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OS TIPOS DE SERMÃO ^ 
E SUA APLICABILIDADE
Pr Osiel Gomes
A PREGAÇÃO BÍBLICA
Pr José Orisvaldo
A PREPARAÇÃO ESPIRITUAL 
E INTELECTUAL DO SERMÃO
Pr Elias Torralbo
A POSTURA NO PÚLPITO
Pr Elienai Cabral
OS PREGADORES DA BÍBLIA
Pr Ciro Zibordi
Roberto
Máquina de escrever
VENDA PRIBIDA
M
A
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IX
PREPARE SERMÕES 
EXPOSITIVOS COM 
SEGURANÇA SOB 
A ÓTICA BÍBLICA
Um auxílio na criação 
do sermões exposilivos
O. WE
Quando se trata de uma passagem bíblica, 
o contexto é tudo. 0 Manual Bíblico do Pregador 
visa atender a essa necessidade e auxiliar 
o pregador na preparação do sermão.
Com ensaios de todos os livros bíblicos, 
esta obra apresenta os fatos históricos, 
literários e teológicos mais relevantes 
sobre cada um deles. A leitura desta obra 
trará segurança para que o pregador 
prepare sermões expositivos em qualquer 
um dos 66 livros da Bíblia.
Código: 350727 / Formato: 14,5 x 22,5cm / Pág.: 368
CARTA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo da CPAD
Há uma 
promessa 
gloriosa de 
Deus em 
Daniel 12.3 para 
aqueles que 
se dedicam 
à pregação e 
ao ensino da 
Palavra de Deus
O glorioso 
ministério de 
pregar e ensinar a 
Palavra de Deus
Nesta edição de Obreiro Aprovado, o tema tratado é a 
Homilética, isto é, a arte de pregar a Palavra de Deus, 
a Bíblia Sagrada. O ministério da pregação e do ensino 
da Palavra de Deus é muito importante. Preparar um 
sermão é um trabalho de grande responsabilidade e que exige 
dedicação não apenas em termos de conhecimento da Palavra de 
Deus, mas também em termos espirituais, além de se observar 
alguns detalhes de postura e ética no púlpito. Há uma promessa 
gloriosa em Daniel 12.3 para os que se dedicam à pregação e ao 
ensino da verdade, segundo a qual "os que a muitos ensinam a 
justiça [resplandecerão] como as estrelas sempre e eternamente". 
Nesta edição, objetivando ajudar àqueles que se dedicam à pre­
gação, trazemos cinco artigos de autoria de pastores e teólogos de 
nossa denominação que se notabilizam também como reconhecidos 
pregadores da Palavra de Deus.
O pastor Osiel Gomes (MA) analisa os tipos de sermão; o pastor 
José Orisvaldo (AL) fala sobre a pregação bíblica; o pastor Elias 
Torralbo (SP) trata sobre o preparo espiritual do pregador; o pastor 
Elienai Cabral (PR) fala sobre a postura no púlpito; e o pastor Ciro 
Zibordi (RJ) discorre sobre os pregadores da Bíblia.
Cremos que esta edição da revista Obreiro Aprovado será 
bênção para o seu ministério, assim como as demais edições, todas 
preparadas com muito carinho. Nesta certeza, queremos ainda 
desejar que Deus continue abençoando a sua vida, a sua família e 
o seu ministério neste ano da graça de Deus.
Até a nossa próxima edição!
OBH1RO
APROVADO
ANO 46 - N° 101 - 2 o TRIMESTRE 202 3
Presidente da Convenção Geral
José Wellington Costa Junior
Presidente do Conselho Administrativo
José Vlellington Bezerra da Costa
Diretor-executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
Editor-Chefe
Silas Daniel
Editor
Eduardo Araújo
Gerente Financeiro
Josafá Franklin Santos Bomfim
Gerente de Produção e Arte
Jarbas Ramires Silva
Gerente de Publicações
Alexandre Claudino Coelho
Gerente Comercial
Cícero da Silva
Chefe do Setor de Arte e Design
Wagner de Almeida
Projeto Gráfico
Fábio Longo
Diagramação e Capa
Leonardo Engel
Projeto Digital
Alan Valle
Ilustrações
Banco de Imagens Shutterstock
Fotografia
Arquivo (CPAD)
TELEMARKETING
(2" à 6" das 8h às 18h e aos sábados 
das 8h às 14h)
Rio de Janeiro: (21) 3171 -2 7 2 3 
Demais localidades: 0800-021-7373 
(ligação gratuita)
• Atendimento a Igrejas - ramal 2
• Atendimentos a colportores e seminaristas - ramal 3
• Atendimento a Livreiros - ramal 4
• Atendimento a pastores e demais consumidores - ramal 5
• S/4C (Serviço de Atendimento ao Cliente) - ramal 6
LIVRARIA VIRTUAL: 
www.cpad.com.br
Ouvidoria: ottvidoria@cpad.cotu.br
PAGAMENTO - A CPAD não mantém nenhum 
tipo de pessoa, representante ou vendedor de assina­
turas autorizado a receber diretamente do cliente. O 
pagamento de assinaturas deve ser feito por meio de 
boletos em agências bancárias ou através de cartão 
de crédito.
OBREIRO - Revista evangélica trimestral, criada 
em outubro de 1977, editada pela Casa Publicadora 
das Assembléias de Deus, é destinada à liderança 
pentecostal de modo geral. Registrada sob n." 
007.022.328, conforme Lei de Imprensa.
A correspondência para publicação deve ser endere­
çada ao Departamento de Jornalismo e as remessas 
de valor (pagamento de assinatura, publicidade etc.) 
exclusivamente à CPAD. A direção é responsável 
perante a Lei por toda matéria publicada. Perante a 
Igreja, os artigos assinados são de responsabilidade 
de seus autores, não representando necessariamente a 
opinião da revista. Assegura-se a publicação, apenas, 
das colaborações solicitadas.
Casa Publicadora das Assembléias de Deus 
Av. Brasil 34.401, Bangu 
Cep 21852-002, Rio de Janeiro, RJ 
Tels.: (21) 2406-7373 / 2406-7413 
Fax: 2406.7370
SUMÁRIO
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL 
VOCÊ AMA A VOLTA DE JESUS?
Pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Minis­
tros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), chama a 
atenção do leitor para o Arrebatamento da Igreja e a esperança gerada no coração 
dos fiéis que creem nesta promessa de Cristo.
É
V)
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LU
12. ARTIGO
OS TIPOS DE SERMÃO E SUA APLICABILIDADE
O líder da Assembléia de Deus em Tirirical (MA), pastor Osiel Gomes discorre 
acerca dos sermões temático, expositivo, textual e expositivo com as suas peculia­
ridades e a sua aplicalibilidade nos púlpitos das igrejas.
20. ARTIGO
A PREGAÇÃO BÍBLICA
O artigo, de autoria do pastor José Orisvaldo Nunes de Lima, líder da Assembléia 
de Deus em Maceió (AL) e da COnvenção das ADs no estado de Alagoas, destaca 
a fidelidade ao conteúdo bíblico como um ponto imprescindível para o pregador 
bem-sucedido.
27. RESENHA
Homilética, o Pregador e o Sermão - Severino Pedro 
Pregador Eficaz - Elienai Cabral
28. ARTIGO
A PREPARAÇÃO ESPIRITUAL E INTELECTUAL DO SERMÃO
O pastor Elias Torralbo, diretor-executivo da Faculdade Evangélica de São Paulo 
(FAESP), fala da necessidade de o pregador se abastecer espiritualmente antes de 
entregar da mensagem e do discernimento que a igreja deve ter da verdade.
38. ARTIGO
A POSTURA NO PÚLPITO
O comportamento do pregador no púlpito é o assunto deste artigo do pastor Elie­
nai Cabral, da AD em Curitiba (PR), consultor teológico da CGADB e da Casa 
Publicadora das Assembléias de Deus.
44. ARTIGO
OS PREGADORES DA BÍBLIA
O pastor Ciro Zibordi, da AD na Ilha da Conceição (RJ), apologista e professor 
de Teologia, discorre sobre os pregadores apresentados na Bíblia Sagrada, suas 
características e o que podemos apredner com eles sobre o ministério da pregação 
da Palavra de Deus.
O pastor Temóteo Ramos de Oliveira, líder da Convenção Frater­
nal das Assem bléias de Deus Estado do Rio de Janeiro (Confra- 
derj), faz uma análise sobre as pregações hoje e o modelo bíblico.
http://www.cpad.com.br
mailto:ottvidoria@cpad.cotu.br
MENSAGENS
Evolução teológica e 
conteúdo dos escritores
Leio a revista Obreiro Aprovado prin­
cipalmente para acompanhar a evolu­
ção da teologia pentecostal e o conteúdo 
apresentado pelos articulistas de nossa 
igreja no Brasil.
Pr. Gesiel Camilo,
Curitiba (PR)
Reciclagem de 
informações
Aprecio a revista Obreiro Aprovado
uma vez que sempre aprendemos com 
ela acerca das questões mais intrigantes 
e edificantes que envolvem a Palavra de 
Deus. O conteúdo do periódico agrega 
bastante aos nossos estudos e amplia nos­
so conhecimento.
Professora Lílian B iork Rodrigues, 
Votuporanga (SP)
Conteúdo excelente 
e que acrescenta no
conhecimento
Aprecio a leitura da revista Obreiro 
Aprovado por conta dos artigos de au­
toria de teólogos renomados da nossa 
denominação, o que torna o seu conteú­
do excelente, com destaque também aos 
temas escolhidos para serem abordados 
a cada trimestre pela editoria da revistae que vêm acrescentar ao nosso conheci­
mento teológico e espiritual.
Ev Carlos M atheus Maninho,
Brasília (DF)
Quer também 
mandar sua mensagem?
Então escreva para a revista Obreiro Aprovado. Pode 
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.com. 
br ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço 
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ) 
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
mailto:obreiro@cpad.com
CARTA A LIDERANÇA PENTECOSTAL
PR. JOSÉ WELLINGTON 
COSTA JUNIOR
Presidente da Convenção 
Gerai dos Ministros 
das Igrejas Evangélicas 
Assembléias de Deus 
no Brasil
Se você ama 
a Vinda do 
Senhor, você 
será arrebatado 
e chegará ao 
trono de Deus. 
É promessa do 
Senhor Jesus
Você ama 
a volta de Jesus 
para arrebatar 
a Sua Igreja?
A volta de Jesus para arrebatar a Sua Igreja é uma das 
doutrinas bíblicas que norteiam a vida do cristão ho- 
dierno e um evento que tem manifestado sinais que 
denunciam a proximidade desse grande acontecimento. 
Mas quem Jesus virá buscar? A todos os que amam a Sua vinda, e 
nós amamos a Vinda do Senhor. O apóstolo Paulo sabia que a sua 
morte aproximava-se, portanto deixou registrado em 2 Timóteo 
4.8: "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o 
Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas 
também a todos os que amarem a sua vinda". Aqueles que amam a 
vinda do Senhor Jesus serão levados por Ele. Quando chegarmos 
ao Céu, conforme disse o Apóstolo dos Gentios, os fiéis receberão 
a coroa da justiça e o galardão que já estão guardados. Se você 
ama a Vinda do Senhor, você será arrebatado e chegará ao trono 
de Deus. É promessa do Senhor Jesus. A Vinda do Filho de Deus 
também pode ser chamada de "A Manifestação de Jesus".
Observemos que a Segunda Vinda de Jesus acontecerá em 
duas fases. Por que Segunda Vinda? Ainda há pessoas e nações 
que aguardam a primeira vinda. Há religiões que esperam que o 
Messias venha a este mundo pela primeira vez, mas nós estamos 
no aguardo da Sua Segunda Vinda, porque Jesus já veio através de 
seu nascimento virginal e caminhou entre os homens. O Messias 
veio morrer pelos pecados da humanidade e organizar a Sua Igreja.
Na Segunda Vinda, o Senhor Jesus virá em duas fases: a pri­
meira fase será focada no Arrebatamento da Igreja e, quanto isso 
acontecer, os infiéis não tomarão conhecimento e nem entenderão 
o que está reservado para os cidadãos do Reino; o som da trombeta 
é que vai indicar o momento no qual Jesus Cristo levará os Seus 
seguidores às mansões celestes. Nesse processo maravilhoso, o 
corpo dos crentes será transformado e os mortos serão ressuscita­
dos. O Senhor da Glória estará nos aguardando nas nuvens. Ele 
mesmo dirá: "Vinde, benditos de meu Pai" (Mt 25.34). Eu acredito 
no Arrebatamento da Igreja. E você?
ENTREVISTA
Pastor
Temóteo
Ramos
O pregador, 
a pregação, 
seu preparo, 
os tipos de 
sermão e os 
modismos
Cearense radicado no 
Rio de Janeiro, líder 
das Assembléias de 
Deus do Rio de Janei­
ro e Petrópolis (RJ), presidente 
da Convenção Fraternal das As­
sembléias de Deus no Rio de Ja­
neiro (CONFRADERJ) e 3o vice- 
-presidente da Mesa Diretora da 
Convenção Geral dos Ministros 
das Igrejas Evangélicas Assem­
bléias de Deus no Brasil (CGA- 
DB), o pastor Temóteo Ramos de 
Oliveira, 82 anos, é um dos mais 
respeitados líderes assembleia- 
nos em nosso país. Com 61 anos 
de ministério, Ele é um entusias­
ta do ensino bíblico e do traba­
lho de missões, tendo servido 
como missionário na Bolívia a 
partir de 1964 e na Espanha a 
partir de 1971. Quando retornou 
ao Brasil, dirigiu a Assembléia 
de Deus em Santo Aleixo (RJ), 
a Secretaria Nacional de Mis­
sões das Assembléias de Deus 
no Brasil (SENAMI) e a Escola 
de Missões das Assembléias de 
Deus no Brasil (EMAD), além de 
outros cargos que assumiu du­
rante os anos em vários órgãos 
e comissões da CGADB. Tam- A
bém tem publicado durante os 
anos artigos nos periódiocos da 
CPAD e livros pela editora, tais 
como Manual de Cerimônias, Ma­
nual do Visitador Cristão, Manual 
do Candidato ao Santo Ministério e 
Retorno aos Princípios.
Desde 1987, pastor Temóteo 
tem pastoreado a Assembléia de 
Deus em Petrópolis (RJ); e des­
de 2002, também a Assembléia 
de Deus do Rio de Janeiro, com 
sede no bairro carioca de Benfica. 
Nesta edição da revista Obreiro 
Aprovado, o líder fluminense fala 
sobre o pregador e a pregação. O 
líder faz uma análise do compor­
tamento do pregador nos púlpitos 
das igrejas, os tipos de sermões e 
as características de cada um de­
les, o preparo do obreiro para ser 
bem sucedido em sua prédica, o 
"laboratório" onde novos talentos 
são identificados para refino para 
a Seara do Mestre, e os modismos 
que surgem inesperadamente.
Como alguém que prega 
e ensina a Palavra de Deus 
há muitos anos, como o se­
nhor avalia a qualidade das 
pregações de hoje no Brasil?
Deus houve por bem me con­
ceder a oportunidade de ouvir 
poderosas e bíblicas mensagens 
que desde a minha infância se 
mantêm inarredáveis em m i­
nha vida; e seus efeitos, de igual 
modo, perduram em muitos ou­
tros filhos e filhas obedientes de 
Deus. Entretanto, tenho a decla­
rar que é lamentável observar que 
a qualidade de muitas das pre­
gações nos nossos dias se afasta 
grosseiramente dos paradigmas 
que foram observados por fieis 
pregadores da Santa Palavra de 
Deus no nosso país e denomina­
ção, bem como em todo o mundo.
