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## Resumo sobre Habilidades e Atitudes Médicas: Anamnese, Estratificação de Risco Cardiovascular, Insuficiência Cardíaca, Tromboembolismo Pulmonar e Trombose Venosa ProfundaEste material acadêmico aborda aspectos fundamentais da prática médica, iniciando pela anamnese, que é o processo de recolher informações detalhadas sobre o paciente e sua doença, para fundamentar decisões diagnósticas e terapêuticas. A anamnese tradicional inclui a identificação do paciente, que abrange dados sociodemográficos essenciais para contextualizar o quadro clínico, a queixa principal, que é o motivo da consulta expresso nas palavras do paciente, e a história da doença atual (HDA), que deve ser registrada de forma cronológica e detalhada, utilizando linguagem médica e, quando necessário, o termo SIC (Segundo Informação Colhida) para traduzir termos do paciente.Além disso, o interrogatório sintomatológico é uma etapa crucial que avalia a presença ou ausência de sintomas em diferentes sistemas corporais, permitindo identificar doenças associadas que o paciente pode não ter mencionado inicialmente. Os antecedentes pessoais e familiares são investigados para compreender fatores que influenciam o processo saúde-doença, incluindo condições fisiológicas, patologias prévias, alergias, uso de medicamentos e histórico familiar de doenças. Os hábitos e estilo de vida, assim como as condições socioeconômicas e culturais, também são explorados para uma avaliação integral do paciente. O exame físico complementa a anamnese, com a avaliação dos sinais vitais e inspeção, palpação, percussão e ausculta dos sistemas corporais, fornecendo dados objetivos para a formulação da hipótese diagnóstica, que orienta a conduta médica, incluindo a necessidade de exames complementares, tratamentos e encaminhamentos.O método clínico centrado na pessoa (MCCP) destaca a importância de focar no paciente e não apenas na doença, valorizando o acolhimento, a comunicação clara e empática, e a construção conjunta da agenda da consulta. Técnicas específicas são recomendadas para explorar a experiência do adoecimento, preocupações, funcionalidade, expectativas e sentimentos do paciente, promovendo uma relação terapêutica mais eficaz. O registro das informações pode ser organizado pelo método S.O.A.P (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano), que sistematiza os dados para facilitar o acompanhamento e a tomada de decisões.O protocolo SPIKES é apresentado como uma ferramenta para a comunicação de más notícias, estruturado em seis etapas: preparação do ambiente (Setting up), avaliação da percepção do paciente (Perception), obtenção do convite para informar (Invitation), transmissão do conhecimento (Knowledge), abordagem das emoções (Emotions) e definição da estratégia e resumo (Strategy e Summary). Este protocolo visa garantir que a informação seja transmitida de forma clara, compassiva e respeitosa, promovendo suporte emocional e colaboração no planejamento do tratamento.### Estratificação de Risco Cardiovascular e Hipertensão ArterialA estratificação do risco cardiovascular (RVC) é essencial para identificar indivíduos com maior vulnerabilidade a doenças cardiovasculares (DCV), considerando fatores de risco não modificáveis (história familiar, sexo, idade, etnia, genética) e modificáveis (tabagismo, dislipidemia, diabetes, sedentarismo, hipertensão, obesidade). A avaliação do risco global estima a probabilidade de desenvolver DCV em 10 anos, especialmente em pessoas entre 30 e 34 anos, e orienta intervenções preventivas.Dietas balanceadas, ricas em frutas, verduras, legumes, peixes e gorduras insaturadas, e a prática regular de atividade física são recomendadas para reduzir o risco cardiovascular. O sedentarismo é destacado como o fator de risco mais prevalente, e a atividade física regular traz benefícios como aumento do HDL, redução da pressão arterial e perda de peso.A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição multifatorial caracterizada por pressão arterial persistentemente elevada (≥140/90 mmHg). Seus fatores de risco incluem genéticos, biológicos (idade, sexo, raça) e ambientais/estilo de vida (obesidade, dieta inadequada, consumo excessivo de sódio, sedentarismo, álcool, apneia do sono). A classificação da HAS envolve a aferição da pressão arterial no consultório e fora dele, com destaque para fenótipos como hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada. O diagnóstico requer avaliação clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais básicos, além de exames complementares para detectar lesões em órgãos-alvo e doenças associadas.