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ENSINAR 103 ENTENDER
coisas: as obras dos ímpios (SI 106.35), a sabedoria
(Pv 30.3) e a guerra (Mq 4.3).
Cerca de metade das ocorrências de lãmad acha-
se nos livros de Deuteronômio e Salmos, acentuan
do a ênfase pedagógica que há nestes livros. A ênfa
se tradicional que o judaísmo dá ao ensino e, por
tanto, à preservação da fé, tem base na importância
em ensinar a fé encontrada no Antigo Testamento,
especificamente Dt 6.4-9. Acompanhando o Shema’,
a “contra-senha do judaísmo” que declara que Jeová
é Único (Dt 6.4), está o “primeiro grande manda
mento” (Dt 6.5; Mc 12.28,29). Quando Moisés
entregou a lei ao povo, ele disse: “Também o SE
NHOR me ordenou, ao mesmo tempo, que vos en
sinasse estatutos e juízos” (Dt 4.14).
O termo judaico mais recente talmude, “instru
ção”, é derivado deste verbo.
yãrãh ( ttt) : “lançar, ensinar, atirar, apontar”.
Encontrada em todos os períodos do idioma hebraico,
esta raiz também é encontrada no ugarítico antigo
com o sentido de “atirar”. O hebraico moderno usa
a palavra para expressar o disparo de uma arma. O
verbo yãrãh ocorre por volta de 80 vezes no Antigo
Testamento hebraico.
O primeiro uso deste verbo no Antigo Testa
mento está em Gn 31.51: "Eis aqui este mesmo
montão, e eis aqui esta coluna que levantei [lancei,
atirei] entre mim e ti”. Este significado básico, lan
çar ou atirar, é expresso no ato de “lançar” sortes
(Js 18.6) e pelo fato de o exército de Faraó ser “lan
çado” no mar (Êx 15.4).
A idéia de “lançar” significa, por extensão, o tiro
de setas (1 Sm 20.36,37). “Lançar” parece signifi
car, por outra extensão, “apontar”, pelo qual os
dedos são lançados em certa direção (Gn 46.28; Pv
6.13).
A partir deste significado é só um pequeno pas
so para se chegar ao conceito de que ensinar é “apon
tar” o fato e a verdade. Bezaleel foi inspirado por
Deus a “ensinar” os outros a sua arte (Êx 35.34), os
falsos profetas “ensinam” mentiras (Is 9.15) e o pai
"ensinou” seu filho (Pv 4.4). Era da responsabilida
de dos sacerdotes interpretar e “ensinar” as coisas
que tinham a ver com as exigências cerimoniais e os
julgamentos de Deus: “Ensinaram os teus juízos a
Jacó e a tua lei a Israel” (Dt 33.10; cf. Dt 17.10,11).
De maneira interessante, está escrito que, muitos
anos depois, os sacerdotes “ensinavam” por inte
resse. presumivelmente para “ensinar” o que se de
sejassem em vez de ensinar a verdadeira interpreta
ção da palavra de Deus (Mq 3.11).
B. Substantivo.
tôrãh (rrfin): “direção, instrução, diretriz”. De
yãrãh é derivado tôrãh, uma das palavras mais im
portantes do Antigo Testamento. Visto contra o
plano de fundo do verbo yãrãh, fica claro que tôrãh
é muito mais que lei ou um conjunto de regras. O
termo tôrãh não é restrição ou impedimento, mas
sim o meio pelo qual podemos alcançar uma meta
ou ideal. No sentido mais exato, a tôrãh foi dada a
Israel para capacitá-lo a verdadeiramente se tornar e
permanecer o povo especial de Deus. Podemos di
zer que ao guardar a tôrãh, Israel foi guardado. Infe
lizmente, Israel caiu na armadilha de guardar a tôrãh
como algo imposta e sozinho, em vez de usá-lacomo
meio de se tomar o que Deus queria para eles. O
meio se tornou o fim. Em vez de ver a tôrãh como
uma diretriz, tornou-se um corpo externo de regras
e, assim, um peso e não um poder que liberta e guia.
Este fardo, mais o legalismo da lei romana, forma o
plano de fundo da tradição neotestamentária da lei,
especialmente quando Paulo trata do assunto na
Carta que escreveu à igreja em Roma.
C. Adjetivo.
O adjetivo limmüd significa “instruído, ensina
do”. Este adjetivo forma um equivalente exato da
idéia do Novo Testamento de “discípulo, alguém
que é ensinado”. Isto está expresso com clareza em
Is 8.16: “Liga o testemunho e sela a lei entre os
meus discípulos”. A palavra também ocorre em Is
54.13: “E todos os teus filhos serão discípulos do
SENHOR”.
ENTENDER
A. Verbos.
sãkal “ser pmdente, agir sabiamente, pres
tar atenção, ponderar, prosperar”. Esta palavra, que
é comum no hebraico antigo e moderno, é encontra
da em torno de 75 vezes no texto da Bíblia hebraica.
Seu primeiro uso no texto, em Gn 3.6, contribui
para um paradoxo interessante, pois ao mesmo tempo
que o fruto proibido era “desejável para dar enten
dimento [inteligência]”, também era algo muito
ininteligente de se fazer!
O significado básico de sãkal parece ser “olhar,
p restar a tenção” , como está ilustrado neste
paralelismo: “Para que todos vejam, e saibam, e
considerem, e juntamente entendam” (Is 41.20). A
partir disto se desenvolve a conotação de insight,
compreensão intelectual: “Não se glorie o sábio na
sua sabedoria. [...] Mas o que se gloriar glorie-se
nisto: em me conhecer [sãkal] e saber que eu sou o
ENTENDER 104 ENTERRAR
SENHOR” (Jr 9.23,24). Como aqui, o verbo é usa
do muitas vezes e em paralelismo com o verbo
hebraico y ã d a ‘, “saber” (sobretudo de modo
experiencial). Como é verdade de hãkam, “ser sá
bio”, sãkal nunca diz respeito à prudência abstrata,
mas à atuação prudente: “Portanto, o que for pru
dente guardará silêncio naquele tempo” (Am 5.13);
“Deixou de entender [de ser sábio]” (SI 36.3).
bín (|’3): “entender, ser capaz, tratar sabiamen
te, considerar, prestar atenção, considerar, notar,
discernir, perceber, inquirir”. Este verbo, que apa
rece 126 vezes no hebraico bíblico, tem cognatos no
ugarítico, árabe, etiópico, aramaico recente e siríaco.
O verbo bín ocorre em todos os períodos do hebraico
bíblico.
O termo bin aparece em Jr 9.12 com o significa
do de “entender”: “Quem é o homem sábio, que
entenda isso?” Em Jó 6.30, a palavra significa
“discernir”, e em Dt 32.7, quer dizer “considerar”.
B. Substantivos.
binãh (nr3): “entendimento”. O termo binãh
ocorre 37 vezes e em todos os períodos do hebraico
bíblico, embora pertença primariamente à esfera da
sabedoria e literatura sapiencial.
