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I) como palavras “A” e as palavras da Linha II (ou hemistíquio II) de palavras “B” . Assim
percebemos o padrão nestas linhas (levemente adaptadas) do Salmo 34.3:
Hemistíquio I: EngrandeceiA ao SENHORA comigo, ̂
Hemistíquio II: e exaltem osB o seu nom eB juntos.B
Como se pode ver prontamente, a palavra ‘‘A” pode ser substituída pelas palavra “B” sem
mudar o significado da linha, e o contrário também é verdade. Esta característica da poesia
hebraica é chamada de paralelismo. Nos estudos eruditos da poesia hebraica, as palavras pares
numa estrutura paralela são marcadas com barras paralelas inclinadas para mostrar a) qual palavra
ocorre normalmente primeiro — quer dizer, a palavra “A” — , b) o fato de as duas palavras
formarem um par paralelo e c) qual palavra é em geral a segunda ou a “B”. Podemos mostrar o
Salmo 34.3 desta maneira:
Engrandecei // exaltemos; ao SENHOR // o seu nome; comigo //juntos.
Este Dicionário Expositivo cita tais pares, porque indicam relações importantes no significa
do. Muitos pares são usados inúmeras vezes, quase como sinônimos. Assim o uso da palavra
hebraica na poesia torna-se ferramenta muito valiosa para a nossa compreensão do seu significa
do. A maioria dos termos teológicos importantes, inclusive os nomes e títulos de Deus, encontra-
se nestes pares poéticos.
K. Teorias de tradução. As teorias de tradução afetam grandemente nossa interpretação das
palavras hebraicas. Podemos descrever as atuais teorias dominantes de tradução como segue:
1. O método da equivalência direta. Este método presume que se encontrará somente uma
palavra portuguesa para representar cada palavra hebraica que aparece no texto do Antigo
Testamento. Considerando que algumas palavras hebraicas não têm equivalente em uma palavra
em português, elas são simplesmente transliteradas (transformadas em caracteres portugueses).
Neste caso, o leitor deve ser instruído sobre o que o termo transliterado realmente significa. Este
método era usado nas traduções mais antigas do Novo Testamento, que tentavam trazer os
equivalentes latinos das palavras gregas diretamente para o português. Foi assim que as primei
ras versões adotaram grande quantidade de terminologia teológica latina, como justificação,
santificação e concupiscêncici.
2. O método histórico-lingüístico. Este método procura encontrar um número limitado de
termos em português que expressem adequadamente o significado de um termo hebraico em
particular. Um estudioso que usa este método estuda o registro histórico de como a palavra foi
usada e dá preferência ao seu significado mais freqüente no contexto. Este método foi usado na
preparação do Dicionário Expositivo.
3 .0 método da equivalência dinâmica. Este método não procura fazer uso consistente de uma
palavra portuguesa por uma palavra hebraica específica. Ao invés disso, esforça-se por mostrar
o impulso ou ênfase de um a palavra hebraica em cada contexto específico. Assim, proporciona
uma tradução muito livre e coloquial de passagens do Antigo Testamento. Isto permite que os
leitores leigos obtenham o âmago real do significado de uma passagem em particular, mas torna o
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estudo das palavras bíblicas praticam ente impossível. Por exem plo, uma com paração entre .4
Bíblia Viva e a Almeida, Revista e Corrigida (ARC) m ostrará a diferença nos m étodos de tradu
ção. A Bíblia Viva usa muitas palavras m ais específicas para refletir as sutis acepções no texto
hebraico, tom ando impossível traçar como determ inada palavra hebraica foi usada em contextos
diferentes.
Este Dicionário Expositivo procura m ostrar os diferentes m étodos de tradução indicando os
diferentes significados de uma palavra hebraica dada por várias versões.
L . Como usar este livro. Quando com eçar um estudo de palavras de determinado termo
hebraico, tenha em m ãos boas edições de pelo menos três versões em português do Antigo
Testamento. Sempre tenha uma versão da ARC, edição de 1995. a qual é utilizada como padrão
neste dicionário, da ARA e uma versão coloquial como A Bíblia \ iva. Você também deve ter uma
boa concordância.
O Dicionário Expositivo oferece vasta gam a de significados para a m aioria das palavras
hebraicas. Tais significados não devem ser substituídos uns pelos outros sem que o uso do
termo em seus contextos diferentes seja cuidadosamente revisto. Todas as palavras hebraicas
têm significados diferentes — às vezes, até significados opostos — . portanto devem ser estuda
das em todas as suas ocorrências e não em uma só.
Esforce-se por ser consistente ao traduzir determ inada palavra hebraica em contextos diferen
tes. Busque o m enor núm ero de palavras portuguesas equivalentes. Os colaboradores deste livro
já fizeram pesquisa extensa nas línguas originais e na literatura erudita moderna. Você pode tirar
o m elhor proveito do trabalho que fizeram, observando os vários usos de cada palavra a fim de
obter uma visão equilibrada.
Comparação e freqüência são dois fatores fundam entais no estudo de palavras bíblicas.
Escreva as passagens que você está comparando. Não tenha medo de observar todas as ocorrên
cias de certa palavra. O tempo que você gasta abrirá sua Bíblia como nunca antes.
W il l ia m W h it e J r .
A
ABANDONAR
‘ãz.ab (3jy): “deixar, desamparar, abandonar, dei
xar para trás, deixar de parte, deixar ir”. Esta palavra
aparece no acadiano, no hebraico e no aramaico pós-
bíblicos. Palavras semelhantes aparecem no árabe e
etiópico. A palavra ocorre no hebraico bíblico por
cerca de 215 vezes e em todos os períodos.
Basicamente, 'ãzab significa “afastar-se de algo”
ou “deixar”. Este é o significado da palavra em sua
primeira ocorrência bíblica: “Portanto, deixará o
varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua
mulher” (Gn 2.24). Acepção especial da palavra é
“deixar em apuros” ou abandonar alguém que é de
pendente dos seus serviços. Assim Moisés disse a
Hobabe, o midianita (queneu): “Ora, não nos deixes
[em apuros]; porque tu sabes que nós nos alojamos
no deserto; de olhos nos servirás” (Nm 10.31).