### Dor Precordial e Insuficiência CardíacaA dor precordial é um sintoma comum que pode indicar isquemia cardíaca (angina) ou outras causas não cardíacas, como problemas musculoesqueléticos ou gastrointestinais. A dor típica da angina é descrita como aperto ou peso no peito, com duração superior a 10 minutos e irradiação para pescoço, ombros e braços, podendo estar associada a sudorese e dispneia. A avaliação da dor inclui análise da qualidade, intensidade, localização, irradiação, fatores desencadeantes, de piora e alívio, além de sintomas associados.A insuficiência cardíaca (IC) é a incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para suprir as necessidades metabólicas do corpo. Pode ser sistólica (déficit na contração) ou diastólica (alteração no relaxamento), e afetar o ventrículo esquerdo, direito ou ambos. A IC do lado direito causa congestão sistêmica, edema periférico e congestão hepática, enquanto a IC do lado esquerdo leva à congestão pulmonar e edema pulmonar. Os sintomas incluem cansaço progressivo, dispneia, tosse noturna, edema, palpitações e inchaço abdominal. A classificação da IC pela NYHA baseia-se na limitação da tolerância ao esforço. O exame físico avalia sinais como ortopneia, ictus cordis, edema, turgência jugular, perfusão periférica e ausculta cardíaca e pulmonar.### Tromboembolismo Pulmonar e Trombose Venosa ProfundaO tromboembolismo pulmonar (TEP) ocorre quando um êmbolo, geralmente um trombo originado de uma trombose venosa profunda (TVP), obstrui a circulação pulmonar. As manifestações clínicas variam conforme o tamanho e localização da obstrução, incluindo dor torácica, dispneia, taquicardia, tosse com sangue e, em casos graves, colapso e falência do ventrículo direito. O diagnóstico envolve avaliação clínica, gasometria, exames de imagem (radiografia, tomografia, cintilografia), eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassonografia com Doppler e dosagem de marcadores como dímero D e troponina.A TVP é a formação de coágulos em veias profundas, principalmente das pernas, que podem causar complicações como insuficiência venosa crônica e embolia pulmonar. A tríade de Virchow (hipercoagulabilidade, estase sanguínea e lesão endotelial) explica os fatores que favorecem a trombose. Muitos casos são assintomáticos, mas podem apresentar dor, edema unilateral, eritema, cianose e sinais específicos como os de Bancroft e Homans. Fatores de risco incluem obesidade, idade avançada, varizes, uso de hormônios, câncer e gestação.O diagnóstico da TVP é realizado principalmente por ultrassonografia com Doppler, que avalia a compressibilidade das veias, e pode ser complementado por flebografia e dosagem de dímero D. O escore de Wells é uma ferramenta clínica que ajuda a estimar a probabilidade pré-teste de TVP e TEP, orientando a necessidade de exames adicionais.---### Destaques- A anamnese é fundamental para decisões clínicas e deve ser detalhada, incluindo identificação, queixa principal, história da doença, antecedentes, hábitos e exame físico.- O método clínico centrado na pessoa valoriza a comunicação empática e a construção conjunta da agenda da consulta.- O protocolo SPIKES orienta a comunicação de más notícias, promovendo clareza, suporte emocional e planejamento compartilhado.- A estratificação do risco cardiovascular considera fatores modificáveis e não modificáveis para prevenção e manejo da hipertensão e DCV.- Tromboembolismo pulmonar e trombose venosa profunda são condições graves que requerem diagnóstico clínico e laboratorial cuidadoso para tratamento eficaz.