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BELIAL 53 B O C A
primeira ocorrência, a palavra representa homens
que levam outros à idolatria: “Uns homens, filhos
de Belial, saíram do meio de ti, [e] incitaram os
moradores da sua cidade, dizendo: Vamos e sirva
mos a outros deuses que não conheceste” (Dt
13.13). Em Dt 15.9, a palavra modifica o termo
hebraico dãbãr, “palavra” ou “assunto”. Israel é
advertido a evitar palavras “más” (pensamentos vis)
em seu coração. Em Jó 34.18, beliya‘al é sinônimo
de rãsã‘ (“o rebelde ímpio”). Em Na 1.11, o conse
lheiro iníquo conspira mal contra Deus. O salmista
usa beliya‘al como sinônimo de morte: “Cordéis de
morte me cercaram, e torrentes de impiedade [“inun
dações de homens vis”J me assombraram” (SI 18.4).
BENDITO
’asrê (vie>n): “bendito, bem-aventurado, feliz”.
Todas menos quatro das 44 ocorrências bíblicas deste
substantivo estão em passagens poéticas, com 26
ocorrências nos Salmos e oito em Provérbios.
Basicamente, esta palavra conota o estado de
"prosperidade" ou "felicidade" que vêm quando um
superior concede seu favor ibênção) a alguém. Na
maioria das passagens, aquele que concede o favor é
o próprio Deus: "Feliz és tu. ó Israel! Quem é como
tu? Povo salvo pelo SENHOR" (Dt 33.29. ARA*.
O estado que o bem-aventurado desfruta nem sem
pre parece ser “feliz": "Eis que bem-aventurado
[“feliz”] é o homem a quem Deus castiga: não des
prezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso. Porque
ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas
mãos curam” (Jó 5.17,18). Elifaz não estava descre
vendo a condição de Jó como a de alguém feliz;
porém, tal condição era “bem-aventurada” já que
Deus se preocupava com ele. Pelo fato de que era
um estado bendito e o resultado seria bom, espera
va-se que Jó risse de sua adversidade (Jó 5.22).
Nem sempre é Deus que faz a pessoa “bendita”.
Pelo menos, a rainha de Sabá disse lisonjeiramente a
Salomão que este era o caso (1 Rs 10.8).
O estado da pessoa diante de Deus (sendo “ben
dita”) nem sempre é expresso em termos da situa
ção individual ou social que faz com que, em geral,
as pessoas atualmente considerem ser a “felicida
de”. Assim, embora seja adequado traduzir ’asrê
por “bendito”, a tradução de “felicidade” nem sem
pre transmite sua ênfase aos leitores modernos.
BESTA
tfhemãh (nora): “besta, animal, animal domes
ticado, gado, animal de montaria, animal selvagem”.
Um cognato desta palavra aparece no árabe. O
hebraico bíblico usa bchemãh cerca de 185 vezes e
em todos os períodos da história.
Em Êx 9.25, esta palavra abarca claramente até
os animais “maiores”, todos os animais do Egito:
“E a saraiva feriu, em toda a terra do Egito, tudo
quanto havia no campo, desde os homens até aos
animais". Este significado está especialmente claro
em Gn 6.7: “Destruirei, de sobre a face da terra, o
homem que criei, desde o homem até ao animal, até
ao réptil e até à ave dos céus”. Em 1 Rs 4.33, esta
palavra parece excluir pássaros, peixes e répteis:
“Também falou dos animais, e das aves, e dos rép
teis, e dos peixes".
A palavra behetnãh é usada para se referir a todas
as bestas ou animais domesticados: "E disse Deus:
Produza a terra alma vivente conforme a sua espé
cie; gado. e répteis, e bestas-feras da terra conforme
a sua espécie" (Gn 1.24. primeira ocorrência). O SI
8.7 usa bchemãh em paralelismo sinônimo com
"bois" e "ovelhas", como se incluísse ambos: "To
da? as ovelhas e bois, assim como os animais do
campo". Contudo, a palavra só pode ser usada para
se referir a gado: "O seu gado, e as suas possessões,
e todos os seus animais não serão nossos?" (Gn
34.23).
Em uso raro da palavra, significa “animal de
montaria", como cavalo ou mula: “E, de noite, me
levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei
a ninguém o que o meu Deus me pôs no coração
para fazer em Jerusalém: e não havia comigo animal
algum, senão aquele em que estava montado" (Ne
2 .12).
Raramente a palavra bhemãh representa toda
besta selvagem, quadrúpede, não domesticada: "E o
teu cadáver será por comida a todas as aves dos
céus e aos animais [bestas] da terra: e ninguém os
espantará” (Dt 28.26).
BOCA
pheh (na): “boca, extremidade, abertura, entra
da, colarinho, expressão vocal, ordem, comando,
evidência”. Esta palavra tem cognatos no ugarítico.
acadiano, árabe, aramaico e amorita. Aparece por
volta de 500 vezes e em todos os períodos do
hebraico bíblico.
Primeiro, a palavra significa “boca”. É usada para
aludir à “boca” humana: “E ele falará por ti ao povo;
e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás
por Deus” (Êx 4.16). Em passagens como Nm
22.28, esta palavra descreve a “boca” de um animal:
B O C A 54 B O C A
"Então, o SENHOR abriu a boca da jumenta, a qual
disse a Balaão..." Quando usado para indicar a “boca"
de um pássaro, refere-se a seu bico: "E a pomba
voltou a ele sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha
de oliveira no seu bico” (Gn 8.11). Esta palavra é
usada figurativamente para aludir à “boca da terra",
referindo-se ao fato de que o líquido entrou na terra
— a terra a bebeu: “E agora maldito és tu desde a
terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o
sangue do teu irmão” (Gn 4.11, primeira ocorrência
bíblica). Uso semelhante aparece no SI 141.7: “Nos
sos ossos espalhados à boca da sepultura”. Neste
caso. imagina-se que o Sheol seja talvez uma cova e
é. então, personificada com sua “boca” a consumir
os homens assim que eles morrem.
Segundo, esta palavra é empregada em sentido
impessoal e não personificado de “abertura”: “E
olhou, e eis um poço no campo, e eis três rebanhos
de ovelhas que estavam deitados junto a ele; porque
daquele poço davam de beber aos rebanhos; e havia
uma grande pedra sobre a boca do poço” (Gn 29.2).
