Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Conotação e Denotação
Heber Rocha - 344.501.038-23
Acessar Lista
Questão 1 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Assalto
Na feira, a senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,
atravancada, mas provida de admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao
banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multiplicando a notícia.
Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a
ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que
transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da
fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de
ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de
bananas meio amassadas?
(Carlos Drummond de Andrade, 70 historinhas. Adaptado)
Há termo(s) empregado(s) em sentido figurado na passagem:
A Na feira, a senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu... (1° parágrafo)
B Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se... (5° parágrafo)
C Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial (4° parágrafo)
D Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. (3° parágrafo)
E Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim... (3° parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001578248
Questão 2 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Calor, fogo e fumaça
O desmatamento caiu 22% na Amazônia em 2023, porém as queimadas no país – mais da metade delas apenas nesse
bioma – superam recordes. Cidades como Manaus estão cobertas de fumaça. Com a crise do clima na Terra, tudo parece
fora de ordem.
https://concursos.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/96ef6e1f-357c-4323-babb-55e2f6e6106a
A onda de calor a escaldar o Brasil incinera as derradeiras dúvidas sobre o aquecimento global. Ela se encaixa à perfeição
no conceito de eventos extremos para os quais cientistas vêm alertando, há décadas, às vezes para ouvidos moucos.
A canícula* tem explicação. Está relacionada ao fenômeno El Niño, em que águas super ciais anormalmente aquecidas no
Pacífico bagunçam o clima do globo e devem tornar este 2023 o mais quente em 125 mil anos.
O descompasso entre redução no desmate e aumento de incêndios também conta com explicação, ainda que não intuitiva.
A oresta amazônica enfrenta estiagem inaudita, outra consequência do El Niño. Além disso, há elevação incomum da
temperatura das águas do oceano Atlântico, que pode estar agravando a situação.
Nos últimos três anos houve predominância de fenômeno oposto, com La Niña, que incrementa precipitação na Amazônia.
Se, em tempos normais, essa sionomia orestal tipicamente chuvosa já se mostra fácil de incendiar, mais ainda nessa
condição.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 14.11.2023. Adaptado)
* canícula: período de extremo calor
O termo destacado está empregado em sentido figurado em :
A Nos últimos três anos houve predominância de fenômeno oposto...
B Cidades como Manaus estão cobertas de fumaça.
C A onda de calor a escaldar o Brasil incinera as derradeiras dúvidas...
D ... e devem tornar este 2023 o mais quente em 125 mil anos.
E Além disso, há elevação incomum da temperatura das águas...
Essa questão possui comentário do professor no site 4001577818
Questão 3 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Para responder à questão, leia a crônica “Bandidos”, de Luis Fernando Verissimo.
Nos lmes e histórias em quadrinhos da nossa infância recebíamos uma lição da qual só agora me dou conta. Não era a que
o Bem sempre vence o Mal, embora o herói sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição era o bandido, e era esta: a
morte precisa de uma certa solenidade.
A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela repetição. Para o mocinho, matar era uma coisa corriqueira, uma
decorrência da sua virtude. Já o bandido era torturado pela ideia da morte, pela sua própria vilania, pelo terrível poder que
cada um tem de acabar com a vida de outro. O bandido era incapaz de simplesmente matar alguém, ou matar alguém
simplesmente. Para ele o ato de matar precisava ser lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima da sua inaceitável
vulgaridade — en m, tão valorizado que dava ao herói tempo de escapar e ainda salvar a mocinha. Pois a verdade é que
nenhum herói teria sobrevivido à sua primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão de fazer da morte uma arte
demorada, um processo com preâmbulo e apoteose, e signi cado. Nunca entendi por que o bandido não dava logo um tiro
na testa do herói quando o tinha em seu poder, em vez de deixá-lo suspenso sobre o poço dos jacarés por uma corda
besuntada que os ratos roeriam pouco a pouco, enquanto o gramofone¹ tocava Wagner² . Hoje sei que o vilão queria dar
tempo, ao mocinho e à plateia, de refletir sobre a finitude e a perversidade humanas.
Os vilões do meu tempo de matinês eram invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais e cientistas cujas
maquinações eram frustradas pelo prático mocinho. A imaginação perdia para a ação porque a imaginação, como a
hesitação, é a ação retardada, a ação precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do bandido, da volúpia do
signi cado. O Mal era inteligência demais, era a obsessão com a morte, enquanto o Bem — o que cava com a mocinha —
era o que não pensava na morte. Quando recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele escapara da morte tão
cuidadosamente orquestrada com os ratos e os jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e de nitivo tiro na testa, para
ele aprender. Deixava-o amarrado sobre uma tábua que lentamente, solenemente, se aproximava de uma serra circular, da
qual o herói obviamente escaparia de novo. E, se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o bandido abandonaria
sua missão didática. Sucumbiria à sua outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o tiro na testa precisava de uma frase
antes, uma explicação, um jogo de palavras. Geralmente era o que dava tempo para a chegada da polícia e a prisão do vilão,
derrotado pela literatura.
Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos pelos burros.
(Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.)
¹ gramofone: antigo toca-discos.
² Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século XIX.
Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado no seguinte trecho:
A “Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância” (1º parágrafo)
B “nenhum herói teria sobrevivido à sua primeira aventura” (2º parágrafo)
C “mesmo sabendo que ele escapara da morte tão cuidadosamente orquestrada” (3º parágrafo)
D “Mesmo o tiro na testa precisava de uma frase antes” (3º parágrafo)
E “E nós, inconscientemente, torcíamos pelos burros” (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001505842
Questão 4 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
OIT: desigualdades de gênero no emprego são maiores do que se pensava
Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que as diferenças entre os gêneros no acesso ao
emprego e às condições de trabalho são maiores do que se pensava anteriormente. Um novo indicador, desenvolvido pela
OIT, capta todas as pessoassem emprego que estão interessadas em encontrar um emprego. Por esse motivo, ele re ete
um quadro muito mais sombrio da situação das mulheres no mundo do trabalho do que a taxa de desemprego mais
comumente usada. O documento “Novos dados esclarecem as diferenças de gênero no mercado de trabalho”, indica que
15% das mulheres em idade produtiva em todo o mundo gostariam de trabalhar, mas não têm emprego, em comparação
com 10,5% dos homens.
A lacuna de postos de trabalho é particularmente grave nos países em desenvolvimento, onde a proporção de mulheres
incapazes de encontrar uma vaga chega a 24,9% nos países de baixa renda. A taxa correspondente para os homens na
mesma categoria é de 16,6%, um nível preocupantemente alto, mas significativamente inferior ao das mulheres.
A análise aponta que as responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidados não remunerado, afetam
desproporcionalmente as mulheres. Essas atividades se tornam um impedimento não apenas para uma contratação, mas
também para procurar emprego ativamente ou para estarem disponíveis para trabalhos de última hora.
(ONU News. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/ 2023/03/1810927. Adaptado)
Há palavra empregada em sentido figurado na seguinte alternativa:
A Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que as diferenças entre os gêneros no
acesso ao emprego... (1° parágrafo).
B Um novo indicador, desenvolvido pela OIT, capta todas as pessoas sem emprego que estão interessadas em
encontrar um emprego. (1° parágrafo).
C Por esse motivo, ele reflete um quadro muito mais sombrio da situação das mulheres no mundo do trabalho... (1°
parágrafo).
D ... 15% das mulheres em idade produtiva em todo o mundo gostariam de trabalhar... (1° parágrafo).
E ... as responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidados não remunerado, afetam
desproporcionalmente as mulheres. (3° parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 4001485021
Questão 5 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
“Eu percebi que a pro ssional usava muitos termos técnicos, misturava algumas técnicas de terapia e aquilo me acendeu um
alerta. Eu pedi o número do CRP dela e ao consultar vi que o nome do registro não era o mesmo para o qual eu havia feito
o pagamento da consulta. Apenas o primeiro nome e um dos sobrenomes eram iguais.”
Ao notar que a mulher usava o cadastro de outra pro ssional, a advogada a rma que entrou em contato com a falsa
psicóloga e pediu o ressarcimento do valor pago pelo atendimento, o que foi aceito pela mulher. Em seguida, ela procurou
nas redes sociais a verdadeira psicóloga.
(https://noticias.uol.com.br/cotidiano, 15.06.2023. Adaptado)
No texto, há termo empregado em sentido figurado na expressão:
A termos técnicos.
B técnicas de terapia.
C acendeu um alerta.
D pagamento da consulta.
E ressarcimento do valor pago.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001475573
Questão 6 Sentido denotativo próprio ou literal
Leia o texto, para responder à questão.
A fuga da autoridade adulta
Eu estava falando em uma conferência em Nova Iorque durante o verão de 2016 quando descobri o termo “adultar”.
Tomava um drinque em um bar quando vi um jovem na casa dos 30 usando uma camiseta que dizia “Chega de adultar por
hoje”. Depois, entrevistei uma mulher cuja camiseta transmitia uma mensagem simples: “Adultar é cruel!”.
Caso você não esteja familiarizado com a palavra, adaptada do inglês “adulting”, adultar é de nido como “a prática de se
comportar do modo característico de um adulto responsável, especialmente na realização de tarefas mundanas, mas
necessárias”. A palavra é usada para transmitir uma conotação negativa em relação às responsabilidades associadas à vida
adulta. E sugere que, dada a oportunidade, qualquer mulher ou homem sensato na casa dos 30 preferiria não adultar, e evitar
o papel de um adulto.
A tendência de retratar a vida adulta como uma conquista excepcionalmente difícil que precisa ser ensinada coexiste com
uma sensação palpável de desencanto com o status de adulto. Em tudo além do nome a vida adulta se tornou
desestabilizada, a ponto de ter se tornado alvo de escárnio e, para muitos, uma identidade indesejada. Não surpreende que
adultar seja uma atividade que muitos indivíduos biologicamente maduros só estejam preparados para desempenhar em
tempo parcial.
O corolário da idealização do adultamento em regime parcial é o desmantelamento da autoridade adulta. O impacto
corrosivo da perda da autoridade adulta no desenvolvimento dos jovens foi uma grande preocupação para a filósofa política
Hannah Arendt. Escrevendo nos anos 1950, Arendt chamou atenção para o “colapso gradual da única forma de autoridade”
que existiu em “todas as sociedades conhecidas historicamente: a autoridade dos pais sobre lhos, dos professores sobre
os alunos e, em geral, dos mais velhos sobre os mais novos”. Setenta anos depois, a desautorização da vida adulta se tornou
amplamente celebrada na cultura popular ocidental. Em vez de se preocupar com as consequências da erosão da
autoridade adulta, esse desenvolvimento é visto como positivo por partes da mídia, que acreditam que pessoas crescidas
têm muito pouco a ensinar às crianças.
