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PORTÃO 2 MAS, AFINAL, O QUE É UM PITCH? 1 Preste atenção na foto e na legenda ao lado e, depois, responda oralmente às questões. a) De onde vem a palavra pitch? b) A palavra pitch também é muito usada no mundo dos negócios. Leia uma definição. [...] O Pitch, também conhecido como Elevator Pitch ou “Dis- curso do Elevador”, é uma apresentação de 2 a 3 minutos (como se fosse para apresentar se encontrasse o investidor no elevador e tivesse o tempo de apresentar durante a su- bida/descida) em que deve “vender” a sua ideia de forma clara e concisa. Apesar de ser uma apresentação curta, pela necessidade de conseguir conquistar a atenção do investi- dor, muitas vezes representa um grande desafio [...]. [...] O Pitch deve poder ser feito tanto apenas verbalmente quanto eventualmente suportado por uma apresentação de slides (chamada de Deck), caso o empreendedor tenha oportunidade de apresentar em público, lembrando também que não deverá ter mais de 5 a 6 slides, que devem conter pelo menos as seguintes informações: a. O mercado-alvo e a necessidade atendida b. Como o produto/serviço atenderá esta necessidade c. Sua inovação/diferenciação d. O potencial do negócio CARVALHO, Rafael. Pitch: três dicas para apresentar sua ideia a investidores. Na Prática, 13 jan. 2015. Disponível em: https://www.napratica.org.br/como-elaborar-um-pitch-quase-perfeito/. Acesso em: 20 maio 2020. 2 O que há de comum entre o pitch do beisebol e o pitch do empreendedorismo? PORTÃO 3 EU, EMPREENDEDOR SOCIAL 1 Agora, em grupos, pensando no projeto de empreendedorismo social que vai ser apresentado no pitch, sigam as orientações para traçar um panorama do contexto da escola e da comunidade. COMO FAZER 1a etapa. Caminhem pela escola, pelas ruas da comunidade em que vivem; fotografem e registrem suas impressões. Esse mapeamento será fundamental para o grupo pensar no projeto de empreendedorismo social que vai ser apresentado no pitch. 2a etapa. Agendem uma reunião, na comunidade e/ou na escola, com as lideranças – de agremiações, de coletivos ou de movimentos – e identifiquem, coletivamente, os princi- pais problemas e as possíveis soluções. Exercitem a escuta atenta, respeitem os turnos de fala e anotem tudo o que lhes chamar a atenção. A palavra inglesa pitch significa “arremesso” e é bastante usada no contex- to do jogo de beisebol. Pitcher é o nome dado ao arremessador. O arremessador estadunidense (pitcher) Brent Musburger lança bola durante jogo de beisebol em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, 2014. Na atividade 3 da seção Embarque, você e os colegas pensaram em iniciativas que poderiam fazer a diferença na comunidade onde vivem. Retome as ideias que foram discutidas naquele momento. Elas podem ser aprofundadas para ajudar na criação do empreendimento social. J o s e p h S o h m /S h u tt e rs to ck Discuta com os estudantes o conceito de pitch. Trata-se de uma apresentação oral, que pode ou não ser multissemiótica, para apresentar uma ideia de um empreendimento e convencer alguém a investir nela. 8 9CAPÍTULO 4 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 89VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 89 9/11/20 10:34 AM9/11/20 10:34 AM 3a etapa. Perguntem a familiares e vizinhos sobre os principais problemas da comunidade. Selecionem e anotem uma fala de impacto: ela pode ser útil na hora de preparar o pitch. 4a etapa. Se o grupo conhecer empreendedores sociais da comunidade, ou mesmo de fora dela, será interessante conver- sar com eles, perguntando sobre o projeto que desenvolvem, como surgiu a ideia, qual é o público-alvo, quais os meios de divulgação que usam. Registrem as informações, pois elas podem ser inspiradoras. 5a etapa. Discutam entre os componentes do grupo: Quais são os principais desafios ou problemas identificados ao seu redor? Escolham um para buscar solucionar com o desenvolvimento de um empreendimento social. 2 Retomem os 17 ODS, trabalhados na seção Embarque, e escolham aquele ou aqueles que mais se relacionam com o problema/desafio da comunidade escolhido pelo grupo. Oralmente, expliquem à turma qual é o proble- ma/desafio e a qual(is) objetivo(s) se relaciona. 