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WBA0533_v2.0 APRENDIZAGEM EM FOCO COMÉRCIO EXTERIOR 2 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Autoria: João Alfredo Lopes Nyegray Leitura crítica: Isamaura Krauss Franco Nesta disciplina, estudaremos os aspectos essenciais dessa atividade tão importante para a riqueza e prosperidade das nações! Inicialmente, você aprenderá quais as características dos variados sistemas de comércio exterior pelo mundo. Veremos juntos as nações que mais tiveram sucesso em seu comércio exterior, para pensarmos quais as lições podemos extrair para o nosso país. Entenderemos o que é e como ocorre a internacionalização de empresas para, na sequência, entendermos como realizar as operações de comércio exterior a partir do Brasil. Você verá como importadores e exportadoras utilizam-se do Sistema Integrado de Comércio Exterior (o Siscomex) para cadastrar suas operações. Aqui, você descobrirá como funciona a classificação fiscal de mercadorias, e os números e códigos que todo produto transacionado pelo mundo tem. Aprenderemos, também, que alguns acordos internacionais muito importantes foram celebrados ainda na década de 1940. Eles foram os grandes responsáveis pela evolução do comércio internacional desde então. Você aprenderá que a Organização Mundial do Comércio (OMC) teve sua origem em um acordo chamado GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), e que os países podem acionar uns aos outros na OMC caso alguma prática ilegal seja adotada. Por fim, entenderemos outro grande avanço no comércio internacional que são os Termos Internacionais de Comércio (popularmente chamados de Incoterms). Para terminar, abordaremos os riscos e desafios da atuação global das empresas, buscando te preparar para um futuro de muito sucesso! 3 INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática profissional. Vem conosco! Comércio internacional e exterior ______________________________________________________________ Autoria: João Alfredo Lopes Nyegray Leitura crítica: Isamaura Krauss Franco TEMA 1 5 DIRETO AO PONTO O comércio é uma das atividades humanas mais antigas. Nos primórdios de nossa civilização, as pessoas eram nômades. Isso significa que viviam em um dado lugar, esgotavam os recursos daquele local para sua própria subsistência e partiam em busca de um novo local para viver. Ainda que pequenos vilarejos tenham surgido aqui e ali no decorrer da história, as primeiras grandes cidades foram na antiga Suméria – atual sul do Iraque. Essas cidades são chamadas de cidades-estados, por ter cada uma o tamanho aproximado de uma cidade, mas a organização política de um estado; e eram principalmente Ur, Uruk e Lagash. Desde que surgiram, há cerca de 5500 anos, essas cidades-estados comercializavam seus excedentes umas com as outras. Isso nos mostra que o comércio internacional e a globalização possuem uma origem em comum. Desde então, os impérios se alternaram, mas o comércio manteve- se presente – ainda que tenha passado por momentos de menor intensidade como na Idade Média. Sendo um fenômeno tão antigo e abrangente, é natural que tenham surgido teorias para tentar explicá-lo, e para sugerir como as nações poderiam beneficiar-se dele. A primeira dessas tentativas chama-se mercantilismo. Trata-se de uma visão econômica característica dos séculos XV a XVII que acreditava que o poder dos países estava diretamente relacionado à quantidade de metais preciosos em seus cofres. Em um momento em que as compras internacionais eram pagas em ouro e prata, a visão mercantilista fez com que governantes pensassem que as importações eram ruins – pois retiravam prata e ouro do país para pagar aquilo que chegava. As exportações, de outro lado, eram favoráveis, pois recebia-se em metais preciosos pelos produtos 6 enviados ao exterior. Um dos muitos problemas do mercantilismo é que se todos acreditavam que importar era algo ruim e exportar era a única atividade internacional desejável. Como, então, fazer negócios? Percebendo esse e outros inconvenientes da visão mercantilista, em 1776, o economista Adam Smith cria a teoria das vantagens absolutas, apontando como as importações podem ser favoráveis por permitir o uso mais eficiente dos recursos nacionais. A visão de Smith é expandida por David Ricardo, que em 1817 cria a teoria das vantagens comparativas, tentando demonstrar que, ainda que um país consiga produzir por conta própria aquilo de que necessita, em algumas situações vale a pena importar produtos de outras nações. No século XX, os economistas Eli Heckscher e Bertil Ohlin notam que os países tendem a exportar os produtos que melhor utilizam os recursos nacionais. Isso explica, por exemplo, porque o Brasil exporta produtos primários: nossa extensão territorial nos dá vantagem no setor agrícola. Além dessas teorias, certamente existem várias outras, mas essas são sem dúvidas as principais, organizadas na Figura 1 a seguir: Figura 1 – Teorias do comércio internacional Fonte: elaborada pelo autor 7 Seja qual for a teoria que você acredite ser a mais adequada, o fato é que os países mais engajados no comércio internacional oferecem melhor qualidade de vida em seu ambiente doméstico. Primeiramente, isso ocorre, pois quanto mais aberta e livre a economia for, maior será a concorrência. Como resultado, gera-se inovação. Para a inovação ocorrer, são necessárias instituições de ensino que formem pessoas capazes de criar coisas novas, além de um ecossistema favorável. A consequência de abertura econômica, inovação e boa educação é, sem dúvidas, melhor qualidade de vida. É exatamente o que ocorre na Suíça, em Cingapura, em Hong Kong, na Suécia, no Canadá ou na Austrália. E o Brasil, como está no cenário do comércio internacional? Infelizmente, oscilamos entre a 24ª e 27ª posição na lista dos maiores exportadores. Burocracia, alta intervenção do