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Fenômenos Naturais e Artificiais

Apostila de estudo para ENCCEJA PPL: Ciências da Natureza. Explica fenômenos naturais e artificiais, discute a ação humana e traz descrições e exemplos como vulcões, neve, raios, terremotos, tsunamis, pororoca, auroras e bioluminescência.

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ENSINOENSINO 
FUNDAMENTALFUNDAMENTAL
ApostilaApostila
de Estudode Estudo
ENCCEJA PPL
CIÊNCIAS DA
NATUREZA
1 
 
 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
 
 
 
 
 
 
 
Por uma questão cultural, estamos acostumados a associar o 
termo “fenômeno” com acontecimentos grandiosos, com extremas 
consequências. Por exemplo, ciclones, terremotos, entre outros. 
Embora estejamos acostumados, há uma diferença entre fenôme- 
nos naturais e desastres naturais, e não podemos confundir! 
 
Acima de tudo, é importante entendermos que todo desastre 
natural é um fenômeno natural. Pois, fenômenos naturais são todos 
os episódios da natureza. Logo, a chuva, a metamorfose de uma 
borboleta, o nascimento de um bebê, o crescimento de uma planta, 
entre outros, são fenômenos da natureza. Assim como os tornados, 
os deslizamentos, as avalanches, e assim por diante. 
 
Fenômenos naturais x artificiais 
A diferença entre fenômenos naturais e artificias são bem sim- 
ples e fáceis de entender. A princípio, é bom reforçar que todo fe- 
nômeno é um evento que pode ser observado, descrito e explicado. 
Em suma, um fenômeno artificial é todo aquele feito por ação do 
homem. Para exemplificar, a luz elétrica, os carros, prédios, entre 
outros. Entretanto, há casos que ambos os fenômenos se misturam. 
Enquanto há estudiosos que dizem que o efeito estufa é 100% 
natural, há outros que afirmam o contrário. Assim, dizem que os 
gases causadores do aumento do efeito estufa são aqueles emitidos 
pela atividade humana. 
Com isso, o nascimento de um novo ser é um fenômeno na- 
tural, mas pode ser induzido artificialmente, por meio de procedi- 
mentos cirúrgicos. Outro exemplo é o curso de um rio, que é um 
fenômeno natural, contudo o homem pode construir barragens ou 
mudar seu curso. 
Podemos entender que, sendo o ser humano um fenômeno na- 
tural, também sejam suas ações. Basicamente, é um mamífero que 
se reproduz como os demais. Entretanto, o homem é o único ser na 
superfície terrestre com capacidade e consciência permanente. 
Assim, o homem é o único animal capaz de mudar a natureza. Por 
outro lado, também é a maior ameaça ao planeta e à própria exis- 
tência de sua espécie. 
 
Exemplos de fenômenos da naturais: 
Enquanto o homem persegue sua própria existência, a nature- 
za segue proporcionando fenômenos maravilhosos e espetáculos 
sinistros. 
 
1. Vulcões 
 
 
Os vulcões são estruturas geológicas através das quais substân- 
cias do interior da terra são expelidas por meio de uma abertura. 
Com isso, as fendas são abertas pela atividade vulcânica no interior 
da terra rompendo o bloqueio de rochas mais frágeis. Assim, expele 
magma, cinzas e gazes no exterior. Aliás, um vulcão em erupção é 
um dos fenômenos naturais mais fascinantes e também assustador. 
 
2. Neve 
 
 
A neve é um fenômeno natural capaz de formar paisagens ao 
mesmo tempo fascinantes e angustiantes. Basicamente, acontece 
quando a temperatura está mais de 20 graus abaixo de zero. Assim, 
faz com que se formem cristais nas nuvens, que se juntam no per- 
curso até o solo e voltam a ficar congelados. 
FENÔMENOS NATURAIS 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
2 
 
 
 
3.Raios 
 
 
Os raios fazem parte do conjunto dos fenômenos naturais sinis- 
tros. Essencialmente, é uma descarga de energia, que chega a atin- 
gir 125 milhões de volts, lançada na terra. Logo, é capaz de gerar 
grandes estragos, como abrir valas no chão. 
 
4. Terremotos 
 
 
Esses estão na faixa dos fenômenos naturais mais temidos pelo 
homem, capazes de destruir cidades inteiras. Em suma, os terremo- 
tos são gerados por uma falha geológica, decorrente da movimen- 
tação das placas tectônicas e da deformação das rochas. Além dos 
tremores, o terremoto pode abrir fendas na terra. 
 
5.Tsunami 
 
 
Em primeiro lugar, o tsunami trata-se de um fenômeno natural, 
originado por erupção vulcânica, terremoto ou outro evento natu- 
ral, que provoca um movimento de água. Assim forma uma onda 
que pode se movimentar por milhares de quilômetros. Eventual- 
mente, quando essa onda encontra com a costa, ela se transforma 
de poucos metros para gigantes, que podem superar os 30 metros. 
 
6. Pororocas 
 
 
A pororoca é o fenômeno natural causado pelo encontro do Rio 
com o mar, cuja principal característica é o estrondo do choque 
entre as duas massas de água e a formação de ondas. 
 
Por mais que há milhares de exemplos de fenômenos naturais, 
há alguns tipos de que muitas vezes, passam completamente des- 
percebidos aos nossos olhos. Às vezes, não temos nem consciência 
de sua existência. Podemos citar a aurora boreal e certos eclipses 
como exemplos de que por mais que não os vemos, sabemos que 
existem. Com isso, alguns desconhecidos que são raros, de beleza 
única e um tanto bizarros. 
 
Lista de fenômenos bizarros: 
1.Bioluminescência nos mares 
 
Não, não é uma balada para peixes, tampouco cenas de um 
filme de ficção científica. Sobretudo, esse é um dos fenômenos 
naturais gerado pelas algas daquela região. Por mais que seja um 
episódio raro, ele pode ser visto próximos as praias, mais perto das 
embarcações, em alto mar. Por outro lado, quando o número de 
plânctons é extremamente grande, as lindas luzes azuis podem se 
manifestar perto da costa. 
 
Por mais que seja bonito, esse evento não é saudável para o 
mar. Basicamente, o aumento do número de algas não é bom para 
os peixes, pois os níveis de oxigênio são diminuídos. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
3 
 
 
 
2. Flores congeladas 
 
 
Já passou por sua cabeça que possa existir uma floricultura 
de gelo? Por mais que pareça coisa de filme, essa imagem não são 
plantas, ou qualquer ser vivo, e sim gelo. Basicamente, é um dos 
fenômenos naturais raros que só ocorre em temperatura extrema- 
mente baixas. É quando, pequenas quantidades de gelo que flutu- 
am na agua na água congelam as gotas ao seu redor e criam uma 
reação em cadeia. 
 
Nesse fenômeno, o gelo cresce ao redor de pequenos blocos 
em formatos imperfeitos, como se fossem espinhos congelados. A 
parte sinistra disso tudo é que o grau de bactérias e pequenos or- 
ganismos que vivem dentro das flores congeladas é bastante alto, 
até mesmo muito maior do que na água do oceano. Com isso, al- 
guns estudiosos acreditam que as flores congeladas abrigam seus 
próprios ecossistemas de modo temporário. Assim, favorece vida e 
a sobrevivência desses pequenos organismos durante as tempera- 
turas extremas. 
 
3. Chaminés de neve 
 
Por incrível que pareça, no território permanentemente conge- 
lado da Antártida existem inúmeros vulcões que estão ativos. Con- 
tudo, com o tempo extremamente gelado, somente alguns deles 
entram em erupção. Assim, com o calor gerado nas profundezas e 
no interior desses vulcões, os gases e o vapor criados são expelidos 
constantemente. 
Entretanto, quando os gases quentes encontram com o ar su- 
per gelado da superfície, eles congelam e formam essas estranhas 
construções chamadas de chaminés congeladas. Logo, elas se acu- 
mulam com o passar dos anos e formam estruturas finas e pontia- 
gudas, que sempre estão expelindo o vapor produzido na terra. 
 
4. Arco-íris lunar 
 
Por mais que pareça bizarro, os arco-íris noturnos realmente 
podem ocorrer. Embora, sejam bastante raros. Basicamente, esse 
fenômeno natural ocorre quando partículas de água entram em 
contato com o reflexo da luz solar projetado na superfície da Lua. 
Logo, como não têm a mesma intensidade de um arco-íris comum, 
eles são um pouco visíveis. 
 
5 .Cilindros de neve 
 
 
Esses interessantes cilindros de neve são formados natural- 
mente quando pequenos flocos são levados pelo vento. Em suma, 
o material é colhido de modo irregular, dos mais variados formatos 
e tamanhos. Entretanto sempre com um característico furo no cen- 
tro. 
 
Esses cilindros dependem da velocidade do vento para sua 
formação. Por outro lado, o tipo da neve também é importante, 
já que algumas são mais frágeis e outras espessas. Para completar, 
o fenômeno natural é bastante raro,ocorrendo principalmente na 
América do Norte e na Europa. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
4 
 
 
 
6. Arco-íris de fogo 
 
 
Por mais estranho que pareça, esse arco-íris não precisa de 
chuva. Basicamente, ele se manifesta em nuvens que se encontram 
em altitude bastante elevada. Porque, frequentemente possuem 
pequenos cristais de gelo dentro de si. 
 
Assim, quando eles são atingidos pelos raios solares, em ângu- 
los específicos, são capazes de originar o efeito da refração e criar 
um arco-íris horizontal. O resultado é belíssimo e um tanto bizarro, 
capaz de pintar cores nas nuvens nos mais irregulares formatos. 
 
7. Dedo de gelo 
 
Esse raro fenômeno natural foi descoberto nos últimos anos. O 
sinistro evento ocorre quando o gelo da superfície da água é tão in- 
tenso que uma determinada quantidade começa a descer ao chão. 
Assim, congela tudo o que encontra no caminho. 
 
Basicamente, ocorre quando o gelo recém-formado intensifi- 
ca com a quantidade de sal encontrado na água. Logo, origina um 
dedo de gelo e sal capaz de congelar a água ao redor dele e crescer 
em direção ao chão de forma muito resistente. Quando essa coluna 
de gelo atinge o fundo, tudo o que está em seu entorno é congela- 
do, criando uma espécie de rio de gelo. 
 
 
O cosmo é tudo o que existe, sempre existiu e sempre existirá, 
segundoCarl Sagan. De longe, essa é a melhor forma de dizer o que 
é oUniverso. De uma forma mais crua, o Universo é tudo o que 
influenciou o passado, o presente e influenciará o futuro seja com 
matéria, planetas, estrelas, luas, gravidade, tudo. Entretanto, essa 
lógica sugere que, caso exista outro Universo, ele não poderá ser 
encontrado pois o nosso não o influenciou. 
Caso exista ou não outro, o nosso já é bastante bonito e intri- 
gante, além de ser bastante complexo. 
De uma forma geral, o Universo é formado porgaláxias, estre- 
las, nebulosas, planetas, satélites,cometas,asteroidese radiações – 
e outras coisas mais que ainda não descobrimos. Amatéria negra, 
por exemplo, é uma forma de matéria que não se comporta como 
a matéria comum, mas existe. Faz parte dele com toda a sua parti- 
cularidade. 
 
Modelos de Universo 
Vários cientistas, comoAlbert Einstein, dedicaram grande parte 
de suas vidas para tentar decifrar o Universo. Desses estudos saí- 
ram quatro modelos: 
 
Modelo Estático 
Este modelo aborda o chamado Princípio Cosmológico, que diz 
que o Universo tem o mesmo aspecto para qualquer observador. A 
única coisa que difere são suas características locais. Este modelo 
admite, também, que o Universo sempre teve a mesma conforma- 
ção, sem nunca mudar ou evoluir. Logo, esse modelo caiu em desu- 
so por conta de pesquisas posteriores que mostraram justamente o 
contrário. 
 
Modelo Estacionário 
Após observações mostrarem que o Universo está em expan- 
são, o modelo estático acabou sendo totalmente descartado. As- 
sim, foi desenvolvido o Princípio Cosmológico Perfeito, que diz que 
o Universo tem o mesmo aspecto para qualquer observador em 
qualquer instante do tempo. Ou seja, o Universo é o que sempre foi 
e a matéria teria surgido de forma espontânea. 
 
Modelo Expansivo 
O modelo expansivo foi desenvolvido após a observação das 
diferenças de cores de luzes que as galáxias emitem e que acabam 
chegando até nós. Através dessa observação, constatou-se que as 
galáxias estão se afastando, consequência da expansão do Univer- 
so. A Lei de Hubble, formulada pelo astrônomo Edwin Hubble, diz 
que quanto mais longe uma galáxia se encontra de nós, mais rapi- 
damente ela se afasta de nós. 
 
Modelo Cíclico 
O modelo cíclico fala sobre uma possível contração do Univer- 
so. Diz que, caso a massa do Universo seja maior do que um certo 
valor crítico, a gravidade será o suficientemente grande para frear, 
de forma gradativa, a sua expansão. Assim, entrará em modo de 
contração. 
 
O que há mais no Universo 
• Estrelas: esferas de gás, compostas principalmente de gás 
hidrogênio e hélio, se encontram a uma temperatura altíssima; 
• Aglomerados: sistemas com muitas estrelas que podem 
ser abetos (ou galácticos) e os globulares; 
• Nebulosas: regiões entre as estrelas e aglomerados for- 
mada por gases e muito densas; 
• Galáxias: é o conjunto em que estamos. Galáxias são con- 
juntos de estrelas, planetas aglomerados, nebulosas, poeiras e ga- 
ses confinados em um pedaço do espaço sideral. 
A TERRA E O UNIVERSO 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
5 
 
 
 
As galáxias 
Galáxia é um termo que se origina da palavragala, que significa “leite”, em grego. Inicialmente, era a denominação da nossa galáxia, 
aVia Láctea, e, depois, se generalizou como denominação de todas as demais. 
As galáxias são compostas pornuvens de gáse poeira, um grande número deestrelas,planetas,cometaseasteroidese diversos corpos 
celestes unidos pela ação daforça gravitacional. 
Numa noite estrelada, podemos ver uma faixa esbranquiçada que corta o céu. Essa “faixa” de astros é apenas uma parte da galáxia 
onde está localizado o planeta Terra. Os antigos a denominaramVia Láctea, cujo significado em latim é “caminho de leite”. 
A Via Láctea pertence a um conjunto, ou seja, uma aglomerado de diversas galáxias. OUniversocontém mais de200 bilhões de galá- 
xiasde tamanho e formas variadas. Há galáxias de forma elíptica, outras são espirais e muitas são as galáxias irregulares, ou seja, que não 
tem forma específica. 
 
 
Representação da galáxia de Andrômeda 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
6 
 
 
 
Representação da Via Láctea vista de perfil (acima) e vista de cima (abaixo) 
O Sistema Solar 
O sistema solar é um conjunto deplanetas,asteroidesecometasque giram ao redor do sol. Cada um se mantém em sua respectiva órbi- 
ta em virtude da intensa força gravitacional exercida pelo astro, que possui massa muito maior que a de qualquer outro planeta. 
Os corpos mais importantes do sistema solar são osoito planetasque giram ao redor do sol, descrevendo órbitas elípticas, isto é, órbi- 
tas semelhantes a circunferências ligeiramente excêntricas. 
 
Os planetas que compõem o sistema solar 
O sol não está exatamente no centro dessas órbitas, como pode-se ver na figura abaixo, razão pela qual os planetas podem encontrar- 
-se, às vezes, mais próximos ou mais distantes do astro. 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
7 
 
 
 
Órbitas elípticas dos planetas do Sistema Solar 
 
Origem do Sistema Solar 
O sol e o Sistema Solar tiveram origem há4,5 bilhões de anosa 
partir de uma nuvem de gás e poeira que girava ao redor de si mes- 
ma. Sob a ação de seu próprio peso, essa nuvem se achatou, trans- 
formando-se num disco, em cujo centro formou-se o sol. Dentro 
desse disco, iniciou-se um processo de aglomeração de materiais 
sólidos, que, ao sofrer colisões entre si, deram lugar a corpos cada 
vez maiores, os outros planetas. 
A composição de tais aglomerados relacionava-se com a dis- 
tância que havia entre eles e o sol. Longe do astro, onde a tempera- 
tura era muito baixa, os planetas possuem muito mais matéria ga- 
sosa do que sólida, é o caso de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os 
planetas perto dele, ao contrário, o gelo evaporou, restando apenas 
rochas e metais, é o caso de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. 
 
Os componentes do Sistema Solar 
 
O sol 
O Sol é afonte de energia que domina o sistema solar. Sua 
força gravitacional mantém os planetas em órbita e sua luz e calor 
tornam possível a vida na Terra. A Terra dista, em média, aproxima- 
damente 150 milhões de quilômetros do Sol, distância percorrida 
pela luz em 8 minutos. Todas as demais estrelas estão localizadas 
em pontos muito mais distantes. 
As observações científicas realizadas indicam que o Sol é uma 
estrela de luminosidade e tamanho médios, e que no céu existem 
incontáveis estrelas maiores e mais brilhantes, mas para nossa sor- 
te, a luminosidade, tamanho e distância foram exatos para que o 
nosso planeta desenvolvesse formas de vida como a nossa. 
O Sol possui 99,9% da matéria de todo o Sistema Solar. Isso sig- 
nificaque todos os demais astros do Sistema juntos somam apenas 
0,1%. 
 
Composição do Sol 
O Sol é uma enorme esfera de gás incandescente composta 
essencialmente de hidrogênio e hélio, com um diâmetro de 1,4 mi- 
lhões de quilômetros. 
 
 
O volume do Sol é tão grande que em seu interior caberiam 
mais de 1 milhão de planetas do tamanho do nosso. Para igualar 
seu diâmetro, seria necessário colocar 109 planetas como a Terra 
um ao lado do outro. No centro da estrela encontra-se o núcleo, 
cuja temperatura alcança os 15 milhões de graus centígrados e 
onde ocorre o processo de fusão nuclear por meio do qual o hidro- 
gênio se transforma em hélio. Já na superfície a temperatura do Sol 
é de cerca de 6.000 graus Celsius. 
 
Os planetas 
Os planetas não produzem luz, apenas refletem a luz do Sol, 
que é a estrela do Sistema Solar. 
Teorias afirmam que os planetas também foram formados a a 
partir de porções de massa muito quente e que todos estão de res- 
friando. Alguns, entre eles a Terra, já se resfriaram o suficiente para 
apresentar a superfície sólida. 
Um corpo celeste é considerado um planeta quando, além de 
não ter luz própria, gira ao redor de uma estrela. 
Os planetas têm forma aproximadamente esférica. Os seus mo- 
vimentos principais são o derotaçãoe o detranslação. Cada planeta 
possui um eixo de rotação em relação a Sol, o mais inclinado deles 
é oplaneta-anãoPlutão, pois seu eixo de rotação em relação ao Sol 
é de 120º, olhe a figura. 
 
 
Substância e Mistura 
Analisando a matéria qualitativamente (qualidade) chamamos 
a matéria desubstância. 
Substância– possui uma composição característica, determina- 
da e um conjunto definido de propriedades. 
Pode ser simples (formada por só um elemento químico) ou 
composta (formada por vários elementos químicos). 
Exemplos de substância simples: ouro, mercúrio, ferro, zinco. 
Exemplos de substância composta: água, açúcar (sacarose), sal 
de cozinha (cloreto de sódio). 
Mistura– são duas ou mais substâncias agrupadas, onde a 
composição é variável e suas propriedades também. 
Exemplo de misturas: sangue, leite, ar, madeira, granito, água 
com açúcar. 
 
Corpo e Objeto 
Analisando a matéria quantitativamente chamamos a matéria 
deCorpo. 
Corpo- São quantidades limitadas de matéria. Como por exem- 
plo: um bloco de gelo, uma barra de ouro. 
Os corpos trabalhados e com certo uso são chamados de ob- 
jetos. Uma barra de ouro (corpo) pode ser transformada em anel, 
brinco (objeto). 
 
Fenômenos Químicos e Físicos 
Fenômenoé uma transformação da matéria. Pode ser química 
ou física. 
Fenômeno Químicoé uma transformação da matéria com alte- 
ração da sua composição. 
Exemplos: combustão de um gás, da madeira, formação da fer- 
rugem, eletrólise da água. 
A ENERGIA, SUAS FONTES E SUAS TRANSFORMAÇÕES 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
8 
 
 
 
 
 
 
Química– é a ciência que estuda os fenômenos químicos. Es- 
tuda as diferentes substâncias, suas transformações e como elas 
interagem e a energia envolvida. 
Fenômenos Físicos- é a transformação da matéria sem altera- 
ção da sua composição. 
Exemplos: reflexão da luz, solidificação da água, ebulição do 
álcool etílico. 
Física– é a ciência que estuda os fenômenos físicos. Estuda as 
propriedades da matéria e da energia, sem que haja alteração quí- 
mica. 
Peso– é a força gravitacional entre o corpo e a Terra. 
Elasticidade– propriedade onde a matéria tem de retornar ao 
seu volume inicial após cessar a força que causa a compressão. 
Compressibilidade– propriedade onde a matéria tem de redu- 
zir seu volume quando submetida a certas pressões. 
Extensão– propriedade onde a matéria tem de ocupar lugar 
no espaço. 
Divisibilidade– a matéria pode ser dividida em porções cada 
vez menores. A menor porção da matéria é a molécula, que ainda 
conserva as suas propriedades. 
Impenetrabilidade– dois corpos não podem ocupar o mesmo 
espaço ao mesmo tempo. 
As propriedades específicas são próprias para cada tipo de ma- 
téria, diferenciando-as umas das outras. Podem ser classificadas em 
organolépticas, físicas e químicas. 
As propriedades organolépticas podem ser percebidas pelos 
órgãos dos sentidos (olhos, nariz, língua). São elas: cor, brilho, odor 
e sabor. 
As propriedades físicas são: ponto de fusão e ponto de ebuli- 
ção, solidificação, liquefação, calor específico, densidade absoluta, 
propriedades magnéticas, maleabilidade, ductibilidade, dureza e 
tenacidade. 
Ponto de fusão e ebulição– são as temperaturas onde a maté- 
ria passa da fase sólida para a fase líquida e da fase líquida para a 
fase sólida, respectivamente. 
Ponto de ebulição e de liquefação– são as temperaturas onde 
a matéria passa da fase líquida para a fase gasosa e da fase gasosa 
para a líquida, respectivamente. 
Calor específico– é a quantidade de calor necessária para au- 
mentar em 1 grau Celsius (ºC) a temperatura de 1grama de massa 
de qualquer substância. Pode ser medida em calorias. 
Densidade absoluta– relação entre massa e volume de um cor- 
po. 
d = m : V 
 
Propriedade magnética– capacidade que uma substância tem 
de atrair pedaços de ferro (Fe) e níquel (Ni). 
Maleabilidade– é a propriedade que permite à matéria ser 
transformada em lâmina. Característica dos metais. 
Ductibilidade– capacidade que a substância tem de ser trans- 
formada em fios. Característica dos metais. 
Dureza– é determinada pela resistência que a superfície do 
material oferece ao risco por outro material. O diamante é o mate- 
rial que apresenta maior grau de dureza na natureza. 
 
 
Propriedades da matéria 
O que define a matéria são suas propriedades.Existem as pro- 
priedades gerais e as propriedades específicas.As propriedades 
gerais são comuns para todo tipo de matéria e não permitem dife- 
renciar uma da outra. São elas: massa, peso, inércia, elasticidade, 
compressibilidade, extensão, divisibilidade, impenetrabilidade. 
Massa– medida da quantidade de matéria de um corpo. Deter- 
mina a inércia e o peso. 
Inércia– resistência que um corpo oferece a qualquer tentativa 
de variação do seu estado de movimento ou de repouso. O corpo 
que está em repouso, tende a ficar em repouso e o que está em 
movimento tende a ficar em movimento, com velocidade e direção 
constantes. 
 
 
 
Tenacidade– é a resistência que os materiais oferecem ao cho- 
que mecânico, ou seja, ao impacto. Resiste ao forte impacto sem se 
quebrar. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
9 
 
 
- água + sais minerais 
 
As propriedades químicas são as responsáveis pelos tipos de 
transformação que cada substância é capaz de sofrer. Estes proces- 
sos são asreações químicas. 
 
Mistura e Substância 
Mistura– é formada por duas ou mais substâncias puras. As 
misturas têm composição química variável, não expressa por uma 
fórmula. 
Algumas misturas são tão importantes que têm nome próprio. 
São exemplos: 
- gasolina – mistura de hidrocarbonetos, que são substâncias 
formadas por hidrogênio e carbono. 
- ar atmosférico – mistura de 78% de nitrogênio, 21% de oxigê- 
nio, 1% de argônio e mais outros gases, como o gás carbônico. 
- álcool hidratado – mistura de 96% de álcool etílico mais 4% 
de água. 
Substância– é cada uma das espécies de matéria que constitui 
o universo. Pode ser simples ou composta. 
 
Sistema e Fases 
Sistema– é uma parte do universo que se deseja observar, ana- 
lisar. Por exemplo: um tubo de ensaio com água, um pedaço de fer- 
ro, uma mistura de água e gasolina, etc. 
Fases– é o aspecto visual uniforme. 
As misturas podem conter uma ou mais fases. 
Mistura Homogênea– é formada por apenas uma fase. Não se 
consegue diferencias a substância. 
 
Exemplos: 
- água + sal 
- água + álcool etílico 
- água + acetona 
- água + açúcar 
 
 
Mistura Heterogênea– é formada por duas ou mais fases. As 
substâncias podem ser diferenciadas a olho nu ou pelo microscópio. 
Exemplos: 
- água + óleo 
- granito 
- água + enxofre 
- água + areia + óleo 
 
 
 
Os sistemas monofásicos são as misturas homogêneas. 
Os sistemas polifásicossão as misturas heterogêneas.Os siste- 
mas homogêneos, quando formados por duas ou mais substâncias 
miscíveis (que se misturam) umas nas outras chamamos desolu- 
ções. 
São exemplos de soluções: água salgada, vinagre, álcool hidra- 
tado. 
Os sistemas heterogêneos podem ser formados por uma única 
substância, porém em várias fases de agregação (estados físicos) 
.Exemplo: Água líquida,sólida (gelo),vapor 
 
Separação de mistura 
Os componentes das misturas podem ser separados. Há algu- 
mas técnicas para realizar a separação de misturas. O tipo de sepa- 
ração depende do tipo de mistura. 
Alguns dos métodos de separação de mistura são: catação, le- 
vigação, dissolução ou flotação, peneiração, separação magnética, 
dissolução fracionada, decantação e sedimentação, centrifugação, 
filtração, evaporação, destilação simples e fracionada e fusão fra- 
cionada. 
 
Separação de Sólidos 
Para separar sólidos podemos utilizar o método da catação, le- 
vigação, flotação ou dissolução, peneiração, separação magnética, 
ventilação e dissolução fracionada. 
- CATAÇÃO – consiste basicamente em recolher com as mãos 
ou uma pinça um dos componentes da mistura. 
Exemplo: separar feijão das impurezas antes de cozinhá-los. 
 
- LEVIGAÇÃO – separa substâncias mais densas das menos den- 
sas usando água corrente. 
Exemplo: processo usado por garimpeiros para separar ouro 
(mais denso) da areia (menos densa). 
 
- DISSOLUÇÃO OU FLOCULAÇÃO – consiste em dissolver a mis- 
tura em solvente com densidade intermediária entre as densidades 
dos componentes das misturas. 
Exemplo: serragem + areia 
Adiciona-se água na mistura. A areia fica no fundo e a serragem 
flutua na água. 
 
- PENEIRAÇÃO – separa sólidos maiores de sólidos menores ou 
ainda sólidos em suspensão em líquidos. 
Exemplo: os pedreiros usam esta técnica para separar a areia 
mais fina de pedrinhas; para separar a polpa de uma fruta das suas 
sementes, como o maracujá. 
Este processo também é chamado detamização. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
10 
 
 
 
 
 
 
 
 
- SEPARAÇÃO MAGNÉTICA – usado quando um dos componen- 
tes da mistura é um material magnético. 
Com um ímã ou eletroímã, o material é retirado. 
Exemplo: limalha de ferro + enxofre; areia + ferro 
 
- VENTILAÇÃO – usado para separar dois componentes sólidos 
com densidades diferentes. É aplicado um jato de ar sobre a mis- 
tura. 
Exemplo: separar o amendoim torrado da sua casca já solta; 
arroz + palha. 
 
- DISSOLUÇÃO FRACIONADA - consiste em separar dois compo- 
nentes sólidos utilizando um líquido que dissolva apenas um deles. 
Exemplo: sal + areia 
Dissolve-se o sal em água. A areia não se dissolve na água. Po- 
de-se filtrar a mistura separando a areia, que fica retida no filtro da 
água salgada. Pode-se evaporar a água, separando a água do sal 
 
Separação de Sólidos e Líquidos 
Para separar misturas de sólidos e líquidos podemos utilizar o 
método da decantação e sedimentação, centrifugação, filtração e 
evaporação. 
 
- SEDIMENTAÇÃO – consiste em deixar a mistura em repouso 
até o sólido se depositar no fundo do recipiente. 
Exemplo: água + areia 
- DECANTAÇÃO – é a remoção da parte líquida, virando cuida- 
dosamente o recipiente. Pode-se utilizar um funil de decantação 
para remover um dos componentes da mistura. 
Exemplo: água + óleo; água + areia 
 
 
 
- CENTRIFUGAÇÃO – é o processo de aceleração da sedimen- 
tação. Utiliza-se um aparelho chamadocentrífugaoucentrifugador, 
que pode ser elétrico ou manual. 
 
Exemplo: Para separar a água com barro. 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
11 
 
 
 
 
 
 
- FILTRAÇÃO – processo mecânico que serve para separar mis- 
tura sólida dispersa com um líquido ou gás. Utiliza-se uma super- 
fície porosa (filtro) para reter o sólido e deixar passar o líquido. O 
filtro usado é um papel-filtro. 
 
 
O papel-filtro dobrado é usado quando o produto que mais in- 
teressa é o líquido. A filtração é mais lenta. 
O papel-filtro pregueado produz uma filtração mais rápida e é 
utilizada quando a parte que mais interessa é a sólida. 
Exemplo: água + areia 
 
 
- EVAPORAÇÃO – consiste em evaporar o líquido que está mis- 
turado com um sólido. 
Exemplo: água + sal de cozinha (cloreto de sódio). 
 
Nas salinas, obtém-se o sal de cozinha por este processo. Na 
realidade, as evaporações resultam em sal grosso, que se for puri- 
ficado torna-se o sal refinado (sal de cozinha), que é uma mistura 
de cloreto de sódio e outras substâncias que são adicionadas pela 
indústria. 
 
 
Separação de Misturas Homogêneas 
Para separar os componentes das substâncias de misturas ho- 
mogêneas usamos os métodos chamados defracionamento, que se 
baseiam na constância da temperatura nas mudanças de estados 
físicos. São eles: destilação e fusão. 
- DESTILAÇÃO – consiste em separar líquidos e sólidos com pon- 
tos de ebulição diferentes. Os líquidos devem ser miscíveis entre si. 
Exemplo: água + álcool etílico; água + sal de cozinha 
 
O ponto de ebulição da água é 100°C e o ponto de ebulição do 
álcool etílico é 78°C. Se aquecermos esta mistura, o álcool ferve pri- 
meiro. No condensador, o vapor do álcool é resfriado e transforma- 
do em álcool líquido, passando para outro recipiente, que pode ser 
um frasco coletor, um erlenmeyer ou um copo de béquer. E a água 
permanece no recipiente anterior, separando-se assim do álcool. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
12 
 
 
 
Para essa técnica, usa-se o aparelho chamado destilador, que é um conjunto de vidrarias do laboratório químico. Utiliza-se: termôme- 
tro, balão de destilação, haste metálica ou suporte, bico de Bunsen, condensador, mangueiras, agarradores e frasco coletor. 
Este método é a chamada Destilação Simples. 
Nas indústrias, principalmente de petróleo, usa-se a destilação fracionada para separar misturas de dois ou mais líquidos. As torres de 
separação de petróleo fazem a sua divisão produzindo gasolina, óleo diesel, gás natural, querosene, piche. 
As substâncias devem conter pontos de ebulição diferentes, mas com valores próximos uns aos outros. 
 
 
Fonte: http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/destilacao-simples.gif 
 
FUSÃO FRACIONADA – separa componentes de misturas homogêneas de vários sólidos. Derrete-se a substância sólida até o seu ponto 
de fusão, separando-se das demais substâncias. 
Exemplo: mistura sólida entre estanho e chumbo. 
O estanho funde-se a 231°C e o chumbo, a 327°C. Então, funde-se primeiramente o estanho. 
 
Energia 
Energia é algo um pouco mais complicado de definir do que foi a matéria. Esta, ao contrário da matéria, não tem peso, e somente 
é possível medir quando for transformada, ou ao ser liberada ou absorvida. Ela não possui unidades físicas próprias, sendo expressa em 
termos das unidades de trabalho que realiza. Com isso, podemos ter uma definição mais simples: energia nada mais é do que a capaci- 
dade de realizar trabalho. De acordo com a lei da conservação da energia, esta não pode ser criada nem destruída, portanto somente se 
transformará. 
É a partir da energia, ainda, que é possível modificar a matéria, anular ou provocar movimentos e causar deformações. Existem algu- 
mas formas de energia. De acordo com a lei da conservação da energia, esta não pode ser criada nem destruída. 
 
Formas de energia 
Energia cinética: associada ao movimento. Esta depende da massa e da velocidade de um corpo. 
Energia potencial: encontra-se armazenada em um sistema e pode ser usada a qualquer momento. São elas a energia potencial gravi- 
tacional – relacionada a altura de um corpo em relação a um determinado nível de referência – e a energia potencial elástica, relacionada 
a uma mola ou a um corpo elástico. 
Energia mecânica total: a energia mecânica total e dada pela soma das energias cinética e potencial. 
 
 
 
Você faz bastante uso da eletricidade em seu dia-a-dia, não é mesmo? Mas já parou para pensar na falta que ela faria na sua vida, se 
não existisse? 
Se faltar energia elétrica à noite, ficamos sem luz elétricae tudo pára: a televisão, o chuveiro elétrico, o ventilador, alguns aparelhos 
de telefone, o aparelho de som, o computador, o microondas, os elevadores etc. 
O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA 
http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/destilacao-simples.gif
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
13 
 
 
 
 
 
 
Alguns aparelhos funcionam com a energia recebida das es- 
tações distribuidoras de energia elétrica; basta ligá-los na tomada. 
Mas há muitos outros aparelhos que funcionam utilizando energia 
elétrica sem termos de ligá-los diretamente na tomada, como o ce- 
lular, o rádio, os walkmans ou iPODs e as calculadoras; eles recebem 
energia de pilhas e baterias. 
Outro tipo de energia muito usada em nosso cotidiano é a 
energia magnética. Graças ao magnetismo, podemos ter registros 
armazenados em fitas cassetes e fitas de vídeo, podemos usar as 
bússolas para nos localizarmos etc. 
A revolução que a humanidade experimentou advinda das apli- 
cações da eletricidade e do magnetismo se intensificou quando os 
cientistas perceberam a relação entre ambos. 
 
Cargas elétricas 
Cargas elétricas são de dois tipos: positivas e negativas 
Uma matéria é constituída de átomos. Os átomos, por sua vez, 
são constituídos de partículas ainda menores: prótons, nêutrons e 
elétrons. 
Os prótons e os nêutrons situam-se no núcleo do átomo. Os 
elétrons giram e torno do núcleo, numa região chamada eletrosfe- 
ra. Os prótons e os elétrons possuem uma propriedade denomina- 
da carga elétrica, que aparece na natureza em dois tipos. Por isso 
a do próton foi convencionada como positiva e a do elétron como 
negativa. 
Corpos carregados 
Quando um corpo perde elétrons dizemos que ele está positi- 
vamente carregado. 
Quando ganha elétrons dizemos que ele está negativamente 
carregado. Quando o número de elétrons em um corpo é igual ao 
número de prótons, dizemos que o corpo está neutro. 
Um experimento relacionado aos primórdios do estudo da ele- 
tricidade pode ser realizado com um bastão de vidro pendurado por 
um barbante. Se atritarmos esse bastão em um pedaço de lã, 
notaremos que ambos se atrairão mutuamente. 
Agora se atritarmos o bastão de vidro no tecido de lã e o dei- 
xarmos pendurado, aproximando dele outro bastão de vidro que 
tenha sido friccionado em outro pedaço de lã, notaremos que os 
bastões se repelem. 
 
 
Essas observações demonstraram a ocorrência de fenômenos 
elétricos. Os cientistas consideram que, ao atritarmos os materiais 
vidro e lã, o bastão de vidro passa a ser portador de carga elétrica 
positiva e o pedaço de lã passa a ser portador de carga elétrica ne- 
gativa. Os sinais de positivo e negativo atribuídos a essas cargas são 
uma convenção científica. 
 
Cargas elétricas interagem 
Muito materiais adquirem carga elétrica quando atritados em 
outros. Nesse processo um dos materiais adquire carga elétrica po- 
sitiva, e o outro, carga elétrica negativa. 
Por meio de experimentos semelhantes aos descritos anterior- 
mente com o vidro e a lã, os cientistas concluíram que cargas elé- 
tricas de sinais diferentes se atraem e que cargas elétricas de sinais 
iguais se repelem. Quando vidro e lã são friccionados, passam a ter 
cargas elétricas de sinais diferentes e, portanto, passam a se atrair. 
Já os dois bastões de vidro, quando adquirem cargas elétricas de 
mesmo sinal, passam a se repelir. 
 
A interação elétrica obedece o princípio da ação e reação 
A interação entre dois corpos portadores de cargas elétricas 
obedece à Terceira Lei de Newton (Princípio da ação e reação). So- 
bre cada um dos dois corpos atua uma força que se deve a presença 
do outro. As duas forças tem a mesma intensidade (mesmo módu- 
lo) e a mesma direção (mesma linha de atuação), mas diferentes 
sentidos. 
 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
14 
 
 
 
Se os dois corpos apresentam cargas de sinais opostos, as forças tendem a fazê-los de aproximar. Por outro lado, se os dois corpos 
possuem carga de mesmo sinal, as forças tendem a fazê-los se afastar. 
 
Eletrização por atrito 
Diferentes materiais têm diferentes tendências à eletrização. Quando vidro de lã são atritados, dizemos que ambos materiais adqui- 
rem carga elétrica pelo processo de eletrização por atrito. 
Com base em muitos experimentos similares, foi possível aos cientistas determinarem a tendência dos materiais a adquirir carga elé- 
trica positiva ou negativa, quando atritados uns com os outros. 
Essa tendência pode ser expressa por meio de uma sequência como a mostrada abaixo. 
 
 
 
Condutores elétricos 
Imagine duas esferas de metal, um pouco afastadas entre si, uma delas eletrizada com carga positiva e a outra não-eletrizada. Se um 
bastão de metal tocar as duas esferas simultaneamente, verifica-se que parte da carga elétrica é transferida para a outra esfera. Porém, se 
utilizarmos um bastão de madeira, a carga permaneceria na esfera eletrizada, e a outra não receberia nem um pouco dessa carga. 
 
 
 
 
Esse experimento evidencia que o metal é o material condutor elétrico e a madeira é um material isolante elétrico. 
De fato, os condutores elétricos mais conhecidos são os metais como o cobre, o ferro o alumínio, o ouro e a prata. Entre eles, o 
cobre, metal de aspecto marrom-avermelhado, é usado na fiação elétrica das casas. Entre os isolantes elétricos podemos citar, além da 
madeira, os plásticos em geral, o ar (a temperatura e pressão ambientes), as borrachas e o isopor (que na verdade, é um tipo de plástico). 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
15 
 
 
 
A grande maioria dos metais conhecidos se encaixa em um des- 
ses dois grupos: condutor elétrico e isolantes elétrico. Há, contudo, 
certos materiais que não se enquadram bem em nenhuma dessas 
duas categorias, mas sim em um grupo intermediário, conhecidos 
como semi-condutores. Dois exemplos são o silício e o germânio, 
empregados na indústria para elaborar alguns componentes usados 
em aparelhos eletrônicos. 
 
Eletrização por contato 
Quando um corpo eletrizado toca um corpo eletricamente neu- 
tro (isto é, sem carga elétrica), parte de sua carga é transferida para 
ele, que também passa a ficar eletrizado. Esse processo é a eletri- 
zação por contato. 
Corrente elétrica 
Vimos que os elétrons se deslocam com facilidade em corpos 
condutores. O deslocamento dessas cargas elétricas é chamado de 
corrente elétrica. 
A corrente elétrica é responsável pelo funcionamento dos apa- 
relhos elétricos; estes somente funcionam quando a corrente passa 
por eles. 
Somente é possível a passagem de corrente por um aparelho 
se este pertencer a um circuito fechado. 
 
 
Um circuito constituído de lâmpada, pilha e fios, quando liga- 
dos corretamente, formam um circuito fechado. Quando ligamos os 
aparelhos elétricos em nossa casa e eles funcionam, podemos 
garantir que fazem parte de um circuito fechado quando passa cor- 
rente elétrica através de seus fios. 
 
Entendendo a corrente elétrica 
Antes de definirmos corrente elétrica, vamos imaginar a se- 
guinte situação: você está em uma estação de trem urbano ou de 
metrô, no qual o passageiro passa por roletas para ter acesso aos 
trens. Sua finalidade ali é avaliar a quantidade de pessoas que pas- 
sam por minuto. 
Obter essa informação é simples: basta contar quantas pessoas 
passam em um minuto. Por exemplo, se contou 100 pessoas, você 
responderá que passam 100 pessoas por minuto. Para atingir uma 
média melhor, você pode contar por mais tempo. Digamos que te- 
nha contado 900 pessoas em 10 minutos. 
Portanto, sua média agora será 900/10 = 90 pessoas por mi- 
nuto. 
Então alguém lhe pede que avalie a massa média das pessoas 
que passam por minuto pelas roletas. Você aceita o desafio. 
Se a massa médias das pessoas no Brasil é 70 Kg (podemos ver 
isso ao ler placas de elevadores de prédios, que sempre consideram 
a massa de uma pessoa igual a 70 kg. Essas placas de advertência 
fixadas nas cabines afirmam: “Capacidade máxima: 10 pessoas ou 
700 kg”). 
Massa média 
 
 
 
Essa ideia é similar à usada para definira intensidade de 
corrente elétrica (i). Sabe-se que a carga de um elétron é igual a 
1,6.10- 19 C . 
Se você conseguisse contar a quantidade de elétrons (n) que 
atravessa uma região plana de um fio em 1 segundo poderia afirmar 
que a intensidade da corrente elétrica é: 
 
 
 
 
Se contasse por um período qualquer, e representando a 
carga do elétron (1,6.10- 19 C) pela letra e, poderia afirmar: 
 
 
Esta é a expressão matemática associada à intensidade da cor- 
rente elétrica. 
A unidade de intensidade de corrente elétrica é o Coulomb 
por segundo, denominada ampère (A). A corrente elétrica pode ser 
contínua ou alterada. 
Na corrente contínua, observada nas pilhas e baterias, o fluxo 
dos elétrons ocorre sempre em um único sentido. 
Na corrente alternada, os elétrons alternam o sentido do seu 
movimento, oscilando para um lado e para o outro. É esse tipo de 
corrente que se estabelece ao ligarmos os aparelhos na nossa rede 
doméstica. A razão de a corrente ser alternada está relacionada a 
forma como a energia elétrica é produzida e distribuída para nossas 
casas. 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
16 
 
 
 
 
 
Os meios de transporte não ficaram estagnados. Conforme o 
tempo passou e as necessidades dos homens mudaram, a forma de 
se transportar também evoluiu. Hoje, pode-se dizer que a distância 
foi vencida: a velocidade permitiu ao homem chegar cada vez mais 
longe em menos tempo. 
 
Para chegar a esse estágio de tamanha eficiência, os trans- 
portes precisaram evoluir de acordo com os conhecimentos que 
a humanidade ia adquirindo. O exemplo mais extraordinário é a 
Expansão Marítima, no século XV. O conhecimento adquirido para 
construir um meio de transporte aquaviário tornou possível a saída 
dos europeus do seu continente. Esse fato deu início a descoberta 
de novas terras como a América. 
 
No século XIX, o trem se tornou popular e após inúmeros ten- 
tativas de seu desenvolvimento, o inglês George Stephenson foi o 
responsável pela criação da locomotiva a vapor. No início não era 
um meio de transporte veloz, viajando aproximadamente 45Km/h. 
Isso tornava as viagens inseguras e suscetíveis a roubos. No fim do 
século e com os avanços tecnológicos, o trem foi considerado um 
dos meios mais modernos de transporte. Com a criação do motor 
a vapor, houve uma evolução no transporte marítimo com a cons- 
trução de barcos movidos a essa tecnologia, em destaque para o 
engenheiro francês Isambard Kingdom Brunel. 
 
O primeiro automóvel criado na Alemanha, por Carl Benz, em 
1886, foi se aprimorando e durante todo século XX, não parou de 
ser renovado, no design, na tecnologia e na acessibilidade. 
Uma das revoluções do transporte aéreo, foi a criação do avião. 
O responsável por esse feito foi Santos Dumont, um brasileiro que 
em 1906 voou sobre o céu de Paris em seu 14-bis. A partir dele, 
novas inovações foram realizadas para a melhoria desse meio de 
transporte no mundo. 
Ainda no século XX, a ambição do homem o levou ao espaço. 
A corrida espacial entre EUA e URSS possibilitou a rápida evolução 
dos transportes espaciais. Os foguetes, naves e ônibus espaciais que 
desenvolveram não tardou em transportar astronautas para lua e 
tornar uma realidade a sua saída constante da Terra para pesquisas. 
 
Revolução Industrial 
Os transportes evoluíram principalmente durante a Revolução 
Industrial, a partir de 1760. Inicialmente, a maioria das invenções 
estava restrita à Inglaterra e com a 2ª Revolução Industrial (1850- 
1900), conquistou outros países da Europa, na América e na Ásia. 
Inclusive no transporte marítimo e terrestre, com a criação dos na- 
vios e da locomotiva. 
 
Com a 3ª Revolução Industrial que aconteceu a partir de 1900, 
o mundo participou dessa etapa evolutiva da história e muitos in- 
ventos foram aperfeiçoados. 
 
Destaques da Evolução do Transporte 
Invenção da Roda: com data aproximada de sua mais antiga 
utilização de 3500 a.C, pelo povo da Suméria, seu invento propor- 
cionou ao ser humano maior mobilidade, já que anteriormente, o 
transporte era muito limitado em técnicas com troncos de madeira; 
Surgimento do Barco a Vapor (1807): a máquina a vapor foi es- 
sencial para muitos meios de transporte, especialmente os navios. 
O primeiro barco a vapor bem sucedido, foi inaugurado pelo ame- 
ricano Robert Fulton e era chamado de Clermont. Dentro do trans- 
porte marítimo, o vapor era capaz de movimentar essas máquinas 
pelos oceanos; 
Surgimento do Transporte Ferroviário (1830): O transporte 
ferroviário tornou-se popular a partir de 1830 e um dos principais 
inventores foi George Stephenson, criador da locomotiva a vapor; 
Invenção do Automóvel Moderno (1886): o alemão Karl Benz 
foi o responsável pela criação do primeiro automóvel de três rodas 
movido à gasolina; 
Surgimento da Aviação Comercial (1926): o avião abriu a nova 
fase de revolução nos transportes e sua criação é atribuída a três 
pessoas, os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright (1903) e 
Santos Dumont (1906). Com esse meio de transporte, a população 
não precisa mais utilizar apenas os navios para fazer longas viagens; 
Início do Transporte Espacial (1926): o transporte espacial co- 
meçou a ser introduzido pelo americano Robert H. Gooddard, cria- 
dor dos primeiros foguetes de combustível líquido. 
 
Os 5 Revolucionários dos Meios de Transporte 
 
1) George Stephenson 
George Stephenson foi o responsável pela criação da locomo- 
tiva à vapor que funcionaria em uma estrada de ferro. Ele se for- 
mou em engenharia em 1812. Pensando em substituir a locomotiva 
puxada à cavalo, construiu em 1814 a locomotiva Blucher, com 6,5 
toneladas para o transporte de carvão. Logo em 1821, é indicado 
para a construção da primeira linha de Stockton a Darlington, na 
Inglaterra. Foi em 27 de setembro de 1825 que circulou o primeiro 
trem em sua estrada de ferro. 
MEIOS DE TRANSPORTE 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
17 
 
 
 
Anterior a Stephenson, outros inventores como Richard Trevi- 
thick, Joseph Cugnot e John Blenkinsop tiveram grande contribuição 
na criação desse meio de transporte, mas George conquistou maior 
popularidade. Tanto é que em 1826, tornou-se engenheiro-chefe 
da ferrovia Liverpool-Manchester, liderando a construção da estra- 
da que foi finalizada em 1829. No mesmo ano, participou de um 
concurso de protótipos de locomotivas de Rainhill e foi vencedor. 
Sua locomotiva foi chamada de Rocket, que significa foguete, pois 
atingia uma velocidade de 50 km por hora. Ele criou uma fábrica de 
locomotivas em Newcastle e muitos de seus projetos receberam a 
contribuição do filho Robert Stephenson. George morreu em 12 de 
agosto de 1848. 
A criação da máquina a vapor (motor a vapor) foi atribuída e 
melhorada por vários inventores, dentre eles estão James Watt, 
Thomas Newcomen e Trevithick. Essa criação foi fundamental para 
o desenvolvimento do barco a vapor, do americano Robert Fulton, 
chamado de Clermont. 
 
2) Étienne Lenoir 
A história da evolução dos automóveis é longa, mas um dos 
grandes inventores que contribuiu com a criação do automóvel foi 
Étienne Lenoir. Ele foi um inventor e construtor belga que criou o 
motor de combustão interna, movido à gás. Sua invenção posterior- 
mente tornou-se melhor devido ao inventor alemão Nikolaus Otto 
que criou os motores à gasolina. O invento desse motor foi o ponta- 
pé inicial para a construção dos carros modernos. 
 
