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AULA 1 
GERAÇÃO DE PORTFÓLIO E 
PLANOS DE INOVAÇÃO 
Prof. Fabrício Palermo Pupo 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá, como está? Curtindo a modernidade e a era dos estudos a distância? 
Eu também, pois posso compartilhar com você novos conhecimentos, promover 
debates sobre temas recém-chegados ao mundo dos negócios e também 
enriquecer ambas experiências para atuar de maneira mais precisa e eficiente em 
inovação empresarial. 
Eu sou o Prof. Fabrício Palermo Pupo, responsável por essa disciplina, e 
quero proporcionar a você e seus colegas de estudo um material de imersão na 
área de inovação. 
Nosso foco é a geração de portfólio e planos de inovação, e você vai ler no 
decorrer das seis aulas, cinco temas, que o farão refletir sobre a gestão de 
inovação dentro e fora das empresas. Nesta aula, os temas são: o contexto da 
gestão da inovação; definição clássica; exemplos; princípios; gestão de portfólio. 
Haverá momentos em que lhe convidaremos a assistir a vídeos ou a fazer 
uma leitura dirigida, a qual pode estar em um capítulo de livro ou mesmo um post 
do LinkedIn, ou seja, constantemente incentivaremos você a buscar 
conhecimentos novos, os quais podem estar espalhados em diversos lugares, 
para conectá-los, interpretá-los e gerar outros conhecimentos para usarmos no 
dia a dia das empresas. 
Por fim, desejamos que você seja muito bem-vindo(a) e que explore este 
conteúdo da melhor maneira possível. 
Tenha um ótimo aprendizado. 
CONTEXTUALIZANDO 
Ao levar em consideração que o termo inovação, tem sido comentado em 
muitas “conversas de bar”, que as pessoas, dentro ou fora de uma empresa, 
ouvem, falam e discutem sobre o que surgiu ou o que é uma novidade de produtos 
no mercado, vamos, a partir desta primeira aula, buscar um conceito clássico, 
aceito por entidades de fomento a inovação no brasil, e que também disseminem 
uma definição formal, bem como tipos de inovação, técnicas, planos e processos. 
Há uma problemática em relação à busca por um único conceito, no entanto 
isso não tem sido possível, pois, de acordo com Inmetro (2018) “a inovação vem 
sendo desmistificada e não mais associada exclusivamente a produtos de alta 
tecnologia. Para o Inmetro, a inovação é um conceito amplo”. 
 
 
3 
Essa definição ampla a que o Inmetro se refere será contemplada no 
subitem 1.1, e é originária do Manual de Oslo, o qual oferecerá conteúdo suficiente 
para você entender a inovação de uma forma comercial e acessível. 
Enfim, ao citar que o próprio conceito de inovação é algo mutável, percebe-
se que planejar, organizar, dirigir e controlar um processo de inovação pode ser 
algo complexo, mas não impossível de ser administrado. Mas, para facilitar todo 
o entendimento e prática deste conhecimento, este conteúdo foi elaborado de 
forma que você possa entender e ver na prática como a inovação funciona em 
empresas reais e, como consequência, atender ao objetivo central, que é a 
aplicação da geração de portfólio e planos de inovação. 
Conceito de inovação e geração de portfólio de inovação 
Nesta aula, o propósito será estudar a conceituação técnica de inovação, 
pois, conforme mencionado anteriormente, muito se comenta a respeito do tema. 
Enquanto escrevo este texto, estão sendo apresentados por empresas do setor 
do varejo (Amazon.com), do transporte automotivo (Tesla) e do transporte aéreo 
(Virgin), foguetes e protótipos de espaçonaves capazes de levar “turistas” ao 
espaço (Yuhas, 2018). 
Para começar a pesquisar o tema de uma forma que possa ser discutido 
de maneira pós-industrial, busquei uma referência nacional, uma lei a respeito do 
tema, pois determina conceitos e embasa projetos inovação para o gerenciamento 
em iniciativa pública e privada. 
Proposto isto, considera-se, na Lei n. 10.973/2004, que o conceito de 
inovação trata da introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente 
produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços. Essa 
lei tem por objetivo dispor sobre incentivos à inovação e à pesquisa científico-
tecnológica no ambiente produtivo (Brasil, 2004). 
Por outro lado, menos objetivo como uma lei, mas com um caráter focado 
no mercado, Meira (2010) propõe às empresas uma visão comercial e considera 
que uma inovação é: 
[...] ao mesmo tempo simples e complexa; e não é uma, são muitas, para 
todos os gostos. uma das que eu mais uso, olhando para as empresas, 
é que inovação é a emissão de mais e melhores notas fiscais. porque só 
acontece no mercado; porque seria muito bom que estivesse refletido 
nas notas fiscais e porque mais notas é mais vendas e melhores notas 
quer dizer que a margem, a diferença entre custo e preço, estaria 
 
