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MESSIAS 183 MISERICÓRDIA
Testamento também atesta a palavra neste último
significado (Jo 1.41). Na maioria das vezes, a pala
vra é traduzida (“Cristo”) no Novo Testamento em
vez de ser transliterada (“Messias”). Veja também
Ungir.
mishãh (nntfD): “unção”. Este substantivo ocor
re 21 vezes e só em Êxodo, Levítico e Números.
Sempre acompanha a palavra hebraica que significa
óleo. A primeira ocorrência está em Ex 25.6: “E
azeite para a luz, e especiarias para o óleo da unção,
e especiarias para o incenso”.
B. Verbo.
mãshah (níç): “untar com óleo ou tinta, ungir”.
Este verbo, que aparece 69 vezes no hebraico bíbli
co, tem cognatos no ugarítico, acadiano, aramaico e
árabe. Os objetos deste verbo são as pessoas, as
vítimas sacrificais e os objetos de adoração. Arão e
seus filhos são os objetos deste verbo em Êx 30.30:
"Também ungirás a Arão e a seus filhos e os santi-
ficarás para me administrarem o sacerdócio”.
METADE
A. Substantivo.
hatsi (’Sn): “metade, no meio, meio”. Esta pala
vra aparece cerca de 123 vezes e em todos os perí
odos do hebraico bíblico.
Primeiro, a palavra é usada para indicar a “meta
de” de qualquer coisa. Este significado aparece pri
meiramente cm Êx 24.6: “E Moisés tomou a metade
do sangue e a pôs em bacias; e a outra metade do
sangue espargiu sobre o altar”.
Segundo, hatsi significa “meio”, como em sua
primeira ocorrência bíblica: “E aconteceu, à meia-
noite riiteralmente, “no meio da noite”], que o SE
NHOR feriu todos os primogênitos na terra do Egi
to" (Êx 12.29). Em Êx 27.5, a palavra significa “no
meio”: “E as porás dentro do cerco do altar para
baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do
altar.
B. Verbo.
hãtsãh (nxn): “dividir”. Este verbo aparece apro
ximadamente 15 vezes no hebraico bíblico e tem
cognatos no fenício, moabita e árabe. A palavra tem
o significa mais comum de “dividir”, como em Êx
21.35: "Então, se venderá o boi vivo, e o dinheiro
dele se repartirá igualmente”.
MINISTRAR
A. Verbo.
shãrat (T^r.): “ministrar, servir, oficiar”. Esta
pjJavra é termo comum no uso do hebraico antigo e
moderno, em várias formas verbais e substantivais.
Aparece no fenício antigo, e alguns estudiosos tam
bém a vêem no ugarítico antigo. O termo shãrat só
é encontrado pouco menos dc 100 vezes no Antigo
Testamento hebraico. A primeira vez em que é usa
do na Bíblia hebraica acha-se na história de José
quando ele se torna escravo de Potifar: “José achou
graça a seus olhos e servia-o" (Gn 39.4).
Como termo para se referir a servir ou ministrar.
shãrat deve ser distinguido do termo para aludir ao
trabalho mais servil, 'ãbud, do qual é derivada a
palavra que significa “escravo” ou “servo”. O ter
mo shãrat é usado caracteristicamente para se refe
rir a “serviço” feito por trabalhadores domésticos
régios (2 Sm 13.17; 1 Rs 10.5). No modo da idéia
moderna de “funcionário público”, a palavra é usa
da em referência a funcionários da corte e escravos
reais (1 Cr 27.1; 28.1; Et 1.10).
Eliseu “serviu” Elias (1 Rs 19.21). Os reis es
trangeiros vão “servir” ao povo de Deus (Is 60.10).
Este termo é usado como termo especial para o
serviço na adoração. Os sacerdotes levíticos deviam
“estar diante do SENHOR, para o setrir" (Dt 10.8).
Eles também deviam “estar perante a congregação
para ministrar-lhe" (Nm 16.9). No Templo pós-
exílio, não será permitido que os levitas que anteri
ormente tinham “ministrado” na idolatria “sirvam”
como sacerdotes, mas, antes, como funcionários da
manutenção do Templo (Ez 44.11-14).
B. Substantivo.
shãrat (rn sj): “m inistro, servo” . A forma
substantivai do verbo ocorre várias vezes com o
significado de “ministro” ou “servo”. Como pessoa
de confiança de Moisés, Josué é chamado “servi
dor” (ou “servo”, “assistente”, “ajudante”) em Êx
24.13. Os anjos são “ministros [...] que executais o
seu beneplácito” (Sl 103.21; cf. SI 104.4).
MISERICÓRDIA
A. Substantivo.
hesed (Tpn): “benignidade, amor firme, graça,
misericórdia, fidelidade, bondade, devoção”. Esta
palavra é usada 240 vezes no Antigo Testamento,
sendo especialmente freqüente nos Salmos. O ter
mo é um dos mais importantes no vocabulário da
teologia e ética do Antigo Testamento.
A Septuaginta quase sempre traduz hesed por
eleos (“misericórdia”), e este uso está refletido no
Novo Testamento. As versões bíblicas modernas,
em contrapartida, geralmente preferem traduções
próximas da palavra “graça”.
MISERICÓRDIA 184 MISERICÓRDIA
Em geral, podemos identificar três significados
básicos da palavra, que sempre interagem: “força”,
“firmeza'’ e “amor”. Qualquer compreensão da pa
lavra que não indique todos os três significados,
inevitavelmente perde algo de sua riqueza. “Amor”
por si só facilmente se torna sentimentalizado ou
universalizado à parte do concerto. Contudo “for
ça” ou “firmeza” sugere só a realização de uma obri
gação legal ou outra qualquer.
A palavra diz respeito principalmente aos direi
tos e obrigações mútuos e recíprocos entre as par
les de uma relação (especialmente Jeová e Israel).
Mas hesedé não só uma questão de obrigação, mas
também de generosidade. É não só uma questão de
lealdade, mas também de misericórdia. A parte mais
fraca busca a proteção e bênção do protetor e ben
feitor, mas ela pode não ter direitos absolutos sobre
isso. A parte mais forte permanece fiel à sua pro
messa, mas retém sua liberdade sobretudo com res
peito à maneira na qual ele implementará tais pro
messas. O termo hesed implica envolvimento e com
promisso pessoais numa relação além das normas
da lei.
O amor matrimonial está relacionado com hesed.
O casamento, sem dúvida, é uma questão legal, e há
sanções legais para infrações. Contudo a relação, se
saudável, em muito transcende as meras legalidades.
O profeta Oséias aplica a analogia ao hesed de Jeová
por Israel dentro do concerto (por exemplo, Os 2.21).
