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IESC
INTEGRAÇÃO ENSINO SERVIÇO COMUNIDADE
Maria Vitória de Sousa Santos
PRONTUÁRIO ELETRÔNICO 
 CONCEITO 
Os prontuários eletrônicos caracterizam-se 
por armazenar eventos ocorridos no 
processo assistencial em uma única 
organização de saúde, podendo ou não 
alimentar um registro eletrônico em saúde. 
São gerenciados por um software que 
amplia as possibilidades de cruzamento de 
dados e geração de informação. 
 DIFICULDADES ADAPTATIVAS 
A magnitude desse desafio aumenta à 
m e d i d a q u e a i m p l e m e n t a ç ã o d e 
prontuários eletrônicos exige outras 
mudanças: 
1. Familiarização dos profissionais ao 
novo fluxo de registro e às mudanças 
decorrentes no processo de trabalho; 
2. Uniformização e integração dos 
diferentes modelos de prontuários com 
os sistemas de informação vigentes; 
3. Criação ou adaptação de estrutura 
física de rede de comunicação e de 
hardware necessária, entre outras. 
 VANTAGENS 
1. Agilidade no acesso à informação; 
2. Diminuição do retrabalho com 
preenchimento; 
3. Possibilidade de coordenação do 
cuidado; 
4. Integração dos vários sistemas de 
informações e com outros níveis do 
sistema; 
5. Aplicação de lembradores e alertas 
(ferramentas de apoio clínico); 
6. Redução na duplicidade de cadastros; 
7. M o b i l i d a d e / a c e s s o v i a w e b e 
armazenamento. 
 DESVANTAGENS 
1. Dependência de boas taxas de conexão; 
2. C a m p o s o b r i g a t ó r i o s n o 
preenchimento/tempo; 
3. Menor confiabilidade do usuário; 
4. N e c e s s i d a d e d e e q u i p e d e 
desenvolvimento para integração com 
demais sistemas da rede eletrônica de 
saúde; 
5. N e c e s s i d a d e d e t r e i n a m e n t o e 
atualização; 
6. Heterogeneidade dos conhecimentos 
de informática; 
7. Custos iniciais de implantação. 
REGISTRO DE SAÚDE ORIENTADO POR PROBLEMAS 
 (RESOAP) 
As informações das pessoas sobre o que 
s e n t e m e m r e l a ç ã o à s a ú d e s ã o 
“traduzidas” pelos profissionais por meio 
de abstrações, buscando-se transformar as 
queixas em sinais e sintomas ao se 
utilizarem termos técnicos. Dessa forma, 
elaboram-se hipóteses e estabelecem-se 
diagnósticos para poder cuidar da saúde 
das pessoas. 
Sendo assim, o ReSOAP busca: 
1. Garantir a escuta qualificada (evitando 
que o profissional olhe mais para a 
tela/prontuário do que para os olhos 
da pessoa); 
2. Otimizar o tempo; 
3. Eliminar vícios de linguagem, termos 
técnicos e textos longos; 
4. Dinamizar e democratizar o acesso à 
i n f o r m a ç ã o , g a r a n t i n d o m a i o r 
o r g a n i z a ç ã o e a g i l i d a d e n o s 
atendimentos; 
Vantagens: 
1. Permite o acesso rápido aos dados 
básicos da pessoa; 
2. Fornece dados contínuos sobre os 
problemas de saúde, acompanhando as 
diferentes consultas; 
3. Possibilita a obtenção de dados para 
organizar medidas preventivas e; 
4. Contribui para a formação contínua. 
É constituído por três componentes: 
1. Dados Base: 
- Identificação da pessoa - nome pelo 
qual prefere ser tratada; 
- Escolaridade; 
- Hábitos saudáveis e nocivos; 
- Movimentos migratórios; 
- Composição do agregado familiar e 
identificação de recursos sociais; 
- Condições de habitação; 
- Antecedentes familiares e pessoais, 
com respectivos tratamentos; 
- História ginecológica e obstétrica nas 
mulheres; 
- Alergias; 
- Estado de imunização e realização de 
rastreios preconizados. 
2. Notas Clínicas Progressivas: 
Maria Vitória de Sousa Santos
- São os registros de cada consulta, 
organizados numa estrutura de quatro 
itens designada pelo acrônimo SOAP 
(Subjetivo, Objetivo, Avaliação e 
Plano). 
3. Lista de Problemas: 
- É u m r e s u m o d o s p r o b l e m a s 
relevantes da pessoa. 
- Um problema pode ser considerado 
“tudo aquilo que preocupa o médico, o 
doente, ou ambos” ou tudo o que for 
importante nos cuidados da pessoa. 
- É uma componente dinâmica, 
devendo ser atualizada sempre que 
p r o b l e m a s s ã o r e s o l v i d o s o u 
identificados de novo. 
 SOAP 
O SOAP deve ser utilizado pelo médico em 
todas as consultas com as pessoas 
atendidas, e seus principais objetivos são 
desenvolver um registro exato, breve e 
claro, contribuindo, assim, para um 
raciocínio e uma tomada de decisões com 
qualidade. 
1. Subjetivo(S): Indica o motivo da 
consulta. Tudo aquilo que a pessoa traz 
na sua maneira de se expressar, com 
suas palavras. Segue-se a anamnese 
com esclarecimento e caracterização de 
e v e n t u a i s s i n t o m a s , q u e i x a s e 
s e n t i m e n t o s . P e r g u n t a r s o b r e 
mudanças no estado geral de saúde nos 
últimos 12 meses. Investigar sobre 
doenças e cirurgias passadas, levantar 
a lista de medicações em uso e as 
utilizadas recentemente, sempre com 
as doses, e perguntar sobre exames 
realizados e hábitos como uso de 
álcool, tabagismo, atividade física. No 
caso de reconsulta ou consultas de 
revisão, deve-se registrar a resposta 
aos tratamentos realizados e às 
intervenções feitas. No caso de visita 
domiciliar, deve-se incluir descrição da 
casa e do ambiente. As informações 
podem ser obtidas da pessoa, do seu 
acompanhante, de familiares ou 
mesmo de terceiros. 
2. Objetivo(O): Tudo aquilo que pode 
ser observado pelo profissional. Aqui 
colocamos o exame físico, sinais vitais, 
exames de imagem, laboratoriais, 
comportamento, aspecto da casa (em 
VD), relação com companheiro durante 
a consulta. 
3. Avaliação(A): Deve espelhar a 
avaliação que o médico faz dos 
problemas da pessoa identificados na 
consulta em questão. Também, sempre 
que aplicável, podem ser colocadas 
neste item hipóteses de diagnósticos e 
diagnósticos diferenciais. Apenas 
devem ser listados os problemas 
identificados e abordados na consulta 
em causa. 
4. Plano(P): Deve estar contido o plano 
de atuação ou intervenção acordado 
entre médico e doente. Exames 
solicitados, referência a demais 
serviços, planos em equipe, educação 
em saúde, planos futuros. Registrar 
referenciações a outros prestadores, de 
documentos emitidos e consultas 
agendadas para reavaliação. 
Maria Vitória de Sousa Santos
Observação: As notas e reflexões do médico sobre a pessoa e a sua circunstância, assim 
como eventuais falhas a corrigir na consulta seguinte também têm lugar no P. A coleta dos 
dados deve ser adequada, fugindo-se dos extremos (Informações em demasia pode ser 
pouco produtivo, pois se perdem fatos importantes e coletar menos informações do que é 
necessário pode implicar dados insuficientes). 
 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
• A Classificação internacional de atenção primária (CIAP) foi desenvolvida para se 
trabalhar na metodologia SOAP e estruturada por episódio de cuidado, de maneira que 
permite codificar tanto o subjetivo (S), a avaliação (A) e o plano (P). 
• Como o objetivo em geral é registrar de forma numérica (resultado de exames 
complementares, biometria ou exames realizados na consulta), são dados naturalmente 
estruturados. 
• No episódio de cuidado, o motivo da consulta é a síntese do subjetivo, ao passo que o 
problema/condição é a síntese da avaliação, e a intervenção, a síntese do plano.MODELO 
Maria Vitória de Sousa Santos 
RASTREAMENTO DE SAÚDE E 
VACINAÇÃO DO ADULTO E DO IDOSO 
 RASTREAMENTO DE DOENÇAS 
• Define-se rastreamento como a aplicação 
de testes em pessoas assintomáticas (em 
uma população definida) com o objetivo 
d e s e l e c i o n a r i n d i v í d u o s p a r a 
intervenções cujo benefício potencial seja 
maior do que o dano potencial. Assim, 
pretende-se reduzir a morbimortalidade 
atribuída à condição a ser rastreada. 
PREVENÇÃO DE DOENÇAS, PROMOÇÃO DA SAÚDE E 
 RASTREAMENTO 
• O conceito de prevenção está ancorado 
em uma estrutura temporal linear que 
visa a impedir acontecimentos futuros 
indesejáveis. Em sentido estrito, significa 
evitar o desenvolvimento de um estado 
patológico, e em sentido amplo, inclui 
todas as medidas que limitam a 
progressão desse estado. 
Os conceitos em prevenção que merecem 
ser conhecidos pelos profissionais da APS 
para o manejo adequado das tecnologias e 
demandas do rastreamento são os 
seguintes: 
1. Níveis de prevenção de Leavell e Clark: 
prevenção primária , prevenção 
secundária e prevenção terciária. 
2. Prevenção quaternária (P4) que 
complementa os três níveis clássicos de 
prevenção, mas que deve permear 
todos os anteriores. 
3. Prevenções redutiva e aditiva. 
4. Estratégia preventiva de alto risco e 
abordagem populacional. 
 NÍVEIS DE PREVENÇÃO DE LEAVELL E CLARK 
1. Prevenção primária: Medidas que 
atuam antes do adoecimento e 
impedem a ocorrência de doenças. 
Inclui a promoção da saúde, a proteção 
inespecífica (nutrição, água potável, 
saneamento) e a proteção específica 
dirigida a uma determinada doença, 
por exemplo, imunização. 
2. Prevenção secundária: Tem por 
objetivo detectar o adoecimento 
precocemente para tratá-lo com mais 
efetividade, maior brevidade, menor 
sofrimento e menores danos. Os 
protótipos da prevenção secundária 
são os rastreamentos e o diagnóstico 
(ou detecção) precoce. Este último visa 
a fomentar a conscientização e a 
percepção precoce dos sinais de 
problemas de saúde entre usuários e 
profissionais. 
3. Prevenção terciária: Reabilitação 
em casos de doença ou lesão já 
estabelecida. Por exemplo, reabilitar 
um paciente com sequelas de acidente 
vascular cerebral (AVC). A prevenção 
terciária se confunde, necessariamente, 
com o próprio cuidado clínico aos já 
adoecidos. 
 PREVENÇÃO QUATERNÁRIA 
• A P4 é a ação que pretende evitar os 
danos potenciais e a medicalização 
e x c e s s i v a d e c o r r e n t e s d o 
i n t e r v e n c i o n i s m o b i o m é d i c o , 
protegendo os pacientes de danos 
iatrogênicos e oferecendo alternativas 
eticamente aceitáveis a esses pacientes. 
 PREVENÇÕES REDUTIVA E ADITIVA 
1. Prevenção redutiva: É a ação que 
d i m i n u i r i s c o s e e x p o s i ç õ e s 
decorrentes dos modos de vida 
modernos, urbanos e industrializados, 
coletivos e/ou individuais. Portanto, 
trata-se de reduzir a exposição aos 
produtos químicos e tóxicos na 
a l i m e n t a ç ã o , r e d u z i r o 
multiprocessamento dos alimentos, 
reduzir o sedentarismo da vida urbana, 
reduzir os riscos e a contaminação 
q u í m i c a t ó x i c a a m b i e n t a l e 
ocupacional, diminuir a privação e a 
iniquidade socioeconômica; reduzir o 
estresse, a privação do sono, o cansaço 
excessivo, etc. 
- Exemplos: estimular atividade 
física rotineira, uma alimentação 
diversificada sem agrotóxicos e com 
o m í n i m o d e p r o d u t o s 
multiprocessados, reduzir o excesso 
de bebidas alcoólicas, o tabagismo, 
a obesidade, etc. 
2. Preventiva aditiva: Consiste na 
introdução de um fator ou produto 
biotecnológico (físico ou químico) 
produzido artificialmente e aplicado 
nas pessoas ou no ambiente, que tem 
Maria Vitória de Sousa Santos 
por objetivo conferir proteção de algum 
evento mórbido futuro. 
- E x e m p l o s : V a c i n a s , 
r a s t r e a m e n t o s , t r a t a m e n t o s 
preventivos farmacológicos de 
fatores de risco (p. ex., reduzir o 
colesterol com a prescrição de 
estatinas). 
 ESTRATÉGIA PREVENTIVA DE ALTO RISCO E 
 ABORDAGEM POPULACIONAL 
1. Estratégia de alto risco: Se dirige a 
um grupo restrito e selecionado de 
pessoas com alto risco de algum 
adoecimento. Há necessidade de se 
identificar e convidar as pessoas 
pertencentes ao grupo de alto risco 
para intervenções preventivas, não 
incluindo o restante da população 
considerada “normal”. 
2. Abordagem populacional: Se dirige 
ao conjunto da população, sem 
distinguir entre grupos estratificados 
de risco. Visa a reduzir o risco de 
adoecimento em toda a população. 
Alguns exemplos são: 
- Introduzir uma lei ou norma 
sanitária - tal como proibir o fumo 
em locais fechados e públicos; 
- Aumentar os impostos sobre o 
tabaco; 
- Tornar o uso do cinto de segurança 
obrigatório e instituir lei seca no 
trânsito; 
- Proibir agrotóxicos e transgênicos, 
i n c e n t i v a r o c u l t i v o e a 
d i s s e m i n a ç ã o d e a l i m e n t o s 
orgânicos; 
- Outros exemplos clássicos são o 
tratamento da água potável e do 
esgoto. 
 RASTREAMENTO 
• Rastreamento é a aplicação de testes ou 
procedimentos diagnósticos em pessoas 
assintomáticas com o propósito de 
dividi-las em dois grupos: aquelas sem a 
condição e aquelas com a condição a ser 
rastreada e que podem vir a ser 
b e n e f i c i a d a s p e l a i n t e r v e n ç ã o 
antecipada. No rastreamento, um exame 
pos i t ivo não impl ica fechar um 
diagnóstico. Outro teste confirmatório 
(com maior especificidade para a doença 
em questão) é necessário depois de um 
rastreamento positivo, para que se possa 
estabelecer um diagnóstico definitivo. 
- Exemplo: Mamografia sugestiva de 
neoplasia biópsia. 
Observação: Um exame de rastreamento 
d e v e t e r ó t i m a s e n s i b i l i d a d e e 
especificidade, para que resulte em 
pequenas taxas de falso-positivo e para que 
dê segurança de que a pessoa realmente 
não tem a doença quando o resultado for 
negativo. 
- Sensibilidade - capacidade de detectar 
indivíduos com aquela doença. 
- Especificidade - capacidade de excluir 
o diagnóstico nos casos dos não 
doentes. 
 RISCOS 
O s r i s c o s d o s p r o c e d i m e n t o s d e 
rastreamento envolvem, além daqueles 
inerentes ao procedimento, alguns outros, 
tais como: 
1. Falsa impressão de proteção para 
aquelas pessoas com teste negativo e 
que apresentam a condição rastreada 
(falso-negativos); 
2. Sequência de exames diagnósticos em 
que o paciente será submetido até a 
confirmação da doença; 
3. P a c i e n t e s e r r o n e a m e n t e c o m 
rastreamento positivo (falso-positivos); 
4. Tratamento excessivo daqueles com 
anormalidades limítrofes; 
5. Além da preocupação e ansiedade 
geradas nos pacientes que necessitam 
d e c o n f i r m a ç ã o d e e x a m e s d e 
rastreamento alterados. 
 VIÉSES 
Maria Vitória de Sousa Santos 
1. Viés de tempo de antecipação: 
Nesse tipo de viés, o profissional de 
saúde é iludido pela percepção 
temporal de que a pessoa que tem seu 
diagnóstico precoce vive mais. Desse 
modo, o diagnóstico precoce sempre 
aparentará que melhorou a sobrevida, 
mesmo quando a terapia é inútil. 
2. Viés de tempo de duração : 
A p r e s e n t a o c o n c e i t o d e 
heterogeneidade no processo de 
desenvolvimento das doenças. Assim, 
existem doenças que são mais 
agressivas (evoluem rapidamente)e de 
pior prognóstico que outras; situação 
essa que ocorre entre pessoas ou 
grupos de pessoas. Desse modo, os 
programas de rastreamento tendem a 
selecionar casos menos agressivos e de 
melhor prognóstico. 
3. Viés de sobrediagnóstico: Tem o 
poder de alterar a estatística ao 
produzir novas doenças que, caso 
seguissem um curso natural, não 
viriam a se desenvolver em entidades 
clínicas. Esse viés também amplifica 
ilusoriamente os supostos efeitos 
benéficos da intervenção. 
4. Viés de seleção: O rastreamento 
tende a selecionar pessoas de maior 
esclarecimento e preocupadas com a 
saúde, produzindo um viés de seleção 
(como viés do voluntário saudável). 
Isso costuma acarretar resultados mais 
f a v o r á v e i s a o e x c l u i r g r u p o s 
populacionais de maior risco, aqueles 
que tendem a ter um estilo de vida 
menos saudável. Desse modo, o 
rastreamento pode favorecer a lei de 
cuidados inversos ao desviar a 
assistência clínica e os recursos 
sanitários dos indivíduos doentes para 
os saudáveis, dos idosos para os jovens 
e dos pobres para os ricos. 
 RASTREAMENTO NA APS 
A APS tem papel fundamental na 
construção de programas de rastreamento, 
pois pode potencializar o seguimento das 
pessoas convidadas a participar do 
programa de forma longitudinal. 
Informações relevantes: 
• F a z e r e x a m e d e P a p a n i c o l a u 
regularmente a partir dos 25 anos de 
idade reduz a mortalidade associada a 
esse câncer. 
• Antes dos 25 anos, mesmo para 
mulheres com vida sexualmente ativa, os 
potenciais benefícios do rastreamento 
não superam os possíveis danos. 
• Mulheres imunossuprimidas requerem 
rastreamento desde o início da vida 
sexual ativa com maior intensidade 
(semestral no primeiro ano e, se 
normais, anual enquanto se mantiver a 
imunossupressão). 
• Para mulheres de 65 anos ou mais que 
nunca fizeram o citopatológico de colo 
uterino, dois exames negativos com 
intervalo de 1 a 3 anos são necessários 
para se interromper o rastreamento. 
• Mulheres que fizeram histerectomia 
total, ou seja, não têm mais colo uterino, 
Tipo de rastreamento Observação
Colo de útero Mulheres sexualmente 
ativas
Mama Entre 50 e 74 anos, 
bianual
Cancer de colo e reto Pesquisa de sangue 
oculto nas fezes entre 50 
e 75 anos
Tipo de rastreamento Observação
Dislipidemia em 
homens > 35 anos
Dislipidemia em 
homens de 20 a 35 anos
Pacientes com alto risco 
cardiovascular
Dislipidemia em 
mulheres entre 20 e 45 
anos
Pacientes com alto risco 
cardiovascular
Dislipidemia em 
mulheres > 45 
anos
Pacientes com alto risco 
cardiovascular
HAS > 18 anos Homens e mulheres
DM tipo II Se PA sustentada 135 x 
90 mmhg
Tabagismo Todos os adultos, 
incluindo gestantes
Uso de álcool Rastreio e intervenção, 
todos os adultos, 
incluindo gestantes
Obesidade Adultos 
Maria Vitória de Sousa Santos 
ou que nunca tiveram relações sexuais, 
não se beneficiam desse exame. 
 CRITÉRIOS PARA UM PROGRAMA DE 
 RASTREAMENTO 
Para a implantação de programas de 
rastreamento, o problema clínico a ser 
rastreado deve atender a alguns critérios, a 
seguir: 
1. A doença deve representar um 
importante problema de saúde pública 
que seja relevante para a população, 
levando em consideração os conceitos 
de magnitude, transcendência e 
vulnerabilidade; 
2. A história natural da doença ou do 
problema clínico deve ser bem 
conhecida; 
3. Deve existir estágio pré-clínico 
(assintomático) bem definido, durante 
o q u a l a d o e n ç a p o s s a s e r 
diagnosticada; 
4. O b e n e f í c i o d a d e t e c ç ã o e d o 
t r a t a m e n t o p r e c o c e c o m o 
rastreamento deve ser maior do que se 
a condição fosse tratada no momento 
habitual de diagnóstico; 
5. Os exames que detectam a condição 
clínica no estágio assintomático devem 
estar d isponíve is , ace i táve is e 
confiáveis; 
6. O custo do rastreamento e tratamento 
de uma condição clínica deve ser 
razoável e compatível com o orçamento 
destinado ao sistema de saúde como 
um todo; 
7. O rastreamento deve ser um processo 
contínuo e sistemático. 
 VACINAÇÃO 
Aplicação de um ou mais agentes 
(bactérias, vírus ou toxinas) para a 
est imulação do s istema imune. É 
considerada uma das medidas com maior 
custo-benefício na prevenção de doenças 
infecciosas. 
 TIPOS DE VACINAS 
1. Vacina atenuada: Vírus ou bactérias 
vivas que, após cultivados em meios 
adversos, perderam sua virulência, 
m a n t e n d o s u a c a p a c i d a d e 
imunogênica. 
- Ex emplo : S a r a m p o , r u b é o l a , 
caxumba, febre amarela (FA), varicela 
(VZ), BCG, rotavírus e VOP. 
2. Vacinas inativadas: Administração 
de micro-organismos mortos para 
induzir a resposta imunológica. Não 
conferem imunidade duradoura, 
n e c e s s i t a n d o s e r r e p e t i d a s 
periodicamente durante toda a vida. 
- Exemplo: Hepatite A (HA), raiva, 
VIP, influenza e DTP. 
3. Vacinas conjugadas: Fabricadas 
com fração de micro-organismos 
purificados (sacarídeos) ligados a 
proteínas, com capacidade de induzir 
memória imunológica. 
- E x e m p l o : V a c i n a c o n t r a 
Haemophilus influenzae tipo B 
(Hib), Pneumococo e meningococo. 
4. Vacina recombinante: Produzida 
com micro-organismos geneticamente 
m o d i f i c a d o s , p e l a i n s e r ç ã o d o 
fragmento de DNA do antígeno em 
determinado micro-organismo para a 
produção de proteína imunogênica. 
- Exemplo: Hepatite B (HB). 
5. Vacina combinada: Resulta da 
agregação de diferentes antígenos para 
proteção contra diferentes doenças que 
são administradas em uma mesma 
preparação. 
- Exemplo: Vacina tríplice viral 
(sarampo, caxumba e rubéola), 
penta, tetra viral. 
 PRECAUÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES 
1. Não são contraindicações: reações 
locais leves após aplicação de vacina 
anterior, terapia antimicrobiana atual, 
estar em fase de convalescença de 
doença aguda, diarreia, infecções da 
via aérea superior, desnutrição, uso de 
corticoides por período inferior a 2 
s e m a n a s e e m d o s e s n ã o 
imunodepressoras. 
2. Deve-se postergar a vacinação em 
casos de doenças febris moderadas a 
graves. 
3. Pacientes imunodeprimidos não devem 
receber vacinas vivas. 
4. Crianças em uso de corticoides com 
dose ≥ 2 mg/kg/dia de prednisona ou 
equivalente, ou doses maiores de 20 
Maria Vitória de Sousa Santos 
mg/dia em crianças acima de 10 kg e 
adultos, por mais de 2 semanas, não 
devem receber vacinas com agentes 
vivos antes de 1 mês após o término da 
corticoterapia. 
5. E m c a s o s d e i m u n o d e p r e s s ã o 
secundária ao tratamento de câncer 
com quimioterapia e radioterapia, o 
paciente só pode realizar vacinas vivas 
atenuadas após 3 meses da cessação da 
imunossupressão e dependendo da sua 
situação clínica. 
6. A contraindicação absoluta para a 
administração de uma vacina é ter uma 
história de reação alérgica grave 
(urticária generalizada, dificuldade 
r e s p i r a t ó r i a , e d e m a d e g l o t e , 
hipotensão ou choque) a um de seus 
componentes. 
 EVENTOS ADVERSOS 
O surgimento de eventos adversos depende 
do: 
1. Tipo de vacina (agente vivo e não vivo, 
uso de adjuvantes, conservantes, 
estabilizadores, antibióticos); 
2. Do indivíduo (idade, imunidade); 
3. D e f a t o r e s r e l a c i o n a d o s à 
administração (material, via e local de 
administração). 
Observação: Podem se manifestar 
algumas horas após a administração da 
vacina e persistir por 48 horas ou mais. 
Principais manifestações: 
1. Locais: Dor, edema, eritema e 
enduração. 
2. S i s t ê m i c o s : F eb r e , c h o r o 
inconsolável, episódio hipotônico- 
hiporresponsivo, convulsão, exantema, 
síncope, alergia e anafilaxia. 
 CALENDÁRIO VACINAL DA CRIANÇA 
1. Ao nascer: 
- Vacina BCG (Dose única) 
- Vacina Hepatite B (recombinante HB) 
2. 2 meses: 
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano, 
C o q u e l u c h e , H e p a t i t e B 
(recombinante) e Haemophilus 
influenzae B (conjugada) - (Penta) (1ª 
dose) 
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) 
- (VIP) (1ª dose) 
- Vacina pneumocócica 10-valente 
(Conjugada) - (Pneumo 10) (1ª dose) 
- Vacina rotavírus humano G1P1 [8] 
(atenuada) - (VRH) (1ª dose) 
3. 3 meses: 
- Vacina meningocócica C (conjugada) - 
(Meningo C) (1ª dose) 
4. 4 meses: 
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano, 
c o q u e l u c h e , H e p a t i t e B 
(recombinante) e Haemophilus 
influenzae B (conjugada) - (Penta) (2ª 
dose) 
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) 
- (VIP) (2ª dose) 
- Vacina pneumocócica 10-valente 
(Conjugada) - (Pneumo 10) (2ª dose) 
- Vacina rotavírus humano G1P1 [8] 
(atenuada) - (VRH) (2ª dose) 
5. 5 meses: 
- Vacina meningocócica C (conjugada) - 
(Meningo C) (2ª dose) 
6. 6 meses: 
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano, 
c o q u e l u c h e , H e p a t i t e B 
(recombinante) e Haemophilus 
influenzae B (conjugada) - (Penta) (3ª 
dose) 
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) 
- (VIP) (3ª dose) 
- Vacina Influenza (1 ou 2 doses (anual) 
- Vacina Covid-19 (1ª dose) 
Observação: A vacina Covid-19 está 
recomendada com esquema de 03 doses 
(aos 06, 07 e 09 meses de idade). Caso não 
tenha iniciado e/ou completado o esquema 
primário até os 09 meses de idade, a 
vacina poderá ser administrada até 04 
anos, 11 meses e 29 dias, conforme 
histórico vacinal, respeitando os intervalos 
mínimos recomendados (04 semanas entre 
a 1ª e 2ª dose; e 08 semanas entre a 2ª e 
3ª dose). 
7. 7 meses: 
- Vacina Covid-19 (2ª dose) 
8. 9 meses: 
- Vacina Febre Amarela (atenuada) - 
(FA) (1 dose) 
- Vacina Covid-19 (3ª dose) 
9. 12 meses: 
- Vacina pneumocócica 10-valente 
(Conjugada) - (Pneumo 10) (Reforço) 
Maria Vitória de Sousa Santos 
- Vacina meningocócica C (conjugada) - 
(Meningo C) (Reforço) 
- Vacina Sarampo, Caxumba, Rubéola 
(Tríplice viral) (1ª dose) 
10. 15 meses: 
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano e 
coqueluche (DTP) (1º reforço) 
- Vacina poliomielite 1 e 3 (atenuada) - 
(VOPb) (1º reforço) 
- Vacina adsorvida Hepatite A (HA - 
inativada) (1 dose) 
- Vacina Tetra viral (1 dose) 
11. 4 anos: 
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano e 
coqueluche (DTP) (2º reforço) 
- Vacina Febre Amarela (atenuada) 
(Reforço) 
- Vacina poliomielite 1 e 3 (atenuada) - 
(VOPb) (2º reforço) 
- Vacina varicela (monovalente) - 
(Varicela) (1 dose) 
12. 5 anos: 
- Vacina Febre Amarela (atenuada) - 
(FA) (1 dose, caso a criança não tenha 
recebido as 2 doses recomendadas 
antes de completar 5 anos) 
- Vacina pneumocócica 23-valente - 
(Pneumo 23) (1 dose) —> Proteção 
contra infecções invasivas pelo 
pneumococo na população indígena 
13. 9 e 14 anos: 
- Vacina HPV Papilomavírus humano 6, 
11, 16 e 18 (HPV4 - recombinante) 
(Iniciar e completar o esquema de 
duas doses) 
Observação: Em casos de violência 
sexual, indivíduos de 9 a 45 anos que 
tenham sido totalmente vacinados com a 
HPV4 não precisam de doses adicionais. 
Aqueles com esquema incompleto, ou não 
iniciados, devem receber as doses restantes 
para completar o esquema recomendado 
(3 doses, com a 2ª dose após 2 meses da 1ª 
e a 3ª dose após 6 meses da 1ª). 
 CALENDÁRIO VACINAL DO ADULTO 
1. A qualquer tempo: 
- V a c i n a H e p a t i t e B ( H B - 
recombinante) (3 doses, de acordo 
com histórico vacinal) 
- Vacina Difteria e Tétano (dT) (3 
doses, de acordo com histórico vacinal 
| Reforço a cada 10 anos ou a cada 5 
anos em caso de ferimentos graves) 
- Vacina Febre Amarela (VFA - 
atenuada) (Dose única caso não tenha 
recebido nenhuma dose até os 5 anos 
ou reforçar, caso a pessoa tenha 
recebido uma dose da vacina antes de 
completar 5 anos de idade) 
Observação: Pessoas com 60 anos e 
mais, que nunca foram vacinadas ou sem 
comprovante de vacinação, o serviço de 
saúde deverá avaliar a pertinência e o risco 
X benefício da vacinação. 
- Vacina HPV Papilomavírus humano 6, 
11, 16 e 18 (HPV4 - recombinante) 
Observação: Em casos de violência 
sexual, indivíduos de 9 a 45 anos que 
tenham sido totalmente vacinados com a 
HPV4 não precisam de doses adicionais. 
Aqueles com esquema incompleto, ou não 
iniciados, devem receber as doses restantes 
para completar o esquema recomendado 
(3 doses, com a 2ª dose após 2 meses da 1ª 
e a 3ª dose após 6 meses da 1ª). 
2. 20 e 29 anos: 
- Vacina Tríplice viral (Duas doses). 
3. 30 e 59 anos: 
- Vacina Tríplice viral (Uma dose - 
Verificar situação vacinal anterior). 
 CALENDÁRIO VACINAL DA GESTANTE 
1. A qualquer tempo: 
- V a c i n a H e p a t i t e B ( H B - 
recombinante) (Iniciar ou completar 3 
doses, de acordo com histórico 
vacinal); 
- Vacina Difteria e Tétano (dT) (Iniciar 
ou completar 3 doses, de acordo com 
histórico vacinal | Reforço a cada 10 
anos ou a cada 5 anos em caso de 
ferimentos graves); 
2. 2 0 s e m a n a s d e g e s t a ç ã o e 
puérperas até 45 dias: 
- Vacina Difteria, Tétano, Pertussis 
(dTpa - acelular) (Uma dose a cada 
gestação). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 SITUAÇÕES ESPECIAIS 
 GESTANTES E LACTANTES 
• Vacinas compostas por agentes vivos 
apresentam riscos teóricos para o feto 
d u r a n t e a g r a v i d e z , s e n d o 
contraindicadas. 
