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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA BRIGADA MILITAR MODELO DE PLANO DE AÇÃO PARA ESCOLAS Uma metodologia de prevenção e resposta a ataques em ambientes escolares Porto Alegre, 2024 Sumário 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3 2 JUSTIFICATIVA ......................................................................................................... 3 3 OBJETIVOS............................................................................................................... 4 4 PLANO DE AÇÃO ..................................................................................................... 4 4.1 AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL ....................................................................4 4.2 MEDIDAS DE PREVENÇÃO .................................................................................4 4.3 MELHORIA DA INFRAESTRUTURA ....................................................................5 4.4 DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLOS ESPECÍFICOS..................................5 4.5 COLABORAÇÃO COM AUTORIDADES ..............................................................6 4.6 SENSIBILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA ...............................................6 4.7 AVALIAÇÃO E ATUALIZAÇÃO CONTÍNUA ..............................................7 4.8 COMUNICAÇÃO DE CRISE ......................................................................7 5 CONCLUSÕES ............................................................................................................7 6 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... ..7 1 INTRODUÇÃO A seguir, apresenta-se um modelo simplificado de um plano de ação para desenvolver ações de prevenção e de resposta a ataques de agressores ativos em ambientes escolares. Lembre-se de que este é um modelo genérico, e é importante adaptá-lo às necessidades específicas da sua escola, considerando a rede de proteção, leis e regulamentos locais. O objetivo do plano é reduzir e prevenir a invasão de agressores em ambiente escolar, assim como minimizar os impactos de eventual ação ocorrida, promovendo um ambiente seguro para alunos, professores e funcionários e toda a comunidade escolar. 2 JUSTIFICATIVA Ataques violentos a instituições de ensino costumavam ser um evento extremamente raro no Brasil, no entanto, este cenário se alterou a partir de 2019 e segue em tendência de alta. Na década que se seguiu ao primeiro ataque, ocorrido em Salvador em 2002, foram registrados mais cinco casos, a mesma quantidade verificada apenas no primeiro quadrimestre de 2022, sendo que três ataques ocorreram na mesma semana de abril. O Instituto Sou da Paz produziu uma análise dos casos ocorridos no Brasil, a partir de 2002 e sintetizou no artigo intitulado “Raio X de 20 anos de ataques a escolas no Brasil: 2002/2023” e concluiu que há uma tendência de crescimento de casos no Brasil, com incidências preferenciais no mês de abril, em razão do efeito copycat que se instala nos agressores ativos, que referenciam o evento ocorrido em 7 de abril de 1999, em Columbine nos EUA, vitimando 12 alunos e 1 professor e deixando 21 feridos. Sabe-se que um atirador ou agressor ativo é um indivíduo envolvido em matar ou tentar matar pessoas em uma área confinada e povoada, utilizando armas de fogo, facas, artefatos explosivos, entre outros, sem que haja um padrão para selecionar vítimas. Geralmente os ataques a ambientes escolares duram em média 12 minutos até que algo ou lguém interrompa a ação do agressor ativo. O protocolo desenvolvido pelo FBI1 recomenda 3 ações básicas que podem salvar vidas e impedir o ataque, e são elas: FUGIR; ESCONDER-SE, LUTAR. Através da 1 análise destas literaturas recomenda-se a adoção de um plano com a finalidade de melhor agir, tanto preventiva como reativamente, em casos de agressor ativo nos ambientes escolares. 