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Unidade I ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Profa. Eliana Delchiaro Para começar a reflexão... Qual a relação entre alfabetização e cidadania? Freire (2008, p.150) diz que a alfabetização só tem sentido quando é decorrente de uma reflexão do homem sobre sua capacidade de refletir no mundo e sobre o mundo. Objetivos da disciplina Elaborar, executar e avaliar os planos de ação pedagógica. Saber articular os resultados das investigações com a prática, visando ressignificá-la, assim como desenvolver metodologia e materiais pedagógicos adequados às diferentes práticas educativas. Analisar as recentes contribuições das teorias educacionais para a aquisição da língua escrita sob a perspectiva do alfabetizar letrando. Conteúdo da disciplina A teoria construtivista: principais contribuições e possibilidades de trabalho pedagógico. Conceito de alfabetização: história e evolução. Propostas para aquisição da língua escrita. Oralidade e comunicação. O ensino da escrita. O trabalho com leitura e escrita. O papel do professor na construção da escrita. Alfabetização e Letramento e práticas de ensino na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Perspectiva histórica: as marcas do caminho O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os tentava reproduzir em mensagens nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas. Sua principal intenção era a de se comunicar. Disponível em: <http://vanessa-fase3.arteblog.com.br/134490/Arte-Primitiva> Perspectiva histórica A escrita era usada para narrar fatos cotidianos, enviar cartas para outras pessoas, escrever contratos, editar leis, além do registro da própria história. Disponível em: <http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2011/06/as-origens-dos-quadrinhos-1.html> Perspectiva histórica A representação das palavras por desenhos numa certa ordem, criando um significado para cada desenho, foi a tentativa de representar o mundo por diferentes povos – os sumérios, os chineses, os egípcios –, que chegaram a criar uma escrita com seiscentos pictogramas. Disponível em: <http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2011/06/as-origens-dos-quadrinhos-1.html> Perspectiva histórica Com o tempo as representações foram perdendo a analogia com o objeto que representavam e evoluíram. Assim, os sumérios chegaram à escrita cuneiforme, totalmente convencional, em que o significante não se assemelha à coisa representada. Lista de deuses feita pelos sumérios a partir da escrita cuneiforme no século 24 a.C. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Suméria> Perspectiva histórica Os sumérios conseguiram evoluir para o mesmo estágio que temos hoje na escrita da nossa língua: eles criaram a fonetização (o uso de signos representativos de uma palavra para representar outra palavra). Portanto, eles já tinham percebido que a fonetização fazia crescer a possibilidade de representação do mundo em volta deles, ou seja, com o uso de signos representativos de palavras no intuito de representar outras, inclusive ideias abstratas. Exemplos: o banco (de sentar) e o banco (de guardar dinheiro). Perspectiva histórica “O homem percorreu um caminho: do desenho das cavernas, passou pela sofisticação da combinação de gestos e sinais de pictogramas, até desenvolver os símbolos arbitrários, totalmente convencionais, que passaram de geração em geração como herança cultural.” (CÓCCO; HAILLER, 1996, p.17) A criança, ao desenhar, escreve e representa o mundo A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de seu ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela humanidade na organização do conhecimento: “O ser humano partiu do pictórico e construiu uma simbologia (alfabeto); de maneira similar a criança inicia a representação do mundo por meio do gesto e do desenho e chega ao símbolo e às regras sistemáticas reconstruindo o código linguístico usado em sua comunidade.” (CÓCCO; HAILLER, 1996, p.19) Será assim tão simples uma mera transcrição da fala para a escrita? “A alfabetização é um longo processo circunscrito entre duas vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita e a sua efetiva possibilidade de uso no contexto social. Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo assim para a conquista de um novo status na sociedade.” (SOARES, 2008). Má interpretação das teorias Atualmente, não temos mais dúvidas de como escrever, apesar de sabermos que toda língua é viva e sofre modificações com o tempo. Nos últimos anos, as discussões sobre o conhecimento das crianças têm se multiplicado. As críticas da sociedade em relação ao que é ensinado na alfabetização das crianças estão presentes, principalmente quando muitos jovens não conseguem se expressar por meio de um texto escrito ou entender uma escrita quando leem. Ler e escrever – ser cidadão Vamos entender o que isso significou e significa politicamente? Alfabetização – letramento e cidadania “A alfabetização é uma prática ideológica cujo valor e importância depende diretamente dos usos e funções atribuídas no contexto social.” (SOARES, 2008, p.58) Interatividade O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os interpretava, assim como tentava reproduzir mensagens nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas com intenção de se comunicar. Esta colocação relaciona-se com o seguinte fato: a) A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de seu ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela humanidade na organização dos símbolos, da linguagem e do conhecimento. b) As crianças pré-históricas já tinham capacidade de desenhar, embora a escrita ainda não tivesse sido inventada. c) O homem pré-histórico tinha a mesma capacidade linguística das crianças de quatro anos. d) A escrita é um processo natural na vida da criança. e) A comunicação é uma necessidade do ser humano. Resposta O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os interpretava, assim como tentava reproduzir mensagens nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas com intenção de se comunicar. Esta colocação relaciona-se com o seguinte fato: a) A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de seu ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela humanidade na organização dos símbolos, da linguagem e do conhecimento. b) As crianças pré-históricas já tinham capacidade de desenhar, embora a escrita ainda não tivesse sido inventada. c) O homem pré-histórico tinha a mesma capacidade linguística das crianças de quatro anos. d) A escrita é um processo natural na vida da criança. e) A comunicação é uma necessidade do ser humano. Atenção aos questionamentos O que é uma pessoa alfabetizada? Quando podemos dizer que uma pessoa está alfabetizada? Quais seriam as melhores práticas escolares para a alfabetização? Alfabetizar é... Aprender a ler e a escrever significa adquirir uma tecnologia: a de codificar em língua escrita (escrever) e de decodificar a língua escrita (ler). Porém, somente adquirir não é o suficiente, é necessário se apropriar dela, o que significa fazer uso das práticas sociais de leitura e de escrita, articulando-as ou dissociando-as das práticas de interação oral, dependendo de cada situação vivida. Em outras palavras... Não basta uma criança saber ler as palavras, ela precisa entender o contexto na qual elas estão escritas. Isso quer dizer que não basta uma criança ser alfabetizada, ela precisa se tornar letrada, precisa saber dar significado àquela palavra que lê. Como se faz isso? Essa sempre foi a preocupação dos educadores? Letramento Letramento: capacidade de fazer uso adequado da leitura e da escrita socialmente utilizadas, conjugando-ascom as práticas orais. A escola precisa considerar a língua como um processo de interação entre os sujeitos construtores de sentidos e significados. Entender que os sentidos e significados se constituem segundo as relações que cada um mantém com a língua, com o tema sobre o qual fala ou escreve, ouve ou vê, com seus conhecimentos prévios, atitudes e conceitos, segundo a situação específica em que interagem e o contexto social em que ocorre a tal comunicação. Leitura e escrita Conforme a declaração da Unesco, de 1958 (apud RIBEIRO, 2006), uma pessoa sabe ler e escrever quando consegue ler ou escrever compreensivamente um pequeno texto relacionado à sua vida diária. Tempos depois, a Unesco adotou outra definição, mais funcional: uma pessoa sabe ler e escrever quando o sabe o suficiente para inserir-se em seu meio e quando seu desempenho envolve tarefas de leitura, escrita e cálculo. Por que se deu essa mudança conceitual? O que muda nos conceitos entre diferentes países “Enquanto em países como Estados Unidos e França o letramento é tratado de forma mais independente dos conceitos de alfabetização (aquisição e apropriação do sistema de escrita alfabética), no Brasil os conceitos de alfabetização e letramento se mesclam, se superpõem, frequentemente se confundem” SOARES, 2004). É importante compreender como se tornaram enraizados, misturados e, muitas vezes, confusos os conceitos de alfabetização e letramento. Para Soares (2004) Devemos compreender por que ocorreram esses movimentos: desinvenção da alfabetização; reinvenção da alfabetização; invenção do letramento. Quais seriam suas causas? E as consequências para o aprendiz? Velhos métodos “Para quem acompanha o trabalho realizado nas salas de aula da grande maioria das escolas públicas brasileiras sabe que ainda continuamos a utilizar os velhos métodos ou, quando os professores se propõem a novas práticas de leituras de texto, verifica-se que há pouca atividade de produção de textos, sempre recaindo na apresentação das ‘famílias silábicas’ ou no treino das ‘relações fonema-grafema’”. (MORAIS, 2012) Velhos métodos Para entendermos o que acontece no processo de alfabetização nas escolas é necessário ter clareza dos pressupostos teóricos e propostas didáticas que caracterizam os diferentes métodos. Muito mais relevante do que a simples adoção de um método ou outro para alfabetizar são as concepções de aprendizagem, de sujeito a ser formado e de educação que estão implícitos em cada um deles, porque por trás de cada método existe uma teoria que o sustenta. Velhos métodos ainda presentes Os métodos tradicionais de alfabetização são utilizados desde o século XVIII e têm como embasamento teórico a visão associacionista empirista da aprendizagem (MORAIS, 2012). São eles: Analíticos a palavração, a sentenciação e o método global. Eles conduzem o aluno a, no final, trabalhar com as unidades menores. Sintéticos os alfabéticos, os silábicos e os fônicos. Todos têm como princípio que o aluno deve partir das unidades menores, ou seja, das letras, sílabas e fonemas, e a aprendizagem é gradativa e cumulativa. O que os métodos tradicionais têm em comum Os textos repetitivos e descontextualizados da realidade do aluno. Grande ênfase no domínio do código escrito. Atividades pautadas na cópia e na memorização. Considera o aluno como uma tábula rasa. A aprendizagem era considerada como simples acúmulo de informações e o objeto de conhecimento. Caracterizam a escrita com um mero código de transcrição da língua oral. O que se espera hoje Pesquisa e estudo, fundamentação para que os educadores possam não só contestar as distorções encontradas na prática, que aos poucos vem sendo superadas, mas também construir um trabalho sob a perspectiva do alfabetizar letrando, no sentido de tornar a aprendizagem prazerosa para o alfabetizando e desafiadora para o professor ensinar. Alfabetização e letramento – processos indissociáveis A alfabetização é um longo processo circunscrito entre duas vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita e a sua efetiva possibilidade de uso no contexto social. “Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo assim para a conquista de um novo status na sociedade” (SOARES, 2008). Alfabetização e letramento – processos indissociáveis Cabe-nos enquanto educadores buscar metodologias adequadas para alfabetizar letrando, pois o significado de aprender a escrever, nas palavras de Emilia Ferreiro (1979), “a escrita é importante na escola, porque é importante fora dela e não o contrário”. Interatividade Escolha a alternativa correta, considerando os pressupostos da alfabetização hoje: a) Podemos considerar alfabetizados aqueles que sabem o suficiente para assinar o nome e tomar ônibus. b) O desenvolvimento da competência de ler e escrever é um longo processo que vai além do domínio do sistema da escrita. c) A atividade de sondagem tem por objetivo a atribuição de notas aos alfabetizandos. d) Alfabetizado é o sujeito que sabe codificar e decodificar. e) A alfabetização começa antes de a criança entrar na escola. Resposta Escolha a alternativa correta, considerando os pressupostos da alfabetização hoje: a) Podemos considerar alfabetizados aqueles que sabem o suficiente para assinar o nome e tomar ônibus. b) O desenvolvimento da competência de ler e escrever é um longo processo que vai além do domínio do sistema da escrita. c) A atividade de sondagem tem por objetivo a atribuição de notas aos alfabetizandos. d) Alfabetizado é o sujeito que sabe codificar e decodificar. e) A alfabetização começa antes de a criança entrar na escola. Um olhar para a alfabetização Alguns pesquisadores e estudiosos ajudaram a compreender não só como a criança pensa, mas como o seu pensamento se desenvolve com a aprendizagem da leitura e da escrita. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/85531>. Contribuições indispensáveis Alguns pesquisadores e estudiosos ajudaram a compreender como a criança pensa, e essa contribuição nos faz pensar em intervenções pedagógicas e no processo como um todo. Veremos alguns representantes: Jean Piaget; Lev Vygotsky; Emilia Ferreiro. Jean Piaget Piaget estudou biologia, psicologia, filosofia, áreas que lhe deram o suporte necessário para a formulação de sua teoria: a epistemologia genética. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget> Formulou uma teoria: o conhecimento evolui progressivamente por meio de estruturas de raciocínio que substituem umas às outras, estágios – quando uma criança passa de um estágio menor de conhecimento para um estágio maior de conhecimento, ou seja, quando ela avança no conhecimento. Jean Piaget Para buscar respostas, propôs uma perspectiva construtivista: o sujeito aprende por meio da ação. Tudo gira em torno da equilibração, aspecto-chave de sua teoria; assimilação = (aceitar a novidade); acomodação = (transformar a informação em conhecimento); Assimilação e acomodação Equilíbrio Síntese do pensamento piagetiano A preocupação de Jean Piaget foi em tentar explicar como a criança pensava e interagia com o mundo e com as pessoas para adquirir conhecimento. Ele definiu que o conhecimento é construído a partir da interação do sujeito com o objeto de aprendizagem. Ele ensinou a observar a maneira como a criança adquire o conhecimento para que fosse possível entender o conhecimento humano. Seus estudos em psicologia do desenvolvimento e epistemologia genética tinham o objetivo de entender como o conhecimento evolui. Telma Weisz e Ana Sanches As autoras reafirmam a contribuição de Piaget para amudança de concepção e de olhar sobre a aprendizagem, existentes até a sua época. Até o início do século XX, acreditava-se que as crianças eram miniadultos e que somente depois de crescidas chegariam ao nível dos adultos, que eram considerados superiores mentalmente. Acreditava-se também que seus processos cognitivos eram iguais aos do adulto, mas em proporção menor por serem pequenas. Lev S. Vygotsky Rússia, 1896, literatura. Professor. Áreas de interesse: literatura, pedagogia e psicologia. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Vygotsky> Suas pesquisas apontaram para o papel da linguagem e da aprendizagem no desenvolvimento do indivíduo, cujo pensamento se constrói em um ambiente histórico-cultural. Lev S. Vygotsky Investigou o desenvolvimento das capacidades intelectuais superiores do homem e identificou a linguagem como o principal fator do crescimento. Definia a linguagem como um conjunto de símbolos que mantinha seu caráter histórico e social. Lev S. Vygotsky A criança recebe informações socialmente construídas (experiências passadas) e transforma as situações do presente, ou adquire consciência. Concepção de escola. O sustentáculo da concepção de Vygotsky está no conceito de mediação, que é o processo de intervenção de um elemento intermediário em uma relação, que passa de direta (sujeito x objeto) para indireta (sujeito x mediador x objeto). Relação adulto e criança Não envolve só professor e aluno. Não há domínio de um sobre o outro, pois as informações circulam nesse meio relacional. A socialização, troca de significados aprendidos e transformados, dialoga construindo saberes e dizeres. A simpatia, a subjetividade e a oposição geradas pelos conflitos se transformam em relações que mudam o paradigma da situação: professor-aluno. Ainda sobre Vygotsky Ele enfatizava o papel da formação escolar, quando a criança, segundo ele, recebe informações que foram socialmente construídas (experiências pessoais no contexto social) e transforma as situações do presente, ou adquire consciência a respeito da situação do presente. Seu ideal era que, se uma transformação social pode conseguir alterar o funcionamento cognitivo, ela pode reduzir o preconceito e os conflitos sociais. Os processos psicológicos são de natureza social e, portanto, precisam ser analisados e trabalhados por meio de ações socialmente elaboradas. Vygotsky e a socialização Defendida por Marta Koll de Oliveira (1993), a relação adulto x criança não é binária, não envolve somente aluno-professor. Também não existe domínio de um sobre o outro, pois muitas “coisas” (informações) circulam nesse espaço relacional. A socialização, que é a troca de significados aprendidos e transformados, dialoga construindo saberes e dizeres. A intersubjetividade, a simpatia e a oposição gerada pelos conflitos se transformam em relações que mudam o paradigma da situação professor-aluno. Aprendizagem Um conhecimento só se solidifica quando resulta em um instrumento de pensamento. A criança avança na aquisição de conceitos quando domina o abstrato e combina-o com um pensamento mais complexo. Com o passar do tempo, os conceitos tornam-se concretos e somam-se às habilidades adquiridas socialmente. Para ele, método é algo para ser praticado, e não aplicado como o fim que justifica os meios. Ou seja, não é ferramenta no alcance de resultados. Ferramenta e resultados se integram, ou se misturam e se somam, na aprendizagem. A “zona de desenvolvimento proximal” Vygotsky elaborou o conceito de “zona de desenvolvimento proximal” (distância entre o nível real – solução independente de problema – e o nível de desenvolvimento potencial – determinado por meio da solução de problema com a intervenção de alguém com mais experiência). Sua problemática era: quando o ser humano deixa de ser apenas biológico para se tornar sócio-histórico? Criança real Hoje se fala muito em propostas pedagógicas que sejam capazes de entender a criança como ser integral, global. Assim, não se pode negar que ambos trazem contribuições para a criança biopsicossocial, ou seja, a criança real. Interatividade Sobre Piaget, é correto afirmar: a) Sua preocupação era com a postura do professor alfabetizador, que sempre interferia nas hipóteses das crianças analfabetas. b) Sua preocupação era entender os conhecimentos prévios da criança. c) Sua preocupação foi explicar como a criança pensava e interagia com o mundo e com as pessoas para adquirir conhecimentos. d) Preocupava-se em estudar o comportamento animal para entender a teoria evolucionista. e) Preocupava-se em compreender como funciona o código linguístico. Resposta Sobre Piaget, é correto afirmar: a) Sua preocupação era com a postura do professor alfabetizador, que sempre interferia nas hipóteses das crianças analfabetas. b) Sua preocupação era entender os conhecimentos prévios da criança. c) Sua preocupação foi explicar como a criança pensava e interagia com o mundo e com as pessoas para adquirir conhecimentos. d) Preocupava-se em estudar o comportamento animal para entender a teoria evolucionista. e) Preocupava-se em compreender como funciona o código linguístico. Emilia Ferreiro Desenvolveu teses sobre as hipóteses do pensamento da criança a respeito da linguagem escrita. Não propõe um método, mas esclarece que o que faz com que a criança reconstrua o código linguístico não é o cumprimento de tarefas repetitivas ou o fato de conhecer as letras e os símbolos, mas sim a compreensão de como funciona o sistema notacional. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/ alfabetizacao-inicial/momento-atual-423395.shtml> Emilia Ferreiro É psicóloga e pesquisadora. Nasceu na Argentina em 1942, e é radicada no México. Fez seu doutorado na Universidade de Genebra e recebeu orientação de Jean Piaget, seu grande mestre. Professora na Universidade de Buenos Aires, em 1974 começou os trabalhos que mais tarde deram origem à sua tese: psicogênese da língua escrita, grande marco na transformação do conceito de aprendizagem da escrita pela criança. Teoria da psicogênese da escrita A divulgação da teoria da psicogênese da escrita a partir da década de 1980 trouxe uma mudança significativa na alfabetização, revisando princípios, tais como o entendimento da escrita como um sistema notacional e o seu aprendizado como um processo evolutivo. “No Brasil, a teoria da psicogênese da língua escrita foi bastante divulgada, muitas vezes pelo rótulo de construtivismo, sendo que, inclusive, fundamentam teoricamente os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Língua Portuguesa, instituídos em 1996” (MORAIS, 2012). Emilia Ferreiro Tornou-se modelo no ensino brasileiro. BRASIL Antes e depois de Emília Ferreiro. Os processos de construção e aprendizagem das crianças levaram a conclusões que abalaram os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. É inegável o reconhecimento da teoria da psicogênese da escrita, ou teoria da psicogênese, uma vez que, entre outros avanços, conseguiu desbancar os velhos métodos tradicionais. Emilia Ferreiro As obras de Ferreiro (1985) causaram uma revolução na maneira de alfabetizar, demonstrando a evolução da psicogênese da escrita infantil, ou seja, ela construiu um pensamento para ajudar na interpretação da evolução da escrita infantil. Tal pensamento não é uma metodologia, como muitos acreditaram, e sim um olhar para o erro construtivo da criança, que começa a entender que uma porção de marcas no papel é chamada no mundo adulto de escrita e que isso é parte de um código: “língua escrita”. SEA Com relação ao alfabeto, seguiremos as orientações da teoria da psicogênese que concebe o alfabeto como um sistema notacional e nunca um código,conforme lembra Morais (2012). Assim como o autor, ao nos referirmos ao alfabeto, este será tratado como SEA de forma abreviada, ou seja, Sistema de Escrita Alfabética, ou ainda de “sistema de notação alfabética”, sistema alfabético ou escrita alfabética, sem diferenças. Para Morais (2012) O autor faz uma observação importante quanto ao não uso do termo construtivismo à teoria da psicogênese da escrita. Isto porque, no senso comum ou jargão pedagógico, o construtivismo se tornou uma palavra onde cabe tudo. O autor também nos alerta que os estudiosos, pesquisadores e educadores que praticam alfabetização com um viés construtivista dizem não existir um consenso de como alfabetizar melhor. Para Morais (2012) A teoria da psicogênese da escrita nos esclarece dois pontos fundamentais que devem ser levados em consideração para que a criança, jovem ou adulto alfabetizando aprenda a partir do conceito notacional: a) é preciso reconhecer que, para qualquer desses alfabetizandos, essa não é uma tarefa fácil, pois