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22
I) como palavras “A” e as palavras da Linha II (ou hemistíquio II) de palavras “B” . Assim 
percebemos o padrão nestas linhas (levemente adaptadas) do Salmo 34.3:
Hemistíquio I: EngrandeceiA ao SENHORA comigo, ̂
Hemistíquio II: e exaltem osB o seu nom eB juntos.B
Como se pode ver prontamente, a palavra ‘‘A” pode ser substituída pelas palavra “B” sem 
mudar o significado da linha, e o contrário também é verdade. Esta característica da poesia 
hebraica é chamada de paralelismo. Nos estudos eruditos da poesia hebraica, as palavras pares 
numa estrutura paralela são marcadas com barras paralelas inclinadas para mostrar a) qual palavra 
ocorre normalmente primeiro — quer dizer, a palavra “A” — , b) o fato de as duas palavras 
formarem um par paralelo e c) qual palavra é em geral a segunda ou a “B”. Podemos mostrar o 
Salmo 34.3 desta maneira:
Engrandecei // exaltemos; ao SENHOR // o seu nome; comigo //juntos.
Este Dicionário Expositivo cita tais pares, porque indicam relações importantes no significa­
do. Muitos pares são usados inúmeras vezes, quase como sinônimos. Assim o uso da palavra 
hebraica na poesia torna-se ferramenta muito valiosa para a nossa compreensão do seu significa­
do. A maioria dos termos teológicos importantes, inclusive os nomes e títulos de Deus, encontra- 
se nestes pares poéticos.
K. Teorias de tradução. As teorias de tradução afetam grandemente nossa interpretação das 
palavras hebraicas. Podemos descrever as atuais teorias dominantes de tradução como segue:
1. O método da equivalência direta. Este método presume que se encontrará somente uma 
palavra portuguesa para representar cada palavra hebraica que aparece no texto do Antigo 
Testamento. Considerando que algumas palavras hebraicas não têm equivalente em uma palavra 
em português, elas são simplesmente transliteradas (transformadas em caracteres portugueses). 
Neste caso, o leitor deve ser instruído sobre o que o termo transliterado realmente significa. Este 
método era usado nas traduções mais antigas do Novo Testamento, que tentavam trazer os 
equivalentes latinos das palavras gregas diretamente para o português. Foi assim que as primei­
ras versões adotaram grande quantidade de terminologia teológica latina, como justificação, 
santificação e concupiscêncici.
2. O método histórico-lingüístico. Este método procura encontrar um número limitado de 
termos em português que expressem adequadamente o significado de um termo hebraico em 
particular. Um estudioso que usa este método estuda o registro histórico de como a palavra foi 
usada e dá preferência ao seu significado mais freqüente no contexto. Este método foi usado na 
preparação do Dicionário Expositivo.
3 .0 método da equivalência dinâmica. Este método não procura fazer uso consistente de uma 
palavra portuguesa por uma palavra hebraica específica. Ao invés disso, esforça-se por mostrar 
o impulso ou ênfase de um a palavra hebraica em cada contexto específico. Assim, proporciona 
uma tradução muito livre e coloquial de passagens do Antigo Testamento. Isto permite que os 
leitores leigos obtenham o âmago real do significado de uma passagem em particular, mas torna o
23
estudo das palavras bíblicas praticam ente impossível. Por exem plo, uma com paração entre .4 
Bíblia Viva e a Almeida, Revista e Corrigida (ARC) m ostrará a diferença nos m étodos de tradu­
ção. A Bíblia Viva usa muitas palavras m ais específicas para refletir as sutis acepções no texto 
hebraico, tom ando impossível traçar como determ inada palavra hebraica foi usada em contextos 
diferentes.
Este Dicionário Expositivo procura m ostrar os diferentes m étodos de tradução indicando os 
diferentes significados de uma palavra hebraica dada por várias versões.
L . Como usar este livro. Quando com eçar um estudo de palavras de determinado termo 
hebraico, tenha em m ãos boas edições de pelo menos três versões em português do Antigo 
Testamento. Sempre tenha uma versão da ARC, edição de 1995. a qual é utilizada como padrão 
neste dicionário, da ARA e uma versão coloquial como A Bíblia \ iva. Você também deve ter uma 
boa concordância.
O Dicionário Expositivo oferece vasta gam a de significados para a m aioria das palavras 
hebraicas. Tais significados não devem ser substituídos uns pelos outros sem que o uso do 
termo em seus contextos diferentes seja cuidadosamente revisto. Todas as palavras hebraicas 
têm significados diferentes — às vezes, até significados opostos — . portanto devem ser estuda­
das em todas as suas ocorrências e não em uma só.
Esforce-se por ser consistente ao traduzir determ inada palavra hebraica em contextos diferen­
tes. Busque o m enor núm ero de palavras portuguesas equivalentes. Os colaboradores deste livro 
já fizeram pesquisa extensa nas línguas originais e na literatura erudita moderna. Você pode tirar 
o m elhor proveito do trabalho que fizeram, observando os vários usos de cada palavra a fim de 
obter uma visão equilibrada.
Comparação e freqüência são dois fatores fundam entais no estudo de palavras bíblicas. 
Escreva as passagens que você está comparando. Não tenha medo de observar todas as ocorrên­
cias de certa palavra. O tempo que você gasta abrirá sua Bíblia como nunca antes.
W il l ia m W h it e J r .
A
ABANDONAR
‘ãz.ab (3jy): “deixar, desamparar, abandonar, dei­
xar para trás, deixar de parte, deixar ir”. Esta palavra 
aparece no acadiano, no hebraico e no aramaico pós- 
bíblicos. Palavras semelhantes aparecem no árabe e 
etiópico. A palavra ocorre no hebraico bíblico por 
cerca de 215 vezes e em todos os períodos.
Basicamente, 'ãzab significa “afastar-se de algo” 
ou “deixar”. Este é o significado da palavra em sua 
primeira ocorrência bíblica: “Portanto, deixará o 
varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua 
mulher” (Gn 2.24). Acepção especial da palavra é 
“deixar em apuros” ou abandonar alguém que é de­
pendente dos seus serviços. Assim Moisés disse a 
Hobabe, o midianita (queneu): “Ora, não nos deixes 
[em apuros]; porque tu sabes que nós nos alojamos 
no deserto; de olhos nos servirás” (Nm 10.31).
