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Home > Ciclos da Medicina > Resumo de Hipotireoidismo | Ligas Resumo de Hipotireoidismo | Ligas Acervo Comunidade Sanar 02/09/2020 Índice 1. Definição 2. Epidemiologia 3. Quadro Clínico 4. Diagnóstico 5. Etiopatogenia 6. Tratamento 6.1. Autores, revisores e orientadores: Autoras: Lorena Moreia Fagundes de Azevedo, Flávia Catarine Lemos Cunha Revisora e Orientadora: Dra. Mayara Leisly Lopes Rocha https://sanarmed.com/ https://sanarmed.com/category/ciclos-da-medicina/ https://sanarmed.com/author/comunidade-sanar/ https://sanarmed.com/ Definição O Hipotireoidismo é de�nido como condição de insu�ciência da produção ou de disfunção dos hormônios tiroidianos – a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4) –, trazendo como quadro clínico signi�cativo a redução generalizada dos processos metabólicos. Ele pode ser classi�cado através do momento em que aconteceu, como congênito ou adquirido, através do local da lesão, como primário, secundário ou terciário (ou central, para as duas últimas classi�cações), ou através da sua intensidade, como subclínico ou clínico. Epidemiologia A epidemiologia encontrada sobre o hipotireoidismo é que este acomete mais a população do sexo feminino do que a do sexo masculino. A incidência desta doença aumentará conforme a idade, principalmente, após os 50 e 60 anos. No entanto, esses dados variam de acordo com o tipo de hipotiroidismo analisado. Um exemplo é o hipotireoidismo subclínico que, em alguns estudos, apresenta uma prevalência de 4% a 10% na população geral, porém, com maior quantidade em mulheres e idosos. Tem que se considerar que para esta condição há fatores de risco como: sexo feminino, puerpério, idade, bócio, histórico familiar, doenças autoimunes (ex.: DM 1, doença celíaca, vitiligo, anemia perniciosa), irradiação cervical externa, síndrome de Down e síndrome de Turner. Quadro Clínico A sintomatologia dos pacientes com hipotireoidismo é inespecí�ca, de modo que cursam com fadiga, fraqueza, intolerância ao frio, dispneia aos esforços, disfunção cognitiva, obstipação, pele seca e espessa, cabelo seco e sem brilho, rouquidão, alteração de memória e parestesias. Também, podem vir acompanhada sinais como lentidão da fala e da motricidade, re�exo tendíneo lenti�cado, bradicardia, carotenemia, fácies mixedematosa, edema periorbitário e macroglossia. Ao palpar a tireoide, ela pode estar palpável e aumentada com contorno irregular e consistente ou impalpável. Sinais de outras de�ciências endócrinas podem estar associadas ao quadro, na medida em que o paciente com hipotireoidismo frequentemente cursa com síndrome de insu�ciência endócrina múltipla. As mulheres podem se queixar de menstruações irregulares, olimenorréia, hiperprolactenemia, bem como apresentarem fertilidade reduzida, diminuição da globulina ligadora de hormônio sexual (SHBG). Ainda, nas crianças e adolescentes, não raro, veremos retardo puberal, do crescimento e mental. Entretanto, o paciente não apresentará mandatoriamente todos os sinais e sintomas, bem como os achados surgirão à medida que a enfermidade se instala no corpo, logo, um indivíduo com sintomatologia rica, provavelmente, já tem considerável redução dos processos metabólicos. Diagnóstico Apesar de o diagnóstico ser con�rmado pelos exames complementares, é inerente que consigamos detectar sinais e sintomas correspondentes ao Hipotireoidismo, bem como buscar por dados na anamnese que sugiram o distúrbio, a exemplo de história familiar de alguma alteração hipotireoidiana, presença ou história de distúrbio endócrino e entre outros. Como o exame clínico não consegue con�rmar por conta da sintomatologia inespecí�ca, os exames laboratoriais são fundamentais. Através deles podemos rati�car que o paciente tem a patologia pelos níveis séricos de T4 livre e TSH, assim como pela pesquisa de anticorpos antitireoidianos, como anti-TPO, anti-TG e anti-TRAb. Porém, devemos solicitar o exame laboratorial completo e não apenas esses componentes acima, de modo que o paciente pode vir a