governo e dificuldades para inovar e exportar fazem com que nosso país perca competitividade. Para ilustrar, as empresas estão submetidas na área aduaneira a mais de 3.600 normas distintas. Aliadas a essas questões estão o problema de infraestrutura defasada, da energia elétrica cara e juros altos. Somados, esses fatores compõe o chamado “custo Brasil”, que explica não apenas as dificuldades em se fazer negócios a partir de nosso país, mas também justifica os altos índices de desemprego e a baixa competitividade. PARA SABER MAIS Por que o Brasil é um país tão fechado ao comércio internacional? Até a Independência do Brasil, em 1822, éramos colônia de Portugal. Sendo assim, havia uma regra que nos impedia de comercializar livremente com o resto do mundo, o chamado “pacto colonial”. Tudo o que era produzido aqui era enviado para Portugal ou para seus aliados, e não podíamos ter indústrias ou manufatura de qualquer 8 tipo. Nessa mesma época, os europeus iniciavam suas trajetórias de industrialização na Revolução Industrial. De 1822 até a década de 1930, a economia brasileira foi quase totalmente agrícola, dependendo de ciclos econômicos variados. Inicialmente, o ciclo da cana de açúcar. Depois, o ciclo da borracha e do café. Quando a crise de 1929 abate-se sobre o mundo, o Brasil tinha no café seu um único produto exportável. O presidente Getúlio Vargas percebeu isso e iniciou uma série de reformas industrializantes. Há que se frisar que a industrialização no Brasil começou cerca de 100 anos após a industrialização europeia. Nesse primeiro momento, a ideia de Vargas foi industrializar o país por meio de empresas estatais. Passados alguns anos, na década de 1950, o então presidente Juscelino Kubitschek, segue na intenção de industrializar o país. Ao invés de abrir o Brasil aos produtos e empresas externas, Kubitschek faz exatamente o oposto: cria a “Indústria de Substituição de Importações”(ISI) para tentar fazer aqui tudo o que era importado. A partir desse momento, a aduana brasileira passa a ter um caráter protecionista para dificultar ainda mais a entrada de produtos estrangeiros. Uma das intenções era proteger a nascente indústria nacional das supostas “ameaças externas”. As cotas de importação foram estabelecidas nesse período. Enquanto o país crescia em termos populacionais, a produção da indústria nacional permanecia baixa, e os brasileiros eram obrigados a adquirir aquilo que era ofertado aqui. Em cenários de alta demanda e baixa produção, o consumidor acaba tendo que adquirir o que encontra, ainda que não sejam bons produtos. A modernização do parque industrial brasileiro, que deveria ocorrer com todo o protecionismo, simplesmente não veio. Quando o Brasil se abriu ao mercado externo e revogou as cotas de importação em 1992, é que se pode perceber quão nefasto podem ser os efeitos do 9 protecionismo – embora existam aqueles que sigam defendendo essas políticas ainda hoje. A partir de 1992, a aduana brasileira deveria ter um caráter regulatório, mas a descentralização das normas, a burocracia e a variedade de órgãos anuentes seguiram travando o comércio exterior. Outro fator que segue impactando o desempenho internacional dos produtos brasileiros são os chamados monopólios legais. Algumas áreas – como extração e refino de petróleo e serviços postais – são privativas da União. Como consequência, empresas privadas não podem atuar em determinados setores. Conhecendo os efeitos da alta intervenção do Estado na economia, outros países que agiram da mesma forma já abandonaram essas políticas em prol da liberdade econômica. Resta, agora, que o Brasil faça o mesmo para poder – finalmente – superar décadas de fraco desempenho comercial. TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você foi chamado para ocupar um cargo no governo e sua função envolve o planejamento industrial e comercial do Brasil. Você precisa apresentar para os ministros e para a Presidência da República uma opção de política comercial que promova o desenvolvimento do país e a geração de inovação e tecnologias aqui. Nesse momento, você se depara com algumas potenciais escolhas, entre as quais estão abertura comercial, protecionismo ou tentar reativar a indústria de substituição de importações. Qual alternativa você sugere como a mais vantajosa ao nosso país? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 10 LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 Este livro aborda os aspectos mais importantes da legislação aduaneira brasileira. Ainda que seja, originalmente, uma obra jurídica, destina-se a profissionais não apenas da área do Direito, mas também dos negócios de maneira geral. O capítulo 1º aborda os antecedentes do comércio, as oscilações entre momentos de protecionismo e abertura e o Brasil nesse cenário. Assim, indica- se a leitura desse capítulo. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. NYEGRAY, João A. L. Legislação Aduaneira, Comércio Exterior e Negócios Internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2016. Indicações de leitura 11 Indicação 2 A obra é a primeira totalmente em português sobre projetos internacionais, e aborda as estratégias que podem ser adotadas pelas organizações para sua inserção internacional e pela busca de oportunidades no mercado global. O capítulo 2, indicado para a leitura, aborda as teorias do comércio internacional e traz citações originais e detalhes das mais importantes abordagens do comércio. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. NYEGRAY, João A. L. Projetos internacionais – estratégias para a expansão empresarial. Curitiba: Intersaberes, 2016. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. O comércio é uma das atividades humanas mais antigas. Internacionalmente falando, desde que existem distintos agrupamentos humanos, existem trocas entre eles. Muitas vezes, o comércio internacional encolheu, como ocorreu na Idade Média. Em outras ocasiões, ele se expandiu, como ocorreu 12 da década de 1950 até os nossos dias. Uma das grandes características do comércio global é que: a. Permite aos países utilizar seus recursos de modo mais eficiente. b. Permite aos países utilizar seus recursos de modo menos eficiente. c. Gera desemprego e perda de renda para aqueles que comercializam. d. É fruto do protecionismo das nações, que dificultam sua realização. e. Ocorre apenas para mercadorias, e não para serviços. 2. Uma das características das políticas comerciais __________ é a restrição a entrada de produtos externos através de tarifas e importações. Os países __________ utilizam-se de cotas de importação, burocracias e altas taxas para trazer produtos do exterior. A ideia original de tais políticas é estimular a indústria interna, mas, a realidade mostrou que essas políticas acabam não funcionando muito bem. As palavras que completam corretamente as lacunas acima são, respectivamente: a. De livre comércio; protecionistas. b. Protecionista; liberais. c. Liberais; protecionistas. d. De livre comércio; liberais. e. Protecionista; protecionistas. 13 GABARITO Questão 1 - Resposta A Resolução: Como você estudou, a partir do momento que as nações comercializam, seus recursos internos passam a ser utilizados de forma mais eficiente. Ao invés de tentar produzir por conta própria aqueles itens para os quais não há tecnologia nacional disponível, os países podem adquiri-los do exterior. Hoje, o comércio internacional – que representa boa parte do PIB das nações – envolve mercadorias, serviços, tecnologias e know-how. Questão 2 - Resposta E Resolução: Enquanto as políticas de livre mercado, adotadas por nações liberais, apenas regulam as trocas comerciais do país com o resto do mundo, as políticas e nações protecionistas restringem a entrada de produtos externos, seja por meio de altas taxas às importações, cotas ou mesmo subsídio às indústrias nacionais. Internacionalização de empresas e os órgãos do comércio internacional ______________________________________________________________ Autoria: João Alfredo Lopes Nyegray Leitura crítica: Isamaura Krauss Franco TEMA 2 15 DIRETO AO PONTO A internacionalização de empresas não é necessariamente um movimento recente. Pode-se afirmar que as primeiras grandes empresas multinacionais – aquelas que possuem sua sede em um país, e filiais espalhadas pelo resto do mundo – surgiram ainda no século XIX. Shell, Basf, Siemens, Nestlé, Levi’s e General Eletric são apenas alguns exemplos de multinacionais centenárias. Essas empresas começaram a difundir seus produtospelo mundo. À época em que surgiram, de forma ainda lenta. Hoje, em ritmo acelerado. Se podemos utilizar produtos dessas organizações, e ainda de várias outras, devemos isso a duas coisas: à globalização e à internacionalização. Cada um desses fenômenos existe um em função do outro: se as empresas se internacionalizam é por conta da globalização; se há globalização é também porque as empresas se internacionalizam. Enquanto no passado a internacionalização era algo praticamente exclusivo das grandes empresas, já líderes em seus mercados domésticos, hoje a internacionalização está ao alcance das mais variadas organizações dos mais variados portes. Isso se dá especialmente pelas modernas tecnologias da informação e de comunicação que aproximam potenciais compradores e vendedores. Normalmente as empresas iniciam sua internacionalização ou pela exportação ou pela importação, por serem formas de envolvimento internacional de baixo risco. Uma vez que podemos contar com modernas formas de pagamento e transferências de recursos, é cada vez menos arriscado exportar ou importar. Outras formas de internacionalizar-se, envolvem uma imagem, uma marca ou um modo de desempenhar determinado negócio. É o caso dos 16 licenciamentos – quando pode-se utilizar personagens conhecidos em produtos variados – ou das franquias –, quando se inicia a operação de um negócio já existente, seja uma rede de fast-food ou de hotéis. Outras organizações se internacionalizam a partir de empreendimentos conjuntos – chamados de joint-ventures –, dividindo os riscos da incursão internacional com outra organização. Finalmente, pode-se conquistar mercados globais por meio do Investimento Estrangeiro Direto, comprando empresas que já existem ou iniciando fisicamente as operações no exterior. O que certamente tem facilitado as operações internacionais de comércio é a padronização das normas globais a esse respeito. Essa padronização iniciou-se com a criação do General Agreement on Tariffs and Trade (GATT; em português, Acordo Geral de Tarifas e Comércio), que entrou em vigor em 1947. Os princípios do GATT até hoje regem as relações comerciais, e são: Figura 1 – Princípios do GATT/OMC Fonte: elaborada pelo autor. 17 Esses princípios buscam um comércio internacional mais justo e livre. Com a fundação da Organização Mundial do Comércio (OMC) – que foi o grande resultado da Rodada do Uruguai do GATT, que se estendeu entre 1986 e 1994 –, esses princípios foram recepcionados pela OMC e seguem regendo o comércio internacional. O grande benefício dessa estrutura e evolução é a previsibilidade: empresas e países estão hoje cientes das práticas permitidas ou não no âmbito comercial global. PARA SABER MAIS Por que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) é a forma mais arriscada de se internacionalizar? O IED costuma ser apontado como a forma mais arriscada por meio da qual as empresas podem se internacionalizar. Normalmente, o IED ocorre quando uma empresa compra um terreno no exterior, constrói sua fábrica, contrata pessoas, compra equipamentos e começa a operar. É isso o que significa dizer que as empresas que realizam IED adquirem presença física no exterior. Em paralelo, pergunte-se: qual a pior coisa que pode ocorrer