Prévia do material em texto
OS TIPOS DE SERMÃO ^ E SUA APLICABILIDADE Pr Osiel Gomes A PREGAÇÃO BÍBLICA Pr José Orisvaldo A PREPARAÇÃO ESPIRITUAL E INTELECTUAL DO SERMÃO Pr Elias Torralbo A POSTURA NO PÚLPITO Pr Elienai Cabral OS PREGADORES DA BÍBLIA Pr Ciro Zibordi Roberto Máquina de escrever VENDA PRIBIDA M A N U A L B ÍB L IC O 1 )0 l ’R IX PREPARE SERMÕES EXPOSITIVOS COM SEGURANÇA SOB A ÓTICA BÍBLICA Um auxílio na criação do sermões exposilivos O. WE Quando se trata de uma passagem bíblica, o contexto é tudo. 0 Manual Bíblico do Pregador visa atender a essa necessidade e auxiliar o pregador na preparação do sermão. Com ensaios de todos os livros bíblicos, esta obra apresenta os fatos históricos, literários e teológicos mais relevantes sobre cada um deles. A leitura desta obra trará segurança para que o pregador prepare sermões expositivos em qualquer um dos 66 livros da Bíblia. Código: 350727 / Formato: 14,5 x 22,5cm / Pág.: 368 CARTA DA CPAD RONALDO R. DE SOUZA Diretor-executivo da CPAD Há uma promessa gloriosa de Deus em Daniel 12.3 para aqueles que se dedicam à pregação e ao ensino da Palavra de Deus O glorioso ministério de pregar e ensinar a Palavra de Deus Nesta edição de Obreiro Aprovado, o tema tratado é a Homilética, isto é, a arte de pregar a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. O ministério da pregação e do ensino da Palavra de Deus é muito importante. Preparar um sermão é um trabalho de grande responsabilidade e que exige dedicação não apenas em termos de conhecimento da Palavra de Deus, mas também em termos espirituais, além de se observar alguns detalhes de postura e ética no púlpito. Há uma promessa gloriosa em Daniel 12.3 para os que se dedicam à pregação e ao ensino da verdade, segundo a qual "os que a muitos ensinam a justiça [resplandecerão] como as estrelas sempre e eternamente". Nesta edição, objetivando ajudar àqueles que se dedicam à pre gação, trazemos cinco artigos de autoria de pastores e teólogos de nossa denominação que se notabilizam também como reconhecidos pregadores da Palavra de Deus. O pastor Osiel Gomes (MA) analisa os tipos de sermão; o pastor José Orisvaldo (AL) fala sobre a pregação bíblica; o pastor Elias Torralbo (SP) trata sobre o preparo espiritual do pregador; o pastor Elienai Cabral (PR) fala sobre a postura no púlpito; e o pastor Ciro Zibordi (RJ) discorre sobre os pregadores da Bíblia. Cremos que esta edição da revista Obreiro Aprovado será bênção para o seu ministério, assim como as demais edições, todas preparadas com muito carinho. Nesta certeza, queremos ainda desejar que Deus continue abençoando a sua vida, a sua família e o seu ministério neste ano da graça de Deus. Até a nossa próxima edição! OBH1RO APROVADO ANO 46 - N° 101 - 2 o TRIMESTRE 202 3 Presidente da Convenção Geral José Wellington Costa Junior Presidente do Conselho Administrativo José Vlellington Bezerra da Costa Diretor-executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Editor-Chefe Silas Daniel Editor Eduardo Araújo Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção e Arte Jarbas Ramires Silva Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Gerente Comercial Cícero da Silva Chefe do Setor de Arte e Design Wagner de Almeida Projeto Gráfico Fábio Longo Diagramação e Capa Leonardo Engel Projeto Digital Alan Valle Ilustrações Banco de Imagens Shutterstock Fotografia Arquivo (CPAD) TELEMARKETING (2" à 6" das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 14h) Rio de Janeiro: (21) 3171 -2 7 2 3 Demais localidades: 0800-021-7373 (ligação gratuita) • Atendimento a Igrejas - ramal 2 • Atendimentos a colportores e seminaristas - ramal 3 • Atendimento a Livreiros - ramal 4 • Atendimento a pastores e demais consumidores - ramal 5 • S/4C (Serviço de Atendimento ao Cliente) - ramal 6 LIVRARIA VIRTUAL: www.cpad.com.br Ouvidoria: ottvidoria@cpad.cotu.br PAGAMENTO - A CPAD não mantém nenhum tipo de pessoa, representante ou vendedor de assina turas autorizado a receber diretamente do cliente. O pagamento de assinaturas deve ser feito por meio de boletos em agências bancárias ou através de cartão de crédito. OBREIRO - Revista evangélica trimestral, criada em outubro de 1977, editada pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus, é destinada à liderança pentecostal de modo geral. Registrada sob n." 007.022.328, conforme Lei de Imprensa. A correspondência para publicação deve ser endere çada ao Departamento de Jornalismo e as remessas de valor (pagamento de assinatura, publicidade etc.) exclusivamente à CPAD. A direção é responsável perante a Lei por toda matéria publicada. Perante a Igreja, os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando necessariamente a opinião da revista. Assegura-se a publicação, apenas, das colaborações solicitadas. Casa Publicadora das Assembléias de Deus Av. Brasil 34.401, Bangu Cep 21852-002, Rio de Janeiro, RJ Tels.: (21) 2406-7373 / 2406-7413 Fax: 2406.7370 SUMÁRIO 06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL VOCÊ AMA A VOLTA DE JESUS? Pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Minis tros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), chama a atenção do leitor para o Arrebatamento da Igreja e a esperança gerada no coração dos fiéis que creem nesta promessa de Cristo. É V) >u u h Z LU 12. ARTIGO OS TIPOS DE SERMÃO E SUA APLICABILIDADE O líder da Assembléia de Deus em Tirirical (MA), pastor Osiel Gomes discorre acerca dos sermões temático, expositivo, textual e expositivo com as suas peculia ridades e a sua aplicalibilidade nos púlpitos das igrejas. 20. ARTIGO A PREGAÇÃO BÍBLICA O artigo, de autoria do pastor José Orisvaldo Nunes de Lima, líder da Assembléia de Deus em Maceió (AL) e da COnvenção das ADs no estado de Alagoas, destaca a fidelidade ao conteúdo bíblico como um ponto imprescindível para o pregador bem-sucedido. 27. RESENHA Homilética, o Pregador e o Sermão - Severino Pedro Pregador Eficaz - Elienai Cabral 28. ARTIGO A PREPARAÇÃO ESPIRITUAL E INTELECTUAL DO SERMÃO O pastor Elias Torralbo, diretor-executivo da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP), fala da necessidade de o pregador se abastecer espiritualmente antes de entregar da mensagem e do discernimento que a igreja deve ter da verdade. 38. ARTIGO A POSTURA NO PÚLPITO O comportamento do pregador no púlpito é o assunto deste artigo do pastor Elie nai Cabral, da AD em Curitiba (PR), consultor teológico da CGADB e da Casa Publicadora das Assembléias de Deus. 44. ARTIGO OS PREGADORES DA BÍBLIA O pastor Ciro Zibordi, da AD na Ilha da Conceição (RJ), apologista e professor de Teologia, discorre sobre os pregadores apresentados na Bíblia Sagrada, suas características e o que podemos apredner com eles sobre o ministério da pregação da Palavra de Deus. O pastor Temóteo Ramos de Oliveira, líder da Convenção Frater nal das Assem bléias de Deus Estado do Rio de Janeiro (Confra- derj), faz uma análise sobre as pregações hoje e o modelo bíblico. http://www.cpad.com.br mailto:ottvidoria@cpad.cotu.br MENSAGENS Evolução teológica e conteúdo dos escritores Leio a revista Obreiro Aprovado prin cipalmente para acompanhar a evolu ção da teologia pentecostal e o conteúdo apresentado pelos articulistas de nossa igreja no Brasil. Pr. Gesiel Camilo, Curitiba (PR) Reciclagem de informações Aprecio a revista Obreiro Aprovado uma vez que sempre aprendemos com ela acerca das questões mais intrigantes e edificantes que envolvem a Palavra de Deus. O conteúdo do periódico agrega bastante aos nossos estudos e amplia nos so conhecimento. Professora Lílian B iork Rodrigues, Votuporanga (SP) Conteúdo excelente e que acrescenta no conhecimento Aprecio a leitura da revista Obreiro Aprovado por conta dos artigos de au toria de teólogos renomados da nossa denominação, o que torna o seu conteú do excelente, com destaque também aos temas escolhidos para serem abordados a cada trimestre pela editoria da revistae que vêm acrescentar ao nosso conheci mento teológico e espiritual. Ev Carlos M atheus Maninho, Brasília (DF) Quer também mandar sua mensagem? Então escreva para a revista Obreiro Aprovado. Pode enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.com. br ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ) CEP 21852-002. Esperamos o seu contato! mailto:obreiro@cpad.com CARTA A LIDERANÇA PENTECOSTAL PR. JOSÉ WELLINGTON COSTA JUNIOR Presidente da Convenção Gerai dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus no Brasil Se você ama a Vinda do Senhor, você será arrebatado e chegará ao trono de Deus. É promessa do Senhor Jesus Você ama a volta de Jesus para arrebatar a Sua Igreja? A volta de Jesus para arrebatar a Sua Igreja é uma das doutrinas bíblicas que norteiam a vida do cristão ho- dierno e um evento que tem manifestado sinais que denunciam a proximidade desse grande acontecimento. Mas quem Jesus virá buscar? A todos os que amam a Sua vinda, e nós amamos a Vinda do Senhor. O apóstolo Paulo sabia que a sua morte aproximava-se, portanto deixou registrado em 2 Timóteo 4.8: "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda". Aqueles que amam a vinda do Senhor Jesus serão levados por Ele. Quando chegarmos ao Céu, conforme disse o Apóstolo dos Gentios, os fiéis receberão a coroa da justiça e o galardão que já estão guardados. Se você ama a Vinda do Senhor, você será arrebatado e chegará ao trono de Deus. É promessa do Senhor Jesus. A Vinda do Filho de Deus também pode ser chamada de "A Manifestação de Jesus". Observemos que a Segunda Vinda de Jesus acontecerá em duas fases. Por que Segunda Vinda? Ainda há pessoas e nações que aguardam a primeira vinda. Há religiões que esperam que o Messias venha a este mundo pela primeira vez, mas nós estamos no aguardo da Sua Segunda Vinda, porque Jesus já veio através de seu nascimento virginal e caminhou entre os homens. O Messias veio morrer pelos pecados da humanidade e organizar a Sua Igreja. Na Segunda Vinda, o Senhor Jesus virá em duas fases: a pri meira fase será focada no Arrebatamento da Igreja e, quanto isso acontecer, os infiéis não tomarão conhecimento e nem entenderão o que está reservado para os cidadãos do Reino; o som da trombeta é que vai indicar o momento no qual Jesus Cristo levará os Seus seguidores às mansões celestes. Nesse processo maravilhoso, o corpo dos crentes será transformado e os mortos serão ressuscita dos. O Senhor da Glória estará nos aguardando nas nuvens. Ele mesmo dirá: "Vinde, benditos de meu Pai" (Mt 25.34). Eu acredito no Arrebatamento da Igreja. E você? ENTREVISTA Pastor Temóteo Ramos O pregador, a pregação, seu preparo, os tipos de sermão e os modismos Cearense radicado no Rio de Janeiro, líder das Assembléias de Deus do Rio de Janei ro e Petrópolis (RJ), presidente da Convenção Fraternal das As sembléias de Deus no Rio de Ja neiro (CONFRADERJ) e 3o vice- -presidente da Mesa Diretora da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assem bléias de Deus no Brasil (CGA- DB), o pastor Temóteo Ramos de Oliveira, 82 anos, é um dos mais respeitados líderes assembleia- nos em nosso país. Com 61 anos de ministério, Ele é um entusias ta do ensino bíblico e do traba lho de missões, tendo servido como missionário na Bolívia a partir de 1964 e na Espanha a partir de 1971. Quando retornou ao Brasil, dirigiu a Assembléia de Deus em Santo Aleixo (RJ), a Secretaria Nacional de Mis sões das Assembléias de Deus no Brasil (SENAMI) e a Escola de Missões das Assembléias de Deus no Brasil (EMAD), além de outros cargos que assumiu du rante os anos em vários órgãos e comissões da CGADB. Tam- A bém tem publicado durante os anos artigos nos periódiocos da CPAD e livros pela editora, tais como Manual de Cerimônias, Ma nual do Visitador Cristão, Manual do Candidato ao Santo Ministério e Retorno aos Princípios. Desde 1987, pastor Temóteo tem pastoreado a Assembléia de Deus em Petrópolis (RJ); e des de 2002, também a Assembléia de Deus do Rio de Janeiro, com sede no bairro carioca de Benfica. Nesta edição da revista Obreiro Aprovado, o líder fluminense fala sobre o pregador e a pregação. O líder faz uma análise do compor tamento do pregador nos púlpitos das igrejas, os tipos de sermões e as características de cada um de les, o preparo do obreiro para ser bem sucedido em sua prédica, o "laboratório" onde novos talentos são identificados para refino para a Seara do Mestre, e os modismos que surgem inesperadamente. Como alguém que prega e ensina a Palavra de Deus há muitos anos, como o se nhor avalia a qualidade das pregações de hoje no Brasil? Deus houve por bem me con ceder a oportunidade de ouvir poderosas e bíblicas mensagens que desde a minha infância se mantêm inarredáveis em m i nha vida; e seus efeitos, de igual modo, perduram em muitos ou tros filhos e filhas obedientes de Deus. Entretanto, tenho a decla rar que é lamentável observar que a qualidade de muitas das pre gações nos nossos dias se afasta grosseiramente dos paradigmas que foram observados por fieis pregadores da Santa Palavra de Deus no nosso país e denomina ção, bem como em todo o mundo. A falta de boa qualidade