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Unidade I
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Profa. Eliana Delchiaro
Para começar a reflexão...
Qual a relação entre alfabetização e cidadania?
 Freire (2008, p.150) diz que a alfabetização só tem sentido 
quando é decorrente de uma reflexão do homem sobre 
sua capacidade de refletir no mundo e sobre o mundo. 
Objetivos da disciplina
 Elaborar, executar e avaliar os planos de ação pedagógica.
 Saber articular os resultados das investigações com a prática, 
visando ressignificá-la, assim como desenvolver metodologia 
e materiais pedagógicos adequados às diferentes 
práticas educativas.
 Analisar as recentes contribuições das teorias educacionais 
para a aquisição da língua escrita sob a perspectiva 
do alfabetizar letrando.
Conteúdo da disciplina
 A teoria construtivista: principais contribuições
e possibilidades de trabalho pedagógico. 
 Conceito de alfabetização: história e evolução. 
 Propostas para aquisição da língua escrita.
 Oralidade e comunicação. 
 O ensino da escrita. O trabalho com leitura e escrita. O papel 
do professor na construção da escrita.
 Alfabetização e Letramento e práticas de ensino na Educação 
Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 
Perspectiva histórica: as marcas do caminho
 O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os 
tentava reproduzir em mensagens nas pedras e rochas. 
Isso deu origem aos primeiros pictogramas. Sua principal 
intenção era a de se comunicar. 
Disponível em: <http://vanessa-fase3.arteblog.com.br/134490/Arte-Primitiva>
Perspectiva histórica
 A escrita era usada para narrar fatos cotidianos, enviar cartas 
para outras pessoas, escrever contratos, editar leis, além 
do registro da própria história.
Disponível em: <http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2011/06/as-origens-dos-quadrinhos-1.html>
Perspectiva histórica
 A representação das palavras por desenhos numa certa 
ordem, criando um significado para cada desenho, foi a 
tentativa de representar o mundo por diferentes povos –
os sumérios, os chineses, os egípcios –, que chegaram 
a criar uma escrita com seiscentos pictogramas.
Disponível em: <http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2011/06/as-origens-dos-quadrinhos-1.html>
Perspectiva histórica
 Com o tempo as representações foram perdendo a analogia 
com o objeto que representavam e evoluíram. Assim, os 
sumérios chegaram à escrita cuneiforme, totalmente 
convencional, em que o significante não se assemelha 
à coisa representada.
Lista de deuses feita pelos sumérios a partir da escrita 
cuneiforme no século 24 a.C.
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Suméria>
Perspectiva histórica
 Os sumérios conseguiram evoluir para o mesmo estágio que 
temos hoje na escrita da nossa língua: eles criaram a 
fonetização (o uso de signos representativos de uma 
palavra para representar outra palavra).
 Portanto, eles já tinham percebido que a fonetização fazia 
crescer a possibilidade de representação do mundo em volta 
deles, ou seja, com o uso de signos representativos de 
palavras no intuito de representar outras, inclusive ideias 
abstratas. Exemplos: o banco (de sentar) e o banco 
(de guardar dinheiro).
Perspectiva histórica
“O homem percorreu um caminho: do desenho das cavernas, 
passou pela sofisticação da combinação de gestos e sinais 
de pictogramas, até desenvolver os símbolos arbitrários, 
totalmente convencionais, que passaram de geração 
em geração como herança cultural.” 
(CÓCCO; HAILLER, 1996, p.17)
A criança, ao desenhar, escreve e representa o mundo
 A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de seu 
ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela 
humanidade na organização do conhecimento:
“O ser humano partiu do pictórico e construiu uma simbologia 
(alfabeto); de maneira similar a criança inicia a representação 
do mundo por meio do gesto e do desenho e chega ao símbolo 
e às regras sistemáticas reconstruindo o código linguístico
usado em sua comunidade.” 
(CÓCCO; HAILLER, 1996, p.19)
Será assim tão simples uma mera 
transcrição da fala para a escrita?
“A alfabetização é um longo processo circunscrito entre duas 
vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita 
e a sua efetiva possibilidade de uso no contexto social. Mais 
do que conhecer as letras, as regras ortográficas, sintáticas ou 
gramaticais, o ensino da língua escrita requer a assimilação das 
práticas sociais de uso, contribuindo assim para a conquista 
de um novo status na sociedade.” 
(SOARES, 2008). 
Má interpretação das teorias
 Atualmente, não temos mais dúvidas de como escrever, 
apesar de sabermos que toda língua é viva e sofre 
modificações com o tempo. Nos últimos anos, as discussões 
sobre o conhecimento das crianças têm se multiplicado. 
 As críticas da sociedade em relação ao que é ensinado na 
alfabetização das crianças estão presentes, principalmente 
quando muitos jovens não conseguem se expressar por meio 
de um texto escrito ou entender uma escrita quando leem.
Ler e escrever – ser cidadão
Vamos entender o que isso significou e significa politicamente?
Alfabetização – letramento e cidadania
“A alfabetização é uma prática ideológica cujo valor e 
importância depende diretamente dos usos e funções 
atribuídas no contexto social.”
(SOARES, 2008, p.58)
Interatividade
O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os 
interpretava, assim como tentava reproduzir mensagens 
nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas 
com intenção de se comunicar. Esta colocação relaciona-se 
com o seguinte fato:
a) A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de 
seu ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela 
humanidade na organização dos símbolos, da linguagem 
e do conhecimento.
b) As crianças pré-históricas já tinham capacidade de desenhar, 
embora a escrita ainda não tivesse sido inventada.
c) O homem pré-histórico tinha a mesma capacidade linguística
das crianças de quatro anos.
d) A escrita é um processo natural na vida da criança.
e) A comunicação é uma necessidade do ser humano.
Resposta 
O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os 
interpretava, assim como tentava reproduzir mensagens 
nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas 
com intenção de se comunicar. Esta colocação relaciona-se 
com o seguinte fato:
a) A criança percorre, no seu desenvolvimento, dentro de 
seu ambiente cultural, o mesmo caminho percorrido pela 
humanidade na organização dos símbolos, da linguagem 
e do conhecimento.
b) As crianças pré-históricas já tinham capacidade de desenhar, 
embora a escrita ainda não tivesse sido inventada.
c) O homem pré-histórico tinha a mesma capacidade linguística 
das crianças de quatro anos.
d) A escrita é um processo natural na vida da criança.
e) A comunicação é uma necessidade do ser humano.
Atenção aos questionamentos
O que é uma pessoa alfabetizada?
Quando podemos dizer que uma pessoa está alfabetizada?
Quais seriam as melhores práticas escolares
para a alfabetização?
Alfabetizar é...
 Aprender a ler e a escrever significa adquirir uma tecnologia: 
a de codificar em língua escrita (escrever) e de 
decodificar a língua escrita (ler). 
 Porém, somente adquirir não é o suficiente, é necessário 
se apropriar dela, o que significa fazer uso das práticas 
sociais de leitura e de escrita, articulando-as ou 
dissociando-as das práticas de interação oral, 
dependendo de cada situação vivida. 
Em outras palavras...
 Não basta uma criança saber ler as palavras, ela precisa 
entender o contexto na qual elas estão escritas. Isso quer 
dizer que não basta uma criança ser alfabetizada, ela 
precisa se tornar letrada, precisa saber dar significado 
àquela palavra que lê.
Como se faz isso? Essa sempre foi a preocupação 
dos educadores?
Letramento
 Letramento: capacidade de fazer uso adequado da leitura 
e da escrita socialmente utilizadas, conjugando-ascom
as práticas orais.
 A escola precisa considerar a língua como um processo 
de interação entre os sujeitos construtores de sentidos 
e significados. 
 Entender que os sentidos e significados se constituem 
segundo as relações que cada um mantém com a língua, 
com o tema sobre o qual fala ou escreve, ouve ou vê,
com seus conhecimentos prévios, atitudes e conceitos, 
segundo a situação específica em que interagem e o 
contexto social em que ocorre a tal comunicação.
Leitura e escrita
 Conforme a declaração da Unesco, de 1958 (apud RIBEIRO, 
2006), uma pessoa sabe ler e escrever quando consegue 
ler ou escrever compreensivamente um pequeno 
texto relacionado à sua vida diária. 
 Tempos depois, a Unesco adotou outra definição, mais 
funcional: uma pessoa sabe ler e escrever quando o sabe 
o suficiente para inserir-se em seu meio e quando seu 
desempenho envolve tarefas de leitura, escrita e cálculo.
Por que se deu essa mudança conceitual?
O que muda nos conceitos entre diferentes países
“Enquanto em países como Estados Unidos e França o 
letramento é tratado de forma mais independente dos conceitos 
de alfabetização (aquisição e apropriação do sistema de escrita 
alfabética), no Brasil os conceitos de alfabetização e letramento 
se mesclam, se superpõem, frequentemente se confundem” 
SOARES, 2004).
 É importante compreender como se tornaram enraizados, 
misturados e, muitas vezes, confusos os conceitos 
de alfabetização e letramento.
Para Soares (2004)
Devemos compreender por que ocorreram esses movimentos:
 desinvenção da alfabetização;
 reinvenção da alfabetização;
 invenção do letramento.
Quais seriam suas causas? E as consequências para o aprendiz?
Velhos métodos
“Para quem acompanha o trabalho realizado nas salas de 
aula da grande maioria das escolas públicas brasileiras 
sabe que ainda continuamos a utilizar os velhos métodos 
ou, quando os professores se propõem a novas práticas 
de leituras de texto, verifica-se que há pouca atividade de 
produção de textos, sempre recaindo na apresentação das 
‘famílias silábicas’ ou no treino das ‘relações fonema-grafema’”.
(MORAIS, 2012) 
Velhos métodos
 Para entendermos o que acontece no processo de 
alfabetização nas escolas é necessário ter clareza 
dos pressupostos teóricos e propostas didáticas 
que caracterizam os diferentes métodos.
 Muito mais relevante do que a simples adoção de um método 
ou outro para alfabetizar são as concepções de aprendizagem, 
de sujeito a ser formado e de educação que estão implícitos 
em cada um deles, porque por trás de cada método existe 
uma teoria que o sustenta.
Velhos métodos ainda presentes
Os métodos tradicionais de alfabetização são utilizados 
desde o século XVIII e têm como embasamento teórico 
a visão associacionista empirista da aprendizagem 
(MORAIS, 2012). São eles: 
 Analíticos  a palavração, a sentenciação e o método
global. Eles conduzem o aluno a, no final, trabalhar com
as unidades menores.
 Sintéticos  os alfabéticos, os silábicos e os fônicos.
Todos têm como princípio que o aluno deve partir das 
unidades menores, ou seja, das letras, sílabas e fonemas,
e a aprendizagem é gradativa e cumulativa. 
O que os métodos tradicionais têm em comum
 Os textos repetitivos e descontextualizados da realidade 
do aluno. 
 Grande ênfase no domínio do código escrito. 
 Atividades pautadas na cópia e na memorização.
 Considera o aluno como uma tábula rasa.
 A aprendizagem era considerada como simples acúmulo de 
informações e o objeto de conhecimento.
 Caracterizam a escrita com um mero código de transcrição
da língua oral.
O que se espera hoje
 Pesquisa e estudo, fundamentação para que os educadores 
possam não só contestar as distorções encontradas na prática, 
que aos poucos vem sendo superadas, mas também construir 
um trabalho sob a perspectiva do alfabetizar letrando, 
no sentido de tornar a aprendizagem prazerosa para o 
alfabetizando e desafiadora para o professor ensinar.
Alfabetização e letramento – processos indissociáveis
 A alfabetização é um longo processo circunscrito entre duas 
vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita 
e a sua efetiva possibilidade de uso no contexto social.
“Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, 
sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer 
a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo 
assim para a conquista de um novo status na sociedade”
(SOARES, 2008). 
Alfabetização e letramento – processos indissociáveis
 Cabe-nos enquanto educadores buscar metodologias 
adequadas para alfabetizar letrando, pois o significado de 
aprender a escrever, nas palavras de Emilia Ferreiro (1979),
“a escrita é importante na escola, porque é importante 
fora dela e não o contrário”. 