Observação: Exceção a essa regra é a 
gestante não vacinada que reside em local 
próximo onde ocorreu confirmação de 
circulação de vírus da FA (epizootias, casos 
humanos e vetores na área afetada). 
Nesses casos, vacinar em qualquer idade 
gestacional (IG). 
• Vacinas contra a rubéola e a varicela 
podem ser administradas a mulheres em 
idade fértil, porém, elas devem evitar 
ficar grávidas por 4 semanas. 
• Toda gestante deverá receber uma dose 
da vacina adsorvida contra dTPa a partir 
da 20ᵃ semana de gestação. 
• Caso não tenham sido vacinadas na 
gestação, poderão realizar no período 
puerperal; porém, neste caso, não 
ocorrerá transferência de anticorpos da 
mãe para o feto, apenas se evitará que a 
mãe adoeça e possa ser uma fonte de 
infecção para o filho. 
• A gestante deve ser vacinada para a 
prevenção do tétano materno e neonatal. 
Para ser considerada imunizada, deve ter 
recebido três doses prévias de vacina 
contendo o toxoide tetânico, sendo a 
última no máximo há 5 anos – passado 
esse prazo, deverá fazer uma dose de 
reforço que poderá ser na forma da 
dTPa. 
• Se est iver com esquema vacinal 
incompleto, deve receber as doses para 
completá-lo, com intervalo de 60 dias 
(mínimo de 30 dias) – a primeira o mais 
precocemente possível. 
• Segundo o PNI, gestantes não vacinadas 
e que apresentam sorologias negativas 
para o vírus da hepatite B possuem 
indicação de vacinação em qualquer IG, 
independentemente da faixa etária. 
• A amamentação não contraindica 
nenhuma vacinação, exceto a da FA 
(Existe um risco teórico de transmissão 
desse vírus vacinal pelo leite materno). 
• Lactentes de crianças menores de 6 
meses de vida, não vacinadas contra a 
FA, só deverão receber a vacina se 
residirem em local próximo onde ocorreu 
a confirmação de circulação do vírus 
(epizootias, casos humanos e vetores na 
área afetada). Deve-se suspender o 
aleitamento materno por 10 dias após a 
vacinação. 
 IMUNODEPRIMIDOS 
• Pessoas com deficiência grave da 
imunidade não devem receber vacinas 
com agentes vivos. 
• R e c o me n d a - s e a a t u a l i z a ç ã o d o 
calendário vacinal e a aplicação de 
vacinas contra pneumococo e Hib o mais 
precocemente possível. 
- Com pelo menos 14 dias antes de 
esplenectomia, transplante de 
m e d u l a ó s s e a o u t e r a p i a 
imunossupressora para tratamento 
de câncer. 
• A eficácia das vacinas da HB em 
imunodeprimidos e nas pessoas com 
doenças renais crônicas está diminuída, 
por isso, são necessárias doses maiores 
e/ou um maior número de doses para a 
indução de anticorpos em níveis 
protetores. 
• A vacina HPV quadrivalente está 
disponível nos CRIEs para indivíduos 
imunodeprimidos (submetidos a 
t r a n s p l a n t e d e ó r g ã o s s ó l i d o s , 
transplantes de medula óssea, pacientes 
oncológicos ou com HIV/aids) que 
deverão receber esquema de 3 doses (0, 
2 e 6 meses) para ambos os sexos, nas 
faixas etárias entre 9 e 45 anos. 
 TRABALHADORES DA SAÚDE 
• Os profissionais de saúde, além das 
vacinas preconizadas para adultos pelo 
calendário básico, deverão receber as 
vacinas contra Hib, HB e VZ para os sem 
história prévia de doença ou vacinação; 
duas doses SCR. 
 VIAJANTES 
• A FA é a única doença especificada no 
Regulamento Sanitário Internacional de 
2005 para o qual os países podem exigir 
prova vacinal na entrada de seus 
viajantes. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Houve alteração no regulamento no 
qu e s i t o p e r ío d o d e va l id ad e d o 
certificado e proteção fornecida pela 
vacinação contra infecção da FA, de 10 
anos para toda a vida. 
• Recomenda-se a vacinação pelo menos 
10 dias antes da viagem. 
• Há vários países com áreas endêmicas de 
sarampo, difteria, febre tifoide, hepatite 
A, cólera, raiva.
Maria Vitória de Sousa Santos
OBESIDADE 
 CONCEITO 
• A obesidade é o acúmulo de gordura no 
corpo causado quase sempre por um 
consumo de energia na alimentação, 
superior àquela usada pelo organismo 
para sua manutenção e realização das 
atividades do dia-a-dia. 
 MENSURAÇÃO 
• O acúmulo de gordura pode ser 
mensurado por meio do índice de massa 
corporal (IMC), calculado pela divisão do 
peso em quilogramas pelo quadrado da 
altura em metros. O IMC correlaciona-se 
com os fatores de risco à saúde e é 
utilizado para classificar o grau de 
obesidade. 
Observação: Com o aumento da idade, 
ocorrem modificações na composição 
corporal como diminuição de água 
corporal, massa óssea, massa muscular, 
redistribuição da gordura corporal e 
redução progressiva de altura. 
Legenda: Valores de IMC para pessoas 
acima de 60 anos. 
PROBLEMAS DE SAÚDE ASSOCIADOS A OBESIDADE 
O IMC, como medida de excesso de peso, 
tem mostrado uma correlação linear com: 
1. Risco de doença cardiovascular (DCV); 
2. Desenvolvimento de diabetes mellitus 
tipo 2 (DM2); 
3. Hipertensão arterial sistêmica (HAS); 
4. Doença da vesícula biliar. 
 ANAMNESE 
1. História do excesso de peso: idade de 
i n í c i o , m a i o r e m e n o r p e s o s 
alcançados; 
2. História familiar de diabetes e 
obesidade; 
3. T e n t a t i v a s a n t e r i o r e s d e 
emagrecimento; 
4. Fatores precipitantes das recaídas; 
5. Estilo de vida (comportamento 
alimentar e padrão de atividade física 
pessoal); 
6. Expectativas relacionadas ao peso 
desejado. 
Observação: As consequências físicas são 
avaliadas pela presença de comorbidades, 
VALOR DO IMC CLASSIFICAÇÃO
Menor que 22 Baixo peso
De 22 a 27 Normal
De 27 a 29,99 Sobrepeso
Maior que 30 Obesidade
Sistema orgânico/tipo 
de enfermidade
Efeito sobre a saúde
Câncer • Homens: câncer de 
esôfago, estômago, 
colorretal, fígado, 
vesícula biliar, pâncreas, 
próstata, rim, linfoma 
não Hodgkin, mieloma 
múlti-plo, leucemia 
• Mulheres: câncer de 
endométrio, cérvice 
uterina, ovário, mama, 
co-lorretal, fígado, 
vesícula biliar, rim, 
linfoma não Hodgkin, 
mieloma múltiplo
Sistema cardiovascular • Aterosclerose, infarto 
do miocárdio, AVC
Pele e fâneros • Acantose nigricante, 
marcas na pele, acne, 
furúnculos, hirsutismo, 
dermatite de pregas 
cutâneas, hiperceratose 
plantar, celulites, varizes
Sistema endócrino • Resistência à insulina, 
DM2
Sistema gastrintestinal • Estetose hepática, 
doença da vesícula biliar
Sistema 
musculoesquelético
• Osteoartrose 
degenerativa, alterações 
na anatomia dos pés 
devido ao peso excessivo
Sistema respiratório • AOS
Sistema reprodutivo • Homens: declínio 
prematuro da 
testosterona, disfunção 
erétil 
• Mulheres: SOP
Classificação IMC (kg/m2) Risco de 
comorbidades
Baixo < 18,5 Baixo - maior 
risco de 
problemas 
clínicos
Saudável 18,5-24,9 Risco normal
Sobrepeso ≥ 25-29,9 Risco 
aumentado
Obesidade I ≥ 30-34,9 Risco 
moderado
Obesidade II ≥ 35-39,9 Risco intenso
Obesidade III ≥ 40 Risco muito 
intenso
Maria Vitória de Sousa Santos
c o m o D M 2 , h i p e r t e n s ã o , D C V , 
osteoartrite, dislipidemia, apneia do sono e 
outros problemas clínicos. 
Na anamnese, devem-se buscar sintomas 
de: 
1. Doenças endócrinas: Sintomas de 
hipotireoidismo, síndrome de Cushing, 
acromegalia. 
2. Uso de medicamentos associados 
ao ganho de peso: antidiabéticos 
( i n s u l i n a , s u l f o n i l u r e i a s , 
t i a z o l i d i n e d i o n a s ) , h o r m ô n i o s 
e s t e r o i d e s , a n t i p s i c ó t i c o s , 
estabilizadores do humor (lítio), 
antidepressivos (tricíclicos, paroxetina, 
m i r t a z a p i n a , i n i b i d o r e s d a 
monoaminoxidase), anticonvulsivantes 
( v a l p r o a t o , g a b a p e n t i n a , 
carbamazepina), beta-bloqueadores. 
3. T r a n s t o r n o s p s i q u i á t r i c o s : 
Depressão, estresse pós-traumático, 
ansiedade, transtorno do humor 
bipolar, uso de drogas, transtorno do 
Binge e bulimia são comumente 
associados à obesidade, e seu manejo 
deve ser providenciado. 
 EXAME FÍSICO 
1. IMC; 
2. Peso; 
3. Altura; 
4. Pressão arterial; 
5. Medida da circunferência abdominal; 
- Homens: normal < 94 cm; aumentada 
94-102 cm; muito aumentada > 102 
cm. 
- M u l h e r e s : n o r m a l < 8 0 c m ; 
a u m e n t a d a 8 0 - 8 8 c m ; m u i t o 
aumentada > 88 cm. 
No exame físico, devem-se buscar sinais de 
d o e n ç a s a s s o c i a d a s à o b e s i d a d e 
secundária: 
1. Pele seca, fria e descamativa; 
2. Cabelos finos e secos; 
3. Voz rouca; 
4. Madarose; 
5. Edema duro; 
6. Presença de bócio; 
7. Obesidade centrípeta e com giba; 
8. Presença de acantose nigricante; 
9. Estrias purpúricas; 
10. Aspecto facial característico de 
acromegalia com prognatismo e feições 
rudes, mãos grandes e com aumento 
dos tecidos moles. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
• Em geral, é suficiente a medida de perfil 
lipídico, glicemia, teste dê tolerância a 
glicose e pressão arterial (PA). Quando 
existe suspeita de doenças causando a 
o b e s i d a d e , d e v e - s e p r o c e d e r à 
investigação apropriada. 
 TRATAMENTO 
 TRATAMENTO NUTRICIONAL 
1. Dieta hipocalórica; 
2. Dieta rica em vegetais; 
3. Baixa ingestão de gorduras, açúcares e 
farinhas; 
 TRATAMENTO COMPORTAMENTAL 
• Baseia-se em análise e modificações de 
c o m p o r t a m e n t o s d i s f u n c i o n a i s 
associados ao estilo de vida da pessoa. 
• O objetivo é implementar estratégias que 
auxiliem no controle do peso, reforçando 
a motivação e ajudando a evitar a 
recaída. 
- Automonitoramento: Registropor 
escrito realizado pela própria pessoa 
sobre o tipo e a quantidade dos 
al imentos ingeridos, incluindo 
horários, episódios compulsivos, 
fatores desencadeantes, pensamentos 
e sentimentos relacionados. 
- C o n t r o l e d o s e s t í m u l o s : 
Planejamento de estratégias que 
f a v o r e ç a m a m o d i f i c a ç ã o d e 
comportamentos disfuncionais. Ex.: 
Planejar as compras de alimentos, 
aumentar a atividade física, planejar 
a t iv idades novas em horár ios 
habituais de compulsão. 
-
Maria Vitória de Sousa Santos
- Resolução de problemas: Busca 
identificar estratégias que auxiliem a 
resolver os problemas diários 
relacionados ao peso e à adesão ao 
tratamento. Essas técnicas envolvem 
desde como lidar com situações 
estressantes até como participar de 
reuniões com amigos, como festas e 
jantares. A pessoa deve ser estimulada 
a testar e a discutir as estratégias. 
- R e e s t r u t u r a ç ã o c o g n i t i v a : 
Consiste em identificar crenças e 
pensamentos disfuncionais com 
relação ao peso e à alimentação. 
 ATIVIDADE FÍSICA 
• O exercício físico promove benefícios 
a n t r o p o m é t r i c o s , m e t a b ó l i c o s , 
neuromusculares e psicológicos. 
Quando realizado de forma regular: 
1. M e l h o r a a r e s i s t ê n c i a 
cardiorrespiratória, o perfil lipídico, o 
bem-estar geral, a energia. 
2. Auxilia no controle do DM2. 
3. Reduz riscos cardiovasculares, mesmo 
quando não ocorre perda de peso. 
4. Autoestima, imagem corporal, humor, 
redução da ansiedade e depressão 
também são alterados de forma 
positiva. 
A recomendação atual é a prática de 
exercícios físicos: 
1. 150 minutos de exercícios moderados 
por semana para a manutenção do 
peso e da saúde; 
2. Mais de 150 minutos por semana para 
promover o emagrecimento e evitar a 
recuperação do peso. 
 MEDICAMENTOS 
• Os medicamentos são auxiliares na 
redução de peso e que seu uso não 
substitui a reeducação alimentar 
associada à atividade física, assim como 
a necessidade de visitas regulares à 
equipe de saúde. 
• O uso de medicamentos para emagrecer 
é bem descrito em indivíduos maiores de 
18 anos e com IMC maior do que 30 kg/
m2 ou com IMC entre 25 e 30 e 
comorbidades. 
Entre os medicamentos mais utilizados, 
estão: 
1. Orlistate (120 mg 3x/dia utilizados 
com as refeições principais): Inibidor 
da lipase gástrica e pancreática, 
promove má absorção e reduz a 
a b s o r ç ã o d e g o r d u r a s e m 
aproximadamente 30%. Não apresenta 
risco cardiovascular, podendo ser 
usado em pacientes cardiopatas, assim 
como em crianças obesas acima de 12 
anos como parte do manejo que inclui 
educação alimentar, exercício físico, 
suporte emocional. 
- Efeitos colaterais: Surgimento de 
gordura nas fezes, flatulência e 
diarreia, o que, muitas vezes, faz o 
p a c i e n t e d e s c o n t i n u a r o 
tratamento. Está contraindicado na 
gestação e em pacientes com má 
absorção crônica. 
2. Liraglutida (0,6 mg em dose única 
diária em injeção subcutânea): É um 
hipoglicemiante, agonista do peptídeo 
1 similar ao glucagon (GLP-1), que 
provoca atraso no esvaziamento 
gástrico e reduz a ingesta calórica por 
ação central. Reduz a glicemia e 
hemoglobina glicada, sendo uma boa 
opção para o uso em diabéticos, mas 
também pode ser utilizado em pessoas 
não diabéticas, e geralmente não causa 
hipoglicemia. 
- Efeitos colaterais: São náusea, 
vômitos, constipação, hipoglicemia, 
diarreia, fadiga, tontura, dor 
abdominal e aumento dos níveis de 
l i p a s e . S e u s p r i n c i p a i s 
inconvenientes são a administração 
parenteral e o alto custo. 
3. Sibutramina (10 a 15 mg/dia): É um 
inibidor da recaptação da serotonina, 
da dopamina e da norepinefrina. Age 
aumentando a saciedade pós-ingestão 
e a taxa metabólica. Há relatos de 
melhora discreta nos níveis de 
colesterol HDL e triglicérides. 
- Efeitos colaterais: Disforia, 
cefaleia, boca seca, vertigem, 
alteração do paladar, insônia e 
dismenorreia, alterações da PA e da 
frequência cardíaca (FC), sendo que 
a maioria dos sintomas diminui 
com o tempo de uso. Devido aos 
Maria Vitória de Sousa Santos
efeitos cardiovasculares, não deve 
ser usado em cardiopatas. 
4. Bupropiona (100 a 400 mg/dia): 
Antidepressivo de uso combinado, 
dopaminérgico e noradrenérgico, 
unicíclico. Utilizado comumente como 
auxiliar no tratamento para cessação 
do tabagismo. 
- Efeitos colaterais: Insônia, boca 
seca e tremores; reduz o limiar para 
convulsões (há risco se houver 
história de crise convulsiva). 
5. Metformina: É um medicamento do 
grupo das biguanidas que atua 
aumentando a sensibilidade à insulina 
nos tecidos periféricos, sobretudo no 
f ígado, diminuindo a produção 
hepática de glicose. Em mulheres com 
sobrepeso ou obesas com SOP, o uso de 
metformina (1.500 mg/dia) ajuda na 
redução de peso, reduzindo o IMC em 1 
kg/m2. 
- Efeitos colaterais: Anorexia e 
sintomas gastrintestinais. 
6. Topiramato (25 a 200 mg/dia): 
Anticonvulsivante. 
- Efeitos colaterais: Parestesias, 
alteração de paladar e disfunção 
cognitiva. 
7. Lorcaserina (10 mg, duas vezes ao 
dia): É um agonista seletivo da 
recaptação de serotonina, que promove 
saciedade e reduz a ingesta de 
alimentos. 
- Efeitos colaterais: Cefaleia, 
tonturas, fadiga, náusea, boca seca, 
constipação. Em diabéticos, pode 
provocar hipoglicemia. 
 CIRURGIA BARIÁTRICA 
• A cirurgia bariátrica é uma opção de 
tratamento para pessoas com obesidade 
mórbida que não obtiveram sucesso por, 
pelo menos, 2 anos com alteração de 
hábitos alimentares, atividade física, 
m e d i c a m e n t o o u t r a t a m e n t o s 
alternativos. 
• O objetivo da operação é induzir uma 
perda de peso substancial – 50 a 80% do 
excesso de peso – que diminua as 
comorbidades associadas à obesidade. 
 CUIDADO A LONGO PRAZO 
• A recomendação é o acompanhamento 
de pelo menos 2 anos após a cirurgia. 
A avaliação deve incluir: 
1. Monitoramento da ingesta nutricional 
e das deficiências minerais; 
2. Monitoramento das comorbidades; 
3. Revisão das medicações; 
4. Avaliação e suporte nutricional; 
5. Avaliação e suporte para atividade 
física; 
6. Manejo das condições psicológicas. 
• A p ó s , o s p a c i e n t e s d e v e m s e r 
acompanhados anualmente para avaliar 
o status nutricional, a suplementação e o 
manejo de doenças crônicas. 
- A avaliação de deficiência nutricional 
consiste na avaliação da ingesta 
a d e q u a d a d e v i t a m i n a s e n a 
identificação de deficiências, como 
vitamina D, vitamina B12, tiamina, 
folato, ferro, zinco, cobre, selênio e 
cálcio. 
- O monitoramento anual pode variar 
conforme a diretriz consultada. 
Sugere-se a solicitação de hemograma 
completo, eletrólitos, glicose, perfil de 
ferro, vitamina B12, função hepática, 
albumina, perfil lipídico, vitamina D, 
tiamina, folato, zinco e cobre. 
Maria Vitória de Sousa Santos
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 
 CONCEITO 
• A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é 
uma condição clínica multifatorial 
caracterizada por níveis elevados e 
sustentados de pressão arterial – PA (PA 
≥ 1 4 0 x 9 0 m m H g ) . A s s o c i a - s e , 
frequentemente, às alterações funcionais 
e/ou estruturais dos órgãos-alvo 
(coração, encéfalo, r ins e vasos 
sanguíneos) e às alterações metabólicas, 
com aumento do risco de eventos 
cardiovasculares fatais e não fatais . 
Fatores que podem interferir no valor da 
PA: 
1. Tamanho do manguito; 
2. Circunferência braquial; 
3. Orientações pré-aferição; 
4. Ambiente; 
5. Aparelho; 
6. Expectativa da pessoa. 
Fatores de risco associadas a HAS: 
1. Sedentarismo; 
2. Abuso de bebidas alcoólicas;3. Uso de contraceptivos hormonais; 
4. Transtornos do sono; 
5. História familiar; 
6. Obesidade; 
7. Tabagismo; 
8. Estresse; 
9. C o n d i ç õ e s s o c i o e c o n ô m i c a s 
desfavoráveis. 
 CLASSIFICAÇÃO DA PA 
 RASTREAMENTO 
• Devido à alta prevalência do problema, 
ausência de s intomas e ef icácia 
demonstrada no tratamento ao reduzir o 
risco de complicações, recomenda-se o 
rastreamento de todos os pacientes 
adultos para hipertensão, aferindo sua 
pressão arterial. 
• Todo adulto com 18 anos ou mais de 
idade, quando vier à Unidade Básica de 
Saúde (UBS) para consulta, atividades 
educativas, procedimentos, entre outros, 
e não tiver registro no prontuário de ao 
menos uma verificação da PA nos 
últimos dois anos, deverá tê-la verificada 
e registrada. 
Observação: O indivíduo deverá ser 
investigado para doenças arteriais se 
apresentar diferenças de pressão entre os 
membros superiores maiores de 20/10 
mmHg para as pressões sistólica/
diastólica, respectivamente. 
 TÉCNICAS DE AFERIÇÃO 
O p a c i e n t e d e v e s e n t a r - s e 
confortavelmente em um ambiente 
silencioso por 5 minutos, antes de iniciar 
as medições da PA. Certifique-se de que o 
paciente NÃO: 
- Está com a bexiga cheia; 
- Praticou exercícios físicos há, pelo 
menos, 60 minutos; 
- Ingeriu bebidas alcoólicas, café ou 
alimentos; 
- Fumou nos 30 minutos anteriores. 
Etapas: 
1. O paciente deve estar sentado, com o 
braço apoiado e à altura do precórdio. 
2. Determinar a circunferência do braço 
no ponto médio entre o acrômio e o 
olécrano. 
3. Selecionar o manguito de tamanho 
adequado ao braço. 
4. Colocar o manguito, sem deixar folgas, 
2 a 3 cm acima da fossa cubital. 
5. C e n t r a l i z a r o m e i o d a p a r t e 
compressiva do manguito sobre a 
artéria braquial. 
6. Estimar o nível da PAS pela palpação 
do pulso radial.* 
7. Palpar a artéria braquial na fossa 
cubital e colocar a campânula ou o 
diafragma do estetoscópio sem 
compressão excessiva.* 
8. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 
30 mmHg o nível estimado da PAS 
obtido pela palpação.* 
9. Proceder à deflação lentamente 
(velocidade de 2 mmHg por segundo).* 
PAS(mmHg) PAD(mmHg)
Ótima ҕ120 < 80
Normal 120-129 80-84
Normal alta 130-139 85-89
Hipertensão 
estágio 1
140-159 90-99
Hipertensão 
estágio 2
160-179 100-109
Hipertensão 
estágio 3
> ou = 180 > ou = 110
Maria Vitória de Sousa Santos
10. Determinar a PAS pela ausculta do 
primeiro som (fase | de Korotkoff) e, 
depois, aumentar ligeiramente a 
velocidade de deflação.* 
11. Determinar a PAD no desaparecimento 
dos sons (fase V de Korotkoff).* 
12. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg 
abaixo do último som para confirmar 
seu desaparecimento e , depois 
p r o c e d e r , à d e f l a ç ã o r á p i d a e 
completa*. 
13. Se os batimentos persistirem até o 
nível zero, determinar a PAD no 
abafamento dos sons (fase IV de 
Korotkoff) e anotar valores da PAS/
PAD/zero.* 
 MAPA X MRPA 
A PA fora do consultório pode ser obtida 
a t r a v é s d a M A P A o u d a M R P A , 
r e s p e i t a n d o - s e s u a s i n d i c a ç õ e s e 
limitações. 
1. MAPA: A primeira é feita por 
aparelhos validados que empregam o 
método oscilométrico. Afere a pressão 
por dezenas de vezes nas 24 horas, 
registrando o comportamento da 
pressão arterial durante o período do 
sono. 
2. MRPA: É feita de preferência por 
manômetros digitais pelo próprio 
p a c i e n t e o u p o r f a m i l i a r e s . 
Recomendam-se três medidas pela 
manhã, antes do desjejum e da tomada 
de medicamento, e três à noite, antes 
do jantar, durante cinco dias, ou duas 
medidas em cada sessão durante sete 
dias. 
 VANTAGENS DA MEDIDA DA PRESSÃO ARTERIAL 
 FORA DO CONSULTÓRIO 
1. Gerais: 
- Maior número de medidas obtidas; 
- Refletem as atividades usuais dos 
examinandos; 
- Pode identificar HA do avental branco 
e HA mascarada; 
- Maior engajamento dos pacientes com 
o diagnóstico e o seguimento. 
2. МАРА: 
- Leituras noturnas; 
- Permite medições em condições de 
vida real; 
- Uso em pacientes com cognição 
prejudicada e nos raros casos de 
comportamento obsessivo; 
- Permite avaliar a variabilidade da PA 
em períodos curtos de tempo; 
- Evidência prognóstica mais robusta. 
3. MRPA: 
- Baixo custo e amplamente disponível; 
- Medição em um ambiente domiciliar, 
que pode ser mais relaxado do que o 
do consultório; 
- Permite avaliar a variabilidade da PA 
no dia a dia; 
- Envolvimento do paciente na medição 
da PA; 
- Maior adesão ao tratamento. 
 DESVANTAGENS DA MEDIDA DA PRESSÃO 
 ARTERIAL FORA DO CONSULTÓRIO 
1. MAPA: 
- Custo elevado; 
- Disponibilidade por vezes limitada; 
- Pode ser desconfortável. 
2. MRPA: 
- Somente PA em repouso; 
- Potencial para erro de medição; 
- Não tem leitura noturna. 
Observação: Indivíduos com pressão 
anormal no consultório, devido à reação de 
alerta, e normal na MAPA ou MRPA, têm a 
s índrome do avental branco . Já , 
indivíduos com pressão normal no 
consultório e anormal na MAPA ou MRPA 
t ê m a d e n o m i n a d a h i p e r t e n s ã o 
mascarada. 
 DIAGNÓSTICO 
• O diagnóstico da HAS consiste na média 
aritmética da PA maior ou igual a 
140/90mmHg, verificada em pelo menos 
Maria Vitória de Sousa Santos
três dias diferentes com intervalo 
mínimo de uma semana entre as 
medidas, ou seja, soma-se a média das 
medidas do primeiro dia mais as duas 
medidas subsequentes e divide-se por 
três. 
• A constatação de um valor elevado em 
apenas um dia, mesmo que em mais do 
que uma medida, não é suficiente para 
estabelecer o diagnóstico de hipertensão. 
Observação: Deve-se evitar verificar a PA 
em situações de estresse físico (dor) e 
emocional (luto, ansiedade), pois um valor 
elevado, muitas vezes, é consequência 
dessas condições. 
Observação: Recentemente, as novas 
Diretrizes da American Heart Association 
(AHA) mudaram a classificação da HAS e 
passaram a considerar hipertensos 
indivíduos com PA > 130x80 mmHg. (Essa 
recomendação é controversa). 
FLUXOGRAMA DE RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO 
 DA HAS 
 AVALIAÇÃO INICIAL DA PESSOA COM HAS 
A história e o exame físico de um paciente 
hipertenso devem ser obtidos de forma 
completa. 
1. Anamnese: 
- Identificação: sexo, idade, raça e 
condição socioeconômica. 
- HDA: Duração conhecida de HAS e 
níveis pressóricos; adesão e reações 
adversas aos tratamentos prévios; 
sinais e sintomas sugestivos de 
insufic iência cardíaca; doença 
vascular encefálica; doença arterial 
periférica; doença renal; diabetes 
mellitus; indícios de hipertensão 
secundária; gota. 
- Investigação sobre diversos 
aparelhos e fatores de risco: 
Dislipidemia, tabagismo, sobrepeso e 
obesidade, sedentarismo, perda de 
peso, características do sono, função 
sexual, dificuldades respiratórias. 
- HPP: Gota, doença arterial coronária, 
insuficiência cardíaca. Nas mulheres, 
deve-se investigar a ocorrência de 
hipertensão durante a gestação, que é 
um fator de risco para hipertensão 
grave. 
- História familiar: A história 
f ami l iar p o s i t iva p ara HAS é 
usualmente encontrada em pacientes 
h i p e r t e n s o s . S u a a u s ê n c i a , 
especialmente em pacientes jovens, é 
um alerta para a possibilidade da 
p r e s e n ç a d e H A S s e c u n d á r i a . 
Pesquisar também história familiar de 
acidente vascular encefálico,doença 
arterial coronariana prematura 
(homens <55 anos, mulheres <65 
anos); morte prematura e súbita de 
familiares próximos. 
- Perfi l psicossocial : Fatores 
ambientais e psicossociais, sintomas 
de depressão, ansiedade e pânico, 
rede familiar, condições de trabalho e 
grau de escolaridade. 
- A v a l i a ç ã o d e c o n s u m o 
alimentar: Incluindo consumo de 
sal, gordura saturada e cafeína. 
- Consumo de álcool: Consumo 
diário médio de 30 g de etanol, 
quantidade presente em duas doses de 
destilados, em duas garrafas de 
cerveja ou em dois copos de vinho, há 
aumento difuso e exponencial da 
pressão arterial em homens. Para 
mulheres, as quantidades de risco 
correspondem a metade destes 
valores. 
- Medicações em uso: Consumo de 
medicamentos ou drogas que podem 
Maria Vitória de Sousa Santos
elevar a pressão arterial ou interferir 
em seu tratamento (corticosteroides, 
anti-inflamatórios, anorexígenos, 
antidepressivos, hormônios). A 
i n d a g a ç ã o s o b r e o u s o d e 
a n t i c o n c e p c i o n a i s h o r m o n a i s 
combinados não deve ser esquecida, 
dada a frequente associação entre seu 
uso e a elevação da pressão arterial. 
- Práticas corporais e atividade 
física. 
2. Exame físico: 
- M e d i d a s a n t r o p o m é t r i c a s : 
Obtenção de peso e altura para cálculo 
do índice de massa corporal (IMC) e 
aferição da cintura abdominal (CA) 
- I n s p e ç ã o : F á c i e s e a s p e c t o s 
sugestivos de hipertensão secundária. 
Ex.: Cushing. 
- Medida da PA e frequência 
cardíaca: Duas medidas de PA, 
separadas por, pelo menos, um 
minuto, com paciente em posição 
sentada. Em pacientes com suspeita 
de hipotensão postural (queda de PAS 
≥2mmHg e PAD ≥10mmHg) e/ou 
idosos, recomenda-se verificar a PA 
também nas posições deitada e em pé. 
- Pescoço: Palpação e ausculta das 
artérias carótidas, verificação de 
turgência jugular e palpação de 
tireoide. 
- Exame do precórdio e ausculta 
cardíaca: O sinais sugestivos de 
hipertrofia miocárdica: característica 
impulsiva do ictus, mas sem desvios 
da linha hemiclavicular até ocorrer 
dilatação ventricular, pela presença de 
quarta bulha e de hiperfonese da 
segunda bulha; ictus sugestivo de 
hipertrofia ou dilatação do ventrículo 
esquerdo: arritmias; terceira bulha: 
sinaliza disfunção sistólica do 
ventrículo esquerdo; quarta bulha: 
sinaliza presença de disfunção 
diastólica do ventrículo esquerdo, 
hiperfonese de segunda bulha em foco 
aórtico, além de sopros nos focos 
mitral e aórtico. 