Por conseguinte, “devoção” é às vezes a melhor pala
vra capaz de capturar a acepção do original. Os escri
tores hebraicos ressaltavam o elemento de firmeza
(ou força) comparando hesed com ’emet (“verdade,
confiabilidade”) e 'emúnãh (“fidelidade”).
O uso bíblico fala de alguém “fazendo”, “mos
trando” ou “mantendo” hesed. O conteúdo concre
to da palavra se torna evidente quando usado no
plural. As “misericórdias”, “benignidades” ou “fi-
delidades” de Deus são Seus atos concretos e espe
cíficos de redenção na realização de Sua promessa.
Um exemplo aparece em Is 55.3: “Porque convosco
farei um concerto perpétuo, dando-vos as firmes
beneficências de Davi”.
O termo hesed tem tanto Deus quanto o homem
como sujeito. Quando o homem é o sujeito de hesed,
a palavra descreve generosidade ou lealdade a ou
trem: “E disse-lhe Davi: [...] Usarei contigo
[Mefibosete] de beneficência por amor de Jônatas,
teu pai” (2 Sm 9.7). Só raramente o termo é aplicado
explicitamente ao afeto ou fidelidade do homem para
com Deus. O exemplo mais claro provavelmente é Jr
2.2: "Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo:
Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da benefi
cência da tua mocidade e do amor dos teus
desposórios, quando andavas após mim no deserto”.
O homem exerce hesed a várias unidades dentro
da comunidade — à família e parentes, mas também
a amigos, convidados, senhores e escravos. Ter hesed
aos humildes e necessitados é especificado com fre
qüência. A Bíblia usa de modo proeminente o termo
hesed para resumir e caracterizar uma vida de
santificação dentro do concerto e em resposta a ele.
Oséias 6.6 declara que Deus deseja “misericórdia
["amor firme”! e não sacrifício” (ou seja, vida fiel
além de adoração). Semelhantemente, Mq 6.8 ca
racteriza hesed no resumo que os profetas fizeram
da ética bíblica: "Ele te declarou, ó homem, o que é
bom; e [...] ames a beneficência'’.
Por trás de todos estes usos tendo o homem
como sujeito permanecem as repetidas referências
ao hesed de Deus. É uma de Suas características
mais centrais. A misericórdia de Deus é oferecida ao
Seu povo que precisa da redençãodo pecado, dos
inimigos e das dificuldades. Um refrão reincidente
que descreve a natureza de Deus é “grande [“abun
dante"] em hesed' (Êx 34.6: Ne 9.17; SI 103.8; Jn
4.2). Toda a história da relação de concerlo dc Jeová
com Israel pode ser resumida em termos de hesed. E
o único elemento permanente no tluxo da história
do concerto. Até a Criação é o resultado do hesed dc
Deus (SI 136.5-9). O seu amor dura até “mil gera
ções" (Dt 7.9; cf. Dt 5.10; È.\ 20.6), realmente “é
para sempre” (sobretudo nos refrões de certos sal
mos, como no SI 136).
As palavras usadas em paralelismo sinônimo com
hesed ajudam a defini-lo e explicá-lo. A palavra co-
mumente associada com hesed é ’emet (“fidelidade,
confiabilidade” ): "Preservem-me a sinceridade
[hesed] e a retidão [ 'emet]" (SI 25.21, ARA). O ter
mo 'emúnãh com significado semelhante também é
comum: “Lembrou-se da sua benignidade [hesed] c
da sua verdade [ ’emúnãh] para com a casa de Isra
el”. Esta ênfase é apropriada quando Deus é o sujei
to, porque o Seu hesed é mais forte e mais duradou
ro do que o do homem. A investigação etimológica
sugere que o significado primitivo de hesed possa
ter sido “força” ou “permanência”. Nesse caso, cer
to uso enigmático de hesed cm Is 40.6 seria explica
do: “Toda carne é erva, e toda a sua beleza, como as
flores do campo”.
A associação de hesed com o “concerto” impede
que seja mal-entendido como mera providência ou
MISERICÓRDIA 185 MORAR
amor por todas as criaturas. Aplica-se principal
mente ao amor particular de Deus por Seu povo
escolhido e convencionado. O “concerto” também
acentua a reciprocidade da relação, mas visto que o
hesed de Deus está, em última instância, além do
concerto, no final das contas não será abandonado,
mesmo quando a parte humana seja infiel e deva ser
disciplinado (Is 54.8,10). Considerando que seu tri
unfo e implementação finais são escatológicos, hesed
pode implicar a meta e o fim de toda a história de
salvação (SI 85.7,10; 130.7; Mq 7.20).
O substantivo próprio Hasadias (1 Cr 3.20) está
relacionado com hesed. O nome de filho de Zorobabel
significa “Jeová c fiel/gracioso”, um resumo ade
quado da mensagem do profeta.
B. Adjetivo.
hãstd (T:?n): “santo, piedoso, devoto, fiel. justo,
religioso”. O adjetivo hãstd, derivado de hesed, é
usado para descrever o israelita fiel. O hesed de
Deus provê o padrão, modelo e força, pelos quais a
vida do hãsid deve ser dirigida. Uma referência ao
homem “piedoso” aparece no SI 12.1: “Salva-nos,
SENHOR, porque faltam os homens benignos; por
que são poucos os fiéis entre os filhos dos homens".
Em geral, um sufixo ou pronome possessivo que se
refere a Deus é anexado à palavra, indicando Seu
apelo especial àqueles que pautam a vida segundo
Ele: “Amai ao SENHOR, vós todos os que sois
seus santos [literalmente, “Seus piedosos”]; por
que o SENHOR guarda os fiéis e retribui com abun
dância aos soberbos” (SI 31.23).
Seguindo o grego hosios e o latim sanctus, a tra
dução freqüente de hãstd é a palavra “santo”, que
deve ser entendida 110 sentido de santificação (de
pendente da graça) e não em termos moralistas (de
bondade nativa).
MONTAR
rãkab (3571): “montar, fazer montar”. Já encon
trada no acadiano e 110 ugarítico antigos, esta pala
vra também é comum no hebraico antigo e moderno.
Ocorre por volta de 70 vezes 110 texto da Bíblia
hebraica e é achada pela primeira vez em Gn 24.61:
"E Rebeca se levantou com as suas moças, e subi
ram sobre os camelos e seguiram 0 varão”. Além de
camelos. 0 relato bíblico registra a equitação de mulos
2 Sm 13.29). jumentos (1 Sm 25.42), cavalos (Zc
i .5) e carros (2 Rs 9.16). “Montar” em cavalos é
'imbólico de uma aliança com a Assíria (Os 14.3).
