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Políticas Públicas na Educação 
Básica
Selma de Araujo Torres Omuro
Políticas Públicas na Educação Básica - Selma de Araujo Torres Omuro
Complexo Educacional Campos Salles
ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA CAMPOS SALLES
CHANCELARIA
Jonathas Carvalho Batista
Roselene Aguiar Santos
PRESIDENTE
Claudinei Senger
VICE-PRESIDENTE
Roberto Alonso
DIRETOR FINANCEIRO
Vinícius Mendes de Oliveira
FACULDADES INTEGRADAS 
CAMPOS SALLES
DIRETOR GERAL
Claudinei Senger
DIRETOR ACADÊMICO
Carlos Antonio José Oliviero
COORDENAÇÃO DE CURSOS
Administração: Milton Tadeu Piscinato
Ciências Contábeis: Manuel dos Santos Leitão
Direito: Viviane Alves de Morais
Pedagogia: Luci Ana Santos da Cunha
Sistemas de Informação: Carlos Antonio José 
Oliviero e Paulo Marcotti (adjunto)
Gestão Financeira e Logística: Roberto 
Datrino
Gestão de Marketing e Gestão Comercial: 
Dario Djouki
Gestão de Recursos Humanos: Jairo 
Gonçalves Duarte
Primeiro ano Tecnológicos, Administração 
e Ciências Contábeis: Jairo Gonçalves Duarte 
(adjunto)
COORDENAÇÃO DA COMISSÃO PRÓPRIA DE 
AVALIAÇÃO - CPA
Edson Fernandes
FACULDADE PAULISTA DE 
COMUNICAÇÃO
DIRETOR GERAL
Claudinei Senger
DIRETOR ACADÊMICO
Fabio Cristiano de Moraes
COORDENAÇÃO DE CURSOS
Publicidade e Propaganda; Rádio, TV e 
Internet e Relações Públicas: Lina Maria 
Moreira Garai da Silva
Administração: Milton Tadeu Piscinato
COORDENAÇÃO DA COMISSÃO PRÓPRIA DE 
AVALIAÇÃO - CPA
Silene Ferreira Claro
COORDENAÇÃO DA PÓS-GRADUAÇÃO EM 
EDUCAÇÃO FICS/FPAC
Edson Fernandes
Fernando Jose Lopes
DIAGRAMAÇÃO
Valdecir Xavier
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Complexo Educacional Campos Salles
POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
APRESENTAÇÃO
Quantas vezes você já ouviu falar que a educação é um dos fatores mais importantes para o desen-
volvimento econômico de um país e para a formação plena de seus cidadãos? E quantas vezes você 
já ouviu dizer, ou mesmo constatou por experiência própria, que a educação brasileira “anda mal 
das pernas”? Como você se sente, enquanto educador ou gestor educacional, diante dessa situação?
Afinal quais são os grandes desafios da educação nacional e como enfrenta-los? Quais são as res-
ponsabilidades de todos e de cada um (educadores, Estado e sociedade civil) na garantia de uma 
educação escolar de qualidade?
Nossa missão educacional é complexa, importante e árida, mas já é hora de sairmos do senso co-
mum e buscar o aprofundamento de nossos conhecimentos sobre o tema para atuar de forma mais 
eficiente e consciente em nosso contexto social e profissional. Nesse sentido é preciso conhecer não 
apenas as leis que regulamentam a educação escolar no país, como também, as políticas públicas 
que garantem a efetivação dessas normas legais. Entende-se por políticas públicas o conjunto de 
medidas tomadas pelo Estado e pela comunidade em geral para implementar as demandas da 
sociedade em relação aos direitos sociais básicos tais como educação, saúde, segurança, trabalho, 
lazer e cultura. 
Objetivos Gerais
 • Discutir os desafios da educação escolar no Brasil e as possibilidades de seu aperfeiçoamento 
constante, por meio do conhecimento da legislação educacional e das políticas públicas 
definidas para sua aplicação nas relações entre estado e sociedade civil.