- Exame do pulmão: Ausculta de 
estertores, roncos e sibilos. 
- Exame do abdômen: A palpação 
dos rins e a ausculta de sopros em 
área renal objet ivam detectar 
hipertensão secundária a r ins 
policísticos e obstrução de artérias 
renais. 
- Extremidades: Palpação de pulsos 
braquiais, radiais, femorais, tibiais 
posteriores e pediosos. A diminuição 
da amplitude ou retardo do pulso das 
artérias femorais sugerem coarctação 
da aorta ou doença arterial periférica. 
O exame dos pulsos periféricos avalia 
a repercussão da aterosclerose, por 
meio da presença de obstruções. Se 
houver diminuição acentuada e 
bilateral dos pulsos femorais, a 
medida da pressão arterial nos 
membros inferiores deve ser realizada 
para afastar o diagnóst ico de 
coarctação da aorta; avaliação de 
edema. 
- E x a m e d e f u n d o d o o l h o : 
Identificar estreitamento arteriolar, 
c r u z a m e n t o s a r t e r i o v e n o s o s 
patológicos, hemorragias, exsudatos e 
papiledema. Os achados de fundo de 
olho, como exsudatos e hemorragias 
retinianas e papiledema, indicam 
m a i o r r i s c o c a r d i o v a s c u l a r e 
h i p e r t e n s ã o a c e l e r a d a , 
respectivamente, condições que 
i n f l u e n c i a m d i r e t a m e n t e n a 
e s t r a t i f i c a ç ã o d o r i s c o e n a 
terapêutica. 
- Detectar déficits: Motores ou 
sensoriais no exame neurológico. 
3. Avaliação laboratorial: 
- Eletrocardiograma; 
- Dosagem de glicose; 
- Dosagem de colesterol total; 
- Dosagem de colesterol HDL; 
- Dosagem de triglicerídeos; 
- Cálculo do LDL = Colesterol total - 
HDL- colesterol - (Triglicerídeos/5); 
- Dosagem de creatinina; 
- Anál i se de caracteres f í s i cos , 
elementos e sedimentos na urina 
(Urina tipo 1); 
- Dosagem de potássio; 
- Fundoscopia. 
 ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR 
Maria Vitória de Sousa Santos
• Está amplamente estabelecida a relação 
causal, linear e contínua entre o aumento 
da pressão arterial (PA) e o risco de 
doença cardiovascular (DCV) em ambos 
os sexos, todas as idades e todos os 
grupos étnicos. 
• Assim, quantificar o risco do paciente 
hipertenso, ou seja, a probabilidade de 
determinado indivíduo desenvolver DCV 
em um determinado período de tempo é 
parte essencial do processo e pode 
nortear estratégias preventivas e de 
tratamento. 
F a t o r e s d e r i s c o c o e x i s t e n t e s n a 
hipertensão arterial: 
- Sexo masculino; 
- Idade: > 55 anos no homem e > 65 anos 
na mulher; 
- DCV prematura em parentes de 1° grau 
(homens < 55 anos e mulheres < 65 
anos); 
- Tabagismo; 
- Dislipidemia: LDL-colesterol ≥100mg/
dL e/ou não HDL-colesterol 130 mg/dL 
e/ou HDL-colesterol ≤ 40mg/dL no 
homem e ≤ 46mg/dL na mulher e/ou 
TG > 150 mg/dL; 
- Diabetes melito; 
- Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m2). 
Lesões em órgãos alvos: 
 HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA 
• Hipertensão secundária é a elevação da 
pressão arterial em consequência de 
outra condição patológica. 
Característ icas sugestivas de HAS 
secundária: 
1. Início súbito da HAS antes dos 30 anos 
ou após os 50 anos. 
2. HAS estágio II e/ou resistente à 
terapia. 
3. Aumento da creatinina sérica. 
4. Hipopotassemia sérica espontânea, 
m e n o r q u e 3 , 0 m e q / l 
(hiperaldosteronismo primário). 
5. Exame de urina tipo 1 apresentando 
proteinúria ou hematúria acentuada. 
6. Presença de massas ou sopros 
abdominais. 
7. Uso de fármacos indutores do aumento 
da pressão arterial (anticoncepcional 
oral, corticoides, anti-inflamatórios 
não esteroides, descongestionantes 
nasais , supressores de apetite , 
antidepressivos tricíclicos, tetracíclicos 
e inibidores da monoamina oxidase). 
8. T r í a d e d o f e o c r o m o c i t o m a : 
palpitações, sudorese e cefaleia em 
crise. 
9. Acromegalia: aumento da língua, 
ganho de peso, hipersonolência, 
alterações de fácies e de extremidades. 
10. Síndrome de Cushing: ganho de peso, 
hirsutismo, edema e fácies típicos. 
11. Diminuição ou retardo da amplitude 
do pulso femural e dos membros 
superiores (coarctação da aorta). 
As causas de HAS secundária podem ser 
divididas em categorias: 
1. Causas renais: rim policístico, 
doenças parenquimatosas. 
2. Causas renovasculares: coarctação 
da aorta, estenose da artéria renal. 
3. C a u s a s e n d ó c r i n a s : 
Feocromocitoma, hiperaldosteronismo 
primário, síndrome de Cushing, 
hipertireoidismo, hipotireoidismo, 
acromegalia. 
4. Causas exógenas: drogas, álcool, 
tabagismo (especialmente em grandes 
quantidades), cafeína, intoxicação 
química por metais pesados. 
 TRATAMENTO 
• O objetivo do tratamento é a manutenção 
de níveis pressóricos controlados 
conforme as características do paciente e 
tem por finalidade reduzir o risco de 
doenças cardiovasculares, diminuir a 
m o r b i m o r t a l i d a d e e m e l h o r a r a 
qualidade de vida dos indivíduos. 
Metas pressóricas: 
Maria Vitória de Sousa Santos
1. Paciente com baixo ou moderado risco 
cardiovascular: PAS <140 mmHg e 
PAD <90 mmHg. 
2. Paciente com alto risco cardiovascular: 
PAS 120-129 mmHg e PAD <70-79 
mmHg. 
 NÃO MEDICAMENTOSO 
1. Redução da ingestão de bebidas 
alcoólicas; 
2. Substituição de anticoncepcionais 
hormonais orais por outros métodos 
contraceptivos; 
3. Redução do peso;4. Controle do estresse; 
5. Cessação do tabagismo; 
6. Boa alimentação (Consumir dieta 
pobre em gordura, em especial 
saturada e rica em frutas, vegetais e 
laticínios com baixo teor de gordura); 
7. Prática de exercícios físicos. 
 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
• A decisão de quando iniciar medicação 
anti-hipertensiva deve ser considerada 
avaliando a preferência da pessoa, o seu 
grau de motivação para mudança de 
estilo de vida, os níveis pressóricos e o 
risco cardiovascular. 
 MONOTERAPIA 
• A monoterapia pode ser a estratégia anti-
hipertensiva inicial para pacientes com 
HA estágio 1 com risco CV baixo ou com 
PA 130-139/85-89 mmHg de risco CV 
alto ou para indivíduos idosos e/ou 
frágeis. As classes de anti-hipertensivos 
consideradas preferenciais para o 
controle da PA em monoterapia inicial 
são: 
1. DIU tiazídicos ou similares; 
2. ВСС; 
3. IECA; 
4. BRA. 
 TRATAMENTO COMBINADO 
• Deve-se considerar iniciar o tratamento 
com dois anti-hipertensivos naqueles 
pacientes cuja hipertensão arterial esteja 
em nível 2 ou 3 ou estágio 1 com risco 
cardiovascular de moderado a alto. 
O b s e r v a ç ã o : A p r e s s ã o - a l v o n o 
tratamento anti-hipertensivo não está 
claramente delimitada, mas se aceita que 
deva ser inferior a 140/90 mmHg em 
pacientes sem diabetes. Para estes, as 
diretrizes recomendam pressão inferior a 
130/80 mmHg .
Maria Vitória de Sousa Santos
 INDICAÇÕES DAS CLASSES MEDICAMENTOSAS 
 PRINCIPAIS EFEITO ADVERSOS 
 INFORMAÇÕES RELEVANTES 
1. N ã o s e i n d i c a o u s o d e 
betabloqueadores como droga de 
primeira linha no tratamento da HAS. 
2. A associação de IECAs com BRA deve 
ser evitada, pois aumenta a incidência 
de disfunção renal. 
3. Uma pessoa hipertensa com crises 
f requentes de enxaqueca pode 
beneficiar-se do betabloqueador, já 
que, além do controle da pressão, pode 
Indicações Classe medicamentosa
Insuficiência cardíaca Diuréticos, 
betabloqueadores, 
inibidores da enzima 
conversora de angiotensina 
ou antagonistas da 
angiotensina Ii, 
antagonistas de 
aldosterona.
Pós-infarto do miocárdio Inibidores da enzima 
conversora da 
angiotensina, antagonistas 
da aldosterona.
Alto risco para doença 
coronariana
Betabloqueadores, 
inibidores da enzima 
conversora da 
angiotensina, bloqueadores 
dos canais de cálcio.
Diabetes Inibidores da enzima 
conversora da 
angiotensina, antagonistas 
da angiotensina Il, 
bloqueadores dos canais de 
cálcio.
Doença renal crônica Inibidores da enzima 
conversora da 
angiotensina, antagonistas 
da angiotensina Il.
Prevenção da recorrência 
de acidente vascular 
encefálico 
(AVE)
Diurético, inibidores da 
enzima conversora de 
angiotensina.
em idosos Hipertensão sistólica 
isolada Diuréticos 
(preferencialmente) ou 
bloqueadores dos canais de 
cálcio.
Classe farmacológica Efeitos adversos
Diuréticos Hipopotassemia, 
hiperuricemia, intolerância à 
glicose, aumento do risco de 
aparecimento do diabetes 
mellitus, além de promover 
aumento de triglicerídeos em 
geral, dependendo da dose.
Betabloqueadores Broncoespasmo, bradicardia, 
distúrbios da condução 
atrioventricular, 
vasoconstrição periférica, 
insônia, pesadelos, depressão 
psíquica, astenia e disfunção 
sexual.
Antiadrenérgicos de ação 
central
Antiadrenérgicos de ação 
Sonolência, sedação, boca 
seca, fadiga, hipotensão 
postural e 
disfunção sexual.
Bloqueadores doscanais de 
cálcio
Cefaleia, tontura, rubor facial - 
mais frequente com 
diidropiridínicos de curta 
duração - e edema de 
extremidades, sobretudo 
maleolar. 
Estes efeitos adversos, são, em 
geral, dose-dependentes. Mas 
Bloqueadores seletivos dos 
raramente, podem induzir a 
hipertrofia gengival. Os 
diidropiridínicos 
de ação curta provocam 
importante estimulação 
simpática reflexa, sabidamente 
deletéria para o sistema 
cardiovascular. Verapamil 
pode provocar depressão 
miocárdica e bloqueio 
atrioventricular, além da 
obstipação instenstinal.
Vasodilatadores diretos Agentes que atuam no pela 
vasodilatação arterial direta 
promovem retenção hídrica e 
taquicardia reflexa.
Inibidores da conversora de 
angiotensina (leca)
Tosse seca, alteração de 
paladar e, mais raramente, 
reações de hipersensibilidade, 
com erupção cutânea e edema 
angioneurótico. 
Em indivíduos com 
insuficiência renal crônica, 
podem eventualmente, 
enzima agravar a 
hiperpotassemia. Em pessoas 
com hipertensão renovascular 
bilateral ou unilateral 
associada a rim único, podem 
promover redução da filtração 
glomerular com aumento dos 
níveis séricos da ureia e 
creatinina. Seu uso em pessoas 
com função renal reduzida 
pode causar aumento de até 
30% da creatininemia, mas, a 
longo prazo, preponderá seu 
efeito nefroprotetor.
Antagonistas de receptores de 
angiotensina Il
Foram relatadas tontura e, 
raramente, reação de 
hipersensibilidade cutânea 
(Rash). As precauções para seu 
uso são semelhantes às 
descritas para os lecas.
Maria Vitória de Sousa Santos
oferecer profilaxia para as crises de 
enxaqueca. 
4. Para pacientes negros, desde que não 
h a j a c o n t r a i n d i c a ç õ e s , d á - s e 
preferência para o uso de diuréticos e 
bloqueadores de canais de cálcio. 
5. Em pessoas com diabetes melito (DM) 
ou doença renal crônica (DRC), os 
IECAs e os BRAs são a preferência 
devido ao seu efeito nefroprotetor. 
 ÁRVORE DE DECISÃO 
 FREQUÊNCIA DE ACOMPANHAMENTO E EXAMES 
A frequência de acompanhamento da 
pessoa hipertensa sugerida pelo Caderno 
de Atenção Básica é baseada no risco 
cardiovascular de base:18 
1. Baixo risco cardiovascular (< 10% 
em 10 anos): consulta anual com 
médico e enfermeiro. 
2. Risco moderado (10-20% em 10 
anos): consultas semestrais com 
médico e enfermeiro. 
3. Alto risco (> 20% em 10 anos): 
consulta a cada 4 meses. 
 URGÊNCIA HIPERTENSIVA 
• Uma situação muito comum na APS é o 
médico ser chamado às pressas por 
algum membro da equipe para atender 
uma pessoa na sala de emergência. 
Quando chega, encontra um paciente 
assintomático, porém com pressão 
“muito alta”(180x110 mmHg). 
• Por mais que tal valor possa causar 
espanto, alguns estudos mostram que 
essa situação é comum em pacientes 
ambulatoriais e que na ausência de sinais 
objetivos de lesão de órgão-alvo, a pessoa 
pode ser manejada na APS com 
segurança. 
Quando a pessoa estiver na UBS com PA 
elevada, sem sintomas específicos de lesão 
de órgão-alvo, a proposta é: 
1. Tranquilizar a pessoa e a equipe de 
atendimento. 
2. Verificar o motivo de medida de 
pressão: algum sintoma específico? 
Rotina? Mediu em outro local e se 
assustou? 
3. Tratar causas de elevação de PA, como 
dor e ansiedade, as quais são 
d e n o m i n a d a s p s e u d o c r i s e 
hipertensiva. 
4. Checar adesão do paciente ao esquema 
de medicação anti-hipertensiva, se já 
for hipertenso crônico diagnosticado. 
5. Solicitar medidas de pressão realizadas 
em outros cenários (p. ex., medidas 
domiciliares) para melhor avaliar o 
controle de PA e ajustar a medicação 
posteriormente, ou excepcionalmente 
já ajustar as medicações de uso 
contínuo. 
6. Realizar registro adequado e relatório 
m é d i c o d o a t e n d i m e n t o p a r a 
s e g u i m e n t o c o m o m é d i c o d e 
referência do paciente. 
 REFERENCIAMENTO 
1. Hipertensão de difícil controle: 
Com, no mínimo, três medicações de 
classes diferentes em doses adequadas 
e após avaliar adesão. 
2. H i pe r t e n s ã o s e c u n d á r i a : 
Dependendo da condição do serviço e 
da segurança clínica, o médico de 
⑭
Maria Vitória de Sousa Santos
família e comunidade pode iniciar a 
investigação na APS e referenciar em 
um segundo momento. 
3. Emergências hipertensivas : 
Nesses diagnósticos, o papel do médico 
de família e comunidade é reconhecer a 
emergência, prestar os cuidados 
iniciais e referenciar a pessoa ao 
serviço de emergência. 
- Infarto agudo do miocárdio e 
síndromes coronarianas agudas, 
AVC isquêmico ou hemorrágico, 
dissecção de aorta, edema agudo de 
pulmão, encefalopatia hipertensiva 
e eclâmpsia. 
 ERROS MAIS FREQUENTEMENTE COMETIDOS 
- Não realizar o diagnóstico de modo 
c o r r e t o , c o m a c o m p a n h a m e n t o 
longitudinal e diversas medidas de 
pressão, preferencialmente domiciliares. 
- Não abordar o contexto psicossocial da 
pessoa e investigar causas p a r a 
aumento d e ansiedade e estresse q u e 
podem levar ao aumento transitório da 
PA. 
- Não tirar dúvidas da pessoa sobre a 
pressão alta e sobre efeitos colaterais 
dos medicamentos. 
- Solicitar exames sem indicação, 
especialmente investigação mais 
complexa, como ecocardiograma e 
Holter. É comum solicitar a "dupla" 
creatinina e ureia por hábito da 
formação hospitalar, sendo que a ureia 
tem valor e m outros cenários, como o d 
e e m e r g ê n c i a , m a s n ã o n o 
acompanhamento de rotina de uma 
pessoa hipertensa. 
- Referenciar pessoas com pressão muito 
elevada, mas assintomáticas, a o pronto-
socorro. 
- Prescrever medicamento s e m indicação 
para hipertensos leves ou para pessoas 
com elevação transitória d a pressão.
Maria Vitória de Sousa Santos
DIABETES MELLITUS 
 CONCEITO 
• Caracterizado por hiperglicemia e 
d i s t ú r b i o s n o m e t a b o l i s m o d e 
carboidratos, proteínas e gorduras, 
resultantes de defeitos da secreção e/ou 
da ação da insulina. Habitualmente está 
associado à dislipidemia, hipertensão 
arterial e disfunção endotelial. 
 TIPOS 
A classificação proposta pela Organização 
Mundial da Saúde e pela Associação 
A m e r i c a n a d e D i a b e t e s ( A D A ) , e 
recomendada pela Sociedade Brasileira de 
Diabetes (SBD), inclui quatro classes 
clínicas: 
1. D M t i p o 1 ( D M 1 ) : P o d e s e r 
autoimune (Tipo 1A) ou, mais 
raramente, idiopático (Tipo 1B); 
d e s t r u i ç ã o d a s c é l u l a s b e t a 
pancreáticas, resultando em deficiência 
absoluta de insulina. 
2. DM tipo 2 (DM2): Resultante de 
perda progress iva da secreção 
adequada de insulina pelas células 
beta, frequentemente antecedida pela 
resistência à insulina. 
3. Outros tipos específicos de DM: 
MODY, doenças do pâncreas exócrino 
(pancreatite, neoplasia, fibrose cística, 
etc.), endocrinopatias (síndrome de 
C u s h i n g , a c r o m e g a l i a , 
feocromocitoma, hipertireoidismo, 
etc.), induzido por medicamentos 
( g l i c o c o r t i c o i d e s , h o r m ô n i o s 
tireoidianos e outros), infecções 
(rubéola congênita, CMV), outras 
s índromes genét icas por vezes 
associadas ao DM (síndromes de 
Down, Klinefelter, Turner, Prader-
Willi. 
4. DM gestacional (DMG): Qualquer 
alteração glicêmica, de magnitude 
variável, com início ou diagnosticada 
durante a gestação, geralmente 
surgindo a partir da 24ª semana. 
Observação: Há ainda duas condições, 
referidas como pré-diabetes, que são a GJ 
alterada e a tolerância à glicose diminuída, 
nomeadas atualmente como r isco 
aumentado de diabetes. 
 FATORES DE RISCO 
1. DM tipo 1: 
- Infecções virais (rubéola congênita, 
enterovírus, parotidite e sarampo); 
- Deficiência de vitamina D; 
- Exposição precoce ao leite bovino e 
ao trigo; 
- História familiar (principalmente 
quando o pai é afetado). 
2. DM tipo 2: 
- Idade > 45 anos. 
- Sobrepeso (IMC > 25). 
- O b e s i d a d e c e n t r a l ( c i n t u r a 
abdominal > 102 cm para homens e 
>88 cm para mulheres, medida na 
altura das cristas ilíacas). 
- Antecedente familiar (mãe ou pai) 
de diabetes. 
- Hipertensão arterial (> 140/90 
mmHg). 
- Sedentarismo; 
- Tabagismo; 
- C o l e s t e r o l H D L < 3 5 e / o u 
triglicerídeos > 250. 
- História de diabetes gestacional. 
- Diagnóstico prévio de síndrome de 
ovários policísticos. 
- D o e n ç a c a r d i o v a s c u l a r o u 
cerebrovascular periférica definida. 
 QUADRO CLÍNICO 
Os sinais e sintomas característicos que 
levantam a suspeita de diabetes são os 
“quatro P’s”: 
1. Poliúria; 
2. Polidipsia; 
3. Polifagia; 
4. Perda inexplicada de peso. 
Outros sintomas: 
1. Cansaço e sono excessivo; 
2. Visão embaçada; 
3. Aumento do apetite; 
4. Falta de energia; 
5. Entre outros. 
Observação: Embora possam estar 
presentes no DM tipo 2, esses sinais são 
mais agudos no tipo 1, podendo progredir 
para cetose, desidratação e acidose 
metabólica, especialmente na presença de 
estresse agudo. 
Observação: No DM tipo 2, o início é 
insidioso e muitas vezes a pessoa não 
Maria Vitória de Sousa Santos
a p r e s e n t a s i n t o m a s . N ã o i n - 
frequentemente, a suspeita da doença é 
feita pela presença de uma complicação 
tardia, como proteinuria, retinopatia, 
n e u r o p a t i a p e r i f é r i c a , d o e n ç a 
arteriosclerótica ou então por infecções de 
repetição. 
 RASTREAMENTO 
• A probabilidade de apresentar diabetes 
ou um estado intermediário de glicemia 
depende da presença de fatores de risco. 
Observação: Em algumas circunstâncias, 
a diferenciação entre o diabetes tipo 1 e o 
tipo 2 não é simples. Podem ser solicitados 
níveis de anticorpos anti-GAD e avaliação 
da reserva de insulina pancreática por 
meio da medida de peptídeo-C plasmático. 
- Anticorpos positivos e peptídeo C 
abaixo de 0,9ng/ml sugerem o 
diagnóstico de diabetes tipo 1. 
- Anticorpos negativos e peptídeo C 
elevado sugerem diabetes tipo 2. 
 DM TIPO 1 
• O termo “tipo 1” indica o processo de 
destruição da célula beta que leva ao 
estágio de deficiência absoluta de 
insulina, quando a administração de 
insulina é necessária para prevenir 
cetoacidose. 
• Devido a sua fisiopatologia, os pacientes 
que recebem o diagnóstico em sua 
maioria são crianças e adolescentes, 
sendo uma quantidade muito inferior de 
adultos (Latent Autoimmune Diabetes of 
Adults) que desenvolve o DM tipo 1. 
• O diabetes tipo 1 é um distúrbio 
catabólico evidenciado por deficiência 
absoluta de insulina, nível sanguíneo alto 
de glicose e decomposição das gorduras e 
das proteínas do corpo. 
• A deficiência absoluta de insulina dos 
pacientes com DM tipo 1 significa que 
eles são especialmente suscetíveis a 
desenvolver cetoacidose. 
• Uma das ações da insulina é inibir a 
l ipólise (i . e. , decomposição das 
gorduras) e a liberação dos ácidos graxos 
livres (AGL) dos adipócitos. 
• Quando o hormônio está ausente, os 
pacientes entram em cetose quando 
esses ácidos graxos são liberados dos 
adipócitos e convertidos em cetonas no 
fígado. 
Sinais e sintomas da cetoacidose diabética: 
1. Perda de apetite; 
2. Sinais e sintomas de hiperglicemia; 
3. Hálito de maçã podre; 
4. Glicose maior que 240-300 mg/dL, 
mas pode acontecer com valores de 
glicose normais ou próximos do 
normal; 
5. Dor abdominal; 
6. Confusão mental; 
7. Fraqueza exagerada; 
8. Falta de ar e respiração profunda. 
 DM TIPO 2 
• Costuma ter início insidioso e sintomas 
mais brandos. 
• Manifesta-se, em geral, em adultos com 
longa história de excesso depeso e com 
história familiar de DM tipo 2. 
• Inicialmente, a resistência à insulina 
estimula um aumento de sua secreção, 
geralmente a um nível que causa 
hiperinsulinemia modesta, na medida 
em que as células β tentam manter o 
nível sanguíneo normal de glicose. 
• Com o tempo, a demanda aumentada de 
s e c r eçã o d e i n s u l i n a p r o v o c a 
esgotamento e falência das células β. 
Maria Vitória de Sousa Santos
• Isso aumenta os níveis sanguíneos de 
glicose pós prandiais e, por fim, resulta 
na produção aumentada de glicose pelo 
fígado. 
Observação : Com a epidemia de 
obesidade atingindo crianças, observa-se 
um aumento na incidência de diabetes em 
jovens, até mesmo em crianças e 
adolescentes. 
Observação: A cetoacidose nesses casos é 
rara e, quando presente, em geral é 
ocasionada por infecção ou estresse muito 
grave. 
 DIABETES GESTACIONAL 
• É um estado de hiperglicemia, menos 
severo que o diabetes tipo 1 e 2, 
detectado pela primeira vez na gravidez. 
Classificação: 
1. Normal: GJ <92 mg/dL; 
2. DM gestacional: >/=92 e </=125 
mg/dL; 
3. DM diagnosticado na gestação: >/
=126 mg/dL. 
 DIAGNÓSTICO 
Os exames laboratoriais para confirmação 
do diagnóstico de DM1 incluem: 
1. Glicemia aleatória >/=200 mg/dI; 
2. Glicemia de jejum >/=126 mg / dI; 
3. Hemoglobina glicada >/=6,5%; 
4. Glicemia 2 horas após ingestão oral de 
75 g de glicose >/=200 mg / dL. 
 FLUXOGRAMA PARA RASTREAMENTO E 
 DIAGNÓSTICO DE DM2 
 ANAMNESE 
1. Identificação: Sexo, idade, raça e 
condição socioeconômica. 
2. História atual: Duração conhecida 
do DM e controle glicêmico; sintomas 
(pol idipsia , pol iúria , pol i fagia , 
emagrecimento, astenia, prurido vulvar 
ou balanopostite, diminuição brusca da 
acuidade visual, infecções frequentes), 
apresentação inicial e evolução dos 
sintomas, estado atual. 
3. Investigação sobre diversos 
aparelhos e fatores de risco: 
Dislipidemia, tabagismo, sobrepeso e 
obesidade, sedentarismo, perda de 
peso, características do sono, função 
sexual, dificuldades respiratórias. 
Queixas sobre infecções dentárias, da 
pele, de pés e do aparelho genito-
urinário; úlcera de extremidades, 
parestesias, distúrbios visuais. 
4. História pregressa: Infarto agudo 
do miocárdio (IAM) ou acidente 
vascular cerebral (AVC) prévios; 
intercorrências metabólicas anteriores 
(cetoacidose, hiper ou hipoglicemia 
etc.); passado cirúrgico e história 
gestacional. 
5. História familiar: De diabetes 
mellitus (pais, filhos e irmãos), doença 
c a r d i o v a s c u l a r e o u t r a s 
endocrinopatias. 
6. Perfil psicossocial: Hábitos de vida 
(incluindo uso de álcool e outras 
drogas), condições de moradia, 
t r a b a l h o , i d e n t i f i c a ç ã o d e 
vulnerabilidades, como analfabetismo 
e déficit cognitivo, potencial para 
autocuidado, rede de apoio familiar, 
entre outros. 
7. Avaliação de consumo alimentar: 
Incluindo o consumo de doces e 
açúcar, sal, gordura saturada e cafeína. 
8. Medicações em uso : Uso de 
medicações que alteram a glicemia 
( t i a z í d i c o s , b e t a b l o q u e a d o r e s , 
corticosteroides, contraceptivos 
hormonais orais, por exemplo); 
tratamentos prévios e resultados. 
9. Prática de atividade física. 
 EXAME FÍSICO 
1. M e d i d a s a n t r o p o m é t r i c a s : 
Obtenção de peso e altura para cálculo 
↑
Maria Vitória de Sousa Santos
do índice de massa corporal (IMC) e 
aferição da cintura abdominal (CA). 
2. Exame da cavidade oral: Atenção 
p a r a a p r e s e n ç a d e g e n g i v i t e , 
problemas odontológicos e candidíase. 
3. Medida da PA e frequência 
cardíaca: Duas medidas de PA, 
separadas por, pelo menos, um minuto, 
com paciente em posição sentada. 
4. Pescoço : Palpação de t ireoide 
(quando DM tipo 1). 
5. Exame dos pés: Lesões cutâneas 
(infecções bacterianas ou fúngicas), 
e s t a d o d a s u n h a s , c a l o s e 
deformidades. Avaliação dos pulsos 
arteriais periféricos e edema de 
m e m b r o s i n f e r i o r e s ; e x a m e 
neurológico sumário. 
6. Exame de fundo do olho; 
7. Ausculta cardíaca e pulmonar. 
 ROTINA COMPLEMENTAR MÍNIMA 
1. Glicemia de jejum e HbA1C; 
2. C o l e s t e r o l t o t a l ( C T ) , H D L e 
triglicerídeos (TG); 
3. Creatinina sérica; 
4. Exame de urina tipo 1 e, se necessário, 
m i c r o a l b u m i n ú r i a o u r e l a ç ã o 
albumina/creatinina; 
5. Fundoscopia. 
 METAS GLICÊMICAS 
• É necessário manter a glicemia em níveis 
aceitáveis, que sejam capazes de reduzir 
os riscos de complicações da doença, mas 
que não aumentem muito o risco de 
desenvolvimento de hipoglicemia. 
Classificação do estado clínico do idoso: 
 TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO 
• Todas as pessoas com DM, independente 
dos níveis glicêmicos, deverão ser 
orientados sobre a importância da 
adoção de medidas para MEV para a 
efetividade do tratamento. 
Consiste na adoção de hábitos de vida 
saudáveis: 
1. Alimentação equilibrada; 
2. Prática regular de atividade física; 
3. Moderação no uso de álcool e 
abandono do tabagismo. 
 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
Fármacos e/ou insulina. 
1. Sulfonilureias: A principal ação 
consiste em aumentar a liberação de 
insulina do pâncreas. Isso ocorre 
mediante ligação a um receptor de 
sulfonilureia de alta afinidade que está 
associado a um canal de potássio 
sensível ao ATP. A ligação de uma 
sulfonilureia inibe o efluxo de íons de 
potássio através do canal, com 
consequente despolarização celular. A 
despolarização faz com que os canais 
de cálcio regulados por voltagem sejam 
abertos, resultando em influxo de 
cálcio e liberação de insulina pré-
f o r m a d a . E x : G l i b e n c l a m i d a , 
a c e t o e x a m i d a , t o l a z a m i d a , 
clorpropamida, etc. 
Observação: Não devem ser usados por 
pacientes com disfunção renal. 
2. Biguanidas: As biguanidas atuam ao 
aumentar a sensibilidade à insulina. O 
alvo molecular das biguanidas parece 
ser a proteinocinase dependente de 
AMP (AMPPK [AMP-dependent 
protein kinase]. As biguanidas ativam a 
AMPPK, bloqueando a degradação dos 
á c i d o s g r a x o s i n i b i n d o a 
gliconeogênese e a glicogenólise 
hepáticas. Os efeitos secundários 
Saudável Comprometido Muito 
Comprometido
Poucas 
comorbidade 
crônicas 
Estado funcional 
preservado 
Estado cognitivo 
preservado
Múltiplas 
comorbidades 
crônicas* 
Comprometiment
o funcional leve a 
moderado 
Comprometiment
o cognitivo 
moderado
Doença 
terminal** 
Comprometiment
o funcional grave 
Comprometiment
o cognitivo grave
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incluem aumento da sinalização da 
insulina (isto é, atividade aumentada 
do receptor de insulina), bem como 
aumento da responsividade metabólica 
do fígado e do músculo esquelético. O 
efeito adverso mais comum consiste 
em leve desconforto gastrintestinal. Ex: 
Metformina. 
