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21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 1/19 Imprimir INTRODUÇÃO Olá, estudante! Abordaremos, nesta aula, o conceito de etnocentrismo aplicado à questão indígena. O etnocentrismo faz parte dos mais diversos povos e sociedades. Contudo, quando aplicado ao continente europeu, transforma-se em eurocentrismo. Analisaremos epistemológica e historicamente o conceito de eurocentrismo aplicado a América. Em um primeiro momento, estudaremos como se fundamenta, baseada na teologia, uma visão etnocêntrica acerca das sociedades indígenas na idade moderna. Também daremos alguns exemplos de críticas e contestações sobre esse mesmo processo de dominação, seja por parte das populações indígenas, como também de europeus que não compactuavam com tais abusos. Posteriormente, investigaremos como esse tipo especí�co de etnocentrismo altera as suas formas, de teológicas para “cientí�cas”, enquanto mantém o mesmo tipo de desprezo e violência em relação às alteridades sociais dos povos indígenas. Bons estudos! CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO DE ETNOCENTRISMO Trabalhar o conceito de etnocentrismo é algo complexo. Como o antropólogo Maurice Godelier (1993) propõe, o etnocentrismo está presente nas mais diversas sociedades e temporalidades e é fruto da combinação de dois elementos: das diferenças étnicas, econômicas, políticas e religiosas das sociedades, bem como da interação entre elas, ou seja, do contato interétnico que é resultado de trocas e interações. Contudo, quando se aplica o conceito de etnocentrismo à postura das sociedades europeias sobre povos indígenas, o resultado é o eurocentrismo. Aula 1 POVOS INDÍGENAS NO CONHECIMENTO ETNOCÊNTRICO Abordaremos, nesta aula, o conceito de etnocentrismo aplicado à questão indígena. O etnocentrismo faz parte dos mais diversos povos e sociedades. 31 minutos ORIGENS E TRANSFORMAÇÕES DOS ESTUDOS SOBRE OS POVOS INDÍGENAS Aula 1 - Povos indígenas no conhecimento etnocêntrico Aula 2 - A virada cultural e o repensar sobre povos indígenas Aula 3 - Estudos sobre os povos indígenas na contemporaneidade Aula 4 - Aspectos internacionais relacionados aos povos indígenas Referências 130 minutos 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 2/19 O eurocentrismo foi visto desde os primeiros contatos dos europeus com os povos indígenas. O momento histórico no qual deu-se a expansão marítima foi período favorável à intolerância. Os povos ibéricos (Espanha e Portugal), passavam pelas guerras de Reconquista Cristã e por um momento de fanatismo religioso fomentado por elas, bem como pela Contrarreforma. Fazendo uma digressão sobre o contexto histórico ibérico, que antecede a colonização da América, pode-se notar que, desde a batalha de Batalha de Poitiers (732 d.C.), quando Carlos Martel impediu o avanço dos mouros para a França, até o momento que antecede a intensi�cação das guerras da Reconquista, no �nal do século XIV, em Andaluz (nome da península ibérica quando estava dominada pelos mouros) coexistiam muçulmanos, cristãos e judeus. Porém, com a intensi�cação das guerras de Reconquista, a convivência religiosa foi quebrada. Os espanhóis, que estavam divididos em diversos reinos, povos e etnias, utilizaram-se da fanatização do catolicismo (religião comum), bem como de uma retórica proveniente das cruzadas, como elementos uni�cadores, frente aos inimigos mouros, muçulmanos. Se por um lado, o sectarismo religioso foi usado como elemento agregador para a formação dos exércitos espanhóis, por outro, esse mesmo sectarismo foi usado para perseguir as diversidades religiosas da península ibérica, iniciando-se um período de conversões forçadas de judeus e muçulmanos, processos inquisitoriais, pogroms, que culminaram na expulsão de 300 mil mouros da Espanha em 1609. Nesse mesmo período histórico, tem-se a eclosão da Contrarreforma, como resposta à Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, em 1517. A Contrarreforma também foi importante passo para o processo de sectarismo religioso, que vai culminar na intensi�cação do eurocentrismo sobre os povos indígenas nesse momento histórico. Tendo o catolicismo encontrado uma religião concorrente dentro do próprio continente europeu, a Igreja Católica decidiu intensi�car e reforçar seus dogmas e doutrinas, a partir do Concílio de Trento de 1545, dentro do velho continente, bem como das Américas. Unindo ambos os contextos, guerras da Reconquista e a Contrarreforma, o resultado, desde os primeiros contatos entre os europeus e povos indígenas, foi inevitavelmente uma tentativa sistemática, por parte dos povos europeus, de se sobrepor socialmente, por meio das conquistas e da catequese indígena, promovida principalmente pelos jesuítas. Tratou-se de uma intensa tentativa de sufocar as cosmogonias indígenas e suas expressões. Contudo, não se pode ver esse processo como uma via de mão única: também existiram resistências indígenas no campo simbólico e material (com revoltas). Já no início do processo colonial das Américas, entre os europeus, podem-se destacar diversos movimentos que se contrapunham a essa sobreposição. Pensadores como o bispo Bartolomeu de las Casas (1484-1566), no México, e o padre Antônio Vieira (1608-1697), no Brasil, guardadas as especi�cidades, denunciaram os abusos dos europeus contra os povos indígenas. PROBLEMATIZAÇÃO DO CONCEITO DE ETNOCENTRISMO NA AMÉRICA LATINA O bispo Bartolomeu de las Casas, em seu livro O paraíso destruído: Brevíssima relação da destruição das Índias, fez duras críticas sobre a forma como estava se dando a conquista espanhola e a catequização dos povos indígenas, principalmente aqueles do sul do México. O bispo denunciou o uso da guerra como meio de colonização, bem como da exploração do trabalho análogo a escravidão indígena nas encomendas. Bartolomeu de las Casas viu, no seu bispado em Chiapas (no sul do México), o uso da catequese não simplesmente como forma de conversão religiosa, mas como meio de doutrinar os indígenas para o trabalho nas encomendas. No caso da América portuguesa, embora não tenha existido nenhum referencial como o bispo Bartolomeu de las Casas (da América espanhola), o padre jesuíta Antônio Vieira, quando esteve à frente do processo de catequização indígena no Maranhão, durante o século XVII, foi uma voz contrária ao cativeiro e posse ilegal de 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 3/19 indígenas naquele momento histórico (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2009). Embora o padre não tenha se colocado frontalmente contra a exploração do trabalho indígena, contra a sociedade maranhense do século XVII e contra o instituto da escravidão indígena, como las Casas �zera no México, Antônio Vieira, no Sermão Primeira Dominga da Quaresma, conhecido como Sermão das Tentações, denuncia a captura e o cativeiro ilegal de indígenas, culminando na Lei de 9 de abril de 1655, um século antes da abolição da