A palavra também leva o significado de “desam
parar” ou “deixar totalmente”. Tais passagens trans
mitem uma nota de finalidade ou perfeição. Assim
Isaías deve pregar que “a terra de que te enfadas será
desamparada dos seus dois reis” (Is 7.16). Em outros
lugares, o abandono é total, mas não necessariamente
permanente. Deus diz que Israel é “uma mulher de
samparada e triste de espírito; [...] Por um pequeno
momento, te deixei, mas com grande misericórdia te
recolherei” (Is 54.6-7). No acadiano, esta palavra tem
o sentido técnico de “abandonado completa e perma
nentemente” ou “divorciado”. Isaías emprega este sen
tido em Is 62.4: “Nunca mais te chamarão Desampa
rada, [...] mas chamar-te-ão Hefzibá [Meu prazer está
nela]; e à tua terra, Beulá [Casada]”.
Outro uso especial da palavra é “desconsiderar
o conselho”: “Porém ele deixou o conselho que os
anciãos lhe tinham aconselhado” (1 Rs 12.8).
Uma segunda ênfase de 'ãzab é “deixar para trás”,
significando deixar algo enquanto se deixa de cena.
Em Gn 39.12, José “deixou” as vestes nas mãos da
esposa de Potifar e fugiu. A palavra também se re
fere a intencionalmente “entregar as possessões à
confiança de outrem” ou “deixar algo no controle de
outrem”. Potifar “E deixou tudo o que tinha na mão
de José” (Gn 39.6).
Em acepção um pouco diferente, a palavra signi
fica “deixar alguém ou algo sozinho com um proble
ma”: “Se vires o jumento daquele que te aborrece
deitado debaixo da sua carga, deixarás, pois, de
ajudá-lo? Certamente o ajudarás” (Êx 23.5). Usado
figurativamente, ‘ãzab quer dizer “pôr distância
entre” em sentido espiritual ou intelectual: “Deixa a
ira e abandona o furor” (SI 37.8).
A terceira ênfase da palavra é “deixar de parte"
ou "tirar o máximo de algo e deixar o resto para
trás”: “Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha,
nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-
lo s-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR,
vossoDeus" (Lv 19.10).
Finalmente, 'ãzab significa “deixar ir” ou “per
mitir ir embora”. Os “loucos e brutos” são os que
não fazem provisão para o futuro; eles morrem “dei
xando” ("permitindo ir embora”) suas riquezas para
os outros (SI 49.10). Acepção diferente ocorre em
Rt 2.16. onde o verbo quer dizer “deixar algo no
chão”. O termo ‘ãzab também significa “desistir":
“O que encobre as suas transgressões nunca pros
perará; mas o que as confessa e deixa alcançará mi
sericórdia” (Pv 28.13), e a palavra significa “liber
tar”, como em 2 Cr 28.14: “Então, os homens arma
dos deixaram os presos e o despojo diante dos maio-
rais e de toda a congregação”. O termo 'ãzab signi
fica “deixar ir" ou "fazer ir embora". Relativo ao
mal, Zofar comenta: "[O iníquo] o não deixe, antes,
o retenha no seu paladar" ( Jó 20.13).
O termo ‘ãzab significa "permitir alguém fazer
algo”, como em 2 Cr 32.31. onde “Deus o desampa
rou [Ezequias], para tentá-lo, para saber tudo o que
havia no seu coração"; Deus “deixou” Ezequias fa
zer tudo o que ele quis. “Renunciar uma atividade"
também pode significar sua descontinuação: “Tam
bém eu. meus irmãos e meus moços, a juro, lhes
temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho”
(Ne 5.10).
A palavra 'ãzab é, às vezes, usada no sentido
técnico judicial de “estar livre”, o que é o oposto de
estar em escravidão. O Senhor vindicará Seu povo e
terá compaixão dos Seus servos “quando vir que o
seu poder se foi e não há fechado nem desampara-
do” (Dt 32.36).
ABENÇOAR
A. Verbo.
bãrak (TD?)- ‘'ajoelhar-se, abençoar, ser abenço
ado, amaldiçoar”. A raiz desta palavra é encontrada
em outros idiomas semíticos que, como o hebraico,
ABENÇOAR 26 ABENÇOAR
freqüentemente a usam com uma deidade no sujei
to. Há também paralelos desta palavra no egípcio.
A palavra bãrak ocorre cerca de 330 vezes na
Bíblia, primeiramente em Gn 1.22: "E Deus os aben
çoou. dizendo: Frutificai, e multiplicai-vos”. A pri
meira palavra de Deus para o homem é apresentada
da mesma maneira: "E Deus os abençoou e Deus
lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos” (Gn 1.28).
Assim toda a criação é mostrada a depender de Deus
para sua existência e função continuadas (cf. SI
104.27-30). O termo bãrak é usado de novo para
aludir ao homem em Gn 5.2, no começo da história
dos homens que crêem, e depois do Dilúvio em Gn
9.1: "E abençoou Deus a Noé e a seus filhos”. O
elemento central do concerto de Deus com Abrão é:
"Abençoar-te-ei, [...] e tu serás uma bênção. E aben
çoarei os que te abençoarem [...] e em ti serão ben
ditas todas as famílias da terra” (Gn 12.2,3). Esta
'bênção” acerca das nações é repetida cm Gn 18.18;
22.18; 28.14 (cf. Gn 26.4; Jr 4.2). Em todos estes
exemplos, a bênção de Deus sai para as nações por
meio de Abraão ou de sua semente. A Septuaginta
traduz todas estas ocorrências de bãrak no passivo.
Paulo cita em G1 3.8 a tradução que a Septuaginta
faz de Gn 22.18.
A promessa do concerto requereu que as nações
buscassem a “bênção” (cf. Is 2.2-4), mas deixou
claro que a iniciativa de abençoar encontra-se em
Deus, e que Abraão e sua semente eram os instru
mentos. Deus, ou diretamente ou por Seus repre
sentantes, é o sujeito deste verbo em mais de 100
vezes. A bênção levítica está baseada nesta ordem:
“Assim abençoareis os filhos de Israel: [...] O SE
NHOR te abençoe. [...] Assim, porão o meu nome
sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei’ (Nm
6.23-27).