 • Apresentar os princípios legais que embasam a educação escolar no Brasil dando suporte 
para a atuação eficiente de professores e gestores escolares.
 • Conhecer os recursos disponíveis para concretizar os ideais de educação expressos na 
legislação vigente, bem como o planejamento necessário para atingi-los.
O que você irá aprender?
Essa disciplina é composta pelos seguintes módulos (somente para o módulo 1)
 • Módulo 1: Organização, princípios e responsabilidades da Educação Básica no Brasil
 • Módulo 2: Os recursos financeiros e os princípios de acesso, permanência e qualidade.
 • Módulo 3: O Plano Nacional de Educação e a Reforma do Ensino Médio
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Políticas públicas na educação Básica
Módulo 1
Organização, princípios e responsabilidades da educação básica no Brasil
Objetivos específicos
1. Conhecer os fundamentos legais da Educação Nacional: a Constituição Federal e a Lei 
de Diretrizes de Bases da Educação Nacional.
2. Conhecer as finalidades e os princípios da educação nacional, considerando o contexto 
socioeconômico e político do país.
3. Compreender a organização da educação nacional e a responsabilidades do Estado e 
da sociedade para com seu desenvolvimento. 
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Complexo Educacional Campos Salles
Temas abordados nesse módulo
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................................ 3
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................................. 6
1. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A LDB ............................................................................................................. 6
1. 1 Os princípios da Educação Nacional ......................................................................................................... 8
1. 2 Os deveres (as responsabilidades) do Estado para com a educação .........................................10
1. 3 Os sistemas de ensino ...................................................................................................................................12
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................................................................15
MAPA MENTAL DESSE MÓDULO ...............................................................................................................................16
REFERÊNCIAS................................................................................................................................................................16
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INTRODUÇÃO
Para compreendermos e avaliarmos as políticas públicas voltadas para a educação básica precisa-
mos, antes de mais nada, nos posicionar em relação à realidade que vivemos e ao papel da edu-
cação em nossa sociedade. Nosso ponto de partida será o estudo de dois documentos básicos: a 
Constituição Federal, que expressa os ideais políticos e sociais da nação brasileira, e a Lei 9394/1996 
(Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB), que estabelece, como o próprio nome diz, os 
direcionamentos gerais para que a educação nacional ajude o país a alcançar os ideais de socieda-
de expressos na Carta Constitucional.
Nossa! A Constituição Federal do Brasil é um documento tão extenso! E a tal da LDB também é bem 
grandinha. E ambas já foram bastante alteradas. Esse estudo parece cansativo, talvez um pouco 
chato, não é? Parece, mas não é tanto.
O estudo de legislação é sempre um pouco árido, mas o grande segredo para enfrenta-lo é tentar 
compreender o texto legal em seu contexto mais amplo, entendendo sua aplicação na realidade 
cotidiana e o contexto histórico que a explica. E no caso de nosso interesse específico em educa-
ção é muito interessante fazer o estudo conjunto da Constituição e da LDB, verificando os elos que 
existem entre ambas.
Então! Vamos em frente!
1. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A LDB
Primeiramente vamos pensar no contexto histórico em que foi promulgada a nossa Constituição 
Federal. Você sabe quando isso ocorreu?
A atual Constituição brasileira foi promulgada em 1988, no período da redemocratização do país 
após a Ditadura Civil Militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Dentro desse contexto, a Carta 
Magna, finalizada em 1988, expressa os sentimentos gerais de otimismo e de esperançana cons-
trução de um país mais democrático e com mais justiça social. A Constituição de 1988 foi consi-
derada uma das avançadas do mundo por garantir amplos direitos políticos e sociais. Na época 
foi chamada de “Constituição Cidadã”, pois estabeleceu, entre outras coisas, a amplas liberdades 
políticas (liberdade de expressão, reunião, associação, etc.) e a extensão dos direitos econômicos e 
sociais (direitos trabalhistas, direito à saúde e à educação, etc.). Obviamente, em nossa disciplina, 
vamos priorizar o estudo dos títulos e os artigos constitucionais que se referem à educação, mas é 
importante saber o significado que a Constituição Federal representou nesse momento histórico de 
reorganização política e social do país: a construção da democracia e da justiça social.