Em Is 19.7, esta palavra retrata a “extremidade” de
um rio: “A relva que está junto ao rio, junto às
ribanceiras dos rios, e tudo o que foi semeado junto
ao rio se secarão, e serão arrancados, e não subsisti
rão”. Gênesis 42.27 usa pheh para se referir a um
orifício ou à área dentro das extremidades de um
saco aberto: “[Benjamim] viu o seu dinheiro; por
que eis que estava na boca do seu saco”. Uso seme
lhante aparece em Js 10.18, onde a palavra é usada
para se referir a uma “entrada” ou “abertura” de
caverna. O termo pheh quer dizer não só uma aber
tura que está fechada em todos os lados, mas tam
bém uma porta da cidade, uma abertura aberta em
cima: “Da banda das portas da cidade, à entrada da
cidade e à entrada das portas está clamando” (Pv
8.3). Êxodo 28.32 usa esta palavra para significar
uma “abertura” numa túnica, ao redor da qual uma
gola seria tecida: “E o colar da cabeça estará no meio
dele; este colar terá uma borda de obra tecida ao
redor: como colar de cota de malha será nele, para
que se não rompa”. Jó 30.18 emprega a palavra para
ê referir à própria “gola”: “Pela grande força do
meu mal se demudou a minha veste, que, como a
gola da minha túnica, me cinge” (cf. SI 133.2).
Em várias passagens, pheh retrata o fio de espa
da. talvez no sentido da parte que corta e/ou morde:
"Mataram também a fio de espada a Hamor, e a seu
filho Siquém" (Gn 34.26).
Vários idiotismos notáveis empregam pheh. Em
Js 9.2. "de boca comum” significa “de comum acor
do”: “ [E] se ajuntaram eles de comum acordo, para
pelejar contra Josué e contra Israel”. Em Nm 12.8,
Deus descreveu Sua singular comunicação com
Moisés usando a expressão “boca a boca” ou pes
soa a pessoa. Construção semelhante aparece em Jr
32.4 (cf. Jr 34.3 que têm a mesma força): “Zedequias,
rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus,
mas, certamente, será entregue nas mãos do rei da
Babilônia e com ele falará boca a boca, e os seus
olhos verão os dele". A expressão “de boca a boca”
ou “boca a boca" significa “de uma extremidade à
outra”: “E entraram na casa de Baal, e encheu-se a
casa de Baal, de um lado ao outro” (2 Rs 10.21).
“Com a boca aberta" é expressão que enfatiza ávido
consumo: “Pela frente virão os siros, e por detrás,
os filisteus. e devorarãoa Israel com a boca escan
carada” (Is 9.12 ). "Colocar a mão na boca” é gesto
de silêncio (Jó 29.91. "Perguntar a boca de alguém”
é perguntar-lhe pessoalm ente: “Cham em os a
donzela e perguntemos-lho [“consultemos seu de
sejo”]” (Gn 24.57).
Esta palavra também representa “expressão vo
cal” ou “ordem": "Tu estarás sobre a minha casa, e
por tua boca se governará todo o meu povo” (Gn
41.40). “A boca de duas testemunhas” significa o
seu testemunho: "Todo aquele que ferir a alguma
pessoa, conforme o dito das testemunhas” (Nm
35.30). Em Jr 36.4, “da boca de Jeremias” quer di
zer “por ditado": "E escreveu Baruque da boca de
Jeremias todas as palavras do SENHOR [...] no rolo
de um livro".
O termo pheh usado com várias preposições tem
significados especiais. 1) Usado com kf, significa
“de acordo com". Em Lv 25.52, esta construção
tem a acepção especial de “em proporção a”: “E, se
ainda restarem poucos anos até ao Ano do Jubileu,
então, fará contas com ele; segundo [em proporção
a] os seus anos, restituirá o seu resgate”. O signifi
cado “de acordo com" surge em passagens como
Nm 7.5: “Toma os deles, e serão para servir no
ministério da tenda da congregação; e os darás aos
levitas, a cada qual segundo o seu ministério” . Em
Êx 16.21, a expressão significa “tanto quanto”.
Acepção diferente ocorre em Jó 33.6: “Eis que vim
de Deus, como tu". 2) Quando a palavra é precedida
por /*", seus significados são bastante semelhantes
aos que acabamos de discutir. Em Lv 25.51, signifi
ca “em proporção a". Jeremias, 29.10, utiliza a pa
lavra no sentido “de acordo com”: “Passados seten
ta anos na Babilônia...”, que pode ser lido literal
mente, “de acordo com a plenitude dos setenta anos
B O C A 55 BOM
na Babilônia...” 3) Com ‘al, a palavra também signi
fica “de acordo com” ou “em proporção a” (cf. Lv
27.18).
A expressão plú s‘‘nayim (literalmente, “duas
bocas”) tem dois significados diferentes. Em Dt
21.17, significa “dupla porção” (duas partes): “Mas
ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito,
dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver”.
Esta mesma expressão também significa “dois ter
ços”: “E acontecerá em toda a terra, diz o SENHOR,
que as duas partes dela serão extirpadas e expira
rão; mas a terceira parte restará nela.” (Zc 13.8).
BOI
phãr (13): “boi”. Os cognatos desta palavra apa
recem no ugarítico, aramaico, siríaco e árabe. A pa
lavra phãr aparece aproximadamente 132 vezes na
Bíblia e em todos os períodos, embora a maioria de
suas ocorrências esteja em contextos prosaicos que
lidam com sacrifícios a Deus.
O termo phãr significa "novilho”, que é o signi
ficado em sua primeira ocorrência bíblica (Gn 32.15).
que nos fala que entre os presentes que Jacó enviou
para aplacar Esaú estavam "dez novilhos". No SI
22 .12. a palavra é usada para descrever "inimigos
ferozes e fortes”: “Muitos touros me cercaram: for
tes touros de Basã me rodearam". Quando em Is
34.7 Deus ameaça as nações com julgamento. Ele
descreve seus príncipes e guerreiros como “bezer
ros” que Ele sacrificará (cf. Jr 50.27; Ez 39.18).
A palavra phãrãh é a forma feminina de phãr, e
é usada desdenhosamente para se referir a mulheres
em Am 4.1: “Ouvi esta palavra, vós, vacas de Basã”.
O termo phãrãh ocorre 25 vezes no Antigo Testa
mento e sua primeira ocorrência está em Gn 32.15.
BOM
A. Adjetivo.
tôb (rhc): “bom, favorável, festivo, delicioso, agra
dável, bem, melhor, adequado”. Esta palavra aparece
no acadiano, aramaico, árabe, ugarítico e no antigo
árabe do sul. Aparece em todos os períodos do
hebraico bíblico, ocorrendo por volta de 559 vezes.
Este adjetivo denota “bom” em todos os senti
dos da palavra. Por exemplo, tôb é usado no sentido
de “agradável” ou “delicioso” : “E viu ele que o des
canso era bom e que a terra era deliciosa, e abaixou o
seu ombro para acarretar [fardos]” (Gn 49.15). Uma
extensão deste sentido aparece em Gn 40.16, onde
tôb significa “favorável” ou “a favor de alguém”:
“Vendo, então, o padeiro-mor que tinha interpreta
do bem, disse a José...” Em 1 Sm 25.8, a ênfase está
na acepção de “agradável” ou “festivo”: “Estes jo
vens, pois, achem graça a teus olhos, porque vie
mos em bom dia”. Deus é descrito como Aquele que
é “bom”, ou Aquele que dá “deleite” e “prazer”:
“Mas, para mim, bom é aproximar-me de Deus;
pus a minha confiança no SENHOR Deus, para anun
ciar todas as tuas obras” (SI 73.28).
