Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Introdução à Imunologia 
1 
 
O termo imunidade é derivado da palavra latina immunitas, a qual se 
refere à proteção contra processos legais oferecida aos senadores 
romanos durante seus mandatos. Historicamente, imunidade significa 
proteção contra doença e, mais especificamente, doença infecciosa. As 
células e moléculas responsáveis pela imunidade constituem o sistema 
imune, e sua resposta coletiva e coordenada à entrada de substâncias 
estranhas é denominada resposta imune. 
A função fisiológica do sistema imune é a defesa contra 
microrganismos infecciosos; entretanto, mesmo substâncias estranhas 
não infecciosas e produtos derivados de nossas células danificadas ou 
malignas (tumores) podem elicitar respostas imunes. Além disso, os 
mecanismos que normalmente protegem os indivíduos contra uma 
infecção e eliminam substâncias estranhas também são capazes de 
causar lesão tecidual e doença em algumas situações. Sob certas 
situações, mesmo moléculas próprias podem elicitar respostas imunes 
(as chamadas doenças autoimunes). Uma definição mais inclusiva de 
resposta imune é, portanto, uma reação aos microrganismos e às 
moléculas que são reconhecidas como estranhas ou anormais, 
independentemente da consequência fisiológica ou patológica dessa 
reação. Imunologia é o estudo das respostas imunes nesse sentido 
mais amplo, e dos eventos celulares e moleculares que ocorrem após 
um organismo encontrar microrganismos e outras macromoléculas 
estranhas. 
Desde a década de 1960, houve uma transformação notável em nosso 
entendimento sobre o sistema imune e suas funções. Os avanços nas 
técnicas de cultura celular (incluindo a produção de anticorpo 
monoclonal), imunoquímica, metodologia de DNA recombinante, 
sequenciamento de DNA de nova geração, cristalografia de raios X e 
criação de animais geneticamente modificados (especialmente 
camundongos transgênicos e knockout) transformaram a imunologia, 
então largamente descritiva, em uma ciência na qual os diversos 
fenômenos imunológicos podem ser explicados em termos estruturais 
e bioquímicos. Alguns dos mais importantes avanços na imunologia 
surgiram a partir dos anos 1990, com o desenvolvimento de terapias 
focando diferentes componentes do sistema imune, baseadas em 
ciência fundamental e que estão alterando dramaticamente a 
progressão de doenças inflamatórias e câncer em seres humanos. 
 
imunidade inata e adaptativa 
A defesa contra microrganismos é mediada por respostas sequenciais 
e coordenadas que são denominadas imunidade inata e adaptativa. A 
imunidade inata (também chamada imunidade natural ou imunidade 
nativa) é essencial para a defesa contra microrganismos nas primeiras 
horas ou dias após a infecção, antes que as respostas imunes 
adaptativas tenham se desenvolvido. A imunidade inata é mediada por 
mecanismos que já existem antes da ocorrência de uma infeção (por 
isso inata) e são capazes de reagir rapidamente contra microrganismos 
invasores. 
 
Em contraste à imunidade inata, há outras respostas imunes que são 
estimuladas pela exposição a agentes infecciosos e que aumentam em 
magnitude e capacidades defensivas após cada exposição sucessiva a 
um microrganismo em particular. Uma vez que essa forma de 
imunidade se desenvolve em resposta à infecção e a ela se adapta, é 
denominada imunidade adaptativa (também conhecida como 
imunidade específica ou imunidade adquirida). O sistema imune 
adaptativo reconhece e reage a um grande número de substâncias 
microbianas e não microbianas chamadas antígenos. Embora muitos 
patógenos tenham evoluído de maneira a resistir à resposta imune 
inata, as respostas imunes adaptativas mais fortes e mais especializadas 
são capazes de erradicar muitas dessas infecções. Também existem 
numerosas conexões entre as respostas imunes inata e adaptativa. A 
resposta imune inata aos microrganismos fornece os primeiros sinais 
de perigo que estimulam as respostas imunes adaptativas. Em 
contrapartida, as respostas imunes adaptativas frequentemente 
trabalham intensificando os mecanismos protetores da imunidade 
inata, tornando-os mais capazes de combater efetivamente os 
microrganismos. 