A declaração de Isaías de que "o SENHOR vem
.\:va '.qando em uma nuvem ligeira” (Is 19.1) c um
interessante paralelo à referência do texto ugarítico
ao deus Baal como “cavaleiro nas nuvens”. Isto não
compara Baal com Deus, mas simplesmente chama
a atenção à imagem semelhante que é usada e à influ
ência de uma literatura em outra.
MORAR
A. Verbos.
yãshab Pt';): “morar, assentar-se, permanecer,
habitar, ficar”. A palavra ocorre mais de 1.100 ve
zes ao longo do Antigo Testamento, e esta raiz está
espalhada nos outros idiomas semíticos antigos.
O termo yãshab é usado pela primeira vez em
Gn 4.16, em sua conotação mais comum de “mo
rar” : “E saiu Caim[...] c habitou na terra de Node".
A palavra aparece novamente em Gn 18.1: “Estan
do ele [Abraão] assentado à porta da tenda". Em
Gn 22.5, yãshab é traduzido assim: "Ficai-vos aqui
com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e.
havendo adorado, tornaremos a vós”. A palavra tem
0 sentido de “permanecer": "Permanece viúva em
casa de teu pai” (Gn 38,11, ARA), e é usada para se
referir a Deus em sentido semelhante: “Tu, SE
NHOR. permaneces eternamente, e o teu trono, de
geração em geração" (Lm 5.19). A promessa de res
tauração do cativeiro era: “E cdificarão casas e as
habitarão" (Is 65.21).
O termo yãshab é. às vezes, combinado com
outras palavras para formar expressões de uso co
mum. Por exemplo: “Será também que, quando si
assentar sobre o trono do seu reino...” (Dt 17.18;
cf. 1 Rs 1.13.17,24), tendo 0 significado de “come
çar a reinar". “Assentar-se à porta” significa “fazer
julgamento” ou "decidir um caso”, como em Rt 4.1,2
e 1 Rs 22.10. “Assenta-te à minha mão direita” (SI
110.1) significa assumir posição governante como
deputado. "Ali me assentarei, para julgar todas as
nações em redor” (J1 3.12) era promessa de julga
mento escatológico. “Assentar-se no pó” ou “sen
tar-se no chão” (Is 47.1) era sinal de humilhação e
pesar.
A palavra yãshab é utilizada figurativamente para
se referir a Deus. As sentenças: “Vi o SENHOR
assentado sobre o seu trono” (1 Rs 22.19); “Aquele
que habita nos céus se rirá” (SI 2.4); e “Deus sc
assenta sobre o trono da sua santidade” (SI 47.S)
descrevem Deus como 0 Rei exaltado acima do uni
verso. A ideia que Deus também “mora” entre os
homens é expressa por este verbo: “Edificar-tne-ia.s
tu [Davi] casa para minha habitação?” (2 Sm 7.5:
cf. SI 132.14). O uso de yãshab em tais versículos.
MORAR 186 MORRER
como em 1 Sm 4.4: O “SENHOR dos Exércitos, que
habita entre os querubins”, descreve Sua presença
na Arca do Concerto no Tabernáculo e no Templo.
A palavra também é usada para retratar o ho
mem que está na presença de Deus: “Uma coisa
pedi ao SENHOR e a buscarei: que possa morar na
Casa do SENHOR todos os dias da minha vida” (SI
27.4; cf. SI 23.6). “Tu os introduzirás e os plantarás
no monte da tua herança, no lugar que tu, ó SE
NHOR, aparelhaste para a tua habitação” (Êx 15.17).
shãkan (pç): “morar, habitar, estabelecer-se,
permanecer”. Esta palavra é comum a muitos idio
mas semíticos, inclusive o acadiano e o ugarítico
antigos, e é encontrada ao longo de todos os níveis
da história hebraica. O verbo shãkan ocorre quase
130 vezes no Antigo Testamento hebraico.
A palavra shãkan é usada pela primeira vez no
sentido de “morar"’ em Gn 9.27: “E habite nas ten
das de Sem”. Moisés recebeu a ordem: "E me farão
um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8).
O termo shãkan é proveniente da vida nômade e
significa “viver em tenda". Assim, “levantando
Balaão os olhos e vendo a Israel que habitava se
gundo as suas tribos, veio sobre ele o Espírito de
Deus” (Nm 24.2). Neste versículo, shãkan diz res
peito a “acampamento” temporário, mas também
pode se referir a ficar “estabelecido” permanente
mente (SI 102.28). Deus prometeu dar segurança a
Israel, “para que habite no seu lugar e não mais seja
movido” (2 Sm 7.10).
A versão da Septuaginta do Antigo Testamento
usa grande número de palavras gregas para traduzir
yãshab e shãkan. Mas uma palavra, katoikein, é
sem dúvida a de uso mais freqüente que qualquer
outra. Esta palavra também expressa no Novo Tes
tamento a “habitação” do Espírito Santo na Igreja:
“Para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração”
(Ef 3.17). O termo grego skenein(“viver em tenda” )
também toma parte neste sentido, sendo a tradução
mais direta de sãkan. Falando sobre Jesus, Jo 1.14
diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. O
Livro de Hebreus compara os sacrifícios do Taber
náculo feitos por Israel no deserto com o sacrifício
de Jesus oferecido no verdadeiro Tabernáculo: “Eis
aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois
com eles habitará [skenein], e eles serão o seu povo,
c o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus”
(Ap 21.3).
B. Substantivo.
mishkãn (]S£fo): “lugar de habitação, tenda". Esta
palavra ocorre quase 140 vezes e freqüentemente se
refere ao “Tabernáculo” do deserto (Êx 25.9). O
termo mishkãn também foi usado mais tarde para se
referir ao “Templo”. Este uso provavelmente abriu
caminho para o conhecido termo sffkinãh, que foi
extensamente usado no judaísmo mais recente para
se referir à “presença” de Deus.
C. Particípio.
yãshab (zlt): “permanecente, habitante”. Este
particípio é, por vezes, usado como adjetivo sim
ples: “Jacó era varão simples, habitando em ten
das” (Gn 25.27). Mas a palavra é mais freqüente
mente usada como em Gn 19.25: “E todos os mora
dores daquelas cidades”.
MORRER
ntut (r'D): “morrer, matar”. Este verbo ocorre em
todos os idiomas semíticos (incluindo o aramaico
bíblico) desde os tempos mais primitivos, e no egíp
cio. O verbo ocorre por volta de 850 vezes no
hebraico bíblico e em todos os períodos.