Em 1 Sm 29.6, esta palavra descreve atividades
humanas: “Vive o SENHOR, que tu és reto, e que a
tua entrada e a tua saída comigo no arraial são boas
aos meus olhos”. A palavra tôb é também aplicada á
beleza cênica, como em 2 Rs 2.19: “Eis que boa é a
habitação desta cidade, como o meu senhor vê; po
rém as águas são más, e a terra é estéril”. Segundo
Crônicas 12.12 emprega uma acepção relacionada,
quando aplica a palavra às condições de Judá sob o
reinado do rei Roboão. depois que ele se humilhou
perante Deus: "Ainda [...] havia boas coisas”.
O termo tôb qualifica um objeto ou uma ativida
de comuns. Quando a palavra é usada neste sentido,
nenhuma implicação ética é intencional. Em 1 Sm
19.4. tôb descreve o modo como Jônatas falou so
bre Davi: "Então. Jônatas falou bem dc Davi a Saul,
seu pai. e disse-lhe: Não peque o rei contra seu
servo Davi. porque ele não pecou contra ti, e por
que os seus feitos te são mui bons". Primeiro Samuel
25.15 caracteriza a pessoa como “amigável” ou
"útil": "Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito
bons. e nunca fomos agravados deles, e nada nos
faltou em todos os dias que conversamos com eles,
quando estávamos no campo”. Com freqüência esta
palavra traz uma ênfase até mais forte, como em 1
Rs 12.7. onde a palavra “bom” não só é amigável,
mas facilita a vida dos servos. As “boas palavras”
de Deus prometem vida em face da opressão e in
certeza: “Nem uma só palavra caiu de todas as suas
boas palavras que falou pelo ministério de Moisés,
seu servo” (1 Rs 8.56). A palavra tôb caracteriza
uma declaração como afirmação importante para sal
vação e prosperidade (real ou imaginária): “Não é
esta a palavra que te temos falado no Egito, dizen
do: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que
melhor nos fora servir aos egípcios do que morrer
mos no deserto” (Êx 14.12). Deus julgou que a cir
cunstância do homem sem esposa ou companheira
não era “boa” (Gn 2.18). Em outro lugar, tôb é apli
cado a uma avaliação do bem-estar da pessoa ou ao
bem-estar de uma situação ou coisa: “E viu Deus
que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz
e as trevas” (Gn 1.4, primeira ocorrência).
B O M 56 B O SQ U E
O termo tôb é usado para descrever terra e agri
cultura: “Portanto, desci para livrá-lo da mão [po
der] dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra
a uma terra boa [fértil] e larga, a uma terra que
mana leite e mel" (Êx 3.8). Isto sugere seu potenci
al de sustentar a vida (Dt 11.17). Assim, a expres
são “a boa terra” é comentário sobre sua existên
cia. bem como seu potencial e produtividade. Em
tais contextos, a terra é vista como aspecto das
bênçãos de salvação prometidas por Deus. Por isso,
o Senhor não permitiu que Moisés cruzasse o
Jordão e entrasse na terra que o povo ia herdar (Dt
3.26-28). Este aspecto da “boa terra” inclui impli
cações de sua fertilidade e “agradabilidade”: “E
tomará o melhor das vossas terras, e das vossas
vinhas, e dos vossos olivais e os dará aos seus
criados'’ (1 Sm 8.14).
A palavra tôb é usada para descrever homens ou
mulheres. Às vezes é usada para aludir a um “corpo
de elite” de pessoas: “Também os vossos criados, e
as vossas criadas, e os vossos melhores jovens, e os
vossos jumentos tomará e os empregará no seu tra
balho" (1 Sm 8.16). Em 2 Sm 18.27, Aimaás é des
crito como “homem de bem”, porque ele vinha com
“boas” notícias para o exército. Em 1 Sm 15.28, a
palavra tem implicações éticas: “O SENHOR tem
rasgado de ti hoje o reino de Israel e o tem dado ao
teu próximo, melhor do que tu” (cf. 1 Rs 2.32). Em
outras passagens, tôbdescreve a aparência física:
“E a donzela era mui formosa à vista [literalmente,
“boa de aparência"]” (Gn 24.16). Quando aplicada
ao coração, a palavra descreve o “bem-estar” em
vez de aludir ao estado ético. Portanto, a idéia para
lela é “jovial e feliz”: “Então, se foram às suas ten
das, alegres e contentes de coração, por causa de
todo o bem que o SENHOR fizera a Davi” (1 Rs
8 .66). Morrer “em boa velhice” descreve “idade
avançada” em vez da realização moral, mas um tem
po em que, devido às bênçãos divinas, a pessoa se
sente realizada e satisfeita (Gn 15.15).
O termo tôb indica que determinada palavra, ato
ou circunstância contribui positivamente para a con
dição de uma situação. Com freqüência este julga
mento não significa que a coisa seja realmente “boa”,
só que foi avaliada assim: “Vendo, então, o padeiro-
mor que tinha interpretado bem, disse a José...”
(Gn 40.16). O julgamento pode ser ético: “Não é
bom o que fazeis: Porventura, não devíeis andar no
temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos
gentios, os nossos inimigos?” (Ne 5.9). A palavra
também pode representar “acordo” ou “consenti
mento”: “Do SENHOR procedeu este negócio; não
podemos falar-te mal ou bem” (Gn 24.50).
A palavra tôb é usada junto com a palavra hebraica
rã'ãh (“ruim, mal” ). Às vezes, é tencionado como
contraste, mas em outros contextos pode significar
“tudo de bom [amigável] a ruim [prejudicial]”, que é
uma maneira de dizer "nada”. Em outros contextos,
é sugerido mais contraste: “E qual é a terra em que
habita, se boa ou má" (Nm 13.19, ARA). Neste
caso, a avaliação determinaria se a terra podia ou
não sustentar adequadamente o povo.
Em Gn 2.9. tôb. contrastado com o mal, tem
implicações morais: "A árvore da vida no meio do
jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal”. O
fruto desta árvore, se consumida, revelaria a dife
rença entre o mal moral e o “bem” moral. Esta refe
rência também sugere que, comendo este fruto, o
homem tentava determinar por si o que é “bom” e
mal.
B. Verbos.
yãtab "ter o máximo prazer em, estar en
cantado em. estar contente”. Este verbo aparece 117
vezes no Antigo Testamento. O significado da pala
vra, como está expresso em Ne 2.6, é “aprazer”.
tôb ("'t:): "ser alegre, contente, agradável, adorá
vel, apropriado, precioso, cair bem”. O verbo tôb
tem cognatos no acadiano e no árabe. O verbo apa
rece 21 vezes no Antigo Testamento. Jó 13.9 é um
exemplo do significado da palavra, “ser bom”: “Ser-
vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse?”.