em mui tas das pregações dos nossos dias se deve ao fato de que o destemor a Deus ensejou a instalação da apostasia em muitos intitulados pregadores do evangelho. Como sabemos, os ser mões se dividem basicamen te em três tipos: o textual, o temático e o expositivo. Nor malmente, tem sido dito que o sermão expositivo é o m e lhor, por ser o mais enrique- cedor. Quais as vantagens e desvantagens de cada um desses tipos de sermão? E de qual desses três tipos o senhor mais gosta? Os três tipos de sermões são válidos quando homileticamente são produzidos e proferidos sob a égide do Espírito Santo, natu ralmente levando-se em conta o momento, o público ouvinte (público-alvo) e o tempo que se dispõe para o sermão. O sermão do tipo expositivo, que é muito usual principalmente nas igrejas tradicionais, é por certo de va lor inestimável, mas, como dito antes, deve-se levar em conta o público-alvo. Os demais tipos, quando bem fundamentados pe las Escrituras, podem produzir a edificação desejada em quem os ouve. As vantagens do sermão expositivo consistem em que o seu conteúdo é apresentado a partir de uma perícope que vai sendo exposta, versículo a versículo, até a conclusão desta. O espaço é exíguo para se falar de vantagens e desvantagens de cada tipo de sermão, mas con cluímos afirmando que a escolha do tipo de sermão vai depender sempre do público-alvo, isto é, obEHro Os três tipos de sermões - o textual, o tem ático e o expositivo - são válidos quando produzidos sob a égide do Espírito Santo, naturalmente levando-se em conta o momento, o público ouvinte e o tem po que se dispõe para o sermão dos ouvintes, e da inspiração divina dada ao pregador para aquele momento. Quais os preparos que o pregador deve ter antes de e para ministrar o sermão? Obviamente, o preparo do obreiro antes de ir ao púlpito co meça com a oração, pois não é pos- sível falar bem para os homens, sem antes falar com Deus. Jesus, antes de se apresentar às multi dões para expor os Seus ensina mentos, gastava horas a fio com o Pai em oração. A leitura e a medi tação da Palavra são sumamente importantes, pois a matéria-prima do pregador é a Palavra de Deus. Não é um bem elaborado esboço que levará o pregador ao pata mar do sucesso como orador. E aconselhável que o ministrante reserve tempo para se preparar teológica e espiritualmente para ir com humildade diante do público que o ouvirá. A seu ver, quais são os principais equívocos come tidos por muitos pregadores nos púlpitosde hoje? Lamentavelmente, muitos obrei ros despreparados estão afirmando o errado como sendo o verdadeiro e vice-versa. As mensagens vazias de contexto bíblico levam em seu bojo muitos equívocos que, não raro, confundem os ouvintes. Isso sucede face o despreparo bíblico de muitos pregadores, que usam os púlpitos para fazer menção de afirmações extra ou antibíblicas. Quanto aos vocacionados à pregação, como identificá- -los e ajudar a serem refi nados para a sua chamada como pregadores? Devemos animá-los a perseve- rar no estudo da Palavra de Deus e na oração, e a teologicamente terem o bom hábito de reciclar nos conhe cimentos gerais para se ajustar ao que Paulo preleciona em 2 Timóteo 2.15: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". Hoje em dia está na moda a preleção estilo “coach". Qual a sua opinião sobre essa nova modalidade e quais os seus efeitos na prática? Esse estilo de preleção cha mado de "coach" tem um aspec to meramente motivacional e, a meu ver, não conduz o ouvinte a tomar decisões conscientes à luz da Palavra de Deus. Além disso e sobretudo, o apóstolo Paulo nos recomenda a não irmos "além do que está escrito" (1 Coríntios 4.6). Outras modas surgidas nos últimos tempos são a pregação em dupla (quando dois pregadores assumem o mesmo púlpito ao mesmo tem po para pregar juntos um a m esm a m ensagem , numa espécie de “jogra l”, com um fazendo “escada” para o outro na mensagem) e a pregação com fundo musical do começo ao fim etc. Como o senhor vê esses modismos? A resposta já veio com a per gunta: são apenas MODISMOS, salvo quando o fundo musical é condizente com o momento da Palavra, como, por exemplo, no ato do apelo. H obS I ro m a tm á m o b íb l ic o W Y C L iF = f= E SUA PRINCIPAL FERRAMENTA DE ESTUDO BÍBLICO AGORA DE CAPA NOVA Em suas 2.050 páginas, o Dicionário Bíbl ico Wycl if fe p roporc iona uma vasta rede de informações sobre termos, nomes e lugares mencionados na Bíblia bem como aspectos doutrinários, históricos, e pontos importantes do cenário bíblico. Verbetes são escritos por mais de 200 especialistas, sempre segundo a ortodoxia cristã de linha evangélica conservadora. Com mais de 900 fotos, mapas, gráficos e esboços esta obra é indispensável para estudantes, eruditos, pastores e pregadores do Evangelho. Formato: 15 x 23 cm 2.050 páginas / Capa dura. Osiel Com es é pastor da Assem blé ia de Deus em Tirirical, São Luís (MA), fo rm ad o em Teologia, Filosofia, D ire ito e Psicanálise, professor de Grego e Hebraico, e com en ta ris ta de Lições Bíblicas de Escola D om in ica l da CPAD. As diferentes classificações dos sermões devem conter elementos técnicos sem desprezar a inspiração do Espírito Santo no momento de sua elaboração Osiel Comes Os tipos e sua ap Antes de tratarmos es pecificamente sobre as espécies de ser mões, faz-se relevan te que o caro leitor seja cônscio que o sermão do qual iremos fa lar não está atrelado ao discurso moralizador ou a uma predica monótona, mas, sim, à verdadei ra pregação à luz da Palavra de Deus. Seja no púlpito ou em qual quer outro lugar, o mensageiro de Deus prioriza a pregação bíblica, assente na expressão "Assim diz o Senhor", a qual aparece 3.800 vezes na Bíblia. Essa postura o levará a não ser um sociólogo, um psicólogo ou um filósofo na hora da pregação, mas, ao contrá rio, um mensageiro de Deus, sa bendo que sua missão precípua é pregar a Palavra, como foi pontu ado por Paulo: "Prega a Palavra, insta, quer seja oportuno quer não...” (2Tm 4.2). Só a Palavra de Deus pode provocar arrependi mento e salvação (Mt 12.41). O assunto em estima faz parte da matéria do curso teológico de nominada de Homilética, a ciência que ensina ao pregador como pre parar sermões. Em suma, diriamos que ela visa a destacar as caracte rísticas de um pregador chamado por Deus, as suas qualidades, que' envolve conversão, vocação, amor OB0ÍRO ao povo; e o seu preparo para pre gar: oração e estudo da Palavra. Inclui também os elementos para a pregação: a Palavra de Deus, a unção do Espirito Santo, ilustra ções. E aponta as responsabilida des do pregador: comportamento no púlpito, cuidado na explanação da mensagem. Ela observa ainda as bases do sermão: a escolha do texto, a interpretação do texto, os erros de interpretação, as regras fundamentais; a fonte da inter pretação do texto; o sermão e sua forma e esboços. A parte que iremos nos deter aqui é quanto à forma ou espécies de sermões. Os livros que versam sobre a temática da homilética destacam três ou quatro classifi cações para os tipos de sermões, tendo outras variações: temático, textual, expositivo, ocasional; ou, como outros apresentam, temático, textual e expositivo. Outros são da opinião de que há apenas dois tipos: o tópico e o expositivo. Os tipos de sermões que tratare mos aqui seguem a segunda coloca ção, os quais podem ser usados nas mais diferentes ocasiões ou situa ções. Jamais se pode pensar que o preparo de um sermão, envolvendo o lado técnico e científico, irá tolher a inspiração divina ou o trabalhar do Espírito Santo; mas, para isso, é de sermão licabilidade preciso levar cativo todo pensamen to à Cristo Jesus (2Co 10.5). O primeiro tipo que iremos abordar é o serm ão tem ático ou tópico, ou sermão de assunto, que procura expor a verdade bíblica em um tema que é utilizado pelo pregador. Esse tipo de sermão pode ter suas divisões ou assunto tanto atrelados a um texto bíblico como não. Esse tipo de sermão órbita es pecificamente em torno do assunto, ainda que possa se dizer que o texto bíblico forneça uma ideia para a mensagem que se deseja. O tema do sermão temático pode nascer em um momento de viagem, pela leitura de um livro, assistindo um noticiário, um acon tecimento que chama a atenção. Assim, como pontuamos, não está atrelado obrigatoriamente ao texto bíblico, mesmo que se tome uma passagem como base. Um exemplo bem simples de um sermão temáti co seguindo uma frase bíblica como a de João 8.12 pode ficar assim: Jesus é a Luz do Mundo A Iluminação de Jesus A pureza de Jesus A universalidade de Jesus A divisão do sermão temático ou tópico origina-se do tema do sermão, porém a construção dos A OB03RO pontos deve harmonizar-se com o assunto abordado. Na construção dos pontos do sermão temático, cada um deve estar atrelado ao que se segue, isso quer dizer que ele não pode fugir da temática abordada. Mesmo que por ve zes haja distinção nos pontos, a relação entre o tema e propósito deve ser mantida. Por exemplo, se tomarmos Romanos 1.16, a mensagem do sermão temático seria essa: O Poder do Evangelho O Evangelho liberta O Evangelho transforma O Evangelho salva O Evangelho transforma A forma de um sermão temá tico errado, o qual não evidencia uma ligação com os pontos, seria essa: O Poder do Evangelho O Evangelho transforma O Evangelho batiza O Evangelho cura No primeiro exemplo, o obje tivo do sermão temático é levar o ouvinte à reflexão sobre a impor tância de conhecer Jesus como a verdadeira luz. No segundo exem plo, é evidenciar o poder do Evan gelho aos pecadores ouvintes, daí a importância de ligar o primeiro ponto com o segundo e o terceiro. Ainda que os pontos sejam dis tintos, mas o assunto deve estar entrelaçado neles. O segundo tipo de sermão é o serm ão textual. Sua base funda mental é o texto bíblico, com as di visões do mesmo sendo extraídas do próprio texto. Aquele que vai pregar um sermão textual toma como base uma passagem bíblica, versículo ou parte dele. As divisões do sermão textual são denominas de três maneiras. A primeira é a natural, que segue a ideia que o próprio texto. Um exemplo bem simples que se pode dar é de 1 Coríntios 13.13, no qual temos três divisões: Fé, Esperança, Amor. Asegunda divisão textual é denominada de analítica, pois o pregador tem que voltar-se total mente para a ideia que o texto está lhe dando, fazer suas divisões ana- liticamente. Essa análise a ser feita envolve muito cuidado e devoção. As divisões textuais podem ser feitas através de seis bombardeios de perguntas ao texto: Quem? O quê? Quando? Por quê? Como? Onde? Por meio dessas palavras, se tornará mais fácil atentar para os pontos principais do texto. Atente para um exemplo da divisão na ordem analítica do sermão textual tomando como base Lucas 19.1-10: Jesus visita um pecador I - Uma visita não programada (vv. 1-6); II - Uma visita transformadora (v. 8); III - Uma visita salvadora (v. 10). OB 14 REIRO No caso da divisão do sermão textual com sua análise sintática, faz-se a escolha do texto e um re sumo das partes principais, mas levando em consideração que as divisões naturais e analíticas não podem ser alteradas. Assim, no preparar desse tipo de sermão, seu autor pode organizá-lo sem preocu- par-se com a ordem das partes do texto. Note o exemplo abaixo com o texto de Marcos 6.34-38. 