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ENSINOENSINO FUNDAMENTALFUNDAMENTAL ApostilaApostila de Estudode Estudo ENCCEJA PPL CIÊNCIAS DA NATUREZA 1 CIÊNCIAS DA NATUREZA Por uma questão cultural, estamos acostumados a associar o termo “fenômeno” com acontecimentos grandiosos, com extremas consequências. Por exemplo, ciclones, terremotos, entre outros. Embora estejamos acostumados, há uma diferença entre fenôme- nos naturais e desastres naturais, e não podemos confundir! Acima de tudo, é importante entendermos que todo desastre natural é um fenômeno natural. Pois, fenômenos naturais são todos os episódios da natureza. Logo, a chuva, a metamorfose de uma borboleta, o nascimento de um bebê, o crescimento de uma planta, entre outros, são fenômenos da natureza. Assim como os tornados, os deslizamentos, as avalanches, e assim por diante. Fenômenos naturais x artificiais A diferença entre fenômenos naturais e artificias são bem sim- ples e fáceis de entender. A princípio, é bom reforçar que todo fe- nômeno é um evento que pode ser observado, descrito e explicado. Em suma, um fenômeno artificial é todo aquele feito por ação do homem. Para exemplificar, a luz elétrica, os carros, prédios, entre outros. Entretanto, há casos que ambos os fenômenos se misturam. Enquanto há estudiosos que dizem que o efeito estufa é 100% natural, há outros que afirmam o contrário. Assim, dizem que os gases causadores do aumento do efeito estufa são aqueles emitidos pela atividade humana. Com isso, o nascimento de um novo ser é um fenômeno na- tural, mas pode ser induzido artificialmente, por meio de procedi- mentos cirúrgicos. Outro exemplo é o curso de um rio, que é um fenômeno natural, contudo o homem pode construir barragens ou mudar seu curso. Podemos entender que, sendo o ser humano um fenômeno na- tural, também sejam suas ações. Basicamente, é um mamífero que se reproduz como os demais. Entretanto, o homem é o único ser na superfície terrestre com capacidade e consciência permanente. Assim, o homem é o único animal capaz de mudar a natureza. Por outro lado, também é a maior ameaça ao planeta e à própria exis- tência de sua espécie. Exemplos de fenômenos da naturais: Enquanto o homem persegue sua própria existência, a nature- za segue proporcionando fenômenos maravilhosos e espetáculos sinistros. 1. Vulcões Os vulcões são estruturas geológicas através das quais substân- cias do interior da terra são expelidas por meio de uma abertura. Com isso, as fendas são abertas pela atividade vulcânica no interior da terra rompendo o bloqueio de rochas mais frágeis. Assim, expele magma, cinzas e gazes no exterior. Aliás, um vulcão em erupção é um dos fenômenos naturais mais fascinantes e também assustador. 2. Neve A neve é um fenômeno natural capaz de formar paisagens ao mesmo tempo fascinantes e angustiantes. Basicamente, acontece quando a temperatura está mais de 20 graus abaixo de zero. Assim, faz com que se formem cristais nas nuvens, que se juntam no per- curso até o solo e voltam a ficar congelados. FENÔMENOS NATURAIS CIÊNCIAS DA NATUREZA 2 3.Raios Os raios fazem parte do conjunto dos fenômenos naturais sinis- tros. Essencialmente, é uma descarga de energia, que chega a atin- gir 125 milhões de volts, lançada na terra. Logo, é capaz de gerar grandes estragos, como abrir valas no chão. 4. Terremotos Esses estão na faixa dos fenômenos naturais mais temidos pelo homem, capazes de destruir cidades inteiras. Em suma, os terremo- tos são gerados por uma falha geológica, decorrente da movimen- tação das placas tectônicas e da deformação das rochas. Além dos tremores, o terremoto pode abrir fendas na terra. 5.Tsunami Em primeiro lugar, o tsunami trata-se de um fenômeno natural, originado por erupção vulcânica, terremoto ou outro evento natu- ral, que provoca um movimento de água. Assim forma uma onda que pode se movimentar por milhares de quilômetros. Eventual- mente, quando essa onda encontra com a costa, ela se transforma de poucos metros para gigantes, que podem superar os 30 metros. 6. Pororocas A pororoca é o fenômeno natural causado pelo encontro do Rio com o mar, cuja principal característica é o estrondo do choque entre as duas massas de água e a formação de ondas. Por mais que há milhares de exemplos de fenômenos naturais, há alguns tipos de que muitas vezes, passam completamente des- percebidos aos nossos olhos. Às vezes, não temos nem consciência de sua existência. Podemos citar a aurora boreal e certos eclipses como exemplos de que por mais que não os vemos, sabemos que existem. Com isso, alguns desconhecidos que são raros, de beleza única e um tanto bizarros. Lista de fenômenos bizarros: 1.Bioluminescência nos mares Não, não é uma balada para peixes, tampouco cenas de um filme de ficção científica. Sobretudo, esse é um dos fenômenos naturais gerado pelas algas daquela região. Por mais que seja um episódio raro, ele pode ser visto próximos as praias, mais perto das embarcações, em alto mar. Por outro lado, quando o número de plânctons é extremamente grande, as lindas luzes azuis podem se manifestar perto da costa. Por mais que seja bonito, esse evento não é saudável para o mar. Basicamente, o aumento do número de algas não é bom para os peixes, pois os níveis de oxigênio são diminuídos. CIÊNCIAS DA NATUREZA 3 2. Flores congeladas Já passou por sua cabeça que possa existir uma floricultura de gelo? Por mais que pareça coisa de filme, essa imagem não são plantas, ou qualquer ser vivo, e sim gelo. Basicamente, é um dos fenômenos naturais raros que só ocorre em temperatura extrema- mente baixas. É quando, pequenas quantidades de gelo que flutu- am na agua na água congelam as gotas ao seu redor e criam uma reação em cadeia. Nesse fenômeno, o gelo cresce ao redor de pequenos blocos em formatos imperfeitos, como se fossem espinhos congelados. A parte sinistra disso tudo é que o grau de bactérias e pequenos or- ganismos que vivem dentro das flores congeladas é bastante alto, até mesmo muito maior do que na água do oceano. Com isso, al- guns estudiosos acreditam que as flores congeladas abrigam seus próprios ecossistemas de modo temporário. Assim, favorece vida e a sobrevivência desses pequenos organismos durante as tempera- turas extremas. 3. Chaminés de neve Por incrível que pareça, no território permanentemente conge- lado da Antártida existem inúmeros vulcões que estão ativos. Con- tudo, com o tempo extremamente gelado, somente alguns deles entram em erupção. Assim, com o calor gerado nas profundezas e no interior desses vulcões, os gases e o vapor criados são expelidos constantemente. Entretanto, quando os gases quentes encontram com o ar su- per gelado da superfície, eles congelam e formam essas estranhas construções chamadas de chaminés congeladas. Logo, elas se acu- mulam com o passar dos anos e formam estruturas finas e pontia- gudas, que sempre estão expelindo o vapor produzido na terra. 4. Arco-íris lunar Por mais que pareça bizarro, os arco-íris noturnos realmente podem ocorrer. Embora, sejam bastante raros. Basicamente, esse fenômeno natural ocorre quando partículas de água entram em contato com o reflexo da luz solar projetado na superfície da Lua. Logo, como não têm a mesma intensidade de um arco-íris comum, eles são um pouco visíveis. 5 .Cilindros de neve Esses interessantes cilindros de neve são formados natural- mente quando pequenos flocos são levados pelo vento. Em suma, o material é colhido de modo irregular, dos mais variados formatos e tamanhos. Entretanto sempre com um característico furo no cen- tro. Esses cilindros dependem da velocidade do vento para sua formação. Por outro lado, o tipo da neve também é importante, já que algumas são mais frágeis e outras espessas. Para completar, o fenômeno natural é bastante raro,ocorrendo principalmente na América do Norte e na Europa. CIÊNCIAS DA NATUREZA 4 6. Arco-íris de fogo Por mais estranho que pareça, esse arco-íris não precisa de chuva. Basicamente, ele se manifesta em nuvens que se encontram em altitude bastante elevada. Porque, frequentemente possuem pequenos cristais de gelo dentro de si. Assim, quando eles são atingidos pelos raios solares, em ângu- los específicos, são capazes de originar o efeito da refração e criar um arco-íris horizontal. O resultado é belíssimo e um tanto bizarro, capaz de pintar cores nas nuvens nos mais irregulares formatos. 7. Dedo de gelo Esse raro fenômeno natural foi descoberto nos últimos anos. O sinistro evento ocorre quando o gelo da superfície da água é tão in- tenso que uma determinada quantidade começa a descer ao chão. Assim, congela tudo o que encontra no caminho. Basicamente, ocorre quando o gelo recém-formado intensifi- ca com a quantidade de sal encontrado na água. Logo, origina um dedo de gelo e sal capaz de congelar a água ao redor dele e crescer em direção ao chão de forma muito resistente. Quando essa coluna de gelo atinge o fundo, tudo o que está em seu entorno é congela- do, criando uma espécie de rio de gelo. O cosmo é tudo o que existe, sempre existiu e sempre existirá, segundoCarl Sagan. De longe, essa é a melhor forma de dizer o que é oUniverso. De uma forma mais crua, o Universo é tudo o que influenciou o passado, o presente e influenciará o futuro seja com matéria, planetas, estrelas, luas, gravidade, tudo. Entretanto, essa lógica sugere que, caso exista outro Universo, ele não poderá ser encontrado pois o nosso não o influenciou. Caso exista ou não outro, o nosso já é bastante bonito e intri- gante, além de ser bastante complexo. De uma forma geral, o Universo é formado porgaláxias, estre- las, nebulosas, planetas, satélites,cometas,asteroidese radiações – e outras coisas mais que ainda não descobrimos. Amatéria negra, por exemplo, é uma forma de matéria que não se comporta como a matéria comum, mas existe. Faz parte dele com toda a sua parti- cularidade. Modelos de Universo Vários cientistas, comoAlbert Einstein, dedicaram grande parte de suas vidas para tentar decifrar o Universo. Desses estudos saí- ram quatro modelos: Modelo Estático Este modelo aborda o chamado Princípio Cosmológico, que diz que o Universo tem o mesmo aspecto para qualquer observador. A única coisa que difere são suas características locais. Este modelo admite, também, que o Universo sempre teve a mesma conforma- ção, sem nunca mudar ou evoluir. Logo, esse modelo caiu em desu- so por conta de pesquisas posteriores que mostraram justamente o contrário. Modelo Estacionário Após observações mostrarem que o Universo está em expan- são, o modelo estático acabou sendo totalmente descartado. As- sim, foi desenvolvido o Princípio Cosmológico Perfeito, que diz que o Universo tem o mesmo aspecto para qualquer observador em qualquer instante do tempo. Ou seja, o Universo é o que sempre foi e a matéria teria surgido de forma espontânea. Modelo Expansivo O modelo expansivo foi desenvolvido após a observação das diferenças de cores de luzes que as galáxias emitem e que acabam chegando até nós. Através dessa observação, constatou-se que as galáxias estão se afastando, consequência da expansão do Univer- so. A Lei de Hubble, formulada pelo astrônomo Edwin Hubble, diz que quanto mais longe uma galáxia se encontra de nós, mais rapi- damente ela se afasta de nós. Modelo Cíclico O modelo cíclico fala sobre uma possível contração do Univer- so. Diz que, caso a massa do Universo seja maior do que um certo valor crítico, a gravidade será o suficientemente grande para frear, de forma gradativa, a sua expansão. Assim, entrará em modo de contração. O que há mais no Universo • Estrelas: esferas de gás, compostas principalmente de gás hidrogênio e hélio, se encontram a uma temperatura altíssima; • Aglomerados: sistemas com muitas estrelas que podem ser abetos (ou galácticos) e os globulares; • Nebulosas: regiões entre as estrelas e aglomerados for- mada por gases e muito densas; • Galáxias: é o conjunto em que estamos. Galáxias são con- juntos de estrelas, planetas aglomerados, nebulosas, poeiras e ga- ses confinados em um pedaço do espaço sideral. A TERRA E O UNIVERSO CIÊNCIAS DA NATUREZA 5 As galáxias Galáxia é um termo que se origina da palavragala, que significa “leite”, em grego. Inicialmente, era a denominação da nossa galáxia, aVia Láctea, e, depois, se generalizou como denominação de todas as demais. As galáxias são compostas pornuvens de gáse poeira, um grande número deestrelas,planetas,cometaseasteroidese diversos corpos celestes unidos pela ação daforça gravitacional. Numa noite estrelada, podemos ver uma faixa esbranquiçada que corta o céu. Essa “faixa” de astros é apenas uma parte da galáxia onde está localizado o planeta Terra. Os antigos a denominaramVia Láctea, cujo significado em latim é “caminho de leite”. A Via Láctea pertence a um conjunto, ou seja, uma aglomerado de diversas galáxias. OUniversocontém mais de200 bilhões de galá- xiasde tamanho e formas variadas. Há galáxias de forma elíptica, outras são espirais e muitas são as galáxias irregulares, ou seja, que não tem forma específica. Representação da galáxia de Andrômeda CIÊNCIAS DA NATUREZA 6 Representação da Via Láctea vista de perfil (acima) e vista de cima (abaixo) O Sistema Solar O sistema solar é um conjunto deplanetas,asteroidesecometasque giram ao redor do sol. Cada um se mantém em sua respectiva órbi- ta em virtude da intensa força gravitacional exercida pelo astro, que possui massa muito maior que a de qualquer outro planeta. Os corpos mais importantes do sistema solar são osoito planetasque giram ao redor do sol, descrevendo órbitas elípticas, isto é, órbi- tas semelhantes a circunferências ligeiramente excêntricas. Os planetas que compõem o sistema solar O sol não está exatamente no centro dessas órbitas, como pode-se ver na figura abaixo, razão pela qual os planetas podem encontrar- -se, às vezes, mais próximos ou mais distantes do astro. CIÊNCIAS DA NATUREZA 7 Órbitas elípticas dos planetas do Sistema Solar Origem do Sistema Solar O sol e o Sistema Solar tiveram origem há4,5 bilhões de anosa partir de uma nuvem de gás e poeira que girava ao redor de si mes- ma. Sob a ação de seu próprio peso, essa nuvem se achatou, trans- formando-se num disco, em cujo centro formou-se o sol. Dentro desse disco, iniciou-se um processo de aglomeração de materiais sólidos, que, ao sofrer colisões entre si, deram lugar a corpos cada vez maiores, os outros planetas. A composição de tais aglomerados relacionava-se com a dis- tância que havia entre eles e o sol. Longe do astro, onde a tempera- tura era muito baixa, os planetas possuem muito mais matéria ga- sosa do que sólida, é o caso de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os planetas perto dele, ao contrário, o gelo evaporou, restando apenas rochas e metais, é o caso de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Os componentes do Sistema Solar O sol O Sol é afonte de energia que domina o sistema solar. Sua força gravitacional mantém os planetas em órbita e sua luz e calor tornam possível a vida na Terra. A Terra dista, em média, aproxima- damente 150 milhões de quilômetros do Sol, distância percorrida pela luz em 8 minutos. Todas as demais estrelas estão localizadas em pontos muito mais distantes. As observações científicas realizadas indicam que o Sol é uma estrela de luminosidade e tamanho médios, e que no céu existem incontáveis estrelas maiores e mais brilhantes, mas para nossa sor- te, a luminosidade, tamanho e distância foram exatos para que o nosso planeta desenvolvesse formas de vida como a nossa. O Sol possui 99,9% da matéria de todo o Sistema Solar. Isso sig- nificaque todos os demais astros do Sistema juntos somam apenas 0,1%. Composição do Sol O Sol é uma enorme esfera de gás incandescente composta essencialmente de hidrogênio e hélio, com um diâmetro de 1,4 mi- lhões de quilômetros. O volume do Sol é tão grande que em seu interior caberiam mais de 1 milhão de planetas do tamanho do nosso. Para igualar seu diâmetro, seria necessário colocar 109 planetas como a Terra um ao lado do outro. No centro da estrela encontra-se o núcleo, cuja temperatura alcança os 15 milhões de graus centígrados e onde ocorre o processo de fusão nuclear por meio do qual o hidro- gênio se transforma em hélio. Já na superfície a temperatura do Sol é de cerca de 6.000 graus Celsius. Os planetas Os planetas não produzem luz, apenas refletem a luz do Sol, que é a estrela do Sistema Solar. Teorias afirmam que os planetas também foram formados a a partir de porções de massa muito quente e que todos estão de res- friando. Alguns, entre eles a Terra, já se resfriaram o suficiente para apresentar a superfície sólida. Um corpo celeste é considerado um planeta quando, além de não ter luz própria, gira ao redor de uma estrela. Os planetas têm forma aproximadamente esférica. Os seus mo- vimentos principais são o derotaçãoe o detranslação. Cada planeta possui um eixo de rotação em relação a Sol, o mais inclinado deles é oplaneta-anãoPlutão, pois seu eixo de rotação em relação ao Sol é de 120º, olhe a figura. Substância e Mistura Analisando a matéria qualitativamente (qualidade) chamamos a matéria desubstância. Substância– possui uma composição característica, determina- da e um conjunto definido de propriedades. Pode ser simples (formada por só um elemento químico) ou composta (formada por vários elementos químicos). Exemplos de substância simples: ouro, mercúrio, ferro, zinco. Exemplos de substância composta: água, açúcar (sacarose), sal de cozinha (cloreto de sódio). Mistura– são duas ou mais substâncias agrupadas, onde a composição é variável e suas propriedades também. Exemplo de misturas: sangue, leite, ar, madeira, granito, água com açúcar. Corpo e Objeto Analisando a matéria quantitativamente chamamos a matéria deCorpo. Corpo- São quantidades limitadas de matéria. Como por exem- plo: um bloco de gelo, uma barra de ouro. Os corpos trabalhados e com certo uso são chamados de ob- jetos. Uma barra de ouro (corpo) pode ser transformada em anel, brinco (objeto). Fenômenos Químicos e Físicos Fenômenoé uma transformação da matéria. Pode ser química ou física. Fenômeno Químicoé uma transformação da matéria com alte- ração da sua composição. Exemplos: combustão de um gás, da madeira, formação da fer- rugem, eletrólise da água. A ENERGIA, SUAS FONTES E SUAS TRANSFORMAÇÕES CIÊNCIAS DA NATUREZA 8 Química– é a ciência que estuda os fenômenos químicos. Es- tuda as diferentes substâncias, suas transformações e como elas interagem e a energia envolvida. Fenômenos Físicos- é a transformação da matéria sem altera- ção da sua composição. Exemplos: reflexão da luz, solidificação da água, ebulição do álcool etílico. Física– é a ciência que estuda os fenômenos físicos. Estuda as propriedades da matéria e da energia, sem que haja alteração quí- mica. Peso– é a força gravitacional entre o corpo e a Terra. Elasticidade– propriedade onde a matéria tem de retornar ao seu volume inicial após cessar a força que causa a compressão. Compressibilidade– propriedade onde a matéria tem de redu- zir seu volume quando submetida a certas pressões. Extensão– propriedade onde a matéria tem de ocupar lugar no espaço. Divisibilidade– a matéria pode ser dividida em porções cada vez menores. A menor porção da matéria é a molécula, que ainda conserva as suas propriedades. Impenetrabilidade– dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. As propriedades específicas são próprias para cada tipo de ma- téria, diferenciando-as umas das outras. Podem ser classificadas em organolépticas, físicas e químicas. As propriedades organolépticas podem ser percebidas pelos órgãos dos sentidos (olhos, nariz, língua). São elas: cor, brilho, odor e sabor. As propriedades físicas são: ponto de fusão e ponto de ebuli- ção, solidificação, liquefação, calor específico, densidade absoluta, propriedades magnéticas, maleabilidade, ductibilidade, dureza e tenacidade. Ponto de fusão e ebulição– são as temperaturas onde a maté- ria passa da fase sólida para a fase líquida e da fase líquida para a fase sólida, respectivamente. Ponto de ebulição e de liquefação– são as temperaturas onde a matéria passa da fase líquida para a fase gasosa e da fase gasosa para a líquida, respectivamente. Calor específico– é a quantidade de calor necessária para au- mentar em 1 grau Celsius (ºC) a temperatura de 1grama de massa de qualquer substância. Pode ser medida em calorias. Densidade absoluta– relação entre massa e volume de um cor- po. d = m : V Propriedade magnética– capacidade que uma substância tem de atrair pedaços de ferro (Fe) e níquel (Ni). Maleabilidade– é a propriedade que permite à matéria ser transformada em lâmina. Característica dos metais. Ductibilidade– capacidade que a substância tem de ser trans- formada em fios. Característica dos metais. Dureza– é determinada pela resistência que a superfície do material oferece ao risco por outro material. O diamante é o mate- rial que apresenta maior grau de dureza na natureza. Propriedades da matéria O que define a matéria são suas propriedades.Existem as pro- priedades gerais e as propriedades específicas.As propriedades gerais são comuns para todo tipo de matéria e não permitem dife- renciar uma da outra. São elas: massa, peso, inércia, elasticidade, compressibilidade, extensão, divisibilidade, impenetrabilidade. Massa– medida da quantidade de matéria de um corpo. Deter- mina a inércia e o peso. Inércia– resistência que um corpo oferece a qualquer tentativa de variação do seu estado de movimento ou de repouso. O corpo que está em repouso, tende a ficar em repouso e o que está em movimento tende a ficar em movimento, com velocidade e direção constantes. Tenacidade– é a resistência que os materiais oferecem ao cho- que mecânico, ou seja, ao impacto. Resiste ao forte impacto sem se quebrar. CIÊNCIAS DA NATUREZA 9 - água + sais minerais As propriedades químicas são as responsáveis pelos tipos de transformação que cada substância é capaz de sofrer. Estes proces- sos são asreações químicas. Mistura e Substância Mistura– é formada por duas ou mais substâncias puras. As misturas têm composição química variável, não expressa por uma fórmula. Algumas misturas são tão importantes que têm nome próprio. São exemplos: - gasolina – mistura de hidrocarbonetos, que são substâncias formadas por hidrogênio e carbono. - ar atmosférico – mistura de 78% de nitrogênio, 21% de oxigê- nio, 1% de argônio e mais outros gases, como o gás carbônico. - álcool hidratado – mistura de 96% de álcool etílico mais 4% de água. Substância– é cada uma das espécies de matéria que constitui o universo. Pode ser simples ou composta. Sistema e Fases Sistema– é uma parte do universo que se deseja observar, ana- lisar. Por exemplo: um tubo de ensaio com água, um pedaço de fer- ro, uma mistura de água e gasolina, etc. Fases– é o aspecto visual uniforme. As misturas podem conter uma ou mais fases. Mistura Homogênea– é formada por apenas uma fase. Não se consegue diferencias a substância. Exemplos: - água + sal - água + álcool etílico - água + acetona - água + açúcar Mistura Heterogênea– é formada por duas ou mais fases. As substâncias podem ser diferenciadas a olho nu ou pelo microscópio. Exemplos: - água + óleo - granito - água + enxofre - água + areia + óleo Os sistemas monofásicos são as misturas homogêneas. Os sistemas polifásicossão as misturas heterogêneas.Os siste- mas homogêneos, quando formados por duas ou mais substâncias miscíveis (que se misturam) umas nas outras chamamos desolu- ções. São exemplos de soluções: água salgada, vinagre, álcool hidra- tado. Os sistemas heterogêneos podem ser formados por uma única substância, porém em várias fases de agregação (estados físicos) .Exemplo: Água líquida,sólida (gelo),vapor Separação de mistura Os componentes das misturas podem ser separados. Há algu- mas técnicas para realizar a separação de misturas. O tipo de sepa- ração depende do tipo de mistura. Alguns dos métodos de separação de mistura são: catação, le- vigação, dissolução ou flotação, peneiração, separação magnética, dissolução fracionada, decantação e sedimentação, centrifugação, filtração, evaporação, destilação simples e fracionada e fusão fra- cionada. Separação de Sólidos Para separar sólidos podemos utilizar o método da catação, le- vigação, flotação ou dissolução, peneiração, separação magnética, ventilação e dissolução fracionada. - CATAÇÃO – consiste basicamente em recolher com as mãos ou uma pinça um dos componentes da mistura. Exemplo: separar feijão das impurezas antes de cozinhá-los. - LEVIGAÇÃO – separa substâncias mais densas das menos den- sas usando água corrente. Exemplo: processo usado por garimpeiros para separar ouro (mais denso) da areia (menos densa). - DISSOLUÇÃO OU FLOCULAÇÃO – consiste em dissolver a mis- tura em solvente com densidade intermediária entre as densidades dos componentes das misturas. Exemplo: serragem + areia Adiciona-se água na mistura. A areia fica no fundo e a serragem flutua na água. - PENEIRAÇÃO – separa sólidos maiores de sólidos menores ou ainda sólidos em suspensão em líquidos. Exemplo: os pedreiros usam esta técnica para separar a areia mais fina de pedrinhas; para separar a polpa de uma fruta das suas sementes, como o maracujá. Este processo também é chamado detamização. CIÊNCIAS DA NATUREZA 10 - SEPARAÇÃO MAGNÉTICA – usado quando um dos componen- tes da mistura é um material magnético. Com um ímã ou eletroímã, o material é retirado. Exemplo: limalha de ferro + enxofre; areia + ferro - VENTILAÇÃO – usado para separar dois componentes sólidos com densidades diferentes. É aplicado um jato de ar sobre a mis- tura. Exemplo: separar o amendoim torrado da sua casca já solta; arroz + palha. - DISSOLUÇÃO FRACIONADA - consiste em separar dois compo- nentes sólidos utilizando um líquido que dissolva apenas um deles. Exemplo: sal + areia Dissolve-se o sal em água. A areia não se dissolve na água. Po- de-se filtrar a mistura separando a areia, que fica retida no filtro da água salgada. Pode-se evaporar a água, separando a água do sal Separação de Sólidos e Líquidos Para separar misturas de sólidos e líquidos podemos utilizar o método da decantação e sedimentação, centrifugação, filtração e evaporação. - SEDIMENTAÇÃO – consiste em deixar a mistura em repouso até o sólido se depositar no fundo do recipiente. Exemplo: água + areia - DECANTAÇÃO – é a remoção da parte líquida, virando cuida- dosamente o recipiente. Pode-se utilizar um funil de decantação para remover um dos componentes da mistura. Exemplo: água + óleo; água + areia - CENTRIFUGAÇÃO – é o processo de aceleração da sedimen- tação. Utiliza-se um aparelho chamadocentrífugaoucentrifugador, que pode ser elétrico ou manual. Exemplo: Para separar a água com barro. CIÊNCIAS DA NATUREZA 11 - FILTRAÇÃO – processo mecânico que serve para separar mis- tura sólida dispersa com um líquido ou gás. Utiliza-se uma super- fície porosa (filtro) para reter o sólido e deixar passar o líquido. O filtro usado é um papel-filtro. O papel-filtro dobrado é usado quando o produto que mais in- teressa é o líquido. A filtração é mais lenta. O papel-filtro pregueado produz uma filtração mais rápida e é utilizada quando a parte que mais interessa é a sólida. Exemplo: água + areia - EVAPORAÇÃO – consiste em evaporar o líquido que está mis- turado com um sólido. Exemplo: água + sal de cozinha (cloreto de sódio). Nas salinas, obtém-se o sal de cozinha por este processo. Na realidade, as evaporações resultam em sal grosso, que se for puri- ficado torna-se o sal refinado (sal de cozinha), que é uma mistura de cloreto de sódio e outras substâncias que são adicionadas pela indústria. Separação de Misturas Homogêneas Para separar os componentes das substâncias de misturas ho- mogêneas usamos os métodos chamados defracionamento, que se baseiam na constância da temperatura nas mudanças de estados físicos. São eles: destilação e fusão. - DESTILAÇÃO – consiste em separar líquidos e sólidos com pon- tos de ebulição diferentes. Os líquidos devem ser miscíveis entre si. Exemplo: água + álcool etílico; água + sal de cozinha O ponto de ebulição da água é 100°C e o ponto de ebulição do álcool etílico é 78°C. Se aquecermos esta mistura, o álcool ferve pri- meiro. No condensador, o vapor do álcool é resfriado e transforma- do em álcool líquido, passando para outro recipiente, que pode ser um frasco coletor, um erlenmeyer ou um copo de béquer. E a água permanece no recipiente anterior, separando-se assim do álcool. CIÊNCIAS DA NATUREZA 12 Para essa técnica, usa-se o aparelho chamado destilador, que é um conjunto de vidrarias do laboratório químico. Utiliza-se: termôme- tro, balão de destilação, haste metálica ou suporte, bico de Bunsen, condensador, mangueiras, agarradores e frasco coletor. Este método é a chamada Destilação Simples. Nas indústrias, principalmente de petróleo, usa-se a destilação fracionada para separar misturas de dois ou mais líquidos. As torres de separação de petróleo fazem a sua divisão produzindo gasolina, óleo diesel, gás natural, querosene, piche. As substâncias devem conter pontos de ebulição diferentes, mas com valores próximos uns aos outros. Fonte: http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/destilacao-simples.gif FUSÃO FRACIONADA – separa componentes de misturas homogêneas de vários sólidos. Derrete-se a substância sólida até o seu ponto de fusão, separando-se das demais substâncias. Exemplo: mistura sólida entre estanho e chumbo. O estanho funde-se a 231°C e o chumbo, a 327°C. Então, funde-se primeiramente o estanho. Energia Energia é algo um pouco mais complicado de definir do que foi a matéria. Esta, ao contrário da matéria, não tem peso, e somente é possível medir quando for transformada, ou ao ser liberada ou absorvida. Ela não possui unidades físicas próprias, sendo expressa em termos das unidades de trabalho que realiza. Com isso, podemos ter uma definição mais simples: energia nada mais é do que a capaci- dade de realizar trabalho. De acordo com a lei da conservação da energia, esta não pode ser criada nem destruída, portanto somente se transformará. É a partir da energia, ainda, que é possível modificar a matéria, anular ou provocar movimentos e causar deformações. Existem algu- mas formas de energia. De acordo com a lei da conservação da energia, esta não pode ser criada nem destruída. Formas de energia Energia cinética: associada ao movimento. Esta depende da massa e da velocidade de um corpo. Energia potencial: encontra-se armazenada em um sistema e pode ser usada a qualquer momento. São elas a energia potencial gravi- tacional – relacionada a altura de um corpo em relação a um determinado nível de referência – e a energia potencial elástica, relacionada a uma mola ou a um corpo elástico. Energia mecânica total: a energia mecânica total e dada pela soma das energias cinética e potencial. Você faz bastante uso da eletricidade em seu dia-a-dia, não é mesmo? Mas já parou para pensar na falta que ela faria na sua vida, se não existisse? Se faltar energia elétrica à noite, ficamos sem luz elétricae tudo pára: a televisão, o chuveiro elétrico, o ventilador, alguns aparelhos de telefone, o aparelho de som, o computador, o microondas, os elevadores etc. O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/destilacao-simples.gif CIÊNCIAS DA NATUREZA 13 Alguns aparelhos funcionam com a energia recebida das es- tações distribuidoras de energia elétrica; basta ligá-los na tomada. Mas há muitos outros aparelhos que funcionam utilizando energia elétrica sem termos de ligá-los diretamente na tomada, como o ce- lular, o rádio, os walkmans ou iPODs e as calculadoras; eles recebem energia de pilhas e baterias. Outro tipo de energia muito usada em nosso cotidiano é a energia magnética. Graças ao magnetismo, podemos ter registros armazenados em fitas cassetes e fitas de vídeo, podemos usar as bússolas para nos localizarmos etc. A revolução que a humanidade experimentou advinda das apli- cações da eletricidade e do magnetismo se intensificou quando os cientistas perceberam a relação entre ambos. Cargas elétricas Cargas elétricas são de dois tipos: positivas e negativas Uma matéria é constituída de átomos. Os átomos, por sua vez, são constituídos de partículas ainda menores: prótons, nêutrons e elétrons. Os prótons e os nêutrons situam-se no núcleo do átomo. Os elétrons giram e torno do núcleo, numa região chamada eletrosfe- ra. Os prótons e os elétrons possuem uma propriedade denomina- da carga elétrica, que aparece na natureza em dois tipos. Por isso a do próton foi convencionada como positiva e a do elétron como negativa. Corpos carregados Quando um corpo perde elétrons dizemos que ele está positi- vamente carregado. Quando ganha elétrons dizemos que ele está negativamente carregado. Quando o número de elétrons em um corpo é igual ao número de prótons, dizemos que o corpo está neutro. Um experimento relacionado aos primórdios do estudo da ele- tricidade pode ser realizado com um bastão de vidro pendurado por um barbante. Se atritarmos esse bastão em um pedaço de lã, notaremos que ambos se atrairão mutuamente. Agora se atritarmos o bastão de vidro no tecido de lã e o dei- xarmos pendurado, aproximando dele outro bastão de vidro que tenha sido friccionado em outro pedaço de lã, notaremos que os bastões se repelem. Essas observações demonstraram a ocorrência de fenômenos elétricos. Os cientistas consideram que, ao atritarmos os materiais vidro e lã, o bastão de vidro passa a ser portador de carga elétrica positiva e o pedaço de lã passa a ser portador de carga elétrica ne- gativa. Os sinais de positivo e negativo atribuídos a essas cargas são uma convenção científica. Cargas elétricas interagem Muito materiais adquirem carga elétrica quando atritados em outros. Nesse processo um dos materiais adquire carga elétrica po- sitiva, e o outro, carga elétrica negativa. Por meio de experimentos semelhantes aos descritos anterior- mente com o vidro e a lã, os cientistas concluíram que cargas elé- tricas de sinais diferentes se atraem e que cargas elétricas de sinais iguais se repelem. Quando vidro e lã são friccionados, passam a ter cargas elétricas de sinais diferentes e, portanto, passam a se atrair. Já os dois bastões de vidro, quando adquirem cargas elétricas de mesmo sinal, passam a se repelir. A interação elétrica obedece o princípio da ação e reação A interação entre dois corpos portadores de cargas elétricas obedece à Terceira Lei de Newton (Princípio da ação e reação). So- bre cada um dos dois corpos atua uma força que se deve a presença do outro. As duas forças tem a mesma intensidade (mesmo módu- lo) e a mesma direção (mesma linha de atuação), mas diferentes sentidos. CIÊNCIAS DA NATUREZA 14 Se os dois corpos apresentam cargas de sinais opostos, as forças tendem a fazê-los de aproximar. Por outro lado, se os dois corpos possuem carga de mesmo sinal, as forças tendem a fazê-los se afastar. Eletrização por atrito Diferentes materiais têm diferentes tendências à eletrização. Quando vidro de lã são atritados, dizemos que ambos materiais adqui- rem carga elétrica pelo processo de eletrização por atrito. Com base em muitos experimentos similares, foi possível aos cientistas determinarem a tendência dos materiais a adquirir carga elé- trica positiva ou negativa, quando atritados uns com os outros. Essa tendência pode ser expressa por meio de uma sequência como a mostrada abaixo. Condutores elétricos Imagine duas esferas de metal, um pouco afastadas entre si, uma delas eletrizada com carga positiva e a outra não-eletrizada. Se um bastão de metal tocar as duas esferas simultaneamente, verifica-se que parte da carga elétrica é transferida para a outra esfera. Porém, se utilizarmos um bastão de madeira, a carga permaneceria na esfera eletrizada, e a outra não receberia nem um pouco dessa carga. Esse experimento evidencia que o metal é o material condutor elétrico e a madeira é um material isolante elétrico. De fato, os condutores elétricos mais conhecidos são os metais como o cobre, o ferro o alumínio, o ouro e a prata. Entre eles, o cobre, metal de aspecto marrom-avermelhado, é usado na fiação elétrica das casas. Entre os isolantes elétricos podemos citar, além da madeira, os plásticos em geral, o ar (a temperatura e pressão ambientes), as borrachas e o isopor (que na verdade, é um tipo de plástico). CIÊNCIAS DA NATUREZA 15 A grande maioria dos metais conhecidos se encaixa em um des- ses dois grupos: condutor elétrico e isolantes elétrico. Há, contudo, certos materiais que não se enquadram bem em nenhuma dessas duas categorias, mas sim em um grupo intermediário, conhecidos como semi-condutores. Dois exemplos são o silício e o germânio, empregados na indústria para elaborar alguns componentes usados em aparelhos eletrônicos. Eletrização por contato Quando um corpo eletrizado toca um corpo eletricamente neu- tro (isto é, sem carga elétrica), parte de sua carga é transferida para ele, que também passa a ficar eletrizado. Esse processo é a eletri- zação por contato. Corrente elétrica Vimos que os elétrons se deslocam com facilidade em corpos condutores. O deslocamento dessas cargas elétricas é chamado de corrente elétrica. A corrente elétrica é responsável pelo funcionamento dos apa- relhos elétricos; estes somente funcionam quando a corrente passa por eles. Somente é possível a passagem de corrente por um aparelho se este pertencer a um circuito fechado. Um circuito constituído de lâmpada, pilha e fios, quando liga- dos corretamente, formam um circuito fechado. Quando ligamos os aparelhos elétricos em nossa casa e eles funcionam, podemos garantir que fazem parte de um circuito fechado quando passa cor- rente elétrica através de seus fios. Entendendo a corrente elétrica Antes de definirmos corrente elétrica, vamos imaginar a se- guinte situação: você está em uma estação de trem urbano ou de metrô, no qual o passageiro passa por roletas para ter acesso aos trens. Sua finalidade ali é avaliar a quantidade de pessoas que pas- sam por minuto. Obter essa informação é simples: basta contar quantas pessoas passam em um minuto. Por exemplo, se contou 100 pessoas, você responderá que passam 100 pessoas por minuto. Para atingir uma média melhor, você pode contar por mais tempo. Digamos que te- nha contado 900 pessoas em 10 minutos. Portanto, sua média agora será 900/10 = 90 pessoas por mi- nuto. Então alguém lhe pede que avalie a massa média das pessoas que passam por minuto pelas roletas. Você aceita o desafio. Se a massa médias das pessoas no Brasil é 70 Kg (podemos ver isso ao ler placas de elevadores de prédios, que sempre consideram a massa de uma pessoa igual a 70 kg. Essas placas de advertência fixadas nas cabines afirmam: “Capacidade máxima: 10 pessoas ou 700 kg”). Massa média Essa ideia é similar à usada para definira intensidade de corrente elétrica (i). Sabe-se que a carga de um elétron é igual a 1,6.10- 19 C . Se você conseguisse contar a quantidade de elétrons (n) que atravessa uma região plana de um fio em 1 segundo poderia afirmar que a intensidade da corrente elétrica é: Se contasse por um período qualquer, e representando a carga do elétron (1,6.10- 19 C) pela letra e, poderia afirmar: Esta é a expressão matemática associada à intensidade da cor- rente elétrica. A unidade de intensidade de corrente elétrica é o Coulomb por segundo, denominada ampère (A). A corrente elétrica pode ser contínua ou alterada. Na corrente contínua, observada nas pilhas e baterias, o fluxo dos elétrons ocorre sempre em um único sentido. Na corrente alternada, os elétrons alternam o sentido do seu movimento, oscilando para um lado e para o outro. É esse tipo de corrente que se estabelece ao ligarmos os aparelhos na nossa rede doméstica. A razão de a corrente ser alternada está relacionada a forma como a energia elétrica é produzida e distribuída para nossas casas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 16 Os meios de transporte não ficaram estagnados. Conforme o tempo passou e as necessidades dos homens mudaram, a forma de se transportar também evoluiu. Hoje, pode-se dizer que a distância foi vencida: a velocidade permitiu ao homem chegar cada vez mais longe em menos tempo. Para chegar a esse estágio de tamanha eficiência, os trans- portes precisaram evoluir de acordo com os conhecimentos que a humanidade ia adquirindo. O exemplo mais extraordinário é a Expansão Marítima, no século XV. O conhecimento adquirido para construir um meio de transporte aquaviário tornou possível a saída dos europeus do seu continente. Esse fato deu início a descoberta de novas terras como a América. No século XIX, o trem se tornou popular e após inúmeros ten- tativas de seu desenvolvimento, o inglês George Stephenson foi o responsável pela criação da locomotiva a vapor. No início não era um meio de transporte veloz, viajando aproximadamente 45Km/h. Isso tornava as viagens inseguras e suscetíveis a roubos. No fim do século e com os avanços tecnológicos, o trem foi considerado um dos meios mais modernos de transporte. Com a criação do motor a vapor, houve uma evolução no transporte marítimo com a cons- trução de barcos movidos a essa tecnologia, em destaque para o engenheiro francês Isambard Kingdom Brunel. O primeiro automóvel criado na Alemanha, por Carl Benz, em 1886, foi se aprimorando e durante todo século XX, não parou de ser renovado, no design, na tecnologia e na acessibilidade. Uma das revoluções do transporte aéreo, foi a criação do avião. O responsável por esse feito foi Santos Dumont, um brasileiro que em 1906 voou sobre o céu de Paris em seu 14-bis. A partir dele, novas inovações foram realizadas para a melhoria desse meio de transporte no mundo. Ainda no século XX, a ambição do homem o levou ao espaço. A corrida espacial entre EUA e URSS possibilitou a rápida evolução dos transportes espaciais. Os foguetes, naves e ônibus espaciais que desenvolveram não tardou em transportar astronautas para lua e tornar uma realidade a sua saída constante da Terra para pesquisas. Revolução Industrial Os transportes evoluíram principalmente durante a Revolução Industrial, a partir de 1760. Inicialmente, a maioria das invenções estava restrita à Inglaterra e com a 2ª Revolução Industrial (1850- 1900), conquistou outros países da Europa, na América e na Ásia. Inclusive no transporte marítimo e terrestre, com a criação dos na- vios e da locomotiva. Com a 3ª Revolução Industrial que aconteceu a partir de 1900, o mundo participou dessa etapa evolutiva da história e muitos in- ventos foram aperfeiçoados. Destaques da Evolução do Transporte Invenção da Roda: com data aproximada de sua mais antiga utilização de 3500 a.C, pelo povo da Suméria, seu invento propor- cionou ao ser humano maior mobilidade, já que anteriormente, o transporte era muito limitado em técnicas com troncos de madeira; Surgimento do Barco a Vapor (1807): a máquina a vapor foi es- sencial para muitos meios de transporte, especialmente os navios. O primeiro barco a vapor bem sucedido, foi inaugurado pelo ame- ricano Robert Fulton e era chamado de Clermont. Dentro do trans- porte marítimo, o vapor era capaz de movimentar essas máquinas pelos oceanos; Surgimento do Transporte Ferroviário (1830): O transporte ferroviário tornou-se popular a partir de 1830 e um dos principais inventores foi George Stephenson, criador da locomotiva a vapor; Invenção do Automóvel Moderno (1886): o alemão Karl Benz foi o responsável pela criação do primeiro automóvel de três rodas movido à gasolina; Surgimento da Aviação Comercial (1926): o avião abriu a nova fase de revolução nos transportes e sua criação é atribuída a três pessoas, os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright (1903) e Santos Dumont (1906). Com esse meio de transporte, a população não precisa mais utilizar apenas os navios para fazer longas viagens; Início do Transporte Espacial (1926): o transporte espacial co- meçou a ser introduzido pelo americano Robert H. Gooddard, cria- dor dos primeiros foguetes de combustível líquido. Os 5 Revolucionários dos Meios de Transporte 1) George Stephenson George Stephenson foi o responsável pela criação da locomo- tiva à vapor que funcionaria em uma estrada de ferro. Ele se for- mou em engenharia em 1812. Pensando em substituir a locomotiva puxada à cavalo, construiu em 1814 a locomotiva Blucher, com 6,5 toneladas para o transporte de carvão. Logo em 1821, é indicado para a construção da primeira linha de Stockton a Darlington, na Inglaterra. Foi em 27 de setembro de 1825 que circulou o primeiro trem em sua estrada de ferro. MEIOS DE TRANSPORTE CIÊNCIAS DA NATUREZA 17 Anterior a Stephenson, outros inventores como Richard Trevi- thick, Joseph Cugnot e John Blenkinsop tiveram grande contribuição na criação desse meio de transporte, mas George conquistou maior popularidade. Tanto é que em 1826, tornou-se engenheiro-chefe da ferrovia Liverpool-Manchester, liderando a construção da estra- da que foi finalizada em 1829. No mesmo ano, participou de um concurso de protótipos de locomotivas de Rainhill e foi vencedor. Sua locomotiva foi chamada de Rocket, que significa foguete, pois atingia uma velocidade de 50 km por hora. Ele criou uma fábrica de locomotivas em Newcastle e muitos de seus projetos receberam a contribuição do filho Robert Stephenson. George morreu em 12 de agosto de 1848. A criação da máquina a vapor (motor a vapor) foi atribuída e melhorada por vários inventores, dentre eles estão James Watt, Thomas Newcomen e Trevithick. Essa criação foi fundamental para o desenvolvimento do barco a vapor, do americano Robert Fulton, chamado de Clermont. 2) Étienne Lenoir A história da evolução dos automóveis é longa, mas um dos grandes inventores que contribuiu com a criação do automóvel foi Étienne Lenoir. Ele foi um inventor e construtor belga que criou o motor de combustão interna, movido à gás. Sua invenção posterior- mente tornou-se melhor devido ao inventor alemão Nikolaus Otto que criou os motores à gasolina. O invento desse motor foi o ponta- pé inicial para a construção dos carros modernos. Em 1886, o engenheiro alemão Karl Benz criou um carro de três rodas movido a gás ou petróleo e no fim do século XIX abriu sua fábrica de carros. Gottlieb Daimler, também engenheiro alemão, tornou-se seu concorrente criando uma fábrica semelhante. Logo depois, vieram a se unir. A partir deles, ocorreu o início da criação dos carros modernos. No princípio, havia ainda uma disputa entre os carros à vapor e à gasolina. Mas o que prevaleceu foi o movido à gasolina. O responsável por baratear e padronizar os automóveis foi o americano Henry Ford. Em 1908, ele desenvolveu o Modelo T, cujos veículos eramconfiáveis e com preços acessíveis. Desenho da Caravela 3) Isambard Brunel Isambard Kingdom Brunel, arquiteto e engenheiro visionário francês do século XIX, ganhou notoriedade por revolucionar a tec- nologia do transporte, através da construção de inúmeras ferrovias (trilhos de trem), túneis, pontes e navios, como os transatlânticos. Sua atuação foi predominante na Revolução Industrial britânica. Sua contribuição foi muito importante para a atualidade. No Reino Unido, Brunel é considerado um engenheiro revolu- cionário, pois seu legado transformou tecnologicamente os meios de transporte. Alguns de seus ousados projetos foram posterior- mente concretizados, pois a tecnologia da época era insuficiente para executá-los com eficiência. Dentre seus principais feitos, estão: Great Western Railway: estrada ferroviária que interligava Bris- tol a Londres e aumentava a velocidade dos trens, sem comprome- ter a segurança; The Great Steamship Company: Companhia aberta para cons- truir o maior navio de passageiros, já visto na época; SS Great Western: A principal descoberta de Brunel em relação a esse projeto, é que quanto maior é o barco, menor é o consumo de combustível. A inauguração do SS Great Western foi importante para a construção de navios maiores no futuro. Ia da Europa à Amé- rica em 15 dias; SS Great Britain: Embarcação construída pela The Great Ste- amship Company e inaugurada em 1843, com capacidade para qua- se 700 pessoas. Sua viagem para Nova Iorque durava 14 dias; SS Great Eastern: Terceiro transatlântico construído, com rota alterada (Índia). Entretanto, uma explosão gerou transtornos no percurso e impediu que a embarcação chegasse ao destino, ficando parada no oceano por muitos anos. 4) Alberto Santos Dumont A invenção do avião passa por vários inventores. Leonardo da Vinci foi responsável pela produção de projetos semelhantes a ve- ículos como o helicóptero e o paraquedas, mas seus projetos não saíram do papel. Os responsáveis por transformar o sonho de voar em realidade está atribuído à Alberto Santos Dumont e também aos Irmãos Wright, em alguns países. No início do século XX, houve uma disputa para a construção de uma máquina voadora. Em 1903, os irmãos Wright, nos Estados Unidos, criaram um avião que voou 12 segundos, numa altura de 37 metros com o au- xílio de uma catapulta. Já em 1906, Alberto Santos Dumont, após vários testes, realizou o primeiro voo de sucesso. Voou 60 metros por meio de seu avião 14-Bis em meio a um espetáculo visto pela população parisiense. Dumont nasceu na fazenda dos pais, na cidade hoje chamada de Santos Dumont, em Minas Gerais, no dia 20 de julho de 1873. E, desde a infância adquiriu vocação pelas máquinas da fazenda do pai. Aos 18 anos, em 1891, foi para Paris concluir seus estudos so- bre aviação. Ele voou com dirigíveis e balões. Muitas vezes, entrou em depressão por ver que suas invenções haviam sido usadas como máquinas de guerra. Morreu aos 59 anos, no dia 23 de julho de 1932. 