as regras de funcionamento ou as propriedades não estão dadas ou prontas na sua cabeça; b) que o processo de internalização das regras e convenções do alfabeto não é algo rápido que se dá por acumulação de informações. Para Morais (2012) Para compreender todo o sistema notacional, o aprendiz precisa entender o que as letras notam ou representam e como as letras criam essas representações. As respostas para essas dúvidas variam por etapa ou fase, dependendo de qual momento o aprendiz se encontra. O fato é que para Ferreiro (1979), no processo evolutivo será preciso entender dois aspectos do sistema alfabético, um de natureza conceitual e outro convencional, que criam um conjunto de propriedades para que o aprendiz reconstrua e compreenda o sistema alfabético. São cinco os níveis conceituais linguísticos Nível 1: pré-silábico: fase pictórica, gráfica primitiva e pré-silábica. Nível 2: intermediário I. Nível 3: silábico. Nível 4: intermediário II ou silábico-alfabético. Nível 5: alfabético. Nível 1: pré-silábico Fase pictórica: é o registro feito pela criança com garatujas. Inicia-se aos dois anos de idade. Fase gráfica primitiva: a criança mistura símbolos, pseudoletras com letras e números com letras em seus desenhos. Fonte: http://professoratat ianealmeida.blogs pot.com.br/2013/06 /alfabetizacao-e- letramento.html Nível 1: pré-silábico Fase primitiva: a criança começa a diferenciar as letras dos números, os desenhos dos símbolos e reconhece o papel da letra na escrita. Sabe que as letras servem para escrever, mas não sabe como ocorre, ainda. Não associa o fonema com o grafema. A criança acredita que a ordem das letras e das vogais não tem importância. Fonte: http://professoratatianeal meida.blogspot.com.br/2 013/06/alfabetizacao-e- letramento.html Nível 2: intermediário I Fase de conflitos, em que a criança não tem resposta para questionamentos e diz que “não sabe escrever”. Apresenta e usa valores sonoros convencionais, diz que o seu nome começa com determinada letra e a conhece pelo som, mas não sabe onde fica na palavra. Fonte: http://professoramaria.c om.br/blog/?m=201710 Nível 3: silábico Conta os “pedaços sonoros” (sílabas) e os associa com um símbolo (letra). Aceita palavras monossílabas, palavras com uma ou duas letras com certa hesitação. Escreve uma frase utilizando uma letra para cada palavra. Fonte: http://professorama ria.com.br/blog/?m= 201710 Nível 4: intermediário II ou silábico-alfabético É mais um momento de conflito entre uma fase e outra, em que a criança precisa desconsiderar o nível silábico para pensar segundo o nível alfabético. Nessa fase o professor deve instigar a criança no sentido de reflexão sobre o sistema linguístico pela observação da escrita alfabética. Quando a criança chega nessa fase já reconstrói o sistema linguístico e compreende como ele funciona; consegue ler e expressar seus pensamentos e falas. Forma sílabas e palavras juntando as letras e consegue distinguir letra, sílaba, palavra e frase. Nível 5: alfabético Fonte: http://professoramaria.com.br/blog/?m=201710 Importância da reflexão A alfabetização exige conhecimento, habilidade e competência para dar condições à criança de construir seus conhecimentos. O professor não pode fazer a transmissão do alfabeto, da junção de letras e palavras. Ele deve preocupar-se com a função da escrita, possibilitando o uso da linguagem escrita pela criança. Não podemos ignorar o papel do professor em ser o mediador e o organizador da ação educativa, da construção e reconstrução dos conhecimentos de seus alunos em sala de aula. Importância da reflexão As teorias pedagógicas, as investigações e as pesquisas científicas dão suporte ao professor no planejamento e na atuação em sala de aula quando o ajudam a conhecer as crianças, como pensam e suas hipóteses na tentativa de resolver seus conflitos. Com esse conhecimento o professor realiza sondagens, propõe intervenções e ajuda a criança a refletir sobre o sistema notacional, entendendo suas convenções. Isso não acontece naturalmente, o alfabetizando precisa da mediação do professor. Interatividade Como o professor alfabetizador pode intervir na reconstrução da escrita da criança? a) Partindo de dois eixos básicos de trabalho: textual e análise linguística. b) Corrigindo prontamente todas as hipóteses de escrita da criança. c) Fornecendo cópias para que a criança treine os seus acertos. d) Usando a técnica do ditado para que a criança escreva as palavras ditas pelo professor. e) Simplesmente acompanhando a escrita, sem nenhuma intervenção. Resposta Como o professor alfabetizador pode intervir na reconstrução da escrita da criança? a) Partindo de dois eixos básicos de trabalho: textual e análise linguística. b) Corrigindo prontamente todas as hipóteses de escrita da criança. c) Fornecendo cópias para que a criança treine os seus acertos. d) Usando a técnica do ditado para que a criança escreva as palavras ditas pelo professor. e) Simplesmente acompanhando a escrita, sem nenhuma intervenção. Não podemos esquecer! “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.” (Paulo Freire) Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/ index.php?Titulo=Paulo+Freire<r=p&id_perso=265> ATÉ A PRÓXIMA! Unidade II ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Profa. Eliana Delchiaro Para começar a reflexão... Ler e escrever é mais que codificar e decodificar textos. Conteúdo da Unidade II O fim das cartilhas em sala de aula. A concepção piagetiana de criança. Comunicação e linguagem. Sondagem da escrita infantil. Ao desenhar, a criança escreve. Concepções que a criança adquire sobre os símbolos linguísticos antes da alfabetização. A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro. A linguagem escrita. Textos e jogos. O fim das cartilhas em sala de aula Os primeiros trabalhos escolares de alfabetização, na época do Brasil Colônia, foram realizados com cartilha, quando ainda se aprendia latim na escola (influência religiosa). No século XIX, as cartilhas vinham de Portugal, pois no Brasil não havia permissão para publicação. Como era Em torno da década de 1950, os professores tinham o hábito de produzir seus próprios materiais para suas aulas de alfabetização (surgimento dos testes ABC) com o método alfabético: era utilizado o processo de soletração para decifrar a palavra – bola: be-o-bo, l-a-la. O método fônico enfatizava a menor unidade da fala – o fonema – e sua representação na escrita, ensinando as formas e os sons das vogais, depois as consoantes e vogais, estabelecendo relação entre estas. Como era Lembramos, assim, que tempos atrás era normal alfabetizar-se a partir da memorizaçãodas sílabas “ba – be – bi – bo – bu”, e só quando os alunos conseguiam memorizar todas as sílabas dava-se início à leitura de pequenas frases como: “Ivo viu a uva.” “A baba e o bebê.” Frases que nem sempre tinham sentido, mas que comprovavam a memorização das sílabas e entendia-se, a partir disso, que a criança já estava alfabetizada. Você reconhece esses materiais? Método Castilho Antonio Feliciano de Castilho. 2ª edição. Lisboa: Imprensa Nacional, 1853. A 1ª edição é, provavelmente, de 1850. Em 1855, Antonio de Castilho veio ao Brasil divulgar seu “método” de alfabetização. Fonte: http://temposescolares.blogspot.com.br/2010/05/o-poder-na-alfabetizacao.html Você reconhece esses materiais? Caminho suave: 1º livro. Branca Alves de Lima. Leitura intermediária. Ilustrações de Flavius. Fonte: https://muzeez.com.br/historias/cartilha-caminho-suave/gdXfvb8MrSbd7zPLM 1948 – 1ª ed. 1965 – 68ª ed. 1980 foi modificada. Fenômeno de vendas no Brasil – 40 milhões de exemplares. Você reconhece esses materiais? No reino da alegria. Doracy de Almeida. São Paulo: IBEP (Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas), 1974. Ela tem formato bem maior que suas antecessoras. Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/350027/2/images/28/No+Reino+da+Alegria+Doracy+de +Almeida.+S%C3%A3o+Paulo:+IBEP,+s.d..jpg Recordemos O macaco e vovô vovô é o macaco de boneca. A boneca menina: - Vovô, menina a boneca. O macaco vovô a boneca. Menina dá boneca a vovô. (de uma aluna da 1ª série, São Paulo) (GERALDI, J. W. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 2003) Antes É importante entender que, se a concepção de criança era de que ela não pensava, não tinha nenhum saber sobre escrita no período anterior à alfabetização... era simplesmente o treino de habilidades, pois se acreditava na necessidade de prepará-la para a escrita, a famosa prontidão. Atualmente, o conceito de criança mudou, e também os livros O Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) mostra que os professores ainda escolhem os livros tradicionais para uso em sala (são encaminhados por editoras e, depois de votados, são adquiridos pelo governo para entregar às crianças). Fato explicado pela realidade de que muitos professores esperam encontrar nos livros de alfabetização a permanência de procedimentos sistemáticos (sílabas) para ensinar a ler e escrever. Pense um pouco sobre... A cartilha é o ideal para ensinar uma criança nos dias de hoje? Quais práticas são possíveis? Qual é a verdadeira finalidade da escola hoje? Quais formas de acesso as crianças têm ao mundo letrado em nossa cultura? Sugestão: listas que fazem a diferença Uma forma de criar um ambiente que estimule a leitura e escrita é ter dispostas na sala de aula listas com o nome dos alunos ou, ainda, mostrar títulos de várias histórias e depois de contá-las e também criar cartazes que tenham essas listas dispostas na classe. Vamos criar um ambiente alfabetizador? A escola e as práticas sociais As práticas escolares devem ter enfoque no desenvolvimento e na construção da linguagem, do gesto, de sons, da imagem, da fala e da escrita, por meio de jogos e atividades que permitam à criança pensar e dialogar sobre essa linguagem. A criança precisa ser entendida como ser humano, que tem direito a um espaço para aprender e entender, para ampliar seu universo de descobertas, despertar seus interesses, conhecer o mundo e os caminhos a fim de buscar informações na construção do seu conhecimento. Desenvolvimento e aprendizagem Piaget elucidou duas situações: a do desenvolvimento e a da aprendizagem. O desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, diz respeito ao desenvolvimento do corpo, ao desenvolvimento do sistema nervoso e das funções mentais. A partir desse ponto de vista, quando se fala em desenvolvimento, não se trata, somente, do aumento quantitativo das qualidades humanas que estariam dadas como potenciais em cada criança, mas também da formação e desenvolvimento das qualidades humanas (valores, atitudes e comportamentos), que não são inerentes ao nascimento das crianças e que precisam ser aprendidas nas relações que as crianças estabelecem. Desenvolvimento e aprendizagem A aprendizagem deve ser provocada por situações, ou seja, por um experimentador psicológico, um educador, aliado a uma situação externa. Ela é provocada. Assim, não acontece naturalmente, é oposta ao que é espontâneo. 1stcousinswithpuppy.