 
4 
aumentando, ou que a empresa estaria se tornando mais competitiva. 
(Meira, 2010) 
Leia-se, quando Meira cita notas fiscais, geração de caixa, pois uma 
característica indiscutível a respeito de inovação é que, para ser inovação, tem 
que ter mercado, tem que ir para as prateleiras das lojas e ser comercializado, 
caso contrário, torna-se uma invenção sem uso (Meira, 2010). 
TEMA 1 – CONTEXTO DA GESTÃO DE INOVAÇÃO NO INÍCIO DO SÉCULO XXI 
Para abordarmos o contexto da gestão da inovação, escolhi uma 
delimitação temporal, a partir dos primórdios da Revolução Industrial, mais 
precisamente após 1689, quando Thomas Savery concebeu um motor para erguer 
a água “pela impulsora força do fogo”. E que, mais tarde, Thomas Newcomen 
adaptou para um uso comercial e vendou para os exploradores de minas de 
carvão. Mais tarde, James Watt usou de seu talento para converter esses motores 
em rudimentares, porém eficazes, máquinas a vapor, e isso representou a 
característica central dessa revolução (Williams, 2009, p. 122). 
Dessa forma, o título deste tema aponta para o início do século XXI. Caso 
não fosse assim, iríamos buscar o contexto da inovação desde os primórdios da 
criatividade humana e citar inovações dos antepassados, os quais foram capazes 
de criar as primeiras ferramentas com pedras lascadas ou ainda organizaram as 
primeiras cidades, com suas políticas, regras, divisão de tarefas e hierarquia. (De 
Masi, 2003). 
Diante desse contexto, toda vez que, nesta aula, for abordado o tema 
gestão de inovação, saiba que se trata de exemplos que foram aplicados e se 
tornaram um produto ou serviço. Outras questões importantes para se tratar 
nestes parágrafos iniciais é que muitas inovações são oriundas de 
desdobramentos de várias outras tecnologias que já foram inventadas há algum 
tempo, e que, com o decorrer de novas invenções, foram se encaixando e 
formando algum produto ou serviço que conhecemos hoje. 
De acordo com Tigre (2014, p. 129), do ponto de vista das inovações 
tecnológicas radicais, há evidências provenientes da: 
[...] nanotecnologia, das ciências cognitivas, da biotecnologia e das 
tecnologias da informação, seja isoladamente ou pela convergência 
entre essas áreas do conhecimento. Os adventos do big data e da 
computação em nuvem renovam as possibilidades de acesso a 
informação e ao conhecimento, favorecendo o desenvolvimento de 
novos serviços e modelos de negócios. Estima-se que 80% dos dados 
 
