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RE���� MÓDU��
An��es�� B. Eva���l���a- T3, me����na
S�-1
Defin� di��ími�� e ci���tími��;
A ciclotimia é um distúrbio de humor que afeta cerca de 0.4% a 1% da população mundial.
A incidência do problema é equivalente entre homens e mulheres. No entanto, os homens costumam ser mais
resistentes à busca de tratamento — o que pode resultar em subnotificação de casos.
● Também conhecido como transtorno ciclotímico, personalidade ciclotímica ou personalidade ciclóide, a
condição pode ser descrita como um tipo de bipolaridade, cujos sintomas são menos severos.
● Quem sofre com o distúrbio transita entre momentos de sutil euforia e leve depressão.
● Justamente por ser mais branda, a oscilação de humor tende a dificultar o diagnóstico.
● Por vezes, a pessoa vive décadas sem ter sua condição devidamente identificada.
● Como as evidências costumam aparecer na adolescência ou início da vida adulta, a possibilidade de a
disfunção ser confundida com traços de personalidade também colabora para que a busca por tratamento seja
tardio.
● Embora os ciclos de humor sejam menos agressivos e duradouros que aqueles experimentados por
pessoas com transtorno bipolar, isso não significa uma vida isenta de prejuízos.
Características do transtorno ciclotímico
* A principal característica da ciclotimia é a instabilidade crônica do humor.
* É semelhante ao transtorno bipolar, mas com sintomas menos graves.
* As frequentes flutuações de humor (ora eufórico, ora deprimido) são desproporcionais aos eventos do dia a
dia.
* O transtorno pode afetar crianças e adolescentes.
* Geralmente, o distúrbio ciclotímico não melhora sem tratamento.
* Pessoas com ciclotimia estão propensas a desenvolver transtorno bipolar. Estima-se que tal agravamento da
condição atinja de 15 a 50% dessas pessoas.
* Não existe uma causa única para a ciclotimia. Ou seja, segundo as pesquisas hoje disponíveis, os fatores que
desencadeiam o transtorno variam de pessoa para pessoa.
* É comum que pessoas com ciclotimia apresentem sintomas de outros problemas de saúde mental.
Depressão e ansiedade, por exemplo, ocorrem em 20 a 50% dos casos. Transtornos alimentares, TDAH e
comportamentos compulsivos — incluindo envolvimento em jogos de azar e compras impulsivas — também
são comorbidades
relacionadas ao distúrbio.
* A personalidade
ciclotímica é uma condição
difícil de ser diagnosticada
e requer avaliação de um
psicólogo.
* Não é raro que o
temperamento ciclotímico
seja interpretado como
simples evidência de uma
personalidade difícil —
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muito sensível e inconstante.
* A ciclotimia deve ser diagnosticada a partir do histórico do paciente, pois a instabilidade precisa ser avaliada
em termos de continuidade e recorrência dos sintomas típicos.
* O tratamento padrão consiste em sessões de terapia — sendo a TCC bastante efetiva. O uso de
medicamentos, como medida complementar, é recomendado apenas em situações específicas.
Distimia é um tipo de depressão crônica, de moderada intensidade. Diferentemente da depressão que se
instala de repente, a distimia não tem essa marca brusca de ruptura. O mau humor é constante. Os portadores
do transtorno são pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica.
Estão sempre irritados, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. Na maior parte das
vezes, tudo fica por conta de sua personalidade e temperamento complicado.
O principal sintoma da distimia é a irritabilidade , mas existem outros:
* Mau humor;
* Baixa autoestima;
* Desânimo e tristeza;
* Predominância de pensamentos negativos;
* Alterações do apetite e do sono;
* Falta de energia para agir;
* Isolamento social;
* Tendência ao uso de drogas lícitas e tranquilizantes.
Tra��t���� de hu���
O humor pode ser definido como uma emoção ou um tom de sentimento difuso e persistente que influencia o
comportamento de uma pessoa e colore sua percepção de ser no mundo. Os transtornos do humor – às vezes
chamados de transtornos afetivos – constituem uma categoria importante de doença psiquiátrica, consistindo
em transtorno depressivo, transtorno bipolar e outros transtornos.
Diversos adjetivos são usados para descrever o humor: deprimido, triste, vazio, melancólico, angustiado,
irritável, desconsolado, excitado, eufórico, maníaco, jubiloso e muitos outros, todos de natureza descritiva.
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Alguns podem ser observados pelo médico (p. ex., um rosto infeliz), e outros podem ser sentidos apenas pelo
paciente (p. ex., desesperança). O humor pode ser lábil, flutuar ou alternar rapidamente entre os extremos (p.
ex., rindo alto e de modo expansivo em um momento, choroso e desesperado no seguinte). Outros sinais e
sintomas de transtorno do humor incluem mudanças no nível de atividade, nas capacidades cognitivas, na fala
e nas funções vegetativas (p. ex., sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). Esses transtornos
quase sempre resultam em comprometimento do funcionamento interpessoal, social e ocupacional.
Os transtornos do humor caracterizam-se principalmente por alterações patológicas do humor, cognitivas e
psicomotoras. São doenças físicas que evoluem em episódios únicos ou repetidos e podem ter início súbito e
remitir espontaneamente ou apresentar curso crônico ao longo da vida com sintomas de intensidade leve a
grave ou incapacitantes. Quando os transtornos do humor são corretamente diagnosticados e tratados, o
prognóstico é bom e as chances de recuperação são máximas, desde que o tratamento seja mantido por tempo
suficiente, de meses a vitalício.
Existem múltiplos fatores etiológicos nos transtornos do humor, resultantes da combinação de fatores
ambientais (dieta, álcool, ritmos biológicos), individuais relacionados à personalidade e dos relacionamentos
pessoais, que desencadeiam a doença em indivíduos biologicamente vulneráveis
O sistema límbico representa a região de convergência desses fatores, produzindo desequilíbrio das aminas
biogênicas, especialmente a noradrenalina, a serotonina e, em segundo plano, a dopamina, e dos sistemas de
mensageiros secundários (p. ex., adenil ciclase) e peptídeos neuroativos. Além disso, ocorre desregulagem dos
eixos endócrinos, hipotálamo-adrenal, tireoidiano e ligado ao hormônio do crescimento, anormalidades do sono,
desajuste dos ritmos circadianos, anormalidades do sistema imunológico e alterações da morfofisiologia
cerebral.
Os fatores psicossociais em geral representam desencadeantes dos transtornos do humor, por exemplo, a
perda do emprego, de ente querido, separações. Não existem traços de personalidade pré disponentes para os
transtornos do humor; a depressão pode ocorrer em qualquer tipo de personalidade.
FONTE: PSIQUIATRIA BÁSICA
Tra��t���� Bip����
TRANSTORNO BIPOLAR
Transtorno bipolar (TB) é umas das 10 principais causas de incapacidade em todo o mundo. Além disso, essa
população tem alto risco de morte por suicídio e baixa expectativa de vida quando comparada à população
geral. Esse transtorno caracteriza-se pela presença de episódios depressivos e maníacos, que, na maioria
das vezes, podem iniciar antes dos 25 anos de idade . Apesar da gravidade do transtorno, o tempo até
receber odiagnóstico clínico adequado é, muitas vezes, prolongado para uma parcela grande dos indivíduos,
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Usuario
Realce
que, se não tratados adequadamente, podem apresentar quadros mais severos, com prejuízos cognitivos e
sociais e maior refratariedade ao tratamento.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TB está entre as 10 principais causas de anos de
vida ajustados por incapacidade em adultos jovens. Pessoas com esse transtorno têm, aproximadamente, 20 a
30 vezes mais probabilidade de morrer por suicídio quando comparadas à população geral .Na verdade,
o TB pode responder por um quarto de todos os suicídios. Além disso, foi relatado que a expectativa de vida
diminui em nove anos para esses pacientes, em virtude não só do suicídio, mas também por um aumento na
taxa de mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares. Sabe-se, ainda, que há um atraso médio de 10
anos entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico formal, e que apenas 20% dos pacientes
que estão vivenciando um episódio depressivo bipolar são diagnosticados corretamente no primeiro ano em
que buscam tratamento.
Um estudo prospectivo demonstrou que durante aproximadamente metade do tempo os pacientes se
apresentavam sintomáticos ( TB tipo I: 46,6%; TB tipo II: 55,8%), sendo que os sintomas depressivos
tiveram grande predominância sobre os de mania ou hipomania (a razão foi de 3:1 e de 37:1,
respectivamente, para o TB tipo I e o TB tipo II). O curso longitudinal do transtorno é heterogêneo, mas, em
média, o risco de recorrência aumenta com o número de episódios anteriores, e uma parcela dos pacientes
apresenta trajetória perniciosa associada a prejuízo neurocognitivo e refratariedade ao tratamento. Além disso,
o número de episódios está associado a diminuição do limiar para o desenvolvimento de novos episódios e
risco aumentado de demência em longo prazo. O curso progressivo da doença em pa cientes com episódios
múltiplos é chamado de progressão clínica, cuja base biológica é definida como neuroprogressão.
Transtorno bipolar I
Os critérios do DSM-5 para transtorno bipolar I requerem a presença de um período distinto de humor
anormal de pelo menos uma semana e incluem diagnósticos separados de transtorno bipolar I para um
episódio maníaco único e para um episódio recorrente com base nos sintomas do episódio mais recente,
conforme descrito a seguir.
A designação transtorno bipolar I é sinônimo do que antes era conhecido como transtorno bipolar – uma
síndrome em que um conjunto completo de sintomas de mania ocorre durante o curso do transtorno .
Os critérios diagnósticos para transtorno bipolar II são caracterizados por e pisódios depressivos e
hipomaníacos durante o curso do transtorno, mas os episódios de sintomas maníaco-símiles não
satisfazem por completo os critérios diagnósticos para uma síndrome maníaca completa . Episódios
maníacos claramente precipitados por tratamento antidepressivo (p. ex., farmacoterapia, eletroconvulsoterapia
[ECT]) não indicam transtorno bipolar I.
Transtorno bipolar I,
episódio maníaco único.
De acordo com o DSM-5, os
pacientes devem estar
vivenciando seu primeiro
episódio maníaco para
satisfazer os critérios
diagnósticos para transtorno
bipolar I, episódio maníaco
único . Esse requisito
baseia-se no fato de que
pacientes que estão tendo
seu primeiro episódio de
depressão do transtorno
bipolar I não podem ser
distinguidos daqueles
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afetados por transtorno depressivo maior.
Transtorno bipolar I, recorrente.
As questões relativas à definição do fim de um episódio de depressão também se aplicam à definição do fim de
um episódio de mania. Os episódios maníacos são considerados distintos quando são separados por
pelo menos dois meses sem sintomas significativos de mania ou hipomania.
Condição muito prevalente na população, o transtorno do humor bipolar (TB) se caracteriza por oscilações do
humor que se alternam entre fases de depressão e maníacas ou hipomaníacas.
MANIA
Define-se um episódio maníaco como ≥ 1 semana de humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável e
atividade direcionada a um objetivo persistentemente aumentada ou aumento perceptível da energia mais ≥ 3
sintomas adicionais:
● Autoestima inflada ou grandiosidade
● Diminuição da necessidade de sono
● Falar mais do que o habitual
● Fuga de ideias ou pensamentos acelerados
● Facilidade em se distrair
● Aumento das atividades direcionadas a objetivos
● Envolvimento excessivo em atividades com alto potencial para consequências negativas (p. ex., gastar
em festanças, investimentos financeiros tolos)
Os pacientes maníacos podem ficar incansáveis, excessiva e impulsivamente envolvidos em diversas
atividades prazerosas com alto risco (p. ex., jogos, esportes perigosos, atividade sexual promíscua) sem crítica
sobre o possível risco. Os sintomas são tão graves que os pacientes não podem desempenhar seus papéis
primários (ocupação, escola, tarefas domésticas).
Pacientes em episódios maníacos podem usar roupas exuberantes, extravagantes ou coloridas e
frequentemente têm posturas autoritárias com fluxo de fala rápido e sem interrupções. Os pacientes podem
fazer associações pela sonoridade (novos pensamentos são desencadeados pelo som das palavras e não pelo
significado). Distraídos com facilidade, os pacientes podem constantemente mudar de um tema para outro ou
de uma empreitada para outra. Entretanto, eles tendem a acreditar que estão em seu melhor estado mental.
Perda da crítica e aumento na capacidade de atividade, muitas vezes, acarretam comportamentos intrusivos,
podendo ser uma combinação perigosa. Disso resultam atritos interpessoais que podem levar os pacientes a
sentir que estão sendo tratados injustamente ou perseguidos. Como resultado, os pacientes podem se tornar
um perigo para si mesmos e para as outras pessoas. A atividade mental acelerada é experimentada como uma
corrida de pensamentos pelos pacientes e é observada como fuga de ideias pelo médico.
Mania psicótica é a manifestação mais extrema, com sintomas psicóticos que podem ser difíceis de distinguir
da esquizofrenia. Os pacientes podem ter delírios extremamente grandiosos ou persecutórios (p. ex., de ser
Jesus, de ser perseguido pelo Federal Bureau of Investigation FBI]), às vezes, com alucinações. O nível de
atividade aumenta marcadamente; os pacientes podem correr e gritar, xingar ou cantar. A labilidade de humor
aumenta, com frequência, com irritabilidade crescente. Delirium completo (mania delirante) pode surgir, com
perda completa do pensamento e comportamento coerentes.
HUMOR DEPRESSIVO
Um episódio depressivo tem características típicas de depressão maior; o episódio deve incluir ≥ 5 dos
seguintes durante o mesmo período de 2 semanas, e um deles deve ser humor deprimido ou perda de
interesse ou prazer e, com exceção de pensamentos ou tentativas de suicídio, todos os sintomas devem estar
presentes praticamente todos os dias:
● Humor deprimido durante a maior parte do dia
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● Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades durante a maior
parte do dia
● Ganho ou perda ponderal significativo (> 5%) ou diminuição ou aumento do apetite
● Insônia (muitas vezes insônia de manutenção do sono) ou hipersonia
● Agitação ou atraso psicomotor observado por outros (não autorrelatado)
● Fadiga ou perda de energia
● Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada
● Capacidade diminuída de pensar, concentrar-se ou indecisão
● Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, tentativa de suicídio ou plano específico para o suicídio
FISIOPATOLOGIA
A causa exata da sintomatologia apresentada no TBP não está clara, mas alterações nos níveis de
neurotransmissores como noradrenalina, serotonina, dopamina, GABA e glutamato parecem estar relacionadas
com modificações intracelulares nos neurônios corticais , podendo levar alguns desses neurônios a
alterações metabólicas ou mesmo à morte dando origem às alterações de humor e estágios de mania e
depressão.
FATORES DE RISCO
GENÉTICOS
A história familiar está entre os fatores de risco mais consistentes. Há, em média, risco 10 vezes maior entre
parentes adultos de indivíduos com TB tipo I e TB tipo II. A magnitude do risco aumenta com o grau de
parentesco. Um estudo apontou herdabilidade genética de 58%.12 Outros estudos indicam que a associação
entre gêmeos monozigóticos ocorre em 40-80%.13 A concordância entre gêmeos e hereditariedade indica a
importância do componente genético no desenvolvimento do transtorno. A associação entre genótipo e fenótipo
nos transtornos psiquiátricos é claramente complexa, mas há estudos que demonstram que eles compartilham
uma causa genética comum (p. ex., um grande estudo populacional demonstrou haver uma sobreposição na
suscetibilidade genética entre bipolaridade e esquizofrenia).13,14
Estudos recentes com uso de associação genômica ampla (GWAS, do inglês genome-wide association studies)
permitiram progressos com descobertas genéticas sobre a etiologia do TB.15 Por intermédio dessas pesquisas,
diversos genes têm sido identificados como associados ao transtorno, por exemplo, o CACNA1C, que codifica a
subunidade alfa do canal de cálcio do tipo L, o NCAN, que codifica a neurocan, uma glicoproteína da matriz
extracelular expressada no cérebro, e o ODZ 4, que codifica um membro de uma família de proteínas da
superfície celular, as teneurinas.13 Estimativas por meio de métodos com GWAS sugerem que 38% da
variância fenotípica no TB poderia ser explicada pelo impacto cumulativo de vários alelos comuns de efeitos
pequenos.13 Uma metanálise avaliou as vias envolvidas na predisposição genética ao TB, com resultados que
incluíram vias da regulação hormonal, dos canais de cálcio, dos sistemas de segundos mensageiros e da
sinalização de glutamato, entre outros.16
AMBIENTAIS
Além dos fatores genéticos associados ao TB, deve-se, também, levar em consideração os fatores ambientais.
A importância de detectar tais aspectos é crucial para o desenvolvimento de intervenções que modifiquem o
início e o curso dessa patologia.17 O trauma precoce é um fator ambiental que tem sido classicamente
estudado no TB. Uma metanálise apontou que pessoas com esse transtorno relatam terem sofrido trauma na
infância 2,63 vezes mais que indivíduos saudáveis.18 Além disso, aqueles com TB que sofreram trauma infantil
apresentam primeiro episódio de humor mais precocemente, mais ciclagem rápida e condições mais graves do
transtorno quando comparados aos que não vivenciaram trauma infantil.19 Entre os tipos de trauma precoce, o
abuso e a negligência têm associação positiva com a ocorrência e a gravidade de sintomas prodrômicos em
sujeitos com TB. Já outros tipos de trauma, como abuso sexual e emocional, afetam a performance cognitiva
(memória visual e verbal, fluência verbal e flexibilidade cognitiva) em pessoas com TB.20,21
Alguns fatores pré-natais e perinatais aumentam o risco de desenvolvimento do transtorno ao longo da vida,
como parto cesáreo, infecção materna durante a gravidez, fumo durante a gravidez e elevada idade paterna.17
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Usuario
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Usuario
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Uma metanálise recente apresentou que o tamanho da circunferência da cabeça (< 32 cm) aumenta a chance
de desenvolver TB na vida adulta em 5,4 vezes.22
O uso e o abuso de substâncias psicoativas é outro fator de risco ambiental relacionado ao TB. Por exemplo,
sujeitos com transtorno por uso de álcool apresentam 4,1 vezes mais chances de terem TB quando
comparados àqueles sem esse transtorno.23 Porém, essa chance de desenvolver TB aumenta em cinco vezes
entre aqueles que usam qualquer droga ilícita quando comparados com aqueles que não usam.23 Adicionado a
isso, o uso de cocaína se mostrou importante fator de risco para a conversão de TDM para TB em um estudo
de coorte, com uma razão de chance de 3,41, comparados aos sujeitos com TB que não usaram cocaína.24
CURSO LONGITUDINAL E NEUROPROGRESSÃO
Antes do surgimento do quadro clínico que caracteriza o TB, os indivíduos podem apresentar alterações
fenotípicas específicas. Dessa maneira, há estudos que avaliam como ocorre o TB antes do diagnóstico formal.
Duffy e colaboradores25 propuseram um modelo longitudinal sobre o curso desenvolvimental do TB. No
primeiro estágio, há presença de sintomas de ansiedade, problemas de sono, dificuldades de aprendizagem e
TDAH. No segundo estágio, são prevalentes sintomas depressivos inespecíficos (p. ex., apatia, anedonia),
distimia e ciclotimia. O terceiro estágio é caracterizado pela presença de TDM com episódio único. Nesse
estágio, já é clinicamente perceptível o início do declínio funcional dessas pessoas. O quarto estágio apresenta
o quadro característico do TB, isto é, um indivíduo com episódios maníacos e/ou hipomanía cos.26 É
interessante observar que os filhos das pessoas com TB que não respondem ao lítio parecem apresentar um
quadro clinicamente mais grave e com transtornos do neurodesenvolvimento, diferentemente dos filhos de
pessoas com TB que respondem ao lítio.25,26
Dados de outras coortes de filhos de sujeitos com TB, como Course and Outcome of Bipolar Youth (COBY) e
Pittsburgh Bipolar Offspring Study (BIOS), sugerem que o transtorno tem uma trajetória heterotípica, bem como
sintomas prévios desde a infância e adolescência, antes do primeiro episódio maníaco.27,28 Além disso,
indivíduos de alto risco para TB (filhos de pais com o transtorno) apresentaram elevada prevalência de
transtornos de ansiedade, transtornos disruptivos do comportamento, TDAH, transtorno por uso de substâncias,
bem como maior incidência de episódios maníacos ou hipomanía cos.27
Também há modelos sobre o curso do TB após o diagnóstico formal. Eles são baseados em evidências
recentes que sugerem que o TB é uma condição com curso clínico progressivo, de modo que maior número de
episódios de humor está associado a maior risco de novos episódios agudos, maior gravidadedos sintomas,
duração mais longa dos episódios agudos e maiores taxas de refratariedade ao tratamento farmacológico. Além
disso, o número de episódios também está associado a prejuí zos funcional e cognitivo e pior qualidade de vida.
Um desses modelos é o de estadiamento/neuroprogressão, que descreve o transtorno em três estágios
clínicos: (i) indivíduos com risco aumentado de desenvolver TB devido a história familiar e certos sintomas
subsindrômicos preditivos de conversão para o transtorno; (ii) pacientes com poucos episódios e com
funcionamento normal nos períodos interepisódicos; e (iii) pacientes com episódios recorrentes, bem como com
declínio no funcionamento e na cognição.29
Entretanto, esse curso neuroprogressivo parece não ser comum entre todos os sujeitos com TB – um subgrupo
apresenta um curso progressivo caracterizado pela aceleração dos episódios, refratariedade ao tratamento e
prejuízo cognitivo e funcional, enquanto outro subgrupo não apresenta tal trajetória perniciosa.30 Um recente
estudo utilizando métodos de aprendizagem de máquina identificou três subgrupos cognitivos de pacientes com
TB.31 Um grupo tinha funcionamento neuropsicológico similar ao dos indivíduos saudáveis, outro apresentava
alterações em algumas funções cognitivas e, por fim, um subgrupo tinha prejuízo em todas as funções
cognitivas. Porém, o que os diferenciava eram os anos de estudo, seguido do número de hospitalizações e a
idade, evidenciando que o TB apresenta uma trajetória clínica heterogênea. As recentes evidências têm
apontado para uma sobreposição entre fatores desenvolvimentais e neuroprogressivos do TB.
CLASSIFICAÇÃO
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Usuario
Realce
Usuario
Realce
Usuario
Realce
-Bipolar I: 1 ou + episódios maníacos e, às vezes, episódios depressivos maiores.
-Misto: período de pelo menos 1 semana onde, tanto episódio maníaco quanto depressivo maior acontecem
quase diariamente.
-Bipolar II: depressão maior e hipomania (em vez de mania).
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Os principais sintomas da hipomania, encontrados em amostras clínicas e estudos populacionais, são:
irritabilidade, alegria, jocosidade, sociabilidade, procura por companhia, aumento do desejo e do
comportamento sexual, tagarelice, autoconfiança e otimismo exagerados, desinibição e atitudes
despreocupadas, redução da necessidade de sono, vitalidade, ânimo e aumento do envolvimento em projetos
novos.
DIAGNÓSTICO
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO I
O TB tipo I é caracterizado pela presença de pelo menos um episódio maníaco ao longo da vida. Cabe
destacar que esse episódio pode ter sido ou não acompanhado por um episódio depressivo ao longo da
vida.
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TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II
O TB tipo II é confirmado quando há a presença de pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio
depressivo ao longo da vida.
TRANSTORNO CICLOTÍMICO
O transtorno ciclotímico é caracterizado por cronicidade e oscilações do humor. O diagnóstico é realizado
quando, por um período de pelo menos dois anos (um ano para crianças e adolescentes), o sujeito
apresenta vários períodos de sintomas hipomaníacos e depressivos, sem jamais atender a todos os critérios
para um episódio de mania, hipomania ou depressão maior.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Transtorno depressivo maior (TDM)
Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)
■ Transtorno da personalidade borderline : a labilidade do humor e a impulsividade são comuns em
ambas as condições. Para o diagnóstico de TB, os sintomas devem representar um episódio distinto e um
au mento notável em relação ao comportamento habi tual do in divíduo. Não deve ser feito diagnóstico de
transtorno da personalidade durante episódio de humor não tratado.
■ Transtorno por uso de substâncias: um diagnóstico primário de TB deve ser estabelecido com base
nos sintomas que persistem depois que as substâncias não estão mais sendo usadas.
■ Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): uma história clínica cuidadosa é necessária para
diferenciar TAG de TB, uma vez que ruminações ansiosas podem ser confundidas com pensamentos
9
acelerados, e esforços para minimizar sentimentos de ansiedade podem ser entendidos como comportamento
impulsivo. É útil considerar a natureza episódica dos sintomas de bipolaridade nessa diferenciação.
■ Outros: transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtorno de pânico (TP), transtornos com
irritabilidade acentuada.
TRATAMENTO
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CASOS REFRATÁRIOS
A clozapina é uma das poucas opções farmacológicas que pode ser efetiva na mania resistente ao
tratamento.33 Apesar da falta de ensaios clínicos randomizados testando sua eficácia no tratamento do TB, há
evidência mostrando que esse medicamento é eficaz em transtornos do humor graves por reduzir sintomas
relacionados ao humor e as taxas de reospitalização entre esses pacientes.34-36 Além disso, duas revisões
sistemáticas recentes mostraram que a clozapina foi um tratamento efetivo e relativamente seguro para o TB
resistente ao tratamento,37,38 indicando: (1) melhora nos sintomas de humor e nos sintomas psicóticos; (2)
redução do número e duração das hospitalizações; (3) redução no número de medicações psicotrópicas; (4)
diminuição do número de consultas no hospital devido a questões somáticas de autolesão/overdose; (5)
redução de ideação suicida e comportamento agressivo; e (6) melhora no funcionamento social. No entanto,
essas revisões sistemáticas ressaltaram algumas limitações dos estudos incluídos, como: (1) tamanho amostral
relativamente pequeno; (2) heterogeneidade entre os pacientes incluídos; (3) definições inconsistentes sobre
resistência ao tratamento; (4) falta de controle adequado e randomização; e (5) curto período de follow-up.
PSICOEDUCAÇÃO
Devido à complexidade no manejo do TB, estratégias de intervenção psicossociais, por exemplo,
psicoeducação como um adjunto ao tratamento farmacológico, têm sido testadas. Uma recente revisão
11
sistemática foi conduzida com o objetivo de descrever os dados de ensaios clínicos randomizados controlados
sobre a efetividade clínica da psicoeducação (individual, em grupo, familiar, on-line) no manejo do TB.39 Essa
revisão encontrou 40 ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo 4.507 indivíduos e familiares
acompanhados por uma média de 15 meses. A maioria dos estudos (28/40, 70%) focou em psicoeducação em
grupo ou psicoeducação familiar. A psicoeducação em grupo foi associada com redução de recorrência,
diminuição do número e duração das hospitalizações, aumento do tempo até a recaída, melhor aderência ao
tratamento, níveis terapêuticos do lítio elevados e redução do estigma.39 Na psicoeducação familiar,
verificou-se que, além da redução de recorrência e hospitalizações e da melhora na trajetória clínica, também
houve melhora no bem-estar e diminuição da sobrecarga dos cuidadores.
Tra��t���� de���s���o
TRANSTORNO DEPRESSIVO
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam a existência de mais de 264 milhões de pessoas
com depressão no mundo. O estudo Global Burden of Disease, por exemplo, estima que a depressão contribui
como a terceira principal causa deincapacidade e, diante do envelhecimento da população e das mudanças
globais, há perspectivas de que se torne a principal causa de incapacidade até 2030.1 Por sua condição
crônica, grave ou recorrente, a presença de sintomas depressivos ao longo da vida representa fonte de
sofrimento psíquico, prejuízos interpessoais e na qualidade de vida de muitas pessoas. Além disso, os
transtornos depressivos (TDs) estão associados a piores desfechos das doenças físicas e aumento na
morbimortalidade.
PREVALÊNCIA
Estudos epidemiológicos de grande alcance, especial mente a partir da década de 1990, identificaram a grande
prevalência e o impacto da depressão na saúde pública global, destacando a necessidade de prevenção e a
busca de tratamentos efetivos e acessíveis para toda a população.
Um dos dados mais consistentes provenientes do estudo World Health Survey é a prevalência média de
depres são nos últimos 12 meses em torno de 6% entre 18 países avaliados (Fig. 21.2). A prevalência de
depressão ao longo da vida, por sua vez, foi duas a três vezes maior, variando de 12 a 18%. No Brasil,
especificamente, a prevalência de depressão nesse estudo foi de 10,4% nos últimos 12 meses e 18,4% ao
longo da vida.5
IDADE DE INÍCIO
A idade de início do primeiro episódio depressivo apresenta grande similaridade entre diversos estudos,
ocorrendo no começo da idade adulta, entre 24 e 25 anos.5,6 Curvas epidemiológicas demonstram, por
exemplo, que a maior parte dos pacientes começa a apresentar os sintomas no início da idade adulta, com 40%
dos indivíduos com o primeiro episódio depressivo ocorrendo antes dos 20 anos.6 Embora essa seja a faixa
etária de maior incidência do primeiro episódio, este pode ocorrer em qualquer faixa etária, desde a infância até
a velhice.
FATORES PROTETORES E DE VULNERABILIDADE
Estudos epidemiológicos confirmam uma prevalência de depressão, em geral, duas vezes maior em mulheres,
fato que pode ser explicado tanto por fatores individuais biológicos e psicológicos quanto por fatores ambientais
e sociais que aumentam a vulnerabilidade. Eventos de vida específicos têm sido associados a um risco maior
de depressão ao longo da vida, como separação conjugal ou divórcio, menor nível educacional, desemprego e
dificuldades financeiras. Histórico de traumas na infância também representam maior risco de depressão ao
longo da vida adulta. Eventos adversos durante o desenvolvimento, como morte, separação ou depressão nos
pais foram relacionados a um aumento do risco de depressão. Em contrapartida, cuidados parentais positivos
apresentam efeitos protetores ao longo da vida.