3. Inibidores da alfa-glicosidase: As 
glicosidases — maltase, isomaltase, 
sacarase e glicoamilase — ajudam no 
processo de absorção através da 
clivagem dos carboidratos complexos, 
p r o d u z i n d o g l i c o s e . A o i n i b i r 
reversivelmente essas enzimas, os 
inibidores da alfa- glicosidase 
aumentam o tempo necessário para a 
absorção de carboidratos como amido, 
dextrina e dissacarídios. Esses 
fármacos também aumentam a área de 
superfície intestinal para absorção, 
visto que os carboidratos que teriam 
sido absorvidos na parte superior do 
intestino sofrem absorção— em 
quantidades menores — em toda a 
extensão do intestino delgado. Por 
conseguinte, esses fármacos ajudam a 
reduzir o pico pós-prandial da 
glicemia. Ex: Acarbose. 
4. Análogos do GLP-1: Os agonistas do 
receptor de GLP-1 apresentam vários 
modos de ação que beneficiam 
pacientes com diabetes: aumenta a 
secreção de insulina pelas células do 
pâncreas, particularmente quando os 
níveis de glicose estão elevados; 
suprime a secreção de glucagon pelas 
células do pâncreas, retarda o 
esvaziamento gástrico (e, portanto, 
diminui a velocidade de entrada dos 
nutrientes da circulação); e diminui o 
apetite. Ex: Semaglutida, enexatida. 
5. T i a z o l i d i n e d i o n a s ( T Z D ) : 
Melhoram o controle da glicemia, 
porque aumentam a sensibilidade dos 
tecidos periféricos à ação da insulina – 
fígado, músculos esqueléticos e 
gordura – possibi l i tando- lhes 
responder à insulina endógena com 
mais eficiência, sem aumentar a 
demanda imposta às células β que já se 
e n c o n t r a m d i s f u n c i o n a i s . E x : 
pioglitazona e a rosiglitazona. 
6. I n i b i d o r e s d a e n z i m a 
dipeptidilpeptidase 4 (DDP4): As 
incretinas atuam estimulando a 
secreção de insulina pelas células β. As 
incretinas principais secretadas são 
GLP1 e polipeptídio insulinotrópico 
glicosedependente (GIP). A enzima 
DPP4 degrada rapidamente o GLP1 e o 
GIP. Os inibidores dessa enzima atuam 
por inibição enzimática e aumentam os 
níveis de GLP1 e GIP que, em seguida, 
aumentam a secreção de insulina. 
Além disso, a GLP1 ajuda a suprimir a 
secreção de glucagon. O primeiro 
fármaco oral desse grupo – sitagliptina 
– outros fármacos – saxagliptina e 
linagliptina. 
Maria Vitória de Sousa Santos
 TRATAMENTO DO DM2 COM MEDICAÇÕES 
 DISPONÍVEIS NO SUS 
 PROGNÓSTICO E COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS 
• O diabetes mellitus (DM) não controlado 
pode provocar, a longo prazo, disfunção 
e f a l ê n c i a d e v á r i o s ó r g ã o s , 
especialmente rins, olhos, nervos, 
coração e vasos sanguíneos. 
• É considerado causa de cegueira, 
insuficiência renal e amputações de 
membros, sendo responsável por gastos 
e x p r e s s i v o s e m s a ú d e , a l é m d e 
substancial redução da capacidade de 
trabalho e da expectativa de vida. 
• As complicações do DM podem ser 
classificadas em complicações agudas 
(hipoglicemia, cetoacidose e coma 
hiperosmolar) e crônicas, como a 
retinopatia, a nefropatia, e a neuropatia 
diabéticas. 
Complicações: 
1. Pé diabetico (difícil cicatrização); 
2. Retinopatia; 
3. Nefropatia; 
4. AVC; 
5. Cardiopatias; 
6. Disfunção sexual; 
7. Neuropatia; 
8. Entre outros.
Maria Vitória de Sousa Santos
 DISPEPSIA E DRGE 
 DISPESIA 
• Dispepsia é conhecida popularmente 
como “má digestão”. É caracterizada pela 
presença recorrente ou persistente de 
dor ou desconforto epigástrico não 
relacionado ao uso de anti-inflamatórios 
não esteroides (AINEs) e acompanhado, 
ou não, de sensação de saciedade 
precoce, náuseas, vômitos, pirose, 
regurgitação e excessiva eructação. 
A dispepsia pode ser classificada em: 
1. Dismotilidade; 
2. Úlcera; 
3. Refluxo. 
 DIAGNÓSTICOS ETIOLÓGICOS 
Diagnósticos etiológicos possíveis, têm-se: 
1. Dispepsia funcional (60% dos casos, 
sendo caracterizada por sintomas 
presentes por pelo menos 3 meses e 
ausência de alterações estruturais); 
2. Úlcera péptica (Helicobacter pylori); 
3. Doença do refluxo gastresofágico; 
4. Câncer (raramente). 
 CRITÉRIOS DE ROMA III PARA DISPEPSIA 
 FUNCIONAL 
 ANAMNESE 
• A história deve ser dirigida para a 
detecção de sinais de alerta e a presença 
de sintomas que sugiram diagnósticos 
diferenciais à síndrome dispéptica, como 
problemas cardíacos ou biliares. 
• É importante definir, também, a 
frequência dos sintomas e a correlação 
c o m h á b i t o s c o m o c o m e r 
demasiadamente, ingestão de bebidas 
alcoólicas ou alimentos específicos e 
tabagismo, uma vez que sintomatologia 
eventual é comum e não necessita de 
tratamento medicamentoso prolongado. 
Os sinais de alerta são: 
1. S a n g r a m e n t o g a s t r i n t e s t i n a l 
significativo; 
2. Disfagia progressiva; 
3. Perda de peso involuntária; 
4. Massa epigástrica; 
5. Anemia ferropriva; 
6. Vômitos persistentes; 
7. Persistência dos sintomas após 
tratamento empírico com IBP e 
erradicação de H. pylori. 
Alguns medicamentos responsáveis por 
sintomas dispépticos: 
1. Anti-inflamatórios não esteroides 
(AINE); 
2. Antagonistas do cálcio; 
3. Bifosfonados (osteoporose); 
4. Biguanidas; 
5. Corticoides; 
6. Nitratos e teofilina. 
 EXAME FÍSICO 
• Geralmente, o exame físico é normal ou 
com uma dor discreta na região 
epigástrica. A presença de massa 
abdominal pode ser indicativa de 
malignidade e deve ser investigada. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
Os exames complementares relacionados à 
invest igação de d ispepsia e mais 
comumente usados são: 
1. Endoscopia digestiva alta (EDA): 
A EDA é o padrão-ouro para o 
diagnóstico de lesões estruturais e 
c o n s e q u e n t e m e n t e d e c a u s a s 
específicas da dispepsia. Está indicada 
na abordagem inicial apenas naqueles 
que apresentarem sinais de alerta para 
a exclusão de doença orgânica grave. 
Maria Vitória de Sousa Santos
- Para aqueles que serão submetidos 
à EDA, deverá ser suspenso o uso 
de IBP e antagonistas H2 2 
semanas antes da realização do 
e x a m e ( B ) , p o i s e s s e s 
medicamentos podem diminuir a 
sensibilidade para detecção do H. 
pylori. 
2. Testes para detecção de H. pylori: 
Para identificar infecção pelo H. pylori 
sem realização de EDA, as técnicas 
mais utilizadas são: 
- Teste respiratório com 13C 
ureia: A pessoa ingere uréia 
marcada com carbono-13 ou – 14, e 
alguns minutos depois são obtidas 
amostrar do ar exalado. Baseia-se 
na produção de urease (uma enzima 
que degrada a uréia) pela bactéria; 
- Exame sorológico: A sorologia 
detecta anticorpos IgG específicos 
para H. pylori. 
 TRATAMENTO 
O tratamento não farmacológico consiste 
em: 
1. Alimentação saudável; 
2. Controle de peso; 
3. Suspensão do tabagismo e alcoolismo; 
4. Deve-se suspender anti-inflamatórios 
não esteroides (AINEs), se possível; 
5. Evitar desencadeantes associados a 
dispepsia e ingestão alimentar em 
grandes quantidades. 
 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
• Autotratamento com antiácidos sob 
demanda (p. ex., com hidróxido de 
magnésio + hidróxido de alumínio até 
seis colheres de sopa por dia) pode ser 
suficiente para muitos pacientes. 
• A estratégia inicial na dispepsia não 
investigada é o tratamento empírico com 
IBPs, que apresentou melhor resposta e 
custo- efetividade quando comparado 
aos antagonistas H2 e antiácidos. 
• “Testar e tratar” a infecção por H. pylori 
é mais efetivo do que a realização de 
EDA e reduz riscos e custos. 
• É a estratégia recomendada pelo 
National Institute for Health and Clinical 
Excellence (NICE) após falha terapêutica 
do IBP na dispepsia não investigada. 
• Há evidências de que a erradicação da 
bactéria aumenta a taxa de melhora dos 
sintomas e/ou diminui a sua recorrência 
nas principais causas de dispepsia. 
Medicamentos: 
A primeira escolha para erradicação de 
Helicobacter são: 
- IBPs 2x ao dia + amoxicilina 1.000 mg 
2x ao dia + claritromicina 500 mg 2x 
ao dia por 14 dias. 
Observação:Substituindo-se amoxicilina 
por metronidazol 500 mg 2x/dia em caso 
de alergia à amoxicilina e reduzindo-se 
claritromicina para 250 mg 2x/dia. 
 DRGE 
• Define-se por doença do refluxo 
gastresofágico (DRGE) a presença de 
sintomas, lesões teciduais, ou ambas as 
situações, resultantes de refluxo do 
conteúdo gástrico para o esôfago. 
Maria Vitória de Sousa Santos
• A DRGE é uma afecção crônica, 
decorrente do fluxo retrógrado de parte 
do conteúdo gastroduodenal para o 
esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele, 
acarretando um espectro variável de 
sintomas e/ou sinais esofagianos e/ou 
extraesofagianos, associados ou não a 
lesões teciduais. 
 PATOGENIA 
• A patogenia está correlacionada à 
b a r r e i r a e x i s t e n t e n a j u n ç ã o 
esofagogástrica, que permite a passagem 
dos alimentos para o estômago e dificulta 
o refluxo do conteúdo gástrico para o 
esôfago, sendo influenciada por muitos 
fatores, um deles sendo o esfíncter 
esofágico inferior (EEI). 
• Localizado na porção inferior do esôfago, 
o EEI é constituído por musculatura lisa 
especial, capaz de manter uma pressão 
mais elevada do que a intragástrica. 
• Mantém, habitualmente, um tônus de 15 
a 30 mmHg, que relaxa com a chegada 
da onda peristáltica desencadeada pela 
deglutição. 
• Contudo, o EEI também apresenta 
relaxamento transitório, independente 
d a d e g l u t i ç ã o e a s s o c i a d o , 
frequentemente, ao RGE. 
A ineficácia do mecanismo de barreira na 
junção esofagogástrica é o principal fator 
patogênico do RGE. As teorias dominantes 
para explicá-la são: 
1. Relaxamento transitório do EEI sem 
a n o r m a l i d a d e a n a t ô m i c a 
concomitante. 
2. Alteração anatômica da junção 
esofagogástr ica , provavelmente 
associada à hérnia hiatal. 
3. Hipotonia do EEI, sem alteração 
anatômica associada. 
 FATORES DE RISCO 
1. Obesidade; 
2. Refeições volumosas antes de deitar; 
3. Gravidez; 
4. Tabagismo; 
5. Alcoolismo; 
6. Idade avançada; 
7. Pré disposição genética; 
8. Uso de terapia hormonal; 
9. Estresse; 
10. Doença de chagas; 
11. Atraso do esvaziamento gástrico; 
12. Volume gástrico aumentado; 
13. Hérnia de hiato (presença de secreção 
gástrica no estômago herniado, sem 
clareamento adequado). 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
1. Azia; 
2. Pirose (sensação de queimação 
retroesternal que se irradia do 
manúbrio do esterno à base do 
pescoço, podendo atingir a garganta); 
3. Empanzinamento; 
4. Regurgitação; 
5. Eructações; 
Sintomas atípicos: 
1. Esofagianas: Dor torácica sem 
evidência de enfermidade coronariana 
(dor torácica não cardíaca). 
2. Pulmonares: Asma, tosse crônica, 
hemoptise, bronquite, bronquiectasia e 
pneumonias de repetição. 
3. O t o r r i n o l a r i n g o l ó g i c a s : 
Rouquidão, pigarro (clareamento da 
garganta), laringite posterior crônica, 
sinusite crônica, otalgia. 
4. Orais: Desgaste do esmalte dentário, 
halitose e aftas. 
 SINAIS DE ALARME 
1. > 45 anos; 
2. Odinofagia; 
3. Disfagia; 
4. Sangramento; 
5. Anemia, 
6. Emagrecimento; 
7. Náuseas; 
8. Vômitos; 
9. História familiar de câncer; 
10. Hemorragia digestiva. 
 COMPLICAÇÕES 
As complicações mais frequentemente 
relacionadas ao RGE são: 
1. Esofagites leves, moderadas e graves, 
que variam suas c lass i f icações 
endoscópicas entre dois parâmetros 
internacionais: 
- Savary-Miller (grau 1 – leve; graus 
2 e 3 – moderada; graus 4 e 5 – 
grave) 
- Los Angeles (grau A – leve; grau B 
– moderada; graus D e E – grave). 
Maria Vitória de Sousa Santos
2. Esôfago de Barrett (EB) - consiste na 
substituição do epitélio escamoso 
esofágico, em geral de sua posição 
distal, por epitélio colunar glandular 
contendo células calciformes; Pode 
evoluir para adenocarcinoma. 
3. Estenose péptica; 
4. Hemorragia. 
 DIAGNÓSTICO 
• O diagnóstico do refluxo gastresofágico 
baseia-se principalmente na história de 
s i n t o m a s d e r e f l u x o ( p i r o s e e 
regurgitação >/ = 2x por semana por 4-8 
semanas) e nos exames diagnósticos 
opcionais. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
N a g r a n d e m a i o r i a d o s c a s o s , a 
investigação complementar deve ser 
solicitada nas seguintes condições: 
1. Ausência de resposta ao tratamento. 
2. Manifestações de alarme: disfagia, 
odinofagia, anemia, hemorragia 
digestiva e emagrecimento, história 
familiar de câncer, náuseas e vômitos, 
dor torácica, além de sintomas de 
grande intensidade e/ou de ocorrência 
noturna. 
3. Sintomas crônicos (lembrar-se da 
possibilidade de EB). 
4. N e c e s s i d a d e d e t r a t a m e n t o 
continuado. 
Os exames solicitados são: 
1. Endoscopia digestiva alta e 
biópsia: É o método de escolha para o 
diagnóstico das lesões causadas pelo 
RGE. Sendo um exame essencialmente 
morfológico, identifica as alterações 
causadas pelo refluxo, presença de 
hérnia hiata l ou exc lui outras 
enfermidades. Ademais, possibilita 
r e a l i z a r b i ó p s i a d a m u c o s a , 
imprescindível para o diagnóstico de 
EB. A EDA é o método mais sensível e 
específico para o diagnóstico de 
esofagite erosiva, mas não de refluxo. 
Deve-se ressaltar que a ausência de 
alterações endoscópicas não exclui o 
diagnóstico de DRGE. 
2. pHmetria prolongada de 24h: A 
pHmetria prolongada monitora por 24 
h o r a s o p H i n t r a e s o f á g i c o , 
considerando-se haver RGE quando 
ocorrer queda do pH abaixo de 4. É 
utilizada para confirmar a presença de 
RGE em pessoas com sintomas 
persistentes e sem lesões esofágicas à 
endoscopia, com dor torácica não 
c a r d í a c a , c o m m a n i f e s t a ç õ e s 
pulmonares ou da via aérea superior 
associadas ao RGE e para monitorar a 
presença de refluxo em pessoas com 
sintomas refratários. É considerada 
como padrão-ouro para o diagnóstico 
da DRGE, mas a pHmetria é sujeita a 
críticas, pois tem demonstrado haver 
v a r i a ç õ e s s i g n i f i c a t i v a s n a 
sensibilidade do método. Ainda assim, 
trata-se do melhor procedimento para 
caracterizar RGE. Por meio da 
avaliação pHmétrica, é possível 
quantificar a intensidade da exposição 
da mucosa esofágica ao ácido. O 
refluxo é considerado patológico 
quando o pH intraesofágico se mantém 
abaixo de 4 por mais de 4% do tempo 
total da duração do exame. Indica-se a 
realização do exame de pHmetria de 24 
horas para: 
- Pessoas com sintomas típicos de 
DRGE que não apresentam resposta 
satisfatória ao tratamento com 
inibidor da bomba de prótons (IBP) 
e nos quais o exame endoscópico 
não revelou dano à mucosa 
esofágica. Nesses casos, o exame 
deve ser realizado na vigência da 
medicação. 
- Pessoas com manifestações atípicas 
extraesofágicas sem presença de 
esofagite. 
3. E s o f a g o m a n o m e t r i a : A 
esofagomanometria é o registro das 
pressões geradas no interior do 
esôfago. Não tem papel diagnóstico no 
RGE, mas é utilizada para avaliar a 
peristalse e a competência do EEI. A 
alteração mais característica é a 
redução da pressão de repouso do EEI 
a valores abaixo de 10 mmHg, sendo 
que valores abaixo de 6 mmHg têm alta 
especificidade para o diagnóstico da 
doença. Na prática clínica, recomenda-
se solicitar manometria para orientar a 
Maria Vitória de Sousa Santos
correta colocação dos sensores do 
equipamento usado para determinar a 
pHmetria e no pré-operatório de 
cirurgia antirrefluxo quando se 
necessita conhecimento prévio da 
atividade motora do esôfago. A 
principal indicação atualse refere à 
investigação de peristalse ineficiente 
do esôfago em pessoas com indicação 
de tratamento cirúrgico. 
4. Exame radiológico contrastado 
do esôfago: O exame radiológico, 
embora seja muito difundido e 
apresente custo relativamente baixo, 
não está indicado na rotina de 
investigação da DRGE, pois apresenta 
baixa sensibilidade, em particular nos 
casos de esofagite leve. As principais 
informações que o exame radiológico 
pode oferecer se referem à avaliação da 
anatomia esofágica, como nas lesões 
estenosantes do esôfago, e alterações 
motoras pelo achado de ondas 
terciárias e espasmos do órgão. A 
indicação do método radiológico no 
diagnóstico da DRGE está restrita ao 
esclarecimento do significado da 
disfagia e da odinofagia. 
 TRATAMENTO 
 TRATAMENTO CLÍNICO 
• Com propósitos práticos, pode-se dividir 
a abordagem terapêutica em medidas 
comportamentais e farmacológicas, que 
d e v e r ã o s e r i m p l e m e n t a d a s 
concomitantemente em todas as fases da 
enfermidade. 
Medidas comportamentais no tratamento 
do refluxo gastresofágico: 
1. Instruir a pessoa sobre RGE, por meio 
do método clínico centrado na pessoa, 
fornecendo-lhe material informativo/
ilustrativo de acordo com a realidade 
local do atendimento. 
2. Elevar a cabeceira da cama (15 cm). 
3. Moderar a ingestão dos seguintes 
alimentos, dependendo da correlação 
com os sintomas: gordurosos, cítricos, 
café, bebidas alcoólicas, bebidas 
gasosas, menta, hortelã, produtos à 
base de tomate, chocolate, chimarrão. 
4. T e r c u i d a d o s e s p e c i a i s c o m 
medicamentos potencialmente “de 
risco”, como colinérgicos, teofilina, 
BCCs, alendronato de cálcio. 
5. Evitar deitar-se nas 2 horas posteriores 
às refeições. 
6. Evitar refeições copiosas. 
7. Suspender o fumo. 
8. Reduzir o peso corporal em obesos. 
 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
Vários fármacos podem ser utilizados no 
tratamento da DRGE. 
Maria Vitória de Sousa Santos
 IBPS 
• Atualmente, as medicações de primeira 
escolha são os IBPs, que inibem a 
produção de ácido pelas células parietais 
do estômago, reduzindo a agressão do 
esôfago representada pelo ácido. 
• O omeprazol é o IBP largamente 
empregado em nosso país, sendo 
fornecido gratuitamente pelo Ministério 
da Saúde para a população de baixa 
renda. 
• Os IBPs em dose plena devem constituir 
o tratamento de escolha inicial por 
período de 4 a 8 semanas. 
 ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES DE H2 
• Os antagonistas dos receptores H2 da 
histamina e os procinéticos são 
considerados medicações de segunda 
escolha. 
• Eles atuam bloqueando os receptores da 
histamina existentes nas células 
parietais, reduzindo a secreção de ácido. 
• Os mais usados são a ranitidina, a 
famotidina, a cimetidina e a nizatidina. 
 PROCINÉTICOS 
• Os procinéticos têm a propriedade de 
acelerar o esvaziamento gástrico, porém 
não exercem ação sobre os relaxamentos 
transitórios do EEI. 
• O s m a i s e m p r e g a d o s s ã o a 
metoclopramida e a domperidona, 
devendo ser indicados quando o 
componente de gastroparesia estiver 
presente. 
 TRATAMENTO CIRÚRGICO 
O tratamento cirúrgico deve ser reservado 
para casos muito específicos, embora as 
indicações do tratamento cirúrgico da 
DRGE não complicada possam ser 
consideradas nas seguintes situações: 
1. P e s s o a s q u e n ã o r e s p o n d e m 
satisfatoriamente ao tratamento 
c l ín ico , inc lus ive aquelas com 
manifestações atípicas, cujo refluxo foi 
devidamente comprovado. 
2. Pessoas para as quais é exigido 
tratamento de manutenção com IBP, 
especialmente aquelas com menos de 
40 anos de idade. 
3. Casos em que não é possível a 
continuidade do tratamento de 
m a n u t e n ç ã o , p o r e x e m p l o , n a 
i m p o s s i b i l i d a d e d e a r c a r 
financeiramente com os custos do 
tratamento clínico em longo prazo. 
4. A cirurgia antirrefluxo pode ser 
convencional ou laparoscópica, sendo, 
a m b a s , o p e r a ç õ e s d e 
fundoplicatura.2.Ambas as técnicas são 
equivalentes no que diz respeito ao 
desaparecimento dos sintomas, com 
base em observações por períodos de 
até 3 anos.
H
Maria Vitória de Sousa Santos 
ATENÇÃO À SAÚDE DO HOMEM 
 POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À 
 SAÚDE DO HOMEM (PNAISH) 
• A Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde do Homem (PNAISH) foi 
instituída por meio da Portaria n° 1.944, 
de 27 de agosto de 2009, e, destaca-se 
por ser um programa pioneiro dentre os 
países da América Latina, lançado após 
20 anos de implantação do Sistema 
Único de Saúde no Brasil (SUS). Em que 
se visa abranger a faixa etária de 20 a 59 
anos, melhorando a assistência oferecida 
aos homens por meio de ações de 
informação, proteção e promoção da 
saúde assim como tratamento e 
recuperação de agravos, além de uma 
mudança cultural no que diz respeito ao 
comportamento masculino nessa área 
Para alcançar seu objetivo, a PNAISH deve 
ser desenvolvida a partir de cinco (5) eixos 
temáticos: 
1. Acesso e Acolhimento: Objetiva 
reorganizar as ações de saúde, por 
meio de uma proposta inclusiva, na 
qual os homens considerem os serviços 
de saúde também como espaços 
masculinos e, por sua vez, os serviços 
reconheçam os homens como sujeitos 
que necessitam de cuidados e acesso à 
saúde; 
2. S a ú d e S e x u a l e S a ú d e 
Reprodutiva: Promove a abordagem 
às questões sobre a sexualidade 
masculina, nos campos psicológico, 
biológico e social. Busca respeitar o 
direito e a vontade do indivíduo de 
planejar, ou não, ter filhos; 
3. Paternidade e Cuidado:  Busca 
sensibilizar gestores (as), profissionais 
de saúde e a sociedade em geral sobre 
os benefícios da participação ativa dos 
homens no exercício da paternidade 
em todas as fases da gestação e nas 
ações de cuidado com seus (suas) filhos 
( a s ) , d e s t a c a n d o c o m o e s t a 
participação pode contribuir a saúde, 
bem-estar e fortalecimento de vínculos 
saudáveis entre crianças, homens e 
suas (seus) parceiras (os); 
4. D o e n ç a s p r e v a l e n t e s n a 
população masculina:  Reforça a 
importância da atenção primária no 
c u i d a d o à s a ú d e d o s h o m e n s , 
facilitando e garantindo o acesso e a 
qualidade dos cuidados necessários 
para lidar com fatores de risco de 
doenças e agravos à saúde mais 
prevalentes na população masculina; 
5. P r e v e n ç ã o d e V i o l ê n c i a s e 
Acidentes:  Visa a conscientização 
sobre a relação significativa entre a 
população masculina e violências e 
a c i d e n t e s . P r o p õ e e s t r a t é g i a s 
preventivas na saúde, envolvendo 
profissionais e gestores de saúde e toda 
a comunidade. 
 OBJETIVOS DA PNAISH 
Os objetivos da Política Nacional de 
Atenção Integral à Saúde do Homem: 
1. Promover a mudança de paradigmas 
no que concerne à percepção da 
população masculina em relação ao 
cuidado com a sua saúde e a saúde de 
sua família; 
2. Captar precocemente a população 
masculina nas atividades de prevenção 
p r i m á r i a r e l a t i v a à s d o e n ç a s 
cardiovasculares e cânceres, entre 
outros agravos recorrentes; 
3. Organizar, implantar, qualificar e 
humanizar, em todo o território 
brasileiro, a atenção integral à saúde 
do homem; 
4. Fortalecer a assistência básica no 
cuidado com o homem, facilitando e 
garantindo o acesso e a qualidade da 
atenção necessária ao enfrentamento 
dos fatores derisco das doenças e dos 
agravos à saúde; 
5. Capacitar e qualificar os profissionais 
da rede básica para o correto 
atendimento à saúde do homem; 
6. Implantar e implementar a atenção à 
saúde sexual e reprodutiva dos 
homens, incluindo as ações de 
p l a n e j a m e n t o e a s s i s t ê n c i a à s 
disfunções sexuais e reprodutivas, com 
enfoque na infertilidade; 
7. Ampliar e qualificar a atenção ao 
planejamento reprodutivo masculino; 
.
Maria Vitória de Sousa Santos 
8. Estimular a participação e a inclusão 
do homem nas ações de planejamento 
de sua vida sexual e reprodutiva, 
enfocando as ações educativas, 
inclusive no que toca à paternidade; 
9. Garantir a oferta da contracepção 
cirúrgica voluntária masculina nos 
termos da legislação específica; 
10. Promover a prevenção e o controle das 
doenças sexualmente transmissíveis e 
da infecção pelo HIV; 
11. Garantir o acesso aos serviços 
especializados de atenção secundária e 
terciária; 
12. Promover a atenção integral à saúde do 
homem nas populações indígenas, 
negras, quilombolas, gays, bissexuais, 
travestis, transexuais, trabalhadores 
rurais, homens com deficiência, em 
situação de risco, e em situação 
carcerária, entre outros; 
13. Estimular a articulação das ações 
governamentais com as da sociedade 
civil organizada, a fim de possibilitar o 
protagonismo social na enunciação das 
reais condições de saúde da população 
masculina, inclusive no tocante à 
ampla divulgação das medidas 
preventivas; 
14. Ampliar o acesso às informações sobre 
as medidas preventivas contra os 
agravos e as enfermidades que atingem 
a população masculina; 
15. Incluir o enfoque de gênero, orientação 
sexual, identidade de gênero e 
condição étnico-racial nas ações 
socioeducativas; 
16. Estimular, na população masculina, o 
cuidado com sua própria saúde, 
visando à realização de exames 
preventivos regulares e à adoção de 
hábitos saudáveis; e 
17. Aperfeiçoar os sistemas de informação 
de maneira a possibilitar um melhor 
monitoramento que permita tomadas 
de decisões. 
 ÓTICA DE GÊNERO 
• Gênero se refere “[...] aos atributos, 
papéis ou funções sociais culturalmente 
legitimados para indivíduos do sexo 
m a s c u l i n o e d o s e x o f e m i n i n o , 
estabelecendo-os com determinados 
valores sociais diferentes e desiguais 
entre si”. 
• Essa categoria de análise pretende 
superar a diferenciação entre homens e 
mulheres baseada apenas em suas 
c a r a c t e r í s t i c a s b i o l ó g i c a s e s e 
fundamenta pelas marcas do socialmente 
construído, do caráter relacional e da 
dimensão de poder. 
 POSSÍVEIS INADEQUAÇÕES DOS SERVIÇOS DE 
 SAÚDE 
1. Horário de funcionamento: O 
horár io de func ionamento das 
unidades de saúde pode colidir com o 
horário de trabalho dos homens, o que 
justificaria a sua ausência. 
2. Dificuldades de acesso: Homens 
não são ausentes, mas sim invisíveis 
nos serviços de saúde. Os homens estão 
presentes, mas não percebidos pelos 
profissionais; não são considerados 
como sujeitos do cuidado de si ou de 
terceiros; e não são (ou eram) 
considerados um destino de políticas 
públicas. Sem uma estratégia efetiva ou 
uma mudança de postura para abordar 
os homens, é difícil reverter essa 
s i t u a ç ã o , c r i a n d o u m c i c l o d e 
invisibilidade: os homens vêm pouco 
ao serviço de saúde, os profissionais de 
saúde não aprendem como abordá-los, 
o sistema de saúde não os percebe 
como usuários e, finalmente, os 
homens continuam percebendo o 
serviço de saúde como um “não lugar”e 
continuam não vindo a consultas. 
 BARREIRAS SOCIOCULTURAIS 
1. Estereótipo do homem invulnerável; 
2. Sem rede de apoio adequada; 
3. Dicotomia = Unidade de saúde é um 
espaço feminino, ao passo que o bar é 
refúgio de socialização masculina. 
 CAUSAS DE MORTES 
As doenças prevalentes na população 
masculina são: 
1. Causas Externas (40,3% foram por 
homicídios, 30,0 % por acidentes de 
transporte, 7,4% por suicídios, sendo 
22,3% por outras causas); 
2. Doenças do Aparelho Circulatório 
(coronariopatias 40,5%, hipertensão 
Maria Vitória de Sousa Santos 
18,7%, miocardiopatias 1,2%, e outras 
39,6%); Homens entre 20-59 anos. 
3. Tumores, (cerca de 43,2% de todos os 
tumores assinalados tem origem no 
a p a r e l h o d i g e s t i v o , a p a r e l h o 
circulatório e aparelho urinário); 
Homens a partir dos 50 anos. 
- As neoplasias que mais matam 
homens no Brasil são as de 
traqueia, brônquio ou pulmões, 
seguidos desde próstata e de 
estômago. Em relação às doenças 
do aparelho digestório, destaca-se 
as doenças do fígado, responsáveis 
pela maior parte das mortes entre 
homens de 25 a 59 anos e, em boa 
parte, relacionadas à doença 
alcoólica. 