O segundo documento importante para compreendermos a educação brasileira é LDB, Lei 9.394, 
promulgada 8 anos mais tarde, em 1996. A lei magna da educação nacional reafirmou os princípios 
educacionais da Constituição, mas foi criticada pelos setores mais progressistas da sociedade que 
esperavam que esses princípios fossem regulamentados de modo mais detalhado na Lei. Nesse 
sentido, a LDB deixou que muitas das questões de organização da educação fossem regulamenta-
das pelos “sistemas de ensino”, ou seja, pelos diferentes entes federativos (União, Estados, Distrito 
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Federal e Municípios), que estão articulados para garantir o sistema de ensino nacional. Então, a 
LDB foi quase tão genérica como a Constituição Federal. Definições importantes como, por exemplo, 
a carreira e o piso salarial dos professores ficaram em aberto, para que cada ente federativo regu-
lamentasse tais assuntos de acordo com suas possiblidades. Na prática, a LDB deixava de garantir 
padrões mínimos para superar as desigualdades regionais. Mais tarde, uma lei federal sobre o piso 
salarial dos professores, tentou corrigir essa situação, mas ainda não foi plenamente acatada pelos 
sistemas de ensino.
Na verdade, esse limite na redação da LDB, elaborada nos anos 1990, também deve ser compreen-
dido o contexto político econômico do país naquela época. Após a euforia da redemocratização do 
país nos anos 1980, os ventos econômicos internacionais determinaram que os países capitalistas 
em desenvolvimento adotassem medidas econômicas mais austeras. Uma crise econômica inter-
nacional fortaleceu o neoliberalismo, política econômica que defende a redução da participação do 
Estado na economia. Naquela época, os países “em desenvolvimento”, como o Brasil, endividados, 
deveriam renegociar suas dívidas com as grandes agências financeiras internacionais: Fundo Mone-
tário Internacional (FMI) e Banco Mundial. E para realizar os acordos necessários, bem como novos 
empréstimos, os países deveriam seguir as regras econômicas ditadas por essas agencias. E a regra 
básica era economizar. Os países endividados, como o Brasil, deveriam ajustar suas economias 
para poder honrar os compromissos financeiros internacionais, por isso deveriam gastar menos e 
isso inviabilizava o aumento de gastos públicos afetando diretamente as políticas nas áreas sociais 
como a a educação.
Saiba mais
As regras ditadas pelas agências internacionais foram estabelecidas 
num documento que ficou conhecido como Consenso de Washington. 
Trata-se de um documento elaborado, em 1989, numa reunião entre o 
Banco Mundial, FMI e o Tesouro norte-americano, fazendo recomendações para que as eco-
nomias dos países “em desenvolvimento” pudessem superar a crise e garantir suas relações 
com o mercado financeiro internacional.
Para saber mais sobre o Consenso de Washington, você pode assistir a aula do Prof. Júlio dis-
ponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IMqrj7QNUtc Acesso em: 07/01/2019
As orientações neoliberais do Consenso de Washington influenciariam nas políticas públicas educa-
cionais brasileiras até o início do século XXI, tendo menor repercussão no período entre 2003 a 2016, 
época da administração dos governos “petistas”. Nesse último período um alinhamento político um 
pouco mais à esquerda permitiu a retomada de intervenções mais efetivas do Estado na garantia 
de direitos educacionais mais amplos. Com as mudanças políticas a partir de 2016, as regras neoli-
berais de economia de gastos públicos voltam a pesar sobre a educação.
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Apesar dessas oscilações no contexto político e econômico do país, a Constituição Federal de 1988 
e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394, de 1996, estabelecem as bases que 
podemos considerar avançadas para todas as políticas públicas educacionais do Brasil desde a 
redemocratização do país. São, portanto textos legais importantes e devem ser estudados juntos. 
