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1 Resumo – Joanna Pedrolongo ANEMIAS DEFINIÇÃO Anemia não é uma doença, é um SINAL. Com base no TAMANHO CELULAR, são definidas em: VCM Exemplos < 80: microcítica Ferropriva, talassemia, sideroblástica, doença crônica 80-100: normocítica Ferropriva, doença crônica, hemolíticas ou não hemolíticas > 100: macrocítica Deficiência de B12 ou ácido fólico, causadas por fármacos (zidovudina, metotrexato, ácido valproico etc). ANAMNESE Muitas vezes ASSINTOMÁTICA ou COM CLÍNICA VAGA E SINTOMAS INESPECÍFICOS. SINAIS DE ALARME • História de MALIGNIDADE • SANGRAMENTO • PERDA DE PESO • INAPETÊNCIA • FEBRE • COMORBIDADES • TEMPO de duração Anemia em homens > 50 ANOS e MULHERES PÓS- MENOPAUSA = sinal de alerta. CONTEXTOS ASSOCIADOS (DEVEM SER INVESTIGADOS) GESTAÇÃO E ALEITAMENTO: aumento das necessidades (pp gemelar). FLUXO MENSTRUAL excessivo ou uso de DIU de cobre. SANGRAMENTO UTERINO duradouro na pós-menopausa (pode ser ca de endométrio). BARIÁTRICA PRÉVIA: deficiência de ferro. HEMORRAGIA DIGESTIVA: vômitos em borra de café, hematêmese, melena, sangramento anorretal. MÁ ABSORÇÃO DE FERRO: doença celíaca, doença de Crohn, espru tropical, ressecção e tuberculose intestinal. CONSUMO ABUSIVO DE ÁLCOOL: Associação com gastrite, úlcera gástrica e varizes esofágicas com perda sanguínea e deficiência de ácido fólico. CA COLORRETAL: pp em homens > 50 anos. PALIDEZ VISÃO DE MOSCAS VOLANTES ZUMBIDOS CEFALEIA ANOREXIA PERDA DO PALADAR DOR NA LÍNGUA PERDA DE PELOS OU CABELOS ↓ RENDIMENTO INTELECTUAL SONOLÊNCIA FRAQUEZA CANSAÇO LETARGIA ESTADO ANÍMICO (IRRITABILIDADE, TRISTEZA, APATIA) DISPNEIA PROGRESSIVA AOS EXERCÍCIOS FÍSICOS PALPITAÇÕES ANGINA SÍNCOPE DOR NAS PERNAS ↓ LIBIDO HEMORRAGIAS HÁBITO DE DOAÇÕES REPETIDAS DE SANGUE PARASITOSES INTESTINAIS ANTIINFLAMATÓRIOS , CORTICOIDE, AAS, ANTICOAGULANTES, IBPS. PICAMALÁCIA IC E CLAUDICAÇÃO EM IDOSOS GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 2 Resumo – Joanna Pedrolongo Hérnia de hiato e gastrite por H. PYLORI. DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12 CAUSAS: dieta vegetariana estrita (lembrar que consumir produtos de origem animal não é garantir de bom aporte de B12!), uso crônico de metformina, anemia perniciosa SINTOMAS: insônia, problemas neurológicos de parestesia associada à neuropatia periférica, ↓ propriocepção, déficit de memória, transtornos psiquiátricos (irritabilidade, depressão, demência, psicoses). Pode combinar-se a outras doenças autoimunes – vitiligo, Hipoparatireoidismo, tireoidite de Hashimoto, doença de Addison DEFICIÊNCIA ÁCIDO FÓLICO Associada ao alcoolismo, anticonvulsivantes, metotrexato, trimetoprina, ACO, DIU poupadores de K. Mesmos sintomas que deficiência de B12, sem sintomas neurológicos. SÍNDROME DE PLUMMER VINSON. Tríade: DISFAGIA PARA SÓLIDOS + ESOFAGITE + ANEMIA. Ccondição rara, com potencial desenvolvimento de carcinoma epidermoide de faringe e do esôfago. EXAME FÍSICO Completo: sinais vitais, estado de saúde física, mental, nutricional e de hidratação. LINFONODOS Aumento = Suspeição de doenças hematológicas. CABEÇA SINAIS DE TALASSEMIA: “face do roedor” – desalinhamento de dentes incisivos, proeminência dos ossos frontal e parietal com o maxilar