A palavra também leva o significado de “desam­
parar” ou “deixar totalmente”. Tais passagens trans­
mitem uma nota de finalidade ou perfeição. Assim 
Isaías deve pregar que “a terra de que te enfadas será 
desamparada dos seus dois reis” (Is 7.16). Em outros 
lugares, o abandono é total, mas não necessariamente 
permanente. Deus diz que Israel é “uma mulher de­
samparada e triste de espírito; [...] Por um pequeno 
momento, te deixei, mas com grande misericórdia te 
recolherei” (Is 54.6-7). No acadiano, esta palavra tem 
o sentido técnico de “abandonado completa e perma­
nentemente” ou “divorciado”. Isaías emprega este sen­
tido em Is 62.4: “Nunca mais te chamarão Desampa­
rada, [...] mas chamar-te-ão Hefzibá [Meu prazer está 
nela]; e à tua terra, Beulá [Casada]”.
Outro uso especial da palavra é “desconsiderar 
o conselho”: “Porém ele deixou o conselho que os 
anciãos lhe tinham aconselhado” (1 Rs 12.8).
Uma segunda ênfase de 'ãzab é “deixar para trás”, 
significando deixar algo enquanto se deixa de cena. 
Em Gn 39.12, José “deixou” as vestes nas mãos da 
esposa de Potifar e fugiu. A palavra também se re­
fere a intencionalmente “entregar as possessões à 
confiança de outrem” ou “deixar algo no controle de 
outrem”. Potifar “E deixou tudo o que tinha na mão 
de José” (Gn 39.6).
Em acepção um pouco diferente, a palavra signi­
fica “deixar alguém ou algo sozinho com um proble­
ma”: “Se vires o jumento daquele que te aborrece 
deitado debaixo da sua carga, deixarás, pois, de
ajudá-lo? Certamente o ajudarás” (Êx 23.5). Usado 
figurativamente, ‘ãzab quer dizer “pôr distância 
entre” em sentido espiritual ou intelectual: “Deixa a 
ira e abandona o furor” (SI 37.8).
A terceira ênfase da palavra é “deixar de parte" 
ou "tirar o máximo de algo e deixar o resto para 
trás”: “Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, 
nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-
lo s-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, 
vossoDeus" (Lv 19.10).
Finalmente, 'ãzab significa “deixar ir” ou “per­
mitir ir embora”. Os “loucos e brutos” são os que 
não fazem provisão para o futuro; eles morrem “dei­
xando” ("permitindo ir embora”) suas riquezas para 
os outros (SI 49.10). Acepção diferente ocorre em 
Rt 2.16. onde o verbo quer dizer “deixar algo no 
chão”. O termo ‘ãzab também significa “desistir": 
“O que encobre as suas transgressões nunca pros­
perará; mas o que as confessa e deixa alcançará mi­
sericórdia” (Pv 28.13), e a palavra significa “liber­
tar”, como em 2 Cr 28.14: “Então, os homens arma­
dos deixaram os presos e o despojo diante dos maio- 
rais e de toda a congregação”. O termo 'ãzab signi­
fica “deixar ir" ou "fazer ir embora". Relativo ao 
mal, Zofar comenta: "[O iníquo] o não deixe, antes, 
o retenha no seu paladar" ( Jó 20.13).
O termo ‘ãzab significa "permitir alguém fazer 
algo”, como em 2 Cr 32.31. onde “Deus o desampa­
rou [Ezequias], para tentá-lo, para saber tudo o que 
havia no seu coração"; Deus “deixou” Ezequias fa­
zer tudo o que ele quis. “Renunciar uma atividade" 
também pode significar sua descontinuação: “Tam­
bém eu. meus irmãos e meus moços, a juro, lhes 
temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho” 
(Ne 5.10).
A palavra 'ãzab é, às vezes, usada no sentido 
técnico judicial de “estar livre”, o que é o oposto de 
estar em escravidão. O Senhor vindicará Seu povo e 
terá compaixão dos Seus servos “quando vir que o 
seu poder se foi e não há fechado nem desampara- 
do” (Dt 32.36).
ABENÇOAR
A. Verbo.
bãrak (TD?)- ‘'ajoelhar-se, abençoar, ser abenço­
ado, amaldiçoar”. A raiz desta palavra é encontrada 
em outros idiomas semíticos que, como o hebraico,
ABENÇOAR 26 ABENÇOAR
freqüentemente a usam com uma deidade no sujei­
to. Há também paralelos desta palavra no egípcio.
A palavra bãrak ocorre cerca de 330 vezes na 
Bíblia, primeiramente em Gn 1.22: "E Deus os aben­
çoou. dizendo: Frutificai, e multiplicai-vos”. A pri­
meira palavra de Deus para o homem é apresentada 
da mesma maneira: "E Deus os abençoou e Deus 
lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos” (Gn 1.28). 
Assim toda a criação é mostrada a depender de Deus 
para sua existência e função continuadas (cf. SI 
104.27-30). O termo bãrak é usado de novo para 
aludir ao homem em Gn 5.2, no começo da história 
dos homens que crêem, e depois do Dilúvio em Gn 
9.1: "E abençoou Deus a Noé e a seus filhos”. O 
elemento central do concerto de Deus com Abrão é: 
"Abençoar-te-ei, [...] e tu serás uma bênção. E aben­
çoarei os que te abençoarem [...] e em ti serão ben­
ditas todas as famílias da terra” (Gn 12.2,3). Esta 
'bênção” acerca das nações é repetida cm Gn 18.18; 
22.18; 28.14 (cf. Gn 26.4; Jr 4.2). Em todos estes 
exemplos, a bênção de Deus sai para as nações por 
meio de Abraão ou de sua semente. A Septuaginta 
traduz todas estas ocorrências de bãrak no passivo. 
Paulo cita em G1 3.8 a tradução que a Septuaginta 
faz de Gn 22.18.
A promessa do concerto requereu que as nações 
buscassem a “bênção” (cf. Is 2.2-4), mas deixou 
claro que a iniciativa de abençoar encontra-se em 
Deus, e que Abraão e sua semente eram os instru­
mentos. Deus, ou diretamente ou por Seus repre­
sentantes, é o sujeito deste verbo em mais de 100 
vezes. A bênção levítica está baseada nesta ordem: 
“Assim abençoareis os filhos de Israel: [...] O SE­
NHOR te abençoe. [...] Assim, porão o meu nome 
sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei’ (Nm 
6.23-27).
