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Tutoria: Dor Neuropática Fontes: Tratado de dor Capítulo 49. Dor princípios e Práticas cap 42 1- Rever anatomia dos nervos periféricos: • tipos de fibras nervosas que conduzem a dor • dermátomos 2- Estudar a Dor Neuropática: Etiologia Fisiopatologia Mecanismos centrais e periféricos Quadro clínico geral Diagnóstico Tratamento da dor neuropática 3- Neuropatias Periféricas: Diabética ( Fonte: Dor princípios e Práticas cap 44) Herpética ( Fonte: Dor princípios e Práticas cap 65) DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC Já os nervos espinais, são 31 pares e denominados conforme a posição em relação à medula e vértebras, assim distribuídas: •Cervicais: 8 pares (C1-C8; o 1º par cervical está localizado ainda no início da medula oblonga). •Torácicos: 12 pares (T1 – T12). •Lombares: 5 pares (L1 – L5). •Sacrais: 5 pares (S1 – S5). •Coccígeo: 1 par DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC • ETIOLOGIA: de acordo com localização, é classificada em: ▪ Síndromes neuropáticas periféricas: incluem neuropatia diabética dolorosa, neuralgia pós-herpética, neuralgia de trigêmeo, dor persistente pós-trauma e pós-operatória, síndrome complexa de dor regional, neuropatia na síndrome da imunodeficiência adquirida, dor neuropática oncológica e dor pós-amputação. ▪ Síndromes neuropáticas centrais: incluem dor central pós-AVE, dor pós-lesão medular (trauma ou doença), esclerose múltipla, doença de Parkinson e siringomielia (degeneração da medula espinhal). • FISIOPATOLOGIA: é heterogêna, complexa e causada por dor uma doença neural responsável por alterações da função e anatomia das terminações nervosas, troncos nervosos periféricos, unidades neuronais, vias de condução e do processamento central das informações sensitivas. 2 processos contribuem para o desenvolvimento da dor neuropática: (1) desbalanço de reações compensatórias e descompensatórias do sistema nervoso frente à lesão neural; e (2) características genéticas. Durante esse processo, ocorre neuroplasticidade anormal no SN, caracterizada pela: ▪ SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA: são alterações na excitabilidade do nervo periférico e do gânglio da raiz dorsal. Causa dor espontânea (não depende de estímulo), hiperalgesia (dor exagerada a um estímulo normalmente doloroso) e alodínea (dor em resposta a um estímulo não doloroso). Incluem os seguintes mecanismos: - Sensibilização dos nociceptores: a lesão aguda dos tecidos promove a liberação de mediadores inflamatórios que reduzem o limiar de ativação dos nociceptores, causando a hiperalgesia e alodínea. - Descargas ectópicas: é a excitabilidade gerada longe do foco da lesão inicial pela alteração dos canais de Na+. A excitabilidade (impulso elétricos) são desencadeadas espontaneamente ou por estímulos normalmente não nocivos (alodínea tátil). - Alteração na expressão dos canais de sódio e cálcio: mediadores inflamatórios ativam sinais intracelulares dos nociceptores que aumentam a abertura dos canais de voltagem-dependentes. O aumento do canal de Na+ gera descargas espontâneas, perpetuando a dor. O aumento do canal de Ca++ causam despolarização após mínimos estímulos. - Outras alterações periféricas: o crescimento neuronal anormal (brotamento) causa aumento dos campos receptivos que alimentam a transmissão da dor. Neurônios adjacentes aos neurônios lesados, até então íntegros, passam a disparar espontaneamente (transmissão efática). A lesão neural gera uma resposta inflamatória que ativa macrófagos que infiltram nervos e gânglios da raiz dorsal, liberando citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa que promove atividade ectópica no local. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC ▪ SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL: são alterações nos neurônios da medula espinhal, sistema descendente modulador da dor e neuroplasticidade nas estruturas cerebrais. É estimulada pela atividade persistente dos nervos lesados. - Brotamento: A lesão das fibras nervosas sensoriais ativa o fator de crescimento neuronal que estimula o brotamento anormal das fibras A- beta que possuem terminações nas lâminas III e IV no CPME. Este brotamento faz com que estímulos não dolorosos na medula espinhal sejam interpretados como dor. -Wind up ou somação temporal: mecanismo responsável pela perpetuação da dor, ou seja, cronificação da dor pós-estimulação. Após a lesão aguda neural, há estímulos repetitivos nas fibras C que sensibilizam os neurônios do CPME, diminuindo o seu limiar de excitabilidade e aumentando as descargas espontâneas, acumulando neurotransmissores excitatórios. O aumento de neurotransmissores na CPME causa despolarização prolongada da membrana pós-sináptica com a ativação do receptor N-metil D-aspartato (NMDA). Normalmente, o receptor NMDA permanece bloqueado pelo Mg+, porém, com a despolarização prolongada, ele permanece aberto, permitindo o influxo permanente de sódio e cálcio para a célula, levando a excitação intraneuronal maciça e resposta cada vez maior a estímulos nas fibras C. output > input -Expressão gênica alterada: o aumento do cálcio intracelular