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/> Interatividade Qual será uma das razões por se condenar o uso da cartilha nos dias de hoje? a) Sua linguagem é irreal. b) Sua abordagem é didática. c) Suas letras mudaram no alfabeto. d) Seus textos são expressivos. e) Sua lógica é muito infantil. Resposta Qual será uma das razões por se condenar o uso da cartilha nos dias de hoje? a) Sua linguagem é irreal. b) Sua abordagem é didática. c) Suas letras mudaram no alfabeto. d) Seus textos são expressivos. e) Sua lógica é muito infantil. A concepção piagetiana de criança A criança inicia seu processo de alfabetização/letramento desde o nascimento. Desde então, pode-se dizer que tem vida e, portanto, história, nome e significado social. Nas etapas iniciais do seu desenvolvimento, desenvolve sua coordenação da visão, movimento de mãos, agarra seus brinquedos e os mantêm presos entre os dedos por algum tempo. A concepção piagetiana de criança Os progressos nas coordenações intersensoriais vão lhe permitir balançar brinquedos dependurados no berço, levar a chupeta até a boca. Essas coordenações demonstram um aspecto interno ligado à organização intelectual e a um aspecto externo, que se observa no plano das condutas, enquanto possibilidade de combinar sistemas. A concepção piagetiana de criança A criança começa a alfabetizar-se a partir do nascimento. Embubbles.jpg. Disponível em:<http://www.morguefile.com/archive/display/89760>. A concepção piagetiana de criança No segundo ano de vida, a criança é capaz de executar uma série de ações que evidenciam seu progresso ao controlar movimentos; com uma organização interna mais ampla, é capaz de empilhar objetos, encaixá-los, deslocar-se para pegar brinquedos, fingir realizar ações do mundo adulto, como pentear cabelo, embalar a boneca como um bebê, “dar comidinha”. Porém, esse desenvolvimento motor ainda não lhe permite o domínio das relações entre lápis e papel. A concepção piagetiana de criança As relações evoluem no decorrer do terceiro ano de vida. No início da atividade de escrita, seu prazer se dá no ato puro e simples de rabiscar, de exercitar motoramente marcas no papel. Pouco a pouco, o controle dos movimentos do braço e mãos aumenta. A criança atribui significado ao que produz. Keeping the book.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/ archive/display/622652> A concepção piagetiana de criança Aos quatro anos, a criança atribui significado a tudo que registra no papel. Sua pressão sobre um papel deixa marcas, com traçados diferentes e em todas as direções. Essa conquista se dá porque seu pensamento está evoluindo, de modo que suas primeiras figuras apareçam. O desenho e a escrita evolvem a capacidade de representação, e assim também é com a oralidade, o faz de conta, a modelagem, o movimento etc. Concepção linguística de alfabetização – Vygotsky A criança precisa da intervenção do adulto para buscar semelhanças entre o que produz e o objeto representado e de ser estimulada a desenvolver de maneira criativa formas distintas para registrar o que deseja. JGS_mF_CurrentEvents.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/150538>. A criança aprende a refletir sobre o que faz e diz Aos seis anos os avanços na capacidade representativa são grandes.O objeto internamente representado tem certa correspondência com o real, o que facilita ao adulto identificar a intenção da criança que, neste momento de sua vida, apresenta maior capacidade de manter a interpretação. Schoolsign.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/16178> Concepção linguística de alfabetização O educador deve incitar as crianças com questões formuladas a partir de suas respostas, para que elas aprendam a refletir sobre o que fazem e dizem, sobre suas próprias ações. À medida que suas reflexões avançam, as respostas infantis se modificam. Como consequência, a abordagem do educador se transforma e este propõe desafios maiores, o que faz com que desenvolvimento da criança avance. Cabe ao educador aproveitar essas situações de conflitos e interpretações para ajudar a criança a elaborar conceitos sobre a escrita. Vivemos numa cultura letrada Placas, jornais, revistas, rótulos, tudo o que, aos poucos, transforma a escrita em objeto de reflexão e questionamentos para a criança. É preciso pensar sobre o modo como a criança pensa. As palavras escritas apresentam contrastes que vão desde o formato de letras, combinações entre letras e sílabas, até o modo como as sílabas se ordenam, significados distintos, formas e sons. Aprender a compreender o mundo é um processo lento e gradual, no qual a criança tenta integrar novas observações àquilo que já sabe ou àquilo que pensa compreender sobre a realidade. Aprender a compreender o mundo é um processo lento e gradual A escola precisa apoiar a criança por meio: da organização de um ambiente e de rotinas destinadas à aprendizagem pela ação; do estabelecimento de um clima de interação social positivo; do encorajamento de ações intencionais, de resolução de problemas e da reflexão verbal por parte das crianças; do planejamento de experiências que tenham alicerce nas ações e interesses da criança; de assegurar o primeiro contato com a escola, que deve se constituir em uma combinação de atividades prazerosas e estimulantes. Comunicação e linguagem Para falar sobre o letramento, vamos usar como referência a teórica Magda Soares. Você conhece a pesquisa dessa autora sobre letramento? Letramento O resultado da ação de ensinar é aprender as práticas sociais de leitura e de escrita. É o estado ou a condição que adquire um grupo social, ou um indivíduo, como consequência de ter se apropriado da escrita e de suas práticas sociais. Apropriar-se da escrita é torná-la própria, ou seja, assumi-la como propriedade. Um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado, pois ser letrado implica usar socialmente a leitura e a escritura e responder às demandas sociais de leitura e de escrita. Letramento Letramento envolve leitura. Ler é um conjunto de habilidades, de comportamentos e conhecimentos. Escrever também é um conjunto de habilidades e de comportamentos, de conhecimentos que compõem o processo de produção do conhecimento. Nessa perspectiva, há diferentes tipos e níveis de letramento, dependendo das necessidades, das demandas, do indivíduo, do seu meio, do contexto social e cultural. Práticas pedagógicas que favorecem a alfabetização Promover práticas de oralidade e de escrita integradas, favorecendo a identificação das relações estabelecidas entre a fala e a escrita. Desenvolver habilidades de uso da língua escrita em situações discursivas, estimulando a leitura de textos de diferentes tipos e funções. Produzir textos para diferentes interlocutores, em diferentes situações e condições de produção. Desenvolver habilidades de ouvir textos orais e de diferentes gêneros, com diferentes funções. Sondagem da escrita infantil O percurso que a criança faz quando é alfabetizada é o mesmo do homem ao longo da história da humanidade: Pictórico: desenho. U_005a.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/>. 114302007017.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/> Simbólico: reconstrução do código linguístico Ao longo de muitos anos, os sinais passaram a representar sons e, assim, foram sendo criados alfabetos. Alfabeto é um conjunto de letras usadas para escrever palavras que exprimem significado. Fonte: CÓCCO, M. F.; HAILER, M. A. Didática de alfabetização: decifrar o mundo – alfabetização e socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996, p. 18. Ao desenhar, a criança escreve Primeiramente, a criança faz isso de memória: não desenha o que vê, mas o que conhece de sua realidade. Ela percebe que alguns traços podem até lembrar o objeto que desenhou, mas não o percebe como símbolo. Com o tempo, a criança desenha a sua realidade, representa suas observações e expressões por meio de representações de sinais simbólicos abstratos. Toda essa vivência contribui para o desenvolvimento da escrita da criança. Segundo Cócco e Hailer (1996), o desenho acompanha a frase, e a fala permeia o desenho. Atenção às hipóteses das crianças – veja aqui as concepções de Ferreiro A criança percorre o mesmo caminho que a humanidade ao desenvolver seu conhecimento da escrita. Inicialmente, desenha de memória, depois substitui traços que lembram o objeto desenhado por sinais indicativos ou figuras e, por último, utiliza os signos. Como a humanidade, parte do desenho (pictórico) para a simbologia (alfabeto). Antes de passar pela alfabetização propriamente dita, a criança apresenta hipóteses sobre a leitura, observa, pensa e adquire concepções individuais acerca dos símbolos linguísticos. Interatividade Uma prática pedagógica que seja relevante para assegurar o processo de ensino/aprendizagem deve: a) trabalhar somente com livro didático, já que este traz leituras pertinentes à faixa etária trabalhada. b) estar focado apenas na leitura escolhida pelo professor, já que este é o detentor do saber. c) proporcionar à criança o contato com diversos portadores textuais, tais como: livros literários, revistas, jogos, jornais, internet e textos variados. d) apresentar textos pequenos, que identifiquem símbolos, palavras e letras. e) apresentar textos curtos, com palavras simples e que não causem conflito para a criança. Resposta Uma prática pedagógica que seja relevante para assegurar o processo de ensino/aprendizagem deve: a) trabalhar somente com livro didático, já que este traz leituras pertinentes à faixa etária trabalhada. b) estar focado apenas na leitura escolhida pelo professor, já que este é o detentor do saber. c) proporcionar à criança o contato com diversos portadores textuais, tais como: livros literários, revistas, jogos, jornais, internet e textos variados. d) apresentar textos pequenos, que identifiquem símbolos, palavras e letras. e) apresentar textos curtos, com palavras simples e que não causem conflito para a criança. Consciência fonológica Quando o aluno faz uso das habilidades metalinguísticas, busca compreender a palavra como um todo, fazendo associações com conhecimentos prévios que já tem da língua escrita. Da mesma maneira acontece com a reflexão fonológica, em que se busca semelhanças com sons iniciais ou finais, por exemplo, e se permite que ele compreenda o uso repetido dos grafemas para a representação também repetida de um fonema. Consciência fonológica A reflexão fonológica pode acontecer de maneira lúdica, cognitiva, induzida ou natural, de acordo com os autores citados, mas o fato é que todos concordam com a necessidade dessa reflexão para que o processo de leitura seja satisfatório ao final do processo de ensino-aprendizagem. Algumas atividades em sala de aula podem promover a reflexão sobre as partes orais e partes escritas das palavras. Morais (2012) nos apresenta duas possibilidades: os textos da tradição oral e os jogos. Consciência fonológica A exploração de textos poéticosda tradição oral (cantigas, parlendas, quadrinhas etc.) são propostas que as crianças aprendem com facilidade e fazem parte da cultura infantil do brincar, favorecem a exploração dos efeitos sonoros acompanhada da escrita das palavras. Os jogos com palavras e situações lúdicas permitem a ludicidade, a exploração com a sonoridade e o texto escrito, provocando reflexões sem conduzir os alfabetizandos a treinos cansativos. Jogos que contribuem para compreender o SEA Disponível em: <http://oficinasdealfabetizacao.blogspot.com.br/2010/11/caixa-letrada.html> Concepções que a criança adquire sobre os símbolos linguísticos antes da alfabetização (Cócco e Hailer,1996) Tem consciência da diferença entre a leitura silenciosa e a leitura em voz alta. Reconhece que a leitura de histórias é feita em livros e as notícias são lidas em jornais. Percebe que a leitura de uma bula tem a função de orientar o uso do remédio. Sabe que as receitas podem ser lidas, compreendidas e utilizadas em algo concreto. Concepções que a criança adquire sobre os símbolos linguísticos antes da alfabetização (Cócco e Hailer,1996) Compreende que os manuais de brinquedos e jogos servem para orientar o modo como estes devem ser montados e usados. Verifica que as palavras têm quantidade, que apresentam letras diferentes umas das outras. Percebe que a leitura pode ser feita de cima para baixo e da esquerda para a direita. Realismo nominal Sapo ou Formiga E quem tem o maior nome???? Disponível em: <http://www.edupic.net/sci_gr.htm#new>. Quais seriam as intervenções frente ao realismo nominal? Situações como brincadeiras de “faz de conta”, em que um brinquedo representa determinado objeto. Atividades de adivinhação que utilizem mímica, desenhos, para representar o que pensamos. Registros de atividades planejadas com o intuito de não esquecermos compromissos agendados. Anotações por representações da rotina da sala etc. Leitura por preditibilidade Fonte: http://www.aerotexextintores.com.br/advertencia-e-proibicoes/44-placa-proibido-fumar-14cm-x-19cm-p1-ps215 https://corporativo.nestle.com.br/asset-library/PublishingImages/logo%20nescau%2021.09.png Lembre-se O professor deve conhecer seus alunos, saber o que eles trazem de conhecimento. Ele pode utilizar-se da sondagem de seus alunos, a fim de refletir, planejar atividades e intervir em suas vidas. A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro Segundo Ferreiro (1996), leitura e escrita são sistemas que podem ser paulatinamente construídos pela criança: “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais, assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças” (FERREIRO, 1996, p. 24). A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro O entendimento das fases da escrita da teoria da psicogênese devem desencadear uma didática da alfabetização, ou seja, o como intervir, como propor desafios à criança. Soares (2003) afirma que, dentre as falsas inferências ou os equívocos cometidos com a adoção da perspectiva cognitivista da psicogênese da escrita, podem ser destacadas duas: o obscurecimento da faceta linguística fonológica da alfabetização e o sentido negativo atribuído à adoção de métodos de alfabetização. A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro 1. A faceta linguística fonológica da alfabetização a escrita, enquanto objeto de conhecimento em construção, é um objeto linguístico constituído por relações convencionais e arbitrárias entre fonemas e grafemas. 