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Educação
midiática vai além
da educação
digital e
tecnológica
Autor
Mariana
Ochs
Coordenadora
EducaMídia
É preciso diferenciar e
compreender os conceitos
para formarmos cidadãos no
mundo conectado
SOBRE O
AUTOR
— Publicação: 15/04/2021
Imagem: WOCInTech/Unsplash
O excesso de informação em
nossa sociedade hiperconectada
é, ao mesmo tempo, uma
oportunidade e um desafio. Uma
oportunidade, pois amplia as
possibilidades de aprendizado
autônomo e de acesso a
informações que nos permitem
tomar decisões e exercer nossos
direitos em uma sociedade
democrática; e um desafio, pois a
multiplicidade de autores e
intenções exige atenção redobrada
para a natureza e a confiabilidade
das mensagens.
É por essa razão que ações
de educação midiática, e não só
de educação tecnológica e digital,
são urgentes. A educação
midiática engloba o arsenal de
estratégias que precisamos ter
para lidar de forma reflexiva e
responsável com a abundância de
informação no mundo atual.
Desenvolve, essencialmente,
as habilidades para a leitura crítica
das informações e para
a participação responsável na
sociedade por meio das mídias –
 ou seja, propõe um olhar mais
reflexivo e consciente para o que
fazemos diariamente ao consumir
informação ou entretenimento,
comunicar-nos uns com os outros
e participar do diálogo da
sociedade utilizando mídias. 
O uso fortalecedor e bem
direcionado das novas tecnologias,
que vai além do simples manuseio
de equipamentos e plataformas, é
igualmente importante e está
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/precisamos-falar-sobre-educacao-midiatica.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/03/coronavirus-tambem-gera-uma-perigosa-pandemia-de-desinformacao.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/03/coronavirus-tambem-gera-uma-perigosa-pandemia-de-desinformacao.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/10/sociedade-conectada-tem-novas-praticas-de-ensinar-e-aprender.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/10/o-lado-bom-das-redes-sociais.shtml
diretamente relacionado ao
universo da educação midiática.
Mas é preciso aprofundar essa
intersecção.
O melhor exemplo para isso está
na educação básica. A Base
Nacional Comum Curricular
(BNCC) reconhece que a escola
precisa preparar o jovem para a
cultura digital – uma sociedade em
que a tecnologia cada vez mais
media as nossas relações sociais,
de aprendizado, de trabalho e de
consumo. Mas, para isso,
precisamos entender a presença e
o papel da tecnologia na educação
sob duas formas distintas.
Ao explorarmos a tecnologia como
ferramenta, tratamos do saber
operacional para utilizar
computadores, dispositivos,
aplicativos e ambientes que
apoiam o aprendizado,
desenvolvendo a fluência digital
que é essencial, inclusive, para
participar do mundo do trabalho.
Utilizar a tecnologia como
ferramenta criativa é também a
possibilidade de ampliar o
aprendizado por meio da
colaboração e da resolução de
problemas, por exemplo, pela
robótica, programação ou design. 
No entanto, a tecnologia é também
linguagem, permitindo a
comunicação e a convivência
social através das mídias, esse
território onde nos encontramos,
conversamos, debatemos,
investigamos, aprendemos,
trabalhamos, publicamos e
participamos. Nesse sentido, a
educação midiática torna-se
essencial para lidar criticamente
com a cultura digital e suas
implicações para a sociedade. 
A fluência digital, ou seja, o
domínio das ferramentas e
práticas, é cada vez mais
necessária para a inclusão no
universo do aprendizado e no
mercado de trabalho. Ser educado
midiaticamente, por outro lado, é
fator de equidade no acesso à
informação com confiança, na
possibilidade de construção de
conhecimento e na participação
efetiva na sociedade. É nesse
sentido que afirmamos que a
educação midiática é um direito
dos jovens – e de qualquer
cidadão. 
A mediação de educadores para o
desenvolvimento dessas
habilidades torna-se mais urgente
à medida que percebemos que os
jovens da chamada “geração C” –
 habituada a estar em sociedade
criando, compartilhando,
colaborando e se comunicando no
mundo digital – possuem
habilidade no manejo dos
ambientes e ferramentas, mas não
necessariamente o senso crítico
para discernir se o que estão
consumindo e disseminando nesse
ambiente é confiável, inclusivo ou
respeitoso. Embora tenham cada
vez mais possibilidades de
aprender de forma autônoma, é
urgente garantirmos que isso seja
feito de forma segura e realmente
proveitosa. 
Na prática, isso requer a própria
transformação das práticas
pedagógicas, buscando integrar a
decodificação de mídias, a leitura
reflexiva e a criação de narrativas
em todas as disciplinas
curriculares, orientando de forma
muito intencional o processo de
descoberta e produção de
conteúdo, e exige um olhar tanto
para os objetivos curriculares
como para os objetivos midiáticos
a serem alcançados. Quanto mais
educadores, profissionais da
educação, famílias, autoridades e
tomadores de decisão se
conscientizarem disso, mais rápido
poderemos agir para que a
cidadania seja um valor concreto
na era da informação.
Autores
Mariana Ochs
Coordenadora EducaMídia
Designer e educadora, é
corresponsável pelo
conteúdo do EducaMídia.
MO
É Google Innovator e
Trainer, atuando na
transformação digital de
escolas.

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