12
Evidências confirmam maior prevalência de depres são em populações clínicas, como ambulatórios de
espe cialidades médicas (prevalência entre 17 e 53%, com média de 27%) ou internações hospitalares
(prevalência entre 5 e 34%, com média de 12%). Em países em situação de extrema violência, guerras ou
conflitos armados, a prevalência de depressão é também duas a três vezes maior do que em outras
populações, com prevalência pontual de 10,8% (8,1 a 14,2%), sendo 2,9% dos casos moderados a graves.
FATORES DE RISCO
FISIOPATOLOGIA
GENÉTICA
As primeiras evidências de que fatores genéticos estão associados ao desenvolvimento da depressão vêm de
estudos realizados há mais de 70 anos, mostrando que familiares de pacientes deprimidos apresentam maior
risco de desenvolver depressão quando comparados à população geral. Atualmente, considera-se que a
depressão é resultante de uma interação gene versus ambiente. Ou seja, o surgimento do transtorno em um
indivíduo resulta da combinação de predisposição genética com fatores ambientais. Um estudo clássico
realizado por Caspi e colaboradores reforçou a plausibilidade desse modelo na depressão. Os autores
identificaram que indivíduos submetidos a múltiplos eventos estressores apresentavam maior probabilidade de
desenvolver depressão se fossem portadores do alelo S em um polimorfismo do gene do transportador da
serotonina (5-HTTLPR), quando comparados aos homozigotos para o alelo L.16 Esse achado foi confirmado
em uma metanálise recente.17 É provável que o peso de cada um desses componentes seja diferente de
indivíduo para indivíduo. Em alguns casos, os fatores genéticos são mais determinantes, enquanto em outros, o
transtorno deve-se principalmente a fatores ambientais. Ainda assim, uma metanálise de estudos familiares
estimou que, em média, a herdabilidade do TDM está em torno de 37%, e um familiar de um portador de TDM
tem razão de chance (RC) para desenvolver o transtorno de 2,84 em relação à população geral.18
Uma das estratégias iniciais para identificar os genes associados à predisposição para o TDM foi o estudo de
genes candidatos. Algumas dessas pesquisas mostraram associação entre TDM e polimorfismos em genes de
transportadores e receptores de monoaminas, do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, do inglês
brain-derived neurotrophic factor) e de marcadores inflamatórios. Entre tanto, mesmo quando estatisticamente
significativo, o tamanho do efeito de cada um desses polimorfismos é muito pequeno. Atualmente, entende-se
que cada polimorfismo explica uma parte muito pequena desse componente genético, e o efeito cumulativo de
muitos polimorfismos (centenas a milhares) é responsável pela suscetibilidade genética para a depressão.
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Novas tecnologias, como a varredura genômica e o sequenciamento do DNA, permitem que em um mesmo
estudo sejam avaliados algumas centenas de milhares a alguns milhões de polimorfismos, ou mesmo todo o
DNA dos participantes. Essas técnicas facilitaram também o desenvolvimento de novas formas de análise dos
dados genéticos, como a análise de vias genéticas (pathway analysis) e o cálculo de escores poligênicos de
risco. A análise de vias genéticas levou à identificação de diversos mecanismos biológicos que medeiam a
depressão. Eles podem ser agrupados em alguns grupos principais: de senvolvimento axonal, diferenciação e
morfogênese de neurônios, neuroplasticidade, neurotransmissão excitatória, citocinas, resposta imune e
regulação da expressão genética.19 Esses achados sugerem que parte da predisposição genética para a
depressão manifesta-se durante o desenvolvimento do cérebro. Entretanto, eles também indicam que a maior
parte dessa predisposição está associada a genes envolvidos na plasticidade neuronal e neurotransmissão,
que são controlados pelos padrões de expressão gênica e influenciados pela atividade do sistema imune.20
Além disso, é provável que nem todos os pacientes com TDM tenham a mesma base genética. Diferentes
conjuntos de marcadores genéticos e disfunções biológicas podem contribuir em proporções diferentes para as
manifestações clínicas observadas em cada paciente.
Apesar dos avanços recentes, a aplicabilidade clínica dos marcadores genéticos ainda é bastante limitada. Não
há testes capazes de auxiliar no diagnóstico do TDM, nem de prever o risco individual de desenvolvê-lo.
Enquanto a herdabilidade doTDM estimada em estudos de gêmeos é de 37%, a maior metanálise de estudos
de varredura genômica foi capaz de estimar apenas 9% de herdabilidade a partir dos polimorfismos
identificados nessas pesquisas. Já a variância explicada pelos escores de risco poligênico é de apenas 3%
para o TDM.21 Em relação ao tratamento, ainda não foram identificados genes relacionados à farmacodinâmica
e ao efeito dos antidepressivos. Algumas diretrizes apresentam recomendações de prescrição baseadas em
polimorfismos dos genes CYP2D6 e CYP2C19, associados à metabolização (farmacocinética) de alguns
medicamentos. Embora a informação sobre esses polimorfismos possa ter alguma utilidade em complementar
a avaliação clínica, ela explica apenas uma fração das diferenças na resposta antidepressiva devido a
variações no seu metabolismo.19
Outros fatores genéticos, além da sequência do DNA em si, vêm sendo estudados na depressão. O
comprimento dos telômeros (regiões inicial e final dos cromossomos) está associado ao envelhecimento celular.
O TDM, assim como outros transtornos psiquiátricos, está associado a um encurtamento dos telômeros,
indicando envelhecimento celular precoce. A epigenética refere-se a fenômenos que alteram a expressão de
genes, sem modificar a sequência do DNA. O principal mecanismo envolvido nesses fenômenos é a metilação
do próprio DNA ou de outras moléculas participantes do processo de transcrição do DNA. Estudos nessa área
têm sido promissores, prin cipalmente na busca de melhor compreensão dos processos pelos quais os fatores
ambientais interagem com a genética para o desenvolvimento de transtornos mentais
■ MONOAMINAS
Os primeiros antidepressivos surgiram há cerca de 60 anos, fruto da observação clínica dos efeitos sobre o
humor de fármacos utilizados em outras patologias. Após essas descobertas, estudos laboratoriais
identificaram o efeito dessas medicações nos níveis das monoaminas (serotonina, noradrenalina e dopamina)
na fenda sinápti ca. Esses achados levaram ao desenvolvimento da teoria monoaminérgica do TDM, que sugere
que a depressão é causada por uma deficiência da neurotransmissão monoaminérgica, e os antidepressivos
agem aumentando a disponibilidade de monoaminas na fenda sináptica, corrigindo essa disfunção.28
Entretanto, não levou muito tempo até que se percebessem as limitações da teoria monoaminérgica. Embora o
efeito neuroquímico de aumento da concentração de monoaminas na fenda sináptica ocorra horas após a
administração dos antidepressivos, o efeito clínico é observado apenas após algumas semanas. Estudos
posteriores avaliaram o efeito dos antidepressivos nos receptores monoaminérgicos. Foi demonstrado que o
uso de antidepressivos tricíclicos (ADTs) e inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) provocava downregulation
dos receptores β-adrenérgicos pós-sinápticos,29 e o uso dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina
(ISRSs) levava a uma dessensibilização dos autorreceptores de serotonina 5-HT1A.30 Esses achados levaram
à hipótese de que o intervalo entre o início da administração dos antidepressivos e o início da melhora clínica
representa o tempo necessário para que ocorram as adaptações nos receptores das monoaminas.
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Novas descobertas sobre outros mecanismos biológi cos envolvidos na depressão demonstraram que sua
fisiopatologia e os mecanismos de ação dos antidepressi vos são mais complexos e vão além das alterações na
concentração dos neurotransmissores na fenda sináptica e dos efeitos destes na concentração ou sensibilidade
dos seus receptores. A evolução na compreensão dos mecanismos celulares e moleculares que regulam a
função neuronal permitiu identificar cascatas de sinalização intracelular, expressão gênica e tradução de
proteínas como mecanismos centrais para o efeito dos antidepressivos. Entretanto, o entendimento desses
mecanismos ainda não resultou em avanços significativos na clínica. Em geral, todos os antidepressivos
desenvolvidos até hoje têm como foco a potencialização da neurotransmissão monoaminérgica. Com isso,
embora tenham sido desenvol vidas drogas mais seguras e bem toleradas, a eficácia dos ADTs não foi
superada pelos novos medicamentos.
ÁCIDO GAMA-AMINOBUTÍRICO E GLUTAMATO
O ácido gama-aminobutírico (diminuído na depressão) (GABA, do inglês gamma-amino butyric acid) e o
glutamato (aumentado na depressão) são os principais neurotransmissores inibitório e excitatório do sistema
nervoso central (SNC), respectivamente. Diversos estudos demonstraram a associação desses
neurotransmissores à fisiopatologia do TDM. As alterações observadas variam dependendo da região cerebral
e, além da atividade isolada de cada um, a interação entre eles também é relevante para a depressão.
Pacientes deprimidos apresentam níveis elevados de glutamato e reduzidos de GABA no córtex occipital,
aumento do glutamato nos gânglios da base e redução do glutamato e de GABA no córtex pré-frontal. 31,32
A quetamina é um antagonista dos receptores N-metil D-aspartato (NMDA) do glutamato. A demonstração de
efeito antidepressivo rápido e significativo de doses subanestésicas dessa medicação estimulou novos estudos
sobre o glutamato na depressão e ampliou a compreensão do papel desse neurotransmissor no transtorno.
Estudos mostrando que o estresse agudo aumenta a concentração extracelular de glutamato no córtex
pré-frontal medial e no hipocampo levaram à hipótese de que esse aumento seja responsável pela atrofia de
neurônios dessas regiões por meio de um mecanismo conhecido como excitotoxi cidade.
Síndromes depressivas:
● Afeto/ sentimento: triste, melancólico, tédio, aborrecido, incapaz de sentir prazer, angústia
● Pensamento: ideação negativa, ideias de arrependimento, culpa, abandono, autopunição, desejo de
desaparecer
● Psicomotricidade [lentificação psicomotora] — aumenta o tempo entre pergunta e resposta,
diminuição do discurso, reduz tom de voz, fala lenta, mutismo
● Volição/ vontade : recusa alimentar, recusa relação interpessoal, ausência de planos, ausência de
perspectivas …
● Cognitivas [demência reversível]: dificuldade de concentração, esquecimentos, dificuldade de tomar
decisões
● Queixas físicas: cansado, preocupado, dores generalizadas
● Psicóticas: passa a escutar vozes, acham que as pessoas estão perseguindo [esse quadro psicótico
está relacionado a quadros mais graves]
● Sempre pesquisar por ideias suicidas: maior risco presente em: homens, idoso, solitário, pacientes com
doença crônica
CLASSIFICAÇÃO
● Sofrimento ansioso : pacientes se sentem tensos e extraordinariamente inquietos; eles têm dificuldade
de concentração porque se preocupam ou temem que algo terrível pode acontecer, ou eles sentem que podem
perder o controle deles mesmos.
● Características mistas: pacientes também têm ≥ 3 sintomas de mania ou hipomaníacos (p. ex., humor
elevado, grandiosidade, maior loquacidade do que o habitual, fuga de ideias, diminuição do sono). Pacientes
com esse tipo de depressão têm maior riscode desenvolver transtorno bipolar.
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● Melancólico: pacientes perderam o prazer em quase todas as atividades ou não respondem a
estímulos geralmente agradáveis. Eles podem estar desanimados ou desesperados, sentir culpa excessiva ou
inapropriada, agitação ou retardo psicomotor marcantes e anorexia ou perda ponderal significante.
● Atípico: o humor dos pacientes melhora temporariamente em resposta a eventos positivos (p. ex., visita
de filhos). Eles também têm ≥ 2 dos seguintes: reação exagerada a críticas ou rejeição percebida, sentimentos
de paralisia de chumbo (sensação pesada ou de peso, geralmente nas extremidades), ganho de peso ou
aumento de apetite e hipersonia.
● Psicótico: pacientes têm delírios e/ou alucinações. Delírios muitas vezes envolvendo ter cometido
pecados ou crimes imperdoáveis, de portar transtornos incuráveis ou vergonhosos ou de ser perseguido.
Alucinações podem ser auditivas (p. ex., ouvir vozes acusatórias ou condenatórias) ou visuais. Se apenas
vozes forem descritas, deve-se ter consideração especial se as vozes representam alucinações verdadeiras.
● Catatônico : pacientes têm retardo psicomotor grave, envolvem-se em atividade excessiva sem
propósito e/ou se isolam; alguns pacientes fazem caretas e imitam fala (ecolalia) ou movimento (ecopraxia).
● Início no peri-parto: o início ocorre durante a gestação ou até a 4ª semana após o parto.
Características psicóticas podem estar presentes; infanticídio é frequentemente associado a episódios
psicóticos envolvendo alucinações de comando para matar o lactente ou delírios de que o recém-nascido está
possuído.
● Padrão sazonal: os episódios ocorrem em um determinado momento do ano, na maioria das vezes no
outono ou inverno.
CLÍNICA:
O episódio depressivo, característica central para definição e diagnóstico do TDM, é identificado por uma
combinação de sinais e sintomas, presentes diariamente e persistentes por pelo menos duas semanas (Quadro
21.3). São características sintomas de tristeza, desânimo ou perda de prazer, associados à diminuição de
energia, cansaço, alterações de apetite, do sono e da libido, alterações psicomotoras (lentificação ou agitação),
dificuldades de concentração, indecisão ou mudanças na capacidade de tomada de decisões e sintomas
cognitivos e emocionais que incluem culpa, ideias de desvalia, e, por vezes, pensamentos de morte, ideação,
planos e tentativas de suicídio.14 Importante ressaltar que a fenomenologia da depressão se estende muito
além dos critérios utilizados pelo DSM ou pela CID, que servem como indicadores úteis para realizar o
diagnóstico, mas não podem ser confundidos com o transtorno, com sua amplitude e variabilidade de sintomas
e apresentações clínicas.15
→ Crianças e adolescentes:
Crianças: podem apresentar fobia escolar e apego excessivo aos pais.
Adolescentes: Mau desempenho escolar, abuso de drogas, comportamento antissocial, promiscuidade sexual,
ociosidade e fuga de casa
→ Depressão em idosos:
Depressão é mais comum em pessoas idosas do que na população em geral.
Fatores de risco: condição socioeconômica baixa, perda de cônjuge, doença física concomitante e isolamento
social.
É pouco diagnosticada e pouco tratada porque os sintomas se manifestam através de queixas somáticas e o
ageísmo influencia os médicos a acharem normal sintomas depressivos em pacientes mais velhos.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico dos diversos subtipos de TDs (Quadro 21.2 e Fig. 21.3) é realizado a partir de entrevista clínica
para caracterização de sintomas, tempo de duração e prejuízos funcionais do indivíduo, utilizando critérios
diagnósticos dos sistemas classificatórios, como a 11ª edição da Classificação internacional de doenças
(CID-11) e a 5ª edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5).13
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TRATAMENTO
O sucesso do tratamento dos TDs inicia pelo correto diagnóstico, aliado ao conhecimento detalhado da história
de vida do paciente. A identificação precisa das características psicopatológicas, das comorbidades médicas e
das circunstâncias de vida facilitará a identificação precoce de fatores que possam interferir no desfecho do
tratamento.
PRINCÍPIOS GERAIS DO TRATAMENTO
Episódios depressivos ocorrem dentro de um contexto psicossocial. Os mecanismos fisiopatológicos envolvidos
na síndrome depressiva não são completamente conhecidos. No entanto, clinicamente, é importante que o
profissional considere os acontecimentos de vida e o contexto psicossocial que podem estar associados à
depressão para otimizar a adesão, o planejamento e a resposta ao tratamento.61
Diferentes estratégias podem ser úteis no tratamen to e ter efeito complementar. Há evidências de que
tratamentos farmacológicos, psicológicos, de estimulação elétrica e magnética e de alteração de hábitos de
vida (p. ex., exercício físico, dieta) podem ter efeitos sobre sintomas depressivos. Tratamentos combinados
podem ter efeito complementar .62,63
18
O último objetivo do tratamento é a remissão completa de sintomas. A remissão completa está associada com
melhor qualidade de vida e menor risco de recaída e recorrência. No entanto, mesmo após várias estratégias
serem implementadas, a remissão pode não ser obtida. Para esses pacientes, um modelo de abordagem de
doença crônica é sugerido.
■ EPISÓDIOS DEPRESSIVOS LEVES
Episódios depressivos leves podem responder a várias estratégias, muitas delas inespecíficas, como exercício
físico, conexão social, alimentação, expressão de gratidão e conexão espiritual e religiosa. 25 Não há evidência
de que a medicação antidepressiva seja superior ao placebo quando os sintomas depressivos são leves. Na
medida em que intervenções mais simples e inespecíficas não apresentam resultados e/ou a intensidade dos
sintomas aumenta, estratégias utilizadas para depressões moderadas, como psicoterapia e farmacoterapia, são
utilizadas.14,68
■ EPISÓDIOS DEPRESSIVOS MODERADOS
A principal estratégia utilizada para tratamento de de pressões moderadas são os medicamentos
antidepres sivos, devido à sua efetividade e à possibilidade de utilização por médicos não especialistas.25 Além
das medi cações, algumas formas de psicoterapia têm evidência de eficácia para a fase aguda da depressão,
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como terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia interpessoal, terapia não diretiva suportiva, terapia de
resolução de problemas, terapia de ativação comportamental e terapia psicodinâmica breve.
A aplicação das psicoterapias necessita de profissionais com treinamento específico na técnica, o que limita
seu uso como primeira linha em saúde pública.
Existe uma literatura crescente baseada na ideia de associar estratégias antidepressivas no sentido de otimizar
tratamentos. A associação de estratégias mais estudada é a de antidepressivos + psicoterapia.62 Além desta,
também é crescente o interesse das associações entre as estratégias usadas nas depressões leves, como
atividade física, alimentação, meditação, entre outras.25
■ EPISÓDIOS DEPRESSIVOS GRAVES
Episódios depressivos graves são prioritariamente tratados com antidepressivos.A ECT é uma alternativa a ser
considerada, pela maior potência no efeito antidepressivo comparada aos medicamentos e maior rapidez de
ação, embora não seja recurso acessível em muitos lugares.
EL����CO���L���ER���A
A eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento efetivo para certos subgrupos de indivíduos que sofrem de
doenças mentais graves. Tais subgrupos consistem primariamente de pacientes com transtornos depressivos
graves, catatonia, mania e, ocasionalmente, certos pacientes com esquizofrenia .
É um procedimento que consiste na indução de convulsões generalizadas, com duração de 20 a 150 segundos,
pela passagem de uma corrente elétrica pelo cérebro. Muitos clínicos e pesquisadores acreditam que a
freqüência do uso da ECT, como tratamento, é muito menor do que deveria ser
A decisão quanto a sugerir ou não ECT a um paciente, como qualquer outro procedimento, deve
fundamentar-se nas opções de tratamento disponíveis e nas considerações sobre riscos e benefícios. A ECT,
quando bem indicada, demonstrou ser um tratamento seguro e eficaz para uma ampla variedade de transtornos
psiquiátricos.
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Entre as principais indicações para o uso da ECT, estão a Depressão Maior psicótica, o delirium maníaco, a
catatonia maligna, o estupor depressivo, a psicose resistente à farmacoterapia, a síndrome neuroléptica
maligna e a Depressão Maior no idoso.
ECT é um tratamento de primeira escolha quando:
(a) há necessidade de uma melhora rápida e consistente,
(b) os riscos de outros tratamentos são maiores do que os riscos da ECT,
(c) existe uma história prévia de resposta pobre a drogas e/ou boa resposta prévia à ECT ou
(d) o paciente prefere esse tipo de tratamento.
Algumas condições clínicas podem aumentar o risco de complicações pós-ECT, ainda que não sejam
contra-indicações absolutas ao procedimento.
Essas condições abrangem:
(a) infarto agudo do miocárdio,
(b) qualquer condição clínica que aumente a pressão intracraniana,
(c) doenças hemorrágicas,
(d) aneurismas,
(e) glaucoma,
(f) hipo ou hipercalcemia,
(g) hipertensão arterial sistêmica grave não tratada e
(h) condições médicas que podem romper a barreira hematoencefálica (e.g., acidente vascular cerebral recente
e esclerose múltipla)
DOSAGEM
O limiar convulsivo varia muito entre os pacientes, sendo influenciado por fatores como idade, sexo, posição
dos eletrodos e medicações utilizadas.
https://www.scielo.br/j/rprs/a/Z94LP9jfRJKNbn57JBrxJdc/?format=pdf&lang=pt
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https://www.scielo.br/j/rprs/a/Z94LP9jfRJKNbn57JBrxJdc/?format=pdf&lang=pt
Ava���ção do Es�a�� Men���
Exame psíquico
O exame psíquico é o exame específico da clínica psiquiátrica, o qual já se inicia no primeiro momento em que
o avaliador encontra o paciente, seja na consulta ambulatorial ou em uma visita hospitalar. Toda a impressão
despertada ou comunicação gerada poderá ser útil para a sua construção. Para fins de documentação médica,
o exame psíquico deve seguir a anamnese, os antecedentes e os hábitos do paciente e estar acompanhado do
exame físico clínico e neurológico.
Exame do estado mental
O exame do estado mental (EEM) é o equivalente psiquiátrico do
exame físico no resto da medicina. O EEM explora todas as áreas
de funcionamento mental e mostra evidências de sinais e sintomas
de doenças mentais. Os dados são obtidos ao longo de toda a
entrevista, desde os momentos iniciais da interação, considerando o
que o paciente está vestindo e sua apresentação geral. A maior
parte das informações não requer questionamento direto, e as
obtidas por observação podem dar ao médico um conjunto de dados
diferente das respostas do paciente. O questionamento direto
aumenta e completa o exame. O EEM dá ao médico um instantâneo do estado mental do paciente no momento
da entrevista e é útil nas visitas subsequentes para comparar e monitorar mudanças ao longo do tempo. O EEM
psiquiátrico inclui avaliação cognitiva mais frequentemente na forma do Miniexame do Estado Mental (MEEM),
mas este não deve ser confundido com o EEM global. Os componentes do EEM são apresentados nesta seção
na ordem em que se poderia incluí-los nas anotações escritas para fins de organização, mas, como já foi
observado, os dados são obtidos ao longo de toda a entrevista.
Aparência e comportamento. Esta seção consiste em uma descrição geral de como o paciente parece e age
durante a entrevista. Ele parece ter a idade declarada, ser mais jovem ou mais velho? Ela está de acordo com o
estilo de vestir, aspectos físicos ou estilo de interação do paciente? Os itens a serem observados incluem o que
22
o paciente está vestindo, incluindo joias ou bijuterias, e se é adequado para o contexto. Por exemplo, um
paciente com uma bata de hospital seria apropriado no pronto-socorro ou na ala do hospital, mas não em uma
clínica ambulatorial. Aspectos característicos, como des-figurações, cicatrizes e tatuagens, são observados. A
arrumação e a higiene também fazem parte da aparência geral e podem ser indícios do nível de funcionamento
do paciente.
A descrição do comportamento de um paciente inclui uma declaração geral sobre se ele está exibindo
perturbação aguda e, então, uma declaração mais específica sobre a postura dele em relação à entrevista. O
paciente pode ser descrito como cooperativo, agitado, desinibido, desinteressado, e assim por diante. Mais uma
vez, a adequação é um fator importante a considerar na interpretação da observação. Se um paciente for
trazido de forma involuntária para exame, pode ser apropriado, certamente compreensível, que ele seja pouco
cooperativo, sobretudo no início da entrevista.
Atividade motora. Pode ser descrita como normal, lentificada (bradicinesia) ou agitada (hipercinesia). Isso
pode dar indícios para diagnósticos (p. ex., depressão vs mania), bem como para problemas neurológicos ou
clínicos confundidores. A marcha, a liberdade de movimentos, quaisquer posturas incomuns ou continuadas,
andar de um lado para outro e torcer as mãos são descritos. Deve ser observada a presença ou ausência de
tiques, que podem ser nervosismo, tremor, aparente inquietação, estalar a boca e protusões da língua. Estes
podem ser indícios de reações adversas ou efeitos colaterais de medicamentos, como discinesia tardia, acatisia
ou parkinsonismo decorrente de medicações antipsicóticas, ou sintomas de doenças, como transtorno de déficit
de atenção/hiperatividade.
Fala. A avaliação da fala é uma parte importante do EEM. Os elementos considerados incluem fluência,
quantidade, ritmo, tom e volume. Fluência pode se referir a se o paciente tem total comando da língua ou
problemas de fluência possivelmente mais sutis, como tartamudez, dificuldade para encontrar as palavras ou
erros parafásicos. (Um paciente de língua espanhola com um intérprete seria considerado não fluente na língua
do país, mas deve ser feita uma tentativa de estabelecer se ele é fluente em espanhol.) A avaliação da
quantidade de fala diz respeito a se ela é normal, aumentada ou diminuída. Menos quantidade de fala pode
sugerirdiversas coisas, variando de ansiedade ou desinteresse a bloqueio de pensamento ou psicose. Mais
quantidade de fala com frequência (mas nem sempre) é sugestivo de mania ou hipomania. Um elemento
relacionado é a velocidade ou o ritmo da fala. Ela é lenta ou rápida (pressão para falar)? Por fim, a fala pode
ser avaliada por seu tom e volume. Os termos que descrevem esses elementos incluem irritável, ansioso,
disfórico, alto, silencioso, tímido, zangado ou infantil.
Humor . Os termos humor e afeto variam em sua definição, e alguns autores têm recomendado combinar os
dois elementos em um novo rótulo “expressão emocional”. Tradicionalmente, o humor é definido como o estado
emocional interno e continuado do paciente. Sua experiência é subjetiva; portanto, é melhor usar as próprias
palavras do paciente para descrever seu humor. Termos como “triste”, “irritado”, “culpado” ou “ansioso” são
descrições comuns do humor.
Afeto. Afeto difere de humor, visto que é a expressão do humor ou o que o humor do paciente parece ser para
o médico. O afeto é descrito, muitas vezes, com os seguintes elementos: qualidade, quantidade, variação,
adequação e congruência. Os termos usados para descrever a qualidade (ou o tom) do afeto de um paciente
incluem disfórico, feliz, eutímico, irritável, irritado, agitado, choroso, soluçante e embotado. A fala é
frequentemente um sinal importante para a avaliação do afeto, mas não é exclusiva. A quantidade de afeto é
uma medida de sua intensidade. Dois pacientes descritos com afeto deprimido podem ser muito diferentes se
um for descrito como levemente deprimido e o outro como gravemente deprimido. Pode variar entre plano,
normal ou lábil. Embotamento afetivo é um termo que tem sido usado para o afeto severamente restrito que é
observado em alguns pacientes com esquizofrenia. A adequação do afeto refere-se a como ele está
correlacionado com o ambiente. Um paciente que esteja rindo em um momento solene durante um enterro é
considerado com afeto inadequado. O afeto também pode ser congruente ou incongruente com o humor ou o
conteúdo de pensamento do paciente. Um paciente pode relatar se sentir deprimido ou descrever um tema
depressivo, mas fazê-lo rindo, sorrindo e sem sugestão de tristeza.
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Conteúdo do pensamento . É essencialmente os pensamentos que estão ocorrendo ao paciente, deduzidos
pelo que ele expressa de maneira espontânea, bem como pelas respostas a perguntas específicas visando
evocar determinada patologia. Alguns pacientes podem perseverar ou ruminar sobre conteúdo ou pensamentos
específicos. Podem focar em material considerado obsessivo ou compulsivo . Pensamentos obsessivos são
aqueles indesejados e repetitivos que invadem a consciência. São, em geral, alheios ao ego, e o paciente
resiste a eles. As compulsões são comportamentos repetitivos e ritualizados que os pacientes se sentem
compelidos a realizar para evitar um aumento na ansiedade ou algum desfecho temido . Outra grande categoria
de patologia do conteúdo do pensamento são os delírios. Delírios são ideias fixas, falsas, que não são
compartilhadas por outras pessoas e podem ser divididos em bizarros e não bi-zarros (delírios não bizarros
referem-se ao conteúdo de pensamento que não é verdadeiro, mas não está fora da esfera da possibilidade) .
Delírios comuns podem ser grandiosos, erotomaníaco, de ciúmes, somáticos e persecutórios. Muitas vezes, é
útil sugerir conteúdo delirante a pacientes que podem ter aprendido a não discuti-los espontaneamente. As
perguntas que podem ter utilidade incluem: “Você sempre se sente como se alguém o estive seguindo ou fosse
pegá-lo?” e “Você sente que a TV ou o rádio têm uma mensagem especial para você?”. Uma resposta
afirmativa à última pergunta indica uma “ideia de referência”. A paranoia pode estar intimamente relacionada a
material delirante e variar de paranoia “branda”, por exemplo, desconfiança geral, a formas mais graves que
têm impacto sobre o funcionamento diário. As questões que evocam paranoia incluem perguntar sobre a
preocupação do paciente com câmeras, microfones ou o governo.
O potencial suicida e o potencial homicida enquadram-se na categoria de conteúdo do pensamento, mas aqui
são discutidos separadamente devido à particular importância de serem tratados em toda entrevista psiquiátrica
inicial. Apenas perguntar se alguém é suicida ou homicida não é adequado. Deve-se obter uma noção de
ideação, intenção, planejamento e preparação. Embora o suicídio completado seja extremamente difícil de
prever com precisão, existem fatores de risco identificados, e estes podem ser usados em conjunto com uma
avaliação da intenção e do plano do paciente para colocar em prática esses pensamentos.