Este substantivo representa o “ato de compre
ender”: “E em toda matéria de sabedoria e de inteli
gência, sobre que o rei lhies fez perguntas, os achou
dez vezes mais doutos do que todos os magos” (Dn
1.20).
Em outro lugar, binãh significa a faculdade do
“entendimento”: “O espírito do meu entendimento
responderá por mim” (Jó 20.3).
Em outras passagens, o objeto do conhecimento
no sentido do que desejamos saber, é indicado por
binãh: “Guardai-os, pois, e fazei-os [os estatutos
de Deus], porque esta será a vossa sabedoria e o
vosso entendimento perante os olhos dos povos que
ouvirão todos estes estatutos” (Dt 4.6; cf. 1 Cr
22.12). Portanto, os estatutos de Deus são a sabe
doria e o “entendimento” — é o que devemos saber.
Esta palavra é, às vezes, personificada: “E, se
clamares por entendimento, e por inteligência alça-
res a tua voz, se como a prata a buscares e como a
tesouros escondidos a procurares...” (Pv 2.3,4).
fbünãh (np-DFl): “entendimento”. Esta palavra,
que ocorre 42 vezes, também é um termo de sabe
doria. Como binãh, representa o ato (Jó 26.12), a
A
faculdade (Ex 31.3), o objeto (Pv 2.3) e a personifi
cação da sabedoria (Pv 8.1).
maskil (̂ SftPD): “salmo didático(?)”. Esta forma
de substantivo, derivada de sãkal, é encontrada no
título de 13 salmos e também no SI 47.7. Os estudi
osos não estão de acordo com o significado deste
termo, mas com base no significado geral de sãkal,
tais salmos devem ter sido considerados salmos di
dáticos ou pedagógicos.
ENTERRAR
A. Verbo.
qãbar ("Qp): “enterrar, sepultar”. Este verbo é
encontrado na maioria dos idiomas semíticos, inclu
sive no ugarítico, acadiano, árabe, aramaico, fenício
e aramaico pós-bíblico. O hebraico bíblico o atesta
aproximadamente 130 vezes e em todos os perío
dos.
Esta raiz é usada quase exclusivamente para se
referir a seres humanos (a única exceção é Jr 22.19;
veja mais adiante). Este verbo descreve o ato de
colocar o corpo morto num sepulcro ou tumba.
Em sua primeira ocorrência bíblica, qãbar traz
este significado. Deus falou a Abraão: “E tu irás a
teus pais em paz; em boa velhiceserás sepulta
do” (Gn 15.15).
O enterro apropriado era sinal de generosidade
especial e bênção divina. Como tal, era obrigação
dos sobreviventes responsáveis. Abraão comprou
a caverna de Macpela, de forma que pudesse enter
rar o seu morto. Davi agradeceu aos homens de
Jabes-Gileade pela recuperação ousada dos corpos
de Saul e Jônatas (1 Sm 31.11-13) e por tê-los “en
terrado” adequadamente: “Benditos sejais vós do
SENHOR, que fizestes tal beneficência a vosso se
nhor, a Saul, e o sepultastesl” (2 Sm 2.5). Mais
tarde, Davi tomou os ossos de Saul e Jônatas e os
enterrou na tumba da família deles (2 Sm 21.14);
aqui o verbo significa “enterrar” e “reenterrar”. Um
enterro apropriado era não só uma generosidade;
era uma necessidade. Se a terra devia estar limpa
diante de Deus, todos os corpos tinham de ser “en
terrados” antes do anoitecer: “O seu cadáver não
permanecerá no madeiro, mas certamente o enter-
rarás no mesmo dia, porquanto o pendurado é mal
dito de Deus; assim, não contaminarás a tua terra,
que o SENHOR, teu Deus, te dá em herança” (Dt
21.23). Assim, se um corpo não fosse enterrado, a
aprovação divina seria retirada.
Não ser “enterrado” era sinal de desaprovação
divina, tanto para os parentes sobreviventes como
para a nação. Aías, o profeta, disse para a esposa de
Jeroboão: “E todo o Israel o pranteará e o sepultará
[o filho de Jeroboão], porque de Jeroboão só este
entrará em sepultura, porquanto se achou nele coi
ENTERRAR 105 ENTRE
sa boa para com o SENHOR, Deus de Israel, em
casa de Jeroboão” (1 Rs 14.13). Quanto aos demais
membros da família, eles seriam comidos por cães e
aves de rapina (1 Rs 14.11; cf. Jr 8.2). Jeremias
profetizou que Jeoaquim seria enterrado “em se
pultura de jumento, [...] arrastando-o e lançando-o
para bem longe, fora das portas de Jerusalém” (Jr
22.19).
Os corpos podiam ser “enterrados” em cavernas
(Gn 25.9) e sepulcros (Jz 8.32; Gn 50.5). Em al
guns lugares, qãbar, ou qãvar [ letra beit pode ser
transliterada como b ou v em português) é usado
elipticamente para aludir ao ato completo de mor
rer. Assim, em Jó 27.15, lemos: “Os que ficarem
dele [os sobreviventes], na morte serão enterrados,
e as suas viúvas não chorarão”.
B. Substantivo.
qeber (~Dp): “sepultura, túmulo, sepulcro". O
substantivo qeber (ou qever) ocorre 67 vezes e em
sua primeira ocorrência bíblica (Gn 23.4 • a palavra
se refere a uma “sepultura, túmulo" ou ''sepulcro".
A palavra tem o significado de "sepulcro" em Jr
5.16, e no SI 88.11. qeber é usado para aludir a uma,
“sepultura" que é o equivalente da perdição, o in
ferno. Em Jz 8.32. a palavra significa "sepulcro da
família". Jeremias 26.23 usa a palavra rara se referir
a um "lugar de enterro", especificamente uma cova
aberta.
ENTRADA
A. Substantivo.
petah ( ~ ) : "entrada, abertura, entrada, portão".
Esta palavra aparece 164 vezes no hebraico bíblico
e em todos os períodos.
O termo petah descreve basicamente a “abertura
pela qual se entra numa moradia, tenda, torre (forta
leza) ou cidade”. Abraão estava sentado à “entrada”
da tenda no calor do dia, quando suas três visitas
apareceram (Gn 18.1). Ló encontrou-se com os ho
mens de Sodoma à “entrada” de sua casa, tendo
fechado a porta atrás de si (Gn 19.6). Construções
maiores tinham entradas maiores, assim em Gn
43.19, petah pode ser traduzido pela palavra mais
geral “entrada”. Em Gn 38.14, petah pode ser tradu
zido por “portal”: Tamar “assentou-se à entrada
das duas fontes”. Assim, petah era um lugar para se
sentar (um local) e uma abertura de entrada (uma
passagem): “E o altar do incenso, e os seus varais, e
o azeite da unção, e o incenso aromático, e a coberta
da porta à entrada do tabernáculo” (Êx 35.15).