Maria Vitória de Sousa Santos
ATENÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO 
PRIVADA DE LIBERDADE 
 PNAISP 
• A Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade 
no Sistema Prisional (PNAISP) é uma 
política de saúde pública brasileira que 
foi implementada com o objetivo de 
garantir e promover a saúde integral da 
população carcerária. Promove a 
prevenção e o tratamento de doenças e 
condições de saúde, a promoção da 
saúde e a redução de danos. 
Observação: Entendem-se ainda por 
pessoa privada de liberdade no sistema 
prisional os indivíduos maiores de 18 anos 
custodiados em unidades prisionais. 
 PRINCÍPIOS DA PNAISP 
1. Respeito aos direitos humanos e à 
justiça social. 
2. Integralidade da atenção à saúde da 
população privada de liberdade no 
conjunto de ações de promoção, 
proteção, prevenção, assistência, 
recuperação e vigilância em saúde, 
executadas nos diferentes níveis de 
atenção. 
3. Equidade, em virtude de reconhecer as 
diferenças e singularidades dos sujeitos 
de direitos. 
4. Promoção de iniciativas de ambiência 
humanizada e saudável, com vistas à 
garantia da proteção dos direitos 
dessas pessoas. 
5. Corresponsabilidade interfederativa 
quanto à organização dos serviços 
segundo a complexidade das ações 
desenvolvidas, assegurada por meio da 
Rede Atenção à Saúde no território. 
6. Valorização de mecanismos de 
participação popular e controle social 
nos processos de formulação e gestão 
de políticas para atenção à saúde das 
pessoas privadas de liberdade. 
 DIRETRIZES GERAIS DA PNAISP 
As diretrizes gerais da PNAISP incluem: 
1. Promoção da cidadania e inclusão das 
pessoas privadas de liberdade por meio 
da articulação com os diversos setores 
de desenvolvimento social, como 
educação, trabalho e segurança. 
2. Atenção integral resolutiva, contínua e 
de qualidade às necessidades de saúde 
da população privada de liberdade no 
sistema prisional, com ênfase em 
atividades preventivas, sem prejuízo 
dos serviços assistenciais. 
3. Controle e/ou redução dos agravos 
mais frequentes que acometem a 
população privada de liberdade no 
sistema prisional. 
4. Respeito à diversidade étnico-racial, às 
limitações e às necessidades físicas e 
mentais especiais, às condições 
socioeconômicas, às prát icas e 
concepções culturais e religiosas, ao 
gênero, à orientação afetiva e à 
identidade de gênero. 
5. Intersetorialidade para a gestão 
integrada e racional e para a garantia 
do direito à saúde. 
 OBJETIVOS DA PNAISP 
1. Geral: 
- Busca-se garantir o acesso das pessoas 
privadas de liberdade no sistema 
prisional ao cuidado integral no SUS; 
2. Específicos: 
- Promover o acesso das pessoasprivadas de liberdade à Rede de 
Atenção à Saúde, visando ao cuidado 
integral; 
- G a r a n t i r a a u t o n o m i a d o s 
profissionais de saúde para a 
realização do cuidado integral das 
pessoas privadas de liberdade; 
- Qualificar e humanizar a atenção à 
saúde no sistema prisional por meio 
de ações conjuntas das áreas de saúde 
e da justiça; 
- Promover as relações intersetoriais 
com as políticas de direitos humanos, 
afirmativas e sociais básicas, bem 
como as de Justiça Criminal; 
- Fomentar e fortalecer a participação 
no controle social. 
 PRINCIPAIS AÇÕES DA PNAISP 
1. Garantir o acesso à Rede de Atenção à 
Saúde no território com mais agilidade, 
equidade e qualidade. 
Maria Vitória de Sousa Santos
2. Promover ações para promoção de 
doenças e prevenção de doenças 
t r a n s m i s s í v e i s , d o e n ç a s n ã o 
t r a n s m i s s í v e i s e d o s a g r a v o s 
decorrentes do confinamento. 
3. Melhorar as ações de vigilância 
sanitária na alimentação e nas 
condições de higiene dentro das 
unidades prisionais e para garantir a 
salubridade ambiental. 
4. Operar estendendo e aprofundando as 
ações de todos os programas do 
Ministério da Saúde. 
5. Atuar na prevenção do uso de álcool e 
de drogas e na reabilitação de usuários. 
6. Garantir medidas de proteção, como a 
vacinação para hepatites, influenza e 
outras do calendário de adultos. 
7. Garantir ações de promoção de saúde 
bucal (ex.: palestras, escovação e 
avaliação bucal) e tratamento. 
8. Garantir o acesso aos programas de 
saúde mental, gerais e específicos. 
9. Garantir aquisição e repasse de 
medicamentos da farmácia básica às 
equipes de Saúde e distribuição de 
insumos (preservativos, absorventes, 
entre outros) para as pessoas presas. 
10. Multiplicar as unidades básicas de 
saúde prisional e promover o seu 
funcionamento na lógica do SUS. 
 EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA PRISIONAL 
• Os serviços serão formados por equipes 
de atenção básica prisional (EABP), que 
organizarão a saúde intramuros na 
perspectiva da promoção da saúde, 
prevenção de agravos, tratamento e 
seguimento, permitindo que essa 
população, mediante regulação do SUS, 
tenha acesso aos serviços de urgências e 
emergências, à atenção especializada e 
hospitalar na rede extramuros, sempre 
que houver necessidade de atenção de 
maior complexidade. 
Os serviços e equipes serão definidos de 
acordo com os seguintes critérios: 
1. Número de pessoas privadas de 
liberdade por unidade prisional; 
2. Vinculação dos serviços de saúde a 
uma unidade básica de saúde no 
território; 
3. Existência de demandas referentes à 
saúde mental. 
 TIPOS DE EQUIPES DE ATENÇÃO BÁSICA NO 
 SISTEMA PRISIONAL (EABP) 
1. EABP I: 
- C o n t a c o m u m m é d i c o , u m 
e n f e r m e i r o , u m t é c n i c o d e 
e n f e r m a g e m o u a u x i l i a r d e 
enfermagem, um cirurgião dentista e 
um técnico ou auxiliar de saúde bucal. 
- Essa equipe deverá atender até 100 
pessoas privadas de liberdade e 
cumprir carga horária mínima de seis 
horas semanais. 
2. EABP II: 
- C o n t a c o m u m m é d i c o , u m 
enfermeiro, um técnico ou auxiliar de 
enfermagem, um cirurgião dentista, 
um técnico ou auxiliar de saúde bucal, 
um psicólogo, um assistente social e 
um profissional de nível superior 
dentre as seguintes ocupações: 
fisioterapia, psicologia, assistência 
social, farmácia, terapia ocupacional, 
nutrição ou enfermagem. 
- Essa equipe deverá atender de 101 a 
500 pessoas privadas de liberdade e 
cumprir o mínimo de 20 horas 
semanais, ficando a cargo do gestor a 
distribuição da carga horária de cada 
profissional, não podendo ser inferior 
a 10 horas semanais. 
Observação: Às EABP I e II poderá ser 
acrescentada uma equipe de saúde mental, 
a depender do perfil epidemiológico da 
Unidade Prisional. Esta equipe de saúde 
mental consiste em, no mínimo, um 
médico psiquiatra (ou médico com 
experiência em saúde mental) e dois 
profissionais selecionados entre as 
seguintes ocupações: f i s ioterapia , 
psicologia, assistência social, farmácia, 
terapia ocupacional ou enfermagem . 
3. EABP III: 
- Terá o mesmo perfil da EABP II 
acrescida, necessariamente, da equipe 
de saúde mental. 
- Essa equipe deverá atender de 501 a 
1200 pessoas privadas de liberdade e 
cumprir o mínimo de 30 horas 
semanais, ficando a cargo do gestor a 
Maria Vitória de Sousa Santos
distribuição da carga horária de cada 
profissional, não podendo ser inferior 
a 10 horas semanais. 
Observação: Os estados, o Distrito 
Federal e os municípios que aderirem à 
PNAISP, cadastrarem suas EABP no 
Sistema de Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde (SCNES) e 
habilitarem no Sistema de Apoio à 
Implementação de Políticas de Saúde - 
SAIPS estarão aptos a receber o incentivo 
financeiro de custeio mensal, que será 
transferido pelo Fundo Nacional de Saúde 
aos Fundos Estaduais e Municipais de 
Saúde. 
 PRINCÍPIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA NA 
 POPULAÇÃO PRISIONAL 
1. Acesso; 
2. Integralidade; 
3. Coordenação do cuidado; 
4. Longitudinalidade; 
 PROBLEMAS ESPECÍFICOS 
1. Tuberculose (baixa ventilação, baixa 
incidência solar e superlotação); 
2. Medicações psicotrópicas (demanda 
por benzodiazepínicos, assim como na 
comunidade, é bastante alta); 
3. Simulação (simulação de sintomas 
mentais e neurológicos, especialmente 
alucinações e crises convulsivas —> 
obter medicação com potencial real ou 
esperado de abuso e/ou de efeito 
hipnótico, para uso próprio ou 
comércio entre os demais detentos); 
4. C o m p o r t a m e n t o s d i s r u p t i v o s 
(autolesão, destruição de canos das 
celas, sujar-se de fezes ou causar 
incêndios); 
5. Tabagismo; 
6. Questões legais (O médico pode ter de 
se manifestar e até provocar o sistema 
judiciário por questões de saúde que 
podem interferir na capacidade de 
cumprimento da pena pela pessoa). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
MANEJO DAS ANEMIAS NA 
ATENÇÃO PRIMÁRIA 
 CONCEITO 
• A anemia é definida pela OMS quando a 
Hb é inferior a 13 g/dL em homens, 12 g/
dL em mulheres e 11 g/dL para crianças e 
gestantes, sendo assim, a anemia é a 
diminuição da massa eritrocitária. 
 HEMOGRAMA 
É o exame que avalia as principais 
linhagens de células do sangue: hemácias, 
leucócitos e plaquetas. 
1. Hematócrito: É o percentual do 
sangue que é ocupado pelos eritrócitos. 
Um hematócrito de 45% significa que 
45% do sangue é composto por 
eritrócitos. Os outros 55% são água e 
substâncias diluídas. Praticamente 
metade de nosso sangue é composto 
por eritrócitos. A falta de eritrócitos 
prejudica o transporte de oxigênio, já o 
excesso deixa o sangue muito espesso, 
atrapalhando seu fluxo e favorecendo a 
formação de coágulos. 
2. Hemoglobina: Mede a quantidade de 
hemoglobina, uma proteína das 
hemácias, em uma amostra de sangue, 
o que indica a capacidade do sangue de 
transportar oxigênio para os tecidos. 
Na prática, a dosagem de hemoglobina 
acaba sendo a mais precisa na 
avaliação de uma anemia. 
3. Volume globular médio (VCM): 
Mede o tamanho das células. Um VCM 
elevado indica eritrócitos macrocíticos, 
ou seja, grandes. VCM reduzidos 
indicam células microcíticas, isto é, de 
tamanho diminuído. Com esse dado 
podemos diferenciar os vários tipos de 
anemias. Por exemplo, anemias por 
carência de ácido fólico cursam com 
hemácias grandes, enquanto que 
anemias por fa l ta de ferro se 
apresentam com hemácias pequenas. 
Existem também as anemiascom 
h e m á c i a s d e t a m a n h o n o r m a l . 
Interessante: o alcoolismo é uma causa 
de VCM aumentado (macrocitose) sem 
anemia. 
4. Concentração de hemoglobina 
corpuscular média (CHCM): Dosa 
a concentração de hemoglobina dentro 
da célula. 
5. Hemoglobina corpuscular média 
(HCM): É o peso da hemoglobina 
dentro dos eritrócitos. 
Observação: Os dois últimos tem 
significados semelhantes, quando têm 
pouca hemoglobina, as células são ditas 
hipocrômicas. Quando têm muita, são 
hipercrômicas. 
6. RDW: É um índice que avalia a 
diferença de tamanho entre as 
hemácias. Quando este está elevado 
significa que existem muitas hemácias 
de tamanhos diferentes circulando. 
Isso pode indicar hemácias com 
problemas na sua morfologia. É muito 
comum RDW elevado, por exemplo, na 
carência de ferro, onde a falta deste 
elemento impede a formação da 
hemoglobina normal, levando à 
formação de uma hemácia de tamanho 
reduzido. 
 CLASSIFICAÇÃO 
Com base no tamanho celular, as anemias 
têm sua classificação em: 
1. Microcíticas (VCM < 80 fL): 
Ferropriva, ta lassemia, anemia 
sideroblástica e anemia de doença 
crônica. 
2. Macrocíticas megaloblásticas 
(VCM > 100 fL): Devido à deficiência 
de vitamina B12 ou de ácido fólico e 
r e l a c i o n a d a s c o m f á r m a c o s 
(zidovudina, metotrexato, ácido 
valproico, entre outros). 
3. M a c r o c í t i c a s n ã o 
megaloblásticas : A lcool ismo, 
hepatopat ia , h ipot ireoidismo e 
síndromes mielodisplásicas. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
4. Normocíticas (VCM entre 80-100 
fL): Ferropriva, anemia de doença 
crônica e de causas hemolíticas e não 
hemolíticas. 
 QUADRO CLÍNICO 
 ANEMIA FERROPRIVA 
Causas de anemia Ferropriva: 
1. Mulheres gestantes (principalmente 
nas gemelares); 
2. Aleitamento materno; 
3. Fluxo fisiológico menstrual excessivo, 
com a visualização de coágulos; 
4. Uso do dispositivo intrauterino de 
cobre (DIU); 
5. Câncer de endométrio; 
6. Pessoas submet idas à c i rurg ia 
bariátrica (deficiência de ferro após o 
procedimento); 
7. Hemorragia digestiva alta (HDA) e 
baixa (HDB); 
8. Indivíduos com doença celíaca, doença 
de Crohn, espru tropical, ressecção e 
tuberculose intestinal apresentam má 
absorção duodenojejunal ao ferro; 
9. Consumo abusivo de bebidas alcoólicas 
—> gastrite —> úlcera gástrica —> 
varizes esofágicas —> perda de sangue; 
10. Câncer de cólon. 
Deve-se investigar a presença de: 
1. Palidez; 
2. Visão de moscas volantes; 
3. Zumbidos; 
4. Dores de cabeça; 
5. Anorexia; 
6. Perda do paladar; 
7. Dor na língua; 
8. Perda de pelos ou cabelos; 
9. Diminuição do rendimento intelectual; 
10. Sonolência; 
11. Fraqueza, cansaço, letargia, estado 
anímico (irritabilidade, tristeza, 
apatia); 
12. Dispneia progressiva aos exercícios 
físicos; 
13. Palpitações, angina, síncope; 
14. Dor nas pernas; 
15. Perda da libido; 
16. Hemorragia. 
Observação: Se a anemia for acentuada, 
evolui com distúrbios alimentares (pica), 
pelo desejo incontrolável da ingesta de 
alimentos crus como macarrão e arroz, ou 
substâncias específicas não nutritivas, tais 
como terra ou gelo. 
 ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 
Causas de anemia crônica: 
1. Colagenoses; 
2. Infecções crônicas; 
3. Doenças neoplásicas. 
Deve-se investigar a presença de: 
1. Taquicardia; 
2. Cansaço; 
3. Palpitações; 
4. Taquipneia. 
 ANEMIA MEGALOBLÁSTICA 
• São anemias derivadas da deficiência de 
Vit b12 e ácido fólico. Os sintomas da 
deficiência de vitamina B12 ou de ácido 
fólico que devem ser pesquisados estão 
ligados à má absorção dos alimentos 
ricos nessas substâncias, como a carne, o 
leite, os ovos, os queijos e os vegetais 
folhosos verde-escuros, respectivamente. 
Causas de anemia megaloblástica: 
1. Dieta vegetariana rigorosa (diminuição 
de vitamina B12); 
2. Alcoolismo (aumenta o risco de 
deficiência de ácido fólico); 
Maria Vitória de Sousa Santos 
3. U s o c r ô n i c o d e m e t f o r m i n a , 
biguanidas, omeprazol, colchicina e 
neomicina (associam-se ao déficit de 
vitamina B12); 
4. Uso de nticonvulsivantes (fenitoína, 
fenobarbital, primidona), metotrexato, 
trimetoprima, contraceptivos orais e 
diuréticos poupadores de potássio - 
levam a deficiência de ácido fólico; 
5. Pessoas submetidas à gastrectomia 
(déficits de vitamina B12 e ácido 
fólico). 
A carência de vitamina B12 pode provocar: 
1. Insônia; 
2. Problemas neurológicos de parestesia 
associada à neuropatia periférica; 
3. Propriocepção diminuída; 
4. Déficit de memória; 
5. Transtornos psiquiátricos, incluindo 
irritabilidade, depressão, demência e, 
raramente, psicoses. 
Observação: Os achados da deficiência 
de ácido fólico são os mesmos da vitamina 
B12, porém não há sintomas neurológicos. 
 EXAME FÍSICO 
Deve-se realizar exame físico completo. 
1. Avaliação geral: Além de aferir os 
sinais vitais, observar o aparente 
estado de saúde física, mental, 
nutricional e de hidratação, para poder 
marcar a falta do desenvolvimento 
estatural e muscular, comuns nas 
anemias. 
2. Linfonodos: Os aumentos devem ser 
examinados relacionando seus achados 
à suspeição de doenças hematológicas. 
3. C a b e ç a : O 
aparecimento da “face 
d o r o e d o r ” , e m 
virtude de alterações 
no desenvolvimento 
d o s o s s o s e n o 
t a m a n h o e 
desalinhamento dos 
dentes incisivos, é 
característico da talassemia. No crânio, 
bossas com proeminência dos ossos 
frontal e parietal com o maxilar 
aumentado indicam β-talassemia. 
4. O l h o s : N a r e g i ã o o c u l a r , o 
descoramento da mucosa é observado 
na anemia grave, e a esclera poderá 
estar ictérica. No 
fundo de olho as 
alterações são de 
rara importância 
diagnóstica, e a 
retinopatia grave é denominada 
manchas de Roth . Papi le de ma 
relacionado apenas à anemia pode 
ocorrer e regride com a sua correção. 
5. B o c a : N a 
cavidade oral, a 
l í n g u a 
despapilada, lisa 
(mais visível nos 
c a n t o s ) , 
e d e m a c i a d a , 
encarnada (com aspecto de carne 
bovina) é denominada glossite atrófica. 
É dolorosa e provoca odor ruim. Nos 
lábios, aparecem sinais de maceração, 
além de fissuras no ângulo da boca, 
denominadas estomatite ou queilite 
angular. 
6. Pele, anexos e 
m u c o s a s : C o m 
uma luz adequada, 
d e p r e f e r ê n c i a 
natural, inspeciona-
se idealmente toda a 
pele e as mucosas. A incidência de 
palidez é melhor observada no 
descoramento da palma das mãos, 
mucosas da boca, conjuntiva, lábios e 
leito ungueal, muito embora tenha 
baixa sensibilidade. A palma das mãos 
torna-se pálida. As máculas acrômicas 
circunscritas, caracterizadas pela 
alteração da cor da pele no vitiligo, 
poderão ser observadas nos portadores 
de anemia perniciosa. As lesões 
vásculo-sanguíneas e pigmentadas, as 
petéquias e equimoses aparecem em 
consequência da anemia aplástica, da 
c o a g u l o p a t i a e d a s l e u c e m i a s 
consequentes da plaquetopenia. A 
queda de cabelos pode ocorrer na 
anemia ferropriva; no entanto, o 
aparecimento precoce de cabelos 
grisalhos e finos sugere anemia 
perniciosa. No exame das unhas, a cor 
rosada do enchimento capilar é pálida. 
A coiloníquia, unhas adelgaçadas de 
anticonvulsivantes
Maria Vitória de Sousa Santos 
lâminas côncavas com extremidades 
elevadas semelhantes a uma colher, 
denota o sinal clássico e tardio 
presente na anemia megaloblástica, 
perniciosa e na ferropriva de longa 
data. As úlceras localizadas nas 
extremidades das pernas, em torno dos 
maléolos (que se apresentam com má 
cicatrização e cronicidade), são típicas 
de indivíduos com anemia falciforme. 
Dactilite, (tambémconhecida como 
síndrome mão-pé) é uma manifestação 
inicial da anemia falciforme. 
7. A p a r e l h o c a r d i o v a s c u l a r e 
p u l m o n a r : O s a c h a d o s s ã o 
proporcionais ao tempo de evolução da 
a n e m i a . N o s c a s o s a g u d o s , 
manifestações importantes surgem 
com taquicardia reflexa e hipotensão 
postural com lipotímia, acometendo 
com maior frequência os idosos. As 
pessoas referem dispneia, taquicardia e 
hipotensão postural. A fluidez do 
sangue periférico em geral resulta no 
aparecimento de sopro cardíaco 
sistólico ejetivo no foco pulmonar e no 
ápice, sendo observado tanto em 
repouso como após os exercícios. 
8. Aparelho gastrintestinal: No 
abdome, a úlcera péptica é por vezes 
assintomática ou associada com dor à 
palpação, à defesa e à rigidez da sua 
parede. Na palpação de massas, 
investigar a possibilidade de tumor. A 
circunferência volumosa ascítica é 
oriunda, entre outras causas, da cirrose 
d e c o r r e n t e d o u s o d e á l c o o l , 
direcionando o raciocínio para anemia 
por doença hepática. Considerar a 
realização do toque retal para descartar 
carcinoma colorretal e perda de sangue 
devido às hemorroidas. 
9. Aparelho genital: O exame das 
mamas, genitais feminino e masculino 
não poderão ser negligenciados, 
buscando-se alterações que justifiquem 
tanto a anemia como as neoplasias 
silentes. O priapismo surge como uma 
d a s c o m p l i c a ç õ e s d a a n e m i a 
falciforme. 
10. Aparelho neurológico: Na anemia 
por deficiência de vitamina B12, é 
importante verificar o tônus, a força 
m u s c u l a r , a s e n s i b i l i d a d e , a 
coordenação e os reflexos. Déficits da 
s e n s i b i l i d a d e v i b r a t ó r i a e d a 
propriocepção são manifestações 
precoces de disfunção do sistema 
nervoso central (SNC). A falta de 
coordenação muscular durante os 
movimentos voluntários, sinal de 
Babinski e espasticidade são sinais 
tardios. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
• Solicitar apenas o hemograma é 
insuficiente para a abordagem inicial das 
anemias, que deve ter em conjunto a 
contagem de reticulócitos e o esfregaço 
de sangue periférico. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA 
As orientações gerais são: 
1. Dieta adequada, com a ingesta de 
carnes vermelhas e frutas ricas em 
vitamina C, que aumentam a absorção 
de ferro. 
2. Evitar o consumo de alimentos ou 
medicamentos que possam inibir a 
absorção de ferro. 
3. Aleitamento materno em RN normal 
deve ser encorajado e priorizado pelo 
menos até o 6° mês, obedecendo à 
suplementação de ferro entre 6 e 18 
meses, de acordo com o preconizado 
pelo Ministério da Saúde (MS). 
Os principais compostos disponíveis para o 
tratamento oral são: 
1. Sulfato ferroso (3 a 6 mg/kg/dia, em 
duas a três tomadas para crianças; para 
adultos, o recomendado são 120 a 180 
mg de ferro elementar por dia); 
Observação: A resposta ao tratamento 
ocorre pelo aumento de reticulócitos, em 4 
a 7 dias, com pico no 10o dia. Com uma 
adequada reposição, um aumento de pelo 
menos 2 g/dL na Hb deve ocorrer em 2 a 3 
semanas de tratamento, mas o VCM 
continuará baixo por 2 a 3 meses. Em 2 
meses, a Hb e o Ht voltam ao normal. 
Observação: Após a correção da anemia 
ferropriva, a suplementação é mantida, em 
crianças, por 3 a 4 meses (ou por mais 2 
meses, quando houver a normalização da 
h e m o g l o b i n a ) ; p a r a a d u l t o s , a 
recomendação é tratar por 4 a 6 meses. 
Observação: O sulfato ferroso é melhor 
absorvido se ingerido em jejum ou 1 a 2 
horas antes das refeições, com fruta ou 
suco cítrico (conter vitamina C – p. ex., 
laranja, limão – favorece a absorção do 
ferro no intestino). 
2. Fumarato ferroso; 
3. Gluconato ferroso; 
4. Ferro quelato glicinato; 
5. Ferripolimaltose. 
 TRATAMENTO PARENTERAL DA ANEMIA 
 FERROPRIVA 
O tratamento parenteral com ferro deve 
ser reservado aos casos de: 
1. Intolerância ou refratariedade à via 
oral (VO); 
2. M á a b s o r ç ã o p o r d o e n ç a 
gastrintestinal; 
3. Incapacidade de manter as reservas de 
ferro em pós-bariátricos; 
4. Doentes fazendo hemodiálise. 
Observação: Esse tratamento deve ser 
evitado em portadores de insuficiência 
hepática, em gestantes com menos de 12 
semanas e na amamentação. 
 TRATAMENTO DA DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12 
• As principais fontes de vitamina B12 são 
as carnes, os ovos e o leite (a dieta deve 
ser reforçada para todos os indivíduos). 
Os estoques têm longa duração, mas, se a 
perda diária ocorrer entre 3 a 5 mg sem 
qualquer absorção, a deficiência pode 
levar mais de 3 anos. É confirmada com 
níveis abaixo de 200 pg/mL 
O tratamento está indicado nas pessoas 
com: 
1. Absorção enteral diminuída; 
2. Doença hereditária 
3. Anemia perniciosa comprovada. 
• Embora existam evidências de que a 
reposição oral traga bons resultados, o 
tratamento tradicional é por via 
parenteral, existindo vários esquemas 
posológicos eficazes, que variam de 
acordo com a apresentação clínica. 
1. Para crianças, a dose típica é de 
50 a 100 µg de vitamina B12 
10°
;
Maria Vitória de Sousa Santos 
intramuscular, 1 vez por semana, 
até que a deficiência seja corrigida. 
Se for necessário tratamento por 
toda a vida, aplicar 1 vez por mês.37 
2. Para os adultos, a dose é de 
1.000 µg/dia de vitamina B12 IM, 
por 7 dias, seguidos de 1.000 µg por 
semana, por 3 semanas, e, após, 
1.000 µg/mês indefinidamente, se a 
condição clínica não puder ser 
c o r r i g i d a . O a u m e n t o d o s 
reticulócitos ocorre em 5 a 7 dias, e 
em 2 meses se observa uma 
melhora do quadro hematológico. A 
d e g e n e r a ç ã o n e u r o l ó g i c a é 
reversível se tratada com pouco 
tempo de evolução, idealmente em 
menos de 6 meses. A correção da 
deficiência pode causar hipocalemia 
aguda, ou seja, o monitoramento da 
queda de potássio é obrigatório, e a 
suplementação deve ser instituída, 
quando necessária . Algumas 
p e s s o a s p o d e m d e s e n v o l v e r 
hipocalemia durante a semana 
inicial do tratamento, uma vez que 
há uma absorção marcada de 
potássio durante a produção de 
células sanguíneas novas, mas é 
improvável que seja clinicamente 
significativa. A injeção de vitamina 
B12 é dolorosa e deve ser aplicada 
na região glútea, via IM, ou 
subcutânea (SC), e nunca por via 
intravenosa (IV). 
 TRATAMENTO DA DEFICIÊNCIA DE ÁCIDO FÓLICO 
1. As principais fontes de ácido fólico são 
os vegetais folhosos verdes escuros, 
frutas cítricas, cereais, grãos, nozes e 
carnes. Os estoques têm duração de 4 a 
5 meses. A deficiência é confirmada 
com níveis abaixo de 5 ng/mL. 
2. O tratamento tanto para crianças como 
adultos se faz com 5 mg, 1 vez ao dia, 
por 1 a 4 meses, ou até a normalização 
dos níveis terapêuticos. 
3. O aumento dos reticulócitos ocorre em 
5 a 7 dias, e a melhora hematológica, 
em 2 meses. Efeitos adversos, como 
discreto rubor, rash cutâneo, distensão 
abdominal, entre outros, podem 
ocorrer. 
4. Na suspeita de deficiência combinada 
de ácido fólico e vitamina B12, deve-se 
sempre suplementar as duas vitaminas, 
pois a administração apenas de ácido 
fólico na presença de deficiência de 
vitamina B12 levará à piora progressiva 
do quadro neurológico. Há evidências 
de que o uso de ácido fólico no período 
pré-concepcional e durante o primeiro 
trimestre da gravidez pode prevenir os 
defeitos do tubo neural do feto. 
 TRATAMENTO DA ANEMIA DE DOENÇA CRÔNICA 
• O tratamento da anemia de doença 
crônica é direcionado para a causa de 
base, como nas doenças inflamatórias, 
nas neoplasias e nas infecções crônicas. 
Na doença renal, porém, deve-se 
considerar o uso da eritropoetina como 
otimização da respostahematológica. 
#
Maria Vitória de Sousa Santos 
POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE 
VOLTADAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA 
 INTRODUÇÃO 
• A Política Nacional de Saúde Integral da 
População Negra (PNSIPN) é um 
compromisso firmado pelo Ministério da 
Saúde no combate às desigualdades no 
Sistema Único de Saúde (SUS) e na 
promoção da saúde da população negra 
de forma integral, considerando que as 
iniquidades em saúde são resultados de 
injustos processos socioeconômicos e 
culturais – em destaque, o vigente 
racismo – que corroboram com a 
morbimortalidade das populações negras 
brasileiras. 
• Essa política tem como marca: o 
reconhecimento do racismo, das 
desigualdades étnico-raciais e do 
r a c i s m o i n s t i t u c i o n a l c o m o 
determinantes sociais das condições de 
saúde, com vistas à promoção da 
equidade em saúde. 
• A p o l í t i c a t a m b é m r e a f i r m a a s 
responsabilidades de cada esfera de 
gestão do SUS– governo federal, 
estadual e municipal– na efetivação das 
ações e na articulação com outros setores 
do governo e da sociedade civil, para 
garantir o acesso da população negra a 
ações e serviços de saúde, de forma 
oportuna e humanizada, contribuindo 
para a melhoria das condições de saúde 
desta população e para redução das 
iniquidades de raça/cor, gênero, 
identidade de gênero, orientação sexual, 
geracionais e de classe. 
 DIRETRIZES GERAIS 
I. Inclusão dos temas Racismo e Saúde 
da População Negra nos processos de 
formação e educação permanente dos 
trabalhadores da saúde e no exercício 
do controle social na saúde; 
II. Ampliação e fortalecimento da 
participação do Movimento Social 
Negro nas instâncias de controle social 
das políticas de saúde, em consonância 
c o m o s p r i n c í p i o s d a g e s t ã o 
participativa do SUS, adotados no 
Pacto pela Saúde; 
III. Incentivo à produção do conhecimento 
científico e tecnológico em saúde da 
população negra; 
IV. Promoção do reconhecimento dos 
saberes e práticas populares de saúde, 
incluindo aqueles preservados pelas 
religiões de matrizes africanas; 
V. Implementação do processo de 
monitoramento e avaliação das ações 
pertinentes ao combate ao racismo e à 
redução das desigualdades étnico-
raciais no campo da saúde nas distintas 
esferas de governo; 
VI. Desenvolvimento de processos de 
informação, comunicação e educação, 
q u e d e s c o n s t r u a m e s t i g m a s e 
p r e c o n c e i t o s , f o r t a l e ç a m u m a 
identidade negra positiva e contribuam 
para a redução das vulnerabilidades. 
 OBJETIVOS 
1. Geral: 
- Promover a saúde integral da 
população negra, priorizando a 
redução das desigualdades étnico-
raciais, o combate ao racismo e 
discriminação nas instituições e 
serviços do SUS. 
