeça dos gestores, surge a expressão de inovação consciente, que, de acordo com Rocha (2017), trata-se de administrar a partir do impacto positivo que as inovações podem causar na vida das pessoas, sem que, necessariamente, busque um retorno imediato de um projeto ou investimento. A fim de complementar esse pensamento coletivo sobre as inovações, Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010) atribuíram que há um movimento de rompimento definitivo com modelos anteriores de gerir a inovação de um produto, que, ao longo de décadas, passou do foco em produtos para o foco no consumidor e que, por fim, surge uma abordagem holística aos clientes como pessoas 6 multidimensionais, norteadas por valores e mesmo colaboradores em relação a uma marca ou produto (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2010, p. 5). Rocha (2017) acrescenta que para uma gestão inovadora, há que se olhar o todo, como é o caso de uma montadora de automóveis de passeio, que, conforme o entrevistado do autor: [...] em uma cidade como São Paulo, não se pode ficar “cuspindo” veículos com motor a combustão sem ter consciência sobre as limitações de infraestrutura, sobre a poluição, a insegurança, o trânsito. Quando o gestor da montadora enxerga que atua em um ecossistema muito maior do que o formado pelo veículo e pelo motorista e que precisa melhorar a vida das pessoas, ele começa a inovar de outro jeito. A empresa deixa de ser de motores para ser de mobilidade, disse Lourenço Bustami. (Rocha, 2017) Por fim, para elucidar essas ideias de uma maneira mais objetiva, você pode levar em consideração que a inovação da forma com que as empresas vêm tratando está interligada com diversas outras variáveis que afetam todos os participantes, usuários e também não usuários de uma inovação. TEMA 2 – DEFINIÇÃO CLÁSSICA DE INOVAÇÃO O termo definição remete a algo pronto, concreto, às vezes até soa como imutável, no entanto, para o termo inovação, a definição serve para orientar, compreender um conceito, uma ideia para fazê-la funcionar. Para dar início a uma definição coerente, com padrões globais, busquei no Manual de Oslo (Finep, 2005) uma fonte global, utilizada por diversos países, de diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras da indústria, que se trata de um documento desenvolvido em uma parceria de mais de 20 países, criado na Convenção de Paris em 14 de dezembro de 1960, e que tem por diretrizes promover políticas que busquem: Alcançar o mais alto nível de desenvolvimento econômico sustentável e de emprego e um padrão de vida progressivamente melhor nos países- membros, mantendo ao mesmo tempo a estabilidade financeira e contribuindo, por conseguinte, para o desenvolvimento da economia mundial; Contribuir para a expansão econômica estável, tanto nos países-membros quanto nos não membros em processo de desenvolvimento econômico; 7 Contribuir para a expansão do comércio mundial calcada no multilateralismo e na não discriminação, de conformidade com as obrigações internacionais (Finep, 2005). De acordo com o Manual de Oslo (Finep, 2005), considera-se uma inovação a implementação de um produto ou serviço que seja totalmente novo ou tenha sido aperfeiçoado de forma a diferenciá-lo do seu antecessor, ou ainda, pode ser um processo que sofreu modificação. Outra fonte de referência que vai fundamentar esta aula é a Lei de Inovação (Lei n. 10.973/2004), que considera inovação a “Introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços”. Ao somar os dois conceitos, pode-se afirmar que a inovação é uma força propulsora da economia e sociedade, e isso vai ao encontro da Teoria do Desenvolvimento Econômico, a qual foi precursora no progresso econômico e social, por meio de fundamentos sobre gestão e inovação. Schumpeter (1911) ainda acrescenta alguns fatores geradores de inovação, tais como: Novo produto Novo método de produção Abertura de novos mercados; Desenvolvimento de novas fontes de suprimento para matérias primas e outros insumos; Criação de novas estruturas de mercado em uma indústria. Por meio desses fatores, pode-se observar uma motivação por fazer “mais e melhor” por parte do empresário empreendedor. É possível entender, com o conteúdo que há sobre o assunto, que o termo inovação se revela cada vez mais dissociado de produtos de alta tecnologia, e torna-se acessível a pequenos e médios empresários ou inventores individuais. Além dessa visão teórica, oriunda do início do século XX, o conceito toma novas proporções, de aprimoramento e expansão, incorporando novos propósitos e agentes participantes do processo da mudança. Diante disso, a Associação Brasileira de Gestão da Inovação propõe uma visão abrangente sobre o tema, e o conecta, principalmente, de acordo com as suas aplicações. 