A falta de boa qualidade em mui­
tas das pregações dos nossos dias 
se deve ao fato de que o destemor 
a Deus ensejou a instalação da 
apostasia em muitos intitulados 
pregadores do evangelho.
Como sabemos, os ser­
mões se dividem basicamen­
te em três tipos: o textual, o 
temático e o expositivo. Nor­
malmente, tem sido dito que 
o sermão expositivo é o m e­
lhor, por ser o mais enrique- 
cedor. Quais as vantagens e 
desvantagens de cada um 
desses tipos de sermão? E 
de qual desses três tipos o 
senhor mais gosta?
Os três tipos de sermões são 
válidos quando homileticamente 
são produzidos e proferidos sob 
a égide do Espírito Santo, natu­
ralmente levando-se em conta 
o momento, o público ouvinte 
(público-alvo) e o tempo que se 
dispõe para o sermão. O sermão 
do tipo expositivo, que é muito 
usual principalmente nas igrejas 
tradicionais, é por certo de va­
lor inestimável, mas, como dito 
antes, deve-se levar em conta o 
público-alvo. Os demais tipos, 
quando bem fundamentados pe­
las Escrituras, podem produzir a 
edificação desejada em quem os 
ouve. As vantagens do sermão 
expositivo consistem em que 
o seu conteúdo é apresentado 
a partir de uma perícope que 
vai sendo exposta, versículo a 
versículo, até a conclusão desta. 
O espaço é exíguo para se falar 
de vantagens e desvantagens de 
cada tipo de sermão, mas con­
cluímos afirmando que a escolha 
do tipo de sermão vai depender 
sempre do público-alvo, isto é,
obEHro
Os três tipos 
de sermões 
- o textual, 
o tem ático e 
o expositivo 
- são válidos 
quando 
produzidos 
sob a égide do 
Espírito Santo, 
naturalmente 
levando-se 
em conta o 
momento, o 
público ouvinte 
e o tem po que 
se dispõe para 
o sermão
dos ouvintes, e da inspiração 
divina dada ao pregador para 
aquele momento.
Quais os preparos que o 
pregador deve ter antes de 
e para ministrar o sermão?
Obviamente, o preparo do 
obreiro antes de ir ao púlpito co­
meça com a oração, pois não é pos-
sível falar bem para os homens, 
sem antes falar com Deus. Jesus, 
antes de se apresentar às multi­
dões para expor os Seus ensina­
mentos, gastava horas a fio com o 
Pai em oração. A leitura e a medi­
tação da Palavra são sumamente 
importantes, pois a matéria-prima 
do pregador é a Palavra de Deus. 
Não é um bem elaborado esboço 
que levará o pregador ao pata­
mar do sucesso como orador. E 
aconselhável que o ministrante 
reserve tempo para se preparar 
teológica e espiritualmente para ir 
com humildade diante do público 
que o ouvirá.
A seu ver, quais são os 
principais equívocos come­
tidos por muitos pregadores 
nos púlpitosde hoje?
Lamentavelmente, muitos obrei­
ros despreparados estão afirmando 
o errado como sendo o verdadeiro e 
vice-versa. As mensagens vazias de 
contexto bíblico levam em seu bojo 
muitos equívocos que, não raro, 
confundem os ouvintes. Isso sucede 
face o despreparo bíblico de muitos 
pregadores, que usam os púlpitos 
para fazer menção de afirmações 
extra ou antibíblicas.
Quanto aos vocacionados 
à pregação, como identificá- 
-los e ajudar a serem refi­
nados para a sua chamada 
como pregadores?
Devemos animá-los a perseve- 
rar no estudo da Palavra de Deus e 
na oração, e a teologicamente terem 
o bom hábito de reciclar nos conhe­
cimentos gerais para se ajustar ao 
que Paulo preleciona em 2 Timóteo 
2.15: "Procura apresentar-te a Deus 
aprovado, como obreiro que não 
tem do que se envergonhar, que 
maneja bem a palavra da verdade".
Hoje em dia está na moda 
a preleção estilo “coach". 
Qual a sua opinião sobre essa 
nova modalidade e quais os 
seus efeitos na prática?
Esse estilo de preleção cha­
mado de "coach" tem um aspec­
to meramente motivacional e, a 
meu ver, não conduz o ouvinte a 
tomar decisões conscientes à luz 
da Palavra de Deus. Além disso e
sobretudo, o apóstolo Paulo nos 
recomenda a não irmos "além do 
que está escrito" (1 Coríntios 4.6).
Outras modas surgidas 
nos últimos tempos são a 
pregação em dupla (quando 
dois pregadores assumem 
o mesmo púlpito ao mesmo 
tem po para pregar juntos 
um a m esm a m ensagem , 
numa espécie de “jogra l”, 
com um fazendo “escada”
para o outro na mensagem) 
e a pregação com fundo 
musical do começo ao fim 
etc. Como o senhor vê esses 
modismos?
A resposta já veio com a per­
gunta: são apenas MODISMOS, 
salvo quando o fundo musical é 
condizente com o momento da 
Palavra, como, por exemplo, no 
ato do apelo. H
obS I ro
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l
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C
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 iF
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E
SUA PRINCIPAL FERRAMENTA 
DE ESTUDO BÍBLICO
AGORA DE CAPA NOVA
Em suas 2.050 páginas, o Dicionário 
Bíbl ico Wycl if fe p roporc iona 
uma vasta rede de informações 
sobre termos, nomes e lugares 
mencionados na Bíblia bem como 
aspectos doutrinários, históricos, 
e pontos importantes do cenário 
bíblico. Verbetes são escritos por 
mais de 200 especialistas, sempre 
segundo a ortodoxia cristã de linha 
evangélica conservadora.
Com mais de 900 fotos, mapas, 
gráficos e esboços esta obra é 
indispensável para estudantes, 
eruditos, pastores e pregadores 
do Evangelho.
Formato: 15 x 23 cm 
2.050 páginas / Capa dura.
Osiel Com es é pastor da 
Assem blé ia de Deus em Tirirical, 
São Luís (MA), fo rm ad o em Teologia, 
Filosofia, D ire ito e Psicanálise, 
professor de Grego e Hebraico, e 
com en ta ris ta de Lições Bíblicas de 
Escola D om in ica l da CPAD.
As diferentes 
classificações 
dos sermões 
devem conter 
elementos 
técnicos sem 
desprezar a 
inspiração do 
Espírito Santo no 
momento de sua 
elaboração
Osiel Comes
Os tipos 
e sua ap
Antes de tratarmos es­
pecificamente sobre 
as espécies de ser­
mões, faz-se relevan­
te que o caro leitor seja cônscio 
que o sermão do qual iremos fa­
lar não está atrelado ao discurso 
moralizador ou a uma predica 
monótona, mas, sim, à verdadei­
ra pregação à luz da Palavra de 
Deus. Seja no púlpito ou em qual­
quer outro lugar, o mensageiro de 
Deus prioriza a pregação bíblica, 
assente na expressão "Assim diz 
o Senhor", a qual aparece 3.800 
vezes na Bíblia. Essa postura o 
levará a não ser um sociólogo, 
um psicólogo ou um filósofo na 
hora da pregação, mas, ao contrá­
rio, um mensageiro de Deus, sa­
bendo que sua missão precípua é 
pregar a Palavra, como foi pontu­
ado por Paulo: "Prega a Palavra, 
insta, quer seja oportuno quer 
não...” (2Tm 4.2). Só a Palavra de 
Deus pode provocar arrependi­
mento e salvação (Mt 12.41).
O assunto em estima faz parte 
da matéria do curso teológico de­
nominada de Homilética, a ciência 
que ensina ao pregador como pre­
parar sermões. Em suma, diriamos 
que ela visa a destacar as caracte­
rísticas de um pregador chamado 
por Deus, as suas qualidades, que' 
envolve conversão, vocação, amor
OB0ÍRO
ao povo; e o seu preparo para pre­
gar: oração e estudo da Palavra. 
Inclui também os elementos para 
a pregação: a Palavra de Deus, a 
unção do Espirito Santo, ilustra­
ções. E aponta as responsabilida­
des do pregador: comportamento 
no púlpito, cuidado na explanação 
da mensagem. Ela observa ainda 
as bases do sermão: a escolha do 
texto, a interpretação do texto, os 
erros de interpretação, as regras 
fundamentais; a fonte da inter­
pretação do texto; o sermão e sua 
forma e esboços.
A parte que iremos nos deter 
aqui é quanto à forma ou espécies 
de sermões. Os livros que versam 
sobre a temática da homilética 
destacam três ou quatro classifi­
cações para os tipos de sermões, 
tendo outras variações: temático, 
textual, expositivo, ocasional; ou, 
como outros apresentam, temático, 
textual e expositivo. Outros são 
da opinião de que há apenas dois 
tipos: o tópico e o expositivo.
Os tipos de sermões que tratare­
mos aqui seguem a segunda coloca­
ção, os quais podem ser usados nas 
mais diferentes ocasiões ou situa­
ções. Jamais se pode pensar que o 
preparo de um sermão, envolvendo 
o lado técnico e científico, irá tolher 
a inspiração divina ou o trabalhar 
do Espírito Santo; mas, para isso, é
de sermão 
licabilidade
preciso levar cativo todo pensamen­
to à Cristo Jesus (2Co 10.5).
O primeiro tipo que iremos 
abordar é o serm ão tem ático ou 
tópico, ou sermão de assunto, que 
procura expor a verdade bíblica 
em um tema que é utilizado pelo 
pregador. Esse tipo de sermão pode 
ter suas divisões ou assunto tanto 
atrelados a um texto bíblico como 
não. Esse tipo de sermão órbita es­
pecificamente em torno do assunto, 
ainda que possa se dizer que o texto 
bíblico forneça uma ideia para a 
mensagem que se deseja.
O tema do sermão temático 
pode nascer em um momento de 
viagem, pela leitura de um livro, 
assistindo um noticiário, um acon­
tecimento que chama a atenção. 
Assim, como pontuamos, não está 
atrelado obrigatoriamente ao texto 
bíblico, mesmo que se tome uma 
passagem como base. Um exemplo 
bem simples de um sermão temáti­
co seguindo uma frase bíblica como 
a de João 8.12 pode ficar assim:
Jesus é a Luz do Mundo
A Iluminação de Jesus
A pureza de Jesus
A universalidade de Jesus
A divisão do sermão temático 
ou tópico origina-se do tema do 
sermão, porém a construção dos
A
OB03RO
pontos deve harmonizar-se com o 
assunto abordado. Na construção 
dos pontos do sermão temático, 
cada um deve estar atrelado ao 
que se segue, isso quer dizer que 
ele não pode fugir da temática 
abordada. Mesmo que por ve­
zes haja distinção nos pontos, a 
relação entre o tema e propósito 
deve ser mantida. Por exemplo, 
se tomarmos Romanos 1.16, a 
mensagem do sermão temático 
seria essa:
O Poder do Evangelho
O Evangelho liberta
O Evangelho transforma
O Evangelho salva
O Evangelho transforma
A forma de um sermão temá­
tico errado, o qual não evidencia 
uma ligação com os pontos, seria 
essa:
O Poder do Evangelho
O Evangelho transforma
O Evangelho batiza
O Evangelho cura
No primeiro exemplo, o obje­
tivo do sermão temático é levar o 
ouvinte à reflexão sobre a impor­
tância de conhecer Jesus como a 
verdadeira luz. No segundo exem­
plo, é evidenciar o poder do Evan­
gelho aos pecadores ouvintes, daí 
a importância de ligar o primeiro 
ponto com o segundo e o terceiro. 
Ainda que os pontos sejam dis­
tintos, mas o assunto deve estar 
entrelaçado neles.
O segundo tipo de sermão é o 
serm ão textual. Sua base funda­
mental é o texto bíblico, com as di­
visões do mesmo sendo extraídas 
do próprio texto. Aquele que vai 
pregar um sermão textual toma 
como base uma passagem bíblica, 
versículo ou parte dele. As divisões 
do sermão textual são denominas 
de três maneiras. A primeira é a 
natural, que segue a ideia que o 
próprio texto. Um exemplo bem
simples que se pode dar é de 1 
Coríntios 13.13, no qual temos três 
divisões: Fé, Esperança, Amor.
Asegunda divisão textual é 
denominada de analítica, pois o 
pregador tem que voltar-se total­
mente para a ideia que o texto está 
lhe dando, fazer suas divisões ana- 
liticamente. Essa análise a ser feita 
envolve muito cuidado e devoção. 
As divisões textuais podem ser 
feitas através de seis bombardeios 
de perguntas ao texto: Quem? O 
quê? Quando? Por quê? Como? 
Onde? Por meio dessas palavras, se 
tornará mais fácil atentar para os 
pontos principais do texto. Atente 
para um exemplo da divisão na 
ordem analítica do sermão textual 
tomando como base Lucas 19.1-10:
Jesus visita um pecador
I - Uma visita não programada 
(vv. 1-6);
II - Uma visita transformadora 
(v. 8);
III - Uma visita salvadora (v. 10).
OB
14
REIRO
No caso da divisão do sermão 
textual com sua análise sintática, 
faz-se a escolha do texto e um re­
sumo das partes principais, mas 
levando em consideração que as 
divisões naturais e analíticas não 
podem ser alteradas. Assim, no 
preparar desse tipo de sermão, seu 
autor pode organizá-lo sem preocu- 
par-se com a ordem das partes do 
texto. Note o exemplo abaixo com 
o texto de Marcos 6.34-38.
0 Dispenseiro de Deus
1 - A visão do dispenseiro (vv.
34-38);
IIA compaixão do dispenseiro
(v. 35);
III A Provisão do Dispenseiro
(v. 37).
No caso do tema do sermão 
textual, sua origem é o próprio 
texto. Isso é feito pela busca de 
se compreender a ideia central 
presente nele. Feito isso, logo você 
terá a mensagem espiritual que o 
texto está transmitindo, inclusive o
tema. É também pelo texto bíblico 
que se alcança a divisão do sermão 
textual, pois em contato com o mes­
mo logo se descobrirá o os pontos 
principais do sermão, e eles serão 
harmonizados e conectados con­
forme as palavras e frases do texto.
Por fim, apresentaremos o ser­
m ão expositivo, que na atualidade 
é pouco pregado, isso porque exige 
muito do pregador. Ele é bastante 
apoiado nas referências bíblicas. E 
preciso fazer uma análise lógica, 
meticulosa e pormenorizada do 
texto. O alvo do sermão expositivo 
é tornar o texto bíblico totalmente 
claro no seu aspecto exegético e 
hermenêutico.
Na própria essência do adjetivo 
"expositivo", já se pode compreender 
a natureza desse tipo de sermão, 
relativo ao que envolve exposição; 
que descreve, que dá a conhecer. 
Do latim, significa expor, é algo 
que vem de fora. Expor é colocar, 
externar uma verdade que está 
contida no texto. O sermão expo­
sitivo é, portanto, a explicação das
Sagradas Escrituras. Ele trata espe­
cificamente da explicação de uma 
unidade bíblica de quatro ou mais 
versículos, de um capítulo ou de um 
livro da Bíblia. Vale ressaltar que 
no momento em que o pregador 
for fazer uso desse tipo de sermão, 
em especial no ato do seu preparo, 
deve tomar toda precaução para não 
fragmentá-lo, quebrando sua unida­
de e transformando-o em uma série 
de pequenos sermões textuais.