Essencialmente, müt significa “perder a vida”. A
palavra é usada para aludir à “morte física”, com
referencia a homens e animais. Gênesis 5.5 registra
que Adão viveu “novecentos e trinta anos: e mor
reu”. Jacó explica a Esaú que, se o rebanho fosse
tocado com muita rapidez, os mais novos entre eles
“morreriam" (Gn 33.13). Em certo ponto, este ver
bo também é usado para se referir ao tronco de uma
planta (Jó 14.8). De modo fortuito,.müt é figurati
vamente empregado para aludir à terra (Gn 47.19)
ou sabedoria (Jó 12.2). Também há a singular ex
pressão hiperbólica de que o coração de Nabal tinha
“amortecido” ("morrido” ) dentro dele, indicando que
ele fora vencido por grande medo (1 Sm 25.37).
Em certo radical intensivo, esta raiz é utilizada
para se referir ao último ato infligido em alguém que
já está próximo da morte. Assim Abimeleque, ten
do a cabeça fraturada por uma mó, pediu ao moço
que levava as suas armas que o “matasse” (Jz 9.54).
No radical causativo habitual, este verbo significa
“provocar a morte” ou “matar”; Deus é quem “mata"
e faz viver (Dt 32.39). Normalmente, tanto o sujei
to quanto o objeto deste uso são pessoais, embora
haja exceções — como quando os filisteus personi
ficaram a Arca do Concerto e exigiram sua remoção
para que ela não os “matasse” (1 Sm 5.11). A morte
neste sentido também pode ser infligida aos animais
(Êx 21.29). Esta palavra descreve “dar morte a",
“executar” no mais amplo sentido, inclusive na guerra
e nas sentenças judiciais de execução (Js 10.261.
Deus é claramente o Regente último da vida e da
MORRER 187 MUITO
morte (cf. Dt 32.39). Esta idéia está sobretudo clara
no relato da Criação, no qual Deus fala ao homem
que ele certamente “morrerá” se comer do fruto proi
bido (Gn 2.17, primeira ocorrência do verbo). Apa
rentemente não havia morte antes dessa época.
Quando a serpente questionou Eva, ela associou
desobediência com morte (Gn 3.3). A serpente re
petiu as palavras de Deus, mas as negou (Gn 3.4).
Quando Adão e Eva comeram do fruto, a morte
espiritual e física veio sobre Adão e Eva e seus
descendentes (cf. Rm 5.12). Eles experimentaram a
morte espiritual imediatamente, resultando em ver
gonha e na tentativa de cobrir a nudez (Gn 3.7). O
pecado e/ou a presença da morte espiritual exigiu
uma cobertura, mas a provisão do homem era inade
quada; assim Deus fez uma cobertura perfeita na
forma de um redentor prometido (Gn 3.15) e uma
cobertura tipológica de peles de animais (Gn 3.21).
MORTE
mãwei (rno): “morte”, Esta palavra aparece 150
vezes no Antigo Testamento. A palavra mãwet ocor
re como antônimo dc liayyim (“vida”): “Os céus e a
terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te
tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldi
ção; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua
semente” (Dt 30.19). Na linguagem poética, mãwet
é utilizado com mais freqüência que nos livros his
tóricos: Jó—Provérbios (aproximadamente 60 ve
zes), Josué—Ester (em torno de 40 vezes); mas nos
profetas maiores só cerca de 25 vezes.
A “morte” é o fim natural da vida humana nesta
terra; é um aspecto do julgamento de Deus sobre o
homem: “Mas da árv ore da ciência do bem c do mal,
dela não comerás; porque, no dia em que dela come-
res. certamente morrerás" (Gn 2.17). Por conse
guinte. todos os homens morrem: “Sc estes morre
rem como morrem todos os homens, [...] então, o
SENHOR me não enviou” (Nm 16.29). O Antigo
Testamento usa “morte” cm expressões como “o
dia da [...] morte” (Gn 27.2) e “o ano da morte” (Is
6.1. ARA), ou para marcar um evento acontecido
antes (Gn 27.7,10) ou depois (Gn 26.18) do
passamento de alguém.
A "morte'' também sobrevêm a alguém de ma
neira violenta, como execução de justiça: “Quando
também em alguém houver pecado, digno do juízo
de morte, e haja de morrer, e o pendurares num
madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madei
ro (Dt 21.22.23). Saul declarou que Davi era “filho
•i-i morre”, porque ele queria matar Davi (1 Sm 20.31;
cf. Pv 16.14). Em uma de suas experiências, Davi
compôs um salmo que expressa o quão próximo ele
esteve da morte: “Porque me cercaram a.s ondas de
morte, as tonentes de Belial me assombraram. Cor
das do inferno me cingiram. e encontraram-me laços
de morte” (2 Sm 22.5,6; cf. SI 18.5,6). Isaías predis
se que o Servo Sofredor devia morrer uma morte
violenta: “E puseram a sua sepultura com os ímpios
e com o rico, na sua morte\ porquanto nunca fez
injustiça, nem houve engano na sua boca” (Is 53.9).
Associado com o significado de “morte” está o
significado de “morte por pestilência”. Numa cida
de sitiada com condições anti-higiênicas, a pestilên
cia rapidamente reduziria a população debilitada.
Jeremias alude a este tipo de morte como julgamen
to de Deus sobre o Egito (Jr 43.11); note que aqui
“morte” se refere a “morte por fome e pestilência”.
Lamentações descreve a situação de Jerusalém an
tes da queda: “Fora, me desfilhou a espada, dentro
de mim está a morte” (Lm 1.20; cf. também Jr 21.8,9).
Finalmente, a palavra mãwet denota o “reino dos
mortos” ou o sh‘"oL Este lugar da morte tem portas
(SI 9.13; 107.18) e câmaras (Pv 7.27); o caminho
dos ímpios leva a este domicílio (Pv 5.5).
Isaías esperava que a “morte” acabasse quando a
plena monarquia do Senhor fosse estabelecida: “Ani
quilará a morte para sempre, e assim enxugará o
Senhor JEOVÁ as lágrimas de todos os rostos, e
tirará o opróbrio do seu povo dc toda a terra” (Is
25.8). Paulo afirmou com base na ressurreição de
Jesus que este evento já tinha acontecido (1 Co
15.54), mas João olhou mais para frente, para a
esperança da ressurreição, quando Deus enxugará
nossas lágrimas (Ap 21.4).
O termo fmütãh quer dizer “morte”. Uma de
suas ocorrências está no SI 79.11: “Chegue à tua
presença o gemido dos presos; segundo a grandeza
do teu braço, preserva aqueles que estão sentencia
dos à morte [literalmente, os filhos da mortel” (cf.
SI 102.20).
A palavra mãmôt se refere à “morte”. O termo
mãmôt aparece em Jr 16.4: “E morrerás da morte
dos traspassados no meio dos mares” (cf. Ez 28.8).