escravidão indígena no Brasil. O Iluminismo e consequentemente o cienti�cismo desbancaram o paradigma teológico do Antigo Regime. Contudo, o ideal de igualdade entre os homens, até mesmo a igualdade jurídica, um dos lemas da Revolução Francesa, não se concretizou. Uma nova ideologia para a manutenção da desigualdade entre os homens foi criada. A diversidade social não era mais classi�cada como herege ou in�el. Aos poucos, ao longo do século XIX, sob um verniz cientí�co, foi se formando, principalmente na Inglaterra, uma ideologia racial, o chamado darwinismo social, sendo obritânico Herbert Spencer (1820-1903) um dos seus mais famosos defensores. Sendo as ciências humanas (e dentro delas, as ciências sociais) o campo cientí�co moderno mais recente, antecedido pelas ciências biológicas e ciências exatas, Herbert Spencer importou, das ciências biológicas, o alicerce para a construção de seu pensamento social. Assim como no reino animal existia o movimento de evolução das espécies, as “raças” humanas também evoluíam. É importante desmisti�car uma suposta in�uência do livro A origem das espécies (1859), de Charles Darwin, sobre o principal estudo de Herbert Spencer, Estática Social (1851). Como se pode notar, o estudo de Spencer precede a obra de Darwin acerca das espécies em aproximadamente 8 anos e antecede a obra de Darwin destinada ao estudo dos seres humanos, A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo (1873), em aproximadamente 22 anos. Verdadeiramente, o que Herbert Spencer fez, foi incorporar o termo “evolução”, muito usado por biólogos desse momento histórico, na sua teoria social. A ANTROPOLOGIA EVOLUCIONISTA E O MÉTODO COMPARATIVO A arqueologia, área das ciências humanas que se modernizou, se desenvolveu e se institucionalizou entre o �nal do século XIX e o início do século XX, teve Gordon Childe (1892-1957) como um de seus maiores proponentes. Este, ao realizar escavações, coletar e analisar artefatos de uma maneira nova e original, aprofundou o conhecimento do período pré-histórico da Europa, usando de fontes materiais não escritas. Os arqueólogos puderam acessar um período do passado até então pouco conhecido pela academia europeia, causando grande otimismo e ressonando sobre outras áreas das ciências humanas. A antropologia surge exatamente nesse contexto histórico, na metade do século XIX. Lewis Henry Morgan (1818- 1881), Edward Burnett Tylor (1832-1917) e James Frazer (1854-1941) são os principais nomes desse momento da área. Esses três antropólogos são os formadores da chamada antropologia evolucionista, a qual usava o método comparativo como meio de explicar as diversidades sociais. Esse método consistia em: primeiramente, na premissa de que todas as sociedades passariam inevitavelmente pelo mesmo processo evolutivo. De uma etapa inicial, chamada “selvageria”, elas avançariam para uma etapa intermediária, chamada de “barbárie”, e, �nalmente, uma etapa social “mais avançada”, chamada de “civilização”. Para realizar tais comparações e classi�car de acordo com sua evolução, os antropólogos evolucionistas colecionavam, nos seus gabinetes, artefatos arqueológicos do passado das sociedades europeias, ou seja, artefatos arqueológicos de sociedades que já tinham passado por todo o suposto processo evolutivo, e os comparavam com os artefatos produzidos por povos de outros continentes (doados principalmente por colonizadores, missionários, viajantes e aventureiros). 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 4/19 Este modo de estudo permitia, por exemplo, classi�car os povos indígenas das Américas, etnias da África subsaariana e povos indígenas da Oceania e ilhas do Pací�co como “selvagens”, ou seja, no princípio do processo evolutivo. Categorizavam os povos do Oriente Médio e da China como bárbaros, por estarem na etapa intermediária do processo evolutivo. Por �m, identi�cavam os ingleses vitorianos no cume do processo evolutivo, ou seja, na civilização. As principais críticas ao método comparativo serão realizadas na próxima aula, que tem como conteúdo Franz Boas e a origem do culturalismo. O antropólogo Franz Boas teceu duras críticas ao evolucionismo social e à noção de atraso e avanço cultural. Também pode-se adiantar a crítica funcionalista, segundo a qual a falta de trabalho de campo e do contato com a alteridade é um problema da pesquisa desse tipo de antropologia de gabinete. Esse tipo de postura etnocêntrica dos antropólogos evolucionistas justi�cava ideologicamente o processo colonial imperialista francês e inglês. Ainda que o principal objetivo dos impérios fosse colonizar e submeter povos para explorar sua mão de obra barata e ampliar a importação de bens primários para suas manufaturas e fábricas, ideologicamente, eles justi�cavam a colonização usando o discurso civilizador. Isto é, os impérios supostamente não colonizavam os povos por suas riquezas e mão de obra barata, mas, sim, para civilizar sociedades supostamente atrasadas. Essa ideologia imperialista durou até, ao menos, metade do século XX e entrou em crise após a Segunda Guerra Mundial, com a derrota dos nazistas e a revelação para o mundo dos horrores e atrocidades cometidas por esse estado totalitário durante o holocausto. VÍDEO RESUMO No vídeo resumo, será fornecida uma explicação conceitual do etnocentrismo. Aplicaremos esse conceito à relação estabelecida entre as nações ibéricas e os povos ameríndios. Também faremos uma contextualização histórica do processo de etnocentrismo na América, primeiro sob um viés teológico e, depois, cienti�cista. Trataremos da institucionalização da antropologia social e cultural, como ciência que estuda as diversidades culturais. Saiba mais Para complementação de estudo, sugerimos a leitura de duas fontes históricas clássicas sobre o tema da escravidão e da exploração do trabalho indígena na Idade Moderna: o livro do bispo Bartolomeu de las Casas, Paraíso destruído, e o Sermão das Tentações, do padre Antônio Vieira. • LAS CASAS, Bartolomeu. Paraíso Destruído. Porto Alegre: LPM Pocket, 2011. • VIEIRA, Antônio. Obra Completa Padre Antônio Vieira: Tomo II parenética, Volume VIII. São Paulo: Edições Loyola, 2015. Aula 2 A VIRADA CULTURAL E O REPENSAR SOBRE POVOS INDÍGENAS 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 5/19 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Nesta aula, discutiremos como as ciências humanas e, particularmente, a antropologia, superaram o evolucionismo, a ideologia racial e a hierarquização social, por meio de teorias culturalistas e funcionalistas. Essa superação permitiu que as ciências humanas analisassem, por meio do trabalho de campo e etnogra�as, as nuances, características e complexidades da cultura imaterial, como rituais de casamento, ritos funerários, organizações de parentesco, e o simbólico presente nas trocas de bens, o que não era possível no evolucionismo. Suplantou-se, assim, a simpli�cação, a padronização e a hegemonização dos evolucionistas e