Processo de pensamento. Difere-se do conteúdo do pensamento porque não descreve o que a pessoa está
pensando, mas, em vez disso, como os pensamentos são formulados, organizados e expressos. Um paciente
pode ter processo de pensamento normal com conteúdo do pensamento significativamente delirante. De modo
inverso, pode haver conteúdo do pensamento normal, mas processo de pensamento bastante prejudicado. O
processo de pensamento normal costuma ser descrito como linear, organizado e orientado ao objetivo. Com a
fuga de ideias, o paciente passa com rapidez de um pensamento para outro, em um ritmo que é difícil para o
ouvinte acompanhar, mas todas as ideias estão conectadas de forma lógica. O paciente circunstancial inclui
excesso de detalhes e material que não é diretamente relevante ao assunto ou a uma resposta à pergunta, mas
em algum momento retorna para tratar do assunto ou responder à pergunta. Via de regra, o examinador pode
acompanhar uma linha de pensamento circunstancial, vendo conexões entre as afirmações sequenciais. O
processo de pensamento tangencial pode, a princípio, parecer semelhante, mas o paciente nunca retorna ao
ponto ou à questão original. Os pensamentos tangenciais são considerados irrelevantes e relacionados de uma
maneira menor, insignificante. Pensamentos ou associações frouxos diferem dos pensamentos circunstanciais
e tangenciais, uma vez que, com os pensamentos frouxos, é difícil ou impossível ver conexões entre o
conteúdo sequencial. Perseveração é a tendência a focar-se em uma ideia ou conteúdo específicos sem a
capacidade de mudar para outros tópicos. O paciente perseverativo repetidamente voltará ao mesmo tópico
apesar das tentativas do entrevistador de mudar de assunto. Bloqueio do pensamento refere-se a um processo
de pensamento perturbado no qual o paciente parece ser incapaz de completar um pensamento. Ele pode
parar no meio da frase ou no meio do pensamento e deixar o entrevistador esperando que complete. Quando
perguntados sobre isso, os pacientes com frequência comentarão que não sabem o que aconteceu e podem
não lembrar o que estava sendo discutido. Neologismo diz respeito a uma palavra nova ou a uma combinação
condensada de várias palavras que não são uma palavra verdadeirae não são facilmente compreensíveis,
embora às vezes o significado pretendido ou o significado parcial possam ser evidentes. Salada de palavras é o
discurso caracterizado por linguagem confusa, e em geral repetitiva, sem aparente significado ou relação ligada
a ela.
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Alterações na sensopercepção. Incluem alucinações, ilusões, despersonalização e desrealização.
Alucinações são percepções na ausência de estímulos que as justifiquem. Alucinações auditivas são aquelas
encontradas com mais frequência no contexto psiquiátrico. Outras alucinações podem incluir visuais, táteis,
olfativas e gustativas (paladar). Na cultura da América do Norte, as alucinações não auditivas são, muitas
vezes, indícios de que existe um problema neurológico, clínico ou associado à abstinência de substâncias mais
do que um problema psiquiátrico primário. Em outras culturas, alucinações visuais foram relatadas como a
forma mais comum de alucinação na esquizofrenia. O entrevistador deve fazer uma distinção entre uma
alucinação verdadeira e uma percepção errônea de estímulos (ilusão). Ouvir o vento sussurrar por entre as
árvores do lado de fora e pensar que um nome está sendo chamado é uma ilusão. As alucinações
hipnagógicas (na interface da vigília e do sono) podem ser fenômenos normais. Às vezes, os pacientes sem
psicose podem ouvir seu nome sendo chamado ou ver clarões ou sombras pelos cantos dos olhos. Ao
descrever as alucinações, o entrevistador deve incluir o que o paciente está vivenciando, quando ela ocorre,
com que frequência e se é ou não desconfortável (ego-distônica). No caso de alucinações auditivas, pode ser
útil saber se o paciente ouve vozes, comandos ou conversas e se reconhece a voz. Despersonalização é uma
sensação de ser estranho a si mesmo ou de que alguma coisa mudou. Desrealização é uma sensação de que
o ambiente mudou de alguma forma estranha que é difícil de descrever.
Cognição. Os elementos do funcionamento cognitivo que devem ser avaliados são o estado de alerta,
orientação, concentração, memória (tanto de curto como de longo prazos), cálculo, cabedal de conhecimento,
raciocínio abstrato, insight e julgamento. Deve ser observado o nível de alerta do paciente. A quantidade de
detalhes na avaliação da função cognitiva dependerá do propósito do exame e também do que já foi
apreendido na entrevista sobre o nível de funcionamento, o desempenho no trabalho, o manejo das tarefas
diárias, o equilíbrio das finanças, entre outros aspectos. Além disso, o psiquiatra já terá extraído dados relativos
à memória do paciente para o passado remoto e recente. Uma noção geral de seu nível intelectual e de sua
escolaridade pode ajudar a diferenciar inteligência e questões educacionais de prejuízo cognitivo, que poderia
ser observado no delirium ou na demência.
Raciocínio abstrato. É a capacidade de compreender e abstrair a partir de conceitos gerais e exemplos
específicos. Pedir ao paciente para identificar semelhanças entre objetos ou conceitos semelhantes (maçã e
pera, ônibus e avião ou um poema e uma pintura), bem como interpretar provérbios, pode ser útil para avaliar a
capacidade da pessoa de abstrair. Fatores e limitações culturais e educacionais devem ser considerados na
avaliação dessa capacidade. Ocasionalmente, a incapacidade de abstrair ou a maneira idiossincrática de
agrupar itens pode ser grave.
Insight. Na avaliação psiquiátrica, refere-se ao entendimento do paciente de como está se sentindo, se
apresentando e funcionando, bem como das possíveis causas de sua apresentação psiquiátrica. Ele pode não
ter entendimento, ter entendimento parcial ou entendimento total. Um componente desse entendimento com
frequência é o teste de realidade no caso de um paciente com psicose. Um exemplo de teste de realidade
intacto seria: “Eu sei que na verdade não existem homenzinhos falando comigo quando estou sozinho(a), mas
sinto como se pudesse vê-los e ouvir suas vozes”. Como indicado por esse exemplo, a quantidade de
entendimento não é um indicador de gravidade da doença. Uma pessoa com psicose pode ter bom
entendimento, enquanto uma pessoa com um transtorno de ansiedade leve pode ter pouco ou nenhum
entendimento.
Julgamento . Refere-se à capacidade da pessoa de tomar boas decisões e agir de acordo com elas. O nível de
julgamento pode ou não estar correlacionado com o nível de entendimento. Um paciente pode não ter
consciência de sua doença, mas ter bom julgamento. Tem sido tradicional usar exemplos hipotéticos para testar
o julgamento – por exemplo: “O que você faria se encontrasse um envelope selado na calçada?”. É melhor usar
situações reais da própria experiência do paciente para testar o julgamento. As questões importantes na
avaliação do julgamento incluem se um paciente está fazendo coisas perigosas ou procurando problemas e se
é capaz de participar efetivamente de seu próprio tratamento. Julgamento comprometido de forma significativa
pode ser motivo para considerar um nível de cuidado mais elevado ou um contexto mais restritivo, como a
hospitalização.
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Mec����mo de ação do es����li����r de hu���
Definição
Os fármacos estabilizadores do humor tem sua principal indicação de uso para os pacientes com transtorno
bipolar.
Mais recentemente, o conceito de estabilizador do humor foi definido de maneira abrangente, desde “uma
substância capaz de atuar como o lítio”, passando por “um anticonvulsivante usado para o tratamento do
transtorno bipolar”, até “o antipsicótico atípico utilizado no tratamento do transtorno bipolar”.
Desse modo, infere-se que há três grupos principais de fármacos utilizados como estabilizadores do humor:
1. Carbonato de lítio: o principal estabilizador conhecido.
2. Alguns anticonvulsivantes: ácido valproico, lamotrigina, carbamazepina e oxicarbazepina
26
3. Alguns antipsicóticos atípicos: quetiapina, olanzapina, risperidona, lurasidona, aripiprazol, asenapina
e ziprasidona.
Lítio: o único estabilizador de humor cientificamente comprovado
O único estabilizador do humor, cientificamente comprovado é o lítio. o ácido valpróico e carbamazepina,
embora possam ser usados, não são primeira linha de tratamento e nem entram primariamente na classe dos
estabilizadores do humor.
Mecanismos de ação
O lítio é um íon cujo mecanismo de ação ainda não está estabelecido com certeza. O lítio inibe diretamente
duas vias de transdução de sinais e suprime a sinalização do inositol pela depleção do inositol
intracelular e também inibe a glicogênio sintase cinase-3 (GSK-3), uma proteína-cinase multifuncional.
A principal hipótese funcional atualmente reconhecida para explicar o mecanismo terapêutico de ação do lítio
pressupõe que seus efeitos sobre a renovação do fosfoinositol, que levam a uma redução relativa inicial
de mioinositol no cérebro humano, fazem parte de uma cascata de iniciação de alterações
intracelulares.
Os efeitos sobre isoformas específicas da proteína-cinase C podem ser mais relevantes. As alterações na
sinalização mediada pela proteína–cinase C alteram a expressãogênica e a produção de proteínas implicadas
em eventos neuroplásticos de longo prazo, que podem estar subjacentes à estabilização do humor em longo
prazo.
Farmacocinética
Quanto a farmacocinética do lítio, temos:
● Absorção: praticamente completa em 6-8 h;. Os níveis plasmáticos máximos são alcançados em 30 min
a 2 h
● Distribuição: através do plasma com entrada lenta no compartimento intracelular. O volume inicial de
distribuição é de 0,5 L/kg, aumentando para 0,7 a 0,9 L/kg; ocorre algum sequestro no osso. O fármaco não
apresenta nenhuma ligação às proteínas plasmáticas.
● Metabolismo: nenhum. A meia-vida plasmática é de cerca de 20 h.
● Excreção: praticamente todo o fármaco é eliminado na urina. A depuração do lítio é de cerca de 20% da
creatinina.
● Concentração plasmática alvo: 0,6-1,4 mEq/L (janela terapêutica).
● Dose: 0,5 mEq/kg/dia em doses fracionadas.
● Tempo para início da ação: 7 a 21 dias.
Farmacodinâmica dos estabilizadores do humor
As vias onde agem o lítio, são:
1. Efeitos sobre os eletrólitos e o transporte de íons: o lítio está estreitamente relacionado com o sódio
nas suas propriedades. Pode, inclusive, substituir o sódio na geração de potenciais de ação e na troca de
Na+-Na+ através da membrana. O lítio inibe este último processo, isto é, a troca de Li+-Na+ é
gradualmente retardada após a introdução de lítio no corpo . Em concentrações terapêuticas (cerca de 1
mEq/L), o lítio não afeta significativamente a troca de Na+-Ca2+ ou a bomba de Na+/K+-ATPase, apenas em
superdosagens.
2. Efeitos sobre segundos mensageiros: Um dos efeitos mais bem definidos do lítio é a sua ação sobre
os fosfatos de inositol. Há muito tempo se sabe que o lítio demonstrou alterações nos níveis de fosfato de
inositol no cérebro, porém a importância dessas alterações só foi percebida quando os papéis de segundo
mensageiro do 1,4,5-trifosfato de inositol (IP3) e do diacilglicerol (DAG) foram descobertos. Estas moléculas
são segundos mensageiros importantes para a transmissão tanto α-adrenérgica como muscarínica. O lítio
inibe a inositol monofosfatase (IMPase) e outras enzimas importantes na reciclagem normal dos
fosfoinositídeos da membrana, incluindo a conversão do IP2 (difosfato de inositol) em IP1 (monofosfato
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de inositol) e a conversão do IP1 em inositol. Esse bloqueio leva a uma depleção do inositol livre e, por
fim, do 4,5-bifosfato de fosfatidilinositol (PIP2), o precursor de membrana do IP3 e do DAG. Com o
passar do tempo, os efeitos dos transmissores sobre a célula diminuem proporcionalmente à quantidade de
atividade nas vias dependentes de PIP2. Postula-se que a atividade dessas vias esteja aumentada durante um
episódio de mania, no transtorno bipolar e por conta disso, acredita-se que o tratamento com lítio possa
diminuir a atividade desses circuitos.
Os estabilizadores do humor também podem ter efeitos indiretos sobre os neurotransmissores e sua liberação
Uso clínico dos estabilizadores do humor
Além do transtorno bipolar, o lítio pode ser usado no tratamento da depressão recorrente (usado para aumentar
a resposta aos antidepressivos convencionais na depressão maior aguda em pacientes que tiveram uma
resposta inadequada à monoterapia) e no transtorno esquizoafetivo (por estabilizar melhor pacientes
caracterizados por uma mistura de sintomas esquizofrênicos e de humor – depressão ou excitação).
Monitorização
● Todo paciente antes de iniciar o uso do lítio deve realizar alguns exames para avaliar seu estado de
saúde, como função renal (ureia e creatinina) e função tireoidiana (TSH e T4L). Se o paciente for maior de 50
anos, solicitar um eletrocardiograma também.
● Além disso, pacientes em uso de lítio devem realizar periodicamente as litemias, aferições dos níveis
plasmáticos da substância a fim de avaliar a concentração sérica. A litemia deve ser realizada 12h, após a
última dose e o resultado deve estar entre 1 e 1,5 mEq/L para o tratamento agudo e 0,6 a 1,2 mEq/L para
tratamento crônico.
● Note que a faixa terapêutica do lítio é extremamente encurtada, ou seja, o limiar entre tratamento e
toxicidade é baixo.
● Inicialmente, a litemia deve ser realizada a cada 2 semanas até atingir concentração sérica terapêutica.
Depois, entre 2 a 3 meses nos primeiros 6 meses.
● Quando o paciente estiver estável com a dose ajustada, solicitar a dosagem duas vezes por ano assim
como a função renal. Sempre que houver mudança da dose, solicitar litemia.
Efeitos adversos
Muitos efeitos colaterais associados ao tratamento com lítio são relatados na literatura médica. Alguns são
inócuos, porém é importante estar atento para os efeitos colaterais que podem significar graves reações tóxicas
iminentes.
Os principais efeitos, são:
1. Efeitos colaterais neurológicos e psiquiátricos: principalmente o tremor essencial.
2. Diminuição da função da tireoide: o efeito é reversível ou não progressivo, e alguns pacientes
desenvolvem aumento franco da tireoide (bócio)ou um número ainda menor exibe sintomas de hipotireoidismo.
3. Diabetes insípido nefrogênico e outros efeitos colaterais renais: pacientes queixam-se de polidipsia e
poliúria.
4. Edema: pode estar relacionado com algum efeito do fármaco sobre a retenção de sódio e consequente
acúmulo de líquido.
5. Efeitos cardíacos: Na presença da síndrome de bradicardia-taquicardia (doença sinusal) o uso deve ser
interrompido.
6. Erupções acneiformes: quadro transitório e mais pronunciado no início do tratamento.
7. Leucocitose: secundário ao estímulo na leucopoiese
8. Ganho de peso: importante avaliar o IMC do paciente periodicamente.
Interações medicamentosas dos estabilizadores do humor
Pacientes em uso concomitante com diuréticos (principalmente os tiazídicos), apresentam depuração renal
reduzida em cerca de 25% por diuréticos e pode ser necessário reduzir as doses pelo risco de toxicidade, uma
vez que se aumenta a concentração plasmática.
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Uma redução semelhante da depuração do lítio foi observada com vários fármacos anti- -inflamatórios não
esteroides (AINE’s) mais recentes que bloqueiam a síntese de prostaglandinas. Essa interação não foi relatada
com o ácido acetilsalicílico nem com o paracetamol.
Todos os neurolépticos testados até o momento, com a possível exceção da clozapina e dos antipsicóticos
atípicos mais recentes, são capazes de produzir síndromes extrapiramidais mais graves quando associados
com o lítio.
Outras drogas com potencial de atuarem como estabilizadores do humor
Com o avanço científico, novas drogas tem surgido com potencial de atuarem como estabilizadores de humor,
como o ácido valproico e a carbamazepina.
Ácido valpróico
● Também conhecido como valproato de sódio (ou só valproato). Atua primariamente como um fármaco
anticonvulsivante.
● Todavia, sabe-se que exerce efeitos antimaníacos também. De modo geral, o ácido valpróico apresenta
uma eficácia equivalente àquela do lítio durante as primeiras semanas do tratamento, embora não se tenha
certeza de que sua eficácia seja equivalente à do lítio comotratamento de manutenção.
● Observa-se que o valproato tem sido efetivo em alguns pacientes que não responderam a terapia com o
lítio. Além disso, seu perfil de efeitos colaterais é tal que é possível aumentar rapidamente a dose sem causar
sintomatologia que impeça o uso.
Carbamazepina:
● Trata-se de um anticonvulsivante, que surge como a alternativa razoável para o lítio quando ele não tem
eficácia ideal. Entretanto, devido às interações da carbamazepina é mais difícil usar esse fármaco quando
comparado com outras opções terapêuticas disponíveis para o transtorno bipolar.
● Apesar disso, sabe-se que pode ser usada para o tratamento da mania aguda, bem como para terapia
profilática.
Mec����mo de ação do an����p�e�s���
Atualmente, as indicações para o uso de antidepressivos é vasta, variando de acordo com cada subclasse, mas
indo, de forma geral, muito além do tratamento de depressão, englobando condições como transtorno de
ansiedade generalizada, transtorno de pânico, transtorno de ansiedade social, transtorno de estresse
pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno dismórfico corporal, bulimia nervosa, transtorno de
compulsão alimentar, transtorno disfórico pré-menstrual, transtornos somatoformes, além de algumas
condições médicas não psiquiátricas, como dor neuropática, fibromialgia, fogachos em mulheres
pós-menopáusicas e profilaxia da migrânea e de cefaleias tensionais.
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Lut�
O luto envolve uma ou mais perdas e as reações físicas, emocionais e comportamentais provocadas por essa
perda. No curso de uma “vivência de perdas” deve ser realizado um luto, o que Freud (1916) assim define:
“uma reação à perda de um ser amado ou de uma abstração equivalente, a pátria, a liberdade, o ideal etc.”. As
perdas provocam uma reação individual e única e iniciam um processo de luto, na tentativa de reorganizar a
vida do indivíduo que ficou abalada e modificada pela nova situação. O luto é um trabalho psíquico que consiste
em elaboração dessa perda, em abandonar as relações com o objeto perdido.
DEFINIÇÃO
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Conjunto de reações a uma perda significativa e nenhum é igual ao outro, pois não existem relações
significativas idênticas.
Categorias no processo de luto normal, dividindo-as em:
● Sentimentos: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio,
emancipação, alívio e estarrecimento;
● Sensações físicas: vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho,
sensação de despersonalização, falta de ar (respiração curta), fraqueza muscular, falta de energia e boca seca;
● Cognições: descrença, confusão, preocupação, sensação de presença e alucinações;
● Comportamentos: distúrbios de sono, distúrbios do apetite, comportamento aéreo, isolamento social,
sonhos com a pessoa que morreu, evitar lembranças do falecido, procurar e chamar pela pessoa, suspiros,
hiperatividade, choro, visitar lugares e carregar objetos que lembrem o falecido
Essas alterações ocorrem todas ao mesmo tempo, variando sua intensidade de acordo com cada pessoa.
Podemos também reconhecer algumas fases do processo de enlutamento que podem variar de acordo com
cada autor. Para fins didáticos, podemos apresentar resumidamente a proposta de Bromberg (2000):
● Entorpecimento: dura até uma semana, mesclado por acessos de raiva e tristeza.
● Anseio ou protesto: emoções fortes e agitação física. O enlutado fica à procura da pessoa perdida.
● Desespero: é a fase mais difícil, lenta e dolorosa, provocando apatia, depressão e desmotivação pela
vida.
● Recuperação: sentimentos positivos e adaptação às mudanças, tornando possível o investimento afetivo
em novas situações ou figuras de apego.
É necessário que a equipe saiba o que é um luto normal, para que consiga reconhecer os desvios do padrão
que necessitem de um suporte ou intervenção terapêutica.
Segundo Kubler-Ross (2000), após estudos de pacientes com câncer, há alguns estágios do luto:
1) Negação e isolamento;
2) Raiva;
3) Barganha;
4) Depressão;
5) Aceitação.
Durante todos esses estágios, resta a esperança, que aparece
com intensidade crescente à medida que o luto é trabalhado.
Rando, citado por Franco (2008), descreve que o enlutado
passa naturalmente por fases que podem ser assim
resumidas:
● Reconhecer a perda;
● Reagir emocionalmente à separação;
● Recordar o relacionamento, objetos, fotos etc. e reexperienciar
a pessoa perdida;
● Abandonar velhos apegos e elaboração da perda;
● Reajustar para se mover adaptativamente ao novo sem
esquecer o velho;
● Reinvestir.
Quando essas fases não ocorrem ou são incompletas, temos o luto complicado, antigamente denominado de
luto patológico, que Parkes (1998) agrupa em:
● Luto crônico: prolongamento indefinido do luto;
● Luto inibido: ausência dos sintomas do luto normal;
● Luto adiado: sem reações imediatas à morte, apresentando mais tarde sintomas de luto distorcido;
● Luto não reconhecido: ídolos, amantes e aborto.
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Pot����al su����a
O risco de suicídio não tem uma classificação própria, pois é fenômeno que pode ocorrer em vários quadros
clínicos diferentes e, mais raramente, na ausência de qualquer quadro clínico. A maior parte das pessoas que
planejam, tentam ou pensam insistentemente em suicídio sofre de algum transtorno psíquico, devendo ser feito
seu diagnóstico e sua classificação segundo o transtorno.
Quando já ocorreu a tentativa, consumada ou frustra, utiliza-se os itens da CID-10 abaixo:
As ameaças de suicídio devem ser levadas a
sério, desmistificando a ideia de que quem
ameaça não faz. O agente de saúde pode ser
importante na identificação de um risco,
encaminhando a pessoa à consulta em unidade
sanitária .
Diante de sinais de risco, a abordagem não
precisa ser eufemizada: deve-se conversar abertamente sobre o tema com o paciente, perguntando se ele tem
tido a sensação de que não vale mais a pena viver, se já pensou em terminar com sua vida, se fez algum plano
para isto.
O profissional precisa ter paciência para ouvir e não falar apressadamente. O reasseguramento prematuro ou
inadequado pode ser entendido pelo paciente como falta de empatia, de interesse ou impedimento para
deixa-lo se manifestar.
O diagnóstico é feito pela entrevista clinica, que deve ser realizada de forma empática e clara, com finalidade
de avaliar o risco de comportamentos suicidas. O risco individual é avaliado através dos fatores de risco e de
proteção identificados .
Como fatores de proteção podem ser identificados: suporte social, vínculo familiar, gestação, maternidade,
religiosidade, habilidade na resolução de problemas e estilo de vida saudável.
E como fatores de risco : história prévia de tentativa de suicídio, doença psiquiátrica, transtornos de
personalidade, de ansiedade e estresse pós-traumático, solteiros, assim como os que moram sozinhos,
doenças físicas (dor crônica, cirurgia recente, doença em estágio terminal), abuso na infância, desempregados,
homens jovens, idosos, abuso de álcool e outras drogas, detentos e história familiar de suicídio.
Os meios utilizadosvariam da asfixia e do uso de armas, à ingestão de pesticidas agrícolas e de fármacos.
As mulheres tentam suicídio quatro vezes mais do que os homens, mas os homens usam, geralmente, métodos
mais agressivos e morrem com uma frequência quatro vezes maior.
A avaliação inclui o questionamento direto quanto a intenção, ideação e o plano suicida.
Determinar o quão intensa é a presença dos pensamentos, a habilidade de controlar os impulsos, fatores
estressores e o acesso a sistemas de suporte.
Identificados os fatores de risco para comportamento suicida, classifica se a urgência da situação.
São de baixa urgência os casos em que há ideação suicida mas não há planejamento específico e a
intencionalidade é baixa. Nestes casos o paciente ainda vislumbra alternativas para lidar com o sofrimento.
São de média urgência os casos em que o paciente apresenta planos suicidas possíveis, mas não tem acesso
fácil aos meios para concretizá-los. Visualize seu planejamento como algo possível, para o futuro, caso a
situação não melhore. Nestes casos o paciente deve ter consulta agendada em serviço especializado de saúde
mental, como o CAPS, num período máximo de 7 a 10 dias. A equipe da unidade básica de saúde deve manter
contato com ele.
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Os casos de urgência elevada são os que há planejamento claro, com convicção, e há intenção de levá-lo a
cabo nas próximas horas ou dias. A convicção nunca é absoluta, pois todos os pacientes têm uma
ambivalência, que abre possibilidade para a intervenção.
Casos com risco muito grave podem exigir internação em serviço de saúde mental de hospital geral ou em
hospital psiquiátrico. Em geral é possível montar uma relação boa com o paciente, evitando um desfecho ruim.
Após classificar a urgência, caracteriza-se o nível de periculosidade. Se há meios disponíveis (venenos, armas
de fogo, remédios armazenados, vida solitária sem pessoas habitando junto, ausência de rede social), de fácil
acesso, a periculosidade é grande. A avaliação psiquiátrica deve ser agendada imediatamente.
Dependendo do risco, da urgência e da periculosidade, o paciente deve ser convidado a comparecer
diariamente ao serviço de saúde, criando-se um esquema adicional de visitação do domicílio, por agente de
saúde e por outros profissionais.
Apo�� fa����ar e p�i��t��a��� no t�a��m���o do� t�a�s���n��
A conscientização da família é importante, tanto como um auxílio no tratamento, como na idealização que esta
se torne um agente modificador da sociedade, pois a partir do momento que a família entende o que acontece
com o doente mental, torna-se mais fácil enfrentar medos e preconceitos, percebendo que a pessoa não é
responsável pela sua condição, pois faz parte de um processo de adoecimento. Há também que se esclarecer
que embora limitado, o mesmo pode levar uma vida normal, não precisa ficar isolado, pelo contrário, necessita
de apoio familiar e social para ajustar sua condição.
Os psicofármacos e os neurolépticos, apesar da ação específica na alteração fisiológica, não ajudam a
capacitar os indivíduos a adquirir formas de comportamentos adaptadas à interação social ou para enfrentar
adequadamente as situações da vida diária . Os CAPS são os locais onde estas pessoas podem ter um
atendimento gratuito e especializado nestas questões psíquicas, físicas e sociais. Sendo estes programas de
iniciativa pública, são locais onde o governo financia e não solicita pagamento pelos atendimentos
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proporcionados, levantando por meio deste programa um tratamento alternativo que contem outros
mecanismos de ação e aponta para outros níveis do transtorno.
NAPS – Núcleos de Atenção Psicossocial, e os CAPS. Estes constituem uma porta de entrada da rede de
serviços para as ações relativas à saúde mental, atendendo também a pacientes dos serviços de urgência
psiquiátrica ou egressos de internação hospitalar, os mesmos que deverão estar integrados a uma rede
descentralizada e hierarquizada de cuidados em saúde mental.
Terapia Cognitivo-Comportamental:
A TCC se caracteriza, principalmente, pela utilização de técnicas que ajudam o paciente a identificar e modificar
seus pensamentos e comportamentos disfuncionais, bem como as emoções aflitivas a eles associadas. Ao final
da terapia se espera que cada concluinte tenha conseguido a melhora de seus sintomas, tenha aprendido de
modo mais aprofundado sobre o transtorno mental que o aflige, identifique as principais situações e
pensamentos que propiciam o desencadeamento dos sintomas, assim como os comportamentos que
favorecem a manutenção desses sintomas e, por fim, que possa agir de maneira crítica e questionadora em
oposição a essas situações, tornando-se, desse modo, seu próprio terapeuta. A TCC conquistou um grande
espaço na psiquiatria em razão das crescentes evidências de sua boa capacidade em obter a redução dos
sintomas de diversos transtornos mentais, bem como, por vezes, levando à remissão completa da síndrome
com ou sem o uso de medicações associadas. Entretanto, nem todos os pacientes apresentam boa resposta à
TCC, o que aponta para a necessidade de mais estudos com o objetivo de conhecer os principais fatores que
dificultam o sucesso terapêutico. Além disso, convém salientar a necessidade, sempre presente na prática
psiquiátrica, da escolha dos tratamentos mais apropriados às necessidades de cada indivíduo em particular,
não havendo rigidez na indicação das diversas técnicas psicoterapêuticas com vistas ao bem-estar de quem
procura alívio para seu sofrimento.
MI���
Usualmente, os diagnósticos em psiquiatria não dependem de exames diagnósticos por imagem, mas da
satisfação de critérios clínicos listados do DSM. A utilização de recursos de imagem ganha importância especial
quando a história clínica relaciona o aparecimento de sintomas com traumas, alterações clínicas sistêmicas ou
sinais clínicos ou neurológicos que levem à necessidade de exclusão de doença orgânica como etiologia para
os quadros ou manifestações comportamentais.
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A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) → A anormalidade mais consistente
observada nos transtornos depressivos é a maior frequência de hiperintensidades anormais nas regiões
subcorticais, tais como as regiões periventriculares, os gânglios da base e o tálamo. Mais comuns no transtorno
bipolar I e entre idosos, essas hiperintensidades parecem refletir os efeitos neurodegenerativos prejudiciais de
episódios afetivos recorrentes. Aumento ventricular, atrofia cortical e alargamento sulcal também foram
relatados em alguns estudos. Alguns pacientes deprimidos também podem ter volumes reduzidos do
hipocampo ou do núcleo caudado, ou de ambos, sugerindo defeitos mais focais em sistemas
neurocomportamentais relevantes. Áreas de atrofia difusas e focais foram associadas com maior gravidade da
doença, bipolaridade e aumento dos níveis de cortisol.
Tomografia por emissão de pósitrons (PET) → na depressão é uma diminuição no metabolismo cerebral
anterior, que é em geral maispronunciada no lado esquerdo. De um ponto de vista diferente, a depressão pode
estar relacionada com um aumento relativo na atividade do hemisfério não dominante. Além disso, uma
inversão da hipofrontalidade ocorre após mudanças de depressão para hipomania, de modo que maiores
reduções do hemisfério esquerdo são vistas na depressão, comparadas com maiores reduções do hemisfério
direito na mania.
Outros estudos observaram reduções mais específicas do fluxo sanguíneo ou do metabolismo cerebrais, ou de
ambos, nos tratos dopaminergicamente inervados dos sistemas mesocortical e mesolímbico na depressão.