Há alguns surpreendentes usos especiais de
petah. A palavra regularmente se refere a uma parte
da planta da construção de uma habitação, moradia
ou alojamento; mas em Ez 8.8 representa uma “en
trada” não incluída na planta original do edifício: “E
cavei na parede, e eis que havia uma porta”. Obvia
mente que esta não é uma entrada. Esta palavra pode
ser usada para se referir à “entrada” de uma caverna,
como quando Elias ouviu o sussurro gentil que sig
nificava o fim de um fenômeno natural violento: “E
[...] envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu para
fora, e pôs-se à entrada da caverna” (1 Rs 19.13).
Na forma plural, petah representa às vezes as pró
prias "portas da cidade”: “E as portas da cidade [de
Sião] gemerão e se carpirão” (Is 3.26). Esta forma
da palavra é usada como figura para os lábios; por
exemplo, em Mq 7.5 o profeta lamenta a baixa
moralidade do povo e aconselha os ouvintes a não
confiar em ninguém, dizendo-lhes que guardem as
"portas" da boca < literalmente, a “abertura” da boca,
os "lábios ».
Em sua primeira ocorrência bíblica, petah é em
pregado figurativamente. O coração dos homens é
descrito como uma casa ou moradia com o Diabo
armando o bote. à "entrada”, pronto para subjugá-
la totalmente e destruir seu ocupante (Gn 4.7).
B. Verbo.
pãtcu ~ ) : “abrir". Este verbo, que aparece 132
vezes no .Antigo Testamento, tem cognatos atesta
dos no ugarítico. acadiano, árabe e etiópico. A pri
meira ocorrência está em Gn 7.11.
Embora o significado básico de petah seja “abrir”,
a palavra é ampliada para significar “fazer fluir”,
"oferecer à venda”, "conquistar”, “entregar”, “pu
xar da espada", "resolver [um enigma]”, “libertar”.
Em associação com min, a palavra se toma “privar-
se de”.
ENTRE (1)
A. Preposição.
qereb (inp): “entre”. O primeiro uso desta pre
posição encontra-se em Gênesis: “Habitou Abrão
na terra de Canaã, e Ló habitou nas [entre as] cida
des da campina e armou as suas tendas até Sodoma”
(Gn 13.12). Esta palavra é usada 222 vezes no An
tigo Testamento; é predominante no Pentateuco (so
bretudo em Deuteronômio), mas é raro nos livros
históricos (menos os primeiros livros, Josué e Juizes).
Nos livros poéticos, qereb é usado com freqüência
no Livro de Salmos. Só ocorre uma vez em Jó e três
vezes em Provérbios. Está razoavelmente represen
tado nos livros proféticos.
ENTRE 106 ENTRE
B. Substantivo.
qereb (znp): “parte de dentro, meio”. Como subs
tantivo, esta palavra está relacionada com a raiz
acadiana qarab, que significa “meio”. No hebraico
misnaico e moderno, qereb significa “meio” em vez
de “parte de dentro” ou “entranhas”.
Um uso idiomático de qereb denota uma parte
de dentro do corpo que é o lugar do riso (Gn 18.12)
e dos pensamentos (Jr 4.14). A Bíblia limita outro
uso idiomático que significa “partes internas”, para
animais: “Não comereis dele nada cru, nem cozido
em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés
e com a fressura” (Ex 12.9).
O substantivo aproxima o uso preposicional com
o significado de “meio” ou “em”. Algo pode estar
“no meio de” um lugar: “Se, porventura, houver
cinqüenta justos na [qereb] cidade, destruí-los-ás
também e não pouparás o lugar por causa dos cin
qüenta justos que estão dentro dela?” (Gn 18.24).
Pode estar no meio de pessoas: “Então, Samuel to
mou o vaso do azeite e ungiu-o no meio [qereb] dos
seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espíri
to do SENHOR se apoderou de Davi” (1 Sm 16.13).
Está escrito que Deus está no meio da terra (Êx
8.22), da cidade de Deus (SI 46.4) e de Israel (Nm
11.20). Mesmo quando Ele está perto do Seu povo,
Deus ainda é Santo: “Exulta e canta de gozo, ó habi
tante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no
meio [qereb] de ti” (Is 12.6; cf. Os 11.9).
O uso idiomático de qereb no SI 103.1 — “Bendi-
ze, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em
mim bendiga o seu santo nome” — é mais difícil de
discernir, porque o substantivo está no plural. Pare
ce melhor considerar “tudo o que há em mim” como
referência ao ser inteiro do salmista, em vez de repu
tar uma parte distinta do corpo que está dentro dele.
A Septuaginta apresenta as seguintes traduções
gregas de qereb: kardia, “coração [como o assento
da vida física, espiritual e mental]” ou “coração”[figurativo no sentido de ser interior ou central]”;
koilia, “cavidade do corpo, barriga”; e mesos, “meio”
ou “no meio”.
ENTRE (2)
bên (r?): “entre, no meio de, dentro, no intervalo
de”. Um cognato desta palavra é encontrado no ára
be, aramaico e etíope. As aproximadamente 375
ocorrências bíblicas desta palavra se dão em todos
os períodos do hebraico bíblico. Os estudiosos crê
em que a forma pura desta palavra seja bayin, mas
esta forma nunca ocorre no hebraico bíblico.
Esta palavra quase sempre (exceto em 1 Sm
17.4,23) é uma preposição que significa “no meio
de” ou “entre”. A palavra pode representar “a área
entre”: “E te será por sinal sobre tua mão e por lem
brança entre teus olhos” (Êx 13.9). Às vezes, a pala
vra significa “dentro”, no sentido de uma pessoa ou
coisa “estar na área de”: “Diz o preguiçoso: Um leão
está no caminho; um leão está nas ruas” (Pv 26.13).
Em outros lugares, bên significa “entre”: “Os teus
companheiros farão dele [do leviatã] um banquete,
ou o repartirão entre [dando uma parte a cada um] os
negociantes?” (Jó 41.6). Em Jó 34.37, a palavra quer
dizer “no meio de”, no sentido de “um entre um
grupo”: “Porque ao seu pecado acrescenta a trans
gressão; entre nós bate as palmas”.
A área que separa dois objetos particulares é
indicada de vários modos. Primeiro, repetindo “bên ”
antes de cada objeto: “E fez Deus separação entre a
luz e as trevas”, literalmente, “entre a luz e entre as
trevas” (Gn 1.4), isto é, Ele pôs um intervalo ou
espaço entre eles. Em outros lugares (mais raramen
te), este conceito é representado colocando bên an
tes de um objeto, e a preposição le antes do segundo
objeto: “Haja uma expansão no meio [bên] das águas,
e haja separação entre [le] águas e águas” (Gn 1.6).