BOSQUE
'asherãh (r^rx): “Asherá. bosque, postes”. Este
substantivo, que tem um cognato no ugarítico, apa
rece pela primeira vez na Bíblia em passagens que
antecipam o estabelecimento na Palestina. As ocor
rências mais freqüentes da palavra estão na literatu
ra histórica. De suas 40 ocorrências, quatro estão
110 código das leis de Israel, quatro em Juizes, qua
tro nos livros proféticos e o restante está em 1 Reis
e 2 Crônicas.
A palavra ’asherãh se refere a um objeto de cul
to que representa a presença da deusa cananéia Aserá.
Quando o povo de Israel entrou na Palestina, ele
não devia ter nada a ver com as religiões idólatras
dos seus habitantes. Antes, Deus disse: “Mas os
seus altares transtornareis, e as suas estátuas
quebrareis, e os seus bosques ['asherim (plural)]
cortareis” (Êx 34.13). Este objeto de culto era feito
de madeira (Jz 6.26; 1 Rs 14.15) e podia ser quei
mado (Dt 12.3). Alguns estudiosos concluem que
B O SQ U E 57 CABEÇA
era um poste sagrado colocado perto de um altar de
Baal. Considerando que havia só uma deusa com
este nome, o plural ( 'asherim) representa seus vári
os “postes”, daí a tradução “bosque”.
O termo ’asherãh significa o nome da própria
deusa: “Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o
Israel no monte Carmelo, como também os quatro
centos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocen
tos profetas de A será , que comem da mesa de
Jezabel” (1 Rs 18.19). Os cananeus acreditavam que
’asherãh dominava o mar, era a mãe de todos os
deuses, inclusive de Baal, e às vezes era seu inimigo
mortal. Aparentemente, a mitologia de Canaã asse
verava que ’aserãh era o cônjuge de Baal, que tinha
deslocado El como seu deus altíssimo. Assim, seus
objetos sagrados (postes, bosque) estavam imedia
tamente ao lado dos altares de Baal, e ela era adora
da junto com ele.
BRAÇO
zfrôa‘ (? ;"ii)"braço. poder, força, ajuda''. Os
cognatos de zfrôa' ocorrem nas línguas semíticas do
Noroeste e do Sul. A palavra zfrCxi' é atestada 92
vezes no hebraico bíblico e em todos os períodos. A
palavra relacionada 'ezrôa aparece duas vezes Jó
31.22; Jr 32.21). O aramaico bíblico atesta Jra ' ama
vez e 'edrã uma vez.
O termo t r o a ' quer dizer "braço", membro do
corpo: “Bendito aquele que faz dilatar a Gade. que
habita como a leoa e despedaça o braço e o alto da
cabeça” (Dt 33.20). A palavra se refere a braços em
Gn 49.24 (primeira ocorrência): " 0 seu arco. po
rém, susteve-se no forte, e os braços de suas mãos
foram fortalecidos”. A força dos braços capacitou
Gade a retesar o arco. Em algumas passagens, r rôa'
se refere especialmente ao antebraço: “Porque será
como o segador que colhe o trigo e, com o seu braço,
sega as espigas”. (Is 17.5). Em outro lugar, a palavra
representa o ombro: “Mas Jeú entesou o seu arco
com toda a força e feriu a Jorão entre os braços” (2
Rs 9.24).
A palavra z‘rôa ‘ conota o “assento da força”:
“Adestra as minhas mãos para o combate, de sorte
que os meus braços quebraram um arco de cobre"
(SI 18.34). Em Jó 26.2, o pobre é descrito como o
braço que não tem força.
A força de Deus é figurada por antropomorfismo
(atribuindo a Ele partes humanas), como quando
Ele “com braço estendido...” (Dt 4.34) ou “com
braço forte...” (Jr 21.5). Em Is 30.30, a palavra pa
rece representar raios: "E o SENHOR fará ouvir a
glória da sua voz e fará ver o abaixamento do seu
braço, com indignação de ira. e a labareda do seu
fogo consumidor, e raios, e dilúvio, e pedra de sarai
va'' < cf. Jó 40.9 ).
O braço é símbolo da força do homem (1 Sm
2.31 > e de Deus (SI 71.18): “Agora, também, quan
do estou velho e de cabelos brancos, não me desam
pares. ó Deus. até que tenha anunciado a tua força a
esta geração, e o teu poder a todos os vindouros".
Em Ez 22.6. z róa' é traduzido por “poder”: “Eis
que dos príncipes de Israel, cada um conforme o seu
poder, tiveram domínio sobre ti, para derramarem o
sangue". Uma terceira acepção é “ajuda”: “Também
a Assíria se ligou a eles: foram eles o braço [ajuda]
dos filhos de Ló” (SI 83.8).
A palavra pode representar forças políticas ou
militares iexército): "E o rei do Norte virá, e levan
tará baluartes, e tomará a cidade forte; e os braços
do Sul não poderão subsistir, nem o seu povo esco
lhido. pois não haverá força que possa subsistir"
(Dn 11.15; cf. Ez 17.9).
Em Nm 6.19. zfrôa' é usado para aludir ao om
bro de um animal: “Este, pois, será o direito dos
sacerdotes, a receber do povo. dos que sacrificarem
sacrifício, seja boi ou gado miúdo: que darão ao sa
cerdote a espádua [ombro], e as queixadas, c o bu
cho” (cf. Dt 18.3).
c
CABEÇA
A. Substantivos.
rõ ’sh (r»N“): “cabeça, cume, primeiro, soma, lí
der” . Os cognatos de rõsh aparecem no ugarítico,
acadiano. fenício, aramaico bíblico, árabe e etiópico.
O substantivo rô’sh e sua forma alternativa re’sh
ocorrem por volta de 596 vezes no hebraico bíblico.
Esta palavra representa “cabeça”, parte do cor
po (Gn 40.20). O termo rõsh também é usado para
aludir a uma “cabeça” decapitada (2 Sm 4.8), uma
“cabeça” de animal (Gn 3.15) e uma “cabeça" de
estátua (Dn 2.32). Em Dn 7.9, onde Deus é retrata
do em forma humana, Sua “cabeça” está coroada
com cabelos como a limpa lã (ou seja, brancos).
CABEÇA 58 CABEÇA
“Erguer a própria cabeça” pode ser sinal de de
claração de inocência: “Se for ímpio, ai de mim! E se
for justo, não levantarei a cabeça; cheio estou de
ignomínia e olho para a minha miséria” (Jó 10.15).