aumentado. OLHOS DESCORAMENTO da mucosa na anemia grave, ICTERÍCIA. Fundoscopia (geralmente não é importante para diagnóstico): manchas de Roth, papiledema. BOCA GLOSSITE ATRÓFICA: língua despapilada, lisa, edemaciada, encarnada (aspecto de carne bovina). É dolorosa e prova odor ruim. QUEILITE ANGULAR: sinais de maceração e fissuras no ângulo da boca PELE, ANEXOS E MUCOSAS PALIDEZ: pp em palma das mãos (linhas palmares permanecem coradas até que Hb esteja < 7), mucosa oral, conjuntiva, lábios e leito ungueal. ICTERÍCIA LEVE (tipo amarelo-limão): comum na anemia megalobástica, hemolítica e eventualmente na anemia perniciosa. GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 3 Resumo – Joanna Pedrolongo MÁCULAS ACRÔMICAS CIRCUNSCRITAS: anemia perniciosa. PETÉQUIAS E EQUIMOSES: anemia aplástica, coagulopagias e leucemias consequentes da plaquetopenia. QUEDA DE CABELO: anemia ferropriva. APARECIMENTO PRECOCE DE CABELOS GRISALHOS E FINOS: anemia perniciosa. COILONÍQUIA: unhas adelgaçadas de lâminas côncavas com extremidades elevadas semelhantes a uma colher. Sinal clássico e tardio de anemia megaloblástica, perniciosa e ferropriva. ÚLCERAS EM EXTREMIDADES das pernas, em tornos dos maléolos, com má cicatrização e cronicidade – típicas da anemia falciforme. DACTILITE (síndrome mão-pé, dedos em salsicha): artrite grave dos dedos de pés e mãos, manifestação inicial da anemia falciforme. ACV E AR Achados PROPORCIONAIS AO TEMPO DE EVOLUÇÃO . • Taquicardia reflexa • Hipotensão postural com lipotimia. • Dispneia • Sopro sistólico de ejeção em foco pulmonar e ápice (devido fluidez do sangue periférico), em repouso ou após exercício. TGI ÚLCERA PÉPTICA: assintomática ou associada a dor à palpação, defesa e rigidez de parede. MASSAS: investigar tumor. CIRCUNFERÊNCIA VOLUMOSA ASCÉTICA: cirrose/alcoolismo CALCULOSE BILIAR: hemólise crônica HEPATO OU ESPLENOMEGALIA: provável hipertensão por anemia hemolítica MASSAS COLORRETAIS, HEMORROIDAS. HIPOESPLENISMO ou AUTOESPLENECTOMIA na anemia falciforme. MAMAS E APARELHO GENITAL Sinais de NEOPLASIA, PRIAPISMO (complicação de anemia falciforme). APARELHO NEUROLÓGICO Deficiência de B12: verificar tônus, força muscular, sensibilidade, coordenação e reflexos. MMII > MMSS. • Sinais precoces: déficits de sensibilidade vibratória e propriocepção. • Sinais tardios: falta de coordenação muscular, babinski e espasticidade. GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 4 Resumo – Joanna Pedrolongo EXAMES COMPLEMENTARES 1º PASSO: AVALIAÇÃO INICIAL 2º PASSO: AVALIAR O VCM De acordo com o valor do VCM, traçamos o seguimento de avaliação. Os fluxogramas abaixo auxiliam. Lembrar: todas as anemias carenciais são, inicialmente, normocíticas e normocrômica. VCM > 100 VCM 80-100 HEMOGRAMA •Análise completa dos índices hematimétricos e distribuição do volume eritrocitário. •Plaquetas ↑ na anemia ferropriva (causa desconhecida) e na ↓ anemia aplástica (< 20.000) CONTAGEM DE RETICULÓCITOS •Normal: 0,5-1,5% ou 25.000-75.000. •Na prática - Valor corrigido: IRC x Ht da pessoa ÷ Ht normal (Ht normal = 45%). ESFREGAÇO DE SANGUE PERIFÉRICO •Alterações nas diversas formas eritrocitárias AVALIAR DOENÇAS DE BASE + AVALIAÇÃO LABORATORIAL: RETICULÓCITOS, B12, ÁCIDO FÓLICO ↑ RETICULÓCITOS