Ainda em outras ocasiões, esta idéia é representada
colocando bên antes do primeiro objeto mais a frase
que significa “com referência a” antes da do segun
do (J1 2.17), ou colocando bên antes do primeiro
objeto e a frase “com referência ao intervalo de”
antes do segundo (Is 59.2).
O termo bên é usado no sentido de “distinguir
entre” em muitas passagens: “Haja luminares na
expansão dos céus, para haver separação entre [bên]
o dia e a noite” (Gn 1.14).
Às vezes, bên significa uma relação metafórica.
Por exemplo: “Este é o sinal do concerto que ponho
entre [bên] mim e vós e entre toda alma vivente”
(Gn 9.12). O concerto é uma relação contratual.
Semelhantemente, a Bíblia fala de juramento (Gn
26.28) e de boa vontade (Pv 14.9) que enche o “es
paço” metafórico entre duas partes.
Esta palavra é usada para significar um “interva
lo de dias” ou “um período de tempo”: “E o que se
preparava para cada dia era [...], de dez em dez dias
[literalmente, “a intervalos de dez dias”], de todo o
vinho muitíssimo” (Ne 5.18).
Na forma dual, bên representa “o espaço entre
dois exércitos”: “Então, saiu do arraial dos filisteus
um homem guerreiro [literalmente, “um homem en
tre os dois exércitos”], cujo nome era Golias” (1 Sm
ENTRE 107 ENTREGAR
17.4). Na guerra antiga, uma batalha ou mesmo uma
guerra inteira poderia ser decidida por uma compe
tição entre dois campeões.
ENTREGAR
A. Verbos.
nãtan (]Hp): “entregar, dar, pôr, montar, fazer”.
Este verbo ocorre nos idiomas semíticos em formas
um tanto quanto diferentes. A forma nãtan ocorre
não só no aramaico (incluindo na Bíblia) como tam
bém no hebraico (em todos os períodos). As formas
relacionadas nadãnu (acadiano) eyãtan (fenício) tam
bém são atestadas. Estes verbos ocorrem cerca de
2.010 vezes na Bíblia.
Primeiro, nãtan representa a ação pela qual algo
é instigado. Acsa pediu a seu pai Calebe que lhe
“desse” uma bênção, por exemplo, uma área de ter
ra com água abundante, como dote; ela queria que
ele a “transferisse” da possessão dele para a sua i Js
15.19). Há um uso técnico deste verbo sem um ob
jeto: Moisés instrui Israel a “dar" com generosidade
àquele que está em necessidade desesperadora t Di
15.10). Em algumas instâncias, nãtan signinci "exa
lar”, como “exalar" uma fragrância Ct 1.12 . Quan
do usado para se referir a líquidos, a palavra tem o
significado de "exalar" no s^nndo de "derramar",
por exemplo, derramar sangue 'D t 21.8
O termo nãtan também tem um significado téc
nico na área da jurisprudência, significando entregar
algo a alguém — por exemplo, "pagar" (Gn 23.9) ou
"emprestar" (Dt 15.10). O pai ou outra pessoa em
posição responsável por uma moça pode lhe "dar"
um homem como marido (Gn 16.3), como também
apresentar o preço da noiva (Gn 34.12) e o dote (1
Rs 9.16). O verbo também é usado para aludir a
“dar” ou “conceder” um pedido (Gn 15.2).
Às vezes, nãtan é usado para significar “pôr”
alguém em custódia (2 Sm 14.7) ou em prisão (Jr
37.4), ou até “destruir” algo (Jz 6.30). Este mesmo
sentido básico é aplicado a “dedicar” (“entregar”)
algo ou alguém a Deus, como o primogênito (Êx
22.29). Os levitas são aqueles que foram “entre
gues” deste modo (Nm 3.9). Esta palavra é usada
para se referir a “provocar represália” em alguém ou
lhe “dar” o que merece; em alguns casos, o enfoque
está no ato da represália (1 Rs 8.32), ou em instau
rar o castigo sobre a sua cabeça.
O termo nãtan também é usado para aludir a
"dar” ou “designar” algo a alguém, como “dar” gló
ria e louvor a Deus (Js 7.19). Obviamente, nada é
passado dos homens para Deus; nada é acrescenta
do a Deus, visto que Ele é perfeito. Então, isto
significa que o adorador reconhece e confessa o que
já é dEIe.
Outra ênfase importante de nãtan é a ação de
“dar” ou “causar” um resultado. Por exemplo, a ter
ra “dará” (“produzirá”) seus frutos (Dt 25.19). Em
algumas passagens, este verbo significa “obter”
(“montar”), como quando Deus “deu” (“obteve,
montou”) graça a José (Gn 39.21). A palavra pode
ser usada para aludir à atividade sexual, enfatizando
o ato do intercurso ou “deitar” com um animal (Lv
18.23).
Deus "pôs” (literalmente, “deu”) as luzes celes
tes na expansão dos céus (Gn 1.17, primeira ocor
rência do verbo). Um diadema de graça é “colocado”
( literalmente, "dado” ) na cabeça da pessoa (Pv 4.9).
Os filhos de Israel receberam a ordem de não “mon
tar" ídolos na terra.
Lm terceiro significado de nãtan é visto em Gn
17.5: "Porque por pai da multidão de nações te te
nho posto [literalmente, “dado”]”. Há várias ins
tâncias onde o verbo sustenta este significado.
A palavra nãtan tem várias implicações especi
ais quando usada com partes do corpo. Por exem
plo. "dar" ou "retirar" um ombro teimoso (Ne 9.29).
Semelhantemente, compare expressões como “des
viar [dar] o rosto” (2 Cr 29.6); “virar [dar] as cos
tas" é fugir (Êx 23.27); “pôr [dar] a mão” é nada
mais que "estender", como no caso do Zerá ao nas
cer <Gn 38.28). Esta palavra também pode signifi
car o ato da amizade, como quando Jonadabe “deu a
mão” (em vez de dar a espada) a Jeú para ajudá-lo a
subir no carro (2 Rs 10.15): o ato de entrar em jura
mento, como quando os sacerdotes “deram-se as
mãos” (“empenharam-se”) em despedir as esposas
estrangeiras (Ed 10.19); e “fazer” “ou “renovar”
um concerto, como quando os líderes de Israel “se
submeteram” (“deram as mãos”) ao Salomão (1 Cr
29.24).
“Dar algo às mãos de alguém” é “entregar-se”
aos seus cuidados. Assim, depois do Dilúvio, Deus
“entregou” a terra na mão de Noé (Gn 9.2). Esta
frase é usada para expressar a “transferência de poder
político”, como o direito divino de reinar (2 Sm
16.8). A palavra nãtan é especialmente usada no
sentido militar e judicial, significando “entregar o
poder ou o controle”, ou conceder vitória a alguém;
assim Moisés disse que Deus “entregaria” os reis
de Canaã nas mãos de Israel (Dt 7.24). “Dar o cora
ção” a algo ou alguém é “preocupar-se”; Faraó não
estava “preocupado” (“não pôs seu coração”) com
ENTREGAR 108 ENVIAR
a mensagem de Deus que Moisés entregara (Êx 7.23).
