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APENDICITE AGUDA 1 Epidemiologia · Mais comum em homens, brancos; · 2ª e 3ª década de vida (adolescente, adulto jovem); · 6 a 7% da população geral um dia vai ter; · Principal causa de abdome agudo (geral e gestante)! · Gestante · Principal causa de abdome agudo cirúrgico não-obstétrico! · 2ª principal causa colecistite aguda. 2 Anatomia do apêndice · Base fixa no ceco, ponta podendo assumir diversas posições, convergência das tênias, é um divertículo verdadeiro (todas as camadas: mucosa, submucosa, muscular e serosa), comprimento médio de 9cm, largura até 5mm; · Irrigação: Art.mesentérica superior → Art. ileocólica → Art. apendicular; · Posição mais comum: Retrocecal (60%); Pélvico (30%). → quadro clínico 3 Fisiopatologia · Obstrução da luz apendicular; · # Obstrução luminal → Aumento da Pressão (secreção mucosa e produção de gás) → Redução da drenagem venosa e da drenagem linfática → Isquemia transmural (da parede) → Necrose → Perfuração ⇉ Abscesso ou Peritonite; · Peritonite difusa: séptico → taquicardia, hipotensão, sudoreico, DB+ difuso. · Abscesso periapendicular. · Fecalito/Apendicolito: mais comum; · Hiperplasia linfóide (principal causa na criança), neoplasias, materiais de frutas e vegetais (sementes, parasitas (áscaris); · Bactérias da flora colônica · Gram-negativas (aeróbia): Escherichia coli (77%); · Anaeróbias: Bacteroides fragilis (80%). · Fases da Apendicite Aguda 4 Manifestação clínica · Diagnóstico eminentemente clínico. · Pcte clássico: Jovem, masculino, c/ quadro típico de apendicite aguda e <48 hs de evolução = Apendicectomia VLP. Sinais e sintomas · Dor periumbilical mal definida (dor visceral: vaga, imprecisa); · Com irradiação/migração para o quadrante inferior direito - FID (dor parietal); · Associado a náuseas, vômitos, anorexia e febre. Exame físico · Defesa do quadrante inferior direito (FID); · Descompressão brusca positiva (DB+); · RHA diminuído; · Febre baixa (< 38,5). · Sinal de Blumberg: dor a DB no ponto de McBurney (⅓ da distância entre a espinha ilíaca anterossuperior e a cicatriz umbilical); · Sinal de Rovsing. 5 Laboratório · HMG: Leucocitose com desvio à esquerda; · Aumento de PCR · Urina tipo I: hematúria, leucocitúria pélvica, irritação da bexiga. · Mulher em idade fértil → sempre solicitar Beta-HCG. 6 Imagem RX simples · Inespecífico com alguns achados sugestivos; · Escoliose antálgica; · Presença de fecalito calcificado no QID (apenas 5-10% dos casos); · Alça sentinela na FID; · Apagamento do músculo psoas direito. USG · Principalmente em gestantes e crianças; · Apêndice aumentado, imóvel e não compressível; · Apêndice não visível não descarta o diagnóstico! · Diâmetro 6mm (achado mais preciso); · Espessamento da parede apendicular (< 2mm) = imagem em alvo; · Borramento da gordura periapendicular = hiperecogenicidade da gordura mesenterial adjacente; · Visualização de fecalito; · Líquido livre na pelve ou presença de coleções (abscesso); · Ausência de gás no interior do apêndice, material líquido espesso no interior; · Aumento da vascularização parietal do apêndice; TC (Contraste EV) · Exame de escolha; · É o melhor exame para o idoso, imunocomprometido e obeso (pois não se indica cirurgia imediatamente somente com a clínica); · Fecalito (observado em aprox. 25% dos casos), · Borramento de gordura periapendicular · Líquido e ar periapendicular (sugerem perfuração) · Realce da parede do apêndice; · Abscesso, líquido verde, pneumoperitônio (perfuração). · Sinal do Alvo · Diâmetro apendicular 7mm, espessamento da parede apendicular ( 2mm); · Alta sensibilidade (90-100%) e Especificidade (91-99%); · Desvantagens: irradiação e contraste. RNM · Exame de escolha na gestante, se a USG for inconclusiva. 