2. Específicos: 
1. Garantir e ampliar o acesso da 
população negra residente em áreas 
urbanas, em particular nas regiões 
periféricas dos grandes centros, às 
ações e aos serviços de saúde; 
2. Garantir e ampliar o acesso da 
população negra do campo e da 
f l o r e s t a , e m p a r t i c u l a r a s 
populações quilombolas, às ações e 
aos serviços de saúde; 
3. I n c l u i r o t e m a C o m b a t e à s 
Discriminações de Gênero e 
Orientação Sexual, com destaque 
para as interseções com a saúde da 
população negra, nos processos de 
formação e educação permanente 
dos trabalhadores da saúde e no 
exercício do controle social; 
4. Identificar, combater e prevenir 
situações de abuso, exploração e 
violência, incluindo assédio moral, 
no ambiente de trabalho; 
5. Aprimorar a qualidade dos sistemas 
de informação em saúde, por meio 
Maria Vitória de Sousa Santos 
da inclusão do quesito cor em todos 
os instrumentos de coleta de dados 
adotados pelos serviços públicos, os 
conveniados ou contratados com o 
SUS; 
6. Melhorar a qualidade dos sistemas 
de informação do SUS no que tange 
à coleta, processamento e análise 
dos dados desagregados por raça, 
cor e etnia; 
7. Identificar as necessidades de saúde 
da população negra do campo e da 
floresta e das áreas urbanas e 
ut i l i zá- las como cr i tér io de 
planejamento e definição de 
prioridades; 
8. Definir e pactuar, junto às três 
esferas de governo, indicadores e 
metas para a promoção da equidade 
étnico-racial na saúde; 
9. Monitorar e avaliar os indicadores e 
a s m e t a s p a c t u a d o s p a r a a 
promoção da saúde da população 
n e g r a v i s a n d o r e d u z i r a s 
iniquidades macrorregionais, 
regionais, estaduais e municipais; 
10. Incluir as demandas específicas da 
população negra nos processos de 
regulação do sistema de saúde 
suplementar; 
11. Monitorar e avaliar as mudanças na 
cultura institucional, visando à 
garantia dos princípios antirracistas 
e não discriminatório; 
12. Fomentar a realização de estudos e 
pesquisas sobre racismo e saúde da 
população negra. 
 QUESITO COR/RAÇA 
O Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE) pesquisou as cores mais 
declaradas pela população e definiu um 
sistema de classificação com cinco 
categorias: 
1. Branca; 
2. Preta; 
3. Parda; 
4. Amarela; 
5. Indígena. 
• O Ministério da Saúde, por meio da sua 
Portaria no 344, de 1o de fevereiro de 
2017 (ver Anexo D), adota o critério da 
autodeclaração, ou seja, o(a) próprio(a) 
usuário(a) define qual é a sua raça/cor, 
com exceção dos casos de recém-
nascidos, óbitos ou diante de situações 
em que o usuário estiver impossibilitado, 
cabendo aos familiares ou responsáveis a 
declaração de sua cor ou pertencimento 
étnico-racial. 
• A autodeclaração remete à percepção de 
cada um em relação à sua raça/cor, o que 
implica considerar não somente seus 
traços físicos, mas também a origem 
étnico-racial, aspectos socioculturais e 
construção subjetiva do sujeito. 
• Declarar a sua raça/cor é importante 
para a construção de políticas públicas, 
pois permite que os sistemas de 
i n f o r m a ç ã o d o S U S c o n s o l i d e m 
indicadores que traduzem os efeitos dos 
fenômenos sociais e das desigualdades 
s o b r e o s d i f e r e n t e s s e g m e n t o s 
populacionais. 
 DOENÇAS GENÉTICAS OU HEREDITÁRIAS MAIS 
 COMUNS DA POPULAÇÃO NEGRA 
1. Anemia falciforme — Doença 
hereditária, decorrente de uma 
mutação genética ocorrida há milhares 
de anos, no continente africano. A 
doença, que chegou ao Brasil pelo 
tráfico de escravos, é causada por um 
g e n e r e c e s s i v o , q u e p o d e s e r 
encontrado em frequências que variam 
de 2% a 6% na população brasileira em 
geral, e de 6% a 10% na população 
negra. 
2. Diabetes mellitus (tipo II) — Esse 
tipo de diabetes se desenvolve na fase 
adulta e evolui causando danos em 
todo o organismo. É a quarta causa de 
morte e a principal causa de cegueira 
adquirida no Brasil. Essa doença atinge 
com mais frequência os homens negros 
(9% a mais que os homens brancos) e 
as mulheres negras (em torno de 50% a 
mais do que as mulheres brancas). 
3. Hipertensão arterial — A doença, 
que atinge 10% a 20% dos adultos, é a 
causa direta ou indireta de 12% a 14% 
de todos os óbitos no Brasil. Em geral, 
a hipertensão é mais alta entre os 
homens e tende ser mais complicada 
em negros, de ambos os sexos. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
4. Deficiência de glicose-6-fosfato 
desidrogenase — Afeta mais de 200 
milhões de pessoas no mundo. 
Apresenta frequência relativamente 
alta em negros americanos (13%) e 
populações do Mediterrâneo, como na 
Itália e no Oriente Médio (5% a 40%). 
A falta dessa enzima resulta na 
destruição dos glóbulos vermelhos, 
levando à anemia hemolítica e, por ser 
um distúrbio genético ligado ao 
cromossomo X, é mais frequente nos 
meninos.SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA 
• Os indicadores de saúde, quando 
cruzados com as caracter ís t icas 
socioeconômicas, revelam a importante 
relação entre saúde, seus determinantes 
sociais e a organização do sistema de 
saúde. 
• De acordo com o Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (Ipea), em 2008, a 
população negra representava 67% do 
público total atendido pelo SUS, e a 
branca 47,2%. 
• A maior parte dos atendimentos 
concentra-se em usuários(as) com faixa 
de renda entre um quarto e meio salário 
mínimo, distribuições que evidenciam 
que a população de mais baixa renda e a 
população negra são, de fato, SUS-
dependentes. 
• Como resultado, tem-se uma constante 
de maiores exposições a todas as 
carências estudas pela população de 
raça/cor preta ou parda e pelas pessoas 
com menores rendimentos. 
Entre os dados que revelam a posição 
desfavorável dos negros em diversos 
aspectos da saúde medidos pela PNS e 
t a m b é m p o r o u t r a s p e s q u i s a s e 
indicadores do Ministério da Saúde, 
destacam-se: 
1. Acesso aos serviços: A proporção de 
pessoas que consultaram um médico 
nos últimos 12 meses é maior entre as 
pessoas brancas (74,8%) do que entre 
pretas (69,5%) e pardas (67,8%). A 
proporção de pretos (38,2%) e pardos 
(39,2%) que se consultaram com um 
dentista nos últimos 12 meses é menor 
do que a de pessoas brancas (50,4%). 
Das pessoas que tiveram algum 
medicamento receitado no último 
a t e n d i m e n t o d e s a ú d e , 8 2 , 5 % 
c o n s e g u i r a m o b t e r t o d o s o s 
medicamentos prescritos. A proporção 
de pessoas de cor branca que obteve 
todos os medicamentos foi maior 
(84,2%) que a observada entre as 
pessoas de cor parda (80,4%) e preta 
(81,1%). 
2. Saúde da mulher: A PNS 2013 
estimou que 60% das mulheres 
brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, 
realizaram exame de mamografia nos 
últimos dois anos anteriores à 
pesquisa. Esse cuidado com a saúde foi 
mais observado entre as mulheres 
brancas (66,2%) e com ensino superior 
completo (80,9%). As menores 
proporções foram observadas entre as 
mulheres pretas (54,2%), pardas 
(52,9%) e sem instrução ou com ensino 
fundamental incompleto (50,9%). 
3. Sífilis em gestantes: Em 2013, as 
maiores taxas de detecção de sífilis em 
gestantes foram observadas na raça/
cor preta (17/100 mil nascidos vivos), 
na indígena (6,7/100 mil nascidos 
vivos) e na parda (6,6/100 mil nascidos 
vivos). 
4. Mortalidade materna: De acordo 
com dados notificados no Sistema de 
Informações sobre Mortalidade (SIM), 
do total de 1.583 mortes maternas em 
2012, 60% eram de mulheres negras e 
34% de brancas (MS/SVS/CGIAE). 
5. Medicamentos e internações: 
Embora a PNS 2013 tenha revelado 
desigualdades no acesso, também 
mostrou que pretos e pardos utilizam 
mais dos serviços públicos de saúde 
para ter acesso a medicamentos e 
internações: A proporção de pessoas 
negras – pretas (35,6%) e pardas 
(36,7%) – que conseguiu obter pelo 
m e n o s u m d o s m e d i c a m e n t o s 
receitados no serviço público de saúde 
foi maior que a observada por pessoas 
de cor branca (30,2%). Já entre aqueles 
que conseguiram obter no Programa 
Farmácia Popular pelo menos um dos 
medicamentos receitados, a proporção 
Maria Vitória de Sousa Santos 
de pretos (25,3%) foi maior do que a de 
brancos (22,1%) e pardos (21%). 
 PANORAMA ATUAL DA SITUAÇÃO DE SAÚDE 
Ao se comparar as taxas de mortalidade 
pelos três grandes grupos de carga de 
doenças da Organização Mundial da Saúde 
(OMS), observa-se padrão semelhante em 
ambos os sexos: 
• P r e d o m í n i o d a s d o e n ç a s n ã o 
transmissíveis na raça/cor branca, das 
doenças transmissíveis na indígena, e 
das causas externas em homens negros, 
principalmente pardos. 
• Em geral, os homens apresentaram taxas 
de mortalidade mais altas para os três 
grandes grupos de carga de doença em 
todas as categorias de raça/cor. 
• No que se refere ao grupo de causas 
externas, o risco de morte dos homens 
foi 3,3 vezes maior que o das mulheres 
na raça/cor branca, 2,8 vezes maior na 
indígena e de 6,3 vezes maior na negra. 
• Entre as principais causas de morte, as 
doenças cerebrovasculares prevaleceram 
como a principal causa de morte entre a 
população negra em 2012, assim como 
para todos os grupos populacionais, 
sendo a segunda e a terceira causas de 
morte entre pardos e pretos o infarto de 
miocárdio e o diabetes mellitus, 
respectivamente. 
• No tocante à morbidade por doenças 
transmissíveis prioritárias, a tuberculose 
representa um sério problema de saúde 
pública e tem relação direta com a 
pobreza. 
• Entre 2004 e 2013, a taxa de incidência 
foi maior na população indígena, seguida 
pela população preta. 
• Quanto à hanseníase, observa-se 
predominância nas populações preta, 
parda e indígena em relação às outras 
categorias (amarela e branca). 
• Já em relação à dengue, dados apontam 
maiores percentuais de óbitos em negros 
no Brasil, mais especificamente nas 
regiões Norte e Nordeste. 
 DOENÇA DE CHAGAS 
• Estima-se que existam, no País, 
aproximadamente 4,6 milhões de 
pessoas infectadas, predominando os 
casos crônicos decorrentes da infecção 
por via vetorial em décadas passadas. 
• Em 2013, foram registrados no Sistema 
de Informação de Agravos de Notificação 
(Sinan) 163 casos de DCA. Destes, 19% 
sem informação sobre raça/cor. 
• E n t r e o s 8 1 % c o m e s s e c a m p o 
preenchido, 86% correspondiam à raça/
cor negra (83% em pretos e 3% em 
pardos), 13% à branca e 1% à indígena. 
• A Taxa de Mortalidade por doença de 
Chagas segundo raça/cor é maior na 
população negra (3,47 e 2,15/100 mil 
habi tantes em pretos e pardos , 
respectivamente), seguida pela branca 
(1,99/100 mil habitantes), e menor entre 
indígenas (0,81 /100 mil habitantes). 
 HIV/AIDS 
• De 2004 a 2013, observa-se tendência de 
discreta redução de casos de AIDS 
registrados na raça/cor branca e de 
aumento na parda. 
• Em 2013, a maior taxa de detecção de 
AIDS foi registrada em homens de raça/
cor preta (18,8/100 mil habitantes), 
seguida da branca (16,5/100 mil hab.) e 
da parda (15,5/100 mil hab.). 
• Entre as mulheres, a maior taxa de 
detecção foi registrada na raça/cor preta 
(12,3/100 mil habitantes), seguida da 
parda (8/100 mil habitantes) e da branca 
(7,1/100 mil habitantes). 
• Em 2013, a maior taxa de mortalidade 
por AIDS registrou-se em homens pretos 
(12,5/100 mil habitantes), seguidos de 
brancos (7,9/100 mil habitantes) e 
pardos (7,1/100 mil habitantes). 
• Com relação às mulheres, a maior taxa 
de mortalidade foi observada na raça/cor 
preta. 
 HEPATITE A 
• No Brasil, a taxa de incidência da 
hepatite A aumentou até 2005, passando 
a cair a partir de 2006, atingindo 3,2 
casos/100 mil habitantes em 2013. 
• N e s s e a n o , c o n s i d e r a n d o - s e a s 
notificações com o registro de raça/cor, 
os pardos concentraram a maioria dos 
casos (64,6%), vindo em seguida os 
brancos (25%), pretos (5,8%) e indígenas 
(3,9%). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Em 2013, as taxas de incidência foram de 
23,5/100 mil habitantes em indígenas, 
3,7/100 mil habitantes em pardos, 
1,9/100 mil habitantes em pretos e 
1,4/100 mil habitantes em brancos. 
 JUVENTUDE NEGRA – CAUSAS EXTERNAS – 
 VIOLÊNCIA 
• De acordo com a PNS, a proporção de 
pessoas que se envolveram em acidente 
de trânsito com lesões corporais no 
Brasil foi de 3,1%, em 2013. 
• Esse percentual foi maior entre os 
homens, registrando 4,5%, sendo 3,6% 
da cor preta e 3,4% da cor parda, 
enquanto entre os brancos esse 
percentual foi de 2,7%. 
• Já em acidentesde trabalho, a proporção 
de pessoas de 18 anos ou mais de idade 
q u e s e e n v o l v e r a m f o i 
predominantemente de homens; no 
quesito raça/cor, a proporção foi de 4,6% 
para pretos, 3,7% para pardos e 2,9% 
para branca. 
• A maioria dos homicídios é praticada por 
armas de fogo, e menos de 8% dos casos 
chegam a ser julgados. 
• Ao distribuir esses dados de homicídios 
de jovens negros nos 12 meses do ano, 
calcula-se mais de 1.900 mortes de 
jovens negros por mês. 
• Ou seja, 64 a cada dia, quase 3 a cada 
hora, ou aproximadamente 1 homicídio a 
cada 20 minutos atingindo jovens negros 
do sexo masculino, majoritariamente 
moradores das periferias e áreas 
metropolitanas dos centros urbanos. 
 DISCRIMINAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE 
• De acordo com a PNS, em 2013 havia 
146,3 milhões de pessoas de 18 anos ou 
mais de idade no Brasil, e, destas, 10,6% 
(15,5 milhões) afirmaram que já se 
sentiram discriminadas ou tratadas de 
maneira pior que as outras pessoas no 
serviço de saúde, por médico ou outro 
profissional de saúde. 
• Das pessoas que já se sentiram 
discriminadas no serviço de saúde, 
destacaram-se: as mulheres (11,6%); as 
pessoas de cor preta (11,9%) e parda 
(11,4%), e as pessoas sem instrução ou 
com ensino fundamental incompleto 
(11,8%). 
• A expressiva maioria das pessoas negras 
não possui plano de saúde (78,8%), e 
menor acesso à saúde significa maior 
exposição a riscos. 
• Pessoas com menores rendimentos, sem 
acesso à educação e em condições de 
moradia precárias por falta de acesso a 
serviços básicos também se mostram 
mais expostas onde a grande maioria é 
negra. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
MANEJO DAS TONTURAS E VERTIGENS 
NA ATENÇÃO PRIMÁRIA 
 TONTURA 
• A tontura é um sintoma transitório 
subjetivo descrito pelo paciente de modo 
inespecífico como uma sensação de 
vertigem, desmaio iminente (pré-
síncope), desmaio e desequilíbrio. 
Tontura é a percepção errônea de 
movimento, o que resulta em sensação 
de perturbação do equilíbrio corporal. 
Quando essa ilusão de movimento 
apresenta um caráter rotatório (sensação 
de rotação do seu próprio corpo ou do 
ambiente ao redor), é chamada de 
vertigem. 
Os quatro padrões clássicos de tonturas 
são: 
1. Vertigem: Sensação de movimento 
ilusório. O paciente pode descrever a 
sensação de que as coisas ao seu redor 
estão se movendo ou que seu corpo 
está se movendo, quando na verdade 
está parado. 
2. P r é - s í n c o p e : S e n s a ç ã o d e 
desfalecimento. Pacientes descrevem 
como sensação de desmaio iminente. 
3. Desequilíbrio: Sensação de que o 
controle sobre seus movimentos e 
equilíbrio está prejudicado. No 
desequilíbrio, não há sensação de 
movimento ilusório (vertigem) ou 
sensação de desfalecimento (pré-
síncope). 
4. Hiperventilação : Apresenta a 
descrição mais vaga entre todos os 
padrões e, em geral, é descrita como a 
sensação de “cabeça vazia”, ou 
sensação de estar desconectado do 
ambiente. 
Observação: O padrão sindrômico 
vertigem é o que está relacionado mais 
diretamente à queixa “tontura”. 
 VERTIGEM 
 CAUSAS 
Podem decorrer de situações que alteram a 
precisa interação dos diversos estímulos 
que orientam o equilíbrio corporal, 
incluindo disfunções nos sistemas: 
- Vestibular (maioria); 
- Cardiovascular; 
- Nervoso central; 
- Visual; 
- Proprioceptivo; 
- Sanguíneo; 
Observação: Há um consenso entre os 
estudos de que as três causas mais comuns 
de vertigem são a VPPB (42%), a neurite 
vestibular (40%) e a doença de Ménière 
(10%). 
As causas de vertigem são classificadas 
genericamente como: 
1. Centrais (tronco encefálico, cerebelo 
e córtex cerebral): 
- Esclerose múltipla; 
- Tumor do ângulo pontocerebelar; 
- Epilepsia vestibular; 
- Enxaqueca basilar/vestibular; 
- Infarto ou hemorragia do tronco 
cerebral; 
- Ataxia episódica familiar; 
- Atrofia cerebelar; 
- Infarto ou hemorragia cerebelar; 
- Malformação de Arnold-Chiari; 
- Entre outras. 
2. P e r i f é r i c a s - m a i s c o m u m 
(acometimento da orelha interna e dos 
nervos vestibulares): 
- Neurite vestibular; 
- Doença de Ménière; 
- Vestigem postural fóbica; 
- Vertigem posicional paroxística 
benigna (VPPB); 
- Labirintopatias; 
- Tumores do ângulo pontocerebelar; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
- Doenças de generativas; 
- Processos infecciosos; 
- Esclerose múltipla; 
- Entre outros. 
 VERTIGEM PAROXÍSTICA POSICIONAL BENIGNA 
1. Conceito: VPPB é caracterizada pelo 
aparecimento de vertigem rotatória 
com duração menor que 1 minuto, e 
desencadeadas por movimentos da 
cabeça, como deitar-se e levantar-se da 
cama e inclinar a cabeça para trás ou 
para frente. Trata-se de um quadro 
autolimitado, que pode durar de 
algumas semanas até alguns meses. 
2. Quadro clínico: A apresentação 
clínica da VPPB é a de crises de 
vertigem com duração menor do que 
um minuto Inicialmente, os sintomas 
são mais fortes, levando o paciente a 
sentir náuseas, vômitos e a evitar 
movimentos que desencadeiem 
sintomas. 
3. Fisiopatologia: A fisiopatologia da 
VPPB envolve a formação de pequenos 
cristais de carbonato de cálcio 
(otólitos) na endolinfa dentro do 
utrículo, que migram para os canais 
s e m i c i r c u l a r e s e e s t i m u l a m 
mecanicamente os receptores das 
células ciliares. As informações 
equivocadas transmitidas a partir 
dessas células, quando processadas no 
SNC e integradas aos demais estímulos 
do corpo, geram a sensação de 
vertigem, de nistagmo e de náuseas 
percebidos pela pessoa. 
 NEURITE VESTIBULAR 
1. Conceito: É a inflamação do nervo 
vestibular, que conecta o ouvido 
interno ao cérebro. Quando esse nervo 
fica inflamado, ele perturba a maneira 
como a informação normalmente seria 
interpretada pelo cérebro, causando 
s i n t o m a s q u e p o d e m a p a r e c e r 
subitamente. 
2. Etiologia: Não se sabe qual é a causa 
d a n e u r i t e v e s t i b u l a r , m a s 
fisiopatologicamente se trata de uma 
inflamação do nervo vestibular que não 
apresenta perda auditiva. Algumas 
teorias falam em possível reativação do 
vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1), de 
infecções virais, da oclusão vascular ou 
de mecanismos autoimunes. 
3. Quadro Clínico: Trata-se de um 
quadro de vertigem espontânea e 
prolongada, podendo durar algumas 
semanas, na qual as crises são intensas 
e duradouras. A apresentação típica é 
uma crise aguda de vertigem intensa, 
comumente ao acordar. O sintoma 
piora com movimentos da cabeça e 
a s s o c i a - s e a f o r t e s s i n t o m a s 
autonômicos, como sudorese, palidez, 
náusea e vômitos. Não há sintomas 
auditivos. Deve-se suspeitar de neurite 
v e s t i b u l a r e m p a c i e n t e s q u e 
apresentem vertigem associada a 
desequilíbrio com tendência de queda 
sempre para o mesmo lado (lado 
acometido), nistagmo horizonto- 
torsional espontâneo. 
Observação: Casos em que tanto o nervo 
vestibular quanto o labirinto estejam 
comprometidos podem cursar com 
comprometimento da audição e zumbidos, 
sendo definidos como labirintite. 
 MÉNIÈRE 
1. Conceito: Condição rara com crises 
espontâneas e recorrentes de vertigem 
e perda auditiva, sensação de plenitude 
na orelha acometida e zumbido, 
sintomas que não necessariamente 
estão presentes ao mesmo tempo no 
paciente. 
2. Etiologia: É desconhecida e a 
resposta autoimune é sugerida como a 
possível patogênese da doença, 
podendo ocorrer uma perda auditiva 
nurosensorial súbita. Outras prováveis 
causas são rupturas de membranas, 
aumento da pressão e deslocamento 
mecânico dos órgãosperiféricos como 
sáculo por acúmulo de endolinfa, 
infecções virais e doença autoimune, 
além de várias outras teorias que já 
foram relatadas. 
3. Quadro clínico: Crises de vertigem 
com duração ao redor de 20 minutos, 
perda auditiva de baixa frequência, 
flutuação dos sintomas de aura 
(plenitude, perda auditiva, zumbido). 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 CINETOSE 
• É uma vertigem benigna, com história 
bem delimitada pela exposição ao fator 
desencadeante, que é a hiperestimulação 
do sistema vestibular, ocasionada, em 
geral, por movimentação em viagens de 
carro, avião ou barco. 
 VESTIBULOPATIAS CENTRAIS 
1. Enxaqueca – (migrânea vestibular): 
uma porção considerável de pacientes 
c o m m i g r â n e a e a u r a ( ~ 3 0 % ) 
experimentam sintomas de vertigem 
durante as crises. Tais sintomas podem 
tanto aparecer na fase da aura quanto 
persistir durante a fase da cefaleia, 
concomitantemente. As crises de 
vertigem variam de minutos a horas e, 
em geral, se associam a outros 
s i n t o m a s p r o d r ô m i c o s ( f o t o e 
fonofobia). Quando o problema se 
encontra ainda na fase diagnóstica, 
deve-se afastar a possibilidade de 
vertigens com duração prolongada, 
como neurite vestibular ou síndrome 
de Ménière. 
2. Insuficiência vertebrobasilar: 
Condição que leva a um quadro de 
vertigem de padrão central e é uma das 
causas mais lembradas por médicos 
como causa de vertigem. Contudo, é 
um problema raro e relacionado de 
forma direta à doença aterosclerótica. 
A apresentação clínica mais comum 
dos pacientes com insuficiência 
vertebrobasilar é diminuição do nível 
de consciência, hemiparesia ou 
quadriplegia assimétrica e sintomas 
pseudobulbares, como disartria, 
disfagia e disfonia. Vertigem estará 
presente apenas nos casos em que a 
oc lusão aconteça no segmento 
proximal da artéria. Pacientes com 
i n s u f i c i ê n c i a v e r t e b r o b a s i l a r 
levantarão a suspeita de acidente 
vascular cerebral (AVC) ou ataque 
isquêmico transitório (AIT). 
 PRÉ-SÍNCOPE 
• Síncope é definida como a perda 
abrupta, completa e temporária da 
consciência, associada à impossibilidade 
de manter o tônus postural (queda), com 
remissão rápida e espontânea. 
• N ã o d e v e t e r s i n t o m a s c l í n i c o s 
associados com outras causas de perda 
da consciência, como convulsão e trauma 
craniencefálico (TCE). 
• Pré-síncope, também chamada lipotímia, 
refere-se aos sintomas que precedem a 
síncope, como sensação de cabeça vazia, 
desequilíbrio e alterações visuais (visão 
tunelizada, visão escurecendo) e 
var iáve is graus de a l teração de 
consciência, porém sem a sua completa 
perda. 
Tipos: 
1. A síncope vasovagal é a mais 
comum de todas e geralmente 
relacionada, mesmo pelo paciente, a 
fatores estressores desencadeantes, 
como calor excessivo, dor e momentos 
de ansiedade (p. ex., ao realizar um 
procedimento médico). Em casos em 
que a história não esteja tão clara, pode 
ser o principal diagnóstico de exclusão, 
após investigadas outras causas de 
síncope. 
2. A hipotensão ortostática é também 
uma causa comum e está relacionada à 
queda brusca da pressão arterial (PA) 
ao levantar da posição deitada ou 
sentada e pode ser causada por uma 
combinação de fatores, como idade 
a v a n ç a d a , c a l o r e x c e s s i v o , 
desidratação, neuropatia autonômica, 
períodos prolongados deitado e 
medicamentos diversos. 
 SÍNDROME DA HIPERVENTILAÇÃO 
• A descrição que os pacientes fazem 
destes quadros é bastante vaga, como 
“sensação de cabeça vazia”, “como se 
meu corpo não estive ali”. 
• Geralmente, a sensação dura alguns 
minutos e é acompanhada por sintomas 
físicos, como amortecimentos em face e 
Maria Vitória de Sousa Santos 
extremidades, dor no peito, incômodo na 
barriga. 
• A base fisiológica está na alcalose 
metabólica causada pela hipocapnia 
(pCO2 – 25 mmHg) decorrente da 
hiperventilação. 
• Isso leva a uma vasoconstrição das 
arteríolas e, consequentemente, a um 
hipofluxo cerebral. 
• Em geral, situações de sofrimento 
psíquico e transtornos mentais podem 
originar hiperventilação. 
 DESEQUILÍBRIO 
• O desequilíbrio se caracteriza por 
sensação de instabilidade postural, em 
que não há sintomatologia de vertigem 
ou de pré-síncope. 
• O equilíbrio depende da ação integrada 
de um conjunto de órgãos e sistemas, em 
que estão incluídos o sistema vestibular, 
a m u s c u l a t u r a e s q u e l é t i c a , a 
propriocepção, a audição e a visão. 
• Portanto, a origem do problema pode 
estar ligada à disfunção de algum desses 
elementos ou do SNC (tronco cerebral e 
cerebelo), que recebe e integra os dados 
enviados por esses órgãos. 
• Assim, é evidente a existência de uma 
relação direta entre as causas mais 
comuns de desequilíbrio e problemas 
associados com o envelhecimento. 
• Entre as causas comuns, podem-se citar: 
fraqueza da musculatura de MMII ou da 
musculatura postural, baixa acuidade 
v i s u a l e / o u a u d i t i v a , m a u 
c o n d i c i o n a m e n t o f í s i c o , u s o d e 
determinadas medicações (sobretudo se 
mais de quatro classes), doenças da 
coluna cervical, neuropatia periférica e 
disfunção vestibular. 
 ANAMNESE 
Durante a anamnese, é necessário que se 
encontrem informações relevantes, como: 
1. Tempo de duração do sintoma. 
2. Fatores desencadeantes ou situação em 
que o sintoma ocorre (movimentação 
da cabeça, viagem de carro, situação de 
estresse intenso). 
3. S intomas assoc iados (náuseas , 
vômitos, perda auditiva, dificuldade de 
andar, déficits neurológicos). 
4. Perda da consciência. 
5. Uso de medicações para a tontura, ou 
que possam ser causa da queixa 
(hipoglicemiantes em excesso, ou anti-
hipertensivos). 
6. Quedas. 
7. F a t o r e s d e r i s c o p a r a d o e n ç a 
cardiovascular (DCV). 
8. Fatores de risco para queda. 
O desequilíbrio em geral tem causas 
m u l t i f a t o r i a i s p a r a o r g a n i z a r a 
investigação clínica tais causas são 
d iv id idas em fa tores intr ínsecos , 
extrínsecos e comportamentais: 
1. Fatores intrínsecos: História prévia 
de quedas, idade, sexo feminino, uso de 
m e d i c a m e n t o s p s i c o a t i v o s , 
a n t i a r r í t m i c o s e h i p o t e n s o r e s , 
condições clínicas que comprometam a 
marcha e o equilíbrio, sedentarismo, 
medo de cair, déficit cognitivo, 
nutricional, visual e funcional. 
2. Fatores extrínsecos: Qualquer fator 
relacionado ao ambiente ao redor pode 
ser considerado como fator extrínseco. 
Precariedade de calçadas e vias 
Maria Vitória de Sousa Santos 
públicas são fatores predisponentes a 
quedas que estão além do alcance do 
clínico. Contudo, dentro do domicílio, 
podem haver superfícies escorregadias, 
escadas sem apoio e obstáculos que 
ponham o paciente em risco de queda, 
b e m c o m o c a l ç a d o s e r o u p a s 
inadequados. 
3. Fatores comportamentais: Pessoas 
muito inativas e pessoas muito ativas 
apresentam um risco maior de queda, 
devido a maior fragilidade, no primeiro 
caso, e à maior exposição a situações 
que podem culminar em queda, no 
segundo. 
 EXAME FÍSICO 
• O exame físico é valioso na avaliação da 
queixa de tontura. 
 NISTAGMO 
Em pacientes que apresentem nistagmo ao 
exame, a direção do nistagmo pode ajudar 
a compreender qual canal semicircular 
está acometido. 
1. Nistagmos torsionais que apontam 
p a r a c i m a ( + c o m u n s ) : E s t ã o 
relacionadosao canal semicircular 
posterior, sendo aqueles no sentido 
horár io provocados pelo canal 
esquerdo, e os anti-horários, pelo canal 
direito à localização. 
2. Nistagmos horizontais e torsionais que 
apontam para baixo: Correspondem ao 
acometimento dos nistagmos com o 
c a n a l s e m i c i r c u l a r a n t e r i o r e 
s e m i c i r c u l a r h o r i z o n t a l , 
respectivamente. 