0 Dispenseiro de Deus 1 - A visão do dispenseiro (vv. 34-38); IIA compaixão do dispenseiro (v. 35); III A Provisão do Dispenseiro (v. 37). No caso do tema do sermão textual, sua origem é o próprio texto. Isso é feito pela busca de se compreender a ideia central presente nele. Feito isso, logo você terá a mensagem espiritual que o texto está transmitindo, inclusive o tema. É também pelo texto bíblico que se alcança a divisão do sermão textual, pois em contato com o mes mo logo se descobrirá o os pontos principais do sermão, e eles serão harmonizados e conectados con forme as palavras e frases do texto. Por fim, apresentaremos o ser m ão expositivo, que na atualidade é pouco pregado, isso porque exige muito do pregador. Ele é bastante apoiado nas referências bíblicas. E preciso fazer uma análise lógica, meticulosa e pormenorizada do texto. O alvo do sermão expositivo é tornar o texto bíblico totalmente claro no seu aspecto exegético e hermenêutico. Na própria essência do adjetivo "expositivo", já se pode compreender a natureza desse tipo de sermão, relativo ao que envolve exposição; que descreve, que dá a conhecer. Do latim, significa expor, é algo que vem de fora. Expor é colocar, externar uma verdade que está contida no texto. O sermão expo sitivo é, portanto, a explicação das Sagradas Escrituras. Ele trata espe cificamente da explicação de uma unidade bíblica de quatro ou mais versículos, de um capítulo ou de um livro da Bíblia. Vale ressaltar que no momento em que o pregador for fazer uso desse tipo de sermão, em especial no ato do seu preparo, deve tomar toda precaução para não fragmentá-lo, quebrando sua unida de e transformando-o em uma série de pequenos sermões textuais. Na pregação do sermão exposi tivo, o pregador procura expor na íntegra o texto e as divisões seguem tanto um aspecto lógico como cro nológico. Esse procedimento obje tiva levar o ouvinte para dentro das verdades contidas no texto bíblico. Toma-se a passagem bíblica e sele- ciona-se a mais vários versículos, um capítulo ou mesmo um livro. Na exposição, o pregador sabe que sua missão está totalmente atrelada ao texto bíblico, procurando expor o mesmo, isto é, dizendo o que realmente o texto está dizendo ou quer dizer. Cinco pontos principais Á 15 devem ser seguidos na exposição de um sermão expositivo: 1) Nunca fugir do texto 2) Não ser teórico 3) Estudar bem o texto bíblico 4) Não ser monótono 5) Ter o hábito de ler a Bíblia diariamente O pregador não pode ler o texto e fugir dele, mas deve penetrá-lo profundamente, como bem pontua o salmista: meditar de dia e de noite para ser bem plantado (SI 1.2,3). O pregador não pode ser teórico, isto é, especulativo, que busca apenas curiosidade para impressionar os outros. O pregador de verdade sabe que sua maior missão é ensinar as verdades contidas no texto bíblico, por isso deve ser prático e objetivo na aplicação da mensagem. Na escolha do texto, o pregador deve estudá-lo profundamente, atentando para cada palavra, frase, não sendo superficial. A base para o sermão expositivo é a passagem bíblica, isto é, o texto, o qual pode ser longo ou curto, mas deve ter seus limites, que são determina dos pela própria divisão presente na Bíblia. As divisões maiores são denominadas de capítulos. Outra maneira para se dar os limites de uma passagem, além dos capítulos, são os parágrafos, que é o conjunto de um ou mais períodos frásicos cujas orações se prendem pelo mesmo grupo de idéias e cen tro de interesse. Assim, um pará grafo é uma unidade de sentido, inserida num todo textual coeso. Por meio deles se pode determinar os limites de uma passagem bíblica. A divisão por meio dos parágra fos é fácil de se encontrar na Bíblia. Na Bíblia Almeida e Atualizada, pore xemplo, se você procurar Romanos 3.23, logo notará que a primeira letra do versículo está mais escura. Note que da mesma forma está no versículo 27, e ainda poderá ver o mesmo durante todo o capítulo. Essas são as divisões em parágrafos. Na transmissão da mensagem expositiva, o pregador não pode ser maçante, enfadonho, sem novi dade, pois tem diante de si o Livro Sagrado, o qual é vivo e eficaz (Hb 4.12). Assim, poderá recorrer a di versas passagens das Escrituras, as quais são marcadas por lições positivas e instrutivas. E impossível pregar mensagem expositiva se o pregador não tiver o hábito constante de meditar na Palavra de Deus. E preciso fazer como Esdras: "Porque Esdras ti nha preparado o seu coração para OB0ÍRO buscar a lei do Senhor e para cum pri-la e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos" (Ed 7.10). Através dessa citação bíblica, ficamos sabendo de como deve ser o proceder daquele que deseja ser um professor ou pregador da Pala vra de Deus. Esses três requisitos: procurar, conhecer e cumprir para só depois ensinar. Esse deve ser o lema de cada obreiro que ama as verdades divinas e deseja que o povo a tenha no coração. Esse obreiro irá proceder como Esdras. Na pregação expositiva, o pre gador tem que ser um leitor assíduo da Palavra, um arguto pesquisador, isso com toda frequência, constan temente, sem se afastar da leitura desse livro (Js 1.18), amando de verdade a Palavra, como disse o salmista: "Quanto amo a tua Lei! E a minha meditação todos os dias". O verbo meditar no hebraico é hxys siychah, com a ideia de meditação, pensamento, oração, devoção, quei xa, reflexão e estudo de um objeto. Devido ao espaço, não pode mos abordar o assunto com todos os seus pormenores, mas resumi damente iremos apresentar um modelo de um sermão expositivo extraído das penas do pastor Elie- nai Cabral, que toma como base o texto do capítulo 1 de Colossenses em sua obra Pregador Eficaz. Veja: Introdução: Todo esse capítulo apresenta o senhorio de Cristo sobre todas as coisas criadas. I - Saudação, 1.1-12 a) Saudação inicial de Paulo, 1 .1, 2 . b) Ação de graças de Paulo, 1.3-8. c) Intercessão pelos Colossenses, 1.9-12. II - Cristo, o Soberano Senhor, 1.13-23 a) O Senhor da Redenção, 1.13,14. b) O Senhor da Criação, 1.15-17. c) O Senhor da Igreja Universal, 1.18-20. d) O Senhor da Igreja Local, 1.21-23. III - Cristo, o Senhor do Ministé rio de Paulo, 1.24-29 a) Um ministério de sofrimento, 1.24. b) Um ministério de serviço constante, 1.25-27. c) Um ministério pastoral, 1.28. d) Um ministério de responsa bilidade, 1.29. Conclusão: Cristo conquistou o senhorio sobre todas as coisas na Sua vitória no Calvário. Iremos concluir essas linhas fazendo um destaque das vanta gens de fazermos uso do sermão expositivo pelos apontamentos salientados por Walger L. Fiefeld: 1) Podemos estar mais confiantes de estar pregando a vontade de Deus ao expormos Sua Palavra. O pregador que prega a mensagem da exposição bíblica tem mais firmeza,seguran ça, autoridade, pois diz o que ela realmente está dizendo: "Assim diz RO o Senhor". Não iremos dizer outra coisa senão aquilo que as Escrituras estão dizendo. 2) Ficamos limitados à verdade bí blica. Não se tem subjetivos do tipo "Eu penso" ou "Eu acho, deduzo", pois há um grande temor em não ir além daquilo que está escrito, mas priorizar a verdade da Palavra. 3) Pregamos o conselho de Deus. Esse era o procedimento de Paulo, falar todo o conselho de Deus (At 20.27). Quando o pregador assim procede, evita de ficar no púlpito falando de seus assuntos particula res e preferidos. As excentricidades pessoais são deixadas de lado quan do nos predemos no texto, no seu contexto e no seu propósito. 3) Deixamos a passagem bíblica falar por si e para si. Quando se faz uso do contexto da passagem, já está se fa zendo a aplicação, mas é preciso que se conheça bem o texto e as circuns tâncias envolvidas nele, em especial aquilo que forma o pano de fundo e a linha de pensamento de todo livro. Quando se deixa a passagem falar como ela falou em sua originalidade primitiva, muitos desajustes são evi tados. Não haverá nenhuma dificul dade em tomar uma passagem bem prática quando se entender a função que ela exerceu lá atrás. 4) A própria Bíblia fornece uma estrutura literária que serve de funda mento para o esboço do sermão. 5) A pregação expositiva ajuda o pregador a tratar de assuntos delicados através de sua exposição, não sendo ino portunos. Um pastor que lidera igreja sabe dos muitos assuntos melindro sos que há no seu meio envolvendo certos membros, dos quais muitos irmãos têm conhecimento. Se tal assunto for tratado abordando a passagem do contexto, o qual já vinha sendo tratado antes no texto, em uma série de mensagens expo- sitivas, tal tensão diminuirá. Portanto, queridos pregadores do Evangelho de Cristo Jesus, seja mos conscientes que a mensagem expositiva deve ser cultivada por todos nós, pois através dela tanto nós como os membros poderemos descobrir a perfeita vontade de Deus. Esse tipo de sermão está aci ma do sermão temático ou tópico e do textual, pois seu modelo é de um estudo bíblico. A pregação expositiva requer muito do pregador, não dando es paço para a inação, que gera uma hermenêutica fraca e falha e uma pregação pobre, que se firma em interpretações imaginosas e sem fundamentos, inválidas, "espiri tualizadas", sem qualquer base no texto bíblico, mas requer que o obreiro seja preparado (2Tm 2.15). Se realmente desejamos que os nos sos púlpitos tenham pregadores de verdade, eles precisam pregar mais a mensagem expositiva, isso porque por meio dela eles sempre estarão mais perto do texto e do contexto, não querendo ir mais além daquilo que já está escrito (2Co 1.13), sendo cônscios que se forem além disso serão malditos (G11.8). | SEJAMOS IMITADORES DE CRISTO EM ESPÍRITO E VERDADE Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou uma ética que se espera atingir. Escrito de forma abrangente para leigos e estudiosos, Santidade desafia esta ideia comumente aceita, ao mergulhar no seu conceito teológico. Buscando ocupar um espaço não antes desbravado no estudo do tema, o pastor e doutor em filosofia Bernie A. Van De Walle preparou esta introdução teológica para que você redescubra a santidade bíblica. s}-uiO ro Oü) ~o'Ou SANTIDADE U M A IN T R O D U Ç Ã O TEOLÓGICA B F. R N I E A. \a n d e W A l - l E o (DOO NAS LIVRARIAS CPAD ((JRh 0 8 0 0 021 7 3 7 3 w w w . c p a d . c o m , b r c m José O risvaldo é pastor da A ssem blé ia de Deus em Maceió (AL), líder da Convenção das ADs de A lagoas ( COMADAL), professor de m atérias teo lóg icas, advogado, a rticu lis ta da CPAD e pres idente do Conselho de Ética da CGADB. A mensagem emitida no púlpito deve atender aos sedentos de salvação e fortalecer os crentes ao longo de seu desenvolvimento José Orisvaldo Nunes de Limo A Preg; A pregação da Palavra de Deus é o ponto cen tral da religião cristã evangélica. Não é à toa que os nossos belos e bem ela borados móveis de madeira nobre ou mármore chamados púlpitos ficaram durante séculos (e devem continuar) ao centro da platafor ma dos nossos templos, que na antiguidade se chamava presbi tério. As palavras empregadas para o anúncio da Palavra de Deus no Novo Testamento são essencial mente quatro: evangelizesthai, que significa anunciar as boas novas e repete-se por 55 vezes; kataggé- lein, que traduzindo é proclamar, pregar as boas novas, que aparece 19 vezes; kerrússein, cuja tradução é anunciar, proclamar como um arauto, junto com seus deriva dos, ocorrendo 69 vezes; e, por fim, didachê e seus derivados, que aparecem no texto grego por 185 vezes, perfazendo um total de 328 referências diretas e indiretas ao anúncio da Palavra de Deus. Sal vo melhor juízo, do batismo em águas, o Novo Testamento tem 85 referências. No tocante à Ceia do Senhor, apenas cinco. Constata mos com clareza meridiana que as ordenanças são importantes e devem ser ciosamente observadas; todavia, a primazia é a pregação da Palavra. Vejamos as implica ções da pregação e do pregador. A banalização da pregação nos dias atuais Observem os como m uitas denominações fugiram do rumo traçado por Jesus e Seus apóstolos. Em muitos lugares, as igrejas vira ram empresas que disputam entre si os "clientes". Os que entram por esse caminho perdem o escrúpulo e não têm mais compromisso com a pregação genuína, mas, sim, com "produtos" que agradem o maior número de "consumidores" pos sível. Lamentavelmente, até nos arraiais do pentecostalismo clás sico, como é o nosso caso, muitos ministros perderam a fé e entra ram por esse infame caminho, ao qual o santo apóstolo Judas chama de "erro de Balaão" que consiste em pregar com objetivos meramente pecuniários (Jd v.ll). Nesses lugares, a pregação da pa lavra desaparece e é substituída por chavões, orações "fortes", ben- zimentos e práticas animistas. Os tais ministros, através da mídia, são bons marqueteiros e conse guem atrair novos "fregueses", que, à semelhança das ondas do mar, vêm e vão. Em muitos templos, o cen tro da liturgia, se é que se pode chamar liturgia, já não é mais a Palavra de Deus. Evidência maior é que em muitas plataformas do presbitério o púlpito foi retirado e o local transformou-se em pal co de shows; afinal, isso agrada ição Bíblica a possível clientela e, quando muito, na hora da "reflexão" se põe uma magérrima estantezinha transparente. Em outras partes, a situação piorou, pois onde antes estava o púlpito agora há sofás, consoles, cadeiras e mesas com docinhos, salgados e refrigeran tes, onde, em vez da pregação, quatro ou cinco pessoas ficam dissertando sobre determinados temas, tipo bate papo ou, como hoje é conhecido, podcast. A re velação bíblica não recomenda tais práticas, pois o Senhor não mandou dialogar, mas pregar (Mc 16.15). Pregar no grego não é dialogar, nem emitir opiniões próprias, mas kerusso, que signi fica ser um arauto a proclamar uma m ensagem real, já pré- definida por uma autoridade e que deve ser escutada, acatada e obedecida sem possibilidade alguma de que seja discutida por opiniões de quem quer que seja. Vale salientar que o fato de os púlpitos serem banidos das plata formas de muitas igrejas é emble mático, pois representa o descaso e desprezo pela ministração da Palavra. Nos dias da Reforma Protestante, Calvino bradou: "O púlpito é o trono de onde Deus governa a sua Igreja". Portanto, voltemos às nossas origens e que voltem às nossas plataformas os púlpitos, sejam majestosos ou simples, mas que dignifiquem a pregação da Palavra de Deus. A Já em outras localidades, os pregadores têm sido substituí dos por profissionais coach, cuja técnica trata de in teligên cia emocional, melhores relaciona mentos, injeção de autoestima, desenvolver a auto disciplina, aumentar a motivação,melhores resultados e mais saúde. Pelo que eu entenda, isso nada tem a ver com a pregação da Palavra de Deus, cujo tema central é a pes soa de Jesus Cristo, que é para nós e produz em nós "sabedoria, justiça, santificação e redenção" (ICo 1.30). Nada contra tais mé todos de trabalho ou seus profis sionais, apenas notificando que o púlpito não é o lugar para os tais, mas, sim, dos