2. A concepção cognitivista transformou os problemas da aprendizagem da leitura e da escrita em problemas sobretudo metodológicos. De acordo com Soares (2003, p.16), “para a prática de alfabetização, tinha-se, anteriormente, um método e nenhuma teoria; com a mudança de concepção sobre o processo de aprendizagem da língua escrita, passou-se a ter uma teoria, e nenhum método”. Língua é cultura Para Ferreiro (1996), a língua é um patrimônio de uma cultura, e sua representação gráfica faz parte dessa cultura. Por outro lado, não se deve partir do princípio que todas as crianças, desde a pré-escola, podem produzir e interpretar a escrita. A interpretação está diretamente relacionada ao desenvolvimento da compreensão do mundo da criança, e isto é um processo individual no desenvolvimento. Ler e escrever fazem parte de um processo É necessário que se permita e se estimule que a criança tenha interação com a língua escrita, nos mais variados contextos, permitindo, assim, junto com a alfabetização, um processo de letramento, ou seja, de familiaridade com a própria escrita. Ferreiro (1999, p. 47) afirma que “a alfabetização não é um estado ao qual se chega, mas um processo cujo início é, na maioria dos casos, anterior à escola e que não termina ao finalizar a escola primária”. Aprendizagem O desenvolvimento linguístico avança à medida que a criança apreende a forma como a linguagem escrita é elaborada. Os princípios relacionais são aprendidos à medida que a criança resolve o problema de como a linguagem escrita é significativa para esta cultura. Assim, a criança começa a compreender, com a linguagem escrita, a representação das ideias e os conceitos que as pessoas, os objetos no mundo real e a linguagem oral possuem. Nenhuma prática pedagógica é neutra Segundo Ferreiro (2000, p. 30), um método nada mais é do que a forma de se conhecer um sistema, pois a conexão entre as informações, além dos próprios elementos formadores das informações, precisam ser aprendidas porque, de outra forma, não será transformada em conhecimento operante. Isto quer dizer que temos de aceitar métodos para conhecer as coisas, pois são sugestões que indicam um caminho para se alcançar um objetivo. Interatividade O termo consciência fonológica refere-se a: a) um conjunto de habilidades relacionadas à capacidade de a criança refletir e analisar a língua oral, capacidade essa que será desenvolvida ao longo do processo de aquisição do sistema de escrita. b) como uma novidade em nossa língua, e surgiu com a autora Mary Kato em 1986, sendo em seguida usado em diversos livros, muitos de educação. c) a uma interpretação literal do termo para abarcar valores e sentidos das palavras. d) ao resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e de escrita. e) a operar com signos e significados dentro de um mundo pleno de valores, e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler. Resposta O termo consciência fonológica refere-se a: a) um conjunto de habilidades relacionadas à capacidade de a criança refletir e analisar a língua oral, capacidade essa que será desenvolvida ao longo do processo de aquisição do sistema de escrita. b) como uma novidade em nossa língua, e surgiu com a autora Mary Kato em 1986, sendo em seguida usado em diversos livros, muitos de educação. c) a uma interpretação literal do termo para abarcar valores e sentidos das palavras. d) ao resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e de escrita. e) a operar com signos e significados dentro de um mundo pleno de valores, e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler. Entenda a representação A escrita é uma representação da linguagem, que opera como um sistema notacional para a transcrição gráfica das unidades sonoras. Quando a escrita é simplesmente apresentada como um código de transição entre fonemas e sinais, sua aquisição se organiza enquanto técnica. Por outro lado, se ela é aprendida enquanto um sistema de representação, ela se torna instrumento de representação e interpretação do mundo. Neste momento, o conhecimento deixa de ser apenas um objeto externo à criança e passa a ser uma forma de perceber a realidade. As mudanças continuam A invenção da escrita foi um processo histórico no qual foram experimentados muitos sistemas de representação da oralidade até que chegamos ao nosso atual alfabeto. Nada assegura que este sistema de representação não evolua e venha ser substituído no futuro. Portanto, considerar a escrita uma codificação imutável se constitui num erro de percepção. A criança cria seus significados Nossa escrita alfabética, enquanto representação grafonômica, tem como motivo primeiro representar as diferenças entre os significantes. Dsc01889_c.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/200657> Assim, a criança: opera com signos e significados dentro de um mundo pleno de valores, sentidos e significados socialmente marcados, e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler e grafar; antecipar o ensino das letras, em vez de trazer o debate da cultura escrita no cotidiano, é inverter o processo e aumentar a diferença. Alfabetização, um processo complexo Se pensamos a língua escrita como uma práxis de compreensão de um modo de construção de um sistema de representação, muda-se a forma de ensinar. O importante passa a ser controlar as discriminações perceptivas (ver, ouvir e falar), que são necessárias, mas que precisam articular-se para que a criança aprenda a se expressar e a buscar formas de expressão da realidade. A partir daí, temos de compreender a natureza deste complexo sistema de representação do mundo. Alfabetização Longo processo circunscrito entre duas vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita e a efetiva possibilidade de uso no contexto social. “Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo assim para a conquista de um novo status na sociedade” (SOARES, 1998). A linguagem escrita Cócco e Hailer (1996) propõem dois eixos no trabalho de alfabetização da criança: 1. o trabalho textual, porque permite à criança compreender como funciona a escrita e como pode ser empregada socialmente; 2. a análise linguística, porque embasa a aquisição do valor sonoro convencional à criança e a ajuda na reconstrução do código linguístico. Escrita e conhecimento O que deve estar em foco, na ação pedagógica, é a ideia de que o conhecimento da escrita não se faz pela codificação e decodificação de mensagens. O princípio que orienta a ação educativa é o da vivência no universo cultural, incluindo a oralidade espontânea e as expressões características do discurso de escrita. Morais (2012, p.51) traz as propriedades do SEA que o aprendiz deverá reconstruir para se tornar alfabetizado: 1. escreve-se com letras que não podem ser inventadas, que têm repertório finito e que são diferentes de números e de outros símbolos; 2. as letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças em sua identidade (p, q, b, d), embora uma letra possa assumir formatos variados (P, p, P, p); 3. a ordem das letras no interior das palavras não pode ser mudada; 4. uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo que palavras distintas compartilham as mesmas letras; Morais (2012, p.51) traz as propriedades do SEA que o aprendiz deverá reconstruir para se tornar alfabetizado: 5. nem todas as letras podem ocupar certas posições no interior das palavras e nem todas as letras podem vir juntas de quaisquer outras; 6. as letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que os substituem; 7. as letras notam segmentos sonoros menores que as sílabas orais que pronunciamos; Morais (2012, p.51) traz as propriedades do SEA que o aprendiz deverá reconstruir para se tornar alfabetizado: 8. as letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro e certos sons poderem ser notados com mais de uma letra; 9. além de letras, na escrita de palavras são usadas, também, algumas marcas (acentos) que podem modificar a tonicidade ou o som das letras ou sílabas onde aparecem; 10. as sílabas podem variar quanto às combinações entre consoantes e vogais (CV, CCV, CVV, CVC, V, VCC, CCVCC...), mas a estrutura predominante no português é a sílaba CV (consoante – vogal), e todas as sílabas do português contêm, ao menos, uma vogal. Para Morais (2012) O conjunto de regras sobre o sistema alfabético é automático para o adulto alfabetizado, uma vez que ele nem pensa sobre o sistema, é um conhecimento apreendido de tal forma que se torna automático. Mas para a criança esse conjunto de regras somente será internalizada se ela tiver a oportunidade de refletir sobre ele por meio de situações planejadas para isto. Textos e jogos A maioria das crianças chega à escola com pouca experiência em leitura de textos diversos. Portanto, podemos dizer, sem dúvida, que esse trabalho é ponto central de uma proposta alfabetizadora. A sala de aula deve conter grande quantidade e variedade de material escrito, como livros, jornais, gibis, revistas e cartazes que estimulem a leitura da criança. Projetos nota 10 Nome do projeto: Placas novas para o hortifrúti do bairro. Etapas 1. Escrever uma autorização. 2. Listar os alimentos. 3. Pesquisar as qualidades. 4. Escrever em duplas. 