Na pregação do sermão exposi­
tivo, o pregador procura expor na 
íntegra o texto e as divisões seguem 
tanto um aspecto lógico como cro­
nológico. Esse procedimento obje­
tiva levar o ouvinte para dentro das 
verdades contidas no texto bíblico. 
Toma-se a passagem bíblica e sele- 
ciona-se a mais vários versículos, 
um capítulo ou mesmo um livro.
Na exposição, o pregador sabe que 
sua missão está totalmente atrelada 
ao texto bíblico, procurando expor 
o mesmo, isto é, dizendo o que 
realmente o texto está dizendo ou 
quer dizer. Cinco pontos principais Á
15
devem ser seguidos na exposição 
de um sermão expositivo:
1) Nunca fugir do texto
2) Não ser teórico
3) Estudar bem o texto bíblico
4) Não ser monótono
5) Ter o hábito de ler a Bíblia 
diariamente
O pregador não pode ler o texto 
e fugir dele, mas deve penetrá-lo 
profundamente, como bem pontua 
o salmista: meditar de dia e de noite 
para ser bem plantado (SI 1.2,3). O 
pregador não pode ser teórico, isto 
é, especulativo, que busca apenas 
curiosidade para impressionar os 
outros. O pregador de verdade sabe 
que sua maior missão é ensinar as 
verdades contidas no texto bíblico, 
por isso deve ser prático e objetivo 
na aplicação da mensagem.
Na escolha do texto, o pregador 
deve estudá-lo profundamente,
atentando para cada palavra, frase, 
não sendo superficial. A base para 
o sermão expositivo é a passagem 
bíblica, isto é, o texto, o qual pode 
ser longo ou curto, mas deve ter 
seus limites, que são determina­
dos pela própria divisão presente 
na Bíblia. As divisões maiores são 
denominadas de capítulos.
Outra maneira para se dar os 
limites de uma passagem, além dos 
capítulos, são os parágrafos, que é 
o conjunto de um ou mais períodos 
frásicos cujas orações se prendem 
pelo mesmo grupo de idéias e cen­
tro de interesse. Assim, um pará­
grafo é uma unidade de sentido, 
inserida num todo textual coeso. 
Por meio deles se pode determinar 
os limites de uma passagem bíblica.
A divisão por meio dos parágra­
fos é fácil de se encontrar na Bíblia. 
Na Bíblia Almeida e Atualizada,
pore xemplo, se você procurar 
Romanos 3.23, logo notará que a 
primeira letra do versículo está 
mais escura. Note que da mesma 
forma está no versículo 27, e ainda 
poderá ver o mesmo durante todo 
o capítulo. Essas são as divisões em 
parágrafos.
Na transmissão da mensagem 
expositiva, o pregador não pode 
ser maçante, enfadonho, sem novi­
dade, pois tem diante de si o Livro 
Sagrado, o qual é vivo e eficaz (Hb 
4.12). Assim, poderá recorrer a di­
versas passagens das Escrituras, 
as quais são marcadas por lições 
positivas e instrutivas.
E impossível pregar mensagem 
expositiva se o pregador não tiver 
o hábito constante de meditar na 
Palavra de Deus. E preciso fazer 
como Esdras: "Porque Esdras ti­
nha preparado o seu coração para
OB0ÍRO
buscar a lei do Senhor e para cum­
pri-la e para ensinar em Israel os 
seus estatutos e os seus juízos" (Ed 
7.10). Através dessa citação bíblica, 
ficamos sabendo de como deve ser 
o proceder daquele que deseja ser 
um professor ou pregador da Pala­
vra de Deus. Esses três requisitos: 
procurar, conhecer e cumprir para 
só depois ensinar. Esse deve ser 
o lema de cada obreiro que ama 
as verdades divinas e deseja que 
o povo a tenha no coração. Esse 
obreiro irá proceder como Esdras.
Na pregação expositiva, o pre­
gador tem que ser um leitor assíduo 
da Palavra, um arguto pesquisador, 
isso com toda frequência, constan­
temente, sem se afastar da leitura 
desse livro (Js 1.18), amando de 
verdade a Palavra, como disse o 
salmista: "Quanto amo a tua Lei! E 
a minha meditação todos os dias". 
O verbo meditar no hebraico é hxys 
siychah, com a ideia de meditação, 
pensamento, oração, devoção, quei­
xa, reflexão e estudo de um objeto.
Devido ao espaço, não pode­
mos abordar o assunto com todos 
os seus pormenores, mas resumi­
damente iremos apresentar um 
modelo de um sermão expositivo 
extraído das penas do pastor Elie- 
nai Cabral, que toma como base o 
texto do capítulo 1 de Colossenses 
em sua obra Pregador Eficaz. Veja:
Introdução: Todo esse capítulo 
apresenta o senhorio de Cristo sobre 
todas as coisas criadas.
I - Saudação, 1.1-12
a) Saudação inicial de Paulo,
1 .1, 2 .
b) Ação de graças de Paulo, 1.3-8.
c) Intercessão pelos Colossenses, 
1.9-12.
II - Cristo, o Soberano Senhor, 
1.13-23
a) O Senhor da Redenção, 1.13,14.
b) O Senhor da Criação, 1.15-17.
c) O Senhor da Igreja Universal, 
1.18-20.
d) O Senhor da Igreja Local,
1.21-23.
III - Cristo, o Senhor do Ministé­
rio de Paulo, 1.24-29
a) Um ministério de sofrimento, 
1.24.
b) Um ministério de serviço 
constante, 1.25-27.
c) Um ministério pastoral, 1.28.
d) Um ministério de responsa­
bilidade, 1.29.
Conclusão: Cristo conquistou o 
senhorio sobre todas as coisas na 
Sua vitória no Calvário.
Iremos concluir essas linhas 
fazendo um destaque das vanta­
gens de fazermos uso do sermão 
expositivo pelos apontamentos 
salientados por Walger L. Fiefeld:
1) Podemos estar mais confiantes 
de estar pregando a vontade de Deus ao 
expormos Sua Palavra. O pregador 
que prega a mensagem da exposição 
bíblica tem mais firmeza,seguran­
ça, autoridade, pois diz o que ela 
realmente está dizendo: "Assim diz
RO
o Senhor". Não iremos dizer outra 
coisa senão aquilo que as Escrituras 
estão dizendo.
2) Ficamos limitados à verdade bí­
blica. Não se tem subjetivos do tipo 
"Eu penso" ou "Eu acho, deduzo", 
pois há um grande temor em não ir 
além daquilo que está escrito, mas 
priorizar a verdade da Palavra.
3) Pregamos o conselho de Deus. 
Esse era o procedimento de Paulo, 
falar todo o conselho de Deus (At 
20.27). Quando o pregador assim 
procede, evita de ficar no púlpito 
falando de seus assuntos particula­
res e preferidos. As excentricidades 
pessoais são deixadas de lado quan­
do nos predemos no texto, no seu 
contexto e no seu propósito.
3) Deixamos a passagem bíblica falar 
por si e para si. Quando se faz uso do 
contexto da passagem, já está se fa­
zendo a aplicação, mas é preciso que 
se conheça bem o texto e as circuns­
tâncias envolvidas nele, em especial 
aquilo que forma o pano de fundo e 
a linha de pensamento de todo livro.
Quando se deixa a passagem falar 
como ela falou em sua originalidade 
primitiva, muitos desajustes são evi­
tados. Não haverá nenhuma dificul­
dade em tomar uma passagem bem 
prática quando se entender a função 
que ela exerceu lá atrás.
4) A própria Bíblia fornece uma 
estrutura literária que serve de funda­
mento para o esboço do sermão.
5) A pregação expositiva ajuda o 
pregador a tratar de assuntos delicados 
através de sua exposição, não sendo ino­
portunos. Um pastor que lidera igreja 
sabe dos muitos assuntos melindro­
sos que há no seu meio envolvendo 
certos membros, dos quais muitos 
irmãos têm conhecimento. Se tal 
assunto for tratado abordando a 
passagem do contexto, o qual já 
vinha sendo tratado antes no texto, 
em uma série de mensagens expo- 
sitivas, tal tensão diminuirá.
Portanto, queridos pregadores 
do Evangelho de Cristo Jesus, seja­
mos conscientes que a mensagem 
expositiva deve ser cultivada por
todos nós, pois através dela tanto 
nós como os membros poderemos 
descobrir a perfeita vontade de 
Deus. Esse tipo de sermão está aci­
ma do sermão temático ou tópico e 
do textual, pois seu modelo é de um 
estudo bíblico.
A pregação expositiva requer 
muito do pregador, não dando es­
paço para a inação, que gera uma 
hermenêutica fraca e falha e uma 
pregação pobre, que se firma em 
interpretações imaginosas e sem 
fundamentos, inválidas, "espiri­
tualizadas", sem qualquer base 
no texto bíblico, mas requer que o 
obreiro seja preparado (2Tm 2.15). 
Se realmente desejamos que os nos­
sos púlpitos tenham pregadores de 
verdade, eles precisam pregar mais 
a mensagem expositiva, isso porque 
por meio dela eles sempre estarão 
mais perto do texto e do contexto, 
não querendo ir mais além daquilo 
que já está escrito (2Co 1.13), sendo 
cônscios que se forem além disso 
serão malditos (G11.8). |
SEJAMOS IMITADORES 
DE CRISTO EM ESPÍRITO
E VERDADE
Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou uma ética que se espera atingir. 
Escrito de forma abrangente para leigos e estudiosos, Santidade desafia esta ideia comumente 
aceita, ao mergulhar no seu conceito teológico. Buscando ocupar um espaço não antes desbravado 
no estudo do tema, o pastor e doutor em filosofia Bernie A. Van De Walle preparou esta introdução 
teológica para que você redescubra a santidade bíblica.
s}-uiO
ro
Oü)
~o'Ou
SANTIDADE
U M A IN T R O D U Ç Ã O
TEOLÓGICA
B F. R N I E A. \a n d e W A l - l E
o (DOO NAS LIVRARIAS CPAD ((JRh
0 8 0 0 021 7 3 7 3
w w w . c p a d . c o m , b r c m
José O risvaldo é pastor da 
A ssem blé ia de Deus em Maceió 
(AL), líder da Convenção das ADs 
de A lagoas ( COMADAL), professor 
de m atérias teo lóg icas, advogado, 
a rticu lis ta da CPAD e pres idente do 
Conselho de Ética da CGADB.
A mensagem 
emitida no púlpito 
deve atender 
aos sedentos 
de salvação 
e fortalecer 
os crentes ao 
longo de seu 
desenvolvimento
José Orisvaldo Nunes de Limo
A Preg;
A pregação da Palavra 
de Deus é o ponto cen­
tral da religião cristã 
evangélica. Não é à 
toa que os nossos belos e bem ela­
borados móveis de madeira nobre 
ou mármore chamados púlpitos 
ficaram durante séculos (e devem 
continuar) ao centro da platafor­
ma dos nossos templos, que na 
antiguidade se chamava presbi­
tério.
As palavras empregadas para 
o anúncio da Palavra de Deus no 
Novo Testamento são essencial­
mente quatro: evangelizesthai, que 
significa anunciar as boas novas 
e repete-se por 55 vezes; kataggé- 
lein, que traduzindo é proclamar, 
pregar as boas novas, que aparece 
19 vezes; kerrússein, cuja tradução 
é anunciar, proclamar como um 
arauto, junto com seus deriva­
dos, ocorrendo 69 vezes; e, por 
fim, didachê e seus derivados, que 
aparecem no texto grego por 185 
vezes, perfazendo um total de 328 
referências diretas e indiretas ao 
anúncio da Palavra de Deus. Sal­
vo melhor juízo, do batismo em 
águas, o Novo Testamento tem 85 
referências. No tocante à Ceia do 
Senhor, apenas cinco. Constata­
mos com clareza meridiana que 
as ordenanças são importantes e 
devem ser ciosamente observadas; 
todavia, a primazia é a pregação 
da Palavra. Vejamos as implica­
ções da pregação e do pregador.
A banalização da pregação 
nos dias atuais
Observem os como m uitas 
denominações fugiram do rumo 
traçado por Jesus e Seus apóstolos. 
Em muitos lugares, as igrejas vira­
ram empresas que disputam entre 
si os "clientes". Os que entram por 
esse caminho perdem o escrúpulo 
e não têm mais compromisso com 
a pregação genuína, mas, sim, com 
"produtos" que agradem o maior 
número de "consumidores" pos­
sível. Lamentavelmente, até nos 
arraiais do pentecostalismo clás­
sico, como é o nosso caso, muitos 
ministros perderam a fé e entra­
ram por esse infame caminho, 
ao qual o santo apóstolo Judas 
chama de "erro de Balaão" que 
consiste em pregar com objetivos 
meramente pecuniários (Jd v.ll). 
Nesses lugares, a pregação da pa­
lavra desaparece e é substituída 
por chavões, orações "fortes", ben- 
zimentos e práticas animistas. Os 
tais ministros, através da mídia, 
são bons marqueteiros e conse­
guem atrair novos "fregueses", 
que, à semelhança das ondas do 
mar, vêm e vão.
Em muitos templos, o cen­
tro da liturgia, se é que se pode 
chamar liturgia, já não é mais a 
Palavra de Deus. Evidência maior 
é que em muitas plataformas do 
presbitério o púlpito foi retirado 
e o local transformou-se em pal­
co de shows; afinal, isso agrada
ição Bíblica
a possível clientela e, quando 
muito, na hora da "reflexão" se 
põe uma magérrima estantezinha 
transparente. Em outras partes, a 
situação piorou, pois onde antes 
estava o púlpito agora há sofás, 
consoles, cadeiras e mesas com 
docinhos, salgados e refrigeran­
tes, onde, em vez da pregação, 
quatro ou cinco pessoas ficam 
dissertando sobre determinados 
temas, tipo bate papo ou, como 
hoje é conhecido, podcast. A re­
velação bíblica não recomenda 
tais práticas, pois o Senhor não 
mandou dialogar, mas pregar 
(Mc 16.15). Pregar no grego não 
é dialogar, nem emitir opiniões 
próprias, mas kerusso, que signi­
fica ser um arauto a proclamar 
uma m ensagem real, já pré- 
definida por uma autoridade e 
que deve ser escutada, acatada 
e obedecida sem possibilidade 
alguma de que seja discutida por 
opiniões de quem quer que seja.
Vale salientar que o fato de os 
púlpitos serem banidos das plata­
formas de muitas igrejas é emble­
mático, pois representa o descaso 
e desprezo pela ministração da 
Palavra. Nos dias da Reforma 
Protestante, Calvino bradou: "O 
púlpito é o trono de onde Deus 
governa a sua Igreja". Portanto, 
voltemos às nossas origens e que 
voltem às nossas plataformas os 
púlpitos, sejam majestosos ou 
simples, mas que dignifiquem a 
pregação da Palavra de Deus.