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An��es�� B. Eva���l���a- T3
S�- 2
Tra��t����s do Es�e�t�� An�i���
Os transtornos relacionados à ansiedade incluem a síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada
(TAG), fobias, distúrbio obsessivo-compulsivo (TOC) e distúrbio de estresse agudo e distúrbio de estresse
pós-traumático (DEPT). No entanto, a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças
Mentais (DSM-5) criou uma nova categoria de “Distúrbios Obsessivo-compulsivos e Distúrbios relacionados,
visto que esses transtornos apresentam uma patogênese distinta dos outros distúrbios de ansiedade. O estado
de ansiedade corresponde ao acionamento inadequado do sistema de resposta ao estresse (luta ou fuga)
associado com uma variedade de respostas dos sistemas cognitivo, motor, neuroendócrino e autonômico,
envolvendo assim não apenas o sistema simpático. Com isso, a ansiedade é caracterizada por emoções
negativas, reflexos autônomos, comportamentos defensivos, vigilância e secreção de mineralocorticoides sem
que haja estímulo externo. Em outras palavras, o indivíduo que sofre com os transtornos de ansiedade se sente
como um indivíduo normal (não ansioso) se sente em situações de risco, a diferença é que o indivíduo com
ansiedade em crise não está em situação de risco. Sabe-se que o hipotálamo possui um papel central em
orquestrar uma resposta humoral, visceromotora e somático-motora apropriada. Esta resposta é
regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-a-drenal (HPA). Já o hormônio cortisol, é liberado pela glândula adrenal
em resposta a um aumento nos níveis sanguíneos do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), liberado pela
hipófise anterior devido ao estímulo do hormônio liberador de corticotrofina (CRH) do hipotálamo.
Os neurônios hipotalâmicos que secretam CRH são regulados pela amígdala e pelo hipocampo. Quando o
núcleo central da amígdala é ativado, interfere no eixo HPA e a resposta ao estresse é emitida, sendo que a
ativação inapropriada tem sido relacionada com os transtornos de ansiedade. O hipocampo contém receptores
para glicocorticoides que são ativados pelo cortisol, e com altos níveis de cortisol circulante, participa da
regulação por retroalimentação do eixo HPA, inibindo a liberação de CRH e consequentemente de ACTH e
cortisol. A exposição contínua ao cortisol, em períodos de estresse crônico, pode levar à disfunção e à morte
dos neurônios hipocampais. Assim, o hipocampo começará a apresentar falhas em sua capacidade de controlar
a liberação dos hormônios do estresse e de realizar suas funções de rotina. O estresse também influencia a
aptidão de induzir a potenciação de longo prazo no hipocampo, o que provavelmente explica o porquê da falha
de memória. A atividade elevada do córtex pré--frontal também tem sido relatada nos transtornos de ansiedade.
Em resumo, a amígdala e o hipocampo regulam o sistema HPA e a resposta ao estresse de uma maneira
coordenada, tanto com a hiperatividade da amígdala, relacionada a memórias inconscientes estabelecidas por
mecanismos de condicionamento pelo medo quanto com a diminuição de atividade do hipocampo, o qual
participa no armazenamento de memórias conscientes durante uma situação de aprendizado traumático. A
patogênese de muitos transtornos ansiosos, especialmente a síndrome do pânico, pode ser explicada como
interpretações equivocadas das sensações somáticas normais. Assim, um indivíduo que sofre dessa
condição se torna consciente de uma sensação do corpo normal ou minimamente anormal,
interpretando-a como algo preocupante, levando à excitação simpática e outra excitação autonômica,
que por sua vez produz sensações somáticas (taquicardia, sudorese), formando um círculo vicioso de
pensamentos e sintomas somáticos. No distúrbio obsessivo-compulsivo, entretanto, a patogênese parece
envolver o funcionamento alterado das vias estriato frontais, com participação dos sistemas serotoninérgicos
centrais. As obsessões e compulsões podem representar a ativação inapropriada de “scripts” neurais
envolvendo pensamentos e comportamentos considerados análogos a scripts relacionados com o aliciamento
animal e outros comportamentos complexos.
A maioria dos indivíduos com transtornos de ansiedade apresentam um ou mais sintomas somáticos, os quais
podem ser relativos a todos os órgãos e sistemas do corpo. As principais manifestações somáticas dos
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transtornos de ansiedade incluem palpitações, dor torácica, dispneia ou sensação de estar sufocado, dispepsia,
náusea, diarreia, inchaço
ou dor abdominal,
frequência ou urgência
urinária, sudorese,
tonturas e pré-síncope,
parestesias, tremor,
cefaleia, entre outros. As
mulheres também podem
passar por períodos
menstruais irregulares
e/ou dolorosos, além de terem libido diminuído. Os transtornos de ansiedade são ordenados em dois grandes
grupos: grupo dos transtornos em que a ansiedade é constante e permanente, onde se enquadra a TAG, e
grupo do quadros em que há crises de ansiedade, que cursam com períodos discretos de sintomas agudos,
descritos como ataques de pânico, no qual o indivíduo experiência uma elevação abrupta da ansiedade,
associado a pensamentos de medo e sintomas somáticos dentro de alguns minutos (“início crescente”).
Sín��om� do Pâni��
O transtorno de pânico é caracterizado pela presença de ataques de pânico recorrentes que consistem em uma
sensação de medo ou mal estar intenso acompanhada de sintomas físicos e cognitivos e que se iniciam de
forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos .
Esses ataques acarretam preocupações persistentes ou modificações importantes de comportamento em
relação à possibilidade de ocorrência de novos quadros de ansiedade.
Além do sofrimento psíquico e do prejuízo funcional vivenciados pelos pacientes com síndrome do pânico, ele
está associado a uma série de outros desfechos que, empiricamente, justificam seu tratamento como um
problema de saúde pública.
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Pacientes com síndrome do pânico, têm maiores taxas de absenteísmo e menor produtividade no trabalho,
maiores taxas de utilização dos serviços de saúde, procedimentos e testes laboratoriais, um risco aumentado,
independente das comorbidades, de ideação de suicidio e de tentativa de suicidio, e em mulheres pós
menopausa, parece estar relacionado a morbidade e mortalidade cardiovascular.
EPIDEMIOLOGIA: Alta prevalência de síndrome do pânico na população em geral, a maioria das vezes é
crônico.
Mulheres tem 3x mais probabilidadede serem afetadas do que os homens
Fator social: história recente de divórcio ou separação
Costuma surgir na idade adulta jovem (em todos dos 25 anos mas, podem se desenvolver em qualquer idade)
Condições comórbidas; mais comum em hipocondríacos ou transtorno de ansiedade relacionada a doenças,
transtornos de personalidade e transtorno relacionado a substâncias.
FISIOPATOLOGIA: Ataque de pânico decorrem de uma ativação intermitente dos sistemas de reação e defesa
do SNC, em uma região chamada “circuito do medo” (hipocampo, córtex pré- frontal medial, amígdala e suas
projeções para o tronco encefálico) , resultando em um alerta central e autonômico generalizado - está em alerta
e fuga 24 hrs por dia.
Diversas são as teorias de explicação para essa ativação intermitente. A mais aceita atualmente é que essa
hiperativação autonômica se dá através do "alarme falso de sufocamento”, em que pacientes, predispostos por
fatores etiológicos, apresentam uma sensibilidade anormal a estimulantes respiratórios com o CO2 (dióxido de
carbono), lactato e bicarbonato - paciente hiperventila e com isso acaba aumentando o pânico, aumentando
quantidade de CO2, lactato e bicarbonato, paciente entra em alcalose, fica retendo CO2 - SUBSTÂNCIAS
PANICOGÊNICAS.
QUADRO CLÍNICO:
Sintomas psíquicos principais são:
● Extremo medo e sensação de morte
● Catástrofe iminentes
● Medo de enlouquecer ou perder o controle
● Desrealização e despersonalização
Sintomas físicos:
● Palpitações
● Sudorese
● Tremores
● Boca seca
● Calafrios ou sensações de calor
● Sensação de falta de ar ou de asfixia
● Dor ou desconforto torácico
● Náusea ou dor abdominal
● Tonturas
● Parestesias
Paciente abandona qualquer atividade que esteja fazendo para procurar ajuda
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Podem se preocupar com a possibilidade de estarem tendo problemas cardíacos, em 20% dos casos pode
haver síncope
FATORES DESENCADEANTES:
-Situações de estresse
-Crises financeiras
-Brigas
-Separações
-Mortes na família
-Genético
DIAGNÓSTICO: Critérios diagnósticos (DSM-5)
- Ocorrência de ataques de pânico recorrentes e inesperados;
-Ataques de pânico seguidos de pelo menos uma das seguintes características: preocupação persistente sobre
a possibilidade de ter novos ataques e suas consequências; mudança desadaptativa comportamental
significativa;
-Perturbação não é consequência de efeitos psicológicos de uma substância ou de outra condição médica;
-Exclusão de outros transtornos psiquiátricos.
Tra��t���� de An�i���de Gen����iz��� (TA�)
Epidemiologia
Transtorno mais comum, sendo mais comum em mulheres jovens , principalmente por volta dos 20 anos
somado a eventos traumáticos e utilização de substâncias estimulantes.
Fisiopatologia
Sistema nervoso autônomo (SNA) → causa alguns sintomas:
cardiovasculares: taquicardia
musculares: cefaleia
gastrintestinais: diarreia
respiratórios: Taquipnéia
O SNA de alguns pacientes com transtorno de ansiedade, sobretudo aqueles com transtorno de pânico, exibem
tônus simpático aumentado, se adaptam lentamente a estímulos repetidos e respondem de maneira excessiva
a estímulos moderados.
Os 3 principais neurotransmissores associados à ansiedade são:
Norepinefrina;
Serotonina;
Ácido gama-aminobutírico (GABA).
Quadro clínico
→ Sintomas essenciais são variáveis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tensão muscular,
transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico.
Medos de que o paciente ou um de seus próximos irá brevemente ficar doente ou sofrer um acidente são
frequentemente expressos. Sua sinonímia inclui estado ansioso, neurose ansiosa e reação de angústia. Deve
ser diferenciado da neurastenia.
→ As crianças com transtorno de ansiedade generalizada geralmente demonstram medos excessivos,
preocupações ou sentimentos exagerados e irracionais a respeito de situações triviais, são tensas, inseguras e
excessivamente sensíveis a quaisquer situações provocadoras de ansiedade.
Fatores desencadeantes
São transtornos que possuem causa genética e ambiental. Fatores estressores podem aumentar a chance de o
indivíduo apresentar estados de ansiedade.
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Fatores genéticos associados → Genes anormais predispõem a estados de ansiedade patológica.
Fatores ambientais estressores → Acontecimentos de vida traumáticos, uso de substâncias estimulantes.
Diagnóstico
Clínico
Preocupação excessiva + 3 Sintomas somáticos.
Sintomas somáticos
Tensão motora: tremor, abalos, tensão muscular, inquietação, fadiga fácil, dores;
Hiperatividade autonômica: palpitações, sensação de asfixia, sudorese, mãos frias e úmidas, dificuldade de
deglutição, sensação de nó na garganta;
Vigilância: impaciência, sobressaltos, sensação de incapacidade, dificuldade de concentração, insônia,
irritabilidade, lapsos de memória.
Para o diagnóstico, os sintomas devem estar presentes por pelo menos 6 meses e causar desconforto
clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes.
Som����ação
Define-se transtorno somatoformes como uma queixa física repetida associada a uma persistente busca pela
assistência médica cuja avaliação não detecta justificativa numa condição médica geral. Cabe ressaltar que a
existência de uma doença concomitante não explica a natureza, o sofrimento da pessoa nem a extensão dos
sintomas. Depressão e ansiedade comórbidas são comuns, levando a uso, abuso e dependência
medicamentosa.
Transtorno doloroso somatoforme ou Transtorno doloroso persistente é uma neurose caracterizada por dor
crônica desencadeada por estresse psicológico (somatização) desproporcional a qualquer lesão física.
A característica essencial do Transtorno Doloroso é uma dor que se torna o foco predominante da
apresentação clínica, sendo suficientemente severa para indicar uma atenção clínica. A dor causa sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes
do funcionamento.
Fatores psicológicos supostamente exercem um papel significativo no início, gravidade, exacerbação ou
manutenção da dor.
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Transtorno de somatização:
No transtorno de somatização, a característica essencial é a presença de sintomas físicos múltiplos,
recorrentes e variáveis no tempo. O início costuma ocorrer na idade adulta e é mais comum em mulheres.
Essas pessoas se perpetuam como poliqueixosas ou usuárias crônicas (abusadores ou dependentes) de
benzodiazepínicos e antidepressivos .
Transtorno hipocondríaco ou transtorno de ansiedade de doença:
Nesse transtorno é observada a preocupação persistente de ter ou contrair uma ou várias doenças graves. O
indivíduo concentra sua atenção em um ou dois órgãos ou sistemas, e qualquer sensação ou sinal físico pode
vir a ser interpretado como algo anormal ou patológico .
O hipocondríaco pode também ter a preocupação com a aparência física em parte ou em todo o corpo
(dismorfofobia). A hipocondria já foi chamada de nosofobia (medo de doença).
QUADRO CLÍNICO:
Os sintomas físicos se expressam em sensações como gastrointestinais (dor, eructação, regurgitação, vômito,
náusea), cutâneas (coceiras, queimação, formigamento, dormência), erupções ou manchas (urticárias). Os
sintomas devem persistir por pelo menos 2 anos.
As pessoas com transtornos somatoformespodem se apresentar ainda com disfunções autonômicas ou
neurovegetativas. Sentem palpitações, transpiração, ondas de calor ou de frio, tremores, queimação, peso,
aperto, inchaço etc.
As queixas são subjetivas, inespecíficas e variáveis, sendo o sofrimento evidente, mas o paciente não
identifica nelas sua própria subjetividade. Algumas pessoas podem estar com alguma doença e
simultaneamente apresentar queixas que não se justificam pela clínica geral.
Em outra direção, a principal queixa somática pode ser uma dor persistente, intensa e angustiante, dor também
sem explicação somática, onde se identifica relação com um contexto de conflitos emocionais e de problemas
psicossociais suficientemente importantes.
TRATAMENTO:
Psicoterapia:
Alguns dados sobre os resultados indicam que a psicoterapia psicodinâmica pode beneficiar pacientes com
transtorno doloroso. O primeiro passo na psicoterapia é desenvolver uma aliança terapêutica sólida por meio da
empatia com o sofrimento do paciente.
Os clínicos não devem confrontar os pacientes que somatizam com comentários como “Isso é tudo coisa da
sua cabeça”. Para o paciente, a dor é real, e o médico deve reconhecer essa realidade, mesmo que entenda
que ela seja em grande parte, de origem intrapsíquica.
Um ponto de partida útil nos aspectos emocionais da dor é examinar suas ramificações interpessoais na vida
do paciente. Em terapia conjugal, por exemplo, o psicoterapeuta pode rapidamente chegar à origem da dor
psicológica e à função das queixas físicas em relações significativas. A terapia cognitiva já foi usada para
alterar pensamentos negativos e para estimular uma atitude positiva.
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O biofeedback pode ser útil no tratamento do transtorno doloroso, em particular com dor de enxaqueca, dor
miofascial e estados de tensão muscular, como dores de cabeça tensionais. Hipnose, estimulação nervosa
transcutânea e estimulação da coluna dorsal também já foram usadas.
Bloqueios nervosos e procedimentos cirúrgicos ablativos são eficazes para alguns pacientes com transtorno
doloroso, mas esses procedimentos precisam ser repetidos, porque a dor retorna depois de 6 a 18 meses
Farmacológico:
Antidepressivos, como os tricíclicos e os ISRSs, são os agentes farmacológicos mais eficazes. Ainda
permanece controverso se os antidepressivos reduzem a dor por meio de sua ação antidepressiva ou se
exercem um efeito analgésico direto independente (possivelmente estimulando vias eferentes inibitórias da
dor).
O sucesso dos ISRSs apoia a hipótese de que a serotonina seja importante na fisiopatologia do transtorno. As
anfetaminas, que têm efeitos analgésicos, podem beneficiar alguns pacientes, em especial quando usadas
como um adjunto dos ISRSs, porém as dosagens devem ser monitoradas com muita atenção.
Em casos mais graves pode ser realizada a associação dos inibidores da recaptação de serotonina com os
antipsicóticos.
Tra��t���� Ob�e�s��� Com���s��o (TO�)
As taxas de TOC são bastante consistentes, com uma prevalência vitalícia na população em geral estimada em
2 a 3%. Alguns pesquisadores avaliaram que o transtorno é encontrado em até 10% dos pacientes
ambulatoriais de clínicas psiquiátricas. Esses números fazem do TOC o quarto diagnóstico psiquiátrico mais
comum depois da fobia, de transtornos relacionados a substâncias e do transtorno depressivo maior. Estudos
epidemiológicos na Europa, na Ásia e na África confirmaram esses índices em diferentes culturas. Entre
adultos, homens e mulheres são igualmente afetados, mas, entre adolescentes, os meninos costumam
ser mais afetados do que as garotas . A idade média de início é por volta dos 20 anos, apesar de os homens
apresentarem uma idade um pouco menor de início (média de 19 anos, aproximadamente) do que as mulheres
(média de 22 anos, aproximadamente). Em geral, os sintomas de cerca de dois terços das pessoas afetadas
têm início antes dos 25 anos, e os sintomas de menos de 15% têm início após os 35 anos. O início do
transtorno pode ocorrer na adolescência e na infância, em alguns casos até aos 2 anos de idade. Pessoas
solteiras costumam ser mais afetadas por TOC do que as casadas , apesar de esse achado provavelmente
refletir a dificuldade de pessoas com o transtorno de manter um relacionamento. O TOC ocorre com menor
frequência entre negros do que entre brancos, mas é possível que o acesso à assistência médica, e não
diferenças de prevalência, explique essa variação.
Fisiopatologia
A fisiopatologia do TOC ainda não é muito elucidada, mas algumas teorias tentam explicar a etiologia desse
transtorno com fatores biológicos, comportamentais e psicossociais .
Fatores Biológicos
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● Sistema serotonérgico: Dados mostram que fármacos serotonérgicos são mais eficazes no tratamento
do TOC que fármacos destinados a outros neurotransmissores e muitos ensaios clínicos apontam que a
desregulação da serotonina influencia a formação dos sintomas obsessivos e compulsivos, mas ainda não é
confirmado.
● Sistema noradrenérgico: Não há muitas evidências sobre a disfunção do sistema noradrenérgico no
TOC, mas há dados informais que mostram melhoras em sintomas do TOC com o uso de fármacos que
reduzem a quantidade de norepinefrina liberada dos terminais nervosos pré-sinápticos.
● Neuroimunologia: A infecção estreptocócica do grupo α-β hemolítico pode causar febre reumática e com
isso,10-30% dos pacientes desenvolvem coreia de Sydenham e mostram sintomas obsessivos-compulsivos.
● Estudos de tomografia cerebral: Estudos de tomografia por emissão de pósitrons mostraram atividade
aumentada (ex. metabolismo e fluxo sanguíneo) nos lobos frontais , nos gânglios da base (especialmente
caudados) e no cíngulo de pacientes com TOC. Já os estudos de tomografia computadorizada e os de
ressonância magnética mostraram caudados bilateralmente menores em pacientes com o transtorno.
Regiões Cerebrais implicadas na
fisiopatologia da TOC
FONTE: Caplan,
● Genética: Os dados genéticos disponíveis sobre o TOC mostram que o transtorno tem um componente
genético significativo, mas ainda não é possível distinguir os fatores herdáveis da influência dos efeitos culturais
e comportamentais. Em ensaios, familiares de pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo mostraram
possuir maiores chances (3 a 5 vezes) de apresentarem características do TOC se comparados à familiares de
um grupo controle.
Fatores Comportamentais
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Teóricos de aprendizagem afirmam que obsessões são estímulos que anteriormente eram neutros e se
associaram com o medo ou a ansiedade por meio de condicionamento replicante – eventos nocivos que
produzem ansiedade. Já as compulsões são ações (estratégias ativas de evitação) que reduzem a ansiedade
associada a um pensamento obsessivo, ou seja, uma forma de controle. Essas ações trazem a ideia de
eficiência e com isso se fixam como padrões – os comportamentos compulsivos.
Fatores psicossociais
● Fatores de personalidade: A maioria das pessoas com TOC não têm sintomas compulsivos
pré-mórbidos (que são encontrados no transtorno depersonalidade obsessivo-compulsiva) e os mesmos não
são necessários e nem suficientes para o desenvolvimento do transtorno obsessivo-compulsivo. Apenas
15-30% dos pacientes com TOC possuem esses traços obsessivos pré-mórbidos.
● Fatores psicodinâmicos: Os sintomas do TOC podem ser biologicamente motivados, mas também
alguns sinais psicodinâmicos podem estar associados. Pacientes podem se sentir motivados a manter a
sintomatologia em razão dos ganhos secundários (mais atenção e cuidado, por exemplo). Com relação às
dimensões interpessoais, o pensamento psicodinâmico reconhece precipitadores que iniciam ou exacerbam os
sintomas – as dificuldades interpessoais e estressores ambientais podem aumentar a ansiedade do paciente e
com isso, sua sintomatologia.
Quadro clínico
O TOC tem 4 padrões principais de sintomas:
● Contaminação , que faz com que haja a necessidade de limpeza, lavagem ou evitação compulsiva do
objeto que está contaminado (presumido). O objeto em questão costuma ser difícil de evitar (ex. fezes, urina, pó
ou germes). A resposta emocional mais comum é a ansiedade, mas vergonha e nojo obsessivos (pelo objeto)
também são evidentes e os indivíduos costumam acreditar que a contaminação é espalhada objeto/objeto ou
pessoa/pessoa com mínimo contato.
● Dúvida patológica , caracteriza-se por uma obsessão de dúvida e é acompanhada pela compulsão de
ficar verificando. Os indivíduos sempre se sentem culpados – acreditam que esqueceram ou cometeram algo –
e duvidam obsessivamente de si mesmos.
● Pensamentos intrusivos , existem pensamentos intrusivos sem uma compulsão acompanhada. Essas
obsessões tendem a ser pensamentos repetitivos de atos agressivos ou sexuais, que são repreensíveis pelo
indivíduo. Ideias suicidas também podem ser obsessivas e por isso uma avaliação cuidadosa sobre os riscos
de suicídio deve sempre ser feita.
● Simetria é a necessidade de simetria ou precisão, o que pode acarretar uma compulsão de lentidão. Os
indivíduos podem demorar horas para realizarem atos por conta dessa necessidade (ex. fazer a barba)
Existem outros padrões de sintomas compulsivos: puxar o cabelo, roer as unhas, obsessões religiosas,
acúmulo, masturbação, etc.
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Fatores desencadeantes
Fatores que tenham um forte apelo emocional para o indivíduo estejam relacionados ao desencadeamento dos
sintomas. Freqüentemente observa-se que estes estão associados a algum fator precipitante que provocou
ansiedade e sensação de impotência, debilidade ou fadiga .6 Eventos estressantes antecedendo a instalação do
TOC foram identificados em até 70% dos casos.4-6 Fatores desencadeantes relacionam-se geralmente a
períodos de maior exigência: rompimentos afetivos, morte de pessoas próximas, puerpério, situações de maior
solicitação nos estudos ou no trabalho, mudança de domicílio, troca ou perda de emprego etc. 19
Diagnóstico
Para o diagnóstico de TOC, o DSM-V institui os critérios a seguir:
Tra��t����s Re�t��o�- TE��, SO����FO��� E DI���C�A���� CO���R���O
TEPT
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno de ansiedade que se desenvolve após evento
ou situação de natureza excepcionalmente catastrófica ou ameaçadora (o evento traumatizante).
Normalmente, o trauma é uma situação excepcional e capaz de impactar emocionalmente a grande maioria das
pessoas que o vivessem. O estudo “São Paulo Megacity Mental Health Survey”1 , numa amostra de 5.037
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adultos, usando a ferramenta CIDI, da OMS, mostrou a prevalência, em 12 meses, de 1,6% para transtorno de
estresse pós-traumático, sendo 51% disto em intensidade severa. Em estudo de prevalência de transtornos
mentais comuns realizado em unidades de saúde da família de Petrópolis, denotou-se que o transtorno de
estresse pós-traumático tem grande prevalência em unidades de saúde pública2 . O transtorno de estresse
pós-traumático pode ocorrer em qualquer idade e os sintomas podem se iniciar entre semanas e meses após o
evento desencadeante, geralmente nos primeiros três meses, mas durando além deste período. Em grande
parte dos casos se torna crônico, principalmente quando não há acesso a tratamentos de qualidade. O mais
importante para o adequado tratamento é a detecção, com uso de questionamento direto e suspeição, já que
grande parte das pessoas evita buscar ajuda devido aos sintomas gerais de isolamento e depressão. Em
algumas situações, como desastres naturais, pode estar indicado o uso de escalas validadas para rastreamento
e diagnóstico.
CLASSIFICAÇÃO NA CID 10 F43.1- Estado de “stress” pós-traumático
Este transtorno constitui uma resposta retardada ou protraída a uma situação ou evento estressante (de curta
ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas
evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos. Fatores predisponentes, tais como certos traços de
personalidade (por exemplo compulsiva, astênica) ou antecedentes do tipo neurótico, podem diminuir o limiar
para a ocorrência da síndrome ou agravar sua evolução; tais fatores, contudo, não são necessários ou
suficientes para explicar a ocorrência da síndrome. Os sintomas típicos incluem a revivescência repetida do
evento traumático sob a forma de lembranças invasivas ("flashbacks"), de sonhos ou de pesadelos; ocorrem
num contexto durável de "anestesia psíquica" e de embotamento emocional, de retraimento com relação aos
outros, insensibilidade ao ambiente, anedonia, e de evitação de atividades ou de situações que possam
despertar a lembrança do traumatismo. Os sintomas precedentes se acompanham habitualmente de uma
hiperatividade neurovegetativa, com hipervigilância, estado de alerta e insônia, associadas frequentemente a
uma ansiedade, depressão ou ideação suicida. O período que separa a ocorrência do traumatismo do
transtorno pode variar de algumas semanas a alguns meses. A evolução é flutuante, mas se faz para a cura na
maioria dos casos. Em uma pequena proporção de casos, o transtorno pode apresentar uma evolução crônica
durante numerosos anos e levar a uma alteração duradoura da personalidad e (F.62.0 - Modificação duradoura
da personalidade após uma experiência catastrófica).
SOMATOFORMES
Os sintomas somáticos sem explicação médica ou manifestações histéricas são frequentes, estando
associados a sofrimento mental em vários contextos. Atualmente são classificados na psiquiatria como
transtornos somatoformes (TS). O transtorno somatoforme (TS) é de difícil reconhecimento e tratamento, tanto
pelo psiquiatra, quanto pelo não psiquiatra. Esse transtorno pode ser entendido no seu sentido mais amplo, que
é a manifestação de sintomas físicos de origem exclusivamente psicogênica . Contudo, esta definição é
prejudicial, pois pressupõe uma divisão entre "corpo" e "mente", e pode dar uma ideia de que os sintomas
físicos são "simulados" ou "controlados" pelo paciente, além de não englobar situações em que há somatização
associada com doença "orgânica" e, por outro lado, não distinguir casos em que a somatização ésecundária a
outros transtornos mentais (Elkis & Louza, 2007).
47
Verifica-se, em manuais de diagnóstico como o DSM - IV - TR e CID-10, que o diagnóstico de histeria foi
rejeitado pela comunidade científica, dando lugar às novas classificações diagnósticas dos transtornos
dissociativos, de personalidade, bipolar ou síndromes psicóticas. Porém, a mudança na classificação da histeria
não impede que ela continue existindo. A diferença é que hoje a histeria apresenta. além dos antigos, novos
sintomas como anorexia, bulimia, obesidade, pânico e doenças como depressão e mania (Maurano, 2010).
No Brasil, em um estudo epidemiológico realizado em 1997 em três capitais brasileiras (Brasília, São Paulo e
Porto Alegre), observou-se que a prevalência ao longo da vida de transtornos psiquiátricos pode chegar a 50%
conforme Almeida-Filho et al. (1997).
Os transtornos somatoformes constituem um campo amplo para estudos, tanto na área clínica, quanto aos seus
aspectos epidemiológicos. Atualmente, sabe-se que no Brasil, os transtornos mentais não são de notificação
compulsória e seu diagnóstico é muito complexo e específico, devendo este ser emitido por médico psiquiatra
experiente na área de saúde mental.
Sobre o transtorno somatoforme e suas manifestações, Holmes (1997, p. 144) acrescenta: "os transtornos
somatoformes consistem em sintomas físicos para os quais não há causa demonstrável, mas a falha em
demonstrar causa física poderia ser devido ao fato que não a encontramos ainda".
Para Holmes (1997, p. 144) o comportamento dos pacientes histéricos é caracteristicamente dramático, teatral,
infantil, sedutor e, eventualmente, manipulativo: com certeza há casos nos quais as pessoas simulam doenças
somáticas com tentativa deliberada de obter simpatia, benefícios ou evitar responsabilidade.
Embora as simulações possam ocorrer, os sintomas dos transtornos somatoformes podem ser reais e existem
sem causa física subjacente e sem comprovação clínica.
Na sintomatologia histérica há expressão não de uma doença, ou de uma disfunção, mas de uma função a ser
decifrada. O sintoma que faz sofrer o neurótico se coloca como um enigma no qual em sua decifração surge a
evidência de um saber que não se sabe, que escapa da consciência (Maurano, 2010).
Sob uma perspectiva nosológica, os transtornos somatoformes foram agrupados pela primeira vez em 1980, na
terceira edição do manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSMIII), como transtornos em que
sensações ou funções corporais, com enfoque predominante de pacientes, são influenciadas por perturbação
da mente. Indivíduos com transtornos somatoformes estão convencidos de que seu sofrimento vem de algum
tipo de distúrbio corporal presumivelmente não detectado e não tratado (Sadock, Kaplan, & Sadock, 2007).