 TESTE DE IMPULSÃO DA CABEÇA 
• Nesse teste, o paciente deve ser 
posicionado sentado de frente para o 
examinador, que deve segurar a cabeça 
do paciente com ambas as mãos e movê-
la lateralmente para ambos os lados em 
um ângulo de 35 a 45°, pedindo para que 
o paciente fixe o olhar entre os olhos do 
examinador. Após sentir que a sua 
cabeça está relaxada, o examinador 
impulsiona a sua cabeça para um dos 
lados, sendo que o resultado esperado é 
que o olhar do paciente não se desvie do 
ponto fixo. Caso o olhar do paciente seja 
desviado para o lado que a cabeça foi 
impulsionada, este será o lado acometido 
e o teste será considerado positivo para 
lesão do nervo vestibular, confirmando o 
quadro de neurite vestibular. 
 DIX-HALLPIKE 
A manobra de Dix-Hallpike tem sido 
empregada como exame definitivo para a 
VPPB. 
Os passos necessários para a sua correta 
realização são: 
1. Pedir autorização à pessoa para 
realizá-la. 
2. Explicar à pessoa sobre como a 
manobra é feita, sendo que ela poderá 
causar os mesmos sintomas de 
vertigem no paciente (ele não pode ser 
pego de surpresa pela tontura). 
3. Posicionar a pessoa sentada na maca, 
de forma que, ao deitá-la, sua cabeça 
fique pendente para o lado de fora da 
maca. 
4. Posicionar-se atrás do paciente e 
lateralizar a cabeça dele a 45º para a 
direita e estendendo-a a 20º para trás. 
5. Após posicionar corretamente a 
cabeça, peça para que o paciente se 
deite na maca. Sustente sua cabeça 
para que o paciente não se machuque. 
6. Mantenha-o na posição de decúbito 
dorsal com a cabeça lateralizada a 45º 
e estendida a 20º durante um minuto. 
7. A manobra será positiva caso os 
sintomas referidos pelo paciente sejam 
desencadeados durante o exame. 
8. Caso o paciente não tenha apresentado 
nenhum sintoma, após um minuto, 
volte o paciente à posição inicial do 
exame, lateralize sua cabeça para o 
lado oposto e repita a manobra. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
9. Caso a manobra seja positiva, você terá 
encontrado o lado acometido. 
 OUTROS 
1. Avaliação de quedas e desequilíbrio: 
- Avaliação Multifatorial para Risco de 
Quedas. 
2. Pré-síncope: 
- F o c a r o e x a m e n o s i s t e m a 
cardiovascular, procurando dados que 
indiquem doença mais grave, como 
valvopatias e insuficiência cardíaca 
(IC) descompensada. 
- Aferir a PA e a frequência cardíaca 
(FC). 
3. Hipotensão postural: 
- Prova da hipotensão postural: Para 
esse exame, deve-se colocar o paciente 
em decúbito dorsal por pelo menos 5 
minutos, e aferir sua PA. Depois, o 
paciente deve ficar em pé por três 
minutos, e sua PA deve novamente ser 
aferida. Caso aconteça: 1. queda da 
PAS > 20 mmHg; 2. queda da PAD > 
10 mmHg; ou PAS < 90 mmHg, o 
exame é considerado positivo. 
4. Síndrome da hiperventilação: 
- Testar a reprodução dos sintomas por 
meio da respiração forçada - O 
examinador deve respirar profunda e 
rapidamente com a pessoa, sem parar. 
Se o paciente começar a sentir os 
mesmos sintomas relatados, o teste 
pode ser considerado positivo. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
• Raramente, exames complementares 
serão necessários na avaliação da 
tontura. 
Para alguns pacientes, pode-se solicitar: 
- Eletrocardiograma (ECG); 
- Exames laboratoriais são de pouco 
valor. 
- Exames de imagem só devem ser 
solicitados na suspeita de vertigem de 
causa central, rara no contexto da 
atenção primária à saúde (APS). 
- A audiometria pode ser útil em 
pacientes com queixa de perda auditiva. 
 TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
 MANOBRAS DE REPOSIÇÃO CANALICULAR 
• O tratamento da VPPB deve ser feito por 
m e i o d a m a n o b r a d e r e p o s i ç ã o 
canalicular, que tem por objetivo mover 
os otólitos circulantes nos canais 
semicirculares em direção ao utrículo, 
cessando, assim, com os sintomas e 
resolvendo o problema. 
Para a realização da manobra de Epley, 
você deverá começar pelos mesmos passos 
da manobra de Dix-Hallpike, seguindo 
para os passos que complementam a 
manobra: 
1. Pedir autorização ao paciente para 
realizá-la. 
2. Explicar ao paciente sobre como a 
manobra será realizada, orientando 
que ela poderá causar os mesmos 
sintomas de vertigem no paciente (ele 
não pode ser pego de surpresa pela 
tontura). 
3. Posicionar o paciente sentado na maca, 
de forma que, ao deitá-lo, sua cabeça 
fique pendente para o lado de fora da 
maca. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
4. Posicionar-se atrás do paciente e 
lateralizar a cabeça dele a 45º para o 
lado acometido e estendê-la a 20º para 
trás. 
5. Após posicionada corretamente a 
cabeça, peça para que o paciente se 
deite na maca. Sustente sua cabeça 
para que o paciente não se machuque. 
6. Mantenha-o na posição de decúbito 
dorsal com a cabeça lateralizada a 45º 
e estendida a 20º durante 1 minuto. 
7. Gire a cabeça do paciente para o lado 
oposto, mantendo-a lateralizada a 45o 
por 1 minuto. 
8. Continue o giro da cabeça para o 
mesmo sentido do passo anterior, 
agora girando todo o corpo do 
paciente, que deverá terminar a 
manobra em decúbito lateral, com a 
cabeça ainda lateralizada a 45o e 
fletida a 20o. O paciente estará nesta 
fase com a face voltada para o chão. 
9. Durante a manobra, é comum que o 
paciente se sinta tonto. Diga que será 
passageiro, orientando para que, caso 
aconteça, ele mantenha os olhos 
fechados, a fim de aliviar o mal-estar. 
10. Volte o paciente à posição inicial. 
 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
• Em momentos de crise, podem ser 
usados medicamentos sedativos, com o 
intuito de aliviar os sintomas, porém 
alguns cuidados devem ser tomados. 
• Medicamentos para supressão dos 
vômitos e antivertiginosos, como 
benzodiazepínicos, anticolinérgicos 
(escopolamina) e anti-histamínicos 
(cinarizina, flunarizina, dimenidrinato e 
prometazina), não devem ser dados por 
um período maior do que 3 dias, para 
evitar prejuízos à compensação central, 
importante para a resolução do quadro. 
• Para cinetose, o dimenidrinato é uma 
opção segura e eficaz, inclusive para 
crianças, bem como a clorfeniramina. 
• A betaistina, na dose de 16 mg, em três 
doses diárias, consegue reduzir a 
frequência e a severidade das crises de 
alguns pacientes com doença de 
Ménière, sendo usada como profilaxia. 
• O tratamento da migrânea vestibular 
procura seguir as recomendações para o 
tratamento das migrâneas com aura 
clássica. 
 USO CRÔNICO DE ANTIVERTIGINOSOS E SUAS 
 CONSEQUÊNCIAS 
• Essa é uma situação comum decorrente 
da falta de aprofundamento diagnóstico 
e da limitação do arsenal terapêutico do 
clínico, que trata todas as “tonturas” 
como “labirintites”. 
• O primeiro problema encontrado é que a 
maioria dos casos de vertigem, como 
visto, são condições benignas e que 
melhoram com o passar do tempo, 
devido à neuroadaptação natural do 
SNC. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Contudo, essa neuroadaptação só 
ocorrerá se o paciente experienciar as 
crises de tontura que o acometem, mas 
como os antivertiginosos são efetivos em 
suprimir os estímulos vestibulares, a 
oportunidade da neuroadaptação ficacomprometida, o quadro do paciente 
cronifica e ele passa a acreditar que, caso 
fique sem usar o seu antivertiginoso, as 
crises voltarão. 
• O segundo problema encontrado decorre 
dos efeitos adversos de longo prazo 
desses medicamentos. 
• A relação entre o uso crônico de 
antivertiginosos e o parkinsonismo 
induzido por medicamentos é bastante 
consistente. 
• Dessa forma deve-se evitar fazer uso 
dessas medicações, limitando seu uso 
como terapia abortiva ao menor tempo 
possível, bem como encorajar os 
pacientes que as utilizam cronicamente a 
descontinuá-las. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
MANEJO DA DIARREIA E 
CONSTIPAÇÃO NA APS 
 CONSTIPAÇÃO 
• Constipação é um sintoma definido pela 
ocorrência de fezes endurecidas, esforço 
excessivo no ato evacuatório, evacuações 
infrequentes, sensação de evacuação 
incompleta e até mesmo demora 
excessiva no banheiro. 
 EPIDEMIOLOGIA 
• É um problema mais comum em 
mulheres (37,2%, contra 10,2% nos 
homens), em pessoas não brancas, com 
mais de 65 anos, que possuem baixa 
renda, com baixo nível socioeducacional 
e em pessoas que não praticam 
atividades físicas. 
 CLASSIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
A constipação pode ser classificada em: 
1. Primária: Também chamada de 
funcional, é a causa mais comum de 
consulta em ambulatórios de APS. Suas 
principais causas são dietéticas e de 
estilo de vida, como o baixo consumo 
de fibras e o sedentarismo, além de 
distúrbios de motilidade idiopáticos do 
cólon. 
2. Secundária: Quando é associada a 
alguma condição patológica ou ao uso 
de medicamentos. 
 ROMA III 
Critérios de Roma III para diagnóstico de 
constipação funcional: 
1. Dois ou mais dos seguintes achados: 
- Esforço presente em pelo menos 25% 
das evacuações; 
- Fezes endurecidas ou fragmentadas 
em pelo menos 25% das evacuações; 
- Sensação de esvaziamento incompleto 
em pelo menos 25% das evacuações; 
- Sensação de obstrução ou bloqueio 
anorretal em pelo menos 25% das 
evacuações; 
- Manobras manuais para facilitar pelo 
menos 25% das evacuações (p. ex., 
manobras digitais para evacuar, apoio 
pélvico ou vaginal); 
- M e n o s d e t r ê s e v a c u a ç õ e s 
espontâneas por semana. 
2. Fezes amolecidas são raras na ausência 
de uso de laxativos; 
3. Critérios para SII não estão presentes. 
 GRUPOS FISIOPATOLÓGICOS 
A constipação funcional pode ser dividida 
em três grupos fisiopatológicos que 
frequentemente se encontram sobrepostos, 
os quais são de difícil distinção na 
avaliação clínica. 
1. Trânsito intestinal normal, porém 
apresentando dificuldades para o ato 
evacuatório; 
2. Trânsito intestinal lento; 
3. Disfunção do assoalho pélvico, 
o c o r r e n d o i n c o o r d e n a ç ã o d a 
musculatura pélvica e esfincteriana, 
bloqueio anorretal e necessidade de 
esforço evacuatório. 
 SINAIS DE ALARME 
Alertas vermelhos na avaliação da 
constipação intestinal em adultos: 
1. Início recente em pacientes com idade 
maior que 50 anos; 
2. Anemia ferropriva sem fator causal 
conhecido; 
3. Sangramento retal; 
4. Presença de sangue oculto nas fezes; 
5. História familiar de câncer colorretal, 
DII ou doença celíaca; 
6. Perda de peso involuntária; 
7. Febre; 
8. Dor abdominal intensa; 
9. Tenesmo. 
 ANAMNESE 
Deve-se questionar sobre: 
1. Hábitos de vida e dietéticos; 
2. Inatividade física; 
3. H á b i t o d e i n i b i ç ã o d o r e f l e x o 
evacuatório; 
4. Uso continuado de laxantes; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
5. Sensação de esvaziamento retal 
incompleto, associada com uso de força 
excessiva para extrusão das fezes e 
manobras manuais frequentes para 
desimpactação direcionam para 
alterações obstrutivas/mecânicas 
anorretais, que incluem doença de 
Hirschprung, estreitamento anal, 
câncer, prolapso retal, retoceles ou 
disfunções do assoalho pélvico.10 
6. História psicossocial e familiar deve ser 
abordada – sintomas depressivos, de 
ansiedade, transtornos alimentares, 
somatizações, traumas na infância e 
abuso físico e sexual podem estar 
associados à constipação. 
 EXAME FÍSICO 
O exame físico deve ser direcionado pelos 
achados da anamnese e com o objetivo de 
detectar causas secundárias e alertas 
vermelhos: 
1. O exame abdominal comumente revela 
dor (fraca e sem dor à descompressão) 
e distensão abdominal, mesmo nas 
constipações funcionais crônicas. 
2. Fecalomas localizados em regiões mais 
altas do intestino também podem ser 
palpados e são representados por 
massas endurecidas, móveis, em 
topografia intestinal e indolores. 
3. O peso e o estado nutricional devem 
s e r o b s e r v a d o s p a r a r e g i s t r a r 
emagrecimento e desnutrição. 
4. A palidez mucosa é um sinal indireto 
d e a n e m i a e d e v e s e m p r e s e r 
investigada. 
O exame anorretal é realizado com o 
paciente em decúbito lateral esquerdo e 
pode trazer importantes informações: 
1. A inspeção em repouso e dinâmica 
(com manobra de Valsalva) identifica 
fissuras agudas e crônicas, escoriações, 
hemorroidas externas ou prolapsos 
retais, que podem ser causadas pela 
constipação ou podem produzir dor 
que leve à constipação crônica. 
2. P o d e m - s e i d e n t i f i c a r c a u s a s 
infecciosas, como herpes genital ou 
abscessos perianais, além de fístulas. 
3. Durante o exame, ao solicitar que a 
pessoa realize a contração anal (como 
se fosse defecar), a observação de 
assimetria na abertura do ânus ou a 
sua abertura excessiva denotam 
distúrbio neurológico que altera a 
função esfincteriana. 
4. O toque retal pode revelar massas, 
úlceras ou fecalomas; em homens, o 
exame também pode revelar aumento 
do tamanho da próstata. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
• Os exames complementares devem ser 
realizados para avaliação de uma 
possível causa secundária apenas quando 
a anamnese e o exame físico levantarem 
alguma suspeita específica. 
Alguns exames podem identificar causas 
secundárias de constipação e são indicados 
nos casos em que a anamnese e o exame 
físico forem sugestivos de alguma etiologia 
específica: 
1. Hemograma completo (anemia, que 
pode sugerir neoplasias); 
2. Glicose em jejum (diabetes); 
3. Pesquisa de sangue oculto nas fezes 
(sangramento oculto, neoplasias); 
4. Hormônio estimulante da tireoide 
(TSH) (hipotireoidismo); 
5. Potássio sérico (hipocalemia); 
6. Cálcio sérico (hipercalcemia); 
7. Exame comum de urina e creatinina 
sérica (doença renal). 
Observação: Quando houver suspeita de 
estreitamento colônico (por aderências, 
doença inf lamatória intest inal ou 
diverticulose) ou suspeita de megacólon 
congênito ou adquirido, o enema opaco é o 
exame de preferência para investigação. 
E x i s t e m a l g u n s e x a m e s b a s t a n t e 
específicos que são utilizados para 
avaliação do trânsito colônico e do 
funcionamento da musculatura do 
assoalho pélvico: trânsito colônico, teste da 
expulsão de balão, manometria anorretal, 
ressonância magnética pélvica dinâmica e 
defecografia. 
 TRATAMENTO 
O tratamento da constipação funcional 
crônica envolve: 
1. Educação para a saúde; 
2. Mudanças de estilo de vida. 
- A necessidade de evacuar não deve 
ser ignorada e pode-se estimular a 
#
Maria Vitória de Sousa Santos 
regularização do hábito intestinal 
encorajando a pessoa a permanecer 
sentada no vaso sanitário por 
alguns minutos diariamente,sobretudo após refeições e pela 
manhã, aproveitando o reflexo 
gastrocólico. 
- Aumento da ingestão de fibras e 
líquidos, além de manutenção de 
atividade física regular. 
3. Uso de laxativos (para pacientes que 
n ã o r e s p o n d e r a m a s c o n d u t a s 
anteriores). 
- Encontram-se melhores evidências 
d e q u e a l a c t u l o s e , o 
polietilenoglicol e o psyllium podem 
aumentar a frequência ou reduzir a 
consistência das fezes. Os agentes 
laxativos podem ser utilizados de 
forma intermitente, por períodos de 
alguns dias intercalados com 
intervalos sem medicamentos, ou 
de forma crônica. 
 ERROS COMETIDOS 
1. Realizar exames complementares 
indiscriminadamente e na avaliação 
inicial da pessoa constipada, mesmo na 
ausência de s inais e s intomas 
sugestivos de causas secundárias. 
2. Não avaliar a possibilidade de uma 
causa secundária, considerando a 
pessoa como constipada funcional sem 
pesquisa adequada de sinais e 
sintomas. 
3. Subestimar ou negligenciar a presença 
dos alertas vermelhos, não oferecendo 
a investigação necessária. 
4. Deixar de instruir a pessoa sobre o 
tempo de melhora que é necessário 
quando da instituição de medidas 
comportamentais e dietéticas. Muitas 
pessoas podem se desestimular pela 
ausência de evacuações regulares em 
curto prazo e desistirem do tratamento 
ou se automedicarem. 
5. Tratar apenas com laxantes, sem 
estimular o consumo de fibras e 
líquidos e a prática de atividades físicas 
e hábitos de evacuação. 
6. D e i x a r d e a b o r d a r p r o b l e m a s 
psicossociais associados. 
7. Deixar de realizar anamnese e exame 
f í s i c o a d e q u a d o s e m p e s s o a s 
hiperutilizadoras, diagnosticando a 
constipação crônica funcional sem 
antes descartar alertas vermelhos ou 
causas secundárias. 
 DIARREIA 
• Um aumento de volume das fezes 
acompanhado por diminuição da sua 
consistência e maior número de 
evacuações configura um quadro de 
diarreia. 
 CLASSIFICAÇÃO DA DIARREIA 
1. Diarreia aguda: Presença de três ou 
mais fezes diminuídas de consistência 
e aquosas em um período de 24 horas. 
As infecções virais, principalmente por 
rotavírus, são responsáveis por 75 a 
90% dos casos. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
2. Disenteria: Diarreia sanguinolenta, 
presença de sangue visível e muco 
(gleras). 
3. Diarreia persistente: Episódios de 
diarreia durando mais de 14 dias. 
4. Diarreia crônica: Duração maior do 
que 30 dias. 
 ANAMNESE 
Para a diarreia aguda questionar sobre: 
1. Avaliar o início do quadro; 
2. Frequência das evacuações e a 
quantidade de fezes; 
3. Caráter das fezes (biliar, sanguinolento 
ou mucoide); 
4. Presença associada de vômitos ou de 
febre; 
5. História médica prévia; 
6. Uso de medicamentos; 
7. Estado atual de saúde da pessoa, como 
a presença de imunossupressão e 
comorbidades; 
8. Presença de dicas epidemiológicas, 
como viagens recentes e epidemias 
atuais, etc. 
Para a diarreia crônica questionar sobre: 
1. Forma de início do quadro de diarreia 
(congênito, abrupto, gradual); 
2. Frequência das crises de diarreia 
(contínua, intermitente); 
3. Duração dos sintomas; 
4. Fatores epidemiológicos (história de 
v iagem, exposição a a l imentos 
contaminados, história de membros da 
famíl ia apresentando o mesmo 
quadro); 
5. Características das fezes (aquosas, 
sanguinolentas ou gordurosas); 
6. Presença ou não de incontinência fecal; 
7. Presença ou não de outros sintomas: 
dor abdominal, perda de peso, rash 
cutâneo, vômitos, fadiga, dores 
articulares e úlceras na cavidade oral; 
8. P r e s e n ç a d e p e r d a d e p e s o 
(objetivamente mensurada); 
9. Fatores agravantes (p. ex., dieta e 
estresse); 
10. Fatores atenuantes (p. ex., dieta e 
medicações); 
11. Análise de exames e de tratamentos 
prévios; 
12. Investigação de causas iatrogênicas de 
diarreia (cirurgias, medicações e 
exposição à radioterapia), bem como 
de diarreia factícia; 
13. Investigação de doenças sistêmicas 
( h i p e r t i r e o i d i s m o , D M , 
imunodeficiências, etc.); 
14. Caracterização das fezes é fundamental 
para a diferenciação do tipo de diarreia 
c r ô n i c a . A s s i m , n a s f o r m a s 
inflamatórias e secretórias, observa-se 
a presença de fezes pastosas associadas 
a muco ou sangue, ao passo que, na 
disabsort iva, há esteatorreia e 
passagem de fezes claras, fétidas e 
v o l u m o s a s p e l a a m p o l a r e t a l . 
Entretanto, em casos mais leves, essas 
alterações podem estar ausentes 
 SINAIS DE ALERTA 
Alertas vermelhos de doença orgânica: 
1. Início dos sintomas em indivíduos > 50 
anos de idade; 
2. Presença de sangue nas fezes; 
3. Perda de peso não intencional; 
4. História familiar de câncer colorretal; 
5. Presença de sintomas noturnos. 
 EXAME FÍSICO 
 DIARREIA AGUDA 
.
Maria Vitória de Sousa Santos 
O aspecto mais importante a ser avaliado 
na diarreia aguda é o nível de hidratação 
dos indivíduos. Os principais sinais de 
desidratação que devem ser identificados 
são: 
1. P r o l o n g a m e n t o d o t e m p o d e 
reperfusão capilar; 
2. Redução do turgor da pele; 
3. Alteração do padrão respiratório; 
4. Reperfusão capilar prolongada; 
5. Olhos fundos; 
6. Mucosas secas; 
7. Extremidades frias; 
8. Pulsos fracos; 
9. Ausência de lágrimas; 
10. Taquicardia; 
11. Fontanelas deprimidas; 
12. Mau estado geral. 
• Deve-se, ainda, aferir a temperatura 
corporal, com o intuito de investigar a 
presença de febre associada, e mensurar 
o peso, sobretudo na avaliação de 
crianças (comparação entre as medidas 
obtidas antes e depois da reidratação) é 
um método-padrão para o diagnóstico da 
desidratação nessa população. 
• Além disso, deve-se avaliar pulso, 
f r e q u ê n c i a c a r d í a c a , f r e q u ê n c i a 
respiratória e pressão arterial. 
• No exame abdominal, deve-se focar em 
alterações dos ruídos hidroaéreos, 
presença de distensão, presença de 
massa ou de dor à palpação, bem como 
defesa e sinal de descompressão súbita. 
 DIARREIA CRÔNICA 
O exame físico na avaliação da diarreia 
crônica é , na maior ia das vezes , 
inespecífico ou inalterado. No entanto, em 
alguns casos, pode sugerir importantes 
pistas para o diagnóstico etiológico, como: 
1. Presença de úlceras orais; 
2. Sinais de aterosclerose grave; 
3. Linfadenomegalia; 
4. Sinais de disautonomia; 
5. R a s h c u t â n e o , r u b o r o u 
hiperpigmentação da pele. 
O exame físico deve incluir: 
1. Peso; 
2. Altura; 
3. Perímetro cefálico; 
4. Padrão gráfico de crescimento. 
Observação: Os sinais de deficiências 
nutricionais devem ser investigados, como 
a dermatite perianal, na deficiência de 
zinco, e alguma deformidade nas pernas, 
na deficiência de vitamina D. 
Observação: O abdome pode apresentar 
distensão nas síndromes de má absorção 
ou excesso de crescimento bacteriano no 
intestino, ou pode ser muito sensível em 
um estado inflamatório. O exame do reto 
também é importante e pode revelar 
doença perianal na DII, por exemplo, ou 
perda de tecido subcutâneo da região na 
doença celíaca e em outros estados de 
desnutrição. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
1. Diarreia aguda: A coprocultura deve 
ser solicitada apenas em casos graves, 
inflamatórios e com presença de 
sangue, e em casos de diarreia 
persistente ou em vigência de um 
surto. O exame parasitológico de fezes, 
é raramente recomendado, sendo 
restrito a situaçõesde persistência dos 
sintomas por mais de 2 semanas. 
Exames laboratoriais podem ser úteis 
na avaliação da desidratação grave. 
2. Diarreia crônica: O valor dos 
exames de imagem para os casos de 
d i a r r e i a c r ô n i c a é l i m i t a d o . 
Radiografias abdominais podem 
Maria Vitória de Sousa Santos 
apresentar constipação ou dilatação do 
intestino delgado. A tomografia 
computadorizada ou a ressonância 
magnética podem ser úteis na DII, pois 
podem mostrar engrossamento do 
intestino. O teste respiratório com 
hidrogênio expirado pode evidenciar a 
má absorção de carboidratos. A 
endoscopia pode ser útil para revelar 
acúmulo de vilosidades duodenais e 
linfócitos intraepiteliais na doença 
celíaca ou na DII. 
 TRATAMENTO 
• No atendimento à pessoa que apresenta 
um quadro de diarreia, o primeiro passo 
é definir o grau de desidratação para se 
escolher o plano de tratamento mais 
adequado. 
 
 TRATAMENTO DA DIARREIA CRÔNICA 
• Deve ser realizado de acordo com a sua 
possível causa. 
• Além disso, são fundamentais as 
medidas de reidratação, de combate à 
desnutrição e de reposição das vitaminas 
e dos sais minerais, para melhora dos 
sintomas, ou pelo menos para o suporte 
à criança enquanto se realizam as 
intervenções diagnósticas e terapêuticas 
necessárias. 
 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
• A diarreia aguda não consiste em doença 
de notificação compulsória nacional, em 
vigência de diagnóstico de casos isolados, 
ao contrário do que ocorre em suspeita 
de surtos. 
• Assim, na suspeita de um surto de 
doença diarreica transmitida por 
alimento, com a ocorrência de, no 
mínimo, dois casos de diarreia aguda 
semelhantes após a ingesta do mesmo 
alimento ou de água de mesma origem, é 
importante lembrar-se sempre de 
realizar a notificação. 
 ERROS MAIS FREQUENTEMENTE COMETIDOS 
1. Não classificar adequadamente a 
diarreia, não perguntando sobre 
sintomas que indicam maior gravidade, 
como sangue ou muco nas fezes; 
2. Não avaliar adequadamente o estado 
de hidratação, nem os sinais de alerta 
vermelho para desidratação; 
3. N ã o i n i c i a r i m e d i a t a m e n t e o 
tratamento para desidratação; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
4. Não propor o plano de hidratação mais 
adequado para o grau de desidratação; 
5. Não enfatizar, durante a orientação da 
receita de soro caseiro, a necessidade 
de precisão nas medidas corretas dos 
solutos, sal e açúcar, em situações em 
que não se dispõe dos sachês nas 
unidades; 
6. Fazer uso de antieméticos em pacientes 
com vômitos esporádicos; 
7. Fazer uso inadequado de antibióticos; 
8. Não caracterizar adequadamente o tipo 
de diarreia crônica que acomete uma 
determinada pessoa, sem dar a atenção 
devida aos sinais de alerta vermelho 
para doença orgânica; 
9. Não referenciar a pessoa, quando 
necessário, para o especialista focal 
mais adequado, de acordo com as 
hipóteses diagnósticas mais plausíveis 
para um determinado quadro de 
diarreia crônica. 
Medidas para prevenção dos episódios de 
diarreia e de promoção da saúde: 
1. Estimular o aleitamento materno 
exclusivo até os 6 meses de idade e 
complementado até 2 anos de idade. 
2. Usar alimentos com valor nutricional 
adequado e sem contaminação. 
3. Ingerir apenas água filtrada ou fervida. 
4. Estimular políticas governamentais de 
saneamento básico. 
5. Educar sobre a lavagem adequada dos 
alimentos. 
6. Orientar a respeito da lavagem correta 
das mãos. 
7. Informar sobre a imunização contra o 
rotavírus.
Maria Vitória de Sousa Santos 
PARASITOSES INTESTINAIS 
 CONCEITO 
• Parasitoses intestinais são doenças cujos 
agentes etiológicos são helmintos ou 
protozoários que, em pelo menos um dos 
períodos do ciclo evolutivo, se localizam 
no aparelho digestório do homem. A via 
oral-fecal é a principal fonte de infecção, 
b e m c o m o á g u a o u a l i m e n t o s 
contaminados. 
• Estão nitidamente relacionadas com 
pobreza, condições precárias de 
saneamento básico e de moradia, má 
qualidade da água consumida e baixo 
grau de escolaridade da população. 
 AGENTES ETIOLÓGICOS 
Os parasitas que mais comumente causam 
parasitoses intestinais são: 
1. Giardia lamblia; 
2. Ascaris lumbricoides; 
3. Trichuris trichiura; 
4. Ancylostoma duodenale. 
Observação: Os menos prevalentes são 
as parasitoses causadas por Strongyloides 
stercoralis e Enterobius vermicularis. 
Observação: Taenia solium e Taenia 
saginata apesar da baixa prevalência, são 
importantes devido às graves complicações 
do complexo teníase/cisticercose. 
 TRANSMISSÃO E CICLO DE VIDA 
1. Ascaridíase e tricuríase: Sua 
transmissão pode ocorrer através de 
alimentos vegetais mal lavados 
(hortaliças), terra contaminada e água 
não tratada (ausência de rede de 
distribuição e de coleta), entre outros 
fatores em que ocorra exposição ao 
meio ambiente contaminado. O 
paras i ta adul to habi ta o t rato 
gastrintestinal (TGI), produz ovos, que 
são eliminados através das fezes para o 
meio ambiente, onde requerem 
período de maturação para se tornem 
infectantes. 
2. Giardíase: A transmissão ocorre pelo 
contato entre humanos (oral-fecal), 
mesmo em ambientes saneados, 
também podendo ocorrer por água 
contaminada, visto que a eliminação do 
parasita infectante ocorre desde o 
momento de eliminação das fezes. 
3. Enterobíase: A transmissão se dá 
pelo contato interpessoal. As fêmeas 
adultas depositam ovos na região 
p e r i a n a l , c a u s a n d o c o m o 
sintomatologia o prurido. Os ovos 
podem ser transmitidos diretamente 
para os contatos da pessoa infectada, 
indiretamente através de poeiras, 
alimentos ou roupas contaminados, e 
também pode haver a retroinfestação, 
com a migração das larvas para as 
regiões superiores do intestino. 
4. E s t r o n g i l o i d í a s e e 
ancilostomíase: São transmitidas 
pela penetração da larva filarioide 
através da pele, chegando aos pulmões 
e, destes, ao TGI, onde se desenvolve o 
indivíduo adulto. As formas adultas 
liberam larvas não infectantes que, no 
meio externo, podem tornar-se 
infectantes ou indivíduos adultos de 
v ida l ivre , com capacidade de 
acasalamento, mantendo o ciclo de 
infestação. Animais domésticos (gatos 
e cachorros), além do homem, podem 
ser reservatórios deste parasita. 
5. Amebíase: A transmissão ocorre pela 
ingesta de água e/ou alimentos 
contaminados por dejetos contendo 
cistos do protozoário. 
6. Teníase: A teníase ocorre por ingesta 
de carne crua ou mal passada de 
animais com cisticercose, seja ela por 
Maria Vitória de Sousa Santos 
cisticerco de T. saginata (carne de 
vaca) ou cisticerco de T. solium (carne 
de porco). Fatores econômicos, 
culturais (hábitos alimentares) e 
religiosos tendem a expor certos 
grupos de indivíduos em maior ou 
menor grau, como o uso de carne crua. 
