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John Bevere
O Temor do Senhor
Traduzido do original em inglês: The Fear of The Lord
Copyright © 1996 by John Bevere Publicado originalmente por Creation House
Tradução: Eliseu e Irene Pereira
Revisão: Audrey Paixão
Projeto gráfico: Roberta Vital Braga
Capa: Marcelo Silva
Segunda edição: Julho de 2002
EDITORA ATOS LTDA.
Caixa Postal 402
30161 -970 - Belo Horizonte - MG
Televendas: 0800-31-5580
Tenha a decência e reconhecimento de não apagar os créditos
-E.G.-
_______________
Este livro foi digitalizado com o
intuito de disponibilizar literaturas
edificantes à todos aqueles que não
tem condições financeiras ou não
tem boas literaturas ao seu alcance.
Muitos se perdem por falta de
conhecimento como diz a Bíblia, e às
vezes por que muitos cobram muito
caro para compartilhar este
conhecimento.
Estou disponibilizando esta obra na
rede para que você através de um
meio de comunicação tão versátil
tenha acesso ao mesmo.
Espero que esta obra lhe traga
edificação para sua vida espiritual.
Se você gostar deste livro e for
abençoado por ele, eu lhe recomendo
comprar esta obra impressa para
abençoar o autor.
Esta é uma obra voluntária, e
caso encontre alguns erros ortográficos
e queira nos ajudar nesta obra, faça
a correção e nos envie.
Grato
_______________
Sumário
Introdução
Capítulo 1 - Vento do Céu
Capítulo 2 - Glória Transformada
Capítulo 3 - O Sermão do Universo
Capítulo 4 - Ordem, Glória, Julgamento: Parte 1
Capítulo 5 - Ordem, Glória, Julgamento: Parte 2
Capítulo 6 - Um Santuário Novo
Capítulo 7 - Uma Oferta Irreverente
Capítulo 8 - Julgamento Adiado
Capítulo 9 - A Glória Vindoura
Capítulo 10 - A Restauração da Glória de Deus
Capítulo 11 - A Habilidade para Ver
Capítulo 12 - De Glória em Glória
Capítulo 13 - Amizade com Deus
Capítulo 14 - As Bênçãos do Santo Temor
Epílogo
AGRADECIMENTOS
Eu gostaria de dedicar este livro a minha esposa, Lisa. Sou
um homem privilegiado por ser casado com esta mulher.
Precisaria de outro livro para falar sobre suas virtudes e seu
caráter piedoso, mas se fosse resumir sua vida em uma frase,
seria: ela é uma mulher que teme ao Senhor.
Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua
língua. Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão
da preguiça. Levantam-se os seus filhos e lhe chamam ditosa, seu
marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas. Enganosa é a graça, e vã, a formosura,
mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada (Pv 31:26-
30).
Eu agradeço a ti, Pai, por tua filha, Lisa Bevere.
Minha gratidão mais profunda a
Minha esposa, Lisa. Depois do Senhor, você é meu maior
amor e tesouro. Obrigado pelas horas de trabalho com as quais
você contribuiu para a preparação deste livro. Eu amo você,
querida!
Aos nossos quatro filhos: todos vocês têm trazido grande ale-
gria a minha vida. Obrigado por compartilharem do chamado de
Deus e por me encorajarem a viajar e a escrever.
Aos meus pais, John e Kay Bevere: obrigado por me ensina-
rem, desde o início, o temor do Senhor, e pelo estilo de vida
piedoso exemplificado por vocês.
Aqueles que tomaram de seu tempo e deram uma porção de
suas vidas para ensinar-me e mostrar-me os caminhos do reino.
Eu tenho visto diferentes aspectos de Jesus em cada um de vocês.
Obrigado a equipe do Ministério John Bevere pelo apoio cons-
tante e fidelidade. Lisa e eu amamos cada um de vocês, com
carinho.
Obrigado à equipe da Creation House, que tem trabalhado
conosco e tem apoiado tanto nosso ministério. É uma alegria
trabalhar com vocês.
Acima de tudo, minha sincera gratidão ao meu Senhor.
Como poderiam as palavras reconhecer adequadamente tudo que
tu tens feito por mim e pelo teu povo? Eu jamais poderei expressar
o quanto eu te amo. Eu te amarei sempre!
O santo temor é a chave para
o firme fundamento de Deus, que revela
os tesouros da salvação, da sabedoria
e do conhecimento.
INTRODUÇÃO
No verão de 1994, fui convidado a ministrar em uma igreja
no sul dos Estados Unidos. Aquela experiência acabou se
transformando em uma das mais desagradáveis que já havia tido
no meu ministério. Mas, apesar disso, uma busca ardente nasceu
no meu coração, uma busca para conhecer e compreender o temor
do Senhor.
Dois anos antes, aquela igreja havia experimentado um
poderoso mover de Deus. Um evangelista esteve ali por um período
de quatro semanas, e o Senhor reavivou aquela igreja com sua
presença. Eles estavam experimentando uma plenitude do que
muitos chamam de "riso santo". Isso foi tão renovador que o
pastor e muitas de suas ovelhas fizeram o que tão frequentemente
acontece: permaneceram acampados no lugar de refrigério, ao
invés de continuarem à busca de Deus. Eles desenvolveram mais
interesse pelas manifestações de refrigério do que por conhecer ao
Senhor que refrigera.
Na segunda noite de nossas reuniões, o Espírito de Deus me
conduziu a pregar sobre o temor do Senhor. Nessa época, minha
compreensão a respeito do temor do Senhor ainda estava se
formando, mas Deus conduziu-me a pregar sobre o que já havia
me ensinado por meio das Escrituras.
Na noite seguinte, fui para o culto totalmente despreparado
para o que estava prestes a acontecer. Sem qualquer discussão
prévia, o pastor da igreja se colocou de pé, após o período de
louvor e adoração, e passou um espaço de tempo considerável
corrigindo o que eu havia pregado na noite anterior. Eu estava
sentado na primeira fila, um tanto chocado. A base da sua
correção eram os crentes do Novo Testamento que não tinham
medo de Deus. Ele se baseou em I João 4:18:
No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o
medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é
aperfeiçoado no amor.
Ele havia confundido um espírito de medo com o temor do
Senhor.
Na manhã seguinte, encontrei um local reservado fora do ho-
tel, onde passei um bom tempo orando. Cheguei diante do Senhor
com o coração aberto e me submeti a qualquer correção que Ele
desejasse me aplicar. Tenho aprendido que a correção de Deus
visa sempre o meu bem. Ele nos corrige para que possamos nos
tornar participantes da sua santidade (Hb 12:7-11).
Então, naquele momento, senti o imenso amor de Deus. Não
percebi Deus desapontado comigo pelo que eu havia pregado, mas
será o seu prazer. Lágrimas escorreram pelo meu rosto diante da
sua maravilhosa presença.
Eu continuei em oração e, depois de algum tempo, me vi
clamando do fundo do meu espírito pelo conhecimento do temor
do Senhor. Elevei minha voz e, reunindo toda a força que havia
dentro de mim, clamei: "Pai, eu quero conhecer e quero andar no
temor do Senhor!"
Quando terminei de orar, não me preocupei com o que
poderia enfrentar no futuro. Tudo o que queria era conhecer o
coração de Deus. Sentia que minha busca para aprender esse
aspecto da sua natureza santa o havia agradado profundamente.
Desde aquele dia, Deus tem sido fiel em me revelar a importância
do temor do Senhor. Ele tem revelado seu desejo para que todos
os cristãos também reconheçam a importância do temor.
Embora sempre soubesse que o temor do Senhor era
importante, não compreendia muito bem como ele era essencial,
até que Deus abriu meus olhos em resposta àquela oração.
Sempre via o amorde Deus como o fundamento para o
relacionamento com o Senhor. Descobri rapidamente que o temor
do Senhor era igualmente fundamental. Isaías diz:
O Senhor é sublime, pois habita nas alturas; encheu a Sião de
direito e de justiça. Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos,
abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do
Senhor será o teu tesouro (Is 33:5-6).
O santo temor é a chave para o firme fundamento de Deus,
que revela os tesouros da salvação, da sabedoria e do
conhecimento. Juntamente com o amor de Deus, o temor constitui
o próprio fundamento da vida! Nós aprenderemos que não
poderemos amar a Deus verdadeiramente a menos que o
temamos, nem poderemos temê-lo corretamente a menos que o
amemos.
Enquanto escrevia este livro, nossa família estava
construindo uma nova casa. Visitei a obra muitas vezes, e Deus
usou esses momentos para ensinar-me lições a partir de alguns
princípios básicos de construção. A verdadeira construção começa
com o alicerce e o madeira-mento da casa. É isso que vai
sustentar todos os componentes finais, tais como os azulejos, o
carpete, as janelas, os armários e a pintura. Uma vez que a casa
está completa, você já não vê qualquer parte do alicerce e da
estrutura, embora sustentem e protejam todas as belas mobílias e
o acabamento interior. Sem essa estrutura, você não teria nada
mais do que uma pilha de materiais.
O mesmo é verdade em relação à elaboração deste livro. Nós
vamos delinear claramente o temor de Deus e seu julgamento; daí
vamos prosseguir para um conhecimento íntimo de Deus. Vamos
esboçar a proteção do julgamento providenciado por este temor e
concluir com o papel do temor na nossa intimidade com Deus.
Cada capítulo contém verdades que tanto informam quanto
transformam.
Os primeiros capítulos proverão a estrutura para o restante
do livro. Eles vão desenvolver em nosso espírito a força para
sustentar o que Deus nos revelará.
Leia este livro como se ele fosse uma casa em construção.
Não salte da estrutura para a colocação do carpete. Sem um
telhado, o carpete precisará ser substituído antes que a
construção esteja terminada. A construção é progressiva.
Tire um tempo para ler em oração e compreender cada
capítulo antes de seguir para o próximo. Peça ao Espírito Santo
para lhe revelar a Palavra de Deus por meio deste livro, porque a
letra mata, mas o Espírito vivifica (2Co 3:6).
O temor do Senhor não é compreendido com a mente, mas
gravado em nossos corações. Ele é revelado pelo Espírito Santo
quando nós lemos a sua Palavra. É uma das manifestações do
Espírito de Deus (Is 11:1, 2). Deus o dará aos corações daqueles
que sinceramente o buscam (Jr 32:40).
Vamos orar antes de começar:
"Pai, em nome de Jesus, eu abri este livro porque desejo
conhecer e entender o santo temor do Senhor. Sei que isso é im-
possível sem a ajuda do Espírito Santo. Peço que o Senhor me unja
com seu Espírito. Abre meus olhos para ver, meus ouvidos para
ouvir, e meu coração para que eu possa conhecer e compreender o
que tu estás a me dizer.
Enquanto eu leio, faze-me ouvir tua voz nas palavras deste
livro. Transforma-me, elevando-me de um nível de glória para outro.
Então, eleva-me novamente com o alvo de, finalmente, verte face a
face. Permita que minha vida seja transformada, de modo que eu
nunca mais seja o mesmo.
Por isto, dou a ti todo o louvor, a glória e a honra, agora e
para sempre. Amém."
John Beyere Orlando, Flórida
Você acha que o Rei dos reis e Senhor
dos senhores vai entrar em um lugar
onde Ele não recebe a honra e a
reverência que merece?
CAPÍTULO 1
VENTO DO CÉU
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a
mim, e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3).
Era apenas o décimo dia do ano de 1997. Naqueles poucos
dias já havia estado na Europa e na Ásia para ministrar. Estava
muito empolgado, quando novamente tomei um avião, dessa vez
para a América do Sul. Eu nunca estivera no Brasil e sentia-me
honrado por ter sido convidado para falar em uma conferência
nacional, que seria realizada em três das maiores cidades do país.
Depois de viajar a noite toda, fui recebido no aeroporto por alguns
líderes muito ansiosos e cheios de expectativa. Eles haviam
esperado muito por aquelas reuniões, e o entusiasmo deles me
reavivou.
O primeiro culto seria realizado naquela mesma noite em
Brasília, capital do país. Depois de algumas poucas horas de
descanso, eu e o pr. Gary Haynes, meu intérprete, fomos
apanhados no nosso hotel e levados à reunião. Havia uma grande
aglomeração de carros no estacionamento e nas imediações, e eu
pude ver que a reunião teria muitas pessoas. Quando nos
aproximamos do edifício, pude ouvir a música que vinha através
das janelas de ventilação, entre o alto da parede e o teto. Minha
própria ansiedade e expectativa aumentaram quando ouvi as
canções de louvor familiares, cantadas em português.
Uma vez dentro do auditório, fui conduzido diretamente à
plataforma. O local, que comportava cerca de quatro mil pessoas,
estava repleto. A plataforma parecia balançar com músicas de
louvor de alta intensidade e de qualidade muito boa, pois os
músicos eram qualificados e tocavam com harmonia. As canções
também eram excelentes, e os líderes eram dotados de vozes
muito boas. Apesar de tudo, percebi rapidamente uma completa
ausência da presença de Deus. Quando corri os olhos pela
multidão e pelos músicos, pensei: "Onde está Deus?"
Imediatamente perguntei: "Senhor, onde está tua presença?"
Enquanto esperava pela resposta do Senhor, prestei atenção
ao que estava acontecendo no edifício. Pelas luzes brilhantes da
plataforma, eu podia ver as pessoas se movendo para todos os
lados. Muitos em pé e de olhos abertos procuravam alguma coisa
ou alguém no auditório. Outros pareciam estar desinteressados,
de mãos nos bolsos ou simplesmente inertes. Toda a postura das
pessoas e seus semblantes davam a impressão de uma multidão
indiferente, esperando pacientemente pelo início de um show.
Alguns conversavam e outros perambulavam pelos corredores,
entrando e saindo do auditório. Eu comecei a me entristecer.
Aquilo não era um culto evangelístico, mas uma conferência
para crentes. Sabia que podia haver alguns entre os presentes que
não eram crentes; contudo, também sabia que a maioria deles,
naquela multidão desinteressada, era "cristã". Aguardei alguns
momentos na esperança de que as pessoas entrariam em
verdadeira reverência ao Senhor. Eu pensei: "certamente este
clima vai mudar". Mas não mudou. Depois de vinte ou trinta
minutos, o ritmo das músicas tornou-se mais lento, o que
chamamos de "canções de adoração". Porém, o que eu presenciava
estava longe de uma verdadeira adoração. Aquele mesmo
comportamento desinteressado que havia observado quando
entrei no auditório, havia permanecido durante o culto.
Quando o período de louvor terminou, parecia ter passado
mais de uma hora, mas, de fato, foram menos de quarenta
minutos.
Os presentes foram convidados a se assentar, mas o ruído
subjacente da conversação descuidada continuou. Um dos líderes
pegou o microfone para exortar as pessoas, porém, elas
continuaram a conversar. O líder leu a Bíblia e ensinou. O tempo
todo eu ouvi o ruído surdo de muitas vozes falando ao mesmo
tempo e muitas pessoas se movendo dentro da congregação.
Também notei que muitos não prestavam atenção ao pregador.
Mal podia acreditar no que estava presenciando. Frustrado, me
voltei para o pr. Gary Haynes e perguntei-lhe se aquele
comportamento era normal nos seus cultos.
Ele compartilhou do meu desagrado. "Às vezes, eu tenho que
me dirigir às pessoase pedir-lhes que, por favor, prestem
atenção", ele sussurrou. Naquele momento, eu estava ficando
irado. Eu já havia estado em outras reuniões onde as pessoas se
comportaram daquele modo, mas nunca a tal ponto. Em cada
uma dessas reuniões eu tinha encontrado uma atmosfera
espiritual semelhante - opressão e vazio da presença de Deus.
Agora, sabia que minha pergunta "Senhor, onde está sua
presença?" havia sido respondida. Certamente a presença de Deus
não estava ali.
Então, o Espírito de Deus me disse: "Eu quero que você con-
fronte isto diretamente".
Quando finalmente fui apresentado, o murmúrio havia
diminuído, mas ainda estava presente. Caminhei até o púlpito e
fiquei ali, encarando a multidão. Estava determinado a não dizer
nada até que obtivesse a atenção deles. Sentia uma ira santa
queimando dentro do meu peito. Depois de um minuto, todos se
calaram percebendo que algo estava acontecendo na plataforma.
Não me apresentei nem cumprimentei a multidão. Ao invés
disso, iniciei com esta pergunta: "Como você se sentiria se,
enquanto você fala com uma pessoa, ela o ignora o tempo todo ou
continua conversando com outra pessoa ao lado? Ou se a outra
pessoa desviasse os olhos com desinteresse e desrespeito?"
Fiz uma pausa e, então, respondi minha própria pergunta:
"Você não iria gostar disto, iria?"
Eu continuei a sondagem: "E se cada vez que tocasse a cam-
painha para visitar a casa de um vizinho, você fosse recebido com
uma atitude desinteressada e um suspiro de monotonia: oh, é
você novamente; entre?"
Parei novamente, e então acrescentei: "Você não o visitaria
mais, visitaria?"
Então, declarei firmemente: "Você acha que o Rei dos reis e
Senhor dos senhores vai entrar em um lugar onde não recebe a
devida honra e reverência? Você acha que o Mestre de toda a
criação irá falar quando a sua Palavra não é respeitada o bastante
para ser ouvida atentamente? Se você acha que sim, você está
enganado!"
Continuei: "Hoje à noite, quando entrei neste lugar, não
senti a presença de Deus em nada. Nem no louvor, nem na
adoração, nem na exortação e nem durante a oferta. Há uma
razão: o Senhor nunca está onde não é reverenciado. Até o
presidente do país receberia todas as honras se estivesse nesta
plataforma esta noite, por simples respeito ao seu cargo. Se eu
estivesse aqui com um dos seus jogadores de futebol favoritos,
muitos de você estariam sentados à beira dos seus assentos,
prestando toda atenção. Vocês estariam cheios de expectativa e
ouviriam cada palavra que ele falasse. Contudo, quando a Palavra
de Deus foi lida alguns momentos atrás, vocês mal a ouviram,
porque a avaliaram levianamente".
Eu continuei, fazendo uma leitura sobre o que Deus requer
daqueles que se aproximam dele:
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a
mim, e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3).
Durante uma hora e meia, preguei a mensagem que Deus
fazia arder no meu coração. As palavras vinham com coragem e
autoridade, sem medo do que as pessoas pensariam nem como
elas reagiriam.
"Se eles me mandarem embora deste país amanhã, eu não
me importo; prefiro obedecer a Deus", disse a mim mesmo - e
estava falando sério.
Você poderia ouvir um alfinete caindo nos momentos de
silêncio entre cada uma das minhas afirmações. Durante uma
hora e meia não houve nenhum ruído na multidão. Não havia
mais desrespeito. O Espírito de Deus havia prendido a atenção
das pessoas pela sua Palavra. A atmosfera estava mudando a cada
instante. Podia sentir a Palavra de Deus batendo nos corações
endurecidos.
No final da minha mensagem, pedi a todos os presentes para
fecharem os olhos. O chamado para arrependimento foi claro e
breve: "Se você tem tratado como comum o que Deus chama
santo, se tem vivido com urna atitude irreverente para com as
coisas de Deus, e se hoje à noite você foi convencido pelo Espírito
Santo, por meio da sua Palavra, você está pronto a se arrepender
diante do Senhor? Se está, fique em pé". Sem hesitar, 75% dos
que estavam presentes se colocaram de pé.
Curvei minha cabeça e fiz esta oração simples e sincera em
voz alta: "Senhor, confirma a tua Palavra pregada hoje, à noite, a
estas pessoas".
Imediatamente, a presença do Senhor encheu aquele auditó-
rio. Embora não tivesse conduzido a congregação em oração,
podia ouvir a multidão caindo em choro e soluço. Era como se
uma onda da presença de Deus tivesse varrido o auditório,
trazendo limpeza e refrigério. Não era possível que todos os
presentes viessem ao altar; assim, dirigi uma oração de
arrependimento que poderia ser repetida de onde estavam. Via as
pessoas enxugando as lágrimas que escorriam. A maravilhosa
presença de Deus permanecia ali.
Depois de alguns minutos, a sensação da presença de Deus
diminuiu. Eu encorajei as pessoas a não perderem a atenção no
seu Mestre. Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros (Tg
4:8).
Alguns momentos se passaram, e outra onda da presença de
Deus inundou o auditório. Havia mais lágrimas, pois o pranto se
intensificou. A presença de Deus era ainda mais abrangente dessa
vez, e mais pessoas foram tocadas pelo Mestre. Isso durou alguns
minutos e, então, novamente diminuiu. Eu exortei as pessoas a
não se distraírem entre as ondas de manifestação, mas a
manterem seus corações atentos.
Alguns minutos depois, ouvi o Espírito de Deus sussurrar no
meu coração: "Eu estou voltando mais uma vez". Imediatamente
senti isso e disse: "O Espírito de Deus está voltando novamente!"
O que escrevo agora de modo algum pode representar, com
precisão, o que aconteceu logo depois. Minhas palavras são tão
limitadas, e Deus é tão tremendo! Também não vou exagerar, pois
isso seria irreverente. Consultei três outros líderes que estavam
presentes para esclarecer e confirmar o que descrevo a seguir.
No mesmo instante em que pronunciei a palavra "novamen-
te", aconteceu o seguinte: a única maneira que poderia descrever
isso é comparando como se eu estivesse a uns cem metros do fim
de uma pista, com um enorme jato vindo em minha direção. Isso
descreve o rugido do vento que soprou imediatamente sobre
aquele auditório. Quase simultaneamente, as pessoas irromperam
em fervorosa e intensa oração, com suas vozes elevando-se e
reunindo-se num clamor uníssono.
Quando ouvi o rugir do vento pela primeira vez, pensei que
um jato estivesse passando bem em cima do edifício. De maneira
alguma queria atribuir a Deus algo que Ele realmente não
estivesse fazendo. Minha mente rapidamente tentou se lembrar da
distância do aeroporto. Mas não ficava perto daquele edifício, e
durante duas horas não houve nenhum som de avião sobrevoando
aquele local.
Eu me voltei para o Espírito e percebi que podia sentir a pre-
sença de Deus de uma maneira tremenda, e que as pessoas
estavam explodindo em orações. Certamente isso não era uma
reação ao som de um avião passando por cima do prédio.
Se fosse um avião, teria que estar voando numa altitude de
não mais do que cem metros sobre o edifício para provocar um
barulho tão forte como aquele. E além disso, não poderia ouvir um
ruído tão forte, acima do estrondo de três mil pessoas orando
ruidosamente.
O som que eu ouvi era muito mais alto e claramente
superava todas as vozes. Mesmo com isso resolvido em minha
mente - que o vento era o vento do Espírito Santo - não disse
nada.
Não queria transmitir uma informação inexata ou tentar
seduzir as pessoas com afirmações fervorosas de manifestação
espiritual. O rugido desse vento durou aproximadamente dois
minutos. Quando diminuiu, deixou no seu rastro pessoas que
oravam e choravam. A atmosfera ficou impregnada de reverência
santa. A presença do Senhor era muito real e poderosa.
O resultado tremendo da sua presença ainda perdurou por
quinze ou vinte minutos. Passeio púlpito para o líder e pedi para
ser levado embora imediatamente. Muitas vezes, permaneço no
local e converso com as pessoas depois de um culto, mas, naquele
momento, qualquer conversa casual parecia imprópria. Os líderes
me pediram que me reunisse com eles para o jantar, mas recusei.
Ainda trêmulo pela presença de Deus, respondi: "Não, eu apenas
quero voltar para o meu quarto no hotel".
Eles me levaram até o carro. Voltei para o hotel
acompanhado pelo pr. Gary Haynes, Ludmila Ferber e seu marido,
que eram os líderes. Aquela mulher era uma cantora que já havia
gravado e sua música era popular no país.
Ela entrou no carro chorando: "Vocês ouviram o vento?"
Eu respondi depressa: "Aquilo era um avião". (Embora
sentisse no meu coração que não era, queria a confirmação e
estava determinado a não ser o primeiro a dizer alguma coisa).
"Não", ela declarou e balançou a cabeça, "era o Espírito do
Senhor".
Então, seu marido, um homem que achei ser muito quieto e
reservado, firmemente afirmou: "Não havia nenhum avião em
qualquer lugar perto do edifício".
"Realmente!"- eu exclamei.
Ele continuou: "Além disso, o som daquele vento não passou
pela caixa de ressonância, não houve nenhuma leitura na caixa,
nem registro de qualquer ruído". Permaneci calado, em profunda
reverência.
Mais tarde, descobri a razão daquele homem ter tanta
certeza de que o vento que nós ouvimos não tinha sido causado
por uma aeronave.
Havia seguranças e policiais fora do prédio, que informaram
ter ouvido um som poderoso que vinha lá de dentro. Do lado de
fora, não houve vento, mas apenas outra tranquila noite
brasileira.
Sua esposa continuou, com lágrimas rolando pela face: "Eu
vi ondas de fogo que caíam pelo edifício e anjos em todos os
lugares!"
Mal podia acreditar no que escutava. Tinha ouvido essa mes-
ma descrição feita por um ministro dois meses antes, durante as
reuniões na Carolina do Norte. Havia pregado sobre o temor do
Senhor, e a presença de Deus caiu poderosamente sobre aquela
reunião - mais de cem crianças choraram copiosamente durante
uma hora. Uma ministra visitante falou para o pastor que ela
havia visto ondas de bolas de fogo caindo sobre o edifício. Isso
também havia sido confirmado por três membros do coral.
Naquele momento, só queria estar a sós com o Senhor. Uma
vez na privacidade do meu quarto do hotel, tudo que queria fazer
era adorar e orar.
Estava programado para eu ministrar em mais um culto
antes de partir para o Rio de Janeiro. Dessa vez, quando entrei no
auditório, a atmosfera estava totalmente diferente. Podia sentir
que o respeito pelo Senhor havia sido restaurado. A música não
era meramente boa e sem a presença de Deus; era maravilhosa,
ungida, e a presença do Senhor era doce.
Davi diz: Entrarei na tua casa e me prostrarei diante do teu
santo templo, no teu temor (SI 5:7). Toda verdadeira adoração é
ancorada em uma reverência da sua presença, pois Deus diz: [...]
e reverenciareis o meu santuário: Eu sou o Senhor (Lv 19:30).
Naquele segundo culto, muitos receberam libertação e cura.
Outros que estavam aprisionados pela amargura e tinham
abrigado ofensas foram libertos. Onde o Senhor é reverenciado,
sua presença se manifesta - e onde a sua presença se manifesta,
as necessidades são supridas.
Agora nós podemos entender a insistência de Davi: Temei o
Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem (Sl
34:9).
Esta é a mensagem que você tem em suas mãos hoje - o
temor do Senhor, nestas páginas, nós vamos procurar, com ajuda
do Espírito Santo, não somente o significado do temor do Senhor,
mas o que é caminhar nos tesouros da sua verdade. Nós vamos
aprender sobre o julgamento que recai sobre nós quando há falta
do santo temor, como também sobre os benefícios gloriosos
encontrados no temor de Deus.
Há pessoas que são rápidas para reconhecei Jesus como
salvador, curador e libertador. Contudo, reduzem a sua glória ao
nível dos homens corruptíveis por meio das suas açoes atitudes do
coração.
CAPÍTULO 2
GLÓRIA TRANSFORMADA
Pois quem nos céus é comparável ao Senhor? Entre os seres
celestiais, quem é semelhante ao Senhor? Deus é sobremodo
tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos que o
rodeiam (Sl 89:6-7).
Antes de discutirmos o temor do Senhor, temos que ter uma
idéia da grandeza e da glória do Deus que servimos.
O salmista, primeiramente, declara as tremendas maravilhas
de Deus c depois faz a exortação para temê-lo. O que ele disse,
numa linguagem moderna, poderia ser: "Quem no universo pode
se comparar ao Senhor?" Ele quer que nós meditemos na glória
insondável de Deus, pois, como podemos respeitá-lo e honrá-lo
devidamente se nós permanecemos inconscientes da sua grandeza
ou do motivo pelo qual Ele merece isto?
FAMOSO, CONTUDO, DESCONHECIDO
Para explicar isso, vamos imaginar alguém que é famoso no
país mais poderoso da Terra. Ele é um homem talentoso e culto.
Todas as pessoas no seu país conhecem sua grandeza e fama.É
um inventor com as mais excelentes e significativas contribuições
científicas e descobertas conhecidas pelo homem. É o atleta mais
excelente desse país. De fato, ninguém pode competir com ele em
qualquer área da vida. Além de tudo isso, é o rei e um governante
muito sábio.
Em todos os níveis e em todos os lugares do país, recebe um
tremendo respeito e honra. Grandes desfiles e gloriosas recepções
são oferecidas em sua honra.
Agora, o que aconteceria se esse rei viajasse para outro país,
onde sua posição e grandeza fossem desconhecidas? Que tipo de
recepção ele teria num país estranho, inferior, em todos os
sentidos, ao seu grande país?
Embora os maiores homens daquele país estejam abaixo do
nível desse governador, ainda assim esse nobre rei decide visitar
aquele lugar, como um homem comum, sem vestes reais, sem sua
comitiva de nobreza, força de segurança, conselheiros ou criados.
Ele vai sozinho. Como será tratado?
Para simplificar, não será tratado de maneira diferente do
que seria qualquer outro estrangeiro. Embora esse homem seja
muito maior do que o mais poderoso homem da nação, receberá
pouco ou nenhum respeito. Ele até mesmo poderá, ser tratado
com desprezo, simplesmente porque é um estrangeiro. Suas
invenções e descobertas científicas têm beneficiado grandemente
aquela nação; contudo, as pessoas ainda não o conhecem e,
consequentemente, não lhe darão o respeito e a honra que ele
merece.
Agora, veja o relato de João a respeito de Jesus, Emanuel,
Deus manifestado em carne:
O "Verbo estava no mundo e o mundo foi feito por intermédio
dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os
seus não o receberam (Jo 1:10-11).
É muito triste que Aquele que criou o universo e o próprio
mundo em que vivemos não tenha recebido as boas-vindas e a
honra que merece. Ainda mais trágico, veio para os que eram ,
aqueles que o esperaram e conheciam sua aliança, aqueles a
quem Ele havia libertado várias vezes pelo seu poder; contudo,
não recebeu honra. Embora as pessoas falassem sobre sua vinda,
frequentassem o templo regularmente com essa expectativa da e
orassem pelas bênçãos que acompanhavam seus mandamentos,
eles não o reconheceram quando Ele veio.
Seu próprio povo não reconheceu a grandeza daquele que
professavam servir fielmente. Os israelitas não apenas eram
ignorantes da grandeza do poder de Deus, mas também eram
igualmente ignorantes da grandeza da sua sabedoria. Portanto,
não é de se admirar que não tenham dado a Ele o temor ou a
reverência que merecia. Deus explicou:
...Visto que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e
com os seus lábios me honram, mas o seu coração está longe de
mim, e oseu temor para comigo consiste só em mandamentos de
homens... (Is 29:13)
Ele disse: Seu temor para comigo consiste só em
mandamentos de homens. Ele está dizendo que as pessoas tinham
reduzido a glória do Senhor à glória do homem corruptível.
Serviram a Deus na imagem que haviam criado, não segundo a
verdadeira imagem de Deus, mas segundo seus próprios padrões.
TRANSFORMANDO A GLÓRIA DO DEUS INCORRUPTÍVEL
Isso não se limitou à geração de Jesus, embora se tenha
estendido por todo o tempo durante a época dele. O mesmo erro se
repetiu ao longo das gerações daqueles a quem foram entregues e
supostamente confiados os oráculos de Deus.
Nós vemos essa irreverência demonstrada até mesmo na
transgressão de Adão. Ele deu ouvidos à sabedoria da serpente:
Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão
os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal (Gn
3:5).
... O Deus, quem, é semelhante a ti? - o salmista pergunta no
Salmo 71:19. Assim, era inútil Adão pensar que ele ainda poderia
ser como Deus, mesmo estando separado dele. Na vaidade da sua
mente, Adão reduziu Deus ao nível de um mero homem.
Se você olhar o pecado dos filhos de Israel no deserto, você
descobrirá a mesma raiz como a causa da sua rebelião. Seu temor
de Deus foi amoldado pela própria imagem errônea da sua glória.
Moisés subiu ao Monte Sinai para receber a Palavra de
Deus. Vários dias se passaram, então o povo[...] acercou-se de Arão
(Êx 32:1). Sempre surgem problemas quando as pessoas se
reúnem em sua própria sabedoria, apartadas do poder e da
presença de Deus. Em vez de esperar que Ele dê as ordens, as
pessoas se reúnem e tentam fazer algo para satisfazerem a si
mesmas. O que apenas Deus pode prover é substituído por uma
imitação temporária.
Eles tinham visto o poder de Deus se manifestar várias
vezes; contudo, fizeram um bezerro de ouro. Hoje, isso pode
parecer ridículo, mas não era tão ridículo para os israelitas. Por
mais de quatrocentos anos, eles tinham visto objetos semelhantes
no Egito. Era um aspecto familiar da cultura egípcia e, portanto,
comum.
Uma vez feito, o bezerro de ouro foi trazido diante das
pessoas que, de comum acordo, disseram: ...São estes, ó Israel, os
teus deuses, que te tiraram da terra do Egito! (Êx 32:4) Então, uma
proclamação foi feita pelo seu líder: ...Amanhã será festa ao
Senhor(Êx 32:5). Para compreender o que estavam dizendo, temos
de olhar a palavra hebraica para "Senhor", no versículo 5. E a
palavra Yehovah, também conhecida como Jeová ou Yahweh. Esta
palavra é definida como "Aquele que existe", o nome próprio do
Deus verdadeiro.
Eles usaram o nome do único Deus verdadeiro. Este era o
nome daquele sobre quem Moisés pregou, o nome daquele com
quem Abraão tinha uma aliança, o nome daquele a quem nós
servimos. Jeová não é usado para descrever nenhum dos falsos
deuses na Bíblia. Este nome, Jeová ou Yahweh, era tão sagrado
que mais tarde não foi permitido aos escribas hebreus escreverem
a palavra por completo; eles omitiam as vogais intencionalmente
em reverência à santidade do nome.
Assim, as pessoas, como também os líderes, apontaram para
aquele bezerro dourado e o chamaram de Jeová, o Deus
verdadeiro que libertara do Egito! Não disseram: "Este é Baal,
aquele que libertou vocês do Egito", nem usaram o nome de
qualquer outro falso deus. Deram àquele bezerro o nome do
Senhor, reduzindo, assim, a grandeza do Senhor a termos comuns
e imagens finitas, com os quais eles estavam tão familiarizados.
É interessante notar que os israelitas ainda reconheceram
que Jeová os libertara de sua escravidão. Não negaram o que Deus
fez; apenas reduziram a grandeza a um nível com o qual estavam
mais acostumados a lidar. A saída do Egito, no Velho Testamento,
é um tipo que representa o sair do mundo e ser salvo, como
ensina o Novo Testamento. Os acontecimentos naturais do Velho
Testamento são tipos e figuras do que haveria de vir no Novo
Testamento.
SERVINDO A DEUS NAS IMAGENS QUE NÓS FIZEMOS
Agora veja o que Paulo escreve para nós, no Novo
Testamento:
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno
poder, como também a sua própria divindade, claramente se
reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por
meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso
indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram
nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração
insensato (Rm 1:20,21).
Note que eles não o glorificaram como Deus. Os filhos de Is-
rael reconheceram a libertação de Jeová, mas não deram a Ele a
honra, a reverência ou a glória que merecia. Bem, isso não mudou
muito. Basta olhar para o que Paulo diz sobre as pessoas que
viviam nos tempos do Novo Testamento, que não davam a Deus a
reverência merecida:
e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da
imagem do homem corruptível (Rm 1:23).
Novamente nós vemos reduzida a imagem gloriosa do Deus
verdadeiro. Desta vez não é reduzida a um bezerro, mas à imagem
do homem corruptível. Israel estava rodeado por uma sociedade
que adorava imagens de ouro à semelhança de animais e insetos.
A igreja de hoje está rodeada por uma cultura que adora o
homem.
Durante os últimos anos, esta declaração tem,
constantemente, percorrido minha mente: "Nós servimos a Deus
na imagem que nós temos feito".
Em minhas viagens a centenas de igrejas, tenho encontrado
uma linha de pensamento que reduz a imagem e a glória de Deus
à imagem de mero homem corruptível. Esta mentalidade permeia
a igreja.
Há pessoas que são rápidas para reconhecer Jesus como
salvador, curador e libertador. Com aboca, reconhecem o senhorio
de Jesus; contudo, reduzem sua glória ao nível de homem
corruptível por meio das suas ações e atitudes do coração.
Elas dizem: "Deus é meu amigo, compreende o meu
coração". É verdade que Deus compreende os nossos corações do
modo mais completo do que nós mesmos podemos entender. Mas,
normalmente, este comentário é emitido com o objetivo de
justificar as ações que contradizem sua aliança. O fato é que estão
em desobediência à Palavra de Deus. Nas Escrituras, as únicas
pessoas que eu vejo Deus chama de amigos são aqueles que
tremem com a sua Palavra, a Sua presença e são rápidos para
obedecer, não importa o preço.
Portanto, Ele não recebe a honra e a reverência que merece,
senão eles o obedeceriam imediatamente. Com seus lábios honram
a Deus, mas seu temor para com Ele é ensinado por
mandamentos de homens. Filtraram a Palavra de Deus e seus
mandamentos por meio do seu próprio pensamento influenciado
pela cultura. A imagem que eles têm da glória de Deus é formada
por suas percepções limitadas, ao invés de ser formada pela sua
verdadeira imagem, revelada por meio da sua Palavra viva.
Isso predispõe esses homens e mulheres a serem rápidos
para criticarem a autoridade, como nossa sociedade é tão rápida
em fazer. Nós temos programas de televisão, desde humor até
programas de entrevistas, que constantemente criticam a
autoridade. A mídia zomba da autoridade constituída e exalta o
desobediente e o rebelde. Mas, e se a liderança é realmente
corrupta? O que Deus diz a respeito disto? Ele diz: Não falará mal
de uma autoridade do teu povo (At 23:5). Contudo, nós
presumimos que Deus aprova a crítica à liderança corrupta
porque nós reduzimos sua resposta ao nível da nossa sociedade,
reduzindo-o à imagem de homem corruptível, até mesmo em
nossas igrejas.