 
5 
existentes em 2014 foram gerados nos dois anos anteriores, fato que 
eleva o potencial de análise, manipulação e distribuição de informações 
a patamares inimagináveis poucos anos atrás. Isso vem permitindo a 
multiplicação de redes temáticas virtuais, os adventos a cauda longa, a 
intensificação das inovações em serviços e a globalização da indústria, 
dos mercados e das tecnologias. 
Outra questão a respeito dessa movimentação e crescimento no volume de 
dados utilizados pela sociedade, indústria e serviços, tem a ver com o interesse 
em “avaliar os impactos econômicos e organizacionais, atribuindo maior peso a: 
prospecção tecnológica, propriedade intelectual e aos novos arranjos 
institucionais que condicionam e potencializam a difusão de inovações” (Tigre, 
2014, p. 130). 
Aointerpretar essas informações, entende-se que o contexto da gestão da 
inovação, pós anos 2010, passou por diversos momentos, experiências e 
descobertas, e que é necessário ampliar a discussão, a publicação de conceitos, 
métodos e técnicas segundo a realidade que se encontra. 
Alguns empresários, e mesmo autores, afirmam que a inovação, além de 
estar em constante evolução de seus desdobramentos, passa por um momento 
de consciência social, que, segundo Rocha (2017), para inovar em uma época 
pós-industrial, as empresas necessitam buscar a essência de seus negócios, e 
isto vai além de produtos ou serviços. Essa ideia não é totalmente nova, pois, na 
década de 1960, um artigo publicado por Theodore Levitt propôs essa questão da 
essência, e sintetizou que o benefício central de um produto ou serviço está à 
frente de sua própria concepção física ou aparente, o que se extrai de uma marca 
é o seu objetivo central, por exemplo o caso das empresas construtoras de 
ferrovias, que desapareceram por focar apenas nas estradas de ferro, em vez de 
transporte, que se tratava do uso, do benefício à sociedade. 
Diante disso, ao fazer com que esse conceito permaneça na cabeça dos 
gestores, surge a expressão de inovação consciente, que, de acordo com Rocha 
(2017), trata-se de administrar a partir do impacto positivo que as inovações 
podem causar na vida das pessoas, sem que, necessariamente, busque um 
retorno imediato de um projeto ou investimento. 
A fim de complementar esse pensamento coletivo sobre as inovações, 
Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010) atribuíram que há um movimento de 
rompimento definitivo com modelos anteriores de gerir a inovação de um produto, 
que, ao longo de décadas, passou do foco em produtos para o foco no consumidor 
e que, por fim, surge uma abordagem holística aos clientes como pessoas 
 
 
6 
multidimensionais, norteadas por valores e mesmo colaboradores em relação a 
uma marca ou produto (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2010, p. 5). 
Rocha (2017) acrescenta que para uma gestão inovadora, há que se olhar 
o todo, como é o caso de uma montadora de automóveis de passeio, que, 
conforme o entrevistado do autor: 
[...] em uma cidade como São Paulo, não se pode ficar “cuspindo” 
veículos com motor a combustão sem ter consciência sobre as 
limitações de infraestrutura, sobre a poluição, a insegurança, o trânsito. 
Quando o gestor da montadora enxerga que atua em um ecossistema 
muito maior do que o formado pelo veículo e pelo motorista e que precisa 
melhorar a vida das pessoas, ele começa a inovar de outro jeito. A 
empresa deixa de ser de motores para ser de mobilidade, disse 
Lourenço Bustami. (Rocha, 2017) 
Por fim, para elucidar essas ideias de uma maneira mais objetiva, você 
pode levar em consideração que a inovação da forma com que as empresas vêm 
tratando está interligada com diversas outras variáveis que afetam todos os 
participantes, usuários e também não usuários de uma inovação. 
TEMA 2 – DEFINIÇÃO CLÁSSICA DE INOVAÇÃO 
O termo definição remete a algo pronto, concreto, às vezes até soa como 
imutável, no entanto, para o termo inovação, a definição serve para orientar, 
compreender um conceito, uma ideia para fazê-la funcionar. 
Para dar início a uma definição coerente, com padrões globais, busquei no 
Manual de Oslo (Finep, 2005) uma fonte global, utilizada por diversos países, de 
diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras da indústria, 
que se trata de um documento desenvolvido em uma parceria de mais de 20 
países, criado na Convenção de Paris em 14 de dezembro de 1960, e que tem 
por diretrizes promover políticas que busquem: 
 Alcançar o mais alto nível de desenvolvimento econômico sustentável e de 
emprego e um padrão de vida progressivamente melhor nos países-
membros, mantendo ao mesmo tempo a estabilidade financeira e 
contribuindo, por conseguinte, para o desenvolvimento da economia 
mundial; 
 Contribuir para a expansão econômica estável, tanto nos países-membros 
quanto nos não membros em processo de desenvolvimento econômico; 
 