quando uma empresa exporta um produto? Alguns alunos acabam respondendo a essa pergunta apontando para os problemas logísticos. No entanto, as vendas internacionais costumam ser amparadas por seguros de carga, que facilmente reembolsam problemas no translado. Outros dizem que a pior coisa que pode ocorrer quando exportamos um produto é desagradar o consumidor final. Isso também não ocorre com tanta frequência, pois a maior parte das exportações é para empresas que revenderão o produto importado em seu país. Como consequência, importadores/compradores dificilmente adquiririam produtos que não sejam vendáveis em sua nação. Assim, quando se exporta, uma 18 das piores coisas que pode ocorrer é o pagamento não ser feito. A atual tecnologia bancária e o pagamento por carta de crédito maculam essa ameaça. Com isso, a exportação tende a ter pouco risco. Outras formas de internacionalização, como as franquias, os licenciamentos ou as joint-ventures, tendem a ser amparadas por extensos contratos internacionais. Esses contratos estabelecem obrigações entre as partes e detalham minuciosamente o que cada uma delas pode ou não pode fazer. Assim, caso algum dos envolvidos quebre o acordo, o contrato pode ser rompido com o devido pagamento de indenizações na maior parte dos casos. Voltemos agora ao IED. Imagine que a empresa realizou um investimento em uma nação na qual inicia-se uma guerra civil, ou em que o governo inicia um amplo processo de estatização de organizações estrangeiras. Para encerrar a operação e deixar esse país, a empresa levará algum tempo. Demitir e indenizar funcionários, vender o estoque e as matérias-primas, liquidar as dívidas e desfazer-se do maquinário, leva demasiado tempo. No caso brasileiro, por exemplo, qualquer ameaça de demissões coletivas acaba por envolver sindicatos e a imprensa. Com isso, ao contrário do que ocorre com as demais formas de internacionalização, o IED acaba sendo algo muito mais duradouro. Mas, afinal, por que iniciar uma atividade que pode ser tão arriscada? Às vezes, o tamanho do mercado de destino compensa o risco. O IED só é feito quando os retornos compensam os riscos inerentes à operação. Em outros casos as empresas realizam IED em um país para aproveitar-se de algum acordo comercial. É o caso da Ford e da HP, empresas norte-americanas, que produzem no México. Como México, EUA e Canadá são parte do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, pode-se produzir no México e enviar os produtos com pouco ou nenhum tributo para EUA e Canadá. 19 Ou seja: para que o IED compense os retornos possíveis do projeto devem ser maiores do que o risco que o acompanham. TEORIA EM PRÁTICA Considere que a empresa onde você trabalha decidiu iniciar seu processo de internacionalização. Em pesquisa de mercado, descobriu-se uma excelente oportunidade de negócios em um país de intenso risco político. O país de destino potencial está marcado por alterações abruptas de lei, burocracias diversas e tributação pesada. Ainda assim, há um cliente de lá interessado em efetuar uma grande compra dos produtos que sua empresa fabrica. Nesse cenário, você é procurado para sugerir maneiras de superar os riscos dessa operação e aproveitar a oportunidade encontrada. O que você sugere nesse caso? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Indicações de leitura 20 Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 Este livro aborda os aspectos mais importantes da legislação aduaneira brasileira. Ainda que seja, originalmente, uma obra jurídica, destina-se a profissionais não apenas da área do Direito, mas também dos negócios de maneira geral. O capítulo 10, indicado para a leitura, explica a evolução das normas globais do comércio, do GATT até a OMC. Esse mesmo capítulo, aborda, também, os princípios do Direito do Comércio Internacional e o sistema de Solução de Controvérsias da OrganizaçãoMundial do Comércio. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. NYEGRAY, João A. L. Legislação Aduaneira, Comércio Exterior e Negócios Internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2016. Indicação 2 A obra é a primeira totalmente em português sobre projetos internacionais, e aborda as estratégias que podem ser adotadas pelas organizações para sua inserção internacional e pela busca de oportunidades no mercado global. O capítulo 3, indicado para a leitura, aborda a internacionalização de empresas em detalhes. Nesse capítulo, são explicadas as formas de internacionalização com suas vantagens e desvantagens. Explicam-se, também, as teorias de 21 internacionalização. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. NYEGRAY, João A. L. Projetos internacionais – estratégias para a expansão empresarial. Curitiba: Intersaberes, 2016. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Uma determinada empresa possui uma rede de lojas que comercializam produtos naturais frescos, como sanduíches, sucos funcionais e chás feitos na hora. Com o crescimento da busca por um estilo de vida saudável, percebeu-se que esse empreendimento poderia ter sucesso em outros países. Assim, a organização internacionalizou para os países vizinhos ao Brasil de forma em que o modelo de negócio daqui era replicado no exterior por pessoas que passariam a explorar a marca e seu modo de operação, vendendo os mesmos produtos (sanduíches, sucos e chás) da mesma forma vendida no Brasil. Pode-se dizer que essa forma de internacionalização é: a. Exportação. b. Franquia. 22 c. Licenciamento. d. Joint-venture. e. Investimento Estrangeiro Direto. 