O sistema imune de cada indivíduo é capaz de reconhecer, responder 
e eliminar muitos antígenos estranhos (não próprios), mas 
normalmente não reage contra antígenos e tecidos do próprio 
indivíduo. Diferentes mecanismos são usados pelos sistemas imunes 
inato e adaptativo para prevenir reações contra células sadias do 
hospedeiro. 
Mecanismos de defesa do hospedeiro contra microrganismos estão 
presentes em todos os organismos multicelulares. Os mecanismos 
filogeneticamente mais antigos de defesa do hospedeiro são aqueles 
da imunidade inata, presentes até mesmo em plantas e insetos. Há 
cerca de 500 milhões de anos, peixes sem mandíbulas, como 
lampreias e peixes-bruxa, desenvolveram um sistema imune 
contendo células parecidas com linfócitos que devem funcionar 
como os linfócitos encontrados em espécies mais avançadas e até 
responder à imunização. Os receptores antigênicos nessas células são 
proteínas com variabilidade limitada, capazes de reconhecer muitos 
antígenos, porém distintos dos anticorpos e receptores de células T, 
os quais são altamente variáveis e surgiram mais tardiamente na 
evolução. Os mecanismos de defesa mais especializados que 
constituem a imunidade adaptativa são encontrados somente em 
vertebrados. A maior parte dos componentes do sistema imune 
adaptativo, incluindo linfócitos com receptores antigênicos altamente 
diversos, anticorpos e tecidos linfoides especializados, evoluiu 
coordenadamente dentro de um curto espaço de tempo nos 
vertebrados mandibulados (p. ex., tubarões) há aproximadamente 
360 milhões de anos. 
imunidade inata 
O sistema imune inato responde quase imediatamente a 
microrganismos e células lesionados, e repetidas exposições induzem 
respostas imunes inatas praticamente idênticas. Os receptores da 
imunidade inata são específicos para estruturas comuns a grupos de 
microrganismos relacionados, e não distinguem pequenas diferenças 
entre microrganismos. Os principais componentes da imunidade inata 
são (1) barreiras físicas e químicas, como os epitélios e os agentes 
antimicrobianos produzidos nas superfícies epiteliais; (2) células 
fagocíticas (neutrófilos, macrófagos), células dendríticas (DCs; do 
inglês, dendritic cells), mastócitos, células natural killer (células NK, 
ou “matadoras naturais”) e outras células linfoides inatas; e (3) 
proteínas sanguíneas, incluindo componentes do sistema 
complemento e outros mediadores da inflamação. Muitas células da 
imunidade inata, como DCs, alguns macrófagos e mastócitos, são 
residentes dos tecidos e atuam como sentinelas em busca de 
microrganismos que podem invadir esses tecidos. 
imunidade adaptativa 
A resposta imune adaptativa é mediada por células chamadas 
linfócitos e seus produtos. Os linfócitos expressam receptores 
altamente diversos que são capazes de reconhecer um vasto número 
de antígenos. Há duas populações principais de linfócitos, 
denominadas linfócitos B e linfócitos T, os quais medeiam diferentes 
tipos de respostas imunes adaptativas. 
2 
 
 
características fundamentais das 
respostas imunes adaptativas 
As propriedades fundamentais do sistema imune adaptativo refletem 
as propriedades dos linfócitos que medeiam essas respostas: 
•Especificidade e diversidade: respostas imunes são específicas para 
antígenos distintos e, frequentemente, para diferentes porções de um 
único complexo proteico, polissacarídico ou de outra macromolécula. 
As porções de antígenos complexos especificamente reconhecidas por 
linfócitos individuais são denominadas determinantes ou epítopos. 