3 OBJETIVOS a) Assessorar as unidades de ensino com orientações de segurança de forma a reduzir a probabilidade de uma ação de atentado relacionado ao agressor ativo; b) Sugerir que a escola implemente fluxo de informações de monitoramento de comportamento de estudantes vítimas de violência (Quem, O que, Quando, Como e Onde), da mesma forma acompanhar e encaminhar alunos excessivamente agressivos; c) Definir a padronização de ações dos integrantes escolares na eclosão da crise com agressor ativo, de forma a capacitá-los sobre o que fazer para minimizar danos e salvar o maior número de pessoas; d) Fazer plano de ação e execução de simulações com planejamento, apoio e execução, de todos os órgãos da rede de proteção escolar local. 4 PLANO DE AÇÃO 4.1 AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL: 4.1.1 Análise de riscos: Neste item pretende-se realizar um levantamento para identificar áreas vulneráveis na escola e avaliar os riscos associados a possíveis invasões. Inclui produção detalhada de relatório, com imagens e relatos de dificuldades encontradas. 4.1.2 Revisão dos protocolos atuais: Analisar os protocolos de segurança por ventura já existentes para determinar sua eficácia e identificar áreas de melhoria, considerando as peculiaridades existentes no caso de ataque de agressor ativo. 4.2 MEDIDAS DE PREVENÇÃO: 4.2.1 Controle de acessos: Implementar medidas de controle de acesso para público interno e público externo. Estabelecendo regras para os acessos tais como, horários de entrada e saída, horário de atendimento da secretaria, agendamento de outros atendimentos. Neste item pode-se também descrever as ferramentas que têm à disposição da escola, como cercanias, grades, alarmes, bem como, descrever as atuais necessidades e apontar um plano para melhoria, seja procedimental, seja estrutural. 4.2.2 Treinamento de sensibilização: Elaborar calendário de treinamento por segmento (funcionários, professores, pais, alunos) a fim de difundir o protocolo e as funções de cada um durnate a crise, incluindo também temática afeta à importância da segurança e a identificação de comportamentos suspeitos, incluindo pais, alunos, professores e funcionários, em cáráter preventivo. 4.3 MELHORIA DA INFRAESTRUTURA: 4.3.1 Iluminação adequada: Melhorar a iluminação em áreas críticas da escola para aumentar a visibilidade e dissuadir potenciais agressores. 4.3.2 Sinalização de segurança: Instalar sinalizações claras indicando áreas restritas, procedimentos de segurança, regras para acesso aos ambientes visíveis a toda a comunidade; 4.3.3 Instrumento de proteção física: considerando as necessidades detectadas na análise de riscos, bem como, para realização de controles de acessos, prever nesta fase, quais melhorias precisam ser realizadas, tais como aumento de muro, cerca elétrica, câmeras, travas nas portas, entre outros. 4.4 DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLOS ESPECÍFICOS: 4.4.1 Evacuação e refúgio: Desenvolver e treinar protocolos claros de evacuação e refúgio em caso de invasão, considerando as orientações recebidas no Curso de Prevenção e Resposta a Ataques em Ambientes Escolares, desenvolvido pela Brigada Militar2. Este item deve estar alinhado com as medidas de prevenção que prevêem o treinamento da comunidade escolar. 4.4.2 Comunicação de emergência: Estabelecer um sistema de comunicação eficiente para alertar a comunidade escolar sobre situações de emergência, envolvendo professores, funcionários, pais, alunos e demais integrantes da comunidade. 2 A Brigada Militar, através do Curso de Prevenção e Resposta a Ataques em Ambientes Escolares, repassará orientações para como proceder em relação a este protocolo. 4.5 COLABORAÇÃO COM AUTORIDADES LOCAIS 4.5.1 Parceria com órgãos da Rede de Proteção:Reforçar a colaboração com as autoridades locais, incluindo a Brigada Militar, mantendo ativa a rede de proteção escolar, envolvendo o maior número possível de entidades e Instituições que podem impactar na melhoria do cenário e na rapidez da resposta nos casos de ataques. 