A forma passiva de bãrak é usada para pronun
ciar "a bênção de Deus sobre os homens”, como o
foi por Melquisedeque: “Bendito seja Abrão do Deus
Altíssimo” (Gn 14.19). “Bendito seja o SENHOR,
Deus de Sem" (Gn 9.26) é uma expressão de louvor.
"Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os
teus inimigos nas tuas mãos” (Gn 14.20) está mis
turado com louvor e ação de graças.
Uma forma comum de saudação era: Bendito
íejastudo SENHOR" (1 Sm 15.13; cf. Rt 2.4); “Eis
que Samuel chegou: e Saul lhe saiu ao encontro, para
o saudar” <1 Sm 13.10).
A forma simples do verbo é usada em 2 Cr 6.13:
"Salomão [...] ajoelhou-se". Seis vezes o verbo é
usado para denotar profanidade, como em Jó 1.5:
“Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram
de Deus no seu coração”.
B. Substantivo.
tfrãkãh (rçnz): “bênção”. A fonna da raiz desta
palavra é encontrada nas línguas semíticas do noro
este e do sul. E usada junto com o verbo bãrak
(“abençoar”) 71 vezes no Antigo Testamento. A
palavra aparece com mais freqüência em Gênesis e
Deuteronômio. A primeira ocorrência é a bênção
que Deus deu a Abrão: “E far-te-ci uma grande na
ção, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e
tu serás uma bênção” (Gn 12.2).
Quando expressado por homens, uma “bênção”
era um desejo ou oração por uma bênção que viria
no futuro: “E [Deus] te dê a bênção de Abraão, a ti
e à tua semente contigo, para que em herança pos
suas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a
Abraão” (Gn 28.4). Isto se refere a uma “bênção”
que os patriarcas costumeiramente estendiam a seus
filhos antes de morrerem. As “bênçãos” de Jacó às
tribos de Israel (Gn 49.1ss) e as “bênçãos” de
Moisés (Dt 33.1 ss) são outros exemplos comuns.
Abençoar era o oposto de amaldiçoar (çflãlãh):
“Porventura, me apalpará o meu pai, e serei, a seus
olhos, enganador; assim, trarei eu sobre mim maldi
ção e não bênção” (Gn 27.12). A bênção tambéin
poderia ser apresentada mais concretamente na for
ma de presente. Por exemplo: “Toma, peço-te, a
minha bênção, que te foi trazida; porque Deus gra
ciosamente ma tem dado, e porque tenho de tudo. E
instou com ele, até que a tomou” (Gn 33.11). Quan
do uma “bênção” era dirigida a Deus, tratava-sc de
uma palavra de louvor e ação de graças, como em:
“Levantai-vos, bendizei ao SENHOR, vosso Deus,
de eternidade em eternidade; ora, bendigam o nome
da tua glória, que está levantado sobre toda bênção
e louvor” (Ne 9.5).
A “bênção” do Senhor jaz sobre os que lhe são
fiéis: “A bênção, quando ouvirdes os mandamentos
do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos mando”
(Dt 11.27). Sua bênção traz justiça (SI 24.5), vida
(SI 133.3), prosperidade (2 Sm 7.29) e salvação (SI
3.8). A “bênção” é retratada como chuva ou orva
lho: “E a elas e aos lugares ao redor do meu outeiro,
eu porei por bênção: e farei descer a chuva a seu
tempo; chuvas de bênção serão” (Ez 34.26; cf. SI
84.6). Na comunhão dos santos, o Senhor ordena a
Sua “bênção”: ;‘[É] como o orvalho do Hermom,
que desce sobre os montes de Sião; porque ali o
SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre”
(SI 133.3).
ABENÇOAR 27 ACABAR
Em alguns casos, o Senhor fez com que pessoas
fossem uma “bênção” para outras. Abraão é uma
bênção para as nações (Gn 12.2). Espera-se que
seus descendentes se tornem uma bênção para as
nações (Is 19.24; Zc 8.13).
A Septuaginta traduz Ifrãkãh por eulogia ("lou
vor, bênção”).
ABOMINAÇÃO
A. Substantivo.
tô'ebãh (nz>i” ): “abominação, coisa repugnan
te, detestável". Os cognatos desta palavra só apare
cem no fenício e no aramaico dos targuns. A palavra
aparece 117 vezes e em todos os períodos.
Primeiro. tô ‘ebãh define algo ou alguém como
essencialmente único no sentido de ser “perigoso”,
"sinistro" e “repulsivo” a outro indivíduo. Este sig
nificado aparece em Gn 43.32 (primeira ocorrên
cia): "Os egípcios não podem comer pão com os
hebreus, porquanto é abominação para os egípci
os”. Para os egípcios, comer pão com estrangeiros
era repulsivo por causa de suas diferenças culturais
ou sociais (cf. Gn 46.34; SI 88.8). Outra ilustração
clara deste essencial conflito de disposição aparece
em Pv 29.27. “Abominação é para os justos o ho
mem iníquo, e abominação é para o ímpio o de retos
caminhos”. Quando usado com referência a Deus,
esta acepção da palavra descreve pessoas, coisas,
atos, relações e características que lhe são "detestá
veis”, porque são contrárias à Sua natureza. Coisas
relacionadas com a morte e idolatria são repugnan
tes a Deus: “Nenhuma abominação comereis” (Dt
14.3). Pessoas com hábitos repugnantesa Deus lhe
são detestáveis: “Não haverá trajo de homem na
mulher, e não vestirá o homem veste de mulher;
porque qualquer que faz isto abominação ó ao SE
NHOR, teu Deus” (Dt 22.5). Diretamente oposto a
rô‘ebãh estão as reações como “contentamento” e
"amor” (Pv 15.8,9).