2. Uma das características que explicam o elevado risco dos __________ é a permanência física da empresa no exterior. Ao contrário do que ocorre noutras formas de internacionalização, nesse caso é mais difícil para que a empresa encerre suas operações no __________. Por isso, essa forma é considerada a mais arriscada de internacionalizar. a. Exportações; destino. b. Importações; origem. c. Investimento Estrangeiro Direto; destino. d. Joint-ventures; país. e. Licenciamentos; destino. GABARITO Questão 1 - Resposta B Resolução: Como você estudou, as franquias são a forma de internacionalização por meio da qual um modelo de negócio com um modo de operação é explorado em outro país por outras pessoas ou empresas. Nas franquias, os mesmos produtos comercializados na origem devem ser comercializados no destino. Questão 2 - Resposta C Resolução: Uma vez que uma determinada organização realizou um Investimento Estrangeiro Direto, essa empresa 23 passa a ter presença física no exterior. Assim, caso o país de destino de suas operações apresente problemas graves, sejam eles políticos, econômicos ou sociais, é muito mais complexo para uma empresa fisicamente localizada no exterior encerrar suas operações e retornar a seu país de origem. A regulamentação brasileira sobre o comércio exterior ______________________________________________________________ Autoria: João Alfredo Lopes Nyegray Leitura crítica: Isamaura Krauss Franco TEMA 3 25 DIRETO AO PONTO Você já pensou em como funciona a criação de normas internacionais? São muitos anos de negociação entre países com hábitos e culturas muito distintas. A criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a classificação dos produtos na lista do Sistema Harmonizado (SH), acabou levando muito tempo justamente por conta das extensas negociações que as precederam. Ainda assim, uma das grandes críticas feitas às normas internacionais é que os países apenas as cumprem se aceitarem submeter-se a tais normas assinando e ratificando acordos, tratados e convenções. Uma nação que não assine um tratado ou acordo internacional simplesmente não pode ser obrigada a agir desta ou daquela forma. Esse é o chamado “caráter voluntarista do Direito Internacional”. Em termos de comércio internacional, no entanto, há uma diferença. As nações que não cumprem regras comerciais ou não aceitam esses tratados acabam “isoladas” do comércio global. Por isso, percebe-se que as normas do Direito Internacional do Comércio acabam sendo mais efetivas. Quando uma nação descumpre algum dos preceitos da OMC, o país afetado por esse descumprimento pode acionar o Órgão de Solução de Controvérsias. Caso isso ocorra, segue-se o procedimento demonstrado na Figura 1. 26 Figura 1 – Procedimentos de Solução de Controvérsias no OSC Fonte: elaborada pelo autor. Além de solucionar controvérsias comerciais na OMC, o Brasil utiliza duas outras medidas de defesa comercial que podem ser implementadas pela Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público (SDCOM) ligada ao Ministério da Economia. Eventualmente, produtos estrangeiros podem entrar em grandes quantidades e de forma repentina em nosso país. Caso esses produtos que estejam entrando aqui acabem por prejudicar algum setor da economia nacional, contamos com duas medidas: de salvaguarda e compensatórias. As medidas de salvaguarda aplicam-se para reduzir os efeitos de um surto repentino de importações fruto do preço baixo de um dado produto. Nesse caso, não há medida desleal praticada na origem. De outro lado, as medidas compensatórias servem para proteger a indústria nacional de um produto que esteja entrando no país e que recebeu subsídios em seu país de origem. Por exemplo: um determinado país concede subsídios (isenções de tributos e grandes somas de dinheiro) para seus produtores de vinhos. Como consequência, esses vinhos ficam mais baratos do que 27 ficariam caso se não tivessem recebido incentivos governamentais. Conforme os vinhos importados entram no Brasil em um preço muito abaixo do normal, os produtores brasileiros podem solicitar à SDCOM uma medida compensatória. Ao investigar o ocorrido, a SDCOM aplica uma sobretaxa aos produtos importados que receberam os subsídios na origem. Outro ponto de grande importância para o comércio exterior é o seu controle no Brasil. Aqui, de acordo com o Decreto nº 6759, de 5 de fevereiro de 2009, conhecido como Regulamento Aduaneiro (RA), esse controle é realizado pela Secretaria da Receita Federal (SRF ou RF ou, ainda RFB). A Receita efetua o controle de tudo o que entra e sai do país. As fiscalizações ocorrem, especialmente, na zona primária. De acordo com o RA, zona primária é todo ponto do território nacional onde há entrada e saída de pessoas ou mercadorias do exterior ou para lá destinados. Outro importante mecanismo para o comércio exterior brasileiro é o Sistema Integrado de Comércio Exterior da Receita Federal, o Siscomex. É ali que os exportadores e importadores cadastram as operações que estão realizando. Aponta-se o produto importado ou exportado, o valor do item, o porto de origem ou de destino e seu valor. Além dessas informações, declara-se o código NCM da mercadoria. NCM significa Nomenclatura Comum do Mercosul, e consiste em um sistema de classificação fiscal de mercadorias de oito dígitos. A NCM tem como base outra classificação fiscal, o Sistema Harmonizado, criado pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) após mais de uma década de estudos em busca de uma forma de classificação fiscal que pudesse ser duradoura. Na lista do NCM, os produtos estão classificados em ordem de participação humana na criação do bem. No primeiro capítulo, estão 28 os animais vivos. No último, as obras dearte. Existem, ainda, dois capítulos em branco para utilização futura. É algo que faz muito sentido, considerando que a lista foi criada na década de 1980 e muitas coisas que existem hoje não existiam naquela época. No site da Receita Federal é possível buscar um produto para encontrar seu código NCM. PARA SABER MAIS Quais são os crimes aduaneiros? Quem responde a essa pergunta é o Direito Penal. Ensina Bitencourt (2007, p. 2) que esse “é o ramo jurídico que tem por objeto a determinação