Interatividade
Escolha a alternativa correta, considerando os pressupostos 
da alfabetização hoje:
a) Podemos considerar alfabetizados aqueles que sabem o 
suficiente para assinar o nome e tomar ônibus.
b) O desenvolvimento da competência de ler e escrever é 
um longo processo que vai além do domínio do 
sistema da escrita.
c) A atividade de sondagem tem por objetivo a atribuição de 
notas aos alfabetizandos.
d) Alfabetizado é o sujeito que sabe codificar e decodificar.
e) A alfabetização começa antes de a criança entrar na escola.
Resposta
Escolha a alternativa correta, considerando os pressupostos 
da alfabetização hoje:
a) Podemos considerar alfabetizados aqueles que sabem o 
suficiente para assinar o nome e tomar ônibus.
b) O desenvolvimento da competência de ler e escrever é 
um longo processo que vai além do domínio do 
sistema da escrita.
c) A atividade de sondagem tem por objetivo a atribuição de 
notas aos alfabetizandos.
d) Alfabetizado é o sujeito que sabe codificar e decodificar.
e) A alfabetização começa antes de a criança entrar na escola.
Um olhar para a alfabetização
 Alguns pesquisadores e estudiosos ajudaram a compreender 
não só como a criança pensa, mas como o seu pensamento 
se desenvolve com a aprendizagem da leitura e da escrita.
Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/85531>.
Contribuições indispensáveis
Alguns pesquisadores e estudiosos ajudaram a compreender 
como a criança pensa, e essa contribuição nos faz pensar em 
intervenções pedagógicas e no processo como um todo. 
Veremos alguns representantes:
 Jean Piaget;
 Lev Vygotsky;
 Emilia Ferreiro.
Jean Piaget
 Piaget estudou biologia, psicologia, filosofia, áreas que lhe 
deram o suporte necessário para a formulação de sua teoria: 
a epistemologia genética.
Disponível em: 
<http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget>
Formulou uma teoria: o conhecimento 
evolui progressivamente por meio de 
estruturas de raciocínio que substituem 
umas às outras, estágios – quando uma 
criança passa de um estágio menor de 
conhecimento para um estágio maior 
de conhecimento, ou seja, quando ela 
avança no conhecimento.
Jean Piaget
Para buscar respostas, propôs uma perspectiva construtivista:
 o sujeito aprende por meio da ação. Tudo gira em torno 
da equilibração, aspecto-chave de sua teoria;
 assimilação = (aceitar a novidade); acomodação = 
(transformar a informação em conhecimento);
Assimilação e acomodação
Equilíbrio
Síntese do pensamento piagetiano
 A preocupação de Jean Piaget foi em tentar explicar como 
a criança pensava e interagia com o mundo e com as
pessoas para adquirir conhecimento.
 Ele definiu que o conhecimento é construído a partir 
da interação do sujeito com o objeto de aprendizagem.
 Ele ensinou a observar a maneira como a criança adquire
o conhecimento para que fosse possível entender o 
conhecimento humano. 
 Seus estudos em psicologia do desenvolvimento e 
epistemologia genética tinham o objetivo de entender
como o conhecimento evolui.
Telma Weisz e Ana Sanches
 As autoras reafirmam a contribuição de Piaget para amudança de concepção e de olhar sobre a aprendizagem, 
existentes até a sua época. 
 Até o início do século XX, acreditava-se que as crianças
eram miniadultos e que somente depois de crescidas 
chegariam ao nível dos adultos, que eram considerados 
superiores mentalmente.
 Acreditava-se também que seus processos cognitivos 
eram iguais aos do adulto, mas em proporção menor 
por serem pequenas.
Lev S. Vygotsky
 Rússia, 1896, literatura.
 Professor. 
 Áreas de interesse: literatura, pedagogia e psicologia.
Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Vygotsky>
Suas pesquisas apontaram para o papel 
da linguagem e da aprendizagem no 
desenvolvimento do indivíduo, cujo 
pensamento se constrói em um ambiente 
histórico-cultural.
Lev S. Vygotsky
 Investigou o desenvolvimento das capacidades intelectuais 
superiores do homem e identificou a linguagem como o 
principal fator do crescimento. 
 Definia a linguagem como um conjunto de símbolos que 
mantinha seu caráter histórico e social.
Lev S. Vygotsky
 A criança recebe informações socialmente construídas 
(experiências passadas) e transforma as situações do 
presente, ou adquire consciência.
 Concepção de escola.
 O sustentáculo da concepção de Vygotsky está no conceito 
de mediação, que é o processo de intervenção de um 
elemento intermediário em uma relação, que passa de direta 
(sujeito x objeto) para indireta (sujeito x mediador x objeto).
Relação adulto e criança
 Não envolve só professor e aluno.
 Não há domínio de um sobre o outro, pois as informações 
circulam nesse meio relacional.
 A socialização, troca de significados aprendidos e 
transformados, dialoga construindo saberes e dizeres.
 A simpatia, a subjetividade e a oposição geradas pelos 
conflitos se transformam em relações que mudam o 
paradigma da situação: professor-aluno.
Ainda sobre Vygotsky 
 Ele enfatizava o papel da formação escolar, quando a criança, 
segundo ele, recebe informações que foram socialmente 
construídas (experiências pessoais no contexto social) 
e transforma as situações do presente, ou adquire 
consciência a respeito da situação do presente.
 Seu ideal era que, se uma transformação social pode 
conseguir alterar o funcionamento cognitivo, ela pode 
reduzir o preconceito e os conflitos sociais. Os processos 
psicológicos são de natureza social e, portanto, precisam
ser analisados e trabalhados por meio de ações 
socialmente elaboradas.
Vygotsky e a socialização
 Defendida por Marta Koll de Oliveira (1993), a relação adulto 
x criança não é binária, não envolve somente aluno-professor. 
Também não existe domínio de um sobre o outro, pois muitas 
“coisas” (informações) circulam nesse espaço relacional. 
 A socialização, que é a troca de significados aprendidos 
e transformados, dialoga construindo saberes e dizeres. 
 A intersubjetividade, a simpatia e a oposição gerada pelos 
conflitos se transformam em relações que mudam o 
paradigma da situação professor-aluno.
Aprendizagem
 Um conhecimento só se solidifica quando resulta em um 
instrumento de pensamento. A criança avança na aquisição 
de conceitos quando domina o abstrato e combina-o com
um pensamento mais complexo. 
 Com o passar do tempo, os conceitos tornam-se concretos 
e somam-se às habilidades adquiridas socialmente. 
 Para ele, método é algo para ser praticado, e não aplicado 
como o fim que justifica os meios. Ou seja, não é ferramenta 
no alcance de resultados. Ferramenta e resultados se 
integram, ou se misturam e se somam, na aprendizagem.
A “zona de desenvolvimento proximal”
 Vygotsky elaborou o conceito de “zona de desenvolvimento 
proximal” (distância entre o nível real – solução independente 
de problema – e o nível de desenvolvimento potencial –
determinado por meio da solução de problema com a 
intervenção de alguém com mais experiência). 
Sua problemática era: quando o ser humano deixa de ser 
apenas biológico para se tornar sócio-histórico?
Criança real
 Hoje se fala muito em propostas pedagógicas que sejam 
capazes de entender a criança como ser integral, global. 
 Assim, não se pode negar que ambos trazem contribuições 
para a criança biopsicossocial, ou seja, a criança real.
Interatividade
Sobre Piaget, é correto afirmar:
a) Sua preocupação era com a postura do professor 
alfabetizador, que sempre interferia nas hipóteses
das crianças analfabetas.
b) Sua preocupação era entender os conhecimentos
prévios da criança.
c) Sua preocupação foi explicar como a criança
pensava e interagia com o mundo e com as
pessoas para adquirir conhecimentos.
d) Preocupava-se em estudar o comportamento
animal para entender a teoria evolucionista.
e) Preocupava-se em compreender como funciona
o código linguístico.
Resposta
Sobre Piaget, é correto afirmar:
a) Sua preocupação era com a postura do professor 
alfabetizador, que sempre interferia nas hipóteses
das crianças analfabetas.
b) Sua preocupação era entender os conhecimentos
prévios da criança.
c) Sua preocupação foi explicar como a criança
pensava e interagia com o mundo e com as
pessoas para adquirir conhecimentos.
d) Preocupava-se em estudar o comportamento
animal para entender a teoria evolucionista.
e) Preocupava-se em compreender como funciona
o código linguístico.
Emilia Ferreiro
 Desenvolveu teses sobre as hipóteses do pensamento da 
criança a respeito da linguagem escrita. 
 Não propõe um método, mas esclarece que o que faz com que 
a criança reconstrua o código linguístico não é o cumprimento 
de tarefas repetitivas ou o fato de conhecer as letras e os 
símbolos, mas sim a compreensão de como funciona o 
sistema notacional.
Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/
alfabetizacao-inicial/momento-atual-423395.shtml>
Emilia Ferreiro
 É psicóloga e pesquisadora. Nasceu na Argentina em 1942, 
e é radicada no México.
 Fez seu doutorado na Universidade de Genebra e recebeu 
orientação de Jean Piaget, seu grande mestre.
 Professora na Universidade de Buenos Aires, em 1974 
começou os trabalhos que mais tarde deram origem 
à sua tese: psicogênese da língua escrita, grande marco 
na transformação do conceito de aprendizagem da 
escrita pela criança.
Teoria da psicogênese da escrita
 A divulgação da teoria da psicogênese da escrita a partir 
da década de 1980 trouxe uma mudança significativa na 
alfabetização, revisando princípios, tais como o entendimento 
da escrita como um sistema notacional e o seu aprendizado 
como um processo evolutivo. 
“No Brasil, a teoria da psicogênese da língua escrita foi bastante 
divulgada, muitas vezes pelo rótulo de construtivismo, sendo 
que, inclusive, fundamentam teoricamente os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCN) de Língua Portuguesa, 
instituídos em 1996” 
(MORAIS, 2012).
Emilia Ferreiro
 Tornou-se modelo no ensino brasileiro.
BRASIL
Antes e depois de Emília Ferreiro.
 Os processos de construção e aprendizagem das crianças 
levaram a conclusões que abalaram os métodos tradicionais 
de ensino da leitura e da escrita.
 É inegável o reconhecimento da teoria da psicogênese 
da escrita, ou teoria da psicogênese, uma vez que, entre 
outros avanços, conseguiu desbancar os velhos 
métodos tradicionais. 
Emilia Ferreiro
 As obras de Ferreiro (1985) causaram uma revolução 
na maneira de alfabetizar, demonstrando a evolução da 
psicogênese da escrita infantil, ou seja, ela construiu um 
pensamento para ajudar na interpretação da evolução 
da escrita infantil. 
 Tal pensamento não é uma metodologia, como muitos 
acreditaram, e sim um olhar para o erro construtivo da criança, 
que começa a entender que uma porção de marcas no papel 
é chamada no mundo adulto de escrita e que isso é parte 
de um código: “língua escrita”. 
SEA
 Com relação ao alfabeto, seguiremos as orientações da
teoria da psicogênese que concebe o alfabeto como um 
sistema notacional e nunca um código,conforme 
lembra Morais (2012). 
 Assim como o autor, ao nos referirmos ao alfabeto, este 
será tratado como SEA de forma abreviada, ou seja, Sistema de 
Escrita Alfabética, ou ainda de “sistema de notação alfabética”, 
sistema alfabético ou escrita alfabética, sem diferenças.
Para Morais (2012)
 O autor faz uma observação importante quanto ao não uso
do termo construtivismo à teoria da psicogênese da escrita. 
 Isto porque, no senso comum ou jargão pedagógico, o 
construtivismo se tornou uma palavra onde cabe tudo. 
 O autor também nos alerta que os estudiosos, pesquisadores 
e educadores que praticam alfabetização com um viés 
construtivista dizem não existir um consenso de 
como alfabetizar melhor. 
Para Morais (2012)
A teoria da psicogênese da escrita nos esclarece dois pontos 
fundamentais que devem ser levados em consideração para 
que a criança, jovem ou adulto alfabetizando aprenda a
partir do conceito notacional: 
a) é preciso reconhecer que, para qualquer desses 
alfabetizandos, essa não é uma tarefa fácil, pois as 
regras de funcionamento ou as propriedades não 
estão dadas ou prontas na sua cabeça;
b) que o processo de internalização das regras e convenções 
do alfabeto não é algo rápido que se dá por acumulação 
de informações.
Para Morais (2012)
 Para compreender todo o sistema notacional, o aprendiz 
precisa entender o que as letras notam ou representam
e como as letras criam essas representações. 