Segundo, tô'ebãh é usado em alguns contextos
para descrever as práticas e objetos pagãos: “As
imagens de escultura de seus deuses queimarás a
fogo; da prata e o ouro que estão sobre elas não
cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não
enlaces neles; pois abominação são ao SENHOR,
teu Deus. Não meterás, pois, abominação em tua
casa” (Dt 7.25,26). Em outros contextos, UVebãh
descreve os repetidos fracassos em observar os re
gulamentos divinos: “Porque multiplicastes as vos
sas maldades mais do que as nações que estão ao
redor de vós, nos meus estatutos não andastes, nem
fizestes os meus juízos, nem ainda procedestes se
gundo os juízos das nações que estão ao redor de
vós; [...] por causa de todas as tuas abominações"
(Ez 5.7,9). A palavra tô ‘ebãh retrata as práticas
pagãs de culto, como em Dt 12.31, ou as pessoas
que cometem tais práticas: “Pois todo aquele que
faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por es
tas abominações o SENHOR, teu Deus, as lança
fora de diante de li” (Dt 18.12). Se os israelitas são
culpados de tal idolatria, seu destino será pior que o
exílio: morte por apedrejamento (Dt 17.2-5).
Terceiro, tô'ebãh é usado na esfera da jurispru
dência e das relações familiares ou tribais. Certos
atos ou características são destrutivos da harmonia
societária e familiar; tais coisas e pessoas que as
fazem são descritas pela palavra tô ‘ebãh: ‘‘Estas
seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua
alma abomina: olhos altivos, e língua mentirosa, e
mãos que derramam sangue inocente, e coração que
maquina pensamentos viciosos, e pés que se apres
sam a correr para o mal. e testemunha falsa que
profere mentiras, e o que semeia contendas entre
irmãos” (Pv 6.16-19). Deus diz: “O pensamento do
tolo é pecado, e é abominável aos homens o
escarnecedor" (Pv 24.9), porque ele espalha sua
amargura entre o povo de Deus, rompendo a unida
de e a harmonia.
B. Verbo.
tã'ah (Z';r): "detestar, tratar como detestável,
fazer com que seja uma abominação, um ato abomi
nável”. Este verbo ocorre 21 vezes e a primeira ocor
rência está em Dt 7.26: “Não meterás, pois, abomi
nação em tua casa”.
ACABAR
A. Verbo.
Tãmam (E?:n): “completar, acabar, aperfeiçoar,
gastar, ser sincero, ter integridade”. Encontrada no
hebraico antigo e moderno, esta palavra também
existe no ugarítico antigo. O verbo tãmam é achado
aproximadamente 60 vezes no Antigo Testamento
hebraico em suas formas verbais.
O significado básico desta palavra é “comple
tar” ou “acabar”, com nada mais a esperar ou dese
jar. Quando foi dito que a obra do templo "acabou”
(1 Rs 6.22), significava que o templo estava “com
pleto”, com mais nada a acrescentar. Semelhante
mente, quando é feita a anotação em Jó 31.40: ^Aca
baram-se as palavras de Jó”, indica que o ciclo das
falas de Jó está “completo”. A palavra tãmam é às
vezes usada para expressar o fato de que algo está
ACABAR 28 ACENDER
“completo” ou “se acabou" com respeito à sua pro
visão. Assim, o dinheiro que foi todo gasto “se aca
bou” (Gn 47.15,18). Jeremias diariamente recebeu
pão “até que se acabou todo o pão da cidade” (Jr
37.21). Quando um povo chegava “a um fim com
pleto” (Nm 14.35), significava que ele foi “consu
mido” ou “completamente destruído”. “Pôr termo”
à imundícia dos povos (Ez 22.15), significa “pôr
um fim” ou “destruí-los”.
Por vezes, tãmam expressa “sinceridade” moral
e ética: “Então, serei sincero” (SI 19.13), diz o
salmista, quando Deus lhe ajudar a guardar a lei de
Deus.
B. Adjetivo.
tãm (n): “perfeito”. Quando a forma adjetival
tãm é usada para descrever Jó (Jó 1.1), o significado
não é que ele era realmente “perfeito” no sentido
pleno da palavra, mas, antes, que ele era “inocente”
ou “tinha integridade”.
ACEITAR
rãsãh (n:n): “contentar, gostar, agradar, ter pra
zer, aceitar favoravelmente, satisfazer”. Este é um
termo comum no hebraico bíblico e moderno. En
contra-se aproximadamente 60 vezes no texto do
Antigo Testamento, sendo uma de suas primeiras
ocorrência em Gn 33.10: “E tomaste contentamen
to em mim”.
Quando rãsãh expressa Deus ter prazer em al
guém, é freqüente ser traduzido por “comprazer”,
“agradar”, o que parece refletir um senso de maior
prazer: “O meu Eleito, em quem se compraz a mi
nha alma” (Is 42.1); “Porquanto te agradaste de
les” (SI 44.3). Esta acepção também está refletida
em Pv 3.12, onde rãsãh é comparado com ’ãhab,
“amar”: “Porque o SENHOR repreende aquele a
quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer
bem".
Por outro lado, quando a pessoa tem de satisfa
zer certa exigência para merecer rãsãh, parece mais
lógico traduzir por “agradar”. Por exemplo: '‘Agra-
dar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros?” (Mq
6.7); “Holocaustos e ofertas de manjares, não me
agradarei delas” (Am 5.22).
A palavra rãsãh é usada no sentido de “pagar”
ou “satisfazer uma dívida”, sobretudo quando diz
respeito à terra ficar de pousio nos anos sabáticos:
“Então, a terra folgará nos seus sábados, todos os
dias da sua assolação, [...] então, a terra descansará
e folgará nos seus sábados” (Lv 26.34). Aqui rãsãh
foi traduzido por “folgar”. Porém, o contexto pare
ce requerer algo como “a terra reembolsará (satisfa
rá) os seus sábados”. Semelhantemente, a frase “a
sua iniqüidade está expiada” (Is 40.2), tem de sig
nificar “a sua iniqüidade foi paga” ou “o seu castigo
foi aceito como satisfatório”.
