Prévia do material em texto
1 PONTE TRELIÇADA Gabriela Tainá Schmitz¹ Jonathan dos Santos¹ Matheus Mendes da Silva de Assis²1 RESUMO O presente artigo tem como objetivo apresentar e explicar de maneira dinâmica o conhecimento sobre construção de pontes civis. Com base no conteúdo apresentado, iremos projetar e testar um protótipo do modelo Warren, permitindo imaginar como seria sua versão em escala real, independentemente do local de sua aplicação. Um dos objetivos estabelecidos é fundamentar e executar o projeto de elaboração e construção do modelo de ponte treliçada conforme as especificações técnicas propostas. O conteúdo enfatiza o conhecimento geral e conceitual sobre as características envolvidas na elaboração do projeto, detalhando suas principais etapas. Além de adquirir conhecimento, este trabalho visa demonstrar, na teoria e na prática, que a ponte de 53,5 cm de comprimento, feita de palitos de picolé, é capaz de suportar um peso de 10 kg sem sofrer deformações, comprovando a eficácia do design e da construção do protótipo. Palavras-chave: Projeto, Ponte Treliçada, Protótipo. 1. INTRODUÇÃO A evolução constante das tecnologias e das Engenharias surge pela demanda de melhorias nos diferentes setores da sociedade, no que diz respeito ao setor de Engenharia Civil, referente a projeção e construção de pontes essa afirmação se confirma com análise da grande quantidade de modelos de pontes diferentes que existem, essa diversificação surgiu para suprir as necessidades de aumento de resistência, redução de quantidade e custo de material, otimização de mão de obra, entre outros. Dos diferentes tipos de pontes, será abordado nesse trabalho a Ponte Treliçada que é formada por estruturas triangulares e diferente dos outros tipos de pontes, sofre apenas esforços de tração e compressão. Para descrever o planejamento do protótipo será utilizada fundamentação teórica que abordará principalmente os conceitos de resistência dos materiais, física e matemática, fatores decisivos para projetar uma ponte com utilização de materiais adequados à aplicação da mesma. Para execução do protótipo serão utilizados os materiais previamente definidos no escopo do projeto e executado testes para comprovar a eficácia do mesmo, além de registros 1 Nome dos acadêmicos – Gabriela Tainá Schmitz – Jonathan dos Santos ² Nome do Professor tutor externo – Matheus Mendes – UNIASSELVI – Engenharia de Produção – (FLC14398ENG) – Seminário Interdisciplinar Ponte Treliçada – 01/07/2024 2 fotográficos que servirão de auxílio na descrição daquilo que foi desenvolvido e possibilitarão a reprodução do protótipo. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O conceito de ponte pode ser definido como construções que conectam dois pontos separados e tem como objetivo transpor um obstáculo para estabelecer a continuidade de uma via de qualquer natureza, e existem desde o início da humanidade, evoluindo de amarras e madeiras para o ferro e concreto. “Denomina-se ponte a obra destinada a transposição de obstáculos à continuidade do leito normal de uma via, tais como rios, braços de mar, vales profundos, outras vias etc.” (PFEIL,1979, p.9). Sabe-se que existem vários tipos de estruturas. Treliças são um dos principais tipos de estrutura da engenharia. Muito utilizadas em projetos de pontes, edifícios, torres de transmissão e coberturas, consegue prover, por vezes, soluções tanto eficazes quanto econômicas em diversas situações (BEER;JOHNSTON, 2012). Pelo fato de serem bastante resistentes e terem um peso proporcionalmente pequeno, elas são também usadas em longas distâncias. Uma treliça é formada por barras retas unidas em nós (geralmente dispostas em triângulos interconectados), conectadas apenas em suas extremidades, isto é, os elementos que a formam não são contínuos através de um nó (PFEIL, 2003). [01] Tem a finalidade de desenvolver