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Prévia do material em texto

John Bevere 
O Temor do Senhor 
 
Traduzido do original em inglês: The Fear of The Lord 
Copyright © 1996 by John Bevere Publicado originalmente por Creation House 
Tradução: Eliseu e Irene Pereira 
Revisão: Audrey Paixão 
Projeto gráfico: Roberta Vital Braga 
Capa: Marcelo Silva 
Segunda edição: Julho de 2002 
 
EDITORA ATOS LTDA. 
Caixa Postal 402 
30161 -970 - Belo Horizonte - MG 
Televendas: 0800-31-5580 
 
 
 
 
Tenha a decência e reconhecimento de não apagar os créditos 
 
-E.G.- 
 
 
 
 
_______________ 
 
Este livro foi digitalizado com o 
intuito de disponibilizar literaturas 
edificantes à todos aqueles que não 
tem condições financeiras ou não 
tem boas literaturas ao seu alcance. 
 
Muitos se perdem por falta de 
conhecimento como diz a Bíblia, e às 
vezes por que muitos cobram muito 
caro para compartilhar este 
conhecimento. 
 
Estou disponibilizando esta obra na 
rede para que você através de um 
meio de comunicação tão versátil 
tenha acesso ao mesmo. 
 
Espero que esta obra lhe traga 
edificação para sua vida espiritual. 
 
Se você gostar deste livro e for 
abençoado por ele, eu lhe recomendo 
comprar esta obra impressa para 
abençoar o autor. 
 
Esta é uma obra voluntária, e 
caso encontre alguns erros ortográficos 
e queira nos ajudar nesta obra, faça 
a correção e nos envie. 
Grato 
_______________ 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
 
Introdução 
Capítulo 1 - Vento do Céu 
Capítulo 2 - Glória Transformada 
Capítulo 3 - O Sermão do Universo 
Capítulo 4 - Ordem, Glória, Julgamento: Parte 1 
Capítulo 5 - Ordem, Glória, Julgamento: Parte 2 
Capítulo 6 - Um Santuário Novo 
Capítulo 7 - Uma Oferta Irreverente 
Capítulo 8 - Julgamento Adiado 
Capítulo 9 - A Glória Vindoura 
Capítulo 10 - A Restauração da Glória de Deus 
Capítulo 11 - A Habilidade para Ver 
Capítulo 12 - De Glória em Glória 
Capítulo 13 - Amizade com Deus 
Capítulo 14 - As Bênçãos do Santo Temor 
Epílogo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Eu gostaria de dedicar este livro a minha esposa, Lisa. Sou 
um homem privilegiado por ser casado com esta mulher. 
Precisaria de outro livro para falar sobre suas virtudes e seu 
caráter piedoso, mas se fosse resumir sua vida em uma frase, 
seria: ela é uma mulher que teme ao Senhor. 
 
Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua 
língua. Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão 
da preguiça. Levantam-se os seus filhos e lhe chamam ditosa, seu 
marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, 
mas tu a todas sobrepujas. Enganosa é a graça, e vã, a formosura, 
mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada (Pv 31:26-
30). 
 
Eu agradeço a ti, Pai, por tua filha, Lisa Bevere. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Minha gratidão mais profunda a 
 
Minha esposa, Lisa. Depois do Senhor, você é meu maior 
amor e tesouro. Obrigado pelas horas de trabalho com as quais 
você contribuiu para a preparação deste livro. Eu amo você, 
querida! 
Aos nossos quatro filhos: todos vocês têm trazido grande ale-
gria a minha vida. Obrigado por compartilharem do chamado de 
Deus e por me encorajarem a viajar e a escrever. 
Aos meus pais, John e Kay Bevere: obrigado por me ensina-
rem, desde o início, o temor do Senhor, e pelo estilo de vida 
piedoso exemplificado por vocês. 
Aqueles que tomaram de seu tempo e deram uma porção de 
suas vidas para ensinar-me e mostrar-me os caminhos do reino. 
Eu tenho visto diferentes aspectos de Jesus em cada um de vocês. 
Obrigado a equipe do Ministério John Bevere pelo apoio cons-
tante e fidelidade. Lisa e eu amamos cada um de vocês, com 
carinho. 
Obrigado à equipe da Creation House, que tem trabalhado 
conosco e tem apoiado tanto nosso ministério. É uma alegria 
trabalhar com vocês. 
Acima de tudo, minha sincera gratidão ao meu Senhor. 
Como poderiam as palavras reconhecer adequadamente tudo que 
tu tens feito por mim e pelo teu povo? Eu jamais poderei expressar 
o quanto eu te amo. Eu te amarei sempre! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O santo temor é a chave para 
o firme fundamento de Deus, que revela 
os tesouros da salvação, da sabedoria 
e do conhecimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
No verão de 1994, fui convidado a ministrar em uma igreja 
no sul dos Estados Unidos. Aquela experiência acabou se 
transformando em uma das mais desagradáveis que já havia tido 
no meu ministério. Mas, apesar disso, uma busca ardente nasceu 
no meu coração, uma busca para conhecer e compreender o temor 
do Senhor. 
Dois anos antes, aquela igreja havia experimentado um 
poderoso mover de Deus. Um evangelista esteve ali por um período 
de quatro semanas, e o Senhor reavivou aquela igreja com sua 
presença. Eles estavam experimentando uma plenitude do que 
muitos chamam de "riso santo". Isso foi tão renovador que o 
pastor e muitas de suas ovelhas fizeram o que tão frequentemente 
acontece: permaneceram acampados no lugar de refrigério, ao 
invés de continuarem à busca de Deus. Eles desenvolveram mais 
interesse pelas manifestações de refrigério do que por conhecer ao 
Senhor que refrigera. 
Na segunda noite de nossas reuniões, o Espírito de Deus me 
conduziu a pregar sobre o temor do Senhor. Nessa época, minha 
compreensão a respeito do temor do Senhor ainda estava se 
formando, mas Deus conduziu-me a pregar sobre o que já havia 
me ensinado por meio das Escrituras. 
Na noite seguinte, fui para o culto totalmente despreparado 
para o que estava prestes a acontecer. Sem qualquer discussão 
prévia, o pastor da igreja se colocou de pé, após o período de 
louvor e adoração, e passou um espaço de tempo considerável 
corrigindo o que eu havia pregado na noite anterior. Eu estava 
sentado na primeira fila, um tanto chocado. A base da sua 
correção eram os crentes do Novo Testamento que não tinham 
medo de Deus. Ele se baseou em I João 4:18: 
 
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o 
medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é 
aperfeiçoado no amor. 
 
Ele havia confundido um espírito de medo com o temor do 
Senhor. 
Na manhã seguinte, encontrei um local reservado fora do ho-
tel, onde passei um bom tempo orando. Cheguei diante do Senhor 
com o coração aberto e me submeti a qualquer correção que Ele 
desejasse me aplicar. Tenho aprendido que a correção de Deus 
visa sempre o meu bem. Ele nos corrige para que possamos nos 
tornar participantes da sua santidade (Hb 12:7-11). 
Então, naquele momento, senti o imenso amor de Deus. Não 
percebi Deus desapontado comigo pelo que eu havia pregado, mas 
será o seu prazer. Lágrimas escorreram pelo meu rosto diante da 
sua maravilhosa presença. 
Eu continuei em oração e, depois de algum tempo, me vi 
clamando do fundo do meu espírito pelo conhecimento do temor 
do Senhor. Elevei minha voz e, reunindo toda a força que havia 
dentro de mim, clamei: "Pai, eu quero conhecer e quero andar no 
temor do Senhor!" 
Quando terminei de orar, não me preocupei com o que 
poderia enfrentar no futuro. Tudo o que queria era conhecer o 
coração de Deus. Sentia que minha busca para aprender esse 
aspecto da sua natureza santa o havia agradado profundamente. 
Desde aquele dia, Deus tem sido fiel em me revelar a importância 
do temor do Senhor. Ele tem revelado seu desejo para que todos 
os cristãos também reconheçam a importância do temor. 
Embora sempre soubesse que o temor do Senhor era 
importante, não compreendia muito bem como ele era essencial, 
até que Deus abriu meus olhos em resposta àquela oração. 
Sempre via o amorde Deus como o fundamento para o 
relacionamento com o Senhor. Descobri rapidamente que o temor 
do Senhor era igualmente fundamental. Isaías diz: 
 
O Senhor é sublime, pois habita nas alturas; encheu a Sião de 
direito e de justiça. Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, 
abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do 
Senhor será o teu tesouro (Is 33:5-6). 
 
O santo temor é a chave para o firme fundamento de Deus, 
que revela os tesouros da salvação, da sabedoria e do 
conhecimento. Juntamente com o amor de Deus, o temor constitui 
o próprio fundamento da vida! Nós aprenderemos que não 
poderemos amar a Deus verdadeiramente a menos que o 
temamos, nem poderemos temê-lo corretamente a menos que o 
amemos. 
Enquanto escrevia este livro, nossa família estava 
construindo uma nova casa. Visitei a obra muitas vezes, e Deus 
usou esses momentos para ensinar-me lições a partir de alguns 
princípios básicos de construção. A verdadeira construção começa 
com o alicerce e o madeira-mento da casa. É isso que vai 
sustentar todos os componentes finais, tais como os azulejos, o 
carpete, as janelas, os armários e a pintura. Uma vez que a casa 
está completa, você já não vê qualquer parte do alicerce e da 
estrutura, embora sustentem e protejam todas as belas mobílias e 
o acabamento interior. Sem essa estrutura, você não teria nada 
mais do que uma pilha de materiais. 
O mesmo é verdade em relação à elaboração deste livro. Nós 
vamos delinear claramente o temor de Deus e seu julgamento; daí 
vamos prosseguir para um conhecimento íntimo de Deus. Vamos 
esboçar a proteção do julgamento providenciado por este temor e 
concluir com o papel do temor na nossa intimidade com Deus. 
Cada capítulo contém verdades que tanto informam quanto 
transformam. 
Os primeiros capítulos proverão a estrutura para o restante 
do livro. Eles vão desenvolver em nosso espírito a força para 
sustentar o que Deus nos revelará. 
Leia este livro como se ele fosse uma casa em construção. 
Não salte da estrutura para a colocação do carpete. Sem um 
telhado, o carpete precisará ser substituído antes que a 
construção esteja terminada. A construção é progressiva. 
Tire um tempo para ler em oração e compreender cada 
capítulo antes de seguir para o próximo. Peça ao Espírito Santo 
para lhe revelar a Palavra de Deus por meio deste livro, porque a 
letra mata, mas o Espírito vivifica (2Co 3:6). 
O temor do Senhor não é compreendido com a mente, mas 
gravado em nossos corações. Ele é revelado pelo Espírito Santo 
quando nós lemos a sua Palavra. É uma das manifestações do 
Espírito de Deus (Is 11:1, 2). Deus o dará aos corações daqueles 
que sinceramente o buscam (Jr 32:40). 
Vamos orar antes de começar: 
 
"Pai, em nome de Jesus, eu abri este livro porque desejo 
conhecer e entender o santo temor do Senhor. Sei que isso é im-
possível sem a ajuda do Espírito Santo. Peço que o Senhor me unja 
com seu Espírito. Abre meus olhos para ver, meus ouvidos para 
ouvir, e meu coração para que eu possa conhecer e compreender o 
que tu estás a me dizer. 
Enquanto eu leio, faze-me ouvir tua voz nas palavras deste 
livro. Transforma-me, elevando-me de um nível de glória para outro. 
Então, eleva-me novamente com o alvo de, finalmente, verte face a 
face. Permita que minha vida seja transformada, de modo que eu 
nunca mais seja o mesmo. 
Por isto, dou a ti todo o louvor, a glória e a honra, agora e 
para sempre. Amém." 
 
John Beyere Orlando, Flórida 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Você acha que o Rei dos reis e Senhor 
dos senhores vai entrar em um lugar 
onde Ele não recebe a honra e a 
reverência que merece? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 1 
 
VENTO DO CÉU 
 
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a 
mim, e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3). 
 
Era apenas o décimo dia do ano de 1997. Naqueles poucos 
dias já havia estado na Europa e na Ásia para ministrar. Estava 
muito empolgado, quando novamente tomei um avião, dessa vez 
para a América do Sul. Eu nunca estivera no Brasil e sentia-me 
honrado por ter sido convidado para falar em uma conferência 
nacional, que seria realizada em três das maiores cidades do país. 
Depois de viajar a noite toda, fui recebido no aeroporto por alguns 
líderes muito ansiosos e cheios de expectativa. Eles haviam 
esperado muito por aquelas reuniões, e o entusiasmo deles me 
reavivou. 
O primeiro culto seria realizado naquela mesma noite em 
Brasília, capital do país. Depois de algumas poucas horas de 
descanso, eu e o pr. Gary Haynes, meu intérprete, fomos 
apanhados no nosso hotel e levados à reunião. Havia uma grande 
aglomeração de carros no estacionamento e nas imediações, e eu 
pude ver que a reunião teria muitas pessoas. Quando nos 
aproximamos do edifício, pude ouvir a música que vinha através 
das janelas de ventilação, entre o alto da parede e o teto. Minha 
própria ansiedade e expectativa aumentaram quando ouvi as 
canções de louvor familiares, cantadas em português. 
Uma vez dentro do auditório, fui conduzido diretamente à 
plataforma. O local, que comportava cerca de quatro mil pessoas, 
estava repleto. A plataforma parecia balançar com músicas de 
louvor de alta intensidade e de qualidade muito boa, pois os 
músicos eram qualificados e tocavam com harmonia. As canções 
também eram excelentes, e os líderes eram dotados de vozes 
muito boas. Apesar de tudo, percebi rapidamente uma completa 
ausência da presença de Deus. Quando corri os olhos pela 
multidão e pelos músicos, pensei: "Onde está Deus?" 
Imediatamente perguntei: "Senhor, onde está tua presença?" 
Enquanto esperava pela resposta do Senhor, prestei atenção 
ao que estava acontecendo no edifício. Pelas luzes brilhantes da 
plataforma, eu podia ver as pessoas se movendo para todos os 
lados. Muitos em pé e de olhos abertos procuravam alguma coisa 
ou alguém no auditório. Outros pareciam estar desinteressados, 
de mãos nos bolsos ou simplesmente inertes. Toda a postura das 
pessoas e seus semblantes davam a impressão de uma multidão 
indiferente, esperando pacientemente pelo início de um show. 
Alguns conversavam e outros perambulavam pelos corredores, 
entrando e saindo do auditório. Eu comecei a me entristecer. 
Aquilo não era um culto evangelístico, mas uma conferência 
para crentes. Sabia que podia haver alguns entre os presentes que 
não eram crentes; contudo, também sabia que a maioria deles, 
naquela multidão desinteressada, era "cristã". Aguardei alguns 
momentos na esperança de que as pessoas entrariam em 
verdadeira reverência ao Senhor. Eu pensei: "certamente este 
clima vai mudar". Mas não mudou. Depois de vinte ou trinta 
minutos, o ritmo das músicas tornou-se mais lento, o que 
chamamos de "canções de adoração". Porém, o que eu presenciava 
estava longe de uma verdadeira adoração. Aquele mesmo 
comportamento desinteressado que havia observado quando 
entrei no auditório, havia permanecido durante o culto. 
Quando o período de louvor terminou, parecia ter passado 
mais de uma hora, mas, de fato, foram menos de quarenta 
minutos. 
Os presentes foram convidados a se assentar, mas o ruído 
subjacente da conversação descuidada continuou. Um dos líderes 
pegou o microfone para exortar as pessoas, porém, elas 
continuaram a conversar. O líder leu a Bíblia e ensinou. O tempo 
todo eu ouvi o ruído surdo de muitas vozes falando ao mesmo 
tempo e muitas pessoas se movendo dentro da congregação. 
Também notei que muitos não prestavam atenção ao pregador. 
Mal podia acreditar no que estava presenciando. Frustrado, me 
voltei para o pr. Gary Haynes e perguntei-lhe se aquele 
comportamento era normal nos seus cultos. 
Ele compartilhou do meu desagrado. "Às vezes, eu tenho que 
me dirigir às pessoase pedir-lhes que, por favor, prestem 
atenção", ele sussurrou. Naquele momento, eu estava ficando 
irado. Eu já havia estado em outras reuniões onde as pessoas se 
comportaram daquele modo, mas nunca a tal ponto. Em cada 
uma dessas reuniões eu tinha encontrado uma atmosfera 
espiritual semelhante - opressão e vazio da presença de Deus. 
Agora, sabia que minha pergunta "Senhor, onde está sua 
presença?" havia sido respondida. Certamente a presença de Deus 
não estava ali. 
Então, o Espírito de Deus me disse: "Eu quero que você con-
fronte isto diretamente". 
Quando finalmente fui apresentado, o murmúrio havia 
diminuído, mas ainda estava presente. Caminhei até o púlpito e 
fiquei ali, encarando a multidão. Estava determinado a não dizer 
nada até que obtivesse a atenção deles. Sentia uma ira santa 
queimando dentro do meu peito. Depois de um minuto, todos se 
calaram percebendo que algo estava acontecendo na plataforma. 
Não me apresentei nem cumprimentei a multidão. Ao invés 
disso, iniciei com esta pergunta: "Como você se sentiria se, 
enquanto você fala com uma pessoa, ela o ignora o tempo todo ou 
continua conversando com outra pessoa ao lado? Ou se a outra 
pessoa desviasse os olhos com desinteresse e desrespeito?" 
Fiz uma pausa e, então, respondi minha própria pergunta: 
"Você não iria gostar disto, iria?" 
Eu continuei a sondagem: "E se cada vez que tocasse a cam-
painha para visitar a casa de um vizinho, você fosse recebido com 
uma atitude desinteressada e um suspiro de monotonia: oh, é 
você novamente; entre?" 
Parei novamente, e então acrescentei: "Você não o visitaria 
mais, visitaria?" 
Então, declarei firmemente: "Você acha que o Rei dos reis e 
Senhor dos senhores vai entrar em um lugar onde não recebe a 
devida honra e reverência? Você acha que o Mestre de toda a 
criação irá falar quando a sua Palavra não é respeitada o bastante 
para ser ouvida atentamente? Se você acha que sim, você está 
enganado!" 
Continuei: "Hoje à noite, quando entrei neste lugar, não 
senti a presença de Deus em nada. Nem no louvor, nem na 
adoração, nem na exortação e nem durante a oferta. Há uma 
razão: o Senhor nunca está onde não é reverenciado. Até o 
presidente do país receberia todas as honras se estivesse nesta 
plataforma esta noite, por simples respeito ao seu cargo. Se eu 
estivesse aqui com um dos seus jogadores de futebol favoritos, 
muitos de você estariam sentados à beira dos seus assentos, 
prestando toda atenção. Vocês estariam cheios de expectativa e 
ouviriam cada palavra que ele falasse. Contudo, quando a Palavra 
de Deus foi lida alguns momentos atrás, vocês mal a ouviram, 
porque a avaliaram levianamente". 
Eu continuei, fazendo uma leitura sobre o que Deus requer 
daqueles que se aproximam dele: 
 
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a 
mim, e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3). 
 
Durante uma hora e meia, preguei a mensagem que Deus 
fazia arder no meu coração. As palavras vinham com coragem e 
autoridade, sem medo do que as pessoas pensariam nem como 
elas reagiriam. 
"Se eles me mandarem embora deste país amanhã, eu não 
me importo; prefiro obedecer a Deus", disse a mim mesmo - e 
estava falando sério. 
Você poderia ouvir um alfinete caindo nos momentos de 
silêncio entre cada uma das minhas afirmações. Durante uma 
hora e meia não houve nenhum ruído na multidão. Não havia 
mais desrespeito. O Espírito de Deus havia prendido a atenção 
das pessoas pela sua Palavra. A atmosfera estava mudando a cada 
instante. Podia sentir a Palavra de Deus batendo nos corações 
endurecidos. 
No final da minha mensagem, pedi a todos os presentes para 
fecharem os olhos. O chamado para arrependimento foi claro e 
breve: "Se você tem tratado como comum o que Deus chama 
santo, se tem vivido com urna atitude irreverente para com as 
coisas de Deus, e se hoje à noite você foi convencido pelo Espírito 
Santo, por meio da sua Palavra, você está pronto a se arrepender 
diante do Senhor? Se está, fique em pé". Sem hesitar, 75% dos 
que estavam presentes se colocaram de pé. 
Curvei minha cabeça e fiz esta oração simples e sincera em 
voz alta: "Senhor, confirma a tua Palavra pregada hoje, à noite, a 
estas pessoas". 
Imediatamente, a presença do Senhor encheu aquele auditó-
rio. Embora não tivesse conduzido a congregação em oração, 
podia ouvir a multidão caindo em choro e soluço. Era como se 
uma onda da presença de Deus tivesse varrido o auditório, 
trazendo limpeza e refrigério. Não era possível que todos os 
presentes viessem ao altar; assim, dirigi uma oração de 
arrependimento que poderia ser repetida de onde estavam. Via as 
pessoas enxugando as lágrimas que escorriam. A maravilhosa 
presença de Deus permanecia ali. 
Depois de alguns minutos, a sensação da presença de Deus 
diminuiu. Eu encorajei as pessoas a não perderem a atenção no 
seu Mestre. Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros (Tg 
4:8). 
Alguns momentos se passaram, e outra onda da presença de 
Deus inundou o auditório. Havia mais lágrimas, pois o pranto se 
intensificou. A presença de Deus era ainda mais abrangente dessa 
vez, e mais pessoas foram tocadas pelo Mestre. Isso durou alguns 
minutos e, então, novamente diminuiu. Eu exortei as pessoas a 
não se distraírem entre as ondas de manifestação, mas a 
manterem seus corações atentos. 
Alguns minutos depois, ouvi o Espírito de Deus sussurrar no 
meu coração: "Eu estou voltando mais uma vez". Imediatamente 
senti isso e disse: "O Espírito de Deus está voltando novamente!" 
O que escrevo agora de modo algum pode representar, com 
precisão, o que aconteceu logo depois. Minhas palavras são tão 
limitadas, e Deus é tão tremendo! Também não vou exagerar, pois 
isso seria irreverente. Consultei três outros líderes que estavam 
presentes para esclarecer e confirmar o que descrevo a seguir. 
No mesmo instante em que pronunciei a palavra "novamen-
te", aconteceu o seguinte: a única maneira que poderia descrever 
isso é comparando como se eu estivesse a uns cem metros do fim 
de uma pista, com um enorme jato vindo em minha direção. Isso 
descreve o rugido do vento que soprou imediatamente sobre 
aquele auditório. Quase simultaneamente, as pessoas irromperam 
em fervorosa e intensa oração, com suas vozes elevando-se e 
reunindo-se num clamor uníssono. 
Quando ouvi o rugir do vento pela primeira vez, pensei que 
um jato estivesse passando bem em cima do edifício. De maneira 
alguma queria atribuir a Deus algo que Ele realmente não 
estivesse fazendo. Minha mente rapidamente tentou se lembrar da 
distância do aeroporto. Mas não ficava perto daquele edifício, e 
durante duas horas não houve nenhum som de avião sobrevoando 
aquele local. 
Eu me voltei para o Espírito e percebi que podia sentir a pre-
sença de Deus de uma maneira tremenda, e que as pessoas 
estavam explodindo em orações. Certamente isso não era uma 
reação ao som de um avião passando por cima do prédio. 
Se fosse um avião, teria que estar voando numa altitude de 
não mais do que cem metros sobre o edifício para provocar um 
barulho tão forte como aquele. E além disso, não poderia ouvir um 
ruído tão forte, acima do estrondo de três mil pessoas orando 
ruidosamente. 
O som que eu ouvi era muito mais alto e claramente 
superava todas as vozes. Mesmo com isso resolvido em minha 
mente - que o vento era o vento do Espírito Santo - não disse 
nada. 
Não queria transmitir uma informação inexata ou tentar 
seduzir as pessoas com afirmações fervorosas de manifestação 
espiritual. O rugido desse vento durou aproximadamente dois 
minutos. Quando diminuiu, deixou no seu rastro pessoas que 
oravam e choravam. A atmosfera ficou impregnada de reverência 
santa. A presença do Senhor era muito real e poderosa. 
O resultado tremendo da sua presença ainda perdurou por 
quinze ou vinte minutos. Passeio púlpito para o líder e pedi para 
ser levado embora imediatamente. Muitas vezes, permaneço no 
local e converso com as pessoas depois de um culto, mas, naquele 
momento, qualquer conversa casual parecia imprópria. Os líderes 
me pediram que me reunisse com eles para o jantar, mas recusei. 
Ainda trêmulo pela presença de Deus, respondi: "Não, eu apenas 
quero voltar para o meu quarto no hotel". 
Eles me levaram até o carro. Voltei para o hotel 
acompanhado pelo pr. Gary Haynes, Ludmila Ferber e seu marido, 
que eram os líderes. Aquela mulher era uma cantora que já havia 
gravado e sua música era popular no país. 
Ela entrou no carro chorando: "Vocês ouviram o vento?" 
Eu respondi depressa: "Aquilo era um avião". (Embora 
sentisse no meu coração que não era, queria a confirmação e 
estava determinado a não ser o primeiro a dizer alguma coisa). 
"Não", ela declarou e balançou a cabeça, "era o Espírito do 
Senhor". 
Então, seu marido, um homem que achei ser muito quieto e 
reservado, firmemente afirmou: "Não havia nenhum avião em 
qualquer lugar perto do edifício". 
"Realmente!"- eu exclamei. 
Ele continuou: "Além disso, o som daquele vento não passou 
pela caixa de ressonância, não houve nenhuma leitura na caixa, 
nem registro de qualquer ruído". Permaneci calado, em profunda 
reverência. 
Mais tarde, descobri a razão daquele homem ter tanta 
certeza de que o vento que nós ouvimos não tinha sido causado 
por uma aeronave. 
Havia seguranças e policiais fora do prédio, que informaram 
ter ouvido um som poderoso que vinha lá de dentro. Do lado de 
fora, não houve vento, mas apenas outra tranquila noite 
brasileira. 
Sua esposa continuou, com lágrimas rolando pela face: "Eu 
vi ondas de fogo que caíam pelo edifício e anjos em todos os 
lugares!" 
Mal podia acreditar no que escutava. Tinha ouvido essa mes-
ma descrição feita por um ministro dois meses antes, durante as 
reuniões na Carolina do Norte. Havia pregado sobre o temor do 
Senhor, e a presença de Deus caiu poderosamente sobre aquela 
reunião - mais de cem crianças choraram copiosamente durante 
uma hora. Uma ministra visitante falou para o pastor que ela 
havia visto ondas de bolas de fogo caindo sobre o edifício. Isso 
também havia sido confirmado por três membros do coral. 
Naquele momento, só queria estar a sós com o Senhor. Uma 
vez na privacidade do meu quarto do hotel, tudo que queria fazer 
era adorar e orar. 
Estava programado para eu ministrar em mais um culto 
antes de partir para o Rio de Janeiro. Dessa vez, quando entrei no 
auditório, a atmosfera estava totalmente diferente. Podia sentir 
que o respeito pelo Senhor havia sido restaurado. A música não 
era meramente boa e sem a presença de Deus; era maravilhosa, 
ungida, e a presença do Senhor era doce. 
 
Davi diz: Entrarei na tua casa e me prostrarei diante do teu 
santo templo, no teu temor (SI 5:7). Toda verdadeira adoração é 
ancorada em uma reverência da sua presença, pois Deus diz: [...] 
e reverenciareis o meu santuário: Eu sou o Senhor (Lv 19:30). 
 
Naquele segundo culto, muitos receberam libertação e cura. 
Outros que estavam aprisionados pela amargura e tinham 
abrigado ofensas foram libertos. Onde o Senhor é reverenciado, 
sua presença se manifesta - e onde a sua presença se manifesta, 
as necessidades são supridas. 
Agora nós podemos entender a insistência de Davi: Temei o 
Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem (Sl 
34:9). 
Esta é a mensagem que você tem em suas mãos hoje - o 
temor do Senhor, nestas páginas, nós vamos procurar, com ajuda 
do Espírito Santo, não somente o significado do temor do Senhor, 
mas o que é caminhar nos tesouros da sua verdade. Nós vamos 
aprender sobre o julgamento que recai sobre nós quando há falta 
do santo temor, como também sobre os benefícios gloriosos 
encontrados no temor de Deus. 
 
Há pessoas que são rápidas para reconhecei Jesus como 
salvador, curador e libertador. Contudo, reduzem a sua glória ao 
nível dos homens corruptíveis por meio das suas açoes atitudes do 
coração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
GLÓRIA TRANSFORMADA 
 
Pois quem nos céus é comparável ao Senhor? Entre os seres 
celestiais, quem é semelhante ao Senhor? Deus é sobremodo 
tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos que o 
rodeiam (Sl 89:6-7). 
 
Antes de discutirmos o temor do Senhor, temos que ter uma 
idéia da grandeza e da glória do Deus que servimos. 
O salmista, primeiramente, declara as tremendas maravilhas 
de Deus c depois faz a exortação para temê-lo. O que ele disse, 
numa linguagem moderna, poderia ser: "Quem no universo pode 
se comparar ao Senhor?" Ele quer que nós meditemos na glória 
insondável de Deus, pois, como podemos respeitá-lo e honrá-lo 
devidamente se nós permanecemos inconscientes da sua grandeza 
ou do motivo pelo qual Ele merece isto? 
 
FAMOSO, CONTUDO, DESCONHECIDO 
Para explicar isso, vamos imaginar alguém que é famoso no 
país mais poderoso da Terra. Ele é um homem talentoso e culto. 
Todas as pessoas no seu país conhecem sua grandeza e fama.É 
um inventor com as mais excelentes e significativas contribuições 
científicas e descobertas conhecidas pelo homem. É o atleta mais 
excelente desse país. De fato, ninguém pode competir com ele em 
qualquer área da vida. Além de tudo isso, é o rei e um governante 
muito sábio. 
Em todos os níveis e em todos os lugares do país, recebe um 
tremendo respeito e honra. Grandes desfiles e gloriosas recepções 
são oferecidas em sua honra. 
Agora, o que aconteceria se esse rei viajasse para outro país, 
onde sua posição e grandeza fossem desconhecidas? Que tipo de 
recepção ele teria num país estranho, inferior, em todos os 
sentidos, ao seu grande país? 
Embora os maiores homens daquele país estejam abaixo do 
nível desse governador, ainda assim esse nobre rei decide visitar 
aquele lugar, como um homem comum, sem vestes reais, sem sua 
comitiva de nobreza, força de segurança, conselheiros ou criados. 
Ele vai sozinho. Como será tratado? 
Para simplificar, não será tratado de maneira diferente do 
que seria qualquer outro estrangeiro. Embora esse homem seja 
muito maior do que o mais poderoso homem da nação, receberá 
pouco ou nenhum respeito. Ele até mesmo poderá, ser tratado 
com desprezo, simplesmente porque é um estrangeiro. Suas 
invenções e descobertas científicas têm beneficiado grandemente 
aquela nação; contudo, as pessoas ainda não o conhecem e, 
consequentemente, não lhe darão o respeito e a honra que ele 
merece. 
Agora, veja o relato de João a respeito de Jesus, Emanuel, 
Deus manifestado em carne: 
 
O "Verbo estava no mundo e o mundo foi feito por intermédio 
dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os 
seus não o receberam (Jo 1:10-11). 
 
É muito triste que Aquele que criou o universo e o próprio 
mundo em que vivemos não tenha recebido as boas-vindas e a 
honra que merece. Ainda mais trágico, veio para os que eram , 
aqueles que o esperaram e conheciam sua aliança, aqueles a 
quem Ele havia libertado várias vezes pelo seu poder; contudo, 
não recebeu honra. Embora as pessoas falassem sobre sua vinda, 
frequentassem o templo regularmente com essa expectativa da e 
orassem pelas bênçãos que acompanhavam seus mandamentos, 
eles não o reconheceram quando Ele veio. 
Seu próprio povo não reconheceu a grandeza daquele que 
professavam servir fielmente. Os israelitas não apenas eram 
ignorantes da grandeza do poder de Deus, mas também eram 
igualmente ignorantes da grandeza da sua sabedoria. Portanto, 
não é de se admirar que não tenham dado a Ele o temor ou a 
reverência que merecia. Deus explicou: 
 
...Visto que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e 
com os seus lábios me honram, mas o seu coração está longe de 
mim, e oseu temor para comigo consiste só em mandamentos de 
homens... (Is 29:13) 
Ele disse: Seu temor para comigo consiste só em 
mandamentos de homens. Ele está dizendo que as pessoas tinham 
reduzido a glória do Senhor à glória do homem corruptível. 
Serviram a Deus na imagem que haviam criado, não segundo a 
verdadeira imagem de Deus, mas segundo seus próprios padrões. 
 
TRANSFORMANDO A GLÓRIA DO DEUS INCORRUPTÍVEL 
Isso não se limitou à geração de Jesus, embora se tenha 
estendido por todo o tempo durante a época dele. O mesmo erro se 
repetiu ao longo das gerações daqueles a quem foram entregues e 
supostamente confiados os oráculos de Deus. 
Nós vemos essa irreverência demonstrada até mesmo na 
transgressão de Adão. Ele deu ouvidos à sabedoria da serpente: 
Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão 
os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal (Gn 
3:5). 
... O Deus, quem, é semelhante a ti? - o salmista pergunta no 
Salmo 71:19. Assim, era inútil Adão pensar que ele ainda poderia 
ser como Deus, mesmo estando separado dele. Na vaidade da sua 
mente, Adão reduziu Deus ao nível de um mero homem. 
Se você olhar o pecado dos filhos de Israel no deserto, você 
descobrirá a mesma raiz como a causa da sua rebelião. Seu temor 
de Deus foi amoldado pela própria imagem errônea da sua glória. 
Moisés subiu ao Monte Sinai para receber a Palavra de 
Deus. Vários dias se passaram, então o povo[...] acercou-se de Arão 
(Êx 32:1). Sempre surgem problemas quando as pessoas se 
reúnem em sua própria sabedoria, apartadas do poder e da 
presença de Deus. Em vez de esperar que Ele dê as ordens, as 
pessoas se reúnem e tentam fazer algo para satisfazerem a si 
mesmas. O que apenas Deus pode prover é substituído por uma 
imitação temporária. 
Eles tinham visto o poder de Deus se manifestar várias 
vezes; contudo, fizeram um bezerro de ouro. Hoje, isso pode 
parecer ridículo, mas não era tão ridículo para os israelitas. Por 
mais de quatrocentos anos, eles tinham visto objetos semelhantes 
no Egito. Era um aspecto familiar da cultura egípcia e, portanto, 
comum. 
Uma vez feito, o bezerro de ouro foi trazido diante das 
pessoas que, de comum acordo, disseram: ...São estes, ó Israel, os 
teus deuses, que te tiraram da terra do Egito! (Êx 32:4) Então, uma 
proclamação foi feita pelo seu líder: ...Amanhã será festa ao 
Senhor(Êx 32:5). Para compreender o que estavam dizendo, temos 
de olhar a palavra hebraica para "Senhor", no versículo 5. E a 
palavra Yehovah, também conhecida como Jeová ou Yahweh. Esta 
palavra é definida como "Aquele que existe", o nome próprio do 
Deus verdadeiro. 
Eles usaram o nome do único Deus verdadeiro. Este era o 
nome daquele sobre quem Moisés pregou, o nome daquele com 
quem Abraão tinha uma aliança, o nome daquele a quem nós 
servimos. Jeová não é usado para descrever nenhum dos falsos 
deuses na Bíblia. Este nome, Jeová ou Yahweh, era tão sagrado 
que mais tarde não foi permitido aos escribas hebreus escreverem 
a palavra por completo; eles omitiam as vogais intencionalmente 
em reverência à santidade do nome. 
Assim, as pessoas, como também os líderes, apontaram para 
aquele bezerro dourado e o chamaram de Jeová, o Deus 
verdadeiro que libertara do Egito! Não disseram: "Este é Baal, 
aquele que libertou vocês do Egito", nem usaram o nome de 
qualquer outro falso deus. Deram àquele bezerro o nome do 
Senhor, reduzindo, assim, a grandeza do Senhor a termos comuns 
e imagens finitas, com os quais eles estavam tão familiarizados. 
É interessante notar que os israelitas ainda reconheceram 
que Jeová os libertara de sua escravidão. Não negaram o que Deus 
fez; apenas reduziram a grandeza a um nível com o qual estavam 
mais acostumados a lidar. A saída do Egito, no Velho Testamento, 
é um tipo que representa o sair do mundo e ser salvo, como 
ensina o Novo Testamento. Os acontecimentos naturais do Velho 
Testamento são tipos e figuras do que haveria de vir no Novo 
Testamento. 
 
SERVINDO A DEUS NAS IMAGENS QUE NÓS FIZEMOS 
Agora veja o que Paulo escreve para nós, no Novo 
Testamento: 
 
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno 
poder, como também a sua própria divindade, claramente se 
reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por 
meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso 
indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o 
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram 
nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração 
insensato (Rm 1:20,21). 
 
Note que eles não o glorificaram como Deus. Os filhos de Is-
rael reconheceram a libertação de Jeová, mas não deram a Ele a 
honra, a reverência ou a glória que merecia. Bem, isso não mudou 
muito. Basta olhar para o que Paulo diz sobre as pessoas que 
viviam nos tempos do Novo Testamento, que não davam a Deus a 
reverência merecida: 
 
e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da 
imagem do homem corruptível (Rm 1:23). 
 