Aprimore seus conhecimentos
As influências do contexto político e econômico mundial na educação 
são muito importantes para compreender as possibilidades e desafios 
para alavancar o desenvolvimento educacional no Brasil. Se você quiser 
ter mais detalhes sobre o Consenso de Washington e suas influência na Educação leia o arti-
go do Prof. Dr. João Cardoso Palma Filho, do Instituto de Artes da UNESP: PALMA FILHO, João 
Cardoso. Impactos da globalização nas políticas públicas em educação. Disponível em: ht-
tps://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/36/4/D03_Impactos_Globaliza%C3%A7%-
C3%A30.pdf Acesso em 22/12/2018
1. 1 Os princípios da Educação Nacional
E o que dizem a CF e a LDB sobre a Educação Nacional?
Como foi dito, anteriormente, ambos os documentos são bastante semelhantes e, portanto, vamos 
estuda-los juntos. A Constituição Federal trata especificamente da educação no Capítulo III, do Tí-
tulo VIII (Da ordem social), Capítulo III (Da educação, da cultura e do desporto), entre os artigos 
205 a 214. A LDB tem 92 artigos. Mas veremos que muitos artigos das duas leis se repetem ou se 
complementam. Neste material didático optamos por apresentar os textos legais em sua redação 
atual, considerando as emendas constitucionais e as leis que alteraram a LDB desde a promulgação 
de ambos. A atualização tem como referência o site oficial do governo federal: www.planalto.gov.
br/ccivil.
Ambos os documentos afirmam, em seus artigos iniciais (205 da Constituição e 2º da LDB) que a 
educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família, devendo ser promovida e in-
centivada com a colaboração da sociedade. Também afirmam que a educação tem por finalidade 
o pleno desenvolvimento da(o) pessoa/educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho. Em seguida definem os princípios da educação nacional e os deveres 
do Estado em sua oferta.
O artigo 206 da CF elenca oito princípios, que são os seguintes:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o 
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saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições 
públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, 
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e 
títulos, aos das redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar 
pública, nos termos de lei federal.
O artigo 3º da LDB repete esses princípios e acrescenta mais cinco princípios que são os seguintes:
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
X - valorização da experiência extraescolar;
XI - vinculação entre a educaçãoescolar, o trabalho e as práticas sociais;
XII - consideração com a diversidade étnico-racial;              
XIII - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. 
São princípios que expressam, de modo geral, os valores democráticos e a preocupação com a qua-
lidade do ensino, e têm relação imediata com as finalidades da educação anteriormente explicita-
das: formação para a cidadania e para o trabalho. Se a educação se destina a estas duas instâncias 
da vida social - cidadania e trabalho - deduz-se que todos, independentemente de raça, classe so-
cial, sexo, religião, idade, etc., devem ter acesso a uma educação de qualidade, que é a base para a 
harmonia social e para a prosperidade econômica do país. A educação pode ser desenvolvida tanto 
em escolas públicas quanto em escolas privadas, considerando as diferentes ideias e concepções 
pedagógicas, bem como as experiências desenvolvidas na vida social e no trabalho. O ensino deve 
considerar a diversidade étnico-racial, valorizando a história e a cultura dos povos indígenas e dos 
afrodescendentes nos currículos escolares. Os indígenas têm direito a estudar utilizando suas lín-
guas maternas. O ensino deve estar articulado com o trabalho e com as práticas sociais. Se o ensino 
for desenvolvido em escolas oficiais (mantidas pelo estado) ele deve ser gratuito e deve ser gerido 
de forma democrática. Os educadores devem ser valorizados pois isto trará qualidade à educação. 
Todos são responsáveis pela educação e, portanto, ela deve ser gerida de forma democrática. 
De todos os treze princípios podemos destacar dois que são considerados os maiores desafios da 
política pública educacional do Brasil:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
VII - garantia de padrão de qualidade.