ACENDER
A. Verbo.
’ôr (liX): “acender, ficar claro, ficar iluminado
(pela alvorada), dar luz, fazer a luz brilhar”. Este
verbo também é encontrado no acadiano e no
cananeu. O termo acadiano urru significa “luz”, mas
geralmente “dia”.
O termo ’ôr quer dizer “ficar claro” em Gn 44.3:
“Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões,
eles com os seus jumentos”. A palavra significa “dar
luz” em Nm 8.2: “Defronte do candeeiro alumiarão
as sete lâmpadas”.
B. Substantivos.
’ôr (TlN): “luz”. Este substantivo aparece cerca
de 120 vezes e é claramente um termo poético.
A primeira ocorrência de ’ôr está no relato da
Criação: “E disse Deus: Haja luz. E houve luz” (Gn
1.3). Aqui “luz” é o oposto de “trevas”. A oposi
ção de “luz” e “trevas” não é um fenômeno singular.
Ocorre com freqüência como dispositivo literário:
“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal!
Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e
fazem do amargo doce, edo doce, amargo!” (Is 5.20);
e “E bramarão contra eles, naquele dia, como o bra-
mido do mar; e, se alguém olhar para a terra, eis que
só verá trevas e ânsia, e a luz se escurecerá em suas
assolações” (Is 5.30). No hebraico, vários antônimos
de ’ôr são usados em construções paralelas: “O povo
que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os
que habitavam na região da sombra de morte res
plandeceu a luz' (Is 9.2).
O significado básico de W é “luz do dia” (cf. Gn
1.3). Na mente hebraica, o “dia” começava no nasci
mento do sol: “E será como a luz da manhã, quando
sai o sol, da manhã sem nuvens, quando, pelo seu
resplendor e pela chuva, a erva brota da terra" (2 Sm
23.4). A “luz” dada pelos corpos celestes também
era conhecida por ’ôr : “E será a luz da lua como a
luz do sol, e a luz do sol, sete vezes maior, como a
luz de sete dias, no dia em que o SENHOR ligar a
quebradura do seu povo e curar a chaga da sua feri
da” (Is 30.26).
No uso metafórico, 'ôr significa vida sobre a
morte: “Pois tu livraste a minha alma da morte, como
também os meus pés de tropeçarem, para que eu
ACENDER 29 ACONSELHAR
ande diante de Deus na luz. dos viventes” (SI 56.13).
Andar na “luz” do rosto de um superior (Pv 16.15)
ou de Deus (SI 89.15 ), é expressão de vida alegre e
abençoada, na qual a qualidade de vida é realçada. O
crente está seguro da “luz” de Deus. mesmo em
períodosde dificuldade: “Ó inimiga minha, não te
alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído,
levantar-me-ei; se morar nas trevas, o SENHOR será
a minha luz" (Mq 7.8. cf. SI 23.4).
Na Septuaginta, ’ôr tem muitas traduções, das
quais phos (“luz”) é a mais freqüente.
O substantivo ’ôr significa “brilho, clarão” . Esta
palavra ocorre raramente, uma vez em Is 50.11:
“Todos vós que acendeis fogo e vos cingis com faís
cas, andai entre as labaredas [’ôr] do vosso fogo e
entre as faíscas que acendestes; isso vos vem da
minha mão, e em tormentos jazereis”.
O termo ’ôrãh se refere a “luz”. Este substanti
vo significa “luz” no SI 139.12: “Nem ainda as tre
vas me escondem de ti: mas a noite resplandece
como o dia: as trevas e a luz são para ti a mesma
coisa".
O termo inã ór também quer dizer “luz". Este
substantivo aparece cerca de 20 vezes. A palavra
mã'ôr ocorre mais de uma vez em Gn 1.16: “E fez
Deus os dois grandes luminares: o luminar maior
para governar o dia. e o luminar menor para gover
nar a noite: e fez as estrelas".
ACHAR
mãsã’ (nsd): “achar, encontrar, obter". Esta pa
lavra é encontrada em todos os ramos dos idiomas
semíticos (incluindo o aramaico bíblico) e em todos
os períodos. É atestado no hebraico bíblico (cerca
de 455 vezes) e no hebraico pós-bíblico.
O termo mãsã ' se refere a “achar” alguém ou
algo que foi perdido ou extraviado ou “achar” onde
ele está. A coisa pode ser achada como resultado de
procura propositada, como quando os sodomitas
foram temporariamente cegos pelas visitas de Ló e
não puderam “achar” a porta da casa dele (Gn 19.11).
Em uso bem parecido, a pomba enviada por Noé
procurou lugar para pousar e não foi capaz de
“achar" (Gn 8.9). Em outras ocasiões, a localização
de algo ou de alguém pode ser achada sem procura
intencional, como quando Caim disse: “[Quem] me
achar’' (Gn 4.14).
O termo mãsã’ conota não só “achar” uma pes
soa em certo local, mas “achar” em sentido abstra
to. Esta idéia é demonstrada claramente em Gn 6 .8 :
“Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR”.
Ele achou — “recebeu” — algo que não buscou.
Este sentido também inclui “achar” algo que se bus
cou em sentido espiritual ou mental: “A minha mão
tinha alcançado muito” (Jó 31.25). Labão fala para
Jacó: “Se, agora, tenho achado graça a teus olhos,
fica comigo” (Gn 30.27). Labão está pedindo a Jacó
por um favor que ele está buscando em sentido abs
trato.
A palavra mãsã’ também pode significar “des
cobrir”. Deus falou para Abraão: “Se eu em Sodoma
achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei
todo o lugar por amor deles” (Gn 18.26). Esta mes
ma ênfase aparece na primeira ocorrência bíblica da
palavra: “Mas para o homem não se achava adjutora
que estivesse como diante dele" (Gn 2.20). Como
comentado anteriormente, pode haver uma conota
ção não intencional aqui. como quando os israelitas
"acharam" um homem apanhando lenha no sábado
(Nm 15.321. Outra acepção especial é “descobrir"
no sentido de "obter conhecimento sobre”. Por exem
plo. os irmãos de José disseram: “Achou Deus a
iniqüidade de teus servos" ( Gn 44.16).