fiéis pregadores do Santo Evangelho. A responsabilidade do pregador O pregador precisa lembrar-se que nos dias em que vivemos, de múltiplas ocupações e entreteni mentos, uma pessoa, depois de uma semana de trabalhos e estu dos, vir a um culto cristão é uma ação da graça de Deus dando fome e sede de justiça àquela alma. Ela vem faminta e sedenta da Pala vra de Deus. E se o pregador não orou, não buscou a Palavra, não preparou um sermão substancial? Esse pregador comete um crime contra Deus e contra as almas. Esse chamado pregador, se é pas tor e vive do altar, não é digno da prebenda pastoral que recebe, pois não cumpre, nem de longe, os requisitos divinos que fazem jus ao ministro cristão ser auxiliado financeiramente pela igreja a qual serve. Afinal, o apóstolo Paulo nos diz que só são dignos de "serem considerados merecedores de pa gamento em dobro, os presbíteros (diga-se pastores) que presidem bem, especialmente os que se es forçam na pregação da palavra e do ensino" (lTm 5.17, NAA). Não esqueço do meu professor de oratória que nos disse: "Quando o povo vem de longe e se assenta para ouvir um pregador, tacita- mente ele está clamando para o ministrante: 'Surpreenda-nos! E doloroso observar a pobreza de muitos púlpitos Brasil afora. Um grande líder de outra confissão cristã, há algum tempo, em uma reunião com a cúpula do seu mi nistério, disse: "A maior evidência de que a igreja é de Deus é que ela sobrevive apesar das pregações medíocres que escuta semanal mente". Lamentavelmente, grande parte dos ministros esqueceram que a sua missão precípua é "dedi car-se a oração e ao ministério da palavra" (At 6.4). Recordemos as palavras de Jesus a Marta: "Mar ta! Marta! Você anda inquieta e se preocupa com muitas coisas, mas apenas uma é necessária" (Lc 10.41,42, NAA). Os perigos de um ministro negligente na pregação Um ministro desleixado na pregação, será responsável pela perdição do povo. No Antigo Tes tamento, os profetas falavam sob inspiração divina para edificar, exortar e consolar o povo, mas o ensino ordinário da Palavra era missão dos sacerdotes levitas. Não olvidemos as palavras de Malaquias, quando advertia os sacerdotes dos seus dias: "Porque os lábios do sacerdote devem guar dar o conhecimento, e da sua boca todos devem buscar a instrução, porque ele é o mensageiro do Se nhor dos Exércitos" (Ml 2.7, NAA). Nos dias de Oséias, foi proferida uma maldição sobre os sacerdotes displicentes que negligenciavam o seu ofício: "O meu povo está sendo destruído, pois lhe falta o conhe cimento. Pelo fato de vocês sacer dotes rejeitarem o conhecimento, também eu os rejeitarei, para que não sejam mais sacerdotes diante de mim; visto que se esqueceram da lei do seu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos" (Os 4.6, NAA). Que o Senhor se apiede de nós, ministros do novo pacto, que temos a mesma missão de minis trar a Palavra à nossa geração. Li certa vez que um ministro da Igreja da Escócia estava a cuidar do jardim da vetusta casa pastoral em uma manhã ensolarada. Perto das lOh, a governanta da casa apareceu na janela e bradou: "Reverendo, o senhor esqueceu que é domingo? O povo está assentado no templo esperando pelo senhor para iniciar o culto". Ele, bem tranquilo, entrou na casa, vestiu a toga pastoral, be beu um trago de whisky e subiu no púlpito para pregar. Que o Senhor se apiede de nossa geração de pre gadores! Orientações para ser bem sucedido na pregação O pregador jamais deve buscar visibilidade para si ou fama, o seu alvo deve ser única e exclusiva mente esconder-se atrás da cruz e bradar a mensagem para que todos olhem para Cristo. O objetivo não deve ser produzir uma linda peça de oratória, mas tomar um texto bí blico e, a partir dali, à semelhança de Filipe, ao pregar para o eunuco da rainha da Etiópia, anunciar a Jesus (At 8.34). Conta-se que Spur- geon pregou um lindo sermão e, ao descer do púlpito, uma senhora o abordou e, segurando-lhe o braço, disse: "Que sermão maravilho so!". Ao que o pregador abaixou a cabeça envergonhado e ficou em silêncio. A senhora lhe disse: "Pas tor, se eu lhe ofendi, desculpe". Ele respondeu: "Eu estou triste porque meu objetivo não era que a senho ra elogiasse meu sermão dizendo 'Que sermão maravilhoso!', mas, sim, que dissesse: 'Que Cristo ma ravilhoso!"'. O pregador precisa ter uma vida santa e condizente com a Pa lavra que prega. Alguém hoje pre ga o "evangelho de São Tomás": prega, mas não faz. O médico, o engenheiro, o professor, o odon- A OB RO 23 tólogo etc podem ser bons profis sionais e ter concomitantemente uma vida imoral, mas isso jamais pode acontecer com um pregador do evangelho. São Paulo diz-nos que "se alguém se purificar desses erros, será utensílio para a honra, santificado e útil ao seu Senhor, estando preparado para toda a boa obra" (2Tm 2.21, NAA). Isaías corrobora com este texto quando nos diz: "Não toquem uma coisa impura! Saiam do meio dela, pu rifiquem-se, vocês que levam os utensílios do Senhor" (Is 52.11). Também o pregador, para ser produtivo no Reino de Deus, pre cisa passar tempo em oração, com as Escrituras abertas diante do Se nhor. Jeremias nos alerta, a nós pre gadores: "Por que quem esteve no conselho do Senhor, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento a sua palavra e a ouviu?" (Jr 23.18). Entendemos que só pode subir ao púlpito quem esteve muito tempo diante do Senhor mergulhando nos segredos de Sua Palavra, len do e relendo várias vezes o texto sagrado. Não se pode dispensar a com panhia dos piedosos pregadores do passado e do presente que an daram e andam com Deus. Apren damos deles, pois nos deixaram as preciosas revelações que recebe ram de Deus impressas nos seus livros. Ninguém é tão original ao ponto de desprezar o que Deus deu a outros. Paulo cita Abraão, Davi, Isaías, Jeremias, Moisés etc. Também cita filósofos e poetas da literatura clássica grega, textos que o Espírito Santo considerou válidos, condizentes com a verda de divina, e autorizou o apóstolo a inserir nas Escrituras. 1 Coríntios 15.33 é do poeta grego Menandro; Atos 17.28 é uma citação do filóso fo Epimenedes e Tito 1.12 é uma citação do mesmo poeta. Portanto, leia muito com humildade, oração e discernimento. Lembre-se que Paulo era apaixonado pelos livros (2Tm 4.13). Ainda em matéria de um bom pregador, no que tange a citar par tes do sermão de outros, é de bom alvitre lembrar que muita coisa da Carta de Judas é extraída ipsis líteres da Segunda Carta de Pedro ou vive-versa. Afinal, Lutero disse com razão: "Que pregues a Pala vra! Se podes produzir um bom sermão, produze-o e prega-o. Se não podes produzir um bom ser mão, que pregues um sermão bom de outrem. É melhor que pregues um bom sermão de outrem do que um ruim teu mesmo!" O método mais apropriado para a pregação Outro problema gravíssimo da pregação nos dias hodiernos é que muitos pregadores não têm um método definido, leem um texto bíblico, fecham a Bíblia e nunca mais voltam para ele. Alguns começam a contar testemunhos mirabolantes para engrandecer-se e outros põem-se a "adivinhar" problemas na vida dos presentes para impressionar o auditório. Jeremias nos diz que essas tolices são palha e não trigo (Jr 23.28). Desse modo, o rebanho volta para casa com a alma cheia de gulosei mas e desfalece por falta do pão nutritivo de uma pregação bíblica. Dentre os métodos de prega ção, o que é mais producente é o sermão expositivo, versículo por versículo, frase por frase,palavra por palavra, até exaurir o texto. E o método explicativo usado por Jesus: "E começando por Moisés e por todos os profetas, explicou- -lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras" (Lc 24.27, NAA). Explicar é um vocábulo de origem latina que significa "abrir as plinces" para que se veja o que está oculto. Foi o mesmo que Filipe fez explicando a Escritura ao eu- nuco (At 8.35). Muitos pregadores não querem usar este método por que o mesmo exige muita oração e muita pesquisa, e os tais sofrem de "preguecite aguda". Acerca desses pregadores, o maior orador sacro do Brasil-Colônia, padre Antônio Vieira, já dizia: "Jonas passou qua renta dias pregando uma única mensagem aos ninivitas, hoje há pregadores, porém, que em uma única hora, pregam quarenta men sagens diferentes". Quem prega versículos isola dos e soltos prega sobre a Palavra de Deus, mas quem prega um sermão expositivo prega a Palavra de Deus. É o que Paulo recomen dou: "Pregue a palavra" (2Tm 4.2, NAA). Lendo um texto e explican- do-o, os resultados são inevitáveis: haverá quebrantamento e choro como nos dias de Neemias. Diz o texto bíblico: "Eles iam lendo o livro da lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que se entendesse o que se lia [...] porque todo o povo chorava ouvindo as palavras da lei" (Ne 8.8,9). Não somente a explicação produziu pranto, mas também mudança de vida: "Os da linha gem de Israel separaram-se de todos os estrangeiros, puseram- -se em pé e fizeram confissão dos seus pecados" (Ne 9.2). Conclusão: preguemos a Palavra e nossas igrejas serão avivadas pelo poder da Escritura e do Espírito Santo que a inspirou. Neemias pregou a Palavra e o povo chorava, Pedro pregou no Pentecoste e três mil almas se converteram, pregou na casa de Cornélio e o Senhor bati zou dezenas no Espírito Santo e o evangelista Marcos disse que os apóstolos "foram e pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais que a seguiam" (Mc 16.20). Conosco não será dife rente. Soli Dei Gloriae. Bibliografia BAKER, Oavid e ARNOLD, Bill. Faces do Antigo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. BRUCE, F. 0 Canon das Escrituras. 1 ed. São Paulo: Hagnos, 2011. TENNY, Merril. Enciclopédia da Biblia. led. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. Descubra as Principais Heresias Históricas c Saiba como Combatê-las Neste livro, Roger Olson descreve as maldições que heresias como pelagianismo, semipelagianismo e teologia da prosperidade, trazem para a Igreja. Descrevendo seus principais conceitos, a forma como a Igreja lidou com elas, os atores envolvidos e o que pode ser feito para resolver o problema, Cristianismo Falsificado busca educar as igrejas sobre Jesus, Deus e a salvação. ® Roger e. olson CRISTIANISMO Código: 350904 Formato: 14,5 x 22,5cm Páginas: 176 OBRAS PARA O ENRIQUECIMENTO DA SUA VIDA MINISTERIAL Homiléticaf o Pregador e o Sermão. Severino Pedro da Silva Escrito em linguagem simples, esta obra define com propriedade a Homilética, a Retórica e a Oratória. Ela apresenta a classifica ção, a introdução, o assunto, a forma, as partes, o tema, o texto, o corpo, a aplicação e a conclusão do sermão. A comunicação oral é a maneira pela qual Jesus anunciou as Boas Novas do Reino e a estratégia continuou através dos apóstolos e demais discípulos, atravessando gerações até chegar aos dias atuais. Mesmo com o advento da tecnologia (que otimizou, e muito, a arte da comunicação), o sermão continua sendo o instrumento eficaz nos púlpitos, nas casas, nos templos, nas ruas, visando sempre solucionar dúvidas, convidar pecadores, ensinar os fiéis, disciplinar vidas e atender a outras demandas espirituais e seculares dos dias atuais. Uma obra quem auxiliará aquele que está interessado em otimizar o seu processo de preparação do sermão. Pregador Eficaz. Elienai Cabral Como saber se a mensagem que você prega está alcançando seus objetivos? Às vezes, o problema está na maneira como prepara mos a mensagem; outras vezes, em como nos apresentamos no púlpito; e outras vezes ainda, a dificuldade reside em nossa vida devocional com Deus. Este livro aborda estes temas mostrando- -nos o que nos impede que apresentemos com eficácia a Palavra de Deus. O autor é conhecido como pregador e ensinador, e em sua trajetória como apologista e escritor ligado à CPAD através de livros e Lições Bíblicas da Escola Dominical. Trata-se de uma obra que vai contribuir de forma substanciosa para quem almeja desenvolver seu talento na arte da comunicação do conteúdo bíblico. As suas mensagens têm sido eficazes? Elas têm tido resultados? Você tem alcançado o seu público alvo? O conte údo de autoria do pastor Elienai Cabral vai auxiliá-lo em seu desempenho no púlpito de modo a contribuir na disseminação da Palavra de Deus com eficácia. 