Eu tenho ouvido líderes de igreja justificarem um divórcio
com: "Deus quer que eu seja feliz". Eles, na verdade, crêem que
sua felicidade tem primazia sobre sua obediência à Palavra de
Deus e sobre a aliança que fizeram com Deus.
Um líder me falou:"John, eu decidi me divorciar da minha
mulher porque nós não nos demos bem por dezoito anos. Nós não
assistimos a filmes juntos nem fazemos coisas divertidas. Você
sabe que eu amo Jesus, e se eu não estiver fazendo a coisa certa,
Ele me mostrará". Por que Deus nos concederia uma audiência
particular com , quando nós ignoramos o que já declarou?
De alguma maneira, esses indivíduos têm distorcido as pala-
vras de Jesus para justificarem uma exceção para eles mesmos. É
como se Jesus dissesse: "Quando disse na minha Palavra que
odiava o divórcio, isto não se aplica a você. Eu quero que você seja
feliz e tenha um cônjuge com quem você possa se divertir. Vá em
frente e consiga o divórcio. Se for errado, você pode se arrepender
mais tarde".
Este é o modo como a nossa sociedade pensa. Nossas pala-
vras não ditas declaram: "O preto e branco existem para os outros,
mas para mim, é cinza. É errado para os outros porque isto não
me afeta, mas se obedecer torna minha vida desconfortável, então
estou isento de obedecer!"
Quando isto é feito individualmente, também será feito
coletividade. Assim, não é surpreendente que na igreja a glória de
Deus seja reduzida ao grau de homem corruptível, da vida de
pessoas que constituem a liderança da igreja às mensagens
pregadas no púlpito.
Que tipo de mensagem esta redução da glória de Deus trans-
mite à congregação? Ela diz: "Deus não quer dizer isso ou fazer o
que Ele diz". Então, nós nos perguntamos por que o pecado corre
solto entre nós e por que o temor de Deus foi perdido. Não é de se
admirar que os pecadores se assentem passivamente em nossos
bancos e não se arrependam com nossa pregação. Não é de se
admirar que a frieza prevalece em nossas "igrejas baseadas na
Bíblia". Também não é de se admirar que as viúvas, os órfãos, os
homens e as mulheres encarcerados e os doentes sejam
neglicenciados pelos crentes.
Frequentemente, as mensagens que nós pregamos durante
os últimos vinte anos nos púlpitos e nas rádios têm dado a Deus a
aparência de "Papai Noel do céu", cujo desejo é nos dar tudo o que
queremos e quando queremos. Isto gera uma obediência de vida
curta por motivos egoístas. Pais que criam seus filhos desta
maneira acabam tendo crianças mimadas. Crianças mimadas não
têm o verdadeiro respeito à autoridade, especialmente quando não
conseguem o que querem e quando querem. Sua falta de
reverência pela autoridade as leva a ficarem facilmente ofendidas
com Deus.
Como podemos ver a reverência ser restaurada, quando
temos nos afastado tanto da sua glória? Como a obediência pode
prevalecer quando a desobediência e a rebelião são consideradas
normais? Deus vai restaurar seu santo temor no seu povo e os
trará de volta para si, para que possam lhe dar a verdadeira glória
e honra que é digno de receber. Ele prometeu: Porém, tão certo
como eu vivo e como toda a terra se encherá da glória do Senhor
(Nm 14:21).
Quanto maior for a nossa compreensão da grandeza de Deus,
maior será a nossa capacidade para temê-lo ou reverenciá-lo.
CAPÍTULO 5
O SERMÃO DO UNIVERSO
...A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja [...] para
ver a tua força e a tua glória (Sl 63:1, 2).
Para darmos a Deus a devida reverência, nós temos que bus-
car o conhecimento da grandeza da sua glória. Este foi o clamor
do coração de Moisés quando corajosamente declarou: ...Rogo-te
que me mostres a tua glória (Êx 33:18).
Quanto maior for a nossa compreensão da grandeza de Deus
(embora em si mesma ela seja incompreensível), maior será a
nossa capacidade para temê-lo ou reverenciá-lo. Esta é a razão
porque o salmista nos encoraja: Deus é o Rei de toda a terra;
salmodiai com harmonioso cântico (SI 47:7). Nós somos convidados
a contemplar a sua grandeza.
O salmista ainda nos diz: Grande é o Senhor e mui digno de
ser louvado; a sua grandeza é insondável (SI 145:3). Isto me leva a
recordar a história da morte de Santo Agostinho. Agostinho foi um
dos maiores líderes da sua época. Seus escritos expunham as
tremendas maravilhas do nosso Deus. Por mais de mil anos faz-se
referência aos seus escritos. Um dos seus grandes trabalhos é
intitulado "A Cidade de Deus".
Em seu leito de morte, cercado por seus amigos mais
íntimos, quando Agostinho se foi para estar com o Senhor, sua
respiração cessou, seu coração parou, e uma sensação
maravilhosa de paz encheu o quarto. De repente, seus olhos se
reabriram, e com as faces brilhando, declarou aos que estavam
presentes: "Eu vi o Senhor. Tudo o que eu escrevi é apenas palha".
Então partiu para o seu lar eterno.
SANTO, SANTO, SANTO...
Isaías teve uma visão da insondável glória de Deus. Viu o
Senhor na sala do seu trono, alto e elevado, e a sua glória enchia a
sala. Ao seu redor estavam grandes anjos chamados serafins que,
por causa da magnífica glória de Deus, cobriam suas faces com as
asas e clamavam:
...Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra
está cheia da sua glória (Is 6:3).
Nós cantamos estas mesmas palavras em nossas igrejas em
forma de hinos. Porém, na maioria das vezes, nossos louvores
soam sem a paixão que encontramos nesses anjos. Você
provavelmente verá as pessoas bocejarem ou olharem para os
lados enquanto cantam as palavras do hino. Oh, como é diferente
a atmosfera na sala do trono de Deus!
Esses poderosos e tremendos anjos não estão aborrecidos ou
inquietos; não estão apenas cantando canções agradáveis. Não
dizem: "Deus, eu tenho cantado esta canção diante do Teu trono
por milhões de anos. Tu não achas que poderia ser feita uma
substituição? Eu gostaria de explorar outras partes do céu". De
modo algum! Eles não desejariam estar em nenhum outro lugar, a
não ser clamar e cantar louvores diante do trono de Deus.
Esses anjos espetaculares não estão apenas cantando uma
canção. Estão respondendo àquilo que vêem. A cada momento,
através dos olhos fechados, vêem brevemente uma outra faceta e
uma dimensão maior da glória de Deus sendo revelada.
Impressionados, clamam: "Santo, santo, santo!" De fato, seu
harmonioso clamor é tão alto que os batentes da porta são
abalados por suas vozes e toda a sala se enche de fumaça. Uau!
Algo que faria as ondas de som sacudirem um edifício aqui na
Terra, mas tremer os batentes da arquitetura celestial é uma outra
questão! Esses anjos estão ao redor do trono de Deus por tempos
incontáveis, por tempos imensuráveis. Porém, experimentam uma
revelação perpétua do poder de Deus e da sua sabedoria. A
grandeza de Deus é verdadeiramente insondável.
SUAS OBRAS FALAM SOBRE SUA GLÓRIA
No capítulo anterior, nós falamos sobre a grande loucura do
homem: reduzir a glória do Senhor à nossa imagem e à medida do
homem corruptível. Nós comprovamos isto num grau alarmante
na igreja. No restante deste capítulo, nós nos dedicaremos a tentar
compreender apenas um pedacinho da glória de Deus e de como é
revelada em sua criação. Vamos olhar além do natural e meditar
na maravilha do que é descrito, pois sua criação prega um
verdadeiro sermão e nos fornece pontos para ponderar.
O Salmo 145:10-11 diz: Todas as tuas obras te renderão
graças, Senhor; [...]falarão da glória do teu reino, e confessarão o
teu poder.
Eu tenho quatro filhos. Houve um período em que eles eram
interessados demais em um certo jogador de basquete
profissional. Ele é um dos atletas mais populares nos Estados
Unidos e idolatrado por muitos nesta nação. Estavam acontecendo
os jogos da Liga Americana de Basquete, e eu ouvia o nome desse
jogador continuamente através da imprensa, dos meus filhos e dos
seus amigos.
Estava com minha família ministrando na costa Atlântica.
Nós havíamos acabado de chegar dapraia, onde os meninos
tinham caído na água e pulado as ondas. Depois de nadarmos,
enquanto nos secávamos, eu me sentei com meus três filhos mais
velhos para um bate-papo.
Apontando a janela, eu perguntei: "Meninos, que grande
oceano lá fora, hein?"
Em uníssono, eles responderam: "É, papai".
Eu continuei: "A gente só pode avistar cerca de dois ou três
quilômetros mas o oceano, na verdade, tem milhares de
quilômetros".
Enrolados no calor e no conforto das toalhas, os meninos
falaram com olhos arregalados. "Uau!"
"E este aqui ainda não é o maior oceano; há outro maior
chamado Oceano Pacífico. Depois, há mais dois além destes."
Os meninos balançaram a cabeça, em silêncio,
maravilhados, enquanto ouviam o poder das ondas da maré alta
que se quebravam lá fora.
Sabendo, até certo ponto, que meus filhos haviam
compreendido a vasta imensidão de água que havia descrito,
perguntei: "Meninos, vocês sabem que Deus pesou toda a água
que vocês vêem, e tudo aquilo que eu há pouco descrevi, na palma
da sua mão?" (Is 40:12)
O rosto deles demonstrou uma verdadeira admiração. Antes,
eles ficavam impressionados porque aquela famosa figura do
esporte podia segurar uma bola de basquete com uma mão!
Segurar uma bola de basquete em uma mão parecia insignificante
agora.
"Vocês sabem o que mais a Bíblia diz sobre como Deus é
grande?"- perguntei.
"O quê, papai?"
"A Bíblia declara que Deus pode medir o Universo com a pal-
ma da sua mão"(Is 40:12). Espalmando minha própria mão diante
deles, demonstrei que um palmo era a distância da extremidade
do meu dedo polegar à extremidade do meu dedo mínimo. "Deus
pode medir o universo com a distância do seu dedo polegar à
extremidade do seu dedo mínimo!"
O SERMÃO SEM FIM
O próprio Universo anuncia a glória do Senhor. Leia as pa-
lavras inspiradas de Davi:
Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia
as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite
revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há
palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a
terra se faz. ouvir a sua voz, e a suas palavras, até aos confins do
mundo (Sl 19:1-4).
Pare por um momento e pondere sobre a amplitude ilimitada
do Universo. Faça isso e você terá uma vaga idéia da glória
ilimitada de Deus! Nas palavras de Davi: "O universo proclama a
glória de Deus". A criação de Deus não é limitada à Terra, ela
abrange até mesmo o universo desconhecido. Ele organizou as
estrelas nos céus com seus dedos (SI 8:3). Para a maioria de nós, é
difícil compreender a imensidão do universo.
Além do nosso Sol, a estrela mais próxima está a 4,3 anos-
luz de distância. Vamos explicar o seguinte: a luz viaja à
velocidade de 299.727 quilômetros por segundo, não por hora,
mas por segundo. Isto é, aproximadamente 1.078.030.000
quilômetros por hora. Nossos aviões voam a aproximadamente
800 quilômetros por hora.
A órbita da Lua está a aproximadamente 384.551
quilômetros da Terra. Se nós viajássemos de avião à Lua, isso
levaria dezenove dias. Mas a luz consegue chegar lá em 1,3
segundos!
Vamos continuar. O Sol está a 149.637.000 quilômetros da
Terra. Se você tomar um avião a jato hoje e viajar rumo ao Sol,
sua jornada levaria mais de vinte e um anos! E isso sem parar!
Onde você estava há vinte e um anos atrás? Isso é muito tempo.
Você pode imaginar voar esse longo tempo, sem um momento de
intervalo, para chegar ao Sol? Para aqueles que preferem dirigir...
bem, essa façanha não poderia ser feita em toda a vida. Levaria
aproximadamente duzentos anos, não incluindo qualquer parada
para abastecer o carro ou descansar! Porém, a luz viaja essa dis-
tância em meros oito minutos e vinte segundos!
Vamos deixar o Sol e passar para a estrela mais próxima.
Nós já sabemos que ela está a 4,3 anos-luz da Terra. Se nós
construíssemos um modelo em escala da Terra, do Sol e da estrela
mais próxima, o resultado seria o seguinte: em proporção, a Terra
se reduziria ao tamanho de um grão de pimenta, e o Sol seria do
tamanho de uma bola de oito polegadas de diâmetro. De acordo
com essa escala de medidas, a distância da Terra ao Sol seria de
quase vinte e quatro metros, que é apenas um quarto da largura
de um campo de futebol. Mas, lembre-se de que para medir essa
distância de vinte e quatro metros, um avião levaria mais de vinte
e um anos!
Assim, se essa é a proporção da Terra em relação ao Sol,
você consegue imaginar a que distância a estrela mais próxima
estaria da nossa Terra de grão de pimenta? Você pensaria em mil
metros, dois mil ou talvez três mil metros? Nem sequer chega
perto disso. Nossa estrela mais próxima seria colocada a 6,4 mil
quilômetros distante do grão de pimenta! Isso significa que se você
colocar a Terra grão de pimenta em San Diego, Califórnia, a
estrela mais próxima em nosso modelo em escala seria
posicionada para lá da cidade de Nova Iorque, no Oceano Atlân-
tico, mais de mil e quinhentos quilômetros dentro do mar!
Para alcançar essa estrela mais próxima através de avião,
levaria aproximadamente uns cinqüenta e um bilhões de anos,
sem parar! Isto é, 51.000.000.000 de anos! Contudo, a luz dessa
estrela viaja para a Terra em apenas 4,3 anos!
Vamos ampliai- este pensamento. As estrelas que você vê à
noite, a olho nu, estão de cem a mil anos-luz de distância. Porém,
há algumas estrelas que você pode ver a olho nu, que estão a
quatro mil anos luz. Eu nem mesmo poderia tentar calcular a
quantidade de tempo que levaria para um avião alcançar apenas
uma dessas estrelas. Mas, pense nisto: a luz viaja a uma
velocidade de 299.727 quilômetros por segundo, e ainda leva
quatro mil anos para chegar a Terra. Isso significa que a luz
dessas estrelas foi lançada antes de Moisés dividir as águas do
Mar Vermelho e viajou uma distância de um bilhão, setenta e oito
milhões e trinta mil quilômetros por hora, sem reduzir a
velocidade ou sem parar desde então, e está chegando na Terra
neste exato momento!
Mas essas são apenas as estrelas na nossa galáxia, que é
um ajuntamento vasto de normalmente bilhões de estrelas. A
galáxia na qual moramos é chamada Via Láctea. Assim, vamos
continuar.
A galáxia mais próxima da nossa é a de Andrômeda. Sua
distância da nossa galáxia é de aproximadamente 2,31 milhões de
anos-luz! Imagine, mais de dois milhões de anos-luz de distância!
Nós já chegamos ao limite da nossa compreensão?
Os cientistas calculam a existência de bilhões de galáxias,
cada uma delas contendo bilhões de estrelas. Elas tendem a se
agrupar. A galáxia de Andrômeda e a nossa Via Láctea são parte
de um agrupamento de, pelo menos, trinta galáxias. Outros
agrupamentos podem conter outro tanto de milhares de galáxias.
O The Guinness Book of World Records (o livro de recordes
mundiais) afirma que, em junho de 1994, foi descoberto um novo
grupo de galáxias em forma de casulo. O comprimento desse
grupo de galáxias foi calculado em seiscentos e cinquenta milhões
de anos-luz! Você pode imaginar quanto tempo levaria para
atravessar uma distância tão vasta, de avião?
O The Guinness Book of World Records também afirma que o
mais remoto objeto já visto pelo homem parece estar a mais de
13,2 bilhões de anos-luz de distância. Nossas mentes finitas nem
mesmo podem começar a compreender a distância dessa
imensidão. Nós mal conseguimos ver as extremidades dos grupos
de galáxias, quanto mais as extremidades do universo. E Deus
pode medir tudo isso com a palma da sua mão! Para completar, o
salmista nos diz: Conta o número das estrelas, chamando-as todas
pelo seu nome. Grande é o Senhor nosso, e mui poderoso; o seu
entendimento não se pode medir (SI 147:4, 5). Ele não somente
pode contar os bilhões e bilhões de estrelas, mas sabe o nome de
cada uma delas! Não é de se admirar que osalmista exclame: Seu
entendimento não se pode medir.
Salomão disse: Mas, de fato habitaria Deus na terra? Eis que
os céus e até os céu dos céus, não te podem conter... (1 Rs 8:27)
Você está conseguindo compreender melhor a glória da Deus?
A GLORIOSA SABEDORIA DE DEUS É REVELADA NA
CRIAÇÃO
O Senhor fez. a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por
sua sabedoria... (Jr 10:12)
Não somente a grandeza e o poder da glória de Deus são vis-
tos na criação, mas também a sua grande sabedoria e
conhecimento. A ciência tem gasto anos e enormes quantias em
dinheiro para estudar o funcionamento deste mundo natural. Os
desígnios de Deus e os blocos de construção permanecem uma
maravilha.
Todas as formas de vida criada têm por base as células. As
células são os blocos de construção do corpo humano, das
plantas, dos animais e de tudo o que vive. O corpo humano, que
em si mesmo é uma maravilha de engenharia, contém cerca de
100.000.000.000.000 células - (você consegue ler este número?) -
dentre as quais há uma variedade imensa. Em sua sabedoria,
Deus designou estas células para desempenharem tarefas
específicas. Elas crescem, se multiplicam e afinal morrem na hora
certa.
Embora invisíveis a olho nu, as células não são as menores
partículas conhecidas pelo homem. Elas são constituídas por um
grande número de estruturas menores ainda, chamadas
moléculas, e as moléculas são compostas de estruturas menores
ainda - chamadas elementos - e dentro dos elementos ainda
podem ser encontradas estruturas ainda mais minúsculas,
chamadas átomos.
Os átomos são tão pequenos, que o ponto no final desta sen-
tença contém mais de um bilhão deles. Um átomo é tão
minúsculo, que é composto quase completamente de espaço vazio.
O restante do átomo é composto de prótons, nêutrons e elétrons.
Os prótons e os nêutrons estão agrupados a um núcleo minúsculo
e extremamente denso, bem no centro do átomo. Um pequeno
feixe de energia chamado elétrons vibram ao redor desse núcleo à
velocidade da luz. Eles são o núcleo dos blocos de construção que
mantêm todas as coisas unidas.
Assim, onde o átomo adquire sua energia? E que força man-
tém unidas suas partículas de energia? Os cientistas chamam isso
de energia atômica. Este é apenas um termo científico para
descrever o que eles não conseguem explicar, pois Deus já disse
que Ele está sustentando todas as coisas pela palavra do seu
poder (Hb l:3). Colossenses 1:17 diz: Nele, tudo subsiste.
Pare e pondere sobre isto por apenas um momento. Aí está o
glorioso Criador a quem nem sequer o universo pode conter. O
universo é medido pela palma da sua mão; contudo, Ele é tão
minucioso nos seus desígnios em relação à pequenina Terra e
suas criaturas, que deixa a ciência moderna confusa após anos de
estudo.
Agora, você pode entender mais claramente o salmista
quando ele declara: Graças te dou, visto que por modo
assombrosamente maravilhoso me formaste... (SI 139:14). Você
também pode ver, especialmente nesta dispensação, com todo o
conhecimento científico que nós acumulamos até agora, o motivo
pelo qual a Palavra diz: Diz o insensato no seu coração: Não há
Deus... (SI 14:1)
É claro que muitos livros podem ser escritos sobre as
maravilhas e a sabedoria da criação de Deus. Este não é meu
objetivo aqui. Meu propósito é despertar espanto e admiração
pelas obras das mãos de Deus, porque elas proclamam a sua
magnífica glória!
"NÓS VEMOS ISTO, PAPAI"
Voltando ao caso dos meus filhos, depois de relatar todas
estas informações científicas em termos que eles pudessem
entender, eu concluí: "Então vocês estão impressionados com um
homem que pode saltar de uma linha de quatro metros e meio em
uma quadra de basquete e pode colocar uma bola cheia de ar
dentro de um pequeno aro?"
Eles disseram: "Nós vemos isto, papai!"
"O que este jogador de basquete tem, que Deus não tenha
dado a ele?", questionei.
de basquete agora são chamados "cartões de oração". Eles
estão orando pela salvação daqueles homens que os outros vêem
como heróis. Agora, você pode entender um pouco melhor o que
Deus realmente estava querendo dizer, quando perguntou a Jó:
Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe ?
Pois o que está debaixo de todos os céus é meu (Jó 41:11).
O QUE É O HOMEM?
Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua
e as estrelas que estabeleceste, que é o homem para que dele te
lembres? E o filho do homem, para que o visites? (Sl 8:3, 4)
Eu creio, embora eu não possa provar, que o Salmo 8
registra a reação de um anjo à criação de um dos poderosos anjos
serafins, que estão ao redor do trono de Deus. Pare e pense nisto e
tente ver através dos olhos desse anjo. Este tremendo e poderoso
Deus, que criou o Universo e pôs as estrelas no lugar com os seus
dedos, agora vem para um pontinho de um planeta chamado
Terra e transforma o que parece ser um pequenino e insignificante
pontinho de pó, no corpo de um homem.
Mas o que realmente impressiona esse anjo é o enfoque total
da atenção de Deus. Ela está completamente fixa neste ser
chamado homem. O salmista nos diz que os pensamentos dele a
respeito de nós são preciosos, e que a soma deles é tão grande que
se fossem contados excederiam os grãos de areia na Terra (SI
139:17, 18). Vendo isto, eu creio que esse anjo clamou: "O que é
isto em que o Senhor está tão interessado e dispensando tanto
afeto? O que é aquela pequena coisa que está constantemente na
sua mente - o enfoque total dos seus planos?"
Tire um tempo, fique quieto e considere as obras das mãos
de Deus. Nós somos chamados a fazer isto. Quando você o fizer, a
criação vai pregar um sermão para você. Ela vai proclamar a sua
glória!
Possivelmente faltando página 54
Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá luz, ele
mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do
conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2 Co 4:6).
Nos próximos capítulos, nós vamos estabelecer um
importante padrão que se encontra em toda a Bíblia. Ele vai se
tornar uma estrutura histórica que apóia as questões pertinentes
aos dias de hoje.
O PADRÃO DE DEUS
Era a primeira noite de quatro reuniões marcadas em
Saskatchewan, Canadá. O pastor estava me apresentando e eu
iria assumir a plataforma dentro de três minutos.
De repente, o Espírito de Deus começou a me conduzir rapi-
damente através da Bíblia, revelando um padrão que se encontra
ao longo de todo o Antigo e Novo Testamentos. O padrão é este:
1. Ordem divina
2. Glória de Deus
3. Julgamento
Antes de Deus manifestar a sua glória, deve haver ordem
divina. Uma vez que a sua glória é revelada, há uma grande
bênção. Mas, por outro lado, uma vez que a sua glória é revelada,
qualquer irreverência, desordem ou desobediência é recebida com
julgamento imediato.
Deus abriu os meus olhos para este padrão em menos de
dois minutos e me fez saber que eu deveria pregar isso para a
congregação de canadenses, sequiosa diante de mim. Naquela
noite, houve um dos cultos mais poderosos de que eu já havia
participado, e eu quero compartilhar esta verdade com você.
DESDE O PRINCÍPIO
Para estabelecer uma base, vamos para o princípio de tudo,
quando Deus criou os céus e a Terra:
A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a
face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas
(Gn 1:2).
As palavras "sem forma" são uma combinação das duas
palavras hebraicas, hayah e tohuw. Juntas, estas duas palavras
apresentam um relato mais descritivo: "A terra se tornou sem
forma e caótica". Não havia ordem, mas desordem.
Embora oEspírito de Deus pairasse ou chocasse sobre esse
caos, Ele não se moveu até que a Palavra de Deus foi liberada.
Através das palavras faladas de Deus, a ordem divina foi colocada
em operação neste planeta. Deus preparou a Terra durante seis
dias antes de liberar a sua glória sobre ela. Ele tomou um cuidado
especial com o jardim que tinha plantado para si mesmo. Aí,
então, Deus criou o homem para si - o centro da criação.
Uma vez que o jardim estava preparado, Deus formou o
homem do pó da terra (Gn 2:7). A ciência tem encontrado muitos
elementos químicos do corpo humano que existem na crosta
terrestre. Deus projetou ambos com técnica e maravilha científica.
A ORDEM DIVINA TRAZ A GLÓRIA DE DEUS
Deus passou seis dias trazendo ordem divina à Terra, e só
então introduziu ordem ao corpo do homem. Uma vez que a ordem
divina foi alcançada, Deus lhe soprou nas narinas o fôlego de vida,
e o homem passou a ser alma vivente (Gn 2:7). Deus literalmente
soprou o seu Espírito no corpo humano.
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e
depois a mulher foi tirada da costela do homem. Nenhum dos dois
estavam vestidos nem cobertos. Ora, um e outro, o homem e sua
mulher, estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2:25). Todas as
outras criaturas receberam algo com que se cobrir. Os animais
têm pelo, os pássaros têm penas e os peixes têm escamas ou
conchas. Mas o homem não precisava de uma cobertura externa,
pois o salmista nos diz que Deus o coroou com glória e honra (SI
8:5). A palavra hebraica para "coroou" é atar. Ela significa "fazer
um círculo ao redor ou cercar". Em essência, o homem e a mulher
foram vestidos com a glória do Senhor e não precisaram de roupa
artificial.
As bênçãos que esse primeiro casal experimentou são
indescritíveis. O jardim produzia sua força sem ter de ser
cultivado. Os animais estavam em harmonia com o homem. Não
havia nenhuma enfermidade, doenças ou pobreza. Mas, o melhor
de tudo é que esse casal teve o privilégio de andar com Deus em
sua glória!
JULGAMENTO
Primeiro Deus trouxe a ordem divina por meio da sua
Palavra e do seu Espírito e Sua glória foi revelada. Houve bênçãos
abundantes, mas aí veio a queda. O Senhor Deus ordenou ao
homem que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do
bem e do mal, pois a desobediência resultaria em morte espiritual
imediata.
Zombando do Criador, Satanás desafiou a Palavra de Deus
com palavras distorcidas: Então a serpente disse à mulher: É certo
que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele
comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores
do bem e do mal (Gn 3:4-5). Então Adão, em pleno conhecimento
das suas ações, escolheu desobedecer a Deus. Sua irreverência
nada mais era do que uma alta traição. Quando isso aconteceu,
seguiu-se o julgamento.
Imediatamente Adão e Eva descobriram que estavam nus.
Sem a glória de Deus, estavam descobertos e separados dele, num
estado de morte espiritual. Numa tentativa vã de cobrirem sua
nudez, eles prepararam apressadamente algumas folhas e cintas e
se vestiram com o que suas próprias mãos fizeram. Deus viu o que
eles tinham feito, pronunciou o julgamento sobre eles e os vestiu
com túnicas de peles, provavelmente de um cordeiro, prefigurando
o Cordeiro de Deus que viria e restauraria o relacionamento do
homem com Deus. Então, o casal caído foi expulso do jardim,
onde havia vida eterna. O julgamento foi severo - resultado da
desobediência irreverente de Adão na presença da glória de Deus.
O TABERNÁCULO DA SUA GLÓRIA
Vários anos se passaram e Deus finalmente encontra um
amigo em Abrão. Deus faz uma aliança de promessa com Abrão e
muda seu nome para Abraão. Por meio da obediência desse
homem, as promessas de Deus são asseguradas novamente às
gerações futuras. Os descendentes de Abraão foram parar no
Egito, como escravos, por mais de quatrocentos anos. Em seu
sofrimento, Deus levanta um profeta e libertador, chamado
Moisés.
Uma vez que os descendentes de Abraão foram libertos da
escravidão, Deus os leva para o deserto. É no deserto do Monte
Sinai que Deus apresenta seu plano de habitar com o seu povo.
Deus diz para Moisés: ...Eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da
terra do Egito, para habitar no meio deles... (Êx 29:46)
Mais uma vez Deus deseja caminhar com o homem, pois
esse sempre foi o seu desejo. Contudo, por causa do estado caído
do homem, Deus não pôde habitar nele. Assim, ele instrui Moisés:
E me farão um santuário para que eu possa habitar no meio deles
(Êxodo 25:8). Esse santuário foi chamado de tabernáculo.
Antes que venha a glória de Deus, primeiro deve haver a or-
dem divina. Assim, Deus instruiu Moisés cuidadosamente acerca
de como construir o tabernáculo. Ele é muito específico em todos
os pontos relativos a quem deve construir e quem deve servir no
tabernáculo. Essas instruções são detalhadas no que se refere aos
materiais, medidas, mobílias e ofertas. De fato, as instruções
específicas tomam muitos capítulos do livro de Êxodo.
Esse santuário feito pelo homem refletia o celestial (Hebreus
9:23, 24). Deus advertiu Moisés: Vê que faças todas as cousas de
acordo com o modelo que te foi mostrado no monte (Hb 8:5 e Êx
25:40). Era de extrema importância que tudo fosse feito
exatamente como mostrado. Isso proveria a ordem divina
necessária, antes da glória do Rei ser manifesta na presença deles.
Foi recebida uma oferta da congregação que supriu todos os
materiais de que eles precisavam: ouro, prata, bronze, linhas
azuis, purpúreas e escarlates, linho fino, peles, pelicas, madeira
de acácia, óleos, especiarias e pedras preciosas.
O Senhor havia dito a Moisés:
Eis que chamei pelo nome a Bezalel [...], da tribo de Judá. E o
enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência, e de
conhecimento, em todo o artifício [...] Eis que lhe dei por
companheiro a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei
habilidade a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o
que tenho ordenado (Éx 3:2, 3, 6).
O Espírito de Deus estava sobre aqueles homens para trazer
a ordem divina. O Espírito de Deus, trabalhando por intermédio
daqueles homens, unidos e em harmonia com a Palavra de Deus,
traria a ordem divina mais uma vez.
Então, todos aqueles homens qualificados começaram a
trabalhar no tabernáculo. Eles fizeram as cortinas, o véu e as
colunas. Depois, construíram a arca do testemunho, o
propiciatório, o candelabro de ouro, o altar do incenso, o altar do
holocausto e a bacia de bronze, as vestes sacerdotais e o óleo da
unção.
Tudo segundo o Senhor ordenara a Moisés, as sim fizeram os
filhos de Israel toda a obra. Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que
a tinham feito, segundo o Senhor havia ordenado; assim afizeram e
Moisés os abençoou. Depois disse o Senhor a Moisés: No primeiro
dia do primeiro mês, levantarás o tabernáculo da tenda da
congregação (Êx 39:42,43; 40:1,2).
As instruções de Deus eram tão específicas que o
tabernáculo teve de ser erigido naquele dia exato.
O primeiro dia do primeiro mês chegou, e Moisés e os
artesãos qualificados levantaram o tabernáculo. Então nós lemos:
...Assim Moisés acabou a obra (Êx 40:33).
Agora, tudo estava pronto. A ordem divina estava
estabelecida pela Palavra de Deus e as pessoas estavam
submissas à liderança do Espírito Santo. Note o que aconteceu:
Então a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do
Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da
congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do
Senhor enchia o tabernáculo (Êx 40:34-35).
Uma vez que a ordem divina foi estabelecida, Deus revelou a
sua glória. A maioria de nós, na igreja, não tem uma compreensão
da glória do Senhor. Eu tenho assistido a muitas reuniões em que
os ministrosdeclaram, ou por ignorância ou por exagero: "A glória
do Senhor está aqui". Antes de continuarmos, vamos discutir o
que é a glória do Senhor.
A GLÓRIA DO SENHOR
Em primeiro lugar, a glória do Senhor não é uma nuvem.
Alguns podem perguntar: "Então, por que uma nuvem é
mencionada quase toda vez que a glória de Deus se manifesta nas
Escrituras?" A razão: Deus se oculta na nuvem. Ele é muito
magnificente para ser contemplado pelo ser humano. Se a nuvem
não encobrir seu semblante, todos ao redor dele são consumidos e
imediatamente mortos.
Então ele (Moisés) disse: rogo-te que me mostres a tua glória.
Respondeu-lhe (Deus): Não me poderás ver a face, porquanto
homem nenhum verá a minha face, e viverá (Êx 33:18,20).
(Parênteses acrescido pelo autor).
A carne mortal não pode estar na presença do Santo Senhor
em sua glória. Paulo diz:
A qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada
pelo bendito e único Soberano, o Rei dos Reis e Senhor dos
Senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz
inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem ê capaz de ver.
A ele honra e poder eternamente. Amém (l Tm 6:15,16).
Hebreus 12:29 nos diz que Deus é um fogo consumidor.
Agora, quando você pensar nisto, não pense numa fogueira. Um
fogo consumidor não pode ser contido no interior da sua lareira.
Deus é luz e não há nele treva nenhuma (1 Jo 1:5). O tipo de fogo
que queima na sua lareira não produz luz perfeita. Ele contém
escuridão. É acessível e você pode olhar para ele.
Então, passemos para uma luz mais intensa. Vamos
considerar o raio laser. É uma luz muito concentrada e intensa,
mas ainda não é uma luz perfeita. Embora seja uma luz muito
brilhante e forte, ainda há escuridão no raio laser.
Vamos considerar o Sol. O Sol é enorme e inacessível,
luminoso e poderoso, mas ainda contém escuridão nos raios da
sua luz.
Paulo diz em Timóteo que a glória de Deus é "luz inacessível,
a qual nenhum homem já viu ou pode ver".
Paulo podia muito facilmente escrever isso, porque ele
experimentou uma dimensão dessa luz na estrada para Damasco.
Ele relatou esse acontecimento desta maneira ao Rei Agripa:
Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu,
mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos
que iam comigo (At 26:13).
Paulo disse que essa luz era mais brilhante do que o Sol do
meio-dia! Pare por um momento e tente olhar diretamente ao
meio-dia. É difícil olhar, a menos que ele esteja encoberto por uma
nuvem. Deus, em sua glória, excede este brilho muitas vezes mais.
Paulo não viu a face do Senhor; só viu a luz que emanava
dele, e teve de perguntar: Quem és tu, Senhor? Ele não pôde ver a
forma dele ou as características da sua face e ficou completamente
cego pela luz que emanava da sua glória, que era mais forte do
que o brilho do Sol do Oriente Médio!
Talvez isso explique porque os profetas Joel e Isaías,
declararam que nos últimos dias, quando a glória do Senhor for
revelada, o Sol será transformado em trevas. Eis que vem o Dia do
Senhor [...] porque as estrelas e constelação do céu não darão a sua
luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará
resplandecer a sua luz (Is 13:9-10).
A glória de Deus supera qualquer outra luz. Ele é a luz
perfeita e a única luz que consome. Então os homens se meterão
nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, ante o terror do
Senhor e a glória da sua majestade, quando Ele se levantar para
espantar a terra (Is 2:19).
A glória de Deus é tão esmagadora, que quando Ele se
colocou diante dos filhos de Israel, no meio da nuvem escura no
Sinai, o povo clamou de terror e se afastou. Moisés descreve isto:
Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação no
monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz
[...] Sucedeu que, ouvindo a voz do meio das trevas, enquanto ardia
o monte em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças das
vossas tribos, e vossos anciãos e dissestes: Eis aqui o Senhor,
nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a
sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e
este permanece vivo. Agora, pois, por que morreríamos? Pois este
grande fogo nos consumiria; se ainda mais ouvíssemos a voz do
Senhor nosso Deus, morreríamos (Dt 5:22-25).
Embora eles o vissem oculto pela escuridão espessa de uma
nuvem, ela não pôde esconder o brilho da sua glória.
TUDO QUE FAZ DEUS SER DEUS
Então, façamos a pergunta: O que é a glória do Senhor?
Em resposta, vamos voltar ao pedido de Moisés no monte de
Deus. Moisés pediu:
Rogo-te que me mostres a tua glória (Ex 33:18).
A palavra hebraica para glória usada por Moisés naquela
situação era "kabowd". Ela é definida pelo Dicionário Bíblico Strong
como "o peso de algo, mas apenas figurativamente no bom
sentido". A sua definição também fala de explendor, abundância e
honra. Moisés estava pedindo: "Mostra-me a ti mesmo em todo o
teu esplendor." Veja cuidadosamente a resposta de Deus:
...Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te
proclamarei o nome do Senhor...(Ex 33:19)
Moisés pediu toda a sua glória, e Deus se referiu a isto
como: toda minha bondade... A palavra hebraica para bondade é
"tuwb". Ela significa "bom" no sentido mais amplo. Em outras
palavras, nada é retido.
Então, Deus diz: Eu te proclamarei o nome do Senhor. Antes
de um rei terreno entrar na sala do trono, seu nome é sempre
anunciado por proclamação. Então, ele entra com seu esplendor.
A grandeza do rei é revelada, e em sua corte não há dúvida sobre
quem é o rei. Se esse monarca saísse à rua de uma das cidades do
seu país, trajado com roupas comuns, sem nenhum
acompanhante, poderia passar por aqueles que estão ao seu redor
sem que percebessem sua verdadeira identidade. Assim, isso foi
exatamente o que Deus fez com Moisés. Ele está dizendo: "Eu
proclamarei meu próprio nome e passarei por você com todo o
meu esplendor".
Nós vemos, então, que a glória do Senhor é tudo o que faz
Deus ser Deus. Todas as suas características, a autoridade, o
poder, a sabedoria - o peso imensurável e a magnitude de Deus -
estão contidos na sua glória. Nada está escondido ou retido!