A forma passiva de bãrak é usada para pronun­
ciar "a bênção de Deus sobre os homens”, como o 
foi por Melquisedeque: “Bendito seja Abrão do Deus 
Altíssimo” (Gn 14.19). “Bendito seja o SENHOR, 
Deus de Sem" (Gn 9.26) é uma expressão de louvor. 
"Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os 
teus inimigos nas tuas mãos” (Gn 14.20) está mis­
turado com louvor e ação de graças.
Uma forma comum de saudação era: Bendito 
íejastudo SENHOR" (1 Sm 15.13; cf. Rt 2.4); “Eis 
que Samuel chegou: e Saul lhe saiu ao encontro, para 
o saudar” <1 Sm 13.10).
A forma simples do verbo é usada em 2 Cr 6.13: 
"Salomão [...] ajoelhou-se". Seis vezes o verbo é 
usado para denotar profanidade, como em Jó 1.5:
“Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram 
de Deus no seu coração”.
B. Substantivo.
tfrãkãh (rçnz): “bênção”. A fonna da raiz desta 
palavra é encontrada nas línguas semíticas do noro­
este e do sul. E usada junto com o verbo bãrak 
(“abençoar”) 71 vezes no Antigo Testamento. A 
palavra aparece com mais freqüência em Gênesis e 
Deuteronômio. A primeira ocorrência é a bênção 
que Deus deu a Abrão: “E far-te-ci uma grande na­
ção, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e 
tu serás uma bênção” (Gn 12.2).
Quando expressado por homens, uma “bênção” 
era um desejo ou oração por uma bênção que viria 
no futuro: “E [Deus] te dê a bênção de Abraão, a ti 
e à tua semente contigo, para que em herança pos­
suas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a 
Abraão” (Gn 28.4). Isto se refere a uma “bênção” 
que os patriarcas costumeiramente estendiam a seus 
filhos antes de morrerem. As “bênçãos” de Jacó às 
tribos de Israel (Gn 49.1ss) e as “bênçãos” de 
Moisés (Dt 33.1 ss) são outros exemplos comuns.
Abençoar era o oposto de amaldiçoar (çflãlãh): 
“Porventura, me apalpará o meu pai, e serei, a seus 
olhos, enganador; assim, trarei eu sobre mim maldi­
ção e não bênção” (Gn 27.12). A bênção tambéin 
poderia ser apresentada mais concretamente na for­
ma de presente. Por exemplo: “Toma, peço-te, a 
minha bênção, que te foi trazida; porque Deus gra­
ciosamente ma tem dado, e porque tenho de tudo. E 
instou com ele, até que a tomou” (Gn 33.11). Quan­
do uma “bênção” era dirigida a Deus, tratava-sc de 
uma palavra de louvor e ação de graças, como em: 
“Levantai-vos, bendizei ao SENHOR, vosso Deus, 
de eternidade em eternidade; ora, bendigam o nome 
da tua glória, que está levantado sobre toda bênção 
e louvor” (Ne 9.5).
A “bênção” do Senhor jaz sobre os que lhe são 
fiéis: “A bênção, quando ouvirdes os mandamentos 
do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos mando” 
(Dt 11.27). Sua bênção traz justiça (SI 24.5), vida 
(SI 133.3), prosperidade (2 Sm 7.29) e salvação (SI 
3.8). A “bênção” é retratada como chuva ou orva­
lho: “E a elas e aos lugares ao redor do meu outeiro, 
eu porei por bênção: e farei descer a chuva a seu 
tempo; chuvas de bênção serão” (Ez 34.26; cf. SI
84.6). Na comunhão dos santos, o Senhor ordena a 
Sua “bênção”: ;‘[É] como o orvalho do Hermom, 
que desce sobre os montes de Sião; porque ali o 
SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre” 
(SI 133.3).
ABENÇOAR 27 ACABAR
Em alguns casos, o Senhor fez com que pessoas 
fossem uma “bênção” para outras. Abraão é uma 
bênção para as nações (Gn 12.2). Espera-se que 
seus descendentes se tornem uma bênção para as 
nações (Is 19.24; Zc 8.13).
A Septuaginta traduz Ifrãkãh por eulogia ("lou­
vor, bênção”).
ABOMINAÇÃO
A. Substantivo.
tô'ebãh (nz>i” ): “abominação, coisa repugnan­
te, detestável". Os cognatos desta palavra só apare­
cem no fenício e no aramaico dos targuns. A palavra 
aparece 117 vezes e em todos os períodos.
Primeiro. tô ‘ebãh define algo ou alguém como 
essencialmente único no sentido de ser “perigoso”, 
"sinistro" e “repulsivo” a outro indivíduo. Este sig­
nificado aparece em Gn 43.32 (primeira ocorrên­
cia): "Os egípcios não podem comer pão com os 
hebreus, porquanto é abominação para os egípci­
os”. Para os egípcios, comer pão com estrangeiros 
era repulsivo por causa de suas diferenças culturais 
ou sociais (cf. Gn 46.34; SI 88.8). Outra ilustração 
clara deste essencial conflito de disposição aparece 
em Pv 29.27. “Abominação é para os justos o ho­
mem iníquo, e abominação é para o ímpio o de retos 
caminhos”. Quando usado com referência a Deus, 
esta acepção da palavra descreve pessoas, coisas, 
atos, relações e características que lhe são "detestá­
veis”, porque são contrárias à Sua natureza. Coisas 
relacionadas com a morte e idolatria são repugnan­
tes a Deus: “Nenhuma abominação comereis” (Dt
14.3). Pessoas com hábitos repugnantesa Deus lhe 
são detestáveis: “Não haverá trajo de homem na 
mulher, e não vestirá o homem veste de mulher; 
porque qualquer que faz isto abominação ó ao SE­
NHOR, teu Deus” (Dt 22.5). Diretamente oposto a 
rô‘ebãh estão as reações como “contentamento” e 
"amor” (Pv 15.8,9).
