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Síntese- Interação comunitária Nome: Gabriela Avelar Souza Turma: Med 7 – Gama – 1° período ANAMNESE Anamnese significa trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doença e o paciente, pois é o núcleo em torno do qual se desenvolve a relação médico-paciente , o que representa uma posição ímpar, insubstituível, na prática médica. A anamnese quando é bem-feita culminaria em decisões diagnósticas e terapêuticas corretas, mas em situações em que é feita de forma mal feita desencadeia uma série de consequências negativas. O progresso tecnológico trouxe a ilusão de que a entrevista com o paciente poderia ser eliminada, mas essa tese caiu por terra. Já é possível afirmar que uma das principais causas da perda de qualidade do trabalho médico é justamente a redução do tempo dedicado a anamnese. Além disso, a realização de exames complementares não resolve esse problema, pelo contrário, aumenta os custos. Os exames devem ser escolhidos de forma eficiente, fruto de um raciocínio crítico apoiado quase inteiramente pela anamnese. A essência da anamnese é uma entrevista com objetivos e finalidades preestabelecidos, ou seja, a reconstituição de fatos e dos acontecimentos de forma direta ou indiretamente relacionados com uma situação anormal na vida dos pacientes. Possibilidades e objetivos da anamnese • Estabelecer uma relação médico-paciente. • Conhecer os determinantes epidemiológicos. • Registrar a história clínica. • Desenvolver práticas de promoção da saúde. • Avaliar o histórico de saúde do paciente, relacionando com fatores pessoais, familiares e ambientais. • Avaliar os sintomas de cada sistema corporal. Maneiras de se fazer anamnese • Deixar o paciente relatar, livre e espontaneamente, suas queixas sem nenhuma interferência , limitando a ouvi-lo. • Outra maneira é a anamnese dirigida, o médico, conduz a entrevista de forma mais objetiva. • O médico deixar, inicialmente, o paciente relatar de maneira espontânea suas queixas, para depois conduzir a entrevista. “Anamnese dialogada”: Em vez do tradicional relato passa a haver um diálogo amparado nas informações obtidas pelo paciente e os conhecimentos científicos do médico. Quanto tempo deve-se dedicar a anamnese? Não se pode estabelecer limites rígidos. Nas doenças agudas ou de início recente é possível conseguir uma história clínica de boa qualidade em 10 minutos, ao passo que nas doenças de longa duração , não se gastarão menos do que 30 a 60 minutos. Recomendações para uma boa anamnese • Criar uma boa relação médico-paciente desde do primeiro contato. • Cumprimente o paciente e diga o seu nome. • Demonstre atenção ao que o paciente está falando e procure identificar de pronto alguma condição especial. • Conhecer e entender as condições socioculturais do paciente. • Perspicácia e tato são qualidades indispensáveis para a obtenção de dados sobre a doença. • Ter cuidado com as perguntas para não surgirem ideias preconcebidas. • Sintomas bem investigados e bem compreendidos abrem caminho para um exame físico objetivo. • As queixas devem ser elaboradas mentalmente pelo médico • Somente a anamnese possibilita ao médico uma visão de conjunto do paciente, indispensável para a prática médica com excelência. SEMIOTÉCNICA DA ANAMNESE O médico tem de estar imbuído da vontade de ajudar o paciente e relatar seus procedimentos. Para conseguir tal ação, Bickley e Szilagyi sugerem que o examinador utilize uma ou mais das seguintes técnicas: apoio, facilitação, reflexão, esclarecimento , confrontação, interpretação , respostas empáticas e silêncio. O apoio desperta segurança no paciente. A reflexão é a repetição das palavras que o médico considera significativas. O esclarecimento consiste em mostrar ao paciente algo acerca de suas próprias palavras e comportamentos. Na interpretação, o médico faz uma observação a partir do que vai anotando. A resposta empática é a intervenção do médico mostrando “empatia”. Há momentos na entrevista que o examinador deve permanecer calado, faz parte da técnica da arte de entrevistar. ELEMENTOS COMPONENTES DA ANAMNESE • Identificação • Queixa principal • História de doença atual ( HDA) • Interrogatório sintomatológico(IS) • Antecedentes pessoais e familiares • Hábitos e estilo de vida • Condições socioeconômicas e sociais Identificação • Nome • Idade • Sexo/ Gênero • Cor/ Etnia • Estado civil • Profissão / Local de trabalho • Naturalidade • Procedência ( residência anterior do paciente) • Residência • Nome da mãe • Nome do responsável, cuidador e/ou acompanhante • Religião Filiação a órgãos/ instituições previdenciárias e planos de saúde Queixa principal • Qual o motivo da consulta? • Por que o(a) senhor(a) me procurou? • O que o (a ) senhor(a) está sentindo? • O que o(a) incomodando? História da doença atual • Deixe o paciente falar • Identifique o sintoma-guia • Descreva o sintoma-guia • Use o sintoma-guia como fio condutor da história e estabeleça as relações das outras queixas com ele em ordem cronológica. • Não induza respostas • Apure a evolução, exames e tratamentos • Resuma a história que obteve para o paciente SINTOMA-GUIA Denomina-se sintoma-guia o sintoma ou sinal que permite recompor a história da doença atual com mais facilidade e precisão, por exemplo, a febre na malária, a dor epigástrica na gastrite ou úlcera péptica. É importante determinar a época em que teve início aquele sintoma. A pergunta pode ser “Quando o senhor começou a sentir isso?”