também ativa vias de segundos mensageiros que alteram a expressão gênica e aumentam a excitação neuronal. -Ativação da micróglia: após a lesão tecidual, as células da micróglia se proliferam rapidamente, ativando o sistema imunológico, liberando citocinas inflamatórias e substâncias citotóxicas (ex: NO) que aumentam a excitabilidade medular. -Desinibição: o sistema descendente noradrenérgico (neurônios do núcleo locus coeruleus, a2 adrenérgico), serotoninérgico e opioide (neurônios da substância cinzenta periaquedutal) inibidor da dor, se torna ineficaz na inibição do estímulo doloroso. Esse sistema induz a liberação de GABA que hiperpolariza a membrana celular. A excitabilidade exagerada e os fenômenos de neuroplasticidade estendem-se aos neurônios nociceptivos do tálamo e córtex cerebral (somatossensorial e pré-frontal), causando ampliação e persistência dos estímulos nas estruturas corticais. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DERMÁTONO: é uma determinada área da superfície corporal inervada por fibras de uma raiz dorsal (sensitiva). Recebe o nome da raiz que o inerva, como C3, T5 e L4. É importante para localizar lesões radiculares ou medulares. São divididos em cervicais, torácicos, lombares e sacrais. Os mapas de distribuição dos dermátonos são úteis na neurologia clínica em pacientes com déficits sensoriais periféricos, porém, existem diferentes mapas de diferentes autores que foram criados de acordo com observações clínicas. Além disso, existe o miótomos que são áreas musculares inervadas por um nervo motor espinal ou craniano. As fibras de uma raiz dorsal podem ser: unissegmentares, como os nervos intercostais, em que o nervo corresponde a um dermátono; plurissegmentares, como o nervo mediano, em que o nervo corresponde vários dermátonos. Por meio do exame físico, avaliando-se a sensibilidade cutânea, determina-se a lesão foi em um nervo periférico, na medula ou nas raízes espinhais. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC ➢ A neuropatia diabética se apresenta de duas formas: 1) Polineuropatia sensitivo-motora simétrica distal – alteração nas extremidades do paciente Apresentação clínica: Dormência, formigamento, queimação, choque, agulhada em pernas/pés e mãos/braços *Ausência de sintomas não exclui neuropatia (perda total de sensibilidade) 2) Neuropatia autônomica – alterações nos órgãos (cardiovascular, digestiva e geniturinária) Apresentação clinica • Cardiovascular: ▪ Disfunção do fluxo sanguíneo periférico – alteração na textura da pele, formação de calos e perda de unhas DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC ▪ Desnervação cardíaca – pequenos infartos silenciosos, morte súbita (obstrução de pequenas artérias) ▪ Hipotensão postural – tontura,escotomas visuais (pontinhos na visão), lipotímia (alteração súbita da consciência) ao levantar ▪ Comprometimento da adaptação autonômica da FC – taquicardia em repouso • Digestiva: ▪ Gastroparesia ou lentificação do esvaziamento gástrico – náuseas, vômitos, eructação (arroto), inapetência, saciedade precoce e distensão abdominal; alternância de constipação com diarréia ▪ Supercrescimento bacteriano – diarréia persistente: intestino delgado • Geniturinária: ▪ Bexiga neurogênica – infecções urinárias recorrentes, retenção urinária, diminuição do jato urinário DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC Fisiopatologia. • A glicose penetra em níveis anormalmente altos dentro dos nervos periféricos e é convertida em sorbitol pela enzimaaldose redutase presente normalmente no axoplasma. • O acúmulo de sorbitol intracelular provoca diminuição do transporte ativo de várias metabólicos entre eles o mioinositol. • A diminuição do mioinositol altera os mecanismos de regulação intracelular, reduzindo a atividade da enzima sódio potássio-ATP as e que reduz a atividade da bomba Na/K com. Consequente acúmulo de sódio intracelular e alterações do potencial de repouso da membrana. • Essas anormalidades diminuem a velocidade de condução neural. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC Sinais e Sintomas �Neuropatia periférica �Dormência �Redução da capacidade de sentir dor ou alterações na temperatura, especialmente nos pés e dedos �Sensação de formigamento ou queimação �Dor ao caminhar �Extrema sensibilidade ao toque mais leve - para algumas pessoas, até mesmo o peso de uma folha pode ser Angustiante �Fraqueza muscular e dificuldade para caminhar �Problemas graves nos pés, como úlceras, infecções, deformidades e dores ósseas e articulares. Essa condição é chamada de pé diabético. �Neuropatia autonômica �Ausência de sintomas de hipoglicemia quando os níveis de açúcar no sangue estão baixos �Problemas de bexiga, incluindo infecções urinárias frequente sou incontinência urinária �Prisão de ventre, diarreia não controlada ou uma combinação dos dois �Esvaziamento lento do estômago (gastroparesia), levando a náuseas, vômitos e perda de apetite �Dificuldade em engolir �Disfunção erétil �Secura vaginal �Aumento ou diminuição da sudorese �Incapacidade do corpo para ajustar a pressão arterial e frequência cardíaca, levando a quedas acentuadas da pressão arterial ao