Como todos sabem, o Brasil chegou ao final do século XX sem garantir uma escolarização mínima 
para toda sua população. Uma significativa expansão do ensino de primeiro grau, equivalente ao 
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atual ensino fundamental, começou nos anos 1970, em plena Ditadura Militar, mas foi uma expansão 
sem qualidade. Ao mesmo tempo em que os governos militares expandiam a duração do ensino 
obrigatório no país (de quatro para oito anos em 1971), as verbas para e educação foram reduzidas 
e as escolas não estavam preparadas para assumir crescente demanda de matrículas. Com menos 
dinheiro e mais alunos, a escola pública se expandiu, mas não conseguiu oferecer um ensino de 
qualidade, não apenas pela falta de recursos, mas também pela dificuldade atender um novo públi-
co escolar: estudantes de diversas origens socioeconômicas e culturais. 
Com a redemocratização do país, nos anos 1980, a expansão do ensino se acelerou e, atualmente, 
cerca de 97% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estão frequentando a escola. Mas as exi-
gências educacionais foram ampliadas: a pré-escola e o ensino médio também se tornaram obri-
gatórios; e não há vagas para todos. Os resultados pedagógicos também são limitados: há muita 
evasão, muita repetência e o desempenho dos alunos em avaliações externas é sofrível. Então, ainda 
estamos correndo para atender os princípios I e VII: acesso de todos à educação, a permanência na 
escola com ensino de qualidade.
1. 2 Os deveres (as responsabilidades) do Estado para com a educação
E a quem cabe garantir tudo isso? Como vimos a educação é dever do Estado e da família. E quais 
são os deveres do Estado? Eles estão expressos no artigo 208 da Constituição Federal:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de 
idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram 
acesso na idade própria;  
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de 
idade; 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, 
segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio 
de programas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação 
e assistência à saúde.
O artigo 4º da LDB repete esses sete deveres e acrescenta mais quatro.
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os que 
não os concluíram na idade própria;
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características 
e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se 
aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola;
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e 
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quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento 
do processo de ensino-aprendizagem.
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais 
próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 
(quatro) anos de idade.
Desses deveres cumpre destacar os conceitos de educação básica e de educação obrigatória. Nos 
termos da LDB, a educação escolar nacional se divide em duas grandes etapas: a Educação Básica 
e a Educação Superior.
Em tese a Educação Básica seria aquela que é necessária a todos cidadãos e é subdividida em 
três fases: Educação Infantil (creche: de zero aos três anos, pré-escola: dos quatro aos cinco anos), 
Ensino Fundamental (dos seis aos catorze anos) e Ensino Médio (dos quinze aos dezesseis anos). 
Embora essa seja a formação ideal, considerando as condições reais dessa oferta pelo Estado, a 
legislação criou também o conceito de “educação obrigatória”, que se refere ao que deve ser neces-
sariamente garantida pelo Estado. Assim sendo, atualmente, a educação obrigatória, está restrita 
à Pré-escola, ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. A educação obrigatória é considerada 
“direito público subjetivo”, ou seja, um direito efetivo, inerente a todo cidadão, que deve estar dispo-
nível a qualquer momento. A não oferta desse direito implica em responsabilização das autoridades 
competentes. Na prática podemos dizer que a creche é um direito dos cidadãos, mas o Estado pode 
justificar o atendimento parcial alegando circunstancias especiais e prometendo a viabilização do 
atendimento pleno dentro de cronogramas viáveis. A Pré-Escola, o Ensino Fundamental e o Ensino 
Médio, não podem ser negados.
Lembramos que, na época da promulgação da Constituição Federal e da LDB, o ensino obrigatório 
era apenas o ensino Fundamental de 8 anos (dos 7 aos 14 anos). Em 2006 foi implantado o ensino 
fundamental de 9 anos (6 aos 14 anos) e em 2013, a escolaridade obrigatória foi ampliada conforme 
os textos legais atuais (dos 4 aos 17 ano).