Esta mesma figura de linguagemindica intenção de
começar uma guerra, a forma mais intensa de confi
ança em si mesmo: “Porque eis que teus inimigos se
alvoroçam, e os que te aborrecem levantaram a ca
beça ’ (SI 83.2). Com uma negação, esta expressão
simboliza submissão a outro poder: “Assim, foram
abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel e
nunca mais levantaram a sua cabeça" (Jz 8.28).
Usado de modo transitivo (ou seja, levantar a "ca
beça” de alguém), esta palavra conota restaurar al
guém em posição prévia: “Dentro ainda de três dias,
Faraó levantará a tua cabeça e te restaurará ao teu
estado” (Gn 40.13). Também denota soltar alguém
da prisão: “Evil-Merodaque, rei da Babilônia, liber
tou [“levantou a cabeça”], no ano em que reinou, a
Joaquim, rei de Judá, da casa da prisão” (2 Rs 25.27).
Com o verbo rum (“levantar”), rõsh significa a
vitória e o poder de um rei empossado: Deus “pros
seguirá de cabeça erguida”, ou mostra o Seu domínio
i SI 110.7). Quando Deus ergue (rum) a “cabeça” de
alguém, Ele enche a pessoa de esperança e confiança:
"Mas tu. SENHOR, és um escudo para mim, a mi
nha glória e o que exalta a minha cabeça” (SI 3.3).
Há muitas acepções secundárias de rõsh. Pri
meiro, a palavra descreve “cabelo da cabeça” : “E
será que, ao sétimo dia, rapará todo o seu pêlo, e a
cabeça, e a barba, e as sobrancelhas dos seus olhos;
e rapará todo o outro pêlo” (Lv 14.9).
A palavra conota unidade e representa cada indi
víduo em determinado grupo: “Porventuranão acha
riam e repartiriam despojos? Uma ou duas moças a
cada homem?” (Jz 5.30). Esta palavra é usada nu
mericamente e significa o número total de pessoas
ou indivíduos em um grupo: “Tomai a soma de toda
a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas
gerações, segundo a casa de seus pais, conforme o
número dos nomes de todo varão, cabeça por cabe
ça” (Nm 1.2).
O termo rõ ’sh também enfatiza o indivíduo: “E
houve grande fome em Samaria, porque eis que a
cercaram, até que se vendeu uma cabeça de um ju
mento por oitenta peças de prata” (2 Rs 6.25). É na
"cabeça" (sobre a própria pessoa) que as maldições
e bênçãos caem: “As bênçãos de teu pai excederão
as bênçãos de meus pais, [...] elas estarão sobre a
cabeça de José" (Gn 49.26).
Às vezes, rõsh significa “líder”, quer nomeado,
eleito ou autonomeado. A palavra é usada para se
referir aos pais tribais, que são os líderes de um
grupo de pessoas: “E escolheu Moisés homens ca
pazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre
o povo” (Êx 18.25). Os líderes militares também
são chamados de “cabeças”: “Estes são os nomes
dos valentes que Davi teve: Josebe-Bassebete, filho
de Taquemoni, o principal dos capitães” (2 Sm 23.8).
Em Nm 1.16, os príncipes são chamados "cabeças”
(cf. Jz 10.18). Esta palavra é usada para aludir aos
que representam ou conduzem as pessoas em ado
ração (2 Rs 25.18, "primeiro sacerdote”).
Quando empregado para se referir a coisas, rõ’sh
significa “ponto” ou “começo”. Com ênfase local, a
palavra diz respeito ao “cume” ou ápice de uma
montanha ou colina: “Amanhã, eu estarei no cume
do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão” ̂ _
(Ex 17.9). Em outro lugar, a palavra descreve a pon
ta mais alta de um objeto natural ou construído:
“Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo
cume toque nos céus e façamo-nos um nome” (Gn
11.4).
Em Gn 47.31, a palavra denota a “cabeça” da
cama, ou onde colocamos a cabeça. Em 1 Rs 8 .8,
rõ ’sh se refere às pontas dos varais. A palavra é
usada para aludir ao lugar onde começa uma jorna
da: “A cada canto do caminho edificaste o teu lugar
alto" (Ez 16.25); cf. Dn 7.1: “a suma das coisas”.
Este sentido de ponto de início aparece em Gn 2.10
(primeira ocorrência): “E saía um rio do Éden para
regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em
quatro braços [“a fon te de quatro rios”]” . Esta
acepção identifica que uma coisa é colocada (dentro
de um espaço físico) na frente de um grupo; está na
frente ou à “cabeça” (Dt 20.9; cf. 1 Rs 21.9). A
“cabeça” das estrelas é uma estrela localizada no
zênite do céu (Jó 22.12). A pedra angular (pedra
“cabeça”) ocupa lugar de importância primária. É a
pedra pela qual todas as outras são medidas; é a
principal cabeça de esquina (SI 118.22).
Esta palavra tem um sentido temporal e significa
“começo” ou “primeiro”. O segundo sentido é visto
em Êx 12.2: “Este mesmo mês vos será o princípio
dos meses”. Em 1 Cr 16.7, a palavra descreve o
“primeiro” em uma série completa de atos: “Então,
naquele mesmo dia, entregou Davi em primeiro lu
gar o Salmo seguinte, para louvarem ao SENHOR,
pelo ministério de Asafe e de seus irmãos”.
O termo rõ’sh também tem conotação estimati
va: “Tu, pois, toma para ti das principais [das me
lhores] especiarias” (Êx 30.23).
CABEÇA 59 C A M IN H O
re’shít (rvpn): “começo, primeiro, o mais esco
lhido” . A palavra abstrata re’shít corresponde ao
sentido temporal e estimativo de rõ ’sh. O termo
reshit conota o “começo” de um período fixo de
tempo: “Os olhos do SENHOR, teu Deus, estão
sobre ela continuamente, desde o principio até ao
fim do ano” (Dt 11.12). O “começo” do período de
vida é o que se quer dizer em Jó 42.12: “E, assim,
abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais
do que o primeiro''. Esta palavra representa um
ponto de partida, como em Gn 1.1 (primeira ocor
rência): “No princípio, criou Deus os céus e a ter
ra”. Do ponto de vista estimativo, esta palavra sig
nifica “o primeiro” ou “o mais escolhido” : “As
primícias, os primeiros frutos da tua terra, trarás à
casa do SENHOR, teu Deus” (Êx 23.19). Esta
acepção de re’shít aparece no sentido comparativo e
significa “o mais escolhido” ou “o melhor”. Daniel
11.41 exibe a acepção “alguns”: “Mas escaparão
das suas mãos estes: Edom. e Moabe. e as primícias
dos filhos de Amom" i Dn 11.41).