3 Definam o nome do seu empreendimento social. Os nomes devem indicar o valor socioambiental gerado ou dar pistas sobre ele. Antes de “bater o martelo”, pesquisem na internet para não utilizar nomes que já existem. 4 Criem o logotipo: ele é a peça visual que funcionará como cartão de visitas de seu empreendimento social! Vocês podem desenhá-lo à mão ou, com a ajuda do professor, criá-lo em formato digital usando um software, site ou aplicativo. 5 Definam claramente o público-alvo. Levem em consideração quem são as pessoas que podem fazer uso do serviço que o aplicativo vai oferecer. PORTÃO 4 PREPARANDO O ROTEIRO DE UM PITCH CERTEIRO Sigam os passos para preparar um pitch de até cinco minutos. COMO FAZER Passo 1: Iniciem o pitch de forma clara, com segurança e energia. A postura ao falar é fundamental: ninguém vai acreditar no seu projeto se vocês não se mostrarem altivos, de cabeça erguida, demonstrando segurança. Observem também a mo- dulação da voz, a entonação, o ritmo, a altura e o volume. O tempo é curto, mas o empreendedor não pode falar gritando ou ficar ofegante, como se estivesse no final de uma maratona. O nervosismo deve ser controlado. Apresentem o logotipo e façam uma breve descrição do serviço oferecido. Passo 2: Digam qual é o problema que seu grupo busca resolver ou atenuar. A melhor forma de fazer isso é contando uma história que, de preferência, cause impacto. Passo 3: Apresentem o serviço, ou seja, a solução criada para o problema detectado. É preciso ter clareza e evitar o uso de gírias, siglas ou jargões, pois a situação requer a utilização de um registro de língua mais formal. Passo 4: Deixem claro quem vocês querem atender com o seu empreendimento social e qual será o valor socioambiental gerado. Se quiserem causar mais impacto, façam referência ao(s) ODS da Agenda 2030 da ONU que se relaciona(m) ao seu empreendimento. Passo 5: Se for o caso, expliquem o diferencial do seu empreendimento, comparando-o com outros que já existem no mercado. Caso haja iniciativas semelhantes, destaquem as vantagens e as diferenças do seu empreendimento social em relação a elas. Passo 6: Respondam: Por que vocês, componentes do grupo, são as pessoas certas para fazer o empreendimento social acontecer? Passo 7: Finalizem o roteiro com uma frase de impacto. O que vocês pretendem com esse pitch? Buscar parceria para investir recursos ou apoiar seu empreendimento social, certo? Discuta com os estudantes a dificuldade de conceber um empreendimento social que seja muito amplo em relação ao público-alvo. Se o objetivo for melhorar a merenda escolar, por exemplo, em consonância com o ODS 2, uma solução seria a criação de uma horta na escola em que os estudantes trabalhassem. Um projeto como esse terá mais chance de sair do papel do que pensar em algo para acabar com a fome de todos os cidadãos da comunidade, por exemplo. V is u a l G e n e ra ti o n / S h u tt e rs to ck 9 0 CAPÍTULO 4 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 90VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 90 9/11/20 10:34 AM9/11/20 10:34 AM PORTÃO 5 ENSAIANDO O PITCH A versão final do pitch só fica pronta depois de alguns ensaios. Sigam as instruções: a) Cada grupo ensaia a apresentação do pitch com os demais grupos e o professor, chamados de observadores. b) Os observadores atuarão como uma banca avaliadora. Para isso, devem copiar no caderno o quadro a seguir e avaliar o desempenho de cada grupo em cada critério. Critérios de avaliação – Pitch sobre empreendimento social GRUPO AVALIADO: GRUPO AVALIADOR: SIM + – NÃO 1 O logotipo do empreendimento social foi apresentado? 2 O serviço oferecido foi explicado de formabreve e clara? 3 O problema que o empreendimento social busca resolver foi explicado? 4 A solução criada foi apresentada com explicitação do valor socioambiental gerado para a comunidade? Houve referência ao(s) ODS contemplado(s)? 5 O público-alvo do empreendimento social foi apresentado de forma clara? 6 O diferencial e o caráter inovador do empreendimento social foram explicados? 7 O pitch foi encerrado de forma impactante? 8 O pitch foi apresentado em, no máximo, cinco minutos? 