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Contexto e Ação Sociedade e Natureza (24)

Trecho sobre famílias linguísticas indígenas e práticas de manejo amazônico. Define famílias e classificações (Aryon Rodrigues: macro-jê e tupi), discute dispersão e cerca de 200 línguas, e traz a tese de Carolina Levis sobre florestas domesticadas e cultivo de açaí, castanha e cacau.

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Kyoku Kai

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Famílias linguísticas: origem e dispersão dos povos indígenas 
RODRIGUES, Aryon 
Dall’Igna. Línguas brasileiras: 
para o conhecimento das 
línguas indígenas. 4. ed. São 
Paulo: Edições Loyola, 2002.
Famílias linguísticas
Famílias linguísticas são grupos de idiomas aparentados que derivam de uma língua ances-
tral comum, também chamada de protolíngua. Famílias de idiomas com origens comuns e 
semelhanças sutis formam conjuntos linguísticos que, agrupados, classificam-se em troncos 
linguísticos. Há mais similaridades entre famílias do que entre troncos e, pela sua comple-
xidade, as relações e extensões são sempre um tema controverso.
Geralmente, pesquisadores divergem sobre as classificações usuais, propondo outras famí-
lias ou diferentes agrupamentos linguísticos. 
Isso ocorre com as línguas indígenas faladas no Brasil. O linguista Aryon Rodrigues as di-
vide em dois troncos: macro-jê e tupi. Essa é a classificação mais usual, mas não é aceita 
consensualmente na comunidade científica internacional. Muitos linguistas utilizam apenas 
famílias para classificar as línguas indígenas brasileiras.
Conceito
Existem hoje, no Brasil, cerca de 200 línguas indígenas. Algumas delas são se-
melhantes entre si; outras, não. Isso se explica tanto por origens comuns como 
por processos de diversificação ao longo do tempo. 
Há indícios de que grupos indígenas das principais famílias linguísticas já 
estavam bastante espalhados por volta de 500 a.C. Isso significa que desde tem-
pos remotos havia no território amazônico sistemas culturais complexos, que 
envolviam troca de bens, casamentos e até mesmo guerras entre as populações, 
resultando na formação de macrorregiões pluriétnicas. Em algumas regiões ama-
zônicas, há evidências, por exemplo, de línguas específicas que esses povos utili-
zavam para realizar trocas comerciais antes 
da chegada dos europeus. No século XVI, 
portanto, o cenário social era bastante com-
plexo, com conglomerados populacionais 
pluriétnicos em alguns locais, principalmen-
te ao longo dos grandes rios. 
A expansão populacional pela Améri-
ca do Sul foi acompanhada de inovações 
na agricultura, como a cultura de rotação 
de plantios (com queimadas controla-
das), intenso cultivo de árvores frutíferas, 
formação de sistemas regionais com in-
tegração de diferentes povos falantes de 
línguas distintas e, também, produção de 
hierarquias entre essas populações. Em-
bora as línguas pertencessem a famílias 
diferentes, alguns pesquisadores sugerem 
que, em algum momento (há pelo menos 
5 mil anos), pode ter existido uma língua 
ancestral comum que deu origem às famí-
lias tupis, macro-jês e karibes, já que há algu-
mas similaridades entre elas. 
América do Sul: principais famílias 
linguísticas – 1500 a. C.
Fonte: elaborado com base em AIKHENVALD, Alexandra. Amazonia: 
Linguistic History. In: BELLWOOD, Peter. The Global Prehistory of 
Human Migration. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2013. p. 945.
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50° O
0 835
km
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
Equador
Trópico de Capricórnio
Karib
Tupi
Macro-Jê
Chibchan
Panoan e Tacanan
Quechua e Aymara
Não identificado
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1. Leia, a seguir, um texto sobre o trabalho da bióloga Carolina Levis, vencedora do 
Prêmio Capes de Teses 2019, na área de biodiversidade, que trouxe evidências 
de que na Amazônia há florestas domesticadas pelos povos indígenas desde 
pelo menos 13 mil anos atrás.
[…] a tese evidenciou efeitos persistentes das atividades humanas passa-
das na composição florística das florestas amazônicas atuais, especialmente 
em áreas próximas a sítios arqueológicos, onde o grupo de pesquisadores en-
controu evidências de ocupação humana de longa duração. O estudo também 
descreveu múltiplas práticas de manejo locais que levaram à criação e manu-
tenção de florestas com alta concentração de plantas muito importantes para 
a dieta dos povos amazônicos, como açaí, castanha e cacau.
“Nossos resultados indicam como parte da flora amazônica tem sido mol-
dada pela interação entre processos naturais e práticas culturais dos seres 
humanos”, contou Levis […] 
Segundo Carolina Levis, o tema do papel do manejo humano de longa du-
ração sobre as florestas amazônicas atuais é raramente explorado nos estudos 
ecológicos, porém é de alta relevância para o planejamento e direcionamento 
de ações futuras de conservação e manejo dos patrimônios naturais e culturais 
ainda abundantes na região. […]
[…] “Também começamos a desenvolver atividades de educação científica 
em escolas dentro das unidades de conservação que trabalhamos (Flona Tapa-
jós), dando poder às populações locais para se apropriarem do conhecimento 
científico e se tornarem parceiros na conservação do legado deixado pelos 
antigos habitantes da região”, disse Levis.
TESE sobre domesticação das Florestas Amazônicas do curso de Ecologia do INPA conquista prêmio. INPA, 16 set. 
2019. Disponível em: http://portal.inpa.gov.br/index.php/ultimas-noticias/3623-tese-sobre-domesticacao-das-
florestas-amazonicas-do-curso-de-ecologia-do-inpa-conquista-premio. Acesso em: 30 abr. 2020.
a) Quais foram as principais descobertas da pesquisa citada no texto?
b) Que evidências sustentam a tese defendida pela bióloga?
c) Escreva, no caderno, um resumo do texto, sintetizando com suas palavras as 
principais ideias apresentadas nele.
d) Faça uma pesquisa sobre a Capes, instituição que concedeu o prêmio men-
cionado no texto à bióloga Carolina Levis. Depois converse com os colegas 
sobre os programas e bolsas de estudo disponíveis, sua relevância e seu im-
pacto na sociedade.
2. O livro Marasmius yanomami: o fungo que as mulheres yanomami usam na cesta-
ria trata das técnicas e dos conhecimentos de um povo indígena.
Organize-se em grupo com os colegas para ler o livro e discutir a relação dos 
Yanomami com o território onde vivem e o meio ambiente. Depois, discutam 
as questões a seguir:
•	 Qual é a relação dos Yanomami com a terra?
•	 Qual é a relação dos Yanomami com o meio ambiente? 
•	 Quais são as práticas e técnicas de produção dos Yanomami?
A publicação está disponível em: https://acervo.socioambiental.org/sites/ 
default/files/publications/YAL00052_1.pdf. Acesso em: 21 maio 2020.
Explorando
NÃO ESCREVA NO LIVROProfessor, no Manual você encontra orientações 
sobre estas atividades.
Carolina Levis, bióloga 
brasileira que pesquisa a 
biodiversidade da Amazônia. 
Fotografia de 2020.
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Capa do livro Marasmius 
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mulheres yanomami usam na 
cestaria, publicado em 2019. 
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