Novamente nós vemos reduzida a imagem gloriosa do Deus 
verdadeiro. Desta vez não é reduzida a um bezerro, mas à imagem 
do homem corruptível. Israel estava rodeado por uma sociedade 
que adorava imagens de ouro à semelhança de animais e insetos. 
A igreja de hoje está rodeada por uma cultura que adora o 
homem. 
Durante os últimos anos, esta declaração tem, 
constantemente, percorrido minha mente: "Nós servimos a Deus 
na imagem que nós temos feito". 
Em minhas viagens a centenas de igrejas, tenho encontrado 
uma linha de pensamento que reduz a imagem e a glória de Deus 
à imagem de mero homem corruptível. Esta mentalidade permeia 
a igreja. 
Há pessoas que são rápidas para reconhecer Jesus como 
salvador, curador e libertador. Com aboca, reconhecem o senhorio 
de Jesus; contudo, reduzem sua glória ao nível de homem 
corruptível por meio das suas ações e atitudes do coração. 
Elas dizem: "Deus é meu amigo, compreende o meu 
coração". É verdade que Deus compreende os nossos corações do 
modo mais completo do que nós mesmos podemos entender. Mas, 
normalmente, este comentário é emitido com o objetivo de 
justificar as ações que contradizem sua aliança. O fato é que estão 
em desobediência à Palavra de Deus. Nas Escrituras, as únicas 
pessoas que eu vejo Deus chama de amigos são aqueles que 
tremem com a sua Palavra, a Sua presença e são rápidos para 
obedecer, não importa o preço. 
Portanto, Ele não recebe a honra e a reverência que merece, 
senão eles o obedeceriam imediatamente. Com seus lábios honram 
a Deus, mas seu temor para com Ele é ensinado por 
mandamentos de homens. Filtraram a Palavra de Deus e seus 
mandamentos por meio do seu próprio pensamento influenciado 
pela cultura. A imagem que eles têm da glória de Deus é formada 
por suas percepções limitadas, ao invés de ser formada pela sua 
verdadeira imagem, revelada por meio da sua Palavra viva. 
Isso predispõe esses homens e mulheres a serem rápidos 
para criticarem a autoridade, como nossa sociedade é tão rápida 
em fazer. Nós temos programas de televisão, desde humor até 
programas de entrevistas, que constantemente criticam a 
autoridade. A mídia zomba da autoridade constituída e exalta o 
desobediente e o rebelde. Mas, e se a liderança é realmente 
corrupta? O que Deus diz a respeito disto? Ele diz: Não falará mal 
de uma autoridade do teu povo (At 23:5). Contudo, nós 
presumimos que Deus aprova a crítica à liderança corrupta 
porque nós reduzimos sua resposta ao nível da nossa sociedade, 
reduzindo-o à imagem de homem corruptível, até mesmo em 
nossas igrejas. 
Eu tenho ouvido líderes de igreja justificarem um divórcio 
com: "Deus quer que eu seja feliz". Eles, na verdade, crêem que 
sua felicidade tem primazia sobre sua obediência à Palavra de 
Deus e sobre a aliança que fizeram com Deus. 
Um líder me falou:"John, eu decidi me divorciar da minha 
mulher porque nós não nos demos bem por dezoito anos. Nós não 
assistimos a filmes juntos nem fazemos coisas divertidas. Você 
sabe que eu amo Jesus, e se eu não estiver fazendo a coisa certa, 
Ele me mostrará". Por que Deus nos concederia uma audiência 
particular com , quando nós ignoramos o que já declarou? 
De alguma maneira, esses indivíduos têm distorcido as pala-
vras de Jesus para justificarem uma exceção para eles mesmos. É 
como se Jesus dissesse: "Quando disse na minha Palavra que 
odiava o divórcio, isto não se aplica a você. Eu quero que você seja 
feliz e tenha um cônjuge com quem você possa se divertir. Vá em 
frente e consiga o divórcio. Se for errado, você pode se arrepender 
mais tarde". 
Este é o modo como a nossa sociedade pensa. Nossas pala-
vras não ditas declaram: "O preto e branco existem para os outros, 
mas para mim, é cinza. É errado para os outros porque isto não 
me afeta, mas se obedecer torna minha vida desconfortável, então 
estou isento de obedecer!" 
Quando isto é feito individualmente, também será feito 
coletividade. Assim, não é surpreendente que na igreja a glória de 
Deus seja reduzida ao grau de homem corruptível, da vida de 
pessoas que constituem a liderança da igreja às mensagens 
pregadas no púlpito. 
Que tipo de mensagem esta redução da glória de Deus trans-
mite à congregação? Ela diz: "Deus não quer dizer isso ou fazer o 
que Ele diz". Então, nós nos perguntamos por que o pecado corre 
solto entre nós e por que o temor de Deus foi perdido. Não é de se 
admirar que os pecadores se assentem passivamente em nossos 
bancos e não se arrependam com nossa pregação. Não é de se 
admirar que a frieza prevalece em nossas "igrejas baseadas na 
Bíblia". Também não é de se admirar que as viúvas, os órfãos, os 
homens e as mulheres encarcerados e os doentes sejam 
neglicenciados pelos crentes. 
Frequentemente, as mensagens que nós pregamos durante 
os últimos vinte anos nos púlpitos e nas rádios têm dado a Deus a 
aparência de "Papai Noel do céu", cujo desejo é nos dar tudo o que 
queremos e quando queremos. Isto gera uma obediência de vida 
curta por motivos egoístas. Pais que criam seus filhos desta 
maneira acabam tendo crianças mimadas. Crianças mimadas não 
têm o verdadeiro respeito à autoridade, especialmente quando não 
conseguem o que querem e quando querem. Sua falta de 
reverência pela autoridade as leva a ficarem facilmente ofendidas 
com Deus. 
Como podemos ver a reverência ser restaurada, quando 
temos nos afastado tanto da sua glória? Como a obediência pode 
prevalecer quando a desobediência e a rebelião são consideradas 
normais? Deus vai restaurar seu santo temor no seu povo e os 
trará de volta para si, para que possam lhe dar a verdadeira glória 
e honra que é digno de receber. Ele prometeu: Porém, tão certo 
como eu vivo e como toda a terra se encherá da glória do Senhor 
(Nm 14:21). 
 
Quanto maior for a nossa compreensão da grandeza de Deus, 
maior será a nossa capacidade para temê-lo ou reverenciá-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 5 
 
O SERMÃO DO UNIVERSO 
 
...A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja [...] para 
ver a tua força e a tua glória (Sl 63:1, 2). 
 
Para darmos a Deus a devida reverência, nós temos que bus-
car o conhecimento da grandeza da sua glória. Este foi o clamor 
do coração de Moisés quando corajosamente declarou: ...Rogo-te 
que me mostres a tua glória (Êx 33:18). 
Quanto maior for a nossa compreensão da grandeza de Deus 
(embora em si mesma ela seja incompreensível), maior será a 
nossa capacidade para temê-lo ou reverenciá-lo. Esta é a razão 
porque o salmista nos encoraja: Deus é o Rei de toda a terra; 
salmodiai com harmonioso cântico (SI 47:7). Nós somos convidados 
a contemplar a sua grandeza. 
O salmista ainda nos diz: Grande é o Senhor e mui digno de 
ser louvado; a sua grandeza é insondável (SI 145:3). Isto me leva a 
recordar a história da morte de Santo Agostinho. Agostinho foi um 
dos maiores líderes da sua época. Seus escritos expunham as 
tremendas maravilhas do nosso Deus. Por mais de mil anos faz-se 
referência aos seus escritos. Um dos seus grandes trabalhos é 
intitulado "A Cidade de Deus". 
Em seu leito de morte, cercado por seus amigos mais 
íntimos, quando Agostinho se foi para estar com o Senhor, sua 
respiração cessou, seu coração parou, e uma sensação 
maravilhosa de paz encheu o quarto. De repente, seus olhos se 
reabriram, e com as faces brilhando, declarou aos que estavam 
presentes: "Eu vi o Senhor. Tudo o que eu escrevi é apenas palha". 
Então partiu para o seu lar eterno. 
 
SANTO, SANTO, SANTO... 
Isaías teve uma visão da insondável glória de Deus. Viu o 
Senhor na sala do seu trono, alto e elevado, e a sua glória enchia a 
sala. Ao seu redor estavam grandes anjos chamados serafins que, 
por causa da magnífica glória de Deus, cobriam suas faces com as 
asas e clamavam: 
 
...Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra 
está cheia da sua glória (Is 6:3). 
 
Nós cantamos estas mesmas palavras em nossas igrejas em 
forma de hinos. Porém, na maioria das vezes, nossos louvores 
soam sem a paixão que encontramos nesses anjos. Você 
provavelmente verá as pessoas bocejarem ou olharem para os 
lados enquanto cantam as palavras do hino. Oh, como é diferente 
a atmosfera na sala do trono de Deus! 
Esses poderosos e tremendos anjos não estão aborrecidos ou 
inquietos; não estão apenas cantando canções agradáveis. Não 
dizem: "Deus, eu tenho cantado esta canção diante do Teu trono 
por milhões de anos. Tu não achas que poderia ser feita uma 
substituição? Eu gostaria de explorar outras partes do céu". De 
modo algum! Eles não desejariam estar em nenhum outro lugar, a 
não ser clamar e cantar louvores diante do trono de Deus. 
Esses anjos espetaculares não estão apenas cantando uma 
canção. Estão respondendo àquilo que vêem. A cada momento, 
através dos olhos fechados, vêem brevemente uma outra faceta e 
uma dimensão maior da glória de Deus sendo revelada. 
Impressionados, clamam: "Santo, santo, santo!" De fato, seu 
harmonioso clamor é tão alto que os batentes da porta são 
abalados por suas vozes e toda a sala se enche de fumaça. Uau! 
Algo que faria as ondas de som sacudirem um edifício aqui na 
Terra, mas tremer os batentes da arquitetura celestial é uma outra 
questão! Esses anjos estão ao redor do trono de Deus por tempos 
incontáveis, por tempos imensuráveis. Porém, experimentam uma 
revelação perpétua do poder de Deus e da sua sabedoria. A 
grandeza de Deus é verdadeiramente insondável. 
 
SUAS OBRAS FALAM SOBRE SUA GLÓRIA 
No capítulo anterior, nós falamos sobre a grande loucura do 
homem: reduzir a glória do Senhor à nossa imagem e à medida do 
homem corruptível. Nós comprovamos isto num grau alarmante 
na igreja. No restante deste capítulo, nós nos dedicaremos a tentar 
compreender apenas um pedacinho da glória de Deus e de como é 
revelada em sua criação. Vamos olhar além do natural e meditar 
na maravilha do que é descrito, pois sua criação prega um 
verdadeiro sermão e nos fornece pontos para ponderar. 
O Salmo 145:10-11 diz: Todas as tuas obras te renderão 
graças, Senhor; [...]falarão da glória do teu reino, e confessarão o 
teu poder. 
Eu tenho quatro filhos. Houve um período em que eles eram 
interessados demais em um certo jogador de basquete 
profissional. Ele é um dos atletas mais populares nos Estados 
Unidos e idolatrado por muitos nesta nação. Estavam acontecendo 
os jogos da Liga Americana de Basquete, e eu ouvia o nome desse 
jogador continuamente através da imprensa, dos meus filhos e dos 
seus amigos. 
Estava com minha família ministrando na costa Atlântica. 
Nós havíamos acabado de chegar dapraia, onde os meninos 
tinham caído na água e pulado as ondas. Depois de nadarmos, 
enquanto nos secávamos, eu me sentei com meus três filhos mais 
velhos para um bate-papo. 
Apontando a janela, eu perguntei: "Meninos, que grande 
oceano lá fora, hein?" 
Em uníssono, eles responderam: "É, papai". 
Eu continuei: "A gente só pode avistar cerca de dois ou três 
quilômetros mas o oceano, na verdade, tem milhares de 
quilômetros". 
Enrolados no calor e no conforto das toalhas, os meninos 
falaram com olhos arregalados. "Uau!" 
"E este aqui ainda não é o maior oceano; há outro maior 
chamado Oceano Pacífico. Depois, há mais dois além destes." 
Os meninos balançaram a cabeça, em silêncio, 
maravilhados, enquanto ouviam o poder das ondas da maré alta 
que se quebravam lá fora. 
Sabendo, até certo ponto, que meus filhos haviam 
compreendido a vasta imensidão de água que havia descrito, 
perguntei: "Meninos, vocês sabem que Deus pesou toda a água 
que vocês vêem, e tudo aquilo que eu há pouco descrevi, na palma 
da sua mão?" (Is 40:12) 
O rosto deles demonstrou uma verdadeira admiração. Antes, 
eles ficavam impressionados porque aquela famosa figura do 
esporte podia segurar uma bola de basquete com uma mão! 
Segurar uma bola de basquete em uma mão parecia insignificante 
agora. 
"Vocês sabem o que mais a Bíblia diz sobre como Deus é 
grande?"- perguntei. 
"O quê, papai?" 
"A Bíblia declara que Deus pode medir o Universo com a pal-
ma da sua mão"(Is 40:12). Espalmando minha própria mão diante 
deles, demonstrei que um palmo era a distância da extremidade 
do meu dedo polegar à extremidade do meu dedo mínimo. "Deus 
pode medir o universo com a distância do seu dedo polegar à 
extremidade do seu dedo mínimo!" 
 
O SERMÃO SEM FIM 
O próprio Universo anuncia a glória do Senhor. Leia as pa-
lavras inspiradas de Davi: 
 
Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia 
as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite 
revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há 
palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a 
terra se faz. ouvir a sua voz, e a suas palavras, até aos confins do 
mundo (Sl 19:1-4). 
 
Pare por um momento e pondere sobre a amplitude ilimitada 
do Universo. Faça isso e você terá uma vaga idéia da glória 
ilimitada de Deus! Nas palavras de Davi: "O universo proclama a 
glória de Deus". A criação de Deus não é limitada à Terra, ela 
abrange até mesmo o universo desconhecido. Ele organizou as 
estrelas nos céus com seus dedos (SI 8:3). Para a maioria de nós, é 
difícil compreender a imensidão do universo. 
Além do nosso Sol, a estrela mais próxima está a 4,3 anos-
luz de distância. Vamos explicar o seguinte: a luz viaja à 
velocidade de 299.727 quilômetros por segundo, não por hora, 
mas por segundo. Isto é, aproximadamente 1.078.030.000 
quilômetros por hora. Nossos aviões voam a aproximadamente 
800 quilômetros por hora. 
A órbita da Lua está a aproximadamente 384.551 
quilômetros da Terra. Se nós viajássemos de avião à Lua, isso 
levaria dezenove dias. Mas a luz consegue chegar lá em 1,3 
segundos! 
Vamos continuar. O Sol está a 149.637.000 quilômetros da 
Terra. Se você tomar um avião a jato hoje e viajar rumo ao Sol, 
sua jornada levaria mais de vinte e um anos! E isso sem parar! 
Onde você estava há vinte e um anos atrás? Isso é muito tempo. 
Você pode imaginar voar esse longo tempo, sem um momento de 
intervalo, para chegar ao Sol? Para aqueles que preferem dirigir... 
bem, essa façanha não poderia ser feita em toda a vida. Levaria 
aproximadamente duzentos anos, não incluindo qualquer parada 
para abastecer o carro ou descansar! Porém, a luz viaja essa dis-
tância em meros oito minutos e vinte segundos! 
Vamos deixar o Sol e passar para a estrela mais próxima. 
Nós já sabemos que ela está a 4,3 anos-luz da Terra. Se nós 
construíssemos um modelo em escala da Terra, do Sol e da estrela 
mais próxima, o resultado seria o seguinte: em proporção, a Terra 
se reduziria ao tamanho de um grão de pimenta, e o Sol seria do 
tamanho de uma bola de oito polegadas de diâmetro. De acordo 
com essa escala de medidas, a distância da Terra ao Sol seria de 
quase vinte e quatro metros, que é apenas um quarto da largura 
de um campo de futebol. Mas, lembre-se de que para medir essa 
distância de vinte e quatro metros, um avião levaria mais de vinte 
e um anos! 
Assim, se essa é a proporção da Terra em relação ao Sol, 
você consegue imaginar a que distância a estrela mais próxima 
estaria da nossa Terra de grão de pimenta? Você pensaria em mil 
metros, dois mil ou talvez três mil metros? Nem sequer chega 
perto disso. Nossa estrela mais próxima seria colocada a 6,4 mil 
quilômetros distante do grão de pimenta! Isso significa que se você 
colocar a Terra grão de pimenta em San Diego, Califórnia, a 
estrela mais próxima em nosso modelo em escala seria 
posicionada para lá da cidade de Nova Iorque, no Oceano Atlân-
tico, mais de mil e quinhentos quilômetros dentro do mar! 
Para alcançar essa estrela mais próxima através de avião, 
levaria aproximadamente uns cinqüenta e um bilhões de anos, 
sem parar! Isto é, 51.000.000.000 de anos! Contudo, a luz dessa 
estrela viaja para a Terra em apenas 4,3 anos! 
Vamos ampliai- este pensamento. As estrelas que você vê à 
noite, a olho nu, estão de cem a mil anos-luz de distância. Porém, 
há algumas estrelas que você pode ver a olho nu, que estão a 
quatro mil anos luz. Eu nem mesmo poderia tentar calcular a 
quantidade de tempo que levaria para um avião alcançar apenas 
uma dessas estrelas. Mas, pense nisto: a luz viaja a uma 
velocidade de 299.727 quilômetros por segundo, e ainda leva 
quatro mil anos para chegar a Terra. Isso significa que a luz 
dessas estrelas foi lançada antes de Moisés dividir as águas do 
Mar Vermelho e viajou uma distância de um bilhão, setenta e oito 
milhões e trinta mil quilômetros por hora, sem reduzir a 
velocidade ou sem parar desde então, e está chegando na Terra 
neste exato momento! 
Mas essas são apenas as estrelas na nossa galáxia, que é 
um ajuntamento vasto de normalmente bilhões de estrelas. A 
galáxia na qual moramos é chamada Via Láctea. Assim, vamos 
continuar. 
A galáxia mais próxima da nossa é a de Andrômeda. Sua 
distância da nossa galáxia é de aproximadamente 2,31 milhões de 
anos-luz! Imagine, mais de dois milhões de anos-luz de distância! 
Nós já chegamos ao limite da nossa compreensão? 
Os cientistas calculam a existência de bilhões de galáxias, 
cada uma delas contendo bilhões de estrelas. Elas tendem a se 
agrupar. A galáxia de Andrômeda e a nossa Via Láctea são parte 
de um agrupamento de, pelo menos, trinta galáxias. Outros 
agrupamentos podem conter outro tanto de milhares de galáxias. 
O The Guinness Book of World Records (o livro de recordes 
mundiais) afirma que, em junho de 1994, foi descoberto um novo 
grupo de galáxias em forma de casulo. O comprimento desse 
grupo de galáxias foi calculado em seiscentos e cinquenta milhões 
de anos-luz! Você pode imaginar quanto tempo levaria para 
atravessar uma distância tão vasta, de avião? 
O The Guinness Book of World Records também afirma que o 
mais remoto objeto já visto pelo homem parece estar a mais de 
13,2 bilhões de anos-luz de distância. Nossas mentes finitas nem 
mesmo podem começar a compreender a distância dessa 
imensidão. Nós mal conseguimos ver as extremidades dos grupos 
de galáxias, quanto mais as extremidades do universo. E Deus 
pode medir tudo isso com a palma da sua mão! Para completar, o 
salmista nos diz: Conta o número das estrelas, chamando-as todas 
pelo seu nome. Grande é o Senhor nosso, e mui poderoso; o seu 
entendimento não se pode medir (SI 147:4, 5). Ele não somente 
pode contar os bilhões e bilhões de estrelas, mas sabe o nome de 
cada uma delas! Não é de se admirar que osalmista exclame: Seu 
entendimento não se pode medir. 
Salomão disse: Mas, de fato habitaria Deus na terra? Eis que 
os céus e até os céu dos céus, não te podem conter... (1 Rs 8:27) 
Você está conseguindo compreender melhor a glória da Deus? 
 
A GLORIOSA SABEDORIA DE DEUS É REVELADA NA 
CRIAÇÃO 
 
O Senhor fez. a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por 
sua sabedoria... (Jr 10:12) 
 
Não somente a grandeza e o poder da glória de Deus são vis-
tos na criação, mas também a sua grande sabedoria e 
conhecimento. A ciência tem gasto anos e enormes quantias em 
dinheiro para estudar o funcionamento deste mundo natural. Os 
desígnios de Deus e os blocos de construção permanecem uma 
maravilha. 
Todas as formas de vida criada têm por base as células. As 
células são os blocos de construção do corpo humano, das 
plantas, dos animais e de tudo o que vive. O corpo humano, que 
em si mesmo é uma maravilha de engenharia, contém cerca de 
100.000.000.000.000 células - (você consegue ler este número?) - 
dentre as quais há uma variedade imensa. Em sua sabedoria, 
Deus designou estas células para desempenharem tarefas 
específicas. Elas crescem, se multiplicam e afinal morrem na hora 
certa. 
Embora invisíveis a olho nu, as células não são as menores 
partículas conhecidas pelo homem. Elas são constituídas por um 
grande número de estruturas menores ainda, chamadas 
moléculas, e as moléculas são compostas de estruturas menores 
ainda - chamadas elementos - e dentro dos elementos ainda 
podem ser encontradas estruturas ainda mais minúsculas, 
chamadas átomos. 
Os átomos são tão pequenos, que o ponto no final desta sen-
tença contém mais de um bilhão deles. Um átomo é tão 
minúsculo, que é composto quase completamente de espaço vazio. 
O restante do átomo é composto de prótons, nêutrons e elétrons. 
Os prótons e os nêutrons estão agrupados a um núcleo minúsculo 
e extremamente denso, bem no centro do átomo. Um pequeno 
feixe de energia chamado elétrons vibram ao redor desse núcleo à 
velocidade da luz. Eles são o núcleo dos blocos de construção que 
mantêm todas as coisas unidas. 
Assim, onde o átomo adquire sua energia? E que força man-
tém unidas suas partículas de energia? Os cientistas chamam isso 
de energia atômica. Este é apenas um termo científico para 
descrever o que eles não conseguem explicar, pois Deus já disse 
que Ele está sustentando todas as coisas pela palavra do seu 
poder (Hb l:3). Colossenses 1:17 diz: Nele, tudo subsiste. 
Pare e pondere sobre isto por apenas um momento. Aí está o 
glorioso Criador a quem nem sequer o universo pode conter. O 
universo é medido pela palma da sua mão; contudo, Ele é tão 
minucioso nos seus desígnios em relação à pequenina Terra e 
suas criaturas, que deixa a ciência moderna confusa após anos de 
estudo. 
Agora, você pode entender mais claramente o salmista 
quando ele declara: Graças te dou, visto que por modo 
assombrosamente maravilhoso me formaste... (SI 139:14). Você 
também pode ver, especialmente nesta dispensação, com todo o 
conhecimento científico que nós acumulamos até agora, o motivo 
pelo qual a Palavra diz: Diz o insensato no seu coração: Não há 
Deus... (SI 14:1) 
É claro que muitos livros podem ser escritos sobre as 
maravilhas e a sabedoria da criação de Deus. Este não é meu 
objetivo aqui. Meu propósito é despertar espanto e admiração 
pelas obras das mãos de Deus, porque elas proclamam a sua 
magnífica glória! 
 
"NÓS VEMOS ISTO, PAPAI" 
Voltando ao caso dos meus filhos, depois de relatar todas 
estas informações científicas em termos que eles pudessem 
entender, eu concluí: "Então vocês estão impressionados com um 
homem que pode saltar de uma linha de quatro metros e meio em 
uma quadra de basquete e pode colocar uma bola cheia de ar 
dentro de um pequeno aro?" 
Eles disseram: "Nós vemos isto, papai!" 
"O que este jogador de basquete tem, que Deus não tenha 
dado a ele?", questionei. 
de basquete agora são chamados "cartões de oração". Eles 
estão orando pela salvação daqueles homens que os outros vêem 
como heróis. Agora, você pode entender um pouco melhor o que 
Deus realmente estava querendo dizer, quando perguntou a Jó: 
Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe ? 
Pois o que está debaixo de todos os céus é meu (Jó 41:11). 
 
O QUE É O HOMEM? 
Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua 
e as estrelas que estabeleceste, que é o homem para que dele te 
lembres? E o filho do homem, para que o visites? (Sl 8:3, 4) 
 
Eu creio, embora eu não possa provar, que o Salmo 8 
registra a reação de um anjo à criação de um dos poderosos anjos 
serafins, que estão ao redor do trono de Deus. Pare e pense nisto e 
tente ver através dos olhos desse anjo. Este tremendo e poderoso 
Deus, que criou o Universo e pôs as estrelas no lugar com os seus 
dedos, agora vem para um pontinho de um planeta chamado 
Terra e transforma o que parece ser um pequenino e insignificante 
pontinho de pó, no corpo de um homem. 
Mas o que realmente impressiona esse anjo é o enfoque total 
da atenção de Deus. Ela está completamente fixa neste ser 
chamado homem. O salmista nos diz que os pensamentos dele a 
respeito de nós são preciosos, e que a soma deles é tão grande que 
se fossem contados excederiam os grãos de areia na Terra (SI 
139:17, 18). Vendo isto, eu creio que esse anjo clamou: "O que é 
isto em que o Senhor está tão interessado e dispensando tanto 
afeto? O que é aquela pequena coisa que está constantemente na 
sua mente - o enfoque total dos seus planos?" 
Tire um tempo, fique quieto e considere as obras das mãos 
de Deus. Nós somos chamados a fazer isto. Quando você o fizer, a 
criação vai pregar um sermão para você. Ela vai proclamar a sua 
glória! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Possivelmente faltando página 54 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá luz, ele 
mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do 
conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2 Co 4:6). 
 
Nos próximos capítulos, nós vamos estabelecer um 
importante padrão que se encontra em toda a Bíblia. Ele vai se 
tornar uma estrutura histórica que apóia as questões pertinentes 
aos dias de hoje. 
 
O PADRÃO DE DEUS 
Era a primeira noite de quatro reuniões marcadas em 
Saskatchewan, Canadá. O pastor estava me apresentando e eu 
iria assumir a plataforma dentro de três minutos. 
De repente, o Espírito de Deus começou a me conduzir rapi-
damente através da Bíblia, revelando um padrão que se encontra 
ao longo de todo o Antigo e Novo Testamentos. O padrão é este: 
1. Ordem divina 
2. Glória de Deus 
3. Julgamento 
Antes de Deus manifestar a sua glória, deve haver ordem 
divina. Uma vez que a sua glória é revelada, há uma grande 
bênção. Mas, por outro lado, uma vez que a sua glória é revelada, 
qualquer irreverência, desordem ou desobediência é recebida com 
julgamento imediato. 
Deus abriu os meus olhos para este padrão em menos de 
dois minutos e me fez saber que eu deveria pregar isso para a 
congregação de canadenses, sequiosa diante de mim. Naquela 
noite, houve um dos cultos mais poderosos de que eu já havia 
participado, e eu quero compartilhar esta verdade com você. 
 
DESDE O PRINCÍPIO 
Para estabelecer uma base, vamos para o princípio de tudo, 
quando Deus criou os céus e a Terra: 
 
A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a 
face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas 
(Gn 1:2). 
 
As palavras "sem forma" são uma combinação das duas 
palavras hebraicas, hayah e tohuw. Juntas, estas duas palavras 
apresentam um relato mais descritivo: "A terra se tornou sem 
forma e caótica". Não havia ordem, mas desordem. 
Embora oEspírito de Deus pairasse ou chocasse sobre esse 
caos, Ele não se moveu até que a Palavra de Deus foi liberada. 
Através das palavras faladas de Deus, a ordem divina foi colocada 
em operação neste planeta. Deus preparou a Terra durante seis 
dias antes de liberar a sua glória sobre ela. Ele tomou um cuidado 
especial com o jardim que tinha plantado para si mesmo. Aí, 
então, Deus criou o homem para si - o centro da criação. 
Uma vez que o jardim estava preparado, Deus formou o 
homem do pó da terra (Gn 2:7). A ciência tem encontrado muitos 
elementos químicos do corpo humano que existem na crosta 
terrestre. Deus projetou ambos com técnica e maravilha científica. 
 
A ORDEM DIVINA TRAZ A GLÓRIA DE DEUS 
Deus passou seis dias trazendo ordem divina à Terra, e só 
então introduziu ordem ao corpo do homem. Uma vez que a ordem 
divina foi alcançada, Deus lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, 
e o homem passou a ser alma vivente (Gn 2:7). Deus literalmente 
soprou o seu Espírito no corpo humano. 
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e 
depois a mulher foi tirada da costela do homem. Nenhum dos dois 
estavam vestidos nem cobertos. Ora, um e outro, o homem e sua 
mulher, estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2:25). Todas as 
outras criaturas receberam algo com que se cobrir. Os animais 
têm pelo, os pássaros têm penas e os peixes têm escamas ou 
conchas. Mas o homem não precisava de uma cobertura externa, 
pois o salmista nos diz que Deus o coroou com glória e honra (SI 
8:5). A palavra hebraica para "coroou" é atar. Ela significa "fazer 
um círculo ao redor ou cercar". Em essência, o homem e a mulher 
foram vestidos com a glória do Senhor e não precisaram de roupa 
artificial. 
As bênçãos que esse primeiro casal experimentou são 
indescritíveis. O jardim produzia sua força sem ter de ser 
cultivado. Os animais estavam em harmonia com o homem. Não 
havia nenhuma enfermidade, doenças ou pobreza. Mas, o melhor 
de tudo é que esse casal teve o privilégio de andar com Deus em 
sua glória! 
 
JULGAMENTO 
Primeiro Deus trouxe a ordem divina por meio da sua 
Palavra e do seu Espírito e Sua glória foi revelada. Houve bênçãos 
abundantes, mas aí veio a queda. O Senhor Deus ordenou ao 
homem que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do 
bem e do mal, pois a desobediência resultaria em morte espiritual 
imediata. 
Zombando do Criador, Satanás desafiou a Palavra de Deus 
com palavras distorcidas: Então a serpente disse à mulher: É certo 
que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele 
comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores 
do bem e do mal (Gn 3:4-5). Então Adão, em pleno conhecimento 
das suas ações, escolheu desobedecer a Deus. Sua irreverência 
nada mais era do que uma alta traição. Quando isso aconteceu, 
seguiu-se o julgamento. 
Imediatamente Adão e Eva descobriram que estavam nus. 
Sem a glória de Deus, estavam descobertos e separados dele, num 
estado de morte espiritual. Numa tentativa vã de cobrirem sua 
nudez, eles prepararam apressadamente algumas folhas e cintas e 
se vestiram com o que suas próprias mãos fizeram. Deus viu o que 
eles tinham feito, pronunciou o julgamento sobre eles e os vestiu 
com túnicas de peles, provavelmente de um cordeiro, prefigurando 
o Cordeiro de Deus que viria e restauraria o relacionamento do 
homem com Deus. Então, o casal caído foi expulso do jardim, 
onde havia vida eterna. O julgamento foi severo - resultado da 
desobediência irreverente de Adão na presença da glória de Deus. 
 
O TABERNÁCULO DA SUA GLÓRIA 
Vários anos se passaram e Deus finalmente encontra um 
amigo em Abrão. Deus faz uma aliança de promessa com Abrão e 
muda seu nome para Abraão. Por meio da obediência desse 
homem, as promessas de Deus são asseguradas novamente às 
gerações futuras. Os descendentes de Abraão foram parar no 
Egito, como escravos, por mais de quatrocentos anos. Em seu 
sofrimento, Deus levanta um profeta e libertador, chamado 
Moisés. 
Uma vez que os descendentes de Abraão foram libertos da 
escravidão, Deus os leva para o deserto. É no deserto do Monte 
Sinai que Deus apresenta seu plano de habitar com o seu povo. 
Deus diz para Moisés: ...Eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da 
terra do Egito, para habitar no meio deles... (Êx 29:46) 
Mais uma vez Deus deseja caminhar com o homem, pois 
esse sempre foi o seu desejo. Contudo, por causa do estado caído 
do homem, Deus não pôde habitar nele. Assim, ele instrui Moisés: 
E me farão um santuário para que eu possa habitar no meio deles 
(Êxodo 25:8). Esse santuário foi chamado de tabernáculo. 
Antes que venha a glória de Deus, primeiro deve haver a or-
dem divina. Assim, Deus instruiu Moisés cuidadosamente acerca 
de como construir o tabernáculo. Ele é muito específico em todos 
os pontos relativos a quem deve construir e quem deve servir no 
tabernáculo. Essas instruções são detalhadas no que se refere aos 
materiais, medidas, mobílias e ofertas. De fato, as instruções 
específicas tomam muitos capítulos do livro de Êxodo. 
Esse santuário feito pelo homem refletia o celestial (Hebreus 
9:23, 24). Deus advertiu Moisés: Vê que faças todas as cousas de 
acordo com o modelo que te foi mostrado no monte (Hb 8:5 e Êx 
25:40). Era de extrema importância que tudo fosse feito 
exatamente como mostrado. Isso proveria a ordem divina 
necessária, antes da glória do Rei ser manifesta na presença deles. 
Foi recebida uma oferta da congregação que supriu todos os 
materiais de que eles precisavam: ouro, prata, bronze, linhas 
azuis, purpúreas e escarlates, linho fino, peles, pelicas, madeira 
de acácia, óleos, especiarias e pedras preciosas. 
O Senhor havia dito a Moisés: 
 
Eis que chamei pelo nome a Bezalel [...], da tribo de Judá. E o 
enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência, e de 
conhecimento, em todo o artifício [...] Eis que lhe dei por 
companheiro a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei 
habilidade a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o 
que tenho ordenado (Éx 3:2, 3, 6). 
 
O Espírito de Deus estava sobre aqueles homens para trazer 
a ordem divina. O Espírito de Deus, trabalhando por intermédio 
daqueles homens, unidos e em harmonia com a Palavra de Deus, 
traria a ordem divina mais uma vez. 
Então, todos aqueles homens qualificados começaram a 
trabalhar no tabernáculo. Eles fizeram as cortinas, o véu e as 
colunas. Depois, construíram a arca do testemunho, o 
propiciatório, o candelabro de ouro, o altar do incenso, o altar do 
holocausto e a bacia de bronze, as vestes sacerdotais e o óleo da 
unção. 
Tudo segundo o Senhor ordenara a Moisés, as sim fizeram os 
filhos de Israel toda a obra. Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que 
a tinham feito, segundo o Senhor havia ordenado; assim afizeram e 
Moisés os abençoou. Depois disse o Senhor a Moisés: No primeiro 
dia do primeiro mês, levantarás o tabernáculo da tenda da 
congregação (Êx 39:42,43; 40:1,2). 
As instruções de Deus eram tão específicas que o 
tabernáculo teve de ser erigido naquele dia exato. 
O primeiro dia do primeiro mês chegou, e Moisés e os 
artesãos qualificados levantaram o tabernáculo. Então nós lemos: 
 
...Assim Moisés acabou a obra (Êx 40:33). 
 
Agora, tudo estava pronto. A ordem divina estava 
estabelecida pela Palavra de Deus e as pessoas estavam 
submissas à liderança do Espírito Santo. Note o que aconteceu: 
Então a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do 
Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da 
congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do 
Senhor enchia o tabernáculo (Êx 40:34-35). 
Uma vez que a ordem divina foi estabelecida, Deus revelou a 
sua glória. A maioria de nós, na igreja, não tem uma compreensão 
da glória do Senhor. Eu tenho assistido a muitas reuniões em que 
os ministrosdeclaram, ou por ignorância ou por exagero: "A glória 
do Senhor está aqui". Antes de continuarmos, vamos discutir o 
que é a glória do Senhor. 
 
A GLÓRIA DO SENHOR 
Em primeiro lugar, a glória do Senhor não é uma nuvem. 
Alguns podem perguntar: "Então, por que uma nuvem é 
mencionada quase toda vez que a glória de Deus se manifesta nas 
Escrituras?" A razão: Deus se oculta na nuvem. Ele é muito 
magnificente para ser contemplado pelo ser humano. Se a nuvem 
não encobrir seu semblante, todos ao redor dele são consumidos e 
imediatamente mortos. 
Então ele (Moisés) disse: rogo-te que me mostres a tua glória. 
Respondeu-lhe (Deus): Não me poderás ver a face, porquanto 
homem nenhum verá a minha face, e viverá (Êx 33:18,20). 
(Parênteses acrescido pelo autor). 
A carne mortal não pode estar na presença do Santo Senhor 
em sua glória. Paulo diz: 
A qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada 
pelo bendito e único Soberano, o Rei dos Reis e Senhor dos 
Senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz 
inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem ê capaz de ver. 
A ele honra e poder eternamente. Amém (l Tm 6:15,16). 
Hebreus 12:29 nos diz que Deus é um fogo consumidor. 
Agora, quando você pensar nisto, não pense numa fogueira. Um 
fogo consumidor não pode ser contido no interior da sua lareira. 
Deus é luz e não há nele treva nenhuma (1 Jo 1:5). O tipo de fogo 
que queima na sua lareira não produz luz perfeita. Ele contém 
escuridão. É acessível e você pode olhar para ele. 
Então, passemos para uma luz mais intensa. Vamos 
considerar o raio laser. É uma luz muito concentrada e intensa, 
mas ainda não é uma luz perfeita. Embora seja uma luz muito 
brilhante e forte, ainda há escuridão no raio laser. 
Vamos considerar o Sol. O Sol é enorme e inacessível, 
luminoso e poderoso, mas ainda contém escuridão nos raios da 
sua luz. 
Paulo diz em Timóteo que a glória de Deus é "luz inacessível, 
a qual nenhum homem já viu ou pode ver". 
Paulo podia muito facilmente escrever isso, porque ele 
experimentou uma dimensão dessa luz na estrada para Damasco. 
Ele relatou esse acontecimento desta maneira ao Rei Agripa: 
 
Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, 
mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos 
que iam comigo (At 26:13). 
 
Paulo disse que essa luz era mais brilhante do que o Sol do 
meio-dia! Pare por um momento e tente olhar diretamente ao 
meio-dia. É difícil olhar, a menos que ele esteja encoberto por uma 
nuvem. Deus, em sua glória, excede este brilho muitas vezes mais. 
Paulo não viu a face do Senhor; só viu a luz que emanava 
dele, e teve de perguntar: Quem és tu, Senhor? Ele não pôde ver a 
forma dele ou as características da sua face e ficou completamente 
cego pela luz que emanava da sua glória, que era mais forte do 
que o brilho do Sol do Oriente Médio! 
Talvez isso explique porque os profetas Joel e Isaías, 
declararam que nos últimos dias, quando a glória do Senhor for 
revelada, o Sol será transformado em trevas. Eis que vem o Dia do 
Senhor [...] porque as estrelas e constelação do céu não darão a sua 
luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará 
resplandecer a sua luz (Is 13:9-10). 
A glória de Deus supera qualquer outra luz. Ele é a luz 
perfeita e a única luz que consome. Então os homens se meterão 
nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do 
Senhor e a glória da sua majestade, quando Ele se levantar para 
espantar a terra (Is 2:19). 
A glória de Deus é tão esmagadora, que quando Ele se 
colocou diante dos filhos de Israel, no meio da nuvem escura no 
Sinai, o povo clamou de terror e se afastou. Moisés descreve isto: 
 
Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação no 
monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz 
[...] Sucedeu que, ouvindo a voz do meio das trevas, enquanto ardia 
o monte em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças das 
vossas tribos, e vossos anciãos e dissestes: Eis aqui o Senhor, 
nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a 
sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e 
este permanece vivo. Agora, pois, por que morreríamos? Pois este 
grande fogo nos consumiria; se ainda mais ouvíssemos a voz do 
Senhor nosso Deus, morreríamos (Dt 5:22-25). 
 
Embora eles o vissem oculto pela escuridão espessa de uma 
nuvem, ela não pôde esconder o brilho da sua glória. 
 
TUDO QUE FAZ DEUS SER DEUS 
Então, façamos a pergunta: O que é a glória do Senhor? 
Em resposta, vamos voltar ao pedido de Moisés no monte de 
Deus. Moisés pediu: 
Rogo-te que me mostres a tua glória (Ex 33:18). 
A palavra hebraica para glória usada por Moisés naquela 
situação era "kabowd". Ela é definida pelo Dicionário Bíblico Strong 
como "o peso de algo, mas apenas figurativamente no bom 
sentido". A sua definição também fala de explendor, abundância e 
honra. Moisés estava pedindo: "Mostra-me a ti mesmo em todo o 
teu esplendor." Veja cuidadosamente a resposta de Deus: 
 
...Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te 
proclamarei o nome do Senhor...(Ex 33:19) 
 
Moisés pediu toda a sua glória, e Deus se referiu a isto 
como: toda minha bondade... A palavra hebraica para bondade é 
"tuwb". Ela significa "bom" no sentido mais amplo. Em outras 
palavras, nada é retido. 
Então, Deus diz: Eu te proclamarei o nome do Senhor. Antes 
de um rei terreno entrar na sala do trono, seu nome é sempre 
anunciado por proclamação. Então, ele entra com seu esplendor. 
A grandeza do rei é revelada, e em sua corte não há dúvida sobre 
quem é o rei. Se esse monarca saísse à rua de uma das cidades do 
seu país, trajado com roupas comuns, sem nenhum 
acompanhante, poderia passar por aqueles que estão ao seu redor 
sem que percebessem sua verdadeira identidade. Assim, isso foi 
exatamente o que Deus fez com Moisés. Ele está dizendo: "Eu 
proclamarei meu próprio nome e passarei por você com todo o 
meu esplendor". 
Nós vemos, então, que a glória do Senhor é tudo o que faz 
Deus ser Deus. Todas as suas características, a autoridade, o 
poder, a sabedoria - o peso imensurável e a magnitude de Deus - 
estão contidos na sua glória. Nada está escondido ou retido! 
 