Essa especificidade fina existe porque os linfócitos individuais 
expressam receptores de membrana que podem distinguir diferenças 
estruturais sutis entre epítopos distintos. Clones de linfócitos com 
diferentes especificidades estão presentes em indivíduos não 
imunizados e são capazes de reconhecer e responderaos antígenos 
estranhos. Esse conceito fundamental é denominado seleção clonal e 
foi claramente enunciado por Macfarlane Burnet, em 1957, como uma 
hipótese para explicar de que modo o sistema imune poderia 
responder a um grande número e variedade de antígenos. De acordo 
com essa hipótese, a qual é, atualmente, uma característica 
comprovada da imunidade adaptativa, clones de linfócitos antígeno-
específicos se desenvolvem antes e independentemente da exposição 
ao antígeno. Um antígeno introduzido se liga (seleciona) às células do 
clone antígeno-específico preexistente e as ativa, levando a uma 
resposta imune específica para aquele antígeno. O número total de 
especificidades antigênicas dos linfócitos em um indivíduo, chamado 
repertório dos linfócitos, é extremamente grande. Estima-se que o 
sistema imune de um indivíduo possa discriminar 107 a 109 
determinantes antigênicos distintos. Essa capacidade do repertório de 
linfócitos para reconhecer um grande número de antígenos (a 
chamada diversidade) é resultado da variabilidade nas estruturas dos 
sítios de ligação ao antígeno dos receptores antigênicos dos linfócitos. 
Em outras palavras, existem muitos clones distintos de linfócitos, e 
cada clone contém um único receptor antigênico e, 
consequentemente, uma única especificidade antigênica, contribuindo 
para um repertório total extremamente diverso. A expressão de 
diferentes receptores antigênicos em distintos clones de células T e B 
é a razão pela qual esses receptores são ditos clonalmente distribuídos. 
A diversidade é essencial se o sistema imune existir para defender os 
indivíduos contra os diversos potenciais patógenos presentes no 
ambiente. 
 
•Memória: a exposição do sistema imune a um antígeno estranho 
aumenta sua capacidade de responder novamente àquele antígeno. As 
respostas a uma segunda exposição ou exposições subsequentes ao 
mesmo antígeno, chamadas respostas imunes secundárias, são 
normalmente mais rápidas, de maior magnitude e, com frequência, 
quantitativamente diferentes da primeira resposta imune (ou 
primária) àquele antígeno. A memória imunológica ocorre porque 
cada exposição a um antígeno gera células de memória de vida longa 
específicas para o antígeno. Há dois motivos pelos quais as respostas 
secundárias são tipicamente mais fortes que as respostas imunes 
primárias – as células de memória se acumulam e se tornam mais 
numerosas que os linfócitos naive1 específicos para o antígeno 
existente no momento da exposição inicial ao antígeno; e células de 
memória reagem mais rápida e vigorosamente ao desafio antigênico 
do que os linfócitos naive. A memória permite que o sistema imune 
produza respostas aumentadas a exposições persistentes ou 
recorrentes ao mesmo antígeno e, assim, combata infecções por 
microrganismos prevalentes no meio ambiente e encontrados 
repetidamente. 
•Não reatividade ao próprio (autotolerância): uma das propriedades 
mais marcantes do sistema imune de cada indivíduo normal é sua 
capacidade de reconhecer, responder e eliminar muitos antígenos 
estranhos (não próprios) enquanto não reage prejudicialmente aos 
antígenos do próprio indivíduo. A não responsividade imunológica é 
também chamada tolerância. A tolerância aos antígenos próprios, ou 
autotolerância, é mantida por diversos mecanismos. Estes incluem a 
eliminação de linfócitos que expressam receptores específicos para 
alguns autoantígenos, inativando os linfócitos autorreativos ou 
suprimindo essas células pela ação de outras células (reguladoras). 
Anormalidades na indução ou manutenção da autotolerância levam a 
respostas imunes contra os autoantígenos (antígenos autólogos), as 
quais podem resultar em distúrbios denominados doenças 
autoimunes. 