Usada substantivamente. a palavra significa
"primícias. primeiros frutos”: "Deles, oferecereis
ao SENHOR por oferta das primícias: porém sobre
o altar não subirão por cheiro suave" <Lv 2.12>. "As
suas primícias que derem ao SENHOR, as tenho
dado a ti" (Nm 18.12). Às vezes, esta palavra re
presenta a “primeira parte" de uma oferta: "Das
primícias da vossa massa oferecereis um bolo em
oferta alçada” (Nm 15.20).
B. Adjetivo.
rVshôn (Tfôfco): “primeiro, em primeiro lugar, pre
cedente, anterior”. Esta palavra aparece aproximada
mente 182 vezes no hebraico bíblico. Denota o “pri
meiro” em uma sucessão temporal: “E aconteceu que.
no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primei
ro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra”
(Gn 8.13). Em Ed 9.2, rVshôn é usado tanto no sen
tido de precedência de tempo quanto de liderança:
“Assim se misturou a semente santa com os povos
destas terras, e até a mão dos príncipes e magistrados
foi a primeira nesta transgressão”.
Um segundo significado deste adjetivo é “prece
dente” ou “anterior”: “Até ao lugar do altar que,
dantes, ali tinha feito” (Gn 13.4). Gênesis 33.2 usa
esta palavra localmente: “E pôs as servas e seus
filhos na frente e a Léia e a seus filhos, atrás; porém
a Raquel e José, os derradeiros”. Os “anteriores”
são os “antepassados”: “Antes, por amor deles, me
lembrarei do concerto com os seus antepassados,
que tirei da terra do Egito perante os olhos das na
ções” (Lv 26.45). Mas na maioria dos casos, este
adjetivo tem ênfase temporal.
CALAMIDADE
’êd (ti*): “calamidade, desastre”. Um possível
cognato desta palavra aparece no árabe. Suas 24
ocorrências bíblicas se dão em todos os períodos do
hebraico bíblico (12 vezes na literatura sapiencial e
somente uma na literatura poética, nos Salmos).
Esta palavra significa “desastre” ou “calamida
de" que acontece com uma nação ou indivíduo. Quan
do usado em relação a uma nação, representa um
"evento político ou militar”: “Minha é a vingança e
a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé;
porque o dia da sua ruína [ está próximo, e as
coisas que lhes hão de suceder se apressam a che
gar” iDt 32.35. primeira ocorrência). Os profetastendem a usar 'êd no sentido de "desastre” nacional,
enquanto que os escritores sapienciais o usam para
aludir a "tragédia pessoal".
CAMINHO
A. Substantivos.
derek i ): "caminho (estrada), distância, via
gem, jornada. maneira, conduta, condição, destino”.
Este substantivo tem cognatos no acadiano, ugarítico
' onde às vezes significa "poder” ou “governo” ),
fenício. púnico. árabe e aramaico. Ocorre por volta
de 706 vezes no hebraico bíblico e em todos os
períodos.
Primeiro, esta palavra se refere a um caminho ou
estrada. Em Gn 3.24 (primeira ocorrência da pala
vra). significa "caminho" ou "rota” : “Pôs querubins
ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflama
da que andava ao redor, para guardar o caminho da
árvore da vida”. Às vezes, como em Gn 16.7. a
palavra representa uma estrada principal, caminho
ou rota: "E o Anjo do SENHOR a achou junto a
uma fonte de água no deserto, junto à fonte no ca
minho de Sur”. A estrada em si é representada ern
Gn 38.21: “Onde está a prostituta [cultuai] que es
tava no caminho junto às duas fontes?” Em Nm
20.17, a palavra significa "estrada principal”, uma
estrada famosa e muito usada: “Iremos pela estrada
real; não nos desviaremos para a direita nem para a
esquerda, até que passemos pelos teus termos” .
Segundo, este substantivo representa uma “dis
tância” (em percurso ou em tempo) entre dois pon
tos: “E pôs três dias de caminho [uma distância de
três dias] entre si e Jacó” (Gn 30.36).
Em outras passagens, derek diz respeito à ação
CAMINHO 60 CAM INHO
ou processo de “fazer uma viagem ou jornada”: “E
a seu pai enviou semelhantemente dez jumentos
carregados do melhor do Egito, e dez jumentos car
regados de trigo, e pão, e comida para seu pai, para
o caminho [da viagem]’’ (Gn 45.23). Em acepção
estendida, derek significa ‘‘empreendimentos'’: “Se
desviares o teu pé do sábado, de fazer a tua vontade
no meu santo dia, e se chamares ao sábado deleitoso
e santo dia do SENHOR digno de honra, e se o
honrares. não seguindo os teus caminhos, nem pre
tendendo fazer a tua própria vontade” (Is 58.13).
Confronte com Gn 24.21: “E o varão estava admi
rado de vê-la, calando-se, para saber se o SENHOR
havia prosperado a sua jornada ou não” (cf. Dt
28.29).
Em outra ênfase, esta palavra conota o modo e o
que a pessoa faz, uma “maneira, costume, compor
tamento, modo de vida” : “Nosso pai é já velho, e
não há varão na terra que entre a nós, segundo o
costume de toda a terra” (Gn 19.31). Em 1 Rs 2.4,
derek é aplicado a uma atividade que controla al
guém. o estilo de vida: “Para que o SENHOR con
firme a palavra que falou de mim, dizendo: Se teus
filhos guardarem o seu caminho, para andarem pe
rante a minha face fielmente, com todo o seu cora
ção e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará
sucessor ao trono de Israel”. Em 1 Rs 16.26, derek
é usado para descrever a atitude de Jeroboão: “E
andou em todos os caminhos de Jeroboão, filho de
Nebate. como também nos seus pecados”. Ações
ou atos específicos são conotados por este subs
tantivo: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus
caminhos: e quão pouco é o que temos ouvido dele!
Quem, pois. entenderia o trovão do seu poder?” (Jó
26.14).
O termo derek se refere a uma “condição” no
-entido do que aconteceu a alguém. Isto está claro
pelo paralelismo de Is 40.27: “Por que, pois, dizes,
■ Jacó. e tu falas, ó Israel: O meu caminho está
encoberto ao SENHOR, e o meu juízo passa de
largo [a justiça que me é devida passa] pelo meu
Deus?" Em uma passagem, derek significa o curso
global e o caminho fixo da vida da pessoa ou o seu
ie-tino: “Eu sei, ó SENHOR, que não é do homem
^ u caminho. nem do homem que caminha, o diri
gir :•> seus passos" (Jr 10.23).
Finalmente, esta palavra parece trazer o signifi-
:ido do seu cognato ugarítico, “poder” ou “pode-
- "Somente reconhece a tua iniqüidade, que con-
o SENHOR, teu Deus. transgrediste, e esten-
ieste o? teus caminhos [favores] aos estranhos,
debaixo de toda árvore verde” (Jr 3.13; cf. Jó 26.14;
36.23; 40.19; SI 67.2; 110.7; 119.37; 138.5; Pv 8.22;
19.16; 31.3; Os 10.13; Am 8.14). Alguns estudio
sos, porém, contestam a explicação destas passa
gens.