de infrações de natureza penal e suas sanções correspondentes”. Normalmente, essas sanções consistem em multa ou privação de liberdade da pessoa condenada pelo crime. De maneira geral, os crimes podem ocorrer de forma dolosa – quando a pessoa sabia o que estava fazendo e de fato tinha a intenção de cometer o ato criminoso – ou de forma culposa – quando a pessoa não queria necessariamente o resultado final, mas o crime acabou ocorrendo. Muitos crimes ocorrem no chamado concurso de pessoas, ou seja, quando mais de uma pessoa se une para a prática de uma determinada infração. Mas, afinal, quais são os crimes que ocorrem no comércio exterior? O primeiro deles é o descaminho, disposto no art. 334 do Código Penal: “Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria” (BRASIL, 1940, [s.p.]). Esse crime, que tem pena de reclusão de um a quatro anos, ocorre quando alguém traz para o Brasil mercadoria permitida, mas sem o devido pagamento de impostos. Esse crime pode ocorrer em concurso de pessoas quando vários dos chamados “sacoleiros” atravessam as fronteiras para comprar quantidades imensas de produtos nos países 29 fronteiriços para, na sequência, vendê-los no Brasil. Também pratica o descaminho quem esconde, guarda ou armazena produtos permitidos, mas trazidos em desacordo com as regras de comércio exterior. É o caso dos vendedores de vinhos, jogos, roupas ou cosméticos trazidos de forma irregular. Quando a Receita Federal intercepta os ônibus, vans ou automóveis em que essas pessoas estão trazendo esses produtos para o Brasil acima da cota permitida – que é de US$ 300 para viagens terrestres – essas mercadorias são apreendidas e leiloadas posteriormente. Além disso, os envolvidos são processados criminalmente. Outro crime que ocorre no comércio exterior é o contrabando, disposto no art. 334-A do Código Penal, que diz: “Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida” (BRASIL, 1940, [s.p.]). O contrabando tem pena de reclusão de 2 a 5 anos mais multa, e ocorre quando drogas, armas ou munições entram no país. Da mesma forma que ocorre com o descaminho, esse crime pode ocorrer em concurso de pessoas. Também é contrabando trazer mercadorias permitidas, mas sem o devido procedimento legal. É o que ocorre quando contrabandistas tentam trazer medicamentos ou agrotóxicos. Esses produtos em sua grande maioria são permitidos no Brasil, mas precisam de autorização prévia do Ministério da Saúde ou do Ministério da Agricultura. Outra semelhança do crime de contrabando com o crime de descaminho é que também comete esse crime quem esconde, guarda, armazena ou vende no Brasil os produtos contrabandeados. Referências bibliográficas BITENCOURT, Cezar R. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. BRASIL. Presidência da República. Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Rio de Janeiro: D.O.U., 1940. 30 TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você trabalha em uma empresa que produz e revende smartphones, e que essa empresa tem notado uma baixa substancial nas vendas. Ao efetuar pesquisa de mercado, você percebeu que seus concorrentes também estão com dificuldades, e que smartphones importados tem entrado no Brasil em grandes quantidades e em preços muito baixos. Em reunião dos produtores brasileiros de smartphones, descobre-se que os importados que tem atrapalhado as vendas de todos os fabricantes nacionais estão vindo predominantemente da China, que concede subsídios e incentivos para a produção desses itens em seu território. O que você sugere nesse caso? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, Indicações de leitura 31 portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 Este livro aborda os aspectos mais importantes da legislação aduaneira brasileira. Ainda que seja, originalmente, uma obra jurídica, destina-se a profissionais não apenas da área do Direito, mas também dos negócios de maneira geral. Os capítulos 7 e 8, indicados para a leitura, explicam a respeito da classificação fiscal de mercadorias e dos crimes e delitos aduaneiros. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. NYEGRAY, J. A. Lopes. Legislação Aduaneira, Comércio Exterior e Negócios Internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2016. Indicação 2 Trata-se de uma obra clássica em assuntos de economia e de comércio internacional. O capítulo 18, indicado para leitura, aborda a evolução do sistema monetário internacional ressaltando a importância do sistema de Bretton Woods. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. KRUGMAN, Paul; OBSTFELD, Maurice. Economia Internacional – teoria e política. 10 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. 32 QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Caso produtores de um determinado setor da economia nacional sejam afetados por surtos repentinos de importação, ou mesmo por produtos que tenham recebido subsídios ou incentivos governamentais em seus países e, por consequência, estão entrando no Brasil em valores muito abaixo do normal, esses produtores podem solicitar medidas de defesa comercial a: a. Presidência da República. b. Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). c. Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). d. Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público (SDCOM). e. Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 2. Criado pela Organização Mundial das Alfândegas (oma), a classificação do __________ levou cerca de 10 anos para ficar pronta. O Brasil a utilizou de 1988 até 1995, quando entrou em vigor a __________. Tomando a primeira por base, 33 a segunda acrescenta-lhe dois dígitos e é utilizada por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. a. Sistema Harmonizado (SH); Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). b. Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); Sistema Harmonizado (SH). c. Sistema Harmonizado (SH); Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM). d. Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM); Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). e. Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM); Sistema Harmonizado(SH). GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: Como você estudou, o órgão responsável pela defesa comercial do Brasil, seja na aplicação de medidas compensatórias ou medidas de salvaguarda é a Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público (SDCOM). Questão 2 - Resposta A Resolução: A Organização Mundial das Alfândegas (OMA) criou, após mais de uma década de estudos, a classificação do Sistema Harmonizado. O Mercosul, criado em 1991, utilizou a classificação do SH como base para criar a Nomenclatura Comum do Mercosul, utilizada pelos países membro do bloco. O ambiente internacional de negócios ______________________________________________________________ Autoria: João Alfredo Lopes Nyegray Leitura crítica: Isamaura Krauss Franco TEMA 4 35 DIRETO AO PONTO Pense por um instante: quantas vezes, nas últimas semanas, você viu notícias de apreensões de drogas nas fronteiras? Certamente, várias. Da mesma forma que a globalização aproximou pessoas, países e empresas, as situações ruins que acontecem no mundo também se tornaram mais próximas. Dentre essas coisas está a criminalidade. Drogas, armas, munições, remédios de uso controlado, agrotóxicos etc. Tudo pode transitar pelas fronteiras com relativa facilidade. É aqui que entra a importância do controle aduaneiro desempenhado pela Secretaria da Receita Federal (SRF ou RF). Trata-se não apenas da fiscalização sobre o comércio exterior, mas também da fiscalização de pessoas, veículos e mercadorias vindos do exterior ou para lá destinados. Esse controle é exercido principalmente na chamada Zona Primária, ou seja, nos aeroportos e portos que recebem voos e navios em rotas internacionais e na fronteira terrestre com outros países. Para as exportações e importações, aqueles que realizam operações internacionais iniciam o cadastro dessas atividades no ambiente virtual do Sistema Integrado de Comércio Exterior, o Siscomex. O sistema entrou em operação em 1992 para as exportações e em 1997 para as importações, facilitando bastante os trâmites de ambos os processos. Todos os órgãos anuentes e intervenientes do comércio exterior brasileiro possuem ligação direta com o Siscomex, onde dão pareceres e efetuam análises. O Siscomex também é muito importante para o controle aduaneiro. Ele, automaticamente, e de forma aleatória, direciona as cargas que chegam e saem a um de quatro possíveis canais de conferência, chamados de “canais de parametrização”. Na importação, esses canais são o verde, amarelo, vermelho e cinza; e na exportação são verde, laranja, vermelho e cinza. Quando uma mercadoria é 36 direcionada ao canal verde, ela estará automaticamente liberada para embarque ou desembarque. Quando é direcionada ao canal amarelo ou laranja, haverá a conferência documental da importação ou exportação. O canal vermelho significa a conferência física da carga, comparando-a com o que foi declarado nos documentos. Por fim, o canal cinza é aquele em que os documentos, a carga e a própria empresa que efetuou a operação são fiscalizados. Normalmente são direcionadas ao canal cinza operações realizadas por empresas com histórico ou indícios de fraude. Outro ponto de grande relevância para o comércio exterior é a logística. Não se pode efetuar comércio sem levar bens a outros países ou trazê-los de lá. Foi para facilitar as negociações entre importadores e exportadores que a Câmara Internacional do Comércio desenvolveu, ainda na década de 1930, os chamados Termos Internacionais de Comércio, os Incoterms. Os Incoterms estão divididos em quatro diferentes grupos: E, F, C e D, em que a responsabilidade pelo pagamento do frete e do seguro da mercadoria muda de mãos: 37 Figura 1 – Grupos dos Incoterms Fonte: elaborada pelo autor. Com os Incoterms ficou mais fácil negociar com pessoas e empresas de tradições jurídicas e comerciais distintas. Como consequência, o comércio exterior cresceu. É para registrar todo esse crescimento que existe a chamada balança de pagamentos. Trata-se de um instrumento de contabilidade nacional que registra as operações econômicas realizadas num país. Para o comércio exterior, é de especial interesse a chamada balança comercial, que registra as importações e exportações. Um país é superavitário quando exporta mais do que importa, e deficitário quando importa mais do que exporta. A entrada e saída de recursos, medida pela balança de pagamentos, ajuda na criação de políticas econômicas. Por fim, é importante notar que a internacionalização de empresas exige mais do que o conhecimento dos aspectos técnicos do comércio exterior. Exige compreensão das fontes de oportunidades de negócios e das eventuais necessidades de adaptação de produtos e de processos. Se o comércio exterior brasileiro é caracterizado por ampla burocracia, isso é um desafio para as empresas, mas, ao 38 mesmo tempo, uma oportunidade para profissionais dedicados que aprendem a transitar nesse oceano de complexidades. PARA SABER MAIS O mundo de hoje foi integrado pelas forças da globalização, mas isso não significa que há uma padronização de gostos e estilos de vida. Nesse sentido, quais os principais desafios para internacionalizar, e quais as características fundamentais de gestores de sucesso no comércio exterior? Um dos principais desafios para se internacionalizar está muito próximo de uma característica essencial para gestores de comércio exterior de sucesso: a paciência. Dificilmente, bons negócios serão fechados da noite para o dia. É necessário compreender que esses negócios levam tempo, pois é necessário construir a confiança com um novo parceiro