Por vezes, mãsã' sugere “estar no poder” de
algo em sentido concreto. Davi disse a Abisai: “Toma
tu os servos de teu senhor e persegue-o, para que,
porventura, não ache para si cidades fortes e escape
dos nossos olhos" (2 Sm 20.6). A idéia é que Seba
"acharia”, entraria e se defenderia em cidades
fortificadas. Assim, "achar" pode ser “assumir o
comando de". Este uso também aparece em sentido
abstrato. Judá falou a José: "Porque como subirei
eu a meu pai. se o moço não for comigo? Para que
não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai” (Gn
44.34). A palavra mãsã’ não só significa "achar"
algo, mas “obtê-lo” como pertencente exclusivamen
te a alguém: “E semeou Isaque naquela mesma terra
e colheu, naquele mesmo ano” (Gn 26.12).
A palavra raramente implica movimento em di
reção a chegar a um destino; assim está relacionado
com a raiz no ugarítico, significando “alcançar” ou
“chegar” (m s’). Este sentido é encontrado em Jó
11.7: “Porventura, alcançarás os caminhos de
Deus?” (cf. 1 Sm 23.17). Em acepção um pouco
diferente, este significado aparece em Nm 11.22:
“Degolar-se-ão para eles ovelhas e vacas que lhes
bastemT'
ACONSELHAR
A. Verbo.
y ã ‘as (}*>■;): “aconselhar, avisar, consultar”. Usa
do ao longo da história do idioma hebraico, este
ACONSELHAR 30 ADIVINHAR
verbo ocorre no Antigo Testamento hebraico cerca
de 80 vezes. A palavra yã'as é encontrada pela pri
meira vez em Êx 18.19, onde Jetro diz a Moisés,
seu genro: "Ouve agora a minha voz; eu te aconse
lharei, e Deus será contigo". A palavra é encontrada
somente mais uma vez no Hexateuco, em Nm 24.14:
“Avisar-te-ei".
Ainda que yâ ‘as descreva ‘‘dar bom conselho”, o
oposto às vezes é verdade. Exemplo trágico é o caso
do rei Acazias de Judá. cuja mãe “era sua conselheira,
para proceder impiamente” (2 Cr 22.3). A idéia de
■‘decisão” é expressa em Is 23.9: “O SENHOR dos
Exércitos formou este desígnio [decisãol”.
B. Substantivos.
y õ ‘es (]*?’): “conselheiro". Talvez o uso mais
comum desta raiz seja a forma substantivai encon
trada na passagem messiânica de Is 9.6. Com base
na sintaxe envolvida, é provavelmente melhor tra
duzir o habitual “Maravilhoso Conselheiro" por
“Maravilha de Conselheiro”, ou “intencionalmente
maravilhoso”. Outra possibilidade é separar os ter
mos: “Maravilhoso, Conselheiro”.
y ã ‘as (]*>;): "aqueles que dão conselho”. É fre
qüente a palavra yã ‘as ser usada em sua forma
participial, “aqueles que dão conselho”, sobretudo
com relação aos líderes políticos e militares (2 Sm
15.12; 1 Cr 13.1).
ACRESCENTAR
yãsaph (*!□;): “acrescentar, somar, continuar, fa
zer de novo, aumentar, ultrapassar”. Este verbo
ocorre nos dialetos semíticos do noroeste e no
aramaico. Ocorre no hebraico bíblico (cerca de 210
vezes), no hebraico pós-bíblico e no aramaico bíbli
co (uma vez).
Basicamente, yãsaph significa aumentar o núme
ro de algo. Também é usado para indicar acrescentar
uma coisa a outra, por exemplo: “E, quando alguém,
por erro, comer a coisa santa, sobre ela acrescenta
rá seu quinto e o dará ao sacerdote com a coisa
santa” (Lv 22.14).
Este verbo é usado para expressar a repetição de
um ato estipulado por outro verbo. Por exemplo, a
pomba que Noé enviou “não tornou mais a ele” (Gn
8.12). Em geral a ação repetida é indicada por um
infinitivo absoluto, precedido pela preposição /'':
“E nunca mais a conheceu” . Literalmente, se lê: “E
ele não acrescentou outra vez [ 'od] para a conhecer
[intimamente]” (Gn 38.26).
Em alguns contextos yãsaph significa “intensifi
car”, mas sem sugestão de aumento numérico. Deus
diz: ”E os mansos terão regozijo sobre regozijo
[yãsaph] no SENHOR" (Is 29.19). Esta mesma ên
fase aparece no SI 71.14: ”E te louvarei cada vez
mais [yãsaph]”, ou literalmente: "E acrescentarei a
todos os Teus louvores". Em tais casos, há mais do
que urna quantidade adicional de regozijo ou louvor.
O autor está se referindo a uma nova qualidade de
regozijo ou louvor, isto é, uma intensificação deles.
Outro significado de yãsaph é “ultrapassar”. A
rainha de Sabá disse a Salomão: “Sobrepujaste em
sabedoria e bens a fama que ouvi”, ou literalmente:
‘Você acrescenta [com relação à] sabedoria e pros
peridade ao relatório que ouvi” (1 Rs 10.7).
Este verbo também é usado em fórmulas de con
certo. Por exemplo, quando Rute chamou a maldi
ção de Deus sobre ela dizendo: “Me faça assim o
SENHOR e outro tanto [yãsaph], se outra coisa
que não seja a morte me separar de ti”, ou literal
mente: “Assim o Senhor me faça e assim Ele acres
cente, se...” (Rt 1.17; cf. Lv 26; Dt 27— 28).
ADIVINHAR, PRATICAR ADIVINHAÇÃO
(jasam (3Çj?): “adivinhar, praticar adivinhação”.
Os cognatos desta palavra aparecem no aramaico
recente, cóptico, siríaco, mandeano, etiópico,
palmiro e árabe. Esta raiz aparece 31 vezes no
hebraico bíblico: 11 vezes como verbo, nove vezes
como particípio e 11 vezes como substantivo.