A GLÓRIA DE DEUS É REVELADA EM CRISTO 
Está escrito que a glória do Senhor é revelada na face de 
Jesus Cristo (2Co 4:6). Muitos alegam ter tido uma visão de Jesus 
e terem visto sua face. Isso é bem possível. Paulo descreveu isto: 
Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então 
veremos face a face... (1 Co 13:12). A sua glória é encoberta por 
um espelho escuro, pois nenhum homem pode ver sua glória 
completamente revelada e permanecer vivo. 
Alguém pode questionar: "Mas os discípulos viram a face de 
Jesus depois que Ele ressuscitou dos mortos!" O que também está 
correio. A razão pela qual isso é verdadeiro, é porque Ele não 
exibiu abertamente a sua glória. Alguns homens viram o Senhor, 
mesmo no Velho Testamento, mas Ele não foi revelado na sua 
glória. O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhais de Manre (Gn 
18:1,2). Josué viu a face do Senhor antes de invadir Jericó (Js 
5:13,14). O Senhor disse a ele: Descalça as sandálias de teus pés, 
porque o lugar em que estás é santo (v. 15). 
O mesmo é verdadeiro após a Ressurreição. Os discípulos 
comeram peixe no café da manhã, com Jesus, no Mar de 
Tiberíades (Jo 21:9-12). Dois discípulos caminharam com Jesus 
na estrada para Emaús: Os seus olhos, porém, estavam como que 
impedidos de o reconhecer (Lc 24:16). Todos eles viram a sua face 
porque Ele não exibiu a sua glória abertamente. 
Em contraste, João, o apóstolo, viu o Senhor em Espírito e 
teve um encontro totalmente diferente do que no café da manhã 
com Ele no mar, pois João o viu em sua glória: 
Achei-me em Espírito, no Dia do Senhor, e ouvi,por detrás de 
mim grande voz, como de trombeta[...] Voltei-me para ver quem 
falava comigo e, voltando, vi sete candeeiros de ouro, e, no meio dos 
candeeiros, um semelhante ao filho do homem, com vestes talares, 
e cingido, à altura do peito com uma cinta de ouro. A sua cabeça e 
cabelo eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como 
chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que 
refinado numa fornalha; a voz, como que de muitas águas. Tinha 
na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada 
de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força. 
Quando o vi, caía seus pés como morto... (Ap:10; 12-17) 
 
Note que seu semblante era como o sol que brilha em toda a 
sua força. Como João poderia olhar para Ele, então? A razão: ele 
estava no Espírito, exatamente como Isaías estava quando viu o 
trono e o serafim acima do trono, como também aquele que está 
sentado no trono (Is 6:1 -4). Moisés não podia olhar a face de 
Deus, pois estava no seu corpo físico natural. 
 
ELE TEM RETIDO SUA GLÓRIA PARA NOS PROVAR 
A glória do Senhor é tudo que Ele é como Deus. Isso supera 
grandemente a nossa capacidade de compreensão e entendimento, 
pois até mesmo o poderoso serafim continua aclamar: "Santo, 
santo, santo" em temor e tremendamente maravilhado. 
Os quatro seres viventes diante do seu trono, clamam: 
 
...Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, 
aquele que era, que é e que há de vir... (Ap 4:8) 
Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de 
graça ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos 
séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante 
daquele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive 
pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas coroas diante do 
trono proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a 
glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por 
causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Ap 4:9-11). 
 
Ele merece mais glória do que qualquer ser vivo possa dar a 
Ele por toda a eternidade! 
Devemos nos lembrar de que servimos àquele que criou o 
universo e a Terra. Ele é de eternidade em eternidade! Não há 
nenhum outro como Ele. Em sua sabedoria, Ele retém a revelação 
da sua glória propositalmente para ver se nós o serviremos com 
amor e reverência, ou se voltaremos nossa atenção para aquilo 
que recebe glória na Terra, embora sem brilho em comparação a 
Ele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nós não podemos esperar que seremos 
recebidos na sua presença com uma 
atitude de desrespeito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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De maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para 
ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a 
Casa de Deus (2Cr 5:14). 
 
Uma vez que o tabernáculo foi levantado, a ordem divina foi 
alcançada, assim que tudo estava no lugar. 
Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do 
Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da 
congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do 
Senhor enchia o tabernáculo (Êx 40:34,35). 
Depois da nossa discussão sobre a glória do Senhor, 
podemos compreender porque mesmo o amigo de Deus, Moisés, 
não pôde entrar na tenda da congregação. O tabernáculo estava 
repleto da glória do Senhor! 
A glória de Deus se manifestando e permanecendo sobre 
Israel trouxe uma tremenda bênção. Na sua presença gloriosa 
havia provisão, direção, cura e proteção. Nenhum inimigo podia se 
levantar diante de Israel. A revelação da Palavra de Deus era 
abundante. Também havia o benefício de se ter a nuvem da sua 
glória para proteger os filhos de Israel durante o dia, do calor do 
deserto, como também prover calor e iluminá-los à noite. Não 
havia falta de nada de que eles pudessem precisar. 
Deus havia instruído Moisés previamente: Faze também vir 
para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os 
filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão, 
e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Ex 28:1). 
Esses homens foram separados e treinados para ministrar 
ao Senhor e se colocarem na brecha pelo povo. Os deveres e 
parâmetros para a adoração foram esboçados por meio de 
instruções bem específicas, transmitidas de Deus para Moisés. O 
treinamento desses homens fazia parte da ordem divina. Após 
essas instruções e treinamento, houve a consagração desses 
homens. Com tudo no seu devido lugar, o ministério deles 
começou. 
Leia cuidadosamente o que dois daqueles sacerdotes fizeram 
depois que a glória do Senhor foi revelada no tabernáculo: 
 
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu 
incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram 
fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara (Lv 
10:1). 
 
Observe que Nadabe e Abiú ofereceram fogo profano diante 
da presença do Senhor. Uma definição de "profano" no dicionário 
Webster é "demonstrar desrespeito ou desdém pelas coisas 
sagradas; irreverência". 
Isto significa tratar aquilo que Deus chama santo ou sagrado 
como se fosse comum. Esses dois homens tomaram os incensários 
que haviam sido separados para a adoração ao Senhor e os 
encheram com fogo e incenso da sua escolha, não a oferta 
prescrita por Deus. Eles foram descuidados com o que Deus tinha 
chamado santo e demonstraram falta de reverência. Eles entraram 
com irreverência na presença do Senhor e trouxeram uma oferta 
inaceitável. Eles trataram o que era santo como se fosse comum. 
Veja o que aconteceu como resultado: 
 
Então, saiu fogo de diante do Senhor, e os consumiu; e 
morreram perante o Senhor (Lv 10:2). 
 
Esses dois homens foram julgados imediatamente pela sua 
irreverência. Foram acometidos com morte imediata. A 
irreverência deles ocorreu depois da revelação da glória de Deus. 
Embora fossem os sacerdotes, não estavam isentos de render 
honra a Deus. Pecaram ao se aproximarem de um Deus santo 
como se Ele fosse comum! Tinham ficado muito familiarizados 
com a presença dele! Agora, ouça as palavras imediatas de Moisés, 
após esse julgamento de morte: 
 
E falou Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a 
minha santidade naqueles que se cheguem a mim, e serei 
glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou (Lv 10:3). 
 
Deus já havia deixado claro que a irreverência não poderia 
permanecer na presença de um Deus santo. De Deus não se 
zomba. Hoje não é diferente; Ele é o mesmo Deus santo. Nós não 
podemos esperar que seremos recebidos na sua presença com 
uma atitude de desrespeito. 
Nadabe e Abiú eram sobrinhos de Moisés. Mas Moisés sabia 
que era melhor não questionar o julgamento de Deus, porque 
sabia que Ele era justo. De fato, Moisés advertiu Arão e seus dois 
filhos sobreviventes a não lamentarem para que também não 
morressem. Isso foi ainda mais desonra ao Senhor e, assim, os 
corpos de Nadabe e Abiú foram levados para fora do acampamento 
e enterrados. 
Mais uma vez, nós vemos o padrão - a ordem divina, a glória 
revelada de Deus - e então, o julgamento pela irreverência. 
 
UM NOVO SANTUÁRIO 
Quase quinhentos anos mais tarde, o filho do Rei Davi, 
Salomão, deu início à construção de um templo para a presença 
do Senhor. Esse era um grande empreendimento. O estoque de 
materiais, a maior parte do qual havia sido reunida sob o reinado 
de Davi, era enorme. Antes da sua morte, Davi deu instruções a 
Salomão: 
 
Eis que, com penoso trabalho, prepareipara a casa do Senhor 
cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata, e bronze 
e ferro em tal abundância que nem foram pesados; também 
madeira e pedras preparei, cuja quantidade podes aumentar. Além 
disso, tens contigo trabalhadores em grande número, e canteiros, e 
pedreiros, e carpinteiros, e peritos em toda sorte de obra de ouro, e 
de prata, e também de bronze, e de ferro que se não pode contar. 
Dispõe-te, pois, e faze a obra, e o Senhor seja contigo! (l Cr 22:14-
16) 
 
Salomão acrescentou aos materiais já providos e começou a 
construir o templo no quarto ano do seu reinado. A planta do 
templo era magnífica e sua ornamentação e seus detalhes eram 
extraordinários. Mesmo com uma força-tarefa de dez mil homens, 
o ajuntamento de materiais e a construção ainda levaram sete 
anos completos. Nós lemos então: 
 
Assim se acabou toda a obra que fez o rei Salomão para a 
casa do Senhor (2Cr 5:1). 
 
Salomão, então, reuniu Israel em Jerusalém, onde o templo 
havia sido construído. Puseram os sacerdotes a arca da aliança do 
Senhor no seu lugar (2Cr 5:7). Todos os sacerdotes se santificaram. 
Não haveria nenhuma irreverência na presença de Deus. Eles se 
lembraram do destino dos seus parentes distantes, Nadabe e 
Abiú. 
Então, os levitas, que eram os cantores e músicos, estavam 
em pé, voltados para o oriente do altar, vestidos de linho branco, e 
com eles estavam cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas. 
Mais uma vez, um grande cuidado, tempo, uma quantia 
enorme de trabalho e preparação trouxeram a ordem divina. E o 
que veio após a ordem divina? Leiamos: 
 
E quando em uníssono, a um tempo, tocaram as trombetas e 
cantaram para se fazerem ouvir, para louvar ao Senhor e render-lhe 
graças; e quando levantaram eles a voz com trombetas, címbalos e 
outros instrumentos músicos para louvar ao Senhor, porque ele é 
bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, então sucedeu 
que a casa, a saber, a casa do Senhor, se encheu de uma nuvem; 
de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, 
por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de 
Deus (2Cr 5:13, 14). 
 
Quando a ordem divina foi alcançada, a glória do Senhor se 
revelou. Novamente, ela foi tão tremenda que os sacerdotes não 
podiam ministrar, pois a glória do Senhor encheu o templo. 
 
JULGAMENTO 
Seguindo a revelação da glória de Deus, nós vemos 
novamente a irreverência para com a sua presença e a sua 
Palavra. Embora os israelitas conhecessem a sua vontade, seus 
corações se tornaram descuidados em relação àquilo que Deus 
chama sagrado e santo. 
 
Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo 
aumentavam mais e mais as transgressões, seguindo todas as 
abominações dos gentios; e contaminaram a casa que o Senhor 
tinha santificado em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, 
começando de madrugada, falou-lhes por intermédio dos seus 
mensageiros, porque se compadecera do seu povo e da sua própria 
Morada. Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as 
palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira 
do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum (2Cr 
36:14-16). 
 
Eles ridicularizaram seus mensageiros e desconsideraram 
suas palavras de advertência. As pessoas escarneciam dos 
profetas de Deus. Eu tenho visto a mesma evidência de uma 
grande falta de temor hoje. 
Recentemente, ministrei em uma grande igreja pregando 
uma forte mensagem sobre a obediência e o senhorio de Jesus. A 
esposa de um dos membros da nossa equipe havia deixado o culto 
com seu bebê e ido para o salão de entrada, onde o culto estava 
sendo transmitido por um circuito fechado de televisão. Ela 
escutou duas mulheres da igreja que discutiam o sermão: "Quem 
ele pensa que é? Vamos mandá-lo embora!", elas ridicularizaram. 
"Onde está o temor do Senhor?" 
Israel e Judá sofreram repetido julgamento devido à sua 
falta de temor e respeito para com a presença sagrada de Deus e a 
sua Palavra. Seu julgamento alcançou o auge quando os 
descendentes de Abraão foram levados para o cativeiro babilônico. 
Leia este relato: 
 
Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as 
palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira 
do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum. Por isso, 
o Senhor fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os 
seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve 
piedade nem dos jovens nem das donzelas, nem dos velhos nem 
dos mais avançados em idade; a todos os deu nas suas mãos. 
Todos os utensílios da casa de Deus, grandes e pequenos, os 
tesouros da casa do Senhor, e os tesouros do rei e dos seus 
príncipes, tudo levou ele para a Babilônia. Queimaram a casa de 
Deus e derrubaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios 
queimaram afogo, destruindo também todos os seus objetos 
preciosos (2Cr 36:16-19). 
 
Eu quero que você pense cuidadosamente no que vou lhe 
dizer. Nós relemos três relatos do jardim, do tabernáculo e do 
templo. Em todos os casos o julgamento foi severo. Cada um 
resultou em morte e destruição. 
O que é mais sério é o fato de que não estamos falando sobre 
pessoas que nunca tinham experimentado a glória de Deus ou a 
presença dele. Esses julgamentos foram contra aqueles que não só 
tinham ouvido a Palavra, como também haviam andado na Sua 
presença e experimentado a sua glória! 
Agora que nós lançamos um fundamento do Velho 
Testamento, vamos prosseguir para os dias do Novo Testamento. 
Nós vamos descobrir mais algumas verdades muito sérias e 
algumas revelações emocionantes! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jesus deixa claro que nós devemos 
calcular os 
custos antes de segui-lo. O preço é nada 
menos do que nossas vidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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... Porque nós somos santuários do Deus vivente, como ele 
próprio disse: Habitarei e andarei entre eles... (2Co 6:16) 
 
Sob a Velha Aliança, a presença gloriosa de Deus habitou 
primeiro no tabernáculo, depois, no templo de Salomão. 
Agora Deus se prepara para morar naquela que sempre foi 
sua habitação desejada - não um templo feito de pedra, mas o 
templo que está nos corações dos seus filhos e filhas. 
 
HABILITAR PARA O SENHOR UM POVO PREPARADO 
Primeiramente, teve que haver a ordem divina. Dessa vez, a 
ênfase não seria na ordem externa, mas na ordem interna. Lá, na 
intimidade secreta do coração, é que a glória do Senhor seria 
revelada. 
Esse processo de ordem e transformação começou com o mi-
nistério de João Batista. Seria um erro ver João como um profeta 
do Velho Testamento, porque a Bíblia descreve seu ministério 
como o princípio do evangelho de Jesus Cristo (Mc 1:1). Sua 
pregação é encontrada no início de todos os quatro Evangelhos. 
Jesus também enfatizou isso declarando: Â lei e os profetas 
vigoraram até João (Lc 16:16). Observe que Ele não disse: "A lei e 
os profetas vigoraram até Mim". 
O nascimento de João foi anunciado a seu pai por um anjo. 
A força do seu ministério foi resumida por estas palavras: E 
converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. [...] 
habilitar para o Senhor um povo preparado (Lc 1:16, 17). 
Observe que ele estava para habilitar para o Senhor um povo 
preparado. Da mesma maneira como Deus ungiu os artistas e 
artesãos para construir o tabernáculo nos dias de Moisés, assim 
também Ele ungiu João para preparar o templo não feito por mãos 
humanas. Pelo Espírito de Deus, ele começou o processo de 
preparação para o novo templo. 
Isaías profetizou a respeito de João: 
 
Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor[...] Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e 
outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, 
aplanados. A gloria do Senhor se manifestará, e toda a carne a 
verá, pois a boca do Senhor o disse (Is 40:3-5). 
 
Esses montes e outeiros não eram fortalezas de elementos 
naturais; eram os caminhos do homem que eram opostos aos 
caminhos de Deus. O orgulho elevado e arrogante dos homens 
tinha de ser rebaixado. A irreverência e a estultícia do homem 
seriam confrontadas e aplainadas em preparação para a revelação 
da glória do Senhor. 
A palavra hebraica para escabrosos no versículo acima é 
"aqob". Strong a define como "fraudulento, enganoso, poluído ou 
escabroso". É fácil ver que escabroso não está se referindo a uma 
falta de perfeição física. Uma tradução mais precisa de aqob seria 
"enganoso". 
João não foi enviado àqueles que não conheciam o nome do 
Senhor. Foi enviado àqueles que faziam parte da aliança com 
Jeová. O povo de Israel havia se tornado religioso; contudo, 
acreditava que tudo estava indo bem. Na verdade, Deus viu os 
israelitas como ovelhas perdidas. Os milhares que fielmente 
assistiam na sinagoga, permaneciam ignorantes a respeito da 
verdadeira condição dos seus corações. Estavam enganados e 
pensavam que sua a adoração e o culto eram aceitáveis a Deus. 
João expôs esse engano e rasgou o manto que envolvia tal 
ilusão. Balançou os frágeis alicerces nos quais haviam se 
justificado como descendentes de Abraão. Trouxe à luz o erro nas 
doutrinas dos seus anciãos e expôs suas fórmulas de orações 
desprovidas de paixão e de poder. Mostrou a futilidade de dar 
dízimos enquanto negligenciavam e até roubavam o pobre. 
Apontou a frivolidade dos seus hábitos religiosos sem vida e 
claramente revelou que os seus corações endurecidos estavam 
longe de Deus. 
João veio pregando um batismo de arrependimento (Mc 1:4). 
A palavra grega para batismo é baptisma, e é definida como 
"imersão". De acordo com o dicionário Webster, "imersão" significa 
"mergulhar". Assim, a mensagem de João não era de 
arrependimento superficial, mas de uma completa e radical 
mudança de coração. 
A confrontação corajosa de João destruiu a falsa segurança 
que os israelitas tinham encontrado nas suas ilusões firmemente 
arraigadas. Sua mensagem era um chamado para os homens 
voltarem seus corações para Deus. O Seu compromisso divino 
aplainou o solo dos corações que o receberam. As elevadas 
montanhas do orgulho e altivas colinas da religião foram 
aplainadas, preparando as pessoas para receberem o ministério de 
Jesus. 
 
O MESTRE CONSTRUTOR 
Uma vez que o trabalho de João estava completo, Jesus veio 
preparar o templo sobre o terreno plano da humildade até que o 
processo de construção estivesse completo. Jesus lançou o 
fundamento e construiu: Porque ninguém pode lançar outro 
fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo (ICo 3:11). 
Mais uma vez a Palavra de Deus trouxe ordem divina. Mas, 
dessa vez a sua Palavra foi revelada como a Palavra de Deus que 
se fez carne! Jesus é o Mestre Construtor (Hb 3:1-4), não só por 
seus ensinos, mas pela vida que viveu. Em todos os sentidos, Ele 
manifestou à humanidade o caminho aceitável do Senhor. 
Aqueles que receberam o ministério de João estavam 
preparados para receber a obra do Seu Mestre Construtor. Da 
mesma forma, aqueles que rejeitaram João estavam 
despreparados para receber as palavras de Jesus, pois o solo dos 
seus corações estava desnivelado e inconstante. Nenhum 
fundamento havia sido lançado. Eles eram como uma construção 
que não estava preparada para receber um santuário. 
Jesus se dirigiu ao orgulho dos religiosos que resistiam a 
Ele: 
 
Porque. João veio a vós outros no caminho da justiça, e não 
acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. 
Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal para 
acreditardes nele (Mt 21:32). 
 
Foram os pecadores daquela época que receberam a mensa-
gem de João e abriram seus corações a Jesus. Aproximaram-se de 
Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir (Lc 15:1). Eles 
não se sentiam confortados em sua religião e sabiam que 
precisavam de um Salvador. 
 
O PASSO FINAL DA PREPARAÇÃO 
Quando Jesus cumpriu tudo o que seu Pai havia ordenado 
que Ele fizesse em seu ministério na terra, Ele foi enviado à cruz 
por Caifás, o sumo sacerdote interino, como o Cordeiro do 
sacrifício. Esse foi o passo final e mais importante na preparação 
do templo no coração do homem. O sacrifício de Jesus eliminou a 
natureza pecaminosa que separava o homem da presença de 
Deus, desde a queda de Adão. 
Nós vimos a oferta do Cordeiro, do sacrifício prefigurado na 
edificação do tabernáculo e na dedicação do templo.Quando o 
tabernáculo foi levantado, Arão, como sumo sacerdote, ofereceu 
sacrifícios ao Senhor. Um dos sacrifícios era um cordeiro sem 
defeito. Depois que isso foi feito: Então entraram Moisés e Arão na 
tenda da congregação; e saindo, abençoaram o povo; e a glória do 
Senhor apareceu a todo o povo (Lv 9:23). Isso aconteceu pouco 
depois que Nadabe e Abiú foram julgados e mortos. 
O sacrifício do Cordeiro de Deus é prefigurado na dedicação 
do templo de Salomão. 
 
Então o rei e todo o povo ofereceram sacrifícios diante do 
Senhor. Ofereceu o Rei Salomão em sacrifício vinte e dois mil bois e 
cento e vinte mil ovelhas. Assim, o rei e todo o povo consagraram a 
casa de Deus... (2Cr 7:4-6) 
 
Nesse mesmo dia a glória do Senhor foi revelada no templo. 
O escritor de Hebreus compara o sacrifício de Cristo aos sacrifícios 
oferecidos no tabernáculo e no templo, dizendo: 
 
Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu 
próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez, por todas, 
tendo obtido eterna, redenção (Hb 9:12). 
 
Jesus, o Cordeiro de Deus, pendurado na cruz, derramando 
cada gota do seu sangue inocente e real por nós. Uma vez que 
esse ato estava consumado, o véu do templo foi rasgado em dois, 
de alto a baixo (Lc 23:45). Deus se mudara! A glória de Deus 
nunca mais seria revelada em uma casa feita por mãos humanas. 
Sua glória havia sido revelada no templo em Ele sempre tinha 
desejado morar. 
 
UM SÓ CORAÇÃO E UM SÓ PROPÓSITO 
Agora leia o que aconteceu logo após a ressurreição de 
Jesus: 
 
Ao cumprir-se o Dia de Pentecostes, estavam todos reunidos 
no mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de um vento 
impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E 
apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e 
pousou uma sobre cada um deles (At 2:1-3). 
 
Mais uma vez a glória do Senhor se manifestou. Note que 
eles estavam todos reunidos no mesmo lugar. Ordem Divina. Como 
você conseguiria um acordo entre cento e vinte pessoas? A 
resposta é simples: todas estavam mortas para si mesmas. Não 
tinham nenhum programa. Tudo que importava era que tinham 
obedecido às palavras de Jesus. 
Nós sabemos que Jesus ministrou a dez mil pessoas em meu 
ministério de três anos e meio. Multidões o seguiram. Depois da 
Sua crucificação e ressurreição, Ele apareceu a mais de 
quinhentos seguidores (ICo 15:6). Contudo, no dia de Pentecostes, 
nós encontramos apenas cento e vinte seguidores na casa quando 
o Espírito de Deus se manifestou (At 1:15). 
É interessante notar que os números continuaram 
diminuindo, e não aumentando. Onde estavam os milhares, após 
a crucificação? Por que Ele apareceu somente a quinhentos? No 
dia de Pentecostes, onde estavam os quinhentos? Foi somente a 
cento e vinte discípulos que a glória de Deus foi revelada. 
Depois da sua ressurreição, Jesus disse às pessoas que não 
saíssem de Jerusalém, mas esperassem pela promessa do Pai (At 
1:4). Eu creio que todos os quinhentos esperaram pela promessa. 
Mas à medida que os dias se passaram, o tamanhodo grupo 
encolheu. Impacientes, alguns devem ter decidido: "Nós temos que 
continuar nossas vidas; Ele se foi". Outros podem ter partido para 
adorar a Deus, na sua sinagoga, da maneira tradicional. Outros 
ainda podem ter citado as palavras de Jesus: "Devemos ir por todo 
o mundo e pregar o evangelho. Deveríamos partir agora e fazer 
isto!" 
Eu creio que o Senhor esperou até que aqueles que 
permaneceram, disseram a si mesmos: "Mesmo que a gente tenha 
que apodrecer, nós não vamos sair daqui, porque o Mestre disse 
para esperar". Somente aqueles que eram completamente 
submissos ao Mestre poderiam fazer tal compromisso. Nenhuma 
pessoa, atividade, ou coisa importava tanto quanto a obediência 
às palavras dele. Esses eram aqueles que tremiam diante da sua 
Palavra (Is 66:2). Eles temiam a Deus! 
Aqueles que permaneceram, tinham ouvido atentamente 
quando Jesus falou à multidão, dizendo: 
 
E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não 
pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir 
uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e 
verificar se tem meios para a concluir? Para não suceder que, tendo 
lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem 
zombem dele, assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia 
a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo (hc 14:27-29, 33). 
 
Jesus deixa claro que para segui-lo, devemos, 
primeiramente, calcular o custo. Há um preço para seguir Jesus, e 
é Ele quem decide a quantia certa. O preço é nada menos do que 
nossas vidas! 
Você pode questionar: "Eu pensei que a salvação fosse um 
presente gratuito, algo que não se pode merecer!?" Sim, a salvação 
é um presente que não pode ser comprado ou merecido. Porém, 
você não pode retê-lo se não entregar toda a sua vida em troca! 
Até mesmo um presente deve ser protegido para não ser perdido 
ou roubado. 
Jesus exorta: Aquele, porém, que permanecer até o fim, esse 
será salvo(Mt 10:22). A força para permanecer é encontrada na 
doação espontânea da sua vida. 
Um crente verdadeiro, um discípulo, rende sua vida 
completamente ao Mestre. Os discípulos permanecem firmes até o 
fim. Convertidos e expectadores podem desejar os benefícios e as 
bênçãos, mas não têm a resistência para permanecer até o fim. No 
final, eles desaparecem. Jesus deu-nos a Grande Comissão: Ide, 
portanto, fazei discípulos de todas as nações... (Mt 28:19). Ele nos 
comissionou a fazer discípulos, não convertidos. 
Os remanescentes que permaneceram no dia de Pentecostes 
tinham colocado aparte seus sonhos, ambições, metas e outros 
compromissos. Isso criou uma atmosfera em que podiam ter um 
só propósito e um só coração. 
Esta é a unidade que Deus deseja para nós hoje. Tem havido 
vários movimentos em prol da unidade em nossas cidades, entre 
alguns líderes e igrejas. Nós caminhamos juntos e buscamos a 
unidade. 
Mas devemos nos lembrar de que só Deus pode verdadeira-
mente nos fazer um. A menos que nós deixemos tudo o mais de 
lado, os compromissos que estão ocultos virão à tona. Quando há 
motivos ocultos, os relacionamentos se desenvolvem em um nível 
superficial. O resultado é fraco e improdutivo. Podemos ter 
unidade de propósito, sem obedecer ao coração do nosso Mestre. 
Desta forma, nossa produtividade é vã. Pois Se o Senhor não 
edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam... (SI 127:1). 
Deus ainda está buscando aqueles que tremem diante da sua 
Palavra! Este é o lugar onde a verdadeira unidade é encontrada. 
 
A GLÓRIA DO SENHOR É REVELADA 
Aqueles que estavam reunidos no dia de Pentecostes tinham 
verdadeira unidade. Eles estavam unidos no propósito do seu 
Mestre. Seus corações estavam em ordem. A preparação do 
ministério de João havia se juntado ao ministério de Jesus e 
resultou em ordem divina. A ordem divina foi alcançada nos 
corações dos homens. Em concordância com o padrão de Deus, 
depois da ordem divina, veio a glória revelada de Deus. Leia 
novamente o que aconteceu naquele dia: 
 
De repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso, 
e encheu toda a casa onde eles estavam assentados. E 
apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou 
uma sobre cada um deles (At 2:2, 3). 
 
Uma porção da glória de Deus se manifestou sobre aqueles 
cento e vinte homens e mulheres. Observe que línguas como de 
fogo desceram sobre cada um deles. Esqueça as imagens que você 
tem visto no seu livro de escola dominical - pequenas chamas de 
fogo flutuando sobre as cabeças daqueles discípulos. Todos os 
presentes foram batizados ou imersos no fogo da sua gloriosa 
presença (Mateus 3:11). 
É claro que aquela não era a glória de Deus plenamente 
revelada, pois nenhum homem viu nem pode resistir à glória de 
Deus plenamente revelada (1 Tm 6:16). Porém, essa manifestação 
foi forte o bastante para atrair a atenção de multidões de judeus 
devotos, tementes a Deus que estavam em Jerusalém, de todos os 
países debaixo do céu (At 2:6,7). 
Naquele momento, em resposta, Pedro se levantou e lhes 
pregou o Evangelho. Três mil pessoas foram salvas e 
acrescentadas à igreja naquele dia. Não foi um culto agendado, 
nem houve qualquer anúncio. Como resultado: 
 
Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram 
feitos por intermédio dos apóstolos (At 2: 43). 
 
Deus havia revelado uma porção da sua glória e as pessoas 
ficaram profundamente atemorizadas pela sua presença e poder. 
Ele continuou a operar de uma maneira poderosa. Diariamente, 
havia testemunhos de tremendos milagres e libertações. 
Não havia como negar que a poderosa mão de Deus estava 
operando. Homens e mulheres entravam no reino, em multidões. 
Aqueles que anteriormente tinham entregado suas vidas a Jesus, 
foram renovados pela presença do seu Espírito. 
Mas, como nós já vimos, se Deus revela sua glória e as 
pessoas reagem com falta de temor, há julgamento certo. De fato, 
quanto maior a glória, maior e mais rápido o julgamento. No 
próximo capítulo, vamos examinar, mais profundamente, o evento 
trágico que ocorreu logo após a revelação da glória de Deus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se você deseja o louvor do homem, vai temer 
o homem. Se você teme o homem vai servi-lo, 
porque você serve a quem você teme. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 7 
 
UMA OFERTA IRREVERENTE 
 
Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, 
tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento, 
porque escrito está: sede santos, porque eu sou santo (IPe 1:15,16). 
 
O tempo havia passado desde o dia de Pentecostes. A Igreja 
havia provado os benefícios da presença de Deus e do seu poder. 
Multidões eram salvas, outros eram curados e libertos. Ninguém 
passava necessidade, pois todos compartilhavam o que tinham. 
Aqueles que tinham posses as vendiam e traziam a renda perante 
os apóstolos, para distribuírem aos que estivessem passando 
necessidades (At 4:34, 35). 
 
A OFERTA DE UM ESTRANGEIRO 
José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, 
que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como 
tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés 
dos apóstolos (At 4:36, 37). 
 
Chipre era uma ilha abundantemente abençoada pelos 
recursos naturais, famosa por suas flores e frutas. O vinho e o 
óleo eram produzidos em abundância. Havia uma reserva de 
pedras preciosas variadas, mas sua principal fonte de riqueza 
eram as minas e florestas. Havia muita prata, cobre e minas de 
ferro. Esse era um país transbordante de riqueza natural. Se 
alguém possuísse terra em Chipre, provavelmente essa pessoa era 
rica. 
Imagine este quadro: um levita rico chamado Barnabé, de 
outro país, traz a quantia total que haviarecebido pela venda da 
sua terra, que provavelmente era uma soma muito alta, e a coloca 
à disposição dos apóstolos. Agora, leia cuidadosamente o próximo 
versículo: 
 
Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher 
Safira, vendeu uma propriedade (At 5:1). 
 
Observe a primeira palavra desta sentença: entretanto. Na 
Bíblia, nenhum pensamento novo é introduzido com a palavra 
entretanto. Lembre-se, os tradutores foram as pessoas que 
separaram cada livro da Bíblia por capítulo e versículo. 
Originalmente, o Livro de Atos era apenas uma longa carta escrita 
por um médico chamado Lucas. 
Pelo emprego da palavra entretanto é óbvio que o que havia 
acabado de acontecer no quarto capítulo de Atos está ligado ao 
relato de Ananias e Safira no quinto capítulo. De fato, serei 
ousado o bastante para dizer que nós não podemos entender 
completamente o que está para acontecer sem levar em conta o 
que aconteceu anteriormente. Isso explica a razão para a palavra 
entretanto no início da frase. 
Vamos refletir sobre isto. Um recém-chegado, que é muito 
rico, junta-se à igreja e traz uma oferta muito grande de um 
pedaço de terra que vendeu. A oferta desse homem leva Ananias e 
Safira a reagirem, vendendo algo que possuíam. Examine os 
próximos versículos cuidadosamente: 
 
Mas, de acordo com sua mulher, reteve parte do preço e, 
levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos. Então, disse 
Pedro: Ananias, porque encheu Satanás teu coração, para que 
mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? 
Conservando-o, porventura não seria teu? E, vendido, não estaria 
em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? 
Não mentiste aos homens, mas a Deus (At 5:2-4). 
 
Até esse ponto, Ananias e sua esposa provavelmente tinham 
a reputação na igreja de serem os maiores doadores. É provável 
que recebessem muita atenção das pessoas pela sua 
generosidade. Observando a reação deles, estou certo de que 
desfrutaram muito dessa posição de respeito e do reconhecimento 
que recebiam pelo seu ministério de dar, 
Agora haviam sido superados. A atenção havia voltado para 
aquele novo homem, o levita de Chipre. Todos estavam exaltando 
as virtudes daquele homem generoso. As pessoas comentavam 
entre si sobre como sua grande doação ajudaria muitos que 
passavam por necessidades. Era a conversa que se ouvia na 
igreja. O foco de atenção fora desviado de Ananias e Safira, 
criando um vazio com o qual não conseguiam lidar. 
Eles reagiram imediatamente, vendendo um lote de terra. O 
terreno deles também era valioso e receberam uma grande soma 
de dinheiro. Provavelmente era a possessão mais importante que 
tinham. Juntos, devem ter concluído: "É muito dinheiro para 
desfazer. Nós não podemos dar tudo. Mas nós queremos que 
pareça que estamos dando tudo. Então, vamos dar apenas uma 
parte dele e dizer que é tudo que recebemos", 
Eles concordaram em reter uma parte do lucro para si 
mesmos, mas ainda queriam que aparentasse que tinham dado a 
quantia inteira. O pecado deles foi o engano. Não estava errado 
reter uma parte do lucro da venda. O dinheiro era deles para fazer 
o que desejassem. Mas estava errado dizer que tinham dado tudo 
que receberam, quando, de fato, isso era uma mentira. Eles 
queriam mais os louvores do homem do que a verdade e a 
integridade. A reputação era importante para eles. Eles 
provavelmente se confortaram, dizendo: "Que dano isto poderia 
causar? Nós estamos dando e satisfazendo as necessidades dos 
menos afortunados. Isto é tudo que podemos dar". 
Se você deseja o louvor do homem, vai temer o homem. Se 
teme o homem vai servi-lo, porque você serve a quem você teme. 
Eles temeram mais o homem do que a Deus. Isso os levou a 
racionalizar suas ações e a se colocarem na presença de Deus sem 
o santo temor. Se tivessem temor de Deus, nunca teriam mentido 
na presença dele. 
Ouvindo estas palavras, Ananias caiu e expirou, sobrevindo 
grande temor a todos os ouvintes. Levantando-se os moços, 
cobriram-lhe o corpo e, levando-o, o sepultaram (At 5:5,6). 
Esse homem trouxe uma oferta para os necessitados e foi 
ferido com a morte! O julgamento imediato ocorreu. Um grande 
temor sobreveio sobre aqueles que testemunharam ou ouviram 
falar sobre o ocorrido. Continue lendo: 
 
Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias não 
sabendo o que ocorrera. Então, Pedro, dirigindo-se a ela, perguntou-
lhe: Dize-me, vendestes por tanto aquela terra? Ela respondeu: Sim, 
por tanto. Tornou-lhe Pedro: Por que entrastes em acordo para 
tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que 
sepultaram o teu marido, e eles também te levarão. No mesmo 
instante caiu ela aos pés de Pedro e expirou. Entrando os jovens, 
acharam-na morta e, levando-a, sepultaram-na junto do marido. E 
sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a 
notícia destes acontecimentos (At 5:7-11). 
 
É bem possível que Ananias e sua esposa tenham sido 
alguns dos primeiros a receber a salvação pela graça. Eles podem 
ter sido os maiores doadores na igreja. Eles podem ter sacrificado 
sua posição social e segurança financeira para servir a Deus. Mas 
os sacrifícios são inúteis quando não são acompanhados por 
corações que amam e temem a Deus. 
Observe o último versículo do texto acima: E sobreveio gran-
de temor a toda a igreja. Lembre-se da advertência de Deus a Arão 
quando seus dois filhos morreram na presença de Deus por 
apresentarem suas ofertas irreverentes. 
 
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim 
e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3). 
 
Ao longo dos séculos, Deus não havia mudado. Sua Palavra 
e nível de santidade não variaram. Sua Palavra não havia falhado 
desde que fora enviada, uns dois mil anos antes. Deus era, é, e 
sempre será o grande Rei e deve ser reverenciado como tal. Nós 
não podemos tratar com leviandade o que Ele chama de santo. 
A Bíblia não diz que um grande temor veio sobre a cidade, 
mas diz que um grande temor sobreveio sobre a igreja. A igreja 
estava desfrutando da presença do Senhor e de todas as suas 
bênçãos. Quando as pessoas ficaram cheias do Espírito Santo, 
elas agiram como homens embriagados. Eu estou certo de que 
alguns riram de alegria, e o mais maravilhoso de tudo isso foi 
quando todos eles falaram em línguas. Por que outro motivo eles 
foram confundidos com pessoas embriagadas às nove horas da 
manhã? (At 2:15) 
Talvez, com o passar do tempo, as pessoas tenham ficado 
muito familiarizadas com a presença de Deus. Ele se tornou 
comum para algumas delas. Talvez se lembrassem de como Jesus 
havia sido acessível e decidiram que o relacionamento delas com o 
Espírito Santo poderia se tornar semelhante. Embora Jesus seja o 
Filho de Deus e a imagem exata do Deus que se fez carne, nós não 
podemos esquecer que Ele veio como Filho do homem e mediador, 
porque o homem não podia se aproximar da santidade de Deus. 
Embora Eles sejam um, há um diferença entre Deus Pai, 
Deus Filho e Deus Espírito Santo. Até mesmo Jesus disse que os 
homens podiam falar contra Ele e seriam perdoados, mas não lhes 
seria perdoado se falassem contra o Espírito Santo. Jesus estava 
lhes fazendo saber, de antemão, que uma santa ordem divina 
estava para ser restaurada. Antes da vinda do Filho, as pessoas 
sentiam medo ou terror de Deus sem temê-lo. Agora o homem 
havia sido restaurado por Deus, e a ordem divina havia sido 
restabelecida. 
A igreja desperta para a santidade de Deus quando Ananias 
e Safira caem mortos aos pés de Pedro. "Talvez nós devêssemos 
repensar algumas coisas", alguns podem ter ponderado. Outros 
podem ter pensado: "Facilmente poderia ter sido eu". Outros 
tiveram seu conceito sobre Deus sacudido! "Acho que não o 
conheço tão bem quanto pensava. Eu não achava que Ele traria 
um julgamento tão rápido etão severo." Mas todos exclamaram 
maravilhados e assombrados: "Ele é Santo e conhecedor de todas 
as coisas!" Um grande temor sobreveio a toda a igreja quando 
examinaram seus corações, pasmados por esse Deus de temor e 
maravilha. Tão amoroso, e, contudo, tão santo. Ninguém 
permaneceu impassível diante desse evento surpreendente. 
 