Em 1886, o engenheiro alemão Karl Benz criou um carro de três 
rodas movido a gás ou petróleo e no fim do século XIX abriu sua 
fábrica de carros. Gottlieb Daimler, também engenheiro alemão, 
tornou-se seu concorrente criando uma fábrica semelhante. Logo 
depois, vieram a se unir. A partir deles, ocorreu o início da criação 
dos carros modernos. No princípio, havia ainda uma disputa entre 
os carros à vapor e à gasolina. Mas o que prevaleceu foi o movido 
à gasolina. O responsável por baratear e padronizar os automóveis 
foi o americano Henry Ford. Em 1908, ele desenvolveu o Modelo T, 
cujos veículos eramconfiáveis e com preços acessíveis. 
 
Desenho da Caravela 
 
3) Isambard Brunel 
Isambard Kingdom Brunel, arquiteto e engenheiro visionário 
francês do século XIX, ganhou notoriedade por revolucionar a tec- 
nologia do transporte, através da construção de inúmeras ferrovias 
(trilhos de trem), túneis, pontes e navios, como os transatlânticos. 
Sua atuação foi predominante na Revolução Industrial britânica. 
Sua contribuição foi muito importante para a atualidade. 
 
No Reino Unido, Brunel é considerado um engenheiro revolu- 
cionário, pois seu legado transformou tecnologicamente os meios 
de transporte. Alguns de seus ousados projetos foram posterior- 
mente concretizados, pois a tecnologia da época era insuficiente 
para executá-los com eficiência. Dentre seus principais feitos, estão: 
 
Great Western Railway: estrada ferroviária que interligava Bris- 
tol a Londres e aumentava a velocidade dos trens, sem comprome- 
ter a segurança; 
The Great Steamship Company: Companhia aberta para cons- 
truir o maior navio de passageiros, já visto na época; 
SS Great Western: A principal descoberta de Brunel em relação 
a esse projeto, é que quanto maior é o barco, menor é o consumo 
de combustível. A inauguração do SS Great Western foi importante 
para a construção de navios maiores no futuro. Ia da Europa à Amé- 
rica em 15 dias; 
SS Great Britain: Embarcação construída pela The Great Ste- 
amship Company e inaugurada em 1843, com capacidade para qua- 
se 700 pessoas. Sua viagem para Nova Iorque durava 14 dias; 
SS Great Eastern: Terceiro transatlântico construído, com rota 
alterada (Índia). Entretanto, uma explosão gerou transtornos no 
percurso e impediu que a embarcação chegasse ao destino, ficando 
parada no oceano por muitos anos. 
 
4) Alberto Santos Dumont 
A invenção do avião passa por vários inventores. Leonardo da 
Vinci foi responsável pela produção de projetos semelhantes a ve- 
ículos como o helicóptero e o paraquedas, mas seus projetos não 
saíram do papel. Os responsáveis por transformar o sonho de voar 
em realidade está atribuído à Alberto Santos Dumont e também aos 
Irmãos Wright, em alguns países. No início do século XX, houve uma 
disputa para a construção de uma máquina voadora. 
 
Em 1903, os irmãos Wright, nos Estados Unidos, criaram um 
avião que voou 12 segundos, numa altura de 37 metros com o au- 
xílio de uma catapulta. Já em 1906, Alberto Santos Dumont, após 
vários testes, realizou o primeiro voo de sucesso. Voou 60 metros 
por meio de seu avião 14-Bis em meio a um espetáculo visto pela 
população parisiense. 
Dumont nasceu na fazenda dos pais, na cidade hoje chamada 
de Santos Dumont, em Minas Gerais, no dia 20 de julho de 1873. 
E, desde a infância adquiriu vocação pelas máquinas da fazenda do 
pai. Aos 18 anos, em 1891, foi para Paris concluir seus estudos so- 
bre aviação. Ele voou com dirigíveis e balões. Muitas vezes, entrou 
em depressão por ver que suas invenções haviam sido usadas como 
máquinas de guerra. Morreu aos 59 anos, no dia 23 de julho de 
1932. 
 
5) Elon Musk 
Elon Reeve Musk nasceu na África e é um canadense-america- 
no, um empresário, inventor e engenheiro responsável pela criação 
de empresas como a Space-X, a primeira empresa comercial que 
oferece viagens ao espaço e a Tesla Motors, que trabalha na cons- 
trução de carros elétricos. É co-fundador da PayPal e Zip2, além de 
outros investimentos. Foi responsável também pela idealização do 
Hyperloop, um meio de transporte rápido com cápsulas que flutua- 
riam por meio de tubos. 
 
Space-X 
A Space Exploration Technologies foi fundada em 2002, com 
sede na Califórnia e é liderada por Musk. É uma empresa que tra- 
balha no desenvolvimento de foguetes e naves espaciais para mis- 
sões na órbita da Terra e também, para outros planetas. Ganhou 
destaque mundial a partir das suas realizações, sendo responsável 
por realizar testes de naves espaciais à orbitar a Terra em 2010 e 
também enviar cargas para a Estação Espacial Internacional (ISS). 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
18 
 
 
 
Outro marco histórico foi o envio com sucesso em maio de 
2012 da espaçonave Dragon com cargas para a ISS, que retornou 
com segurança à Terra. A partir daí, a nave passou a reabastecer re- 
gularmente a estação espacial e realizar missões para a NASA. Com 
isso, a empresa fechou um contrato com a NASA e futuramente, o 
objetivo é levar uma tripulação para o espaço. A empresa trabalha 
também com o Falcon, que será o foguete mais poderoso do mun- 
do. Um dos desafios da Space-X é construir foguetes reutilizáveis 
para que os gastos com veículos espaciais diminua, além de deixá- 
-los mais seguros para a exploração do espaço. 
 
Tesla Motors 
A Tesla Motors é uma empresa criada em 2003 por um grupo 
de engenheiros do Vale do Silício com a missão de trazer ao mundo 
um transporte sustentável. Ela realiza a produção de carros elétri- 
cos tais como o Tesla Roadster, o primeiro modelo, Modelo S e Mo- 
delo X. Os primeiros modelos de motores se basearam na criação 
do motor de indução AC, patenteado por Nikola Tesla, em 1888. 
Elon Musk é um dos co-fundadores desta empresa. 
 
Hyperloop 
O Hyperloop faz parte de um projeto futurístico do empresário 
que inicialmente iria interligar Los Angeles a São Francisco, sendo 
615 km em 35 minutos ou menos. Se trata de um sistema de trans- 
porte de passageiros que funciona por meio de cápsulas que flutu- 
arão por túneis. Esses tubos ficariam em uma via acima do solo em 
postes de sustentação e cada cápsula seria capaz de comportar 28 
passageiros. 
 
Fonte: http://meios-de-transporte.info/evolucao-dos-transportes. 
html 
 
 
O que são meios de comunicação? Por mais que possa parecer 
uma pergunta simples, ela se torna cada vez mais compreensível. 
Antes simples e fáceis de ser apontados, hoje, esses canais muda- 
ram bastante e estão em crescimento. 
A cada dia, surge um novo e isso está diretamente ligado ao 
avanço da tecnologia. Para os profissionais de marketing, publicida- 
de e propaganda, conhecer cada um desses meios é fundamental 
para usá-los em suas estratégias. 
Além de os canais terem ampliado, há um outro movimento 
proporcional a esse: o público se espalhou entre eles. Cada negócio 
pode identificar que sua audiência está concentrada mais em al- 
guns e, justamente por isso, é essencial saber mais sobre eles. 
Neste post, você conhecerá melhor os meios de comunicação e 
como eles evoluíram com o passar dos anos. Veja quais são os mais 
populares, por que são relevantes e como usá-los na sua estratégia 
de marketing! 
 
O que são meios de comunicação e como surgiram? 
Os meios de comunicação são dispositivos criados para possibi- 
litar a comunicação entre os pessoas. Existem diferentes meios de 
comunicação, sendo os individuais (exemplo: telefone, carta etc.) e 
os de massa (exemplo: televisão, jornal, internet etc.) que também 
podem ser chamados de mídia. 
No entanto, a história trata deles desde os mais rudimentares, 
em que a tecnologia não era nem mesmo uma ideia. O desenho, 
sinais e até mesmo o início dos idiomas são meios de comunicação. 
A diferença é o alcance e o impacto que tinham. 
Em uma ordem cronológica, entre os meios mais conhecidos, 
a sequência de surgimento foi: cartas, rádio, telefone, televisão e 
internet. 
A partir deles, naturalmente, com o avanço da tecnologia e 
transformação digital, uma série de variações surgiram, o que tor- 
na a pergunta “o que são meios de comunicação?” um pouco mais 
complexa do que deveria. 
Um bom exemplo é o telefone: quem diria que ele poderia dar 
origem a outras formas de comunicação como as chamadas de ví- 
deo, as mensagens instantâneas, como o WhatsApp, e ainda aco- 
lher uma série de canais relacionados à internet? 
Durante a evolução dos recursos, a integração entre as tecno- 
logias foi um marco significativo que, apesar de muito natural à so- 
ciedade hoje, precisa ser avaliado profundamente. 
 
Qual a relevância dos meios de comunicação na sociedade? 
Se hoje conseguimosperceber o que são meios de comunica- 
ção, automaticamente, também é possível entender o quão impor- 
tantes eles são na nossa sociedade. 
Essa relevância aumentou mais a partir do momento em que 
a tecnologia trouxe inovações e novas maneiras de se comunicar. 
Hoje, é fácil estabelecer contato com alguém que está em outro 
estado ou país, por exemplo. 
A informação também está em diferentes canais, e isso gera 
uma importância única aos meios de comunicação. 
Da ótica do marketing, é como se diversas portas se abrissem 
para receber as campanhas, cada uma delas exigindo uma forma 
diferente de falar, de abordar e de veicular as ações. 
Os diferentes canais proporcionam linguagens e maneiras dis- 
tintas de fazer contato com o consumidor. 
Mais do que informar, os meios de comunicação também são 
ferramentas de divulgação. Para as empresas, eles são um recurso 
fundamental para mostrar ao seu público que existem. 
No entanto, a publicidade comum sofreu muitas transforma- 
ções, seja pelas mudanças da sociedade, seja pelo avanço da tec- 
nologia. Esses canais são cada dia mais fundamentais, já que são 
acessíveis a todos, em diferentes níveis. 
 
Qual é a importância dos meios de comunicação? 
É claro que, tendo importância para a sociedade e atraindo 
a atenção de um grande volume de potenciais consumidores, os 
meios de comunicação podem ser aproveitados pelas empresas 
para promover seus produtos e serviços. Confira alguns benefícios 
abaixo: 
 
Comunicar com pessoas do mundo todo 
Se antes uma empresa tinha uma limitação geográfica para 
vender seus produtos, com a potencialização e criação de novos 
meios de comunicação, sua oferta pôde atingir novos públicos de 
potenciais compradores. 
Isso permitiu que os negócios expandissem para novos merca- 
dos e também realizassem o fortalecimento de sua marca e a pro- 
moção de seus diferenciais. 
MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
http://meios-de-transporte.info/evolucao-dos-transportes
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
19 
 
 
 
O comportamento e a percepção dos potenciais clientes tam- 
bém transformaram em informação a ser consumida e estudada 
pelas empresas. As redes sociais, por exemplo, mostram aos em- 
presários quais assuntos estão em alta, qual tipo de produto tem 
sido mais procurado e qual é a opinião de seu público-alvo em re- 
lação a sua oferta. 
 
Obter informações em tempo real 
Para os consumidores, os meios de comunicação trazem infor- 
mações em tempo real, no momento em que elas estão acontecen- 
do. Essa característica permite que eles reajam na hora certa ou 
aproveitem oportunidades, como uma oferta em tempo limitado 
em um e-commerce, por exemplo. 
Para as empresas, considerando que alguns canais têm a carac- 
terística de promover conteúdos em tempo real, como o rádio, tele- 
visão e internet, eles são ferramentas essenciais para potencializar 
suas vendas e fortalecer o relacionamento com seu público. 
 
Aumentar a oferta de entretenimento 
Os meios de comunicação também criaram novas formas de 
entretenimento que atraem massas com interesses e comporta- 
mentos comuns. Pessoas que gostam de cozinhar sintonizam um 
canal da televisão em determinado horário para acompanhar um 
programa com dicas de gastronomia, não é mesmo? 
Isso é uma informação relevante para os anunciantes e aconte- 
ce também nos demais canais. Conteúdos voltados para diferentes 
segmentos podem ser ótimas oportunidades para que as campa- 
nhas de marketing sejam direcionadas para o público-alvo. 
Entender essa perspectiva do uso estratégico dos meios de co- 
municação é muito importante para integrá-los em campanhas de 
marketing e até mesmo fazer uma sensibilização de equipes inter- 
nas de uma agência e também potenciais clientes, afinal de contas, 
apesar de fazerem parte do nosso cotidiano, é comum que nosso 
pensamento só considere nosso padrão de consumo. 
 
Quais são os meios mais utilizados? 
Entre os diferentes meios de comunicação, naturalmente, al- 
guns têm maior preferência da população. A internet surgiu e, com 
o desenvolvimento da tecnologia, avançou consideravelmente en- 
tre os favoritos. 
No entanto, TV e rádio não deixaram de ter impacto na socie- 
dade. Dentro de diferentes contextos e necessidades, cada um des- 
ses meios supre as demandas do público. 
O marketing pode estar em todos esses meios, sempre com es- 
tratégias desenvolvidas para atingir o público e persona da melhor 
forma. 
Por isso, a maneira de fazer ações é adaptada para cada um 
desses canais, já que isso interfere na eficiência das campanhas. 
Também é importante entender o que são meios de comunica- 
ção populares, ou seja, aqueles com os quais a sociedade está mais 
adaptada e utiliza mais. 
A seguir, entenda um pouco mais sobre os principais canais, 
como é aderência e como a população faz uso dessas alternativas. 
 
Televisão 
A televisão foi uma das invenções que mais geraram impactos 
na sociedade e se mostra como um meio de comunicação eficiente 
e completo: informação, publicidade e entretenimento. 
Para a sociedade, ter tudo isso em um só meio gera um impac- 
to grande, e torna a televisão extremamente atrativa. 
Em dados, fica fácil perceber isso: ela é a favorita de 63% do 
público, sendo a primeira e segunda opção na ordem de preferência 
para 77% das pessoas entrevistadas pela Pesquisa Brasileira de Mí- 
dia 2016. Esse foi o último estudo amplo realizado sobre o consumo 
de mídias no país. 
 
Rádio 
O rádio é um dos meios mais antigos e teve grande importân- 
cia no desenvolvimento da sociedade. Apesar de não engajar tanto 
por não ter imagens, ele cumpre um papel importante. Esse canal 
de mídia também alia informação, entretenimento e publicidade, 
porém, com um formato diferente. 
Hoje, o rádio é a preferência de apenas 7% da população bra- 
sileira. O consumo de música, por exemplo, tem hoje nas platafor- 
mas de streaming e na internet, no geral, um grande concorrente 
do rádio. 
Quanto à informação, ele se limita a momentos específicos do 
dia, como no trânsito. 
 
Internet 
O avanço da internet é claro, e a pesquisa trouxe números que 
comprovam isso: 26% da população já tem nela o meio de comuni- 
cação preferido. Explicar isso é fácil, já que há muitas vantagens e 
comodidades. 
A agilidade das informações, a mobilidade, o amplo acesso a 
conteúdos e a possibilidade de consumir materiais de interesse pes- 
soal são algumas dessas razões. 
O estudo ainda mostra que 49% das pessoas têm a internet 
como as duas primeiras opções de mídia, muito provavelmente pela 
amplitude de possibilidades que ela oferece. 
Outra questão importante é o acesso, cada vez mais amplo e 
que não limita mais classes sociais. No Brasil, já são 116 milhões de 
pessoas conectadas à internet, segundo o IBGE. 
 
Como a tecnologia impactou as mudanças? 
É impossível falar sobre o que são meios de comunicação sem 
relacionar as mudanças que a tecnologia proporcionou a ele. Se a 
internet avança como um canal amplo na atualidade, é muito por 
conta de como ela se desenvolveu. 
A conectividade foi um fator que também transformou os ca- 
nais de comunicação, e isso fez com que um mundo se abrisse para 
quem usa esses recursos. 
As Smart TVs, por exemplo, acessam aplicativos e ligam o usuá- 
rio a muito mais do que a programação aberta ou fechada. 
O rádio também não está limitado aos aparelhos de som, já que 
as estações podem ser sintonizadas pela internet, além de os 
softwares de streaming terem os seus próprios canais, geralmente, 
personalizados de acordo com o gosto do ouvinte. 
 
A segmentação 
Talvez o maior impacto da tecnologia na comunicação tenha 
sido a segmentação. O marketing digital tem essa possibilidade 
como sua base, ou seja, campanhas e ações direcionadas para seu 
público específico. 
Mesmo que a internet seja ampla e atinja pessoas distintas, há 
recursos que permitem limitar o alcance da publicidade apenas a 
um público de interesse. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
20 
 
 
 
Hoje, as empresas precisam escolhermuito bem quais meios 
de comunicação usarão para divulgar suas campanhas. A internet 
cresceu e, com o avanço da era digital, a automação de marketing e 
demais ações, bem como a possibilidade de se comunicar crescen- 
temente com quem se interessa, fizeram com que tudo mudasse. 
A tendência é de que a internet, principalmente por meio das 
redes sociais, seja o canal mais escolhido para que as marcas se 
comuniquem com seu público. Nesse cenário, o impacto da tecno- 
logia foi fundamental para iniciar uma nova era. 
 
Como usar os meios de comunicação nas estratégias de 
marketing digital? 
Para ter uma estratégia precisa, é necessário escolher bem os 
canais de comunicação. Para isso, é preciso considerar onde está 
sua audiência e com qual desses meios ela tem melhor aceitação. 
Nesse cenário, algumas alternativas costumam apresentar bom de- 
sempenho. Veja a seguir as principais! 
 
Email marketing 
O email marketing segue como um excelente meio de comu- 
nicação dentro do marketing digital. Ele é uma forma simples e efi- 
ciente de manter um relacionamento com o público por meio da 
oferta de conteúdos. 
Com um bom ciclo de alimentação, é possível converter inte- 
ressados e visitantes em clientes. A linguagem adequada e uma fre- 
quência boa de envio de emails leva a estratégia ao sucesso. 
 
Redes sociais 
Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, LinkedIn e alguns ou- 
tros: as redes sociais estão em alta e, com certeza, o público da sua 
marca estará lá. 
É fundamental ter perfis corporativos para se comunicar, pro- 
mover produtos e campanhas, expor a empresa e também atender 
os clientes. A presença nas redes é indispensável, já que elas fazem 
parte do cotidiano da sociedade. 
 
Motores de busca 
A presença digital é tudo hoje em dia, especialmente, quando 
se fala de negócios! É impossível executar um bom marketing sem 
dar o devido destaque a uma empresa na internet, o que passa por 
desenvolver um site, bem como criar um blog e publicar por lá seus 
conteúdos. 
Nesse trabalho, o impulsionamento orgânico, por meio das fer- 
ramentas do Google, e a otimização de resultados para motores de 
busca são indispensáveis. 
Não é difícil entender o que são meios de comunicação, mas 
é preciso ter maior clareza sobre como eles mudaram nos últimos 
anos. Isso garante que as empresas estejam prontas para explorá- 
-los na comunicação com seu público, obtendo resultados de des- 
taque! 
 
Fonte: https://rockcontent.com/blog/meios-de-comunicacao/ 
Redes sociais 
Redes sociais são estruturas formadas dentro ou fora da inter- 
net, por pessoas e organizações que se conectam a partir de inte- 
resses ou valores comuns1. Muitos confundem com mídias sociais, 
porém as mídias são apenas mais uma forma de criar redes sociais, 
inclusive na internet. 
O propósito principal das redes sociais é o de conectar pessoas. 
Você preenche seu perfil em canais de mídias sociais e interage com 
as pessoas com base nos detalhes que elas leem sobre você. Po- de-
se dizer que redes sociais são uma categoria das mídias sociais. 
Mídia social, por sua vez, é um termo amplo, que abrange 
diferentes mídias, como vídeos, blogs e as já mencionadas redes 
sociais. Para entender o conceito, pode-se olhar para o que com- 
preendíamos como mídia antes da existência da internet: rádio, TV, 
jornais, revistas. Quando a mídia se tornou disponível na internet, 
ela deixou de ser estática, passando a oferecer a possibilidade de 
interagir com outras pessoas. 
No coração das mídias sociais estão os relacionamentos, que 
são comuns nas redes sociais — talvez por isso a confusão. Mídias 
sociais são lugares em que se pode transmitir informações para ou- 
tras pessoas. 
Estas redes podem ser de relacionamento, como o Facebook, 
profissionais, como o Linkedin ou mesmo de assuntos específicos 
como o Youtube que compartilha vídeos. 
As principais são: Facebook, WhatsApp, Youtube, Instagram, 
Twitter, Linkedin, Pinterest, Snapchat, Skype e agora mais recente- 
mente, o Tik Tok. 
 
Facebook 
Seu foco principal é o compartilhamento de assuntos pessoais 
de seus membros. 
 
 
 
O Facebook é uma rede social versátil e abrangente, que reúne 
muitas funcionalidades no mesmo lugar. Serve tanto para gerar ne- 
gócios quanto para conhecer pessoas, relacionar-se com amigos e 
família, informar-se, dentre outros2. 
 
WhatsApp 
É uma rede para mensagens instantânea. Faz também ligações 
telefônicas através da internet gratuitamente. 
 
 
A maioria das pessoas que têm um smartphone também o têm 
instalado. Por aqui, aliás, o aplicativo ganhou até o apelido de “zap 
zap”. 
 
 
 
1 https://resultadosdigitais.com.br/especiais/tudo-sobre-redes-sociais/ 
2 https://bit.ly/32MhiJ0 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
21 
 
 
 
Para muitos brasileiros, o WhatsApp é “a internet”. Algumas 
operadoras permitem o uso ilimitado do aplicativo, sem debitar do 
consumo do pacote de dados. Por isso, muita gente se informa atra- 
vés dele. 
 
YouTube 
Rede que pertence ao Google e é especializada em vídeos. 
 
 
 
 
 
O YouTube é a principal rede social de vídeos on-line da atuali- 
dade, com mais de 1 bilhão de usuários ativos e mais de 1 bilhão de 
horas de vídeos visualizados diariamente. 
 
Instagram 
Rede para compartilhamento de fotos e vídeos. 
 
 
 
O Instagram foi uma das primeiras redes sociais exclusivas para 
acesso por meio do celular. E, embora hoje seja possível visualizar 
publicações no desktop, seu formato continua sendo voltado para 
dispositivos móveis. 
É possível postar fotos com proporções diferentes, além de ou- 
tros formatos, como vídeos, stories e mais. 
Os stories são os principais pontos de inovação do aplicativo. 
Já são diversos formatos de post por ali, como perguntas, enquetes, 
vídeos em sequência e o uso de GIFs. 
Em 2018, foi lançado o IGTV. E em 2019 o Instagram Cenas, 
uma espécie de imitação do TikTok: o usuário pode produzir vídeos 
de 15 segundos, adicionando música ou áudios retirados de outro 
clipezinho. Há ainda efeitos de corte, legendas e sobreposição para 
transições mais limpas – lembrando que esta é mais uma das fun- 
cionalidades que atuam dentro dos stories. 
 
Twitter 
Rede social que funciona como um microblog onde você pode 
seguir ou ser seguido, ou seja, você pode ver em tempo real as atu- 
alizações que seus contatos fazem e eles as suas. 
O Twitter atingiu seu auge em meados de 2009 e de lá para cá 
está em declínio, mas isso não quer dizer todos os públicos pararam 
de usar a rede social. 
A rede social é usada principalmente como segunda tela em 
que os usuários comentam e debatem o que estão assistindo na TV, 
postando comentários sobre noticiários, reality shows, jogos de 
futebol e outros programas. 
Nos últimos anos, a rede social acabou voltando a ser mais uti- 
lizada por causa de seu uso por políticos, que divulgam informações 
em primeira mão por ali. 
Linkedin 
Voltada para negócios. A pessoa que participa desta rede quer 
manter contatos para ter ganhos profissionais no futuro, como um 
emprego por exemplo. 
 
 
A maior rede social voltada para profissionais tem se tornado 
cada vez mais parecida com outros sites do mesmo tipo, como o 
Facebook. 
A diferença é que o foco são contatos profissionais, ou seja: no 
lugar de amigos, temos conexões, e em vez de páginas, temos com- 
panhias. Outro grande diferencial são as comunidades, que reúnem 
interessados em algum tema, profissão ou mercado específicos. 
É usado por muitas empresas para recrutamento de profissio- 
nais, para troca de experiências profissionais em comunidades e 
outras atividades relacionadas ao mundo corporativo 
 
Pinterest 
Rede social focada em compartilhamento de fotos, mas tam- 
bém compartilha vídeos. 
 
 
 
 
O Pinterest é uma rede social de fotos que traz o conceito de 
“mural de referências”. Lá você cria pastas para guardar suas inspi- 
rações e também pode fazer upload de imagens assim como colocar 
links para URLs externas. 
Os temas mais populares são: 
-Moda; 
- Maquiagem; 
- Casamento; 
- Gastronomia; 
- Arquitetura; 
- Faça você mesmo; 
- Gadgets; 
- Viagem e design. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
22 
 
 
 
Seu público é majoritariamente feminino em todo o mundo. 
 
Snapchat 
Rede para mensagens baseado em imagens. 
 
 
O Snapchat é um aplicativo de compartilhamento de fotos, ví- 
deos e texto para mobile. Foi considerado o símbolo da pós-moder- 
nidade pela sua proposta de conteúdos efêmeros conhecidos como 
snaps, que desaparecem algumas horas após a publicação. 
A rede lançou o conceito de “stories”, despertando o interesse 
de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, que diversas vezes tentou 
adquirir a empresa, mas não obteve sucesso. Assim, o CEO lançou 
a funcionalidade nas redes que já haviam sido absorvidas, criando 
os concorrentes WhatsApp Status, Facebook Stories e Instagram 
Stories. 
Apesar de não ser uma rede social de nicho, tem um público 
bem específico, formado por jovens hiperconectados. 
 
Skype 
O Skype é um software da Microsoft com funções de videocon- 
ferência, chat, transferência de arquivos e ligações de voz. O serviço 
também opera na modalidade de VoIP, em que é possível efetuar 
uma chamada para um telefone comum, fixo ou celular, por um 
aparelho conectado à internet 
 
 
O Skype é uma versão renovada e mais tecnológica do extinto 
MSN Messenger. 
Contudo, o usuário também pode contratar mais opções de 
uso – de forma pré-paga ou por meio de uma assinatura – para 
realizar chamadas para telefones fixos e chamadas com vídeo em 
grupo ou até mesmo enviar SMS. 
É possível, no caso, obter um número de telefone por meio pró- 
prio do Skype, seja ele local ou de outra região/país, e fazer ligações 
a taxas reduzidas. 
Tudo isso torna o Skype uma ferramenta válida para o mundo 
corporativo, sendo muito utilizado por empresas de diversos nichos 
e tamanhos. 
 
Tik Tok 
O TikTok, aplicativo de vídeos e dublagens disponível para iOS 
e Android, possui recursos que podem tornar criações de seus usu- 
ários mais divertidas e, além disso, aumentar seu número de segui- 
dores3. 
 
 
 
Além de vídeos simples, é possível usar o TikTok para postar 
duetos com cantores famosos, criar GIFs, slideshow animado e sin- 
cronizar o áudio de suas dublagens preferidas para que pareça que 
é você mesmo falando. 
O TikTok cresceu graças ao seu apelo para a viralização. Os usu- 
ários fazem desafios, reproduzem coreografias, imitam pessoas fa- 
mosas, fazem sátiras que instigam o usuário a querer participar da 
brincadeira — o que atrai muito o público jovem. 
 
 
Relações tróficas: cadeias e teias alimentares 
Imagine que você está caminhando por um campo com árvores 
não muito próximas umas das outras e com o capim tomando conta 
do chão entre uma árvore e outra. Nesse ambiente, convivem pás- 
saros, gafanhotos, formigas, serpentes, roedores e uma série de ou- 
tros animais, além das próprias árvores e do capim. Alguns desses 
seres alimentam-se de outros, por exemplo: um gavião alimenta-se 
de uma serpente; uma serpente, de um roedor. 
Agora, imagine compor uma sequência de seres vivos na qual 
se indica quem é o alimento de quem: o capim é o alimento do ga- 
fanhoto; o gafanhoto é o alimento do roedor; o roedor é o alimen- 
to da serpente; a serpente é o alimento do gavião. Essa sequência 
pode ser representada de forma gráfica e recebe o nome de cadeia 
alimentar. Veja como essa cadeia alimentar é descrita: 
 
 
Observe que o gafanhoto come o capim, assim como a serpen- 
te come o roedor, porém a seta aponta do capim para o gafanhoto 
e do roedor para a serpente. Isso ocorre porque a seta indica o ca- 
minho da matéria e da energia que cada ser vivo da cadeia obtém 
quando se alimenta. Assim, quando um gafanhoto se alimenta das 
folhas do capim, parte da matéria e da energia presentes no capim 
passa para o corpo do gafanhoto. 
Da mesma forma, quando a serpente se alimenta do roedor, 
parte da matéria e da energia presentes no corpo do roedor passa 
para o corpo da serpente. As relações alimentares que os seres vi- 
vos que convivem em determinado ambiente estabelecem entre si 
são chamadas relações tróficas. A palavra trófica (do grego trophos, 
que significa “alimento”). 
 
 
 
 
3 https://canaltech.com.br/redes-sociais/tiktok-dicas-e-truques/ 
OS ANIMAIS E SUAS ADAPTAÇÕES CONTRA OS 
PREDADORES 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
23 
 
 
 
Seres autotróficos e heterotróficos Olhando para a cadeia alimentar que você acabou de analisar, do capim até o gavião, é possível 
perguntar: E o capim, como ele obtém a matéria e a energia de que precisa para sobreviver? Como ele se alimenta? Existiria um ser vivo 
que poderia ser colocado antes do capim nessa cadeia alimentar? 
Os animais (como os seres humanos, os macacos e os insetos) têm de ingerir partes de outros seres vivos para obter a matéria e a 
energia necessárias ao seu organismo para sua sobrevivência. Essa matéria e energia vêm de algumas substâncias presentes no corpo do 
ser vivo que lhes serve de alimento. O capim, no entanto, é uma planta, e as plantas, assim como alguns outros seres vivos, têm a capaci- 
dade de produzir as substâncias orgânicas de que precisam para se alimentar. 
Por isso, as plantas, as algas e algumas espécies de bactérias são chamadas de seres autotróficos (do grego autos, “próprio”, e tro- 
phos, “alimento”). Ou seja, seres que produzem o próprio alimento. Já os animais, os fungos e muitos microrganismos, como a ameba, 
são chamados de seres heterotróficos (do grego hetero, “diferente”, e trophos, “alimento”), pois obtêm as substâncias orgânicas para sua 
alimentação do corpo de outros seres vivos. Retomando a discussão sobre o capim na cadeia alimentar, pode-se perguntar: 
De que maneira ele obtém energia e matéria para sobreviver? Como ele é uma planta, realiza fotossíntese, ou seja, é um ser vivo auto- 
trófico, que, portanto, produz o próprio alimento. É por isso que não há um ser vivo antes dele na cadeia alimentar. E o alimento produzido 
pelo capim serve não só para ele mesmo, como também para o gafanhoto, que dele se alimenta. 
 
Teias alimentares 
Anteriormente, você estudou como é possível compor uma cadeia alimentar em um ambiente de campo com árvores espaçadas, 
capim e animais, como gafanhotos, pássaros, serpentes etc. Agora, é preciso considerar que um mesmo animal pode servir de alimento a 
vários outros ou até se alimentar de vários seres vivos diferentes. 
Isso significa que diversas cadeias alimentares podem se interligar, formando uma teia. Assim, chama-se teia alimentar a representa- 
ção gráfica das relações tróficas (alimentares) entre os seres vivos que habitam determinado ambiente. Veja a seguir um exemplo de teia 
alimentar que ocorre na região do Pantanal. 
 
 
 
 
Níveis tróficos e os decompositores 
Toda cadeia alimentar tem início em um ser vivo autotrófico: uma planta, uma alga ou mesmo uma bactéria. Esse ser vivo é respon- 
sável pela fabricação do alimento que flui por toda a cadeia alimentar, razão pela qual ele é chamado de produtor, e os outros seres vivos 
da cadeia, de consumidores. Observe mais uma vez a cadeia alimentar do início deste tema. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
24 
 
 
 
 
 
 
Nessa cadeia, o capim é o produtor e os animais (gafanhoto, 
roedor, serpente e gavião) são os consumidores. Cada ser vivo da 
cadeia alimentar pertence a um nível trófico diferente. O produtor, 
que sempre inicia a cadeia, pertence ao primeiro nível trófico. Esse 
é o caso do capim no exemplo de cadeia apresentado. No segundo 
nível trófico está o ser vivo que se alimenta diretamente do produ- 
tor e por isso é chamado de consumidor primário; no terceiro nível 
trófico, o ser vivo que se alimenta do consumidor primário, ou seja, 
o consumidor secundário; e assim por diante Portanto, no exemplo 
de cadeia alimentar apresentado, os níveis tróficos são: 
• capim: primeiro nível trófico – produtor; 
• gafanhoto: segundo nível trófico – consumidor primário; 
• roedor: terceiro nível trófico – consumidorsecundário; 
• serpente: quarto nível trófico – consumidor terciário; 
• gavião: quinto nível trófico – consumidor quaternário. 
 
Os decompositores 
Se você já caminhou por uma região de mata ou de uma gran- 
de floresta, provavelmente percebeu que o solo fica coberto de fo- 
lhas, galhos, frutos e sementes que caem das árvores. Por que esse 
material todo não se acumula no chão, formando montanhas de 
folhas, pedaços de galhos, frutos e sementes ao longo do tempo? 
E mesmo os troncos de grandes árvores que morrem e caem, o 
que acontece com eles? Quando os produtores e os consumidores 
dos vários níveis tróficos morrem, o corpo deles serve de alimento 
a certos fungos e bactérias e também a alguns insetos e vermes. Ao 
se alimentarem, esses seres vivos decompõem a matéria orgânica 
dos restos mortos de plantas e animais, fezes etc. Por essa razão, 
são denominados decompositores. 
O processo de decomposição garante a reciclagem dos elemen- 
tos químicos que formavam os corpos que foram decompostos. Os 
decompositores vivem em todos os lugares na superfície do plane- 
ta: no solo, no ar e mesmo nos ambientes aquáticos. 
Você já deve ter acompanhado o processo de apodrecimento 
de uma fruta esquecida na cozinha ou a formação de bolor sobre o 
pão. Nos dois casos, o que está ocorrendo é a ação de fungos de- 
compositores, que são o próprio bolor. 
 
POPULAÇÕES, COMUNIDADES E ECOSSISTEMAS 
Uma população é um conjunto de seres vivos da mesma es- 
pécie. Por exemplo: há população de sucuris, de jabuticabeiras, de 
cavalos, de canários-da-terra, de seres humanos etc. As diversas 
populações que convivem em um mesmo ambiente formam uma 
comunidade biológica. 
Os seres vivos de uma comunidade biológica interagem entre si 
e também com as condições do ambiente em que vivem. A exube- 
rância da Floresta Amazônica, por exemplo, está relacionada com o 
fato de ela se localizar na região mais iluminada e quente do plane- 
ta, a região equatorial. 
A existência da floresta, no entanto, mantém naquele ambien- 
te uma umidade que não existiria sem a floresta. Ou seja, as enor- 
mes árvores que a formam e que fazem parte daquela comunidade 
biológica promovem ali a retenção de água e o aumento de umi- 
dade. Sem a floresta, a água poderia se mover para outras regiões, 
transformando uma área anteriormente úmida em um deserto. 
Os biólogos chamam de ecossistema a esse conjunto formado 
por uma comunidade biológica em interação com as condições do 
ambiente que ela habita. Os seres vivos que compõem a comunida- 
de biológica são os componentes bióticos (vivos) do ecossistema. 
As condições ambientais, como a intensidade da luz solar, a 
umidade, a temperatura e a presença de determinadas substâncias, 
são os componentes abióticos (não vivos). Um ecossistema pode 
ser um pequeno lago, no qual convivem peixes, anfíbios e aves e 
que é visitado por diversos animais à procura de água. Pode ser 
também uma floresta ou um ambiente entre o rio e o mar, como o 
manguezal. 
O conjunto de todos os ecossistemas do planeta Terra, estejam 
eles em continentes, ilhas, montanhas, grandes planícies, lagos ou 
oceanos, recebe o nome de biosfera. 
 
Fluxo de energia nos níveis tróficos de um ecossistema 
Em todos os ecossistemas, é possível estabelecer cadeias e 
teias alimentares que descrevem as relações tróficas existentes nes- 
ses ambientes. Como você viu no tema anterior: 
• para existir, os seres vivos precisam de matéria e energia; 
• toda cadeia alimentar tem início em um ser vivo autotrófico, 
ou seja, que produz o próprio alimento, por meio da fotossíntese. 
 
Em um ecossistema, os seres autotróficos da comunidade bio- 
lógica captam a energia da luz solar e com ela produzem substâncias 
nas quais essa energia luminosa fica armazenada, agora na forma 
de energia química. Quando um consumidor primário se alimenta 
de um ser autotrófico, como um ratinho-do-cerrado alimentando- 
-se de frutas, a energia contida no alimento permite a sobrevivência 
do consumidor primário. Parte dessa energia é usada para produzir 
novas substâncias orgânicas, que ficam em seu corpo. 
Também quando um consumidor secundário se alimenta de 
um consumidor primário, como uma coruja-buraqueira alimen- 
tando-se do ratinho-do-cerrado, ele utiliza as substâncias do corpo 
deste último como fonte de energia. Da mesma forma, quando um 
consumidor terciário se alimenta do consumidor secundário, como 
uma cobra alimentando-se dos ovos da coruja-buraqueira, parte 
da energia presente no ovo da coruja (consumidor secundário) vai 
para o corpo da cobra (consumidor terciário). 
 
 
Esse processo de transferência de energia entre os níveis trófi- 
cos em qualquer ambiente termina sempre que um dos membros 
da cadeia morre e seu corpo apodrece pela ação dos organismos 
decompositores. Parte da energia contida no corpo que está apo- 
drecendo vai para os decompositores e parte se dissipa no ambien- 
te na forma de calor. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
25 
 
 
 
Portanto, em um ecossistema, a transferência de energia entre 
os níveis tróficos segue sempre o mesmo sentido, começando nos 
produtores e terminando nos decompositores. Essa transferência 
tem início com a captação da energia luminosa pelos seres produto- 
res, continua passando de um nível trófico para outro por meio dos 
consumidores e termina com a ação dos decompositores. Quando 
um pássaro se alimenta de um inseto que come plantas, a energia 
da luz solar que passou das plantas para o inseto e ficou armazena- 
da nas substâncias orgânicas de seu corpo agora pode ser utilizada 
pelo pássaro. 
O mesmo acontece se esse pássaro servir de alimento para 
um pássaro maior, como o gavião; ou seja, todos os componentes 
dessa cadeia alimentar vivem da energia da luz solar captada pelos 
seres produtores, que são autotróficos, como as plantas. Os seres 
humanos também fazem parte de cadeias e de teias alimentares e 
utilizam a energia da luz solar contida nos alimentos, sejam plantas, 
animais ou seus produtos, como ovos e leite. 
 
Relações ecológicas 
Em uma comunidade biológica, diversas populações convivem 
e interagem, estabelecendo relações ecológicas entre si. Os estu- 
diosos diferenciam dois tipos de relações ecológicas: 
• relações intraespecíficas: as que ocorrem entre indivíduos de 
uma mesma população, ou seja, da mesma espécie; 
• relações interespecíficas: as que ocorrem entre indivíduos de 
espécies diferentes. 
 
Por exemplo, os jacarés que vivem em um mesmo lago no Pan- 
tanal competem por alimento e estabelecem uma relação intraes- 
pecífica. 
Quando uma onça se alimenta de uma capivara, ocorre uma 
relação interespecífica, em que a onça é o predador e a capivara é 
a presa. 
 
As relações ecológicas ainda podem ser: 
• harmônicas: aquelas em que as populações envolvidas se be- 
neficiam ou pelo menos nenhuma delas se prejudica, como é o caso 
da colônia e da protocooperação; 
• desarmônicas: aquelas em que uma das populações é pre- 
judicada e a outra beneficiada, como é o caso da competição e do 
predatismo. 
 
Sucessão ecológica 
Observe as duas fotografias a seguir, que mostram áreas de flo- 
restas que foram desmatadas. Em relação à área desmatada, qual é 
a principal diferença entre elas? 
A diferença é que o desmatamento, na primeira imagem, aca- 
bou de ocorrer, e, na segunda, ocorreu há meses. Nesse último caso, 
as árvores foram retiradas e, em seguida, o terreno foi abandonado, 
permitindo que as plantas voltassem a crescer. Observe que não é 
mais possível ver o solo nu, como na outra imagem. 
O crescimento de plantas que está ocorrendo na área desma- 
tada é o início de um processo denominado sucessão ecológica. No 
caso da floresta, essa sucessão tem início com gramíneas e arbus- 
tos, que são chamados de plantas pioneiras, por serem as primeiras 
a habitar a área. Em seguida, surgem plantas de pequeno porte e, 
depois, árvores maiores, compondo uma floresta intermediária, até 
Enquanto a sucessão ecológica ocorre, a comunidade deseres 
vivos que habita aquela área vai se alterando, até que o ecossistema 
se reequilibre e volte a ter plantas e animais, como anfíbios, répteis, 
aves e mamíferos, tal como acontecia antes do desmatamento. 
Portanto, o processo de sucessão ecológica se completa quan- 
do a comunidade chega a um equilíbrio e as diversas populações 
que a compõem ficam relativamente estáveis ao longo do tempo. 
Os biólogos chamam essa condição de comunidade clímax. Em 
lugares desabitados (por exemplo, uma grande duna de areia na 
praia), pode ocorrer uma sucessão ecológica primária, isto é, uma 
sucessão que tem início em uma área desabitada. 
Quando a sucessão ocorre em um local que já foi habitado, 
como no caso da área desmatada, ela é chamada de sucessão eco- 
lógica secundária. 
No caso de uma sucessão primária sobre lava solidificada, os li- 
quens são importantes organismos pioneiros, por suportarem con- 
dições adversas, modificando o ambiente e criando condições para 
que plantas pioneiras, como algumas gramíneas, possam ocupar 
uma pequena área; a presença dessas plantas permite o acúmulo 
de materiais para a vinda de arbustos maiores, criando condições 
para a chegada de alguns insetos; estes atraem pássaros; e assim 
uma nova comunidade vai se estabelecendo no local. 
Compreender o que é e como ocorre a sucessão ecológica em 
um ecossistema é uma referência importante para avaliar o poder 
de recuperação de um ambiente quando parte dele é destruída. 
O processo de sucessão ecológica de um ecossistema tem um 
ritmo próprio, o que impõe limites. Se a destruição é mais rápida do 
que a sucessão ecológica, o tamanho da destruição será cada vez 
maior, e o ecossistema poderá desaparecer. 
 
A diminuição da camada de ozônio 
Como você viu, o elemento químico oxigênio está presente em 
substâncias que fazem parte da biosfera – como a água (H2O), o gás 
oxigênio (O2) e o dióxido de carbono, ou gás carbônico (CO2) – todas 
elas presentes na respiração de plantas e animais. 
Os átomos de oxigênio podem se combinar dois a dois, forman- 
do moléculas de gás oxigênio; quando três átomos de oxigênio se 
combinam, eles formam uma molécula de gás ozônio, ou simples- 
mente ozônio (O3). 
Na estratosfera, uma camada da atmosfera que vai dos 15 km 
aos 40 km de altitude, existe grande quantidade de gás ozônio, que, 
por suas propriedades, consegue filtrar parte dos raios ultravioleta 
emitidos pelo Sol, impedindo-os de chegar até a superfície terres- 
tre. Desde o fim dos anos 1970, os cientistas têm constatado uma 
diminuição da camada de ozônio, o que tem permitido que maior 
quantidade de raios ultravioleta atinja a superfície. O excesso des- 
sa radiação pode ser prejudicial aos seres vivos, em particular aos 
seres humanos. Pesquisas científicas constataram que a diminuição 
da camada de ozônio decorre da reação química entre esse gás e 
átomos de cloro (Cl). 
A molécula de ozônio se desmonta ao reagir com átomos de 
cloro e produz novas moléculas de gás oxigênio. E de onde vêm os 
átomos de cloro? Eles têm origem em um grupo de substâncias de- 
nominadas clorofluorcarbonetos (CFCs), que são constituídas por 
distintas combinações desses átomos: 
 
CFCl , CF Cl ou C F Cl . 
que se forme no local uma floresta semelhante à anterior. 3 2 2 2 3 3 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
26 
 
 
 
Quando as moléculas de CFC absorvem raios ultravioleta, elas 
liberam átomos de cloro, que podem reagir com o ozônio. Os CFCs 
eram usados como propelente (Gás utilizado para movimentar um 
foguete ou expelir o conteúdo de uma lata de aerossol (tinta ou 
inseticida, por exemplo)) em latas de aerossóis e também como gás 
refrigerador, em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. 
Entretanto, em razão do efeito destruidor da camada de ozô- 
nio que protege o planeta da radiação ultravioleta, o uso dessas 
substâncias foi proibido na maioria dos países, inclusive no Brasil. O 
gás ozônio pode se formar também junto à superfície terrestre, em 
decorrência, sobretudo, da poluição atmosférica causada pelos 
escapamentos de automóveis e caminhões, podendo trazer dificul- 
dades respiratórias. 
Esse ozônio é o resultado de reações químicas entre os gases 
poluentes e o oxigênio do ar. Desde a década de 1980, uma série de 
iniciativas tomadas por órgãos internacionais levou as indústrias de 
todo o mundo a diminuir intensamente o uso de gases que destro- 
em a camada de ozônio, principalmente os CFCs utilizados no siste- 
ma de refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. 
Atualmente, a quantidade desses gases lançados na atmosfera 
é bem menor do que no início dos anos 1990. Mesmo com essa 
diminuição, o “buraco” na camada de ozônio pouco diminuiu, pois 
gases como os CFCs podem ficar ativos na atmosfera de 80 a 100 
anos. Porém, as ações de redução da emissão de CFCs podem efeti- 
vamente contribuir para amenizar o problema. 
Sem dúvida, a sistemática é uma área de estudos que confirma 
o fato de que a ciência está sempre em transformação e de que o 
conhecimento científico avança com o surgimento de novas desco- 
bertas, possibilitando que novas ideias substituam aquelas que se 
mostraram pouco eficientes ou inadequadas para explicar os fenô- 
menos. 
 
CINCO REINOS 
Com base nos trabalhos de Lineu, as classificações biológicas 
passaram a dividir todos os seres vivos em dois grupos, o reino ve- 
getal (Plantae) e o reino animal (Animalia). E, conforme os novos 
conhecimentos científicos eram produzidos, as limitações dessa for- 
ma de classificação em dois reinos foram aparecendo. 
A descoberta dos microrganismos, possibilitada pelo uso dos 
microscópios no século XVII, revelou uma grande diversidade de 
novas espécies de seres vivos cuja classificação no sistema de dois 
reinos era muito difícil. Um exemplo desses microrganismos difí- 
ceis de classificar como vegetal ou animal é a euglena, que, hoje se 
sabe, realiza fotossíntese, uma característica que era considerada 
exclusiva das plantas, e consegue se movimentar, uma caracterís- 
tica que era considerada exclusiva dos animais. Outra contribuição 
importante permitida pelos microscópios foi a compreensão de que 
todos os seres vivos são formados por uma estrutura básica, a cé- 
lula. 
 
CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA MODERNA 
O sistema de classificação biológica passou por grandes trans- 
formações em consequência das ideias evolucionistas, que têm 
como primeiros autores os biólogos britânicos Alfred Russel Walla- 
ce (1823-1913) e Charles Darwin (1809-1882). Darwin, em seu livro 
A origem das espécies, publicado pela primeira vez em 1859, apre- 
sentou um modelo científico por meio do qual é possível explicar 
como as inúmeras espécies de seres vivos puderam surgir na Terra, 
a partir de um primeiro ser vivo que, hoje se sabe, começou a se 
diversificar cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. 
Com base na ideia de que toda espécie de ser vivo tem origem 
em uma espécie anterior que se modificou, os sistemas de classifi- 
cação biológica passaram a considerar que indivíduos que perten- 
cem a um mesmo gênero devem ser parentes mais próximos do que 
aqueles que pertencem a gêneros diferentes. Da mesma forma, se 
dois indivíduos pertencem a uma mesma família, por exemplo, a 
dos felinos (família Felidae), eles devem ser parentes mais próxi- 
mos entre si do que em relação aos ursos, que pertencem à família 
Ursidae. 
Atualmente, os estudos sobre os sistemas de classificação bio- 
lógica levam em conta diversos critérios comparativos para estabe- 
lecer o grau de parentesco entre as diferentes espécies. Parte-se 
sempre da ideia de que, se duas espécies biológicas são muito pare- 
cidas e pertencem a um mesmo gênero, então elas também podem 
ser muito próximas evolutivamente, ou seja, devem ter surgido na 
mesma época. 
Essa área de trabalho é conhecida pelos cientistas como siste- 
mática e inclui os estudos de Taxonomia, de Paleontologia (estudo 
dos fósseis), de Genética, de Bioquímica e de todos os dados que 
possam contribuir para confirmaras relações de parentesco entre 
as espécies estudadas, a fim de fazer a melhor classificação bioló- 
gica possível. 
A célula está envolvida completamente pela membrana plas- 
mática e é preenchida por um material denominado citoplasma, no 
qual se encontram partes da própria célula, inclusive seu material 
genético (DNA). Existem seres unicelulares, formados por uma úni- 
ca célula, como as bactérias e as euglenas; e seres multicelulares, 
formados por muitas células, como todas as plantas e os animais, 
entre eles os seres humanos. Com o aperfeiçoamento dos micros- 
cópios, foi possível ver que algumas células possuem um núcleo, no 
qual fica o material genético, separado do citoplasma. 
Outras, mais simples, não possuem núcleo e o seu material ge- 
nético fica mergulhado no citoplasma. Células sem núcleo organiza- 
do são denominadas procarióticas, e células com núcleo, eucarióti- 
cas – nomes relacionados ao envoltório do núcleo celular, chamado 
de carioteca (do grego karyon, “núcleo”). 
 