27 Elias Rangel Torralbo é pastor- auxiliar na Assem blé ia de Deus M in is tério do Belém Setor 19, em G uaru lhos (SP), conferencista, escritor, m estre em Teologia e d ire to r-execu tivo da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP). Compreender o que é de fato o sermão e a sua importância leva o pregador a desenvolver as disciplinas espirituais e o incremento de sua vida intelectual Elias Rangel Torralbo A prepara e intelect M L edificação da igreja depende diretamente do ministério da ex- t t «aposição bíblica, isto é, da pregação (Ef 4.11,12). Do mes mo modo, a salvação dos que cre em se dá por meio da proclama ção do evangelho (Rm 1.16; ICo 1.21).1 Diante disso, fica clara a vi tal importância da pregação bíbli ca, não só para a Igreja de Cristo, mas também para a humanidade, pois que "a obra da pregação é a mais elevada, a maior e mais glo riosa vocação para a qual alguém pode ser chamado", além do fato de que "a mais urgente necessida de da igreja cristã, na atualidade, é a pregação autêntica [...] Eviden temente ela é também a maior ne cessidade do mundo".2 Com base no exposto acima, afirma-se que o tema da pregação, além de ser imprescindível para a igreja na atualidade, é também imperioso com vistas a munir os pregadores para que permaneçam fiéis na entrega da mensagem e treinem a igreja a ser capaz de discernir entre a verdade e a mentira, mui especialmente pe las grandes e rápidas mudanças que ditam o ritmo deste tempo. Além disso, refletir sobre o mi nistério da pregação é desafiador principalmente porque trata-se de um assunto amplo e que pode ser analisado sob diferentes pontos de vistas, como o da pregação em si, o do pregador, o da mensagem, o do público-alvo, além de tantos outros, razão pela qual este texto se restringe a uma abordagem sobre a complexa, porém prazerosa, relação do preparo espiritual e intelectual do pregador na elabo ração do sermão. A esta altura, é indispensável ressaltar que, embora seja possível - e, em certo sentido, necessário - analisar o trabalho da elaboração do sermão à parte do pregador, é preciso lembrar que ambos são inseparáveis, como bem afirmou Macartney: "Podemos imprimir o registro escrito do que o pregador disse, mas não a luz dos olhos, o brilho da face, a curva que a mão descreve, a atitude do corpo, a musi calidade da voz".3 Portanto, com os devidos cuidados, a proposta aqui é a de propor uma reflexão sobre o 1 "O meio prescrito por Deus para salvar, santificar e fortalecer sua Igreja é a pregação" (MACARTHUR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2007, p. 261. 2 LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Editora Fiel, 2010, p. 15. OB 28 REIRO ição espiritual yal do sermão preparo espiritual e intelectual na elaboração do sermão, e isso está disposto da seguinte forma: i) uma definição para sermão; ii) o preparo espiritual do sermão; iii) o preparo intelectual do sermão. Sermão:uma breve definição Antes que seja dada uma definição para "sermão", é pre ciso considerá-lo como parte de um todo ou ainda como um dos fundamentos da pregação, e isso pode ser bem compreendido na explanação que John A. Broadus faz sobre este ministério, na qual se pode identificar o sermão como elemento fundamental: "A prega ção cristã poderia ser definida da seguinte maneira: Pregar é procla mar a mensagem de Deus, por meio de uma personalidade escolhida, para atender às necessidades da humanida de". Essa definição apresenta três elementos básicos da pregação: a mensagem de Deus, a personali dade ou pregador escolhido, e as necessidades dos seres humanos.4 O âmago da pregação é a men sagem, ou seja, o conteúdo do 3 MACARTNEY, Clarence E. Grandes Sermões do Mundo. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003, p. 7. OB A 29 REIRO sermão a ser transmitido pelo pre gador, cujo objetivo é o de apontar a saída providenciada por Deus para o dilema no qual o ser huma no se encontra em virtude de seu estado de pecado. Por esta razão, Von Allmen afirma que no sermão "Deus não é apenas o objeto como também a verdadeira fonte da pregação cristã. Portanto, pregar é falar por Deus em vez de falar so bre Deus".5 Desse modo, o sermão consiste na estrutura sobre a qual todo o conteúdo da mensagem a ser entregue está fundamentado, o que o torna parte elementar no ministério da pregação. Dito de outra forma, em certa medida, não há ministério da pregação sem o sermão; ou ainda, este é uma con dicional para aquele. Com vistas à ampliação da compreensão acerca do que vem a ser o sermão e o seu lugar no mi nistério de um pregador cristão, na prática, o sermão é a mensagem a ser pregada, é a base das idéias que deverão ser apresentadas de tal forma que fiquem gravadas na mente e no coração dos ouvintes. Aqui a necessidade de preparo nas áreas abordadas neste texto é sublinhada, já que o preparo espiritual possibilita a aplicabi lidade da mensagem ao coração dos ouvintes pelo Espírito Santo, enquanto o intelectual toca-lhes a mente. A preparação espiritual do sermão Conforme destacado anterior mente, na dinâmica do ministé rio da pregação, o pregador e o sermão são inseparáveis, e isso implica na afirmativa de que, ine vitavelmente, a preparação espiri tual do sermão passa pelo preparo do pregador. Atente para a leitura do texto de Paulo em 1 Coríntios 2.4: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em pa lavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e do poder". Leia ainda o que está registrado em 1 Tessa- lonicenses 1.5: "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em po der, e no Espírito Santo...". Embora haja outros textos que poderiam ser aqui apresentados, estes dois são suficientemente capazes de apontar para a na tureza da mensagem que Paulo recebeu de Deus para proclamar, dos quais algumas lições podem ser extraídas, tais como: i) Paulo 4 BROADUS, John A. Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 4. 5 Ibid. 2009, p. 4. fala de "palavra" (conteúdo) e de "pregação" (ato de pregar), e que ambos estiveram firmados no po der do Espírito; ii) o apóstolo não menospreza a importância das "palavras", pois ele as menciona, mesmo porque elas são impres cindíveis para que os ouvintes compreendam a mensagem; iii) a ênfase, porém, não está nas palavras e nem mesmo no ato de pregar, mas na natureza espiritu al deste ministério; iv) Paulo era consciente de que o segredo dos efeitos da mensagem que ele pre gava estava no poder do Espírito Santo e não - em hipótese alguma - em sua própria capacidade ou performance pessoal. Partindo do princípio de que a pregação do evangelho possui uma natureza espiritual e de que os seus resultados dependem di reta e exclusivamente da ação do Espírito Santo, é preciso acentuar e enfatizar a necessidade de o pre gador manter uma espiritualidade saudável, tanto em sua vida pesso al como na elaboração do sermão a ser entregue. Requer-se uma atenção especial à espiritualidade cristã do pregador como elemento indispensável na elaboração e na entrega do sermão. Mas, afinal de contas, o que se quer dizer com a expressão espiritualidade? Alister McGrath fornece a resposta a esta questão, ao escrever que espiritualidade "é o reflexo de todo o empreen dimento cristão em alcançar e sustentar o relacionamento com Deus, que inclui tanto o culto público quanto a devoção parti cular, e os resultados destes na vida cristã propriamente. Espiri tualidade cristã refere-se à busca por uma existência autêntica e satisfatória, envolvendo a união das idéias fundamentais do cris tianismo com toda a experiência de vida baseada em e dentro do âmbito da fé cristã".6 Tomando como base que a espiritualidade cristã é o traba lho de um cristão em estabelecer e manter um "relacionamento com Deus" e de que o pregador é desafiado a desenvolver uma espiritualidade saudável, resta sublinhar o compromisso perma nente e inegociável que o prega dor deve ter com a sua vida com Deus, influenciando assim a sua vida espiritual, pessoal, e seus relacionamentos interpessoais. A espiritualidade cristã se de senvolve por meio de disciplinas espirituais, capazes de promover 6 MCGRATH, Alister E. Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. São Paulo: Vida, 2008, p. 37. Á mudanças significativas na forma com que o cristão vê a Deus, a si mesmo, a vida e o próximo; e, no caso do pregador, as práticas espirituais de comunhão com Deus moldarão o seu ministério e, consequentemente, a sua forma de pregar, tocando-lhes em suas motivações, que devem ser puras; no método usado, que deve ser de acordo com o modelo bíblico; no objetivo, que deve ser a glória de Deus; e na forma de se relacionar com os ouvintes, que deve ser com respeito. As d iscip linas esp iritu ais são meios pelos quais o crente tem de participar e cooperar com a obra exclusiva de Deus em transformar a sua vida. Do mesmo modo, essas práticas espirituais devem fazer parte da vida de um pregador, inclu sive na elaboração do sermão, tendo em vista a necessidade vital da indispensável presença do Espírito Santo, tanto em sua vida quanto no exercício de seu m inistério. Antes de apontar algumas práticas espirituais na elaboração do sermão, é preciso enfatizar que a perseverança nisso passa, inevitavelm ente, pela consciência que o pregador deve ter de que ele é servo e que está a serviço de Deus e de Seu povo. Isso mesmo: o ministério da pregação é um serviço, cujo foco deve ser a glória de Deus e o benefício da igreja. Com a cons ciência de servo, o pregador não terá dificuldades em se dedicar a práticas como a oração, a con sagração e a leitura bíblica como basilares para a sua vida pessoal com Deus e no cumprimento de seu ministério, inclusive ao labo rar na construção de um sermão. Começando pela oração, e de forma bem objetiva e direta, considere a razão pela qual um crente, mui especialmente um pregador, deve orar: consiste no fato de que "Jesus valorizou a oração o suficiente para passar muitas horas nessa atividade. Se eu tivesse de responder numa frase à pergunta: 'Por que orar?', diria: 'Porque Jesus providenciou a oração'".7 A oração é uma expec- 7 YANCEY, Philip. Oração: Ela faz alguma diferença? São Paulo: Vida, 2007, p. 60. tativa do próprio Senhor Jesus em relação aos Seus discípulos (Mt 6.5-7,9; Lc 11.9; 18.1) e uma exigên cia bíblica aos crentes em geral (Cl 4.2; lTs 5.17). O crente - leia-se "o pregador" - é convocado a orar em todo o tempo, o que implica dizer que o pregador deve orar: i) antes de elaborar o sermão; ii) enquanto elabora o sermão; iii) enquanto entrega a mensagem; iv) depois de a mensagem ter sido entregue. Além de total depen dência de Deus, essa atitude do pregador lhe dará sensibilidade,coragem, em certa medida prepa rará o coração dos ouvintes e co operará com Deus nos resultados da mensagem pregada. Concluindo essa abordagem sobre a oração, destacamos que, em paralelo a isso, o pregador deve regar a sua vida e a elabo ração do sermão com uma vida de consagração, que envolve a santidade pessoal e a prática do jejum bíblico. No que concerne à leitura bíblica, é preciso destacar que o pregador deve ser alguém que tenha contato com as Escrituras. Como bem escreveu Whitney, "a absorção bíblica é a discipli na espiritual mais importante, como também a mais ampla", e ele segue explicando que "ela consiste em várias subdiscipli- nas".8 Nesse caso, é preciso que o pregador seja disciplinado em sua relação com a Palavra de Deus, nutrindo práticas como: i) ouvindo-a (Lc 11.28; lTm 4.13); ii) lendo-a (SI 1.2; Mt 4.4; lTm 4.7; 2Tm3.16; Ap 1.3); iii) estudando- -a (Ed 7.10; At 17.11; 2Tm 4.13). O contato com as Escrituras dá ao pregador o sustento para a sua vida espiritual pessoal, consis tência e conteúdo bíblico em suas mensagens e autoridade, con dições para dirigir-se aos seus ouvintes como portador de uma mensagem da parte de Deus. Ou seja, a leitura bíblica constante é vital para a vida de quem prega e na elaboração do sermão. 8 WHITNEY, Donald S. Disciplinas Espirituais. São Paulo: Editora Batista Regular, 2021, p. 35. A preparação intelectual do sermão Há muita coisa que pode ser dita a respeito da relação entre a elaboração do sermão e a intelec tualidade do pregador, contudo a abordagem inicial a este respeito é consideravelmente importante, e, nesse caso, é preciso reafirmar que a capacidade in telectu al inerente ao ser humano é obra divina, e isso implica dizer que, assim como as outras partes da constituição humana, como as suas estruturas física e emocio nal, a intelectual possui o mesmo valor. Afinal, a fonte criadora é a mesma. Embora haja um grande movimento anti-intelectualista vigente, é preciso enfrentar esse problema com coragem e res peito no intuito de mostrar que a capacidade intelectual de um pregador pode e deve ser uma forte aliada no exercício de seu ministério, inclusive na elabora ção do sermão. Ao contrário do que muitos possam dizer ou pensar, a Bí blia não condena, mas incentiva o uso da intelectualidade como meio de glorificar a Deus e coo perar com a difusão do conheci mento de sua verdade (Rm 12.1; 2Co 10.5; lPe 3.15). Cabe aqui uma breve apresentação da ca racterística dos ouvintes atuais a quem os pregadores são res ponsáveis de lhes transmitir a mensagem do evangelho. Sobre isso, Marinho diz que "o grande desafio hoje é entender a men talidade dessa geração e apre sentar m ensagens relevantes para esse ouvinte desencantado, apático, relativista, subjetivo e independente de qualquer ide ologia ou instituição".9 No livro Respostas aos Céticos, Geisler e Brooks configuram com precisão o perfil dos ouvintes da atuali dade, apontando, assim, para a necessidade de uma capacidade intelectual dos pregadores do evangelho, como se lê abaixo: "Em geral, as objeções que os incrédulos levantam não são tri viais. Muitas vezes, suas pergun tas atingem o âmago da fé cristã e desafiam os seus fundamentos. Se os milagres não forem possí veis, então por que deveriamos acreditar que Cristo era Deus? Se Deus não puder controlar o mal, Ele é realmente digno de adoração? Encare o seguinte: se essas objeções não puderem ser respondidas, nós poderem os muito bem crer em contos de fa das também. Estas são perguntas razoáveis, que merecem respos tas razoáveis".10 Diante de tais perguntas e da necessidade de respostas, é preciso identificar quem são os responsáveis por fornecê-las aos ouvintes atuais, e não restam dúvidas de que os pregadores são protagonistas nesse proces so e que o preparo intelectual é imprescindível para isso. Com vistas a uma abordagem resu mida e eficaz, destaca-se que o preparo intelectual na elaboração do sermão deve ocorrer a curto prazo (fundamentar o sermão nas Escrituras e em boas obras literá rias), a médio prazo (uma boa e fundamental formação teológica do pregador) e a longo prazo (dentro do possível, o avanço nos estudos acadêmicos para o apro fundamento dos conhecimentos teológicos).11 Portanto, o pregador deve buscar a capacidade de equi librar o preparo espiritual com o intelectual, com vistas à fidelida de e à eficácia de seu ministério, e ao seu compromisso em trans mitir a mensagem salvadora do Evangelho de Cristo. Ht 9 MARINHO, Robson M. A Arte de Pregar. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 51. 10 GEISLER, Norman L. e BROOKS, Ronald M. Respostas aos Céticos: Saiba como responder questionamentos sobre a fé cristã. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2016, p. 8,9. 11 Fica aqui a sugestão de duas boas e necessárias leituras sobre o uso da intelectualidade a favor do Reino de Deus, trata-se da obra "Hábitos da Mente: A vida intelectual como um chamado cristão" de James W. Sire publicado pela Edições Vida Nova e "Razões para Crer" de Norman L. Geisler e Chad V. Meister publicado pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MACARTHUR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2007. LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Editora Fiel, 2010. MACARTNEY, Clarence E. Grandes Sermões do Mundo. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003. BR0ADUS, John A. Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões. São Paulo: Hagnos, 2009. MCGRATH, Alister E. Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. São Paulo: Vida, 2008. YANCEY, Philip. Oração: Ela faz alguma diferença? São Paulo: Vida, 2007. WHITNEY, Donald S. Disciplinas Espirituais. São Paulo: Editora Batista Regular, 2021. MARINHO, Robson M. A Arte de Pregar. São Paulo: Vida Nova, 2008. GEISLER, Norman L. e BROOKS, Ronald M. Respostas aos Céticos: Saiba como responder questionamentos sobre a fé cristã. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das As sembléias de Deus, 2016. obS I ro 0 ESTUDO DA PALAVRA EM PRIMEIRO LUGAR 3ÍBLICAS Aluno ADULTOS ! 2o TRIMESTRE 2023 Aluno Lições Bíblicas de Escola Dominical O (DOO DE DEUS 2o TRIMESTRE DE 2023 m O QUE CRISTO FEZ " POR NÓS E O QUE PODEMOS FAZER PEL< REINO DE DEUS A História do Povo Escolhido T ^ m m \flDOiCSCCflTES Aprendendo que Jesus] praticou q bem rnmã ■ ■ ■ ■ M immSÊÊBBBMM Lições BIbucas 0 Caminho Para o Céu Lições Bíblicas Discipulando l/amos Amar Juniores! Os livros de Marcos, tueas e João; Vamos Conhecer o <joe Jesus fer •wm****** " '' ' j site: www.escoladominical.com.br T NAS LIVRARIAS CPAD 0 8 0 0 021 7373 w w w . c p a d . c o m . b r CBO http://www.escoladominical.com.br http://www.cpad.com.br Elienai Cabral é pastor, consultor doutrinário e teo lóg ico da Convenção Geral dos M inistros das Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus (CCADB) e da asa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), m em bro da Casa de Letras Emílio Conde, e teó logo e escritor de diversas obras publicadas pela CPAD. A origem do púlpito, o seu significado e a postura que o pregador deve ter ao subir nele para transmitir a mensagem da Palavra de Deus Elienai Cabral A postui Tive o privilégio de su bir ao púlpito da Igreja Metodista em Londres, onde muitas vezes o grande servo de Deus John Wes- ley pregou para os londrinos no Século XVIII, entre os anos de 1735 a 1790. Fiquei vislumbrado por aquele púlpito de madeira trabalhada. Para que John Wes- ley pregasse a Palavra de Deus naquele púlpito, sua vida de ora ção acontecia no seu quarto de dormir, junto do qual havia uma saleta simples, sem ostentação, com um oratório de madeira, local onde esse servo de Deus preparava seus sermões e estu dos bíblicos, ficando de joelhos dobrados durante mais de 4 a 5 horas ininterruptasem oração e meditação na Palavra de Deus. O púlpito tem um fascínio des de os tempos antigos. Podemos ver isso ao voltarmos aos anos de 435-438 a.C., quando Israel teve permitida a sua volta à terra da Palestina, especialmente em Je rusalém, após 70 anos de cativeiro em terra estranha. Os judeus co meçaram a voltar para a sua terra de origem, mas estavam distantes de Deus e cheios dos costumes pagãos. Então, Neemias e Esdras conseguiram ajuntar o povo e o levou para a praça principal em Jerusalém para ouvir a exposição do Livro da Lei de Deus, a Torah (O Pentateuco). A verdade é que temos uma história espetacular que envolve dois homens, tementes a Deus: o escriba e sacerdote Esdras e Ne emias, o governador, o líder po lítico que gozava de simpatia do rei persa Artaxerxes. Por ordem e liberação de Artaxerxes, Neemias liderou a reconstrução dos muros de Jerusalém e teve o apoio do rei persa. Esdras, por outro lado, era o sacerdote, o escriba, que conhecia o Livro da Lei de Deus. Neemias havia sofrido com muitas pressões de pessoas más, como Sambalate e Tobias, os quais se opunham o tempo todo contra a restauração de muros da cidade. Quando Neemias chegou a Jerusalém, encontrou destruição e os muros quebrados. Então, ele entendeu que o povo estava desanimado e sem esperança alguma. Porém, Neemias creu que a solução estava em lembrar a Israel da sua história e, por isso, convocou o povo para reunir-se em praça pública para ouvir a leitura da Lei de Deus. Tudo começou com um púlpito de madeira, que foi feito especial mente para aquela ocasião. O texto de Neemias 8.3,4, diz literalmente: "E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva do dia até ao meio- -dia, perante homens, e mulheres, e sábios, e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao Livro da lei. E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim". O poder da Palavra de Deus lida com graça e unção por Esdras obEUro a no púlpito foi tão grande que magnetizou todo o povo durante mais de 6 horas, para ouvir a sua leitura pela boca de Esdras. No versículo 6, está escrito que Esdras, depois de ter lido todo o texto do Livro da Lei de Deus, "louvou ao Senhor, o grande Deus, e todo o povo, levantando as mãos, respondeu: Amém, Amem! Inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra". Possivelmente tenha ha vido intervalos na leitura para que os levitas interpretassem os textos lidos às famílias que estavam pre sentes naquela praça (Ne 8.7,8). De um modo especial, o povo estava magnetizado pela leitura e pela explicação dos levitas. Houve um grande avivamento espiritual em Israel e tudo começou com a Palavra de Deus lida sobre "um púlpito de madeira". A Importância dos púlpitçs A palavra púlpito vem da lín gua latina pulpitum e isso nos remete à Roma Antiga, quando se dava muita im portância às apresentações teatrais. A palavra pode ser entendida por "palco", "tablado" ou "plataforma" sobre os quais os oradores costumavam discursar para os seus ouvintes. Tronou-se um dispositivo bas tante utilizado em palestras e, principalmente, nas igrejas cristãs. Hoje, os púlpitos estão nas facul dades, nas tribunas políticas, nas tribunas judiciárias e em outras instituições sociais. A obH Iro Os modelos de púlpitos são os mais variados, desde os modelos construídos em granito, pedra, metais, vidro e até os modelos mais leves fabricados em acrílico, que podem ser transferidos de um lado para o outro. O modelo mais tradicional é o "púlpito de madeira" como aquele que Nee- mias mandou fazer para a leitura do Livro da Lei de Jeová (Ne 8.4). Haverá algo místico num púl pito religioso? O despertamento do povo de israel foi provocado por causa do púlpito ou da Palavra de Deus? No caso do púlpito de Esdras, não foi o móvel de madei ra que fez a diferença. Ele apenas facilitou o trabalho de Esdras. O púlpito que Jesus usava como o Verbo divino feito carne Naturalmente, Jesus não car regava em viagem um púlpito para pregar o "Evangelho do Rei no" (Mt 4.23). Ele identificou-se como pregador público quando entrou na sinagoga de Nazaré, na Galiléia, identificando-se profe ticamente com a leitura do texto do profeta Isaias, no capítulo 61. Naquela sinagoga, havia uma tri buna, ou seja, um púlpito, sobre o qual Jesus identificou-se com o texto: " E foi-lhe dado o livro do profeta Isaias; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espirito do Senhor é so bre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do cora ção, a apregoar liberdade aos cati vos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cer rando o livro e tornando a dá-lo ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estava fitos nele. Então, começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos". (Lc 4.17-21). Jesus não havia formado um povo num determinado lugar para pregar o seu Evangelho. Ele foi um pregador itinerante. Seu púlpito, quase sempre, era improvisado. Ele podia estar no alto de um monte ou podia fazer da popa de um bar quinho o seu púlpito para falar às multidões que o procuravam para ouvi-lO. Ele podia improvisar o alto de uma rocha, a casa de um amigo ou mesmo o púlpito de uma sinagoga. Ele não tinha um lugar fixo, não tinha uma sede, mas Ele pregava em todos os lugares que abrissem a Ele uma oportunidade para ensinar e pregar às multidões. Ele eletrizava os ouvintes com Seu estilo informal e arrastava multi dões para ouvir Seus sermões. Na verdade, Ele tinha um modo simples de comunicar o Evangelho. Um famoso escritor cristão escreveu em seu livro intitulado O Pregador que "a pre gação é uma encarnação pessoal da mensagem, porque o pregador transmite a Palavra de Deus atra vés de sua personalidade". O púlpito e a homilética A palavra "homilética" deriva do grego homiletike, que significa primordialmente "o ensino em tom familiar". A palavra homilos tem o sentido de "multidão", ou seja, de "assembléia do povo". O pregador procura comunicar a sua mensa gem ao povo que se reúne para ouvi-lo. Por sua vez, o verbo homilos significa "conversar em grupo pe queno". De homileo surgiu o termo "homilia", que se refere ao conteúdo da pregação. A Igreja Primitiva, no primeiro século, não construía tem plos, porque as reuniões podiam ser ao ar livre, mas, na maioria das vezes, os cristãos se reuniam em casas de amigos ou em algum salão de festas. Por isso, as pregações ti nham um caráter bem familiar. Não havia tecnologia de som alguma e as falas aconteciam com a força da voz do pregador. Ao longo dos séculos da Era Cristã, a igreja cresceu muito e templos foram construídos, reque rendo da parte dos pregadores o aprimoramento da comunicação da Palavra de Deus. Assim, a Ho- milética se tornou uma ciência in dispensável para o aprimoramento do discurso público. Daí surgiram três chaves da Homilética para uma eficiente pregação: a Oratória, a Eloquência e a Retórica. A Oratória aprimora a arte de falar em público. Existem, no cam po da oratória, pelo menos, cinco formas distintas, que são: a oratória acadêmica, a oratória forense (dos advogados), a oratória política, a oratória religiosa e a oratória po pular. Quanto à oratória religiosa, ou sagrada, destacamos a oratória cristã, que tem como objetivo pri mordial a pregação do Evangelho de Cristo. A arte de falar na pre gação tem um poder enorme de influência e persuasão, por isso deve ser aprimorada. A Eloquência diz respeito ao dom natural da palavra que pode ser aprimorada na arte de persu adir. A eloquência do pregador cristão sob a unção do Espirito Santo produzirá resultados po sitivos. A eloquência vaidosa é aquela que utiliza uma exagerada pomposidade na apresentação dos pensamentos e o abuso de umalinguagem rebuscada, elitista, que exibe presunção e vaidade, mas que é de difícil entendimento popular. Por isso, sobriedade nas emoções e consciência social são indispensáveis ao pregador. A Retórica tem a ver com o de senvolvimento e o aperfeiçoamen to do talento natural da palavra para que o pregador não se torne prolixo e cansativo nas suas pre- leções. A retórica é a arte de bem argumentar, utilizando as regras que regem a Homilética. O fascínio do púlpito A palavra "fascínio" vem do latim fascinum que significa en cantamento; sensação de deslum bramento, poder de exercer forte atração. Então, nos perguntamos: O que é que motiva a pessoa a de sejar o púlpito? Qual a visão que os pregadores têm do púlpito? Seria, de fato, o ímpeto de pregar a Cristo? Seria o prazer de sua capacidade de domínio para se comunicar com o auditório? Seria a busca de sucesso para superar