O Ensino Superior é um nível de ensino previsto na organização da educação nacional, mas cujo 
acesso é opcional aos cidadãos, cabendo ao Estado proporcionar sua oferta, podendo condicionar 
o acesso à capacidade de cada um.
Outros deveres relevantes do Estado são a Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos, que 
estão previstos no inciso III do Artigo 208 da CF e no inciso VII do artigo 4º da LDB. As pessoas com 
deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades e superdotação têm direito 
a serem incluídas no ensino regular e ao atendimento educacional especializado (AEE) no turno 
contrário. As pessoas que não puderam cursar o Ensino Fundamental e o Ensino Médio na idade 
própria, tem o direito de cursa-los na juventude e vida adulta. A Educação Especial e a Educação 
de Jovens e Adultos são consideradas “modalidades” de ensino, ou seja, modos diferenciadosde 
ofertar a mesma educação prevista a todos, para esses estudantes que apresentam características 
específicas, por suas condições sensoriais, físico-neurológicas e por sua faixa etária.
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Os demais deveres estão relacionados à garantia das formas mais adequadas de oferta da educa-
ção para todos, considerando o princípio do acesso, da permanência e da qualidade. Neste sentido 
observamos:
1. o atendimento dos educandos por meio de programas suplementares de material 
didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. Estes programas são 
essenciais para que os alunos permaneçam na escola, pois nem sempre as famílias 
têm condições de prover os recursos necessários para que o aluno possa se dedicar 
integralmente à sua vida escolar.
2. vagas próximas à residência é outra condição importante, que ajuda a frequência e 
que acaba por dispensar os programas de transporte escolar.
3. o ensino noturno é condição necessária para o aluno trabalhador possa frequentar a 
escola.
4. a creche é considerada um direito de todas as crianças e superando a antiga visão 
a colocava como uma instituição assistencialista, destinada apenas às crianças 
carentes.
Enfim todos estes deveres estão articulados aos princípios gerais regem a educação escolar no Bra-
sil. Mas para que tudo isso seja cumprido, as diferentes esferas de governo – a União, os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios - devem se articular dividindo as responsabilidades educacionais. 
Para tanto cada dessas esferas deve organizar seu sistema de ensino e atuar de forma colaborativa 
com os demais sistemas.
1. 3 Os sistemas de ensino
Agora que você já conhece as finalidades, os princípios da educação nacional e os deveres do Es-
tado para com a oferta das diferentes etapas da educação, resta saber a quem devemos cobrar o 
cumprimento do que a Lei estabelece.
Pense comigo
Imagine que você tem um filho de quatro anos e deseja matricula-lo na 
pré-escola pública, pois não tem recursos suficientes para pagar uma 
instituição particular. A que esfera de governo você deverá recorrer? Se 
não houver a vaga pretendida, qual a autoridade deverá ser acionada e responsabilizada?
Você precisará saber qual a esfera de governo responsável pela oferta da pré-escola. Isto 
também está estabelecido na Constituição e na LDB.
Políticas Públicas na Educação Básica - Selma de Araujo Torres Omuro
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De acordo com a Constituição Federal os entes federados - a União, os Estados, o Distrito Federal e 
os Municípios - deverão organizar seus sistemas de ensino em regime de colaboração. Cada sistema 
de ensino ficará com algumas reponsabilidades, conforme o que está estabelecido no artigo 211:
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as 
instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função 
redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades 
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência 
técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação 
infantil.
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental 
e médio.
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a 
universalização do ensino obrigatório.
Os artigos 9º, 10 e 11 da LDB trazem detalhes sobre a composição e responsabilidades de cada siste-
ma de ensino, mas, de modo geral podemos resumir assim.
Os municípios são responsáveis pela Educação Infantil e pelo Ensino Fundamental. Deve oferecer 
vagas nas creches e garantir o atendimento de todas as crianças de 4 a 5 anos nas pré-escolas e 
das crianças de seis anos ou mais nas escolas de Ensino Fundamental.