“Pôr [dar] algo no coração” é dar capacidade e inte
resse para fazer algo; assim Deus “moveu” (“pôs”)
o coração dos artesãos hebreus para ensinarem osoutros (Êx 36.2).
“Dar a face a” é enfocar a atenção em algo, como
quando Josafá teve medo da aliança dos reis da
Transjordânia e “pôs-se [a face] a buscar o Senhor”
(2 Cr 20.3). Esta mesma expressão significa mera
mente “enfrentar alguém ou algo” (cf. “pôr as fa
ces”, Gn 30.40). “Dar [pôr] a face contra” é ação
hostil (Lv 17.10). Usado com lipnê (literalmente,
“perante a face de”), este verbo significa “colocar
um objeto perante” ou “pô-lo diante de” (Êx 30.6;
Dt 11.26). Também significa “golpear” (cf. Dt 2.33)
ou “dar como possessão” (Dt 1.8).
yãsa‘ (W ): “entregar, ajudar”. Além do hebraico,
esta raiz ocorre só numa inscrição moabita. O verbo
aparece mais de 200 vezes na Bíblia. Por exemplo:
“Porque assim diz o Senhor JEOVÁ, o Santo de
Israel: Em vos converterdes e em repousardes, esta
ria a vossa salvação; no sossego e na confiança,
estaria a vossa força, mas não a quisestes” (Is 30.15).
B. Substantivos.
yeshü‘ãh (nff"): “entrega, libertação”. Este subs
tantivo ocorre 78 vezes no Antigo Testamento, pre
dominantemente no Livro dos Salmos (45 vezes) e
em Isaías (19 vezes). A primeira ocorrência está nas
últimas palavras de Jacó: “A tua salvação espero, ó
SENHOR!” (Gn 49.18).
A “salvação” no Antigo Testamento não é com
preendida como salvação do pecado, visto que a
palavra denota qualquer coisa da qual a “libertação”
deve ser amplamente buscada: aflição, guerra, servi
dão ou inimigos. Há libertação humana e divina, mas
a palavra yeshü ‘ãh raramente se refere à “liberta
ção” humana. Algumas exceções são quando Jônatas
deu descanso aos israelitas da opressão dos filisteus
(1 Sm 14.45), e quando Joabe e seus homens devi
am ajudar uns aos outros na batalha (2 Sm 10.11).
Em geral, o termo “libertação” ou “salvação” é usa
do tendo Deus como sujeito. Ele é conhecido como
a salvação do Seu povo: “E, engordando-se Jesurum,
deu coices; engordaste-te, engrossaste-te e de gor
dura te cobriste; e deixou a Deus, que o fez, e des
prezou a Rocha da sua salvação” (Dt 32.15; cf. Is
12.2). Ele fez muitas maravilhas no interesse do Seu
povo: “Cantai ao SENHOR um cântico novo, por
que ele fez maravilhas; a sua destra e o seu braço
santo lhe alcançaram a vitória [trabalharam a salva
ção para ele]” (SI 98.1).
O termo yeshü ‘ãh ocorre no contexto de alegria
(SI 9.14) ou no contexto de uma oração por “liberta
ção”: “Eu, porém, estou aflito e triste; ponha-me a
tua salvação, ó Deus, num alto retiro” (SI 69.29).
Habacuque retrata o Senhor montado em carros
de salvação (Hc 3.8) para libertar o Seu povo dos
que lhe oprimem. A pior repreensão que podia ser
feita a alguém era Deus não vir ao seu socorro:
“Muitos dizem da minha alma: Não há salvação
para ele em Deus [literalmente, “ele não tem liberta
ção em Deus”]” (SI 3.2).
Muitos nomes de pessoas contêm uma forma da
raiz, como Josué (“o Senhor é ajuda”), Isaías (“o
Senhor é ajuda”) e Jesus (a forma grega de yeshü ‘ãh).
yesha‘ (?&'): “entrega, libertação”. Este subs
tantivo aparece 36 vezes no Antigo Testamento.
Uma de suas ocorrências está no SI 50.23: “Aquele
que oferece sacrifício de louvor me glorificará; e àque
le que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a
salvação de Deus”.
fs h ü ‘ãh (rW n): “entrega, libertação”. O termo
fs h ü ‘ãh ocorre 34 vezes. Um exemplo é Is 45.17:
“Mas Israel é salvo pelo SENHOR, com uma eterna
salvação; pelo que não sereis envergonhados, nem
confundidos em todas as eternidades”.
As traduções da Septuaginta são: soteria e
soterion (“salvação, preservação, libertação”) e soter
(“salvador, libertador”).
ENVIAR
A. Verbo.
shãlah (r6 ^): “enviar, estender-se, livrar-se”. Este
verbo aparece nos idiomas semíticos do noroeste
(hebraico, fenício e aramaico). Ocorre em todos os
períodos do hebraico e na Bíblia por volta de 850
vezes. O aramaico bíblico usa esta palavra 14 vezes.
Basicamente este verbo significa “enviar” no sen
tido de: 1) iniciar e ver que tal movimento ocorra ou
2) concluir tal ação com sucesso. Em Gn 32.18, a
segunda ênfase está em vista. Estes animais são “de
teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a
Esaú”. Em Gn 38.20, a primeira idéia está em evi
dência: Quando “Judá enviou o cabrito por mão do
seu amigo, [...] porém [ele] não a achou”; nunca
atingiu a meta proposta. Em 1 Sm 15.20, Saul fala
com Samuel acerca do “caminho pelo qual o SE
NHOR me enviou”. Aqui também a ênfase está na
iniciação da ação.
O uso mais freqüente de shãlah sugere o envio
de alguém ou algo como mensageiro para determina
do lugar: “Ele enviará o seu Anjo adiante da tua
ENVIAR 109 ESCOLHER
face, para que tomes mulher de lá para meu filho”
(Gn 24.7). O anjo (mensageiro) de Deus será envia
do a Naor para preparar as coisas a fim de que o
cumprimento da tarefa do servo seja bem-sucedido.
Também pode-se “enviar mensagens” pela mão de
um mensageiro (tolo). Pode-se enviar mensagens (Pv
26.6), uma carta (2 Sm 11.14) e instruções (Gn 20.2).
A palavra shãlah se refere a atirar setas, envian-
do-as para que atinjam um objetivo em particular:
“E disparou flechas e os dissipou” (2 Sm 22.15).
Em Êx 9.14, Deus “envia” as Suas pragas no meio
dos egípcios. Ele as “envia” e as libera entre eles.
Outros significados especiais deste verbo incluem
deixar algo ir livremente ou sem controle: “Soltas a
tua boca para o mal” (SI 50.19).
Com freqüência este verbo quer dizer “esten
der”. Depois da Queda, Deus estava preocupado
para que Adão não “estendesse” a mão e tomasse
da árvore da vida (Gn 3.22). Pode-se estender uma
vara (1 Sm 14.27) ou lançar uma foice (J1 3.13).