 As respostas para essas dúvidas variam por etapa ou fase, 
dependendo de qual momento o aprendiz se encontra. 
 O fato é que para Ferreiro (1979), no processo evolutivo será 
preciso entender dois aspectos do sistema alfabético, um 
de natureza conceitual e outro convencional, que criam um 
conjunto de propriedades para que o aprendiz reconstrua 
e compreenda o sistema alfabético.
São cinco os níveis 
conceituais linguísticos
 Nível 1: pré-silábico: fase pictórica, gráfica primitiva
e pré-silábica.
 Nível 2: intermediário I.
 Nível 3: silábico.
 Nível 4: intermediário II ou silábico-alfabético.
 Nível 5: alfabético.
Nível 1: pré-silábico
Fase pictórica: é o registro feito pela criança com garatujas.
 Inicia-se aos dois anos de idade.
 Fase gráfica primitiva: a criança mistura símbolos, 
pseudoletras com letras e números com letras em 
seus desenhos.
Fonte: 
http://professoratat
ianealmeida.blogs
pot.com.br/2013/06
/alfabetizacao-e-
letramento.html
Nível 1: pré-silábico
Fase primitiva: a criança começa a diferenciar as letras dos 
números, os desenhos dos símbolos e reconhece o papel 
da letra na escrita. Sabe que as letras servem para escrever, 
mas não sabe como ocorre, ainda. Não associa o fonema 
com o grafema.
 A criança acredita que a ordem das letras e das vogais não
tem importância.
Fonte: 
http://professoratatianeal
meida.blogspot.com.br/2
013/06/alfabetizacao-e-
letramento.html
Nível 2: intermediário I
 Fase de conflitos, em que a criança não tem resposta para 
questionamentos e diz que “não sabe escrever”.
 Apresenta e usa valores sonoros convencionais, diz que o 
seu nome começa com determinada letra e a conhece 
pelo som, mas não sabe onde fica na palavra.
Fonte: 
http://professoramaria.c
om.br/blog/?m=201710
Nível 3: silábico
 Conta os “pedaços sonoros” (sílabas) e os associa com 
um símbolo (letra). 
 Aceita palavras monossílabas, palavras com uma ou duas 
letras com certa hesitação. 
 Escreve uma frase utilizando uma letra para cada palavra.
Fonte: 
http://professorama
ria.com.br/blog/?m=
201710
Nível 4: intermediário II
ou silábico-alfabético
 É mais um momento de conflito entre uma fase e outra, em 
que a criança precisa desconsiderar o nível silábico para 
pensar segundo o nível alfabético. 
 Nessa fase o professor deve instigar a criança no sentido de 
reflexão sobre o sistema linguístico pela observação da 
escrita alfabética.
 Quando a criança chega nessa fase já reconstrói o sistema 
linguístico e compreende como ele funciona; consegue 
ler e expressar seus pensamentos e falas. 
 Forma sílabas e palavras juntando as letras e consegue 
distinguir letra, sílaba, palavra e frase.
Nível 5: alfabético
Fonte: http://professoramaria.com.br/blog/?m=201710
Importância da reflexão
 A alfabetização exige conhecimento, habilidade e 
competência para dar condições à criança de construir seus 
conhecimentos. O professor não pode fazer a transmissão do 
alfabeto, da junção de letras e palavras. Ele deve preocupar-se 
com a função da escrita, possibilitando o uso da linguagem 
escrita pela criança. 
 Não podemos ignorar o papel do professor em ser o 
mediador e o organizador da ação educativa, da construção 
e reconstrução dos conhecimentos de seus alunos 
em sala de aula.
Importância da reflexão
 As teorias pedagógicas, as investigações e as pesquisas 
científicas dão suporte ao professor no planejamento e 
na atuação em sala de aula quando o ajudam a conhecer 
as crianças, como pensam e suas hipóteses na tentativa 
de resolver seus conflitos. 
 Com esse conhecimento o professor realiza sondagens, 
propõe intervenções e ajuda a criança a refletir sobre o
sistema notacional, entendendo suas convenções. Isso
não acontece naturalmente, o alfabetizando precisa da 
mediação do professor. 
Interatividade 
Como o professor alfabetizador pode intervir na reconstrução 
da escrita da criança?
a) Partindo de dois eixos básicos de trabalho: textual e 
análise linguística.
b) Corrigindo prontamente todas as hipóteses de escrita
da criança.
c) Fornecendo cópias para que a criança treine os seus acertos.
d) Usando a técnica do ditado para que a criança escreva as 
palavras ditas pelo professor. 
e) Simplesmente acompanhando a escrita, sem
nenhuma intervenção.
Resposta
Como o professor alfabetizador pode intervir na reconstrução 
da escrita da criança?
a) Partindo de dois eixos básicos de trabalho: textual e 
análise linguística.
b) Corrigindo prontamente todas as hipóteses de escrita
da criança.
c) Fornecendo cópias para que a criança treine os seus acertos.
d) Usando a técnica do ditado para que a criança escreva as 
palavras ditas pelo professor. 
e) Simplesmente acompanhando a escrita, sem
nenhuma intervenção.
Não podemos esquecer!
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
(Paulo Freire)
Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/
index.php?Titulo=Paulo+Freire&ltr=p&id_perso=265>
ATÉ A PRÓXIMA!
Unidade II
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Profa. Eliana Delchiaro
Para começar a reflexão...
 Ler e escrever é mais que codificar e decodificar textos.
Conteúdo da Unidade II
 O fim das cartilhas em sala de aula.
 A concepção piagetiana de criança.
 Comunicação e linguagem.
 Sondagem da escrita infantil.
 Ao desenhar, a criança escreve.
 Concepções que a criança adquire sobre os símbolos 
linguísticos antes da alfabetização.
 A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro.
 A linguagem escrita.
 Textos e jogos.
O fim das cartilhas em sala de aula
 Os primeiros trabalhos escolares de alfabetização, na época 
do Brasil Colônia, foram realizados com cartilha, quando 
ainda se aprendia latim na escola (influência religiosa).
 No século XIX, as cartilhas vinham de Portugal, pois no Brasil 
não havia permissão para publicação.
Como era
 Em torno da década de 1950, os professores tinham o
hábito de produzir seus próprios materiais para suas aulas 
de alfabetização (surgimento dos testes ABC) com o método 
alfabético: era utilizado o processo de soletração para decifrar 
a palavra – bola: be-o-bo, l-a-la.
 O método fônico enfatizava a menor unidade da fala – o 
fonema – e sua representação na escrita, ensinando as
formas e os sons das vogais, depois as consoantes e
vogais, estabelecendo relação entre estas. 
Como era
Lembramos, assim, que tempos atrás era normal alfabetizar-se
a partir da memorizaçãodas sílabas “ba – be – bi – bo – bu”, e 
só quando os alunos conseguiam memorizar todas as sílabas 
dava-se início à leitura de pequenas frases como:
“Ivo viu a uva.”
“A baba e o bebê.” 
 Frases que nem sempre tinham sentido, mas que 
comprovavam a memorização das sílabas e entendia-se, 
a partir disso, que a criança já estava alfabetizada.
Você reconhece 
esses materiais?
Método Castilho
 Antonio Feliciano de Castilho. 2ª edição.
 Lisboa: Imprensa Nacional, 1853.
 A 1ª edição é, provavelmente, de 1850. Em 1855, 
Antonio de Castilho veio ao Brasil divulgar seu 
“método” de alfabetização.
Fonte: http://temposescolares.blogspot.com.br/2010/05/o-poder-na-alfabetizacao.html
Você reconhece 
esses materiais?
Caminho suave: 1º livro.
 Branca Alves de Lima.
 Leitura intermediária.
 Ilustrações de Flavius.
Fonte: https://muzeez.com.br/historias/cartilha-caminho-suave/gdXfvb8MrSbd7zPLM
1948 – 1ª ed. 1965 – 68ª ed. 1980 foi modificada. 
Fenômeno de vendas no Brasil – 40 milhões de 
exemplares.
Você reconhece 
esses materiais?
No reino da alegria.
 Doracy de Almeida.
 São Paulo: IBEP (Instituto Brasileiro de Edições 
Pedagógicas), 1974.
 Ela tem formato bem maior que suas antecessoras.
Fonte: 
http://slideplayer.com.br/slide/350027/2/images/28/No+Reino+da+Alegria+Doracy+de
+Almeida.+S%C3%A3o+Paulo:+IBEP,+s.d..jpg
Recordemos
O macaco e vovô 
vovô é o macaco de boneca. 
A boneca menina: 
- Vovô, menina a boneca. 
O macaco vovô a boneca. 
Menina dá boneca a vovô. 
(de uma aluna da 1ª série, São Paulo) 
(GERALDI, J. W. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 2003)
Antes
 É importante entender que, se a concepção de criança era de 
que ela não pensava, não tinha nenhum saber sobre escrita no 
período anterior à alfabetização...
 era simplesmente o treino de habilidades, pois
se acreditava na necessidade de prepará-la para
a escrita, a famosa prontidão.
Atualmente, o conceito de criança mudou,
e também os livros
 O Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) mostra que 
os professores ainda escolhem os livros tradicionais 
para uso em sala (são encaminhados por editoras e, 
depois de votados, são adquiridos pelo governo 
para entregar às crianças). 
 Fato explicado pela realidade de que muitos professores 
esperam encontrar nos livros de alfabetização a 
permanência de procedimentos sistemáticos 
(sílabas) para ensinar a ler e escrever.
Pense um pouco sobre...
 A cartilha é o ideal para ensinar uma criança nos dias de hoje?
 Quais práticas são possíveis?
 Qual é a verdadeira finalidade da escola hoje?
 Quais formas de acesso as crianças têm ao mundo letrado
em nossa cultura?
Sugestão: listas que fazem a diferença
 Uma forma de criar um ambiente que estimule a leitura e 
escrita é ter dispostas na sala de aula listas com o nome 
dos alunos ou, ainda, mostrar títulos de várias histórias e 
depois de contá-las e também criar cartazes que tenham 
essas listas dispostas na classe.
 Vamos criar um ambiente alfabetizador?
A escola e as práticas sociais
 As práticas escolares devem ter enfoque no desenvolvimento 
e na construção da linguagem, do gesto, de sons, da imagem, 
da fala e da escrita, por meio de jogos e atividades que 
permitam à criança pensar e dialogar sobre essa linguagem.
 A criança precisa ser entendida como ser humano, que tem 
direito a um espaço para aprender e entender, para ampliar 
seu universo de descobertas, despertar seus interesses, 
conhecer o mundo e os caminhos a fim de buscar 
informações na construção do seu conhecimento.
Desenvolvimento e aprendizagem
 Piaget elucidou duas situações: a do desenvolvimento e a 
da aprendizagem.
 O desenvolvimento do conhecimento é um processo 
espontâneo, diz respeito ao desenvolvimento do corpo, ao 
desenvolvimento do sistema nervoso e das funções mentais.
A partir desse ponto de vista, quando se fala em 
desenvolvimento, não se trata, somente, do aumento 
quantitativo das qualidades humanas que estariam dadas 
como potenciais em cada criança, mas também da formação e 
desenvolvimento das qualidades humanas (valores, atitudes e 
comportamentos), que não são inerentes ao nascimento das 
crianças e que precisam ser aprendidas nas relações que as 
crianças estabelecem.
Desenvolvimento e aprendizagem
 A aprendizagem deve ser provocada por situações, ou seja, 
por um experimentador psicológico, um educador, aliado a 
uma situação externa. Ela é provocada. Assim, não acontece 
naturalmente, é oposta ao que é espontâneo. 
1stcousinswithpuppy.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/>
Interatividade
Qual será uma das razões por se condenar o uso da cartilha nos 
dias de hoje?
a) Sua linguagem é irreal.
b) Sua abordagem é didática.
c) Suas letras mudaram no alfabeto.
d) Seus textos são expressivos.
e) Sua lógica é muito infantil.
Resposta
Qual será uma das razões por se condenar o uso da cartilha nos 
dias de hoje?
a) Sua linguagem é irreal.
b) Sua abordagem é didática.
c) Suas letras mudaram no alfabeto.
d) Seus textos são expressivos.
e) Sua lógica é muito infantil.
A concepção piagetiana de criança
 A criança inicia seu processo de alfabetização/letramento 
desde o nascimento. Desde então, pode-se dizer que tem 
vida e, portanto, história, nome e significado social. 