MUITO
A. Advérbio.
m' ’õd (iND): “excessivamente, muito, grandemen
te, altamente". Esta palavra ocorre por volta de 300
vezes e em todos os períodos do hebraico bíblico.
Um verbo com alcance semântico básico semelhan
te aparece no acadiano, no ugarítico e no árabe.
MUITO 188 MULTIDÃO
O termo n v ’Õd funciona adverbialmente e sisnifi-cj
ca “muito". A ênfase mais superlativa aparece cm
Gn 7.18. onde a palavra é aplicada à “quantidade de
uma coisa": "E prevaleceramas águas e cresceram
^r.mdemente sobre a terra". Em SI 47.9, tif 77d é usa
do para aludir a “magnificação” e “exaltação”: “Os
escudos da terra são de Deus; ele está muito eleva
do!" A duplicação da palavra é uma maneira de real
çar seu significado básico que é “muito”: “E as águas
prevaleceram excessivamente sobre a terra” (Gn 7.19).
B. Substantivo.
me’õd (1ND): “poder” . Esta palavra é usada subs-
tantivamente na seqüência “coração, alma, poder”:
“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o
teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
poder" (Dt 6.5).
MULHER
'isshãh (n£?N): “mulher, varoa, esposa, noiva,
cada” . Esta palavra tem cognatos no acadiano,
ugarítico, aramaico, árabe e etiópico. Ocorre por
volta de 781 vezes no hebraico bíblico e em todos
os períodos do idioma.
Este substantivo conota um ser humano femini
no, independente de idade ou virgindade. Portanto,
aparece em correlação com “homem” ( 'ish)-. “Esta
será chamada varoa, porquanto do varão foi toma
da” (Gn 2.23). Este é o significado em seu primeiro
uso bíblico: “E da costela que o SENHOR Deus
tomou do homem [’ãdãm\ formou uma mulher; e
trouxe-a a Adão” (Gn 2.22). O enfoque aqui está na
identificação de feminilidade em vez de estar no
papel familiar.
A ênfase no papel familiar de “esposa” surge em
passagens como Gn 8.16: “Sai da arca tu, e tua
mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos
contigo".
Em acepção especial, a palavra conota “esposa” no
■entido de mulher que está sob autoridade e proteção
de um homem. O foco está na relação familiar conside
rada como entidade legal c social: “E tomou Abrão a
Sarai, sua mulher, c a Ló, filho de seu irmão, e toda a
sua fazenda, que haviam adquirido” (Gn 12.5).
Em Lm 2.20, ’isshãh é sinônimo dc “mãe”: “Hão
de as mulheres comer o fruto de si mesmas, as cri
anças que trazem nos braços? |sua própria prole, os
pequeninos que nasceram saudáveis?]” Em Gn 29.21
i cf. Dt 22.24), conota “noiva” ou “prometida”: “E
disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, porque
:ieu> dias são cumpridos, para que eu entre a ela”.
Eclesiastes 7.26 usa a palavra genericamente para
aludir a “mulher” em geral ou feminilidade: “E eu
achei uma coisa mais amarga do que a morte: a mu
lher cujo coração são redes e laços” (cf. Gn 31.35).
Esta palavra é usada raramente para se referir a
animais: “De todo animal limpo tomaras para ti sete
e sete: o macho e sua fêmea: mas dos animais que não
são limpos, dois: o macho e sua fêmea'’ (Gn 7.2).
Este termo também é empregado de modo figu
rativo, chamando guerreiros e/ou heróis estrangei
ros de "mulheres” , em outras palavras, fracos,
efeminados e covardes: "Naquele tempo, os egípci
os serão como mulheres, e tremerão, e temerão por
causa do movimento da mão do SENHOR dos Exér
citos" (Is 19.16).
Em algumas passagens, 'isshãh significa “cada”
ou “toda": "Porque cada mulher pedirá à sua vizinha
e à sua hóspeda vasos de prata” (Êx 3.22; cf. Am
4.3). Uso especial desta acepção ocorre em passa
gens como Jr 9.20. onde junto com f ‘ut (“próximo”)
significa "uma": “Ouvi, pois, vós, mulheres, a pala
vra do SENHOR, e os vossos ouvidos recebam a
palavra da sua boca; e ensinai o pranto a vossas fi
lhas. e cada uma. à sua companheira, a lamentação”.
MULTIDÃO
A. Substantivo.
hãmôn (”271: "multidão, comoção vivaz, agita
ção, tumulto, alvoroço, comoção, tumulto, ruído, aglo
meração. abundância". Este substantivo aparcce 85
vezes no hebraico bíblico e em todos os períodos.
A palavra representa uma “comoção” ou “agita
ção vivaz": "Atenta desde os céus e olha desde a tua
santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo c
as tuas obras poderosas? A ternura das tuas entra
nhas e das tuas misericórdias detém-se para comi
go!” (Is 63.15).
O termo hãmôn descreve o rebuliço ou a agita
ção de uma multidão de pessoas: “Vi um grande
alvoroço, quando Joabe mandou o servo do rei, e a
mim, teu servo: porém não sei o que era” (2 Sm
18.29). Em Is 17.12, a palavra é com parada
sinonimamente com sã ’ôn, “estrondo”: “Ai da mul
tidão dos grandes povos que bramam como bramam
os mares e do rugido das nações que rugem como
rugem as impetuosas águas!”
As vezes, hãmôn descreve 0 ruído elevado por
uma multidão agitada de pessoas (um “tumulto”): "E
Eli, ouvindo a voz do grito, disse: Que voz de alvoro
ço é esta [elevada pela informação de que a batalha
foi perdida]”? (1 Sm 4.14). Em Is 13.4, a palavra
retrata o som poderoso de um exército reunido em
MULTIDÃO 189 MULTIPLICAR
vez de descrever o clamor confuso de uma cidade em
luto: ‘'Já sc ouve a gritaria da multidão sobre os mon
tes. semelhante à dc um grande povo, a voz do reboliço
dc reinos e de nações já congregadas. O SENHOR
dos Exércitos passa em revista o exército de guerra”.
Um leão novo comendo sua presa não é perturbado
pelo ruído de um grupo de pastores tentando assustá-
lo (Is 31.4). Há exceções à regra que a palavra repre
senta o som de um número grande de pessoas. Em 1
Rs 18.41, hãmôn significa o barulho de um pesado
aguaceiro dc chuva (cf. Jr 10.13). e em Jr 47.3 descre
ve o tumulto de carruagens.