Aadivinhação era o paralelo pagão de profeti
zar: “Entre ti se não achará quem laça passar pelo
fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador,
nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os
prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o
SENHOR, teu Deus, não permitiu tal coisa. O SE
NHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio
de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt
18.10,14,15, primeira ocorrência.)
O termo qãsam é uma busca da vontade dos
deuses, no afã de tomar conhecimento de sua ação
futura ou bênção divina sobre alguma ação futura
proposta (Js 13.22). Parece provável que os adivi
nhos conversem com demônios (1 Co 10.20).
A prática da adivinhação podia envolver a oferta
de sacrifícios à deidade num altar (Nm 23.1ss). Tam
bém podia requerer o uso de um buraco no chão,
pelo qual o adivinho falava com o espírito dos mor
tos (1 Sm 28.8). Em outras ocasiões, um adivinho
sacudia flechas, consultava ídolos familiares ou es
tudava o fígado de animais mortos (Ez 21.21, ARA).
A adivinhação era uma das tentativas do homem >
ADIVINHAR 31 ÁGUA
saber e controlar o mundo e o futuro, à parte do
Deus verdadeiro. Era o oposto da verdadeira profe
cia, que é essencialmente submissão à soberania de
Deus (Dt 18.14).
Talvez os usos mais surpreendentes desta pala
vra estejam em Nm 22—23 e Pv 16.10, onde parece
ser equivalente a profecia. Balaão era famoso entre
os pagãos como adivinho: ao mesmo tempo, ele re
conhecia Jeová como seu Deus (Nm 22.18). Ele acei
tou dinheiro pelos serviços que ia prestar e prova
velmente não deixaria de ajustar a mensagem para
agradar o cliente. Isto explicaria por que Deus. zan
gado, o confrontou i Nm 22.22.ss). embora lhe tives
se dito para aceitar a incumbência e ir com a escolta
(Nm 22.20). Parece que Balaão estava resolvido a
agradar o cliente. Logo que esta resolução foi muda
da para submissão, Deus o enviou em sua jornada
(Nm 22.35).
ADORAR
sãhãh (nntf): “adorar, prostrar-se, curvar-se".
Esta palavra é encontrada no hebraico moderno no
sentido de “curvar-se" ou “inclinar-se", mas não no
sentido geral de “adorar”. O fato de que ocorre mais
de 170 vezes na Bíblia hebraica mostra algo do seu
significado cultural. Aparece pela primeira vez em
Gn 18.2, onde lemos que Abraão "inclinou-se à ter
ra” diante dos três mensageiros que anunciaram que
Sara teria um filho.
O ato de se curvar em homenagem é feito diante
de um superior ou soberano. Davi "se curvou" pe
rante Saul (1 Sm 24.8). Às vezes, é um superior
social ou econômico diante de quem a pessoa se
curva, como quando Rute “se inclinou” à terra dian
te de Boaz (Rt 2.10). Num sonho, José viu os mo
lhos dos seus irmãos “inclinando-se” diante do seu
molho (Gn 37.5,7,8). A palavra sãhãh é usada como
termo comum para se referir a ir diante de Deus em
adoração (ou seja, adorar), como em 1 Sm 15.25 e Jr
7.2. As vezes está junto com outro verbo hebraico
que designa curvar-se fisicamente, seguido por “ado
rar”, como em Êx 34.8: “E Moisés apressou-se, e
inclinou a cabeça à terra, e encurvou-se [“adorou”,
ARA]”. Outros deuses e ídolos também são o obje
to de tal adoração mediante a ação de se prostrar
diante deles (Is 2.20; 44.15.17).
AFLIGIR
A. Verbo.
‘ãnãh (npy): “afligir-se, encurvar-se, huinilhar-
se, submeter-se”. Esta palavra, comum no hebraico
antigo e moderno, é fonte de várias palavras impor
tantes na história e experiência do judaísmo: “hu
milde, submisso, pobre e aflição". O termo 'ãnãh
aparece cerca de 80 vezes no Antigo Testamento
hebraico. É achado pela primeira vez em Gn 15.13:
“E afligi-la-ão quatrocentos anos".
A palavra ‘ãnãh expressa tratamento severo e
doloroso. Sarai “afligiu” Agar (Gn 16.6). Quando
José foi vendido como escravo, os seus pés foram
feridos pelas correntes (SI 105.18). O verbo expres
sa a idéia que Deus envia aflição para propósitos
disciplinares: “O SENHOR, teu Deus, te guiou no
deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para
te tentar, para saber o que estava no teu coração”
(Dt S.2: veja também 1 Rs 11.39; SI 90.15). Tomar
uma mulher sexualmente à força é "humilhá-la” (Gn
34.2). mas a palavra é traduzida mais adequada
mente por “desonrar".
Na observância do Dia da Expiação. humilhar-se
está relacionado com a exigência de jejuar naquele
dia (Lv 23.28.29).
B. Substantivo.
üiii (’;?>: "pobre, humilde, manso”. Sobretudo
na história israelita mais recente, logo antes do Exí
lio e a seguir, este substantivo veio a ter conexão
especial com os fiéis que eram abusados, ludibria
dos e explorados pelos ricos (Is 29.19; 32.7; Am
2.7). A referência que o profeta Sofonias fez aos
fiéis como "mansos da terra" (Sf 2.3) prepara o
palco para a preocupação e ministério de Jesus pe
los “pobres" e “mansos" (Mt 5.3,5: Lc 4.18; cf. Is
61.1). Nos dias do Novo Testamento, “o pobre da
terra" era mais comumente conhecido por 'am
ha 'ãres, “o povo da terra”. .
ÁGUA
mayim (□.’?): “água, inundação, dilúvio”. Esta
palavra tem cognatos no ugarítico e no antigo árabe
do sul. Ocorre por volta de 580 vezes e em todos os
períodos do hebraico bíblico.
Primeiro, “água” é uma das substâncias básicas
originais. Este é seu significado em Gn 1.2 (primeira
ocorrência da palavra): “E o Espírito de Deus se movia
sobre a facc das águas". Em Gn 1.7, Deus separou as
“águas” que estavam acima e as “águas” que estavam
embaixo (cf. Êx 20.4) da expansão dos céus.