resistência a certos esforços aos quais é submetida. As barras que formam a estrutura e suportam estes esforços. As cargas, entretanto, devem ser aplicadas nos nós da estrutura, e não nos elementos de barras que a compõe, como está ilustrado na Figura 1. Figura 01 – Representação da treliça isostática Existem várias formas de treliças e de acordo com o modelo utilizado, a inversão da direção diagonal de uma treliça muda completamente a sua funcionalidade, podendo deixar de sofrer compressão e vir a sofrer tração. Estas são as variáveis que se pode trabalhar para projetar a ponte de treliça da melhor maneira possível, visando economia de recursos, uso de matéria 3 prima sustentável, baixo custo e o mais importante, que ela suporte a carga solicitada e as especificações do projeto. 3. PRINCÍPIOS DA ENGENHARIA ESTRUTURAL: FORÇA, TRAÇÃO, COMPRESSÃO, CARGA, REAÇÃO E EQUILIBRIO. 3.1 FORÇA O conceito de força é compreendido como uma tração ou compressão aplicada a um objeto específico. Uma força sempre possui intensidade e direção. Por exemplo, quando um caminhão atravessa uma ponte, ele exerce uma força sobre a ponte. A intensidade dessa força é o peso do caminhão, e a direção da força é para baixo [02]. Matematicamente, uma força é representada como um vetor, que é uma quantidade com intensidade e direção. Para representar uma força em uma imagem ou diagrama, utiliza-se uma seta para mostrar a direção e uma magnitude (em unidades de força, como libras ou newtons). Quando cargas externas são aplicadas a uma estrutura, reações externas ocorrem nos apoios. No entanto, forças internas também se desenvolvem dentro de cada parte da estrutura. Em uma treliça, essas forças internas são sempre de tração ou compressão. [02] Figura 02 Fonte: Adaptado de Universidade Paulista (2013) Figura 03 Fonte: Elementary MESA Day (2005) 4 3.2 CARGA A carga é basicamente uma força que age sobre uma estrutura. Pontes reais estão constantemente sujeitas a diferentes tipos de cargas, como o peso de veículos e pedestres que as atravessam, o peso da própria estrutura da ponte, o peso do asfalto ou pavimento de concreto, e o vento que empurra a estrutura lateralmente. No planejamento de uma ponte, o engenheiro estrutural deve garantir que os efeitos de todas essas cargas sejam considerados, inclusive nos casos em que dois ou mais tipos de cargas possam ocorrer simultaneamente. 3.3 REAÇÃO O conceito de reações na física se refere às forças que atuam em resposta a outras forças aplicadas, em conformidade com a terceira lei de Newton, que afirma: "Para toda ação, existe uma reação igual e oposta." Isso significa que se um objeto exerce uma força sobre outro, o segundo objeto exerce uma força de igual magnitude e direção oposta sobre o primeiro. 4. MODELOS DE TRELIÇAS Para ampliar o conhecimento, visto que as pontes do modelo treliça são esqueletos estruturais [04] e não atrapalham a via, por exemplo, as estradas que podem passar por cima ou por baixo da treliça ou mesmo em um vão definido. Essas estruturas permitem um espaço livre que seria impossível com outro tipo de ponte, por isto existe alguns modelos de treliças para a melhor aplicabilidade. FIGURA 04: MODELOS DE PONTES TRELIÇADAS 4.1 TRELIÇA PRATT Este tipo de treliça é facilmente identificado pelos componentes em diagonais, que são direcionados para o vão central, exceto os componentes diagonais centrais, todos os outros componentes sofrem a tração. Os componentes verticais suportam sem exceção toda a força decompressão, desta forma os elementos diagonais conseguem ser minimizados, deixando o projeto mais barato. 4.2 TRELIÇA HOWE Neste caso, os componentes diagonais estão colocados no sentido contrário ao centro da ponte, desta forma estes que suportam a força de compressão. Isso exige que seja utilizado 5 perfis de vigas maiores, deixando a construção mais cara. Este modelo de ponte basicamente é o inverso do modelo Pratt, citado anteriormente. 