 Nas etapas iniciais do seu desenvolvimento, desenvolve sua 
coordenação da visão, movimento de mãos, agarra seus 
brinquedos e os mantêm presos entre os dedos por 
algum tempo.
A concepção piagetiana de criança
 Os progressos nas coordenações intersensoriais vão lhe 
permitir balançar brinquedos dependurados no berço, 
levar a chupeta até a boca. 
 Essas coordenações demonstram um aspecto interno ligado 
à organização intelectual e a um aspecto externo, que se 
observa no plano das condutas, enquanto possibilidade 
de combinar sistemas.
A concepção piagetiana de criança
 A criança começa a alfabetizar-se a partir do nascimento.
Embubbles.jpg. Disponível em:<http://www.morguefile.com/archive/display/89760>.
A concepção piagetiana de criança
 No segundo ano de vida, a criança é capaz de executar uma 
série de ações que evidenciam seu progresso ao controlar 
movimentos; com uma organização interna mais ampla, é 
capaz de empilhar objetos, encaixá-los, deslocar-se para 
pegar brinquedos, fingir realizar ações do mundo adulto, 
como pentear cabelo, embalar a boneca como um bebê, 
“dar comidinha”. 
 Porém, esse desenvolvimento motor ainda não lhe permite 
o domínio das relações entre lápis e papel. 
A concepção piagetiana de criança
 As relações evoluem no decorrer do terceiro ano de vida. 
No início da atividade de escrita, seu prazer se dá no ato puro 
e simples de rabiscar, de exercitar motoramente marcas no 
papel. Pouco a pouco, o controle dos movimentos do 
braço e mãos aumenta.
 A criança atribui significado ao que produz.
Keeping the book.jpg. Disponível em: 
<http://www.morguefile.com/
archive/display/622652>
A concepção piagetiana de criança
 Aos quatro anos, a criança atribui significado a tudo que 
registra no papel. 
 Sua pressão sobre um papel deixa marcas, com traçados 
diferentes e em todas as direções. 
 Essa conquista se dá porque seu pensamento está evoluindo, 
de modo que suas primeiras figuras apareçam. O desenho 
e a escrita evolvem a capacidade de representação, e assim 
também é com a oralidade, o faz de conta, a modelagem, 
o movimento etc.
Concepção linguística de alfabetização – Vygotsky
 A criança precisa da intervenção do adulto para buscar 
semelhanças entre o que produz e o objeto representado e de 
ser estimulada a desenvolver de maneira criativa formas 
distintas para registrar o que deseja.
JGS_mF_CurrentEvents.jpg. Disponível em: 
<http://www.morguefile.com/archive/display/150538>.
A criança aprende a refletir sobre o que faz e diz
 Aos seis anos os avanços na capacidade representativa 
são grandes.O objeto internamente representado tem 
certa correspondência com o real, o que facilita ao adulto 
identificar a intenção da criança que, neste momento de sua 
vida, apresenta maior capacidade de manter a interpretação.
Schoolsign.jpg. Disponível em: 
<http://www.morguefile.com/archive/display/16178>
Concepção linguística de alfabetização
 O educador deve incitar as crianças com questões formuladas 
a partir de suas respostas, para que elas aprendam a 
refletir sobre o que fazem e dizem, sobre suas próprias ações.
 À medida que suas reflexões avançam, as respostas infantis 
se modificam. Como consequência, a abordagem do educador 
se transforma e este propõe desafios maiores, o que faz 
com que desenvolvimento da criança avance.
 Cabe ao educador aproveitar essas situações de conflitos 
e interpretações para ajudar a criança a elaborar 
conceitos sobre a escrita.
Vivemos numa cultura letrada
 Placas, jornais, revistas, rótulos, tudo o que, aos poucos, 
transforma a escrita em objeto de reflexão e questionamentos 
para a criança. 
 É preciso pensar sobre o modo como a criança pensa. 
As palavras escritas apresentam contrastes que vão desde 
o formato de letras, combinações entre letras e sílabas, 
até o modo como as sílabas se ordenam, significados
distintos, formas e sons.
 Aprender a compreender o mundo é um processo lento e 
gradual, no qual a criança tenta integrar novas observações 
àquilo que já sabe ou àquilo que pensa compreender 
sobre a realidade.
Aprender a compreender o mundo
é um processo lento e gradual
A escola precisa apoiar a criança por meio:
 da organização de um ambiente e de rotinas destinadas à 
aprendizagem pela ação;
 do estabelecimento de um clima de interação social positivo;
 do encorajamento de ações intencionais, de resolução de 
problemas e da reflexão verbal por parte das crianças;
 do planejamento de experiências que tenham alicerce nas 
ações e interesses da criança;
 de assegurar o primeiro contato com a escola, que deve 
se constituir em uma combinação de atividades 
prazerosas e estimulantes.
Comunicação e linguagem
 Para falar sobre o letramento, vamos usar como referência a 
teórica Magda Soares.
 Você conhece a pesquisa dessa autora sobre letramento?
Letramento
 O resultado da ação de ensinar é aprender as práticas sociais 
de leitura e de escrita. É o estado ou a condição que adquire 
um grupo social, ou um indivíduo, como consequência 
de ter se apropriado da escrita e de suas práticas sociais.
 Apropriar-se da escrita é torná-la própria, ou seja, 
assumi-la como propriedade. Um indivíduo alfabetizado 
não é necessariamente um indivíduo letrado, pois ser
letrado implica usar socialmente a leitura e a escritura 
e responder às demandas sociais de leitura e de escrita.
Letramento
 Letramento envolve leitura. Ler é um conjunto de habilidades, 
de comportamentos e conhecimentos. Escrever também 
é um conjunto de habilidades e de comportamentos, de 
conhecimentos que compõem o processo de produção
do conhecimento. 
 Nessa perspectiva, há diferentes tipos e níveis de letramento, 
dependendo das necessidades, das demandas, do indivíduo, 
do seu meio, do contexto social e cultural.
Práticas pedagógicas que favorecem a alfabetização
 Promover práticas de oralidade e de escrita integradas, 
favorecendo a identificação das relações estabelecidas 
entre a fala e a escrita.
 Desenvolver habilidades de uso da língua escrita em 
situações discursivas, estimulando a leitura de textos de 
diferentes tipos e funções.
 Produzir textos para diferentes interlocutores, em diferentes 
situações e condições de produção.
 Desenvolver habilidades de ouvir textos orais e de diferentes 
gêneros, com diferentes funções.
Sondagem da escrita infantil
O percurso que a criança faz quando é alfabetizada é o mesmo 
do homem ao longo da história da humanidade:
 Pictórico: desenho.
U_005a.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/>.
114302007017.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/>
Simbólico: reconstrução do código linguístico
 Ao longo de muitos anos, os sinais passaram a representar 
sons e, assim, foram sendo criados alfabetos. 
 Alfabeto é um conjunto de letras usadas para escrever 
palavras que exprimem significado.
Fonte: CÓCCO, M. F.; HAILER, M. A. Didática de alfabetização: decifrar o mundo –
alfabetização e socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996, p. 18.
Ao desenhar, a criança escreve
 Primeiramente, a criança faz isso de memória: não desenha o 
que vê, mas o que conhece de sua realidade. Ela percebe que 
alguns traços podem até lembrar o objeto que desenhou, mas 
não o percebe como símbolo.
 Com o tempo, a criança desenha a sua realidade, 
representa suas observações e expressões por
meio de representações de sinais simbólicos abstratos. 
 Toda essa vivência contribui para o desenvolvimento da 
escrita da criança. Segundo Cócco e Hailer (1996), o desenho 
acompanha a frase, e a fala permeia o desenho.
Atenção às hipóteses das crianças –
veja aqui as concepções de Ferreiro
 A criança percorre o mesmo caminho que a humanidade ao 
desenvolver seu conhecimento da escrita. Inicialmente, 
desenha de memória, depois substitui traços que lembram o 
objeto desenhado por sinais indicativos ou figuras e, por 
último, utiliza os signos. Como a humanidade, parte do 
desenho (pictórico) para a simbologia (alfabeto).
 Antes de passar pela alfabetização propriamente dita,
a criança apresenta hipóteses sobre a leitura, observa,
pensa e adquire concepções individuais acerca dos
símbolos linguísticos.
Interatividade
Uma prática pedagógica que seja relevante para assegurar o 
processo de ensino/aprendizagem deve:
a) trabalhar somente com livro didático, já que este traz leituras 
pertinentes à faixa etária trabalhada.
b) estar focado apenas na leitura escolhida pelo professor, já 
que este é o detentor do saber.
c) proporcionar à criança o contato com diversos portadores 
textuais, tais como: livros literários, revistas, jogos, jornais, 
internet e textos variados.
d) apresentar textos pequenos, que identifiquem símbolos, 
palavras e letras.
e) apresentar textos curtos, com palavras simples e que 
não causem conflito para a criança.
Resposta
Uma prática pedagógica que seja relevante para assegurar o 
processo de ensino/aprendizagem deve:
a) trabalhar somente com livro didático, já que este traz leituras 
pertinentes à faixa etária trabalhada.
b) estar focado apenas na leitura escolhida pelo professor, já 
que este é o detentor do saber.
c) proporcionar à criança o contato com diversos portadores 
textuais, tais como: livros literários, revistas, jogos, jornais, 
internet e textos variados.
d) apresentar textos pequenos, que identifiquem símbolos, 
palavras e letras.
e) apresentar textos curtos, com palavras simples e que 
não causem conflito para a criança.
Consciência fonológica
 Quando o aluno faz uso das habilidades metalinguísticas, 
busca compreender a palavra como um todo, fazendo 
associações com conhecimentos prévios que já tem da língua 
escrita. Da mesma maneira acontece com a reflexão 
fonológica, em que se busca semelhanças com sons iniciais 
ou finais, por exemplo, e se permite que ele compreenda o uso 
repetido dos grafemas para a representação também 
repetida de um fonema.
Consciência fonológica
 A reflexão fonológica pode acontecer de maneira lúdica, 
cognitiva, induzida ou natural, de acordo com os autores 
citados, mas o fato é que todos concordam com a 
necessidade dessa reflexão para que o processo de leitura 
seja satisfatório ao final do processo de ensino-aprendizagem.
 Algumas atividades em sala de aula podem promover a 
reflexão sobre as partes orais e partes escritas das palavras. 
Morais (2012) nos apresenta duas possibilidades: os textos 
da tradição oral e os jogos.
Consciência fonológica
 A exploração de textos poéticosda tradição oral (cantigas, 
parlendas, quadrinhas etc.) são propostas que as crianças 
aprendem com facilidade e fazem parte da cultura infantil do 
brincar, favorecem a exploração dos efeitos sonoros 
acompanhada da escrita das palavras.
 Os jogos com palavras e situações lúdicas permitem a 
ludicidade, a exploração com a sonoridade e o texto escrito, 
provocando reflexões sem conduzir os alfabetizandos 
a treinos cansativos.
Jogos que contribuem para compreender o SEA
Disponível em: <http://oficinasdealfabetizacao.blogspot.com.br/2010/11/caixa-letrada.html>
Concepções que a criança adquire 
sobre os símbolos linguísticos antes
da alfabetização (Cócco e Hailer,1996) 
 Tem consciência da diferença entre a leitura silenciosa e a 
leitura em voz alta.
 Reconhece que a leitura de histórias é feita em livros e as 
notícias são lidas em jornais.
 Percebe que a leitura de uma bula tem a função de orientar o 
uso do remédio.
 Sabe que as receitas podem ser lidas, compreendidas e 
utilizadas em algo concreto.
Concepções que a criança adquire 
sobre os símbolos linguísticos antes
da alfabetização (Cócco e Hailer,1996) 
 Compreende que os manuais de brinquedos e jogos
servem para orientar o modo como estes devem ser
montados e usados.
 Verifica que as palavras têm quantidade, que apresentam 
letras diferentes umas das outras.
 Percebe que a leitura pode ser feita de cima para baixo e da 
esquerda para a direita.
Realismo nominal
Sapo ou Formiga
 E quem tem o maior nome????
Disponível em: <http://www.edupic.net/sci_gr.htm#new>.
Quais seriam as intervenções
frente ao realismo nominal?
 Situações como brincadeiras de “faz de conta”, em que um 
brinquedo representa determinado objeto.
 Atividades de adivinhação que utilizem mímica, desenhos, 
para representar o que pensamos.