 
7 
 Contribuir para a expansão do comércio mundial calcada no 
multilateralismo e na não discriminação, de conformidade com as 
obrigações internacionais (Finep, 2005). 
De acordo com o Manual de Oslo (Finep, 2005), considera-se uma 
inovação a implementação de um produto ou serviço que seja totalmente novo ou 
tenha sido aperfeiçoado de forma a diferenciá-lo do seu antecessor, ou ainda, 
pode ser um processo que sofreu modificação. 
Outra fonte de referência que vai fundamentar esta aula é a Lei de Inovação 
(Lei n. 10.973/2004), que considera inovação a “Introdução de novidade ou 
aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, 
processos ou serviços”. 
Ao somar os dois conceitos, pode-se afirmar que a inovação é uma força 
propulsora da economia e sociedade, e isso vai ao encontro da Teoria do 
Desenvolvimento Econômico, a qual foi precursora no progresso econômico e 
social, por meio de fundamentos sobre gestão e inovação. Schumpeter (1911) 
ainda acrescenta alguns fatores geradores de inovação, tais como: 
 Novo produto 
 Novo método de produção 
 Abertura de novos mercados; 
 Desenvolvimento de novas fontes de suprimento para matérias primas e 
outros insumos; 
 Criação de novas estruturas de mercado em uma indústria. 
Por meio desses fatores, pode-se observar uma motivação por fazer “mais 
e melhor” por parte do empresário empreendedor. 
É possível entender, com o conteúdo que há sobre o assunto, que o termo 
inovação se revela cada vez mais dissociado de produtos de alta tecnologia, e 
torna-se acessível a pequenos e médios empresários ou inventores individuais. 
Além dessa visão teórica, oriunda do início do século XX, o conceito toma 
novas proporções, de aprimoramento e expansão, incorporando novos propósitos 
e agentes participantes do processo da mudança. Diante disso, a Associação 
Brasileira de Gestão da Inovação propõe uma visão abrangente sobre o tema, e 
o conecta, principalmente, de acordo com as suas aplicações. 
 
 
8 
Algumas características, que a ABGI (2018) considera como inovação são 
as capacidades de exploração de novas ideias com resultado prático de aplicação. 
Nesse caso, leia-se: 
 Aumento de faturamento; 
 Acesso a novos mercados; 
 Aumento das margens de lucro, entre outros benefícios. 
Além dessas características e de outras que identificam o que é ou não 
inovação, podemos também distinguir que as que se referem a inovações de 
produto ou de processos são denominadas inovações tecnológicas. Há também 
inovações relacionadas a novos mercados, modelos de negócios, processos ou, 
ainda, métodos organizacionais. 
Mas sobre esses e outros focos relacionados a “tipos de inovação” você 
terá estudará na aula 2, dessa forma apenas vamos abordar alguns conceitos 
gerais sobre esses tipos. 
TEMA 3 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE INOVAÇÃO 
Esse tema foi criado para entender de forma técnica os princípios 
norteadores de inovação, que possam fundamentar métodos e técnicas. Para 
tratar de princípios, vamos abordar duas fases indutoras de mudança tecnológica, 
os quais, de acordo com Tigre (2014), são compostas, primeiramente, por uma 
busca inicial em entender e atender as reais necessidades, já indicadas, pelos 
consumidores, tecnicamente chamado de método: demand-pull (Schmookler, 
1996 citado por Tigre, 2014). 
Parece algo simples, no entanto tem a ver com a identificação de uma 
demanda que possa ainda não ter sido explorada, e nesse caso se tornaria uma 
oportunidade estratégica (Tigre, 2014). 
Atendida essa fase, o autor sugere a sequência pela segunda fase, que, 
conforme Tigre (2014, p. 79): 
A segunda define tecnologia como um fator autônomo derivado dos 
avanços da ciência (Technology push). Essa ciência básica pode criar 
novas oportunidades para aplicações tecnológicas lucrativas. A relação 
entrea ciência e tecnologia tem um caráter interativo que inclui o 
contexto econômico, político e tecnológico de cada país. Há um elo entre 
as trajetórias tecnológicas e condições de mercado. (Tigre, 2014, p.78-
79) 
 