Além dessas características principais da imunidade adaptativa, essas 
respostas apresentam algumas outras propriedades importantes: 
•Em decorrência da capacidade de linfócitos e outras células imunes 
de circular entre os tecidos, a imunidade adaptativa é sistêmica: isso 
significa que, mesmo quando iniciada em um local, a resposta imune 
pode conferir proteção em locais distantes. Essa característica é, 
obviamente, essencial para o sucesso da vacinação – uma vacina 
administrada no tecido subcutâneo ou muscular do braço pode 
proteger contra infecções em qualquer tecido. 
•As respostas imunes são reguladas por um sistema de alças de 
feedback positivo que amplifica a reação e por mecanismos de controle 
que previnem reações inapropriadas ou patológicas: quando ativados, 
os linfócitos desencadeiam mecanismos que amplificam a magnitude 
da resposta. Esse feedback positivo é importante para permitir que o 
pequeno número de linfócitos específicos para qualquer 
microrganismo gere a ampla resposta necessária para erradicar a 
infecção. Muitos mecanismos de controle tornam-se ativos durante as 
respostas imunes, prevenindo a ativação excessiva de linfócitos que 
poderiam causar danos colaterais aos tecidos normais, além de 
também prevenir respostas contra autoantígenos. 
visão geral da imunidade humoral e 
mediada por células 
Existem dois tipos de respostas imunes adaptativas, denominadas 
imunidade humoral e imunidade mediada por células, as quais são 
mediadas por diferentes tipos de linfócitos e atuam para eliminar 
diferentes tipos de microrganismos. A imunidade humoral é mediada 
por moléculas no sangue e em secreções mucosas, denominadas 
anticorpos, os quais são produzidos pelos linfócitos B. Os anticorpos 
reconhecem antígenos microbianos, neutralizam a infectividade dos 
microrganismos e marcam microrganismos para sua eliminação pelos 
fagócitos e pelo sistema complemento. A imunidade humoral é o 
principal mecanismo de defesa contra os microrganismos e suas 
toxinas, localizados fora das células (p. ex., no lúmen dos tratos 
gastrintestinal e respiratório, e no sangue), uma vez que os anticorpos 
secretados podem se ligar a esses microrganismos e toxinas, 
neutralizando-os, além de auxiliar na sua eliminação. 
3 
 
A imunidade mediada por células, também denominada imunidade 
celular, é mediada pelos linfócitos T. Muitos microrganismos são 
ingeridos, mas sobrevivem dentro dos fagócitos, e alguns, 
particularmente os vírus, infectam e se replicam em diversas células 
do hospedeiro. Nesses locais, os microrganismos são inacessíveis aos 
anticorpos circulantes. A defesa contra essas infecções é uma função 
da imunidade mediada por células, a qual promove a destruição de 
microrganismos dentro dos fagócitos e a morte das células infectadas 
para eliminar os reservatórios da infecção. 
Diferentes classes de linfócitos podem ser distinguidas pela expressão 
de proteínas de membrana, muitas das quais são designadas pela 
numeração CD (do inglês, cluster of differentiation). Essas moléculas 
de superfície estão também envolvidas nas funções dos linfócitos. 
A imunidade protetora contra um microrganismo pode ser fornecida 
tanto pela resposta do hospedeiro ao microrganismo quanto pela 
transferência de anticorpos que defendem contra o microrganismo. A 
forma de imunidade induzida pela exposição a um antígeno estranho 
é chamada imunidade ativa, porque o indivíduo imunizado tem papel 
ativo na resposta ao antígeno. Indivíduos e linfócitos que nunca 
encontraram um antígeno particular são considerados naive, 
implicando que ambos são imunologicamente inexperientes. 
Indivíduos que responderam a um antígeno microbiano e estão 
protegidos de exposições subsequentes àquele microrganismo são 
ditos imunes. 