A
Já em outras localidades, os 
pregadores têm sido substituí­
dos por profissionais coach, cuja 
técnica trata de in teligên cia 
emocional, melhores relaciona­
mentos, injeção de autoestima, 
desenvolver a auto disciplina, 
aumentar a motivação,melhores 
resultados e mais saúde. Pelo que 
eu entenda, isso nada tem a ver 
com a pregação da Palavra de 
Deus, cujo tema central é a pes­
soa de Jesus Cristo, que é para 
nós e produz em nós "sabedoria, 
justiça, santificação e redenção" 
(ICo 1.30). Nada contra tais mé­
todos de trabalho ou seus profis­
sionais, apenas notificando que o 
púlpito não é o lugar para os tais, 
mas, sim, dos fiéis pregadores do 
Santo Evangelho.
A responsabilidade 
do pregador
O pregador precisa lembrar-se 
que nos dias em que vivemos, de
múltiplas ocupações e entreteni­
mentos, uma pessoa, depois de 
uma semana de trabalhos e estu­
dos, vir a um culto cristão é uma 
ação da graça de Deus dando fome 
e sede de justiça àquela alma. Ela 
vem faminta e sedenta da Pala­
vra de Deus. E se o pregador não 
orou, não buscou a Palavra, não 
preparou um sermão substancial? 
Esse pregador comete um crime 
contra Deus e contra as almas. 
Esse chamado pregador, se é pas­
tor e vive do altar, não é digno 
da prebenda pastoral que recebe, 
pois não cumpre, nem de longe, os 
requisitos divinos que fazem jus 
ao ministro cristão ser auxiliado 
financeiramente pela igreja a qual 
serve. Afinal, o apóstolo Paulo nos 
diz que só são dignos de "serem 
considerados merecedores de pa­
gamento em dobro, os presbíteros 
(diga-se pastores) que presidem 
bem, especialmente os que se es­
forçam na pregação da palavra e
do ensino" (lTm 5.17, NAA). Não 
esqueço do meu professor de 
oratória que nos disse: "Quando 
o povo vem de longe e se assenta 
para ouvir um pregador, tacita- 
mente ele está clamando para o 
ministrante: 'Surpreenda-nos!
E doloroso observar a pobreza de 
muitos púlpitos Brasil afora. Um 
grande líder de outra confissão 
cristã, há algum tempo, em uma 
reunião com a cúpula do seu mi­
nistério, disse: "A maior evidência 
de que a igreja é de Deus é que ela 
sobrevive apesar das pregações 
medíocres que escuta semanal­
mente". Lamentavelmente, grande 
parte dos ministros esqueceram 
que a sua missão precípua é "dedi­
car-se a oração e ao ministério da 
palavra" (At 6.4). Recordemos as 
palavras de Jesus a Marta: "Mar­
ta! Marta! Você anda inquieta e 
se preocupa com muitas coisas, 
mas apenas uma é necessária" (Lc 
10.41,42, NAA).
Os perigos de um ministro 
negligente na pregação
Um ministro desleixado na 
pregação, será responsável pela 
perdição do povo. No Antigo Tes­
tamento, os profetas falavam sob 
inspiração divina para edificar, 
exortar e consolar o povo, mas o 
ensino ordinário da Palavra era 
missão dos sacerdotes levitas. 
Não olvidemos as palavras de 
Malaquias, quando advertia os 
sacerdotes dos seus dias: "Porque 
os lábios do sacerdote devem guar­
dar o conhecimento, e da sua boca 
todos devem buscar a instrução, 
porque ele é o mensageiro do Se­
nhor dos Exércitos" (Ml 2.7, NAA). 
Nos dias de Oséias, foi proferida 
uma maldição sobre os sacerdotes 
displicentes que negligenciavam o 
seu ofício: "O meu povo está sendo 
destruído, pois lhe falta o conhe­
cimento. Pelo fato de vocês sacer­
dotes rejeitarem o conhecimento, 
também eu os rejeitarei, para que 
não sejam mais sacerdotes diante 
de mim; visto que se esqueceram
da lei do seu Deus, também eu me 
esquecerei dos teus filhos" (Os 4.6, 
NAA). Que o Senhor se apiede de 
nós, ministros do novo pacto, que 
temos a mesma missão de minis­
trar a Palavra à nossa geração.
Li certa vez que um ministro da 
Igreja da Escócia estava a cuidar do 
jardim da vetusta casa pastoral em 
uma manhã ensolarada. Perto das 
lOh, a governanta da casa apareceu 
na janela e bradou: "Reverendo, o 
senhor esqueceu que é domingo? 
O povo está assentado no templo 
esperando pelo senhor para iniciar 
o culto". Ele, bem tranquilo, entrou 
na casa, vestiu a toga pastoral, be­
beu um trago de whisky e subiu no 
púlpito para pregar. Que o Senhor 
se apiede de nossa geração de pre­
gadores!
Orientações para ser bem
sucedido na pregação
O pregador jamais deve buscar 
visibilidade para si ou fama, o seu 
alvo deve ser única e exclusiva­
mente esconder-se atrás da cruz e
bradar a mensagem para que todos 
olhem para Cristo. O objetivo não 
deve ser produzir uma linda peça 
de oratória, mas tomar um texto bí­
blico e, a partir dali, à semelhança 
de Filipe, ao pregar para o eunuco 
da rainha da Etiópia, anunciar a 
Jesus (At 8.34). Conta-se que Spur- 
geon pregou um lindo sermão e, ao 
descer do púlpito, uma senhora o 
abordou e, segurando-lhe o braço, 
disse: "Que sermão maravilho­
so!". Ao que o pregador abaixou a 
cabeça envergonhado e ficou em 
silêncio. A senhora lhe disse: "Pas­
tor, se eu lhe ofendi, desculpe". Ele 
respondeu: "Eu estou triste porque 
meu objetivo não era que a senho­
ra elogiasse meu sermão dizendo 
'Que sermão maravilhoso!', mas, 
sim, que dissesse: 'Que Cristo ma­
ravilhoso!"'.
O pregador precisa ter uma 
vida santa e condizente com a Pa­
lavra que prega. Alguém hoje pre­
ga o "evangelho de São Tomás": 
prega, mas não faz. O médico, o 
engenheiro, o professor, o odon- A
OB RO
23
tólogo etc podem ser bons profis­
sionais e ter concomitantemente 
uma vida imoral, mas isso jamais 
pode acontecer com um pregador 
do evangelho. São Paulo diz-nos 
que "se alguém se purificar desses 
erros, será utensílio para a honra, 
santificado e útil ao seu Senhor, 
estando preparado para toda a 
boa obra" (2Tm 2.21, NAA). Isaías 
corrobora com este texto quando 
nos diz: "Não toquem uma coisa 
impura! Saiam do meio dela, pu­
rifiquem-se, vocês que levam os 
utensílios do Senhor" (Is 52.11).
Também o pregador, para ser 
produtivo no Reino de Deus, pre­
cisa passar tempo em oração, com 
as Escrituras abertas diante do Se­
nhor. Jeremias nos alerta, a nós pre­
gadores: "Por que quem esteve no 
conselho do Senhor, e viu, e ouviu 
a sua palavra? Quem esteve atento 
a sua palavra e a ouviu?" (Jr 23.18). 
Entendemos que só pode subir ao 
púlpito quem esteve muito tempo
diante do Senhor mergulhando 
nos segredos de Sua Palavra, len­
do e relendo várias vezes o texto 
sagrado.
Não se pode dispensar a com­
panhia dos piedosos pregadores 
do passado e do presente que an­
daram e andam com Deus. Apren­
damos deles, pois nos deixaram as 
preciosas revelações que recebe­
ram de Deus impressas nos seus 
livros. Ninguém é tão original ao 
ponto de desprezar o que Deus 
deu a outros. Paulo cita Abraão, 
Davi, Isaías, Jeremias, Moisés etc. 
Também cita filósofos e poetas da 
literatura clássica grega, textos 
que o Espírito Santo considerou 
válidos, condizentes com a verda­
de divina, e autorizou o apóstolo a 
inserir nas Escrituras. 1 Coríntios 
15.33 é do poeta grego Menandro; 
Atos 17.28 é uma citação do filóso­
fo Epimenedes e Tito 1.12 é uma 
citação do mesmo poeta. Portanto, 
leia muito com humildade, oração
e discernimento. Lembre-se que 
Paulo era apaixonado pelos livros 
(2Tm 4.13).
Ainda em matéria de um bom 
pregador, no que tange a citar par­
tes do sermão de outros, é de bom 
alvitre lembrar que muita coisa 
da Carta de Judas é extraída ipsis 
líteres da Segunda Carta de Pedro 
ou vive-versa. Afinal, Lutero disse 
com razão: "Que pregues a Pala­
vra! Se podes produzir um bom 
sermão, produze-o e prega-o. Se 
não podes produzir um bom ser­
mão, que pregues um sermão bom 
de outrem. É melhor que pregues 
um bom sermão de outrem do que 
um ruim teu mesmo!"
O método mais apropriado 
para a pregação
Outro problema gravíssimo da 
pregação nos dias hodiernos é que 
muitos pregadores não têm um 
método definido, leem um texto
bíblico, fecham a Bíblia e nunca 
mais voltam para ele. Alguns 
começam a contar testemunhos 
mirabolantes para engrandecer-se 
e outros põem-se a "adivinhar" 
problemas na vida dos presentes 
para impressionar o auditório. 
Jeremias nos diz que essas tolices 
são palha e não trigo (Jr 23.28). 
Desse modo, o rebanho volta para 
casa com a alma cheia de gulosei­
mas e desfalece por falta do pão 
nutritivo de uma pregação bíblica.
Dentre os métodos de prega­
ção, o que é mais producente é o 
sermão expositivo, versículo por 
versículo, frase por frase,palavra 
por palavra, até exaurir o texto. E 
o método explicativo usado por 
Jesus: "E começando por Moisés 
e por todos os profetas, explicou- 
-lhes o que constava a respeito dele 
em todas as Escrituras" (Lc 24.27, 
NAA). Explicar é um vocábulo de 
origem latina que significa "abrir 
as plinces" para que se veja o que 
está oculto. Foi o mesmo que Filipe
fez explicando a Escritura ao eu- 
nuco (At 8.35). Muitos pregadores 
não querem usar este método por­
que o mesmo exige muita oração e 
muita pesquisa, e os tais sofrem de 
"preguecite aguda". Acerca desses 
pregadores, o maior orador sacro 
do Brasil-Colônia, padre Antônio 
Vieira, já dizia: "Jonas passou qua­
renta dias pregando uma única 
mensagem aos ninivitas, hoje há 
pregadores, porém, que em uma 
única hora, pregam quarenta men­
sagens diferentes".
Quem prega versículos isola­
dos e soltos prega sobre a Palavra 
de Deus, mas quem prega um 
sermão expositivo prega a Palavra 
de Deus. É o que Paulo recomen­
dou: "Pregue a palavra" (2Tm 4.2, 
NAA). Lendo um texto e explican- 
do-o, os resultados são inevitáveis: 
haverá quebrantamento e choro 
como nos dias de Neemias. Diz 
o texto bíblico: "Eles iam lendo o 
livro da lei de Deus, claramente, 
dando explicações, de maneira
que se entendesse o que se lia 
[...] porque todo o povo chorava 
ouvindo as palavras da lei" (Ne 
8.8,9). Não somente a explicação 
produziu pranto, mas também 
mudança de vida: "Os da linha­
gem de Israel separaram-se de 
todos os estrangeiros, puseram- 
-se em pé e fizeram confissão dos 
seus pecados" (Ne 9.2). Conclusão: 
preguemos a Palavra e nossas 
igrejas serão avivadas pelo poder 
da Escritura e do Espírito Santo 
que a inspirou. Neemias pregou 
a Palavra e o povo chorava, Pedro 
pregou no Pentecoste e três mil 
almas se converteram, pregou na 
casa de Cornélio e o Senhor bati­
zou dezenas no Espírito Santo e o 
evangelista Marcos disse que os 
apóstolos "foram e pregaram por 
toda a parte, cooperando com eles 
o Senhor e confirmando a palavra 
por meio de sinais que a seguiam" 
(Mc 16.20). Conosco não será dife­
rente. Soli Dei Gloriae.
Bibliografia
BAKER, Oavid e ARNOLD, Bill. Faces do Antigo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 
BRUCE, F. 0 Canon das Escrituras. 1 ed. São Paulo: Hagnos, 2011.
TENNY, Merril. Enciclopédia da Biblia. led. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
Descubra as Principais
Heresias Históricas c 
Saiba como Combatê-las
Neste livro, Roger Olson descreve as maldições que heresias como pelagianismo, 
semipelagianismo e teologia da prosperidade, trazem para a Igreja. Descrevendo 
seus principais conceitos, a forma como a Igreja lidou com elas, os atores envolvidos 
e o que pode ser feito para resolver o problema, Cristianismo Falsificado busca 
educar as igrejas sobre Jesus, Deus e a salvação.
® Roger e. olson
CRISTIANISMO
Código: 350904 
Formato: 14,5 x 22,5cm 
Páginas: 176
OBRAS PARA O 
ENRIQUECIMENTO DA 
SUA VIDA MINISTERIAL
Homiléticaf o Pregador 
e o Sermão.
Severino Pedro da Silva
Escrito em linguagem simples, esta obra define com propriedade 
a Homilética, a Retórica e a Oratória. Ela apresenta a classifica­
ção, a introdução, o assunto, a forma, as partes, o tema, o texto, 
o corpo, a aplicação e a conclusão do sermão. A comunicação 
oral é a maneira pela qual Jesus anunciou as Boas Novas do 
Reino e a estratégia continuou através dos apóstolos e demais 
discípulos, atravessando gerações até chegar aos dias atuais. 
Mesmo com o advento da tecnologia (que otimizou, e muito, a 
arte da comunicação), o sermão continua sendo o instrumento 
eficaz nos púlpitos, nas casas, nos templos, nas ruas, visando 
sempre solucionar dúvidas, convidar pecadores, ensinar os 
fiéis, disciplinar vidas e atender a outras demandas espirituais 
e seculares dos dias atuais. Uma obra quem auxiliará aquele 
que está interessado em otimizar o seu processo de preparação 
do sermão.
Pregador Eficaz.
Elienai Cabral
Como saber se a mensagem que você prega está alcançando seus 
objetivos? Às vezes, o problema está na maneira como prepara­
mos a mensagem; outras vezes, em como nos apresentamos no 
púlpito; e outras vezes ainda, a dificuldade reside em nossa vida 
devocional com Deus. Este livro aborda estes temas mostrando- 
-nos o que nos impede que apresentemos com eficácia a Palavra 
de Deus. O autor é conhecido como pregador e ensinador, e em 
sua trajetória como apologista e escritor ligado à CPAD através 
de livros e Lições Bíblicas da Escola Dominical. Trata-se de uma 
obra que vai contribuir de forma substanciosa para quem almeja 
desenvolver seu talento na arte da comunicação do conteúdo 
bíblico. As suas mensagens têm sido eficazes? Elas têm tido 
resultados? Você tem alcançado o seu público alvo? O conte­
údo de autoria do pastor Elienai Cabral vai auxiliá-lo em seu 
desempenho no púlpito de modo a contribuir na disseminação 
da Palavra de Deus com eficácia.
27
Elias Rangel Torralbo é pastor- 
auxiliar na Assem blé ia de Deus 
M in is tério do Belém Setor 19, em 
G uaru lhos (SP), conferencista, 
escritor, m estre em Teologia e 
d ire to r-execu tivo da Faculdade 
Evangélica de São Paulo (FAESP).