A GLÓRIA DE DEUS É REVELADA EM CRISTO
Está escrito que a glória do Senhor é revelada na face de
Jesus Cristo (2Co 4:6). Muitos alegam ter tido uma visão de Jesus
e terem visto sua face. Isso é bem possível. Paulo descreveu isto:
Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então
veremos face a face... (1 Co 13:12). A sua glória é encoberta por
um espelho escuro, pois nenhum homem pode ver sua glória
completamente revelada e permanecer vivo.
Alguém pode questionar: "Mas os discípulos viram a face de
Jesus depois que Ele ressuscitou dos mortos!" O que também está
correio. A razão pela qual isso é verdadeiro, é porque Ele não
exibiu abertamente a sua glória. Alguns homens viram o Senhor,
mesmo no Velho Testamento, mas Ele não foi revelado na sua
glória. O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhais de Manre (Gn
18:1,2). Josué viu a face do Senhor antes de invadir Jericó (Js
5:13,14). O Senhor disse a ele: Descalça as sandálias de teus pés,
porque o lugar em que estás é santo (v. 15).
O mesmo é verdadeiro após a Ressurreição. Os discípulos
comeram peixe no café da manhã, com Jesus, no Mar de
Tiberíades (Jo 21:9-12). Dois discípulos caminharam com Jesus
na estrada para Emaús: Os seus olhos, porém, estavam como que
impedidos de o reconhecer (Lc 24:16). Todos eles viram a sua face
porque Ele não exibiu a sua glória abertamente.
Em contraste, João, o apóstolo, viu o Senhor em Espírito e
teve um encontro totalmente diferente do que no café da manhã
com Ele no mar, pois João o viu em sua glória:
Achei-me em Espírito, no Dia do Senhor, e ouvi,por detrás de
mim grande voz, como de trombeta[...] Voltei-me para ver quem
falava comigo e, voltando, vi sete candeeiros de ouro, e, no meio dos
candeeiros, um semelhante ao filho do homem, com vestes talares,
e cingido, à altura do peito com uma cinta de ouro. A sua cabeça e
cabelo eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como
chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que
refinado numa fornalha; a voz, como que de muitas águas. Tinha
na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada
de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.
Quando o vi, caía seus pés como morto... (Ap:10; 12-17)
Note que seu semblante era como o sol que brilha em toda a
sua força. Como João poderia olhar para Ele, então? A razão: ele
estava no Espírito, exatamente como Isaías estava quando viu o
trono e o serafim acima do trono, como também aquele que está
sentado no trono (Is 6:1 -4). Moisés não podia olhar a face de
Deus, pois estava no seu corpo físico natural.
ELE TEM RETIDO SUA GLÓRIA PARA NOS PROVAR
A glória do Senhor é tudo que Ele é como Deus. Isso supera
grandemente a nossa capacidade de compreensão e entendimento,
pois até mesmo o poderoso serafim continua aclamar: "Santo,
santo, santo" em temor e tremendamente maravilhado.
Os quatro seres viventes diante do seu trono, clamam:
...Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso,
aquele que era, que é e que há de vir... (Ap 4:8)
Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de
graça ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos
séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante
daquele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive
pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas coroas diante do
trono proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a
glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por
causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Ap 4:9-11).
Ele merece mais glória do que qualquer ser vivo possa dar a
Ele por toda a eternidade!
Devemos nos lembrar de que servimos àquele que criou o
universo e a Terra. Ele é de eternidade em eternidade! Não há
nenhum outro como Ele. Em sua sabedoria, Ele retém a revelação
da sua glória propositalmente para ver se nós o serviremos com
amor e reverência, ou se voltaremos nossa atenção para aquilo
que recebe glória na Terra, embora sem brilho em comparação a
Ele.
Nós não podemos esperar que seremos
recebidos na sua presença com uma
atitude de desrespeito.
Possivelmente faltando página 68
De maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para
ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a
Casa de Deus (2Cr 5:14).
Uma vez que o tabernáculo foi levantado, a ordem divina foi
alcançada, assim que tudo estava no lugar.
Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do
Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da
congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do
Senhor enchia o tabernáculo (Êx 40:34,35).
Depois da nossa discussão sobre a glória do Senhor,
podemos compreender porque mesmo o amigo de Deus, Moisés,
não pôde entrar na tenda da congregação. O tabernáculo estava
repleto da glória do Senhor!
A glória de Deus se manifestando e permanecendo sobre
Israel trouxe uma tremenda bênção. Na sua presença gloriosa
havia provisão, direção, cura e proteção. Nenhum inimigo podia se
levantar diante de Israel. A revelação da Palavra de Deus era
abundante. Também havia o benefício de se ter a nuvem da sua
glória para proteger os filhos de Israel durante o dia, do calor do
deserto, como também prover calor e iluminá-los à noite. Não
havia falta de nada de que eles pudessem precisar.
Deus havia instruído Moisés previamente: Faze também vir
para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os
filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão,
e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Ex 28:1).
Esses homens foram separados e treinados para ministrar
ao Senhor e se colocarem na brecha pelo povo. Os deveres e
parâmetros para a adoração foram esboçados por meio de
instruções bem específicas, transmitidas de Deus para Moisés. O
treinamento desses homens fazia parte da ordem divina. Após
essas instruções e treinamento, houve a consagração desses
homens. Com tudo no seu devido lugar, o ministério deles
começou.
Leia cuidadosamente o que dois daqueles sacerdotes fizeram
depois que a glória do Senhor foi revelada no tabernáculo:
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu
incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram
fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara (Lv
10:1).
Observe que Nadabe e Abiú ofereceram fogo profano diante
da presença do Senhor. Uma definição de "profano" no dicionário
Webster é "demonstrar desrespeito ou desdém pelas coisas
sagradas; irreverência".
Isto significa tratar aquilo que Deus chama santo ou sagrado
como se fosse comum. Esses dois homens tomaram os incensários
que haviam sido separados para a adoração ao Senhor e os
encheram com fogo e incenso da sua escolha, não a oferta
prescrita por Deus. Eles foram descuidados com o que Deus tinha
chamado santo e demonstraram falta de reverência. Eles entraram
com irreverência na presença do Senhor e trouxeram uma oferta
inaceitável. Eles trataram o que era santo como se fosse comum.
Veja o que aconteceu como resultado:
Então, saiu fogo de diante do Senhor, e os consumiu; e
morreram perante o Senhor (Lv 10:2).
Esses dois homens foram julgados imediatamente pela sua
irreverência. Foram acometidos com morte imediata. A
irreverência deles ocorreu depois da revelação da glória de Deus.
Embora fossem os sacerdotes, não estavam isentos de render
honra a Deus. Pecaram ao se aproximarem de um Deus santo
como se Ele fosse comum! Tinham ficado muito familiarizados
com a presença dele! Agora, ouça as palavras imediatas de Moisés,
após esse julgamento de morte:
E falou Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a
minha santidade naqueles que se cheguem a mim, e serei
glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou (Lv 10:3).
Deus já havia deixado claro que a irreverência não poderia
permanecer na presença de um Deus santo. De Deus não se
zomba. Hoje não é diferente; Ele é o mesmo Deus santo. Nós não
podemos esperar que seremos recebidos na sua presença com
uma atitude de desrespeito.
Nadabe e Abiú eram sobrinhos de Moisés. Mas Moisés sabia
que era melhor não questionar o julgamento de Deus, porque
sabia que Ele era justo. De fato, Moisés advertiu Arão e seus dois
filhos sobreviventes a não lamentarem para que também não
morressem. Isso foi ainda mais desonra ao Senhor e, assim, os
corpos de Nadabe e Abiú foram levados para fora do acampamento
e enterrados.
Mais uma vez, nós vemos o padrão - a ordem divina, a glória
revelada de Deus - e então, o julgamento pela irreverência.
UM NOVO SANTUÁRIO
Quase quinhentos anos mais tarde, o filho do Rei Davi,
Salomão, deu início à construção de um templo para a presença
do Senhor. Esse era um grande empreendimento. O estoque de
materiais, a maior parte do qual havia sido reunida sob o reinado
de Davi, era enorme. Antes da sua morte, Davi deu instruções a
Salomão:
Eis que, com penoso trabalho, prepareipara a casa do Senhor
cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata, e bronze
e ferro em tal abundância que nem foram pesados; também
madeira e pedras preparei, cuja quantidade podes aumentar. Além
disso, tens contigo trabalhadores em grande número, e canteiros, e
pedreiros, e carpinteiros, e peritos em toda sorte de obra de ouro, e
de prata, e também de bronze, e de ferro que se não pode contar.
Dispõe-te, pois, e faze a obra, e o Senhor seja contigo! (l Cr 22:14-
16)
Salomão acrescentou aos materiais já providos e começou a
construir o templo no quarto ano do seu reinado. A planta do
templo era magnífica e sua ornamentação e seus detalhes eram
extraordinários. Mesmo com uma força-tarefa de dez mil homens,
o ajuntamento de materiais e a construção ainda levaram sete
anos completos. Nós lemos então:
Assim se acabou toda a obra que fez o rei Salomão para a
casa do Senhor (2Cr 5:1).
Salomão, então, reuniu Israel em Jerusalém, onde o templo
havia sido construído. Puseram os sacerdotes a arca da aliança do
Senhor no seu lugar (2Cr 5:7). Todos os sacerdotes se santificaram.
Não haveria nenhuma irreverência na presença de Deus. Eles se
lembraram do destino dos seus parentes distantes, Nadabe e
Abiú.
Então, os levitas, que eram os cantores e músicos, estavam
em pé, voltados para o oriente do altar, vestidos de linho branco, e
com eles estavam cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas.
Mais uma vez, um grande cuidado, tempo, uma quantia
enorme de trabalho e preparação trouxeram a ordem divina. E o
que veio após a ordem divina? Leiamos:
E quando em uníssono, a um tempo, tocaram as trombetas e
cantaram para se fazerem ouvir, para louvar ao Senhor e render-lhe
graças; e quando levantaram eles a voz com trombetas, címbalos e
outros instrumentos músicos para louvar ao Senhor, porque ele é
bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, então sucedeu
que a casa, a saber, a casa do Senhor, se encheu de uma nuvem;
de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar,
por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de
Deus (2Cr 5:13, 14).
Quando a ordem divina foi alcançada, a glória do Senhor se
revelou. Novamente, ela foi tão tremenda que os sacerdotes não
podiam ministrar, pois a glória do Senhor encheu o templo.
JULGAMENTO
Seguindo a revelação da glória de Deus, nós vemos
novamente a irreverência para com a sua presença e a sua
Palavra. Embora os israelitas conhecessem a sua vontade, seus
corações se tornaram descuidados em relação àquilo que Deus
chama sagrado e santo.
Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo
aumentavam mais e mais as transgressões, seguindo todas as
abominações dos gentios; e contaminaram a casa que o Senhor
tinha santificado em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais,
começando de madrugada, falou-lhes por intermédio dos seus
mensageiros, porque se compadecera do seu povo e da sua própria
Morada. Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as
palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira
do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum (2Cr
36:14-16).
Eles ridicularizaram seus mensageiros e desconsideraram
suas palavras de advertência. As pessoas escarneciam dos
profetas de Deus. Eu tenho visto a mesma evidência de uma
grande falta de temor hoje.
Recentemente, ministrei em uma grande igreja pregando
uma forte mensagem sobre a obediência e o senhorio de Jesus. A
esposa de um dos membros da nossa equipe havia deixado o culto
com seu bebê e ido para o salão de entrada, onde o culto estava
sendo transmitido por um circuito fechado de televisão. Ela
escutou duas mulheres da igreja que discutiam o sermão: "Quem
ele pensa que é? Vamos mandá-lo embora!", elas ridicularizaram.
"Onde está o temor do Senhor?"
Israel e Judá sofreram repetido julgamento devido à sua
falta de temor e respeito para com a presença sagrada de Deus e a
sua Palavra. Seu julgamento alcançou o auge quando os
descendentes de Abraão foram levados para o cativeiro babilônico.
Leia este relato:
Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as
palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira
do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum. Por isso,
o Senhor fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os
seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve
piedade nem dos jovens nem das donzelas, nem dos velhos nem
dos mais avançados em idade; a todos os deu nas suas mãos.
Todos os utensílios da casa de Deus, grandes e pequenos, os
tesouros da casa do Senhor, e os tesouros do rei e dos seus
príncipes, tudo levou ele para a Babilônia. Queimaram a casa de
Deus e derrubaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios
queimaram afogo, destruindo também todos os seus objetos
preciosos (2Cr 36:16-19).
Eu quero que você pense cuidadosamente no que vou lhe
dizer. Nós relemos três relatos do jardim, do tabernáculo e do
templo. Em todos os casos o julgamento foi severo. Cada um
resultou em morte e destruição.
O que é mais sério é o fato de que não estamos falando sobre
pessoas que nunca tinham experimentado a glória de Deus ou a
presença dele. Esses julgamentos foram contra aqueles que não só
tinham ouvido a Palavra, como também haviam andado na Sua
presença e experimentado a sua glória!
Agora que nós lançamos um fundamento do Velho
Testamento, vamos prosseguir para os dias do Novo Testamento.
Nós vamos descobrir mais algumas verdades muito sérias e
algumas revelações emocionantes!
Jesus deixa claro que nós devemos
calcular os
custos antes de segui-lo. O preço é nada
menos do que nossas vidas.
Possivelmente faltando página 78
... Porque nós somos santuários do Deus vivente, como ele
próprio disse: Habitarei e andarei entre eles... (2Co 6:16)
Sob a Velha Aliança, a presença gloriosa de Deus habitou
primeiro no tabernáculo, depois, no templo de Salomão.
Agora Deus se prepara para morar naquela que sempre foi
sua habitação desejada - não um templo feito de pedra, mas o
templo que está nos corações dos seus filhos e filhas.
HABILITAR PARA O SENHOR UM POVO PREPARADO
Primeiramente, teve que haver a ordem divina. Dessa vez, a
ênfase não seria na ordem externa, mas na ordem interna. Lá, na
intimidade secreta do coração, é que a glória do Senhor seria
revelada.
Esse processo de ordem e transformação começou com o mi-
nistério de João Batista. Seria um erro ver João como um profeta
do Velho Testamento, porque a Bíblia descreve seu ministério
como o princípio do evangelho de Jesus Cristo (Mc 1:1). Sua
pregação é encontrada no início de todos os quatro Evangelhos.
Jesus também enfatizou isso declarando: Â lei e os profetas
vigoraram até João (Lc 16:16). Observe que Ele não disse: "A lei e
os profetas vigoraram até Mim".
O nascimento de João foi anunciado a seu pai por um anjo.
A força do seu ministério foi resumida por estas palavras: E
converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. [...]
habilitar para o Senhor um povo preparado (Lc 1:16, 17).
Observe que ele estava para habilitar para o Senhor um povo
preparado. Da mesma maneira como Deus ungiu os artistas e
artesãos para construir o tabernáculo nos dias de Moisés, assim
também Ele ungiu João para preparar o templo não feito por mãos
humanas. Pelo Espírito de Deus, ele começou o processo de
preparação para o novo templo.
Isaías profetizou a respeito de João:
Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor[...] Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e
outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos,
aplanados. A gloria do Senhor se manifestará, e toda a carne a
verá, pois a boca do Senhor o disse (Is 40:3-5).
Esses montes e outeiros não eram fortalezas de elementos
naturais; eram os caminhos do homem que eram opostos aos
caminhos de Deus. O orgulho elevado e arrogante dos homens
tinha de ser rebaixado. A irreverência e a estultícia do homem
seriam confrontadas e aplainadas em preparação para a revelação
da glória do Senhor.
A palavra hebraica para escabrosos no versículo acima é
"aqob". Strong a define como "fraudulento, enganoso, poluído ou
escabroso". É fácil ver que escabroso não está se referindo a uma
falta de perfeição física. Uma tradução mais precisa de aqob seria
"enganoso".
João não foi enviado àqueles que não conheciam o nome do
Senhor. Foi enviado àqueles que faziam parte da aliança com
Jeová. O povo de Israel havia se tornado religioso; contudo,
acreditava que tudo estava indo bem. Na verdade, Deus viu os
israelitas como ovelhas perdidas. Os milhares que fielmente
assistiam na sinagoga, permaneciam ignorantes a respeito da
verdadeira condição dos seus corações. Estavam enganados e
pensavam que sua a adoração e o culto eram aceitáveis a Deus.
João expôs esse engano e rasgou o manto que envolvia tal
ilusão. Balançou os frágeis alicerces nos quais haviam se
justificado como descendentes de Abraão. Trouxe à luz o erro nas
doutrinas dos seus anciãos e expôs suas fórmulas de orações
desprovidas de paixão e de poder. Mostrou a futilidade de dar
dízimos enquanto negligenciavam e até roubavam o pobre.
Apontou a frivolidade dos seus hábitos religiosos sem vida e
claramente revelou que os seus corações endurecidos estavam
longe de Deus.
João veio pregando um batismo de arrependimento (Mc 1:4).
A palavra grega para batismo é baptisma, e é definida como
"imersão". De acordo com o dicionário Webster, "imersão" significa
"mergulhar". Assim, a mensagem de João não era de
arrependimento superficial, mas de uma completa e radical
mudança de coração.
A confrontação corajosa de João destruiu a falsa segurança
que os israelitas tinham encontrado nas suas ilusões firmemente
arraigadas. Sua mensagem era um chamado para os homens
voltarem seus corações para Deus. O Seu compromisso divino
aplainou o solo dos corações que o receberam. As elevadas
montanhas do orgulho e altivas colinas da religião foram
aplainadas, preparando as pessoas para receberem o ministério de
Jesus.
O MESTRE CONSTRUTOR
Uma vez que o trabalho de João estava completo, Jesus veio
preparar o templo sobre o terreno plano da humildade até que o
processo de construção estivesse completo. Jesus lançou o
fundamento e construiu: Porque ninguém pode lançar outro
fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo (ICo 3:11).
Mais uma vez a Palavra de Deus trouxe ordem divina. Mas,
dessa vez a sua Palavra foi revelada como a Palavra de Deus que
se fez carne! Jesus é o Mestre Construtor (Hb 3:1-4), não só por
seus ensinos, mas pela vida que viveu. Em todos os sentidos, Ele
manifestou à humanidade o caminho aceitável do Senhor.
Aqueles que receberam o ministério de João estavam
preparados para receber a obra do Seu Mestre Construtor. Da
mesma forma, aqueles que rejeitaram João estavam
despreparados para receber as palavras de Jesus, pois o solo dos
seus corações estava desnivelado e inconstante. Nenhum
fundamento havia sido lançado. Eles eram como uma construção
que não estava preparada para receber um santuário.
Jesus se dirigiu ao orgulho dos religiosos que resistiam a
Ele:
Porque. João veio a vós outros no caminho da justiça, e não
acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram.
Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal para
acreditardes nele (Mt 21:32).
Foram os pecadores daquela época que receberam a mensa-
gem de João e abriram seus corações a Jesus. Aproximaram-se de
Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir (Lc 15:1). Eles
não se sentiam confortados em sua religião e sabiam que
precisavam de um Salvador.
O PASSO FINAL DA PREPARAÇÃO
Quando Jesus cumpriu tudo o que seu Pai havia ordenado
que Ele fizesse em seu ministério na terra, Ele foi enviado à cruz
por Caifás, o sumo sacerdote interino, como o Cordeiro do
sacrifício. Esse foi o passo final e mais importante na preparação
do templo no coração do homem. O sacrifício de Jesus eliminou a
natureza pecaminosa que separava o homem da presença de
Deus, desde a queda de Adão.
Nós vimos a oferta do Cordeiro, do sacrifício prefigurado na
edificação do tabernáculo e na dedicação do templo.Quando o
tabernáculo foi levantado, Arão, como sumo sacerdote, ofereceu
sacrifícios ao Senhor. Um dos sacrifícios era um cordeiro sem
defeito. Depois que isso foi feito: Então entraram Moisés e Arão na
tenda da congregação; e saindo, abençoaram o povo; e a glória do
Senhor apareceu a todo o povo (Lv 9:23). Isso aconteceu pouco
depois que Nadabe e Abiú foram julgados e mortos.
O sacrifício do Cordeiro de Deus é prefigurado na dedicação
do templo de Salomão.
Então o rei e todo o povo ofereceram sacrifícios diante do
Senhor. Ofereceu o Rei Salomão em sacrifício vinte e dois mil bois e
cento e vinte mil ovelhas. Assim, o rei e todo o povo consagraram a
casa de Deus... (2Cr 7:4-6)
Nesse mesmo dia a glória do Senhor foi revelada no templo.
O escritor de Hebreus compara o sacrifício de Cristo aos sacrifícios
oferecidos no tabernáculo e no templo, dizendo:
Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu
próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez, por todas,
tendo obtido eterna, redenção (Hb 9:12).
Jesus, o Cordeiro de Deus, pendurado na cruz, derramando
cada gota do seu sangue inocente e real por nós. Uma vez que
esse ato estava consumado, o véu do templo foi rasgado em dois,
de alto a baixo (Lc 23:45). Deus se mudara! A glória de Deus
nunca mais seria revelada em uma casa feita por mãos humanas.
Sua glória havia sido revelada no templo em Ele sempre tinha
desejado morar.
UM SÓ CORAÇÃO E UM SÓ PROPÓSITO
Agora leia o que aconteceu logo após a ressurreição de
Jesus:
Ao cumprir-se o Dia de Pentecostes, estavam todos reunidos
no mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de um vento
impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E
apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e
pousou uma sobre cada um deles (At 2:1-3).
Mais uma vez a glória do Senhor se manifestou. Note que
eles estavam todos reunidos no mesmo lugar. Ordem Divina. Como
você conseguiria um acordo entre cento e vinte pessoas? A
resposta é simples: todas estavam mortas para si mesmas. Não
tinham nenhum programa. Tudo que importava era que tinham
obedecido às palavras de Jesus.
Nós sabemos que Jesus ministrou a dez mil pessoas em meu
ministério de três anos e meio. Multidões o seguiram. Depois da
Sua crucificação e ressurreição, Ele apareceu a mais de
quinhentos seguidores (ICo 15:6). Contudo, no dia de Pentecostes,
nós encontramos apenas cento e vinte seguidores na casa quando
o Espírito de Deus se manifestou (At 1:15).
É interessante notar que os números continuaram
diminuindo, e não aumentando. Onde estavam os milhares, após
a crucificação? Por que Ele apareceu somente a quinhentos? No
dia de Pentecostes, onde estavam os quinhentos? Foi somente a
cento e vinte discípulos que a glória de Deus foi revelada.
Depois da sua ressurreição, Jesus disse às pessoas que não
saíssem de Jerusalém, mas esperassem pela promessa do Pai (At
1:4). Eu creio que todos os quinhentos esperaram pela promessa.
Mas à medida que os dias se passaram, o tamanhodo grupo
encolheu. Impacientes, alguns devem ter decidido: "Nós temos que
continuar nossas vidas; Ele se foi". Outros podem ter partido para
adorar a Deus, na sua sinagoga, da maneira tradicional. Outros
ainda podem ter citado as palavras de Jesus: "Devemos ir por todo
o mundo e pregar o evangelho. Deveríamos partir agora e fazer
isto!"
Eu creio que o Senhor esperou até que aqueles que
permaneceram, disseram a si mesmos: "Mesmo que a gente tenha
que apodrecer, nós não vamos sair daqui, porque o Mestre disse
para esperar". Somente aqueles que eram completamente
submissos ao Mestre poderiam fazer tal compromisso. Nenhuma
pessoa, atividade, ou coisa importava tanto quanto a obediência
às palavras dele. Esses eram aqueles que tremiam diante da sua
Palavra (Is 66:2). Eles temiam a Deus!
Aqueles que permaneceram, tinham ouvido atentamente
quando Jesus falou à multidão, dizendo:
E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não
pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir
uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e
verificar se tem meios para a concluir? Para não suceder que, tendo
lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem
zombem dele, assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia
a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo (hc 14:27-29, 33).
Jesus deixa claro que para segui-lo, devemos,
primeiramente, calcular o custo. Há um preço para seguir Jesus, e
é Ele quem decide a quantia certa. O preço é nada menos do que
nossas vidas!
Você pode questionar: "Eu pensei que a salvação fosse um
presente gratuito, algo que não se pode merecer!?" Sim, a salvação
é um presente que não pode ser comprado ou merecido. Porém,
você não pode retê-lo se não entregar toda a sua vida em troca!
Até mesmo um presente deve ser protegido para não ser perdido
ou roubado.
Jesus exorta: Aquele, porém, que permanecer até o fim, esse
será salvo(Mt 10:22). A força para permanecer é encontrada na
doação espontânea da sua vida.
Um crente verdadeiro, um discípulo, rende sua vida
completamente ao Mestre. Os discípulos permanecem firmes até o
fim. Convertidos e expectadores podem desejar os benefícios e as
bênçãos, mas não têm a resistência para permanecer até o fim. No
final, eles desaparecem. Jesus deu-nos a Grande Comissão: Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações... (Mt 28:19). Ele nos
comissionou a fazer discípulos, não convertidos.
Os remanescentes que permaneceram no dia de Pentecostes
tinham colocado aparte seus sonhos, ambições, metas e outros
compromissos. Isso criou uma atmosfera em que podiam ter um
só propósito e um só coração.
Esta é a unidade que Deus deseja para nós hoje. Tem havido
vários movimentos em prol da unidade em nossas cidades, entre
alguns líderes e igrejas. Nós caminhamos juntos e buscamos a
unidade.
Mas devemos nos lembrar de que só Deus pode verdadeira-
mente nos fazer um. A menos que nós deixemos tudo o mais de
lado, os compromissos que estão ocultos virão à tona. Quando há
motivos ocultos, os relacionamentos se desenvolvem em um nível
superficial. O resultado é fraco e improdutivo. Podemos ter
unidade de propósito, sem obedecer ao coração do nosso Mestre.
Desta forma, nossa produtividade é vã. Pois Se o Senhor não
edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam... (SI 127:1).
Deus ainda está buscando aqueles que tremem diante da sua
Palavra! Este é o lugar onde a verdadeira unidade é encontrada.
A GLÓRIA DO SENHOR É REVELADA
Aqueles que estavam reunidos no dia de Pentecostes tinham
verdadeira unidade. Eles estavam unidos no propósito do seu
Mestre. Seus corações estavam em ordem. A preparação do
ministério de João havia se juntado ao ministério de Jesus e
resultou em ordem divina. A ordem divina foi alcançada nos
corações dos homens. Em concordância com o padrão de Deus,
depois da ordem divina, veio a glória revelada de Deus. Leia
novamente o que aconteceu naquele dia:
De repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso,
e encheu toda a casa onde eles estavam assentados. E
apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou
uma sobre cada um deles (At 2:2, 3).
Uma porção da glória de Deus se manifestou sobre aqueles
cento e vinte homens e mulheres. Observe que línguas como de
fogo desceram sobre cada um deles. Esqueça as imagens que você
tem visto no seu livro de escola dominical - pequenas chamas de
fogo flutuando sobre as cabeças daqueles discípulos. Todos os
presentes foram batizados ou imersos no fogo da sua gloriosa
presença (Mateus 3:11).
É claro que aquela não era a glória de Deus plenamente
revelada, pois nenhum homem viu nem pode resistir à glória de
Deus plenamente revelada (1 Tm 6:16). Porém, essa manifestação
foi forte o bastante para atrair a atenção de multidões de judeus
devotos, tementes a Deus que estavam em Jerusalém, de todos os
países debaixo do céu (At 2:6,7).
Naquele momento, em resposta, Pedro se levantou e lhes
pregou o Evangelho. Três mil pessoas foram salvas e
acrescentadas à igreja naquele dia. Não foi um culto agendado,
nem houve qualquer anúncio. Como resultado:
Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram
feitos por intermédio dos apóstolos (At 2: 43).
Deus havia revelado uma porção da sua glória e as pessoas
ficaram profundamente atemorizadas pela sua presença e poder.
Ele continuou a operar de uma maneira poderosa. Diariamente,
havia testemunhos de tremendos milagres e libertações.
Não havia como negar que a poderosa mão de Deus estava
operando. Homens e mulheres entravam no reino, em multidões.
Aqueles que anteriormente tinham entregado suas vidas a Jesus,
foram renovados pela presença do seu Espírito.
Mas, como nós já vimos, se Deus revela sua glória e as
pessoas reagem com falta de temor, há julgamento certo. De fato,
quanto maior a glória, maior e mais rápido o julgamento. No
próximo capítulo, vamos examinar, mais profundamente, o evento
trágico que ocorreu logo após a revelação da glória de Deus.
Se você deseja o louvor do homem, vai temer
o homem. Se você teme o homem vai servi-lo,
porque você serve a quem você teme.
CAPÍTULO 7
UMA OFERTA IRREVERENTE
Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou,
tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento,
porque escrito está: sede santos, porque eu sou santo (IPe 1:15,16).
O tempo havia passado desde o dia de Pentecostes. A Igreja
havia provado os benefícios da presença de Deus e do seu poder.
Multidões eram salvas, outros eram curados e libertos. Ninguém
passava necessidade, pois todos compartilhavam o que tinham.
Aqueles que tinham posses as vendiam e traziam a renda perante
os apóstolos, para distribuírem aos que estivessem passando
necessidades (At 4:34, 35).
A OFERTA DE UM ESTRANGEIRO
José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé,
que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como
tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés
dos apóstolos (At 4:36, 37).
Chipre era uma ilha abundantemente abençoada pelos
recursos naturais, famosa por suas flores e frutas. O vinho e o
óleo eram produzidos em abundância. Havia uma reserva de
pedras preciosas variadas, mas sua principal fonte de riqueza
eram as minas e florestas. Havia muita prata, cobre e minas de
ferro. Esse era um país transbordante de riqueza natural. Se
alguém possuísse terra em Chipre, provavelmente essa pessoa era
rica.
Imagine este quadro: um levita rico chamado Barnabé, de
outro país, traz a quantia total que haviarecebido pela venda da
sua terra, que provavelmente era uma soma muito alta, e a coloca
à disposição dos apóstolos. Agora, leia cuidadosamente o próximo
versículo:
Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher
Safira, vendeu uma propriedade (At 5:1).
Observe a primeira palavra desta sentença: entretanto. Na
Bíblia, nenhum pensamento novo é introduzido com a palavra
entretanto. Lembre-se, os tradutores foram as pessoas que
separaram cada livro da Bíblia por capítulo e versículo.
Originalmente, o Livro de Atos era apenas uma longa carta escrita
por um médico chamado Lucas.
Pelo emprego da palavra entretanto é óbvio que o que havia
acabado de acontecer no quarto capítulo de Atos está ligado ao
relato de Ananias e Safira no quinto capítulo. De fato, serei
ousado o bastante para dizer que nós não podemos entender
completamente o que está para acontecer sem levar em conta o
que aconteceu anteriormente. Isso explica a razão para a palavra
entretanto no início da frase.
Vamos refletir sobre isto. Um recém-chegado, que é muito
rico, junta-se à igreja e traz uma oferta muito grande de um
pedaço de terra que vendeu. A oferta desse homem leva Ananias e
Safira a reagirem, vendendo algo que possuíam. Examine os
próximos versículos cuidadosamente:
Mas, de acordo com sua mulher, reteve parte do preço e,
levando o restante, depositou-o aos pés dos apóstolos. Então, disse
Pedro: Ananias, porque encheu Satanás teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?
Conservando-o, porventura não seria teu? E, vendido, não estaria
em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio?
Não mentiste aos homens, mas a Deus (At 5:2-4).
Até esse ponto, Ananias e sua esposa provavelmente tinham
a reputação na igreja de serem os maiores doadores. É provável
que recebessem muita atenção das pessoas pela sua
generosidade. Observando a reação deles, estou certo de que
desfrutaram muito dessa posição de respeito e do reconhecimento
que recebiam pelo seu ministério de dar,
Agora haviam sido superados. A atenção havia voltado para
aquele novo homem, o levita de Chipre. Todos estavam exaltando
as virtudes daquele homem generoso. As pessoas comentavam
entre si sobre como sua grande doação ajudaria muitos que
passavam por necessidades. Era a conversa que se ouvia na
igreja. O foco de atenção fora desviado de Ananias e Safira,
criando um vazio com o qual não conseguiam lidar.
Eles reagiram imediatamente, vendendo um lote de terra. O
terreno deles também era valioso e receberam uma grande soma
de dinheiro. Provavelmente era a possessão mais importante que
tinham. Juntos, devem ter concluído: "É muito dinheiro para
desfazer. Nós não podemos dar tudo. Mas nós queremos que
pareça que estamos dando tudo. Então, vamos dar apenas uma
parte dele e dizer que é tudo que recebemos",
Eles concordaram em reter uma parte do lucro para si
mesmos, mas ainda queriam que aparentasse que tinham dado a
quantia inteira. O pecado deles foi o engano. Não estava errado
reter uma parte do lucro da venda. O dinheiro era deles para fazer
o que desejassem. Mas estava errado dizer que tinham dado tudo
que receberam, quando, de fato, isso era uma mentira. Eles
queriam mais os louvores do homem do que a verdade e a
integridade. A reputação era importante para eles. Eles
provavelmente se confortaram, dizendo: "Que dano isto poderia
causar? Nós estamos dando e satisfazendo as necessidades dos
menos afortunados. Isto é tudo que podemos dar".
Se você deseja o louvor do homem, vai temer o homem. Se
teme o homem vai servi-lo, porque você serve a quem você teme.
Eles temeram mais o homem do que a Deus. Isso os levou a
racionalizar suas ações e a se colocarem na presença de Deus sem
o santo temor. Se tivessem temor de Deus, nunca teriam mentido
na presença dele.
Ouvindo estas palavras, Ananias caiu e expirou, sobrevindo
grande temor a todos os ouvintes. Levantando-se os moços,
cobriram-lhe o corpo e, levando-o, o sepultaram (At 5:5,6).
Esse homem trouxe uma oferta para os necessitados e foi
ferido com a morte! O julgamento imediato ocorreu. Um grande
temor sobreveio sobre aqueles que testemunharam ou ouviram
falar sobre o ocorrido. Continue lendo:
Quase três horas depois, entrou a mulher de Ananias não
sabendo o que ocorrera. Então, Pedro, dirigindo-se a ela, perguntou-
lhe: Dize-me, vendestes por tanto aquela terra? Ela respondeu: Sim,
por tanto. Tornou-lhe Pedro: Por que entrastes em acordo para
tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que
sepultaram o teu marido, e eles também te levarão. No mesmo
instante caiu ela aos pés de Pedro e expirou. Entrando os jovens,
acharam-na morta e, levando-a, sepultaram-na junto do marido. E
sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a
notícia destes acontecimentos (At 5:7-11).
É bem possível que Ananias e sua esposa tenham sido
alguns dos primeiros a receber a salvação pela graça. Eles podem
ter sido os maiores doadores na igreja. Eles podem ter sacrificado
sua posição social e segurança financeira para servir a Deus. Mas
os sacrifícios são inúteis quando não são acompanhados por
corações que amam e temem a Deus.
Observe o último versículo do texto acima: E sobreveio gran-
de temor a toda a igreja. Lembre-se da advertência de Deus a Arão
quando seus dois filhos morreram na presença de Deus por
apresentarem suas ofertas irreverentes.
Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim
e serei glorificado diante de todo o povo (Lv 10:3).
Ao longo dos séculos, Deus não havia mudado. Sua Palavra
e nível de santidade não variaram. Sua Palavra não havia falhado
desde que fora enviada, uns dois mil anos antes. Deus era, é, e
sempre será o grande Rei e deve ser reverenciado como tal. Nós
não podemos tratar com leviandade o que Ele chama de santo.
A Bíblia não diz que um grande temor veio sobre a cidade,
mas diz que um grande temor sobreveio sobre a igreja. A igreja
estava desfrutando da presença do Senhor e de todas as suas
bênçãos. Quando as pessoas ficaram cheias do Espírito Santo,
elas agiram como homens embriagados. Eu estou certo de que
alguns riram de alegria, e o mais maravilhoso de tudo isso foi
quando todos eles falaram em línguas. Por que outro motivo eles
foram confundidos com pessoas embriagadas às nove horas da
manhã? (At 2:15)
Talvez, com o passar do tempo, as pessoas tenham ficado
muito familiarizadas com a presença de Deus. Ele se tornou
comum para algumas delas. Talvez se lembrassem de como Jesus
havia sido acessível e decidiram que o relacionamento delas com o
Espírito Santo poderia se tornar semelhante. Embora Jesus seja o
Filho de Deus e a imagem exata do Deus que se fez carne, nós não
podemos esquecer que Ele veio como Filho do homem e mediador,
porque o homem não podia se aproximar da santidade de Deus.
Embora Eles sejam um, há um diferença entre Deus Pai,
Deus Filho e Deus Espírito Santo. Até mesmo Jesus disse que os
homens podiam falar contra Ele e seriam perdoados, mas não lhes
seria perdoado se falassem contra o Espírito Santo. Jesus estava
lhes fazendo saber, de antemão, que uma santa ordem divina
estava para ser restaurada. Antes da vinda do Filho, as pessoas
sentiam medo ou terror de Deus sem temê-lo. Agora o homem
havia sido restaurado por Deus, e a ordem divina havia sido
restabelecida.
A igreja desperta para a santidade de Deus quando Ananias
e Safira caem mortos aos pés de Pedro. "Talvez nós devêssemos
repensar algumas coisas", alguns podem ter ponderado. Outros
podem ter pensado: "Facilmente poderia ter sido eu". Outros
tiveram seu conceito sobre Deus sacudido! "Acho que não o
conheço tão bem quanto pensava. Eu não achava que Ele traria
um julgamento tão rápido etão severo." Mas todos exclamaram
maravilhados e assombrados: "Ele é Santo e conhecedor de todas
as coisas!" Um grande temor sobreveio a toda a igreja quando
examinaram seus corações, pasmados por esse Deus de temor e
maravilha. Tão amoroso, e, contudo, tão santo. Ninguém
permaneceu impassível diante desse evento surpreendente.