Vírus 
Os vírus, que causam doenças como a gripe e o sarampo, são 
seres mais simples que uma célula e, por isso, são chamados de 
acelulares (não possuem estrutura celular). Sua estrutura básica é 
uma cápsula de proteínas dentro da qual se encontra o material 
genético, DNA ou RNA. 
Como os vírus não possuem estrutura celular e precisam para- 
sitar outras células para realizar sua reprodução e propagação, eles 
não são classificados em nenhum dos cinco reinos, ou seja, não são 
considerados seres vivos nesse sistema de classificação. 
E, embora não haja consenso entre os cientistas sobre isso, 
também é preciso problematizar sob outro ponto de vista, uma vez 
que há diferentes formas de vírus com organização e material gené- 
tico muito distintos (DNA dupla fita, DNA simples fita, RNA simples 
fita, RNA dupla fita), o que dificultaria propor uma classificação úni- 
ca, nos moldes dos reinos até então conhecidos. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
27 
 
 
 
Com os novos avanços na fabricação dos microscópios, no sé- 
culo XIX, vários “pequenos animais” foram descobertos e os biólo- 
gos passaram a chamá-los de protozoários (de protos, que significa 
“primeiros” em grego, e zoários, que se refere a “animais”). 
Esse grupo reunia todos os seres vivos unicelulares heterotrófi- 
cos (que ingerem alimento). Em 1866, o zoólogo alemão Ernst Hae- 
ckel (1834-1919) criou um reino no qual reuniu todos os protozoá- 
rios, que chamou de Protista. A partir daí, os protozoários deixaram 
de ser considerados “pequenos animais”, pois já não pertenciam ao 
reino dos animais. 
Nesse sistema de classificação, todos os seres vivos unicelula- 
res eram considerados protistas, inclusive as bactérias. 
No entanto, quando os microscópios possibilitaram distinguir 
células procarióticas e eucarióticas, foi constatado que as bactérias 
são formadas por células procarióticas, diferentemente dos pro- 
tozoários, que são compostos de células eucarióticas. Assim, em 
1956, surgiu o reino Monera, no qual foram colocados os seres vi- 
vos unicelulares com células procarióticas, como as bactérias. 
Em 1969, foi criado, por fim, o reino Fungi, para abrigar os fun- 
gos, que antes eram parte do reino Protista. Na década de 1980, 
as biólogas estadunidenses Lynn Margulis (1938-2011) e Karlene 
Schwartz (1936- ) reorganizaram alguns aspectos da classificação 
dos protistas, propondo um novo reino, o Protoctista, que, além de 
todos os protozoários (seres unicelulares heterotróficos com célu- 
las eucarióticas), inclui também as algas unicelulares e multicelula- 
res; estas são consideradas plantas na classificação em cinco reinos. 
A ideia dessas biólogas foi aceita, porém o nome do reino con- 
tinuou a ser Protista. nomes científicos. 
 
OS REINOS MONERA, PROTISTA E FUNGI 
Você vai conhecer agora os reinos Monera, Protista e Fungi. Os 
reinos Plantae e Animalia serão estudados com mais detalhes na 
próxima Unidade. Reino Monera Esse reino contém todos os orga- 
nismos unicelulares com células procarióticas e é dividido em dois 
sub-reinos: o das bactérias e o das arqueas. Quando o reino Monera 
foi criado, em 1956, todos os seres a ele pertencentes eram chama- 
dos de bactérias. 
No entanto, com o avanço das análises da constituição química 
dos seres desse reino, ficou claro que havia dois grupos diferentes: 
o das bactérias e o das arqueas. 
Você vai conhecer um pouco sobre cada um desses grupos ago- 
ra. 
 
Bactérias 
As bactérias não são visíveis a olho nu, por isso a descoberta 
desses seres está relacionada à criação dos primeiros microscópios. 
Embora o primeiro microscópio tenha sido criado no fim do século 
XVI, somente em meados do século XVII as bactérias foram obser- 
vadas pela primeira vez pelos construtores desses microscópios. 
Por muito tempo, os cientistas estudaram as bactérias e outros 
microrganismos por curiosidade, até que, na segunda metade do 
século XIX, o médico alemão Robert Koch (1843-1910) descobriu 
que uma doença do gado era causada por bactérias. Na mesma 
época, na França, o pesquisador francês Louis Pasteur (1822-1895) 
demonstrou que uma doença que atacava larvas de bicho-da-seda 
também era causada por um microrganismo. 
Com base nessas observações, muitos estudiosos passaram a 
achar que todas as bactérias transmitiam doenças. No entanto, pes- 
quisas posteriores mostraram que, embora esses seres vivos sejam 
os mais abundantes da biosfera terrestre, apenas uma minoria é 
causadora de doenças. 
Várias espécies de bactérias vivem no tubo digestório do ser 
humano, algumas das quais ajudam a produzir vitaminas. Nas fezes 
humanas, sem levar em conta a água, mais da metade da matéria 
fecal é constituída por bactérias ou restos de bactérias. 
Em relação ao tamanho, as bactérias são seres vivos muito pe- 
quenos, com o comprimento, em média, de 1 milésimo de milíme- 
tro, ou 1 milionésimo de metro, que corresponde a 1 micrômetro, 
ou 1 µm (µ é a letra grega “mi”, que representa 1 milionésimo, ou 
seja, µm é a unidade de medida metro dividida por 1 milhão). 
 
 
Outra característica das células bacterianas é que elas podem 
ter diferentes formatos e se juntar constituindo colônias. As bac- 
térias com formato esférico são chamadas de cocos. Dois cocos 
compõem um diplococo; oito cocos formam um cubo denominado 
sarcina; cocos alinhados são chamados de estreptococos; e assim 
por diante. 
As bactérias com formato de bastonete são nomeadas de ba- 
cilos; as com formato de vírgula, de vibrião; e as com formato espi- 
ralado, de espirilo. 
A maioria das bactérias, além da membrana celular, apresen- 
ta uma parede externa que as protege de agressões do ambiente. 
Existem também bactérias que possuem flagelos, isto é, estruturas 
que lembram pelos e que possibilitam o movimento da bactéria, 
impulsionando-a e promovendo seu deslocamento. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
28 
 
 
 
Reprodução das bactérias 
As bactérias geralmente se reproduzem de forma assexuada. Cada uma delas pode se dividir em duas por um processo chamado de 
divisão binária. As duas bactérias descendentes são idênticas à primeira e podem se dividir também pelo mesmo processo, que dura apro- 
ximadamente 20 minutos. Antes de se dividir, o cromossomo da bactéria se duplica, formando dois cromossomos idênticos ao primeiro. 
A partir dessa duplicação, os dois cromossomos idênticos se afastam um do outro e, em seguida, a membrana de cada célula nova se 
completa, provocando a separação das duas bactérias-filhas. 
Esses locais, por suas condições, costumam ser chamados de ambientes extremos. Muitos cientistas acreditam que as arqueas vivem 
neles porque surgiram na Terra cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, quando as condições ambientais em todo o planeta eram semelhantes 
às desses lugares. 
As arqueas são parecidas com as bactérias em seus aspectos gerais. No entanto, sua parede celular é feita de substâncias diferentes 
da parede celular das bactérias, e esses microrganismos são muito diferentes geneticamente. Alguns biólogosafirmam que as bactérias 
são tão distintas das arqueas quanto os seres humanos são das plantas. 
 
Domínios: novas categorias taxonômicas 
Os estudos dos seres vivos com células procarióticas e daqueles com células eucarióticas têm mostrado que essa divisão é muito anti- 
ga e refere-se a seres muito diferentes entre si. Por isso, em 1990, foi proposta uma nova categoria taxonômica superior a reino, o domínio. 
Em razão dessa proposta, passaram a existir três domínios: Archaea, Bacteria e Eukarya. 
Veja no quadro a correspondência entre a classificação em cinco reinos e os três novos domínios. 
 
 
REINO PROTISTA 
Esse é um reino cuja classificação biológica é muito questionada entre os cientistas. Alguns não admitem mais sua validade, porque o 
reino abrange seres vivos de origens muito distintas. Esses cientistas utilizam a palavra protista como um conjunto de seres vivos, mas não 
consideram protista uma categoria taxonômica válida. 
Na classificação em cinco reinos adotada aqui, o reino Protista reúne os protozoários e as algas, todos seres vivos com células eucarió- 
ticas. Protozoários são seres unicelulares heterotróficos, ou seja, ingerem alimento para obter nutrientes orgânicos. Vivem em água doce, 
água salgada, regiões lodosas e em terra úmida, como as amebas, por exemplo. 
Já as algas são seres unicelulares ou multicelulares autotróficos, pois obtêm nutrientes orgânicos por meio da fotossíntese. Vivem em 
água salgada, em água doce ou em superfícies úmidas. 
 
REINO FUNGI 
 
Fungos 
Há vários tipos de fungos. Seus principais representantes são os cogumelos, as orelhas-de-pau, os bolores e as leveduras ou os 
fermentos. Todos são seres heterotróficos com células eucarióticas. Existem algumas espécies de fungos unicelulares, mas a maioria é 
multicelular. 
Os fungos têm uma importância ecológica muito grande, relacionada com o fato de que a maioria deles se alimenta de cadáveres e 
outros restos de seres vivos, principalmente animais e plantas. Outros fungos, como os bolores, provocam o apodrecimento e a decom- 
posição de frutas, pães e outros tipos de alimentos. É por meio de sua alimentação que os fungos, assim como as bactérias heterotróficas, 
decompõem a matéria orgânica nos ecossistemas, possibilitando a reciclagem dos átomos de variados elementos químicos que entram na 
composição do corpo de plantas e animais. 
 
Liquens 
Liquens são associações entre fungos e algas que crescem sobre troncos de árvores, rochas ou mesmo cimento. Nessa associação, 
chamada de mutualismo, a alga (autotrófica) realiza fotossíntese e fornece substâncias orgânicas para o fungo (heterotrófico) se alimentar. 
O fungo, por sua vez, além de fornecer abrigo, mantém o ambiente úmido e com alguns minerais importantes para a alga. Existem também 
liquens formados pela associação de fungos com cianobactérias (bactérias que realizam fotossíntese), que substituem as algas no forneci- 
mento de nutrientes orgânicos para os fungos. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
29 
 
 
 
Vírus, um ser vivo diferente 
Os vírus são seres vivos que não possuem organização celular. 
A estrutura básica de um vírus é uma cápsula de proteínas dentro 
da qual se encontra seu material genético (DNA ou RNA). Os vírus 
são menores que a menor bactéria e podem ter tamanho entre 20 
e 300 milionésimos de milímetro. 
Por serem tão pequenos, só é possível observá-los por meio de 
microscópio eletrônico. Os vírus só estão em atividade quando in- 
vadem as células de um ser vivo, onde passam a se multiplicar, utili- 
zando as substâncias presentes no citoplasma da célula hospedeira. 
Por esse motivo, são considerados parasitas intracelulares obri- 
gatórios. Levando em conta esse fato e também que eles são acelu- 
lares, muitos cientistas não os consideram um ser vivo. 
Vírus podem atacar as células de qualquer ser vivo – uma bac- 
téria, um protozoário, uma planta ou um animal –, frequentemente 
causando doenças. Cada espécie de vírus parasita células especí- 
ficas de outros seres vivos. Na célula invadida, novos vírus se for- 
mam. Eles saem da célula, em geral matando-a, e infectam outras. 
 
A CLASSIFICAÇÃO DAS PLANTAS 
Existem plantas muito diferentes entre si, considerando-se des- 
de o tamanho e os locais em que são encontradas até as formas 
de se reproduzir e de conduzir a água em seu interior. A área da 
Biologia que estuda todos esses tipos de plantas é a Botânica. Você 
verá, agora, como os botânicos (estudiosos das plantas) organizam 
a classificação das plantas. 
A primeira diferenciação que se costuma fazer entre as plantas 
é separar aquelas que têm tubos para o transporte de água em seu 
interior e aquelas que não os têm. Em Botânica, utiliza-se o termo 
vaso para se referir aos tubos que conduzem líquidos no interior das 
plantas. Aquelas que não têm vasos condutores de líquidos são cha- 
madas de avasculares (do grego a, que indica negação, e do latim 
vasculum, pequeno tubo). 
As plantas vasculares são aquelas que contêm vasos conduto- 
res de líquidos. Apesar de não serem consideradas categorias ta- 
xonômicas pelos botânicos, essa divisão continua a ser utilizada, 
pois facilita o estudo das plantas. Plantas avasculares Existem três 
grupos de plantas avasculares, conhecidas como briófitas (do grego 
brion, que significa “musgo”): os musgos, as hepáticas e os antó- 
ceros. 
Essas plantas são sempre pequenas, em geral não passam de 
5 cm. Isso porque a água precisa fluir através de suas células para 
atingi-las completamente, já que são plantas sem vasos para o 
transporte de água. Elas não têm caule, tronco nem raízes. Fixam-se 
no solo, em rochas ou sobre troncos por meio de grupos de pelos 
parecidos com pequenas raízes, chamados de rizoides, que não ab- 
sorvem água e servem apenas para fixação. 
Plantas avasculares vivem em ambientes muito úmidos, como 
beiras de córregos e pedras próximas a quedas-d’água, já que de- 
pendem de respingos de água para se reproduzir. Em seu ciclo de 
vida, para que a fecundação ocorra, é preciso que uma gota de água 
carregue a célula sexual masculina até um local bem próximo no 
qual ela possa encontrar uma célula sexual feminina, dando origem 
a uma nova planta. 
Plantas vasculares 
As plantas vasculares têm um conjunto de vasos que transporta 
água com sais minerais dissolvidos das raízes em direção às folhas. 
Também possuem outro conjunto de vasos que transporta a água 
com os açúcares produzidos na fotossíntese e outras substâncias 
orgânicas das folhas para as demais partes da planta. A água com 
sais minerais, que é absorvida pelas raízes das plantas, chama-se 
seiva bruta, e a água com açúcares e substâncias orgânicas que sai 
das folhas, seiva elaborada. 
 
Essas plantas costumam apresentar três partes: 
• raízes: são geralmente subterrâneas e têm a função de fixar a 
planta no solo e absorver água com sais minerais dissolvidos (seiva 
bruta). 
• caule: sustenta as folhas e contém os vasos que conduzem a 
seiva bruta das raízes para as folhas e a seiva elaborada das folhas 
para as raízes. 
• folhas: ficam sempre dispostas de forma a receber luz, a fonte 
de energia para a realização da fotossíntese. 
 
Há dois grupos de plantas vasculares: o grupo daquelas que 
produzem sementes e o daquelas que não as produzem. Entre as 
plantas que produzem sementes, existem as que produzem semen- 
tes nuas (não contidas em frutos), como os pinheiros; e aquelas que 
produzem sementes que se encontram em frutos, como o abacatei- 
ro e o xique-xique. 
Você vai estudar a seguir os grupos de plantas vasculares: 
• plantas que não produzem sementes, chamadas de pteridófi- 
tas (do grego pteris, que significa “feto de vegetal”); 
• plantas que produzem sementes, que se subdividem em: – 
plantas que produzem sementes nuas (não contidas em frutos), 
chamadas de gimnospermas (do grego gumnós, que significa “nu”, 
e sperma, “semente”); – plantas que produzem sementes e frutos, 
chamadas de angiospermas (do grego aggeîon, que significa “vaso”, 
e sperma, “semente”).Pteridófitas 
Pteridófitas são plantas vasculares que não produzem semen- 
tes, como as samambaias, as avencas e o licopódio. Essas plantas, 
como as briófitas, também dependem da água para que aconteça a 
fecundação, ou seja, a fusão da célula sexual masculina com a célula 
sexual feminina. Isso ocorre porque a célula sexual masculina preci- 
sa de uma fina lâmina de água para se deslocar até o local onde se 
encontra a célula sexual feminina. 
 
Gimnospermas 
Gimnospermas são plantas vasculares que produzem semen- 
tes nuas, como os pinheiros, que existem em países de clima frio e 
lembram árvores de Natal. Outro exemplo é o pinheiro-do-paraná 
ou araucária (Araucaria angustifolia), árvore típica das regiões Sul e 
Sudeste do Brasil. Uma árvore adulta dessa espécie pode atingir 50 
m e ter um tronco do diâmetro de 2,5 m. 
Por possuir madeira de boa qualidade, o pinheiro-do-paraná 
é protegido por leis desde o tempo do Império (século XVIII), mas 
isso não foi suficiente para preservar sua população, a ponto de, 
atualmente, botânicos e ambientalistas estarem preocupados com 
sua possível extinção. 
Muitos pinheiros-do-paraná estavam presentes em partes da 
Mata Atlântica, que já está devastada nas regiões Sul e Sudeste do 
Brasil. Outra característica dessa árvore é possuir uma semente 
muito nutritiva, conhecida como pinhão. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
30 
 
 
 
As plantas gimnospermas apresentam uma característica nova 
em relação às briófitas e pteridófitas, o que as tornou independen- 
tes da água em estado líquido para a reprodução. Como você estu- 
dou, nas briófitas e pteridófitas, a célula sexual masculina depende 
de água para alcançar a célula sexual feminina; já as gimnospermas 
têm órgãos reprodutores próprios. 
Os órgãos reprodutores das gimnospermas são chamados de 
estróbilos. No estróbilo masculino, formam-se os grãos de pólen, 
onde se produzem as células reprodutoras (ou células sexuais) mas- 
culinas, ou gametas masculinos. No estróbilo feminino, encontram- 
-se as células reprodutoras femininas, ou gametas femininos. 
Para que a fecundação aconteça, é preciso que os grãos de pó- 
len atinjam o estróbilo feminino. Esse processo de transporte dos 
grãos de pólen, conhecido como polinização, pode ocorrer, por 
exemplo, pelo vento, pela água ou por alguns tipos de insetos e 
aves, que, ao se alimentarem, tocam os grãos de pólen, que ficam 
grudados em seu corpo, e os levam para outras plantas. 
Uma vez no estróbilo feminino, o grão de pólen se desenvolve 
e encontra o óvulo feminino, ocorrendo a fecundação e a formação 
das sementes. A pinha é o estróbilo feminino do pinheiro-do-para- 
ná; nela estão os pinhões, que são as sementes. 
 
Angiospermas 
A grande maioria das plantas pertence ao grupo das angiosper- 
mas, plantas vasculares que produzem frutos com sementes e que 
têm nas flores seus órgãos reprodutivos. As flores contêm partes 
masculinas, que produzem os grãos de pólen, os estames, e partes 
femininas, que produzem óvulos, os pistilos. Em algumas plantas, 
pode haver flores somente masculinas e flores somente femininas; 
existem também aquelas que combinam as partes masculinas e fe- 
mininas na mesma flor. 
Para ocorrer a fecundação e iniciar a formação de uma nova 
planta, antes é preciso que um grão de pólen chegue ao pistilo por 
meio do processo de polinização, já explicado. Muitas plantas de- 
pendem do vento para que os grãos de pólen se desprendam do 
estame e sejam transportados para um pistilo. Existem também 
aquelas cujas flores são visitadas por insetos, pássaros e outros ani- 
mais, que podem ser os agentes da polinização. 
 
Por exemplo, uma abelha, ao visitar uma flor, toca o estame 
com grãos de pólen, que grudam em seu corpo. Quando essa abe- 
lha visita outra flor, algum grão de pólen preso a seu corpo pode se 
prender ao pistilo, e a polinização ocorre. O grão de pólen fica no 
estigma do pistilo. Nesse local, ele germina, formando um tubo cha- 
mado de tubo polínico, que cresce no estilete até chegar ao ovário, 
onde está o óvulo, e a fecundação acontece. 
Após a fecundação, o zigoto, formado pela união dos gametas 
masculino e feminino, transforma-se em semente, na qual se en- 
contram o embrião da nova planta e também reservas nutritivas 
para seus primeiros dias de vida. Conforme a semente se desen- 
volve, o ovário se transforma em fruto, que, em geral, envolve a 
semente, como nos casos do abacate e do feijão. 
INVERTEBRADOS E VERTEBRADOS 
Os animais são organismos multicelulares (que têm muitas cé- 
lulas com funções distintas), com células eucarióticas (que possuem 
núcleo definido por uma membrana) e heterotróficos (que não 
produzem o próprio alimento). Uma característica comum a qua- se 
todos eles é a boca, utilizada para a ingestão de alimentos. No 
entanto, existem animais muito simples, por exemplo, as esponjas, 
que não possuem boca. Neles, pequenas partículas de alimento são 
absorvidas diretamente pelas células. 
Os animais costumam ser divididos em dois grupos: vertebra- 
dos e invertebrados. Essa classificação não é considerada válida 
pelos sistemas de classificação biológica atuais. No entanto, por 
ser muito conhecida popularmente, continua sendo usada. Verte- 
brados são os animais que possuem vértebras, não presentes nos 
invertebrados. 
Os seres humanos possuem vértebras na coluna vertebral e, 
portanto, fazem parte desse grupo. Na classificação biológica utili- 
zada por muitos estudiosos, o reino Animalia está dividido em 35 fi- 
los, e todos os animais vertebrados e também alguns invertebrados 
estão em um único filo, o Chordata. Os outros 34 filos reúnem ani- 
mais invertebrados, que representam 95% da diversidade animal. 
 
A diversidade entre os invertebrados 
Apenas para ter uma ideia de como são os invertebrados, você 
vai conhecer alguns que pertencem aos oito filos mais estudados. 
É importante lembrar que esses são exemplos de um represen- 
tante de cada filo de animal invertebrado. Esses filos contêm vários 
representantes, e as diferenças entre eles podem ser grandes. É 
o caso dos artrópodes, que, além dos insetos, como o besouro, a 
mosca e a borboleta, reúnem animais com patas articuladas, como 
a aranha, o caranguejo, o camarão, a lagosta, o escorpião, o carra- 
pato, entre muitos outros. 
Os insetos pertencem à classe Insecta, que constitui o grupo de 
seres vivos mais numeroso que se conhece, com mais de 900 mil 
espécies catalogadas. 
 
Os vertebrados 
Os animais vertebrados são aqueles que possuem coluna ver- 
tebral e pertencem ao filo Chordata. Embora alguns cordados não 
apresentem vértebras, mais de 95% dos animais desse filo são ver- 
tebrados. Entre os vertebrados existem os peixes (ex. cavalo-mari- 
nho, tubarão, raia, robalo, pirarucu), os anfíbios (ex. sapo, rã, sala- 
mandra), os répteis (ex. lagarto, tartaruga, jabuti, jacaré, serpente), 
as aves (ex. galinha, seriema, gavião, beija-flor, pinguim) e os mamí- 
feros (ex. tatu, carneiro, búfalo, macaco, boto, baleia, ser humano). 
 
Os vertebrados e o corpo humano 
Você vai estudar agora as principais características dos animais 
vertebrados, tendo como principal exemplo o corpo humano. O pri- 
meiro aspecto a ser destacado entre os vertebrados é o esqueleto. 
Trata-se de um endoesqueleto (do grego éndon, que significa “den- 
tro”), que fica por dentro do animal, diferentemente do esqueleto 
de parte dos invertebrados como os artrópodes, o qual envolve ex- 
ternamente todo o corpo e, por isso, é chamado de exoesqueleto 
(do grego ékso, que significa “fora”). 
Um caranguejo, por exemplo, tem um esqueleto externo bem 
evidente. No caso dos vertebrados, o esqueleto, além de ser inter- 
no, contém um conjunto de vértebras que forma a coluna vertebral. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
31 
 
 
 
O esqueleto interno dos vertebrados está diretamente relacio- 
nado com um conjunto de músculos, o que dá a esses animais gran- 
de capacidade de movimento. 
 
Reprodução dos vertebrados 
Em todos os vertebrados, há hormôniosque estão diretamente 
relacionados aos processos reprodutivos. São eles que provocam o 
amadurecimento dos órgãos genitais masculinos e femininos, para 
que a reprodução possa ocorrer. A fecundação, união do gameta 
masculino com o feminino, ocorre de maneiras diferentes nos di- 
versos vertebrados. 
Ela pode ser interna, quando o macho coloca os espermatozoi- 
des (gametas masculinos) no interior do corpo da fêmea para que 
eles alcancem o óvulo (gameta feminino) e a fecundação ocorra, ou 
externa, que só acontece em ambiente aquático, entre muitas es- 
pécies de peixes ósseos, como a tilápia, e entre os anfíbios. Nessas 
espécies, a fêmea coloca os óvulos em alguma superfície e o macho 
libera espermatozoides junto a eles para que a fecundação ocorra. 
Nos peixes cartilaginosos, como os tubarões, nos répteis, nas 
aves e nos mamíferos, inclusive seres humanos, a fecundação é in- 
terna. Depois da fecundação, pode se formar um ovo que é colo- 
cado no ambiente. Esse é o caso das galinhas, que, como todas as 
aves, são consideradas ovíparas, pois botam ovos. 
Os tubarões e outros peixes, assim como muitas espécies de 
serpentes, ficam com seus ovos dentro do corpo, que só são libe- 
rados no momento em que os filhotes nascem. Esses vertebrados 
são chamados de ovovivíparos. Nos casos dos ovíparos e dos ovovi- 
víparos, as reservas alimentares para que o embrião se desenvolva 
estão no interior do próprio ovo. Nos seres humanos, e em quase 
todos os mamíferos, que são considerados vivíparos, o embrião se 
fixa às paredes internas do útero da mãe e nasce depois de passar 
pelo desenvolvimento embrionário. 
Durante esse tempo, ele recebe alimento e gás oxigênio do or- 
ganismo materno, através do cordão umbilical. Esse cordão tam- 
bém serve para trazer para o corpo da mãe as excretas produzidas 
pelo embrião. 
 
AS IDEIAS SOBRE A ORIGEM DA VIDA TAMBÉM EVOLUÍRAM 
A hipótese da origem por evolução química, discutida até ago- 
ra, é a mais aceita atualmente pela comunidade científica. Entre- 
tanto, é importante salientar que ela é fruto de várias descobertas 
feitas ao longo do tempo, o que significa que as hipóteses atuais 
substituíram outras do passado e poderão, no futuro, ser substituí- 
das novamente, caso haja novas descobertas e evidências. 
Do ponto de vista histórico, as ideias mais antigas sobre a ori- 
gem da vida consideram que os seres vivos foram criados por uma 
divindade, um princípio que é denominado criacionismo. O criacio- 
nismo relaciona-se com a suposição de que os seres vivos não so- 
freram mudanças, permanecendo os mesmos desde sua criação, o 
que é chamado de fixismo. 
Na verdade, essas ideias têm valor para muitas pessoas ainda 
hoje, pois estão associadas à religiosidade. Outra hipótese, em que 
muitos cientistas acreditavam, até meados do século XIX, é a da ge- 
ração espontânea ou abiogênese. 
Segundo essa ideia, os seres vivos seriam gerados espontane- 
amente a partir de matéria não viva, por exemplo, vermes que se 
desenvolveriam a partir de cadáveres. Essa ideia era muito aceita, 
pois desde a Antiguidade acreditava-se que da matéria inanimada 
poderia surgir vida por um misterioso “princípio vital”. 
A falta de uma cultura de realização de experimentos com rigor 
científico, entre os estudiosos da época, pode explicar por que a 
ideia da abiogênese perdurou por tanto tempo. Contudo, com o uso 
cada vez maior de experimentações, ela começou a ser contestada 
por partidários da biogênese, hipótese que defende que seres vivos 
se originam apenas de outros seres vivos preexistentes. 
 
A confirmação da biogênese 
A descoberta dos organismos microscópicos trouxe de volta a 
ideia da abiogênese para explicar a origem desses seres, pois como 
ainda não se conheciam os mecanismos de reprodução desses seres 
vivos, era possível supor que eles surgiriam de matéria inanimada. 
Para provar que a biogênese valia também para os microrganis- 
mos, os cientistas precisavam adotar um procedimento semelhante 
àquele usado por Redi. Isso quer dizer que eles tinham de obter 
um meio de cultura sem microrganismos, isolá-lo do contato com 
o ambiente externo e verificar se o meio de cultura daria origem a 
microrganismos. 
Caso isso não acontecesse, significaria que microrganismos 
também não podem surgir de matéria inanimada, mas apenas de 
outros microrganismos preexistentes. No entanto, essa era uma 
tarefa mais complicada, já que esses seres não são visíveis a olho nu 
e estão por toda parte, aumentando muito a possibilidade de 
contaminação dos meios de cultura. 
Apenas por volta de 1860, o cientista francês Louis Pasteur 
provou que a biogênese é válida também para os microrganismos. 
Pasteur esterilizou um meio de cultura (caldo nutritivo), fervendo-o 
em frascos previamente preparados: seu gargalo tinha sido aqueci- 
do, esticado e curvado. Esses frascos, que ficaram conhecidos como 
frascos pescoço de cisne, permitiam que o caldo nutritivo não fosse 
contaminado por microrganismos existentes no ar, pois estes fica- 
vam retidos na curva do gargalo. 
Ao verificar que, mesmo depois de muito tempo, não surgiam 
microrganismos no caldo nutritivo dos frascos esterilizados e intac- 
tos, Pasteur comprovou que o caldo não poderia gerar microrga- 
nismos. De outro lado, ao abrir os frascos e permitir o contato dos 
microrganismos presentes no ar com o caldo nutritivo, o cientista 
constatou que eles se reproduziam, concluindo que os microrganis- 
mos só podem originar-se de microrganismos preexistentes. 
 
Panspermia 
Por fim, é possível citar uma última hipótese para explicar a 
origem da vida na Terra, a panspermia, segundo a qual as molécu- 
las orgânicas ou mesmo seres vivos teriam sido trazidos do espaço 
pelos corpos celestes que atingiam nosso planeta. A panspermia 
foi proposta entre o fim do século XIX e o início do XX, mas voltou 
a ser considerada recentemente, com a descoberta de moléculas 
orgânicas em cometas. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
32 
 
 
 
A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES 
 
Lamarck e Darwin 
A ideia de que os seres vivos se modificam ao longo do tempo e de que as espécies atuais são descendentes de espécies ancestrais que 
deixaram de existir vem sendo discutida desde o século XVIII e, nessas discussões, dois naturalistas se destacaram: o francês Jean-Baptiste 
Lamarck (1744-1829) e o britânico Charles Darwin. 
Para Lamarck, os seres vivos se originariam, por geração espontânea, da matéria não viva e se transformariam ao longo do tempo, 
aumentando sua complexidade. Esse seria um poder inerente à vida que faria com que os órgãos se desenvolvessem e se aperfeiçoassem. 
Portanto, estruturas e órgãos do corpo dos seres vivos poderiam se desenvolver ou se atrofiar de acordo com a maior ou a menor neces- 
sidade de uso dessas estruturas ou órgãos. 
Esse processo é conhecido hoje como lei do uso e desuso. Dessa forma, Lamarck explicava, por exemplo, a ausência de pernas nas 
serpentes atuais como decorrente da adaptação de ancestrais à vida rastejante. A falta de necessidade de uso das pernas teria levado à 
atrofia gradual até o desaparecimento desses órgãos. Note que, para Lamarck, os indivíduos que tivessem órgãos atrofiados ou desenvolvi- 
dos poderiam transmitir essa característica a seus descendentes, de maneira que ocorreria uma transformação gradual na própria espécie. 
Esse mecanismo ficou conhecido como lei dos caracteres adquiridos. Qualquer pessoa que pratica exercícios físicos (ou conhece al- 
guém que pratica) sabe que essa prática leva ao desenvolvimento da musculatura. No entanto, filhos de atletas ou de fisiculturistas não 
recebem essa herança de seus pais e não nascem com seus músculos mais desenvolvidos do que os de outras crianças. Esse ponto repre- 
sentou uma fragilidade na teoria de Lamarck, que não chegou a abalar a hipótese mais aceita na época, a do criacionismo. 
De outro lado, Lamarck teve o mérito de chamar a atenção para o fato de que as mudanças que ocorrem nos seres vivos são fruto de 
interações entre eles e oambiente, de modo que, ao longo do tempo, esse seres possam se adaptar às variações das condições ambientais. 
Também para Charles Darwin, que conheceu e foi influenciado pelas ideias de Lamarck, a adaptação era uma ideia central para com- 
preender a origem e a evolução das espécies. Entretanto, sua teoria explicou de forma diferente o processo pelo qual as espécies se adap- 
tavam às condições ambientais. Em sua obra A origem das espécies, Darwin lançou a ideia de seleção natural, um mecanismo pelo qual os 
seres vivos evoluem e dão origem a novas espécies. De maneira resumida, as ideias de Darwin são as seguintes: 
Note que, para Lamarck, uma nova característica surgiria conforme a necessidade imposta pelo ambiente, ao passo que para Darwin 
alguns indivíduos já apresentariam essa característica e ela seria favorecida, ou não, pelas condições do ambiente. 
 
Comparando as ideias de Lamarck e Darwin 
Um dos exemplos de comparação entre as ideias de Lamarck e Darwin diz respeito ao desenvolvimento do pescoço das girafas. A ima- 
gem a seguir mostra a diferença entre as explicações que esses dois naturalistas teriam dado sobre essa questão. Observe-a com atenção. 
 
 
Lamarck explicaria que os ancestrais das girafas teriam pescoço curto e se alimentariam de vegetação rasteira. A diminuição dessa 
vegetação levaria os indivíduos a buscar alimento nas árvores mais altas e, por isso, a esticar o pescoço, desenvolvendo, consequentemen- 
te, essa musculatura. Esse maior desenvolvimento seria transmitido aos descendentes e, após algum tempo, a população de girafas teria 
apenas indivíduos de pescoço longo. 
E como Darwin explicaria esse mesmo fato? Para esse naturalista, em determinada população, haveria indivíduos de pescoço curto e 
outros de pescoço longo. Uma modificação no ambiente que resultasse na eliminação da vegetação rasteira seria desfavorável aos indiví- 
duos de pescoço curto, já que eles dificilmente alcançariam a folhagem das copas das árvores. 
Com isso, morreriam antes de poder reproduzir-se. Já os indivíduos de pescoço longo teriam vantagem, sobreviveriam mais tempo e 
poderiam reproduzir-se, transmitindo a característica a seus descendentes. 
 
Além de Darwin 
Antes de publicar A origem das espécies, Darwin coletou muitas informações por meio de observações e experimentos, pois tinha 
interesse em mostrar um bom número de evidências que conferissem credibilidade a sua teoria, uma vez que sabia que se tratava de um 
assunto extremamente polêmico, que lhe renderia muitas críticas. 
No entanto, ele reconhecia também as limitações de sua teoria. Por exemplo, Darwin não conseguiu explicar a origem das diferenças 
entre indivíduos de uma população nem mesmo os mecanismos de transmissão dessas variações de uma geração a outra. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
33 
 
 
 
Nessa época, o trabalho do monge agostiniano austríaco Gre- 
gor Mendel (1822- -1884), que seria considerado o pai da Genética, 
já havia sido publicado (1866), mas passou despercebido por Da- 
rwin. O próprio Darwin tinha a publicação de Mendel, mas aparen- 
temente não a leu. 
Só muitos anos mais tarde, a partir de 1900, com a redesco- 
berta do trabalho de Mendel, é que os mecanismos de transmissão 
das características hereditárias começaram a ser desvendados e, 
com a contribuição de diversos cientistas, chegou- -se ao que hoje 
é conhecido como neodarwinismo ou teoria sintética da evolução. 
O neodarwinismo utiliza-se das descobertas sobre os genes 
(sequência de DNA responsável pela determinação de uma ou 
mais características de um ser vivo e pela transmissão dessas ca- 
racterísticas) e sobre o DNA (sigla, em inglês, de ácido desoxirribo- 
nucleico, substância da qual são compostos os genes) para explicar 
a teoria da evolução justamente naquilo que Darwin não pôde ex- 
plicar. Descobriu-se que os genes são os responsáveis pela trans- 
missão das características hereditárias, e que as diferenças que se 
verificam nos indivíduos de uma mesma espécie são decorrentes 
de alterações nesses genes – conhecidas por mutações. Quando 
as mutações ocorrem em genes presentes nas células reproduto- 
ras (no caso da reprodução sexuada), elas são transmitidas de uma 
geração a outra. 
Os mecanismos que levam a essas alterações serão aprofunda- 
dos na próxima Unidade, mas já é importante saber que a base da 
evolução dos seres vivos é a variabilidade genética. 
 
 
O que é Dengue? 
A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus, 
sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. 
É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em 
áreas tropicais e subtropicais. Atualmente, a vacina é a melhor for- 
ma de prevenção da dengue. Segundo o boletim epidemiológico do 
Ministério da Saúde, divulgado em janeiro de 2018, foram regis- 
trados menos casos prováveis de dengue em 2017, 252.054 casos 
contra 1.483.623 em 2016. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 
100 milhões de pessoas se infectem anualmente com a dengue em 
mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca 
de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem 
em consequência da dengue. 
Existem quatro tipos de dengue, de acordo com os quatro so- 
rotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Quando uma pessoa tem 
dengue tem uma imunidade relativa contra outro sorotipo. 
É uma doença potencialmente grave, porque pode evoluir para 
a dengue hemorrágica a síndrome do choque da dengue, caracteri- 
zadas por sangramento e queda de pressão arterial, o que eleva o 
risco de morte. A melhor maneira de combater esse mal é atuando 
de forma preventiva, impedindo a reprodução do mosquito. 
 
Aedes Aegypti 
Acredita-se que o mosquito Aedes aegypti chegou ao Bra- sil 
pelos navios negreiros, uma vez que as primeiras aparições do 
mosquito se deram no continente africano. No início do século XX, 
o médico Oswaldo Cruz implantou um programa de combate ao 
mosquito, visando reduzir os casos de febre amarela. Essa medi- 
da chegou a eliminar a dengue no país durante a década de 1950. 
Segundo o Ministério da Saúde a primeira ocorrência do vírus no 
país, comprovada laboratorialmente, ocorreu em 1981-1982 em 
Boa Vista (PR). 
No entanto, a dengue voltou a acontecer no Brasil na década 
de 1980. Atualmente, os quatro tipos de vírus circulam no país, sen- 
do que foram registrados 587,8 mil casos de dengue em 2014, de 
acordo com o Ministério da Saúde. 
 
Tipos 
O vírus da dengue possui quatro variações: DEN-1, DEN-2, DEN- 
3 e DEN-4. Todos os tipos de dengue causam os mesmo sintomas. 
Caso ocorra um segundo ou terceiro episódio da dengue, há 
risco aumentado para formas mais graves da dengue, como a den- 
gue hemorrágica e síndrome do choque da dengue 
Na maioria dos casos, a pessoa infectada não apresenta sinto- 
mas de dengue, combatendo o vírus sem nem saber que ele está 
em seu corpo. Para aqueles que apresentam os sinais, os tipos de 
dengue podem se manifestar clinicamente de três formas: 
 
Dengue clássica 
A dengue clássica é a forma mais leve da doença, sendo muitas 
vezes confundida com a gripe. Tem início súbito e os sintomas po- 
dem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como febre alta 
(39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articula- 
ções, indisposição, enjôos, vômitos, entre outros. 
 
Dengue hemorrágica 
A dengue hemorrágica acontece quando a pessoa infectada 
com dengue sofre alterações na coagulação sanguínea. Se a doença 
não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral, a dengue 
hemorrágica é mais comum quando a pessoa está sendo infecta- da 
pela segunda ou terceira vez. Os sintomas iniciais são parecidos com 
os da dengue clássica, e somente após o terceiro ou quarto dia 
surgem hemorragias causadas pelo sangramento de pequenos 
vasos da pele e outros órgãos. Na dengue hemorrágica, ocorre uma 
queda na pressão arterial do paciente, podendo gerar tonturas e 
quedas. 
 
Síndrome do choque da dengue 
A síndrome de choqueda dengue é a complicação mais séria da 
dengue, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de 
pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de 
consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue 
pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespirató- 
rias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame 
pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada 
pode levar a óbito. 
 
Causas 
A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. A trans- 
missão se dá pelo mosquito que, após um período de 10 a 14 dias 
contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o 
vírus da dengue durante toda a sua vida. 
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do 
mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem 
dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após 
este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para 
picar as pessoas. 
MOSQUITOS NA CIDADE E O COMBATE CONTRA ELES 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
34 
 
 
 
O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosqui- 
to da dengue adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indiví- 
duo é picado, demora no geral de três a 15 dias para a doença se 
manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias. 
A transmissão da dengue raramente ocorre em temperaturas 
abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 
32° C - por isso o mosquito se desenvolve em áreas tropicais e sub- 
tropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar 
quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É impor- 
tante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito da 
dengue podem suportar até um ano a seca e serem transportados 
por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é 
uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar 
da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em mé- 
dia. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após 
se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de 
sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimen- 
to dos ovos. 
O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem 
aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e 
nas pernas. Costuma picar, transmitindo a dengue, nas primeiras 
horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, 
mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou 
fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. 
O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no mo- 
mento. 
A fêmea do Aedes aegypti também transmite a febre chikun- 
gunya e a febre Zika e a febre amarela urbana. 
 
Fatores de risco 
Fatores que colocam você em maior risco de desenvolver den- 
gue ou uma forma mais grave da doença incluem: 
- Vivendo ou viajando em áreas tropicais: Estar em áreas tropi- 
cais e subtropicais aumenta o risco de exposição ao vírus que causa 
dengue. As áreas especialmente de alto risco são o Sudeste Asiáti- 
co, as ilhas do Pacífico Ocidental, a América Latina e o Caribe. 
- Infecção prévia com um vírus da dengue: A infecção anterior 
com um vírus da dengue aumenta o risco de ter sintomas graves se 
você estiver infectado novamente. 
Sintomas de Dengue 
 
Sintomas de dengue clássica 
Os sintomas de dengue iniciam de uma hora para outra e du- 
ram entre cinco a sete dias. Normalmente eles surgem entre três a 
15 dias após a picada pelo mosquito infectado. Os principais sinais 
são: 
-Febre alta com início súbito (entre 39º a 40º C) 
-Forte dor de cabeça 
-Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos 
-Manchas e erupções na pele, pelo corpo todo, normalmente 
com coceiras 
-Extremo cansaço 
-Moleza e dor no corpo 
-Muitas dores nos ossos e articulações 
-Náuseas e vômitos 
-Tontura 
-Perda de apetite e paladar. 
Sintomas de dengue hemorrágica 
Os sintomas de dengue hemorrágica são os mesmos da dengue 
clássica. A diferença é que a febre diminui ou cessa após o terceiro 
ou quarto dia da doença e surgem hemorragias em função do san- 
gramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. Quan- 
do acaba a febre, começam a surgir os sinais de alerta: 
-Dores abdominais fortes e contínuas 
-Vômitos persistentes 
-Pele pálida, fria e úmida 
-Sangramento pelo nariz, boca e gengivas 
-Manchas vermelhas na pele 
-Comportamento variando de sonolência à agitação 
-Confusão mental 
-Sede excessiva e boca seca 
-Dificuldade respiratória 
-Queda da pressão arterial:Pulso rápido. 
 
Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamen- 
te, apresentando sinais de insuficiência circulatória. A baixa circula- 
ção sanguínea pode levar a pessoa a um estado de choque. Embora 
a maioria dos pacientes com dengue não desenvolva choque, a pre- 
sença de certos sinais alertam para esse quadro: 
-Dor abdominal persistente e muito forte 
-Mudança de temperatura do corpo e suor excessivo 
-Comportamento variando de sonolência à agitação 
-Pulso rápido e fraco 
-Palidez 
-Perda de consciência. 
 
A síndrome de choque da dengue, quando não tratada, pode 
levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas 
do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue he- 
morrágica morrem. 
 
Diagnóstico de Dengue 
Se você suspeita de dengue, vá direto ao hospital ou clínica de 
saúde mais próxima. Os médicos farão a suspeita clínica com base 
nas informações que você prestar, mas o diagnóstico de certeza é 
feito com o exame de sangue para dengue ou sorologia para den- 
gue. Ele vai analisar a presença do vírus no seu sangue e leva de três 
a quatro dias para ficar pronto. No atendimento, outros exames se- 
rão realizados para saber se há sinais de gravidade ou se você pode 
manter repouso em casa. 
O exame físico pode revelar: 
-Fígado aumentado (hepatomegalia) 
-Pressão baixa 
-Erupções cutâneas 
-Olhos vermelhos 
-Pulsação fraca e rápida. 
Além disso, o governo incluiu o uso de testes rápidos para den- 
gue na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O item irá otimizar 
o diagnóstico laboratorial. Serão disponibilizados aos estados e mu- 
nicípios dois milhões de testes rápidos imunocromatografia qualita- 
tiva (IgM/IgG) para dengue. 
 
Exames 
O diagnóstico da dengue pode ser feito com os seguintes exa- 
mes: 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
35 
 
 
 
-Testes de coagulação 
-Eletrólitos (sódio e potássio) 
-Hematócrito 
-Enzimas do fígado (TGO, TGP) 
-Contagem de plaquetas 
-Testes sorológicos (mostram os anticorpos ao vírus da dengue) 
-Raio X do tórax para demonstrar efusões pleurais. 
 
Tratamento de Dengue 
Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue, faz- 
-se apenas medicamentos para os sintomas da doença, ou seja, fa- 
zer um tratamento sintomático. É importante apenas tomar muito 
líquido para evitar a desidratação. Caso haja dores e febre, pode ser 
receitado algum medicamento antitérmico, como o paracetamol. 
Em alguns casos, é necessária internação para hidratação endove- 
nosa e, nos casos graves, tratamento em unidade de terapia inten- 
siva. 
 
O que tomar em caso de dengue? 
Pacientes com dengue ou suspeita de dengue devem evitar 
medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que con- 
tenham a substância associada. Esses medicamentos têm efeito an- 
ticoagulante e podem causar sangramentos. Outros anti-inflamató- 
rios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também 
devem ser evitados. O uso destas medicações pode aumentar o 
risco de sangramentos. 
O paracetamol e a dipirona são os medicamentos de escolha 
para o alívio dos sintomas de dor e febre devido ao seu perfil de se- 
gurança, sendo recomendado tanto pelo Ministério da Saúde, como 
pela Organização Mundial da Saúde. 
 
Dengue tem cura? 
No caso da dengue clássica, a febre dura sete dias, mas a fra- 
queza e mal estar podem perdurar por mais tempo, às vezes por 
algumas semanas. Embora seja desagradável, a dengue clássica não 
éfatal. As pessoas com essa doença se recuperam completamente. 
No entanto, é muito importante ficar atento aos sinais de alerta 
da manifestação da dengue hemorrágica, que são, principalmente, 
os sangramentos no nariz, boca e gengiva. Essa forma de dengue 
quando não tratada rapidamente pode levar a óbito. 
 
Complicações possíveis 
A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da 
dengue, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de 
pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de 
consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue 
pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespirató- 
rias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame 
pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada 
pode levar a óbito. 
 
Outras possíveis complicações da dengue incluem: 
-Convulsões febris em crianças pequenas 
-Desidratação grave 
-Sangramentos. 
-Convivendo/ Prognóstico 
-Pessoas diagnosticadas com a dengue devem manter cuidados 
básicos como: 
Repouso 
 
Reposição de líquidos, principalmente recorrendo ao soro ca- 
seiro em casos de vômitos 
Uso correto dos medicamentos indicados. 
Aplicativos para o combate da dengue 
Existem vários aplicativos que ajudam no tratamento preven- 
ção contra dengue . Veja alguns a seguir, sempre lembrando que 
eles não substituem um bom acompanhamento médico: 
UNA - SUS Dengue: Este aplicativo possibilita que o usuário 
calcule a reposição de líquidos de acordo com suas características 
fisiológicas e apresenta dicas relacionadas ao tratamento e preven- 
ção da doença. Avaliado com 4,4 estrelas na Google Play. 
Observatório do Aedes Aegypti: O app possibilita que a popula- 
ção denuncie a suspeita de focos e casos de dengue. Dessa forma, 
o governo poderá ter acesso mais rapidamente às informações para 
planejar o combate. 
Prevenção 
Tome a vacina 
A vacina contra dengue foi criada para prevenir a manifestação 
do vírus. Atualmente apenas uma vacina foi licenciada no Brasil, a 
desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur. Ela é feita com 
vírus atenuados e é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro 
sorotipos de dengue existentes. Ela possui a estrutura do vírus va- 
cinal da febre amarela, o que lhe dá mais estabilidade e segurança. 
Vacinas com o vírus atenuado são aquelas que diminuem a pe- 
riculosidade do vírus, garantindo que ele não cause doenças, mas 
sejam capazes de gerar resposta imunológica, fazendo com que o 
organismo da pessoa reconheça o vírus e saiba como atacá-lo quan- 
do a pessoa for exposta a sua versão convencional. 
A eficácia na população acima de 9 anos é de, aproximadamen- 
te, 66% contra os quatro sorotipos de vírus da dengue. Isso significa 
que em um grupo de cem pessoas, 66 evitariam contrair a doença. 
Além disso, reduz os casos graves - aqueles que levam ao óbito, 
como a dengue hemorrágica - em 93% e os índices de hospitaliza- 
ções em 80%. 
Além dela, o Instituto Butantan está testando uma nova vacina 
feita no Brasil. O antíduto também é feito com vírus atenuados e 
está na terceira fase de testes, em que mais de 17 mil voluntários 
serão observados: dois terços deles receberão a vacina verdadeira 
e um terço receberá um placebo. Antes ela passou por testes clíni- 
cos nos Estados Unidos em 600 pessoas e depois em São Paulo por 
mais 300. O plano de fazer os testes agora em todo Brasil é garantir 
que as pessoas estudadas tenham contato com todos os sorotipos 
da doença. 
 
Evite o acúmulo de água 
O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não neces- 
sariamente potável. Por isso é importante jogar fora pneus velhos, 
virar garrafas com a boca para baixo e, caso o quintal seja propenso 
à formação de poças, realizar a drenagem do terreno. Também é 
necessário lavar a vasilha de água do bicho de estimação regular- 
mente e manter fechadas tampas de caixas d’água e cisternas. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
36 
 
 
 
Coloque tela nas janelas 
Colocar telas em portas e janelas ajuda a proteger sua família 
contra o mosquito da dengue. O problema é quando o criadouro 
está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia não 
será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação 
dos focos da doença é a maneira mais eficaz de proteção. 
 