Compreender 
o que é de fato 
o sermão e a 
sua importância 
leva o pregador 
a desenvolver 
as disciplinas 
espirituais e 
o incremento 
de sua vida 
intelectual
Elias Rangel Torralbo
A prepara 
e intelect
M L edificação da igreja 
depende diretamente 
do ministério da ex- 
t t «aposição bíblica, isto é, 
da pregação (Ef 4.11,12). Do mes­
mo modo, a salvação dos que cre­
em se dá por meio da proclama­
ção do evangelho (Rm 1.16; ICo 
1.21).1 Diante disso, fica clara a vi­
tal importância da pregação bíbli­
ca, não só para a Igreja de Cristo, 
mas também para a humanidade, 
pois que "a obra da pregação é a 
mais elevada, a maior e mais glo­
riosa vocação para a qual alguém 
pode ser chamado", além do fato 
de que "a mais urgente necessida­
de da igreja cristã, na atualidade, 
é a pregação autêntica [...] Eviden­
temente ela é também a maior ne­
cessidade do mundo".2
Com base no exposto acima, 
afirma-se que o tema da pregação, 
além de ser imprescindível para 
a igreja na atualidade, é também 
imperioso com vistas a munir os 
pregadores para que permaneçam 
fiéis na entrega da mensagem 
e treinem a igreja a ser capaz 
de discernir entre a verdade e a 
mentira, mui especialmente pe­
las grandes e rápidas mudanças 
que ditam o ritmo deste tempo. 
Além disso, refletir sobre o mi­
nistério da pregação é desafiador 
principalmente porque trata-se de 
um assunto amplo e que pode ser 
analisado sob diferentes pontos 
de vistas, como o da pregação em 
si, o do pregador, o da mensagem, 
o do público-alvo, além de tantos 
outros, razão pela qual este texto se 
restringe a uma abordagem sobre 
a complexa, porém prazerosa, 
relação do preparo espiritual e 
intelectual do pregador na elabo­
ração do sermão.
A esta altura, é indispensável 
ressaltar que, embora seja possível 
- e, em certo sentido, necessário - 
analisar o trabalho da elaboração 
do sermão à parte do pregador, 
é preciso lembrar que ambos são 
inseparáveis, como bem afirmou 
Macartney: "Podemos imprimir o 
registro escrito do que o pregador 
disse, mas não a luz dos olhos, o 
brilho da face, a curva que a mão 
descreve, a atitude do corpo, a musi­
calidade da voz".3 Portanto, com os 
devidos cuidados, a proposta aqui 
é a de propor uma reflexão sobre o
1 "O meio prescrito por Deus para salvar, santificar e fortalecer sua Igreja é a pregação" 
(MACARTHUR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério 
cristão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2007, p. 261.
2 LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Editora
Fiel, 2010, p. 15.
OB
28
REIRO
ição espiritual 
yal do sermão
preparo espiritual e intelectual na 
elaboração do sermão, e isso está 
disposto da seguinte forma: i) uma 
definição para sermão; ii) o preparo 
espiritual do sermão; iii) o preparo 
intelectual do sermão.
Sermão:uma breve 
definição
Antes que seja dada uma 
definição para "sermão", é pre­
ciso considerá-lo como parte de 
um todo ou ainda como um dos 
fundamentos da pregação, e isso 
pode ser bem compreendido na 
explanação que John A. Broadus 
faz sobre este ministério, na qual 
se pode identificar o sermão como 
elemento fundamental: "A prega­
ção cristã poderia ser definida da 
seguinte maneira: Pregar é procla­
mar a mensagem de Deus, por meio 
de uma personalidade escolhida, para 
atender às necessidades da humanida­
de". Essa definição apresenta três 
elementos básicos da pregação: a 
mensagem de Deus, a personali­
dade ou pregador escolhido, e as 
necessidades dos seres humanos.4
O âmago da pregação é a men­
sagem, ou seja, o conteúdo do
3 MACARTNEY, Clarence E. Grandes 
Sermões do Mundo. Rio de Janeiro: Casa 
Publicadora das Assembléias de Deus, 
2003, p. 7.
OB
A
29
REIRO
sermão a ser transmitido pelo pre­
gador, cujo objetivo é o de apontar 
a saída providenciada por Deus 
para o dilema no qual o ser huma­
no se encontra em virtude de seu 
estado de pecado. Por esta razão, 
Von Allmen afirma que no sermão 
"Deus não é apenas o objeto como 
também a verdadeira fonte da 
pregação cristã. Portanto, pregar é 
falar por Deus em vez de falar so­
bre Deus".5 Desse modo, o sermão 
consiste na estrutura sobre a qual 
todo o conteúdo da mensagem a 
ser entregue está fundamentado, 
o que o torna parte elementar no 
ministério da pregação. Dito de 
outra forma, em certa medida, não 
há ministério da pregação sem o 
sermão; ou ainda, este é uma con­
dicional para aquele.
Com vistas à ampliação da 
compreensão acerca do que vem a
ser o sermão e o seu lugar no mi­
nistério de um pregador cristão, 
na prática, o sermão é a mensagem 
a ser pregada, é a base das idéias 
que deverão ser apresentadas de 
tal forma que fiquem gravadas na 
mente e no coração dos ouvintes. 
Aqui a necessidade de preparo 
nas áreas abordadas neste texto 
é sublinhada, já que o preparo 
espiritual possibilita a aplicabi­
lidade da mensagem ao coração 
dos ouvintes pelo Espírito Santo, 
enquanto o intelectual toca-lhes 
a mente.
A preparação espiritual 
do sermão
Conforme destacado anterior­
mente, na dinâmica do ministé­
rio da pregação, o pregador e o 
sermão são inseparáveis, e isso
implica na afirmativa de que, ine­
vitavelmente, a preparação espiri­
tual do sermão passa pelo preparo 
do pregador. Atente para a leitura 
do texto de Paulo em 1 Coríntios 
2.4: "A minha palavra e a minha 
pregação não consistiram em pa­
lavras persuasivas de sabedoria 
humana, mas em demonstração 
do Espírito e do poder". Leia ainda 
o que está registrado em 1 Tessa- 
lonicenses 1.5: "Porque o nosso 
evangelho não foi a vós somente 
em palavras, mas também em po­
der, e no Espírito Santo...".
Embora haja outros textos que 
poderiam ser aqui apresentados, 
estes dois são suficientemente 
capazes de apontar para a na­
tureza da mensagem que Paulo 
recebeu de Deus para proclamar, 
dos quais algumas lições podem 
ser extraídas, tais como: i) Paulo
4 BROADUS, John A. Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 4.
5 Ibid. 2009, p. 4.
fala de "palavra" (conteúdo) e de 
"pregação" (ato de pregar), e que 
ambos estiveram firmados no po­
der do Espírito; ii) o apóstolo não 
menospreza a importância das 
"palavras", pois ele as menciona, 
mesmo porque elas são impres­
cindíveis para que os ouvintes 
compreendam a mensagem; iii) 
a ênfase, porém, não está nas 
palavras e nem mesmo no ato de 
pregar, mas na natureza espiritu­
al deste ministério; iv) Paulo era 
consciente de que o segredo dos 
efeitos da mensagem que ele pre­
gava estava no poder do Espírito 
Santo e não - em hipótese alguma 
- em sua própria capacidade ou 
performance pessoal.
Partindo do princípio de que 
a pregação do evangelho possui 
uma natureza espiritual e de que 
os seus resultados dependem di­
reta e exclusivamente da ação do 
Espírito Santo, é preciso acentuar 
e enfatizar a necessidade de o pre­
gador manter uma espiritualidade 
saudável, tanto em sua vida pesso­
al como na elaboração do sermão 
a ser entregue. Requer-se uma 
atenção especial à espiritualidade 
cristã do pregador como elemento 
indispensável na elaboração e na 
entrega do sermão.
Mas, afinal de contas, o que 
se quer dizer com a expressão 
espiritualidade? Alister McGrath 
fornece a resposta a esta questão, 
ao escrever que espiritualidade 
"é o reflexo de todo o empreen­
dimento cristão em alcançar e 
sustentar o relacionamento com 
Deus, que inclui tanto o culto 
público quanto a devoção parti­
cular, e os resultados destes na 
vida cristã propriamente. Espiri­
tualidade cristã refere-se à busca 
por uma existência autêntica e 
satisfatória, envolvendo a união 
das idéias fundamentais do cris­
tianismo com toda a experiência 
de vida baseada em e dentro do 
âmbito da fé cristã".6
Tomando como base que a 
espiritualidade cristã é o traba­
lho de um cristão em estabelecer 
e manter um "relacionamento 
com Deus" e de que o pregador 
é desafiado a desenvolver uma 
espiritualidade saudável, resta 
sublinhar o compromisso perma­
nente e inegociável que o prega­
dor deve ter com a sua vida com 
Deus, influenciando assim a sua 
vida espiritual, pessoal, e seus 
relacionamentos interpessoais. 
A espiritualidade cristã se de­
senvolve por meio de disciplinas 
espirituais, capazes de promover
6 MCGRATH, Alister E. Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. São Paulo: Vida, 2008, p. 37. Á
mudanças significativas na forma 
com que o cristão vê a Deus, a 
si mesmo, a vida e o próximo; e, 
no caso do pregador, as práticas 
espirituais de comunhão com 
Deus moldarão o seu ministério 
e, consequentemente, a sua forma 
de pregar, tocando-lhes em suas 
motivações, que devem ser puras; 
no método usado, que deve ser de 
acordo com o modelo bíblico; no 
objetivo, que deve ser a glória de 
Deus; e na forma de se relacionar 
com os ouvintes, que deve ser com 
respeito.
As d iscip linas esp iritu ais 
são meios pelos quais o crente 
tem de participar e cooperar 
com a obra exclusiva de Deus 
em transformar a sua vida. Do
mesmo modo, essas práticas 
espirituais devem fazer parte 
da vida de um pregador, inclu­
sive na elaboração do sermão, 
tendo em vista a necessidade 
vital da indispensável presença 
do Espírito Santo, tanto em sua 
vida quanto no exercício de seu 
m inistério. Antes de apontar 
algumas práticas espirituais na 
elaboração do sermão, é preciso 
enfatizar que a perseverança 
nisso passa, inevitavelm ente, 
pela consciência que o pregador 
deve ter de que ele é servo e que 
está a serviço de Deus e de Seu 
povo. Isso mesmo: o ministério 
da pregação é um serviço, cujo 
foco deve ser a glória de Deus e o 
benefício da igreja. Com a cons­
ciência de servo, o pregador não 
terá dificuldades em se dedicar 
a práticas como a oração, a con­
sagração e a leitura bíblica como 
basilares para a sua vida pessoal 
com Deus e no cumprimento de 
seu ministério, inclusive ao labo­
rar na construção de um sermão.
Começando pela oração, e 
de forma bem objetiva e direta, 
considere a razão pela qual um 
crente, mui especialmente um 
pregador, deve orar: consiste no 
fato de que "Jesus valorizou a 
oração o suficiente para passar 
muitas horas nessa atividade. Se 
eu tivesse de responder numa 
frase à pergunta: 'Por que orar?', 
diria: 'Porque Jesus providenciou 
a oração'".7 A oração é uma expec-
7 YANCEY, Philip. Oração: Ela faz alguma diferença? São Paulo: Vida, 2007, p. 60.
tativa do próprio Senhor Jesus em 
relação aos Seus discípulos (Mt 
6.5-7,9; Lc 11.9; 18.1) e uma exigên­
cia bíblica aos crentes em geral 
(Cl 4.2; lTs 5.17). O crente - leia-se 
"o pregador" - é convocado a orar 
em todo o tempo, o que implica 
dizer que o pregador deve orar: 
i) antes de elaborar o sermão; ii) 
enquanto elabora o sermão; iii) 
enquanto entrega a mensagem; 
iv) depois de a mensagem ter sido 
entregue. Além de total depen­
dência de Deus, essa atitude do 
pregador lhe dará sensibilidade,coragem, em certa medida prepa­
rará o coração dos ouvintes e co­
operará com Deus nos resultados 
da mensagem pregada.
Concluindo essa abordagem 
sobre a oração, destacamos que, 
em paralelo a isso, o pregador 
deve regar a sua vida e a elabo­
ração do sermão com uma vida 
de consagração, que envolve a 
santidade pessoal e a prática do 
jejum bíblico.
No que concerne à leitura 
bíblica, é preciso destacar que o 
pregador deve ser alguém que 
tenha contato com as Escrituras. 
Como bem escreveu Whitney, 
"a absorção bíblica é a discipli­
na espiritual mais importante, 
como também a mais ampla", 
e ele segue explicando que "ela 
consiste em várias subdiscipli- 
nas".8 Nesse caso, é preciso que
o pregador seja disciplinado em 
sua relação com a Palavra de 
Deus, nutrindo práticas como:
i) ouvindo-a (Lc 11.28; lTm 4.13);
ii) lendo-a (SI 1.2; Mt 4.4; lTm 4.7; 
2Tm3.16; Ap 1.3); iii) estudando- 
-a (Ed 7.10; At 17.11; 2Tm 4.13). O 
contato com as Escrituras dá ao 
pregador o sustento para a sua 
vida espiritual pessoal, consis­
tência e conteúdo bíblico em suas 
mensagens e autoridade, con­
dições para dirigir-se aos seus 
ouvintes como portador de uma 
mensagem da parte de Deus. Ou 
seja, a leitura bíblica constante é 
vital para a vida de quem prega 
e na elaboração do sermão.
8 WHITNEY, Donald S. Disciplinas Espirituais. São Paulo: Editora Batista Regular, 2021, p. 35.
A preparação intelectual 
do sermão
Há muita coisa que pode ser 
dita a respeito da relação entre a 
elaboração do sermão e a intelec­
tualidade do pregador, contudo a 
abordagem inicial a este respeito 
é consideravelmente importante, 
e, nesse caso, é preciso reafirmar 
que a capacidade in telectu al 
inerente ao ser humano é obra 
divina, e isso implica dizer que, 
assim como as outras partes da 
constituição humana, como as 
suas estruturas física e emocio­
nal, a intelectual possui o mesmo 
valor. Afinal, a fonte criadora é a 
mesma. Embora haja um grande 
movimento anti-intelectualista 
vigente, é preciso enfrentar esse 
problema com coragem e res­
peito no intuito de mostrar que 
a capacidade intelectual de um 
pregador pode e deve ser uma
forte aliada no exercício de seu 
ministério, inclusive na elabora­
ção do sermão.
Ao contrário do que muitos 
possam dizer ou pensar, a Bí­
blia não condena, mas incentiva 
o uso da intelectualidade como 
meio de glorificar a Deus e coo­
perar com a difusão do conheci­
mento de sua verdade (Rm 12.1; 
2Co 10.5; lPe 3.15). Cabe aqui 
uma breve apresentação da ca­
racterística dos ouvintes atuais 
a quem os pregadores são res­
ponsáveis de lhes transmitir a 
mensagem do evangelho. Sobre 
isso, Marinho diz que "o grande 
desafio hoje é entender a men­
talidade dessa geração e apre­
sentar m ensagens relevantes 
para esse ouvinte desencantado, 
apático, relativista, subjetivo e 
independente de qualquer ide­
ologia ou instituição".9 No livro 
Respostas aos Céticos, Geisler e
Brooks configuram com precisão 
o perfil dos ouvintes da atuali­
dade, apontando, assim, para a 
necessidade de uma capacidade 
intelectual dos pregadores do 
evangelho, como se lê abaixo:
"Em geral, as objeções que os 
incrédulos levantam não são tri­
viais. Muitas vezes, suas pergun­
tas atingem o âmago da fé cristã 
e desafiam os seus fundamentos. 