levantar, por exemplo �Problemas em regular a temperatura corporal �Mudanças na forma como os olhos se ajustam a um ambiente claro ou escuro DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC Diagnóstico �Com base nos sintomas. �Histórico médico �Exame físico �Registro da velocidade de condução nervosa: esse teste mede o quão rápido seus nervos dos braços e pernas reagem a sinais de condução elétrica. Também pode ser usado para diagnosticar a síndrome do túnel do carpo. �Eletroneuromiografia (ENMG): após ser feito o registro da velocidade de condução nervosa, o eletromiograma pode medira intensidade e quantidade de descargas elétricas que foramproduzidas em seus músculos. �Exame sensorial quantitativa: esse teste é usado para verificara resposta dos nervos a estímulos como vibrações e mudançasde temperatura. �Testes autonômicos: se há sintomas de neuropatia diabéticaautonômica, podem ser feitos exames para verificar suapressão arterial em diferentes locais e avaliar quanto suor você produz em determinadas partes do corpo. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC • NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA: é a dor persistente por mais de 3 meses após a resolução das lesões de pele no herpes-zoster (HZ). O HZ é uma erupção cutânea dolorosa distibuída no dermatóno. Após a infecção primária com a varicela, o vírus fica quiescente nos gânglios sensitivos do nervo (craniano ou espinhal) acometido. Com o avanço da idade ou imunossupressão, a imunidade celular cai e o vírus se reativa (infecção secundária) e migra por meio dos nervos sensitivos acometidos até a pele, causando pródromos de dor, erupção e eritema cutâneo, frequentemente acompanhado de febre, calafriso, mal-estar e cefaleia. Geralmente, o HZ acomete idosos, é unilateral, não atravessa a linha média, localiza-se em um único dermátomo, sendo mais comum aqueles da região torácica e o ramo oftálmico do nervo trigêmio. As principais complicações são infecção bacteriana, formação de cicatriz, hiperpigmentação e neurológicas, como meningite, neuropatia, encefalite, hemiparia e paralisia. A neuralgia pós-herpética é uma complicação muito frequente, com impacto negativo na qualidade de vida. ▪ Patogênese: a replicação do vírus da varicela-zoster latente no gânglio sensorial causa lesão tissular no SNC E SNP por meio da inflamação. Mediadores inflamatórios, como bradicinina, substância P, histamina, citocinas e íons H+, são liberados e ativam nociceptores, contribuindo para redução do limiar de dor e dando início a sensibilização periférica. A inflamação causa necrose hemorrágica e perda neural, sobretudo de fibras C, no gânglio da raiz dorsal. Como consequência, há brotamento de fibras A-beta (sensação de tato) no local das conexões aferentes das fibras C, ampliando o campo receptivo do neurônio e facilitando a interpretação de estímulos mecânicos periféricos inócuos como dor, fenômeno chamado de alodínea mecânica. Após a lesão neural, também há uma reorganização dos campos receptivos do corno dorsal da medula, fazendo com que lâminas de Rexed responsáveis pela nocicepção (I, II e V) fiquem desorganizadas entre as não nociceptivas. Isso permite que um estímulo de tato seja percebido e interpretado pelo organismo como sendo uma informação de dor. Pode haver o brotamento de axônios noradrenérgicos simpáticos no gânglio da raiz dorsal, ao redor de fibra A-delta, responsável pela ativação de fibras aferentes sensitivas após a estimulação do simpático. Além disso, há perda de neurônios gabaérgicos e lesão no sistema inibitório descendente da dor. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC ▪ Apresentação clínica: geralmente obedece aos estágios: prodrômico, agudo e crônico. No prodromo, pode haver febre, mal-esta e disestesia (neuralgia pré-herpética). A dor pode ser constante ou intermitente, na maioria dos casos melhora e desaparece no primeiro ano. A dor pode ser aguda (30 dias após o HZ), subaguda (> 30 dias pós- HZ, mas finda antes do diagnóstico) e crônica (> 120 dias pós-HZ). A dor crônica costuma ser em queimor, peso, formigamento e latejamento. A alodinea é mais comum que na neuropatia diabética. Pode haver alterações na sensibilidade (parestesia, disestesia, hiperalgesia), dor musculoesquelética, prurido crônico, áreas de hiper ou hipopigmentação, cicatrizes, vermelhidão. No envolvimento do nervo facial, há paralisia facial e apagamento do sulco nasolabial. Alguns pacientes apresentam um período quiescente entre o fim da dor do HZ e o início da dor da neuralgia pós-herpética. Pode haver alterações no estado emocional, físico e social do paciente. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC ▪ Diagnóstico: é clínico. Quando a história não é clara de eritema cutâneo, usa-se a avaliação sorológica para a pesquisa de VZV-DNA ou anticorpo anti-VZV. ▪ Tratamento: medidas profiláticas com a vacinação infantil contra varicela-zoster, imunização passiva com imunoglobulina e vacinação contra herpes-zoster para adultos. É multidisciplinar, há procedimentos farmacológicos e não farmacológicos. DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC DEBORA RINEIRO – MEDICINA UESC