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Famílias linguísticas: origem e dispersão dos povos indígenas RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. 4. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Famílias linguísticas Famílias linguísticas são grupos de idiomas aparentados que derivam de uma língua ances- tral comum, também chamada de protolíngua. Famílias de idiomas com origens comuns e semelhanças sutis formam conjuntos linguísticos que, agrupados, classificam-se em troncos linguísticos. Há mais similaridades entre famílias do que entre troncos e, pela sua comple- xidade, as relações e extensões são sempre um tema controverso. Geralmente, pesquisadores divergem sobre as classificações usuais, propondo outras famí- lias ou diferentes agrupamentos linguísticos. Isso ocorre com as línguas indígenas faladas no Brasil. O linguista Aryon Rodrigues as di- vide em dois troncos: macro-jê e tupi. Essa é a classificação mais usual, mas não é aceita consensualmente na comunidade científica internacional. Muitos linguistas utilizam apenas famílias para classificar as línguas indígenas brasileiras. Conceito Existem hoje, no Brasil, cerca de 200 línguas indígenas. Algumas delas são se- melhantes entre si; outras, não. Isso se explica tanto por origens comuns como por processos de diversificação ao longo do tempo. Há indícios de que grupos indígenas das principais famílias linguísticas já estavam bastante espalhados por volta de 500 a.C. Isso significa que desde tem- pos remotos havia no território amazônico sistemas culturais complexos, que envolviam troca de bens, casamentos e até mesmo guerras entre as populações, resultando na formação de macrorregiões pluriétnicas. Em algumas regiões ama- zônicas, há evidências, por exemplo, de línguas específicas que esses povos utili- zavam para realizar trocas comerciais antes da chegada dos europeus. No século XVI, portanto, o cenário social era bastante com- plexo, com conglomerados populacionais pluriétnicos em alguns locais, principalmen- te ao longo dos grandes rios. A expansão populacional pela Améri- ca do Sul foi acompanhada de inovações na agricultura, como a cultura de rotação de plantios (com queimadas controla- das), intenso cultivo de árvores frutíferas, formação de sistemas regionais com in- tegração de diferentes povos falantes de línguas distintas e, também, produção de hierarquias entre essas populações. Em- bora as línguas pertencessem a famílias diferentes, alguns pesquisadores sugerem que, em algum momento (há pelo menos 5 mil anos), pode ter existido uma língua ancestral comum que deu origem às famí- lias tupis, macro-jês e karibes, já que há algu- mas similaridades entre elas. América do Sul: principais famílias linguísticas – 1500 a. C. Fonte: elaborado com base em AIKHENVALD, Alexandra. Amazonia: Linguistic History. In: BELLWOOD, Peter. The Global Prehistory of Human Migration. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2013. p. 945. Rio Amazonas R io P a ra g u a i Rio Negro R io P ar an á Rio Pu ru s R io M ad ei ra R io T a p a jó s R io X in g u 0° 50° O 0 835 km OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO Equador Trópico de Capricórnio Karib Tupi Macro-Jê Chibchan Panoan e Tacanan Quechua e Aymara Não identificado Aruak E ri c s o n G u ilh e rm e L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 45 V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 45V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 45 05/09/2020 11:1505/09/2020 11:15 1. Leia, a seguir, um texto sobre o trabalho da bióloga Carolina Levis, vencedora do Prêmio Capes de Teses 2019, na área de biodiversidade, que trouxe evidências de que na Amazônia há florestas domesticadas pelos povos indígenas desde pelo menos 13 mil anos atrás. […] a tese evidenciou efeitos persistentes das atividades humanas passa- das na composição florística das florestas amazônicas atuais, especialmente em áreas próximas a sítios arqueológicos, onde o grupo de pesquisadores en- controu evidências de ocupação humana de longa duração. O estudo também descreveu múltiplas práticas de manejo locais que levaram à criação e manu- tenção de florestas com alta concentração de plantas muito importantes para a dieta dos povos amazônicos, como açaí, castanha e cacau. “Nossos resultados indicam como parte da flora amazônica tem sido mol- dada pela interação entre processos naturais e práticas culturais dos seres humanos”, contou Levis […] Segundo Carolina Levis, o tema do papel do manejo humano de longa du- ração sobre as florestas amazônicas atuais é raramente explorado nos estudos ecológicos, porém é de alta relevância para o planejamento e direcionamento de ações futuras de conservação e manejo dos patrimônios naturais e culturais ainda abundantes na região. […] […] “Também começamos a desenvolver atividades de educação científica em escolas dentro das unidades de conservação que trabalhamos (Flona Tapa- jós), dando poder às populações locais para se apropriarem do conhecimento científico e se tornarem parceiros na conservação do legado deixado pelos antigos habitantes da região”, disse Levis. TESE sobre domesticação das Florestas Amazônicas do curso de Ecologia do INPA conquista prêmio. INPA, 16 set. 2019. Disponível em: http://portal.inpa.gov.br/index.php/ultimas-noticias/3623-tese-sobre-domesticacao-das- florestas-amazonicas-do-curso-de-ecologia-do-inpa-conquista-premio. Acesso em: 30 abr. 2020. a) Quais foram as principais descobertas da pesquisa citada no texto? b) Que evidências sustentam a tese defendida pela bióloga? c) Escreva, no caderno, um resumo do texto, sintetizando com suas palavras as principais ideias apresentadas nele. d) Faça uma pesquisa sobre a Capes, instituição que concedeu o prêmio men- cionado no texto à bióloga Carolina Levis. Depois converse com os colegas sobre os programas e bolsas de estudo disponíveis, sua relevância e seu im- pacto na sociedade. 2. O livro Marasmius yanomami: o fungo que as mulheres yanomami usam na cesta- ria trata das técnicas e dos conhecimentos de um povo indígena. Organize-se em grupo com os colegas para ler o livro e discutir a relação dos Yanomami com o território onde vivem e o meio ambiente. Depois, discutam as questões a seguir: • Qual é a relação dos Yanomami com a terra? • Qual é a relação dos Yanomami com o meio ambiente? • Quais são as práticas e técnicas de produção dos Yanomami? A publicação está disponível em: https://acervo.socioambiental.org/sites/ default/files/publications/YAL00052_1.pdf. Acesso em: 21 maio 2020. Explorando NÃO ESCREVA NO LIVROProfessor, no Manual você encontra orientações sobre estas atividades. Carolina Levis, bióloga brasileira que pesquisa a biodiversidade da Amazônia. Fotografia de 2020. B e rn a rd o M . F lo re s /A c e rv o d o f o tó g ra fo Capa do livro Marasmius yanomami: o fungo que as mulheres yanomami usam na cestaria, publicado em 2019. IS A /w w w .s o c io a m b ie n ta l. o rg 46 V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 46V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 46 05/09/2020 11:1505/09/2020 11:15