PORTAI-VOS COM TEMOR DE DEUS 
Pedro, que caminhou com Jesus e testemunhou esse 
julgamento, mais tarde foi inspirado a escrever esta repreensão 
sincera: 
 
Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, 
tornai-vos santos também vós mesmos, em todo vosso proce-
dimento, porque escrito está: Sede santos porque eu sou santo. Ora, 
se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga 
segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o 
tempo da vossa peregrinação (1 Pe 1:15-17). 
 
Observe que ele não diz: "portai-vos com amor". Sim, nós 
devemos andar em amor, pois sem ele nós não temos nada! 
Apartados do seu amor, nós não podemos nem mesmo conhecer o 
coração do Pai. Anteriormente, nessa mesma epístola, Pedro faz 
um comentário sobre o nosso amor pelo Senhor, que queima em 
nossos corações: a quem, não havendo visto, amais (IPe 1:8). 
Fomos chamados para ter um relacionamento pessoal de amor 
com nosso Pai, mas Pedro acrescenta, logo em seguida, o 
equilíbrio do temor de Deus. Nosso amor a Deus é limitado por 
uma falta do santo temor. Nossos corações devem ter a luz e o 
calor de ambas as chamas. 
Você pode se perguntar como este amor poderia ser limitado. 
Você só pode amar alguém apenas na medida em que o conhece. 
Se sua imagem de Deus é abaixo do que Ele é, então você tem 
apenas um conhecimento superficial daquele que você ama. O 
verdadeiro amor é fundado na verdade de quem Deus realmente é. 
Você acha que Ele revela seu coração àqueles que o consideram 
levianamente? Você acha? De fato, Deus escolheu se ocultar (Is 
45:15). O salmista se refere ao lugar em que Ele se esconde como 
esconderijo (Sl 91:1). 
É aqui, em secreto, que nós descobrimos sua santidade e 
sua grandeza. Mas somente aqueles que o temem encontrarão 
esse refúgio secreto, porque as Escrituras nos dizem: 
 
A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele 
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14). 
 
Agora, você pode entender melhor as palavras de Pedro. 
Paulo, que não caminhou com Jesus na Terra, mas o conheceu na 
estrada para Damasco, fortaleceu esta exortação adicionando a 
palavra "tremor". Ele diz aos crentes: Desenvolvei a vossa salvação 
com temor e tremor (Fp 2:12). De fato, esta frase é usada três vezes 
no Novo Testamento para descrever o relacionamento correto entre 
um crente e Cristo. 
Paulo veio a conhecer Jesus por meio da revelação do Espí-
rito. Essa é a mesma maneira pela qual nós devemos conhecê-lo. 
E, se, antes conhecemos a Cristo segundo a carne, já agora não o 
conhecemos deste modo.(2Co 5:16) Se nós buscamos ter acesso ao 
conhecimento de Deus e caminhamos com Ele como nós cami-
nhamos com os homens naturais e corruptíveis, 
consequentemente, não daremos o devido valor à sua presença, 
como alguns fizeram na Igreja Primitiva. 
Eu estou certo de que Ananias e Safira faziam parte 
daqueles que estavam admirados e empolgados na igreja primitiva 
de Atos. Todos tinham ficado pasmos diante dos abundantes 
sinais e maravilhas. Até mesmo os sinais e as maravilhas se 
tornaram comuns quando houve falta do temor de Deus nos seus 
corações. O temor de Deus teria impedido a tolice daquele casal 
infeliz (Sl 34:11-13). O temor teria revelado a santidade de Deus. 
Devemos nos lembrar destes dois atributos imutáveis: 
Deus é amor e Deus é um fogo consumidor (1 Jo 4:8 e Hb 
12:29). Paulo se refere ao fogo experimentado pelos crentes 
quando estiverem diante de um Deus santo no trono do 
julgamento. Lá, nós daremos conta das nossas obras feitas no 
corpo de Cristo, boas ou más (2Co 5:10). Paulo adverte então: 
Conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens ... (2Co 
5:11) 
Por causa do amor de Deus, podemos ter confiança quando 
nos aproximamos dele. A Bíblia acrescenta que devemos servi-lo e 
nos aproximarmos dele de maneira aceitável. Como? Com 
reverência e piedoso temor (Hb 12:28). 
Aqueles que nasceram de novo conhecem a Deus como Aba 
Pai, mas isso não nega a posição dele como Juiz de toda a carne 
(Gl 4:6-7 e Hb 12:23). Deus deixa isto claro: O Senhor julgará o 
seu povo (Hb 10:30). 
Vamos considerar um rei terreno que tem filhos e filhas. No 
palácio, ele é o marido e o papai. Mas na sala do trono, é o rei e 
deve ser reverenciado como tal, até mesmo pela sua esposa e seus 
filhos. Sim, há aquelas vezes em que eu sinto a chamada do Pai 
para que eu entre na sua câmara particular, de braços estendidos, 
me convidando: "Venha, pule em meu colo, vamos ficar abraçados 
e conversar". Eu adoro esses momentos. Eles são tão especiais! 
Mas há vezes, quando estou orando ou estou participando de um 
culto, em que eu temo e tremo na sua santa presença. 
Houve um desses cultos, em agosto de 1995, no final de 
uma semana de reuniões em Kuala Lumpur, Malásia. O clima 
estava muito adverso, e aquele dia eu sentia que finalmente nós 
tínhamos experimentado um avanço. A presença do Senhor 
encheu o lugar, e várias pessoas riram quando sua alegria fluiu. 
Isso continuou por dez a quinze minutos, e depois houve uma 
pausa seguida por outra onda da presença de Deus. Mais pessoas 
foram tocadas. Novamente, houve uma calmaria, e então outra 
onda da presença de Deus inundada de alegria se espalhou pelo 
santuário, até que quase todos foram renovados e começaram a 
rir. Então houve ainda outro intervalo. 
Foi quando ouvi o Senhor dizer: "Eu virei numa última onda, 
mas será diferente das outras". Eu me mantive em silêncio e 
esperei. Dentro de minutos, uma manifestação muito diferente da 
presença de Deus se espalhou pela igreja. Eu estava 
impressionado e um pouco assustado; contudo, fui levado por ela. 
O clima se tornou carregado. As mesmas pessoas que estiveram 
rindo há poucos momentos antes, começaram a lamentar, chorar 
e clamar. Alguns gritavam estridentemente como se estivessem no 
fogo. Entretanto, esses não eram gritos de tormento causados por 
ação demoníaca. 
Enquanto caminhava pela plataforma, este pensamento 
passou por minha mente: "John, não faça nenhum movimento 
errado nem diga uma palavra errada. Se você o fizer, será um 
homem morto". Eu não estou certo do que teria acontecido, mas 
este pensamento transmite a intensidade do que senti. Eu sabia 
que a irreverência não poderia existir diante daquela presença 
assombrosa. Testemunhei duas reações diferentes naquele dia - 
ou as pessoas ficavam com medo e se afastavam da presença de 
Deus, ou sentiam temor de Deus e se aproximavam da sua 
tremenda presença. Aquela, definitivamente, não era uma das 
vezes em que Deus estava sussurrando: "Venha, pule no meu 
colo!" 
Nós saímos da reunião envoltos em temor. Muitos se 
sentiam completamente transformados pela tremenda presença de 
Deus. Um homem que foi poderosamente tocado pela presença de 
Deus, depois me disse: "Eu me sinto tão limpo por dentro!" Eu 
concordei, porque eu também me sentia purificado. Mais tarde eu 
encontrei este versículo: O temor do Senhor é límpido e permanece 
para sempre (Sl 19:9). 
 
O TEMOR DO SENHOR PERMANECE 
O temor do Senhor permanece para sempre! Se Lúcifer tives-
se possuído temor, ele nunca teria caído do céu como um 
relâmpago (Is 14:12-15 e Lc 10:18). Lúcifer era o querubim ungido 
do santo monte de Deus e andava na presença do Senhor (Ez 
28:14-17). Contudo, Lúcifer foi o primeiro a demonstrar a falta de 
temor a Deus. 
Ouçam-me, povo de Deus: Vocês podem ter o santo óleo da 
unção sobre vocês, como Nadabe e Abiú tiveram. Podem operar si-
nais e maravilhas, expulsar demônios e curar os doentesno seu 
poderoso nome, mas falta o temor do Senhor! Sem ele, seu fim não 
será diferente que o de Nadabe e Abiú ou de Ananias e Safira, pois 
é o temor do Senhor que os leva a permanecerem diante da 
presença dele para sempre! 
Adão e Eva andavam na presença do Senhor. Amavam as 
bênçãos da bondade de Deus. Nunca tinham sido ofendidos por 
qualquer autoridade. Viviam num ambiente perfeito. Contudo, eles 
desobedeceram e caíram, sofrendo um grande julgamento. Eles 
nunca teriam caído se possuíssem o temor do Senhor. 
O temor do Senhor dura para sempre! Se Ananias e Safira 
tivessem temido a Deus, não teriam se comportado tão tolamente, 
pois pelo temor do Senhor os homens evitam o mal (Pv 16:6). 
Alguns podem questionar: "Meu amor por Deus não me 
guarda do pecado?" Sim, mas quanto amor você pode ter, se faltar 
o temor de Deus? Quando visitei Jim Bakker na prisão, ele 
compartilhou comigo como a pressão da prisão o levara a 
experimentar uma mudança completa de coração. Ele 
experimentou Jesus como Mestre, pela primeira vez. 
Compartilhou como havia perdido sua família, ministério, tudo o 
que possuía, e então encontrou Jesus. 
Eu me lembro claramente das suas palavras: "John, esta 
prisão não é o julgamento de Deus sobre minha vida, mas, sua 
misericórdia. Acredito que se eu tivesse continuado no caminho 
em que estava, teria terminado no inferno!" 
Jim Bakker compartilhou esta advertência para todos nós:' 
'John, eu sempre amei Jesus; contudo, Ele não era o meu Senhor, 
e há milhões de americanos como eu!" Jim amava a imagem de 
Jesus outrora revelada a ele. O amor de Jim era imaturo, pois 
faltava o temor do Senhor. Hoje, Jim Bakker é um homem que 
teme a Deus. Quando eu lhe perguntei o que ele faria quando 
saísse da prisão, respondeu depressa: "Se eu voltar para o 
caminho em que estava, eu serei julgado!" 
 
NINGUÉM OUSAVA JUNTAR-SE A ELES 
O que aconteceu a Ananias e Safira fez a igreja tremer. 
Trouxe à superfície as motivações do coração para serem 
analisadas. Aqueles que se viram na mesma irreverência de 
Ananias e Safira, rasgaram seus corações em arrependimento. 
Outros calcularam o custo mais seriamente antes de se unirem à 
assembléia de crentes, em Jerusalém. Alguns podem ter ido 
embora com medo do julgamento de Deus. 
O temor veio sobre a igreja, mas também assombrou a todos 
que ouviram o que havia acontecido àquele casal. Estou certo de 
que aquele acontecimento foi notícia durante algum tempo na 
cidade. As pessoas perguntavam umas às outras: "Você ouviu 
falar sobre o que aconteceu àqueles seguidores de Jesus? Um 
casal trouxe uma oferta para os necessitados e ambos caíram 
mortos!" A Bíblia registra: 
 
Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém, 
o povo lhes tributava grande admiração. E crescia mais e mais a 
multidão de crentes, tanto homens como mulheres (At 5:13, 14). 
 
Parecia ser uma contradição: ninguém ousava unir-se a eles, 
contudo, os versículos seguintes afirmam que o número de crentes 
estava aumentando a cada dia. Como o número de crentes pôde 
aumentar se ninguém ousava juntar-se a eles? O que está sendo 
dito aqui, de fato? Eu creio que ninguém ousou se unir a Jesus 
até que tivessem calculado o custo. Não havia mais "juntar-se à 
igreja" por motivos egoístas. Eles vinham ao Senhor por causa de 
quem Ele era, não por causa do que Ele poderia fazer. 
É fácil desenvolver rapidamente uma atitude de irreverência 
quando nós vimos ao Senhor pelo que Ele pode fazer para nós ou 
pelo que pode nos dar. É uma relação baseada em bênçãos e 
eventos. Quando as coisas não saem à nossa maneira- e 
inevitavelmente isso vai acontecer - nós ficamos desapontados e, 
como crianças mimadas, acaba o nosso respeito. Quando a 
irreverência é julgada, cada um avalia a sua vida e as motivações 
erradas são purificadas pela luz do julgamento. Esse é o estado 
dos verdadeiros corações arrependidos, cheios do temor de Deus. 
 
POR QUE ELES? 
Por que Ananias e Safira morreram? Eu conheço pessoas 
que têm mentido a pregadores do evangelho e não foram julgadas 
tão severamente. De fato, têm acontecido atos muito mais 
irreverentes do que o de Ananias e Safira na história da igreja, e 
até mesmo na igreja dos dias de hoje. Ninguém mais cai morto nos 
cultos. Todo esse evento parece tão impossível hoje. 
A resposta está escondida logo nos versículos seguintes a 
este relato: 
 
...a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colo-
carem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a 
sua sombra se projetasse sobre algum deles (At 5:15). 
 
Observe que eles deitavam os doentes nas ruas! Não na rua, 
mas nas ruas, esperando apenas que a sombra de Pedro passasse 
para que o doente pudesse ser curado. Agora, eu percebo que o 
que estou para dizer está sujeito a argumentação, mas creio que a 
interpretação não está limitada apenas à sombra física de Pedro. 
Uma sombra não detém nenhum poder para curar um doente. Eu 
acredito que era a nuvem de Deus. A presença do Senhor era tão 
forte em Pedro, que uma nuvem cobria e ocultava a sua própria 
sombra. Da mesma maneira, quando Moisés desceu do monte, a 
glória de Deus estava brilhando na sua face, de forma que a sua 
própria imagem foi coberta por ela. Será que o próprio Deus teria 
encoberto Pedro numa nuvem de sombra para esconder a sua 
glória? Em Atos 5:15, tudo que Pedro tinha de fazer era lançar sua 
sombra sobre os doentes, e as multidões nas ruas eram curadas. 
Nós sabemos que uma presença muito tangível da glória de 
Deus repousava sobre Pedro, quando primeiramente Ananias e 
Safira mentiram para ele e caíram mortos. Em essência, Ananias e 
Safira caíram mortos porque eram irreverentes na presença do 
Senhor, cuja glória já havia sido revelada. Assim como com Adão, 
Nadabe, Abiú e os filhos de Israel, mais uma vez nós vemos o 
padrão de ordem, glória e julgamento. 
Nos capítulos seguintes, nós aplicaremos este padrão à 
nossa igreja atuai. Enquanto aprofundarmos um pouco mais, nós 
veremos por que o amor de Deus deve estar associado ao temor de 
Deus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 8 
 
JULGAMENTO ADIADO 
 
Porque importa que todos nós compareçamos perante o 
tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o 
mal que tiver feito por meio do corpo (2Co 5:10). 
 
Enquanto escrevo, estamos nos aproximando do fim dos dois 
mil anos desde a ressurreição do nosso Senhor Jesus. Vivemos no 
início das semanas finais, dos dias e momentos que antecedem o 
seu retorno. Jesus disse que saberíamos a época, mas não o dia 
ou a hora (Mt 24:32-36). Nós estamos vivendo nesta época. 
 
A PRIMEIRA E A ÚLTIMA CHUVA 
As Escrituras proféticas anunciavam como Deus revelaria 
sua glória de um modo poderoso no início e novamente no fim da 
era da Igreja, pouco antes da sua segunda vinda. Tiago descreveu 
isto: 
 
Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que 
o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até 
receber as primeiras e as últimas chuvas (Tg 5:7). 
 
Observe que Tiago se refere à primeira e à última chuva. Em 
Israel, a primeira chuva caía e umidecia a terra seca no início da 
época de plantio. A terra, amolecida pela chuva, podia receber o 
grão, que poderia firmemente criar sua raiz. As últimas chuvas 
vinham pouco antes da colheita e eram mais apreciadas porque 
amadureciam o fruto e o desenvolviam. 
Tiago usou a chuva física como uma comparação para 
explicar o derramamento da glória de Deus. A primeira chuva caiu 
no dia de Pentecostes, como Pedro confirmou: 
 
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta 
Joel: E acontecerá que nos últimos dias, diz o Senhor, que 
derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e 
vossas filhas profetizarão, vossos jovens terãovisões, e sonharão 
vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas 
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei 
prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e 
vapor defumo. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, 
antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor (At 2:16-20). 
 
Pedro usou o termo derramarei. A terminologia para chuva 
pesada é "aguaceiro". Pedro poderia ter dito "choverá forte", mas 
ele utilizou termos apropriados para enviar a chuva. Quem melhor 
que Pedro para descrever o derramamento da glória de Deus, 
experimentado no dia de Pentecostes? Mas, essa descrição não é 
limitada ao que acabara de experimentar, pois ao mesmo tempo 
ele descreveu o derramamento da glória de Deus, anterior ao 
grande e temível dia do Senhor. O grande e temível dia do Senhor 
não se referia ao período de tempo no qual Pedro vivera, mas à 
segunda vinda de Cristo. 
O Espírito de Deus fez, por meio de Pedro, o que havia feito 
tantas vezes antes: uniu dois períodos de tempo distintos na 
mesma mensagem profética ou Escritura. Sim, um grande 
derramamento do Espírito de Deus começou no dia de 
Pentecostes. Tiago chamou-o de primeira chuva. A glória de Deus 
se manifestou e se espalhou por onde o Senhor enviou Seus 
discípulos com o evangelho. Não houve nenhuma parte do mundo 
conhecido que não foi afetada. 
Contudo, esse grande derramamento não aumentou 
continuamente. Ele foi acabando gradualmente e diminuiu 
quando os homens perderam sua paixão pela presença e pela 
glória de Deus. Em lugar do amor e temor que uma vez 
queimaram, estava a frieza, altar sem vida e de desejos egoístas. 
Afastados, muitos se tornaram ocupados com atividades religiosas 
e doutrinas que uma vez mais obscureceram o propósito para o 
qual Deus nos criou - caminhar com Ele. 
 
UM TEMPO DE EGOÍSMO, MESMO NA LIDERANÇA 
Essa fase de aumento e diminuição da presença e da glória 
de Deus poderia ser comparada ao período de tempo entre a 
liderança de Moisés e o Rei Davi. Nos dias de Moisés, os filhos de 
Israel vagaram no deserto durante anos, sob a glória manifesta de 
Deus. Os irreverentes foram julgados e encontraram a morte no 
deserto. 
Mas a geração mais jovem temeu ao Senhor e o seguiu de 
todo o seu coração. Eles chegaram a possuir a Terra Prometida 
sob a liderança de Josué. Porém, foi também congregada a seus 
pais toda aquela geração; e outra geração após deles se levantou, 
que não conhecia o Senhor, nem tão pouco as obras que fizera a 
Israel. (Jz 2:10). 
A desobediência dessa nova geração os conduziu de volta à 
escravidão e ao sofrimento. De tempos em tempos, Deus levantava 
homens ou mulheres como juízes para conduzi-los. Por meio 
desses líderes, fontes de reavivamento e restauração surgiam para 
o seu povo. Embora esses fortes líderes fossem levantados por 
Deus para conduzir o povo, a condição geral de Israel continuou 
piorando. Israel reagia aos seus juízes, não à Deus, pois as 
Escrituras nos dizem: Sucedia, porém, que, falecendo o juiz, 
reincidiam e se tornavam piores do que seus pais... (Jz2:19) 
A cada geração que passava, o coração do povo escolhido de 
Deus se tornava cada vez mais frio até que chegou ao ponto mais 
baixo. Essa era a condição quando Eli foi sacerdote e juiz. Depois 
de julgar Israel por quarenta anos, o seu coração se tornou 
obscuro e a sua visão estava praticamente perdida. 
Sob a autoridade de Eli, atuando como sacerdotes e líderes, 
estavam seus dois filhos, Hofni e Finéias. A corrupção deles 
excedeu a de seu pai. Essa família de líderes ofendeu tanto a 
Deus, que Ele declarou: Portanto, jurei à casa de Eli que nunca 
jamais lhe será expiada a iniquidade nem com sacrifício nem com 
oferta de manjares (l Sm 3:14). 
Tal liderança ofensiva foi a razão pela qual a nação atingiu 
seu ponto mais baixo. Em tempos passados, quando a nação se 
desviava, os líderes guiavam as pessoas de volta para Deus, mas 
esses líderes afastavam as pessoas por meio do seu persistente 
abuso de autoridade e perversão do poder. 
Os filhos de Eli se envolveram em relações sexuais com as 
mulheres que se reuniam à porta do tabernáculo. Eles não apenas 
eram sexualmente imorais, mas também usavam sua posição de 
liderança para constranger à imoralidade as mulheres que tinham 
vindo buscar ao Senhor (1 Sm 2:22). Eles abusaram do poder da 
posição que Deus lhes havia dado para servir ao seu povo, e ao 
invés disso, usaram-no como um meio para satisfazer aos próprios 
desejos. Suas ações contrariaram grandemente o Senhor. Eli 
conhecia a imoralidade e a cobiça dos filhos, contudo, não os 
impediu de pecarem continuamente, nem os removeu das 
posições de liderança. 
A segunda violação deles foi na questão das ofertas. Nova-
mente usaram a autoridade concedida por Deus para satisfazer a 
própria cobiça, engordando a si mesmos com ofertas obtidas por 
meio de manipulação e ameaças. 
 
JULGAMENTO ADIADO 
Compare o pecado dos filhos de Eli com o pecado dos filhos 
de Arão, Nadabe e Abiú, que morreram quando levaram fogo 
estranho diante do Senhor. É difícil deixar de questionar porque 
os filhos de Eli não foram julgados com a morte tão rapidamente. 
O pecado deles era um desrespeito franco e total para com Deus, 
para com o seu povo e para com as suas ofertas. Então, por que 
eles não foram julgados da mesma maneira - com morte imediata 
no tabernáculo? A resposta se encontra no versículo seguinte: 
 
O jovem Samuel servia ao Senhor, perante Eli. Naqueles dias, 
a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes. 
Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli, 
cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não poder ver, 
e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que 
estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse (ISm 3:1-
3). 
 
Observe o seguinte: a Palavra do Senhor era rara - Deus não 
estava falando como Ele falava com Moisés. Onde sua Palavra é 
rara, também é rara sua presença. 
A revelação já não era comum - a revelação é encontrada na 
presença do Senhor (Mt 16:17). Havia um conhecimento limitado 
dos caminhos de Deus devido à falta da sua presença. 
Os olhos da liderança estavam tão obscurecidos, que eles 
não podiam ver - em Deuteronômio 34:7, nós encontramos: Tinha 
Moisés a idade de cento e vinte anos quando morreu. Não se lhe 
escureceram os olhos, nem se lhe abateu o vigor. Moisés nunca 
perdeu a visão porque caminhou no meio da glória de Deus e seu 
corpo foi preservado de problemas típicos da velhice. A lâmpada 
de Deus estava apagando devido à falta de óleo - a glória foi 
removida para tão distante, que a presença de Deus era apenas 
uma luz bruxuleante. 
No caso dos filhos de Arão, a glória de Deus havia acabado 
de se revelar e era forte. Saiu fogo do Senhor e os consumiu, e eles 
morreram diante dele. A presença e a glória de Deus eram muito 
poderosas. Mas os filhos de Eli estavam envoltos na escuridão de 
uma liderança quase cega e pelas sombras lançadas por uma 
lâmpada fraca. A lâmpada de Deus estava quase se apagando. 
Restava somente um sinal da presença de Deus. A glória dele já se 
havia retirado. O julgamento imediato só se dá na presença da sua 
glória. Então, o julgamento deles não foi imediato - foi adiado. 
 
MAIOR GLÓRIA - JULGAMENTO MAIS RÁPIDO 
Esta verdade deve ser fixada em nossos corações. Embora 
mencionada anteriormente, agora ela é cada vez mais evidente. 
Quanto maior for a glória revelada de Deus, maior e mais rápido 
será o julgamento da irreverência! Sempre que o pecado entra na 
presença da glória de Deus, há uma reação imediata. O pecado e 
qualquer pessoa que intencionalmente o pratica serão destruídos. 
Quanto maior a intensidade de luz, menor é a chance das trevas 
permanecerem. 
Imagine um auditório grande, sem janelasou luz natural. A 
escuridão dominaria. Você não poderia ver a própria mão na sua 
frente. Então, risque um fósforo. Haveria luz, mas seria limitada. 
A maior parte da escuridão permaneceria inalterada. Acenda uma 
única luz de sessenta watts. A luz aumentaria, mas a escuridão e 
as sombras ainda permeariam a maior parte do grande auditório. 
Então, imagine que de alguma maneira fosse possível colocar uma 
fonte de luz tão poderosa quanto o sol nesse salão. Você 
adivinhou: toda a escuridão seria aniquilada, e a luz penetraria 
em cada fenda e em cada canto antes escuro. 
Assim é quando a gloriosa presença de Deus é limitada ou 
rara. A escuridão é perpétua e não é confrontada. O julgamento é 
adiado. Mas à medida que aumenta a luz da glória de Deus, 
também aumenta a execução do julgamento. Paulo explicou isso 
quando escreveu: 
 
Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao 
passo que os de outros, só mais tarde se manifestam (l Tm 5:24). 
 
O pecado irreverente de Ananias e Safira foi exposto pela 
intensa luz da glória de Deus, e então recebeu julgamento 
imediato. Isso explica porque muitos hoje, cujo pecado excede o de 
Ananias e Safira, têm escapado do julgamento imediato, apenas 
para esperar a punição adiada. Estes não são diferentes dos filhos 
de Eli. Continuam pecando, cegamente confortados porque não 
percebem que ainda serão julgados. "Não aconteceu nada", eles 
pensam com um suspiro de alívio. "Eu devo ser isento do 
julgamento de Deus. Ele faz vista grossa para o que eu faço." 
Esses indivíduos são confortados por um falso senso de graça e 
confundem a demora de julgamento da parte de Deus com a 
negação do julgamento. 
Nós que vivemos na segunda metade do século vinte, temos 
testemunhado o pecado desregrado e irreprimido na igreja, não só 
entre os membros, mas entre os líderes também. Em meus 
últimos dez anos de viagens, raramente passam três semanas sem 
que eu ouça que um pastor, ministro, presbítero ou algum outro 
líder da igreja esteja envolvido em pecado sexual, normalmente 
com mulheres da sua própria igreja. 
Meu coração também tem sido afligido pela manipulação e 
engano em relação aos atos de dar e recolher ofertas. Não apenas 
têm sido difundidas mentiras a respeito de ofertas como as de 
Ananias e Safira, mas várias vezes ouvi falar sobre a liderança ou 
os administradores desviando ou empregando mal o dinheiro da 
igreja. Eu ouvi dois contadores especialistas em ministérios de 
dois Estados diferentes abrirem seus corações para mim e minha 
esposa, sobre a cobiça e o engano que viam entre os ministros do 
evangelho. Um deles disse: "Se outro ministro entrar no rneu 
escritório tentando achar um modo para conseguir mais dinheiro 
e escapar das leis fiscais, eu vou fechar o escritório". 
Nós temos visto as ofertas serem motivadas pela cobiça e 
pelo desejo, ao invés de serem dadas por causa das pessoas. Paulo 
disse: Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me 
importa é o fruto que aumente o vosso crédito (Fp 4:17). Bem 
diferente disto, tenho ouvido como os líderes são coniventes com 
os métodos de extrair a maior oferta possível do povo de Deus. 
Tenho visto o uso de cartas de manipulação, escritas por firmas de 
consultoria, contendo verdades distorcidas para adquirir dinheiro. 
Alguns desses consultores ainda se gabam sobre como a 
consideram uma ciência, e podem projetar exatamente qual será o 
retorno. Pedro advertiu que essa liderança surgiria nos últimos 
dias: 
 
E muitos seguirão as suas práticas libertinas [...] farão 
comércio de vós, com palavras fictícias [...] a sua destruição não 
dorme (2Pe 2:3). 
 
Se este comportamento tivesse ocorrido na atmosfera encon-
trada no Livro de Atos, o julgamento teria sido certo e rápido. 
Porém, o julgamento hoje está adiado, pois a lâmpada de Deus 
está escurecida. O último derramamento da glória de Deus ainda 
está por vir. 
Salomão lamentou: 
 
Assim também vi as pessoas receberem a sepultura e en-
trarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo 
foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem (Ec 8:10). 
 
Ele disse que essas pessoas corruptas iam frequentemente 
ao templo (igreja) e tinham boa reputação. É como se tivessem 
escarnecido de Deus por meio das suas ações e falecido sem 
julgamento aparente. A razão: o julgamento havia sido adiado. 
Salomão continua: 
 
Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o 
coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar 
o mal. Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe 
prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a 
Deus (Ec 8:11, 12). 
 
Por que o bem sucede aos que temem a Deus? Porque 
julgamento adiado não é julgamento negado. 
Nós somos advertidos pelos seguintes versículos: Irmãos, não 
vos queixeis uns aos outros, para não serdes julgados. Eis que o 
juiz. está às portas (Tg 5:9). O Senhor julgará o seu povo. Horrível 
cousa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10:30, 31). Essas 
exortações foram escritas para os crentes, não para os pecadores 
nas ruas! 
Os filhos de Eli se sentiam seguros em seu pecado. Talvez 
seus títulos ou obras para a igreja os tivessem seduzido. Talvez 
tenham julgado a si mesmos de acordo com o padrão ao seu redor. 
Qualquer que tenha sido o argumento, os filhos de Eli estavam 
enganados, pois acreditaram que a demora do julgamento de Deus 
significava a ausência de julgamento. Essa corrupção da liderança 
apenas intensificou a decadência da condição espiritual 
deteriorada de Israel. 
 
GRAÇA PERVERTIDA 
Paulo tinha algumas dessas mesmas profecias sérias sobre a 
condição do homem para descrever os tempos em que nós 
estamos vivendo hoje. Ele escreveu: 
 
Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; 
pois os homens serão jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, 
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, 
implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do 
bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres 
do que amigos de Deus (2 Tm 3A). 
 
A verdade mais sombria é que Paulo não está descrevendo 
para a sociedade, mas para a Igreja, pois continua: Tendo forma 
de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes 
(2Tm 3:5). Eles vão à igreja frequentemente, ouvem a Palavra de 
Deus, falam dela, vangloriam-se da graça salvadora do Senhor, 
mas rejeitam o poder que poderia torná-los piedosos. 
Qual é o poder que poderia torná-los piedosos? A resposta é 
simples: é a mesma graça de Deus da qual se vangloriam. Nos 
últimos vinte ou trinta anos, a graça ensinada em muitas das 
nossas igrejas não é a verdadeira graça, mas uma perversão dela. 
Este é o resultado de enfatizar demais a bondade de Deus e 
negligenciar o temor para com Ele. 
Quando a doutrina do amor de Deus não é equilibrada com 
uma compreensão do temor de Deus, o resultado é o erro. Da 
mesma forma, quando o temor de Deus não é equilibrado com o 
amor de Deus, nós temos os mesmos resultados. É por isso que 
nós somos exortados a considerar a bondade e a severidade de 
Deus (Rm 11:22). Ambas são requeridas e sem elas nós ficaremos 
desequilibrados. 
Em várias conversas e em muitos púlpitos, tenho ouvido 
crentes e líderes desculparem a desobediência, considerando 
todas as coisas cobertas pela graça ou o amor de Deus. A graça é 
imerecida e nos cobre, mas não da maneira como temos sido 
ensinados. Ela não é uma desculpa, é uma capacitação. 
Esta falta de equilíbrio se infiltra em nosso pensamento, até 
que nos sentimos em completa liberdade para desobedecer a Deus 
sempre que for conveniente ou não nos trouxer vantagem. Mesmo 
quando pecamos, convencemos a nós mesmos e sossegamos 
nossa consciência com um encolher de ombros e o pensamento: 
"A graça de Deus cobrirá isso, porqueEle me ama e compreende 
como a minha vida é dura. Ele quer que eu seja feliz, não importa 
o custo! Certo?" 
Admitindo isso, nós normalmente não verbalizamos esse 
processo de pensamento, contudo, ele ainda existe. Isso é 
evidenciado pelo fruto desse raciocínio tão precisamente descrito 
por Paulo. 
Embora a graça cubra, ela não é meramente uma cobertura. 
Ela vai além disso. A graça nos habilita e nos capacita a viver uma 
vida de santidade e obediência à autoridade de Deus. O escritor de 
Hebreus nos exorta: Por isso, recebendo nós um reino inabalável, 
retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, 
com reverência e santo temor (Hb 12:28). A descrição da graça aqui 
não é de cobertura ou de um tapete macio debaixo do qual se pode 
esconder tudo, mas a força que nos capacita a servir a Deus de 
maneira aceitável com a devida reverência e o piedoso temor. Ela é 
a essência do poder por trás de uma vida de obediência. É a 
autenticação ou prova da nossa salvação. 
Para refutar, alguns podem argumentar: "Mas a Bíblia diz: 
Pela graça sois salvos; isto não vem de vós, é dom de Deus" 
(Ef'2:8,9). Sim, isto é verdade. É impossível, com nossa própria 
força, vivermos uma vida digna da nossa herança no reino de 
Deus, pois todos pecamos e não alcançamos o padrão de justiça 
dele. Nenhum de nós jamais poderá se levantar diante de Deus e 
reivindicar que nossas obras, ações de caridade ou vidas retas 
obtiveram para nós o direito de habitar no reino dele. Todos nós 
transgredimos e merecemos queimar eternamente no lago de fogo. 
A resposta de Deus para nossas imperfeições é o dom da sal-
vação através da sua graça, um dom que não pode ser 
conquistado (Rm 6:23). Muitos na igreja entendem isso. Porém, 
nós temos falhado por não enfatizar o poder da graça, não apenas 
para nos redimir, mas também nos conceder capacidade para 
vivermos nossas vidas de uma maneira totalmente diferente. A 
Palavra de Deus declara: 
 
Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. 
Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua 
fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé (Tg 
2:77, 18). 
 
Tiago não estava contradizendo Paulo. Ele estava esclarecen-
do a mensagem dele, declarando que a evidência de que uma 
pessoa recebeu a graça de Deus é uma vida de obediência ao 
Senhor. Essa graça não só cria um desejo de obediência reverente, 
como também a capacidade para permanecer nela. Uma pessoa 
que constantemente desobedece à Palavra de Deus é alguém em 
quem não há fé ou nunca existiu fé verdadeiramente. Tiago 
continua: 
 
Verificais que uma pessoa é justificada por obras, e não por fé 
somente (Tg 2:24). 
 
Tiago introduziu esta declaração usando Abraão, o pai da fé, 
como exemplo: Não foi por obras que o nosso pai Abraão foi 
justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? 
(Tg 2:21) A fé foi comprovada por meio das ações de Abraão. Suas 
ações ou obras confirmaram que sua fé era perfeita. 
E se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em 
Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (Tg 2:23). 
No nosso idioma, a palavra "crer" foi reduzida ao reconheci-
mento mental da existência de alguma coisa. Multidões têm feito a 
oração do pecador porque foram movidas emocionalmente apenas 
para retornarem aos seus caminhos anteriores de desobediência. 
Elas continuam vivendo para si mesmas e confiam o tempo todo 
em uma salvação emocional desprovida de poder para transformá-
las. Sim, elas crêem em Deus mas a Bíblia afirma: Crês, tu, que 
Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem (Tg 
2:19). 
Que bem há em reconhecer Jesus Cristo quando não há 
mudança de coração, e consequentemente, nenhuma mudança de 
atitude? 
As Escrituras retratam um significado muito diferente para a 
palavra "crer". Ela significa mais do que o reconhecimento da 
existência de Jesus; traz consigo a obediência à Palavra de Deus e 
à sua vontade. Isto está explicado em Hebreus 5:9: E, tendo sido 
aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os 
que lhe obedecem. Crer é obedecer, e obedecer é crer. A prova da fé 
de Abraão foi sua obediência correspondente. Ele ofereceu seu 
precioso filho para Deus. Nada, nem mesmo seu filho, significou 
mais para Abraão do que obedecer a Deus. Essa é a verdadeira fé. 
E por isso que Abraão é honrado como o pai da fé (Rm 4:16). Nós 
vemos essa mesma fé e graça evidente em nossas igrejas hoje? 
Como nós fomos tão enganados? 
 
"DEUS É COMO NÓS" 
Eli e seus filhos não enganaram somente o povo de Israel, 
mas eles mesmos também foram enganados. Estavam com a 
consciência cauterizada e acreditaram que Deus fazia vista grossa 
para sua desobediência, pensando que estava de acordo com eles. 
Eles o mediram pelo que sabiam e viam. 
Paulo continuou descrevendo pessoas na igreja de hoje, que 
não têm o poder para se tornarem piedosos. Mas os homens 
perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo 
enganados (2 Tm 3:13). 
Seu discernimento profético é confirmado hoje. Aos líderes 
corruptos e falsos crentes na igreja, Deus declara: 
 
Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus 
preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces 
a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te 
comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a tua boca para 
o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu 
irmão e difamas o filho de tua mãe (Sl 50:16-20). 
 
Deus pergunta: "Por que você está pregando minha Palavra 
quando você não me teme nem me obedece? Por que você engana 
os outros e a si mesmo?" Ele diz a eles: 
 
Tens feito estas cousas e me calei; pensavas que eu era teu 
igual: mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista (Sl 50:21). 
 
Deus disse: "Eu me calei". O julgamento estava demorado, 
mas não seria negado, pois o Senhor assegurou: "Eu te arguirei e 
porei tudo à tua vista". Lembre-se, a ordem divina precede a glória 
revelada. Uma vez que a glória é revelada, a desordem recebe 
julgamento imediato para assegurar a preservação da ordem 
divina. Deus prometeu àqueles cujo julgamento está aguardando: 
"Saiba, sem dúvida, de que haverá ordem, pois Eu a trarei". 
Observe que a consciência dos desobedientes é que os 
conforta em seu comportamento irreverente. Eles acreditam que 
Deus está de acordo com eles. Reduzem a imagem da glória de 
Deus ao nível de homem corruptível! 
Povo de Deus, ouça suas palavras de misericórdia! Vocês 
podem dizer: "Palavras de misericórdia? Eu pensei que você 
estivesse falando de julgamento. Não, na pregação profética e 
escrita, Deus procura nos advertir para nos guardar do seu 
julgamento. A mensagem dele é, pois, uma mensagem de 
misericórdia! 
 
DEUS TEM UM REMANESCENTE 
Pelo Espírito de Deus, Paulo viu a glória manifesta dele 
diminuir até alcançar novamente o ponto mais baixo. Os dias que 
antecedem o segundo derramamento presenciariam exatamente 
esse mesmo clima espiritual. Os sacerdotes e o povo estariam 
corrompidos. Paulo profeticamente lamentou: 
 
Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo 
contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias 
cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos (2 Tm 4:3). 
 