Segundo, tô'ebãh é usado em alguns contextos 
para descrever as práticas e objetos pagãos: “As 
imagens de escultura de seus deuses queimarás a 
fogo; da prata e o ouro que estão sobre elas não 
cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não 
enlaces neles; pois abominação são ao SENHOR, 
teu Deus. Não meterás, pois, abominação em tua 
casa” (Dt 7.25,26). Em outros contextos, UVebãh 
descreve os repetidos fracassos em observar os re­
gulamentos divinos: “Porque multiplicastes as vos­
sas maldades mais do que as nações que estão ao 
redor de vós, nos meus estatutos não andastes, nem
fizestes os meus juízos, nem ainda procedestes se­
gundo os juízos das nações que estão ao redor de 
vós; [...] por causa de todas as tuas abominações" 
(Ez 5.7,9). A palavra tô ‘ebãh retrata as práticas 
pagãs de culto, como em Dt 12.31, ou as pessoas 
que cometem tais práticas: “Pois todo aquele que 
faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por es­
tas abominações o SENHOR, teu Deus, as lança 
fora de diante de li” (Dt 18.12). Se os israelitas são 
culpados de tal idolatria, seu destino será pior que o 
exílio: morte por apedrejamento (Dt 17.2-5).
Terceiro, tô'ebãh é usado na esfera da jurispru­
dência e das relações familiares ou tribais. Certos 
atos ou características são destrutivos da harmonia 
societária e familiar; tais coisas e pessoas que as 
fazem são descritas pela palavra tô ‘ebãh: ‘‘Estas 
seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua 
alma abomina: olhos altivos, e língua mentirosa, e 
mãos que derramam sangue inocente, e coração que 
maquina pensamentos viciosos, e pés que se apres­
sam a correr para o mal. e testemunha falsa que 
profere mentiras, e o que semeia contendas entre 
irmãos” (Pv 6.16-19). Deus diz: “O pensamento do 
tolo é pecado, e é abominável aos homens o 
escarnecedor" (Pv 24.9), porque ele espalha sua 
amargura entre o povo de Deus, rompendo a unida­
de e a harmonia.
B. Verbo.
tã'ah (Z';r): "detestar, tratar como detestável, 
fazer com que seja uma abominação, um ato abomi­
nável”. Este verbo ocorre 21 vezes e a primeira ocor­
rência está em Dt 7.26: “Não meterás, pois, abomi­
nação em tua casa”.
ACABAR
A. Verbo.
Tãmam (E?:n): “completar, acabar, aperfeiçoar, 
gastar, ser sincero, ter integridade”. Encontrada no 
hebraico antigo e moderno, esta palavra também 
existe no ugarítico antigo. O verbo tãmam é achado 
aproximadamente 60 vezes no Antigo Testamento 
hebraico em suas formas verbais.
O significado básico desta palavra é “comple­
tar” ou “acabar”, com nada mais a esperar ou dese­
jar. Quando foi dito que a obra do templo "acabou” 
(1 Rs 6.22), significava que o templo estava “com­
pleto”, com mais nada a acrescentar. Semelhante­
mente, quando é feita a anotação em Jó 31.40: ^Aca­
baram-se as palavras de Jó”, indica que o ciclo das 
falas de Jó está “completo”. A palavra tãmam é às 
vezes usada para expressar o fato de que algo está
ACABAR 28 ACENDER
“completo” ou “se acabou" com respeito à sua pro­
visão. Assim, o dinheiro que foi todo gasto “se aca­
bou” (Gn 47.15,18). Jeremias diariamente recebeu 
pão “até que se acabou todo o pão da cidade” (Jr 
37.21). Quando um povo chegava “a um fim com­
pleto” (Nm 14.35), significava que ele foi “consu­
mido” ou “completamente destruído”. “Pôr termo” 
à imundícia dos povos (Ez 22.15), significa “pôr 
um fim” ou “destruí-los”.
Por vezes, tãmam expressa “sinceridade” moral 
e ética: “Então, serei sincero” (SI 19.13), diz o 
salmista, quando Deus lhe ajudar a guardar a lei de 
Deus.
B. Adjetivo.
tãm (n): “perfeito”. Quando a forma adjetival 
tãm é usada para descrever Jó (Jó 1.1), o significado 
não é que ele era realmente “perfeito” no sentido 
pleno da palavra, mas, antes, que ele era “inocente” 
ou “tinha integridade”.
ACEITAR
rãsãh (n:n): “contentar, gostar, agradar, ter pra­
zer, aceitar favoravelmente, satisfazer”. Este é um 
termo comum no hebraico bíblico e moderno. En­
contra-se aproximadamente 60 vezes no texto do 
Antigo Testamento, sendo uma de suas primeiras 
ocorrência em Gn 33.10: “E tomaste contentamen­
to em mim”.
Quando rãsãh expressa Deus ter prazer em al­
guém, é freqüente ser traduzido por “comprazer”, 
“agradar”, o que parece refletir um senso de maior 
prazer: “O meu Eleito, em quem se compraz a mi­
nha alma” (Is 42.1); “Porquanto te agradaste de­
les” (SI 44.3). Esta acepção também está refletida 
em Pv 3.12, onde rãsãh é comparado com ’ãhab, 
“amar”: “Porque o SENHOR repreende aquele a 
quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer 
bem".
Por outro lado, quando a pessoa tem de satisfa­
zer certa exigência para merecer rãsãh, parece mais 
lógico traduzir por “agradar”. Por exemplo: '‘Agra- 
dar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros?” (Mq
6.7); “Holocaustos e ofertas de manjares, não me 
agradarei delas” (Am 5.22).
A palavra rãsãh é usada no sentido de “pagar” 
ou “satisfazer uma dívida”, sobretudo quando diz 
respeito à terra ficar de pousio nos anos sabáticos: 
“Então, a terra folgará nos seus sábados, todos os 
dias da sua assolação, [...] então, a terra descansará 
e folgará nos seus sábados” (Lv 26.34). Aqui rãsãh 
foi traduzido por “folgar”. Porém, o contexto pare­
ce requerer algo como “a terra reembolsará (satisfa­
rá) os seus sábados”. Semelhantemente, a frase “a 
sua iniqüidade está expiada” (Is 40.2), tem de sig­
nificar “a sua iniqüidade foi paga” ou “o seu castigo 
foi aceito como satisfatório”.