 
9 
Esse modelo de duas fases faz com que a gestão de inovação se incorpore 
e se torne parte da estratégia empresarial, visto que em ambos processos são 
monitoradas as variáveis do ambiente externo a fim de prospectar oportunidades 
e ameaças. 
Ainda há, para se compreender como princípios norteadores de gestão de 
inovação, a visão de Schumpeter (1934), o qual propõe cinco formas de gerir um 
processo de inovação, são eles: 
1. Quando se cria e introduz um novo produto ou serviço. 
2. Quando se aplica um novo método de produção. 
3. Quando se ingressa em um novo mercado (ainda não explorado pela 
empresa). 
4. Quando há o ingresso de uma nova matéria-prima no processo fabril. 
5. Quando surge uma nova estrutura organizacional mais eficiente que a 
vigente no setor. 
Dessa forma, conclui-se o tema com parâmetros que fundamentam 
princípios de inovação na forma de serem aplicados na gestão. Dentre esses 
parâmetros, alguns são mais tangíveis e aplicáveis que outros, no entanto, todos 
devem ser analisados e estudados para saber se podem ingressar na gestão de 
sua empresa. 
TEMA 4 – EXEMPLOS DE INOVAÇÃO EM NEGÓCIOS E MÁQUINAS 
Existe inovação e todos os momentos de nossas vidas, desde o tecido que 
você usa até o leitor do livro que está usando, caso seja de papel ou digital. No 
caso de exemplificar este capítulo preferiu-se optar por uma inovação que surgiu 
de uma invenção, no início complicada, mas que no decorrer passou a se tornar 
um padrão dentro dos escritórios e casas do mundo todo – é a máquina de 
escrever. 
Segundo Atanes, 2016, a ideia do inventor era construir uma máquina que 
imprimisse no papel, no pano ou pergaminho, letras que pudessem formar uma 
palavra. A ideia não decolou, não haviam componentes suficientes para 
complementar a máquina, mas o tempo foi amistoso e contribuiu com algumas 
invenções que o ajudaram. 
 
 
 