Os Estados e o Distrito Federal são responsáveis pelo Ensino Fundamental e Médio. Observa-se, 
portanto, uma responsabilidade comum, entre estes entes federados com o ensino fundamental. O 
mais comum é que os Municípios assumam a oferta dos anos iniciais do Ensino Fundamental, en-
quanto Estados e Distrito Federal garantem os anos finais do Ensino Fundamental, mas o importante 
é que todos juntos garantam a universalização deste nível de ensino.
Assim, se quisermos cobrar a vaga na pré-escola temos que acionar o prefeito ou secretário mu-
nicipal de educação. Se quisermos cobrar a vaga no ensino fundamental vamos acionar o Prefeito 
Municipal ou o governador do Estado/ Distrito Federal e seus respectivos secretários de educação, 
conforme o que foi estabelecido no regime de colaboração entre Município e Estado/Distrito Fede-
ral. Se quisermos cobrar vaga no ensino médio, devemos acionar também as autoridades educacio-
nais do Estado e do Distrito Federal.
Mas, se todos juntos são responsáveis pelo ensino obrigatório, qual é o papel da União (governo 
federal)?
A União oferece em escolas federais o Ensino Superior e o Ensino Profissional Técnico de Nível Médio 
– níveis de ensino não obrigatórios, mas que devem ser ofertados – e exerce as funções redistribu-
tiva e supletiva na oferta do ensino obrigatório. Sua função é redistribuir os recursos financeiros na-
cionais e suplementar com verbas federais os sistemas de ensino que não puderem arcar sozinhos 
com os custos dos níveis de ensino sob suas responsabilidades. Além disso a União tem um papel 
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normativo estabelecendo as regras gerais do ensino em todo o país. Vocês compreenderão melhor 
esse papel da União quando estudarmos, no módulo II, o financiamento da educação e a qualidade 
do ensino.
Estados, Distrito Federal e Municípios só podem oferecer níveis de ensino que estão fora de sua 
responsabilidade se já tiverem atendido plenamente sua obrigação constitucional. Os municípios só 
podem oferecer o Ensino Médio e o Superior se tiverem atendido toda a demanda da educação in-
fantil e do ensino fundamental. Os Estados e o Distrito Federal só podem oferecer o Ensino Superior 
de tiverem atendido toda a demanda dos ensinos fundamental e médio.
Todas os entes federativos e seus sistemas de ensino têm suas responsabilidades educacionais, mas 
como fica a oferta dos níveis de ensino que não são obrigatórios? A oferta de creches e do ensino 
superior dependerá da boa vontade dos sistemas de ensino? Não, as responsabilidades existem. O 
acesso a esses níveis de ensino também são direitos constitucionais, devem ser oferecidos, mas não 
como prioridade. Para eles existem metas de atendimento que são estabelecidos no Plano Nacional 
de Educação (PNE), documento que será estudado no 3º módulo de nosso curso. Mas só para matar 
sua possível curiosidade: de acordo com o atual PNE o Estado deve garantir o atendimento de, pelo 
menos, 50% da demanda educacional por creches até 2020. Em relação ao ensino superior a meta 
é elevar em cerca de 50% a taxa bruta de matrícula neste nível de ensino até 2024.
Agora que você já sabe quais são as responsabilidades do Estado para com a educação, poderá 
questionar sobre os demais responsáveis pela melhoria da educação brasileira. Se a educação é um 
direito de todos e um dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade, qual é o papel 
dos agentes que estão fora do Estado?
A LDB prevê responsabilidades as para escolas públicas e privadas e para dos educadores. As es-
colas devem elaborar e executar sua proposta pedagógica; administrar seus recursos humanos, 
materiais e financeiros; cumprir os dias letivos e carga horária previstos por lei; velar pelo cumpri-
mento do plano de trabalho dos docente, prover a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
articular-se com as famílias e com a comunidade para envolve-lasno processo educativo; informar 
pais ou responsáveis sobre o rendimento escolar e a frequência dos alunos; comunicar ao Conselho 
Tutelar e autoridade judiciárias os casos de frequência irregular. Os docentes devem participar da 
elaboração e execução do projeto pedagógico da escola; elaborar e cumprir seu plano de trabalho; 
ministrar as aulas previstas no calendário escolar; avaliar seus alunos e promover estratégias de re-
cuperação para aqueles de menor rendimento; colaborar com a escola nos processos de articulação 
coma as famílias e a comunidade; e outras atividades inerentes à função.