Se os milagres não forem possí­
veis, então por que deveriamos 
acreditar que Cristo era Deus? 
Se Deus não puder controlar o 
mal, Ele é realmente digno de 
adoração? Encare o seguinte: se 
essas objeções não puderem ser 
respondidas, nós poderem os 
muito bem crer em contos de fa­
das também. Estas são perguntas 
razoáveis, que merecem respos­
tas razoáveis".10
Diante de tais perguntas e 
da necessidade de respostas, é
preciso identificar quem são os 
responsáveis por fornecê-las aos 
ouvintes atuais, e não restam 
dúvidas de que os pregadores 
são protagonistas nesse proces­
so e que o preparo intelectual é 
imprescindível para isso. Com 
vistas a uma abordagem resu­
mida e eficaz, destaca-se que o
preparo intelectual na elaboração 
do sermão deve ocorrer a curto 
prazo (fundamentar o sermão nas 
Escrituras e em boas obras literá­
rias), a médio prazo (uma boa e 
fundamental formação teológica 
do pregador) e a longo prazo 
(dentro do possível, o avanço nos 
estudos acadêmicos para o apro­
fundamento dos conhecimentos 
teológicos).11 Portanto, o pregador 
deve buscar a capacidade de equi­
librar o preparo espiritual com o 
intelectual, com vistas à fidelida­
de e à eficácia de seu ministério, 
e ao seu compromisso em trans­
mitir a mensagem salvadora do 
Evangelho de Cristo. Ht
9 MARINHO, Robson M. A Arte de Pregar. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 51.
10 GEISLER, Norman L. e BROOKS, Ronald M. Respostas aos Céticos: Saiba como responder questionamentos sobre a fé cristã. Rio 
de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2016, p. 8,9.
11 Fica aqui a sugestão de duas boas e necessárias leituras sobre o uso da intelectualidade a favor do Reino de Deus, trata-se da obra 
"Hábitos da Mente: A vida intelectual como um chamado cristão" de James W. Sire publicado pela Edições Vida Nova e "Razões 
para Crer" de Norman L. Geisler e Chad V. Meister publicado pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MACARTHUR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2007. 
LLOYD-JONES, D. Martyn. Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Editora Fiel, 2010.
MACARTNEY, Clarence E. Grandes Sermões do Mundo. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003.
BR0ADUS, John A. Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões. São Paulo: Hagnos, 2009.
MCGRATH, Alister E. Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. São Paulo: Vida, 2008.
YANCEY, Philip. Oração: Ela faz alguma diferença? São Paulo: Vida, 2007.
WHITNEY, Donald S. Disciplinas Espirituais. São Paulo: Editora Batista Regular, 2021.
MARINHO, Robson M. A Arte de Pregar. São Paulo: Vida Nova, 2008.
GEISLER, Norman L. e BROOKS, Ronald M. Respostas aos Céticos: Saiba como responder questionamentos sobre a fé cristã. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das As­
sembléias de Deus, 2016.
obS I ro
0 ESTUDO DA PALAVRA 
EM PRIMEIRO LUGAR
3ÍBLICAS
Aluno
ADULTOS ! 2o TRIMESTRE 2023
Aluno
Lições Bíblicas de Escola Dominical
O (DOO
DE DEUS
2o TRIMESTRE 
DE 2023
m O QUE CRISTO FEZ " 
POR NÓS E O QUE 
PODEMOS FAZER PEL< 
REINO DE DEUS
A História do Povo Escolhido
T ^ m m \flDOiCSCCflTES
Aprendendo que Jesus] 
praticou q bem rnmã
■ ■ ■ ■ M immSÊÊBBBMM
Lições BIbucas
0 Caminho 
Para o Céu
Lições Bíblicas
Discipulando
l/amos Amar
Juniores!
Os livros de Marcos, tueas e João;
Vamos Conhecer o <joe Jesus fer
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NAS LIVRARIAS CPAD
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Elienai Cabral é pastor, consultor 
doutrinário e teo lóg ico da Convenção 
Geral dos M inistros das Igrejas 
Evangélicas Assembléias de Deus 
(CCADB) e da asa Publicadora 
das Assembléias de Deus (CPAD), 
m em bro da Casa de Letras Emílio 
Conde, e teó logo e escritor de 
diversas obras publicadas pela CPAD.
A origem do 
púlpito, o seu 
significado e a 
postura que o 
pregador deve 
ter ao subir nele 
para transmitir 
a mensagem da 
Palavra de Deus
Elienai Cabral
A postui
Tive o privilégio de su­
bir ao púlpito da Igreja 
Metodista em Londres, 
onde muitas vezes o 
grande servo de Deus John Wes- 
ley pregou para os londrinos no 
Século XVIII, entre os anos de 
1735 a 1790. Fiquei vislumbrado 
por aquele púlpito de madeira 
trabalhada. Para que John Wes- 
ley pregasse a Palavra de Deus 
naquele púlpito, sua vida de ora­
ção acontecia no seu quarto de 
dormir, junto do qual havia uma 
saleta simples, sem ostentação, 
com um oratório de madeira, 
local onde esse servo de Deus 
preparava seus sermões e estu­
dos bíblicos, ficando de joelhos 
dobrados durante mais de 4 a 5 
horas ininterruptasem oração e 
meditação na Palavra de Deus.
O púlpito tem um fascínio des­
de os tempos antigos. Podemos 
ver isso ao voltarmos aos anos de 
435-438 a.C., quando Israel teve 
permitida a sua volta à terra da 
Palestina, especialmente em Je­
rusalém, após 70 anos de cativeiro 
em terra estranha. Os judeus co­
meçaram a voltar para a sua terra 
de origem, mas estavam distantes 
de Deus e cheios dos costumes 
pagãos. Então, Neemias e Esdras 
conseguiram ajuntar o povo e o 
levou para a praça principal em 
Jerusalém para ouvir a exposição 
do Livro da Lei de Deus, a Torah 
(O Pentateuco).
A verdade é que temos uma 
história espetacular que envolve
dois homens, tementes a Deus: o 
escriba e sacerdote Esdras e Ne­
emias, o governador, o líder po­
lítico que gozava de simpatia do 
rei persa Artaxerxes. Por ordem e 
liberação de Artaxerxes, Neemias 
liderou a reconstrução dos muros 
de Jerusalém e teve o apoio do rei 
persa. Esdras, por outro lado, era o 
sacerdote, o escriba, que conhecia 
o Livro da Lei de Deus. Neemias 
havia sofrido com muitas pressões 
de pessoas más, como Sambalate 
e Tobias, os quais se opunham o 
tempo todo contra a restauração 
de muros da cidade. Quando 
Neemias chegou a Jerusalém, 
encontrou destruição e os muros 
quebrados. Então, ele entendeu 
que o povo estava desanimado e 
sem esperança alguma. Porém, 
Neemias creu que a solução estava 
em lembrar a Israel da sua história 
e, por isso, convocou o povo para 
reunir-se em praça pública para 
ouvir a leitura da Lei de Deus.
Tudo começou com um púlpito 
de madeira, que foi feito especial­
mente para aquela ocasião. O texto 
de Neemias 8.3,4, diz literalmente: 
"E leu nela, diante da praça, que 
está diante da Porta das Águas, 
desde a alva do dia até ao meio- 
-dia, perante homens, e mulheres, 
e sábios, e os ouvidos de todo o 
povo estavam atentos ao Livro 
da lei. E Esdras, o escriba, estava 
sobre um púlpito de madeira, que 
fizeram para aquele fim".
O poder da Palavra de Deus 
lida com graça e unção por Esdras
obEUro
a no púlpito
foi tão grande que magnetizou 
todo o povo durante mais de 6 
horas, para ouvir a sua leitura pela 
boca de Esdras. No versículo 6, 
está escrito que Esdras, depois de 
ter lido todo o texto do Livro da 
Lei de Deus, "louvou ao Senhor, 
o grande Deus, e todo o povo, 
levantando as mãos, respondeu: 
Amém, Amem! Inclinaram-se e 
adoraram o Senhor, com o rosto 
em terra". Possivelmente tenha ha­
vido intervalos na leitura para que 
os levitas interpretassem os textos 
lidos às famílias que estavam pre­
sentes naquela praça (Ne 8.7,8). De 
um modo especial, o povo estava 
magnetizado pela leitura e pela 
explicação dos levitas. Houve um 
grande avivamento espiritual 
em Israel e tudo começou com a 
Palavra de Deus lida sobre "um 
púlpito de madeira".
A Importância dos púlpitçs
A palavra púlpito vem da lín­
gua latina pulpitum e isso nos 
remete à Roma Antiga, quando 
se dava muita im portância às 
apresentações teatrais. A palavra 
pode ser entendida por "palco", 
"tablado" ou "plataforma" sobre 
os quais os oradores costumavam 
discursar para os seus ouvintes. 
Tronou-se um dispositivo bas­
tante utilizado em palestras e, 
principalmente, nas igrejas cristãs. 
Hoje, os púlpitos estão nas facul­
dades, nas tribunas políticas, nas 
tribunas judiciárias e em outras 
instituições sociais.
A
obH Iro
Os modelos de púlpitos são os 
mais variados, desde os modelos 
construídos em granito, pedra, 
metais, vidro e até os modelos 
mais leves fabricados em acrílico, 
que podem ser transferidos de 
um lado para o outro. O modelo 
mais tradicional é o "púlpito de 
madeira" como aquele que Nee- 
mias mandou fazer para a leitura 
do Livro da Lei de Jeová (Ne 8.4).
Haverá algo místico num púl­
pito religioso? O despertamento 
do povo de israel foi provocado 
por causa do púlpito ou da Palavra 
de Deus? No caso do púlpito de 
Esdras, não foi o móvel de madei­
ra que fez a diferença. Ele apenas 
facilitou o trabalho de Esdras.
O púlpito que Jesus usava 
como o Verbo divino 
feito carne
Naturalmente, Jesus não car­
regava em viagem um púlpito 
para pregar o "Evangelho do Rei­
no" (Mt 4.23). Ele identificou-se 
como pregador público quando 
entrou na sinagoga de Nazaré, na
Galiléia, identificando-se profe­
ticamente com a leitura do texto 
do profeta Isaias, no capítulo 61. 
Naquela sinagoga, havia uma tri­
buna, ou seja, um púlpito, sobre 
o qual Jesus identificou-se com o 
texto: " E foi-lhe dado o livro do 
profeta Isaias; e, quando abriu o 
livro, achou o lugar em que estava 
escrito: O Espirito do Senhor é so­
bre mim, pois que me ungiu para 
evangelizar os pobres, enviou-me 
a curar os quebrantados do cora­
ção, a apregoar liberdade aos cati­
vos, a dar vista aos cegos, a pôr em 
liberdade os oprimidos, a anunciar 
o ano aceitável do Senhor. E, cer­
rando o livro e tornando a dá-lo ao 
ministro, assentou-se; e os olhos 
de todos na sinagoga estava fitos 
nele. Então, começou a dizer-lhes: 
Hoje se cumpriu esta escritura em 
vossos ouvidos". (Lc 4.17-21).
Jesus não havia formado um 
povo num determinado lugar para 
pregar o seu Evangelho. Ele foi um 
pregador itinerante. Seu púlpito, 
quase sempre, era improvisado. Ele 
podia estar no alto de um monte 
ou podia fazer da popa de um bar­
quinho o seu púlpito para falar às 
multidões que o procuravam para 
ouvi-lO. Ele podia improvisar o 
alto de uma rocha, a casa de um 
amigo ou mesmo o púlpito de uma 
sinagoga. Ele não tinha um lugar 
fixo, não tinha uma sede, mas Ele 
pregava em todos os lugares que 
abrissem a Ele uma oportunidade 
para ensinar e pregar às multidões. 
Ele eletrizava os ouvintes com Seu 
estilo informal e arrastava multi­
dões para ouvir Seus sermões.
Na verdade, Ele tinha um 
modo simples de comunicar o 
Evangelho. Um famoso escritor 
cristão escreveu em seu livro 
intitulado O Pregador que "a pre­
gação é uma encarnação pessoal 
da mensagem, porque o pregador 
transmite a Palavra de Deus atra­
vés de sua personalidade".
O púlpito e a homilética
A palavra "homilética" deriva 
do grego homiletike, que significa 
primordialmente "o ensino em tom 
familiar". A palavra homilos tem o 
sentido de "multidão", ou seja, de
"assembléia do povo". O pregador 
procura comunicar a sua mensa­
gem ao povo que se reúne para 
ouvi-lo. Por sua vez, o verbo homilos 
significa "conversar em grupo pe­
queno". De homileo surgiu o termo 
"homilia", que se refere ao conteúdo 
da pregação. A Igreja Primitiva, no 
primeiro século, não construía tem­
plos, porque as reuniões podiam 
ser ao ar livre, mas, na maioria das 
vezes, os cristãos se reuniam em 
casas de amigos ou em algum salão 
de festas. Por isso, as pregações ti­
nham um caráter bem familiar. Não 
havia tecnologia de som alguma e 
as falas aconteciam com a força da 
voz do pregador.
Ao longo dos séculos da Era 
Cristã, a igreja cresceu muito e 
templos foram construídos, reque­
rendo da parte dos pregadores o 
aprimoramento da comunicação 
da Palavra de Deus. Assim, a Ho- 
milética se tornou uma ciência in­
dispensável para o aprimoramento 
do discurso público. Daí surgiram 
três chaves da Homilética para 
uma eficiente pregação: a Oratória, 
a Eloquência e a Retórica.
A Oratória aprimora a arte de 
falar em público. Existem, no cam­
po da oratória, pelo menos, cinco 
formas distintas, que são: a oratória 
acadêmica, a oratória forense (dos 
advogados), a oratória política, a 
oratória religiosa e a oratória po­
pular. Quanto à oratória religiosa, 
ou sagrada, destacamos a oratória 
cristã, que tem como objetivo pri­
mordial a pregação do Evangelho 
de Cristo. A arte de falar na pre­
gação tem um poder enorme de 
influência e persuasão, por isso 
deve ser aprimorada.
A Eloquência diz respeito ao 
dom natural da palavra que pode 
ser aprimorada na arte de persu­
adir. A eloquência do pregador
cristão sob a unção do Espirito 
Santo produzirá resultados po­
sitivos. A eloquência vaidosa é 
aquela que utiliza uma exagerada 
pomposidade na apresentação dos 
pensamentos e o abuso de umalinguagem rebuscada, elitista, 
que exibe presunção e vaidade, 
mas que é de difícil entendimento 
popular. Por isso, sobriedade nas 
emoções e consciência social são 
indispensáveis ao pregador.
A Retórica tem a ver com o de­
senvolvimento e o aperfeiçoamen­
to do talento natural da palavra 
para que o pregador não se torne 
prolixo e cansativo nas suas pre- 
leções. A retórica é a arte de bem 
argumentar, utilizando as regras 
que regem a Homilética.
O fascínio do púlpito
A palavra "fascínio" vem do 
latim fascinum que significa en­
cantamento; sensação de deslum­
bramento, poder de exercer forte 
atração. Então, nos perguntamos: 
O que é que motiva a pessoa a de­
sejar o púlpito? Qual a visão que os 
pregadores têm do púlpito? Seria, 
de fato, o ímpeto de pregar a Cristo? 