os demais pregadores? Seria a necessidade de auto-afirma ção? Qual é o glamour do púlpito? A atividade no púlpito, quando genuína e comprometida com a mensagem cristã, torna o pregador submisso ao Espirito Santo para falar apenas o que está em Sua Palavra. A igreja se ressente de pregadores que façam do púlpito apenas o lugar da manifestação do poder de Deus e da Sua glória através da pregação. O estado de espirito que deve envolver o prega dor é de total capacidade de ouvir o que Deus quer dizer e que já está escrito em Sua Palavra. obHír o WÈ Wm L f Í - W ? A postura do pregador no púlpito Como dever se comportar o pre gador no púlpito? Um dos benefí cios da Homilética aos pregadores, entre vários benefícios, é o aprimo ramento da expressão corporal do pregador quando está pregando. "Expressão corporal" envolve a expressão do rosto, mímica, olhos, gesticulação, vestuário. Todos esses elementos possuem uma lingua gem forte, com a qual o pregador se comunica com o povo. Com a movimentação facial do rosto, o pregador reflete o seu esta do de alma, como está se sentindo no momento que está pregando a Palavra de Deus. Sorrir ou chorar na pregação é aceitável quando é feito com pureza de alma. Falsos movimentos fisionômicos resul tam em uma comunicação não confiável para os seus ouvintes. A m ím ica é um modo de ex pressão corporal através dos olhos, ao contrair as sobrancelhas, os movimentos da boca, dos lábios, da testa e das faces. Sem dúvida, a mímica tem uma linguagem tam bém através das mãos, dos braços e da cabeça. São movimentos sem palavras que podem ser aprimo rados na ministração da Palavra. Que dizer dos olhos? São as ja nelas do nosso interior. Pelos olhos o pregador revela o que há dentro de si. E ruim quando um pregador fica olhando para cima ou apenas para um lado, ou fixando o olhar para alguma pessoa no auditório. Aprenda a olhar para a frente com uma visão geral do auditorio. A gesticulação não pode ser deseducada, grosseira, com mo vimentos rudes que imprimem no auditório imagens dúbias. E o vestuário do pregador? O pre gador deve vestir-se com elegância, mas com modéstia. Evite roupas extravagantes, como se fossem de um ator de teatro. Asseio, elegância e modéstia são ingredientes que se tornam referenciais para os novos pregadores. No púlpito, é a palavra e a personalidade do pregador que devem aparecer, não o vestuário. Vestir-se com extravagância ou vestir-se desalinhadamente, com roupas e sapatos sujos, unhas sujas, cabelos despenteados e malcheiro sos, constituem-se em vergonha para o Evangelho. Ser simples não é ser relaxado consigo mesmo. No Antigo Testamento, os sacerdotes e levitas não podiam ministrar no Tabernáculo sem estarem devida mente vestidos e limpos. A glória da pregação bíblica O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: "E eu, irmãos,, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me pro- pus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persua- sivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espirito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria de homens, mas no poder de Deus" (1 Co 2.1-5). Nesta escritura, o apóstolo Paulo mostrou aos coríntios que a glória da pregação não estava no púlpito disponível para pregar, nem na eru dição, nem na superfluidade do pre gador ou na exibição da retórica e da sabedoria humanas, mas a glória da pregação estava em declarar que Jesus Cristo, o Crucificado, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação. Não é o púl pito que consagramos que fará a di ferença, mas a quem proclamamos nesse púlpito: Jesus Cristo! H VOLUME 1 COMENTÁRIO EXEGÉTICO ATOS introdução e CAPS. 1.1 a 2.47 CRAIG s. KEENER VOLUME 1 L i m S sã SQp Para os historiadores interessados no cristianismo primitivo depois de Jesus, Atos é a única fonte disponível. Fruto de uma pesquisa de mais de vinte anos e sete de redação, o altamente respeitado estudioso do Novo Testamento Craig S. Keener escreveu um dos maiores e mais documentados comentários de Atos já escrito. Com forte ênfase no contexto social e histórico, este trabalho coloca Atos sob a perspectiva do primeiro século, com foco no que o texto bíblico significava para seus primeiros leitores. Neste primeiro volume de uma série de quatro, Keener nos apresenta uma extensa e relevante introdução bem como os comentários pormenorizados de Atos 1.1 até 2.47. Principais ca ra cte rís tica s ; • Leitura sócio-histórica, exegética e teológica de Atos; • Comentários versículo por versículo; • Se utiliza tanto de estudos mais atuais quanto de materiais de fonte primária e secundária. Sobre o autor: Craig S. Keener, um dos maiores teólogos pente- costais da atualidade, é Ph.D. pela Duke University é E M. e Professor de Estudos Bíblicos no Asbury Theological Seminary. o®oo NAS LIVRARIAS CPAD /jyP ÍÍ\ 0 8 0 0 021 7 3 7 3 w w w . c p a d . c o m . b r CB© http://www.cpad.com.br Ciro Sanches Zibordi Ciro Sanches Z ibo rd i é pastor- auxiliar na Assem blé ia de Deus da Ilha da Conceição, em N iterói (RJ), e au tor da série Pregadores da Bíblia, en tre ou tros livros da CPAD. Os exemplos de homens e mulheres que honraram seu ministério em diferentes épocas e situações Desde Noé, o prega dor da justiça, pas sando pelos profetas Abraão, Moisés, Sa muel, Elias, Eliseu e Hulda — a profetisa —> Isaías, Ezequiel, Je remias e tantos outros, até João Batista, o qual viveu no primeiro século d.C. nos moldes veterotes- tamentários (cf. 2 Pe 2.5; Gn 20.7; Lc 16.29), mencionam-se muitos pregadores no Antigo Testa mento. Mas somente no Novo Testamento o termo "pregador" é associado a quem expõe as Es crituras ou apresenta uma prega ção (cf. 2 Tm 1.11; 2.15; 1 Co 2.1-5). Lucas, aliás, chama os principais pregadores neotestamentários de "cheios do Espírito Santo": João Batista, Jesus Cristo e Pedro (Lc 1.15; 4; At 4.8), bem como Barna- bé, Estêvão, Filipe e Paulo (11.24; 6.1-5; 7.55; 9.16; 13.9). Conforme as profecias, o pre gador João Batista é a "Voz do que clama no deserto" (Mt 3.3, ARA). Em Marcos 1.2 também se aplica a ele uma combinação das profecias de Isaías 40.3 (citada por Mateus) e Malaquias 3.1 "Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti". O termo "anjo" (gr. aggelos), aqui, não significa "ser angelical", e sim "mensageiro" ou "embai xador", enviado para preparar o caminho do Senhor (cf. Ag 1.13; Ml 2.7), tirando, assim, os obstáculos (cf. Is 57.14; 62.10). Esse enviado de Deus (Jo 1.6) é o único servo do Senhor, em toda a Bíblia, descrito como "cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe" (Lc 1.15). Não por acaso, Jesus afirmou que "não apareceu alguém maior que João Batista" (Mt 11.11). Este,apesar de não ter feito sinal al gum, disse toda a verdade acerca do Senhor (Jo 10.41). O "ministério do Batista me xeu com a antiga esperança dos judeus sobre o aparecimento do Messias (Jo 1.19-28). No batismo de Jesus, Deus revelou a esse pre cursor de Cristo que seu primo é verdadeiramente o Filho de Deus (vv. 29-34). E o primeiro contato do Senhor com algumas pessoas que mais tarde viriam a ser seus discípulos acontece exatamente quando o Batista declara ser Ele o Cordeiro de Deus. Ademais, João foi alguém que, embora não tenha feito quaisquer sinais, disse toda a verdade acerca do maior pregador que já andou na terra: "E muitos iam ter com ele e diziam: Na verdade, João não fez sinal al gum, mas tudo quanto João disse deste [Jesus] era verdade" (10.41). Que legado! Depois do encontro com seu precursor, Jesus Cristo, cheio do Espírito Santo, isolou-se a fim de jejuar por 40 dias e 40 noites no de serto, onde foi tentado pelo Diabo, a quem venceu pela Palavra (Lc 3.21,22; 4.1-13). Como os autores dos Evangelhos não priorizam o obS I ro ires da Bíblia tempo cronológico, nada dizem sobre o que Ele fez assim que saiu do deserto. Mateus limita-se a informar que "o diabo o dei xou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram" (Mt 4.11). O certo é que Jesus, devidamente prepara do para cumprir toda a vontade do Pai, iniciou seu ministério na Galileia (vv. 12-16). Sua missão multifacetada, que começaria com ensino, pregação e realização de milagres (v. 23), culminaria na sua obra expiatória, uma vez que veio, prioritariamente, para dar a sua vida por nós (Jo 10.17,18) e ressuscitar para nossa justificação (Rm 4.25). Quando soube da prisão de seu precursor, o Mestre deixou as margens do rio Jordão, apa rentemente por prudência, e fez uma nova travessia pelo deserto, a fim de iniciar seu ministério entre os galileus. Pela lógica humana, como João Batista fora preso por causa da pregação do arrependimento, Jesus também seria perseguido naquele local pelo mesmo motivo. No entanto, o maior pregador da História teve uma razão especial para voltar à terra onde viveu em seus pri meiros anos: a direção de Deus em cumprimento da Palavra pro fética (Mt 4.15,16). Sua pregação inaugural não foi simpática ou contemporizadora: "Arrependei- -vos, porque é chegado o Reino dos céus" (v. 17). A Hoje, muitos pregadores que dizem seguir seu modelo têm apresentado mensagens politi camente corretas e biblicamente erradas, atendendo aos anseios pós-modernos. Há também os que apresentam "pregações enlatadas" pelas quais afirmam que o coração do pecador — desde que este faça parte do grupo seleto dos eleitos — será convertido por Deus antes que o tal pense em arrepender-se. Jesus não arrebatava seu auditório por meio de recursos persuasivos da oratória. Sua pregação não era performática; pregava ensinando e respondia pacientemente as per guntas de pessoas dentre a multi dão. Não por acaso, seu imitador (cf. 1 Co 11.1) afirma que a pregação deve ter esses mesmos dois ele mentos (2 Tm 4.2). Para tristeza do Espírito Santo, põe-se de tudo na pregação (música melodramática de fundo, piadas, teatralização), menos a sã doutrina. O Senhor Jesus é o nosso paradigma ou modelo, a quem devemos imitar e seguir os passos (Jo 13.15; 1 Pe 2.20,21). Ele, sem dúvida, foi o maior pregador que já andou na terra. E, entre todas as suas características, uma se destaca. Ele realizou toda a vontade do Pai, podendo dizer-lhe, depois de cumprir sua missão: "Eu glorifiquei- te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer" (Jo 17.4; cf. 19.30). Quantos pregadores estão dispostos a fazer isso, hoje? Pedro é um personagem que pode ser visto a partir de vários ângulos. Darei destaque para o fato de ter sido ele o primeiro pregador pentecostal. Isso mesmo! Logo após o derramamento inaugural do poder dinâmico do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, Pedro tomou a palavra e transmitiu uma autêntica mensagem pentecostal. Não é por acaso que boa parte dos pregadores da atualidade tem priorizado a Teologia da Prospe ridade, a pregação coaching e ou tras efemeridades. À luz do Novo Testamento, podemos dizer que o pregador que verbera contra o pecado pode vir a ser preso, deca pitado, crucificado, apedrejado etc. Os principais arautos do arrepen dimento mencionados nas páginas neotestamentárias — e que fazem parte do grupo dos sete pregadores constantes desta série— morreram de modo trágico por causa de sua pregação irritante. Depois do Senhor Jesus e jun tamente com o apóstolo Paulo, Pedro é o personagem mais co nhecido e citado em todo o Novo Testamento. Seu nome, Petros, em grego, é uma tradução do aramai- co Kepha (Cefas), dado ao pescador Simão pelo próprio Senhor Jesus e citado nove vezes no Novo Tes tamento, especialmente por Paulo (Jo 1.42; 1 Co 1.12; 3.22; 9.5; 15.5; G1 1.18; 2.9-14). Simão Barjonas era um simples pescador no lago de Genesaré (Lc 5.10). Ele e seu irmão, André, criam em Deus, mas o se gundo aparentava estar mais inte ressado em conhecer a vontade do Senhor. E, por isso, foi até a Judeia, a fim de ouvir a dura pregação de João Batista. André repassava a Pedro tudo o que ouvia, até que ambos conheceram o Salvador do mundo, por indicação do próprio Batista (Jo 1.35-42). Ao contrário do seu compa nheiro João, Pedro tinha um ca ráter decidido e impulsivo. Ele estava disposto a matar e morrer, ao defender suas idéias (Jo 18.10). Por outro lado, muitas vezes se mostrou medroso, ingênuo, mas muito sincero, a ponto de arrepen- der-se com lágrimas, amargamen te (Mt 26.75). Sua conversão e sua chamada envolvem experiências marcantes no mar da Galileia. Sua declaração emblemática de que Jesus é "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (16.16) motivou o Se nhor e dar-lhe uma resposta que tem gerado inúmeros debates, ao longo dos séculos: "eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edi- ficarei a minha igreja" (v. 18). Jesus treinou a Pedro de modo especial para ser o primeiro líder da Igreja primitiva após sua ascensão. Por isso, depois de sua ressurreição, entregou-lhe o "cajado de pastor" (Jo 21.15-19). Mas o maior ponto de inflexão em sua vida aconteceu após o dia de Pentecostes, quando ele se tornou o primeiro pregador pentecostal (cf. At 2). Antes de sair de cena, em Atos dos Apóstolos, Pedro afirmou: "cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus" (15.11, ARA). Não