(Frank Furedi, revistaoeste.com. 24.07.2020. Adaptado)
A passagem em que a palavra destacada está empregada em sentido próprio é:
A O impacto corrosivo da perda da autoridade adulta foi uma grande preocupação para a filósofa política Hannah
Arendt. (4º parágrafo)
B … do modo característico de um adulto responsável, especialmente na realização de tarefas mundanas, mas
necessárias… (2º parágrafo)
C … uma atividade que muitos indivíduos biologicamente maduros só estejam preparados para desempenhar em
tempo parcial. (3º parágrafo)
D Em vez de se preocupar com as consequências da erosão da autoridade adulta, esse desenvolvimento é visto
como positivo… (4º parágrafo)
E Em tudo além do nome a vida adulta se tornou desestabilizada, a ponto de ter se tornado alvo de escárnio… (3º
parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001468320
Questão 7 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão 
O “ âneur” é uma gura ligada a um tempo, um lugar e uma pessoa. O tempo é meado do século 19. O lugar é Paris, após as
grandes reformas urbanas. A pessoa é o poeta Charles Baudelaire. Incensado pelo filósofo Walter Benjamin, o “flâneur” virou
um ícone das contradições da modernidade após as grandes reformas urbanas.
Caminhar sem destino desa ava o utilitarismo. Andar devagar desa ava a e ciência. Observar tudo sem comprar nada
desafiava o capitalismo. 
Com o tempo, a palavra se soltou das amarras e ganhou novos usos. Flanar é andar sem destino, coletando experiências. E
esse sentido pode ser a chave para explorar uma cidade contemporânea, seja ela desconhecida, seja ela onde você mora. 
Para mim, as melhores caminhadas são sempre em cidades antigas. Assim é em Roma ou na pequena San Gimignano, onde
sentei para comer uma pizza e ganhei amigos para a vida inteira. Em Nara, a antiga capital japonesa, saí de um restaurante e
dei de cara com um veadinho, pulando feliz entre as ruas vazias. 
Mesmo no lugar onde moro, São Paulo, às vezes consigo ter essa sensação de andar por uma cidade desconhecida,
apenas por virar numa rua em vez de seguir em frente. Ao chegar a uma praça que nunca vi, serei recompensado com a
visão de crianças brincando, adultos entrando numa academia de bairro, uma pessoa lendo um inesperado livro no ponto de
ônibus e talvez até um vendedor de milho verde. 
Ao planejar seus passeios, brasileiros sempre se preocupam — com razão — com a segurança. Nas suas caminhadas, cada
um vai montar sua estratégia e andar onde se sente confortável. Você vai se perder, mas vai encontrar o caminho. E, de
quebra, vai chegar ao final uma pessoa um pouquinho diferente. 
(Mauro Calliari, “A artede anar, um convite para aproveitar as pequenas coisas que as cidades oferecem”.
https://www1.folha.uol.com.br, 07.07.2023. Adaptado)
Identificam-se termos empregados em sentido figurado nos dois trechos transcritos em:
A O lugar é Paris, após as grandes reformas urbanas. / Caminhar sem destino desafiava o utilitarismo. Andar devagar
desafiava a eficiência.
B O tempo é meado do século 19. / Nas suas caminhadas, cada um vai montar sua estratégia e andar onde se sente
confortável.
C Para mim, as melhores caminhadas são sempre em cidades antigas. / E, de quebra, vai chegar ao final uma pessoa
um pouquinho diferente.
D E esse sentido pode ser a chave para explorar uma cidade contemporânea... / Com o tempo, a palavra se soltou
das amarras e ganhou novos usos.
E Andar devagar desafiava a eficiência. / ... saí de um restaurante e dei de cara com um veadinho, pulando feliz entre
as ruas vazias.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001444506
Questão 8 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder à questão.
Pessoas do bem
Volta e meia deparamos com as seguintes questões: porventura existem pessoas do bem? Podemos dizer que de um lado
há os “do bem” e, de outro, os “do mal”?
Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil, porque não envolve compromisso nem esforço.Não é
possível estabelecer e rotular, seguramente, dessa maneira, muito menos tecer qualquer julgamento. Todos nós temos bons
valores, mas muitas vezes agimos de modo a prejudicar o próximo e até a nós mesmos, consciente ou inconscientemente.
Entretanto, se tomarmos essa negação como absoluta, a confusão se instala. Não poderemos eleger, e esse é um risco, as
coisas boas, nem evoluir nesses valores positivos. Em outras palavras, se dissermos que jamais se pode traçar uma linha
entre pessoas boas e más, também estamos a dizer que não existem valores construtivos, que nos fazem caminhar para um
lugar melhor, pois os valores são inseparáveis das pessoas.
Nesses termos, temos que arriscar, sim, alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há
nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. O que não parece certo é apontar e
discriminar, para excluir aqueles que não estão inseridos no grupo do bem. A atividade das pessoas do bem, diga-se, não
tende a segregar, mas sim aproximar, incluir.
Se recorrermos à religião, ao direito, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem
são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho. Em suma, as pessoas que praticam o
bem reconhecem que não são únicas e, por estarem junto às demais, vivem em sintonia com o todo, com a comunidade.
E numa comunidade assim, a solidariedade triunfa. Ninguém ca à mercê dos infortúnios da vida. Os que caem são
prontamente socorridos. Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado
com a mão estendida. E as conexões sociais fortes são hoje, reconhecidamente, um dos melhores ingredientes para a
felicidade.
O nal dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver. Nossa aposta, com
todas as chas, é que existe um elo de sequência, quase de causa e efeito, nas boas atitudes. As pessoas do bem, altruístas,
solidárias, produzem felicidade. Elas nos deixam felizes.
E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é esta: todos temos direito à felicidade. Dependemos, portanto,
das pessoas do bem.
(Evandro Pelarin, Diário da Região, 18.04.2023. Adaptado)
A passagem do texto caracterizada pelo emprego de expressões em sentido figurado é:
A Podemos dizer que de um lado há os “do bem” e, de outro, os “do mal”? E quem é que insere as pessoas nesse
ou naquele grupo?
B Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil, pois não envolve compromisso nem esforço.
C Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato.
D Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado com a mão
estendida.
E O final dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001427608
Questão 9 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia um trecho do texto “Entre a orquídea e o presépio”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder a seguinte
questão.
A moça cou noiva do primo — foi há tanto tempo. Casamento, depois da festa de igreja, era a maior festa na cidade
casmurra, de ferro e tédio. O noivo seguia para a casa da noiva, à frente de um cortejo. Cavalheiros e damas, aos padres, de
braço dado, em la, subindo e descendo, descendo e subindo ruas ladeirentas. Meninos na retaguarda, é claro, naquele
tempo criança não tinha vez. Solenidade de procissão, sem padre e cantoria. Janelas cavam mais abertas para espiar. Só
uma casa se mantinha rigorosamente alheia, como vazia. É que morava lá a antiga namorada do noivo — o gênio dos dois
não combinava, tinham chegado a compromisso, logo desfeito. 
Murmurava-se que, à passagem do cortejo em frente àquela casa, o noivo seria agravado. Não houve nada: silêncio, portas
e janelas cerradas, apenas. E o cortejo seguia brilhante, levando o noivo lho de “coronel” fazendeiro, gente de muita
circunstância, rumo à casa do doutor juiz, gente de igual altura. A casa era “o sobrado”, assim a chamavam por sua
imponência de massa e requinte: escadaria de pedra, em dois lanços, amplo frontispício¹ abrindo em sacadas, sob a
cimalha² a estatueta de louça-da-china³ — espetáculo. 
E houve o casamento e houve o jantar comemorativo e houve o baile, com a quadrilha fazendo ressoar no soalho de tábuas
a música dos tacões dos homens, dos saltos das mulheres. 
A noiva era uma risonha morena saudável, o noivo um passional tímido, amavam-se. E lá se foram para a fazenda longe, m
do mundo ou quase, onde as notícias demoravam uma, duas semanas para chegar. Que dia sai o cargueiro ⁴? Que dia ele
volta? Voltava com revistas, cartas, moldes de roupas, açúcar, fósforos, ar da cidade, vento do mundo. 
Começaram a nascer as meninas. Dava muita menina naquele casal. Como educá-las? A dona de casa virou professora,
virou uma escola inteira, se preciso virava universidade.
(Elenco de cronistas modernos. José Olympio Editora. Adaptado)
1. frontispício: fachada principal.
2. cimalha: parte mais alta das paredes.
3. louça-da-china: porcelana.
4. cargueiro: pessoa que conduz animais de carga.
Assinale a alternativa correta acerca da expressão destacada nos trechos do texto.
A … a maior festa na cidade casmurra, de ferro e tédio. (1º parágrafo): está em sentido figurado, significando
“aprazível”.
B Meninos na retaguarda, é claro… (1º parágrafo): está em sentido próprio, significando “que não eram
convidados”.
C Janelas ficavam mais abertas para espiar. (1º parágrafo): está em sentido próprio, significando “maldizer noivos e
convidados”.
D E o cortejo seguia brilhante… (2º parágrafo): está em sentido figurado, significando “apressadamente”.
E … ar da cidade, vento do mundo. (4º parágrafo): está em sentido figurado, significando “notícias de outros
lugares”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001425979
Questão 10 Denotação e conotação
Leia o texto para responder à questão.
O significado de conviver com o semiárido 
O sentido da expressão “convivência com o semiárido”, em uma primeira visão ou leitura, pode levar a uma compreensão
equivocada: viver no semiárido, sofrendo com a problemática das mudanças climáticas que tanto a ige, principalmente, os
agricultores e agricultoras de base familiar. 
Mas o sentido real da expressão “convivência com o semiárido” traz em seu arcabouço o real signi cado
sociotransformador: viver buscando transformar os obstáculos provocados pelas mudanças climáticas e pelasinjustiças
sociais em oportunidades para mudar as condições de vida a partir de transformações no comportamento. Isso inclui
premissas como o cuidado com o meio ambiente para uma vida digna, evitando que a região venha a se constituir um
deserto. 
É grande a riqueza de possibilidades, de caminhos, de alternativas que já foram geradas. São frutos das lutas populares, dos
trabalhos pastorais, comunidades eclesiais de base etc., a partir das quais muitas organizações sociais nasceram e
permanecem até hoje. Elas mobilizam os agricultores e agricultoras, promovendo trocas de experiência e quali cando-os a
partir da estratégia de construção coletiva do conhecimento. 
Essas organizações sociais geram reais possibilidades de se conviver com o semiárido e ter vida digna, sobretudo a partir da
produção agroecológica, da transição energética, da captação e manejo de água de chuva, que gera vida não só para os
seres humanos, mas para todos que habitam o semiárido no bioma caatinga. 
(José Dias, “O significado de conviver com o semiárido”. Folha de S.Paulo, 10.08.2023. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido figurado.
A ... e ter vida digna, sobretudo a partir da produção agroecológica... (4º parágrafo)
B ... traz em seu arcabouço o real significado sociotransformador... (2º parágrafo)
C ... evitando que a região venha a se constituir um deserto. (2º parágrafo)
D ... sofrendo com a problemática das mudanças climáticas... (1º parágrafo)
E ... todos que habitam o semiárido no bioma caatinga. (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001425493
Questão 11 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A queda acentuada da taxa de natalidade no Japão tem provocado o esvaziamento das salas de aula e o fechamento de
uma média de 450 escolas públicas por ano. Segundo o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciências e Tecnologia
japonês, 8 580 instituições de ensino fundamental encerraram suas atividades entre 2002 e 2021. Do total, cerca de 5,5 mil
instalações estão sendo utilizadas como centros comunitários ou ganhando sobrevida na forma de pousadas, galeria de
arte, aquário e até fábrica de saquê. O restante das escolas fechadas continua sem uso por falta de demanda da
comunidade ou devido à deterioração das instalações.