PORTAI-VOS COM TEMOR DE DEUS
Pedro, que caminhou com Jesus e testemunhou esse
julgamento, mais tarde foi inspirado a escrever esta repreensão
sincera:
Pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou,
tornai-vos santos também vós mesmos, em todo vosso proce-
dimento, porque escrito está: Sede santos porque eu sou santo. Ora,
se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga
segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o
tempo da vossa peregrinação (1 Pe 1:15-17).
Observe que ele não diz: "portai-vos com amor". Sim, nós
devemos andar em amor, pois sem ele nós não temos nada!
Apartados do seu amor, nós não podemos nem mesmo conhecer o
coração do Pai. Anteriormente, nessa mesma epístola, Pedro faz
um comentário sobre o nosso amor pelo Senhor, que queima em
nossos corações: a quem, não havendo visto, amais (IPe 1:8).
Fomos chamados para ter um relacionamento pessoal de amor
com nosso Pai, mas Pedro acrescenta, logo em seguida, o
equilíbrio do temor de Deus. Nosso amor a Deus é limitado por
uma falta do santo temor. Nossos corações devem ter a luz e o
calor de ambas as chamas.
Você pode se perguntar como este amor poderia ser limitado.
Você só pode amar alguém apenas na medida em que o conhece.
Se sua imagem de Deus é abaixo do que Ele é, então você tem
apenas um conhecimento superficial daquele que você ama. O
verdadeiro amor é fundado na verdade de quem Deus realmente é.
Você acha que Ele revela seu coração àqueles que o consideram
levianamente? Você acha? De fato, Deus escolheu se ocultar (Is
45:15). O salmista se refere ao lugar em que Ele se esconde como
esconderijo (Sl 91:1).
É aqui, em secreto, que nós descobrimos sua santidade e
sua grandeza. Mas somente aqueles que o temem encontrarão
esse refúgio secreto, porque as Escrituras nos dizem:
A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).
Agora, você pode entender melhor as palavras de Pedro.
Paulo, que não caminhou com Jesus na Terra, mas o conheceu na
estrada para Damasco, fortaleceu esta exortação adicionando a
palavra "tremor". Ele diz aos crentes: Desenvolvei a vossa salvação
com temor e tremor (Fp 2:12). De fato, esta frase é usada três vezes
no Novo Testamento para descrever o relacionamento correto entre
um crente e Cristo.
Paulo veio a conhecer Jesus por meio da revelação do Espí-
rito. Essa é a mesma maneira pela qual nós devemos conhecê-lo.
E, se, antes conhecemos a Cristo segundo a carne, já agora não o
conhecemos deste modo.(2Co 5:16) Se nós buscamos ter acesso ao
conhecimento de Deus e caminhamos com Ele como nós cami-
nhamos com os homens naturais e corruptíveis,
consequentemente, não daremos o devido valor à sua presença,
como alguns fizeram na Igreja Primitiva.
Eu estou certo de que Ananias e Safira faziam parte
daqueles que estavam admirados e empolgados na igreja primitiva
de Atos. Todos tinham ficado pasmos diante dos abundantes
sinais e maravilhas. Até mesmo os sinais e as maravilhas se
tornaram comuns quando houve falta do temor de Deus nos seus
corações. O temor de Deus teria impedido a tolice daquele casal
infeliz (Sl 34:11-13). O temor teria revelado a santidade de Deus.
Devemos nos lembrar destes dois atributos imutáveis:
Deus é amor e Deus é um fogo consumidor (1 Jo 4:8 e Hb
12:29). Paulo se refere ao fogo experimentado pelos crentes
quando estiverem diante de um Deus santo no trono do
julgamento. Lá, nós daremos conta das nossas obras feitas no
corpo de Cristo, boas ou más (2Co 5:10). Paulo adverte então:
Conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens ... (2Co
5:11)
Por causa do amor de Deus, podemos ter confiança quando
nos aproximamos dele. A Bíblia acrescenta que devemos servi-lo e
nos aproximarmos dele de maneira aceitável. Como? Com
reverência e piedoso temor (Hb 12:28).
Aqueles que nasceram de novo conhecem a Deus como Aba
Pai, mas isso não nega a posição dele como Juiz de toda a carne
(Gl 4:6-7 e Hb 12:23). Deus deixa isto claro: O Senhor julgará o
seu povo (Hb 10:30).
Vamos considerar um rei terreno que tem filhos e filhas. No
palácio, ele é o marido e o papai. Mas na sala do trono, é o rei e
deve ser reverenciado como tal, até mesmo pela sua esposa e seus
filhos. Sim, há aquelas vezes em que eu sinto a chamada do Pai
para que eu entre na sua câmara particular, de braços estendidos,
me convidando: "Venha, pule em meu colo, vamos ficar abraçados
e conversar". Eu adoro esses momentos. Eles são tão especiais!
Mas há vezes, quando estou orando ou estou participando de um
culto, em que eu temo e tremo na sua santa presença.
Houve um desses cultos, em agosto de 1995, no final de
uma semana de reuniões em Kuala Lumpur, Malásia. O clima
estava muito adverso, e aquele dia eu sentia que finalmente nós
tínhamos experimentado um avanço. A presença do Senhor
encheu o lugar, e várias pessoas riram quando sua alegria fluiu.
Isso continuou por dez a quinze minutos, e depois houve uma
pausa seguida por outra onda da presença de Deus. Mais pessoas
foram tocadas. Novamente, houve uma calmaria, e então outra
onda da presença de Deus inundada de alegria se espalhou pelo
santuário, até que quase todos foram renovados e começaram a
rir. Então houve ainda outro intervalo.
Foi quando ouvi o Senhor dizer: "Eu virei numa última onda,
mas será diferente das outras". Eu me mantive em silêncio e
esperei. Dentro de minutos, uma manifestação muito diferente da
presença de Deus se espalhou pela igreja. Eu estava
impressionado e um pouco assustado; contudo, fui levado por ela.
O clima se tornou carregado. As mesmas pessoas que estiveram
rindo há poucos momentos antes, começaram a lamentar, chorar
e clamar. Alguns gritavam estridentemente como se estivessem no
fogo. Entretanto, esses não eram gritos de tormento causados por
ação demoníaca.
Enquanto caminhava pela plataforma, este pensamento
passou por minha mente: "John, não faça nenhum movimento
errado nem diga uma palavra errada. Se você o fizer, será um
homem morto". Eu não estou certo do que teria acontecido, mas
este pensamento transmite a intensidade do que senti. Eu sabia
que a irreverência não poderia existir diante daquela presença
assombrosa. Testemunhei duas reações diferentes naquele dia -
ou as pessoas ficavam com medo e se afastavam da presença de
Deus, ou sentiam temor de Deus e se aproximavam da sua
tremenda presença. Aquela, definitivamente, não era uma das
vezes em que Deus estava sussurrando: "Venha, pule no meu
colo!"
Nós saímos da reunião envoltos em temor. Muitos se
sentiam completamente transformados pela tremenda presença de
Deus. Um homem que foi poderosamente tocado pela presença de
Deus, depois me disse: "Eu me sinto tão limpo por dentro!" Eu
concordei, porque eu também me sentia purificado. Mais tarde eu
encontrei este versículo: O temor do Senhor é límpido e permanece
para sempre (Sl 19:9).
O TEMOR DO SENHOR PERMANECE
O temor do Senhor permanece para sempre! Se Lúcifer tives-
se possuído temor, ele nunca teria caído do céu como um
relâmpago (Is 14:12-15 e Lc 10:18). Lúcifer era o querubim ungido
do santo monte de Deus e andava na presença do Senhor (Ez
28:14-17). Contudo, Lúcifer foi o primeiro a demonstrar a falta de
temor a Deus.
Ouçam-me, povo de Deus: Vocês podem ter o santo óleo da
unção sobre vocês, como Nadabe e Abiú tiveram. Podem operar si-
nais e maravilhas, expulsar demônios e curar os doentesno seu
poderoso nome, mas falta o temor do Senhor! Sem ele, seu fim não
será diferente que o de Nadabe e Abiú ou de Ananias e Safira, pois
é o temor do Senhor que os leva a permanecerem diante da
presença dele para sempre!
Adão e Eva andavam na presença do Senhor. Amavam as
bênçãos da bondade de Deus. Nunca tinham sido ofendidos por
qualquer autoridade. Viviam num ambiente perfeito. Contudo, eles
desobedeceram e caíram, sofrendo um grande julgamento. Eles
nunca teriam caído se possuíssem o temor do Senhor.
O temor do Senhor dura para sempre! Se Ananias e Safira
tivessem temido a Deus, não teriam se comportado tão tolamente,
pois pelo temor do Senhor os homens evitam o mal (Pv 16:6).
Alguns podem questionar: "Meu amor por Deus não me
guarda do pecado?" Sim, mas quanto amor você pode ter, se faltar
o temor de Deus? Quando visitei Jim Bakker na prisão, ele
compartilhou comigo como a pressão da prisão o levara a
experimentar uma mudança completa de coração. Ele
experimentou Jesus como Mestre, pela primeira vez.
Compartilhou como havia perdido sua família, ministério, tudo o
que possuía, e então encontrou Jesus.
Eu me lembro claramente das suas palavras: "John, esta
prisão não é o julgamento de Deus sobre minha vida, mas, sua
misericórdia. Acredito que se eu tivesse continuado no caminho
em que estava, teria terminado no inferno!"
Jim Bakker compartilhou esta advertência para todos nós:'
'John, eu sempre amei Jesus; contudo, Ele não era o meu Senhor,
e há milhões de americanos como eu!" Jim amava a imagem de
Jesus outrora revelada a ele. O amor de Jim era imaturo, pois
faltava o temor do Senhor. Hoje, Jim Bakker é um homem que
teme a Deus. Quando eu lhe perguntei o que ele faria quando
saísse da prisão, respondeu depressa: "Se eu voltar para o
caminho em que estava, eu serei julgado!"
NINGUÉM OUSAVA JUNTAR-SE A ELES
O que aconteceu a Ananias e Safira fez a igreja tremer.
Trouxe à superfície as motivações do coração para serem
analisadas. Aqueles que se viram na mesma irreverência de
Ananias e Safira, rasgaram seus corações em arrependimento.
Outros calcularam o custo mais seriamente antes de se unirem à
assembléia de crentes, em Jerusalém. Alguns podem ter ido
embora com medo do julgamento de Deus.
O temor veio sobre a igreja, mas também assombrou a todos
que ouviram o que havia acontecido àquele casal. Estou certo de
que aquele acontecimento foi notícia durante algum tempo na
cidade. As pessoas perguntavam umas às outras: "Você ouviu
falar sobre o que aconteceu àqueles seguidores de Jesus? Um
casal trouxe uma oferta para os necessitados e ambos caíram
mortos!" A Bíblia registra:
Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém,
o povo lhes tributava grande admiração. E crescia mais e mais a
multidão de crentes, tanto homens como mulheres (At 5:13, 14).
Parecia ser uma contradição: ninguém ousava unir-se a eles,
contudo, os versículos seguintes afirmam que o número de crentes
estava aumentando a cada dia. Como o número de crentes pôde
aumentar se ninguém ousava juntar-se a eles? O que está sendo
dito aqui, de fato? Eu creio que ninguém ousou se unir a Jesus
até que tivessem calculado o custo. Não havia mais "juntar-se à
igreja" por motivos egoístas. Eles vinham ao Senhor por causa de
quem Ele era, não por causa do que Ele poderia fazer.
É fácil desenvolver rapidamente uma atitude de irreverência
quando nós vimos ao Senhor pelo que Ele pode fazer para nós ou
pelo que pode nos dar. É uma relação baseada em bênçãos e
eventos. Quando as coisas não saem à nossa maneira- e
inevitavelmente isso vai acontecer - nós ficamos desapontados e,
como crianças mimadas, acaba o nosso respeito. Quando a
irreverência é julgada, cada um avalia a sua vida e as motivações
erradas são purificadas pela luz do julgamento. Esse é o estado
dos verdadeiros corações arrependidos, cheios do temor de Deus.
POR QUE ELES?
Por que Ananias e Safira morreram? Eu conheço pessoas
que têm mentido a pregadores do evangelho e não foram julgadas
tão severamente. De fato, têm acontecido atos muito mais
irreverentes do que o de Ananias e Safira na história da igreja, e
até mesmo na igreja dos dias de hoje. Ninguém mais cai morto nos
cultos. Todo esse evento parece tão impossível hoje.
A resposta está escondida logo nos versículos seguintes a
este relato:
...a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colo-
carem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a
sua sombra se projetasse sobre algum deles (At 5:15).
Observe que eles deitavam os doentes nas ruas! Não na rua,
mas nas ruas, esperando apenas que a sombra de Pedro passasse
para que o doente pudesse ser curado. Agora, eu percebo que o
que estou para dizer está sujeito a argumentação, mas creio que a
interpretação não está limitada apenas à sombra física de Pedro.
Uma sombra não detém nenhum poder para curar um doente. Eu
acredito que era a nuvem de Deus. A presença do Senhor era tão
forte em Pedro, que uma nuvem cobria e ocultava a sua própria
sombra. Da mesma maneira, quando Moisés desceu do monte, a
glória de Deus estava brilhando na sua face, de forma que a sua
própria imagem foi coberta por ela. Será que o próprio Deus teria
encoberto Pedro numa nuvem de sombra para esconder a sua
glória? Em Atos 5:15, tudo que Pedro tinha de fazer era lançar sua
sombra sobre os doentes, e as multidões nas ruas eram curadas.
Nós sabemos que uma presença muito tangível da glória de
Deus repousava sobre Pedro, quando primeiramente Ananias e
Safira mentiram para ele e caíram mortos. Em essência, Ananias e
Safira caíram mortos porque eram irreverentes na presença do
Senhor, cuja glória já havia sido revelada. Assim como com Adão,
Nadabe, Abiú e os filhos de Israel, mais uma vez nós vemos o
padrão de ordem, glória e julgamento.
Nos capítulos seguintes, nós aplicaremos este padrão à
nossa igreja atuai. Enquanto aprofundarmos um pouco mais, nós
veremos por que o amor de Deus deve estar associado ao temor de
Deus.
CAPÍTULO 8
JULGAMENTO ADIADO
Porque importa que todos nós compareçamos perante o
tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o
mal que tiver feito por meio do corpo (2Co 5:10).
Enquanto escrevo, estamos nos aproximando do fim dos dois
mil anos desde a ressurreição do nosso Senhor Jesus. Vivemos no
início das semanas finais, dos dias e momentos que antecedem o
seu retorno. Jesus disse que saberíamos a época, mas não o dia
ou a hora (Mt 24:32-36). Nós estamos vivendo nesta época.
A PRIMEIRA E A ÚLTIMA CHUVA
As Escrituras proféticas anunciavam como Deus revelaria
sua glória de um modo poderoso no início e novamente no fim da
era da Igreja, pouco antes da sua segunda vinda. Tiago descreveu
isto:
Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que
o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até
receber as primeiras e as últimas chuvas (Tg 5:7).
Observe que Tiago se refere à primeira e à última chuva. Em
Israel, a primeira chuva caía e umidecia a terra seca no início da
época de plantio. A terra, amolecida pela chuva, podia receber o
grão, que poderia firmemente criar sua raiz. As últimas chuvas
vinham pouco antes da colheita e eram mais apreciadas porque
amadureciam o fruto e o desenvolviam.
Tiago usou a chuva física como uma comparação para
explicar o derramamento da glória de Deus. A primeira chuva caiu
no dia de Pentecostes, como Pedro confirmou:
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta
Joel: E acontecerá que nos últimos dias, diz o Senhor, que
derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e
vossas filhas profetizarão, vossos jovens terãovisões, e sonharão
vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei
prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e
vapor defumo. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue,
antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor (At 2:16-20).
Pedro usou o termo derramarei. A terminologia para chuva
pesada é "aguaceiro". Pedro poderia ter dito "choverá forte", mas
ele utilizou termos apropriados para enviar a chuva. Quem melhor
que Pedro para descrever o derramamento da glória de Deus,
experimentado no dia de Pentecostes? Mas, essa descrição não é
limitada ao que acabara de experimentar, pois ao mesmo tempo
ele descreveu o derramamento da glória de Deus, anterior ao
grande e temível dia do Senhor. O grande e temível dia do Senhor
não se referia ao período de tempo no qual Pedro vivera, mas à
segunda vinda de Cristo.
O Espírito de Deus fez, por meio de Pedro, o que havia feito
tantas vezes antes: uniu dois períodos de tempo distintos na
mesma mensagem profética ou Escritura. Sim, um grande
derramamento do Espírito de Deus começou no dia de
Pentecostes. Tiago chamou-o de primeira chuva. A glória de Deus
se manifestou e se espalhou por onde o Senhor enviou Seus
discípulos com o evangelho. Não houve nenhuma parte do mundo
conhecido que não foi afetada.
Contudo, esse grande derramamento não aumentou
continuamente. Ele foi acabando gradualmente e diminuiu
quando os homens perderam sua paixão pela presença e pela
glória de Deus. Em lugar do amor e temor que uma vez
queimaram, estava a frieza, altar sem vida e de desejos egoístas.
Afastados, muitos se tornaram ocupados com atividades religiosas
e doutrinas que uma vez mais obscureceram o propósito para o
qual Deus nos criou - caminhar com Ele.
UM TEMPO DE EGOÍSMO, MESMO NA LIDERANÇA
Essa fase de aumento e diminuição da presença e da glória
de Deus poderia ser comparada ao período de tempo entre a
liderança de Moisés e o Rei Davi. Nos dias de Moisés, os filhos de
Israel vagaram no deserto durante anos, sob a glória manifesta de
Deus. Os irreverentes foram julgados e encontraram a morte no
deserto.
Mas a geração mais jovem temeu ao Senhor e o seguiu de
todo o seu coração. Eles chegaram a possuir a Terra Prometida
sob a liderança de Josué. Porém, foi também congregada a seus
pais toda aquela geração; e outra geração após deles se levantou,
que não conhecia o Senhor, nem tão pouco as obras que fizera a
Israel. (Jz 2:10).
A desobediência dessa nova geração os conduziu de volta à
escravidão e ao sofrimento. De tempos em tempos, Deus levantava
homens ou mulheres como juízes para conduzi-los. Por meio
desses líderes, fontes de reavivamento e restauração surgiam para
o seu povo. Embora esses fortes líderes fossem levantados por
Deus para conduzir o povo, a condição geral de Israel continuou
piorando. Israel reagia aos seus juízes, não à Deus, pois as
Escrituras nos dizem: Sucedia, porém, que, falecendo o juiz,
reincidiam e se tornavam piores do que seus pais... (Jz2:19)
A cada geração que passava, o coração do povo escolhido de
Deus se tornava cada vez mais frio até que chegou ao ponto mais
baixo. Essa era a condição quando Eli foi sacerdote e juiz. Depois
de julgar Israel por quarenta anos, o seu coração se tornou
obscuro e a sua visão estava praticamente perdida.
Sob a autoridade de Eli, atuando como sacerdotes e líderes,
estavam seus dois filhos, Hofni e Finéias. A corrupção deles
excedeu a de seu pai. Essa família de líderes ofendeu tanto a
Deus, que Ele declarou: Portanto, jurei à casa de Eli que nunca
jamais lhe será expiada a iniquidade nem com sacrifício nem com
oferta de manjares (l Sm 3:14).
Tal liderança ofensiva foi a razão pela qual a nação atingiu
seu ponto mais baixo. Em tempos passados, quando a nação se
desviava, os líderes guiavam as pessoas de volta para Deus, mas
esses líderes afastavam as pessoas por meio do seu persistente
abuso de autoridade e perversão do poder.
Os filhos de Eli se envolveram em relações sexuais com as
mulheres que se reuniam à porta do tabernáculo. Eles não apenas
eram sexualmente imorais, mas também usavam sua posição de
liderança para constranger à imoralidade as mulheres que tinham
vindo buscar ao Senhor (1 Sm 2:22). Eles abusaram do poder da
posição que Deus lhes havia dado para servir ao seu povo, e ao
invés disso, usaram-no como um meio para satisfazer aos próprios
desejos. Suas ações contrariaram grandemente o Senhor. Eli
conhecia a imoralidade e a cobiça dos filhos, contudo, não os
impediu de pecarem continuamente, nem os removeu das
posições de liderança.
A segunda violação deles foi na questão das ofertas. Nova-
mente usaram a autoridade concedida por Deus para satisfazer a
própria cobiça, engordando a si mesmos com ofertas obtidas por
meio de manipulação e ameaças.
JULGAMENTO ADIADO
Compare o pecado dos filhos de Eli com o pecado dos filhos
de Arão, Nadabe e Abiú, que morreram quando levaram fogo
estranho diante do Senhor. É difícil deixar de questionar porque
os filhos de Eli não foram julgados com a morte tão rapidamente.
O pecado deles era um desrespeito franco e total para com Deus,
para com o seu povo e para com as suas ofertas. Então, por que
eles não foram julgados da mesma maneira - com morte imediata
no tabernáculo? A resposta se encontra no versículo seguinte:
O jovem Samuel servia ao Senhor, perante Eli. Naqueles dias,
a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes.
Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli,
cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não poder ver,
e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que
estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse (ISm 3:1-
3).
Observe o seguinte: a Palavra do Senhor era rara - Deus não
estava falando como Ele falava com Moisés. Onde sua Palavra é
rara, também é rara sua presença.
A revelação já não era comum - a revelação é encontrada na
presença do Senhor (Mt 16:17). Havia um conhecimento limitado
dos caminhos de Deus devido à falta da sua presença.
Os olhos da liderança estavam tão obscurecidos, que eles
não podiam ver - em Deuteronômio 34:7, nós encontramos: Tinha
Moisés a idade de cento e vinte anos quando morreu. Não se lhe
escureceram os olhos, nem se lhe abateu o vigor. Moisés nunca
perdeu a visão porque caminhou no meio da glória de Deus e seu
corpo foi preservado de problemas típicos da velhice. A lâmpada
de Deus estava apagando devido à falta de óleo - a glória foi
removida para tão distante, que a presença de Deus era apenas
uma luz bruxuleante.
No caso dos filhos de Arão, a glória de Deus havia acabado
de se revelar e era forte. Saiu fogo do Senhor e os consumiu, e eles
morreram diante dele. A presença e a glória de Deus eram muito
poderosas. Mas os filhos de Eli estavam envoltos na escuridão de
uma liderança quase cega e pelas sombras lançadas por uma
lâmpada fraca. A lâmpada de Deus estava quase se apagando.
Restava somente um sinal da presença de Deus. A glória dele já se
havia retirado. O julgamento imediato só se dá na presença da sua
glória. Então, o julgamento deles não foi imediato - foi adiado.
MAIOR GLÓRIA - JULGAMENTO MAIS RÁPIDO
Esta verdade deve ser fixada em nossos corações. Embora
mencionada anteriormente, agora ela é cada vez mais evidente.
Quanto maior for a glória revelada de Deus, maior e mais rápido
será o julgamento da irreverência! Sempre que o pecado entra na
presença da glória de Deus, há uma reação imediata. O pecado e
qualquer pessoa que intencionalmente o pratica serão destruídos.
Quanto maior a intensidade de luz, menor é a chance das trevas
permanecerem.
Imagine um auditório grande, sem janelasou luz natural. A
escuridão dominaria. Você não poderia ver a própria mão na sua
frente. Então, risque um fósforo. Haveria luz, mas seria limitada.
A maior parte da escuridão permaneceria inalterada. Acenda uma
única luz de sessenta watts. A luz aumentaria, mas a escuridão e
as sombras ainda permeariam a maior parte do grande auditório.
Então, imagine que de alguma maneira fosse possível colocar uma
fonte de luz tão poderosa quanto o sol nesse salão. Você
adivinhou: toda a escuridão seria aniquilada, e a luz penetraria
em cada fenda e em cada canto antes escuro.
Assim é quando a gloriosa presença de Deus é limitada ou
rara. A escuridão é perpétua e não é confrontada. O julgamento é
adiado. Mas à medida que aumenta a luz da glória de Deus,
também aumenta a execução do julgamento. Paulo explicou isso
quando escreveu:
Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao
passo que os de outros, só mais tarde se manifestam (l Tm 5:24).
O pecado irreverente de Ananias e Safira foi exposto pela
intensa luz da glória de Deus, e então recebeu julgamento
imediato. Isso explica porque muitos hoje, cujo pecado excede o de
Ananias e Safira, têm escapado do julgamento imediato, apenas
para esperar a punição adiada. Estes não são diferentes dos filhos
de Eli. Continuam pecando, cegamente confortados porque não
percebem que ainda serão julgados. "Não aconteceu nada", eles
pensam com um suspiro de alívio. "Eu devo ser isento do
julgamento de Deus. Ele faz vista grossa para o que eu faço."
Esses indivíduos são confortados por um falso senso de graça e
confundem a demora de julgamento da parte de Deus com a
negação do julgamento.
Nós que vivemos na segunda metade do século vinte, temos
testemunhado o pecado desregrado e irreprimido na igreja, não só
entre os membros, mas entre os líderes também. Em meus
últimos dez anos de viagens, raramente passam três semanas sem
que eu ouça que um pastor, ministro, presbítero ou algum outro
líder da igreja esteja envolvido em pecado sexual, normalmente
com mulheres da sua própria igreja.
Meu coração também tem sido afligido pela manipulação e
engano em relação aos atos de dar e recolher ofertas. Não apenas
têm sido difundidas mentiras a respeito de ofertas como as de
Ananias e Safira, mas várias vezes ouvi falar sobre a liderança ou
os administradores desviando ou empregando mal o dinheiro da
igreja. Eu ouvi dois contadores especialistas em ministérios de
dois Estados diferentes abrirem seus corações para mim e minha
esposa, sobre a cobiça e o engano que viam entre os ministros do
evangelho. Um deles disse: "Se outro ministro entrar no rneu
escritório tentando achar um modo para conseguir mais dinheiro
e escapar das leis fiscais, eu vou fechar o escritório".
Nós temos visto as ofertas serem motivadas pela cobiça e
pelo desejo, ao invés de serem dadas por causa das pessoas. Paulo
disse: Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me
importa é o fruto que aumente o vosso crédito (Fp 4:17). Bem
diferente disto, tenho ouvido como os líderes são coniventes com
os métodos de extrair a maior oferta possível do povo de Deus.
Tenho visto o uso de cartas de manipulação, escritas por firmas de
consultoria, contendo verdades distorcidas para adquirir dinheiro.
Alguns desses consultores ainda se gabam sobre como a
consideram uma ciência, e podem projetar exatamente qual será o
retorno. Pedro advertiu que essa liderança surgiria nos últimos
dias:
E muitos seguirão as suas práticas libertinas [...] farão
comércio de vós, com palavras fictícias [...] a sua destruição não
dorme (2Pe 2:3).
Se este comportamento tivesse ocorrido na atmosfera encon-
trada no Livro de Atos, o julgamento teria sido certo e rápido.
Porém, o julgamento hoje está adiado, pois a lâmpada de Deus
está escurecida. O último derramamento da glória de Deus ainda
está por vir.
Salomão lamentou:
Assim também vi as pessoas receberem a sepultura e en-
trarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo
foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem (Ec 8:10).
Ele disse que essas pessoas corruptas iam frequentemente
ao templo (igreja) e tinham boa reputação. É como se tivessem
escarnecido de Deus por meio das suas ações e falecido sem
julgamento aparente. A razão: o julgamento havia sido adiado.
Salomão continua:
Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o
coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar
o mal. Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe
prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a
Deus (Ec 8:11, 12).
Por que o bem sucede aos que temem a Deus? Porque
julgamento adiado não é julgamento negado.
Nós somos advertidos pelos seguintes versículos: Irmãos, não
vos queixeis uns aos outros, para não serdes julgados. Eis que o
juiz. está às portas (Tg 5:9). O Senhor julgará o seu povo. Horrível
cousa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10:30, 31). Essas
exortações foram escritas para os crentes, não para os pecadores
nas ruas!
Os filhos de Eli se sentiam seguros em seu pecado. Talvez
seus títulos ou obras para a igreja os tivessem seduzido. Talvez
tenham julgado a si mesmos de acordo com o padrão ao seu redor.
Qualquer que tenha sido o argumento, os filhos de Eli estavam
enganados, pois acreditaram que a demora do julgamento de Deus
significava a ausência de julgamento. Essa corrupção da liderança
apenas intensificou a decadência da condição espiritual
deteriorada de Israel.
GRAÇA PERVERTIDA
Paulo tinha algumas dessas mesmas profecias sérias sobre a
condição do homem para descrever os tempos em que nós
estamos vivendo hoje. Ele escreveu:
Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis;
pois os homens serão jactanciosos, arrogantes, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados,
implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do
bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres
do que amigos de Deus (2 Tm 3A).
A verdade mais sombria é que Paulo não está descrevendo
para a sociedade, mas para a Igreja, pois continua: Tendo forma
de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes
(2Tm 3:5). Eles vão à igreja frequentemente, ouvem a Palavra de
Deus, falam dela, vangloriam-se da graça salvadora do Senhor,
mas rejeitam o poder que poderia torná-los piedosos.
Qual é o poder que poderia torná-los piedosos? A resposta é
simples: é a mesma graça de Deus da qual se vangloriam. Nos
últimos vinte ou trinta anos, a graça ensinada em muitas das
nossas igrejas não é a verdadeira graça, mas uma perversão dela.
Este é o resultado de enfatizar demais a bondade de Deus e
negligenciar o temor para com Ele.
Quando a doutrina do amor de Deus não é equilibrada com
uma compreensão do temor de Deus, o resultado é o erro. Da
mesma forma, quando o temor de Deus não é equilibrado com o
amor de Deus, nós temos os mesmos resultados. É por isso que
nós somos exortados a considerar a bondade e a severidade de
Deus (Rm 11:22). Ambas são requeridas e sem elas nós ficaremos
desequilibrados.
Em várias conversas e em muitos púlpitos, tenho ouvido
crentes e líderes desculparem a desobediência, considerando
todas as coisas cobertas pela graça ou o amor de Deus. A graça é
imerecida e nos cobre, mas não da maneira como temos sido
ensinados. Ela não é uma desculpa, é uma capacitação.
Esta falta de equilíbrio se infiltra em nosso pensamento, até
que nos sentimos em completa liberdade para desobedecer a Deus
sempre que for conveniente ou não nos trouxer vantagem. Mesmo
quando pecamos, convencemos a nós mesmos e sossegamos
nossa consciência com um encolher de ombros e o pensamento:
"A graça de Deus cobrirá isso, porqueEle me ama e compreende
como a minha vida é dura. Ele quer que eu seja feliz, não importa
o custo! Certo?"
Admitindo isso, nós normalmente não verbalizamos esse
processo de pensamento, contudo, ele ainda existe. Isso é
evidenciado pelo fruto desse raciocínio tão precisamente descrito
por Paulo.
Embora a graça cubra, ela não é meramente uma cobertura.
Ela vai além disso. A graça nos habilita e nos capacita a viver uma
vida de santidade e obediência à autoridade de Deus. O escritor de
Hebreus nos exorta: Por isso, recebendo nós um reino inabalável,
retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável,
com reverência e santo temor (Hb 12:28). A descrição da graça aqui
não é de cobertura ou de um tapete macio debaixo do qual se pode
esconder tudo, mas a força que nos capacita a servir a Deus de
maneira aceitável com a devida reverência e o piedoso temor. Ela é
a essência do poder por trás de uma vida de obediência. É a
autenticação ou prova da nossa salvação.
Para refutar, alguns podem argumentar: "Mas a Bíblia diz:
Pela graça sois salvos; isto não vem de vós, é dom de Deus"
(Ef'2:8,9). Sim, isto é verdade. É impossível, com nossa própria
força, vivermos uma vida digna da nossa herança no reino de
Deus, pois todos pecamos e não alcançamos o padrão de justiça
dele. Nenhum de nós jamais poderá se levantar diante de Deus e
reivindicar que nossas obras, ações de caridade ou vidas retas
obtiveram para nós o direito de habitar no reino dele. Todos nós
transgredimos e merecemos queimar eternamente no lago de fogo.
A resposta de Deus para nossas imperfeições é o dom da sal-
vação através da sua graça, um dom que não pode ser
conquistado (Rm 6:23). Muitos na igreja entendem isso. Porém,
nós temos falhado por não enfatizar o poder da graça, não apenas
para nos redimir, mas também nos conceder capacidade para
vivermos nossas vidas de uma maneira totalmente diferente. A
Palavra de Deus declara:
Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua
fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé (Tg
2:77, 18).
Tiago não estava contradizendo Paulo. Ele estava esclarecen-
do a mensagem dele, declarando que a evidência de que uma
pessoa recebeu a graça de Deus é uma vida de obediência ao
Senhor. Essa graça não só cria um desejo de obediência reverente,
como também a capacidade para permanecer nela. Uma pessoa
que constantemente desobedece à Palavra de Deus é alguém em
quem não há fé ou nunca existiu fé verdadeiramente. Tiago
continua:
Verificais que uma pessoa é justificada por obras, e não por fé
somente (Tg 2:24).
Tiago introduziu esta declaração usando Abraão, o pai da fé,
como exemplo: Não foi por obras que o nosso pai Abraão foi
justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?
(Tg 2:21) A fé foi comprovada por meio das ações de Abraão. Suas
ações ou obras confirmaram que sua fé era perfeita.
E se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em
Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (Tg 2:23).
No nosso idioma, a palavra "crer" foi reduzida ao reconheci-
mento mental da existência de alguma coisa. Multidões têm feito a
oração do pecador porque foram movidas emocionalmente apenas
para retornarem aos seus caminhos anteriores de desobediência.
Elas continuam vivendo para si mesmas e confiam o tempo todo
em uma salvação emocional desprovida de poder para transformá-
las. Sim, elas crêem em Deus mas a Bíblia afirma: Crês, tu, que
Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem (Tg
2:19).
Que bem há em reconhecer Jesus Cristo quando não há
mudança de coração, e consequentemente, nenhuma mudança de
atitude?
As Escrituras retratam um significado muito diferente para a
palavra "crer". Ela significa mais do que o reconhecimento da
existência de Jesus; traz consigo a obediência à Palavra de Deus e
à sua vontade. Isto está explicado em Hebreus 5:9: E, tendo sido
aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os
que lhe obedecem. Crer é obedecer, e obedecer é crer. A prova da fé
de Abraão foi sua obediência correspondente. Ele ofereceu seu
precioso filho para Deus. Nada, nem mesmo seu filho, significou
mais para Abraão do que obedecer a Deus. Essa é a verdadeira fé.
E por isso que Abraão é honrado como o pai da fé (Rm 4:16). Nós
vemos essa mesma fé e graça evidente em nossas igrejas hoje?
Como nós fomos tão enganados?
"DEUS É COMO NÓS"
Eli e seus filhos não enganaram somente o povo de Israel,
mas eles mesmos também foram enganados. Estavam com a
consciência cauterizada e acreditaram que Deus fazia vista grossa
para sua desobediência, pensando que estava de acordo com eles.
Eles o mediram pelo que sabiam e viam.
Paulo continuou descrevendo pessoas na igreja de hoje, que
não têm o poder para se tornarem piedosos. Mas os homens
perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo
enganados (2 Tm 3:13).
Seu discernimento profético é confirmado hoje. Aos líderes
corruptos e falsos crentes na igreja, Deus declara:
Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus
preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces
a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te
comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a tua boca para
o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu
irmão e difamas o filho de tua mãe (Sl 50:16-20).
Deus pergunta: "Por que você está pregando minha Palavra
quando você não me teme nem me obedece? Por que você engana
os outros e a si mesmo?" Ele diz a eles:
Tens feito estas cousas e me calei; pensavas que eu era teu
igual: mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista (Sl 50:21).
Deus disse: "Eu me calei". O julgamento estava demorado,
mas não seria negado, pois o Senhor assegurou: "Eu te arguirei e
porei tudo à tua vista". Lembre-se, a ordem divina precede a glória
revelada. Uma vez que a glória é revelada, a desordem recebe
julgamento imediato para assegurar a preservação da ordem
divina. Deus prometeu àqueles cujo julgamento está aguardando:
"Saiba, sem dúvida, de que haverá ordem, pois Eu a trarei".
Observe que a consciência dos desobedientes é que os
conforta em seu comportamento irreverente. Eles acreditam que
Deus está de acordo com eles. Reduzem a imagem da glória de
Deus ao nível de homem corruptível!
Povo de Deus, ouça suas palavras de misericórdia! Vocês
podem dizer: "Palavras de misericórdia? Eu pensei que você
estivesse falando de julgamento. Não, na pregação profética e
escrita, Deus procura nos advertir para nos guardar do seu
julgamento. A mensagem dele é, pois, uma mensagem de
misericórdia!
DEUS TEM UM REMANESCENTE
Pelo Espírito de Deus, Paulo viu a glória manifesta dele
diminuir até alcançar novamente o ponto mais baixo. Os dias que
antecedem o segundo derramamento presenciariam exatamente
esse mesmo clima espiritual. Os sacerdotes e o povo estariam
corrompidos. Paulo profeticamente lamentou:
Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo
contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias
cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos (2 Tm 4:3).
É triste dizer, mas nós estamos vivendo estes dias. Muitos
pastores e ministros parecem ter o desejo de atrair multidões
acima do desejo de preservar a justiça. Têm medo de pregar a
verdade com coragem, preocupados com a possibilidade de pôr em
risco tudo o que se esforçaram tanto para construir. Assim, falam
para as pessoas o que elas querem ouvir e evitam a confrontação.
Os resultados são devastadores. Os pecadores vêm às
nossas congregações sem convicção do pecado e sem consciência
do que significa retidão. Muitos desses indivíduosconfusos
supõem que são salvos, quando, de fato, não são. Ao mesmo
tempo, alguns ministros procuram o favor e as recompensas do
homem sem considerar o favor de Deus, enquanto os crentes
piedosos clamam: "Onde está Deus?" Pior de tudo, enquanto
nossa sociedade permanece cativa pelas trevas, a Igreja é olhada
com desdém. A Igreja realmente não pode ajudar a sociedade
porque está infectada e doente pela falta do temor do Senhor.