5) Elon Musk Elon Reeve Musk nasceu na África e é um canadense-america- no, um empresário, inventor e engenheiro responsável pela criação de empresas como a Space-X, a primeira empresa comercial que oferece viagens ao espaço e a Tesla Motors, que trabalha na cons- trução de carros elétricos. É co-fundador da PayPal e Zip2, além de outros investimentos. Foi responsável também pela idealização do Hyperloop, um meio de transporte rápido com cápsulas que flutua- riam por meio de tubos. Space-X A Space Exploration Technologies foi fundada em 2002, com sede na Califórnia e é liderada por Musk. É uma empresa que tra- balha no desenvolvimento de foguetes e naves espaciais para mis- sões na órbita da Terra e também, para outros planetas. Ganhou destaque mundial a partir das suas realizações, sendo responsável por realizar testes de naves espaciais à orbitar a Terra em 2010 e também enviar cargas para a Estação Espacial Internacional (ISS). CIÊNCIAS DA NATUREZA 18 Outro marco histórico foi o envio com sucesso em maio de 2012 da espaçonave Dragon com cargas para a ISS, que retornou com segurança à Terra. A partir daí, a nave passou a reabastecer re- gularmente a estação espacial e realizar missões para a NASA. Com isso, a empresa fechou um contrato com a NASA e futuramente, o objetivo é levar uma tripulação para o espaço. A empresa trabalha também com o Falcon, que será o foguete mais poderoso do mun- do. Um dos desafios da Space-X é construir foguetes reutilizáveis para que os gastos com veículos espaciais diminua, além de deixá- -los mais seguros para a exploração do espaço. Tesla Motors A Tesla Motors é uma empresa criada em 2003 por um grupo de engenheiros do Vale do Silício com a missão de trazer ao mundo um transporte sustentável. Ela realiza a produção de carros elétri- cos tais como o Tesla Roadster, o primeiro modelo, Modelo S e Mo- delo X. Os primeiros modelos de motores se basearam na criação do motor de indução AC, patenteado por Nikola Tesla, em 1888. Elon Musk é um dos co-fundadores desta empresa. Hyperloop O Hyperloop faz parte de um projeto futurístico do empresário que inicialmente iria interligar Los Angeles a São Francisco, sendo 615 km em 35 minutos ou menos. Se trata de um sistema de trans- porte de passageiros que funciona por meio de cápsulas que flutu- arão por túneis. Esses tubos ficariam em uma via acima do solo em postes de sustentação e cada cápsula seria capaz de comportar 28 passageiros. Fonte: http://meios-de-transporte.info/evolucao-dos-transportes. html O que são meios de comunicação? Por mais que possa parecer uma pergunta simples, ela se torna cada vez mais compreensível. Antes simples e fáceis de ser apontados, hoje, esses canais muda- ram bastante e estão em crescimento. A cada dia, surge um novo e isso está diretamente ligado ao avanço da tecnologia. Para os profissionais de marketing, publicida- de e propaganda, conhecer cada um desses meios é fundamental para usá-los em suas estratégias. Além de os canais terem ampliado, há um outro movimento proporcional a esse: o público se espalhou entre eles. Cada negócio pode identificar que sua audiência está concentrada mais em al- guns e, justamente por isso, é essencial saber mais sobre eles. Neste post, você conhecerá melhor os meios de comunicação e como eles evoluíram com o passar dos anos. Veja quais são os mais populares, por que são relevantes e como usá-los na sua estratégia de marketing! O que são meios de comunicação e como surgiram? Os meios de comunicação são dispositivos criados para possibi- litar a comunicação entre os pessoas. Existem diferentes meios de comunicação, sendo os individuais (exemplo: telefone, carta etc.) e os de massa (exemplo: televisão, jornal, internet etc.) que também podem ser chamados de mídia. No entanto, a história trata deles desde os mais rudimentares, em que a tecnologia não era nem mesmo uma ideia. O desenho, sinais e até mesmo o início dos idiomas são meios de comunicação. A diferença é o alcance e o impacto que tinham. Em uma ordem cronológica, entre os meios mais conhecidos, a sequência de surgimento foi: cartas, rádio, telefone, televisão e internet. A partir deles, naturalmente, com o avanço da tecnologia e transformação digital, uma série de variações surgiram, o que tor- na a pergunta “o que são meios de comunicação?” um pouco mais complexa do que deveria. Um bom exemplo é o telefone: quem diria que ele poderia dar origem a outras formas de comunicação como as chamadas de ví- deo, as mensagens instantâneas, como o WhatsApp, e ainda aco- lher uma série de canais relacionados à internet? Durante a evolução dos recursos, a integração entre as tecno- logias foi um marco significativo que, apesar de muito natural à so- ciedade hoje, precisa ser avaliado profundamente. Qual a relevância dos meios de comunicação na sociedade? Se hoje conseguimosperceber o que são meios de comunica- ção, automaticamente, também é possível entender o quão impor- tantes eles são na nossa sociedade. Essa relevância aumentou mais a partir do momento em que a tecnologia trouxe inovações e novas maneiras de se comunicar. Hoje, é fácil estabelecer contato com alguém que está em outro estado ou país, por exemplo. A informação também está em diferentes canais, e isso gera uma importância única aos meios de comunicação. Da ótica do marketing, é como se diversas portas se abrissem para receber as campanhas, cada uma delas exigindo uma forma diferente de falar, de abordar e de veicular as ações. Os diferentes canais proporcionam linguagens e maneiras dis- tintas de fazer contato com o consumidor. Mais do que informar, os meios de comunicação também são ferramentas de divulgação. Para as empresas, eles são um recurso fundamental para mostrar ao seu público que existem. No entanto, a publicidade comum sofreu muitas transforma- ções, seja pelas mudanças da sociedade, seja pelo avanço da tec- nologia. Esses canais são cada dia mais fundamentais, já que são acessíveis a todos, em diferentes níveis. Qual é a importância dos meios de comunicação? É claro que, tendo importância para a sociedade e atraindo a atenção de um grande volume de potenciais consumidores, os meios de comunicação podem ser aproveitados pelas empresas para promover seus produtos e serviços. Confira alguns benefícios abaixo: Comunicar com pessoas do mundo todo Se antes uma empresa tinha uma limitação geográfica para vender seus produtos, com a potencialização e criação de novos meios de comunicação, sua oferta pôde atingir novos públicos de potenciais compradores. Isso permitiu que os negócios expandissem para novos merca- dos e também realizassem o fortalecimento de sua marca e a pro- moção de seus diferenciais. MEIOS DE COMUNICAÇÃO http://meios-de-transporte.info/evolucao-dos-transportes CIÊNCIAS DA NATUREZA 19 O comportamento e a percepção dos potenciais clientes tam- bém transformaram em informação a ser consumida e estudada pelas empresas. As redes sociais, por exemplo, mostram aos em- presários quais assuntos estão em alta, qual tipo de produto tem sido mais procurado e qual é a opinião de seu público-alvo em re- lação a sua oferta. Obter informações em tempo real Para os consumidores, os meios de comunicação trazem infor- mações em tempo real, no momento em que elas estão acontecen- do. Essa característica permite que eles reajam na hora certa ou aproveitem oportunidades, como uma oferta em tempo limitado em um e-commerce, por exemplo. Para as empresas, considerando que alguns canais têm a carac- terística de promover conteúdos em tempo real, como o rádio, tele- visão e internet, eles são ferramentas essenciais para potencializar suas vendas e fortalecer o relacionamento com seu público. Aumentar a oferta de entretenimento Os meios de comunicação também criaram novas formas de entretenimento que atraem massas com interesses e comporta- mentos comuns. Pessoas que gostam de cozinhar sintonizam um canal da televisão em determinado horário para acompanhar um programa com dicas de gastronomia, não é mesmo? Isso é uma informação relevante para os anunciantes e aconte- ce também nos demais canais. Conteúdos voltados para diferentes segmentos podem ser ótimas oportunidades para que as campa- nhas de marketing sejam direcionadas para o público-alvo. Entender essa perspectiva do uso estratégico dos meios de co- municação é muito importante para integrá-los em campanhas de marketing e até mesmo fazer uma sensibilização de equipes inter- nas de uma agência e também potenciais clientes, afinal de contas, apesar de fazerem parte do nosso cotidiano, é comum que nosso pensamento só considere nosso padrão de consumo. Quais são os meios mais utilizados? Entre os diferentes meios de comunicação, naturalmente, al- guns têm maior preferência da população. A internet surgiu e, com o desenvolvimento da tecnologia, avançou consideravelmente en- tre os favoritos. No entanto, TV e rádio não deixaram de ter impacto na socie- dade. Dentro de diferentes contextos e necessidades, cada um des- ses meios supre as demandas do público. O marketing pode estar em todos esses meios, sempre com es- tratégias desenvolvidas para atingir o público e persona da melhor forma. Por isso, a maneira de fazer ações é adaptada para cada um desses canais, já que isso interfere na eficiência das campanhas. Também é importante entender o que são meios de comunica- ção populares, ou seja, aqueles com os quais a sociedade está mais adaptada e utiliza mais. A seguir, entenda um pouco mais sobre os principais canais, como é aderência e como a população faz uso dessas alternativas. Televisão A televisão foi uma das invenções que mais geraram impactos na sociedade e se mostra como um meio de comunicação eficiente e completo: informação, publicidade e entretenimento. Para a sociedade, ter tudo isso em um só meio gera um impac- to grande, e torna a televisão extremamente atrativa. Em dados, fica fácil perceber isso: ela é a favorita de 63% do público, sendo a primeira e segunda opção na ordem de preferência para 77% das pessoas entrevistadas pela Pesquisa Brasileira de Mí- dia 2016. Esse foi o último estudo amplo realizado sobre o consumo de mídias no país. Rádio O rádio é um dos meios mais antigos e teve grande importân- cia no desenvolvimento da sociedade. Apesar de não engajar tanto por não ter imagens, ele cumpre um papel importante. Esse canal de mídia também alia informação, entretenimento e publicidade, porém, com um formato diferente. Hoje, o rádio é a preferência de apenas 7% da população bra- sileira. O consumo de música, por exemplo, tem hoje nas platafor- mas de streaming e na internet, no geral, um grande concorrente do rádio. Quanto à informação, ele se limita a momentos específicos do dia, como no trânsito. Internet O avanço da internet é claro, e a pesquisa trouxe números que comprovam isso: 26% da população já tem nela o meio de comuni- cação preferido. Explicar isso é fácil, já que há muitas vantagens e comodidades. A agilidade das informações, a mobilidade, o amplo acesso a conteúdos e a possibilidade de consumir materiais de interesse pes- soal são algumas dessas razões. O estudo ainda mostra que 49% das pessoas têm a internet como as duas primeiras opções de mídia, muito provavelmente pela amplitude de possibilidades que ela oferece. Outra questão importante é o acesso, cada vez mais amplo e que não limita mais classes sociais. No Brasil, já são 116 milhões de pessoas conectadas à internet, segundo o IBGE. Como a tecnologia impactou as mudanças? É impossível falar sobre o que são meios de comunicação sem relacionar as mudanças que a tecnologia proporcionou a ele. Se a internet avança como um canal amplo na atualidade, é muito por conta de como ela se desenvolveu. A conectividade foi um fator que também transformou os ca- nais de comunicação, e isso fez com que um mundo se abrisse para quem usa esses recursos. As Smart TVs, por exemplo, acessam aplicativos e ligam o usuá- rio a muito mais do que a programação aberta ou fechada. O rádio também não está limitado aos aparelhos de som, já que as estações podem ser sintonizadas pela internet, além de os softwares de streaming terem os seus próprios canais, geralmente, personalizados de acordo com o gosto do ouvinte. A segmentação Talvez o maior impacto da tecnologia na comunicação tenha sido a segmentação. O marketing digital tem essa possibilidade como sua base, ou seja, campanhas e ações direcionadas para seu público específico. Mesmo que a internet seja ampla e atinja pessoas distintas, há recursos que permitem limitar o alcance da publicidade apenas a um público de interesse. CIÊNCIAS DA NATUREZA 20 Hoje, as empresas precisam escolhermuito bem quais meios de comunicação usarão para divulgar suas campanhas. A internet cresceu e, com o avanço da era digital, a automação de marketing e demais ações, bem como a possibilidade de se comunicar crescen- temente com quem se interessa, fizeram com que tudo mudasse. A tendência é de que a internet, principalmente por meio das redes sociais, seja o canal mais escolhido para que as marcas se comuniquem com seu público. Nesse cenário, o impacto da tecno- logia foi fundamental para iniciar uma nova era. Como usar os meios de comunicação nas estratégias de marketing digital? Para ter uma estratégia precisa, é necessário escolher bem os canais de comunicação. Para isso, é preciso considerar onde está sua audiência e com qual desses meios ela tem melhor aceitação. Nesse cenário, algumas alternativas costumam apresentar bom de- sempenho. Veja a seguir as principais! Email marketing O email marketing segue como um excelente meio de comu- nicação dentro do marketing digital. Ele é uma forma simples e efi- ciente de manter um relacionamento com o público por meio da oferta de conteúdos. Com um bom ciclo de alimentação, é possível converter inte- ressados e visitantes em clientes. A linguagem adequada e uma fre- quência boa de envio de emails leva a estratégia ao sucesso. Redes sociais Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, LinkedIn e alguns ou- tros: as redes sociais estão em alta e, com certeza, o público da sua marca estará lá. É fundamental ter perfis corporativos para se comunicar, pro- mover produtos e campanhas, expor a empresa e também atender os clientes. A presença nas redes é indispensável, já que elas fazem parte do cotidiano da sociedade. Motores de busca A presença digital é tudo hoje em dia, especialmente, quando se fala de negócios! É impossível executar um bom marketing sem dar o devido destaque a uma empresa na internet, o que passa por desenvolver um site, bem como criar um blog e publicar por lá seus conteúdos. Nesse trabalho, o impulsionamento orgânico, por meio das fer- ramentas do Google, e a otimização de resultados para motores de busca são indispensáveis. Não é difícil entender o que são meios de comunicação, mas é preciso ter maior clareza sobre como eles mudaram nos últimos anos. Isso garante que as empresas estejam prontas para explorá- -los na comunicação com seu público, obtendo resultados de des- taque! Fonte: https://rockcontent.com/blog/meios-de-comunicacao/ Redes sociais Redes sociais são estruturas formadas dentro ou fora da inter- net, por pessoas e organizações que se conectam a partir de inte- resses ou valores comuns1. Muitos confundem com mídias sociais, porém as mídias são apenas mais uma forma de criar redes sociais, inclusive na internet. O propósito principal das redes sociais é o de conectar pessoas. Você preenche seu perfil em canais de mídias sociais e interage com as pessoas com base nos detalhes que elas leem sobre você. Po- de- se dizer que redes sociais são uma categoria das mídias sociais. Mídia social, por sua vez, é um termo amplo, que abrange diferentes mídias, como vídeos, blogs e as já mencionadas redes sociais. Para entender o conceito, pode-se olhar para o que com- preendíamos como mídia antes da existência da internet: rádio, TV, jornais, revistas. Quando a mídia se tornou disponível na internet, ela deixou de ser estática, passando a oferecer a possibilidade de interagir com outras pessoas. No coração das mídias sociais estão os relacionamentos, que são comuns nas redes sociais — talvez por isso a confusão. Mídias sociais são lugares em que se pode transmitir informações para ou- tras pessoas. Estas redes podem ser de relacionamento, como o Facebook, profissionais, como o Linkedin ou mesmo de assuntos específicos como o Youtube que compartilha vídeos. As principais são: Facebook, WhatsApp, Youtube, Instagram, Twitter, Linkedin, Pinterest, Snapchat, Skype e agora mais recente- mente, o Tik Tok. Facebook Seu foco principal é o compartilhamento de assuntos pessoais de seus membros. O Facebook é uma rede social versátil e abrangente, que reúne muitas funcionalidades no mesmo lugar. Serve tanto para gerar ne- gócios quanto para conhecer pessoas, relacionar-se com amigos e família, informar-se, dentre outros2. WhatsApp É uma rede para mensagens instantânea. Faz também ligações telefônicas através da internet gratuitamente. A maioria das pessoas que têm um smartphone também o têm instalado. Por aqui, aliás, o aplicativo ganhou até o apelido de “zap zap”. 1 https://resultadosdigitais.com.br/especiais/tudo-sobre-redes-sociais/ 2 https://bit.ly/32MhiJ0 CIÊNCIAS DA NATUREZA 21 Para muitos brasileiros, o WhatsApp é “a internet”. Algumas operadoras permitem o uso ilimitado do aplicativo, sem debitar do consumo do pacote de dados. Por isso, muita gente se informa atra- vés dele. YouTube Rede que pertence ao Google e é especializada em vídeos. O YouTube é a principal rede social de vídeos on-line da atuali- dade, com mais de 1 bilhão de usuários ativos e mais de 1 bilhão de horas de vídeos visualizados diariamente. Instagram Rede para compartilhamento de fotos e vídeos. O Instagram foi uma das primeiras redes sociais exclusivas para acesso por meio do celular. E, embora hoje seja possível visualizar publicações no desktop, seu formato continua sendo voltado para dispositivos móveis. É possível postar fotos com proporções diferentes, além de ou- tros formatos, como vídeos, stories e mais. Os stories são os principais pontos de inovação do aplicativo. Já são diversos formatos de post por ali, como perguntas, enquetes, vídeos em sequência e o uso de GIFs. Em 2018, foi lançado o IGTV. E em 2019 o Instagram Cenas, uma espécie de imitação do TikTok: o usuário pode produzir vídeos de 15 segundos, adicionando música ou áudios retirados de outro clipezinho. Há ainda efeitos de corte, legendas e sobreposição para transições mais limpas – lembrando que esta é mais uma das fun- cionalidades que atuam dentro dos stories. Twitter Rede social que funciona como um microblog onde você pode seguir ou ser seguido, ou seja, você pode ver em tempo real as atu- alizações que seus contatos fazem e eles as suas. O Twitter atingiu seu auge em meados de 2009 e de lá para cá está em declínio, mas isso não quer dizer todos os públicos pararam de usar a rede social. A rede social é usada principalmente como segunda tela em que os usuários comentam e debatem o que estão assistindo na TV, postando comentários sobre noticiários, reality shows, jogos de futebol e outros programas. Nos últimos anos, a rede social acabou voltando a ser mais uti- lizada por causa de seu uso por políticos, que divulgam informações em primeira mão por ali. Linkedin Voltada para negócios. A pessoa que participa desta rede quer manter contatos para ter ganhos profissionais no futuro, como um emprego por exemplo. A maior rede social voltada para profissionais tem se tornado cada vez mais parecida com outros sites do mesmo tipo, como o Facebook. A diferença é que o foco são contatos profissionais, ou seja: no lugar de amigos, temos conexões, e em vez de páginas, temos com- panhias. Outro grande diferencial são as comunidades, que reúnem interessados em algum tema, profissão ou mercado específicos. É usado por muitas empresas para recrutamento de profissio- nais, para troca de experiências profissionais em comunidades e outras atividades relacionadas ao mundo corporativo Pinterest Rede social focada em compartilhamento de fotos, mas tam- bém compartilha vídeos. O Pinterest é uma rede social de fotos que traz o conceito de “mural de referências”. Lá você cria pastas para guardar suas inspi- rações e também pode fazer upload de imagens assim como colocar links para URLs externas. Os temas mais populares são: -Moda; - Maquiagem; - Casamento; - Gastronomia; - Arquitetura; - Faça você mesmo; - Gadgets; - Viagem e design. CIÊNCIAS DA NATUREZA 22 Seu público é majoritariamente feminino em todo o mundo. Snapchat Rede para mensagens baseado em imagens. O Snapchat é um aplicativo de compartilhamento de fotos, ví- deos e texto para mobile. Foi considerado o símbolo da pós-moder- nidade pela sua proposta de conteúdos efêmeros conhecidos como snaps, que desaparecem algumas horas após a publicação. A rede lançou o conceito de “stories”, despertando o interesse de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, que diversas vezes tentou adquirir a empresa, mas não obteve sucesso. Assim, o CEO lançou a funcionalidade nas redes que já haviam sido absorvidas, criando os concorrentes WhatsApp Status, Facebook Stories e Instagram Stories. Apesar de não ser uma rede social de nicho, tem um público bem específico, formado por jovens hiperconectados. Skype O Skype é um software da Microsoft com funções de videocon- ferência, chat, transferência de arquivos e ligações de voz. O serviço também opera na modalidade de VoIP, em que é possível efetuar uma chamada para um telefone comum, fixo ou celular, por um aparelho conectado à internet O Skype é uma versão renovada e mais tecnológica do extinto MSN Messenger. Contudo, o usuário também pode contratar mais opções de uso – de forma pré-paga ou por meio de uma assinatura – para realizar chamadas para telefones fixos e chamadas com vídeo em grupo ou até mesmo enviar SMS. É possível, no caso, obter um número de telefone por meio pró- prio do Skype, seja ele local ou de outra região/país, e fazer ligações a taxas reduzidas. Tudo isso torna o Skype uma ferramenta válida para o mundo corporativo, sendo muito utilizado por empresas de diversos nichos e tamanhos. Tik Tok O TikTok, aplicativo de vídeos e dublagens disponível para iOS e Android, possui recursos que podem tornar criações de seus usu- ários mais divertidas e, além disso, aumentar seu número de segui- dores3. Além de vídeos simples, é possível usar o TikTok para postar duetos com cantores famosos, criar GIFs, slideshow animado e sin- cronizar o áudio de suas dublagens preferidas para que pareça que é você mesmo falando. O TikTok cresceu graças ao seu apelo para a viralização. Os usu- ários fazem desafios, reproduzem coreografias, imitam pessoas fa- mosas, fazem sátiras que instigam o usuário a querer participar da brincadeira — o que atrai muito o público jovem. Relações tróficas: cadeias e teias alimentares Imagine que você está caminhando por um campo com árvores não muito próximas umas das outras e com o capim tomando conta do chão entre uma árvore e outra. Nesse ambiente, convivem pás- saros, gafanhotos, formigas, serpentes, roedores e uma série de ou- tros animais, além das próprias árvores e do capim. Alguns desses seres alimentam-se de outros, por exemplo: um gavião alimenta-se de uma serpente; uma serpente, de um roedor. Agora, imagine compor uma sequência de seres vivos na qual se indica quem é o alimento de quem: o capim é o alimento do ga- fanhoto; o gafanhoto é o alimento do roedor; o roedor é o alimen- to da serpente; a serpente é o alimento do gavião. Essa sequência pode ser representada de forma gráfica e recebe o nome de cadeia alimentar. Veja como essa cadeia alimentar é descrita: Observe que o gafanhoto come o capim, assim como a serpen- te come o roedor, porém a seta aponta do capim para o gafanhoto e do roedor para a serpente. Isso ocorre porque a seta indica o ca- minho da matéria e da energia que cada ser vivo da cadeia obtém quando se alimenta. Assim, quando um gafanhoto se alimenta das folhas do capim, parte da matéria e da energia presentes no capim passa para o corpo do gafanhoto. Da mesma forma, quando a serpente se alimenta do roedor, parte da matéria e da energia presentes no corpo do roedor passa para o corpo da serpente. As relações alimentares que os seres vi- vos que convivem em determinado ambiente estabelecem entre si são chamadas relações tróficas. A palavra trófica (do grego trophos, que significa “alimento”). 3 https://canaltech.com.br/redes-sociais/tiktok-dicas-e-truques/ OS ANIMAIS E SUAS ADAPTAÇÕES CONTRA OS PREDADORES CIÊNCIAS DA NATUREZA 23 Seres autotróficos e heterotróficos Olhando para a cadeia alimentar que você acabou de analisar, do capim até o gavião, é possível perguntar: E o capim, como ele obtém a matéria e a energia de que precisa para sobreviver? Como ele se alimenta? Existiria um ser vivo que poderia ser colocado antes do capim nessa cadeia alimentar? Os animais (como os seres humanos, os macacos e os insetos) têm de ingerir partes de outros seres vivos para obter a matéria e a energia necessárias ao seu organismo para sua sobrevivência. Essa matéria e energia vêm de algumas substâncias presentes no corpo do ser vivo que lhes serve de alimento. O capim, no entanto, é uma planta, e as plantas, assim como alguns outros seres vivos, têm a capaci- dade de produzir as substâncias orgânicas de que precisam para se alimentar. Por isso, as plantas, as algas e algumas espécies de bactérias são chamadas de seres autotróficos (do grego autos, “próprio”, e tro- phos, “alimento”). Ou seja, seres que produzem o próprio alimento. Já os animais, os fungos e muitos microrganismos, como a ameba, são chamados de seres heterotróficos (do grego hetero, “diferente”, e trophos, “alimento”), pois obtêm as substâncias orgânicas para sua alimentação do corpo de outros seres vivos. Retomando a discussão sobre o capim na cadeia alimentar, pode-se perguntar: De que maneira ele obtém energia e matéria para sobreviver? Como ele é uma planta, realiza fotossíntese, ou seja, é um ser vivo auto- trófico, que, portanto, produz o próprio alimento. É por isso que não há um ser vivo antes dele na cadeia alimentar. E o alimento produzido pelo capim serve não só para ele mesmo, como também para o gafanhoto, que dele se alimenta. Teias alimentares Anteriormente, você estudou como é possível compor uma cadeia alimentar em um ambiente de campo com árvores espaçadas, capim e animais, como gafanhotos, pássaros, serpentes etc. Agora, é preciso considerar que um mesmo animal pode servir de alimento a vários outros ou até se alimentar de vários seres vivos diferentes. Isso significa que diversas cadeias alimentares podem se interligar, formando uma teia. Assim, chama-se teia alimentar a representa- ção gráfica das relações tróficas (alimentares) entre os seres vivos que habitam determinado ambiente. Veja a seguir um exemplo de teia alimentar que ocorre na região do Pantanal. Níveis tróficos e os decompositores Toda cadeia alimentar tem início em um ser vivo autotrófico: uma planta, uma alga ou mesmo uma bactéria. Esse ser vivo é respon- sável pela fabricação do alimento que flui por toda a cadeia alimentar, razão pela qual ele é chamado de produtor, e os outros seres vivos da cadeia, de consumidores. Observe mais uma vez a cadeia alimentar do início deste tema. CIÊNCIAS DA NATUREZA 24 Nessa cadeia, o capim é o produtor e os animais (gafanhoto, roedor, serpente e gavião) são os consumidores. Cada ser vivo da cadeia alimentar pertence a um nível trófico diferente. O produtor, que sempre inicia a cadeia, pertence ao primeiro nível trófico. Esse é o caso do capim no exemplo de cadeia apresentado. No segundo nível trófico está o ser vivo que se alimenta diretamente do produ- tor e por isso é chamado de consumidor primário; no terceiro nível trófico, o ser vivo que se alimenta do consumidor primário, ou seja, o consumidor secundário; e assim por diante Portanto, no exemplo de cadeia alimentar apresentado, os níveis tróficos são: • capim: primeiro nível trófico – produtor; • gafanhoto: segundo nível trófico – consumidor primário; • roedor: terceiro nível trófico – consumidorsecundário; • serpente: quarto nível trófico – consumidor terciário; • gavião: quinto nível trófico – consumidor quaternário. Os decompositores Se você já caminhou por uma região de mata ou de uma gran- de floresta, provavelmente percebeu que o solo fica coberto de fo- lhas, galhos, frutos e sementes que caem das árvores. Por que esse material todo não se acumula no chão, formando montanhas de folhas, pedaços de galhos, frutos e sementes ao longo do tempo? E mesmo os troncos de grandes árvores que morrem e caem, o que acontece com eles? Quando os produtores e os consumidores dos vários níveis tróficos morrem, o corpo deles serve de alimento a certos fungos e bactérias e também a alguns insetos e vermes. Ao se alimentarem, esses seres vivos decompõem a matéria orgânica dos restos mortos de plantas e animais, fezes etc. Por essa razão, são denominados decompositores. O processo de decomposição garante a reciclagem dos elemen- tos químicos que formavam os corpos que foram decompostos. Os decompositores vivem em todos os lugares na superfície do plane- ta: no solo, no ar e mesmo nos ambientes aquáticos. Você já deve ter acompanhado o processo de apodrecimento de uma fruta esquecida na cozinha ou a formação de bolor sobre o pão. Nos dois casos, o que está ocorrendo é a ação de fungos de- compositores, que são o próprio bolor. POPULAÇÕES, COMUNIDADES E ECOSSISTEMAS Uma população é um conjunto de seres vivos da mesma es- pécie. Por exemplo: há população de sucuris, de jabuticabeiras, de cavalos, de canários-da-terra, de seres humanos etc. As diversas populações que convivem em um mesmo ambiente formam uma comunidade biológica. Os seres vivos de uma comunidade biológica interagem entre si e também com as condições do ambiente em que vivem. A exube- rância da Floresta Amazônica, por exemplo, está relacionada com o fato de ela se localizar na região mais iluminada e quente do plane- ta, a região equatorial. A existência da floresta, no entanto, mantém naquele ambien- te uma umidade que não existiria sem a floresta. Ou seja, as enor- mes árvores que a formam e que fazem parte daquela comunidade biológica promovem ali a retenção de água e o aumento de umi- dade. Sem a floresta, a água poderia se mover para outras regiões, transformando uma área anteriormente úmida em um deserto. Os biólogos chamam de ecossistema a esse conjunto formado por uma comunidade biológica em interação com as condições do ambiente que ela habita. Os seres vivos que compõem a comunida- de biológica são os componentes bióticos (vivos) do ecossistema. As condições ambientais, como a intensidade da luz solar, a umidade, a temperatura e a presença de determinadas substâncias, são os componentes abióticos (não vivos). Um ecossistema pode ser um pequeno lago, no qual convivem peixes, anfíbios e aves e que é visitado por diversos animais à procura de água. Pode ser também uma floresta ou um ambiente entre o rio e o mar, como o manguezal. O conjunto de todos os ecossistemas do planeta Terra, estejam eles em continentes, ilhas, montanhas, grandes planícies, lagos ou oceanos, recebe o nome de biosfera. Fluxo de energia nos níveis tróficos de um ecossistema Em todos os ecossistemas, é possível estabelecer cadeias e teias alimentares que descrevem as relações tróficas existentes nes- ses ambientes. Como você viu no tema anterior: • para existir, os seres vivos precisam de matéria e energia; • toda cadeia alimentar tem início em um ser vivo autotrófico, ou seja, que produz o próprio alimento, por meio da fotossíntese. Em um ecossistema, os seres autotróficos da comunidade bio- lógica captam a energia da luz solar e com ela produzem substâncias nas quais essa energia luminosa fica armazenada, agora na forma de energia química. Quando um consumidor primário se alimenta de um ser autotrófico, como um ratinho-do-cerrado alimentando- -se de frutas, a energia contida no alimento permite a sobrevivência do consumidor primário. Parte dessa energia é usada para produzir novas substâncias orgânicas, que ficam em seu corpo. Também quando um consumidor secundário se alimenta de um consumidor primário, como uma coruja-buraqueira alimen- tando-se do ratinho-do-cerrado, ele utiliza as substâncias do corpo deste último como fonte de energia. Da mesma forma, quando um consumidor terciário se alimenta do consumidor secundário, como uma cobra alimentando-se dos ovos da coruja-buraqueira, parte da energia presente no ovo da coruja (consumidor secundário) vai para o corpo da cobra (consumidor terciário). Esse processo de transferência de energia entre os níveis trófi- cos em qualquer ambiente termina sempre que um dos membros da cadeia morre e seu corpo apodrece pela ação dos organismos decompositores. Parte da energia contida no corpo que está apo- drecendo vai para os decompositores e parte se dissipa no ambien- te na forma de calor. CIÊNCIAS DA NATUREZA 25 Portanto, em um ecossistema, a transferência de energia entre os níveis tróficos segue sempre o mesmo sentido, começando nos produtores e terminando nos decompositores. Essa transferência tem início com a captação da energia luminosa pelos seres produto- res, continua passando de um nível trófico para outro por meio dos consumidores e termina com a ação dos decompositores. Quando um pássaro se alimenta de um inseto que come plantas, a energia da luz solar que passou das plantas para o inseto e ficou armazena- da nas substâncias orgânicas de seu corpo agora pode ser utilizada pelo pássaro. O mesmo acontece se esse pássaro servir de alimento para um pássaro maior, como o gavião; ou seja, todos os componentes dessa cadeia alimentar vivem da energia da luz solar captada pelos seres produtores, que são autotróficos, como as plantas. Os seres humanos também fazem parte de cadeias e de teias alimentares e utilizam a energia da luz solar contida nos alimentos, sejam plantas, animais ou seus produtos, como ovos e leite. Relações ecológicas Em uma comunidade biológica, diversas populações convivem e interagem, estabelecendo relações ecológicas entre si. Os estu- diosos diferenciam dois tipos de relações ecológicas: • relações intraespecíficas: as que ocorrem entre indivíduos de uma mesma população, ou seja, da mesma espécie; • relações interespecíficas: as que ocorrem entre indivíduos de espécies diferentes. Por exemplo, os jacarés que vivem em um mesmo lago no Pan- tanal competem por alimento e estabelecem uma relação intraes- pecífica. Quando uma onça se alimenta de uma capivara, ocorre uma relação interespecífica, em que a onça é o predador e a capivara é a presa. As relações ecológicas ainda podem ser: • harmônicas: aquelas em que as populações envolvidas se be- neficiam ou pelo menos nenhuma delas se prejudica, como é o caso da colônia e da protocooperação; • desarmônicas: aquelas em que uma das populações é pre- judicada e a outra beneficiada, como é o caso da competição e do predatismo. Sucessão ecológica Observe as duas fotografias a seguir, que mostram áreas de flo- restas que foram desmatadas. Em relação à área desmatada, qual é a principal diferença entre elas? A diferença é que o desmatamento, na primeira imagem, aca- bou de ocorrer, e, na segunda, ocorreu há meses. Nesse último caso, as árvores foram retiradas e, em seguida, o terreno foi abandonado, permitindo que as plantas voltassem a crescer. Observe que não é mais possível ver o solo nu, como na outra imagem. O crescimento de plantas que está ocorrendo na área desma- tada é o início de um processo denominado sucessão ecológica. No caso da floresta, essa sucessão tem início com gramíneas e arbus- tos, que são chamados de plantas pioneiras, por serem as primeiras a habitar a área. Em seguida, surgem plantas de pequeno porte e, depois, árvores maiores, compondo uma floresta intermediária, até Enquanto a sucessão ecológica ocorre, a comunidade deseres vivos que habita aquela área vai se alterando, até que o ecossistema se reequilibre e volte a ter plantas e animais, como anfíbios, répteis, aves e mamíferos, tal como acontecia antes do desmatamento. Portanto, o processo de sucessão ecológica se completa quan- do a comunidade chega a um equilíbrio e as diversas populações que a compõem ficam relativamente estáveis ao longo do tempo. Os biólogos chamam essa condição de comunidade clímax. Em lugares desabitados (por exemplo, uma grande duna de areia na praia), pode ocorrer uma sucessão ecológica primária, isto é, uma sucessão que tem início em uma área desabitada. Quando a sucessão ocorre em um local que já foi habitado, como no caso da área desmatada, ela é chamada de sucessão eco- lógica secundária. No caso de uma sucessão primária sobre lava solidificada, os li- quens são importantes organismos pioneiros, por suportarem con- dições adversas, modificando o ambiente e criando condições para que plantas pioneiras, como algumas gramíneas, possam ocupar uma pequena área; a presença dessas plantas permite o acúmulo de materiais para a vinda de arbustos maiores, criando condições para a chegada de alguns insetos; estes atraem pássaros; e assim uma nova comunidade vai se estabelecendo no local. Compreender o que é e como ocorre a sucessão ecológica em um ecossistema é uma referência importante para avaliar o poder de recuperação de um ambiente quando parte dele é destruída. O processo de sucessão ecológica de um ecossistema tem um ritmo próprio, o que impõe limites. Se a destruição é mais rápida do que a sucessão ecológica, o tamanho da destruição será cada vez maior, e o ecossistema poderá desaparecer. A diminuição da camada de ozônio Como você viu, o elemento químico oxigênio está presente em substâncias que fazem parte da biosfera – como a água (H2O), o gás oxigênio (O2) e o dióxido de carbono, ou gás carbônico (CO2) – todas elas presentes na respiração de plantas e animais. Os átomos de oxigênio podem se combinar dois a dois, forman- do moléculas de gás oxigênio; quando três átomos de oxigênio se combinam, eles formam uma molécula de gás ozônio, ou simples- mente ozônio (O3). Na estratosfera, uma camada da atmosfera que vai dos 15 km aos 40 km de altitude, existe grande quantidade de gás ozônio, que, por suas propriedades, consegue filtrar parte dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol, impedindo-os de chegar até a superfície terres- tre. Desde o fim dos anos 1970, os cientistas têm constatado uma diminuição da camada de ozônio, o que tem permitido que maior quantidade de raios ultravioleta atinja a superfície. O excesso des- sa radiação pode ser prejudicial aos seres vivos, em particular aos seres humanos. Pesquisas científicas constataram que a diminuição da camada de ozônio decorre da reação química entre esse gás e átomos de cloro (Cl). A molécula de ozônio se desmonta ao reagir com átomos de cloro e produz novas moléculas de gás oxigênio. E de onde vêm os átomos de cloro? Eles têm origem em um grupo de substâncias de- nominadas clorofluorcarbonetos (CFCs), que são constituídas por distintas combinações desses átomos: CFCl , CF Cl ou C F Cl . que se forme no local uma floresta semelhante à anterior. 3 2 2 2 3 3 CIÊNCIAS DA NATUREZA 26 Quando as moléculas de CFC absorvem raios ultravioleta, elas liberam átomos de cloro, que podem reagir com o ozônio. Os CFCs eram usados como propelente (Gás utilizado para movimentar um foguete ou expelir o conteúdo de uma lata de aerossol (tinta ou inseticida, por exemplo)) em latas de aerossóis e também como gás refrigerador, em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. Entretanto, em razão do efeito destruidor da camada de ozô- nio que protege o planeta da radiação ultravioleta, o uso dessas substâncias foi proibido na maioria dos países, inclusive no Brasil. O gás ozônio pode se formar também junto à superfície terrestre, em decorrência, sobretudo, da poluição atmosférica causada pelos escapamentos de automóveis e caminhões, podendo trazer dificul- dades respiratórias. Esse ozônio é o resultado de reações químicas entre os gases poluentes e o oxigênio do ar. Desde a década de 1980, uma série de iniciativas tomadas por órgãos internacionais levou as indústrias de todo o mundo a diminuir intensamente o uso de gases que destro- em a camada de ozônio, principalmente os CFCs utilizados no siste- ma de refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. Atualmente, a quantidade desses gases lançados na atmosfera é bem menor do que no início dos anos 1990. Mesmo com essa diminuição, o “buraco” na camada de ozônio pouco diminuiu, pois gases como os CFCs podem ficar ativos na atmosfera de 80 a 100 anos. Porém, as ações de redução da emissão de CFCs podem efeti- vamente contribuir para amenizar o problema. Sem dúvida, a sistemática é uma área de estudos que confirma o fato de que a ciência está sempre em transformação e de que o conhecimento científico avança com o surgimento de novas desco- bertas, possibilitando que novas ideias substituam aquelas que se mostraram pouco eficientes ou inadequadas para explicar os fenô- menos. CINCO REINOS Com base nos trabalhos de Lineu, as classificações biológicas passaram a dividir todos os seres vivos em dois grupos, o reino ve- getal (Plantae) e o reino animal (Animalia). E, conforme os novos conhecimentos científicos eram produzidos, as limitações dessa for- ma de classificação em dois reinos foram aparecendo. A descoberta dos microrganismos, possibilitada pelo uso dos microscópios no século XVII, revelou uma grande diversidade de novas espécies de seres vivos cuja classificação no sistema de dois reinos era muito difícil. Um exemplo desses microrganismos difí- ceis de classificar como vegetal ou animal é a euglena, que, hoje se sabe, realiza fotossíntese, uma característica que era considerada exclusiva das plantas, e consegue se movimentar, uma caracterís- tica que era considerada exclusiva dos animais. Outra contribuição importante permitida pelos microscópios foi a compreensão de que todos os seres vivos são formados por uma estrutura básica, a cé- lula. CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA MODERNA O sistema de classificação biológica passou por grandes trans- formações em consequência das ideias evolucionistas, que têm como primeiros autores os biólogos britânicos Alfred Russel Walla- ce (1823-1913) e Charles Darwin (1809-1882). Darwin, em seu livro A origem das espécies, publicado pela primeira vez em 1859, apre- sentou um modelo científico por meio do qual é possível explicar como as inúmeras espécies de seres vivos puderam surgir na Terra, a partir de um primeiro ser vivo que, hoje se sabe, começou a se diversificar cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. Com base na ideia de que toda espécie de ser vivo tem origem em uma espécie anterior que se modificou, os sistemas de classifi- cação biológica passaram a considerar que indivíduos que perten- cem a um mesmo gênero devem ser parentes mais próximos do que aqueles que pertencem a gêneros diferentes. Da mesma forma, se dois indivíduos pertencem a uma mesma família, por exemplo, a dos felinos (família Felidae), eles devem ser parentes mais próxi- mos entre si do que em relação aos ursos, que pertencem à família Ursidae. Atualmente, os estudos sobre os sistemas de classificação bio- lógica levam em conta diversos critérios comparativos para estabe- lecer o grau de parentesco entre as diferentes espécies. Parte-se sempre da ideia de que, se duas espécies biológicas são muito pare- cidas e pertencem a um mesmo gênero, então elas também podem ser muito próximas evolutivamente, ou seja, devem ter surgido na mesma época. Essa área de trabalho é conhecida pelos cientistas como siste- mática e inclui os estudos de Taxonomia, de Paleontologia (estudo dos fósseis), de Genética, de Bioquímica e de todos os dados que possam contribuir para confirmaras relações de parentesco entre as espécies estudadas, a fim de fazer a melhor classificação bioló- gica possível. A célula está envolvida completamente pela membrana plas- mática e é preenchida por um material denominado citoplasma, no qual se encontram partes da própria célula, inclusive seu material genético (DNA). Existem seres unicelulares, formados por uma úni- ca célula, como as bactérias e as euglenas; e seres multicelulares, formados por muitas células, como todas as plantas e os animais, entre eles os seres humanos. Com o aperfeiçoamento dos micros- cópios, foi possível ver que algumas células possuem um núcleo, no qual fica o material genético, separado do citoplasma. Outras, mais simples, não possuem núcleo e o seu material ge- nético fica mergulhado no citoplasma. Células sem núcleo organiza- do são denominadas procarióticas, e células com núcleo, eucarióti- cas – nomes relacionados ao envoltório do núcleo celular, chamado de carioteca (do grego karyon, “núcleo”). Vírus Os vírus, que causam doenças como a gripe e o sarampo, são seres mais simples que uma célula e, por isso, são chamados de acelulares (não possuem estrutura celular). Sua estrutura básica é uma cápsula de proteínas dentro da qual se encontra o material genético, DNA ou RNA. Como os vírus não possuem estrutura celular e precisam para- sitar outras células para realizar sua reprodução e propagação, eles não são classificados em nenhum dos cinco reinos, ou seja, não são considerados seres vivos nesse sistema de classificação. E, embora não haja consenso entre os cientistas sobre isso, também é preciso problematizar sob outro ponto de vista, uma vez que há diferentes formas de vírus com organização e material gené- tico muito distintos (DNA dupla fita, DNA simples fita, RNA simples fita, RNA dupla fita), o que dificultaria propor uma classificação úni- ca, nos moldes dos reinos até então conhecidos. CIÊNCIAS DA NATUREZA 27 Com os novos avanços na fabricação dos microscópios, no sé- culo XIX, vários “pequenos animais” foram descobertos e os biólo- gos passaram a chamá-los de protozoários (de protos, que significa “primeiros” em grego, e zoários, que se refere a “animais”). Esse grupo reunia todos os seres vivos unicelulares heterotrófi- cos (que ingerem alimento). Em 1866, o zoólogo alemão Ernst Hae- ckel (1834-1919) criou um reino no qual reuniu todos os protozoá- rios, que chamou de Protista. A partir daí, os protozoários deixaram de ser considerados “pequenos animais”, pois já não pertenciam ao reino dos animais. Nesse sistema de classificação, todos os seres vivos unicelula- res eram considerados protistas, inclusive as bactérias. No entanto, quando os microscópios possibilitaram distinguir células procarióticas e eucarióticas, foi constatado que as bactérias são formadas por células procarióticas, diferentemente dos pro- tozoários, que são compostos de células eucarióticas. Assim, em 1956, surgiu o reino Monera, no qual foram colocados os seres vi- vos unicelulares com células procarióticas, como as bactérias. Em 1969, foi criado, por fim, o