A maior parte dos radicais intensivos somente
intensifica os significados já apresentados, mas o
significado “despedir, mandar embora* é comum:
“Já Abner não estava com Davi em Hebroin. por
que este o tinha despedido, e se tinha ido em paz” 2
Sm 3.22). Quer dizer. Davi o "deixou ir embora" 2
Sm 3.24). Deus mandou o homem sair do jardim do
Éden: Ele fez o homem sair (“lançar fora*. Gn 3.23.
primeira ocorrência do verbo ). Noé enviou um cor
vo (Gn 8.7). O verbo shãlah também significa dar a
alguém uma despedida ou "enviar" alguém em seu
caminho de forma amigável: “E Abraão ia com eles.
acompanhando-os [enviando-os]” (Gn 18.16). Em
Dt 22.19, a palavra é usada para designar divorciar-
se de uma esposa ou despedi-la.
Este verbo pode significar “livrar-se” de algo: “Elas
encurvam-se, para terem seus filhos, e lançam de si
as suas dores [de parto]” (Jó 39.3). Também pode
ser usado para se referir a “libertar um escravo”: “E,
quando o despedires de ti forro, não o despedirás
vazio” (Dt 15.13). Em certo sentido menos técnico,
shãlah quer dizer libertar alguém que é mantido à
força. O anjo com quem Jacó lutou disse: “Deixa-me
ir, porque já a alva subiu” (Gn 32.26). Outra acepção
é “entregar alguém”, como no SI 81.12: “Pelo que eu
os entreguei aos desejos do seu coração”. A palavra
shãlah também significa pôr algo em chamas, como
em Jz 1.8: “A cidade puseram afogo”.
No sentido passivo, o verbo tem alguns signifi
cados especiais. Em Pv 29.15, significa “ser deixa
do sozinho”: “A vara e a repreensão dão sabedoria,
mas o rapaz entregue a si mesmo [que faz as coisas
à sua própria maneira] envergonha a sua mãe”.
B. Substantivos.
O termo mishlah quer dizer “o ato de estender,
alcance”. Este substantivo ocorre sete vezes. Em
Dt 28.8, a palavra se refere a um “alcance”: “O
SENHOR mandará que a bênção esteja contigo nos
teus celeiros e em tudo que puser es a tua mão; e te
abençoará na terra que te der o SENHOR, teu Deus” .
A expressão “que puseres” engloba o significado de
mishlah (cf. Dt 28.20).
Outros substantivos estão relacionados com
shãlah. O termo shillühim ocorre três vezes e signi
fica "presentes” no sentido de algo enviado para
alguém ou com ele (1 Rs 9.16). O substantivo
mishlôah é encontrado três vezes e diz respeito a
"o ato de enviar" (Et 9.19,22) ou a “o lugar em que
a mão alcança quando é estendida” (“lançar”, Is
11.14 . A palavra shelah quer dizer “algoenviado
como um projétil", e pode se referir a uma espada
ou arma. O termo shelah ocorre oito vezes (2 Cr
32.5: Jó 33.18: Ne 4.17). O substantivo próprio
skiloãh aparece em Is 8.6 e se aplica a um canal pelo
qual a água é enviada.
ESCAPAR
melar • r72): “escapar, escapulir, dar à luz”. Esta
palavra é encontrada no hebraico antigo e moderno.
O termo mãlat aparece cerca de 95 vezes no Antigo
Testamento hebraico. Ocorre duas vezes no primei
ro versículo no qual é encontrado: “Escapa-te por
tua vida: [...] escapa lá para o monte, para que não
pereças” (Gn 19.17). Às vezes, mãlat é usado em
paralelismo com nus, “fugir” (1 Sm 19.10), ou com
bãrah. “fugir" (1 Sm 19.12).
O uso mais comum desta palavra expressa “es
capar” de qualquer tipo de perigo, como do inimigo
(Is 20.6), da armadilha (2 Rs 10.24) ou da sedutora
(Ec. 7.26). Quando a reforma de Josias exigiu a quei
ma dos ossos dos falsos profetas, uma diretiva es
pecial foi emitida para poupar os ossos de um ver
dadeiro profeta enterrado no mesmo lugar: “Assim,
deixaram estar os seus ossos” (2 Rs 23.18; literal
mente, “eles deixaram escapar os seus ossos”). O
termo mãlat é usado uma vez no sentido de “dar à
luz um filho” (Is 66.7).
ESCOLHER
A. Verbo.
bãhar ("ins): “escolher”. Este verbo é encontra
do 170 vezes ao longo do Antigo Testamento. Tam
ESCOLHER 110 ESCREVER
bém é encontrado no aramaico, siríaco e assírio. A
palavra tem paralelos no egípcio, acadiano e nas
línguas cananéias.
O verbo bãhar ocorre pela primeira vez na
Bíblia em Gn <6.2: “E tomaram para si mulheres
de todas as que escolheram”. É usado tendo uma
pessoa como sujeito: “Ló escolheu para si toda a
campina do Jordão” (Gn 13.11). Em mais da me
tade das ocorrências, Deus é o sujeito de bãhar,
como em Nm 16.5: “Amanhã pela manhã o SE
NHOR fará saber quem é seu e quem o santo que
ele fará chegar a si; de aquele a quem escolher fará
chegar a si” .
Neemias 9.7,8 descreve a “escolha” (eleição) por
Deus das pessoas desde Abrão: “Tu és SENHOR,
o Deus, que elegeste Abrão, [...] e confirmaste as
tuas palavras [concerto], porquanto és justo”. A
palavra bãhar é usada 30 vezes em Deuteronômio,
todos menos duas se referindo à “escolha” por Deus
de Israel ou de algo na vida de Israel. “Porquanto
amava teus pais, e escolhera a sua semente depois
deles” (Dt 4.37). Ser “escolhido” por Deus traz as
pessoas em relação íntima com Ele: “Filhos sois do
.SENHOR, [...] e o SENHOR te escolheu de todos
os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres
o seu povo próprio” (Dt 14.1,2).
As “escolhas” de Deus amoldaram a história de
Israel; Sua “escolha” levou à redenção dos israelitas
do Egito (Dt 7.7,8), enviou Moisés e Arão para
realizar milagres no Egito (SI 105.26,27) e lhes deu
os levitas “para abençoarem em nome do SENHOR”
(Dt 21.5). Ele “escolheu” a herança deles (SI 47.4),
inclusive Jerusalém onde Ele habita entre eles (Dt
12.5; 2 Cr 6.5,21). Mas “estes escolhem os seus
próprios caminhos, e [...] também eu quererei as
suas ilusões, farei vir sobre eles os seus temores”
(Is 66.3,4). O concerto instigou os homens a res
ponder à eleição de Deus: “Os céus e a terra tomo,
hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho pro
posto a vida e a morte, [...] escolhe, pois, a vida”
(Dt 30.19; cf. Js 24.22).