10 
Em 17 de agosto de 1714, a rainha Anne da Grã-Bretanha concedeu ao engenheiro Henry 
MiIl a primeira patente de que se tem notícia para uma máquina de escrever. Nesse momento, 
abria-se um caminho até então inexplorado: o da aplicação da mecânica à escrita que desde os 
sumérios, precursores do alfabeto, cerca de 5 mil anos atrás, era feita somente com o uso das 
mãos. 
Durante o século XIX, alguns inventores tentaram aperfeiçoar a “Máquina de Mill”. Todas as 
alternativas eram grandes e desajeitadas, algumas parecendo um piano. E tinham em comum um 
grande defeito: eram mais lentas que a escrita a mão. Somente em 1867 o tipógrafo americano 
Christopher Latham Sholes (1819-1890), de Milwaukee Wisconsin, fabricou a primeira máquina de 
escrever que realmente funcionava. A ideia surgiu quando ele estava lendo um artigo sobre uma 
recém-criada máquina inglesa que numerava páginas de livros. 
Sholes gostou do invento e resolveu aperfeiçoá-lo. Para começar, pediu ajuda a seus sócios 
Carlos Glidden e Samuel W. Soule. Eles perceberam que, com algumas adaptações, a máquina 
poderia imprimir facilmente também conjuntos de sinais gráficos, letras e números, sendo muito 
útil nas repartições públicas e escritórios em geral, que àquela época mais pareciam escolas de 
caligrafia, tamanho o número de penas e tinteiros em uso. Assim, naquele mesmo ano, Sholes 
lançou a sua primeira máquina. 
Era um modelo de madeira, com porta-tipos independentes, presos a hastes de metal, 
acionadas por arames e teclas. O teclado foi disposto de modo que as hastes não se prendessem 
umas às outras. Por isso, as letras que mais aparecem juntas, em inglês, foram colocadas longe. 
Mesmo assim, as hastes embolavam constantemente, por mais devagar que se escrevesse. 
O segundo modelo, patenteado em 1868, incorporava algumas melhorias mecânicas, além 
de permitir uma escrita mais veloz que a pena. A máquina, que só escrevia maiúsculas, chamou 
a atenção do comerciante James Densmore, que comprou a patente de Sholes em 1872. 
Com uma idéia na cabeça e a máquina nas mãos. Densmore foi até Ilion, no Estado de Nova 
York. propor a produção em larga escala à fábrica de armas Remington. Philo Remington, 
presidente da firma, gostou da idéia. Afinal. A Guerra de Secessão tinha acabado fazia cinco anos 
e, desde então, a venda de rifles diminuíra sensivelmente. A máquina de escrever seria a salvação 
de Remington, que já tinha tentado construir máquinas de costura. 
Assim, em 1873, Densmore e Remington assinaram contrato, para aperfeiçoar, junto com 
Sholes, o projeto original. Somando o pioneirismo de Sholes, que não tinha tino comercial, com 
dois especialistas no ramo, o negócio começou a dar certo: as máquinas passaram a ser 
produzidas em série e postas à venda. As primeiras já exibiam várias características das máquinas 
atuais – exceto, é claro, a montagem em móveis de máquinas de costura -, como o arranjo das 
barras de tipo para atingir o papel no mesmo lugar e a impressão com fita umedecida de tinta. O 
pedal e a correia da máquina de costura serviam para movimentar o carro. 
Apesar das inovações, as maquinas só ficaram conhecidas para valer na Exposição Cenária 
de 1876, realizada na Filadélfia. Para persuadir os ainda céticos consumidores, Remington 
arquitetou um golpe de mestre de marketing: cedeu as máquinas a mais de cem firmas. O sucesso 
foi total e logo foi partilhado pelas pessoas físicas. Mark Twain (1835-1910), por exemplo, foi o 
primeiro escritor a datilografar seus originais. 
Sholes, muito tímido, sumiu de vista assim que sua máquina se popularizou. Estava em todo 
caso orgulhoso de ter colaborado com a emancipação feminina, como afirmou certa vez, pois 
ajudou a criar a profissão de secretária. De fato, quando a máquina de escrever entrou nos 
escritórios americanos, encontrou forte resistência dos’ homens – então, a grande maioria dos 
funcionários. Temerosos de perder o emprego, obtido graças ao domínio da caligrafia, diziam que 
a máquina não prestava. Foi inútil: as mulheres demonstraram que escrever com cinquenta teclas 
era tão fácil quanto costurar. 
Mais de um século depois de sua invenção e de se incorporar em toda a parte à paisagem 
cotidiana, pouca coisa mudou na máquina de escrever, como a alavanca de retomo do carro. 
Thomas Alva Edison, o genial inventor americano, para poupar esforços de sua secretária, 
projetou em 1872 a primeira máquina elétrica. Baseada num rolo impressor, a máquina não fez 
sucesso, talvez pelo perigo de choque. Anos mais tarde, em compensação, originaria a impressora 
de teletipo. Em 1914, outro americano, James Field Smathers, criou a primeira máquina com motor 
elétrico, que começou a ser produzida regularmente seis anos depois. 
 
 
11 
O salto seguinte na evolução foi a máquina de escrever eletrônica, nascida no início dos anos 
60. Nela, o carro permanece parado, enquanto um cilindro ou disco giratório que contém os tipos 
se movimenta ao longo do papel. Circuitos eletrônicos selecionam letras e calculam o avanço do 
elemento único, conhecido como “bola de golfe”, no caso do cilindro, ou “margarida”, 
correspondente aos discos que têm as letras nas pontas de pétalas. As máquinas de última 
geração literalmente escrevem sozinhas: têm memória, recursos de programação e, acopladas a 
microcomputadores, transformam-se em impressoras. Embora sem a velocidade das 
impressoras matriciais, que imprimem a partir de uma programação, cerca de vinte vezes mais 
rápidas, as máquinas eletrônicas mantêm o charme da boa datilografia e proporcionam a ilusão 
do texto personalizado, contra os frios sinais de computador (Atanes, 2016). 
TEMA 5 – GESTÃO DE PORTFÓLIO DE INOVAÇÃO – GPI 
Nesta aula, será abordado um tema técnico, estudado e discutivo a partir 
dos anos 2000. Nesse tema você poderá aproveitar para entendera aplicabilidade 
da inovação no dia a dia de uma empresa por meio da gestão de portfólio de 
inovação. 
De acordo com Campos (2010) a capacidade de gerir um portfólio de 
inovação de uma empresa pode representar seu crescimento ou estagnação, no 
caso da fabricante global de motores WEG, sediada no sul do Brasil, obtiveram 
um indicador financeiro de que mais de 70% do faturamento é proveniente de 
produtos lançados nos 36 meses antecedentes desta contabilização, ou seja, 
evidencia a importância de não parar o processo de inovação por se apresentar 
como um elemento de progresso e resultados financeiros para a empresa. Essa 
empresa recebeu a 19ª colocação no prêmio “As Empresas Mais Inovadoras do 
Brasil”, uma iniciativa de Época Negócios em parceria com a consultoria A.T. 
Kearney (Campos, 2010). 
Conforme (Finep, 2005, p. 5), o pré-requisito para construir uma gestão 
baseada em inovação, com políticas claras e uma gestão de portfólio coerente, é 
“a capacidade de determinar a escala das atividades inovadoras, as 
características das empresas inovadoras e os fatores internos e sistêmicos que 
podem influenciar a inovação”. 
Para Meifort (2015, p. 63), as empresas necessitam entender que a gestão 
de portfólio de inovação pode ser considerada como: 
[...] o elo crucial entre o planejamento estratégico e que realmente 
investindo. Os gerentes devem ter prioridades claras e estar dispostos a 
apoiar financeiramente seus planos de inovação. Quanto mais complexo 
é seu portfólio e mais volátil o seu ambiente de mercado, mais 
informações você terá que lidar. Tanto na pesquisa quanto na prática, os 
gerentes podem encontrar poderosas ferramentas de tecnologia da 
informação (TI) para gerenciar informações. 
 