9 O tom, o ritmo, a intensidade da voz, bem como a postura corporal e a varie- dade linguística empregada pelo apresentador, estavam adequados? c) Conversem com os colegas e o professor so- bre o feedback da turma para o ensaio do pitch do respectivo grupo. Quais critérios não foram cumpridos? Em quais precisam melhorar? Com base nessa avaliação, reescrevam o roteiro, buscando aprimorar a apresentação que será feita para a banca avaliadora. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. R a w p ix e l. c o m /S h u tt e rs to ck 9 1CAPÍTULO 4 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 91VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 91 9/11/20 10:34 AM9/11/20 10:34 AM PORTÃO 6 APRESENTANDO E AVALIANDO O PITCH: PRODUTO E PROCESSO! 1 Para que seu empreendimento social tenha chance de sair do papel, vocês devem apresentar o pitch a uma banca avaliadora. As pessoas que farão parte dessa banca devem avaliar cada projeto de empreendimento para saber qual(is) elas gostariam de apoiar, em qual(is) gostariam de investir ou qual(is) ajudariam a viabilizar de alguma forma. Pensando nisso, sigam estas orientações para organizar o evento e compor a banca: I. Com o apoio do professor e da direção da escola, definam uma data, um horário e um espaço propícios para a apresentação dos pitches. II. Produzam um convite com todas as informações e objetivos do evento e enviem-no às pessoas convidadas para compor a banca. Ele pode ser elaborado em formato impresso ou digital e enviado pelo correio ou pela internet, conforme o caso. III. Para compor a banca avaliadora, se possível, entrem em contato com líderes da comunidade, diretores da escola, vereadores ou outras pessoas que possam se tornar parceiras do empreendimento de vocês. Colegas de outras turmas e professores também poderão ser convidados para o evento. 2 Chegou a hora de apresentar o pitch à banca avaliadora, que vai decidir qual(is) dos empreendimentos sociais vai apoiar e ajudar a realizar. Respirem fundo e façam o seu melhor! 3 Após a apresentação de todos os pitches, conversem com os convidados e busquem aproximação com quem esti- ver disposto a auxiliar na implementação do empreendimento do grupo. 4 Façam uma avaliação de todo o processo e do resultado: Todos se envolveram e cooperaram? O que não funcionou? Houve dificuldades no desenvolvimento do trabalho? O que vocês poderiam ter feito diferente? É muito importante que você auxilie os estudantes a convidar as pessoas para montar a banca avaliadora, bem como organizar o evento, agendando, junto com a apresentação, turma, data, horário e espaço propícios para a apresentação dos pitches. A banca pode ser formada por pessoas da comunidade, pela direção da escola, por estudantes de outras turmas e, se possível, por líderes ou investidores que possam ajudar a viabili- zar as propostas dos estudantes. Incentive os estudantes a implementar os proje- tos. Essa pode ser uma ação abraçada pela escola na busca de mais recursos para que as ideias saiam do papel e os estudantes possam assumir o protagonismo na resolução de problemas que os afligem na própria comunidade. Faça uma roda de conversa como os estudantes, dando oportunidade a todos de falarem sobre a própria experiência. Surpreenda-se com a ONG Fa.Vela, uma aceleradora de negócio das favelas que conecta pessoas e territórios: apoio, cursos e ensino a moradores das comunidades que queiram empreender e conduzir um negócio de forma sustentável. Disponível em: https://favela.org.br/. Acesso em: 5 maio 2020. Entenda como a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora de um Nobel da Paz, defendeu o direito à educação feminina e mudou o mundo. Leia a biografia Eu sou Malala, edição juvenil, de Malala Yousafzai, Patricia McCormick e Alexandra Esteche (São Paulo: Seguinte, 2016). Conheça o impacto dos 17 ODS da ONU na vida dos habitantes de um vilarejo de 350 habitantes, no Pará, que foi beneficiado com um sistema de tratamento de água por meio de uma ação conjunta de empresas e organizações. Você pode conferir essa e outras histórias nos curtas-metragens da série “O futuro que a gente quer”. Disponível em: https://youtu.be/JV33QFU2ANE. Acesso em: 5 maio 2020. ENTRETENIMENTO A BORDO Reprodução/https://favela.org.br R ep ro du çã o/ S eg ui nt