'õrah (rijN): “caminho, vereda, curso, conduta,
maneira”. Os cognatos desta palavra aparecem no
acadiano, árabe e aramaico. Suas 57 ocorrências no
hebraico bíblico se dão todas na poesia, menos Gn
18.11.
No significado, esta palavra se compara ao
hebraico derek, que é um paralelo sinônimo. Pri
meiro, 'õrah significa “caminho” ou “estrada” con
cebida como curso demarcado e de muito uso: “Dã
será serpente junto ao caminho, uma víbora junto
à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz
cair o seu cavaleiro por detrás” (Gn 49.17). Em Jz
5.6. a palavra significa "estrada” : “Nos dias de
Sangar, [...] cessaram os caminhos de se percorre
rem; e os que andavam por veredas iam por cami
nhos torcidos". Quando o sol é comparado a um
“homem forte" ou "herói" que se regozija “a cor
rer o seu caminho" (SI 19.5), 'õrah representa uma
pista de corridas em vez de descrever uma estrada
ou caminho primitivo e serpenteante. O homem
que segue direito o seu caminho vai sempre em
frente em sua jornada e não se desvia para atender
os acenos das prostitutas (Pv 9.15). Aqui a pala
vra representa o "curso" que a pessoa segue entre
a partida e a chegada imaginada em termos de uni
dades pequenas, quase passo a passo. No SI 8 .8 , a
palavra retrata as correntes do oceano: “As aves
dos céus, e os peixes do mar. e tudo o que passa
pelas veredas dos mares".
O substantivo õrah significa o chão do caminho
cm que se anda: "Ele persegue-os e passa cm paz
por uma vereda em que, com os seus pés, nunca
tinha caminhado" (Is 41.3).
Em Jó 30.12. a palavra parece descrever uma
obstrução ou represa: "À direita se levantam os
moços; empurram os meus pés e preparam contra
mim os seus caminhos de destruição”.
A palavra pode se referir a um evento típico da
vida de um indivíduo ou grupo, o qual ocorre perio
dicamente. Em sua primeira ocorrência bíblica (Gn
18.11), o termo é usado para aludir ao “costume das
mulheres” (menstruação). Jó 16.22 menciona o “ca
minho por onde não tornarei”, ou a morte, enquanto
que outras passagens falam das ações da vida (Jó
34.11; literalmente, “conduta”) ou estilo de vida
(Pv 15.10: “Correção molesta há para o que deixa a
CAMINHO 61 CANAÃ
vereda” — o estilo de vida prescrito; Pv 5.6: “Ela
não pondera a vereda da vida [que é simbolizada
pela vida]”). Assim, 'õrah às vezes figura um curso
apropriado de ação ou procedimento dentro de de
terminado âmbito — “as veredas do juízo” (Is
40.14).
O substantivo ’õrhãh, que ocorre três vezes,
descreve uma “companhia errante” ou “caravana”
(Gn 37.25).
B. Verbo.
O verbo 'ãrah significa “ir, peregrinar”. Esta
palavra, que ocorre seis vezes no hebraico bíblico,
tem cognatos no fenício, etiópico, aramaico e siríaco.
Um exemplo do uso deste verbo é encontrado em Jó
34.7,8: “Que homem há como Jó, que [...] caminha
em companhia dos que praticam a iniqüidade, e anda
com homens ímpios?”
CAMPO
sãdeh í r t r ) : “campo, país. domínio [de uma ci
dade]". O termo sãdeh tem cognatos no acadiano,
fenício. ugarítico e árabe. Aparece no hebraico bíbli
co cerca de 320 vezes e em todos os períodos.
Esta palavra retrata o "campo aberto" onde os
animais vagam soltos. Este é seu significado na pri
meira ocorrência bíblica: "Toda planta do campo
ainda não estava na terra, e toda erva do campo
ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus
não tinha feito chover sobre a terra” (Gn 2.5). As
sim, “Esaú foi varão perito na caça, varão do cam
po: mas Jacó era varão simples, habitando em ten
das" (Gn 25.27). Uma cidade em “campo aberto"
não era fortificada. Davi pediu sabiamente a Aquis
tal tipo de cidade, mostrando que ele não pretendia
ser hostil (1 Sm 27.5). Morar numa cidade não
fortificada significava estar exposto a ataques.
O termo sãdeh descreve os “campos que cercam
uma cidade” (Js21.12; cf. Ne 11.25). “Terra culti-
vável” — terra cultivada ou a ser cultivada — tam
bém tem seu significado em sãdeh: “Se é de vossa
vontade que eu sepulte o meu morto de diante de
minha face, ouvi-me e falai por mim a Efrom, filho
de Zoar. Que ele me dc a cova de Macpela, que tem
no fim do seu campo” (Gn 23.8,9). A totalidade de
pastos ou de terra cultivada é chamada “campo”:
"E disse-lhe [a Mefibosete] o rei [Davi]: Por que
ainda falas mais de teus negócios? Já disse eu: Tu e
Ziba. reparti as terras [que eram de Saul]” (2 Sm
19.29).
Às vezes, seções particulares de terra são
identificadas por nome: “E, depois, sepultou Abraão
a Sara, sua mulher, na cova do campo de Macpela.
em frente de Manre” (Gn 23.19).
sãday ('nU!): “campo aberto”. O termo sãday
ocorre 12 vezes e somente em passagens poéticas.
Deuteronômio 32.13 é a primeira ocorrência bíbli
ca: “Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra e
comer as novidades do campo’'.
CANAÃ; CANANEUS
kcn a ‘an (l?J3): “Canaã” ; k’n a ‘ani (’J?J3):
“cananeu, mercador”. “Canaã” é usada nove vezes
como nome de pessoa e 80 vezes como nome de
lugar. “Cananeu” ocorre 72 vezes para se referir aos
descendentes de “Canaã”. os habitantes da terra de
Canaã. Muitas das ocorrências destas palavras se
dão entre Gênesis e Juizes, mas estão espalhadas ao
longo do Antigo Testamento.
"Canaã" é usada pela primeira vez como nome
de pessoa em Gn 9.18: "E Cam é o pai de Canaã"
(cf. Gn 10.6). Depois de uma lista das nações des
cendidas de "Canaã". Gn 10.18,19 acrescenta: “E
depois se espalharam as famílias dos cananeus. E
foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para
Gerar, até Gaza: indo para Sodoma, e Gomorra”.
"Canaã" é a terra a oeste do rio Jordão, como em
Nm 33.51: "Quando houverdes passado o Jordão
para a terra de Canaã" tcf. Js 22.9-11). Na chamada
de Deus. Abrão e os que com ele estavam “saíram
para irem à terra de Canaã: e vieram à terra de Canaã.