Seria o prazer de sua capacidade de 
domínio para se comunicar com o 
auditório? Seria a busca de sucesso 
para superar os demais pregadores? 
Seria a necessidade de auto-afirma­
ção? Qual é o glamour do púlpito?
A atividade no púlpito, quando 
genuína e comprometida com a 
mensagem cristã, torna o pregador 
submisso ao Espirito Santo para 
falar apenas o que está em Sua 
Palavra. A igreja se ressente de 
pregadores que façam do púlpito 
apenas o lugar da manifestação 
do poder de Deus e da Sua glória 
através da pregação. O estado de 
espirito que deve envolver o prega­
dor é de total capacidade de ouvir 
o que Deus quer dizer e que já está 
escrito em Sua Palavra.
obHír o
WÈ Wm 
L f Í - W ?
A postura do pregador 
no púlpito
Como dever se comportar o pre­
gador no púlpito? Um dos benefí­
cios da Homilética aos pregadores, 
entre vários benefícios, é o aprimo­
ramento da expressão corporal do 
pregador quando está pregando. 
"Expressão corporal" envolve a 
expressão do rosto, mímica, olhos, 
gesticulação, vestuário. Todos esses 
elementos possuem uma lingua­
gem forte, com a qual o pregador 
se comunica com o povo.
Com a movimentação facial do 
rosto, o pregador reflete o seu esta­
do de alma, como está se sentindo 
no momento que está pregando a 
Palavra de Deus. Sorrir ou chorar 
na pregação é aceitável quando é 
feito com pureza de alma. Falsos 
movimentos fisionômicos resul­
tam em uma comunicação não 
confiável para os seus ouvintes.
A m ím ica é um modo de ex­
pressão corporal através dos olhos,
ao contrair as sobrancelhas, os 
movimentos da boca, dos lábios, 
da testa e das faces. Sem dúvida, a 
mímica tem uma linguagem tam­
bém através das mãos, dos braços 
e da cabeça. São movimentos sem 
palavras que podem ser aprimo­
rados na ministração da Palavra.
Que dizer dos olhos? São as ja­
nelas do nosso interior. Pelos olhos 
o pregador revela o que há dentro 
de si. E ruim quando um pregador 
fica olhando para cima ou apenas 
para um lado, ou fixando o olhar 
para alguma pessoa no auditório. 
Aprenda a olhar para a frente com 
uma visão geral do auditorio.
A gesticulação não pode ser 
deseducada, grosseira, com mo­
vimentos rudes que imprimem no 
auditório imagens dúbias.
E o vestuário do pregador? O pre­
gador deve vestir-se com elegância, 
mas com modéstia. Evite roupas 
extravagantes, como se fossem de 
um ator de teatro. Asseio, elegância 
e modéstia são ingredientes que se
tornam referenciais para os novos 
pregadores. No púlpito, é a palavra 
e a personalidade do pregador que 
devem aparecer, não o vestuário. 
Vestir-se com extravagância ou 
vestir-se desalinhadamente, com 
roupas e sapatos sujos, unhas sujas, 
cabelos despenteados e malcheiro­
sos, constituem-se em vergonha 
para o Evangelho. Ser simples não 
é ser relaxado consigo mesmo. No 
Antigo Testamento, os sacerdotes 
e levitas não podiam ministrar no 
Tabernáculo sem estarem devida­
mente vestidos e limpos.
A glória da pregação 
bíblica
O apóstolo Paulo escreveu aos 
coríntios: "E eu, irmãos,, quando 
fui ter convosco, anunciando-vos 
o testemunho de Deus, não fui 
com sublimidade de palavras ou 
de sabedoria. Porque nada me pro- 
pus saber entre vós, senão a Jesus 
Cristo e este crucificado. E eu estive 
convosco em fraqueza, e em temor, 
e em grande tremor. A minha 
palavra e a minha pregação não 
consistiram em palavras persua- 
sivas de sabedoria humana, mas 
em demonstração do Espirito e de 
poder, para que a vossa fé não se 
apoiasse em sabedoria de homens, 
mas no poder de Deus" (1 Co 2.1-5).
Nesta escritura, o apóstolo Paulo 
mostrou aos coríntios que a glória 
da pregação não estava no púlpito 
disponível para pregar, nem na eru­
dição, nem na superfluidade do pre­
gador ou na exibição da retórica e 
da sabedoria humanas, mas a glória 
da pregação estava em declarar que 
Jesus Cristo, o Crucificado, morreu 
pelos nossos pecados e ressuscitou 
para a nossa salvação. Não é o púl­
pito que consagramos que fará a di­
ferença, mas a quem proclamamos 
nesse púlpito: Jesus Cristo! H
VOLUME 1
COMENTÁRIO
EXEGÉTICO
ATOS
introdução 
e CAPS. 1.1 a 2.47
CRAIG s. KEENER
VOLUME 1
L i m S
sã
SQp
Para os historiadores interessados no cristianismo 
primitivo depois de Jesus, Atos é a única fonte 
disponível. Fruto de uma pesquisa de mais de vinte 
anos e sete de redação, o altamente respeitado 
estudioso do Novo Testamento Craig S. Keener 
escreveu um dos maiores e mais documentados 
comentários de Atos já escrito.
Com forte ênfase no contexto social e histórico, 
este trabalho coloca Atos sob a perspectiva do 
primeiro século, com foco no que o texto bíblico 
significava para seus primeiros leitores.
Neste primeiro volume de uma série de quatro, Keener 
nos apresenta uma extensa e relevante introdução 
bem como os comentários pormenorizados de 
Atos 1.1 até 2.47.
Principais ca ra cte rís tica s ;
• Leitura sócio-histórica, exegética e teológica de Atos;
• Comentários versículo por versículo;
• Se utiliza tanto de estudos mais atuais quanto de 
materiais de fonte primária e secundária.
Sobre o autor:
Craig S. Keener, um dos maiores teólogos pente- 
costais da atualidade, é Ph.D. pela Duke University 
é E M. e Professor de Estudos Bíblicos no Asbury 
Theological Seminary.
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Ciro Sanches Zibordi
Ciro Sanches Z ibo rd i é pastor- 
auxiliar na Assem blé ia de Deus da 
Ilha da Conceição, em N iterói (RJ), e 
au tor da série Pregadores da Bíblia, 
en tre ou tros livros da CPAD.
Os exemplos 
de homens e 
mulheres que 
honraram seu 
ministério em 
diferentes 
épocas e 
situações
Desde Noé, o prega­
dor da justiça, pas­
sando pelos profetas 
Abraão, Moisés, Sa­
muel, Elias, Eliseu e Hulda — a 
profetisa —> Isaías, Ezequiel, Je­
remias e tantos outros, até João 
Batista, o qual viveu no primeiro 
século d.C. nos moldes veterotes- 
tamentários (cf. 2 Pe 2.5; Gn 20.7; 
Lc 16.29), mencionam-se muitos 
pregadores no Antigo Testa­
mento. Mas somente no Novo 
Testamento o termo "pregador" 
é associado a quem expõe as Es­
crituras ou apresenta uma prega­
ção (cf. 2 Tm 1.11; 2.15; 1 Co 2.1-5). 
Lucas, aliás, chama os principais 
pregadores neotestamentários de 
"cheios do Espírito Santo": João 
Batista, Jesus Cristo e Pedro (Lc 
1.15; 4; At 4.8), bem como Barna- 
bé, Estêvão, Filipe e Paulo (11.24; 
6.1-5; 7.55; 9.16; 13.9).
Conforme as profecias, o pre­
gador João Batista é a "Voz do que 
clama no deserto" (Mt 3.3, ARA). 
Em Marcos 1.2 também se aplica a 
ele uma combinação das profecias 
de Isaías 40.3 (citada por Mateus) 
e Malaquias 3.1 "Eis que eu envio 
o meu anjo ante a tua face, o qual 
preparará o teu caminho diante 
de ti". O termo "anjo" (gr. aggelos), 
aqui, não significa "ser angelical", 
e sim "mensageiro" ou "embai­
xador", enviado para preparar o 
caminho do Senhor (cf. Ag 1.13; Ml 
2.7), tirando, assim, os obstáculos 
(cf. Is 57.14; 62.10). Esse enviado de
Deus (Jo 1.6) é o único servo do 
Senhor, em toda a Bíblia, descrito 
como "cheio do Espírito Santo, já 
desde o ventre de sua mãe" (Lc 
1.15). Não por acaso, Jesus afirmou 
que "não apareceu alguém maior 
que João Batista" (Mt 11.11). Este,apesar de não ter feito sinal al­
gum, disse toda a verdade acerca 
do Senhor (Jo 10.41).
O "ministério do Batista me­
xeu com a antiga esperança dos 
judeus sobre o aparecimento do 
Messias (Jo 1.19-28). No batismo 
de Jesus, Deus revelou a esse pre­
cursor de Cristo que seu primo é 
verdadeiramente o Filho de Deus 
(vv. 29-34). E o primeiro contato 
do Senhor com algumas pessoas 
que mais tarde viriam a ser seus 
discípulos acontece exatamente 
quando o Batista declara ser Ele 
o Cordeiro de Deus. Ademais, 
João foi alguém que, embora não 
tenha feito quaisquer sinais, disse 
toda a verdade acerca do maior 
pregador que já andou na terra: "E 
muitos iam ter com ele e diziam: 
Na verdade, João não fez sinal al­
gum, mas tudo quanto João disse 
deste [Jesus] era verdade" (10.41). 
Que legado!
Depois do encontro com seu 
precursor, Jesus Cristo, cheio do 
Espírito Santo, isolou-se a fim de 
jejuar por 40 dias e 40 noites no de­
serto, onde foi tentado pelo Diabo, 
a quem venceu pela Palavra (Lc 
3.21,22; 4.1-13). Como os autores 
dos Evangelhos não priorizam o
obS I ro
ires da Bíblia
tempo cronológico, nada dizem 
sobre o que Ele fez assim que 
saiu do deserto. Mateus limita-se 
a informar que "o diabo o dei­
xou; e, eis que chegaram os anjos 
e o serviram" (Mt 4.11). O certo é 
que Jesus, devidamente prepara­
do para cumprir toda a vontade 
do Pai, iniciou seu ministério na 
Galileia (vv. 12-16). Sua missão 
multifacetada, que começaria com 
ensino, pregação e realização de 
milagres (v. 23), culminaria na 
sua obra expiatória, uma vez que 
veio, prioritariamente, para dar 
a sua vida por nós (Jo 10.17,18) e 
ressuscitar para nossa justificação 
(Rm 4.25).
Quando soube da prisão de 
seu precursor, o Mestre deixou 
as margens do rio Jordão, apa­
rentemente por prudência, e fez 
uma nova travessia pelo deserto, 
a fim de iniciar seu ministério 
entre os galileus. Pela lógica 
humana, como João Batista fora 
preso por causa da pregação do 
arrependimento, Jesus também 
seria perseguido naquele local 
pelo mesmo motivo. No entanto, 
o maior pregador da História teve 
uma razão especial para voltar 
à terra onde viveu em seus pri­
meiros anos: a direção de Deus 
em cumprimento da Palavra pro­
fética (Mt 4.15,16). Sua pregação 
inaugural não foi simpática ou 
contemporizadora: "Arrependei- 
-vos, porque é chegado o Reino 
dos céus" (v. 17).
A
Hoje, muitos pregadores que 
dizem seguir seu modelo têm 
apresentado mensagens politi­
camente corretas e biblicamente 
erradas, atendendo aos anseios 
pós-modernos. Há também os que 
apresentam "pregações enlatadas" 
pelas quais afirmam que o coração 
do pecador — desde que este faça 
parte do grupo seleto dos eleitos 
— será convertido por Deus antes 
que o tal pense em arrepender-se. 
Jesus não arrebatava seu auditório 
por meio de recursos persuasivos 
da oratória. Sua pregação não era 
performática; pregava ensinando 
e respondia pacientemente as per­
guntas de pessoas dentre a multi­
dão. Não por acaso, seu imitador 
(cf. 1 Co 11.1) afirma que a pregação 
deve ter esses mesmos dois ele­
mentos (2 Tm 4.2). Para tristeza do 
Espírito Santo, põe-se de tudo na 
pregação (música melodramática 
de fundo, piadas, teatralização), 
menos a sã doutrina.
O Senhor Jesus é o nosso 
paradigma ou modelo, a quem 
devemos imitar e seguir os passos 
(Jo 13.15; 1 Pe 2.20,21). Ele, sem
dúvida, foi o maior pregador que 
já andou na terra. E, entre todas as 
suas características, uma se destaca. 
Ele realizou toda a vontade do 
Pai, podendo dizer-lhe, depois de 
cumprir sua missão: "Eu glorifiquei- 
te na terra, tendo consumado a obra 
que me deste a fazer" (Jo 17.4; cf. 
19.30). Quantos pregadores estão 
dispostos a fazer isso, hoje?
Pedro é um personagem que 
pode ser visto a partir de vários 
ângulos. Darei destaque para o fato 
de ter sido ele o primeiro pregador 
pentecostal. Isso mesmo! Logo 
após o derramamento inaugural 
do poder dinâmico do Espírito 
Santo, no dia de Pentecostes, Pedro 
tomou a palavra e transmitiu uma 
autêntica mensagem pentecostal. 
Não é por acaso que boa parte 
dos pregadores da atualidade tem 
priorizado a Teologia da Prospe­
ridade, a pregação coaching e ou­
tras efemeridades. À luz do Novo 
Testamento, podemos dizer que 
o pregador que verbera contra o 
pecado pode vir a ser preso, deca­
pitado, crucificado, apedrejado etc. 
Os principais arautos do arrepen­
dimento mencionados nas páginas 
neotestamentárias — e que fazem 
parte do grupo dos sete pregadores 
constantes desta série— morreram 
de modo trágico por causa de sua 
pregação irritante.
Depois do Senhor Jesus e jun­
tamente com o apóstolo Paulo, 
Pedro é o personagem mais co­
nhecido e citado em todo o Novo 
Testamento. Seu nome, Petros, em 
grego, é uma tradução do aramai- 
co Kepha (Cefas), dado ao pescador 
Simão pelo próprio Senhor Jesus 
e citado nove vezes no Novo Tes­
tamento, especialmente por Paulo 
(Jo 1.42; 1 Co 1.12; 3.22; 9.5; 15.5; G1 
1.18; 2.9-14). Simão Barjonas era 
um simples pescador no lago de 
Genesaré (Lc 5.10). Ele e seu irmão, 
André, criam em Deus, mas o se­
gundo aparentava estar mais inte­
ressado em conhecer a vontade do 
Senhor. E, por isso, foi até a Judeia, 
a fim de ouvir a dura pregação de 
João Batista. André repassava a 
Pedro tudo o que ouvia, até que 
ambos conheceram o Salvador do 
mundo, por indicação do próprio 
Batista (Jo 1.35-42).
Ao contrário do seu compa­
nheiro João, Pedro tinha um ca­
ráter decidido e impulsivo. Ele 
estava disposto a matar e morrer, 
ao defender suas idéias (Jo 18.10). 
Por outro lado, muitas vezes se 
mostrou medroso, ingênuo, mas 
muito sincero, a ponto de arrepen- 
der-se com lágrimas, amargamen­
te (Mt 26.75). Sua conversão e sua 
chamada envolvem experiências 
marcantes no mar da Galileia. 