reino Fungi, para abrigar os fun- gos, que antes eram parte do reino Protista. Na década de 1980, as biólogas estadunidenses Lynn Margulis (1938-2011) e Karlene Schwartz (1936- ) reorganizaram alguns aspectos da classificação dos protistas, propondo um novo reino, o Protoctista, que, além de todos os protozoários (seres unicelulares heterotróficos com célu- las eucarióticas), inclui também as algas unicelulares e multicelula- res; estas são consideradas plantas na classificação em cinco reinos. A ideia dessas biólogas foi aceita, porém o nome do reino con- tinuou a ser Protista. nomes científicos. OS REINOS MONERA, PROTISTA E FUNGI Você vai conhecer agora os reinos Monera, Protista e Fungi. Os reinos Plantae e Animalia serão estudados com mais detalhes na próxima Unidade. Reino Monera Esse reino contém todos os orga- nismos unicelulares com células procarióticas e é dividido em dois sub-reinos: o das bactérias e o das arqueas. Quando o reino Monera foi criado, em 1956, todos os seres a ele pertencentes eram chama- dos de bactérias. No entanto, com o avanço das análises da constituição química dos seres desse reino, ficou claro que havia dois grupos diferentes: o das bactérias e o das arqueas. Você vai conhecer um pouco sobre cada um desses grupos ago- ra. Bactérias As bactérias não são visíveis a olho nu, por isso a descoberta desses seres está relacionada à criação dos primeiros microscópios. Embora o primeiro microscópio tenha sido criado no fim do século XVI, somente em meados do século XVII as bactérias foram obser- vadas pela primeira vez pelos construtores desses microscópios. Por muito tempo, os cientistas estudaram as bactérias e outros microrganismos por curiosidade, até que, na segunda metade do século XIX, o médico alemão Robert Koch (1843-1910) descobriu que uma doença do gado era causada por bactérias. Na mesma época, na França, o pesquisador francês Louis Pasteur (1822-1895) demonstrou que uma doença que atacava larvas de bicho-da-seda também era causada por um microrganismo. Com base nessas observações, muitos estudiosos passaram a achar que todas as bactérias transmitiam doenças. No entanto, pes- quisas posteriores mostraram que, embora esses seres vivos sejam os mais abundantes da biosfera terrestre, apenas uma minoria é causadora de doenças. Várias espécies de bactérias vivem no tubo digestório do ser humano, algumas das quais ajudam a produzir vitaminas. Nas fezes humanas, sem levar em conta a água, mais da metade da matéria fecal é constituída por bactérias ou restos de bactérias. Em relação ao tamanho, as bactérias são seres vivos muito pe- quenos, com o comprimento, em média, de 1 milésimo de milíme- tro, ou 1 milionésimo de metro, que corresponde a 1 micrômetro, ou 1 µm (µ é a letra grega “mi”, que representa 1 milionésimo, ou seja, µm é a unidade de medida metro dividida por 1 milhão). Outra característica das células bacterianas é que elas podem ter diferentes formatos e se juntar constituindo colônias. As bac- térias com formato esférico são chamadas de cocos. Dois cocos compõem um diplococo; oito cocos formam um cubo denominado sarcina; cocos alinhados são chamados de estreptococos; e assim por diante. As bactérias com formato de bastonete são nomeadas de ba- cilos; as com formato de vírgula, de vibrião; e as com formato espi- ralado, de espirilo. A maioria das bactérias, além da membrana celular, apresen- ta uma parede externa que as protege de agressões do ambiente. Existem também bactérias que possuem flagelos, isto é, estruturas que lembram pelos e que possibilitam o movimento da bactéria, impulsionando-a e promovendo seu deslocamento. CIÊNCIAS DA NATUREZA 28 Reprodução das bactérias As bactérias geralmente se reproduzem de forma assexuada. Cada uma delas pode se dividir em duas por um processo chamado de divisão binária. As duas bactérias descendentes são idênticas à primeira e podem se dividir também pelo mesmo processo, que dura apro- ximadamente 20 minutos. Antes de se dividir, o cromossomo da bactéria se duplica, formando dois cromossomos idênticos ao primeiro. A partir dessa duplicação, os dois cromossomos idênticos se afastam um do outro e, em seguida, a membrana de cada célula nova se completa, provocando a separação das duas bactérias-filhas. Esses locais, por suas condições, costumam ser chamados de ambientes extremos. Muitos cientistas acreditam que as arqueas vivem neles porque surgiram na Terra cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, quando as condições ambientais em todo o planeta eram semelhantes às desses lugares. As arqueas são parecidas com as bactérias em seus aspectos gerais. No entanto, sua parede celular é feita de substâncias diferentes da parede celular das bactérias, e esses microrganismos são muito diferentes geneticamente. Alguns biólogosafirmam que as bactérias são tão distintas das arqueas quanto os seres humanos são das plantas. Domínios: novas categorias taxonômicas Os estudos dos seres vivos com células procarióticas e daqueles com células eucarióticas têm mostrado que essa divisão é muito anti- ga e refere-se a seres muito diferentes entre si. Por isso, em 1990, foi proposta uma nova categoria taxonômica superior a reino, o domínio. Em razão dessa proposta, passaram a existir três domínios: Archaea, Bacteria e Eukarya. Veja no quadro a correspondência entre a classificação em cinco reinos e os três novos domínios. REINO PROTISTA Esse é um reino cuja classificação biológica é muito questionada entre os cientistas. Alguns não admitem mais sua validade, porque o reino abrange seres vivos de origens muito distintas. Esses cientistas utilizam a palavra protista como um conjunto de seres vivos, mas não consideram protista uma categoria taxonômica válida. Na classificação em cinco reinos adotada aqui, o reino Protista reúne os protozoários e as algas, todos seres vivos com células eucarió- ticas. Protozoários são seres unicelulares heterotróficos, ou seja, ingerem alimento para obter nutrientes orgânicos. Vivem em água doce, água salgada, regiões lodosas e em terra úmida, como as amebas, por exemplo. Já as algas são seres unicelulares ou multicelulares autotróficos, pois obtêm nutrientes orgânicos por meio da fotossíntese. Vivem em água salgada, em água doce ou em superfícies úmidas. REINO FUNGI Fungos Há vários tipos de fungos. Seus principais representantes são os cogumelos, as orelhas-de-pau, os bolores e as leveduras ou os fermentos. Todos são seres heterotróficos com células eucarióticas. Existem algumas espécies de fungos unicelulares, mas a maioria é multicelular. Os fungos têm uma importância ecológica muito grande, relacionada com o fato de que a maioria deles se alimenta de cadáveres e outros restos de seres vivos, principalmente animais e plantas. Outros fungos, como os bolores, provocam o apodrecimento e a decom- posição de frutas, pães e outros tipos de alimentos. É por meio de sua alimentação que os fungos, assim como as bactérias heterotróficas, decompõem a matéria orgânica nos ecossistemas, possibilitando a reciclagem dos átomos de variados elementos químicos que entram na composição do corpo de plantas e animais. Liquens Liquens são associações entre fungos e algas que crescem sobre troncos de árvores, rochas ou mesmo cimento. Nessa associação, chamada de mutualismo, a alga (autotrófica) realiza fotossíntese e fornece substâncias orgânicas para o fungo (heterotrófico) se alimentar. O fungo, por sua vez, além de fornecer abrigo, mantém o ambiente úmido e com alguns minerais importantes para a alga. Existem também liquens formados pela associação de fungos com cianobactérias (bactérias que realizam fotossíntese), que substituem as algas no forneci- mento de nutrientes orgânicos para os fungos. CIÊNCIAS DA NATUREZA 29 Vírus, um ser vivo diferente Os vírus são seres vivos que não possuem organização celular. A estrutura básica de um vírus é uma cápsula de proteínas dentro da qual se encontra seu material genético (DNA ou RNA). Os vírus são menores que a menor bactéria e podem ter tamanho entre 20 e 300 milionésimos de milímetro. Por serem tão pequenos, só é possível observá-los por meio de microscópio eletrônico. Os vírus só estão em atividade quando in- vadem as células de um ser vivo, onde passam a se multiplicar, utili- zando as substâncias presentes no citoplasma da célula hospedeira. Por esse motivo, são considerados parasitas intracelulares obri- gatórios. Levando em conta esse fato e também que eles são acelu- lares, muitos cientistas não os consideram um ser vivo. Vírus podem atacar as células de qualquer ser vivo – uma bac- téria, um protozoário, uma planta ou um animal –, frequentemente causando doenças. Cada espécie de vírus parasita células especí- ficas de outros seres vivos. Na célula invadida, novos vírus se for- mam. Eles saem da célula, em geral matando-a, e infectam outras. A CLASSIFICAÇÃO DAS PLANTAS Existem plantas muito diferentes entre si, considerando-se des- de o tamanho e os locais em que são encontradas até as formas de se reproduzir e de conduzir a água em seu interior. A área da Biologia que estuda todos esses tipos de plantas é a Botânica. Você verá, agora, como os botânicos (estudiosos das plantas) organizam a classificação das plantas. A primeira diferenciação que se costuma fazer entre as plantas é separar aquelas que têm tubos para o transporte de água em seu interior e aquelas que não os têm. Em Botânica, utiliza-se o termo vaso para se referir aos tubos que conduzem líquidos no interior das plantas. Aquelas que não têm vasos condutores de líquidos são cha- madas de avasculares (do grego a, que indica negação, e do latim vasculum, pequeno tubo). As plantas vasculares são aquelas que contêm vasos conduto- res de líquidos. Apesar de não serem consideradas categorias ta- xonômicas pelos botânicos, essa divisão continua a ser utilizada, pois facilita o estudo das plantas. Plantas avasculares Existem três grupos de plantas avasculares, conhecidas como briófitas (do grego brion, que significa “musgo”): os musgos, as hepáticas e os antó- ceros. Essas plantas são sempre pequenas, em geral não passam de 5 cm. Isso porque a água precisa fluir através de suas células para atingi-las completamente, já que são plantas sem vasos para o transporte de água. Elas não têm caule, tronco nem raízes. Fixam-se no solo, em rochas ou sobre troncos por meio de grupos de pelos parecidos com pequenas raízes, chamados de rizoides, que não ab- sorvem água e servem apenas para fixação. Plantas avasculares vivem em ambientes muito úmidos, como beiras de córregos e pedras próximas a quedas-d’água, já que de- pendem de respingos de água para se reproduzir. Em seu ciclo de vida, para que a fecundação ocorra, é preciso que uma gota de água carregue a célula sexual masculina até um local bem próximo no qual ela possa encontrar uma célula sexual feminina, dando origem a uma nova planta. Plantas vasculares As plantas vasculares têm um conjunto de vasos que transporta água com sais minerais dissolvidos das raízes em direção às folhas. Também possuem outro conjunto de vasos que transporta a água com os açúcares produzidos na fotossíntese e outras substâncias orgânicas das folhas para as demais partes da planta. A água com sais minerais, que é absorvida pelas raízes das plantas, chama-se seiva bruta, e a água com açúcares e substâncias orgânicas que sai das folhas, seiva elaborada. Essas plantas costumam apresentar três partes: • raízes: são geralmente subterrâneas e têm a função de fixar a planta no solo e absorver água com sais minerais dissolvidos (seiva bruta). • caule: sustenta as folhas e contém os vasos que conduzem a seiva bruta das raízes para as folhas e a seiva elaborada das folhas para as raízes. • folhas: ficam sempre dispostas de forma a receber luz, a fonte de energia para a realização da fotossíntese. Há dois grupos de plantas vasculares: o grupo daquelas que produzem sementes e o daquelas que não as produzem. Entre as plantas que produzem sementes, existem as que produzem semen- tes nuas (não contidas em frutos), como os pinheiros; e aquelas que produzem sementes que se encontram em frutos, como o abacatei- ro e o xique-xique. Você vai estudar a seguir os grupos de plantas vasculares: • plantas que não produzem sementes, chamadas de pteridófi- tas (do grego pteris, que significa “feto de vegetal”); • plantas que produzem sementes, que se subdividem em: – plantas que produzem sementes nuas (não contidas em frutos), chamadas de gimnospermas (do grego gumnós, que significa “nu”, e sperma, “semente”); – plantas que produzem sementes e frutos, chamadas de angiospermas (do grego aggeîon, que significa “vaso”, e sperma, “semente”).Pteridófitas Pteridófitas são plantas vasculares que não produzem semen- tes, como as samambaias, as avencas e o licopódio. Essas plantas, como as briófitas, também dependem da água para que aconteça a fecundação, ou seja, a fusão da célula sexual masculina com a célula sexual feminina. Isso ocorre porque a célula sexual masculina preci- sa de uma fina lâmina de água para se deslocar até o local onde se encontra a célula sexual feminina. Gimnospermas Gimnospermas são plantas vasculares que produzem semen- tes nuas, como os pinheiros, que existem em países de clima frio e lembram árvores de Natal. Outro exemplo é o pinheiro-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia), árvore típica das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Uma árvore adulta dessa espécie pode atingir 50 m e ter um tronco do diâmetro de 2,5 m. Por possuir madeira de boa qualidade, o pinheiro-do-paraná é protegido por leis desde o tempo do Império (século XVIII), mas isso não foi suficiente para preservar sua população, a ponto de, atualmente, botânicos e ambientalistas estarem preocupados com sua possível extinção. Muitos pinheiros-do-paraná estavam presentes em partes da Mata Atlântica, que já está devastada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Outra característica dessa árvore é possuir uma semente muito nutritiva, conhecida como pinhão. CIÊNCIAS DA NATUREZA 30 As plantas gimnospermas apresentam uma característica nova em relação às briófitas e pteridófitas, o que as tornou independen- tes da água em estado líquido para a reprodução. Como você estu- dou, nas briófitas e pteridófitas, a célula sexual masculina depende de água para alcançar a célula sexual feminina; já as gimnospermas têm órgãos reprodutores próprios. Os órgãos reprodutores das gimnospermas são chamados de estróbilos. No estróbilo masculino, formam-se os grãos de pólen, onde se produzem as células reprodutoras (ou células sexuais) mas- culinas, ou gametas masculinos. No estróbilo feminino, encontram- -se as células reprodutoras femininas, ou gametas femininos. Para que a fecundação aconteça, é preciso que os grãos de pó- len atinjam o estróbilo feminino. Esse processo de transporte dos grãos de pólen, conhecido como polinização, pode ocorrer, por exemplo, pelo vento, pela água ou por alguns tipos de insetos e aves, que, ao se alimentarem, tocam os grãos de pólen, que ficam grudados em seu corpo, e os levam para outras plantas. Uma vez no estróbilo feminino, o grão de pólen se desenvolve e encontra o óvulo feminino, ocorrendo a fecundação e a formação das sementes. A pinha é o estróbilo feminino do pinheiro-do-para- ná; nela estão os pinhões, que são as sementes. Angiospermas A grande maioria das plantas pertence ao grupo das angiosper- mas, plantas vasculares que produzem frutos com sementes e que têm nas flores seus órgãos reprodutivos. As flores contêm partes masculinas, que produzem os grãos de pólen, os estames, e partes femininas, que produzem óvulos, os pistilos. Em algumas plantas, pode haver flores somente masculinas e flores somente femininas; existem também aquelas que combinam as partes masculinas e fe- mininas na mesma flor. Para ocorrer a fecundação e iniciar a formação de uma nova planta, antes é preciso que um grão de pólen chegue ao pistilo por meio do processo de polinização, já explicado. Muitas plantas de- pendem do vento para que os grãos de pólen se desprendam do estame e sejam transportados para um pistilo. Existem também aquelas cujas flores são visitadas por insetos, pássaros e outros ani- mais, que podem ser os agentes da polinização. Por exemplo, uma abelha, ao visitar uma flor, toca o estame com grãos de pólen, que grudam em seu corpo. Quando essa abe- lha visita outra flor, algum grão de pólen preso a seu corpo pode se prender ao pistilo, e a polinização ocorre. O grão de pólen fica no estigma do pistilo. Nesse local, ele germina, formando um tubo cha- mado de tubo polínico, que cresce no estilete até chegar ao ovário, onde está o óvulo, e a fecundação acontece. Após a fecundação, o zigoto, formado pela união dos gametas masculino e feminino, transforma-se em semente, na qual se en- contram o embrião da nova planta e também reservas nutritivas para seus primeiros dias de vida. Conforme a semente se desen- volve, o ovário se transforma em fruto, que, em geral, envolve a semente, como nos casos do abacate e do feijão. INVERTEBRADOS E VERTEBRADOS Os animais são organismos multicelulares (que têm muitas cé- lulas com funções distintas), com células eucarióticas (que possuem núcleo definido por uma membrana) e heterotróficos (que não produzem o próprio alimento). Uma característica comum a qua- se todos eles é a boca, utilizada para a ingestão de alimentos. No entanto, existem animais muito simples, por exemplo, as esponjas, que não possuem boca. Neles, pequenas partículas de alimento são absorvidas diretamente pelas células. Os animais costumam ser divididos em dois grupos: vertebra- dos e invertebrados. Essa classificação não é considerada válida pelos sistemas de classificação biológica atuais. No entanto, por ser muito conhecida popularmente, continua sendo usada. Verte- brados são os animais que possuem vértebras, não presentes nos invertebrados. Os seres humanos possuem vértebras na coluna vertebral e, portanto, fazem parte desse grupo. Na classificação biológica utili- zada por muitos estudiosos, o reino Animalia está dividido em 35 fi- los, e todos os animais vertebrados e também alguns invertebrados estão em um único filo, o Chordata. Os outros 34 filos reúnem ani- mais invertebrados, que representam 95% da diversidade animal. A diversidade entre os invertebrados Apenas para ter uma ideia de como são os invertebrados, você vai conhecer alguns que pertencem aos oito filos mais estudados. É importante lembrar que esses são exemplos de um represen- tante de cada filo de animal invertebrado. Esses filos contêm vários representantes, e as diferenças entre eles podem ser grandes. É o caso dos artrópodes, que, além dos insetos, como o besouro, a mosca e a borboleta, reúnem animais com patas articuladas, como a aranha, o caranguejo, o camarão, a lagosta, o escorpião, o carra- pato, entre muitos outros. Os insetos pertencem à classe Insecta, que constitui o grupo de seres vivos mais numeroso que se conhece, com mais de 900 mil espécies catalogadas. Os vertebrados Os animais vertebrados são aqueles que possuem coluna ver- tebral e pertencem ao filo Chordata. Embora alguns cordados não apresentem vértebras, mais de 95% dos animais desse filo são ver- tebrados. Entre os vertebrados existem os peixes (ex. cavalo-mari- nho, tubarão, raia, robalo, pirarucu), os anfíbios (ex. sapo, rã, sala- mandra), os répteis (ex. lagarto, tartaruga, jabuti, jacaré, serpente), as aves (ex. galinha, seriema, gavião, beija-flor, pinguim) e os mamí- feros (ex. tatu, carneiro, búfalo, macaco, boto, baleia, ser humano). Os vertebrados e o corpo humano Você vai estudar agora as principais características dos animais vertebrados, tendo como principal exemplo o corpo humano. O pri- meiro aspecto a ser destacado entre os vertebrados é o esqueleto. Trata-se de um endoesqueleto (do grego éndon, que significa “den- tro”), que fica por dentro do animal, diferentemente do esqueleto de parte dos invertebrados como os artrópodes, o qual envolve ex- ternamente todo o corpo e, por isso, é chamado de exoesqueleto (do grego ékso, que significa “fora”). Um caranguejo, por exemplo, tem um esqueleto externo bem evidente. No caso dos vertebrados, o esqueleto, além de ser inter- no, contém um conjunto de vértebras que forma a coluna vertebral. CIÊNCIAS DA NATUREZA 31 O esqueleto interno dos vertebrados está diretamente relacio- nado com um conjunto de músculos, o que dá a esses animais gran- de capacidade de movimento. Reprodução dos vertebrados Em todos os vertebrados, há hormôniosque estão diretamente relacionados aos processos reprodutivos. São eles que provocam o amadurecimento dos órgãos genitais masculinos e femininos, para que a reprodução possa ocorrer. A fecundação, união do gameta masculino com o feminino, ocorre de maneiras diferentes nos di- versos vertebrados. Ela pode ser interna, quando o macho coloca os espermatozoi- des (gametas masculinos) no interior do corpo da fêmea para que eles alcancem o óvulo (gameta feminino) e a fecundação ocorra, ou externa, que só acontece em ambiente aquático, entre muitas es- pécies de peixes ósseos, como a tilápia, e entre os anfíbios. Nessas espécies, a fêmea coloca os óvulos em alguma superfície e o macho libera espermatozoides junto a eles para que a fecundação ocorra. Nos peixes cartilaginosos, como os tubarões, nos répteis, nas aves e nos mamíferos, inclusive seres humanos, a fecundação é in- terna. Depois da fecundação, pode se formar um ovo que é colo- cado no ambiente. Esse é o caso das galinhas, que, como todas as aves, são consideradas ovíparas, pois botam ovos. Os tubarões e outros peixes, assim como muitas espécies de serpentes, ficam com seus ovos dentro do corpo, que só são libe- rados no momento em que os filhotes nascem. Esses vertebrados são chamados de ovovivíparos. Nos casos dos ovíparos e dos ovovi- víparos, as reservas alimentares para que o embrião se desenvolva estão no interior do próprio ovo. Nos seres humanos, e em quase todos os mamíferos, que são considerados vivíparos, o embrião se fixa às paredes internas do útero da mãe e nasce depois de passar pelo desenvolvimento embrionário. Durante esse tempo, ele recebe alimento e gás oxigênio do or- ganismo materno, através do cordão umbilical. Esse cordão tam- bém serve para trazer para o corpo da mãe as excretas produzidas pelo embrião. AS IDEIAS SOBRE A ORIGEM DA VIDA TAMBÉM EVOLUÍRAM A hipótese da origem por evolução química, discutida até ago- ra, é a mais aceita atualmente pela comunidade científica. Entre- tanto, é importante salientar que ela é fruto de várias descobertas feitas ao longo do tempo, o que significa que as hipóteses atuais substituíram outras do passado e poderão, no futuro, ser substituí- das novamente, caso haja novas descobertas e evidências. Do ponto de vista histórico, as ideias mais antigas sobre a ori- gem da vida consideram que os seres vivos foram criados por uma divindade, um princípio que é denominado criacionismo. O criacio- nismo relaciona-se com a suposição de que os seres vivos não so- freram mudanças, permanecendo os mesmos desde sua criação, o que é chamado de fixismo. Na verdade, essas ideias têm valor para muitas pessoas ainda hoje, pois estão associadas à religiosidade. Outra hipótese, em que muitos cientistas acreditavam, até meados do século XIX, é a da ge- ração espontânea ou abiogênese. Segundo essa ideia, os seres vivos seriam gerados espontane- amente a partir de matéria não viva, por exemplo, vermes que se desenvolveriam a partir de cadáveres. Essa ideia era muito aceita, pois desde a Antiguidade acreditava-se que da matéria inanimada poderia surgir vida por um misterioso “princípio vital”. A falta de uma cultura de realização de experimentos com rigor científico, entre os estudiosos da época, pode explicar por que a ideia da abiogênese perdurou por tanto tempo. Contudo, com o uso cada vez maior de experimentações, ela começou a ser contestada por partidários da biogênese, hipótese que defende que seres vivos se originam apenas de outros seres vivos preexistentes. A confirmação da biogênese A descoberta dos organismos microscópicos trouxe de volta a ideia da abiogênese para explicar a origem desses seres, pois como ainda não se conheciam os mecanismos de reprodução desses seres vivos, era possível supor que eles surgiriam de matéria inanimada. Para provar que a biogênese valia também para os microrganis- mos, os cientistas precisavam adotar um procedimento semelhante àquele usado por Redi. Isso quer dizer que eles tinham de obter um meio de cultura sem microrganismos, isolá-lo do contato com o ambiente externo e verificar se o meio de cultura daria origem a microrganismos. Caso isso não acontecesse, significaria que microrganismos também não podem surgir de matéria inanimada, mas apenas de outros microrganismos preexistentes. No entanto, essa era uma tarefa mais complicada, já que esses seres não são visíveis a olho nu e estão por toda parte, aumentando muito a possibilidade de contaminação dos meios de cultura. Apenas por volta de 1860, o cientista francês Louis Pasteur provou que a biogênese é válida também para os microrganismos. Pasteur esterilizou um meio de cultura (caldo nutritivo), fervendo-o em frascos previamente preparados: seu gargalo tinha sido aqueci- do, esticado e curvado. Esses frascos, que ficaram conhecidos como frascos pescoço de cisne, permitiam que o caldo nutritivo não fosse contaminado por microrganismos existentes no ar, pois estes fica- vam retidos na curva do gargalo. Ao verificar que, mesmo depois de muito tempo, não surgiam microrganismos no caldo nutritivo dos frascos esterilizados e intac- tos, Pasteur comprovou que o caldo não poderia gerar microrga- nismos. De outro lado, ao abrir os frascos e permitir o contato dos microrganismos presentes no ar com o caldo nutritivo, o cientista constatou que eles se reproduziam, concluindo que os microrganis- mos só podem originar-se de microrganismos preexistentes. Panspermia Por fim, é possível citar uma última hipótese para explicar a origem da vida na Terra, a panspermia, segundo a qual as molécu- las orgânicas ou mesmo seres vivos teriam sido trazidos do espaço pelos corpos celestes que atingiam nosso planeta. A panspermia foi proposta entre o fim do século XIX e o início do XX, mas voltou a ser considerada recentemente, com a descoberta de moléculas orgânicas em cometas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 32 A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES Lamarck e Darwin A ideia de que os seres vivos se modificam ao longo do tempo e de que as espécies atuais são descendentes de espécies ancestrais que deixaram de existir vem sendo discutida desde o século XVIII e, nessas discussões, dois naturalistas se destacaram: o francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) e o britânico Charles Darwin. Para Lamarck, os seres vivos se originariam, por geração espontânea, da matéria não viva e se transformariam ao longo do tempo, aumentando sua complexidade. Esse seria um poder inerente à vida que faria com que os órgãos se desenvolvessem e se aperfeiçoassem. Portanto, estruturas e órgãos do corpo dos seres vivos poderiam se desenvolver ou se atrofiar de acordo com a maior ou a menor neces- sidade de uso dessas estruturas ou órgãos. Esse processo é conhecido hoje como lei do uso e desuso. Dessa forma, Lamarck explicava, por exemplo, a ausência de pernas nas serpentes atuais como decorrente da adaptação de ancestrais à vida rastejante. A falta de necessidade de uso das pernas teria levado à atrofia gradual até o desaparecimento desses órgãos. Note que, para Lamarck, os indivíduos que tivessem órgãos atrofiados ou desenvolvi- dos poderiam transmitir essa característica a seus descendentes, de maneira que ocorreria uma transformação gradual na própria espécie. Esse mecanismo ficou conhecido como lei dos caracteres adquiridos. Qualquer pessoa que pratica exercícios físicos (ou conhece al- guém que pratica) sabe que essa prática leva ao desenvolvimento da musculatura. No entanto, filhos de atletas ou de fisiculturistas não recebem essa herança de seus pais e não nascem com seus músculos mais desenvolvidos do que os de outras crianças. Esse ponto repre- sentou uma fragilidade na teoria de Lamarck, que não chegou a abalar a hipótese mais aceita na época, a do criacionismo. De outro lado, Lamarck teve o mérito de chamar a atenção para o fato de que as mudanças que ocorrem nos seres vivos são fruto de interações entre eles e oambiente, de modo que, ao longo do tempo, esse seres possam se adaptar às variações das condições ambientais. Também para Charles Darwin, que conheceu e foi influenciado pelas ideias de Lamarck, a adaptação era uma ideia central para com- preender a origem e a evolução das espécies. Entretanto, sua teoria explicou de forma diferente o processo pelo qual as espécies se adap- tavam às condições ambientais. Em sua obra A origem das espécies, Darwin lançou a ideia de seleção natural, um mecanismo pelo qual os seres vivos evoluem e dão origem a novas espécies. De maneira resumida, as ideias de Darwin são as seguintes: Note que, para Lamarck, uma nova característica surgiria conforme a necessidade imposta pelo ambiente, ao passo que para Darwin alguns indivíduos já apresentariam essa característica e ela seria favorecida, ou não, pelas condições do ambiente. Comparando as ideias de Lamarck e Darwin Um dos exemplos de comparação entre as ideias de Lamarck e Darwin diz respeito ao desenvolvimento do pescoço das girafas. A ima- gem a seguir mostra a diferença entre as explicações que esses dois naturalistas teriam dado sobre essa questão. Observe-a com atenção. Lamarck explicaria que os ancestrais das girafas teriam pescoço curto e se alimentariam de vegetação rasteira. A diminuição dessa vegetação levaria os indivíduos a buscar alimento nas árvores mais altas e, por isso, a esticar o pescoço, desenvolvendo, consequentemen- te, essa musculatura. Esse maior desenvolvimento seria transmitido aos descendentes e, após algum tempo, a população de girafas teria apenas indivíduos de pescoço longo. E como Darwin explicaria esse mesmo fato? Para esse naturalista, em determinada população, haveria indivíduos de pescoço curto e outros de pescoço longo. Uma modificação no ambiente que resultasse na eliminação da vegetação rasteira seria desfavorável aos indiví- duos de pescoço curto, já que eles dificilmente alcançariam a folhagem das copas das árvores. Com isso, morreriam antes de poder reproduzir-se. Já os indivíduos de pescoço longo teriam vantagem, sobreviveriam mais tempo e poderiam reproduzir-se, transmitindo a característica a seus descendentes. Além de Darwin Antes de publicar A origem das espécies, Darwin coletou muitas informações por meio de observações e experimentos, pois tinha interesse em mostrar um bom número de evidências que conferissem credibilidade a sua teoria, uma vez que sabia que se tratava de um assunto extremamente polêmico, que lhe renderia muitas críticas. No entanto, ele reconhecia também as limitações de sua teoria. Por exemplo, Darwin não conseguiu explicar a origem das diferenças entre indivíduos de uma população nem mesmo os mecanismos de transmissão dessas variações de uma geração a outra. CIÊNCIAS DA NATUREZA 33 Nessa época, o trabalho do monge agostiniano austríaco Gre- gor Mendel (1822- -1884), que seria considerado o pai da Genética, já havia sido publicado (1866), mas passou despercebido por Da- rwin. O próprio Darwin tinha a publicação de Mendel, mas aparen- temente não a leu. Só muitos anos mais tarde, a partir de 1900, com a redesco- berta do trabalho de Mendel, é que os mecanismos de transmissão das características hereditárias começaram a ser desvendados e, com a contribuição de diversos cientistas, chegou- -se ao que hoje é conhecido como neodarwinismo ou teoria sintética da evolução. O neodarwinismo utiliza-se das descobertas sobre os genes (sequência de DNA responsável pela determinação de uma ou mais características de um ser vivo e pela transmissão dessas ca- racterísticas) e sobre o DNA (sigla, em inglês, de ácido desoxirribo- nucleico, substância da qual são compostos os genes) para explicar a teoria da evolução justamente naquilo que Darwin não pôde ex- plicar. Descobriu-se que os genes são os responsáveis pela trans- missão das características hereditárias, e que as diferenças que se verificam nos indivíduos de uma mesma espécie são decorrentes de alterações nesses genes – conhecidas por mutações. Quando as mutações ocorrem em genes presentes nas células reproduto- ras (no caso da reprodução sexuada), elas são transmitidas de uma geração a outra. Os mecanismos que levam a essas alterações serão aprofunda- dos na próxima Unidade, mas já é importante saber que a base da evolução dos seres vivos é a variabilidade genética. O que é Dengue? A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. Atualmente, a vacina é a melhor for- ma de prevenção da dengue. Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em janeiro de 2018, foram regis- trados menos casos prováveis de dengue em 2017, 252.054 casos contra 1.483.623 em 2016. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente com a dengue em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue. Existem quatro tipos de dengue, de acordo com os quatro so- rotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Quando uma pessoa tem dengue tem uma imunidade relativa contra outro sorotipo. É uma doença potencialmente grave, porque pode evoluir para a dengue hemorrágica a síndrome do choque da dengue, caracteri- zadas por sangramento e queda de pressão arterial, o que eleva o risco de morte. A melhor maneira de combater esse mal é atuando de forma preventiva, impedindo a reprodução do mosquito. Aedes Aegypti Acredita-se que o mosquito Aedes aegypti chegou ao Bra- sil pelos navios negreiros, uma vez que as primeiras aparições do mosquito se deram no continente africano. No início do século XX, o médico Oswaldo Cruz implantou um programa de combate ao mosquito, visando reduzir os casos de febre amarela. Essa medi- da chegou a eliminar a dengue no país durante a década de 1950. Segundo o Ministério da Saúde a primeira ocorrência do vírus no país, comprovada laboratorialmente, ocorreu em 1981-1982 em Boa Vista (PR). No entanto, a dengue voltou a acontecer no Brasil na década de 1980. Atualmente, os quatro tipos de vírus circulam no país, sen- do que foram registrados 587,8 mil casos de dengue em 2014, de acordo com o Ministério da Saúde. Tipos O vírus da dengue possui quatro variações: DEN-1, DEN-2, DEN- 3 e DEN-4. Todos os tipos de dengue causam os mesmo sintomas. Caso ocorra um segundo ou terceiro episódio da dengue, há risco aumentado para formas mais graves da dengue, como a den- gue hemorrágica e síndrome do choque da dengue Na maioria dos casos, a pessoa infectada não apresenta sinto- mas de dengue, combatendo o vírus sem nem saber que ele está em seu corpo. Para aqueles que apresentam os sinais, os tipos de dengue podem se manifestar clinicamente de três formas: Dengue clássica A dengue clássica é a forma mais leve da doença, sendo muitas vezes confundida com a gripe. Tem início súbito e os sintomas po- dem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articula- ções, indisposição, enjôos, vômitos, entre outros. Dengue hemorrágica A dengue hemorrágica acontece quando a pessoa infectada com dengue sofre alterações na coagulação sanguínea. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral, a dengue hemorrágica é mais comum quando a pessoa está sendo infecta- da pela segunda ou terceira vez. Os sintomas iniciais são parecidos com os da dengue clássica, e somente após o terceiro ou quarto dia surgem hemorragias causadas pelo sangramento de pequenos vasos da pele e outros órgãos. Na dengue hemorrágica, ocorre uma queda na pressão arterial do paciente, podendo gerar tonturas e quedas. Síndrome do choque da dengue A síndrome de choqueda dengue é a complicação mais séria da dengue, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespirató- rias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada pode levar a óbito. Causas A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. A trans- missão se dá pelo mosquito que, após um período de 10 a 14 dias contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus da dengue durante toda a sua vida. O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. MOSQUITOS NA CIDADE E O COMBATE CONTRA ELES CIÊNCIAS DA NATUREZA 34 O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosqui- to da dengue adulto vive em média 45 dias. Uma vez que o indiví- duo é picado, demora no geral de três a 15 dias para a doença se manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias. A transmissão da dengue raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30° a 32° C - por isso o mosquito se desenvolve em áreas tropicais e sub- tropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É impor- tante lembrar que os ovos que carregam o embrião do mosquito da dengue podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o inseto demora dez dias, em mé- dia. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimen- to dos ovos. O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar, transmitindo a dengue, nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no mo- mento. A fêmea do Aedes aegypti também transmite a febre chikun- gunya e a febre Zika e a febre amarela urbana. Fatores de risco Fatores que colocam você em maior risco de desenvolver den- gue ou uma forma mais grave da doença incluem: - Vivendo ou viajando em áreas tropicais: Estar em áreas tropi- cais e subtropicais aumenta o risco de exposição ao vírus que causa dengue. As áreas especialmente de alto risco são o Sudeste Asiáti- co, as ilhas do Pacífico Ocidental, a América Latina e o Caribe. - Infecção prévia com um vírus da dengue: A infecção anterior com um vírus da dengue aumenta o risco de ter sintomas graves se você estiver infectado novamente. Sintomas de Dengue Sintomas de dengue clássica Os sintomas de dengue iniciam de uma hora para outra e du- ram entre cinco a sete dias. Normalmente eles surgem entre três a 15 dias após a picada pelo mosquito infectado. Os principais sinais são: -Febre alta com início súbito (entre 39º a 40º C) -Forte dor de cabeça -Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos -Manchas e erupções na pele, pelo corpo todo, normalmente com coceiras -Extremo cansaço -Moleza e dor no corpo -Muitas dores nos ossos e articulações -Náuseas e vômitos -Tontura -Perda de apetite e paladar. Sintomas de dengue hemorrágica Os sintomas de dengue hemorrágica são os mesmos da dengue clássica. A diferença é que a febre diminui ou cessa após o terceiro ou quarto dia da doença e surgem hemorragias em função do san- gramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. Quan- do acaba a febre, começam a surgir os sinais de alerta: -Dores abdominais fortes e contínuas -Vômitos persistentes -Pele pálida, fria e úmida -Sangramento pelo nariz, boca e gengivas -Manchas vermelhas na pele -Comportamento variando de sonolência à agitação -Confusão mental -Sede excessiva e boca seca -Dificuldade respiratória -Queda da pressão arterial:Pulso rápido. Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamen- te, apresentando sinais de insuficiência circulatória. A baixa circula- ção sanguínea pode levar a pessoa a um estado de choque. Embora a maioria dos pacientes com dengue não desenvolva choque, a pre- sença de certos sinais alertam para esse quadro: -Dor abdominal persistente e muito forte -Mudança de temperatura do corpo e suor excessivo -Comportamento variando de sonolência à agitação -Pulso rápido e fraco -Palidez -Perda de consciência. A síndrome de choque da dengue, quando não tratada, pode levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue he- morrágica morrem. Diagnóstico de Dengue Se você suspeita de dengue, vá direto ao hospital ou clínica de saúde mais próxima. Os médicos farão a suspeita clínica com base nas informações que você prestar, mas o diagnóstico de certeza é feito com o exame de sangue para dengue ou sorologia para den- gue. Ele vai analisar a presença do vírus no seu sangue e leva de três a quatro dias para ficar pronto. No atendimento, outros exames se- rão realizados para saber se há sinais de gravidade ou se você pode manter repouso em casa. O exame físico pode revelar: -Fígado aumentado (hepatomegalia) -Pressão baixa -Erupções cutâneas -Olhos vermelhos -Pulsação fraca e rápida. Além disso, o governo incluiu o uso de testes rápidos para den- gue na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O item irá otimizar o diagnóstico laboratorial. Serão disponibilizados aos estados e mu- nicípios dois milhões de testes rápidos imunocromatografia qualita- tiva (IgM/IgG) para dengue. Exames O diagnóstico da dengue pode ser feito com os seguintes exa- mes: CIÊNCIAS DA NATUREZA 35 -Testes de coagulação -Eletrólitos (sódio e potássio) -Hematócrito -Enzimas do fígado (TGO, TGP) -Contagem de plaquetas -Testes sorológicos (mostram os anticorpos ao vírus da dengue) -Raio X do tórax para demonstrar efusões pleurais. Tratamento de Dengue Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue, faz- -se apenas medicamentos para os sintomas da doença, ou seja, fa- zer um tratamento sintomático. É importante apenas tomar muito líquido para evitar a desidratação. Caso haja dores e febre, pode ser receitado algum medicamento antitérmico, como o paracetamol. Em alguns casos, é necessária internação para hidratação endove- nosa e, nos casos graves, tratamento em unidade de terapia inten- siva. O que tomar em caso de dengue? Pacientes com dengue ou suspeita de dengue devem evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) ou que con- tenham a substância associada. Esses medicamentos têm efeito an- ticoagulante e podem causar sangramentos. Outros anti-inflamató- rios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também devem ser evitados. O uso destas medicações pode aumentar o risco de sangramentos. O paracetamol e a dipirona são os medicamentos de escolha para o alívio dos sintomas de dor e febre devido ao seu perfil de se- gurança, sendo recomendado tanto pelo Ministério da Saúde, como pela Organização Mundial da Saúde. Dengue tem cura? No caso da dengue clássica, a febre dura sete dias, mas a fra- queza e mal estar podem perdurar por mais tempo, às vezes por algumas semanas. Embora seja desagradável, a dengue clássica não éfatal. As pessoas com essa doença se recuperam completamente. No entanto, é muito importante ficar atento aos sinais de alerta da manifestação da dengue hemorrágica, que são, principalmente, os sangramentos no nariz, boca e gengiva. Essa forma de dengue quando não tratada rapidamente pode levar a óbito. Complicações possíveis A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da dengue, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespirató- rias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada pode levar a óbito. Outras possíveis complicações da dengue incluem: -Convulsões febris em crianças pequenas -Desidratação grave -Sangramentos. -Convivendo/ Prognóstico -Pessoas diagnosticadas com a dengue devem manter cuidados básicos como: Repouso Reposição de líquidos, principalmente recorrendo ao soro ca- seiro em casos de vômitos Uso correto dos medicamentos indicados. Aplicativos para o combate da dengue Existem vários aplicativos que ajudam no tratamento preven- ção contra dengue . Veja alguns a seguir, sempre lembrando que eles não substituem um bom acompanhamento médico: UNA - SUS Dengue: Este aplicativo possibilita que o usuário calcule a reposição de líquidos de acordo com suas características fisiológicas e apresenta dicas relacionadas ao tratamento e preven- ção da doença. Avaliado com 4,4 estrelas na Google Play. Observatório do Aedes Aegypti: O app possibilita que a popula- ção denuncie a suspeita de focos e casos de dengue. Dessa forma, o governo poderá ter acesso mais rapidamente às informações para planejar o combate. Prevenção Tome a vacina A vacina contra dengue foi criada para prevenir a manifestação do vírus. Atualmente apenas uma vacina foi licenciada no Brasil, a desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur. Ela é feita com vírus atenuados e é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos de dengue existentes. Ela possui a estrutura do vírus va- cinal da febre amarela, o que lhe dá mais estabilidade e segurança. Vacinas com o vírus atenuado são aquelas que diminuem a pe- riculosidade do vírus, garantindo que ele não cause doenças, mas sejam capazes de gerar resposta imunológica, fazendo com que o organismo da pessoa reconheça o vírus e saiba como atacá-lo quan- do a pessoa for exposta a sua versão convencional. A eficácia na população acima de 9 anos é de, aproximadamen- te, 66% contra os quatro sorotipos de vírus da dengue. Isso significa que em um grupo de cem pessoas, 66 evitariam contrair a doença. Além disso, reduz os casos graves - aqueles que levam ao óbito, como a dengue hemorrágica - em 93% e os índices de hospitaliza- ções em 80%. Além dela, o Instituto Butantan está testando uma nova vacina feita no Brasil. O antíduto também é feito com vírus atenuados e está na terceira fase de testes, em que mais de 17 mil voluntários serão observados: dois terços deles receberão a vacina verdadeira e um terço receberá um placebo. Antes ela passou por testes clíni- cos nos Estados Unidos em 600 pessoas e depois em São Paulo por mais 300. O plano de fazer os testes agora em todo Brasil é garantir que as pessoas estudadas tenham contato com todos os sorotipos da doença. Evite o acúmulo de água O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não neces- sariamente potável. Por isso é importante jogar fora pneus velhos, virar garrafas com a boca para baixo e, caso o quintal seja propenso à formação de poças, realizar a drenagem do terreno. Também é necessário lavar a vasilha de água do bicho de estimação regular- mente e manter fechadas tampas de caixas d’água e cisternas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 36 Coloque tela nas janelas Colocar telas em portas e janelas ajuda a proteger sua família contra o mosquito da dengue. O problema é quando o criadouro está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia não será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação dos focos da doença é a maneira mais eficaz de proteção. Coloque areia nos vasos de plantas O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de água. Há três alternativas: eliminar esse prato, lavá-lo regularmente ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos. Seja consciente com seu lixo Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e ria- chos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas. Coloque desinfetante nos ralos Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam- -se foco de dengue devido ao constante uso de produtos químicos, como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns ralos são rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o ideal é que ele seja fechado com uma tela ou que seja higienizado com desinfetante regularmente. Limpe as calhas Grandes reservatórios, como caixas d’água, são os criadouros mais produtivos de dengue, mas as larvas do mosquito podem ser encontradas em pequenas quantidades de água também. Para evi- tar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados todos os meses, pois um leve entupimento pode criar reservatórios ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti. Lagos caseiros e aquários Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros e aquários se tornarem foco de dengue deixou muitas pessoas pre- ocupadas, porém, peixes são grandes predadores de formas aquá- ticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às piscinas que não são limpas com frequência. Uso de inseticidas e larvicidas Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos esta- dos e municípios pela Secretaria de Vigilância em Saúde têm eficá- cia comprovada, sendo preconizados por um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde. Os larvicidas servem para matar as larvas do mosquito da den- gue. São aqueles produtos em pó, ou granulado, que o agente de combate a dengue coloca nos ralos, caixas d’água, enfim, nos luga- res onde há água parada que não pode ser eliminada. Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voan- do, pela manhã e à tarde, porque o mosquito tem hábitos diurnos. O fumacê, como é chamado, não é aplicado indiscriminadamente, sendo utilizado somente quando existe a transmissão da dengue em surtos ou epidemias. Desse modo, a nebulização pode ser consi- derada um recurso extremo, porque é utilizada em um momento de alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à den- gue falharam ou não foram adotadas. Algumas vezes, os mosquitos e larvas da dengue desenvolvem resistência aos produtos. Sempre que isso é detectado, o produto é imediatamente substituído por outro. Uso de repelente O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais com muitos mosquitos, é um método importante para se proteger contra a dengue. Recomenda-se, porém, o uso de produtos indus- trializados. Os repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, citronela e óleo de soja não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo. Além disso, a duração e a eficácia do produto são temporárias, sendo ne- cessária diversas reaplicações ao longo do dia, o que muitas pesso- as não costumam fazer. Desmatamento, também chamado de desflorestamento, con- siste na retirada da cobertura vegetal parcial ou total de um deter- minado lugar. Enquanto alguns enxergam essa prática como uma ação necessária ao suprimento das necessidades do ser humano,outros apontam o desmatamento como um dos maiores problemas ambientais da atualidade. A retirada da cobertura vegetal está rela- cionada a diversas causas, como a urbanização, mineração e expan- são do agronegócio, e seus impactos são inúmeros. Causas do desmatamento A exploração dos recursos naturais acontece desde os primór- dios da humanidade. Contudo, na medida em que a sociedade de- senvolveu-se, essa exploração intensificou-se, colocando em risco o equilíbrio do planeta e comprometendo o suprimento das gerações futuras. A questão do desmatamento tomou grandes proporções a par- tir da Revolução Industrial. A introdução de novas tecnologias (que proporcionaram o aumento da produção industrial) e o consumo (que aumentou consideravelmente) fizeram com que diversas flo- restas temperadas e tropicais fossem devastadas, a fim de atender a essa nova demanda. Os países industrializados apresentaram, durante esse perío- do, maiores taxas de desmatamento. Com o passar dos anos, essas taxas começaram a cair nesses países e a aumentar nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. O desmatamento pode ser atribuído a diversas atividades, sen- do essas, em sua maioria, antrópicas. A retirada da cobertura vege- tal está relacionada, por exemplo, com a expansão do agronegócio; com o extrativismo animal, vegetal ou mineral; com a necessidade de explorar matéria-prima para atividades de todos os setores da economia; com a urbanização referente ao aumento das cidades; e também com atividades ilegais que envolvem queimadas propo- sitais e até mesmo exploração de áreas de conservação para fins pessoais, como especulação fundiária. A expansão do agronegócio é considerada uma das principais causas do aumento do desmatamento no mundo todo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), só na América Latina, a expansão da agricultura e da pecuá- ria comercial é responsável por aproximadamente 70% do desma- tamento. DESMATAMENTO CIÊNCIAS DA NATUREZA 37 Dados da FAO revelam que a prática agrícola, por meio das pro- duções em escala industrial, e a pecuária, por meio do aumento dos pastos extensivos, fomentam o desmatamento em vários países do mundo. Essa questão tem gerado diversas polêmicas, pois o agrone- gócio é o carro-chefe da economia de diversos países. Portanto, muitos justificam o desmatamento como necessário ao suprimento das necessidades humanas, como a produção de alimentos. Contu- do, segundo o relatório O estado das florestas do mundo, de 2016, lançado pela FAO, aponta que não é necessário desmatar florestas para produzir alimentos. É necessário, ao invés de expandir as áreas agrícolas retirando as florestas, intensificar a atividade agrícola e as medidas de proteção social. Consequências do desmatamento Assim como as causas do desmatamento são muitas, suas con- sequências são proporcionais. Apesar de muitos acreditarem que se trata de um “mal necessário” para a manutenção do bem-estar social, especialmente com a questão da agropecuária e do extra- tivismo, que são atividades essenciais ao desenvolvimento de um país, a questão do desmatamento tomou proporções jamais vistas, colocando em risco todo o equilíbrio biológico do planeta Terra. As principais consequências estão relacionadas ao meio am- biente e a tudo que lhe diz respeito. Ao desmatar, compromete- -se toda a biodiversidade da área. Espécies da fauna perdem seu habitat e espécies da flora podem entrar para a lista de ameaças à extinção e assim causar um enorme desequilíbrio ambiental, preju- dicando até mesmo as atividades primárias, das quais dependem muitas famílias, e também a economia, como a caça, a agricultura e a pecuária. A retirada da cobertura vegetal também agrava a questão das mudanças climáticas. Além do aumento das emissões de gases poluentes à atmosfera que tem agravado o efeito estufa e o aque- cimento global, o desmatamento também é considerado um dos fatores responsáveis pelas alterações no clima. Os anos estão cada vez mais quentes, e o aumento da temperatura da Terra tem causa- do inúmeros danos aos ecossistemas e também à saúde humana. Outra questão diretamente ligada ao desmatamento está rela- cionada às alterações provocadas no solo, bem como nos recursos hídricos. Retirar a vegetação de uma determinada área favorece o processo de erosão do solo, pois é a cobertura vegetal que auxilia na infiltração da água da chuva. Portanto, sem ela, a água escorre sobre o solo, provocando deslizamentos e a erosão. A retirada da vegetação próxima a áreas de cursos d’água também provoca des- lizamentos de terra, que se deposita nos rios, provocando então o assoreamento. Todas essas questões convertem para o bem-estar e a quali- dade de vida de todos os seres vivos no planeta. Todos nós depen- demos das florestas, seja para a produção de oxigênio, seja para o fornecimento de matéria-prima para a produção de itens essenciais à vida. Se acabamos com esse recurso natural, obviamente somos nós que sofreremos diretamente as consequências. E isso já tem sido observado. Diversos recursos naturais estão acabando, comprometendo as gerações futuras. O clima tem sofrido mudanças sentidas em todas as partes do mundo. E exatamente por essas questões, o desma- tamento tem sido apontando como um dos maiores desafios da atualidade. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/o-desmatamento.htm O que existe no solo Há muitos tipos de solo. A maioria deles é composta de areia e argila, vindas da fragmentação das rochas, e de restos de plan- tas e animais mortos (folhas, galhos, raízes, etc.). Esses restos estão sempre sendo decompostos por bactérias e fungos, que produzem uma matéria orgânica escura, chamadas húmus. À medida que a decomposição continua, o húmus vai sendo transformado em sais minerais e gás carbônico. Ao mesmo tempo, porém, mais animais e vegetais se depositam no solo e mais húmus é formado. A decomposição transforma as substâncias orgânicas do hú- mus em substâncias minerais, que serão aproveitadas pelas plan- tas. Desse modo, a matéria é reciclada: a matéria que formava o corpo dos seres vivos acabará fazendo novamente parte deles de- pois de decomposta. Vemos, então, que o solo é formado por uma parte mineral, que se originou da desagregação das rochas, e por uma parte orgâ- nica, formada pelos restos dos organismos mortos e pela matéria orgânica do corpo dos seres vivos que está sofrendo decomposição. Vivem ainda no solo diversos organismos, inclusive as bactérias e os fungos, responsáveis pela decomposição da matéria orgânica dos seres vivos. Nos espaços entre os fragmentos de rochas, há ainda água e ar - ambos importantes para o desenvolvimento das plantas. Por baixo da camada superficial do solo encontramos fragmen- tos de rochas. Quanto maior a profundidade em relação ao solo, maiores são também os fragmentos de rocha. O ser humano retira recursos minerais das camadas abaixo do solo. Parte da água da chuva, por exemplo, se infiltra no solo, pas- sando entre os espaços dos grãos de argila e de areia. Outra parte vai se infiltrando também nas rochas sedimentares e em fraturas de rochas, até encontrar camadas de rochas impermeáveis. Formam- -se assim os chamados lençóis de água ou lençóis freáticos, que abastecem os poços de água. Finalmente, na camada mais profunda da crosta terrestre, en- contramos a rocha que deu origem ao solo - a rocha matriz. SOLO CIÊNCIAS DA NATUREZA 38 Tipos de solo O tipo de solo encontrado em um lugar vai depender de vários fatores: o tipo de rocha matriz que o originou, o clima, a quantidade de matéria orgânica, a vegetação que o recobre e o tempo que se levou para se formar. Em climas secos e áridos, a intensa evaporação faz a água e os sais minerais subirem. Com a evaporação da água, uma camada de sais pode depositar-se na superfície do solo, impedindoque uma vegetação mais rica se desenvolva. Já em climas úmidos, com muitas chuvas, a água pode se infil- trar no solo e arrastar os sais para regiões mais profundas. Alguns tipos de solo secam logo depois da chuva, outros demo- ram para secar. Por que isso acontece? E será que isso influencia na fertilidade do solo? Solos arenosos são aquele que têm uma quantidade maior de areia do que a média (contêm cerca de 70% de areia). Eles secam logo porque são muito porosos e permeáveis: apresentam grandes espaços (poros) entre os grãos de areia. A água passa, então, com facilidade entre os grãos de areia e chega logo às camadas mais pro- fundas. Os sais minerais, que servem de nutrientes para as plantas, seguem junto com a água. Por isso, os solos arenosos são geralmen- te pobres em nutrientes utilizados pelas plantas. Os chamados solos argilosos contêm mais de 30% de argila. A argila é formada por grãos menores que os da areia. Além disso, esses grãos estão bem ligados entre si, retendo água e sais minerais em quantidade necessária para a fertilidade do solo e o crescimen- to das plantas. Mas se o solo tiver muita argila, pode ficar enchar- cado, cheio de poças após a chuva. A água em excesso nos poros do solo compromete a circulação de ar, e o desenvolvimento das plantas fica prejudicado. Quando está seco e compacto, sua porosi- dade diminui ainda mais, tornando-o duro e ainda menos arejado. Solo argiloso Solo argiloso compactado pela falta de água A terra preta, também chamada de terra vegetal, é rica em hú- mus. Esse solo, chamado solo humífero, contém cerca de 10% de húmus (composto de materiais orgânicos, ou seja, restos de ani- mais e plantas mortas) e é bastante fértil. O húmus ajuda a reter água no solo, torna-se poroso e com boa aeração e, através do pro- cesso de decomposição dos organismos, produz os sais minerais necessários às plantas. Os solos mais adequados para a agricultura possuem uma certa proporção de areia, argila e sais minerais utilizados pelas plantas, além do húmus. Essa composição facilita a penetração da água e do oxigênio utilizado pelos microorganismos. São solos que retêm água sem ficar muito encharcados e que não são muito ácidos. Terra roxa é um tipo de solo bastante fértil, caracterizado por ser o resultado de milhões de anos de decomposição de rochas de arenito-basáltico originadas do maior derrame vulcânico que este planeta já presenciou, causado pela separação da Gondwana - América da Sul e África - datada do período Mezozóico. é caracte- rizado pela sua aparência vermelho-roxeada inconfundível, devida a presença de minerais, especialmente Ferro. No Brasil, esse tipo de solo aparece nas porções ocidentais dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e sudeste do Mato Grosso do Sul, destacando-se sobretudo nestes três últimos estados por sua qualidade. Historicamente falando, esse solo teve muito importância, já que, no Brasil, durante o fim do século XIX e o início do século XX, foram plantadas nestes domínios, várias grandes lavouras de café, fazendo com que surgisse várias ferrovias e propiciasse o cresci- mento de cidades, como São Paulo, Itu, Ribeirão Preto e Campinas. Atualmente, além do café, são plantadas outras culturas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 39 O nome terra roxa é dado a esse tipo de solo, devido aos imi- grantes italianos que trabalhavam nas fazendas de café, referindo- -se ao solo com a denominação Terra rossa, já que rosso em italiano significa vermelho. E, devido a similaridade entre essa palavra, e a palavra “roxa”, o nome “Terra roxa” acabou se consolidando. O solo de terra roxa também existe na Argentina, aonde é co- nhecida como “tierra colorada”, bastante presente nas províncias de Misiones e Corrientes. O solo é um grande filtro Para que se obtenham plantas saudáveis e uma horta produtiva é necessário que o solo contenha água. A capacidade de retenção de água depende do tipo de solo. A água, por ser um líquido solvente, dissolve os sais existentes no solo, e assim as plantas podem absorvê-los. Nem toda a água da chuva flui diretamente para os córregos, riachos e rios. Quando chove, parte da água infiltra-se e vai pene- trando na terra até encontrar uma camada impermeável, enchar- cando o solo. Por exemplo, 1 metro cúbico (1m³) de areia encharca- da pode conter até 400 litros de água. O ar também ocupa os poros existentes entre os grãos de terra. As raízes das plantas e os animais que vivem no solo precisam de ar para respirar. Esquema mostrando camadas do solo e subsolo, em corte Quando o solo se encharca, a água ocupa o lugar antes ocu- pado pelo ar, dificultando o desempenho das raízes e a vida dos animais no solo. Se o solo estiver muito compactado, não filtrará a água com facilidade. Acontecerão, por exemplo, as grandes enxurradas após uma forte chuva. A urbanização, com a pavimentação de ruas e es- tradas, a canalização de rios e o desmatamento de grandes áreas dificultam o escoamento da água das chuvas. Terras para agricultura Por muito tempo, no passado, a espécie humana conseguia ali- mento apenas caçando, pescando e colhendo grãos, frutos e raízes. Mas, há cerca de dez mil anos, nossa espécie passou também a plantar os vegetais e criar os animais que lhe servem de alimento. Era o ponto de partida para o desenvolvimento da agricultura. Com o aumento da população e a necessidade de se produzi- rem cada vez mais alimentos, a vegetação original das florestas e de outros ecossistemas foi sendo destruída para dar lugar ao cultivo de plantas comestíveis e à criação de animais. Hoje, o desmatamento é feito com máquinas (tratores e serras) ou com o fogo - são as cha- madas queimadas, que trazem uma série de problemas. De todas as terras emersas (fora da água) que formam os con- tinentes e as ilhas do nosso planeta, apenas 10% aproximadamente são cultiváveis. CIÊNCIAS DA NATUREZA 40 Muitas vezes, a atividade agrícola é feita de forma inadequa- da, por desconhecimento ou por falta de recursos e equipamentos. Como resultado, depois de alguns anos de produção, os nutrientes do solo se esgotam e as plantas não crescem mais. Dependendo do tipo de solo e do tipo de plantação são neces- sários tomar alguns cuidados com a terra, e aplicar certos procedi- mentos como vamos ver a seguir. Agricultura sustentável A agricultura para a produção de alimentos para ser sustentá- vel, em relação ao meio ambiente: -não deve causar prejuízos ao ambiente; -não deve liberar substâncias tóxicas ou danosas na atmosfera, nas águas superficiais ou nos lençóis freáticos; -deve preservar e restaurar a fertilidade do solo, prevenindo a erosão; -deve usar água de modo a permitir que se recarreguem as re- servas aquíferas, evitando que elas se esgotem. Produzir alimento implica também manter uma diversidade de culturas para não empobrecer o solo e usar, quando necessário, um controle biológico para as pestes, mas com cuidado para evitar a contaminação do ambiente com substâncias químicas que possam se acumular. Dessa forma a agricultura sustentável facilita a economia local e preserva a saúde do solo e a dos seres que nele vivem. Cuidados com o solo Quando o solo não apresenta condições necessárias à agricul- tura ou quando se deseja melhorar as suas condições, alguns cui- dados devem ser tomados, como adubação, rotação de culturas, aragem do solo, irrigação e drenagem. Adubação Adubar significa enriquecer o solo com elementos nutrientes, quando ele está deficiente de minerais. Para isso, são utilizados adubos, substâncias capazes de fertilizar o solo. Os adubos podem ser orgânicos (por exemplo: esterco, farinha de osso, folhas, galhos enterrados) ou minerais, que são inorgânicos (por exemplo: substâncias químicas são aplicadas, como nitrato de sódio, umtipo de sal). Há ainda a adubação verde. Algumas vezes, as leguminosas também são utilizadas como adubos. Quando crescem são cortadas e enterradas no solo, enriquencendo-os com nitratos. Rotação de culturas A rotação de culturas consiste de alternar o plantio de legu- minosas com outras variedades de plantas no mesmo local. Dessa forma as leguminosas, pela associação com bactérias que vivem nas suas raízes, devolvem para o local nutrientes utilizados por outras plantas, evitando o esgotamento do solo. Aragem do solo Arar o solo é outro cuidado que se deve ter para o solo não ficar compactado, “socado”. Revolver a terra, além de arejar, facilita a permeabilidade do solo, permitindo que as raízes das plantas penetrem, no solo, além de levar para a superfície o húmus existente. Minhocas - arados da natureza As minhocas realizam um verdadeiro “trabalho” de arado no solo. Ao se movimentarem, elas abrem túneis e engolem parte da terra que deslocam, retirando daí o seu alimento. Esses túneis, também denominados galerias, aumentam a po- rosidade do solo, e por isso a circulação do ar e a infiltração de água se intensificam. As suas fezes contribuem para a formação do húmus, matéria orgânica importantíssima para a fertilidade do solo, facilitando o desenvolvimento de microorganismos decompositores ou fixadores de nitrogênio. A minhocultura é a criação de minhocas em tanques especiais com finalidades comerciais. As minhocas são vendidas para isca, mas o húmus por elas produzido é comercializado como fertilizante para a agricultura, a jardinagem etc. Irrigação e drenagem Irrigar e drenar são alguns dos cuidados que devem ser toma- dos para manter o nível da umidade necessário ao solo e para ga- rantir que ele continue fértil. Com a irrigação, a água chega as regiões ou áreas muito secas. Já com a drenagem, retira-se o excesso de água do solo, possibi- litando que ele seja arejado. Com o aumento dos poros, criam-se passagens de ar entre as partículas do solo. Os perigos da poluição do solo Não só os ecologistas, mas autoridades e todo cidadão devem ficar atentos aos perigos da poluição que colocam em risco a vida no planeta Terra. O lixo No início da história da humanidade, o lixo produzido era for- mado basicamente de folhas, frutos, galhos de plantas, pelas fezes e pelos demais resíduos do ser humano e dos outros animais. Esses restos eram naturalmente decompostos, isto é, reciclados e reutili- zados nos ciclos do ambiente. Com as grandes aglomerações humanas, o crescimento das ci- dades, o desenvolvimento das indústrias e da tecnologia, cada vez mais se produzem resíduos (lixo) que se acumulam no meio am- biente. Hoje, além do lixo orgânico, que é naturalmente decomposto, reciclado e “devolvido” ao ambiente, há o lixo industrial eletrônico, o lixo hospitalar, as embalagens de papel e de plástico, garrafas, la- tas etc. que, na maioria das vezes, não são biodegradáveis, isto é, não são decompostos por seres vivos e se acumulam na natureza. Lixões a céu aberto A poluição do solo causada pelo lixo pode trazer diversos pro- blemas. O material orgânico que sofre a ação dos decompositores - como é o caso dos restos de alimentos - ao ser decompostos, forma o chorume. Esse caldo escuro e ácido se infiltra no solo. Quando em exces- so, esse líquido pode atingir as águas do subsolo (os lençóis freáti- cos) e, por consequência, contaminar as águas de poços e nascen- tes. As correntezas de água da chuva também podem carregar esse material para os rios, os mares etc. CIÊNCIAS DA NATUREZA 41 A poluição do solo por produtos químicos A poluição do solo também pode ser ocasionada por produtos químicos lançado nele sem os devidos cuidados. Isso ocorre, muitas vezes, quando as indústrias se desfazem do seu lixo químico. Algumas dessas substâncias químicas utilizadas na produção industrial são poluentes que se acumulam no solo. Um outro exemplo são os pesticidas aplicados nas lavouras e que podem, por seu acúmulo, saturar o solo, ser dissolvidos pela água e depois ser absorvidos pelas raízes das plantas. Das plantas passam para o organismo das pessoas e dos outros animais que delas se alimentam. Os fertilizantes, embora industrializados para a utilização no solo, são em geral, tóxicos. Nesse caso, uma alternativa possível pode ser, por exemplo, o processo de rotação de culturas, usando as plantas leguminosas; esse processo natural não satura o solo, é mais econômico que o uso de fertilizantes industrializados e não prejudica a saúde das pessoas. A poluição do solo, e da biosfera em geral, pode e deve ser evitada. Uma das providências necessárias é cuidar do destino do lixo. O destino do lixo O lixo das residências, das escolas e das fábricas diferem quanto ao seu destino. Se você mora em uma cidade e ela conta com a coleta de lixo, um importante serviço de saneamento básico, possivelmente ele será transportado para longe do ambiente urbano. Mas vale lembrar que os depósitos de lixo a céu aberto ou mesmo os aterros comuns, onde o lixo é coberto de forma aleatória, não resolvem o problema da contaminação do ambiente, principalmente do solo. Aterros sanitários Nos aterros sanitários, o lixo coberto com terra e amassado é colocado em grandes buracos. Esse procedimento é repetido várias vezes, formando-se camadas sobrepostas. Os aterros sanitários possuem sistemas de drenagem, que retiram o excesso de líquido, e sistemas de tratamento de resíduos líquidos e gasosos. A construção de um aterro sanitário exige alguns cuidados: -o aterro deve ser pouco permeável, isto é, deixar passar pouca água e lentamente; -o aterro deve ser distante de qualquer lugar habitado; -não deve haver lençol subterrâneo de água nas proximidades do aterro. Por essas razões, a implantação e a manutenção de um aterro sanitário têm um alto custo econômico. Incineração A incineração reduz bastante o volume de resíduos e destrói organismos que causam doenças. É um processo caro, pois para evitar a poluição do ar é necessária a instalação de filtros e de equipamentos especiais para filtrar a fumaça resultante da incineração, que também é poluente. O lixo deve ser queimado em aparelhos e usinas especiais. Após a queima,o material que resta pode ser encaminhado para aterros sanitários. CIÊNCIAS DA NATUREZA 42 Compostagem A compostagem é a transformação dos restos orgânicos do lixo em um composto, nesse caso, em adubo. Esse adubo é resultado da ação de seres decompositores (bactérias e fungos) sobre as substâncias orgânicas do lixo. CIÊNCIAS DA NATUREZA 43 Reciclagem Reciclar é uma boa opção, pois diversos componentes do nosso lixo diário podem ser reaproveitados. Em várias cidades brasileiras, há a coleta seletiva e a reciclagem do lixo, o que tem contribuído para diminuir o desperdício, além de proteger o solo de materiais não recicláveis pela natureza. A erosão do solo Como sabemos, as chuvas, o vento e as variações de tempe- ratura provocadas pelo calor e pelo frio alteram e desagregam as rochas. O solo também sofre a ação desses fatores: o impacto das chu- vas e do vento, por exemplo, desagrega as suas partículas. Essas partículas vão então sendo removidas e transportadas para os rios, lagos, vales e oceanos. Nas fotos abaixo, podemos observar como a ação da própria natureza pode provocar mudanças profundas na paisagem. O mar, chuva e o vento esculpiram os paredões na praia de Torres (RS) e as falésias na Bahia. No clima úmido e nos solos cobertos por uma vegetação natu- ral, a erosão é, em geral, muito lenta, o que permite que seja com- pensada pelos processos que formam o solo a partir das rochas. Os cientistas afirmam que as montanhas mais altas e que tem seus picos em forma de agulhas apontadas para cima são novas, do aspecto geológico. As mais antigasnão são tão altas e tem o cumearredondado, com as suas rochas duras à vista. Elas vêm sofrendo a mais tempo a ação erosiva, que as desgastou bastante. Esse tipo de erosão é muito comum no território brasileiro, mas, por ter uma ação lenta, é quase sempre imperceptível aos nossos olhos. A ação do ser humano O desmatamento provocado pelas atividades humanas acelera muito a erosão natural. Vamos ver por quê. Em vez de cair direto no solo, boa parte da água da chuva bate antes na copa das árvores ou nas folhas da vegetação, que funcionam como um manto protetor. Isso diminui muito o impacto da água sobre a superfície. Além disso, uma rede de raízes ajuda a segurar as partículas do solo enquanto a água escorre pela terra. E não podemos esquecer também que a copa das árvores protege o solo contra o calor do Sol e contra o vento. Ao destruirmos a vegetação natural para construir casa ou para a lavoura, estamos diminuindo muito a proteção contra a erosão. A maioria das plantas que nos serve de alimento tem pouca folha- gem e , por isso, não protege tão bem o solo contra a água da chu- va. Suas raízes são curtas e ficam espaçadas nas plantações, sendo pouco eficientes para reter as partículas do solo. Finalmente, mui- tas plantas - como o milho, a cana-de-açúcar, o feijão e o algodão - não cobrem o solo o ano inteiro, deixando-o exposto por um bom tempo. O resultado é que a erosão se acelera, e a parte fértil fica prejudicada. Com a erosão, o acúmulo de terra transportada pela água pode se depositar no fundo dos rios, obstruindo seu fluxo. Esse fenôme- no é chamado de assoreamento e contribui para o transbordamen- to de rios e o alagamento das áreas vizinhas em períodos de chuva. Há ainda outro problema resultante do desmatamento. Sem a cobertura da vegetação, as encostas dos morros correm maior risco de desmoronar, provocando desabamentos de terra e rochas, com graves consequências. Quando o desmatamento é feito por meio de queimadas, ocor- re outro problema: o fogo acaba destruindo também os microorga- nismos que realizam a decomposição da matéria orgânica e promo- vem a reciclagem dos nutrientes necessários às plantas. A perda de matéria orgânica deixa o solo mais exposto à erosão e à ação das chuvas, acentuando o seu empobrecimento. A queimada também libera na atmosfera gases que, quando em concentração muito elevada, prejudicam a saúde humana. Além disso, nos casos em que a queimada é realizada de forma não controlada, ela pode se alastrar por áreas de proteção ambiental, parques, etc. Por todos esses motivos, as queimadas devem ser evitadas. Como evitar a erosão do solo? Existem técnicas de cultivo que diminuem a erosão do solo. Nas encostas, por exemplo, onde a erosão é maior, as plantações podem ser feitas em degraus ou terraços, que reduzem a velocida- de de escoamento da água. Em encostas não muito inclinadas, em vez de plantar as espé- cies dispostas no sentido do fluxo da água, devemos formar fileiras de plantas em um mesmo nível do terreno, deixando espaço entre as carreiras. Essas linhas de plantas dispostas em uma mesma altura são chamadas de curvas de nível. Outra forma de proteger a terra é cultivar no mesmo terreno plantas diferentes mas em períodos alternados. Desse modo o solo sempre tem alguma cobertura protetora. é comum a alternância de plantação de milho; por exemplo, com uma leguminosa. As legumi- nosas trazem uma vantagem adicional ao solo: repõe o nitrogênio retirado do solo pelo milho ou outra cultura. Esse “rodízio” de plan- tas é conhecido como rotação de culturas. Cabe ao governo orientar os agricultores sobre as plantas mais adequadas ao cultivo em suas terras e sobre as técnicas agrícolas mais apropriadas. É fundamental também que os pequenos pro- prietários do campo tenham acesso a recursos que lhes possibili- tem comprar equipamentos e materiais para o uso correto do solo. CIÊNCIAS DA NATUREZA 44 O desenvolvimento dos grandes centros urbanos e o consumo cada vez mais exagerado dos humanos são os grandes responsáveis por tornar o mundo cada dia mais poluído. A poluição é um proble- ma real que atinge o ar, a água e o solo, tornando-se cada vez mais acentuada graças às nossas atitudes. A poluição do ar pode ser definida como a presença de subs- tâncias provenientes de atividades humanas ou da própria natureza que podem colocar em risco a qualidade de vida dos seres vivos. O ar poluído pode causar sérios problemas ao homem e a outros seres, portanto, ele é impróprio e nocivo. A poluição do ar tem se intensificado desde a primeira metade do século XX com o aumento crescente de indústrias e carros, que lançam diversos poluentes na atmosfera. Vale destacar, no entanto, que também existem fontes naturais de poluição atmosférica, tais como a poeira da terra e vulcões. Os poluentes atmosféricos podem ser divididos em dois gran- des grupos: os poluentes primários e os poluentes secundários. Os poluentes primários são aqueles emitidos diretamente por uma fonte de poluição, como um carro. Já os poluentes secundários são aqueles que sofrem reações químicas na atmosfera, ou seja, são formados a partir da interação do meio com o poluente primário. Dentre os principais poluentes do ar, podemos citar a fumaça, partículas inaláveis, dióxido de enxofre, ozônio, dióxido de nitrogê- nio e monóxido de carbono. Essas substâncias podem causar sérios danos à saúde de homem. O monóxido de carbono, por exemplo, diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio pelo corpo, podendo causar hipóxia tecidual. Já o ozônio possui papel oxidante e citotóxico, podendo causar irritação nos olhos e diminuição da ca- pacidade pulmonar, por exemplo. O dióxido de enxofre relaciona-se com irritações nas vias aéreas superiores, assim como o dióxido de nitrogênio. Esse último também pode provocar danos graves aos pulmões. Além desses problemas, a poluição do ar desencadeia diversas outras consequências para nosso corpo. Ela está relacionada com a diminuição da eficácia do sistema mucociliar das nossas narinas, aumento dos sintomas da asma, infecções das vias aéreas superio- res e incidência de câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. É importante frisar que crianças e idosos são os mais vulneráveis, sendo frequentemente internados, principalmente com doenças respiratórias. A qualidade do ar pode melhorar ou piorar de acordo com as condições do tempo de uma cidade. Quando há períodos com bai- xa umidade e pouco vento, é comum vermos cidades com maior concentração de poluentes. Isso se deve ao fato de que a dispersão dessas substâncias ocorre lentamente. Sendo assim, é fundamental atenção redobrada nessas épocas do ano.4 Não é de hoje que o desenvolvimento tecnológico gera medo e fascínio. Ao passo que a evolução de máquinas desperta curiosi- dade, as transformações provocadas por elas tiram muita gente da zona de conforto, pois implicam mudanças para a sociedade, que deve se adaptar a uma nova forma de trabalhar ; aliada a robôs e a inteligência artificial. As projeções de especialistas mostram ten- dência no aumento de empregos associados às inovações compu- tacionais. Haverá ainda carreiras novas, a serem criadas a depender das tendências tecnológicas ; 2 milhões de vagas (especialmente, ligadas a computação, engenharia, arquitetura, matemática, mídia e entretenimento) devem ser geradas, na expectativa de especialis- tas. Quem não se preparar para o contexto contemporâneo poderá ter problemas, ser forçado a se adequar e, em último caso, até ser substituído por máquinas ou por pessoal capacitado para operá-las. Segundo estudo do Fórum Econômico Mundial (FEM), até 2021, pelo menos 7 milhões de empregos podem ser extintos por causa das transformações tecnológicas e financeiras que se passam pelo mundo. Neste século, termos como internet das coisas, siste- mas ciberfísicos, computação em nuvem, nanotecnologia, impres- são 3D, robótica e ciberdependência passama fazer parte do coti- diano. Klaus Schwab, fundador e presidente do FEM e autor do livro A Quarta Revolução Industrial, formulou em 2016 o conceito de indústria 4.0, que promete mudar o mundo como o conhecemos. O pesquisador alemão garante: vivemos agora a nova revolução in- dustrial. No século 18, máquinas a vapor e de fabricação de tecido reinventaram a forma de se fazer comércio. Na segunda metade do século 19, a incorporação da energia elétrica às fábricas acelerou e barateou processos produtivos. Entramos na era digital no século 20, período em que computa- dores começam a entrar em cena. Tendo em mente um cenário dis- ruptivo ainda em fase inicial, o caderno Trabalho e Formação Profis- sional inicia hoje a série de reportagens ;A revolução tecnológica;. Nos próximos domingos, leitores poderão conferir matérias sobre as profissões, o ensino e o jeito de trabalhar do futuro. Semanal- mente, serão publicados conteúdos para esclarecer as transforma- ções laborais e educacionais pelas quais passamos e passaremos. A tendência é de que paradigmas atuais de empresas, escolas e uni- versidades sejam rompidos dentro dos próximos anos, o que exige olhar atento e preparação da mão de obra para novas necessidades. Humanos serão trocados por máquinas? O que você está lendo agora poderia ter sido escrito por uma ferramenta de inteligência artificial ; o jornalismo, assim como vá- rias outras áreas de trabalho, pode passar a ser exercido por equi- pamentos e softwares que vêm sendo desenvolvidos mundo afora. O primeiro robô jornalista do Brasil, o Medir do Poder, está sendo construído pelo projeto de inteligência artificial Operação Serenata de Amor para acompanhar o que se passa na Câmara dos Deputa- dos. O objetivo é que o dispositivo produza pequenos textos sobre a tramitação de projetos de lei. A eficiência de grande parte das máquinas é imbatível: compilam informações, diagnosticam e cal- culam resultados em poucos instantes e sem pausas. 4 Fonte: www.mundoeducacao.bol.uol.com.br POLUIÇÃO DO AR: QUEIMA DE CANA E O USO DOS COMBUSTÍVEIS TECNOLOGIA E GERAÇÃO DE EMPREGOS http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/ http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/ http://www.mundoeducacao.bol.uol.com.br/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 45 Diante desse cenário, as pessoas podem se tornar obsoletas em inúmeras atividades ; o que não significa dizer que perderemos empregos para robôs. É urgente a necessidade de que profissionais saibam manipular dados e programar softwares para acompanhar o processo evolu- tivo da nova indústria. Criatividade e interpessoalidade serão atri- butos cada vez mais desejáveis, pois ainda estão longe de serem alcançados por dispositivos, mas serão conciliados aos aparelhos emergentes. Uma coisa é certa: a invasão automatizadora vai ocor- rer e a sobrevivência no mercado depende da sua capacidade de se adaptar. Pesquisa de 2017 feita pela consultoria multinacional EY revela que uma em cada três profissões existentes hoje deve sumir do mapa até 2025. Ocupações braçais que põem em risco a vida humana e cujos processos e lógicas são previsíveis têm grande pro- pensão a serem automatizadas nos próximos anos. O cenário futurístico está mais próximo do que imaginávamos e várias mudanças começaram. ;Tarefas manuais que demandem es- forço repetitivo têm maior potencial de robotização e, consequen- temente, de desmobilização de mão de obra em favor de inclusão de robôs;, conta Oliver Kamakura, sócio executivo da EY, pós-gradu- ado em gestão de negócios pela Universidade da Califórnia. Você pode estar pensando que se tratam de máquinas com duas per- nas e braços, corpo ereto, cabeça, semelhantes à figura humana (humanoides), mas a realidade é outra. Mecanismos compactos e precisos deslizarão por galpões movendo cargas em velocidade so- bre-humana, como os robôs alaranjados Kiva, adquiridos pela Ama- zon em 2014 e utilizado em 20 armazéns da empresa; eles pesam 145kg e chegam a carregar 340kg. Drones entregarão cartas, pizzas e encomendas, além de sobrevoar áreas inteiras mapeando e foto- grafando. Carros autônomos com sensores avançados farão com que di- rigir seja atividade ultrapassada. Aplicativos de smartphones serão cada vez mais usados como meio de transações bancárias, paga- mento, check-in em voos e compra de passagens. Psicóloga da con- sultoria ProCarreira e mestre em gestão estratégica de pessoas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Cristina Guerrero Moyses entende que, ;assim como a indústria praticamente acabou com o trabalho artesanal, a quarta revolução transformará profundamente todas as funções laborais;. Apesar de alguns setores serem mais auto- matizáveis do que outros, nenhuma área sairá ilesa. ;A tecnologia entrará nas nossas vidas de todas as formas. Em maior ou menor grau, todos os profissionais podem ser afetados;, alerta. Não são, portanto, apenas as pessoas menos especializadas que sofrerão os impactos das novidades. Mesmo dentro da medicina, por exemplo, ocorrerão mudan- ças. Um médico, eventualmente, deixará de fazer cirurgias para que robôs efetuem o procedimento;, prevê. ;A máquina tem que ser vis- ta como ela é: um instrumento na mão do homem;, acredita. Para Cristina, a indústria sem participação de pessoas é cenário impro- vável. ;O ser humano será o direcionador desse aparelho. Trabalhos operacionais, provavelmente, entrarão em extinção. No entanto, o profissional que tiver visão mais estratégica, ampla e sistêmica con- seguirá passar por essa mudança de forma mais tranquila;, afirma. ;Se tomarmos como exemplo, digamos, um drone, será necessário ter um operador para direcioná-lo e para aumentar a capacidade de autonomia dessa tecnologia. Ou seja, o equipamento não substituirá a pessoa, mas, sim, será um auxiliar na busca de imagens. Em vez de o cartógrafo pegar um helicóptero para registrar imagens aéreas, ele pode se utilizar do drone com muito mais precisão para desenvolver o trabalho dele;, ilustra. Metamorfoses em curso As transformações na forma de trabalhar já são presentes em empresas de diferentes setores. Elas vêm gradualmente se adap- tando de forma a conciliar prestações de serviço por meios digital e físico. Muitos veículos de jornalismo, por exemplo, passaram a reservar o conteúdo impresso à cobertura mais analítica dos fatos, deixando notícias que exigem imediatismo a plataformas on-line. Tarefas mais mecânicas, contudo, podem ser desenvolvidas por in- teligências artificiais. Um exemplo é o robô que integrou a equipe do jornal The Washington Post durante a cobertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, reportando placar de jogos e quadro de medalhas pelo Twitter. ;As tecnologias têm transformado significa- tivamente os métodos e as formas de trabalho no jornalismo, mas, sempre haverá espaço para o ser humano que saberá distinguir o que é ou não notícia ao levar em conta as necessidades que a socie- dade têm de se informar;, afirma o professor e diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Oli- veira Paulino, doutor em comunicação. Outra carreira que pode ser fortemente afetada é a de ban- cário. As agências de bancos têm direcionado o atendimento pre- sencial a aconselhamentos, operações de maior complexidade e resolução de problemas específicos de clientes, conforme pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de 2017, tendo como referência dados de 2016. O estudo revela que 34% das transações bancárias são desempenhadas via mobile banking (banco móvel). Os aplicativos permitem que essas operações, além de consultas de saldo, verificação de extrato e pagamentos de contas sejam fei- tas onde quer que o cliente esteja, poupando custos de pessoal e manutenção de dependências. Outras 23 transações, em taxa per- centual, são efetuadas por meio de internet banking. Ou seja, mais da metade (57%) desses procedimentos ocorrem no meio digital. Os espaços físicos,caixas eletrônicos e outros intermédios similares somam 33% das movimentações financeiras. Membro do Sindicato dos Bancários de Brasília, Rafael Zanon, 38 anos, teme que o adven- to dos aplicativos de banco resulte em demissões massivas. Nos preocupa bastante a questão de mão de obra. A informati- zação tende a reduzir o número de empregos. Claro que não somos contra a tecnologia e o avanço, mas é preocupante;, afirma o ban- cário brasiliense que está há 17 anos no ramo. ;É importante ter os serviços via aplicativos porque facilitam operações, mas nada subs- titui o atendimento presencial, que tem qualidade e humanidade e do qual muitas pessoas fazem questão;, defende. As mudanças também ocorrem nos caixas de supermercado. Alguns estabeleci- mentos brasileiros começaram a instalar máquinas de self-checkout (autoatendimento, em tradução livre). A substituição de caixas tra- dicionais, em que há uma pessoa para passar os produtos do clien- te, deve ser gradual. A Amazon inaugurou uma loja do futuro em Seattle, nos EUA, na última segunda-feira (22): ao entrar, parece que você está numa estação de metrô. Ali, não há caixas: ao finali- zar a compra, o cliente apenas sai dali com os produtos em mãos, sem precisar tirar a carteira do bolso. O minimercado de 167m; se chama Amazon Go e, para efetivar as compras, é preciso instalar um aplicativo da marca no celular e o registro do que foi comprado é feito a partir do monitoramento de câmeras. CIÊNCIAS DA NATUREZA 46 As mudanças também têm chegado ao Brasil. O Hipermercado da Rede Zaffari no bairro Higienópolis, em Porto Alegre (RS) disponi- bilizou, em 2016, quatro máquinas que suprimem a necessidade de interação humana para fazer compras. O cliente escolhe os itens que deseja levar e passa os produtos sozinho. Entretanto, os terminais permitem adquirir apenas até 10 itens por vez e o pagamento deve ser feito por meio de cartão de crédito ou de débito (afinal, o uso de dinheiro em espécie está em desuso e, na Suécia, o uso de cédulas já tem até data para sair de circulação: 2030). Letiane de Jesus Nascimento, 31, é operadora de caixa no Supermercado Ideal, em Samambaia Norte, e se preocupa com este cenário. ;Precisa de uma pessoa, sim, para atender. Imagina alguém com o carrinho cheio de compras pas- sando tudo isso sozinho? Não vai dar certo. Se o cliente estiver com um amigo então, não vai parar de conversar enquanto a fila cresce;, comenta a maranhense, que também lamenta as possíveis demissões. ;Vai ter tanta gente desempregada. Não dá nem para pensar em uma coisa dessas. Gosto do meu serviço.; Em Extinção CIÊNCIAS DA NATUREZA 47 O que vai e o que fica? CIÊNCIAS DA NATUREZA 48 Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu- dante/trabalho-e-formacao/2018/01/28/interna-trabalhoeforma- cao-2019,656217/como-a-tecnologia-vai-revolucionar-o-emprego. shtml A taxa de mortalidade infantil expressa o número de crianças de um determinado local que morre antes de completar 1 ano de vida a cada mil nascidas vivas. Esse dado é um indicador da qualida- de dos serviços de saúde, saneamento básico e educação. Entre as principais causas da mortalidade infantil estão a falta de assistência e de instrução às gestantes, ausência de acompa- nhamento médico, deficiência na assistência hospitalar, desnutri- ção, déficit nos serviços de saneamento ambiental, entre outros. A ausência de saneamento provoca a contaminação da água e dos alimentos, podendo desencadear doenças como a hepatite A, ma- lária, febre amarela, cólera, diarreia, etc. Conforme dados do Fundo de População das Nações Unidas (Fnuap), a taxa de mortalidade infantil mundial é de 45 óbitos a cada mil crianças nascidas vivas. Esses dados estão em constante declínio, visto que há 20 anos o número de mortes de crianças com menos de 1 ano era de 65 para a mesma quantidade de nascidas vivas. Contudo, é importante destacar que essa redução não ocor- re da mesma forma em todos os países. Nas nações desenvolvidas economicamente, a taxa de mortalidade infantil é muito baixa, sen- do que algumas registram médias inferiores a 3 mortes para cada mil nascidos, como o Japão, Islândia, Finlândia, Suécia, Noruega e Cingapura. No Brasil, essa taxa é de 22 para cada mil nascidos. Por outro lado, alguns países possuem taxas de mortalidade infantil altíssimas: Afeganistão (152), Chade (127), Angola (111), Guiné-Bissau (109), Nigéria (107), Somália (106), Mali (103) e Serra Leoa (102). Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) incluiu a redução da mortalidade infantil entre uma das oito Metas de Desenvolvimento do Milênio. Para que o objetivo seja alcançado, os países ricos devem con- tribuir para a estruturação das nações que enfrentam esse grande problema social, realizando a construção de hospitais, capacitação da equipe médica, educação familiar, subsídios para a alimentação adequada, saneamento ambiental, entre outros. Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/mortalidade- -infantil.htm OS AVANÇOS DA CIÊNCIA E AS DOENÇAS Atualmente, algumas dessas doenças não aparecem entre as principais causas de morte no mundo ou caíram em porcentagem, mas diarreia e outras disenterias ainda são relevantes na mortalida- de infantil, apesar da tendência de queda nos números. Tal como o controle de casos de peste bubônica no Brasil, muitas doenças têm sido tratadas graças a avanços da ciência. O desenvolvimento de microscópios, o surgimento de vacinas, de antibióticos e de novos remédios, o conhecimento sobre os ci- clos das doenças, suas formas de contágio, a melhoria do sanea- mento básico e das técnicas agrícolas que permitiram uma alimen- tação melhor, entre outros avanços possibilitados pelo trabalho de inúmeros cientistas, permitiram o combate e o controle de muitas doenças, contribuindo para a qualidade de vida da população. Por exemplo, a varíola, também conhecida como bexiga em al- gumas regiões do País, causada por um vírus, é considerada a úni- ca doença erradicada até o momento na história da humanidade, graças a campanhas de vacinação coordenadas pela OMS em todo o mundo, na década de 1960; o último caso registrado no mundo foi em 1977. Para além do bem-estar físico... Em 7 de abril de 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico, men- tal e social, e não apenas a ausência de doença ou moléstia. Esse dia passou a ser considerado o Dia Mundial da Saúde. No entanto, tal definição foi objeto de muitas críticas, especial- mente porque parece algo inatingível e um tanto abstrato, pois é difícil caracterizar o que é bem-estar. Além disso, tecnicamente, já não se separa mais bem-estar físico do mental e do social. Afinal, não se pode separar o indivíduo de seu contexto social, econômico e ambiental. Você já deve ter ouvido falar de como o estresse mental pro- voca alterações na saúde, com o aparecimento de sintomas físicos ou a redução da capacidade de defesa do organismo contra agentes infecciosos. Também as diversas formas de poluição ambiental e a falta de saneamento básico estão associadas ao aumento significa- tivo de doenças nos grandes centros urbanos. A saúde não é obtida apenas por meio do combate às doenças ou com a melhoria dos conhecimentos médicos. Não se trata de um fenômeno isolado, mas reflete a conjuntura social, econômica, polí- tica, cultural e até mesmo histórica. Depende da época, de crenças e até de concepções religiosas. Com uma definição tão ampla, dizer que se está com saúde tor- na-se difícil, pois a condição do ser humano é dinâmica; o corpo se adapta continuamente a situações externas e internas. Assim, é possível perder esse equilíbrio dinâmico de vez em quando, principalmente se alguns cuidados forem negligenciados. Qualidade da água consumida, tratamento de esgoto (ambos com- ponentesdo saneamento básico), moradia, possibilidade de obten- ção de alimentos e acesso à medicina preventiva são alguns fatores que determinam o padrão de saúde da população. DOENÇAS MORTALIDADE INFANTIL http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu- http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estu- CIÊNCIAS DA NATUREZA 49 Classificação para as doenças Existe uma Classificação Internacional para as Doenças (CID) que as agrupa segundo características comuns (por exemplo, sinto- mas, motivação de consultas, mortalidade) e as codifica, alimentan- do as análises estatísticas e orientando a tomada de decisões sobre a saúde pública da população de determinada região. Esses códigos têm grande significado para quem é da área mé- dica, pois padronizam a comunicação entre os profissionais da saú- de. Vale destacar, porém, que nem sempre os cientistas concordam com a forma de diagnosticar um tipo de doença, sem falar no fato de que, diante de novas descobertas da ciência, a classificação das doenças fica sujeita a mudanças. Enfim, é muito difícil encontrar uma boa classificação para os tipos de doenças existentes, porque, muitas vezes, uma doença tem mais de uma causa. Ainda assim, para fins didáticos, e de maneira simplificada, as doenças podem ser classificadas em dois grupos: • doenças infecciosas: são causadas por um agente patogênico, como vírus, bactérias, protozoários e vermes. Podem ser transmitidas di- retamente entre as pessoas (doenças infectocontagiosas) ou indire- tamente, por meio de um vetor (como no caso da dengue). • doenças não infecciosas: não são causadas por um agente patogênico nem transmitidas para outras pessoas. Essas doenças são ainda mais difíceis de classificar, pois algumas têm múltiplas causas. Além dessa classificação, há outras possíveis, como as ci- tadas a seguir: • doenças hereditárias: associadas ao código genético (respon- sável pelas características de cada indivíduo), são transmitidas de pais para filhos, podem ou não se manifestar logo após o nascimen- to e nem sempre é fácil diagnosticá-las; • doenças congênitas (de nascença): resultam de acidentes que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião, levando às chamadas malformações embrionárias; geralmente essas malfor- mações têm múltiplas causas ou causas desconhecidas; • doenças degenerativas (decorrentes da velhice): nesse gru- po, podem ser considerados alguns tipos de câncer, a perda de au- dição e o mal de Alzheimer. Existem, porém, doenças degenerativas que não estão associadas à idade, tendo outras origens, inclusive hereditárias; • doenças causadas por substâncias que agridem o corpo: mercúrio, chumbo e metanol são algumas dessas substâncias, pois podem causar intoxicações. Na fase embrionária, diferentes subs- tâncias, que incluem o fumo (tabaco), o álcool e outras drogas, po- dem estar associadas a doenças congênitas; • doenças causadas pela falta de algum nutriente (carenciais): incluem, por exemplo, a anemia (falta de ferro na alimentação, afetando a quantidade de hemoglobina presente nos glóbulos ver- melhos do sangue, o que leva a uma deficiência no transporte de oxigênio para todas as células do corpo, provocando fraqueza, ema- grecimento em alguns casos etc.) e o escorbuto (falta de vitamina C, causando inflamação das gengivas e perda de dentes); • doenças de origem mental (psiquiátricas): muitas vezes não têm explicação clara, como a síndrome do pânico (transtorno de ansiedade que causa medo intenso, impedindo a pessoa de convi- ver socialmente), a anorexia (distúrbio alimentar caracterizado pela recusa da pessoa em alimentar-se adequadamente por se achar muito acima do peso) e o autismo (alteração na capacidade de co- municação e interação social que, para alguns autores, não é sequer considerada doença). Epidemias, pandemias, surtos e endemias Para muitas pessoas, a ideia de epidemia pode estar associada aos eventos que se contam sobre a peste negra ou àqueles filmes nos quais há um grande número de mortos, muito sofrimento e a procura desesperada por um remédio ou vacina contra uma doen- ça transmissível. No entanto, é preciso tratar o assunto de maneira mais cuidadosa. A definição de epidemia está relacionada a dois aspectos: o número de casos de determinada doença e o intervalo de tempo em que esses casos se manifestam. Em outras palavras, epidemia é um grande aumento do número de casos de uma doença, em um curto espaço de tempo, em uma população qualquer. Nas comuni- dades da Pré-história, provavelmente não existiam epidemias, pois os seres humanos viviam em pequenos bandos, havendo contágio apenas nessas populações. Quando eles começaram a viver em sociedades organizadas, as epidemias passaram a ocorrer. Alguns fatores são indispensáveis para a incidência de uma epidemia, como a presença do agente pa- togênico e a existência de um grande número de pessoas sensíveis à doença, ou seja, sem imunidade. Uma epidemia em proporções mundiais, como a aids, é classificada como pandemia. As pequenas epidemias são chamadas de surtos, podendo ocorrer em apenas uma cidade, um bairro ou mesmo uma escola. Certas doenças são restritas a algumas áreas ou regiões, geralmen- te associadas a um vetor para sua disseminação. Nesse caso, fala-se em endemias. Dois exemplos de doenças endêmicas são a esquistossomose e a malária. A esquistossomo- se, também conhecida como barriga-d’água, é provocada por um verme platelminto. Essa doença só existe onde vive um tipo de ca- ramujo essencial para o desenvolvimento de uma etapa da vida do verme causador da doença. Já a malária ocorre em áreas tropicais onde vive o mosquito que a transmite (gênero Anopheles). A malária só existe nas regiões indicadas do globo. Apesar dis- so, dada a extensão dessas regiões, muitas pessoas ficam expostas à doença e ocorre um grande número de casos no mundo: cerca de 550 milhões de pessoas infectadas por ano. Atualmente, alguns pro- blemas de saúde são tratados como epidemias, embora não sejam doenças transmissíveis. Isso se deve ao aumento da incidência de casos nos últimos anos, fazendo que as autoridades tracem políti- cas públicas de remediação da situação. É o caso do abuso do álcool e de outras drogas, do tabagismo, da obesidade e até da violência. Condições insalubres (NR 15) são todas aquelas, que de algu- ma forma envolvem condições de impacto com agentes insalubres sobre a saúde, como agentes químicos, ruídos, calor ou frio excessi- vos, podem ser bastante graves. Insalubres são riscos que se desen- volvem em médio ou longo prazo O Ministério do Trabalho, considera atividades insalubres aque- las que expõem os empregados a agentes nocivos à saúde acima de determinados limites de tolerância. A NR 15 determina o limite de concentração, intensidade e tempo de exposição, tais agentes são considerados aceitáveis. A partir disso, caracteriza-se uma situação de danos à saúde que ca- racteriza a insalubridade. INSALUBRIDADE CIÊNCIAS DA NATUREZA 50 Fique atento: No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, o adicional não é cumulativo. É considerado apenas o de grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial. A NR 16 considera como atividades e operações perigosas (a periculosidade diz respeito a perigos imediatos) aquelas: - Com explosivos; - Com inflamáveis; - Com radiações ionizantes ou substâncias radioativas; - Com exposição a roubos ou outras violências físicas; - Com energia elétrica; - Com motocicleta. A NR 16 afirma que a responsabilidade por afirmar se o traba- lho é ou não perigoso é do empregador. Assim como o fornecimen- to dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) adequados. O acidente de trabalho é caracterizado como um acontecimen- to não programado durante a atividade profissional e que acarre- ta lesões corporais, doenças, mortes ou a perda da capacidade de atuação de um colaborador— de forma definitiva ou provisória. Raramente esses acontecimentos têm apenas um único item de- sencadeante. Vários elementos interferem nesse quadro: a equipe, os indi- víduos, as máquinas, o sistema de trabalho, os tipos de insumos, o cenário no qual as tarefas são exercidas, a maneira como toda a rotina é conduzida pelos gestores, entre outros inúmeros aspectos. O trabalho não deve ser a causa de agravos à saúde dos traba- lhadores. Assim, os trabalhadores necessitam estar treinados sobre os procedimentos adotados nas diversas atividades e os recursos disponíveis para evitar danos à sua saúde, tais como os equipamen- tos de proteção coletiva (EPC) e individual (EPI). Cada pessoa é o principal responsável por sua própria saúde. O trabalhador deve receber informações sobre como proteger sua saúde no trabalho e aplicar este conhecimento também na sua resi- dência e na sua comunidade Conceitos de desvio, incidente e acidente Desvio: Qualquer ação ou condição, que tem potencial para conduzir, direta ou indiretamente, a danos a pessoas, ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente, que se encontra desconforme com as normas de trabalho, procedimentos, requisitos legais ou norma- tivos, requisitos do sistema de gestão ou boas práticas. Incidente: Evento imprevisto e indesejável que poderia ter re- sultado em dano à pessoa, ao patrimônio ou impacto ao meio am- biente. Acidente: Evento imprevisto e indesejável, que resultou em dano à pessoa, ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente. Causas dos Acidentes do Trabalho A fórmula mais simples para identificar as causas de acidentes do trabalho é seguir o raciocínio do conceito universal de causa – causa de qualquer coisa é aquilo que faz com que tal coisa venha a existir ou acontecer. Portanto, causa de acidentes do trabalho são os antecedentes, próximos ou remotos, que fazem o acidente acon- tecer. Para melhor entendimento, é bom perceber que as causas só são caracterizadas no ato da ocorrência; antes são apenas riscos ou perigos de acidentes. Causa Diretas: Para fins meramente didáticos, as causas diretas de acidentes do trabalho são resumidas em duas categorias: 1) Atos Inseguros: atos inseguros são atitudes, atos, ações ou comportamentos do trabalhador contrários às normas de seguran- ça e que colocam em risco a sua saúde e/ou integridade física, ou de outros colegas de trabalho. Os atos inseguros são geralmente defi- nidos como causas de acidentes que residem, predominantemente, no fator humano. Os atos inseguros podem ser exemplificados atra- vés dos seguintes comportamentos inadequados do trabalhador (Desvios): - Ficar junto ou sob cargas suspensas; - Colocar parte do corpo em lugar perigoso; - Usar máquina sem habilitação ou autorização; - Imprimir excesso de velocidade ou sobrecarga; - Lubrificar, ajustar e limpar máquina em movimento; - Improvisação ou mau emprego de ferramentas manuais; - Não usar os equipamentos de proteção individual; - Fumar ou usar chamas em lugares indevidos; - Brincadeiras e exibicionismo; etc. 2) Condições Inseguras: Condições inseguras são deficiências, defeitos ou irregularidades técnicas nas instalações físicas, máqui- nas ou equipamentos, os quais, presentes nos ambientes de traba- lho, podem ocasionar acidentes do trabalho. Convém destacar que é da responsabilidade do empregador a eliminação ou correção das condições inseguras existentes nos locais de trabalho. As condições inseguras podem ser exemplificadas através das seguintes ocorrên- cias nos locais de trabalho (Desvios): - Falta de proteção em partes móveis de máquinas e equipa- mentos; - Iluminação inadequada; - Piso escorregadio; - Instalações elétricas precárias ou improvisadas; - Falta de ordem e limpeza; - Ruído e trepidações excessivas; - Desconforto térmico; - Escassez de espaço; - Falta de equipamentos de proteção coletiva; - Não fornecimento de equipamentos de proteção individual aos trabalhadores; etc. Causas Indiretas: São as causas que antecedem os atos e con- dições inseguras, denominadas de fatores de risco pessoal e fatores de risco material. Fatores de Risco Pessoal: Os fatores de risco pessoal são fa- lhas inerentes à pessoa, que levam à prática de atos inseguros, tais como: - Desconhecimento do perigo; ACIDENTES DE TRABALHO CIÊNCIAS DA NATUREZA 51 - Preparo insuficiente para o trabalho; - Falta de aptidão para o trabalho; - Condições físicas e/ou emocionais alteradas; - Excesso de confiança; - Negligência; - Imprudência; - Indisciplina; etc. Fatores de Risco Material: Os fatores de risco material são omissões, falhas ou erros técnicos/administrativos que geram ou mantêm condições que comprometem a segurança do trabalhador, ou seja, as condições inseguras. - Falhas de projeto; - Falta ou falha de manutenção; - Desvios ou improvisações nos processos; - Desorganização do trabalho; - Falta de verbas; - Erros nas sinalizações; - Omissão ou descumprimento de normas técnicas; etc. Consequências dos Acidentes do Trabalho Muitas vezes, pior que o acidente em si, são as suas consequ- ências. Todos sofrem de alguma forma: - A vítima, que fica incapacitada de forma parcial ou total, tem- porária ou permanente, para o trabalho; - A família, que em muitos casos tem uma queda repentina em seu padrão de vida devido a redução dos vencimentos, ou pela dor causada pela perda do ente querido; - As empresas, em função da perda de mão-de-obra, de mate- rial, de equipamentos, tempo, queda da produção, etc., e conse- quentemente, elevação dos custos operacionais; e - A sociedade, com o número crescente de inválidos e depen- dentes da Previdência Social, que arca com as aposentadorias por invalidez, auxílio doença, auxílio acidente, despesas de reabilitação profissional, e pensão por morte do trabalhador acidentado. Destacamos o lado humano da vítima. O sofrimento é inevitá- vel. Os ferimentos pequenos, médios ou grandes são sempre inde- sejáveis e o tratamento é em geral doloroso. Além disso, quando a vítima é mutilada ou se incapacita parcial ou totalmente sente-se inferiorizada, necessitando de um acompanhamento psicológico. Investigando o acidente de trabalho A partir da informação da ocorrência de um acidente a equi- pe de investigação deve se possível, inteirar-se do tipo de caso a ser investigado, visando preparar-se tecnicamente para conduzi-la. Afim de que as causas possam ser identificadas e as medidas para prevenção de futuros acidentes possam ser evitados. Os objetivos da análise de um acidente de trabalho são: - Prevenir acidentes do trabalho; - Difundir a compreensão de acidentes do trabalho como fe- nômenos resultantes de rede de fatores em interação, superando a visão dicotômica (atos/ condições inseguras); - Identificação de rede de fatores de acidentes, cuja interação levou ao evento, sobretudo os mais a montante da lesão relaciona- dos a aspectos organizacionais e gerenciais do sistema em questão; - Investigação da situação de trabalho habitual e de origens das mudanças e alterações que ocorreram, contribuindo para o evento, bem como a análise de barreiras existentes e de seu efetivo funcio- namento; - A partir do caso específico, avaliar fatores relacionados ao ge- renciamento de riscos adotado na organização de forma a contri- buir com a prevenção de novos eventos. Subsidiar ações de outros órgãos e instituições. Nas investigações de acidente de trabalho é realizado a coleta de dados com auxílio na atividade em desenvolvimento, desdobra- da nos componentes: - Indivíduo: qualificação, treinamento recebido, função ou pos- to de trabalho habituais e por ocasião do acidente etc.; - Tarefa: o que os trabalhadores executam em condições habi- tuais de trabalho e por ocasião do acidente; - Material: máquinas e equipamentos, matérias-primas utiliza- dos na execução da tarefa, o meio de trabalho – entendido como o meio social daempresa (relações sociais, pessoais, hierárquicas), forma de organização do trabalho, treinamentos ministrados, etc. São recomendações importantes na análise dos acidentes de trabalho: - Tirar fotografias ou filmar e fazer esquemas no cenário rela- cionado ao acidente de trabalho; - Descrever instalações físicas, condições de iluminação, nível de ruído, posição de máquinas, equipamentos etc.; - Verificar o tipo de energia utilizada, se for o caso, descrever máquinas e, ou equipamentos (tipo, forma de acionamento, de ali- mentação, etc.); - Descrever a forma habitual de execução da atividade em de- senvolvimento no momento de ocorrência do acidente; - Identificar, em relação às condições de trabalho habituais, isto é, sem ocorrência de acidente, o que mudou, alterou ou va- riou, investigando as origens das alterações / mudanças / variações ocorridas. É extremamente importante identificar as condições do sistema que permitiram o aparecimento dessas mudanças (ou va- riações). Em outras palavras, buscar as “causas das causas”. - Descrever cuidadosamente as mudanças que provocaram perturbações que ultrapassaram a tolerância habitual do sistema, ou seja, aquelas que não foram solucionadas com as estratégias adotadas no funcionamento do sistema nas situações sem acidente. - Quando não for possível esclarecer como se originou determi- nada modificação ou variação, explorar hipóteses possíveis acerca de sua origem e, para cada hipótese, buscar evidências diretas ou indiretas de sua ocorrência. - Buscar confirmação para todas as afirmações colhidas nas en- trevistas visando descrever os fatores que participaram do desenca- deamento do acidente com a maior fidelidade possível. Para se obter informações do acidente do trabalho os membros da CIPA deverão realizar as entrevistas com vários trabalhadores, dentre eles: - Acidentado; - Testemunhas do ocorrido; - Colegas de trabalho; - Chefias; - Membros de CIPA e SESMT - Outros acidentados que tenham sofrido acidentes semelhan- tes. CIÊNCIAS DA NATUREZA 52 Todos os dados coletados devem ser organizados a fim de ser elaborar uma descrição coerente do acidente, baseada em fatos passíveis de serem observados ou constatados, sem emissão de ju- ízos de valor e, ou interpretações, e que permita ao investigador verificar da maneira mais completa possível, como o acidente acon- teceu. Esta é etapa é muito importante, pois identificar as causas do acidente serve para serem tomadas medidas para evita-las futura- mente e aplicada as medidas para ajustes sejam elas treinamentos, manutenção de maquinários, mudança na disposição dos layouts entre outros. O corpo da criança é a matriz da sua sexualidade, na medida em que, por seu intermédio, sente o mundo desde o nascimento. Pela proximidade física e mental dos pais ou de quem desempenha esse papel, o bebê percebe a sensação de segurança e também de amor. Estes bebês desenvolvem-se interagindo com suas culturas num processo de construir e viver seus corpos segundo rituais, lin- guagens, fantasias, representações, símbolos e convenções, trans- formando o corpo biológico num corpo histórico e com sentido social. Contata-se que as manifestações sexuais são muito importan- tes para o desenvolvimento em geral da criança, surge daí a preo- cupação para com a forma em que o assunto é abordado principal- mente no âmbito escolar. Bona Junior (2011, p. 24) destaca que: “A descoberta da importância das manifestações sexuais da infância na construção da personalidade adulta é, sem dúvida, o fundamen- to das preocupações com a educação da sexualidade, desde a mais tenra idade”. Na infância, a sexualidade pode-se manifestar através das brin- cadeiras, nos momentos de descontração da criança, seja na escola com os amigos ou em casa com irmãos, primos ou na rua com os vizinhos. Neste sentido, acredita-se que a sexualidade da criança, no seu contexto infantil, é revelada a partir da experiência de praze- res com registros profundos de sensações que a memória do corpo não esquece daí a importância do bom estímulo e cuidado ao se trabalhar com as crianças sob a temática, uma vez que irá gerar ex- periências muito significativas, experiências estas que a criança ira carregar para toda a vida. Diante desta perspectiva, corrobora-se com Louro (1999, p. 15) quando evidencia que “treinamos nossos sentidos para perceber e decodificar essas marcas e aprendemos a classificar os sujeitos pelas formas de como eles se apresentam corporalmente, pelos comportamentos e gestos que empregam e pelas várias formas com que se expressam”. A criança e a sexualidade são criações sociais ligadas às práticas relacionais e modos de educação, que caminham e convivem jun- tas sob influências do meio cultural, neste âmbito procura-se expor nossa preocupação quanto ao papel do professor como o facilitador no processo do desenvolvimento da sexualidade infantil, trabalho que deverá ser realizado em conjunto com a família, instituição social que também vivência muita dificuldade em se trabalhar o assunto, isso devido à educação que os pais receberam, tendo a sexualidade como um tabu. Nunes (1987, p. 40) destaca que: “[...] se entendermos o sexo como a marca biológica, só poderemos entender a sexualidade como a marca humana, a significação existencial e social que pode- mos criar dentro e sobre a possibilidade biológica [...]”. Sob o mes- mo enfoque Oliveira (2011, p. 117) explana que: é necessária a compreensão que a sexualidade não pode ser considerada somente biológica, pois será uma construção de acor- do com o meio sociocultural, que não acontece de forma paralela, tampouco é alheia à formação do individuo, ao contrário, ela se constitui no âmbito das relações sociais, ao mesmo tempo em que influência a qualidade dessas relações. Neste tocante, percebe-se que a sexualidade, quando relacio- nada à infância, ainda hoje, é pouco falada e explicada e, por isso, permanece como uma terra incógnita para os adultos que a viven- ciam como uma temática assustadora e, muitas vezes, proibida. Uma educação voltada para a sexualidade, nas escolas é fundamen- tal para auxiliar no desenvolvimento global da criança. Concorda-se com Nunes e Silva (2006, p. 13) quando afirmam que: é certo que ainda temos sérias divergências sobre a natureza, identidade e limitações do que seja propriamente a educação se- xual; divergências que estão presentes no campo das ciências da educação e das iniciativas institucionais de entendimentos e de conceituações sobre esta questão ou tema, mas não deixamos de entender que por esta expressão quer-se representar o conjunto de processos simbólico-significativos e comportamentais, psicos-subje- tivos e socioinstitucionais de representação e vivências das identi- dades e potencialidades sexuais. Busca-se pesquisar quais são os saberes e fazeres dos educado- res sobre a sexualidade infantil, sobre o que são ensinados para as crianças, por meio de instâncias e práticas oriundas das pedagogias escolares. Segundo Sayão (1997, p.101), “são os professores que terão que contribuir para que seus alunos tenham uma visão posi- tiva e responsável da sexualidade, isto devido a proximidade entre professor e aluno no contexto escolar”. A educação para a sexualidade deve acontecer no espaço es- colar com o auxilio da família e da comunidade, visando sempre o bem comum, a boa formação da criança para a vida, com seu de- senvolvimento completo, sendo respeitadas suas dúvidas, anseios, para que futuramente, possa se tornar um adulto seguro e bem decidido na vida. Neste quesito Oliveira (2011, p. 118) explica que: As relações do indivíduo com o meio social refletem e são refletidores da formação familiar e escolar e é nesse sentido que uma educação para a sexualidade no âmbito escolar contribui para a construção de uma sociedade sadia, na qual as relações sociais aconteçam de forma livre, autônomae responsável, permitindo que os indivíduos vivam plenamente sua sexualidade e, consequente- mente, sintam-se mais seguros em todas as suas escolhas e funções sociais. Entende-se que para que seja possível o professor ensinar e/ ou trabalhar algum tema em sala de aula, ele precisa ter o mínimo de conhecimentos sob a temática a ser abordada. Percebe-se que atualmente nossos educadores ainda enfrentam dificuldade para trabalhar a sexualidade em sala de aula, ainda mais no ambiente da educação infantil, isto se deve as falhas de sua formação, ao pre- conceito, ao medo e a falta de entendimento para com o assunto. Ratusniak (2011, p. 42-43) explicita que: SEXUALIDADE CIÊNCIAS DA NATUREZA 53 Para que o professor possa trabalhar com essa dimensão do desenvolvimento humano, é necessário construir um espaço de re- flexão, fundamentado pela produção científica que permite que ele compreenda as manifestações contemporâneas da sexualidade. [...] Isso significa criar um espaço de formação continuada, onde seja possível que ele vivencie discussões sobre a sexualidade, permitindo que ele reveja seus conceitos, compreenda a origem dos seus pre- conceitos, produza saberes sobre as manifestações de afetividade/ sexualidade. Continuando as reflexões a partir das dificuldades do trabalho docente para com o tema da sexualidade, entendendo que este deve procurar alternativas, buscar auxílio, ajuda, e estudar por conta própria quando não há uma preocupação dos órgãos res- ponsáveis pela educação assim como pela formação continuada dos professores. Sob este viés busca-se respaldo em Oliveira (2011, p.113-114): Preocupados principalmente em buscar alternativas à educa- ção sexual [...] professores e gestores têm cada vez mais buscado compreender a sexualidade humana e levar os problemas consta- tados no ambiente escolar em espaços de discussões sobre o tema. Percebe-se que existe uma lacuna em sua formação e que se faz necessária uma abordagem da sexualidade, que seja integral e que contribua com a superação do principal desafio escolar na atualida- de, que é formar cidadãos autônomos e emancipados. No contexto da educação procura-se entender qual é o papel da escola na construção de modelos, pensamentos, uma vez que esta se apresenta como um dos espaços onde a educação acontece. Concorda-se com Louro (2011, p. 61): Quando expõe que: diferenças, distinções, desigualdades... A escola entende isso. Na verdade, a escola produz isso. Desde seus inícios, a instituição escolar exerceu uma ação distintiva. Ela se in- cumbiu de separar sujeitos – tornando aqueles que nela entravam distintos dos outros, os que a ela na tinham acesso. Ela dividiu tam- bém, internamente, os que lá estavam, através de múltiplos me- canismos de classificação, ordenamento, hierarquização. A escola que nos foi legada da sociedade ocidental moderna começou por separar adultos de crianças, católicos e protestantes. Ela também se fez diferente para os ricos e para os pobres e ela imediatamente separou os meninos das meninas. Aí surge um questionamento: quem é esta escola supracitada senão os educadores e alunos que dela fazem parte? Neste tocante vale salientar que a formação docente é de suma importância no aprimoramento de conhecimentos voltados a educação sexual para que possibilite os educandos a desenvolverem uma visão livre de preconceitos no que diz respeito à identidade sexual de cada indi- víduo. Nesse sentido Louro (2011, p. 85) versa que “a sexualidade está na escola porque ela faz parte dos sujeitos, ela não é algo que possa ser desligado ou algo do qual alguém possa se ‘despir’”. A partir dos estudos realizados, busca-se o entendimento de qual é a função da escola na atuação frente a temática da sexuali- dade de seus educandos. Busca-se respaldo em Nunes (1987, p. 17) quando explana que: “A escola é o espaço também da crítica sobre a sexualidade estabelecida e o laboratório das novas significações e vivências. Não de uma maneira superficial como vem sendo feita, empirista, biologista, informativa e outra vez diretiva [...]”. Para se entender o que é de fato a educação sexual, como ela acontece, quais são os fatores que dela fazem parte, quais são suas influencias na vida da criança e por consequência na vida do adulto, busca-se respaldo em Ratusniak (2011, p. 41) quando nos explica que: a educação sexual existe desde que a criança nasce, pois a sexu- alidade faz parte do sujeito e a educação é um processo intrínseco às relações sociais. Muitas vezes, a escola fica paralisada perante as manifestações da sexualidade, [...] muitas vezes, culpa-se o aluno ou a família por atitudes inadequadas ou concepções preconceituo- sas, sem considerar que a escola também produz o preconceito, pois também é permeada por juízos de valores. [...]. Entende-se que a prática docente na educação infantil lida, no dia-a-dia, com experiências problemáticas que levam os educa- dores a decisões num terreno de grande complexidade, incerteza, singularidade e de conflito de valores relativos ao sexual, quando se deparam com situações oriundas das crianças regidas por uma vontade de saber. Nunes (1987, p.19) explica que: só é possível uma educação sexual nesta perspectiva dupla: de um lado, crítica de todas as construções, significações e modelos históricos e sociais, que envolvem as proibições, os interditos e as permissões; e de outro, o pessoal, o afetivo, o existencial, que a edu- cação tecnicista tende a sufocar num discurso objetivo e distante. Ao educador que se ocupar dessa questão está o desafio de encon- trar o justo meio de transmitir essa contradição de maneira honesta e significativa. Compreende-se que a educação da sexualidade na escola deve permear todas as etapas. Ela tem seu início na educação infantil, onde a criança esta conhecendo a si próprio, seu corpo, suas pos- sibilidades, sua ocupação no espaço, sua influencia na dinâmica da relação para com seus colegas. Passa para o ensino fundamental, na adolescência onde as questões que envolvem a sexualidade são outras, bastante ligadas a questões hormonais e ao sexo pro- priamente dito. No ensino médio, também é necessário abordara temática, visto que a sexualidade esta presente em todas as fases de desenvolvimento do ser humano. Neste tocante Egypo (2009, p.343) explica que: a orientação sexual na escola supõe um trabalho contínuo, sis- temático e regular, que acontece ao longo de toda a seriação esco- lar. Deve começar na Educação Infantil e se estender até o final do Ensino Médio. Pressupõe a capacitação, a reciclagem e o acompa- nhamento do trabalho dos educadores, caracterizando um espírito de formação permanente. Diferente do que muito ainda hoje se considera como normal e natural, a sexualidade não é dada pela natureza e, assim como o saber, também é construída social e culturalmente, por isso verifi- ca-se tantas opiniões divergentes quanto ao assunto. Corrobora-se com Nunes (1987, p. 30) quando versa sobre a educação sexual: “A educação sexual é um fenômeno da sociedade. Não é uma tarefa primordial da escola, embora encontre nela um reforço institucio- nal de suas bases sociais”. Diante disso pode-se afirmar que a sexualidade tem um caráter dinâmico e mutável não apenas pelas particularidades de cada cul- tura, mas também pelo modo singular com que cada pessoa assimi- la a tradição social por meio dos seus rituais, suas linguagens, suas fantasias, suas representações, seus símbolos e suas convenções. Coaduna-se com Nunes (1987, p. 17-18) quando afirma: CIÊNCIAS DA NATUREZA 54 não se pode reduzir a sexualidade a um substrato único, imitá- vel, eterno. A sexualidade, isto é, as qualidades, formas e significa- ções da atividade sexual são históricas, processuais e mutáveis. Isto significa que a sexualidade está sempre aberta a novas significa- ções, novas experiências de sentido. Compreendemos a importância da sexualidade naformação da criança, por consequência do adulto, da sociedade em geral. Uma criança onde sua sexualidade foi bem trabalhada e bem desenvolvi- da será um adulto feliz, realizado, e muito bem decidido no aspec- to pessoal e profissional. Neste tocante Nunes e Silva (2006, p. 52) explicam que: a sexualidade infantil é muito mais autentica porque as crian- ças em geral não precisam provar nada a ninguém e também não estão preocupadas com os padrões de ‘normalidade’ que a socieda- de impõe aos adultos. Reprimir a sexualidade da criança é reprimir seu corpo, que se constitui na base real de seu próprio ser, sua rela- ção consigo mesma e sua personalidade. Porque, afinal, não existe uma separação entre a sexualidade infantil e a sexualidade adulta. Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, são inseparáveis e consequentes. A partir do explanado, compreende-se que a sexualidade per- meia a todas as fases do desenvolvimento do ser humano desde seu nascimento até sua fase adulta. De acordo como for trabalhada a sexualidade na infância irá repercutir na sexualidade do adulto. É notável que a formação docente, pode apresentar algumas falhas no quesito da educação para a sexualidade, visto que os pro- fessores enfrentam grande dificuldade para abordar esta temática. Os educadores sentem-se despreparados e até assustados, com medo de errar, e preferem evitar falar e/ou trabalhar a sexualida- de de seus alunos, principalmente na educação infantil. Alguns dos motivos desta aversão ao assunto são os preconceitos e os tabus ainda presentes em nossa sociedade. Destaca-se a importância da informação e da sensibilidade ne- cessárias para que o trabalho de educação aconteça sem traumas, visando à construção de uma sociedade humana e de natureza re- almente transformadora. Compreende-se que a sexualidade está presente em toda a vida do individuo, sendo um dos fatores que complementam a formação global do sujeito como pessoa. Assim como não há um modelo, receita de como trabalhar o assunto, visto que, a sexuali- dade é o reflexo da realidade psicos socioeconômica da criança, e mutável de acordo com os estímulos recebido do meio externo, da sociedade em que se está inserido.5 DIU E SIU Dispositivo intrauterino (DIU) e Sistema intrauterino (SIU – também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) são,co- mo o nome já diz, sistemas ou dispositivos que devem ser inseridos por médicos, dentro do útero. A grande vantagem destes métodos é a comodidade e a alta eficácia, que pode proteger a mulher du- rante 5 a 10 anos, dependendo do produto. Qual a diferença entre os dois? Ambos impedem a penetração e passagem dos espermatozoi- des, não permitindo seu encontro com o óvulo. A grande diferença é que o DIU é feito de cobre, um metal, e não possui nenhum tipo de hormônio, enquanto o SIU libera um hormônio dentro do útero. Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros efeitos, como reduzir o fluxo menstrual. Eles causam aborto? Não. Como já citado, os dois métodos impedem que o esper- matozoide encontre o óvulo, portanto eles nem deixam a gravidez ocorrer. Existe chance de falha? Sim. Atualmente não existe nenhum método anticoncepcional que seja 100% eficaz. No entanto, a chance de falha dos dois mé- todos é extremamente baixa, sendo parecida com a dos métodos cirúrgicos, como a laqueadura ou vasectomia, o que os deixa entre os métodos mais eficazes que existem. Uma vez que não dependem da correta administração pela usuária, o DIU e o SIU possuem eficácia superior quando compara- dos aos métodos de curto prazo, como as pílulas, injeções, anel e adesivo contraceptivo. Como posso utilizar o DIU/SIU? O dispositivo deve ser inserido pelo seu médico após ele ter sido indicado para você. Algumas vezes antes do procedimento de inserção o médico poderá solicitar exames complementares, va- riando de caso a caso. O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de anestesia geral, porém pode causar desconforto para algumas mu- lheres. Qualquer mulher pode utilizar o DIU/SIU? Não. Existem poucas situações em que o DIU e o SIU são con- traindicados. A escolha do melhor método para cada tipo de mulher deve ser feita sob orientação médica, após a discussão e avaliação das suas necessidades e preferencias. Quais reações adversas posso apresentar ao usar um DIU/ SIU? Entre as reações adversas mais comuns estão as alterações do fluxo menstrual. O DIU, por não conter hormônio, provavelmente não irá alte- rar a frequência das menstruações, porém poderá causar um fluxo menstrual mais intenso e possível aumento das cólicas menstruais nos primeiros três meses de uso. O SIU, devido a liberação local do hormônio, costuma diminuir a intensidade do fluxo a duração das menstruações e, após 6 meses de uso, 44% das usuárias param de menstruar. Se quiser engravidar e tenho um DIU/SIU, como devo fazer? Se decidir que é hora de engravidar converse com seu médico. Ele irá retirar o seu DIU/SIU. Após a retirada do dispositivo, sua ferti- lidade voltará ao normal rapidamente, não importando por quanto tempo você utilizou o método. 5Fonte: www.educere.bruc.com.br MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS http://www.educere.bruc.com.br/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 55 INJEÇÃO ANTICONCEPCIONAL A injeção anticoncepcional é um método contraceptivo que possui em sua fórmula a combinação de progesterona ou associa- ção de estrogênios, com doses de longa duração. A injeção pode ser mensal ou trimestral, e deve ser aplicada na região glútea. Para os anticoncepcionais mensais, as vantagens e desvanta- gens são as mesmas da pílula anticoncepcional. Para os anticoncep- cionais injetáveis trimestrais, existe a vantagem de serem aplicados a cada três meses, mas há a desvantagem de provocarem a ausên- cia de menstruação no início do tratamento. O retorno da fertili- dade (capacidade de engravidar) ocorre vagarosamente, cerca de nove meses após a última injeção trimestral. A primeira aplicação do anticoncepcional deve ser realizada no primeiro dia do ciclo menstrual (podendo acontecer no máximo até o 8º dia). A segunda aplicação deve ocorrer 30 dias depois, com tolerância de aproximadamente três dias, nos casos dos anticon- cepcionais. O anticoncepcional injetável possui o mesmo mecanismo de ação das pílulas, pois ele suspende a ovulação, reduz a espessura endometrial e espessa o muco cervical. O fluxo menstrual pode di- minuir devido a maior quantidade de hormônios no contraceptivo. O contraceptivo injetável trimestral é indicado para as mulhe- res que não podem ou não desejam receber estrogênio, pois são compostos apenas de progestágeno. A injeção anticoncepcional também pode causar dor de cabe- ça, acne, alterações do humor, redução da densidade mineral óssea, vertigens e aumento de peso. Entretanto, possui efeitos benéficos, como alívio das cólicas menstruais e melhora da anemia, redução dos sintomas associados à endometriose, à dor pélvica crônica e redução do câncer de endométrio. É um método contraceptivo muito eficaz, com apenas 0,1% a 0,6% de falha para a injeção mensal e de 0,3%, para a injeção tri- mestral, o que é equivalente à eficácia da ligadura de trompas. O uso desse método deve ser recomendado pelo médico ginecologis- ta e a sua aplicação deverá ser realizada em farmácia com receita. PLANEJAMENTO FAMILIAR Planejamento Familiar é um conjunto de ações que auxiliam homens e mulheres a planejar a chegada dos filhos, e também a prevenir gravidez não planejada. Todas as pessoas possuem o di- reito de decidir se terão ou não filhos, e o Estado tem o dever de oferecer acesso a recursos informativos, educacionais, técnicos e científicos que assegurem a prática do planejamento familiar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 120 milhões de mulheresem todo mundo desejam evitar a gravidez. Por isso, a lei do Planejamento Familiar foi desenvolvida pelo Governo Brasileiro, com intuito de orientar e conscientizar a respeito da gra- videz e da instituição familiar. O Estado Brasileiro, desde 1998, possui medidas que auxiliam no planejamento, como a distribuição gratuita de métodos anticon- cepcionais. Já em 2007, foi criada a Política Nacional de Planeja- mento Familiar, que incluiu a distribuição de camisinhas, e a venda de anticoncepcionais, além de expandir as ações educativas sobre a saúde sexual e a saúde reprodutiva. Em 2009, o Ministério da Saúde reforçou a política de plane- jamento e ampliou o acesso aos métodos contraceptivos, dispo- nibilizando mais de oito tipos de métodos nos postos de saúde e hospitais públicos. Confira abaixo a Lei do Planejamento Familiar desenvolvida em 1996, que regulamenta o planejamento familiar no Brasil e propor- ciona ações preventivas para a mulher e o homem. ABSTINÊNCIA SEXUAL Abstinência Sexual é a ausência do ato sexual, podendo ser pe- riódica ou não. A ausência de relação sexual engloba o não contato entre a região genital e íntima de duas pessoas. Esse controle é co- nhecido por método anticoncepcional natural, pois não faz o uso de nenhum procedimento cirúrgico, artificial ou de medicamentos. A adoção da abstinência periódica é associada ao uso da tabe- linha, no qual a mulher evita a relação sexual durante o seu período mais fértil. Entretanto, esse é um método inseguro de prevenir a gravidez indesejada. A tabelinha serve apenas para mulheres que desejam ter filhos identificarem os dias mais propícios para a con- cepção. Isso porque diversos fatores podem alterar o ciclo repro- dutivo da mulher, e a gravidez é uma possibilidade em qualquer relação sexual desprotegida. Já a abstinência total, quando praticada constantemente, é 100% segura. Essa é uma maneira interessante que muitos casais usam para se conhecer melhor. Pode ser entendido como a corte, ou ritual de acasalamento. Se você não se sente confortável com a ideia de ter uma relação sexual com penetração, diga isso claramen- te ao seu companheiro ou companheira. Existem formas prazerosas de sexo sem penetração, e é interessante que elas aconteçam até para que haja um desenvolvimento sexual do casal. O sexo é parte importante das relações humanas e geralmente o interesse por ele se intensifica na adolescência. A decisão de ini- ciar uma vida sexual completa, entretanto, necessita de cuidados importantes tanto para o homem quanto para a mulher, já que a prática do sexo inseguro pode trazer doenças sexualmente trans- missíveis (DSTs) e gravidez indesejada. Dessa forma, para uma vida sexual saudável, é preciso se informar sobre os métodos contracep- tivos e de prevenção de doenças. ADESIVO O adesivo anticoncepcional, também chamado de patch, é um material aderente que deve ser colado na pele da mulher e per- manecer na mesma posição por uma semana. Esse método contra- ceptivo possui em sua fórmula a combinação de dois hormônios: progestogênio e o estrogênio, que são liberados na circulação de forma contínua por sete dias. O primeiro adesivo deve ser colocado no primeiro dia da mens- truação. Os adesivos vêm em três unidades para serem usados de forma consecutiva. Após as três semanas de uso, é necessário fazer uma semana de pausa. Pode ser colocado em diversos locais do corpo, como braço, na barriga, nas costas ou nas nádegas. Evite colocar na região das mamas.A cada nova aplicação o adesivo de posição. Caso haja descolamento total ou parcial do adesivo durante menos de 24 horas, recoloque o mesmo adesivo (se permanecer aderido) ou cole um novo adesivo, para evitar a perda da eficácia. Se o anticoncepcional estiver descolado por mais de um dia, será necessário colar um novo adesivo e reiniciar um novo ciclo. Tam- bém se aconselha realizar um método de barreira por sete dias (ca- misinha). Não há flutuações hormonais e a eficácia contraceptiva se mantém mesmo que haja atraso de até dois dias na substituição do adesivo. CIÊNCIAS DA NATUREZA 56 É um método contraceptivo muito eficaz e possui poucos efei- tos colaterais, entre os quais dores de cabeça, cólicas menstruais leves e náuseas. Para mulheres acima do peso é possível que ocorra redução na eficiência desse método contraceptivo. Desse modo, para estas mulheres, é recomendado um outro método contracep- tivo. ESPERMICIDA Espermaticida ou espermicida é uma substância química que imobiliza e destrói os espermatozoides durante o ato sexual. Os espermicidas podem ser em creme, géis, supositórios, sprays e es- pumas. Esses tipos de espermicidas devem ser introduzidos dentro da vagina antes da relação. É possível encontrar o agente esperma- ticida também em comprimido, que deve ser ingerido 10 minutos antes da relação. Esse método pode ser utilizado juntamente com o DIU, a cami- sinha ou o diafragma. O tempo de ação do produto é de 2 horas e é necessária a reaplicação para relações mais longas. É um método contraceptivo pouco recomendado, pois sua efi- ciência é menor do que a da camisinha e não protege das DSTs, caso seja utilizado sozinho. Além de apresentar um alto índice de falha, pode causar irritação, ulceração cérvico-vaginal e peniana. Para muitas pessoas, o uso desse método contraceptivo preju- dica a espontaneidade. Além disso, o escoamento do produto pela vagina após o término do contato sexual pode ser motivo de cons- trangimento. Outro desconforto apresentado é o sabor medicinal, que pode comprometer o sexo oral. Atualmente, as camisinhas já contém espermicidas para au- mentar a eficácia contraceptiva. Por se tratar de um método quí- mico, a mulher deve primeiramente consultar seu médico para tirar dúvidas e obter mais esclarecimentos. LIGADURA DE TROMPAS Ligadura das tubária ou laqueadura, é uma cirurgia para a es- terilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozoides se encontrem. Há dois tipos de laqueadura: abdominal e vaginal. As ligaduras de trompas feitas por via abdominal são represen- tadas pela minilaparotomia e avideolaparoscopia. A minilaparotomia é feita com um pequeno corte acima do pú- bis. Já a videolaparoscopia é realizada por meio da introdução de uma minicâmera de vídeo no abdômen. Os tipos de laqueaduras feitas por via vaginal são representa- das pela colpotomia e histeroscopia. Na colpotomia é realizada uma incisão pelo fundo-de-saco pos- terior da vagina. Apresenta um risco maior de infecção. A histeros- copia, permite acesso às trompas através da cavidade uterina. Em qualquer tipo escolhido é necessário internação e o uso de anes- tesia. A ligadura das trompas é um método contraceptivo definitivo. Antes de realizar a cirurgia, a mulher deve analisar outras formas de evitar a gravidez, pois a Ligadura de Trompas é uma esterilização e não um método anticoncepcional. O tempo de recuperação varia de acordo com a paciente e o tipo de anestesia utilizado. Recomenda-se atividade leve de 24 a 48 horas após a realização da cirurgia. Para ser submetida ao procedimento, a mulher deve aguardar um período de 60 dias entre a tomada de decisão e o ato cirúrgico que não pode ser realizado após o parto ou aborto, pois são mo- mentos inadequados para essa decisão, em que o risco de infecção é maior. A laqueadura não altera o ciclo menstrual e nem causa altera- ção nos níveis hormonais femininos. Acredita-se que esse procedi- mento diminui o risco de câncer de ovário. Apesar de ocorrer rara- mente, é possível que a ligadura falhe e a mulher engravide, mas essa taxa é pequena, 0,1 a 0,3 por 100 mulheres por ano. Essa cirurgia pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas somente serão indicadas a mulheres com mais de 25 anos de idade, que já tenham ao menos dois filhos vivos, e que também possuam umplanejamento familiar. VASECTOMIA A vasectomia é a ligadura (fechamento) dos canais deferentes no homem. É uma pequena cirurgia feita com anestesia local em cima do escroto (saco), na qual é cortado o canal que leva os es- permatozoides do testículo até as outras glândulas que produzem o esperma (líquido) masculino. Após a vasectomia, a ejaculação con- tinua normal, não haverá espermatozoides no líquido ejaculado. Não é necessária a internação. É uma cirurgia de esterilização voluntária definitiva e, por isso, o homem deve ter certeza de que nunca mais quer ter filhos. A possibilidade de reversão dessa ci- rurgia existe, porém não é fácil. Portanto, a vasectomia deve ser considerada como um método definitivo. Esse procedimento geral- mente é realizado no consultório médico e o tempo gasto é inferior a uma hora. Esse método contraceptivo é indicado para homens que já pos- suem filhos, que tenham mais de 30 anos de idade, visando um pla- nejamento familiar com sua companheira. Também é uma solução alternativa quando suas companheiras não podem tomar anticon- cepcional ou possuem problemas