e E di to ra Reprodução/https://www.youtube.com 9 2 CAPÍTULO 4 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 92VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap4_075-092_LE.indd 92 9/11/20 10:34 AM9/11/20 10:34 AM O riso é uma forma de interação poderosa: permite a sociabilidade e, ao mesmo tempo, a descontração. N este capítulo, além de se divertir e se surpreen- der com textos de diferentes gêneros, você vai refletir sobre como o riso pode se manifestar nas di- versas linguagens e sobre a importância dele como ferramenta de crítica social. Para começar, vamos rir com memes que circulam na internet, entendendo como esses textos produzem sentido. Depois, leremos uma crônica de Fernanda Young para conhecer a paródia e sua função crítica e cômica. Em seguida, vamos analisar exemplos de sáti- ra ao relacionar um cordel de Leandro Gomes de Bar- ros a um auto de Ariano Suassuna. Também vamos estudar os poemas-piada do mo- dernista Oswald de Andrade para conhecer sua lin- guagem irônica. Além disso, você e a turma vão ler um poema de Gregório de Matos. O percurso vai terminar com o desafio de produzir e divulgar um cordel. Essa prática vai possibilitar a você e aos colegas ajudar a combater os preconceitos lin- guísticos. Vamos começar? HUMOR É COISA SÉRIA! TEMA NORTEADOR: HUMOR E CRÍTICA SOCIAL CAMPO DE ATUAÇÃO: ARTÍSTICO-LITERÁRIO Neste capítulo, o campo de atuação em foco é o artístico-literário. Os estudantes serão convidados a explorar o humor em textos de diferentes gêneros, como crônica, poemas-piada, texto teatral e cordel. Por meio deles, serão abordados aspectos relacionados aos TCTs “Diversidade Cultural” e “Educação em Direitos Humanos”, com destaque à impor- tância do humor e do riso como ferramentas para a crítica social. O pro- tagonismo juvenil é evidenciado quando os estudantes são desafiados a produzir e a divulgar um cordel na seção Desembarque. Consulte mais informações para o trabalho com este capítulo nas Orientações espe- cíficas deste Manual. 5C A P Í T U L O K la u s V e d fe lt /D ig it a l V is io n /G e tt y I m a g e s 9 3CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 93VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 93 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM EMBARQUE O que costuma fazer você rir? Uma piada ou uma imagem engraçada já fizeram você pensar sobre alguma questão relevante ou mudar de ideia sobre um tema polêmico? Além de divertir e deixar nossas interações mais leves, o humor pode provocar reflexões importantes. Ele pode surgir de charges, de gifs, da música, da poesia. Vamos ver alguns exemplos mais de perto? Consulte respostas esperadas e mais informações para o trabalho com as atividades desta seção nas Orientações específi cas deste Manual. NA BNCC Competências gerais: 1, 3, 4, 5 Competências específicas de Linguagens: 1, 2, 3, 6, 7 Habilidades de Linguagens: EM13LGG101, EM13LGG103, EM13LGG104, EM13LGG201, EM13LGG202, EM13LGG204, EM13LGG301, EM13LGG302, EM13LGG602, EM13LGG603, EM13LGG701 Habilidades de Língua Portuguesa: • Todos os campos de atuação: EM13LP01, EM13LP02, EM13LP03,EM13LP06, EM13LP14 • Campo jornalístico-midiático: EM13LP43 1 Você provavelmente já viu exemplos de memes que circulam com frequência nas re- des sociais e em outros ambientes digitais. Considerando aquilo que você já sabe so- bre o gênero, como você definiria um meme? Converse com os colegas e o professor. 2 Para saber um pouco mais da origem dos memes, leia as informações do boxe Bal- cão de informações. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. Resposta pessoal. Meme é um termo originado da palavra grega mimema, que tem o sentido de imitação, daquilo que pode ser imitado. Na década de 1970, foi utilizado pelo britânico Richard Dawkins, em seus estudos sobre genética, para se referir à capacidade de replicação dos genes humanos. Nos anos 2000, passou a denominar um fenômeno cultural típico da internet no qual imagens, analogias, frases de efeito, comportamentos ou desafios são replicados à exaustão e se espalham rapidamente entre os usuários da rede, alcançando enorme popularidade. Muitos dos memes são criações dos próprios usuários e combinam alguma imagem memorável ou situação de destaque nas mídias a frases cotidianas, produzindo um efeito humorístico e irônico. Atualmente objeto de estudo de vários pesquisadores e muito explorados pela publicidade, os memes também podem ser ferramentas de crítica social, política e cultural. BALCÃO DE INFORMAÇÕES 05_f002_VuLPFerEst_ g21At Foto de meme “Foca na sexta”. Ver referência. Você já compartilhou ou produziu um meme? Com qual objetivo: fazer crítica social, política e cultural, relembrar um acontecimento ou rir de situações do coti- diano? Em que contextos você os utiliza? Converse com os colegas e o professor. 