5. Montar as placas. Fonte: Revista Nova Escola. Ed. dez/2013 – jan/2014. Práticas significativas RANA, Débora. AUGUSTO, Silvana. Língua Portuguesa: soluções para dez desafios do professor – 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática Educadores, 2011. Interatividade Por que a leitura e a escrita são considerados os conteúdos centrais da escola? a) Porque têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive. b) Porque são considerados assuntos a serem abordados por todos os parentes das crianças. c) Porque os professores vivem discutindo essas questões e nunca conseguem chegar a um objetivo. d) Porque não há em nenhuma escola brasileira uma ideia formada a esse respeito. e) Porque nós, alunos, precisamos saber o que não devemos falar em uma situação escolar. Resposta Por que a leitura e a escrita são considerados os conteúdos centrais da escola? a) Porque têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive. b) Porque são considerados assuntos a serem abordados por todos os parentes das crianças. c) Porque os professores vivem discutindo essas questões e nunca conseguem chegar a um objetivo. d) Porque não há em nenhuma escola brasileira uma ideia formada a esse respeito. e) Porque nós, alunos, precisamos saber o que não devemos falar em uma situação escolar. ATÉ A PRÓXIMA! Unidade III ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Profa. Eliana Delchiaro Para começar: como a criança aprende a ler e escrever? Nos últimos anos, apesar do número de estudos e discussões sobre como a criança aprende a ler e escrever e das contribuições de teóricos na educaçãoescrever e das contribuições de teóricos na educação, alguns professores ainda acreditam nos velhos métodos tradicionais para alfabetizar. Nesse sentido, reafirmamos que as concepções de criança, conhecimento e aprendizagem que o professor t d t i áti d ó i d ttem determinam sua prática pedagógica docente. Conteúdo da Unidade IIIConteúdo da Unidade III Metodologias da alfabetização. Consciência fonológica – mais exemplos. Práticas do ensino do SEA (Sistema de Escrita Alfabética). Sugestões de atividades para alfabetizar letrando. O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento Quando as crianças começam a alfabetização, chegam à sala de aula com um repertório de conhecimentos prévios habilidades crenças e conceitos que vão influenciarprévios, habilidades,crenças e conceitos que vão influenciar significativamente a sua percepção sobre o meio ambiente, a forma como se organizam e a maneira de interpretar as informações. Por sua vez, o repertório prévio interfere na capacidade d i d l b i i l blda criança de lembrar, raciocinar, resolver problemas e adquirir novos conhecimentos. E o que dizem as pesquisasE o que dizem as pesquisas Verificou-se que as diferentes oportunidades socioculturais exercem influência no ritmo de apropriação do SEA. Ao lado disso, dados de pesquisa revelam diferenças de ritmo na apropriação da escrita, especialmente por parte das crianças do meio popular, tendo em vista as poucascrianças do meio popular, tendo em vista as poucas oportunidades que estas têm com a cultura letrada. Para tanto, há que se acreditar no trabalho pedagógico docente, com o emprego de jogos de palavras e situações de reflexão de textos da produção oral, conforme constatou a pesquisa de Vieira Souza e Morais (2011) ser possível umpesquisa de Vieira, Souza e Morais (2011) ser possível um bom avanço dessas crianças. O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento Mesmo os bebês são aprendizes ativos que trazem de casa um ponto de vista da configuração da aprendizagem. O mundo que o bebê percebe não é uma “confusãoO mundo que o bebê percebe não é uma “confusão, um crescente zumbido” (JAMES, 1890), onde todos os estímulos são igualmente importantes. O cérebro infantil dá prioridade a algumas formas de informação: a linguagem, os conceitos básicos dos ú i d d fí i i t d inúmeros, as propriedades físicas e o movimento de animar os objetos inanimados (todos os seus brinquedos e utensílios próximos). (COBB, 1994; PIAGET, 1952, 1973a,) ( b, 1977, 1978; VYGOTSKY, 1962, 1978) O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento Uma conclusão lógica da afirmação de que o conhecimento novo deve ser construído a partir do conhecimento existente é que os professores precisam prestar atenção ao entendimentoque os professores precisam prestar atenção ao entendimento incompleto da criança, assim como para as falsas crenças e as interpretações ingênuas dos conceitos que os alunos trazem de casa a respeito de um determinado assunto. Os professores devem se esforçar para ajudar cada aluno a t i h i t d d i ti d t id iconstruir o conhecimento verdadeiro a partir destas ideias, para que o aluno alcance uma compreensão mais madura. O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento Há um equívoco comum a respeito do “construtivismo”, de que o conhecimento existente deve ser usado para construir um conhecimento novoconstruir um conhecimento novo. Assim, tem-se a falsa ideia de que os professores nunca devem dizer nada aos alunos diretamente, mas devemdevem dizer nada aos alunos diretamente, mas devem permitir que estes construam o conhecimento por eles mesmos. Esta perspectiva confunde uma teoria da d i ( i ) t i d h i tpedagogia (ensino) com a teoria do conhecimento. Trabalhar de forma construtivista não é negar a história do conhecimento e assumir que todo conhecimento édo conhecimento e assumir que todo conhecimento é construído a partir de conhecimentos prévios individuais, independentemente de como se é ensinado. (COBB, 1994). Implicações para o ensinoImplicações para o ensino Um ensino eficaz com postura crítica é aquele que provoca os alunos a explicitarem o seu conhecimento preexistente do assunto a ser ensinado fornecendo assim oportunidadesdo assunto a ser ensinado, fornecendo, assim, oportunidades para que eles construam um novo conhecimento sobre o que já sabem, ou então desafiem seus preconceitos iniciais. É possível melhorar o ensino e a aprendizagemÉ possível melhorar o ensino e a aprendizagem Perceber como os alunos aprendem também ajuda os professores a irem além das dicotomias de escolha que têm assolado o campo da educaçãotêm assolado o campo da educação. A capacidade dos alunos para fazer a aquisição de conceitos organizadores do pensamento que tornam a educação umorganizadores do pensamento que tornam a educação um conjunto de fatos e de habilidades é reforçada quando eles estão conectados à resolução de problemas significativos ti id d ti t d té ipara as atividades pertinentes a cada matéria. Quando os alunos entendem o porquê das coisas, eles também acabam entendendo como e quando tanto os fatostambém acabam entendendo como e quando tanto os fatos como as habilidades são pertinentes e relevantes. Projetando ambientes para a sala de aulaProjetando ambientes para a sala de aula Apresentam-se algumas diretrizes para ajudar a orientar o projeto e a avaliação de ambientes que podem aperfeiçoar o aprendizadopodem aperfeiçoar o aprendizado. São propostos alguns atributos inter-relacionados de ambientes de aprendizagem que podem servir de pontoambientes de aprendizagem que podem servir de ponto de partida para o seu projeto ou adaptação do ambiente de sala de aula. Tanto as escolas quanto as salas de aula devem ser centradas no aluno. Os professores devem prestar muita atenção no conhecimento habilidades e atitudes que osatenção no conhecimento, habilidades e atitudes que os alunos trazem para a sala de aula. Como contribuir para criar, na sala de aula, um ambiente alfabetizador? Fonte: X_014.jpg. Disponível em: <http://www morguefile com/archive/display/542391>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/542391> A sala de aula é heterogêneaA sala de aula é heterogênea Fonte: Wonder_Cube_4_.jpg. Disponível em: <http://www morguefile com/archive/ display/220838>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/220838> A aprendizagem é influenciada, de forma fundamental, pelo contexto em que ela ocorre A abordagem possível é desenvolver normas para a escola e para a sala de aula que apoiem as conexões com o mundo exterior de forma que se crie um núcleo forte de valoresexterior, de forma que se crie um núcleo forte de valores que determinem a aprendizagem. As normas estabelecidas na sala de aula têm um efeitoAs normas estabelecidas na sala de aula têm um efeito profundo na maneira como os alunos resolvem alcançar seus objetivos. Assim, os alunos poderão se ajudar t t l bl i dmutuamente a resolver problemas por meio da construção do conhecimento. A aprendizagem é influenciada, de forma fundamental, pelo contexto em que ela ocorre Os alunos conseguirão com a cooperação na resolução de problemas (EVANS, 1989; NEWSTEAD e EVANS, 1995) e na troca de argumentação (GOLDMAN 1994; HABERMAS 1990;troca de argumentação (GOLDMAN, 1994; HABERMAS, 1990; KUHN, 1991; MOSHMAN, 1995a, 1995b; SALMON e ZEITZ, 1995; YOUNISS e DAMON, 1992) a construção de uma comunidade intelectual que vai melhorar o desenvolvimento cognitivo de cada um. O t l ti l l d l O pouco tempo relativo que os alunos passam na sala de aula cria muitas oportunidades para que os professores preparem sugestões para o seu comportamento na comunidade.g Além da sala de aula, o mundo está cheio de coisas escritas: vamos vê-las! A sala de aula é complexa no que diz respeito à comunicação. Fonte: JGS_MultiLingualWords.jpg. Disponível em: <http://www morguefile com/archive/ display/611839>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/611839> InteratividadeInteratividade Alguns fatores podem contribuir para melhorar o ensino aprendizagem: a) Considerar os conhecimentos prévios dos alunos. b) Criar ambientes favorecedores da troca, do diálogo e da cooperaçãoe da cooperação. c) Mediar as relações que os alunos estabelecem com a construção de novos saberes.construção de novos saberes. d) Explicitar os “porquês” para que os alunos elucidem suas dúvidas. e) Todas as alternativas propostas contribuem para a melhoria da aprendizagem do aluno. RespostaResposta Alguns fatores podem contribuir para melhorar oensino aprendizagem: a) Considerar os conhecimentos prévios dos alunos. b) Criar ambientes favorecedores da troca, do diálogo e da cooperaçãoe da cooperação. c) Mediar as relações que os alunos estabelecem com a construção de novos saberes.construção de novos saberes. d) Explicitar os “porquês” para que os alunos elucidem suas dúvidas. e) Todas as alternativas propostas contribuem para a melhoria da aprendizagem do aluno. A entrada no primeiro anoA entrada no primeiro ano A entrada para a escola coloca exigências linguísticas e cognitivas que muitas vezes não são compatíveis com os hábitos até então desenvolvidoshábitos até então desenvolvidos. É de conhecimento de todo educador que qualquer informação deve ser compreendida por todos, mas a rotinainformação deve ser compreendida por todos, mas a rotina marca uma ruptura na vida da criança, pois a informação não é compatível com o seu mundo de agora. Quando chega à escola para aprender a ler, a criança sabe que a escrita quer dizer alguma coisa, embora não saiba de que maneira os sinais escritos funcionamnão saiba de que maneira os sinais escritos funcionam para transmitir a mensagem. A entrada no primeiro anoA entrada no primeiro ano Para a criança, a alfabetização constitui o primeiro passo de um longo caminho escolar, que provavelmente terminará na universidade Ela usará a leitura como forma de prazer euniversidade. Ela usará a leitura como forma de prazer e instrumento de comunicação pessoal. O primeiro passo, então, é abrir os olhos para o mundo daO primeiro passo, então, é abrir os olhos para o mundo da palavra escrita, tornar-se atento ao que está escrito na vida cotidiana, perceber os vários usos sociais dessa escrita e l it f t d d l t tque a leitura faz parte do processo de letramento. Metodologias de alfabetizaçãoMetodologias de alfabetização Apesar dos estudos sobre como a criança aprende a ler e a escrever, alguns adultos acreditam que a prática pedagógica deve ser fundamentada em exercícios repetitivos a seremdeve ser fundamentada em exercícios repetitivos a serem aplicados em sala de aula e lições a serem feitas em casa. Muitos pensam que essa repetição contribui para que a criança leia e escreva melhor. Temos crianças que copiam textos, têm a letra desenhada, d d t tid i ifi d Nãmas nada do que escrevem tem sentido ou significado. Não fazem uso da leitura e da escrita habitualmente nem as têm como instrumento de expressão de suas ideias e seus sentimentos, ou como uma forma de comunicação com os outros e de leitura de mundo. Como um professor pode promover uma “boa atividade” na sala de aula? A “boa atividade” é a que promove a aprendizagem da criança, a construção de seu conhecimento. Com certeza, não é aquela aula show, farta em jogos e brincadeiras, da qual o aluno quer participar, mas a que promove a mudança de atitudes, procedimentos epromove a mudança de atitudes, procedimentos e conceitos dos alunos. O professor e a sala de aulaO professor e a sala de aula Fonte: DSC_1708_Aj.