7 Escore de Alvarado · 0-3 Pontos: Apendicite pouco provável, investigar outras patologias; · 4 Pontos: Provável apendicite = Solicitar exame de imagem, se necessário; · 7 Pontos: Alto risco de apendicite = cirurgia, solicitar exame de imagem, se necessário (mulheres, idosos, imunocomprometidos, gestantes). · Alvarado modificado não leva em conta o desvio à esquerda, total = 9 pontos. 8 Diagnósticos Diferenciais · Causas ginecológicas · DIP; · Abscesso tubo-ovariano; · Torção de ovário e trompas de falópio;; · Gravidez ectópica; · Cisto ovariano roto. · Causas intestinais · Adenite mesentérica; · Ileíte aguda; · Apendagite; · Crohn; · Diverticulite; · Meckel; · Neoplasias. · Causas urológicas · Ureterolitíase; · Cistite; · Pielonefrite. · Crianças · Adenite mesentérica (freq. observada após doença viral); · Gastroenterite aguda; · Intussuscepção; · Diverticulite de Meckel; · Doença inflamatória intestinal; · Meninos: torção testicular. · Mulheres em idade fértil · Ruptura de cisto ovariano; · Endometriose; · Torção ovariana; · gravidez ectópica; · Mittelschmerz; · DIP. · Idosos · Diverticulite aguda; · Neoplasias. 9 Tratamento · Apendicite aguda não-complicada → Apendicectomia (+ATBprofilaxia) · ATBprofilaxia: gram - e anaeróbias, dose única, pré-op 60 min antes da incisão → Cefoxitina; Ceftriaxona + Metronidazol; · Preferência por VLP; · Aberta · McBurney; · Davis (não-complicada); · Paramediana; · Mediana (apendicite complicada). · Laparoscopia; · Complicações: ISC. · Apendicite complicada → peritonite difusa, paciente instável. · ATBterapia por 4 a 7 dias p/ gram - e anaeróbias; · Laparotomia: apendicectomia, irrigação da cavidade. · Apendicite aguda complicada · Abscesso: · Drenagem percutânea (guiado por imagem USG ou TC), ATB por 4 a 7 dias. · Colonoscopia em 6-8 semanas: afastar neoplasia; · Programar apendicectomia de intervalo (evitar grandes ressecções). · Sem abscesso · ATB, colonoscopia 6-8 semanas, apendicectomía de intervalo. · Sabiston · Apendicectomia de intervalo somente se, apendicite recorrente ou apendicolito da TC. 10 Pós-operatório · ATBterapia po 4-7 dias = p/ apendicite aguda complicada (completa esquema em casa); · Iniciar dieta precocemente; · Drenos · Não há indicação de colocação de dreno profilático na apendicite; · Presença de abscesso intracavitário localizado. · Complicações pós-operatórias · IFO = mais comum na laparotomia; · Abscesso intra-abdominal/intracavitários = mais comum na laparoscopia. → Solicitar TC! · Tardia = Obstrução intestinal por bridas e aderências; · Apendicite de coto: apendicite recorrente relacionada à apendicectomia incompleta. 11 Apendicite em populações especiais · CARCINOIDE · < 1cm: apendicectomia; · > 2cm, envolvimento da base apendicular ou do mesoapêndice: hemicolectomia direita e linfadenectomia regional; · 1-2 cm: invasão mesoapendicular profunda (> 3 mm), margens positivas ou incertas, maior taxa proliferativa, invasão linfovascular e histologia mista (por exemplo, adenocarcinoma) = hemicolectomia direita e linfadenectomia regional. · ADENOCARCINOMA · Hemicolectomia + linfadenectomia. · APENDICITE NA GESTANTE · Emergência cirúrgica, não obstétrica, mais comum durante a gravidez, 1/1500 gestações; · É mais comum nos 2 primeiros trimestres, com incidência de 32%, 42% e 26%, respectivamente; · O risco de apendicite durante gestação é o mesmo que em mulheres não-gestantes na mesma faixa etária (o quadro clínico é mesmo, atentando apenas ao local conforme a IG, o apêndice vai deslocando para cima e, por isso a gestante não também defesa); · Diagnóstico: USG - RNM; · Tratamento: · APENDICECTOMIA (VLP); · Não se faz apendicectomia de intervalo. image15.png image11.png image14.png image3.png image5.png image7.png image4.png image9.png image8.png image6.png image10.png image12.png image2.png image1.gif image13.png