dos estudos raciais, permitindo ao pesquisador observar um caleidoscópio cultural que até então era desconhecido pelas ciências humanas. Além disso, esta aula também busca regionalizar os grandes problemas enfrentados pelas ciências humanas e dar ferramentas ao estudante para que possa aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos na sua realidade social. Bons estudos! A SUPERAÇÃO DO EVOLUCIONISMO CULTURAL O etnocentrismo sobre as populações ameríndias se propaga atualmente de diversas formas na América Latina e, consequentemente, no Brasil. Ele é transmitido principalmente pelo senso comum, isto é, por meras opiniões não embasadas pelo conhecimento cientí�co vigente, por hábitos de origem escravocrata que mantêm características preconceituosas e hierárquicas. Para chegarmos ao estado da arte do conhecimento cientí�co sobre os povos indígenas e descontruir certos estigmas sociais, será necessário fazer uma digressão sobre a história da antropologia, para, assim, entendermos sua autocrítica e seu deslocamento de um evolucionismo cultural para outros caminhos e outras epistemologias. O evolucionismo cultural, uma das primeiras escolas da antropologia, norteou as principais pesquisas antropológicas da metade do século XIX até a metade do séculoXX, na Inglaterra e na França. O evolucionismo, baseado no método comparativo, entendia que todas as sociedades partiam de um estágio primário de “selvageria”, passavam para o estágio intermediário da “barbárie” e chegavam posteriormente à “civilização”. Esse modelo de investigação entrou em crise, na metade do século XX, pela crítica de duas escolas antropológicas. Primeiramente, liderados por Franz Boas (1858-1942), os antropólogos culturalistas, principalmente das universidades norte-americanas, �zeram duras críticas ao evolucionismo cultural. Boas, ao longo de sua vida e do desenvolvimento de sua carreira intelectual, viu e criticou acidamente o avanço de teorias anticientí�cas que classi�cavam como “raças” humanas o que de fato eram diversidades culturais. Esse antropólogo colou em xeque toda uma ideologia anticientí�ca daquele momento histórico na Alemanha. Sob uma perspectiva Nesta aula, discutiremos como as ciências humanas e, particularmente, a antropologia, superaram o evolucionismo, a ideologia racial e a hierarquização social, por meio de teorias culturalistas e funcionalistas. 32 minutos 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 6/19 culturalista, o que se veri�cava na Alemanha daquele período entreguerras, não era a existência de diferentes “raças” (como postulado pelos teóricos racistas), mas expressões de alteridades culturais de judeus, ciganos, testemunhas de jeová, etc. Partindo do culturalismo, Franz Boas e antropólogas norte-americanas como Ruth Benedict (1887-1948) e Margaret Mead (1901-1978) passaram a valorizar povos e etnias que até então estavam sendo totalmente menosprezadas e desvalorizadas pelos evolucionistas. Os culturalistas reconheceram todo um campo simbólico que até então era desvalorizado e ocultado pelos evolucionistas. Verdadeiramente, a postura relativista sobre a diversidade cultural permitiu à antropologia romper com a ideia de que todos os povos trilhavam os mesmos passos e caminhavam para o mesmo destino. Passou-se, cada vez mais, a se ver cada povo a partir de suas próprias complexidades culturais e simbólicas. Embora Franz Boas tenha realizado incursões nos povos indígenas do Canadá, foram os antropólogos funcionalistas, liderados pelo antropólogo Bronisław Malinowski (1884-1942), que realizaram a maior crítica sobre a “antropologia de gabinete” promovida pelos evolucionistas. Ou seja, os funcionalistas institucionalizaram o trabalho de campo como ferramenta da pesquisa antropológica. Para a escola funcionalista, tentar conhecer a diversidade social simplesmente por sua cultura material, ou seja, por artefatos doados por viajantes, missionários e aventureiros, sem conhecer de fato os artí�ces produtores dessa cultura material (os sujeitos destas sociedades), culminava em pesquisas rasas e enviesadas. Criticando o distanciamento dos evolucionistas em relação ao objeto a ser pesquisado, os funcionalistas confeccionaram uma nova ferramenta de pesquisa antropológica, o trabalho de campo (às vezes chamado de etnogra�a) que permite uma melhor compreensão da diversidade social. O PESQUISADOR VAI AO CAMPO, A ORIGEM DO TRABALHO DE CAMPO Diversos trabalhos de campo realizados por antropólogos funcionalistas permitiram conhecer complexas diversidades culturais de povos da Oceania, como os trobirandeses estudados por Bronisław Malinowski, os nuer da África Subsaariana estudados por Evans-Pritchard (1902-1973), diferentes povos autóctones da Austrália analisados por Radcli�e-Brown (1881-1955) e diversos trabalhos realizados por outros antropólogos. Estas eram sociedades que, até então, eram rotuladas com menosprezo por antropólogos evolucionistas, consideradas como “selvagens”, “antigas” e “simples”. Se re�etirmos sobre os impactos das transformações antropológicas citadas acima no Brasil, notaremos que aqui as mudanças foram demoradas e adotadas tardiamente. Intelectuais como Nina Rodrigues (1862-1906) e, mesmo, Oliviera Vianna (1883-1951) insistiram nos estudos racistas, simpli�cando e plani�cando toda a complexidade social, étnica e cultural da diversidade indígena e afro-brasileira sob um manto racial. O Brasil teve uma história sui generis em relação ao desenvolvimento da antropologia, se comparado com outras nações, visto que ainda não estava na mira do eixo Londres, Paris e Washington até os anos 1930. Os antropólogos alemães que vieram para o Brasil entre o �m do século XIX e começo do século XX avançaram muito no reconhecimento, classi�cação e análise étnica, linguística e da cultura material e imaterial de diversos povos indígenas que até então eram ignorados e desprezados pela intelectualidade nacional. Não por acaso, Ribeiro e Gilio (1986) classi�caram o antropólogo alemão Curt Nimuendajú (1883-1945) como o fundador da antropologia nacional. Nas palavras de Ribeiro e Gilio (1986), “Nimuendajú é o pai fundador da etnologia brasileira, com obra mais alentada e relevante que a de todos nós que o sucedemos”. Verdadeiramente, Curt Nimuendajú não foi o único antropólogo a se interessar pelos povos indígenas do Brasil. Outro importante antropólogo a estudar a diversidade indígena, principalmente aquela do extremo norte do 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 7/19 Brasil, foi o antropólogo Theodor Koch-Grünberg (1872-1924), que não só teve contato com os povos macuxis (de língua karib) e os wapichana (de língua aruaque), como também coletou os mitos desses povos, dentre os quais se encontrava o referente ao deus Macunaíma, que servirá de inspiração para a obra-prima de Mário de Andrade de mesmo nome. Além deste fato, pode-se destacar que Koch-Grünberg foi um dos primeiros antropólogos a notar o desprezo da sociedade brasileira