SIM PESQUISAR ANEMIA HEMOLÍTICA: LDH, BILIRRUBINA INDIRETA, COOMBS DIRETO SUSPEITA DE ANEMIA HEMOLÍTICA = HEMATOLOGISTA NÃO ↓ B12 ↓ ÁCIDO FÓLICO SIM TRATAR DEFICIÊNCIA NÃO APRESENTA DOENÇA DE BASE OU USO DE MEDICAMENTOS QUE JUSTIFIQUE A ANEMIA MACROCITICA? SIM MANEJAR DOENÇA DE BASE NÃO HEMATOLOGISTA AVALIAÇÃO CLÍNICA + EXAMES INICIAIS: FERRITINA, FERRO SÉRICO, RETICULÓCITOS ↑ RETICULÓCITOS SIM PESQUISAR ANEMIA HEMOLÍTICA LDH, BILIRRUBINA INDIRETA, COOMBS INDIRETO SUSPEITA DE ANEMIA HEMOLÍTICA = HEMATOLOGISTA NÃO PRESENÇA DE DOENÇA CRÔNICA/INFLAMATÓRIA (NEOPLASIAS, DOENÇAS REUMATOLÓGICAS, DRC, ENDOCRINOPATIAS - HIPOTIREOIDISMO, DM...) SIM MANEJO DE DOENÇA DE BASE NÃO HEMATOLOGISTA NÃO ↓ FERRITINA NÃO SIM: ANEMIA FERROPRIVA (FASE INICIAL, APRESENTANDO TAMBÉM FERRO SÉRICO DIMINUÍDO) VER FLUXOGRAMA DE ANEMIA FERROPRIVA GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 5 Resumo – Joanna Pedrolongo VCM < 100 ANEMIA FERROPRIVA SOBRE OS EXAMES FERRO SÉRICO • Pouco sensível, mas ESPECÍFICO. • Varia com RITMO CIRCADIANO: altas concentrações pela manhã (7-10h) e menores em torno das 21h. • Valorespodem normalizar após ingestão de carne ou suplementos orais. • ↓: processos inflamatórios agudos ou crônicos, neoplasias e pós IAM. • ↑: ACO. CAPACIDADE TOTAL DE LIGAÇÃO DO FERRO (CTLF OU TIBC) • ↑: ferropenia, anemia, gravidez tardia, infância, hepatite aguda, ACO • ↓: hipoproteinemia, hemocromatose, talassemia, hipertireoidismo, infecções crônicas, distúrbios inflamatórios, doença hepática crônica, doenças crônicas TRANSFERRINA • ↑: gravidez, ACO, ferropenia. • ↓: inflamação crônica, malignidade, desnutrição generalizada, síndrome nefrótica, sobrecarga de ferro • Quantificada pelo conteúdo de ferro que pode se ligar (capacidade ferropéxica) SOLICITAR FERRO, FERRITINA, IST, CTLF, RETICULÓCITOS ↓ FERRITINA SIM ANEMIA FERROPRIVA VER FLUXOGRAMA DE ANEMIA FERROPRIVA NÃO ↓ FERRO SIM ↑ CTLF ↓ IST ANEMIA FERROPRIVA ↓ CTLF ↓ IST ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA INVESTIGAR CONFORME CLÍNICA E FATORES DE RISCO NÃO ELETROFORESE DE HB ENCAMINHAR AO HEMATOLOGISTA PRIORIZAR CASO CONFORME DIAGNÓSTICO, MAS ENCAMINHAR MESMO SE ELETROFORESE NORMAL (PARA DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL) ANEMIA FERROPRIVA MULHER EM PRÉ- MENOPAUSA SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL NÃO TRATAR COM FERRO SE NÃO HOUVER RESPOSTA, INICIAR INVESTIGAÇÃO PARA PERDA OCULTA DE SANGUE EM TGI SIM INICIAR INVESTIGAÇÃO PARA SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL HOMENS E MULHERES PÓS- MENOPAUSA EDA, COLONOSCOPIA SANGRAMENTO TGI SIM TRATAR CAUSA DE BASE NÃO TRATAR COM FERRO E OBSERVAR RESPOSTA Ferropriva Doença crônica Talassemia Sideroblástica VCM ↓ N ou ↓ ↓ ↓ RDW ↑ N ou ↑ N ou ↓ N ou ↑ Reticulócitos N ou ↓ ↓ N ou ↑ ↓ Ferro ↓ ou N ↓ N ↑ Ferritina ↓ N ou ↑ N ou ↑ ↑ Saturação de transferrina ↓ ↓ ↑ N ou ↑ TIBC ↑ ↓ N N GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 6 Resumo – Joanna Pedrolongo SATURAÇÃO DE TRANSFERRINA (IST) • ↓: ferropenia, doença crônica • ↑: sobrecarga férrica (hemocromatose), talassemia, anemia sideroblástica, intoxicação por chumbo. CÁLCULO: ferro sérico ÷ TIBC x 100. < 16% = patognomônico para ferropenia. FERRITINA • Estoque de ferro em indivíduos normais (< 12 = marcador confiável de depleção. • 1 g/L = 8-10 mg ou 120 g de Fe/kg de peso • ↑ (independente do fe): inflamação aguda ou crônica, neoplasia, hipertireoidismo, doença hepática, ACO. DOSAGEM DE ÁCIDO FÓLICO • Normal: 5-15 mg/mL (limítrofe: 3-5 ng/mL) • ↓: deficiência de folato tecidual pela dieta, alcoolismo, hemodiálise, gravidez, anemia hemolítica, dermatite esfoliativa, psoríase extensa, síndromes de má absorção intestinal, ACO, anticonvulsivantes, metrotrexato, corticoides, sulfas DOSAGEM DE VITAMINA B12 • Normal: > 300 pg/mL • 200-300: deficiência possível • < 200: deficiência • Se B12 normal, dosar ácido metilmalônico para descartar definitivamente a deficiência. • ↑: leucemia, leucocitose marcante, Policitemia vera, doenças hepáticas, anticonvulsivantes. • ↓: anemia perniciosa, gastrectomia, carcinoma gástrico, má absorção, gestação, deficiência de transcobalamina, hemodiálise, Alzheimer, uso de metformina, inibidores da bomba de próton, colchicina, altas doses de vitamina C. ÁCIDO METILMALÔNICO Se elevado = deficiência de B12 (exceto se insuficiência renal presente, pois está artificialmente elevado) EPF Pesquisa de parasitoses (Ancilostoma duodenale, Necatur americanos e Schistossoma mansoni) e de urobilinogênio fecal nas hemoglobinopatias. EAS Pesquisa de hematúria e uribulinogênio urinário nas hemoglobinopatias. PSOF Usado apenas em rastreamento, não usar na tentativa de evitar exames endoscópicos. EDA Pesquisa de HDA (úlcera gástrica/duodenal, gastrite atrófica, H. pylori e neoplasia). COLONOSCOPIA Pesquisa de hemorragia digestiva baixa (hemorroidas, divertículos, neoplasias de colon). ANEMIA FERROPRIVA PREVENÇÃO • Ingesta de carnes vermelhas e frutas ricas em vitamina C (aumentam absorção de ferro) • Evitar alimentos ou medicamentos que inibam a absorção de ferro • Aleitamento materno e suplementação de ferro em lactentes conforme preconizado pelo MS Na apresentação de 125 mg/ml: 1 gota = 1 ml RN A TERMO PESO ADEQUADO PARA IG ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO OU < 500 ML/FÓRMULA POR DIA 1 MG/FE ELEMENTAR/KG/DIA DO 3-24 MÊS DE VIDA. PESO < 2500 2 MG/KG/DIA A PARTIR DE 30 DIAS DURANTE 1 ANO. APÓS ESTE PRAZO, 1 MG/KG/DIA POR 1 ANO. PRÉ-TERMO 2500-1500G 2 MG/KG/PESO/DIA A PARTIR DE 30 DIAS DURANTE 1 ANO. APÓS ESTE PRAZO, 1 MG/KG/DIA MAIS 1 ANO. 1500-1000G 3 MG/KG/PESO/DIA A PARTIR DE 30 DIAS DURANTE 1 ANO. APÓS ESTE PRAZO, 1 MG/KG/DIA MAIS 1 ANO. < 1000G 4 MG/KG/PESO/DIA A PARTIR DE 30 DIAS DURANTE 1 ANO. APÓS ESTE PRAZO, 1 MG/KG/DIA MAIS 1 ANO. GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 7 Resumo – Joanna Pedrolongo COMPOSTOS VO • SULFATO FERROSO: Melhor custo-benefício, mas mais efeitos adversos • FERRIPOLIMALTOSE: Melhor tolerância, mas não disponibilizado na rede pública • Fumarato ferroso • Gluconato ferroso • Ferro quelato glicinato DOSE TERAPÊUTICA (FERRO ELEMENTAR) • CRIANÇAS: 3-6 mg/kg/dia, 2-3 tomadas • ADULTOS: 120-200 mg/dia SULFATO FERROSO CONVERSÃO: • Sulfato ferroso ÷ 5 = ferro elementar. • Ferro elementar x 5 = Sulfato ferroso Dose diária (adulto): 4 a 5 comprimidos de 40 mg. COMO TOMAR: • Ingerir em jejum ou 1-2 horas antes das refeições, com fruta ou suco cítrico (conter vitamina, ex.: laranja, limão) • Leite, chás, cafés e cereais diminuem a absorção • Ingerir 2h antes ou 4h após antiácidos. EFEITOS COLATERAIS: diarreia, azia, cólicas, vômitos e constipação. Podem ser diminuídos ao ingerir junto às refeições (diminui absorção e prolonga tratamento). Outros: • Crianças: fezes podem ficar escurecidas em doses terapêuticas. • Escurecimento dos dentes transitório com apresentação líquida – revertido com escovação e evitado com administração com conta-gotas na parte posterior da língua. • Uso prolongado pode levar a sobrecarga de ferro, pp se tendencia para hemocromatose e hemossiderose. USO CAUTELOSO em hepatopatas, úlceras GI, insuficiência hepática ou renal, etilismo, idosos. RESPOSTA AO TRATAMENTO • ↑ Reticulócitos: 4-7 dias (pico no 10º dia) • ↑ Hb: 2g/dL em 2-3 semanas. Normaliza em 2 meses (Hb e Ht) • VCM continua baixo por 2-3 meses CORREÇÃO DA ANEMIA FERROPRIVA ocorre após 2-6 meses de tratamento. Valores de ferritina: • Crianças: ≥ 15 ng/mL • Adultos: ≥ 30 ng/mL • Alguns atores sugerem 50 ng/mL Após correção MANTER TRATAMENTO POR 3-4 MESES EM CRIANÇAS (ou por 2 meses quando normalizar hb) e por 4-6 MESES EM ADULTOS. TRATAMENTO PARENTERAL INDICAÇÕES • Anemias intensas: Hb entre 7-9, ou entre 7-8 (varia com a fonte) • Casos refratários à VO • Má absorção por doença gastrointestinal (doença celíaca, gastrite atrófica, DII, h. pylori) • Incapacidade de manter as reservas de ferro em pós- bariátricos • Hemodiálise Realizado em AMBIENTE HOSPITALAR, preferencialmente sob competência do hematologista (domínio da técnica e manejo das complicações). Custo: EVITAR SE • Insuficiência hepática • Gestação com < 12 semanas • Amamentação DOSE Peso (Kg) x 2,4 x (Hb alvo – Hb do paciente) + 500 = Dose total em mg. 1 ampola = 100 mg. Hb alvo: 12 para mulheres, 13 para homens. PRESCRIÇÃO: • Noripurum ou Ferropurum (100 mg/5 ml), 2 ampolas diluídas em 200-500* mg de NaCl 0,9%, EV. • Correr em 30-60* minutos. • Repetir 1-3 vezes/por semana até completar número de ampolas • Intervalo mínimo de 48 horas entre aplicações. *Quanto mais frágil o paciente, maior a quantidade de soro e o tempo de aplicação. GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 8 Resumo – Joanna Pedrolongo EFEITOS COLATERAIS • Mais comuns: urticária, palpitação, tontura – geralmente autolimitados e de curta duração. Mais frequentemente iniciados durante as infusões. • Nas primeiras 24h apósinfusão podem acontecer febre, artralgias e mialgias de leve intensidade. Também autolimitadas. • Anafilaxia pode ocorrer, mas é extremamente raro. DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12 (< 200) • FONTES NATURAIS: carnes, ovos e leite • ESTOQUES têm longa duração – deficiência pode levar > 3 anos. • INDICAÇÃO de reposição: absorção enteral diminuída, doença hereditária, anemia perniciosa. Tradicionalmente por VIA PARENTERAL – GLÚTEA (IM) OU SUBCUTÂNEA, nunca por via EV. CRIANÇAS 50-100 ug IM, 1 vez por semana, até correção da deficiência. Se necessidade de aplicação por toda a vida, aplicar 1x/mês (cianocobalamina) ou 1x a cada 2 meses (hidroxicobalamina). Doses orais em crianças não são bem estabelecidas. ADULTOS ASSINTOMÁTICOS: • 1000 mcg/IM 1 vez por semana até correção da deficiência (geralmente 6-8 semanas). • Se necessidade