Coloque areia nos vasos de plantas 
O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de 
água. Há três alternativas: eliminar esse prato, lavá-lo regularmente 
ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo 
evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos. 
 
Seja consciente com seu lixo 
Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e ria- 
chos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando 
acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo 
sempre bem tampadas. 
 
Coloque desinfetante nos ralos 
Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam- 
-se foco de dengue devido ao constante uso de produtos químicos, 
como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns ralos são 
rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o 
ideal é que ele seja fechado com uma tela ou que seja higienizado 
com desinfetante regularmente. 
 
Limpe as calhas 
Grandes reservatórios, como caixas d’água, são os criadouros 
mais produtivos de dengue, mas as larvas do mosquito podem ser 
encontradas em pequenas quantidades de água também. Para evi- 
tar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados 
todos os meses, pois um leve entupimento pode criar reservatórios 
ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti. 
 
Lagos caseiros e aquários 
Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros 
e aquários se tornarem foco de dengue deixou muitas pessoas pre- 
ocupadas, porém, peixes são grandes predadores de formas aquá- 
ticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às 
piscinas que não são limpas com frequência. 
 
Uso de inseticidas e larvicidas 
Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos esta- 
dos e municípios pela Secretaria de Vigilância em Saúde têm eficá- 
cia comprovada, sendo preconizados por um grupo de especialistas 
da Organização Mundial da Saúde. 
Os larvicidas servem para matar as larvas do mosquito da den- 
gue. São aqueles produtos em pó, ou granulado, que o agente de 
combate a dengue coloca nos ralos, caixas d’água, enfim, nos luga- 
res onde há água parada que não pode ser eliminada. 
Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de 
nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voan- 
do, pela manhã e à tarde, porque o mosquito tem hábitos diurnos. 
O fumacê, como é chamado, não é aplicado indiscriminadamente, 
sendo utilizado somente quando existe a transmissão da dengue 
em surtos ou epidemias. Desse modo, a nebulização pode ser consi- 
derada um recurso extremo, porque é utilizada em um momento de 
alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à den- 
gue falharam ou não foram adotadas. 
Algumas vezes, os mosquitos e larvas da dengue desenvolvem 
resistência aos produtos. Sempre que isso é detectado, o produto é 
imediatamente substituído por outro. 
 
Uso de repelente 
O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais 
com muitos mosquitos, é um método importante para se proteger 
contra a dengue. Recomenda-se, porém, o uso de produtos indus- 
trializados. Os repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, 
citronela e óleo de soja não possuem grau de repelência forte o 
suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo. Além 
disso, a duração e a eficácia do produto são temporárias, sendo ne- 
cessária diversas reaplicações ao longo do dia, o que muitas pesso- 
as não costumam fazer. 
 
 
Desmatamento, também chamado de desflorestamento, con- 
siste na retirada da cobertura vegetal parcial ou total de um deter- 
minado lugar. Enquanto alguns enxergam essa prática como uma 
ação necessária ao suprimento das necessidades do ser humano,outros apontam o desmatamento como um dos maiores problemas 
ambientais da atualidade. A retirada da cobertura vegetal está rela- 
cionada a diversas causas, como a urbanização, mineração e expan- 
são do agronegócio, e seus impactos são inúmeros. 
 
Causas do desmatamento 
A exploração dos recursos naturais acontece desde os primór- 
dios da humanidade. Contudo, na medida em que a sociedade de- 
senvolveu-se, essa exploração intensificou-se, colocando em risco o 
equilíbrio do planeta e comprometendo o suprimento das gerações 
futuras. 
A questão do desmatamento tomou grandes proporções a par- 
tir da Revolução Industrial. A introdução de novas tecnologias (que 
proporcionaram o aumento da produção industrial) e o consumo 
(que aumentou consideravelmente) fizeram com que diversas flo- 
restas temperadas e tropicais fossem devastadas, a fim de atender 
a essa nova demanda. 
Os países industrializados apresentaram, durante esse perío- 
do, maiores taxas de desmatamento. Com o passar dos anos, essas 
taxas começaram a cair nesses países e a aumentar nos países em 
desenvolvimento e subdesenvolvidos. 
O desmatamento pode ser atribuído a diversas atividades, sen- 
do essas, em sua maioria, antrópicas. A retirada da cobertura vege- 
tal está relacionada, por exemplo, com a expansão do agronegócio; 
com o extrativismo animal, vegetal ou mineral; com a necessidade 
de explorar matéria-prima para atividades de todos os setores da 
economia; com a urbanização referente ao aumento das cidades; 
e também com atividades ilegais que envolvem queimadas propo- 
sitais e até mesmo exploração de áreas de conservação para fins 
pessoais, como especulação fundiária. 
A expansão do agronegócio é considerada uma das principais 
causas do aumento do desmatamento no mundo todo. Segundo a 
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura 
(FAO), só na América Latina, a expansão da agricultura e da pecuá- 
ria comercial é responsável por aproximadamente 70% do desma- 
tamento. 
DESMATAMENTO 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
37 
 
 
 
Dados da FAO revelam que a prática agrícola, por meio das pro- 
duções em escala industrial, e a pecuária, por meio do aumento dos 
pastos extensivos, fomentam o desmatamento em vários países do 
mundo. 
Essa questão tem gerado diversas polêmicas, pois o agrone- 
gócio é o carro-chefe da economia de diversos países. Portanto, 
muitos justificam o desmatamento como necessário ao suprimento 
das necessidades humanas, como a produção de alimentos. Contu- 
do, segundo o relatório O estado das florestas do mundo, de 2016, 
lançado pela FAO, aponta que não é necessário desmatar florestas 
para produzir alimentos. É necessário, ao invés de expandir as áreas 
agrícolas retirando as florestas, intensificar a atividade agrícola e as 
medidas de proteção social. 
 
Consequências do desmatamento 
Assim como as causas do desmatamento são muitas, suas con- 
sequências são proporcionais. Apesar de muitos acreditarem que 
se trata de um “mal necessário” para a manutenção do bem-estar 
social, especialmente com a questão da agropecuária e do extra- 
tivismo, que são atividades essenciais ao desenvolvimento de um 
país, a questão do desmatamento tomou proporções jamais vistas, 
colocando em risco todo o equilíbrio biológico do planeta Terra. 
As principais consequências estão relacionadas ao meio am- 
biente e a tudo que lhe diz respeito. Ao desmatar, compromete- 
-se toda a biodiversidade da área. Espécies da fauna perdem seu 
habitat e espécies da flora podem entrar para a lista de ameaças à 
extinção e assim causar um enorme desequilíbrio ambiental, preju- 
dicando até mesmo as atividades primárias, das quais dependem 
muitas famílias, e também a economia, como a caça, a agricultura 
e a pecuária. 
A retirada da cobertura vegetal também agrava a questão das 
mudanças climáticas. Além do aumento das emissões de gases 
poluentes à atmosfera que tem agravado o efeito estufa e o aque- 
cimento global, o desmatamento também é considerado um dos 
fatores responsáveis pelas alterações no clima. Os anos estão cada 
vez mais quentes, e o aumento da temperatura da Terra tem causa- 
do inúmeros danos aos ecossistemas e também à saúde humana. 
Outra questão diretamente ligada ao desmatamento está rela- 
cionada às alterações provocadas no solo, bem como nos recursos 
hídricos. Retirar a vegetação de uma determinada área favorece o 
processo de erosão do solo, pois é a cobertura vegetal que auxilia 
na infiltração da água da chuva. Portanto, sem ela, a água escorre 
sobre o solo, provocando deslizamentos e a erosão. A retirada da 
vegetação próxima a áreas de cursos d’água também provoca des- 
lizamentos de terra, que se deposita nos rios, provocando então o 
assoreamento. 
Todas essas questões convertem para o bem-estar e a quali- 
dade de vida de todos os seres vivos no planeta. Todos nós depen- 
demos das florestas, seja para a produção de oxigênio, seja para o 
fornecimento de matéria-prima para a produção de itens essenciais 
à vida. Se acabamos com esse recurso natural, obviamente somos 
nós que sofreremos diretamente as consequências. E isso já tem 
sido observado. 
Diversos recursos naturais estão acabando, comprometendo as 
gerações futuras. O clima tem sofrido mudanças sentidas em todas 
as partes do mundo. E exatamente por essas questões, o desma- 
tamento tem sido apontando como um dos maiores desafios da 
atualidade. 
Fonte: 
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/o-desmatamento.htm 
 
 
O que existe no solo 
Há muitos tipos de solo. A maioria deles é composta de areia 
e argila, vindas da fragmentação das rochas, e de restos de plan- tas 
e animais mortos (folhas, galhos, raízes, etc.). Esses restos estão 
sempre sendo decompostos por bactérias e fungos, que produzem 
uma matéria orgânica escura, chamadas húmus. À medida que a 
decomposição continua, o húmus vai sendo transformado em sais 
minerais e gás carbônico. Ao mesmo tempo, porém, mais animais e 
vegetais se depositam no solo e mais húmus é formado. 
A decomposição transforma as substâncias orgânicas do hú- 
mus em substâncias minerais, que serão aproveitadas pelas plan- 
tas. Desse modo, a matéria é reciclada: a matéria que formava o 
corpo dos seres vivos acabará fazendo novamente parte deles de- 
pois de decomposta. 
Vemos, então, que o solo é formado por uma parte mineral, 
que se originou da desagregação das rochas, e por uma parte orgâ- 
nica, formada pelos restos dos organismos mortos e pela matéria 
orgânica do corpo dos seres vivos que está sofrendo decomposição. 
Vivem ainda no solo diversos organismos, inclusive as bactérias e os 
fungos, responsáveis pela decomposição da matéria orgânica dos 
seres vivos. 
Nos espaços entre os fragmentos de rochas, há ainda água e ar 
- ambos importantes para o desenvolvimento das plantas. 
 
 
Por baixo da camada superficial do solo encontramos fragmen- 
tos de rochas. Quanto maior a profundidade em relação ao solo, 
maiores são também os fragmentos de rocha. 
O ser humano retira recursos minerais das camadas abaixo do 
solo. Parte da água da chuva, por exemplo, se infiltra no solo, pas- 
sando entre os espaços dos grãos de argila e de areia. Outra parte 
vai se infiltrando também nas rochas sedimentares e em fraturas de 
rochas, até encontrar camadas de rochas impermeáveis. Formam- 
-se assim os chamados lençóis de água ou lençóis freáticos, que 
abastecem os poços de água. 
Finalmente, na camada mais profunda da crosta terrestre, en- 
contramos a rocha que deu origem ao solo - a rocha matriz. 
SOLO 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
38 
 
 
 
Tipos de solo 
O tipo de solo encontrado em um lugar vai depender de vários 
fatores: o tipo de rocha matriz que o originou, o clima, a quantidade 
de matéria orgânica, a vegetação que o recobre e o tempo que se 
levou para se formar. 
Em climas secos e áridos, a intensa evaporação faz a água e os 
sais minerais subirem. Com a evaporação da água, uma camada de 
sais pode depositar-se na superfície do solo, impedindoque uma 
vegetação mais rica se desenvolva. 
Já em climas úmidos, com muitas chuvas, a água pode se infil- 
trar no solo e arrastar os sais para regiões mais profundas. 
Alguns tipos de solo secam logo depois da chuva, outros demo- 
ram para secar. Por que isso acontece? E será que isso influencia na 
fertilidade do solo? 
Solos arenosos são aquele que têm uma quantidade maior de 
areia do que a média (contêm cerca de 70% de areia). Eles secam 
logo porque são muito porosos e permeáveis: apresentam grandes 
espaços (poros) entre os grãos de areia. A água passa, então, com 
facilidade entre os grãos de areia e chega logo às camadas mais pro- 
fundas. Os sais minerais, que servem de nutrientes para as plantas, 
seguem junto com a água. Por isso, os solos arenosos são geralmen- 
te pobres em nutrientes utilizados pelas plantas. 
 
Os chamados solos argilosos contêm mais de 30% de argila. A 
argila é formada por grãos menores que os da areia. Além disso, 
esses grãos estão bem ligados entre si, retendo água e sais minerais 
em quantidade necessária para a fertilidade do solo e o crescimen- 
to das plantas. Mas se o solo tiver muita argila, pode ficar enchar- 
cado, cheio de poças após a chuva. A água em excesso nos poros do 
solo compromete a circulação de ar, e o desenvolvimento das 
plantas fica prejudicado. Quando está seco e compacto, sua porosi- 
dade diminui ainda mais, tornando-o duro e ainda menos arejado. 
 
Solo argiloso 
 
 
Solo argiloso compactado pela falta de água 
 
A terra preta, também chamada de terra vegetal, é rica em hú- 
mus. Esse solo, chamado solo humífero, contém cerca de 10% de 
húmus (composto de materiais orgânicos, ou seja, restos de ani- 
mais e plantas mortas) e é bastante fértil. O húmus ajuda a reter 
água no solo, torna-se poroso e com boa aeração e, através do pro- 
cesso de decomposição dos organismos, produz os sais minerais 
necessários às plantas. 
Os solos mais adequados para a agricultura possuem uma certa 
proporção de areia, argila e sais minerais utilizados pelas plantas, 
além do húmus. Essa composição facilita a penetração da água e do 
oxigênio utilizado pelos microorganismos. São solos que retêm 
água sem ficar muito encharcados e que não são muito ácidos. 
 
Terra roxa é um tipo de solo bastante fértil, caracterizado por 
ser o resultado de milhões de anos de decomposição de rochas 
de arenito-basáltico originadas do maior derrame vulcânico que 
este planeta já presenciou, causado pela separação da Gondwana 
- América da Sul e África - datada do período Mezozóico. é caracte- 
rizado pela sua aparência vermelho-roxeada inconfundível, devida 
a presença de minerais, especialmente Ferro. 
No Brasil, esse tipo de solo aparece nas porções ocidentais dos 
estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e 
sudeste do Mato Grosso do Sul, destacando-se sobretudo nestes 
três últimos estados por sua qualidade. 
Historicamente falando, esse solo teve muito importância, já 
que, no Brasil, durante o fim do século XIX e o início do século XX, 
foram plantadas nestes domínios, várias grandes lavouras de café, 
fazendo com que surgisse várias ferrovias e propiciasse o cresci- 
mento de cidades, como São Paulo, Itu, Ribeirão Preto e Campinas. 
Atualmente, além do café, são plantadas outras culturas. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
39 
 
 
 
O nome terra roxa é dado a esse tipo de solo, devido aos imi- 
grantes italianos que trabalhavam nas fazendas de café, referindo- 
-se ao solo com a denominação Terra rossa, já que rosso em italiano 
significa vermelho. E, devido a similaridade entre essa palavra, e a 
palavra “roxa”, o nome “Terra roxa” acabou se consolidando. 
 
 
O solo de terra roxa também existe na Argentina, aonde é co- 
nhecida como “tierra colorada”, bastante presente nas províncias 
de Misiones e Corrientes. 
 
O solo é um grande filtro 
Para que se obtenham plantas saudáveis e uma horta produtiva 
é necessário que o solo contenha água. 
A capacidade de retenção de água depende do tipo de solo. 
A água, por ser um líquido solvente, dissolve os sais existentes no 
solo, e assim as plantas podem absorvê-los. 
Nem toda a água da chuva flui diretamente para os córregos, 
riachos e rios. Quando chove, parte da água infiltra-se e vai pene- 
trando na terra até encontrar uma camada impermeável, enchar- 
cando o solo. Por exemplo, 1 metro cúbico (1m³) de areia encharca- 
da pode conter até 400 litros de água. 
O ar também ocupa os poros existentes entre os grãos de terra. 
As raízes das plantas e os animais que vivem no solo precisam de ar 
para respirar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esquema mostrando camadas do solo e subsolo, em corte 
Quando o solo se encharca, a água ocupa o lugar antes ocu- 
pado pelo ar, dificultando o desempenho das raízes e a vida dos 
animais no solo. 
Se o solo estiver muito compactado, não filtrará a água com 
facilidade. Acontecerão, por exemplo, as grandes enxurradas após 
uma forte chuva. A urbanização, com a pavimentação de ruas e es- 
tradas, a canalização de rios e o desmatamento de grandes áreas 
dificultam o escoamento da água das chuvas. 
 
Terras para agricultura 
Por muito tempo, no passado, a espécie humana conseguia ali- 
mento apenas caçando, pescando e colhendo grãos, frutos e raízes. 
Mas, há cerca de dez mil anos, nossa espécie passou também 
a plantar os vegetais e criar os animais que lhe servem de alimento. 
Era o ponto de partida para o desenvolvimento da agricultura. 
Com o aumento da população e a necessidade de se produzi- 
rem cada vez mais alimentos, a vegetação original das florestas e de 
outros ecossistemas foi sendo destruída para dar lugar ao cultivo de 
plantas comestíveis e à criação de animais. Hoje, o desmatamento 
é feito com máquinas (tratores e serras) ou com o fogo - são as cha- 
madas queimadas, que trazem uma série de problemas. 
 
De todas as terras emersas (fora da água) que formam os con- 
tinentes e as ilhas do nosso planeta, apenas 10% aproximadamente 
são cultiváveis. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
40 
 
 
 
Muitas vezes, a atividade agrícola é feita de forma inadequa- 
da, por desconhecimento ou por falta de recursos e equipamentos. 
Como resultado, depois de alguns anos de produção, os nutrientes 
do solo se esgotam e as plantas não crescem mais. 
Dependendo do tipo de solo e do tipo de plantação são neces- 
sários tomar alguns cuidados com a terra, e aplicar certos procedi- 
mentos como vamos ver a seguir. 
Agricultura sustentável 
A agricultura para a produção de alimentos para ser sustentá- 
vel, em relação ao meio ambiente: 
-não deve causar prejuízos ao ambiente; 
-não deve liberar substâncias tóxicas ou danosas na atmosfera, 
nas águas superficiais ou nos lençóis freáticos; 
-deve preservar e restaurar a fertilidade do solo, prevenindo a 
erosão; 
-deve usar água de modo a permitir que se recarreguem as re- 
servas aquíferas, evitando que elas se esgotem. 
 
Produzir alimento implica também manter uma diversidade de 
culturas para não empobrecer o solo e usar, quando necessário, um 
controle biológico para as pestes, mas com cuidado para evitar a 
contaminação do ambiente com substâncias químicas que possam 
se acumular. 
Dessa forma a agricultura sustentável facilita a economia local 
e preserva a saúde do solo e a dos seres que nele vivem. 
 
Cuidados com o solo 
Quando o solo não apresenta condições necessárias à agricul- 
tura ou quando se deseja melhorar as suas condições, alguns cui- 
dados devem ser tomados, como adubação, rotação de culturas, 
aragem do solo, irrigação e drenagem. 
 
Adubação 
Adubar significa enriquecer o solo com elementos nutrientes, 
quando ele está deficiente de minerais. Para isso, são utilizados 
adubos, substâncias capazes de fertilizar o solo. 
Os adubos podem ser orgânicos (por exemplo: esterco, farinha 
de osso, folhas, galhos enterrados) ou minerais, que são inorgânicos 
(por exemplo: substâncias químicas são aplicadas, como nitrato de 
sódio, umtipo de sal). 
Há ainda a adubação verde. Algumas vezes, as leguminosas 
também são utilizadas como adubos. Quando crescem são cortadas 
e enterradas no solo, enriquencendo-os com nitratos. 
 
Rotação de culturas 
A rotação de culturas consiste de alternar o plantio de legu- 
minosas com outras variedades de plantas no mesmo local. Dessa 
forma as leguminosas, pela associação com bactérias que vivem nas 
suas raízes, devolvem para o local nutrientes utilizados por outras 
plantas, evitando o esgotamento do solo. 
 
Aragem do solo 
Arar o solo é outro cuidado que se deve ter para o solo não ficar 
compactado, “socado”. 
Revolver a terra, além de arejar, facilita a permeabilidade do 
solo, permitindo que as raízes das plantas penetrem, no solo, além 
de levar para a superfície o húmus existente. 
Minhocas - arados da natureza 
As minhocas realizam um verdadeiro “trabalho” de arado no 
solo. Ao se movimentarem, elas abrem túneis e engolem parte da 
terra que deslocam, retirando daí o seu alimento. 
Esses túneis, também denominados galerias, aumentam a po- 
rosidade do solo, e por isso a circulação do ar e a infiltração de água 
se intensificam. 
As suas fezes contribuem para a formação do húmus, matéria 
orgânica importantíssima para a fertilidade do solo, facilitando o 
desenvolvimento de microorganismos decompositores ou fixadores 
de nitrogênio. 
 
A minhocultura é a criação de minhocas em tanques especiais 
com finalidades comerciais. As minhocas são vendidas para isca, 
mas o húmus por elas produzido é comercializado como fertilizante 
para a agricultura, a jardinagem etc. 
 
Irrigação e drenagem 
Irrigar e drenar são alguns dos cuidados que devem ser toma- 
dos para manter o nível da umidade necessário ao solo e para ga- 
rantir que ele continue fértil. 
Com a irrigação, a água chega as regiões ou áreas muito secas. 
Já com a drenagem, retira-se o excesso de água do solo, possibi- 
litando que ele seja arejado. Com o aumento dos poros, criam-se 
passagens de ar entre as partículas do solo. 
 
Os perigos da poluição do solo 
Não só os ecologistas, mas autoridades e todo cidadão devem 
ficar atentos aos perigos da poluição que colocam em risco a vida 
no planeta Terra. 
 
O lixo 
No início da história da humanidade, o lixo produzido era for- 
mado basicamente de folhas, frutos, galhos de plantas, pelas fezes 
e pelos demais resíduos do ser humano e dos outros animais. Esses 
restos eram naturalmente decompostos, isto é, reciclados e reutili- 
zados nos ciclos do ambiente. 
Com as grandes aglomerações humanas, o crescimento das ci- 
dades, o desenvolvimento das indústrias e da tecnologia, cada vez 
mais se produzem resíduos (lixo) que se acumulam no meio am- 
biente. 
Hoje, além do lixo orgânico, que é naturalmente decomposto, 
reciclado e “devolvido” ao ambiente, há o lixo industrial eletrônico, 
o lixo hospitalar, as embalagens de papel e de plástico, garrafas, la- 
tas etc. que, na maioria das vezes, não são biodegradáveis, isto é, 
não são decompostos por seres vivos e se acumulam na natureza. 
 
Lixões a céu aberto 
A poluição do solo causada pelo lixo pode trazer diversos pro- 
blemas. 
O material orgânico que sofre a ação dos decompositores - 
como é o caso dos restos de alimentos - ao ser decompostos, forma 
o chorume. 
Esse caldo escuro e ácido se infiltra no solo. Quando em exces- 
so, esse líquido pode atingir as águas do subsolo (os lençóis freáti- 
cos) e, por consequência, contaminar as águas de poços e nascen- 
tes. 
As correntezas de água da chuva também podem carregar esse 
material para os rios, os mares etc. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
41 
 
 
 
A poluição do solo por produtos químicos 
A poluição do solo também pode ser ocasionada por produtos químicos lançado nele sem os devidos cuidados. Isso ocorre, muitas 
vezes, quando as indústrias se desfazem do seu lixo químico. Algumas dessas substâncias químicas utilizadas na produção industrial são 
poluentes que se acumulam no solo. 
Um outro exemplo são os pesticidas aplicados nas lavouras e que podem, por seu acúmulo, saturar o solo, ser dissolvidos pela água 
e depois ser absorvidos pelas raízes das plantas. Das plantas passam para o organismo das pessoas e dos outros animais que delas se 
alimentam. 
Os fertilizantes, embora industrializados para a utilização no solo, são em geral, tóxicos. Nesse caso, uma alternativa possível pode ser, 
por exemplo, o processo de rotação de culturas, usando as plantas leguminosas; esse processo natural não satura o solo, é mais econômico 
que o uso de fertilizantes industrializados e não prejudica a saúde das pessoas. 
A poluição do solo, e da biosfera em geral, pode e deve ser evitada. Uma das providências necessárias é cuidar do destino do lixo. 
 
O destino do lixo 
O lixo das residências, das escolas e das fábricas diferem quanto ao seu destino. 
Se você mora em uma cidade e ela conta com a coleta de lixo, um importante serviço de saneamento básico, possivelmente ele será 
transportado para longe do ambiente urbano. 
Mas vale lembrar que os depósitos de lixo a céu aberto ou mesmo os aterros comuns, onde o lixo é coberto de forma aleatória, não 
resolvem o problema da contaminação do ambiente, principalmente do solo. 
 
Aterros sanitários 
Nos aterros sanitários, o lixo coberto com terra e amassado é colocado em grandes buracos. Esse procedimento é repetido várias 
vezes, formando-se camadas sobrepostas. 
Os aterros sanitários possuem sistemas de drenagem, que retiram o excesso de líquido, e sistemas de tratamento de resíduos líquidos 
e gasosos. 
 
A construção de um aterro sanitário exige alguns cuidados: 
 
 
-o aterro deve ser pouco permeável, isto é, deixar passar pouca água e lentamente; 
-o aterro deve ser distante de qualquer lugar habitado; 
-não deve haver lençol subterrâneo de água nas proximidades do aterro. 
 
Por essas razões, a implantação e a manutenção de um aterro sanitário têm um alto custo econômico. 
 
Incineração 
A incineração reduz bastante o volume de resíduos e destrói organismos que causam doenças. É um processo caro, pois para evitar a 
poluição do ar é necessária a instalação de filtros e de equipamentos especiais para filtrar a fumaça resultante da incineração, que também 
é poluente. 
O lixo deve ser queimado em aparelhos e usinas especiais. Após a queima,o material que resta pode ser encaminhado para aterros 
sanitários. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
42 
 
 
 
 
 
 
Compostagem 
A compostagem é a transformação dos restos orgânicos do lixo em um composto, nesse caso, em adubo. Esse adubo é resultado da 
ação de seres decompositores (bactérias e fungos) sobre as substâncias orgânicas do lixo. 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
43 
 
 
 
Reciclagem 
Reciclar é uma boa opção, pois diversos componentes do nosso 
lixo diário podem ser reaproveitados. 
Em várias cidades brasileiras, há a coleta seletiva e a reciclagem 
do lixo, o que tem contribuído para diminuir o desperdício, além de 
proteger o solo de materiais não recicláveis pela natureza. 
 
 
A erosão do solo 
Como sabemos, as chuvas, o vento e as variações de tempe- 
ratura provocadas pelo calor e pelo frio alteram e desagregam as 
rochas. 
O solo também sofre a ação desses fatores: o impacto das chu- 
vas e do vento, por exemplo, desagrega as suas partículas. Essas 
partículas vão então sendo removidas e transportadas para os rios, 
lagos, vales e oceanos. 
Nas fotos abaixo, podemos observar como a ação da própria 
natureza pode provocar mudanças profundas na paisagem. O mar, 
chuva e o vento esculpiram os paredões na praia de Torres (RS) e as 
falésias na Bahia. 
No clima úmido e nos solos cobertos por uma vegetação natu- 
ral, a erosão é, em geral, muito lenta, o que permite que seja com- 
pensada pelos processos que formam o solo a partir das rochas. 
Os cientistas afirmam que as montanhas mais altas e que tem 
seus picos em forma de agulhas apontadas para cima são novas, do 
aspecto geológico. As mais antigasnão são tão altas e tem o cumearredondado, com as suas rochas duras à vista. Elas vêm sofrendo 
a mais tempo a ação erosiva, que as desgastou bastante. Esse tipo 
de erosão é muito comum no território brasileiro, mas, por ter uma 
ação lenta, é quase sempre imperceptível aos nossos olhos. 
 
A ação do ser humano 
O desmatamento provocado pelas atividades humanas acelera 
muito a erosão natural. Vamos ver por quê. 
Em vez de cair direto no solo, boa parte da água da chuva 
bate antes na copa das árvores ou nas folhas da vegetação, que 
funcionam como um manto protetor. Isso diminui muito o impacto 
da água sobre a superfície. Além disso, uma rede de raízes ajuda a 
segurar as partículas do solo enquanto a água escorre pela terra. E 
não podemos esquecer também que a copa das árvores protege o 
solo contra o calor do Sol e contra o vento. 
Ao destruirmos a vegetação natural para construir casa ou para 
a lavoura, estamos diminuindo muito a proteção contra a erosão. 
A maioria das plantas que nos serve de alimento tem pouca folha- 
gem e , por isso, não protege tão bem o solo contra a água da chu- 
va. Suas raízes são curtas e ficam espaçadas nas plantações, sendo 
pouco eficientes para reter as partículas do solo. Finalmente, mui- 
tas plantas - como o milho, a cana-de-açúcar, o feijão e o algodão 
- não cobrem o solo o ano inteiro, deixando-o exposto por um bom 
tempo. O resultado é que a erosão se acelera, e a parte fértil fica 
prejudicada. 
Com a erosão, o acúmulo de terra transportada pela água pode 
se depositar no fundo dos rios, obstruindo seu fluxo. Esse fenôme- 
no é chamado de assoreamento e contribui para o transbordamen- 
to de rios e o alagamento das áreas vizinhas em períodos de chuva. 
Há ainda outro problema resultante do desmatamento. Sem a 
cobertura da vegetação, as encostas dos morros correm maior risco 
de desmoronar, provocando desabamentos de terra e rochas, com 
graves consequências. 
Quando o desmatamento é feito por meio de queimadas, ocor- 
re outro problema: o fogo acaba destruindo também os microorga- 
nismos que realizam a decomposição da matéria orgânica e promo- 
vem a reciclagem dos nutrientes necessários às plantas. A perda de 
matéria orgânica deixa o solo mais exposto à erosão e à ação das 
chuvas, acentuando o seu empobrecimento. 
A queimada também libera na atmosfera gases que, quando 
em concentração muito elevada, prejudicam a saúde humana. Além 
disso, nos casos em que a queimada é realizada de forma não 
controlada, ela pode se alastrar por áreas de proteção ambiental, 
parques, etc. 
Por todos esses motivos, as queimadas devem ser evitadas. 
 
Como evitar a erosão do solo? 
Existem técnicas de cultivo que diminuem a erosão do solo. Nas 
encostas, por exemplo, onde a erosão é maior, as plantações 
podem ser feitas em degraus ou terraços, que reduzem a velocida- 
de de escoamento da água. 
Em encostas não muito inclinadas, em vez de plantar as espé- 
cies dispostas no sentido do fluxo da água, devemos formar fileiras 
de plantas em um mesmo nível do terreno, deixando espaço entre 
as carreiras. Essas linhas de plantas dispostas em uma mesma altura 
são chamadas de curvas de nível. 
Outra forma de proteger a terra é cultivar no mesmo terreno 
plantas diferentes mas em períodos alternados. Desse modo o solo 
sempre tem alguma cobertura protetora. é comum a alternância de 
plantação de milho; por exemplo, com uma leguminosa. As legumi- 
nosas trazem uma vantagem adicional ao solo: repõe o nitrogênio 
retirado do solo pelo milho ou outra cultura. Esse “rodízio” de plan- 
tas é conhecido como rotação de culturas. 
Cabe ao governo orientar os agricultores sobre as plantas mais 
adequadas ao cultivo em suas terras e sobre as técnicas agrícolas 
mais apropriadas. É fundamental também que os pequenos pro- 
prietários do campo tenham acesso a recursos que lhes possibili- 
tem comprar equipamentos e materiais para o uso correto do solo. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
44 
 
 
 
 
 
 
 
O desenvolvimento dos grandes centros urbanos e o consumo 
cada vez mais exagerado dos humanos são os grandes responsáveis 
por tornar o mundo cada dia mais poluído. A poluição é um proble- 
ma real que atinge o ar, a água e o solo, tornando-se cada vez mais 
acentuada graças às nossas atitudes. 
A poluição do ar pode ser definida como a presença de subs- 
tâncias provenientes de atividades humanas ou da própria natureza 
que podem colocar em risco a qualidade de vida dos seres vivos. 
O ar poluído pode causar sérios problemas ao homem e a outros 
seres, portanto, ele é impróprio e nocivo. 
A poluição do ar tem se intensificado desde a primeira metade 
do século XX com o aumento crescente de indústrias e carros, que 
lançam diversos poluentes na atmosfera. Vale destacar, no entanto, 
que também existem fontes naturais de poluição atmosférica, tais 
como a poeira da terra e vulcões. 
Os poluentes atmosféricos podem ser divididos em dois gran- 
des grupos: os poluentes primários e os poluentes secundários. Os 
poluentes primários são aqueles emitidos diretamente por uma 
fonte de poluição, como um carro. Já os poluentes secundários são 
aqueles que sofrem reações químicas na atmosfera, ou seja, são 
formados a partir da interação do meio com o poluente primário. 
Dentre os principais poluentes do ar, podemos citar a fumaça, 
partículas inaláveis, dióxido de enxofre, ozônio, dióxido de nitrogê- 
nio e monóxido de carbono. Essas substâncias podem causar sérios 
danos à saúde de homem. O monóxido de carbono, por exemplo, 
diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio pelo corpo, 
podendo causar hipóxia tecidual. Já o ozônio possui papel oxidante 
e citotóxico, podendo causar irritação nos olhos e diminuição da ca- 
pacidade pulmonar, por exemplo. O dióxido de enxofre relaciona-se 
com irritações nas vias aéreas superiores, assim como o dióxido de 
nitrogênio. Esse último também pode provocar danos graves aos 
pulmões. 
Além desses problemas, a poluição do ar desencadeia diversas 
outras consequências para nosso corpo. Ela está relacionada com 
a diminuição da eficácia do sistema mucociliar das nossas narinas, 
aumento dos sintomas da asma, infecções das vias aéreas superio- 
res e incidência de câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. 
É importante frisar que crianças e idosos são os mais vulneráveis, 
sendo frequentemente internados, principalmente com doenças 
respiratórias. 
A qualidade do ar pode melhorar ou piorar de acordo com as 
condições do tempo de uma cidade. Quando há períodos com bai- 
xa umidade e pouco vento, é comum vermos cidades com maior 
concentração de poluentes. Isso se deve ao fato de que a dispersão 
dessas substâncias ocorre lentamente. Sendo assim, é fundamental 
atenção redobrada nessas épocas do ano.4 
Não é de hoje que o desenvolvimento tecnológico gera medo 
e fascínio. Ao passo que a evolução de máquinas desperta curiosi- 
dade, as transformações provocadas por elas tiram muita gente da 
zona de conforto, pois implicam mudanças para a sociedade, que 
deve se adaptar a uma nova forma de trabalhar ; aliada a robôs e 
a inteligência artificial. As projeções de especialistas mostram ten- 
dência no aumento de empregos associados às inovações compu- 
tacionais. Haverá ainda carreiras novas, a serem criadas a depender 
das tendências tecnológicas ; 2 milhões de vagas (especialmente, 
ligadas a computação, engenharia, arquitetura, matemática, mídia 
e entretenimento) devem ser geradas, na expectativa de especialis- 
tas. Quem não se preparar para o contexto contemporâneo poderá 
ter problemas, ser forçado a se adequar e, em último caso, até ser 
substituído por máquinas ou por pessoal capacitado para operá-las. 
Segundo estudo do Fórum Econômico Mundial (FEM), até 
2021, pelo menos 7 milhões de empregos podem ser extintos por 
causa das transformações tecnológicas e financeiras que se passam 
pelo mundo. Neste século, termos como internet das coisas, siste- 
mas ciberfísicos, computação em nuvem, nanotecnologia, impres- 
são 3D, robótica e ciberdependência passama fazer parte do coti- 
diano. Klaus Schwab, fundador e presidente do FEM e autor do livro 
A Quarta Revolução Industrial, formulou em 2016 o conceito de 
indústria 4.0, que promete mudar o mundo como o conhecemos. 
O pesquisador alemão garante: vivemos agora a nova revolução in- 
dustrial. No século 18, máquinas a vapor e de fabricação de tecido 
reinventaram a forma de se fazer comércio. Na segunda metade do 
século 19, a incorporação da energia elétrica às fábricas acelerou e 
barateou processos produtivos. 
Entramos na era digital no século 20, período em que computa- 
dores começam a entrar em cena. Tendo em mente um cenário dis- 
ruptivo ainda em fase inicial, o caderno Trabalho e Formação Profis- 
sional inicia hoje a série de reportagens ;A revolução tecnológica;. 
Nos próximos domingos, leitores poderão conferir matérias sobre 
as profissões, o ensino e o jeito de trabalhar do futuro. Semanal- 
mente, serão publicados conteúdos para esclarecer as transforma- 
ções laborais e educacionais pelas quais passamos e passaremos. A 
tendência é de que paradigmas atuais de empresas, escolas e uni- 
versidades sejam rompidos dentro dos próximos anos, o que exige 
olhar atento e preparação da mão de obra para novas necessidades. 
 
Humanos serão trocados por máquinas? 
O que você está lendo agora poderia ter sido escrito por uma 
ferramenta de inteligência artificial ; o jornalismo, assim como vá- 
rias outras áreas de trabalho, pode passar a ser exercido por equi- 
pamentos e softwares que vêm sendo desenvolvidos mundo afora. 
O primeiro robô jornalista do Brasil, o Medir do Poder, está sendo 
construído pelo projeto de inteligência artificial Operação Serenata 
de Amor para acompanhar o que se passa na Câmara dos Deputa- 
dos. O objetivo é que o dispositivo produza pequenos textos sobre 
a tramitação de projetos de lei. A eficiência de grande parte das 
máquinas é imbatível: compilam informações, diagnosticam e cal- 
culam resultados em poucos instantes e sem pausas. 
 
 
4 Fonte: www.mundoeducacao.bol.uol.com.br 
POLUIÇÃO DO AR: QUEIMA DE CANA E O USO DOS 
COMBUSTÍVEIS 
TECNOLOGIA E GERAÇÃO DE EMPREGOS 
http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/
http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/
http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
45 
 
 
 
Diante desse cenário, as pessoas podem se tornar obsoletas 
em inúmeras atividades ; o que não significa dizer que perderemos 
empregos para robôs. 
É urgente a necessidade de que profissionais saibam manipular 
dados e programar softwares para acompanhar o processo evolu- 
tivo da nova indústria. Criatividade e interpessoalidade serão atri- 
butos cada vez mais desejáveis, pois ainda estão longe de serem 
alcançados por dispositivos, mas serão conciliados aos aparelhos 
emergentes. Uma coisa é certa: a invasão automatizadora vai ocor- 
rer e a sobrevivência no mercado depende da sua capacidade de se 
adaptar. Pesquisa de 2017 feita pela consultoria multinacional EY 
revela que uma em cada três profissões existentes hoje deve sumir 
do mapa até 2025. Ocupações braçais que põem em risco a vida 
humana e cujos processos e lógicas são previsíveis têm grande pro- 
pensão a serem automatizadas nos próximos anos. 
O cenário futurístico está mais próximo do que imaginávamos e 
várias mudanças começaram. ;Tarefas manuais que demandem es- 
forço repetitivo têm maior potencial de robotização e, consequen- 
temente, de desmobilização de mão de obra em favor de inclusão 
de robôs;, conta Oliver Kamakura, sócio executivo da EY, pós-gradu- 
ado em gestão de negócios pela Universidade da Califórnia. Você 
pode estar pensando que se tratam de máquinas com duas per- nas 
e braços, corpo ereto, cabeça, semelhantes à figura humana 
(humanoides), mas a realidade é outra. Mecanismos compactos e 
precisos deslizarão por galpões movendo cargas em velocidade so- 
bre-humana, como os robôs alaranjados Kiva, adquiridos pela Ama- 
zon em 2014 e utilizado em 20 armazéns da empresa; eles pesam 
145kg e chegam a carregar 340kg. Drones entregarão cartas, pizzas 
e encomendas, além de sobrevoar áreas inteiras mapeando e foto- 
grafando. 
Carros autônomos com sensores avançados farão com que di- 
rigir seja atividade ultrapassada. Aplicativos de smartphones serão 
cada vez mais usados como meio de transações bancárias, paga- 
mento, check-in em voos e compra de passagens. Psicóloga da con- 
sultoria ProCarreira e mestre em gestão estratégica de pessoas pela 
Fundação Getulio Vargas (FGV), Cristina Guerrero Moyses entende 
que, ;assim como a indústria praticamente acabou com o trabalho 
artesanal, a quarta revolução transformará profundamente todas 
as funções laborais;. Apesar de alguns setores serem mais auto- 
matizáveis do que outros, nenhuma área sairá ilesa. ;A tecnologia 
entrará nas nossas vidas de todas as formas. Em maior ou menor 
grau, todos os profissionais podem ser afetados;, alerta. Não são, 
portanto, apenas as pessoas menos especializadas que sofrerão os 
impactos das novidades. 
Mesmo dentro da medicina, por exemplo, ocorrerão mudan- 
ças. Um médico, eventualmente, deixará de fazer cirurgias para que 
robôs efetuem o procedimento;, prevê. ;A máquina tem que ser vis- 
ta como ela é: um instrumento na mão do homem;, acredita. Para 
Cristina, a indústria sem participação de pessoas é cenário impro- 
vável. ;O ser humano será o direcionador desse aparelho. Trabalhos 
operacionais, provavelmente, entrarão em extinção. No entanto, o 
profissional que tiver visão mais estratégica, ampla e sistêmica con- 
seguirá passar por essa mudança de forma mais tranquila;, afirma. 
;Se tomarmos como exemplo, digamos, um drone, será necessário 
ter um operador para direcioná-lo e para aumentar a capacidade de 
autonomia dessa tecnologia. 
Ou seja, o equipamento não substituirá a pessoa, mas, sim, 
será um auxiliar na busca de imagens. Em vez de o cartógrafo pegar 
um helicóptero para registrar imagens aéreas, ele pode se utilizar 
do drone com muito mais precisão para desenvolver o trabalho 
dele;, ilustra. 
 
Metamorfoses em curso 
As transformações na forma de trabalhar já são presentes em 
empresas de diferentes setores. Elas vêm gradualmente se adap- 
tando de forma a conciliar prestações de serviço por meios digital 
e físico. Muitos veículos de jornalismo, por exemplo, passaram a 
reservar o conteúdo impresso à cobertura mais analítica dos fatos, 
deixando notícias que exigem imediatismo a plataformas on-line. 
Tarefas mais mecânicas, contudo, podem ser desenvolvidas por in- 
teligências artificiais. Um exemplo é o robô que integrou a equipe 
do jornal The Washington Post durante a cobertura das Olimpíadas 
no Rio de Janeiro em 2016, reportando placar de jogos e quadro de 
medalhas pelo Twitter. ;As tecnologias têm transformado significa- 
tivamente os métodos e as formas de trabalho no jornalismo, mas, 
sempre haverá espaço para o ser humano que saberá distinguir o 
que é ou não notícia ao levar em conta as necessidades que a socie- 
dade têm de se informar;, afirma o professor e diretor da Faculdade 
de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Oli- 
veira Paulino, doutor em comunicação. 
Outra carreira que pode ser fortemente afetada é a de ban- 
cário. As agências de bancos têm direcionado o atendimento pre- 
sencial a aconselhamentos, operações de maior complexidade e 
resolução de problemas específicos de clientes, conforme pesquisa 
da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de 2017, tendo como 
referência dados de 2016. O estudo revela que 34% das transações 
bancárias são desempenhadas via mobile banking (banco móvel). 
Os aplicativos permitem que essas operações, além de consultas de 
saldo, verificação de extrato e pagamentos de contas sejam fei- tas 
onde quer que o cliente esteja, poupando custos de pessoal e 
manutenção de dependências. Outras 23 transações, em taxa per- 
centual, são efetuadas por meio de internet banking. Ou seja, mais 
da metade (57%) desses procedimentos ocorrem no meio digital. 
Os espaços físicos,caixas eletrônicos e outros intermédios similares 
somam 33% das movimentações financeiras. Membro do Sindicato 
dos Bancários de Brasília, Rafael Zanon, 38 anos, teme que o adven- 
to dos aplicativos de banco resulte em demissões massivas. 
Nos preocupa bastante a questão de mão de obra. A informati- 
zação tende a reduzir o número de empregos. Claro que não somos 
contra a tecnologia e o avanço, mas é preocupante;, afirma o ban- 
cário brasiliense que está há 17 anos no ramo. ;É importante ter os 
serviços via aplicativos porque facilitam operações, mas nada subs- 
titui o atendimento presencial, que tem qualidade e humanidade 
e do qual muitas pessoas fazem questão;, defende. As mudanças 
também ocorrem nos caixas de supermercado. Alguns estabeleci- 
mentos brasileiros começaram a instalar máquinas de self-checkout 
(autoatendimento, em tradução livre). A substituição de caixas tra- 
dicionais, em que há uma pessoa para passar os produtos do clien- 
te, deve ser gradual. A Amazon inaugurou uma loja do futuro em 
Seattle, nos EUA, na última segunda-feira (22): ao entrar, parece 
que você está numa estação de metrô. Ali, não há caixas: ao finali- 
zar a compra, o cliente apenas sai dali com os produtos em mãos, 
sem precisar tirar a carteira do bolso. O minimercado de 167m; se 
chama Amazon Go e, para efetivar as compras, é preciso instalar um 
aplicativo da marca no celular e o registro do que foi comprado é 
feito a partir do monitoramento de câmeras. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
46 
 
 
 
As mudanças também têm chegado ao Brasil. O Hipermercado da Rede Zaffari no bairro Higienópolis, em Porto Alegre (RS) disponi- 
bilizou, em 2016, quatro máquinas que suprimem a necessidade de interação humana para fazer compras. O cliente escolhe os itens que 
deseja levar e passa os produtos sozinho. Entretanto, os terminais permitem adquirir apenas até 10 itens por vez e o pagamento deve ser 
feito por meio de cartão de crédito ou de débito (afinal, o uso de dinheiro em espécie está em desuso e, na Suécia, o uso de cédulas já 
tem até data para sair de circulação: 2030). Letiane de Jesus Nascimento, 31, é operadora de caixa no Supermercado Ideal, em Samambaia 
Norte, e se preocupa com este cenário. ;Precisa de uma pessoa, sim, para atender. Imagina alguém com o carrinho cheio de compras pas- 
sando tudo isso sozinho? Não vai dar certo. Se o cliente estiver com um amigo então, não vai parar de conversar enquanto a fila cresce;, 
comenta a maranhense, que também lamenta as possíveis demissões. ;Vai ter tanta gente desempregada. Não dá nem para pensar em 
uma coisa dessas. Gosto do meu serviço.; 
 
Em Extinção 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
47 
 
 
 
O que vai e o que fica? 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
48 
 
 
 
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu- 
dante/trabalho-e-formacao/2018/01/28/interna-trabalhoeforma- 
cao-2019,656217/como-a-tecnologia-vai-revolucionar-o-emprego. 
shtml 
 
 
A taxa de mortalidade infantil expressa o número de crianças 
de um determinado local que morre antes de completar 1 ano de 
vida a cada mil nascidas vivas. Esse dado é um indicador da qualida- 
de dos serviços de saúde, saneamento básico e educação. 
 
Entre as principais causas da mortalidade infantil estão a falta 
de assistência e de instrução às gestantes, ausência de acompa- 
nhamento médico, deficiência na assistência hospitalar, desnutri- 
ção, déficit nos serviços de saneamento ambiental, entre outros. 
A ausência de saneamento provoca a contaminação da água e dos 
alimentos, podendo desencadear doenças como a hepatite A, ma- 
lária, febre amarela, cólera, diarreia, etc. 
 
Conforme dados do Fundo de População das Nações Unidas 
(Fnuap), a taxa de mortalidade infantil mundial é de 45 óbitos a 
cada mil crianças nascidas vivas. Esses dados estão em constante 
declínio, visto que há 20 anos o número de mortes de crianças com 
menos de 1 ano era de 65 para a mesma quantidade de nascidas 
vivas. 
 
Contudo, é importante destacar que essa redução não ocor- 
re da mesma forma em todos os países. Nas nações desenvolvidas 
economicamente, a taxa de mortalidade infantil é muito baixa, sen- 
do que algumas registram médias inferiores a 3 mortes para cada 
mil nascidos, como o Japão, Islândia, Finlândia, Suécia, Noruega e 
Cingapura. No Brasil, essa taxa é de 22 para cada mil nascidos. 
 
Por outro lado, alguns países possuem taxas de mortalidade 
infantil altíssimas: Afeganistão (152), Chade (127), Angola (111), 
Guiné-Bissau (109), Nigéria (107), Somália (106), Mali (103) e Serra 
Leoa (102). Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas 
(ONU) incluiu a redução da mortalidade infantil entre uma das oito 
Metas de Desenvolvimento do Milênio. 
 
Para que o objetivo seja alcançado, os países ricos devem con- 
tribuir para a estruturação das nações que enfrentam esse grande 
problema social, realizando a construção de hospitais, capacitação 
da equipe médica, educação familiar, subsídios para a alimentação 
adequada, saneamento ambiental, entre outros. 
 
Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/mortalidade- 
-infantil.htm 
 
 
 
OS AVANÇOS DA CIÊNCIA E AS DOENÇAS 
Atualmente, algumas dessas doenças não aparecem entre as 
principais causas de morte no mundo ou caíram em porcentagem, 
mas diarreia e outras disenterias ainda são relevantes na mortalida- 
de infantil, apesar da tendência de queda nos números. Tal como o 
controle de casos de peste bubônica no Brasil, muitas doenças têm 
sido tratadas graças a avanços da ciência. 
O desenvolvimento de microscópios, o surgimento de vacinas, 
de antibióticos e de novos remédios, o conhecimento sobre os ci- 
clos das doenças, suas formas de contágio, a melhoria do sanea- 
mento básico e das técnicas agrícolas que permitiram uma alimen- 
tação melhor, entre outros avanços possibilitados pelo trabalho de 
inúmeros cientistas, permitiram o combate e o controle de muitas 
doenças, contribuindo para a qualidade de vida da população. 
 
Por exemplo, a varíola, também conhecida como bexiga em al- 
gumas regiões do País, causada por um vírus, é considerada a úni- 
ca doença erradicada até o momento na história da humanidade, 
graças a campanhas de vacinação coordenadas pela OMS em todo 
o mundo, na década de 1960; o último caso registrado no mundo 
foi em 1977. 
 