. Após isso é preciso investigar a maneira como evoluiu o sintoma. Assim o examinador analisa o sintoma-guia e os outros sintomas e estabelece uma correlação e as inter-relações com as queixas. Esquema para análise de um sintoma • Início • Característica do sintoma • Fatores de melhora ou piora • Relação com outras queixas • Evolução • Situação atual INTERROGATÓRIO SISTEMATOLÓGICO O interrogatório sintomatológico documenta a existência ou ausência de sintomas comuns relacionados com cada um dos principais sistemas corporais A principal utilidade prática do interrogatório sintomatológico reside no fato de permitir ao médico levantar possibilidades e reconhecer enfermidades que não guardam relação com o quadro sintomatológico registrado na HDA Em outras ocasiões, é no interrogatório sintomatológico que se origina a suspeita diagnóstica mais importante Outra importante função do interrogatório sintomatológico é avaliar práticas de promoção à saúde. Enquanto se avalia o estado de saúde passado e presente de cada sistema corporal, aproveita-se para promover saúde, orientando e esclarecendo o paciente sobre maneiras de prevenir doenças e evitar riscos à saúde. Início Relação à época de aparecimento. Se foi de início súbito ou gradativo, se teve fator desencadeante ou não Característica do sintoma Definir localização, duração, intensidade, frequência, tipo, ou seja, características próprias a depender do sintoma Fatores de melhora ou piora Definir quais fatores melhoram e pioram o sintoma, como, por exemplo, fatores ambientais, posição, atividade física ou repouso, alimentos ou uso de medicamentos Relação com outras queixas Registrar se existe alguma manifestação ou queixa que acompanha o sintoma, geralmente relacionado com o segmento anatômico ou funcional acometido pelo sintoma Evolução Registrar o comportamento do sintoma ao longo do tempo, relatando modificações das características e influência de tratamentos efetuados Situação atual Registrar como o sintoma está no momento da anamnese também é importante Importância do interrogatório sistematológico • Atender o paciente de maneira global inclui todos os conhecimentos de todos os sistemas corporais e seus sintomas • Pensando no paciente como um ser mutável, deve-se registrar o estado atual de todo o organismo do paciente • Muitas vezes, o adoecimento de um sistema corporal tem correlação com outro sistema e há a necessidade de tal conhecimento para adequar a propostaterapêutica. • Vale a pena incluir na fase de aprendizagem da anamnese o interrogatório sintomatológico, porque adquire-se uma visão de conjunto dos sinais e sintomas, conhecimento que será útil a todo médico. SISTEMATIZAÇÃO DO INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO • Sintomas gerais • Pele e fâneros • Cabeça e pescoço • Tórax • Abdome • Sistemas urinário e genital • Sistema hemolinfopoético • Sistema endócrino • Coluna vertebral, ossos, articulações e extremidades • Músculos • Artérias, veias, linfáticos e microcirculação • Sistema nervoso • Exame psíquico e avaliação das condições emocionais. ANTECEDENTES PESSOAIS Estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo fatores pessoais e familiares que influenciam seu processo saúde-doença. Em crianças e indivíduos de baixa idade, a análise dos antecedentes pessoais costuma ser feita com mais facilidade do que em outras faixas etárias. Os passos a serem seguidos abrangem os antecedentes fisiológicos e antecedentes patológicos. Antecedentes fisiológicos A avaliação dos antecedentes pessoais fisiológicos inclui os seguintes itens: gestação e nascimento, desenvolvimento psicomotor e neural e desenvolvimento sexual. Antecedentes patológicos A avaliação dos antecedentes pessoais patológicos compreende os seguintes itens: doenças sofridas pelo paciente, alergia, cirurgias, traumatismo, transfusões sanguíneas, história obstétrica, vacinas e medicamentos em uso. ANTECEDENTES FAMILIARES Começam com a menção ao estado de saúde (quando vivos) dos pais e irmãos do paciente. Se for casado, inclui-se o cônjuge e, se tiver filhos, estes são referidos. Não se esquecer dos avós, tios e primos paternos e maternos do paciente. Se tiver algum doente na família, esclarecer a natureza da enfermidade. Em caso de falecimento, indagar a causa do óbito e a idade em que ocorreu .Quando o paciente é portador de uma doença de caráter hereditário (hemofilia, anemia falciforme, rins policísticos, erros metabólicos), torna-se imprescindível um levantamento genealógico mais rigoroso e, nesse caso, recorre-se às técnicas de investigação genética. HÁBITOS E ESTILO DE VIDA Este item, muito amplo e heterogêneo, documenta hábitos e estilo de vida do paciente e está desdobrado