A versão grega Septuaginta traduziu bãhar prin
cipalmente por eklegein, e por meio desta palavra o
importante conceito teológico da “escolha” de Deus
entrou no Novo Testamento. O verbo é usado para
aludir à “escolha” por Deus ou por Cristo de ho
mens para o serviço, como em Lc 6.13 (“e escolheu
doze deles”) ou dos objetos de Sua graça: “Como
também nos elegeu nele antes da fundação do mun
do” (Ef 1.4). João 15.16 expressa a verdade central
da eleição em ambos os Testamentos: “Não me
escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós,
[...] para que vades e deis fruto, e o vosso fruto
permaneça”.
B. Substantivo.
bãhir (Tro): “escolhidos”. Outro substantivo,
bãhir, é usado 13 vezes, sempre se referindo aos
“escolhidos” do Senhor: “Saul, o eleito do SE
NHOR” (2 Sm 21.6); “Vós, filhos de Jacó, seus
eleitos” (1 Cr 16.13).
ESCONDER
sãtar (ino): “esconder, abrigar, encobrir”. Este
verbo e vários derivados são encontrados no hebraico
moderno, como também no hebraico bíblico. O ter
mo sãtar aparece cerca de 80 vezes no Antigo Tes
tamento. A palavra é encontrada pela primeira vez
em Gn 4.14 quando Caim descobre que, por causa
do seu pecado, ele será “escondido” da presença de
Deus, o que implica separação.
Na chamada Bênção de Mispá (que na verdade é
uma advertência), sãtar tem o sentido de “separa
ção”: “Atente o SENHOR entre mim e ti, quando
nós estivermos apartados um do outro” (Gn 31.49).
“Esconder-se” é refugiar-se: “Não se escondeu Davi
entre nós?” (1 Sm 23.19). Semelhantemente, “es
conder” alguém é abrigá-lo do inimigo: “Mas o SE
NHOR tinha-os escondido” (Jr 36.26).
Orar: “Esconde a tua face dos meus pecados” (SI
51.9), é pedir a Deus que os ignore. Mas quando o
profeta diz: “E esperarei o SENHOR, que esconde
o rosto da casa de Jacó” (Is 8.17), ele quer dizer que
o favor de Deus foi retirado. De modo semelhante,
os pecados de Judá “esconderam” a face de Deus de
Judá (Is 59.2).
ESCREVER
A. Verbo.
kãtab (3H3): “escrever, inscrever, descrever, to
mar ditado, gravar”. Este verbo aparece na maioria
dos idiomas semíticos (não no acadiano ou no
ugarítico). O hebraico bíblico atesta cerca de 203
ocorrências (em todos os períodos) e o aramaico
bíblico sete ocorrências.
Basicamente, este verbo representa escrever uma
mensagem. O julgamento (proibição) de Deus con
tra os amalequitas devia ser registrado num livro
(rolo): “Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve
isto para memória num livro e relata-o aos ouvidos
de Josué: que eu totalmente hei de riscar a memória
de Amaleque de debaixo dos céus” (Êx 17.14, pri
meira ocorrência bíblica da palavra).
ESCREVER 111 ESPADA
Pode-se “escrever” numa pedra ou “escrever”
uma mensagem nela. Moisés disse a Israel que, de
pois de atravessar o Jordão, “levantar-te-ás umas
pedras grandes e as caiarás. E, havendo-o passado,
escrever ás nelas todas as palavras desta lei” (Dt
27.2,3).
Este uso da palavra implica algo mais que man
ter o registro de algo, de forma que venha a ser
lembrado. Isto é óbvio na primeira passagem, por
que a memória de Amaleque “devia ser registrada” e
também apagada. Em tais passagens, “ser registra
do” refere-se a imutabilidade e natureza vinculadora
da Palavra de Deus. Deus disse, é certo e vai acon
tecer. Uma implicação estendida no caso dos man
damentos divinos é que o homem tem de obedecer
ao que Deus “registrou” (Dt 27.2,3). Assim, tais
usos da palavra descrevem um conjunto fixo de ins
trução autorizada ou um cânon. Estas duas passa
gens também mostram que a palavra não nos conta
qualquer coisa específica acerca de como a mensa
gem foi composta. Em primeiro lugar. Moisés não
registrou apenas como “secretário”, mas escreveu
criativamente o que ouviu e viu. Não há que duvidar
que em Êx 32.32, a palavra é usada para aludir à
escrita criativa feita pelo autor. Deus não estava
recebendo ditado de alguém quando Ele “escreveu'*
os Dez Mandamentos. Em Dt 27.2.3. os escritores
têm de reproduzir com exatidão o que foi previa
mente dado (como meros secretários).
Às vezes, kãtab significa “inscrever” e “cobrir
com inscrição”. As duas tábuas do Testemunho, que
foram dadas por Deus a Moisés, eram “tábuas de
pedra, escritas [totalmente inscritas] pelo dedo de
Deus” (Êx 31.18). O verbo não só significa escrever
num livro, mas “escrever um livro”, não só registrar
algo em algumas linhas num rolo de papel, mas com
pletar a escrita. Moisés ora: “Agora, pois, perdoa o
seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro,
que tens escrito” (Êx 32.32). Aqui, “livro” prova
velmente diz respeito a um rolo de papel em vez de
ser um livro no sentido atual.
Entre os usos especiais de kãtab está o significa
do “registrar umapesquisa”. Em Siló, Josué disse a
Israel que escolhesse três homens de cada tribo para
que “se levantem, e corram a terra, e a descrevam
segundo as suas heranças” (Js 18.4).
Uma segunda acepção estendida de kãtab é “re
ceber ditado”: “E escreveu Baruque da boca de
Jeremias” (Jr 36.4). A palavra também é usada para
aludir a assinar: “E, com tudo isso, fizemos [estamos
cortando] um firme concerto e o escrevemos; e sela
ram-no os nossos príncipes, os nossos levitas e os
nossos sacerdotes” (Ne 9.38). Eles “cortaram” ou
firmaram o acordo quando os representantes o assi
naram. O corte era a assinatura.
B. Substantivos.
kftãb (nnrp): “algo escrito, registro, escritura”.
Este substantivo ocorre 17 vezes no Antigo Testa
mento.
Em 1 Cr 28.19, Jftãb é usado com o significado
de “algo escrito”, como um édito: “Tudo isso, disse
Davi, por escrito me deram a entender por mandado
do SENHOR, a saber, todas as obras deste risco”.
A palavra também se refere a um “registro” (Ed
2.62) e à “escritura” (Dn 10.21).
Dois outros substantivos relacionados são kftõbet
e miktãb. O termo kftõbet ocorre uma vez com o
sentido de algo inscrito, especificamente uma “ta
tuagem” (Lv 19.28). O substantivo miktãb ocorre
em tomo de nove vezes e significa “algo escrito,
uma escrita” (Êx 32.16; Is 38.9).