A cisticercose humana ocorre quando o 
h o m e m s e t o r n a h o s p e d e i r o 
intermediário após a ingesta de ovos de 
T. solium. Após 1 a 3 dias da ingestão 
de ovos, ocorre liberação dos embriões 
no duodeno e jejuno. As larvas 
alcançam a circulação sanguínea e se 
fixam em diversos tecidos. A teníase é 
u m f a t o r i m p o r t a n t e p a r a o 
aparecimento da cisticercose humana, 
havendo inter-relação estreita entre 
teníase e cisticercose. O homem 
adquire cisticercose pela ingestão de 
ovos de T. solium por meio de 
alimentos contaminados, uso de água 
de irrigação e em área de criação de 
porcos. Outra fonte importante de 
contaminação são os manipuladores de 
alimentos, e o próprio portador de 
teníase, em razão de maus hábitos de 
h i g i e n e , t a m b é mp o d e 
autocontaminar-se. 
7. Esquistossomose: É adquirida pelo 
c o n t a t o p e l e e m u c o s a s e m 
consequência do contato humano com 
águas de lagoas contendo formas 
infectantes do S. mansoni (larvas 
cercárias). Quando a larva cercária 
penetra na pele ou mucosa do homem, 
atinge a circulação sanguínea e se 
instala preferencialmente no fígado até 
atingir a fase adulta do verme, 
d e s l o c a n d o - s e p a r a o s v a s o s 
mesentéricos no intestino grosso e 
delgado, iniciando a postura de ovos 
pelas fezes, que são eliminados em 
l a g o a s . O s o v o s n a á g u a s e 
transformam em miracídios que, em 
contato com o caramujo Biomphalaria, 
fazem ciclo intermediário no intestino 
do animal, transformando-se em larvas 
cercárias que penetram no ser humano, 
e o ciclo se reinicia. A transmissão da 
doença depende da presença do 
homem infectado, excretando ovos do 
helminto pelas fezes, e dos caramujos 
Biomphala ria que vivem em água-
doce, que atuam como hospedeiros 
intermediários, liberando larvas 
infectantes (cercárias) do verme nas 
coleções hídricas utilizadas pelos seres 
humanos. 
 FATORES DE RISCO 
1. Condições de higiene precárias; 
2. Nível socioeconômico; 
3. Escolaridade da população; 
4. Crianças (2-6 anos) que frequentam 
creches. 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
1. Diarreia (aquosa, mucoide, aguda, 
persistente, intermitente); 
2. Dor abdominal (desconforto vago a 
cólicas); 
3. Dispepsia; 
4. Anorexia; 
5. Astenia; 
6. Vômitos; 
7. Flatulência; 
8. Emagrecimento; 
9. Distensão abdominal 
10. Prurido anal (casos de enterobíase 
oxiuríase); 
11. Eliminações de vermes (ascaridíase). 
Observação: As parasitoses podem 
causar, nas crianças, como morbidade 
associada, o déficit pôndero-estatural e a 
anemia ferropriva. 
O b s e r v a ç ã o : P o d e s e r f e i t o u m 
diagnóst ico di ferencial com vírus 
(rotavírus) e bactérias (E. coli e clostrídio), 
em especial devido à sintomatologia de 
diarreia aguda e demais manifestações 
gastrintestinais e sintomas gerais. 
 COMPLICAÇÕES 
1. Ascaridíase: Obstrução intestinal, 
perfuração intestinal, volvo, colecistite, 
pancreati te , abscesso hepático, 
m a n i f e s t a ç õ e s p u l m o n a r e s 
( b r o n c o s p a s m o , h e m o p t i s e , 
pneumonite – síndrome de Löefler –, 
eosinofilia importante). 
2. Tricuríase: Anemia severa, em 
grandes infestações, e o decorrente 
atraso no desenvolvimento de crianças, 
em condições crônicas. 
3. Giardíase: Síndrome de má absorção. 
Biomphalaria
Maria Vitória de Sousa Santos 
4. E n t e r o b í a s e : V u l v o v a g i n i t e s , 
salpingites, infecções devido às 
escoriações provocadas pela coçadura, 
granulomas pélvicos. 
5. Estrongiloidíase: Síndrome de má 
absorção, síndrome de Löefler. Em 
imunocomprometidos, em uso de 
corticoides ou com desnutrição grave: 
edema pulmonar, superinfecção, 
infecção oportuníst ica. Formas 
sistêmicas: sepse. 
6. A n c i l o s t o m í a s e : A n e m i a , 
h i p o p r o t e i n e m i a ( i n s u f i c i ê n c i a 
cardíaca, anasarca), hemoptise, 
pneumonite (quando larvas migram 
para os pulmões). 
7. Amebíase: Granulomas (amebomas) 
no intestino grosso, abscesso hepático, 
abscesso cerebral, abscesso pulmonar, 
c o l i t e f u l m i n a n t e , e m p i e m a , 
pericardite. 
8. Teníase/cisticercose: Quando há 
ingesta, pelo homem, de ovos da tênia 
adulta, os embriões podem migrar para 
o SNC, causando a neurocisticercose, 
sendo considerada a mais grave das 
infecções parasitárias do sistema 
nervoso humano, podendo causar 
convulsões, hipertensão intracraniana, 
cefaleia e meningite. A cisticercose 
pode localizar-se também no globo 
ocular, causando cegueira, e no tecido 
muscular , causando cãibras . A 
neurocisticercose é considerada a 
causa i so lada mais comum de 
epilepsia. 
9. Esquistossomose: A partir da 
penetração das larvas cercárias na pele 
ou nas mucosas e todo o ciclo realizado 
na circulação sanguínea, fígado, 
intestino, a doença apresenta a forma 
aguda, e a crônica, a partir de 120 dias 
do início do ciclo. A forma aguda se 
c a r a c t e r i z a p o r d i a r r e i a s 
sanguinolentas, e a fase crônica pode 
apresentar a forma hepatoesplênica, 
que pode causar cirrose, aumento do 
f í g a d o e b a ç o ; e m s i t u a ç õ e s 
descompensadas, ascite. Pode causar 
também hipertensão porta, com o 
aparecimento de varizes esofágicas que 
podem provocar hemorragia digestiva 
alta, além de anemia. 
 DIAGNÓSTICO 
1. História clínica; 
2. Exame parasitológico das fezes 
(Recomenda-se a coleta de pelo menos 
três amostras de fezes em dias 
s e p a r a d o s - c o n s e c u t i v o s o u 
alternados); 
3. Hemograma (eosinofilia). 
 PREVENÇÃO 
1. Prevenção primária: Envolve 
medidas de saneamento básico, 
armazenamento e coleta de lixo 
adequada, higiene pessoal, de animais 
domésticos e de alimentos, além de 
medidas de educação para a saúde. 
2. Prevenção secundária e terciária: 
Inclui programa de desparasitação 
periódica para populações vulneráveis, 
tendo em vista a alta prevalência de 
enteroparasitoses nestas populações. 
3. Quimioterapia preventiva: A OMS 
defende uma estratégia de controle 
global contra helmintíases mais 
p r e v a l e n t e s , e n f a t i z a n d o a 
quimioterapia preventiva voltada para 
comunidades de alto risco, em 
combinação com educação em saúde e 
melhoria de saneamento sempre que 
os recursos permitirem. Recomenda-se 
nesse caso a quimioterapia preventiva 
c o m t r a t a m e n t o p a r a 7 5 % d a 
população escolar: 
- Prevalência acima de 50% – tratar 
todas as crianças duas vezes por 
ano. 
- Prevalência < 50% e > 20% – tratar 
todas as crianças uma vez por ano. 
4. Prevenção quaternária: Deve-se 
evitar uso excessivo e desnecessário de 
medicamento em populações que não 
Maria Vitória de Sousa Santos 
p e r t e n ç a m à q u e l a s c u j o s 
c o n d i c i o n a n t e s p a r a a s 
enteroparasitoses se façam presentes, 
bem como evitar realização excessiva 
de exames para d iagnóst ico e 
confirmação de tratamento nas 
p o p u l a ç õ e s v u l n e r á v e i s , c u j a s 
prevalências das enteroparasitoses são 
altas. 
 TRATAMENTO 
• Recomenda-se o uso de antiparasitários 
periodicamente em crianças a partir dos 
2 anos de idade. 
Observação: Para crianças menores de 2 
anos utiliza-se o me mebendazol. mun
Maria Vitória de Sousa Santos 
RESFRIADO COMUM E GRIPE 
 INFECÇÕES DE VIAS AÉREAS SUPERIORES 
As IVAS incluem: 
1. Rinossinusite; 
2. Amigdalite; 
3. Nasofaringite (resfriado comum); 
4. Faringite; 
5. Faringoamigdalite; 
6. Epiglotite e laringite. 
Observação: Em geral, são de etiologia 
viral apresentam boa evolução e são 
autolimitados; entretanto, como são 
frequentes na população, podem resultar 
em maior procura por atendimento nas 
unidades de saúde, absenteísmo à escola 
ou ao trabalho. 
 RESFRIADO COMUM 
1. Introdução: O resfriado comum é a 
principal causa de IVAS e caracteriza a 
inflamação da mucosa nasofaríngea em 
decorrência de infecção viral. 
2. Agentes etiológicos: Há mais de 200 
tipos de vírus que podem causar 
sintomas de resfriado comum, sendo 
os mais prevalentes os rinovírus, os 
coronavírus e a influenza. Entre os 
menos prevalentes estão o vírus 
s inc ic ia l respiratór io (VSR) , a 
parainf luenza, o adenovírus, o 
enterovírus e o metapneumovírus. 
3. Período de incubação: O resfriado 
comum pode acontecer em qualquer 
estação do ano. O períodode incubação 
varia de 24 a 72 horas. O episódio 
infeccioso tem duração de 3 a 14 dias 
em pessoas imunocompetentes. O 
período de maior infectividade inicia 
com os sintomas, e a transmissão pode 
persistir por até 2 semanas. 
4. Quadro clínico : Os s intomas 
dependem da resposta imune da 
pessoa com a doença e incluem 
congestão e obstrução nasal (mais 
frequentes), febre baixa ou sensação de 
febre, tosse seca, dor de garganta 
(“garganta arranhada”), espirros e mal-
estar. A febre é incomum nos adultos, 
mas pode surgir em crianças. A 
secreção nasal, em geral, é clara, mas 
p o d e s e r p u r u l e n t a , n ã o 
necessariamente significa infecção 
bacteriana secundária (rinossinusite 
bacteriana) ou indica necessidade de 
prescrição de antibióticos. Os vírus do 
resfriado comum podem causar 
rinossinusite viral aguda, na qual a 
dor/desconforto facial em pressão 
acompanha os sintomas nasais. A tosse 
seca ocorre em decorrência do 
gotejamento pós-nasal ou pela limpeza 
da garganta. 
5. Complicações: As complicações são 
i n c o m u n s e m p e s s o a s 
i m u n o c o m p e t e n t e s e i n c l u e m : 
rinossinusite bacteriana, pneumonia 
bacteriana secundária, bronquite, 
exacerbação da asma (rinoviroses) e 
otite média aguda. A rinossinusite 
bacteriana pode ser suspeitada quando 
houver persistência dos sintomas 
nasais por mais de 10 dias ou piora dos 
sintomas após um período inicial de 
melhora. 
6. DD: Os principais diagnósticos 
diferenciais são: rinite alérgica, 
rinossinusite viral aguda, gripe, 
faringoamigdalite por estreptococo 
beta-hemolítico do grupo A (EBHGA), 
de Lancefield. 
 GRIPE 
1. Introdução: A gripe é uma infecção 
aguda nas vias aéreas superiores (VAS) 
(faringoamigdalite), que também pode 
causar infecção nas vias aéreas 
inferiores (VAI). 
2. Agente etiológico: O vírus da 
influenza (Myxovirus influenzae) é um 
RNA vírus com comportamento 
sazonal, mais prevalente no inverno, 
sendo definido por três tipos principais 
A, B e C. O tipo A é nomeado de acordo 
com as glicoproteínas de superfície 
c e l u l a r : h e m a g l u t i n i n a e 
neuraminidase e é o responsável por 
epidemias e pelas grandes pandemias. 
O tipo B é responsável por epidemias. 
O tipo C causa infecções respiratórias 
brandas. Os vírus da influenza são 
a l tamente mutáveis , ocorrendo 
pequenas variações nas glicoproteínas 
de superfície ao longo do tempo 
(antigenic drifts). As mutações podem 
comprometer a habilidade do sistema 
Maria Vitória de Sousa Santos 
imune em combatê-los. Por isso, 
anualmente, são coletadas amostras 
virais em unidades sentinelas no 
mundo inteiro, incluindo o Brasil, para 
composição das vacinas com vírus 
circulantes. 
3. Período de incubação: O período de 
incubação é de 1 a 4 dias, e o período 
de infectividade inicia em 12 a 24 horas 
a partir da exposição com o aumento 
d a r e p l i c a ç ã o v i r a l e , 
consequentemente, da resposta imune 
humoral e celular. 
4. Quadro clínico: A síndrome gripal 
inicia com febre alta subitamente 
(37,8-41°C), dor de garganta ou tosse 
seca acompanhada de pelo menos um 
dos sintomas: mialgia, cefaleia ou dor 
a r t i c u l a r , c o m d u r a ç ã o d e , 
aproximadamente, 7 dias, podendo 
estender-se por mais dias, dependendo 
da imunidade da pessoa com a doença. 
A febre é o sintoma mais importante e 
dura em torno de 3 dias. Os sintomas 
respiratórios ficam mais evidentes com 
a progressão da doença e se mantêm 
por 3 a 5 dias, após o desaparecimento 
da febre. Os sintomas podem estar 
a c o m p a n h a d o s d e h i p e r e m i a 
conjuntival e gastrintestinais (náuseas, 
vômitos, diarreia e inapetência), 
eventualmente, em crianças. 
5. Fatores de risco para complicações da 
influenza: 
- População indígena; 
- Gestantes; 
- Puérperas até 2 semanas após o 
parto; 
- Crianças ≤ 2 anos; 
- Adultos ≥ 60 anos; 
- P e s s o a s c o m p n e u m o p a t i a s 
(incluindo asma); 
- Pessoas com DCVs (excluindo 
HAS); doenças hematológicas 
(incluindo anemia falciforme); 
- Pessoas com distúrbios metabólicos 
(incluindo DM); 
- P e s s o a s c o m t r a n s t o r n o s 
neurológicos e do desenvolvimento 
que possam comprometer a função 
respiratória ou aumentar o risco de 
aspiração (disfunção congênita, 
lesões medulares , epi leps ia , 
paralisia cerebral, síndrome de 
D o w n , A V C o u d o e n ç a s 
neuromusculares); 
- Pessoas com imunossupressão 
(medicamentos, neoplasias, HIV/
Aids); 
- P e s s o a s c o m n e f r o p a t i a s e 
hepatopatias. 
Observação: Em geral, o curso clínico da 
síndrome gripal é autolimitado, sem 
complicações e não exige notificação à 
vigilância epidemiológica. A persistência 
da febre por mais de 3 dias, a desidratação 
o u a e x a c e r b a ç ã o d o s s i n t o m a s 
gastrintestinais indicam piora do quadro 
clínico. 
6. Complicações: Síndrome respiratória 
aguda grave (SRAG), pneumonia 
bacteriana secundária (Streptococcus 
pneumoniae, Staphylococcus aureus, 
Haemophilus influenzae), otite média 
(crianças), rinossinusite, miosite 
(creatinofosfocinase ≥ 2-3 vezes o valor 
d e r e f e r ê n c i a ) , r a b d o m i ó l i s e , 
e n c e f a l i t e , m i e l i t e t r a n s v e r s a , 
meningite asséptica, síndrome de 
Guillan-Barré (SGB), miocardite e 
pericardite (raras). 
7. Sinais de piora do estado clínico: 
- Persistência ou agravamento da 
febre por mais de 3 dias; 
- Miosite comprovada por CPK (≥ 2-3 
vezes); 
- Alteração do sensório; 
- Desidratação; 
- Em crianças, exacerbação dos 
sintomas gastrintestinais. 
8. DD: Resfriado comum, infecção por 
VSR, enterovírus, parainfluenza, 
rinossinusite viral aguda e bacteriana, 
faringoamigdalite por EBHGA, de 
Lancefield, primoinfecção pelo vírus da 
imunodeficiência humana (HIV), sífilis 
secundária. 
 DIAGNÓSTICO 
 ANAMNESE 
Uma abordagem centrada na pessoa pode 
auxiliar o médico de família e comunidade 
a explorar sobre a saúde da pessoa e as 
informações clínicas referentes à IVAS: 
Maria Vitória de Sousa Santos 
1. Início, duração e progressão dos 
sintomas: 
- Início súbito e progressão rápida 
dos sintomas respiratórios, duração 
além da estimada, não melhora ou 
piora dos sintomas com tratamento 
podem indicar gravidade ou 
ocorrência de complicações. 
2. Sinais de obstrução das VAS: 
- Estridor inspiratório com agitação 
(irritabilidade) ou em repouso. 
- Cianose com agitação ou em 
repouso. 
- Diminuição do murmúrio vesicular. 
- R e t r a ç õ e s d a m u s c u l a t u r a 
intercostal, subcostal ou uso de 
musculatura acessória para auxiliar 
na respiração. 
- Posição ancorada (em tripé) e boca 
aberta com mento hiperestendido 
para facilitar a respiração. 
3. Febre aferida ou relatada: 
- A febre ≥ 37,8°C de início súbito 
associada a outros sintomas 
respiratórios, como com a tosse, 
pode auxiliar na predição clínica 
para influenza em adultos e 
crianças. 
- Surgimento de febre ≥ 39°C, ou 
recorrência de febre no resfriado 
comum, pode indicar rinossinusite 
bacteriana. 
4. Presença de: 
- Obstrução nasal, coriza e espirros. 
- Dor de garganta (tipo): Sensação de 
garganta “arranhada”/Sensação de 
garganta “inchada” com odinofagia. 
- Tosse (tipo): Tosse seca estimulada 
por gota pós-nasal ou para limpeza 
da garganta; Tosse paroxística; 
Tosse rouca “latido de cachorro”; 
T o s s e p r o d u t i v a ( s e c r e ç ã o 
proveniente das VAI); Rouquidão. 
5. Estado vacinal e uso de substâncias/
m e d i c a m e n t o s p o t e n c i a l m e n t e 
anafiláticos: 
- A incidência de IVAS graves, como 
laringite por caxumba ou sarampo, 
crupe/epiglotite por Haemophilus 
influenzae, é maior em pessoas não 
vacinadas. 
- Ingestão de alimentos, corantes ou 
medicamentos podem causar 
anafilaxia e obstruçãodas vias 
aéreas (VAs) não relacionada à 
infecção respiratória. 
6. Identificação dos fatores de risco para 
complicações das IVAS: 
- Por exemplo, vírus causadores do 
resfriado comum podem causar 
exacerbação da asma ou da doença 
pulmonar obstrutiva crônica 
(DPOC). A identificação dos fatores 
de vulnerabilidade também está 
incluída nesse item. 
 EXAME FÍSICO 
1. Inicia com a observação da pessoa com 
sintomas respiratórios das IVAS. 
2. Estado geral, o nível de consciência, a 
fácies, a postura adotada, a fala, a FR, a 
presença de sintomas (tosse, coriza ou 
espirros) e a hidratação podem ser 
observados no momento em que a 
pessoa ou familiar/cuidador está 
relatando a história. 
3. No exame físico das pessoas com 
resfriado comum, pode ser constatado 
eritema/edema da mucosa nasal e 
hiperemia orofaríngea sem mais 
a l t e r a ç õ e s n o s m o v i m e n t o s 
respiratórios ou na ausculta pulmonar. 
4. Adenopatia cervical anterior em 
crianças. 
5. Na síndrome gripal e na laringite 
aguda, podem ser observados sinais 
semelhantes aos do resfriado comum. 
Hiperemia conjuntival pode estar 
presente na gripe, assim como a febre é 
mais alta e o estado geral é pior. 
6. Em pessoas com síndrome gripal, é 
importante verificar, no exame físico, 
sinais de SRAG, como: dificuldade 
respiratória (tiragem intercostal, 
batimento de asa de nariz em crianças, 
u s o d e m u s c u l a t u r a a u x i l i a r 
r e s p i r a t ó r i a e / o u t a q u i p n e i a ) , 
hipotensão, desidratação (turgor da 
pele) e alteração na ausculta pulmonar. 
7. Na ausculta pulmonar, pode haver 
murmúrio ves icu lar d iminuído 
indicando redução do volume de ar 
corrente devido à diminuição do 
Maria Vitória de Sousa Santos 
calibre das vias aéreas ou estertores 
indicando provável infecção pulmonar. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
1. Testes rápidos (detectar v í rus 
respiratórios e bactérias em pessoas 
com IVAS); 
2. Culturas das secreções nasais para 
vírus ou bactérias em IVAS na APS. 
 TRATAMENTO 
 RESFRIADO COMUM 
• Adultos com sintomas leves de resfriado 
comum não necessitam de tratamento 
medicamentoso sintomático. 
Observação: A replicação viral ocorre em 
baixas temperaturas (~33-37°C). Assim, 
um aumento leve da temperatura corporal 
pode ser um fator inibidor da replicação 
viral. A tosse remove as secreções das vias 
aéreas, por isso, não é recomendado 
suprimi-la. 
• Apesar de não haver evidência científica 
de benefício das medidas de suporte não 
medicamentosas (hidratação e limpeza 
nasal com água ou solução salina), elas 
podem ser úteis na recuperação e no 
alívio dos sintomas e não causam danos. 
• As pessoas com IVAS podem ser 
afastadas do trabalho ou escola para 
diminuir a transmissibilidade da virose. 
• O pico de transmissibilidade ocorre junto 
com o pico de replicação viral e o 
aumento da carga viral em 2 a 3 dias do 
início dos sintomas. Dessa forma, 
geralmente, o afastamento é feito por 5 a 
7 dias. 
 GRIPE 
A s s e g u i n t e s m e d i d a s d e v e m s e r 
recomendadas para todas as pessoas 
infectadas: 
1. Lavar as mãos com água e sabão. 
2. Evitar tocar olhos, nariz ou boca após 
contato com superfícies. 
3. Evitar sair de casa enquanto estiver em 
período de transmissão da doença (até 
cinco dias após o início dos sintomas). 
4. Evitar entrar em contato com outras 
pessoas suscetíveis. 
5. Evitar aglomerações e ambientes 
fechados (manter os ambientes 
ventilados). 
6. Repousar, ter alimentação balanceada 
e ingerir bastante líquido. 
• O Ministério da Saúde (MS) recomenda 
tratamento com medicamento antiviral 
(oseltamivir) para pessoas com síndrome 
gripal com fatores de risco, a fim de 
d i m i n u i r a p r o b a b i l i d a d e d e 
complicações. 
- A dose recomendada é de 75 mg duas 
vezes ao dia, por cinco dias, para 
adultos. 
• Pessoas com síndrome gripal sem fatores 
de risco para complicações e ausência de 
sinais de piora do estado clínico podem 
ser acompanhadas na APS e receber 
tratamento sintomático, se necessário. 
• Pessoas com fatores de risco ou com 
sinais de piora do estado clínico têm 
i n d i c a ç ã o d e i n i c i a r m e d i c a ç ã o 
sintomática, oseltamivir e de solicitação 
de radiografia torácica ou outros exames 
conforme avaliação clínica. 
• C o m o , e m g e r a l , e x a m e s 
complementares não estão prontamente 
disponibilizados na APS, a pessoa pode 
s e r r e f e r e n c i a d a p a r a o p r o n t o 
atendimento, devendo ser reavaliada em 
48 horas. 
Recomenda-se referenciar à emergência 
hospitalar pessoas com sinais de SRAG. Os 
sinais de síndrome respiratória aguda 
grave são: 
- Síndrome gripal e dispneia ou 
presença de um dos sinais de 
gravidade: 
- Saturação de SpO2 < 95% em ar 
ambiente; 
- Sinais de desconforto respiratório 
ou aumento da FR avaliada de 
acordo com a idade; 
- Piora nas condições clínicas de 
doença de base; 
- Hipotensão em relação à PA 
habitual do paciente; 
- Pessoa de qualquer idade com 
quadro de IRpA durante período 
sazonal. 
 ATIVIDADES PREVENTIVAS E DE EDUCAÇÃO 
As ações preventivas têm como objetivos: 
1. Evitar casos novos de IVAS; 
2. Reduzir a transmissão viral, na 
presença de doença; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
3. E v i t a r a p r e s c r i ç ã o e o u s o 
desnecessário de medicamentos/
p r o c e d i m e n t o s ( p r e v e n ç ã o 
quaternária). 
• A vacina contra influenza sazonal é 
e fet iva na prevenção da doença 
reduzindo em mais de 60% sua 
ocorrência. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
Maria Vitória de Sousa Santos
POLITICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL 
À SAÚDE DA MULHER (PNAISM) 
 INTRODUÇÃO 
• A situação de saúde envolve diversos 
aspectos da vida, como a relação com o 
meio ambiente, o lazer, a alimentação e 
as condições de trabalho, moradia e 
renda. 
• No caso das mulheres, os problemas são 
agravados pela discriminação nas 
relações de trabalho e a sobrecarga com 
as responsabilidades e com o trabalho 
doméstico. Outras variáveis como raça, 
etnia e situação de pobreza realçam 
ainda mais as desigualdades. 
 SAÚDE DA MULHER E O ENFOQUE DE GÊNERO 
• Levando em consideração que as 
históricas desigualdades de poder entre 
homens e mulheres implicam num forte 
impacto nas condições de saúde destas 
últimas, as questões de gênero devem ser 
c o n s i d e r a d a s c o m o u m d o s 
determinantes da saúde na formulação 
das políticas públicas. 
• O gênero delimita campos de atuação 
para cada sexo, dá suporte à elaboração 
de leis e suas formas de aplicação. 
• Partindo-se desse pressuposto, é 
imprescindível a incorporação da 
perspectiva de gênero na análise do perfil 
epidemiológico e no planejamento de 
ações de saúde, que tenham como 
objetivo promover a melhoria das 
condições de vida, a igualdade e os 
direitos de cidadania da mulher. 
 EVOLUÇÃO DAS POLÍTICAS DE ATENÇÃO À SAÚDE 
 DA MULHER 
• No Brasil, a saúde da mulher foi 
incorporada às políticas nacionais de 
saúde nas primeiras décadas do século 
XX, sendo limitada, nesse período, às 
demandas relativas à gravidez e ao parto. 
• No âmbito do movimento feminista 
bras i le i ro , esses programas são 
v i g o r o s a m e n t e c r i t i c a d o s p e l a 
perspectiva reducionista com que 
tratavam a mulher, que tinha acesso a 
alguns cuidados de saúde nociclo 
gravídico-puerperal, f icando sem 
assistência na maior parte de sua vida. 
• Em 1984, o Ministério da Saúde elaborou 
o Programa de Assistência Integral à 
Saúde da Mulher (PAISM), marcando, 
sobretudo, uma ruptura conceitual. 
• O novo programa para a saúde da 
mulher incluía ações educativas, 
preventivas, de diagnóstico, tratamento e 
recuperação, englobando a assistência à 
mulher em clínica ginecológica, no pré-
natal, parto e puerpério, no climatério, 
em planejamento familiar, DST, câncer 
de colo de útero e de mama, além de 
outras necessidades identificadas a partir 
do perfil populacional das mulheres. 
• Nesse balanço são apontadas ainda 
várias lacunas como atenção ao 
c l i m a t é r i o / m e n o p a u s a ; q u e i x a s 
ginecológicas; infertilidade e reprodução 
a s s i s t i d a ; s a ú d e d a m u l h e r n a 
a d o l e s c ê n c i a ; d o e n ç a s c r ô n i c o -
degenerativas; saúde ocupacional; saúde 
mental; doenças infectocontagiosas e a 
inclusão da perspectiva de gênero e raça 
nas ações a serem desenvolvidas. 
• Em 2003, a Área Técnica de Saúde da 
Mulher identifica ainda a necessidade de 
articulação com outras áreas técnicas e 
da proposição de novas ações, quais 
sejam: atenção às mulheres rurais, com 
d e f i c i ê n c i a , n e g r a s , i n d í g e n a s , 
presidiárias e lésbicas e a participação 
nas discussões e atividades sobre saúde 
da mulher e meio ambiente. 
 PNAISM 
• A Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde da Mulher foi elaborada pela Área 
Técnica de Saúde da Mulher do 
Ministério da Saúde em 2004, a partir da 
necessidade deste Ministério de contar 
com diretrizes técnico-políticas para a 
atenção à saúde das mulheres no país. 
• O documento da PNAISM incorpora, 
num enfoque de gênero, a integralidade e 
a promoção da saúde como princípios 
norteadores e busca consolidar os 
avanços no campo dos direitos sexuais e 
reprodutivos, com ênfase na melhoria da 
atenção obstétrica, no planejamento 
reprodutivo, na atenção ao abortamento 
inseguro e aos casos de violência 
doméstica e sexual. Além disso, amplia 
as ações para grupos historicamente 
Maria Vitória de Sousa Santos
alijados das políticas públicas, nas suas 
especificidades e necessidades. 
 OBJETIVOS 
1. Objetivos Gerais: 
- Promover a melhoria das condições 
de vida e saúde das mulheres 
brasileiras, mediante a garantia de 
direitos legalmente constituídos e 
ampliação do acesso aos meios e 
serviços de promoção, prevenção e 
assistência e recuperação da saúde 
em todo o território brasileiro. 
- Contribuir para a redução da 
morbidade e mortalidade feminina 
no Brasil, especialmente por causas 
evitáveis, em todos os ciclos de vida 
e n o s d i v e r s o s g r u p o s 
populacionais, sem discriminação 
de qualquer espécie. 
- Ampliar, qualificar e humanizar a 
atenção integral à saúde da mulher 
no Sistema Único de Saúde. 
2. Objetivos Específicos: 
- Ampliar e qualificar a atenção 
clínico-ginecológica, inclusive para 
as portadoras de infecção pelo HIV 
e outras DST. 
- E s t i m u l a r a i m p l a n t a ç ã o e 
implementação da assistência em 
planejamento reprodutivo para 
homens e mulheres, adultos e 
adolescentes, no âmbito da atenção 
integral à saúde. 
- Promover a atenção obstétrica e 
neonatal, qualificada e humanizada, 
i n c l u i n d o a a s s i s t ê n c i a a o 
a b o r t a m e n t o e m c o n d i ç õ e s 
i n s e g u r a s , p a r a m u l h e r e s e 
adolescentes. 
- Promover a atenção às mulheres e 
adolescentes em situação de 
violência doméstica e sexual. 
- Promover, conjuntamente com o 
Departamento Nacional de DST/
Aids, a prevenção e o controle das 
doenças sexualmente transmissíveis 
e da infecção pelo HIV/Aids na 
população feminina. 
- Reduzir a morbimortalidade por 
câncer na população feminina. 
- Implantar um modelo de atenção à 
saúde mental das mulheres sob o 
enfoque de gênero. 
- Implantar um modelo de atenção à 
saúde mental das mulheres sob o 
enfoque de gênero. 
- Implantar e implementar a atenção 
à saúde da mulheres no climatério. 
- Promover a atenção à saúde das 
mulheres idosas. 
- Promover a atenção à saúde das 
mulheres negras. 
- Promover a atenção à saúde das 
trabalhadoras do campo e da 
cidade. 
- Promover a atenção à saúde das 
mulheres indígenas. 
- Promover a atenção à saúde das 
mulheres em situação de prisão. 
- Fortalecer a participação e o 
controle sociais na definição e 
implementação das políticas de 
atenção integral à saúde das 
mulheres.

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