Sua declaração emblemática de 
que Jesus é "o Cristo, o Filho do 
Deus vivo" (16.16) motivou o Se­
nhor e dar-lhe uma resposta que 
tem gerado inúmeros debates, ao 
longo dos séculos: "eu te digo que 
tu és Pedro e sobre esta pedra edi- 
ficarei a minha igreja" (v. 18). Jesus 
treinou a Pedro de modo especial 
para ser o primeiro líder da Igreja 
primitiva após sua ascensão. Por 
isso, depois de sua ressurreição, 
entregou-lhe o "cajado de pastor" 
(Jo 21.15-19). Mas o maior ponto 
de inflexão em sua vida aconteceu 
após o dia de Pentecostes, quando
ele se tornou o primeiro pregador 
pentecostal (cf. At 2).
Antes de sair de cena, em Atos 
dos Apóstolos, Pedro afirmou: 
"cremos que fomos salvos pela 
graça do Senhor Jesus" (15.11, 
ARA). Não por acaso, suas últimas 
palavras registradas nas Escri­
turas também dizem respeito à 
graça do Senhor Jesus (2 Pe 3.18). 
A vida desse primeiro pregador 
pentecostal nos ensina que somos 
dependentes da graça do Senhor. 
Aliás, a Bíblia, o Livro de Deus, 
começa com uma ação do Deus 
de toda a graça (Gn 1.1; 1 Pe 5.10) e 
termina assim: "A graça de nosso 
Senhor Jesus Cristo seja com todos 
vós. Amém!" (Ap 22.21). Tudo é 
pela graça do Senhor, preveniente, 
salvífica, abundante e fortalece- 
dora! É por ela que fomos salvos, 
somos salvos e seremos salvos!
De modo geral, livros, dicioná­
rios e comentários bíblicos, em vá­
rios idiomas, enfatizam que Estê­
vão foi o primeiro mártir da Igreja. 
Alguns comentadores dão algum
destaque para a sua pregação. Mas 
são poucos os que mencionam, 
ainda que de maneira rápida, en 
passant, o fato de que não foi como 
diácono que ele deixou sua marca 
na história da Igreja primitiva, e 
sim como inflexível apologista do 
cristianismo. Ou seja, ele foi mais 
que um expoente das Escrituras. 
Ele, de fato, defendia a mensagem 
de Jesus Cristo, "disputando", de­
batendo, empregando um modo de 
argumentar lógico, ao responder 
às críticas e aos questionamentos 
dos que se opunham ao Evangelho.
A in flu ên cia desse proto- 
mártir da Igreja sobre Paulo foi 
decisiva também para que ele se 
tornasse o principal apologista do 
evangelho, no primeiro século. 
A morte de Estêvão causou um 
impacto duradouro sobre o jovem 
Saulo de Tarso, oqual deixaria de 
ser um violento perseguidor de 
cristãos para se tornar um dos 
maiores defensores do evangelho 
que a Igreja já conheceu. Deus, so­
mente Deus, tem o poder de fazer
OB
47
REIRO
com que a pregação de alguém 
seja muito mais eficaz e poderosa 
depois de sua morte! Por isso, o 
martírio de Estêvão, que parecia 
uma derrota para o cristianismo, 
visto que marcou o início da pri­
meira grande perseguição contra 
os cristãos, resultou na maior 
aquisição da Igreja: a conversão 
de Saulo de Tarso.
Jesus não queria que os após­
tolos e pregadores ficassem 
estacionados nesse primeiro ca­
pítulo. Eles deveríam continuar 
escrevendo essa história, que co­
meçou muito bem, com o rápido 
crescimento da congregação em 
Jerusalém. A ordem do Senhor, 
ao ascender ao céu, era para que 
eles, de modo sim ultâneo — 
"tanto em Jerusalém como em 
toda a Judeia e Samaria e até aos 
confins da terra" —, evangelizas- 
sem o mundo (At 1.8). A morte 
de Estêvão foi a conclusão do 
primeiro capítulo da história da 
Igreja primitiva, o qual começou 
a ser escrito assim que Jesus, dez 
dias após sua ascensão, cum­
priu a promessa de revestir os
primeiros cristãos com o poder 
do Espírito Santo para pregar o 
Evangelho (Lc 24.49).
Se o prim eiro capítulo da 
história da Igreja inicia em Atos
1.8, o segundo começa em 8.1. 
Até as últimas palavras de Es­
têvão (7.59,60), todas as ações 
dos pregadores se limitavam a 
Jerusalém. Esse protomártir do 
cristianismo foi usado por Deus 
para a "virada de página", e 
Filipe, por conseguinte, tornou- 
-se o primeiro propagador do 
Evangelho do segundo capítulo 
(8.5). Estêvão, como apologista 
e primeiro mártir da Igreja, foi 
o "pivô" da perseguição contra 
os crentes em Jerusalém, pela 
qual o Senhor Jesus "semeou" os 
filhos do Reino no "campo", que 
é o mundo (Mc 13.38). Quanto a 
Filipe, foi o primeiro a cumprir 
na íntegra o mandamento de Atos
1.8, visto que seu trabalho evan- 
gelístico ultrapassou os limites de 
Jerusalém, Judeia e Samaria, re­
percutindo nos "confins da terra".
Pedro é o protagonista do 
primeiro capítulo da história da
Igreja primitiva (At 2-5), mas Estê­
vão — como diriam os críticos de 
cinema — "roubou a cena", assu­
mindo o protagonismo logo após 
a eleição dos Sete (6.5-10). Cheio do 
Espírito Santo, assumiu o "papel 
principal" momentaneamente, 
antes que terminasse o primeiro 
capítulo, fazendo com que Pedro 
e os apóstolos se tornassem "coad­
juvantes". Filipe tornou-se o pro­
tagonista do segundo capítulo da 
história da Igreja nascente ao reali­
zar feito inéditos, depois do dia de 
Pentecostes: anunciar o Evangelho 
aos samaritanos e contribuir para 
que este chegasse aos gentios de 
longe, ao pregar a um eunuco da 
rainha Candace, dos etíopes.
Filipe foi um pregador inteira­
mente guiado por Deus, um ho­
mem que priorizou sua chamada, 
e não o título de evangelista. Isso 
não aparece de modo direto no 
texto sagrado, mas depreende-se 
do fato de que ele, como um dos 
sete diáconos da Igreja primitiva, 
já fazia a obra de um evangelista. 
Somente em Atos 21, muitos anos 
depois da eleição dos diáconos,
obEü r o
quando Paulo voltava da sua ter­
ceira viagem missionária, é que 
Lucas refere-se a Filipe como "o 
evangelista, que era um dos sete" 
(v. 8). Daí ele ser chamado por al­
guns escritores, inclusive este, de 
diácono-evangelista.
Não é muito comum chamar-se 
Barnabé de pregador, em razão de 
seu trabalho como auxiliar, ao lado 
de Paulo. O ministério deste, cuja 
chamada foi muito mais abrangen­
te (cf. 1 Tm 2.7), tem ofuscado, de 
certa forma, o importante trabalho 
daquele "filho do encorajamento". 
Mas Barnabé tem uma qualidade 
muito marcante como mensagei­
ro do Senhor: ele cumpriu cabal­
mente a Grande Comissão, a qual 
abarca evangelização (Mc 16.15), 
discipulado e ensino teológico (Mt 
28.19,20), sendo um homem cheio 
de fé e praticante de boas obras. Ele 
foi o primeiro crente da Igreja pri­
mitiva a vender uma propriedade 
e entregar o dinheiro aos apóstolos, 
em benefício dos pobres.
Em três momentos, pelo me­
nos, Barnabé foi decisivo na vida 
do apóstolo Paulo. Primeiro, apre- 
sentou-o aos apóstolos, quando 
ninguém acreditava nele. Depois, 
estando o mesmo Saulo esquecido 
em Tarso, na Cilícia, chamou-o 
para trabalhar em Antioquia da 
Síria. Por fim, durante a primeira 
viagem missionária, trabalhou e 
deixou seu amigo trabalhar, ja­
mais sentindo-se melindrado por 
causa do seu crescimento minis­
terial. Mas isso não significa que 
ele era somente um coadjuvante. 
Não! Barnabé era um pregador 
cheio do Espírito (At 11.24). Aliás, 
por ocasião do concilio em Jerusa­
lém, após essa primeira expedição 
missionária, consta que "toda a 
multidão se calou e escutava a 
Barnabé e a Paulo, que contavam
quão grandes sinais e prodígios 
Deus havia feito por meio deles 
entre os gentios" (15.12). Seu nome 
aparece primeiro porque Barnabé, 
ali, era o principal orador dentre 
os representantes da igreja antio- 
quena. Ninguém perde o protago- 
nismo por ser humilde!
Ao chamar Paulo para pregar o 
Evangelho, Jesus disse o seguinte 
a seu respeito: "este é para mim 
um vaso escolhido para levar o 
meu nome diante dos gentios, e 
dos reis, e dos filhos de Israel" 
(At 9.15). Se o predecessor de Cris­
to, João Batista, foi a voz do que 
clamou no deserto, seu sucessor 
— como pregador da Palavra —■, 
o apóstolo Paulo, foi a voz que 
clamou nas sinagogas, na ágora, 
no Areópago, nas casas, dentro de 
navios e em todos os lugares onde 
ele podia anunciar o evangelho e 
ensinar a sã doutrina, "a tempo e 
fora de tempo" (2 Tm 4.2). De todas 
as suas qualidades, a que mais se 
destaca é exatamente a menciona­
da por ele mesmo, em 1 Coríntios 
11.1: "Sede meus imitadores, como 
também eu, de Cristo".
A partir de Atos 13, Lucas 
muda o enfoque de seu livro, dei­
xando os apóstolos de Jerusalém 
de lado, ainda que estes sejam 
mencionados com certo destaque 
no capítulo 15. Paulo torna-se o 
protagonista. Enquanto Jerusa­
lém perde, gradualmente, seu 
protagonismo, Antioquia da Síria 
emerge como o principal centro 
de difusão do Evangelho, de onde 
muitos pregadores partiram em 
suas viagens missionárias. Estas 
não são meras viagens, e sim 
longos períodos de missão em 
cidades importantes. A primeira 
expedição evangelística da dupla 
dinâmica Barnabé e Paulo se con­
centrou nas cidades de Antioquia
da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, 
no sul da província romana da 
Galácia. Após essa viagem, ocor­
reu um importante concilio em 
Jerusalém, que reuniu apóstolos, 
presbíteros e toda a igreja com 
o propósito de determinar se os 
convertidos gentios precisavam se 
submeter à Lei (At 13-15).
Em sua segunda viagem, sem 
a companhia de Barnabé, Paulo 
visitou a Galácia e, em seguida, 
pela primeira vez, a Macedônia e 
Acaia, na Europa, especialmente 
às cidades de Filipos, Tessalônica 
e Corinto. Na terceira, instalou-se 
na cidade de Éfeso, na província 
da Ásia por 3 anos (At 16-19). De­
pois de revisitar várias cidades 
gregas, ainda por ocasião da ter­
ceira expedição evangelística, em­
preendeu viagem, com algumas 
escalas, a Jerusalém, desejando 
muito participar das festividades 
alusivas ao dia de Pentecostes, du­
plamente importante para ele, que 
era judeu e cristão. Ali, foi acusado 
de introduzir gentios no Templo, 
profanando-o. A intervenção do 
tribuno Cláudio Lísias impediu 
que ele fosse morto pela multidão, 
mas acabou ficando preso por 
dois anos em Cesareia. Dali foi 
deportado para Roma e, durante 
o período como preso do Senhor, 
além de ter provado sua inocên­
cia, defendeu a fé cristã perante 
Félix, Festo e o rei Agripa II, bem 
como ensinou pessoas em Roma 
e escreveu epístolas (caps. 20-28).
Clarence E. Macartney (1879- 
1957), na inspirativa obra Grandes 
Sermões do Mundo, fez uma compi­
lação especial pela qual reuniu num 
só volume o Sermão da Montanha, de 
Jesus Cristo, o Primeiro Sermão Pen- 
tecostal, de Pedro, além de célebres 
pregações, de profetas do Antigo 
Testamentoe pais da Igreja a re-
formadores e arautos dos tempos 
modernos. Entretanto, esse autor 
cometeu um grande "pecado"! Ri­
sos. Dentre os quase trinta sermões 
selecionados por ele não há ne­
nhum do apóstolo Paulo! A bem da 
verdade, Macartney compensa isso, 
em parte, com o sermão A Grandeza 
do Apóstolo Paulo, de João Crisósto­
mo. Mas em Atos, Lucas registrou 
sete pregações desse apóstolo, que 
contribuiu muito para a expansão 
do cristianismo, em pouco mais de 
dez anos, plantando igrejas em qua­
tro províncias do Império Romano: 
Galácia, Ásia, Macedônia e Acaia.
Assim como Pedro, o primei­
ro pregador pentecostal, Paulo, 
o príncipe dos pregadores iti­
nerantes, saiu de cena fazendo 
uma referência à graça do Senhor 
Jesus (2 Tm 4.22). Mas chama-nos 
atenção suas últimas palavras 
com respeito à pregação (vv. 1,2). 
O verbo "conjurar", aqui, é uma 
ação solene que denota "jurar em 
comum". Esse apóstolo propõe 
a Timóteo que se comprometa 
diante do Justo Juiz a pregar so­
mente a Palavra do Senhor. Não 
assumimos esse compromisso 
diante dos homens, mas diante
do Justo Juiz, que julgará a todos, 
na Segunda Vinda e no seu Reino. 
Não temos permissão do Senhor 
Jesus para pregar nossa própria 
mensagem. Com a frase "instes 
a tempo e fora de tempo", Paulo 
diz a Timóteo que deve permane­
cer na tarefa de pregar somente 
a Palavra, quer a pregação venha 
numa hora conveniente para os 
ouvintes, quer não. Portanto, cabe 
ao mensageiro do Senhor semear 
a Boa Semente, seja qual for o tipo 
de terreno (a disposição do cora­
ção), quer ouçam, quer deixem de 
ouvir (cf. Mt 13.18-23). I
Referências
ZIBORDI, Ciro Sanches. João Batista: o Pregador Politicamente Incorreto. RJ: CPAD, 2018.
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Estêvão: o Primeiro Apologista do Evangelho. RJ: CPAD, 2018.
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Pedro: o Primeiro Pregador Pentecostal. EU: CPAD, 2018.
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Filipe: o Primeiro Evangelista da Igreja. RJ: CPAD, 2019.
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Barnabé: o Pregador de Fé e Obras. RJ: CPA D 2019.
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ . Paulo: o Príncipe dos Pregadores. RJ: CPAD, 2019.
obEUro
AS ORIGENS TEOLÓGICAS 
DO PENTECOSTALISMO 
ASSEMBLEIANO
j A GLOSSOLALIA 
I EA FORMAÇÃO
I DAS ASSEMBLÉIAS
I — DE DEUS —
Um Resgate Histórico da 
Soteriologia e Pneumatologia do Início do 
Movimento Pentecostal
Nesta importante obra, o pastor e escritor 
José Gonçalves faz um resgate histórico das 
pneumatologias e soteriologias americana, 
britânica e escandinava do início do movimento 
pentecostal. Ao pesquisar essas teologias 
carism áticas, Gonçalves revela as raízes 
teológicas das Assembléias de Deus no Brasil. 
Divido em duas partes, onde a primeira trata 
da pneumatologia pentecostal e a segunda 
aborda a teologia soteriológica, o livro conta 
ainda com diversos apêndices, inclusive confissões 
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