4.3 TRELIÇA WARREN Com uma estrutura simples e contínua, a treliça Warren é a mais comum em pequenos vãos, porque não há necessidade de usar elementos verticais para amarrar a estrutura. Geralmente as treliças tipo Warren são usadas para vãos entre 50 e 100 metros, que não necessitam de elementos verticais para dar maior resistência à estrutura. A partir destes conceitos fomos identificando a melhor opção dentre os tipos conhecidos de treliças para a construção do nosso projeto, a fim de adquirir a eficácia necessária conforme as diretrizes que conduzem tal prática. 5. MATERIAIS E MÉTODOS Na fase de planejar o protótipo, foram utilizados os seguintes materiais: • Cola Branca (90g) • Palitos de Picolé (11,3cm altura x 1cm largura x 0,2cm espessura) • Trena A metodologia utilizada na construção da ponte surgiu a partir do modelo Warren, sendo uma estrutura retilínea (não curvo), que usa formas de triângulos retângulos com ângulos de 45º e 90º. A ponte foi construída com palitos de picolé, foram necessários 206 palitos para as junções (na qual chamamos de nó) [05], foi utilizado cola branca que serviu para a fixação dos palitos para que não saíssem do ângulo que foi posto, com o propósito de não comprometer a estrutura da ponte. Por último, foi realizado as devidas medições com a trena. [06] Figura 05 Figura 06 Fonte: Autor (2024) Fonte: Autor (2024) 6 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES Realizado primeiro teste com peso inicial de 5 kg [07], a estrutura se manteve estável e não sofreu deformações, no segundo teste dobramos a carga chegando em um valor de 10kg [08], no qual a ponte se manteve resistente sem nenhuma deformação. Figura 07 - Teste 5kg Figura 08 - Teste 10kg Fonte: Autor (2024) Fonte: Autor (2024) 6.1 TABELA DE DADOS A ponte treliçada de palito de picolé, quando bem projetada, pode suportar uma carga considerável, surpreendendo pela eficiência do material simples utilizado. Durante os testes de carga, foi observado que a treliça distribuía o peso uniformemente, permitindo que a ponte suportasse mais peso do que inicialmente esperado. Os resultados destacaram a importância do design geométrico na eficiência estrutural das pontes treliçadas. A forma triangular da treliça demonstrou ser crucial na distribuição das forças de compressão e tração ao longo dos palitos, minimizando a deformação e o colapso. 7. CONCLUSÃO Com isso, concluímos que o protótipo demonstrou não apenas a viabilidade e a eficiência das pontes treliçadas, mas também proporcionou um entendimento profundo sobre a aplicação prática dos princípios de engenharia estrutural. 7 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA CARVALHO , Miguel Scherplde. Resistência dos Materiais . Rio de Janeiro, Exped – E Expansão Editorial AS, 1979. Disponível em: <https://s3.amazonaws.Com/ academia.edu.documents/39639668/Res.1.pdf.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2 Y53UL3A&Expires=1541479751&Signature=xPGITBTOlpKWI2W2i2FBIWMNBz2BU3D &response-content-disposition=inline3B20filename3D> Acesso em 26 de junho de 2024. DUARTE, Erick José Costa. Análise de caso: comportamento mecânico das pontes de palito de picolé da UFERSA Campus Pau dos Ferros/RN. 2023. Acesso em 30 de junho de 2024. FERREIRA, Nathan Augusto. “Primeira Lei de Newton”; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/fisica/primeira -lei-newton.htm. Acesso em 27 de junho de 2024. HIBBELER, Russell Charles. Resistência dos materiais. 7. Ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil Ltda, 2010. 659 p. Acesso em 25 de junho de 2024. PIMENTA, Moisés; SCUDE LLER, Paulo; MARTINS, Tharles. Análise Estrutural de Ponte de Treliça. 2015. Disponível em: http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/vi ew/242/230. Acesso em: 23 de junho de 2024.