com a diversidade social do norte do Brasil. Por �m, pode-se citar o antropólogo alemão Karl von den Steinen (1855-1929), que foi importantíssimo por reunir e classi�car etnicamente diversos artefatos indígenas, como também classi�car os principais troncos das línguas faladas pelos indígenas do Brasil. Todos esses antropólogos alemães nos deram os alicerces para conhecermos a diversidade indígena brasileira melhor, baseando-se não só no tronco linguístico do qual o povo faz parte, como também na similaridade de sua cultura material e imaterial se comparada com outros povos indígenas. O sociólogo Gilberto Freyre foi um dos primeiros intelectuais a apresentar o pensamento culturalista à academia brasileira. Tendo conhecido Franz Boas e a escola culturalista na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Estados Unidos, esse sociólogo rompeu com os ideais racistas promovidos por antropólogos anteriores a ele, passando a adotar o conceito cultural. Gilberto Freyre também não buscou hierarquizar o nível de desenvolvimento de cada sociedade, uma postura notavelmente relativista. Contudo, mesmo tendo contribuído para a antropologia culturalista, esse sociólogo continuou tendo uma postura reducionista, simpli�cando toda a complexidade étnica, cultural e social dos indígenas e afro-brasileiros dentro de uma única amalgama, um único povo. REGIONALIZAÇÃO E APLICAÇÃO DOS GRANDES PROBLEMAS TEÓRICOS A chegada da missão francesa ao Brasil, nos anos de 1930, e, com ela, a vinda de pensadores de renome internacional, como o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o sociólogo Roger Bastide e o historiador Fernand Braudel, não encontrou um país totalmente desconhecido das ciências sociais. Certamente a missão francesa institucionalizou e organizou a academia brasileira, criando o curso de ciências sociais da Universidade de São Paulo com o mais atual que existia nas humanidades daquela época. Embora Lévi-Strauss ainda nãotivesse chegado a sua plenitude intelectual, nem escrito livros como Antropologia estrutural e Mitológicas, verdadeiramente o conhecimento aprofundado do funcionalismo francês de Émile Durkheim (e de seu sobrinho Marcel Mauss) foi importante para seu futuro acadêmico, por um lado, pela realização do seu trabalho de campo (narrado no seu livro Tristes Trópicos); por outro, pela coleta de fontes que seriam futuramente depuradas e analisadas. As sementes plantadas na USP pelas aulas de Lévi-Strauss sobre os povos indígenas, assim como de Roger Bastide sobre as culturas afro-brasileiras, germinaram e deram frutos, culminando na produção de um conhecimento cada vez mais vasto e aprofundado sobre as populações tradicionais brasileiras, bem como um maior estabelecimento das ciências humanas no Brasil. Por �m, no que tange às diversidades indígenas do Brasil de hoje, não basta conhecê-las, como foi feito pelos antropólogos do passado. Realizar pesquisas, artigos cientí�cos, dissertações e teses sobre esses povos como se eles vivessem isolados não é su�ciente. Torna-se também necessário defender a existência e desenvolvimento deles. Presentemente, sabe-se que o Brasil conta com aproximadamente um milhão de indígenas, divididos em cerca de 300 etnias e mais de 270 línguas, pertencentes a diferentes troncos linguísticos. Majoritariamente, as línguas pertencem ao tronco linguístico tupi e macro-jê, mas também existem muitos outros troncos linguísticos menos 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 8/19 conhecidos pelo grande público, como o tronco pano-tacana, karib, aruaque, bem como línguas singulares, como a dos famosos yanomamis. Além disso, sabe-se que o estudo simples das línguas é insu�ciente para conhecer a complexidade étnica desses povos. Também é necessário, catalogar, classi�car, comparar e analisar profundamente os artefatos destes povos, para assim compreender melhor seu pertencimento étnico. Embora a Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 8° (Dos índios), garanta aos indígenas seus usos, costumes e tradições e o direito a suas terras tradicionais, e o decreto nº 6.861, de 27 de maio de 2009, garanta uma educação especí�ca aos povos indígenas, muitas vezes, a legislação brasileira se mostra insu�ciente para lidar com toda a complexidade da questão indígena brasileira. Torna-se necessária a adoção de leis confeccionadas por técnicos, ou seja, mais atualizadas, melhor embasadas e elaboradas dentro de organismos multilaterais, como é o caso da Convenção sobre os Povos Indígenas e Tribais de 1989, que foi elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência que é parte da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa regra, que estava em vigência desde o ano de 2004, foi revogada em 2019, colocando em risco muitos povos indígenas na atualidade. Figura 1 | Mapa dos roncos linguísticos indígenas da América do Sul Fonte: Duarte (2016). VÍDEO RESUMO Nesse vídeo, será discutida a crise do evolucionismo na metade do século XX, a eclosão do culturalismo e seus principais autores. Também abordaremos as características gerais do funcionalismo e os principais pensadores desta corrente da antropologia, assim como a atrasada recepção dessas vertentes de pensamento antropológico no Brasil. Por �m, discutiremos os avanços e limitações destes pensamentos, tendo em vista sua relevância frente aos desa�os contemporâneos. 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+PO… 9/19 Saiba mais Sugerimos uma visita ao site do Instituto Socioambiental, no campo das línguas indígenas, e a leitura do artigo completo de Fábio Bon�m Duarte, intitulado Diversidade linguística no Brasil: A situação das línguas ameríndias. • INSTITUTO SOCIO AMBIENTAL. Línguas. São Paulo. 18 out. 2019. Disponível em: Socioambiental.org. Acesso em: 11 out. 2022. • DUARTE, Fábio Bon�m. Diversidade linguística no Brasil: A situação das línguas ameríndias. Revista Caleidoscópio, Mariana, v. 4, p. 27-62, 2016. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Nesta aula, analisaremos algumas observações e apontamentos a respeito do culturalismo, os avanços metodológicos de autores culturalistas mais recentes, mas também a superação desse paradigma pelo estruturalismo e pelo neoevolucionismo cultural. Trataremos precisamente das principais características do movimento estruturalista francês na antropologia, seus avanços e limitações. Estudaremos também, de forma mais metodológica, a aproximação da história com outras disciplinas, como a antropologia e a arqueologia, observando os benefícios desta abertura, principalmente no sentido de ampliar o leque das pesquisas incluindo as sociedades ágrafas. Além disso, por meio de um exemplo especí�co, estudaremos o hibridismo cultural, pensamento que amplia as possibilidades de pesquisa em sociedades heterogêneas, modernas e complexas. Bons estudos! CULTURALISMO NOS ESTUDOS CONTEMPORÂNEOS As ciências sociais e, dentro delas, principalmente, a antropologia, superaram os conceitos generalizantes de raça, substituindo-os por cultura. Também a noção de estágio evolutivo foi substituída por relativização cultural. Esse movimento, iniciado por Franz Boas (1858-1942) e seguido por culturalistas, como Ruth Benedict (1887- 1948), Margaret Mead (1901-1978) e Alfred Kroeber (1876-1960), assim como, no caso brasileiro, por Gilberto Freyre (1900-1987), ao criticar a ideia de evolução cultural, fomentou o estudo de cada povo isoladamente. Neste mesmo sentido, o funcionalismo, idealizado pelo antropólogo Bronislaw Malinowski (1884-1942) e seguido por antropólogos como Alfred Radcli�e-Brown (1881-1955) e Edward Evan Evans-Pritchard (1902-1973), aprimorou a antropologia cultural e social, ao introduzir o trabalho de campo (etnogra�a) como metodologia de Aula 3 ESTUDOS SOBRE OS POVOS INDÍGENAS NA CONTEMPORANEIDADE Nesta aula, analisaremos algumas observações e apontamentos a respeito do culturalismo, os avanços metodológicos de autores culturalistas mais recentes, mas também a superação desse paradigma pelo estruturalismo e pelo neoevolucionismo cultural. 31 minutos https://pib.socioambiental.org/pt/L%C3%ADnguas 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 10/19 pesquisas sociais e culturais. O antropólogo americano Cli�ord Geertz (1926-2006) avançou ainda mais a técnica de pesquisa etnográ�ca, ao destrinchar algumas nuances do trabalho de campo. Em seu reconhecido estudo Briga de galos em Bali, que se encontra publicado como capítulo do livro A interpretação das culturas (GEERTZ, 2008), Geertz narra o estudo etnográ�co na Indonésia acerca das brigas de galo. Dentro dessa pesquisa, o antropólogo explica uma característica da etnogra�a pouco comentada, mas muito usada por diversos antropólogos antes dele. Resumidamente, ao se estabelecer na ilha de Bali, Geertz não estava conseguindo aprofundar sua pesquisa, uma vez que o distanciamento sociocultural o impedia de aprofundar sua análise. Geertz, depois de muitas adversidades, conseguiu descobrir onde seria a próxima briga de galo do local. Porém, mesmo durante o evento, Geertz não conseguiu a con�ança nem a empatia dos moradores, visto que a prática da briga de galos era ilegal e os locais suspeitavam das intenções do pesquisador. Somente após a chegada de alguns policiais para fechar o estabelecimento da briga de galos, a suspeita dos moradores sobre o antropólogo se desfaz. Geertz, ao fugir com os habitantes locais, é ajudado por um deles e ganha sua con�ança. A partirdaí, o antropólogo passa a acessar diversos segredos desconhecidos sobre as brigas de galo em Bali. Pode-se notar uma crítica de Geertz sobre a ideia de observação participante e a dicotomia entre sujeito e objeto nessa passagem. Não basta ao pesquisador estar presente �sicamente no local, como uma espécie de “turista”, para que ele consiga realizar uma boa etnogra�a. É necessário que ele imerja profundamente na realidade social a ser estudada. Por isso, como disse Lévi-Strauss (1957, p. 9): “Odeio as viagens e os exploradores. E eis que me preparo para contar minhas expedições”. Se por um lado, os dados obtidos pelos etnógrafos permitiram que se conhecesse profundamente as complexidades de povos até então desdenhados como “primitivos”, algo positivo; por outro lado, diversos funcionalistas focaram em características étnicas muito especí�cas, se esquecendo de idiossincrasias gerais, presentes em diversas ou todas as sociedades. ESTRUTURALISMO E , CRÍTICOS DO CULTURALISMO Lévi-Strauss, em sua introdução ao livro Sociologia e Antropologia (MAUSS, 2003), reconhece o funcionalismo francês como uma exceção à regra, visto que o antropólogo e autor deste livro, Marcel Mauss (1872-1950), assim como seu tio, Émile Durkheim (1858-1917), se preocupavam com os traços gerais das sociedades, uma espécie de pré-estruturalismo. De fato, um dos criadores do estruturalismo francês foi justamente Claude Lévi- Strauss (1908-2009), que de�niu as principais características dessa vertente antropológica no livro Pensamento selvagem (2012). Esse antropólogo estudou três estruturas principais das sociedades humanas: linguagem (palavras), casamento (estruturas de parentesco) e bens (comércio). Lévi-Strauss deriva seu estudo sobre as estruturas elementares do parentesco do estruturalismo oriundo da linguística. Assim como todas as sociedades são dotadas de algum tipo de linguagem, por mais diversas e plurais que sejam, o mesmo ocorreria no parentesco. Partindo do tabu do incesto, estrutura básica de todas as sociedades e transmitido através do mito, os arranjos e formas de parentesco são plurais. Por exemplo, existem sociedades endogâmicas e exogâmicas, bem como patrilineares e matrilineares, e, também, monogâmicas, poligâmicas e poliândricas, cabendo ao pesquisador identi�car os complexos mecanismos organizacionais dessas pluralidades. Lévi-Strauss desconstrói assim a ideia de uma “promiscuidade primitiva” difundida por antropólogos darwinistas sociais, como Herbert Spencer, rompendo a dicotomia primitivo/civilizado dos evolucionistas. 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 11/19 Outro antropólogo crítico ao relativismo cultural foi Leslie White (1900-1975). Parte de suas críticas aos culturalistas se direcionaram à falta da história nas pesquisas culturais. Realmente, esses estudos culturalistas almejavam compreender as idiossincrasias, características, costumes e tradições principalmente de povos não ocidentais. Todavia, como críticos ferrenhos do evolucionismo vitoriano, negavam-se a compreender a origem desses povos, bem como suas transformações no decorrer do tempo, ou seja, suas histórias. Boa parte da ideia de desaculturação surge daí. Se os usos, costumes e tradições de um povo são estáticos, estanques, imutáveis e cristalizados, esses povos seriam, supostamente, sem história e somente um agente externo, geralmente colonizador, poderia gerar mudanças, impondo seu imprinting cultural ocidental aos colonizados. Deste estado de coisas surgiram críticas à ideia de “povos sem história” e ao conceito de “desaculturação”. A crítica à noção de “povos sem história”, de um lado, se deu de forma conceitual, por um antropólogo in�uenciado por Leslie White, Marshall Sahlins (1930-2021). A ideia de uma história única e universal, ao longo da qual todos os povos passariam inevitavelmente pelos mesmos estágios evolutivos, como era postulado pelos positivistas, darwinistas sociais e evolucionistas, veri�cou-se falsa. Isso não signi�cava que cada povo não pudesse ter seu próprio desenvolvimento individual, ou seja, serem produtores de sua própria história. Ou seja, conceitualmente se reconheceu a possibilidade de cada povo desenvolver sua própria história. Por outro lado, a crítica foi também metodológica. A historiogra�a tradicional, ao privilegiar as fontes escritas sobre diversas outras fontes, de alguma forma, di�cultou pesquisas acerca dos povos ágrafos. De fato, outras áreas das ciências humanas se destacaram no