de saúde. Muitos homens confundem a esterilização com castração. En- tretanto, castração é a remoção dos testículos, diferente do proce- dimento simples de impedir que os espermatozoides sigam para o pênis. O homem não fica estéril imediatamente após a vasectomia, pois ainda há espermatozoides armazenados na parte superior do canal, nas vesículas seminais e nos dutos ejaculatórios. A produção dos espermatozoides continua, pois ocorre nos testículos. São necessárias de dez a dezesseis ejaculações para que o esperma não contenha mais espermatozoides. Caso haja contato sexual nesse período, recomenda-se o uso de outros métodos con- traceptivos como a camisinha. E seu uso deve ser continuado até o médico confirmar que não há mais espermatozoides. Não se esqueça: a vasectomia não causa impotência, não dimi- nui a libido e não causa perda de sensibilidade do pênis durante o ato sexual. COITO INTERROMPIDO Coito interrompido é quando, numa relação sexual, o homem pressente a ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina. É um dos métodos contraceptivos mais antigos que existe. CIÊNCIAS DA NATUREZA 57 Possui baixa efetividade, pois as secreções do pênis na fase de excitação podem conter espermatozoides viáveis. Além disso, pode ser difícil conter a ejaculação. Mesmo quando há o controle, é possível que alguns espermatozoides estejam na uretra devido à liberação do fluido pré-ejaculação (também conhecido como lubri- ficação) e com isso, a possibilidade de haver fecundação também existe. Em comparação com a pílula anticoncepcional, que apresenta 0,1% de índice de falha, o coito interrompido possui 4% para casais que usam efetivamente esse método. A principal causa do insuces- so é a falta de controle masculino. Para aqueles que desejam realizar esse método, recomenda-se urinar entre as ejaculações para que assim o fluído pré-ejaculatório não contenha espermatozoides. A falta de segurança do método pode gerar desgaste psicoló- gico tanto para o homem quanto para a mulher. A relação sexual tende a se tornar insatisfatória. Mulheres que apresentam um ciclo menstrual regular e fazem o uso da tabelinha junto ao coito interrompido possuem um pouco mais de segurança. A única vantagem desse método contraceptivo é que qualquer pessoa pode utilizá-lo quando não possui outros métodos, o que explica esse ser um método antigo de prevenção da gravidez. Atualmente, com a ampliação das técnicas e da acessi- bilidade a vários métodos contraceptivos, o coito interrompido não é um procedimento indicado para contracepção. Apesar de ser muito utilizado, esse método contraceptivo não previne contra as doenças transmissíveis, como HPV. ANEL VAGINAL O anel vaginal é um pequeno anel flexível de superfície lisa, não porosa e não absorvente, que contém etonogestrel e etinilestradiol. O anel deve ser colocado na vagina, no formato de um 8, na parte superior, uma região bastante elástica e não sensível ao to- que, no 5º dia da menstruação, permanecendo nessa posição du- rante três semanas (21 dias). Após a retirada do anel, deve-se fa- zer uma pausa de 7 dias e um novo anel deve ser utilizado. O anel libera os hormôniosetonogestrel ( progestagênio) e etinilestradiol (estrogênio), que entram na corrente sanguínea e atuam inibindo a ovulação. Os efeitos adversos relatados com o uso do anel vaginal in- cluem: sangramento de escape, cefaleia, vaginite, leucorreia, ganho de peso e expulsão do anel. O retorno da fertilidade ocorre assim que o uso é suspenso. Quando usado corretamente, a taxa de prevenção de gravidez é de 99%. Sua eficácia é de 0,4 a 1,2% a cada 100 mulheres por ano. É tão eficaz quanto as pílulas combinadas mais modernas e com doses mais baixas de hormônios. O anel não interfere na relação sexual, e a maioria das usuárias e seus parceiros não sentem nenhum inco- modo durante a relação sexual. Não é indicado para mulheres com doenças no fígado, câncer de mama, risco de trombose, suspeita de gravidez, fumantes, hi- pertensão, cefaleias com alterações neurológicas, diabetes ou com alergia a um dos componentes. No período de amamentação não pode ser utilizado e deve ser substituído por outro. O anel vaginal é conveniente, pois só precisa ser aplicado uma vez ao mês. A própria mulher deve introduzi-lo na vagina, empur- rando com o dedo até não senti-lo mais. Nos primeiros sete dias de uso recomenda-se o uso de preservativo. CAMISINHA Camisinha é um método contraceptivo do tipo barreira. Feita de látex ou poliuretano, impede a ascensão dos espermatozoides ao útero, prevenindo uma gravidez não planejada. Também é efi- ciente na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como AIDS e HPV. Há dois tipos de camisinha: masculina e feminina. A camisinha masculina é um envoltório, geralmente de látex, que recobre o pê- nis, e retém o esperma durante o ato sexual.Já a camisinha feminina é um tubo de poliuretano com uma extremidade fechada e a outra aberta, acoplado a dois anéis flexíveis. É um dos métodos contraceptivos mais eficientes, pois apre- senta taxa de 90-95% de eficácia na prevenção da transmissão de DSTs e gravidez. Deve ser utilizada em todas as relações sexuais (genital, oral e anal). É acessível a todas as pessoas e não tem con- traindicação. TRATAMENTOS E CUIDADOS Esse método contraceptivo é indicado para homens e mulhe- res, de qualquer faixa etária. Camisinha Feminina: - Usar a camisinha feminina desde o começo do contato entre o pênis e a vagina; - Transar uma única vez com cada camisinha feminina. Usar a camisinha feminina mais de uma vez não previne contra DSTs e gra- videz; - Guardar a camisinha feminina em locais frescos e secos; - Nunca abrir a camisinha feminina com os dentes ou outros objetos que possam danificá-la. Para colocar a camisinha feminina: 1) Verifique a integridade da camisinha; 2) Dobre o anel menor; 3) Introduza o anel menor até o fim da vagina. Camisinha masculina: -Colocar a camisinha desde o começo do contato entre o pênis e a vagina; - Tirar a camisinha com o pênis ainda ereto, logo depois da eja- culação; - Apertar a ponta da camisinha enquanto ela é desenrolada para evitar que permaneça ar dentro dela. Se o reservatório desti- nado ao sêmen estiver cheio de ar, a camisinha pode estourar; - Usar somente lubrificantes à base d’água. A vaselina e outros lubrificantes à base de petróleo não devem ser usados, pois causam rachaduras na camisinha, anulando sua capacidade de proteger contra doenças e gravidez; - Transar uma única vez com cada camisinha. Usar a camisinha mais de uma vez não previne contra DSTs e gravidez; - Guardar a camisinha em locais frescos e secos; - Nunca abrir a camisinha com os dentes ou outros objetos que possam danificá-la. Cuidados ao colocar a camisinhamasculina: 1) Escolha uma marca boa. Carregue-a sempre com você. Cui- dado ao deixar muito tempo na carteira, pois a embalagem poderá sofrer danos com o calor e o atrito, prejudicando, assim, a eficácia do produto; CIÊNCIAS DA NATUREZA 58 2) Abra delicadamente a embalagem. Cuidado para não furar a camisinha com suas unhas; 3) Deixe um pequeno espaço na ponta da camisinha. Isso é im- portante; 4) Aperte o espaço que ficou na ponta e coloque a camisinha, coloque a camisinha no pênis; 5) Desenrole a camisinha até a base; 6) Depois de usar, retire a camisinha. Cuidado para não deixar escapar o líquido que foi armazenado no interior da camisinha; 7) Jogue no lixo. Camisinha é descartável. Nada de usar outra vez; 8) Camisinhas lubrificadas são mais confortáveis e eficientes. Prefira as que possuem espermaticida junto; 9) Não use cremes, óleos ou vaselinas. Se quiser usar um lu- brificante, use preferencialmente em gel, específicos para relações sexuais. IMPLANTE ANTICONCEPCIONAL O implante anticoncepcional é uma pequena cápsula que con- tém o hormônio etonogestrel. Possui 4cm de comprimento e 2mm de diâmetro. Ele é introduzido embaixo da pele por meio de um aplicador descartável. Esse método atua impedindo a liberação do óvulo do ovário, além de alterar a secreção de muco pelo colo do útero, e dificultar a entrada de espermatozoides. Existe a possibilidade de que em algumas mulheres ocorra san- gramento em épocas fora do período menstrual. Pode apresentar alguns efeitos adversos, como: sangramento por mais de cinco dias, amenorreia, acne, dor nas mamas, cefaleia, aumento de peso, dor abdominal, diminuição da libido, tonturas, dor no local do implan- te, náuseas e alterações no humor. O implante pode ser utilizado também como um tratamento coadjuvante da dismenorreia. Além disso, previne a gravidez ectópica. Antes de fazer uso desse método contraceptivo, é preciso con- sultar o seu ginecologista. Caso seja indicado, o próprio médico re- alizará a inserção do implante, que deve ocorrer entre os primeiros cinco dias do clico menstrual. Esse anticoncepcional pode ser inse- rido após parto ou aborto (cerca de 21 dias depois e está contrain- dicado para mulheres que tenham trombose , câncer, icterícia ou sangramento vaginal desconhecido). Existem implantes que duram de seis meses, um ano e até três anos. É um método muito eficaz, 99% de prevenção de gravidez, equivalente ao da ligadura de trompas. Entretanto, não previne contra as DSTs. Caso a mulher deseje engravidar, basta solicitar a remoção. O retorno da fertilidade ocorre rapidamente. PÍLULA ANTICONCEPCIONAL O anticoncepcional hormonal combinado oral (AHCO) ou pílula anticoncepcional é comprimido que contém uma combinação de hormônios, geralmente estrogênio e progesterona sintéticos, que inibe a ovulação. O anticoncepcional oral também modifica o muco cervical, tornando-o hostil ao espermatozoide. Esse método contraceptivo deve ser indicado pelo médico, pois somente após análise que poderá identificar a pílula adequada ao seu organismo. Recentemente, com o avanço científico, surgiram pílulas com hormônios bioidênticos. Os hormônios bioidênticos são substâncias que têm estrutura química e molecular igual à dos sintetizados pelo organismo humano. Produzidos em laboratório, a partir de diversas matérias-primas, servem para desempenhar as funções desses hor- mônios – desde o controle do ciclo menstrual e do metabolismo até o tratamento da menopausa – e como anticoncepcional. O hormônio sintético é uma substância processada e manipula- da em laboratório e pode gerar mais efeitos adversos que o hormô- nio natural ou bioidêntico. O anticoncepcional hormonal combina- do oral (AHCO) é considerado um método de prevenção da gravidez muito eficiente; seu índice de falha é de 0,1%. Tipos de pílulas Dentre os diversos tipos de pílulas existentes, as mais receita- das são: Pílula Monofásica: A pílula monofásica possui em sua fórmula estrogênio e pro- gesterona com a mesma dosagem. É o comprimido anticoncep- cional mais conhecido pelas mulheres. A utilização deve ter início entre o primeiro e o quinto dia da menstruação e termina quando a cartela acabar. Depois, é necessário parar por 7 dias. Minipílula: A minipílula ou pílula sem estrogênio possui somente proges- terona. É a pílula indicada para mulheres que estão amamentando e querem evitar uma nova gravidez. Para essas mulheres, a pílula deve ser tomada todos os dias, sem interrupção. Pílula Multifásica: A pílula multifásica tem combinação de hormônios com dife- rentes dosagens conforme a fase do ciclo reprodutivo. Essas pílulas causam menos efeitos adversos e são apresentadas em cores dife- rentes, para diferenciar a dosagem e o ciclo. A sequência na cartela deve ser respeitada. Em 2007, foi lançada no Brasil a pílula anticoncepcional que contém em sua fórmula drosperinona e etinilestradiol. Essa pílula melhora os sintomas físicos e emocionais relacionados às altera- ções hormonais, como acne, tensão pré-menstrual (TPM) e inchaço. É apresentada em cartelas com 24 pílulas, cada uma com 3mg de drosperinona e 0,02mg de etinilestradiol. Para que seja eficaz, é preciso que o medicamento tenha eficiência, é preciso tomar uma pílula por dia durante 24 dias e fazer uma pausa de 4 dias. TRATAMENTOS E CUIDADOS O método contraceptivo oral é o método mais utilizado atual- mente. Além da contracepção, a pílula anticoncepcional também é utilizada no tratamento de algumas doenças que acometem uma parcela das mulheres, tais como sangramentos irregulares, cólicas menstruais, TPM, diminuição do fluxo menstrual, endometriose e síndrome dos ovários policísticos. Existem estudos que apontam que a pílula anticoncepcional pode diminuir a incidência de câncer de ovário e de endométrio, doença benigna da mama, o desenvolvimento de cistos ovarianos funcionais. A terapia com contraceptivos orais também é utilizada no trata- mento de sangramento irregular ou excessivo, acne, hirsutismo (au- mento de pelos em locais não comumente femininos), dismenor- reia e endometriose. Para evitar alguns desses problemas, têm-se CIÊNCIAS DA NATUREZA 59 oferecido regimes chamados de regime contínuo, quando a mulher não para de usar o anticoncepcional, e regime estendido, quando a mulher o usa por períodos prolongados, que pode chegar até a 120 dias de uso sem fazer pausa. Esses regimes mostraram que tem benefícios e efeitos adver- sos. Um dos efeitos adversos é o “spotting” ou a perda de sangue (em pequena quantidade) durante o uso do anticoncepcional. A maioria das pacientes não está consciente dos benefícios dos anticoncepcionais para a saúde. Orientação e educação são neces- sárias para ajudar as mulheres a ficarem bem informadas a respeito de cuidados com a saúde e adesão aos tratamentos. DIAFRAGMA O diafragma é um anel flexível envolvido por uma borracha fina, que impede a entrada dos espermatozoides no útero. Para ha- ver o funcionamento correto do diafragma, a mulher deve colocá-lo dentro da vagina cerca de 15 a 30 minutos antes da relação, e reti- rá-lo 12 horas após o ato sexual. Esse método contraceptivo apresenta uma chance de falha de 10%. Por se tratar de um procedimento de barreira e não hormonal, não possui efeitos adversos e ainda apresenta uma grande vanta- gem: a redução do risco de câncer de colo do útero. Recomenda-se o uso conjunto com espermicida para proporcionar maior eficácia. Para começar a utilizar o diafragma como método contracepti- vo, a mulher deve visitar o ginecologista para saber o tamanho que melhor se adaptará à ela. O diafragma não é descartável, e pode ser utilizado por até 3 anos. Caso a mulher engravide ou ganhe peso, o diafragma deverá ser trocado. O cuidado com o anel é primordial para o seu funcionamento correto. Por isso, após a última relação sexual deve ser retirado, hi- gienizadocom água e armazenado corretamente. Esse método não pode ser utilizado durante a menstruação. O uso desse contraceptivo é indicado para mulheres que já ti- veram relações sexuais e não apresentam infecção no colo do útero, da vagina e urinária. Mulheres virgens, com alergia a látex ou que tenham problema no colo do útero não podem usar o diafragma. Para o uso correto do método é necessário conhecer bem o próprio corpo. Abaixo listamos instruções para o uso do diafragma: - Primeiramente urinar e lavar as mãos; - Colocar um pouco de creme espermicida dentro do diafragma - Dobrar o diafragma e introduzi-lo em direção ao fundo da va- gina; - Ajustar com o dedo indicador a borda do diafragma no osso pubiano. 6 Lesões colposcópicas típicas e atípicas Colposcopia é o método que permite a identificação da área acometida, sua extensão, e orienta o local de biópsia, contribuin- do para planejar o tratamento adequado. Além disso é eficaz no diagnóstico das lesões precursoras e nas fases mais incipientes do câncer invasor. O diagnóstico colposcópico da neoplasia cervical requer a com- preensão e o reconhecimento das quatro características principais: tonalidade e intensidade do acetobranqueamento, margens e con- torno superficial das áreas acetobrancas, padrão vascular e de co- loração de iodo. A colposcopia com biopsia dirigida é descrita como o método de referência ou “padrão de excelência” para o diagnós- 6 Fonte: www.gineco.com.br tico de lesões pré-neoplásicas do colo uterino (Cantor e Monaghan, 2000). A sensibilidade da colposcopia para diagnosticar a neoplasia cervical varia de 87% a 99% , mas a sua especificidade é inferior, entre 23% e 87% (Mitchell et al., 1998; Belinson et al., 2001). As características colposcópicas da neoplasia intraepitelial cer- vical (NIC) são descritas neste capítulo para dotar o aluno com as habilidades que permitiam que ele faça a distinção entre os acha- dos colposcópicos associados a NIC de alto grau (NIC 2-3) e as le- sões de baixo grau (NIC 1). Embora a existência de uma única carac- terística anormal não seja um forte indicador da presença de uma lesão, o surgimento de características anormais em uma área loca- lizada da zona de transformação aumenta a probabilidade de existir uma lesão. É evidente que é preciso uma boa habilidade na prática colposcópica para fazer a diferenciação de lesões de baixo grau, metaplasia escamosa imatura e certas condições inflamatórias. Em caso de dúvida, incentiva-se que o aluno obtenha biopsias e exami- ne os achados histopatológicos com o patologista. A estreita cola- boração com os patologistas é indispensável e útil para a melhoria de próprias habilidades de diagnóstico. Ao final deste capítulo, é apresentado um sistema que permite ao colposcopista classificar as anomalias. Este sistema é útil como base para escolher a(s) área(s) de biopsia. É essencial biopsiar as áreas piores, ou seja, aquelas que apresentam as alterações com as características mais graves. Os achados colposcópicos de uma zona de transformação anor- mal ou atípica podem compreender toda a zona de transformação mas geralmente apenas atingem parte dela e pode haver múltiplas lesões diferenciadas. Há em geral uma delimitação clara entre o epi- télio normal e anormal. As características colposcópicas que permitem diferenciar en- tre uma zona de transformação anormal e normal compreendem o seguinte: tonalidade de coloração das áreas acetobrancas; padrão superficial das áreas acetobrancas; limite de separação entre as áreas acetobrancas e o restante do epitélio; características vascula- res e alterações cromáticas depois da aplicação de iodo.7 É importante saber que o Departamento de Doenças de Condi- ções Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministé- rio da Saúde, alterou a nomenclatura de DST para «IST” (Infecções Sexualmente Transmissíveis) em 2016. Seguindo uma tendência já adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a mudança considera que o termo “doença” impli- ca em sintomas e sinais visíveis no organismo da pessoa contamina- da, enquanto “infecção” engloba também problemas assintomáti- cos (ou seja, enfermidades que não apresentam sintomas). Tipos de ISTs Como o nome indica, as ISTs englobam todas as doenças e in- fecções que são transmitidas por contato sexual (ou íntimo). Dentro dessa classe, há diversos tipos de patologias, que podem ser causa- das por bactérias, vírus ou parasitas. Entre as principais ISTs, estão: - Candidíase - Herpes genital - HPV (Papiloma Vírus Humano) - Sífilis - Tricomoníase 7 Fonte: www.screening.iarc.fr DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS http://www.gineco.com.br/ http://www.screening.iarc.fr/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 60 - Clamídia - Gonorreia - Hepatites virais Enquanto algumas são facilmente tratáveis, outras não têm cura definitiva, como é o caso do AIDS. Em geral, a realização do tratamento correto faz toda a diferença para a saúde de quem está ou tem algum desses problemas, assim como para o bem-estar de seus parceiros. Estudos recentes indicam que até mesmo o vírus ebola pode ser uma doença transmitida através do sexo, além do Mycoplasma genitalium, que nem sempre causa sintomas e os especialistas acre- ditam que grande parte da população o possui sem saber. Conheça abaixo 15 tipos de IST e como se prevenir de cada um deles: HPV O que é HPV HPV é a sigla para Papiloma Vírus Humano. Este vírus infecta uma camada do epitélio (parte interna da bexiga), podendo causar lesões benignas, como as verrugas genitais, ou malignas, como al- guns tipos de câncer, sendo o câncer de colo de útero e o câncer de anus os mais comuns. Existem mais de cem tipos de HPV e a grande maioria não cau- sa câncer ou grandes complicações, uma vez que são combatidos pelo próprio organismo. Porém, sempre é necessário a avaliação de um médico para diagnosticar o risco da doença em cada caso. Formas de contágio O HPV é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada pelo vírus, sendo que a principal forma é a sexual (oral- -genital, genital-genital ou mesmo manual-genital). Por isso, não é preciso ter penetração para contrair o vírus. Também é possível que a doença seja transmitida durante o parto. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos do vírus ao longo da vida, sendo que este número é ainda maior em homens. A maioria destas infecções é transitória, ou seja, combatida es- pontaneamente pelo corpo e regride entre seis meses até dois anos após a exposição ao vírus. Como prevenir e tratamentos “O uso de preservativos é sempre indicado, mas não previne totalmente contra a transmissão do HPV, uma vez que este pode ser transmitido pelo contato mais superficial durante as preliminares. Daí a importância da vacina como estratégia preventiva», diz Otelo Rigato Júnior, infectologista do Hospital Sírio Libanês. Existem dois tipos de vacinas para HPV disponíveis e ambas de- vem ser aplicadas em três doses. A idade preferencial para o uso da imunização é a pré-puberal, ou seja, logo antes da idade sexual- mente ativa, tanto em meninas quanto em meninos. Vale ressaltar que, em mulheres, o exame de papanicolau também é importante para detectar a doença precocemente. Cancro mole O que é cancro mole Cancro mole é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Haemophylus ducrey. “É caracterizada por lesões genitais múltiplas e ulceradas, dolorosas e que apresen- tam secreção tipo pus. É muito mais comum nos homens do que nas mulheres”, diz o infectologista Rigato Júnior. Nos homens, as feridas aparecem na glande (cabeça do pênis), enquanto que nas mulheres elas ficam na vagina e/ou no ânus. As lesões, no entanto, nem sempre são visíveis, mas provocam dor du- rante o sexo ou ao evacuar. Formas de contágioSegundo o especialista, a única via de transmissão é a sexual. Como prevenir e tratamentos A forma de se prevenir da doença é usando preservativo em todas as relações sexuais. Já o tratamento é feito com antibióticos. “Quando não tratada pode se complicar, ocasionando infec- ções secundárias da região genital. Essas complicações são raras, porque os pacientes, em geral, procuram atendimento médico pre- cocemente em decorrência da natureza dolorosa das lesões”, expli- ca o especialista. Aids (HIV) O que é Aids (HIV) HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, que é o causador da Aids. Logo, HIV e Aids não são a mesma coisa. A Aids é uma doença crônica potencialmente fatal, que aconte- ce quando a pessoa infectada pelo HIV tem o seu sistema imunoló- gico danificado pelo vírus. Isso interfere na habilidade do organismo de lutar contra os invasores que causam a doença, além de deixá-lo mais suscetível a infecções oportunistas, como a tuberculose. Hoje, uma pessoa com HIV consegue viver melhor do que anti- gamente, mas é necessário que ela faça o uso de medicamentos por toda vida, ou seja, ainda não há cura ou vacina contra o HIV. Formas de contágio “O HIV é transmitido principalmente por relações sexuais sem o uso do preservativo e compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas com sangue, o que é frequente entre usuários de drogas ilícitas”, diz Karina T. Miyaji, médica infectologista do Hospi- tal das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). “Outras vias de transmissão são por transfusão de sangue, o que é muito raro, uma vez que a testagem do banco de sangue é muito eficiente; e da mãe para o filho na gestação e, principalmen- te, no momento do parto, o que pode ser prevenido com o trata- mento adequado da gestante e do recém-nascido”, afirma. Como prevenir e tratamentos A melhor forma de se prevenir contra a infecção do HIV é usan- do o preservativo em todas as relações sexuais (vaginais, orais ou anais) e não compartilhando agulhas e seringas. Além disso, é im- portante fazer o pré-natal corretamente, uma vez que serão solici- tados exames para verificar a presença ou não do vírus. CIÊNCIAS DA NATUREZA 61 HTVL O que é HTLV HTLV é a sigla de Vírus Linfotrópico T humano, da mesma famí- lia do HIV, e que pode causar infecção crônica nos seres humanos. Existem dois tipos: HTLV-1 (que pode causar tipo raro de leu- cemia, a de células T) e HTLV-2, sendo que ambos podem causar mielopatia, um tipo de paralisia decorrente da infecção da medula espinhal. Contudo, não são todas as pessoas infectadas pelo HTLV que desenvolverão estas doenças. Formas de contágio O HTLV, assim como o HIV, é transmitido por via sexual, via ver- tical (da mãe para o bebê durante a gestação e principalmente no aleitamento), e por via sanguínea. Como prevenir e tratamentos A principal forma de se prevenir o HTLV é usando preservativos em todas as relações sexuais, além de não reutilizar objetos perfu- rocortantes e fazer o pré-natal adequado. “Não existe tratamento para o HTLV. Os portadores devem ser acompanhados periodicamente com o objetivo de se verificar se houve o aparecimento de suas complicações”, diz o infectologista Rigato Júnior. Gonorreia O que é gonorreia Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a gonorreia é a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis. Ela afeta tanto homens quanto mulheres e pode ser transmitida pelo contato sexual vaginal, oral ou anal. A bactéria Neisseria gonorrhoeae, que causa a doença, pode infectar a região genital masculina e feminina, além do reto, olhos, garganta e articulações. Formas de contágio A gonorreia é transmitida em qualquer contato sexual despro- tegido com a pessoa infectada. Também pode ser transmitida de mãe para filho no momento do nascimento ou ainda dentro do úte- ro. Nas mulheres, os sintomas demoram mais a aparecer do que nos homens e, para ambos, podem haver consequências graves, como infertilidade, infecções e maior risco de contrair HIV. Como prevenir e tratamentos Para se prevenir, sempre faça sexo com preservativos; evite ter relações sexuais com alguém que está com gonorreia (até que a pessoa esteja completamente tratada); e, caso você tenha sido in- fectado, converse com seus parceiros para que eles procurem um médico para verificar se também estão com a bactéria. Por ser uma infecção bacteriana, a gonorreia é tratada com an- tibióticos e deve-se evitar relações sexuais neste período. O médi- co, depois de fazer o diagnóstico, indicará qual o melhor remédio para cada caso. A gonorreia tem cura e não oferece grandes compli- cações quando o tratamento é realizado precocemente e de forma adequada. Clamídia O que é clamídia A clamídia também é uma DST causada por bactéria, a Chlamy- dia trachomatis, que é transmitida por via sexual vaginal, anal ou oral, e de mãe para filho. A doença costuma ser assintomática (não apresentar sintomas) e pode afetar tanto homens quanto mulheres. Formas de contágio A clamídia é transmitida por meio do sexo, seja vaginal, anal ou oral. Também pode haver o contágio da DST por via vertical, ou seja, de mãe para filho durante a gestação. Como prevenir e tratamento A clamídia é tratada com antibióticos, receitados pelo médico de acordo com o quadro e história do paciente. Por ser uma doença assintomática (sem sintomas), ao descobrir que o parceiro está com a doença, é necessário procurar ajuda médica, mesmo sem apre- sentar nenhum sintoma, para que ele verifique e também indique um antibiótico para evitar complicações. É uma DST curável com tratamento correto, mas, caso não seja diagnosticada rapidamente, ela pode causar uma série de complica- ções, como DIP, epididimite, inflamação na próstata e artrite reati- va. “Ela também pode causar problemas nas trompas, infertilidade, gravidez ectópica ou simplesmente não deixar o espermatozoide subir”, diz Granato. Também é importante saber que ser infectado pela doença uma vez não torna a pessoa imune ao problema. Ou seja, no caso de fazer novamente sexo desprotegido com alguém infectado, a pessoa pode voltar a ter clamídia. Mycoplasma genitalium O que é Mycoplasma genitalium Mycoplasma genitalium é uma bactéria de transmissão sexual que causa uma doença semelhante a clamídia e a gonorreia, mas que provoca uma secreção mais transparente. Os especialistas acreditam que muitas pessoas podem ter a do- ença e não saber, uma vez que ela raramente apresenta sintomas. Além disso, no caso das mulheres, é ainda mais difícil que ela seja notada, pois muitas têm uma secreção normal, então o sintoma passa desapercebido. Formas de contágio Um estudo publicado no International Journal of Epidemology mostrou que a maioria dos homens e mulheres com a doença apre- sentaram comportamentos sexuais considerados de risco, como um grande número de parceiros sexuais e sexo desprotegido no último ano. Algumas das mulheres infectadas disseram apresentar sangra- mento após o ato sexual, mas 56,2% das mulheres e 94,4% dos ho- mens não reportaram nenhum sintoma de DST. Como prevenir e tratamentos “O Mycoplasma é uma bactéria um pouco diferente, ela não aparece em um exame comum. Então, caso o médico não desconfie dela e peça um exame específico, o problema não será detectado», diz Celso Granato, infectologista do Fleury Medicina e Saúde. CIÊNCIAS DA NATUREZA 62 “Dentre as complicações, homens e mulheres podem ter dor que vão além da parte mais baixa do trato genital. Pode acontecer uma inflamação de ovário, lesão nas trompas, assim como uma in- fecção no epidídimo ou na próstata, e uretrite”, completa o especia- lista. Por isso, é importante fazer exames periodicamente e seguir o tratamento indicado pelo médico à risca. Doença Inflamatória Pélvica (DIP) O que é Doença InflamatóriaPélvica A Doença Infamatória Pélvica (DIP) é uma DST que afeta mu- lheres, principalmente as que já têm alguma outra infecção sexual- mente transmissível não tratada, como gonorreia e clamídia. Ela pode ser causada por diversas bactérias que acarretam in- flamações nos órgãos sexuais internos da mulher, como útero, ová- rios e trompas. Formas de contágio A infecção, normalmente, ocorre após a relação sexual despro- tegida, por causa do contato com as bactérias durante o ato. Mas também pode ocorrer depois de procedimentos médicos, como in- serção do Dispositivo Intra-Uterino (DIU), curetagem e biópsia do útero. Como prevenir e tratamentos “Como muito frequentemente a DIP é causada por uma infec- ção da clamídia, que subiu para os órgãos sexuais internos da mu- lher, a prevenção desta doença é feita basicamente se prevenindo da clamídia, além de ficar atenta à qualquer mudança na secreção e relatar o quanto antes ao seu ginecologista”, afirma Granato. Sífilis O que é sífilis A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se manifestar em três estágios: nos dois primeiros, acontecem os sin- tomas e ela é mais contagiosa; no terceiro, não há sintomas - o que faz parecer que a pessoa está curada (mas não está). Formas de contágio A sífilis, além de ser transmitida pela relação sexual desprote- gida e pela transfusão com sangue contaminado, também pode ser passada através do beijo na boca quando há feridas nas mucosas - apesar de ser uma forma mais rara. Além disso, ela pode ser transmitida da mãe para o filho. Por isso, é importante fazer o pré-natal corretamente, em que a ges- tante será testada para a doença na primeira consulta, no terceiro trimestre e no momento do parto. Como prevenir e tratamentos A melhor forma de se prevenir da sífilis é através do uso de preservativos em todas as relações sexuais, inclusive a oral. A trans- missão através do beijo na boca é bastante rara, mas pode aconte- cer quando há feridas, que não precisam estar do lado de fora ou visíveis para ocasionar o problema. Por esta razão, é bom sempre ter acompanhamento médico e realização periódica de exames para verificar esta condição. A sífilis é muito perigosa quando não tratada, podendo se espalhar pelo corpo inteiro e ocasionando, por exemplo, AVC, meningite, surdez, problemas de visão, demência, aneurisma, aborto ou morte do bebê durante a gestação ou nos primeiros dias de vida. Ebola O que é ebola A ebola é uma doença ocasionada por um vírus de mesmo nome, que é altamente infeccioso e pode atingir uma taxa de leta- lidade de até 90%. O vírus é original da África, que de tempos em tempos sofre com surtos da doença. O seu principal sintoma é febre hemorrágica, que causa sangra- mento dos órgãos internos e pode levar à morte. Formas de contágio As formas de contágio mais comuns do vírus ebola são por meio de contato direto com os fluídos de um humano ou animal in- fectado, o que inclui sangue, saliva, sêmen, vômito, urina ou fezes. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, em outubro de 2015, indicou que foi possível detectar o vírus no sêmen de dois terços dos homens participantes seis meses após eles terem sido considerados curados da doença. Já 26% dos homens com o sê- men coletado de sete a nove meses após a cura do ebola, também continha o vírus. “Considerando que o ebola também é transmitido de forma indireta, pelo contato com o sêmen da pessoa que foi infectada de- pois de tanto tempo, ele pode ser considerado uma DST. Contudo, estes são casos excepcionais e ainda não sabemos o impacto que isso pode ter na população”, afirma Celso Granato. Como prevenir e tratamentos A melhor forma de se prevenir do ebola é não ir aos locais com surto da doença, evitar o contato com pessoas infectadas ou com o corpo daquelas que não resistiram, sem a devida proteção. Além disso, segundo o médico, após a cura do ebola era dada a orientação de não fazer sexo sem preservativo pelos três meses seguintes. Porém, com a descoberta da presença do vírus tanto tempo depois no sêmen, ainda não há um consenso do tempo re- comendado. Herpes O que é herpes Herpes simples é uma infecção viral, que se manifesta através do surgimento de pequenas bolhas frequentemente ao redor dos lábios ou genitais, mas que também podem surgir em qualquer re- gião do corpo. Normalmente, a herpes labial é causada pelo vírus da herpes simples tipo 1, o HSV1; e a herpes genital pelo HSV2. Entretanto, ambos os tipos podem provocar tanto o herpes labial quanto o ge- nital. CIÊNCIAS DA NATUREZA 63 Formas de contágio “Tanto a herpes genital quanto a herpes labial podem ser trans- mitidas mesmo nos períodos entre as crises, não apenas quando os sintomas estão visíveis, quando há lesão”, explica o infectologista Granato. “Em todos os tipos de relação, é possível contrair o vírus. En- tretanto, não é porque o parceiro tem herpes crônica que necessa- riamente esta pessoa terá também”, comenta. A transmissão por objetos infectados, como toalhas e talheres, também pode ocorrer, mas é bastante rara. Como prevenir e tratamentos Ainda não há vacina para a herpes, portanto a única forma de realmente se prevenir da infecção é não tendo nenhum tipo de con- tato sexual desprotegido com quem tem o vírus. Donovanose O que é donovanose A donovanose é uma infecção que afeta a pele e mucosas da região genital, da virilha e do ânus, causando úlceras e destruindo a pele infectada. A infecção é causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, sendo caracterizada por caroços e feridas vermelhas que sangram fácil e não causam dor, fazendo com que o paciente só procure aju- da quando o caso já está mais avançado. Formas de contágio Segundo Lucy Nagm, infectologista do Dr. Consulta, ainda não se sabe ao certo como a doença é transmitida, apenas que ela está frequentemente associada a uma infecção sexual. Como prevenir e tratamentos De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, o uso do preservativo em todas as relações sexuais, sejam vaginais, orais ou anais, é importante para prevenir a doença. Entretanto, isso só será eficaz se a área infectada estiver coberta pela camisinha, uma vez que, se houver contato com uma ferida aberta, a donovanose pode ser transmitida. Já o tratamento é feito exclusivamente com antibióticos indica- dos pelo médico. Hepatites virais O que são hepatites virais Hepatite é qualquer degeneração do fígado por causas diver- sas. As mais comuns são as infecções pelos vírus do tipo A, B ou C e o abuso do consumo de álcool. Formas de contágio Os tipos hepatite B e hepatite C são transmitidos principalmen- te pelo sangue, sendo comum em usuários de drogas injetáveis e pacientes submetidos a material cirúrgico contaminado. A hepatite B também é frequentemente transmitida por via sexual. Os tipos B e C de hepatite usualmente não apresentam sinto- mas, o que torna comum que as pessoas só saibam que têm a doen- ça quando fazem, por acaso, algum teste para estes vírus. Como prevenir e tratamentos Além de fazer sexo com camisinha, se pode prevenir a infecção pelas hepatites B e C não compartilhando alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas, além de todo o controle efetivo dos bancos de sangue, órgãos e sêmen. Também há vacina disponível para a prevenção da hepatite B, mas não para o tipo C da doença. Linfogranuloma venéreo O que é linfogranuloma venéreo Linfogranuloma venéreo é uma infecção crônica que se carac- teriza pelo aparecimento de uma ferida ou elevação na pele da re- gião genital, ou gânglios da virilha genital. Dura de três a cinco dias e não é facilmente identificada pelos pacientes. Formas de contágio A forma de contágio se dá por relação sexual vaginal, anal ou oral com a pessoa infectada. Como prevenire tratamentos A forma mais garantida de se prevenir da doença é utilizando o preservativo em todas as relações e fazendo a higiene correta da região genital. No tratamento, são utilizados antibióticos, mas, por normal- mente ter diagnóstico tardio, é comum haver sequelas como es- treitamento do reto e elefantíase dos órgãos sexuais. O parceiro da pessoa infectada também deve ser tratado. Tricomoníase O que é tricomoníase A tricomoníase uma infecção causada pelo protozoário Tricho- monas vaginalis que afeta mais comumente as mulheres. Nelas, a doença ataca o colo de útero, a vagina e a uretra. Já nos homens, a tricomoníase ataca o pênis. Formas de contágio A transmissão da tricomoníase se dá por meio do contato sexu- al ou íntimo com as secreções de uma pessoa contaminada, princi- palmente nas relações entre homem/mulher e mulher/mulher. Ela causa micro lesões e dores e pode favorecer a infecção por outras DSTs. Como prevenir e tratamentos A forma mais eficaz de se prevenir contra a tricomoníase é atra- vés do uso de preservativos em todas as relações sexuais, sejam va- ginais, anais ou orais. No caso de descoberta da infecção, o parceiro também deve ser tratado. Nas relações entre mulheres ou homem/ mulher, é possível utilizar a camisinha feminina.8 8 Fonte: www.minhavida.com.br http://www.minhavida.com.br/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 64 O que é a água? A água é uma das substâncias mais comuns em nosso planeta. Toda a matéria (ou a substância) na natureza é feita por partículas muito pequenas, invisíveis a olho nu, os átomos. Cada tipo de átomo pertence a um determinado elemento químico. Os átomos de oxigênio, hidrogênio, carbono e cloro são alguns exemplos de elementos químicos que formam as mais diversas substâncias, como a água, o gás carbônico, etc. Os grupos de átomos unidos entre si formam moléculas. Cada molécula de água, por exemplo, é formada por dois átomos de hidrogê- nio e um de oxigênio. A molécula de água é representada pela fórmula química H2O. Em cada 1 g de água há cerca de 30 000 000 000 000 000 000 000 (leia: “trinta sextilhões”) de moléculas de água. Estados físicos da matéria Quando nos referimos à água, a ideia que nos vem de imediato à mente é a de um líquido fresco e incolor. Quando nos referimos ao ferro, imaginamos um sólido duro. Já o ar nos remete à ideia de matéria no estado gasoso. Toda matéria que existe na natureza se apresenta em uma dessas formas - sólida, líquida ou gasosa. É o que chamamos de estados físicos da matéria. No estado sólido, as moléculas de água estão bem “presas” umas às outras e se movem muito pouco: elas ficam “balançando”, vi- brando, mas sem se afastarem muito umas das outras. Não é fácil variar a forma e o volume de um objeto sólido, como a madeira de uma porta ou o plástico de que é feito uma caneta, por exemplo. O estado líquido é intermediário entre o sólido e o gasoso. Nele, as moléculas estão mais soltas e se movimentam mais que no estado sólido. Os corpos no estado líquido não mantém uma forma definida, mas adotam a forma do recipiente que os contém, pois as moléculas deslizam umas sobre as outras. Na superfície plana e horizontal, a matéria, quando em estado líquido, também se mantém na forma plana e horizontal. No estado gasoso a matéria está muito expandida e, muitas vezes, não podemos percebê-la visualmente. Os corpos no estado gasoso não possuem volume nem forma próprios e também adotam a forma do recipiente que os contém. No estado gasoso, as moléculas se mo- vem mais livremente que no estado líquido, estão muito mais distantes umas das outras que no estado sólido ou líquido, e se movimentam em todas as direções. Frequentemente há colisões entre elas, que se chocam também com a parede do recipiente em que estão. É como se fossem abelhas presas em uma caixa, e voando em todas as direções. A ÁGUA; SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS; ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA CIÊNCIAS DA NATUREZA 65 Em resumo: no estado sólido as moléculas de água vibram em posições fixas. No estado líquido, as moléculas vibram mais do que no estado sólido, mas dependente da temperatura do líquido (quanto mais quente, maior a vibração, até se desprenderem, passando para o estado gasoso, em um fenômeno conhecido como ebulição). Consequentemente, no estado gasoso (vapor) as moléculas vibram forte- mente e de forma desordenada. Propriedades da água A água é um solvente No ambiente é muito difícil encontrar água pura, em razão da facilidade com que as outras substâncias se misturam a ela. Mesmo a água da chuva, por exemplo, ao cair, traz impurezas do ar nela dissolvidas. Uma das importantes propriedades da água é a capacidade de dissolver outras substâncias. A água é considerada solvente universal, porque é muito abundante na Terra e é capaz de dissolver grande parte das substancias conhecidas. Se percebermos na água cor, cheiro ou sabor, isso se deve a substâncias (líquidos, sólidos ou gases) nela presentes, dissolvidas ou não. As substâncias que se dissolvem em outras (por exemplo: o sal) recebem a denominação de soluto. A substância que é capaz de dis- solver outras, como a água, é chamada de solvente. A associação do soluto com o solvente é uma solução. A propriedade que a água tem de atuar como solvente é fundamental para a vida. No sangue, por exemplo, várias substâncias - como sais minerais, vitaminas, açucares, entre outras - são transportadas dissolvidas na água. Nas plantas, os sais minerais dissolvidos na água são levados das raízes às folhas, assim como o alimento da planta (açúcar) também é transportado dissolvido em água para todas as partes desse organismo. No interior dos organismos vivos, ocorrem inúmeras reações químicas indispensáveis a vida, como as que acontecem na digestão. A maioria dessas reações químicas no organismo só acontece se as substâncias químicas estiverem dissolvidas em água. A água como regulador térmico A água tem a capacidade de absorver e conservar calor. Durante o dia, a água absorve parte do calor do Sol e o conserva até a noite. Quando o Sol está iluminando o outro lado do planeta, essa água já começa a devolver o calor absorvido ao ambiente. Ela funciona, assim, como reguladora térmica. Por isso, em cidades próximas ao litoral, é pequena a diferença entre a temperatura durante o dia e à noite. Já em cidades distantes do litoral, essa diferença de temperatura é bem maior. É essa propriedade da água que torna a sudorese (eliminação do suor) um mecanismo importante na manutenção da temperatura corporal de alguns animais. Quando o dia está muito quente, suamos mais. Pela evaporação do suor eliminado, liberamos o calor excedente no corpo. Isso tam- bém ocorre quando corremos, dançamos ou praticamos outros exercícios físicos. Flutuar ou afundar? Você já se perguntou por que alguns objetos afundam na água? Porque um prego afunda e um navio flutua na água? O que faz com que a água sustente alguns objetos, de forma que eles consigam flutuar nela? CIÊNCIAS DA NATUREZA 66 Entender porque alguns objetos afundam na água enquanto outros flutuam é muito importante na construção de navios, sub- marinos etc. Se na água um prego afunda e um navio flutua, está claro que isso não tem nada a ver com o fato de o objeto ser leve ou pesado, já que um prego tem algumas gramas e um navio pesa toneladas. Na água podemos erguer uma pessoa fazendo pouco esforço, enquanto fora da água não conseguiríamos nem movê-la do chão. Isso acontece porque a água empurra o corpo de uma pessoa para cima. A força que a água exerce nos corpos mergulhados de baixo para cima (como um “empurrão”), é denominada empuxo. A quantidade de água deslocada pelos corpos é um importante fator para a flutuação ou afundamento dos objetos. O prego, por ter pouco volume, desloca um mínimo de água quando mergulhado. Já o navio por ser muito volumoso, desloca uma grandequantidade de água. Então seu “peso” fica equilibrado pela força com que a água o “empurra”, ou seja, pelo empuxo. Quando o empuxo (E) é igual ao peso (P) o objeto flutua, porém quando o peso é maior que o empuxo o objeto afunda. O submari- no quando quer afundar aumenta seu peso enchendo seus tanques de água do mar. A água exerce pressão Você já tentou segurar com o dedo o jato de água que sai de uma mangueira? O que aconteceu? A água impedida pelo dedo de fluir, exerce pressão e sai com mais força. Todos os líquidos em geral exercem pressões. Uma maneira de demonstrar a pressão exercida por uma coluna de “líquido” é efetu- ar orifícios numa garrafa plástica de 2 litros (destas de refrigerante) e enchê-la de água. • A experiência ilustrada abaixo indica que a pressão exer- cida por um líquido aumenta com a profundidade, pois a vazão do primeiro furo é menor que a vazão dos outros dois. Pode-se verifi- car que quanto maior a profundidade ou altura de líquido, o filete de água atinge uma maior distância. Diz-se que a pressão é maior e depende da profundidade do orifício considerado. Pressão e mergulho Quando uma pessoa mergulha, pode sentir dor na parte inter- na da orelha. Você sabe por que isso acontece? Novamente, a expli- cação está relacionada à pressão que a água exerce. Quando mergulhamos, à medida que nos deslocamos para o fundo, aumenta a altura da coluna líquida acima de nós. Quanto maior a altura dessa coluna, maior será a pressão exercida pelo lí- quido sobre nós. Por essa razão, nas profundezas dos oceanos a pressão da água é grande e o homem não consegue chegar até lá sem equipamentos de proteção contra a pressão. Tensão superficial Uma outra característica da água no estado líquido é a tensão que ela representa em sua superfície. Isso acontece porque as mo- léculas da água se atraem, mantendo-se coesas (juntas), como se formassem uma finíssima membrana da superfície. O princípio de Pascal Pascal foi um cientista frânces que viveu de 1623 a 1662. Entre muitas colaborações para a ciência, formulou o seguinte princípio: “A pressão exercida sobre um líquido é transmitida integralmente para todos os pontos do líquido”. Quando empurramos fortemente uma rolha para dentro de uma garrafa que contém líquido, essa pressão é transmitida inte- gralmente ao líquido existente no recipiente. A pressão da água dentro da garrafa aumenta e empurra a outra rolha para fora. Presente em todos os momentos do nosso cotidiano, os rótu- los, além de essenciais para identificação, também são obrigatórios para que os consumidores saibam o que estão ingerindo. A prática de