Para além do bem-estar físico... 
Em 7 de abril de 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) 
definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico, men- 
tal e social, e não apenas a ausência de doença ou moléstia. Esse dia 
passou a ser considerado o Dia Mundial da Saúde. 
No entanto, tal definição foi objeto de muitas críticas, especial- 
mente porque parece algo inatingível e um tanto abstrato, pois é 
difícil caracterizar o que é bem-estar. Além disso, tecnicamente, já 
não se separa mais bem-estar físico do mental e do social. Afinal, 
não se pode separar o indivíduo de seu contexto social, econômico 
e ambiental. 
Você já deve ter ouvido falar de como o estresse mental pro- 
voca alterações na saúde, com o aparecimento de sintomas físicos 
ou a redução da capacidade de defesa do organismo contra agentes 
infecciosos. Também as diversas formas de poluição ambiental e a 
falta de saneamento básico estão associadas ao aumento significa- 
tivo de doenças nos grandes centros urbanos. 
A saúde não é obtida apenas por meio do combate às doenças 
ou com a melhoria dos conhecimentos médicos. Não se trata de um 
fenômeno isolado, mas reflete a conjuntura social, econômica, polí- 
tica, cultural e até mesmo histórica. Depende da época, de crenças 
e até de concepções religiosas. 
Com uma definição tão ampla, dizer que se está com saúde tor- 
na-se difícil, pois a condição do ser humano é dinâmica; o corpo se 
adapta continuamente a situações externas e internas. 
Assim, é possível perder esse equilíbrio dinâmico de vez em 
quando, principalmente se alguns cuidados forem negligenciados. 
Qualidade da água consumida, tratamento de esgoto (ambos com- 
ponentesdo saneamento básico), moradia, possibilidade de obten- 
ção de alimentos e acesso à medicina preventiva são alguns fatores 
que determinam o padrão de saúde da população. 
DOENÇAS 
MORTALIDADE INFANTIL 
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu-
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu-
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
49 
 
 
 
Classificação para as doenças 
Existe uma Classificação Internacional para as Doenças (CID) 
que as agrupa segundo características comuns (por exemplo, sinto- 
mas, motivação de consultas, mortalidade) e as codifica, alimentan- 
do as análises estatísticas e orientando a tomada de decisões sobre 
a saúde pública da população de determinada região. 
Esses códigos têm grande significado para quem é da área mé- 
dica, pois padronizam a comunicação entre os profissionais da saú- 
de. Vale destacar, porém, que nem sempre os cientistas concordam 
com a forma de diagnosticar um tipo de doença, sem falar no fato 
de que, diante de novas descobertas da ciência, a classificação das 
doenças fica sujeita a mudanças. 
Enfim, é muito difícil encontrar uma boa classificação para os 
tipos de doenças existentes, porque, muitas vezes, uma doença tem 
mais de uma causa. Ainda assim, para fins didáticos, e de maneira 
simplificada, as doenças podem ser classificadas em dois grupos: • 
doenças infecciosas: são causadas por um agente patogênico, como 
vírus, bactérias, protozoários e vermes. Podem ser transmitidas di- 
retamente entre as pessoas (doenças infectocontagiosas) ou indire- 
tamente, por meio de um vetor (como no caso da dengue). 
• doenças não infecciosas: não são causadas por um agente 
patogênico nem transmitidas para outras pessoas. Essas doenças 
são ainda mais difíceis de classificar, pois algumas têm múltiplas 
causas. Além dessa classificação, há outras possíveis, como as ci- 
tadas a seguir: 
• doenças hereditárias: associadas ao código genético (respon- 
sável pelas características de cada indivíduo), são transmitidas de 
pais para filhos, podem ou não se manifestar logo após o nascimen- 
to e nem sempre é fácil diagnosticá-las; 
• doenças congênitas (de nascença): resultam de acidentes 
que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião, levando às 
chamadas malformações embrionárias; geralmente essas malfor- 
mações têm múltiplas causas ou causas desconhecidas; 
• doenças degenerativas (decorrentes da velhice): nesse gru- 
po, podem ser considerados alguns tipos de câncer, a perda de au- 
dição e o mal de Alzheimer. Existem, porém, doenças degenerativas 
que não estão associadas à idade, tendo outras origens, inclusive 
hereditárias; 
• doenças causadas por substâncias que agridem o corpo: 
mercúrio, chumbo e metanol são algumas dessas substâncias, pois 
podem causar intoxicações. Na fase embrionária, diferentes subs- 
tâncias, que incluem o fumo (tabaco), o álcool e outras drogas, po- 
dem estar associadas a doenças congênitas; 
• doenças causadas pela falta de algum nutriente (carenciais): 
incluem, por exemplo, a anemia (falta de ferro na alimentação, 
afetando a quantidade de hemoglobina presente nos glóbulos ver- 
melhos do sangue, o que leva a uma deficiência no transporte de 
oxigênio para todas as células do corpo, provocando fraqueza, ema- 
grecimento em alguns casos etc.) e o escorbuto (falta de vitamina C, 
causando inflamação das gengivas e perda de dentes); 
• doenças de origem mental (psiquiátricas): muitas vezes não 
têm explicação clara, como a síndrome do pânico (transtorno de 
ansiedade que causa medo intenso, impedindo a pessoa de convi- 
ver socialmente), a anorexia (distúrbio alimentar caracterizado pela 
recusa da pessoa em alimentar-se adequadamente por se achar 
muito acima do peso) e o autismo (alteração na capacidade de co- 
municação e interação social que, para alguns autores, não é sequer 
considerada doença). 
Epidemias, pandemias, surtos e endemias 
Para muitas pessoas, a ideia de epidemia pode estar associada 
aos eventos que se contam sobre a peste negra ou àqueles filmes 
nos quais há um grande número de mortos, muito sofrimento e a 
procura desesperada por um remédio ou vacina contra uma doen- 
ça transmissível. No entanto, é preciso tratar o assunto de maneira 
mais cuidadosa. 
A definição de epidemia está relacionada a dois aspectos: o 
número de casos de determinada doença e o intervalo de tempo 
em que esses casos se manifestam. Em outras palavras, epidemia é 
um grande aumento do número de casos de uma doença, em um 
curto espaço de tempo, em uma população qualquer. Nas comuni- 
dades da Pré-história, provavelmente não existiam epidemias, pois 
os seres humanos viviam em pequenos bandos, havendo contágio 
apenas nessas populações. 
Quando eles começaram a viver em sociedades organizadas, as 
epidemias passaram a ocorrer. Alguns fatores são indispensáveis 
para a incidência de uma epidemia, como a presença do agente pa- 
togênico e a existência de um grande número de pessoas sensíveis 
à doença, ou seja, sem imunidade. Uma epidemia em proporções 
mundiais, como a aids, é classificada como pandemia. 
As pequenas epidemias são chamadas de surtos, podendo 
ocorrer em apenas uma cidade, um bairro ou mesmo uma escola. 
Certas doenças são restritas a algumas áreas ou regiões, geralmen- 
te associadas a um vetor para sua disseminação. 
Nesse caso, fala-se em endemias. Dois exemplos de doenças 
endêmicas são a esquistossomose e a malária. A esquistossomo- se, 
também conhecida como barriga-d’água, é provocada por um 
verme platelminto. Essa doença só existe onde vive um tipo de ca- 
ramujo essencial para o desenvolvimento de uma etapa da vida do 
verme causador da doença. 
Já a malária ocorre em áreas tropicais onde vive o mosquito 
que a transmite (gênero Anopheles). 
A malária só existe nas regiões indicadas do globo. Apesar dis- 
so, dada a extensão dessas regiões, muitas pessoas ficam expostas 
à doença e ocorre um grande número de casos no mundo: cerca de 
550 milhões de pessoas infectadas por ano. Atualmente, alguns pro- 
blemas de saúde são tratados como epidemias, embora não sejam 
doenças transmissíveis. Isso se deve ao aumento da incidência de 
casos nos últimos anos, fazendo que as autoridades tracem políti- 
cas públicas de remediação da situação. É o caso do abuso do álcool 
e de outras drogas, do tabagismo, da obesidade e até da violência. 
 
 
Condições insalubres (NR 15) são todas aquelas, que de algu- 
ma forma envolvem condições de impacto com agentes insalubres 
sobre a saúde, como agentes químicos, ruídos, calor ou frio excessi- 
vos, podem ser bastante graves. Insalubres são riscos que se desen- 
volvem em médio ou longo prazo 
O Ministério do Trabalho, considera atividades insalubres aque- 
las que expõem os empregados a agentes nocivos à saúde acima de 
determinados limites de tolerância. 
A NR 15 determina o limite de concentração, intensidade e 
tempo de exposição, tais agentes são considerados aceitáveis. A 
partir disso, caracteriza-se uma situação de danos à saúde que ca- 
racteriza a insalubridade. 
INSALUBRIDADE 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
50 
 
 
 
Fique atento: No caso de incidência de mais de um fator de 
insalubridade, o adicional não é cumulativo. É considerado apenas 
o de grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial. 
 
A NR 16 considera como atividades e operações perigosas (a 
periculosidade diz respeito a perigos imediatos) aquelas: 
- Com explosivos; 
- Com inflamáveis; 
- Com radiações ionizantes ou substâncias radioativas; 
- Com exposição a roubos ou outras violências físicas; 
- Com energia elétrica; 
- Com motocicleta. 
 
A NR 16 afirma que a responsabilidade por afirmar se o traba- 
lho é ou não perigoso é do empregador. Assim como o fornecimen- 
to dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) adequados. 
 
 
O acidente de trabalho é caracterizado como um acontecimen- 
to não programado durante a atividade profissional e que acarre- 
ta lesões corporais, doenças, mortes ou a perda da capacidade de 
atuação de um colaborador— de forma definitiva ou provisória. 
Raramente esses acontecimentos têm apenas um único item de- 
sencadeante. 
Vários elementos interferem nesse quadro: a equipe, os indi- 
víduos, as máquinas, o sistema de trabalho, os tipos de insumos, 
o cenário no qual as tarefas são exercidas, a maneira como toda a 
rotina é conduzida pelos gestores, entre outros inúmeros aspectos. 
O trabalho não deve ser a causa de agravos à saúde dos traba- 
lhadores. Assim, os trabalhadores necessitam estar treinados sobre 
os procedimentos adotados nas diversas atividades e os recursos 
disponíveis para evitar danos à sua saúde, tais como os equipamen- 
tos de proteção coletiva (EPC) e individual (EPI). 
Cada pessoa é o principal responsável por sua própria saúde. 
O trabalhador deve receber informações sobre como proteger sua 
saúde no trabalho e aplicar este conhecimento também na sua resi- 
dência e na sua comunidade 
 
Conceitos de desvio, incidente e acidente 
Desvio: Qualquer ação ou condição, que tem potencial para 
conduzir, direta ou indiretamente, a danos a pessoas, ao patrimônio 
ou impacto ao meio ambiente, que se encontra desconforme com 
as normas de trabalho, procedimentos, requisitos legais ou norma- 
tivos, requisitos do sistema de gestão ou boas práticas. 
Incidente: Evento imprevisto e indesejável que poderia ter re- 
sultado em dano à pessoa, ao patrimônio ou impacto ao meio am- 
biente. 
Acidente: Evento imprevisto e indesejável, que resultou em 
dano à pessoa, ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente. 
Causas dos Acidentes do Trabalho 
A fórmula mais simples para identificar as causas de acidentes 
do trabalho é seguir o raciocínio do conceito universal de causa – 
causa de qualquer coisa é aquilo que faz com que tal coisa venha a 
existir ou acontecer. Portanto, causa de acidentes do trabalho são 
os antecedentes, próximos ou remotos, que fazem o acidente acon- 
tecer. Para melhor entendimento, é bom perceber que as causas só 
são caracterizadas no ato da ocorrência; antes são apenas riscos ou 
perigos de acidentes. 
 
Causa Diretas: Para fins meramente didáticos, as causas diretas 
de acidentes do trabalho são resumidas em duas categorias: 
1) Atos Inseguros: atos inseguros são atitudes, atos, ações ou 
comportamentos do trabalhador contrários às normas de seguran- 
ça e que colocam em risco a sua saúde e/ou integridade física, ou de 
outros colegas de trabalho. Os atos inseguros são geralmente defi- 
nidos como causas de acidentes que residem, predominantemente, 
no fator humano. Os atos inseguros podem ser exemplificados atra- 
vés dos seguintes comportamentos inadequados do trabalhador 
(Desvios): 
- Ficar junto ou sob cargas suspensas; 
- Colocar parte do corpo em lugar perigoso; 
- Usar máquina sem habilitação ou autorização; 
- Imprimir excesso de velocidade ou sobrecarga; 
- Lubrificar, ajustar e limpar máquina em movimento; 
- Improvisação ou mau emprego de ferramentas manuais; 
- Não usar os equipamentos de proteção individual; 
- Fumar ou usar chamas em lugares indevidos; 
- Brincadeiras e exibicionismo; etc. 
 
2) Condições Inseguras: Condições inseguras são deficiências, 
defeitos ou irregularidades técnicas nas instalações físicas, máqui- 
nas ou equipamentos, os quais, presentes nos ambientes de traba- 
lho, podem ocasionar acidentes do trabalho. Convém destacar que 
é da responsabilidade do empregador a eliminação ou correção das 
condições inseguras existentes nos locais de trabalho. As condições 
inseguras podem ser exemplificadas através das seguintes ocorrên- 
cias nos locais de trabalho (Desvios): 
- Falta de proteção em partes móveis de máquinas e equipa- 
mentos; 
- Iluminação inadequada; 
- Piso escorregadio; 
- Instalações elétricas precárias ou improvisadas; 
- Falta de ordem e limpeza; 
- Ruído e trepidações excessivas; 
- Desconforto térmico; 
- Escassez de espaço; 
- Falta de equipamentos de proteção coletiva; 
- Não fornecimento de equipamentos de proteção individual 
aos trabalhadores; etc. 
 
Causas Indiretas: São as causas que antecedem os atos e con- 
dições inseguras, denominadas de fatores de risco pessoal e fatores 
de risco material. 
Fatores de Risco Pessoal: Os fatores de risco pessoal são fa- lhas 
inerentes à pessoa, que levam à prática de atos inseguros, tais 
como: 
- Desconhecimento do perigo; 
ACIDENTES DE TRABALHO 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
51 
 
 
 
- Preparo insuficiente para o trabalho; 
- Falta de aptidão para o trabalho; 
- Condições físicas e/ou emocionais alteradas; 
- Excesso de confiança; 
- Negligência; 
- Imprudência; 
- Indisciplina; etc. 
 
Fatores de Risco Material: Os fatores de risco material são 
omissões, falhas ou erros técnicos/administrativos que geram ou 
mantêm condições que comprometem a segurança do trabalhador, 
ou seja, as condições inseguras. 
- Falhas de projeto; 
- Falta ou falha de manutenção; 
- Desvios ou improvisações nos processos; 
- Desorganização do trabalho; 
- Falta de verbas; 
- Erros nas sinalizações; 
- Omissão ou descumprimento de normas técnicas; etc. 
 
Consequências dos Acidentes do Trabalho 
Muitas vezes, pior que o acidente em si, são as suas consequ- 
ências. Todos sofrem de alguma forma: 
- A vítima, que fica incapacitada de forma parcial ou total, tem- 
porária ou permanente, para o trabalho; 
- A família, que em muitos casos tem uma queda repentina em 
seu padrão de vida devido a redução dos vencimentos, ou pela dor 
causada pela perda do ente querido; 
- As empresas, em função da perda de mão-de-obra, de mate- 
rial, de equipamentos, tempo, queda da produção, etc., e conse- 
quentemente, elevação dos custos operacionais; e 
- A sociedade, com o número crescente de inválidos e depen- 
dentes da Previdência Social, que arca com as aposentadorias por 
invalidez, auxílio doença, auxílio acidente, despesas de reabilitação 
profissional, e pensão por morte do trabalhador acidentado. 
 
Destacamos o lado humano da vítima. O sofrimento é inevitá- 
vel. Os ferimentos pequenos, médios ou grandes são sempre inde- 
sejáveis e o tratamento é em geral doloroso. Além disso, quando a 
vítima é mutilada ou se incapacita parcial ou totalmente sente-se 
inferiorizada, necessitando de um acompanhamento psicológico. 
 
Investigando o acidente de trabalho 
A partir da informação da ocorrência de um acidente a equi- pe 
de investigação deve se possível, inteirar-se do tipo de caso a ser 
investigado, visando preparar-se tecnicamente para conduzi-la. 
Afim de que as causas possam ser identificadas e as medidas para 
prevenção de futuros acidentes possam ser evitados. Os objetivos 
da análise de um acidente de trabalho são: 
- Prevenir acidentes do trabalho; 
- Difundir a compreensão de acidentes do trabalho como fe- 
nômenos resultantes de rede de fatores em interação, superando a 
visão dicotômica (atos/ condições inseguras); 
- Identificação de rede de fatores de acidentes, cuja interação 
levou ao evento, sobretudo os mais a montante da lesão relaciona- 
dos a aspectos organizacionais e gerenciais do sistema em questão; 
- Investigação da situação de trabalho habitual e de origens das 
mudanças e alterações que ocorreram, contribuindo para o evento, 
bem como a análise de barreiras existentes e de seu efetivo funcio- 
namento; 
- A partir do caso específico, avaliar fatores relacionados ao ge- 
renciamento de riscos adotado na organização de forma a contri- 
buir com a prevenção de novos eventos. Subsidiar ações de outros 
órgãos e instituições. 
 
Nas investigações de acidente de trabalho é realizado a coleta 
de dados com auxílio na atividade em desenvolvimento, desdobra- 
da nos componentes: 
- Indivíduo: qualificação, treinamento recebido, função ou pos- 
to de trabalho habituais e por ocasião do acidente etc.; 
- Tarefa: o que os trabalhadores executam em condições habi- 
tuais de trabalho e por ocasião do acidente; 
- Material: máquinas e equipamentos, matérias-primas utiliza- 
dos na execução da tarefa, o meio de trabalho – entendido como o 
meio social daempresa (relações sociais, pessoais, hierárquicas), 
forma de organização do trabalho, treinamentos ministrados, etc. 
 
São recomendações importantes na análise dos acidentes de 
trabalho: 
- Tirar fotografias ou filmar e fazer esquemas no cenário rela- 
cionado ao acidente de trabalho; 
- Descrever instalações físicas, condições de iluminação, nível 
de ruído, posição de máquinas, equipamentos etc.; 
- Verificar o tipo de energia utilizada, se for o caso, descrever 
máquinas e, ou equipamentos (tipo, forma de acionamento, de ali- 
mentação, etc.); 
- Descrever a forma habitual de execução da atividade em de- 
senvolvimento no momento de ocorrência do acidente; 
- Identificar, em relação às condições de trabalho habituais, 
isto é, sem ocorrência de acidente, o que mudou, alterou ou va- 
riou, investigando as origens das alterações / mudanças / variações 
ocorridas. É extremamente importante identificar as condições do 
sistema que permitiram o aparecimento dessas mudanças (ou va- 
riações). Em outras palavras, buscar as “causas das causas”. 
- Descrever cuidadosamente as mudanças que provocaram 
perturbações que ultrapassaram a tolerância habitual do sistema, 
ou seja, aquelas que não foram solucionadas com as estratégias 
adotadas no funcionamento do sistema nas situações sem acidente. 
- Quando não for possível esclarecer como se originou determi- 
nada modificação ou variação, explorar hipóteses possíveis acerca 
de sua origem e, para cada hipótese, buscar evidências diretas ou 
indiretas de sua ocorrência. 
- Buscar confirmação para todas as afirmações colhidas nas en- 
trevistas visando descrever os fatores que participaram do desenca- 
deamento do acidente com a maior fidelidade possível. 
 
Para se obter informações do acidente do trabalho os membros 
da CIPA deverão realizar as entrevistas com vários trabalhadores, 
dentre eles: 
- Acidentado; 
- Testemunhas do ocorrido; 
- Colegas de trabalho; 
- Chefias; 
- Membros de CIPA e SESMT 
- Outros acidentados que tenham sofrido acidentes semelhan- 
tes. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
52 
 
 
 
Todos os dados coletados devem ser organizados a fim de ser 
elaborar uma descrição coerente do acidente, baseada em fatos 
passíveis de serem observados ou constatados, sem emissão de ju- 
ízos de valor e, ou interpretações, e que permita ao investigador 
verificar da maneira mais completa possível, como o acidente acon- 
teceu. Esta é etapa é muito importante, pois identificar as causas do 
acidente serve para serem tomadas medidas para evita-las futura- 
mente e aplicada as medidas para ajustes sejam elas treinamentos, 
manutenção de maquinários, mudança na disposição dos layouts 
entre outros. 
 
 
O corpo da criança é a matriz da sua sexualidade, na medida 
em que, por seu intermédio, sente o mundo desde o nascimento. 
Pela proximidade física e mental dos pais ou de quem desempenha 
esse papel, o bebê percebe a sensação de segurança e também de 
amor. Estes bebês desenvolvem-se interagindo com suas culturas 
num processo de construir e viver seus corpos segundo rituais, lin- 
guagens, fantasias, representações, símbolos e convenções, trans- 
formando o corpo biológico num corpo histórico e com sentido 
social. 
Contata-se que as manifestações sexuais são muito importan- 
tes para o desenvolvimento em geral da criança, surge daí a preo- 
cupação para com a forma em que o assunto é abordado principal- 
mente no âmbito escolar. Bona Junior (2011, p. 24) destaca que: “A 
descoberta da importância das manifestações sexuais da infância 
na construção da personalidade adulta é, sem dúvida, o fundamen- 
to das preocupações com a educação da sexualidade, desde a mais 
tenra idade”. 
Na infância, a sexualidade pode-se manifestar através das brin- 
cadeiras, nos momentos de descontração da criança, seja na escola 
com os amigos ou em casa com irmãos, primos ou na rua com os 
vizinhos. Neste sentido, acredita-se que a sexualidade da criança, 
no seu contexto infantil, é revelada a partir da experiência de praze- 
res com registros profundos de sensações que a memória do corpo 
não esquece daí a importância do bom estímulo e cuidado ao se 
trabalhar com as crianças sob a temática, uma vez que irá gerar ex- 
periências muito significativas, experiências estas que a criança ira 
carregar para toda a vida. Diante desta perspectiva, corrobora-se 
com Louro (1999, p. 15) quando evidencia que “treinamos nossos 
sentidos para perceber e decodificar essas marcas e aprendemos 
a classificar os sujeitos pelas formas de como eles se apresentam 
corporalmente, pelos comportamentos e gestos que empregam e 
pelas várias formas com que se expressam”. 
A criança e a sexualidade são criações sociais ligadas às práticas 
relacionais e modos de educação, que caminham e convivem jun- 
tas sob influências do meio cultural, neste âmbito procura-se expor 
nossa preocupação quanto ao papel do professor como o facilitador 
no processo do desenvolvimento da sexualidade infantil, trabalho 
que deverá ser realizado em conjunto com a família, instituição 
social que também vivência muita dificuldade em se trabalhar o 
assunto, isso devido à educação que os pais receberam, tendo a 
sexualidade como um tabu. 
Nunes (1987, p. 40) destaca que: “[...] se entendermos o sexo 
como a marca biológica, só poderemos entender a sexualidade 
como a marca humana, a significação existencial e social que pode- 
mos criar dentro e sobre a possibilidade biológica [...]”. Sob o mes- 
mo enfoque Oliveira (2011, p. 117) explana que: 
é necessária a compreensão que a sexualidade não pode ser 
considerada somente biológica, pois será uma construção de acor- 
do com o meio sociocultural, que não acontece de forma paralela, 
tampouco é alheia à formação do individuo, ao contrário, ela se 
constitui no âmbito das relações sociais, ao mesmo tempo em que 
influência a qualidade dessas relações. 
Neste tocante, percebe-se que a sexualidade, quando relacio- 
nada à infância, ainda hoje, é pouco falada e explicada e, por isso, 
permanece como uma terra incógnita para os adultos que a viven- 
ciam como uma temática assustadora e, muitas vezes, proibida. 
Uma educação voltada para a sexualidade, nas escolas é fundamen- 
tal para auxiliar no desenvolvimento global da criança. Concorda-se 
com Nunes e Silva (2006, p. 13) quando afirmam que: 
é certo que ainda temos sérias divergências sobre a natureza, 
identidade e limitações do que seja propriamente a educação se- 
xual; divergências que estão presentes no campo das ciências da 
educação e das iniciativas institucionais de entendimentos e de 
conceituações sobre esta questão ou tema, mas não deixamos de 
entender que por esta expressão quer-se representar o conjunto de 
processos simbólico-significativos e comportamentais, psicos-subje- 
tivos e socioinstitucionais de representação e vivências das identi- 
dades e potencialidades sexuais. 
 
Busca-se pesquisar quais são os saberes e fazeres dos educado- 
res sobre a sexualidade infantil, sobre o que são ensinados para as 
crianças, por meio de instâncias e práticas oriundas das pedagogias 
escolares. Segundo Sayão (1997, p.101), “são os professores que 
terão que contribuir para que seus alunos tenham uma visão posi- 
tiva e responsável da sexualidade, isto devido a proximidade entre 
professor e aluno no contexto escolar”. 
A educação para a sexualidade deve acontecer no espaço es- 
colar com o auxilio da família e da comunidade, visando sempre o 
bem comum, a boa formação da criança para a vida, com seu de- 
senvolvimento completo, sendo respeitadas suas dúvidas, anseios, 
para que futuramente, possa se tornar um adulto seguro e bem 
decidido na vida. Neste quesito Oliveira (2011, p. 118) explica que: 
As relações do indivíduo com o meio social refletem e são 
refletidores da formação familiar e escolar e é nesse sentido que 
uma educação para a sexualidade no âmbito escolar contribui para 
a construção de uma sociedade sadia, na qual as relações sociais 
aconteçam de forma livre, autônomae responsável, permitindo que 
os indivíduos vivam plenamente sua sexualidade e, consequente- 
mente, sintam-se mais seguros em todas as suas escolhas e funções 
sociais. 
Entende-se que para que seja possível o professor ensinar e/ 
ou trabalhar algum tema em sala de aula, ele precisa ter o mínimo 
de conhecimentos sob a temática a ser abordada. Percebe-se que 
atualmente nossos educadores ainda enfrentam dificuldade para 
trabalhar a sexualidade em sala de aula, ainda mais no ambiente da 
educação infantil, isto se deve as falhas de sua formação, ao pre- 
conceito, ao medo e a falta de entendimento para com o assunto. 
Ratusniak (2011, p. 42-43) explicita que: 
SEXUALIDADE 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
53 
 
 
 
Para que o professor possa trabalhar com essa dimensão do 
desenvolvimento humano, é necessário construir um espaço de re- 
flexão, fundamentado pela produção científica que permite que ele 
compreenda as manifestações contemporâneas da sexualidade. [...] 
Isso significa criar um espaço de formação continuada, onde seja 
possível que ele vivencie discussões sobre a sexualidade, permitindo 
que ele reveja seus conceitos, compreenda a origem dos seus pre- 
conceitos, produza saberes sobre as manifestações de afetividade/ 
sexualidade. 
Continuando as reflexões a partir das dificuldades do trabalho 
docente para com o tema da sexualidade, entendendo que este 
deve procurar alternativas, buscar auxílio, ajuda, e estudar por 
conta própria quando não há uma preocupação dos órgãos res- 
ponsáveis pela educação assim como pela formação continuada 
dos professores. Sob este viés busca-se respaldo em Oliveira (2011, 
p.113-114): 
Preocupados principalmente em buscar alternativas à educa- 
ção sexual [...] professores e gestores têm cada vez mais buscado 
compreender a sexualidade humana e levar os problemas consta- 
tados no ambiente escolar em espaços de discussões sobre o tema. 
Percebe-se que existe uma lacuna em sua formação e que se faz 
necessária uma abordagem da sexualidade, que seja integral e que 
contribua com a superação do principal desafio escolar na atualida- 
de, que é formar cidadãos autônomos e emancipados. 
No contexto da educação procura-se entender qual é o papel 
da escola na construção de modelos, pensamentos, uma vez que 
esta se apresenta como um dos espaços onde a educação acontece. 
Concorda-se com Louro (2011, p. 61): 
Quando expõe que: diferenças, distinções, desigualdades... A 
escola entende isso. Na verdade, a escola produz isso. Desde seus 
inícios, a instituição escolar exerceu uma ação distintiva. Ela se in- 
cumbiu de separar sujeitos – tornando aqueles que nela entravam 
distintos dos outros, os que a ela na tinham acesso. Ela dividiu tam- 
bém, internamente, os que lá estavam, através de múltiplos me- 
canismos de classificação, ordenamento, hierarquização. A escola 
que nos foi legada da sociedade ocidental moderna começou por 
separar adultos de crianças, católicos e protestantes. Ela também 
se fez diferente para os ricos e para os pobres e ela imediatamente 
separou os meninos das meninas. 
Aí surge um questionamento: quem é esta escola supracitada 
senão os educadores e alunos que dela fazem parte? Neste tocante 
vale salientar que a formação docente é de suma importância no 
aprimoramento de conhecimentos voltados a educação sexual para 
que possibilite os educandos a desenvolverem uma visão livre de 
preconceitos no que diz respeito à identidade sexual de cada indi- 
víduo. Nesse sentido Louro (2011, p. 85) versa que “a sexualidade 
está na escola porque ela faz parte dos sujeitos, ela não é algo que 
possa ser desligado ou algo do qual alguém possa se ‘despir’”. 
A partir dos estudos realizados, busca-se o entendimento de 
qual é a função da escola na atuação frente a temática da sexuali- 
dade de seus educandos. Busca-se respaldo em Nunes (1987, p. 17) 
quando explana que: “A escola é o espaço também da crítica sobre 
a sexualidade estabelecida e o laboratório das novas significações e 
vivências. Não de uma maneira superficial como vem sendo feita, 
empirista, biologista, informativa e outra vez diretiva [...]”. 
Para se entender o que é de fato a educação sexual, como ela 
acontece, quais são os fatores que dela fazem parte, quais são suas 
influencias na vida da criança e por consequência na vida do adulto, 
busca-se respaldo em Ratusniak (2011, p. 41) quando nos explica 
que: 
a educação sexual existe desde que a criança nasce, pois a sexu- 
alidade faz parte do sujeito e a educação é um processo intrínseco 
às relações sociais. Muitas vezes, a escola fica paralisada perante as 
manifestações da sexualidade, [...] muitas vezes, culpa-se o aluno ou 
a família por atitudes inadequadas ou concepções preconceituo- sas, 
sem considerar que a escola também produz o preconceito, pois 
também é permeada por juízos de valores. [...]. 
Entende-se que a prática docente na educação infantil lida, 
no dia-a-dia, com experiências problemáticas que levam os educa- 
dores a decisões num terreno de grande complexidade, incerteza, 
singularidade e de conflito de valores relativos ao sexual, quando se 
deparam com situações oriundas das crianças regidas por uma 
vontade de saber. Nunes (1987, p.19) explica que: 
só é possível uma educação sexual nesta perspectiva dupla: de 
um lado, crítica de todas as construções, significações e modelos 
históricos e sociais, que envolvem as proibições, os interditos e as 
permissões; e de outro, o pessoal, o afetivo, o existencial, que a edu- 
cação tecnicista tende a sufocar num discurso objetivo e distante. 
Ao educador que se ocupar dessa questão está o desafio de encon- 
trar o justo meio de transmitir essa contradição de maneira honesta 
e significativa. 
Compreende-se que a educação da sexualidade na escola deve 
permear todas as etapas. Ela tem seu início na educação infantil, 
onde a criança esta conhecendo a si próprio, seu corpo, suas pos- 
sibilidades, sua ocupação no espaço, sua influencia na dinâmica da 
relação para com seus colegas. Passa para o ensino fundamental, 
na adolescência onde as questões que envolvem a sexualidade 
são outras, bastante ligadas a questões hormonais e ao sexo pro- 
priamente dito. No ensino médio, também é necessário abordara 
temática, visto que a sexualidade esta presente em todas as fases 
de desenvolvimento do ser humano. Neste tocante Egypo (2009, 
p.343) explica que: 
a orientação sexual na escola supõe um trabalho contínuo, sis- 
temático e regular, que acontece ao longo de toda a seriação esco- 
lar. Deve começar na Educação Infantil e se estender até o final do 
Ensino Médio. Pressupõe a capacitação, a reciclagem e o acompa- 
nhamento do trabalho dos educadores, caracterizando um espírito 
de formação permanente. 
Diferente do que muito ainda hoje se considera como normal e 
natural, a sexualidade não é dada pela natureza e, assim como o 
saber, também é construída social e culturalmente, por isso verifi- 
ca-se tantas opiniões divergentes quanto ao assunto. Corrobora-se 
com Nunes (1987, p. 30) quando versa sobre a educação sexual: “A 
educação sexual é um fenômeno da sociedade. Não é uma tarefa 
primordial da escola, embora encontre nela um reforço institucio- 
nal de suas bases sociais”. 
Diante disso pode-se afirmar que a sexualidade tem um caráter 
dinâmico e mutável não apenas pelas particularidades de cada cul- 
tura, mas também pelo modo singular com que cada pessoa assimi- 
la a tradição social por meio dos seus rituais, suas linguagens, suas 
fantasias, suas representações, seus símbolos e suas convenções. 
Coaduna-se com Nunes (1987, p. 17-18) quando afirma: 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
54 
 
 
 
não se pode reduzir a sexualidade a um substrato único, imitá- 
vel, eterno. A sexualidade, isto é, as qualidades, formas e significa- 
ções da atividade sexual são históricas, processuais e mutáveis. Isto 
significa que a sexualidade está sempre aberta a novas significa- 
ções, novas experiências de sentido. 
Compreendemos a importância da sexualidade naformação da 
criança, por consequência do adulto, da sociedade em geral. Uma 
criança onde sua sexualidade foi bem trabalhada e bem desenvolvi- 
da será um adulto feliz, realizado, e muito bem decidido no aspec- 
to pessoal e profissional. Neste tocante Nunes e Silva (2006, p. 52) 
explicam que: 
a sexualidade infantil é muito mais autentica porque as crian- 
ças em geral não precisam provar nada a ninguém e também não 
estão preocupadas com os padrões de ‘normalidade’ que a socieda- 
de impõe aos adultos. Reprimir a sexualidade da criança é reprimir 
seu corpo, que se constitui na base real de seu próprio ser, sua rela- 
ção consigo mesma e sua personalidade. Porque, afinal, não existe 
uma separação entre a sexualidade infantil e a sexualidade adulta. 
Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, 
são inseparáveis e consequentes. 
A partir do explanado, compreende-se que a sexualidade per- 
meia a todas as fases do desenvolvimento do ser humano desde 
seu nascimento até sua fase adulta. De acordo como for trabalhada 
a sexualidade na infância irá repercutir na sexualidade do adulto. 
É notável que a formação docente, pode apresentar algumas 
falhas no quesito da educação para a sexualidade, visto que os pro- 
fessores enfrentam grande dificuldade para abordar esta temática. 
Os educadores sentem-se despreparados e até assustados, com 
medo de errar, e preferem evitar falar e/ou trabalhar a sexualida- 
de de seus alunos, principalmente na educação infantil. Alguns dos 
motivos desta aversão ao assunto são os preconceitos e os tabus 
ainda presentes em nossa sociedade. 
Destaca-se a importância da informação e da sensibilidade ne- 
cessárias para que o trabalho de educação aconteça sem traumas, 
visando à construção de uma sociedade humana e de natureza re- 
almente transformadora. 
Compreende-se que a sexualidade está presente em toda 
a vida do individuo, sendo um dos fatores que complementam a 
formação global do sujeito como pessoa. Assim como não há um 
modelo, receita de como trabalhar o assunto, visto que, a sexuali- 
dade é o reflexo da realidade psicos socioeconômica da criança, e 
mutável de acordo com os estímulos recebido do meio externo, da 
sociedade em que se está inserido.5 
 
 
DIU E SIU 
Dispositivo intrauterino (DIU) e Sistema intrauterino (SIU – 
também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) são,co- 
mo o nome já diz, sistemas ou dispositivos que devem ser inseridos 
por médicos, dentro do útero. A grande vantagem destes métodos 
é a comodidade e a alta eficácia, que pode proteger a mulher du- 
rante 5 a 10 anos, dependendo do produto. 
Qual a diferença entre os dois? 
Ambos impedem a penetração e passagem dos espermatozoi- 
des, não permitindo seu encontro com o óvulo. A grande diferença 
é que o DIU é feito de cobre, um metal, e não possui nenhum tipo 
de hormônio, enquanto o SIU libera um hormônio dentro do útero. 
Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros 
efeitos, como reduzir o fluxo menstrual. 
 
Eles causam aborto? 
Não. Como já citado, os dois métodos impedem que o esper- 
matozoide encontre o óvulo, portanto eles nem deixam a gravidez 
ocorrer. 
 
Existe chance de falha? 
Sim. Atualmente não existe nenhum método anticoncepcional 
que seja 100% eficaz. No entanto, a chance de falha dos dois mé- 
todos é extremamente baixa, sendo parecida com a dos métodos 
cirúrgicos, como a laqueadura ou vasectomia, o que os deixa entre 
os métodos mais eficazes que existem. 
Uma vez que não dependem da correta administração pela 
usuária, o DIU e o SIU possuem eficácia superior quando compara- 
dos aos métodos de curto prazo, como as pílulas, injeções, anel e 
adesivo contraceptivo. 
Como posso utilizar o DIU/SIU? 
O dispositivo deve ser inserido pelo seu médico após ele ter 
sido indicado para você. Algumas vezes antes do procedimento de 
inserção o médico poderá solicitar exames complementares, va- 
riando de caso a caso. 
O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser 
realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de 
anestesia geral, porém pode causar desconforto para algumas mu- 
lheres. 
 
Qualquer mulher pode utilizar o DIU/SIU? 
Não. Existem poucas situações em que o DIU e o SIU são con- 
traindicados. A escolha do melhor método para cada tipo de mulher 
deve ser feita sob orientação médica, após a discussão e avaliação 
das suas necessidades e preferencias. 
 
Quais reações adversas posso apresentar ao usar um DIU/ 
SIU? 
Entre as reações adversas mais comuns estão as alterações do 
fluxo menstrual. 
O DIU, por não conter hormônio, provavelmente não irá alte- 
rar a frequência das menstruações, porém poderá causar um fluxo 
menstrual mais intenso e possível aumento das cólicas menstruais 
nos primeiros três meses de uso. 
O SIU, devido a liberação local do hormônio, costuma diminuir 
a intensidade do fluxo a duração das menstruações e, após 6 meses 
de uso, 44% das usuárias param de menstruar. 
 
Se quiser engravidar e tenho um DIU/SIU, como devo fazer? 
Se decidir que é hora de engravidar converse com seu médico. 
Ele irá retirar o seu DIU/SIU. Após a retirada do dispositivo, sua ferti- 
lidade voltará ao normal rapidamente, não importando por quanto 
tempo você utilizou o método. 
 
 
 
5Fonte: www.educere.bruc.com.br 
MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS 
http://www.educere.bruc.com.br/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
55 
 
 
 
INJEÇÃO ANTICONCEPCIONAL 
A injeção anticoncepcional é um método contraceptivo que 
possui em sua fórmula a combinação de progesterona ou associa- 
ção de estrogênios, com doses de longa duração. A injeção pode ser 
mensal ou trimestral, e deve ser aplicada na região glútea. 
Para os anticoncepcionais mensais, as vantagens e desvanta- 
gens são as mesmas da pílula anticoncepcional. Para os anticoncep- 
cionais injetáveis trimestrais, existe a vantagem de serem aplicados 
a cada três meses, mas há a desvantagem de provocarem a ausên- 
cia de menstruação no início do tratamento. O retorno da fertili- 
dade (capacidade de engravidar) ocorre vagarosamente, cerca de 
nove meses após a última injeção trimestral. 
A primeira aplicação do anticoncepcional deve ser realizada no 
primeiro dia do ciclo menstrual (podendo acontecer no máximo até 
o 8º dia). A segunda aplicação deve ocorrer 30 dias depois, com 
tolerância de aproximadamente três dias, nos casos dos anticon- 
cepcionais. 
O anticoncepcional injetável possui o mesmo mecanismo de 
ação das pílulas, pois ele suspende a ovulação, reduz a espessura 
endometrial e espessa o muco cervical. O fluxo menstrual pode di- 
minuir devido a maior quantidade de hormônios no contraceptivo. 
O contraceptivo injetável trimestral é indicado para as mulhe- 
res que não podem ou não desejam receber estrogênio, pois são 
compostos apenas de progestágeno. 
A injeção anticoncepcional também pode causar dor de cabe- 
ça, acne, alterações do humor, redução da densidade mineral óssea, 
vertigens e aumento de peso. Entretanto, possui efeitos benéficos, 
como alívio das cólicas menstruais e melhora da anemia, redução 
dos sintomas associados à endometriose, à dor pélvica crônica e 
redução do câncer de endométrio. 
É um método contraceptivo muito eficaz, com apenas 0,1% a 
0,6% de falha para a injeção mensal e de 0,3%, para a injeção tri- 
mestral, o que é equivalente à eficácia da ligadura de trompas. O 
uso desse método deve ser recomendado pelo médico ginecologis- 
ta e a sua aplicação deverá ser realizada em farmácia com receita. 
 
PLANEJAMENTO FAMILIAR 
Planejamento Familiar é um conjunto de ações que auxiliam 
homens e mulheres a planejar a chegada dos filhos, e também a 
prevenir gravidez não planejada. Todas as pessoas possuem o di- 
reito de decidir se terão ou não filhos, e o Estado tem o dever de 
oferecer acesso a recursos informativos, educacionais, técnicos e 
científicos que assegurem a prática do planejamento familiar. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 120 
milhões de mulheresem todo mundo desejam evitar a gravidez. Por 
isso, a lei do Planejamento Familiar foi desenvolvida pelo Governo 
Brasileiro, com intuito de orientar e conscientizar a respeito da gra- 
videz e da instituição familiar. 
O Estado Brasileiro, desde 1998, possui medidas que auxiliam 
no planejamento, como a distribuição gratuita de métodos anticon- 
cepcionais. Já em 2007, foi criada a Política Nacional de Planeja- 
mento Familiar, que incluiu a distribuição de camisinhas, e a venda 
de anticoncepcionais, além de expandir as ações educativas sobre a 
saúde sexual e a saúde reprodutiva. 
Em 2009, o Ministério da Saúde reforçou a política de plane- 
jamento e ampliou o acesso aos métodos contraceptivos, dispo- 
nibilizando mais de oito tipos de métodos nos postos de saúde e 
hospitais públicos. 
Confira abaixo a Lei do Planejamento Familiar desenvolvida em 
1996, que regulamenta o planejamento familiar no Brasil e propor- 
ciona ações preventivas para a mulher e o homem. 
 
ABSTINÊNCIA SEXUAL 
Abstinência Sexual é a ausência do ato sexual, podendo ser pe- 
riódica ou não. A ausência de relação sexual engloba o não contato 
entre a região genital e íntima de duas pessoas. Esse controle é co- 
nhecido por método anticoncepcional natural, pois não faz o uso 
de nenhum procedimento cirúrgico, artificial ou de medicamentos. 
A adoção da abstinência periódica é associada ao uso da tabe- 
linha, no qual a mulher evita a relação sexual durante o seu período 
mais fértil. Entretanto, esse é um método inseguro de prevenir a 
gravidez indesejada. A tabelinha serve apenas para mulheres que 
desejam ter filhos identificarem os dias mais propícios para a con- 
cepção. Isso porque diversos fatores podem alterar o ciclo repro- 
dutivo da mulher, e a gravidez é uma possibilidade em qualquer 
relação sexual desprotegida. 
Já a abstinência total, quando praticada constantemente, é 
100% segura. Essa é uma maneira interessante que muitos casais 
usam para se conhecer melhor. Pode ser entendido como a corte, 
ou ritual de acasalamento. Se você não se sente confortável com a 
ideia de ter uma relação sexual com penetração, diga isso claramen- 
te ao seu companheiro ou companheira. Existem formas prazerosas 
de sexo sem penetração, e é interessante que elas aconteçam até 
para que haja um desenvolvimento sexual do casal. 
O sexo é parte importante das relações humanas e geralmente 
o interesse por ele se intensifica na adolescência. A decisão de ini- 
ciar uma vida sexual completa, entretanto, necessita de cuidados 
importantes tanto para o homem quanto para a mulher, já que a 
prática do sexo inseguro pode trazer doenças sexualmente trans- 
missíveis (DSTs) e gravidez indesejada. Dessa forma, para uma vida 
sexual saudável, é preciso se informar sobre os métodos contracep- 
tivos e de prevenção de doenças. 
 
ADESIVO 
O adesivo anticoncepcional, também chamado de patch, é um 
material aderente que deve ser colado na pele da mulher e per- 
manecer na mesma posição por uma semana. Esse método contra- 
ceptivo possui em sua fórmula a combinação de dois hormônios: 
progestogênio e o estrogênio, que são liberados na circulação de 
forma contínua por sete dias. 
O primeiro adesivo deve ser colocado no primeiro dia da mens- 
truação. Os adesivos vêm em três unidades para serem usados de 
forma consecutiva. Após as três semanas de uso, é necessário fazer 
uma semana de pausa. 
Pode ser colocado em diversos locais do corpo, como braço, na 
barriga, nas costas ou nas nádegas. Evite colocar na região das 
mamas.A cada nova aplicação o adesivo de posição. 
Caso haja descolamento total ou parcial do adesivo durante 
menos de 24 horas, recoloque o mesmo adesivo (se permanecer 
aderido) ou cole um novo adesivo, para evitar a perda da eficácia. 
Se o anticoncepcional estiver descolado por mais de um dia, será 
necessário colar um novo adesivo e reiniciar um novo ciclo. Tam- 
bém se aconselha realizar um método de barreira por sete dias (ca- 
misinha). 
Não há flutuações hormonais e a eficácia contraceptiva se 
mantém mesmo que haja atraso de até dois dias na substituição 
do adesivo. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
56 
 
 
 
É um método contraceptivo muito eficaz e possui poucos efei- 
tos colaterais, entre os quais dores de cabeça, cólicas menstruais 
leves e náuseas. Para mulheres acima do peso é possível que ocorra 
redução na eficiência desse método contraceptivo. Desse modo, 
para estas mulheres, é recomendado um outro método contracep- 
tivo. 
 
ESPERMICIDA 
Espermaticida ou espermicida é uma substância química que 
imobiliza e destrói os espermatozoides durante o ato sexual. Os 
espermicidas podem ser em creme, géis, supositórios, sprays e es- 
pumas. Esses tipos de espermicidas devem ser introduzidos dentro 
da vagina antes da relação. É possível encontrar o agente esperma- 
ticida também em comprimido, que deve ser ingerido 10 minutos 
antes da relação. 
Esse método pode ser utilizado juntamente com o DIU, a cami- 
sinha ou o diafragma. O tempo de ação do produto é de 2 horas e é 
necessária a reaplicação para relações mais longas. 
É um método contraceptivo pouco recomendado, pois sua efi- 
ciência é menor do que a da camisinha e não protege das DSTs, caso 
seja utilizado sozinho. Além de apresentar um alto índice de falha, 
pode causar irritação, ulceração cérvico-vaginal e peniana. 
Para muitas pessoas, o uso desse método contraceptivo preju- 
dica a espontaneidade. Além disso, o escoamento do produto pela 
vagina após o término do contato sexual pode ser motivo de cons- 
trangimento. Outro desconforto apresentado é o sabor medicinal, 
que pode comprometer o sexo oral. 
Atualmente, as camisinhas já contém espermicidas para au- 
mentar a eficácia contraceptiva. Por se tratar de um método quí- 
mico, a mulher deve primeiramente consultar seu médico para tirar 
dúvidas e obter mais esclarecimentos. 
 
LIGADURA DE TROMPAS 
Ligadura das tubária ou laqueadura, é uma cirurgia para a es- 
terilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são 
amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozoides 
se encontrem. Há dois tipos de laqueadura: abdominal e vaginal. 
As ligaduras de trompas feitas por via abdominal são represen- 
tadas pela minilaparotomia e avideolaparoscopia. 
A minilaparotomia é feita com um pequeno corte acima do pú- 
bis. Já a videolaparoscopia é realizada por meio da introdução de 
uma minicâmera de vídeo no abdômen. 
Os tipos de laqueaduras feitas por via vaginal são representa- 
das pela colpotomia e 
histeroscopia. 
Na colpotomia é realizada uma incisão pelo fundo-de-saco pos- 
terior da vagina. Apresenta um risco maior de infecção. A histeros- 
copia, permite acesso às trompas através da cavidade uterina. Em 
qualquer tipo escolhido é necessário internação e o uso de anes- 
tesia. 
A ligadura das trompas é um método contraceptivo definitivo. 
Antes de realizar a cirurgia, a mulher deve analisar outras formas de 
evitar a gravidez, pois a Ligadura de Trompas é uma esterilização e 
não um método anticoncepcional. 
O tempo de recuperação varia de acordo com a paciente e o 
tipo de anestesia utilizado. Recomenda-se atividade leve de 24 a 48 
horas após a realização da cirurgia. 
Para ser submetida ao procedimento, a mulher deve aguardar 
um período de 60 dias entre a tomada de decisão e o ato cirúrgico 
que não pode ser realizado após o parto ou aborto, pois são mo- 
mentos inadequados para essa decisão, em que o risco de infecção 
é maior. 
A laqueadura não altera o ciclo menstrual e nem causa altera- 
ção nos níveis hormonais femininos. Acredita-se que esse procedi- 
mento diminui o risco de câncer de ovário. Apesar de ocorrer rara- 
mente, é possível que a ligadura falhe e a mulher engravide, mas 
essa taxa é pequena, 0,1 a 0,3 por 100 mulheres por ano. 
Essa cirurgia pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde 
(SUS), mas somente serão indicadas a mulheres com mais de 25 
anos de idade, que já tenham ao menos dois filhos vivos, e que 
também possuam umplanejamento familiar. 
 