8 Algumas características, que a ABGI (2018) considera como inovação são as capacidades de exploração de novas ideias com resultado prático de aplicação. Nesse caso, leia-se: Aumento de faturamento; Acesso a novos mercados; Aumento das margens de lucro, entre outros benefícios. Além dessas características e de outras que identificam o que é ou não inovação, podemos também distinguir que as que se referem a inovações de produto ou de processos são denominadas inovações tecnológicas. Há também inovações relacionadas a novos mercados, modelos de negócios, processos ou, ainda, métodos organizacionais. Mas sobre esses e outros focos relacionados a “tipos de inovação” você terá estudará na aula 2, dessa forma apenas vamos abordar alguns conceitos gerais sobre esses tipos. TEMA 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE INOVAÇÃO Esse tema foi criado para entender de forma técnica os princípios norteadores de inovação, que possam fundamentar métodos e técnicas. Para tratar de princípios, vamos abordar duas fases indutoras de mudança tecnológica, os quais, de acordo com Tigre (2014), são compostas, primeiramente, por uma busca inicial em entender e atender as reais necessidades, já indicadas, pelos consumidores, tecnicamente chamado de método: demand-pull (Schmookler, 1996 citado por Tigre, 2014). Parece algo simples, no entanto tem a ver com a identificação de uma demanda que possa ainda não ter sido explorada, e nesse caso se tornaria uma oportunidade estratégica (Tigre, 2014). Atendida essa fase, o autor sugere a sequência pela segunda fase, que, conforme Tigre (2014, p. 79): A segunda define tecnologia como um fator autônomo derivado dos avanços da ciência (Technology push). Essa ciência básica pode criar novas oportunidades para aplicações tecnológicas lucrativas. A relação entrea ciência e tecnologia tem um caráter interativo que inclui o contexto econômico, político e tecnológico de cada país. Há um elo entre as trajetórias tecnológicas e condições de mercado. (Tigre, 2014, p.78- 79) 9 Esse modelo de duas fases faz com que a gestão de inovação se incorpore e se torne parte da estratégia empresarial, visto que em ambos processos são monitoradas as variáveis do ambiente externo a fim de prospectar oportunidades e ameaças. Ainda há, para se compreender como princípios norteadores de gestão de inovação, a visão de Schumpeter (1934), o qual propõe cinco formas de gerir um processo de inovação, são eles: 1. Quando se cria e introduz um novo produto ou serviço. 2. Quando se aplica um novo método de produção. 3. Quando se ingressa em um novo mercado (ainda não explorado pela empresa). 4. Quando há o ingresso de uma nova matéria-prima no processo fabril. 5. Quando surge uma nova estrutura organizacional mais eficiente que a vigente no setor. Dessa forma, conclui-se o tema com parâmetros que fundamentam princípios de inovação na forma de serem aplicados na gestão. Dentre esses parâmetros, alguns são mais tangíveis e aplicáveis que outros, no entanto, todos devem ser analisados e estudados para saber se podem ingressar na gestão de sua empresa. TEMA 4 – EXEMPLOS DE INOVAÇÃO EM NEGÓCIOS E MÁQUINAS Existe inovação e todos os momentos de nossas vidas, desde o tecido que você usa até o leitor do livro que está usando, caso seja de papel ou digital. No caso de exemplificar este capítulo preferiu-se optar por uma inovação que surgiu de uma invenção, no início complicada, mas que no decorrer passou a se tornar um padrão dentro dos escritórios e casas do mundo todo – é a máquina de escrever. Segundo Atanes, 2016, a ideia do inventor era construir uma máquina que imprimisse no papel, no pano ou pergaminho, letras que pudessem formar uma palavra. A ideia não decolou, não haviam componentes suficientes para complementar a máquina, mas o tempo foi amistoso e contribuiu com algumas invenções que o ajudaram. 