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/221142>p p g p y Características de uma “boa atividade”Características de uma boa atividade Naspolini (2006) aponta que a “boa atividade”, promotora do desenvolvimento do conhecimento do aluno, pode ser significativa produtiva e desafiadorasignificativa, produtiva e desafiadora. Fonte: DSC_1727_Aj.jpg. Disponível em: htt // fil / hi /di l /221137<http://www.morguefile.com/archive/display/221137> Atividade significativaAtividade significativa Para Naspolini (2006, p. 12), a atividade é significativa “quando gera conhecimento útil para a vida do aluno; quando lhe oferece condições de tendo consciência doquando lhe oferece condições de, tendo consciência do conhecimento apropriado, vir a utilizá-lo nas diferentes situações de sua vida”. As pesquisas a respeito do baixo aproveitamento escolar de nossos alunos apontam para uma de suas dificuldades: a de relacionarem o que aprenderam na escola com o seua de relacionarem o que aprenderam na escola com o seu dia a dia. Atividade significativaAtividade significativa Relacionar os textos escritos e aprendidos na escola com a sua necessidade de ler, escrever, ter conhecimento e interpretar o que lê e escreve Cabe a reflexão sobre ase interpretar o que lê e escreve. Cabe a reflexão sobre as atividades aplicadas em sala de aula. Paulo Freire criticou as cartilhas e as comparou às p roupas de tamanho único, que servem para todo mundo e, ao mesmo tempo, para ninguém; as cartilhas estão longe de abordar a realidade vivida por nossos alunos (ARANHA 1989)abordar a realidade vivida por nossos alunos (ARANHA, 1989). Atividade produtivaAtividade produtiva Quando o aluno aprende, constrói o conhecimento e, além de desenvolvê-lo, ele o aperfeiçoa nas atividades cotidianas. Frequentemente os trabalhos escolares são requeridosFrequentemente os trabalhos escolares são requeridos pelos professores sem que os alunos sintam a necessidade de escrever; simplesmente os fazem porque o professor d T i id d ã é d imandou. Torna-se uma atividade que não é produtiva, desvinculada do contexto da criança, uma escrita mecânica. Atividade desafiadoraAtividade desafiadora Atividades que apresentam dificuldades possíveis de serem solucionadas pelo aluno, mas que exigem a sua reflexão análise de hipóteses busca de ações possíveisreflexão, análise de hipóteses, busca de ações possíveis, portanto contribuem para o desenvolvimento de sua capacidade cognitiva. Naspolini (2006) sugere que o professor trabalhe com situações de aprendizagem desafiadoras, provocativas e instigantes que devem ser construídas sobre aspectose instigantes, que devem ser construídas sobre aspectos conhecidos do aluno e que provoquem desafios. Como a escola pode contribuirComo a escola pode contribuir Desde a alfabetização, a escola precisa apresentar variedade de textos e favorecer o contato com a escrita social. É á i i l i l d l t É necessário que a criança leia na sala de aula cartazes, identificações de caixas, latas, listas, embalagens e rótulos de produtos variados.p O contato com diferentes escritas e textos promove na criança o reconhecimento e a distinção do desenho ( i l) d it ( i ) t ib i(sinal) e da escrita (signo), o que contribui para que ela compreenda que se escreve o que se fala. Isso facilita a aprendizagem da grafia das letras e ap g g construção de palavras de forma significativa: na prática, é ler e escrever. Sugestão de atividades significativasSugestão de atividades significativas Adriane Andaló (1996) sugere como atividades significativas de leitura e escrita as seguintes atividades, que objetivam o que denominou de “redes de significado”:que denominou de redes de significado : 1. trabalhar com o nome dos alunos, identificando palavras, sílabas e letras do próprio nome da criança e de seus p p ç colegas em outras atividades; 2. escrever listas de palavras do mesmo campo lexical, d i i d f t dcomo nomes de animais, nomes de frutas, nomes de brinquedos, compras de supermercado; Sugestão de atividades significativasSugestão de atividades significativas 3. recortar e colar figuras e associá-las com a escrita de letras móveis de plástico; 4 tili l d l l t b tã iú l té4. utilizar, em sala de aula, a letra bastão maiúscula até as crianças estarem alfabetizadas; 5 montar e desmontar palavras;5. montar e desmontar palavras; 6. montar quebra-cabeças com palavras e gravuras; 7 fornecer palavras e pedir às crianças que as representem7. fornecer palavras e pedir às crianças que as representem por meio de desenhos. Propostas para acompanhar o processo de alfabetização Atividades de sondagem: estão relacionadas às atividades de avaliação d d h d l i d t tdo desempenho do aluno; visam detectar o conhecimento que a criança construiu e como esse conhecimento foi construído;; a partir do que foi coletado pelo professor, planejam-seas atividades de ensino e de di ífi laprendizagem novas e específicas ao aluno. Atividades de sondagemAtividades de sondagem Naspolini (2006) destaca alguns pontos das atividades de sondagem: t t t ífi d ti id d t d retratam o momento específico da atividade executada pelo aluno – num certo momento, o aluno apresenta um determinado conhecimento e, em outro momento,, , outro conhecimento; as intervenções do professor favorecem a compreensão d i d t i d h i tde como a criança pensa um determinado conhecimento; possibilitam o registro, em fichas, da produção do aluno e podem fundamentar o planejamento de novas atividadespodem fundamentar o planejamento de novas atividades. Atividades de sondagemAtividades de sondagem As atividades de sondagem e o material utilizado devem ser inéditos, para não estimular a memorização de como se aplica determinado conhecimento pela criançase aplica determinado conhecimento pela criança. A sondagem é feita periodicamente e os resultados devem ser comparados com os resultados da sondagem anterior. Ao analisar os resultados da sondagem, o professor pode agrupar crianças que apresentam determinada dificuldade e planejar atividades diversificadas dedificuldade e planejar atividades diversificadas de ensino e de aprendizagem. As atividades diversificadas são compostas por jogos e variam conforme a evolução do conhecimento dos alunos. InteratividadeInteratividade Como um professor pode promover uma “boa” atividade? a) Com uma aula show, farta em jogos e brincadeiras. b) Criando situações significativas, produtivas e desafiadoras. c) Com muitos exercícios de fixação de conteúdo. d) Com atividades diferentes todos os dias da semana. e) Com a repetição de cópias para treinar a escrita. RespostaResposta Como um professor pode promover uma “boa” atividade? a) Com uma aula show, farta em jogos e brincadeiras. b) Criando situações significativas, produtivas e desafiadoras. c) Com muitos exercícios de fixação de conteúdo. d) Com atividades diferentes todos os dias da semana. e) Com a repetição de cópias para treinar a escrita. Atividades de ensino-aprendizagemAtividades de ensino-aprendizagem Segundo Naspolini (2006), são atividades que intervêm nos saberes construídos anteriormente pelo aluno e promovem a aquisição de novos conhecimentos Comopromovem a aquisição de novos conhecimentos. Como exemplo, cita a atividade de correspondência título-texto, em que o professor lê um texto em sala de aula e apresenta á i í lvários títulos: os alunos devem escolher um título adequado à história narrada pela professoranarrada pela professora. Atividades de aplicaçãoAtividades de aplicação São exercícios específicos que visam a aplicação de conhecimentos apreendidos pela criança por meio das atividades de ensino-aprendizagem Naspolini (2006)atividades de ensino-aprendizagem. Naspolini (2006) sugere que devem ser aplicados, preferencialmente, em grupos de alunos. A autora distingue dois períodos ou características das atividades de aplicação: a repetição e a transformação. A ti ã d id f t d h i t d i id A repetição devido ao fato de os conhecimentos adquiridos pelos alunos serem utilizados repetidas vezes e em momentos diferentes das atividades. A transformação se refere ao fato de os exercícios serem mudados, e não seus objetivos, que devem ser a aplicação de determinados conhecimentos aprendidos anteriormente. Atividades de aplicaçãoAtividades de aplicação O exemplo dado por Naspolini (2006) é que a mesma atividade de correspondência texto-título pode ser empregada de diferentes formas como:empregada de diferentes formas, como: corresponder um texto com a escolha de um título, dentre outros;; corresponder um título com a escolha de um texto, dentre outros; corresponder os textos com a escolha dos respectivos títulos, dentre outros. Atividades de avaliaçãoAtividades de avaliação O objetivo das atividades de avaliação é diagnosticar o que o aluno é capaz de realizar sozinho, o que o aluno aprendeu e o que precisa melhorar podendo ter a finalidadeaprendeu e o que precisa melhorar, podendo ter a finalidade qualitativa ou quantitativa, segundo Naspolini (2006). A finalidade qualitativa está ligada ao diagnóstico do q g g conhecimento construído pelo aluno e subsidia o planejamento do professor à medida que este planeja futuras atividades de ensino aprendizagem (sondagem);futuras atividades de ensino-aprendizagem (sondagem); e a finalidade quantitativa está ligada ao diagnóstico e à medição do que o aluno construiu de determinado conteúdo. O trabalho com leituraO trabalho com leitura De acordo com Naspolini (2006), “ler é o processo de construir um significado a partir do texto”. A l it á did h dâ i t A leitura será compreendida se houver concordância entre os conhecimentos prévios do leitor e os elementos textuais. O ato de ler significa compreender o que está escrito com as O ato de ler significa compreender o que está escrito com as letras e o que se quis dizer com as letras; é muito mais do que decodificar os códigos linguísticos. O professorO professor O professor deve ser um facilitador no processo de desenvolvimento das competências leitora e escritora do aluno desde a Educação Infantil Porém será nosdo aluno desde a Educação Infantil. Porém, será nos anos iniciais do Ensino Fundamental que sua prática poderá ser intensificada. Tanto a leitura como a escrita devem ser significativas para o aluno. Assim, precisam relacionar-se com o seu uso cotidiano desvendar conhecimentos que estejam ligados acotidiano, desvendar conhecimentos que estejam ligados a interesses próprios da faixa etária em que se encontram os alunos, possibilitar a resolução de problemas de ordem prática e oferecer possibilidades para que possam, autonomamente, ir além do que lhes é proposto. O trabalho com textosO trabalho com textos A leitura e a escrita não devem se restringir ao trabalho com o livro didático. Em uma sociedade letrada como a nossa o professor precisa trabalhar com os mais variadosnossa, o professor precisa trabalhar com os mais variados tipos de textos, com o objetivo de que a criança construa estruturas cognitivas necessárias à leitura e à escrita de i dtextos variados. Isso não significa que o aluno tenha apenas de identificar ou reconhecer as diferentes modalidades de texto masou reconhecer as diferentes modalidades de texto, mas escrevê-las, utilizá-las mediante suas necessidades. O trabalho com textosO trabalho com textos Com um fim didático, Naspolini (2006) classificou os textos em práticos, informativos ou científicos, literários e extraverbais mas ressaltou que um único texto podeextraverbais, mas ressaltou que um único texto pode pertencer a mais de um grupo dos citados. Fonte: JGS_NewspaperSports.jpg. Disponível em: <http://www morguefile com/archive/display/90211><http://www.morguefile.com/archive/display/90211> Gênero: uso cotidianoGênero: uso cotidiano Textos práticos São textos comuns em nosso dia a dia. Por exemplo: t t d á l t l f h b lcartas, contas de água, luz e telefone, cheques, embalagens de todos os tipos, manuais de aparelhos eletrônicos, listagens, itinerários, ingressos, passagens, carnês, bulasg , , g , p g , , de remédio, cardápios, receitas culinárias, notas fiscais, bilhetes, telegramas. O f d tili d t ti O professor pode utilizar uma data comemorativa, como o Dia dos Pais, e desenvolver uma atividade de confecção de uma carta.