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Avaliação a Distância 1 (AD1) – 2020.1 Disciplina: Psicologia da Educação Coordenadora: Ana Lucia Gomes Questão 01 (Valor 2,5 pontos): Os avanços teóricos obtidos pela psicologia científica visavam otimizar o diálogo entre a Psicologia e a Educação, no entanto, inúmeras críticas foram tecidas à prática psicológica no campo educacional. Explique como a Psicologia pode contribuir para o campo da Educação e aponte os motivos advindos dessa prática, que embasaram essas críticas. R - A Psicologia da Educação, uma subárea da Psicologia, teve um início pouco eficaz. Ela surgiu com uma excelente intenção: a de identificar e explicar as dificuldades de aprendizagem dos alunos e, através disso, buscar métodos educacionais que contribuíssem para o sucesso deles nas escolas. A Psicologia contribui para o campo da Educação quando conseguimos entender os fatores que interferem na construção do “saber” humano. Isso proporciona uma enorme vantagem aos educadores que podem utilizar métodos de aprendizagem pautados nas explicações, descrições e previsões oferecidos pela psicologia educacional. Porém, analisando seus objetivos e resultados ao longo dos anos, podemos perceber que a intenção não correspondeu à realidade. Durante muito tempo, a Psicologia da Educação foi mais segregadora do que inclusiva. Isso aconteceu porque esses profissionais se apropriaram de técnicas de avaliações que geravam diagnósticos e prognósticos com poucos fundamentos que transformavam indivíduos em problemas e diferenças em doenças. Os alunos que não tinham um bom rendimento escolar eram diagnosticados com alguma patologia. A partir do momento em que recebiam este diagnóstico, eram direcionados a uma classe ou escola especial que quase não contribuía para o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades. Portanto, essa metodologia falha a partir do momento em que não analisa a maneira como o aluno organiza as informações que recebe e também a partir do momento em que desconsidera os diferentes contextos que formam aquele indivíduo. A partir das duras críticas que foram feitas ao longo dos anos, a Psicologia da Educação ou a “nova Psicologia da Educação”, como também foi denominada, passa a ser realmente uma disciplina-ponte entre alunos e professores e se afasta da perspectiva de técnica aplicada, entendendo que os problemas que aparecem no contexto escolar devem ser investigados e analisados pluralmente, considerando todo o meio que cerca o aluno, incluindo o contexto social no qual ele está inserido. Questão 02 (Valor 2,5 pontos): Por que a psicologia da educação, entendida como disciplina ponte, contribuiu para desconstruir a ideia de “patologização do fracasso escolar”. R - A Psicologia da Educação recebeu, ao longo dos anos, inúmeras críticas por não apresentar uma real transformação nos alunos que apresentavam problemas de ensino e aprendizagem, principalmente pelos altos índices de insucesso, que chegavam a 50%. Ela atribuía a falta de sucesso das crianças a elas mesmas ou à sua família, principalmente aos alunos que vinham das camadas mais pobres da população, sem fazer análises mais profundas dos contextos sociais. Porém, já não se aceitava mais esse foco, alunos e família, como resposta ao fracasso escolar. A patologização dos fenômenos educacionais, exercida pelos profissionais da Psicologia da Educação ao longo dos anos era também reproduzida por estudantes nos estágios da disciplina, minando qualquer possibilidade de formar profissionais com uma atuação diferente da que vinha acontecendo. Nos anos 90 começaram a surgir novos caminhos para a Psicologia da Educação, inclusive na renovação dos currículos nos cursos universitários de Psicologia. A partir dos anos 2000, ainda em transição e em busca de novas possibilidades de atuação, a nova Psicologia Educacional tenta fazer-se presente mais na prática do que no discurso e começam a atuar na elaboração de políticas educacionais, na instituição escolar, no planejamento e avaliação de programas de ensino, na capacitação de docentes, na relação da escola com as famílias e comunidade, no enfrentamento dos problemas de aprendizagem e de ensino, no atendimento educacional a alunos com necessidades especiais, na supervisão de estágios em cursos de Psicologia, entre outros. No momento em que a Psicologia da Educação passa a ter uma atuação mais ampla e eficiente dentro das escolas, ela passa a entender e a atender melhor as necessidades da