por acaso, suas últimas palavras registradas nas Escri turas também dizem respeito à graça do Senhor Jesus (2 Pe 3.18). A vida desse primeiro pregador pentecostal nos ensina que somos dependentes da graça do Senhor. Aliás, a Bíblia, o Livro de Deus, começa com uma ação do Deus de toda a graça (Gn 1.1; 1 Pe 5.10) e termina assim: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém!" (Ap 22.21). Tudo é pela graça do Senhor, preveniente, salvífica, abundante e fortalece- dora! É por ela que fomos salvos, somos salvos e seremos salvos! De modo geral, livros, dicioná rios e comentários bíblicos, em vá rios idiomas, enfatizam que Estê vão foi o primeiro mártir da Igreja. Alguns comentadores dão algum destaque para a sua pregação. Mas são poucos os que mencionam, ainda que de maneira rápida, en passant, o fato de que não foi como diácono que ele deixou sua marca na história da Igreja primitiva, e sim como inflexível apologista do cristianismo. Ou seja, ele foi mais que um expoente das Escrituras. Ele, de fato, defendia a mensagem de Jesus Cristo, "disputando", de batendo, empregando um modo de argumentar lógico, ao responder às críticas e aos questionamentos dos que se opunham ao Evangelho. A in flu ên cia desse proto- mártir da Igreja sobre Paulo foi decisiva também para que ele se tornasse o principal apologista do evangelho, no primeiro século. A morte de Estêvão causou um impacto duradouro sobre o jovem Saulo de Tarso, oqual deixaria de ser um violento perseguidor de cristãos para se tornar um dos maiores defensores do evangelho que a Igreja já conheceu. Deus, so mente Deus, tem o poder de fazer OB 47 REIRO com que a pregação de alguém seja muito mais eficaz e poderosa depois de sua morte! Por isso, o martírio de Estêvão, que parecia uma derrota para o cristianismo, visto que marcou o início da pri meira grande perseguição contra os cristãos, resultou na maior aquisição da Igreja: a conversão de Saulo de Tarso. Jesus não queria que os após tolos e pregadores ficassem estacionados nesse primeiro ca pítulo. Eles deveríam continuar escrevendo essa história, que co meçou muito bem, com o rápido crescimento da congregação em Jerusalém. A ordem do Senhor, ao ascender ao céu, era para que eles, de modo sim ultâneo — "tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra" —, evangelizas- sem o mundo (At 1.8). A morte de Estêvão foi a conclusão do primeiro capítulo da história da Igreja primitiva, o qual começou a ser escrito assim que Jesus, dez dias após sua ascensão, cum priu a promessa de revestir os primeiros cristãos com o poder do Espírito Santo para pregar o Evangelho (Lc 24.49). Se o prim eiro capítulo da história da Igreja inicia em Atos 1.8, o segundo começa em 8.1. Até as últimas palavras de Es têvão (7.59,60), todas as ações dos pregadores se limitavam a Jerusalém. Esse protomártir do cristianismo foi usado por Deus para a "virada de página", e Filipe, por conseguinte, tornou- -se o primeiro propagador do Evangelho do segundo capítulo (8.5). Estêvão, como apologista e primeiro mártir da Igreja, foi o "pivô" da perseguição contra os crentes em Jerusalém, pela qual o Senhor Jesus "semeou" os filhos do Reino no "campo", que é o mundo (Mc 13.38). Quanto a Filipe, foi o primeiro a cumprir na íntegra o mandamento de Atos 1.8, visto que seu trabalho evan- gelístico ultrapassou os limites de Jerusalém, Judeia e Samaria, re percutindo nos "confins da terra". Pedro é o protagonista do primeiro capítulo da história da Igreja primitiva (At 2-5), mas Estê vão — como diriam os críticos de cinema — "roubou a cena", assu mindo o protagonismo logo após a eleição dos Sete (6.5-10). Cheio do Espírito Santo, assumiu o "papel principal" momentaneamente, antes que terminasse o primeiro capítulo, fazendo com que Pedro e os apóstolos se tornassem "coad juvantes". Filipe tornou-se o pro tagonista do segundo capítulo da história da Igreja nascente ao reali zar feito inéditos, depois do dia de Pentecostes: anunciar o Evangelho aos samaritanos e contribuir para que este chegasse aos gentios de longe, ao pregar a um eunuco da rainha Candace, dos etíopes. Filipe foi um pregador inteira mente guiado por Deus, um ho mem que priorizou sua chamada, e não o título de evangelista. Isso não aparece de modo direto no texto sagrado, mas depreende-se do fato de que ele, como um dos sete diáconos da Igreja primitiva, já fazia a obra de um evangelista. Somente em Atos 21, muitos anos depois da eleição dos diáconos, obEü r o quando Paulo voltava da sua ter ceira viagem missionária, é que Lucas refere-se a Filipe como "o evangelista, que era um dos sete" (v. 8). Daí ele ser chamado por al guns escritores, inclusive este, de diácono-evangelista. Não é muito comum chamar-se Barnabé de pregador, em razão de seu trabalho como auxiliar, ao lado de Paulo. O ministério deste, cuja chamada foi muito mais abrangen te (cf. 1 Tm 2.7), tem ofuscado, de certa forma, o importante trabalho daquele "filho do encorajamento". Mas Barnabé tem uma qualidade muito marcante como mensagei ro do Senhor: ele cumpriu cabal mente a Grande Comissão, a qual abarca evangelização (Mc 16.15), discipulado e ensino teológico (Mt 28.19,20), sendo um homem cheio de fé e praticante de boas obras. Ele foi o primeiro crente da Igreja pri mitiva a vender uma propriedade e entregar o dinheiro aos apóstolos, em benefício dos pobres. Em três momentos, pelo me nos, Barnabé foi decisivo na vida do apóstolo Paulo. Primeiro, apre- sentou-o aos apóstolos, quando ninguém acreditava nele. Depois, estando o mesmo Saulo esquecido em Tarso, na Cilícia, chamou-o para trabalhar em Antioquia da Síria. Por fim, durante a primeira viagem missionária, trabalhou e deixou seu amigo trabalhar, ja mais sentindo-se melindrado por causa do seu crescimento minis terial. Mas isso não significa que ele era somente um coadjuvante. Não! Barnabé era um pregador cheio do Espírito (At 11.24). Aliás, por ocasião do concilio em Jerusa lém, após essa primeira expedição missionária, consta que "toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios" (15.12). Seu nome aparece primeiro porque Barnabé, ali, era o principal orador dentre os representantes da igreja antio- quena. Ninguém perde o protago- nismo por ser humilde! Ao chamar Paulo para pregar o Evangelho, Jesus disse o seguinte a seu respeito: "este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel" (At 9.15). Se o predecessor de Cris to, João Batista, foi a voz do que clamou no deserto, seu sucessor — como pregador da Palavra —■, o apóstolo Paulo, foi a voz que clamou nas sinagogas, na ágora, no Areópago, nas casas, dentro de navios e em todos os lugares onde ele podia anunciar o evangelho e ensinar a sã doutrina, "a tempo e fora de tempo" (2 Tm 4.2). De todas as suas qualidades, a que mais se destaca é exatamente a menciona da por ele mesmo, em 1 Coríntios 11.1: "Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo". A partir de Atos 13, Lucas muda o enfoque de seu livro, dei xando os apóstolos de Jerusalém de lado, ainda que estes sejam mencionados com certo destaque no capítulo 15. Paulo torna-se o protagonista. Enquanto Jerusa lém perde, gradualmente, seu protagonismo, Antioquia da Síria emerge como o principal centro de difusão do Evangelho, de onde muitos pregadores partiram em suas viagens missionárias. Estas não são meras viagens, e sim longos períodos de missão em cidades importantes. A primeira expedição evangelística da dupla dinâmica Barnabé e Paulo se con centrou nas cidades de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, no sul da província romana da Galácia. Após essa viagem, ocor reu um importante concilio em Jerusalém, que reuniu apóstolos, presbíteros e toda a igreja com o propósito de determinar se os convertidos gentios precisavam se submeter à Lei (At 13-15). Em sua segunda viagem, sem a companhia de Barnabé, Paulo visitou a Galácia e, em seguida, pela primeira vez, a Macedônia e Acaia, na Europa, especialmente às cidades de Filipos, Tessalônica e Corinto. Na terceira, instalou-se na cidade de Éfeso, na província da Ásia por 3 anos (At 16-19). De pois de revisitar várias cidades gregas, ainda por ocasião da ter ceira expedição evangelística, em preendeu viagem, com algumas escalas, a Jerusalém, desejando muito participar das festividades alusivas ao dia de Pentecostes, du plamente importante para ele, que era judeu e cristão. Ali, foi acusado de introduzir gentios no Templo, profanando-o. A intervenção do tribuno Cláudio Lísias impediu que ele fosse morto pela multidão, mas acabou ficando preso por dois anos em Cesareia. Dali foi deportado para Roma e, durante o período como preso do Senhor, além de ter provado sua inocên cia, defendeu a fé cristã perante Félix, Festo e o rei Agripa II, bem como ensinou pessoas em Roma e escreveu epístolas (caps. 20-28). Clarence E. Macartney (1879- 1957), na inspirativa obra Grandes Sermões do Mundo, fez uma compi lação especial pela qual reuniu num só volume o Sermão da Montanha, de Jesus Cristo, o Primeiro Sermão Pen- tecostal, de Pedro, além de célebres pregações, de profetas do Antigo Testamentoe pais da Igreja a re- formadores e arautos dos tempos modernos. Entretanto, esse autor cometeu um grande "pecado"! Ri sos. Dentre os quase trinta sermões selecionados por ele não há ne nhum do apóstolo Paulo! A bem da verdade, Macartney compensa isso, em parte, com o sermão A Grandeza do Apóstolo Paulo, de João Crisósto mo. Mas em Atos, Lucas registrou sete pregações desse apóstolo, que contribuiu muito para a expansão do cristianismo, em pouco mais de dez anos, plantando igrejas em qua tro províncias do Império Romano: Galácia, Ásia, Macedônia e Acaia. Assim como Pedro, o primei ro pregador pentecostal, Paulo, o príncipe dos pregadores iti nerantes, saiu de cena fazendo uma referência à graça do Senhor Jesus (2 Tm 4.22). Mas chama-nos atenção suas últimas palavras com respeito à pregação (vv. 1,2). O verbo "conjurar", aqui, é uma ação solene que denota "jurar em comum". Esse apóstolo propõe a Timóteo que se comprometa diante do Justo Juiz a pregar so mente a Palavra do Senhor. Não assumimos esse compromisso diante dos homens, mas diante do Justo Juiz, que julgará a todos, na Segunda Vinda e no seu Reino. Não temos permissão do Senhor Jesus para pregar nossa própria mensagem. Com a frase "instes a tempo e fora de tempo", Paulo diz a Timóteo que deve permane cer na tarefa de pregar somente a Palavra, quer a pregação venha numa hora conveniente para os ouvintes, quer não. Portanto, cabe ao mensageiro do Senhor semear a Boa Semente, seja qual for o tipo de terreno (a disposição do cora ção), quer ouçam, quer deixem de ouvir (cf. Mt 13.18-23). I Referências ZIBORDI, Ciro Sanches. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto. RJ: CPAD, 2018. _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho. RJ: CPAD, 2018. _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Pedro: o Primeiro Pregador Pentecostal. EU: CPAD, 2018. _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Filipe: o Primeiro Evangelista da Igreja. RJ: CPAD, 2019. _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Barnabé: o Pregador de Fé e Obras. RJ: CPA D 2019. _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Paulo: o Príncipe dos Pregadores. RJ: CPAD, 2019. obEUro AS ORIGENS TEOLÓGICAS DO PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO j A GLOSSOLALIA I EA FORMAÇÃO I DAS ASSEMBLÉIAS I — DE DEUS — Um Resgate Histórico da Soteriologia e Pneumatologia do Início do Movimento Pentecostal Nesta importante obra, o pastor e escritor José Gonçalves faz um resgate histórico das pneumatologias e soteriologias americana, britânica e escandinava do início do movimento pentecostal. Ao pesquisar essas teologias carism áticas, Gonçalves revela as raízes teológicas das Assembléias de Deus no Brasil. Divido em duas partes, onde a primeira trata da pneumatologia pentecostal e a segunda aborda a teologia soteriológica, o livro conta ainda com diversos apêndices, inclusive confissões de fé de várias denominações, desde o séc. X V II até os dias de hoje. Formato: 14,5 x 22,5 cm / Páginas: 544 TAMBÉM DISPONÍVEL N A VERSÃO E-BO OK o@oo Y NAS LIVRARIAS CPAD 0 8 0 0 021 7 3 7 3 w w w . c p a d . c o m . b r CPAD http://www.cpad.com.br B í b l i a d e E s t u d o PENTECOSTAL Agora ampliada com novos recursos e aperfeiçoada para uma melhor compreensão das verdades da Palavra de Deus. A Bíblia consagrada por cristãos em todo o Brasil chega em sua mais nova edição. a BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL EDIÇÃO GLOBAL A L M C , D * « E V , S T * E C O R « m CONHEÇA SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS: • PROJETO GRÁFICO EXCLUSIVO EM DUAS CORES. • TEXTO ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA. 4.3 EDIÇÃO (2009). • MATERIAIS DE ESTUDO REFORMULADOS E AMPLIADOS. • NOTAS E ESTUDOSCONFORME 0 ACORDO ORTOGRÁFICO DE 2009. • NOVOS SUPLEMENTOS PARA O ESTUDO DA BÍBLIA. OíDOO T N AS L I V R A R IA S C P A D 0 8 0 0 021 7 3 7 3 w w w . c p a d . c o m . b r CB4D http://www.cpad.com.br