ACENDER
A. Verbo.
’ôr (liX): “acender, ficar claro, ficar iluminado 
(pela alvorada), dar luz, fazer a luz brilhar”. Este 
verbo também é encontrado no acadiano e no 
cananeu. O termo acadiano urru significa “luz”, mas 
geralmente “dia”.
O termo ’ôr quer dizer “ficar claro” em Gn 44.3: 
“Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões, 
eles com os seus jumentos”. A palavra significa “dar 
luz” em Nm 8.2: “Defronte do candeeiro alumiarão 
as sete lâmpadas”.
B. Substantivos.
’ôr (TlN): “luz”. Este substantivo aparece cerca 
de 120 vezes e é claramente um termo poético.
A primeira ocorrência de ’ôr está no relato da 
Criação: “E disse Deus: Haja luz. E houve luz” (Gn
1.3). Aqui “luz” é o oposto de “trevas”. A oposi­
ção de “luz” e “trevas” não é um fenômeno singular. 
Ocorre com freqüência como dispositivo literário: 
“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! 
Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e 
fazem do amargo doce, edo doce, amargo!” (Is 5.20); 
e “E bramarão contra eles, naquele dia, como o bra- 
mido do mar; e, se alguém olhar para a terra, eis que 
só verá trevas e ânsia, e a luz se escurecerá em suas 
assolações” (Is 5.30). No hebraico, vários antônimos 
de ’ôr são usados em construções paralelas: “O povo 
que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os 
que habitavam na região da sombra de morte res­
plandeceu a luz' (Is 9.2).
O significado básico de W é “luz do dia” (cf. Gn
1.3). Na mente hebraica, o “dia” começava no nasci­
mento do sol: “E será como a luz da manhã, quando 
sai o sol, da manhã sem nuvens, quando, pelo seu 
resplendor e pela chuva, a erva brota da terra" (2 Sm
23.4). A “luz” dada pelos corpos celestes também 
era conhecida por ’ôr : “E será a luz da lua como a 
luz do sol, e a luz do sol, sete vezes maior, como a 
luz de sete dias, no dia em que o SENHOR ligar a 
quebradura do seu povo e curar a chaga da sua feri­
da” (Is 30.26).
No uso metafórico, 'ôr significa vida sobre a 
morte: “Pois tu livraste a minha alma da morte, como 
também os meus pés de tropeçarem, para que eu
ACENDER 29 ACONSELHAR
ande diante de Deus na luz. dos viventes” (SI 56.13). 
Andar na “luz” do rosto de um superior (Pv 16.15) 
ou de Deus (SI 89.15 ), é expressão de vida alegre e 
abençoada, na qual a qualidade de vida é realçada. O 
crente está seguro da “luz” de Deus. mesmo em 
períodosde dificuldade: “Ó inimiga minha, não te 
alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, 
levantar-me-ei; se morar nas trevas, o SENHOR será 
a minha luz" (Mq 7.8. cf. SI 23.4).
Na Septuaginta, ’ôr tem muitas traduções, das 
quais phos (“luz”) é a mais freqüente.
O substantivo ’ôr significa “brilho, clarão” . Esta 
palavra ocorre raramente, uma vez em Is 50.11: 
“Todos vós que acendeis fogo e vos cingis com faís­
cas, andai entre as labaredas [’ôr] do vosso fogo e 
entre as faíscas que acendestes; isso vos vem da 
minha mão, e em tormentos jazereis”.
O termo ’ôrãh se refere a “luz”. Este substanti­
vo significa “luz” no SI 139.12: “Nem ainda as tre­
vas me escondem de ti: mas a noite resplandece 
como o dia: as trevas e a luz são para ti a mesma 
coisa".
O termo inã ór também quer dizer “luz". Este 
substantivo aparece cerca de 20 vezes. A palavra 
mã'ôr ocorre mais de uma vez em Gn 1.16: “E fez 
Deus os dois grandes luminares: o luminar maior 
para governar o dia. e o luminar menor para gover­
nar a noite: e fez as estrelas".
ACHAR
mãsã’ (nsd): “achar, encontrar, obter". Esta pa­
lavra é encontrada em todos os ramos dos idiomas 
semíticos (incluindo o aramaico bíblico) e em todos 
os períodos. É atestado no hebraico bíblico (cerca 
de 455 vezes) e no hebraico pós-bíblico.
O termo mãsã ' se refere a “achar” alguém ou 
algo que foi perdido ou extraviado ou “achar” onde 
ele está. A coisa pode ser achada como resultado de 
procura propositada, como quando os sodomitas 
foram temporariamente cegos pelas visitas de Ló e 
não puderam “achar” a porta da casa dele (Gn 19.11). 
Em uso bem parecido, a pomba enviada por Noé 
procurou lugar para pousar e não foi capaz de 
“achar" (Gn 8.9). Em outras ocasiões, a localização 
de algo ou de alguém pode ser achada sem procura 
intencional, como quando Caim disse: “[Quem] me 
achar’' (Gn 4.14).
O termo mãsã’ conota não só “achar” uma pes­
soa em certo local, mas “achar” em sentido abstra­
to. Esta idéia é demonstrada claramente em Gn 6 .8 : 
“Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR”.
Ele achou — “recebeu” — algo que não buscou. 
Este sentido também inclui “achar” algo que se bus­
cou em sentido espiritual ou mental: “A minha mão 
tinha alcançado muito” (Jó 31.25). Labão fala para 
Jacó: “Se, agora, tenho achado graça a teus olhos, 
fica comigo” (Gn 30.27). Labão está pedindo a Jacó 
por um favor que ele está buscando em sentido abs­
trato.
A palavra mãsã’ também pode significar “des­
cobrir”. Deus falou para Abraão: “Se eu em Sodoma 
achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei 
todo o lugar por amor deles” (Gn 18.26). Esta mes­
ma ênfase aparece na primeira ocorrência bíblica da 
palavra: “Mas para o homem não se achava adjutora 
que estivesse como diante dele" (Gn 2.20). Como 
comentado anteriormente, pode haver uma conota­
ção não intencional aqui. como quando os israelitas 
"acharam" um homem apanhando lenha no sábado 
(Nm 15.321. Outra acepção especial é “descobrir" 
no sentido de "obter conhecimento sobre”. Por exem­
plo. os irmãos de José disseram: “Achou Deus a 
iniqüidade de teus servos" ( Gn 44.16).