uso de fontes não escritas para compreender a história dos povos sem escrita. Esse é o caso da arqueologia, que usa artefatos, artes rupestres e pictogramas como fonte para compreender relações sociais do passado. A antropologia também introduziu a etnogra�a, a história oral e a análise dos mitos como fontes para se acessar o passado de sociedades ágrafas. Porém, a falta de historiadores no trato das fontes, a depuração dos dados e a realização de análises sobre as sociedades sem escrita limitava a ação dos antropólogos e arqueólogos. O HIBRIDISMO CULTURAL E AS ANÁLISES DAS SOCIEDADES HETEROGÊNEAS E COMPLEXAS Foi o movimento da História dos Annales que reaproximou a história de outras áreas das ciências humanas e, com isso, introduziu o uso de fontes não escritas nas pesquisas historiográ�cas. Um exemplo desse fenômeno foi a aproximação do historiador francês Jacques Le Go� (1924-2014) com o antropólogo francês Claude Lévi- Strauss. Embora Le Go� fosse um historiador medievalista e estudasse o Ocidente medieval (com escrita), o uso de fontes frequentemente usadas pela antropologia, como mitos, lendas e folclore, permitiu que acessasse camadas da sociedade medieval inacessíveis a partir de fontes da historiogra�a tradicional, visto que esses estamentos eram ágrafos. Por �m, o conceito de aculturação foi criticado por Néstor García Canclini, bem como por Serge Gruzinski, que entende as sociedades não de forma estanque, como os antigos funcionalistas as viam, isto é, com características �xas, imutáveis e fossilizadas, como ilhas isoladas, impermeáveis a qualquer tipo de mudança, mas, sim, de forma viva e dinâmica (Gruzinski, 2001). As sociedades estão constantemente em contato. Isso fomenta mudanças e transformações, mas não no sentido da aculturação, ou seja, da imposição total das características das sociedades dominantes sobre as dominadas e a perda completa das características das 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 12/19 sociedades dominadas. Efetivamente, existe uma hegemonia do colonizador, que impõe suas marcas sobre os povos dominados; contudo, estes resistem, muitas vezes ressigni�cando suas antigas tradições, transformando- as em algo novo. Tomemos, como exemplo, o caso do catolicismo popular mexicano. Realmente o colonizador espanhol, pertencente à sociedade hegemônica, impõe sua religiosidade e todo seu aparato colonial sobre os povos indígenas do centro do México, seja por meio da conquista e guerra, seja por meio da catequese jesuítica. Porém, a devoção popular e mística que se construiu sobre a santa padroeira desta nação, Nossa Senhora de Guadalupe, não se deve somente a esse processo colonizador. O aparato ideológico colonial católico se deparou com outra civilização complexa politeísta, a asteca, que tinha, dentro de seu panteão, um importante deus, Quetzalcoatl. Todo o complexo social que existia antes da colonização não foi simplesmente esquecido e abandonado devido à catequese jesuítica. Por um lado, a devoção a Quetzalcoatl não se manteve graças ao processo colonial; por outro lado, a devoção da população indígena a Nossa Senhora não era a mesma daquelado colonizador espanhol. Desse exemplo podemos concluir que o colonizador, hegemônico, manteve sua religiosidade católica como predominante, mas essa não se manteve intacta, pois elementos da cultura subalterna também se veri�caram, seja na devoção popular, seja no misticismo presente na imagem. A hibridização cultural se dá, desta forma, se, por um lado a sociedade hegemônica consegue imprimir suas características; por outro, a cultura subalterna consegue manter acesos, principalmente nas classes populares, elementos de sua antiga sociedade, não da maneira como era anteriormente, mas de uma nova e transformada maneira. Esse exemplo demonstra de forma clara que o conceito de aculturação não se sustenta, pois não consegue dar conta e nem explicar o tipo de devoção perpetrada pelas camadas populares da sociedade, que usa até mesmo adornos estranhos ao rito original, com um misticismo ausente na religião hegemônica. VÍDEO RESUMO Nesta aula, explanaremos alguns avanços recentes feitos por antropólogos culturalistas, no sentido de aprimorar as ferramentas metodológicas do trabalho de campo, dando maior efetividade a essa técnica de pesquisa. Também descreveremos as principais características do estruturalismo e do neoevolucionismo, bem como suas críticas ao culturalismo na antropologia. Além disso, estudaremos o hibridismo cultural, pensamento moderno e mais compatível às pesquisas sobre populações heterogêneas e complexas. Saiba mais Sugerimos a leitura de dois artigos a respeito da interdisciplinaridade na história, ambos disponíveis de forma digital: • BENATTE, Antônio Paulo. História e antropologia no campo da Nova História. História em Re�exão, v. 1, n. 1, pp. 1-25, 2007. Disponível no link: UEPG. Acesso em: 11 out. 2022. • BANDEIRA, Dione da Rocha; et al. Interdisciplinaridade entre História e Arqueologia: diálogos entre cultura material guarani e relatos de viajantes no século XVI em Santa Catarina. Revista Con�uências Culturais, v. 5, n. 2, pp. 63-69, 2016. Disponível no link: Periódicos Univille. Acesso em: 13 out. 2022. Aula 4 http://ri.uepg.br/riuepg/handle/123456789/523 http://periodicos.univille.br/index.php/RCC/article/view/373 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 13/19 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Analisaremos nesta aula a questão indígena sob uma ótica das relações internacionais. Buscaremos abordar os principais debates contemporâneos a respeito dos tratados internacionais sobre a questão indígena. Para isso, faremos uma contextualização histórica das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho e suas transformações. Além disso, buscaremos explanar como se formaram os principais movimentos indígenas contemporâneos, com a ajuda de frações da Igreja Católica, e suas in�uências sobre a confecção de legislações nacionais e acordos internacionais. Trataremos ainda da relação muitas vezes con�ituosa entre organizações multilaterais e Estados nacionais na questão da soberania nacional. Ou seja, como um suposto “ataque à soberania nacional” serve, muitas vezes, de argumento para a não adoção ou revogação de tratados internacionais. Bons estudos! ÓRGÃOS MULTILATERAIS E A QUESTÃO INDÍGENA O debate a respeito da questão indígena e, de uma forma mais ampla, dos povos tradicionais, não é algo novo. O órgão multilateral Organização Internacional do Trabalho (OIT) se debruça sobre essa questão desde os anos 1930, mais especi�camente desde a 29ᵃ Convenção da OIT. Nesse momento, ainda existiam colônias europeias, principalmente na África, e os trabalhos análogos à escravidão persistiam nestes locais, principalmente sobre diversas etnias que viviam comunitariamente, que eram referidas pela OIT como indígenas. Diante deste cenário, a OIT, como órgão multilateral e supranacional, elaborou uma convenção