É triste dizer, mas nós estamos vivendo estes dias. Muitos 
pastores e ministros parecem ter o desejo de atrair multidões 
acima do desejo de preservar a justiça. Têm medo de pregar a 
verdade com coragem, preocupados com a possibilidade de pôr em 
risco tudo o que se esforçaram tanto para construir. Assim, falam 
para as pessoas o que elas querem ouvir e evitam a confrontação. 
Os resultados são devastadores. Os pecadores vêm às 
nossas congregações sem convicção do pecado e sem consciência 
do que significa retidão. Muitos desses indivíduosconfusos 
supõem que são salvos, quando, de fato, não são. Ao mesmo 
tempo, alguns ministros procuram o favor e as recompensas do 
homem sem considerar o favor de Deus, enquanto os crentes 
piedosos clamam: "Onde está Deus?" Pior de tudo, enquanto 
nossa sociedade permanece cativa pelas trevas, a Igreja é olhada 
com desdém. A Igreja realmente não pode ajudar a sociedade 
porque está infectada e doente pela falta do temor do Senhor. 
Qual é a resposta de Deus? Ela é encontrada na palavra 're-
manescente' . Assim como Deus encontrou um remanescente que 
tremia diante de sua palavra para encher da sua glória na 
primeira chuva, assim também Ele vai encontrar um 
remanescente de crentes nestes últimos dias da última chuva, por 
meio dos quais Ele vai revelar a sua glória novamente. O tamanho 
ou o número desse grupo não é importante. Esses crentes amarão 
e obedecerão a Deus, não importa o custo para as suas próprias 
vidas. Há líderes, ministros e crentes por toda a Terra hoje que 
estão clamando por um derramamento como esse! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não devemos olhar para o lugar onde já 
estivemos nem para onde estamos! Temos que 
elevar os nossos olhos para o alto e buscar a 
glória de Deus disponível para nós! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTUIO 9 
 
A GLÓRIA VINDOURA 
 
A glória desta última casa será maior do que a da primeira, 
diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2:9). 
 
Frequentemente, eu ouço ministros e crentes declarando que 
estamos na última chuva. Eles falam como se a Igreja já estivesse 
experimentando hoje o grande derramamento do Espírito de Deus 
previsto pelos profetas; como se Jesus pudesse vir a qualquer dia 
e nos arrebatar. Eu ouço isto inúmeras vezes e respondo: "A visão 
de vocês é pequena demais! Vocês se conformaram com bem 
menos do que Deus realmente deseja fazer". 
Muitas vezes, isto é falado por ignorância e tende a 
acontecer durante um movimento genuíno de Deus. Por mais 
maravilhoso que seja um mover do Espírito de Deus nessas 
reuniões, ainda não significa que estamos experimentando a glória 
da última chuva. Confundimos um movimento renovador do 
Espírito de Deus que, muitas vezes, é acompanhado pelo seu 
poder, unção e dons, com a glória de Deus que ainda está por vir. 
Falhamos em ver a glória de Deus disponível com os olhos do 
nosso coração. 
Como outras, tais declarações são resultantes da preguiça 
espiritual. Essas pessoas ficaram cansadas de insistir no alto 
chamado de Deus e acamparam num local distante, bem abaixo 
do lugar para onde Ele as chamou. Alguns não acamparam, mas 
estão vagando sem rumo por caminhos alternativos e mais 
cômodos. Essas estradas têm nomes como compromissos, 
mundanismo, religião e falsa unidade. Em qualquer caso, os 
indivíduos que viajam por esses caminhos se conformaram com a 
glória do homem e, se dormirem assim, vão acabar resistindo à 
glória de Deus quando ela for finalmente revelada. 
Outros têm proclamado o derramamento da glória de Deus 
por puro exagero, o que é mais perigoso, porque é muito 
irreverente. Deus falou ao meu coração: "Esses que se conformam 
com o falso, nunca verão o real". Se a sua irreverência continuar, 
essas pessoas experimentarão julgamento na revelação da glória 
de Deus - glória que deve trazer grande refrigério e alegria. 
Alguns podem argumentar: "Mas há um aumento do poder 
de Deus, de cura e de milagres hoje". Isto pode ser verdade, mas 
não indica automaticamente que se trata da última chuva. 
Devemos nos lembrar de que os dons do Espírito podem estar 
operando naqueles que ainda não estão agradando ao Senhor. 
Quando a unção de Deus vem, não significa necessariamente que 
ela é acompanhada pela aprovação de Deus. Jesus nos advertiu 
que muitos virão a Ele no dia do julgamento e dirão que eles 
expulsaram demônios, profetizaram e fizeram muitas maravilhas 
em seu nome; porém, Ele lhes dirá: "Afastem-se de mim, vocês que 
praticam iniquidades!" 
Temos de nos lembrar do propósito de Deus para a criação. 
Ele não colocou Adão no jardim para ter um pregador mundial, 
curador ou ministro de libertação. Não; Adão foi colocado no 
jardim para que Deus pudesse caminhar com ele. Deus desejava 
ter um relacionamento com Adão, mas o relacionamento foi 
cortado devido à desobediência. 
Nós fomos criados para Deus, para coexistir com a glória 
dele. Mas a desobediência não pode existir dentro de nós se 
queremos agradar a Deus. A medida exata da nossa verdadeira 
condição espiritual é demonstrada pela nossa obediência real à 
sua vontade. Pode haver uma unção em nossas vidas, mas nós 
ainda podemos estar longe do coração de Deus. Considere os 
exemplos de Judas, Balaão e do rei Saul: cada um deles agiu sob 
unção, mas fracassaram em seu andar na glória de Deus por 
causa dos seus motivos egoístas. 
Deus não levanta seus filhos com o propósito de realizar 
milagres. Deus falou através da mula de Balaão no Velho 
Testamento, mas isso não fez daquela besta de carga uma 
habitação da glória de Deus! Passados seis milênios, Deus tem 
trabalhado pacientemente em um templo para si mesmo, formado 
por seus filhos obedientes que o amam e o temem. Pedro escreveu: 
Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa 
espiritual... (IPe 2:5) E Paulo afirmou: No qual também vós 
juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no 
Espírito (Ef 2:22). 
Se formos honestos, vamos admitir que nós - seu templo -
ainda não estamos preparados para a sua glória. O templo ainda 
está em construção. A ordem divina está sendo restabelecida 
dentro do coração do homem. 
 
NOSSA CONDIÇÃO ATUAL 
Há outro período de tempo na história de Israel que se 
compara à condição atual da igreja. Lembre-se de que os eventos e 
as lições de Israel são tipos e figuras de coisas que sucederão à 
igreja. Depois de setenta anos de cativeiro babilônico, um grupo 
de judeus retornou à sua amada Terra Prometida. O julgamento 
havia terminado e a restauração estava começando. Era tempo de 
reconstruir os muros e o templo. 
Inicialmente, essa fase da reconstrução foi encarada com 
muito entusiasmo, dedicação e trabalho duro. Porém, à medida 
que a empolgação inicial foi diminuindo, o povo perdeu a 
motivação e seis anos mais tarde eles ainda não haviam concluído 
a restauração do templo. Seus compromissos pessoais tinham 
prioridade sobre a restauração da casa de Deus. Sua reverência 
havia desaparecido no embaraço dos seus próprios afazeres. O 
que Deus considerava importante e santo havia sido colocado em 
último plano. 
Para despertar o povo, Deus levantou o profeta Ageu. Ele 
confrontou o povo com esta pergunta: Acaso, é tempo de 
habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa 
permanece em ruínas? (Ag 1:4) Os israelitas tinham perdido a 
perspectiva porque sua atenção havia se desviado de Deus para 
eles mesmos. Sempre que isso acontece, o amor e o desejo por 
Deus começa a diminuir. 
Por meio desse profeta, Deus explicou a razão para tal 
descontentamento: Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e 
esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o 
dissipei. Por quê? - diz. o Senhor dos Exércitos; por causa da minha 
casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vocês 
corre por causa de sua própria casa. Por isso, os céus sobre vós 
retêm o seu orvalho, e a terra, os seus frutos (Ag 1:9,10). A chuva 
de que necessitavam para suas colheitas havia sido retida. Sempre 
que buscarmos as "bênçãos" em vez de buscar o Senhor, Ele 
removerá ou reterá a bênção, a fim de que nós clamemos 
novamente por Ele. 
Nosso dilema é muito diferente hoje? Nós também vivemos 
em uma era de restauração, pois a Bíblia nos diz que Jesus não 
voltará até a restauração de todas as coisas (At 3:20,21). As 
Escrituras prometem quetudo aquilo que estava perdido será 
restaurado antes da sua vinda. Deus restaurou o templo natural 
de Israel; entretanto, nosso templo não é um templo natural, e sim 
o altar constituído por nossos corações. Este templo santo será 
reparado e restaurado para Sua ordem divina e para habitação da 
glória de Deus novamente. 
Lamentavelmente, em nossa época de restauração, nós 
temos nos comportado como Israel. Temos perseguido as bênçãos 
e buscado conforto e comodidade, porque a maioria de nós tem 
empregado o nosso melhor para construir nossas próprias "casas 
apaineladas". Dedicamos a maior parte do nosso tempo a alcançar 
sucesso pessoal, de forma que possamos desfrutar conforto e 
segurança. 
 
 
ONDE ESTÁ A MINHA HONRA? 
Mais tarde, Deus questionou Israel novamente através de 
Malaquias, o último profeta do Velho Testamento. Ele viveu no 
mesmo século de Ageu, durante o mesmo período de restauração e 
clamou: 
 
O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou o pai, 
onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o respeito 
para comigo? - diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó 
sacerdotes, que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que 
desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão 
imundo, e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, 
que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando me trazeis 
animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E quando trazeis 
o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu gover-
nador; acaso terá ele agrado de ti, e te será favorável? -diz o Senhor 
dos Exércitos (Ml 1:6-8). 
 
Deus perguntou ao seu povo: "Vocês me chamam Senhor, 
mas onde está minha honra e reverência?" Como Ele era 
desrespeitado? O povo retinha o que havia de melhor para si e lhe 
dava o que era de segunda categoria. 
Deus chamou as ações do povo de desrespeito e irreverência. 
Para ajudar os israelitas a verem seu erro mais claramente, Deus 
os desafiou a "oferecer o que vocês me deram ao seu governador", 
isto é, chefe, ou qualquer líder, bem abaixo do nível de Rei do 
Universo! Se a maioria de nós trabalhasse para nosso patrão do 
modo como trabalha para Deus, seria despedida na primeira 
semana. 
Vamos olhar o grau de honra que frequentemente damos a 
Deus. Nós chegamos à igreja com dez minutos de atraso. 
Sentamos e assistimos ao culto, nunca levantamos um dedo para 
servir, criticando o tempo todo a liderança e aqueles que servem 
na igreja. Mantemos uma vigilância constante e desconfiada sobre 
como o dinheiro está sendo gasto, embora raramente demos nosso 
próprio dízimo integralmente. Na pressa de comer, saímos antes 
do final do culto. Assistimos somente aos cultos regulares e 
ficamos frustrados quando somos convocados para reuniões 
especiais. Se o clima está ruim, ficamos em casa para evitar mais 
atritos. Se o clima está muito agradável, ficamos em casa para 
desfrutá-lo. Se o nosso programa favorito passar na televisão, 
perderemos o culto para assisti-lo. Quanto tempo esse nível de 
desempenho duraria em um local de trabalho? 
A maioria daqueles que trabalham nas igrejas ou ministérios 
está sobrecarregada de trabalho porque somente alguns estão 
dispostos a dar seu tempo para levar a tremenda carga de 
trabalho envolvida no ministério. A maioria vem apenas para 
receber ou ser espectador, mas nunca para dar ou servir. Assim, o 
pobre e o necessitado na congregação são negligenciados porque 
aqueles que possuem mais recursos estão ocupados demais com 
suas próprias vidas. Mas quando analisamos os verdadeiros 
motivos, todos estão ocupados em busca do seu próprio sucesso e 
são muito críticos em relação ao pastor, quando as necessidades 
do pobre não são supridas. 
Este tipo de comportamento nada mais é do que irreverência 
diante do Senhor. A maioria de nós hoje trabalha duro por muitos 
horas para manter um padrão de vida. Mas ficamos aflitos se o 
culto no domingo passa meia hora além do tempo que achamos 
que deveria terminar. É preciso muito esforço para frequentarmos 
as reuniões de oração e reclamamos que não temos tempo para 
alimentar e vestir os pobres. 
A verdade é que tudo é estressante. Muitos pais nem mesmo 
passam tempo com suas próprias famílias, por quem eles 
trabalham arduamente para prover o sustento. Colocam suas 
famílias de lado e dizem defensivamente: "E claro que eu amo 
vocês; vocês não podem ver que eu estou ocupado trabalhando 
para supri-los? Agora, deixem-me sozinho. Eu estou cansado e 
não tenho tempo para vocês no momento!" 
Deus explica a perturbação deles: "Vocês esperaram muito, 
mas na verdade tiveram pouco; e quando levaram para casa esse 
pouco, eu o assoprei. Por quê?"- diz o Senhor dos Exércitos. "Por 
causa da minha casa que está em ruínas, enquanto cada um de 
vocês corre por causa da sua própria casa. Por isso a última 
chuva foi retida de sobre vocês e os frutos da colheita não vieram". 
(Tradução livre de Ageu 1:9,10). 
 
ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS PREGADORES? 
Malaquias e Ageu eram verdadeiros profetas. Suas fortes 
palavras proféticas provocaram mudança nos corações do povo de 
Israel, que ouviu estas palavras: e...atenderam à voz do Senhor, 
seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor, seu 
Deus tinha mandado dizer; e o povo temeu diante do Senhor (Ag 
1:12). 
A reverência foi restabelecida. Agora o enfoque estava nova-
mente no templo; seus interesses pessoais tornaram-se 
secundários. Quando tememos a Deus, sempre colocaremos os 
interesses e os desejos dele acima dos nossos próprios interesses. 
Precisamos de pregadores como Ageu ou Malaquias, pessoas 
que evitam a popularidade para agradar a Deus. Precisamos de 
pregadores que falem palavras fiéis, palavras que as pessoas 
precisam ouvir, ao invés de palavras que elas querem ouvir. Hoje, 
se uma pessoa escreve um livro sobre como melhorar o estilo de 
vida ou alcançar sucesso, venderá bem. Nós escrevemos e 
pregamos sobre assuntos que são atrativos às pessoas. Mas onde 
estão aqueles que não levam em consideração a aceitação da sua 
mensagem na Terra, mas apenas com a aceitação no céu? 
Quando viajo, meu tempo para falar é frequentemente 
limitado por certas restrições, normalmente cerca de uma hora e 
meia. Há duas razões por trás disso: primeiro, há o temor de que 
se os cultos forem longos demais, a igreja perderá a frequência 
nos cultos à noite, como também os seus membros. É interessante 
que os mesmos membros temperamentais podem sentar-se por 
duas horas ou mais para assistir a um filme ou por duas horas 
para assistir a grandes eventos esportivos, mas ficam frustrados 
se o sermão prossegue por mais de sessenta minutos. 
Segundo, há a pressão que tais cultos impõem sobre as 
pessoas que trabalham com crianças. Se esses obreiros 
ministrassem às crianças ao invés de entretê-las, elas 
experimentariam um genuíno mover de Deus! Eu participei de 
vários cultos que duraram três horas ou mais, e as crianças não 
tiveram nenhuma dificuldade de permanecer sentadas. A razão é 
que as crianças não estavam sendo entretidas, mas, ministradas. 
Isso não quer dizer que um culto deve ser longo para ser eficaz. 
Essas atitudes são simplesmente um reflexo do que nós con-
sideramos digno da nossa atenção. 
Percebo isso em igrejas muito grandes. Muitas vezes, a razão 
pela qual uma igreja é grande é que ela atende aos convertidos 
desinteressados, que podem entrar e sair rapidamente, sem 
jamais fazer com que sintam desconforto. 
Sim, se o Espírito Santo não estiver presente em um culto 
não há nenhuma razão para prosseguir por mais de uma hora e 
meia. Na verdade, até será muito tempo sem a presença do 
Espírito Santo, eu concordo. Porém, o Espírito Santo será 
encontrado em cultos onde a liderança lhe permite fazer e dizer 
tudo o que Ele deseja! 
Recentemente, estava com o pastor de uma grande igreja 
queme pediu para limitar o culto a uma hora e meia. Eu olhei 
para ele, e com respeito à sua posição, respondi-lhe: "É isto que 
você quer? Você quer impor restrições ao tempo do Espírito 
Santo? Se é isto que você quer, sua igreja pode crescer, mas 
esqueça a possibilidade de ter um verdadeiro mover de Deus na 
igreja". 
Ele concordou:' Tudo bem, mas por favor, termine em duas 
horas''. 
Nosso último culto foi numa noite de segunda-feira, e eu 
preguei uma mensagem muito forte. Cerca de 80% das pessoas 
vieram à frente quando fiz o apelo ao arrependimento. Notei que 
meu tempo havia acabado e então, eu terminei o culto. Eu tenho 
aprendido que Deus se agrada quando respeito a autoridade que 
Ele estabeleceu sobre um corpo de crentes. 
Eu tomei um avião para casa na manhã seguinte. No outro 
dia, o pastor me telefonou: "John, eu senti que você deveria ter 
orado pela minha equipe pastoral". 
Eu concordei e respondi:' Eu também senti, mas eu não tive 
tempo''. 
Ele continuou: "John, quando eu cheguei em casa, minha 
esposa estava no meio do sala de estar, no chão, chorando. Ela 
olhou para mim e disse: 'Nós falhamos com Deus. As reuniões 
deveriam ter continuado. Nós temos recebido telefonemas o dia 
todo, testemunhando de vidas que foram transformadas'. Os 
crentes de toda a região estão ligando para dizer: 'Nós ouvimos 
falar que Deus está fazendo algo em sua igreja. Há um culto hoje à 
noite?' Eu não posso acreditar que limitei seu tempo. Deus tem 
tratado comigo a respeito disto". 
Eu respondi: "Pastor, eu estou cheio de alegria, porque vejo 
que você tem um coração aberto". 
Ele pediu, então, que eu retornasse o mais breve possível 
para realizar uma semana de reuniões. Eu gostaria de poder dizer 
que todos os pastores que encontrei, que limitaram o Espírito de 
Deus em suas igrejas, tiveram os mesmos corações abertos. Deus 
lamentou esta irreverência por meio de Jeremias: 
 
Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os 
profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos 
dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis 
quando estas cousas chegarem ao seu fim?(Jr 5:30,31) 
 
E assustador, mas esta passagem descreve muito do que ve-
mos hoje. Frequentemente, as palavras dos assim chamados 
"profetas" na igreja, não dão nenhuma edificação verdadeira ao 
coração do povo de Deus. Eles dão alívio temporário com a 
promessa de bênçãos. Mas, mais tarde, as pessoas ficam 
desencorajadas quando ficam desapontadas com Deus, porque a 
palavra não se torna realidade. As mensagens de Ageu e 
Malaquias orientaram as pessoas a se voltarem novamente para o 
coração de Deus. Suas palavras proféticas trouxeram um saudável 
temor do Senhor de volta ao povo, que os conduziu à obediência. 
É lamentável que a maioria das pregações e palavras proféti-
cas pessoais alimenta atitudes erradas e conceitos que se têm 
infiltrado no coração dos filhos de Deus. "Deus quer que você seja 
feliz, Deus quer que você seja abençoado! Há um estilo de vida 
próspero esperando por você!" Faça um estudo para você mesmo 
das profecias pessoais encontradas no Novo Testamento. Você 
encontrará somente algumas e a maioria diz respeito a cadeias, 
tribulações e morte que aguardavam aqueles que glorificarão a 
Deus (Jo 21:18,19; Atos 20:22, 23 e At 21:10,11). Bem diferentes 
das profecias pessoais de hoje! 
O Senhor descreve um sacerdote como alguém que rege com 
mão de ferro. Isso acontece quando os pastores regem para 
controlar, em vez reger pela obediência à direção do Espírito. É 
ofensivo para o Espírito Santo dizer que Ele tem apenas uma hora 
e meia, do começo ao fim, para completar a sua obra. Desagrada-o 
quando os líderes seguem um padrão rígido e tomam decisões sem 
o conselho de Deus. Mas o que Deus acha mais alarmante é que o 
seu povo gosta das coisas dessa maneira! Para muitos, tais 
limitações protegem sua própria irreverência e estilos de vida 
egocêntricos. 
Com a primeira chuva, veio grande bênção, mas ela também 
trouxe julgamento rápido. Deus pergunta: "Mas o que fareis 
quando estas cousas chegarem ao seu fim?" Eu creio que Ele está 
advertindo: "Se você não mudar, no dia da minha glória você será 
julgado, em vez de ser abençoado". 
 
CONSIDERE O PRIMEIRO TEMPLO 
Vamos voltar a Ageu. Quando o temor do Senhor foi 
restaurado nos corações dos filhos de Israel, sua atenção se voltou 
para Deus. Ageu então chamou a atenção para a presente 
condição do templo: Quem há entre vós, que tenha sobrevivido, viu 
esta casa na sua primeira glória ? E como a vedes agora ? Não é ela 
como cousa de nada aos vossos olhos? (Ag 2:3) 
Eu creio que Deus está fazendo a mesma pergunta para nós 
hoje: "Quantos de vocês se lembram da igreja em sua primeira 
glória? Com qual ela pode ser comparada agora? Como nós - o 
templo de Deus - a comparamos?" 
Para responder, para efeito de comparação, vamos examinar 
a glória da Igreja no livro de Atos. O Pentecostes, o primeiro dia da 
primeira chuva, veio com tal força que captou a atenção das 
multidões em Jerusalém. Não houve notícia no rádio, na televisão 
ou no jornal. Nenhum panfleto foi distribuído. De fato, nem 
mesmo a reunião havia sido programada. Contudo, Deus se 
manifestou tão poderosamente que as multidões ouviram as 
palavras ungidas de Pedro e milhares foram salvos. Essa reunião 
não foi celebrada em uma igreja, nem em auditório ou estádio, 
mas ao ar livre, nas ruas. 
Pouco tempo depois, Pedro e João estavam a caminho do 
templo, quando viram um homem aleijado, que era coxo desde o 
nascimento. Diariamente, ele era posto ali na rua para pedir 
esmolas. Pedro o levantou sobre seus pés, e o homem aleijado foi 
curado em nome de Jesus. Dentro de poucos minutos, uma 
multidão de milhares de pessoas novamente havia se aglomerado 
no local. Pedro pregou e cinco mil homens foram salvos. Não havia 
nem tempo para um "apelo no altar", pois Pedro e João foram 
presos antes de terminar a pregação. 
Em um espaço de tempo muito curto, a igreja havia crescido 
de cento e vinte membros para mais de oito mil. 
Depois que Pedro e João foram soltos da prisão, eles volta-
ram a se reunir com os outros crentes. Juntos, eles oraram com 
tanta unidade, que o prédio onde estavam foi abalado. Isso é 
poder! Agora, eu conheço pregadores que podem ter a tendência 
de exagerar, mas a Bíblia não faz isto! Quando ela diz que o local 
tremeu, é porque tremeu mesmo! 
Logo depois, um homem e uma mulher trouxeram uma 
oferta e caíram mortos por causa da própria irreverência. 
Imediatamente após esse incidente, nós lemos: 
 
A ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem 
sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua 
sombra se projetasse nalguns deles (At 5:15). 
 
Observe que diz ruas, não "rua"! Jerusalém não era 
nenhuma cidade pequena. A glória de Deus era tão forte, que tudo 
o que Pedro tinha de fazer era passar por essas pessoas e elas 
seriam curadas! 
Depois, a perseguição se tornou tão intensa em Jerusalém 
que os crentes se espalharam por todas as regiões da Judéia e 
Samaria. Um deles, Filipe, um homem que servia às mesas das 
viúvas, entrou numa cidade de Samaria e pregou o evangelho. A 
cidade inteira respondeu, e as multidões lhe deram ouvidos 
quando viram os grandes milagres que ele fazia. O efeito do 
Espírito de Deus naquela cidade foi tão grande que a Bíblia 
registra: Havia grande alegria naquela cidade (At 8:8). 
Um anjo do Senhor disse a Filipe que fosse para o deserto, 
onde ele encontrou um homem de grande autoridade da Etiópia. 
Ele o conduziu a Jesus e o batizou. Então, o Espírito do Senhor 
arrebatou Filipe, de forma que ele desapareceu diante dos olhos 
do homem. Foi transladado do deserto para uma cidade chamada 
Azoto. 
Logo depois, encontramos Pedro indo para uma cidade 
chamada Lida. Lá, ele encontrouum homem chamado Eneias, que 
estava paralítico havia oito anos. Pedro falou com ele no nome de 
Jesus, e aquele homem aleijado foi curado imediatamente. 
A Bíblia diz: Viram-no todos os habitantes de Lida e Sarona, 
os quais se converteram ao Senhor (At 9:35). Duas cidades inteiras 
foram salvas! 
Mais tarde, nós vemos Deus operando poderosamente entre 
os gentios. Em todos os lugares que os crentes iam, cidades 
inteiras eram impactadas pelo evangelho. Os crentes eram 
descritos como aqueles que têm transtornado o mundo chegaram 
também aqui (At 17:6). 
A glória de Deus era tão poderosa que a Bíblia registra: 
Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os 
habitantes da Asia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus 
como gregos (At 19:10). Que emoção! A Bíblia não diz: "Toda a Ásia 
ouviu a palavra". Isso seria mais fácil de engolir, pois significaria 
que todas as cidades haviam sido atingidas, mas não 
necessariamente significaria todas as pessoas. 
Em vez disto está escrito: "Todos os habitantes da Ásia 
ouviram a palavra do Senhor!" Isto quer dizer que todas as 
pessoas que moravam na Ásia ouviram a Palavra de Deus em 
apenas dois anos. A Ásia não é uma vila, não é uma cidade, nem é 
um país. É uma região inteira! 
Tudo foi feito sem satélites, internet, televisão, rádio, carros, 
bicicletas, fitas, livros ou vídeos. A Bíblia diz que todas as pessoas 
ouviram o evangelho proclamado por aqueles primeiros cristãos. 
 
SETE VEZES MAIOR 
Agora, você está entendendo como a Igreja de Atos era glori-
osa durante a primeira chuva do Espírito de Deus? Vamos voltar 
novamente à pergunta de Deus: "Como a Igreja de hoje se 
compara com a do livro de Atos?" Nós não somos nada? Se nós 
fôssemos honestos, nós responderíamos 'sim' a esta pergunta. Não 
há nenhum modo de comparar a Igreja de hoje com a Igreja 
gloriosa de Atos. Nós podemos ter mais recursos, mas parece que 
temos menos fonte. [Nota do Tradutor: em inglês, um trocadilho 
com as palavras resources (recursos) e sources (fonte)]. Eu não 
sou contra livros, fitas, televisão, computadores e tecnologia de 
satélite. Todos eles são recursos, mas se não são inspirados pela 
Fonte, eles serão insuficientes. Deus é a Fonte de todos os nossos 
recursos. 
Deus faz essa pergunta para nos condenar? Absolutamente, 
não! Ele está meramente nos desafiando a ampliar a nossa visão. 
Se achamos que já chegamos ao nosso destino, não vamos ter 
desejo de prosseguir. Nossa paixão e senso de aventura estarão 
perdidos. Em Provérbios 29:18, Deus nos diz: Não havendo 
profecia (visão profética) o povo se corrompe... (Parênteses acrescido 
pelo autor). 
Com esta revelação da nossa necessidade, Ele abre um 
caminho para a sua visão profética. Leia a Palavra de Deus e veja 
a visão dele: A glória desta última casa será maior do que a da 
primeira, diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2:9). 
Que maravilha! Você consegue imaginar isso? Deus diz que 
a sua glória revelada excederá aquela exibida no livro de Atos! 
Você percebe como ainda é pequena a visão que temos de Deus? 
Quando me falou em oração alguns anos atrás, o Senhor me 
deixou aturdido: "John, a magnitude da minha glória revelada nos 
dias vindouros será sete vezes maior que aquela que meu povo 
experimentou no livro de Atos!" 
Eu clamei imediatamente: "Senhor, eu não sei se posso crer 
ou compreender isso! Eu preciso ver exatamente o que tu tens 
falado em tua Palavra para confirmar que é o Senhor que está me 
dizendo isso". 
Eu tenho feito isso frequentemente, e o Senhor nunca me 
disciplinou por isso. As Escrituras dizem: Pela boca de duas ou 
três testemunhas toda palavra será estabelecida (2Co 13:1). O 
Espírito de Deus não contradiz sua Palavra escrita e estabelecida. 
O Senhor me respondeu imediatamente, derramando as 
Escrituras rapidamente em meu coração - não apenas dois ou três 
versículos, mas vários. 
Primeiro, Ele perguntou: "John, eu não digo em minha 
Palavra que quando o ladrão for apanhado, ele deve pagar sete 
vezes mais? (Pv 6:31). O ladrão tem roubado a Igreja, mas a minha 
Palavra diz que o céu deve receber Jesus até o tempo da 
restauração de todas as coisas! Essa restauração será sete vezes 
mais!" 
Ele continuou: "John, eu não disse em minha Palavra que 
derrotaria os inimigos que se levantarem contra meu povo? Por um 
caminho sairão contra ti, mas, por sete caminhos fugirão da tua 
presença" (Dt 28:7). 
Então, usando um versículo de Eclesiastes, Ele perguntou: 
"John, Eu não disse em minha Palavra que 'Melhor é o fim das coi-
sas do que o seu princípio?' (Ec 7:8) O fim da era da Igreja será 
melhor que o começo". 
Ele ainda falou mais uma vez, perguntando: "John, eu não 
guardei o melhor vinho para o final, no casamento de Cana da 
Galiléia?" (Jo 2:1 -11) O vinho fala da sua presença tangível nas 
Escrituras. 
Mais tarde, Ele me mostrou o versículo das Escrituras que 
cimentou isso para mim em meu coração. O livro de Isaías, no 
capítulo 30, conta como o povo de Deus buscaria se fortalecer na 
força do Egito (o sistema do mundo). Eles iriam buscar forças nos 
ídolos que o mundo cultua. Então, Deus teria de trazer o povo 
para a purificação por meio da adversidade e da aflição. Nesse 
processo, abandonariam seus ídolos e voltariam seus corações 
completamente para Deus. Uma vez que isso aconteceu, Deus 
disse: 
 
Então o Senhor te dará chuva sobre a tua semente... (Is 
30:23). 
 
Isaías não está falando de chuva natural, mas da chuva do 
Espírito de Deus, descrita por Joel, Pedro e Tiago. Olhe o que 
Isaías segue dizendo: 
 
A luz da lua será como a do sol, e a luz do sol, sete vezes 
maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor atar aferida 
do seu povo, e curar a chaga do golpe que ele lhe deu (Is 30:26). 
 
O sol natural não é sete vezes mais luminoso quando está 
chovendo. Não; Deus está descrevendo a glória do seu Filho, a 
quem as Escrituras chamam de o Sol da Justiça (Ml 4:2). Sua 
glória será sete vezes maior nos dias que antecedem à sua 
segunda vinda. 
A última chuva da glória de Deus trará refrigério não apenas 
para o povo de Deus, mas também para aqueles ao seu redor. Eu 
tenho ido a grandes reuniões em que Deus estava se movendo e 
onde havia milhares de pessoas todas as noites. Embora afluísse 
uma multidão de santos, desviados e pecadores, muitas vezes 
essas reuniões não faziam nenhum efeito sobre as cidades 
circunvizinhas. Enquanto me dirigia para os cultos, me 
perguntava quando a cidade inteira seria atingida. Por mais 
maravilhosas que sejam as nossas reuniões, ainda espero a última 
chuva. 
A última chuva será diferente dos reavivamentos passados. 
Esses reavivamentos atingiram uma cidade ou uma região aqui ou 
ali, como em Azusa e Gales. Eles também atingiram as nações, 
mas as pessoas tiveram de ir lá para participar dele. Mas, no livro 
de Atos, a glória de Deus se manifestou em todos os lugares onde 
os seus discípulos foram. A glória de Deus foi derramada em todas 
as partes do mundo conhecido. A última chuva será derramada 
sobre toda a terra numa medida muito maior! 
É com grande emoção que declaro: não devemos olhar onde 
já estivemos ou onde estamos agora! Temos que elevar nossos 
olhos para o horizonte e buscar a glória da sua vinda! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prepare o caminho do Senhor 
preparando o seu povo para a sua gloriai 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 10 
 
A RESTAURAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS 
 
Porém tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá 
da glória do Senhor (Nm 14:21). 
 
Nós estamos nos aproximando rapidamente da última chuva 
da glória de Deus. Haverá uma importante diferença entre a Igreja 
de hoje e a Igreja anterior ao Pentecostes. No Livro de Atos, Deus 
derramou repentinamentee dramaticamente o seu Espírito, e só 
então, depois de muitos anos, isso começou a diminuir. Creio que 
as Escrituras revelam que a última chuva não será um 
derramamento súbito, mas uma rápida restauração. A primeira foi 
repentina, a última, rapidamente restaurada. 
Para explicar melhor, vamos voltar ao tempo decorrido entre 
Moisés e o rei Davi. Moisés construiu o tabernáculo que 
representava a ordem divina, e aí, então, a glória do Senhor foi 
revelada de uma maneira poderosa e dramática. Foi repentino e 
tremendo. Logo que Moisés havia terminado o trabalho, o 
tabernáculo foi envolvido por uma nuvem espessa da glória de 
Deus. 
Essa glória diminuiu posteriormente devido ao pecado e à 
indiferença para com o Senhor. Esse vai e vem gradual continuou 
até que Israel alcançou o ponto mais baixo, sob a liderança de Eli. 
A lâmpada de Deus estava para se apagar e a sua glória havia 
partido. 
No dia em que Eli e seus filhos morreram, a arca de Deus foi 
capturada pelos filisteus. Eles levaram a arca para a cidade de 
Asdode, onde estava localizado o templo do seu deus Dagom. Mas 
a mão do Senhor foi contra Dagom. A estátua do deus deles caiu e 
sua cabeça e suas mãos se quebraram diante da arca de Deus. Os 
filisteus levaram a arca para cinco cidades. Onde quer que 
levassem a arca, os filisteus eram flagelados com tumores e morte. 
A devastação era tão imensa que a agonia do clamor da quinta 
cidade chegou até o céu (1 Sm 5). Depois de sete meses, os 
príncipes dos filisteus se reuniram com os seus sacerdotes e 
adivinhadores para decidir como mandar a arca de volta para 
Israel. Queriam honrar o Deus de Israel com uma oferta pela 
culpa dos cinco ratos de ouro e cinco tumores, representando as 
suas cinco cidades e seus príncipes. Eles oraram para que Deus 
tirasse sua mão de castigo de sobre eles. Depois de colocar esses 
objetos de ouro num cofre, o colocaram ao lado da arca, num 
carro novo puxado por duas vacas, que tinham dado cria 
recentemente, cujos bezerros foram colocados num cercado. Os 
filisteus raciocinaram: "Se as vacas puxarem este carro para um 
território longe do mugir dos seus bezerros, então saberemos que 
é Deus quem nos feriu". As vacas puxaram a arca diretamente 
para o território de Israel, onde permaneceu intocada na casa de 
Abinadabe, na cidade de Quiriate-Jearím, durante vinte anos. É 
interessante notar que o primeiro rei de Israel, Saul, nunca tentou 
restabelecer a arca de Deus para Israel. 
 
A RESTAURAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS PARA ISRAEL 
Depois do reinado de Saul, o rei Davi assentou-se no trono. 
Seu coração buscou a Deus e almejou a restauração da glória de 
Deus para Israel, mas essa glória não foi manifesta do mesmo 
modo como fora com Moisés. Não foi repentina e poderosa, mas 
um processo de restauração. 
Esse processo de restauração começou anos antes, com o 
profeta Samuel. Deus o comissionou a preparar o caminho, 
chamando o povo de volta ao coração de Deus. Sua mensagem era 
a batida do coração de todos os verdadeiros profetas. 
Falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se é de todo o 
vosso coração que voltais ao Senhor, tirai dentre vós todos os 
deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao 
Senhor, e servi a ele só, e ele vos livrará da mão dos filisteus (ISm 
7:3). 
 
A HONRA QUE INSULTOU A DEUS 
Uma vez que Davi se tornou o rei, ele tomou Jerusalém 
derrotando os filisteus. Aí, então, buscou restabelecer a arca ao 
seu lugar legítimo. Consultou Davi os capitães de mil e os de cem, e 
todos os príncipes (1 Cr 13:1). Eles decidiram reunir todo o Israel 
para esse evento. Então, toda a congregação concordou em que 
assim se fizesse; porque isto pareceu justo aos olhos de todo o povo 
(v.4). 
Leia cuidadosamente o que eles fizeram a seguir: 
 
Puseram a arca de Deus num carro novo, e a levaram da casa 
de Abinadabe... (2Sm 6:3). 
 
Onde os israelitas arrumaram a idéia de trazer a arca para 
Jerusalém em um "carro novo"? Não foi exatamente daquela 
maneira que os filisteus a enviaram de volta para Israel ? 
Eles levaram a arca da casa de Abinadabe com dois homens, 
Aiô e Uzá, dirigindo o carro. Davi e toda a casa de Israel 
alegravam-se perante o Senhor com toda a sorte de instrumentos de 
pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamboris, com 
pandeiros e com címbalos (2Sm 6:5). O Primeiro Livro de Crónicas 
13:8 diz que eles fizeram isso com toda sua força, mas, veja o que 
aconteceu: 
 
Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à 
arca de Deus e a segurou, porque os bois tropeçaram. Então a ira 
do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta 
irreverência; e morreu junto à arca de Deus (2 Sm 6:6,7). 
 
A Bíblia Nova, de King James, tem uma marca de referência 
para a palavra 'erro'. Eu a localizei na coluna central e encontrei a 
palavra ' irreverência'. Outra tradução poderia ser:' 'Deus o feriu 
ali por esta irreverência". (Nota do tradutor: a Bíblia em 
português, revista e atualizada, já traz esta tradução, como se vê 
no versículo transcrito acima). 
Que coisa incrível! Apenas uma geração anterior, dois 
homens estavam cometendo adultério à porta do tabernáculo, 
onde a arca residia. A irreverência deles era descarada e excedia 
em muito a desse homem que meramente estendeu sua mão para 
segurar a arca. Os sacerdotes imorais não foram julgados 
imediatamente por seu comportamento; contudo, Uzá foi julgado. 
Por quê? No caso dos filhos de Eli, a glória havia ido embora. Com 
Uzá, a glória de Deus estava retornando. Quanto mais forte for a 
glória manifesta de Deus, mais rápido e mais severo será o seu 
julgamento da irreverência. 
 
COM MEDO DE DEUS 
Desgostou-se Davi porque o Senhor irrompera contra Uzá [...] 
Temeu Davi ao Senhor, naquele dia, e disse: Como virá a mim a 
arca do Senhor? (2 m 6:8, 9) 
 
Não faltava entusiasmo a Davi, a seus líderes e ao povo de 
Israel. Houve um grande preparo para recuperar a arca para 
Israel. Uma vez que Israel voltou a possuir a arca novamente, o 
povo tocou instrumentos musicais com todas as suas forças. Eles 
acreditavam que estavam honrando a Deus, trazendo a arca em 
um novo carro. Davi escolheu a dedo os dois homens que iriam 
dirigir o carro. Então, você pode entender o choque de Davi, 
quando Deus feriu de morte um dos homens escolhidos por ele. 
Seu choque logo se transformou em desgosto. Davi pode ter 
questionado: "Por que Deus fez isto? Por que Ele não apenas 
reprovou o nosso zelo, mas o rejeitou com tal julgamento?" Davi 
deve ter pensado: "Eu fiz tudo que sabia para honrar a Deus, e 
meu melhor foi julgado inaceitável!" Depois de pensar bastante, 
seu desgosto se transformou em temor. Ele ficou com medo de 
Deus. (Isso não é o mesmo que temer a Deus. Aqueles que têm 
medo se afastam de sua presença, mas aqueles que O temem, 
aproximam-se dele. Nós veremos isso mais tarde, neste livro). Davi 
deve ter se perguntado: "Se o meu melhor homem foi julgado 
inaceitável, como a arca do Senhor pode chegar até a mim?" 
Sempre que experimento frustração ou desgosto em relação 
ao Senhor, tenho afirmado rapidamente para mim mesmo que isso 
acontece devido a minha própria falta de conhecimento ou 
entendimento, pois os caminhos de Deus são perfeitos. Eu tenho 
aprendido pessoalmente que uma pessoa pode ter um tremendo 
zelo, contudo, ter falta de conhecimento. O zelo e o entusiasmo 
que não são temperados pela sabedoria e pelo conhecimento 
sempre trazem problemas. Além disso, tenho aprendido que é 
minha responsabilidade buscar o conhecimento de Deus (Pv 2:1 -
5). 
 