Demolir é uma decisão penosa para os japoneses, que atribuem à escola um papel que vai além de local de estudo. Um
estudo comparativo sobre desenvolvimento urbano em áreas de imigração no Sul do Brasil, realizado por Tohru Morioka,
constatou que cidades ocupadas por imigrantes italianos e alemães tinham as igrejas como o coração da comunidade,
enquanto em regiões de concentração nipônica, como Registro, no interior de São Paulo, cabia às escolas esse papel.
Por meio de um projeto, o governo tenta equacionar o envelhecimento da população e o despovoamento com
revitalização regional, aproveitando o protagonismo das escolas e a infraestrutura já estabelecida. “Com a população em
declínio, o interessante é utilizar efetivamente os recursos locais disponíveis, em vez de construir novas instalações”, a rma
Takahiro Hisa, professor da Faculdade de Sociologia Aplicada da Universidade Kindai, no Japão.
Na cidade de pescadores Muroto, na província de Kochi, por exemplo, uma escola primária fechada 17 anos atrás virou um
aquário para atrair turistas à região. Ali é possível encontrar tubarão-martelo e tartarugas nadando na piscina externa de 25
metros, e mil criaturas marinhas de 50 espécies expostas em tanques temáticos distribuídos pelas salas de aula.
O último pico no número de crianças em idade escolar (ensino fundamental) ocorreu em 1981. Desde então, o índice de
ocupação das salas de aula segue em queda, não havendo qualquer possibilidade de reversão, pelo contrário: no ano
passado, pela primeira vez, o total de nascimentos no Japão cou abaixo de 800 mil, indicando que mais escolas estão
sujeitas a ter suas portas fechadas.
(Fatima Kamata. A inovadora solução do Japão para as escolas abandonadas por falta de alunos.
www.bbc.com/portuguese, 17.06.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que vocábulo destacado foi empregado em sentido figurado no contexto em que se encontra:
A O restante das escolas fechadas continua sem uso por falta de demanda da comunidade… (1º parágrafo)
B … os japoneses, que atribuem à escola um papel que vai além de local de estudo. (2º parágrafo)
C … cidades ocupadas por imigrantes italianos e alemães tinham as igrejas como o coração da comunidade… (2º
parágrafo)
D Por meio de um projeto, o governo tenta equacionar o envelhecimento da população… (3º parágrafo)
E … uma escola primária fechada 17 anos atrás virou um aquário para atrair turistas à região. (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001411726
Questão 12 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder à questão.
Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram
pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista cientí ca Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação
causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.
Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para
tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.
A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno
habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a
saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, a rmou Victoria
Garfield, autora sênior.
No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior
mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram
aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava
geneticamente programado para cochilar e os
que não.
Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função
cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas
pessoas de ascendência europeia e branca.
(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023. Adaptado) 
Assinale a alternativa que identi ca, correta e respectivamente, o sentido em que estão empregadas as expressões –
estigma (3º parágrafo) e anos economizados (5º parágrafo).
A Sentido próprio, de marca, sinal; sentido figurado, de redução, no tempo, da função cognitiva.
B Sentido figurado, de coisa desonrosa; sentido figurado, de maior delonga no declínio do cérebro.
C Sentido figurado, de grave mancha moral; sentido próprio, de maior tempo de vida.
D Sentido próprio, de preconceito; sentido próprio, de menos tempo até ter demência.
E Sentido figurado, de indignidade; sentido figurado, de menor longevidade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001411125
Questão 13 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Jornalismo e objetividade
Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.
Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente
não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser
objetivo ao escrever uma história nunca foi loso camente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias,
preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
Reluto, porém, em abraçar a tese de quedevamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo
que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. O repórter que se
preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que
aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.
O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato
de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que
são o grosso dos anunciantes, querem car bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio
público por algum tipo de alinhamento ideológico.
Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de
esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/helioschwartsman/2023/03/jornalismo-e-objetividade.shtml.
18.03.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, no contexto, o termo em destaque é empregado em sentido figurado.
A Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo… (2º
parágrafo)
B Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. (3º parágrafo)
C … nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens. (3º parágrafo)
D A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato… (4º parágrafo)
E … esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade… (último parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001408754
Questão 14 Semântica Denotação e conotação
Leia o texto para responder à questão.
Os rumos do Plano Diretor de SP
Desde 2020, a revisão do Plano Diretor de São Paulo divide urbanistas. Após a primeira votação na Câmara, há três
semanas, a celeuma se espraiou pelo debate público paulistano. Isso é positivo. Cidadãos se responsabilizando por sua
cidade são, por de nição, a base de uma cidadania construtiva. Mas as emoções extremadas sugerem uma contaminação
desastrosa das políticas urbanas pela política partidária.
O Plano vigente em São Paulo foi aprovado em 2014 para valer até 2029, com a meta de “reduzir as desigualdades
socioterritoriais para garantir, em todos os distritos da cidade, o acesso a equipamentos sociais, a infraestrutura e a serviços
urbanos”.
Como outras metrópoles nas Américas, o crescimento de São Paulo foi rápido, desordenado e orientado ao transporte
individual. O resultado são as chamadas cidades 3D: distantes, desordenadas e desconectadas. Ao contrário da expansão
típica dos EUA em subúrbios de classe média e baixa densidade, no Brasil prevaleceu a aglomeração de pessoas pobres nas
periferias, de onde realizam longos deslocamentos em transportes públicos parcos e precários atrás de emprego, serviços
e lazer no centro.
O Plano previu mais potencial construtivo e incentivos à construção para que espaços num raio de 600 metros das
estações de metrô e numa margem de 300 metros dos corredores de ônibus sejam mais densos, verticalizados e de uso
misto. A revisão propõe ampliar essas áreas, respectivamente, para 800 e 450 metros.
Assim, a revisão segue a proposta de “adensamento inteligente”. Longe de fazer terra arrasada do Plano, ela o amplia.
Pode-se divergir se essa ampliação é mais ou menos inteligente, mas é estranho os críticos denunciarem o “caos” e a
“destruição” a serviço da “voracidade” das incorporadoras. Se há essa voracidade, ela re ete o desejo dos cidadãos de
morarem, trabalharem e se divertirem próximos uns aos outros, anseio que é a essência da cidade. A de São Paulo continua
crescendo em população e renda. Construtores procuram atender a essa demanda onde for permitido, e, quanto maior a
oferta, menor será o custo para viver na cidade.
É legítimo questionar a ideia do Plano de concentrar as ofertas nos eixos de transporte e, também, a ideia da revisão de
ampliar essa concentração. Mas parece exagero, politicamente motivado, prever o “caos” se elas forem aprovadas. Pode-
se discutir se 100 metros a mais ou a menos farão alguma diferença, mas o Plano, no seu conjunto, busca aproximar as
pessoas da infraestrutura, dos serviços urbanos e dos equipamentos sociais, de modo a cumprir sua promessa de “reduzir as
desigualdades socioterritoriais”.
(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 26.06.2023. Adaptado)
Na argumentação desenvolvida no texto, o adjetivo destacado está empregado com conotação negativa em:
A ... em transportes públicos parcos e precários... (3º parágrafo)
B ... se espraiou pelo debate público paulistano. (1º parágrafo)
C ... menor será o custo para viver na cidade. (5º parágrafo)
D É legítimo questionar a ideia do Plano... (6º parágrafo)
E O Plano vigente em São Paulo foi aprovado... (2º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001400902
Questão 15 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Empreendedores culturais são o futuro que não demora
Há algo de bonito e triste que sempre me chama atenção na letra de Fórmula Mágica da Paz, dos Racionais MC’s. Na letra,
dizem que o espaço onde viviam nos anos 90 era como um campo minado, cheio de problemáticas estruturais. Mesmo
assim, eles não desistiram de encontrar uma saída, uma solução. De lá para cá, passaram-se quase 30 anos e ainda
identificamos pontos em comum com aquela realidade.
O país, que foi marcado pela colonização e con itos diversos, é palco de características únicas que atravessam e
reverberam até os dias de hoje tanto nas vivências como na expressão artística da população preta e pobre. Em 2019,
enquanto prestava mentorias com OPreta para empreendedoras negras e indígenas a convite da Feira Preta, aprendi a usar
uma expressão que de ne bem essa gana por sobrevivência, esse jeitinho brasileiro de não desistir nunca: a sevirologia, arte
de se virar e achar uma solução para tudo.
O empreendedor cultural, assim como o empreendedor social, não busca somente resultados nanceiros, mas também
resultados com missão social-cultural. Esse empreendedor observa oportunidades, ou seja, onde o Estado atua de maneira
desigual e insu ciente, lá está esse empreendedor investindo recursos nanceiros ou não para realização de atividades que
fomentem o bem-viver, a educação e formação de cidadãos.
De acordo com pesquisa da Unesco, antes da pandemia, segmentos culturais e criativos tinham previsão de gerar R$ 43,7
bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) até 2021. Entretanto, conforme indicaram os resultados da Pesquisa da FGV, os
setores de economia criativa, com atividades do setor cultural, estão entre os mais prejudicados pela recente crise sanitária.
Felizmente, não é difícil a rmar que há uma crescente positiva em relação às expressões artísticas empreendedoras e
autônomas, em diferentes formatos, não só musicais. Vemos celulares simples como trampolins para pessoas saírem do
anonimato e protagonizarem suas narrativas cotidianas, a exemplo disso destaco a Fernanda Souza (@correrua) e Jef
Delgado (@jefdelgado), diretores criativos e fotógrafos que alcançaram grandes marcas e símbolos relevantes para a
cultura nacional e internacional.
É possível que a associação não seja automática, mas acredito que pertencemos a uma geração que responde ao tempo.
Re etimos o passado e desfrutamos, no presente, de direitos conquistados. Peço licença aos meus mais velhos para citar a
ideologia de Sankofa, ao retornar ao passado ressigni camos o presente e construímos o futuro. E em minha opinião, no
futuro, empreendedores culturais serão inevitáveis e contundentes para a sustentação da economia do país, talvez do
mundo.
(Leila Evelyn dos Santos, “Empreendedores culturais são ofuturo que não demora”. Folha de S.Paulo, 28.07.2023.
Adaptado)
A expressão destacada e empregada em sentido figurado, conferindo um valor positivo ao enunciado, está presente em:
A ... dizem que o espaço onde viviam nos anos 90 era como um campo minado... (1º parágrafo)
B ... mas acredito que pertencemos a uma geração que responde ao tempo. (6º parágrafo)
C ... lá está esse empreendedor investindo recursos financeiros ou não... (3º parágrafo)
D O país, que foi marcado pela colonização e conflitos diversos... (2º parágrafo)
E Vemos celulares simples como trampolins para pessoas saírem do anonimato... (5º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001400803
Questão 16 Interpretação de charges e tirinhas Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
(Duke. Disponível em: www.google.com – Acesso em: 01.03.2020)
O cartum tem seu efeito de sentido de humor associado
A ao sentido conotativo de palavras empregadas para propor medidas que evitem enchentes.