A imunidade também pode ser conferida a um indivíduo pela 
transferência de anticorpos de um indivíduo imunizado para um 
indivíduo que nunca encontrou o antígeno. O receptor dessa 
transferência se torna imune ao antígeno em particular, sem nunca ter 
sido exposto nem ter respondido àquele antígeno. Portanto, essa 
forma de imunização é chamada imunidade passiva. Um exemplo 
fisiologicamente importante de imunidade passiva é a transferência de 
anticorpos maternos para o feto através da placenta, a qual permiteaos recém-nascidos o combate a infecções por vários meses antes que 
eles próprios desenvolvam a capacidade de produzir anticorpos. A 
imunização passiva é também um método útil na medicina por 
conferir resistência rapidamente, sem a necessidade de esperar pelo 
desenvolvimento de uma resposta imune ativa. A imunização passiva 
contra toxinas potencialmente letais pela administração de anticorpos 
de animais ou pessoas imunizadas é um tratamento que salva vidas 
em infecções rábicas ou picadas por serpentes. Pacientes com algumas 
doenças de imunodeficiências genéticas são imunizados passivamente 
pela transferência de um pool de anticorpos de doadores saudáveis. 
 
A primeira demonstração de imunidade humoral foi feita por Emil 
von Behring e Shibasaburo Kitasato, em 1890, usando uma estratégia 
de imunização passiva. Eles mostraram que, se o soro de animais que 
haviam sido imunizados com uma forma atenuada de toxina diftérica 
fosse transferido a animais naive, os receptores se tornavam resistentes 
especificamente à infecção diftérica. Os componentes ativos do soro 
foram chamados antitoxinas, porque neutralizaram os efeitos 
patológicos da toxina diftérica. Esse resultado levou ao tratamento da 
infecção diftérica, até então letal, pela administração da antitoxina, 
uma realização que foi reconhecida pelo primeiro Prêmio Nobel em 
Fisiologia ou Medicina concedido a von Behring. Na década de 1890, 
Paul Ehrlich postulou que as células imunes utilizam receptores, os 
quais chamou de cadeias laterais, para reconhecer toxinas microbianas 
e, subsequentemente, secretá-los para combater microrganismos. Ele 
cunhou o termo anticorpos (do alemão, antikörper) para designar as 
proteínas séricas que se ligam a substâncias estranhas, como toxinas, 
enquanto as substâncias que geraram os anticorpos foram 
denominadas antígenos. A definição moderna de antígenos inclui 
substâncias que se ligam a receptores específicos em linfócitos, quer 
estimulem ou não respostas imunes. De acordo com definições 
estritas, substâncias que estimulam as respostas imunes são chamadas 
imunógenos, embora o termo antígeno seja frequentemente usado de 
forma intercambiável com imunógeno. Os conceitos de Ehrlich 
representaram um modelo extraordinariamente preditivo para a 
especificidade da imunidade adaptativa. Esses estudos iniciais dos 
anticorpos levaram à aceitação geral da teoria humoral da imunidade, 
de acordo com a qual a defesa do hospedeiro contra infecções é 
mediada por substâncias presentes nos fluidos corporais (então 
chamados humores). 
 
No cenário clínico, a imunidade a um microrganismo previamente 
encontrado é avaliada indiretamente, tanto por ensaios que detectam 
a presença de produtos das respostas imunes (como anticorpos séricos 
específicos para antígenos microbianos) quanto pela administração de 
substâncias purificadas de microrganismos, e avaliando as reações a 
essas substâncias. A reação a um antígeno é detectável somente em 
indivíduos que entraram previamente em contato com o antígeno, 
refletindo a memória para aquele antígeno. Esses indivíduos são ditos 
sensibilizados ao antígeno, e a reação é uma indicação de 
sensibilidade. Essa reação a um antígeno microbiano implica que o 
indivíduo sensibilizado seja capaz de montar uma resposta protetora 
ao microrganismo. 
 
iniciação e desenvolvimento das 
respostas imunes adaptativas 
A maioria dos microrganismos e outros antígenos entram no 
organismo através das barreiras epiteliais, e as respostas imunes 
adaptativas a esses antígenos se desenvolvem em órgãos linfoides 
periféricos (secundários). A iniciação das respostas imunes adaptativas 
requer que os antígenos sejam capturados e expostos aos linfócitos 
específicos. As células que realizam essa função são chamadas células 
apresentadoras de antígeno (APCs; do inglês, antigen-presenting 
cells). As APCs mais especializadas são as DCs, as quais capturam 
antígenos microbianos que entram no organismo a partir do ambiente 
externo, transportam esses antígenos aos órgãos linfoides e os 
4 
 
apresentam aos linfócitos T naive para iniciar as respostas imunes. 