Por vezes, hãmôn quer dizer uma “multidão” ou
“aglomeração”, da qual pode surgir um tumulto. Com
freqüência a palavra representa um exército grande:
"E atrairei a ti para o ribeiro de Quisom a Sísera,
capitão do exército de Jabim. com os seus carros e
com a sua multidão [“muitas tropas”]” (Jz 4.7; cf. 1
Sm 14.16). Em outro lugar, hãmôn representa um
povo inteiro: “E repartiu a todo o povo e a toda a
multidão dc Israel...” (2 Sm 6.19). Finalmente, qual
quer grande ajuntamento ou grande número de pes
soas (Gn 17.4, primeira ocorrência) pode ser repre
sentado por esta palavra.
O termo hãmôn indica muitas coisas: “SENHOR,
Deus nosso, toda esta abundância que preparamos,
para tc cdificar uma casa ao teu santo nome, vem da
tua mão e é toda tua” (1 Cr 29.16).
A abundância de possessões ou riqueza é indicada
por hãmôn, como em: “Vale mais o pouco que tem o
justo do que as riquezas de muitos ímpios” (SI 37.16;
cf. Ec 5.10, paralelo a “prata” (dinheiro); Is 60.5).
Por fim, hãmôn se refere a um grupo de pessoas
organizadas ao redor de um rei, especificamente,
seus cortesãos: “Filho do homem, dize a Faraó, rei
do Egito, e à sua multidão [sua comitiva ou séqiiito
real]: A quem és semelhante na tua grandeza?” (Ez
31.2). Assim, no SI 42.4. a palavra descreve uma
procissão festiva, um tipo de cortejo.
B. Verbo.
hãmãh (non): “Fazer barulho, tumultuar, rugir,
gemer, latir, soar. lamentar”. Este verbo, que ocorre
33 vezes no hebraico bíblico, tein cognatos no
aramaico e no árabe. O SI 83.2 contém uma ocorrên
cia: "Porque eis que teus inimigos se alvoroçam, e
os que te aborrecem levantaram a cabeça” .
MULTIPLICAR
A. Verbo.
rabãh <~"i: "multiplicar, aumentar, ficar nu
meroso. ficar grande”. Este verbo também aparece
no acadiano, árabe, amorita e aramaico bíblico. O
hebraico bíblico o atesta em torno dc 220 vezes e
em todos os períodos. Esta palavra deve ser com
parada com gãdal e rãbab.
Basicamente, a palavra conota aumento numéri
co. Refere-se ao processo dc crescer numericamen
te: Deus disse às criaturas do mar e do ar: “Frutificai,
e multiplicai-vos’’' (Gn 1.22, primeira ocorrência).
Em Gn 38.12, a palavra diz respeito ao resultado
final no sentido de que uma grande quantidade de
algo veio a existir: “Passando-se, pois, muitos dias,
morreu a filha de Sua, mulher de Judá [literalmente,
“e os dias foram multiplicados”]”. Quando utiliza
do com a palavra “dias”, a palavra também significa
“vida longa”: “E multiplicarei os meus dias como a
areia” (Jó 29.18; cf. Pv 4.10). Às vezes, rabãh se
refere ao aumento em riqueza, embora em tais casos
o material seja especificado claramente (cf. Dt 8.13:
“E se acrescentar a prata e o ouro”).
Este verbo pode ser usado para aludir a ser gran
de quantitativamente. Em Gn 7.17 está escrito que
“cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se
elevou sobre a terra”. Aqui o verbo quer dizer"au
mentar em quantidade”. Uso semelhante ocorre em
Gn 15.1, onde Deus fala a Abrão: “Eu sou o teu
escudo, o teu grandíssimo galardão”. O primeiro
exemplo fala do processo de aumentar e o último,
do produto final (algo que ficou maior).
Em acepção especial, este verbo significa o pro
cesso de crescimento: “Seus filhos enrijam, cres
cem [a campo aberto]” (Jó 39.4). O termo rãbãh
também é usado para aludir ao produto final: “Eu
te fiz multiplicar como o renovo do campo, e cres-
cestc, e te engrandeceste, c alcançaste grande for
mosura; avultaram os seios, e cresceu o teu cabe
lo” (Ez 16.7). Acepção um pouco diferente ocorre
em Ez 19.2, onde o verbo fala do cuidado de um
pai por seu descendente: “[Ela] criou os seus fi
lhotes” .
Por vezes, rãbãh é empregado com outro verbo
para significar seu aumento em ocorrência ou fre
qüência. Em algumas passagens, significa que um
processo é contínuo: “O povo traz muito mais do
que basta para o serviço da obra” (Êx 36.5), literal
mente, "as pessoas continuam trazendo”. Também
significa um grande número de vezes com o sentido
dc “repetidamente”. O pecador é exortado a se vol
tar para Deus, “porque grandioso é em perdoar” (Is
55.7). Este sentido aparece nitidamente em Am 4.4:
“Vinde a Betei e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as
transgressões”.
MULTIPLICAR 190 NAÇÃO
B. Substantivos.
'arbeh (rGiN): “gafanhoto”. Este substantivo, que
aparece 24 vezes, refere-se a uin tipo de “gafanhoto”
infestante: “Estende a tua mão sobre a terra do Egito,
para que os gafanhotos venham sobre a terra do Egi
to e comam toda a erva da terra” (Êx 10.12).
Vários outros substantivos relacionados com este
verbo ocorrem raramente. O termo marbeh, que
aparece uma vez, quer dizer “abundância” (Is 33.23).
A palavra marbit, que é encontrada 5 vezes, diz
respeito a um “grande número” (1 Sm 2.33) ou à
"metade” (2 Cr 9.6). O vocábulo tarbüt tem uma
única ocorrência e significa “aumento” (Nm 32.14).
Ocorrendo seis vezes, tarbit quer dizer “juro, incre
mento. usura” (Lv 25.36).
MURO
hômãh (nDin): "muro". Esta palavra é encontra
da ein vários idiomas semíticos e até no egípcio. No
fenício, tem o significado mais restrito de “fortifica
ções”. Julga-se que o significado da raiz seja “prote
ger”, como no árabe chama, “proteger”.
O termo hômãh ocorre em torno de 120 vezes na
Bíblia hebraica. Sua primeira ocorrência está em Êx
14.22: “E os filhos de Israel entraram pelo meio do
mar em seco; e as águas lhes foram como muro à sua
direita e à sua esquerda”. E raro no Pentateuco, nos
livros históricos e nos livros poéticos. O uso mais
freqüente está em Neemias, onde Neemias é incum
bido de reconstruir os “muros” de Jerusalém.
