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med.estrategia.com CLÍNICA MÉDICA https://med.estrategia.com/ Estratégia MED Estratégia MED | Memorex do Estratégia MED 2CLÍNICA MÉDICA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed CLÍNICA MÉDICA Vamos começar o Memorex com a área que possui mais temas para estudo, entre as cinco áreas avaliadas nas provas de Residência Médica: a soberana Clínica Médica! A diversidade e profundidade dos temas, aqui, será grande: da cardiologia à neurologia, da hepatologia à pneumologia, são muitos os assuntos que podem cair nas provas, o que estimula, muitas vezes, diversos alunos a diminuírem ou até mesmo a evitarem a clínica médica em seus estudos para as provas, com a estratégia de focar nas demais áreas em que o esforço x o retorno será mais palpável. Porém, dois motivos permitem entender por que vale a pena, sim, dedicar-se a melhorar seus conhecimentos de clínica médica e, por consequência, sua porcentagem de acertos nela. Primeiramente, é possível — e necessário! — enfrentá- la com estratégia, com foco nos assuntos mais abordados nas provas, sobretudo quando se tratar de temas para memorização — nisso, este Memorex irá ajudá-lo muito! Você contará com tabelas e fluxogramas que abordarão os principais tópicos cobrados nas provas, procure construir o raciocínio envolvido neles para memorizá-los com mais facilidade. Vamos ajudá-lo nisso com comentários em cada tópico. Em segundo lugar, você verá que, a longo prazo, mantendo um estudo constante dos temas clínicos, você obterá porcentagem maiores de acertos nas provas desta área. Diferentemente do que em geral ocorre nas demais grandes áreas, em que, pela menor quantidade de temas, você atingirá um nível alto com menor tempo, aqui, você terá a oportunidade de aumentar gradualmente sua porcentagem de acertos, obtendo melhorias até chegar a data da prova. Além disso, não custa lembrar o grande impacto que estudar a clínica médica terá em sua prática como médico, independentemente da área que você for seguir! Vamos aos temas! https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 3 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED SUMÁRIO 1.0 CARDIOLOGIA 5 1.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 5 1.1.1 DIAGNÓSTICO 5 1.1.2 CLASSIFICAÇÃO 7 1.1.3 TRATAMENTO 8 1.1.4 EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS HIPERTENSIVAS: 9 1.2 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA 11 1.2.1 CLASSIFICAÇÃO 11 1.2.2 TRATAMENTO 13 1.2.3 IC DESCOMPENSADA 18 1.3 VALVOPATIAS 19 1.4 ACLS 20 1.4.1 MANEJO DA PCR 21 1.4.2 TORSADES DES POINTES 22 1.4.3 BRADIARRITMIAS 23 1.4.4 MANEJO 25 1.4.5 TAQUICARDIAS 26 1.4.6 MANEJO DAS TAQUIARRITMIAS 27 1.4.7 CARDIOVERSÃO — CARGA INDICADA 28 1.5 FIBRILAÇÃO ATRIAL 29 1.5.1 MANEJO AMBULATORIAL DA FIBRILAÇÃO ATRIAL 29 1.5.2 MANEJO DA INTOXICAÇÃO CUMARÍNICA 30 1.5.3 MANEJO DA FIBRILAÇÃO ATRIAL OU FLUTTER ATRIAL NA EMERGÊNCIA 31 1.6 DOR TORÁCICA 32 1.6.1 MANEJO DA DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA 34 1.6.2 SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS 34 1.6.3 DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME CORONARIANA AGUDA 36 1.6.4 CLASSIFICAÇÃO DE KILLIP-KIMBALL NAS SCA 38 1.6.5 DIAGNÓSTICO DO IAM COM SUPRA DE ST 39 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 4 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.6.6 MANEJO GERAL DAS SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS 39 1.6.6.1 MANEJO FARMACOLÓGICO 39 1.6.6.2 MANEJO DO IAM COM SUPRA DE ST 40 1.6.7 CONTRAINDICAÇÕES À TERAPIA FIBRINOLÍTICA 41 1.6.8 CRITÉRIOS DE REPERFUSÃO 42 1.6.9 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS DO IAM 42 1.7 DISSECÇÃO AGUDA DE AORTA 43 2.0 DERMATOLOGIA 44 2.1 DERMATOLOGIAONCODERMATOLOGIA 44 2.1.1 DIAGNÓSTICO DE MELANOMA 45 2.2 HANSENÍASE 45 2.2.1 CLASSIFICAÇÃO 46 2.2.2 REAÇÕES HANSÊNICAS 46 2.2.3 MANEJO DOS CONTACTANTES 47 3.0 ENDOCRINOLOGIA 48 3.1. EMERGÊNCIAS HIPERGLICÊMICAS 48 3.1.1 CETOACIDOSE DIABÉTICA (CAD) 48 3.1.1.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA CAD 48 3.1.1.2 MANEJO DA CETOACIDOSE DIABÉTICA 49 3.1.2 ESTADO HIPERGLICÊMICO HIPEROSMOLAR (EHH) 51 3.1.2.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO EHH 52 3.2 HIPOGLICEMIA 52 3.2.1 MANEJO DA HIPOGLICEMIA 52 3.3 DIABETES MELLITUS 53 3.3.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE DM 53 3.3.2 MANEJO FARMACOLÓGICO DE DM 53 3.3.3 CIRURGIA METABÓLICA 55 3.3.4 SÍNDROME METABÓLICA 55 3.4 HIPOTIREOIDISMO 56 3.4.1 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO 56 3.4.2 MANEJO DO HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO 57 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 5 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.4.3 MANEJO DO HIPOTIREOIDISMO NA GESTAÇÃO 58 3.5 TIREOTOXICOSE 58 3.5.1 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO 58 3.6 .NÓDULOS TIREOIDIANOS 60 3.6.1 AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DOS NÓDULOS TIREOIDIANOS 60 3.6.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DOS NÓDULOS TIREOIDIANOS 60 4.0 NEUROLOGIA 61 4.1 COMA E ALTERAÇÕES DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA 61 4.1.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW 61 4.1.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO 61 4.2 HIPERTENSÃO INTRACRANIANA 62 4.3 CEFALEIAS 63 4.3.1 CEFALEIAS PRIMÁRIAS 63 4.3.1.1 MIGRÂNEA X CEFALEIA TENSIONAL 63 4.3.2 CEFALEIAS TRIGÊMINO-AUTONÔMICAS 64 4.3.3 CEFALEIAS SECUNDÁRIAS 65 4.4 HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA 65 4.5 SÍNDROMES NEUROVASCULARES 66 4.5.1 MANEJO GERAL DO AVC ISQUÊMICO AGUDO 67 5.0 HEMATOLOGIA 68 5.1 ANEMIAS 68 5.1.1 INVESTIGAÇÃO GERAL DAS ANEMIAS 68 5.1.2 INVESTIGAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS 69 5.2 MIELOMA MÚLTIPLO 70 5.2.1 QUADRO CLÍNICO LABORATORIAL DO MIELOMA MÚLTIPLO 70 5.2.2 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO MIELOMA MÚLTIPLO 70 6.0 HEPATOLOGIA 71 6.1 HEPATITES 71 6.1.1 HEPATITE B 71 6.1.2 INDICAÇÕES DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO AO HBV 73 6.1.3 MANEJO DA HEPATITE B 74 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 6 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.1.4 FORMAS CLÍNICAS DA HEPATITE C 75 6.2 ASCITE 75 6.2.1 DEFINIÇÃO DE GASA 75 6.2.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DA ASCITE 76 6.2.3 DIAGNÓSTICO DA PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 76 6.2.4 DIAGNÓSTICO DA PERITONITE BACTERIANA SECUNDÁRIA 76 6.3 CIRROSE HEPÁTICA 77 6.3.1 ESCORE DE CHILD-PUGH 77 6.4 TUMORES HEPÁTICOS 78 6.4.1 CARCINOMA HEPATOCELULAR 78 6.4.1.1 MANEJO DO CARCINOMA HEPATOCELULAR 78 6.4.2 OUTROS TUMORES HEPÁTICOS MALIGNOS 78 6.4.3 OUTROS TUMORES HEPÁTICOS 79 7.0 GASTROENTEROLOGIA 81 7.1 DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA 81 7.1.1 CLASSIFICAÇÃO DE FORREST 81 7.1.2 CLASSIFICAÇÃO DE SAKITA 81 7.2 HELICOBACTER PYLORI 83 7.3 HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA 84 7.4 HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA 85 7.5 DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO 87 7.6 PANCREATITE AGUDA 88 7.7 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL 89 7.8 CÂNCER DE CÓLON 90 7.8.1 MANEJO DO CÂNCER DE CÓLON NÃO RETAL 90 7.8.2 MANEJO DO CÂNCER DE CÓLON RETAL 91 7.9 TUMORES ESOFÁGICOS E GÁSTRICOS 93 7.9.1 NEOPLASIAS DE ESÔFAGO 93 7.9.2 MANEJO DO ADENOCARCINOMA DE ESÔFAGO 93 7.9.3 NEOPLASIAS DE ESTÔMAGO 94 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 7 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.9.4 CLASSIFICAÇÃO DE BORRMANN 94 7.9.5 ESTADIAMENTO DO ADENOCARCINOMA GÁSTRICO 94 7.9.6 MANEJO DO ADENOCARCINOMA GÁSTRICO 95 7.9.7 NEOPLASIAS DA JUNÇÃO ESOFAGOGÁSTRICA 98 7.9.7.1 CLASSIFICAÇÃO DE SIEWERT 98 7.9.7.2 MANEJO DAS NEOPLASIAS DA JUNÇÃO ESOFAGOGÁSTRICA 98 8.0 NEFROLOGIA 99 8.1 GLOMERULOPATIAS 99 8.1.1 CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS GLOMERULOPATIAS 99 8.1.2 VASCULITES ANCA-ASSOCIADAS 100 8.1.3 NEFRITE LÚPICA 100 8.1.4 GLOMERULONEFRITE PÓS-ESTREPTOCÓCICA 101 8.1.5 SÍNDROME NEFRÓTICA 102 8.1.6 INDICAÇÕES DE BIÓPSIA NA SÍNDROME NEFRÓTICA NA INFÂNCIA 102 8.2 LESÃO RENAL AGUDA (LRA) 103 8.2.1 CRITÉRIOS KDIGO 103 8.2.2 CLASSIFICAÇÃO DA LRA 103 8.2.3 INDICAÇÕES DE DIÁLISE DE URGÊNCIA 104 8.3 DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) 104 8.3.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA DRC 104 8.3.2 CLASSIFICAÇÃO E ESTADIAMENTO DA DRC 1048.4 DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE 105 8.4.1 FLUXOGRAMA DA ACIDEMIA 106 8.4.2 ÂNION GAP 107 8.4.3 FLUXOGRAMA DA ALCALEMIA 107 8.5 SÍNDROME DE LISE TUMORAL 108 8.6 NEFROLITÍASE 108 8.6.1 MANEJO DA NEFROLITÍASE 108 9.0 INFECTOLOGIA 110 9.1 MENINGITES 110 9.1.1 CARACTERÍSTICAS DO LIQUOR EM CADA ETIOLOGIA DE MENINGITE 110 9.1.2 AGENTES ETIOLÓGICOS PRINCIPAIS NA MENINGITE 110 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 8 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.1.3 MANEJO DAS MENINGITES BACTERIANAS 111 9.1.4 PROFILAXIA PARA CONTATOS DE CASOS DE MENINGITE 112 9.2 PNEUMONIAS 113 9.2.1 CURB-65 113 9.2.2 MANEJO AMBULATORIAL DA PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE 114 9.2.3 MANEJO HOSPITALAR DA PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE 115 9.3 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 117 9.4 SEPSE 118 9.4.1 MANEJO DA SEPSE 119 9.5 ARBOVIROSES 120 9.5.1 DENGUE 121 9.5.1.1 CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA E MANEJO DA DENGUE 121 9.5.2 SINAIS DE ALARME NA DENGUE 122 9.6 TUBERCULOSE 122 9.6.1 TUBERCULOSE PULMONAR 122 9.6.2 TUBERCULOSE PULMONAR: FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO 122 9.6.3 TUBERCULOSE PULMONAR: EXAMES 123 9.6.4 TUBERCULOSE PULMONAR: ESQUEMAS DE TRATAMENTO 124 9.6.5 TUBERCULOSE PULMONAR: EFEITOS ADVERSOS DAS MEDICAÇÕES 124 9.6.6 MANEJO DE CONTATOS DE CASOS DE TUBERCULOSE BACILÍFERA 125 9.6.7 MANEJO DO RN EXPOSTO A CASO BACILÍFERO 126 9.6.8 INFECÇÃO LATENTE PELO M. TUBERCULOSIS 126 9.6.8.1 TUBERCULOSE LATENTE: FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO E MANEJO 126 9.7 NEUTROPENIA FEBRIL 128 9.7.1 MANEJO DA NEUTROPENIA FEBRIL 128 10.0 PNEUMOLOGIA 130 10.1 DERRAME PLEURAL 130 10.1.1 CRITÉRIOS DE LIGHT 130 10.1.2 DERRAME PLEURAL PARAPNEUMÔNICO E EMPIEMA 131 10.2 DOENÇAS PULMONARES OBSTRUTIVAS E RESTRITIVAS 132 10.2.1 CLASSIFICAÇÃO ESPIROMÉTRICA DAS DOENÇAS PULMONARES 132 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 9 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.3 ASMA EM ADULTOS 133 10.3.1 DIAGNÓSTICO DA ASMA 133 10.3.2 TRATAMENTO DA ASMA 134 10.3.3 CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DO TRATAMENTO DA ASMA 136 10.3.4 ASMA EXACERBADA: MANEJO 136 10.4 DPOC 138 10.4.1 MANEJO DO DPOC 138 10.4.1.1 MANEJO GERAL DO DPOC 138 10.4.1.2 CORTICOIDE INALATÓRIO NA DPOC 139 10.4.1.3 OXIGENOTERAPIA DOMICILIAR NA DPOC 140 10.5 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR AGUDO 140 10.5.1 CRITÉRIOS DE WELLS 140 10.5.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DE TEP 141 10.5.2.1 TEP AGUDO COM ESTABILIDADE HEMODINÂMICA 141 10.5.2.2 TEP AGUDO COM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA 141 10.5.2.3 MANEJO DO TEP AGUDO 142 11.0 REUMATOLOGIA 143 11.1 AVALIAÇÃO DA ARTRALGIA 143 11.2 ARTRITES 144 11.2.1 ARTRITE SÉPTICA 144 11.2.2 ARTRITES POR CRISTAIS 145 11.2.3 ARTRITE GOTOSA AGUDA 145 11.2.5 ARTRITE REUMATOIDE 146 11.2.5.1 QUADRO CLÍNICO DA ARTRITE REUMATOIDE 146 11.2.6 OSTEOARTROSE 147 11.2.6.1 ESPONDILITE ANQUILOSANTE 147 11.2.7 ARTRITE PSORIÁSICA 148 11.2.8 ARTRITE REATIVA 148 11.2.9 ARTRITE ASSOCIADA À DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL 149 11.3 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO 149 11.3.1 INTERPRETAÇÃO DO FAN 149 11.3.2 NEFRITE LÚPICA 150 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 10 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.4 POLIMIOSITE E DERMATOMIOSITE 150 11.5 SÍNDROME DO ANTICORPO ANTIFOSFOLÍPIDE (SAF) 151 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 11 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED CAPÍTULO 1.0 CARDIOLOGIA 1.1 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA Dentro da clínica médica, a cardiologia é uma das áreas mais avaliadas nas provas de Residência; entre os temas que ela abrange, a hipertensão arterial sistêmica é frequentemente cobrada em provas como USP-SP, UNICAMP, USP-RP com enfoque no modo correto de diagnosticá-la e no reconhecimento da suspeita de hipertensão secundária e de suas principais causas. 1.1.1 DIAGNÓSTICO Atenção com o fluxograma diagnóstico da hipertensão; observe que o diagnóstico é confirmado com apenas uma visita, apenas se o paciente possuir risco cardiovascular alto ou valores de PA ≥ 180/110. Categoria PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg) Consultório ≥ 140 ≥ 90 MAPA Vigília Sono 24 horas ≥ 135 ≥ 120 ≥ 130 ≥ 85 ≥ 70 ≥ 80 MRPA ≥ 130 ≥ 80 PA medida ≥ 140/90 com risco cardiovascular baixo ou moderado PA medida < 140/90: Normotensão ou solicitar MAPA/MRPA na suspeita de hipertensão mascarada PA medida ≥ 140/90: Hipertensão ou MAPA/MRPA na suspeita de hipertensão do avental branco PA medida ≥ 140/90 com risco cardiovascular alto ou PA ≥ 180/110 Diagnóstico de Hipertensão VISITA 1 VISITA 1 VISITA 2 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 12 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: Para memorizar os valores diagnósticos em consultório, MAPA e MRPA, tendo por base o valor 140/90 para consultório, pense que: • na MAPA e na MRPA, seremos menos “tolerantes”, com valor normal 130/80, já que aferimos a PA no dia a dia do paciente e retiramos, assim, parte da ansiedade envolvida na aferição em consultório; • no sono, o valor normal é ainda mais baixo, 120/80, sendo o momento em que o paciente está ainda mais relaxado e esperamos, portanto, que tenha PA mais baixa; • em vigília, com os estressores do dia a dia, “toleramos” valor um pouco maior, 135/85. Um último conceito importante de ser mencionado é o de pressão arterial média (PAM), que corresponde à pressão média exercida pelo sangue na parede da aorta que ocorreria caso o débito cardíaco fosse não pulsátil. Em última análise, ela corresponde à pressão de perfusão dos órgãos periféricos. Pode ser calculada pela seguinte fórmula: PAM = (2 x PA diastólica + PA sistólica) / 3 A definição de PAM em si não costuma ser cobrada pelas provas, mas é necessário memorizá-la, pois pode ser necessária, por exemplo, ao estudar o tema sepse, para definir se o paciente se encontra em choque. Quando relacionamos a pressão arterial do paciente no consultório aos valores obtidos nos exames MAPA e MRPA, obtemos novos diagnósticos: hipertensão mascarada, ou seja, normal na consulta e “desmascarada” pelos exames; de avental branco, que ocorre apenas em consultório; e verdadeira, quando os exames confirmam os valores alterados da consulta. Normotensão/ hipertensão controlada Hipertensão do avental branco Hipertensão verdadeira Hipertensão mascarada MAPA/MRPA NORMAL PRESSÃO ARTERIAL NO CONSULTÓRIO < 140/90 PRESSÃO ARTERIAL NO CONSULTÓRIO ≥ 140/90 MAPA/MRPA ALTERADO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 13 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.1.2 CLASSIFICAÇÃO Podemos utilizar uma regra mnemônica parecida para decorar os valores da nova Diretriz. Partindo do 120/80, basta acrescentar 20 mmHg na PAS e 10 mmHg na PAD para ir saltando nas faixas de hipertensão: estágio 1, estágio 2 e estágio 3. Para as faixas abaixo da hipertensão, partindo do 120/80, iremos acrescentar a metade, ou seja, 10 mmHg na PA sistólica e 5 mmHg na PA diastólica. Os valores limítrofes entre as faixas SEMPRE pertencerão à faixa de cima. Sendo assim, o primeiro valor (120/80) pertence à faixa de cima, ou seja, PA normal. Abaixo disso, temos a PA ótima. Se somarmos 10 na sistólica e 5 na diastólica (130/85), chegaremos na pré-hipertensão. Somando 10 e 5, novamente, chegaremos na hipertensão estágio 1. Classificação PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg) Normal ≤ 120 ≤ 80 Pré-hipertensão 121-139 81-89 Hipertensão estágio 1 140-159 90-99 Hipertensão estágio 2 160-179 100-109 Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110 Feito o diagnóstico de hipertensão, será preciso classificar adequadamente o paciente de modo a tratá-lo corretamente e, possivelmente, indicar novas condutas. Lembre-se de que não basta classificar sua PA; deve-se analisar seu risco cardiovascular. Avaliar os níveis de PA Classificar em pré- hipertenso ou hipertenso estágio 1, 2 ou 3 PASSO 1 Avaliar se existe LOA, DCV, DCR ou DMPASSO 2 Avaliar os fatores de risco adicionais PASSO 3 Na vigência de qualquer uma, o paciente é classificado como sendo de alto risco cardio vascular Após estabelecer o número de fatores de risco, deve-se classificar o paciente segundo a tabela que será apresentada adiante. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 14 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: Para memorizar a tabela, note que todo paciente com HAS estágio 3 e/ou com LOA, DCV, DRC ou DM já é classificado como de risco alto; em seguida, note que, para cada estágio da HAS, a “tolerância” com fatores de risco é menor, assim: • se pré-hipertenso, até 2 fatores indicam risco baixo, e ≥ 3, moderado; • se HAS estágio 1, nenhum fator indica risco baixo, até 2 indicam moderado, e ≥ 3, alto; • se HAS estágio 2, nenhum fator indica risco moderado, e qualquer fator já indica risco alto. PAS 130-139 ou PAD 85-89 HAS Estágio 1 PAS 140-159 ou PAD 90-99 HAS Estágio 2 PAS 160-179 ou PAD 100-109 HAS estágio 3 PAS ≥ 180 ou PAD ≥ 110 Sem fator de risco Sem risco adicional Risco Baixo Risco Moderado Risco Alto 1-2 fatores de risco Risco Baixo Risco Moderado Risco Alto Risco Alto ≥ 3 fatores de risco Risco Moderado Risco Alto Risco Alto Risco Alto Presença de LOA, DCV, DRC ou DM Risco Alto Risco Alto Risco Alto Risco Alto 1.1.3 TRATAMENTO Observe que os valores de PA normais são maiores para paciente de maior fragilidade — idosos e idosos frágeis. Esse conceito é cobrado nas provas em questões que avaliam se o candidato sabe quando não indicar um tratamento. ! PARA FACILITAR: Memorize as duas situações em que não iniciamos tratamento para HAS ao diagnóstico — paciente pré- hipertenso de alto risco cardiovascular ou com HAS estágio 1 e risco baixo; essas são também as únicas situações em que indicaremos monoterapia, caso o paciente não melhore passados 3 meses de tratamento não medicamentoso; para os demais pacientes, sempre iniciamos com terapia dupla. No fluxograma de tratamento, enfoque as classes de drogas inicialmente utilizadas e aquelas reservadas para os pacientes que não responderem ao tratamento. Risco cardiovascular baixo ou moderado Risco cardiovascular alto Idosos hígidos Idosos frágeis PA sistólica (mmHg) < 140 120-129 130-139 140-149 PA diastólica (mmHg) < 90 70-79 70-79 70-79 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 15 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 16 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.1.4 EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS HIPERTENSIVAS: Este assunto recebe especial atenção na prova da USP-SP; atenção para o passo inicial de diferenciar crise e pseudocrise! Em seguida, analise se o paciente possui lesões de órgão-alvo para concluir se se trata de urgência ou de emergência. Sala de atendimento + avaliação clínica SALA DE TRIAGEM: Aumento de PA + sintomas Relação causal entre aumento de PA e sintomas Pseudocrise hipertensivaLesão de órgão-alvo? Sala de observação: sintomáticos. Controle e alta Emergência hipertensivaUrgência hipertensiva - Unidade de emergência - Investigação etiológica - Tratamento anti- hipertensivo EV Admissão hospitalar e/ou UTI - Sala de observação - Investigação etiológica - Controle pressórico não imediato (via oral) - Alta hospitalar com reavaliação pressórica precoce - Seguimento ambulatorial SIM SIM NÃO NÃO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 17 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Observe a tabela com as principais etiologias de emergência hipertensiva encontradas na prática clínica. Emergências hipertensivas Anamnese Exame físico Encefalopatia hipertensiva Letargia, cefaleia, confusão, distúrbios visuais e convulsões. Todas de início agudo ou súbito. Pode não ter qualquer achado. Fundo de olho: papiledema. AVE Súbita alteração neurológica. Alteração no exame neurológico. Dissecção de aorta Dor precordial lancinante com irradiação para as costas. Pulsos assimétricos, diferença de PA entre os MMSS*, sopro diastólico em foco aórtico. Síndrome coronariana aguda Dor ou opressão precordial acompanhada de náuseas, dispneia e sudorese fria. Pode ser normal. Edema agudo de pulmões Paciente agitado e com dispneia. Geralmente há algum grau de disfunção ventricular. Crepitação pulmonar, baixa saturação de O₂, B3 e/ou B4. HAS acelerada-maligna Astenia, mal-estar, emagrecimento, oligúria, sintomas cardiovasculares e/ou neurológicos. Fundo de olho: papiledema. Eclâmpsia Gestante após a 20ª semana ou até a 6ª semana após o parto. Edema, cefaleia, epigastralgia, convulsões. Intoxicação por cocaína Paciente com ansiedade, com histórico de uso de drogas. Sintomas adrenérgicos: sudorese, palpitação, taquicardia, taquipneia, hipertermia, midríase. 1.2 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA 1.2.1 CLASSIFICAÇÃO A insuficiência cardíaca pode ser classificada de 3 formas principais: segundo a intensidade dos sintomas; segundo a fração de ejeção observada no ecocardiograma; e de acordo com estágio de evolução fisiopatológico da doença. Os 3 tipos de classificação são frequentes nas provas de Residência! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 18 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Classificação de IC baseada em sintomas – New York Heart Association (NYHA) NYHA I Sem sintomas aos esforços. Tolera bem as atividades cotidianas. NYHA II Cansaço ou dispneia aos esforços cotidianos. NYHA III Cansaço ou dispneia aos pequenos esforços. NYHA IV Não consegue fazer nenhuma atividade sem cansaço ou dispneia. Sintomas podem surgir em repouso. Ecocardiograma Análise da FE FE > 50% FE entre 40 e 49% FE < 40% ICFER INSUFICIÊNCIA CARDÍACA ICFEI ICFEN Classificação de IC baseada no estágio da doença ESTÁGIO A RISCO Alto risco de IC, porém sem dano cardíaco estrutural definido ou sem sintomas de IC. (Exemplo: paciente com hipertensão arterial, diabetes, uso de drogas cardiotóxicas, história familiar). ESTÁGIO B DANO Doença estrutural cardíaca, porém sem sintomas de IC. (Exemplo: infarto agudo do miocárdio, valvopatia, hipertrofia ventricular). ESTÁGIO C SINTOMAS Doença estrutural cardíaca com sintomas de IC. (Exemplo: disfunção sistólica e/ou diastólica gerando congestão pulmonar/sistêmica responsável pelos sintomas). ESTÁGIO D FALÊNCIA IC refratária com necessidade de intervenções especializadas. (Exemplo: estágio avançado de disfunção ventricular que demanda uso de drogas vasoativas ou dispositivos mecânicos de suporte circulatório ou estimulação ventricular). Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 19 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED CRITÉRIOS DE FRAMINGHAM PARA DIAGNÓSTICO DE IC Critérios maiores Critérios menores Dispneia paroxística noturna Edema bilateral de tornozelos Turgência jugular Tosse noturna Crepitações pulmonares Dispneia aos esforços Cardiomegalia à radiografia de tórax Hepatomegalia Edema agudo de pulmão Derrame pleural Terceira bulha (B3) Diminuição da capacidade funcional em 1/3 da máxima registrada previamente Aumento da PVC (>16cmH2O) Taquicardia (FC > 120bpm) Perda de peso >4,5Kg em 5 dias em resposta ao tratamento Para o diagnóstico de IC, devemos ter dois critérios maiores SIMULTÂNEOS ou um critério maior e dois menores. Uma maneira bem simples de memorizar esses critérios é: os critérios maiores são específicos (são menos frequentes, mas, se estiverem presentes, aumentam a chance de IC) e os menores são sensíveis (são muito frequentes, mas estão presentes em várias outras condições). 1.2.2 TRATAMENTO O tratamento da IC é complexo e envolve diversos fatores, porém memorizar alguns conceitos iniciais poderá facilitar bastante a resolução de suas provas. ! PARA FACILITAR: observe que todo paciente recebe terapia tripla redutora de mortalidade com betabloqueador,iECA ou BRA, e antagonista de mineralocorticoide e pode receber diuréticos para manejo de sintomas; • se continuar sintomático, consideraremos drogas adicionais — atenção especial com: inibidores de SGLT2 em pacientes diabéticos ou com DRC, muito cobrados nas provas; hidralazina e nitrato principalmente em afrodescendentes; ivabradina para pacientes com FC > 70 bpm mesmo em betabloqueio; e digoxina para pacientes com fibrilação atrial; • pacientes com IC avançada podem ser tratados com dispositivos: • caso possuam QRS largo (BRE) que necessite de “ressincronização”, recebem TRC; • caso apresentem história de síncope e taquicardia ventricular, recebem CDI. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 20 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Contraindicações ao uso de IECA/BRA: Potássio sérico > 5,5 mEq/L. Estenose de artéria renal bilateral ou estenose de artéria renal em rim único. História de angioedema documentado com uso prévio de IECA (contraindicação a IECA). Hipotensão sintomática. Considerar não usar em pacientes com Cr>3 mg/dL. Gestação. Paciente continua sintomático ? Antagonistas de mineralocorticoide Drogas que alteram mortalidade na ICFER IECA ou BRA Betabloqueadores Sacubitril - valsartana Dapagliflozina/ empagliflozina Hidralazina e nitrato Ivabradina Diuréticos para controle de sintomas apenas Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 21 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Refratarie dade ao tto clínico BRE Largo Ritmo Sinusal EV Refratarie dade ao tto clínico BRE Largo Ritmo Sinusal FEVE ≤ 35% TRC Refratarie dade ao tto clínico BRE Largo Ritmo Sinusal EV Morte súbita abortada em TV/FV Síncope por TV/FV IC FEVE ≤35% e síntomas IC + TV CDI Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 22 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 23 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED A tabela abaixo resume os principais efeitos adversos associados às drogas utilizadas no tratamento da IC. Classe de Drogas Indicação Principais efeitos adversos IECA ICFER mesmo que assintomática para redução de mortalidade. Hipercalemia, piora de função renal, angioedema, tosse e hipotensão. BRA Para os pacientes que não toleram IECA para redução de mortalidade. Hipercalemia, piora de função renal e hipotensão. Betabloqueadores ICFER, mesmo que assintomática, para redução de mortalidade. BAVs, broncoespasmo, piora da doença arterial periférica, hipotensão, bradicardia, disfunção erétil. Espironolactona ICFER sintomática para redução de mortalidade. Ginecomastia, hipercalemia, piora de função renal e hipotensão. Sacubitril-valsartana ICFER sintomática, refratária à terapia tripla. Hipercalemia, piora de função renal, angioedema, tosse e hipotensão. Ivabradina ICFER sintomática, apesar do uso de terapia tripla otimizada, sinusal e com FC≥70bpm. ICFER com ritmo sinusal em pacientes que não tolerem BB. Bradicardia. Inibidores da SGLT2 (dapagliflozina/ empagliflozina) ICFER sintomática, apesar do uso de terapia tripla em diabéticos ou não diabéticos. Infecções geniturinárias, cetoacidose euglicêmica e hipovolemia. Nitrato + hidralazina ICFER sintomática, apesar do uso de terapia tripla, principalmente em afrodescendentes. Em substituição ao IECA/BRA em pacientes intolerantes. Hipotensão, cefaleia (nitrato), lúpus medicamentoso (hidralazina). Digoxina ICFER sintomática, apesar do uso de terapia tripla otimizada. Pacientes com ICFER e fibrilação atrial. Intoxicação digitálica (sintomas gastrointestinais, prostração, xantopsia -visão amarelada, BAV, extrassístoles). Furosemida Para controle de sintomas de congestão. Desidratação, hipotensão, hipocalemia, hipomagnesemia e ototoxicidade. Tiazídicos Para controle de sintomas de congestão e hipertensão. Hipotensão, hiperuricemia (crise de gota) hiperglicemia e hiponatremia. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 24 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.2.3 IC DESCOMPENSADA O primeiro passo no manejo dos casos de IC descompensada consiste na classificação do perfil hemodinâmico do paciente, que analisa sinais de congestão e de hipoperfusão. A classificação é essencial justamente para guiar o tratamento do paciente. ! PARA FACILITAR: grave que o paciente bem perfundido e congesto deverá ser “secado” com diuréticos e receberá vasodilatadores para melhorar sua dispneia e a pré-carga do coração; • o paciente frio-úmido ainda não pode ser “secado” porque precisa de medidas para melhora da perfusão — inotrópicos se tiver uma PA > 90, e vasopressores se hipotenso; • já o paciente frio-seco precisa receber reposição volêmica de modo a corrigir sua volemia antes de receber tratamento com inotrópicos. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 25 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.3 VALVOPATIAS Questões sobre valvopatias costumam abordar diretamente os achados semiológicos envolvidos em cada uma delas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 26 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Valvopatia Exame físico Sintomas Estenose aórtica Sopro mesossistólico, ejetivo, em diamante. Hipofonese de B2. Pulso parvus et tardus. Angina, síncope e dispneia. Insuficiência aórtica Sopro holodiastólico, regurgitativo. Pulso em martelo d’água ou de Corrigan. Pressão de pulso aumentada, ictus desviado. Dispneia. Estenose mitral Sopro diastólico com reforço pré-sistólico em ruflar, B1 e B2 hiperfonéticas, estalido de abertura. Dispneia, hemoptise, rouquidão e disfagia. Insuficiência mitral (IM) Sopro holossistólico, regurgitativo. B1 hipofonético. Dispneia. Prolapso valvar mitral (PVM) Sopro mesotelessistólico, clique mesossistólico. Os mesmos da IM. Sintomas gerais: taquicardia, desconforto, palpitações – sd. do PVM. Estenose tricúspide Sopro igual ao da estenose mitral, porém que aumenta com inspiração profunda. Sinal de Kussmaul. Sinais e sintomas de IC direita. Insuficiência tricúspide Sopro igual ao da insuficiência mitral, porém que aumenta com inspiração profunda. Onda V gigante no pulso venoso jugular. Sinais e sintomas de IC direita. 1.4 ACLS Este tópico requer atenção redobrada para o aluno com foco nas provas da USP-SP e USP-RP; de início, revise os principais ritmos observados no ECG nas emergências cardiológicas. Taquicardia ventricular: taquicardia regular, QRS alargado e com frequência muito elevada. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 27 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Fibrilação ventricular: ondulações muito rápidas e desorganizadas. Figura 22. AESP pode ser qualquer ritmo organizado ou semiorganizado que não produza pulso palpável (Fonte: Shutterstock). Figura 19. Ritmos chocáveis na PCR (Fonte: Shutterstock). Figura 24. Linha reta na monitorização (Fonte: Shutterstock). 1.4.1 MANEJO DA PCR O algoritmo da PCR é assunto frequente de questões nas provas de Residência. Atenção com alguns conceitos iniciais: • analisar se o ritmo analisado é chocável ou não; • a epinefrina é administrada no primeiro ciclo se ritmo não chocável, e no segundo, caso chocável; • a amiodarona é indicada apenas nos ritmos chocáveis, de modo alternado à epinefrina; • os 5Hs e 5Ts devem sempre ser analisados nos casos de PCR, sobretudo por ritmo não chocável! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 28 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.4.2 TORSADES DES POINTES O ritmo torsades des pointes recebe tratamento diferente da PCR. Note que o paciente, se estável, receberá magnésio! E caso instável, será tratado com desfibrilação, diferentemente do que ocorre com taquicardias ventriculares com pulso e estáveis,como relembraremos a seguir. Os choques serão aplicados: - Em modo assincrônico (desfibrilação) - Com carga máxima: 200 j (bifásico), 360 j (monofásico) - RCP 2 minutos - Epinefrina 1mg a cada 3-5 min - Verificar causas reversíveis 5h 5t SIMSIM SIM SIM NÃONÃO NÃO NÃO CHOQUE! CHOQUE! CHOQUE!RCP 2 minutos PCR Chame ajuda e inicie a RCP Ritmo chocável? FV/TV Ritmo chocável? FV/TV Ritmo chocável? FV/TV Considerar VA avançada Ritmo chocável? FV/TV - RCP 2 Minutos - Epinefrina a cada 3-5 min - RCP 2 Minutos - Amiodarona 300mg - Repetir 150mg em 3-5 min 5Hs 5Ts Hipovolemia Hipóxia Hipo ou hipercalemia Hipotermia Hidrogênio (Acidose) -H+ Tamponamento cardíaco Tensão no tórax (pneumotórax) Tromboembolismo pulmonar Tóxicos Trombo na coronária (Infarto) Figura 31. Taquicardia ventricular polimórfica do tipo Torsades des Pointes (TdP). (fonte: Shutterstock). Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 29 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.4.3 BRADIARRITMIAS Começando o tema das bradiarritmias, é essencial saber reconhecer os diferentes tipos de bloqueio atrioventricular. • BAV de 1º grau: ocorre um atraso maior e fixo na condução atrioventricular, porém todo estímulo atrial atinge os ventrículos. Dessa forma, será caracterizada por aumento do intervalo PR (>200ms ou 5 quadradinhos); Autolimitada e recorrente TV polimórfica (FC > 200bpm) Mudança cíclica do QRS Associada à QT longo Fatores predisponentes Distúrbios eletrolíticos Drogas que prolongam o QT Sulfato de Magnésio 50% 1-2g em 5-20min MP transvenenoso Em caso de bradicardia Correção dos fatores predisponentes Tratamento: Instável hemodinamicamente Desfibrilação 200J Tratamento: Estável hemodinamicamente TORSADES DE POINTES Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 30 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED BAV de 1º grau: aumento do intervalo PR (>200ms ou 5 quadradinhos). Todas as ondas P geram QRS. • BAV de 2º grau Mobitz II: a falha de condução é inesperada. Está associado ao distúrbio de condução no feixe de His e, com isso, denota pior prognóstico (bloqueio mais distal). Existe também o BAV avançado, em que a condução atrioventricular está bloqueada de maneira fixa (2:1, por exemplo); BAV de 2º grau Mobitz II: há uma falha de condução inesperada. O intervalo PR é fixo. • BAV de 2° grau: nesse caso, já ocorrem falhas de condução do átrio para o ventrículo. É subdividido em 2 tipos: • BAV de 2° grau Mobitz I (Wenckebach): ocorre aumento progressivo do intervalo PR até ocorrer falha de estimulação ventricular (uma onda P não gera um QRS). Nesse caso, o ritmo é irregular e o intervalo entre duas ondas R vai reduzindo progressivamente até a pausa. Essa redução do intervalo RR ocorre porque o QRS atrasado irá “invadir” o próximo ciclo cardíaco, reduzindo o tempo de diástole e, por fim, o enchimento ventricular. Com isso, à ausculta, observaremos redução progressiva da intensidade de B1 até ocorrer a “falha”. BAV de 2º grau Mobitz I: há aumento progressivo do intervalo PR até surgir uma falha na condução atrioventricular. O intervalo RR vai reduzindo progressivamente. • BAV de 3º grau ou BAV total (BAVT): não existe qualquer relação da atividade atrial com a ventricular. Nenhum estímulo atrial chega ao ventrículo! Com isso, o ventrículo assume despolarização própria. Essa despolarização pode ser por escape juncional (QRS estreito) ou idioventricular (QRS largo). Quanto mais largo o QRS, mais distante da junção atrioventricular e pior o prognóstico. O QRS largo não responde à estimulação autonômica. Então, se o paciente fizer alguma atividade física, o sistema Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 31 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED autonômico será incapaz de promover aumento da frequência cardíaca necessária e o paciente pode apresentar quadro de síncope. BAV de 3º grau: a onda P não tem qualquer relação com o QRS. Observe que a atividade atrial é mais rápida que a atividade ventricular e ambas são regulares. IDENTIFIQUE E TRATE A CAUSA BASE Monitoração contínua Oxigênio suplementar (se hipoxemia) Veia (acesso venoso calibroso) ECG INSTABILIDADE PERSISTENTE? Diminuição da pressão Diminuição do nível de consciência Dor torácica Dispneia (insufiência cardíaca) Marcapasso ou transcutâneo ou Infusão de dopamina (2-20mcg/Kg/min) ou Infusão de adrenalina (2-10mcg/min) NÃO SIM SE INEFICAZ ATROPINA IV 0,5mg IV a cada 3-5min Dose m´xima: 3mg Marcapasso transvenoso Monitoração e observação BRADIARRITMIA INSTÁVEL 1.4.4 MANEJO O manejo das bradiarritmias, assim como da PCR e das taquicardias, precisa estar na ponta da língua na hora da prova. Observe que, nas bradiarritmias, começaremos buscando a causa base do quadro; em seguida, analisaremos se o paciente possui instabilidade — os “4 Ds” (diminuição de pressão, diminuição de nível de consciência, dor torácica e dispneia); em seguida, tentaremos o tratamento com atropina até 3 vezes e, se ineficaz, indicaremos marca- passo e/ou vasopressores. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 32 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.4.5 TAQUICARDIAS À primeira vista, pode parecer complexo reconhecer o tipo de taquicardia, porém analisar alguns aspectos chaves da arritmia levará você ao diagnóstico correto dela. Grave que os fatores essenciais para classificá-las são a largura do QRS e a regularidade da arritmia. TAQUICARDIA Irregular Fibrilação atrial Flutter atrial com BAV variável TAM Ausência de onda P TRN Regular QRS estreito (<120ms) Flutter atrial TA Intervalo RP curto (RP>PR) Intervalo RP longo (RP>PR) RP < 70ms TRN TRN, TAV, TA TRN incomum, TAV lenta, TA RP > 70ms Presença de onda P Frequência atrial > Frequência ventricular Frequência atrial = Frequência ventricular TAV antidrômica FA + WPW Torsades de pointes TV TSV com aberrância Presença de onda delta Mudança cíclica do QRS Presença de onda delta Critérios de Brugada Irregular Regular QRS largo (≥120ms) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 33 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Tenha atenção especial com as arritmias demonstradas na imagem abaixo, que são as mais frequentemente abordadas pelas provas. 1.4.6 MANEJO DAS TAQUIARRITMIAS ! PARA FACILITAR: Os dois pontos essenciais para saber manejar as taquicardias são reconhecer se se trata de taquicardia regular com QRS estreito ou regular de QRS largo, e se o paciente se encontra com estabilidade hemodinâmica — memorize os “5 Ds” da instabilidade: dor torácica, dispneia, diminuição de pressão e diminuição de nível de consciência. Ambos os tipos de taquicardia receberão cardioversão sincronizada se instáveis; caso estáveis, o manejo é diferente: Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 34 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED • se QRS estreito e regular, a sequência é manobra vagal — adenosina — betabloqueador; • se QRS largo e regular, lembre-se da amiodarona! Obs.: como demonstra o fluxograma, podemos tentar adenosina nesses casos antes de partir para a amiodarona, porém esse conceito não costuma ser abordado em provas! Guarde que só podemos fazer isso por se tratar de ritmo regular — se irregular, essa conduta é contraindicada! 1.4.7 CARDIOVERSÃO — CARGA INDICADA ! PARA FACILITAR: É essencial saber as cargas utilizadas na cardioversão e na desfibrilação, já cobradas diretamente em questões de diversas provas de Residência; guarde que a desfibrilação é aplicada em situações mais graves e, assim, que requerem dose maior, de 200 J; a cardioversão sincronizada, assim, fica com cerca de metade da dose da desfibrilação, começando com 100 J. As pequenas diferenças de carga inicial da cardioversão se QRS estreito regular ou irregular não costumam ser abordadas nas provas! Taquiarritmia Carga no desfibriladorbifásico Cardioversão ou desfibrilação? QRS estreito e regular 50 – 100J Cardioversão sincronizada QRS estreito e irregular 120-200J Cardioversão sincronizada QRS largo e regular 100J Cardioversão sincronizada QRS largo e irregular 200J Desfibrilação Estável hemodinamicamente? Manobra vagal Cardioversão elétrica 50 - 100J Adenosina IV Verapamil ou Diltiazem IV Betabloqueador IV SIM Se ineficaz Se ineficaz Se ineficaz Se ineficaz NÃO TAQUICARDIA REGULAR QRS ESTREITO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 35 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.5 FIBRILAÇÃO ATRIAL Terminado o manejo agudo das taquiarritmias, partiremos para aquelas cujo cuidado ambulatorial é cobrado nas provas! Entre elas, de longe, a fibrilação atrial requer a maior atenção, sendo a favorita nos exames de Residência. 1.5.1 MANEJO AMBULATORIAL DA FIBRILAÇÃO ATRIAL Os principais conceitos cobrados pelas provas consistem na indicação de anticoagulação sistêmica para os pacientes com fibrilação atrial. Aqui, entram dois importantes escores: CHA2DS2VASc, que aborda a indicação de anticoagulação; e HAS-BLED, que indica o risco de sangramento. ! PARA FACILITAR: As provas não costumam cobrar a memorização dos escores em si, porém note que ambos incluem, essencialmente, comorbidades e diversos fatores de risco cardiovascular: hipertensão, diabetes, vasculopatia prévia… Assim, na prova, geralmente o avaliador descreverá caso clínico de paciente com diversas comorbidades caso o intuito seja indicar anticoagulação; e, diferentemente, paciente jovem, praticamente sem problemas de saúde caso o intuito seja não indicar a anticoagulação sistêmica. CHA2DS2VASc C: Insuficiência Cardíaca. 1 ponto H: Hipertensão. 1 ponto A: Age - Idade ≥ 75 anos. 2 pontos D: Diabetes mellitus. 1 ponto S: Stroke – AVE ou AIT. 2 pontos V: Vasculopatia – IAM prévio, doença arterial periférica e placas na aorta. 1 ponto A: Age - Idade entre 65-74 anos. 1 ponto Sc: Sex category - Sexo feminino. 1 ponto A tomada de conduta, baseada nesse escore, quanto à anticoagulação crônica, seguirá o direcionamento apontado na tabela abaixo. Essa decisão independe da estratégia de reverter ou não a arritmia. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 36 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Valor do escore CHA2DS2VASc: Decisão: Escore: 0 Não anticoagular. Escore: 1 ponto Considerar individualmente a possibilidade de anticoagular. Escore ≥ 2 pontos Anticoagular. HASBLED H: Hipertensão descontrolada (PAS ≥ 160 mmHg). 1 ponto A: Alteração hepática ou renal. 1 ponto cada S: Stroke – AVE. 1 ponto B: Bleeding – sangramento prévio ou predisposição a sangramento. 1 ponto L: Labilidade do RNI. 1 ponto E: Elderly – Idade ≥ 65 anos. 1 ponto D: Drogas que interfiram na varfarina ou uso de álcool. 1 ponto cada Insuficiência renal: transplante renal, doença renal crônica dialítica, Cr > 2,3 mg/dl; Insuficiência hepática: cirrose hepática, elevação de bilirrubina acima de 2x, elevação de TGO ou TGP acima de 3x; Labilidade do RNI: valor instável, alto ou com pouco tempo de nível terapêutico (< 60% do tempo); Drogas que interferem na Varfarina: AINES e antiplaquetários. 1.5.2 MANEJO DA INTOXICAÇÃO CUMARÍNICA Diversos pacientes com fibrilação atrial receberão os NOACs (novos anticoagulantes orais), porém muitos receberão tratamento com cumarínicos (ex.: varfarina), seja por possuírem indicações particulares ou pela disponibilidade dos primeiros. Esses pacientes estão sob risco de intoxicação cumarínica, manifestada pelo alargamento do valor do RNI e por sangramentos, e as provas frequentemente abordam a conduta nesses casos. ! PARA FACILITAR: Memorize os seguintes pontos-chave: os pacientes com sangramento grave requerem tratamento imediato, preferencialmente com complexo protrombínico; se sangramento leve, podemos administrar vitamina K endovenosa; se sem sangramento, guarde os valores de RNI > 4,5 para suspender varfarina e considerar vitamina K via oral, com mais forte indicação de vitamina K via oral se maior que RNI > 10. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 37 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Intoxicação cumarínica Sangramento grave? Descontinuar a varfarina e considerar vitamina K oral ou venosa em doses baixas (<2,5mg); reiniciar varfarina com dose menor. Suspender a varfarina e reiniciar após controle em dose menor; considerar dar vitamina K oral ou venosa em dose baixa (<2,5 mg) se houver alto risco de sangramento e baixo risco de fenômenos tromboembólicos. Suspender varfarina e dar vitamina k 5-10 mg oral ou venosa; reiniciar verfarina quando RNI terapêutico. sim sim não não Valor RNI >104,5 - 103 - 4,5 Diminuir dose da varfarina ou ou omitir 1 dose. risco de morte nãosim Suspender o uso de varfarina, administrar vitamina K 10mg EV; caso seja um sangramento com complicação considerada uma emergência, fazer transfusão de complexo protombínico, se não houver à disposição, plasma fresco. Suspender o uso de varfarina, administrar vitamina K 5-10mg venosa; considerar administrar complexo protrombínico, se não houver à disposição, plasma fresco Presença de sangramento 1.5.3 MANEJO DA FIBRILAÇÃO ATRIAL OU FLUTTER ATRIAL NA EMERGÊNCIA Assunto querido da banca da USP-SP. Nas questões, se o paciente estiver instável, será abordado segundo o fluxograma do ACLS. Se estável, será preciso recordar as indicações de possível cardioversão. ! PARA FACILITAR: Grave as 3 indicações de possibilidade de cardioversão: início de sintomas < 48h; ecocardiograma transesofágico sem trombose; paciente anticoagulado há pelo menos 3 semanas. Caso o paciente não possa receber cardioversão, grave que deverá receber anticoagulação e, possivelmente, nova avaliação com ecocardiografia em 3 semanas, de modo a avaliar novamente a possibilidade de cardioversão. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 38 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Paciente instável: • Diminuição da pressão: PA< 90/60 • Dor torácica típica • Diminuição da consciência • Dispneia Paciente estável SIM NÃO Cardioversão elétrica imediata e anticoagulação Início dos sintomas marcadamente < 48h ou Ecocardiograma transesofágico sem evidências de trombos ou Paciente anticoagulado há pelo menos 3 semanasFibrilação/Flutter atrial com FC > 100 BPM na emergência DEVO CARDIOVERTER! Realizar cardioversão química e/ou elétrica e anticoagular ou Controlar a frequência cardíaca e anticoagular POSSO CARDIOVERTER! Controlar a frequência cardíaca e anticoagular NÃO POSSO CARDIOVERTER! 1.6 DOR TORÁCICA Dentro da cardiologia, o tema dor torácica é abordado sobretudo no contexto da dor aguda e das síndromes coronarianas. Porém, alguns conceitos sobre a investigação ambulatorial da doença arterial coronariana podem aparecer em sua prova. Entre eles, destacam-se a indicação dos exames corretos nos casos de coronariopatia já definida. ! PARA FACILITAR: Grave os seguintes conceitos: • o cateterismo imediato é indicado para pacientes graves (angina CCS III ou IV, sobreviventes de morte súbita), com teste funcional indicativo de alto risco; • os pacientes com probabilidade considerável de coronariopatia, porém sem as indicações acima, serão avaliados com testes funcionais → teste ergométrico, ecoestresse, ou cintilografia miocárdica — recorde-se de que o teste ergométrico não pode ser realizado se o paciente possui bloqueios que impeçam a adequada interpretação do exame; • os pacientes com história duvidosa para coronariopatia são avaliados com angio-TC de coronárias — não confunda esse exame com a TC para avaliação de escore de cálcio, utilizada para classificação de risco cardiovascular! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 39 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED O escore de Diamond-Forresterauxilia na avaliação da probabilidade de coronariopatia em pacientes com dor torácica crônica. As bancas não costumam avaliar os valores-corte de probabilidade; vale a pena fixar o nome do teste e sua utilidade principal, lembrando que valores de probabilidade intermediária a alta são indicativos de necessidade de teste não invasivo ou de cateterismo para diagnóstico de coronariopatia. DOR TORÁCICA CRÔNICA Angina CCS III ou IV; sobrevivente de morte súbita Diagnóstico duvidoso Angio-TC de coronárias Teste não é de alto risco Otimizar tratamento clínico Melhora dos sintomas Manter tratamento clínico Sintomas refratários Cateterismo Teste de alto risco NÃO: teste funcional SIM: cateterismo direto PROBABILIDADE DE CORONARIOPATIA PELO ESCORE DE DIAMOND-PORRESTER Avaliar diagnósticos alternativos Considerar TNI* TNI* TNI* para avaliação prognóstica e / ou cateterismo < 10% = BAIXA PROBABILIDADE DE 10 A 90% = PROBABILIDADE INTERMEDIÁRIA > 90% = ALTA PROBABILIDADE Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 40 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED DIAMOND-FORRESTER Diag. alternativos Considerar TNI* TNI* TNI* para avaliação prognóstica e / ou cateterismo DOR NÃO ANGINOSA: H / M < 50 ANOS O RESTANTE ANGINA TÍPICA: H > 50 ANOS M > 60 ANOS 1.6.1 MANEJO DA DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA Neste tópico, lembre-se de gravar as indicações de tratamento com angioplastia ou cirurgia. ! PARA FACILITAR: Lembre-se de 3 indicações para cirurgia: lesão de tronco de coronária esquerda; multiarterial; e lesão biarterial envolvendo a artéria descendente anterior. Nos demais casos, em geral, a indicação é de angioplastia. Lesão uniarterial Geralmente angioplastia. Exceções: 1. Lesão de TCE (tronco de coronária esquerda) 2. Lesão de DA proximal (individualizar) 3. Paciente passará por outros procedimentos cirúrgicos (ex: troca valvar) Lesão de TCE ou multiarterial Cirurgia é a escolha na maioria dos casos 1.6.2 SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS Tema muito frequente nas questões de cardiologia. Aqui, dedique sua atenção para decorar a relação entre as artérias coronárias, a parede muscular do coração e a derivação ventricular correspondente a ela no coração. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 41 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Artéria coronária Ramos Irrigação Tronco da coronária esquerda (TCE) - Artéria descendente anterior (DA) - Artéria circunflexa (Cx) - Ramo intermédio (33% dos casos) - Ventrículo esquerdo Artéria descendente anterior - Diagonais - Septais - Parede anterior do VE - Músculo papilar anterolateral Artéria circunflexa - Marginais - Nó sinusal (40%) - Parede lateral e posterolateral do VE - Músculo papilar anterolateral Artéria coronária direita - Artéria do cone - Marginal agudo - Nó sinusal (60%) - Nó atrioventricular (90%) - Descendente posterior - Ventricular posterior - Ventrículo direito - Parede inferior do VE - Músculo papilar posteromedial Tabela 5. Análise topográfica no eletrocardiograma. Parede anterior V1, V2 e V3 – anterosseptal V1 a V4 – anterior V3 e V4 ou V3, V4 e V5 – anterior localizada V4 a V6, DI e avL – anterolateral V1 a V6, DI e avL – anterior extenso Parede lateral V5 e V6 – lateral baixa DI e avL – lateral alta Parede inferior DII, DIII e avF Parede dorsal* V7, V8 e V9 Parede livre do ventrículo direito V3R, V4R (derivações direitas) *O termo “dorsal” indica acometimento lateral com estudos de ressonância nuclear magnética cardíaca. Mantivemos o termo já que, classicamente, é usado nas provas e em livros de eletrocardiografia. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 42 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.6.3 DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME CORONARIANA AGUDA Neste tópico, o escore HEART ajuda a definir os pacientes com quadro de dor torácica mais compatível com etiologia coronariana; o escore em si não costuma ser cobrado nas provas de Residência, porém recordar alguns de seus componentes pode ajudá-lo a reconhecer casos clínicos típicos de síndromes coronarianas agudas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 43 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED HEART SCORE História - Altamente suspeita - Moderadamente suspeita - Pouco suspeita - 2 pontos - 1 ponto -0 ponto ECG - Depressão significativa do segmento ST - Distúrbios de repolarização inespecíficos - Normal - 2 pontos - 1 ponto - 0 ponto Anos (idade) ≥ 65 anos ≥ 45 anos e < 65 anos < 45 anos 2 pontos 1 ponto 0 ponto Risco (fatores*) ≥ 3 ou história de doença aterosclerótica 1 ou 2 nenhum 2 pontos 1 ponto 0 ponto Troponina ≥ 3x o limite da normalidade 1 a 3x o limite da normalidade abaixo do limite da normalidade 2 pontos 1 ponto 0 ponto *Fatores de risco: hipercolesterolemia, hipertensão, obesidade, tabagismo, história familiar de DAC precoce Escore 0-3: Chance de eventos = 2,5% → alta hospitalar Escore 4-6: Chance de eventos = 20,3% → Internar para observação clínica Escore 7-10: Chance de eventos = 72,7% → Cateterismo precoce Observe que o diagnóstico da síndrome coronariana aguda envolve: história + exame físico + ECG < 10 min + troponina +/- avaliação do HEART escore — atenção especial para as condutas indicadas em caso de diagnóstico duvidoso, que podem ter indicação de internação para realização de estratificação não invasiva. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 44 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED PACIENTE COM DOR TORÁCICA AGUDA: SUSPEITA DE SCA ECG normal + Troponina US < corte HISTÓRIA + EXAME FÍSICO + ECG < 10 MIN / TROPONINA / HEART score ECG anormal + Troponina US > corte NOVA DOSAGEM DE TROPONINA US EM 1h Sem variação da Troponina US Diagnóstico duvidoso ou HEART > 3Sem dor e HEART ≤ 3 Reavaliação ambulatorial Estratificação não-invasiva Elevação da Troponina US Internação hospitalar SCA de muito alto risco Abordagem invasiva imediata 1.6.4 CLASSIFICAÇÃO DE KILLIP-KIMBALL NAS SCA A classificação de Killip-Kimball é utilizada para categorizar os pacientes com SCA de acordo com a gravidade de seu quadro clínico. Classificação de Killip-Kimball Classe I: ausência de sinais de insuficiência cardíaca Classe II: presença de estertores crepitantes em 50% ou menos, nos pulmões, com galope de 3ª bulha (B3) Classe III: edema agudo de pulmão Classe IV: choque cardiogênico ou hipotensão (pressão arterial sistólica) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 45 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.6.5 DIAGNÓSTICO DO IAM COM SUPRA DE ST As síndromes coronarianas agudas dividem-se entre angina instável; IAM sem supra de ST; e IAM com supra de ST, o que traz implicações para o manejo dos pacientes. Observe a diferença na definição de “supradesnivelamento do segmento ST” de acordo com a idade e sexo do paciente. Critérios para caracterizar o supradesnivelamento do segmento ST Se homem ≥ 40 anos: supra de ST ≥ 2 mm em V2 e V3 ou ≥ 1 mm nas demais derivações. Se homem < 40 anos: supra de ST ≥ 2,5 mm em V2 e V3 ou ≥ 1 mm nas demais derivações. Se mulher: supra de ST ≥ 1,5 mm em V2 e V3 ou ≥ 1 mm nas demais derivações. 1.6.6 MANEJO GERAL DAS SÍNDROMES CORONARIANAS AGUDAS 1.6.6.1 MANEJO FARMACOLÓGICO Neste tópico, vale dedicar atenção a alguns detalhes sobre os antiagregantes e anticoagulantes escolhidos em diversas situações, que têm sido cobrados nas provas de Residência Médica. SCA DEFINIDA AAS 300 MG - mastigado HNF ou enoxaparina ou fondaparinux HNF (emergência ou SH) Tratamento conservadorCATE > 24hCATE < 24hCATE < 2h (muito alto risco) Enoxaparina ou fondaparinux Enoxaparina ou fondaparinux Não pré-tratar (2º antiagregante na SH) Considerar na SH: inibidor llb/llla 2º antiagregante na SH, preferencialmente Pré-tratamento Pré-tratamento Pré-tratamento (anatomia desconhecida) - Ticagrelor 180 mg - Clopidogrel 600 mg (se ICP) - Clopidogrel300 mg (se tratamento conservador) 2º antiagregante na sala: - Prasugrel 60 mg - Ticagrelor 180 mg - Clopidogrel 600 mg (se ICP) - Clopidogrel 300 mg (se tratamento conservador) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 46 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: Grave que o paciente que receberá tratamento precoce com CATE deve, preferencialmente, receber o 2º antiagregante na sala de hemodinâmica; observe a diferença de dose de clopidogrel indicada caso a indicação seja de intervenção coronariana percutânea (600 mg) ou de tratamento conservador (300 mg); lembre-se da contraindicação de prasugrel em idosos > 75 anos, peso < 60 kg e história de AVC ou AIT. 1.6.6.2 MANEJO DO IAM COM SUPRA DE ST Neste tópico, é essencial memorizar os tempos definidores da indicação de intervenção coronariana percutânea ou de tratamento com fibrinolítico. ! PARA FACILITAR: Note que, em hospitais com hemodinâmicas, somos mais “exigentes” com o tempo porta-balão, já que a hemodinâmica já está no próprio hospital (90 min); caso seja necessário transferir o paciente, “toleramos” 30 min a mais, com 120 min no total. Lembre-se também de que a terapia fibrinolítica pode ser indicada até 12h após o início dos sintomas. Clopidogrel Prasugrel* Ticagrelor Dose de ataque Dose de manutenção Mecanismo de ação 300 a 600 mg** 75 mg 1x/dia Inibição irreversível 60 mg 10 mg 1x*** Inibição irreversível 180 mg 90 mg 12/12h inibição reversível Pró-droga Pró-droga Droga ativa Aprovado para utilização em: • Reperfusão química • Reperfusão percutânea • Sem terapia de reperfusão SIM SIM SIM NÃO SIM NÃO NÃO SIM NÃO *Evitar em idosos > 75 anos, peso < 60kg e pacientes com AVC ou AIT. ** 300 mg no caso de reperfusão química (em idosos > 75 anos não fazer dose de ataque) e 600 mg no caso de reperfusão (independentemente da idade). *** Se o peso for < 60kg ou idade ≥ 75 anos, considerar 5 mg ao dia. Tempos do IAM com supra de ST Tempo porta-ECG: < 10 minutos Tempo porta-agulha: < 30 minutos Tempo porta-balão: < 90 minutos (se necessitar tranferência, < 120 minutos) ICP primária Hospital COM hemodinâmica IAM com supra de ST Tempo até ICP < 90 min? Hospital SEM hemodinâmica Tempo de transferência < 120min? Fibrinolítico em até 30’ Transferir para ICP primária Fibrinolítico em até 30’ SIM NÃO SIM NÃO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 47 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED A terapia fibrinolítica é indicada nos pacientes com diagnósticos de IAM com supra de ST que se apresentam nas primeiras 12 horas do início dos sintomas e nos quais não foi possível a realização de ICP primária dentro de 120 minutos após o diagnóstico. Pacientes com sintomas típicos e persistentes, na presença de BRE novo ou presumivelmente novo, também são considerados elegíveis. 1.6.7 CONTRAINDICAÇÕES À TERAPIA FIBRINOLÍTICA Trata-se do principal assunto a ser memorizado no que se refere à terapia fibrinolítica do IAM. Dedique atenção especial às contraindicações absolutas e aos valores de PA que contraindicam o tratamento com fibrinolíticos. Contraindicações ao uso de fibrinolíticos Absolutas • Qualquer sangramento intracraniano prévio. • Dano ou neoplasia no sistema nervoso central. • Sangramento ativo (exceto menstruação). • Acidente vascular cerebral isquêmico nos últimos três meses. • Trauma importante em rosto ou cabeça nos últimos três meses. • Malformação arteriovenosa cerebral conhecida. • Suspeita de dissecção de aorta. • Discrasia sanguínea. Relativas • Acidente vascular cerebral isquêmico há mais de três meses. • Uso de estreptoquinase há mais de cinco dias. • Alergia à estreptoquinase. • Gestação. • Uso de anticoagulantes orais. • Pressão arterial sistólica > 180 mmHg. • Pressão arterial diastólica > 110 mmHg. • Punções vasculares não compressíveis. • Úlcera péptica ativa. • Ressuscitação cardiopulmonar traumática ou superior a 10 minutos. • Cirurgia nas últimas três semanas. Se tem um assunto que você precisa saber sobre os fibrinolíticos é esse! A tabela a seguir é tão importante que merece duas corujinhas: Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 48 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.6.8 CRITÉRIOS DE REPERFUSÃO Trata-se dos sinais clínicos, laboratoriais e de ECG indicativos de trombólise bem-sucedida no IAM com supra de ST. Critérios de reperfusão após trombólise química Redução do supra do segmento ST > 50% em 60 a 90 minutos Melhora da dor Arritmias de reperfusão (ritmo idioventricular acelerado) Pico precoce dos marcadores de necrose miocárdica (troponina e CK- MB) 1.6.9 COMPLICAÇÕES MECÂNICAS DO IAM Alguns pacientes com IAM podem evoluir com complicações mecânicas, que cursam com elevada mortalidade. Observe que CIV e ruptura de parede livre do VE associam-se sobretudo ao IAM de parede anterior, diferentemente da insuficiência mitral aguda. VARIÁVEIS COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR INSUFICIÊNCIA MITRAL AGUDA RUPTURA DE PAREDE LIVRE DO VE Idade de apresentação 63 anos 65 anos 69 anos Dias após o IAM 3 a 5 dias 3 a 5 dias 3 a 6 dias IAM de parede anterior 66% 25% 50% Sopro cardíaco 90% 50% 25% Ecocardiograma Shunt E D - Jato regurgitante - Folheto mitral solto (ruptura de cordoalha ou músculo papilar) - Derrame pericárdico - Local da ruptura Monitorização hemodinâmica Salto oximétrico Onda V gigante Equalização das pressões (tamponamento cardíaco) Mortalidade com tratamento clínico 90% 90% >90% Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 49 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 1.7 DISSECÇÃO AGUDA DE AORTA Resumimos esse tópico com o fluxograma abaixo. Enfoque, nesse ponto, os seguintes fatores: a diferença de manejo entre dissecção Stanford A e Stanford B; e os valores de FC e de PA objetivados no manejo clínico dessa condição. DISSECÇÃO AGUDA DE AORTA MOV*+ Tratamento Clínico Inicial Morfina + Betabloqueador Após betabloqueio adequado Objetivo: FC < 60 bpm Objetivo: PA sistólica 100 - 120mmHg • Isquemia de órgãos • Ruptura da aorta • Progressão da dissecção • Dor persistente Nitroprussiato de sódio Dissecção Stanford A (Envolve a aorta ascendente) Cirurgia de emergência Dissecção Stanford B (Não Envolve a aorta ascendente) Complicada? NÃO SIM Tratamento Clínico Tratamento Cirúgirgico *MOV: Monitorização, Oxigenioterapia, “Veia” (acesso venoso periférico) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 50 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED CLASSIFICAÇÃO DA DISSECÇÃO DE AORTA Stanford - Tipo A: dissecções que envolvem a aorta ascendente; e - Tipo B: dissecções que não envolvem a aorta ascendente (acometimento apenas da aorta descendente após a emergência da artéria subclávia esquerda). DeBakey - Tipo 1: origem na aorta ascendente estendendo-se até a aorta descendente; - Tipo 2: confinada à aorta ascendente; - Tipo 3: origem na aorta descendente com extensão distal e, raramente, retrógrada, podendo atingir a ascendente: Tipo 3a: limitada à aorta torácica; e Tipo 3b: extensão abaixo do diafragma. Descritiva - Proximal: inclui DeBakey I e II e Stanford A; - Distal: inclui DeBakey III e Stanford B. 2.0 DERMATOLOGIA 2.1 ONCODERMATOLOGIA Tema dermatológico favorito das bancas! Memorize a diferença de apresentação clínica entre carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular, bastante explorada nas provas CAPÍTULO DIFERENÇAS ENTRE CARCINOMAS Característica Carcinoma basocelular Carcinoma espinocelular Epidemiologia Tumor maligno mais comum. 2º tumor maligno mais comum. É o mais comum em transplantados. Clínica Brilho perolado e telangiectasias. Tumor mais queratósico e infiltrado. Tipo de exposição solar Exposição solar intermitente. Exposição solar crônica (pele com intenso fotodano). Lesão precursora Não se origina de lesão percursora. Ceratose actínica, úlceras, queimaduras, cicatrizes. Riscode metástase Muito raro. Raro (cerca de 5%) – maior em lábios e cicatrizes/ úlcera. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 51 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 2.1.1 DIAGNÓSTICO DE MELANOMA Suspeitar de melanoma (ABCDE) Biópsia excisional (1 a 3mm) Ampliar margens Avaliação linfonodal Exames de imagens O fluxograma abaixo sintetiza as etapas essenciais do diagnóstico do melanoma. Atenção para reconhecer, na questão, a suspeita, indicada pelo “ABCDE do melanoma”; lembre-se de que a biópsia excisional é realizada com margens mínimas, de 1-3 mm e de que, após a biópsia, com base no Breslow, as margens cirúrgicas devem ser ampliadas. A tabela abaixo associa os valores do Breslow (a espessura do melanoma na biópsia) à margem que deverá ser ampliada. ! PARA FACILITAR: Memorize que melanoma in situ recebe ampliação de 5 mm; para os demais casos, a ampliação corresponde ao número do Breslow, porém em centímetros: se Breslow < 1 mm, amplia-se 1 cm; se 1-2 mm, amplia-se 1-2 cm; e a partir de 2 mm, amplia-se 2 cm. ÍNDICE DE BRESLOW MARGEM Melanoma in situ 5mm <1mm 1cm 1-2mm 1-2cm 2-4mm 1-2cm X 2cm INDICAÇÕES DE PESQUISA DE LINFONODO SENTINELA Índice Comentário Índice de Breslow > ou igual a 1mm. Pesquisa indicada. Índice de Breslow ≥ 0,8 mm com ulceração ou mitose. Pesquisa indicada. Índice de Breslow < 0,8 mm com ulceração ou mitose. OBS: nesses casos, a conduta é compartilhada com o paciente. Não é obrigatória a realização do exame. 2.2 HANSENÍASE Este tema é querido sobretudo pela prova da USP-RP! Atenção para os tópicos de classificação, reações da hanseníase e manejo de contactantes de casos de hanseníase. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 52 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 2.2.1 CLASSIFICAÇÃO A classificação dos casos em pauci ou multibacilares é frequente nas provas. 2.2.2 REAÇÕES HANSÊNICAS Neste tópico, atenção para os seguintes pontos: a reação tipo I ocorre sobretudo em paucibacilares, cursa com neurite e dor, e é tratada com corticoterapia sistêmica; a reação tipo II, que tipicamente ocorre em multibacilares, cursa com nódulos eritematosos e recebe tratamento com talidomida. Não se esqueça de que, em ambas as reações, o tratamento poliquimioterápico deve ser mantido! ) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 53 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 2.2.3 MANEJO DOS CONTACTANTES Tema recentemente atualizado pelo Ministério da Saúde que poderá ser cobrado pelas bancas de Residência. ! PARA FACILITAR: Note que todo contactante de hanseníase deve ser avaliado e, caso não possua doença, será seguido por 5 anos apenas se tiver teste rápido positivo! Note também que o contactante não receberá 1 dose de BCG, apenas, se possuir 2 cicatrizes da vacina! REAÇÃO TIPO I (REAÇÃO REVERSA) REAÇÃO TIPO II (ERITEMA NODOSO HANSÊNICO) Imunidade celular Imunidade humoral Paucibacilares e tipos “instáveis” (DT, DD e DV). Multibacilares (DV e VV). Reagudização de lesões antigas e surgimento de algumas novas lesões. Piora dos sinais neurológicos. Edema de mãos e pés. Surgimento de nódulos eritematosos, dolorosos, difusamente pelo corpo. Tais nódulos podem ulcerar. Edema de mãos e pés. Espessamento neural, calor e neurite dolorosa. Acometimento neural possível, porém menos frequente. Ausência de sintomas sistêmicos. Sintomas sistêmicos presentes (febre, astenia, artralgia). Leucocitose presente. Ausência de acometimento de outros órgãos. Envolvimento de outros órgãos como olhos, rins, fígado e testículos. Prednisona é a droga de escolha. Talidomida é a droga de escolha. Confirmado Tratamento Seguimento anual por 5 anos Descartado Teste rápido Vigilência passiva - auto exame Não reagenteReagente Contato de hanseníase confirmado Avaliação dermatoneurológica Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 54 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.0 ENDOCRINOLOGIA 3.1. EMERGÊNCIAS HIPERGLICÊMICAS 3.1.1 CETOACIDOSE DIABÉTICA (CAD) 3.1.1.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA CAD ! PARA FACILITAR: Note que os critérios diagnósticos da CAD nada mais são do que os componentes de seu nome: “ceto” — sinais de cetonemia ou cetonúria; “acidose”, demonstrada na gasometria; e “diabética” — glicemia > 250. RECOMENDAÇÃO DE APLICAÇÃO DE VACINA BCG EM CONTATOS DE HANSENÍASE Cicatriz vacinal Conduta Ausência de cicatriz Uma dose Uma cicatriz de BCG Uma dose Duas cicatrizes de BCG Não prescrever CAPÍTULO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 55 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.1.1.2 MANEJO DA CETOACIDOSE DIABÉTICA Tópico frequentemente abordado na prova da USP-SP. Fique atento aos seguintes conceitos: o primeiro passo consiste em hidratação venosa; devemos avaliar os níveis de K+ para indicar reposição e/ou início de infusão de insulina; após a hidratação inicial, o sódio deve ser avaliado de modo a corrigir seus níveis na solução infundida; e o soro glicosado deve ser adicionado à solução infundida assim que os níveis de glicemia se tornarem inferiores a 200. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 56 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 57 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED O manejo dos casos de CAD em crianças e adolescentes, no que se refere às provas de Residência, é abordado de modo praticamente igual ao dos adultos. 3.1.2 ESTADO HIPERGLICÊMICO HIPEROSMOLAR (EHH) Neste tópico, dedique-se a memorizar a clínica típica e os critérios diagnósticos; quanto ao manejo, para as provas, será, em geral, o mesmo indicado nos casos de CAD. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 58 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.1.2.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO EHH ! PARA FACILITAR: Assim como no caso da CAD, observe que os critérios diagnósticos do EHH nada mais são do que os componentes de seu nome. 3.2 HIPOGLICEMIA 3.2.1 MANEJO DA HIPOGLICEMIA É necessário saber a diferença de conduta indicada caso o paciente se encontre alerta e estável, em relação ao paciente com rebaixamento do nível de consciência. Tabela 15 – Conduta na hipoglicemia Paciente alerta e clinicamente estável • Ingerir 15 a 20 gramas de carboidratos; • Aferir HGT 15 minutos depois. Paciente com rebaixamento do nível de consciência ou instabilidade clínica • Paciente com acesso venoso: - 25 mL de glicose a 50% • Paciente sem acesso venoso: - Glucagon 0,5 a 1 mg (subcutâneo ou intramuscular); - Glucagon 3 mg (nasal). Adaptado de: Hypoglycemia in adults with diabetes mellitus. UpToDate (2021). Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 59 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.3 DIABETES MELLITUS Dentro da endocrinologia, trata-se do tema favorito das provas! Atenção redobrada para os critérios diagnósticos de DM, o manejo farmacológico e as indicações de insulinoterapia. 3.3.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE DM A tabela abaixo resume os critérios diagnósticos de DM. Lembre-se de que são necessários 2 testes alterados para o adequado diagnóstico, exceto no caso de paciente com sintomas clássicos de DM e glicemia > 200. Recorde também que o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) pode ser indicado caso os testes iniciais apresentem resultados discordantes. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA DIABETES MELLITUS Glicemia em jejum TOTG1 HbA1c2 Glicemia aleatória Normal < 100mg/dL < 140 mg/dL < 5,7% Não se aplica Pré-diabetes ≥ 100mg/dL e < 126mg/dL ≥ 140 mg/dL e < 200mg/dL ≥ 5,7% e < 6,5%3 Não se aplica Diabetes Mellitus ≥ 126 mg/dL ≥ 200mg/dL ≥ 6,5% ≥ 200 mg/dL na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia Em pacientes assintomáticos, devem ser realizados 2 testes para confirmação diagnóstica. Em pacientes com sintomasclássicos de hiperglicemia (perda ponderal, poliúria, polidipsia), é necessário apenas 1 teste alterado ou glicemia aleatória ≥ 200mg/dL para diagnóstico de DM. 1TOTG: Teste oral de tolerância à glicose (glicemia medida após 120 minutos da administração via oral de 75g de dextrosol). 2HbA1c: Hemoglobina glicada fração A1c. 3.3.2 MANEJO FARMACOLÓGICO DE DM Neste tópico, memorize as indicações principais de cada droga e as indicações de insulinoterapia. ! PARA FACILITAR: Note que metformina será sempre a escolha inicial para monoterapia; para as próximas drogas, note as seguintes indicações clínicas principais: • doença cardiovascular, doença renal crônica ou obesidade - preferir iSGLT2 ou aGLP-1; • dificuldade de custo - usar sulfonilureias. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 60 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 61 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: A insulinoterapia será indicada no DM2, essencialmente, para paciente clinicamente grave, com sintomas de hiperglicemia e sinais de catabolismo, e com níveis de HbA1C ≥ 10% e de glicemia ≥ 300. 3.3.3 CIRURGIA METABÓLICA Tem ganhado espaço a indicação de cirurgia bariátrica com fins de tratamento de DM2 — a chamada cirurgia metabólica. Guarde que, para ser indicado para esse tratamento, o paciente, além de obesidade, deve apresentar quadro de DM2 refratário ao tratamento clínico. 3.3.4 SÍNDROME METABÓLICA As bancas de Residência Médica não costumam cobrar quais são os pontos de corte para valores alterados na definição de síndrome metabólica, mas exigem, frequentemente, o conhecimento de quais parâmetros são avaliados para esse diagnóstico. ! PARA FACILITAR: Memorize principalmente os critérios avaliados pelo IDF: circunferência abdominal; glicose; triglicérides; HDL- colesterol; e pressão arterial. QUANDO DEVO CONSIDERAR A INSULINA COMO TRATAMENTO INICIAL NO DM2? Sinais de catabolismo (perda de peso, cetose, hipertrigliceridemia) Sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, nictúria, perda involuntária de peso) Glicemia plasmática ≥ 300 mg/dL* HbA1C ≥ 10% Indicações e Contraindicações da Cirurgia Metabólica (Resolução 2.172/2017 do Conselho Federal de Medicina) Indicações (todos os critérios são necessários para indicar-se a cirurgia) Contraindicações (apenas um critério é suficiente para contraindicar a cirurgia) • Índice de massa corpórea (IMC) entre 30 kg/m2 • Idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos. • Diabetes mellitus tipo 2 com menos de 10 anos de diagnóstico. • Refratariedade ao tratamento clínico. • Ausência de contraindicações ao procedimento cirúrgico proposto. • Abuso de álcool. • Dependência química. • Depressão grave com ou sem ideação suicida. • Psicose grave. • Outras doenças psiquiátricas mal controladas ou que, mesmo compensadas, a critério do psiquiatra, contraindiquem em definitivo a cirurgia. • Outras doenças ou condições clínicas que contraindiquem a cirurgia. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 62 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.4 HIPOTIREOIDISMO 3.4.1 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO Neste tópico, é essencial saber diferenciar as principais entidades clínicas do hipotireoidismo central, primário e subclínico, definidas pelos níveis de TSH e T4 livre, como resume o fluxograma abaixo. OMS IDF NCEP ATP III OBRIGATÓRIO Resistência à insulina1, intolerância à glicose ou diabetes mellitus e ≥ 2 critérios Circunferência abdominal e ≥ 2 critérios ≥ 3 critérios Circunferência abdominal/ IMC Relação cintura/quadril > 0,9 (homem) ou > 0,85 (mulheres) ou IMC ≥ 30 kg/m2 CA ≥ 94 cm (homens ou ≥ 80 cm (mulheres) Homens asiáticos: CA ≥ 90cm CA ≥ 102 cm (homens) ou ≥ 88 cm (mulheres) Glicose Resistência à insulina, intolerância à glicose ou diabetes mellitus ≥ 100 mg/dL ≥ 110 mg/dL Triglicérides ≥ 150 mg/dL2 ≥ 150 mg/dL ou em tratamento ≥ 150 mg/dL ou em tratamento HDL-colesterol < 35 mg/dL (homens) ou < 40 mg/dL (mulheres)2 < 40 mg/dL (homens) ou < 50 mg/dL (mulheres) < 40 mg/dL (homens) ou < 50 mg/dL (mulheres) Pressão arterial ≥ 140x90 mmHg ≥ 130x85 mmHg ou em tratamento ≥ 130x85 mmHg ou em tratamento Outros Microalbuminúria ≥ 30 mg/dL de creatina - - Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 63 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.4.2 MANEJO DO HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO ! PARA FACILITAR: Memorize as indicações principais de tratamento: TSH >10 independentemente da idade; para pacientes ≤ 65 anos, TSH 4,5-10 apenas se acompanhado de sinais que aumentam a probabilidade de doença tireoidiana e as implicações do hipotireoidismo não tratado: sintomas de hipotireoidismo; doença cardiovascular; risco elevado de progressão para hipotireoidismo. Avaliar a indicação de tratamento se o TSH permanecer elevado em duas aferições consecutivas realizadas com o intervalo de 3 - 6 meses TSH (mU/L) ≤ 65 anos > 65 anos CONDUTA NO HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO - SBEM - ≥ 10,0 Repor levotiroxina 4,5 - 10 Considerar a reposição de levotiroxina se: • Sintomas sugestivos de hipotireoidismo • Doença cardiovascular ou elevado risco cardiovascular • Elevado risco de progressão para hipotireoidismo clínico Não repor levotiroxina Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 64 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.4.3 MANEJO DO HIPOTIREOIDISMO NA GESTAÇÃO ! PARA FACILITAR: Memorize o corte de 2,5 para eutireoidismo na gestação, e TSH > 4 para o tratamento do hipotireoidismo subclínico; a conduta para casos de TSH 2,5-4 é ponto de debate na literatura científica, e não costuma ser abordada nas provas. 3.5 TIREOTOXICOSE 3.5.1 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO Dentro da endocrinologia, nas provas de Residência, a tireotoxicose costuma ser menos avaliada do que os temas de hipotireoidismo e nódulos tireoidianos. ! PARA FACILITAR: Dedique especial atenção aos sinais clínicos de doença de Graves, a principal etiologia de tireotoxicose abordada nas provas, e à diferenciação entre etiologias promovida pela cintilografia: caso apresente nódulos quentes, trata-se da doença nodular tóxica; caso denote hipocaptação, entraremos nas hipóteses abordadas no segundo fluxograma abaixo. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 65 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Tem bócio? Sim, difuso Sim Não Não Ingesta de HT Tireoidite factícia Struma ovarii Metástase funcionante Tireoidite granulomatosa subaguda¹ Tireoidite linfocítica subaguda¹ Tireoidite pós parto¹ Hipertireoidismo induzido por amiodarona tipo 2 Hipertireoidismo induzido por amiodarona tipo 1¹ Dor pélvica + cintilo + na pelve História de câncer de tireoide Uso de amiodarona Uso de amiodarona IVAS, dor cervical, VHS > 50mm/h Anti-TPO em altos níveis Anti-TPO + e puerpério Gestante Sim Tireotoxicose gestacional transitória¹ Doenças trofoblásticas ¹ Não Doença de Graves TRAB + e/ou oftalmopatia, acropatia ou dermatopatia infiltrativa? Sim, nodular Cintilografia com nódulo(s) quente(s) Doenças nodulares tóxicas TSH ↓ e T4L ↑ Tireoidites subagudas • Bócio discreto • Tireoglobulina ↑ Tireoidite granulomatosa subaguda Tireoidite linfocítica Tireoidite pós parto • IVAS precede o quadro • Dor cervical • VHS ↑ • Anti-TPO muito ↑ • VHS normal • Anti-TPO muito ↑ • VHS normal • Até 1 ano após o parto • Sem bócio • Tireoglobulina ↑ • Uso de amiodarona • Sem bócio • Tireoglobulina normal Tireotoxicose factícia Hipertireoidismo induzido por amiodarona tipo 2 Hipocaptação na tireoide Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 66 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 3.6 .NÓDULOS TIREOIDIANOS 3.6.1 AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DOS NÓDULOS TIREOIDIANOS Atenção redobrada para este tema, em que descrições de achados de imagem são diretamenteavaliadas nas provas de Residência Médica! Memorize os principais achados indicativos de malignidade: nódulo irregular, hipoecogênico, sólido, com microcalcificações, e de vascularização mais central do que periférica! 3.6.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DOS NÓDULOS TIREOIDIANOS Observe que a etapa inicial para avaliar o nódulo tireoidiano consiste em dosar TSH! As provas frequentemente tentam confundir o candidato nesse tópico, indicando iniciar a avaliação com exame de imagem como US ou cintilografia. Esses exames dependem do resultado da dosagem de TSH e, por esse motivo, devem ser solicitados apenas após a realização dele. Nódulo tireoidiano AVALIAÇÃO DO NÓDULO TIREOIDIANO TSH normal ou ↑ TSH ↓Dosar TSH PAAF: punção aspirativa com agulha fina Nódulo frio Nódulo quente Cirurgia ou iodo radiotivo Cintilografia de tireoide US tireoide Avaliar PAAF Características ultrassonográficas dos nódulos tireoidianos Característica Benignidade Malignidade Margem/Cortorno Regular/Bem definido Irregular/Mal definido Ecogenicidade Iso ou Hiperecogênico Hiperecogênico Aspecto Misto ou Cístico Sólido Halo Hipoecogênico Presente/Completo Ausente/Incompleto Calcificação Grosseira ou Ausente Microcalcificações Vascularização (Doppler) Periférica > Central Central > Periférica Tamanho < 1,0 cm > 1,0 cm Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 67 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.0 NEUROLOGIA 4.1 COMA E ALTERAÇÕES DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA 4.1.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW 4.1.