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O argumento tomou a forma de "Você pergunta de que é feito — terra, fogo, água, etc:?" 
Ou pergunta: "Qual é o seu padrão!" Os pitagóricos queriam dizer com isso investigar o 
padrão e não investigar a substância.2
Aristóteles, o primeiro biólogo da tradição ocidental, também distinguia entre 
matéria e forma, porém, ao mesmo tempo, ligava ambas por meio de um processo de 
desenvolvimento.3 Ao contrário de Platão, Aristóteles acreditava que a forma não tinha 
existência separada, mas era imanente à matéria. Nem poderia a matéria existir 
separadamente da forma. A matéria, de acordo com Aristóteles, contém a natureza 
essencial de todas as coisas, mas apenas como potencialidade. Por meio da forma, essa 
essência torna-se real, ou efetiva. O processo de auto-realização da essência nos 
fenômenos efetivos é chamado por Aristóteles de enteléquia ("autocompletude"). É um 
processo de desenvolvimento, um impulso em direção à auto-realização plena. Matéria 
e forma são os dois lados desse processo, apenas separáveis por meio da abstração. 
Aristóteles criou um sistema de lógica formal e um conjunto de concepções 
unificadoras, que aplicou às principais disciplinas de sua época — biologia, física, 
metafísica, ética e política. Sua filosofia e sua ciência dominaram o pensamento 
ocidental ao longo de dois mil anos depois de sua morte, durante os quais sua autoridade 
tornou-se quase tão inquestionável quanto a da Igreja. 
 
Mecanicismo Cartesiano 
Nos séculos XVI e XVII, a visão de mundo medieval, baseada na filosofia 
aristotélica e na teologia cristã, mudou radicalmente. A noção de um universo orgânico, 
vivo e espiritual foi substituída pela noção do mundo como uma máquina, e a máquina 
do mundo tornou-se a metáfora dominante da era moderna. Essa mudança radical foi 
realizada pelas novas descobertas em física, astronomia e matemática, conhecidas como 
Revolução Científica e associadas aos nomes de Copérnico, Galileu, Descartes, Bacon e 
Newton.4
Galileu Galilei expulsou a qualidade da ciência, restringindo esta última ao estudo 
dos fenômenos que podiam ser medidos e quantificados. Esta tem sido uma estratégia 
muito bem-sucedida ao longo de toda a ciência moderna, mas a nossa obsessão com a 
quantificação e com a medição também nos tem cobrado uma pesada taxa. Como o 
psiquiatra R.D. Laing afirma enfaticamente: 
O programa de Galileu oferece-nos um mundo morto: extinguem-se a visão, o som, o 
sabor, o tato e o olfato, e junto com eles vão-se também as sensibilidades estética e ética, 
os valores, a qualidade, a alma, a consciência, o espírito. A experiência como tal é 
expulsa do domínio do discurso científico. É improvável que algo tenha mudado mais o 
mundo nos últimos quatrocentos anos do que o audacioso programa de Galileu. Tivemos 
de destruir o mundo em teoria antes que pudéssemos destruí-lo na prática.5
René Descartes criou o método do pensamento analítico, que consiste em quebrar 
fenômenos complexos em pedaços a fim de compreender o comportamento do todo a 
partir das propriedades das suas partes. Descartes baseou sua concepção da natureza na 
divisão fundamental de dois domínios independentes e separados — o da mente e o da 
matéria. O universo material, incluindo os organismos vivos, era uma máquina para 
Descartes, e poderia, em princípio, ser entendido completamente analisando-o em

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