Outros tipos celulares atuam como APCs em diferentes estágios das 
respostas imunes humorais e mediadas por células. 
Os linfócitos naive expressam receptores antigênicos, mas nunca 
responderam ao antígeno. A ativação desses linfócitos pelo antígeno 
leva à proliferação dessas células, resultando em um aumento no 
número de clones antígeno-específicos, denominado expansão clonal. 
Esse processo é seguido pela diferenciação dos linfócitos ativados em 
células capazes de eliminar o antígeno, as quais são chamadas células 
efetoras porque medeiam o efeito final da resposta imune, e em células 
de memória, que sobrevivem por longos períodos e montam fortes 
respostas após encontros repetidos com o antígeno. A eliminação do 
antígeno frequentemente requer a participação de outras células não 
linfoides, como macrófagos e neutrófilos, as quais, por vezes, são 
chamadas células efetoras. Esses passos da ativação dos linfócitos e sua 
diferenciação em células efetoras tipicamente demoram alguns dias, o 
que explica por que a resposta imune adaptativa se desenvolve de 
maneira lenta, e há a necessidade de a imunidade inata inicialmente 
conferir proteção. 
Uma vez que a resposta imune adaptativa tenha erradicado a infecção, 
o estímulo para a ativação dos linfócitos se dissipa e a maior parte das 
células efetoras morre, resultando no declínio da resposta. As células 
de memória permanecem, prontas para responder vigorosamente caso 
a mesma infecção se repita. 
As células do sistema imune interagem umas com as outras e com 
outras células do hospedeiro por meio de proteínas secretadas 
chamadas citocinas. Essas interações são essenciais tanto durante os 
estágios de iniciação quanto efetor das respostas imunes inata e 
adaptativa. As citocinas constituem um amplo grupo de proteínas 
secretadas com diversas estruturas e funções, as quais regulam e 
coordenam muitas atividades das células da imunidade inata e 
adaptativa. Todas as células do sistema imune secretam pelo menos 
algumas citocinas e expressam receptores de sinalização específicos 
para diversas citocinas. Entre as muitas funções das citocinas que 
discutiremos ao longo deste livro, estão promoção de crescimento e 
diferenciação das células imunes, ativação das funções de linfócitos e 
fagócitos que eliminam os microrganismos (chamadas funções 
efetoras) e estimulação de movimento direcionado das células imunes 
a partir do sangue para os tecidos e dentro deles. Um grande subgrupo 
de citocinas estruturalmente relacionadas que regulam a adesão e a 
migração celular é conhecido como quimiocinas. As citocinas também 
estão envolvidas em doenças imunológicas, e alguns dos fármacos 
mais efetivos desenvolvidos para tratá-las têm como alvo as citocinas. 
 
imunidade humoral 
Linfócitos B que reconhecem antígenos proliferam e se diferenciam 
em plasmócitos que secretam diferentes classes de anticorpos com 
funções distintas. Cada clone de células B expressa um receptor 
antigênico de superfície celular, o qual é uma forma de anticorpo 
ligado à membrana, com uma especificidade antigênica única. 
Diferentes tipos de antígenos, incluindo proteínas, polissacarídios, 
lipídios e moléculas pequenas, são capazes de elicitar respostas de 
anticorpos. A resposta das células B aos antígenos proteicos requer 
sinais de ativação (auxílio) das células T CD4+ (esta é a razão histórica 
pela qual chamamos essas células T de células auxiliares). As células 
B podem responder a vários antígenos não proteicos sem a 
participação de células T auxiliares. Cada plasmócito secreta 
anticorpos que têm o mesmo sítio de ligação ao antígeno, uma vez 
que são os receptores antigênicos da superfície da célula B que 
primeiro reconheceram o antígeno. Polissacarídios e lipídios 
estimulam a secreção principalmente do anticorpo da classe (isótipo) 
denominada imunoglobulina M (IgM). Antígenos proteicosinduzem 
a produção de anticorpos de diferentes classes (IgG, IgA, IgE) a partir 
de um único clone de células B, um processo chamado troca de classe 
(ou isótipo) de cadeia pesada. Essas diferentes classes de anticorpos 
servem a funções distintas, mencionadas adiante. Células T auxiliares 
também estimulam a produção de anticorpos com afinidade 
aumentada ao antígeno. Esse processo, chamado maturação de 
afinidade, melhora a qualidade da resposta imune humoral. 