Por vezes, mãsã' sugere “estar no poder” de 
algo em sentido concreto. Davi disse a Abisai: “Toma 
tu os servos de teu senhor e persegue-o, para que, 
porventura, não ache para si cidades fortes e escape 
dos nossos olhos" (2 Sm 20.6). A idéia é que Seba 
"acharia”, entraria e se defenderia em cidades 
fortificadas. Assim, "achar" pode ser “assumir o 
comando de". Este uso também aparece em sentido 
abstrato. Judá falou a José: "Porque como subirei 
eu a meu pai. se o moço não for comigo? Para que 
não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai” (Gn
44.34). A palavra mãsã’ não só significa "achar" 
algo, mas “obtê-lo” como pertencente exclusivamen­
te a alguém: “E semeou Isaque naquela mesma terra 
e colheu, naquele mesmo ano” (Gn 26.12).
A palavra raramente implica movimento em di­
reção a chegar a um destino; assim está relacionado 
com a raiz no ugarítico, significando “alcançar” ou 
“chegar” (m s’). Este sentido é encontrado em Jó
11.7: “Porventura, alcançarás os caminhos de 
Deus?” (cf. 1 Sm 23.17). Em acepção um pouco 
diferente, este significado aparece em Nm 11.22: 
“Degolar-se-ão para eles ovelhas e vacas que lhes 
bastemT'
ACONSELHAR
A. Verbo.
y ã ‘as (}*>■;): “aconselhar, avisar, consultar”. Usa­
do ao longo da história do idioma hebraico, este
ACONSELHAR 30 ADIVINHAR
verbo ocorre no Antigo Testamento hebraico cerca 
de 80 vezes. A palavra yã'as é encontrada pela pri­
meira vez em Êx 18.19, onde Jetro diz a Moisés, 
seu genro: "Ouve agora a minha voz; eu te aconse­
lharei, e Deus será contigo". A palavra é encontrada 
somente mais uma vez no Hexateuco, em Nm 24.14: 
“Avisar-te-ei".
Ainda que yâ ‘as descreva ‘‘dar bom conselho”, o 
oposto às vezes é verdade. Exemplo trágico é o caso 
do rei Acazias de Judá. cuja mãe “era sua conselheira, 
para proceder impiamente” (2 Cr 22.3). A idéia de 
■‘decisão” é expressa em Is 23.9: “O SENHOR dos 
Exércitos formou este desígnio [decisãol”.
B. Substantivos.
y õ ‘es (]*?’): “conselheiro". Talvez o uso mais 
comum desta raiz seja a forma substantivai encon­
trada na passagem messiânica de Is 9.6. Com base 
na sintaxe envolvida, é provavelmente melhor tra­
duzir o habitual “Maravilhoso Conselheiro" por 
“Maravilha de Conselheiro”, ou “intencionalmente 
maravilhoso”. Outra possibilidade é separar os ter­
mos: “Maravilhoso, Conselheiro”.
y ã ‘as (]*>;): "aqueles que dão conselho”. É fre­
qüente a palavra yã ‘as ser usada em sua forma 
participial, “aqueles que dão conselho”, sobretudo 
com relação aos líderes políticos e militares (2 Sm 
15.12; 1 Cr 13.1).
ACRESCENTAR
yãsaph (*!□;): “acrescentar, somar, continuar, fa­
zer de novo, aumentar, ultrapassar”. Este verbo 
ocorre nos dialetos semíticos do noroeste e no 
aramaico. Ocorre no hebraico bíblico (cerca de 210 
vezes), no hebraico pós-bíblico e no aramaico bíbli­
co (uma vez).
Basicamente, yãsaph significa aumentar o núme­
ro de algo. Também é usado para indicar acrescentar 
uma coisa a outra, por exemplo: “E, quando alguém, 
por erro, comer a coisa santa, sobre ela acrescenta­
rá seu quinto e o dará ao sacerdote com a coisa 
santa” (Lv 22.14).
Este verbo é usado para expressar a repetição de 
um ato estipulado por outro verbo. Por exemplo, a 
pomba que Noé enviou “não tornou mais a ele” (Gn 
8.12). Em geral a ação repetida é indicada por um 
infinitivo absoluto, precedido pela preposição /'': 
“E nunca mais a conheceu” . Literalmente, se lê: “E 
ele não acrescentou outra vez [ 'od] para a conhecer 
[intimamente]” (Gn 38.26).
Em alguns contextos yãsaph significa “intensifi­
car”, mas sem sugestão de aumento numérico. Deus
diz: ”E os mansos terão regozijo sobre regozijo 
[yãsaph] no SENHOR" (Is 29.19). Esta mesma ên­
fase aparece no SI 71.14: ”E te louvarei cada vez 
mais [yãsaph]”, ou literalmente: "E acrescentarei a 
todos os Teus louvores". Em tais casos, há mais do 
que urna quantidade adicional de regozijo ou louvor. 
O autor está se referindo a uma nova qualidade de 
regozijo ou louvor, isto é, uma intensificação deles.
Outro significado de yãsaph é “ultrapassar”. A 
rainha de Sabá disse a Salomão: “Sobrepujaste em 
sabedoria e bens a fama que ouvi”, ou literalmente: 
‘Você acrescenta [com relação à] sabedoria e pros­
peridade ao relatório que ouvi” (1 Rs 10.7).
Este verbo também é usado em fórmulas de con­
certo. Por exemplo, quando Rute chamou a maldi­
ção de Deus sobre ela dizendo: “Me faça assim o 
SENHOR e outro tanto [yãsaph], se outra coisa 
que não seja a morte me separar de ti”, ou literal­
mente: “Assim o Senhor me faça e assim Ele acres­
cente, se...” (Rt 1.17; cf. Lv 26; Dt 27— 28).
ADIVINHAR, PRATICAR ADIVINHAÇÃO
(jasam (3Çj?): “adivinhar, praticar adivinhação”. 
Os cognatos desta palavra aparecem no aramaico 
recente, cóptico, siríaco, mandeano, etiópico, 
palmiro e árabe. Esta raiz aparece 31 vezes no 
hebraico bíblico: 11 vezes como verbo, nove vezes 
como particípio e 11 vezes como substantivo.
Aadivinhação era o paralelo pagão de profeti­
zar: “Entre ti se não achará quem laça passar pelo 
fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, 
nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro. 
