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resolução de problemas. Por isso, professor e alunos de-
vem estar completamente de acordo sobre os significa-
dos das palavras que usam para se comunicarem.
Existem termos matemáticos utilizados na linguagem 
cotidiana com sentidos diferentes. Estudos realizados 
sobre a apropriação de vocabulário mostram que uma 
criança, ao se deparar com uma palavra já conhecida, 
mas com sentido diferente, o primeiro significado se 
impõe a ela, mesmo que não faça sentido no contexto. 
Com os jovens, essa dificuldade de descartar o signifi-
cado primário também pode acontecer. De acordo com 
alguns estudos, há uma probabilidade maior de os alu-
nos perceberem os dois sentidos quando sua atenção 
é dirigida para o fato. Em uma pesquisa sobre conheci-
mentos matemáticos, Oliveira e Lopes (2012) destacam 
que, em um primeiro contato com o tema, os alunos 
não conseguem entender o significado matemático de 
um termo da linguagem natural.
Uma atividade proposta nesse mesmo estudo con-
sistia na elaboração de um glossário pelos alunos, com 
base em um levantamento dos termos que eles consi-
deravam mais importantes. Nesse trabalho, os alunos 
apresentavam a definição com as próprias palavras, 
fornecendo um exemplo, uma aplicação ou uma relação 
com outro termo. Quando os termos tinham significa-
dos diferentes na Matemática e na linguagem cotidiana, 
ambos eram registrados. Certamente, o conhecimento 
vocabular é essencial para a aprendizagem de novos 
conceitos apresentados aos alunos. Essa pesquisa mos-
tra que a focalização no termo, no decorrer da aula, por 
exemplo, leva-os a procurar as diferenças com a lingua-
gem cotidiana e a construir uma nova definição, dessa 
vez matemática, para o termo em questão.
Desse modo, a prática de leitura e escrita nas aulas 
de Matemática no Ensino Médio pode ser um caminho 
que propicia a relação professor/aluno e aluno/alunos 
mais interativa e, consequentemente, mais efetiva. Isso 
não apenas para a construção do conhecimento mate-
mático, mas para o conhecimento em geral, contribuin-
do, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), para uma estratégia que repense os processos 
de ensino e aprendizagem, possibilitando aos alunos 
não apenas a aquisição de conhecimentos e competên-
cias, mas também convivência e realização individual, 
por meio de experiências inovadoras.
 Desenvolvimento de 
estratégias de estudo
No Ensino Médio, é possível que alguns alunos ain-
da não tenham desenvolvido as estratégias de estudo 
independentes, esperadas nessa etapa da Educa-
ção Básica, na qual já deviam ter desenvolvido prá-
ticas de leitura (e de escrita, ou seja, práticas de le-
tramento) mais autônomas. Em relação a qualquer 
leitura, mais ainda em relação a textos matemáti-
cos, os alunos parecem depender do auxílio contí-
nuo do professor. Pesquisadores (RIBEIRO; KAIBER, 
2012) têm observado que a tendência é solicitar ajuda 
diante da primeira dificuldade na leitura do problema, 
sem ao menos tentar resolvê-la relendo, anotando e 
sublinhando. Entretanto, esses estudos também des-
tacam que basta o professor orientá-los a fazer uma 
segunda leitura, que a superação das dificuldades já 
passa a ser notada. Essas práticas mostram que boa 
parte dos alunos não tem repertório de leitura adequa-
do e, com isso, não desenvolveu estratégias de estudo 
que permitam um aprendizado autônomo.
Uma maneira de orientar o jovem ou adolescente 
a desenvolver estratégias próprias de estudo é ensiná-
-lo a utilizar o livro didático, pois este, se bem utiliza-
do, fornece aos alunos uma oportunidade de revisar o 
conteúdo estudado e refletir sobre os conceitos abor-
dados. Desse modo, o livro didático de Matemática 
auxilia na consulta e no esclarecimento de conceitos. 
Com o livro, os alunos determinam seus ritmos de lei-
tura e de aprendizagem (eles podem até solicitar ajuda 
a algum membro da família e este pode ajudar, desde 
que seja um leitor e o material esteja apresentado de 
modo explícito).
Para que os alunos estudem de maneira independen-
te, eles devem entender como o texto está estruturado. 
Saber usar a estrutura textual é uma habilidade que pre-
cisa ser desenvolvida, e os alunos precisam de estratégias 
que os ajudem a explorar todo o capítulo, a lê-lo de modo 
global, para entender que parte da informação é impor-
tante, que informações dependem de outras e o que é 
detalhe. Esse conteúdo pode fazer parte de uma aula cujo 
objetivo é conhecer o livro didático: ler o sumário; analisar 
como são sinalizados os títulos e os subtítulos (tamanho 
das letras, cores, uso de números); descobrir partes do 
texto e suas relações, o que os subtítulos indicam; veri-
ficar hierarquias entre seções e subseções; e elaborar um 
diagrama mostrando essas relações. Também, com o ob-
jetivo de adquirir estratégias de leitura e estudo indepen-
dentes, eles podem ser orientados a fazer um resumo do 
capítulo contendo os conceitos mais importantes aborda-
dos, com exemplos ou aplicações.
Os documentos oficiais defendem que a Matemá-
tica no Ensino Médio tem valores formativo e instru-
mental. O foco na leitura, por um lado, desenvolve o 
raciocínio e o pensamento crítico; por outro, constitui-
-se em ferramenta indispensável para interpretar e re-
solver problemas corriqueiros.