A resposta imune humoral combate microrganismos de várias 
maneiras. Os anticorpos se ligam aos microrganismos e os impedem 
de infectar as células, assim neutralizando-os. A neutralização 
mediada por anticorpos é o único mecanismo da imunidade 
adaptativa que detém uma infecção antes que ela se estabeleça; esta é 
a razão pela qual a elicitação da produção de anticorpos neutralizantes 
potentes é um objetivo-chave da vacinação. Anticorpos IgG recobrem 
os microrganismos e os marcam para a fagocitose, porque os fagócitos 
(neutrófilos e macrófagos) expressam receptores para porções das 
moléculas de IgG. O sistema complemento é ativado por IgM e IgG, 
e os produtos do complemento promovem a fagocitose e a destruição 
dos microrganismos. A IgA é secretada pelo epitélio da mucosa e 
neutraliza microrganismos no lúmen dos tecidos de mucosa, como os 
tratos respiratório e gastrintestinal, prevenindo assim que os 
microrganismos inalados e ingeridos infectem o hospedeiro. A IgG 
materna é ativamente transportada através da placenta e protege o 
recém-nascido até que o sistema imune do bebê se torne maduro. A 
maior parte dos anticorpos IgG tem meia-vida na circulação de 
aproximadamente 3 semanas, enquanto outras classes de anticorpos 
têm meias-vidas de apenas poucos dias. Alguns plasmócitos secretores 
de anticorpos migram para a medula óssea ou tecidos de mucosa e 
vivem por anos, produzindo continuamente baixos níveis de 
anticorpos. Os anticorpos secretados por esses plasmócitos de vida 
longa fornecem proteção imediata se o microrganismo reinfectar o 
indivíduo. Uma proteção mais efetiva é fornecida pelas células de 
memória, que são ativadas pelo microrganismo e rapidamente se 
diferenciam para gerar grandes números de plasmócitos. 
imunidade mediada por células 
Os linfócitos T, células da imunidade celular, reconhecem os 
antígenos dos microrganismos associados às células e diferentes tipos 
de células T auxiliam os fagócitos a destruir esses microrganismos ou 
matar as células infectadas. As células T não produzem moléculas de 
anticorpo. Seus receptores antigênicos são moléculas de membrana 
distintas, mas estruturalmente relacionadas aos anticorpos. Os 
linfócitos T têm uma especificidade restrita para antígenos; eles 
reconhecem peptídios derivados das proteínas estranhas que estão 
ligadas às proteínas do hospedeiro denominadas moléculas do 
complexo principal de histocompatibilidade (MHC; do inglês, major 
histocompatibility complex), as quais são expressas nas superfícies de 
outras células. Como resultado, essas células T reconhecem e 
respondem aos antígenos associados a células, mas não aos antígenos 
solúveis. 
Os linfócitos T consistem em populações funcionalmente distintas, 
dentre as quais as mais bem definidas são as células T auxiliares e os 
linfócitos T citotóxicos ou citolíticos (CTLs; do inglês, cytotoxic T 
lymphocytes). As células T auxiliares atuam principalmente pela 
secreção de citocinas e por moléculas de membrana, as quais ativam 
outras células para matar microrganismos, enquanto os CTLs 
produzem moléculas que matam diretamente as células do 
hospedeiro. Alguns linfócitos T, denominados células T reguladoras, 
atuam principalmente na inibição das respostas imunes. 