A revisão do texto da quarta edição do DSM (DSM III - IV-TR) reconhece cinco transtornos
somatoformes específicos:
1. transtorno de somatização , caracterizado por várias queixas físicas, afetando vários sistemas de
órgãos;
2. transtorno conversivo , caracterizado por uma ou duas queixas neurológicas;
3. hipocondria ; caracterizada menos pelo enfoque em sintomas do que pela crença do paciente de ter
uma doença específica;
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4. transtorno disfórmico corporal , caracterizado por uma doença falsa ou por uma percepção exagerada
de que uma parte do corpo é defeituosa;
5. transtorno doloroso , caracterizado por sintomas de dor que são exclusivamente relatados ou
exacerbados por fatores psicológicos.
O DSM - VI - TR também apresenta duas categorias diagnósticas residuais para o transtorno somatoforme:
1 - transtorno somatoforme indiferenciado, que inclui os subtipos não descritos de outra forma, que tenham
estado presentes por seis meses ou mais, e
2 - transtorno somatoforme sem outras especificações, que é a categoria para sintomas somatoformes que não
satisfazem quaisquer outro diagnóstico de tratamento somatoforme mencionados (Sadock ei al., 2007).
A incidência dos diferentes tipos de transtornos somatoformes pode variar em função do gênero, da idade,
classe social entre outros fatores psicossociais . O transtorno de somatização ocorre em 0,2 a 2,0% das
mulheres durante toda a vida, sendo que mulheres com a condição excedem os homens em 05 a 20 vezes
(Sadock ei al., 2007).
Alguns sintomas do transtorno conversivo grave podem ocorrer em até um terço da população geral em algum
momento de suas vidas. Vários estudos relatam que de 5,0 a 15% das consultas psiquiátricas em um hospital
geral tem relação com esta sintomatologia. Já a prevalência de hipocondria em seis meses varia de 4 a 6% em
populações clínicas, mas pode ser de até 15% (Starcevic, & Lipsitt, 2001).
O transtorno dismórfico corporal é uma condição pouco estudada. Um estudo com um grupo de estudantes
verificou que mais de 50% tinham pelo menos alguma preocupação com um aspecto particular de sua
aparência e em cerca de 25% deles, a preocupação apresentava algum efeito significativo sobre seus
sentimentos e desempenho (Carrol, Scahill, & Phillips, 2002).
Embora a medicina tenha evoluído bastante ao longo dos anos, a histeria, ainda hoje, é de difícil diagnóstico
porque apresenta sintomatologia semelhante a várias outras patologias. No entanto, o tratamento da disposição
histérica proporciona ao médico certa liberdade na escolha dos métodos.
O tratamento psíquico direto dos sintomas histéricos é uma possibilidade para o tratamento destes pacientes e
será ainda melhor no dia em que esta neurose tiver sido completamente entendida e aceita pelos médicos.
Síndrome Conversiva
A síndrome conversiva é entendida como a perda / alteração de alguma função motora ou sensorial que se
assemelha com a presença de uma causa neurológica sendo responsável pelo quadro. Entretanto, a partir de
uma história clínica e exame físico bem detalhados, acompanhado do suporte de exames complementares
pertinentes, não é possível encontrar alterações objetivas que justifiquem o quadro apresentado pelo paciente
e, portanto, ausência de neuropatia.
Os sintomas costumam surgir e desaparecer de forma súbita, geralmente após algum episódio de estresse
psicossocial e pode ser dividido em alterações da psicomotricidade e da sensopercepção.
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Alterações psicomotoras
● Movimentos anormais
● Perda da capacidade de ficar em pé e de andar
● Fraqueza muscular
● Acinesias (falta de movimento)
● Tremores
● Pseudoconvulsões
Alterações sensoperceptivas
● Anestesia de membros
● Surdez
● Cegueira
● Hiperestesia
● Alucinações negativas
Importante salientar que, apesar de não haver desordem neurológica, os sintomas vividos pelo paciente são
tidos como reais e, portanto, não se tratam de fingimento ou simulação , diferentemente de outras síndromes
que serão vistas posteriormente.
Entretanto, o paciente em quadro conversivo pode parecer apresentar atitude teatral e exibicionista, algumas
literaturas acreditam que o aspecto central da crise seja a sugestionabilidade patológica. Está presente no
transtorno de conversão, o que corresponde a histeria de conversão.
Síndrome Dissociativa
Asíndrome dissociativa acontece quando há uma falha na integração dos elementos e funções mentais e suas
alterações envolvem, basicamente, a consciência e a memória. Nos transtornos dissociativos as manifestações
são reproduções psicossomáticas e tanto a motivação, quanto a produção dos sintomas são inconscientes e
involuntárias. Assim como a síndrome conversiva, costuma surgir após a vivência de um evento estressor.
Esses pacientes podem cursar com estreitamento da consciência, ou seja, o indivíduo perde, em alguma
proporção, a capacidade de noção da gravidade dos seus atos, assemelhando-se ao estado de transe. Essa é
uma característica bastante comum dos estados crepusculares e é possível observar rigidez da atenção,
pseudoalucinações, desorientação alopsíquica e ecmnésia.
Alguns pacientes na vigência de uma síndrome dissociativa podem viver a chamada possessão (paciente se
sente dominado por um espírito / entidade) e, a partir de então, apresentar alterações da consciência do próprio
eu. Outros, por sua vez, podem apresentar a fuga dissociativa: paciente surge em um local distante do qual vive
e lá assume outra identidade, esquecendo da anterior. Existe, ainda, o transtorno dissociativo de identidade em
que várias personalidades distintas podem controlar as funções mentais e comportamentais do indivíduo, com
os sintomas variáveis de acordo com a personalidade (e.x: personalidade infantil, paciente pode alterar a
linguagem com a pedolalia).
A alteração da memória anteriormente citada difere daquela presente na demência e na síndrome
amnéstica, uma vez que seu início, assim como seus outros sintomas, se iniciam de forma abrupta e o
paciente tem a capacidade de reconhecê-la.
50
Importante lembrar que a síndrome dissociativa, por se tratar de um conjunto de sinais e sintomas, não se
restringe apenas aos transtornos dissociativos, podendo estar presente em alguns casos de pacientes
portadores do transtorno de personalidade borderline.
Transtorno Factício
No transtorno factício, tal qual a síndrome dissociativa, também há uma angústia decorrente de conflitos
psíquicos. Entretanto, neste transtorno os sintomas são reproduzidos de forma voluntária, ainda que a
motivação seja inconsciente. Nesse caso, o objetivo da ação são os cuidados médicos e, em algumas
situações, ganhar atenção.
Os sintomas geralmente são representados por queixas criadas pelo indivíduo e/ou produção de sinais clínicos
que podem ser feitos através do consumo oral ou injetável de substâncias e lesões autoprovocadas. Pode,
ainda, ser dividido em alguns tipos:
1. Sinais/sintomas predominantemente psicológicos
2. Sinais/sintomas predominantemente físicos
3. Sinais/sintomas mistos (psicológicos e físicos)
É preciso desconfiar que se trate de um transtorno factício na vigência de um quadro atípico e dramático que
não condiz com condição clínica ou psiquiátrica identificável, presença de sintomas somente quando o paciente
está sendo observado e, deve-se ligar o alerta, naqueles pacientes que apresentam conhecimento extenso
sobre sintomas e patologia que diz possuir. Atentar, também, para aqueles que de forma bastante rápida
mudam de sintomatologia e refere ter uma nova patologia quando a anterior se mostra negativa.
Em algumas literaturas o transtorno factício é chamado, também, de Síndrome de Münchhausen .
Simulação
Nessa entidade, tanto a motivação quanto a produção dos sintomas acontecem de forma consciente e
voluntária. De modo geral, existe sempre um objetivo a partir do qual o indivíduo irá ganhar algum benefício
com essa conduta: aposentadoria, dispensa do alistamento militar, indenizações, dentre outros. Por se tratar de
um ato consciente e voluntário, não é encarado como um transtorno mental.
É preciso ter um alto grau de suspeição nos pacientes sabidamente portadores de transtorno de personalidade
antissocial, discrepância entre os achados e o sofrimento relatado, contexto médico legal e falta de cooperação
durante a avaliação e tratamento prescrito. Apesar de bastante comum nos pacientes com transtorno de
personalidade, na maioria dos casos trata-se, puramente, de oportunismo .
Pode ser dividida em três subtipos:
1. Simulação pura: fingimento de um transtorno que não existe
2. Simulação parcial: exagero consciente nos sintomas referidos
3. Falsa imputação: atribuição errada de sintomas a determinada causa por engano inconsciente ou má
interpretação da situação
O examinador deve estar muito atento para existência ou não da simulação, uma vez que há prejuízo tanto
para o paciente que é erroneamente identificado como simulador, quanto para aquele que de fato o é e não foi
reconhecido.
51
Como dito anteriormente, os dois principais diagnósticos diferenciais a serem pensados diante de um paciente
cuja queixa não condiz com os achados objetivos são o transtorno factício ou dissociativo.
Tabela 1 – Quadro comparativo entre as síndromes conversiva e dissociativa, o transtorno factício e a
simulação. Fonte: próprio autor
Fár�a��s
Muitos fármacos ansiolíticos causam alguma sedação, eles podem ser usados clinicamente como ansiolíticos
ou hipnóticos (indutores do sono).
➔ BENZODIAZEPÍNICOS:
● São ansiolíticos mais usado
Mecanismo de ação:
● O alvo são os receptores do ácido gama-aminobutírico tipo A (GABAa), o GABA é o principal
neurotransmissor inibitório do SNC
● Os receptores GABAa são composto por 3 subunidades, sendo alfa, beta e gama que estão inseridas
nas membranas pós sinápticas
● A fixação do GABA com seu receptor inicia a abertura do canal iônico central, permitindo a entrada de
cloro através do poro.
O influxo de cloro causa a hiperpolarização do neurônio e diminui a neurotransmissão, inibindo os potenciais de
ação.
Os BDZ se ligam a um local específico de alta afinidade diferente do local de ligação do GABA, na subunidade
alfa e na subunidade gama no receptor GABAa. Esse aumenta a frequência da abertura dos canais produzido
pelo GABA.
Ações:
52
● Redução da ansiedade
● Efeito hipnótico/sedativo
● Amnésia anterógrada
● Efeito anticonvulsivante
● Relaxamento muscular
Efeitos adversos:
● Sedação e confusão são as mais comuns
● Ataxia em doses elevadas, impedindo que o paciente dirija
● Comprometimento cognitivo - aumenta a chance de alzheimer e demência
Por isso que não pode ser utilizado a longo prazo.
➔ NÃO BENZODIAZEPÍNICO:
✔ Zolpidem
✔ Zoleplona
✔ Eszopiclona
✔ Ramelteon
✔ Anti histamínico
✔ ISRS
Zolpidem:
● É considerado como um indutor do sono
● Se fixa seletivamente ao receptor BDZ ao subtipo BZ1
● Produz efeito hipnótico por 5 horas
● Efeitos adversos: pesadelos , agitação, amnésia anterógrada, cefaléia, distúrbios gastrointestinais,
tontura, sonambulismo e sonolência diurna
Zoleplona:
● É um hipnótico não BDZ oral similar ao zolpidem, mas causa menos efeitos residuais nas funções
psicomotoras e cognitivas
Eszopiclona:
● Hipnótico não BDZ oral que atua no receptor BZ1
● Eficaz na insônia por até 6 meses
● Efeitos adversos: ansiedade, xerostomia, cefaleia, edema periférico, sonolência e gosto desagradavél
Ramelteona:
● Agonista seletivo dos subtiposde receptores de melatonina MT1 e MT2
● A melatonina é um hormônio secretado pela glândula pineal que auxilia na manutenção do ritmo
circadiano subjacente ao ciclo sono-vigília normal
53
● A indução e a promoção do sono parecem ser devidos a estimulação dos receptores MT1 e MT2
● Indicado para o tratamento da insônia caracterizada pela dificuldade de “começar” a dormir - aumento
da latência até dormir
Anti histamínicos:
1. Com propriedades sedativas - difenidramina
2. Eficaz no tratamento dos tipos leves de insônia situacional
3. Efeitos indesejados anticolinérgicos que os tornam menos úteis do que BDZ
Antidepressivos
Vários antidepressivos são eficazes no tratamento da ansiedade crônica e devem ser considerados fármacos
de primeira escolha, especialmente em pacientes com inclinação para dependência ou vício. Os ISCSs , como
escitalopram ou paroxetina, ou os inibidores seletivos da captação de serotonina e norepinefrina (ISCSNs) ,
como a venlafaxina ou duloxetina, podem ser usados sós ou prescritos em associação com uma dosagem
baixa de benzodiazepínico durante as primeiras semanas de tratamento. Após 4 a 6 semanas, quando o
antidepressivo começa seu efeito ansiolítico, a dosagem de benzodiazepínico pode ser reduzida gradualmente .
Os ISCSs ou ISCSNs têm menor potencial de gerar dependência física do que os benzodiazepínicos,
tornando-se o tratamento de escolha contra o TAG . Ainda que apenas certos ISCSs ou ISCSNs tenham sido
aprovados para o tratamento do TAG, a eficácia desses fármacos é provavelmente um efeito da classe. Assim,
a escolha entre esses antidepressivos pode ser feita com base nos efeitos adversos e no custo. Em geral, o
tratamento com antidepressivos e benzodiazepínicos contra os transtornos de ansiedade é necessário por
longo período, de modo a manter a vantagem alcançada e evitar recaídas.
Normalmente o tratamento para ansiedade é feito associando o uso de fármacos à psicoterapia, com
psicólogos e/ou psiquiatras. Os fármacos mais utilizados incluem os ansiolíticos, antidepressivos e
antipsicóticos. A interferência farmacológica no funcionamento natural do sistema nervoso, potencializando a
liberação ou ação de determinados neurotransmissores, normalmente gera respostas adaptativas secundárias.
Isso ocorre, por exemplo, quando o aumento da liberação de certo neurotransmissor é contrabalanceado pela
inibição da síntese deste neurotransmissor . Essas respostas demandam certo tempo para se apresentarem,
pois dependem de alterações nos genes, e isso explica o fato de que os efeitos terapêuticos de algumas
classes de psicofármacos geralmente aparecem após algumas semanas de tratamento. Esses efeitos
secundários devem ser levados em consideração na escolha da terapêutica, bem como todas as
particularidades do paciente. A ansiedade gera uma supressão comportamental em resposta aos eventos que
são novos, não-recompensadores (quando a recompensa é esperada) ou relacionados à punição. Os
ansiolíticos, então, buscam diminuir esse efeito supressor, evitando alguns efeitos comportamentais gerados
pela ansiedade. Além disso, quando um estímulo é repetido em intervalos, a grandeza da resposta diminui
(hábito), o que normalmente não ocorre em pacientes ansiosos. Assim, os ansiolíticos também tentam
aumentar a taxa de hábito, ou seja, diminuir a resposta gerada pelo estímulo.
Os principais grupos de fármacos ansiolíticos são os benzodiazepínicos, buspirona e barbituratos.
Benzodiazepínicos
Essa é a classe de fármacos mais usada para tratar ansiedade e insônia .
Atualmente existem cerca de 20 benzodiazepínicos disponíveis para o uso
54
clínico, os quais são bem parecidos em seus efeitos, apresentando por vezes alguma seletividade, por
exemplo, o clonazepam apresenta efeito anticonvulsivo com sedação menos efetiva, porém pouco eficaz para
insônia . Os benzodiazepínicos atuam sobre os receptores A do GABA (GABAA), que mediam a
transmissão inibitória rápida no SNC. Esses fármacos potencializam a resposta ao GABA facilitando a
abertura dos canais de cloreto ativados por esse neurotransmissor. O receptor GABAA tem muitas
combinações diferentes nas distintas partes do cérebro, o que lhe confere diversas funcionalidades.
Essas diferentes combinações dos receptores GABAA podem ser alvo de fármacos com maiores
especificidades, permitindo que alguns benzodiazepínicos, por exemplo, causem mais ou menos efeito
sedativo.
Os principais efeitos dos benzodiazepínicos são a redução da ansiedade e da agressão, sedação e indução do
sono (efeito hipnótico), redução do tônus muscular e da coordenação e efeito anticonvulsivante. Assim, esses
fármacos também são usados no tratamento da epilepsia (diazepam nas crises agudas e clobazam como
tratamento profilático), na abstinência alcoólica, agitação psicomotora e tensão muscular, o que é importante no
tratamento e controle da ansiedade, pois o tônus muscular aumentado é característico dos estados de
ansiedade e podem gerar dores, especialmente cefaleias. A ação anticonvulsiva dos benzodiazepínicos pode
ser explicada pelo fato de que a biculina age bloqueando os receptores GABA e a estricnina bloqueia os
receptores de glicina, ou seja, bloqueiam os principais transmissores inibitórios do SNC . Assim, como os
benzodiazepínicos agem sobre os receptores de GABA potencializando esse neurotransmissor, eles podem ter
ação anticonvulsiva.
Em relação aos seus efeitos hipnóticos, os benzodiazepínicos diminuem o tempo para começar a dormir e
aumentam a duração do sono, no entanto, diferente das outras classes de hipnóticos, esses fármacos afetam
menos o sono REM, o que é uma vantagem, pois a interrupção do sono REM costuma causar irritabilidade e
ansiedade. Apesar disso, o uso crônico de benzodiazepínicos para tratar insônia não é indicado, devido à
tolerância, dependência e efeitos de ressaca. Entre os efeitos colaterais dessas medicações, pode-se
destacar a amnésia retrógrada, demência, sedação intensa, confusão mental e depressão respiratória.
Buspirona
A buspirona é um agonista parcial dos receptores de serotonina (5-HTIA), reduzindo assim a liberação desse
neurotransmissor. Além disso, esse fármaco inibe a atividade de neurônios noradrenérgicos do locus coeruleus,
e assim age nas reações de despertar. A buspirona não é eficaz no controle dos ataques de pânico, e
demora dias ou semanas para mostrar efeitos nos indivíduos. Além disso, não causam sedação nem perda da
coordenação motora. Seus efeitos colaterais incluem náuseas, cefaléia e tontura mais branda que os
benzodiazepínicos.
Barbitúricos
Os barbitúricos possuem ação depressora sobre o SNC, causando efeitos similares aos anestésicos inalatórios
utilizados em procedimentos cirúrgicos . Entre seus efeitos indesejáveis está a morte por depressão
respiratória e cardiovascular quando ut ilizados em altas doses, e por isso atualmente são menos utilizados no
tratamento da ansiedade e insônia. Os barbitúricos que permanecem em uso possuem ação específica, como o
fenobarbital, utilizado comoanticonvulsivo, e o tiopental, utilizado como anestésico intravenoso. Assim como os
55
benzodiazepínicos, essa classe de fármacos aumenta a ação do GABA, porém se ligam a um sítio diferente no
receptor GABAA/canal de cloreto, e desempenham ação mais especializada . Uma grande desvantagem dos
barbitúricos é que geram um alto grau de tolerância e dependência e influenciam na síntese do citocromo
P-450 hepático, aumentando a velocidade de degradação de vários fármacos e apresentando alta interação
medicamentosa.
Outros
Os antidepressivos utilizados no tratamento dos transtornos de ansiedade incluem as classes de inibidores da
captação de monoaminas, inibidores da MAO e antidepressivos variados (bupropiona) . Os inibidores da
captação de monoaminas podem ser antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da captação de serotonina
ou inibidores de norepinefrina e serotonina. Os antidepressivos tricíclicos foram inicialmente desenvolvidos
como antipsicóticos, e atuam no controle autônomo, retendo as aminas por mais tempo na fenda sináptica. O
tricíclico mais utilizado no tratamento da ansiedade é a fluoxetina , cujo efeito está relacionado com a
potencialização da transmissão mediada pela serotonina. É sabido que os ansiolíticos normalmente aliviam os
sintomas agudos de ansiedade, porém a sua eficácia a longo prazo e efeitos colaterais ainda não são bem
esclarecidos, e por isso os medicamentos antidepressivos são muito utilizados no tratamento da ansiedade.
Com exceção da bupropiona, os antidepressivos se mostram bastante eficazes para transtorno do pânico, TAG
e fobia social. Os únicos antidepressivos eficazes no tratamento do TOC são os que apresentam forte
atividade sobre as vias serotoninérgicas, como os inibidores seletivos de receptação da serotonina e o
composto tricíclico clomipramina. Associado ao tratamento farmacológico, são indicadas as psicoterapias
cognitivo-comportamentais, que se baseiam nos princípios da teoria da aprendizagem, extinguem o
comportamento inútil e reforçam o comportamento mais funcional, ajudando o paciente a aprender a identificar
e corrigir os padrões disfuncionais de pensamento, os quais desencadeiam as respostas da ansiedade
patológica. Essas terapias podem inclusive ser a única terapêutica em alguns casos de transtorno ansioso,
principalmente para fobias específicas, e podem ser parte da terapia em família ou em grupo, a terapia em
família busca ajudar as pessoas que convivem com o paciente a evitarem comportamentos que desencadeiam
os sintomas do paciente. A maioria dos pacientes que sofrem com transtornos de ansiedade apresentam um
curso clínico de aumento e diminuição dos sintomas. Com isso, é importante a terapia de manutenção em
pacientes com distúrbios mais crônicos.
Tra����n�o Não Far����lógi��
56
A literatura retrata seis vertentes terapêuticas:
A suplementação dietética , especificamente com uso de cápsulas de ômega 3 , não possui precedentes de
estudos similares produzidos com seres humanos ( 25 ) . O estudo derivou de outras duas pesquisas, em
laboratório, com camundongos, e indicou que o nível de neurogênese no hipocampo cerebral está associado
com o tempo em que as memórias traumáticas, presentes no TEPT, se prolongam. Ainda que não fortemente
recomendado, uma vez que neste estudo específico não foram encontrados efeitos estatisticamente
significativos no tratamento do TEPT, a alternativa apresenta-se como um campo vasto para posteriores
investigações no tratamento de distúrbios mentais, uma vez que atuou no bem-estar das mulheres ( 40 - 41 ) .
A arteterapia integra elementos da psicologia e das artes. Desde 1970, a arteterapia demonstrou ser uma
alternativa eficaz nos tratamentos de transtornos traumáticos, especialmente para indivíduos que não
conseguiam se expressar oralmente, de forma eficiente, no tratamento. Assim sendo, é utilizada para permitir a
expressão emocional e detalhes do evento traumático por meio de recursos artísticos e visuais, permitindo
externalização de aspectos do consciente e inconsciente de cada indivíduo ( 28 , 42 ) .
É uma terapia que enfatiza a utilização da arte na reconstrução narrativa do trauma, por meio de momentos de
verbalização oral e/ou escrita exprimindo a significância e representação da obra artística, e permitindo, como
consequência, o gerenciamento do estresse, dos sintomas físicos e mentais decorrentes do TEPT ( 42 - 43 ) .
Estudo conduzido por terapeutas da Associação Americana de Arteterapia avaliou os mecanismos terapêuticos
dessa modalidade e conseguiu verificar que a arteterapia possui mecanismos eficazes principalmente no
tratamento dos sintomas de revivenciamento e hiperexitabilidade do TEPT, e menos eficazes nos de evitação,
por meio de sete mecanismos: a reconsolidação de memórias (agindo na desfragmentação das memórias
relacionadas ao trauma), exposição progressiva (na produção das obras de arte, estimulando mecanismos
contrários aos sintomas de evitação), externalização (momentos com narração dos eventos), redução dos
gatilhos (na função de relaxamento e concentração promovida pelo trabalho manual), reativação de emoções
positivas (pela sensação de satisfação de prazer promovida pelo momento artístico, relatada pelos indivíduos),
pela melhoria da autoeficácia emocional (aumentando a autoconfiança em se expressar emocionalmente) e
pelo aumento da autoestima ( 42 ) .
A terapia com atividades físicas , por sua vez, age na estimulação física a fim de obter resultados de melhora
psicológica. Estudos apontam que a utilização de esportes e atividades físicas traz melhorias na qualidade de
vida, sensação de bem-estar, aumento na determinação, melhora a resposta ao estresse diminuindo os níveis
de cortisol sérico, bem como sugerem que são boas opções terapêuticas para profissionais que atuam em
situações que estimulam picos de adrenalina, como é o caso de profissionais emergencistas ( 29 - 30 , 44 ) .
Ainda que existam poucos estudos que tragam evidências da eficácia desta terapêutica para o tratamento de
TEPT, os estudos encontrados apresentaram grau de recomendação B, fortalecendo duas revisões prévias que
apontaram para os efeitos benéficos em sintomas de depressão, estresse, melhora no controle da ansiedade e
em mecanismos para lidar com sentimentos negativos, manifestações estas presentes no TEPT ( 45 - 46 ) .
57
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B25
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B40
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B41
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B28
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B42
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B42
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B43http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B42
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B29
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B30
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B44
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B45
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B46
Além dos esportes, há o ioga , também incluído na categoria de exercícios físicos, trata-se de uma prática
integrativa que objetiva relacionar corpo e mente para tratar traumas adotando exercícios físicos, posturas,
técnicas de respiração, introspecção e meditação que auxiliam no desenvolvimento de conexões neurais que
possibilitam identificar a consciência introspectiva e diminuir os estados mentais negativos ( 38 , 47 ) .
Outras práticas muito semelhantes ao ioga são encontradas dentro da terapia envolvendo a técnica
mindfulness. Baseada na consciência, atenção e memória do indivíduo, a técnica mindfulness deriva de
ensinamentos budistas. Esse método permite a total consciência e percepção do corpo e da mente, auxiliando
na promoção da atenuação e eliminação de emoções negativas presentes no TEPT, considerando que as
emoções dependem da própria mente e não de circunstâncias externas ( 48 ) . Essa terapêutica inclui atividades
em um estado de consciência aumentada, livre de julgamentos, como na meditação (atividade autoguiada, com
olhos fechados, em estado consciente), na meditação transcendental (nomenclatura para designar a meditação
escutando mantras) e nos exercícios de alongamento baseados em mindfulness e respiração profunda
(mindfulness-based stretching and deep breathing exercise - MBX12) - conjunto de 12 movimentos fluidos e
conectados). Essas terapias agem nos processos de pensamento, em um estado hipometabólico vigilante
caracterizado por ganho de coerência neural e repouso fisiológico, trazendo diminuição do cortisol, proteína C
reativa, fator de necrose tumoral alfa, triglicerídeos, frequência cardíaca e pressão arterial ( 32 - 34 , 48 ) .
A terapia com elementos da natureza encontra subsídio em diversas disciplinas, uma delas na hipótese da
biofilia de Wilson, na qual, como consequência da evolução, o contato com a natureza traria maior bem-estar
psicológico. Esse tipo de terapia promove uma redução da atividade do córtex pré-frontal enquanto a atividade
do sistema nervoso parassimpático aumenta, com consequente redução da pressão arterial e frequência
cardíaca, estimulando, dessa forma, a sensação de relaxamento e redução do estresse ( 49 - 50 ) .
Assim, dentro dessa categoria, a terapia com horticultura diz respeito a uma atividade na qual o indivíduo
entra em contato com o manuseio e manutenção de uma horta, recebendo orientações de como plantar, manter
e colher elementos cultivados, contando com um terapeuta treinado, visando atingir objetivos para tratar o
TEPT ou outras condições psicológicas. Dentre os benefícios advindos, destaca-se a redução do estresse,
melhorias no sentimento de diversão, na atenção, cognição, no bem-estar e na qualidade de vida ( 35 , 51 ) .
O estudo com pinípedes (focas) encontrado na literatura baseou-se na interação humano-animal, em um
estudo piloto que visou promover educação sobre a ecologia do oceano, distribuição e habitat das focas,
anatomia e fisiologia, tarefas de criação, preparação de refeições e interações diretas. O estudo com cães de
serviço, por sua vez, se diferenciou de estudos prévios com cães terapeutas, uma vez que foram cães
treinados para atuação em situações de emergências que auxiliaram e acompanharam pacientes de TEPT na
retomada das atividades diárias ( 36 - 37 ) .
Ambos os estudos se caracterizam como terapia assistida por animais que corresponde a uma prática
terapêutica conduzida por profissionais da saúde, educação ou psicólogos treinados que tenham
conhecimentos a respeito das necessidades e da saúde do animal. A comunidade científica propõe que a
interação do homem com o animal promove uma regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e do sistema
nervoso autônomo, além dos efeitos fisiológicos positivos, dentre eles: bons níveis de cortisol, frequência
58
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B38
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B47
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B48
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B32
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B34
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B48
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B49
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B50
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B35
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B51
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B36
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B37
cardíaca e pressão arterial. Em casos de maior aproximação com o animal há, ainda, elevação dos níveis de
ocitocina e dopamina ( 52 ) .
A psicoterapia , por sua vez, é uma área amplamente estudada em amostras que sofrem com traumas e foi
adaptada ao tratamento do TEPT com estudos, sobretudo, em amostras de militares e veteranos de guerra que
apresentam sintomatologia compatível com essa psicopatologia ( 12 ) .
A Terapia cognitivo-comportamental possui um caráter didático que visa ensinar a identificar padrões de
pensamentos automáticos negativos, compreendendo as respostas psicológicas e fisiológicas decorrentes
deles, fornecendo estratégias de como lidar com eles de forma positiva ; a Terapia de Exposição atua a partir da
teoria de que a exposição repetida a lembranças traumáticas, dentro de um ambiente controlado, gera
habituação com situações envolvendo medo e modificação nos sistemas de evitação, presentes no TEPT, e é
operacionalizada a partir do resgate, na memória, de atitudes resilientes, exposição imaginária ou real a
situações relacionadas ao evento traumático e reestruturação cognitiva; e o Movement Desensitization and
Reprocessing (EMDR) ou Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares
caracteriza-se como uma técnica que atua oferecendo estímulos visuais, auditivos e/ou táteis
concomitantemente à verbalização de eventos traumáticos e ressignificação dessas memórias ( 53 - 55 ) .
Vale ressaltar que a abordagem psicoterápica age também na chamada'compulsão de repetição', na qual o
sujeito que sofreu o trauma age sob um impulso instintivo de reviver as experiências, seja por meio da memória
ou de dissociações, seja por outras manifestações, que são derivadas, segundo os estudos, de uma defesa dos
"esquemas mentais" que não estão bem adaptados às novas situações pós-evento vivenciado ( 10 , 21 ) .
