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Exame da motricidade 1 🧠 Exame da motricidade O exame da motricidade compreende o trofismo, tônus muscular, movimentos voluntários e a força. A via motora direta é a principal responsável pela execução dos movimentos voluntários. É constituída pelo trato corticoespinhal e pelos motoneurônios alfa, cujos corpos celulares se localizam na região anterior da medula. A exploração do sistema motor deve começar pela motricidade voluntária analisando sucessivamente o tônus muscular, os movimentos ativos e a força muscular. É importante salientar que existem vários tipos de motricidade. Motricidade voluntária: realiza-se de modo consciente, pela ação da vontade. Acha-se sob a dependência do sistema motor piramidal. Motricidade automática: realiza-se sem intervenção da consciência, embora possa, a qualquer momento, sofrer também a sua influência, como ocorre na marcha, fala, mímica, mastigação, deglutição. Motricidade involuntária: sempre se realiza sem a participação da vontade, de modo inteiramente espontâneo. Ocorre em afecções do sistema extra-piramidal O exame da motricidade pode delimitar se a clínica do paciente é decorrente de lesão piramidal e extrapiramidal. Marcha ——————————————————————————————————————————————————————— AVALIANDO A MARCHA A marcha é um ato motor desenvolvido. Cada um tem a sua forma de andar, mas em um distúrbio andam ‘’iguais'’. 1. Equilíbrio e postura ereta 2. Programa de iniciação da marcha 3. Ritmo 4. Adaptação conforme mudança de ambiente e objetivos A iniciação da marcha começa com informações aferentes (da periferia ao centro). Sendo elas: Informações vestibulares Informações sobre visão Informações sobre propriocepção Essas informações são levadas ao sistema integrativo de interpretação, sendo eles: Cerebelo Tronco Córtex frontal Após isso, há a seleção de programas motores, exemplo: Postura Equilíbrio Marcha Avaliação Inicia com a observação da marcha do paciente quando ele entra na sala. 1. Largura da base (distância entre os maléolos laterais) 2. Simetria na passada (faz dorsiflexão do pé?) 3. Comprimento da passada 4. Quadril do paciente 5. Sinais nas mãos (não faz parte da marcha, porém é importante) Exame da motricidade 2 6. Balanço dos braços 7. Direção do olhar do paciente 8. Virada do corpo Triagem Se o doente realizar essas 4 etapas não é neuropático 1. Andar em tandem (pé atrás do pé) 2. Andar na ponta dos pés 3. Andar com os calcanhares Ambos indicam força 1. Pular em um pé (testar em ambos pés) Marcha atípica 1. Olhar andando para frente 2. Balanço harmônico dos braços 3. Centro de gravidade desloca primeiro (Em s2) 4. Uso com calcâneo 5. Avanço do pé acompanha dorsiflexão 6. Passadas homogêneas e com ritmo regular Marchas típicas Neurológicos comuns Cerebelar/atáxico motora (cumprimento variável, cambaleante, desajeitada, parece com um bêbado) Parkinsoniana - Não é doença de Parkinson. Anda se arrastando, tremendo, bradicinesia, base estreita. 10 passos em tandem → realmente doença de parkinson Escarvante →Levantar o pé demais para andar. Lesão no nervo que inerva M. tibial anterior. Faz dupla batida (bate a parte da frente depois o calcanhar) Atáxico sensitiva (usam muito a visão, sem noção de propriocepção) Hemiplégica → teve problema no trato. Grande flexão de membro superior com membro inferior sempre esticado Diplégica → Patologias medulares, não de AVE. Aspecto de tesoura (os pés vão agindo como tesoura). Marcha digitígrada (ponta dos ppepes) Miopática → Doenças que afetam cintura escapular, o paciente anda ‘’rebolando'’ → Sinal de trendelemburg → quadril de um paciente em pé sustentado por apenas uma perna Sinal de gowers → paciente sentado no chão que para se levantar vai colocando mão na cintura. Neurológicos incomuns Não neurológicos - exemplo, marcha de dor. Equilíbrio —————————————————————————————————————————————————————— EQUILÍBRIO Equilíbrio estático → necessita de tônus adequado, cerebelo, gânglios da base, sistema motor e etc. Mas além disso, a aferência adequada. Propriocepção → a mais importante Sistema vestibular Visão Sinal de Romberg - Avalia paciente com olhos abertos e depois olhos fechados, com pés unidos no chão. Exame da motricidade 3 1. Fixar o olhar na parede 2. Juntar os braços próximos ao tronco 3. 30s olho aberto e 30s olhos fechados O objetivo é saber se ele, ao fechar os olhos, se desequilibra. Quando considerar o teste alterado? Qualquer sinal de instabilidade Quais as formas de sensibilizar o teste? Pedir para cruzar os braços ou ficar em tandem (pé encostando no outro, estreitando a base) Qual a diferença de padrões de lesão? Propriocepção x vestibular x cerebelar Vestíbulo tem relação com o equilíbrio da cabeça. Se o paciente rodar a cabeça e não cair, tem relação com propriocepção, mas se ele cair para a frente, tem relação com sistema vestibular. Lesão cerebelar (teste de romberg positivo não funciona para identificar) → olhos abertos ou fechados com base estreita já desequilibra. Como avaliar paciente com paciente paraplégico? Senta ele na maca e testa igual, identificando se há alterações. Diferença entre paciente orgânico e não orgânico. Pedir para tirar a camisa, se for orgânico ele se desequilibra, se for não orgânico ou fingidor, não desequilibrará. Outros testes 1. Teste clínico de integração sensorial → pisa na espuma (faz antes de romberg) 2. Se manter em pé de uma perna só com braços cruzados 3. Teste do alcance funcional → paciente pega uma caneta e se inclina com o tronco e mede o quanto ele conseguiu → prevê risco de queda, bom para idosos 4. Pull test → paciente de costas, puxa levemente os ombros para trás e observa se ele se move muito para evitar cair. Equilíbrio dinâmico possui testes semelhantes ao da marcha. Visa o equilíbrio e a mobilidade. Equilíbrio dinâmico x estático → 25% de propriocepção e 65% de sistema vestibular ocorre no dinâmico, já no estático é o contrário. Avalia o levantar e a virada do paciente, mas… como examinar? 1. Avaliação da velocidade da marcha. 2. 10 passos em tandem 3. Levantar e sentar 5x (para idosos >65 anos em 14s e mais novos até 10s) 4. Levantar e andar Formas de sensibilizar Caminhar em local estreito Caminhar fazendo outra tarefa Virar 360° para ambos os lados Andar de costas Força ———————————————————————————————————————————————————————— Obrigatoriamente a força deve ser avaliada antes da movimentação Paresia - diminuição da força Paralisado -ausência de força Plegia - força não identificada Terminologias Mono, di, tri, tetra Para - usado quando há o acometimento dos dois membros inferiores Hemi - acometimento de dois membros do mesmo lado do corpo Exame da motricidade 4 Condições que atrapalham o exame: Dor Edema Diminuição da compreensão Diminuição da propriocepção Condições que alteram o movimento Hipertireoidismo e mania → aumentam o movimento Parkinsonismo, fadiga, depressão, miopatia → diminuem o movimento Condições neurológicas x ortopédica Pacientes podem não ter alteração neurológica, mas sim ortopédica ou reumatológica. Condições não-orgânicas Pacientes que fingem SINAL DE HOOVER → pede para o paciente deitar. Coloca-se as mãos embaixo dos calcanhares do paciente e pede para ele levantar uma perna. Automaticamente a outra perna faz pressão na mão em baixo. Isso nos ajuda a diferenciar se a queixa do paciente é verdadeira ou falsa. Avaliação da força: podemos examiná-lo com o paciente parado e o médico fazendo uma resistência. A outra forma é o contrário. Força muscular - tabela de graus Testa quando o paciente faz um movimento contra a resistência imposta pelo examinador. Avaliamos a força através do medical research council (MRC) que utiliza 5 classificatórios. Grau o Fraqueza grave Contração nula Grau 1 Fraqueza grave Contração esboçada; ausência de movimento Grau 2 Fraqueza grave Contração fraca; movimento executado desde que não haja ação da gravidade Grau 3 Fraqueza grave Contração regular; movimentoexecutado mesmo contra a ação da gravidade, mas não vence a resistência oposta ao examinador Grau 4 - Fraqueza moderada; Grau 4 Fraqueza leve Grau 4+ Fraqueza leve Contração boa; vence alguma resistência oposta pelo examinador. Grau 4: movimento ativo contra a gravidade e resistência moderada (consegue vencer a resistência de 3 dedos). Grau 4 - movimento ativo contra gravidade de resistência ligeira;(consegue vencer a resistência de 1 dedo) Grau 4 + movimento ativo contra gravidade e resistência forte (vence a resistência da mão) Grau 5 Fraqueza leve Contração normal; vence o máximo de resistência oposta pelo examinador. Roteiro - separar entre paresia sutil e paresia não sutil Alterações da movimentação ativa ——————————————————————————————————————————— Solicita-se que o paciente realiza todos os movimentos possíveis nos diferentes segmentos do corpo. Avaliamos a