B a um trocadilho para deixar implícito conformismo com a inércia das autoridades.
C a um jogo de palavras para expressar uma crítica a situações que invariavelmente ocorrem.
D ao sentido conotativo de “alagar”, contrastando com o sentido denotativo de “alegar”.
E a palavras cujo sentido se assemelha, pelo fato de apresentarem formas semelhantes.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001334753
Questão 17 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O senso comum propala que há poucos ingênuos na sociedade contemporânea. Acresce de forma provocadora que as
honrosas exceções, tão merecedoras de admiração, con rmam a regra de que “todo mundo tem um preço”. A
generalização, porém, é abusiva. Por quê? Porque supõe que corromper-se seja um traço congênito dos homens. Ora, se
muitos prevaricam, o mesmo não pode ser dito de todos. A nal, as condições históricas não propiciam iguais tentações a
cada um de nós. De um lado, nem todas as sociedades humanas instigam seus agentes a transgredir os padrões morais com
a mesma intensidade; de outro, nem todas as pessoas estão à mercê das mesmas tentações para se corromper. Nesse
sentido, ao incitar ambições e ao aguçar apetites, as sociedades em que prevalecem relações mercantis abrigam mais
seduções do que as sociedades não mercantis. Resumidamente: expõem mais as consciências à prova e, em consequência,
contabilizam mais violações dos códigos morais. 
Ademais, ainda que se aceite que todo mundo tenha um “preço”, a pressuposição só faz sentido em termos virtuais. A nal,
nem todos estão ao alcance do canto das sereias. Dizendo sem rodeio: muitos não são corrompidos porque não vale a
pena suborná-los! 
E isso coloca em xeque a anedota desesperançada do lósofo Diógenes, que se achava exilado em Atenas: munido de
uma lanterna em plena luz do dia, procurou em vão um homem honesto. Ora, convenhamos: será que ninguém naquela
cidade-estado, absolutamente ninguém, merecia crédito? Não parece lógico; é uma fábula que não deve ser levada ao pé
da letra. Qual então o seu mérito? Denunciar a depravação moral que então grassava. De qualquer modo, ponderemos: nem
todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo. 
(Robert H. Srour. Ética empresarial. Adaptado)
Em passagem do texto, o autor faz ressalvas à ideia de que “todo mundo tem um preço”, expressando-se em linguagem
conotativa. Essas passagens são:
A ...muitos não são corrompidos porque não vale a pena suborná-los! /... expõem mais as consciências à prova e,
em consequência, contabilizam mais violações dos códigos morais.
B A generalização, porém, é abusiva. / Afinal, as condições históricas não propiciam iguais tentações a cada um de
nós.
C Afinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. / ... nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante
para vender a alma ao diabo.
D ... nem todas as sociedades humanas instigam seus agentes a transgredir os padrões morais com a mesma
intensidade... / ... isso coloca em xeque a anedota desesperançada do filósofo Diógenes...
E ... as sociedades em que prevalecem relações mercantis abrigam mais seduções do que as sociedades não
mercantis. / ... será que ninguém naquela cidade-estado, absolutamente ninguém, merecia crédito?
Essa questão possui comentário do professor no site 4001334744
Questão 18 Denotação e conotação
Folia agigantada 
São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história. Pela primeira vez, a cidade, que já foi
apelidada de “túmulo do samba”, terá desfiles em todas as suas 32 subprefeituras. 
Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita. Os números são preliminares, mas as 490 agremiações
do ano passado deverão ser largamente suplantadas, com aumento previsto de 70%. Novas atrações também animarão a
festa, como o famoso Galo da Madrugada, de Pernambuco. 
Levantamentos preliminares sugerem que a capital paulista poderá ser o principal destino turístico do país durante os
festejos, suplantando Rio de Janeiro e Salvador. Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de
hotéis, bares, comércio etc.
No cenário animador, um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura, que tem em seus membros um
carnavalesco conhecido – o secretário de Cultura, Alê Youssef, fundador do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. O
carnavalesco, que representa uma face mais progressista do governo municipal, vê no Carnaval também um meio de
manifestação política. O secretário já declarou que pretende fazer com que a festa seja um contraponto a ameaças à
liberdade de expressão. 
A expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos em diversas cidades. No Rio, por exemplo, os
blocos começaram a reconquistar as ruas a partir da primeira década do século. O retorno do que seria um tipo mais
autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa. 
Com o tempo, contudo, a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática – a insu ciência de banheiros
públicos, o aumento de furtos, o trânsito interrompido, as áreas protegidas ocupadas por blocos não autorizados e o
excesso de barulho. 
A Prefeitura de São Paulo a rma que reestruturou o planejamento do evento com vistas a diminuir os transtornos. Ao longo
de 37 reuniões, os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos, como CET, SPTrans (responsável pelos ônibus), polícia
e GCM (Guarda Civil Metropolitana). Medidas em outras áreas também foram anunciadas. 
Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel e garanta à cidade e a seus moradores
um padrão aceitável de funcionamento. 
(Editorial, “Folia agigantada”. Folha de S.Paulo, 05.02.2020. Adaptado)
 16 DE JULHO Levantei. Obedeci a Vera Eunice. Fui buscar agua. Fiz o café. Avisei as crianças que não tinha pão.
Que tomassem café simples e comesse carne com farinha. Eu estava indisposta, resolvi benzer-me. Abri a boca duas vezes,
certi quei-me que estava com mau olhado. A indisposição desapareceu sai e fui ao seu Manoel levar umas latas para
vender. Tudo quanto eu encontro no lixo eu cato para vender. Deu 13 cruzeiros. Fiquei pensando que precisava comprar
pão, sabão e leite para Vera Eunice. E os 13 cruzeiros não dava! Cheguei em casa, aliás no meu barraco, nervosa e exausta.
Pensei na vida atribulada que eu levo. Cato papel, lavo roupa para dois jovens, permaneço na rua o dia todo. E estou sempre
em falta. A Vera não tem sapatos. E ela não gosta de andar descalça. Faz uns dois anos, que eu pretendo comprar uma
maquina de moer carne. E uma maquina de costura. 
 Cheguei em casa, z o almoço para os dois meninos. Arroz, feijão e carne. E vou sair para catar papel. Deixei as
crianças. Recomendei-lhes para brincar no quintal e não sair na rua, porque os pessimos vizinhos que eu tenho não dão
socego aos meus lhos. Saí indisposta, com vontade de deitar. Mas o pobre não repousa. Não tem o previlegio de gosar
descanço.Eu estava nervosa interiormente, ia maldizendo a sorte. 
(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo – diário de uma favelada, 1993)
Observe as passagens: 
•  Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel... (8º parágrafo, editorial Folia
agigantada) 
•  Cato papel, lavo roupa para dois jovens, permaneço na rua o dia todo. (1º parágrafo, Quarto de despejo) 
Analisando o emprego da palavra “papel” nos dois textos, conclui-se que,
A nas duas ocorrências, é explorada em linguagem denotativa, sendo atribuído a ela sentido pejorativo.
B na primeira ocorrência, é explorada em linguagem conotativa; na segunda, em linguagem denotativa.
C nas duas ocorrências, é explorada em linguagem conotativa, assumindo duplo sentido em ambas.
D na primeira ocorrência, é explorada em linguagem denotativa; na segunda, em linguagem conotativa.
E nas duas ocorrências, é explorada em linguagem denotativa, sendo o sentido ambíguo no editorial.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001332456
Questão 19 Denotação e conotação
Folia agigantada 
São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história. Pela primeira vez, a cidade, que já foi
apelidada de “túmulo do samba”, terá desfiles em todas as suas 32 subprefeituras. 
Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita. Os números são preliminares, mas as 490 agremiações
do ano passado deverão ser largamente suplantadas, com aumento previsto de 70%. Novas atrações também animarão a
festa, como o famoso Galo da Madrugada, de Pernambuco. 
Levantamentos preliminares sugerem que a capital paulista poderá ser o principal destino turístico do país durante os
festejos, suplantando Rio de Janeiro e Salvador. Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de
hotéis, bares, comércio etc.
No cenário animador, um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura, que tem em seus membros um
carnavalesco conhecido – o secretário de Cultura, Alê Youssef, fundador do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. O
carnavalesco, que representa uma face mais progressista do governo municipal, vê no Carnaval também um meio de
manifestação política. O secretário já declarou que pretende fazer com que a festa seja um contraponto a ameaças à
liberdade de expressão. 
A expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos em diversas cidades. No Rio, por exemplo, os
blocos começaram a reconquistar as ruas a partir da primeira década do século. O retorno do que seria um tipo mais
autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa. 
Com o tempo, contudo, a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática – a insu ciência de banheiros
públicos, o aumento de furtos, o trânsito interrompido, as áreas protegidas ocupadas por blocos não autorizados e o
excesso de barulho. 
A Prefeitura de São Paulo a rma que reestruturou o planejamento do evento com vistas a diminuir os transtornos. Ao longo
de 37 reuniões, os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos, como CET, SPTrans (responsável pelos ônibus), polícia
e GCM (Guarda Civil Metropolitana). Medidas em outras áreas também foram anunciadas. 
Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel e garanta à cidade e a seus moradores
um padrão aceitável de funcionamento. 
(Editorial, “Folia agigantada”. Folha de S.Paulo, 05.02.2020. Adaptado)
No editorial, identifica-se linguagem denotativa na passagem.
A “São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história.” (1º parágrafo), na qual se enaltece
o carnaval de rua de São Paulo, considerado como o melhor do Brasil.
B “Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita.” (2º parágrafo), na qual se mostra que os
números do carnaval de São Paulo ultrapassam os de Salvador e do Rio de Janeiro.
C “um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura” (4º parágrafo), na qual se sugere uma certa
desconfiança na prefeitura quanto à produção de um grande carnaval.
D “A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento” (7º parágrafo), na qual se expressa
o papel da Prefeitura na organização do evento para torná-lo melhor.
E “e garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento.” (8º parágrafo), na qual se ironiza
a capacidade de reorganização do carnaval paulista pela Prefeitura da cidade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001332452
Questão 20 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Hora do pesadelo 
O carnaval de rua veio para car. O número de blocos autorizados pela Prefeitura de São Paulo a des lar entre os dias 15 de
fevereiro e 1o de março chegou a 644, 180 a mais do que no ano passado. Haverá 678 des les em cerca de 400 pontos da
cidade. São dados que mostram a potência econômica e turística desse evento para a cidade. Dessa forma, cabe às
autoridades competentes cuidar para que um acontecimento dessa magnitude transcorra da maneira mais tranquila possível,
não apenas para os milhares de participantes mas também para os que, malgrado não queiram participar da festa, são
obrigados a conviver com seus efeitos mais danosos – sejam as interdições que obrigam moradores a alterar drasticamente
sua rotina de deslocamentos, seja a incivilidade de muitos dos foliões. 