Qual é a resposta de Deus? Ela é encontrada na palavra 're-
manescente' . Assim como Deus encontrou um remanescente que
tremia diante de sua palavra para encher da sua glória na
primeira chuva, assim também Ele vai encontrar um
remanescente de crentes nestes últimos dias da última chuva, por
meio dos quais Ele vai revelar a sua glória novamente. O tamanho
ou o número desse grupo não é importante. Esses crentes amarão
e obedecerão a Deus, não importa o custo para as suas próprias
vidas. Há líderes, ministros e crentes por toda a Terra hoje que
estão clamando por um derramamento como esse!
Não devemos olhar para o lugar onde já
estivemos nem para onde estamos! Temos que
elevar os nossos olhos para o alto e buscar a
glória de Deus disponível para nós!
CAPÍTUIO 9
A GLÓRIA VINDOURA
A glória desta última casa será maior do que a da primeira,
diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2:9).
Frequentemente, eu ouço ministros e crentes declarando que
estamos na última chuva. Eles falam como se a Igreja já estivesse
experimentando hoje o grande derramamento do Espírito de Deus
previsto pelos profetas; como se Jesus pudesse vir a qualquer dia
e nos arrebatar. Eu ouço isto inúmeras vezes e respondo: "A visão
de vocês é pequena demais! Vocês se conformaram com bem
menos do que Deus realmente deseja fazer".
Muitas vezes, isto é falado por ignorância e tende a
acontecer durante um movimento genuíno de Deus. Por mais
maravilhoso que seja um mover do Espírito de Deus nessas
reuniões, ainda não significa que estamos experimentando a glória
da última chuva. Confundimos um movimento renovador do
Espírito de Deus que, muitas vezes, é acompanhado pelo seu
poder, unção e dons, com a glória de Deus que ainda está por vir.
Falhamos em ver a glória de Deus disponível com os olhos do
nosso coração.
Como outras, tais declarações são resultantes da preguiça
espiritual. Essas pessoas ficaram cansadas de insistir no alto
chamado de Deus e acamparam num local distante, bem abaixo
do lugar para onde Ele as chamou. Alguns não acamparam, mas
estão vagando sem rumo por caminhos alternativos e mais
cômodos. Essas estradas têm nomes como compromissos,
mundanismo, religião e falsa unidade. Em qualquer caso, os
indivíduos que viajam por esses caminhos se conformaram com a
glória do homem e, se dormirem assim, vão acabar resistindo à
glória de Deus quando ela for finalmente revelada.
Outros têm proclamado o derramamento da glória de Deus
por puro exagero, o que é mais perigoso, porque é muito
irreverente. Deus falou ao meu coração: "Esses que se conformam
com o falso, nunca verão o real". Se a sua irreverência continuar,
essas pessoas experimentarão julgamento na revelação da glória
de Deus - glória que deve trazer grande refrigério e alegria.
Alguns podem argumentar: "Mas há um aumento do poder
de Deus, de cura e de milagres hoje". Isto pode ser verdade, mas
não indica automaticamente que se trata da última chuva.
Devemos nos lembrar de que os dons do Espírito podem estar
operando naqueles que ainda não estão agradando ao Senhor.
Quando a unção de Deus vem, não significa necessariamente que
ela é acompanhada pela aprovação de Deus. Jesus nos advertiu
que muitos virão a Ele no dia do julgamento e dirão que eles
expulsaram demônios, profetizaram e fizeram muitas maravilhas
em seu nome; porém, Ele lhes dirá: "Afastem-se de mim, vocês que
praticam iniquidades!"
Temos de nos lembrar do propósito de Deus para a criação.
Ele não colocou Adão no jardim para ter um pregador mundial,
curador ou ministro de libertação. Não; Adão foi colocado no
jardim para que Deus pudesse caminhar com ele. Deus desejava
ter um relacionamento com Adão, mas o relacionamento foi
cortado devido à desobediência.
Nós fomos criados para Deus, para coexistir com a glória
dele. Mas a desobediência não pode existir dentro de nós se
queremos agradar a Deus. A medida exata da nossa verdadeira
condição espiritual é demonstrada pela nossa obediência real à
sua vontade. Pode haver uma unção em nossas vidas, mas nós
ainda podemos estar longe do coração de Deus. Considere os
exemplos de Judas, Balaão e do rei Saul: cada um deles agiu sob
unção, mas fracassaram em seu andar na glória de Deus por
causa dos seus motivos egoístas.
Deus não levanta seus filhos com o propósito de realizar
milagres. Deus falou através da mula de Balaão no Velho
Testamento, mas isso não fez daquela besta de carga uma
habitação da glória de Deus! Passados seis milênios, Deus tem
trabalhado pacientemente em um templo para si mesmo, formado
por seus filhos obedientes que o amam e o temem. Pedro escreveu:
Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa
espiritual... (IPe 2:5) E Paulo afirmou: No qual também vós
juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no
Espírito (Ef 2:22).
Se formos honestos, vamos admitir que nós - seu templo -
ainda não estamos preparados para a sua glória. O templo ainda
está em construção. A ordem divina está sendo restabelecida
dentro do coração do homem.
NOSSA CONDIÇÃO ATUAL
Há outro período de tempo na história de Israel que se
compara à condição atual da igreja. Lembre-se de que os eventos e
as lições de Israel são tipos e figuras de coisas que sucederão à
igreja. Depois de setenta anos de cativeiro babilônico, um grupo
de judeus retornou à sua amada Terra Prometida. O julgamento
havia terminado e a restauração estava começando. Era tempo de
reconstruir os muros e o templo.
Inicialmente, essa fase da reconstrução foi encarada com
muito entusiasmo, dedicação e trabalho duro. Porém, à medida
que a empolgação inicial foi diminuindo, o povo perdeu a
motivação e seis anos mais tarde eles ainda não haviam concluído
a restauração do templo. Seus compromissos pessoais tinham
prioridade sobre a restauração da casa de Deus. Sua reverência
havia desaparecido no embaraço dos seus próprios afazeres. O
que Deus considerava importante e santo havia sido colocado em
último plano.
Para despertar o povo, Deus levantou o profeta Ageu. Ele
confrontou o povo com esta pergunta: Acaso, é tempo de
habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa
permanece em ruínas? (Ag 1:4) Os israelitas tinham perdido a
perspectiva porque sua atenção havia se desviado de Deus para
eles mesmos. Sempre que isso acontece, o amor e o desejo por
Deus começa a diminuir.
Por meio desse profeta, Deus explicou a razão para tal
descontentamento: Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e
esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o
dissipei. Por quê? - diz. o Senhor dos Exércitos; por causa da minha
casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vocês
corre por causa de sua própria casa. Por isso, os céus sobre vós
retêm o seu orvalho, e a terra, os seus frutos (Ag 1:9,10). A chuva
de que necessitavam para suas colheitas havia sido retida. Sempre
que buscarmos as "bênçãos" em vez de buscar o Senhor, Ele
removerá ou reterá a bênção, a fim de que nós clamemos
novamente por Ele.
Nosso dilema é muito diferente hoje? Nós também vivemos
em uma era de restauração, pois a Bíblia nos diz que Jesus não
voltará até a restauração de todas as coisas (At 3:20,21). As
Escrituras prometem quetudo aquilo que estava perdido será
restaurado antes da sua vinda. Deus restaurou o templo natural
de Israel; entretanto, nosso templo não é um templo natural, e sim
o altar constituído por nossos corações. Este templo santo será
reparado e restaurado para Sua ordem divina e para habitação da
glória de Deus novamente.
Lamentavelmente, em nossa época de restauração, nós
temos nos comportado como Israel. Temos perseguido as bênçãos
e buscado conforto e comodidade, porque a maioria de nós tem
empregado o nosso melhor para construir nossas próprias "casas
apaineladas". Dedicamos a maior parte do nosso tempo a alcançar
sucesso pessoal, de forma que possamos desfrutar conforto e
segurança.
ONDE ESTÁ A MINHA HONRA?
Mais tarde, Deus questionou Israel novamente através de
Malaquias, o último profeta do Velho Testamento. Ele viveu no
mesmo século de Ageu, durante o mesmo período de restauração e
clamou:
O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou o pai,
onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o respeito
para comigo? - diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó
sacerdotes, que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que
desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão
imundo, e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto,
que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando me trazeis
animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E quando trazeis
o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu gover-
nador; acaso terá ele agrado de ti, e te será favorável? -diz o Senhor
dos Exércitos (Ml 1:6-8).
Deus perguntou ao seu povo: "Vocês me chamam Senhor,
mas onde está minha honra e reverência?" Como Ele era
desrespeitado? O povo retinha o que havia de melhor para si e lhe
dava o que era de segunda categoria.
Deus chamou as ações do povo de desrespeito e irreverência.
Para ajudar os israelitas a verem seu erro mais claramente, Deus
os desafiou a "oferecer o que vocês me deram ao seu governador",
isto é, chefe, ou qualquer líder, bem abaixo do nível de Rei do
Universo! Se a maioria de nós trabalhasse para nosso patrão do
modo como trabalha para Deus, seria despedida na primeira
semana.
Vamos olhar o grau de honra que frequentemente damos a
Deus. Nós chegamos à igreja com dez minutos de atraso.
Sentamos e assistimos ao culto, nunca levantamos um dedo para
servir, criticando o tempo todo a liderança e aqueles que servem
na igreja. Mantemos uma vigilância constante e desconfiada sobre
como o dinheiro está sendo gasto, embora raramente demos nosso
próprio dízimo integralmente. Na pressa de comer, saímos antes
do final do culto. Assistimos somente aos cultos regulares e
ficamos frustrados quando somos convocados para reuniões
especiais. Se o clima está ruim, ficamos em casa para evitar mais
atritos. Se o clima está muito agradável, ficamos em casa para
desfrutá-lo. Se o nosso programa favorito passar na televisão,
perderemos o culto para assisti-lo. Quanto tempo esse nível de
desempenho duraria em um local de trabalho?
A maioria daqueles que trabalham nas igrejas ou ministérios
está sobrecarregada de trabalho porque somente alguns estão
dispostos a dar seu tempo para levar a tremenda carga de
trabalho envolvida no ministério. A maioria vem apenas para
receber ou ser espectador, mas nunca para dar ou servir. Assim, o
pobre e o necessitado na congregação são negligenciados porque
aqueles que possuem mais recursos estão ocupados demais com
suas próprias vidas. Mas quando analisamos os verdadeiros
motivos, todos estão ocupados em busca do seu próprio sucesso e
são muito críticos em relação ao pastor, quando as necessidades
do pobre não são supridas.
Este tipo de comportamento nada mais é do que irreverência
diante do Senhor. A maioria de nós hoje trabalha duro por muitos
horas para manter um padrão de vida. Mas ficamos aflitos se o
culto no domingo passa meia hora além do tempo que achamos
que deveria terminar. É preciso muito esforço para frequentarmos
as reuniões de oração e reclamamos que não temos tempo para
alimentar e vestir os pobres.
A verdade é que tudo é estressante. Muitos pais nem mesmo
passam tempo com suas próprias famílias, por quem eles
trabalham arduamente para prover o sustento. Colocam suas
famílias de lado e dizem defensivamente: "E claro que eu amo
vocês; vocês não podem ver que eu estou ocupado trabalhando
para supri-los? Agora, deixem-me sozinho. Eu estou cansado e
não tenho tempo para vocês no momento!"
Deus explica a perturbação deles: "Vocês esperaram muito,
mas na verdade tiveram pouco; e quando levaram para casa esse
pouco, eu o assoprei. Por quê?"- diz o Senhor dos Exércitos. "Por
causa da minha casa que está em ruínas, enquanto cada um de
vocês corre por causa da sua própria casa. Por isso a última
chuva foi retida de sobre vocês e os frutos da colheita não vieram".
(Tradução livre de Ageu 1:9,10).
ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS PREGADORES?
Malaquias e Ageu eram verdadeiros profetas. Suas fortes
palavras proféticas provocaram mudança nos corações do povo de
Israel, que ouviu estas palavras: e...atenderam à voz do Senhor,
seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor, seu
Deus tinha mandado dizer; e o povo temeu diante do Senhor (Ag
1:12).
A reverência foi restabelecida. Agora o enfoque estava nova-
mente no templo; seus interesses pessoais tornaram-se
secundários. Quando tememos a Deus, sempre colocaremos os
interesses e os desejos dele acima dos nossos próprios interesses.
Precisamos de pregadores como Ageu ou Malaquias, pessoas
que evitam a popularidade para agradar a Deus. Precisamos de
pregadores que falem palavras fiéis, palavras que as pessoas
precisam ouvir, ao invés de palavras que elas querem ouvir. Hoje,
se uma pessoa escreve um livro sobre como melhorar o estilo de
vida ou alcançar sucesso, venderá bem. Nós escrevemos e
pregamos sobre assuntos que são atrativos às pessoas. Mas onde
estão aqueles que não levam em consideração a aceitação da sua
mensagem na Terra, mas apenas com a aceitação no céu?
Quando viajo, meu tempo para falar é frequentemente
limitado por certas restrições, normalmente cerca de uma hora e
meia. Há duas razões por trás disso: primeiro, há o temor de que
se os cultos forem longos demais, a igreja perderá a frequência
nos cultos à noite, como também os seus membros. É interessante
que os mesmos membros temperamentais podem sentar-se por
duas horas ou mais para assistir a um filme ou por duas horas
para assistir a grandes eventos esportivos, mas ficam frustrados
se o sermão prossegue por mais de sessenta minutos.
Segundo, há a pressão que tais cultos impõem sobre as
pessoas que trabalham com crianças. Se esses obreiros
ministrassem às crianças ao invés de entretê-las, elas
experimentariam um genuíno mover de Deus! Eu participei de
vários cultos que duraram três horas ou mais, e as crianças não
tiveram nenhuma dificuldade de permanecer sentadas. A razão é
que as crianças não estavam sendo entretidas, mas, ministradas.
Isso não quer dizer que um culto deve ser longo para ser eficaz.
Essas atitudes são simplesmente um reflexo do que nós con-
sideramos digno da nossa atenção.
Percebo isso em igrejas muito grandes. Muitas vezes, a razão
pela qual uma igreja é grande é que ela atende aos convertidos
desinteressados, que podem entrar e sair rapidamente, sem
jamais fazer com que sintam desconforto.
Sim, se o Espírito Santo não estiver presente em um culto
não há nenhuma razão para prosseguir por mais de uma hora e
meia. Na verdade, até será muito tempo sem a presença do
Espírito Santo, eu concordo. Porém, o Espírito Santo será
encontrado em cultos onde a liderança lhe permite fazer e dizer
tudo o que Ele deseja!
Recentemente, estava com o pastor de uma grande igreja
queme pediu para limitar o culto a uma hora e meia. Eu olhei
para ele, e com respeito à sua posição, respondi-lhe: "É isto que
você quer? Você quer impor restrições ao tempo do Espírito
Santo? Se é isto que você quer, sua igreja pode crescer, mas
esqueça a possibilidade de ter um verdadeiro mover de Deus na
igreja".
Ele concordou:' Tudo bem, mas por favor, termine em duas
horas''.
Nosso último culto foi numa noite de segunda-feira, e eu
preguei uma mensagem muito forte. Cerca de 80% das pessoas
vieram à frente quando fiz o apelo ao arrependimento. Notei que
meu tempo havia acabado e então, eu terminei o culto. Eu tenho
aprendido que Deus se agrada quando respeito a autoridade que
Ele estabeleceu sobre um corpo de crentes.
Eu tomei um avião para casa na manhã seguinte. No outro
dia, o pastor me telefonou: "John, eu senti que você deveria ter
orado pela minha equipe pastoral".
Eu concordei e respondi:' Eu também senti, mas eu não tive
tempo''.
Ele continuou: "John, quando eu cheguei em casa, minha
esposa estava no meio do sala de estar, no chão, chorando. Ela
olhou para mim e disse: 'Nós falhamos com Deus. As reuniões
deveriam ter continuado. Nós temos recebido telefonemas o dia
todo, testemunhando de vidas que foram transformadas'. Os
crentes de toda a região estão ligando para dizer: 'Nós ouvimos
falar que Deus está fazendo algo em sua igreja. Há um culto hoje à
noite?' Eu não posso acreditar que limitei seu tempo. Deus tem
tratado comigo a respeito disto".
Eu respondi: "Pastor, eu estou cheio de alegria, porque vejo
que você tem um coração aberto".
Ele pediu, então, que eu retornasse o mais breve possível
para realizar uma semana de reuniões. Eu gostaria de poder dizer
que todos os pastores que encontrei, que limitaram o Espírito de
Deus em suas igrejas, tiveram os mesmos corações abertos. Deus
lamentou esta irreverência por meio de Jeremias:
Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os
profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos
dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis
quando estas cousas chegarem ao seu fim?(Jr 5:30,31)
E assustador, mas esta passagem descreve muito do que ve-
mos hoje. Frequentemente, as palavras dos assim chamados
"profetas" na igreja, não dão nenhuma edificação verdadeira ao
coração do povo de Deus. Eles dão alívio temporário com a
promessa de bênçãos. Mas, mais tarde, as pessoas ficam
desencorajadas quando ficam desapontadas com Deus, porque a
palavra não se torna realidade. As mensagens de Ageu e
Malaquias orientaram as pessoas a se voltarem novamente para o
coração de Deus. Suas palavras proféticas trouxeram um saudável
temor do Senhor de volta ao povo, que os conduziu à obediência.
É lamentável que a maioria das pregações e palavras proféti-
cas pessoais alimenta atitudes erradas e conceitos que se têm
infiltrado no coração dos filhos de Deus. "Deus quer que você seja
feliz, Deus quer que você seja abençoado! Há um estilo de vida
próspero esperando por você!" Faça um estudo para você mesmo
das profecias pessoais encontradas no Novo Testamento. Você
encontrará somente algumas e a maioria diz respeito a cadeias,
tribulações e morte que aguardavam aqueles que glorificarão a
Deus (Jo 21:18,19; Atos 20:22, 23 e At 21:10,11). Bem diferentes
das profecias pessoais de hoje!
O Senhor descreve um sacerdote como alguém que rege com
mão de ferro. Isso acontece quando os pastores regem para
controlar, em vez reger pela obediência à direção do Espírito. É
ofensivo para o Espírito Santo dizer que Ele tem apenas uma hora
e meia, do começo ao fim, para completar a sua obra. Desagrada-o
quando os líderes seguem um padrão rígido e tomam decisões sem
o conselho de Deus. Mas o que Deus acha mais alarmante é que o
seu povo gosta das coisas dessa maneira! Para muitos, tais
limitações protegem sua própria irreverência e estilos de vida
egocêntricos.
Com a primeira chuva, veio grande bênção, mas ela também
trouxe julgamento rápido. Deus pergunta: "Mas o que fareis
quando estas cousas chegarem ao seu fim?" Eu creio que Ele está
advertindo: "Se você não mudar, no dia da minha glória você será
julgado, em vez de ser abençoado".
CONSIDERE O PRIMEIRO TEMPLO
Vamos voltar a Ageu. Quando o temor do Senhor foi
restaurado nos corações dos filhos de Israel, sua atenção se voltou
para Deus. Ageu então chamou a atenção para a presente
condição do templo: Quem há entre vós, que tenha sobrevivido, viu
esta casa na sua primeira glória ? E como a vedes agora ? Não é ela
como cousa de nada aos vossos olhos? (Ag 2:3)
Eu creio que Deus está fazendo a mesma pergunta para nós
hoje: "Quantos de vocês se lembram da igreja em sua primeira
glória? Com qual ela pode ser comparada agora? Como nós - o
templo de Deus - a comparamos?"
Para responder, para efeito de comparação, vamos examinar
a glória da Igreja no livro de Atos. O Pentecostes, o primeiro dia da
primeira chuva, veio com tal força que captou a atenção das
multidões em Jerusalém. Não houve notícia no rádio, na televisão
ou no jornal. Nenhum panfleto foi distribuído. De fato, nem
mesmo a reunião havia sido programada. Contudo, Deus se
manifestou tão poderosamente que as multidões ouviram as
palavras ungidas de Pedro e milhares foram salvos. Essa reunião
não foi celebrada em uma igreja, nem em auditório ou estádio,
mas ao ar livre, nas ruas.
Pouco tempo depois, Pedro e João estavam a caminho do
templo, quando viram um homem aleijado, que era coxo desde o
nascimento. Diariamente, ele era posto ali na rua para pedir
esmolas. Pedro o levantou sobre seus pés, e o homem aleijado foi
curado em nome de Jesus. Dentro de poucos minutos, uma
multidão de milhares de pessoas novamente havia se aglomerado
no local. Pedro pregou e cinco mil homens foram salvos. Não havia
nem tempo para um "apelo no altar", pois Pedro e João foram
presos antes de terminar a pregação.
Em um espaço de tempo muito curto, a igreja havia crescido
de cento e vinte membros para mais de oito mil.
Depois que Pedro e João foram soltos da prisão, eles volta-
ram a se reunir com os outros crentes. Juntos, eles oraram com
tanta unidade, que o prédio onde estavam foi abalado. Isso é
poder! Agora, eu conheço pregadores que podem ter a tendência
de exagerar, mas a Bíblia não faz isto! Quando ela diz que o local
tremeu, é porque tremeu mesmo!
Logo depois, um homem e uma mulher trouxeram uma
oferta e caíram mortos por causa da própria irreverência.
Imediatamente após esse incidente, nós lemos:
A ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem
sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua
sombra se projetasse nalguns deles (At 5:15).
Observe que diz ruas, não "rua"! Jerusalém não era
nenhuma cidade pequena. A glória de Deus era tão forte, que tudo
o que Pedro tinha de fazer era passar por essas pessoas e elas
seriam curadas!
Depois, a perseguição se tornou tão intensa em Jerusalém
que os crentes se espalharam por todas as regiões da Judéia e
Samaria. Um deles, Filipe, um homem que servia às mesas das
viúvas, entrou numa cidade de Samaria e pregou o evangelho. A
cidade inteira respondeu, e as multidões lhe deram ouvidos
quando viram os grandes milagres que ele fazia. O efeito do
Espírito de Deus naquela cidade foi tão grande que a Bíblia
registra: Havia grande alegria naquela cidade (At 8:8).
Um anjo do Senhor disse a Filipe que fosse para o deserto,
onde ele encontrou um homem de grande autoridade da Etiópia.
Ele o conduziu a Jesus e o batizou. Então, o Espírito do Senhor
arrebatou Filipe, de forma que ele desapareceu diante dos olhos
do homem. Foi transladado do deserto para uma cidade chamada
Azoto.
Logo depois, encontramos Pedro indo para uma cidade
chamada Lida. Lá, ele encontrouum homem chamado Eneias, que
estava paralítico havia oito anos. Pedro falou com ele no nome de
Jesus, e aquele homem aleijado foi curado imediatamente.
A Bíblia diz: Viram-no todos os habitantes de Lida e Sarona,
os quais se converteram ao Senhor (At 9:35). Duas cidades inteiras
foram salvas!
Mais tarde, nós vemos Deus operando poderosamente entre
os gentios. Em todos os lugares que os crentes iam, cidades
inteiras eram impactadas pelo evangelho. Os crentes eram
descritos como aqueles que têm transtornado o mundo chegaram
também aqui (At 17:6).
A glória de Deus era tão poderosa que a Bíblia registra:
Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os
habitantes da Asia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus
como gregos (At 19:10). Que emoção! A Bíblia não diz: "Toda a Ásia
ouviu a palavra". Isso seria mais fácil de engolir, pois significaria
que todas as cidades haviam sido atingidas, mas não
necessariamente significaria todas as pessoas.
Em vez disto está escrito: "Todos os habitantes da Ásia
ouviram a palavra do Senhor!" Isto quer dizer que todas as
pessoas que moravam na Ásia ouviram a Palavra de Deus em
apenas dois anos. A Ásia não é uma vila, não é uma cidade, nem é
um país. É uma região inteira!
Tudo foi feito sem satélites, internet, televisão, rádio, carros,
bicicletas, fitas, livros ou vídeos. A Bíblia diz que todas as pessoas
ouviram o evangelho proclamado por aqueles primeiros cristãos.
SETE VEZES MAIOR
Agora, você está entendendo como a Igreja de Atos era glori-
osa durante a primeira chuva do Espírito de Deus? Vamos voltar
novamente à pergunta de Deus: "Como a Igreja de hoje se
compara com a do livro de Atos?" Nós não somos nada? Se nós
fôssemos honestos, nós responderíamos 'sim' a esta pergunta. Não
há nenhum modo de comparar a Igreja de hoje com a Igreja
gloriosa de Atos. Nós podemos ter mais recursos, mas parece que
temos menos fonte. [Nota do Tradutor: em inglês, um trocadilho
com as palavras resources (recursos) e sources (fonte)]. Eu não
sou contra livros, fitas, televisão, computadores e tecnologia de
satélite. Todos eles são recursos, mas se não são inspirados pela
Fonte, eles serão insuficientes. Deus é a Fonte de todos os nossos
recursos.
Deus faz essa pergunta para nos condenar? Absolutamente,
não! Ele está meramente nos desafiando a ampliar a nossa visão.
Se achamos que já chegamos ao nosso destino, não vamos ter
desejo de prosseguir. Nossa paixão e senso de aventura estarão
perdidos. Em Provérbios 29:18, Deus nos diz: Não havendo
profecia (visão profética) o povo se corrompe... (Parênteses acrescido
pelo autor).
Com esta revelação da nossa necessidade, Ele abre um
caminho para a sua visão profética. Leia a Palavra de Deus e veja
a visão dele: A glória desta última casa será maior do que a da
primeira, diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2:9).
Que maravilha! Você consegue imaginar isso? Deus diz que
a sua glória revelada excederá aquela exibida no livro de Atos!
Você percebe como ainda é pequena a visão que temos de Deus?
Quando me falou em oração alguns anos atrás, o Senhor me
deixou aturdido: "John, a magnitude da minha glória revelada nos
dias vindouros será sete vezes maior que aquela que meu povo
experimentou no livro de Atos!"
Eu clamei imediatamente: "Senhor, eu não sei se posso crer
ou compreender isso! Eu preciso ver exatamente o que tu tens
falado em tua Palavra para confirmar que é o Senhor que está me
dizendo isso".
Eu tenho feito isso frequentemente, e o Senhor nunca me
disciplinou por isso. As Escrituras dizem: Pela boca de duas ou
três testemunhas toda palavra será estabelecida (2Co 13:1). O
Espírito de Deus não contradiz sua Palavra escrita e estabelecida.
O Senhor me respondeu imediatamente, derramando as
Escrituras rapidamente em meu coração - não apenas dois ou três
versículos, mas vários.
Primeiro, Ele perguntou: "John, eu não digo em minha
Palavra que quando o ladrão for apanhado, ele deve pagar sete
vezes mais? (Pv 6:31). O ladrão tem roubado a Igreja, mas a minha
Palavra diz que o céu deve receber Jesus até o tempo da
restauração de todas as coisas! Essa restauração será sete vezes
mais!"
Ele continuou: "John, eu não disse em minha Palavra que
derrotaria os inimigos que se levantarem contra meu povo? Por um
caminho sairão contra ti, mas, por sete caminhos fugirão da tua
presença" (Dt 28:7).
Então, usando um versículo de Eclesiastes, Ele perguntou:
"John, Eu não disse em minha Palavra que 'Melhor é o fim das coi-
sas do que o seu princípio?' (Ec 7:8) O fim da era da Igreja será
melhor que o começo".
Ele ainda falou mais uma vez, perguntando: "John, eu não
guardei o melhor vinho para o final, no casamento de Cana da
Galiléia?" (Jo 2:1 -11) O vinho fala da sua presença tangível nas
Escrituras.
Mais tarde, Ele me mostrou o versículo das Escrituras que
cimentou isso para mim em meu coração. O livro de Isaías, no
capítulo 30, conta como o povo de Deus buscaria se fortalecer na
força do Egito (o sistema do mundo). Eles iriam buscar forças nos
ídolos que o mundo cultua. Então, Deus teria de trazer o povo
para a purificação por meio da adversidade e da aflição. Nesse
processo, abandonariam seus ídolos e voltariam seus corações
completamente para Deus. Uma vez que isso aconteceu, Deus
disse:
Então o Senhor te dará chuva sobre a tua semente... (Is
30:23).
Isaías não está falando de chuva natural, mas da chuva do
Espírito de Deus, descrita por Joel, Pedro e Tiago. Olhe o que
Isaías segue dizendo:
A luz da lua será como a do sol, e a luz do sol, sete vezes
maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor atar aferida
do seu povo, e curar a chaga do golpe que ele lhe deu (Is 30:26).
O sol natural não é sete vezes mais luminoso quando está
chovendo. Não; Deus está descrevendo a glória do seu Filho, a
quem as Escrituras chamam de o Sol da Justiça (Ml 4:2). Sua
glória será sete vezes maior nos dias que antecedem à sua
segunda vinda.
A última chuva da glória de Deus trará refrigério não apenas
para o povo de Deus, mas também para aqueles ao seu redor. Eu
tenho ido a grandes reuniões em que Deus estava se movendo e
onde havia milhares de pessoas todas as noites. Embora afluísse
uma multidão de santos, desviados e pecadores, muitas vezes
essas reuniões não faziam nenhum efeito sobre as cidades
circunvizinhas. Enquanto me dirigia para os cultos, me
perguntava quando a cidade inteira seria atingida. Por mais
maravilhosas que sejam as nossas reuniões, ainda espero a última
chuva.
A última chuva será diferente dos reavivamentos passados.
Esses reavivamentos atingiram uma cidade ou uma região aqui ou
ali, como em Azusa e Gales. Eles também atingiram as nações,
mas as pessoas tiveram de ir lá para participar dele. Mas, no livro
de Atos, a glória de Deus se manifestou em todos os lugares onde
os seus discípulos foram. A glória de Deus foi derramada em todas
as partes do mundo conhecido. A última chuva será derramada
sobre toda a terra numa medida muito maior!
É com grande emoção que declaro: não devemos olhar onde
já estivemos ou onde estamos agora! Temos que elevar nossos
olhos para o horizonte e buscar a glória da sua vinda!
Prepare o caminho do Senhor
preparando o seu povo para a sua gloriai
CAPÍTULO 10
A RESTAURAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS
Porém tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá
da glória do Senhor (Nm 14:21).
Nós estamos nos aproximando rapidamente da última chuva
da glória de Deus. Haverá uma importante diferença entre a Igreja
de hoje e a Igreja anterior ao Pentecostes. No Livro de Atos, Deus
derramou repentinamentee dramaticamente o seu Espírito, e só
então, depois de muitos anos, isso começou a diminuir. Creio que
as Escrituras revelam que a última chuva não será um
derramamento súbito, mas uma rápida restauração. A primeira foi
repentina, a última, rapidamente restaurada.
Para explicar melhor, vamos voltar ao tempo decorrido entre
Moisés e o rei Davi. Moisés construiu o tabernáculo que
representava a ordem divina, e aí, então, a glória do Senhor foi
revelada de uma maneira poderosa e dramática. Foi repentino e
tremendo. Logo que Moisés havia terminado o trabalho, o
tabernáculo foi envolvido por uma nuvem espessa da glória de
Deus.
Essa glória diminuiu posteriormente devido ao pecado e à
indiferença para com o Senhor. Esse vai e vem gradual continuou
até que Israel alcançou o ponto mais baixo, sob a liderança de Eli.
A lâmpada de Deus estava para se apagar e a sua glória havia
partido.
No dia em que Eli e seus filhos morreram, a arca de Deus foi
capturada pelos filisteus. Eles levaram a arca para a cidade de
Asdode, onde estava localizado o templo do seu deus Dagom. Mas
a mão do Senhor foi contra Dagom. A estátua do deus deles caiu e
sua cabeça e suas mãos se quebraram diante da arca de Deus. Os
filisteus levaram a arca para cinco cidades. Onde quer que
levassem a arca, os filisteus eram flagelados com tumores e morte.
A devastação era tão imensa que a agonia do clamor da quinta
cidade chegou até o céu (1 Sm 5). Depois de sete meses, os
príncipes dos filisteus se reuniram com os seus sacerdotes e
adivinhadores para decidir como mandar a arca de volta para
Israel. Queriam honrar o Deus de Israel com uma oferta pela
culpa dos cinco ratos de ouro e cinco tumores, representando as
suas cinco cidades e seus príncipes. Eles oraram para que Deus
tirasse sua mão de castigo de sobre eles. Depois de colocar esses
objetos de ouro num cofre, o colocaram ao lado da arca, num
carro novo puxado por duas vacas, que tinham dado cria
recentemente, cujos bezerros foram colocados num cercado. Os
filisteus raciocinaram: "Se as vacas puxarem este carro para um
território longe do mugir dos seus bezerros, então saberemos que
é Deus quem nos feriu". As vacas puxaram a arca diretamente
para o território de Israel, onde permaneceu intocada na casa de
Abinadabe, na cidade de Quiriate-Jearím, durante vinte anos. É
interessante notar que o primeiro rei de Israel, Saul, nunca tentou
restabelecer a arca de Deus para Israel.
A RESTAURAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS PARA ISRAEL
Depois do reinado de Saul, o rei Davi assentou-se no trono.
Seu coração buscou a Deus e almejou a restauração da glória de
Deus para Israel, mas essa glória não foi manifesta do mesmo
modo como fora com Moisés. Não foi repentina e poderosa, mas
um processo de restauração.
Esse processo de restauração começou anos antes, com o
profeta Samuel. Deus o comissionou a preparar o caminho,
chamando o povo de volta ao coração de Deus. Sua mensagem era
a batida do coração de todos os verdadeiros profetas.
Falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se é de todo o
vosso coração que voltais ao Senhor, tirai dentre vós todos os
deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao
Senhor, e servi a ele só, e ele vos livrará da mão dos filisteus (ISm
7:3).
A HONRA QUE INSULTOU A DEUS
Uma vez que Davi se tornou o rei, ele tomou Jerusalém
derrotando os filisteus. Aí, então, buscou restabelecer a arca ao
seu lugar legítimo. Consultou Davi os capitães de mil e os de cem, e
todos os príncipes (1 Cr 13:1). Eles decidiram reunir todo o Israel
para esse evento. Então, toda a congregação concordou em que
assim se fizesse; porque isto pareceu justo aos olhos de todo o povo
(v.4).
Leia cuidadosamente o que eles fizeram a seguir:
Puseram a arca de Deus num carro novo, e a levaram da casa
de Abinadabe... (2Sm 6:3).
Onde os israelitas arrumaram a idéia de trazer a arca para
Jerusalém em um "carro novo"? Não foi exatamente daquela
maneira que os filisteus a enviaram de volta para Israel ?
Eles levaram a arca da casa de Abinadabe com dois homens,
Aiô e Uzá, dirigindo o carro. Davi e toda a casa de Israel
alegravam-se perante o Senhor com toda a sorte de instrumentos de
pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamboris, com
pandeiros e com címbalos (2Sm 6:5). O Primeiro Livro de Crónicas
13:8 diz que eles fizeram isso com toda sua força, mas, veja o que
aconteceu:
Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à
arca de Deus e a segurou, porque os bois tropeçaram. Então a ira
do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta
irreverência; e morreu junto à arca de Deus (2 Sm 6:6,7).
A Bíblia Nova, de King James, tem uma marca de referência
para a palavra 'erro'. Eu a localizei na coluna central e encontrei a
palavra ' irreverência'. Outra tradução poderia ser:' 'Deus o feriu
ali por esta irreverência". (Nota do tradutor: a Bíblia em
português, revista e atualizada, já traz esta tradução, como se vê
no versículo transcrito acima).
Que coisa incrível! Apenas uma geração anterior, dois
homens estavam cometendo adultério à porta do tabernáculo,
onde a arca residia. A irreverência deles era descarada e excedia
em muito a desse homem que meramente estendeu sua mão para
segurar a arca. Os sacerdotes imorais não foram julgados
imediatamente por seu comportamento; contudo, Uzá foi julgado.
Por quê? No caso dos filhos de Eli, a glória havia ido embora. Com
Uzá, a glória de Deus estava retornando. Quanto mais forte for a
glória manifesta de Deus, mais rápido e mais severo será o seu
julgamento da irreverência.
COM MEDO DE DEUS
Desgostou-se Davi porque o Senhor irrompera contra Uzá [...]
Temeu Davi ao Senhor, naquele dia, e disse: Como virá a mim a
arca do Senhor? (2 m 6:8, 9)
Não faltava entusiasmo a Davi, a seus líderes e ao povo de
Israel. Houve um grande preparo para recuperar a arca para
Israel. Uma vez que Israel voltou a possuir a arca novamente, o
povo tocou instrumentos musicais com todas as suas forças. Eles
acreditavam que estavam honrando a Deus, trazendo a arca em
um novo carro. Davi escolheu a dedo os dois homens que iriam
dirigir o carro. Então, você pode entender o choque de Davi,
quando Deus feriu de morte um dos homens escolhidos por ele.
Seu choque logo se transformou em desgosto. Davi pode ter
questionado: "Por que Deus fez isto? Por que Ele não apenas
reprovou o nosso zelo, mas o rejeitou com tal julgamento?" Davi
deve ter pensado: "Eu fiz tudo que sabia para honrar a Deus, e
meu melhor foi julgado inaceitável!" Depois de pensar bastante,
seu desgosto se transformou em temor. Ele ficou com medo de
Deus. (Isso não é o mesmo que temer a Deus. Aqueles que têm
medo se afastam de sua presença, mas aqueles que O temem,
aproximam-se dele. Nós veremos isso mais tarde, neste livro). Davi
deve ter se perguntado: "Se o meu melhor homem foi julgado
inaceitável, como a arca do Senhor pode chegar até a mim?"