ter hipercolesterolemia, hiponatremia, hiperprolactinemia, hipoglicemia, elevação no nível de creatina-fosfoquinase, hipercarotenemia e homocisteína, os quais corroboram para o diagnóstico das síndromes de insu�ciência endócrina múltipla. Além disso, podemos lançar mão da ultrassonogra�a da tireoide, a qual não é mandatória, mas pode auxiliar no acompanhamento terapêutico e na con�rmação do diagnóstico do Hipotireoidismo. Etiopatogenia Para compreendermos a disfunção, é inerente apreendermos como a glândula atua normalmente. Assim, sabemos que a tireoide compõe o eixo hipotálamo-hipó�se-tireoide (eixo HHT), portanto, o primeiro sinal é dado pelo hipotálamo, através do hormônio liberador de tireotro�na (TRH), e que é recebido pela hipó�se. Essa, por sua vez, libera o hormônio estimulante da tireoide (TSH), que atua diretamente na tireoide, propiciando a secreção dos hormônios tireoidianos. Portanto, quaisquer alterações no eixo HHT acabam afetando a função tireoidiana. Além disso, é importante ressaltar que os hormônios tireoidianos estão armazenados no colóide associados ao sódio e para que circulem pelo corpo, requerem auxílio de uma proteína denominada de tireoglobulina, que se liga a eles com ajuda da peroxidase tireoidiana (TPO). Também, eles são compostos por iodo, principalmente, de modo que a quantidade desse componente altera o nome e função do hormônio. Assim, temos 3 tipos importantes de hormônios tireoidianos: triiodotironina (T3), tiroxina (T4) e T3 reverso, sendo eles formados graças à enzima desiodase. O T3 é o responsável pela maioria das alterações teciduais, entretanto o mais prevalente no organismo é o T4, o qual tem meia-vida maior do que T3. Como sabemos, o Hipotireoidismo é a redução de quantidade de hormônios tireoidianos ou da função hormonal (resistência hormonal nos tecidos), o que pode ser causado por distúrbios em qualquer parte do eixo HHT, bem como surgir no nascimento (congênito) ou tardiamente (adquirido). Assim, o mecanismo patologia varia com a etiologia e genética. Hipotireoidismo Congênito É causado por distúrbio de desenvolvimento da glândula tireoide através de mutações genéticas em fatores de transcrição (PAX8, TITF1, FOXE1) ou decorrente de herdabilidade genética defeituosa para a síntese hormonal. Os defeitos genéticos podem ser a nível hipo�sário ou hipotalâmico, a exemplo da mutação no gene GNAS1 que não somente afeta a secreção de T3 e T4, mas também a de demais hormônios, na medida em que torna a hipó�se disfuncional. Também, quando a mãe é portadora de anticorpos bloqueadores do antirreceptor de TSH (TRAb) ou é resistente ao hormônio tireoidiano, a criança pode desenvolver o hipotireoidismo congênito. Por �m, estudos também têm referido a associação do hipotireoidismo congênito a pacientes com hemangioma hepático, a qual é explicada por um catabolismo excessivo de tiroxina, decorrente de hiperatividade de desiodase tipo 3, que supera a capacidade de a glândula secretar normalmente seus hormônios, tornando-a hipofuncional. Hipotireoidismo Primário Adquirido Esse grupo etiológico abarca muitas causas, mas a principal é a Doença de Hashimoto (ou Tireoidite Autoimune), na qual a tireoide é in�ltrada por linfócitos na medida em que o indivíduo é portador de auto-anticorpos, como anti-TPO (anticorpo anti-peroxidase) e anti-TG (anti-tireoglobulina). Ela comumente é associada a outras síndromes de insu�ciência endócrina, podendo cursar com DM1, insu�ciência adrenal ou ovariana, por exemplo. Além disso, a tireoidite também pode ter etiologia viral, como é visto nos pacientes com tireoidite de De Quervain (ou Subaguda), ou ser desenvolvida após o parto (tireoidite pós-parto ou silenciosa). Ainda, os pacientes podem ter Hipotireoidismo Primário Adquirido por conta de drogas tireotóxicas (ex.: Amiodarona, Talidomida) ou antitireoidianas (ex.: lítio, inibidores de tirosina-quinase), dano tireoidiano por cirurgia ou radioterapia com 131-I, dé�cit de iodo (essa causa já não mais existe no Brasil por contado uso de sal iodado). Hipotireoidismo Secundário e