VASECTOMIA 
A vasectomia é a ligadura (fechamento) dos canais deferentes 
no homem. É uma pequena cirurgia feita com anestesia local em 
cima do escroto (saco), na qual é cortado o canal que leva os es- 
permatozoides do testículo até as outras glândulas que produzem o 
esperma (líquido) masculino. Após a vasectomia, a ejaculação con- 
tinua normal, não haverá espermatozoides no líquido ejaculado. 
Não é necessária a internação. É uma cirurgia de esterilização 
voluntária definitiva e, por isso, o homem deve ter certeza de que 
nunca mais quer ter filhos. A possibilidade de reversão dessa ci- 
rurgia existe, porém não é fácil. Portanto, a vasectomia deve ser 
considerada como um método definitivo. Esse procedimento geral- 
mente é realizado no consultório médico e o tempo gasto é inferior 
a uma hora. 
Esse método contraceptivo é indicado para homens que já pos- 
suem filhos, que tenham mais de 30 anos de idade, visando um pla- 
nejamento familiar com sua companheira. Também é uma solução 
alternativa quando suas companheiras não podem tomar anticon- 
cepcional ou possuem problemas de saúde. 
Muitos homens confundem a esterilização com castração. En- 
tretanto, castração é a remoção dos testículos, diferente do proce- 
dimento simples de impedir que os espermatozoides sigam para o 
pênis. 
O homem não fica estéril imediatamente após a vasectomia, 
pois ainda há espermatozoides armazenados na parte superior do 
canal, nas vesículas seminais e nos dutos ejaculatórios. A produção 
dos espermatozoides continua, pois ocorre nos testículos. 
São necessárias de dez a dezesseis ejaculações para que o 
esperma não contenha mais espermatozoides. Caso haja contato 
sexual nesse período, recomenda-se o uso de outros métodos con- 
traceptivos como a camisinha. E seu uso deve ser continuado até o 
médico confirmar que não há mais espermatozoides. 
Não se esqueça: a vasectomia não causa impotência, não dimi- 
nui a libido e não causa perda de sensibilidade do pênis durante o 
ato sexual. 
 
COITO INTERROMPIDO 
Coito interrompido é quando, numa relação sexual, o homem 
pressente a ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina. É um 
dos métodos contraceptivos mais antigos que existe. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
57 
 
 
 
Possui baixa efetividade, pois as secreções do pênis na fase de 
excitação podem conter espermatozoides viáveis. Além disso, pode 
ser difícil conter a ejaculação. Mesmo quando há o controle, é 
possível que alguns espermatozoides estejam na uretra devido à 
liberação do fluido pré-ejaculação (também conhecido como lubri- 
ficação) e com isso, a possibilidade de haver fecundação também 
existe. 
Em comparação com a pílula anticoncepcional, que apresenta 
0,1% de índice de falha, o coito interrompido possui 4% para casais 
que usam efetivamente esse método. A principal causa do insuces- 
so é a falta de controle masculino. 
Para aqueles que desejam realizar esse método, recomenda-se 
urinar entre as ejaculações para que assim o fluído pré-ejaculatório 
não contenha espermatozoides. 
A falta de segurança do método pode gerar desgaste psicoló- 
gico tanto para o homem quanto para a mulher. A relação sexual 
tende a se tornar insatisfatória. 
Mulheres que apresentam um ciclo menstrual regular e fazem 
o uso da tabelinha junto ao coito interrompido possuem um pouco 
mais de segurança. A única vantagem desse método contraceptivo 
é que qualquer pessoa pode utilizá-lo quando não possui outros 
métodos, o que explica esse ser um método antigo de prevenção 
da gravidez. Atualmente, com a ampliação das técnicas e da acessi- 
bilidade a vários métodos contraceptivos, o coito interrompido não 
é um procedimento indicado para contracepção. 
Apesar de ser muito utilizado, esse método contraceptivo não 
previne contra as doenças transmissíveis, como HPV. 
 
ANEL VAGINAL 
O anel vaginal é um pequeno anel flexível de superfície lisa, não 
porosa e não absorvente, que contém etonogestrel e etinilestradiol. 
O anel deve ser colocado na vagina, no formato de um 8, na 
parte superior, uma região bastante elástica e não sensível ao to- 
que, no 5º dia da menstruação, permanecendo nessa posição du- 
rante três semanas (21 dias). Após a retirada do anel, deve-se fa- 
zer uma pausa de 7 dias e um novo anel deve ser utilizado. O anel 
libera os hormôniosetonogestrel ( progestagênio) e etinilestradiol 
(estrogênio), que entram na corrente sanguínea e atuam inibindo 
a ovulação. 
Os efeitos adversos relatados com o uso do anel vaginal in- 
cluem: sangramento de escape, cefaleia, vaginite, leucorreia, ganho 
de peso e expulsão do anel. 
O retorno da fertilidade ocorre assim que o uso é suspenso. 
Quando usado corretamente, a taxa de prevenção de gravidez é de 
99%. Sua eficácia é de 0,4 a 1,2% a cada 100 mulheres por ano. É tão 
eficaz quanto as pílulas combinadas mais modernas e com doses 
mais baixas de hormônios. O anel não interfere na relação sexual, e 
a maioria das usuárias e seus parceiros não sentem nenhum inco- 
modo durante a relação sexual. 
Não é indicado para mulheres com doenças no fígado, câncer 
de mama, risco de trombose, suspeita de gravidez, fumantes, hi- 
pertensão, cefaleias com alterações neurológicas, diabetes ou com 
alergia a um dos componentes. No período de amamentação não 
pode ser utilizado e deve ser substituído por outro. 
O anel vaginal é conveniente, pois só precisa ser aplicado uma 
vez ao mês. A própria mulher deve introduzi-lo na vagina, empur- 
rando com o dedo até não senti-lo mais. Nos primeiros sete dias de 
uso recomenda-se o uso de preservativo. 
CAMISINHA 
Camisinha é um método contraceptivo do tipo barreira. Feita 
de látex ou poliuretano, impede a ascensão dos espermatozoides 
ao útero, prevenindo uma gravidez não planejada. Também é efi- 
ciente na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis 
(DSTs), como AIDS e HPV. 
Há dois tipos de camisinha: masculina e feminina. A camisinha 
masculina é um envoltório, geralmente de látex, que recobre o pê- 
nis, e retém o esperma durante o ato sexual.Já a camisinha feminina 
é um tubo de poliuretano com uma extremidade fechada e a outra 
aberta, acoplado a dois anéis flexíveis. 
É um dos métodos contraceptivos mais eficientes, pois apre- 
senta taxa de 90-95% de eficácia na prevenção da transmissão de 
DSTs e gravidez. Deve ser utilizada em todas as relações sexuais 
(genital, oral e anal). É acessível a todas as pessoas e não tem con- 
traindicação. 
TRATAMENTOS E CUIDADOS 
Esse método contraceptivo é indicado para homens e mulhe- 
res, de qualquer faixa etária. 
 
Camisinha Feminina: 
- Usar a camisinha feminina desde o começo do contato entre 
o pênis e a vagina; 
- Transar uma única vez com cada camisinha feminina. Usar a 
camisinha feminina mais de uma vez não previne contra DSTs e gra- 
videz; 
- Guardar a camisinha feminina em locais frescos e secos; 
- Nunca abrir a camisinha feminina com os dentes ou outros 
objetos que possam danificá-la. 
Para colocar a camisinha feminina: 
1) Verifique a integridade da camisinha; 
2) Dobre o anel menor; 
3) Introduza o anel menor até o fim da vagina. 
 
Camisinha masculina: 
-Colocar a camisinha desde o começo do contato entre o pênis 
e a vagina; 
- Tirar a camisinha com o pênis ainda ereto, logo depois da eja- 
culação; 
- Apertar a ponta da camisinha enquanto ela é desenrolada 
para evitar que permaneça ar dentro dela. Se o reservatório desti- 
nado ao sêmen estiver cheio de ar, a camisinha pode estourar; 
- Usar somente lubrificantes à base d’água. A vaselina e outros 
lubrificantes à base de petróleo não devem ser usados, pois causam 
rachaduras na camisinha, anulando sua capacidade de proteger 
contra doenças e gravidez; 
- Transar uma única vez com cada camisinha. Usar a camisinha 
mais de uma vez não previne contra DSTs e gravidez; 
- Guardar a camisinha em locais frescos e secos; 
- Nunca abrir a camisinha com os dentes ou outros objetos que 
possam danificá-la. 
 
Cuidados ao colocar a camisinhamasculina: 
1) Escolha uma marca boa. Carregue-a sempre com você. Cui- 
dado ao deixar muito tempo na carteira, pois a embalagem poderá 
sofrer danos com o calor e o atrito, prejudicando, assim, a eficácia 
do produto; 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
58 
 
 
 
2) Abra delicadamente a embalagem. Cuidado para não furar a 
camisinha com suas unhas; 
3) Deixe um pequeno espaço na ponta da camisinha. Isso é im- 
portante; 
4) Aperte o espaço que ficou na ponta e coloque a camisinha, 
coloque a camisinha no pênis; 
5) Desenrole a camisinha até a base; 
6) Depois de usar, retire a camisinha. Cuidado para não deixar 
escapar o líquido que foi armazenado no interior da camisinha; 
7) Jogue no lixo. Camisinha é descartável. Nada de usar outra 
vez; 
8) Camisinhas lubrificadas são mais confortáveis e eficientes. 
Prefira as que possuem espermaticida junto; 
9) Não use cremes, óleos ou vaselinas. Se quiser usar um lu- 
brificante, use preferencialmente em gel, específicos para relações 
sexuais. 
 
IMPLANTE ANTICONCEPCIONAL 
O implante anticoncepcional é uma pequena cápsula que con- 
tém o hormônio etonogestrel. Possui 4cm de comprimento e 2mm 
de diâmetro. Ele é introduzido embaixo da pele por meio de um 
aplicador descartável. 
 
Esse método atua impedindo a liberação do óvulo do ovário, 
além de alterar a secreção de muco pelo colo do útero, e dificultar 
a entrada de espermatozoides. 
Existe a possibilidade de que em algumas mulheres ocorra san- 
gramento em épocas fora do período menstrual. Pode apresentar 
alguns efeitos adversos, como: sangramento por mais de cinco dias, 
amenorreia, acne, dor nas mamas, cefaleia, aumento de peso, dor 
abdominal, diminuição da libido, tonturas, dor no local do implan- 
te, náuseas e alterações no humor. O implante pode ser utilizado 
também como um tratamento coadjuvante da dismenorreia. Além 
disso, previne a gravidez ectópica. 
Antes de fazer uso desse método contraceptivo, é preciso con- 
sultar o seu ginecologista. Caso seja indicado, o próprio médico re- 
alizará a inserção do implante, que deve ocorrer entre os primeiros 
cinco dias do clico menstrual. Esse anticoncepcional pode ser inse- 
rido após parto ou aborto (cerca de 21 dias depois e está contrain- 
dicado para mulheres que tenham trombose , câncer, icterícia ou 
sangramento vaginal desconhecido). 
Existem implantes que duram de seis meses, um ano e até três 
anos. É um método muito eficaz, 99% de prevenção de gravidez, 
equivalente ao da ligadura de trompas. Entretanto, não previne 
contra as DSTs. Caso a mulher deseje engravidar, basta solicitar a 
remoção. O retorno da fertilidade ocorre rapidamente. 
 
PÍLULA ANTICONCEPCIONAL 
O anticoncepcional hormonal combinado oral (AHCO) ou pílula 
anticoncepcional é comprimido que contém uma combinação de 
hormônios, geralmente estrogênio e progesterona sintéticos, que 
inibe a ovulação. O anticoncepcional oral também modifica o muco 
cervical, tornando-o hostil ao espermatozoide. 
Esse método contraceptivo deve ser indicado pelo médico, pois 
somente após análise que poderá identificar a pílula adequada ao 
seu organismo. 
Recentemente, com o avanço científico, surgiram pílulas com 
hormônios bioidênticos. Os hormônios bioidênticos são substâncias 
que têm estrutura química e molecular igual à dos sintetizados pelo 
organismo humano. Produzidos em laboratório, a partir de diversas 
matérias-primas, servem para desempenhar as funções desses hor- 
mônios – desde o controle do ciclo menstrual e do metabolismo até 
o tratamento da menopausa – e como anticoncepcional. 
O hormônio sintético é uma substância processada e manipula- 
da em laboratório e pode gerar mais efeitos adversos que o hormô- 
nio natural ou bioidêntico. O anticoncepcional hormonal combina- 
do oral (AHCO) é considerado um método de prevenção da gravidez 
muito eficiente; seu índice de falha é de 0,1%. 
 
Tipos de pílulas 
Dentre os diversos tipos de pílulas existentes, as mais receita- 
das são: 
 
Pílula Monofásica: 
A pílula monofásica possui em sua fórmula estrogênio e pro- 
gesterona com a mesma dosagem. É o comprimido anticoncep- 
cional mais conhecido pelas mulheres. A utilização deve ter início 
entre o primeiro e o quinto dia da menstruação e termina quando a 
cartela acabar. Depois, é necessário parar por 7 dias. 
 
Minipílula: 
A minipílula ou pílula sem estrogênio possui somente proges- 
terona. É a pílula indicada para mulheres que estão amamentando 
e querem evitar uma nova gravidez. Para essas mulheres, a pílula 
deve ser tomada todos os dias, sem interrupção. 
 
Pílula Multifásica: 
A pílula multifásica tem combinação de hormônios com dife- 
rentes dosagens conforme a fase do ciclo reprodutivo. Essas pílulas 
causam menos efeitos adversos e são apresentadas em cores dife- 
rentes, para diferenciar a dosagem e o ciclo. A sequência na cartela 
deve ser respeitada. 
Em 2007, foi lançada no Brasil a pílula anticoncepcional que 
contém em sua fórmula drosperinona e etinilestradiol. Essa pílula 
melhora os sintomas físicos e emocionais relacionados às altera- 
ções hormonais, como acne, tensão pré-menstrual (TPM) e inchaço. 
É apresentada em cartelas com 24 pílulas, cada uma com 3mg 
de drosperinona e 0,02mg de etinilestradiol. Para que seja eficaz, é 
preciso que o medicamento tenha eficiência, é preciso tomar uma 
pílula por dia durante 24 dias e fazer uma pausa de 4 dias. 
 
TRATAMENTOS E CUIDADOS 
O método contraceptivo oral é o método mais utilizado atual- 
mente. Além da contracepção, a pílula anticoncepcional também é 
utilizada no tratamento de algumas doenças que acometem uma 
parcela das mulheres, tais como sangramentos irregulares, cólicas 
menstruais, TPM, diminuição do fluxo menstrual, endometriose e 
síndrome dos ovários policísticos. 
Existem estudos que apontam que a pílula anticoncepcional 
pode diminuir a incidência de câncer de ovário e de endométrio, 
doença benigna da mama, o desenvolvimento de cistos ovarianos 
funcionais. 
A terapia com contraceptivos orais também é utilizada no trata- 
mento de sangramento irregular ou excessivo, acne, hirsutismo (au- 
mento de pelos em locais não comumente femininos), dismenor- 
reia e endometriose. Para evitar alguns desses problemas, têm-se 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
59 
 
 
 
oferecido regimes chamados de regime contínuo, quando a mulher 
não para de usar o anticoncepcional, e regime estendido, quando a 
mulher o usa por períodos prolongados, que pode chegar até a 120 
dias de uso sem fazer pausa. 
Esses regimes mostraram que tem benefícios e efeitos adver- 
sos. Um dos efeitos adversos é o “spotting” ou a perda de sangue 
(em pequena quantidade) durante o uso do anticoncepcional. 
A maioria das pacientes não está consciente dos benefícios dos 
anticoncepcionais para a saúde. Orientação e educação são neces- 
sárias para ajudar as mulheres a ficarem bem informadas a respeito 
de cuidados com a saúde e adesão aos tratamentos. 
 
DIAFRAGMA 
O diafragma é um anel flexível envolvido por uma borracha 
fina, que impede a entrada dos espermatozoides no útero. Para ha- 
ver o funcionamento correto do diafragma, a mulher deve colocá-lo 
dentro da vagina cerca de 15 a 30 minutos antes da relação, e reti- 
rá-lo 12 horas após o ato sexual. 
Esse método contraceptivo apresenta uma chance de falha de 
10%. Por se tratar de um procedimento de barreira e não hormonal, 
não possui efeitos adversos e ainda apresenta uma grande vanta- 
gem: a redução do risco de câncer de colo do útero. Recomenda-se 
o uso conjunto com espermicida para proporcionar maior eficácia. 
Para começar a utilizar o diafragma como método contracepti- 
vo, a mulher deve visitar o ginecologista para saber o tamanho que 
melhor se adaptará à ela. O diafragma não é descartável, e pode ser 
utilizado por até 3 anos. Caso a mulher engravide ou ganhe peso, o 
diafragma deverá ser trocado. 
O cuidado com o anel é primordial para o seu funcionamento 
correto. Por isso, após a última relação sexual deve ser retirado, hi- 
gienizadocom água e armazenado corretamente. Esse método não 
pode ser utilizado durante a menstruação. 
O uso desse contraceptivo é indicado para mulheres que já ti- 
veram relações sexuais e não apresentam infecção no colo do útero, 
da vagina e urinária. Mulheres virgens, com alergia a látex ou que 
tenham problema no colo do útero não podem usar o diafragma. 
Para o uso correto do método é necessário conhecer bem o 
próprio corpo. Abaixo listamos instruções para o uso do diafragma: 
- Primeiramente urinar e lavar as mãos; 
- Colocar um pouco de creme espermicida dentro do diafragma 
- Dobrar o diafragma e introduzi-lo em direção ao fundo da va- 
gina; 
- Ajustar com o dedo indicador a borda do diafragma no osso 
pubiano. 6 
 
Lesões colposcópicas típicas e atípicas 
Colposcopia é o método que permite a identificação da área 
acometida, sua extensão, e orienta o local de biópsia, contribuin- 
do para planejar o tratamento adequado. Além disso é eficaz no 
diagnóstico das lesões precursoras e nas fases mais incipientes do 
câncer invasor. 
O diagnóstico colposcópico da neoplasia cervical requer a com- 
preensão e o reconhecimento das quatro características principais: 
tonalidade e intensidade do acetobranqueamento, margens e con- 
torno superficial das áreas acetobrancas, padrão vascular e de co- 
loração de iodo. A colposcopia com biopsia dirigida é descrita como 
o método de referência ou “padrão de excelência” para o diagnós- 
 
6 Fonte: www.gineco.com.br 
tico de lesões pré-neoplásicas do colo uterino (Cantor e Monaghan, 
2000). A sensibilidade da colposcopia para diagnosticar a neoplasia 
cervical varia de 87% a 99% , mas a sua especificidade é inferior, 
entre 23% e 87% (Mitchell et al., 1998; Belinson et al., 2001). 
As características colposcópicas da neoplasia intraepitelial cer- 
vical (NIC) são descritas neste capítulo para dotar o aluno com as 
habilidades que permitiam que ele faça a distinção entre os acha- 
dos colposcópicos associados a NIC de alto grau (NIC 2-3) e as le- 
sões de baixo grau (NIC 1). Embora a existência de uma única carac- 
terística anormal não seja um forte indicador da presença de uma 
lesão, o surgimento de características anormais em uma área loca- 
lizada da zona de transformação aumenta a probabilidade de existir 
uma lesão. É evidente que é preciso uma boa habilidade na prática 
colposcópica para fazer a diferenciação de lesões de baixo grau, 
metaplasia escamosa imatura e certas condições inflamatórias. Em 
caso de dúvida, incentiva-se que o aluno obtenha biopsias e exami- 
ne os achados histopatológicos com o patologista. A estreita cola- 
boração com os patologistas é indispensável e útil para a melhoria 
de próprias habilidades de diagnóstico. Ao final deste capítulo, é 
apresentado um sistema que permite ao colposcopista classificar as 
anomalias. Este sistema é útil como base para escolher a(s) área(s) 
de biopsia. É essencial biopsiar as áreas piores, ou seja, aquelas que 
apresentam as alterações com as características mais graves. 
Os achados colposcópicos de uma zona de transformação anor- 
mal ou atípica podem compreender toda a zona de transformação 
mas geralmente apenas atingem parte dela e pode haver múltiplas 
lesões diferenciadas. Há em geral uma delimitação clara entre o epi- 
télio normal e anormal. 
As características colposcópicas que permitem diferenciar en- 
tre uma zona de transformação anormal e normal compreendem o 
seguinte: tonalidade de coloração das áreas acetobrancas; padrão 
superficial das áreas acetobrancas; limite de separação entre as 
áreas acetobrancas e o restante do epitélio; características vascula- 
res e alterações cromáticas depois da aplicação de iodo.7 
 
 
É importante saber que o Departamento de Doenças de Condi- 
ções Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministé- 
rio da Saúde, alterou a nomenclatura de DST para «IST” (Infecções 
Sexualmente Transmissíveis) em 2016. 
Seguindo uma tendência já adotada pela Organização Mundial 
da Saúde (OMS), a mudança considera que o termo “doença” impli- 
ca em sintomas e sinais visíveis no organismo da pessoa contamina- 
da, enquanto “infecção” engloba também problemas assintomáti- 
cos (ou seja, enfermidades que não apresentam sintomas). 
Tipos de ISTs 
Como o nome indica, as ISTs englobam todas as doenças e in- 
fecções que são transmitidas por contato sexual (ou íntimo). Dentro 
dessa classe, há diversos tipos de patologias, que podem ser causa- 
das por bactérias, vírus ou parasitas. Entre as principais ISTs, estão: 
- Candidíase 
- Herpes genital 
- HPV (Papiloma Vírus Humano) 
- Sífilis 
- Tricomoníase 
 
 
7 Fonte: www.screening.iarc.fr 
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS 
http://www.gineco.com.br/
http://www.screening.iarc.fr/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
60 
 
 
 
- Clamídia 
- Gonorreia 
- Hepatites virais 
 
Enquanto algumas são facilmente tratáveis, outras não têm 
cura definitiva, como é o caso do AIDS. Em geral, a realização do 
tratamento correto faz toda a diferença para a saúde de quem está 
ou tem algum desses problemas, assim como para o bem-estar de 
seus parceiros. 
Estudos recentes indicam que até mesmo o vírus ebola pode 
ser uma doença transmitida através do sexo, além do Mycoplasma 
genitalium, que nem sempre causa sintomas e os especialistas acre- 
ditam que grande parte da população o possui sem saber. 
Conheça abaixo 15 tipos de IST e como se prevenir de cada um 
deles: 
 
HPV 
 
O que é HPV 
HPV é a sigla para Papiloma Vírus Humano. Este vírus infecta 
uma camada do epitélio (parte interna da bexiga), podendo causar 
lesões benignas, como as verrugas genitais, ou malignas, como al- 
guns tipos de câncer, sendo o câncer de colo de útero e o câncer de 
anus os mais comuns. 
Existem mais de cem tipos de HPV e a grande maioria não cau- 
sa câncer ou grandes complicações, uma vez que são combatidos 
pelo próprio organismo. Porém, sempre é necessário a avaliação de 
um médico para diagnosticar o risco da doença em cada caso. 
 
Formas de contágio 
O HPV é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosa 
infectada pelo vírus, sendo que a principal forma é a sexual (oral- 
-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital). Por isso, não é 
preciso ter penetração para contrair o vírus. Também é possível que 
a doença seja transmitida durante o parto. 
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 
80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou 
mais tipos do vírus ao longo da vida, sendo que este número é ainda 
maior em homens. 
A maioria destas infecções é transitória, ou seja, combatida es- 
pontaneamente pelo corpo e regride entre seis meses até dois anos 
após a exposição ao vírus. 
Como prevenir e tratamentos 
“O uso de preservativos é sempre indicado, mas não previne 
totalmente contra a transmissão do HPV, uma vez que este pode ser 
transmitido pelo contato mais superficial durante as preliminares. 
Daí a importância da vacina como estratégia preventiva», diz Otelo 
Rigato Júnior, infectologista do Hospital Sírio Libanês. 
Existem dois tipos de vacinas para HPV disponíveis e ambas de- 
vem ser aplicadas em três doses. A idade preferencial para o uso da 
imunização é a pré-puberal, ou seja, logo antes da idade sexual- 
mente ativa, tanto em meninas quanto em meninos. Vale ressaltar 
que, em mulheres, o exame de papanicolau também é importante 
para detectar a doença precocemente. 
Cancro mole 
 
O que é cancro mole 
Cancro mole é uma doença sexualmente transmissível causada 
por uma bactéria chamada Haemophylus ducrey. “É caracterizada 
por lesões genitais múltiplas e ulceradas, dolorosas e que apresen- 
tam secreção tipo pus. É muito mais comum nos homens do que 
nas mulheres”, diz o infectologista Rigato Júnior. 
Nos homens, as feridas aparecem na glande (cabeça do pênis), 
enquanto que nas mulheres elas ficam na vagina e/ou no ânus. As 
lesões, no entanto, nem sempre são visíveis, mas provocam dor du- 
rante o sexo ou ao evacuar. 
 
Formas de contágioSegundo o especialista, a única via de transmissão é a sexual. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A forma de se prevenir da doença é usando preservativo em 
todas as relações sexuais. Já o tratamento é feito com antibióticos. 
“Quando não tratada pode se complicar, ocasionando infec- 
ções secundárias da região genital. Essas complicações são raras, 
porque os pacientes, em geral, procuram atendimento médico pre- 
cocemente em decorrência da natureza dolorosa das lesões”, expli- 
ca o especialista. 
 
Aids (HIV) 
 
O que é Aids (HIV) 
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, 
que é o causador da Aids. Logo, HIV e Aids não são a mesma coisa. 
A Aids é uma doença crônica potencialmente fatal, que aconte- 
ce quando a pessoa infectada pelo HIV tem o seu sistema imunoló- 
gico danificado pelo vírus. Isso interfere na habilidade do organismo 
de lutar contra os invasores que causam a doença, além de deixá-lo 
mais suscetível a infecções oportunistas, como a tuberculose. 
Hoje, uma pessoa com HIV consegue viver melhor do que anti- 
gamente, mas é necessário que ela faça o uso de medicamentos por 
toda vida, ou seja, ainda não há cura ou vacina contra o HIV. 
 
Formas de contágio 
“O HIV é transmitido principalmente por relações sexuais sem 
o uso do preservativo e compartilhamento de seringas e agulhas 
contaminadas com sangue, o que é frequente entre usuários de 
drogas ilícitas”, diz Karina T. Miyaji, médica infectologista do Hospi- 
tal das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São 
Paulo (HCFMUSP). 
“Outras vias de transmissão são por transfusão de sangue, o 
que é muito raro, uma vez que a testagem do banco de sangue é 
muito eficiente; e da mãe para o filho na gestação e, principalmen- 
te, no momento do parto, o que pode ser prevenido com o trata- 
mento adequado da gestante e do recém-nascido”, afirma. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A melhor forma de se prevenir contra a infecção do HIV é usan- 
do o preservativo em todas as relações sexuais (vaginais, orais ou 
anais) e não compartilhando agulhas e seringas. Além disso, é im- 
portante fazer o pré-natal corretamente, uma vez que serão solici- 
tados exames para verificar a presença ou não do vírus. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
61 
 
 
 
HTVL 
 
O que é HTLV 
HTLV é a sigla de Vírus Linfotrópico T humano, da mesma famí- 
lia do HIV, e que pode causar infecção crônica nos seres humanos. 
Existem dois tipos: HTLV-1 (que pode causar tipo raro de leu- 
cemia, a de células T) e HTLV-2, sendo que ambos podem causar 
mielopatia, um tipo de paralisia decorrente da infecção da medula 
espinhal. Contudo, não são todas as pessoas infectadas pelo HTLV 
que desenvolverão estas doenças. 
 
Formas de contágio 
O HTLV, assim como o HIV, é transmitido por via sexual, via ver- 
tical (da mãe para o bebê durante a gestação e principalmente no 
aleitamento), e por via sanguínea. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A principal forma de se prevenir o HTLV é usando preservativos 
em todas as relações sexuais, além de não reutilizar objetos perfu- 
rocortantes e fazer o pré-natal adequado. 
“Não existe tratamento para o HTLV. Os portadores devem ser 
acompanhados periodicamente com o objetivo de se verificar se 
houve o aparecimento de suas complicações”, diz o infectologista 
Rigato Júnior. 
 
Gonorreia 
 
O que é gonorreia 
Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a gonorreia é 
a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis. Ela afeta 
tanto homens quanto mulheres e pode ser transmitida pelo contato 
sexual vaginal, oral ou anal. 
A bactéria Neisseria gonorrhoeae, que causa a doença, pode 
infectar a região genital masculina e feminina, além do reto, olhos, 
garganta e articulações. 
 
Formas de contágio 
A gonorreia é transmitida em qualquer contato sexual despro- 
tegido com a pessoa infectada. Também pode ser transmitida de 
mãe para filho no momento do nascimento ou ainda dentro do úte- 
ro. 
Nas mulheres, os sintomas demoram mais a aparecer do que 
nos homens e, para ambos, podem haver consequências graves, 
como infertilidade, infecções e maior risco de contrair HIV. 
 
Como prevenir e tratamentos 
Para se prevenir, sempre faça sexo com preservativos; evite ter 
relações sexuais com alguém que está com gonorreia (até que a 
pessoa esteja completamente tratada); e, caso você tenha sido in- 
fectado, converse com seus parceiros para que eles procurem um 
médico para verificar se também estão com a bactéria. 
Por ser uma infecção bacteriana, a gonorreia é tratada com an- 
tibióticos e deve-se evitar relações sexuais neste período. O médi- 
co, depois de fazer o diagnóstico, indicará qual o melhor remédio 
para cada caso. A gonorreia tem cura e não oferece grandes compli- 
cações quando o tratamento é realizado precocemente e de forma 
adequada. 
Clamídia 
 
O que é clamídia 
A clamídia também é uma DST causada por bactéria, a Chlamy- 
dia trachomatis, que é transmitida por via sexual vaginal, anal ou 
oral, e de mãe para filho. A doença costuma ser assintomática (não 
apresentar sintomas) e pode afetar tanto homens quanto mulheres. 
 
Formas de contágio 
A clamídia é transmitida por meio do sexo, seja vaginal, anal ou 
oral. Também pode haver o contágio da DST por via vertical, ou seja, 
de mãe para filho durante a gestação. 
 
Como prevenir e tratamento 
A clamídia é tratada com antibióticos, receitados pelo médico 
de acordo com o quadro e história do paciente. Por ser uma doença 
assintomática (sem sintomas), ao descobrir que o parceiro está com 
a doença, é necessário procurar ajuda médica, mesmo sem apre- 
sentar nenhum sintoma, para que ele verifique e também indique 
um antibiótico para evitar complicações. 
É uma DST curável com tratamento correto, mas, caso não seja 
diagnosticada rapidamente, ela pode causar uma série de complica- 
ções, como DIP, epididimite, inflamação na próstata e artrite reati- 
va. “Ela também pode causar problemas nas trompas, infertilidade, 
gravidez ectópica ou simplesmente não deixar o espermatozoide 
subir”, diz Granato. 
Também é importante saber que ser infectado pela doença 
uma vez não torna a pessoa imune ao problema. Ou seja, no caso 
de fazer novamente sexo desprotegido com alguém infectado, a 
pessoa pode voltar a ter clamídia. 
 
Mycoplasma genitalium 
 
O que é Mycoplasma genitalium 
Mycoplasma genitalium é uma bactéria de transmissão sexual 
que causa uma doença semelhante a clamídia e a gonorreia, mas 
que provoca uma secreção mais transparente. 
Os especialistas acreditam que muitas pessoas podem ter a do- 
ença e não saber, uma vez que ela raramente apresenta sintomas. 
Além disso, no caso das mulheres, é ainda mais difícil que ela seja 
notada, pois muitas têm uma secreção normal, então o sintoma 
passa desapercebido. 
 
Formas de contágio 
Um estudo publicado no International Journal of Epidemology 
mostrou que a maioria dos homens e mulheres com a doença apre- 
sentaram comportamentos sexuais considerados de risco, como um 
grande número de parceiros sexuais e sexo desprotegido no último 
ano. 
Algumas das mulheres infectadas disseram apresentar sangra- 
mento após o ato sexual, mas 56,2% das mulheres e 94,4% dos ho- 
mens não reportaram nenhum sintoma de DST. 
 
Como prevenir e tratamentos 
“O Mycoplasma é uma bactéria um pouco diferente, ela não 
aparece em um exame comum. Então, caso o médico não desconfie 
dela e peça um exame específico, o problema não será detectado», 
diz Celso Granato, infectologista do Fleury Medicina e Saúde. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
62 
 
 
 
“Dentre as complicações, homens e mulheres podem ter dor 
que vão além da parte mais baixa do trato genital. Pode acontecer 
uma inflamação de ovário, lesão nas trompas, assim como uma in- 
fecção no epidídimo ou na próstata, e uretrite”, completa o especia- 
lista. Por isso, é importante fazer exames periodicamente e seguir o 
tratamento indicado pelo médico à risca. 
 
Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 
 
O que é Doença InflamatóriaPélvica 
A Doença Infamatória Pélvica (DIP) é uma DST que afeta mu- 
lheres, principalmente as que já têm alguma outra infecção sexual- 
mente transmissível não tratada, como gonorreia e clamídia. 
Ela pode ser causada por diversas bactérias que acarretam in- 
flamações nos órgãos sexuais internos da mulher, como útero, ová- 
rios e trompas. 
 
Formas de contágio 
A infecção, normalmente, ocorre após a relação sexual despro- 
tegida, por causa do contato com as bactérias durante o ato. Mas 
também pode ocorrer depois de procedimentos médicos, como in- 
serção do Dispositivo Intra-Uterino (DIU), curetagem e biópsia do 
útero. 
Como prevenir e tratamentos 
“Como muito frequentemente a DIP é causada por uma infec- 
ção da clamídia, que subiu para os órgãos sexuais internos da mu- 
lher, a prevenção desta doença é feita basicamente se prevenindo 
da clamídia, além de ficar atenta à qualquer mudança na secreção e 
relatar o quanto antes ao seu ginecologista”, afirma Granato. 
 
Sífilis 
 
O que é sífilis 
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se 
manifestar em três estágios: nos dois primeiros, acontecem os sin- 
tomas e ela é mais contagiosa; no terceiro, não há sintomas - o que 
faz parecer que a pessoa está curada (mas não está). 
 
Formas de contágio 
A sífilis, além de ser transmitida pela relação sexual desprote- 
gida e pela transfusão com sangue contaminado, também pode ser 
passada através do beijo na boca quando há feridas nas mucosas 
- apesar de ser uma forma mais rara. 
Além disso, ela pode ser transmitida da mãe para o filho. Por 
isso, é importante fazer o pré-natal corretamente, em que a ges- 
tante será testada para a doença na primeira consulta, no terceiro 
trimestre e no momento do parto. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A melhor forma de se prevenir da sífilis é através do uso de 
preservativos em todas as relações sexuais, inclusive a oral. A trans- 
missão através do beijo na boca é bastante rara, mas pode aconte- 
cer quando há feridas, que não precisam estar do lado de fora ou 
visíveis para ocasionar o problema. 
Por esta razão, é bom sempre ter acompanhamento médico e 
realização periódica de exames para verificar esta condição. A sífilis 
é muito perigosa quando não tratada, podendo se espalhar pelo 
corpo inteiro e ocasionando, por exemplo, AVC, meningite, surdez, 
problemas de visão, demência, aneurisma, aborto ou morte do 
bebê durante a gestação ou nos primeiros dias de vida. 
 
Ebola 
 
O que é ebola 
A ebola é uma doença ocasionada por um vírus de mesmo 
nome, que é altamente infeccioso e pode atingir uma taxa de leta- 
lidade de até 90%. O vírus é original da África, que de tempos em 
tempos sofre com surtos da doença. 
 
O seu principal sintoma é febre hemorrágica, que causa sangra- 
mento dos órgãos internos e pode levar à morte. 
 
Formas de contágio 
As formas de contágio mais comuns do vírus ebola são por 
meio de contato direto com os fluídos de um humano ou animal in- 
fectado, o que inclui sangue, saliva, sêmen, vômito, urina ou fezes. 
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, em 
outubro de 2015, indicou que foi possível detectar o vírus no sêmen 
de dois terços dos homens participantes seis meses após eles terem 
sido considerados curados da doença. Já 26% dos homens com o sê- 
men coletado de sete a nove meses após a cura do ebola, também 
continha o vírus. 
“Considerando que o ebola também é transmitido de forma 
indireta, pelo contato com o sêmen da pessoa que foi infectada de- 
pois de tanto tempo, ele pode ser considerado uma DST. Contudo, 
estes são casos excepcionais e ainda não sabemos o impacto que 
isso pode ter na população”, afirma Celso Granato. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A melhor forma de se prevenir do ebola é não ir aos locais com 
surto da doença, evitar o contato com pessoas infectadas ou com o 
corpo daquelas que não resistiram, sem a devida proteção. 
Além disso, segundo o médico, após a cura do ebola era dada 
a orientação de não fazer sexo sem preservativo pelos três meses 
seguintes. Porém, com a descoberta da presença do vírus tanto 
tempo depois no sêmen, ainda não há um consenso do tempo re- 
comendado. 
 
Herpes 
 
O que é herpes 
Herpes simples é uma infecção viral, que se manifesta através 
do surgimento de pequenas bolhas frequentemente ao redor dos 
lábios ou genitais, mas que também podem surgir em qualquer re- 
gião do corpo. 
 
Normalmente, a herpes labial é causada pelo vírus da herpes 
simples tipo 1, o HSV1; e a herpes genital pelo HSV2. Entretanto, 
ambos os tipos podem provocar tanto o herpes labial quanto o ge- 
nital. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
63 
 
 
 
Formas de contágio 
“Tanto a herpes genital quanto a herpes labial podem ser trans- 
mitidas mesmo nos períodos entre as crises, não apenas quando os 
sintomas estão visíveis, quando há lesão”, explica o infectologista 
Granato. 
“Em todos os tipos de relação, é possível contrair o vírus. En- 
tretanto, não é porque o parceiro tem herpes crônica que necessa- 
riamente esta pessoa terá também”, comenta. A transmissão por 
objetos infectados, como toalhas e talheres, também pode ocorrer, 
mas é bastante rara. 
 
Como prevenir e tratamentos 
Ainda não há vacina para a herpes, portanto a única forma de 
realmente se prevenir da infecção é não tendo nenhum tipo de con- 
tato sexual desprotegido com quem tem o vírus. 
 
Donovanose 
 
O que é donovanose 
A donovanose é uma infecção que afeta a pele e mucosas da 
região genital, da virilha e do ânus, causando úlceras e destruindo 
a pele infectada. 
A infecção é causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, 
sendo caracterizada por caroços e feridas vermelhas que sangram 
fácil e não causam dor, fazendo com que o paciente só procure aju- 
da quando o caso já está mais avançado. 
 
Formas de contágio 
Segundo Lucy Nagm, infectologista do Dr. Consulta, ainda não 
se sabe ao certo como a doença é transmitida, apenas que ela está 
frequentemente associada a uma infecção sexual. 
 
Como prevenir e tratamentos 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, o uso do 
preservativo em todas as relações sexuais, sejam vaginais, orais ou 
anais, é importante para prevenir a doença. Entretanto, isso só será 
eficaz se a área infectada estiver coberta pela camisinha, uma vez 
que, se houver contato com uma ferida aberta, a donovanose pode 
ser transmitida. 
Já o tratamento é feito exclusivamente com antibióticos indica- 
dos pelo médico. 
 
Hepatites virais 
O que são hepatites virais 
Hepatite é qualquer degeneração do fígado por causas diver- 
sas. As mais comuns são as infecções pelos vírus do tipo A, B ou C e 
o abuso do consumo de álcool. 
 
Formas de contágio 
Os tipos hepatite B e hepatite C são transmitidos principalmen- 
te pelo sangue, sendo comum em usuários de drogas injetáveis e 
pacientes submetidos a material cirúrgico contaminado. A hepatite 
B também é frequentemente transmitida por via sexual. 
Os tipos B e C de hepatite usualmente não apresentam sinto- 
mas, o que torna comum que as pessoas só saibam que têm a doen- 
ça quando fazem, por acaso, algum teste para estes vírus. 
Como prevenir e tratamentos 
Além de fazer sexo com camisinha, se pode prevenir a infecção 
pelas hepatites B e C não compartilhando alicates de unha, lâminas 
de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas, 
além de todo o controle efetivo dos bancos de sangue, órgãos e 
sêmen. 
Também há vacina disponível para a prevenção da hepatite B, 
mas não para o tipo C da doença. 
 
Linfogranuloma venéreo 
 
O que é linfogranuloma venéreo 
Linfogranuloma venéreo é uma infecção crônica que se carac- 
teriza pelo aparecimento de uma ferida ou elevação na pele da re- 
gião genital, ou gânglios da virilha genital. Dura de três a cinco dias 
e não é facilmente identificada pelos pacientes. 
 
Formas de contágio 
A forma de contágio se dá por relação sexual vaginal, anal ou 
oral com a pessoa infectada. 
 
Como prevenire tratamentos 
A forma mais garantida de se prevenir da doença é utilizando 
o preservativo em todas as relações e fazendo a higiene correta da 
região genital. 
No tratamento, são utilizados antibióticos, mas, por normal- 
mente ter diagnóstico tardio, é comum haver sequelas como es- 
treitamento do reto e elefantíase dos órgãos sexuais. O parceiro da 
pessoa infectada também deve ser tratado. 
Tricomoníase 
 
O que é tricomoníase 
A tricomoníase uma infecção causada pelo protozoário Tricho- 
monas vaginalis que afeta mais comumente as mulheres. Nelas, a 
doença ataca o colo de útero, a vagina e a uretra. Já nos homens, a 
tricomoníase ataca o pênis. 
 
Formas de contágio 
A transmissão da tricomoníase se dá por meio do contato sexu- 
al ou íntimo com as secreções de uma pessoa contaminada, princi- 
palmente nas relações entre homem/mulher e mulher/mulher. Ela 
causa micro lesões e dores e pode favorecer a infecção por outras 
DSTs. 
 
Como prevenir e tratamentos 
A forma mais eficaz de se prevenir contra a tricomoníase é atra- 
vés do uso de preservativos em todas as relações sexuais, sejam va- 
ginais, anais ou orais. No caso de descoberta da infecção, o parceiro 
também deve ser tratado. Nas relações entre mulheres ou homem/ 
mulher, é possível utilizar a camisinha feminina.8 
 
 
8 Fonte: www.minhavida.com.br 
http://www.minhavida.com.br/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
64 
 
 
 
 
 
 
O que é a água? 
A água é uma das substâncias mais comuns em nosso planeta. Toda a matéria (ou a substância) na natureza é feita por partículas muito 
pequenas, invisíveis a olho nu, os átomos. 
Cada tipo de átomo pertence a um determinado elemento químico. Os átomos de oxigênio, hidrogênio, carbono e cloro são alguns 
exemplos de elementos químicos que formam as mais diversas substâncias, como a água, o gás carbônico, etc. 
Os grupos de átomos unidos entre si formam moléculas. Cada molécula de água, por exemplo, é formada por dois átomos de hidrogê- 
nio e um de oxigênio. A molécula de água é representada pela fórmula química H2O. Em cada 1 g de água há cerca de 30 000 000 000 000 
000 000 000 (leia: “trinta sextilhões”) de moléculas de água. 
 
Estados físicos da matéria 
Quando nos referimos à água, a ideia que nos vem de imediato à mente é a de um líquido fresco e incolor. Quando nos referimos ao 
ferro, imaginamos um sólido duro. Já o ar nos remete à ideia de matéria no estado gasoso. 
Toda matéria que existe na natureza se apresenta em uma dessas formas - sólida, líquida ou gasosa. É o que chamamos de estados 
físicos da matéria. 
No estado sólido, as moléculas de água estão bem “presas” umas às outras e se movem muito pouco: elas ficam “balançando”, vi- 
brando, mas sem se afastarem muito umas das outras. Não é fácil variar a forma e o volume de um objeto sólido, como a madeira de uma 
porta ou o plástico de que é feito uma caneta, por exemplo. 
 
 
 
O estado líquido é intermediário entre o sólido e o gasoso. Nele, as moléculas estão mais soltas e se movimentam mais que no estado 
sólido. Os corpos no estado líquido não mantém uma forma definida, mas adotam a forma do recipiente que os contém, pois as moléculas 
deslizam umas sobre as outras. Na superfície plana e horizontal, a matéria, quando em estado líquido, também se mantém na forma plana 
e horizontal. 
 
 
No estado gasoso a matéria está muito expandida e, muitas vezes, não podemos percebê-la visualmente. Os corpos no estado gasoso 
não possuem volume nem forma próprios e também adotam a forma do recipiente que os contém. No estado gasoso, as moléculas se mo- 
vem mais livremente que no estado líquido, estão muito mais distantes umas das outras que no estado sólido ou líquido, e se movimentam 
em todas as direções. Frequentemente há colisões entre elas, que se chocam também com a parede do recipiente em que estão. É como 
se fossem abelhas presas em uma caixa, e voando em todas as direções. 
 
A ÁGUA; SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS; ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
65 
 
 
 
 
 
 
 
Em resumo: no estado sólido as moléculas de água vibram em posições fixas. No estado líquido, as moléculas vibram mais do que no 
estado sólido, mas dependente da temperatura do líquido (quanto mais quente, maior a vibração, até se desprenderem, passando para 
o estado gasoso, em um fenômeno conhecido como ebulição). Consequentemente, no estado gasoso (vapor) as moléculas vibram forte- 
mente e de forma desordenada. 
 
Propriedades da água 
 
A água é um solvente 
No ambiente é muito difícil encontrar água pura, em razão da facilidade com que as outras substâncias se misturam a ela. Mesmo a 
água da chuva, por exemplo, ao cair, traz impurezas do ar nela dissolvidas. 
Uma das importantes propriedades da água é a capacidade de dissolver outras substâncias. A água é considerada solvente universal, 
porque é muito abundante na Terra e é capaz de dissolver grande parte das substancias conhecidas. 
Se percebermos na água cor, cheiro ou sabor, isso se deve a substâncias (líquidos, sólidos ou gases) nela presentes, dissolvidas ou não. 
As substâncias que se dissolvem em outras (por exemplo: o sal) recebem a denominação de soluto. A substância que é capaz de dis- 
solver outras, como a água, é chamada de solvente. A associação do soluto com o solvente é uma solução. 
 
 
A propriedade que a água tem de atuar como solvente é fundamental para a vida. No sangue, por exemplo, várias substâncias - como 
sais minerais, vitaminas, açucares, entre outras - são transportadas dissolvidas na água. 
Nas plantas, os sais minerais dissolvidos na água são levados das raízes às folhas, assim como o alimento da planta (açúcar) também 
é transportado dissolvido em água para todas as partes desse organismo. 
No interior dos organismos vivos, ocorrem inúmeras reações químicas indispensáveis a vida, como as que acontecem na digestão. A 
maioria dessas reações químicas no organismo só acontece se as substâncias químicas estiverem dissolvidas em água. 
 
A água como regulador térmico 
A água tem a capacidade de absorver e conservar calor. Durante o dia, a água absorve parte do calor do Sol e o conserva até a noite. 
Quando o Sol está iluminando o outro lado do planeta, essa água já começa a devolver o calor absorvido ao ambiente. 
Ela funciona, assim, como reguladora térmica. Por isso, em cidades próximas ao litoral, é pequena a diferença entre a temperatura 
durante o dia e à noite. Já em cidades distantes do litoral, essa diferença de temperatura é bem maior. 
É essa propriedade da água que torna a sudorese (eliminação do suor) um mecanismo importante na manutenção da temperatura 
corporal de alguns animais. 
Quando o dia está muito quente, suamos mais. Pela evaporação do suor eliminado, liberamos o calor excedente no corpo. Isso tam- 
bém ocorre quando corremos, dançamos ou praticamos outros exercícios físicos. 
 
Flutuar ou afundar? 
Você já se perguntou por que alguns objetos afundam na água? Porque um prego afunda e um navio flutua na água? O que faz com 
que a água sustente alguns objetos, de forma que eles consigam flutuar nela? 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
66 
 
 
 
Entender porque alguns objetos afundam na água enquanto 
outros flutuam é muito importante na construção de navios, sub- 
marinos etc. Se na água um prego afunda e um navio flutua, está 
claro que isso não tem nada a ver com o fato de o objeto ser leve 
ou pesado, já que um prego tem algumas gramas e um navio pesa 
toneladas. 
Na água podemos erguer uma pessoa fazendo pouco esforço, 
enquanto fora da água não conseguiríamos nem movê-la do chão. 
Isso acontece porque a água empurra o corpo de uma pessoa para 
cima. A força que a água exerce nos corpos mergulhados de baixo 
para cima (como um “empurrão”), é denominada empuxo. 
A quantidade de água deslocada pelos corpos é um importante 
fator para a flutuação ou afundamento dos objetos. O prego, por ter 
pouco volume, desloca um mínimo de água quando mergulhado. Já 
o navio por ser muito volumoso, desloca uma grandequantidade de 
água. Então seu “peso” fica equilibrado pela força com que a água o 
“empurra”, ou seja, pelo empuxo. 
Quando o empuxo (E) é igual ao peso (P) o objeto flutua, porém 
quando o peso é maior que o empuxo o objeto afunda. O submari- 
no quando quer afundar aumenta seu peso enchendo seus tanques 
de água do mar. 
 
A água exerce pressão 
Você já tentou segurar com o dedo o jato de água que sai de 
uma mangueira? O que aconteceu? A água impedida pelo dedo de 
fluir, exerce pressão e sai com mais força. 
Todos os líquidos em geral exercem pressões. Uma maneira de 
demonstrar a pressão exercida por uma coluna de “líquido” é efetu- 
ar orifícios numa garrafa plástica de 2 litros (destas de refrigerante) 
e enchê-la de água. 
• A experiência ilustrada abaixo indica que a pressão exer- 
cida por um líquido aumenta com a profundidade, pois a vazão do 
primeiro furo é menor que a vazão dos outros dois. Pode-se verifi- 
car que quanto maior a profundidade ou altura de líquido, o filete 
de água atinge uma maior distância. Diz-se que a pressão é maior e 
depende da profundidade do orifício considerado. 
 