 Registros de atividades planejadas com o intuito de não 
esquecermos compromissos agendados.
 Anotações por representações da rotina da sala etc.
Leitura por preditibilidade
Fonte: 
http://www.aerotexextintores.com.br/advertencia-e-proibicoes/44-placa-proibido-fumar-14cm-x-19cm-p1-ps215
https://corporativo.nestle.com.br/asset-library/PublishingImages/logo%20nescau%2021.09.png
Lembre-se
 O professor deve conhecer seus alunos, saber o que eles 
trazem de conhecimento.
 Ele pode utilizar-se da sondagem de seus alunos, a fim 
de refletir, planejar atividades e intervir em suas vidas.
A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro
Segundo Ferreiro (1996), leitura e escrita são sistemas que 
podem ser paulatinamente construídos pela criança:
 “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, 
em um ambiente social. Mas as práticas sociais, assim como 
as informações sociais, não são recebidas passivamente 
pelas crianças” (FERREIRO, 1996, p. 24). 
A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro
 O entendimento das fases da escrita da teoria da psicogênese 
devem desencadear uma didática da alfabetização, ou seja, o 
como intervir, como propor desafios à criança.
 Soares (2003) afirma que, dentre as falsas inferências ou os 
equívocos cometidos com a adoção da perspectiva 
cognitivista da psicogênese da escrita, podem ser destacadas 
duas: o obscurecimento da faceta linguística fonológica da 
alfabetização e o sentido negativo atribuído à adoção de 
métodos de alfabetização. 
A novidade na alfabetização com Emilia Ferreiro
1. A faceta linguística fonológica da alfabetização  a escrita, 
enquanto objeto de conhecimento em construção, é um 
objeto linguístico constituído por relações convencionais e 
arbitrárias entre fonemas e grafemas.
2. A concepção cognitivista transformou os problemas da 
aprendizagem da leitura e da escrita em problemas sobretudo 
metodológicos. 
 De acordo com Soares (2003, p.16), “para a prática de 
alfabetização, tinha-se, anteriormente, um método e nenhuma 
teoria; com a mudança de concepção sobre o processo de 
aprendizagem da língua escrita, passou-se a ter uma teoria, 
e nenhum método”.
Língua é cultura
 Para Ferreiro (1996), a língua é um patrimônio de uma cultura, 
e sua representação gráfica faz parte dessa cultura. Por outro 
lado, não se deve partir do princípio que todas as crianças, 
desde a pré-escola, podem produzir e interpretar a escrita. 
 A interpretação está diretamente relacionada ao 
desenvolvimento da compreensão do mundo da criança, 
e isto é um processo individual no desenvolvimento.
Ler e escrever fazem parte de um processo
 É necessário que se permita e se estimule que a criança tenha 
interação com a língua escrita, nos mais variados contextos, 
permitindo, assim, junto com a alfabetização, um processo 
de letramento, ou seja, de familiaridade com a própria escrita.
 Ferreiro (1999, p. 47) afirma que “a alfabetização não é um 
estado ao qual se chega, mas um processo cujo início é, 
na maioria dos casos, anterior à escola e que não termina
ao finalizar a escola primária”.
Aprendizagem
 O desenvolvimento linguístico avança à medida que a criança 
apreende a forma como a linguagem escrita é elaborada. 
 Os princípios relacionais são aprendidos à medida que a 
criança resolve o problema de como a linguagem escrita 
é significativa para esta cultura. 
 Assim, a criança começa a compreender, com a linguagem 
escrita, a representação das ideias e os conceitos que as 
pessoas, os objetos no mundo real e a linguagem 
oral possuem.
Nenhuma prática pedagógica é neutra
 Segundo Ferreiro (2000, p. 30), um método nada mais é do que 
a forma de se conhecer um sistema, pois a conexão entre as 
informações, além dos próprios elementos formadores das 
informações, precisam ser aprendidas porque, de outra forma, 
não será transformada em conhecimento operante.
 Isto quer dizer que temos de aceitar métodos para conhecer 
as coisas, pois são sugestões que indicam um caminho 
para se alcançar um objetivo. 
Interatividade
O termo consciência fonológica refere-se a:
a) um conjunto de habilidades relacionadas à capacidade 
de a criança refletir e analisar a língua oral, capacidade essa 
que será desenvolvida ao longo do processo de aquisição 
do sistema de escrita.
b) como uma novidade em nossa língua, e surgiu com a autora 
Mary Kato em 1986, sendo em seguida usado em diversos 
livros, muitos de educação.
c) a uma interpretação literal do termo para abarcar valores
e sentidos das palavras.
d) ao resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais 
de leitura e de escrita.
e) a operar com signos e significados dentro de um mundo pleno de 
valores, e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler.
Resposta
O termo consciência fonológica refere-se a:
a) um conjunto de habilidades relacionadas à capacidade 
de a criança refletir e analisar a língua oral, capacidade essa 
que será desenvolvida ao longo do processo de aquisição 
do sistema de escrita.
b) como uma novidade em nossa língua, e surgiu com a autora 
Mary Kato em 1986, sendo em seguida usado em diversos 
livros, muitos de educação.
c) a uma interpretação literal do termo para abarcar valores
e sentidos das palavras.
d) ao resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais 
de leitura e de escrita.
e) a operar com signos e significados dentro de um mundo pleno de 
valores, e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler.
Entenda a representação
 A escrita é uma representação da linguagem, que opera 
como um sistema notacional para a transcrição gráfica 
das unidades sonoras. 
 Quando a escrita é simplesmente apresentada como um 
código de transição entre fonemas e sinais, sua aquisição se 
organiza enquanto técnica. Por outro lado, se ela é aprendida 
enquanto um sistema de representação, ela se torna 
instrumento de representação e interpretação do mundo.
 Neste momento, o conhecimento deixa de ser apenas um 
objeto externo à criança e passa a ser uma forma de 
perceber a realidade. 
As mudanças continuam A invenção da escrita foi um processo histórico no qual
foram experimentados muitos sistemas de representação 
da oralidade até que chegamos ao nosso atual alfabeto. 
 Nada assegura que este sistema de representação não 
evolua e venha ser substituído no futuro. Portanto, 
considerar a escrita uma codificação imutável se 
constitui num erro de percepção.
A criança cria seus significados
 Nossa escrita alfabética, enquanto representação 
grafonômica, tem como motivo primeiro representar as 
diferenças entre os significantes.
Dsc01889_c.jpg. Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/200657>
Assim, a criança:
 opera com signos e significados dentro de um mundo pleno 
de valores, sentidos e significados socialmente marcados,
e é dessa experiência que decorre a autonomia de ler e grafar;
 antecipar o ensino das letras, em vez de trazer o debate 
da cultura escrita no cotidiano, é inverter o processo 
e aumentar a diferença.
Alfabetização, um processo complexo
 Se pensamos a língua escrita como uma práxis de 
compreensão de um modo de construção de um sistema 
de representação, muda-se a forma de ensinar. 
 O importante passa a ser controlar as discriminações 
perceptivas (ver, ouvir e falar), que são necessárias, mas 
que precisam articular-se para que a criança aprenda a se 
expressar e a buscar formas de expressão da realidade. 
 A partir daí, temos de compreender a natureza deste 
complexo sistema de representação do mundo.
Alfabetização
 Longo processo circunscrito entre duas vertentes 
indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita
e a efetiva possibilidade de uso no contexto social. 
“Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, 
sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer 
a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo 
assim para a conquista de um novo status na sociedade”
(SOARES, 1998).
A linguagem escrita
Cócco e Hailer (1996) propõem dois eixos no trabalho de 
alfabetização da criança:
1. o trabalho textual, porque permite à criança 
compreender como funciona a escrita e como 
pode ser empregada socialmente; 
2. a análise linguística, porque embasa a aquisição do valor 
sonoro convencional à criança e a ajuda na reconstrução 
do código linguístico.
Escrita e conhecimento
 O que deve estar em foco, na ação pedagógica, é a ideia de 
que o conhecimento da escrita não se faz pela codificação 
e decodificação de mensagens.
 O princípio que orienta a ação educativa é o da vivência no 
universo cultural, incluindo a oralidade espontânea e as 
expressões características do discurso de escrita.
Morais (2012, p.51) traz as propriedades 
do SEA que o aprendiz deverá reconstruir 
para se tornar alfabetizado: 
1. escreve-se com letras que não podem ser inventadas, que 
têm repertório finito e que são diferentes de números 
e de outros símbolos; 
2. as letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem 
mudanças em sua identidade (p, q, b, d), embora uma letra 
possa assumir formatos variados (P, p, P, p);
3. a ordem das letras no interior das palavras não pode 
ser mudada; 
4. uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em 
diferentes palavras, ao mesmo tempo que palavras distintas 
compartilham as mesmas letras; 
Morais (2012, p.51) traz as propriedades 
do SEA que o aprendiz deverá reconstruir 
para se tornar alfabetizado: 
5. nem todas as letras podem ocupar certas posições no
interior das palavras e nem todas as letras podem vir
juntas de quaisquer outras; 
6. as letras notam ou substituem a pauta sonora das 
palavras que pronunciamos e nunca levam em conta 
as características físicas ou funcionais dos referentes 
que os substituem; 
7. as letras notam segmentos sonoros menores que as 
sílabas orais que pronunciamos; 
Morais (2012, p.51) traz as propriedades 
do SEA que o aprendiz deverá reconstruir 
para se tornar alfabetizado: 
8. as letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem 
mais de um valor sonoro e certos sons poderem ser notados 
com mais de uma letra; 
9. além de letras, na escrita de palavras são usadas, também, 
algumas marcas (acentos) que podem modificar a tonicidade 
ou o som das letras ou sílabas onde aparecem; 
10. as sílabas podem variar quanto às combinações entre 
consoantes e vogais (CV, CCV, CVV, CVC, V, VCC, CCVCC...), 
mas a estrutura predominante no português é a sílaba CV 
(consoante – vogal), e todas as sílabas do português 
contêm, ao menos, uma vogal.
Para Morais (2012) 
 O conjunto de regras sobre o sistema alfabético é automático 
para o adulto alfabetizado, uma vez que ele nem pensa sobre 
o sistema, é um conhecimento apreendido de tal forma que 
se torna automático. 
 Mas para a criança esse conjunto de regras somente será 
internalizada se ela tiver a oportunidade de refletir sobre 
ele por meio de situações planejadas para isto.
Textos e jogos
 A maioria das crianças chega à escola com pouca
experiência em leitura de textos diversos. Portanto,
podemos dizer, sem dúvida, que esse trabalho é
ponto central de uma proposta alfabetizadora.
 A sala de aula deve conter grande quantidade e variedade 
de material escrito, como livros, jornais, gibis, revistas 
e cartazes que estimulem a leitura da criança. 
Projetos nota 10
Nome do projeto:
Placas novas para o hortifrúti do bairro.
 Etapas
1. Escrever uma autorização.
2. Listar os alimentos.
3. Pesquisar as qualidades.
4. Escrever em duplas.
5. Montar as placas.
Fonte: Revista Nova Escola. Ed. dez/2013 – jan/2014.
Práticas significativas
 RANA, Débora. AUGUSTO, Silvana. Língua Portuguesa: 
soluções para dez desafios do professor – 1º ao 3º ano do 
ensino fundamental. São Paulo: Ática Educadores, 2011.
Interatividade
Por que a leitura e a escrita são considerados os conteúdos 
centrais da escola?
a) Porque têm a função de incorporar a criança à cultura 
do grupo em que ela vive.
b) Porque são considerados assuntos a serem abordados 
por todos os parentes das crianças.
c) Porque os professores vivem discutindo essas questões 
e nunca conseguem chegar a um objetivo.
d) Porque não há em nenhuma escola brasileira uma ideia
formada a esse respeito.
e) Porque nós, alunos, precisamos saber o que não 
devemos falar em uma situação escolar.
Resposta
Por que a leitura e a escrita são considerados os conteúdos 
centrais da escola?
a) Porque têm a função de incorporar a criança à cultura 
do grupo em que ela vive.
b) Porque são considerados assuntos a serem abordados 
por todos os parentes das crianças.
c) Porque os professores vivem discutindo essas questões 
e nunca conseguem chegar a um objetivo.
d) Porque não há em nenhuma escola brasileira uma ideia
formada a esse respeito.
e) Porque nós, alunos, precisamos saber o que não 
devemos falar em uma situação escolar.