O significado primário de hômãh é o “muro” que
cerca uma cidade, visto que no antigo Israel o povo
tinha dc se proteger construindo um “muro” bem
fortificado (cf. Lv 25.29.30). Pedras eram usadas na
construção do "muro”: "E estava com ele Tobias, o
amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma
raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra”
(Ne 4.3). O “muro" também era fortalecido por lar
gura maior e outros dispositivos. Dos tempos dc
Salomão, muros duplos (casamatas) serviam dc pro
pósito estratégico no sentido de que eram fáceis de
construir e podiam ser enchidos com pedras e entu
lho no caso de assédio. Também havia outra possi
bilidade durante o assédio: “Então, a cidade foi ar
rombada, e todos os homens de guerra fugiram dc
noite pelo caminho da porta que está entre os dois
muros junto ao jardim do rei (porque os caldeus
estavam contra a cidade em redor)” (2 Rs 25.4).
No caso de guerra, o inimigo sitiava a cidade e
fazia esforços para quebrar o “muro” com urn aríete.
O objetivo era forçar uma brecha larga o bastante
para as tropas entrarem na cidade: “E Jeoás, rei de
Israel, tomou a Amazias, rei de Judá, filho de Joás,
filho de Acazias, em Betc-Semes, e veio a Jerusalém,
e rompeu o muro de Jerusalém, desde a porta de
Efraim até à porta da esquina, quatrocentos côvados
[cerca de 120 metros]” (2 Rs 14.13). Nos dias da
invasão e vitória de Nabucodonosor sobre Jerusa
lém, cie teve de demolir os “muros” da cidade: “E
queimaram a Casa de Deus, e dervibaram os muros de
Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram, des
truindo também todos os seus preciosos objetos” (2
Cr 36.19). Por isto. Neemias, cerca dc 135 anos de
pois, teve de ajudar seus fracassados compatriotas a
reconstruir os "muros": "Então, lhes disse: Bem ve
des vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está
assolada e que as suas portas têm sido queimadas;
vinde, pois. e reedifiquemos o muro de Jerusalém e
não estejamos mais em opróbrio” (Ne 2.17).
O termo hômãh também se referia a qualquer
“muro”, quer cercasse edifícios ou bairros da cida
de, como os recintos do Templo: “E havia um muro
fora da casa em redor c na mão do homem, uma cana
de medir, de seis côvados, de um côvado e quatro
dedos cada um; e ele mediu a largura do edifício:
uma cana, e a altura, uma cana” (Ez 40.5).
A Septuaginta dá a seguinte tradução: leichos
(“muro”).
N
NAÇÃO
gôy (’13): “nação, povo, gentio”. Fora da Bíblia,
este substantivo aparece somente nos textos de Mári
(acadiano) e talvez no fenício-púnico. Esta palavra
ocorre por volta de 56 vezes e em todos os períodos
do hebraico bíblico.
O termo gôy diz respeito a um “povo” ou “na
ção, normalmente com implicações de unidade/iden
tidade territorial ou governativa. Esta ênfase está
nas fórmulas de promessa nas quais Deus prome
teu tornar alguém uma “nação” grande, poderosa e
numerosa (Gn 12.2). Certamente estes adjetivos
NAÇÃO 191 NARIZ
descreviam as características futuras dos descen
dentes do indivíduo em comparação com os outros
povos (cf. Nm 14.12). Assim, gôy representa um
grupo de indivíduos que são considerados como uma
unidade em relação à origem, língua, terra, jurispru
dência e governo. Esta significado está em Gn 10.5
(primeira ocorrência): “Por estes, foram repartidas
as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segun
do a sua língua, segundo as suas famílias, entre as
suas nações”. Deuteronômio 4.6 não lida com a iden
tidade política e nacional, mas com a unidade religi
osa, sua sabedoria, perspicácia, jurisprudência jus
ta e, sobretudo, com sua proximidade a Deus:
“Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a
vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os
olhos dos povos que ouvirão todos estes estatutos
e dirão: Só este grande povo é gente sábia e inteligen
te”. Certamente tudo isso está em vista como resul
tado da eleição divina (Dt 4.32ss). A grandeza de
Israel é devida à grandeza do seu Deus e dos grandes
atos de Deus realizados em Israel e para ele.
A palavra 'a/n. "povo. nação", indica inter-rela-
cionamentos pessoais e subjetivos com base na as
cendência familiar comum e/ou na união de concer
to. enquanto que gôy sugere uma entidade política
com um território próprio: "Agora. pois. se tenho
achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me
faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei. para
que ache graça aos teus olhos; e atenta que esta
nação é o teu povo" (Êx 33.13). Porém, gôy pode
ser usado para se referir a povo, à parte de sua
identidade territorial: “E vós me sereis reino sacer-
/V
dotal e povo santo” (Ex 19.6).
Por vezes, gôy é quase um nome derrogatório
para grupos não israelitas ou para os "gentios”: "E
vos espalharei entre as nações e desembainharei a
espada atrás de vós” (Lv 26.33). Esta conotação
negativa nem sempre está presente quando a pala
vra é usada para aludir aos gentios: “Porque do cume
das penhas o vejo e dos outeiros o contemplo: eis
que este povo habitará só e entre as nações não será
contado” (Nm 23.9). Certamente, em contextos que
lidam com adoração, o termo gôyim diz respeito aos
não israelitas: “Assim, ao SENHOR temiam e tam
bém a seus deuses serviam, segundo o costume das
nações dentre as quais tinham sido transportados”
2 Rs 17.33). Em passagens como Dt 4.38, gôyimdescreve especificamente os habitantes primitivos
de Canaã antes da Conquista israelita. Israel devia
manter afastado e distinto dos “gentios” (Dt 7.1)
e era exemplo de verdadeira religiosidade diante de
les (Dt 4.6). Por outro lado, como bênção para to
das as nações (Gn 12.2) e como “nação” santa e
reino de sacerdotes (Êx 19.6). Israel devia ser o meio
pelo qual a salvação era declarada às nações (genti
as) e elas viriam a reconhecer a soberania de Deus
(Is 60). Assim o Messias é a luz das nações (Is
49.6).
NÃO
’ayin (rx): "nenhum, não, nada, senão, nem”. Os
cognatos desta palavra aparecem no acadiano.
ugarítico e fenício (púnico). A palavra ocorre 789
vezes no hebraico bíblico e em todos os períodos.
O termo ’ayin pode ser usado sozinho, sem sufi
xos e não numa cadeia de construção. Quando usada
assim, a palavra significa inexistência. Este é seu
uso e significado em Gn 2.5 (primeira ocorrência):
“E não havia homem para lavrar a terra”. Precedido
pela partícula 'ím. a palavra significa “não”: “Está o
SENHOR no meio de nós, ou não?” (Êx 17.7). Em
Gn 30.1, esta construção significa “senão”. Em ou
tros contextos, a palavra significa “nada”: “O tem
po da minha vida é como nada diante de ti" (SI
39.5).
