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192 resolução de problemas. Por isso, professor e alunos de- vem estar completamente de acordo sobre os significa- dos das palavras que usam para se comunicarem. Existem termos matemáticos utilizados na linguagem cotidiana com sentidos diferentes. Estudos realizados sobre a apropriação de vocabulário mostram que uma criança, ao se deparar com uma palavra já conhecida, mas com sentido diferente, o primeiro significado se impõe a ela, mesmo que não faça sentido no contexto. Com os jovens, essa dificuldade de descartar o signifi- cado primário também pode acontecer. De acordo com alguns estudos, há uma probabilidade maior de os alu- nos perceberem os dois sentidos quando sua atenção é dirigida para o fato. Em uma pesquisa sobre conheci- mentos matemáticos, Oliveira e Lopes (2012) destacam que, em um primeiro contato com o tema, os alunos não conseguem entender o significado matemático de um termo da linguagem natural. Uma atividade proposta nesse mesmo estudo con- sistia na elaboração de um glossário pelos alunos, com base em um levantamento dos termos que eles consi- deravam mais importantes. Nesse trabalho, os alunos apresentavam a definição com as próprias palavras, fornecendo um exemplo, uma aplicação ou uma relação com outro termo. Quando os termos tinham significa- dos diferentes na Matemática e na linguagem cotidiana, ambos eram registrados. Certamente, o conhecimento vocabular é essencial para a aprendizagem de novos conceitos apresentados aos alunos. Essa pesquisa mos- tra que a focalização no termo, no decorrer da aula, por exemplo, leva-os a procurar as diferenças com a lingua- gem cotidiana e a construir uma nova definição, dessa vez matemática, para o termo em questão. Desse modo, a prática de leitura e escrita nas aulas de Matemática no Ensino Médio pode ser um caminho que propicia a relação professor/aluno e aluno/alunos mais interativa e, consequentemente, mais efetiva. Isso não apenas para a construção do conhecimento mate- mático, mas para o conhecimento em geral, contribuin- do, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para uma estratégia que repense os processos de ensino e aprendizagem, possibilitando aos alunos não apenas a aquisição de conhecimentos e competên- cias, mas também convivência e realização individual, por meio de experiências inovadoras. Desenvolvimento de estratégias de estudo No Ensino Médio, é possível que alguns alunos ain- da não tenham desenvolvido as estratégias de estudo independentes, esperadas nessa etapa da Educa- ção Básica, na qual já deviam ter desenvolvido prá- ticas de leitura (e de escrita, ou seja, práticas de le- tramento) mais autônomas. Em relação a qualquer leitura, mais ainda em relação a textos matemáti- cos, os alunos parecem depender do auxílio contí- nuo do professor. Pesquisadores (RIBEIRO; KAIBER, 2012) têm observado que a tendência é solicitar ajuda diante da primeira dificuldade na leitura do problema, sem ao menos tentar resolvê-la relendo, anotando e sublinhando. Entretanto, esses estudos também des- tacam que basta o professor orientá-los a fazer uma segunda leitura, que a superação das dificuldades já passa a ser notada. Essas práticas mostram que boa parte dos alunos não tem repertório de leitura adequa- do e, com isso, não desenvolveu estratégias de estudo que permitam um aprendizado autônomo. Uma maneira de orientar o jovem ou adolescente a desenvolver estratégias próprias de estudo é ensiná- -lo a utilizar o livro didático, pois este, se bem utiliza- do, fornece aos alunos uma oportunidade de revisar o conteúdo estudado e refletir sobre os conceitos abor- dados. Desse modo, o livro didático de Matemática auxilia na consulta e no esclarecimento de conceitos. Com o livro, os alunos determinam seus ritmos de lei- tura e de aprendizagem (eles podem até solicitar ajuda a algum membro da família e este pode ajudar, desde que seja um leitor e o material esteja apresentado de modo explícito). Para que os alunos estudem de maneira independen- te, eles devem entender como o texto está estruturado. Saber usar a estrutura textual é uma habilidade que pre- cisa ser desenvolvida, e os alunos precisam de estratégias que os ajudem a explorar todo o capítulo, a lê-lo de modo global, para entender que parte da informação é impor- tante, que informações dependem de outras e o que é detalhe. Esse conteúdo pode fazer parte de uma aula cujo objetivo é conhecer o livro didático: ler o sumário; analisar como são sinalizados os títulos e os subtítulos (tamanho das letras, cores, uso de números); descobrir partes do texto e suas relações, o que os subtítulos indicam; veri- ficar hierarquias entre seções e subseções; e elaborar um diagrama mostrando essas relações. Também, com o ob- jetivo de adquirir estratégias de leitura e estudo indepen- dentes, eles podem ser orientados a fazer um resumo do capítulo contendo os conceitos mais importantes aborda- dos, com exemplos ou aplicações. Os documentos oficiais defendem que a Matemá- tica no Ensino Médio tem valores formativo e instru- mental. O foco na leitura, por um lado, desenvolve o raciocínio e o pensamento crítico; por outro, constitui- -se em ferramenta indispensável para interpretar e re- solver problemas corriqueiros. O professor de Matemática tem a oportunidade de formar cidadãos que sejam capazes de expressarem suas ideias adequadamente e de modo competente, oralmente e por escrito, para que possam se inserir de pleno direito na sociedade e ajudar na construção e na transformação da sociedade em que atuam. Portanto, é preciso reconhecer que a linguagem matemática é de suma importância, não apenas para os estudiosos da área, mas para qualquer cidadão que necessita utilizá- -la com criticidade e autonomia. g21_scp_mp_2mat_p161a192_geral.indd 192g21_scp_mp_2mat_p161a192_geral.indd 192 9/20/20 10:24 AM9/20/20 10:24 AM 193 •ALRO, Helle; SKOVSMOSE, Ole. Diálogo e aprendiza- gem em educação matemática. 