ç Textos informativos ou científicosTextos informativos ou científicos A função dos textos informativos é trazer conhecimentos novos aos leitores. Eles são encontrados em jornais, revistas enciclopédias entrevistas tabelas gráficos etcrevistas, enciclopédias, entrevistas, tabelas, gráficos etc. Textos literáriosTextos literários São textos que expressam sentimentos, pensamentos e fantasias do homem na relação com o mundo à sua volta e consigo mesmovolta e consigo mesmo. TextosextraverbaisTextos extraverbais Existem textos escritos não com palavras, mas com outros códigos linguísticos e não linguísticos. Por exemplo, os textos escritos com figuras ilustrações arquiteturaos textos escritos com figuras, ilustrações, arquitetura, histórias em quadrinhos, quadros de arte, músicas, gestos etc. Pensando desta forma, quando vamos ao Museu e lá apreciamos um quadro como o de Tarsila do Amaral, dando como exemplo a obra A Feira estamos diantedando como exemplo a obra A Feira, estamos diante de um texto escrito com figuras e ilustrações que retratam a situação de uma feira, tudo isso dentro de um estilo de pintura próprio da artista. Mas os nossos olhos, ao contemplarem tal quadro, estão fazendo uma leitura da situação que ela tentou retratar.leitura da situação que ela tentou retratar. Outros textosOutros textos Enfoque conteudístico A partir de um texto, questões são formuladas para que os l d d l id i talunos respondam segundo as palavras e ideias expostas no texto. Naspolini (2006) define como o objetivo desse tipo de atividade decodificar a leitura. p Enfoque estruturalista Todos os textos apresentam determinadas estruturasp que os identificam e que são chamadas de superestrutura esquemática: a distribuição e a organização da estrutura interna do textointerna do texto. A gramática na contramãoA gramática na contramão Algumas possibilidades para o trabalho com a produção de textos: t b lh t t it i di id l t trabalhar com textos escritos individualmente, em pequenos grupos ou coletivamente; propor para os alunos a escrita de vários tipos de propor para os alunos a escrita de vários tipos de textos – relatórios, contos, poesias etc.; pedir aos alunos que descrevam fotos e paisagens;p q p g ; solicitar que criem histórias a partir de recortes de gibis, paisagens etc.; orientar os alunos a entrevistarem conhecidos e descreverem como foi a entrevista; i j i d l t sugerir que escrevam jornais da sala, reportagens da escola, entre outros. Sugestão de produção de texto com os alunosSugestão de produção de texto com os alunos Essa é uma atividade que vai além da vida escolar. O aluno a utiliza por toda vida. D fi i Desafios para ensinar: Vale a pena lembrar que leitura e escrita são articulados. Portanto um dos propósitos da escrita é a leituraPortanto, um dos propósitos da escrita é a leitura. 1. Oferecer repertório de textos no gênero a ser escrito. 2 Fazer um planejamento do que vai ser escrito2. Fazer um planejamento do que vai ser escrito. 3. Textualizar. 4 Revisar4. Revisar. (RANA e AUGUSTO, 2011) InteratividadeInteratividade Para que serve uma atividade de avaliação? a) Para diagnosticar o que o aluno é capaz de realizar sozinho. b) Para reprovar um aluno com dificuldade. c) Para testar a capacidade do professor. d) Para deixar a sala no mais absoluto silêncio. e) Para mostrar que quem manda é o professor. RespostaResposta Para que serve uma atividade de avaliação? a) Para diagnosticar o que o aluno é capaz de realizar sozinho. b) Para reprovar um aluno com dificuldade. c) Para testar a capacidade do professor. d) Para deixar a sala no mais absoluto silêncio. e) Para mostrar que quem manda é o professor. Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento Sugerimos a leitura do texto Jogo e Letramento: crianças de 6 anos no ensino fundamental, que discute a prática curricular em que se alia o jogo ao processo de letramentocurricular em que se alia o jogo ao processo de letramento no primeiro ano do Ensino Fundamental de 9 anos da Escola de Aplicação da USP. KISHIMOTO, Tizuko Morchida. PINAZZA, Mônica Appezzato. MORGANA, Rosana de Fátima Cardoso. TOYOFUKI, Kamila Rumi Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensinoRumi. Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensino fundamental. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.37, n.1, 220p. 191-210, jan./abr. 2011. (disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ep/v37n1/v37n1a12.pdf) Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento Palavras-chaves do texto: Jogo – Letramento – Ensino fundamental de 9 anos – Políticas públicas – Currículo. 1 A li ã d E i F d t l d 91. Ampliação do Ensino Fundamental de 9 anos e a questão curricular. 2 Escola de aplicação da USP – contexto da pesquisa2. Escola de aplicação da USP – contexto da pesquisa. 3. Atividade, jogo e mediação. Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento 4. Brincadeiras imaginárias voltadas para a realidade. 5. Mediações nas práticas curriculares. 6. Avaliação das práticas por crianças, pais e professores. 7. Desalinhos no plano curricular. O jogo e a brincadeira – um caminho para alfabetizar letrando Consciência fonológica e a alfabetização. “Algumas habilidades fonológicas (e não necessariamente fonêmicas) são essenciais para a criança avançar em suas hipóteses sobre o sistema alfabético, no entanto os autores defendem que só a consciência fonológica, por si só, nãodefendem que só a consciência fonológica, por si só, não faz uma criança se tornar alfabética.” (MORAIS, 2012) Consciência fonológicaConsciência fonológica As cantigas de roda, as poesias da tradição oral e os jogos de consciência fonológica ajudam os alunos refletir sobre as palavras suas partes orais e escritasas palavras, suas partes orais e escritas. Antes disso, preste atenção às cenas apresentadas por Morais (2012) e transcritas abaixo:(2012) e transcritas abaixo: Cena 1: Marina com 3 anos e 5 meses “Ge-la-ti-na” Cena 2: Pedro com 1 ano e 9 meses “Tu-ba-rão” / “Já-bu-ti”Cena 2: Pedro com 1 ano e 9 meses Tu ba rão / Já bu ti Consciência fonológicaConsciência fonológica Leque de possibilidades (MORAIS, 2012): 1. computador maior que casa (quatro pedaços d i d )e dois pedaços); 2. identificar entre quatro palavras as que começam de forma parecida – palito morango parede cavalo;de forma parecida – palito, morango, parede, cavalo; 3. falar a palavra “chuveiro”, quando solicitado a dizer uma palavra que termine com a palavra “coqueiro”, explicando p q p q , p que ambas terminam com “/eiro/”; 4. identificar que, no interior da palavra “tucano”, temos t “ ” “t ” “t ”outras: “cano”, “tu”, “tuca”. Consciência fonológicaConsciência fonológica Para o autor em questão, é necessário responder: 1. Quais habilidades de consciência fonológica são á i i t t l lf b ti ?necessárias ou importantes para um aluno se alfabetizar? 2. O aluno já deveria ter desenvolvido essas habilidades para poder iniciar o processo de alfabetização?para poder iniciar o processo de alfabetização? 3. Basta treinar a consciência fonológica e fazermos as crianças memorizarem as letras correspondentes aos ç p segmentos sonoros para termos alunos alfabetizados? Práticas do ensino do SEA (Sistema de Escrita Alfabética) Exemplo do trabalho da professora Marlene, divulgado por Morais (2012) ao explorar a música O pião entrou na roda: O pião entrou na roda, ô pião O pião entrou na roda, ô pião Roda, piãop Bambeia, pião. Sapateia no tijolo, ô pião Sapateia no tijolo, ô piãop j , p Roda, pião Bambeia, pião. Mostrai sua figura, ô piãoMostrai sua figura, ô pião Mostrai sua figura, ô pião Roda, pião Bambeia piãoBambeia, pião. Jogos que desenvolvem a consciência fonológicaJogos que desenvolvem a consciência fonológica Batalha de palavras (jogo que leva refletir sobre o tamanho das palavras). J d i (T i Má i C i ) Jogos de rimas (Trina Mágica e Caça-rimas). Bingo dos sons iniciais e o Dado Sonoro (no caso, a percepção de aliterações nas primeiras sílabasa percepção de aliterações nas primeiras sílabas das palavras cantadas). Palavra dentro de palavra (dentro de “tucano” estáp ( a palavra “cano”). Texto complementarTexto complementar Texto presente no AVA: Contribuições para alfabetizar letrando, de Eliana Chiavone Delchiaro. ResumindoResumindo... Nesta últimaunidade foi abordado o fato de que quando as crianças começam a alfabetização, elas chegam na sala de aula com um repertório de conhecimentos préviossala de aula com um repertório de conhecimentos prévios, habilidades, crenças e conceitos que vão influenciar significativamente a sua percepção sobre o meio ambiente. Num sentido amplo, o entendimento contemporâneo da aprendizagem é de que são as pessoas que constroem h i t t di t bnovos conhecimentos e entendimentos com base no que já sabem e acreditam, no que já construíram com suas experiências e vivências de mundo. ResumindoResumindo... Falamos também de um equívoco comum a respeito do construtivismo, de que o conhecimento existente deve ser usado para construir um conhecimento novo Assim tem se ausado para construir um conhecimento novo. Assim, tem-se a falsa ideia de que os professores nunca devem dizer nada aos alunos diretamente, mas devem permitir que os alunos construam o conhecimento por si mesmos. Vimos que o construtivismo valoriza a história de mundo que a criança traz Vimos também que a intervenção e moderação dotraz. Vimos também que a intervenção e moderação do professor acontecem no construtivismo. ResumindoResumindo... Propomos que tanto as escolas e as salas de aula devem ser centradas no aluno. Os professores devem prestar muita atenção no conhecimento habilidades e atitudes que osatenção no conhecimento, habilidades e atitudes que os alunos trazem para a sala de aula. Ainda, é possível perceber que a aprendizagem com compreensão é importante para o desenvolvimento de competências, pois torna o aprendizado de novos conhecimentos mais fácil. InteratividadeInteratividade Como diz Vygotsky, o ensino deve ser organizado de forma que a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. Baseado no que estudamos, responda como o professor de 1° ano deve q , p p atuar na construção da escrita: a) Deverá permitir que a criança faça parte no processo da construção da escrita favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontâneada escrita, favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontânea, mediando a criança. b) Deverá trabalhar com os livros didáticos e com muitas atividades ) de escrita. c) Apresentar para as crianças o alfabeto e trabalhar primeiramente as vogaisas vogais. d) Proporcionar à criança o contato com os livros didáticos e com o caderno de caligrafia, para desenvolver bons traços. e) Ensinar primeiro a codificação, depois a decodificação, a gramática e, por último, a produção de textos. RespostaResposta Como diz Vygotsky, o ensino deve ser organizado de forma que a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. Baseado no que estudamos, responda como o professor de 1° ano deve q , p p atuar na construção da escrita: a) Deverá permitir que a criança faça parte no processo da construção da escrita favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontâneada escrita, favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontânea, mediando a criança. b) Deverá trabalhar com os livros didáticos e com muitas atividades ) de escrita. c) Apresentar para as crianças o alfabeto e trabalhar primeiramente as vogaisas vogais. d) Proporcionar à criança o contato com os livros didáticos e com o caderno de caligrafia, para desenvolver bons traços. e) Ensinar primeiro a codificação, depois a decodificação, a gramática e, por último, a produção de textos. ATÉ A PRÓXIMA!ATÉ A PRÓXIMA!