velocidade, habilidade, energia e amplitude dos movimentos realizados. Cabeça e pescoço: flexão, extensão, rotação e inclinção para ambos os lados. Os músculos dependentes da inervação dos nervos cranianos também devem ser analisados. Membros superiores: nos dedos pede-se que o paciente faça flexão, extensão, abdução, adução e oponência do polegar. Nas mãos, flexão, abdução, supinação, pronação e rotação. No antebraço, flexão, extensão, supinação e pronação. Nos braços, flexão, extensão, adução, abdução e elevação. Membros inferiores: nos dedos, flexão, extensão. No joelho, flexão e extensão das pernas, na articulação coxo-femoral, flexão, extensão, adução, abdução e rotação do membro inferior. À manobra de Barré, o indivíduo, em decúbito ventral, mantém as pernas fletidas sobre as coxas. O déficit da musculatura flexora da perna leva a oscilações ou à queda da perna parética. Exame da motricidade 5 Alterações na movimentação passiva —————————————————————————————————————— Realiza a movimentação de diferentes articulações, avaliando a resistência oferecida. Hipertonia → sinal do canivete ou roda denteada Sinal do canivete - indica espasticidade, característico de lesão piramidal. Temos o aumento da resistência muscular inicial ao estiramento que logo cessa bruscamente. Sinal da roda denteada - rigidez plástica dos parkinsonianos, caracteriza-se por rigidez plástica nos parkinsonianos que não cessa bruscamente. Tônus ————————————————————————————————————————————————————— Contração máxima no nível basal do músculo. Avaliação: Inspeção - curvatura da coluna; tamanhos de músculos notavelmente assimétricos Palpação - palpando os músculos Movimento - passivo, sempre! Armadilhas Induzem hipertonia - frio tenso; musculação; ansiedade Induzem hipotonia - calor intenso, alongamentos; fraqueza muscular Mimetizam hipertonia - pseudohipertrofia; inflamação; edemas; Mimetizam hipotonia - síndrome de marfan, síndrome de ehler danlos e acromegalia Manobras adicionais Teste da queda da cabeça Teste do tônus de babinski Teste do sacudir dos ombros Teste do pêndulo de Watenberg Provas paréticas ——————————————————————————————————————————————————— Membros superiores: Manobra dos braços estendidos ou Mingazzini dos membros superiores Paciente mantém os membros superiores estendidos horizontalmente À frente do corpo, mãos e olhos abertos e dedos abduzidos. Preferencialmente sentado ou em pé. Modernamente é usada com as mãos supinadas pois é mais sensível e específica. Exame da motricidade 6 Manobra de Raimiste Manobra executada em decúbito dorsal ou sentado, com os braços ao longo do corpo e cotovelo fletido a 90°, posição neutra do punho (semipronada) e dedos maximamente abduzidos. Em caso de paresia, tem-se a adução dos dedos, seguida de flexão de punho e posterior queda do braço. Manobra de percussão do polegar com índice de M. fisher É solicitado ao paciente que percuta o mais rapidamente possível a face palmar do polegar, utilizando a ponta ou polpa do índice. Em casos de déficit esse movimento é mais lentificado. Uma variante dessa prova é o gesto de contar dinheiro com as duas mãos o mais rápido possível. No parkinsonismo os movimentos são mais lentos, redução da amplitude, configurando bradicinesia. Manobra de rolamento O paciente cerra os punhos e mantem os antebraços à frente do corpo, dispostos horizontalmente e realiza movimentos circulares dos antebraços, no sentido horário e depois anteorário. Membros inferiores Manobra de Mingazzini Paciente em decúbito dorsal, flexão do quadril sobre o tronco e flexão do joelho e tornozelo, todos a 90°. Nas plegias, há incapacidade de adotar a posição de prova; nas paresias, ocorrem oscilação e queda gradual do membro afetado, em geral do distal para o proximal. Manobra de Barré dedicar atenção ao polegar Exame da motricidade 7 Com o paciente em decúbito ventral, o examinador flexiona os joelhos do mesmo. 1. examinador posiciona a perna em um ângulo 90° e pede pro paciente ficar imóvel por 2 minutos. 2. Caso no primeiro tempo não tenha alteração, o paciente pode flexionar ao máximo os joelhos e tornozelos, buscando tocar os glúteos com os pés. o lado afetado não consegue manter a posição no tempo de dois minutos. 3. O examinador estende as pernas do paciente manteando-as em um ângulo maior que 90°, havendo queda gradual do lado parético. Essa manobra exige mais da coxa, ela também é inervada pela pirâmide.