realidade social brasileira e de suas minorias, resgatando a dívida social e escolar ainda ativa por ter, durante tantos anos, servido a uma camada privilegiada da população e favorecendo para a manutenção de estigmas e preconceitos gerados no ambiente escolar através da patologização. Portanto, quando a Psicologia Educacional se torna, de fato, uma disciplina-ponte, ela passa a atuar dentro da complexidade que é o processo educacional, no reconhecimento da natureza social e das bases culturais da aprendizagem e do desenvolvimento psicológico. Questão 03 (Valor 2,5 pontos): Qual a importância da função do orientador educacional na escola? R - O papel do orientador educacional nas escolas é fundamental, pois este profissional é responsável pela mediação entre o aluno, as situações didático-pedagógicas, já que é ele quem faz os diagnósticos que interferem nos problemas de aprendizagem, e é responsável também pelas situações socioculturas, uma vez que a escola é um agente socializador da comunidade e da sociedade como um todo. Ao longo dos anos, a função do orientador educacional foi se transformando. Inicialmente seu principal objetivo era de ajustamento e prevenção, sendo responsável por atender aos alunos, às famílias e desajustes escolares. Dessa maneira, o orientador educacional se isentava de sua função social, uma vez que seu território, a escola, é uma instituição que fortalece as bases da formação humana. A partir de 1980, têm início as mudanças de cenário. O orientador educacional começa a participar de todos os momentos da escola e que envolvem o aluno diretamente, como critérios de avaliação, metodologias de ensino e questões curriculares. Ele passa a participar desse ambiente, o que possibilita ampliar sua visão sobre as propostas pedagógicas que refletem diretamente na aprendizagem ou não do aluno. Ao se apropriar dessas questões escolares, o orientador educacional consegue exercer a sua função com profundidade, gerando resultados mais positivos, pois ele consegue fazer uma ponte entre as relações que envolvem a comunidade escolar: alunos, professores, conteúdos, estatutos escolares e comunidade. Através desse diálogo ele consegue ultrapassar os muros da escola e se envolver com a comunidade. Por meio de suas funções, o orientador educacional se torna um agente fundamental na formação do seu aluno, tanto para a escola como para a vida, pois ele tem um papel fundamental de se fazer exercer a cidadania, dialogando e se posicionando aos principais fatos que acontecem dentro e fora da comunidade. Questão 04 (Valor 2,5 pontos): Observe a tirinha abaixo: A professora diz que ensina “há anos do mesmo jeito e sempre deu certo”, mas sua aluna “flor” não dá a resposta esperada. Considerando as características da aprendizagem, quais seriam os possíveis motivos que levam à “não-aprendizagem” da aluna flor? R – A aprendizagem é algo contínuo no ser humano e se dá por diferentes processos e fatores, o que a torna complexa. O educador exerce um papel fundamental e precisa ter um olhar atento para todo o processo que envolve uma sala de aula. Cada indivíduo que compõe este lugar carrega consigo uma bagagem pelo meio que o cerca. Portanto, o processo da aprendizagem acontece de forma diferente para cada pessoa, pois precisa fazer sentido para a realidade de vida dela. Uma vez que sabemos que a aprendizagem é também troca e retenção do conhecimento e que ela precisa ter significado para o aluno, o educador precisa diversificar a sua maneira de ensinar um mesmo conteúdo, desenvolvendo todas as habilidades necessárias para a aprendizagemdo aluno. Muitas vezes os alunos aprendem de forma automatizada, de maneira repetitiva, sem compreender o conteúdo. Quando o professor muda a forma de fazer uma pergunta, por exemplo, saindo do automático desse aluno, ele, muitas vezes, fracassa na resposta. Portanto, cabe ao educador se inteirar das expressões que envolvem os alunos (cognitiva, afetiva e automatizada) e, dentro desse saber, atribuir sentido ao que o aluno está aprendendo, fazendo uma aproximação com a sua realidade. Dessa forma, a aprendizagem tem muito mais chances de sucesso. Além disso, os educadores precisam estar atentos a todas as transformações que ocorrem constantemente na humanidade e como elas influenciam as novas gerações. O que talvez funcionasse há 50 anos, não funciona hoje, pois o ser humano recebe outros estímulos e informações, tornando o seu processo de aprendizagem diferente de tempos atrás. image1.png