O potencial econômico dos des les carnavalescos ajuda a explicar o exponencial crescimento dos blocos e a atração de
cada vez mais turistas. Esse gigantismo pode representar ganhos para a cidade, mas é um enorme desa o para a Prefeitura.
A julgar pela experiência dos anos anteriores, o ambiente para os foliões tem sido em geral satisfatório. O problema é que a
Prefeitura tem sido incapaz de oferecer o mesmo tratamento àqueles – grande maioria – que não estarão nos des les. Para
estes, o carnaval é a hora do pesadelo, que vem se tornando mais tétrico a cada ano que passa. 
Mais blocos e mais des les pela cidade signi cam mais sujeira, mais barulho, mais ruas fechadas. Paulistanos tornam-se
reféns dentro de suas próprias casas, tendo de suportar, dia e – principalmente – noite, a algazarra de foliões que estendem
a festa até altas horas, fazendo seu carnaval particular em local público. 
Ao mesmo tempo que aceita e estimula a expansão do carnaval de rua na cidade, a Prefeitura tem demonstrado escassa
capacidade para coibir o comportamento selvagem dos que abusam do direito de se divertir na festa. Mas as vítimas desse
descaso começam a reagir. 
Um abaixo-assinado de moradores da Vila Leopoldina levou a Prefeitura a desistir de incluir a Avenida Gastão Vidigal, a
principal do bairro, no circuito dos blocos. Os moradores disseram que “a região não é servida por metrô e a extensão da
avenida não comporta grandes multidões”. Além disso, “a estrutura de forças de segurança local não comporta eventos
dessa magnitude” e “haverá multidões apertadas no calor”, com “barulho, sujeira, urina e vandalismo”, sem falar no
cerceamento do direito de ir e vir e no prejuízo ao comércio – que inclui a Ceagesp. 
A Prefeitura aparentemente aceitou parte dos argumentos, ao dizer que cancelou o des le na Avenida Gastão Vidigal “por
motivo de organização e otimização dos espaços públicos”. A vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para
os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos durante o carnaval – período no qual, para muitos, a
lei e as regras de civilidade deixam de valer. 
(Editorial, “Hora do pesadelo”. https://opiniao.estadao.com.br. 16.02.2020. Adaptado)
Identifica-se linguagem conotativa, com ressalva à realização do carnaval na cidade de São Paulo, no trecho:
A ... sejam as interdições que obrigam moradores a alterar drasticamente sua rotina de deslocamentos, seja a
incivilidade de muitos dos foliões. (1º parágrafo)
B Para estes, o carnaval é a hora do pesadelo, que vem se tornando mais tétrico acada ano que passa. (2º
parágrafo)
C ... a algazarra de foliões que estendem a festa até altas horas, fazendo seu carnaval particular em local público. (3º
parágrafo)
D Um abaixo-assinado de moradores da Vila Leopoldina levou a Prefeitura a desistir de incluir a Avenida Gastão
Vidigal, a principal do bairro, no circuito dos blocos. (5º parágrafo)
E ... período no qual, para muitos, a lei e as regras de civilidade deixam de valer. (6º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001332421
Questão 21 Denotação e conotação
Democracia fraca afeta o PIB
Uma pesquisa sobre o desenvolvimento de mais de 160 países com realidades políticas variadas, no período de 1960 a
2018, comparou o desempenho de regimes democráticos com aqueles nos quais a democracia é parcial, incompleta ou,
em uma palavra, instável. A conclusão foi inequívoca: no longo prazo, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita das
chamadas democracias defeituosas, iliberais ou híbridas cresceu cerca de 20% menos do que em regimes democráticos
estáveis. A democracia é fator de avanço econômico.
Os autores do estudo são economistas vinculados a instituições europeias: Nauro Campos, da Universidade College
London; Fabrizio Coricelli, da Paris School of Economics; e Marco Frigerio, da Universidade de Siena. Segundo eles, uma
das consequências negativas da instabilidade democrática é a prevalência de visões de curto prazo. “A instabilidade induz a
comportamento míope com o objetivo de obter rendas no curto prazo e desconsiderar os efeitos a longo prazo”, diz o
texto. Uma revisão bibliográ ca apontou que essa visão curto-prazista típica de regimes instáveis acaba diminuindo
investimentos no setor produtivo.
A democracia, segundo outro pesquisador citado no estudo, aumenta as chances de reformas econômicas e de ampliação
das matrículas na educação básica. Segundo o professor Nauro Campos, em entrevista ao jornal O Globo, democracias
frágeis e debilitadas prejudicam a execução de políticas públicas. Um exemplo disso é a nomeação de pessoas
despreparadas para órgãos técnicos que prestam serviços à população. Esse tipo de problema, a rmou Campos, faz cair a
confiança nas instituições.
O regime democrático prevê direitos civis, sociais, políticos e de propriedade. Capaz de solucionar paci camente con itos
por meio da política, em vez da guerra, a democracia é chave também para o crescimento econômico.
(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 26.01.2023.Adaptado)
Há informação expressa com termo em sentido figurado em:
A … com aqueles nos quais a democracia é parcial…
B Os autores do estudo são economistas…
C “A instabilidade induz a comportamento míope…”
D … ampliação das matrículas na educação básica…
E … nomeação de pessoas despreparadas…
Essa questão possui comentário do professor no site 4001478897
Questão 22 Figuras de palavras Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Queda de renda é alarmante
O mercado de trabalho brasileiro começa a superar alguns dos principais impactos da pandemia. A taxa de desemprego
medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística
(IBGE) cou em 11,2% no trimestre móvel de novembro a janeiro, menor do que a registrada dois anos antes, isto é, no
período imediatamente anterior ao início da pandemia. Mas a queda expressiva de 9,7% no rendimento real habitual em um
ano mostra que problemas novos desafiam aqueles que conseguiram manter uma ocupação remunerada.
A recuperação do emprego tem mostrado consistência pelo menos desde o segundo semestre do ano passado, e as
expectativas para os próximos meses são de continuidade dessa tendência. Não parece improvável que os números do m
do ano sejam melhores do que os atuais. Mas a recuperação tem sido lenta, razão pela qual persistem alguns números
absolutos que preocupam. E a melhora ocorre num período em que a inflação subiu acentuadamente e se mantém em níveis
muito altos.
Em meio a dados animadores, como o do aumento expressivo do pessoal ocupado (95,4 milhões de trabalhadores, 8,2
milhões mais do que um ano antes), há alguns que mostram aspectos preocupantes do mercado de trabalho. Embora a taxa
de desocupação na mais recente Pnad Contínua (11,2%) seja muito inferior ao recorde do período da pandemia, de 14,9%
registrado no trimestre móvel de julho a setembro de 2020, é muito maior do que o melhor resultado de toda a pesquisa do
IBGE iniciada em 2012 (6,5% no trimestre de novembro de 2013 a janeiro de 2014).
Em números absolutos, isso signi ca que, embora o desemprego venha diminuindo, ainda há 12 milhões de trabalhadores
sem ocupação. Esse é um dado que não deixa dúvidas sobre a dimensão do drama do desemprego no País.
Mas o número de desocupados é parte de um conjunto maior, o de trabalhadores subutilizados, que formam o contingente
também chamado de mão de obra desperdiçada. Entre desocupados, subocupados por insu ciência de horas trabalhadas e
trabalhadores que formam a força de trabalho potencial (pessoas que não estão em busca de trabalho, mas estão
disponíveis para trabalhar), são 27,8 milhões de pessoas.
Como outros indicadores negativos das condições do mercado de trabalho, também este vem diminuindo nos últimos
meses, mas, dada a lentidão da redução, mantém-se em níveis historicamente muito altos.
(https://opiniao.estadao.com.br, 20.03.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado é empregado em sentido figurado.
A O mercado de trabalho brasileiro começa a superar alguns dos principais impactos...
B A recuperação do emprego tem mostrado consistência pelo menos desde o segundo semestre...
C ... a recuperação tem sido lenta, razão pela qual persistem alguns números absolutos...
D Esse é um dado que não deixa dúvidas sobre a dimensão do drama do desemprego no País.
E ... pessoas que não estão em busca de trabalho, mas estão disponíveis para trabalhar...
Essa questão possui comentário do professor no site 4001235203
Questão 23 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à próxima questão.
Mais de um quarto dos japoneses por volta dos 30 anos não tem planos de matrimônio. Um estudo divulgado pelo governo
japonês indica que há um grupo crescente de cidadãos nessa faixa etária que nunca se casou e não tem a menor intenção
de fazê-lo, o que é uma séria preocupação num país cuja sociedade já está envelhecendo e diminuindo rapidamente.
Em 2021, foram registrados 514 mil matrimônios no Japão, a cifra anual mais baixa desde o m da Segunda Guerra Mundial,
em 1945, e uma queda dramática em relação ao 1,029 milhão de uniões em 1970.
As mulheres que participaram do estudo disseram que optaram por se manter no trabalho em vez de deixá-lo para formar
uma família – e muitas descobriram que, na verdade, gostam de ter uma carreira e querem prosseguir. Entretanto as
pressões de ter um emprego di cultam ainda mais a manutenção de uma família e dos encargos de dona de casa – como
realizar tarefas domésticas, criar lhos e cuidar de genitores idosos –, e cada vez mais as pro ssionais dessa geração
tendem a permanecer solteiras.
Os homens alegaram dar importância à liberdade pessoal, porém acrescentaram, entre os motivos para permanecerem
solteiros, as apreensões quanto à segurança empregatícia e de não poder ganhar o su ciente para sustentar uma família.
“Vejo diversas razões na sociedade para isso acontecer. Uma delas tem a ver com os salários que, ao contrário do que
acontece em outros países, não tiveram aumento signi cativo e continuam os mesmos há muitos anos”, explica a psicóloga
Aya Fujii, que fornece apoio de saúde mental num programa governamental de assistência ao emprego em Tóquio. “Isso
significa que muitos jovens consideram que ter uma família gera uma carga financeira excessiva”, acrescenta.
A psicóloga não crê que a tendência demográ ca vá mudar em breve: “Acho que hoje em dia muita gente jovem não
dispõe de habilidades sociais, o que cou pior desdeque muitas famílias só estão tendo um lho. No m das contas, os
japoneses com idade entre 20 e 30 anos que são incapazes de se comunicar com membros do sexo oposto vão achar
mais difícil encontrar um parceiro, e o padrão da nação, de uma população minguante, vai continuar”.
(Julian Ryall. Por que tantos jovens japoneses se recusam a casar? www.dw.com, 25.06.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o vocábulo em destaque foi empregado, no contexto em que se encontra, em
sentido figurado.
A … uma queda dramática em relação ao 1,029 milhão de uniões em 1970. (2º parágrafo)
B … muitas descobriram que, na verdade, gostam de ter uma carreira e querem prosseguir. (3º parágrafo)
C … cada vez mais as profissionais dessa geração tendem a permanecer solteiras. (3º parágrafo)
D … apreensões quanto à segurança empregatícia e de não poder ganhar o suficiente para sustentar uma família.