de negócios, que está em outro país, e cujos costumes e hábitos podem ser distintos dos nossos. É um erro comum acreditar que grandes lucros virão com a primeira exportação, pois a empresa estará em um processo de aprendizado sobre sua própria inserção internacional. Outro desafio está relacionado ao preparo da empresa para atuar internacionalmente. Esse preparo envolve eventuais adaptações em produtos, o que pode ser o produto em si, seu tamanho, cores, embalagem, nome da marca ou idioma em que o rótulo é transcrito. Alguns produtos, como gêneros alimentícios, refrigerantes e livros possuem maiores necessidades de adaptação. Outros, como aviões, automóveis e computadores, a necessidade de adaptação é menor. No entanto, o preparo organizacional para a internacionalização pode envolver a própria empresa. Nenhuma operação internacional funcionará se os recursos humanos necessários não estiverem 39 disponíveis. Há pessoas fluentes em outros idiomas? Alguém possui conhecimento das operações internacionais? E, é claro, existe a necessidade de recursos financeiros. Trata-se da capacidade de custear as necessárias adaptações ou de contratar pessoas. Empresas que buscam internacionalizar, frequentemente visitam feiras comerciais em outros países para buscar parceiros de negócio. Essa é, como você pode imaginar, uma tarefa custosa. Para gestores, como colocamos, a paciência é uma qualidade fundamental. Outro ponto de relevância para gestores da área internacional é a capacidade de aprendizado. Vivemos em um mundo muito dinâmico onde oscilações econômicas e políticas alteram todo o quadro das relações internacionais em questão de minutos. Assim, nunca devemos parar de aprender. O aprendizado aqui serve, inicialmente, para enxergar o caleidoscópio de diferenças que é o mundo e conseguir enxergar uma ordem por trás de todos os fatos que ocorrem. Com isso, você não precisa se tornar um antropólogo consagrado, e saber tudo sobre todas as culturas e países que existem. De maneira nenhuma. Mas, é importante que você saiba o suficiente sobre os países com os quais quer fazer ou faz negócio. Qual a história recente dessa nação? Qual assunto deve ser evitado e qual deve ser incentivado? Quais os hábitos dessas pessoas? Como devem ser os cumprimentos ou a troca dos cartões de visita? Perceba: quantomais você negociar e interagir com pessoas de diferentes nações, mais aprendizados terá. TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você trabalha em uma empresa que produziu e vendeu garrafas de vidro para produtores de vinho da Califórnia 40 (EUA). A venda internacional foi realizada pelo Incoterm FOB. O comprador californiano, mesmo tendo pagado a sua empresa o valor combinado, não retirou as garrafas no porto de destino por ter sofrido de uma quebra de safra na colheita das uvas que seriam vinificadas. Em desespero de precisar trazer as garrafas novamente ao Brasil, seu superior hierárquico te questiona quem é o responsável por retirar as garrafas no porto estadunidense, se a empresa onde você trabalha ou se o cliente californiano. Como você responderia seu gestor? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicações de leitura 41 Indicação 1 Livro-texto de muitas disciplinas de negócios internacionais, a obra de Tamer Cavusgil, Gary Knight e John Riesenberger aborda os temas mais relevantes da área. O capítulo 12, indicado para leitura, aborda a avaliação de oportunidades no mercado global. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. CAVUSGIL, S. Tamer; KNIGHT, Gary; RIESENBERGER, John. Negócios Internacionais – estratégia, gestão e novas realidades. Pearson: São Paulo, 2010. Indicação 2 Trata-se de uma obra nova e atualizada no que há de mais moderno em termos de logística internacional. Os capítulos 3 e 4, indicados para leitura, abordam respectivamente o transporte internacional e suas características e os termos internacionais de comércio em sua evolução. Para realizar a leitura, acesse nossa plataforma Biblioteca Virtual (Minha Biblioteca) e busque pelo título da obra. ROBLES, Leo T.; NOBRE, Marisa. Logística Internacional: uma abordagem para a integração de negócios. Curitiba: Intersaberes, 2016. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 42 e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Para o início operacional das importações e exportações, essas atividades precisam ser cadastradas num sistema da Receita Federal. Esse sistema é o: a. Siscomex. b. Siscocisco. c. Sistema integrado de emissão de notas fiscais. d. Salvaero. e. Sislogística. 2. A balança de pagamentos é um termo que representa um instrumento de contabilidade nacional. Um de seus componentes é a chamada balança comercial, que mede as transações de uma nação com o resto do mundo. Se diz que uma nação está __________ quando importou mais do que exportou. Por outro lado, a nação está __________ quando exportou mais do que importou. Assinale a alternativa que melhor completa as lacunas acima. a. Deficitária; superavitária. b. Superavitária; deficitária. c. Próspera; pobre. d. Bem-sucedida; malsucedida. e. Malsucedida; próspera. 43 GABARITO Questão 1 - Resposta A Resolução: Como você aprendeu, as operações de importação e exportação iniciam-se no Sistema Integrado de Comércio Exterior, o Siscomex, gerenciado pela própria Receita Federal. Questão 2 - Resposta A Resolução: Um déficit é quando as importações superam as exportações. Um superávit é o oposto quando as exportações superam as importações. BONS ESTUDOS! Apresentação da disciplina Introdução TEMA 1 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 2 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 3 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 4 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Quiz Gabarito Inicio 2: Botão TEMA 4: Botão TEMA 1: Botão TEMA 2: Botão TEMA 3: Botão TEMA 9: Inicio :