10 Em 17 de agosto de 1714, a rainha Anne da Grã-Bretanha concedeu ao engenheiro Henry MiIl a primeira patente de que se tem notícia para uma máquina de escrever. Nesse momento, abria-se um caminho até então inexplorado: o da aplicação da mecânica à escrita que desde os sumérios, precursores do alfabeto, cerca de 5 mil anos atrás, era feita somente com o uso das mãos. Durante o século XIX, alguns inventores tentaram aperfeiçoar a “Máquina de Mill”. Todas as alternativas eram grandes e desajeitadas, algumas parecendo um piano. E tinham em comum um grande defeito: eram mais lentas que a escrita a mão. Somente em 1867 o tipógrafo americano Christopher Latham Sholes (1819-1890), de Milwaukee Wisconsin, fabricou a primeira máquina de escrever que realmente funcionava. A ideia surgiu quando ele estava lendo um artigo sobre uma recém-criada máquina inglesa que numerava páginas de livros. Sholes gostou do invento e resolveu aperfeiçoá-lo. Para começar, pediu ajuda a seus sócios Carlos Glidden e Samuel W. Soule. Eles perceberam que, com algumas adaptações, a máquina poderia imprimir facilmente também conjuntos de sinais gráficos, letras e números, sendo muito útil nas repartições públicas e escritórios em geral, que àquela época mais pareciam escolas de caligrafia, tamanho o número de penas e tinteiros em uso. Assim, naquele mesmo ano, Sholes lançou a sua primeira máquina. Era um modelo de madeira, com porta-tipos independentes, presos a hastes de metal, acionadas por arames e teclas. O teclado foi disposto de modo que as hastes não se prendessem umas às outras. Por isso, as letras que mais aparecem juntas, em inglês, foram colocadas longe. Mesmo assim, as hastes embolavam constantemente, por mais devagar que se escrevesse. O segundo modelo, patenteado em 1868, incorporava algumas melhorias mecânicas, além de permitir uma escrita mais veloz que a pena. A máquina, que só escrevia maiúsculas, chamou a atenção do comerciante James Densmore, que comprou a patente de Sholes em 1872. Com uma idéia na cabeça e a máquina nas mãos. Densmore foi até Ilion, no Estado de Nova York. propor a produção em larga escala à fábrica de armas Remington. Philo Remington, presidente da firma, gostou da idéia. Afinal. A Guerra de Secessão tinha acabado fazia cinco anos e, desde então, a venda de rifles diminuíra sensivelmente. A máquina de escrever seria a salvação de Remington, que já tinha tentado construir máquinas de costura. Assim, em 1873, Densmore e Remington assinaram contrato, para aperfeiçoar, junto com Sholes, o projeto original. Somando o pioneirismo de Sholes, que não tinha tino comercial, com dois especialistas no ramo, o negócio começou a dar certo: as máquinas passaram a ser produzidas em série e postas à venda. As primeiras já exibiam várias características das máquinas atuais – exceto, é claro, a montagem em móveis de máquinas de costura -, como o arranjo das barras de tipo para atingir o papel no mesmo lugar e a impressão com fita umedecida de tinta. O pedal e a correia da máquina de costura serviam para movimentar o carro. Apesar das inovações, as maquinas só ficaram conhecidas para valer na Exposição Cenária de 1876, realizada na Filadélfia. Para persuadir os ainda céticos consumidores, Remington arquitetou um golpe de mestre de marketing: cedeu as máquinas a mais de cem firmas. O sucesso foi total e logo foi partilhado pelas pessoas físicas. Mark Twain (1835-1910), por exemplo, foi o primeiro escritor a datilografar seus originais. Sholes, muito tímido, sumiu de vista assim que sua máquina se popularizou. Estava em todo caso orgulhoso de ter colaborado com a emancipação feminina, como afirmou certa vez, pois ajudou a criar a profissão de secretária. De fato, quando a máquina de escrever entrou nos escritórios americanos, encontrou forte resistência dos’ homens – então, a grande maioria dos funcionários. Temerosos de perder o emprego, obtido graças ao domínio da caligrafia, diziam que a máquina