ATÉ A PRÓXIMA!
Unidade III 
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Profa. Eliana Delchiaro
Para começar: como a criança 
aprende a ler e escrever?
 Nos últimos anos, apesar do número de estudos e
discussões sobre como a criança aprende a ler e
escrever e das contribuições de teóricos na educaçãoescrever e das contribuições de teóricos na educação,
alguns professores ainda acreditam nos velhos 
métodos tradicionais para alfabetizar.
 Nesse sentido, reafirmamos que as concepções de
criança, conhecimento e aprendizagem que o professor
t d t i áti d ó i d ttem determinam sua prática pedagógica docente.
Conteúdo da Unidade IIIConteúdo da Unidade III
 Metodologias da alfabetização.
 Consciência fonológica – mais exemplos.
 Práticas do ensino do SEA (Sistema de Escrita Alfabética).
 Sugestões de atividades para alfabetizar letrando.
O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento
 Quando as crianças começam a alfabetização, chegam 
à sala de aula com um repertório de conhecimentos
prévios habilidades crenças e conceitos que vão influenciarprévios, habilidades,crenças e conceitos que vão influenciar 
significativamente a sua percepção sobre o meio ambiente, 
a forma como se organizam e a maneira de interpretar 
as informações.
 Por sua vez, o repertório prévio interfere na capacidade 
d i d l b i i l blda criança de lembrar, raciocinar, resolver problemas 
e adquirir novos conhecimentos.
E o que dizem as pesquisasE o que dizem as pesquisas
 Verificou-se que as diferentes oportunidades socioculturais 
exercem influência no ritmo de apropriação do SEA. 
 Ao lado disso, dados de pesquisa revelam diferenças de ritmo 
na apropriação da escrita, especialmente por parte das 
crianças do meio popular, tendo em vista as poucascrianças do meio popular, tendo em vista as poucas 
oportunidades que estas têm com a cultura letrada.
 Para tanto, há que se acreditar no trabalho pedagógico 
docente, com o emprego de jogos de palavras e situações de 
reflexão de textos da produção oral, conforme constatou a 
pesquisa de Vieira Souza e Morais (2011) ser possível umpesquisa de Vieira, Souza e Morais (2011) ser possível um 
bom avanço dessas crianças.
O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento
 Mesmo os bebês são aprendizes ativos que trazem de 
casa um ponto de vista da configuração da aprendizagem. 
O mundo que o bebê percebe não é uma “confusãoO mundo que o bebê percebe não é uma “confusão, 
um crescente zumbido” (JAMES, 1890), onde todos 
os estímulos são igualmente importantes. 
 O cérebro infantil dá prioridade a algumas formas 
de informação: a linguagem, os conceitos básicos dos 
ú i d d fí i i t d inúmeros, as propriedades físicas e o movimento de animar
os objetos inanimados (todos os seus brinquedos e 
utensílios próximos). (COBB, 1994; PIAGET, 1952, 1973a,) (
b, 1977, 1978; VYGOTSKY, 1962, 1978)
O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento
 Uma conclusão lógica da afirmação de que o conhecimento 
novo deve ser construído a partir do conhecimento existente é 
que os professores precisam prestar atenção ao entendimentoque os professores precisam prestar atenção ao entendimento 
incompleto da criança, assim como para as falsas crenças e 
as interpretações ingênuas dos conceitos que os alunos 
trazem de casa a respeito de um determinado assunto. 
 Os professores devem se esforçar para ajudar cada aluno a 
t i h i t d d i ti d t id iconstruir o conhecimento verdadeiro a partir destas ideias, 
para que o aluno alcance uma compreensão mais madura.
O conhecimento preexistente e o letramentoO conhecimento preexistente e o letramento
 Há um equívoco comum a respeito do “construtivismo”,
de que o conhecimento existente deve ser usado para 
construir um conhecimento novoconstruir um conhecimento novo. 
 Assim, tem-se a falsa ideia de que os professores nunca 
devem dizer nada aos alunos diretamente, mas devemdevem dizer nada aos alunos diretamente, mas devem
permitir que estes construam o conhecimento por eles 
mesmos. Esta perspectiva confunde uma teoria da
d i ( i ) t i d h i tpedagogia (ensino) com a teoria do conhecimento. 
 Trabalhar de forma construtivista não é negar a história 
do conhecimento e assumir que todo conhecimento édo conhecimento e assumir que todo conhecimento é 
construído a partir de conhecimentos prévios individuais, 
independentemente de como se é ensinado. 
(COBB, 1994).
Implicações para o ensinoImplicações para o ensino
 Um ensino eficaz com postura crítica é aquele que provoca
os alunos a explicitarem o seu conhecimento preexistente 
do assunto a ser ensinado fornecendo assim oportunidadesdo assunto a ser ensinado, fornecendo, assim, oportunidades 
para que eles construam um novo conhecimento sobre o 
que já sabem, ou então desafiem seus preconceitos iniciais.
É possível melhorar o ensino e a aprendizagemÉ possível melhorar o ensino e a aprendizagem
 Perceber como os alunos aprendem também ajuda os 
professores a irem além das dicotomias de escolha que
têm assolado o campo da educaçãotêm assolado o campo da educação.
 A capacidade dos alunos para fazer a aquisição de conceitos 
organizadores do pensamento que tornam a educação umorganizadores do pensamento que tornam a educação um 
conjunto de fatos e de habilidades é reforçada quando eles 
estão conectados à resolução de problemas significativos 
ti id d ti t d té ipara as atividades pertinentes a cada matéria.
 Quando os alunos entendem o porquê das coisas, eles 
também acabam entendendo como e quando tanto os fatostambém acabam entendendo como e quando tanto os fatos 
como as habilidades são pertinentes e relevantes.
Projetando ambientes para a sala de aulaProjetando ambientes para a sala de aula
 Apresentam-se algumas diretrizes para ajudar a
orientar o projeto e a avaliação de ambientes que
podem aperfeiçoar o aprendizadopodem aperfeiçoar o aprendizado.
 São propostos alguns atributos inter-relacionados de 
ambientes de aprendizagem que podem servir de pontoambientes de aprendizagem que podem servir de ponto
de partida para o seu projeto ou adaptação do ambiente
de sala de aula.
 Tanto as escolas quanto as salas de aula devem ser
centradas no aluno. Os professores devem prestar muita 
atenção no conhecimento habilidades e atitudes que osatenção no conhecimento, habilidades e atitudes que os 
alunos trazem para a sala de aula.
Como contribuir para criar, na sala
de aula, um ambiente alfabetizador? 
Fonte: X_014.jpg.
Disponível em: <http://www morguefile com/archive/display/542391>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/display/542391>
A sala de aula é heterogêneaA sala de aula é heterogênea
Fonte: Wonder_Cube_4_.jpg.
Disponível em: <http://www morguefile com/archive/ display/220838>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/220838>
A aprendizagem é influenciada, de forma
fundamental, pelo contexto em que ela ocorre
 A abordagem possível é desenvolver normas para a escola
e para a sala de aula que apoiem as conexões com o mundo 
exterior de forma que se crie um núcleo forte de valoresexterior, de forma que se crie um núcleo forte de valores 
que determinem a aprendizagem. 
 As normas estabelecidas na sala de aula têm um efeitoAs normas estabelecidas na sala de aula têm um efeito 
profundo na maneira como os alunos resolvem alcançar
seus objetivos. Assim, os alunos poderão se ajudar 
t t l bl i dmutuamente a resolver problemas por meio da
construção do conhecimento.
A aprendizagem é influenciada, de forma
fundamental, pelo contexto em que ela ocorre
 Os alunos conseguirão com a cooperação na resolução de 
problemas (EVANS, 1989; NEWSTEAD e EVANS, 1995) e na 
troca de argumentação (GOLDMAN 1994; HABERMAS 1990;troca de argumentação (GOLDMAN, 1994; HABERMAS, 1990; 
KUHN, 1991; MOSHMAN, 1995a, 1995b; SALMON e ZEITZ, 
1995; YOUNISS e DAMON, 1992) a construção de uma 
comunidade intelectual que vai melhorar o desenvolvimento 
cognitivo de cada um.
O t l ti l l d l O pouco tempo relativo que os alunos passam na sala de aula 
cria muitas oportunidades para que os professores preparem 
sugestões para o seu comportamento na comunidade.g
Além da sala de aula, o mundo está 
cheio de coisas escritas: vamos vê-las!
 A sala de aula é complexa no que diz respeito à comunicação.
Fonte: JGS_MultiLingualWords.jpg.
Disponível em: <http://www morguefile com/archive/ display/611839>Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/611839>
InteratividadeInteratividade
Alguns fatores podem contribuir para
melhorar o ensino aprendizagem:
a) Considerar os conhecimentos prévios dos alunos.
b) Criar ambientes favorecedores da troca, do diálogo
e da cooperaçãoe da cooperação.
c) Mediar as relações que os alunos estabelecem com a 
construção de novos saberes.construção de novos saberes.
d) Explicitar os “porquês” para que os alunos elucidem 
suas dúvidas.
e) Todas as alternativas propostas contribuem para a 
melhoria da aprendizagem do aluno.
RespostaResposta
Alguns fatores podem contribuir para
melhorar oensino aprendizagem:
a) Considerar os conhecimentos prévios dos alunos.
b) Criar ambientes favorecedores da troca, do diálogo
e da cooperaçãoe da cooperação.
c) Mediar as relações que os alunos estabelecem com a 
construção de novos saberes.construção de novos saberes.
d) Explicitar os “porquês” para que os alunos elucidem 
suas dúvidas.
e) Todas as alternativas propostas contribuem para a 
melhoria da aprendizagem do aluno.
A entrada no primeiro anoA entrada no primeiro ano
 A entrada para a escola coloca exigências linguísticas e 
cognitivas que muitas vezes não são compatíveis com os 
hábitos até então desenvolvidoshábitos até então desenvolvidos. 
 É de conhecimento de todo educador que qualquer 
informação deve ser compreendida por todos, mas a rotinainformação deve ser compreendida por todos, mas a rotina 
marca uma ruptura na vida da criança, pois a informação não 
é compatível com o seu mundo de agora.
 Quando chega à escola para aprender a ler, a criança
sabe que a escrita quer dizer alguma coisa, embora
não saiba de que maneira os sinais escritos funcionamnão saiba de que maneira os sinais escritos funcionam
para transmitir a mensagem. 
A entrada no primeiro anoA entrada no primeiro ano
 Para a criança, a alfabetização constitui o primeiro passo de 
um longo caminho escolar, que provavelmente terminará na 
universidade Ela usará a leitura como forma de prazer euniversidade. Ela usará a leitura como forma de prazer e 
instrumento de comunicação pessoal.
 O primeiro passo, então, é abrir os olhos para o mundo daO primeiro passo, então, é abrir os olhos para o mundo da 
palavra escrita, tornar-se atento ao que está escrito na vida 
cotidiana, perceber os vários usos sociais dessa escrita e
l it f t d d l t tque a leitura faz parte do processo de letramento.
Metodologias de alfabetizaçãoMetodologias de alfabetização
 Apesar dos estudos sobre como a criança aprende a ler e a 
escrever, alguns adultos acreditam que a prática pedagógica 
deve ser fundamentada em exercícios repetitivos a seremdeve ser fundamentada em exercícios repetitivos a serem 
aplicados em sala de aula e lições a serem feitas em casa. 
Muitos pensam que essa repetição contribui para que a 
criança leia e escreva melhor.
 Temos crianças que copiam textos, têm a letra desenhada, 
d d t tid i ifi d Nãmas nada do que escrevem tem sentido ou significado. Não 
fazem uso da leitura e da escrita habitualmente nem as têm 
como instrumento de expressão de suas ideias e seus 
sentimentos, ou como uma forma de comunicação 
com os outros e de leitura de mundo.
Como um professor pode promover
uma “boa atividade” na sala de aula?
 A “boa atividade” é a que promove a aprendizagem da 
criança, a construção de seu conhecimento.
 Com certeza, não é aquela aula show, farta em jogos e 
brincadeiras, da qual o aluno quer participar, mas a que 
promove a mudança de atitudes, procedimentos epromove a mudança de atitudes, procedimentos e 
conceitos dos alunos.
O professor e a sala de aulaO professor e a sala de aula
Fonte: DSC_1708_Aj.jpg.