Pressão e mergulho 
Quando uma pessoa mergulha, pode sentir dor na parte inter- 
na da orelha. Você sabe por que isso acontece? Novamente, a expli- 
cação está relacionada à pressão que a água exerce. 
Quando mergulhamos, à medida que nos deslocamos para o 
fundo, aumenta a altura da coluna líquida acima de nós. Quanto 
maior a altura dessa coluna, maior será a pressão exercida pelo lí- 
quido sobre nós. Por essa razão, nas profundezas dos oceanos a 
pressão da água é grande e o homem não consegue chegar até lá 
sem equipamentos de proteção contra a pressão. 
 
Tensão superficial 
Uma outra característica da água no estado líquido é a tensão 
que ela representa em sua superfície. Isso acontece porque as mo- 
léculas da água se atraem, mantendo-se coesas (juntas), como se 
formassem uma finíssima membrana da superfície. 
 
O princípio de Pascal 
Pascal foi um cientista frânces que viveu de 1623 a 1662. Entre 
muitas colaborações para a ciência, formulou o seguinte princípio: 
“A pressão exercida sobre um líquido é transmitida integralmente 
para todos os pontos do líquido”. 
Quando empurramos fortemente uma rolha para dentro de 
uma garrafa que contém líquido, essa pressão é transmitida inte- 
gralmente ao líquido existente no recipiente. A pressão da água 
dentro da garrafa aumenta e empurra a outra rolha para fora. 
 
 
Presente em todos os momentos do nosso cotidiano, os rótu- 
los, além de essenciais para identificação, também são obrigatórios 
para que os consumidores saibam o que estão ingerindo. A prática 
de rotulagem pode ser caracterizada pelas informações escrita ou 
gravadas na embalagem de um alimento. Podem existir dois tipos 
de rótulos: os visuais, como imagens, ou textuais, como legendas 
e matéria descritiva. É indispensável que na descrição das infor- 
mações nutricionais tenham todas os dados necessários para seu 
consumo. 
 
Antes do lançamento de um produto é necessário que todas 
as informações estejam de acordo com as leis estabelecida pela 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). É obrigatório a 
rotulagem de produtos que são embalados na ausência do cliente e 
prontos para serem oferecidos para consumo. 
 
Nesse artigo você vai entender todos esses processos estabele- 
cidos pela vigilância sanitária. Fique com a gente! 
 
Contexto da rotulagem de alimentos no Brasil e no mundo 
O Brasil segue as regulamentações específicas de rotulagem de 
alimentos impostas pelo Mercosul desde 1998, assim como os pa- 
íses membros da União Europeia seguem a legislação existente na 
mesma desde 1996. Tanto no Brasil, como em países europeus, há 
um reconhecimento da relação existente entre rótulos alimentícios 
e saúde, por isso os Ministérios da Saúde estiveram envolvidos na 
elaboração dessas normas. 
 
Em relação à comparação entre União Europeia e Brasil, as le- 
gislações são consensuais no que se refere à descrição nutricional 
– ambas exigem como descrição mínima com calorias, proteínas, 
glicídios, lipídios, e fibras. Há também semelhança nas legislações 
relacionadas à propaganda nutricional. 
 
Como por exemplo, no Canadá, o rótulo padronizado com in- 
formações nutricionais foi introduzido como parte das regulamen- 
tações aprovadas apenas em 2003 e tornou-se obrigatório para a 
maioria dos produtos alimentícios pré-embalados em 12 de dezem- 
bro de 2005. 
 
No Brasil, a regulamentação de suplementos é feita pela Agên- 
cia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e, nos Estados Unidos, 
pela Food and Drug Administration (FDA). 
 
Nos EUA, os únicos micronutrientes que devem ser incluídos 
em todos os rótulos são vitamina A, vitamina C, cálcio e ferro, além 
disso, há uma exigência de que os ingredientes sejam listados em 
ordem decrescente de quantidade. 
RÓTULOS DE PRODUTOS E ALIMENTOS; 
EMBALAGENS; PLÁSTICO, VIDRO E SEUS USOS 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
67 
 
 
 
Informações obrigatórias em rótulos 
Segundo a ANVISA, certas informações são obrigatórias de 
constar no rótulo. Esses dados nutricionais se aplicam a todos os 
alimentos e bebidas comercializados e embalados na ausência do 
cliente e prontos para oferta ao consumidor. 
 
Porém, alguns produtos estão isentos da rotulagem tradicional, 
como: 
Água mineral e outras águas destinadas ao consumo; 
Bebidas alcoólicas; 
Aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia; 
Especiarias, como pimenta do reino, canela e outros; 
Vinagres; 
Sal; 
Café, erva mate, chá e outras ervas sem adição de outros in- 
gredientes; 
 
Os alimentos preparados e embalados em restaurantes e esta- 
belecimentos comerciais, prontos para o consumo, como por exem- 
plo, sanduíches embalados, sobremesas do tipo flan ou mousses ou 
saladas de frutas e outras semelhantes. 
Os produtos fracionados nos pontos de venda a varejo, comer- 
cializados como pré-medidos. Alimentos fatiados como queijos, 
presuntos, salames, mortadelas, entre outros. 
As frutas, vegetais e carnes in natura, refrigerados ou conge- 
lados; 
Produtos que possuem embalagens com menos de 100 cm². 
Agora conheça as informações obrigatórias, salvo essas exce- 
ções: 
 
Denominação de venda 
A primeira informação que um rótulo deve conter deve ser 
uma identificação adequada de acordo com a caracterização téc- 
nica. Por exemplo, no caso de um nuggets, deve ser utilizada no 
rótulo a denominação “carne mecanicamente separada de frango”. 
Essas Informações podem ser encontradas no regulamento 
técnico, um documento que estabelecem as características ou mé- 
todos de produção de um alimento. 
 
Lista de ingredientes 
Listar os ingredientes é uma das etapas mais essenciais da ro- 
tulagem de alimentos e todas as substâncias que entram na com- 
posição do produto devem ser expostas. Eles devem ser descritos 
após o escrito “Ingredientes:” ou “ingr.:” e devem estar em ordem 
decrescente de proporção, ou seja, do ingrediente presente em 
maior quantidade para a presente em menor porção. Alimentos de 
ingrediente único, como açúcar ou café, ficam dispensados dessa 
obrigação. 
 
Devemos lembrar que produtos contendo ou não trigo, aveia, 
centeio, malte, cevada e seus derivados devem ter escritos em sua 
embalagem o aviso “contém glúten” ou “não contém glúten”. Assim 
como devem ser expressos todos os ingredientes que podem cau- 
sar qualquer tipo de alergia ou dano ao consumidor, como o leite. 
Conteúdo líquido 
Todo o conteúdo líquido de um produto deve ser expresso em 
massa (gramas ou quilos) ou em volume (mL ou litro). Os algaris- 
mos desta indicação também devem respeitar certas regras dispos- 
tas pelo INMETRO, órgão responsável pela unidade dos serviços. A 
altura mínima dos algarismos deve estar em proporção com o con- 
teúdo líquido. Veja um exemplo: conteúdos líquidos maiores que 
1000 gramas ou mililitros devem devem apresentar altura mínimados algarismos de 6 milímetros. No caso específico de conservas, é 
necessário informar também a massa do conteúdo drenado para 
ajudar o consumidor a entender o peso da embalagem e outros 
produtos adicionais. 
 
Informações e tabela nutricional 
A tabela nutricional é um dos pontos mais importantes na ro- 
tulagem de alimentos. 
 
É necessário que todas as propriedades nutricionais do pro- 
duto venham expressas na embalagem. Essas informações devem 
englobar, obrigatoriamente, a quantidade do valor energético, de 
carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gordu- 
ras trans, fibra alimentar e sódio. 
 
Para deixar as informações ainda mais acessíveis, os dados nu- 
tricionais devem apresentar, além da medida em gramas ou milili- 
tros, o correspondente em medida caseira, como “uma colher” ou 
“uma xícara”. Além disso, deve ser indicado o valor diário de cada 
nutriente, sendo quanto daquele nutriente você precisa consumir 
na sua alimentação diária. Todos esses dados devem vir já calcu- 
lados. 
 
Prazo de validade, identificação do lote e da origem 
Todo produto deve ter prazo de validade escrito na embalagem 
por meio de expressões como “consumir antes de…” ou “vencimen- 
to em”. Se o produto vence em menos de três meses, o prazo de 
validade deve ser expresso em dia e mês e, se superior a isso, mês 
e ano. 
 
O alimento vendido deve ser de fácil rastreamento através de 
um código para identificação do lote que foi produzido e também 
deve vir expresso na embalagem o local onde o produto foi fabrica- 
do, contendo endereço completo com cidade e país. 
 
Instruções sobre modo de preparo na rotulagem de alimentos 
Todo alimento deve ter um armazenamento e preparo coeren- 
te com sua origem. Por isso, é essencial que haja instruções sobre o 
modo de preparo. Nesses normas, deve-se incluir fatores como 
descongelamento ou qualquer outro tratamento que deva ser rea- 
lizado pelo consumidor. 
 
A satisfação do consumidor é diretamente proporcional à qua- 
lidade e adequação da embalagem ao produto que consta dentro 
dela. Por isso, a rotulagem de alimentos é tão importante quanto 
ter a formulação do produto definida. Além de garantir a confor- 
midade com a ANVISA e INMETRO e viabilizar a correta comercia- 
lização e distribuição do seu produto, ela informa ao seu cliente o 
que ele está consumindo e a procedência, impactando no número 
de vendas. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
68 
 
 
 
O que não pode ter no seu rótulo 
Depois de saber todos os dados essenciais no rótulo do seu 
produto, você deve saber quais informações não podem constar 
nessa gama. Para que o consumidor não seja induzido ao erro ou 
enganado, a ANVISA proíbe que os rótulos de produtos industriali- 
zados tragam dados que não possam ser comprovados. 
 
Além disso, é proibida a indicação de uma substituição erra- da 
quando o rótulo induz o consumidor a pensar que um alimento 
pode substituir outro, quando suas composições nutricionais são 
diferentes. Exemplo: um doce de frutas não substitui o consumo da 
própria fruta. 
 
Para evitar que as empresas se utilizem de informações erra- 
das, a ANVISA proíbe conteúdo que mostre efeitos e propriedades 
que não possui, como indicar que aquele alimento diminui o risco 
de doenças, evita problemas ósseos ou tem propriedades medici- 
nais, terapêuticas, emagrecedoras, entre outras. 
 
Também é proibido o destaque da presença ou ausência de in- 
gredientes comuns em alimentos de igual natureza, como indicar 
“não contém colesterol” em óleos vegetais. 
 
Nova proposta de rotulagem 
Em 2019, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) re- 
cebeu sugestões sobre a revisão das atuais normas brasileiras de ro- 
tulagem nutricional de alimentos. As consultas públicas receberam 
cerca de 9,5 mil contribuições da sociedade. 
 
Nas consultas a Anvisa propõe que os fabricantes tornem mais 
legíveis os dados nutricionais de seus produtores, adotando um 
modelo de rótulo frontal para os alimentos com alto teor de açúcar 
adicionado, gordura saturada ou sódio que são ingredientes asso- 
ciados a algumas das principais doenças crônicas não transmissí- 
veis, como diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão. 
 
Para facilitar a visualização dos dados, os fabricantes deverão 
utilizar letras maiores quando seu alimento contiver alto teor des- 
tes ingredientes. O desenho de uma lupa chamando a atenção para 
tal informação deverá constar na parte frontal do produto, na me- 
tade superior. 
 
Outra novidade incorporada à tabela nutricional é a declaração 
padronizada de informações nutricionais por 100 gramas (g) ou 100 
mililitros (ml), em complementação à atual declaração por porções. 
A proposta prevê também a inclusão do número de porções por 
embalagem do produto. A ideia é facilitar para o consumidor a com- 
paração entre os conteúdos, sem a necessidade de ficar fazendo 
cálculos. Hoje essas medidas permitem uma grande variação, o que 
dificulta o entendimento das informações. 
 
Conclusão 
Conhecer as regras que regem a rotulagem de alimentos no 
Brasil é extremamente importante para qualquer um que tenha um 
negócio ou queira atuar no setor de alimentos. 
 
Agora que você entendeu mais sobre esse assunto, temos uma 
dica caso você queira ser referência na indústria alimentícia: conhe- 
ça nossos cursos específicos da área. 
Fonte: https://blog.ifope.com.br/rotulagem-de-alimentos/ 
 
 
Termologia (termo = calor, logia = estudo) é a parte da Física 
encarregada de estudar o calor e seus efeitos sobre a matéria. A 
termologia está intimamente ligada à energia térmica, estudando a 
transmissão dessa energia e os efeitos produzidos por ela quando é 
fornecida ou retirada de um corpo. 
Temperatura é a grandeza que mede o estado de agitação das 
moléculas. Quanto mais quente estiver uma matéria, mais agitadas 
estarão suas moléculas. Assim, a temperatura é o fator que mede 
a agitação dessas moléculas, determinando se uma matéria está 
quente, fria, etc. 
 
Calor é a energia que flui de um corpo com maior temperatura 
para outro de menor temperatura. Como sabemos, a unidade de 
representação de qualquer forma de energia é o joule (J), porém, 
para designar o calor, é adotada uma unidade prática denominada 
caloria, em que 1 cal = 4,186 J. 
Equilíbrio térmico é o estado em que a temperatura de dois ou 
mais corpos são iguais. Assim, quando um corpo está em equilíbrio 
térmico em relação a outro, cessam os fluxos de troca de calor en- 
tre eles. Ex.: Quando uma xícara de café é deixada por certo tempo 
sobre uma mesa, ela esfriará até entrar em equilíbrio térmico com 
o ambiente em que está. 
 
TERMOMETRIA 
Chamamos de Termologia a parte da física que estuda os fenô- 
menos relativos ao calor, aquecimento, resfriamento, mudanças de 
estado físico, mudanças de temperatura, etc. 
Termometria é a parte da termologia voltada para o estudo da 
temperatura, dos termômetros e das escalas termométricas. 
 
• Temperatura 
Temperatura é a grandeza que caracteriza o estado térmico de 
um corpo ou sistema. 
Fisicamente o conceito dado a quente e frio é um pouco dife- 
rente do que costumamos usar no nosso cotidiano. Podemos de- 
finir como quente um corpo que tem suas moléculas agitando-se 
muito, ou seja, com alta energia cinética. Analogamente, um corpo 
frio, é aquele que tem baixa agitação das suas moléculas. 
Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema pode-se 
dizer que está se aumentando o estado de agitação de suas molé- 
culas. 
Ao tirarmos uma garrafa de água mineral da geladeira ou ao 
retirar um bolo de um forno, percebemos que após algum tempo, 
ambas tendem a chegar à temperatura do ambiente. Ou seja, a 
água “esquenta” e o bolo “esfria”. Quando dois corpos ou sistemas 
atingem o mesma temperatura, dizemos que estes corpos ou siste- 
mas estão em equilíbrio térmico. 
 
• Escalas Termométricas 
Para que seja possível medir a temperatura de um corpo, foi 
desenvolvido um aparelho chamado termômetro. 
O termômetromais comum é o de mercúrio, que consiste em 
um vidro graduado com um bulbo de paredes finas que é ligado a 
um tubo muito fino, chamado tubo capilar. 
A TEMPERATURA 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
69 
 
 
 
Quando a temperatura do termômetro aumenta, as molécu- 
las de mercúrio aumentam sua agitação fazendo com que este se 
dilate, preenchendo o tubo capilar. Para cada altura atingida pelo 
mercúrio está associada uma temperatura. 
A escala de cada termômetro corresponde a este valor de al- 
tura atingida. 
 
Escala Celsius 
É a escala usada no Brasil e na maior parte dos países, oficiali- 
zada em 1742 pelo astrônomo e físico sueco Anders Celsius (1701- 
1744). Esta escala tem como pontos de referência a temperatura de 
congelamento da água sob pressão normal (0 °C) e a temperatura 
de ebulição da água sob pressão normal (100 °C). 
 
Escala Fahrenheit 
Outra escala bastante utilizada, principalmente nos países de 
língua inglesa, criada em 1708 pelo físico alemão Daniel Gabriel 
Fahrenheit (1686-1736), tendo como referência a temperatura de 
uma mistura de gelo e cloreto de amônia (0 °F) e a temperatura do 
corpo humano (100 °F). 
 
Em comparação com a escala Celsius: 
0 °C = 32 °F 
100 °C = 212 °F 
 
Escala Kelvin 
Também conhecida como escala absoluta, foi verificada pelo 
físico inglês William Thompson (1824-1907), também conhecido 
como Lorde Kelvin. Esta escala tem como referência a temperatura 
do menor estado de agitação de qualquer molécula (0 K) e é calcu- 
lada a partir da escala Celsius. 
Por convenção, não se usa “grau” para esta escala, ou seja 0 
K, lê-se zero kelvin e não zero grau kelvin. Em comparação com a 
escala Celsius: 
-273 °C = 0 K 
0 °C = 273 K 
100 °C = 373 K 
 
• Conversões entre escalas 
Para que seja possível expressar temperaturas dadas em uma 
certa escala para outra qualquer deve-se estabelecer uma conven- 
ção geométrica de semelhança. 
Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer dada em 
escala Fahrenheit para escala Celsius: 
 
 
Pelo princípio de semelhança geométrica: 
 
 
Exemplo: 
Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a 
temperatura 100 °F? 
 
 
Da mesma forma, pode-se estabelecer uma conversão Celsius- 
-Fahrenheit: 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
70 
 
 
 
 
 
 
 
E para escala Kelvin: 
 
 
Algumas temperaturas: 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
71 
 
 
 
 
CALORIMETRIA Prata 0,056 
Calor Vapor d’água 0,480 
Quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes Zinco 0,093 
em contato, podemos observar que a temperatura do corpo “mais 
quente” diminui, e a do corpo “mais frio” aumenta, até o momento 
em que ambos os corpos apresentem temperatura igual. Esta rea- 
ção é causada pela passagem de energia térmica do corpo “mais 
quente” para o corpo “mais frio”, a transferência de energia é o que 
Quando: 
Q>0: o corpo ganha calor. 
Q<0: o corpo perde calor. 
 
chamamos calor. Exemplo: 
Calor é a transferência de energia térmica entre corpos com 
temperaturas diferentes. 
A unidade mais utilizada para o calor é caloria (cal), embora sua 
unidade no SI seja o joule (J). Uma caloria equivale a quantidade de 
calor necessária para aumentar a temperatura de um grama de 
água pura, sob pressão normal, de 14,5 °C para 15,5 °C. 
A relação entre a caloria e o joule é dada por: 
1 cal = 4,186J 
Partindo daí, podem-se fazer conversões entre as unidades 
usando regra de três simples. 
Como 1 caloria é uma unidade pequena, utilizamos muito o seu 
múltiplo, a quilocaloria. 
1 kcal = 10³cal 
 
Calor sensível 
É denominado calor sensível, a quantidade de calor que tem 
como efeito apenas a alteração da temperatura de um corpo. 
Este fenômeno é regido pela lei física conhecida como Equação 
Fundamental da Calorimetria, que diz que a quantidade de calor 
sensível (Q) é igual ao produto de sua massa, da variação da tem- 
peratura e de uma constante de proporcionalidade dependente da 
natureza de cada corpo denominada calor específico. 
Assim: 
 
 
Onde: 
Q = quantidade de calor sensível (cal ou J). 
c = calor específico da substância que constitui o corpo (cal/ 
g°C ou J/kg°C). 
m = massa do corpo (g ou kg). 
Δθ = variação de temperatura (°C). 
É interessante conhecer alguns valores de calores específicos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Qual a quantidade de calor sensível necessária para aquecer 
uma barra de ferro de 2kg de 20°C para 200 °C? Dado: calor especí- 
fico do ferro = 0,119cal/g°C. 
2 kg = 2000 g 
 
 
Calor latente 
Nem toda a troca de calor existente na natureza se detém a 
modificar a temperatura dos corpos. Em alguns casos há mudança 
de estado físico destes corpos. Neste caso, chamamos a quantidade 
de calor calculada de calor latente. 
A quantidade de calor latente (Q) é igual ao produto da massa 
do corpo (m) e de uma constante de proporcionalidade (L). 
Assim: 
 
 
A constante de proporcionalidade é chamada calor latente de 
mudança de fase e se refere a quantidade de calor que 1 g da subs- 
tância calculada necessita para mudar de uma fase para outra. 
Além de depender da natureza da substância, este valor numé- 
rico depende de cada mudança de estado físico. 
Por exemplo, para a água: 
 
Calor latente de fusão 80cal/g 
Calor latente de vaporização 540cal/g 
Calor latente de solidificação -80cal/g 
Calor latente de condensação -540cal/g 
 
Quando: 
Q>0: o corpo funde ou vaporiza. 
Q<0: o corpo solidifica ou condensa. 
 
Exemplo: 
Qual a quantidade de calor necessária para que um litro de 
água vaporize? Dado: densidade da água=1g/cm³ e calor latente de 
vaporização da água = 540 cal/g. 
 
 
Substância c (cal/g°C) 
Alumínio 0,219 
Água 1,000 
Álcool 0,590 
Cobre 0,093 
Chumbo 0,031 
Estanho 0,055 
Ferro 0,119 
Gelo 0,550 
Mercúrio 0,033 
Ouro 0,031 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
72 
 
 
 
 
 
 
Assim: 
 
Curva de aquecimento 
Ao estudarmos os valores de calor latente, observamos que estes não dependem da variação de temperatura. Assim podemos elabo- 
rar um gráfico de temperatura em função da quantidade de calor absorvida. Chamamos este gráfico de Curva de Aquecimento: 
 
 
 
Trocas de Calor 
Para que o estudo de trocas de calor seja realizado com maior precisão, este é realizado dentro de um aparelho chamado calorímetro, 
que consiste em um recipiente fechado incapaz de trocar calor com o ambiente e com seu interior. 
Dentro de um calorímetro, os corpos colocados trocam calor até atingir o equilíbrio térmico. Como os corpos não trocam calor com o 
calorímetro e nem com o meio em que se encontram, toda a energia térmica passa de um corpo ao outro. 
Como, ao absorver calor Q>0 e ao transmitir calor Q<0, a soma de todas as energias térmicas é nula, ou seja: 
ΣQ=0 
(lê-se que somatório de todas as quantidades de calor é igual a zero) 
 
Sendo que as quantidades de calor podem ser tanto sensível como latente. 
Exemplo: 
Qual a temperatura de equilíbrio entre uma bloco de alumínio de 200g à 20°C mergulhado em um litro de água à 80°C? Dados calor 
específico: água=1cal/g°C e alumínio = 0,219cal/g°C. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
73 
 
 
 
 
 
 
 
Repare que, neste exemplo, consideramos a massa da água 
como 1000g, pois temos 1 litro de água. 
 
Capacidade térmica 
É a quantidade de calor que um corpo necessita receber ou 
ceder para que sua temperatura varie uma unidade. 
Então, pode-se expressar esta relação por: 
 
 
Sua unidade usual é cal/°C. 
A capacidade térmica de 1g de água é de 1cal/°C já que seu 
calor específico é 1cal/g.°C. 
 
Transmissão de Calor 
Em certas situações, mesmo não havendo o contato físico en- 
tre os corpos, é possível sentir que algo está mais quente. Como 
quando chega-se perto do fogo de uma lareira. Assim, concluímos 
que de alguma forma o calor emana desses corpos “mais quentes” 
podendo se propagar de diversas maneiras. 
Como já vimos anteriormente, o fluxo de calor acontece no 
sentido da maior para a menor temperatura. 
Este trânsito de energia térmica pode acontecer pelasseguin- 
tes maneiras: 
• condução; 
• convecção; 
• irradiação. 
 
Fluxo de Calor 
Para que um corpo seja aquecido, normalmente, usa-se uma 
fonte térmica de potência constante, ou seja, uma fonte capaz de 
fornecer uma quantidade de calor por unidade de tempo. 
Definimos fluxo de calor (Φ) que a fonte fornece de maneira 
constante como o quociente entre a quantidade de calor (Q) e o 
intervalo de tempo de exposição (Δt): 
Sendo a unidade adotada para fluxo de calor, no sistema inter- 
nacional, o Watt (W), que corresponde a Joule por segundo, embo- 
ra também sejam muito usada a unidade caloria/segundo (cal/s) 
e seus múltiplos: caloria/minuto (cal/min) e quilocaloria/segundo 
(kcal/s). 
 
Exemplo: 
Uma fonte de potência constante igual a 100W é utilizada para 
aumentar a temperatura 100g de mercúrio 30°C. Sendo o calor es- 
pecífico do mercúrio 0,033cal/g.°C e 1cal=4,186J, quanto tempo a 
fonte demora para realizar este aquecimento? 
 
 
Aplicando a equação do fluxo de calor: 
 
 
Condução Térmica 
É a situação em que o calor se propaga através de um «condu- 
tor». Ou seja, apesar de não estar em contato direto com a fonte de 
calor um corpo pode ser modificar sua energia térmica se houver 
condução de calor por outro corpo, ou por outra parte do mesmo 
corpo. 
Por exemplo, enquanto cozinha-se algo, se deixarmos uma co- 
lher encostada na panela, que está sobre o fogo, depois de um tem- 
po ela esquentará também. 
Este fenômeno acontece, pois, ao aquecermos a panela, suas 
moléculas começam a agitar-se mais, como a panela está em con- 
tato com a colher, as moléculas em agitação maior provocam uma 
agitação nas moléculas da colher, causando aumento de sua ener- 
gia térmica, logo, o aquecimento dela. 
Também é por este motivo que, apesar de apenas a parte infe- 
rior da panela estar diretamente em contato com o fogo, sua parte 
superior também esquenta. 
 
 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
74 
 
 
 
Convecção Térmica 
A convecção consiste no movimento dos fluidos, e é o 
princípio fundamental da compreensão do vento, por exemplo. 
O ar que está nas planícies é aquecido pelo sol e pelo solo, 
as- sim ficando mais leve e subindo. Então as massas de ar que 
estão nas montanhas, e que está mais frio que o das planícies, 
toma o lugar vago pelo ar aquecido, e a massa aquecida se 
desloca até os lugares mais altos, onde resfriam. Estes 
movimentos causam, entre outros fenômenos naturais, o vento. 
Formalmente, convecção é o fenômeno no qual o calor se 
pro- paga por meio do movimento de massas fluidas de 
densidades diferentes. 
 
 
Irradiação Térmica 
É a propagação de energia térmica que não necessita de um 
meio material para acontecer, pois o calor se propaga através 
de ondas eletromagnéticas. 
Imagine um forno microondas. Este aparelho aquece os ali- 
mentos sem haver contato com eles, e ao contrário do forno à 
gás, não é necessário que ele aqueça o ar. Enquanto o alimento 
é aque- cido há uma emissão de microondas que fazem sua 
energia térmica aumentar, aumentando a temperatura. 
O corpo que emite a energia radiante é chamado emissor 
ou radiador e o corpo que recebe, o receptor. 
 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
75 
 
 
 
: 
 
 
 
Substância composta é aquela constituída por mais de um 
tipo de constituinte. Ex: a água pura contendo somente H2O; o sal, 
con- tendo somente NaCl; 
Mistura consiste em duas ou mais substâncias misturadas. Ela 
pode ser identificada visualmente, como por exemplo o granito 
onde se observa grãos de quartzo branco, mica preta e feldspato 
rosa e outros minérios. Outras misturas como a água salgada, re- 
quer outros métodos de verificação para sabermos se são substân- 
cias ou misturas. 
Corpo: É uma porção limitada da matéria. Por exemplo, confor- 
me dito, uma árvore é uma matéria; assim, quando cortamos toras 
de madeira, temos que essas toras podem ser designadas como 
corpos ou como matéria também. 
Objeto: É um corpo produzido para utilização do homem. Se as 
toras de madeira mencionadas no item anterior forem transforma- 
das em algum móvel, como uma mesa, teremos um objeto. 
Fenômeno físico: é toda alteração na estrutura física da maté- 
ria, tais como forma, tamanho, aparência e estado físico, mas que 
não gere alteração em sua natureza, isto é, na sua composição. 
Matéria: Denomina-se matéria tudo aquilo que tem massa e 
ocupa lugar no espaço e, desse modo, possui volume. Podemos ci- 
tar como exemplos de matéria a madeira, o ferro, a água, o ar e 
tudo o mais que imaginemos dentro da definição acima. A ausência 
total de matéria é o vácuo. 
Substância é uma composição de apenas um tipo de moléculas 
ou átomos. A substância pode ser simples ou composta. 
Substância simples é aquela constituído por um único tipo de 
constituinte. Ex: o ferro, contendo somente átomo de ferro; o oxi- 
gênio, contendo só O2. 
Mudanças de Estados Físicos da Água 
As Mudanças de Estados Físicos da Água são divididas em 5 
processos, a saber: 
 
 
-Fusão: Mudança do estado sólido para o estado líquido da 
água, provocada por aquecimento, por exemplo, um gelo que der- 
rete num dia de calor. Além disso, o denominado “Ponto de Fusão” 
(PF) é a temperatura que a água passa do estado sólido para o líqui- 
do. No caso da água, o ponto de fusão é de 0ºC.
COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
76 
 
 
 
-Vaporização: Mudança do estado líquido para o estado gasoso 
por meio do aquecimento da água. Assim, o “Ponto de Ebulição” 
(PE) de uma substância é a temperatura a que essa substância passa 
do estado líquido para o estado gasoso e, no caso da água, o é de 
100ºC. Vale lembrar que a Ebulição e a Evaporação são, na realida- 
de, tipos de vaporização. A diferença de ambas reside na velocida- 
de do aquecimento, ou seja, se for realizado lentamente chama-se 
evaporação; entretanto, se for realizado com aquecimento rápido 
chama-se ebulição. 
-Solidificação: Mudança de estado líquido para o estado sóli- 
do provocado pelo arrefecimento ou resfriamento. Além disso, o 
“Ponto de Solidificação” da água é de 0ºC. O exemplo mais visível 
são os cubos de água que colocamos no refrigerador para fazer os 
cubos de gelo. 
-Liquefação: Chamada também de Condensação, esse processo 
identifica a mudança do estado gasoso para o estado líquido de- 
corrente do resfriamento (arrefecimento). Como exemplo podemos 
citar: a geada e o orvalho das plantas. 
-Sublimação: Mudança do estado sólido para o estado gasoso, 
por meio do aquecimento. Também denomina a mudança do esta- 
do gasoso para o estado sólido (ressublimação), por arrefecimento, 
por exemplo: gelo seco e naftalina. 
Fenômeno químico: ocorre quando há alteração da natureza 
da matéria, isto é, da sua composição. 
Veja um exercício: Os metais Gálio e Rubídio têm seus pontos 
de fusão e ebulição descritos na tabela: 
 
 
A) O que acontecerá se ambos os metais ficarem expostos à 
temperatura ambiente, estando está a 27°C? 
B) Qual o estado físico dos dois metais num deserto onde a 
temperatura chega a mais de 40 °C? 
 
Resposta 
A) Os dois metais continuarão no estado sólido. 
B) A uma temperatura acima de 40 °C, ambos os metais fun- 
dem-se, ou seja, passam do estado sólido para o líquido. 
Dizemos que ocorreu uma reação química, pois novas substân- 
cias foram originadas. 
Veja o breve resumo a seguir: 
 
Fenômenos físicos Fenômenos químicos 
Quebrar um copo de vidro Produzir vinho a partir da 
uva 
Aquecer uma panela de 
alumínio 
Acender um fósforo 
Ferver a água Queimar o açúcar para 
fazer caramelo 
Explosão de uma panela 
de pressão 
Queima do carvão 
Massa de pão “crescendo” Explosão após uma batida 
Derretimento de metais, 
como o cobre 
Enferrujamento da palha 
de aço 
Dissolver açúcar em água Queima de um cigarro 
 
Propriedades da matéria 
 
Propriedades são uma série de características que, em conjun- 
to, definem a espécie de matéria. Podemos dividi-las em 3 grupos: 
gerais, funcionais e específicas. 
 
1. Propriedades gerais 
São as propriedadesinerentes a toda espécie de matéria. 
Massa: é a grandeza que usamos como medida da quantidade 
de matéria de um corpo ou objeto. 
Extensão: espaço que a matéria ocupa, seu volume. 
Impenetrabilidade: é o fato de que duas porções de matéria 
não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. 
Divisibilidade: toda matéria pode ser dividida sem alterar a sua 
constituição (até um certo limite). 
 
Compressibilidade: o volume ocupado por uma porção de ma- 
téria pode diminuir sob a ação de forças externas. 
Elasticidade: se a ação de uma força causar deformação na 
matéria, dentro de um certo limite, ela poderá retornar à forma 
original. 
 
2. Propriedades funcionais 
São propriedades comuns a determinados grupos de matéria, 
identificadas pela função que desempenham. A Química se preocu- 
pa particularmente com estas propriedades. Podemos citar como 
exemplo de propriedades funcionais a acidez, a basicidade, a salini- 
dade de algumas espécies de matéria. 
 
 
 
ria. 
3. Propriedades específicas 
São propriedades individuais de cada tipo particular de maté- 
 
Propriedades extensivas e intensivas da matéria 
As propriedades físicas também podem ser classificadas, de 
acordo com a quantidade da amostra, em extensivas e intensivas. 
As propriedades extensivas variam conforme a quantidade de ma- 
terial contido na amostra. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
77 
 
 
 
É o caso da energia liberada em uma combustão: duplicando, 
por exemplo, a quantidade de combustível, duplica-se a quantida- 
de de energia liberada. As propriedades intensivas são as que não 
dependem da quantidade de material contido na amostra. É o caso 
da temperatura e da densidade, que não se alteram quando a quan- 
tidade de material é modificada. 
 
Energia e as propriedades químicas dos materiais 
Referem-se àquelas que, quando são coletadas e analisadas, al- 
teram a composição química da matéria, ou seja, referem-se a uma 
capacidade que uma substância tem de transformar-se em outra 
por meio de reações químicas. Essas transformações resultam na 
produção permanente e irreversível de um novo material (produ- 
to), com características distintas do inicial (reagente), sendo desse 
modo classificadas como transformações químicas ou reações quí- 
micas. 
 
 
 
Uma maneira de comprovar a existência de uma transformação 
química é através da comparação do estado inicial e final do siste- 
ma. Algumas evidências podem ser observadas, permitindo verifi- 
car a ocorrência dessas transformações, como: desprendimento de 
gás e luz, mudança de coloração e cheiro, formação de precipitados 
entre outras 
Entretanto, a ausência dessas evidências não significa que não 
ocorreu uma transformação química, pois algumas ocorrem sem 
que haja mudança perceptível entre o estado inicial e o final. Para 
se ter certeza de que ocorreu a transformação química é necessário 
isolar os materiais obtidos e verificar suas propriedades específicas, 
como densidade, pontos de ebulição e fusão, solubilidade e outras. 
Para que as transformações químicas possam acontecer, as ligações 
entre átomos e moléculas precisam ser rompidas e devem ser res- 
tabelecidas de outro modo. Como essas ligações podem ser muito 
fortes, geralmente é necessária energia na forma de calor para ini- 
ciar a reação. 
 
MÉTODOS DE SEPARAÇÃO DE MISTURAS 
As misturas podem ser classificadas em homogêneas e hetero- 
gêneas. A diferença entre elas é que a mistura homogênea é uma 
solução que apresenta uma única fase enquanto a heterogênea 
pode apresentar duas ou mais fases. Fase é cada porção que apre- 
senta aspecto visual uniforme. 
 
Misturas homogêneas 
Nesse tipo de mistura não há superfícies de separação visíveis 
entre seus componentes, mesmo que a observação seja realizada 
a nível de um microscópio eletrônico. Exemplo: Solução de água e 
alcoolr 
Misturas heterogêneas 
As misturas heterogêneas são aquelas em que são possíveis 
as distinções de fases (regiões visíveis da mistura onde se encon- 
tram os componentes), na maioria das vezes sem a necessidade de 
utilizar equipamentos de aumento (como o microscópio). Um bom 
exemplo é o ar poluído das grandes cidades: apesar da aparência 
homogênea, os sólidos em suspensão podem ser retidos por uma 
simples peneira. 
Sistema homogêneo e Heterogêneo: Fases 
Sistema homogêneo 
Apresenta as mesmas propriedades em qualquer parte de sua 
extensão em que seja examinado. Pode ser um mistura (solução) ou 
uma substância pura. 
 
 
Sistema heterogêneo 
Não apresenta as mesmas propriedades em qualquer parte 
de sua extensão em que seja examinado. Pode ser uma substância 
pura em mudança de estado físico (fusão, vaporização, etc...) 
 
 
 
Fases: 
São diferentes porções homogêneas, limitadas por superfícies 
de separação visíveis (com ou sem aparelhos de aumento), que 
constituem um sistema heterogêneo. 
Um sistema heterogêneos apresenta sempre uma única fase, 
isto é, constitui um sistema monofásico. Entretanto, sistema hete- 
rogêneo constitui sempre um sistema polifásico (muitas fases), que 
pode ser bifásico, trifásico, tetrafásico e etc. 
 
Processos de separação de misturas 
Na natureza, raramente encontramos substâncias puras. As- 
sim, para obtermos uma determinada substância, é necessário usar 
métodos de separação. 
 
Decantação Processo utilizado para separar dois tipos de mis- 
turas heterogêneas. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
78 
 
 
 
a) Líquido e sólido 
A fase sólida (barro), por ser mais densa, sedimenta-se, ou seja, 
deposita-se no fundo do recipiente, e a fase líquida pode ser trans- 
ferida para outro frasco. A decantação é usada, por exemplo, nas 
estações de tratamento de água 
 
 
b) Líquido e líquido 
Separa líquidos imiscíveis (exemplo: água e óleo) com a utiliza- 
ção de um funil de decantação. Após a decantação, abre-se a tor- 
neira, deixando passar o líquido mais denso. 
Filtração 
É utilizada para separar substâncias presentes em misturas he- 
terogêneas envolvendo sólidos e líquidos. 
-Filtração simples: A fase sólida é retida no papel de filtro, e a 
fase líquida é recolhida em outro frasco. 
 
 
 
 
 
Centrifugação 
A centrifugação é uma maneira de acelerar o processo de de- 
cantação envolvendo sólidos e líquidos realizada num aparelho 
denominado centrífuga. Na centrífuga, devido ao movimento de 
rotação, as partículas de maior densidade, por inércia, são arremes- 
sadas para o fundo do tubo. 
 
 
-Filtração a vácuo: A água que entra pela trompa d’água arrasta 
o ar do interior do frasco, diminuindo a pressão interna do kitassa- 
to, o que torna a filtração mais rápida. 
 
 
Destilação 
É utilizada para separar cada uma das substâncias presentes 
em misturas homogêneas envolvendo sólidos dissolvidos em líqui- 
dos e líquidos miscíveis entre si. 
-Destilação Simples: Na destilação simples de sólidos dissolvi- 
dos em líquidos, a mistura é aquecida, e os vapores produzidos no 
balão de destilação passam pelo condensador, onde são resfriados 
pela passagem de água corrente no tubo externo, se condensam e 
são recolhidos no erlenmeyer. A parte sólida da mistura, por não ser 
volátil, não evapora e permanece no balão de destilação 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
79 
 
 
 
 
 
 
 
-Destilação fracionada: Na destilação fracionada, são separados líquidos miscíveis cujas temperaturas de ebulição (TE) não sejam 
muito próximas. Durante o aquecimento da mistura, é separado, inicialmente, o líquido de menor TE; depois, o líquido com TE intermedi- 
ária, e assim sucessivamente, até o líquido de maior TE. À aparelhagem da destilação simples é acoplada uma coluna de fracionamento. 
Conhecendo-se a TE de cada líquido, pode-se saber, pela temperatura indicada no termômetro, qual deles está sendo destilado. 
 
 
Ventilação 
Esse método é usado, por exemplo, para separar a palha do grão de arroz. É aplicada uma corrente de ar, e a palha, que é mais leve, 
voa. 
 
Tamisação 
Feita com uma peneira muito fina chamada tamise, separa sólidos maiores dos menores. Ex: cascalhose pequenas pedras preciosas. 
 
Sublimação 
As substâncias participantes desse processo podem ser separadas das impurezas através da sublimação e posterior cristalização. 
 
Separação Magnética 
É um método que utiliza a força de atração do ímã para separar materiais metálicos ferromagnéticos dos demais. Uma mistura de 
limalha (pó) de ferro com outra substância, pó de enxofre, por exemplo, pode ser separada com o emprego de um ímã. Aproximando o 
ímã da mistura, a limalha de ferro prende-se a ele, separando-se do enxofre. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
gás. 
Liquefação fracionada 
Separa gases com pontos de fusão diferentes. Nesse processo um dos gases se liquefaz primeiro, podendo assim ser separado do outro 
 
 
 
Cromatografia em papel 
Esta técnica é assim chamada porque utiliza para a separação e identificação das substâncias ou componentes da mistura a migração 
diferencial sobre a superfície de um papel de filtro de qualidade especial (fase estacionária). A fase móvel pode ser um solvente puro ou 
uma mistura de solventes. 
Este método é muito útil para separar substâncias muito polares, como açúcares e aminoácidos. Possui o inconveniente de poder-se 
cromatografar poucas quantidades de substância de cada vez. 
 
 
 
Solstício e equinócio são fenômenos astronômicos relacionados ao movimento aparente do Sol (incidência de raios solares nos hemis- 
férios) e ao início das estações do ano. 
 
O solstício ocorre em dois momentos do ano, marcando o início do inverno e do verão. O verão inicia-se em junho no Hemisfério Norte 
e em dezembro no Hemisfério Sul. Já o inverno tem início em dezembro no Hemisfério Norte e em junho no Hemisfério Sul. 
 
O equinócio ocorre também em dois momentos do ano, marcando o início da primavera e do outono. A primavera inicia-se em março 
no Hemisfério Norte e em setembro no Hemisfério Sul. Já o outono tem início em setembro no Hemisfério Norte e em março no Hemisfério 
Sul. 
Diferença entre solstício e equinócio 
O solstício representa o momento em que o Sol, ao longo de seu movimento aparente, atinge maior declinação em latitude em relação 
à linha do Equador. Isso faz com que um dos hemisférios receba maior incidência de raios solares. Quando a intensidade solar é maior em 
um dos hemisférios, caracteriza-se o solstício de verão. Em contrapartida, quando a intensidade solar é menor, caracteriza-se o solstício 
de inverno. 
 
Assim, quando é solstício de verão no Hemisfério Norte, o Sol incide perpendicularmente sobre o Trópico de Câncer. Quando é solstício 
de verão no Hemisfério Sul, o Sol incide perpendicularmente sobre o Trópico de Capricórnio. 
FUSO-HORÁRIO; O CALENDÁRIO; O DIA E A NOITE; O MOVIMENTO DA TERRA; AS FASES DA LUA; VIDA FORA DA 
TERRA 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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No solstício de verão, os dias são mais longos que as noites. Já no solstício de inverno, as noites são mais longas que os dias. 
Equinócio representa o momento em que nenhum dos polos está inclinado em relação ao Sol, o qual incide diretamente sobre a linha 
do Equador. Isso significa que os raios solares incidem com a mesma intensidade no dois hemisférios, consequentemente, os dias e as 
noites têm a mesma duração. 
 
O equinócio ocorre em dois momentos do ano. Em março, marca o início da primavera no Hemisfério Norte e do outono no Hemisfério 
Sul. Já em setembro, o equinócio marca o início do outono no Hemisfério Norte e da primavera no Hemisfério Sul. 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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Datas dos solstícios e equinócios 
 
 
Solstício, equinócio e estações do ano 
O movimento de translação, em que a Terra gira ao redor do Sol, leva cerca de 365 dias e, em decorrência da inclinação da Terra em 
relação ao seu plano orbital, faz com que a incidência solar seja diferente nos hemisférios. Sendo assim, esse movimento é responsável 
pela existência das estações do ano, que são determinadas pela posição do hemisfério em relação aos raios solares. As estações do ano 
não ocorrem de maneira uniforme e simultânea nos dois hemisférios. 
Os solstícios e os equinócios, fenômenos astronômicos relacionados ao movimento aparente do Sol, dão início às estações do ano. A 
incidência dos raios solares de maneira desigual nos hemisférios marca o solstício de verão em um hemisfério e o solstício de inverno em 
outro. A incidência dos raios solares perpendicularmente sobre a linha do Equador faz com que os dois hemisférios recebem igualmente a 
radiação solar. Dessa forma, marca-se o início da primavera em um dos hemisférios e o início do outono no outro. 
 
Estações do ano no Hemisfério Sul – 2019 
 
 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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As estações do ano são os períodos em que o ano é dividido de acordo com suas características climáticas. 
 
Existem quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Elas ocorrem ao longo do período de um ano. 
 
Em algumas regiões, não é possível distinguir as estações do ano, e a primavera e o outono podem não ser bem definidos. 
 
Os países localizados na faixa tropical do planeta não possuem as quatro estações bem definidas, sendo predominante o verão e 
inverno. 
Como surgem as estações do ano? 
As estações variam conforme a exposição aos raios solares, ou seja, de acordo com o movimento orbital da Terra em relação ao Sol. 
Por esse motivo, os hemisférios Sul e Norte sempre estarão com as estações opostas. 
 
Outono: O outono sucede o verão e antecede o inverno. Ele se caracteriza pela temperatura amena, tempo mais fresco e queda das 
folhas das árvores. Inicialmente, os dias e noites possuem a mesma duração. 
 
Porém, com o tempo, os dias vão se tornando mais curtos em relação à noite. Além disso, a temperatura também vai caindo, marcan- 
do a chegada do inverno. 
 
No Brasil, o outono inicia em 20 de março e termina em 21 de junho. 
 
Inverno: O inverno é a época mais fria do ano, quando as temperaturas são baixas e com presença de neve em algumas localidades. 
Ela antecede a primavera e sucede o outono. 
 
Nesse período, as noites são mais longas do que os dias e os animais ficam mais ociosos, alguns chegam até a hibernar. 
No Brasil, o inverno inicia em 21 de junho e termina em 23 de setembro. 
Primavera: A primavera sucede o inverno e antecede o verão. Nesse período, as temperaturas voltam a ficar amenas, as flores flores- 
cem e os dias e noites têm a mesma duração. 
Aos poucos, os dias vão se tornando mais longos e as temperaturas aumentam, indicando a chegada do verão. 
 
No Brasil, a primavera inicia em 23 de setembro e termina em 22 de dezembro. 
 
Verão: O verão sucede a primavera e antecede o outono, é um período marcado pelas altas temperaturas e dias mais longos. 
 
O calor resulta em uma evaporação mais rápida da água acumulada nos solos, resultando em chuvas constantes. 
No Brasil, o verão começa em 21 de dezembro e termina em 20 de março. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
84 
 
 
 
Estações do ano no Hemisfério Norte 
No hemisfério Norte estão localizados os Estados Unidos da América e a Europa, por exemplo. Lá, as estações do ano ocorrem em 
épocas diferentes: 
 
Primavera: de 20 de março a 21 de junho. 
Verão: de 21 de junho a 23 de setembro. 
Outono: de 22 ou 23 de setembro a 22 de dezembro. 
Inverno: de 22 de dezembro a 20 de março. 
 
Curiosidades sobre as estações do ano 
Estações do ano na China 
Embora localizada no Hemisfério Norte, na China são cinco as estações do ano: Primavera, Verão, Estio (períodos quentes), Outono e 
Inverno (períodos frios). 
 
Estações do ano na Índia 
Na Índia, o ano é dividido em três estações: quente, frio e chuvoso. 
 
Estações do ano nos Polos 
As regiões polares, polo Norte e polo Sul, possuem apenas duas estações no ano: o inverno e o verão. 
 
Onde já nevou no Brasil? 
No Brasil, a neve não é muito comum. Porém, em diversas cidades já nevaram. Na região Sul, é mais comum e frequente a presença 
de neve no inverno. No Sudeste, no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, também já ocorreuneve. 
fonte: https://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/ 
 
Movimento de Rotação 
No movimento de rotação, os planetas giram em torno do seu próprio eixo, uma linha imaginária que passa pelo seu centro. O ob- 
servador terrestre tem dificuldade de perceber o movimento de rotação da Terra. Para isso deve-se notar que o Sol, do amanhecer ao 
anoitecer, parece se mover da região leste em sentido oeste. O mesmo acontece, à noite, com a Lua, as estrelas e demais astros que vemos 
no céu. 
O movimento de rotação da Terra dura, aproximadamente 24 horas - o que corresponde a um dia. A Terra, por ser esférica, não é 
iluminada toda de uma vez só. Conforme a Terra gira em torno do seu eixo, os raios de luz solar incidem sobre uma parte do planeta e a 
outra fica à sombra. 
Ociclo do dia e da noite ocorrem graças a rotação. Enquanto o planeta está girando sobre seu próprio eixo é dia nas regiões que estão 
iluminadas pelo Sol (período claro) e, simultaneamente, é noite nas regiões não iluminadas (período escuro). 
 
http://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/
http://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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Movimento de Translação 
O movimento de translação é executado pelos planetas ao redor do Sol, e o tempo que levam para dar uma volta completa é deno- 
minadoperíodo orbital. No caso da Terra esse período leva cerca de 365 dias e aproximadamente 6 horas para se completar. A Terra, no 
seu movimento de translação, forma uma elipse pouco alongada (bem próxima a circular). Já o planeta Netuno traça a sua órbita elíptica 
de forma bastante alongada. 
Em razão do movimento de translação e da posição de inclinação do eixo da Terra, cada hemisfério fica, alternadamente, mais exposto 
aos raios solares durante um período do ano. Isso resulta nas quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera. Nos meses de 
dezembro a março, o Hemisfério Sul - localizado ao sul da linha do Equador - fica mais exposto ao Sol. É quando os raios solares incidem 
perpendicularmente sobre pelo menos alguns pontos do Hemisfério Sul. é verão nesse hemisfério. 
Depois de seis meses, nos meses de junho a setembro, a Terra já percorreu metade da sua órbita. O Hemisfério Norte - localizado ao 
norte da linha do Equador - fica mais exposto ao Sol e, assim, os raios solares incidem perpendicularmente sobre pelo menos alguns pontos 
do Hemisfério Norte. é verão no Hemisfério Norte. 
 