[...] E estavam. então, os cananeus na terra” (Gn
12.5,6). Mais tarde Deus prometeu a Abrão: “À
tua semente tenho dado esta terra. [...] [a terra do]
cananeu" (Gn 15.18-20: cf. Êx 3.8,17; Js 3.10).
“Cananeu” é termo geral para aludir a todos os
descendentes de “Canaã”: "Quando o SENHOR,
teu Deus, te tiver introduzido na terra, a qual pas
sas a possuir, e tiver lançado fora muitas nações de
diante de ti, [...] os cananeus” (Dt 7.1). O termo
“cananeu” é intercambiado por amorreu em Gn
15.16: “Porque a medida da injustiça dos amorreus
não está ainda cheia” (cf. Js 24.15,18).
“Cananeu" também é usado no sentido específico
de um dos povos de Canaã: “Os cananeus habitam
ao pé do mar e pela ribeira do Jordão” (Nm 13.29: cf.
Js 5.1; 2 Sm 24.7). Como estes povos eram mercado
res. “cananeu” é símbolo de “mercador” em Pv 31.24
e Jó 41.6, e. notavelmente, falando dos pecados de
Israel, Oséias diz: “E um mercador: tem balança en
ganadora em sua mão” (Os 12.7; cf. Sf 1.11).
Gênesis 9.25-27 define desde o princípio um sig
nificado teológico em “Canaã”: “Maldito seja Canaã:
CANAÃ 62 CANTAR
servo dos servos seja aos seus irmãos. [...] Bendito
seja o SENHOR, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo. Alargue Deus a Jate f...] e seja-lhe Canaã por
servo”. Noé profeticamente colocou esta maldição
em “Canaã". porque seu pai tinha visto a nudez de
Noé e informado grosseiramente a seus irmãos. O
pecado de Cam, profundamente enraizado em seu
filho mais moço, é observável nos cananeus na his
tória que se sucede. Levítico 18 apresenta longa
lista de perversões sexuais que foram proibidas a
Israel, prefaciada pela declaração: “[Não] fareis se
gundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos
levo, nem andareis nos seus estatutos” (Lv 18.3). A
lista é seguida por uma advertência: “Com nenhuma
destas coisas vos contamineis, porque em todas estas
coisas se contaminaram as gentes que eu lanço fora
de diante da vossa face” (Lv 18.24).
A ordem para destruir os “cananeus” era muito
específica: “E o SENHOR, teu Deus, as tiver dado
diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás;
[...] derrubareis os seus altares, quebrareis as suas
estátuas. [...] Porque povo santo és ao SENHOR,
teu Deus" (Dt 7.2-6). Mas com muita freqüência, a
casa de Davi e Judá "edificaram altos, e estátuas, e
imagens do bosque sobre todo alto outeiro e debai
xo de toda árvore verde. Havia também rapazes es
candalosos na terra; fizeram conforme todas as
abominações das nações que o SENHOR tinha ex
pulsado de diante dos filhos de Israel” (1 Rs 14.23.24:
cf. 2 Rs 16.3,4; 21.1-15). As nações eram os
“cananeus”; assim “cananeus” ficou sinônimo de
perversões religiosas e morais de todo tipo.
Este fato está refletido em Zc 14.21: “E não have
rá mais cananeu na Casa do SENHOR dos Exércitos,
naquele dia”. Não era permitido que um “cananeu"
entrasse no Tabernáculo ou Templo; muito menos
entraria na casa do Senhor um do povo de Deus que
praticasse as abominações dos “cananeus”.
Esta profecia fala dos últimos dias e será cum
prida na Nova Jerusalém, de acordo com Ap 21.27:
‘ E não entrará nela coisa alguma que contamine e
cometa abominação c mentira, mas só os que estão
inscritos no livro da vida do Cordeiro” (cf. Ap
22.15).
Estas duas palavras ocorrem em At 7.11 e 13.19
no Novo Testamento.
CANTAR
A. Verbos.
rãnan (pn): “cantar, jubilar, bradar, chorar”. En
contrada no hebraico antigo e moderno, esta palavra
é usada no hebraico moderno no sentido de “entoar
louvores, cantar”. Ocorre em torno de 50 vezes no
Antigo Testamento hebraico, com cerca da metade
destes usos estando no Livro dos Salmos, onde há a
ênfase especial de “cantar” e “bradar” louvores a
Deus. O termo rãnan é achado pela primeira vez
cm Lv 9.24, na conclusão da consagração de Arão e
seus filhos ao sacerdócio. Quando o fogo caiu e con
sumiu o sacrifício, o povo “jubilou e caiu .sobre as
suas faces”.
O termo rãnan é usado para expressar alegria,
exultação, que parece exigir cantar em voz alta, es
pecialmente quando são louvores a Deus: “Exulta e
canta dc gozo, ó habitante de Sião, porque grande é
o Santo de Israel no meio de ti” (Is 12.6). Quando a
Sabedoria chama, ela clama em voz alta para todos
ouvirem (Pv 8.3). Cantar de alegria (SI 32.11) é fes
tejar de alegria!
shir (TE?): “cantar”. Esta palavra aparece no
hebraico antigo e moderno, como também no
ugarítico antigo. Ainda que ocorra quase 90 vezes
no Antigo Testamento hebraico, não é usado até Êx
15.1: “Então, cantou Moisés e os filhos de Israel
este cântico ao SENHOR”. Talvez alguém fique
imaginando que foi necessário o milagre do Êxodo
do Egito para dar aos israelitas algo que “cantar” !
Mais de um quarto das ocorrências de .shír é en
contrado no Livro dos Salmos, freqüentemente na
forma imperativa, chamando as pessoas para ex
pressar o seu louvor a Deus cantando. Temos um
exemplo no SI 96.1: “Cantai ao SENHOR um cântico
novo. cantai ao SENHOR, todos os moradores da
terra”. O termo shír é encontrado muitas vezes em
paralelismo com zãmar, “cantar" (SI 68.4,32).
B. Particípio.
shir r r ' i : “cantores”. Nos Livros de 1 e 2 Crô
nicas, shír é usado na forma participial umas 33
vezes para designar os "cantores” levíticos (1 Cr
15.16). As “cantoras” são mencionadas ocasional
mente (2 Sm 19.35: 2 Cr 35.25; Ec 2.8).
C. Substantivo.
shir (T r): “cântico, canção”. Este substantivo é
encontrado em tomo de 30 vezes nos títulos de
vários salmos, como também em outros lugares no
Antigo Testamento. Em Gn 31.27, shir é utilizado
para designar um “cântico” jovial: “Porque [...] não
me fizeste saber, para que eu te enviasse com ale
gria, e com cânticos, e com tamboril, e com harpa?”
Em Jz 5.12, a palavra diz respeito a um “cântico”
triunfal, e em Ne 12.46, a palavra é usada para se
referir a um “cântico” religioso para adoração.