Segundo, a palavra descreve o que um poço con
tém, “água” para ser bebida (Gn 21.19). “Águas
vivas” são “águas” que correm: “Cavaram, pois, os
servos de Isaque naquele vale e acharam ali um poço
de águas vivas” (Gn 26. 19). “Água” de amargura
ÁGUA 32 ÁGUA
ou aflição é designada assim, porque é bebida na
prisão: "Metei este homem na casa do cárcere e
sustentai-o com o pão de angústia e com a água de
amargura, até que eu venha em paz” (1 Rs 22.27).
Jó 9.30 fala de neve semiderretida ou água de neve:
"Ainda que me lave com água de neve, e purifique
as minhas mãos com sabão”.
Terceiro, mayim representa líquido em geral:
"Pois já o SENHOR, nosso Deus, nos fez calar e
nos deu a beber água de fel; porquanto pecamos
contra o SENHOR” (Jr 8.14). A frase, me raglayim
Cágua dos pés”), é urina: “Porém Rabsaqué lhes
disse: Porventura, mandou-me meu senhor só a teu
senhor e a ti, para falar estas palavras? E não, antes,
aos homens que estão sentados em cima do muro,
para que juntamente convosco comam o seu esterco
e bebam a sua urina [água dos pés]?” (2 Rs 18.27;
cf. Is 25.10).
Quarto, a “água” ritual de Israel era derramada ou
aspergida (ninguém jamais era submergido em água),
simbolizando purificação. Arão e seus filhos foram
lavados com “água” como parte do rito que os consa
grou ao sacerdócio: “Então, farás chegar Arão e seus
filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás
com água” (Ex 29.4). Partes do animal sacrifical de
viam ser lavadas ritualmente com “água” durante o
sacrifício: “Porém a sua fressura e as suas pernas
lavar-se-ão com água” (Lv 1.9). Entre os ritos de
Israel se incluía a “água” santa: “E o sacerdote toma
rá água santa num vaso de barro; também tomará o
sacerdote do pó que houver no chão do tabernáculo e
o deitará na água” (Nm 5.17). A “água” amarga tam
bém era usada nos rituais de Israel: “Então, o sacer
dote apresentará a mulher perante o SENHOR e des
cobrirá a cabeça da mulher: e a oferta memorativa de
manjares, que é a oferta de manjares dos ciúmes, porá
sobre as suas mãos, e a água amarga, que traz consigo
a maldição, estará na mão do sacerdote” (Nm 5.18).
Era "água” que. quando bebida, trazia maldição e cau
sava amargura (Nm 5.24).
Quinto, nos substantivos próprios esta palavra
é uíada para designar fontes, correntes ou mares e/
ou a área na vizinhança imediata de tais volumes de
ígua: "Dize a Arão: Toma tua vara e estende a mão
sobre as águas do Egito, sobre as suas correntes,
sobre os seus rios. sobre os seus tanques e sobre
todo oajuntamento das suas águas, para que se tor
nem em sangue" (Êx 7.19 ).
Sexto, esta palavra é usada figurativamente em
muitos sentidos. O termo mayim simboliza perigo
ou angústia: "Desde o alto enviou e me tomou: ti
rou-me das muitas águas” (2 Sm 22.17). Em 2 Sm
5.20, força explosiva é representada por mayim:
“Rompeu o SENHOR a meus inimigos diante de
mim, como quem rompe águas'''. “Aguas podero
sas” descrevem a investida das nações ímpias con
tra Deus: “Bem rugirão as nações, como rugem as
muitas águas” (Is 17.13). Assim, a palavra é usada
para retratar algo impetuoso, violento e opressivo:
“Pavores se apoderam dele como águas; de noite, o
arrebatará a tempestade” (Jó 27.20). Em outras pas
sagens, “água” é usado para representar timidez: “E
o coração do povo se derreteu e se tornou como
água” (Js 7.5). Relacionada com esta acepção está a
conotação “transitório”: “Porque te esquecerás dos
trabalhos e te lembrarás deles como das águas que
já passaram” (Jó 11.16). Em Is 32.2, “águas” des
crevem o que é refrescante: “E será aquele varão
como um esconderijo contra o vento, e como um
refúgio contra a tempestade, e como ribeiros de águas
em lugares secos, e como a sombra de uma grande
rocha em terra sedenta”. Descanso e paz são figura
das por águas de descanso ou águas tranqüilas: “Dei
tar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente
a águas tranqüilas” (SI 23.2). Idéias semelhantes
estão envolvidas quando o charme e a beleza da
esposa são chamados de “água da vida” ou “água
que estimula”: “Bebe a água da tua cisterna e das
correntes do teu poço” (Pv 5.15). “Água derrama
da" representa matança (Dt 12.16), ira (Os 5.10),
justiça (Am 5.24) e sentimentos fortes (Jó 3.24).
fhôm (ainn): “águas profundas, profundeza,
abismo, oceano, lençol freático, águas, correntes de
águas” . Os cognatos desta palavra ocorrem no
ugarítico, acadiano (já desde Ebla, cerca de 2400-
2250 a.C.) e árabe. As 36 ocorrências desta palavra
se dão quase exclusivamente nas passagens poéti
cas, mas em todos os períodos históricos.
A palavra representa “águas profundas” cuja
superfície congela quando está frio: “Debaixo de
pedras as águas se escondem, e a superfície do abis
mo se coalha?” (Jó 38.30). No SI 135.6, fhôm é
usado para descrever o “oceano” em contraste com
os mares: “Tudo o que o SENHOR quis, ele o fez,
nos céus e na terra, nos mares e em todos os abis
mos [no oceano inteiro]” (cf. SI 148.7, et a i).
O termo tem referência especial às grandes cor
rentes ou fontes de água. Os marinheiros em meio a
uma tempestade violenta, “sobem aos céus, descem
aos abismos” (SI 107.26). Trata-se de linguagem
poética hiperbólica ou exagerada, mas apresenta os
“abismos” ou “profundezas” em oposição aos céus.