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os 
prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o 
SENHOR, teu Deus, não permitiu tal coisa. O SE­
NHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio 
de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 
18.10,14,15, primeira ocorrência.)
O termo qãsam é uma busca da vontade dos 
deuses, no afã de tomar conhecimento de sua ação 
futura ou bênção divina sobre alguma ação futura 
proposta (Js 13.22). Parece provável que os adivi­
nhos conversem com demônios (1 Co 10.20).
A prática da adivinhação podia envolver a oferta 
de sacrifícios à deidade num altar (Nm 23.1ss). Tam­
bém podia requerer o uso de um buraco no chão, 
pelo qual o adivinho falava com o espírito dos mor­
tos (1 Sm 28.8). Em outras ocasiões, um adivinho 
sacudia flechas, consultava ídolos familiares ou es­
tudava o fígado de animais mortos (Ez 21.21, ARA).
A adivinhação era uma das tentativas do homem >
ADIVINHAR 31 ÁGUA
saber e controlar o mundo e o futuro, à parte do 
Deus verdadeiro. Era o oposto da verdadeira profe­
cia, que é essencialmente submissão à soberania de 
Deus (Dt 18.14).
Talvez os usos mais surpreendentes desta pala­
vra estejam em Nm 22—23 e Pv 16.10, onde parece 
ser equivalente a profecia. Balaão era famoso entre 
os pagãos como adivinho: ao mesmo tempo, ele re­
conhecia Jeová como seu Deus (Nm 22.18). Ele acei­
tou dinheiro pelos serviços que ia prestar e prova­
velmente não deixaria de ajustar a mensagem para 
agradar o cliente. Isto explicaria por que Deus. zan­
gado, o confrontou i Nm 22.22.ss). embora lhe tives­
se dito para aceitar a incumbência e ir com a escolta 
(Nm 22.20). Parece que Balaão estava resolvido a 
agradar o cliente. Logo que esta resolução foi muda­
da para submissão, Deus o enviou em sua jornada 
(Nm 22.35).
ADORAR
sãhãh (nntf): “adorar, prostrar-se, curvar-se". 
Esta palavra é encontrada no hebraico moderno no 
sentido de “curvar-se" ou “inclinar-se", mas não no 
sentido geral de “adorar”. O fato de que ocorre mais 
de 170 vezes na Bíblia hebraica mostra algo do seu 
significado cultural. Aparece pela primeira vez em 
Gn 18.2, onde lemos que Abraão "inclinou-se à ter­
ra” diante dos três mensageiros que anunciaram que 
Sara teria um filho.
O ato de se curvar em homenagem é feito diante 
de um superior ou soberano. Davi "se curvou" pe­
rante Saul (1 Sm 24.8). Às vezes, é um superior 
social ou econômico diante de quem a pessoa se 
curva, como quando Rute “se inclinou” à terra dian­
te de Boaz (Rt 2.10). Num sonho, José viu os mo­
lhos dos seus irmãos “inclinando-se” diante do seu 
molho (Gn 37.5,7,8). A palavra sãhãh é usada como 
termo comum para se referir a ir diante de Deus em 
adoração (ou seja, adorar), como em 1 Sm 15.25 e Jr
7.2. As vezes está junto com outro verbo hebraico 
que designa curvar-se fisicamente, seguido por “ado­
rar”, como em Êx 34.8: “E Moisés apressou-se, e 
inclinou a cabeça à terra, e encurvou-se [“adorou”, 
ARA]”. Outros deuses e ídolos também são o obje­
to de tal adoração mediante a ação de se prostrar 
diante deles (Is 2.20; 44.15.17).
AFLIGIR
A. Verbo.
‘ãnãh (npy): “afligir-se, encurvar-se, huinilhar- 
se, submeter-se”. Esta palavra, comum no hebraico
antigo e moderno, é fonte de várias palavras impor­
tantes na história e experiência do judaísmo: “hu­
milde, submisso, pobre e aflição". O termo 'ãnãh 
aparece cerca de 80 vezes no Antigo Testamento 
hebraico. É achado pela primeira vez em Gn 15.13: 
“E afligi-la-ão quatrocentos anos".
A palavra ‘ãnãh expressa tratamento severo e 
doloroso. Sarai “afligiu” Agar (Gn 16.6). Quando 
José foi vendido como escravo, os seus pés foram 
feridos pelas correntes (SI 105.18). O verbo expres­
sa a idéia que Deus envia aflição para propósitos 
disciplinares: “O SENHOR, teu Deus, te guiou no 
deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para 
te tentar, para saber o que estava no teu coração” 
(Dt S.2: veja também 1 Rs 11.39; SI 90.15). Tomar 
uma mulher sexualmente à força é "humilhá-la” (Gn
34.2). mas a palavra é traduzida mais adequada­
mente por “desonrar".
Na observância do Dia da Expiação. humilhar-se 
está relacionado com a exigência de jejuar naquele 
dia (Lv 23.28.29).
B. Substantivo. 
üiii (’;?>: "pobre, humilde, manso”. Sobretudo 
na história israelita mais recente, logo antes do Exí­
lio e a seguir, este substantivo veio a ter conexão 
especial com os fiéis que eram abusados, ludibria­
dos e explorados pelos ricos (Is 29.19; 32.7; Am
2.7). A referência que o profeta Sofonias fez aos 
fiéis como "mansos da terra" (Sf 2.3) prepara o 
palco para a preocupação e ministério de Jesus pe­
los “pobres" e “mansos" (Mt 5.3,5: Lc 4.18; cf. Is
61.1). Nos dias do Novo Testamento, “o pobre da 
terra" era mais comumente conhecido por 'am 
ha 'ãres, “o povo da terra”. .
ÁGUA
mayim (□.’?): “água, inundação, dilúvio”. Esta 
palavra tem cognatos no ugarítico e no antigo árabe 
do sul. Ocorre por volta de 580 vezes e em todos os 
períodos do hebraico bíblico.
Primeiro, “água” é uma das substâncias básicas 
originais. Este é seu significado em Gn 1.2 (primeira 
ocorrência da palavra): “E o Espírito de Deus se movia 
sobre a facc das águas". Em Gn 1.7, Deus separou as 
“águas” que estavam acima e as “águas” que estavam 
embaixo (cf. Êx 20.4) da expansão dos céus.