Ao cidadão comum cabe a obrigação de matricular seus filhos nos estabelecimentos que oferecem 
o ensino obrigatório, bem como garantir a frequência regular dos mesmos. A legislação vigente, 
em especial, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), prevê a responsabilização dos pais que 
não cumprem com essa responsabilidade, enquadrando-os no crime de abandono intelectual. O 
Conselho Tutelar, o Ministério Público e o poder judiciário são instituições públicas, que acionadas 
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pela escola e pela sociedade civil em geral, devem cobrar os pais ou responsáveis negligentes com 
a educação de seus filhos.
Enfim, toda a sociedade deve estar articulada para garantir a educação de todos com qualidade. 
Esta articulação só será bem-sucedida se ocorrer dentro dos princípios de gestão democrática.
Atenção
Para estudar a Constituição Federal (artigos sobre a educação) e a LDB 
procure estudar conjuntamente os artigos que versam sobre temas co-
muns, de forma a identificar as semelhanças e os aspectos que são fun-
damentais e por isso estão presentes nos dois documentos. Siga esta dica:
 • Finalidades da Educação Nacional – Artigo 205 da CF – Artigo 2º da LDB
 • Princípios da educação nacional – Artigo 206 da CF – Artigo 3º da LDB
 • Deveres do Estado para com a educação – Artigo 208 da CF – Artigo 4º da LDB
 • Os sistemas de ensino – Artigo 211 da CF – Artigos 9º, 10 e 11 da LDB
 • Recursos para a educação – Artigo 212 da CF – Artigos 68, 69, 70 e 71 da LDB
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estamos chegando ao final desse primeiro módulo do curso de Políticas Públicas na Educação Bá-
sica. Nele tentamos apresentar de forma contextualizada e sintética os dois documentos que são a 
base de todas as atuais políticas públicas da educação brasileira. São documentos extensos e que 
sofreram muitas alterações nos últimos anos, mas procuramos mostrar os aspectos essenciais de 
ambos, considerando os anseios maiores da sociedade brasileira atual, que, após vinte anos de 
regime ditatorial, tenta construir um país democrático e mais justo. E a educação é fator primordial 
para o desenvolvimento da democracia e da justiça.
Oferecer a educação obrigatória, dos 4 aos 17 anos de idade, para um país de 209 milhões de habi-
tantes, com um território extenso e muitas desigualdades regionais, não é pouca coisa. Garantir que 
todos tenham acesso à escola básica, e que nela permaneçam até concluir todas suas etapas e as-
similando conhecimentos com qualidade é um imenso desafio. Por isso é preciso o envolvimento de 
todos: Estado, escolas, educadores, famílias e sociedade civil. É necessário também recursos finan-
ceiros e planejamento. Neste módulo vimos o que precisa ser feito (nossos ideias e responsabilida-
des), nos próximos módulos veremos como fazer, considerando os recursos financeiros disponíveis 
e as estratégias (plano) para atingir o ideal de sociedade e de educação traçados na Constituição 
Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
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MAPA MENTAL DESSE MÓDULO
REFERÊNCIAS
BRASIL, Constituição Federal. Disponível em: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 15/12/1018
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BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/L9394.htm>. Acesso em 15-12-2018
BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/LEIS/L8069.htm. Acesso em 21/12/2018
PALMA FILHO, João Cardoso. Impactos da globalização nas políticas públicas em educação. Disponí-
vel em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/36/4/D03_Impactos_Globaliza%-
C3%A7%C3%A30.pdf Acesso em 22/12/2018

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