não prestava. Foi inútil: as mulheres demonstraram que escrever com cinquenta teclas era tão fácil quanto costurar. Mais de um século depois de sua invenção e de se incorporar em toda a parte à paisagem cotidiana, pouca coisa mudou na máquina de escrever, como a alavanca de retomo do carro. Thomas Alva Edison, o genial inventor americano, para poupar esforços de sua secretária, projetou em 1872 a primeira máquina elétrica. Baseada num rolo impressor, a máquina não fez sucesso, talvez pelo perigo de choque. Anos mais tarde, em compensação, originaria a impressora de teletipo. Em 1914, outro americano, James Field Smathers, criou a primeira máquina com motor elétrico, que começou a ser produzida regularmente seis anos depois. 11 O salto seguinte na evolução foi a máquina de escrever eletrônica, nascida no início dos anos 60. Nela, o carro permanece parado, enquanto um cilindro ou disco giratório que contém os tipos se movimenta ao longo do papel. Circuitos eletrônicos selecionam letras e calculam o avanço do elemento único, conhecido como “bola de golfe”, no caso do cilindro, ou “margarida”, correspondente aos discos que têm as letras nas pontas de pétalas. As máquinas de última geração literalmente escrevem sozinhas: têm memória, recursos de programação e, acopladas a microcomputadores, transformam-se em impressoras. Embora sem a velocidade das impressoras matriciais, que imprimem a partir de uma programação, cerca de vinte vezes mais rápidas, as máquinas eletrônicas mantêm o charme da boa datilografia e proporcionam a ilusão do texto personalizado, contra os frios sinais de computador (Atanes, 2016). TEMA 5 – GESTÃO DE PORTFÓLIO DE INOVAÇÃO – GPI Nesta aula, será abordado um tema técnico, estudado e discutivo a partir dos anos 2000. Nesse tema você poderá aproveitar para entendera aplicabilidade da inovação no dia a dia de uma empresa por meio da gestão de portfólio de inovação. De acordo com Campos (2010) a capacidade de gerir um portfólio de inovação de uma empresa pode representar seu crescimento ou estagnação, no caso da fabricante global de motores WEG, sediada no sul do Brasil, obtiveram um indicador financeiro de que mais de 70% do faturamento é proveniente de produtos lançados nos 36 meses antecedentes desta contabilização, ou seja, evidencia a importância de não parar o processo de inovação por se apresentar como um elemento de progresso e resultados financeiros para a empresa. Essa empresa recebeu a 19ª colocação no prêmio “As Empresas Mais Inovadoras do Brasil”, uma iniciativa de Época Negócios em parceria com a consultoria A.T. Kearney (Campos, 2010). Conforme (Finep, 2005, p. 5), o pré-requisito para construir uma gestão baseada em inovação, com políticas claras e uma gestão de portfólio coerente, é “a capacidade de determinar a escala das atividades inovadoras, as características das empresas inovadoras e os fatores internos e sistêmicos que podem influenciar a inovação”. Para Meifort (2015, p. 63), as empresas necessitam entender que a gestão de portfólio de inovação pode ser considerada como: [...] o elo crucial entre o planejamento estratégico e que realmente investindo. Os gerentes devem ter prioridades claras e estar dispostos a apoiar financeiramente seus planos de inovação. Quanto mais complexo é seu portfólio e mais volátil o seu ambiente de mercado, mais informações você terá que lidar. Tanto na pesquisa quanto na prática, os gerentes podem encontrar poderosas ferramentas de tecnologia da informação (TI) para gerenciar informações. 12 A referida autora também considera que empresas que estão em rankings internacionais de desempenho agem segundo a sua carteira de clientes, assumem claramente suas preferências de risco e ganhos. Em segundo plano, a disseminação entre todos da corporação e, por fim, o investimento em tempo e conhecimento para gerenciar o portfólio de inovação, que deverá espelhar todos os demais projetos da empresa (Meifort, 2015). Para Trias de Bes e Kotler (2011, p. 267) “o portfólio do projeto de inovação é a interface entre estratégia e processos, e uma ferramenta para o feedback entre as pessoas responsáveis pela inovação e os diversos ativadores”. Isso reforça demais conceitos