(4º parágrafo)
E Isso significa que muitos jovens consideram que ter uma família gera uma carga financeira
excessiva… (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001232737
Questão 24 Sentido denotativo próprio ou literal
As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e algumas talvez nem
saibam direito o que o termo signi ca. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo
emocionalmente. Podemos até não sintonizar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se
comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.
Nada impede? Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada, que para
ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha
feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que
o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito.
Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não possuem amigos,
não se informam, não leem, en m, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na
estreiteza da sua existência.
E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público,
colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos quase se empilham: um deles é a atitude prosaica de
furar la, estacionar em vaga para de cientes, terminar namoros pelo Facebook, faltar a compromissos sem avisar antes,
en m, aquelas “coisinhas” feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir
prejudicado ou magoado.
É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Sim, somos todos gentis, mas colocar-se no lugar do outro
vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a
cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que
simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de
que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade – colocar-se no lugar do
outro não é uma simples gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade
civilizada de fato.
(Martha Medeiros. Empatia. Disponível em: < https://egov.df.gov.br/. Acesso em: 07.06.2022. Adaptado)
A alternativa em que todas as palavras estão empregadas em sentido próprio é:
A A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia.
B ... vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito...
C ... pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da
sua existência.
D Podemos até não sintonizar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões...
E ... aquelas “coisinhas” feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão...
Essa questão possui comentário do professor no site 4001167876
Questão 25 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Bilionários
Fernando Schüler
No auge da brabeza global pela compra do Twitter, por Erlon Musk, li um curioso argumento, dito por um ativista de redes
sociais. Segundo ele, toda vez que Musk ca mais rico, a humanidade caria mais pobre. Na sua cabeça, a riqueza global
deve ser como uma espécie de bolo gigante, de modo que, se algum guloso pega um naco muito grande para si, sobra
menos para os demais. Uma deputada resolveu ser mais direta: bilionários “nem deveriam existir”, disse ela. Me caiu os butiá
dos bolso*, como se diz lá no Sul. O que o sujeito faria, exatamente, se abrisse uma empresa e ela começasse a crescer?
Se, vendendo sua participação, outros cassem bilionários? Por que ele continuaria investindo e fazendo negócios? Por
esporte? Desconfio que não ia funcionar.
Há uma enorme confusão aí sobre como se gera valor e como alguém se torna um bilionário, em uma economia de
mercado. O bilionário que eu mais ajudo a ser um bilionário é Je Bezos. Não compro ações, mas livros, em sua loja virtual.
Eu poderia comprar ali na livraria do bairro, que segura as pontas como pode, mas acabo não me dando ao trabalho. Às
vezes penso que estou sendo egoísta fazendo isso. Em todo caso, ao menos no que me diz respeito, a teoria daquele
ativista não funciona. A cada vez que eu compro um livro lá, Bezos fica mais rico e eu de bem com a vida.
Há quem ache que exista uma “aristocracia global”, transmitindo sua fortuna de geração em geração. De fato, há muita
gente que herda sua fortuna. Não vejo problema nisso. Há os que investem ainda mais, geram ainda mais riqueza, e outros
torram tudo. Me lembro das histórias de pessoa gastando até o último centavo e batendo as botas sem um vintém, num
hotel de luxo. Há os que ganham pelo casamento, como a ex-mulher do Bezos, Mackenzie Scott, que se tornou uma das
mais ativas lantropas do planeta. Semanas atrás, doou 27 milhões de reais à ONG brasileira Gerando Falcões, focada em
criar oportunidades para jovens de menor renda.
A primeira coisa interessante a discutir sobre os bilionários é sobre como foi obtido o dinheiro. Se o sujeito cria uma
empresa inovadora, oferecendo algo que melhore a vida das pessoas, temos mais é que contar a sua história em nossas
escolas e inspirar mais jovens nessa direção. Foi o que fez Pedro Franceschi, guri carioca de 25 anos que criou uma
ntech** inovadora, de cartões de crédito. E este ano consta lá da lista dos mais ricos, da Forbes, com 1,5 bilhão. Vai fazer
o que com Pedro? Pedir a ele que devolva meio bilhão? Pedir para ele se aposentar? De minha parte, acho o oposto. É
bom que ele exista, e que o seu sucesso sirva de exemplo. Ideias inovadoras fazem o mundo andar para a frente.
O que realmente deveríamos combater é a riqueza obtida da fraude, dos privilégios criados para alguns.
O que realmente deveríamos fazer é mudar o disco. Em vez do ranço contra quem inova e gera valor, perder o sono com o
que se passa na base da pirâmide. Perguntar como é possível, em pleno 2022, que um quarto da população viva em
situação de pobreza ou extrema pobreza e que ensinemos menos de 5% do que nossos alunos deveriam saber de
matemática, nas redes públicas, no m do ensino médio, depois imaginando que eles terão boas chances no mercado de
trabalho.
É preciso olhar para a frente, em vez de tomar, todo santo dia, o veneno das velhas ideias.
(Revista Veja, 11 de maio de 2022. Adaptado)
* Me caiu os butiá dos bolso = expressão regionalista típica do Rio Grande do Sul. Usa-se para dizer que a pessoa está
impressionada, assustada.
** ntech = termo que surgiu da união das palavras “ nancial” e “technology” = tecnologia e inovação aplicadas nasolução
de serviços financeiros.
Assinale a afirmação correta relacionada ao trecho apresentado.
A O que realmente deveríamos fazer é mudar o disco. (6º parágrafo) – a expressão destacada está empregada
com sentido próprio, referindo-se a refletir sobre os benefícios que os bilionários proporcionam.
B ... a riqueza global deve ser como uma espécie de bolo gigante ... (1º parágrafo) – a expressão destacada está
empregada com sentido figurado, expressando o pensamento do autor do texto.
C Eu poderia comprar ali na livraria do bairro, que segura as pontas como pode ... (2º parágrafo) – a expressão
destacada está empregada com sentido próprio, referindo-se ao dono da livraria, que passa por dificuldades para
controlar a vida financeira.
D Me lembro das histórias de pessoa gastando ... batendo as botas sem um vintém, num hotel de
luxo. (3º parágrafo) – a expressão destacada está empregada com sentido próprio, significando “falecer”.
E Ideias inovadoras fazem o mundo andar para a frente. (4º parágrafo) – a expressão destacada
está empregada com sentido figurado, referindo-se a projetos arrojados que beneficiam a humanidade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001154246
Questão 26 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A loteria genética
O morticínio e as iniquidades provocados por ideias supostamente cientí cas sobre genes e raças são conhecidos. Em boa
medida por causa desse histórico sombrio, parte da sociedade passou as últimas décadas ignorando, quando não
combatendo, pesquisas no campo da genética humana, particularmente da genética comportamental. Não é uma estratégia
particularmente brilhante. Um dos maus hábitos da realidade é que ela não vai embora só porque você não gosta dos
resultados que ela produz.
Esse panorama começou a mudar nos últimos anos, com a publicação de livros escritos por cientistas com agenda
abertamente progressista que mostram que os genes são relevantes para o comportamento humano. “The Genetic Lottery”,
de Kathryn Paige Harden, é uma dessas obras. Seu maior mérito é apresentar e desmiti car o problema. Genes importam
não só no âmbito individual mas também para os grandes desa os sociais, como a igualdade. O peso da genética no
desempenho escolar de uma criança é igual ao da renda dos pais, ou seja, bem forte. E o desempenho escolar, vale
lembrar, é uma variável-chave na definição da renda, felicidade e até do número de anos que a pessoa vai viver.
Harden faz um apanhado bem didático dos tipos de pesquisa genética que existem, as diferenças entre eles e como
interpretá-los. Embora o senso comum pense os genes como determinantes, seu efeito sobre a maioria das características
que nos interessam é muito mais probabilístico. Bons genes no ambiente errado não fazem milagres. E um ambiente propício
pode fazer com que mesmo alguém que não tenha sido favorecido pela loteria genética se saia bem.
Uma boa analogia é com a miopia. Ela é 100% genética, mas depende de certas condições ambientais para manifestar-se.
Mais importante, mesmo quando ela dá as caras, a sociedade tem uma solução não genética 100% eficaz: óculos.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/12/a-loteria-genetica.shtml. 18.12.2021.
Adaptado)
A expressão destacada na passagem do penúltimo parágrafo – E um ambiente propício pode fazer com que mesmo
alguém que não tenha sido favorecido pela loteria genética se saia bem. – exprime, em sentido
A próprio, a ideia de estreita relação entre genética e sucesso pessoal.
B próprio, a ideia de que bons genes são um acontecimento raro.
C próprio, a ideia de que o ambiente tem influência sobre a genética.
D figurado, a ideia de que a genética é determinada pelo acaso.
E figurado, a ideia de irrelevância do ambiente para o êxito individual.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001125256
Questão 27 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Pelo número de empresas criadas no ano passado, mais de 4 milhões, a economia brasileira parece estar bombando. Mas é
bom dar atenção a outros números antes de lançar o primeiro rojão.
(https://opiniao.estadao.com.br)
A expressão destacada está empregada em sentido
A próprio, e o texto mostra que é preciso comemorar a criação de 4 milhões de empresas.
B próprio, e o texto mostra que é preciso analisar objetivamente a situação econômica.
C figurado, e o texto mostra que é preciso ter cautela ao analisar o cenário econômico.
D figurado, e o texto mostra que que é preciso ver com otimismo a criação de empresas.
E figurado, e o texto mostra que é preciso acreditar na recuperação plena da economia.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001115089
Questão 28 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder para responder seguinte questão.
A China quer colocar um m ao que o governo de ne como “cultura de celebridades”. Para isso, prepara um arcabouço
legal a fim de boicotar “artistas que transgrediram a moralidade social”. 
O Escritório da Comissão Central de Assuntos do Ciberespaço anunciou em uma circular que vai proibir “atos irracionais de
idolatria” na internet. O texto é recheado de adjetivos e critica a “estética anormal” de celebridades, “responsáveis por
deteriorar valores dominantes” da sociedade chinesa. Além disso, reguladores prometeram criar uma lista com celebridades
envolvidas em “escândalos vulgares e histórico de comportamentos antiéticos”. 
“Histórias não comprovadas sobre artistas ou atos irracionais de idolatria, entre outros conteúdos, serão proibidos na
internet”, reportou a agência de notícias o cial Xinhua. Famosos também estão proibidos de “ostentar riqueza ou prazeres
extravagantes” nas redes sociais.
(www.folha.uol.com.br. 26.11.2021. Adaptado)
Identifica-se termo empregado em sentido figurado na passagem:
A O texto é recheado de adjetivos e critica a “estética anormal”... 
B ... o governo define como “cultura de celebridades”.
C ... reportou a agência de notícias oficial Xinhua.
D ... reguladores prometeram criar uma lista com celebridades...
E Para isso, prepara um arcabouço legal para boicotar..