RESPONSABILIDADE NEGLIGENCIADA 
Davi estava desgostoso com o Senhor, porém, o julgamento 
tinha sobrevindo devido a uma falta de compreensão por parte de 
Davi e de seus líderes. Moisés disse: 
 
Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que 
mandou o Senhor, teuDeus, se te ensinassem, para que os 
cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas 
ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e 
mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, 
todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados (Dt 
6:1-2). 
 
Moisés deu uma diretriz clara: para temer a Deus, nós deve-
mos conhecer e obedecer a sua vontade acima de todas as coisas. 
Este mandamento não apenas foi dirigido aos filhos de Israel, 
como também Deus deu mandamentos específicos ao rei. 
Também quando se assentar no trono do seu reino, escreverá 
para si um traslado dessa lei num livro, do que está diante dos 
levitas sacerdotes. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua 
vida, para que aprenda a temer ao Senhor, seu Deus... (Dtl7:18, 19) 
O rei deveria ler a Palavra de Deus todos os dias. Por quê? A 
sabedoria e a honra de Deus seriam estabelecidas em seu coração, 
de forma que ele considerasse os caminhos de Deus superiores às 
idéias do homem. O erro de Davi e de seus líderes poderia ter sido 
evitado. 
Davi e seus homens se reuniram para discutir como eles 
achavam que a arca deveria ser trazida de volta. Não há nenhuma 
menção de que eles consultaram a Palavra escrita de Deus, 
transmitida desde Moisés. Se Davi e os sacerdotes tivessem lido o 
conselho da Palavra de Deus, teriam percebido que os únicos que 
poderiam levar a arca de Deus eram os levitas, não por meio de 
um carro, mas suspensa por meio de varais e carregada sobre 
seus ombros (Êx 25:14; Nm 4:15 e 7:9). Essa falta de 
conhecimento levou os israelitas a imitarem o modo gentil ou 
mundano de carregarem a arca do Senhor. Os filisteus foram 
ignorantes quando mandaram de volta a arca por meio de um 
carro, mas a Israel haviam sido confiados os oráculos de Deus. 
Então, eles eram responsáveis. 
A negligência deles em buscar o conselho de Deus por meio 
da sua Palavra resultou na redução da imagem da glória de Deus, 
porém, novamente conforme a percepção do homem corruptível. 
Por isso, os israelitas honraram a Deus pelo mesmo método 
utilizado por aqueles que não tinham conhecimento dele. 
Imitaram o homem, em vez de receberem a inspiração de Deus. 
Foram zelosos, mas Deus ainda viu seus métodos como 
irreverentes. 
 
QUAL É A FONTE DA NOSSA INSPIRAÇÃO? 
Nós estamos cometendo o mesmo erro hoje. 
Frequentemente, nossas idéias de ministério são moldadas por 
uma reunião de homens. Nós recorremos ao poço da nossa 
própria sabedoria limitada, extraindo nosso conselho, que foi 
inconscientemente influenciado pelas tendências culturais. Estas 
tendências estão bem diante de nós e são de acesso mais fácil do 
que esperar em Deus, pela revelação da sua vontade. Embora 
muitas ideias novas e diferentes estejam surgindo, será que nós 
sempre sabemos de onde vem a nossa inspiração? Nós temos 
substituído o conhecimento de Deus pelas técnicas de motivação 
adquiridas do homem não regenerado. 
Como se pode observar nas Escrituras, a música 
desempenha um papel-chave e significativo para cultivar uma 
atmosfera para a presença do Senhor. A música tem a capacidade 
de abrir e preparar o coração de uma pessoa. Considere a música 
cristã contemporânea, que é muito popular hoje, inspirada na 
música demoníaca do mundo. Se o mundo tem hard rock, nós 
também podemos ter! Se tem rap, nós o copiamos. Se o mundo 
tem uma certa dança, nós a imitamos. Se o mundo tem MTV 
(Music Television, canal fechado), nós também podemos ter! É 
claro que nós mudamos as palavras - mas o ritmo e a 
apresentação são os mesmos. A lista continua. Em cada caso, nós 
tentamos copiar o mundo e até fazer melhor. Até onde isto irá? Se 
você quer predizer a nova tendência do ministério de louvor, não 
ore apenas ligue a MTV e assista ou ouça o que o mundo está 
fazendo. Então, quem está conduzindo quem? Se formos honestos, 
vamos lamentar o fato de que homens demoníacos têm se tornado 
nossos profetas. Como podemos ser tão enganados? 
Alguns argumentam: "Mas estamos usando a música como 
uma maneira para eles ouvirem. Para alcançar o perdido, 
encapamos a música de um modo que os pecadores possam 
recebê-la". Isso pode ser verdade em alguns casos (muito poucos, 
de fato), mas tenho descoberto que a maioria dos jovens que 
ouvem esse tipo de música já está na igreja. O fato constrangedor 
é que, muitas vezes, eles são os mesmos jovens que bocejam ou 
falam uns com os outros durante os períodos de verdadeira 
adoração! Como a carne deles está muito estimulada pelo mundo, 
esta geração moderna de jovens tende a menosprezar exatamente 
aquilo de que eles têm mais necessidade. 
E constrangedor, mas muitas emissoras de rádio cristãs 
contemporâneas se comunicam com seus ouvintes do mesmo 
modo que as emissoras seculares e copiam suas idéias das 
emissoras seculares que zombam de Deus. Alguns poderiam 
argumentar:' 'Nós estamos dando uma alternativa aos cristãos". 
Que tipo de discípulo resulta dessas práticas? 
As pessoas gostam de ser entretidas. Os americanos comuns 
assistem a quarenta e cinco horas de televisão por semana. As 
igrejas têm feito a mesma coisa que o mundo faz para atrair as 
pessoas. Na igreja, nós aprendemos a atrair as pessoas, apelando 
à sua tendência de desejarem entretenimento. Dessa prática tem 
surgido o que muitos chamam igrejas "dos que buscam amizade" 
ou igrejas "dos que buscam sensação". Tenho pregado em algumas 
dessas igrejas e tenho descoberto que muitas vezes aqueles que 
"buscam sensação" são "insensíveis" a Deus. Essas igrejas podem 
atrair grandes multidões, mas, vale a pena ofender a Deus? 
Eu tenho falado em igrejas que gastam milhares de dólares 
anualmente paia entreter seu povo. Seus jovens são entretidos por 
joguinhos de fliperama, hóquei aéreo, futebol e até jogos Nintendo. 
E ainda assim os líderes da igreja se perguntam por que não há 
mover de Deus no departamento da mocidade e ficam perplexos 
com o número de adolescentes grávidas. Os números de 
frequência estão aumentando, mas, onde o fruto do Espírito está 
sendo manifesto na vida desses jovens? 
Essa inspiração cultural não é limitada à liderança, mas 
também tem afetado muitos crentes. Vamos olhai-um exemplo: 
nossa sociedade respeita a autoridade somente quando concorda 
com ela. Há adesivos de pára-choques que proclamam: "Questione 
a autoridade!" Isto não diz respeito apenas ao mundo, pois muitas 
igrejas também têm adotado esta linha de pensamento. Eles 
respeitam e obedecem a autoridade somente se concordam com 
ela. A gente quase chega a pensar que o reino de Deus foi 
transformado em uma democracia! É alarmante que esta atitude 
se estenda além da autoridade delegada, pois o povo honra a Deus 
com a mesma indiferença. Se gostam do que Ele está fazendo em 
suas vidas, eles o louvam; se não gostam, eles reclamam. 
A lista é quase infinita. A questão é que existe muito na 
nossa maneira de ministrarmos ao Senhor que é inspirado pelo 
mundo. O que nós faremos no fim? O que vai acontecer com 
nossas maneiras? 
 
BUSQUE O CONHECIMENTO DE DEUS 
Há muitos que clamam para que Deus restaure a sua glória. 
Estão orando pela última chuva (Zc 10:1). Eles se submetem ao 
processo de purificação de Deus e não se queixam quando passam 
por provações. Não murmuram no deserto pelo qual estão 
passando espiritualmente. Logo, se regozijarão, pois Deus não 
retém sua glória daqueles que têm fome dele. 
Essas pessoas são um contraste comparadas àquelas que 
buscam conforto e sucesso. Outras ficam no meio termo - elas 
buscam a presença de Deus, contudo, como Davi, seu zelo não 
está de acordo com o seu conhecimento. Buscam a Deus à sua 
própria maneira, por sua própria sabedoria. Ainda têm de 
perceber a glória e a santidade daquele que elas desejam. 
Não devemos ignorar os textos das Escrituras que trazem 
correção, instrução, ajustamentose que conduzem à santidade. 
Ouça as palavras de Oséias: 
 
Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou, 
e nos sarará; fez aferida e a ligará. Depois de dois dias nos 
revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele 
(Os 6:1, 2). 
 
Esta passagem é um texto profético das Escrituras que 
descreve a purificação de Deus na sua igreja, em preparação para 
a sua glória. Ele despedaçou, mas vai sarar. Um dia para o Senhor 
é como mil anos (2Pe 3:8). Dois dias inteiros se passaram (dois mil 
anos) desde a ressurreição do Senhor. Nós estamos à beira do 
reavivamento e da restauração da glória de Deus, ao seu templo. 
O terceiro dia fala do reinado milenar de Cristo, quando Ele viverá 
e reinará aqui, em pessoa. A seguir, Oséias dá mais instruções 
sobre como viver e o que buscar, enquanto nós nos prepararmos 
para a glória de Deus. 
 
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a 
alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, 
como chuva serôdia que rega a terra (Os 6:3). 
 
Oséias nos assegura que a sua vinda gloriosa é tão certa 
quanto o nascer do sol ao amanhecer. Há um tempo designado, 
estejamos prontos ou não. Nossa busca deve ser o conhecimento 
do Senhor. Davi e seus homens tinham fome da presença do 
Senhor, mas faltou-lhes o conhecimento de Deus. Tal 
conhecimento poderia ter evitado a morte instantânea de Uzá. 
Hoje não é diferente. Nós somos admoestados: 
 
Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes 
contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o 
teu ouvido e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se 
clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se 
buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a 
procurares, então entenderás o temor do Senhor e acharás o 
conhecimento de Deus (Pv2:1-5). 
 
O caminho para a vida é claro. Se alguém dissesse a você 
que havia dez milhões de dólares escondidos em algum lugar, em 
sua casa, você procuraria continuamente, até encontrar a fortuna 
escondida. Se fosse necessário, levantaria os tapetes, quebraria as 
paredes, e até colocaria a casa abaixo para achar tanto dinheiro. 
Muito mais importantes são as palavras da vida! 
Quando obtemos nossa inspiração no mundo, estamos utili-
zando a sabedoria de homens e teólogos. A reverência a Deus é 
ensinada somente pelo mandamento ou pela diretriz dos homens. 
Sem a busca do conhecimento de Deus, novamente nós vamos 
nos encontrar repetidas vezes na situação de Uzá - cheios de boas 
intenções, contudo, ofensivas à sua glória. 
Com o aumento da glória de Deus nos últimos dias, haverá 
novos relatos de acontecimentos semelhantes aos que ocorreram a 
Ananias e Safira. Isso não é o desejo de Deus nem o propósito da 
restauração da Sua glória. Tal julgamento é simplesmente o 
resultado de não respeitar corretamente e não honrar a grandeza 
da glória de Deus. De acordo com o grau da glória revelada, o 
mesmo grau de julgamento será executado sempre que a glória de 
Deus for tratada com irreverência e desrespeito. 
 
CORAÇÕES FORTALECIDOS 
Olhando novamente o livro de Tiago, nós encontramos a 
mesma advertência: 
 
Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que 
o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até 
receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também 
pacientes e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor 
está próxima (Tg 5:7-8). 
 
Observe que Tiago nos diz para sermos pacientes. A palavra 
grega de fato significa "suportar e não desanimar". Então, Tiago 
diz: "Fortaleçam seus corações". Em outras palavras, coloquem 
seus corações na ordem divina e mantenham esse estado", se não, 
nós poderemos nos encontrar sob o julgamento da glória de Deus. 
Tanto Paulo como Pedro nos instruem sobre como fortalecer os 
nossos corações: 
 
Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai 
nele, nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como 
fostes instruídos, crescendo em ações de graça (Cl 2:6,7). 
 
Quando a submissão ao senhorio de Jesus nos fortalece, 
então nós podemos crer firmemente no que o Espírito Santo nos 
tem ensinado através das Escrituras. Pedro reafirma isso com: 
 
Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lem-
brados acerca destas cousas, embora estejais certos da verdade já 
presente convosco e nela confirmados (2 Pe 1:12). 
 
Pedro diz: "...sempre lembrá-los". Ele sabia da importância de 
ser fortalecido na presente verdade. Pedro sabia, por experiência 
própria, como era fácil se desviar da verdade. Como discípulo que 
recebeu a revelação de quem era Jesus, só o fato de negar 
conhecer o Messias alguns meses após aquela incrível revelação, 
fez Pedro saber o que era se desviar da verdade. 
Não é suficiente apenas buscar o conhecimento de Deus. 
Para continuar nele, nós temos de vivê-lo. Muito frequentemente, 
nós vivemos longe daquilo que Deus fez no passado e deixamos de 
experimentá-lo no presente. Nós ainda citamos textos das 
Escrituras e falamos coisas boas, mas não temos fome dos 
caminhos de Deus. 
Nós temos de retornar à natureza dócil do nosso primeiro 
amor. Quando, antes, nós o conhecemos, líamos nossas Bíblias e 
ouvíamos mensagens com grande expectativa, ansiosos para que o 
nosso Senhor, o objeto do nosso amor, pudesse ser revelado em 
maiores dimensões. Mas, muito cedo começamos a introduzir este 
tipo de atitude: "Vejamos o que este ministro tem". O motivo 
oculto da nossa atitude era descartar a verdade de tal pregação, 
justificando nossa apatia com: "Eu já sei isto" ou "Eu já ouvi tudo 
isto antes!" Outro sintoma desta atitude é ouvir ou ler para 
escolher o que nós queremos, em vez de experimentar os 
caminhos de Deus e procurar uma revelação mais profunda do 
seu coração. Nós somos advertidos: 
 
Por esta razão, importa que nos apeguemos com mais firmeza, 
às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos (Hb 
2:1). 
 
Muitos estão sendo arrastados para fora de nossas igrejas, 
porque não estão ancorados ou não estão firmados no 
conhecimento de Deus. Eles perderam o desejo de buscar o 
conhecimento de Deus. 
Os apóstolos e os profetas previram este afastamento e 
diligentemente nos advertiram a permanecermos firmes para que 
nós pudéssemos ter alegria no final. 
É temível considerar o que acontece quando os corações não 
estão em ordem. Muitos perderão a bênção da glória de Deus, en-
quanto outros entrarão em julgamento! 
 
O TABERNÁCULO DE DAVI RESTAURADO 
Quando Davi viu o que acontecera a Uzá, retornou a Jerusa-
lém e, diligentemente, buscou o conhecimento de Deus. Três 
meses depois, fez uma proclamação: 
 
Então, disse Davi: Ninguém pode levar a arca de Deus, senão 
os levitas; porque o Senhor os elegeu, para levar a arca de Deus, e o 
servirem para sempre (1 Cr 15:2). 
 
Dessa vez não houve nenhuma assembléia de homens para 
discutir. Uma vez que Davi descobriu o conselho de Deus sobre o 
assunto, corajosamente colocou a questão em andamento. Reuniu 
Israel e separou os descendentes de Arão e os levitas. Ele disse a 
esses sacerdotes: 
 
Vós sois os cabeças das famílias dos levitas: santificai-vos, 
vós e os vossos irmãos, para que façais subir a arca do Senhor, 
Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei. Pois, visto que não a 
levastes na primeira vez, o Senhor, nosso Deus irrompeu contra 
nós, porque então não o buscamos, segundo nos fora ordenado (l Cr 
15:12, 13). 
 
A ordem apropriada para aqueles sacerdotes convocava-os a 
se santificarem e ditou a estrutura externa e natural para carregar 
a arca a presença de Deus. Dessa vez a arca foi trazida a 
Jerusalém, para o tabernáculo que Davi havia preparado, e mais 
uma vez a glória de Deus foi restaurada para Israel. Nossa ordem 
apropriadapara carregar a presença de Deus é encontrada nos 
recantos do coração. É dentro do coração que nós temos que nos 
preparar, porque Deus está para revelar a sua glória na Terra de 
uma maneira nunca vista antes. Ele declara: Porém tão certo como 
eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do Senhor (Nm 
14:21). 
Quando Deus fez esta declaração, Ele havia lamentado o fato 
de que seu povo não cria nele nem o obedecia. O fato é que 
chegaria um tempo, no futuro, quando seu povo o temeria, e 
então, incondicionalmente, obedeceria a Ele. Esses crentes 
manifestariam a glória de Deus, porque seriam o templo da sua 
glória. Mais tarde, Deus falou por meio do profeta Isaías: 
 
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do 
Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a 
escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e 
a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua 
luz, e os reis para o resplendor que te nasceu (Is 60:1-3). 
 
Observe que Isaías diz: A glória do Senhor nasce sobre ti. 
Entretanto, nós também ouvimos a glória descrita como última 
chuva. Deus me falou, em oração, e comparou o derramar da sua 
última chuva com o dilúvio de Noé. A Bíblia diz: ...romperam-se 
todas as fontes do grande abismo, e as comportas do céu se 
abriram (Gn 7:11). A restauração da sua glória surgirá sobre 
aqueles que prepararem seus corações para Ele e ela cairá sobre 
as nações do mundo. Nenhuma cidade deixará de ser atingida 
pela última chuva do Espírito de Deus. 
Deus diz que a sua glória será restaurada em Seu povo, e até 
mesmo os descrentes serão atraídos para a sua luz. Amos diz: 
 
Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei 
as suas brechas; e levantando-o das suas ruínas, restaurá-lo-ei 
como nos dias da antiguidade (Am 9:11). 
 
A glória de Deus será restaurada na igreja e excederá a 
glória manifesta nos dias de Davi. Tiago citou esta porção das 
Escrituras aos líderes da igreja e aplicou-a aos últimos dias, 
dizendo: 
 
Expôs Simão como Deus, primeiro visitou os gentios, a fim de 
constituir dentre eles um povo para o seu nome. Conferem com isto 
as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas 
cousas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, 
levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais 
homens busquem ao Senhor, e todos os gentios sobre os quais tem 
sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas cousas 
conhecidas desde séculos (At 15:14-18). 
 
Pelo Espírito, Tiago viu essa grande colheita de crentes en-
trando no reino com a restauração da glória de Deus. Ele fala 
profe-ticamente, mas não completa a mensagem de Amos, pois 
isso se aplicava especificamente ao nosso tempo. Vejamos a 
conclusão da mensagem de Amos: 
 
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que o que lavra a terra 
segue logo ao que ceifa, e o que pisa as uvas, ao que lança a 
semente; os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se 
derreterão (Am 9:13). 
 
Deus diz que a colheita será tão abundante, o ceifeiro estará 
tão atarefado com o trabalho, que ele não conseguirá completá-lo 
antes que o lavrador venha preparar os campos para uma nova 
plantação. A tradução da Bíblia Vida Nova o diz desta maneira: 
{Nota do Tradutor, a citação abaixo foi extraída da versão revista e 
atualizada). 
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que, o que lavra segue 
logo ao que ceifa (Am 9:13). 
Em termos simples, Deus está descrevendo uma colheita tão 
abundante, que será tremenda. Glória a Deus! Espere por esse 
dia, porque ele está se aproximando rapidamente. O tempo é 
curto. Não resista à obra purificadora de Deus e não negligencie o 
conhecimento do Senhor. 
Enquanto escrevia este livro, fiquei muito consciente da sua 
importância e momento. Ele é um clamor do Espírito soando para 
a Igreja. Sua mensagem - "Preparar o caminho do Senhor 
preparando seu povo para a sua glória!" Enquanto Deus restaura 
a sua glória, vamos ser sábios e aprender com Davi e os seus 
homens. Esses eventos foram registrados por razões que vão além 
de propósitos históricos. A Bíblia nos diz: Pois tudo quanto outrora 
foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15:4). 
Agora que nós lançamos o fundamento para compreender os 
tempos, é hora de buscarmos a importância de aprender a andar 
no temor do Senhor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma pessoa que teme a Deus, treme com a 
sua Palavra e na sua presença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 11 
 
A HABILIDADE PARA VER 
 
Quem dera eles tivessem tal coração, que me temessem, e 
guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para 
que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre! (Dt 5:29) 
 
Nós sempre ouvimos mensagens extraídas da Primeira Carta 
de Paulo aos Coríntios. Frequentemente se faz referência a esse 
livro da Bíblia, especialmente em grupos onde há manifestações 
do Espírito. A igreja dos Coríntios foi estabelecida 
aproximadamente no ano 51 depois de Cristo (muitos anos depois 
do dia de Pentecostes) e era muito aberta e, portanto, 
grandemente beneficiada pelos dons espirituais. A unção do 
Espírito Santo era forte entre os seus membros, não diferente de 
algumas de nossas igrejas hoje. 
A Segunda Epístola de Paulo à igreja de Corinto não é 
mencionada com tanta frequência quanto a primeira. Essa carta 
contém uma ênfase maior sobre a ordem divina, o temor do 
Senhor e a subsequente restauração da glória de Deus. Se 
percebermos o contexto, veremos que essa carta contém uma 
mensagem forte e empolgante para os crentes de hoje. Ao 
examinarmos uma porção dela, devemos ter em mente que a 
Segunda Carta aos Coríntios foi escrito para pessoas cuja unção 
não era estranha e que frequentemente exercitavam os dons 
espirituais. 
 
A GLÓRIA DA VELHA ALIANÇA X A GLÓRIA DA NOVA 
ALIANÇA 
Nas duas as cartas de Paulo aos Coríntios, ele se referia 
frequentemente à saída dos filhos de Israel do Egito e à revelação 
da glória de Deus a eles no deserto. A experiência deles também 
diz respeito a nós, pois tudo que aconteceu aos israelitas no 
sentido natural eram tipos e figuras do que nós 
experimentaríamos na realidade espiritual. Paulo enfatiza isto: 
 
Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos, e foram 
escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins 
dos séculos têm chegado (1 Co 10:11). 
 
A Primeira Carta de Paulo trata de muitos elementos 
fundamentais da ordem divina do coração para o povo de Deus. 
Sua Segunda Carta foi ainda mais profunda. Ele prossegue 
falando sobre o desejo de Deus de revelar sua glória e habitar no 
coração do seu povo. Paulo começa comparando a glória de Deus 
no deserto com a sua glória revelada na Nova Aliança. 
Fazendo um contraste, ele escreve: 
 
E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se 
revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a 
face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que 
desvanecente, como não será de maior glória o ministério do 
Espírito! (2 Co 3:7, 8) 
 
No monte, Moisés contemplou a forma do Senhor e falou 
com Ele como um homem fala com seu amigo. Quando desceu do 
monte, Moisés cobriu sua face porque o brilho dela amedrontou as 
pessoas. O semblante de Moisés refletia que ele estivera na 
presença da glória de Deus. 
Na Nova Aliança, o plano de Deus não é refletir sua glória em 
nós, mas que sua glória seja vista em nós! Uma coisa é refletir 
algo, mas é outra coisa bem diferente permanecer nela e emiti-la! 
Este é o alvo final de Deus! É por isto que Paulo disse: 
 
Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste 
respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelenteglória 
(2Co 3:10). 
 
Embora a glória da Velha Aliança não se compare com a 
glória da Nova, a Velha ainda era tão tremenda que Paulo reitera: 
Para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que 
se desvanecia (v. 13). Entretanto, logo a seguir Paulo lamenta: 
 
Mas os sentidos deles se embotaram (2Co 3:14). 
 
Como é trágico que eles não pudessem ver justamente algo 
de que precisavam tão desesperadamente. Paulo nos adverte para 
não nos tornarmos cegos nem cairmos no mesmo dilema. 
Assim, nós devemos perguntar: "Como suas mentes ficaram 
embotadas?" A resposta traz o conhecimento e a sabedoria que 
desesperadamente nos falta: aquilo que nos falta é necessário 
para que nós andemos na glória de Deus! Para obter nossa 
resposta, devemos retornar à estrutura de tempo que Paulo 
discutiu. 
 
TEMOR DE DEUS X MEDO DE DEUS 
Israel havia acabado de sair do Egito e foi conduzido por 
Moisés ao Monte Sinai, onde Deus revelaria a sua glória. 
Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo e purifica-os 
hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes e estejam prontos para o 
terceiro dia; porque no terceiro dia o Senhor, à vista de todo o povo, 
descerá sobre o Monte Sinai (Êx 19:10,11). 
Esta mensagem era profética, pois ela também fala dos 
nossos dias. Antes de Deus manifestar a sua glória, o povo deveria 
santificar-se. Isso incluía lavar suas roupas. Lembre-se de que um 
dia para o Senhor é como mil anos. Já se passaram quase dois mil 
anos (dois dias) desde a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. 
Deus disse que durante aqueles dois mil anos (dois dias), a igreja 
dele deveria se consagrar ou se apartar do mundo, em preparação 
para a sua glória. Nossas vestes deverão estar limpas da 
imundície do mundo (2Co 6:16; 7:1). Deveremos nos tornar sua 
noiva sem mácula. Depois de dois mil anos, Ele novamente 
manifestará sua glória. 
Agora leia o relato do que aconteceu na manhã do terceiro 
dia: 
 
Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e 
uma nuvem espessa sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, 
de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu. E 
Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-
se ao pé do monte. Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor 
descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de 
uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente (Êx 19:16-18). 
 
Deus não só se manifestou através de visão, mas também 
por meio de voz e som. Quando Moisés falou, Deus respondeu-lhe 
para que todos ouvissem. Muitas vezes, hoje, nos referimos a 
Deus como a um amigo, de uma maneira descuidada como se Ele 
fosse quase um camarada. Se nós pudéssemos vislumbrar o que 
Moisés e os filhos Israel viram, poderíamos ter uma mudança 
significativa de visão. Ele é o Senhor e Ele não mudou! Leia 
cuidadosamente a reação do povo quando Deus veio: 
 
Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o 
clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se 
estremeceu e ficou de longe. Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te 
ouviremos; porém, não fale Deus conosco, para que não morramos. 
Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar, 
e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não 
pequeis (Êx 20:18-20). 
 
Observe que o povo tremeu e se afastou. Eles não quiseram 
mais ouvir a voz audível de Deus, nem quiseram ver ou estar na 
presença da sua glória - eles não podiam suportá-la. 
Moisés rapidamente os advertiu: Não temais... encorajando-
os a voltarem à presença de Deus, quando explicou que Ele tinha 
vindo para prová-los. 
Por que Deus nos prova? Para descobrir o que está em 
nossos corações? Absolutamente, não. Eleja sabe o que está 
escondido em nossos corações. Ele nos prova para que possamos 
saber o que está em nossos corações. Qual era o propósito do teste 
para os israelitas? Para eles saberem se temiam ou não. Se eles o 
temessem, eles não pecariam. O pecado sempre resulta do nosso 
afastamento de Deus. 
Moisés disse: Não temais. Então, disse que Deus tinha vindo 
para que o seu temor estivesse diante deles. Este versículo faz 
uma distinção entre ter medo de Deus e temer a Deus. Moisés 
temia a Deus, mas o povo não. É uma verdade infalível: se não 
tememos a Deus, ficaremos com medo dele, na revelação da sua 
glória, pois todo joelho se dobrará a Ele, se não for por piedoso 
temor, então será por terror (2Co 5:10,11). 
 
O povo estava de longe, em pé; Moisés, porém, se chegou à 
nuvem escura, onde Deus estava (Êx 20:21). 
 
Veja a diferença nas reações à manifestação da glória de 
Deus: Israel se afastou, mas Moisés se aproximou. Isso ilustra as 
diferentes reações dos crentes, hoje. 
 
SEMELHANTE EM MUITAS MANEIRAS 
É importante perceber que os israelitas não eram tão 
diferentes da nossa igreja moderna. Todos saíram do Egito, o que 
tipifica a salvação. Todos experimentaram e foram beneficiados 
com os milagres de Deus, como muitos na igreja. Todos 
experimentaram a libertação dos seus opressores, o que muitos 
têm experimentado hoje na igreja. 
Eles ainda desejavam seu velho estilo de vida, se fosse 
possível tê-lo sem a escravidão a que anteriormente estavam 
submetidos. Quão frequentemente nós vemos isto na igreja, hoje. 
As pessoas são salvas e libertas, todavia, seus corações nunca 
abandonam o estilo de vida do mundo, embora esse estilo de vida 
as conduza à escravidão. 
Eles passaram pela experiência de receber a riqueza do 
ímpio, que Deus havia depositado sobre o justo. A Bíblia registra: 
Fez sair o seu povo, com prata e ouro...(Sl 105:37). Porém, eles 
utilizaram essa bênção de Deus para construir um ídolo! Nós não 
fazemos o mesmo, hoje? Nós ouvimos falar de milagres 
financeiros, e muitas vezes aqueles que são mais abençoados, 
acabam dedicando seu afeto e suas forças às bênçãos materiais e 
financeiras, em vez de se dedicarem ao Senhor que os abençoou. 
Eles experimentaram o poder curador de Deus, pois quando 
deixaram o Egito, a Bíblia registra: E entre as suas tribos não 
havia um só invalido (SI 105:37). Isso é até melhor do que as 
maiores cruzadas de milagres, hoje. Moisés deixou o Egito com 
três milhões de pessoas fortes e saudáveis. Você pode imaginar 
uma cidade de três milhões de habitantes, sem nenhum doente e 
nenhum hospital? Os israelitas tinham servido aos egípcios, 
debaixo de sofrimento, por quatrocentos anos. Imagine as curas e 
os milagres que aconteceram quando eles comeram o cordeiro da 
Páscoa! 
A salvação de Deus, a cura, as obras milagrosas e o poder de 
libertação não eram estranhos aos israelitas. Na realidade, eles 
comemoravam apaixonadamente sempre que Deus se movia 
milagrosamente a seu favor. Eles dançavam e louvavam a Deus, 
bem parecido com nossos cultos carismáticos ou com cultos de 
milagres cheios do Espírito (Êx 15:1,20). É interessante notar que 
os israelitas se aproximavam para suas manifestações milagrosas, 
porque eram beneficiados com elas, mas ficavam assustados e se 
afastavam quando a glória de Deus era revelada! 
Até que ponto somos diferentes, hoje? Ainda nos aproxima-
mos dos milagres. As pessoas ainda viajam muitos quilômetros e 
dão grandes ofertas, esperando receber porções dobradas de Deus 
em cultos de milagres. Mas, o que acontecerá quando a glória de 
Deus for revelada? Os corações serão expostos na presença 
gloriosa de Deus. Podemos viver com o pecado encoberto ao redor 
do milagroso, mas o pecado não pode se esconder à luz da 
revelação da glória de Deus. 
 
O QUE CEGOU O POVO 
Quarenta anos depois, a geração mais velha havia morrido 
no deserto, e Moisés repetiu as leis para uma nova geração que 
havia surgido, no monte onde Deus revelara a sua glória. 
Sucedeu que, ouvindo a voz, do meio das trevas, enquanto 
ardia o monte em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças dasvossas tribos e vossos anciãos, e dissestes: Eis aqui o Senhor, 
nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a 
sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e 
este permanece vivo. Agora, pois, por que morreríamos? Pois este 
grande fogo nos consumiria; se ainda mais ouvíssemos a voz do 
Senhor, nosso Deus, morreríamos [...] Chega-te e ouve tudo o que 
disser o Senhor, nosso Deus; e tu nos dirás tudo o que te disser o 
Senhor, nosso Deus, e o ouviremos e o cumpriremos (Dt 5:23-27). 
Eles clamaram: "Nós não podemos nos aproximar da sua 
presença gloriosa, nem podemos permanecer diante dele e 
continuar vivos." Queriam que Moisés ouvisse por eles e 
prometeram ouvi-lo e fazer qualquer coisa que Deus dissesse para 
fazer! Tentaram viver nesse padrão por milhares de anos, mas não 
podiam obedecer às palavras de Deus. Até que ponto somos 
diferentes, hoje? Recebemos a Palavra de Deus através do nosso 
pastor e dos pregadores, mas nos retiramos do monte de Deus? 
Ficamos com medo de ouvir a sua voz que revela a condição dos 
nossos corações? Esta atitude do coração não é nem um pouco 
diferente da atitude dos filhos de Israel. 
Moisés ficou muito desapontado com a reação de Israel. Ele 
não conseguia compreender a sua falta de fome da presença de 
Deus. Como podiam ser tão tolos? Como podiam ser tão cegos? 
Moisés trouxe suas preocupações diante de Deus, na esperança de 
obter um remédio para essa condição. Mas veja o que aconteceu: 
 
Ouvindo, pois, o Senhor as vossas palavras, quando me 
faláveis a mim, o Senhor me disse: Eu ouvi as palavras deste povo, 
que te disseram: em tudo falaram eles bem. (Dt 5:28) 
 
Eu estou certo de que Moisés ficou chocado com a resposta 
de Deus. Ele deve ter pensado: "O quê? O povo está certo? Por 
uma vez eles estão realmente certos! Eles realmente não podem 
entrar na presença de Deus. Por quê?" Deus o interrompeu com a 
resposta: 
 
Quem dera que eles tivessem tal coração, que me temessem, e 
guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para 
que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre! (Dt :29) 
 
Deus lamentou: Oh, quem dera tivessem tal coração que me 
temessem... Todos poderiam ter sido como Moisés, refletindo a 
glória de Deus e conhecendo os seus caminhos, se possuíssem 
corações que temessem a Deus, como Moisés! Mas os corações 
permaneciam obscurecidos e as mentes, cegas para não verem 
exatamente aquilo de que eles precisavam tão desesperadamente. 
O que os cegou? A resposta é clara: não tinham corações que 
temiam ao Senhor. Isso foi comprovado pela sua desobediência 
aos mandamentos e à Palavra de Deus. Se nós compararmos 
Moisés com os filhos de Israel, veremos a diferença entre aquele 
que teme a Deus e aquele que não o teme. 
 
TREMENDO COM A PALAVRA DE DEUS 
Uma pessoa que teme a Deus, treme com a sua Palavra e na 
sua presença (Is 66:2 e Jr 5:22). O que significa tremer da Palavra 
de Deus? Tudo pode ser resumido em uma declaração: obedecer a 
Deus voluntariamente, até mesmo quando parece mais vantajoso 
comprometer sua Palavra e não obedecê-la. 
Nossos corações devem estar firmemente estabelecidos no 
fato de que Deus é bom. Ele não é um abusador de crianças. Uma 
pessoa que teme a Deus sabe disso, porque conhece o caráter de 
Deus. É por isso que a pessoa vai se aproximar de Deus, mesmo 
quando os outros se afastam dele com terror. 
Essa pessoa percebe que qualquer dificuldade imediata ou 
iminente entregue na mão de Deus, no final, surtirá bons efeitos. 
A maioria concordaria mentalmente com isso, porém, nos tempos 
de sofrimento o que nós acreditamos é claramente revelado. Só 
então nós veremos nossa fé como ela é, pela luz do fogo das 
provações. 
Os sofrimentos que Israel enfrentou expuseram o conteúdo 
dos seus corações. Examinemos suas diferentes reações à Palavra 
de Deus: os filhos de Israel obedeciam à Palavra de Deus, 
contanto que vissem o benefício imediato. Mas, no momento em 
que eles sofriam ou já não podiam mais ver os benefícios, perdiam 
a visão de Deus e reclamavam amargamente. 
Durante séculos, Israel havia orado e clamado pela 
libertação dos seus opressores egípcios. Eles desejaram retornar 
para a Terra Prometida. Deus enviou-lhes o libertador, Moisés. O 
Senhor disse a Moisés: Por isso, desci a fim de livrá-los da mão dos 
egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e 
ampla, terra que mana leite e mel (Êx 3:8). 
Moisés foi à presença do Faraó e proclamou as palavras de 
Deus: Deixa ir o Meu povo. Mas Faraó respondeu aumentando o 
sofrimento deles. Já não iriam providenciar nenhuma palha para 
a imensa quantidade de tijolos que os escravos israelitas deveriam 
produzir. Teriam que juntar a palha à noite e trabalhar durante o 
dia. O número total de tijolos não podia diminuir, embora a palha 
tivesse sido removida. A Palavra de Deus de liberdade havia 
aumentado seu sofrimento. Reclamaram dessa opressão e 
disseram a Moisés: "Deixe-nos sozinhos e pare de pregar para o 
Faraó; você está tornando nossa vida pior." 
Quando Deus finalmente os libertou do Egito, o coração do 
Faraó estava endurecido novamente e ele perseguiu os israelitas 
no deserto com suas melhores carruagens e guerreiros. Quando os 
hebreus viram que o Egito havia se reunido contra eles e que 
estava entre eles e o Mar Vermelho, eles reclamaram novamente. 
Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos 
os egípcios? Pois melhor nos fora servir os egípcios do que 
morrermos no deserto (Êx 14:12). 
Observe as palavras: Pois melhor nos fora. Em essência, eles 
estavam dizendo: "Por que nós deveríamos obedecer a Deus, 
quando Ele está apenas tornando nossas vidas miseráveis? 
Estamos em pior situação; não, melhor". Eles eram rápidos para 
comparar seu estilo de vida anterior com a sua presente condição. 
Sempre que as coisas não se equilibravam, os israelitas queriam 
voltar. Eles desejavam o conforto acima da obediência à vontade 
de Deus. Oh, como lhes faltava o temor de Deus! Eles não 
tremiam da Palavra de Deus. 
Deus dividiu o mar, os filhos de Israel atravessaram em terra 
seca e viram seus opressores encobertos pela água. Celebraram a 
bondade de Deus, dançaram e louvaram diante de Deus. Estavam 
certos de que nunca mais poderiam duvidar da sua bondade! Mas 
não conheciam os seus próprios corações. Outro teste surgiria e 
novamente exporia sua infidelidade. Três dias depois reclamaram 
novamente, dizendo que não queriam água amarga, queriam água 
doce (Êx 15:22-25). 
Com que frequência fazemos a mesma coisa? Queremos 
palavras suaves e agradáveis, quando o amargo é o que é 
necessário para nos purificar das impurezas. Por isso, Salomão 
disse: Mas à alma faminta todo amargo é doce (Pv 27:7). 
Alguns dias se passaram e os filhos de Israel se queixaram 
novamente da falta de comida. Eles disseram: Quem nos dera 
tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito (Êxl6:1-
4). Você pode ver como eles estavam se comportando de maneira 
religiosa? 
Mais uma vez os israelitas reclamaram da falta de água (Êx 
17:1-4). Reclamavam sempre que encontravam uma nova 
dificuldade. Se a situação lhes parecesse boa, mantinham a 
Palavra de Deus. Mas se obediência significasse sofrimento, os 
israelitas rapidamente reclamavam. 
 
UM CORAÇÃO DIFERENTE 
Moisés era bem diferente. Seu coração já havia sido provado 
muito tempo antes. A Bíblia nos diz: 
 
Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado 
filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo 
de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto 
considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas que os 
tesouros do Egito, porque contemplava o galardão (Hb 11:24-26). 
 