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO O fluxograma abaixo sintetiza os passos principais da avaliação do paciente com rebaixamento de nível de consciência. Tenha atenção especial para a indicação de TC de crânio em paciente com sinais focais. CAPÍTULO A escala de coma de Glasgow avalia 3 parâmetros clínicos nos pacientes com alteração do nível de consciência e é frequentemente abordada de modo direto nas principais provas de Residência. ! PARA FACILITAR: Para memorizar a escala mais facilmente, observe que os 3 parâmetros avaliados por ela têm complexidade crescente: primeiro, abrir olhos; depois, falar; por fim, resposta motora; assim, a quantidade de pontos correspondente a cada um cresce em 1 ponto, já que se tornou mais “complexo”. Resta só memorizar quanto cada alteração pontua nos parâmetros; aqui, é mais fácil começar do “1”, que será “ausente”, o mais grave, nos 3 casos, e “melhorar um pouco” a cada ponto. Parâmetro Resposta Pontuação Abertura ocular Espontânea 4 Ao chamado 3 Ao estímulo doloroso (à pressão) 2 Ausente 1 Melhor resposta verbal Orientado 5 Confuso, desorientado 4 Palavras inapropriadas 3 Sons incompreensíveis 2 Ausente 1 Melhor resposta motora Obedece a comandos 6 Localiza estímulo 5 Retirada inespecífica (flexão normal) 4 Decorticação (flexão anormal) 3 Descerebração (extensão anormal) 2 Ausente 1 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 68 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.2 HIPERTENSÃO INTRACRANIANA Neste tópico, tenha especial atenção com as medidas de neuroproteção indicadas para os pacientes com hipertensão intracraniana, resumidas no fluxograma abaixo. ABC (Sinais Vitais) REBAIXAMENTO DA CONSCIÊNCIA Anamnese e exame físico Exames laboratoriais Testes adicionais RM crânio Líquor EEG Hemograma, eletrólitos, enzimas hepáticas, função renal, hemoculturas e urina Amônia, toxicológico, alcoolemia, gasometria arterial, outros Sinais focais TC crânio HIPERTENSÃO INTRACRANIANA (HIC) PPC = PAM - PIC PRESSÃO ARTERIAL: SISTÓLICA < 220 mmHg E DIASTÓLICA < 120 mmHg PRESSÃO INTRACRANIANA SANGUE VENOSO: Cabeceira a 30º LÍQUOR: DVE SANGUE ARTERIAL: Hiperventilação Sedação Hipotermia* PARÊNQUIMA: Salina hipertônica Manitol Glicemia 140-180 Normotermia Hb > 10 Plaq > 75 mil Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 69 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.3 CEFALEIAS Dentro do tema cefaleias, as bancas comumente avaliam a diferenciação clínica entre migrânea (enxaqueca) e cefaleia tensional, e o reconhecimento de sinais de alarme indicativos de cefaleias secundárias. 4.3.1 CEFALEIAS PRIMÁRIAS 4.3.1.1 MIGRÂNEA X CEFALEIA TENSIONAL Observe, na tabela abaixo, as características diferenciadoras desses dois tipos tão comuns de cefaleia. Dê atenção especial às diferenças de duração, localização e caráter, que são as mais cobradas nas provas de Residência. Critérios Enxaqueca Cefaleia tipo tensão A. Número de crises ≥ 5 ≥ 10 B. Duração 4-72h 30 min a 7 dias C: critérios (≥ 2 desses) Localização Unilateral Bilateral Caráter Pulsátil Não pulsátil Intensidade Moderada a intensa Leve a moderada Atividade física Piora a dor Não piora a dor D. Durante a cefaleia, ambos os seguintes: ≥ 1 de Náuseas E/OU vômitos ≤ 1 de Náuseas OU vômitos Foto E fonofobia Foto OU fonofobia E. Sem outra explicação melhor para o quadro Sinais de alarme (INSIPIDA): Início: súbito (em “trovoada”); Neurológico: alterações no exame neurológico, convulsão; Sistêmico: toxemia, rigidez de nuca, rash cutâneo e imunossupressão; Idade: após os 50 anos; Papiledema; Inédita; Despertar por causa da dor; Anticoagulantes. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 70 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.3.2 CEFALEIAS TRIGÊMINO-AUTONÔMICAS CARACTERÍSTICAS SALVAS HEMICRANIA PAROXÍSTICA HEMICRANIA CONTÍNUA SUNCT Sexo Masculino Feminino Feminino Masculino Número de crises 5 20 20 Intensidade Forte ou muito forte Forte Moderada a grave Moderada a grave Duração 15-180 min 2 - 30 min > 3 meses 1-600 segundos Localização Orbitária, supraorbitária e/ou temporal Unilateral estrita Orbitária, supraorbitária, temporal e/ou outra distribuição trigeminal Acompanhantes Pelo menos 1 dos seguintes sintomas, ipsilaterais à dor: • Hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento • Congestão nasal e/ou rinorreia • Edema palpebral • Sudorese frontal ou facial • Miose ou ptose Sensação de inquietude ou agitação Inquietude ou agitação, ou piora à movimentação Flushing frontal e facial ipsilateral Sensação de congestão na orelha Frequência 1 a cada 2 dias até 8/ dia > 5 ao dia em mais da metade do período de atividade da crise 1x ao dia Resposta à indometacina Negativa Positiva Brilhante Negativa Sem outra explicação melhor para a dor Tabela 9: Critérios diagnósticos das principais cefaleias trigêmino-autonômicas. Nesse grupo de cefaleias, que têm em comum a presença de sintomas autonômicos associados ao quadro de dor, destacam-se, nas provas, a diferenciação entre a cefaleia em salvas e os quadros de hemicrania. ! PARA FACILITAR: Para diferenciar os quadros de cefaleia em salvas, hemicrania paroxística e hemicrania contínua, memorize principalmente suas diferenças quanto ao sexo mais acometido, à duração do quadro e à resposta à indometacina — geralmente, são esses os fatores mais destacados nas questões sobre o tema! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 71 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.3.3 CEFALEIAS SECUNDÁRIAS Neste tópico, os principais pontos abordados pelas bancas são o reconhecimento de sinais de alarme para quadro de possível cefaleia secundária e a investigação dos quadros suspeitos de hemorragia subaracnóidea. ! PARA FACILITAR: Utilize, conforme a tabela abaixo, o mnemônico “INSIPIDA” para memorizar os principais sinais de alarme nos quadros de cefaleia. 4.4 HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA Sinais de alarme nas cefaleias (INSIPIDA) I - Início Início súbito N- Neurológico Alterações no exame neurológico, convulsão S - Sistêmico Toxemia, rigidez de nuca, rash cutâneo e imunossupressão I - Idade Início após os 50 anos de idade P - Papiledema Presença de borramento da papila ao fundo de olho I - Inédita Ausência de episódios prévios de dor com mesmas características D - Despertar Cefaleia que despertao paciente A - Anticoagulantes Cefaleia em pacientes fazendo uso de anticoagulantes Em questões que descrevem paciente com quadro súbito de cefaleia forte, que atinge rapidamente o pico de dor, descrita como “a pior da vida”, levante o alerta para a suspeita de hemorragia subaracnóidea! A maioria das questões deste tópico exigirá o entendimento da sequência de exames utilizada na investigação desse quadro. O fluxograma abaixo sintetiza os passos essenciais da avaliação diagnóstica. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 72 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.5 SÍNDROMES NEUROVASCULARES Tema frequentemente cobrado pelas principais bancas de Residência! Aqui, dedique-se sobretudo a entender o fluxograma de manejo inicial dos pacientes, de modo a indicar corretamente os exames de imagem necessários na avaliação deles, e a memorizar os principais cortes de tempo definidores da indicação de tratamento nos quadros de AVC isquêmico. ! PARA FACILITAR: O fluxograma abaixo resume o manejo dos pacientes com síndrome neurovascular súbita, sobretudo aqueles com AVC isquêmico — o mais avaliado nas provas! Dedique-se a memorizar os seguintes conceitos, no paciente com TC sem hemorragia e dextro normal: • para pacientes com início de sintomas desconhecido, RM pode ajudar a definir indicação de trombólise pela avaliação do mismatch flair — difusão; • se < 4,5h de sintomas, devemos realizar angioTC cervical e intracraniana antes de partir para a trombólise, de modo a avaliar a indicação de trombectomia mecânica, além disso, pacientes submetidos à trombólise que não apresentem melhora do quadro podem ter indicação de trombectomia; • se > 4,5h de sintomas, a angioTC cervical e intracraniana pode ajudar na possível indicação de trombectomia mecânica. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 73 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 4.5.1 MANEJO GERAL DO AVC ISQUÊMICO AGUDO A tabela abaixo resume o manejo clínico geral do paciente com AVC isquêmico agudo. Dedique atenção especial a gravar os valores de pressão arterial indicados para esses pacientes, que diferem a depender da realização de trombólise. SÍNDROME NEUROVASCULAR INÍCIO SÚBITO DEXTRO 50-400 E TC CRÂNIO SEM HEMORRAGIA INÍCIO DOS SINTOMAS DESCONHECIDO RM MISMATCH FLAIR-DIFUSÃO TROMBÓLISE EV TROMBÓLISE EV TROMBECTOMIA MECÂNICA NIHSS < 6 E SEM DÉFICIT INCAPACITANTE NIHSS > 6 OU DÉFICIT INCAPACITANTE < 4,5H DE INÍCIO DOS SINTOMAS > 4,5H DE INÍCIO DOS SINTOMAS ANGIOTC CERVICAL E INTRACRANIANA DEXTRO < 50 OU > 400 OU TC CRÂNIO COM HEMORRAGIA >24H DE INÍCIO DOS SINTOMAS DIFUSÃO < 1/3 ACM E FLAIR NORMAL DIFUSÃO> 1/3 ACM E/OU FLAIR ALTERADO 4,5-6H DE INÍCIO DOS SINTOMAS 4,5-6H DE INÍCIO DOS SINTOMAS SEM OCLUSÃO ACI OU ACM (M1) E SEM CONTRAINDICAÇÃO À TROMBÓLISE SEM MELHORA < 6H DE SINTOMAS NIHSS > 6 ASPECTS > 6 NIHSS > 6 ASPECTS > 6 ANGIOTC CERVICAL E INTRACRANIANA COM ACM (M1) OU ACI ANGIOTC CERVICAL E INTRACRANIANA COM OCLUSÃO ACM (M1) OU ACI CRITÉRIOS DAWN E DEFUSE-3 (CLÍNICO + NEUROIMAGEM AVANÇADA) OCLUSÃO ACI OU ACM (M1) E SEM CONTRAINDICAÇÃO À TROMBÓLISE SEM OCLUSÃO ACI OU ACM (M1) E COM CONTRAINDICAÇÃO À TROMBÓLISE OCLUSÃO ACI OU ACM (M1) E COM CONTRAINDICAÇÃO À TROMBÓLISE NIHSS > 6 E ASPECTS > 6 Tratamento geral do AVC isquêmico agudo Suporte respiratório. Manter saturação de O2 ≥ 95%. Elevação da cabeceira. 0-30° nas primeiras 24 h. Hidratação. Hipotensão e hipovolemia devem ser debeladas com cristaloides ou coloides. Níveis de glicemia. Entre 140-180 mg/dL (G50% se < 60). *Não manter soro glicosado de manutenção (piora penumbra!). Pressão arterial. Se trombólise: manter PAS < 185 mmHg e PAD < 110 mmHg. Trombólise contraindicada: manter PAS < 220 mmHg e PAD < 120 mmHg. Após trombólise (nas primeiras 24h): manter PAS < 180 mmHg e PAD < 105 mmHg. Temperatura. Manter < 37°C. Se > 39°C nas primeiras horas: pior prognóstico e maior mortalidade (medicar se > 38°C). Disfagia. Realizar screening antes de iniciar dieta. Dieta enteral. Iniciar nos primeiros 7 dias. Profilaxia de TVP. Compressão pneumática intermitente, associada a uso de aspirina *Não há evidência de benefício da heparina. Tabela 11: tratamento geral do AVC isquêmico. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 74 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 5.0 HEMATOLOGIA 5.1 ANEMIAS 5.1.1 INVESTIGAÇÃO GERAL DAS ANEMIAS Dentro da hematologia, trata-se do principal tema abordado pelas bancas. Aqui, é essencial saber a divisão das etiologias de anemia segundo a contagem de reticulócitos e, no grupo de anemias com contagem reduzida, as principais etiologias que cursam com anemia do tipo microcítica, normocítica ou macrocítica. CAPÍTULO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 75 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 5.1.2 INVESTIGAÇÃO DAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS Dentro do tópico das anemias com aumento de reticulócitos, dedique-se a entender a diferença laboratorial entre as principais etiologias de anemia hemolítica. Neste tópico, os conceitos mais comumente explorados consistem na positividade do Coombs direto, anemia hemolítica autoimune, na presença de esquizócitos nos quadros de anemia hemolítica microangiopática e no reconhecimento, com base no quadro clínico, das anemias hemolíticas cuja causa consiste em talassemia, anemia falciforme e esferocitose hereditária. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 76 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 5.2 MIELOMA MÚLTIPLO Entre os cânceres hematológicos, o mieloma múltiplo é um dos mais abordados nas provas de Residência, sendo tópico frequente de questões de bancas como a da UNICAMP. Em geral, as questões abordarão o reconhecimento do quadro clínico do mieloma e, em alguns casos, da diferenciação laboratorial entre esse quadro e os casos de plasmocitoma isolado e mieloma indolente. 5.2.1 QUADRO CLÍNICO LABORATORIAL DO MIELOMA MÚLTIPLO A tabela abaixo resume os principais achados clínicos e laboratoriais dos pacientes com mieloma. Tenha atenção especial com os sintomas CRAB, que são, geralmente, a principal dica da questão para o reconhecimento do diagnóstico de mieloma. 5.2.2 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO MIELOMA MÚLTIPLO Fique atento à diferenciação entre os casos de mieloma múltiplo, os de plasmocitoma isolado e os de mieloma indolente. ! PARA FACILITAR: Acompanhe o seguinte raciocínio para facilitar seu entendimento e memorização da diferença entre os quadros abaixo: • mieloma múltiplo: observe que, para diagnosticá-lo, deve haver, além dos plasmócitos em medula, lesões ou biomarcadores de malignidade — pense que, por se tratar de forma clínica mais grave, maior produção de cadeias leves ou maior número de plasmócitos também definirão seu diagnóstico; • mieloma indolente: apesar de possuir número de plasmócitos e/ou níveis de proteína monoclonal elevados, justamente por ser indolente, essa forma clínica não cursa com eventos clínicos e laboratoriais mais graves, indicativos de mieloma; • plasmocitoma isolado: aqui, como o nome já diz, temos apenas a presença de plasmócitos isolados fora da medula, em lesão extramedular, com medula normal e sem lesões de órgão-alvo. Quadro Clínico-laboratorial do mieloma múltiplo Presença de plasmocitose clonal na medula óssea ou lesões tumorais de plasmócitos em outros tecidos (plasmocitomas extramedulares) Presença de proteína monoclonal sérica e/ou urinária (ausente em 3% dos casos) Sintomas CRAB: - Hipercalcemia - Insuficiência Renal - Anemia - Lesões osteolíticas, acometendo principalmente o esqueleto axial Rouleaux e aumento de VHS Hipogamaglobulinemia: tendência a infecções Raramente: plasmócitos circulantes no sangue periférico (leucemia de células plasmáticas), síndrome de hiperviscosidade Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 77 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICAMÉDICA Estratégia MED 6.0 HEPATOLOGIA 6.1 HEPATITES 6.1.1 HEPATITE B Para iniciar o estudo do tema das hepatites, revise o significado dos principais marcadores sorológicos utilizados na avaliação da hepatite B. CAPÍTULO Marcador Resumo HBsAg Proteína de superfície do vírus da hepatite B, está presente em altos títulos na infecção aguda. É marcador da presença da proteína viral e, se estiver positivo por mais de 6 meses, é indicativo de cronificação da hepatite B. Anti-HBs Anticorpo produzido contra o HBsAg, indica imunidade contra o vírus. É produzido a partir da exposição ao vírus selvagem (infecção) ou após vacinação com vírus inativo. HBeAg Proteína "e" do vírus da hepatite B, sua detecção representa presença de replicação viral. Quando positivo, está associado a uma elevada carga viral circulante. Anti-HBe Anticorpo produzido contra o HBeAg. É capaz de controlar de maneira limitada a replicação do vírus por muitos anos, mas não de curar a infecção. Anti-HBc IgM Anticorpo contra o HBcAg, surge precocemente e é indicativo de infecção aguda pelo HBV. Anti-HBc IgG Anticorpo contra o HBcAg. Surge durante a fase aguda da infecção e persiste por toda a vida da pessoa que foi infectada. Sua presença indica que a pessoa está ou esteve infectada pelo HBV. O vírus inativo da vacina não induz a sua produção. Critérios diagnósticos do mieloma múltiplo Plasmocitoma isolado Mieloma indolente (smoldering) Mieloma múltiplo Lesão extramedular de plasmócitos clonais + medula óssea normal + ausência de lesões de órgãs-alvo (CRAB) Proteína monoclonal sérica > 3g/dL ou urinária > 500 mg/24h e/ou medula óssea com 10 a 60% de plasmócitos clonais + ausência de eventos definidores de mieloma Plasmocitoma ou medula óssea com ≥ 10% de plasmócitos clonais + um evento definidor de mieloma, que pode ser: - lesões de órgãos-alvo (CRAB) biomarcadores de malignidade: ≥ 60% plasmócitos clonais na medula, relação de cadeias leves livres séricas ≥ 100 ou mais de uma lesão focal em ressonância magnética. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 78 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Este assunto é frequentemente cobrado nas provas de Residência Médica, em questões que apresentam, diretamente, quais são os marcadores que foram identificados nos exames do paciente e solicitam a forma clínica associada. A tabela abaixo relaciona a positividade dos marcadores a cada forma clínica de hepatite B. A tabela abaixo complementa as formas clínicas da hepatite B, indicando alguns detalhes que podem ser exigidos para identificar fases temporais específicas dos quadros agudos e crônicos de hepatite B. ! PARA FACILITAR: Dedique especial atenção para fixar os seguintes pontos: • HBsAg é negativo na janela imunológica na hepatite B aguda; • anti-HBe é negativo na hepatite crônica replicativa; • anti-HBe é positivo na hepatite B crônica não replicativa; • vacinação e cicatriz imunológica diferem pela positividade do anti-HBc IgG na segunda. Marcador Aguda Crônica Ativa Crônica Inativa Passado Vacinação HBsAg + + + - - HBeAg +/- + - - - Anti-HBc IgG -/+ + + + - Anti-HBc IgM + - - - - Anti-HBs - - - + + Hepatite B aguda (fase precoce) Hepatite B aguda (fase tardia) Hepatite B aguda (janela imunológica) HBsAg + HBsAg + HBsAg - Anti-HBc IgM +/IgG - Anti-HBc IgM +/IgG + Anti-HBc IgM +/-/IgG + HBeAg + HBeAg -/+ HBeAg - Anti-HBe - Anti-HBe +/- Anti-HBe -/+ Anti-HBs - Anti-HBs - Anti-HBs - Hepatite B crônica replicativa Hepatite B crônica (janela imunológica) Hepatite B crônica não replicativa HBsAg + HBsAg - HBsAg + Anti-HBc IgM -/IgG + Anti-HBc IgM -/IgG -/+ Anti-HBc IgM -/IgG + HBeAg + HBeAg -/+ HBeAg - Anti-HBe - Anti-HBe +/- Anti-HBe + Anti-HBs - Anti-HBs - Anti-HBs - Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 79 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Para terminar o estudo dos marcadores da hepatite B, atente- se ao perfil sorológico do mutante pré-core. Esses pacientes, apesar de possuírem HBeAg negativo e Anti-HBe positivo, possuem altos índices de replicação viral, demonstrada pelos níveis de HBV-DNA. 6.1.2 INDICAÇÕES DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO AO HBV A tabela abaixo elenca as quatro principais indicações de profilaxia pós-exposição ao HBV. Observe as condutas indicadas após exposição de risco para hepatite B: o manejo varia conforme a situação vacinal do paciente exposto e a positividade de HBsAg da pessoa-fonte. Esse assunto não é comumente abordado em detalhes pelas provas, porém vale Vacinação Cicatriz Imunológica HBsAg - HBsAg - Anti-HBc IgM -/IgG - Anti-HBc IgM -/IgG + HBeAg - HBeAg - Anti-HBe - Anti-HBe -/+ Anti-HBs + Anti-HBs + Marcador Mutante pré-core HBsAg + HBeAg - Anti-HBe + Anti-HBc IgG + Anti-HBs - HBV-DNA > 2.000 Ui/mL Indicação de profilaxia pós-exposição ao HBV • Vítimas de acidente perfurocortante com material contaminado ou fortemente suspeito, susceptíveis • Vítimas de abuso sexual, susceptíveis • Contactantes sexuais de casos de hepatite B aguda, susceptíveis • Imunodeprimidos após exposição de risco, mesmo vacinados a pena estudar a tabela. Grave, sobretudo, que o paciente exposto não receberá nenhuma medida, independentemente do resultado de HBsAg da pessoa-fonte, caso apresente resposta vacinal conhecida e adequada. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 80 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.1.3 MANEJO DA HEPATITE B A tabela abaixo resume as indicações de tratamento da hepatite B sem agente delta. ! PARA FACILITAR: Grave que as indicações consistem na presença de marcadores de replicação viral (HBeAg positivo e HBV-DNA > 2000), ou de dano hepático (TGP elevada). Profilaxia da hepatite B após exposição ocupacional Situação vacinal e sorologia do paciente exposto Pessoa-fonte HBsAg positivo HBsAg negativo HBsAg desconhecido Não vacinado Imunoglobulina + vacina Vacina Vacina + Imunoglobulina se pessoa-fonte com alto risco de infecção para hepatite B (usuários de drogas, dialíticos, contato domiciliar ou sexual com indivíduo com hepatite B) Vacinação incompleta Imunoglobulina + completar vacina Completar vacina Completar vacina Resposta vacinal conhecida e adequada (anti-HBs maior ou igual a 10 mUI/mL) Nenhuma medida Nenhuma medida Nenhuma medida Sem resposta vacinal após 3 doses Imunoglobulina + vacina Nova série de vacinação (3 doses) Nova série de vacinação (3 doses) Sem resposta vacinal após 6 doses Imunoglobulina Nenhuma medida Imunoglobulina Resposta vacinal desconhecida • Testar o paciente • Se resposta vacinal adequada: nenhuma medida • Se resposta vacinal inadequada: imunoglobulina + vacina • Testar o paciente • Se resposta vacinal adequada: nenhuma medida • Se resposta vacinal inadequada: fazer segundo esquema de vacinação • Testar o paciente • Se resposta vacinal adequada: nenhuma medida • Se resposta vacinal inadequada: fazer segundo esquema de vacinação Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 81 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.1.4 FORMAS CLÍNICAS DA HEPATITE C A hepatite C possui menos marcadores sorológicos que a hepatite B e, assim, as questões que envolvem a identificação de suas formas clínicas são, em geral, mais simples. ! PARA FACILITAR: Lembre-se sempre de que, após obter resultado de anti-HCV positivo, é preciso realizar dosagem de HCV-RNA a fim de que seja determinada a presença de infecção aguda, crônica ou curada — ou seja, apenas anti-HCV positivo não significa infecção por HCV! 6.2 ASCITE Dentro deste tópico, é essencial saber identificar as principais etiologias de ascite de acordo com o GASA e a dosagem de proteína total, e conhecer conceitos sobre o diagnóstico e manejo dos quadros de peritonite bacteriana espontânea e secundária. 6.2.1 DEFINIÇÃO DE GASA Os dois passos essenciais para a determinação das principais etiologiasde ascite consistem na análise do GASA, cujo cálculo é definido na tabela abaixo, e na dosagem de proteína total. Grave esse cálculo, frequente nas questões de hepatologia das principais bancas de Residência Médica! Critérios de inclusão para tratamento da hepatite B sem agente delta HBeAg positivo e TGP > 2 vezes o limite superior da normalidade Adulto maior de 30 anos com HBeAg positivo Paciente com HBeAg negativo, HBV-DNA > 2.000 UI/ml e TGP > 2 vezes o limite superior da normalidade Fonte: Adaptado do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções, 2017. Anti-HCV negativo/ HCV-RNA negativo Nunca teve contato com o HCV. Anti-HCV negativo/ HCV-RNA positivo Hepatite C aguda ou incapacidade de produzir anticorpos. Anti-HCV positivo/ HCV-RNA positivo Hepatite C aguda ou crônica. Anti-HCV positivo/ HCV-RNA negativo Hepatite C curada ou falso-positivo. Exemplo: albumina sérica (3,2 mg/dL) e albumina do líquido ascítico (1,2) GASA = 3,2 - 1,2 GASA = 2 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 82 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.2.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DA ASCITE O fluxograma abaixo sintetiza as principais etiologias de ascite, divididas segundo o GASA e a dosagem de proteína total. 6.2.3 DIAGNÓSTICO DA PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Observe os critérios diagnósticos da peritonite bacteriana espontânea, com atenção para dois pontos importantes: os tipos celulares aumentados são os polimorfonucleares; e a cultura positiva é monobacteriana — isso será essencial na diferenciação com o quadro de peritonite secundária. 6.2.4 DIAGNÓSTICO DA PERITONITE BACTERIANA SECUNDÁRIA GASA ≥ 1,1 Proteína < 2,5 g/dL < 1,1 Proteína ≥ 2,5 g/dL Cirrose Metástases hepáticas Insuficiência cardíaca Pericardite constritiva Síndrome de Budd-Chiari Obstrução da veia cava inferior Síndrome da obstrução sinusoidal Ascite biliar Síndrome nefrótica Pancreatite Carcinomatose peritoneal Tuberculose Diagnóstico da peritonite bacteriana espontânea Contagem de polimorfonucleares > 250/mm³ no líquido ascítico Cultura positiva monobacteriana Diferente da peritonite bacteriana espontânea, a secundária ocorre, justamente, de modo secundário a uma patologia intra- abdominal — por exemplo, a uma perfuração intestinal. Justamente por isso, diferentemente da espontânea, o líquido ascítico, nesse tipo de peritonite, tem cultura polimicrobiana, glicose baixa e proteínas elevadas, que, junto com a história sugestiva de causa secundária, serão as principais dicas das questões para que se chegue a esse diagnóstico! Lembre-se também de que, nessa etiologia de peritonite, deve-se realizar exame de imagem, como TC de abdome, antes de que se indique início de antibioticoterapia. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 83 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.3 CIRROSE HEPÁTICA Dentro do tema cirrose hepática, o principal tópico que demanda memorização cobrado por algumas bancas consiste no escore de Child-Pugh. 6.3.1 ESCORE DE CHILD-PUGH Trata-se do principal escore de gravidade na cirrose hepática, utilizado inclusive como auxílio na definição de tratamentos como transplante hepático. Para auxiliar na memorização, note que o escore avalia 2 dos principais achados clínicos de cirrose avançada (ascite e encefalopatia), e os 3 principais exames laboratoriais para avaliação da função hepática, prejudicada na cirrose (bilirrubina, albumina e TP). Características da peritonite bacteriana secundária Glicose no líquido ascítico < 50 mg/dL Proteína no líquido ascítico > 1 g/dL DHL do líquido ascítico > que o limite superior do DHL sérico Infecção polimicrobiana Aumento do CEA (> 5 ng/mL) no líquido ascítico Aumento da fosfatase alcalina no líquido ascítico (> 240UI/L) 1 ponto 2 pontos 3 pontos Bilirrubina sérica (mg/dL) < 2,0 2,0-3,0 > 3,0 Albumina sérica (g/dL) > 3,5 3,5-3,0* < 3,0* Tempo de protrombina (diferença de segundos)/INR 0-3/<1,7 4-6/1,7-2,3 > 6/>2,3 Ascite Ausente Leve ou facilmente controlada Moderada a grave ou mal controlada Encefalopatia Ausente Grau 1 ou 2 Grau 3 ou 4 5-6 pontos Child-Pugh A 7-9 pontos Child-Pugh B 10-15 pontos Child-Pugh C Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 84 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.4 TUMORES HEPÁTICOS Dentro do tópico dos tumores hepáticos, os conceitos mais cobrados pelas bancas consistem no manejo do carcinoma hepatocelular e na identificação, em exames de imagem, dos demais tumores hepáticos. 6.4.1 CARCINOMA HEPATOCELULAR 6.4.1.1 MANEJO DO CARCINOMA HEPATOCELULAR As tabelas abaixo sintetizam as indicações de transplante hepático (os critérios de Milão) e os critérios indicativos de possível tratamento cirúrgico curativo no carcinoma hepatocelular. 