Alguns outros autores se referem a esses "esquemas mentais" como ego, referindo-se ao conceito freudiano de
núcleo regulador da personalidade. Discutem que o ego, em uma pessoa com TEPT, agiria como um bloqueio
para compreensão e tomada de consciência desses eventos estressores e que, por isso, há a sintomatologia
de revivência não só de memórias e sonhos, como de sensações e comportamentos semelhantes ao
experienciado no evento traumático ( 56 ) .
Os estudos discorrem que um ego "rígido", isto é, com percepções superestimadas de si mesmo, ou inflexível
quanto a mudanças de opiniões ou cenários, possui um maior risco de desenvolvimento de TEPT ( 57 ) . Esse
fenômeno é comumente reportado em pesquisas com profissionais que atuam em situações de risco, que
possuem o ideário de lidar com situações de emergência a fim de salvar o outro, negando a si mesmos e
considerando a falha como inaceitável ( 56 ) .
A psicoterapia propõe agir estabilizando o sujeito, encontrando a causa do trauma, decodificando as respostas
sintomáticas, promovendo reestruturação nos padrões de pensamento e reabilitando o indivíduo para situações
novas e/ou semelhantes, conforme abordado em todos os estudos desta revisão ( 58 - 59 ) . Há a necessidade de
ressaltar também que devem ser consideradas a habilidade do terapeuta, as necessidades e as preferências
dos clientes pelas abordagens psicoterapêuticas de sua escolha ( 11 ) .
Como limitações, apesar dos esforços para desenvolver uma estratégia de busca abrangente, a amostra desta
revisão pode não ter incluído algum estudo importante aos resultados. É necessário indicar também que,
mesmo que os estudos mostrados tenham apresentado, em sua maioria, grau de evidência 2 e grau de
59
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B52
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B12
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B53
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B55
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B10
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B21
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B56
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B57
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B56
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B58
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B59
http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342021000100813&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#B11
recomendação "B", as evidências foram extraídas de revisões ou de pesquisas com amostragens reduzidas (ou
não representativas de todas as classes profissionais que compõem a equipe emergencista), dificultando a
generalização.
CA��
Os Centros de Atenção Psicossocial - Caps são serviços de saúde de caráter aberto e comunitário voltados aos
atendimentos de pessoas com sofrimento psíquico ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades
decorrentes do uso de álcool, crack e outras substâncias, que se encontram em situações de crise ou em
processos de reabilitação psicossocial.
Nos estabelecimentos atuam equipes multiprofissionais, que empregam diferentes intervenções e estratégias
de acolhimento, como psicoterapia, seguimento clínico em psiquiatria, terapia ocupacional, reabilitação
neuropsicológica, oficinas terapêuticas, medicação assistida, atendimentos familiares e domiciliares, entre
outros.
OS CAPS SE CONSTITUEM NAS SEGUINTES MODALIDADES:
● Caps I: Atendimento a todas as faixas etárias, para transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo
uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou regiões com pelo menos 15 mil habitantes.
● Caps II: Atendimento a todas as faixas etárias, para transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo
uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou regiões com pelo menos 70 mil habitantes.
● Caps i: Atendimento a crianças e adolescentes, para transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo
uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou regiões com pelo menos 70 mil habitantes.
● Caps AD: Álcool e Drogas: Atendimento a todas faixas etárias, especializado em transtornos pelo uso de
álcool e outras drogas, atende cidades e ou regiões com pelo menos 70 mil habitantes.
● Caps III: Atendimento com até 5 vagas de acolhimento noturno e observação; todas faixas etárias;
transtornos mentais graves e persistentes inclusive pelo uso de substâncias psicoativas; atende cidades e ou
regiões com pelo menos 150 mil habitantes.
● Caps AD III: Álcool e Drogas: Atendimento com de 8 a 12 vagas de acolhimento noturno e observação;
funcionamento 24h; todas faixas etárias; transtornos pelo uso de álcool e outras drogas; atende cidades e ou
regiões com pelo menos 150 mil habitantes.
● Caps AD IV: Atendimento a pessoas com quadros graves e intenso sofrimento decorrentes do uso de crack,
álcool e outras drogas. Sua implantação deve ser planejada junto a cenas de uso em municípios com mais de
500.000 habitantes e capitais de estado, de forma a maximizar a assistência a essa parcela da população. Tem
como objetivos atender pessoas de todas as faixas etárias; proporcionar serviços de atenção contínua, com
funcionamento 24h, incluindo feriados e fins de semana; e ofertar assistência a urgências e emergências,
contando com leitos de observação.
O objetivo dos Caps é atender as pessoas com transtorno mental severo e persistente e seus familiares. A
equipe profissional do Caps está habilitada para prestar o cuidado em atenção psicossocial, buscando
preservar a cidadania da pessoa, o tratamento no território e seus vínculos sociais.
Obje�vos e funções do CAPS
- Municipal
- Suporte para a rede de atenção básica
- Inserir esse paciente na sociedade
- Acolher as pessoas com transtornos mentais graves e persistentes
60
- O objetivo dos Caps é atender as pessoas com transtorno mental severo e persistente e seus
familiares. A equipe profissional do Caps está habilitada para prestar o cuidado em atenção
psicossocial, buscando preservar a cidadania da pessoa, o tratamento no território e seus vínculos
sociais.
MI���
· Transtornos do espectro ansioso: A utilização de recursos de imagem ganha importância especial
quando a história clínica relaciona o aparecimento de sintomas com traumas, alterações clínicas sistêmicas ou
sinais clínicos ou neurológicosque levem à necessidade de exclusão de doença orgânica como etiologia para
os quadros ou manifestações comportamentais.
Tomografia computadorizada (TC) e de ressonância magnética (RM):
· mostram ocasionalmente aumento no tamanho dos ventrículos cerebrais. Aumento relacionado ao tempo
de uso de benzodiazepínicos.
RM:
· Foi observado um defeito específico no lobo temporal direito em pacientes com transtorno de pânico .
Outros estudos relataram achados anormais no hemisfério direito, mas não no esquerdo; isso sugere que
61
alguns tipos de assimetrias cerebrais podem ser importantes para o desenvolvimento de sintomas de transtorno
de ansiedade em pacientes específicos.
Estudos de imagens cerebrais funcionais (IRMf) – por exemplo, tomografia por emissão de pósitrons
(PET), tomografia por emissão de fóton único (SPECT) e eletrencefalografia (EEG) – de pacientes com
transtornos de ansiedade relataram, de forma variável, anormalidades no córtex frontal, em áreas occipitais e
temporais e, em um estudo sobre transtorno de pânico, no giro para-hipocampal. Vários estudos de
neuroimagens funcionais implicaram o núcleo caudado na fisiopatologia do TOC.
No transtorno de estresse pós-traumático , estudos de IRMf encontraram atividade aumentada na amígdala,
uma região cerebral associada com medo. Uma interpretação conservadora desses dados é a de que alguns
pacientes com transtornos de ansiedade têm uma condição patológica cerebral funcional demonstrável e a de
que ela pode ser causalmente relevante aos seus sintomas desses transtornos.
62
An��es�� B. Eva���l���a- T3
SP3
ESQUIZOFRENIA
a. Definição
→ Distúrbio psiquiátrico grave, crônico, heterogêneo.
→ Manifestações psicóticas que afetam o comportamento social e a percepção de realidade do indivíduo.
→ Metade dos pacientes apresenta déficit comportamental persistente e incapacitante para atividades
laborais.
Características:
- Perda de contato com a realidade (psicose)
- Alucinações (é comum ouvir vozes)
- Falsas convicções (delírios)
- Pensamento e comportamento anômalo
- Redução das demonstrações de emoções
- Diminuição da motivação
b. Epidemiologia
- Normalmente diagnosticada em torno dos 25 anos, raramente encontrado antes dos 10 ou depois dos
50 anos.
- Não é percebido nenhuma prevalência entre os sexos e classe socioculturais.
- É encontrado o fator genético que indica que pessoas com parentesco em primeiro grau estão em
risco 10 vezes maior para a doença que a população em geral.
- Tem um primeiro pico de incidência aos 25 anos, com predominância de homens, e um segundo a
partir dos 45 anos, com predominância de mulheres. Uma das explicações para esse fato seria que os
estrógenos exerceriam um papel protetor para esquizofrenia nas mulheres.
- Homens possui mais sintomas negativos do que as mulheres
- A prevalência da doença é de 1% na população mundial independente da classe social.
63
a. Etiologia
O modelo etiológico usado com maior frequência é o modelo de diátese-estresse, segundo o qual o indivíduo
que desenvolve esquizofrenia teria uma vulnerabilidade biológica específica (diátese), que ativada pelo
estresse, permitiria o aparecimento dos sintomas. Os fatores estressores podem ser genéticos, biológicos,
psicossociais ou ambientais.
- Aspectos neuroquímicos: A formulação da hipótese dopamínica postula que a esquizofrenia resulta de
uma atividade dopaminérgica exacerbada. Essa teoria baseia-se no fato de que a ação da maioria dos
antipsicóticos está relacionada a sua função antagonista nos receptores dopaminérgicos do tipo 2 (D2).
Acredita-se que na via mesolímbica, que vai do núcleo tegmentar ventral do mesencéfalo ao núcleo
accumbens no sistema límbico, haveria uma hiperativação dopaminérgica que causaria os sintomas positivos
do transtorno; já na via mesocortical, que também parte do mesencéfalo, mas chega ao córtex pré-frontal, a
dopamina estaria hipoativa, resultando nos sintomas negativos.
O aumento da atividade dopaminérgica causada notadamente por algumas drogas (cocaína e anfetamina) e
seu consequente efeito de piora ou aparecimento de sintomas psicóticos também contribui para esta
hipótese.
Outro neurotransmissor que tem sido fortemente associado à etiopatogenia da esquizofrenia é o glutamato. A
teoria glutamatérgica propõe que os receptores glutamatérgicos do tipo N-metil-D-aspartato (NMDA) estariam
deficientes na esquizofrenia, fazendo com que essa substância estimule excessivamente outros receptores
não NMDA.
Sugere-se com essa ideia que as alterações em vias dopaminérgicas poderiam ser apenas efeitos
secundários do funcionamento anormal do glutamato no cérebro. As duas vias interagem entre si, e é
provável que a ação do glutamato regule o tônus dopaminérgico em regiões encefálicas específicas.
- Aspectos genéticos: há seguramente uma forte influência de fatores genéticos na etiopatogenia da
esquizofrenia. O risco de desenvolvimento da doença é até 10 vezes maior em familiares de primeiro grau de
indivíduos afetados, quando comparados a controles sem história familiar. Diversos estudos com gêmeos e
de adoção corroboram essa ideia. A taxa de concordância entre gêmeos monozigóticos é de 50%. Já entre os
64
dizigóticos é de 15%. A esquizofrenia é considerada uma doença poligênica.Todavia, alguns loci estão mais
relacionados, como o 2q11, o 3q13-31 e o 8q12.
- Aspectos ambientais: diversos fatores ambientais associam-se ao aumento do risco de
desenvolvimento de esquizofrenia, variando conforme a fase do desenvolvimento. A exposição pré-natal a
agentes infecciosos como o vírus influenza já foi relacionada com o surgimento da doença, assim como a
desnutrição materna. Complicações na gravidez e no parto também podem ter influência, especialmente a
hipóxia neonatal. O uso de maconha durante a adolescência já está bem estabelecido como desencadeador
de psicose esquizofrênica, principalmente em indivíduos com a variação valina-valina (val-val) no gene da
enzima COMT.
- Aspectos neuroanatômicos: estudos de neuroimagem evidenciam notável alargamento de ventrículos
laterais e redução da espessura cortical em pacientes esquizofrênicos. Entretanto, esse achado é pouco
específico e ainda não se mostra útil para fins diagnósticos.
b. Fisiopatologia
Sua fisiopatologia é desconhecida e nenhum aspecto clínico é patognomônico da doença.
Observa-se atrofia cerebral com dilatação dos ventrículos, redução do volume da substância cinzenta,
redução das estruturas medidas dos lobos temporais, córtex pré-frontal e tálamo. Possui importante
componente genético.
Além disso, existe uma alteração nas vias dopaminérgicas:
- Sintomas do excesso de dopamina na via mesolímbica (sobretudo núcleo accumbens): delírio,
alucinação, agitação psicomotora;
- Déficit de dopamina na via mesocortical: sintomas negativos, falta de vontade, retração social;
- Vias túbero-infundibular e nigroestriatal: não tem relação com a esquizofrenia, mas tem relação com
efeitos colaterais das medicações, pois são vias dopaminérgicas.
Para entender melhor o uso de medicamentos e sua farmacodinâmica, vamos falar sobre vias
dopaminérgicas. Existem 4 vias dopaminérgicas principais:
➔ Mesolímbica:tegmento ventral do mesencéfalo
◆ núcleo accumbens no corpo estriado ventral (parte do sistema límbico);
➔ Mesocortical: tegmento ventral do mesencéfalo -> córtex pré-frontal (sintomas cognitivos e afetivos);
◆ Córtex pré-frontal dorsolateral: cognição;
◆ Córtex pré-frontal ventromedial: emoções e afeto.
➔ Nigroestriatal: substância negra do mesencéfalo -> corpo estriado. Compõe o sistema nervoso
extra-piramidal e controla a função motora do movimento. É a deficiência de dopamina nessa via que causa a
Doença de Parkinson (TRAB – tremor em repouso, rigidez muscular, alteração da marcha, bradicinesia).
Excesso de dopamina nessa via: síndromes hipercinéticas, como coreias. Na esquizofrenia sem tratamento,
não há alteração dessa via;
➔ Tuberoinfundibular: hipotálamo -> adenohipófise. Controla a secreção de prolactina (quando ativos,
esses neurônios geralmente inibem a sua secreção – efeito freio). Via preservada na esquizofrenia sem
tratamento.
◆ Sintomas de excesso de prolactina: galactorreia (secreção de leite na mama), amenorréia (perda da
ovulação e dos períodos menstruais), redução da libido, desmineralização óssea.
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Hipótese glutamatérgica:
- Antagonistas glutamatérgicos promoveriam uma redução da atividade dos receptores NMDA
(N-metil-D-aspartato), resultando sintomas psicóticos, negativos e cognitivos em voluntários normais e
exacerbação de sintomas preexistentes em pacientes com esquizofrenia - paciente está ciclando/piorando.
c. Quadro clínico
Personalidades pré-mórbidas (risco futuro de desenvolver a esquizofrenia)
- Esquizóide: frio, isolado, introspectivo, não demonstra emoções, não conversa muito. “O amiguinho”...
Sintomas positivos (produção; cria alguma coisa) = ↑ DOPAMINA - ganha o que é ruim e perde o que é bom.
- Alucinação: distorção sensoperceptiva (auditiva, visual, paladar, olfato)
Função auditiva é a mais afetada: começa a ouvir vozes.
- Delírio: distorção do pensamento. O mais comum é o delírio persecutório (paranoide).
- Alteração da linguagem: Neologismos (inventa outra língua)
Ecolalia (repete o que você fala)
- Agitação
- Discurso desorganizado
Sintomas negativos (perdas) = ↓ DOPAMINA
- Desleixo com a aparência
- Inapropriação do afeto (não consegue demonstrar afeto)
- Retraimento social
- Ausência de prazer
- Anedonia
- que não brinca com ninguém…”
- Esquizotípica: excêntrico. “Amigo místico… interessado nas estrelas, que ir a cidade com disco
voador, usa roupa esquisita, escuta pessoas que viram ETs, comportamento estranho… acredita nisso
fielmente”
É importante lembrar que na esquizofrenia os sintomas negativos são muitas vezes detectados desde o
princípio, ao passo que os positivos ou psicóticos ocorrem durante os episódios de exacerbação (surtos).
66
Nota: delirium é um transtorno psiquiátrico de base orgânica associado a alterações da consciência,
possibilitando um estado confusional com comportamento cognitivo, pensamento ilógico, desorganização do
discurso, agitação e lentificação motora. Já o delírio é uma alteração do juízo de realidade.
Tipicamente, surge na adolescência (18 anos) ou início da idade adulta. O curso da doença, em geral, é
dividido em 3 fases:
- fase pré-mórbida
- fase de sintomas psicóticos
- fase crônica.
Observada tipicamente com sintomas de delírio. Esses delírios podem ser do tipo: paranóide, grandioso
(crenças auto engrandecedoras), somático (crenças falsas sobre partes do corpo ou órgãos internos, pode
levar a autolesões). Delírio bizarro.
d. Diagnóstico
- Exclusivamente clínico, sem marcadores biológicos ou exames complementares.
- Descartar outras causas de psicoses como por uso de substâncias, psicose lúpica
→ Para o diagnóstico são necessários pelo menos 6 meses de sintomas e, apresentar,no mínimo 1 mês de
sintomas ativos de psicose, como delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento
grosseiramente desorganizado ou catatônico ou sintomas negativos como embotamento afetivo, retraimento
social e avolia.
Formas de esquizofrenia (CID-10):
- Paranóide: alucinações, delírios, sensação de perseguição e pensamentos sobre conspirações.
Normalmente, as alucinações e os delírios giram em torno do mesmo tema e se mantêm consistentes ao
longo do tempo.
- Hebefrênica ou desorganizada: predomínio de sintomas de desorganização do pensamento e
comportamento, alterações do humor e afetos inapropriados;
- Catatônica: ocorrência de sintomas catatônicos proeminentes (catalepsia, flexibilidade cérea,
maneirismos, gesticulações, estereotipias, ecolalia, ecopraxia, negativismo, mutismo), frequentemente depois
de meses ou anos de evolução do transtorno em sua forma paranóide ou desorganizada;
- Simples (entidade aceita apenas pela CID-10, e não pelo DSM-IV): caracterizada pela ocorrência
espontânea de apenas uma síndrome negativa.
- Residual: estado de empobrecimento cognitivo, afetivo e volitivo, correspondendo à fase de
estabilização da esquizofrenia, geralmente resultante de anos de evolução do transtorno. A ocorrência de
sintomas psicéticos costuma ser esporádica e de pequena intensidade, com delírios não sistematizados.
e. Tratamento (Antipsicóticos: classes, mecanismo de ação, usos terapêuticos e efeitos colaterais)
Internação se torna necessária se o paciente apresenta risco de auto ou heteroagressividade, principalmente
por ansiedade intensa, agitação psicomotora, delírios ou alucinações.
Uma vez feito o diagnóstico, é recomendado um tratamento com antipsicótico de segunda geração (atípico)
em doses adequadas, pelo período de 4 a 6 semanas .
Se o paciente reagir a essa primeira posologia, será considerado responsivo e deverá permanecer tomando o
antipsicótico como tratamento de manutenção. Caso não responda ao primeiro tratamento, deverá tentar um
segundo tratamento antipsicótico por mais 4 a 6 semanas.
67
Na ausência de resposta terapêutica adequada às duas tentativas citadas, o paciente é considerado refratário
e, neste caso, o terceiro antipsicótico a ser administrado deve ser necessariamente a clozapina sempre em
monoterapia.
Se não houver resposta adequada à clozapina, o paciente é considerado respondedor parcial (ou
super-refratário), e estratégias de potencialização da clozapina podem ser tentadas.
a. Diagnóstico diferencial
TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS:
- episódio depressivo com sintomas psicóticos.
- mania com sintomas psicóticos.
- outras psicoses: transtorno delirante, psicoses atípicas, transtorno esquizofreniforme, etc.
- transtorno obsessivo-compulsivo.
- farmacodependência: alcoolismo, maconha, alucinógenos, cocaína, anorexígenos, etc.
- transtornos de personalidade: paranóide, esquizóide, e esquizotípico.
TRANSTORNOS:
- Autista
- Factício
- Personalidade borderline
68
T�A�S���N� ES����O�F��I��
a. Definição
Caracteriza-se por um transtorno no qual tanto os sintomas afetivos quanto os esquizofrênicos são
igualmente proeminentes, de tal modo que não pode ser diagnosticado como esquizofrenia nem transtorno de
humor. O paciente, portanto, reúne critérios para um episódio depressivo maior ou episódio maníaco
juntamente com critérios para a fase ativa da esquizofrenia, é necessária a presença de delírios ou
alucinações por, pelo menos, duas semanas na ausência de sintomas afetivos. Além disso, os sintomas
afetivos tambémdevem estar presentes por uma parcela substancial dos períodos psicoativos ativo e
residual.
Os pacientes podem receber esse diagnóstico se puderem se encaixar em uma das seis categorias
seguintes:
(1) pacientes com esquizofrenia que têm sintomas de humor
(2) pacientes com transtorno do humor que têm sintomas de esquizofrenia
(3) pacientes com transtorno do humor e esquizofrenia
(4) pacientes com uma terceira psicose não relacionada a esquizofrenia e a transtorno do humor
(5) pacientes cujo transtorno se encontra em um continuum entre esquizofrenia e transtorno do humor
(6) pacientes com alguma combinação dos critérios citados.
b. Quadro clínico
O curso clínico pode variar de exacerbações e remissões a um curso deteriorante em longo prazo, a
presença de aspectos psicóticos incongruentes com humor em um transtorno do humor tende a ser um
indicador de mau prognóstico.
c. Diagnóstico
O diagnóstico diferencial deve ser feito com intoxicação por esteroides, abusadores de anfetamina e epilepsia
do lobo temporal.
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d. Tratamento
Os estabilizadores do humor são o pilar do tratamento para os transtornos bipolares, e é razoável supor que
sejam importantes no tratamento de pacientes com transtorno esquizoafetivo . Um estudo recente que
comparou lítio com carbamazepina verificou que esta era superior para transtorno esquizoafetivo, tipo
depressivo, mas não encontrou diferenças entre os dois agentes para o tipo bipolar. Na prática, entretanto,
esses medicamentos são muito usados isoladamente ou em combinação um com o outro ou com um agente
antipsicótico .
Em episódios maníacos , indivíduos com transtorno esquizoafetivo devem ser tratados de maneira agressiva
com dosagens de um estabilizador do humor na variação média a alta de concentração sanguínea
terapêutica. Quando os pacientes entram na fase de manutenção , a dosagem pode ser reduzida para a
variação baixa a média para evitar efeitos adversos e possíveis efeitos em outros sistemas (p. ex., tireoide e
rins) e para melhorar a facilidade de uso e a adesão. Devem ser realizados um monitoramento laboratorial
das concentrações plasmáticas e uma avaliação periódica da tireoide, dos rins e do funcionamento
hematológico .
Por definição, muitos pacientes com transtorno esquizoafetivo têm episódios depressivos maiores . O
tratamento com antidepressivos espelha o tratamento da depressão bipolar. Deve-se ter cuidado para não
precipitar um ciclo de mudanças rápidas da depressão para a mania com o antidepressivo. A escolha desse
medicamento deve levar em consideração sucessos e fracassos anteriores do tratamento. Os inibidores
seletivos da recaptação de serotonina (p. ex., fluoxetina e sertralina) costumam ser usados como agentes de
primeira linha , pois têm menos efeitos sobre o estado cardíaco e um perfil favorável na superdosagem.
Entretanto, pacientes agitados ou insones podem se beneficiar de um agente tricíclico . Como em todos os
casos de mania intratável, o uso da ECT deve ser considerado. Conforme mencionado, os agentes
antipsicóticos são importantes no tratamento dos sintomas psicóticos do transtorno esquizoafetivo.
Tratamento psicossocial
Os pacientes são beneficiados por uma combinação de terapia familiar, treinamento de habilidades sociais e
reabilitação cognitiva . Uma vez que o campo da psiquiatria tem enfrentado dificuldades para decidir sobre o
diagnóstico e o prognóstico exatos do transtorno esquizoafetivo, essa incerteza deve ser relatada ao
paciente. A gama de sintomas pode ser vasta, visto que os pacientes enfrentam tanto psicose quanto estados
de humor variáveis. Pode ser muito difícil para os membros da família acompanharem a natureza mutável do
transtorno e as necessidades desses pacientes. Os regimes de medicação podem ser complicados, com
múltiplos agentes de várias classes de fármacos.
Resumindo:
● Estabilizadores do humor
● Antidepressivos
Muitos pacientes com transtorno esquizoafetivo têm episódios depressivos maiores
O tratamento com antidepressivos espelha o tratamento da depressão bipolar. Deve-se ter cuidado para não
precipitar um ciclo de mudanças rápidas da depressão para a mania.
Primeira linha: inibidores seletivos da recaptação de serotonina
● Agentes antipsicóticos
● Tratamento psicossocial
T�A��M���O FA���C��ÓGI�� (AN�� P�I�ÓTI���)
→ São também chamados de neurolépticos ou tranquilizantes maiores
→ Usados no tratamento de esquizofrenia e de outros estados psicóticos e estados de mania
→ Não são curativos e não eliminam o transtorno crônico do pensamento, mas diminuem a intensidade das
alucinações e ilusões
70
CLASSE:
São divididos em:
★ Primeira geração - típicos
★ Segunda geração - atípicos
Antipsicóticos de Primeira Geração - TÍPICOS:
São classificados quanto a afinidade do fármaco com o receptor de dopamina D2.
- Baixa potência: clorpromazina e tioridazina
- Alta potência: haloperidol, loxapina, pimozida
São inibidores competitivos dos receptores D2 de dopamina
São os que mais causam transtornos de movimento como os sintomas extrapiramidais (SEPs) ,
principalmente os fármacos que se ligam fortemente aos neuro receptores de dopamina, como o haloperidol
→ Clorpromazina se liga mais fracamente ao receptor e por isso provoca menos SEPs
Antipsicóticos de Segunda Geração - ATÍPICOS:
➔ Aripiprazaol, clozapina, iloperidona, quetiapina, risperidona
➔ Tem menor incidência de SEPs do que os de primeira geração , mas são associados com maior risco
efeitos adversos metabólicas, como diabetes, hipercolesterolemia e aumento da massa corporal
➔ Bloqueia receptores de serotonina e dopamina
➔ São utilizados como fármacos de primeira escolha no tratamento de esquizofrenia, diminuindo os
riscos de SEPs debilitante
MECANISMO DE AÇÃO:
➔ Antagonista de dopamina: todos os de primeira geração e a maioria dos de segunda geração
bloqueiam os receptores D2 de dopamina no cérebro e na periferia
➔ Clozapina: alta afinidade pelos receptores D1, D4, 5-HT2A, muscarínicos e α-adrenérgico e
antagonista fraco de receptores D2
➔ Risperidona: bloqueia os receptores 5-HT2A mais intensamente do que os receptores D2
➔ Quetiapina: bloqueia os receptores D2 com mais potência do que os receptores 5-HT2A
USO TERAPÊUTICO:
- Os efeitos clínicos são pelo bloqueio dos receptores de dopamina e serotonina, mas também
bloqueiam receptores colinérgicos, adrenérgicos e histamínicos - efeitos adversos.
Os fármacos de primeira geração são mais eficazes para tratar sintomas positivos. Já os fármacos de
segunda geração (atípicos), que bloqueiam os receptores de 5-HT2A podem ser mais eficazes em pacientes
resistentes aos fármacos tradicionais, principalmente contra os sintomas negativos da esquizofrenia.
EFEITOS COLATERAIS:
- Efeitos extrapiramidais: os efeitos inibitórios dos neurônios dopaminérgicos são equilibrados pelas
ações excitatórias dos neurônios colinérgicos. O bloqueio dos receptores de dopamina altera esse equilíbrio
causando excesso colinérgico que resulta em efeitos motores extrapiramidais.
Após horas ou dias pode ter distonia e após dias e semanas pode ter acatisia
Sintomas tipo Parkinson de bradicinesia, rigidez e tremores costumam ocorrer dentro de semanas a meses do
início do tratamento
Caso a atividade colinérgicatambém seja bloqueada, estabelece um novo equilíbrio mais próximo do normal,
e os efeitos extrapiramidais são minimizados - pode acontecer principalmente pela administração de um
anticolinérgico (bloqueador do receptor muscarínico).
71
T�A��M���O NÃO FA���C��ÓGI��
Aliança Nacional para os Doentes Mentais (National Alliance on Mental Illness – NAMI):
A NAMI e organizações semelhantes são grupos de apoio para membros da família e amigos de pacientes
com doenças mentais e para os próprios pacientes. Essas organizações oferecem aconselhamento
emocional e prático para a obtenção de atendimento em um sistema de saúde muitas vezes complexo e são
fontes úteis para as quais encaminhar as famílias. A NAMI também patrocinou uma campanha para
desestigmatizar as doenças mentais e aumentar a atenção governamental para as necessidades e os direitos
dos doentes mentais e de suas famílias.
Gestão de caso:
Visto que vários profissionais com habilidades especializadas, como psiquiatras, assistentes sociais e
terapeutas ocupacionais, entre outros, estão envolvidos em um programa de tratamento, é útil haver uma
pessoa ciente de todas as forças que agem sobre o paciente. O responsável pela gestão de caso garante que
os esforços sejam coordenados e que o paciente compareça às consultas e mantenha a adesão aos planos
de tratamento, podendo fazer visitas domiciliares e até mesmo acompanhá-lo no trabalho. O sucesso do
programa depende da formação, do treinamento e da competência do indivíduo responsável pela gestão de
caso, fatores muito variáveis. Essas pessoas muitas vezes são encarregadas de um número excessivo de
casos e não conseguem acompanhá-los efetivamente. Os benefícios do programa ainda precisam ser
demonstrados.
Tratamento assertivo na comunidade:
Os pacientes são atendidos por uma equipe multidisciplinar (p. ex., gestor de caso, psiquiatra, enfermeiro,
clínico geral) encarregada de um número fixo de casos que oferece todos os serviços quando e onde forem
necessários, 24 horas por dia, sete dias por semana. Trata-se de uma intervenção móvel e intensiva que
oferece tratamento, reabilitação e atividades de apoio, os quais incluem entrega de medicamentos em casa,
monitoramento da saúde mental e física, prática de habilidades sociais in vivo e contatos frequentes com
membros da família. A proporção paciente-equipe é alta (1:12), e esses programas podem diminuir o risco de
nova hospitalização para pessoas com esquizofrenia, apesar de serem trabalhosos e caros.