rotulagem pode ser caracterizada pelas informações escrita ou gravadas na embalagem de um alimento. Podem existir dois tipos de rótulos: os visuais, como imagens, ou textuais, como legendas e matéria descritiva. É indispensável que na descrição das infor- mações nutricionais tenham todas os dados necessários para seu consumo. Antes do lançamento de um produto é necessário que todas as informações estejam de acordo com as leis estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). É obrigatório a rotulagem de produtos que são embalados na ausência do cliente e prontos para serem oferecidos para consumo. Nesse artigo você vai entender todos esses processos estabele- cidos pela vigilância sanitária. Fique com a gente! Contexto da rotulagem de alimentos no Brasil e no mundo O Brasil segue as regulamentações específicas de rotulagem de alimentos impostas pelo Mercosul desde 1998, assim como os pa- íses membros da União Europeia seguem a legislação existente na mesma desde 1996. Tanto no Brasil, como em países europeus, há um reconhecimento da relação existente entre rótulos alimentícios e saúde, por isso os Ministérios da Saúde estiveram envolvidos na elaboração dessas normas. Em relação à comparação entre União Europeia e Brasil, as le- gislações são consensuais no que se refere à descrição nutricional – ambas exigem como descrição mínima com calorias, proteínas, glicídios, lipídios, e fibras. Há também semelhança nas legislações relacionadas à propaganda nutricional. Como por exemplo, no Canadá, o rótulo padronizado com in- formações nutricionais foi introduzido como parte das regulamen- tações aprovadas apenas em 2003 e tornou-se obrigatório para a maioria dos produtos alimentícios pré-embalados em 12 de dezem- bro de 2005. No Brasil, a regulamentação de suplementos é feita pela Agên- cia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e, nos Estados Unidos, pela Food and Drug Administration (FDA). Nos EUA, os únicos micronutrientes que devem ser incluídos em todos os rótulos são vitamina A, vitamina C, cálcio e ferro, além disso, há uma exigência de que os ingredientes sejam listados em ordem decrescente de quantidade. RÓTULOS DE PRODUTOS E ALIMENTOS; EMBALAGENS; PLÁSTICO, VIDRO E SEUS USOS CIÊNCIAS DA NATUREZA 67 Informações obrigatórias em rótulos Segundo a ANVISA, certas informações são obrigatórias de constar no rótulo. Esses dados nutricionais se aplicam a todos os alimentos e bebidas comercializados e embalados na ausência do cliente e prontos para oferta ao consumidor. Porém, alguns produtos estão isentos da rotulagem tradicional, como: Água mineral e outras águas destinadas ao consumo; Bebidas alcoólicas; Aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia; Especiarias, como pimenta do reino, canela e outros; Vinagres; Sal; Café, erva mate, chá e outras ervas sem adição de outros in- gredientes; Os alimentos preparados e embalados em restaurantes e esta- belecimentos comerciais, prontos para o consumo, como por exem- plo, sanduíches embalados, sobremesas do tipo flan ou mousses ou saladas de frutas e outras semelhantes. Os produtos fracionados nos pontos de venda a varejo, comer- cializados como pré-medidos. Alimentos fatiados como queijos, presuntos, salames, mortadelas, entre outros. As frutas, vegetais e carnes in natura, refrigerados ou conge- lados; Produtos que possuem embalagens com menos de 100 cm². Agora conheça as informações obrigatórias, salvo essas exce- ções: Denominação de venda A primeira informação que um rótulo deve conter deve ser uma identificação adequada de acordo com a caracterização téc- nica. Por exemplo, no caso de um nuggets, deve ser utilizada no rótulo a denominação “carne mecanicamente separada de frango”. Essas Informações podem ser encontradas no regulamento técnico, um documento que estabelecem as características ou mé- todos de produção de um alimento. Lista de ingredientes Listar os ingredientes é uma das etapas mais essenciais da ro- tulagem de alimentos e todas as substâncias que entram na com- posição do produto devem ser expostas. Eles devem ser descritos após o escrito “Ingredientes:” ou “ingr.:” e devem estar em ordem decrescente de proporção, ou seja, do ingrediente presente em maior quantidade para a presente em menor porção. Alimentos de ingrediente único, como açúcar ou café, ficam dispensados dessa obrigação. Devemos lembrar que produtos contendo ou não trigo, aveia, centeio, malte, cevada e seus derivados devem ter escritos em sua embalagem o aviso “contém glúten” ou “não contém glúten”. Assim como devem ser expressos todos os ingredientes que podem cau- sar qualquer tipo de alergia ou dano ao consumidor, como o leite. Conteúdo líquido Todo o conteúdo líquido de um produto deve ser expresso em massa (gramas ou quilos) ou em volume (mL ou litro). Os algaris- mos desta indicação também devem respeitar certas regras dispos- tas pelo INMETRO, órgão responsável pela unidade dos serviços. A altura mínima dos algarismos deve estar em proporção com o con- teúdo líquido. Veja um exemplo: conteúdos líquidos maiores que 1000 gramas ou mililitros devem devem apresentar altura mínimados algarismos de 6 milímetros. No caso específico de conservas, é necessário informar também a massa do conteúdo drenado para ajudar o consumidor a entender o peso da embalagem e outros produtos adicionais. Informações e tabela nutricional A tabela nutricional é um dos pontos mais importantes na ro- tulagem de alimentos. É necessário que todas as propriedades nutricionais do pro- duto venham expressas na embalagem. Essas informações devem englobar, obrigatoriamente, a quantidade do valor energético, de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gordu- ras trans, fibra alimentar e sódio. Para deixar as informações ainda mais acessíveis, os dados nu- tricionais devem apresentar, além da medida em gramas ou milili- tros, o correspondente em medida caseira, como “uma colher” ou “uma xícara”. Além disso, deve ser indicado o valor diário de cada nutriente, sendo quanto daquele nutriente você precisa consumir na sua alimentação diária. Todos esses dados devem vir já calcu- lados. Prazo de validade, identificação do lote e da origem Todo produto deve ter prazo de validade escrito na embalagem por meio de expressões como “consumir antes de…” ou “vencimen- to em”. Se o produto vence em menos de três meses, o prazo de validade deve ser expresso em dia e mês e, se superior a isso, mês e ano. O alimento vendido deve ser de fácil rastreamento através de um código para identificação do lote que foi produzido e também deve vir expresso na embalagem o local onde o produto foi fabrica- do, contendo endereço completo com cidade e país. Instruções sobre modo de preparo na rotulagem de alimentos Todo alimento deve ter um armazenamento e preparo coeren- te com sua origem. Por isso, é essencial que haja instruções sobre o modo de preparo. Nesses normas, deve-se incluir fatores como descongelamento ou qualquer outro tratamento que deva ser rea- lizado pelo consumidor. A satisfação do consumidor é diretamente proporcional à qua- lidade e adequação da embalagem ao produto que consta dentro dela. Por isso, a rotulagem de alimentos é tão importante quanto ter a formulação do produto definida. Além de garantir a confor- midade com a ANVISA e INMETRO e viabilizar a correta comercia- lização e distribuição do seu produto, ela informa ao seu cliente o que ele está consumindo e a procedência, impactando no número de vendas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 68 O que não pode ter no seu rótulo Depois de saber todos os dados essenciais no rótulo do seu produto, você deve saber quais informações não podem constar nessa gama. Para que o consumidor não seja induzido ao erro ou enganado, a ANVISA proíbe que os rótulos de produtos industriali- zados tragam dados que não possam ser comprovados. Além disso, é proibida a indicação de uma substituição erra- da quando o rótulo induz o consumidor a pensar que um alimento pode substituir outro, quando suas composições nutricionais são diferentes. Exemplo: um doce de frutas não substitui o consumo da própria fruta. Para evitar que as empresas se utilizem de informações erra- das, a ANVISA proíbe conteúdo que mostre efeitos e propriedades que não possui, como indicar que aquele alimento diminui o risco de doenças, evita problemas ósseos ou tem propriedades medici- nais, terapêuticas, emagrecedoras, entre outras. Também é proibido o destaque da presença ou ausência de in- gredientes comuns em alimentos de igual natureza, como indicar “não contém colesterol” em óleos vegetais. Nova proposta de rotulagem Em 2019, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) re- cebeu sugestões sobre a revisão das atuais normas brasileiras de ro- tulagem nutricional de alimentos. As consultas públicas receberam cerca de 9,5 mil contribuições da sociedade. Nas consultas a Anvisa propõe que os fabricantes tornem mais legíveis os dados nutricionais de seus produtores, adotando um modelo de rótulo frontal para os alimentos com alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio que são ingredientes asso- ciados a algumas das principais doenças crônicas não transmissí- veis, como diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão. Para facilitar a visualização dos dados, os fabricantes deverão utilizar letras maiores quando seu alimento contiver alto teor des- tes ingredientes. O desenho de uma lupa chamando a atenção para tal informação deverá constar na parte frontal do produto, na me- tade superior. Outra novidade incorporada à tabela nutricional é a declaração padronizada de informações nutricionais por 100 gramas (g) ou 100 mililitros (ml), em complementação à atual declaração por porções. A proposta prevê também a inclusão do número de porções por embalagem do produto. A ideia é facilitar para o consumidor a com- paração entre os conteúdos, sem a necessidade de ficar fazendo cálculos. Hoje essas medidas permitem uma grande variação, o que dificulta o entendimento das informações. Conclusão Conhecer as regras que regem a rotulagem de alimentos no Brasil é extremamente importante para qualquer um que tenha um negócio ou queira atuar no setor de alimentos. Agora que você entendeu mais sobre esse assunto, temos uma dica caso você queira ser referência na indústria alimentícia: conhe- ça nossos cursos específicos da área. Fonte: https://blog.ifope.com.br/rotulagem-de-alimentos/ Termologia (termo = calor, logia = estudo) é a parte da Física encarregada de estudar o calor e seus efeitos sobre a matéria. A termologia está intimamente ligada à energia térmica, estudando a transmissão dessa energia e os efeitos produzidos por ela quando é fornecida ou retirada de um corpo. Temperatura é a grandeza que mede o estado de agitação das moléculas. Quanto mais quente estiver uma matéria, mais agitadas estarão suas moléculas. Assim, a temperatura é o fator que mede a agitação dessas moléculas, determinando se uma matéria está quente, fria, etc. Calor é a energia que flui de um corpo com maior temperatura para outro de menor temperatura. Como sabemos, a unidade de representação de qualquer forma de energia é o joule (J), porém, para designar o calor, é adotada uma unidade prática denominada caloria, em que 1 cal = 4,186 J. Equilíbrio térmico é o estado em que a temperatura de dois ou mais corpos são iguais. Assim, quando um corpo está em equilíbrio térmico em relação a outro, cessam os fluxos de troca de calor en- tre eles. Ex.: Quando uma xícara de café é deixada por certo tempo sobre uma mesa, ela esfriará até entrar em equilíbrio térmico com o ambiente em que está. TERMOMETRIA Chamamos de Termologia a parte da física que estuda os fenô- menos relativos ao calor, aquecimento, resfriamento, mudanças de estado físico, mudanças de temperatura, etc. Termometria é a parte da termologia voltada para o estudo da temperatura, dos termômetros e das escalas termométricas. • Temperatura Temperatura é a grandeza que caracteriza o estado térmico de um corpo ou sistema. Fisicamente o conceito dado a quente e frio é um pouco dife- rente do que costumamos usar no nosso cotidiano. Podemos de- finir como quente um corpo que tem suas moléculas agitando-se muito, ou seja, com alta energia cinética. Analogamente, um corpo frio, é aquele que tem baixa agitação das suas moléculas. Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema pode-se dizer que está se aumentando o estado de agitação de suas molé- culas. Ao tirarmos uma garrafa de água mineral da geladeira ou ao retirar um bolo de um forno, percebemos que após algum tempo, ambas tendem a chegar à temperatura do ambiente. Ou seja, a água “esquenta” e o bolo “esfria”. Quando dois corpos ou sistemas atingem o mesma temperatura, dizemos que estes corpos ou siste- mas estão em equilíbrio térmico. • Escalas Termométricas Para que seja possível medir a temperatura de um corpo, foi desenvolvido um aparelho chamado termômetro. O termômetromais comum é o de mercúrio, que consiste em um vidro graduado com um bulbo de paredes finas que é ligado a um tubo muito fino, chamado tubo capilar. A TEMPERATURA CIÊNCIAS DA NATUREZA 69 Quando a temperatura do termômetro aumenta, as molécu- las de mercúrio aumentam sua agitação fazendo com que este se dilate, preenchendo o tubo capilar. Para cada altura atingida pelo mercúrio está associada uma temperatura. A escala de cada termômetro corresponde a este valor de al- tura atingida. Escala Celsius É a escala usada no Brasil e na maior parte dos países, oficiali- zada em 1742 pelo astrônomo e físico sueco Anders Celsius (1701- 1744). Esta escala tem como pontos de referência a temperatura de congelamento da água sob pressão normal (0 °C) e a temperatura de ebulição da água sob pressão normal (100 °C). Escala Fahrenheit Outra escala bastante utilizada, principalmente nos países de língua inglesa, criada em 1708 pelo físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), tendo como referência a temperatura de uma mistura de gelo e cloreto de amônia (0 °F) e a temperatura do corpo humano (100 °F). Em comparação com a escala Celsius: 0 °C = 32 °F 100 °C = 212 °F Escala Kelvin Também conhecida como escala absoluta, foi verificada pelo físico inglês William Thompson (1824-1907), também conhecido como Lorde Kelvin. Esta escala tem como referência a temperatura do menor estado de agitação de qualquer molécula (0 K) e é calcu- lada a partir da escala Celsius. Por convenção, não se usa “grau” para esta escala, ou seja 0 K, lê-se zero kelvin e não zero grau kelvin. Em comparação com a escala Celsius: -273 °C = 0 K 0 °C = 273 K 100 °C = 373 K • Conversões entre escalas Para que seja possível expressar temperaturas dadas em uma certa escala para outra qualquer deve-se estabelecer uma conven- ção geométrica de semelhança. Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer dada em escala Fahrenheit para escala Celsius: Pelo princípio de semelhança geométrica: Exemplo: Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a temperatura 100 °F? Da mesma forma, pode-se estabelecer uma conversão Celsius- -Fahrenheit: CIÊNCIAS DA NATUREZA 70 E para escala Kelvin: Algumas temperaturas: CIÊNCIAS DA NATUREZA 71 CALORIMETRIA Prata 0,056 Calor Vapor d’água 0,480 Quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes Zinco 0,093 em contato, podemos observar que a temperatura do corpo “mais quente” diminui, e a do corpo “mais frio” aumenta, até o momento em que ambos os corpos apresentem temperatura igual. Esta rea- ção é causada pela passagem de energia térmica do corpo “mais quente” para o corpo “mais frio”, a transferência de energia é o que Quando: Q>0: o corpo ganha calor. Q<0: o corpo perde calor. chamamos calor. Exemplo: Calor é a transferência de energia térmica entre corpos com temperaturas diferentes. A unidade mais utilizada para o calor é caloria (cal), embora sua unidade no SI seja o joule (J). Uma caloria equivale a quantidade de calor necessária para aumentar a temperatura de um grama de água pura, sob pressão normal, de 14,5 °C para 15,5 °C. A relação entre a caloria e o joule é dada por: 1 cal = 4,186J Partindo daí, podem-se fazer conversões entre as unidades usando regra de três simples. Como 1 caloria é uma unidade pequena, utilizamos muito o seu múltiplo, a quilocaloria. 1 kcal = 10³cal Calor sensível É denominado calor sensível, a quantidade de calor que tem como efeito apenas a alteração da temperatura de um corpo. Este fenômeno é regido pela lei física conhecida como Equação Fundamental da Calorimetria, que diz que a quantidade de calor sensível (Q) é igual ao produto de sua massa, da variação da tem- peratura e de uma constante de proporcionalidade dependente da natureza de cada corpo denominada calor específico. Assim: Onde: Q = quantidade de calor sensível (cal ou J). c = calor específico da substância que constitui o corpo (cal/ g°C ou J/kg°C). m = massa do corpo (g ou kg). Δθ = variação de temperatura (°C). É interessante conhecer alguns valores de calores específicos: Qual a quantidade de calor sensível necessária para aquecer uma barra de ferro de 2kg de 20°C para 200 °C? Dado: calor especí- fico do ferro = 0,119cal/g°C. 2 kg = 2000 g Calor latente Nem toda a troca de calor existente na natureza se detém a modificar a temperatura dos corpos. Em alguns casos há mudança de estado físico destes corpos. Neste caso, chamamos a quantidade de calor calculada de calor latente. A quantidade de calor latente (Q) é igual ao produto da massa do corpo (m) e de uma constante de proporcionalidade (L). Assim: A constante de proporcionalidade é chamada calor latente de mudança de fase e se refere a quantidade de calor que 1 g da subs- tância calculada necessita para mudar de uma fase para outra. Além de depender da natureza da substância, este valor numé- rico depende de cada mudança de estado físico. Por exemplo, para a água: Calor latente de fusão 80cal/g Calor latente de vaporização 540cal/g Calor latente de solidificação -80cal/g Calor latente de condensação -540cal/g Quando: Q>0: o corpo funde ou vaporiza. Q<0: o corpo solidifica ou condensa. Exemplo: Qual a quantidade de calor necessária para que um litro de água vaporize? Dado: densidade da água=1g/cm³ e calor latente de vaporização da água = 540 cal/g. Substância c (cal/g°C) Alumínio 0,219 Água 1,000 Álcool 0,590 Cobre 0,093 Chumbo 0,031 Estanho 0,055 Ferro 0,119 Gelo 0,550 Mercúrio 0,033 Ouro 0,031 CIÊNCIAS DA NATUREZA 72 Assim: Curva de aquecimento Ao estudarmos os valores de calor latente, observamos que estes não dependem da variação de temperatura. Assim podemos elabo- rar um gráfico de temperatura em função da quantidade de calor absorvida. Chamamos este gráfico de Curva de Aquecimento: Trocas de Calor Para que o estudo de trocas de calor seja realizado com maior precisão, este é realizado dentro de um aparelho chamado calorímetro, que consiste em um recipiente fechado incapaz de trocar calor com o ambiente e com seu interior. Dentro de um calorímetro, os corpos colocados trocam calor até atingir o equilíbrio térmico. Como os corpos não trocam calor com o calorímetro e nem com o meio em que se encontram, toda a energia térmica passa de um corpo ao outro. Como, ao absorver calor Q>0 e ao transmitir calor Q<0, a soma de todas as energias térmicas é nula, ou seja: ΣQ=0 (lê-se que somatório de todas as quantidades de calor é igual a zero) Sendo que as quantidades de calor podem ser tanto sensível como latente. Exemplo: Qual a temperatura de equilíbrio entre uma bloco de alumínio de 200g à 20°C mergulhado em um litro de água à 80°C? Dados calor específico: água=1cal/g°C e alumínio = 0,219cal/g°C. CIÊNCIAS DA NATUREZA 73 Repare que, neste exemplo, consideramos a massa da água como 1000g, pois temos 1 litro de água. Capacidade térmica É a quantidade de calor que um corpo necessita receber ou ceder para que sua temperatura varie uma unidade. Então, pode-se expressar esta relação por: Sua unidade usual é cal/°C. A capacidade térmica de 1g de água é de 1cal/°C já que seu calor específico é 1cal/g.°C. Transmissão de Calor Em certas situações, mesmo não havendo o contato físico en- tre os corpos, é possível sentir que algo está mais quente. Como quando chega-se perto do fogo de uma lareira. Assim, concluímos que de alguma forma o calor emana desses corpos “mais quentes” podendo se propagar de diversas maneiras. Como já vimos anteriormente, o fluxo de calor acontece no sentido da maior para a menor temperatura. Este trânsito de energia térmica pode acontecer pelasseguin- tes maneiras: • condução; • convecção; • irradiação. Fluxo de Calor Para que um corpo seja aquecido, normalmente, usa-se uma fonte térmica de potência constante, ou seja, uma fonte capaz de fornecer uma quantidade de calor por unidade de tempo. Definimos fluxo de calor (Φ) que a fonte fornece de maneira constante como o quociente entre a quantidade de calor (Q) e o intervalo de tempo de exposição (Δt): Sendo a unidade adotada para fluxo de calor, no sistema inter- nacional, o Watt (W), que corresponde a Joule por segundo, embo- ra também sejam muito usada a unidade caloria/segundo (cal/s) e seus múltiplos: caloria/minuto (cal/min) e quilocaloria/segundo (kcal/s). Exemplo: Uma fonte de potência constante igual a 100W é utilizada para aumentar a temperatura 100g de mercúrio 30°C. Sendo o calor es- pecífico do mercúrio 0,033cal/g.°C e 1cal=4,186J, quanto tempo a fonte demora para realizar este aquecimento? Aplicando a equação do fluxo de calor: Condução Térmica É a situação em que o calor se propaga através de um «condu- tor». Ou seja, apesar de não estar em contato direto com a fonte de calor um corpo pode ser modificar sua energia térmica se houver condução de calor por outro corpo, ou por outra parte do mesmo corpo. Por exemplo, enquanto cozinha-se algo, se deixarmos uma co- lher encostada na panela, que está sobre o fogo, depois de um tem- po ela esquentará também. Este fenômeno acontece, pois, ao aquecermos a panela, suas moléculas começam a agitar-se mais, como a panela está em con- tato com a colher, as moléculas em agitação maior provocam uma agitação nas moléculas da colher, causando aumento de sua ener- gia térmica, logo, o aquecimento dela. Também é por este motivo que, apesar de apenas a parte infe- rior da panela estar diretamente em contato com o fogo, sua parte superior também esquenta. CIÊNCIAS DA NATUREZA 74 Convecção Térmica A convecção consiste no movimento dos fluidos, e é o princípio fundamental da compreensão do vento, por exemplo. O ar que está nas planícies é aquecido pelo sol e pelo solo, as- sim ficando mais leve e subindo. Então as massas de ar que estão nas montanhas, e que está mais frio que o das planícies, toma o lugar vago pelo ar aquecido, e a massa aquecida se desloca até os lugares mais altos, onde resfriam. Estes movimentos causam, entre outros fenômenos naturais, o vento. Formalmente, convecção é o fenômeno no qual o calor se pro- paga por meio do movimento de massas fluidas de densidades diferentes. Irradiação Térmica É a propagação de energia térmica que não necessita de um meio material para acontecer, pois o calor se propaga através de ondas eletromagnéticas. Imagine um forno microondas. Este aparelho aquece os ali- mentos sem haver contato com eles, e ao contrário do forno à gás, não é necessário que ele aqueça o ar. Enquanto o alimento é aque- cido há uma emissão de microondas que fazem sua energia térmica aumentar, aumentando a temperatura. O corpo que emite a energia radiante é chamado emissor ou radiador e o corpo que recebe, o receptor. CIÊNCIAS DA NATUREZA 75 : Substância composta é aquela constituída por mais de um tipo de constituinte. Ex: a água pura contendo somente H2O; o sal, con- tendo somente NaCl; Mistura consiste em duas ou mais substâncias misturadas. Ela pode ser identificada visualmente, como por exemplo o granito onde se observa grãos de quartzo branco, mica preta e feldspato rosa e outros minérios. Outras misturas como a água salgada, re- quer outros métodos de verificação para sabermos se são substân- cias ou misturas. Corpo: É uma porção limitada da matéria. Por exemplo, confor- me dito, uma árvore é uma matéria; assim, quando cortamos toras de madeira, temos que essas toras podem ser designadas como corpos ou como matéria também. Objeto: É um corpo produzido para utilização do homem. Se as toras de madeira mencionadas no item anterior forem transforma- das em algum móvel, como uma mesa, teremos um objeto. Fenômeno físico: é toda alteração na estrutura física da maté- ria, tais como forma, tamanho, aparência e estado físico, mas que não gere alteração em sua natureza, isto é, na sua composição. Matéria: Denomina-se matéria tudo aquilo que tem massa e ocupa lugar no espaço e, desse modo, possui volume. Podemos ci- tar como exemplos de matéria a madeira, o ferro, a água, o ar e tudo o mais que imaginemos dentro da definição acima. A ausência total de matéria é o vácuo. Substância é uma composição de apenas um tipo de moléculas ou átomos. A substância pode ser simples ou composta. Substância simples é aquela constituído por um único tipo de constituinte. Ex: o ferro, contendo somente átomo de ferro; o oxi- gênio, contendo só O2. Mudanças de Estados Físicos da Água As Mudanças de Estados Físicos da Água são divididas em 5 processos, a saber: -Fusão: Mudança do estado sólido para o estado líquido da água, provocada por aquecimento, por exemplo, um gelo que der- rete num dia de calor. Além disso, o denominado “Ponto de Fusão” (PF) é a temperatura que a água passa do estado sólido para o líqui- do. No caso da água, o ponto de fusão é de 0ºC. COMPOSIÇÃO DOS MATERIAIS CIÊNCIAS DA NATUREZA 76 -Vaporização: Mudança do estado líquido para o estado gasoso por meio do aquecimento da água. Assim, o “Ponto de Ebulição” (PE) de uma substância é a temperatura a que essa substância passa do estado líquido para o estado gasoso e, no caso da água, o é de 100ºC. Vale lembrar que a Ebulição e a Evaporação são, na realida- de, tipos de vaporização. A diferença de ambas reside na velocida- de do aquecimento, ou seja, se for realizado lentamente chama-se evaporação; entretanto, se for realizado com aquecimento rápido chama-se ebulição. -Solidificação: Mudança de estado líquido para o estado sóli- do provocado pelo arrefecimento ou resfriamento. Além disso, o “Ponto de Solidificação” da água é de 0ºC. O exemplo mais visível são os cubos de água que colocamos no refrigerador para fazer os cubos de gelo. -Liquefação: Chamada também de Condensação, esse processo identifica a mudança do estado gasoso para o estado líquido de- corrente do resfriamento (arrefecimento). Como exemplo podemos citar: a geada e o orvalho das plantas. -Sublimação: Mudança do estado sólido para o estado gasoso, por meio do aquecimento. Também denomina a mudança do esta- do gasoso para o estado sólido (ressublimação), por arrefecimento, por exemplo: gelo seco e naftalina. Fenômeno químico: ocorre quando há alteração da natureza da matéria, isto é, da sua composição. Veja um exercício: Os metais Gálio e Rubídio têm seus pontos de fusão e ebulição descritos na tabela: A) O que acontecerá se ambos os metais ficarem expostos à temperatura ambiente, estando está a 27°C? B) Qual o estado físico dos dois metais num deserto onde a temperatura chega a mais de 40 °C? Resposta A) Os dois metais continuarão no estado sólido. B) A uma temperatura acima de 40 °C, ambos os metais fun- dem-se, ou seja, passam do estado sólido para o líquido. Dizemos que ocorreu uma reação química, pois novas substân- cias foram originadas. Veja o breve resumo a seguir: Fenômenos físicos Fenômenos químicos Quebrar um copo de vidro Produzir vinho a partir da uva Aquecer uma panela de alumínio Acender um fósforo Ferver a água Queimar o açúcar para fazer caramelo Explosão de uma panela de pressão Queima do carvão Massa de pão “crescendo” Explosão após uma batida Derretimento de metais, como o cobre Enferrujamento da palha de aço Dissolver açúcar em água Queima de um cigarro Propriedades da matéria Propriedades são uma série de características que, em conjun- to, definem a espécie de matéria. Podemos dividi-las em 3 grupos: gerais, funcionais e específicas. 1. Propriedades gerais São as propriedadesinerentes a toda espécie de matéria. Massa: é a grandeza que usamos como medida da quantidade de matéria de um corpo ou objeto. Extensão: espaço que a matéria ocupa, seu volume. Impenetrabilidade: é o fato de que duas porções de matéria não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Divisibilidade: toda matéria pode ser dividida sem alterar a sua constituição (até um certo limite). Compressibilidade: o volume ocupado por uma porção de ma- téria pode diminuir sob a ação de forças externas. Elasticidade: se a ação de uma força causar deformação na matéria, dentro de um certo limite, ela poderá retornar à forma original. 2. Propriedades funcionais São propriedades comuns a determinados grupos de matéria, identificadas pela função que desempenham. A Química se preocu- pa particularmente com estas propriedades. Podemos citar como exemplo de propriedades funcionais a acidez, a basicidade, a salini- dade de algumas espécies de matéria. ria. 3. Propriedades específicas São propriedades individuais de cada tipo particular de maté- Propriedades extensivas e intensivas da matéria As propriedades físicas também podem ser classificadas, de acordo com a quantidade da amostra, em extensivas e intensivas. As propriedades extensivas variam conforme a quantidade de ma- terial contido na amostra. CIÊNCIAS DA NATUREZA 77 É o caso da energia liberada em uma combustão: duplicando, por exemplo, a quantidade de combustível, duplica-se a quantida- de de energia liberada. As propriedades intensivas são as que não dependem da quantidade de material contido na amostra. É o caso da temperatura e da densidade, que não se alteram quando a quan- tidade de material é modificada. Energia e as propriedades químicas dos materiais Referem-se àquelas que, quando são coletadas e analisadas, al- teram a composição química da matéria, ou seja, referem-se a uma capacidade que uma substância tem de transformar-se em outra por meio de reações químicas. Essas transformações resultam na produção permanente e irreversível de um novo material (produ- to), com características distintas do inicial (reagente), sendo desse modo classificadas como transformações químicas ou reações quí- micas. Uma maneira de comprovar a existência de uma transformação química é através da comparação do estado inicial e final do siste- ma. Algumas evidências podem ser observadas, permitindo verifi- car a ocorrência dessas transformações, como: desprendimento de gás e luz, mudança de coloração e cheiro, formação de precipitados entre outras Entretanto, a ausência dessas evidências não significa que não ocorreu uma transformação química, pois algumas ocorrem sem que haja mudança perceptível entre o estado inicial e o final. Para se ter certeza de que ocorreu a transformação química é necessário isolar os materiais obtidos e verificar suas propriedades específicas, como densidade, pontos de ebulição e fusão, solubilidade e outras. Para que as transformações químicas possam acontecer, as ligações entre átomos e moléculas precisam ser rompidas e devem ser res- tabelecidas de outro modo. Como essas ligações podem ser muito fortes, geralmente é necessária energia na forma de calor para ini- ciar a reação. MÉTODOS DE SEPARAÇÃO DE MISTURAS As misturas podem ser classificadas em homogêneas e hetero- gêneas. A diferença entre elas é que a mistura homogênea é uma solução que apresenta uma única fase enquanto a heterogênea pode apresentar duas ou mais fases. Fase é cada porção que apre- senta aspecto visual uniforme. Misturas homogêneas Nesse tipo de mistura não há superfícies de separação visíveis entre seus componentes, mesmo que a observação seja realizada a nível de um microscópio eletrônico. Exemplo: Solução de água e alcoolr Misturas heterogêneas As misturas heterogêneas são aquelas em que são possíveis as distinções de fases (regiões visíveis da mistura onde se encon- tram os componentes), na maioria das vezes sem a necessidade de utilizar equipamentos de aumento (como o microscópio). Um bom exemplo é o ar poluído das grandes cidades: apesar da aparência homogênea, os sólidos em suspensão podem ser retidos por uma simples peneira. Sistema homogêneo e Heterogêneo: Fases Sistema homogêneo Apresenta as mesmas propriedades em qualquer parte de sua extensão em que seja examinado. Pode ser um mistura (solução) ou uma substância pura. Sistema heterogêneo Não apresenta as mesmas propriedades em qualquer parte de sua extensão em que seja examinado. Pode ser uma substância pura em mudança de estado físico (fusão, vaporização, etc...) Fases: São diferentes porções homogêneas, limitadas por superfícies de separação visíveis (com ou sem aparelhos de aumento), que constituem um sistema heterogêneo. Um sistema heterogêneos apresenta sempre uma única fase, isto é, constitui um sistema monofásico. Entretanto, sistema hete- rogêneo constitui sempre um sistema polifásico (muitas fases), que pode ser bifásico, trifásico, tetrafásico e etc. Processos de separação de misturas Na natureza, raramente encontramos substâncias puras. As- sim, para obtermos uma determinada substância, é necessário usar métodos de separação. Decantação Processo utilizado para separar dois tipos de mis- turas heterogêneas. CIÊNCIAS DA NATUREZA 78 a) Líquido e sólido A fase sólida (barro), por ser mais densa, sedimenta-se, ou seja, deposita-se no fundo do recipiente, e a fase líquida pode ser trans- ferida para outro frasco. A decantação é usada, por exemplo, nas estações de tratamento de água b) Líquido e líquido Separa líquidos imiscíveis (exemplo: água e óleo) com a utiliza- ção de um funil de decantação. Após a decantação, abre-se a tor- neira, deixando passar o líquido mais denso. Filtração É utilizada para separar substâncias presentes em misturas he- terogêneas envolvendo sólidos e líquidos. -Filtração simples: A fase sólida é retida no papel de filtro, e a fase líquida é recolhida em outro frasco. Centrifugação A centrifugação é uma maneira de acelerar o processo de de- cantação envolvendo sólidos e líquidos realizada num aparelho denominado centrífuga. Na centrífuga, devido ao movimento de rotação, as partículas de maior densidade, por inércia, são arremes- sadas para o fundo do tubo. -Filtração a vácuo: A água que entra pela trompa d’água arrasta o ar do interior do frasco, diminuindo a pressão interna do kitassa- to, o que torna a filtração mais rápida. Destilação É utilizada para separar cada uma das substâncias presentes em misturas homogêneas envolvendo sólidos dissolvidos em líqui- dos e líquidos miscíveis entre si. -Destilação Simples: Na destilação simples de sólidos dissolvi- dos em líquidos, a mistura é aquecida, e os vapores produzidos no balão de destilação passam pelo condensador, onde são resfriados pela passagem de água corrente no tubo externo, se condensam e são recolhidos no erlenmeyer. A parte sólida da mistura, por não ser volátil, não evapora e permanece no balão de destilação CIÊNCIAS DA NATUREZA 79 -Destilação fracionada: Na destilação fracionada, são separados líquidos miscíveis cujas temperaturas de ebulição (TE) não sejam muito próximas. Durante o aquecimento da mistura, é separado, inicialmente, o líquido de menor TE; depois, o líquido com TE intermedi- ária, e assim sucessivamente, até o líquido de maior TE. À aparelhagem da destilação simples é acoplada uma coluna de fracionamento. Conhecendo-se a TE de cada líquido, pode-se saber, pela temperatura indicada no termômetro, qual deles está sendo destilado. Ventilação Esse método é usado, por exemplo, para separar a palha do grão de arroz. É aplicada uma corrente de ar, e a palha, que é mais leve, voa. Tamisação Feita com uma peneira muito fina chamada tamise, separa sólidos maiores dos menores. Ex: cascalhose pequenas pedras preciosas. Sublimação As substâncias participantes desse processo podem ser separadas das impurezas através da sublimação e posterior cristalização. Separação Magnética É um método que utiliza a força de atração do ímã para separar materiais metálicos ferromagnéticos dos demais. Uma mistura de limalha (pó) de ferro com outra substância, pó de enxofre, por exemplo, pode ser separada com o emprego de um ímã. Aproximando o ímã da mistura, a limalha de ferro prende-se a ele, separando-se do enxofre. CIÊNCIAS DA NATUREZA 80 gás. Liquefação fracionada Separa gases com pontos de fusão diferentes. Nesse processo um dos gases se liquefaz primeiro, podendo assim ser separado do outro Cromatografia em papel Esta técnica é assim chamada porque utiliza para a separação e identificação das substâncias ou componentes da mistura a migração diferencial sobre a superfície de um papel de filtro de qualidade especial (fase estacionária). A fase móvel pode ser um solvente puro ou uma mistura de solventes. Este método é muito útil para separar substâncias muito polares, como açúcares e aminoácidos. Possui o inconveniente de poder-se cromatografar poucas quantidades de substância de cada vez. Solstício e equinócio são fenômenos astronômicos relacionados ao movimento aparente do Sol (incidência de raios solares nos hemis- férios) e ao início das estações do ano. O solstício ocorre em dois momentos do ano, marcando o início do inverno e do verão. O verão inicia-se em junho no Hemisfério Norte e em dezembro no Hemisfério Sul. Já o inverno tem início em dezembro no Hemisfério Norte e em junho no Hemisfério Sul. O equinócio ocorre também em dois momentos do ano, marcando o início da primavera e do outono. A primavera inicia-se em março no Hemisfério Norte e em setembro no Hemisfério Sul. Já o outono tem início em setembro no Hemisfério Norte e em março no Hemisfério Sul. Diferença entre solstício e equinócio O solstício representa o momento em que o Sol, ao longo de seu movimento aparente, atinge maior declinação em latitude em relação à linha do Equador. Isso faz com que um dos hemisférios receba maior incidência de raios solares. Quando a intensidade solar é maior em um dos hemisférios, caracteriza-se o solstício de verão. Em contrapartida, quando a intensidade solar é menor, caracteriza-se o solstício de inverno. Assim, quando é solstício de verão no Hemisfério Norte, o Sol incide perpendicularmente sobre o Trópico de Câncer. Quando é solstício de verão no Hemisfério Sul, o Sol incide perpendicularmente sobre o Trópico de Capricórnio. FUSO-HORÁRIO; O CALENDÁRIO; O DIA E A NOITE; O MOVIMENTO DA TERRA; AS FASES DA LUA; VIDA FORA DA TERRA CIÊNCIAS DA NATUREZA 81 No solstício de verão, os dias são mais longos que as noites. Já no solstício de inverno, as noites são mais longas que os dias. Equinócio representa o momento em que nenhum dos polos está inclinado em relação ao Sol, o qual incide diretamente sobre a linha do Equador. Isso significa que os raios solares incidem com a mesma intensidade no dois hemisférios, consequentemente, os dias e as noites têm a mesma duração. O equinócio ocorre em dois momentos do ano. Em março, marca o início da primavera no Hemisfério Norte e do outono no Hemisfério Sul. Já em setembro, o equinócio marca o início do outono no Hemisfério Norte e da primavera no Hemisfério Sul. CIÊNCIAS DA NATUREZA 82 Datas dos solstícios e equinócios Solstício, equinócio e estações do ano O movimento de translação, em que a Terra gira ao redor do Sol, leva cerca de 365 dias e, em decorrência da inclinação da Terra em relação ao seu plano orbital, faz com que a incidência solar seja diferente nos hemisférios. Sendo assim, esse movimento é responsável pela existência das estações do ano, que são determinadas pela posição do hemisfério em relação aos raios solares. As estações do ano não ocorrem de maneira uniforme e simultânea nos dois hemisférios. Os solstícios e os equinócios, fenômenos astronômicos relacionados ao movimento aparente do Sol, dão início às estações do ano. A incidência dos raios solares de maneira desigual nos hemisférios marca o solstício de verão em um hemisfério e o solstício de inverno em outro. A incidência dos raios solares perpendicularmente sobre a linha do Equador faz com que os dois hemisférios recebem igualmente a radiação solar. Dessa forma, marca-se o início da primavera em um dos hemisférios e o início do outono no outro. Estações do ano no Hemisfério Sul – 2019 CIÊNCIAS DA NATUREZA 83 As estações do ano são os períodos em que o ano é dividido de acordo com suas características climáticas. Existem quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Elas ocorrem ao longo do período de um ano. Em algumas regiões, não é possível distinguir as estações do ano, e a primavera e o outono podem não ser bem definidos. Os países localizados na faixa tropical do planeta não possuem as quatro estações bem definidas, sendo predominante o verão e inverno. Como surgem as estações do ano? As estações variam conforme a exposição aos raios solares, ou seja, de acordo com o movimento orbital da Terra em relação ao Sol. Por esse motivo, os hemisférios Sul e Norte sempre estarão com as estações opostas. Outono: O outono sucede o verão e antecede o inverno. Ele se caracteriza pela temperatura amena, tempo mais fresco e queda das folhas das árvores. Inicialmente, os dias e noites possuem a mesma duração. Porém, com o tempo, os dias vão se tornando mais curtos em relação à noite. Além disso, a temperatura também vai caindo, marcan- do a chegada do inverno. No Brasil, o outono inicia em 20 de março e termina em 21 de junho. Inverno: O inverno é a época mais fria do ano, quando as temperaturas são baixas e com presença de neve em algumas localidades. Ela antecede a primavera e sucede o outono. Nesse período, as noites são mais longas do que os dias e os animais ficam mais ociosos, alguns chegam até a hibernar. No Brasil, o inverno inicia em 21 de junho e termina em 23 de setembro. Primavera: A primavera sucede o inverno e antecede o verão. Nesse período, as temperaturas voltam a ficar amenas, as flores flores- cem e os dias e noites têm a mesma duração. Aos poucos, os dias vão se tornando mais longos e as temperaturas aumentam, indicando a chegada do verão. No Brasil, a primavera inicia em 23 de setembro e termina em 22 de dezembro. Verão: O verão sucede a primavera e antecede o outono, é um período marcado pelas altas temperaturas e dias mais longos. O calor resulta em uma evaporação mais rápida da água acumulada nos solos, resultando em chuvas constantes. No Brasil, o verão começa em 21 de dezembro e termina em 20 de março. CIÊNCIAS DA NATUREZA 84 Estações do ano no Hemisfério Norte No hemisfério Norte estão localizados os Estados Unidos da América e a Europa, por exemplo. Lá, as estações do ano ocorrem em épocas diferentes: Primavera: de 20 de março a 21 de junho. Verão: de 21 de junho a 23 de setembro. Outono: de 22 ou 23 de setembro a 22 de dezembro. Inverno: de 22 de dezembro a 20 de março. Curiosidades sobre as estações do ano Estações do ano na China Embora localizada no Hemisfério Norte, na China são cinco as estações do ano: Primavera, Verão, Estio (períodos quentes), Outono e Inverno (períodos frios). Estações do ano na Índia Na Índia, o ano é dividido em três estações: quente, frio e chuvoso. Estações do ano nos Polos As regiões polares, polo Norte e polo Sul, possuem apenas duas estações no ano: o inverno e o verão. Onde já nevou no Brasil? No Brasil, a neve não é muito comum. Porém, em diversas cidades já nevaram. Na região Sul, é mais comum e frequente a presença de neve no inverno. No Sudeste, no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, também já ocorreuneve. fonte: https://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/ Movimento de Rotação No movimento de rotação, os planetas giram em torno do seu próprio eixo, uma linha imaginária que passa pelo seu centro. O ob- servador terrestre tem dificuldade de perceber o movimento de rotação da Terra. Para isso deve-se notar que o Sol, do amanhecer ao anoitecer, parece se mover da região leste em sentido oeste. O mesmo acontece, à noite, com a Lua, as estrelas e demais astros que vemos no céu. O movimento de rotação da Terra dura, aproximadamente 24 horas - o que corresponde a um dia. A Terra, por ser esférica, não é iluminada toda de uma vez só. Conforme a Terra gira em torno do seu eixo, os raios de luz solar incidem sobre uma parte do planeta e a outra fica à sombra. Ociclo do dia e da noite ocorrem graças a rotação. Enquanto o planeta está girando sobre seu próprio eixo é dia nas regiões que estão iluminadas pelo Sol (período claro) e, simultaneamente, é noite nas regiões não iluminadas (período escuro). http://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/ http://www.todamateria.com.br/as-estacoes-do-ano/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 85 Movimento de Translação O movimento de translação é executado pelos planetas ao redor do Sol, e o tempo que levam para dar uma volta completa é deno- minadoperíodo orbital. No caso da Terra esse período leva cerca de 365 dias e aproximadamente 6 horas para se completar. A Terra, no seu movimento de translação, forma uma elipse pouco alongada (bem próxima a circular). Já o planeta Netuno traça a sua órbita elíptica de forma bastante alongada. Em razão do movimento de translação e da posição de inclinação do eixo da Terra, cada hemisfério fica, alternadamente, mais exposto aos raios solares durante um período do ano. Isso resulta nas quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera. Nos meses de dezembro a março, o Hemisfério Sul - localizado ao sul da linha do Equador - fica mais exposto ao Sol. É quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre pelo menos alguns pontos do Hemisfério Sul. é verão nesse hemisfério. Depois de seis meses, nos meses de junho a setembro, a Terra já percorreu metade da sua órbita. O Hemisfério Norte - localizado ao norte da linha do Equador - fica mais exposto ao Sol e, assim, os raios solares incidem perpendicularmente sobre pelo menos alguns pontos do Hemisfério Norte. é verão no Hemisfério Norte. Enquanto é verão no Hemisfério Norte com os dias mais longos e as noites mais curtos, é inverno no Hemisfério Sul, onde os dias tornam-se mais curtos e as noites mais longas. E vice-e-versa. Em dois períodos do ano (de março a junho e de setembro a dezembro) ha posições da Terra, na sua órbita, em que os dois hemisfé- rios são iluminados igualmente. é quando ocorrem, de forma alternada nos dois hemisférios, as estações climáticas primavera e outono. As estações do ano são invertidas entre os hemisférios Sul e Norte. Por isso é possível, numa mesma época do ano, por exemplo, pessoas aproveitarem o verão numa praia no Hemisfério Sul, enquanto outras se agasalharem por causa de uma nevasca de inverno no Hemisfério Norte. Nas regiões perto da linha do Equador, tanto em um hemisfério quanto no outro, ocorre constantemente a incidência dos raios do Sol, faz calor durante todo o ano. Há apenas a estação das chuvas e a estação da seca. Em virtude da “curvatura da Terra” e da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao seu plano de órbita, os pólos recebem raios de Sol bastante inclinados. Por um longo período do ano, os raios solares não chegam aos pólos; por isso essas são regiões muito frias. Para os moradores dessas regiões, só há duas estações climáticas: • Uma que chamam inverno, ou seja, o longo período em que os raios solares não atingem o pólo; • outra chamada verão, quando não acontece o pôr-do-sol durante meses. Terremotos Os terremotos são fenômenos naturais oriundos das pressões internas do planeta, que fazem as placas tectônicas se movimentarem, liberando tais pressões. Com isso, a superfície sente essa liberação em forma de tremor, o que pode acarretar sérios prejuízos. Causas dos terremotos Os abalos sísmicos ou tremores de terra geralmente ocorrem quando as rochas estão sob grande pressão, vinda do interior do planeta. Essa pressão exerce uma força nas rochas (placas tectônicas) e procura alguma maneira de se exaurir. As falhas geológicas presentes nas zonas de contato entre as placas são altamente favoráveis para a ocorrência dessa dissipação. A maioria dos abalos sísmicos ocorre nas zonas