Segundo, a palavra descreve o que um poço con­
tém, “água” para ser bebida (Gn 21.19). “Águas 
vivas” são “águas” que correm: “Cavaram, pois, os 
servos de Isaque naquele vale e acharam ali um poço 
de águas vivas” (Gn 26. 19). “Água” de amargura
ÁGUA 32 ÁGUA
ou aflição é designada assim, porque é bebida na 
prisão: "Metei este homem na casa do cárcere e 
sustentai-o com o pão de angústia e com a água de 
amargura, até que eu venha em paz” (1 Rs 22.27). 
Jó 9.30 fala de neve semiderretida ou água de neve: 
"Ainda que me lave com água de neve, e purifique 
as minhas mãos com sabão”.
Terceiro, mayim representa líquido em geral: 
"Pois já o SENHOR, nosso Deus, nos fez calar e 
nos deu a beber água de fel; porquanto pecamos 
contra o SENHOR” (Jr 8.14). A frase, me raglayim 
Cágua dos pés”), é urina: “Porém Rabsaqué lhes 
disse: Porventura, mandou-me meu senhor só a teu 
senhor e a ti, para falar estas palavras? E não, antes, 
aos homens que estão sentados em cima do muro, 
para que juntamente convosco comam o seu esterco 
e bebam a sua urina [água dos pés]?” (2 Rs 18.27; 
cf. Is 25.10).
Quarto, a “água” ritual de Israel era derramada ou 
aspergida (ninguém jamais era submergido em água), 
simbolizando purificação. Arão e seus filhos foram 
lavados com “água” como parte do rito que os consa­
grou ao sacerdócio: “Então, farás chegar Arão e seus 
filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás 
com água” (Ex 29.4). Partes do animal sacrifical de­
viam ser lavadas ritualmente com “água” durante o 
sacrifício: “Porém a sua fressura e as suas pernas 
lavar-se-ão com água” (Lv 1.9). Entre os ritos de 
Israel se incluía a “água” santa: “E o sacerdote toma­
rá água santa num vaso de barro; também tomará o 
sacerdote do pó que houver no chão do tabernáculo e 
o deitará na água” (Nm 5.17). A “água” amarga tam­
bém era usada nos rituais de Israel: “Então, o sacer­
dote apresentará a mulher perante o SENHOR e des­
cobrirá a cabeça da mulher: e a oferta memorativa de 
manjares, que é a oferta de manjares dos ciúmes, porá 
sobre as suas mãos, e a água amarga, que traz consigo 
a maldição, estará na mão do sacerdote” (Nm 5.18). 
Era "água” que. quando bebida, trazia maldição e cau­
sava amargura (Nm 5.24).
Quinto, nos substantivos próprios esta palavra 
é uíada para designar fontes, correntes ou mares e/ 
ou a área na vizinhança imediata de tais volumes de 
ígua: "Dize a Arão: Toma tua vara e estende a mão 
sobre as águas do Egito, sobre as suas correntes, 
sobre os seus rios. sobre os seus tanques e sobre 
todo oajuntamento das suas águas, para que se tor­
nem em sangue" (Êx 7.19 ).
Sexto, esta palavra é usada figurativamente em 
muitos sentidos. O termo mayim simboliza perigo 
ou angústia: "Desde o alto enviou e me tomou: ti­
rou-me das muitas águas” (2 Sm 22.17). Em 2 Sm
5.20, força explosiva é representada por mayim: 
“Rompeu o SENHOR a meus inimigos diante de 
mim, como quem rompe águas'''. “Aguas podero­
sas” descrevem a investida das nações ímpias con­
tra Deus: “Bem rugirão as nações, como rugem as 
muitas águas” (Is 17.13). Assim, a palavra é usada 
para retratar algo impetuoso, violento e opressivo: 
“Pavores se apoderam dele como águas; de noite, o 
arrebatará a tempestade” (Jó 27.20). Em outras pas­
sagens, “água” é usado para representar timidez: “E 
o coração do povo se derreteu e se tornou como 
água” (Js 7.5). Relacionada com esta acepção está a 
conotação “transitório”: “Porque te esquecerás dos 
trabalhos e te lembrarás deles como das águas que 
já passaram” (Jó 11.16). Em Is 32.2, “águas” des­
crevem o que é refrescante: “E será aquele varão 
como um esconderijo contra o vento, e como um 
refúgio contra a tempestade, e como ribeiros de águas 
em lugares secos, e como a sombra de uma grande 
rocha em terra sedenta”. Descanso e paz são figura­
das por águas de descanso ou águas tranqüilas: “Dei­
tar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente 
a águas tranqüilas” (SI 23.2). Idéias semelhantes 
estão envolvidas quando o charme e a beleza da 
esposa são chamados de “água da vida” ou “água 
que estimula”: “Bebe a água da tua cisterna e das 
correntes do teu poço” (Pv 5.15). “Água derrama­
da" representa matança (Dt 12.16), ira (Os 5.10), 
justiça (Am 5.24) e sentimentos fortes (Jó 3.24).
fhôm (ainn): “águas profundas, profundeza, 
abismo, oceano, lençol freático, águas, correntes de 
águas” . Os cognatos desta palavra ocorrem no 
ugarítico, acadiano (já desde Ebla, cerca de 2400- 
2250 a.C.) e árabe. As 36 ocorrências desta palavra 
se dão quase exclusivamente nas passagens poéti­
cas, mas em todos os períodos históricos.
A palavra representa “águas profundas” cuja 
superfície congela quando está frio: “Debaixo de 
pedras as águas se escondem, e a superfície do abis­
mo se coalha?” (Jó 38.30). No SI 135.6, fhôm é 
usado para descrever o “oceano” em contraste com 
os mares: “Tudo o que o SENHOR quis, ele o fez, 
nos céus e na terra, nos mares e em todos os abis­
mos [no oceano inteiro]” (cf. SI 148.7, et a i).
O termo tem referência especial às grandes cor­
rentes ou fontes de água. Os marinheiros em meio a 
uma tempestade violenta, “sobem aos céus, descem 
aos abismos” (SI 107.26). Trata-se de linguagem 
poética hiperbólica ou exagerada, mas apresenta os 
“abismos” ou “profundezas” em oposição aos céus.

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