 
 
 
Enquanto é verão no Hemisfério Norte com os dias mais longos e as noites mais curtos, é inverno no Hemisfério Sul, onde os dias 
tornam-se mais curtos e as noites mais longas. E vice-e-versa. 
Em dois períodos do ano (de março a junho e de setembro a dezembro) ha posições da Terra, na sua órbita, em que os dois hemisfé- 
rios são iluminados igualmente. é quando ocorrem, de forma alternada nos dois hemisférios, as estações climáticas primavera e outono. 
As estações do ano são invertidas entre os hemisférios Sul e Norte. Por isso é possível, numa mesma época do ano, por exemplo, 
pessoas aproveitarem o verão numa praia no Hemisfério Sul, enquanto outras se agasalharem por causa de uma nevasca de inverno no 
Hemisfério Norte. 
Nas regiões perto da linha do Equador, tanto em um hemisfério quanto no outro, ocorre constantemente a incidência dos raios do Sol, 
faz calor durante todo o ano. Há apenas a estação das chuvas e a estação da seca. 
Em virtude da “curvatura da Terra” e da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao seu plano de órbita, os pólos recebem 
raios de Sol bastante inclinados. 
Por um longo período do ano, os raios solares não chegam aos pólos; por isso essas são regiões muito frias. 
Para os moradores dessas regiões, só há duas estações climáticas: 
• Uma que chamam inverno, ou seja, o longo período em que os raios solares não atingem o pólo; 
• outra chamada verão, quando não acontece o pôr-do-sol durante meses. 
 
Terremotos 
Os terremotos são fenômenos naturais oriundos das pressões internas do planeta, que fazem as placas tectônicas se movimentarem, 
liberando tais pressões. Com isso, a superfície sente essa liberação em forma de tremor, o que pode acarretar sérios prejuízos. 
 
Causas dos terremotos 
Os abalos sísmicos ou tremores de terra geralmente ocorrem quando as rochas estão sob grande pressão, vinda do interior do planeta. 
Essa pressão exerce uma força nas rochas (placas tectônicas) e procura alguma maneira de se exaurir. As falhas geológicas presentes nas 
zonas de contato entre as placas são altamente favoráveis para a ocorrência dessa dissipação. 
A maioria dos abalos sísmicos ocorre nas zonas de contato entre as placas, pois são áreas de movimentação rochosa e com grandes 
falhas geológicas. Entretanto, também pode haver falhas no interior das placas, o que permite a ocorrência de abalos em áreas no interior, 
e não só nas bordas tectônicas. 
Essa pressão vinda do interior do planeta e o movimento tectônico provocam vibrações sísmicas destrutivas, bastante comuns nos 
limites das placas. Quando um bloco rochoso se choca com outro, há o tremor, seja no oceano, seja em terra firme. 
TERREMOTOS, CHUVA E SECA, ENCHENTE 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
86 
 
 
 
O ponto onde começa esse tremor é chamado de epicentro, 
isto é, trata-se do ponto geológico na superfície diretamente sobre 
o foco, ou seja, se um epicentro está localizado a 50 quilômetros de 
uma região, significa que o foco do tremor está a uma distância de 
50 quilômetros e a uma profundidade que pode variar entre 2 e 20 
quilômetros, dependendo da intensidade do tremor. 
 
Essa profundidade de até 20 quilômetros ocorre em áreas con- 
tinentais, pois abaixo disso há uma temperatura muito alta, o que 
dificulta o choque rochoso. Já as placas tectônicas oceânicas têm 
uma composição mais resistente, podendo ter epicentros de até 
690 quilômetros. 
 
Terremotos e maremotos 
Como vimos, os abalos sísmicos são fenômenos naturais, po- 
dendo ocorrer em qualquer área do planeta, mas com maior fre- 
quência e intensidade nas áreas de contato das placas tectônicas. 
 
Ao falar desse tema, convém fazer uma diferenciação, pois, 
dependendo de onde eles ocorrem, a nomenclatura desses fenô- 
menos muda. 
 
 
Abalos sísmicos que ocorrem em áreas terrestres, continentais, 
recebem o nome de terremotos. Já os abalos sísmicos ocorridos 
no fundo dos oceanos recebem o nome de maremotos. Para sa- ber 
mais sobre esse fenômeno que ocorre com as placas tectônicas 
oceânicas. 
 
Intensidade dos terremotos 
Para medir a intensidade desses abalos, os geólogos usam os 
sismógrafos, aparelhos capazes de medir com precisão os falha- 
mentos geológicos, o que contribui para a identificação de áreas 
propensas à ocorrência de abalos sísmicos. 
 
Espalhados pelo mundo todo, os sismógrafos são capazes de 
analisar três tipos de movimentos do solo: 
horizontal norte-sul; 
horizontal leste-oeste; 
vertical cima-baixo. 
 
Além disso, são capazes de medir a intensidade do tremor a fim 
de aperfeiçoar os estudos sobre tais áreas. Entretanto, ainda não 
chegamos à capacidade de prever terremotos, mas sim de estudar 
quais áreas (falhas geológicas) estão mais sujeitas à ocorrência de 
abalos a longo prazo. 
A intensidade de um terremoto é medida a partir de duas esca- 
las: a Richter e a Mercali. A primeira foi elaborada por Charles Rich- 
ter em 1935. Essa escala mede quão forte é o tremor, que apresenta 
variação na escala de 1º a 10º. Quanto mais alto o valor do abalo, 
mais danos ele causa na superfície. 
 
Segundo Richter, os abalos variam em um fator de 10: o terre- 
moto com escala 2 é 10 vezes mais intenso do que o terremoto com 
escala 1. Um terremoto com escala 6 é 100 vezes mais forte do que 
um com escala 4, e assim sucessivamente. 
 
Já a escala Mercali mede o poder de destruição dos abalos na 
sociedade, variando de I a XII. Quanto mais próximo de XII, mais 
destrutivo. 
Associando uma escala com a outra, podemos ter abalos sísmi- 
cos de 7º na Escala Richter, porém IIna Escala Mercali. Isso porque 
esses abalos podem ocorrer em áreas desérticas, por exemplo, cau- 
sando poucos ou nenhum dano às sociedades humanas. 
 
Consequências dos terremotos 
Os terremotos, em sua maioria, podem causar sérios danos 
para a sociedade, haja vista o tamanho e intensidade de cada um. 
Ademais, os maremotos podem gerar ondas gigantes de 20 metros, 
em média, varrendo áreas costeiras num piscar de olhos. Essas on- 
das recebem o nome de tsunamis. Tais ondas podem chegar ao lito- 
ral em uma velocidade de até 800 km/hora. 
 
Casas e prédios destruídos, pontes com estruturas comprome- 
tidas, vítimas fatais e/ou presas sob os escombros são algumas das 
consequências desses tremores em áreas continentais. O fenôme- 
no em si não necessariamente causa algum dano na superfície, pois 
muitos terremotos podem ocorrer em áreas de baixa densidade de- 
mográfica, alterando a paisagem de forma pouco significativa. 
 
As grandes consequências estão ligadas ao colapso das cons- 
truções civis em decorrência de: 
deslizamentos de terras; 
incêndios causados por quedas de fiação elétrica; 
rompimento de represas; 
inundações causadas por tsunamis. 
Terremotos no Brasil 
O Brasil, por estar localizado em uma área distante do contato 
entre placas tectônicas, não possui grandes eventos catastróficos 
relacionados a terremotos. Todavia, ao longo do tempo, pequenos 
abalos sísmicos já aconteceram em nosso território, mas com um 
baixo grau na Escala Richter se compararmos com os que ocorrem 
nas zonas de contato de placas tectônicas. 
 
Em 2010 um tremor de terra aconteceu no Acre e tornou-se o 
maior de todos os terremotos ocorridos no Brasil, com 6,5º na Esca- 
la Richter. Vale destacar que a Região Norte sente tremores com in- 
tensidade maior, mas que ocorrem em países vizinhos, como o que 
atingiu o Peru em 2011, com 7º na Escala Richter. Por precaução, na 
época prédios e demais construções foram evacuados em cidades 
do Acre e do Amazonas. 
 
No geral, os terremotos que ocorrem no Brasil não ultrapassam 
5º na Escala Richter, o que é considerado um tremor moderado, 
mas que não chega a causar graves danos. 
 
Em julho de 2020, um terremoto de 3,5º na Escala Richter foi 
sentido no litoral sul da Bahia. Um mês depois, um tremor de 4,6º 
foi sentido no mesmo estado e durou cerca de 20 segundos. Pode 
parecer um tempo pequeno, mas 20 segundos com um terremoto 
de 6º ou mais já é suficiente para um estrago imensurável. Para sa- 
ber mais sobre esses abalos sísmicos no nosso território, leia: ter- 
remotos no Brasil. 
 
Terremotos no mundo 
Os terremotos são eventos que podem trazer prejuízos imen- 
sos, tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista 
humano, com um número significativo de vítimas. Veja alguns dos 
principais terremotos ao longo dos últimos anos. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
87 
 
 
 
Chile, 1960: no dia 22 de março houve o maior terremoto já 
registrado na história, um abalo sísmico de 9,5º na Escala Richter. 
Estima-se que 1600 pessoas morreram e mais de 2 milhões ficaram 
desabrigados. O terremoto causou tsunamis, erupções vulcânicas e 
muitas áreas afundaram e outras se elevaram, alterando a geografia 
litorânea do país. 
 
Califórnia, 1989: em outubro de 1989, um terremoto de 7,1º na 
Escala Richter deixou 60 mortos e mais de 7 bilhões de dólares em 
prejuízos financeiros. 
 
Japão, 1995: com 6,9º na escala Richter, esse terremoto, que 
ocorreu em Kobe, promoveu uma falha superficial geológica de 9 
quilômetros, além de mais de 5 mil mortos e 310 mil desabrigados. 
 
Índia, 2000: um terremoto com 8º na Escala Richter causou a 
morte de 20 mil pessoas. 
 
Japão, 2011: um tremor no Oceano Pacífico de 9,1º na Escala 
Richter ocasionou o surgimento de tsunamis com quase 20 m de 
altura. Tanto o tremor quanto o tsunami foram sentidos na costa 
leste do Japão, ocasionando a morte de 16 mil pessoas, além da 
explosão da Usina Nuclear de Fukushima, o que acabou liberando 
radiação na área. 
 
Nepal, 2015: em abril, um tremor de 7,8º na escala Richter atin- 
giu a região da Índia, Paquistão, Bangladesh, China e Nepal — esse 
último foi o país mais atingido. Segundo dados das autoridades, o 
número de mortos ultrapassou 5 mil e afetou mais de 8 milhões de 
pessoas dos países citados. 
México, 2017: dois tremores foram sentidos no país, um de 
8,5º e outro de 7,1º, todos em setembro. Apesar da alta magnitude, 
eles trouxeram poucos danos e pouco mais de 100 mortos, número 
relativamente baixo se compararmos com terremotos da mesma 
intensidade na Escala Richter. O epicentro desses tremores ocorreu 
em locais pouco habitados, daí o baixo grau de destruição e morte. 
 
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/terremotos.htm 
 
 
 
A atual sociedade de consumo vem alterando de forma cada 
vez mais perigosa a biosfera. No capitalismo a função da natureza é 
exclusivamente de promover recursos, mas em contrapartida as 
consequências são extremamente negativas. 
Do ponto de vista ambiental o mundo passa por uma série de 
modificações, devido a esse processo percebemos o fim do petró- 
leo, escassez de água e aquecimento global, tudo isso fruto da so- 
ciedade industrial consumista. 
O homem esquece que quando promove a destruição da na- 
tureza ele está se autodestruindo pois esse é parte integrante da 
natureza, esquece também que os elementos da natureza (hidros- 
fera, atmosfera, litosfera, animais, plantas entre outros) possui uma 
relação de interdependência. 
A Hipótese Gaia, do grego “mãe Terra”, divindade que também 
recebia o nome de Gea, é uma nova visão de mundo, diz que a na- 
tureza poderá impor limitações à existência da vida humana no pla- 
neta. Algumas das limitações podem ser percebidas, como o aque- 
cimento global, ou efeito estufa, fenômeno que se caracteriza pelo 
aumento da temperatura média do planeta, provocando aumento 
dos níveis das águas oceânicas, além de mudanças climáticas com 
efeitos imprevisíveis. 
 
Com base nestes problemas alguns grupos começaram a se 
preocupar, dando início a vários movimentos ambientalistas e o 
despertar da consciência ecológica, é lógico que isso não ocorre de 
forma homogênea nos governos das maiores potências, pois vários 
acordos são gerados, muitos não são cumpridos para não compro- 
meter a prosperidade econômica. 
Hoje existem muitos movimentos ambientalistas, em sua gran- 
de maioria se tratam de ONG´s (Organizações não Governamen- 
tais), que lutam para preservar a natureza, dentre muitas podemos 
citar o Greenpeace, grupo de defesa ecológica, SOS MATA ATLÂNTI- 
CA e o Fundo Mundial para a Natureza, os movimentos em defesa 
surgiram principalmente a partir da década de 1960 e 1970. 
Qual caminho seguir na preservação ambiental num mundo 
moderno em que não há maneiras de retroceder em condição de 
vida? 
Primeiro é preciso um despertar da sociedade, que é o agente 
das questões ambientais, tanto positivas quanto negativas. 
Atualmente existem várias correntes de pensamentos de pre- 
servação, o conservacionismo (consiste no pensamento de que a 
prioridade é a natureza com uma preocupação de conservação para 
as demais gerações), desenvolvimentismo ecológico (consiste no 
pensamento de que o mundo pode continuar crescendo economi- 
camente de forma sustentável) e ecocapitalismo (corresponde ao 
pensamento capitalista de obter vantagens com as questões am- 
bientais). 
 
Em busca de soluções para os problemas ambientais são reali- 
zados, ocasionalmente, conferências, congressos, acordos para dis- 
cutir as possíveis maneiras de solucionar ou pelo menos amenizar, 
alguns dos principais eventos mundiais estão o Rio 92, Protocolo de 
Quioto, Rio +10 e outras, além de outras discussões no campo 
acadêmico. 
Em suma todos os questionamentos acerca dos problemas am- 
bientais devem ser encarados de forma coletiva, pois não é só o 
poder governamental que deve ter compromisso, mas sim todos os 
cidadãos podem participar cada um fazendo sua parte. 
 
Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/conscien-cia-ecologica.htm 
 
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 
Cuidar do meio ambiente em que vivemos é uma questãode 
sobrevivência e responsabilidade de todos. Nesse contexto se cons- 
cientizar da necessidade da mudança de comportamento para a 
preservação do meio ambiente e suas relações no trânsito é pre- 
ciso objetivando, com isso, um bom convívio social entre as pesso- 
as, condutores e demais participantes do sistema rodoviário. 
MEIO AMBIENTE; AQUECIMENTO GLOBAL; RECURSOS 
RENOVÁVEIS E NÃO RENOVÁVEIS; RECURSOS ENERGÉ- 
TICO; PRESERVAÇÃO AMBIENTAL 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
88 
 
 
 
Grande parte da população está preocupada com o que po- 
derá acontecer com o nosso planeta. Os meios de comunicação não 
param de noticiar sobre o aquecimento global. Sabemos que o 
aquecimento global, como o próprio nome já diz, é a elevação da 
temperatura do planeta e não de uma pequena parte deste, e que 
tem como consequências desastrosas situações que estamos 
presenciando em várias partes da terra como: furacões, secas, ex- 
tinção de animais e vegetais, derretimento dos polos. 
Como vimos, são problemas que o homem não tem condições 
de enfrentar ou controlar se não tomar atitudes enérgicas. Pelo con- 
trário, o que observamos e que há muitos anos o homem destrói o 
planeta desmatando, matando e poluindo. O homem é ganancioso 
e para alcançar seus objetivos não pensa no amanhã. 
Acredita-se que o aumento da quantidade de gás carbônico, 
metano, lançados na atmosfera provoca uma elevação da tempera- 
tura. A emissão desses gases fruto do desmatamento e da queima 
de combustíveis formam uma barreira impedindo que o calor se 
propague aumentando a temperatura da terra. 
Os maiores responsáveis pela emissão desses gases são os Es- 
tados Unidos (que lideram a lista com cerca de 36% do total mun- 
dial), a União Europeia, China, Rússia, Japão e Índia. 
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas 
ou Intergovernamental Panel on Climate Change) criado pela ONU, 
ganhou destaque por causa dos seus esperados relatórios a respei- 
to das causas desse imenso problema e também por apontar alguns 
caminhos para reverter a situação. 
O Brasil já contribui para mudar esse triste quadro, aqui já exis- 
te o desenvolvimento de matrizes energéticas de origens vegetais 
(etanol, biodiesel). 
Paralelamente, a Lei de Crimes Ambientais, como ficou conhe- 
cida a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, entrou em vigor 
após sua regulamentação através do Decreto n º 3.179, de 21 de 
setembro de 1999, do Ministério do Meio Ambiente, tendo à frente 
da pasta o Exmo. Sr. Ministro José Sarney Filho. 
A referida regulamentação passou a ser uma ferramenta funda- 
mental para a proibição de práticas nocivas ao meio ambiente. As 
multas aplicadas variam de 50 reais a 50 milhões de reais e es- tão 
graduadas de acordo com a gravidade do dano ambiental, com os 
antecedentes do infrator e com a sua situação econômica. Verifi- 
cada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, 
lavrando-se os respectivos autos. 
Quando da apreensão de animais os mesmos serão libertados 
em seu habitat ou entregues a jardins zoológicos ou entidades as- 
semelhadas, desde que fiquem sob responsabilidade de técnicos 
habilitados. Quantos aos instrumentos utilizados na prática da in- 
fração serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio 
de reciclagem. Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, se- 
rão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, 
penais e outras com fins beneficentes. Os produtos e subprodutos 
da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições 
científicas, culturais ou educacionais. 
 
O cidadão e o meio ambiente 
De acordo com a Constituição Federal, art. 225 -”Todos têm di- 
reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se 
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- 
-lo para as presentes e futuras gerações”. 
Ambiente 
É o conjunto formado por todos os seres vivos que nele vi- vem 
mais os fatores físico-químicos (água, luz, solo, ar etc), ali existentes. 
Os seres vivos, dentro dos quais o homem se destaca pela sua 
inteligência, dependem de vários desses fatores para sua sobrevi- 
vência, como podemos ver a seguir: 
-para que possam ter alimentação sadia, é necessário que o 
solo apresente condições excelentes para o plantio.; 
-somos dependentes da qualidade da água que bebemos - 
água potável; 
-necessitamos do ar que respiramos e este não pode ter polui- 
ção que pode provocar doenças. 
 
Poluição 
Contaminação e consequentemente degradação do meio natu- 
ral causados por agentes químicos, detritos domésticos, industriais 
etc. Pode ser, também conceituada como degradação do meio am- 
biente por um ou mais fatores prejudiciais à saúde, ao equilíbrio 
emocional, etc. 
 
Riscos para a saúde 
Poluição do ar: Comparando o ar que circula em matas, praias 
e parques com o dos grandes centros urbanos, percebemos com 
facilidade uma grande diferença. Enquanto o ar dos grandes centros 
é impregnado de gases tóxicos, principalmente o monóxido de car- 
bono expelido pelos veículos automotores, e de fuligem que saem 
das chaminés de fábricas, o ar nos parques e em algumas praias 
geralmente não são poluídos. 
Muitos problemas são causa- dos à saúde do homem através 
da poluição do ar, como exemplos podemos citar: dor de cabeça, 
tontura, náusea, vômito, irritação dos olhos. 
 
Poluição da água: Além da poluição por substâncias tóxicas, as 
águas dos rios, lagos e mares é frequentemente contaminada por 
bactérias, vermes, protozoários, ovos e larvas de seres vivos cau- 
sadores de doenças. Em geral, toda essa contaminação é causada 
pelos esgotos das cidades. Doenças relacionadas com a contamina- 
ção das águas: disenteria, cólera, esquistossmose, malária, dengue, 
e febre amarela. 
Poluição do solo: Sabemos que o solo é muito importante para 
a nossa vida. Todavia, ele vem sendo continuamente agredido pelas 
pessoas, de várias maneiras: uso inadequado de agrotóxico, de po- 
sição de lixo domésticos e de resíduos industriais em locais impró- 
prios, lançamento de esgoto em valas descobertas. Doenças trans- 
mitidas pelo solo contaminado: ascaridíase (causada pelo ver- me 
lombriga); teníase (causada pela tênia - conhecida como solitária); 
oxiuríase (causada pelo verme oxiúro). 
 
Crimes contra o meio ambiente 
São considerados crimes contra a fauna: 
-matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna 
silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, 
licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacor- 
do com a obtida; 
-exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis 
em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental; 
-introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico ofi- 
cial favorável e licença expedida pela autoridade competente; 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
89 
 
 
 
-praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais sil- 
vestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; 
-provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de mate- 
riais, o perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em 
rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras.; 
-pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares 
interditados por órgão competente; 
-pescar mediante utilização de: 
I - explosivos ou substancias que, em contato com a água, pro- 
duzam efeito semelhante; 
II- substâncias tóxicas, ou um outro meio proibido pela autori- 
dade competente; 
 
São considerados crimes contra a flora: 
-destruir ou danificar floresta considerada de preservação per- 
manente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência 
das normas de proteção; 
-cortar árvores em floresta considerada de preservação perma- 
nente, sem permissão da autoridade competente; 
-causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservaçãoe 
as áreas de que trata o art. 27 do Decreto n º 99.274, de 6 de junho 
de 1990, independentemente de sua localização; 
-provocar incêndio em mata ou floresta; 
-fabricar, vender, transformar ou soltar balões que possam pro- 
vocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em 
áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano. 
-extrair de florestas de domínio público ou considerados de 
preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal 
ou qualquer espécie de minerais; 
-cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classifi- 
cada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou 
para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo 
com as determinações legais; 
-receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madei- 
ra, lenha, carvão ou outros produtos de origem vegetal, sem exigir 
a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade com- 
petente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto 
até final beneficiamento. 
impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e de- 
mais formas de vegetação; 
-destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou 
meio plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em pro- 
priedade privada alheia; 
-destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vege- 
tação fixadora de dunas protetora de mangues, objeto de especial 
preservação; 
-comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas de- 
mais formas de vegetação, sem licença da autoridade competente; 
-causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resul- 
tem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provo- 
quem a mortandade de animais ou a destruição;; 
-executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem 
a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em 
desacordo com a obtida; 
-produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, 
fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar 
produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana 
ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabeleci- 
das em leis ou nos seus regulamentos. 
Faça a sua parte, jogue o lixo no lixo. 
 
POLÍTICA AMBIENTAL 
Política Ambiental é um conjunto de ações ordenadas e práti- 
cas tomadas por empresas e governos com o propósito de preser- 
var o meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável do 
planeta. Esta política ambiental deve ser norteada por princípios e 
valores ambientais que levem em consideração a sustentabilidade. 
 
Importância 
Atualmente, quase todos os governos e grandes empresas pos- 
suem políticas ambientais. Além de mostrar para os cidadãos e con- 
sumidores quais são os princípios ambientais seguidos, as políticas 
ambientais servem para minimizar os impactos ambientais gerados 
pelo crescimento econômico e urbano. 
Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a 
garantia de um futuro com desenvolvimento e preservação ambien- 
tal. São também fundamentais para o combate ao aquecimento 
global do planeta (verificado nas últimas décadas), redução signifi- 
cativa da poluição ambiental (ar, rios, solo e oceanos) e melhoria na 
qualidade de vida das pessoas (principalmente dos grandes centros 
urbanos). 
 
Ações práticas de uma política ambiental (exemplos): 
- Adoção de processos de reciclagem. 
- Ações que visem à redução do consumo de energia. 
- Ações práticas para evitar o desperdício de água, incentivando 
o seu consumo racional. 
- Planejamento urbano adequado por parte dos governos. Nes- 
tas ações são importantes a preservação de áreas verdes e projetos 
de arborização urbana. 
- Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, 
por exemplo, eólica e solar. 
- As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu 
processo produtivo devem adotar medidas eficazes para que estes 
poluentes não sejam despejados no meio ambiente (ar, rios, lagos, 
oceanos e solo). 
- As empresas devem criar produtos com baixo consumo de 
energia e, sempre que possível, usar materiais recicláveis. 
- Criação de projetos governamentais voltados para a educação 
ambiental, principalmente em escolas. 
- Implantação das normas do ISO 14000 e obtenção do certi- 
ficado. 
 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
O desenvolvimento sustentável é um conceito elaborado para 
fazer referência ao meio ambiente e à conservação dos recursos 
naturais. Entende-se por desenvolvimento sustentável a capacida- 
de de utilizar os recursos e os bens da natureza sem comprometer 
a disponibilidade desses elementos para as gerações futuras. Isso 
significa adotar um padrão de consumo e de aproveitamento das 
matérias-primas extraídas da natureza de modo a não afetar o fu- 
turo da humanidade, aliando desenvolvimento econômico com res- 
ponsabilidade ambiental. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
90 
 
 
 
Sabemos que existem os recursos naturais não renováveis, ou 
seja, aqueles que não podem renovar-se naturalmente ou pela in- 
tervenção humana, tais como o petróleo e os minérios; e que tam- 
bém existem os recursos naturais renováveis. No entanto, é errô- 
neo pensar que esses últimos sejam inesgotáveis, pois o seu uso 
indevido poderá extinguir a sua disponibilidade na natureza, com 
exceção dos ventos e da luz solar, que não são diretamente afetados 
pelas práticas de exploração econômica. 
Dessa forma, é preciso adotar medidas para conservar esses 
recursos, não tão somente para que eles continuem disponíveis 
futuramente, mas também para diminuir ou eliminar os impactos 
ambientais gerados pela exploração predatória. Assim, o ambiente 
das florestas e demais áreas naturais, além dos cursos d’água, o solo 
e outros elementos necessitam de certo cuidado para continuarem 
disponíveis e não haver nenhum tipo de prejuízo para a sociedade 
e o meio ambiente. 
A história do conceito de Desenvolvimento Sustentável 
O conceito de desenvolvimento sustentável foi oficialmente 
declarado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambien- 
te Humano, realizada em 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, e, 
por isso, também chamada de Conferência de Estocolmo. 
A importância da elaboração do conceito, nessa época, foi a de 
unir as noções de crescimento e desenvolvimento econômico com 
a preservação da natureza, questões que, até então, eram vistas de 
forma separada. 
Em 1987, foi elaborado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, 
mais conhecido como Relatório Brundtland, que formalizou o ter- 
mo desenvolvimento sustentável e o tornou de conhecimento pú- 
blico mundial. Em 1992, durante a ECO-92, o conceito “satisfazer as 
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gera- 
ções futuras de suprir suas próprias necessidades” tornou-se o eixo 
principal da conferência, concentrando os esforços internacionais 
para o atendimento dessa premissa. Com esse objetivo, foi elabo- 
rada a Agenda 21, com vistas a diminuir os impactos gerados pelo 
aumento do consumo e do crescimento da economia pelo mundo. 
 
Medidas sustentáveis 
Dentre as medidas que podem ser adotadas tanto pelos gover- 
nos quanto pela sociedade civil em geral para a construção de um 
mundo pautado na sustentabilidade, podemos citar: 
- redução ou eliminação do desmatamento; 
- reflorestamento de áreas naturais devastadas; 
- preservação das áreas de proteção ambiental, como reservas 
e unidades de conservação de matas ciliares; 
- fiscalização, por parte do governo e da população, de atos de 
degradação ao meio ambiente; 
- adoção da política dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) ou dos 
5Rs (repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar); 
- contenção na produção de lixo e direcioná-lo corretamente 
para a diminuição de seus impactos; 
- diminuição da incidência de queimadas; 
- diminuição da emissão de poluentes na atmosfera, tanto pe- 
las chaminés das indústrias quanto pelos escapamentos de veículos 
e outros; 
- opção por fontes limpas de produção de energia que não ge- 
rem impactosambientais em larga e média escala; 
- adoção de formas de conscientizar o meio político e social das 
medidas acimas apresentadas. 
Essas medidas são, portanto, formas viáveis e práticas de se 
construir uma sociedade sustentável que não comprometa o meio 
natural tanto na atualidade quanto para o futuro a médio e longo 
prazo. 
 
Queimadas e desmatamento na Amazônia aumentam após 
saída do Exército 
Na Amazônia, as queimadas e o desmatamento voltaram a 
crescer em novembro, com o fim da atuação das Forças Armadas 
na região. 
A operação de garantia da lei e da ordem, a GLO, na região 
amazônica durou dois meses. Terminou no fim de outubro. Dez mil 
soldados combateram quase dois mil focos de queimadas na flo- 
resta 
Em agosto, o Inpe registrou quase 31 mil focos de queima- 
da. Em setembro e outubro, com a GLO, os números caíram para 
19.900 e depois para 7.800. Agora em novembro, depois da saída 
dos militares, os focos aumentaram de novo: 10.200. 
O mesmo movimento foi registrado com o desmatamento. Au- 
mento em agosto, 223%a mais que em agosto de 2018. E com a 
entrada da GLO o ritmo de crescimento do desmatamento diminui 
em setembro e em outubro, mas voltou a aumentar em novembro 
40% em relação ao mesmo mês de 2018. 
O ministro do Meio Ambiente disse que, para combater o des- 
matamento, o governo vai investir no desenvolvimento sustentável. 
(Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noti- 
cia/2019/11/29/numero-de-queimadas-na-amazonia-aumenta- 
-apos-saida-do-exercito.ghtml) 
 
Manchas de óleo no litoral atingem mais de 500 locais no Nor- 
deste e Sudeste 
Chegou a 527 o número de locais afetados pelas manchas de 
óleo que desde o final de agosto poluem a costa brasileira. O dado 
é do último balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgado na manhã desta 
quarta-feira (13/11/19) com dados compilados até terça (12/11/19). 
Ao todo, 68% dos municípios do litoral nordestino foram conta- 
minados desde o início do desastre ambiental. Das 111 cidades afe- 
tadas, 107 estão no Nordeste e 4 no Espírito Santo, primeiro estado 
do Sudeste atingido pelas manchas. Segundo o IBGE, existem 156 
municípios no litoral nordestino. 
Ainda de acordo com o Ibama, 97 animais já morreram por 
conta da contaminação e pelo menos 134 foram encontrados com 
manchas de óleo. Desses, apenas 37 foram localizados vivos. As tar- 
tarugas marinhas são as mais atingidas: 90 tartarugas, de diferentes 
espécies, foram contaminadas. 
 
Investigação federal 
Segundo órgãos federais, a substância é a mesma em todos os 
locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais ma- 
rinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. 
Uma investigação da Polícia Federal aponta que o navio grego 
Bouboulina é o principal suspeito pelo vazamento. A embarcação 
carregou 1 milhão de barris de petróleo Merey 16 cru no Porto José, 
na Venezuela, no dia 15 de julho e zarpou em direção à Malásia, 
passando pelo litoral da Paraíba no dia 28 de julho. Cerca de um 
mês depois as primeiras manchas foram registradas em praias do 
estado. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
91 
 
 
 
A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter 
provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A 
Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis 
por outras quatro embarcações de bandeira grega. 
Dentre os cinco navios gregos notificados pela Marinha do Bra- 
sil na investigação sobre o vazamento de óleo, dois não transpor- 
taram petróleo da Venezuela no período de julho até setembro. A 
Petrobras disse, no último dia 25, que o material encontrado nas 
praias nordestinas é petróleo bruto originário de três diferentes 
campos da Venezuela. 
(Fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/10/08/lista- 
-de-praias-atingidas-pelas-manchas-de-oleo-no-nordeste.ghtml) 
 
Balanços oficiais de desmatamento da Amazônia confirmam 
dados de sistema de alerta; entenda 
A série com dados oficiais de desmatamento da Amazônia dos 
últimos três anos, compilados pelo Instituto Nacional de Pesquisas 
Espaciais (Inpe), mostra que os alertas preliminares de áreas com 
sinais de devastação na floresta vêm sendo confirmados ano a ano, 
e com margem. 
A divulgação destes alertas gerou críticas do presidente Jair 
Bolsonaro, que afirmou que os números prejudicam a imagem do 
país. O episódio levou à exoneração do então diretor do instituto, 
Ricardo Galvão. Tanto a taxa oficial quanto os alertas diários preli- 
minares são do Inpe, que é ligado ao Ministério da Ciência e Tec- 
nologia. 
De agosto de 2018 a julho deste ano, os alertas indicaram que 
6,8 mil km² poderiam estar sob desmate. O balanço do período que 
se encerrou em julho de 2019 ainda não foi divulgado. 
Em comparação, de agosto de 2017 a julho de 2018 os alertas 
sinalizaram desmate em 4,5 mil km ² e a taxa oficial ficou em 7,5 mil 
km² – 64,8% maior. 
Os alertas diários são emitidos pelo Sistema de Detecção de 
Desmatamento em Tempo Real (Deter) e servem para embasar 
ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 
Já os dados oficiais são do Programa de Monitoramento da Flo- 
resta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), que tem índice de 
confiança próximo a 95%. 
Especialistas dizem que a falta de fiscalização e punição está 
levando ao crescimento do desmatamento na região amazônica. 
(Fonte:https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/18/balan- 
cos-oficiais-de-desmatamento-da-amazonia-confirmam-dados-de- 
-sistema-de-alerta-entenda.ghtml) 
 
Acordo de Paris 
O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UN- 
FCCC para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no con- 
texto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no 
sentido de manter o aumento da temperatura média global em 
bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar 
esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos 
níveis pré-industriais. 
Para que comece a vigorar, necessita da ratificação de pelo me- 
nos 55 países responsáveis por 55% das emissões de GEE. O se- 
cretário-geral da ONU, numa cerimônia em Nova York, no dia 22 
de abril de 2016, abriu o período para assinatura oficial do acordo, 
pelos países signatários. Este período se encerrou em 21 de abril de 
2017. 
Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se en- 
volveram na construção de seus próprios compromissos, a partir 
das chamadas Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determi- 
nadas (iNDC, na sigla em inglês). Por meio das iNDCs, cada nação 
apresentou sua contribuição de redução de emissões dos gases de 
efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir 
do cenário social e econômico local. 
Após a aprovação pelo Congresso Nacional, o Brasil concluiu, 
em 12 de setembro de 2016, o processo de ratificação do Acordo de 
Paris. No dia 21 de setembro, o instrumento foi entregue às Nações 
Unidas. Com isso, as metas brasileiras deixaram de ser pretendidas 
e tornaram-se compromissos oficiais. Agora, portanto, a sigla per- 
deu a letra “i” (do inglês, intended) e passou a ser chamada apenas 
de NDC. 
A NDC do Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases 
de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com 
uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de 
gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. 
Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bio- 
energia sustentável na sua matriz energética para aproximadamen- 
te 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de 
florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de 
energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. 
Confira os fundamentos para NDC brasileira. 
A NDC do Brasil corresponde a uma redução estimada em 66% 
em termos de emissões de gases efeito de estufa por unidade do 
PIB (intensidade de emissões) em 2025 eem 75% em termos de in- 
tensidade de emissões em 2030, ambas em relação a 2005. O Brasil, 
portanto, reduzirá emissões de gases de efeito estufa no contexto 
de um aumento contínuo da população e do PIB, bem como da ren- 
da per capita, o que confere ambição a essas metas. 
No que diz respeito ao financiamento climático, o Acordo de 
Paris determina que os países desenvolvidos deverão investir 100 
bilhões de dólares por ano em medidas de combate à mudança do 
clima e adaptação, em países em desenvolvimento. Uma novidade 
no âmbito do apoio financeiro é a possibilidade de financiamento 
entre países em desenvolvimento, chamada “cooperação Sul-Sul”, o 
que amplia a base de financiadores dos projetos. 
Esse mecanismo exige que os países atualizem continuamente 
seus compromissos, permitindo que ampliem suas ambições e au- 
mentem as metas de redução de emissões, evitando qualquer re- 
trocesso. Para tanto, a partir do início da vigência do acordo, acon- 
tecerão ciclos de revisão desses objetivos de redução de gases de 
efeito estufa a cada cinco anos. 
(Fonte: https://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- 
nidas/acordo-de-paris) 
http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u-
http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u-
http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u-
http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u-
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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ECOLOGIA 
 
Rio São Francisco está contaminado com rejeitos da barragem 
de Brumadinho 
Quase três meses após a tragédia do rompimento da barragem 
da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), que matou 210 pessoas 
e deixou outras 96 ainda consideradas desaparecidas, um relatório 
da Fundação SOS Mata Atlântica revela que os danos ambientais 
provocados por mais um crime da empresa são ainda piores do que 
os divulgados até o momento. 
Segundo a entidade, o rio São Francisco está contaminado com 
rejeitos de minério. Entre os dias 8 e 14 de março, a equipe da SOS 
Mata Atlântica revisitou a região até o Alto São Francisco para mo- 
nitorar sua água. 
Dos 12 pontos analisados, nove estavam com condição ruim e 
três regular, o que torna o trecho a partir do Reservatório de Retiro 
Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservató- 
rio de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para 
uso da população. 
A análise apontou que, em alguns trechos, as concentrações de 
ferro, manganês, cromo e cobre, assim como o nível de turbidez da 
água, estavam acima do recomendado pelo Conselho Nacional do 
Meio Ambiente (Conama). 
A turbidez é avaliada pela quantidade de partícula sólida em 
suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, cau- 
sando a morte da vida aquática (em relatório divulgado pelo Portal 
do Meio Ambiente de Minas Gerais, datado do dia 20/02, a Vale te- 
ria informado que já teriam sido encontrados mais de 1.500 peixes 
nativos mortos no Paraopeba). 
(Fonte:http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta- 
-contaminado-com-rejeitos-da-barragem-de-brumadinho/) 
 
Mangaratiba interdita terminal da Vale e aplica multa de R$ 
20 milhões 
A prefeitura de Mangaratiba interditou o terminal da minera- 
dora Vale localizado na Ilha de Guaíba e multou a empresa em R$ 
20 milhões. A interdição ocorreu após uma vistoria feita na manhã 
de hoje (31/01/19) pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente do 
município. A ação contou com engenheiros ambientais, engenhei- 
ros químicos, técnicos do trabalho, biólogos, Polícia Militar, Guarda 
Municipal, além do prefeito, Alan Costa. Foram inspecionados cerca 
de 15 itens e encontradas diversas irregularidades. 
Segundo a prefeitura, a Secretaria de Meio Ambiente solicitou 
da empresa as licenças ambientais no dia 18 de dezembro de 2018, 
mas a Vale teria respondido que “as atividades de terminal maríti- 
mo no finger pier, que recebe navios e o transporte de passageiros 
(funcionários), estavam corretas, já que não há necessidade de li- 
cenciamento”. 
A notificação exigiu também a licença para operação do termi- 
nal da Guaíba, que não foi apresentada. Nova notificação foi feita 
no dia 21 de janeiro, também com a mesma resposta de que as 
licenças não seriam necessárias. Segundo a prefeitura, a operação 
no finger não precisa de licença, mas ela é necessária para o arma- 
zenamento temporário do minério no local, atividade com grande 
capacidade poluidora. 
Localizado na parte leste da Baía da Ilha Grande, o terminal foi 
construído em 1973 e recebe cerca de 40 milhões toneladas de mi- 
nério de ferro por ano, que chegam de trem e são levados de navio 
ao Porto de Sepetiba, para exportação. A Vale foi procurada pela 
reportagem para se posicionar, mas ainda não deu retorno. 
(Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-01/ 
mangaratiba-interdita-terminal-da-vale-e-aplica-multa-de-r-20-mi- 
lhoes) 
 
Efeito estufa 
Efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural responsável 
pela manutenção da vida na Terra. Sem a presença desse fenôme- 
no, a temperatura na Terra seria muito baixa, em torno de -18ºC, o 
que impossibilitaria o desenvolvimento de seres vivos. 
Existem, na atmosfera, diversos gases de efeito estufa capazes 
de absorver a radiação solar irradiada pela superfície terrestre, im- 
pedindo que todo o calor retorne ao espaço. 
Parte da energia emitida pelo Sol à Terra é refletida para o es- 
paço, outra parte é absorvida pela superfície terrestre e pelos oce- 
anos. Uma parcela do calor irradiado de volta ao espaço é retida 
pelos gases de efeito estufa, presentes na atmosfera. Dessa forma, 
o equilíbrio energético é mantido, fazendo com que não haja gran- 
des amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem estáveis. 
Para entender melhor, podemos comparar o efeito estufa ao 
que acontece em um carro parado sob a luz solar. Os raios solares 
passam pelos vidros e aquecem o interior do veículo. O calor, então, 
tende a sair pelo vidro, porém encontra dificuldades. Portanto, par- 
te do calor fica retido no interior do carro, aquecendo-o. Os gases 
de efeito estufa, presentes na atmosfera, funcionam como o vidro 
do carro, permitindo a entrada da radiação ultravioleta, mas dificul- 
tando que toda ela seja irradiada de volta ao espaço. 
Contudo, a grande concentração desses gases na atmosfera di- 
ficulta ainda mais a dispersão do calor para o espaço, aumentando 
as temperaturas do planeta. O efeito estufa tem-se agravado em 
virtude da emissão cada vez maior de gases de efeito estufa à at- 
mosfera. 
 
Essa emissão é provocada por atividades antrópicas, como 
queima de combustíveis fósseis, gases emitidos por escapamentos 
de carros, tratamento de dejetos, uso de fertilizantes, atividades 
agropecuárias e diversos outros processos industriais. 
 
Quais são os gases de efeito estufa? 
Existem quatros principais de gases de efeito estufa. 
1. Dióxido de carbono: é o mais abundante entre os gases de 
efeito estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas ativida- 
des humanas. O uso de combustíveis fósseis, como carvão mineral e 
petróleo, é uma das atividades que mais emitem esses gases. Desde 
a Era Industrial, houve um aumento de 35% da quantidade de dió- 
xido de carbono na atmosfera. 
2. Gás metano: é o segundo maior contribuinte para o aumen- 
to das temperaturas da Terra, com poder 21 vezes maior que o di- 
óxido de carbono. Provém de atividades humanas ligadas a aterros 
sanitários, lixões e pecuária. Além disso, pode ser produzido por 
meio da digestão de ruminantes e eliminado por eructação (arroto) 
ou por fontes naturais. Cerca de 60% da emissão de metano provém 
de ações antrópicas. 
http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta-
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http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-01/
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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3. Óxido nitroso: pode ser emitido por bactérias no solo ou no 
oceano. As práticas agrícolas são as principais fontes de óxidonitro- 
so advindo da ação humana. Exemplos dessas atividades são cultivo 
do solo, uso de fertilizantes nitrogenados e tratamento de dejetos. 
O poder do óxido nitroso de aumentar as temperaturas é 298 vezes 
maior que o do dióxido de carbono. 
4. Gases fluoretados: são produzidos pelo homem a fim de 
atender às necessidades industriais. Como exemplos desses gases, 
podemos citar os hidrofluorocarbonetos, usados em sistemas de 
arrefecimento e refrigeração; hexafluoreto de enxofre, usado na 
indústria eletrônica; perfluorocarbono, emitido na produção de 
alumínio; e clorofluorcarbono (CFC), responsável pela destruição da 
camada de ozônio. 
 
 
 
A emissão de gases de efeito estufa é proveniente, principal- 
mente, de atividades industriais. 
 
Além desses gases, há também o vapor d’água, um dos princi- 
pais responsáveis pelo efeito estufa. O vapor d’água capta o calor ir- 
radiado pela Terra, distribuindo-o novamente em diversas direções, 
aquecendo, dessa forma, a superfície terrestre. 
 
Causas do efeito estufa 
Nos últimos anos, houve um considerável aumento da concen- 
tração de gases de efeito estufa na atmosfera. As atividades huma- 
nas ligadas à indústria, as atividades agrícolas, o desmatamento e o 
aumento do uso dos transportes são os principais responsáveis pela 
emissão desses gases. 
É válido ressaltar que o efeito estufa é um fenômeno natural 
essencial para manutenção da vida na Terra, já que mantém as tem- 
peraturas médias, evitando grandes amplitudes térmicas e o esfria- 
mento extremo do planeta. Contudo, a intensificação de atividades 
industriais e agrícolas, que demandam áreas para produção e, con- 
sequentemente, geram desmatamento, e o uso dos transportes au- 
mentaram a emissão de gases de efeito estufa à atmosfera. 
A queima de combustíveis fósseis é uma das atividades que 
mais produzem gases de efeito estufa. A concentração desses gases 
na atmosfera impede que o calor seja irradiado, aquecendo ainda 
mais a superfície terrestre, aumentando, portanto, as temperatu- 
ras. Esse aumento das temperaturas decorrente da intensificação 
do efeito estufa é conhecido como aquecimento global. 
 
 
 
O efeito estufa é um fenômeno natural que, apesar de ser 
essencial para a manutenção da vida, tem sido agravado pela 
emissão de gases decorrente da ação antrópica. 
 
Aquecimento global e efeito estufa 
O efeito estufa é um fenômeno atmosférico de ordem natural 
capaz de garantir que a Terra seja habitável. Esse efeito é respon- 
sável por manter a temperatura média do planeta, de forma que o 
calor não seja totalmente irradiado de volta ao espaço, mantendo, 
portanto, a Terra aquecida e evitando que a temperatura não baixe 
drasticamente. 
A concentração dos gases de efeito estufa, como o dióxido de 
carbono e o óxido nitroso, elevou-se significativamente nas últimas 
décadas. Segundo diversos estudiosos, essa concentração tem pro- 
vocado mudanças na dinâmica climática do planeta, provocando o 
aumento das temperaturas da Terra. 
 
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climá- 
ticas, a temperatura do planeta aumentou aproximadamente 0,85º 
C nos continentes e 0,55º C nos oceanos em um período de cem 
anos. Com esse aumento, foi possível constatar o derretimento das 
calotas polares e a elevação do nível do mar. 
A comunidade científica relaciona, portanto, o aumento dos 
gases de efeito estufa ao aumento das temperaturas médias glo- 
bais. A concentração desses gases impede cada vez mais que o ca- 
lor irradiado pela superfície seja disperso no espaço, aumentando 
a temperatura e reafirmando a questão do aquecimento global. 
Contudo, é válido ressaltar que essa relação entre efeito estufa e 
aquecimento global, bem como a existência do aquecimento global 
não são unanimidades entre os estudiosos. Muitos pesquisadores 
desacreditam que a concentração dos gases tem agravado o au- 
mento das temperaturas do planeta. Para eles, esse aquecimento 
elevado constitui apenas uma fase de variação da dinâmica climá- 
tica da Terra. 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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O aquecimento global representa o aumento das temperatu- 
ras médias do planeta. 
 
Consequências do efeito estufa 
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climá- 
ticas, o sistema climático pode ser alterado trazendo danos irrever- 
síveis, como: 
→ Derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar. 
→ Agravamento da segurança alimentar, prejudicando as co- 
lheitas e a pesca. 
→ Extinção de espécies e danos a diversos ecossistemas. 
→ Perdas de terras em decorrência do aumento do nível do 
mar, que provocará também ondas migratórias. 
→ Escassez de água em algumas regiões. 
→ Inundações nas latitudes do norte e no Pacífico Equatorial. 
→ Riscos de conflitos em virtude da escassez de recursos na- 
turais. 
→ Problemas de saúde provocados pelo aumento do calor. 
→ Previsão de aumento da temperatura em até 2º C até 2100 
em comparação ao período pré-industrial (1850 a 1900). 
 
 
O derretimento das calotas polares e o consequente aumento 
do nível do mar são consequências do efeito estufa. 
 
Como evitar o efeito estufa? 
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sina- 
liza que a emissão de gases de efeito estufa deve ser reduzida de 
40% a 70% entre os anos 2010 e 2050. Os países precisam estabe- 
lecer metas de redução de emissão desses gases a fim de conter o 
aumento das temperaturas. 
É preciso investir no uso de fontes de energia renováveis e al- 
ternativas, abandonando o uso dos combustíveis fósseis, cuja quei- 
ma libera diversos gases de efeito estufa. Outras ações cotidianas 
também podem ser adotadas, como redução do uso de transportes 
em trajetos pequenos, optando por ir a pé ou de bicicleta, preferên- 
cia pelo uso de transporte coletivo e de produtos biodegradáveis e 
incentivo à coleta seletiva. 
 
Resumo 
 
Fenômeno atmosférico Efeito Estufa 
 
 
 
 
Principais características 
Fenômeno de ordem natural res- 
ponsável por manter as temperatu- 
ras médias globais, possibilitando a 
existência de vida na Terra. É agra- 
vado pela ação humana por meio da 
emissão de gases de efeito estufa à 
atmosfera, que impedem a disper- 
são da radiação solar irradiada pela 
superfície terrestre, aumentando a 
temperatura do planeta. 
 
Gases de efeito estufa 
Dióxido de carbono 
Gás metano 
Óxido nitroso 
Gases fluoretados 
 
 
Causas 
É um fenômeno natural que tem-se 
intensificado em decorrência de ati- 
vidades humanas ligadas à indústria, 
atividades agropecuárias, uso de 
transportes e desmatamento. 
 
 
 
Consequências 
Derretimento das calotas polares. 
Aumento do nível do mar. 
Agravamento da segurança alimen- 
tar. 
Aumento dos períodos de seca. 
Escassez de água. 
Aumento das temperaturas. 
 
El Niño e La Niña 
 
O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado por 
anomalias, positivas (El Niño) ou negativas (La Niña), de tempera- 
tura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial, e sua carac- 
terização é feita através de índices, como o Índice de Oscilação Sul 
(IOS – calculado através da diferença de pressão entre duas regiões 
distintas: Taiti e Darwin) e os índices nomeados Niño [(Niño 1+2, 
Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4), que nada mais são do que as anomalias 
de TSM médias em diferentes regiões do Pacífico equatorial]. 
As previsões da anomalia da TSM para Dezembro-Janeiro-Fe- 
vereiro de 2019 (DJF-2019) dos modelos numéricos de previsão 
climática analisados indicam que as águas sobre o Pacífico Equato- 
rial devem manter-se mais quentes que o normal, indicando a per- 
manência do fenômeno El Niño. A previsão da ocorrência de ENOS 
realizada pelo IRI/CPC no início de novembro aponta que a maior 
probabilidade (80%) é de que o próximo trimestre (DJF) ainda tenha 
a influência do fenômeno El Niño, e assim segue até Abril-Maio-Ju- 
nho de 2019 (AMJ-2019) (49%). 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
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Para o último trimestre da previsão (Junho-Julho-Agosto de 
2019) a maior probabilidade

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