de contato entre as placas, pois são áreas de movimentação rochosa e com grandes falhas geológicas. Entretanto, também pode haver falhas no interior das placas, o que permite a ocorrência de abalos em áreas no interior, e não só nas bordas tectônicas. Essa pressão vinda do interior do planeta e o movimento tectônico provocam vibrações sísmicas destrutivas, bastante comuns nos limites das placas. Quando um bloco rochoso se choca com outro, há o tremor, seja no oceano, seja em terra firme. TERREMOTOS, CHUVA E SECA, ENCHENTE CIÊNCIAS DA NATUREZA 86 O ponto onde começa esse tremor é chamado de epicentro, isto é, trata-se do ponto geológico na superfície diretamente sobre o foco, ou seja, se um epicentro está localizado a 50 quilômetros de uma região, significa que o foco do tremor está a uma distância de 50 quilômetros e a uma profundidade que pode variar entre 2 e 20 quilômetros, dependendo da intensidade do tremor. Essa profundidade de até 20 quilômetros ocorre em áreas con- tinentais, pois abaixo disso há uma temperatura muito alta, o que dificulta o choque rochoso. Já as placas tectônicas oceânicas têm uma composição mais resistente, podendo ter epicentros de até 690 quilômetros. Terremotos e maremotos Como vimos, os abalos sísmicos são fenômenos naturais, po- dendo ocorrer em qualquer área do planeta, mas com maior fre- quência e intensidade nas áreas de contato das placas tectônicas. Ao falar desse tema, convém fazer uma diferenciação, pois, dependendo de onde eles ocorrem, a nomenclatura desses fenô- menos muda. Abalos sísmicos que ocorrem em áreas terrestres, continentais, recebem o nome de terremotos. Já os abalos sísmicos ocorridos no fundo dos oceanos recebem o nome de maremotos. Para sa- ber mais sobre esse fenômeno que ocorre com as placas tectônicas oceânicas. Intensidade dos terremotos Para medir a intensidade desses abalos, os geólogos usam os sismógrafos, aparelhos capazes de medir com precisão os falha- mentos geológicos, o que contribui para a identificação de áreas propensas à ocorrência de abalos sísmicos. Espalhados pelo mundo todo, os sismógrafos são capazes de analisar três tipos de movimentos do solo: horizontal norte-sul; horizontal leste-oeste; vertical cima-baixo. Além disso, são capazes de medir a intensidade do tremor a fim de aperfeiçoar os estudos sobre tais áreas. Entretanto, ainda não chegamos à capacidade de prever terremotos, mas sim de estudar quais áreas (falhas geológicas) estão mais sujeitas à ocorrência de abalos a longo prazo. A intensidade de um terremoto é medida a partir de duas esca- las: a Richter e a Mercali. A primeira foi elaborada por Charles Rich- ter em 1935. Essa escala mede quão forte é o tremor, que apresenta variação na escala de 1º a 10º. Quanto mais alto o valor do abalo, mais danos ele causa na superfície. Segundo Richter, os abalos variam em um fator de 10: o terre- moto com escala 2 é 10 vezes mais intenso do que o terremoto com escala 1. Um terremoto com escala 6 é 100 vezes mais forte do que um com escala 4, e assim sucessivamente. Já a escala Mercali mede o poder de destruição dos abalos na sociedade, variando de I a XII. Quanto mais próximo de XII, mais destrutivo. Associando uma escala com a outra, podemos ter abalos sísmi- cos de 7º na Escala Richter, porém IIna Escala Mercali. Isso porque esses abalos podem ocorrer em áreas desérticas, por exemplo, cau- sando poucos ou nenhum dano às sociedades humanas. Consequências dos terremotos Os terremotos, em sua maioria, podem causar sérios danos para a sociedade, haja vista o tamanho e intensidade de cada um. Ademais, os maremotos podem gerar ondas gigantes de 20 metros, em média, varrendo áreas costeiras num piscar de olhos. Essas on- das recebem o nome de tsunamis. Tais ondas podem chegar ao lito- ral em uma velocidade de até 800 km/hora. Casas e prédios destruídos, pontes com estruturas comprome- tidas, vítimas fatais e/ou presas sob os escombros são algumas das consequências desses tremores em áreas continentais. O fenôme- no em si não necessariamente causa algum dano na superfície, pois muitos terremotos podem ocorrer em áreas de baixa densidade de- mográfica, alterando a paisagem de forma pouco significativa. As grandes consequências estão ligadas ao colapso das cons- truções civis em decorrência de: deslizamentos de terras; incêndios causados por quedas de fiação elétrica; rompimento de represas; inundações causadas por tsunamis. Terremotos no Brasil O Brasil, por estar localizado em uma área distante do contato entre placas tectônicas, não possui grandes eventos catastróficos relacionados a terremotos. Todavia, ao longo do tempo, pequenos abalos sísmicos já aconteceram em nosso território, mas com um baixo grau na Escala Richter se compararmos com os que ocorrem nas zonas de contato de placas tectônicas. Em 2010 um tremor de terra aconteceu no Acre e tornou-se o maior de todos os terremotos ocorridos no Brasil, com 6,5º na Esca- la Richter. Vale destacar que a Região Norte sente tremores com in- tensidade maior, mas que ocorrem em países vizinhos, como o que atingiu o Peru em 2011, com 7º na Escala Richter. Por precaução, na época prédios e demais construções foram evacuados em cidades do Acre e do Amazonas. No geral, os terremotos que ocorrem no Brasil não ultrapassam 5º na Escala Richter, o que é considerado um tremor moderado, mas que não chega a causar graves danos. Em julho de 2020, um terremoto de 3,5º na Escala Richter foi sentido no litoral sul da Bahia. Um mês depois, um tremor de 4,6º foi sentido no mesmo estado e durou cerca de 20 segundos. Pode parecer um tempo pequeno, mas 20 segundos com um terremoto de 6º ou mais já é suficiente para um estrago imensurável. Para sa- ber mais sobre esses abalos sísmicos no nosso território, leia: ter- remotos no Brasil. Terremotos no mundo Os terremotos são eventos que podem trazer prejuízos imen- sos, tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista humano, com um número significativo de vítimas. Veja alguns dos principais terremotos ao longo dos últimos anos. CIÊNCIAS DA NATUREZA 87 Chile, 1960: no dia 22 de março houve o maior terremoto já registrado na história, um abalo sísmico de 9,5º na Escala Richter. Estima-se que 1600 pessoas morreram e mais de 2 milhões ficaram desabrigados. O terremoto causou tsunamis, erupções vulcânicas e muitas áreas afundaram e outras se elevaram, alterando a geografia litorânea do país. Califórnia, 1989: em outubro de 1989, um terremoto de 7,1º na Escala Richter deixou 60 mortos e mais de 7 bilhões de dólares em prejuízos financeiros. Japão, 1995: com 6,9º na escala Richter, esse terremoto, que ocorreu em Kobe, promoveu uma falha superficial geológica de 9 quilômetros, além de mais de 5 mil mortos e 310 mil desabrigados. Índia, 2000: um terremoto com 8º na Escala Richter causou a morte de 20 mil pessoas. Japão, 2011: um tremor no Oceano Pacífico de 9,1º na Escala Richter ocasionou o surgimento de tsunamis com quase 20 m de altura. Tanto o tremor quanto o tsunami foram sentidos na costa leste do Japão, ocasionando a morte de 16 mil pessoas, além da explosão da Usina Nuclear de Fukushima, o que acabou liberando radiação na área. Nepal, 2015: em abril, um tremor de 7,8º na escala Richter atin- giu a região da Índia, Paquistão, Bangladesh, China e Nepal — esse último foi o país mais atingido. Segundo dados das autoridades, o número de mortos ultrapassou 5 mil e afetou mais de 8 milhões de pessoas dos países citados. México, 2017: dois tremores foram sentidos no país, um de 8,5º e outro de 7,1º, todos em setembro. Apesar da alta magnitude, eles trouxeram poucos danos e pouco mais de 100 mortos, número relativamente baixo se compararmos com terremotos da mesma intensidade na Escala Richter. O epicentro desses tremores ocorreu em locais pouco habitados, daí o baixo grau de destruição e morte. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/terremotos.htm A atual sociedade de consumo vem alterando de forma cada vez mais perigosa a biosfera. No capitalismo a função da natureza é exclusivamente de promover recursos, mas em contrapartida as consequências são extremamente negativas. Do ponto de vista ambiental o mundo passa por uma série de modificações, devido a esse processo percebemos o fim do petró- leo, escassez de água e aquecimento global, tudo isso fruto da so- ciedade industrial consumista. O homem esquece que quando promove a destruição da na- tureza ele está se autodestruindo pois esse é parte integrante da natureza, esquece também que os elementos da natureza (hidros- fera, atmosfera, litosfera, animais, plantas entre outros) possui uma relação de interdependência. A Hipótese Gaia, do grego “mãe Terra”, divindade que também recebia o nome de Gea, é uma nova visão de mundo, diz que a na- tureza poderá impor limitações à existência da vida humana no pla- neta. Algumas das limitações podem ser percebidas, como o aque- cimento global, ou efeito estufa, fenômeno que se caracteriza pelo aumento da temperatura média do planeta, provocando aumento dos níveis das águas oceânicas, além de mudanças climáticas com efeitos imprevisíveis. Com base nestes problemas alguns grupos começaram a se preocupar, dando início a vários movimentos ambientalistas e o despertar da consciência ecológica, é lógico que isso não ocorre de forma homogênea nos governos das maiores potências, pois vários acordos são gerados, muitos não são cumpridos para não compro- meter a prosperidade econômica. Hoje existem muitos movimentos ambientalistas, em sua gran- de maioria se tratam de ONG´s (Organizações não Governamen- tais), que lutam para preservar a natureza, dentre muitas podemos citar o Greenpeace, grupo de defesa ecológica, SOS MATA ATLÂNTI- CA e o Fundo Mundial para a Natureza, os movimentos em defesa surgiram principalmente a partir da década de 1960 e 1970. Qual caminho seguir na preservação ambiental num mundo moderno em que não há maneiras de retroceder em condição de vida? Primeiro é preciso um despertar da sociedade, que é o agente das questões ambientais, tanto positivas quanto negativas. Atualmente existem várias correntes de pensamentos de pre- servação, o conservacionismo (consiste no pensamento de que a prioridade é a natureza com uma preocupação de conservação para as demais gerações), desenvolvimentismo ecológico (consiste no pensamento de que o mundo pode continuar crescendo economi- camente de forma sustentável) e ecocapitalismo (corresponde ao pensamento capitalista de obter vantagens com as questões am- bientais). Em busca de soluções para os problemas ambientais são reali- zados, ocasionalmente, conferências, congressos, acordos para dis- cutir as possíveis maneiras de solucionar ou pelo menos amenizar, alguns dos principais eventos mundiais estão o Rio 92, Protocolo de Quioto, Rio +10 e outras, além de outras discussões no campo acadêmico. Em suma todos os questionamentos acerca dos problemas am- bientais devem ser encarados de forma coletiva, pois não é só o poder governamental que deve ter compromisso, mas sim todos os cidadãos podem participar cada um fazendo sua parte. Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/conscien-cia-ecologica.htm PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE Cuidar do meio ambiente em que vivemos é uma questãode sobrevivência e responsabilidade de todos. Nesse contexto se cons- cientizar da necessidade da mudança de comportamento para a preservação do meio ambiente e suas relações no trânsito é pre- ciso objetivando, com isso, um bom convívio social entre as pesso- as, condutores e demais participantes do sistema rodoviário. MEIO AMBIENTE; AQUECIMENTO GLOBAL; RECURSOS RENOVÁVEIS E NÃO RENOVÁVEIS; RECURSOS ENERGÉ- TICO; PRESERVAÇÃO AMBIENTAL CIÊNCIAS DA NATUREZA 88 Grande parte da população está preocupada com o que po- derá acontecer com o nosso planeta. Os meios de comunicação não param de noticiar sobre o aquecimento global. Sabemos que o aquecimento global, como o próprio nome já diz, é a elevação da temperatura do planeta e não de uma pequena parte deste, e que tem como consequências desastrosas situações que estamos presenciando em várias partes da terra como: furacões, secas, ex- tinção de animais e vegetais, derretimento dos polos. Como vimos, são problemas que o homem não tem condições de enfrentar ou controlar se não tomar atitudes enérgicas. Pelo con- trário, o que observamos e que há muitos anos o homem destrói o planeta desmatando, matando e poluindo. O homem é ganancioso e para alcançar seus objetivos não pensa no amanhã. Acredita-se que o aumento da quantidade de gás carbônico, metano, lançados na atmosfera provoca uma elevação da tempera- tura. A emissão desses gases fruto do desmatamento e da queima de combustíveis formam uma barreira impedindo que o calor se propague aumentando a temperatura da terra. Os maiores responsáveis pela emissão desses gases são os Es- tados Unidos (que lideram a lista com cerca de 36% do total mun- dial), a União Europeia, China, Rússia, Japão e Índia. O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ou Intergovernamental Panel on Climate Change) criado pela ONU, ganhou destaque por causa dos seus esperados relatórios a respei- to das causas desse imenso problema e também por apontar alguns caminhos para reverter a situação. O Brasil já contribui para mudar esse triste quadro, aqui já exis- te o desenvolvimento de matrizes energéticas de origens vegetais (etanol, biodiesel). Paralelamente, a Lei de Crimes Ambientais, como ficou conhe- cida a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, entrou em vigor após sua regulamentação através do Decreto n º 3.179, de 21 de setembro de 1999, do Ministério do Meio Ambiente, tendo à frente da pasta o Exmo. Sr. Ministro José Sarney Filho. A referida regulamentação passou a ser uma ferramenta funda- mental para a proibição de práticas nocivas ao meio ambiente. As multas aplicadas variam de 50 reais a 50 milhões de reais e es- tão graduadas de acordo com a gravidade do dano ambiental, com os antecedentes do infrator e com a sua situação econômica. Verifi- cada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. Quando da apreensão de animais os mesmos serão libertados em seu habitat ou entregues a jardins zoológicos ou entidades as- semelhadas, desde que fiquem sob responsabilidade de técnicos habilitados. Quantos aos instrumentos utilizados na prática da in- fração serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio de reciclagem. Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, se- rão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais. O cidadão e o meio ambiente De acordo com a Constituição Federal, art. 225 -”Todos têm di- reito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- -lo para as presentes e futuras gerações”. Ambiente É o conjunto formado por todos os seres vivos que nele vi- vem mais os fatores físico-químicos (água, luz, solo, ar etc), ali existentes. Os seres vivos, dentro dos quais o homem se destaca pela sua inteligência, dependem de vários desses fatores para sua sobrevi- vência, como podemos ver a seguir: -para que possam ter alimentação sadia, é necessário que o solo apresente condições excelentes para o plantio.; -somos dependentes da qualidade da água que bebemos - água potável; -necessitamos do ar que respiramos e este não pode ter polui- ção que pode provocar doenças. Poluição Contaminação e consequentemente degradação do meio natu- ral causados por agentes químicos, detritos domésticos, industriais etc. Pode ser, também conceituada como degradação do meio am- biente por um ou mais fatores prejudiciais à saúde, ao equilíbrio emocional, etc. Riscos para a saúde Poluição do ar: Comparando o ar que circula em matas, praias e parques com o dos grandes centros urbanos, percebemos com facilidade uma grande diferença. Enquanto o ar dos grandes centros é impregnado de gases tóxicos, principalmente o monóxido de car- bono expelido pelos veículos automotores, e de fuligem que saem das chaminés de fábricas, o ar nos parques e em algumas praias geralmente não são poluídos. Muitos problemas são causa- dos à saúde do homem através da poluição do ar, como exemplos podemos citar: dor de cabeça, tontura, náusea, vômito, irritação dos olhos. Poluição da água: Além da poluição por substâncias tóxicas, as águas dos rios, lagos e mares é frequentemente contaminada por bactérias, vermes, protozoários, ovos e larvas de seres vivos cau- sadores de doenças. Em geral, toda essa contaminação é causada pelos esgotos das cidades. Doenças relacionadas com a contamina- ção das águas: disenteria, cólera, esquistossmose, malária, dengue, e febre amarela. Poluição do solo: Sabemos que o solo é muito importante para a nossa vida. Todavia, ele vem sendo continuamente agredido pelas pessoas, de várias maneiras: uso inadequado de agrotóxico, de po- sição de lixo domésticos e de resíduos industriais em locais impró- prios, lançamento de esgoto em valas descobertas. Doenças trans- mitidas pelo solo contaminado: ascaridíase (causada pelo ver- me lombriga); teníase (causada pela tênia - conhecida como solitária); oxiuríase (causada pelo verme oxiúro). Crimes contra o meio ambiente São considerados crimes contra a fauna: -matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacor- do com a obtida; -exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental; -introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico ofi- cial favorável e licença expedida pela autoridade competente; CIÊNCIAS DA NATUREZA 89 -praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais sil- vestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; -provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de mate- riais, o perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras.; -pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente; -pescar mediante utilização de: I - explosivos ou substancias que, em contato com a água, pro- duzam efeito semelhante; II- substâncias tóxicas, ou um outro meio proibido pela autori- dade competente; São considerados crimes contra a flora: -destruir ou danificar floresta considerada de preservação per- manente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção; -cortar árvores em floresta considerada de preservação perma- nente, sem permissão da autoridade competente; -causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservaçãoe as áreas de que trata o art. 27 do Decreto n º 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de sua localização; -provocar incêndio em mata ou floresta; -fabricar, vender, transformar ou soltar balões que possam pro- vocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano. -extrair de florestas de domínio público ou considerados de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais; -cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classifi- cada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais; -receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madei- ra, lenha, carvão ou outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade com- petente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento. impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e de- mais formas de vegetação; -destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em pro- priedade privada alheia; -destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vege- tação fixadora de dunas protetora de mangues, objeto de especial preservação; -comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas de- mais formas de vegetação, sem licença da autoridade competente; -causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resul- tem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provo- quem a mortandade de animais ou a destruição;; -executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida; -produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabeleci- das em leis ou nos seus regulamentos. Faça a sua parte, jogue o lixo no lixo. POLÍTICA AMBIENTAL Política Ambiental é um conjunto de ações ordenadas e práti- cas tomadas por empresas e governos com o propósito de preser- var o meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável do planeta. Esta política ambiental deve ser norteada por princípios e valores ambientais que levem em consideração a sustentabilidade. Importância Atualmente, quase todos os governos e grandes empresas pos- suem políticas ambientais. Além de mostrar para os cidadãos e con- sumidores quais são os princípios ambientais seguidos, as políticas ambientais servem para minimizar os impactos ambientais gerados pelo crescimento econômico e urbano. Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a garantia de um futuro com desenvolvimento e preservação ambien- tal. São também fundamentais para o combate ao aquecimento global do planeta (verificado nas últimas décadas), redução signifi- cativa da poluição ambiental (ar, rios, solo e oceanos) e melhoria na qualidade de vida das pessoas (principalmente dos grandes centros urbanos). Ações práticas de uma política ambiental (exemplos): - Adoção de processos de reciclagem. - Ações que visem à redução do consumo de energia. - Ações práticas para evitar o desperdício de água, incentivando o seu consumo racional. - Planejamento urbano adequado por parte dos governos. Nes- tas ações são importantes a preservação de áreas verdes e projetos de arborização urbana. - Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar. - As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo devem adotar medidas eficazes para que estes poluentes não sejam despejados no meio ambiente (ar, rios, lagos, oceanos e solo). - As empresas devem criar produtos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, usar materiais recicláveis. - Criação de projetos governamentais voltados para a educação ambiental, principalmente em escolas. - Implantação das normas do ISO 14000 e obtenção do certi- ficado. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL O desenvolvimento sustentável é um conceito elaborado para fazer referência ao meio ambiente e à conservação dos recursos naturais. Entende-se por desenvolvimento sustentável a capacida- de de utilizar os recursos e os bens da natureza sem comprometer a disponibilidade desses elementos para as gerações futuras. Isso significa adotar um padrão de consumo e de aproveitamento das matérias-primas extraídas da natureza de modo a não afetar o fu- turo da humanidade, aliando desenvolvimento econômico com res- ponsabilidade ambiental. CIÊNCIAS DA NATUREZA 90 Sabemos que existem os recursos naturais não renováveis, ou seja, aqueles que não podem renovar-se naturalmente ou pela in- tervenção humana, tais como o petróleo e os minérios; e que tam- bém existem os recursos naturais renováveis. No entanto, é errô- neo pensar que esses últimos sejam inesgotáveis, pois o seu uso indevido poderá extinguir a sua disponibilidade na natureza, com exceção dos ventos e da luz solar, que não são diretamente afetados pelas práticas de exploração econômica. Dessa forma, é preciso adotar medidas para conservar esses recursos, não tão somente para que eles continuem disponíveis futuramente, mas também para diminuir ou eliminar os impactos ambientais gerados pela exploração predatória. Assim, o ambiente das florestas e demais áreas naturais, além dos cursos d’água, o solo e outros elementos necessitam de certo cuidado para continuarem disponíveis e não haver nenhum tipo de prejuízo para a sociedade e o meio ambiente. A história do conceito de Desenvolvimento Sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável foi oficialmente declarado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambien- te Humano, realizada em 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, e, por isso, também chamada de Conferência de Estocolmo. A importância da elaboração do conceito, nessa época, foi a de unir as noções de crescimento e desenvolvimento econômico com a preservação da natureza, questões que, até então, eram vistas de forma separada. Em 1987, foi elaborado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, mais conhecido como Relatório Brundtland, que formalizou o ter- mo desenvolvimento sustentável e o tornou de conhecimento pú- blico mundial. Em 1992, durante a ECO-92, o conceito “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gera- ções futuras de suprir suas próprias necessidades” tornou-se o eixo principal da conferência, concentrando os esforços internacionais para o atendimento dessa premissa. Com esse objetivo, foi elabo- rada a Agenda 21, com vistas a diminuir os impactos gerados pelo aumento do consumo e do crescimento da economia pelo mundo. Medidas sustentáveis Dentre as medidas que podem ser adotadas tanto pelos gover- nos quanto pela sociedade civil em geral para a construção de um mundo pautado na sustentabilidade, podemos citar: - redução ou eliminação do desmatamento; - reflorestamento de áreas naturais devastadas; - preservação das áreas de proteção ambiental, como reservas e unidades de conservação de matas ciliares; - fiscalização, por parte do governo e da população, de atos de degradação ao meio ambiente; - adoção da política dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) ou dos 5Rs (repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar); - contenção na produção de lixo e direcioná-lo corretamente para a diminuição de seus impactos; - diminuição da incidência de queimadas; - diminuição da emissão de poluentes na atmosfera, tanto pe- las chaminés das indústrias quanto pelos escapamentos de veículos e outros; - opção por fontes limpas de produção de energia que não ge- rem impactosambientais em larga e média escala; - adoção de formas de conscientizar o meio político e social das medidas acimas apresentadas. Essas medidas são, portanto, formas viáveis e práticas de se construir uma sociedade sustentável que não comprometa o meio natural tanto na atualidade quanto para o futuro a médio e longo prazo. Queimadas e desmatamento na Amazônia aumentam após saída do Exército Na Amazônia, as queimadas e o desmatamento voltaram a crescer em novembro, com o fim da atuação das Forças Armadas na região. A operação de garantia da lei e da ordem, a GLO, na região amazônica durou dois meses. Terminou no fim de outubro. Dez mil soldados combateram quase dois mil focos de queimadas na flo- resta Em agosto, o Inpe registrou quase 31 mil focos de queima- da. Em setembro e outubro, com a GLO, os números caíram para 19.900 e depois para 7.800. Agora em novembro, depois da saída dos militares, os focos aumentaram de novo: 10.200. O mesmo movimento foi registrado com o desmatamento. Au- mento em agosto, 223%a mais que em agosto de 2018. E com a entrada da GLO o ritmo de crescimento do desmatamento diminui em setembro e em outubro, mas voltou a aumentar em novembro 40% em relação ao mesmo mês de 2018. O ministro do Meio Ambiente disse que, para combater o des- matamento, o governo vai investir no desenvolvimento sustentável. (Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noti- cia/2019/11/29/numero-de-queimadas-na-amazonia-aumenta- -apos-saida-do-exercito.ghtml) Manchas de óleo no litoral atingem mais de 500 locais no Nor- deste e Sudeste Chegou a 527 o número de locais afetados pelas manchas de óleo que desde o final de agosto poluem a costa brasileira. O dado é do último balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgado na manhã desta quarta-feira (13/11/19) com dados compilados até terça (12/11/19). Ao todo, 68% dos municípios do litoral nordestino foram conta- minados desde o início do desastre ambiental. Das 111 cidades afe- tadas, 107 estão no Nordeste e 4 no Espírito Santo, primeiro estado do Sudeste atingido pelas manchas. Segundo o IBGE, existem 156 municípios no litoral nordestino. Ainda de acordo com o Ibama, 97 animais já morreram por conta da contaminação e pelo menos 134 foram encontrados com manchas de óleo. Desses, apenas 37 foram localizados vivos. As tar- tarugas marinhas são as mais atingidas: 90 tartarugas, de diferentes espécies, foram contaminadas. Investigação federal Segundo órgãos federais, a substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais ma- rinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. Uma investigação da Polícia Federal aponta que o navio grego Bouboulina é o principal suspeito pelo vazamento. A embarcação carregou 1 milhão de barris de petróleo Merey 16 cru no Porto José, na Venezuela, no dia 15 de julho e zarpou em direção à Malásia, passando pelo litoral da Paraíba no dia 28 de julho. Cerca de um mês depois as primeiras manchas foram registradas em praias do estado. CIÊNCIAS DA NATUREZA 91 A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega. Dentre os cinco navios gregos notificados pela Marinha do Bra- sil na investigação sobre o vazamento de óleo, dois não transpor- taram petróleo da Venezuela no período de julho até setembro. A Petrobras disse, no último dia 25, que o material encontrado nas praias nordestinas é petróleo bruto originário de três diferentes campos da Venezuela. (Fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/10/08/lista- -de-praias-atingidas-pelas-manchas-de-oleo-no-nordeste.ghtml) Balanços oficiais de desmatamento da Amazônia confirmam dados de sistema de alerta; entenda A série com dados oficiais de desmatamento da Amazônia dos últimos três anos, compilados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostra que os alertas preliminares de áreas com sinais de devastação na floresta vêm sendo confirmados ano a ano, e com margem. A divulgação destes alertas gerou críticas do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que os números prejudicam a imagem do país. O episódio levou à exoneração do então diretor do instituto, Ricardo Galvão. Tanto a taxa oficial quanto os alertas diários preli- minares são do Inpe, que é ligado ao Ministério da Ciência e Tec- nologia. De agosto de 2018 a julho deste ano, os alertas indicaram que 6,8 mil km² poderiam estar sob desmate. O balanço do período que se encerrou em julho de 2019 ainda não foi divulgado. Em comparação, de agosto de 2017 a julho de 2018 os alertas sinalizaram desmate em 4,5 mil km ² e a taxa oficial ficou em 7,5 mil km² – 64,8% maior. Os alertas diários são emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e servem para embasar ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Já os dados oficiais são do Programa de Monitoramento da Flo- resta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), que tem índice de confiança próximo a 95%. Especialistas dizem que a falta de fiscalização e punição está levando ao crescimento do desmatamento na região amazônica. (Fonte:https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/18/balan- cos-oficiais-de-desmatamento-da-amazonia-confirmam-dados-de- -sistema-de-alerta-entenda.ghtml) Acordo de Paris O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UN- FCCC para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no con- texto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no sentido de manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Para que comece a vigorar, necessita da ratificação de pelo me- nos 55 países responsáveis por 55% das emissões de GEE. O se- cretário-geral da ONU, numa cerimônia em Nova York, no dia 22 de abril de 2016, abriu o período para assinatura oficial do acordo, pelos países signatários. Este período se encerrou em 21 de abril de 2017. Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se en- volveram na construção de seus próprios compromissos, a partir das chamadas Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determi- nadas (iNDC, na sigla em inglês). Por meio das iNDCs, cada nação apresentou sua contribuição de redução de emissões dos gases de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do cenário social e econômico local. Após a aprovação pelo Congresso Nacional, o Brasil concluiu, em 12 de setembro de 2016, o processo de ratificação do Acordo de Paris. No dia 21 de setembro, o instrumento foi entregue às Nações Unidas. Com isso, as metas brasileiras deixaram de ser pretendidas e tornaram-se compromissos oficiais. Agora, portanto, a sigla per- deu a letra “i” (do inglês, intended) e passou a ser chamada apenas de NDC. A NDC do Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, com uma contribuição indicativa subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para isso, o país se comprometeu a aumentar a participação de bio- energia sustentável na sua matriz energética para aproximadamen- te 18% até 2030, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030. Confira os fundamentos para NDC brasileira. A NDC do Brasil corresponde a uma redução estimada em 66% em termos de emissões de gases efeito de estufa por unidade do PIB (intensidade de emissões) em 2025 eem 75% em termos de in- tensidade de emissões em 2030, ambas em relação a 2005. O Brasil, portanto, reduzirá emissões de gases de efeito estufa no contexto de um aumento contínuo da população e do PIB, bem como da ren- da per capita, o que confere ambição a essas metas. No que diz respeito ao financiamento climático, o Acordo de Paris determina que os países desenvolvidos deverão investir 100 bilhões de dólares por ano em medidas de combate à mudança do clima e adaptação, em países em desenvolvimento. Uma novidade no âmbito do apoio financeiro é a possibilidade de financiamento entre países em desenvolvimento, chamada “cooperação Sul-Sul”, o que amplia a base de financiadores dos projetos. Esse mecanismo exige que os países atualizem continuamente seus compromissos, permitindo que ampliem suas ambições e au- mentem as metas de redução de emissões, evitando qualquer re- trocesso. Para tanto, a partir do início da vigência do acordo, acon- tecerão ciclos de revisão desses objetivos de redução de gases de efeito estufa a cada cinco anos. (Fonte: https://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- nidas/acordo-de-paris) http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-u- CIÊNCIAS DA NATUREZA 92 ECOLOGIA Rio São Francisco está contaminado com rejeitos da barragem de Brumadinho Quase três meses após a tragédia do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), que matou 210 pessoas e deixou outras 96 ainda consideradas desaparecidas, um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica revela que os danos ambientais provocados por mais um crime da empresa são ainda piores do que os divulgados até o momento. Segundo a entidade, o rio São Francisco está contaminado com rejeitos de minério. Entre os dias 8 e 14 de março, a equipe da SOS Mata Atlântica revisitou a região até o Alto São Francisco para mo- nitorar sua água. Dos 12 pontos analisados, nove estavam com condição ruim e três regular, o que torna o trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservató- rio de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para uso da população. A análise apontou que, em alguns trechos, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre, assim como o nível de turbidez da água, estavam acima do recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A turbidez é avaliada pela quantidade de partícula sólida em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, cau- sando a morte da vida aquática (em relatório divulgado pelo Portal do Meio Ambiente de Minas Gerais, datado do dia 20/02, a Vale te- ria informado que já teriam sido encontrados mais de 1.500 peixes nativos mortos no Paraopeba). (Fonte:http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta- -contaminado-com-rejeitos-da-barragem-de-brumadinho/) Mangaratiba interdita terminal da Vale e aplica multa de R$ 20 milhões A prefeitura de Mangaratiba interditou o terminal da minera- dora Vale localizado na Ilha de Guaíba e multou a empresa em R$ 20 milhões. A interdição ocorreu após uma vistoria feita na manhã de hoje (31/01/19) pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente do município. A ação contou com engenheiros ambientais, engenhei- ros químicos, técnicos do trabalho, biólogos, Polícia Militar, Guarda Municipal, além do prefeito, Alan Costa. Foram inspecionados cerca de 15 itens e encontradas diversas irregularidades. Segundo a prefeitura, a Secretaria de Meio Ambiente solicitou da empresa as licenças ambientais no dia 18 de dezembro de 2018, mas a Vale teria respondido que “as atividades de terminal maríti- mo no finger pier, que recebe navios e o transporte de passageiros (funcionários), estavam corretas, já que não há necessidade de li- cenciamento”. A notificação exigiu também a licença para operação do termi- nal da Guaíba, que não foi apresentada. Nova notificação foi feita no dia 21 de janeiro, também com a mesma resposta de que as licenças não seriam necessárias. Segundo a prefeitura, a operação no finger não precisa de licença, mas ela é necessária para o arma- zenamento temporário do minério no local, atividade com grande capacidade poluidora. Localizado na parte leste da Baía da Ilha Grande, o terminal foi construído em 1973 e recebe cerca de 40 milhões toneladas de mi- nério de ferro por ano, que chegam de trem e são levados de navio ao Porto de Sepetiba, para exportação. A Vale foi procurada pela reportagem para se posicionar, mas ainda não deu retorno. (Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-01/ mangaratiba-interdita-terminal-da-vale-e-aplica-multa-de-r-20-mi- lhoes) Efeito estufa Efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural responsável pela manutenção da vida na Terra. Sem a presença desse fenôme- no, a temperatura na Terra seria muito baixa, em torno de -18ºC, o que impossibilitaria o desenvolvimento de seres vivos. Existem, na atmosfera, diversos gases de efeito estufa capazes de absorver a radiação solar irradiada pela superfície terrestre, im- pedindo que todo o calor retorne ao espaço. Parte da energia emitida pelo Sol à Terra é refletida para o es- paço, outra parte é absorvida pela superfície terrestre e pelos oce- anos. Uma parcela do calor irradiado de volta ao espaço é retida pelos gases de efeito estufa, presentes na atmosfera. Dessa forma, o equilíbrio energético é mantido, fazendo com que não haja gran- des amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem estáveis. Para entender melhor, podemos comparar o efeito estufa ao que acontece em um carro parado sob a luz solar. Os raios solares passam pelos vidros e aquecem o interior do veículo. O calor, então, tende a sair pelo vidro, porém encontra dificuldades. Portanto, par- te do calor fica retido no interior do carro, aquecendo-o. Os gases de efeito estufa, presentes na atmosfera, funcionam como o vidro do carro, permitindo a entrada da radiação ultravioleta, mas dificul- tando que toda ela seja irradiada de volta ao espaço. Contudo, a grande concentração desses gases na atmosfera di- ficulta ainda mais a dispersão do calor para o espaço, aumentando as temperaturas do planeta. O efeito estufa tem-se agravado em virtude da emissão cada vez maior de gases de efeito estufa à at- mosfera. Essa emissão é provocada por atividades antrópicas, como queima de combustíveis fósseis, gases emitidos por escapamentos de carros, tratamento de dejetos, uso de fertilizantes, atividades agropecuárias e diversos outros processos industriais. Quais são os gases de efeito estufa? Existem quatros principais de gases de efeito estufa. 1. Dióxido de carbono: é o mais abundante entre os gases de efeito estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas ativida- des humanas. O uso de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo, é uma das atividades que mais emitem esses gases. Desde a Era Industrial, houve um aumento de 35% da quantidade de dió- xido de carbono na atmosfera. 2. Gás metano: é o segundo maior contribuinte para o aumen- to das temperaturas da Terra, com poder 21 vezes maior que o di- óxido de carbono. Provém de atividades humanas ligadas a aterros sanitários, lixões e pecuária. Além disso, pode ser produzido por meio da digestão de ruminantes e eliminado por eructação (arroto) ou por fontes naturais. Cerca de 60% da emissão de metano provém de ações antrópicas. http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta- http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta- http://conexaoplaneta.com.br/blog/rio-sao-francisco-esta- http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-01/ CIÊNCIAS DA NATUREZA 93 3. Óxido nitroso: pode ser emitido por bactérias no solo ou no oceano. As práticas agrícolas são as principais fontes de óxidonitro- so advindo da ação humana. Exemplos dessas atividades são cultivo do solo, uso de fertilizantes nitrogenados e tratamento de dejetos. O poder do óxido nitroso de aumentar as temperaturas é 298 vezes maior que o do dióxido de carbono. 4. Gases fluoretados: são produzidos pelo homem a fim de atender às necessidades industriais. Como exemplos desses gases, podemos citar os hidrofluorocarbonetos, usados em sistemas de arrefecimento e refrigeração; hexafluoreto de enxofre, usado na indústria eletrônica; perfluorocarbono, emitido na produção de alumínio; e clorofluorcarbono (CFC), responsável pela destruição da camada de ozônio. A emissão de gases de efeito estufa é proveniente, principal- mente, de atividades industriais. Além desses gases, há também o vapor d’água, um dos princi- pais responsáveis pelo efeito estufa. O vapor d’água capta o calor ir- radiado pela Terra, distribuindo-o novamente em diversas direções, aquecendo, dessa forma, a superfície terrestre. Causas do efeito estufa Nos últimos anos, houve um considerável aumento da concen- tração de gases de efeito estufa na atmosfera. As atividades huma- nas ligadas à indústria, as atividades agrícolas, o desmatamento e o aumento do uso dos transportes são os principais responsáveis pela emissão desses gases. É válido ressaltar que o efeito estufa é um fenômeno natural essencial para manutenção da vida na Terra, já que mantém as tem- peraturas médias, evitando grandes amplitudes térmicas e o esfria- mento extremo do planeta. Contudo, a intensificação de atividades industriais e agrícolas, que demandam áreas para produção e, con- sequentemente, geram desmatamento, e o uso dos transportes au- mentaram a emissão de gases de efeito estufa à atmosfera. A queima de combustíveis fósseis é uma das atividades que mais produzem gases de efeito estufa. A concentração desses gases na atmosfera impede que o calor seja irradiado, aquecendo ainda mais a superfície terrestre, aumentando, portanto, as temperatu- ras. Esse aumento das temperaturas decorrente da intensificação do efeito estufa é conhecido como aquecimento global. O efeito estufa é um fenômeno natural que, apesar de ser essencial para a manutenção da vida, tem sido agravado pela emissão de gases decorrente da ação antrópica. Aquecimento global e efeito estufa O efeito estufa é um fenômeno atmosférico de ordem natural capaz de garantir que a Terra seja habitável. Esse efeito é respon- sável por manter a temperatura média do planeta, de forma que o calor não seja totalmente irradiado de volta ao espaço, mantendo, portanto, a Terra aquecida e evitando que a temperatura não baixe drasticamente. A concentração dos gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o óxido nitroso, elevou-se significativamente nas últimas décadas. Segundo diversos estudiosos, essa concentração tem pro- vocado mudanças na dinâmica climática do planeta, provocando o aumento das temperaturas da Terra. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climá- ticas, a temperatura do planeta aumentou aproximadamente 0,85º C nos continentes e 0,55º C nos oceanos em um período de cem anos. Com esse aumento, foi possível constatar o derretimento das calotas polares e a elevação do nível do mar. A comunidade científica relaciona, portanto, o aumento dos gases de efeito estufa ao aumento das temperaturas médias glo- bais. A concentração desses gases impede cada vez mais que o ca- lor irradiado pela superfície seja disperso no espaço, aumentando a temperatura e reafirmando a questão do aquecimento global. Contudo, é válido ressaltar que essa relação entre efeito estufa e aquecimento global, bem como a existência do aquecimento global não são unanimidades entre os estudiosos. Muitos pesquisadores desacreditam que a concentração dos gases tem agravado o au- mento das temperaturas do planeta. Para eles, esse aquecimento elevado constitui apenas uma fase de variação da dinâmica climá- tica da Terra. CIÊNCIAS DA NATUREZA 94 O aquecimento global representa o aumento das temperatu- ras médias do planeta. Consequências do efeito estufa Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climá- ticas, o sistema climático pode ser alterado trazendo danos irrever- síveis, como: → Derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar. → Agravamento da segurança alimentar, prejudicando as co- lheitas e a pesca. → Extinção de espécies e danos a diversos ecossistemas. → Perdas de terras em decorrência do aumento do nível do mar, que provocará também ondas migratórias. → Escassez de água em algumas regiões. → Inundações nas latitudes do norte e no Pacífico Equatorial. → Riscos de conflitos em virtude da escassez de recursos na- turais. → Problemas de saúde provocados pelo aumento do calor. → Previsão de aumento da temperatura em até 2º C até 2100 em comparação ao período pré-industrial (1850 a 1900). O derretimento das calotas polares e o consequente aumento do nível do mar são consequências do efeito estufa. Como evitar o efeito estufa? O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sina- liza que a emissão de gases de efeito estufa deve ser reduzida de 40% a 70% entre os anos 2010 e 2050. Os países precisam estabe- lecer metas de redução de emissão desses gases a fim de conter o aumento das temperaturas. É preciso investir no uso de fontes de energia renováveis e al- ternativas, abandonando o uso dos combustíveis fósseis, cuja quei- ma libera diversos gases de efeito estufa. Outras ações cotidianas também podem ser adotadas, como redução do uso de transportes em trajetos pequenos, optando por ir a pé ou de bicicleta, preferên- cia pelo uso de transporte coletivo e de produtos biodegradáveis e incentivo à coleta seletiva. Resumo Fenômeno atmosférico Efeito Estufa Principais características Fenômeno de ordem natural res- ponsável por manter as temperatu- ras médias globais, possibilitando a existência de vida na Terra. É agra- vado pela ação humana por meio da emissão de gases de efeito estufa à atmosfera, que impedem a disper- são da radiação solar irradiada pela superfície terrestre, aumentando a temperatura do planeta. Gases de efeito estufa Dióxido de carbono Gás metano Óxido nitroso Gases fluoretados Causas É um fenômeno natural que tem-se intensificado em decorrência de ati- vidades humanas ligadas à indústria, atividades agropecuárias, uso de transportes e desmatamento. Consequências Derretimento das calotas polares. Aumento do nível do mar. Agravamento da segurança alimen- tar. Aumento dos períodos de seca. Escassez de água. Aumento das temperaturas. El Niño e La Niña O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado por anomalias, positivas (El Niño) ou negativas (La Niña), de tempera- tura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial, e sua carac- terização é feita através de índices, como o Índice de Oscilação Sul (IOS – calculado através da diferença de pressão entre duas regiões distintas: Taiti e Darwin) e os índices nomeados Niño [(Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4), que nada mais são do que as anomalias de TSM médias em diferentes regiões do Pacífico equatorial]. As previsões da anomalia da TSM para Dezembro-Janeiro-Fe- vereiro de 2019 (DJF-2019) dos modelos numéricos de previsão climática analisados indicam que as águas sobre o Pacífico Equato- rial devem manter-se mais quentes que o normal, indicando a per- manência do fenômeno El Niño. A previsão da ocorrência de ENOS realizada pelo IRI/CPC no início de novembro aponta que a maior probabilidade (80%) é de que o próximo trimestre (DJF) ainda tenha a influência do fenômeno El Niño, e assim segue até Abril-Maio-Ju- nho de 2019 (AMJ-2019) (49%). CIÊNCIAS DA NATUREZA 95 Para o último trimestre da previsão (Junho-Julho-Agosto de 2019) a maior probabilidade