Sempre que experimento frustração ou desgosto em relação
ao Senhor, tenho afirmado rapidamente para mim mesmo que isso
acontece devido a minha própria falta de conhecimento ou
entendimento, pois os caminhos de Deus são perfeitos. Eu tenho
aprendido pessoalmente que uma pessoa pode ter um tremendo
zelo, contudo, ter falta de conhecimento. O zelo e o entusiasmo
que não são temperados pela sabedoria e pelo conhecimento
sempre trazem problemas. Além disso, tenho aprendido que é
minha responsabilidade buscar o conhecimento de Deus (Pv 2:1 -
5).
RESPONSABILIDADE NEGLIGENCIADA
Davi estava desgostoso com o Senhor, porém, o julgamento
tinha sobrevindo devido a uma falta de compreensão por parte de
Davi e de seus líderes. Moisés disse:
Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que
mandou o Senhor, teuDeus, se te ensinassem, para que os
cumprisses na terra a que passas para a possuir; para que temas
ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e
mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho,
todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados (Dt
6:1-2).
Moisés deu uma diretriz clara: para temer a Deus, nós deve-
mos conhecer e obedecer a sua vontade acima de todas as coisas.
Este mandamento não apenas foi dirigido aos filhos de Israel,
como também Deus deu mandamentos específicos ao rei.
Também quando se assentar no trono do seu reino, escreverá
para si um traslado dessa lei num livro, do que está diante dos
levitas sacerdotes. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua
vida, para que aprenda a temer ao Senhor, seu Deus... (Dtl7:18, 19)
O rei deveria ler a Palavra de Deus todos os dias. Por quê? A
sabedoria e a honra de Deus seriam estabelecidas em seu coração,
de forma que ele considerasse os caminhos de Deus superiores às
idéias do homem. O erro de Davi e de seus líderes poderia ter sido
evitado.
Davi e seus homens se reuniram para discutir como eles
achavam que a arca deveria ser trazida de volta. Não há nenhuma
menção de que eles consultaram a Palavra escrita de Deus,
transmitida desde Moisés. Se Davi e os sacerdotes tivessem lido o
conselho da Palavra de Deus, teriam percebido que os únicos que
poderiam levar a arca de Deus eram os levitas, não por meio de
um carro, mas suspensa por meio de varais e carregada sobre
seus ombros (Êx 25:14; Nm 4:15 e 7:9). Essa falta de
conhecimento levou os israelitas a imitarem o modo gentil ou
mundano de carregarem a arca do Senhor. Os filisteus foram
ignorantes quando mandaram de volta a arca por meio de um
carro, mas a Israel haviam sido confiados os oráculos de Deus.
Então, eles eram responsáveis.
A negligência deles em buscar o conselho de Deus por meio
da sua Palavra resultou na redução da imagem da glória de Deus,
porém, novamente conforme a percepção do homem corruptível.
Por isso, os israelitas honraram a Deus pelo mesmo método
utilizado por aqueles que não tinham conhecimento dele.
Imitaram o homem, em vez de receberem a inspiração de Deus.
Foram zelosos, mas Deus ainda viu seus métodos como
irreverentes.
QUAL É A FONTE DA NOSSA INSPIRAÇÃO?
Nós estamos cometendo o mesmo erro hoje.
Frequentemente, nossas idéias de ministério são moldadas por
uma reunião de homens. Nós recorremos ao poço da nossa
própria sabedoria limitada, extraindo nosso conselho, que foi
inconscientemente influenciado pelas tendências culturais. Estas
tendências estão bem diante de nós e são de acesso mais fácil do
que esperar em Deus, pela revelação da sua vontade. Embora
muitas ideias novas e diferentes estejam surgindo, será que nós
sempre sabemos de onde vem a nossa inspiração? Nós temos
substituído o conhecimento de Deus pelas técnicas de motivação
adquiridas do homem não regenerado.
Como se pode observar nas Escrituras, a música
desempenha um papel-chave e significativo para cultivar uma
atmosfera para a presença do Senhor. A música tem a capacidade
de abrir e preparar o coração de uma pessoa. Considere a música
cristã contemporânea, que é muito popular hoje, inspirada na
música demoníaca do mundo. Se o mundo tem hard rock, nós
também podemos ter! Se tem rap, nós o copiamos. Se o mundo
tem uma certa dança, nós a imitamos. Se o mundo tem MTV
(Music Television, canal fechado), nós também podemos ter! É
claro que nós mudamos as palavras - mas o ritmo e a
apresentação são os mesmos. A lista continua. Em cada caso, nós
tentamos copiar o mundo e até fazer melhor. Até onde isto irá? Se
você quer predizer a nova tendência do ministério de louvor, não
ore apenas ligue a MTV e assista ou ouça o que o mundo está
fazendo. Então, quem está conduzindo quem? Se formos honestos,
vamos lamentar o fato de que homens demoníacos têm se tornado
nossos profetas. Como podemos ser tão enganados?
Alguns argumentam: "Mas estamos usando a música como
uma maneira para eles ouvirem. Para alcançar o perdido,
encapamos a música de um modo que os pecadores possam
recebê-la". Isso pode ser verdade em alguns casos (muito poucos,
de fato), mas tenho descoberto que a maioria dos jovens que
ouvem esse tipo de música já está na igreja. O fato constrangedor
é que, muitas vezes, eles são os mesmos jovens que bocejam ou
falam uns com os outros durante os períodos de verdadeira
adoração! Como a carne deles está muito estimulada pelo mundo,
esta geração moderna de jovens tende a menosprezar exatamente
aquilo de que eles têm mais necessidade.
E constrangedor, mas muitas emissoras de rádio cristãs
contemporâneas se comunicam com seus ouvintes do mesmo
modo que as emissoras seculares e copiam suas idéias das
emissoras seculares que zombam de Deus. Alguns poderiam
argumentar:' 'Nós estamos dando uma alternativa aos cristãos".
Que tipo de discípulo resulta dessas práticas?
As pessoas gostam de ser entretidas. Os americanos comuns
assistem a quarenta e cinco horas de televisão por semana. As
igrejas têm feito a mesma coisa que o mundo faz para atrair as
pessoas. Na igreja, nós aprendemos a atrair as pessoas, apelando
à sua tendência de desejarem entretenimento. Dessa prática tem
surgido o que muitos chamam igrejas "dos que buscam amizade"
ou igrejas "dos que buscam sensação". Tenho pregado em algumas
dessas igrejas e tenho descoberto que muitas vezes aqueles que
"buscam sensação" são "insensíveis" a Deus. Essas igrejas podem
atrair grandes multidões, mas, vale a pena ofender a Deus?
Eu tenho falado em igrejas que gastam milhares de dólares
anualmente paia entreter seu povo. Seus jovens são entretidos por
joguinhos de fliperama, hóquei aéreo, futebol e até jogos Nintendo.
E ainda assim os líderes da igreja se perguntam por que não há
mover de Deus no departamento da mocidade e ficam perplexos
com o número de adolescentes grávidas. Os números de
frequência estão aumentando, mas, onde o fruto do Espírito está
sendo manifesto na vida desses jovens?
Essa inspiração cultural não é limitada à liderança, mas
também tem afetado muitos crentes. Vamos olhai-um exemplo:
nossa sociedade respeita a autoridade somente quando concorda
com ela. Há adesivos de pára-choques que proclamam: "Questione
a autoridade!" Isto não diz respeito apenas ao mundo, pois muitas
igrejas também têm adotado esta linha de pensamento. Eles
respeitam e obedecem a autoridade somente se concordam com
ela. A gente quase chega a pensar que o reino de Deus foi
transformado em uma democracia! É alarmante que esta atitude
se estenda além da autoridade delegada, pois o povo honra a Deus
com a mesma indiferença. Se gostam do que Ele está fazendo em
suas vidas, eles o louvam; se não gostam, eles reclamam.
A lista é quase infinita. A questão é que existe muito na
nossa maneira de ministrarmos ao Senhor que é inspirado pelo
mundo. O que nós faremos no fim? O que vai acontecer com
nossas maneiras?
BUSQUE O CONHECIMENTO DE DEUS
Há muitos que clamam para que Deus restaure a sua glória.
Estão orando pela última chuva (Zc 10:1). Eles se submetem ao
processo de purificação de Deus e não se queixam quando passam
por provações. Não murmuram no deserto pelo qual estão
passando espiritualmente. Logo, se regozijarão, pois Deus não
retém sua glória daqueles que têm fome dele.
Essas pessoas são um contraste comparadas àquelas que
buscam conforto e sucesso. Outras ficam no meio termo - elas
buscam a presença de Deus, contudo, como Davi, seu zelo não
está de acordo com o seu conhecimento. Buscam a Deus à sua
própria maneira, por sua própria sabedoria. Ainda têm de
perceber a glória e a santidade daquele que elas desejam.
Não devemos ignorar os textos das Escrituras que trazem
correção, instrução, ajustamentose que conduzem à santidade.
Ouça as palavras de Oséias:
Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou,
e nos sarará; fez aferida e a ligará. Depois de dois dias nos
revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele
(Os 6:1, 2).
Esta passagem é um texto profético das Escrituras que
descreve a purificação de Deus na sua igreja, em preparação para
a sua glória. Ele despedaçou, mas vai sarar. Um dia para o Senhor
é como mil anos (2Pe 3:8). Dois dias inteiros se passaram (dois mil
anos) desde a ressurreição do Senhor. Nós estamos à beira do
reavivamento e da restauração da glória de Deus, ao seu templo.
O terceiro dia fala do reinado milenar de Cristo, quando Ele viverá
e reinará aqui, em pessoa. A seguir, Oséias dá mais instruções
sobre como viver e o que buscar, enquanto nós nos prepararmos
para a glória de Deus.
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a
alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva,
como chuva serôdia que rega a terra (Os 6:3).
Oséias nos assegura que a sua vinda gloriosa é tão certa
quanto o nascer do sol ao amanhecer. Há um tempo designado,
estejamos prontos ou não. Nossa busca deve ser o conhecimento
do Senhor. Davi e seus homens tinham fome da presença do
Senhor, mas faltou-lhes o conhecimento de Deus. Tal
conhecimento poderia ter evitado a morte instantânea de Uzá.
Hoje não é diferente. Nós somos admoestados:
Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes
contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o
teu ouvido e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se
clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se
buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a
procurares, então entenderás o temor do Senhor e acharás o
conhecimento de Deus (Pv2:1-5).
O caminho para a vida é claro. Se alguém dissesse a você
que havia dez milhões de dólares escondidos em algum lugar, em
sua casa, você procuraria continuamente, até encontrar a fortuna
escondida. Se fosse necessário, levantaria os tapetes, quebraria as
paredes, e até colocaria a casa abaixo para achar tanto dinheiro.
Muito mais importantes são as palavras da vida!
Quando obtemos nossa inspiração no mundo, estamos utili-
zando a sabedoria de homens e teólogos. A reverência a Deus é
ensinada somente pelo mandamento ou pela diretriz dos homens.
Sem a busca do conhecimento de Deus, novamente nós vamos
nos encontrar repetidas vezes na situação de Uzá - cheios de boas
intenções, contudo, ofensivas à sua glória.
Com o aumento da glória de Deus nos últimos dias, haverá
novos relatos de acontecimentos semelhantes aos que ocorreram a
Ananias e Safira. Isso não é o desejo de Deus nem o propósito da
restauração da Sua glória. Tal julgamento é simplesmente o
resultado de não respeitar corretamente e não honrar a grandeza
da glória de Deus. De acordo com o grau da glória revelada, o
mesmo grau de julgamento será executado sempre que a glória de
Deus for tratada com irreverência e desrespeito.
CORAÇÕES FORTALECIDOS
Olhando novamente o livro de Tiago, nós encontramos a
mesma advertência:
Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que
o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até
receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também
pacientes e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor
está próxima (Tg 5:7-8).
Observe que Tiago nos diz para sermos pacientes. A palavra
grega de fato significa "suportar e não desanimar". Então, Tiago
diz: "Fortaleçam seus corações". Em outras palavras, coloquem
seus corações na ordem divina e mantenham esse estado", se não,
nós poderemos nos encontrar sob o julgamento da glória de Deus.
Tanto Paulo como Pedro nos instruem sobre como fortalecer os
nossos corações:
Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai
nele, nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como
fostes instruídos, crescendo em ações de graça (Cl 2:6,7).
Quando a submissão ao senhorio de Jesus nos fortalece,
então nós podemos crer firmemente no que o Espírito Santo nos
tem ensinado através das Escrituras. Pedro reafirma isso com:
Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lem-
brados acerca destas cousas, embora estejais certos da verdade já
presente convosco e nela confirmados (2 Pe 1:12).
Pedro diz: "...sempre lembrá-los". Ele sabia da importância de
ser fortalecido na presente verdade. Pedro sabia, por experiência
própria, como era fácil se desviar da verdade. Como discípulo que
recebeu a revelação de quem era Jesus, só o fato de negar
conhecer o Messias alguns meses após aquela incrível revelação,
fez Pedro saber o que era se desviar da verdade.
Não é suficiente apenas buscar o conhecimento de Deus.
Para continuar nele, nós temos de vivê-lo. Muito frequentemente,
nós vivemos longe daquilo que Deus fez no passado e deixamos de
experimentá-lo no presente. Nós ainda citamos textos das
Escrituras e falamos coisas boas, mas não temos fome dos
caminhos de Deus.
Nós temos de retornar à natureza dócil do nosso primeiro
amor. Quando, antes, nós o conhecemos, líamos nossas Bíblias e
ouvíamos mensagens com grande expectativa, ansiosos para que o
nosso Senhor, o objeto do nosso amor, pudesse ser revelado em
maiores dimensões. Mas, muito cedo começamos a introduzir este
tipo de atitude: "Vejamos o que este ministro tem". O motivo
oculto da nossa atitude era descartar a verdade de tal pregação,
justificando nossa apatia com: "Eu já sei isto" ou "Eu já ouvi tudo
isto antes!" Outro sintoma desta atitude é ouvir ou ler para
escolher o que nós queremos, em vez de experimentar os
caminhos de Deus e procurar uma revelação mais profunda do
seu coração. Nós somos advertidos:
Por esta razão, importa que nos apeguemos com mais firmeza,
às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos (Hb
2:1).
Muitos estão sendo arrastados para fora de nossas igrejas,
porque não estão ancorados ou não estão firmados no
conhecimento de Deus. Eles perderam o desejo de buscar o
conhecimento de Deus.
Os apóstolos e os profetas previram este afastamento e
diligentemente nos advertiram a permanecermos firmes para que
nós pudéssemos ter alegria no final.
É temível considerar o que acontece quando os corações não
estão em ordem. Muitos perderão a bênção da glória de Deus, en-
quanto outros entrarão em julgamento!
O TABERNÁCULO DE DAVI RESTAURADO
Quando Davi viu o que acontecera a Uzá, retornou a Jerusa-
lém e, diligentemente, buscou o conhecimento de Deus. Três
meses depois, fez uma proclamação:
Então, disse Davi: Ninguém pode levar a arca de Deus, senão
os levitas; porque o Senhor os elegeu, para levar a arca de Deus, e o
servirem para sempre (1 Cr 15:2).
Dessa vez não houve nenhuma assembléia de homens para
discutir. Uma vez que Davi descobriu o conselho de Deus sobre o
assunto, corajosamente colocou a questão em andamento. Reuniu
Israel e separou os descendentes de Arão e os levitas. Ele disse a
esses sacerdotes:
Vós sois os cabeças das famílias dos levitas: santificai-vos,
vós e os vossos irmãos, para que façais subir a arca do Senhor,
Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei. Pois, visto que não a
levastes na primeira vez, o Senhor, nosso Deus irrompeu contra
nós, porque então não o buscamos, segundo nos fora ordenado (l Cr
15:12, 13).
A ordem apropriada para aqueles sacerdotes convocava-os a
se santificarem e ditou a estrutura externa e natural para carregar
a arca a presença de Deus. Dessa vez a arca foi trazida a
Jerusalém, para o tabernáculo que Davi havia preparado, e mais
uma vez a glória de Deus foi restaurada para Israel. Nossa ordem
apropriadapara carregar a presença de Deus é encontrada nos
recantos do coração. É dentro do coração que nós temos que nos
preparar, porque Deus está para revelar a sua glória na Terra de
uma maneira nunca vista antes. Ele declara: Porém tão certo como
eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do Senhor (Nm
14:21).
Quando Deus fez esta declaração, Ele havia lamentado o fato
de que seu povo não cria nele nem o obedecia. O fato é que
chegaria um tempo, no futuro, quando seu povo o temeria, e
então, incondicionalmente, obedeceria a Ele. Esses crentes
manifestariam a glória de Deus, porque seriam o templo da sua
glória. Mais tarde, Deus falou por meio do profeta Isaías:
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do
Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a
escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e
a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua
luz, e os reis para o resplendor que te nasceu (Is 60:1-3).
Observe que Isaías diz: A glória do Senhor nasce sobre ti.
Entretanto, nós também ouvimos a glória descrita como última
chuva. Deus me falou, em oração, e comparou o derramar da sua
última chuva com o dilúvio de Noé. A Bíblia diz: ...romperam-se
todas as fontes do grande abismo, e as comportas do céu se
abriram (Gn 7:11). A restauração da sua glória surgirá sobre
aqueles que prepararem seus corações para Ele e ela cairá sobre
as nações do mundo. Nenhuma cidade deixará de ser atingida
pela última chuva do Espírito de Deus.
Deus diz que a sua glória será restaurada em Seu povo, e até
mesmo os descrentes serão atraídos para a sua luz. Amos diz:
Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei
as suas brechas; e levantando-o das suas ruínas, restaurá-lo-ei
como nos dias da antiguidade (Am 9:11).
A glória de Deus será restaurada na igreja e excederá a
glória manifesta nos dias de Davi. Tiago citou esta porção das
Escrituras aos líderes da igreja e aplicou-a aos últimos dias,
dizendo:
Expôs Simão como Deus, primeiro visitou os gentios, a fim de
constituir dentre eles um povo para o seu nome. Conferem com isto
as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas
cousas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e,
levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais
homens busquem ao Senhor, e todos os gentios sobre os quais tem
sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas cousas
conhecidas desde séculos (At 15:14-18).
Pelo Espírito, Tiago viu essa grande colheita de crentes en-
trando no reino com a restauração da glória de Deus. Ele fala
profe-ticamente, mas não completa a mensagem de Amos, pois
isso se aplicava especificamente ao nosso tempo. Vejamos a
conclusão da mensagem de Amos:
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que o que lavra a terra
segue logo ao que ceifa, e o que pisa as uvas, ao que lança a
semente; os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se
derreterão (Am 9:13).
Deus diz que a colheita será tão abundante, o ceifeiro estará
tão atarefado com o trabalho, que ele não conseguirá completá-lo
antes que o lavrador venha preparar os campos para uma nova
plantação. A tradução da Bíblia Vida Nova o diz desta maneira:
{Nota do Tradutor, a citação abaixo foi extraída da versão revista e
atualizada).
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que, o que lavra segue
logo ao que ceifa (Am 9:13).
Em termos simples, Deus está descrevendo uma colheita tão
abundante, que será tremenda. Glória a Deus! Espere por esse
dia, porque ele está se aproximando rapidamente. O tempo é
curto. Não resista à obra purificadora de Deus e não negligencie o
conhecimento do Senhor.
Enquanto escrevia este livro, fiquei muito consciente da sua
importância e momento. Ele é um clamor do Espírito soando para
a Igreja. Sua mensagem - "Preparar o caminho do Senhor
preparando seu povo para a sua glória!" Enquanto Deus restaura
a sua glória, vamos ser sábios e aprender com Davi e os seus
homens. Esses eventos foram registrados por razões que vão além
de propósitos históricos. A Bíblia nos diz: Pois tudo quanto outrora
foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15:4).
Agora que nós lançamos o fundamento para compreender os
tempos, é hora de buscarmos a importância de aprender a andar
no temor do Senhor.
Uma pessoa que teme a Deus, treme com a
sua Palavra e na sua presença.
CAPÍTULO 11
A HABILIDADE PARA VER
Quem dera eles tivessem tal coração, que me temessem, e
guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para
que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre! (Dt 5:29)
Nós sempre ouvimos mensagens extraídas da Primeira Carta
de Paulo aos Coríntios. Frequentemente se faz referência a esse
livro da Bíblia, especialmente em grupos onde há manifestações
do Espírito. A igreja dos Coríntios foi estabelecida
aproximadamente no ano 51 depois de Cristo (muitos anos depois
do dia de Pentecostes) e era muito aberta e, portanto,
grandemente beneficiada pelos dons espirituais. A unção do
Espírito Santo era forte entre os seus membros, não diferente de
algumas de nossas igrejas hoje.
A Segunda Epístola de Paulo à igreja de Corinto não é
mencionada com tanta frequência quanto a primeira. Essa carta
contém uma ênfase maior sobre a ordem divina, o temor do
Senhor e a subsequente restauração da glória de Deus. Se
percebermos o contexto, veremos que essa carta contém uma
mensagem forte e empolgante para os crentes de hoje. Ao
examinarmos uma porção dela, devemos ter em mente que a
Segunda Carta aos Coríntios foi escrito para pessoas cuja unção
não era estranha e que frequentemente exercitavam os dons
espirituais.
A GLÓRIA DA VELHA ALIANÇA X A GLÓRIA DA NOVA
ALIANÇA
Nas duas as cartas de Paulo aos Coríntios, ele se referia
frequentemente à saída dos filhos de Israel do Egito e à revelação
da glória de Deus a eles no deserto. A experiência deles também
diz respeito a nós, pois tudo que aconteceu aos israelitas no
sentido natural eram tipos e figuras do que nós
experimentaríamos na realidade espiritual. Paulo enfatiza isto:
Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos, e foram
escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins
dos séculos têm chegado (1 Co 10:11).
A Primeira Carta de Paulo trata de muitos elementos
fundamentais da ordem divina do coração para o povo de Deus.
Sua Segunda Carta foi ainda mais profunda. Ele prossegue
falando sobre o desejo de Deus de revelar sua glória e habitar no
coração do seu povo. Paulo começa comparando a glória de Deus
no deserto com a sua glória revelada na Nova Aliança.
Fazendo um contraste, ele escreve:
E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se
revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a
face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que
desvanecente, como não será de maior glória o ministério do
Espírito! (2 Co 3:7, 8)
No monte, Moisés contemplou a forma do Senhor e falou
com Ele como um homem fala com seu amigo. Quando desceu do
monte, Moisés cobriu sua face porque o brilho dela amedrontou as
pessoas. O semblante de Moisés refletia que ele estivera na
presença da glória de Deus.
Na Nova Aliança, o plano de Deus não é refletir sua glória em
nós, mas que sua glória seja vista em nós! Uma coisa é refletir
algo, mas é outra coisa bem diferente permanecer nela e emiti-la!
Este é o alvo final de Deus! É por isto que Paulo disse:
Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste
respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelenteglória
(2Co 3:10).
Embora a glória da Velha Aliança não se compare com a
glória da Nova, a Velha ainda era tão tremenda que Paulo reitera:
Para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que
se desvanecia (v. 13). Entretanto, logo a seguir Paulo lamenta:
Mas os sentidos deles se embotaram (2Co 3:14).
Como é trágico que eles não pudessem ver justamente algo
de que precisavam tão desesperadamente. Paulo nos adverte para
não nos tornarmos cegos nem cairmos no mesmo dilema.
Assim, nós devemos perguntar: "Como suas mentes ficaram
embotadas?" A resposta traz o conhecimento e a sabedoria que
desesperadamente nos falta: aquilo que nos falta é necessário
para que nós andemos na glória de Deus! Para obter nossa
resposta, devemos retornar à estrutura de tempo que Paulo
discutiu.
TEMOR DE DEUS X MEDO DE DEUS
Israel havia acabado de sair do Egito e foi conduzido por
Moisés ao Monte Sinai, onde Deus revelaria a sua glória.
Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo e purifica-os
hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes e estejam prontos para o
terceiro dia; porque no terceiro dia o Senhor, à vista de todo o povo,
descerá sobre o Monte Sinai (Êx 19:10,11).
Esta mensagem era profética, pois ela também fala dos
nossos dias. Antes de Deus manifestar a sua glória, o povo deveria
santificar-se. Isso incluía lavar suas roupas. Lembre-se de que um
dia para o Senhor é como mil anos. Já se passaram quase dois mil
anos (dois dias) desde a ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
Deus disse que durante aqueles dois mil anos (dois dias), a igreja
dele deveria se consagrar ou se apartar do mundo, em preparação
para a sua glória. Nossas vestes deverão estar limpas da
imundície do mundo (2Co 6:16; 7:1). Deveremos nos tornar sua
noiva sem mácula. Depois de dois mil anos, Ele novamente
manifestará sua glória.
Agora leia o relato do que aconteceu na manhã do terceiro
dia:
Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e
uma nuvem espessa sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta,
de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu. E
Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-
se ao pé do monte. Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor
descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de
uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente (Êx 19:16-18).
Deus não só se manifestou através de visão, mas também
por meio de voz e som. Quando Moisés falou, Deus respondeu-lhe
para que todos ouvissem. Muitas vezes, hoje, nos referimos a
Deus como a um amigo, de uma maneira descuidada como se Ele
fosse quase um camarada. Se nós pudéssemos vislumbrar o que
Moisés e os filhos Israel viram, poderíamos ter uma mudança
significativa de visão. Ele é o Senhor e Ele não mudou! Leia
cuidadosamente a reação do povo quando Deus veio:
Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o
clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se
estremeceu e ficou de longe. Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te
ouviremos; porém, não fale Deus conosco, para que não morramos.
Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar,
e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não
pequeis (Êx 20:18-20).
Observe que o povo tremeu e se afastou. Eles não quiseram
mais ouvir a voz audível de Deus, nem quiseram ver ou estar na
presença da sua glória - eles não podiam suportá-la.
Moisés rapidamente os advertiu: Não temais... encorajando-
os a voltarem à presença de Deus, quando explicou que Ele tinha
vindo para prová-los.
Por que Deus nos prova? Para descobrir o que está em
nossos corações? Absolutamente, não. Eleja sabe o que está
escondido em nossos corações. Ele nos prova para que possamos
saber o que está em nossos corações. Qual era o propósito do teste
para os israelitas? Para eles saberem se temiam ou não. Se eles o
temessem, eles não pecariam. O pecado sempre resulta do nosso
afastamento de Deus.
Moisés disse: Não temais. Então, disse que Deus tinha vindo
para que o seu temor estivesse diante deles. Este versículo faz
uma distinção entre ter medo de Deus e temer a Deus. Moisés
temia a Deus, mas o povo não. É uma verdade infalível: se não
tememos a Deus, ficaremos com medo dele, na revelação da sua
glória, pois todo joelho se dobrará a Ele, se não for por piedoso
temor, então será por terror (2Co 5:10,11).
O povo estava de longe, em pé; Moisés, porém, se chegou à
nuvem escura, onde Deus estava (Êx 20:21).
Veja a diferença nas reações à manifestação da glória de
Deus: Israel se afastou, mas Moisés se aproximou. Isso ilustra as
diferentes reações dos crentes, hoje.
SEMELHANTE EM MUITAS MANEIRAS
É importante perceber que os israelitas não eram tão
diferentes da nossa igreja moderna. Todos saíram do Egito, o que
tipifica a salvação. Todos experimentaram e foram beneficiados
com os milagres de Deus, como muitos na igreja. Todos
experimentaram a libertação dos seus opressores, o que muitos
têm experimentado hoje na igreja.
Eles ainda desejavam seu velho estilo de vida, se fosse
possível tê-lo sem a escravidão a que anteriormente estavam
submetidos. Quão frequentemente nós vemos isto na igreja, hoje.
As pessoas são salvas e libertas, todavia, seus corações nunca
abandonam o estilo de vida do mundo, embora esse estilo de vida
as conduza à escravidão.
Eles passaram pela experiência de receber a riqueza do
ímpio, que Deus havia depositado sobre o justo. A Bíblia registra:
Fez sair o seu povo, com prata e ouro...(Sl 105:37). Porém, eles
utilizaram essa bênção de Deus para construir um ídolo! Nós não
fazemos o mesmo, hoje? Nós ouvimos falar de milagres
financeiros, e muitas vezes aqueles que são mais abençoados,
acabam dedicando seu afeto e suas forças às bênçãos materiais e
financeiras, em vez de se dedicarem ao Senhor que os abençoou.
Eles experimentaram o poder curador de Deus, pois quando
deixaram o Egito, a Bíblia registra: E entre as suas tribos não
havia um só invalido (SI 105:37). Isso é até melhor do que as
maiores cruzadas de milagres, hoje. Moisés deixou o Egito com
três milhões de pessoas fortes e saudáveis. Você pode imaginar
uma cidade de três milhões de habitantes, sem nenhum doente e
nenhum hospital? Os israelitas tinham servido aos egípcios,
debaixo de sofrimento, por quatrocentos anos. Imagine as curas e
os milagres que aconteceram quando eles comeram o cordeiro da
Páscoa!
A salvação de Deus, a cura, as obras milagrosas e o poder de
libertação não eram estranhos aos israelitas. Na realidade, eles
comemoravam apaixonadamente sempre que Deus se movia
milagrosamente a seu favor. Eles dançavam e louvavam a Deus,
bem parecido com nossos cultos carismáticos ou com cultos de
milagres cheios do Espírito (Êx 15:1,20). É interessante notar que
os israelitas se aproximavam para suas manifestações milagrosas,
porque eram beneficiados com elas, mas ficavam assustados e se
afastavam quando a glória de Deus era revelada!
Até que ponto somos diferentes, hoje? Ainda nos aproxima-
mos dos milagres. As pessoas ainda viajam muitos quilômetros e
dão grandes ofertas, esperando receber porções dobradas de Deus
em cultos de milagres. Mas, o que acontecerá quando a glória de
Deus for revelada? Os corações serão expostos na presença
gloriosa de Deus. Podemos viver com o pecado encoberto ao redor
do milagroso, mas o pecado não pode se esconder à luz da
revelação da glória de Deus.
O QUE CEGOU O POVO
Quarenta anos depois, a geração mais velha havia morrido
no deserto, e Moisés repetiu as leis para uma nova geração que
havia surgido, no monte onde Deus revelara a sua glória.
Sucedeu que, ouvindo a voz, do meio das trevas, enquanto
ardia o monte em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças dasvossas tribos e vossos anciãos, e dissestes: Eis aqui o Senhor,
nosso Deus, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a
sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e
este permanece vivo. Agora, pois, por que morreríamos? Pois este
grande fogo nos consumiria; se ainda mais ouvíssemos a voz do
Senhor, nosso Deus, morreríamos [...] Chega-te e ouve tudo o que
disser o Senhor, nosso Deus; e tu nos dirás tudo o que te disser o
Senhor, nosso Deus, e o ouviremos e o cumpriremos (Dt 5:23-27).
Eles clamaram: "Nós não podemos nos aproximar da sua
presença gloriosa, nem podemos permanecer diante dele e
continuar vivos." Queriam que Moisés ouvisse por eles e
prometeram ouvi-lo e fazer qualquer coisa que Deus dissesse para
fazer! Tentaram viver nesse padrão por milhares de anos, mas não
podiam obedecer às palavras de Deus. Até que ponto somos
diferentes, hoje? Recebemos a Palavra de Deus através do nosso
pastor e dos pregadores, mas nos retiramos do monte de Deus?
Ficamos com medo de ouvir a sua voz que revela a condição dos
nossos corações? Esta atitude do coração não é nem um pouco
diferente da atitude dos filhos de Israel.
Moisés ficou muito desapontado com a reação de Israel. Ele
não conseguia compreender a sua falta de fome da presença de
Deus. Como podiam ser tão tolos? Como podiam ser tão cegos?
Moisés trouxe suas preocupações diante de Deus, na esperança de
obter um remédio para essa condição. Mas veja o que aconteceu:
Ouvindo, pois, o Senhor as vossas palavras, quando me
faláveis a mim, o Senhor me disse: Eu ouvi as palavras deste povo,
que te disseram: em tudo falaram eles bem. (Dt 5:28)
Eu estou certo de que Moisés ficou chocado com a resposta
de Deus. Ele deve ter pensado: "O quê? O povo está certo? Por
uma vez eles estão realmente certos! Eles realmente não podem
entrar na presença de Deus. Por quê?" Deus o interrompeu com a
resposta:
Quem dera que eles tivessem tal coração, que me temessem, e
guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para
que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre! (Dt :29)
Deus lamentou: Oh, quem dera tivessem tal coração que me
temessem... Todos poderiam ter sido como Moisés, refletindo a
glória de Deus e conhecendo os seus caminhos, se possuíssem
corações que temessem a Deus, como Moisés! Mas os corações
permaneciam obscurecidos e as mentes, cegas para não verem
exatamente aquilo de que eles precisavam tão desesperadamente.
O que os cegou? A resposta é clara: não tinham corações que
temiam ao Senhor. Isso foi comprovado pela sua desobediência
aos mandamentos e à Palavra de Deus. Se nós compararmos
Moisés com os filhos de Israel, veremos a diferença entre aquele
que teme a Deus e aquele que não o teme.
TREMENDO COM A PALAVRA DE DEUS
Uma pessoa que teme a Deus, treme com a sua Palavra e na
sua presença (Is 66:2 e Jr 5:22). O que significa tremer da Palavra
de Deus? Tudo pode ser resumido em uma declaração: obedecer a
Deus voluntariamente, até mesmo quando parece mais vantajoso
comprometer sua Palavra e não obedecê-la.
Nossos corações devem estar firmemente estabelecidos no
fato de que Deus é bom. Ele não é um abusador de crianças. Uma
pessoa que teme a Deus sabe disso, porque conhece o caráter de
Deus. É por isso que a pessoa vai se aproximar de Deus, mesmo
quando os outros se afastam dele com terror.
Essa pessoa percebe que qualquer dificuldade imediata ou
iminente entregue na mão de Deus, no final, surtirá bons efeitos.
A maioria concordaria mentalmente com isso, porém, nos tempos
de sofrimento o que nós acreditamos é claramente revelado. Só
então nós veremos nossa fé como ela é, pela luz do fogo das
provações.
Os sofrimentos que Israel enfrentou expuseram o conteúdo
dos seus corações. Examinemos suas diferentes reações à Palavra
de Deus: os filhos de Israel obedeciam à Palavra de Deus,
contanto que vissem o benefício imediato. Mas, no momento em
que eles sofriam ou já não podiam mais ver os benefícios, perdiam
a visão de Deus e reclamavam amargamente.
Durante séculos, Israel havia orado e clamado pela
libertação dos seus opressores egípcios. Eles desejaram retornar
para a Terra Prometida. Deus enviou-lhes o libertador, Moisés. O
Senhor disse a Moisés: Por isso, desci a fim de livrá-los da mão dos
egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e
ampla, terra que mana leite e mel (Êx 3:8).
Moisés foi à presença do Faraó e proclamou as palavras de
Deus: Deixa ir o Meu povo. Mas Faraó respondeu aumentando o
sofrimento deles. Já não iriam providenciar nenhuma palha para
a imensa quantidade de tijolos que os escravos israelitas deveriam
produzir. Teriam que juntar a palha à noite e trabalhar durante o
dia. O número total de tijolos não podia diminuir, embora a palha
tivesse sido removida. A Palavra de Deus de liberdade havia
aumentado seu sofrimento. Reclamaram dessa opressão e
disseram a Moisés: "Deixe-nos sozinhos e pare de pregar para o
Faraó; você está tornando nossa vida pior."
Quando Deus finalmente os libertou do Egito, o coração do
Faraó estava endurecido novamente e ele perseguiu os israelitas
no deserto com suas melhores carruagens e guerreiros. Quando os
hebreus viram que o Egito havia se reunido contra eles e que
estava entre eles e o Mar Vermelho, eles reclamaram novamente.
Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos
os egípcios? Pois melhor nos fora servir os egípcios do que
morrermos no deserto (Êx 14:12).
Observe as palavras: Pois melhor nos fora. Em essência, eles
estavam dizendo: "Por que nós deveríamos obedecer a Deus,
quando Ele está apenas tornando nossas vidas miseráveis?
Estamos em pior situação; não, melhor". Eles eram rápidos para
comparar seu estilo de vida anterior com a sua presente condição.
Sempre que as coisas não se equilibravam, os israelitas queriam
voltar. Eles desejavam o conforto acima da obediência à vontade
de Deus. Oh, como lhes faltava o temor de Deus! Eles não
tremiam da Palavra de Deus.
Deus dividiu o mar, os filhos de Israel atravessaram em terra
seca e viram seus opressores encobertos pela água. Celebraram a
bondade de Deus, dançaram e louvaram diante de Deus. Estavam
certos de que nunca mais poderiam duvidar da sua bondade! Mas
não conheciam os seus próprios corações. Outro teste surgiria e
novamente exporia sua infidelidade. Três dias depois reclamaram
novamente, dizendo que não queriam água amarga, queriam água
doce (Êx 15:22-25).
Com que frequência fazemos a mesma coisa? Queremos
palavras suaves e agradáveis, quando o amargo é o que é
necessário para nos purificar das impurezas. Por isso, Salomão
disse: Mas à alma faminta todo amargo é doce (Pv 27:7).
Alguns dias se passaram e os filhos de Israel se queixaram
novamente da falta de comida. Eles disseram: Quem nos dera
tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito (Êxl6:1-
4). Você pode ver como eles estavam se comportando de maneira
religiosa?
Mais uma vez os israelitas reclamaram da falta de água (Êx
17:1-4). Reclamavam sempre que encontravam uma nova
dificuldade. Se a situação lhes parecesse boa, mantinham a
Palavra de Deus. Mas se obediência significasse sofrimento, os
israelitas rapidamente reclamavam.
UM CORAÇÃO DIFERENTE
Moisés era bem diferente. Seu coração já havia sido provado
muito tempo antes. A Bíblia nos diz:
Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado
filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo
de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto
considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas que os
tesouros do Egito, porque contemplava o galardão (Hb 11:24-26).
Os filhos de Israel não escolheram a escravidão. Moisés foi
presenteado com o melhor de tudoque o mundo poderia oferecer,
mas recusou tudo para sofrer aflição com o povo de Deus. Sua
atitude era bem diferente da atitude dos filhos de Israel. Eles
quiseram voltar para o Egito (o mundo), esquecendo rapidamente
a opressão. Apenas se lembravam que haviam se deleitado nas
coisas que lhes faltavam agora no deserto da provação de Deus.