ESPADA
A. Substantivo.
hereb “espada, cimitarra, punhal, faca de
pederneira, cinzel”. Estes substantivos têm cognatos
em vários outros idiomas semíticos, inclusive o
ugarítico, aramaico, siríaco, acadiano e árabe. A pa
lavra ocorre por volta de 410 vezes e em todos os
períodos do hebraico bíblico.
Normalmente, hereb descreve um instrumento
que pode ser ou é usado na guerra, como uma “es
pada” . A form a exata desse u tensílio não é
especificada pela palavra. A arqueologia atual tem
desenterrado várias espadas em forma de foice
(cimitarras) e punhais dos períodos mais antigos.
As cimitarras são chamadas assim porque têm a
forma um pouco semelhante a uma foice, sendo o
lado externo do arco o lado que corta. Tratava-se de
espadas compridas de um gume. E a isto que hereb
se refere quando lemos que alguém foi morto a fio
de “espada”: “Mataram também a fio de espada a
Hamor, e a seu filho Siquém” (Gn 34.26). A primei
ra ocorrência bíblica da palavra (Gn 3.24) provavel
mente também representa tal utensílio: “E [Deus]
pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma
espada inflamada que andava ao redor”.
O significado preciso de hereb é confuso por sua
aplicação ao que conhecemos por “punhal”, uma
espada pequena de dois gumes: “E Eúde fez uma
espada de dois fios, do comprimento de um côvado
[45 a 60 centímetros]” (Jz 3.16).
ESPADA 112 ESPIAR
A cimitarra foi provavelmente o instrumento
usado até e durante a Conquista da Palestina. Mais
ou menos na mesma época os povos do mar (entre
eles os filisteus) invadiram o antigo Oriente Próxi
mo. Eles trouxeram consigo uma nova arma — a
“espada” longa de dois gumes. A primeira menção
clara de tal “espada” no registro bíblico aparece em
1 Sm 17.51: “Pelo que correu Davi, e pôs-se em pé
sobre o filisteu [Golias], e tomou a sua espada, e
tirou-a da bainha; e o matou”. Talvez Saul também
tenha usado a armadura e a “espada” filistéias alta
mente superiores (1 Sm 17.39), mas isto não está
claro. Também é possível que o Anjo que confron
tou Balaão com uma “espada” desembainhada, em
punhava uma “espada” longa de dois gumes (Nm
22.23). Com certeza isto teria causado (humana
mente falando) uma visão muito mais aterrorizante
de sua figura. Pelos tempos de Davi, com sua perí
cia e interesse pela guerra, a “espada” grande de
dois gumes era muito mais proeminente, senão o
tipo primário de “espada” usado pela infantaria
pesada de Israel.
Esta “espada” de dois gumes pode ser compara
da a uma língua: “Filhos dos homens, cujos dentes
são lanças e flechas, e cuja língua é espada afiada”
(SI 57.4). Este uso não só nos fala sobre a forma da
“espada”, mas que tal língua é uma arma de ataque
violenta e impiedosa. Em Gn 27.40, o termo “espa
da” é símbolo de violência: “E pela tua espada vive-
rás e ao teu irmão servirás”. Provérbios 5.4 usa hereb
(uma “espada” longa de dois gumes) para descrever
o resultado lastimoso do procedimento com uma
adúltera; é morte na certa: “Mas o seu fim é amargoso
como o absinto, agudo como a espada de dois fios”.
A “espada” é descrita como agente de Deus. Foi
usada não apenas para salvaguardar o jardim do
Éden, mas simboliza o julgamento de Deus executa
do em Seus inimigos: “Porque a minha espada se
embriagou nos céus; eis que sobre Edom descerá”
(Is 34.5; cf. Dt 28.22).
A palavra hereb é usada para designar vários
outros instrumentos cortantes. Em Js 5.2, significa
“faca”: “Fazt facas de pedra e torna a circuncidar os
filhos de Israel”. Ezequiel 5.1 usa hereb para des
crever a “navalha” de barbeiro: “E tu, ó filho do
homem, tomauma/aca afiada; como navalha de bar
beiro a tomarás e a farás passar por cima da tua
cabeça e da tua barba”. O tamanho e a forma exatos
deste instrumento não podem ser determinados, mas
está claro que era usado como navalha para barbear.
Esta palavra também é empregada para aludir a
ferramentas (“cinzéis”) para cortar pedra: “E, se
me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras
lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-
lo-ás” (Êx 20.25). O fato de que uma “espada” (um
utensílio de morte) seria usada para cortar pedras
para um altar (o instrumento de vida), explica por
que esta ação profanava o altar.
B. Verbo.
O verbo hãrab quer dizer “massacrar, chacinar”.
Este verbo, que aparece três vezes no hebraico bí
blico, tem cognatos no árabe. A palavra ocorre em 2
Rs 3.23: “Isto é sangue; certamente que os reis se
destruíram à espada”.
ESPALHAR
püts (pis): “espalhar, dispersar, lançar”. Este ter
mo é encontrado no hebraico antigo e moderno.
Aparecendo umas 65 vezes no Antigo Testamento
hebraico, a palavra é encontrada pela primeira vez
em Gn 10.18: “E depois se espalharam as famílias
dos cananeus”. A palavra é usada três vezes na his
tória da Torre de Babel (Gn 11.4,8,9), aparente
mente para enfatizar como os homens e seus idio
mas “foram espalhados” pelo mundo inteiro
O termo püts, no sentido de “espalhar”, tem uma
conotação quase violenta. Quando Saul derrotou os
amonitas, “sucedeu que os restantes se espalha
ram , que não ficaram dois deles juntos” (1 Sm
11.11). Esse “espalhamento” de forças parece ter
sido coisa comum nas derrotas em batalha (1 Rs
22.17; 2 Rs 25.5). Muitas referências são feitas a
Israel como povo e nação que são “espalhados” entre
as nações, sobretudo na imagem de um rebanho de
ovelhas espalhado (Ez 34.5,6; Zc 13.7). Ezequiel
também promete o ajuntamento deste rebanho es
palhado: “Hei de ajuntar-vos do meio dos povos,
[...] para onde fostes lançados” (Ez 11.17; 20.34,41).
Esta palavra é usada para se referir aos inimigos
que são “espalhados” quando Deus figurativamen
te dispara Suas setas (2 Sm 22.15). De acordo com
Jó, o assopro de Deus “esparge a nuvem da sua
luz” (Jó 37.11). Nenhuma colheita é possível a me
nos que primeiro as sementes sejam “espalhadas”
cada uma em seu lugar (Is 28.25).
ESPIAR
A. Verbo.
tsãphãh (nss): “revestir, espiar, vigiar”. Esta
palavra é encontrada no hebraico bíblico e moderno,
e alguns estudiosos sugerem que exista no ugarítico.
O termo tsãpãh é achado no texto da Bíblia hebraica