Os filhos de Israel não escolheram a escravidão. Moisés foi 
presenteado com o melhor de tudoque o mundo poderia oferecer, 
mas recusou tudo para sofrer aflição com o povo de Deus. Sua 
atitude era bem diferente da atitude dos filhos de Israel. Eles 
quiseram voltar para o Egito (o mundo), esquecendo rapidamente 
a opressão. Apenas se lembravam que haviam se deleitado nas 
coisas que lhes faltavam agora no deserto da provação de Deus. 
Moisés escolheu o sofrimento ... porque contemplava o galardão. 
Que galardão ele estava procurando? Encontramos a resposta em 
Êxodo, capítulo 33: 
 
Disse o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que 
tiraste da terra do Egito para a terra a respeito da qual jurei a 
Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: à tua descendência a darei. 
Enviarei o anjo diante de ti; lançarei fora os cananeus, os amorreus, 
os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Sobe para uma 
terra que mana leite e mel; eu não subirei no meio de ti, porque és 
povo de dura cerviz, para que não te consuma eu no caminho (Êx 
33:1-3). 
 
Deus disse para Moisés descer e levar o povo à terra que Ele 
tinha prometido, a mesma terra que tinham esperado, por 
centenas de anos, receber por herança. Deus prometeu para 
Moisés até mesmo a escolta de um anjo escolhido, sendo que Ele 
não os acompanharia. 
Mas Moisés respondeu rapidamente: Se a tua Presença não 
vai comigo, não nos faça subir deste lugar (Êx 33:15). 
Eu me alegro que a opção de entrar na Terra Prometida sem 
Deus não tenha sido colocada diante dos filhos de Israel. Se 
pudessem ter escolhido uma vida confortável no Egito, ao invés de 
Deus, certamente teriam escolhido a Terra Prometida. 
Provavelmente teriam feito uma festa e partido sem pensar duas 
vezes! Mas como Moisés não tinha fixado sua visão na Terra 
Prometida, sua resposta foi diferente. 
Moisés disse: "A promessa não é nada sem a sua presença!" 
Ele recusou a oferta de Deus porque sua recompensa era a 
presença do Senhor. Pense na posição de Moisés quando 
respondeu: Não nos faça subir deste lugar. Onde era "este lugar"? 
O deserto! 
Moisés vivia sob as mesmas condições que o resto de Israel. 
Não era dotado de habilidades sobre-humanas que o isentavam 
dos sofrimentos que o restante de Israel experimentava. Tinha 
sede e fome igual a eles, contudo, nós nunca o vemos reclamar 
como os outros. A ele foi oferecido um "escape" desse sofrimento e 
a oportunidade de ir para a terra dos seus sonhos, mas recusou. 
Um método que Deus usará para nos testar é fazer-nos uma 
oferta que espera que recusemos. A oferta, inicialmente, pode 
prometer um grande sucesso, mas, a que preço? Pode até mesmo 
parecer que o nosso ministério se expandirá e irá além. Mas no 
profundo do nosso coração, sabemos que escolher aquela 
determinada coisa, seria contra o desejo máximo de Deus. 
Somente aqueles que tremem da Palavra de Deus escolheriam 
aquilo que parece menos benéfico. 
Em 2 Reis, capítulo 2, Elias falou três vezes para Eliseu 
permanecer onde estava. Cada ordem era outro teste. Teria sido 
mais fácil para Eliseu ficar, mas insistiu: Tão certo como vive o 
Senhor e vive a tua alma, não te deixarei (2Rs 2:2). Ele sabia que a 
recompensa celestial era mais importante do que o seu conforto 
temporário! 
 
SEMELHANTE POR FORA, DIFERENTE POR DENTRO 
Exteriormente ou fisicamente, não podemos observar 
diferença entre Moisés e os filhos de Israel. Eles eram todos 
descendentes de Abraão. Todos haviam deixado o Egito sob a 
intervenção do poder sobrenatural de Deus. Todos estavam na 
posição de herdeiros das promessas de Deus. Todos professavam 
conhecer e servir a Jeová. A diferença estava oculta nos recantos 
internos dos seus corações. Moisés temia a Deus; então, tinha 
percepção do coração de Deus e dos seus caminhos. Mas pelo fato 
de os filhos de Israel não temeram a Deus, ficaram cegos e a sua 
compreensão foi obscurecida. 
Hoje não é diferente. O cristianismo se tornou quase um 
clube. Você se lembra bem do que é um clube desde que era 
criança. Você se associou a um clube por causa da necessidade de 
pertencer. Na segurança de um clube, você estava unido aos 
outros sócios por causa de um interesse ou causa comum. É bom 
se sentir parte de algo maior que você. O clube estava por trás de 
você e lhe dava um senso de segurança. 
Há muitos que professam ser cristãos, mas não temem a 
Deus mais do que aqueles que nunca puseram os pés na igreja. 
Como sócios protegidos do clube do cristianismo, por que eles 
deveriam ter medo? Aliás, até os demônios tremem mais que 
algumas pessoas que estão nas igrejas. Tiago advertiu aqueles que 
professavam a salvação, mas que não tinham temor de Deus: Crês 
tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem! 
(Tg 2:19) 
Essas pessoas vêm às nossas igrejas, trabalham nas equipes 
de ministério e pregam nos púlpitos. Vêm de todas as posições 
sociais, desde os guetos até a vida excêntrica de Hollywood. 
Confessam salvação e amam as promessas de Deus, mas são 
míopes e não temem a Deus como os filhos de Israel. 
Judas, irmão do Senhor, previu esse dia e advertiu que as 
pessoas iriam frequentar nossas igrejas e professar a salvação 
pela graça de Deus, por causa da sociedade no clube do 
cristianismo. Eles iriam frequentar as reuniões dos crentes e 
participar sem temor, o tempo todo servindo apenas a eles 
mesmos (Jd 12). 
Em Mateus 7:21-23, Jesus disse que haveria aqueles que ex-
pulsariam demônios e fariam outras maravilhas em seu nome, 
chamando-o de Senhor e Salvador, porém, seriam negligentes na 
sua vida de obediência à vontade de Deus. Jesus descreveu essa 
condição como "joio que cresce no meio do trigo". Você não 
consegue dizer facilmente qual a diferença entre o trigo e o joio. 
Da mesma maneira que Israel, o fogo da presença gloriosa de 
Deus vai expor, finalmente, o conteúdo de cada coração. Essa será 
a condição para a igreja entrar na época da colheita (Mt 13:26). 
Malaquias profetizou que nos últimos dias Deus enviaria 
uma voz profética, como Ele fez com Samuel, Moisés e João 
Batista, para preparar o seu povo para a sua glória. Porém, não 
seria apenas um, mas muitos mensageiros proféticos. Esses 
mensageiros surgiriam com tal unidade de propósito que falariam 
como um só homem, clamando aos que estão sendo enganados 
para se voltarem ao Senhor de todo o coração. 
Assim, a ordem divina será restaurada no coração do povo 
de Deus. Esses profetas não são mensageiros de julgamento, mas 
de misericórdia. Através deles, o Senhor chama os seus para 
escaparem do juízo. Diz Malaquias: 
 
Eis que eu envio o meu mensageiro que preparará o caminho 
diante de mim; de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós 
buscais [...] Mas quem pode suportar o dia da sua vinda? E quem 
pode subsistir quando ele aparecer? Porque Ele é como o fogo do 
ourives e como a potassa dos lavandeiros (Ml 3:1,2). 
 
Malaquias não está descrevendo o arrebatamento da igreja. 
Ele diz que o Senhor virá ao seu templo, e não para o seu templo. 
Oséias disse que após dois mil anos o Senhor viria a nós, o seu 
templo, como a última chuva. Isso fala da glória de Deus 
manifesta. Malaquias pergunta, então: Mas quem pode suportar o 
dia da sua vinda? E quem subsistir quando ele aparecer? Os dois 
profetas confirmam que esse evento não é o arrebatamento da 
igreja. 
Malaquias responde a sua própria pergunta, apresentando 
dois resultados da presença gloriosa de Deus. Primeiro, ela vai 
refinar e purificar os que o temem (Ml 3:16-17). Segundo, vai 
julgar os corações daqueles que dizem que o servem, mas na 
realidade não o temem (vv. 3:5 e 4:1). Depois dessa purificação, 
ele nos diz: 
 
Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, 
entre o que serve a Deus e o que não o serve (Ml 3:18). 
 
Antes que a glória se manifeste, você não pode distinguir 
uma pessoa que serve a Deus de outra que meramente oferece um 
culto de lábios aoSenhor. A hipocrisia não pode se esconder da 
luz da glória de Deus. A mentalidade de clube finalmente vai 
acabar. Isso nos ajuda a compreender melhor a firme advertência 
de Jesus para os crentes do Novo Testamento: 
 
Digo-vos, pois, amigos meus: Não temais os que matam o 
corpo, e, depois disso nada mais podem fazer. Eu, porém, vos 
mostrarei a quem deveis temer: Temei aquele que, depois de matar, 
tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis 
temer (Lc 12:4, 5). 
 
O temor de Deus nos impede de seguir o caminho destrutivo 
do engano. Moisés disse que o temor de Deus no coração do seu 
povo é a força para viver livre do pecado (Êxodo 20:20). Salomão 
escreveu: Pelo temor do Senhor os homens evitam o mal (Pv 16:6). 
Jesus advertiu os crentes com um propósito específico e precedeu 
a sua exortação sobre o temor Deus com uma advertência sobre a 
armadilha enganosa da hipocrisia: 
 
Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que 
não venha a ser conhecido (Lc 12:2). 
 
Quando nós encobrimos ou escondemos o pecado para pro-
teger nossa reputação, colocamos um véu sobre os nossos 
corações. Pensamos equivocadamente que esse véu nos faz 
parecer puros quando, na verdade, não estamos puros. Isto 
finalmente conduz à hipocrisia. Assim, não apenas enganamos os 
outros, mas também a nós mesmos (2Tm 3:13). Como os filhos de 
Israel, estamos cegos e não podemos ver. 
O temor de Deus é a nossa única proteção contra a 
hipocrisia. Não vamos esconder o pecado em nossos corações 
porque vamos temer a Deus mais do que as opiniões dos homens 
mortais. Vamos nos importar mais com o que Deus pensa de nós 
do que com o que os homens pensam. Vamos nos importar mais 
com os desejos de Deus do que com o nosso conforto temporário. 
Vamos considerar a sua Palavra mais valiosa do que a dos 
homens. Vamos voltar os nossos corações para o Senhor! E Paulo 
diz: 
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe 
é retirado (2Co 3:16). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O temor do Senhor nos impede de 
comprometer a verdade de Deus para 
perseguir a satisfação pessoal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe 
é retirado (2Co 3:16). 
 
Que promessa poderosa! Quando nos convertemos ao 
Senhor, todo véu que nos impede de contemplar a glória de Deus é 
removido! 
Antes de prosseguir, quero enfatizar a implicação e 
significado deste texto bíblico. Precisamos qualificar esta 
declaração, porque muitas vezes o pleno impacto do que Paulo 
está dizendo pode se perder na nuvem da nossa atua! mentalidade 
de clube de cristianismo. 
Jesus propôs uma pergunta surpreendente, que muitas 
vezes pulamos e evitamos hoje. Ele perguntou: Porque me 
chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? (Lc 6:46) 
A palavra grega para Senhor é kurios. Ela significa "supremo em 
autoridade". Ela também tem uma conotação de propriedade. 
O Senhor é o criador, governador e proprietário do universo. 
Como Autoridade Suprema, Ele colocou o homem com autoridade 
delegada no jardim. O homem entregou para Satanás seu domínio 
delegado sobre a terra (Lc 4:6). Na cruz, Jesus redimiu o que havia 
sido perdido. Agora temos uma escolha: podemos entregar o 
domínio completo de nossas vidas a Jesus, ou reter e permanecer 
presos, sob o domínio de um mundo perdido e agonizante. Não há 
uma terceira opção, nenhum meio termo, nenhum caminho 
intermediário. 
Quando não tememos a Deus e não o honramos como 
Senhor, retemos uma parte do controle de nossas vidas. Podemos 
confessar a Jesus como Senhor, mas nossa irreverência é 
evidenciada pelo fruto de nossas vidas. Se tememos a Deus, nós 
vamos nos render completamente à autoridade dele como Rei e 
Senhor. Isto permite que o Senhor assuma aposse total e irrestrita 
sobre nossa vida. Nos tornamos os seus servos. 
Paulo, Timóteo, Tiago, Pedro e Judas se referiram a si mes-
mos, em suas epístolas, como servos (Rm 1:1; Cl 4:2; Tg 1:1; 2Pe 
1:1 e Jd 1). Um servo entrega-se voluntariamente ao serviço como 
pagamento de uma dívida. Não é escravidão, porque um escravo 
não tem escolha nessa questão. A servidão é voluntária. Servimos 
por amor, confiança e temor reverente de Deus. Nós lhe damos de 
boa-vontade o domínio total e incondicional sobre nossas vidas. 
É por isso que Paulo pôde enfrentar corajosamente as 
cadeias, as tribulações e os sofrimentos que o esperavam em cada 
cidade. Ele pôde dizer com determinação: E agora, constrangido 
em meu espírito, vou para Jerusalém (At 20:22). O Senhor obrigou 
Paulo? Absolutamente, não! Paulo compreendeu que ao cumprir a 
vontade de Deus, poderia sofrer. Mas Paulo havia escolhido fazer a 
vontade de Deus acima do seu próprio conforto. Havia entregue 
livremente o domínio total e incondicional da sua vida a Jesus. 
Paulo se referiu aos sofrimentos extremos que iria encontrar 
com estas palavras: Porém, em nada considero a vida preciosa 
para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o 
ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o 
evangelho da graça de Deus (At 20:24). Estava comprometido, não 
importava o custo. Somente o nosso amor por Deus, associado a 
um santo temor por Ele, satisfaz nossa resposta ao seu senhorio. 
Esse é o compromisso requerido de todos os que seguem a Jesus 
(Lc 14:25-33). 
Quando Jesus perguntou: Por que me chamais, Senhor, 
Senhor, e não fazeis o que vos mando? Ele estava dizendo na 
verdade: "Não se engane em me chamar de 'Senhor' enquanto 
continua vivendo a sua vida como se você mesmo fosse o seu 
dono". 
 
O VÉU DO ENGANO 
A vida do rei Saul exemplifica este conceito. Deus lhe enviou 
uma ordem através do profeta Samuel. Saul foi instruído a reunir 
o seu exército para atacar Amaleque e destruir completamente 
tudo que respirasse: todos os homens, mulheres, crianças e 
animais. 
Saul não rejeitou as instruções de Samuel dizendo: 
"Absolutamente não!" E saiu pisando duro em direção oposta. Isso 
seria desobediência óbvia. Em vez disso, Saul deu ouvidos, reuniu 
o seu exército e atacou Amaleque. Nesse ataque, dezenas de 
milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos. Saul 
poupou apenas o rei dos amalequitas. Talvez ele quisesse outro rei 
como um troféu para servi-lo em seu palácio. 
Além disso, provavelmente milhares de animais foram 
mortos também. Saul poupou apenas algumas das melhores 
ovelhas, cordeiros e bois. Ele pensou que as pessoas poderiam 
sacrificar esses animais ao Senhor, mesmo que fosse "bíblico". 
Para alguém que não tivesse ouvido as palavras do profeta, Saul 
poderia passar por um rei religioso. "Olhe, ele sacrifica apenas o 
melhor para o Senhor!" 
Depois dessa campanha, Deus falou com Samuel: 
Arrependo-me de haver constituído rei a Saul; porquanto deixou de 
me seguir, e não executou as minhas palavras (1 Sm 15:11). 
No dia seguinte, Samuel foi confrontar Saul. Quando viu 
Samuel chegando, ele, entusiasmado, o recebeu com a saudação: 
Bendito sejas tu do Senhor; executei as palavras do Senhor (ISm 
15:13). 
Espere um momento! Não era essa a impressão de Deus 
definitivamente! Nós acabamos de ler a opinião de Deus. O que 
aconteceu aqui? Como poderia haver opiniões tão diferentes sobre 
o mesmo incidente? Saul realmente acreditava que havia 
obedecido a Deus. Como poderia haver tal discrepância? Tiago 
explica isto: 
Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente 
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1:22). 
Quando nós ouvimos a Palavra de Deus e não a praticamos, 
enganamos os nossos próprios corações! Assim, uma pessoa pode 
realmente acreditarque é obediente a Deus quando, na verdade, 
está agindo em desobediência. Esta é uma revelação tão 
assustadora quanto séria! O engano encobre o coração e obstrui a 
verdade. Quanto mais uma pessoa desobedece, mais espesso e 
mais resistente o véu se torna, sendo cada vez mais difícil de 
remover. 
Permita-me reiterar alguns pontos importantes. Primeiro, 
Saul não saiu pisando duro nem se recusou a fazer como lhe foi 
falado. Ele atendeu. Segundo, matou dezenas de milhares de 
pessoas e poupou apenas um. Matou todos os milhares de 
animais, menos alguns. Ele fez talvez 99% do que lhe foi ordenado 
fazer. Porém, Deus chamou a sua obediência quase completa de 
rebelião! (v. 23). 
Hoje nós diríamos: "Está tudo certo; foi um bom esforço." 
Nós podemos até defender Saul, destacando: "Afinal de contas, ele 
fez quase tudo. Vamos lhe dar o crédito pelo que fez certo! Por que 
destacar apenas uma coisa que não fez? Olhe tudo que ele fez! 
Não seja tão duro com o pobre Saul!" 
Aos olhos de Deus, a obediência parcial ou seletiva é igual à 
rebelião contra a sua autoridade. É a evidência da falta do temor 
de Deus! 
Uma vez, estava no Canadá preparando-me para ministrar. 
Nós estávamos no meio do louvor e adoração, quando o Espírito 
do Senhor fez esta pergunta: "Você sabe o que é um espírito 
religioso?" 
Embora eu tenha escrito e pregado sobre espíritos religiosos 
e como eles operam, soube imediatamente que minha informação 
devia ser, na melhor das hipóteses, limitada. Tenho aprendido que 
sempre que Deus faz uma pergunta Ele não está procurando 
informação. Eu respondi: "Não, Senhor, por favor me diga". 
Ele respondeu rapidamente: "Uma pessoa com um espírito 
religioso é alguém que usa a minha Palavra para executar a sua 
própria vontade!" Em outras palavras, é quando tomamos o que o 
Senhor disse e acrescentamos os nossos próprios desejos. 
Eu tive muito temor da sabedoria dada pelo Espírito de 
Deus. Apliquei isto à situação de Saul. Eu pude ver como Saul fez 
o que lhe foi ordenado, porém, acrescentou os seus próprios 
desejos. O coração de Deus não era o seu alvo. Saul havia visto 
uma oportunidade de se beneficiar e fortalecer sua posição sobre o 
seu povo e ele a agarrou. Isso é senhorio? Isso é tremer da Palavra 
de Deus? O temor do Senhor nos impede de comprometer a 
verdade de Deus para perseguir a satisfação pessoal. Então, nós 
vamos obedecer a Palavra de Deus, não importa o custo. 
 
EM QUAL ESPELHO VOCÊ ESTÁ SE CONTEMPLANDO? 
Ouça novamente as palavras de Tiago: 
 
Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente 
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é 
ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que 
contempla num espelho o seu rosto natural; pois a si mesmo se 
contempla e se retira, e para logo se esquece de como era a sua 
aparência (Tg 1:22-24). 
 
Tiago usa este exemplo natural para ilustrar o que realmente 
acontece no espírito quando nós não somos submissos ao 
senhorio de Jesus. Quando não trememos da sua Palavra com 
obediência incondicional, é como olharmos a nós mesmos em um 
espelho, depois nos afastarmos como se não houvéssemos olhado, 
e voltar, porque esquecemos como era a nossa aparência. 
Podemos ver enquanto estamos olhando no espelho, mas assim 
que nos afastamos, esquecemos o que vimos, como se fôssemos 
cegos. 
Isto explica porque as pessoas podem ler, ouvir e até mesmo 
pregar a Palavra de Deus, porém, viver como aqueles que não a 
conhecem. Há pouca mudança em suas vidas. Virtualmente não 
acontece nenhuma transformação. O salmista descreve a condição 
daqueles que frequentam a casa de Deus, ouvem a sua Palavra e 
ainda permanecem sem transformação. Ele diz: Porque não há 
neles mudança nenhuma e não temem a Deus (Sl 55:19). 
Eles confessam que são salvos, porém, permanecem sem a 
transformação pelo poder de Deus. São profanos, ingratos, 
desafeiçoados, desobedientes e irreconciliáveis e também exibem 
outros traços de caráter que não os torna diferentes de alguém 
que nunca ouviu a Palavra de Deus. Provavelmente não fumam, 
não bebem, não juram como os pagãos das ruas, mas, por dentro, 
seus motivos são iguais aos das pessoas egoístas. Paulo descreveu 
a condição deles como sendo pessoas que aprendem sempre, mas 
jamais chegam a aplicar o conhecimento da verdade. Eles seriam 
enganados (2 Tm 3:1-7,13). 
No deserto, os filhos de Israel sofreram dessa miopia de 
coração encoberto por um véu. O véu foi chamado de engano. 
Ouviram a Palavra de Deus e viram o seu grande poder, 
entretanto, permaneceram exatamente os mesmos. A falta do 
santo temor escureceu os seus olhos espirituais. 
Sem o verdadeiro arrependimento, o véu se tornou cada vez 
mais espesso até ao ponto da cegueira. Seus corações ficaram 
cegos para o tipo de pessoas que haviam se tornado. Enquanto 
eles celebravam a libertação do Egito (o mundo), perderam contato 
com os propósitos de Deus e se afastaram, embora encurvados, 
quando a presença gloriosa de Deus foi revelada. O mesmo pode 
acontecer conosco se não prestarmos atenção às advertências de 
Deus. 
Paulo nos diz o que vai acontecer quando nós nos 
submetermos ao senhorio de Jesus, temendo a sua presença e 
tremendo da sua Palavra. 
 
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe 
é retirado [...] E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, 
como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de 
glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o 
Espírito (2Co 3:16, 18). 
 
Como Tiago, Paulo usou a analogia de olhar num espelho. 
Porém, não é uma imagem natural que contemplamos, mas a 
própria glória de Deus, que é revelada na face de Jesus Cristo 
(2Co 4:6). Esta imagem é revelada em nossos corações quando não 
somente ouvimos a Palavra de Deus, mas também somos 
obedientes em praticá-la. Tiago confirma isto: 
 
Mas aquele que considera atentamente na lei perfeita, lei da 
liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas 
operoso praticante (que obedece), esse será bem-aventurado no que 
realizar (Tg 1:25). (Parênteses acrescido pelo autor). 
 
A lei perfeita da liberdade é Jesus. Ele é a Palavra viva e 
revelada de Deus. João nos diz: Pois há três que dão testemunho 
no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um (1 
Jo 5:7). 
Quando nós buscamos a Jesus diligentemente, 
permanecemos atentos à sua Palavra sob a liderança do Espírito 
Santo e obedecemos ao que é revelado, nossos olhos permanecem 
abertos e sem o véu. Então, nós podemos perceber a glória de 
Deus! 
Lembre-se de que o desejo de Deus é que nós possamos con-
templar a sua glória! Ele lamentou quando Israel não pôde 
permanecer na sua presença gloriosa, devido à falta de temor 
piedoso. Apenas aqueles que tiverem seus corações desvendados 
podem contempla-lo! 
Quando contemplamos a glória de Deus no espelho da sua 
Palavra revelada, somos transformados à sua imagem pelo 
Espírito de Deus! Glória a Deus! Agora você pode entender a 
advertência do escritor de Hebreus: 
 
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais 
firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos 
desviemos (Hb 2:1). 
 
Há um chamado para todo crente - ser conformado à 
gloriosa imagem de Jesus Cristo (Fp 3:14 e Rm 8:29). Mas se nós 
não formos diligentes em obedecer a Palavra de Deus, vamos 
inconscientemente nos desviar do curso que estabeleceu diante de 
nós. Você já imaginou tentar dirigir com os olhos vendados? Você 
poderia até dar partida, mas, num instante, seu carro se desviaria 
do caminho! Você não pode ver para onde está indo, se tiver os 
olhos vendados. A obediência a Deus mantém seus olhos bem 
abertos! 
 
A LUZ QUE GUIA TODO O NOSSO SER 
Somos transformados naquilo que contemplamos. Se há um 
véu sobre os nossos olhos espirituais, então nossa imagem doSenhor é distorcida. Em nossas mentes, a imagem dele toma a 
forma de homem corruptível, em vez do Deus incorruptível que Ele 
realmente é. Então nós vemos os caminhos de Deus através da luz 
escura da cultura em que nós vivemos. É por isto que Israel 
experimentou milagres e manifestações poderosas, todavia, 
rapidamente passavam a se comportar como as nações que não 
conheciam ao Senhor. Jesus disse: 
 
Seus olhos são a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem 
bons, todo o teu corpo será luminoso. Se, porém, os teus olhos forem 
maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que 
em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! (Mt 6:22, 23) 
 
A lâmpada que dá direção ao nosso corpo (nosso ser) são os 
olhos. Esta imagem da lâmpada fala não apenas da visão física, 
mas também dos olhos do coração (Ef 1:18). Nosso ser inteiro 
segue a percepção e a direção dos olhos. Se nossos olhos 
contemplam a Palavra viva de Deus (Hb 6:5), todo o nosso ser se 
enche da luz da natureza de Deus (1 Jo 1:5). Somos 
continuamente transformados na luz desta verdade; estamos 
seguros e não nos desviaremos do curso. 
Jesus continuou a dizer que aquele cujos olhos atentam 
para o mal teria seu ser inteiro inundado pela natureza das trevas. 
Isto descreve o coração escuro de um incrédulo. 
Mas vamos olhar de perto sua última declaração: Portanto, 
caso a luz (que é sua percepção de Jesus) que em ti há sejam 
trevas, que grandes trevas serão! (Mt 6:23) Essa declaração não é 
feita para os incrédulos, mas para as pessoas que conhecem a 
Palavra de Deus. A luz está em nós. Jesus está dizendo que se a 
nossa percepção está escura ou encoberta devido a falta de santo 
temor, estas trevas serão realmente maiores do que as trevas que 
envolvem aqueles que nunca viram ou ouviram a verdade. (Jd 
12,13eLc 12:47,48), (Parênteses acrescentado pelo autor). 
Recorde as palavras de Deus a respeito daqueles que 
afirmavam conhecê-lo mas não tinham temor para com Ele. De 
que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha 
aliança, uma vez que aborreces a disciplina, e rejeitas as minhas 
palavras? (Sl 50:16, 17) Estes são os que confessam a sua crença 
na Palavra de Deus e até mesmo pregam sobre ela, mas a luz que 
está neles são grandes trevas. Com os olhos encobertos, vêem 
Deus como vêem a si mesmos, em vez de vê-lo como realmente é. 
Deus diz: Tens feito estas cousas e eu me calei; pensavas que eu 
era teu igual (Sl 50:21). 
 
DESENVOLVAM A SUA SALVAÇÃO 
Pedro nos encoraja a ver que Deus nos tem dado ... as suas 
preciosas e mui grandes promessas para que por elas vos torneis 
co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das 
paixões que há no mundo (2Pe 1:2-4). "Co-participantes da 
natureza divina!" Que promessa! 
Ele explica que o cumprimento dessa promessa seria 
condicional e progressivo, pois ele diz: Temos assim tanto mais 
confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a 
uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e 
a estrela da alva nasça em vosso coração (2Pe 1:19). A condição: 
atender às mui grandes e preciosas promessas. A progressão: à 
medida que nós trememos e obedecemos, então a luz da glória de 
Deus vai brilhar. Ela começa como a força do amanhecer e 
continua de glória em glória até brilhar por completo, como o sol. 
Provérbios 4:18 nos diz: Mas a vereda do justo é como a luz da 
aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. No dia 
perfeito nós brilharemos como o sol, para sempre (Mt 13:43). Nós 
não vamos refletir a glória de Deus -nós vamos emiti-la! Aleluia! 
Quando contemplamos a glória do Senhor no espelho da sua 
Palavra revelada, nós estamos "sendo transformados (mudados) 
na mesma imagem do Senhor, de glória em glória". Isto descreve o 
processo que a Bíblia chama de "desenvolver" a nossa salvação. 
Paulo dá instruções específicas sobre isto aos Filipenses. 
Enquanto você lê suas instruções, pondere sobre o fato de que se 
estas mesmas instruções tivessem sido atendidas por Israel, 
teriam sido poupados do destino indesejável de perecer no deserto. 
 
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só 
na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, 
desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é 
quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua 
boa vontade (Fp 2:12, 13). 
 
Eu sei que esta carta é de Paulo para os Filipenses, mas ela 
representa uma carta do Senhor para nós. Toda a Escritura é 
dada pela inspiração do Espírito Santo, e não há interpretação 
particular. Devemos ler este versículo como se Deus estivesse 
falando pessoalmente conosco. Antes de continuar, leia Filipenses 
2:12-13 novamente, sob esta visão. 
Estes versículos ilustram como o temor de Deus nos dá 
forças para obedecê-lo, não apenas na sua presença, mas também 
na Sua ausência. As Escrituras descrevem dois aspectos 
diferentes da presença de Deus. Primeiro, há onipresença. Em 
termos simples, Deus está em todos os lugares. Davi descreveu 
isso desta maneira: Para onde me ausentarei do teu Espírito ? Para 
onde fugirei da tua face ? Se subo ao céu lá estás; se faço a minha 
cama no mais profundo abismo (inferno), lá estás também (SI 
139:7-8). (Parênteses acrescido pelo autor). Esta é a presença que 
Ele promete: nunca nos deixará ou j amais nos abandonará (Hb 
13:5). 
Segundo, há a presença tangível de Deus, ou manifesta, isto 
é, quando a presença dele se torna real para nós neste mundo 
natural. 
Nós geralmente sentimos seu amor durante os cultos, 
sentimos seu calor quando o adoramos e sentimos seu poder 
quando oramos. E fácil obedecer a Deus nos momentos em que 
nossas orações acabaram de ser respondidas, suas promessas se 
cumpriram e a alegria é abundante. Mas uma pessoa que teme a 
Deus é aquela que vai obedecer até mesmo em tempos difíceis, 
quando não há a presença tangível de Deus para encorajá-la. 
 
O RESOLUTO TEMOR DE DEUS 
Vamos considerar José, o bisneto de Abraão. Em sonho, 
Deus mostrou a José que ele seria um grande líder, governando 
até mesmo sobre seus irmãos! Mas o que aconteceu logo depois 
que ele recebeu essa promessa? Um dia, os irmãos, sobre quem 
José estava destinado a governar, ficaram com inveja dele e o 
lançaram numa cova. Muitos hoje poderiam se perguntar, 
chocados: "Como Deus pôde permitir isso? Esse sonho era uma 
grande gozação?" Depois do choque inicial, ficariam ofendidos com 
Deus. A ofensa deles é outra manifestação da falta de santo temor! 
Contudo, não encontramos nenhum registro de murmuração de 
José. 
Os mesmos irmãos de José o venderam como um escravo 
para uma nação estrangeira. Ele serviu na casa de Potifar, um 
adorador de ídolos, por mais de dez anos. Dez anos - pense nisto! 
A cada dia o sonho que recebera de Deus deve ter parecido mais 
distante e fútil. A maioria de nós teria ido além de questionar a 
Deus, e depois de dez anos, nós já teríamos desistido! Mesmo 
assim, não encontramos evidência de murmuração em José. Ele 
não abandonou a sua esperança, não esqueceu seu sonho nem se 
rendeu ao desânimo. Ele temia a Deus. 
Por outro lado, os filhos de Israel se entregavam à 
reclamação e à murmuração. A paciência de José suportou dez 
anos de escravidão, enquanto a paciência dos israelitas acabou 
depois de alguns meses. Hoje, muitos reclamam quando nossas 
orações não são respondidas dentro de algumas semanas. Como 
somos diferentes de José, você não acha? 
José estava isolado e sozinho em uma terra pagã, longe de 
tudo que conhecia e amava. Ele não tinha comunhão com crentes. 
Não havia nenhum irmão em quem pudesse confiar. Nesse estado 
de solidão, a esposa do seu senhor tentou seduzi-lo. Vestida com 
roupas de seda e perfumada com os melhores óleos do Egito, a 
esposa de Potifar diariamente insistia com José paraque se 
deitasse com ela. 
Eu gosto muito da maneira como José demonstrou seu 
temor a Deus. Embora tivesse experimentado o sofrimento e a 
decepção, não se rendeu à esposa de Potifar. Se tivesse perdido 
seu piedoso temor e estivesse ofendido com Deus, não teria força 
para resistir à tentação. Rejeitou a esposa de Potifar: Como, pois, 
cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? (Gn 39:9) 
A obediência de José a Deus o lançou no calabouço do 
Faraó. A essa altura, quantos ainda escolheriam confiar em Deus 
e obedecê-lo? Muitos cairiam vítimas nas garras mortais da 
amargura (Hb 12:15). José permaneceu na prisão por mais de dois 
anos. Contudo, nós ainda não encontramos nenhuma evidência 
de murmuração ou amargura. Até mesmo na escuridão da prisão 
e no confinamento das cadeias, José continuou temendo a Deus! 
Nenhum desapontamento desviou o seu coração de Deus. 
O que é mais poderoso, é que em todo o seu sofrimento, José 
ainda ministrou aos seus companheiros de prisão. Durante a sua 
aflição, ele os confortou, interpretando seus sonhos e falando-lhes 
sobre Jeová. 
 
 
A MURMURAÇÃO IMPEDE A TRANSFORMAÇÃO 
Os descendentes de José eram muito diferentes. Obedeciam 
quando seus desejos eram satisfeitos e quando Deus manifestava 
seu grande poder a favor deles. Sempre que se sentiam 
desencorajados ou abandonados, rapidamente se deixavam levar 
pela desobediência. O primeiro sintoma de afastamento sempre 
aparece em forma de murmuração. 
Aqueles que se ofendem com Deus não estão sendo apenas 
tolos, como também estão se opondo diretamente a Ele. Pelo 
contrário, estão resistindo à sua Palavra ou à sua liderança. Os 
filhos de Israel se queixaram dos seus líderes, mas Moisés 
respondeu-lhes: As vossas murmurações não são contra nós, e sim 
contra o Senhor (Êx l6:8). 
A murmuração é uma assassina. Ela produzirá um curto 
circuito na vida de Deus em você, mais rápido do que qualquer 
outra coisa! A murmuração, indiretamente, diz ao Senhor: "Eu 
não gosto do que Tu estás fazendo em minha vida e se eu fosse o 
Senhor, faria de maneira diferente". A murmuração não é nada 
mais do que uma manifestação de insubordinação contra a 
autoridade de Deus. Ela é extremamente irreverente! Deus odeia a 
murmuração! José temia a Deus e ele nunca murmurou. É por 
isto que o Senhor nos admoesta: 
 
...Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque é 
Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a 
sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas (Fp 
2:12-14). 
 
Deus nos adverte severamente a não permitirmos que a 
reclamação lance raízes nos nossos corações. Nós não ficamos 
desamparados por seu intenso ataque. O temor do Senhor é a 
força dentro de nós que impede a presença deste sentimento em 
nosso coração. Provérbios confirma isto: 
 
O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços de 
morte (Pv 14:27). 
 
José viveu em um deserto espiritual por mais de doze anos. 
Parece que nada estava indo bem. Não havia nada para fortalecê-
lo ou encorajá-lo. Mas havia uma fonte no profundo do íntimo de 
José - fonte de onde provinha a força de que ele necessitava para 
obedecer a Deus em tempos difíceis e áridos. Esta fonte era o 
temor de Deus! 
Ele pôde evitar as armadilhas do ódio, da ofensa, do ciúme, 
do ressentimento, do desgosto e do adultério por meio das águas 
vivas daquela fonte. Enquanto outros teriam caído nas armadilhas 
de morte, José pôde se voltar e ministrar a outros - até mesmo nas 
horas mais sombrias. 
José era sábio em seu comportamento porque ele temia a 
Deus. O temor do Senhor é a instrução da sabedoria (Pv 15:33). 
Aqueles que temem a Deus são sábios. Daniel nos mostra: 
 
Os que forem sábios, pois, resplandecerão, como o fulgor do 
firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as 
estrelas, sempre e eternamente (Dn 12:3). 
 
José passou no último teste do coração dando de si mesmo e 
declarando a fidelidade de Deus na hora mais sombria. Não 
passou muito tempo para que a sabedoria de José o levasse a 
brilhar esplendidamente no Egito. A sua virtude não podia ser 
escondida, mas foi revelada a toda uma nação pagã. 
E interessante observar o comportamento de José, enquanto 
estava preso e sua reação aos companheiros, que o conduziu à 
sua promoção. Em Gênesis 40, nós lemos que o copeiro-chefe e o 
padeiro-chefe do Faraó estavam entre os prisioneiros. Ambos 
tiveram sonhos que foram interpretados por José. Para o copeiro, 
José anunciou o significado do sonho: 
 
Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três 
ramos são três dias; dentro de ainda três dias o Faraó te reabilitará 
e te reintegrará no Teu cargo, e tu lhe darás o copo na própria mão 
dele, segundo o costume antigo, quando lhe eras copeiro (Gn 40:12, 
13). 
 
Mas, para o padeiro a interpretação não era tão boa. 
Então, lhe disse José: A interpretação é esta: os três cestos 
são três dias; dentro de ainda três dias, Faraó te tirará fora a 
cabeça e te pendurará num madeiro, e as aves te comerão as 
carnes (Gênesis 40:18,19). 
Se houvesse qualquer vestígio de murmuração no coração de 
José ele não teria ministrado ao copeiro ou ao padeiro. Se ele não 
tivesse ministrado a eles, poderia ter permanecido na prisão até 
sua morte. 
Em seus momentos finais, José ainda estaria murmurando a 
respeito do que parecia ser infidelidade de Deus quando, na 
realidade, a promessa de Deus teria sido abortada pela sua falta 
de temor piedoso. Mas Deus foi fiel para libertar José das cadeias 
da prisão. No tempo certo, foi convocado pelo Faraó para 
interpretar um sonho, pela recomendação de ninguém mais senão 
o copeiro-chefe. E uma nação inteira foi livre da fome porque um 
homem, José, temia ao Senhor. 
Na segunda metade do século vinte, a igreja tem 
demonstrado falta do temor a Deus. Portanto, nós somos vistos 
como um opróbrio, ao invés de estrelas brilhantes, diante da 
nossa nação necessitada. Os nossos pecados são frequentemente 
difundidos pela mídia, perdemos o respeito que os crentes 
deveriam receber. Não temos demonstrado as qualidades de 
fidelidade e temor a Deus encontradas em José. Que Deus nos 
ajude com a sua graça! 
 
RESPLANDECENDO A SUA GLÓRIA 
Jó foi outro homem que sofreu grandemente. Ele também foi 
penosamente provado. Tentou compreender tudo que estava 
sofrendo, mas caiu em desespero. Seus amigos vieram lhe dar 
conselhos, mas suas palavras não ajudaram em nada e somente 
acrescentaram confusão a Jó. Ele procurou pela sabedoria, mas 
ela se esquivou dele. Deus ficou calado enquanto Jó e seus amigos 
compartilhavam suas tentativas fúteis para compreender os 
caminhos de Deus, que esperou até que todas as opiniões deles 
exaurissem. Ele enviou um sábio pregador chamado Eliú. Mas, 
depois disso: 
 
Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu 
a Jó: Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras 
sem conhecimento? Cinge, pois, os teus lombos como homem, pois 
eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu 
lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento 
(Jó 38:1-4). 
 