Moisés escolheu o sofrimento ... porque contemplava o galardão.
Que galardão ele estava procurando? Encontramos a resposta em
Êxodo, capítulo 33:
Disse o Senhor a Moisés: Vai, sobe daqui, tu e o povo que
tiraste da terra do Egito para a terra a respeito da qual jurei a
Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: à tua descendência a darei.
Enviarei o anjo diante de ti; lançarei fora os cananeus, os amorreus,
os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Sobe para uma
terra que mana leite e mel; eu não subirei no meio de ti, porque és
povo de dura cerviz, para que não te consuma eu no caminho (Êx
33:1-3).
Deus disse para Moisés descer e levar o povo à terra que Ele
tinha prometido, a mesma terra que tinham esperado, por
centenas de anos, receber por herança. Deus prometeu para
Moisés até mesmo a escolta de um anjo escolhido, sendo que Ele
não os acompanharia.
Mas Moisés respondeu rapidamente: Se a tua Presença não
vai comigo, não nos faça subir deste lugar (Êx 33:15).
Eu me alegro que a opção de entrar na Terra Prometida sem
Deus não tenha sido colocada diante dos filhos de Israel. Se
pudessem ter escolhido uma vida confortável no Egito, ao invés de
Deus, certamente teriam escolhido a Terra Prometida.
Provavelmente teriam feito uma festa e partido sem pensar duas
vezes! Mas como Moisés não tinha fixado sua visão na Terra
Prometida, sua resposta foi diferente.
Moisés disse: "A promessa não é nada sem a sua presença!"
Ele recusou a oferta de Deus porque sua recompensa era a
presença do Senhor. Pense na posição de Moisés quando
respondeu: Não nos faça subir deste lugar. Onde era "este lugar"?
O deserto!
Moisés vivia sob as mesmas condições que o resto de Israel.
Não era dotado de habilidades sobre-humanas que o isentavam
dos sofrimentos que o restante de Israel experimentava. Tinha
sede e fome igual a eles, contudo, nós nunca o vemos reclamar
como os outros. A ele foi oferecido um "escape" desse sofrimento e
a oportunidade de ir para a terra dos seus sonhos, mas recusou.
Um método que Deus usará para nos testar é fazer-nos uma
oferta que espera que recusemos. A oferta, inicialmente, pode
prometer um grande sucesso, mas, a que preço? Pode até mesmo
parecer que o nosso ministério se expandirá e irá além. Mas no
profundo do nosso coração, sabemos que escolher aquela
determinada coisa, seria contra o desejo máximo de Deus.
Somente aqueles que tremem da Palavra de Deus escolheriam
aquilo que parece menos benéfico.
Em 2 Reis, capítulo 2, Elias falou três vezes para Eliseu
permanecer onde estava. Cada ordem era outro teste. Teria sido
mais fácil para Eliseu ficar, mas insistiu: Tão certo como vive o
Senhor e vive a tua alma, não te deixarei (2Rs 2:2). Ele sabia que a
recompensa celestial era mais importante do que o seu conforto
temporário!
SEMELHANTE POR FORA, DIFERENTE POR DENTRO
Exteriormente ou fisicamente, não podemos observar
diferença entre Moisés e os filhos de Israel. Eles eram todos
descendentes de Abraão. Todos haviam deixado o Egito sob a
intervenção do poder sobrenatural de Deus. Todos estavam na
posição de herdeiros das promessas de Deus. Todos professavam
conhecer e servir a Jeová. A diferença estava oculta nos recantos
internos dos seus corações. Moisés temia a Deus; então, tinha
percepção do coração de Deus e dos seus caminhos. Mas pelo fato
de os filhos de Israel não temeram a Deus, ficaram cegos e a sua
compreensão foi obscurecida.
Hoje não é diferente. O cristianismo se tornou quase um
clube. Você se lembra bem do que é um clube desde que era
criança. Você se associou a um clube por causa da necessidade de
pertencer. Na segurança de um clube, você estava unido aos
outros sócios por causa de um interesse ou causa comum. É bom
se sentir parte de algo maior que você. O clube estava por trás de
você e lhe dava um senso de segurança.
Há muitos que professam ser cristãos, mas não temem a
Deus mais do que aqueles que nunca puseram os pés na igreja.
Como sócios protegidos do clube do cristianismo, por que eles
deveriam ter medo? Aliás, até os demônios tremem mais que
algumas pessoas que estão nas igrejas. Tiago advertiu aqueles que
professavam a salvação, mas que não tinham temor de Deus: Crês
tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem!
(Tg 2:19)
Essas pessoas vêm às nossas igrejas, trabalham nas equipes
de ministério e pregam nos púlpitos. Vêm de todas as posições
sociais, desde os guetos até a vida excêntrica de Hollywood.
Confessam salvação e amam as promessas de Deus, mas são
míopes e não temem a Deus como os filhos de Israel.
Judas, irmão do Senhor, previu esse dia e advertiu que as
pessoas iriam frequentar nossas igrejas e professar a salvação
pela graça de Deus, por causa da sociedade no clube do
cristianismo. Eles iriam frequentar as reuniões dos crentes e
participar sem temor, o tempo todo servindo apenas a eles
mesmos (Jd 12).
Em Mateus 7:21-23, Jesus disse que haveria aqueles que ex-
pulsariam demônios e fariam outras maravilhas em seu nome,
chamando-o de Senhor e Salvador, porém, seriam negligentes na
sua vida de obediência à vontade de Deus. Jesus descreveu essa
condição como "joio que cresce no meio do trigo". Você não
consegue dizer facilmente qual a diferença entre o trigo e o joio.
Da mesma maneira que Israel, o fogo da presença gloriosa de
Deus vai expor, finalmente, o conteúdo de cada coração. Essa será
a condição para a igreja entrar na época da colheita (Mt 13:26).
Malaquias profetizou que nos últimos dias Deus enviaria
uma voz profética, como Ele fez com Samuel, Moisés e João
Batista, para preparar o seu povo para a sua glória. Porém, não
seria apenas um, mas muitos mensageiros proféticos. Esses
mensageiros surgiriam com tal unidade de propósito que falariam
como um só homem, clamando aos que estão sendo enganados
para se voltarem ao Senhor de todo o coração.
Assim, a ordem divina será restaurada no coração do povo
de Deus. Esses profetas não são mensageiros de julgamento, mas
de misericórdia. Através deles, o Senhor chama os seus para
escaparem do juízo. Diz Malaquias:
Eis que eu envio o meu mensageiro que preparará o caminho
diante de mim; de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós
buscais [...] Mas quem pode suportar o dia da sua vinda? E quem
pode subsistir quando ele aparecer? Porque Ele é como o fogo do
ourives e como a potassa dos lavandeiros (Ml 3:1,2).
Malaquias não está descrevendo o arrebatamento da igreja.
Ele diz que o Senhor virá ao seu templo, e não para o seu templo.
Oséias disse que após dois mil anos o Senhor viria a nós, o seu
templo, como a última chuva. Isso fala da glória de Deus
manifesta. Malaquias pergunta, então: Mas quem pode suportar o
dia da sua vinda? E quem subsistir quando ele aparecer? Os dois
profetas confirmam que esse evento não é o arrebatamento da
igreja.
Malaquias responde a sua própria pergunta, apresentando
dois resultados da presença gloriosa de Deus. Primeiro, ela vai
refinar e purificar os que o temem (Ml 3:16-17). Segundo, vai
julgar os corações daqueles que dizem que o servem, mas na
realidade não o temem (vv. 3:5 e 4:1). Depois dessa purificação,
ele nos diz:
Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso,
entre o que serve a Deus e o que não o serve (Ml 3:18).
Antes que a glória se manifeste, você não pode distinguir
uma pessoa que serve a Deus de outra que meramente oferece um
culto de lábios aoSenhor. A hipocrisia não pode se esconder da
luz da glória de Deus. A mentalidade de clube finalmente vai
acabar. Isso nos ajuda a compreender melhor a firme advertência
de Jesus para os crentes do Novo Testamento:
Digo-vos, pois, amigos meus: Não temais os que matam o
corpo, e, depois disso nada mais podem fazer. Eu, porém, vos
mostrarei a quem deveis temer: Temei aquele que, depois de matar,
tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis
temer (Lc 12:4, 5).
O temor de Deus nos impede de seguir o caminho destrutivo
do engano. Moisés disse que o temor de Deus no coração do seu
povo é a força para viver livre do pecado (Êxodo 20:20). Salomão
escreveu: Pelo temor do Senhor os homens evitam o mal (Pv 16:6).
Jesus advertiu os crentes com um propósito específico e precedeu
a sua exortação sobre o temor Deus com uma advertência sobre a
armadilha enganosa da hipocrisia:
Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que
não venha a ser conhecido (Lc 12:2).
Quando nós encobrimos ou escondemos o pecado para pro-
teger nossa reputação, colocamos um véu sobre os nossos
corações. Pensamos equivocadamente que esse véu nos faz
parecer puros quando, na verdade, não estamos puros. Isto
finalmente conduz à hipocrisia. Assim, não apenas enganamos os
outros, mas também a nós mesmos (2Tm 3:13). Como os filhos de
Israel, estamos cegos e não podemos ver.
O temor de Deus é a nossa única proteção contra a
hipocrisia. Não vamos esconder o pecado em nossos corações
porque vamos temer a Deus mais do que as opiniões dos homens
mortais. Vamos nos importar mais com o que Deus pensa de nós
do que com o que os homens pensam. Vamos nos importar mais
com os desejos de Deus do que com o nosso conforto temporário.
Vamos considerar a sua Palavra mais valiosa do que a dos
homens. Vamos voltar os nossos corações para o Senhor! E Paulo
diz:
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe
é retirado (2Co 3:16).
O temor do Senhor nos impede de
comprometer a verdade de Deus para
perseguir a satisfação pessoal.
Possivelmente faltando página 178
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe
é retirado (2Co 3:16).
Que promessa poderosa! Quando nos convertemos ao
Senhor, todo véu que nos impede de contemplar a glória de Deus é
removido!
Antes de prosseguir, quero enfatizar a implicação e
significado deste texto bíblico. Precisamos qualificar esta
declaração, porque muitas vezes o pleno impacto do que Paulo
está dizendo pode se perder na nuvem da nossa atua! mentalidade
de clube de cristianismo.
Jesus propôs uma pergunta surpreendente, que muitas
vezes pulamos e evitamos hoje. Ele perguntou: Porque me
chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? (Lc 6:46)
A palavra grega para Senhor é kurios. Ela significa "supremo em
autoridade". Ela também tem uma conotação de propriedade.
O Senhor é o criador, governador e proprietário do universo.
Como Autoridade Suprema, Ele colocou o homem com autoridade
delegada no jardim. O homem entregou para Satanás seu domínio
delegado sobre a terra (Lc 4:6). Na cruz, Jesus redimiu o que havia
sido perdido. Agora temos uma escolha: podemos entregar o
domínio completo de nossas vidas a Jesus, ou reter e permanecer
presos, sob o domínio de um mundo perdido e agonizante. Não há
uma terceira opção, nenhum meio termo, nenhum caminho
intermediário.
Quando não tememos a Deus e não o honramos como
Senhor, retemos uma parte do controle de nossas vidas. Podemos
confessar a Jesus como Senhor, mas nossa irreverência é
evidenciada pelo fruto de nossas vidas. Se tememos a Deus, nós
vamos nos render completamente à autoridade dele como Rei e
Senhor. Isto permite que o Senhor assuma aposse total e irrestrita
sobre nossa vida. Nos tornamos os seus servos.
Paulo, Timóteo, Tiago, Pedro e Judas se referiram a si mes-
mos, em suas epístolas, como servos (Rm 1:1; Cl 4:2; Tg 1:1; 2Pe
1:1 e Jd 1). Um servo entrega-se voluntariamente ao serviço como
pagamento de uma dívida. Não é escravidão, porque um escravo
não tem escolha nessa questão. A servidão é voluntária. Servimos
por amor, confiança e temor reverente de Deus. Nós lhe damos de
boa-vontade o domínio total e incondicional sobre nossas vidas.
É por isso que Paulo pôde enfrentar corajosamente as
cadeias, as tribulações e os sofrimentos que o esperavam em cada
cidade. Ele pôde dizer com determinação: E agora, constrangido
em meu espírito, vou para Jerusalém (At 20:22). O Senhor obrigou
Paulo? Absolutamente, não! Paulo compreendeu que ao cumprir a
vontade de Deus, poderia sofrer. Mas Paulo havia escolhido fazer a
vontade de Deus acima do seu próprio conforto. Havia entregue
livremente o domínio total e incondicional da sua vida a Jesus.
Paulo se referiu aos sofrimentos extremos que iria encontrar
com estas palavras: Porém, em nada considero a vida preciosa
para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o
ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o
evangelho da graça de Deus (At 20:24). Estava comprometido, não
importava o custo. Somente o nosso amor por Deus, associado a
um santo temor por Ele, satisfaz nossa resposta ao seu senhorio.
Esse é o compromisso requerido de todos os que seguem a Jesus
(Lc 14:25-33).
Quando Jesus perguntou: Por que me chamais, Senhor,
Senhor, e não fazeis o que vos mando? Ele estava dizendo na
verdade: "Não se engane em me chamar de 'Senhor' enquanto
continua vivendo a sua vida como se você mesmo fosse o seu
dono".
O VÉU DO ENGANO
A vida do rei Saul exemplifica este conceito. Deus lhe enviou
uma ordem através do profeta Samuel. Saul foi instruído a reunir
o seu exército para atacar Amaleque e destruir completamente
tudo que respirasse: todos os homens, mulheres, crianças e
animais.
Saul não rejeitou as instruções de Samuel dizendo:
"Absolutamente não!" E saiu pisando duro em direção oposta. Isso
seria desobediência óbvia. Em vez disso, Saul deu ouvidos, reuniu
o seu exército e atacou Amaleque. Nesse ataque, dezenas de
milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos. Saul
poupou apenas o rei dos amalequitas. Talvez ele quisesse outro rei
como um troféu para servi-lo em seu palácio.
Além disso, provavelmente milhares de animais foram
mortos também. Saul poupou apenas algumas das melhores
ovelhas, cordeiros e bois. Ele pensou que as pessoas poderiam
sacrificar esses animais ao Senhor, mesmo que fosse "bíblico".
Para alguém que não tivesse ouvido as palavras do profeta, Saul
poderia passar por um rei religioso. "Olhe, ele sacrifica apenas o
melhor para o Senhor!"
Depois dessa campanha, Deus falou com Samuel:
Arrependo-me de haver constituído rei a Saul; porquanto deixou de
me seguir, e não executou as minhas palavras (1 Sm 15:11).
No dia seguinte, Samuel foi confrontar Saul. Quando viu
Samuel chegando, ele, entusiasmado, o recebeu com a saudação:
Bendito sejas tu do Senhor; executei as palavras do Senhor (ISm
15:13).
Espere um momento! Não era essa a impressão de Deus
definitivamente! Nós acabamos de ler a opinião de Deus. O que
aconteceu aqui? Como poderia haver opiniões tão diferentes sobre
o mesmo incidente? Saul realmente acreditava que havia
obedecido a Deus. Como poderia haver tal discrepância? Tiago
explica isto:
Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1:22).
Quando nós ouvimos a Palavra de Deus e não a praticamos,
enganamos os nossos próprios corações! Assim, uma pessoa pode
realmente acreditarque é obediente a Deus quando, na verdade,
está agindo em desobediência. Esta é uma revelação tão
assustadora quanto séria! O engano encobre o coração e obstrui a
verdade. Quanto mais uma pessoa desobedece, mais espesso e
mais resistente o véu se torna, sendo cada vez mais difícil de
remover.
Permita-me reiterar alguns pontos importantes. Primeiro,
Saul não saiu pisando duro nem se recusou a fazer como lhe foi
falado. Ele atendeu. Segundo, matou dezenas de milhares de
pessoas e poupou apenas um. Matou todos os milhares de
animais, menos alguns. Ele fez talvez 99% do que lhe foi ordenado
fazer. Porém, Deus chamou a sua obediência quase completa de
rebelião! (v. 23).
Hoje nós diríamos: "Está tudo certo; foi um bom esforço."
Nós podemos até defender Saul, destacando: "Afinal de contas, ele
fez quase tudo. Vamos lhe dar o crédito pelo que fez certo! Por que
destacar apenas uma coisa que não fez? Olhe tudo que ele fez!
Não seja tão duro com o pobre Saul!"
Aos olhos de Deus, a obediência parcial ou seletiva é igual à
rebelião contra a sua autoridade. É a evidência da falta do temor
de Deus!
Uma vez, estava no Canadá preparando-me para ministrar.
Nós estávamos no meio do louvor e adoração, quando o Espírito
do Senhor fez esta pergunta: "Você sabe o que é um espírito
religioso?"
Embora eu tenha escrito e pregado sobre espíritos religiosos
e como eles operam, soube imediatamente que minha informação
devia ser, na melhor das hipóteses, limitada. Tenho aprendido que
sempre que Deus faz uma pergunta Ele não está procurando
informação. Eu respondi: "Não, Senhor, por favor me diga".
Ele respondeu rapidamente: "Uma pessoa com um espírito
religioso é alguém que usa a minha Palavra para executar a sua
própria vontade!" Em outras palavras, é quando tomamos o que o
Senhor disse e acrescentamos os nossos próprios desejos.
Eu tive muito temor da sabedoria dada pelo Espírito de
Deus. Apliquei isto à situação de Saul. Eu pude ver como Saul fez
o que lhe foi ordenado, porém, acrescentou os seus próprios
desejos. O coração de Deus não era o seu alvo. Saul havia visto
uma oportunidade de se beneficiar e fortalecer sua posição sobre o
seu povo e ele a agarrou. Isso é senhorio? Isso é tremer da Palavra
de Deus? O temor do Senhor nos impede de comprometer a
verdade de Deus para perseguir a satisfação pessoal. Então, nós
vamos obedecer a Palavra de Deus, não importa o custo.
EM QUAL ESPELHO VOCÊ ESTÁ SE CONTEMPLANDO?
Ouça novamente as palavras de Tiago:
Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é
ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que
contempla num espelho o seu rosto natural; pois a si mesmo se
contempla e se retira, e para logo se esquece de como era a sua
aparência (Tg 1:22-24).
Tiago usa este exemplo natural para ilustrar o que realmente
acontece no espírito quando nós não somos submissos ao
senhorio de Jesus. Quando não trememos da sua Palavra com
obediência incondicional, é como olharmos a nós mesmos em um
espelho, depois nos afastarmos como se não houvéssemos olhado,
e voltar, porque esquecemos como era a nossa aparência.
Podemos ver enquanto estamos olhando no espelho, mas assim
que nos afastamos, esquecemos o que vimos, como se fôssemos
cegos.
Isto explica porque as pessoas podem ler, ouvir e até mesmo
pregar a Palavra de Deus, porém, viver como aqueles que não a
conhecem. Há pouca mudança em suas vidas. Virtualmente não
acontece nenhuma transformação. O salmista descreve a condição
daqueles que frequentam a casa de Deus, ouvem a sua Palavra e
ainda permanecem sem transformação. Ele diz: Porque não há
neles mudança nenhuma e não temem a Deus (Sl 55:19).
Eles confessam que são salvos, porém, permanecem sem a
transformação pelo poder de Deus. São profanos, ingratos,
desafeiçoados, desobedientes e irreconciliáveis e também exibem
outros traços de caráter que não os torna diferentes de alguém
que nunca ouviu a Palavra de Deus. Provavelmente não fumam,
não bebem, não juram como os pagãos das ruas, mas, por dentro,
seus motivos são iguais aos das pessoas egoístas. Paulo descreveu
a condição deles como sendo pessoas que aprendem sempre, mas
jamais chegam a aplicar o conhecimento da verdade. Eles seriam
enganados (2 Tm 3:1-7,13).
No deserto, os filhos de Israel sofreram dessa miopia de
coração encoberto por um véu. O véu foi chamado de engano.
Ouviram a Palavra de Deus e viram o seu grande poder,
entretanto, permaneceram exatamente os mesmos. A falta do
santo temor escureceu os seus olhos espirituais.
Sem o verdadeiro arrependimento, o véu se tornou cada vez
mais espesso até ao ponto da cegueira. Seus corações ficaram
cegos para o tipo de pessoas que haviam se tornado. Enquanto
eles celebravam a libertação do Egito (o mundo), perderam contato
com os propósitos de Deus e se afastaram, embora encurvados,
quando a presença gloriosa de Deus foi revelada. O mesmo pode
acontecer conosco se não prestarmos atenção às advertências de
Deus.
Paulo nos diz o que vai acontecer quando nós nos
submetermos ao senhorio de Jesus, temendo a sua presença e
tremendo da sua Palavra.
Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe
é retirado [...] E todos nós com o rosto desvendado, contemplando,
como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de
glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o
Espírito (2Co 3:16, 18).
Como Tiago, Paulo usou a analogia de olhar num espelho.
Porém, não é uma imagem natural que contemplamos, mas a
própria glória de Deus, que é revelada na face de Jesus Cristo
(2Co 4:6). Esta imagem é revelada em nossos corações quando não
somente ouvimos a Palavra de Deus, mas também somos
obedientes em praticá-la. Tiago confirma isto:
Mas aquele que considera atentamente na lei perfeita, lei da
liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas
operoso praticante (que obedece), esse será bem-aventurado no que
realizar (Tg 1:25). (Parênteses acrescido pelo autor).
A lei perfeita da liberdade é Jesus. Ele é a Palavra viva e
revelada de Deus. João nos diz: Pois há três que dão testemunho
no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um (1
Jo 5:7).
Quando nós buscamos a Jesus diligentemente,
permanecemos atentos à sua Palavra sob a liderança do Espírito
Santo e obedecemos ao que é revelado, nossos olhos permanecem
abertos e sem o véu. Então, nós podemos perceber a glória de
Deus!
Lembre-se de que o desejo de Deus é que nós possamos con-
templar a sua glória! Ele lamentou quando Israel não pôde
permanecer na sua presença gloriosa, devido à falta de temor
piedoso. Apenas aqueles que tiverem seus corações desvendados
podem contempla-lo!
Quando contemplamos a glória de Deus no espelho da sua
Palavra revelada, somos transformados à sua imagem pelo
Espírito de Deus! Glória a Deus! Agora você pode entender a
advertência do escritor de Hebreus:
Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais
firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos
desviemos (Hb 2:1).
Há um chamado para todo crente - ser conformado à
gloriosa imagem de Jesus Cristo (Fp 3:14 e Rm 8:29). Mas se nós
não formos diligentes em obedecer a Palavra de Deus, vamos
inconscientemente nos desviar do curso que estabeleceu diante de
nós. Você já imaginou tentar dirigir com os olhos vendados? Você
poderia até dar partida, mas, num instante, seu carro se desviaria
do caminho! Você não pode ver para onde está indo, se tiver os
olhos vendados. A obediência a Deus mantém seus olhos bem
abertos!
A LUZ QUE GUIA TODO O NOSSO SER
Somos transformados naquilo que contemplamos. Se há um
véu sobre os nossos olhos espirituais, então nossa imagem doSenhor é distorcida. Em nossas mentes, a imagem dele toma a
forma de homem corruptível, em vez do Deus incorruptível que Ele
realmente é. Então nós vemos os caminhos de Deus através da luz
escura da cultura em que nós vivemos. É por isto que Israel
experimentou milagres e manifestações poderosas, todavia,
rapidamente passavam a se comportar como as nações que não
conheciam ao Senhor. Jesus disse:
Seus olhos são a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem
bons, todo o teu corpo será luminoso. Se, porém, os teus olhos forem
maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que
em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! (Mt 6:22, 23)
A lâmpada que dá direção ao nosso corpo (nosso ser) são os
olhos. Esta imagem da lâmpada fala não apenas da visão física,
mas também dos olhos do coração (Ef 1:18). Nosso ser inteiro
segue a percepção e a direção dos olhos. Se nossos olhos
contemplam a Palavra viva de Deus (Hb 6:5), todo o nosso ser se
enche da luz da natureza de Deus (1 Jo 1:5). Somos
continuamente transformados na luz desta verdade; estamos
seguros e não nos desviaremos do curso.
Jesus continuou a dizer que aquele cujos olhos atentam
para o mal teria seu ser inteiro inundado pela natureza das trevas.
Isto descreve o coração escuro de um incrédulo.
Mas vamos olhar de perto sua última declaração: Portanto,
caso a luz (que é sua percepção de Jesus) que em ti há sejam
trevas, que grandes trevas serão! (Mt 6:23) Essa declaração não é
feita para os incrédulos, mas para as pessoas que conhecem a
Palavra de Deus. A luz está em nós. Jesus está dizendo que se a
nossa percepção está escura ou encoberta devido a falta de santo
temor, estas trevas serão realmente maiores do que as trevas que
envolvem aqueles que nunca viram ou ouviram a verdade. (Jd
12,13eLc 12:47,48), (Parênteses acrescentado pelo autor).
Recorde as palavras de Deus a respeito daqueles que
afirmavam conhecê-lo mas não tinham temor para com Ele. De
que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha
aliança, uma vez que aborreces a disciplina, e rejeitas as minhas
palavras? (Sl 50:16, 17) Estes são os que confessam a sua crença
na Palavra de Deus e até mesmo pregam sobre ela, mas a luz que
está neles são grandes trevas. Com os olhos encobertos, vêem
Deus como vêem a si mesmos, em vez de vê-lo como realmente é.
Deus diz: Tens feito estas cousas e eu me calei; pensavas que eu
era teu igual (Sl 50:21).
DESENVOLVAM A SUA SALVAÇÃO
Pedro nos encoraja a ver que Deus nos tem dado ... as suas
preciosas e mui grandes promessas para que por elas vos torneis
co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das
paixões que há no mundo (2Pe 1:2-4). "Co-participantes da
natureza divina!" Que promessa!
Ele explica que o cumprimento dessa promessa seria
condicional e progressivo, pois ele diz: Temos assim tanto mais
confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a
uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e
a estrela da alva nasça em vosso coração (2Pe 1:19). A condição:
atender às mui grandes e preciosas promessas. A progressão: à
medida que nós trememos e obedecemos, então a luz da glória de
Deus vai brilhar. Ela começa como a força do amanhecer e
continua de glória em glória até brilhar por completo, como o sol.
Provérbios 4:18 nos diz: Mas a vereda do justo é como a luz da
aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. No dia
perfeito nós brilharemos como o sol, para sempre (Mt 13:43). Nós
não vamos refletir a glória de Deus -nós vamos emiti-la! Aleluia!
Quando contemplamos a glória do Senhor no espelho da sua
Palavra revelada, nós estamos "sendo transformados (mudados)
na mesma imagem do Senhor, de glória em glória". Isto descreve o
processo que a Bíblia chama de "desenvolver" a nossa salvação.
Paulo dá instruções específicas sobre isto aos Filipenses.
Enquanto você lê suas instruções, pondere sobre o fato de que se
estas mesmas instruções tivessem sido atendidas por Israel,
teriam sido poupados do destino indesejável de perecer no deserto.
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só
na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência,
desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é
quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua
boa vontade (Fp 2:12, 13).
Eu sei que esta carta é de Paulo para os Filipenses, mas ela
representa uma carta do Senhor para nós. Toda a Escritura é
dada pela inspiração do Espírito Santo, e não há interpretação
particular. Devemos ler este versículo como se Deus estivesse
falando pessoalmente conosco. Antes de continuar, leia Filipenses
2:12-13 novamente, sob esta visão.
Estes versículos ilustram como o temor de Deus nos dá
forças para obedecê-lo, não apenas na sua presença, mas também
na Sua ausência. As Escrituras descrevem dois aspectos
diferentes da presença de Deus. Primeiro, há onipresença. Em
termos simples, Deus está em todos os lugares. Davi descreveu
isso desta maneira: Para onde me ausentarei do teu Espírito ? Para
onde fugirei da tua face ? Se subo ao céu lá estás; se faço a minha
cama no mais profundo abismo (inferno), lá estás também (SI
139:7-8). (Parênteses acrescido pelo autor). Esta é a presença que
Ele promete: nunca nos deixará ou j amais nos abandonará (Hb
13:5).
Segundo, há a presença tangível de Deus, ou manifesta, isto
é, quando a presença dele se torna real para nós neste mundo
natural.
Nós geralmente sentimos seu amor durante os cultos,
sentimos seu calor quando o adoramos e sentimos seu poder
quando oramos. E fácil obedecer a Deus nos momentos em que
nossas orações acabaram de ser respondidas, suas promessas se
cumpriram e a alegria é abundante. Mas uma pessoa que teme a
Deus é aquela que vai obedecer até mesmo em tempos difíceis,
quando não há a presença tangível de Deus para encorajá-la.
O RESOLUTO TEMOR DE DEUS
Vamos considerar José, o bisneto de Abraão. Em sonho,
Deus mostrou a José que ele seria um grande líder, governando
até mesmo sobre seus irmãos! Mas o que aconteceu logo depois
que ele recebeu essa promessa? Um dia, os irmãos, sobre quem
José estava destinado a governar, ficaram com inveja dele e o
lançaram numa cova. Muitos hoje poderiam se perguntar,
chocados: "Como Deus pôde permitir isso? Esse sonho era uma
grande gozação?" Depois do choque inicial, ficariam ofendidos com
Deus. A ofensa deles é outra manifestação da falta de santo temor!
Contudo, não encontramos nenhum registro de murmuração de
José.
Os mesmos irmãos de José o venderam como um escravo
para uma nação estrangeira. Ele serviu na casa de Potifar, um
adorador de ídolos, por mais de dez anos. Dez anos - pense nisto!
A cada dia o sonho que recebera de Deus deve ter parecido mais
distante e fútil. A maioria de nós teria ido além de questionar a
Deus, e depois de dez anos, nós já teríamos desistido! Mesmo
assim, não encontramos evidência de murmuração em José. Ele
não abandonou a sua esperança, não esqueceu seu sonho nem se
rendeu ao desânimo. Ele temia a Deus.
Por outro lado, os filhos de Israel se entregavam à
reclamação e à murmuração. A paciência de José suportou dez
anos de escravidão, enquanto a paciência dos israelitas acabou
depois de alguns meses. Hoje, muitos reclamam quando nossas
orações não são respondidas dentro de algumas semanas. Como
somos diferentes de José, você não acha?
José estava isolado e sozinho em uma terra pagã, longe de
tudo que conhecia e amava. Ele não tinha comunhão com crentes.
Não havia nenhum irmão em quem pudesse confiar. Nesse estado
de solidão, a esposa do seu senhor tentou seduzi-lo. Vestida com
roupas de seda e perfumada com os melhores óleos do Egito, a
esposa de Potifar diariamente insistia com José paraque se
deitasse com ela.
Eu gosto muito da maneira como José demonstrou seu
temor a Deus. Embora tivesse experimentado o sofrimento e a
decepção, não se rendeu à esposa de Potifar. Se tivesse perdido
seu piedoso temor e estivesse ofendido com Deus, não teria força
para resistir à tentação. Rejeitou a esposa de Potifar: Como, pois,
cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? (Gn 39:9)
A obediência de José a Deus o lançou no calabouço do
Faraó. A essa altura, quantos ainda escolheriam confiar em Deus
e obedecê-lo? Muitos cairiam vítimas nas garras mortais da
amargura (Hb 12:15). José permaneceu na prisão por mais de dois
anos. Contudo, nós ainda não encontramos nenhuma evidência
de murmuração ou amargura. Até mesmo na escuridão da prisão
e no confinamento das cadeias, José continuou temendo a Deus!
Nenhum desapontamento desviou o seu coração de Deus.
O que é mais poderoso, é que em todo o seu sofrimento, José
ainda ministrou aos seus companheiros de prisão. Durante a sua
aflição, ele os confortou, interpretando seus sonhos e falando-lhes
sobre Jeová.
A MURMURAÇÃO IMPEDE A TRANSFORMAÇÃO
Os descendentes de José eram muito diferentes. Obedeciam
quando seus desejos eram satisfeitos e quando Deus manifestava
seu grande poder a favor deles. Sempre que se sentiam
desencorajados ou abandonados, rapidamente se deixavam levar
pela desobediência. O primeiro sintoma de afastamento sempre
aparece em forma de murmuração.
Aqueles que se ofendem com Deus não estão sendo apenas
tolos, como também estão se opondo diretamente a Ele. Pelo
contrário, estão resistindo à sua Palavra ou à sua liderança. Os
filhos de Israel se queixaram dos seus líderes, mas Moisés
respondeu-lhes: As vossas murmurações não são contra nós, e sim
contra o Senhor (Êx l6:8).
A murmuração é uma assassina. Ela produzirá um curto
circuito na vida de Deus em você, mais rápido do que qualquer
outra coisa! A murmuração, indiretamente, diz ao Senhor: "Eu
não gosto do que Tu estás fazendo em minha vida e se eu fosse o
Senhor, faria de maneira diferente". A murmuração não é nada
mais do que uma manifestação de insubordinação contra a
autoridade de Deus. Ela é extremamente irreverente! Deus odeia a
murmuração! José temia a Deus e ele nunca murmurou. É por
isto que o Senhor nos admoesta:
...Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque é
Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a
sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas (Fp
2:12-14).
Deus nos adverte severamente a não permitirmos que a
reclamação lance raízes nos nossos corações. Nós não ficamos
desamparados por seu intenso ataque. O temor do Senhor é a
força dentro de nós que impede a presença deste sentimento em
nosso coração. Provérbios confirma isto:
O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços de
morte (Pv 14:27).
José viveu em um deserto espiritual por mais de doze anos.
Parece que nada estava indo bem. Não havia nada para fortalecê-
lo ou encorajá-lo. Mas havia uma fonte no profundo do íntimo de
José - fonte de onde provinha a força de que ele necessitava para
obedecer a Deus em tempos difíceis e áridos. Esta fonte era o
temor de Deus!
Ele pôde evitar as armadilhas do ódio, da ofensa, do ciúme,
do ressentimento, do desgosto e do adultério por meio das águas
vivas daquela fonte. Enquanto outros teriam caído nas armadilhas
de morte, José pôde se voltar e ministrar a outros - até mesmo nas
horas mais sombrias.
José era sábio em seu comportamento porque ele temia a
Deus. O temor do Senhor é a instrução da sabedoria (Pv 15:33).
Aqueles que temem a Deus são sábios. Daniel nos mostra:
Os que forem sábios, pois, resplandecerão, como o fulgor do
firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as
estrelas, sempre e eternamente (Dn 12:3).
José passou no último teste do coração dando de si mesmo e
declarando a fidelidade de Deus na hora mais sombria. Não
passou muito tempo para que a sabedoria de José o levasse a
brilhar esplendidamente no Egito. A sua virtude não podia ser
escondida, mas foi revelada a toda uma nação pagã.
E interessante observar o comportamento de José, enquanto
estava preso e sua reação aos companheiros, que o conduziu à
sua promoção. Em Gênesis 40, nós lemos que o copeiro-chefe e o
padeiro-chefe do Faraó estavam entre os prisioneiros. Ambos
tiveram sonhos que foram interpretados por José. Para o copeiro,
José anunciou o significado do sonho:
Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três
ramos são três dias; dentro de ainda três dias o Faraó te reabilitará
e te reintegrará no Teu cargo, e tu lhe darás o copo na própria mão
dele, segundo o costume antigo, quando lhe eras copeiro (Gn 40:12,
13).
Mas, para o padeiro a interpretação não era tão boa.
Então, lhe disse José: A interpretação é esta: os três cestos
são três dias; dentro de ainda três dias, Faraó te tirará fora a
cabeça e te pendurará num madeiro, e as aves te comerão as
carnes (Gênesis 40:18,19).
Se houvesse qualquer vestígio de murmuração no coração de
José ele não teria ministrado ao copeiro ou ao padeiro. Se ele não
tivesse ministrado a eles, poderia ter permanecido na prisão até
sua morte.
Em seus momentos finais, José ainda estaria murmurando a
respeito do que parecia ser infidelidade de Deus quando, na
realidade, a promessa de Deus teria sido abortada pela sua falta
de temor piedoso. Mas Deus foi fiel para libertar José das cadeias
da prisão. No tempo certo, foi convocado pelo Faraó para
interpretar um sonho, pela recomendação de ninguém mais senão
o copeiro-chefe. E uma nação inteira foi livre da fome porque um
homem, José, temia ao Senhor.
Na segunda metade do século vinte, a igreja tem
demonstrado falta do temor a Deus. Portanto, nós somos vistos
como um opróbrio, ao invés de estrelas brilhantes, diante da
nossa nação necessitada. Os nossos pecados são frequentemente
difundidos pela mídia, perdemos o respeito que os crentes
deveriam receber. Não temos demonstrado as qualidades de
fidelidade e temor a Deus encontradas em José. Que Deus nos
ajude com a sua graça!
RESPLANDECENDO A SUA GLÓRIA
Jó foi outro homem que sofreu grandemente. Ele também foi
penosamente provado. Tentou compreender tudo que estava
sofrendo, mas caiu em desespero. Seus amigos vieram lhe dar
conselhos, mas suas palavras não ajudaram em nada e somente
acrescentaram confusão a Jó. Ele procurou pela sabedoria, mas
ela se esquivou dele. Deus ficou calado enquanto Jó e seus amigos
compartilhavam suas tentativas fúteis para compreender os
caminhos de Deus, que esperou até que todas as opiniões deles
exaurissem. Ele enviou um sábio pregador chamado Eliú. Mas,
depois disso:
Depois disto, o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu
a Jó: Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras
sem conhecimento? Cinge, pois, os teus lombos como homem, pois
eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu
lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento
(Jó 38:1-4).
Deus continuou a falar até que Jó foi subjugado pela
tremenda sabedoria, compreensão e força de Deus. Jó foi
dominado pelo santo temor e clamou:
Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser
frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento
encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas
maravilhosas demais para mim, cousas que eu não conhecia.