6.4.2 OUTROS TUMORES HEPÁTICOS MALIGNOS A maioria das questões sobre tumores hepáticos malignos detém-se sobre o carcinoma hepatocelular; a tabela abaixo compara as principais diferenças clínicas e radiográficas entre ele e os demais tipos de tumores hepáticos malignos. TRATAMENTO CIRÚRGICO CURATIVO • Tumor único (há exceções) • Sem invasão vascular ou metástase à distância • Boa reserva funcional hepática (sem cirrose ou Child-Pugh A) • Bom performance status • Ausência de hipertensão porta • Ausência de hiperbilirrubinemia TRANSPLANTE HEPÁTICO • Tumor único ≤ 5 cm ou até 3 tumores ≤ 3 cm • Sem invasão vascular ou metástase à distância • Bom performance status • Ausência de comorbidades que contraindiquem o transplante Critérios de Milão Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 85 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 6.4.3 OUTROS TUMORES HEPÁTICOS Este tópico recebe especial atenção da banca da USP-SP, que comumente realiza questões em que o candidato deve identificar, com base na imagem de TC de abdome, o tipo de câncer hepático apresentado e indicar, em alguns casos, conceitos simples sobre o manejo desses tumores ! PARA FACILITAR: Dedique-se a gravar, sobretudo, os seguintes pontos: • hiperplasia nodular focal possui cicatriz central e é apenas acompanhada; • adenoma, em TC, possui realce periférico em fase precoce e centrípeto na portal, é associado ao uso de anticoncepcionais com estrogênio e tem como indicações de ressecção: > 5 cm em mulheres; e em qualquer tamanho em homens, pelo risco de malignização; • hemangioma é o tumor hepático mais comum, apresenta impregnação centrípeta, “globuliforme” pelo contraste na TC, e deve ser acompanhado. Características dos tumores hepáticos malignos Carcinoma hepatocelular Carcinoma fibrolamelar Metástase hepática Hipercaptação de contraste na fase arterial e wash-out (lavagem) precoce na fase portal e tardia Massa grande, bem delimitada, com cicatriz central e calcificações Geralmente, apresenta-se como lesões hipovasculares e múltiplas Alfafetoproteína é o marcador tumoral específico e está elevada em 50-70% dos casos Alfafetoproteína é, na maioria das vezes, normal e a neurotensina pode estar aumentada Alfafetoproteína é característica normal e o marcador tumoral terá relação com o sítio primário A maioria dos casos ocorre em paciente com cirrose e/ou hepatite B crônica Ocorre em pacientes jovens, sem cirrose O câncer colorretal é o que mais comumente leva à metástase hepática Resumo Recomendações Hemangioma • Tumor hepático mais comum • Lesão benigna, considerada uma malformação vascular, mais frequente em mulheres • Lesões hiperecoicas à ultrassonografia com reforço acústico posterior • Hemangiomas gigantes (> 10 cm) podem ser heterogêneos nos exames de imagem • TC: lesão hipodensa com impregnação periférica, gradual e centrípeta pelo contraste (“globuliforme”) • RNM: lesão hipointensa em T1 e hiperintensa em T2 • Lesões sugestivas de hemangioma à ultrassonografia devem ser avaliadas por TC ou por RNM • Está indicadoacompanhamento semestral ou anual com exame de imagem • Hemangiomas gigantes sintomáticos devem ser submetidos à ressecção cirúrgica ou embolização arterial Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 86 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Resumo Recomendações Hiperplasia nodular focal • 2º tumor benigno mais frequente no fígado, mais comum em mulheres em idade fértil • A presença de cicatriz central ao exame de imagem é característica • A relação com estrogênio é controversa, mas parece haver risco de crescimento com o uso de anticoncepcionais orais • RNM: lesão iso ou hipointensa em T1 e iso ou hiperintensa em T2, com cicatriz central • Quando observamos um nódulo suspeito de hiperplasia nodular focal, deve-se confirmar com RNM • A conduta é conservadora e devemos fazer acompanhamento a cada 6 meses - 2 anos Resumo Recomendações Adenoma • 3ª neoplasia benigna do fígado mais comum • Mais comum em mulheres em idade fértil • Está relacionado ao uso de anticoncepcionais contendo estrogênio (risco 30 vezes maior), ao uso de anabolizantes hormonais, glicogenose e síndrome metabólica • Há risco de degeneração maligna em cerca de 5-8% dos casos, especialmente em homens • USG: usualmente, é hiperecoico, podendo ser heterogêneo • TC: realce periférico na fase precoce e fluxo centrípeto na fase portal; heterogêneo • RNM: hipersinal em T1 em caso de hemorragia recente ou gordura, hipersinal em T2 em caso de hemorragia antiga ou necrose, presença de cápsula fibrosa com hipersinal em T2 • Quando observamos um nódulo suspeito de adenoma, deve-se realizar RNM • Está indicada a suspensão de anticoncepcionais com estrogênio e anabolizantes hormonais • Ressecção cirúrgica deve ser indicada em caso de adenomas ≥ 5 cm em mulheres em idade fértil, antes de engravidar, ou em homens, independentemente do tamanho, pelo risco aumentado de malignização • Se não houver indicação de ressecção, deve-se realizar controle semestral ou anual com exame de imagem Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 87 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.0 GASTROENTEROLOGIA 7.1 DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA 7.1.1 CLASSIFICAÇÃO DE FORREST Iniciando a gastroenterologia, grave com atenção a seguinte tabela, que indica a classificação de Forrest para úlceras pépticas; ela é fonte frequente para questões de Residência Médica. Aqui, é preciso gravar a descrição do estigma da úlcera associado a cada categoria, a taxa de ressangramento e as indicações de tratamento endoscópico (úlcera Forrest IA, IB, IIA, e IIB). 7.1.2 CLASSIFICAÇÃO DE SAKITA Além da classificação de Forrest, a de Sakita pode ser utilizada para categorizar as úlceras gástricas benignas. ! PARA FACILITAR: Essa classificação é abordada menos comumente nas provas do que a classificação de Forrest; memorize sobretudo o significado de cada categoria: “A” — úlcera “ativa”; “H” — do inglês healing, ou seja, úlcera em processo de cicatrização; “S” — do inglês scar, logo úlcera cicatrizada! Classificação endoscópica de Forrest para úlceras pépticas Classe Estigma da úlcera Taxa de ressangramento Requer tratamento endoscópico? Forrest I Sangramento ativo IA Sangramento “em jato” ou pulsátil Até 90% Sim IB Sangramento “em lençol” ou “em babação” 20 a 25% Sim Forrest II Sem sangramento ativo IIA Vaso visível (coto vascular na base) 43 a 50% Sim IIB Coágulo aderido 20 a 30% Sim IIC Manchas escuras de hematina < 10% Não Forrest III Úlcera de base limpa < 5% Não CAPÍTULO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 88 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Classificação de Sakita para úlcera gástrica benigna A - ACTIVE: úlcera em atividade A1: Úlcera de bordas planas, com fundo de fibrina bem espesso, amarelado e com debris celulares (representa a fase mais aguda da úlcera). A2: Úlcera com borda mais elevada e bem nítida, com fundo de fibrina mais claro, fino e sem debris. H - HEALING: úlcera em processo de cicatrização (ou reparação) H1 Aproximação das margens da úlcera, camada de fibrina bem tênue. H2 Convergência nítida de pregas, intenso enantema nas margens, abertura residual da úlcera exibe tecido de granulação, mínima ou nenhuma fibrina. S - SCAR: úlcera totalmente cicatrizada S1 Úlcera totalmente cicatrizada (não há mais abertura), porém ainda vermelha, com processo inflamatório adjacente. S2 Úlcera totalmente cicatrizada, branca, sem processo inflamatório adjacente, apenas retração da mucosa. Classificação de Johnson modificada para úlcera gástrica LOCALIZAÇÃO NÍVEL DE ÁCIDO Tipo I: 60 a 70% Pequena curvatura entre corpo e antro (incisura angularis). Essa úlcera é reflexo da pangastrite por H. pylori, em que há destruição de toda a camada de muco protetor. Portanto, ela ocorre devido à perda do mecanismo de defesa, mesmo com acidez normal ou baixa. NORMO OU HIPOCLORIDRIA Tipo II: 15% Úlcera gástrica em associação com a úlcera duodenal. Essa úlcera reflete a gastrite antral por H. pylori, que cursa com aumento da secreção ácida, provocando metaplasia gástrica no duodeno e úlcera duodenal. Portanto, seu mecanismo central é a hiperacidez. HIPERCLORIDRIA Tipo III: 20% Úlcera no canal pilórico ou pré-pilórica (até 3cm do piloro). Essa úlcera também reflete a gastrite antral por H. pylori, sem o comprometimento da mucosa do duodeno. Seu mecanismo central é a hiperacidez. HIPERCLORIDRIA Tipo IV: <5% Úlcera alta, localizada no corpo proximal ou na cárdia. Essa úlcera é rara e também está relacionada à perda dos mecanismos de defesa. A etiologia não é muita clara, mas pode ocorrer em vigência de H. pylori. NORMO OU HIPOCLORIDRIA Tipo V: Múltiplas úlceras em qualquer parte do estômago. São causadas pelos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que reduzem difusamente os mecanismos de defesa da mucosa. Por isso, as úlceras são múltiplas e podem ocorrer em qualquer parte do estômago. Não há hipercloridria. NORMOCLORIDRIA Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 89 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.2 HELICOBACTER PYLORI A tabela abaixo resume os testes utilizados para diagnóstico de H. pylori. Entre as questões de gastroenterologia, as questões sobre H. pylori costumam abordar sobretudo as indicações para pesquisa e tratamento da bactéria e os exames adequados na investigação. Grave sobretudo as indicações absolutas apontadas na tabela abaixo! As indicações relativas são mais debatidas na literatura e, por esse motivo, menos avaliadas pelas bancas de Residência, mas vale recordá-las. ! PARA FACILITAR: Atenção para os seguintes conceitos: • sorologia e teste rápido de urease não servem para controle de cura! Esse conceito é fonte frequente de pegadinhas nas questões sobre o tema; • a análise histopatológica deve ser indicada para controle de cura quando for identificada, na EDA inicial, uma úlcera em atividade, já que, nesses casos, o paciente terá de ser submetido à nova EDA para controle da úlcera. Cuidado para não confundir teste respiratório com ureia marcada com teste rápido da urease! O primeiro serve para diagnóstico e controle de cura, e costuma ser o mais abordado nas questões de Residência! Indicação para pesquisa e tratamento de Helicobacter pylori ABSOLUTAS (Obrigatórias) Úlcera péptica Adenocarcinoma gástrico Linfoma MALT RELATIVAS Uso crônico de AAS / AINEs Adenocarcinoma gástrico em parentes de primeiro grau Púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) Anemia ferropriva crônica sem causa definida Dispepsia crônica, mesmo na ausência de úlcera Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 90 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Neste tópico, os principais conceitos abordados consistem nas medidas iniciais indicadas para HDA e no manejo específico da HDA varicosa. ! PARA FACILITAR: Fixe os seguintes conceitos: • medida inicial→ reposição volêmica! Se necessária transfusão de hemoderivados, teremos diferentes alvos de Hb, a depender das comorbidades do paciente; • na HDA de etiologia varicosa, lembre-se das medidas → vasoconstrição esplâncnica; profilaxia com antibiótico se cirrótico; • na EDA, realiza-se ligação elástica ou esclerose das varizes; • obs.: nas varizes de fundo gástrico, indica-se obliteração com cianoacrilato — detalhe já cobrado pela USP-SP! • na HDA em geral, temos 24h para realização da EDA e, na etiologia varicosa, 12h! 7.3 HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA Testes diagnósticos para a Helicobacter pylori TESTE INDICAÇÃO DE USO INVASIVOS Análise histopatológica DIAGNÓSTICO E CONTROLE DE CURA Teste rápido da urease DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVOS Teste respiratório com ureia marcada (carbono 13 ou carbono 14) DIAGNÓSTICO E CONTROLE DE CURA Pesquisa de antígeno fecal DIAGNÓSTICO E CONTROLE DE CURA Sorologia DIAGNÓSTICO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 91 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: Grave as principais indicações de cada exame: 1. em cenário de paciente instável: • se melhorar com a reposição volêmica, EDA; caso esse exame seja normal, realizaremos: • colonoscopia se sangramento leve; • angio-TC ou cintilografia se sangramento intenso. • se não melhorar com a reposição, arteriografia ou cirurgia; 2. em cenário de paciente estável, com sangramento autolimitado, indicaremos colonoscopia para investigação inicial. 7.4 HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA A hemorragia digestiva baixa é abordada nas provas de Residência principalmente quanto à indicação adequada dos exames para investigação e manejo do quadro. Os fluxogramas abaixo resumem este assunto. ORGANOGRAMA DA HDA VARICOSA Reposição de cristaloides e avaliar intubação se sensório rebaixado Alvos: PA sistólica entre 90-100 mmHg e FC < 100 bpm Internação em CTI Cirurgia: evitar em cirróticos/ opção na esquistossomose. Vasoconstrictor esplênico Terlipressina, Octreotide ou Somatostatina 3 a 5 dias Considerar Eritromicina 250 mg IV (procinético) Cirrótico → Profilaxia com ATB: Norfloxacina VO ou Ceftriaxone IV por 7d Hemoderivados: Transfundir se Hb < 7 g/dL (alvo 7 - 9g/dL) Plasma ou Fatores apenas com a coagulopatia definida Endoscopia Digestiva Alta em até 12h: Ligadura elástica (preferível) ou esclerose Variz de fundo gástrico: Cianoacrilato Sangramento refratário à terapia endoscópica TIPS precoce Cardiopata grave: Hb > 9g/dL (Ht > 30%) Sangramento maciço com instabilidade refratária Balão de Sengstaken- Blackemore por 24h Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 92 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Suspeitamos de sangramento de intestino delgado em paciente com hemorragia digestiva baixa autolimitada não identificada em colonoscopia e em endoscopia digestiva alta. Nesse tópico, as bancas abordam sobretudo a correta indicação de exame para investigação. ! PARA FACILITAR: Na suspeita de sangramento de intestino delgado, grave as seguintes indicações: • se sangramento oculto e intermitente, cápsula endoscópica; • se sangramento ativo, angioTC ou cintilografia (tais exames requerem uma taxa de sangramento ativo para que sejam eficazes). Sangramento INTENSO e INSTABILIDADE refratária Sangramento maciço com instabilidade hemodinâmica RESTAURAÇÃO VOLÊMICA Avaliar transfusão Cintilografia ou Angio TC ARTERIOGRAFIA OU CIRURGIA ARTERIOGRAFIA CIRURGIA EDA COLONOSCOPIA Paciente ESTABILIZADO, mas Sangramento ativo PERSISTENTE E INTENSO Estabilizou? NORMAL Paciente ESTABILIZADO Sangramento leve a moderado ou intermitente Localizou? Falha terapêutica Inconclusiva ou falha terapêutica Localizou e tratou Normal Suspeitar de sangramento de delgado Localizou e tratou Localizou e tratou Não localizou Não localizou Suspeitar de sangramento de delgado Paciente estável Sangramento autolimitado COLONOSCOPIA EDA Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 93 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.5 DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO Dentro deste tópico, o principal ponto de memorização abordado nas provas consiste na classificação de Los Angeles para esofagite péptica, cuja principal causa consiste na doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). ! PARA FACILITAR: Observe que a definição de cada grau acompanha a severidade das erosões presentes na mucosa esofágica; grave sobretudo a descrição do grau C, que permite estabelecer o diagnóstico da DRGE durante sua investigação. Classificação de Los Angeles para esofagite péptica Grau A Erosões menores do que 5mm, em pregas isoladas. Grau B Erosões maiores do que 5mm, em pregas isoladas. Grau C Erosões confluentes entre mais de uma prega no esôfago distal, porém, ocupando menos de 75% da circunferência. Grau D Erosões confluentes, ocupando mais de 75% da circunferência. Sangramento suspeito de INTESTINO DELGADO Paciente INSTÁVEL Sangramento ATIVO Paciente ESTÁVEL Sangramento OCULTO ou INTERMITENTE NÃO ESTABILIZOU ESTABILIZOU Enteroscopia intraoperatória Enteroscopia AntioTC cintilografia CÁPSULA endoscópica Arteriografia com embolização Cápsula endoscópica localizou não localizou Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 94 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.6 PANCREATITE AGUDA Os critérios de Ranson são utilizados para predição de gravidade nos casos de pancreatite aguda. ! PARA FACILITAR: As bancas de Residência Médica raramente cobram o conhecimento dos valores indicativos de alterações nos parâmetros avaliados no escore, porém, mais comumente, exigem saber, em linhas gerais, quais são os parâmetros avaliados por ele. Observe que os níveis de amilase e lipase não são preditores de gravidade e que os preditores avaliados nas primeiras 48h são demonstrativos do caso de inflamação sistêmica e extravasamento vascular que ocorrem nos casos de pancreatite aguda — esses conceitos são frequentemente questionados nas provas! ÍNDICE DE SEVERIDADE POR TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA CRITÉRIOS DE BALTHAZAR Classificação Achados tomográficos Pontuação (A) A Pâncreas normal 0 pontos B Aumento focal ou difuso do pâncreas 1 ponto C Inflamação peripancreática associada a anomalias pancreáticas 2 pontos D Coleção líquida em apenas uma localização 3 pontos E Duas ou mais coleções líquidas e/ou gás no pâncreas e adjacências 4 pontos Dentro deste tópico, fique atento às classificações clínicas e radiológicas dos quadros de pancreatite aguda. A tabela abaixo resume a classificação de Balthazar, que indica a severidade do caso. Note que, conforme aumenta a classificação, temos sinais crescentes de destruição pancreática — inflamação, coleção localizada e, por fim, coleções líquidas e/ou gás, indicativas de necrose pancreática possivelmente infectada. CRITÉRIOS DE RANSON Admissão Primeiras 48 horas Etiologia não-biliar Etiologia biliar Etiologia não-biliar Etiologia biliar Idade > 55 anos Idade > 70 anos Queda hematócrito > 10% Queda hematócrito > 10% Leucócitos > 16.000/ mm3 Leucócitos > 18.000/ mm3 Aumento de ureia > 10 mg/dL Aumento de ureia > 4 mg/dL Glicose > 200 mg/dL Glicose > 220 mg/dL Cálcio < 8 mg/dL Cálcio < 8 mg/dL LDH > 350 U/L LDH > 400 U/L PaO2 < 60 mmHg PaO2 < 60 mmHg AST (TGO) > 250 U/dL AST (TGO) > 250 U/dL BE < -4 mEq/L BE < -5 mEq/L Perda de líquido estimada > 6 litros Perda de líquido estimada > 4 litros Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 95 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.7 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL Um dos temas favoritos das bancas dentro da gastroenterologia. Aqui, é preciso saber diferenciar retocolite ulcerativa e doença de Crohn quanto ao envolvimento de diferentes partes do sistema digestivo e reconhecer suas principais manifestações extraintestinais. Analise a tabela abaixo, que resume as manifestações extraintestinais das doençasinflamatórias intestinais. ! PARA FACILITAR: Grave sobretudo as três manifestações relacionadas à atividade intestinal: eritema nodoso, artrite periférica e episclerite! Principais diferenças entre RCU x DC Retocolite ulcerativa Doença de Crohn Acometimento Contínuo e ascendente Descontínuo Locais afetados Reto e cólon Da boca ao ânus Camadas afetadas Mucosa Transmural Fístulas Não Sim Sangue e muco Frequente Ocasionalmente Dor em cólica Ocasionalmente Frequente Sintomas sistêmicos Ocasionalmente Frequente Obstrução do intestino delgado e cólon Não para delgado Rara para cólon Frequente Envolvimento retal Comum Raro Doença perianal Raríssima Comum Massa abdominal Rara Frequente Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 96 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.8 CÂNCER DE CÓLON Questões sobre o tratamento do câncer de cólon são frequentes tanto entre as questões de clínica médica como nas questões de cirurgia e podem ser resolvidas tendo posse de alguns conceitos essenciais. 7.8.1 MANEJO DO CÂNCER DE CÓLON NÃO RETAL ! PARA FACILITAR: Fique atento às seguintes principais indicações de cada tratamento: • Estádio clínico (EC) I e EC II baixo risco → cirurgia. • EC II alto risco e EC III → cirurgia + quimioterapia adjuvante (após a cirurgia). • EC IV → quimioterapia paliativa. Manifestações extraintestinais das DIIs Doença mais comum Relacionada à atividade intestinal? Pioderma gangrenoso RCU Não Eritema nodoso DC Sim Artrite periférica DC Sim Artrite axial RCU Não Episclerite DC Sim Uveíte RCU = DC Não CEP RCU Não Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 97 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.8.2 MANEJO DO CÂNCER DE RETO ! PARA FACILITAR: O manejo assemelha-se ao indicado para o câncer não retal, porém algumas diferenças merecem destaque; atenção especial às indicações de quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes: • como acontece no câncer não retal, EC I tem indicação de cirurgia e EC IV de quimioterapia paliativa; • para EC II e EC III — grave que isso ocorre se o estadiamento é T3/T4 e/ou N+ -, ou, se o câncer é próximo do aparelho esfincteriano, o manejo é diferente: • quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) + radioterapia neoadjuvante + cirurgia + quimioterapia adjuvante (após a cirurgia). CÂNCER DE CÓLON NÃO RETAL ALTO RISCO* CIRURGIA** + QT ADJUVANTE EC III (N+) EC I (T1 -T2, N0) BAIXO RISCO CIRURGIA** QT PALIATIVA EC II (T3 -T4, N0) EC IV (M+) METÁSTASES RESSECÁVEIS METÁSTASES IRESSECÁVEIS **Colectomia segmentar + Linfadenectomia regional *<12 linfonodos, T4, perfurado, obstrução, pouco diferenciados, invasão angiolinfática Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 98 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED A tabela abaixo reforça as indicações de radioterapia neoadjuvante no manejo de câncer de cólon retal. ALTO RISCO* QRT NEOADJUVANTE + CIRURGIA + QT ADJUVANTE EC III (N+) EC I (T1 -T2, N0) CIRURGIA QT PALIATIVA EC II (T3 -T4, N0) EC IV (M+) METÁSTASES RESSECÁVEIS METÁSTASES IRESSECÁVEIS • Lesões T3/T4 e/ou N+ • Invasão do mesorreto • Proximidade com o aparelho esfincteriano CÂNCER DO RETO INDICAÇÕES DE RADIOTERAPIA NEOADJUVANTE Estádio II (tumores cT3 ou cT4) Tumores que se estendem por meio da muscular da mucosa. Estádio III Presença de linfonodo acometido. Invasão do mesorreto Tumores que invadem, ou mesmo “ameaçam” (estão a menos de 1-2mm) a fáscia mesorretal na imagem pré-operatória. Localização no reto interior Mesmo para cânceres retais T2N0 clínicos muito seletos, a radioterapia pré-operatória pode ser considerada quando tumor volumoso em íntima proximidade com a parte superior do esfíncter anorretal impede a preservação do esfíncter. Uma boa resposta à radioterapia pode reduzir de modo suficiente a massa tumoral para permitir um procedimento poupador do aparelho esfincteriano, evitando uma colostomia definitiva. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 99 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.9 TUMORES ESOFÁGICOS E GÁSTRICOS 7.9.1 NEOPLASIAS DE ESÔFAGO Dentro deste tópico, têm ganhado espaço, nas questões de Residência Médica, as indicações de possível tratamento endoscópico nas neoplasias precoces de esôfago. ! PARA FACILITAR: Grave que, para que esse tratamento seja possível, temos de ter tumor muito precoce, com as características: T1a e plano (pouco invasivo), com tamanho < 2 cm, e bem diferenciado (sinal de menor malignidade). Caso a neoplasia seja avançada, o tratamento será diferente, como resume a tabela abaixo. Observe que, exceto no tumor de esôfago cervical com remissão completa após tratamento neoadjuvante, todos os casos serão submetidos à cirurgia (esofagectomia + linfadenectomia mediastinal) e alguns deles terão indicação de terapia neoadjuvante: T3, T4 e/ou N+. 7.9.2 MANEJO DO ADENOCARCINOMA DE ESÔFAGO Critérios para tratamento endoscópico x cirúrgico em neoplasias precoces de esôfago Podem tentar tratamento endoscópico Preferir tratamento cirúrgico Tumor bem diferenciado Restrito à mucosa (T1a): intraepitelial (M1) ou de lâmina própria (M2) M3 (muscular da mucosa) se não tiver invasão linfovascular Tamanho < 2 cm Lesão plana Tumor pouco diferenciado Invadindo submucosa (SM1, SM2 ou SM3) M3 (muscular da mucosa) se tiver invasão linfovascular Tamanho > 2 cm Lesão elevada, deprimida ou ulcerada Tratamento dos tumores de esôfago avançados Localização Tratamento Esôfago cervical Terapia neoadjuvante Se houver remissão completa, a cirurgia pode não ser necessária Esôfago torácico T2 < 2cm, indiferenciados ou com linfonodos (N+) Esofagectomia com linfadenectomia mediastinal T2 > 2 cm, indiferenciados ou com linfonodos (N+) Terapia neoadjuvante + esofagectomia e linfadenectomia mediastral T3 e T4 Com ou sem linfonodos, qualquer grau de diferenciação Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 100 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.9.3 NEOPLASIAS DE ESTÔMAGO As questões sobre manejo de neoplasias de estômago, sobretudo do adenocarcinoma gástrico, são frequentes nas provas de Residência Médica e costumam abordar conceitos essenciais da classificação, estadiamento e manejo desses casos. 7.9.4 CLASSIFICAÇÃO DE BORRMANN Grave a classificação endoscópica de Borrmann, que categoriza os casos de câncer gástrico. Note que a classificação piora à medida que a lesão gástrica se torna mais infiltrativa e menos delimitada, atingindo o pior grau com a “linitis plastica”. 7.9.5 ESTADIAMENTO DO ADENOCARCINOMA GÁSTRICO A figura abaixo resume os principais exames utilizados no estadiamento do adenocarcinoma gástrico. ! PARA FACILITAR: As bancas de Residência frequentemente questionam que exame deve ser solicitado em um caso de adenocarcinoma gástrico. Observe que cada exame possui uma utilidade principal diferente, resumida na imagem! Destaque especial para a ecoendoscopia, utilizada em lesões precoces para definir grau de invasão locorregional, e para a laparoscopia diagnóstica, empregada quando os exames de estadiamento são inconclusivos sobre a disseminação da doença. Classificação endoscópica de Borrmann para tumores gástricos avançados Borrmann I Lesão polipoide ou vegetante, bem delimitada Borrmann II Lesão ulcerada e de bordas elevadas, mas continua bem delimitada Borrmann III Lesão ulcerada, infiltrativa e com borda mal delimitada Borrmann IV A “linitis plástica” é a lesão difusamente infiltrativa pelo estômago Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 101 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.9.6 MANEJO DO ADENOCARCINOMA GÁSTRICO O fluxograma abaixo resume o manejo do adenocarcinoma gástrico. ! PARA FACILITAR: Grave os seguintes conceitos: • câncer muito precoce (T1,< 2 cm, não ulcerado): ressecção endoscópica; • a partir de T2: gastrectomia + linfadenectomia a D2; • seT3/T4/N+: QT neoadjuvante + gastrectomia + linfadenectomia a D2; • se metastático: QT, RD, cirurgia paliativa. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 102 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Para fechar o tema, o fluxograma abaixo resume os principais conceitos sobre o adenocarcinoma gástrico abordados nas provas de Residência Médica. ADENOCARCINOMA GÁSTRICO Câncer gástrico precoce (cT1) M0 M1 cT1aN0 cT1bN0 cT2N0 Câncer gástrico avançado cT3/ cT4 / cN+ Quimioterapia Neoadjuvente Gastrectomia + Linfadenectomia Gastrectomia + Linfadenectomia à D2 Ressecção endoscópica Observação cT1aN0 Bem diferenciado Não ulcerado < 2cm Sem invasão angiolinfática Quimioterapia Radioterapia Cirurgia paliativa Gastrectomia + Linfadenectomia à D1 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 103 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ADENOCARCINOMA GÁSTRICO FATORES DE RISCO MODIFICÁVEIS FATORES DE RISCO NÃO MODIFICÁVEIS DIAGNÓSTICO ESTADIAMENTO SINAIS DE MTX + COMUM: Homens, idosos, estômago médio-distal Helicobacter pylori, tabagismo Alimentos embutidos, defumados, em conserva, risco em sal, nitritos e nitratos Mutação da E-caderina, inativação do p53, tipo sanguíneo A, gastrite autoimune (anemia perniciosa), gastrectomia subtotal a B-I ou B-II, passado de Linfoma MALT Endoscopia Digestiva Alta TC de tórax, abdome e pelve Investigar as lesões, incluindo métodos invasivos, como a LAPAROSCOPIA DIAGNÓSTICA QT e RT paliativa Tratamento PALIATIVO Tentar tratamento ENDOSCÓPICO sugere neoplasia SUPERFICIAL Apenas invasão linfonodal Classificação endoscópica de BORRMANN Classificação histológica de LAUREN Tipo I: Polipoide Tipo II: Úlcera elevada Tipo III: Úlcera infiltrativa Tipo IV: Infiltrativo difuso Tipo INTESTINAL: Bem diferenciado, forma glândulas, tem adesividade delular, MTX hematogênica NEGATIVA ou doença localizada MTX à distância MTX à distância NEGATIVA ou doença localizada Lesões INCONCLUSIVAS Tratamento cirúrgico CURATIVO sugere neoplasia LOCALMENTE AVANÇADA ECOENDOSCOPIA Ascite TU Krukenberg Irmã Maria José Sinal de Troisier Nodo de Virchow Linfonodo de Irish Prateleira de Blumer Tipo DIFUSO: Indiferenciado, não forma glândulas, baixa adesividade celular, MTX linfática e invasão Células em ANEL DE SINETE Mulheres, jovens, estômago proximal - COMUM: PET-Scan Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 104 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 7.9.7 NEOPLASIAS DA JUNÇÃO ESOFAGOGÁSTRICA 7.9.7.1 CLASSIFICAÇÃO DE SIEWERT A tabela abaixo resume a classificação de Siewert, que descreve os adenocarcinomas da junção esofagogástrica quanto a sua localização. 7.9.7.2 MANEJO DAS NEOPLASIAS DA JUNÇÃO ESOFAGOGÁSTRICA Observe que, para gravar o manejo dessas neoplasias, basta recordar a classificação de Siewert, e indicar o tratamento cirúrgico semelhante ao que seria indicado para o adenocarcinoma de esôfago e de estômago. Classificação de Siewert para lesões da junção esofagogástrica Tipo I Adenocarcinoma do esôfago distal (1 a 5 cm acima da JEG) Tipo II Adenocarcinoma da cárdia (1 cm acima ou até 2 cm abaixo da JEG). Tipo III Adenocarcinoma subcárdico (> 2 cm abaixo da JEG = gástrico). Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 105 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.0 NEFROLOGIA 8.1 GLOMERULOPATIAS 8.1.1 CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS GLOMERULOPATIAS A nefrologia pode assustar pela complexidade dos temas, mas saber alguns conceitos básicos sobre as principais glomerulopatias pode lhe garantir questões difíceis nas provas de Residência Médica! Atenção especial com o resumo da tabela abaixo! Tratamento dos tumores da junção esofagogástrica conforme a classificação de Siewert Tipo I Entre 1cm e 5 cm acima da JEG (Tumor de esôfago distal) Terapia neoadjuvante seguida de ESOFAGECTOMIA SUBTOTAL (transtorácica), podendo ser associada à GASTRECTOMIA PROXIMAL. Tipo II 1 cm acima a 2 cm abaixo da JEG ESOFAGECTOMIA DISTAL associada à GASTRECTOMIA TOTAL com linfadenectomia D2. Tipo III > 2 cm abaixo da JEG GASTRECTOMIA TOTAL com linfadenectomia D2 associada à ESOFAGECTOMIA DISTAL. CAPÍTULO Glomerulopatia Características mais relevantes Consumo de complemento Glomerulonefrite pós- estreptocócica Ocorre após infecção estreptocócica; ASO e/ou AntiDNAse B positivos; síndrome nefrítica com boa evolução C3 Nefropatia por IgA Hematúria macroscópica após infecções de vias aéreas superiores ou hematúria microscópica persistente como um achado laboratorial; imunofluorescência com predomínio de IgA Não há consumo. Nefrite lúpica Mulher jovem, artralgia, rash malar, anemia hemolítica, FAN e antiDNA positivos; Imunofluorescência full house C3 e C4 Glomerulonefrite membranoproliferativa Presença de causa secundária como doenças infecciosas, neoplasias sólidas ou hematológicas e doenças autoimunes C3 e C4 Vasculites ANCA associadas Idade mais avançada, acometimento de via aérea superior ou pulmonar, positividade do ANCA; imunofluorescência negativa Não há consumo. Crioglobulinemia Associação com HCV, sinais de vasculites de pequenos vasos C3 e C4 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 106 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.1.2 VASCULITES ANCA-ASSOCIADAS Complementando a tabela anterior, observe os três tipos de vasculites ANCA-associadas; geralmente, as questões exigem reconhecer a hipótese com base nos sinais e sintomas e, em alguns casos, o tipo de ANCA a ela associados. 8.1.3 NEFRITE LÚPICA As bancas de Residência Médica têm exigido, em anos recentes, o conhecimento de mais detalhes sobre as classes de nefrite lúpica. Observe que as classes indicam graus crescentes de lesão renal. Tenha atenção especial com a forma IV (proliferativa difusa), a mais comum nas questões sobre o tema. Vasculites ANCA associadas - Granulomatose com poliangeíte (Wegener) Granulomatose eosinofílica com poliangeíte (Churg – Strauss) Poliangeíte microscópica ANCA c – ANCA p – ANCA p – ANCA Antígeno Proteinase – 3 (PR3) Mieloperoxidase (MPO) Mieloperoxidase (MPO) Apresentação clínica - Sinusite destrutiva - Nódulos pulmonares cavitados - Glomerulonefrite - Síndrome pulmão-rim - Asma - Infiltrado pulmonar migratório - Dermatite atópica - Glomerulonefrite - Sintomas constitucionais - Síndrome pulmão- rim - Glomerulonefrite Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 107 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.1.4 GLOMERULONEFRITE PÓS-ESTREPTOCÓCICA Dentro do tema da GNPE, abordado em questões tanto da clínica como da pediatria, é essencial saber as indicações de biópsia. ! PARA FACILITAR: Para lembrar as indicações, observe que são todas características clínicas e laboratoriais que fogem da história típica autolimitada da GNPE. Assim, perda de função renal, hipertensão persistente, consumo de C3 por 8 semanas, todos não esperados no curso clínico usual da doença, são indicações de biópsia renal para avaliação de diagnósticos alternativos. Classe (ISN / RPS 2003) Definição histológica Alterações urinárias Alterações clínico/ laboratoriais I – Mesangial minima Glomérulos normais, mas com depósitos de imunoglobulinas Nada significativo Sem alterações relevantes II – Proliferativa Mesangial Proliferação mesangial Hematúria dismórfica Proteinúria subnefrótica (quando presente) Sem alterações relevantes III – Proliferativa focal Proliferação mesangial e endocapilar em menos de 50% dos glomérulos com depósitos subendoteliais de imunoglobulinas Hematúria dismórfica Proteinúria subnefrótica Consumo de complemento Piora de função renal (menos comum que a classe IV) IV – Proliferativa difusa Proliferação mesangial e endocapilar em mais de 50% dos glomérulos com depósitos subendoteliais de imunoglobulinas Pode haver formação de crescentesHematúria dismórfica Proteinúria subnefrótica Consumo de complemento Piora de função renal Uremia V – Membranosa Espessamento da membrana basal com depósitos subepiteliais de imunoglobulinas Proteinúria nefrótica Edema Hipoalbuminemia Dislipidemia VI – Esclerosante Esclerose glomerular em > 90% da amostra Hematúria residual; proteinúria subnefrótica Doença renal em estágio terminal Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 108 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.1.5 SÍNDROME NEFRÓTICA Neste tópico, é essencial lembrar da tríade diagnóstica da síndrome nefrótica. Além disso, lembre-se de que valores específicos de proteinúria, em adultos e em crianças, são definidos como nefróticos: 8.1.6 INDICAÇÕES DE BIÓPSIA NA SÍNDROME NEFRÓTICA NA INFÂNCIA ! PARA FACILITAR: Para lembrar as indicações, semelhantemente ao raciocínio nos casos de GNPE, observe que são todas características clínicas e laboratoriais que fogem da história típica autolimitada da síndrome nefrótica por lesões mínimas, a mais comum na infância. Indicações para considerar uma biópsia em um caso suspeito de GNPE Anúria ou alteração grave da função renal nas primeiras 48 a 72h Consumo de C3 por mais de 8 semanas Ausência de melhora da função renal por 2 semanas Persistência de hipertensão arterial por mais de 2 a 4 semanas Presença de sinais de doença sistêmica que sugiram outra etiologia (por exemplo: anemia hemolítica, artralgia, leucopenia e rash malar, sugestivos de lúpus). Proteinúria subnefrótica Hematúria glomerular Ausência de hipertensão, edema ou piora de função renal Memorize esses valores! Proteinúria nefrótica: > 3,5g/dia em adultos ou > 50mg/kg/dia em crianças. Hipoalbuminemia: < 3,5g/dL em adultos e < 3,0 (ou 2,5g/dL) em crianças. Esses conceitos são abordados às vezes em provas de maneira bastante direta. Vamos ver? Critérios para indicar biópsia renal em uma síndrome nefrótica na infância Idade < 1 ano e > 10 anos Presença de hematúria macroscópica ou persistente Consumo das frações do complemento Piora importante da função renal Hipertensão não relacionada ao uso do corticoide Ausência de resposta à corticoterapia Sinais de doença sistêmica (como artralgia, rash malar, fotossensibilidade – manifestações do lúpus – por exemplo) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 109 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.2 LESÃO RENAL AGUDA (LRA) As principais questões sobre esse tema abordam a classificação da LRA, a diferenciação entre lesão pré-renal e renal baseada nos exames laboratoriais e as indicações de diálise de urgência. 8.2.1 CRITÉRIOS KDIGO 8.2.2 CLASSIFICAÇÃO DA LRA ! PARA FACILITAR: Raciocine que, nos casos de lesão renal, a função de reabsorção de eletrólitos estará prejudicada; assim, o rim excreta mais sódio e ureia, resultando nas alterações laboratoriais abaixo elencadas. Diferentemente, na lesão pré-renal, que geralmente ocorre por estado de hipovolemia e/ou hipoperfusão renal, os rins estão ávidos por reabsorver sódio; assim, teremos alterações opostas à LRA renal. Classificação da lesão renal aguda – Critério de KDIGO Estágio Creatinina sérica Débito urinário KDIGO I ≥ 0,3mg/dL, em 48h 1,5-1,9 x Cr basal < 0,5mL/kg/h, por 6-12h KDIGO II 2,0-2,9 x Cr basal < 0,5mL/kg/h, por ≥ 12h KDIGO III ≥ 3x Cr basal Cr ≥ 4mg/dL Início de terapia renal substitutiva < 0,3mL/kg/h, por ≥ 24h Anúria, por ≥ 12h Alterações laboratoriais PRÉ-RENAL RENAL Fração de excreção de sódio < 1% > 1% Sódio urinário < 20mmol/L > 20mmol/L Osmolaridade urinária > 500mOsm/L < 500mOsm/L Densidade urinária > 1.020 < 1.020 Fração de excreção de ureia < 35% > 35% Relação ureia/creatinina > 40 < 20 Relação creatinina urinária/creatinina plasmática > 40 < 20 Cilindros Hialinos Granulosos Tabela 3: Alterações laboratoriais da pré-renal x necrose tubular aguda (NTA). Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 110 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.2.3 INDICAÇÕES DE DIÁLISE DE URGÊNCIA Atenção especial com esse tópico, frequente na prática clínica e nas provas de Residência! ! PARA FACILITAR: Raciocine que indicaremos diálise de urgência sempre que a função renal estiver comprometida a ponto de não ser capaz de cumprir, justamente, as funções principais dos 8.3 DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) 8.3.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA DRC Grave os critérios diagnósticos de DRC. Atenção para a duração necessária > 3 meses e para o seguinte detalhe: não é necessário haver alteração de TFG para que tenhamos o diagnóstico de DRC, a presença de lesões anatômicas renais por mais de 3 meses, por exemplo, já define esse diagnóstico! Esse ponto já foi abordado em questões da USP-RP. 8.3.2 CLASSIFICAÇÃO E ESTADIAMENTO DA DRC Além dos critérios diagnósticos, é essencial conhecer, para a prova, o modo de classificar os casos de DRC. Aqui, entrará a albuminúria! Atenção especial com os casos de nefropatia decorrente de DM2, em que a primeira alteração observada, antes mesmo da queda da taxa de filtração glomerular, pode ser o aumento da albuminúria! As indicações de diálise de urgência são: - Hipercalemia refratária a medidas clínicas; - Acidose metabólica grave refratária à reposição de bicarbonato ou com contraindicação a sua utilização; - Hipervolemia grave refratária a diuréticos (por exemplo: edema agudo de pulmão); - Manifestações urêmicas graves, como rebaixamento do nível de consciência, pericardite urêmica, sangramento digestivo; - Intoxicações exógenas graves por substâncias, sabidamente, dialisáveis (metanol, etilenoglicol, metformina, lítio e salicilato). CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA DRC (PRESENTES POR PERÍODO > 3 MESES) Redução da TFG TFG < 60mL/min/1,73m2 Presença de alteração estrutural Passado de transplante renal Anormalidade anatômica Anormalidade histológica Distúrbios hidroeletrolíticos secundários a doenças tubulares renais Anormalidades do sedimento urinário Presença de albuminúria ≥ 30mg/24 horas rins: manter a homeostase do volume circulatório e dos principais eletrólitos e eliminar toxinas; além disso, observe que, para indicar diálise, as alterações observadas devem ser refratárias às medidas clínicas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 111 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.4 DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE Quando falamos de nefrologia, esse é um dos tópicos que mais assustam os alunos. As questões de Residência sobre esse tópico, frequentes na USP-RP, geralmente enfocam o diagnóstico do tipo de distúrbio apresentado e, em alguns casos, o levantamento das principais causas do distúrbio. Para iniciar o tema, grave os conceitos da tabela abaixo, que servirão para dar o diagnóstico inicial do distúrbio apresentado pelo paciente. ! PARA FACILITAR: Ao encontrar uma questão que solicite diagnóstico de distúrbio ácido-base, comece analisando o pH; baseado nele, definiremos se se trata de alcalose ou acidose; em seguida, analisando os valores de HCO3 e pCO2, você definirá a origem metabólica ou respiratória do quadro; quando se tratar de distúrbio respiratório, será preciso determinar se tratamos de alteração aguda ou crônica, o que será deduzido da história clínica do paciente. Em seguida, como indica a tabela, é necessário calcular a magnitude da resposta compensatória, usando o cálculo indicado para cada distúrbio. Por fim, quando a questão tratar de um caso de acidose metabólica, será preciso analisar o ânion gap e o delta/delta, para determinar o tipo de acidose e a presença de distúrbios associados. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 112 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.4.1 FLUXOGRAMA DA ACIDEMIA O fluxograma diagnóstico abaixo indica a investigação dos casos de acidemia. Direção das respostas secundárias Distúrbio primário Evento primário pH Direção daresposta Acidose metabólica ↓ HCO3 - ↓ ↓ pCO2 Alcalose metabólica ↑ HCO3 - ↑ ↑ pCO2 Acidose respiratória ↑ pCO2 ↓ ↑ HCO3 - Alcalose respiratória ↓ pCO2 ↑ ↓ HCO3 - Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 113 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.4.2 ÂNION GAP Memorizar o cálculo do ânion gap será essencial para resolver questões sobre o diagnóstico de distúrbios acidóticos. Esse cálculo, que representa os ânions não medidos durante a realização de exames laboratoriais, é realizado com: 8.4.3 FLUXOGRAMA DA ALCALEMIA O fluxograma diagnóstico abaixo indica a investigação dos casos de alcalemia. Observe que, nesses casos, precisamos apenas determinar se tratamos de distúrbio metabólico ou respiratório, agudo ou crônico, e se tem resposta compensatória adequada; os demais cálculos são necessários para avaliar casos de acidose metabólica! Ânion gap = sódio – (cloreto + bicarbonato) Valor normal: 8 a 12 mEq/L Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 114 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 8.5 SÍNDROME DE LISE TUMORAL A síndrome de lise tumoral, complicação grave que ocorre espontaneamente ou em decorrência do tratamento de diversos tipos de câncer, cursa com importantes alterações metabólicas e clínicas. Grave essas alterações com a tabela abaixo. 8.6 NEFROLITÍASE 8.6.1 MANEJO DA NEFROLITÍASE Dentro do tópico da nefrolitíase, é necessário gravar as indicações dos diferentes métodos cirúrgicos para manejo da doença. ! PARA FACILITAR: Grave que o manejo cirúrgico será indicado para cálculos de tamanho > 1 cm. Feito isso, diferenciamos o manejo do seguinte modo: • Se cálculo > 2 cm, não tem jeito → nefrolitotomia percutânea; • Se tamanho 1-2 cm, as opções abordadas nas provas são a ureteroscopia e a LEOC (ondas de choque!); • observe que, na maioria das situações, podemos realizar e optamos pelo meio endoscópico, com a ureteroscopia! • Se o cálculo estiver em polo inferior, a retirada endoscópica pode ser mais complicada, e poderá ser considerada a cirurgia percutânea. Para realizar a LEOC, por fim, algumas condições clínicas e anatômicas, descritas no fluxograma, não podem estar presentes! Critérios de CAIRO-BISHOP Síndrome de lise tumoral laboratorial Síndrome de lise tumorial clínica Presença de dois dos seguintes critérios: • Fósforo ≥ 4,5mg/dL • Potássio ≥ 6mg/dL • Cálcio total ≤ 7mg/dL • Ácido úrico ≥ 8mg/dL Presença de um critério clínico: • lesão renal aguda • crise convulsiva • arritmia cardíaca ou morte súbita Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 115 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED > 2cm < 2cm NLPC* Localização do cálculo Tamanho do cálculo renal Polo inferior Polo médio ou superior Ureteroscopia ou NLPC Obesidade Gestação Diatése hemorrágica Densidade > 900 UH Alteração anatômica das vias urinárias Sim Não Ureteroscopia LEOC* ou Ureteroscopia Ureter distalUreter proximal ou médio UreteroscopiaLocalização do cálculo Localização do cálculo ureteral ≤ 1 cm > 1 cm Ureteroscopia Obesidade Gestação Diatése hemorrágica Densidade > 900 UH Alteração anatômica das vias urinárias Sim Não Ureteroscopia Ureteroscopia ou LEOC* Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 116 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.0 INFECTOLOGIA 9.1 MENINGITES 9.1.1 CARACTERÍSTICAS DO LIQUOR EM CADA ETIOLOGIA DE MENINGITE Para iniciar o tema das meningites, grave com cuidado os parâmetros da tabela a seguir! Questões sobre meningite, frequentemente, dependem de que você a conheça para indicar o diagnóstico etiológico correto — foi assim na prova USP-SP 2023! 9.1.2 AGENTES ETIOLÓGICOS PRINCIPAIS NA MENINGITE Um dos exames essenciais no diagnóstico etiológico das meningites é o Gram do líquido cefalorraquidiano, que permite guiar as principais possibilidades de bactérias causadoras do quadro. ! PARA FACILITAR: Pneumococo e meningococo são os favoritos das provas! Tenha atenção especial também com Listeria e H. influenzae. Parâmetros quimiocitológicos do líquido cefalorraquidiano nas meningites Parâmetro do LCR Meningite bacteriana Meningite viral Meningite tuberculosa Meningite fúngica Pressão de abertura (cmH2O) Aumentada Normal Aumentada Aumentada Aparência Turvo Límpido Xantocrômico/ Turvo Límpido/ Turvo Leucócitos (células/mm³) >500 5-100 5-500 5-500 Pleomorfismo Polimorfonucleares Linfomonocitário Linfomonocitário Linfomonocitário Proteínas Muito alterada Normal Alterada Alterada Glicose Muito consumida Normal Muito consumida Consumida CAPÍTULO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 117 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.1.3 MANEJO DAS MENINGITES BACTERIANAS O antibiótico adequado para tratamento dos casos de meningite varia de acordo com a idade do paciente, já que os agentes etiológicos predominantes como causa do quadro variam, justamente, com esse fator. ! PARA FACILITAR: Grave que sempre indicaremos uma cefalosporina (ceftriaxona na maioria dos casos e cefotaxima se < 2 meses), devendo adicionar outra droga ao esquema em 2 situações: • < 2 meses→adicionamos ampicilina para cobertura de Listeria e Enterococcus; • Idosos→ adicionamos, também, ampicilina para cobertura de Listeria. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 118 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.1.4 PROFILAXIA PARA CONTATOS DE CASOS DE MENINGITE Faixa etária Microrganismo Esquema empírico Até 2 meses Streptococcus do grupo B Enterobactérias* Listeria monocytogenes Enterococcus cefotaxima + ampicilina OU ampicilina + aminoglicosídeo* (gentamicina ou amicacina) * 2-3 meses Streptococcus do grupo B Enterobactérias Neisseria meningitidis Streptococcus pneumoniae Haemophilus influenzae ceftriaxona OU cefotaxima > 3 meses Adultos Neisseria meningitidis Streptococcus pneumoniae Haemophilus influenzae ceftriaxona Idosos (>60), imunossuprimidos e gestantes Neisseria meningitidis Streptococcus pneumoniae Haemophilus influenzae Listeria monocytogenes ceftriaxona + ampicilina Sempre que diagnosticamos um caso de meningite, além da antibioticoterapia, da notificação e das precauções caso internemos o paciente, devemos lembrar de indicar profilaxia aos contactantes do caso. ! PARA FACILITAR: Grave que a profilaxia com rifampicina dura 2 dias se caso de N. meningitidis e 4 dias se caso de H. influenzae; observe também que a profilaxia alternativa com ceftriaxona só é possível nos casos de meningococo. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 119 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.2 PNEUMONIAS 9.2.1 CURB-65 Iniciando o estudo das pneumonias, é essencial gravar o CURB-65, o escore que auxilia na decisão clínica de tratar o paciente de modo ambulatorial ou intra-hospitalar. Obs.: na prática clínica, ou em questões de prova, caso não tenhamos resultado de ureia, podemos empregar, além dele, o CRB-65, utilizando os mesmos parâmetros do CURB e retirando a ureia — nesse caso, já consideramos internação para tratamento com apenas 1 parâmetro alterado. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 120 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.2.2 MANEJO AMBULATORIAL DA PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE O quadro abaixo resume os principais antibióticos utilizados no manejo das pneumonias adquiridas na comunidade. Observe que indicaremos: monoterapia quando se tratar de paciente hígido e sem uso recente de comorbidades; terapia dupla com betalactâmico + macrolídeo caso possua comorbidades ou tenha usado antibióticos recentemente; e lembre-se do detalhe de indicar quinolona respiratória nos pacientes com alergia às duas drogas anteriores — ponto abordado em recente questão da UNIFESP. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 121 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICAMÉDICA Estratégia MED 9.2.3 MANEJO HOSPITALAR DA PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE ! PARA FACILITAR: Observe que, nos pacientes internados, indicaremos preferencialmente a terapia com duas drogas [opção (A) na imagem], procurando cobrir bactérias atípicas. Guarde o esquema com ceftriaxona + azitro ou claritromicina, muito abordado nas provas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 122 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Para finalizar o estudo do manejo das pneumonias, observe o resumo dos antibióticos indicados para pacientes em tratamento na UTI. Nesses casos, podemos manter o tratamento com ceftriaxona + macrolídeo indicado para os internados na enfermaria, ou utilizar ceftriaxona + quinolona respiratória. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 123 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.3 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS Tema quente nas principais provas de Residência Médica, presente praticamente ano sim ano também nas provas da USP-SP, USP- RP, UNICAMP, entre outras. Na maioria dos casos, a questão pergunta o diagnóstico do tipo de acidente e, menos frequentemente, sobre a indicação do tipo de soro adequado ao caso. O fluxograma abaixo resume os quadros clínicos de cada tipo de acidente com animal peçonhento, junto a dicas mnemônicas para facilitar sua memorização dos casos — atenção especial para esta imagem! Animais Peçonhentos Escorpionismo Tityus Bothrops (Botrópico) Crotalus (Crotálico) Lachesis (Laquético) Micrurus (Elapídico) Veneno neurotóxico com manifestações relacionadas ao sistema nervoso autônomo (simpático ou parassimpático): dor, parestesia, sudorese, salivação, náuseas, vômitos, taquicardia ou bradicardia. Pode complicar com edema agudo de pulmão. “PICO” Plaquetopenia (sangramentos) Insuficiência renal COmplicações locais “CRO” CRoca-cola (urina escura pela rabdomiólise e IRA) Cérebro (fácies miastênica) Olho caído (turvação visual e ptose palpebral) “Lembra vagalmente o botrópico” Manifestações locais semelhantes ao botrópico com síndrome vagal. Lembre-se de ELA* que faz fraqueza muscular. Esse veneno é neurotóxico e, também, faz fraqueza muscular progressiva, além de ptose palpebral, oftalmoplegia, fácies miastênica, insuficiência respiratória e apnéia. Veneno neurotóxico com manifestações relacionadas ao sistema nervoso autônomo. Pode levar ao quadro de priapismo. Manifestações locais como dor, edema e eritema que evoluem para ferimento com necrose. Também pode aparecer a placa marmórea Veneno neurotóxico com manifestações relacionadas ao sistema nervoso autônomo. Ofidismo Araneísmo LatrodectusLoxoscelesPhoneutria *Esclerose lateral amiotrófica Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 124 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED A sepse é uma das emergências mais frequentes na prática clínica e, nas provas de Residência, não é diferente. As questões sobre sepse em adultos costumam abordar o diagnóstico e o manejo inicial dos casos. Tenha atenção especial para definir, corretamente, sepse e choque séptico. Raciocine que a sepse, pelo estado de perfusão inadequada que promove, leva a disfunções orgânicas; assim, a suspeita de sepse ocorrerá com a união de quadro infeccioso com a presença de 2 alterações do qSOFA; em seguida, para diagnosticá- la, devemos observar mudanças no escore SOFA, que avalia, justamente, a presença de disfunções orgânicas Alteração do nível de Consciência Componentes do Quick SOFA Pressão arterial sistólica < 100 mmHg Frequência respiratória > 22 irpm > 2 pontos: critério positivo Baixa letalidade Alta letalidade Choque SépticoSepseInfecção Doença causada por microrganismo sem resposta inflamatória intensa Infecção + 2 critérios do quick SOFA Sepse com ressuscitação volêmica realizada + PAM < 65 ou Necessidade de drogas vasoativas ou Lactato sérico > 2mmol/L 9.4 SEPSE Além disso, grave que, para falar em choque séptico, devemos ter choque refratário às medidas iniciais de reposição volêmica, ou seja, que depende de drogas vasoativas e leva ao aumento de lactato, pela piora da perfusão sistêmica. ! PARA FACILITAR: Memorize os três componentes do qSOFA. Além disso, é incomum que as provas cobrem com exatidão os valores alterados para definir disfunção no SOFA; porém, é essencial saber os conceitos descritos no quadro abaixo e, no que se refere ao SOFA, saber que parâmetros são avaliados por ele — para memorizá-los, observe que nada mais são do que os principais exames de avaliação dos sistemas do corpo humano. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 125 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.4.1 MANEJO DA SEPSE Para fechar o estudo da sepse, grave as medidas essenciais na primeira hora de manejo dos pacientes sépticos. Dê atenção especial ao volume indicado para a expansão com cristaloides e à indicação de início das drogas vasoativas. Disfunção Respiratória Escore SOFA Disfunção Hematológica Disfunção Neurológica Disfunção Hepática Disfunção Cardiovascular Disfunção Renal Relação PaO2 / FiO2 Grau de plaquetopenia Escala de coma de Glasgow Bilirrubina total Hipotensão ou uso de drogas vasoativas Oligúria ou aumento de creatinina Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 126 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.5 ARBOVIROSES Dentro dos temas da infectologia, tendo em vista sua importância epidemiológica no Brasil, as arboviroses ganham destaque nas questões. O quadro abaixo resume as principais diferenças clínicas entre elas, que serão suas principais pistas para chegar ao diagnóstico correto na prova. ! PARA FACILITAR: Grave especialmente as seguintes associações entre arbovirose e quadro clínico: • dengue → cefaleia retro-orbitária, trombocitopenia, discrasia hemorrágica! • chikungunya → artralgia, que pode inclusive cronificar! • zika → exantema desde o primeiro dia de sintomas e conjuntivite frequente! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 127 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.5.1 DENGUE 9.5.1.1 CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA E MANEJO DA DENGUE Dentro do tema das arboviroses, a dengue merece sua atenção especial. Grave as diferenças diagnósticas e de manejo entre os quatro grupos de pacientes com dengue, com destaque para a indicação de internação e hidratação endovenosa, acompanhada de solicitação de exames adicionais nos grupos C e D. Dengue Chikungunya Zika Período de incubação Até 14 dias Até 12 dias Até 7 dias Manifestações clínicas Febre alta Febre alta Febre baixa ou ausente Cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa Artralgia intensa, edema articular Mialgia leve, artralgia leve a moderada, edema articular leve a moderado Exantema (50%) – 3º ao 6º dia Exantema (50%) – 2º ao 5º dia Exantema (>90%) – 1º ao 2º dia Conjuntivite: incomum Conjuntivite (30%) Conjuntivite (50 a 90%) Trombocitopenia Muito frequente, podendo ser intensa Incomum (leve a moderada) Rara Discrasia hemorrágica Comum Incomum Ausente Grupo A (azul) Grupo B (verde) Grupo C (amarelo) Grupo D (vermelho) Sangramento cutâneo (petéquias ou prova do laço) X Condições ou fatores de risco/ comorbidade X Sinais de alarme X Sinais de choque/hemorragia grave/disfunção de órgão X Hidratação Oral Oral Parenteral Parenteral Local de tratamento Domicílio Domicílio Hospital UTI Exames complementares obrigatórios Nenhum Hemograma Hemograma, albumina e transaminases Hemograma, albumina e transaminases Exames diagnósticos obrigatórios (NS1/Sorologia) X X Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 128 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.5.2 SINAIS DE ALARME NA DENGUE Sempre que se deparar com quadro de dengue, avalie se o paciente apresentasinais de alarme — são eles os definidores da classificação do grupo C, que deverá ser internado para manejo hospitalar. O mnemônico “SILVA 3H” ajudará você a decorá-los. 9.6 TUBERCULOSE A tuberculose é presença garantida nas questões de Residência Médica de infectologia. Aqui, lembre-se de gravar, além do manejo dos quadros de tuberculose bacilífera, a condução dos pacientes com infecção latente pelo M. tuberculosis e dos contactantes de casos de tuberculose bacilífera, com destaque para os recém-nascidos expostos a esses casos. Esse tema passou por atualizações recentes do Ministério da Saúde e, por isso, poderá ser abordado nas principais provas. 9.6.1 TUBERCULOSE PULMONAR Dentro do tópico principal de tuberculose principal, é essencial reconhecer o fluxograma diagnóstico, a duração de cada esquema de tratamento e os principais efeitos adversos utilizados nele. 9.6.2 TUBERCULOSE PULMONAR: FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO O fluxograma abaixo resume as características das três formas clínicas de tuberculose pulmonar e os exames possíveis para diagnosticá- la. S Sangramento de mucosa I Irritabilidade ou letargia L Líquido acumulado (ascite, derrame pleural ou derrame pericárdico) V Vômitos persistentes A Abdome doloroso (dor contínua) H Hipotensão postural ou lipotimia H Hepatomegalia H Hematócrito elevado (hemoconcentração) Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 129 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.6.3 TUBERCULOSE PULMONAR: EXAMES Fique atento às diferenças entre os três principais exames utilizados para diagnóstico e manejo dos casos de tuberculose pulmonar! ! PARA FACILITAR: As provas costumam explorar as diferenças de utilidade dos três testes. Grave os seguintes pontos: • baciloscopia e cultura podem ser utilizadas para diagnóstico e controle de cultura; • TRM serve apenas para diagnóstico inicial (não para controle de cura!) e para triagem de resistência à rifampicina — caso indicativa de resistência, devemos repeti-la e, se persistir esse resultado, indicar cultura. EXAME INDICAÇÃO Baciloscopia • Nos sintomáticos respiratórios, durante estratégia de busca ativa. • Em casos suspeitos de TB pulmonar independentemente do tempo de tosse. • Para controle de cura e acompanhamento de pacientes já com tuberculose confirmada. TRM • Diagnóstico de casos novos de TB pulmonar e laríngea. • Diagnóstico de TB extrapulmonar em outras amostras biológicas. • Triagem de resistência à rifampicina nos casos de retratamento ou suspeita de falência do tratamento. Cultura • Todo caso de diagnóstico de TB com TRM positivo. • Todo caso suspeito de TB com TRM negativo e persistência do quadro clínico. • Todo caso suspeito de TB em que não estiver disponível o TRM. • Suspeita de infecção por MNT. • Persistência de baciloscopia positiva após o segundo mês de tratamento. • Recidivas. DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE PULMONAR Bacteriológica Baciloscopia TRM Cultura para micobactéria Radiológico Micronódulos difusos Clínico Febre vespertina Tosse Perda ponderal Sudorese noturna Perda de apetite Radiografia de tórax: Geralmente anormal Cavitações Infiltrados alveolares Radiografia de tórax: Normal Adenopatia hilar Nódulo Ghon Complexo de Ranke Infiltrados TB primária TB secundária TB miliar Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 130 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.6.4 TUBERCULOSE PULMONAR: ESQUEMAS DE TRATAMENTO Observe que o esquema principal de tratamento para TB consiste em etapa de tratamento com RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol), seguida de etapa com RI (rifampicina, isoniazida), porém a duração da segunda etapa varia de acordo com o tipo de tuberculose apresentada! 9.6.5 TUBERCULOSE PULMONAR: EFEITOS ADVERSOS DAS MEDICAÇÕES O quadro abaixo resume os efeitos adversos das medicações utilizadas no esquema básico de tratamento da tuberculose. Grave sobretudo as alterações circuladas, frequentemente abordadas nas questões de infectologia. TUBERCULOSE PULMONAR Primária Ocorre após contato com bacilo Mais frequente na infância Reativa após quadro de latência Mais frequente em adultos Pode ser após TB primária ou secundária, quando o bacilo cai na corrente sanguínea Mais frequente em pacientes com AIDS MiliarSecundária Isoniazida Cor avermelhada do suor e urina Neuropatia periférica Artralgia, hiperuricemia Psicose e covulsão Neurite óptica (etambutolho) Nefrite intersticial (RIMfampicina) mielotoxicidade Hepatotoxicidade, rabdomiólise, mioglobinúria, insuficiência renal Rifampicina Pirazinamida Etambutol HiperuricemiaMenores Hepatotóxicos Maiores Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 131 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.6.6 MANEJO DE CONTATOS DE CASOS DE TUBERCULOSE BACILÍFERA Alta Sem conversão Com conversão* CONTATO DE CASO BACILÍFERO Repetir em 8 semanas Fazer radiografia de tórax < 5mm ≥ 5mm Normal Alterada Tratar ILTB Continuar investigação SintomáticoAsintomático Fazer PT Investigar Tuberculose *Incremento de pelo menos 10mm em relação à PT anterior Sempre que diagnosticamos casos de tuberculose bacilífera, é necessário fazer busca ativa dos contactantes para investigar a presença de casos de tuberculose ativa ou latente. Grave a condução desses casos com o fluxograma abaixo. Observe que, inicialmente, separamos os contactantes em sintomáticos e assintomáticos e apenas os últimos deverão realizar prova tuberculínica para pesquisa de tuberculose latente — afinal, os sintomáticos serão investigados como suspeita de tuberculose pulmonar! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 132 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.6.7 MANEJO DO RN EXPOSTO A CASO BACILÍFERO Para concluir o estudo da tuberculose, grave a condução dos recém-nascidos expostos a pacientes bacilíferos — assunto abordado em questões recentes da UNICAMP e da USP-SP. 9.6.8 INFECÇÃO LATENTE PELO M. TUBERCULOSIS 9.6.8.1 TUBERCULOSE LATENTE: FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO E MANEJO Observe o passo a passo do diagnóstico e manejo dos casos de tuberculose latente. ! PARA FACILITAR: O quadro destaca dois pontos que merecem sua atenção: • todo paciente HIV positivo contactante de caso de TB e/ou com CD4 ≤ 350 (mesmo que não seja contactante!) deve receber tratamento para TB latente; • recentemente, o Ministério da Saúde recomendou uma nova opção de tratamento: rifapentina e isoniazida semanais, por 3 meses. RECÉM-NASCIDO EXPOSTO A CASO BACILÍFERO Suspender medicações e aplicar BCG < 5mm≥ 5mm Fazer PT Não aplicar BCG e iniciar isoniazida ou rifampicina por três meses Manter: Isoniazida por mais três meses ou rifampicina por mais um mês Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 133 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Complementando o conteúdo, observe o fluxograma abaixo que inclui o passo-a-passo do diagnóstico da infecção latente e os 2 exames que permitem a diagnosticar: IGRA ou prova tuberculínica! Atenção com o mnemônico “CINCO”, que indica as cinco populações em que o valor de corte para prova tuberculínica alterada é de 5 mm, não de 10 mm. PASSO 1: Descartar TB ativa PASSO 2: Avaliar exames ou indicação de tratamento PASSO 3: Iniciar tratamento ou Fazer anamnese exame físico e pedir radiografia de tórax IGRA positivo ou Prova tuberculínica reatora HIV contactante de caso confirmado de TB ou CD ≤ 350 Esquemas: 3HP (3 meses de rifapentina e isoniazida) 9H ou 6H (9 ou 6 meses de isoniazida) 4R (4 meses de rifampicina) INFECÇÃO LATENTE PELO M. TUBERCULOSIS Tratamento Isoniazida Rifampicina Droga de escolha 120 doses (4 meses) 270 doses (9 meses) ou 180 doses (6 meses) Indicada em maiores de 50 anos, menores de 10 anos e hepatopatas Diagnóstico Exames IGRA ≥ 5mm nos CINCO* ≥ 10 mm nas demais populações Prova tuberculínica Positivo Definição Infecçãopelo M. tuberculosis sem desenvolvimento de doença ativa Pessoas com HIV contactantes de casos confirmados CD4 ≤ 350 Descartar TB ativa anamnese e radiografia de tórax + ou ou ou Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 134 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 9.7 NEUTROPENIA FEBRIL Dentro das emergências em infectologia, a neutropenia febril, junto à sepse, é favorita das bancas de clínica médica e pediatria nas provas de Residência Médica. Aqui, é essencial saber o manejo inicial dos pacientes, com destaque para a escolha de antibioticoterapia adequada e a indicação de manejo ambulatorial ou hospitalar. 9.7.1 MANEJO DA NEUTROPENIA FEBRIL Observe o resumo do manejo dos pacientes com neutropenia febril não complicada. ! PARA FACILITAR: Note que, independentemente do caso, a primeira dose de antibiótico deve ser endovenosa, com cobertura para Pseudomonas, e iniciada em 2h da chegada do paciente ao serviço: destaque para cefepime ou meropenem como opções principais! Em seguida, o escore MASCC, detalhado na imagem abaixo, auxiliará na possível indicação de manejo ambulatorial — observe, porém, que, para indicá-lo, devemos estar diante de paciente de muito baixo risco, com poucos sintomas e complicações clínicas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 135 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 136 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Para finalizar, memorize os critérios que permitem suspender a antibioticoterapia nos pacientes com neutropenia febril. 10.0 PNEUMOLOGIA 10.1 DERRAME PLEURAL 10.1.1 CRITÉRIOS DE LIGHT Pacientes com derrame pleural novo devem ser submetidos à toracocentese diagnóstica para pesquisa da etiologia do quadro, que poderá guiar, adequadamente, seu manejo. O líquido pleural é submetido a exames que permitirão classificá-lo em 2 tipos: exsudato e transudato; para classificá-lo, é essencial analisar, principalmente, os níveis de proteína e de LDH no líquido pleural e no sangue. Grave com atenção os parâmetros resumidos na tabela, frequentes nas questões de pneumologia sobre esse tema. CAPÍTULO Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 137 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED A tabela abaixo sintetiza os principais tipos de derrame pleural do tipo transudato, decorrente de alterações do equilíbrio entre as pressões hidrostática e oncótica, e exsudato. Transudato Exsudato Relação proteína no líquido pleural/ proteína no soro ≤ 0,5 > 0,5 Relação LDH no líquido pleural/ LDH no soro ≤ 0,6 > 0,6 LDH líquido pleural > 2/3 limite superior da normalidade sérica Não Sim Diagnóstico Diferencial – Líquido Pleural Transudato Exsudato ICC Infecciosas Cirrose hepática Neoplásico Sd. Nefrótica Induzido por drogas Hipoalbuminemia Hemotórax Diálise peritoneal Quilotórax Mixedema Colagenoses Obstrução Veia Cava Sup. Embolia pulmonar (80%) Embolia pulmonar (20%) Pancreatite Atelectasia (aguda) Pós IAM 10.1.2 DERRAME PLEURAL PARAPNEUMÔNICO E EMPIEMA O derrame pleural secundário à pneumonia pode ser classificado como não complicado, complicado ou como empiema; para a prova, é essencial saber as características laboratoriais e a conduta indicada em cada estágio. Para isso, grave que os parâmetros avaliados para indicar derrame complicado, indicativo de drenagem pleural, são pH, glicose e LDH, e que a presença de derrame purulento já é indicativa de empiema! Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 138 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.2 DOENÇAS PULMONARES OBSTRUTIVAS E RESTRITIVAS 10.2.1 CLASSIFICAÇÃO ESPIROMÉTRICA DAS DOENÇAS PULMONARES O principal exame utilizado para classificar as doenças pulmonares como obstrutivas ou restritivas é a espirometria, que permite calcular diversos parâmetros, como: VEF1, CVF, VEF/CVF1. À primeira vista, pode parecer complicado entendê-la, porém saber alguns conceitos básicos deverá levá-lo à resposta correta na maioria das questões. ! PARA FACILITAR: As questões que solicitam classificação de doenças pulmonares costumam trazer, na descrição do caso, pistas clínicas que já direcionam para o diagnóstico — paciente com sibilos recorrentes desde a infância em casos de asma, tabagistas de longa data com DPOC etc. Além disso, grave principalmente as dicas abaixo para ajudá- lo a resolver questões sobre classificação espirométrica: • doenças obstrutivas: VEF1/CVF<0,7! Ou seja, há uma redução proporcionalmente maior do VEF1, a “capacidade de expiração” do pulmão, em relação ao “volume total”; • doenças restritivas: nesses casos, tanto VEF1 e CVF estão proporcionalmente reduzidos; • mistas: como o nome já diz, nessas doenças, teremos a junção dos achados espirométricos de doenças obstrutivas e restritivas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 139 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.3 ASMA EM ADULTOS A asma é extremamente frequente na prática clínica tanto em adultos como na infância, nas provas, não é diferente. Neste tema, é essencial gravar: como diagnosticar asma corretamente; como indicar o tratamento adequado e acompanhá-lo; e saber conceitos sobre o manejo da asma exacerbada no pronto-socorro. Aqui, você encontrará detalhes sobre a asma em adultos! Na seção de pediatria, detalhamos a asma na infância. 10.3.1 DIAGNÓSTICO DA ASMA A asma é diagnosticada pela união de quadro clínico condizente com a suspeita, com achados de exames complementares indicativos dela (aqui, entra, principalmente, a espirometria). Note, porém, que o exame não é obrigatório para o diagnóstico e que a espirometria normal não exclui o diagnóstico de asma! Grave os achados clássicos da espirometria do paciente com asma. VEF1 CVF VEF1/CVF Exemplos Dica de Prova Obstrutivo ↓↓ ↓ ↓ Asma, DPOC, fibrose cística, bronquiectasias (VEF1/CVF < 0,7%.) Restritivo ↓ ↓ Normal Doenças fibrosantes, deformidades de caixa torácica graves Redução proporcional VEF1 e CVF Misto/ Combinado ↓ ↓↓ ↓ Formas avançadas de fibrose cística; associação de doenças VEF1/CVF < 0,7% com CVF muito reduzida Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 140 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.3.2 TRATAMENTO DA ASMA Para resolver as questões sobre o manejo da asma, é essencial saber as etapas de tratamento e a avaliação do controle da doença. O fluxograma abaixo resume as etapas de tratamento da asma. ! PARA FACILITAR: Alguns detalhes recentes têm sido muito abordados pelas bancas: • antes de indicar tratamentos mais avançados, devemos sempre rever o manejo ambiental e o uso correto das medicações; • o corticoide inalatório deve sempre fazer parte do tratamento! Além disso, sempre que o paciente apresentar sintomas com necessidade de uso de medicação de alívio, geralmente um beta-agonista de curta duração, deve-se usar, em conjunto, uma dose de corticoide inalatório; • note que o fluxograma nada mais é do que uma escada: começamos com corticoide inalatório, adicionamos o beta-agonista de longa ação e terminamos aumentando a dose do corticoide; • lembre-se de que pacientes com asma avançada, na etapa V, devem ser encaminhados para fenotipar a asma, com avaliação de possível indicação de drogas específicas. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 141 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ETAPA V ETAPA IV CI dose alta + LABA, adicionar Tiotrópio Fenotipar: anti-lgE ou anti-IL5 ou anti-IL4R Adicionar corticoide oral em dose baixa Pr ef er en ci al O pç õe s CI dose média + LABA + SABA de resgate ou CI dose média +Formoterol de manutenção + CI dose baixa + Formoterol de resgate CI dose alta, adicionar tiotrópio ou montelucaste Pr ef er en ci al O pç õe s ETAPA III CI dosebaixa + LABA + SABA por demanda ou CI dose baixa +Formoterol de manutenção e resgate Dose média de CI + SABA por demanda ou dose baixa de CI + Formoterol por demanda Pr ef er en ci al O pç õe s ETAPA II CI dose baixa diária + SABA por demanda ou dose baixa CI + Formoterol por demanda Montelucaste + SABA por demanda ou dose baixa de CI sempre que usar SABA Pr ef er en ci al O pç õe s ETAPA I TODOS OS ASMÁTICOS Controle ambiental + rever controle de asma e risco futuro regularmente Dose baixa CI + Formoterol por demanda CI + SABA por demanda, dose baixa de CI sempre que usar SABA Pr ef er en ci al O pç õe s Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 142 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.3.3 CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DO TRATAMENTO DA ASMA 10.3.4 ASMA EXACERBADA: MANEJO As questões sobre asma exacerbada avaliam a classificação da crise de exacerbação e o manejo indicado no caso, resumidos no fluxograma abaixo. ! PARA FACILITAR: Sempre que encontrar questão sobre exacerbação de asma, busque os seguintes fatores para classificar o caso: • paciente sonolento, com tórax silente→ asma quase-fatal → preparar IOT e transferir para UTI; • nos demais casos→ grave que o paciente grave fala apenas palavras, está taquipneico, com SatO2 < 90% e PFE ≤ 50%; com isso, dividiremos os pacientes em: • crise leve-moderada - aqui indicamos, de início, corticoide oral e SABA; se piorar, passamos para o manejo da crise grave; • crise grave - além de SABA e corticoide oral, adicionamos ipratrópio ao tratamento e consideramos magnésio EV! Parâmetros Controlada (todos abaixo) Parcialmente controlada (1 ou 2 destes) Não controlada (3 ou mais destes) Sintomas diurnos Nenhum ou ≤ 2/semana 3 ou mais/semana 3 ou mais/semana Limitações de atividades Nenhuma Qualquer Qualquer Despertares noturnos Nenhum Qualquer Qualquer Medicação de alívio Nenhuma ou ≤ 2/semana 3 ou mais/semana 3 ou mais/semana Tabela 9. Adaptado de Global Initiative for Asthma (GINA) 2021. Iniciado o manejo ambiental e farmacológico da asma, devemos acompanhar, regularmente, o paciente, a fim de identificar se a doença está sendo adequadamente controlada ou não; isso permitirá manter o paciente na etapa (“step”) de tratamento em que ele se encontrar, ou “subir” uma etapa. ! PARA FACILITAR: É essencial saber os parâmetros para avaliação do controle da asma! Para ajudar, raciocine que os sintomas diurnos geralmente levam à necessidade de medicação de alívio e, assim, esses dois parâmetros “andam juntos” — ambos estão alterados se presentes mais de 3 vezes por semana; note também que limitação de atividades e despertares noturnos, por serem mais graves, já estarão alterados caso ocorram 1 ou mais vezes na semana. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 143 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED EXACERBAÇÃO DE ASMA - MANEJO NO DEPARTAMENTO DE URGÊNCIA Avaliação inicial: vias aéreas, respiração, hemodinâmica. O paciente está sonolento, confuso ou com tórax silente? Prosseguir avaliação (considerar o fator de maior gravidade para classificação) Não Sim LEVE A MODERADA - Orientado - Dispneia ausente ou leve - Frases completas - Retrações musculares leves ou ausentes - Sibilos ausentes - FR normal ou aumentada - FC < 120bpm - PFE > 50% previsto ou melhor do paciente - SpO2 90 - 95% GRAVE - Orientado ou agitado - Dispneia moderada - Frases incompletas - Utilização de musculatura acessória - Sibilos localizados ou difusos - FR aumentada (> 30 irpm) - FC > 120bpm - PFE < 50% previsto ou melhor do paciente - SpO2 < 90% SABA - Considerar ipratrópio - O2 para Sat 93-95% - Corticoide oral Se houver piora, clínica, avaliar transferência para leito de UTI Reavaliação frequente Nova avaliação funcional em 1h Em caso de piora, considerar UTI Considerar alta se houver melhora clínica com PFE 60-80% do predito ou melhor do paciente SABA - Ipratrópio - O2 para Sat 93-95% - Corticoide VO ou EV - Considerar magnésio EV - Considerar altas doses de CI QUASE-FATAL SABA, SAMA, O2, preparo para intubação, transferir para UTI Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 144 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.5 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR AGUDO As questões sobre TEP abordam, principalmente, a condução correta do diagnóstico desses casos, com foco no exame adequado a ser solicitado, e o manejo em linhas gerais. 10.5.1 CRITÉRIOS DE WELLS Sempre que se deparar com caso suspeito de TEP agudo, os critérios de Wells ajudarão você a definir a probabilidade de que o paciente apresente esse diagnóstico. ! PARA FACILITAR: Grave a versão simplificada dos critérios de Wells, resumida na tabela abaixo, que o permitirá classificar adequadamente os pacientes com suspeita de TEP agudo nas questões sobre o tema. Critérios de Wells - TEP agudo Itens Versão original Versão simplificada Sinais clínicos de TVP 3 pontos 1 ponto Diagnóstico alternativo menos provável que TEP 3 pontos 1 ponto FC > 100 bpm 1,5 pontos 1 ponto Imobilização por mais de 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas 1,5 pontos 1 ponto TEP ou TVP prévio 1,5 pontos 1 ponto Hemoptise 1 ponto 1 ponto Neoplasia atual ou tratada nos últimos 6 meses 1 ponto 1 ponto Probabilidade clínica Escore em três níveis Versão original Versão simplificada Baixa 0-1 N/A Intermediária 2-6 N/A Alta ≥ 7 N/A Escore em dois níveis Versão original Versão simplificada TEP improvável 0-4 0-1 TEP provável ≥ 5 ≥ 2 Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 145 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.5.2 FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DE TEP 10.5.2.1 TEP AGUDO COM ESTABILIDADE HEMODINÂMICA Feita a classificação da probabilidade diagnóstica de TEP, indicaremos o exame adequado para investigação do quadro. Tenha atenção especial ao dímero-D: esse exame é indicado nos casos de TEP improvável, com a ideia principal de excluir o diagnóstico, caso tenha resultado negativo; pacientes com quadro provável de TEP pelo escore de Wells ou com dímero D positivo devem receber avaliação com angio-TC! Probabilidade clínica de TEP TEP suspeito SEM instabilidade hemodinâmica Probabilidade baixa/ Intermediária OU Improvável Positivo Negativo AngioTC Não tratar Tratar como TEP Probabilidade alta OU Provável D-Dimero AngioTC Não TEP Não tratar OU investigar outras causas TEP Tratar como TEP Negativa TEP 10.5.2.2 TEP AGUDO COM INSTABILIDADE HEMODINÂMICA Aqui, o manejo é diferente! Com o paciente instável, não temos tempo hábil para pensar em dímero D ou angio-TC de início; assim, o primeiro exame indicado será o ecocardiograma à beira-leito! Ecocardio à beira do leito TEP suspeito + instabilidade hemodinâmica Disfunção de Ventrículo Direito? Sim Não Procurar outras causas de choque/ instabiilidade Tratar como TEP de alto risco AngioTC disponível imediatamente? AngioTC Procurar outras causas de choque/ instabiilidade Negativa Positiva Não Sim Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 146 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 10.5.2.3 MANEJO DO TEP AGUDO O manejo do TEP agudo, nas provas de Residência, costuma ser cobrado, em linhas gerais, quanto à terapia adequada, sem dar detalhes como doses das medicações específicas utilizadas. ! PARA FACILITAR: Grave os seguintes conceitos principais do manejo do TEP agudo: • pacientes estáveis devem receber anticoagulação sistêmica, com NOACs, quando possível, ou com antagonistas de vitamina K, caso os NOACs não possam ser usados; • lembre-se de que, caso optemos por antagonista de vitamina K, devemos iniciar, em paralelo, anticoagulante parenteral, visto que esses antagonistas levam alguns dias para atingir o efeito adequado; • pacientes com instabilidade hemodinâmica podem ser avaliados para indicação de terapia fibrinolítica. Grave os seguintes detalhes sobre trombólise no TEP: Por fim, algunspacientes podem receber indicação de filtro de veia cava inferior, que objetiva impedir a ascensão de trombos em sistema venoso profundo de membros inferiores para o pulmão: TROMBÓLISE NO TEP: Quem, quando, como e com o que? QUEM? Alto risco ou risco intermediário-alto que apresentou deterioração hemodinâmica QUANDO? Até 14 dias. Assim que indicada, deve ser IMEDIATA! Evidência maior nas primeiras 48 horas. COMO? Endovenosa, na ausência de contraindicações absolutas COM O QUE? O trombolítico de escolha é a ALTEPLASE (fase rápida). Indicações de filtro de VCI no TEP (UpToDate, acesso março/2021): • Contraindicação à anticoagulação. • TEP recorrente a despeito da anticoagulação terapêutica. • Risco de sangramento inaceitavelmente alto. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 147 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.0 REUMATOLOGIA 11.1 AVALIAÇÃO DA ARTRALGIA A artralgia, dor articular, consiste em uma das queixas mais comuns nos consultórios dos reumatologistas. Assim, as provas dessa área, com frequência, trazem questões cujo primeiro passo é realizar a avaliação inicial da artralgia de modo a separá-la em grupos de hipóteses principais. Para isso, grave a classificação dessa queixa entre as causas inflamatórias e mecânicas! Isso terá especial importância na avaliação dos casos de lombalgia — quando nos deparamos com lombalgia inflamatória em paciente jovem, devemos ficar alertas para o possível diagnóstico de espondilite anquilosante. CAPÍTULO INFLAMATÓRIA MECÂNICA Idade de início Abaixo dos 40 anos Qualquer idade (geralmente, pacientes de idade mais avançada) Início Insidioso Agudo (geralmente com relato de trauma associado) Duração Mais de 3 meses Menos de 4 semanas Rigidez matinal Mais que 30 minutos Ausente ou menos que 30 minutos Dor noturna Presente Ausente Efeito do exercício Melhora Piora Efeito do Repouso Piora Melhora Dor em nádegas Presente Ausente Mobilidade da coluna Redução da flexão lombar e, tardiamente, em todos os eixo de movimento Redução, em geral, apenas da flexão Déficits neurológicos Raro Mais frequente (por exemplo, na radiculopatia) Exemplo de patologias Espondiloartrites Hérnia discal Estenose de canal lombar Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 148 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.2 ARTRITES Iniciando o estudo das artrites agudas, relembre a importância da artrocentese diagnóstica, utilizada para avaliação do líquido sinovial; tenha atenção especial com os achados dos exames nas artrites de tipo inflamatório ou infeccioso destacados abaixo. 11.2.1 ARTRITE SÉPTICA Quando falamos de artrite séptica, duas causas principais devem saltar à mente: gonocócica, e não gonocócica (principalmente causada por S. aureus!). O quadro abaixo resume as principais diferenças entre esses tipos de artrite; tenha atenção especial com a descrição do tipo de hospedeiro de cada uma e com a presença de poliartrite migratória e tenossinovite na artrite gonocócica! TIPO DE LÍQUIDO APARÊNCIA CONTAGEM CELULAR/MM³ PORCENTAGEM DE POLIMORFONUCLEARES (%) Normal Claro, viscoso 0-200 < 10 Não inflamatório Claro a discretamente turvo, com redução da viscosidade 200-2.000 < 20 Inflamatório Discretamente turvo, com redução da viscosidade 2.000-50.000 20-75 Gota pode variar a celularidade entre 20 mil e 100 mil Infeccioso (artrite séptica) Turvo, purulento (em alguns casos) > 50.000 a 100.000 > 75 Aspectos Gonocócica Não gonocócica Agente N. gonorrhoeae S. aureus Hospedeiro Adultos jovens, sexualmente ativos, e mulheres em período perimenstrual, grávidas ou no puerpério Crianças, adultos em geral, idosos, imunossuprimidos Artrite Poliartrite migratória Monoartrite Tenossinovite Comum Rara Dermatite Comum Pode ocorrer lesão de pele prévia Cultura do líquido sinovial < 25% > 95% Hemocultura Rara 40-50% Prognóstico Bom em > 95% Ruim em 30-50% Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 149 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.2.2 ARTRITES POR CRISTAIS Neste tópico, lembre-se das duas hipóteses principais: artrite gotosa, e artrite por deposição de pirofosfato de cálcio. Nas provas, a dica para diferenciá-las pode estar apenas no aspecto dos cristais observadas à microscopia! Assim, grave as características dos cristais desses dois tipos de artrite, resumidos nos quadros abaixo. 11.2.3 ARTRITE GOTOSA AGUDA 11.2.4 ARTRITE POR DEPOSIÇÃO DE PIROFOSFATO DE CÁLCIO Para concluir o estudo da doença por deposição de pirofosfato de cálcio, grave as principais características que permitem suspeitar dessa hipótese, resumidas abaixo. ! PARA FACILITAR: A maioria das questões sobre o tema Cristal Morfologia Birrefringência Luz paralela Monourato de sódio Agulha Forte negativo Amarelo Cristais Morfologia Birrefringência Luz paralela Pirofosfato de cálcio Romboide Fraca positiva Azul Quando pensar em DPFC? Idade maior que 65 anos. Monoartrite de mão ou punho. Padrão de oligoartrite com punhos e glenoumeral. Poliartrite mais assimétrica que a artrite reumatoide. Osteoartrite em locais atípicos. Achado de cristais no líquido sinovial. Achado de condrocalcinose à radiografia. tratará da artrite gotosa! Saber dos achados característicos da DPFC, sobretudo o tipo de cristal observado na microscopia desses casos, permitirá que você chegue ao diagnóstico nas poucas questões que o abordarem. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 150 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.2.5 ARTRITE REUMATOIDE 11.2.5.1 QUADRO CLÍNICO DA ARTRITE REUMATOIDE Entre as artrites crônicas, a artrite reumatoide é uma das favoritas das provas. O quadro abaixo resume todas as informações essenciais que você deve gravar sobre essa doença. As questões sobre o tema costumam abordar, sobretudo, o diagnóstico baseado na história clínica e nos achados radiográficos típicos; além disso, provas como a da USP-SP já avaliaram conceitos básicos sobre o manejo dessa doença. Não deixe de memorizar os DMARDs, as "drogas modificadoras de doença", ou seja, que retardam a progressão dos casos. ARTRITE REUMATOIDE Etiologia • Desconhecida. • Fatores genéticos: HLA-DR. • Fatores ambientais: tabagismo e infecções (lembrar da periodontite). Epidemiologia • Afeta ambos os sexos e em todas as faixas etárias. • Predomínio em mulheres dos 30 aos 60 anos. Fisiopatologia • Genética + fatores ambientais quebra da autotolerância produção de autoanticorpos sinovite e manifestações extra-articulares. Quadro clínico • Poliartrite crônica e simétrica de pequenas e grandes articulações com rigidez matinal prolongada. • Poupa interfalangeana distal. • Surgimento insidioso e caráter aditivo. Principais deformidades articulares • Desvio ulnar dos dedos. • Subluxação de MCFs. • “Mão em Z” ou “em ventania”. • “Pescoço de cisne”. • Botoeira ou boutonnière. Principais manifestações extra-articulares • Nódulos reumatoides. • Derrame pleural. • Doença intersticial pulmonar. • Pericardite. • Ceratoconjuntivite seca / episclerite / esclerite. • Síndrome de Felty. • Vasculite. Diagnóstico • Clínica + autoanticorpos (FR e anti-CCP) + marcadores de atividade inflamatória (PCR e VHS) + imagem (radiografia). Diagnóstico diferencial • Doenças do tecido conjuntivo, artrites infecciosas, espondiloartrites (especialmente artrite psoriásica), artrites microcristalinas, artrite paraneoplásica, polimialgia reumática. Avaliação de atividade • DAS28. Tratamento • Sintomáticos: AINEs, glicocorticoides. • DMARD de escolha: metotrexato. • Outros DMARDs sintéticos: leflunomida, sulfassalazina, cloroquina/hidroxicloroquina. • DMARDs biológicos: especialmente anti-TNF. Principais fatores de pior prognósticos • Anticorpos positivos. • Manifestações extra-articulares. • Tabagismo. • Erosões precoces. Principais causas de óbito • Aterosclerose e doença coronariana. EstratégiaMED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 151 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED Complementando o quadro anterior, é importante reconhecer as pistas clínicas para pensar em um diagnóstico diferente do de artrite reumatoide. 11.2.6 OSTEOARTROSE 11.2.6.1 ESPONDILITE ANQUILOSANTE Questões sobre paciente jovem com lombalgia inflamatória, ou seja, que melhora à movimentação, devem alertá-lo para a suspeita de espondilite anquilosante. Grave os principais conceitos sobre essa doença com o quadro abaixo. SINTÉTICOS CONVENCIONAIS BIOLÓGICOS Metotrexato Anti-TNF (infliximabe, adalimumabe, etanercept, golimumabe, certolizumabe) Leflunomida Antirreceptor da interleucina-6 (tocilizumabe) Sulfassalazina Modulador da coestimulação de linfócitos T (abatacept) Antimaláricos (hidroxicloroquina, cloroquina) Anti-CD20 (rituximabe) *Inibidores da JAK (tofacitinibe) são considerados pequenas moléculas sintéticas alvo-específicas, mas, para fins de indicação no tratamento da AR e seguimento dos pacientes, devem ser encarados como um imunobiológico. ACHADOS QUE FALAM CONTRA O DIAGNÓSTICO DE ARTRITE REUMATOIDE • Monoartrite/oligoartrite; • Acometimento de IFD; • Acometimento de coluna torácica, lombo-sacra e sacroilíaca; • Artrite aguda; • Artrite migratória. ESPONDILITE ANQUILOSANTE • Epidemiologia: homens com idade inferior a 40 anos. • Quadro clínico clássico: lombalgia inflamatória isolada ou em associação com entesite do aquileu e artrite de membro inferior. • Principal manifestação extra-articular: uveíte anterior aguda. • Manobra de exame físico: teste de Schober modificado com redução da flexão lombar. • Exames laboratoriais: HLA-B27 e elevação de provas de atividade inflamatória. • Exames de imagem: sacroiliíte simétrica e sindesmófitos na coluna. • Tratamento: AINEs, imunobiológicos (anti-TNF). PRINCIPAL BIZU: lombalgia inflamatória e uveíte anterior aguda. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 152 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.2.7 ARTRITE PSORIÁSICA Junto à artrite reumatoide e à osteoartrose, a artrite psoriásica compõe o grupo das artrites crônicas favoritas das provas de Residência. Neste tópico, o quadro clínico e os achados radiográficos típicos merecem sua atenção especial. ! PARA FACILITAR: Principal pista para artrite psoriásica: artrite de interfalangeanas distais, lesões cutâneas e alterações ungueais! 11.2.8 ARTRITE REATIVA A artrite reativa, também conhecida como síndrome de Reiter, ocorre devido à reação autoimune do corpo a uma infecção geniturinária ou gastrintestinal; essa doença aparece nas provas com foco no diagnóstico. ! PARA FACILITAR: Fique atento a essa hipótese em casos de paciente jovem com infecção recente e início de artrite de membros inferiores, acompanhado de lesões extra-articulares — com destaque para conjuntivite e uretrite! ARTRITE PSORIÁSICA • Epidemiologia: homens e mulheres dos 20 aos 50 anos. • Principal fator de risco: acometimento ungueal pela psoríase. • Quadro clínico clássico: oligoartrite assimétrica ou poliartrite simétrica acometendo especialmente interfalangeanas distais e dactilite. • Principal comorbidade associada: síndrome metabólica. • Exames laboratoriais: nenhum específico (lembrar que fator reumatoide pode ser positivo em baixos títulos). • Exames de imagem: proliferação periosteal, lesão tipo pencil-in-cup, sacroiliíte unilateral ou assimétrica. • Tratamento: AINEs, imunossupressores sintéticos (metotrexato), imunobiológicos (anti-TNF) e evitar glicocorticoide. PRINCIPAL BIZU: artrite de interfalangeanas distais em paciente com lesões cutâneas e ungueais. ARTRITE REATIVA (SÍNDROME DE REITER) • Epidemiologia: homens e mulheres dos 20 aos 40 anos. • Gatilho da doença: infecção geniturinária ou de trato intestinal. • Quadro clínico clássico: oligoartrite de membro inferior (joelho, tornozelo e pé) com ou sem lombalgia inflamatória, entesite. • Principais manifestações extra-articulares: conjuntivite, uretrite, lesões mucocutâneas (balanite circinada, ceratoderma blenorrágico, úlceras orais). • Exames laboratoriais: HLA-B27 e elevação de provas de atividade inflamatória. • Exames de imagem: sacroiliíte unilateral ou assimétrica. • Tratamento: AINEs, glicocorticoides, imunossupressores sintéticos e imunobiológicos (anti-TNF). PRINCIPAL BIZU: jovem que inicia artrite de membro inferior e manifestações extra-articulares (olho, trato geniturinário e pele) após uma infecção. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 153 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.2.9 ARTRITE ASSOCIADA À DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL De modo semelhante à artrite reativa, aqui, o foco principal das questões está no reconhecimento dessa hipótese diagnóstica. Para isso, levante a suspeita sempre que identificar um caso sugestivo de doença inflamatória intestinal — dor abdominal, diarreia, sangramento — em paciente com quadro de artrite. 11.3 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO 11.3.1 INTERPRETAÇÃO DO FAN Aqui, entraremos em um tópico muito temido pelos alunos ao estudar a reumatologia: a interpretação do FAN. Esse exame permite identificar autoanticorpos e padrões associados a doenças específicas, colaborando muito para o diagnóstico na reumatologia. Porém, não tem jeito, é difícil mesmo! Para facilitar, resumimos, na tabela seguinte, os principais pontos sobre o FAN abordados nas provas. Autoanticorpo Padrão do FAN Observação DNA dupla hélice 70 a 80% Nuclear homogêneo O mais sensível e característico para o diagnóstico. Associado com atividade de doença, especialmente a nefrite lúpica Sm 10 a 40% Nuclear pontilhado grosso O mais específico para o diagnóstico, segundo alguns autores. Não tem relação com atividade de doença. Pribossomal 10 a 20% Citoplasmático pontilhado fino denso Atividade de doença, especialmente, neuropsiquiátrica, como a psicose lúpica. Lembre-se: P de Psicose! Nucleossomo 50 a 90% Nuclear homogêneo Nefrite lúpica Histonas 75% nos casos de LID Nuclear homogêneo Fortemente associado ao lúpus induzido por drogas (LID) RNP 10 a 30% Nuclear pontilhado grosso Mais comum na doença mista do tecido conjuntivo, mas pode aparecer no LES SSA-Ro 20 a 60% Nuclear pontilhado fino LES neonatal, bloqueio cardíaco congênito, fotossensibilidade, lúpus cutâneo subagudo, doença intersticial pulmonar no LES, miocardite no LES e FAN negativo SSB-La 15 a 40% Nuclear pontilhado fino Associação negativa com nefrite lúpica Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 154 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.3.2 NEFRITE LÚPICA Na seção de nefrologia, revisamos as classes da nefrite lúpica. Recorde o assunto com a imagem a seguir. Atenção especial à categoria "proliferativa", a mais comum e mais grave! Nefrite Lúpica Mesangial Mínima/proliferativa Proliferativa: Focal/difusa Síndrome nefrítica Membranosa - Hematúria e proteinúria quando ocorrem são discretas; - Incomum hipertensão; - Curso mais benigno. - A condição mais comum e mais grave; - Piora da função renal, hipertensão, edema; - Proteinúria, hematúria, cilindros, complemento baixo e anti-DNA positivo. -Proteinúria nefrótica com função renal preservada; -Edema, hipoalbuminemia e dislipidemia.Síndrome nefrótica 11.4 POLIMIOSITE E DERMATOMIOSITE O quadro abaixo resume as características das duas doenças musculares autoimunes mais cobradas pelas provas. ! PARA FACILITAR: Observe que o sintoma muscular de ambas as doenças é semelhante; a dica para diferenciá-las está nas alterações cutâneas da dermatomiosite! Lembre-se também de que pacientes com dermatomiosite necessitam de acompanhamento pelo maior risco de neoplasias — isso já foi cobrado por provas como a USP-SP. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 155 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED 11.5 SÍNDROME DO ANTICORPO ANTIFOSFOLÍPIDE (SAF)As questões sobre SAF enfocam os critérios diagnósticos da doença e os princípios de seu manejo. Observe que esses pacientes necessitam de anticoagulação plena com antagonista de vitamina K — não usamos NOACs nesses casos! Achado Polimiosite Dermatomiosite Clínico Fraqueza muscular proximal simétrica Fraqueza muscular proximal simétrica com lesões típicas de pele, como heliótropo e pápulas de Gottron Associação com neoplasia Rara Comum Epidemiologia Predomina em mulheres (2M:1H) Predomina em mulheres (2M:1H) Pode afetar crianças na faixa de 10 a 15 anos de idade Nível de CPK Alto, pode aumentar até 100 vezes o valor da normalidade Pode aumentar até 50 vezes o valor da normalidade, porém pode estar normal. Anticorpos Pode apresentar anti-Jo-1 Pode apresentar anti-Jo-1, mas também Mi2 e MDA-5 Biópsia Infiltrado, predominantemente, às custas de células TCD8+ endomisiais focais e heterogêneas, poupando relativamente a vasculatura Infiltrado, predominantemente, às custas de células TCD4+ e linfócitos B na região perivascular, com deposição de complemento Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 156 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: Quanto aos critérios diagnósticos de SAF, memorize que devemos unir a clínica (1 critério clínico) aos exames laboratoriais (1 autoanticorpo presente, que deve ser repetido em 12 semanas); grave os 3 autoanticorpos associados à SAF, que já foram abordados diretamente nas provas. Hot points em SAF Qual é o quadro clínico típico da doença? Estrategista, não se esqueça: trombose de repetição associada a abortamentos recorrentes em mulheres jovens, podendo ainda haver plaquetopenia e livedo reticular na pele. Quais são os principais achados da doença? Trombose venosa: é a manifestação mais comum da doença, o achado mais frequente será TVP de MMII; Trombose arterial: não se esqueça do AVC/AIT. Corresponde a 30% das alterações neurológicas e ocorre em pacientes jovens sem fatores de risco para aterosclerose. Morbidade obstétrica: perdas fetais recorrentes, sendo mais específica quando ocorrem a partir do segundo trimestre. Presença de anticorpos antifosfolípides (AAF): os principais são o anticoagulante lúpico, anticardiolipina e antibeta2-glicoproteína. Os AAF aumentam o risco de trombose, essa é a principal relação que você tem que guardar! O LAC alarga o TTPa e, entre os anticorpos, é o que mais aumenta o risco de trombose. Anticardiolipina pode gerar teste falso-positivo para sífilis (VDRL). Já o antibeta2- glicoproteína é o mais específico para o diagnóstico. Como faço o diagnóstico? Pelos critérios modificados de Sydney de 2006. É necessária a presença de pelo menos um critério clínico e um laboratorial. Tratamento Anticoagulação plena para todo SAF, com evento trombótico ou SAF em gestação atual. Manter anticoagulação permanente com AVK buscando alvo de INR entre 2 e 3 para eventos venosos e entre 3 e 4 para eventos arteriais; SAF gestacional fora de gestação recebe apenas AAS; Não há estudos que mostrem a possibilidade de DOACs para SAF de alto risco; Plaquetopenia > 50 mil plaquetas/mm3 deve receber AAS. Se < 30 mil plaquetas/ mm3 ou houver sangramento, pode ser feito corticoide, imunoglobulina e/ou rituximabe; SAF catastrófica: anticoagulação plena + corticoide venoso + gamaglobulina (e/ ou plasmaférese). Anticoncepção Utilizar progesterona isolada oral, ou injetável trimestral, ou através do DIU; Terapia com estrogênio é formalmente contraindicada. Estratégia MED | Clínica Médica | Memorex do Estratégia MED 157 Memorex do Estratégia MEDCLÍNICA MÉDICA Estratégia MED http://med.estrategia.com 1.0 CARDIOLOGIA 1.1 Hipertensão arterial sistêmica 1.1.1 Diagnóstico 1.1.2 Classificação 1.1.3 Tratamento 1.1.4 Emergências e urgências hipertensivas: 1.2 Insuficiência cardíaca 1.2.1 Classificação 1.2.2 Tratamento 1.2.3 IC descompensada 1.3 Valvopatias 1.4 ACLS 1.4.1 Manejo da PCR 1.4.2 Torsades des pointes 1.4.3 Bradiarritmias 1.4.4 Manejo 1.4.5 Taquicardias 1.4.6 Manejo das taquiarritmias 1.4.7 Cardioversão — carga indicada 1.5 Fibrilação atrial 1.5.1 Manejo ambulatorial da fibrilação atrial 1.5.2 Manejo da intoxicação cumarínica 1.5.3 Manejo da fibrilação atrial ou flutter atrial na emergência 1.6 Dor Torácica 1.6.1 Manejo da doença arterial coronariana 1.6.2 Síndromes coronarianas agudas 1.6.3 Diagnóstico de síndrome coronariana aguda 1.6.4 Classificação de Killip-Kimball nas SCA 1.6.5 Diagnóstico do IAM com Supra de ST 1.6.6 Manejo geral das síndromes coronarianas agudas 1.6.6.1 Manejo farmacológico 1.6.6.2 Manejo do IAM com Supra de ST 1.6.7 Contraindicações à terapia fibrinolítica 1.6.8 Critérios de reperfusão 1.6.9 Complicações mecânicas do IAM 1.7 Dissecção aguda de aorta 2.0 dermatologia 2.1 DERMATOLOGIAOncodermatologia 2.1.1 Diagnóstico de melanoma 2.2 Hanseníase 2.2.1 Classificação 2.2.2 Reações hansênicas 2.2.3 Manejo dos contactantes 3.0 ENDOCRINOLOGIA 3.1. Emergências hiperglicêmicas 3.1.1 Cetoacidose diabética (CAD) 3.1.1.1 Critérios diagnósticos da CAD 3.1.1.2 Manejo da cetoacidose diabética 3.1.2 Estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) 3.1.2.1 Critérios diagnósticos do EHH 3.2 Hipoglicemia 3.2.1 Manejo da hipoglicemia 3.3 Diabetes mellitus 3.3.1 Critérios diagnósticos de DM 3.3.2 Manejo farmacológico de DM 3.3.3 Cirurgia metabólica 3.3.4 Síndrome metabólica 3.4 Hipotireoidismo 3.4.1 Fluxograma diagnóstico 3.4.2 Manejo do hipotireoidismo subclínico 3.4.3 Manejo do hipotireoidismo na gestação 3.5 Tireotoxicose 3.5.1 Fluxograma diagnóstico 3.6 .Nódulos tireoidianos 3.6.1 Avaliação ultrassonográfica dos nódulos tireoidianos 3.6.2 Fluxograma diagnóstico dos nódulos tireoidianos 4.0 NEUROLOGIA 4.1 Coma e alterações do nível de consciência 4.1.1 Escala de coma de Glasgow 4.1.2 Fluxograma diagnóstico 4.2 Hipertensão intracraniana 4.3 Cefaleias 4.3.1 Cefaleias primárias 4.3.1.1 Migrânea x cefaleia tensional 4.3.2 Cefaleias trigêmino-autonômicas 4.3.3 Cefaleias secundárias 4.4 Hemorragia subaracnóidea 4.5 Síndromes neurovasculares 4.5.1 Manejo geral do AVC isquêmico agudo 5.0 HEMATOLOGIA 5.1 Anemias 5.1.1 Investigação geral das anemias 5.1.2 Investigação das anemias hemolíticas 5.2 Mieloma múltiplo 5.2.1 Quadro clínico laboratorial do mieloma múltiplo 5.2.2 Critérios diagnósticos do mieloma múltiplo 6.0 HEPATOLOGIA 6.1 Hepatites 6.1.1 Hepatite B 6.1.2 Indicações de profilaxia pós-exposição ao HBV 6.1.3 Manejo da hepatite B 6.1.4 Formas clínicas da hepatite C 6.2 Ascite 6.2.1 Definição de GASA 6.2.2 Fluxograma diagnóstico da ascite 6.2.3 Diagnóstico da peritonite bacteriana espontânea 6.2.4 Diagnóstico da peritonite bacteriana secundária 6.3 Cirrose hepática 6.3.1 Escore de Child-Pugh 6.4 Tumores hepáticos 6.4.1 Carcinoma hepatocelular 6.4.1.1 Manejo do carcinoma hepatocelular 6.4.2 Outros tumores hepáticos malignos 6.4.3 Outros tumores hepáticos 7.0 GASTROENTEROLOGIA 7.1 Doença ulcerosa péptica 7.1.1 Classificação de Forrest 7.1.2 Classificação de Sakita 7.2 Helicobacter pylori 7.3 Hemorragia digestiva alta 7.4 Hemorragia digestiva baixa 7.5 Doença do refluxo gastroesofágico 7.6 Pancreatite aguda 7.7 Doença inflamatória intestinal 7.8 Câncer de cólon 7.8.1 Manejo do câncer de cólon não retal 7.8.2 Manejo do câncer de cólon retal 7.9 Tumores esofágicos e gástricos 7.9.1 Neoplasias de esôfago 7.9.2 Manejo do adenocarcinoma de esôfago 7.9.3 Neoplasias de estômago 7.9.4 Classificação de Borrmann 7.9.5 Estadiamento do adenocarcinoma gástrico 7.9.6 Manejo do adenocarcinoma gástrico 7.9.7 Neoplasias da junção esofagogástrica 7.9.7.1 Classificação de Siewert 7.9.7.2 Manejo das neoplasias da junção esofagogástrica 8.0 NEFROLOGIA 8.1 Glomerulopatias 8.1.1 Características das principais glomerulopatias 8.1.2 Vasculites ANCA-associadas 8.1.3 Nefrite lúpica 8.1.4 Glomerulonefritepós-estreptocócica 8.1.5 Síndrome nefrótica 8.1.6 Indicações de biópsia na síndrome nefrótica na infância 8.2 Lesão renal aguda (LRA) 8.2.1 Critérios KDIGO 8.2.2 Classificação da LRA 8.2.3 Indicações de diálise de urgência 8.3 Doença renal crônica (DRC) 8.3.1 Critérios diagnósticos da DRC 8.3.2 Classificação e estadiamento da DRC 8.4 Distúrbios do equilíbrio ácido-base 8.4.1 Fluxograma da acidemia 8.4.2 Ânion gap 8.4.3 Fluxograma da alcalemia 8.5 Síndrome de lise tumoral 8.6 Nefrolitíase 8.6.1 Manejo da nefrolitíase 9.0 INFECTOLOGIA 9.1 Meningites 9.1.1 Características do liquor em cada etiologia de meningite 9.1.2 Agentes etiológicos principais na meningite 9.1.3 Manejo das meningites bacterianas 9.1.4 Profilaxia para contatos de casos de meningite 9.2 Pneumonias 9.2.1 CURB-65 9.2.2 Manejo ambulatorial da pneumonia adquirida na comunidade 9.2.3 Manejo hospitalar da pneumonia adquirida na comunidade 9.3 Acidentes com animais peçonhentos 9.4 Sepse 9.4.1 Manejo da sepse 9.5 Arboviroses 9.5.1 Dengue 9.5.1.1 Classificação clínica e manejo da dengue 9.5.2 Sinais de alarme na dengue 9.6 Tuberculose 9.6.1 Tuberculose pulmonar 9.6.2 Tuberculose pulmonar: fluxograma diagnóstico 9.6.3 Tuberculose pulmonar: exames 9.6.4 Tuberculose pulmonar: esquemas de tratamento 9.6.5 Tuberculose pulmonar: efeitos adversos das medicações 9.6.6 Manejo de contatos de casos de tuberculose bacilífera 9.6.7 Manejo do RN exposto a caso bacilífero 9.6.8 Infecção latente pelo M. tuberculosis 9.6.8.1 Tuberculose latente: fluxograma de diagnóstico e manejo 9.7 Neutropenia febril 9.7.1 Manejo da neutropenia febril 10.0 PNEUMOLOGIA 10.1 Derrame pleural 10.1.1 Critérios de Light 10.1.2 Derrame pleural parapneumônico e empiema 10.2 Doenças pulmonares obstrutivas e restritivas 10.2.1 Classificação espirométrica das doenças pulmonares 10.3 Asma em adultos 10.3.1 Diagnóstico da asma 10.3.2 Tratamento da asma 10.3.3 Classificação do controle do tratamento da asma 10.3.4 Asma exacerbada: manejo 10.4.1.3 Oxigenoterapia domiciliar na DPOC 10.5 Tromboembolismo pulmonar agudo 10.5.1 Critérios de Wells 10.5.2 Fluxograma diagnóstico de TEP 10.5.2.1 TEP agudo com estabilidade hemodinâmica 10.5.2.2 TEP agudo com instabilidade hemodinâmica 10.5.2.3 Manejo do TEP agudo 11.0 REUMATOLOGIA 11.1 Avaliação da artralgia 11.2 Artrites 11.2.1 Artrite séptica 11.2.2 Artrites por cristais 11.2.3 Artrite gotosa aguda 11.2.5 Artrite reumatoide 11.2.5.1 Quadro clínico da artrite reumatoide 11.2.6 Osteoartrose 11.2.6.1 Espondilite anquilosante 11.2.7 Artrite psoriásica 11.2.8 Artrite reativa 11.2.9 Artrite associada à doença inflamatória intestinal 11.3 Lúpus eritematoso sistêmico 11.3.1 Interpretação do FAN 11.3.2 Nefrite lúpica 11.4 Polimiosite e dermatomiosite 11.5 Síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF)