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79 P O R T U G U Ê S - F R E N T E A - C A P ÍT U LO 0 2 TIPOLOGIA TEXTUAL TIPOLOGIAS TEXTUAIS são as classifi cações recebidas por um texto de acordo com as regras gramaticais, dependendo de suas características. São as classifi cações mais clássicas de um texto: NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO e DISSERTAÇÃO. Hoje já se admite também a EXPOSIÇÃO e a INJUNÇÃO. NARRAÇÃO Narração é contar um fato, fi ctício ou não, que ocorreu em um determinado tempo e lugar, envolvendo personagens. Existe uma relação de anterioridade e posterioridade, por isso há uma sequência no que está sendo contado. O tempo verbal predominante é o passado. Identifi cam-se os elementos da narração através das perguntas: O que aconteceu? , Com quem aconteceu?, Como aconteceu?, Onde? E quando aconteceu?. ESTRUTURA DO TEXTO NARRATIVO Narração/narrar (contar) Personagens (reais ou imaginários) Enredo (o que/ como – fatos reais ou imaginários) Espaço (onde? /quando?) OU TIPOS DE NARRADOR • Personagem • Observador • Onisciente Narrador-personagem: quando o narrador participa das ações. Assim sendo, a história é narrada em 1ª pessoa. Narrador-observador: quando o narrador não participa das ações, embora conheça os fatos. Assim, a história é narrada em 3ª pessoa. Narrador-onisciente: quando a história é narrada em 3ª pessoa, mas apresenta fl uxo de pensamentos dos personagens, que aparece em 1ª pessoa. TIPOS DE DISCURSO • Direto • Indireto • Indireto-livre • DIRETO: quando a própria personagem fala. Ex 1 : os formados repetiam: “prometo cumprir meus deveres e respeitar meus semelhantes com fi rmeza e honestidade.”. Ex 2 : querendo ouvir sua voz, resolveu telefonar: — Alô, quem fala? — Bom dia, com quem quer falar? — Respondeu com tom de simpatia. • INDIRETO: quando o narrador fala pela personagem, logo narrado em 3ª pessoa. Ex 1 : os formados repetiam que iriam cumprir seus deveres e respeitar seus semelhantes com fi rmeza e honestidade. Ex 2 :querendo ouvir sua voz, resolveu telefonar. Cumprimentou e perguntou quem estava falando. Do outro lado, alguém respondeu ao cumprimento e perguntou com tom de simpatia com quem a pessoa queria falar. FRENTE A | CAPÍTULO 02 PORTUGUÊS TIPOLOGIA TEXTUAL 80 PORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 TIPOLOGIA TEXTUAL P O R T U G U Ê S - F R E N T E A - C A P ÍT U LO 0 2 Transposição do discurso direto para o indireto Discurso Direto Discurso Indireto Verbos Presente do indicativo2 O delegado afirmou: - Não confio em ninguém. Imperfeito do indicativo O delegado afirmou que não confiava em ninguém. Perfeito do indicativo A garota perguntou: - Meu namorado não esteve aqui? Mais-que-perfeito do indicativo A garota perguntou se seu namorado não estivera (tinha estado) ali. Futuro do presente O rapaz garantiu: - Eu farei a revisão do texto. Futuro do pretérito O rapaz garantiu que faria a revisão do texto. Presente do subjuntivo - Não quero que espalhem meu livros – disse-lhes o professor. Imperfeito do subjuntivo O professor disse-lhes que não queria que eles espalhassem seus livros. Imperativo -Faça-me um favor – pediu o rapaz. Imperfeito do subjuntivo O rapaz pediu-me que eu lhe fizesse um favor. Pronomes Eu, nós, você(s), senhor(a)(s) O homem sussurrou: - Eu estou rico. Ele(s), ela(s) O homem sussurrou que ele estava rico. Meu(s), minha(s), nosso(a)(s) - Minha irmã vai adorar esta revista – disse a garota. Seu(s), sua(s), dele(a)(s) A garota disse que sua irmã ia adorar aquela revista. Esta(a)(s), isto, isso - Esta é sua casa – perguntou. Aquele(a)(s), aquilo Ele(a) perguntou se aquela era sua casa. Advérbios Hoje, ontem, amanhã - Hoje o comércio não abre – disse eu. Naquele dia, no dia anterior, no dia seguinte Eu disse que, naquele dia, o comércio não abria. Aqui, cá, aí - Não saio mais daqui! – falou Paulo. Ali, lá Paulo falou que não saía mais dali. • INDIRETO-LIVRE: quando há intervenções do narrador e das falas dos personagens. Nesse caso, funde-se o discurso direto com o indireto. Ex 1 : fez o que julgava necessário. Não estava arrependido, mas sentia um peso. Talvez não tenha sido suficientemente justo com as crianças… Ex 2: amanheceu chovendo. Bem, lá vou eu passar o dia assistindo televisão! DESCRIÇÃO Descrição é o texto que apresenta, por meio de adjetivos e comparações, características principais de um objeto, lugar ou pessoa. Não há relação de anterioridade e posterioridade. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se pega. É um tipo textual que se agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros textuais. A descrição pode ser: • Objetiva • Subjetiva Descrição objetiva: predomina a descrição real do objeto, lugar ou pessoa descrita. Neste tipo de descrição não há a interferência da opinião de quem descreve, há a tendência de se privilegiar o que é visto, em detrimento do sujeito que vê. Descrição subjetiva: aparecem, neste tipo de descrição, as opiniões, sensações e sentimentos de quem descreve pressupondo que haja uma relação emocional de quem descreve com o que foi descrito. Estrutura do texto descritivo Introdução: apresentação do que se pretende descrever. Desenvolvimento: caracterização subjetiva ou objetiva da descrição. Conclusão: finalização da apresentação e caracterização de algo. DISSERTAÇÃO Dissertação: dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo. Dissertação-exposição: apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Dissertação-argumentação: é o texto que faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO EXPOSITIVA Predomínio da exposição, explicação ARGUMENTATIVA Predomínio do uso de argumentos, visando o convencimento, à adesão do leitor. INTRODUÇÃO Apresentação do assunto sobre o qual se escreve (Apresentação da tese). Apresentação do assunto sobre o qual se escreve (apresentação da tese) e do ponto de vista assumido em relação a ele. DESENVOLVIMENTO Exposição das informações e conhecimentos a respeito do assunto (é o momento da discussão da tese) A fundamentação do ponto de vista e sua defesa com argumentos. (Defende-se a tese proposta) CONCLUSÃO Finalização do texto, com o encerramento do que foi dito Retomada do ponto de vista para fechar o texto de modo mais persuasivo 81 P O R T U G U Ê S - F R E N T E A - C A P ÍT U LO 0 2 PORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 TIPOLOGIA TEXTUAL INJUNÇÃO Injunção é o texto que nos orienta, que nos dita normas, nos instrui. Utiliza linguagem objetiva e simples. REGRAS GRAMATICAIS PARA O TEXTO INJUNTIVO: Como é um tipo de texto que expressa ordem, normas, instituições. O texto injuntivo tem, como característica principal, a utilização de verbos no imperativo. Pode ser classifi cado de duas formas: • Instrucional: quando o texto apresenta apenas um conselho, uma indicação e não uma ordem. • Prescrição: quando o texto apresenta uma ordem, a orientação dada no texto é uma imposição. AULAS 08 2. ESTILÍSTICA 2.3. TIPOLOGIA TEXTUAL APOSTILAS: 1 resumo + 20 questões EXERCÍCIOS ONLINE: 30 questões CAIU NO ENEM: 40 questões REVISÃO NA PLATAFORMA SEÇÃO VESTIBULARES QUESTÃO 01 “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão? Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar fi cou deitado e viu que horas eram enquanto mônica tomavaum conhaque no outro canto da cidade como eles disseram eduardo e mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer foi um carinha do cursinho do eduardo que disse - tem uma festa legal e a gente quer se divertir (...)”. (Eduardo e mônica. Russo, renato. In: legião urbana – dois. Emi, 1986.) Sobre o tipo de narrador presente na música eduardo e mônica, é correto afi rmar que se trata de um: A. narrador personagem, pois, além de narrar os fatos, verídicos ou não, faz parte da história contada, sendo assim, personagem dela. Esse tipo de personagem apresenta uma visão limitada dos fatos, já que a narrativa é conduzida sob seu ponto de vista. B. narrador testemunha, pois é uma das personagens que vivem a história contada, mas não é uma personagem principal. C. narrador onisciente, pois sabe de tudo o que acontece na narrativa, seus aspectos e o comportamento das personagens, podendo, inclusive, descrever situações simultâneas, embora essas ocorram em lugares diferentes. D. narrador observador, pois presencia a história, mas diferentemente do que acontece com o narrador onisciente, não tem controle e visão sobre todas as ações e personagens, confere os fatos, mas apenas de um ângulo. E. narrador onisciente neutro, pois relata os fatos e descreve as personagens, no entanto, não tenta infl uenciar o leitor com opiniões a respeito das personagens, falando apenas sobre os fatos indispensáveis para a compreensão da leitura. QUESTÃO 02 (FUNCAB) Internet e a importância da imprensa Este artigo não é sobre a pornografi a no mundo virtual nem tampouco sobre os riscos de as redes sociais empobrecerem o relacionamento humano. Trata de um dos aspectos mais festejados da internet: o empowerment (“empoderamento”, fortalecimento) do cidadão proporcionado pela grande rede. É a primeira vez na história em que todos, ou quase todos, podem exercer a sua liberdade de expressão, escrevendo o que quiserem na internet. De forma instantânea, o que cada um publica está virtualmente acessível aos cinco continentes. Tal fato, inimaginável décadas atrás, vem modifi cando as relações sociais e políticas: diversos governos caíram em virtude da mobilização virtual, notícias antes censuradas são agora publicadas na rede, etc. Há um novo cenário democrático mais aberto, mais participativo, mais livre. E o que pode haver de negativo nisso tudo? A facilidade de conexão com outras pessoas tem provocado um novo fenômeno social. Com a internet, não é mais necessário conviver (e conversar) com pessoas que pensam de forma diferente. Com enorme facilidade, posso encontrar indivíduos “iguais” a mim, por mais minoritária que seja a minha posição. O risco está em que é muito fácil aderir ao seu clube” e, por comodidade, quase sem perceber, ir se encerrando nele. Não é infrequente que dentro dos guetos, físicos ou virtuais, ocorra um processo que desemboca no fanatismo e no extremismo. Em razão da ausência de diálogo entre posições diversas, o ativismo na internet nem sempre tem enriquecido o debate público. O empowerment digital é frequentemente utilizado apenas como um instrumento de pressão, o que é legítimo democraticamente, mas, não raras vezes, cruza a linha, para se confi gurar como intimidação, o que já não é tão legítimo assim... A internet, como espaço de liberdade, não garante por si só a criação de consensos nem o estabelecimento de uma base comum para o debate. Evidencia-se, aqui, um ponto importante. A internet não substitui a imprensa. Pelo contrário, esse fenômeno dos novos guetos põe em destaque o papel da imprensa no jogo democrático. Ao selecionar o que se publica, ela acaba sendo um importante moderador do debate público. Aquilo que muitos poderiam ver como uma limitação é o que torna possível o diálogo, ao criar um espaço de discussão num contexto de civilidade democrática, no qual o outro lado também é ouvido. A racionalidade não dialogada é estreita, já que todos nós temos muitos condicionantes, que confi guram o nosso modo de ver o mundo. Sozinhos, nunca somos totalmente isentos, temos sempre um determinado viés. Numa época de incertezas sobre o futuro da mídia, aí está um dos grandes diferenciais de um jornal em relação ao que simplesmente é publicado na rede. Imprensa e internet não são mundos paralelos: comunicam- se mutuamente, o que é benéfi co a todos. No entanto, seria um empobrecimento democrático para um país se a primeira página de um jornal fosse simplesmente o refl exo da audiência virtual da noite anterior. Nunca foi tão necessária uma ponderação serena EXERCÍCIOSPORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 82 e coletiva do que será manchete no dia seguinte. O perigo da internet não está propriamente nela. O risco é considerarmos que, pelo seu sucesso, todos os outros âmbitos devam seguir a sua mesma lógica, predominantemente quantitativa. O mundo contemporâneo, cada vez mais intensamente marcado pelo virtual, necessita também de outros olhares, de outras cores. A internet, mesmo sendo plural, não tem por que se tornar um monopólio. (Cavalcanti, n. Da rocha. Jornal “o estado de s. Paulo”, 12/05/14, com adaptações.) Pelas características da organização do discurso, a respeito do texto pode-se afirmar que se trata de uma: A. dissertação de caráter expositivo, pois explica, reflete e avalia ideias de modo objetivo, com intenção de informar ou esclarecer. B. narração, por reportar-se a fatos ocorridos em determinado tempo e lugar, envolvendo personagens, numa relação temporal de anterioridade e posterioridade. C. dissertação de caráter argumentativo, pois faz a defesa de uma tese com base em argumentos, numa progressão lógica de ideias, com o objetivo de persuasão. D. descrição, por retratar uma realidade do mundo objetivo a partir de caracterizações, pelo uso expressivo de adjetivos. E. expressão injuntiva, por indicar como realizar uma ação, utilizando linguagem simples e objetiva, com verbos no modo imperativo. QUESTÃO 03 Sobre os tipos textuais, é correto afirmar, exceto: A. Os tipos textuais são caracterizados por propriedades linguísticas, como vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais, etc. B. Os tipos textuais são: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição. C. Geralmente variam entre cinco e nove tipos. D. possuem um conjunto ilimitado de características, que são determinadas de acordo com o estilo do autor, conteúdo, composição e função. E. Os tipos de textos apresentam características intrínsecas e invariáveis, ou seja, não sofrem a influência do contexto de nossas atividades comunicativas. De maneira predeterminada, apresentam vocabulário, relações lógicas, tempos verbais e construções frasais que acolhem os diversos gêneros. QUESTÃO 04 Analise os fragmentos a seguir e assinale a alternativa que indique as tipologias textuais às quais eles pertencem: Texto I “Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo. Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque (...)”. (Dalton trevisan – uma vela para dario). Texto II “Era um homem alto, robusto, muito forte, que caminhava lentamente, como se precisasse fazer esforço para movimentar seu corpo gigantesco. Tinha, em contrapartida, uma cara de menino, que a expressão alegre acentuava ainda mais.” Texto III Novas tecnologias Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e “conexão total com o mundo” “fetichizam” novos produtos, transformando-osem objetos do desejo, de consumo obrigatório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado. Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica de dependência mútua com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento. Não mais como aqueles acorrentados na caverna de platão, somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados. Sampaio, a. S. A microfísica do espetáculo. Texto IV Modo de preparo: 1. Bata no liquidificador primeiro a cenoura com os ovos e o óleo, acrescente o açúcar e bata por 5 minutos; 2. Depois, numa tigela ou na batedeira, coloque o restante dos ingredientes, misturando tudo, menos o fermento; 3. Esse é misturado lentamente com uma colher; 4. Asse em forno preaquecido (180° c) por 40 minutos. A. narração – descrição – dissertação – prescrição. B. descrição – narração – dissertação – prescrição. C. dissertação – prescrição – descrição – narração. D. prescrição – descrição – dissertação – narração. QUESTÃO 05 O trecho que segue foi extraído do conto “lâmpadas e ventiladores”, de humberto de campos: a tarde estava quente, abafada, ameaçando tempestade. Na sala da sorveteria onde tomávamos chá, os ventiladores ronronavam, como gatos, refrescando o ambiente. Lufadas ardentes, fortes, brutais, varreram, lá fora, o asfalto da avenida. O céu escureceu, de repente, e um trovão estalou, rolando pelo céu. Nesse momento, as lâmpadas do salão, abertas àquela hora, apagaram-se todas, ao mesmo tempo em que, dependendo da mesma corrente elétrica, os ventiladores foram, pouco a pouco, diminuindo a marcha, até que pararam, de todo, como aves que acabam de chegar de um grande voo. Sobre a tipologia textual dessa passagem do conto, pode-se dizer a organização predominante é A. argumentativa. B. descritiva C. expositiva. D. narrativa E. poética. EXERCÍCIOSPORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 83 QUESTÃO 06 (UFV) considere o texto: “O incidente que se vai narrar, e de que antares foi teatro na sexta-feira 13 de dezembro do ano de 1963, tornou essa localidade conhecida e de certo modo famosa da noite para o dia. (...) Bem, mas não convém antecipar fatos nem ditos. Melhor será contar primeiro, de maneira tão sucinta e imparcial quanto possível, a história de antares e de seus habitantes, para que se possa ter uma ideia mais clara do palco, do cenário e principalmente dos personagens principais, bem como da comparsaria, desse drama talvez inédito nos anais da espécie humana.” (Fragmento do livro incidente em antares, de Érico Veríssimo) Assinale a alternativa que evidencia o papel do narrador no fragmento acima: A. O narrador tem senso prático, utilitário e quer transmitir uma experiência pessoal. B. é um narrador introspectivo, que relata experiências que aconteceram no passado, em 1963. C. em atitude semelhante à de um jornalista ou de um espectador, escreve para narrar o que aconteceu com x ou y em tal lugar ou tal hora. D. fala de maneira exemplar ao leitor porque considera sua visão a mais correta. E. é um narrador neutro, que não deixa o leitor perceber sua presença. QUESTÃO 07 (FUVEST) Sinhá Vitória falou assim, mas fabiano resmungou, franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cabras, que lembrança! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando. (Graciliano Ramos, Vidas Secas) Uma das características do estilo de vidas secas é o uso do discurso indireto livre, que ocorre no trecho: A. “Sinha Vitória falou assim”. B. “Fabiano resmungou”. C. “franziu a testa”. D. “que lembrança”. E. “olhou a mulher”. QUESTÃO 08 (FUVEST) Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e… o homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás. O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental! (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola) O discurso indireto livre é empregado na seguinte passagem: A. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. B. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. C. Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. D. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. E. O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. QUESTÃO 09 (FUVEST) “‘Muito!’, Disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro.” Se a pergunta a que se refere o trecho fosse apresentada em discurso direto, a forma verbal correspondente a “gostara” seria: A. gostasse. B. gostava. C. gostou. D. gostará. E. gostaria. QUESTÃO 10 (FGV) assinale a alternativa em que ocorra discurso indireto. A. perguntou o que fazer com tanto livro velho. B. já era tarde. O ruído dos grilos não era suficiente para abafar os passos de delfino. Estaria ele armado? Certamente estaria. Era necessário ter cautela. C. quem seria capaz de cometer uma imprudência daquelas? D. a tinta da roupa tinha já desbotado quando o produtor decidiu colocá-la na secadora. E. era então dia primeiro? Não podia crer nisso. QUESTÃO 11 Qual a tipologia textual do trecho apresentado abaixo? Dona Julieta chamou os filhos mais novos para uma conversa séria. Era uma manhã de domingo, o dia estava claro e ensolarado. Pediu a eles que compreendessem a situação do pai, que não tinha no momento condição de colocá-los em uma escola melhor. A. Dissertação subjetiva B. Descrição C. Narração com alguns traços descritivos D. Dissertação objetiva com alguns traços descritivos E. Narração com alguns traços dissertativos QUESTÃO 12 Para responder sobre os tipos de narradores, leia os fragmentos abaixo: I. “Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto”. (Fragmento do conto o peru de natal, de Mário de Andrade). EXERCÍCIOSPORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 84 II. “Ali pelas onze horas da manhã o velho joaquim prestes chegou no pesqueiro. Embora fi zesse força em se mostrar amável por causa da visita convidada para a pescaria, vinha mal-humorado daquelas cinco léguas cabritando na estrada péssima. Aliás ofazendeiro era de pouco riso mesmo, já endurecido pelos setenta e cinco anos que o mumifi cavam naquele esqueleto agudo e taciturno”. (Fragmento do conto o poço, de Mário de Andrade). III. “Nesse momento, a viúva descruzava as mãos, e fazia gesto de ir embora. Primeiramente espraiou os olhos, como a ver se estava só. Talvez quisesse beijar a sepultura, o próprio nome do marido, mas havia gente perto, sem contar dois coveiros que levavam um regador e uma enxada, e iam falando de um enterro daquela manhã. Falavam alto, e um escarnecia do outro, em voz grossa: “eras capaz de levar um daqueles ao morro? Só se fossem quatro como tu”. Tratavam de caixão pesado, naturalmente, mas eu voltei depressa a atenção para a viúva, que se afastava e caminhava lentamente, sem mais olhar para trás. Encoberto por um mausoléu, não a pude ver mais nem melhor que a princípio. Ela foi descendo até o portão, onde passava um bonde em que entrou e partiu. Nós descemos depois e viemos no outro”. (Fragmento do livro memorial de aires, de machado de assis). IV. “Era sempre inútil ter sido feliz ou infeliz. E mesmo ter amado. Nenhuma felicidade ou infelicidade tinha sido tão forte que tivesse transformado os elementos de sua matéria, dando-lhe um caminho único, como deve ser o verdadeiro caminho. Continuo sempre me inaugurando, abrindo e fechando círculos de vida, jogando-os de lado, murchos, cheios de passado. Por que tão independentes, por que não se fundem num só bloco, servindo- me de lastro? É que são demasiado integrais”. (Fragmento do livro perto do coração selvagem, de Clarice Lispector). Os narradores classifi cam-se, respectivamente, em: A. narrador onisciente seletivo; narrador onisciente; narrador testemunha e narrador personagem. B. narrador personagem; narrador testemunha, narrador onisciente e narrador onisciente seletivo. C. narrador testemunha; narrador personagem; narrador onisciente e narrador onisciente seletivo. D. narrador personagem; narrador onisciente, narrador onisciente seletivo e narrador testemunha. E. narrador personagem; narrador onisciente, narrador testemunha e narrador onisciente seletivo. QUESTÃO 13 Marque o texto com características narrativas. A. O ideal é que todos colaborem. Caso contrário, o brasil continuará sem rumo. B. Rodrigo e juliana estavam na sala, quando ocorreu a explosão. C. Ela tem olhos azuis e cabelos louros. Não parece brasileira. D. Minha casa tem dois andares. Os quartos fi cam na parte de cima. E. A inteligência humana deve ser usada para o bem. QUESTÃO 14 Assinale a afi rmativa errada. A. Na dissertação, o centro é a ideia. B. No discurso direto é empregado um verbo de elocução. C. Há três tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre D. O texto descritivo está centrado no objeto. E. O personagem-narrador leva o verbo normalmente à terceira pessoa. QUESTÃO 15 Cores do Brasil Ganhou nova versão, revista e ampliada, o livro lançado em 1988 pelo galerista Jacques Ardies, cuja proposta é ser publicação informativa sobre nomes do “movimento arte naïf do Brasil”, como defi ne o autor. Trata-se de um caminho estético fundamental na arte brasileira, assegura Ardies. O termo em francês foi adotado por designar internacionalmente a produção que no Brasil é chamada de arte popular ou primitivismo, esclarece Ardies. O organizador do livro explica que a obra não tem a pretensão de ser um dicionário. “Falta muita gente. São muitos artistas”, observa. A nova edição veio da vontade de atualizar informações publicadas há 26 anos. Ela incluiu artistas em atividade atualmente e veteranos que fi caram de fora do primeiro livro. A arte naïf no Brasil 2 traz 79 autores de várias regiões do Brasil. WALTER SEBASTIÃO. Estado de Minas, 17 jan. 2015 (adaptado). O fragmento do texto jornalístico aborda o lançamento de um livro sobre arte naïf no Brasil. Na organização desse trecho predomina o uso da sequência A. injuntiva, sugerida pelo destaque dado à fala do organizador do livro. B. argumentativa, caracterizada pelo uso de adjetivos sobre o livro. C. narrativa, construída pelo uso de discurso direto e indireto. D. descritiva, formada com base em dados editoriais da obra. E. expositiva, composta por informações sobre a arte naïf. QUESTÃO 16 Assinale a alternativa que apresenta trecho com discurso indireto livre. A. Pegue o brinquedo, disse a mãe. B. O homem saiu tarde. Será que vou conseguir? Àquela hora seus familiares já estavam preocupados. C. Todos garantiram que fariam o melhor possível. D. Ela indagou na recepção como deveria se vestir. E. Afi rmou, de modo a não deixar dúvidas: - já corrigi as provas QUESTÃO 17 A tirinha denota a postura assumida por seu produtor frente ao uso sociai da tecnologia para fi ns de interação e de informação. Tal posicionamento é expresso, de forma argumentativa, por meio de uma atitude A. crítica, expressa pelas ironias. B. resignada, expressa pelas enumerações. C. indignada, expressa peios discursos diretos. D. agressiva, expressa pela contra-argumentação. E. alienada, expressa pela negação da realidade. EXERCÍCIOSPORTUGUÊS - FRENTE A - CAPÍTULO 02 85 QUESTÃO 18 Marque a afirmação correta em relação ao texto abaixo: “Senti tocar-me no ombro; era lobo neves. Encaramo-nos alguns instantes, mudos, inconsoláveis. Indaguei de virgília, depois ficamos a conversar uma meia hora. No fim desse tempo, vieram trazer-lhe uma carta; ele leu-a, empalideceu muito e fechou-a com a mão trêmula.” (Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas) A. é texto dissertativo com alguns elementos descritivos. B. não se trata de texto narrativo, pois não há personagens. C. é um texto descritivo, com alguns elementos narrativos. D. o texto não apresenta personagem-narrador. E. trata-se de uma narração, sem nenhum traço dissertativo. QUESTÃO 19 (FUVEST) “(...) Escobar vinha assim surgindo da sepultura, do seminário e do flamengo para se sentar comigo à mesa, receber-me na escada, beijar- me no gabinete de manhã, ou pedir-me à noite a bênção do costume. Todas essas ações eram repulsivas; eu tolerava-as e praticava-as, para me não descobrir a mim mesmo e ao mundo. Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim que ninguém. Quando nem mãe nem filho estavam comigo o meu desespero era grande, e eu jurava matá-los a ambos, ora de golpe, ora devagar, para dividir pelo tempo da morte todos os minutos da vida embaçada e agoniada. Quando, porém, tornava a casa e via no alto da escada a criaturinha que me queria e esperava, ficava desarmado e diferia o castigo de um dia para outro. O que se passava entre mim e capitu naqueles dias sombrios, não se notará aqui, por ser tão miúdo e repetido, e já tão tarde que não se poderá dizê-lo sem falha nem canseira. Mas o principal irá. E o principal é que os nossos temporais eram agora contínuos e terríveis. Antes de descoberta aquela má terra da verdade, tivemos outros de pouca dura; não tardava que o céu se fizesse azul, o sol claro e o mar chão, por onde abríamos novamente as velas que nos levavam às ilhas e costas mais belas do universo, até que outro pé de vento desbaratava tudo, e nós, postos à capa, esperávamos outra bonança, que não era tardia nem dúbia, antes total, próxima e firme (...)”. (Fragmento do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis) A narração dos acontecimentos com que o leitor se defronta no romance dom casmurro, de machado de assis, se faz em primeira pessoa, portanto, do ponto de vista da personagem bentinho. Seria, pois, correto dizer que ela apresenta-se: A. fiel aos fatos e perfeitamente adequada à realidade; B. viciada pela perspectiva unilateral assumida pelo narrador; C. perturbada pela interferência de capitu que acaba por guiar o narrador; D. isenta de quaisquer formas de interferência, pois visa à verdade; E. indecisa entre o relato dos fatos e a impossibilidade de ordená- los. GABARITO VESTIBULARESENEM 1 A 11 C 1 • 2 C 12 A 2 • 3 D 13 B 3 • 4 A 14 E 4 • 5 B 15 E 5 • 6 C 16 B 6 • 7 D 17 A 7 • 8 A 18 E 8 • 9 C 19 B 9 • 10 A 20 • 10 •