O professor de Matemática tem a oportunidade de 
formar cidadãos que sejam capazes de expressarem 
suas ideias adequadamente e de modo competente, 
oralmente e por escrito, para que possam se inserir de 
pleno direito na sociedade e ajudar na construção e na 
transformação da sociedade em que atuam. Portanto, 
é preciso reconhecer que a linguagem matemática é de 
suma importância, não apenas para os estudiosos da 
área, mas para qualquer cidadão que necessita utilizá-
-la com criticidade e autonomia.
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 •ALRO, Helle; SKOVSMOSE, Ole. Diálogo e aprendiza-
gem em educação matemática. 2 ed. Belo Hori-
zonte: Autêntica, 2010.
Este livro argumenta que o bom diálogo em sala de 
aula está relacionado diretamente com a aprendiza-
gem, relatando sua importância.
 •BASSANEZI, Rodney C. Ensino-aprendizagem com 
Modelagem Matemática. São Paulo: Contexto, 2002.
Este livro motiva o professor a usar a metodologia Mode-
lagem Matemática no encaminhamento das aulas, par-
tindo da ideia de que é possível articular atividades de 
modelagem e resolução de situações-problema, permi-
tindo a análise de resultados, a interpretação de gráficos 
e tabelas, entre outras ações.
 •BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9394, de 
20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes 
e bases da Educação Nacional. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF: MEC, 1996. p. 27833. Disponí-
vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l9394.htm>. Acesso em: 15 jun. 2020.
Este site apresenta a lei de diretrizes e bases da Educação 
Nacional.
 • . Ministério da Educação. Base Nacional 
Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível 
em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/
images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf>. 
Acesso em: 15 jun. 2020.
Este site apresenta a versão final completa da Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que 
norteia o trabalho do professor atendendo às demandas 
dos alunos desta época e preparando-os para o futuro.
 • . Ministério da Educação. Conselho Nacio-
nal de Educação. Câmara de Educação Básica. Pare-
cer CNE/CEB nº 3/2018. Brasília, DF: 8 nov. 2018. Dis-
ponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.
php?option=com_docman&view=download&ali
as=102311-pceb003-18&category_slug=novembro-
2018-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 16 jun. 2020.
Este documento apresenta o parecer homologado do 
Ministério da Educação e a atualização das Diretrizes Curri-
culares Nacionais para o Ensino Médio, observadas as alte-
rações introduzidas pela LDB por meio da Lei nº 13.415/2017.
 • . Ministério da Educação. Conselho Nacional 
de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer 
CNE/CEBnº 5/2011. Distrito Federal, DF: Ministério da 
Educação, 4 maio 2011. Disponível em: <http://
por tal.mec.gov.br/index.php?option=com_
docman&view=download&alias=9915-pceb005-
11-1-1&Itemid=30192>. Acesso em: 15 jun. 2020.
Este documento apresenta o parecer homologado do 
Ministério da Educação sobre as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o Ensino Médio.
 • . Ministério da Educação. Temas Contem-
porâneos Transversais na BNCC: contexto histórico 
e pressupostos pedagógicos. Brasília, DF, 2019. 
Disponível em: <http://basenacionalcomum.
mec.gov.br/images/implementacao/contextuali 
zacao_temas_contemporaneos.pdf>. Acesso em: 
20 jun. 2020.
Este documento visa a um detalhamento esclarecedor 
de como os Temas Contemporâneos Transversais 
podem ser inseridos no contexto da Educação Básica e 
como articular esses temas com os conteúdos escolares.
 • . Ministério da Educação. Secretaria de 
Educação Básica. Parâmetros Curriculares Nacio-
nais: Ensino Médio. Brasília, 2000. p. 53.
Este documento apresenta as diretrizes curriculares 
em âmbito nacional, que precedeu a Base Nacional 
Comum Curricular.
 • . PCN+ Ensino Médio: orientações educa-
cionais complementares aos Parâmetros Curricu-
lares Nacionais – Ciências da Natureza, Matemá-
tica e suas Tecnologias. Brasília, 2002. 
A finalidade deste documento é delimitar a área de 
Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias 
apresentando orientações complementares aos Parâ-
metros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio 
(PCNEM).
 •BROUSSEAU, Guy. Introdução ao estudo da teoria 
das situações didáticas: conteúdos e métodos de 
ensino. Tradução de Camila Bogéa. São Paulo: 
Ática, 2008. 
O documento apresenta uma teoria das situações didá-
ticas, criada e aperfeiçoada ao longo de quatro déca-
das, incluindo os alunos, o meio que os cerca e o profes-
sor. O autor desenvolve esta teoria pautado na relação 
que se estabelece entre aluno, professor e conhecimen-
to e no fato de que a relação existente entre eles neces-
sita de regras e negociações, que o autor denomina 
como “contrato didático”.
 • . Os diferentes papéis do professor. In: 
PARRA, Cecília; IRMA, Saiz (Org.). Didática da 
matemática: reflexões psicopedagógicas. Porto 
Alegre: Artmed, 1996. p. 48-72.
Este livro é uma coleção com sete trabalhos escritos 
por profissionais diferentes. Os assuntos abordados 
nos trabalhos são voltados à educação matemática, 
com reflexões, análises e propostas didáticas. 
 •BURIASCO, Regina L. C.; SOARES, Maria T. C. Ava-
liação de sistemas escolares: da classificação dos 
alunos à perspectiva de análise de sua produção 
 Bibliografia consultada
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