Após a ativação nos órgãos linfoides secundários, os linfócitos T naive 
se diferenciam em células efetoras, e muitas destas deixam os órgãos 
linfoides e migram para os sítios de infecção. Quando essas células T 
efetoras encontram novamente os microrganismos associados a 
células, são ativadas e realizam as funções responsáveis pela 
eliminação dos microrganismos. As citocinas produzidas pelas células 
T auxiliares CD4+ recrutam leucócitos, e tanto as citocinas quanto as 
proteínas de membrana plasmática estimulam a produção de 
substâncias microbicidas nos fagócitos. Assim, essas células T auxiliam 
os fagócitos a matar os patógenos infecciosos. Outras células T 
auxiliares CD4+ secretam citocinas que ajudam as células B a produzir 
um tipo de anticorpo chamado IgE e ativam leucócitos denominados 
eosinófilos, os quais são capazes de matar helmintos grandes demais 
para serem fagocitados. Algumas células T auxiliares CD4+ 
5 
 
permanecem nos órgãos linfoides e usam moléculas de membrana e 
citocinas para estimular a produção de anticorpos altamente efetivos 
e funcionalmente especializados pelas células B. 
CTLs CD8+ matam as células que abrigam microrganismos no 
citoplasma. Esses microrganismos podem ser vírus que infectam 
muitos tipos celulares ou bactérias que são ingeridas pelos macrófagos, 
mas escapam das vesículas fagocíticas no citoplasma (em que são 
inacessíveis à maquinaria de morte dos fagócitos, amplamente 
confinadas às vesículas). Com a destruição das células infectadas, os 
CTLs eliminam os reservatórios da infecção. Os CTLs também matam 
células tumorais que expressam antígenos reconhecidos como 
estranhos. 
em resumo 
O sistema imunológico é uma rede intricada de células, tecidos e 
moléculas que trabalham em conjunto para proteger o organismo 
contra patógenos, como vírus, bactérias e fungos, além de 
desempenhar um papel na prevenção de doenças e na remoção de 
células danificadas. Ele é capaz de reconhecer e distinguir entre 
substâncias próprias e estranhas, desencadeando respostas imunes 
específicas para combater infecções. O sistema imunológico produz 
anticorpos, que neutralizam patógenos, e mobiliza células de defesa, 
como linfócitos, para eliminar ameaças. A memória imunológica 
permite ao corpo reagir mais rapidamente a patógenos previamente 
encontrados. Distúrbios no sistema imunológico podem levar a 
doenças autoimunes ou susceptibilidade a infecções. 
As respostas imunes são reações do sistema imunológico a estímulos 
que ameaçam a saúde do organismo. Existem dois tipos principais de 
respostas imunes: a resposta imune inata e a resposta imune 
adaptativa. 
1. Resposta Imune Inata: É a primeira linha de defesa do corpo contra 
patógenos. Ela é rápida e não específica, envolvendo barreiras físicas, 
como a pele e as mucosas, assim como células de defesa, como os 
macrófagos e neutrófilos, que engolfam e destroem patógenos. A 
resposta inata também inclui a liberação de substâncias 
antimicrobianas e a ativação de processos inflamatórios para limitar a 
propagação da infecção. 
2. Resposta Imune Adaptativa: Desenvolve-se ao longo do tempo em 
resposta a patógenos específicos. Envolve a ação dos linfócitos B e T, 
que produzem anticorpos e células T citotóxicas, respectivamente. 
Essa resposta é caracterizada pela especificidade, memória e 
diversidade. Quando o sistema é exposto a um patógeno, ele cria 
memória imunológica, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz 
em encontros futuros. 
Tanto a resposta imune inata quanto a adaptativa trabalham em 
conjunto para combater infecções e manter o equilíbrio no organismo. 
No entanto, desequilíbrios ou falhas nessas respostas podem levar a 
doenças autoimunes, alergias e outros problemas de saúde. Portanto, 
as respostas imunes desempenham um papel fundamental na defesa e 
na manutenção da saúde do corpo.

Mais conteúdos dessa disciplina