3 Agora, veja os exemplos de memes reproduzidos a seguir. Respostas pessoais. O trabalho com os memes permite aos estudantes ampliar suas pos- sibilidades de construção de sentidos e de apreciação do gênero, ao analisar efeitos de sentido decorrentes de escolhas e composição de imagens e as relações desses elementos com o texto verbal. Meme I Meme II R e p ro d u ç ã o /h tt p s :/ /d iv e rs a o .r 7. c o m R e p ro d u ç ã o /h tt p s :/ /w w w .m e n s a g e n s 1 0 .c o m .b r/ m e n s a g e m /1 2 5 1 9 4 CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 94VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 94 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM a) Você achou os memes engraçados? Já conhecia algum deles? b) Como o efeito de humor pretendido é criado em cada meme? Cite os elementos das imagens para justificar sua resposta. 4 Observe a pintura a seguir e, ao lado, um meme criado com base nela. Respostas pessoais. Mais uma vez, deixe que os estudantes se expressem livremente e incentive-os a trocar ideias com os colegas. Acolha também os estu- dantes que eventualmente não tenham achado os memes engraçados, pedindo que tentem explicar por que o efeito de humor pretendido não foi alcançado. a) Que tipo de intervenção o produtor do meme realizou na imagem original? Explique. b) Nessa intervenção, que aspecto da pintura foi destacado? Considerando o texto inserido sobre a imagem, como o efeito de humor foi produzido? c) É necessário conhecer a pintura original para considerar esse meme engraçado? Por quê? Isso acontece com todos os memes? d) Se você fosse criar um meme com base nessa mesma pintura, que parte da imagem selecionaria? E que texto seria inserido sobre ela? Anote algumas pos- sibilidades no caderno e, depois, compartilhe suas ideias com a turma. Algum colega teve ideias parecidas com as suas? e) Que restrições devem ser consideradas no uso das imagens de memes? Conver- se com o professor e os colegas. Respostas pessoais. Para conhecer outros memes, visite o #MUSEUdeMEMES, site criado pelo Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense para reunir exemplares do gênero, além de referências bibliográficas e fontes de pesquisa sobre o tema. Disponível em: https://www. museudememes.com. br/. Acesso em: 12 jun. 2020. VALE VISITAR Presumido retrato de Magdalena Lutero, de Lucas Cranach, o Velho, antes de 1537 (óleo sobre madeira, 26 cm × 41 cm – Museu do Louvre, Paris, França). No meme I, o efeito de humor é produ- zido pela ambiguidade da expressão “foca na sexta”, que, pelo contexto verbal, é entendida como um coman- do do verbo focar, conjugado no im- perativo afirmativo, no sentido de ter em mente, concentrar-se em, com Este tipo de atividade permite que os estudantes estabeleçam relações en- tre as partes do texto, considerando a construção composicional e o estilo do gênero. relação ao dia da semana sexta-feira. Já a imagem apresenta outro sentido para a expressão, explorando um homônimo da palavra foca (o animal) e uma palavra homófona de sexta (o objeto cesta). No meme II, o humor é gerado, mais uma vez, pela associação do texto verbal à imagem, criando a impressão de que o urso representado na foto é quem está falando a frase verbal escrita, chaman- do o interlocutor, “jovem”, para sentar e conversar com ele. Dessa forma, o urso é humanizado, tanto pelo conteúdo da fala (descontraída, que contrasta com o animal selvagem) quanto pela postura e pela situação em que é retratado na foto, que lembra muito a postura de um ser humano sentado à mesa chamando alguém para conversar. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o L o u v re , P a ri s , F ra n ç a . R e p ro d u ç ã o /h tt p s :/ /b r. p in te re s t. c o m 9 5CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 95VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 95 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM VIAGEM O humor é um elemento muito presente na literatura de todos os tempos. A partir de agora, veremos exemplos de textos em que o humor é provocado de diferentes formas. Começaremos com uma cronista do século XXI, passaremos por um cordelista, um dramaturgo e um poeta do século XX e chegaremos a um poeta do século XVII. Consulte respostas esperadas e mais informações para o trabalho com as atividades desta parada nas Orientações específi cas deste Manual. 1ª PA RADA O HUMOR NA PARÓDIA! 1 A crônica que você vai ler na questão 2 chama-se “Para o pequeno príncipe”, título que faz referência a uma personagem criada pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) no livro O pequeno príncipe, publi- cado em 1943. Por isso, antes de conhecer a crônica, leia um trecho desse livro e, depois, responda oralmente às perguntas. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. O pequeno príncipe narra a história de um piloto que aterrissou no deserto do Saara após uma pane em seu avião. Lá ele encontra um menino de cabelos loiros e cacheados que disse ter vindo de um asteroide, do qual fugiu porque não conseguia conviver com sua rosa, que era muito bonita e vaidosa. Ao encontrar o piloto, o menino o faz compreender que os adultos não deveriam esquecer seu lado infantil, sincero e simples de encarar o que é essencial na vida. O livro foi escrito em Nova York, onde o autor Saint-Exupéry se refugiou durante a Segunda Guerra Mundial, para escapar do nazismo. O pequeno príncipe já conta com cerca de quinhentas edições, vendeu mais de 140 milhões de cópias e foi traduzido para mais de 230 línguas. É o segundo livro mais vendido no mundo. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1952. Oriente a turma a ler o trecho si- lenciosamente uma vez. Depois, peça a três estudantes que façam a leitura em voz alta: um será o narrador; outro, o pequeno prínci- pe; e outro lerá as falas da raposa. BALCÃO DE INFORMAÇÕES R e p ro d u ç ã o /E d it o ra V ia L e it u ra E foi então que apareceu a raposa: [...] — Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste... — Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não fui cativada ainda. [...] — Que quer dizer “cativar”? [...] — É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços...”[...] Tu não és para mim senão um garoto inteira- mente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... — Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou... — [...] se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... [...] Por favor... cativa-me! disse ela. [...] — Que é preciso fazer? perguntou o principezinho. — É preciso ser paciente, respondeu a raposa. [...] NA BNCC Competências gerais: 1, 3, 9 Competências específicas de Linguagens: 1, 6 Habilidades de Linguagens: EM13LGG101, EM13LGG102, EM13LGG103, EM13LGG601, EM13LGG602, EM13LGG604 Habilidades de Língua Portuguesa: • Todos os campos de atuação: EM13LP01, EM13LP02, EM13LP03, EM13LP06, EM13LP07 • Campo artístico-literário: EM13LP46, EM13LP49, EM13LP50, EM13LP52 9 6 CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 96VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 96 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM No dia seguinte o principezinho voltou. — Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o cora- ção... [...]. Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse: — Ah! Eu vou chorar. — A culpa é tua, [...] tu quiseste que eu te cativasse... — Quis, disse a raposa. — Mas tu vais chorar! disse o principezinho. — Vou, disse a raposa. — Então, não sais lucrando nada! — Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo. [...] Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo. [...] E voltou, então, à raposa: — Adeus, disse ele... — Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. [...] Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante. [...] Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa... — Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2015. O pequeno príncipe e a raposa em aquarela de Antoine de Saint-Exupéry para a edição original de O pequeno príncipe. a) O que a presença de um animal falante pode revelar sobre o teor da narrativa? b) O que significa o verbo cativar, segundo a raposa? c) A raposa afirma que cativar é uma “coisa muito esquecida”. Por que ela pode ter dito isso? Qual é sua opinião sobre essa afirmação? Acha que ela se aplica aos dias de hoje? d) Por que a raposa diz ao príncipe que, se for cativada, terá outro olhar sobre o campo de trigo? Justifique sua resposta explicando a comparação feita pela personagem. e) Explique o segredo que a raposa revela ao principezinho. f) O que quer dizer se tornar “eternamente responsável” pelo que se cativou? A presença do animal falante pode revelar que se trata de uma narrativa de fantasia, repleta de ensinamentos sobre a amizade e sobre as relações humanas de modo geral, o que a aproxima de gêneros como as fábulas e os contos de fadas, que têm função moralizante. Signifi ca “criar laços...”, ou seja, estabelecer relação de afeto com alguém. Respostas pessoais. Provavelmente, a resposta da raposa refl ete a difi culdade de estabelecer laços, algo que pode ser aplicado às relações atuais. Porque o trigal dourado fará a raposa se lembrar dos cabelos loi- ros do pequeno príncipe e passará a ter um sentido afetivo para ela. A raposa compara o dourado dos cabelos loiros do príncipe à cor do trigo. Que o essencial é invisível para os olhos, pois só se pode ver bem com o coração. Ou seja, uma das coisas mais importantes na vida é o que sentimos, são nossos afetos. Signifi ca que, quando cativamos alguém, somos responsáveis pela felicidade dessa pessoa, pois ela passa a fazer parte de nossa vida, de tal modo que nos cabe cuidar dela para sempre. A nt oi ne d e S ai nt -E xu pé ry /É di tio ns G al lim ar d 9 7CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 97VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 97 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM 2 Agora, leia a crônica “Para o pequeno príncipe”, de Fernanda Young. Para o pequeno pr’ncipe Nossa, há quanto tempo… Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas — muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos. Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa. Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista. Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente só conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante. Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo — eu estava loira na época — e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim. Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era. Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente res- ponsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante. Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar — relacionamentos são vias de mão dupla. A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicio- nado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro. Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando n ós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lem- brar de ninguém. A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado. Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire. Saudades distantes, Fernanda Young. YOUNG, Fernanda. Para opequeno príncipe. Claudia, São Paulo, 13 jun. 2008. Disponível em: https://fernandayoung.wordpress.com/2012/11/18/para-o-pequeno-principe/. Acesso em: 13 maio 2020. G o o d S tu d io /S h u tt e rs to ck Mast ran ge lo R ei no /F o lh a p re s s FERNANDA YOUNG Nasceu em Niterói (RJ), no dia 1o de maio de 1970. Foi escritora, atriz, roteirista e apresentadora de programas de televisão. Entre seus trabalhos mais conhecidos, estão os roteiros para as séries televisivas Comédia da vida privada e Os normais. Publicou livros de crônicas, poemas e romances. Faleceu no dia 25 de agosto de 2019, em Paraisópolis, Minas Gerais, aos 49 anos. 9 8 CAPÍTULO 5 VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 98VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap5_093-112_LE.indd 98 9/11/20 10:35 AM9/11/20 10:35 AM