que buscava impedir trabalhos análogos à escravidão e ampliar a regularização do trabalho assalariado. Nesse momento, ainda não se discutiam formas especí�cas para formalização do trabalho e inclusão dessas etnias no mercado de trabalho formal. Contudo, é importante ressaltar, nesta convenção, o combate contra os trabalhos análogos à escravidão. Em 1957, a OIT adotou uma nova convenção, a de n° 107, que foi vinculada, em 1966, à Constituição brasileira, por meio do Decreto n° 58.824, de 14 de julho. Essa convenção foi importante nacionalmente, pois estava de acordo com a política integracionista adotada pelo Estado brasileiro naquele momento. Historicamente, ao menos desde a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), em 1910, pelo Marechal Cândido Rondon, o Estado brasileiro já adotava o ideal integracionista, devido à in�uência do postulado positivista sobre a nação e, principalmente, sobre as Forças Armadas brasileiras. De fato, a agência dedicada à questão indígena se manteve sob o controle das Forças Armadas desde a criação do SPI, em 1910, até o �nal da Ditadura Militar, em 1985. A perspectiva integracionista se manteve neste período, ou seja, o ideal da Convenção n°107, da OIT, estava em total conformidade com as diretrizes do Estado ASPECTOS INTERNACIONAIS RELACIONADOS AOS POVOS INDÍGENAS Analisaremos nesta aula a questão indígena sob uma ótica das relações internacionais. Buscaremos abordar os principais debates contemporâneos a respeito dos tratados internacionais sobre a questão indígena. 31 minutos 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 14/19 brasileiro. O objetivo central do integracionismo era assimilar o indígena à sociedade nacional, isto é: ele deixa suas terras, bem como seus usos, costumes e tradições (como língua, organização de parentesco e trabalho) para se inserir na sociedade a seu redor e no mercado de trabalho. Por meio da educação, forçava-se o indígena a deixar sua língua tradicional para adotar o português, a deixar suas estruturas familiares tradicionais para adotar aquela da sociedade a seu redor e a aprender um ofício urbano ou rural. Efetivamente, essa política estava fadada ao fracasso. Retirava os indígenas de suas terras originárias, inserindo-nos na sociedade geral de forma precária, em trabalhos urbanos e rurais de baixa remuneração, culminando na exclusão social. O aumento nos índices de alcoolismo e suicídio entre os povos indígenas deriva desse desenraizamento territorial, étnico e familiar, e da falta de perspectivas sociais. Até os anos 1970, a maior parte das políticas indigenistas não contavam com a participação dos próprios indígenas. As políticas eram redigidas e confeccionadas por técnicos que se encontravam distante daquilo que era vivido pela maioria dos povos tradicionais. Foi nos anos 1960 e 1970 que se formaram os diversos movimentos indígenas que buscaram maior reconhecimento e participação social. Essa formação deu-se em grande parte devido a transformações dentro da Igreja Católica. Com o Concílio do Vaticano II (1962-1965), a Igreja Católica deixou de ter um caráter elitista, optando por uma visão mais popular e próxima dos pobres, ajudando a organizar movimentos indígenas. QUESTÃO INDÍGENA LATINO-AMERICANA NO SÉCULO XXI As transformações da Igreja Católica, citadas anteriormente, culminaram na realização da Conferência de Medellín, em 1968, na Colômbia. Ela aproximou os padres da Igreja Católica aos pobres latino-americanos. Vendo a situação de desamparo e exclusão social vivida pelos indígenas nas cidades e nos campos, diversos padres passaram a organizar movimentos indígenas, que buscavam participar das decisões sobre seus assuntos e suas vidas, muitas vezes, resistindo e combatendo Estados autoritário avessos ao diálogo. Os anos 1980 trouxeram mudanças signi�cativas no statusquo da questão indígena. Diversos movimentos indígenas (nesse momento, experientes, autônomos, plenos e organizados) buscaram organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), para enfrentar a falta de diálogo e participação nos seus Estados. Foi na OIT, vinculada à ONU, que muitos movimentos indígenas encontraram espaço para expressar suas demandas. Verdadeiramente, os anos 1980 viram o surgimento de diversas organizações não governamentais (ONGs), que tinham linhas próximas daquelas dos movimentos indígenas, ou seja, a defesa do meio ambiente, das plantas e dos animais, do conservacionismo ambiental e críticas à ideia de progresso ocidental, defendendo o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade. A participação dos movimentos indígenas, assessorados por técnicos ambientalistas de ONGs, fomentaram a formulação, redação e criação da Convenção n° 169, que não mais trazia a ideia integracionista, mas, sim, a defesa das terras indígenas como espaço de vivência comunitária, bem como a defesa dos usos, costumes e tradições dos povos indígenas. Nesse momento, boa parte dos Estados latino-americanos se redemocratizavam e inseriam em suas constituições artigos referentes aos povos indígenas e tradicionais; contudo, muitas vezes, de maneira confusa e ine�caz. A Convenção n° 169 dá diretrizes fundamentais para as constituições das nações latino-americanas no que tange os povos indígenas, principalmente por garantir a estes suas terras tradicionais e a defesa de suas características étnicas e sociais singulares. Um grande avanço da Convenção n° 169 foi a inserção da 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 15/19 necessidade de consulta prévia e de boa fé aos povos indígenas e tribais. Esse tipo de consulta é importante, visto que fomenta a participação desses povos em atos que afetarão suas terras e, como consequência disso, suas vidas. Essas consultas almejam atenuar, mitigar, compensar e até mesmo barrar empreendimentos que possam afetar negativamente suas vidas. Um problema do conceito de consulta da Convenção n° 169 é que ele não de�ne precisamente consulta como deliberação, abrindo margem para muitos Estados entenderem consulta no sentido de uma simples audiência, tornando a participação dos povos indígenas inócua na prática. Diversos países latino-americanos vincularam a Convenção n° 169 a suas constituições, como Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Dominica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Venezuela, mas cada um a aplicando de acordo com sua realidade nacional; alguns países de maneira mais avançada que outros. O problema central que é debatido, entre os países, sobre a adoção de leis supranacionais, se situa no campo da soberania. Muitos críticos das leis elaboradas em organizações multilaterais argumentam que isso diminuiria a soberania de cada nação. No caso brasileiro, isso não se veri�ca, visto que a Constituição de 1988, no seu artigo 8°, “dos índios”, estabelece objetivos semelhantes à Convenção n° 169, da OIT, não entrando em contradição com ela. Verdadeiramente, a Carta de 1988 amplia aquilo que está