Deus continuou a falar até que Jó foi subjugado pela 
tremenda sabedoria, compreensão e força de Deus. Jó foi 
dominado pelo santo temor e clamou: 
 
Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser 
frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento 
encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas 
maravilhosas demais para mim, cousas que eu não conhecia. 
Escuta-me, pois, havia dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me 
ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te 
vêem. Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza (Jó 
42:2-6) 
 
Jó temeu a Deus. Viu Deus e foi transformado. A sua dor 
física e a sua perda nãohaviam diminuído, mas adquiriu um 
sentido maior do santo temor. Esse temor trouxe a sabedoria de 
que Jó necessitava. Assim como José havia ministrado em meio a 
sua dor e sofrimento, Jó se voltou para os outros e ministrou. 
 
Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus 
amigos; e deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra [...] Então 
morreu Jó, velho e farto de dias (Jó 42:10-17). 
 
Jó brilhou com sabedoria e força maior do que tivera antes. 
Muitas pessoas hoje continuam a receber revelação através da dor 
e da sabedoria. Nós podemos ver por que Deus nos adverte 
fortemente: 
 
Fazei tudo sem murmurações nem contendas. (Fp 2:14) 
 
O que nos dá a capacidade de caminharmos livres destas 
atitudes negativas? O temor de Deus. Quando nós tememos a 
Deus, nossos corações são descobertos. Quando contemplamos a 
glória de Deus, somos transformados pela imagem que 
contemplamos. 
 
Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus 
inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual 
resplandeceis como luzeiros no mundo; preservando a palavra da 
vida... (Fp 2:15, 16) 
 
A Bíblia Ampliada diz assim: (Nota do Tradutor: referência 
extraída da tradução revista e atualizada) 
Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus 
inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual 
resplandeceis como luzeiros no mundo (estrelas ou farol que 
brilham intensamente) (Fp 2:15, 16) (Parênteses acrescido pelo 
autor). 
Glória a Deus eternamente! Nós, que tememos a Deus, 
somos continuamente conformados à sua imagem, até 
resplandecermos como luzeiros brilhantes em um mundo escuro. 
Isto descreve a tremenda glória que sua igreja fiel vai emitir nestes 
últimos dias. 
No capítulo anterior, discutimos sobre como esta 
transformação vai aumentar, até que a glória de Deus se 
manifeste em nós tão fortemente que os pecadores serão atraídos 
a Cristo pela nossa luz. Revendo o que Isaías disse, nós 
encontramos: 
 
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do 
Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a 
escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e 
a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua 
luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu (Is 60:1-3). 
 
Deus manifestará a sua glória nesta Terra. Eleja disse como 
fará isto: ...E eu tornarei mais gloriosa a casa da minha glória (Is 
60:7). A casa da sua glória é o seu povo, o seu templo, aqueles 
dentre nós que o temem e o amam. Zacarias previu a glória do 
Senhor manifestando-se sobre o seu povo e disse: 
 
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que 
pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, 
sim, na orla da veste de um judeu (um crente), e lhe dirão: Iremos 
convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco (Zc 8:23). 
(Parênteses acrescido pelo autor). 
 
Zacarias não usou a terminologia que usamos hoje. Assim, 
não podia dizer que os homens segurariam no braço de cada 
cristão. Viu os nossos dias e os descreveu em seus próprios 
termos. O que é muito empolgante é que estamos nos 
aproximando rapidamente desses dias! Aleluia! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Temer a Deus é Crer em Deus. Crer em 
Deus é obedecê-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 12 
 
AMIZADE COM DEUS 
 
A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele 
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14). 
 
Agora, vamos discutir o que eu acredito ser o aspecto mais 
emocionante de andar no temor de Deus. Este é o desejo do 
coração de todo verdadeiro crente. É a única coisa que sempre 
trará satisfação duradoura. É o motivo da criação de Deus e o seu 
propósito na redenção, o próprio centro do coração de Deus e um 
tesouro reservado para aqueles que o temem. Como introdução, 
vamos retomar a sabedoria de Salomão: 
 
O temor do Senhor é o princípio do saber (Pv 1:7). 
 
Saber o quê? Salomão está se referindo ao saber científico? 
Não; muitos cientistas exaltam o homem e não têm temor de 
Deus. Este versículo se refere às realizações sociais ou políticas? 
Não; porque os caminhos do mundo são loucura para Deus. É o 
conhecimento das Escrituras? Não, porque embora os fariseus 
fossem peritos na lei, estavam desagradando a Deus. Nossa 
resposta é encontrada em Provérbios 2:5: Então entenderás o 
temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Deixe-me 
repetir isto para você em termos mais simples: você vai conhecer a 
Deus intimamente. O salmista confirma isto dizendo: 
 
A intimidade do Senhor é para os que o temem (Sl 25:14). 
 
O temor do Senhor é o princípio, ou o ponto de partida, de 
um relacionamento íntimo com Deus. A intimidade é um 
relacionamento de mão dupla. Por exemplo, eu sei sobre o 
presidente dos Estados Unidos. Eu posso listar várias informações 
sobre as realizações dele e sua postura política, mas não o 
conheço realmente. Não tenho um relacionamento pessoal com 
ele. Aqueles que são parentes chegados do presidente e os seus 
amigos íntimos o conhecem. Se nós estivéssemos na mesma sala, 
reconheceria rapidamente o presidente, mas ele não me 
conheceria. Embora seja um cidadão americano e conheça o 
presidente, não poderia falar com ele como se ele fosse meu 
amigo. Isto seria inapropriado e até mesmo desrespeitoso. Ainda 
estaria sob sua jurisdição e autoridade como presidente e sob a 
sua proteção como comandante-em-chefe, mas a autoridade dele 
sobre mim não me concederia automaticamente uma relação de 
intimidade com ele. 
Outro exemplo: um de nós sente grande atração por uma 
celebridade do esporte ou de Hollywood. Os nomes são comuns 
em todos os lares americanos. A mídia tem descoberto a vida 
pessoal deles através de numerosas entrevistas de televisão, 
jornais e artigos de revista. Ouço os fãs falarem como se essas 
celebridades fossem seus amigos íntimos. Tenho visto pessoas se 
envolverem emocionalmente nos problemas conjugais dos seus 
ídolos e tenho visto as pessoas lamentarem como se eles fossem 
parte da família quando morrem seus heróis de algum esporte ou 
do cinema. 
Se esses fãs se encontrassem com seu herói célebre na rua, 
não receberiam nem mesmo um aceno de cabeça em 
cumprimento. Se forem corajosos o suficiente para parar essa 
celebridade, poderiam descobrir que a verdadeira pessoa é 
bastante diferente da imagem que ele ou ela representam. O 
relacionamento entre celebridades e seus fãs é um relacionamento 
de mão única. 
Eu tenho lamentado este mesmo comportamento na igreja. 
Escuto os crentes falarem sobre Deus como se Ele fosse apenas 
um amigo, alguém com que costumam passar tempo. Contam 
casualmente como Deus lhes tem mostrado isso ou aquilo. Dizem 
o quanto desejam a presença e têm fome da unção de Deus. 
Muitas vezes, os novos crentes ou ainda não-estáveis em seu 
relacionamento com o Senhor se sentem desconfortáveis e 
espiritualmente deficientes perto desses amigos íntimos de Deus. 
Normalmente, dentro de pouco tempo você vai ouvir esses 
indivíduos se contradizerem. Eles dirão algo que revela claramente 
que o seu relacionamento com Deus não é diferente daquele entre 
um fã e seu ídolo. Demonstram estar comentando um 
relacionamento que simplesmente não existe. 
O Senhor disse que nós não podemos sequer começar a 
conhecê-lo intimamente, a menos que o temamos. Em outras 
palavras, um relacionamento íntimo e a amizade com Deus sequer 
tem início se o temor de Deus não estiver firmemente plantado nos 
nossos corações. 
Nós podemos assistir aos cultos, ir à frente em resposta a to-
dos os apelos do púlpito, ler a Bíblia diariamente e frequentar 
todas asreuniões de oração. Podemos pregar sermões 
maravilhosos e motivadores, trabalhar duro no ministério durante 
anos e até mesmo receber o respeito e a admiração dos colegas. 
Mas se não temermos a Deus, estaremos apenas escalando os 
degraus da escada religiosa. Qual é a diferença entre estes rituais 
religiosos e sofrer da síndrome de celebridade? 
Conheço pessoas que podem falar mais sobre a vida pessoal 
do seu ídolo do que falam sobre a sua própria vida. Eles estão 
cheios de opinião, novidades, fatos e detalhes. Tal conhecimento 
sobre alguém não garante intimidade com eles. Esses seguidores 
de celebridades são como pessoas que observam a vida dos outros 
pela janela. Eles vêem o quê, onde e quando, mas eles não sabem 
o por quê. 
 
AMIGO DE DEUS 
Deus chamou dois homens de seus amigos nas Escrituras. 
Isso não quer dizer que não teve outros, mas que Deus 
reconheceu especificamente esses dois e intencionalmente 
registrou essa amizade. Eu acredito que fez isso para nosso 
benefício e para que pudéssemos receber discernimento sobre o 
que Deus procura em um amigo. 
O primeiro é Abraão. Abraão foi chamado de amigo de Deus 
(2Cr 20:7). Quando Abraão tinha setenta e cinco anos, Deus 
estabeleceu uma aliança com ele. Dentro dos parâmetros dessa 
aliança, prometeu dar a Abraão o desejo do seu coração: um filho. 
Antes do nascimento desse filho, Abraão cometeu vários erros, 
alguns muito graves. 
Porém, apesar de tudo, Abraão creu, obedeceu, e tinha plena 
convicção de que Deus iria cumprir tudo o que havia prometido. 
Quando Abraão tinha noventa e nove anos de idade, sua es-
posa ficou grávida e o seu filho prometido, Isaque, nasceu! Você 
pode imaginar a alegria de Abraão e Sara depois de esperar tantos 
anos? Pode imaginar o amor que eles tinham por esse filho 
prometido? 
 
APROVAÇÃO 
O tempo passou e o relacionamento entre pai e filho os 
tornou muito íntimos. A vida desse menino significava mais para 
Abraão do que a sua própria vida. Sua grande riqueza não era 
nada em comparação à alegria desse filho. Nada significava mais 
para Abraão do que o filho precioso dado por Deus. 
 
Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: 
Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma 
teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de 
Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te 
mostrarei (Gn 22:1, 2). 
 
Você pode imaginar o choque de Abraão ao ouvir estas 
palavras? Ele nunca havia imaginado que Deus lhe pediria uma 
coisa tão difícil. Ficou atordoado. Pai e filho eram tão íntimos! 
Depois de todos aqueles anos de espera por aquele jovem 
inestimável, Deus havia pedido mais do que a própria vida de 
Abraão. Deus pediu o seu coração. Não fazia sentido. 
Mas Abraão sabia que Deus não comete erros. Não havia 
como negar o que Deus já havia falado claramente. Havia apenas 
duas opções para um homem da aliança: obedecer ou quebrar a 
aliança. Quebrar a aliança com Deus nem mesmo foi considerado 
por esse homem de fé, tão imerso ele estava em seu temor 
piedoso. 
Sabemos que isso foi uma prova, mas Abraão não sabia. Nós 
nunca sabemos que Deus está nos testando até que estejamos do 
outro lado. É possível errar em um teste na universidade, mas 
ninguém pode errar nos exames que Deus aplica. Se nós não 
estudarmos nem fizermos a lição de casa purificando os nossos 
corações e limpando as nossas mãos, não poderemos passar nos 
testes de Deus, não importa quão inteligente sejamos! 
Se os descendentes de Abraão tivessem conhecido o resulta-
do do que Deus estava fazendo no deserto ao pé do Monte Sinai, 
eles teriam reagido de forma diferente. Abraão tinha algo diferente 
no seu coração, algo que os seus descendentes não tinham. 
Certa vez, Deus me pediu que abandonasse algo que eu pen-
sava que Ele me havia dado. Isso significava mais para mim do 
que qualquer outra coisa. Eu o havia desejado durante anos. Era 
um convite para trabalhar com um evangelista muito famoso, uma 
pessoa a quem eu amava afetuosamente. 
Ele e sua esposa ofereceram cargos de assistentes para mim 
e minha esposa na sua equipe. Eu não apenas amava esse 
homem, mas também via isso como uma oportunidade de Deus 
realizar um sonho profundamente implantado no meu coração: eu 
poderia pregar o evangelho para as nações do mundo. 
Esperava plenamente que Deus dissesse sim a esta oferta 
maravilhosa, mas Ele deixou claro que eu devia recusar o convite. 
Passei dias lamentando por ter perdido esta oportunidade. Eu 
sabia que havia obedecido a Deus, porém, eu não entendia porque 
Ele me havia pedido para fazer uma coisa tão difícil. Depois de 
semanas de confusão, finalmente clamei: "Deus, por que Tu me 
fizeste colocar isto no altar?" 
Ele respondeu depressa ao meu clamor: "Para ver se você 
estava servindo a mim ou ao seu sonho". 
Somente, então, entendi que eu havia sido provado. No meio 
de toda esta situação, não havia percebido o que Ele estava 
fazendo. As únicas coisas que me impediram de seguir o meu 
próprio caminho foram o meu amor e o temor a Deus. 
 
O TEMOR DE ABRAÃO A DEUS FOI CONFIRMADO 
Eu gosto muito da maneira como Abraão reagiu à ordem 
mais difícil de Deus: Levantou-se, pois, Abraão de madrugada (Gn 
22:3). Ele não falou sobre isso com Sara. Não houve nenhuma 
hesitação. Havia decidido obedecer a Deus. Havia apenas duas 
coisas que significavam mais para Abraão do que o seu Isaque 
prometido: o seu amor e o seu temor a Deus. Ele amava e temia a 
Deus, acima de tudo. 
Deus disse a Abraão que fizesse uma jornada de três dias. 
Isso lhe deu tempo para ponderar sobre a ordem que recebera. Se 
houvesse qualquer hesitação no seu coração, esse período de 
tempo teria demonstrado isto. Quando chegaram ao lugar de 
adoração designado, Abraão construiu um altar, amarrou o seu 
filho, deitou-o sobre o altar e pegou o seu cutelo. Daí ele levantou 
o cutelo sobre a garganta de Isaque. 
Nesse momento, Deus falou através de um anjo, detendo-o 
no meio do seu ato de obediência: Não estendas a mão sobre o 
rapaz, e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, 
porquanto não me negaste o filho, o teu único filho (Gn 22:12). 
Abraão provou seu temor ao considerar os desejos de Deus 
como mais importantes do que os seus próprios desejos. Deus 
sabia que se Abraão passasse nessa prova, passaria em todas. 
 
Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro 
preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o 
ofereceu em holocausto em lugar de seu filho. E pôs Abraão por 
nome àquele lugar - o Senhor proverá... (Gn 22:13,14). 
 
Ao final dessa prova, Deus revelou um novo aspecto da sua 
própria pessoa a Abraão. Ele se revelou como o Jeová-Jireh. Essa 
revelação do caráter de Deus significa "Jeová Provê". Ninguém, 
desde Adão, o havia conhecido dessa maneira. Deus revelou seu 
coração a esse homem humilde que se havia tornado seu amigo. O 
Senhor estava revelando a Abraão as coisas que para os outros 
homens ainda eram "segredos" do seu coração e caráter. 
Mas é importante compreender que Deus não se revelou 
como "Jeová Provê" senão depois que Abraão havia passado na 
prova do santo temor. Muitos clamam a Deus querendo conhecer 
seu caráter e os diversos atributos da natureza de Deus, 
entretanto, eles nunca O obedeceram nas situações difíceis. Eles 
podem cantar: "Jeová-Jireh, meu provedor, sua graça é suficiente 
para mim...", mas é apenas uma canção até que Ele seja revelado 
através da obediência como tal. A menos que nós passemos na 
prova de obediência a Deus, tais declarações procedem da nossa 
cabeça, e não do nosso coração. É quando nos aventuramos no 
deserto terrível e árido da obediência que Deus se revela como 
Jeová-Jireh e amigo (Is 35:1,2). 
 
Não foi por obras que o nosso pai, Abraão, foi justificado, 
quando ofereceusobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês que a fé 
operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras 
que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, 
Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi 
chamado amigo de Deus (Tg 2:21-23). 
 
Observe que Abraão foi justificado por suas obras, que 
correspondiam a sua fé. A prova do seu santo temor e fé foi sua 
obediência. Temer a Deus é crer em Deus. Crer em Deus é 
obedecê-lo. Tiago afirma que a obediência de Abraão, alimentada 
por seu santo temor a Deus, resultou em amizade com Deus. 
Deus deixa isto bem claro: 
 
A intimidade o Senhor é para os que o temem, aos quais ele 
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14). 
 
Isto não poderia ser mais claro! Leia novamente este 
versículo do Salmo 25 e guarde-o em seu coração. Por que há 
tanta pregação superficial nos nossos púlpitos? Por que os 
cristãos não têm a profundidade dos nossos antepassados? Isto é 
resultado de uma doença crescente na igreja. É um vírus chamado 
"ausência de temor do Senhor!" 
Deus disse que Ele revela os seus segredos àqueles que o te-
mem. Com quem você compartilha os segredos do seu coração? 
Com os conhecidos ou com os seus amigos íntimos? Com os 
amigos íntimos, é claro. Os segredos não estariam seguros com 
meros conhecidos. Bem, Deus faz a mesma coisa. Ele só 
compartilha o seu coração com aqueles que o temem. 
 
O HOMEM QUE CONHECIA OS CAMINHOS DE DEUS 
Moisés foi outro homem a quem Deus chamou de amigo. Ele 
era um homem que conhecia os caminhos de Deus. Em Êxodo 
33:11 Deus diz: Falava o Senhor a Moisés face a face, como 
qualquer fala a seu amigo. 
O rosto de Moisés foi desvendado porque temia a Deus. 
Portanto, foi capaz de falar com Deus intimamente. O resultado 
foi: 
Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos 
filhos de Israel (Sl 103:7). 
 
Israel não temia a Deus, por isso lhe foi negada a intimidade 
com Ele. Os caminhos e os segredos da sua aliança não foram 
revelados aos israelitas. Eles conheciam a Deus de um modo bem 
semelhante ao que conheço o presidente dos Estados Unidos. Eu 
conheço o presidente através das suas realizações, providências e 
atos. Os israelitas não eram conhecedores do porquê da aliança de 
Deus. Eles não entendiam os motivos de Deus, as suas intenções 
e os desejos do seu coração. 
Israel percebeu apenas o caráter de Deus como foi exibido ao 
mundo natural. Muitas vezes, confundiam os métodos de Deus de 
"tirar" ou "reter" quando não conseguiam exatamente o que 
queriam. É impossível conhecer a Deus observando apenas o que 
Ele faz no mundo natural. É como conhecer uma celebridade 
apenas através das notícias da mídia. Deus é Espírito, seus 
caminhos estão ocultos da sabedoria deste mundo (Jo 4:24; I Co 
2:6-8). Deus se revela apenas àqueles que o temem. Os filhos de 
Israel não entenderam a sabedoria ou o conhecimento por trás de 
tudo o que Deus estava fazendo. Portanto, estavam 
constantemente fora do passo de Deus. 
 
O TEMOR DO SENHOR É CONHECER OS CAMINHOS 
DE DEUS 
Moisés, muito frequentemente, sabia porque Deus fazia as 
coisas como Ele fazia. A Bíblia descreve esse discernimento como 
entendimento. De fato, Moisés sempre sabia o que Deus estava 
para fazer antes que Ele o fizesse, porque Deus o revelava com 
antecedência. A Bíblia chama isto de sabedoria. O salmista nos 
fala: 
 
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam 
prudência todos os que a praticam (Sl 111:10). 
 
Temer a Deus é obedecê-lo, mesmo quando isto parecer não 
lhe trazer nenhuma vantagem. Quando nós o tememos, Ele nos 
chama de amigos e revela o motivo, as intenções e os desejos do 
seu coração. Nós passamos a conhecê-lo não pelos seus atos, mas 
pelos seus caminhos. Leia atentamente as palavras de Jesus para 
os seus discípulos durante a última ceia, depois que Judas se 
retirou: 
 
Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não 
vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; 
mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu 
Pai vos tenho dado a conhecer. (Jo 15:14,15) 
 
Tenho ouvido este trecho ser citado como uma promessa de 
amizade com o Senhor. Porém, há uma condição bem definida 
estabelecida para este tipo de amizade. A condição é: ...se fazeis o 
que eu vos mando (Jo 15:14). 
Nas palavras do salmista, esse tipo de amizade com Deus é 
reservada para aqueles que o temem, para os que obedecem a sua 
Palavra incondicionalmente. 
O Senhor disse: Já não vos chamo servos. Seus discípulos 
haviam demonstrado a sua fidelidade como servos durante três 
anos e meio. Eles permaneceram com Jesus quando outros 
discípulos o haviam abandonado (Jo 6:66). Houve uma época em 
que Jesus os tratou apenas como servos. Foi um período de prova, 
como aconteceu com Abraão e Moisés. Um novo exame havia 
começado e agora as palavras de Jesus eram proféticas. O exame 
iria confirmar a firme obediência dos discípulos na sala da ceia. A 
ordem divina seria estabelecida. A sala da ceia iria revelar o 
conteúdo de cada coração humano. 
Jesus disse: Porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; 
mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu 
Pai vos tenho dado a conhecer (meus amigos, os que temem a 
Deus). Os amigos de Deus vão receber o dom do discernimento, 
porque Deus compartilha os seus planos com os amigos. 
(Parênteses acrescido pelo autor). 
 
DEUS COMPARTILHA SEUS PLANOS COM SEUS AMIGOS 
Deus compartilha os motivos e intenções do seu coração 
com os seus amigos. Ele discute os seus planos e até confia nos 
seus amigos. 
 
Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que eu estou para fazer? 
(Gn 18:17) 
 
O Senhor falou isto para os anjos, seus servos, que estavam 
com Ele na presença de Abraão. Deus então se voltou para 
Abraão: 
 
Disse mais o Senhor: Com efeito, o clamor de Sodoma e 
Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado 
muito. Descerei e verei se de fato, o que têm praticado corresponde 
a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei (Gn 
18:20,21). 
 
Então, o Senhor revelou a Abraão o julgamento iminente que 
pairava sobre as cidades de Sodoma e Gomorra. Abraão 
intercedeu e clamou pelas vidas dos justos. 
 
E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o 
ímpio? Se houver, porventura, cinquenta justos na cidade, 
destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos 
cinquenta justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal 
cousa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao 
ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra? Então, 
disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da 
cidade, pouparei a cidade toda por amor deles (Gn 18:23-26). 
 
Abraão havia pedido que as vidas dos outros fossem 
poupadas da mão do julgamento de Deus. Apenas um amigo 
conversa desse modo com um rei ou juiz que tem o poder de 
executar o julgamento. Vindo de um servo ou súdito, tal petição 
seria desrespeitosa, mas na verdade, Abraão entrou em um 
processo de negociação com Deus. Abraão continuou falando com 
Deus de cinquenta até dez, e Deus começou a procurar as dez 
pessoas justas em Sodoma e Gomorra. O relatório sobre a 
maldade do povo mostrou-se claramente verdadeiro, porque nem 
mesmo dez pessoas justas foram encontradas em nenhuma 
daquelas cidade. O Senhor encontrou apenas Ló, o sobrinho de 
Abraão, e a família dele. 
Deus apresentou ao seu amigo Abraão o que Ele planejava 
fazer. Ele confiou em Abraão porque Abraão temia a Deus. O 
temor de Abraão o havia elevado ao nível da confiança de Deus. 
 
CONTAMINADO PELO MUNDO 
Ló pode ter sido considerado justo, mas também era munda-
no. Ele não tinha mais discernimento do julgamento iminente do 
que os moradores daquelas cidades, que eram ímpios.Embora 
fosse justo, Ló foi apanhado de surpresa, ignorando o que estava 
para acontecer. Ló representa os cristãos carnais e mundanos, 
que não têm o ardente e santo temor de Deus. O relacionamento 
deles com o Senhor também não é muito diferente daquele entre 
fãs fanáticos e celebridades. 
Isso pode ser visto pelo lugar onde Ló escolheu para morar 
(entre os habitantes de Sodoma e Gomorra), o tipo de esposa que 
escolheu e os filhos que veio a gerar através de incesto, os 
moabitas e os amonitas. Ló escolheu o que lhe pareceu melhor 
inicialmente, mas no fim, a sua escolha se demonstrou insensata. 
Abraão, pelo contrário, escolheu uma vida separada. Ele 
buscava uma cidade cujo construtor e edificador era o próprio 
Deus. Ló escolheu a companhia dos descrentes, ao invés de uma 
vida separada. Os caminhos dos ímpios reduziram aos poucos a 
sua justiça. Eventualmente, essa convivência com os ímpios 
produziu fruto na vida de Ló e nas vidas dos seus descendentes. 
Os padrões de Ló não eram ditados por Deus; eram ditados pela 
sociedade ao seu redor. Ló vivia afligido pelo procedimento libertino 
daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia 
quando habitava entre eles, atormentava sua alma justa, cada dia, 
por causa das obras iníquas daqueles) (2Pe 2:7, 8). 
O dia do julgamento teria vindo sobre Ló como um ladrão à 
noite, não fosse a misericórdia de Deus e sua amizade com 
Abraão. Deus enviou seus anjos mensageiros, da mesma maneira 
que Ele vai enviar seus profetas mensageiros para advertir os 
crentes carnais das igrejas que continuam inconscientes do 
julgamento iminente. 
Na urgência e fúria do julgamento iminente, a esposa de Ló 
escolheu olhar para trás. Ela havia sido advertida para não olhar 
para trás quando o Senhor enviasse a destruição sobre as cidades 
que estavam cheias de maldade. Mas a esposa de Ló havia sido 
tão influencia da pelo mundo que, o seu impulso foi mais forte do 
que o temor do Senhor. É por isso que Jesus adverte os crentes do 
Novo Testamento para que se lembrem da esposa de Ló (Lc 17:32). 
Abraão temia a Deus. Ele era amigo de Deus. Ló tinha tudo, 
menos uma pequena medida de temor. Ele teve temor do Senhor 
apenas o suficiente para fugir do julgamento imediato, mas o 
julgamento atingiu aqueles que o seguiam. 
Mais tarde, Ló demonstrou não conhecer o coração de Deus, 
nem os seus caminhos. Tiago se dirige aos crentes dizendo 
seriamente: 
 
Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga 
de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se 
inimigo de Deus (Tg 4:4). 
 
Você não pode amar o mundo e ser amigo de Deus ao 
mesmo tempo. Tiago descreve a condição de um crente que ainda 
busca um relacionamento com o mundo como o de um adúltero e 
inimigo de Deus. Salomão nos diz: 
 
O que ama a pureza de coração e é grácil no falar terá por 
amigo o rei (Pv 22:11). 
 
Somente os puros de coração são amigos de Deus. Nós deve-
mos perguntar a nós mesmos: "O que purifica meu coração? O 
amor a Deus?" O amor a Deus desperta o desejo de purificação, 
mas sozinho não purifica o coração. Nós podemos dizer que 
amamos a Deus com grande afeição, porém, ainda podemos amar 
o mundo. Esta é a cilada que prende milhões de pessoas que estão 
nas igrejas. Que força nos mantém puros diante deste Rei 
tremendo? Paulo respondeu em termos claros e concisos: 
 
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de 
toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a 
nossa santidade no temor de Deus (2Co 7:1). 
 
A verdadeira santidade ou pureza de coração é aperfeiçoada 
ou amadurecida no temor de Deus! ...Epelo temor do Senhor os 
homens evitam o mal (Pv 16:6). 
Mas leia novamente o início desse versículo: Tendo, pois, ó 
amados, tais promessas... Quais promessas? Elas estão nos 
versículos anteriores. Vamos ler: 
 
...Porque nós somos o santuário do Deus vivente, como ele 
próprio disse: Habitarei e andarei entre eles, serei o seu Deus, e 
eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-
vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos 
receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz. 
o Senhor Todo-Poderoso (2Co 6:16-18). 
 
É exatamente assim que Deus descreveu o seu desejo de 
habitar entre os filhos de Israel na sua glória no deserto. Ele disse: 
E saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da terra do 
Egito, para habitar no meio deles (Ex 29:46). E novamente: Andarei 
entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo (Lv 26:12). 
Há um paralelo: Ele é o mesmo Deus santo. Ele não vai habitar 
num templo contaminado ou profano. 
Vamos analisar o significado completo destas verdades para 
nós hoje. Deus estabelece as condições ou exigências para nossa 
aliança com Ele para que possamos morar na presença da sua 
glória. Nós devemos romper com o sistema do mundo e viver 
separados do mundo. Esta é uma obra em que cooperam o temor 
de Deus e a sua graça. É por isso que Paulo começa esse capítulo 
insistindo com a igreja de Corinto - não recebais em vão a graça de 
Deus (2Co 6:1). 
Em outra carta, Paulo esclarece melhor o assunto e nos 
exorta fortemente a buscar a santidade, porque se não a 
buscarmos jamais veremos a Deus. 
 
Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém 
verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja 
faltoso, separando-se da graça de Deus (Rb 12:14, 15). 
 
Observe mais uma vez o que Paulo fala sobre receber a graça 
de Deus em vão! Nós podemos nos separar da graça! Ele continua 
a descrever o que mantém a graça ativa e produtiva em nossas 
vidas:...retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo 
agradável, com reverência e santo temor (v. 28). O temor de Deus 
nos impede de receber a sua graça em vão. O temor de Deus nos 
impede de desejar ter um relacionamento com o mundo. É a graça 
de Deus, associada ao temor de Deus, que produz santidade ou 
pureza de coração. Deus promete que se nos purificarmos da 
sujeira do mundo, Ele vai habitar em nós na sua glória. Aleluia! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O santo temor dá a Deus o lugar de glória, 
honra, reverência, ações de graça, louvor 
e de proeminência que Ele merece. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e 
guarda os seus mandamentos; porque isto ê o dever de todo homem 
(Ec 12:13). 
Temos discutido muito sobre o temor do Senhor. Porém, ja-
mais poderíamos esgotar o assunto. O temor do Senhor é um 
assunto que não pode ser completamente desvendado, não 
importa quantos livros sejam escritos. É uma revelação contínua. 
O mesmo é verdade em relação ao amor de Deus. O Livro de 
Provérbios 23:17 diz: Antes, no temor do Senhor perseverarás (com 
paixão) todo dia. Toda paixão que tivermos, nunca será demais 
com o fogo desse amor (Parênteses acrescido pelo autor). 
É impossível detalhar completamente o temor do Senhor em 
termos finitos, assim também é difícil defini-lo. Ele abrange um 
amplo espectro, como a força do amor de Deus. A definição que 
ofereço será parcial e meramente um começo, pois é impossível 
descreverem palavras a transformação interior do coração. Nós 
vamos crescer no conhecimento revelado de Deus por toda a 
eternidade. Proporcionalmente, a revelação do amor de Deus e o 
nosso santo temor para com Ele se expandirão. 
 
O temor do homem se opõe ao temor de Deus. O temor do 
homem arma ciladas (Pv 29:25). 
 
Nós temos discutidoesse "temor profano" na medida em que 
ela se relaciona à compreensão do temor de Deus. Muitas vezes, 
nós entendemos o que algo significa aprendendo primeiro o que 
ele não significa. Partindo desta visão, vou definir o temor do 
homem. 
Temer o homem é estar em estado de alarme, ansiedade, es-
panto, pavor, desconfiança ou se encolher diante de homens 
mortais. Aqueles que são apanhados por esse tipo de temor, 
viverão correndo e se esconderão do mal ou da reprovação, 
constantemente evitando a rejeição e o confronto. Eles ficam tão 
ocupados defendendo a si mesmos, que logo se tornam ineficazes 
no seu serviço a Deus. Amedrontados com o que homem pode 
fazer, negam a Deus o que Ele merece. 
O temor do Senhor inclui, mas não se limita, ao respeito e à 
reverência a Deus, porque a Palavra nos diz para tremer da sua 
presença. O santo temor dá a Deus o lugar de glória, honra, 
reverência, ações de graça, louvor e de proeminência que Ele 
merece. (Observe que é o que Ele merece, não o que nós achamos 
que Ele merece). 
Deus mantém esta posição proeminente nos nossos corações 
e nas nossas vidas quando consideramos os seus desejos acima 
dos nossos próprios desejos, odiando o que Ele odeia e amando o 
que ama, tremendo na sua presença e diante da sua Palavra. 
Leia isto e medite: você servirá a quem você teme. Se você 
teme a Deus, você o servirá. Se você teme ao homem, você servirá 
ao homem. Você tem de escolher. 
Agora você pode entender porque Salomão, depois de uma 
vida inteira de sucesso e também de sofrimento, podia dizer: 
 
De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda 
os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem (Ec 
12:13). 
 
Salomão buscou a sabedoria durante a sua vida inteira. Ele 
a obteve, e ela o conduziu a um grande sucesso. Porém, passou 
por um período de tormento e aflição nos anos posteriores. O 
temor de Deus no seu coração havia acabado. Ele já não obedecia 
aos mandamentos de Deus. Salomão se casou com mulheres 
estrangeiras e serviu aos seus deuses. 
No fim da sua vida, ele olhou para trás, e depois de muita 
meditação, escreveu o Livro de Eclesiastes. Nesse livro, Salomão 
examina a vida apartada do temor de Deus. Sua resposta à cada 
pergunta examinada era: "Vaidade!" 
Bem no final do livro, conclui que tudo o que importa na 
vida resume-se em temer a Deus e guardar os seus mandamentos! 
 
AS BÊNÇÃOS DO TEMOR DE DEUS... 
Eu o encorajo a ler sua Bíblia, e com o uso de uma 
concordância, localizar cada texto bíblico que se relaciona ao 
temor de Deus. Registre-os para uma referência futura. Em minha 
pesquisa, eu compilei mais de cinquenta páginas datilografadas. 
Encontrei algumas promessas bem definidas para aqueles que 
temem ao Senhor. Permita-me compartilhar apenas algumas 
delas. 
 
O TEMOR DE DEUS... 
♦ Coloca nosso coração na posição de receber respostas: 
Ele, Jesus, nos dias de sua carne, tendo oferecido, com forte clamor 
e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e 
tendo sido ouvido por causa de sua piedade (Hb5:7). 
♦ Assegura a plenitude da grande bondade de Deus: Como é 
grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual 
usas, perante os filhos dos homens (SI 31:19). 
♦ Promete a proteção dos anjos: 
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os 
livra (Sl 34:7). 
♦ Assegura a atenção contínua de Deus: 
Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre 
os que esperam na sua misericórdia (Salmos 33:18). 
♦ Proporciona a provisão de Deus: 
Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o 
temem (SI 34:9). 
♦ Contém grande misericórdia: 
Pois quanto o céu se alteia da terra, assim é grande a sua 
misericórdia para com os que o temem (SI 103:11). 
♦ Provê a certeza de ai i mento: 
Dá sustento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua 
aliança (SI 111:5). 
♦ Promete proteção: 
Confiam no Senhor os que temem o Senhor: ele é o seu 
amparo c o seu escudo (SI 115:11). 
♦ Satisfaz nossos desejos e nos livra do mal: 
Ele acode a vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e 
os salva (SI 145:19). 
♦ Provê sabedoria, entendimento e administração do tempo: 
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conheci mento do 
Santo é prudência. Porque por mim se multiplicam os teus dias, e 
anos de vida se te acrescentarão 
(Pv 9:10-11). 
♦ É nossa confiança e proteção em face da morte: 
No temor do Senhor, tem o homem forte amparo, e isso é 
refúgio para os seus filhos. O temor do Senhor é fonte de vida para 
evitar os laços de morte (Pv 14:26, 27). 
♦ Provê a paz da mente: 
Melhor é um pouco, havendo o temor do Senhor, do que 
grande tesouro onde há inquietação (Pv 15:16). 
♦ Resulta em completa satisfação: 
O temor do Senhor conduz à vida; aquele que o tem ficará 
satisfeito, e mal nenhum o visitará (Pv 19:23). 
♦ Conduz às riquezas, honra e vida: 
O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e 
honra, e vida (Pv 22:4). 
♦ Mantém-nos no caminho: 
Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de 
lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que 
nunca se apartem de mim (Jr 32:40). 
♦ Produz a segurança da família: 
E, porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu 
família (Ex 1:21). 
♦ Provê clareza e direção: 
Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que 
deve escolher (SI 25:12). 
♦ Resulta em contentamento com o trabalho e em vidas ple 
nas e compensadoras: 
Bem aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus 
caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás e tudo te 
irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira 
frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira à roda da tua mesa. 
Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor! (Sl 128:1-
4) 
♦ Produz liderança bem sucedida: Procura dentre o povo 
homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que 
aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes 
de cem, chefes de cinquenta, e chefes de dez (Êx 18:21). 
Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: 
Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no 
temor de Deus (2 Sm 23:3). 
Estas são apenas algumas das promessas de Deus para 
aqueles que o temem. Há muitas outras. Eu o encorajo a procurar 
essas promessas em seu tempo de leitura e estudo da Palavra de 
Deus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EPÍLOGO 
 
O temor de Deus deveria arder vivamente nos nossos 
corações, não importa há quanto tempo somos salvos. De fato, é o 
elemento chave para receber a salvação. Paulo proclama:... Vós 
outros os que temeis a Deus, a nós nos foi enviada a palavra desta 
salvação (At 13:26). 
Sem o santo temor, nós não vamos reconhecer nossa 
necessidade de salvação. 
Não importa em que situação você esteja espiritualmente, eu 
o encorajo a orar comigo. Se você ainda não se submeteu ao 
senhorio de Jesus, agora é o momento de entregar sua vida para 
Ele. Você ouviu a Palavra, e a fé brotou em seu coração. Se o 
Espírito Santo trouxe convicção profunda, e você está pronto para 
abandonar o mundo e o pecado e se entregar completamente a 
Jesus, agora é o momento. É tempo de tomar a decisão de 
submeter a sua vida completamente ao senhorio de Jesus. É 
tempo para confirmar isto através da oração. 
Pai Celestial, em nome de Jesus, eu me humilho e me coloco 
diante de ti para buscar a tua misericórdia e a tua graça. Eu ouvi 
a tua Palavra e desejo amar, temer e saber que tu agora ardes em 
meu coração. Eu peço perdão pela vida irreverente que tenho 
vivido antes de vir a ti. Eu me arrependo de todo desrespeito e 
hipocrisia que tenho tolerado em minha vida. 
Eu o invoco, Jesus, como meu Salvador e Senhor.Tu és o 
meu mestre. Eu entrego minha vida a ti, completamente. Encha-
me com o teu amor e santo temor. Eu desejo te conhecer 
intimamente, em uma dimensão mais profunda do que todos ou 
tudo o mais que eu conheço. Eu reconheço a minha necessidade e 
dependência do teu Espírito Santo e peço que tu me enchas agora. 
Senhor, tua Palavra promete que quando eu me volto para Ti 
com todo o meu coração, o Espírito Santo revela tua verdadeira 
imagem e caráter para mim, e eu serei transformado de glória e 
glória. Como Moisés, eu peço para ver a tua face. No teu 
esconderijo, eu serei transformado. 
Senhor Jesus, eu te agradeço pela misericórdia e graça 
abundantes que tu tens estendido a mim. Por tudo que tu já tens 
feito e por tudo que tu estás para fazer, eu te dou glória, honra e 
louvor, agora e para todo o sempre. Amém. 
 
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e 
para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua 
glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, 
Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de 
todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém (Jd 24-25). 
 
CONTRACAPA 
 
 
"Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos 
que o temem. " Sl 34:9 Esta é a mensagem que você tem em 
suas mãos hoje - O Temor do Senhor. Nestas páginas nós 
vamos procurar, com ajuda do Espírito Santo, não somente o 
significado do Temor do Senhor, mas o que é caminhar nos 
tesouros de Sua verdade. Nós vamos aprender sobre o 
julgamento que recai sobre nós quando há a falta do santo 
temor, como também sobre os benefícios gloriosos 
encontrados no temor de Deus.

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