de portfólio que sugerem o planejamento estratégico como elemento de sedimentação. No entanto, Meifort (2015, p. 64) ressalta que "somente se os funcionários entenderem que, mesmo um projeto muito bem-sucedido pode ser morto, se ele não se encaixar dentro do portfólio" é que as empresas passarão a ser inovadoras. A autora ainda ressalta que a GPI – Gestão de Portfólio de Inovação não teve tanto destaque nas empresas, mas assume uma grande variedade de formas em como é organizado, planejado, monitorado e orientado. Por fim, Trias de Bes e Kotler (2011) e Meifort (2015) concordam que o senso de responsabilidade do gerenciamento de portfólio de inovação tem de estar enraizado pelos departamentos e funções, para que, assim, haja uma ação sistêmica voltada aos resultados de inovação organizacional. FINALIZANDO Chegamos a uma parte desta aula em que você poderá ter a visão do todo e relembrar que a gestão da inovação é algo concreto, racional e tem um horizonte a ser seguido, diferentemente de se imaginar um processo exclusivamente criativo com foco a uma invenção futurística. Ao lembrar do contexto da gestão de inovação no início do século XXI, você deve lembrar da temporalização dos fatos, para poder se posicionar em relação aquilo que levou aos conceitos mais atuais de gestão da inovação, caso contrário, todo e qualquer fato seria importante para a formalização dos conceitos que esta aula pretende trabalhar. Para concluir este tema, é importante fixar que se trata de um assunto que não está finalizado, ou seja, as formas de gestão da inovação continuam progredindo. 13 Sobre a definição clássica de inovação, vale ressaltar o uso do Manual de Oslo (Finep, 2005), uma fonte global de diretrizes, utilizada por diversos países, para coleta e uso de dados sobre a gestão de inovação e as formas de se conduzir um processo deste. Em relação aos princípios fundamentais, pode-se afirmar que a soma de vários autores formou um arcabouço que se aplica na gestão de uma empresa que busca por iniciar a gestão de inovação. O exemplo apresentado nesta aula serviu para mostrar o quanto uma invenção leva de tempo para amadurecer de acordo com as novas invenções que surgem no mercado até se tornarem uma inovação, que é quando seguem para as prateleiras do mercado. Por fim a gestão de portfólio de inovação se demonstrou um guia, um roteiro para que se dirija as ações de inovação de forma organizada e adequadas aos propósitos estratégicos da empresa. LEITURA OBRIGATÓRIA Texto de abordagem teórica Como leitura complementar, sugerimos uma visita no site do Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, que apresenta informações sobre inovação no Brasil. INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Como o INMETRO vê a inovação. Disponível em: <http://inovacao.inmetro.gov.br/como- o-inmetro-ve-a-inovacao/>. Acesso em: 21 jun. 2018. Sugerimos também, como leitura complementar, que você acesse o texto da Lei n. 10.973, de 2 de dezembro de 2004, a qual aborda incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. BRASIL. Lei n. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, 3 dez. 2004. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato 2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm> Acesso em: 21 jun. 2018. 14 Saiba mais Para fins de conteúdo, este filme trata de mostrar a gestão de inovação perante uma empresa de destaque. De acordo com a descrição do site Adoro Cinema, o filme retrata o inovador Steve Jobs, que: de hippie sem foco nos estudos a líder de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Este é Steve Jobs (Ashton Kutcher), um sujeito de personalidade forte e dedicado, que não se incomoda de passar por cima dos outros para atingir suas metas, o que faz com que tenha dificuldades em manter relações amorosas e de amizade. (Adorocinema, 2018) 15 REFERÊNCIAS O QUE é inovação. ABGI Brasil. Disponível em: <http://brasil.abgi-group.com/a- inovacao/>. Acesso em: 21 jun. 2018. JOBS. Adorocinema. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme -198187/>. Acesso em: 21 jun. 2018. ATANES, S. A máquina de escrever. SuperInteressante, 31 out. 2016. 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