2 ed. Belo Hori- zonte: Autêntica, 2010. Este livro argumenta que o bom diálogo em sala de aula está relacionado diretamente com a aprendiza- gem, relatando sua importância. •BASSANEZI, Rodney C. Ensino-aprendizagem com Modelagem Matemática. São Paulo: Contexto, 2002. Este livro motiva o professor a usar a metodologia Mode- lagem Matemática no encaminhamento das aulas, par- tindo da ideia de que é possível articular atividades de modelagem e resolução de situações-problema, permi- tindo a análise de resultados, a interpretação de gráficos e tabelas, entre outras ações. •BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF: MEC, 1996. p. 27833. Disponí- vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l9394.htm>. Acesso em: 15 jun. 2020. Este site apresenta a lei de diretrizes e bases da Educação Nacional. • . Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2020. Este site apresenta a versão final completa da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que norteia o trabalho do professor atendendo às demandas dos alunos desta época e preparando-os para o futuro. • . Ministério da Educação. Conselho Nacio- nal de Educação. Câmara de Educação Básica. Pare- cer CNE/CEB nº 3/2018. Brasília, DF: 8 nov. 2018. Dis- ponível em: <http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_docman&view=download&ali as=102311-pceb003-18&category_slug=novembro- 2018-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 16 jun. 2020. Este documento apresenta o parecer homologado do Ministério da Educação e a atualização das Diretrizes Curri- culares Nacionais para o Ensino Médio, observadas as alte- rações introduzidas pela LDB por meio da Lei nº 13.415/2017. • . Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEBnº 5/2011. Distrito Federal, DF: Ministério da Educação, 4 maio 2011. Disponível em: <http:// por tal.mec.gov.br/index.php?option=com_ docman&view=download&alias=9915-pceb005- 11-1-1&Itemid=30192>. Acesso em: 15 jun. 2020. Este documento apresenta o parecer homologado do Ministério da Educação sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. • . Ministério da Educação. Temas Contem- porâneos Transversais na BNCC: contexto histórico e pressupostos pedagógicos. Brasília, DF, 2019. Disponível em: <http://basenacionalcomum. mec.gov.br/images/implementacao/contextuali zacao_temas_contemporaneos.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2020. Este documento visa a um detalhamento esclarecedor de como os Temas Contemporâneos Transversais podem ser inseridos no contexto da Educação Básica e como articular esses temas com os conteúdos escolares. • . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Curriculares Nacio- nais: Ensino Médio. Brasília, 2000. p. 53. Este documento apresenta as diretrizes curriculares em âmbito nacional, que precedeu a Base Nacional Comum Curricular. • . PCN+ Ensino Médio: orientações educa- cionais complementares aos Parâmetros Curricu- lares Nacionais – Ciências da Natureza, Matemá- tica e suas Tecnologias. Brasília, 2002. A finalidade deste documento é delimitar a área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias apresentando orientações complementares aos Parâ- metros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). •BROUSSEAU, Guy. Introdução ao estudo da teoria das situações didáticas: conteúdos e métodos de ensino. Tradução de Camila Bogéa. São Paulo: Ática, 2008. O documento apresenta uma teoria das situações didá- ticas, criada e aperfeiçoada ao longo de quatro déca- das, incluindo os alunos, o meio que os cerca e o profes- sor. O autor desenvolve esta teoria pautado na relação que se estabelece entre aluno, professor e conhecimen- to e no fato de que a relação existente entre eles neces- sita de regras e negociações, que o autor denomina como “contrato didático”. • . Os diferentes papéis do professor. In: PARRA, Cecília; IRMA, Saiz (Org.). Didática da matemática: reflexões psicopedagógicas. Porto Alegre: Artmed, 1996. p. 48-72. Este livro é uma coleção com sete trabalhos escritos por profissionais diferentes. Os assuntos abordados nos trabalhos são voltados à educação matemática, com reflexões, análises e propostas didáticas. •BURIASCO, Regina L. C.; SOARES, Maria T. C. Ava- liação de sistemas escolares: da classificação dos alunos à perspectiva de análise de sua produção Bibliografia consultada g21_scp_mp_2mat_p193a197_geral.indd 193g21_scp_mp_2mat_p193a197_geral.indd 193 9/20/20 10:24 AM9/20/20 10:24 AM