 
12 
A referida autora também considera que empresas que estão em rankings 
internacionais de desempenho agem segundo a sua carteira de clientes, 
assumem claramente suas preferências de risco e ganhos. Em segundo plano, a 
disseminação entre todos da corporação e, por fim, o investimento em tempo e 
conhecimento para gerenciar o portfólio de inovação, que deverá espelhar todos 
os demais projetos da empresa (Meifort, 2015). 
Para Trias de Bes e Kotler (2011, p. 267) “o portfólio do projeto de inovação 
é a interface entre estratégia e processos, e uma ferramenta para o feedback entre 
as pessoas responsáveis pela inovação e os diversos ativadores”. Isso reforça 
demais conceitos de portfólio que sugerem o planejamento estratégico como 
elemento de sedimentação. 
No entanto, Meifort (2015, p. 64) ressalta que "somente se os funcionários 
entenderem que, mesmo um projeto muito bem-sucedido pode ser morto, se ele 
não se encaixar dentro do portfólio" é que as empresas passarão a ser inovadoras. 
A autora ainda ressalta que a GPI – Gestão de Portfólio de Inovação não teve 
tanto destaque nas empresas, mas assume uma grande variedade de formas em 
como é organizado, planejado, monitorado e orientado. 
Por fim, Trias de Bes e Kotler (2011) e Meifort (2015) concordam que o 
senso de responsabilidade do gerenciamento de portfólio de inovação tem de 
estar enraizado pelos departamentos e funções, para que, assim, haja uma ação 
sistêmica voltada aos resultados de inovação organizacional. 
FINALIZANDO 
Chegamos a uma parte desta aula em que você poderá ter a visão do todo 
e relembrar que a gestão da inovação é algo concreto, racional e tem um horizonte 
a ser seguido, diferentemente de se imaginar um processo exclusivamente criativo 
com foco a uma invenção futurística. 
Ao lembrar do contexto da gestão de inovação no início do século XXI, você 
deve lembrar da temporalização dos fatos, para poder se posicionar em relação 
aquilo que levou aos conceitos mais atuais de gestão da inovação, caso contrário, 
todo e qualquer fato seria importante para a formalização dos conceitos que esta 
aula pretende trabalhar. Para concluir este tema, é importante fixar que se trata 
de um assunto que não está finalizado, ou seja, as formas de gestão da inovação 
continuam progredindo. 
 