nos seguintes tópicos: alimentação; ocupação atual e ocupações anteriores; atividades físicas; hábitos. ALIMENTAÇÃO No exame físico, serão estudados os parâmetros para avaliar o estado de nutrição do paciente; todavia, os primeiros dados a serem obtidos são os seus hábitos alimentares. Toma-se como referência o que seria a alimentação adequada para aquela pessoa em função da idade, do sexo e do trabalho desempenhado. Induz-se o paciente a discriminar sua alimentação habitual, especificando, tanto quanto possível, o tipo e a quantidade dos alimentos ingeridos – é o que se chama anamnese alimentar. Devemos questionar principalmente sobre o consumo de alimentos à base de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, bem como de água e outros líquidos. OCUPAÇÃO ATUAL E OCUPAÇÕES ANTERIORES Devemos questionar e obter informações tanto da ocupação atual quanto das ocupações anteriores exercidas pelo paciente. Os dados relacionados com este item são chamados história ocupacional. Voltamos a chamar a atenção para a crescente importância médica e social da medicina do trabalho. ATIVIDADES FÍSICAS Devemos questionar qual tipo de exercício físico realiza (p. ex., natação, futebol, caminhadas etc.); frequência (p. ex., diariamente, 3 vezes/semana etc.); duração (p. ex., por 30 minutos, por 1 hora); e tempo que pratica (p. ex., há 1 ano, há 3 meses) HÁBITOS Alguns hábitos são ocultados pelos pacientes e até pelos próprios familiares. A investigação deste item exige habilidade, discrição e perspicácia. Uma afirmativa ou uma negativa sem explicações por parte do paciente não significa necessariamente a verdade! Deve-se investigar sistematicamente o uso de tabaco, bebidas alcoólicas, anabolizantes, anfetaminas e drogas ilícitas. HABITAÇÃO É importante questionar sobre as condições de moradia: se mora em casa ou apartamento; se a casa é feita de alvenaria ou não; qual a quantidade de cômodos; se conta com saneamento básico (água tratada e rede de esgoto), com coleta regular de lixo; se abriga animais domésticos, entre outros. Indaga-se também sobre o contato com pessoas ou animais doentes. Se afirmativo, questiona-se sobre onde e quando ocorreu e sobre a duração do contato. A poluição do ar, a poluição sonora e visual, os desmatamentos e as queimadas, as alterações climáticas, as inundações, os temporais e os terremotos, todos são fatores relevantes na análise do item habitação, podendo propiciar o surgimento de várias doenças CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS Os primeiros elementos estão contidos na própria identificação do paciente; outros são coletados no decorrer da anamnese. Se houver necessidade de mais informações, indagar-se á sobre renda mensal, situação profissional, dependência econômica de parentes ou instituição. Todo médico precisa conhecer as possibilidades econômicas de seu paciente, principalmente sua capacidade financeira para comprar medicamentos e realizar exames complementares. Uma das mais frequentes causas de abandono do tratamento é a incapacidade de adquirir remédios ou alimentos especiais. CONDIÇÕES CULTURAIS É importante destacar que as condições culturais não se restringem ao grau de escolaridade, mas abrangem religiosidade, tradições, crenças, mitos, medicina popular, comportamentos e hábitos alimentares. Tais condições devem ser respeitadas em seu contexto VIDA CONJUGAL E RELACIONAMENTO FAMILIAR Investiga-se o relacionamento entre pais e filhos, entre irmãos e entre cônjuges. ANAMNESE EM PEDIATRIA A particularidade mais marcante reside no fato de a obtenção de informações ser feita por intermédio da mãe ou de outro familiar. Às vezes, o informante é a babá, um vizinho ou outra pessoa que convive com a criança. Os pais – ou os avós, principalmente – gostam de “interpretar” as manifestações infantis em vez de relatá-las objetivamente. É comum, por exemplo, quando o recém-nascido começa a chorar mais do que o habitual, a mãe ou a avó “deduzir” que o bebê está com “dor de ouvido”, isso com base em indícios muito inseguros ou por mera suposição. Outra característica da anamnese pediátrica é que esta tem de ser totalmente dirigida, não havendo possibilidade de deixar a criança relatar espontaneamente suas queixas. Durante a entrevista, o examinador deve ter o cuidado de observar o comportamento da mãe, procurando compreender e surpreender seus traços psicológicos. O relacionamento com a mãe é parte integrante do exame clínico da criança. ANAMNESE EM PSIQUIATRIA A anamnese dos pacientes com distúrbios mentais apresenta muitas particularidades que precisam ser conhecidas pelos médicos, mesmo os que não se dedicam a esse ramo da medicina. CONSIDERAÇÕES FINAIS Adquirir uma sólida base do método clínico, é indispensável a realização de histórias clínicas com a maior abrangência possível, não importando o tempo e o esforço que sejam despendidos. O domínio do método clínico depende deste primeiro momento. As adaptações que vão ser feitas mais tarde, ampliando ou sintetizando um ou outro aspecto da anamnese, não irão prejudicar a correta aplicação do método clínico.