Essa questão possui comentário do professor no site 4001088360
Questão 29 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Um dia na vida de Adão e Eva
Para entender nossa natureza, nossa história e nossa psicologia, devemos entrar na cabeça dos nossos ancestrais
caçadores-coletores.
O campo próspero da psicologia evolutiva a rma que muitas de nossas características psicológicas e sociais do presente
foram moldadas durante essa longa era pré-agrícola. Ainda hoje, a rmam especialistas da área, nosso cérebro e nossa
mente são adaptados para uma vida de caça e coleta. Nossos hábitos alimentares e nossos con itos são todos
consequência do modo como nossa mente de caçadores- -coletores interage com o ambiente pós-industrial de nossos
dias, com megacidades, aviões, telefones e computadores. Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais longa
do que a desfrutada por qualquer geração anterior, mas também nos faz sentir alienados, deprimidos e pressionados.
Para entender por quê, apontam os psicólogos evolutivos, precisamos nos aprofundar no mundo de caçadores-coletores
que nos moldou, o mundo que, subconscientemente, ainda habitamos.
Por que, por exemplo, as pessoas se regalam com alimentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus corpos?
Nas savanas e orestas que caçadores-coletores habitavam, alimentos doces e calóricos eram extremamente raros, e a
comida em geral era escassa. Se uma mulher da Idade da Pedra se deparasse com uma árvore repleta de gos, a coisa mais
razoável a fazer era ingerir o máximo que pudesse imediatamente, antes que um bando de babuínos comesse tudo. Hoje,
podemos morar em apartamentos com geladeiras abarrotadas, mas nosso DNA ainda pensa que estamos em uma savana. É
o que nos motiva a comer um pote inteiro de sorvete.
(Yuval Noah Harari. Sapiens: umabreve história da humanidade. 34ª ed. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2018. Excerto adaptado)
No contexto de leitura, está empregada em sentido figurado a palavra destacada em:
A … devemos entrar na cabeça dos nossos ancestrais caçadores-coletores. (1º parágrafo)
B ... as pessoas se regalam com alimentos altamente calóricos que tão pouco bem fazem a seus corpos? (4º
parágrafo)
C ... nossas características psicológicas e sociais do presente foram moldadas durante essa longa era... (2º
parágrafo)
D ... são todos consequência do modo como nossa mente de caçadores-coletores interage com o ambiente... (2º
parágrafo)
E Esse ambiente nos dá mais recursos materiais e vida mais longa do que a desfrutada por qualquer geração... (2º
parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001064092
Questão 30 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder à questão.
Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco
jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando ia pagar a passagem, dizia
o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.
E assim, num simples gesto, temos o per l, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui testemunha auditiva e
ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amassados uns contra os outros. Essa
promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da própria identidade e tinha uma sensação de
bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra, exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.
O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez lugares à mater
recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi subitamente tudo. Ali estava uma
nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia hora a pobre mulher cou em pé, no meio da
passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o lho. Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não
teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.
A passagem do texto em que todas as palavras estão empregadas em sentido próprio é:
A Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam.
B O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes.
C Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou.
D E foi aí que percebi subitamente tudo.
E E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões…
Essa questão possui comentário do professor no site 4001062598
Questão 31 Denotação e conotação
Leia a tira para responder à questão.
Mais inflação, juros e dúvidas
O Brasil pode chegar ao m do ano com in ação de 7%, o dobro da meta o cial, e juros básicos avançando para 14%,
segundo projeções do mercado nanceiro, turbinadas pela recente alta do petróleo e dos alimentos no mercado
internacional. A insegurança econômica gerada pela guerra na Ucrânia e pelas sanções impostas à Rússia torna mais escuro
um horizonte já nublado. Apesar do cenário mais preocupante, a maioria dos especialistas consultados pelo
Estadão/Broadcast continua prevendo uma alta de juros de 10,75% para 11,75% na próxima semana, quando será realizada a
reunião periódica do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC).
O aperto mais forte da política monetária virá em seguida, e poderá prolongar-se mais do que se estimava antes da guerra.
As possibilidades de recuperação econômica a partir de 2023, já muito limitadas, tornam-se mais problemáticas com as
pressões in acionárias e com as novas incertezas. Pelas projeções do mercado conhecidas na última segunda-feira, o
Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 0,42% neste ano e 1,5% no próximo. Se as condições de crédito carem piores
do que se esperava, as famílias serão mais pressionadas, a retomada do emprego será mais complicada e a atividade
econômica terá menos impulso para avançar.
O cenário já tenebroso inclui uma in ação já muito alta, uma produção industrial com 9 quedas em 12 meses e vendas do
varejo 1% abaixo do patamar pré-pandemia. A recuperação mensal de 0,8% em janeiro cou longe de compensar a queda
de 1,5% em dezembro e de recriar o dinamismo perdido a partir de 2020. Além do desemprego, também a alta de preços
continua limitando severamente os gastos familiares.
Alguma segurança econômica ainda é garantida pelo agronegócio, com produção su ciente de alimentos para suprimento
interno e para exportação. Problemas de abastecimento de fertilizantes, em consequência da guerra, geram alguma
preocupação. Mas há estoques e, além disso, o plantio da próxima safra de verão só deverá começar no segundo
semestre. Até lá, as condições internacionais poderão melhorar. Além disso, haverá tempo para a procura de novos
fornecedores de adubos para substituir a Rússia, se for o caso. De toda forma, o espaço de tolerância para erros será quase
nulo, neste ano.
(https://opiniao.estadao.com.br. 11.03.2022. Adaptado)
No texto, identifica-se expressão em sentido figurado com objetivo de intensificar uma informação no seguinte trecho:
A ... quando será realizada a reunião periódica do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC).
B Além do desemprego, também a alta de preços continua limitando severamente os gastos familiares.
C ... a retomada do emprego será mais complicada e a atividade econômica terá menos impulso para avançar.
D Além disso, haverá tempo para a procura de novos fornecedores de adubos, para substituir a Rússia, se for o
caso.
E ... segundo projeções do mercado financeiro, turbinadas pela recente alta do petróleo e dos alimentos no
mercado internacional.
Essa questão possui comentário do professor no site 4001058780
Questão 32 Denotação e conotação
Aspas têm sido úteis no decorrer da minha vida e, imagino, na de inúmeras pessoas também. Na escola, ao usá-las pela
primeira vez numa redação, provoquei até emoção na professora. Ganhei elogios. Coisa de que nunca se esquece.
Utilizar aspas em uma palavra ou expressão não signi ca perdão ou redenção. É falso, também, dizer que amenizam o
próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões. Ao contrário, todo pensamento escrito, sinalizado ou falado “entre
aspas” vale mais ainda, e por duas razões.
Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. Não decidimos abrir aspas pela ameaça de um revólver na cabeça, por
chantagem emocional ou nanceira. Palavras e expressões entre aspas são selecionadas com autonomia e independência
e, assim, refletem e registram opiniões e intenções.
Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma. Algo do inconsciente humano vive precisamente entre o
abre aspas e o fecha aspas. Ao utilizá-las, revelamos um pouquinho do que habitualmente escondemos ou contamos só
pela metade, devagarinho, de modo a ir calibrando a reação da sociedade, de quem amamos, de qualquer pessoa ou grupo
que nos afete.
Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal grá co
em forma de pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de uso arriscado, enganoso e
potencialmente danoso. Seu uso, hoje deduzo, não é tão inofensivo.
(Cláudia Werneck. Aspas nunca mais. www1.folha.uol.com.br, 08.09.2021. Adaptado)
Um vocábulo empregado em sentido figurado está destacado em
A … provoquei até emoção na professora. (1º parágrafo)
B Ganhei elogios. (1º parágrafo)
C Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. (3º parágrafo)
D Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma. (4º parágrafo)
E … amenizam o próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões. (2º parágrafo)
Essa questão possui comentáriodo professor no site 4001047711
Questão 33 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A era da dispersão
Leio que nós, brasileiros, gastamos três horas e 42 minutos todos os dias nas redes sociais. Pouco mais de dez horas na
internet, sendo metade disso em um telefone celular.
Há quem diga que não vê nenhum problema nisso. A sobrecarga de informação é um fato do nosso tempo e é natural que
percamos um pouco do dia separando o joio do trigo. Há quem vá mais longe e diga que a dispersão no mundo digital pode
ser mesmo um modo de vida.
Sou dos que descon am que há um problema bastante grave aí, que em geral costumamos empurrar para debaixo do
tapete.
Talvez eu ache isso porque sou professor. Percebo o efeito destruidor sobre a atenção dos alunos pela simples presença
de um celular em sala de aula. Uma pesquisa mostra que levamos até 23 minutos para retomar a atenção quando somos
interrompidos. Se fossem dez ou quinze minutos, isso não faria lá grande diferença. Esse não é o ponto central.
O ponto é que andamos em meio a uma guerra. Quem faz o alerta é um ex-estrategista do Google, James Williams,
que trabalhava na empresa exatamente na área de “programação persuasiva”. Era pago para criar estratégias de “captura”
da atenção das pessoas. Em um dado momento, percebeu que ele mesmo havia perdido o controle. A partir daí, deu um
tempo. Foi estudar em Oxford e tentar decifrar o problema.
Ele diz que vivemos uma epidemia. Que há uma indústria inteira focada em capturar aquilo que cada um de nós tem de mais
importante: nosso tempo e nossa atenção. Captura voluntária, feita com técnicas so sticadas de inteligência arti cial. O
tempo de atenção de cada indivíduo passou a ser milimetricamente monitorado. Tornou-se, ele mesmo, o produto. Há um
velho conceito de “liberdade como autodomínio” em jogo aí, e é precisamente isso, a retomada do controle sobre nossa
própria atenção, que Williams enxerga como o “grande desafio da nossa época”.
A informação foi, no passado, um bem escasso. No lme “Relatos do Mundo”, Tom Hanks faz o papel de um veterano que
ganha a vida lendo notícias de jornal em teatros e igrejas nas pequenas cidades do Velho Oeste. A atenção, à época, era
abundante, diante da informação rarefeita. A coisa hoje se inverteu. A informação se tornou abundante e a atenção, um
recurso escasso. Acessamos muito mais informação do que precisamos. Ela vem de maneira caótica, em boa parte
mesquinha, feita de qualquer besteira capaz de capturar nossa atenção.
(Fernando Schüler. https://veja.abril.com.br/coluna/fernando-schuler/a-era-da-dispersao/. 22.01.22. Adaptado)
Há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado na seguinte passagem do texto:
A Leio que nós, brasileiros, gastamos três horas e 42 minutos todos os dias nas redes sociais. (1º parágrafo)
B Pouco mais de dez horas na internet, sendo metade disso em um telefone celular. (1º parágrafo)
C ... é natural que percamos um pouco do dia separando o joio do trigo. (2º parágrafo)
D ... levamos até 23 minutos para retomar a atenção quando somos interrompidos. (4º parágrafo)
E Acessamos muito mais informação do que precisamos. (último parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4001227194
Questão 34 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à próxima questão.