Terapia de grupo:
A terapia de grupo para pessoas com esquizofrenia geralmente tem seu foco nos planos, nos problemas e
nos relacionamentos. Os grupos podem ter orientação comportamental, psicodinâmica ou voltada ao insight.
Alguns pesquisadores não acreditam que a interpretação dinâmica e a terapia voltada ao insight tenham valor
para pacientes típicos com esquizofrenia, porém a terapia de grupo é eficaz para reduzir o isolamento social,
aumentar o sentido de coesão e melhorar o teste de realidade. Os grupos orientados ao apoio parecem ser
os mais benéficos para esses pacientes.
LU�� AN����NI����AL
Lei nº 10.216/2001 – Acesso via: https:/
/ www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
Artigo: Amarante, Paulo e Nunes, Mônica de Oliveira
72
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
A reforma psiquiátrica no SUS e a luta por uma sociedade sem manicômios. Ciência & Saúde Coletiva
[online]. 2018, Disponível em: SciELO - Brasil - A reforma psiquiátrica no SUS e a luta por uma sociedade
sem manicômios A reforma psiquiátrica no SUS e a luta por uma sociedade sem manicômios .
O Movimento da Luta Antimanicomial se caracteriza pela l uta pelos direitos das pessoas com sofrimento
mental. Dentro desta luta está o combate à ideia de que se deve isolar a pessoa com sofrimento mental em
nome de pretensos tratamentos, ideia baseada apenas nos preconceitos que cercam a doença mental. O
Movimento da Luta Antimanicomial faz lembrar que como todo cidadão estas pessoas têm o direito
fundamental à liberdade, o direito a viver em sociedade, além do direito a receber cuidado e tratamento sem
que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.
O Movimento da Reforma Psiquiátrica se iniciou no final da década de 70, em pleno processo de
redemocratização do país, e em 1987 teve dois marcos importantes para a escolha do dia que simboliza essa
luta, com o Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, em Bauru/SP, e a I Conferência Nacional de Saúde
Mental, em Brasília.
Com o lema “por uma sociedade sem manicômios”, diferentes categorias profissionais, associações de
usuários e familiares, instituições acadêmicas, representações políticas e outros segmentos da sociedade
questionam o modelo clássico de assistência centrado em internações em hospitais psiquiátricos, denunciam
as graves violações aos direitos das pessoas com transtornos mentais e propõe a reorganização do modelo
de atenção em saúde mental no Brasil a partir de serviços abertos, comunitários e territorializados, buscando
a garantia da cidadania de usuários e familiares, historicamente discriminados e excluídos da sociedade.
Assim como o processo do Movimento da Reforma Sanitária, que resultou na garantia constitucional da
saúde como direito de todos e dever do estado através da criação do Sistema Único de Saúde, o Movimento
da Reforma Psiquiátrica resultou na aprovação da Lei 10.216/2001, nomeada “Lei Paulo Delgado” , que trata
da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência. Este
marco legal estabelece a responsabilidade do Estado no desenvolvimento da política de saúde mental no
Brasil, através do fechamento de hospitais psiquiátricos, abertura de novos serviços comunitários e
participação social no acompanhamento de sua implementação.
O médico e psiquiatra Franco Basaglia foi o precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano
conhecido como Psiquiatria Democrática. No ano de 1961, quando assumiu a direção do hospital, iniciou
diversas mudanças com o objetivo de transformá-lo em uma comunidade terapêutica. Sua primeira atitude foi
melhorar o cuidado técnico aos internos em Gorizia, além de melhorar também suas condições de
hospedaria. No ano de 1973, a Organização Mundial de Saúde (OMS) credenciou o Serviço Psiquiátrico de
Trieste como principal referência mundial para uma reformulação da assistência em saúde mental. A partir de
1976, o hospital psiquiátrico de Trieste foi fechado oficialmente, e a assistência em saúde mental passou a
ser exercida em sua totalidade na rede territorial montada por Basaglia. Como consequência das ações e dos
debates iniciados por Franco Basaglia, no ano de 1978 foi aprovada na Itália a chamada “Lei 180”, ou “Lei da
Reforma Psiquiátrica Italiana”, também conhecida popularmente como “Lei Basaglia”. Franco Basaglia esteve
algumas vezes no Brasil realizando seminários econferências. Suas ideias se constituíram em algumas das
principais influências para o movimento pela Reforma Psiquiátrica no país. A partir da segunda metade do
século vinte, impulsionada principalmente por Franco Basaglia, inicia-se uma radical crítica e transformação
do saber, das instituições psiquiátricas e de suas formas de tratamento. Tal movimento inicia-se na Itália, mas
tem repercussões em todo o mundo e muito particularmente no Brasil. Nesse sentido, inicia-se o movimento
de Luta Antimanicomial que nasce profundamente marcado pela ideia de defesa dos direitos humanos e de
resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais. Aliado a essa luta, nasce o movimento da
Reforma Psiquiátrica que, mais do que denunciar os manicômios como instituições de violências, propõe a
construção de uma rede de serviços e estratégias territoriais e comunitárias, profundamente solidárias,
inclusivas e libertárias. No Brasil, tal movimento iniciou-se no final da década de 70 com a mobilização dos
profissionais da saúde mental e dos familiares de pacientes com transtornos mentais. Esse movimento se
inscreve no contexto de redemocratização do país e na mobilização político-social que ocorreu na época. Em
1990, o Brasil torna-se signatário da Declaração de Caracas a qual propõe a reestruturação da assistência
psiquiátrica, e, em 2001, é aprovada a Lei Federal 10.216 que dispõe sobre a proteção e os direitos das
pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Dessa lei,
origina-se a Política de Saúde Mental que, basicamente, visa garantir o cuidado ao paciente com transtorno
mental em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, superando assim a lógica das internações de
longa permanência que tratam o paciente isolando-o do convívio com a família e com a sociedade como um
todo. A Política de Saúde Mental no Brasil promove a redução programada de leitos psiquiátricos de longa
permanência, incentivando que as internações psiquiátricas, quando necessárias, se deem no âmbito dos
hospitais gerais e que sejam de curta duração. Além disso, essa política visa à constituição de uma rede de
dispositivos diferenciados que permitam a atenção ao portador de sofrimento mental no seu território, a
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https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.07082018
https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.07082018
desinstitucionalização de pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e, ainda, ações que
permitam a reabilitação psicossocial por meio da inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer.
18/5 – Dia Nacional da Luta Antimanicomial - Movimento da Luta Antimanicomial
Luta antimanicomial → Luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental de receber tratamento sem
que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.
Pacientes psiquiátricos → Historicamente discriminados e excluídos da sociedade.
Psiquiatra Franco Basaglia → Precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano → Psiquiatria
Democrática - Movimento de “negação à psiquiatria” → Origem à luta antimanicomial e se tornou referência
global na luta antimanicomial.
Lei 180 ou Lei da Reforma Psiquiátrica Italiana (1978) → Influenciou o modelo de tratamento e a luta pelo
fim de instituições manicomiais ao redor do mundo → Referência para a reformulação do Sistema Psiquiátrico
no Brasil, que ainda hoje se encontra em formas de adequação.
Movimento da reforma psiquiátrica no Brasil → Denúncia dos abusos cometidos em instituições
psiquiátricas, e da precarização das condições de trabalho.
→ Início na década de 70 , com 2 marcos:
1. Encontro dos trabalhadores da saúde mental, em Bauru/SP;
2. Primeira Conferência Nacional de Saúde Mental, em Brasília.
➔ Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) – que contou com a participação popular,
inclusive de familiares de pacientes e Movimento Sanitário.
→ Lema: “Por uma sociedade sem manicômios”
→ Diferentes categorias profissionais, associações de usuários e familiares, instituições acadêmicas,
representações políticas e outros segmentos da sociedade.
Em 18 de Maio em 1987 → Encontro de grupos favoráveis a políticas antimanicomiais → 18 de maio = dia
de Luta Antimanicomial.
Lei Federal 10.216 (2001) → Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos
mentais e redireciona o modelo assistencial à saúde mental.
Leis Federais 8.080/1990 e 8.142/90 → Instituída uma rede de atenção à saúde mental, junto com a criação
do SUS.
Lei 10.216/2001 ou “Lei Paulo Delgado” → Trata da proteção dos direitos das pessoas com transtornos
mentais e redireciona o modelo de assistência.
➔ Garante os direitos de pacientes portadores de transtornos mentais a receberem atendimentos menos
invasivos e prioriza o tratamento através da reinserção na família, no trabalho e na comunidade.
➔ Impede que sejam feitas internações compulsórias, ou seja, feitas sem o consentimento do paciente
ou de terceiros (familiares e responsáveis).
Política de saúde mental → Reforma psiquiátrica:
Com o intuito de acabar com os manicômios, o projeto visava substituir, aos poucos, o tratamento dado até
então por serviços comunitários.
O paciente seria encorajado a um exercício maior de cidadania , fortalecendo seus vínculos familiares e
sociais, e nunca sendo isolado destes.
A partir da reforma, o Estado não poderia construir e nem mesmo contratar serviços de hospitais
psiquiátricos.
Em substituição às internações, os pacientes teriam acesso a atendimentos psicológicos, atividades
alternativas de lazer, e tratamentos menos invasivos do que aqueles que eram dados.
A família, aqui, teria papel fundamental na recuperação do paciente, sendo a principal responsável por ele.
*** A reforma psiquiátrica teve início nos anos 80 e ainda hoje não foi completada.
Reinserção social dos pacientes:
Em seus 12 artigos, a Lei 10.216/01 estabelece que o tratamento dos portadores de transtornos mentais
visará como finalidade permanente a reinserção social do paciente em seu meio.
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https://www.politize.com.br/cidadania-23-formas-de-exercer/
A norma estabelece que é obrigação do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência
e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da
sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as
instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais.
A internação, em qualquer de suas modalidades, só será iniciada quando os recursos extra-hospitalares se
mostrarem insuficientes. O tratamento em regime de internação, de acordo com a lei, será estruturado de
forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos,
de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer e outros.
A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os
seus motivos. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: voluntária (aquela que se dá
com o consentimento do usuário); involuntária (aquela que se dásem o consentimento do usuário e a pedido
de terceiro); e compulsória (aquela determinada pela Justiça).
Entre os direitos da pessoa portadora de transtorno mental estão o acesso ao melhor tratamento do sistema
de saúde; ser tratada com humanidade, respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando
alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; ser protegida contra
qualquer forma de abuso e exploração; ter garantia de sigilo nas informações prestadas; e ter direito à
presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização
involuntária.
A pessoa portadora de transtorno mental tem direito ainda a ter livre acesso aos meios de comunicação
disponíveis; receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; ser
tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; e ser tratada, preferencialmente, em
serviços comunitários de saúde mental.
RA��
A Política Nacional de
Saúde Mental visa
estruturar um modelo de
atenção aberto,
acessível e de base
comunitária. O interesse
é garantir a livre
circulação das pessoas
que vivem com
transtornos mentais
pelos serviços, pela
comunidade e território.
Com a reforma
psiquiátrica, a
desospitalização do paciente com doença mental foi primordial. Mas como todo processo de transição requer
um tempo para sua efetivação, apenas uma década depois, em 2011 , é que foi dada prioridade à política de
Saúde Mental. Dessa forma, institui-se por meio da Portaria 3088 de 23 de dezembro de 2011, a Rede de
Atenção Psicossocial (RAPS) que estabelece referências de atenção e atendimento de pessoas que vivem
com transtornos mentais ou em uso prejudicial de álcool e outras drogas no âmbito do Sistema Único de
Saúde (BRASIL, 2012), que traz no Art. 5o estratégias de desinstitucionalização.
A rede é composta por serviços e equipamentos variados como: os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
em suas diversas tipologias e portes; os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os ambulatórios
multiprofissionais, os Centros de Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento (UAs), os leitos de
75
saúde mental nos hospitais gerais, leitos de psiquiatria nos hospitais especializados e nos hospitais-dia
atenção integral.
MI���
Usualmente, os diagnósticos em psiquiatria não dependem de exames diagnósticos por imagem, mas
da satisfação de critérios clínicos listados do DSM . A utilização de recursos de imagem ganha
importância especial quando a história clínica relaciona o aparecimento de sintomas com traumas,
alterações clínicas sistêmicas ou sinais clínicos ou neurológicos que levam à necessidade de
exclusão de doença orgânica como etiologia para os quadros ou manifestações comportamentais .
No século XIX, os neuropatologistas não conseguiram encontrar uma base neuropatológica para a
esquizofrenia e, por isso, classificaram-na como um transtorno funcional. No fim do século XX, no entanto,
os pesquisadores deram passos significativos no sentido de revelar uma base neuropatológica potencial
para o transtorno, principalmente no sistema límbico e nos gânglios da base, incluindo anormalidades
neuropatológicas ou neuroquímicas no córtex cerebral, no tálamo e no tronco cerebral .
A perda de volume cerebral amplamente relatada em cérebros de indivíduos com esquizofrenia parece
resultar da densidade reduzida de axônios, dendritos e sinapses que medeiam as funções
associativas do cérebro . A densidade sináptica é mais alta com 1 ano de idade e depois diminui para
valores adultos no início da adolescência.
Uma teoria, baseada, em parte, na observação de que os pacientes muitas vezes desenvolvem sintomas
da esquizofrenia durante a adolescência, sustenta que o transtorno resulta da poda excessiva de
sinapses durante essa fase do desenvolvimento.
● TC
Os exames por tomografia computadorizada (TC) de pacientes com esquizofrenia têm mostrado
consistentemente alargamento dos ventrículos laterais e do terceiro ventrículo e alguma redução no
volume cortical . Volumes reduzidos da substância cinzenta cortical foram demonstrados durante os
primeiros estágios da doença .
Vários pesquisadores tentaram determinar se as anormalidades detectadas por TC são progressivas ou
estáticas. Alguns estudos concluíram que as lesões observadas na TC estão presentes no início da
doença e não progridem . Outros estudos, entretanto, concluíram que o processo patológico visualizado
em exames por TC continua a progredir durante a doença . Portanto, ainda não se sabe se um processo
patológico ativo continua a se desenvolver em pacientes.
Há uma simetria reduzida em várias áreas do cérebro na esquizofrenia, incluindo os lobos temporal,
frontal e occipital .
Alguns pesquisadores acreditam que essa simetria reduzida se origina durante a vida fetal e seja
indicativa de uma interrupção na lateralização cerebral durante o neurodesenvolvimento .
Devido a seu papel no controle das emoções, foi formulada a hipótese de que o sistema límbico esteja
envolvido na fisiopatologia da esquizofrenia . Estudos de amostras cerebrais na necropsia de pacientes
com o transtorno mostraram diminuição no tamanho da região, incluindo a amígdala, o hipocampo e o
giro para-hipocampal. Esse achado neuropatológico está de acordo com a observação feita por
estudos de imagem por ressonância magnética de indivíduos com a doença.
O hipocampo não apenas é menor em tamanho na esquizofrenia como também é funcionalmente
anormal, como indicado por distúrbios na transmissão de glutamato . A desorganização dos neurônios
no hipocampo também foi observada em secções de tecido cerebral de pacientes com esquizofrenia,
em comparação a de controles saudáveis .
Há evidências consideráveis de estudos cerebrais de necropsia que apoiam anormalidades
anatômicas no córtex pré-frontal na esquizofrenia. Déficits funcionais na região pré-frontal também foram
demonstrados por imagens do cérebro. Há muito tem sido observado que vários sintomas de esquizofrenia
imitam aqueles encontrados em pessoas com lobotomias pré-frontais ou síndromes do lobo frontal .
76
Alguns estudos do tálamo mostram evidência de diminuição de volume ou perda neuronal, em
subnúcleos específicos. Há relatos de que o núcleo dorsomedial do tálamo, que tem conexões
recíprocas com o córtex pré-frontal, contém um número reduzido de neurônios. O número total de
neurônios, oligodendrócitos e astrócitos é reduzido em 30 a 45% em pacientes com o transtorno. Esse
suposto achado não parece ser devido aos efeitos de medicamentos antipsicóticos , porque o volume
do tálamo é semelhante em tamanho entre pacientes com esquizofrenia tratados de forma crônica com
medicamentos e indivíduos nunca expostos a neurolépticos.
Os gânglios da base e o cerebelo têm sido de interesse teórico na esquizofrenia por pelo menos duas
razões. Primeiro, muitos pacientes exibem movimentos bizarros, mesmo na ausência de transtornos do
movimento induzidos por medicamentos (p. ex., discinesia tardia). Esses movimentos podem incluir
marcha desajeitada, caretas e estereotipias . Uma vez que os gânglios da base e o cerebelo estão
envolvidos no controle dos movimentos, doenças nessas áreas estão implicadas na fisiopatologia da
esquizofrenia.
Segundo, os transtornos do movimento que envolvem os gânglios da base (p. ex., doença de
Huntington, doença de Parkinson) são os mais comumente associados com psicose . Estudos
neuropatológicos dos gânglios da base produziram relatos variáveis e inconclusivos a respeito da perda
celular e da redução do volume do globo pálido e da substância negra.
Estudos também mostraram aumento no número de receptores D2 no núcleo caudado, no putame e no
nucleus accumbens . Permanece a questão, entretanto, quanto a se o aumento é secundário à
administração de medicamentos antipsicóticos.
Alguns pesquisadores começaram a estudar o sistema serotonérgico nos gânglios da base e sugeriram um
papel para a serotonina nos transtornos psicóticos devido à utilidade clínica de agentes antipsicóticos
com atividade de antagonismo à serotonina (p. ex., clozapina, risperidona).
Tem havido uma evolução gradual da conceituação da esquizofrenia como um transtorno que envolve
diferentes áreas do cérebro para uma perspectiva que a considera um transtorno dos circuitos
neurais . Por exemplo, como já foi mencionado, os gânglios da base e o cerebelo estão reciprocamente
conectados aos lobos frontais, e as anormalidades na função do lobo frontal observadas em alguns estudos
de imagem cerebral podem se dever a doença em qualquer uma dessas áreas além dos próprios lobos
frontais. Também existe a hipótese de que uma lesão no início do desenvolvimento dos tratos de
dopamina para o córtex pré-frontal resulte no distúrbio da função do sistema pré-frontal e límbico e
leve aos sintomas positivos e negativos e aos comprometimentos cognitivos observados em
pacientes com esquizofrenia.
De particular interesse no contexto das hipóteses do circuito neural ligando o córtex pré-frontal e o sistema
límbico são os estudos que demonstram uma relação entre anormalidades morfológicas hipocampais e
distúrbios no metabolismo ou na função do córtex pré-frontal (ou em ambos). Dados de estudos de imagem
funcional e estrutural em humanos sugerem que, enquanto a disfunção do circuito talamocortical dos
gânglios da base cingulados está na base da produção de sintomas psicóticos positivos, a disfunção
do circuito pré-frontal dorsolateral é subjacente à produção de sintomas primários, persistentes,
negativos ou de déficit .
Existe uma base neural para as funções cognitivas comprometidas em pacientes com esquizofrenia. A
observação da relação entre desempenho da memória de trabalho, integridade neuronal pré-frontal
danificada, córtices parietal pré-frontal, cingulado e inferior alterados e fluxo sanguíneo hipocampal
prejudicado fornece forte apoio à ruptura do circuito neural normal da memória de trabalho em
pacientes com esquizofrenia . O envolvimento desse circuito, pelo menos para as alucinações auditivas, foi
documentado em uma série de estudos de imagem funcional que comparam pacientes com e sem
alucinação.
77
SP4
Andress� B. Evangelist�- T3
Caracteriza� a� manifestaçõe� �siquiátrica� e� transtorn�� orgânic��
Fonte: http://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista1/volume1_loucura/cap6.htm
Havia certas doenças que eram consideradas unicamente como doenças mentais e hoje sabe-se que
tais doenças têm causa orgânica ou hereditária e como sintomas apresentam desajustes psíquicos. É o
caso da pelagra, doença de Parkinson, fenilcetonúria e paralisia geral progressiva.
● Pelagra - é uma doença de causa nutricional, que apresenta como sintomas quadro psicótico,
depressivo e demências. É consequência de deficiência específica de ácido nicotínico, uma das
vitaminas do complexo B, o que evidencia a existência de uma lesão bioquímica.
● Fenilcetonúria - é uma doença genética causada pela falta de uma enzima específica que
metaboliza o aminoácido fenilalanina que era acompanhada invariavelmente de deficiência mental. Ela
é evitada retirando-se o aminoácido da dieta.
● Doença de Parkinson, ou paralisia agitada é caracterizada por tremor, alterações da fala,
anormalidades da marcha e postura, rigidez com diminuição geral de movimentos e às vezes alterações
psíquicas. Não se sabe ainda a causa da doença, mas é conhecido que os indivíduos que a apresentam
têm uma degeneração neuronal ao nível da substância negra e uma baixa concentração de dopamina
nesta estrutura e no corpo estriado. Muitos neurônios, que da substância negra se projetam para o
corpo estriado, utilizam a dopamina como seu neurotransmissor. Assim, a doença de Parkinson parece
ser decorrente de uma deficiência de dopamina a nível de corpo estriado . Essa doença passou a ser
tratada satisfatoriamente com a droga Levodopa, que no organismo se transforma em dopamina e logo
aumenta a quantidade desse neurotransmissor.
● Paralisia geral progressiva - é um distúrbio psiquiátrico causado pela sífilis, quando seu agente,
o treponema pallidum afeta o SNC caracterizando-se por euforia, idéias de grandeza, perda da
capacidade intelectual, depressão do humor, irritabilidade. Atualmente ocorre raramente, devido à
eficácia da penicilina no tratamento da sífilis.
Hoje a Psiquiatria não se preocupa com tais doenças pois tem causas definidas e tratamento
apropriado. São patologias orgânicas com manifestações psiquiátricas.
Fonte:
https://www.fpce.up.pt/docentes/cmota_cardoso/slides/psic_especial/7_psicoses_organicas/psicoses_or
ganicas_1_13.pdf
78
http://labs.icb.ufmg.br/lpf/revista/revista1/volume1_loucura/cap6.htm
https://www.fpce.up.pt/docentes/cmota_cardoso/slides/psic_especial/7_psicoses_organicas/psicoses_organicas_1_13.pdf
https://www.fpce.up.pt/docentes/cmota_cardoso/slides/psic_especial/7_psicoses_organicas/psicoses_organicas_1_13.pdf
A designação de transtornos mentais orgânicos refere-se a um grupo heterogêneo de transtornos com
duas características fundamentais, sendo:
1. Conjunto de sinais e sintomas psicológicas ou comportamentais
2. Doença cerebral ou sistêmica, que pode ser considerada sua causa
Para caracterizar transtorno mental como orgânico, há necessidade de que ele seja consequência
fisiológica direta de uma condição médica geral.
É importante saber:
● Existe evidência na literatura de que a condição médica reconhecidamente costuma causar
sintomas psíquicos
● Há relação temporal entre doença física e o início do quadro mental
● Se o tratamento da doença física melhora os sintomas psíquicos
● Se a idade de início e os sintomas são atípicos para um transtorno mental primário
● Se tem histórico familiar ou história prévia de doença mental
● Se a resposta ao tratamento mentais orgânicos foram agrupados em três secções, sendo:
1. Delirium, demência, transtornos amnésticos e outros transtornos cognitivos
2. Transtornos mentais devido a uma condição médica geral
3. Transtorno relacionados ao uso de substância psicoativas
Alucinose orgânica: presença de alucinações auditivas ou visuais, persistentes ou recorrentes, por um
fator orgânico etiológico bem estabelecido.
Principal causa é o alcoolismo,uso de alucinógenos como LSD, tumores no SNC e epilepsia. São
alucinações vívidas, com nitidez sensorial, ricas em detalhes e aparecem no espaço objetivo externo.
O nível de consciência não se altera.
Transtorno catatônico orgânico: caracterizado por prejuízo na atividade motora e linguagem. Essa
pode ser causada por doenças orgânicas intra e extracerebrais, drogas e quadros psiquiátricos
funcionais, como esquizofrenia, transtorno do humor e estados dissociativos.
Causas cerebrais: doenças que acometem os gânglios da base, como sistema límbico e os lobos
frontal e temporal.
Causas extracerebrais: hipercalcemia, encefalopatia hepática, porfiria, DM, pelagra e uso de
medicamentos com ácido acetilsalicílico, anfetaminas e principalmente antipsicóticos.
Transtorno delirante orgânico: caracterizado pelo aparecimento de delírio por uma etiologia orgânica
específica. São mais grosseiros e pouco elaborados, o conteúdo mais comum é o persecutório, mas
pode ser religioso, grandioso e somático.
Etiologias: doença de Huntington, doença de Parkinson pós-encefálico, doença de alzheimer e
demência vascular.
Uso de drogas ou medicamentos, endocrinopatias, distúrbios metabólicos, deficiência nutricional,
doenças inflamatórias e transtornos do SNC como distúrbios extrapiramidais, doenças degenerativas,
doenças cérebro-vasculares, epilepsia, infecções, TCE.
79
Transtorno orgânico de ansiedade: se diferencia da ansiedade normal quando causa sofrimento
clinicamente significativo, ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas
importantes da vida do indivíduo.
Etiologia: doenças endócrinas e metabólicas, doenças neurológicas, cardiovasculares, pulmonares e
drogas.
Delirium
O delirium é caracterizado por confusão de curta duração e alterações na cognição. Existem quatro
subcategorias baseadas em diversas causas:
(1) condição médica geral (ex., infecção);
(2) induzido por substância (p. ex., cocaína, opióides, fenciclidina [PCP]);
(3) causas múltiplas (p. ex., lesão cerebral traumática e doença renal);
(4) outra etiologia ou etiologias múltiplas (p. ex., privação de sono, medicação).
O delirium se caracteriza por um declínio agudo nos níveis tanto de consciência quanto de cognição,
com particular comprometimento da atenção. Podendo ser letal, mas ainda potencialmente um
transtorno reversível do sistema nervoso central (SNC) , o delirium costuma envolver perturbações
da percepção, atividade psicomotora anormal e prejuízo do ciclo de sono-vigília. A condição com
frequência passa despercebida por profissionais do sistema de saúde. Parte do problema reside na
múltipla nomenclatura da síndrome (Tab. 21.2-1)
O sintoma inconfundível do delirium é um prejuízo da consciência , que normalmente ocorre associado a
prejuízos globais das funções cognitivas. Anormalidades do humor, na percepção e no comportamento
são sintomas psiquiátricos comuns. Tremor, asterixe, nistagmo, incoordenação e incontinência urinária
são sintomas neurológicos habituais.
Em sua forma clássica, o delirium apresenta início repentino (horas ou dias) , um curso breve e
instável e melhora rápida quando o fator causativo é identificado e eliminado, mas cada um desses
aspectos característicos pode variar de um indivíduo para outro. Médicos devem reconhecê-lo para
identificar e tratar a causa subjacente e evitar o desenvolvimento de complicações relacionadas ao
delirium, como ferimentos acidentais devido ao turvamento da consciência.
ETIOLOGIA
As principais causas de delirium são doenças do SNC (p. ex., epilepsia), doença sistêmica (p. ex.,
falência cardíaca) e intoxicação ou abstinência de agentes farmacológicos ou tóxicos. Ao avaliar
pacientes com delirium, o clínico deve presumir que todos os fármacos ou drogas que o paciente
consumiu podem ser etiologicamente relevantes para o transtorno.
Fatores predisponentes para delirium
Características demográficas
Idade a partir dos 65 anos
Sexo masculino
Estado cognitivo
Demência
Prejuízo cognitivo
História de delirium
Depressão
Estado funcional
Dependência funcional
Imobilidade
História de quedas
Baixo nível de atividade
Prejuízo sensorial
Audição
Visão
Redução de ingestão oral
Desidratação
Desnutrição
Fármacos/drogas
Tratamento com fármacos psicoativos
Tratamento com fármacos com propriedades
anticolinérgicas
Abuso de álcool
Condições clínicas coexistentes
Doenças graves
Doença hepática ou renal crônica
Acidente vascular cerebral
Doença neurológica
Perturbações metabólicas
Infecção por HIV
Fraturas ou traumatismos
Doenças terminais
Fatores precipitantes de delirium
Fármacos/drogas
Sedativo-hipnóticos
Narcóticos
Fármacos anticolinérgicos
Tratamento com múltiplos fármacos
Abstinência de álcool ou de outras drogas
Doenças neurológicas primárias
Acidente vascular cerebral, hemisfério não
dominante
80
Sangramento intracraniano
Meningite ou encefalite
Doenças intercorrentes
Infecções
Complicações iatrogênicas
Doença aguda grave
Hipóxia
Choque
Anemia
Febre ou hipotermia
Desidratação
Estado nutricional deficiente
Baixos níveis séricos de albumina
Perturbações metabólicas
Cirurgia
Cirurgia ortopédica
Cirurgia cardíaca
Ponte cardiopulmonar prolongada
Cirurgia não cardíaca
Ambientais
Internação em unidade de tratamento intensivo
Uso de contenções físicas
Uso de cateter urinário
Uso de procedimentos múltiplos
Dor
Estresse emocional
Privação do sono prolongada
Causas comuns de delirium
Distúrbio do sistema nervoso central
Convulsão (pós-ictal, estado não convulsivo,
estado convulsivo)
Enxaqueca
Lesão cerebral traumática, tumor cerebral,
hemorragia subaracnoide, hematoma subdural,
hematoma epidural, absceso, hemorragia
intracerebral, hemorragia cerebelar, acidente
vascular não hemorrágico, isquemia transitória
Distúrbio metabólico
Anormalidades de eletrólitos
Diabetes, hipoglicemia, hiperglicemia ou
resistência à insulina
Doença sistêmica
Infecção (p. ex., sepse, malária, erisipelas, viral,
peste, doença de Lyme, sífilis ou abscesso)
Traumatismo
Mudança no estado dos líquidos (desidratação
ou sobrecarga de volume)
Deficiência nutricional
Queimaduras
Dor incontrolável
Insolação
Altitude elevada (normalmente superior a 5 mil
metros)
Medicamentosa
Medicamentos analgésicos (p. ex., meperidina
ou morfina durante o pós--operatório)
Antibióticos, antivirais e antifúngicos Esteroides
Anestesia
Medicamentos para o coração
Anti-hipertensivos Agentes antineoplásicos
Agentes anticolinérgicos Síndrome neuroléptica
maligna
Síndrome serotonérgica
Preparados sem receita médica
Chás, infusões, fitoterápicos e suplementos
nutricionais
Botânica
Figueira-do-diabo (Datura stramonium),
oleandro (Nerium oleander), dedaleira (Digitalis),
cicuta, comigo-ninguém-pode (Caladium
seguinum) e cálice-da-morte (Amanita
phalloides)
Cardíaca
Insuficiência cardíaca, arritmia, infarto do
miocárdio, aparelho de assistência cardíaca,
cirurgia do coração
Pulmonar
Doença pulmonar obstrutiva crônica, hipoxia,
SIHAD, perturbação, distúrbio ácido-base
Endócrina
Crise suprarrenal ou insuficiência suprar-renal,
anormalidade tireoidiana, anorma-lidade
paratireoidiana
Hematológica
Anemia, leucemia, discrasia sanguínea,
transplante de células-tronco
Renal
Falência renal, uremia, SIHAD
Hepática
Hepatite, cirrose, falência hepáticaNeoplásica
Neoplasma (encefálico, metástase, síndro-me
paraneoplásica)
Drogas de abuso
Intoxicação e abstinência
Toxinas
Intoxicação e abstinência
Metais pesados e alumínio
DIAGNÓSTICO E CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A síndrome de delirium quase sempre é causada por uma ou mais perturbações sistêmicas ou encefálicas que
afetam a função cerebral.