 
13 
Sobre a definição clássica de inovação, vale ressaltar o uso do Manual de 
Oslo (Finep, 2005), uma fonte global de diretrizes, utilizada por diversos países, 
para coleta e uso de dados sobre a gestão de inovação e as formas de se conduzir 
um processo deste. 
Em relação aos princípios fundamentais, pode-se afirmar que a soma de 
vários autores formou um arcabouço que se aplica na gestão de uma empresa 
que busca por iniciar a gestão de inovação. 
O exemplo apresentado nesta aula serviu para mostrar o quanto uma 
invenção leva de tempo para amadurecer de acordo com as novas invenções que 
surgem no mercado até se tornarem uma inovação, que é quando seguem para 
as prateleiras do mercado. 
Por fim a gestão de portfólio de inovação se demonstrou um guia, um roteiro 
para que se dirija as ações de inovação de forma organizada e adequadas aos 
propósitos estratégicos da empresa. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
Texto de abordagem teórica 
Como leitura complementar, sugerimos uma visita no site do Inmetro – 
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, que apresenta 
informações sobre inovação no Brasil. 
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Como o 
INMETRO vê a inovação. Disponível em: <http://inovacao.inmetro.gov.br/como-
o-inmetro-ve-a-inovacao/>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
Sugerimos também, como leitura complementar, que você acesse o texto 
da Lei n. 10.973, de 2 de dezembro de 2004, a qual aborda incentivos à inovação 
e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. 
BRASIL. Lei n. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, 
Brasília, 3 dez. 2004. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato
2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm> Acesso em: 21 jun. 2018. 
 
 
 
14 
Saiba mais 
Para fins de conteúdo, este filme trata de mostrar a gestão de inovação 
perante uma empresa de destaque. De acordo com a descrição do site Adoro 
Cinema, o filme retrata o inovador Steve Jobs, que: 
de hippie sem foco nos estudos a líder de uma das maiores empresas 
de tecnologia do mundo. Este é Steve Jobs (Ashton Kutcher), um sujeito 
de personalidade forte e dedicado, que não se incomoda de passar por 
cima dos outros para atingir suas metas, o que faz com que tenha 
dificuldades em manter relações amorosas e de amizade. (Adorocinema, 
2018) 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
O QUE é inovação. ABGI Brasil. Disponível em: <http://brasil.abgi-group.com/a-
inovacao/>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
JOBS. Adorocinema. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme
-198187/>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
ATANES, S. A máquina de escrever. SuperInteressante, 31 out. 2016. Disponível 
em: <https://super.abril.com.br/historia/a-maquina-de-escrever/>. Acesso em: 21 
jun. 2018. 
BRASIL. Lei n. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, 
Brasília, 3 dez. 2004. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato
2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
CAMPOS, E. Para a WEG, a inovação é uma questão de sobrevivência. Época 
Negócios, 10 set. 2010. Disponível em: 
<http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI170139-16364,00-
PARA+A+WEG+A+INOVACAO+E+UMA+QUESTAO+DE+SOBREVIVENCIA.ht
ml>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
DE MASI, D. Criatividade de grupos criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. 
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Como o 
INMETRO vê a inovação. Disponível em: <http://inovacao.inmetro.gov.br/como-
o-inmetro-ve-a-inovacao/>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
IPM – Innovation Portfolio Management now and in the future. Leader to Leader, 
2015, p. 63-64. 
MEIFORT, A. Innovation Portfolio Management: A Synthesis and Research 
Agenda. Creativity and innovation Management, v. 25, n. 2, 2015. 
MEIRA, S. Dá pra definir inovação? Dia a dia, bit a bit, 24 mar. 2010. Disponível 
em: <http://boletim.de/silvio/d-pra-definir-inovao/>.Acesso em: 21 jun. 2018. 
FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos. Manual de Oslo: proposta de 
diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação tecnológica. 
Tradução de Paulo Garchet. 2005. 
 
 
16 
KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: as forças que estão 
definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 
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ROCHA, J. A era da inovação consciente. Revista HSM, 18 jul. 2017. Disponível 
em: <http://www.revistahsm.com.br/inovacao-e-crescimento/soe-inovador-oque-
melhora-vida-das-pessoas/>. Acesso em: 21 jun. 2018. 
SCHMOOKLER, J. Invention and Economic Growth. Cambridge: Harvard 
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SCHUMPETER, J. Teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo: Nova 
Cultural, 1911. 
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TIGRE, P. B. Gestão da inovação: a economia da tecnologia do Brasil. Rio de 
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exploration. The Guardian, 9 fev. 2018. Disponível em: 
<https://www.theguardian.com/science/2018/feb/09/new-space-race-billionaires-
elon-musk-jeff-bezos>. Acesso em: 21 jun. 2018.

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