Disponível em: <http://www.morguefile.com/archive/ display/221142>p p g p y
Características de uma “boa atividade”Características de uma boa atividade
 Naspolini (2006) aponta que a “boa atividade”, promotora
do desenvolvimento do conhecimento do aluno, pode ser 
significativa produtiva e desafiadorasignificativa, produtiva e desafiadora.
Fonte: DSC_1727_Aj.jpg. Disponível em: 
htt // fil / hi /di l /221137<http://www.morguefile.com/archive/display/221137>
Atividade significativaAtividade significativa
 Para Naspolini (2006, p. 12), a atividade é significativa
“quando gera conhecimento útil para a vida do aluno;
quando lhe oferece condições de tendo consciência doquando lhe oferece condições de, tendo consciência do 
conhecimento apropriado, vir a utilizá-lo nas diferentes 
situações de sua vida”. 
 As pesquisas a respeito do baixo aproveitamento escolar
de nossos alunos apontam para uma de suas dificuldades:
a de relacionarem o que aprenderam na escola com o seua de relacionarem o que aprenderam na escola com o seu 
dia a dia. 
Atividade significativaAtividade significativa
 Relacionar os textos escritos e aprendidos na escola
com a sua necessidade de ler, escrever, ter conhecimento
e interpretar o que lê e escreve Cabe a reflexão sobre ase interpretar o que lê e escreve. Cabe a reflexão sobre as 
atividades aplicadas em sala de aula.
 Paulo Freire criticou as cartilhas e as comparou às p
roupas de tamanho único, que servem para todo mundo e, 
ao mesmo tempo, para ninguém; as cartilhas estão longe de 
abordar a realidade vivida por nossos alunos (ARANHA 1989)abordar a realidade vivida por nossos alunos (ARANHA, 1989).
Atividade produtivaAtividade produtiva
 Quando o aluno aprende, constrói o conhecimento e, além 
de desenvolvê-lo, ele o aperfeiçoa nas atividades cotidianas. 
Frequentemente os trabalhos escolares são requeridosFrequentemente os trabalhos escolares são requeridos 
pelos professores sem que os alunos sintam a necessidade 
de escrever; simplesmente os fazem porque o professor 
d T i id d ã é d imandou. Torna-se uma atividade que não é produtiva, 
desvinculada do contexto da criança, uma escrita mecânica.
Atividade desafiadoraAtividade desafiadora
 Atividades que apresentam dificuldades possíveis de
serem solucionadas pelo aluno, mas que exigem a sua 
reflexão análise de hipóteses busca de ações possíveisreflexão, análise de hipóteses, busca de ações possíveis, 
portanto contribuem para o desenvolvimento de sua 
capacidade cognitiva. 
 Naspolini (2006) sugere que o professor trabalhe com 
situações de aprendizagem desafiadoras, provocativas
e instigantes que devem ser construídas sobre aspectose instigantes, que devem ser construídas sobre aspectos 
conhecidos do aluno e que provoquem desafios.
Como a escola pode contribuirComo a escola pode contribuir
 Desde a alfabetização, a escola precisa apresentar variedade 
de textos e favorecer o contato com a escrita social.
É á i i l i l d l t É necessário que a criança leia na sala de aula cartazes, 
identificações de caixas, latas, listas, embalagens e rótulos 
de produtos variados.p
 O contato com diferentes escritas e textos promove
na criança o reconhecimento e a distinção do desenho
( i l) d it ( i ) t ib i(sinal) e da escrita (signo), o que contribui para que
ela compreenda que se escreve o que se fala. Isso
facilita a aprendizagem da grafia das letras e ap g g
construção de palavras de forma significativa:
na prática, é ler e escrever.
Sugestão de atividades significativasSugestão de atividades significativas
 Adriane Andaló (1996) sugere como atividades significativas 
de leitura e escrita as seguintes atividades, que objetivam o 
que denominou de “redes de significado”:que denominou de redes de significado :
1. trabalhar com o nome dos alunos, identificando palavras, 
sílabas e letras do próprio nome da criança e de seus p p ç
colegas em outras atividades;
2. escrever listas de palavras do mesmo campo lexical,
d i i d f t dcomo nomes de animais, nomes de frutas, nomes de 
brinquedos, compras de supermercado;
Sugestão de atividades significativasSugestão de atividades significativas
3. recortar e colar figuras e associá-las com a escrita de letras 
móveis de plástico;
4 tili l d l l t b tã iú l té4. utilizar, em sala de aula, a letra bastão maiúscula até as 
crianças estarem alfabetizadas;
5 montar e desmontar palavras;5. montar e desmontar palavras;
6. montar quebra-cabeças com palavras e gravuras;
7 fornecer palavras e pedir às crianças que as representem7. fornecer palavras e pedir às crianças que as representem 
por meio de desenhos.
Propostas para acompanhar
o processo de alfabetização
Atividades de sondagem:
 estão relacionadas às atividades de avaliação
d d h d l i d t tdo desempenho do aluno; visam detectar o
conhecimento que a criança construiu e como
esse conhecimento foi construído;;
 a partir do que foi coletado pelo professor,
planejam-seas atividades de ensino e de
di ífi laprendizagem novas e específicas ao aluno.
Atividades de sondagemAtividades de sondagem
Naspolini (2006) destaca alguns pontos
das atividades de sondagem:
t t t ífi d ti id d t d retratam o momento específico da atividade executada
pelo aluno – num certo momento, o aluno apresenta
um determinado conhecimento e, em outro momento,, ,
outro conhecimento;
 as intervenções do professor favorecem a compreensão 
d i d t i d h i tde como a criança pensa um determinado conhecimento;
 possibilitam o registro, em fichas, da produção do aluno e 
podem fundamentar o planejamento de novas atividadespodem fundamentar o planejamento de novas atividades.
Atividades de sondagemAtividades de sondagem
 As atividades de sondagem e o material utilizado devem
ser inéditos, para não estimular a memorização de como
se aplica determinado conhecimento pela criançase aplica determinado conhecimento pela criança.
A sondagem é feita periodicamente e os resultados devem 
ser comparados com os resultados da sondagem anterior.
 Ao analisar os resultados da sondagem, o professor
pode agrupar crianças que apresentam determinada 
dificuldade e planejar atividades diversificadas dedificuldade e planejar atividades diversificadas de
ensino e de aprendizagem. As atividades diversificadas
são compostas por jogos e variam conforme a evolução
do conhecimento dos alunos.
InteratividadeInteratividade
Como um professor pode promover uma “boa” atividade?
a) Com uma aula show, farta em jogos e brincadeiras.
b) Criando situações significativas, produtivas e desafiadoras.
c) Com muitos exercícios de fixação de conteúdo.
d) Com atividades diferentes todos os dias da semana.
e) Com a repetição de cópias para treinar a escrita.
RespostaResposta
Como um professor pode promover uma “boa” atividade?
a) Com uma aula show, farta em jogos e brincadeiras.
b) Criando situações significativas, produtivas e desafiadoras.
c) Com muitos exercícios de fixação de conteúdo.
d) Com atividades diferentes todos os dias da semana.
e) Com a repetição de cópias para treinar a escrita.
Atividades de ensino-aprendizagemAtividades de ensino-aprendizagem
Segundo Naspolini (2006), são atividades que intervêm
nos saberes construídos anteriormente pelo aluno e 
promovem a aquisição de novos conhecimentos Comopromovem a aquisição de novos conhecimentos. Como 
exemplo, cita a atividade de correspondência título-texto,
em que o professor lê um texto em sala de aula e apresenta 
á i í lvários títulos:
 os alunos devem escolher um título adequado à história 
narrada pela professoranarrada pela professora.
Atividades de aplicaçãoAtividades de aplicação
 São exercícios específicos que visam a aplicação de 
conhecimentos apreendidos pela criança por meio das 
atividades de ensino-aprendizagem Naspolini (2006)atividades de ensino-aprendizagem. Naspolini (2006)
sugere que devem ser aplicados, preferencialmente,
em grupos de alunos.
 A autora distingue dois períodos ou características das 
atividades de aplicação: a repetição e a transformação.
A ti ã d id f t d h i t d i id A repetição devido ao fato de os conhecimentos adquiridos 
pelos alunos serem utilizados repetidas vezes e em 
momentos diferentes das atividades. 
 A transformação se refere ao fato de os exercícios
serem mudados, e não seus objetivos, que devem
ser a aplicação de determinados conhecimentos
aprendidos anteriormente.
Atividades de aplicaçãoAtividades de aplicação
O exemplo dado por Naspolini (2006) é que a mesma
atividade de correspondência texto-título pode ser
empregada de diferentes formas como:empregada de diferentes formas, como:
 corresponder um texto com a escolha de um título,
dentre outros;;
 corresponder um título com a escolha de um texto,
dentre outros;
 corresponder os textos com a escolha dos respectivos 
títulos, dentre outros.
Atividades de avaliaçãoAtividades de avaliação
 O objetivo das atividades de avaliação é diagnosticar
o que o aluno é capaz de realizar sozinho, o que o aluno 
aprendeu e o que precisa melhorar podendo ter a finalidadeaprendeu e o que precisa melhorar, podendo ter a finalidade 
qualitativa ou quantitativa, segundo Naspolini (2006).
 A finalidade qualitativa está ligada ao diagnóstico do q g g
conhecimento construído pelo aluno e subsidia o 
planejamento do professor à medida que este planeja 
futuras atividades de ensino aprendizagem (sondagem);futuras atividades de ensino-aprendizagem (sondagem);
e a finalidade quantitativa está ligada ao diagnóstico e à 
medição do que o aluno construiu de determinado conteúdo.
O trabalho com leituraO trabalho com leitura
 De acordo com Naspolini (2006), “ler é o processo de 
construir um significado a partir do texto”.
A l it á did h dâ i t A leitura será compreendida se houver concordância entre 
os conhecimentos prévios do leitor e os elementos textuais.
 O ato de ler significa compreender o que está escrito com as O ato de ler significa compreender o que está escrito com as 
letras e o que se quis dizer com as letras; é muito mais do 
que decodificar os códigos linguísticos. 
O professorO professor
 O professor deve ser um facilitador no processo de 
desenvolvimento das competências leitora e escritora
do aluno desde a Educação Infantil Porém será nosdo aluno desde a Educação Infantil. Porém, será nos
anos iniciais do Ensino Fundamental que sua prática
poderá ser intensificada.
 Tanto a leitura como a escrita devem ser significativas para 
o aluno. Assim, precisam relacionar-se com o seu uso 
cotidiano desvendar conhecimentos que estejam ligados acotidiano, desvendar conhecimentos que estejam ligados a 
interesses próprios da faixa etária em que se encontram os 
alunos, possibilitar a resolução de problemas de ordem 
prática e oferecer possibilidades para que possam, 
autonomamente, ir além do que lhes é proposto.
O trabalho com textosO trabalho com textos
 A leitura e a escrita não devem se restringir ao trabalho
com o livro didático. Em uma sociedade letrada como a 
nossa o professor precisa trabalhar com os mais variadosnossa, o professor precisa trabalhar com os mais variados 
tipos de textos, com o objetivo de que a criança construa 
estruturas cognitivas necessárias à leitura e à escrita de 
i dtextos variados. 
 Isso não significa que o aluno tenha apenas de identificar
ou reconhecer as diferentes modalidades de texto masou reconhecer as diferentes modalidades de texto, mas 
escrevê-las, utilizá-las mediante suas necessidades.
O trabalho com textosO trabalho com textos
 Com um fim didático, Naspolini (2006) classificou os textos 
em práticos, informativos ou científicos, literários e 
extraverbais mas ressaltou que um único texto podeextraverbais, mas ressaltou que um único texto pode 
pertencer a mais de um grupo dos citados.
Fonte: JGS_NewspaperSports.jpg. Disponível em: 
<http://www morguefile com/archive/display/90211><http://www.morguefile.com/archive/display/90211>
Gênero: uso cotidianoGênero: uso cotidiano
Textos práticos
 São textos comuns em nosso dia a dia. Por exemplo:
t t d á l t l f h b lcartas, contas de água, luz e telefone, cheques, embalagens 
de todos os tipos, manuais de aparelhos eletrônicos, 
listagens, itinerários, ingressos, passagens, carnês, bulasg , , g , p g , ,
de remédio, cardápios, receitas culinárias, notas fiscais, 
bilhetes, telegramas.