Características fundamentais de delirium:
❖ Consciência alterada, como nível reduzido de consciência;
❖ Atenção alterada, que pode incluir capacidade reduzida de concentrar, manter ou deslocar a atenção;
81
❖ Prejuízo nos outros domínios do funcionamento cognitivo, que pode se manifestar como desorientação
(em especial quanto a tempo e espaço) e diminuição da memória; início relativamente rápido (de horas a dias);
curta duração (em geral de dias a semanas);
❖ Oscilações acentuadas e imprevisíveis quanto a gravidade e outras manifestações clínicas no decorrer
do dia, às vezes piores à noite (confusão noturna), e que podem variar de períodos de lucidez a prejuízo
cognitivo e desorganização graves.
Características clínicas associadas costumam estar presentes e podem ser proeminentes. Elas podem incluir
desorganização de processos de pensamento (desde tangencialidade leve até incoerência manifesta),
perturbações da percepção, como ilusões e alucinações, hiperatividade e hipoatividade psicomotora, distúrbio
do ciclo de sono-vigília (frequentemente manifestado como sono fragmentado à noite, com ou sem sonolência
diurna), alterações do humor (desde irritabilidade sutil até disforia, ansiedade ou mesmo euforia evidentes) e
outras manifestações de função neurológica alterada (p. ex., hiperatividade ou instabilidade autonômica,
espasmos mioclônicos e disartria). O EEG normalmente mostra lentidão difusa de atividade de segundo plano,
embora pacientes com delirium causado por abstinência de álcool ou de sedativo-hipnóticos apresentem
atividade rápida de baixa voltagem.
Critérios diagnósticos do DSM-5 para delirium
A. Perturbação da atenção (i.e., capacidade reduzida para direcionar, focalizar, manter e mudar a atenção) e da
consciência (menor orientação para o ambiente).
B. A perturbação se desenvolve em um período breve de tempo (normalmente de horas a poucos dias),
representa uma mudança da atenção e da consciência basais e tende a oscilar quanto à gravidade ao longo de
um dia.
C. Perturbação adicional na cognição (p. ex., déficit de memória, desorientação, linguagem, capacidade
visuoespacial ou percepção).
D. As perturbações dos Critérios A e C não são mais bem explicadas por outro transtorno neurocognitivo
preexistente, estabelecido ou em desenvolvimento e não ocorrem no contexto de um nível gravemente
diminuído de estimulação, como no coma.
E. Há evidências a partir da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que a perturbação é uma
consequência fisiológica direta de outra condição médica, intoxicação ou abstinência de substância
(i.e., devido a uma droga de abuso ou a um medicamento), de exposição a uma toxina ou de que ela se deva a
múltiplas etiologias.
O Delirium é um transtorno de base orgânica associado a alterações quantitativas de consciência,
possibilitando o desenvolvimento de estado “confusional”.
82
Delírio
Enquanto o Delírio é uma alteração do juízo de realidade caracterizado por apresentar uma convicção
subjetivamente irremovível e crença inabalável ; além de apresentar insuscetibilidade às influências de
correções quaisquer e; impossibilidade de conteúdo plausível.
O Delírio é uma alteração relacionada à formação de juízos, sendo um erro do processo de ajuizar que tem
origem na doença mental. É o desenvolvimento de um conjunto de juízos falsos em consequência de
condições patológicas preexistentes e que não se corrigem por meios racionais.
Principais características:
(1) Uma convicção extraordinária;
(2) Não são susceptíveis à influência e;
(3) Possuem um conteúdo impossível.
É através dos juízos que discernimos o que é real do que é fruto da nossa imaginação.
Neste sentido, compreende-se o Delírio ou idéias delirantes como juízos patologicamente falsos. O Delírio é
categorizado em três tipos: delírio primário (ou ideia delirante), delírio secundário (ou ideia deliróide) e
ideia sobrevalorada .
O delírio primário é caracterizado como juízo falso deve apresentar 3 características básicas:
1 - Deve apresentar-se como uma convicção subjetivamente irremovível e uma crença absolutamente
inabalável;
83
2 - Deve ser impenetrável e incompreensível para o indivíduo normal, bem como, impossível de sujeitar-se às
influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da argumentação lógica e;
3 - Impossibilidade de conteúdo plausível.
Todos os casos que não satisfazem essa tríade não podem ser considerados delírios verdadeiros ou delírios
primários (podem ser idéias deliróides ou delírios secundários). O delírio secundário ou ideia deliróide tem
origem compreensível em estados psicologicamente alterados, como nos transtornos do humor, alterações da
sensopercepção e rebaixamento do nível de consciência. Podem também ser compreendidos como equívocos
passageiros provocados por percepções enganosas e outras desse tipo. Por exemplo: as idéias de ruína e de
culpa na depressão, idéias de perseguição no delirium tremens, as ideias de grandeza na mania.
E a ideia sobrevalorada é uma ideia errônea por exagero afetivo em que a carga afetiva muito intensa afeta o
julgamento da realidade e a ideia passa a preponderar sobre as demais, de forma pouco racional, afetando o
comportamento do indivíduo.
Compreende� �� quadr�� demenciai� e� seu� aspect�� epidemiológic�� � seu� p�ssívei� fatore� desencadeante�.
DEMÊNCIA (TRANSTORNO NEUROCOGNITIVO MAIOR)
Demência refere-se a um processo de doença marcado pelo declínio cognitivo, mas com clareza de
consciência. A demência não se refere a um baixo funcionamento intelectual, nem retardo mental, porque estas
são condições de desenvolvimento e estáticas, e os déficits cognitivos na demência representam um declínio
de níveis anteriores de funcionamento. A demência envolve múltiplos domínios cognitivos, e déficits cognitivos
causam prejuízo significativo no funcionamento social e profissional. Existem vários tipos de demência com
base na etiologia: doença de Alzheimer, demência com corpos de Lewy, demência vascular, demência
frontotemporal, lesão cerebral traumática (LCT), HIV, doença do príon, doença de Parkinson e doença de
Huntington. A demência também pode ser causada por outras condições médicas ou neurológicas ou
produzida por várias substâncias (veja a Seção 21.4: Transtornos Amnésticos). Os pontos clínicos críticos da
demência são a identificação da síndrome e o exame clínico de sua causa. O transtorno pode ser pro-gressivo
ou estático; permanente ou reversível. Presume-se sempre uma causa subjacente, embora, em casos raros,
seja impossível determinar uma causa específica. O potencial de reversão da demência está relacionado à
condição patológica subjacente e à disponibilidade e aplicação de um tratamento eficaz. Aproximadamente
15% das pessoas com demência apresentamdoenças reversíveis, se o tratamento for iniciado antes que
ocorram danos irreparáveis.
84
EPIDEMIOLOGIA
Com o envelhecimento da população, a prevalência de demência aumenta. A prevalência de demência
moderada a grave em diferentes grupos populacionais é de aproximadamente 5% na população em geral com
idade superior a 65 anos, de 20 a 40% nessa população acima dos 85 anos, de 15 a 20% em consultórios
médicos ambulatoriais e de 50% nas instalações de cuidados para casos crônicos. De todos os pacientes com
demência, 50 a 60% apresentam o tipo mais comum, a demência do tipo Alzheimer (doença de Alzheimer).
Sua prevalência aumenta com o avanço da idade. Em indivíduos com 65 anos, homens apresentam um índice
de prevalência de 0,6%, e mulheres, de 0,8%. Aos 90 anos, os índices são de 21%. Em todas essas
estatísticas, de 40 a 60% dos casos são moderados a graves. Os índices de prevalência (homens para
mulheres) são de 11 e 14% aos 85 anos, 21% e 25% aos 90 anos e 36 e 41% aos 95 anos. Pacientes com
demência do tipo Alzheimer ocupam mais de 50% dos leitos de clínicas de repouso. Mais de 2 milhões de
indivíduos com demência são cuidados nessas instalações. Até 2050, estima-se que haverá 14 milhões de
norte-americanos com doença de Alzheimer e, portanto, mais de 18 milhões de pessoas com demência. O
segundo tipo mais comum é a demência vascular, que apresenta uma relação causal com doenças
cerebrovasculares. Hipertensão predispõe o indivíduo à doença. A demência vascular responde por 15 a 30%
de todos os casos de demência. Ela é a ocorrência mais comum em pessoas na faixa etária dos 60 e dos 70
anos e ocorre com maior frequência em homens do que em mulheres. Aproximadamente 10 a 15% dos
pacientes apresentam demência vascular coexistente com demência do tipo Alzheimer. Outras causas comuns
de demência, cada uma com representação de 1 a 5% de todos os casos, incluem lesão cerebral traumática,
demências relacionadas ao álcool e diversas relacionadas a transtornos do movimento, como doença de
Huntington e doença de Parkinson. Visto ser uma síndrome bastante geral, a demência apresenta várias
causas, e o médico deve se dedicar a um exame clínico cuidadoso de um paciente com demência para
estabelecer sua causa.
ETIOLOGIA
As causas mais comuns de demência em indivíduos com idade superior a 65 anos são (1) doença de
Alzheimer; (2) demência vascular; e (3) demência mista vascular e do tipo Alzheimer. Outras doenças que
respondem por cerca de 10% do total incluem demência com corpos de Lewy; doença de Pick; demências
frontotemporais; hidrocefalia de pressão normal (HPN); demência alcoólica; demência infecciosa, como HIV ou
sífilis; e doença de Parkinson. Vários tipos de demência avaliados em contextos clínicos podem ser atribuídos a
causas reversíveis, como anormalidades metabólicas (p. ex., hipotireoidismo), deficiências nutricionais (p. ex.,
deficiência de vitamina B12 ou de folato) ou síndrome de demência causada por depressão. Veja a Tabela
21.3-1 para uma análise de possíveis etiologias de demência
Possíveis etiologias de demência
Demências degenerativas
Doença de Alzheimer
Demências frontotemporais (p. ex., doença de Pick)
Doença de Parkinson
Demência com corpos de Lewy
Ferrocalcinose cerebral idiopática (doença de Fahr)
Paralisia supranuclear progressiva
Diversas
Doença de Huntington
Doença de Wilson
Leucodistrofia metacromática
Neuroacantocitose
Psiquiátricas
Pseudodemência de depressão
Declínio cognitivo em esquizofrenia na velhice
Fisiológicas
Hidrocefalia de pressão normal
Metabólicas
Deficiências vitamínicas (p. ex., vitamina B12 )
Tumorais Primário ou metastático (p. ex., meningioma ou câncer de mama ou pulmão com metástase)
Traumáticas
Demência pugilística, demência pós-traumática
Hematoma subdural
Infecciosas
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Doenças do príon (p. ex., doença de Creutzfeldt-Jakob, encefalite espongiforme bovina, síndrome de
Gerstmann-Sträussler)
Síndrome da imunodeficiência adquirida (aids)
Sífilis
Cardíacas, vasculares e anóxicas
Infarto (único ou múltiplo, ou lacunar estratégico)
Doença de Binswanger (encefalopatia arteriosclerótica subcortical)
Insuficiência hemodinâmica (p. ex., hipoperfusão ou hipóxia)
Doenças desmielinizantes
Esclerose múltipla
Fármacos/drogas e toxinas
Álcool
Metais pesados
Irradiação
Pseudodemência devida a medicamentos (p. ex, anticolinérgicos)
Monóxido de carbono
As causas mais comuns de demência em indivíduos com idade superior a 65 anos são
(1) doença de Alzheimer;
(2) demência vascular;
(3) demência mista vascular.
Outras doenças que respondem por cerca de 10% do total incluem: demência com corpos de Lewy;
doença de Pick; demências frontotemporais; hidrocefalia de pressão normal (HPN); demência alcoólica;
demência infecciosa, como HIV ou sífilis; e doença de Parkinson
Demência do tipo Alzheimer
Fatores de risco e fatores protetores
A DA representa 70 a 80% dos casos de demência, sendo uma causa extremamente prevalente. Acredita-se
que há tendência de aumento nesse número devido ao evidente envelhecimento populacional.
Inúmeros fatores associados a maior propensão ao desenvolvimento da DA tem sido estudados e
evidenciados, bem como fatores protetores, estes que ainda são controversos na literatura. Abaixo
apresentamos alguns exemplos.
Os fatores de risco mais importantes para DA são: idade; história familiar; grupo genético ApoE4, SORL1,
PSEN1 e PSEN2; doenças vasculares e metabólicas como hipertensão arterial, AVC e diabetes; estilo de vida
como tabagismo e sedentarismo e elementos sociodemográficos como escolaridade.
Dentre os fatores protetores destacam-se atividade física regular, atividades intelectuais e sociais; alta
escolaridade; dieta rica em antioxidantes; uso de estatinas e anti-inflamatórios de forma moderada durante a
vida.
MÚLTIPLOS GENES E4. Um estudo implicou o gene E4 na origem da doença de Alzheimer. Pessoas com
uma cópia do gene apresentam uma frequência três vezes maior de doença de Alzheimer do que aquelas sem
o gene, e indivíduos com dois genes E4 apresentam uma frequência oito vezes maior do que aqueles sem o
gene . Testes diagnósticos para esse gene não são recomendados atualmente porque ele é encontrado em
pessoas sem demência e não é encontrado em todos os casos de demência.
Demência Vascular
Supõe-se que a causa principal de demência vascular, anteriormente denominada demência multi-infarto,
sejam múltiplas áreas de doença vascular cerebral que resultam em um padrão de sintomas de demência. A
demência vascular é observada com maior frequência em homens, em especial aqueles com hipertensão ou
outros fatores de risco cardiovascular preexistentes.
Demência frontotemporal
Em contraste com a distribuição parietal temporal dos achados patológicos na doença de Alzheimer, a doença
de Pick caracteriza-se por uma preponderância de atrofia nas regiões fronto-temporais. Essas regiões
86
também têm perda neuronal; gliose; e corpos de Pick neuronais, os quais são massas de elementos do
citoesqueleto.
É mais comum em homens, em especial aqueles que têm um parente em primeiro grau com a condição.A
doença de Pick é difícil de distinguir da demência do tipo Alzheimer, embora os estágios iniciais da primeira
sejam caracterizados com mais frequência por alterações de personalidade e de comportamento, com
preservação relativa de outras funções cognitivas, e em geral começa antes dos 75 anos de idade
Caracteriza� � diagn�stic� diferencia� da� demência� � sua� diferença� fisiopatológica�.
Diagnóstico Diferencial
● Depressão
● Tumores
● Deficiência vitamina B12
● Esquizofrenia
● Hipertiroidismo
● Drogas e toxinas
● Tumores cerebrais
● Traumatismo cranioencefálico
● Hidrocefalia de pressão normal
● Transtornos neurodegenerativos
● Parkinson
● Huntington
● Pick
● Infecções - sífilis, encefalite, HIV
● Transtornos nutricionais e metabólicos
1. Conhecer os aspectos clínicos e critérios diagnósticos dos quadros demenciais.
Doença de Alzheimer
Quadro clínico
São evidentes as alterações cognitivas envolvendo memória, linguagem, praxia, gnosia e função executiva.
Dentre esses, a memória costuma ser o principal elemento alterado com esquecimentos cotidianos como uma
panela no fogão ou um número de celular que antes havia gravado na memória. Com o avanço da doença há
amnésia retrógrada e remota evidenciadas. Há prejuízo no aprendizado e na retenção de informações novas.
Manifestações não cognitivas como sintomas comportamentais e sintomas psicológicos também podem estar
em associação, por exemplo, a depressão, ansiedade, apatia e irritabilidade. Tais sintomas ocorrem em cerca
de 80 a 90% dos pacientes, sendo muitas vezes mais evidentes do que as alterações de memória.
Demência Vascular
Os principais fatores de risco são idade avançada, tabagismo, diabetes, hipertensão e história de infarto do
miocárdio. Noutros casos, a demência vascular é decorrente de doença vascular hipertensiva, que,
comprometendo a parede de pequenos vasos, produz isquemia e degeneração difusa da substância branca
subcortical, ocasionando a encefalopatia subcortical crônica .
A demência vascular é, em geral, decorrente de doença arteriosclerótica que compromete vasos de médio e
grande calibre, principalmente na região da carótida. Os trombos que são formados em tais vasos
desprendem-se sob a forma de êmbolos, provocando infartos cerebrais e demência do tipo cortical .
87
Demência Frontotemporal - Doença de Pick
→ Alterações marcantes da personalidade (perda da empatia, desinibição e/ou apatia, mudanças no paladar)
e do comportamento (comportamentos perseverantes, compulsivos, hiperoralidade). Há declínio na cognição
social (reconhecimento das emoções nos outros, perda da “teoria da mente”) e nas funções executivas do
lobo frontal (perda em planejamento, monitoração da ação e flexibilidade cognitiva) e distúrbios de linguagem
→ quadros graves, com declínio cognitivo mais rápido
→ faixa etária abaixo de 65 anos.
→ A sobrevida é de 6 a 11 anos após o surgimento dos sintomas e, geralmente, de 3 a 4 anos após o
diagnóstico.
Demência dos corpos de Lewy
Na avaliação da memória na demência dos corpúsculos de Lewy, o comprometimento maior se dá na
aquisição e consolidação das informações , enquanto na demência de Alzheimer ocorre principalmente
prejuízo na recuperação dessas informações. Além disso, na demência dos corpúsculos de Lewy
observam-se déficits importantes nos testes de função executiva, fluência verbal e comprometimento
desproporcional nos exames visuoespaciais, como desenhar um relógio e copiar um desenho.
Quadro clínico
O quadro caracteriza-se essencialmente pela ocorrência de déficits cognitivos oscilantes com
episódios de delirium, alucinações visuais e sintomas extrapiramidais . A oscilação das funções
cognitivas pode ocorrer de forma rápida, em questão de minutos a horas, ou de forma lenta. O paciente pode
apresentar graus variados de comprometimento do estado de atenção e alerta. Confusão, sonolência,
episódios breves de perda de consciência, às vezes, acompanham a evolução do quadro. O paciente pode
manifestar períodos breves de aparente normalização das funções cognitivas e, após alguns minutos, mostrar
déficits cognitivos importantes. A s alucinações visuais são recorrentes, nítidas e ricas em detalhes.
Teste� d� Avaliaçã� Cognitiv�
88
O diagnóstico de demência baseia-se no exame clínico, incluindo exame do estado mental, informações
obtidas com a família e outras pessoas do convívio.
O rastreio cognitivo é um conjunto de testes aplicados no consultório que auxiliam na percepção da
quantidade de perda cognitiva do paciente. Possuem alta sensibilidade e baixa especificidade, sendo então
excelentes para rastreio durante a consulta.
Os principais testes utilizados são:
● Mini exame do estado mental (MEEM)
● Fluência verbal
● Teste do desenho do relógio
● Montreal cognitive assessment (MOCA)
MEEM: é um teste simples, bem estruturado, de fácil aplicação que avalia a atenção, orientação
temporal-espacial, memória, escrita, função executiva, linguagem, cálculo e a habilidade viso construtiva.
Também pode ser indicado para analfabeto.
O escore varia entre 0 e 30 pontos, com notas maiores simbolizando melhor desempenho, o valor obtido no
teste depende da escolaridade, portanto as notas de corte variam conforme os anos de estudo.
Teste do desenho do relógio: permite aumentar a acurácia do diagnóstico de demência e complementar a
avaliação do teste do MEEM. Relógio avalia função executiva, habilidade visuoespacial e atenção. Pode
ser utilizado em pacientes analfabetos.
MoCA: é um teste mais elaborado utilizado para pacientes com alta cognição que funciona como um método
rápido, com duração de cerca de 10 minutos e fácil para distinção entre CCL e declínio cognitivo normal,
através da avaliação de 8 funções da cognição - só faz quando o MEEM não tem alteração significativa,
pois o MoCA é um teste mais complexo, então utiliza em último caso.
89
Tratament�
Anticolinesterásicos - Rivastigmina
- Demência do tipo Alzheimer (doença de Alzheimer) (leve a moderada).
Diminui a degradação da acetilcolina, facilitando assim a neurotransmissão colinérgica, o que beneficiaria na
recuperação de déficits cognitivos da doença de Alzheimer mediados pelo sistema colinérgico . Parece que a
inibição da colinesterase também ajudaria diminuir a formação de proteínas precursoras das placas
amiloides características da doença de Alzheimer.
Absorção: rápida e completa.
Biotransformação: extensa e rápida; metabólito conhecido é pouco ativo.
Ação: atinge concentração plasmática máxima em 1 hora; atravessa a barreira hematoencefálica.
Eliminação: predominantemente pela urina (como metabólitos); fezes (menos de 1%).
Reações mais comuns (sem incidência definida)
Gastrintestinal: má digestão; náusea; perda do apetite; vômito.
Sistema nervoso central: fadiga ou fraqueza.
Atenção com outros produtos
• não deve ser administrada com outro medicamento com ação colinérgica.
• pode diminuir a ação de: anticolinérgico.
• pode potencializar a ação de relaxante muscular como a succinilcolina; betanecol.
Outras considerações importantes
• cuidado ao dirigir ou executar tarefas que exijam atenção.
● Nemantadina
● Levodopa
90
● Rivastigmina
● Donepezila
● Galantamina (tem duplo efeito)
● Memantina
Classes:
● Inibidores da colinesterase
● Antagonista do receptor de NMDA
➔ INIBIDORES DA COLINESTERASE:
Fármacos:
● Donepezila
● Rivastigmina
● Galantamina
A inibição da acetilcolinesterase(IChE) no SNC melhora a transmissão colinérgica, pelo menos nos
neurônios que continuam funcionando.
Donepezil: é um inibidor da colinesterase de segunda geração que suprime seletivamente a enzima
acetilcolinesterase.
● Em relação a tacrina, tem como vantagem de apresentar menor risco de toxicidade hepática,
dispensando a necessidade de monitorizar
● Fármaco de primeira linha para tratamento de Alzheimer devido a posologia de uma
administração diária
Rivastigmina: é inibidor da colinesterase de segunda geração. A rivastigmina inibe a acetilcolinesterase e
também a butiril-colinesterase, enzima que também metaboliza a acetilcolina.
Efeitos adversos: efeitos gastrointestinais.
Galantamina: aumenta a atividade colinérgica, por meio de duplo mecanismo de ação no sistema
colinérgico . A inibição reversível da acetilcolinesterase e modulação dos receptores colinérgicos nicotínicos
pré-sinápticos, que controlam a liberação de neurotransmissores, aumentando a liberação de acetilcolina.
● Nemantadina
● Levodopa
● Rivastigmina
● Donepezila
● Galantamina
● Memantina
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Classes:
● Inibidores da colinesterase
● Antagonista do receptor de NMDA
➔ INIBIDORES DA COLINESTERASE:
Fármacos:
● Donepezila
● Rivastigmina
● Galantamina
A inibição da acetilcolinesterase (IChE) no SNC melhora a transmissão colinérgica, pelo menos nos
neurônios que continuam funcionando.
Donepezil: é um inibidor da colinesterase de segunda geração que suprime seletivamente a enzima
acetilcolinesterase.
● Em relação a tacrina, tem como vantagem de apresentar menor risco de toxicidade hepática,
dispensando a necessidade de monitorizar
● Fármaco de primeira linha para tratamento de Alzheimer devido a posologia de uma administração
diária
Rivastigmina: é inibidor da colinesterase de segunda geração. A rivastigmina inibe a acetilcolinesterase e
também a butiril-colinesterase, enzima que também metaboliza a acetilcolina.
Efeitos adversos: efeitos gastrointestinais.
Galantamina: aumenta a atividade colinérgica, por meio de duplo mecanismo de ação no sistema
colinérgico . A inibição reversível da acetilcolinesterase e modulação dos receptores colinérgicos nicotínicos
pré-sinápticos, que controlam a liberação de neurotransmissores, aumentando a liberação de acetilcolina.
Antagonistas de receptores N-metil-D-aspartato
A estimulação de receptores glutamato no SNC parece importante na formação de certas memórias. Contudo,
a superestimulação de receptores glutamato, particularmente do tipo NMDA, pode resultar em efeitos
excitóticos nos neurônios, e é sugerida como mecanismo dos processos neurodegenerativos ou apoptóticos
(morte celular programada). A ligação do glutamato ao receptor NMDA causa a abertura do canal iônico que
permite a entrada de Ca2+ no neurônio. O excesso de Ca2+ intracelular pode ativar inúmeros processos, que
finalmente lesam o neurônio e levam à apoptose.
Memantina é um antagonista do receptor NMDA indicado contra a doença de Alzheimer moderada ou grave .
Ela atua bloqueando o receptor NMDA e limitando o influxo de Ca2+ no neurônio, de modo que não são
alcançados níveis intracelulares tóxicos. A memantina é bem tolerada, com poucos efeitos adversos
dose-dependentes .
Os efeitos adversos esperados, como confusão, agitação e intranquilidade , não se distinguem dos sintomas
da doença de Alzheimer. Devido ao mecanismo de ação diferente e aos possíveis efeitos neuroprotetores, a
memantina é frequentemente administrada em associação com inibidor da AChE.
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MINTI
O papel tradicional dos exames de imagens, é o de identificar causas tratáveis de demência, tais como
hidrocefalia, tumores cerebrais e hematomas subdurais . Além disso, buscam-se por sinais que sejam
indicativos de síndromes demenciais , em situações clínicas apropriadas, como atrofias focais (doenças
degenerativas cerebelares, demência frontotemporal), infartos corticais e de núcleos de base (demência
vascular), aumento de acúmulo de ferro (doenças parkinsonianas), e focos de deposição de hemossiderina,
(compatíveis com focos de micro hemorragias, que sugerem comprometimento vasculares).
Técnicas de imagem mais avançadas visam chegar a um diagnóstico mais precoce, podendo ser divididas em
avaliação estrutural (volumetria, técnicas de compressão e subtração de volumes de interesse) e funcional
(tomografia por emissão de pósitrons-PET, RM funcional, imagem por tensores de difusão, perfusão por RM
e espectroscopia de prótons).
DOENÇA DE ALZHEIMER
O exame neuropatológico é, até hoje, o único método diagnóstico definitivo da DA . O diagnóstico clínico da
DA é, na maioria das vezes, presuntivo, uma vez que a constatação definitiva da doença se dá por meio de
estudo histopatológico de material de biópsia ou necropsia. Assim, os indivíduos vivos incluídos como
participantes de pesquisas são, na maioria das vezes, considerados como prováveis ou possíveis portadores
de DA, com base em achados clínicos, laboratoriais e de neuroimagem. A avaliação estrutural por TC e RM
convencional tem baixa sensibilidade e especificidade utilizadas por exclusão de outras causas de demência
potencialmente tratáveis, como hidrocefalia de pressão normal (HPN) e lesões expansivas intracranianas . A
RM, por sua superior capacidade de resolução anatômica e detecção de alterações, é o método de escolha
para esses pacientes. Entretanto, a RM demonstra alterações volumétricas que podem ser consideradas
habituais na faixa etária até as fases mais avançadas da doença, quando existe atrofia mais acentuada, com
predomínio nos lobos temporais, em comparação com a redução volumétrica do restante do parênquima
encefálico. Com a progressão da doença, o comprometimento estende-se para os lobos parietais e frontais,
respectivamente.
Métodos funcionais relacionados à medicina nuclear desempenham papéis relevantes no manejo de
pacientes com hipótese diagnóstica de DA, haja vista que as alterações metabólicas precedem a
demonstração das lesões estruturais. O exame de SPECT detecta fluxo cerebral de forma semiquantitativa
ou relativo, já o exame de pet detecta o consumo de glicose. Em pacientes com DA observa-se menor fluxo
relativo/consumo de glicose nas regiões têmporo-parietais, com a magnitude dessas anormalidades
correlacionando-se com a gravidade do déficit cognitivo.
DEMÊNCIA VASCULAR
A DV é a segunda maior causa de demência, sendo composta por um grupo heterogêneo de síndromes
secundárias ao comprometimento vascular do SNC. Para o diagnóstico de DV é fundamental a demonstração
em exames de imagens de doença cerebrovascular (TC ou RM) incluindo infartos múltiplos de grandes vasos
ou infarto único estrategicamente localizado, assim como múltiplas lacunas em gânglios da base e substância
branca ou lesões extensas em substância branca.
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