No estado construto, ’ayin tem o mesmo signifi
cado básico. Em certa acepção especial, a palavra é
virtualmente um predicado que significa "não há"
ou "não temos" (Nm 14.42; cf. Gn 31.50). Em vári
os contextos, a palavra significa “sem”: “Onde não
há [sem] conselho os projetos saem vãos" (Pv 15.22).
Precedido pela preposição min, ’ayin quer dizer
“porque" (Jr 7.32). Em outro lugar, a palavra ex
pressa negação simples: “Têm ouvidos, mas não
ouvem, nem há respiro alnum na sua boca" (SI
135.17).
Com um pronome sufixado, ’ayin nega a existên
cia de alguém ou algo assim representado. Com o
pronome sufixado “ele”, a palavra quer dizer “ele já
não era” : “E andou Enoque com Deus; e não se viu
mais [c já não era], porquanto Deus para si o to
mou” (Gn 5.24).
Este termo deve ser distinguido de outro ’ayin.
que significa “dc onde" ou “donde”.
NARIZ
A. Substantivo.
’aph (tí<): “nariz, narinas, face, ira, raiva”. Esta
palavra semítica geral tem. cognatos no acadiano.
ugarítico, fenício. aramaico e árabe. Aparece em to
dos os períodos do hebraico bíblico e por volta de
277 vezes.
NARIZ 192 NECESSITADO
O significado fundamental da palavra é “nariz”,
corno parte literal do corpo. O termo 'aph traz este
significado no singular, enquanto que o dual se refe
re às “narinas” pelas quais o ar entra e sai: “E for
mou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e
soprou em seus narizes o fôlego da vida” (Gn 2.7,
primeira ocorrência bíblica).
Em outros contextos, ’aph no dual representa a
“face inteira”. Deus amaldiçoou Adão declarando:
“No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te
tornes à terra” (Gn 3.19). Esta ênfase aparece com a
expressão “colocar o rosto no chão”: "E os irmãos
de José vieram e inclinaram-se ante ele com a face na
terra” (Gn 42.6).
As palavras “extensão do rosto ou narinas”
constituem um idiotismo que significa “longanimi-
dade" ou “vagaroso em se irar". É usado para se
referir a Deus e ao homem: “JEOVÁ, o SENHOR,
Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e gran
de em beneficência e verdade” (Êx 34.6). O
idiomatismo contrário significando “rápido cm se
irar”, tem o significado literal de “curto de rosto/
narinas”. Implica um semblante mutável, uma dis
posição caprichosa. Provérbios 14.17 usa este idio
tismo com ênfase um pouco mais forte: “O que
presto se ira fará doidices. e o homem de más imagi
nações será aborrecido”. A precisão desta tradução
é apoiada pelo paralelismo da expressão e “o ho
mem de más imaginações”. Claro que ’apli tem de
significar algo mal aos olhos de Deus.
Por fim, a forma dual pode significar “ira” (só
em quatro passagens): “Porque o espremer do leite
produz manteiga, e o espremer do nariz produz san
gue. e o espremer da ira produz contenda” (Pv 30.33:
cf. Êx 15.8).
A forma singular significa “nariz” em torno de
25 vezes. Em Nm 11.19,20, a palavra representa o
nariz humano: “[Vós, IsraelJ comereis [a carne que
Deus proverá] um mês inteiro, até vos sair pelos
narizes, até que vos enfastieis”. Isaías 2.22 deixa
claro que a palavra representa o lugar onde está a
respiração: “Afastai-vos, pois, do homem cujo fô
lego está no seu nariz’. Talvez a tradução de tais
passagens seja aceitável. A primeira passagem se
refere aos dois buracos ou narinas, enquanto que a
segunda passagem parece dizer respeito a toda par
te frontal das passagens nasais (onde a pessoa está
ciente de que a respiração está ocorrendo). Esta
palavra é usada para aludir à estrutura protuberante
do rosto: “O nariz e as orelhas te tirarão, e o que te
ficar de resto cairá à espada” (Ez 23.25; cf. Ct 7.4).
O termo 'aph também é aplicado ao “nariz” de ani
mais. Em Jó 40.24, Deus fala de um animal das
grandes águas: “Podê-lo-iam, porventura, caçar à
vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?”
A palavra pode ser usada antropomorficamente
para aludir a Deus. Certamente passagens como Dt
4.15-19 deixam óbvio que Deus é Espírito (Jo 4.24)
e não tem corpo como os homens. Ainda falando de
modo figurativo, pode-se dizer: “Ensinaram os teus
juízos a Jacó e a tua lei a Israel; levaram incenso ao
teu nariz e o holocausto sobre o teu altar” (Dt 33.10;
cf. SI 18.8,15). O idiomatismo “alto de nariz" quer
dizer “altivo” (cf. o idiomatismo em português: “ter
o nariz empinado”): “Por causa do seu orgulho, o
ímpio não investiga; todas as suas cogitações são:
Não há Deus” (SI 10.4).
A forma singular significa “raiva” ou “ira”. Este
significado aparece primeiramente em Gn 30.2: “En
tão, se acendeu a ira de Jacó contra Raquel”. Este
significado é aplicado a Deus como figura de lingua
gem (antropopatia) por meio da qual se atribui a Ele
emoções humanas. Considerando que Deus é infini
to, eterno e inalterável e na medida que a raiva é uma
emoção que representa mudança na reação do indi
víduo (cf. Nm 25.4). Deus, na verdade, não fica
irado, Ele só parece estar assim aos olhos dos ho
mens (cf. Pv 29.8). O Espírito de Deus pode se
apossar de um homem e movê-lo para uma “raiva”
santa (Jz 14.19; 1 Sm 11.6).
B. Verbo.
'ãnaph (HPN): "irar-se”. Este verbo, que tem
cognatos na maioria dos idiomas semíticos, ocorre
39 vezes no hebraico bíblico e cm todos os perío
dos. O verbo aparece em Is 12.1: “Edirás, naquele
dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que
te iraste contra mim, a tua ira sc retirou” .
NECESSITADO
A. Substantivo.
'ehyôn (]V“N): “necessitado”. Esta palavra tam
bém aparece no ugarítico e no etiópico. O hebraico
bíblico a atesta cerca de 60 vezes (33 vezes só nos
Salmos) e em todos os períodos.
Este substantivo se refere, primeiro, a alguém que
é pobre em sentido material. Tal indivíduo pode ter
perdido a terra da sua herança: “Mas, ao sétimo, a
soltarás e deixarás descansar, para que possam co
mer os pobres do teu povo, e do sobejo comam os
animais do campo” (Êx 23.11). Ele entrou cm dificul
dades financeiras (Jó 30.25) c talvez tenha falta do
que se vestir (Jó 31.19) ou do que comcr (SI 132.15).