O f d tili d t ti O professor pode utilizar uma data comemorativa, como 
o Dia dos Pais, e desenvolver uma atividade de 
confecção de uma carta.ç
Textos informativos ou científicosTextos informativos ou científicos
 A função dos textos informativos é trazer conhecimentos 
novos aos leitores. Eles são encontrados em jornais, 
revistas enciclopédias entrevistas tabelas gráficos etcrevistas, enciclopédias, entrevistas, tabelas, gráficos etc. 
Textos literáriosTextos literários
 São textos que expressam sentimentos, pensamentos e 
fantasias do homem na relação com o mundo à sua 
volta e consigo mesmovolta e consigo mesmo. 
TextosextraverbaisTextos extraverbais
 Existem textos escritos não com palavras, mas com 
outros códigos linguísticos e não linguísticos. Por exemplo, 
os textos escritos com figuras ilustrações arquiteturaos textos escritos com figuras, ilustrações, arquitetura, 
histórias em quadrinhos, quadros de arte, músicas, 
gestos etc.
 Pensando desta forma, quando vamos ao Museu e lá 
apreciamos um quadro como o de Tarsila do Amaral, 
dando como exemplo a obra A Feira estamos diantedando como exemplo a obra A Feira, estamos diante 
de um texto escrito com figuras e ilustrações que retratam 
a situação de uma feira, tudo isso dentro de um estilo 
de pintura próprio da artista. Mas os nossos olhos, 
ao contemplarem tal quadro, estão fazendo uma 
leitura da situação que ela tentou retratar.leitura da situação que ela tentou retratar.
Outros textosOutros textos
Enfoque conteudístico
 A partir de um texto, questões são formuladas para que os 
l d d l id i talunos respondam segundo as palavras e ideias expostas
no texto. Naspolini (2006) define como o objetivo desse 
tipo de atividade decodificar a leitura. p
Enfoque estruturalista
 Todos os textos apresentam determinadas estruturasp
que os identificam e que são chamadas de superestrutura 
esquemática: a distribuição e a organização da estrutura 
interna do textointerna do texto.
A gramática na contramãoA gramática na contramão
Algumas possibilidades para o trabalho
com a produção de textos:
t b lh t t it i di id l t trabalhar com textos escritos individualmente,
em pequenos grupos ou coletivamente;
 propor para os alunos a escrita de vários tipos de propor para os alunos a escrita de vários tipos de
textos – relatórios, contos, poesias etc.;
 pedir aos alunos que descrevam fotos e paisagens;p q p g ;
 solicitar que criem histórias a partir de recortes
de gibis, paisagens etc.;
 orientar os alunos a entrevistarem conhecidos e 
descreverem como foi a entrevista;
i j i d l t sugerir que escrevam jornais da sala, reportagens
da escola, entre outros.
Sugestão de produção de texto com os alunosSugestão de produção de texto com os alunos
Essa é uma atividade que vai além da vida escolar. O aluno a 
utiliza por toda vida.
 D fi i Desafios para ensinar:
Vale a pena lembrar que leitura e escrita são articulados. 
Portanto um dos propósitos da escrita é a leituraPortanto, um dos propósitos da escrita é a leitura.
1. Oferecer repertório de textos no gênero a ser escrito.
2 Fazer um planejamento do que vai ser escrito2. Fazer um planejamento do que vai ser escrito.
3. Textualizar.
4 Revisar4. Revisar.
(RANA e AUGUSTO, 2011)
InteratividadeInteratividade
Para que serve uma atividade de avaliação?
a) Para diagnosticar o que o aluno é capaz de realizar sozinho.
b) Para reprovar um aluno com dificuldade.
c) Para testar a capacidade do professor.
d) Para deixar a sala no mais absoluto silêncio.
e) Para mostrar que quem manda é o professor.
RespostaResposta
Para que serve uma atividade de avaliação?
a) Para diagnosticar o que o aluno é capaz de realizar sozinho.
b) Para reprovar um aluno com dificuldade.
c) Para testar a capacidade do professor.
d) Para deixar a sala no mais absoluto silêncio.
e) Para mostrar que quem manda é o professor.
Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento
 Sugerimos a leitura do texto Jogo e Letramento: crianças
de 6 anos no ensino fundamental, que discute a prática 
curricular em que se alia o jogo ao processo de letramentocurricular em que se alia o jogo ao processo de letramento 
no primeiro ano do Ensino Fundamental de 9 anos da Escola 
de Aplicação da USP.
 KISHIMOTO, Tizuko Morchida. PINAZZA, Mônica Appezzato. 
MORGANA, Rosana de Fátima Cardoso. TOYOFUKI, Kamila 
Rumi Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensinoRumi. Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensino 
fundamental. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.37, n.1, 
220p. 191-210, jan./abr. 2011. (disponível em: 
http://www.scielo.br/pdf/ep/v37n1/v37n1a12.pdf)
Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento
 Palavras-chaves do texto: Jogo – Letramento – Ensino 
fundamental de 9 anos – Políticas públicas – Currículo.
1 A li ã d E i F d t l d 91. Ampliação do Ensino Fundamental de 9 anos
e a questão curricular.
2 Escola de aplicação da USP – contexto da pesquisa2. Escola de aplicação da USP – contexto da pesquisa.
3. Atividade, jogo e mediação.
Ensino Fundamental de 9 anos: jogo e letramentoEnsino Fundamental de 9 anos: jogo e letramento
4. Brincadeiras imaginárias voltadas para a realidade.
5. Mediações nas práticas curriculares.
6. Avaliação das práticas por crianças, pais e professores.
7. Desalinhos no plano curricular.
O jogo e a brincadeira – um caminho
para alfabetizar letrando
 Consciência fonológica e a alfabetização.
“Algumas habilidades fonológicas (e não necessariamente 
fonêmicas) são essenciais para a criança avançar em suas 
hipóteses sobre o sistema alfabético, no entanto os autores 
defendem que só a consciência fonológica, por si só, nãodefendem que só a consciência fonológica, por si só, não
faz uma criança se tornar alfabética.” 
(MORAIS, 2012)
Consciência fonológicaConsciência fonológica
 As cantigas de roda, as poesias da tradição oral e os jogos 
de consciência fonológica ajudam os alunos refletir sobre 
as palavras suas partes orais e escritasas palavras, suas partes orais e escritas.
Antes disso, preste atenção às cenas apresentadas por Morais 
(2012) e transcritas abaixo:(2012) e transcritas abaixo:
 Cena 1: Marina com 3 anos e 5 meses  “Ge-la-ti-na”
 Cena 2: Pedro com 1 ano e 9 meses “Tu-ba-rão” / “Já-bu-ti”Cena 2: Pedro com 1 ano e 9 meses  Tu ba rão / Já bu ti
Consciência fonológicaConsciência fonológica
Leque de possibilidades (MORAIS, 2012):
1. computador maior que casa (quatro pedaços
d i d )e dois pedaços);
2. identificar entre quatro palavras as que começam
de forma parecida – palito morango parede cavalo;de forma parecida – palito, morango, parede, cavalo;
3. falar a palavra “chuveiro”, quando solicitado a dizer uma 
palavra que termine com a palavra “coqueiro”, explicando p q p q , p
que ambas terminam com “/eiro/”;
4. identificar que, no interior da palavra “tucano”, temos 
t “ ” “t ” “t ”outras: “cano”, “tu”, “tuca”.
Consciência fonológicaConsciência fonológica
Para o autor em questão, é necessário responder:
1. Quais habilidades de consciência fonológica são 
á i i t t l lf b ti ?necessárias ou importantes para um aluno se alfabetizar?
2. O aluno já deveria ter desenvolvido essas habilidades
para poder iniciar o processo de alfabetização?para poder iniciar o processo de alfabetização?
3. Basta treinar a consciência fonológica e fazermos as 
crianças memorizarem as letras correspondentes aos ç p
segmentos sonoros para termos alunos alfabetizados? 
Práticas do ensino do SEA
(Sistema de Escrita Alfabética)
Exemplo do trabalho da professora Marlene, divulgado por 
Morais (2012) ao explorar a música O pião entrou na roda:
O pião entrou na roda, ô pião
O pião entrou na roda, ô pião
Roda, piãop
Bambeia, pião.
Sapateia no tijolo, ô pião
Sapateia no tijolo, ô piãop j , p
Roda, pião
Bambeia, pião.
Mostrai sua figura, ô piãoMostrai sua figura, ô pião
Mostrai sua figura, ô pião
Roda, pião
Bambeia piãoBambeia, pião.
Jogos que desenvolvem a consciência fonológicaJogos que desenvolvem a consciência fonológica
 Batalha de palavras (jogo que leva refletir sobre o tamanho 
das palavras).
J d i (T i Má i C i ) Jogos de rimas (Trina Mágica e Caça-rimas).
 Bingo dos sons iniciais e o Dado Sonoro (no caso, 
a percepção de aliterações nas primeiras sílabasa percepção de aliterações nas primeiras sílabas
das palavras cantadas).
 Palavra dentro de palavra (dentro de “tucano” estáp (
a palavra “cano”).
Texto complementarTexto complementar
Texto presente no AVA:
 Contribuições para alfabetizar letrando,
de Eliana Chiavone Delchiaro.
ResumindoResumindo...
 Nesta últimaunidade foi abordado o fato de que quando 
as crianças começam a alfabetização, elas chegam na 
sala de aula com um repertório de conhecimentos préviossala de aula com um repertório de conhecimentos prévios, 
habilidades, crenças e conceitos que vão influenciar 
significativamente a sua percepção sobre o meio ambiente.
 Num sentido amplo, o entendimento contemporâneo 
da aprendizagem é de que são as pessoas que constroem 
h i t t di t bnovos conhecimentos e entendimentos com base no 
que já sabem e acreditam, no que já construíram 
com suas experiências e vivências de mundo.
ResumindoResumindo...
 Falamos também de um equívoco comum a respeito do 
construtivismo, de que o conhecimento existente deve ser 
usado para construir um conhecimento novo Assim tem se ausado para construir um conhecimento novo. Assim, tem-se a 
falsa ideia de que os professores nunca devem dizer nada aos 
alunos diretamente, mas devem permitir que os alunos 
construam o conhecimento por si mesmos. Vimos que o 
construtivismo valoriza a história de mundo que a criança 
traz Vimos também que a intervenção e moderação dotraz. Vimos também que a intervenção e moderação do 
professor acontecem no construtivismo.
ResumindoResumindo...
 Propomos que tanto as escolas e as salas de aula devem 
ser centradas no aluno. Os professores devem prestar muita 
atenção no conhecimento habilidades e atitudes que osatenção no conhecimento, habilidades e atitudes que os 
alunos trazem para a sala de aula. Ainda, é possível perceber 
que a aprendizagem com compreensão é importante para o 
desenvolvimento de competências, pois torna o aprendizado 
de novos conhecimentos mais fácil.
InteratividadeInteratividade
Como diz Vygotsky, o ensino deve ser organizado de forma que 
a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. Baseado 
no que estudamos, responda como o professor de 1° ano deve q , p p
atuar na construção da escrita:
a) Deverá permitir que a criança faça parte no processo da construção 
da escrita favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontâneada escrita, favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontânea, 
mediando a criança.
b) Deverá trabalhar com os livros didáticos e com muitas atividades )
de escrita.
c) Apresentar para as crianças o alfabeto e trabalhar primeiramente 
as vogaisas vogais.
d) Proporcionar à criança o contato com os livros didáticos e com 
o caderno de caligrafia, para desenvolver bons traços.
e) Ensinar primeiro a codificação, depois a decodificação, 
a gramática e, por último, a produção de textos.
RespostaResposta
Como diz Vygotsky, o ensino deve ser organizado de forma que
a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. Baseado 
no que estudamos, responda como o professor de 1° ano deve q , p p
atuar na construção da escrita:
a) Deverá permitir que a criança faça parte no processo da construção 
da escrita favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontâneada escrita, favorecendo momentos lúdicos e de escrita espontânea, 
mediando a criança.
b) Deverá trabalhar com os livros didáticos e com muitas atividades )
de escrita.
c) Apresentar para as crianças o alfabeto e trabalhar primeiramente 
as vogaisas vogais.
d) Proporcionar à criança o contato com os livros didáticos e com 
o caderno de caligrafia, para desenvolver bons traços.
e) Ensinar primeiro a codificação, depois a decodificação, 
a gramática e, por último, a produção de textos.
ATÉ A PRÓXIMA!ATÉ A PRÓXIMA!

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