4.5.2 Simulações: Realizar simulações regulares de ataques em colaboração com as autoridades para treinar a equipe e os alunos, conforme cronograma definido na reunião operacional. A Brigada Militardisponibilizará manual de treinamento e efetivo qualificado para este apoio, após o Curso de Prevenção e Resposta a Ataques em Ambientes Escolares, já referenciado neste modelo. 4.6 SENSIBILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO CONTINUADA: 4.6.1 Campanhas de conscientização: Realizar campanhas regulares para sensibilizar a comunidade escolar sobre a importância da segurança e a prevenção aos ataques. Importante abordar a situação através de temas transversais, como solução pacífica de conflitos, comunicação não violenta, PROERD, Patrulha Escolar Comunitária e outros programas que podem apoiar a rede escolar nesta temática3. 4.6.2 Treinamento básico em primeiros socorros: Oferecer treinamento em primeiros socorros para garantir que a comunidade esteja preparada para responder a situações de emergência, caso necessite. Órgãos especilaizados da Rede de Proteção, tais como Secretarias Municipais de Saúde, SAMU, Corpo de Bombeiros, podem contribuir nesta temática de maneira eficiente. 4.7 AVALIAÇÃO E ATUALIZAÇÃO CONTÍNUA: 4.7.1 Avaliação regular: Realizar avaliações periódicas da eficácia das medidas adotadas e ajustar o plano de ação conforme necessário. Recomenda-se reuniões nos níveis estratégico (Estadual), tático (regional) e operacional (municipal), respectivamente, semestrais, bimestrais e mensais, de forma a acompanhar as ações planejadas, seus resultados e apontar necessidades e melhoramentos após análise dos dados. 4.7.2 Feedback da comunidade: Coletar feedback regular da comunidade escolar para identificar preocupações e sugestões de melhoria no protocolo4. 3 A Brigada Militar estará disponibilizando um calendário de palestras para as Patrulhas Escolares Comunitárias executarem ao longo de 2024. 4 A Brigada Militar disponibiliza opções de questionários, em google forms, que facilitam a coleta e análise de dados. 4.8 COMUNICAÇÃO DE CRISE 4.8.1 Plano de comunicação: Desenvolver um plano de comunicação claro para transmitir informações à comunidade escolar durante e após incidentes, determinando um responsável por esta gestão, de forma a evitar confusão e aumento do estresse dos envolvidos. O apoio de órgão especializado de comunicação, pode ajudar na capacitação deste funcionário. 4.8.2 Contatos de emergência: Manter uma lista atualizada de contatos de emergência para facilitar a comunicação eficiente. 4.8.3 Aproximação com os órgãos de imprensa: a imprensa local deve integrar esta Rede de Proteção de modo a conhecer as peculiaridades da situação e colaborar, na medida de sua responsabilidade, para minimizar seus efeitos. 4.8.4 Criação de canal para denúncias: sugere-se que a escola implemente um canal de comunicação entre aluno e a equipe gestora a fim de coletar dados de possíveis mensagens com conteúdo suspeito de ações de agressor ativo, como mensagens de violência, postagem de imagens contendo armas de fogo e ameaças percebidas entre os jovens. 5 CONCLUSÕES Este modelo de plano de ação é um ponto de partida e deve ser personalizado de acordo com a estrutura e as necessidades específicas da sua escola. Além disso, é fundamental envolver todos os membros da comunidade escolar na implementação e no entendimento dos protocolos de segurança. A equipe gestora deve procurar o Comando da Brigada Militar local para dirimir dúvidas. As missões dos professores e funcionários do estabelecimento de ensino devem ficar muito claras para não gerar dúvidas, e em uma situação real a segurança de todos ser realmente resguardada. 6 REFERÊNCIAS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Federal Bureau of Investigation. Active shooter incidents in the United States in 2021. 2022. Disponível em: https://www.fbi.gov/file-repository/active-shooter-incidents-in-the-us-2021- 052422.pdf/view. Acesso em: 25 nov. 2022. LANGEANI, Bruno. Raio X de 20 anos de Ataques a Escolas no Brasil – 2002/2023. Instituto Sou da Paz. Maio, 2023. PARANÁ. Polícia MIlitar. Plano de Segurança para Escolas Agressor Ativo. Curitiba: PMPR, 2023.