de reposição continua: aplicar 1x/mês (cianocobalamina) ou 1x a cada 2 meses (hidroxicobalamina) SINTOMÁTICOS: • 1000 mcg/IM em dias alternados (dia sim, dia não) por 2 semanas • Seguir com aplicação 1x/mês (cianocobalamina) ou 1x a cada 2 meses (hidroxicobalamina). EVOLUÇÃO ESPERADA • ↑ Reticulócitos em 5-7 dias • Melhora hematimétrica em 2 meses • Melhora neurológica em 6 meses (se tratamento iniciado com pouco tempo de evolução) Dosar B12 novamente 3-12 meses após o término do tratamento. Não dosar durante, acompanhar pelo hemograma e clínica. VO é mais onerosa, mas pode ser utilizada em pacientes assintomáticos com deficiência leve-moderada (desde que não hajam condições que diminuam a absorção por essa via = ferro). Monitorar QUEDA DE POTÁSSIO e suplementar se necessário – algumas pessoas podem desenvolver hipocalemia durante a semana inicial do tratamento (absorção de potássio durante produção de células sanguíneas), mas é improvável que seja clinicamente significativa. SITUAÇÕES ESPECIAIS TRATAMENTOS POR TODA A VIDA Em caso de causa irreversível de deficiência (como gastrectomia). Dosar b12 em DIETAS DEFICIENTES EM B12 Não há má absorção, pode ser tratado por VO. SINTOMAS NEUROLÓGICOS Avaliar melhora clínica após 2-3 meses. Se melhora parcial, considerar estender terapia mensalmente até 6 meses após melhora. DEFICIÊNCIA DE ÁCIDO FÓLICO (< 5) • FONTES NATURAIS: vegetais folhosos verdes escuros, frutas cítricas, cereais, grãos, nozes e carnes. • Estoques duram 4-5 meses TRATAMENTO: 5 mg MID por 1-4 meses, ou até normalização dos níveis terapêuticos. Manter indefinidamente se causa da deficiência irreversível (ex.: SII, anemia hemolítica crônica). • ↑ Reticulócitos em 5-7 dias • Melhora hematimétrica em 2 meses EFEITOS ADVERSOS: rubor discreto, rash cutâneo, distensão abdominal etc. GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198 9 Resumo – Joanna Pedrolongo Sempre TRATAR A DEFICIÊNCIA DE B12 se estiver associada (idealmente, aplicar 1 dose de B12 antes de iniciar reposição de ácido fólico). ANEMIA DA DOENÇA CRÔNICA MECANISMOS PATOLÓGICOS • ↓ da sobrevida da hemácia • Falha da medula óssea em ↑ produção de glóbulos vermelhos para compensar o ↑ demanda • Distúrbio da mobilização do ferro de depósito do sistema mononuclear fagocitário. O papel central dos monócitos e dos macrófagos e o aumento da produção de citocinas mediadoras da resposta imune ou inflamatória, tais como TNF alfa, INF gama e IL-1 estão implicados nos três processos envolvidos no desenvolvimento da ADC. TRATAMENTO O tratamento DIRECIONADO PARA A CAUSA DE BASE (doenças inflamatórias, neoplasias, infecções crônicas). Considerar uso de eritropoetina na doença renal como otimização da resposta hematológica. QUANDO REFERENCIAR EMERGÊNCIA • Anema sintomática – dispneia, taquicardia, hipotensão • Instabilidade hemodinâmica • Doença falciforme com crise álgica ou outros sinais de gravidade • Citopenias concomitantes com critérios de gravidade HEMATOLOGIA • Hemoglobinopatia identificada – suspeita de doença falciforme, talassemia, outras doenças hemolíticas • Falta de resposta à terapia • Anemia por causa desconhecida após investigação inconclusiva na APS GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198