Terciário (Central) Quando a tireoide está comprometida devida à disfunção de outros componentes do eixo, ela deixa de ser nomeada como primária, de modo que utilizamos a nomenclatura Hipotireoidismo Secundário para alterações na hipó�se e Terciário quando estão localizadas no hipotálamo. Em ambas as situações, as etiologias costumam ser: infecções (ex.: sarcoidose), in�amações, tumores (ex.: meningioma) e uso prolongado de corticoesteroides ou de dopamina. Tratamento Uma vez que o paciente é diagnosticado com hipotireoidismo, buscamos restaurar o eutireoidismo, minimizar ou eliminar os sintomas e normalizar os níveis de TSH e T4 livre, sendo o alvo da terapia em pessoas < 60 anos o TSH de 1-2,5 mU/L, naquelas entre 60-70 anos deve ser 3-4 mU/L, e em idosos > 70 anos, 4-6 mU/L. Para isso, estão disponíveis a Levotiroxina sódica (L-T4) e a Triiodotironina (T3). Preferencialmente, usamos a L-T4, pois sua meia-vida é maior, tem absorção rápida e é mais estável que T3, portanto, é administrada VO em dose única diária e em jejum matutino (30 minutos antes da refeição), sendo mais fácil a adaptação do paciente à terapia. A dose de L-74 para pessoas com menos de 60 anos é de 1,6-1,8 mcg/kg do peso corporal ideal, porém nos pacientes subclínicos têm sido sugeridas doses mais baixas de 1,1-1,2 mcg/kg. Importante dizer que o monitoramento dos pacientes com hipotireoidismo em tratamento deve ocorrer a cada 6-8 semanas após cada ajuste da dose. Uma vez que o objetivo tenha sido alcançado, ou seja, o paciente esteja no estado eutireoidiano, devemos acompanhá-lo a cada 6 meses ou anualmente. Entretanto, caso ele venha a apresentar ganho de peso ponderal signi�cativo, faça uso de outras medicações, tenha comorbidades associadas ou gestante (ou que pretenda engravidar), os intervalos entre as consultas devem ser menores. Alguns fatores, como medicamentos, doenças e alimentos aumentam o metabolismo da L-T4 ou reduzem a absorção dela, de modo que o paciente pode estar fazendo uso de altas doses de Levotiroxina, mesmo assim os níveis de TSH continuam alterados. Nesses casos, cabe ao médico identi�car o fator e orientar o paciente. Também, alguns apresentam persistência de sintomas, sendo imprescindível que pesquisemos se há comorbidade associadas. E quanto ao hipotireoidismo subclínico: quando tratar? Devem ser tratados aqueles que apresentarem níveis de TSH > 10, história de doença cardiovascular, tireoidite de Hashimoto con�rmada, gravidez e alguns idosos. Pacientes > 65 anos ou > 80 anos com hipotireoidismo subclínico com TSH > 10 mU/L não são recomendados a serem tratados, pois é comum nessa idade que os níveis estejam altos. Autores, revisores e orientadores: Autores (as): Flávia Catarine Lemos Cunha (@�aviacunha96 ) e Lorena Moreira Fagundes de Azevedo (@lorefagundes). Revisor(a): Orientador(a): Dra. Mayara Leisly Lopes Compartilhe este artigo: Acervo Comunidade Sanar A comunidade Sanar, que encerrou suas atividades em julho de 2022, tinha como intuito colaborar na jornada de formação médica através do incentivo a produção de conteúdo de medicina de alta qualidade. Estudantes e ligas de medicina usam o Sanarmed.com para compartilhar os conhecimentos que adquiriam estudando e nas experiências práticas. Todas as publicações Cursos gratuitos para estudantes de medicina Inscreva-se Materiais úteis: Dicas de livros Minicurso: fundamentos da bioquímica Artigos sobre orientações de estudo Artigos relacionados: Inscreva-se na nossa newsletter Receba informações semanais sobre carreira, formação médica e novos materiais gratuitos disponíveis. Clique para se inscrever Segue a Sanar A Sanar oferece um ecossistema de produtos e serviços de apoio aos estudantes, pro�ssionais de medicina, e também de outras áreas da saúde. Da graduação à pós-graduação, a Sanar tem a solução certa para o seu dia a dia. Pós-graduação em medicina da dor : o que é, como funciona e mais Redação Sanar Como o livro de Farmacologia em doses fracionadas pode ajudar o estudante de medicina? 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