estabelecido na Convenção, visto que usa o conceito de “terra” e não “território” indígena, preocupada em não entrar em con�ito com a ideia de “soberania nacional”. PROBLEMAS GLOBAIS E RESPOSTAS NACIONAIS No Brasil, a Convenção n° 169 foi aprovada pelo Congresso Nacional e vinculada à Constituição Federal no ano de 2004, abrindo a possibilidade de se estabelecerem terras comunitárias para além dos povos indígenas e quilombolas, já contemplados pela Constituição de 1988. Ou seja, contemplaram-se populações tradicionais como ribeirinhos, seringueiros, quebradores de coco de babaçu, coletores de mangaba, pescadores tradicionais, faxinalenses, geraizeiros, fundo de pasto, entre outros. Todavia, as pressões vindas de garimpeiros, madeireiros e latifundiários (que buscam a expansão da fronteira agrícola), recentemente, di�cultaram a efetivação da Convenção n° 169, da OIT, e da Constituição brasileira. Com frequência, as terras tradicionais são invadidas. As consultas prévias sobre as populações afetadas pelas atividades econômicas de garimpeiros, madeireiros e latifundiários são ignoradas (não sendo formuladas medidas para mitigar ou compensar os danos causados a essas populações) e, nem mesmo, terras indígenas e quilombolas, já homologadas pelo Estado brasileiro e contempladas na Carta de 1988, estão livres desses problemas. Como decorrência desse cenário, a Convenção n° 169 foi revogada no ano de 2019, fruto de diversos ataques parlamentares oriundos de poderosos grupos econômicos. Esse fato foi um duro golpe contra os povos tradicionais brasileiros. A revogação da Convenção n° 169 pelo Estado brasileiro mostrou que, embora a participação de movimentos sociais e ONGs em organizações multilaterais e internacionais fosse importante para a realização de discussões dos problemas comuns enfrentados pelos indígenas e para a elaboração de normas que valorizassem e defendessem a vida das populações tradicionais, como as indígenas, as disputas, de fato, se realizavam dentro dos Estados soberanos. Ou seja, embora existam pressões vindas de fora para dentro, principalmente de ONGs, as políticas e decisões de Estado ainda se realizam dentro das fronteiras nacionais. 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 16/19 Pode-se usar o caso dos ianomâmis do norte do Brasil como exemplo ilustrativo do que fora descrito no parágrafo anterior. Embora a comunidade internacional, após o Massacre de Haximu em 1993 (quando 73 ianomâmis foram mortos por garimpeiros), tenha pressionado o Estado brasileiro para melhor �scalizar e proteger a terra indígena ianomâmi, presentemente, o Estado brasileiro voltou a ser leniente com a �scalização e a proteção dos povos indígenas e de suas terras, desmontando os órgãos de �scalização e permitindo a volta de garimpeiros para a terra indígena ianomâmi. Isso abriu novas possibilidades de um massacre como aquele ocorrido nos anos 1990. Por mais que pressões internacionais sejam bem-vindas para forçar o Estado brasileiro a mudar suas políticas sobre a questão indígena, esse problema continua sendo nacional, cabendo à sociedade civil organizada e aos movimentos sociais realizarem as pressões necessárias para se evitar a repetição de novos massacres como aqueles do passado. Ou seja, embora os problemas indígenas sejam internacionais, vividos por boa parte dos países do planeta, as suas resoluções continuam sendo nacionais. VÍDEO RESUMO Neste vídeo, abordaremos a questão indígena sob o viés das relações internacionais. Para isso, analisaremos o conteúdo das principais convenções elaboradas pela Organização Internacional do Trabalho, vinculada às Nações Unidas. Também analisaremos a formação dos movimentos indígenas e como foram importantes na construção dessas convenções e as relações frequentemente con�ituosas entre acordos internacionais e Estados nacionais sobre a questão da soberania nacional. Saiba mais Sugerimos a leitura de dois artigos sobre a questão indígena a partir de uma ótica das relações internacionais: • SOUSA FILHO, Carlos Frederico Marés de. Os povos tribais da Convenção 169 da OIT. Revista da Faculdade de Direito da UFG, v. 42, n. 3, pp. 155-179, 2018. Disponível em: Revistas UFG. Acesso em: 16 out. 2022. • CASTELLANI, Mário Roberto. Para além da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho: O reconhecimento dos direitos à saúde indígena nos fóruns internacionais. TEMPUS – Actas De Saúde Coletiva, v. 7, n. 4, p. 51-62, 2013. Disponível em: Tempus Actas.Acesso em: 14 out. 2022. Aula 1 BOLSANELLO, Maria Augusta. Darwinismo social, eugenia e racismo “cientí�co”: sua repercussão na sociedade e na educação brasileira. Educar em Revista, Curitiba, n. 12, p. 153-165, 1996. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601996000100014. Acesso em: 4 out. 2022. BOXER, Charles R. O império marítimo português, 1415-1825. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. REFERÊNCIAS 5 minutos https://revistas.ufg.br/revfd/article/view/55075 https://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/1417 http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601996000100014 21/03/2023, 10:33 wlldd_231_u1_his_cul_pov_ind https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=OZEIAS39%40GMAIL.COM&usuarioNome=OZEIAS+BARBOSA+DOS+SANTOS&disciplinaDescricao=HISTÓRIA+E+CULTURA+DOS+P… 17/19 CASTRO, Celso (org.). Evolucionismo Cultural: Textos de Morgan, Tylor e Frazer. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. CONTRERA, Ximena Isabel León. O desterro dos naturais da terra. Escrita, cotidiano, profecias e revolta na expulsão dos mouriscos de Espanha (1492-1614). 540f. Tese (Doutorado em História Social), Programa de Pós- Graduação em História Social, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. ERIKSEN, Thomas Hylland; NIELSEN, Finn Sivert. História da Antropologia. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 2012. GODELIER, Maurice. O Ocidente, espelho partido: uma avaliação parcial da antropologia social, acompanhada de algumas perspectivas. Revista Brasileira de Ciências Sociais – RBCS, São Paulo, v. 8, n. 21, p. 1-18, 1993. Disponível em: http://www.anpocs.com/index.php/publicacoes-sp-2056165036/rbcs/216-rbcs-21. Acesso em: 1 out. 2022. OLIVEIRA, Carla; OLIVEIRA, Ana Lucia Machado de. O Combate com a sombra: A alteridade indígena em Antônio Vieira. Tomo II. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2019. Aula 2 BOAS, Franz. Antropologia Cultural. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. BOLSANELLO, Maria Augusta. Darwinismo social, eugenia e racismo “cientí�co”: sua repercussão na sociedade e na educação brasileira. Educar em Revista, Curitiba, n. 12, p. 153-165, 1996. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601996000100014. Acesso em: 4 out. 2022. BOXER, Charles. O império marítimo português: 1415-1825. 1ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. CARTA CAPITAL. 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