Escuta-me, pois, havia dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me
ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te
vêem. Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza (Jó
42:2-6)
Jó temeu a Deus. Viu Deus e foi transformado. A sua dor
física e a sua perda nãohaviam diminuído, mas adquiriu um
sentido maior do santo temor. Esse temor trouxe a sabedoria de
que Jó necessitava. Assim como José havia ministrado em meio a
sua dor e sofrimento, Jó se voltou para os outros e ministrou.
Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus
amigos; e deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra [...] Então
morreu Jó, velho e farto de dias (Jó 42:10-17).
Jó brilhou com sabedoria e força maior do que tivera antes.
Muitas pessoas hoje continuam a receber revelação através da dor
e da sabedoria. Nós podemos ver por que Deus nos adverte
fortemente:
Fazei tudo sem murmurações nem contendas. (Fp 2:14)
O que nos dá a capacidade de caminharmos livres destas
atitudes negativas? O temor de Deus. Quando nós tememos a
Deus, nossos corações são descobertos. Quando contemplamos a
glória de Deus, somos transformados pela imagem que
contemplamos.
Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus
inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual
resplandeceis como luzeiros no mundo; preservando a palavra da
vida... (Fp 2:15, 16)
A Bíblia Ampliada diz assim: (Nota do Tradutor: referência
extraída da tradução revista e atualizada)
Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus
inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual
resplandeceis como luzeiros no mundo (estrelas ou farol que
brilham intensamente) (Fp 2:15, 16) (Parênteses acrescido pelo
autor).
Glória a Deus eternamente! Nós, que tememos a Deus,
somos continuamente conformados à sua imagem, até
resplandecermos como luzeiros brilhantes em um mundo escuro.
Isto descreve a tremenda glória que sua igreja fiel vai emitir nestes
últimos dias.
No capítulo anterior, discutimos sobre como esta
transformação vai aumentar, até que a glória de Deus se
manifeste em nós tão fortemente que os pecadores serão atraídos
a Cristo pela nossa luz. Revendo o que Isaías disse, nós
encontramos:
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do
Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a
escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e
a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua
luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu (Is 60:1-3).
Deus manifestará a sua glória nesta Terra. Eleja disse como
fará isto: ...E eu tornarei mais gloriosa a casa da minha glória (Is
60:7). A casa da sua glória é o seu povo, o seu templo, aqueles
dentre nós que o temem e o amam. Zacarias previu a glória do
Senhor manifestando-se sobre o seu povo e disse:
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia sucederá que
pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão,
sim, na orla da veste de um judeu (um crente), e lhe dirão: Iremos
convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco (Zc 8:23).
(Parênteses acrescido pelo autor).
Zacarias não usou a terminologia que usamos hoje. Assim,
não podia dizer que os homens segurariam no braço de cada
cristão. Viu os nossos dias e os descreveu em seus próprios
termos. O que é muito empolgante é que estamos nos
aproximando rapidamente desses dias! Aleluia!
Temer a Deus é Crer em Deus. Crer em
Deus é obedecê-lo.
CAPÍTULO 12
AMIZADE COM DEUS
A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).
Agora, vamos discutir o que eu acredito ser o aspecto mais
emocionante de andar no temor de Deus. Este é o desejo do
coração de todo verdadeiro crente. É a única coisa que sempre
trará satisfação duradoura. É o motivo da criação de Deus e o seu
propósito na redenção, o próprio centro do coração de Deus e um
tesouro reservado para aqueles que o temem. Como introdução,
vamos retomar a sabedoria de Salomão:
O temor do Senhor é o princípio do saber (Pv 1:7).
Saber o quê? Salomão está se referindo ao saber científico?
Não; muitos cientistas exaltam o homem e não têm temor de
Deus. Este versículo se refere às realizações sociais ou políticas?
Não; porque os caminhos do mundo são loucura para Deus. É o
conhecimento das Escrituras? Não, porque embora os fariseus
fossem peritos na lei, estavam desagradando a Deus. Nossa
resposta é encontrada em Provérbios 2:5: Então entenderás o
temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Deixe-me
repetir isto para você em termos mais simples: você vai conhecer a
Deus intimamente. O salmista confirma isto dizendo:
A intimidade do Senhor é para os que o temem (Sl 25:14).
O temor do Senhor é o princípio, ou o ponto de partida, de
um relacionamento íntimo com Deus. A intimidade é um
relacionamento de mão dupla. Por exemplo, eu sei sobre o
presidente dos Estados Unidos. Eu posso listar várias informações
sobre as realizações dele e sua postura política, mas não o
conheço realmente. Não tenho um relacionamento pessoal com
ele. Aqueles que são parentes chegados do presidente e os seus
amigos íntimos o conhecem. Se nós estivéssemos na mesma sala,
reconheceria rapidamente o presidente, mas ele não me
conheceria. Embora seja um cidadão americano e conheça o
presidente, não poderia falar com ele como se ele fosse meu
amigo. Isto seria inapropriado e até mesmo desrespeitoso. Ainda
estaria sob sua jurisdição e autoridade como presidente e sob a
sua proteção como comandante-em-chefe, mas a autoridade dele
sobre mim não me concederia automaticamente uma relação de
intimidade com ele.
Outro exemplo: um de nós sente grande atração por uma
celebridade do esporte ou de Hollywood. Os nomes são comuns
em todos os lares americanos. A mídia tem descoberto a vida
pessoal deles através de numerosas entrevistas de televisão,
jornais e artigos de revista. Ouço os fãs falarem como se essas
celebridades fossem seus amigos íntimos. Tenho visto pessoas se
envolverem emocionalmente nos problemas conjugais dos seus
ídolos e tenho visto as pessoas lamentarem como se eles fossem
parte da família quando morrem seus heróis de algum esporte ou
do cinema.
Se esses fãs se encontrassem com seu herói célebre na rua,
não receberiam nem mesmo um aceno de cabeça em
cumprimento. Se forem corajosos o suficiente para parar essa
celebridade, poderiam descobrir que a verdadeira pessoa é
bastante diferente da imagem que ele ou ela representam. O
relacionamento entre celebridades e seus fãs é um relacionamento
de mão única.
Eu tenho lamentado este mesmo comportamento na igreja.
Escuto os crentes falarem sobre Deus como se Ele fosse apenas
um amigo, alguém com que costumam passar tempo. Contam
casualmente como Deus lhes tem mostrado isso ou aquilo. Dizem
o quanto desejam a presença e têm fome da unção de Deus.
Muitas vezes, os novos crentes ou ainda não-estáveis em seu
relacionamento com o Senhor se sentem desconfortáveis e
espiritualmente deficientes perto desses amigos íntimos de Deus.
Normalmente, dentro de pouco tempo você vai ouvir esses
indivíduos se contradizerem. Eles dirão algo que revela claramente
que o seu relacionamento com Deus não é diferente daquele entre
um fã e seu ídolo. Demonstram estar comentando um
relacionamento que simplesmente não existe.
O Senhor disse que nós não podemos sequer começar a
conhecê-lo intimamente, a menos que o temamos. Em outras
palavras, um relacionamento íntimo e a amizade com Deus sequer
tem início se o temor de Deus não estiver firmemente plantado nos
nossos corações.
Nós podemos assistir aos cultos, ir à frente em resposta a to-
dos os apelos do púlpito, ler a Bíblia diariamente e frequentar
todas asreuniões de oração. Podemos pregar sermões
maravilhosos e motivadores, trabalhar duro no ministério durante
anos e até mesmo receber o respeito e a admiração dos colegas.
Mas se não temermos a Deus, estaremos apenas escalando os
degraus da escada religiosa. Qual é a diferença entre estes rituais
religiosos e sofrer da síndrome de celebridade?
Conheço pessoas que podem falar mais sobre a vida pessoal
do seu ídolo do que falam sobre a sua própria vida. Eles estão
cheios de opinião, novidades, fatos e detalhes. Tal conhecimento
sobre alguém não garante intimidade com eles. Esses seguidores
de celebridades são como pessoas que observam a vida dos outros
pela janela. Eles vêem o quê, onde e quando, mas eles não sabem
o por quê.
AMIGO DE DEUS
Deus chamou dois homens de seus amigos nas Escrituras.
Isso não quer dizer que não teve outros, mas que Deus
reconheceu especificamente esses dois e intencionalmente
registrou essa amizade. Eu acredito que fez isso para nosso
benefício e para que pudéssemos receber discernimento sobre o
que Deus procura em um amigo.
O primeiro é Abraão. Abraão foi chamado de amigo de Deus
(2Cr 20:7). Quando Abraão tinha setenta e cinco anos, Deus
estabeleceu uma aliança com ele. Dentro dos parâmetros dessa
aliança, prometeu dar a Abraão o desejo do seu coração: um filho.
Antes do nascimento desse filho, Abraão cometeu vários erros,
alguns muito graves.
Porém, apesar de tudo, Abraão creu, obedeceu, e tinha plena
convicção de que Deus iria cumprir tudo o que havia prometido.
Quando Abraão tinha noventa e nove anos de idade, sua es-
posa ficou grávida e o seu filho prometido, Isaque, nasceu! Você
pode imaginar a alegria de Abraão e Sara depois de esperar tantos
anos? Pode imaginar o amor que eles tinham por esse filho
prometido?
APROVAÇÃO
O tempo passou e o relacionamento entre pai e filho os
tornou muito íntimos. A vida desse menino significava mais para
Abraão do que a sua própria vida. Sua grande riqueza não era
nada em comparação à alegria desse filho. Nada significava mais
para Abraão do que o filho precioso dado por Deus.
Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse:
Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma
teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de
Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te
mostrarei (Gn 22:1, 2).
Você pode imaginar o choque de Abraão ao ouvir estas
palavras? Ele nunca havia imaginado que Deus lhe pediria uma
coisa tão difícil. Ficou atordoado. Pai e filho eram tão íntimos!
Depois de todos aqueles anos de espera por aquele jovem
inestimável, Deus havia pedido mais do que a própria vida de
Abraão. Deus pediu o seu coração. Não fazia sentido.
Mas Abraão sabia que Deus não comete erros. Não havia
como negar o que Deus já havia falado claramente. Havia apenas
duas opções para um homem da aliança: obedecer ou quebrar a
aliança. Quebrar a aliança com Deus nem mesmo foi considerado
por esse homem de fé, tão imerso ele estava em seu temor
piedoso.
Sabemos que isso foi uma prova, mas Abraão não sabia. Nós
nunca sabemos que Deus está nos testando até que estejamos do
outro lado. É possível errar em um teste na universidade, mas
ninguém pode errar nos exames que Deus aplica. Se nós não
estudarmos nem fizermos a lição de casa purificando os nossos
corações e limpando as nossas mãos, não poderemos passar nos
testes de Deus, não importa quão inteligente sejamos!
Se os descendentes de Abraão tivessem conhecido o resulta-
do do que Deus estava fazendo no deserto ao pé do Monte Sinai,
eles teriam reagido de forma diferente. Abraão tinha algo diferente
no seu coração, algo que os seus descendentes não tinham.
Certa vez, Deus me pediu que abandonasse algo que eu pen-
sava que Ele me havia dado. Isso significava mais para mim do
que qualquer outra coisa. Eu o havia desejado durante anos. Era
um convite para trabalhar com um evangelista muito famoso, uma
pessoa a quem eu amava afetuosamente.
Ele e sua esposa ofereceram cargos de assistentes para mim
e minha esposa na sua equipe. Eu não apenas amava esse
homem, mas também via isso como uma oportunidade de Deus
realizar um sonho profundamente implantado no meu coração: eu
poderia pregar o evangelho para as nações do mundo.
Esperava plenamente que Deus dissesse sim a esta oferta
maravilhosa, mas Ele deixou claro que eu devia recusar o convite.
Passei dias lamentando por ter perdido esta oportunidade. Eu
sabia que havia obedecido a Deus, porém, eu não entendia porque
Ele me havia pedido para fazer uma coisa tão difícil. Depois de
semanas de confusão, finalmente clamei: "Deus, por que Tu me
fizeste colocar isto no altar?"
Ele respondeu depressa ao meu clamor: "Para ver se você
estava servindo a mim ou ao seu sonho".
Somente, então, entendi que eu havia sido provado. No meio
de toda esta situação, não havia percebido o que Ele estava
fazendo. As únicas coisas que me impediram de seguir o meu
próprio caminho foram o meu amor e o temor a Deus.
O TEMOR DE ABRAÃO A DEUS FOI CONFIRMADO
Eu gosto muito da maneira como Abraão reagiu à ordem
mais difícil de Deus: Levantou-se, pois, Abraão de madrugada (Gn
22:3). Ele não falou sobre isso com Sara. Não houve nenhuma
hesitação. Havia decidido obedecer a Deus. Havia apenas duas
coisas que significavam mais para Abraão do que o seu Isaque
prometido: o seu amor e o seu temor a Deus. Ele amava e temia a
Deus, acima de tudo.
Deus disse a Abraão que fizesse uma jornada de três dias.
Isso lhe deu tempo para ponderar sobre a ordem que recebera. Se
houvesse qualquer hesitação no seu coração, esse período de
tempo teria demonstrado isto. Quando chegaram ao lugar de
adoração designado, Abraão construiu um altar, amarrou o seu
filho, deitou-o sobre o altar e pegou o seu cutelo. Daí ele levantou
o cutelo sobre a garganta de Isaque.
Nesse momento, Deus falou através de um anjo, detendo-o
no meio do seu ato de obediência: Não estendas a mão sobre o
rapaz, e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus,
porquanto não me negaste o filho, o teu único filho (Gn 22:12).
Abraão provou seu temor ao considerar os desejos de Deus
como mais importantes do que os seus próprios desejos. Deus
sabia que se Abraão passasse nessa prova, passaria em todas.
Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro
preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o
ofereceu em holocausto em lugar de seu filho. E pôs Abraão por
nome àquele lugar - o Senhor proverá... (Gn 22:13,14).
Ao final dessa prova, Deus revelou um novo aspecto da sua
própria pessoa a Abraão. Ele se revelou como o Jeová-Jireh. Essa
revelação do caráter de Deus significa "Jeová Provê". Ninguém,
desde Adão, o havia conhecido dessa maneira. Deus revelou seu
coração a esse homem humilde que se havia tornado seu amigo. O
Senhor estava revelando a Abraão as coisas que para os outros
homens ainda eram "segredos" do seu coração e caráter.
Mas é importante compreender que Deus não se revelou
como "Jeová Provê" senão depois que Abraão havia passado na
prova do santo temor. Muitos clamam a Deus querendo conhecer
seu caráter e os diversos atributos da natureza de Deus,
entretanto, eles nunca O obedeceram nas situações difíceis. Eles
podem cantar: "Jeová-Jireh, meu provedor, sua graça é suficiente
para mim...", mas é apenas uma canção até que Ele seja revelado
através da obediência como tal. A menos que nós passemos na
prova de obediência a Deus, tais declarações procedem da nossa
cabeça, e não do nosso coração. É quando nos aventuramos no
deserto terrível e árido da obediência que Deus se revela como
Jeová-Jireh e amigo (Is 35:1,2).
Não foi por obras que o nosso pai, Abraão, foi justificado,
quando ofereceusobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês que a fé
operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras
que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora,
Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi
chamado amigo de Deus (Tg 2:21-23).
Observe que Abraão foi justificado por suas obras, que
correspondiam a sua fé. A prova do seu santo temor e fé foi sua
obediência. Temer a Deus é crer em Deus. Crer em Deus é
obedecê-lo. Tiago afirma que a obediência de Abraão, alimentada
por seu santo temor a Deus, resultou em amizade com Deus.
Deus deixa isto bem claro:
A intimidade o Senhor é para os que o temem, aos quais ele
dará a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).
Isto não poderia ser mais claro! Leia novamente este
versículo do Salmo 25 e guarde-o em seu coração. Por que há
tanta pregação superficial nos nossos púlpitos? Por que os
cristãos não têm a profundidade dos nossos antepassados? Isto é
resultado de uma doença crescente na igreja. É um vírus chamado
"ausência de temor do Senhor!"
Deus disse que Ele revela os seus segredos àqueles que o te-
mem. Com quem você compartilha os segredos do seu coração?
Com os conhecidos ou com os seus amigos íntimos? Com os
amigos íntimos, é claro. Os segredos não estariam seguros com
meros conhecidos. Bem, Deus faz a mesma coisa. Ele só
compartilha o seu coração com aqueles que o temem.
O HOMEM QUE CONHECIA OS CAMINHOS DE DEUS
Moisés foi outro homem a quem Deus chamou de amigo. Ele
era um homem que conhecia os caminhos de Deus. Em Êxodo
33:11 Deus diz: Falava o Senhor a Moisés face a face, como
qualquer fala a seu amigo.
O rosto de Moisés foi desvendado porque temia a Deus.
Portanto, foi capaz de falar com Deus intimamente. O resultado
foi:
Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos
filhos de Israel (Sl 103:7).
Israel não temia a Deus, por isso lhe foi negada a intimidade
com Ele. Os caminhos e os segredos da sua aliança não foram
revelados aos israelitas. Eles conheciam a Deus de um modo bem
semelhante ao que conheço o presidente dos Estados Unidos. Eu
conheço o presidente através das suas realizações, providências e
atos. Os israelitas não eram conhecedores do porquê da aliança de
Deus. Eles não entendiam os motivos de Deus, as suas intenções
e os desejos do seu coração.
Israel percebeu apenas o caráter de Deus como foi exibido ao
mundo natural. Muitas vezes, confundiam os métodos de Deus de
"tirar" ou "reter" quando não conseguiam exatamente o que
queriam. É impossível conhecer a Deus observando apenas o que
Ele faz no mundo natural. É como conhecer uma celebridade
apenas através das notícias da mídia. Deus é Espírito, seus
caminhos estão ocultos da sabedoria deste mundo (Jo 4:24; I Co
2:6-8). Deus se revela apenas àqueles que o temem. Os filhos de
Israel não entenderam a sabedoria ou o conhecimento por trás de
tudo o que Deus estava fazendo. Portanto, estavam
constantemente fora do passo de Deus.
O TEMOR DO SENHOR É CONHECER OS CAMINHOS
DE DEUS
Moisés, muito frequentemente, sabia porque Deus fazia as
coisas como Ele fazia. A Bíblia descreve esse discernimento como
entendimento. De fato, Moisés sempre sabia o que Deus estava
para fazer antes que Ele o fizesse, porque Deus o revelava com
antecedência. A Bíblia chama isto de sabedoria. O salmista nos
fala:
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam
prudência todos os que a praticam (Sl 111:10).
Temer a Deus é obedecê-lo, mesmo quando isto parecer não
lhe trazer nenhuma vantagem. Quando nós o tememos, Ele nos
chama de amigos e revela o motivo, as intenções e os desejos do
seu coração. Nós passamos a conhecê-lo não pelos seus atos, mas
pelos seus caminhos. Leia atentamente as palavras de Jesus para
os seus discípulos durante a última ceia, depois que Judas se
retirou:
Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não
vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor;
mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu
Pai vos tenho dado a conhecer. (Jo 15:14,15)
Tenho ouvido este trecho ser citado como uma promessa de
amizade com o Senhor. Porém, há uma condição bem definida
estabelecida para este tipo de amizade. A condição é: ...se fazeis o
que eu vos mando (Jo 15:14).
Nas palavras do salmista, esse tipo de amizade com Deus é
reservada para aqueles que o temem, para os que obedecem a sua
Palavra incondicionalmente.
O Senhor disse: Já não vos chamo servos. Seus discípulos
haviam demonstrado a sua fidelidade como servos durante três
anos e meio. Eles permaneceram com Jesus quando outros
discípulos o haviam abandonado (Jo 6:66). Houve uma época em
que Jesus os tratou apenas como servos. Foi um período de prova,
como aconteceu com Abraão e Moisés. Um novo exame havia
começado e agora as palavras de Jesus eram proféticas. O exame
iria confirmar a firme obediência dos discípulos na sala da ceia. A
ordem divina seria estabelecida. A sala da ceia iria revelar o
conteúdo de cada coração humano.
Jesus disse: Porque o servo não sabe o que faz o seu senhor;
mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu
Pai vos tenho dado a conhecer (meus amigos, os que temem a
Deus). Os amigos de Deus vão receber o dom do discernimento,
porque Deus compartilha os seus planos com os amigos.
(Parênteses acrescido pelo autor).
DEUS COMPARTILHA SEUS PLANOS COM SEUS AMIGOS
Deus compartilha os motivos e intenções do seu coração
com os seus amigos. Ele discute os seus planos e até confia nos
seus amigos.
Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que eu estou para fazer?
(Gn 18:17)
O Senhor falou isto para os anjos, seus servos, que estavam
com Ele na presença de Abraão. Deus então se voltou para
Abraão:
Disse mais o Senhor: Com efeito, o clamor de Sodoma e
Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado
muito. Descerei e verei se de fato, o que têm praticado corresponde
a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei (Gn
18:20,21).
Então, o Senhor revelou a Abraão o julgamento iminente que
pairava sobre as cidades de Sodoma e Gomorra. Abraão
intercedeu e clamou pelas vidas dos justos.
E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o
ímpio? Se houver, porventura, cinquenta justos na cidade,
destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos
cinquenta justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal
cousa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao
ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra? Então,
disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da
cidade, pouparei a cidade toda por amor deles (Gn 18:23-26).
Abraão havia pedido que as vidas dos outros fossem
poupadas da mão do julgamento de Deus. Apenas um amigo
conversa desse modo com um rei ou juiz que tem o poder de
executar o julgamento. Vindo de um servo ou súdito, tal petição
seria desrespeitosa, mas na verdade, Abraão entrou em um
processo de negociação com Deus. Abraão continuou falando com
Deus de cinquenta até dez, e Deus começou a procurar as dez
pessoas justas em Sodoma e Gomorra. O relatório sobre a
maldade do povo mostrou-se claramente verdadeiro, porque nem
mesmo dez pessoas justas foram encontradas em nenhuma
daquelas cidade. O Senhor encontrou apenas Ló, o sobrinho de
Abraão, e a família dele.
Deus apresentou ao seu amigo Abraão o que Ele planejava
fazer. Ele confiou em Abraão porque Abraão temia a Deus. O
temor de Abraão o havia elevado ao nível da confiança de Deus.
CONTAMINADO PELO MUNDO
Ló pode ter sido considerado justo, mas também era munda-
no. Ele não tinha mais discernimento do julgamento iminente do
que os moradores daquelas cidades, que eram ímpios.Embora
fosse justo, Ló foi apanhado de surpresa, ignorando o que estava
para acontecer. Ló representa os cristãos carnais e mundanos,
que não têm o ardente e santo temor de Deus. O relacionamento
deles com o Senhor também não é muito diferente daquele entre
fãs fanáticos e celebridades.
Isso pode ser visto pelo lugar onde Ló escolheu para morar
(entre os habitantes de Sodoma e Gomorra), o tipo de esposa que
escolheu e os filhos que veio a gerar através de incesto, os
moabitas e os amonitas. Ló escolheu o que lhe pareceu melhor
inicialmente, mas no fim, a sua escolha se demonstrou insensata.
Abraão, pelo contrário, escolheu uma vida separada. Ele
buscava uma cidade cujo construtor e edificador era o próprio
Deus. Ló escolheu a companhia dos descrentes, ao invés de uma
vida separada. Os caminhos dos ímpios reduziram aos poucos a
sua justiça. Eventualmente, essa convivência com os ímpios
produziu fruto na vida de Ló e nas vidas dos seus descendentes.
Os padrões de Ló não eram ditados por Deus; eram ditados pela
sociedade ao seu redor. Ló vivia afligido pelo procedimento libertino
daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia
quando habitava entre eles, atormentava sua alma justa, cada dia,
por causa das obras iníquas daqueles) (2Pe 2:7, 8).
O dia do julgamento teria vindo sobre Ló como um ladrão à
noite, não fosse a misericórdia de Deus e sua amizade com
Abraão. Deus enviou seus anjos mensageiros, da mesma maneira
que Ele vai enviar seus profetas mensageiros para advertir os
crentes carnais das igrejas que continuam inconscientes do
julgamento iminente.
Na urgência e fúria do julgamento iminente, a esposa de Ló
escolheu olhar para trás. Ela havia sido advertida para não olhar
para trás quando o Senhor enviasse a destruição sobre as cidades
que estavam cheias de maldade. Mas a esposa de Ló havia sido
tão influencia da pelo mundo que, o seu impulso foi mais forte do
que o temor do Senhor. É por isso que Jesus adverte os crentes do
Novo Testamento para que se lembrem da esposa de Ló (Lc 17:32).
Abraão temia a Deus. Ele era amigo de Deus. Ló tinha tudo,
menos uma pequena medida de temor. Ele teve temor do Senhor
apenas o suficiente para fugir do julgamento imediato, mas o
julgamento atingiu aqueles que o seguiam.
Mais tarde, Ló demonstrou não conhecer o coração de Deus,
nem os seus caminhos. Tiago se dirige aos crentes dizendo
seriamente:
Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga
de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se
inimigo de Deus (Tg 4:4).
Você não pode amar o mundo e ser amigo de Deus ao
mesmo tempo. Tiago descreve a condição de um crente que ainda
busca um relacionamento com o mundo como o de um adúltero e
inimigo de Deus. Salomão nos diz:
O que ama a pureza de coração e é grácil no falar terá por
amigo o rei (Pv 22:11).
Somente os puros de coração são amigos de Deus. Nós deve-
mos perguntar a nós mesmos: "O que purifica meu coração? O
amor a Deus?" O amor a Deus desperta o desejo de purificação,
mas sozinho não purifica o coração. Nós podemos dizer que
amamos a Deus com grande afeição, porém, ainda podemos amar
o mundo. Esta é a cilada que prende milhões de pessoas que estão
nas igrejas. Que força nos mantém puros diante deste Rei
tremendo? Paulo respondeu em termos claros e concisos:
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de
toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a
nossa santidade no temor de Deus (2Co 7:1).
A verdadeira santidade ou pureza de coração é aperfeiçoada
ou amadurecida no temor de Deus! ...Epelo temor do Senhor os
homens evitam o mal (Pv 16:6).
Mas leia novamente o início desse versículo: Tendo, pois, ó
amados, tais promessas... Quais promessas? Elas estão nos
versículos anteriores. Vamos ler:
...Porque nós somos o santuário do Deus vivente, como ele
próprio disse: Habitarei e andarei entre eles, serei o seu Deus, e
eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-
vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos
receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz.
o Senhor Todo-Poderoso (2Co 6:16-18).
É exatamente assim que Deus descreveu o seu desejo de
habitar entre os filhos de Israel na sua glória no deserto. Ele disse:
E saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da terra do
Egito, para habitar no meio deles (Ex 29:46). E novamente: Andarei
entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo (Lv 26:12).
Há um paralelo: Ele é o mesmo Deus santo. Ele não vai habitar
num templo contaminado ou profano.
Vamos analisar o significado completo destas verdades para
nós hoje. Deus estabelece as condições ou exigências para nossa
aliança com Ele para que possamos morar na presença da sua
glória. Nós devemos romper com o sistema do mundo e viver
separados do mundo. Esta é uma obra em que cooperam o temor
de Deus e a sua graça. É por isso que Paulo começa esse capítulo
insistindo com a igreja de Corinto - não recebais em vão a graça de
Deus (2Co 6:1).
Em outra carta, Paulo esclarece melhor o assunto e nos
exorta fortemente a buscar a santidade, porque se não a
buscarmos jamais veremos a Deus.
Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém
verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja
faltoso, separando-se da graça de Deus (Rb 12:14, 15).
Observe mais uma vez o que Paulo fala sobre receber a graça
de Deus em vão! Nós podemos nos separar da graça! Ele continua
a descrever o que mantém a graça ativa e produtiva em nossas
vidas:...retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo
agradável, com reverência e santo temor (v. 28). O temor de Deus
nos impede de receber a sua graça em vão. O temor de Deus nos
impede de desejar ter um relacionamento com o mundo. É a graça
de Deus, associada ao temor de Deus, que produz santidade ou
pureza de coração. Deus promete que se nos purificarmos da
sujeira do mundo, Ele vai habitar em nós na sua glória. Aleluia!
O santo temor dá a Deus o lugar de glória,
honra, reverência, ações de graça, louvor
e de proeminência que Ele merece.
Possivelmente faltando página 216
De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e
guarda os seus mandamentos; porque isto ê o dever de todo homem
(Ec 12:13).
Temos discutido muito sobre o temor do Senhor. Porém, ja-
mais poderíamos esgotar o assunto. O temor do Senhor é um
assunto que não pode ser completamente desvendado, não
importa quantos livros sejam escritos. É uma revelação contínua.
O mesmo é verdade em relação ao amor de Deus. O Livro de
Provérbios 23:17 diz: Antes, no temor do Senhor perseverarás (com
paixão) todo dia. Toda paixão que tivermos, nunca será demais
com o fogo desse amor (Parênteses acrescido pelo autor).
É impossível detalhar completamente o temor do Senhor em
termos finitos, assim também é difícil defini-lo. Ele abrange um
amplo espectro, como a força do amor de Deus. A definição que
ofereço será parcial e meramente um começo, pois é impossível
descreverem palavras a transformação interior do coração. Nós
vamos crescer no conhecimento revelado de Deus por toda a
eternidade. Proporcionalmente, a revelação do amor de Deus e o
nosso santo temor para com Ele se expandirão.
O temor do homem se opõe ao temor de Deus. O temor do
homem arma ciladas (Pv 29:25).
Nós temos discutidoesse "temor profano" na medida em que
ela se relaciona à compreensão do temor de Deus. Muitas vezes,
nós entendemos o que algo significa aprendendo primeiro o que
ele não significa. Partindo desta visão, vou definir o temor do
homem.
Temer o homem é estar em estado de alarme, ansiedade, es-
panto, pavor, desconfiança ou se encolher diante de homens
mortais. Aqueles que são apanhados por esse tipo de temor,
viverão correndo e se esconderão do mal ou da reprovação,
constantemente evitando a rejeição e o confronto. Eles ficam tão
ocupados defendendo a si mesmos, que logo se tornam ineficazes
no seu serviço a Deus. Amedrontados com o que homem pode
fazer, negam a Deus o que Ele merece.
O temor do Senhor inclui, mas não se limita, ao respeito e à
reverência a Deus, porque a Palavra nos diz para tremer da sua
presença. O santo temor dá a Deus o lugar de glória, honra,
reverência, ações de graça, louvor e de proeminência que Ele
merece. (Observe que é o que Ele merece, não o que nós achamos
que Ele merece).
Deus mantém esta posição proeminente nos nossos corações
e nas nossas vidas quando consideramos os seus desejos acima
dos nossos próprios desejos, odiando o que Ele odeia e amando o
que ama, tremendo na sua presença e diante da sua Palavra.
Leia isto e medite: você servirá a quem você teme. Se você
teme a Deus, você o servirá. Se você teme ao homem, você servirá
ao homem. Você tem de escolher.
Agora você pode entender porque Salomão, depois de uma
vida inteira de sucesso e também de sofrimento, podia dizer:
De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda
os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem (Ec
12:13).
Salomão buscou a sabedoria durante a sua vida inteira. Ele
a obteve, e ela o conduziu a um grande sucesso. Porém, passou
por um período de tormento e aflição nos anos posteriores. O
temor de Deus no seu coração havia acabado. Ele já não obedecia
aos mandamentos de Deus. Salomão se casou com mulheres
estrangeiras e serviu aos seus deuses.
No fim da sua vida, ele olhou para trás, e depois de muita
meditação, escreveu o Livro de Eclesiastes. Nesse livro, Salomão
examina a vida apartada do temor de Deus. Sua resposta à cada
pergunta examinada era: "Vaidade!"
Bem no final do livro, conclui que tudo o que importa na
vida resume-se em temer a Deus e guardar os seus mandamentos!
AS BÊNÇÃOS DO TEMOR DE DEUS...
Eu o encorajo a ler sua Bíblia, e com o uso de uma
concordância, localizar cada texto bíblico que se relaciona ao
temor de Deus. Registre-os para uma referência futura. Em minha
pesquisa, eu compilei mais de cinquenta páginas datilografadas.
Encontrei algumas promessas bem definidas para aqueles que
temem ao Senhor. Permita-me compartilhar apenas algumas
delas.
O TEMOR DE DEUS...
♦ Coloca nosso coração na posição de receber respostas:
Ele, Jesus, nos dias de sua carne, tendo oferecido, com forte clamor
e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e
tendo sido ouvido por causa de sua piedade (Hb5:7).
♦ Assegura a plenitude da grande bondade de Deus: Como é
grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual
usas, perante os filhos dos homens (SI 31:19).
♦ Promete a proteção dos anjos:
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os
livra (Sl 34:7).
♦ Assegura a atenção contínua de Deus:
Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre
os que esperam na sua misericórdia (Salmos 33:18).
♦ Proporciona a provisão de Deus:
Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o
temem (SI 34:9).
♦ Contém grande misericórdia:
Pois quanto o céu se alteia da terra, assim é grande a sua
misericórdia para com os que o temem (SI 103:11).
♦ Provê a certeza de ai i mento:
Dá sustento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua
aliança (SI 111:5).
♦ Promete proteção:
Confiam no Senhor os que temem o Senhor: ele é o seu
amparo c o seu escudo (SI 115:11).
♦ Satisfaz nossos desejos e nos livra do mal:
Ele acode a vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e
os salva (SI 145:19).
♦ Provê sabedoria, entendimento e administração do tempo:
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conheci mento do
Santo é prudência. Porque por mim se multiplicam os teus dias, e
anos de vida se te acrescentarão
(Pv 9:10-11).
♦ É nossa confiança e proteção em face da morte:
No temor do Senhor, tem o homem forte amparo, e isso é
refúgio para os seus filhos. O temor do Senhor é fonte de vida para
evitar os laços de morte (Pv 14:26, 27).
♦ Provê a paz da mente:
Melhor é um pouco, havendo o temor do Senhor, do que
grande tesouro onde há inquietação (Pv 15:16).
♦ Resulta em completa satisfação:
O temor do Senhor conduz à vida; aquele que o tem ficará
satisfeito, e mal nenhum o visitará (Pv 19:23).
♦ Conduz às riquezas, honra e vida:
O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e
honra, e vida (Pv 22:4).
♦ Mantém-nos no caminho:
Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de
lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que
nunca se apartem de mim (Jr 32:40).
♦ Produz a segurança da família:
E, porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu
família (Ex 1:21).
♦ Provê clareza e direção:
Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que
deve escolher (SI 25:12).
♦ Resulta em contentamento com o trabalho e em vidas ple
nas e compensadoras:
Bem aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus
caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás e tudo te
irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira
frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira à roda da tua mesa.
Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor! (Sl 128:1-
4)
♦ Produz liderança bem sucedida: Procura dentre o povo
homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que
aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes
de cem, chefes de cinquenta, e chefes de dez (Êx 18:21).
Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou:
Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no
temor de Deus (2 Sm 23:3).
Estas são apenas algumas das promessas de Deus para
aqueles que o temem. Há muitas outras. Eu o encorajo a procurar
essas promessas em seu tempo de leitura e estudo da Palavra de
Deus.
EPÍLOGO
O temor de Deus deveria arder vivamente nos nossos
corações, não importa há quanto tempo somos salvos. De fato, é o
elemento chave para receber a salvação. Paulo proclama:... Vós
outros os que temeis a Deus, a nós nos foi enviada a palavra desta
salvação (At 13:26).
Sem o santo temor, nós não vamos reconhecer nossa
necessidade de salvação.
Não importa em que situação você esteja espiritualmente, eu
o encorajo a orar comigo. Se você ainda não se submeteu ao
senhorio de Jesus, agora é o momento de entregar sua vida para
Ele. Você ouviu a Palavra, e a fé brotou em seu coração. Se o
Espírito Santo trouxe convicção profunda, e você está pronto para
abandonar o mundo e o pecado e se entregar completamente a
Jesus, agora é o momento. É tempo de tomar a decisão de
submeter a sua vida completamente ao senhorio de Jesus. É
tempo para confirmar isto através da oração.
Pai Celestial, em nome de Jesus, eu me humilho e me coloco
diante de ti para buscar a tua misericórdia e a tua graça. Eu ouvi
a tua Palavra e desejo amar, temer e saber que tu agora ardes em
meu coração. Eu peço perdão pela vida irreverente que tenho
vivido antes de vir a ti. Eu me arrependo de todo desrespeito e
hipocrisia que tenho tolerado em minha vida.
Eu o invoco, Jesus, como meu Salvador e Senhor.Tu és o
meu mestre. Eu entrego minha vida a ti, completamente. Encha-
me com o teu amor e santo temor. Eu desejo te conhecer
intimamente, em uma dimensão mais profunda do que todos ou
tudo o mais que eu conheço. Eu reconheço a minha necessidade e
dependência do teu Espírito Santo e peço que tu me enchas agora.
Senhor, tua Palavra promete que quando eu me volto para Ti
com todo o meu coração, o Espírito Santo revela tua verdadeira
imagem e caráter para mim, e eu serei transformado de glória e
glória. Como Moisés, eu peço para ver a tua face. No teu
esconderijo, eu serei transformado.
Senhor Jesus, eu te agradeço pela misericórdia e graça
abundantes que tu tens estendido a mim. Por tudo que tu já tens
feito e por tudo que tu estás para fazer, eu te dou glória, honra e
louvor, agora e para todo o sempre. Amém.
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e
para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua
glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo,
Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de
todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém (Jd 24-25).
CONTRACAPA
"Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos
que o temem. " Sl 34:9 Esta é a mensagem que você tem em
suas mãos hoje - O Temor do Senhor. Nestas páginas nós
vamos procurar, com ajuda do Espírito Santo, não somente o
significado do Temor do Senhor, mas o que é caminhar nos
tesouros de Sua verdade. Nós vamos aprender sobre o
julgamento que recai sobre nós quando há a falta do santo
temor, como também sobre os benefícios gloriosos
encontrados no temor de Deus.