Vida ao natural
Pois no Rio tinha um lugar com uma lareira. E quando ela percebeu que, além do frio, chovia nas árvores, não pôde acreditar
que tanto lhe fosse dado. O acordo do mundo com aquilo que ela nem sequer sabia que precisava como numa fome.
Chovia, chovia. O fogo aceso pisca para ela e para o homem. Ele, o homem, se ocupa do que ela nem sequer lhe agradece;
ele atiça o fogo na lareira, o que não lhe é senão dever de nascimento. E ela – que é sempre inquieta, fazedora de coisas e
experimentadora de curiosidades – pois ela nem lembra sequer de atiçar o fogo; não é seu papel, pois se tem o seu homem
para isso. Não sendo donzela, que o homem então cumpra a sua missão. O mais que ela faz é às vezes instigá-lo: “aquela
acha*”, diz-lhe, “aquela ainda não pegou”. E ele, um instante antes que ela acabe a frase que o esclareceria, ele por ele
mesmo já notara a acha, homem seu que é, e já está atiçando a acha. Não a comando seu, que é a mulher de um homem e
que perderia seu estado se lhe desse ordem. A outra mão dele, a livre, está ao alcance dela. Ela sabe, e não a toma. Quer a
mão dele, sabe que quer, e não a toma. Tem exatamente o que precisa: pode ter.
Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que
sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento,
come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, ameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem,
e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
(Clarice Lispector, Os melhores contos [seleção Walnice Nogueira Galvão], 1996) 
* pequeno pedaço de madeira usado para lenha
Identifica-se termo empregado em sentido figurado no trecho:
A O fogo aceso pisca para ela e para o homem.
B ... ele atiça o fogo na lareira...
C Pois no Rio tinha um lugar com uma lareira.
D ... ele por ele mesmo já notara a acha...
E Quer a mão dele, sabe que quer, e não a toma.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000873298
Questão 35 Sentido denotativo próprio ou literal
É conceito da moda. Usam em encontros motivadores. Na Física, é a volta à forma original após uma deformação. O termo
se origina da capacidade de ricochetear, de saltar novamente. Por extensão, usamos para falar de quem sofre pressão e
consegue manter seus objetivos.
Uma pessoa resiliente ideal teria três camadas. Na primeira, suporta: recebe o golpe sem desabar. Ouve a crítica e não
“desaba”, vive a frustração sem descontrole, experiencia a dor e continua de pé. A primeira etapa da resiliência é administrar
o golpe, o revés, o erro, a decepção. O tipo ideal que estamos tratando sabe a extensão da dor, mas se considera (ou é de
fato) mais forte do que as ondas das adversidades.
O segundo estágio é a recuperação/aprendizagem. Combinam-se os dois conceitos. Sinto o golpe, não desmonto (fase
um) e ainda recupero a posição anterior ao golpe com o acréscimo de algo novo. Toda dor contém sua lição. Ninguém
duvida disso. O resiliente consegue aprender com o golpe sentido.
O terceiro momento do modelo perfeito é a ressigni cação da estratégia e da consciência a partir do aprendizado. O tipo
aqui descrito nunca se vitimiza, mesmo se for a vítima. Não existe lamúria ou sofrimento para o mundo. A dor existe, foi
sentida, houve reação com aprendizado e dele surgiu um novo ser, mais forte e mais sábio.
É bom descrever tipos perfeitos. Quase sempre são inexistentes. São como a biogra a de santos medievais: sem falha,
diamantes sem jaça; modelos e, como tal, inatingíveis. Existe um propósito didático de mostrar a perfeição para nós que
chafurdamos no lodo da existência banal. Todos temos graus variados de resiliência diante da vida. Ninguém é o tipo ideal.
Uma coisa não invalida a outra.
Como narrativa de santos, o modelo perfeito serve como para indicar o ponto no qual não me encontro, porém devo reagir
para almejá-lo. Sempre é bom ser resiliente e todos os palestrantes e livros têm razão: sem resiliência em algum grau, épico
ou homeopático, é impossível enfrentar o mundo.
O conto extraordinário de Kafka, Um Artista da Fome, fala de um homem com extrema resiliência para aguentar jejuns
prolongados. Era um herói! Ao nal, emitiu a verdade surpreendente. Ele não era um homem de vontade férrea, apenas
nunca havia encontrado um prato que… o seduzisse realmente. Seu paladar nunca fora tentado. Creio ser a receita geral da
resiliência: a serenidade diante das coisas que, na verdade, não nos atingiram. Esperança ajuda sempre.
(Leandro Karnal. Os heróis da resiliência. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br.Acesso em 20.01.2021. Adaptado)
Assinale a alternativa que possui apenas palavras empregadas em sentido próprio.
A O termo se origina da capacidade de ricochetear, de saltar novamente.
B … sem resiliência em algum grau, épico ou homeopático, é impossível enfrentar o mundo.
C … sabe a extensão da dor, mas se considera (ou é de fato) mais forte do que as ondas das adversidades.
D … mostrar a perfeição para nós que chafurdamos no lodo da existência banal.
E Ouve a crítica e não “desaba”, vive a frustração sem descontrole, experiencia a dor e continua de pé.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000870195
Questão 36 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Vida média
Continuamos a acreditar que vivemos numa época em que a tecnologia dá passos gigantes e diários, a perguntar onde
vamos parar com a globalização, mas re etimos com menos frequência sobre o fato de que o aumento do tempo médio
de vida é o maior avanço da humanidade – e neste campo a aceleração supera a de qualquer outra façanha. Na verdade, o
troglodita que conseguiu produzir fogo arti cialmente já havia compreendido obscuramente que o homem poderia dominar
a natureza. Desde a invenção do vapor cou claro que conseguiríamos multiplicar a velocidade dos deslocamentos, assim
como já se podia supor que um dia chegaríamos à luz elétrica. Mas durante séculos os homens sonharam em vão com o
elixir da longa vida e com a fonte da juventude eterna. Na Idade Média existiam ótimos moinhos de vento, mas existia
também uma igreja que os peregrinos procuravam para obter o milagre de viver até os 40 anos.
Fomos à Lua há muitos anos e ainda não conseguimos ir a Marte, mas na época do desembarque lunar uma pessoa de 70
anos já havia chegado ao m da vida, enquanto hoje temos esperanças razoáveis de chegar aos 90. Em suma, o grande
progresso ocorreu no campo da vida, não no campo dos computadores.
Muitos dos problemas que devemos enfrentar hoje têm relação com o aumento do tempo médio de vida. E não estou
falando apenas das aposentadorias. A imensa migração do Terceiro Mundo para os países ocidentais nasce certamente da
esperança de milhares de pessoas de encontrar comida, trabalho e principalmente de chegar a um mundo onde se vive mais
– ou, seja como for, fugir de um outro mundo onde se morre cedo demais. No entanto – embora não tenha as estatísticas à
mão –, creio que a soma que gastamos em pesquisas gerontológicas e em medicina preventiva seja in nitamente menor do
que o investimento em tecnologia bélica e em informática. Sabemos muito bem como destruir uma cidade ou como
transportar informação a baixo custo, mas ainda não temos ideia de como conciliar bem-estar coletivo, futuro dos jovens,
superpopulação mundial e aumento da expectativa de vida.
Um jovem pode pensar que o progresso é aquilo que lhe permite enviar recadinhos pelo celular ou voar barato para Nova
York, enquanto o fato surpreendente – e o problema não resolvido – é que, se tudo correr bem, ele só precisará se
preparar para ser adulto aos 40 anos, enquanto seus antepassados tinham de fazê-lo aos 16.
Certamente é preciso agradecer a Deus ou à sorte por vivermos mais, mas temos de enfrentar esse problema como um
dos mais dramáticos de nosso tempo e não como um ponto pacífico.
(Eco, Humberto. Pape Satan Aleppe: crônicas de uma sociedade líquida. Rio de Janeiro: Record, 2017)
A seguinte passagem do texto caracteriza-se pelo emprego de palavra(s) em sentido figurado:
A Continuamos a acreditar que vivemos numa época em que a tecnologia dá passos gigantes e diários...
B Desde a invenção do vapor ficou claro que conseguiríamos multiplicar a velocidade dos deslocamentos..
C Muitos dos problemas que devemos enfrentar hoje têm relação com o aumento do tempo médio de vida.
D Sabemos muito bem como destruir uma cidade ou como transportar informação a baixo custo...
E Um jovem pode pensar que o progresso é aquilo que lhe permite enviar recadinhos pelo celular...
Essa questão possui comentário do professor no site 4000797217
Questão 37 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Será uma boa ideia ter armas que de nem seus alvos e disparam os gatilhos automaticamente? Um robô capaz de
selecionar contratados em uma empresa seria con ável? Como garantir que a tecnologia faça bem ao ser humano? Essas
são algumas perguntas presentes no debate ético em torno da IA (inteligência arti cial). O crescimento da área é acelerado
e muitas vezes incorre em aplicações questionáveis.
Diversos países correm para dominar a tecnologia visando benefícios comerciais e militares. Para isso, criam políticas
nacionais a m de fomentar a pesquisa e a criação de empresas especializadas na área. EUA, China e União Europeia são
destaques nesse mundo.
O caso chinês é o mais emblemático, com startups sendo incentivadas a desenvolver sistemas so sticados de
reconhecimento facial. O governo usa a tecnologia para rastrear algumas minorias, como os uigures, população
majoritariamente muçulmana. Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos. A justi cativa
chinesa é pautada na segurança nacional: o objetivo é coibir ataques extremistas. O sistema de vigilância já foi vendido a
governos na África, como o do Zimbábue.
A discussão sobre ética no ocidente tenta impor limites à inteligência arti cial para tentar impedir que a coisa fuja do
controle. Outras ferramentas poderosas já precisaram do mesmo tratamento. A bioética, que ajuda a estabelecer as regras
para pesquisas em áreas como a genética, é frequentemente citada como exemplo a ser seguido. Uma boa forma de lidar
com os riscos de grandes avanços sem impedir o progresso da ciência é por meio de consensos de especialistas, em
congressos. Eles podem suspender alguma atividade no mundo todo por um período determinado – uma moratória – para
retomar a discussão no futuro, com a tecnologia mais avançada.
Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência arti cial. Um rascunho de documento da União Europeia obtido pelo site
“Politico”, em janeiro, mostra que o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas por um período de
três a cinco anos. Nesse tempo, regras mais robustas devem ser criadas.
(Raphael Hernandes. Inteligência arti cial enfrenta questões éticas para ter evolução responsável. Disponível em:
https://temas.folha.uol.com.br. Acesso em: 25.02.2020. Adaptado)
É correto afirmar que os segmentos destacados na passagem –
A “armas que definem seus alvos e disparam os gatilhos” – está empregada em sentido figurado e se refere à
possibilidade de desencadear conflitos éticos. (1º parágrafo)
B Essa ideia de pé no freio aparece na inteligência artificial.” – está empregada em sentido figurado e se refere à
sustação de pesquisas científicas e tecnológicas.(5º parágrafo)
C “o grupo considera banir o reconhecimento facial em áreas públicas” – está empregada em sentido figurado e
se refere à eliminação da tecnologia de IA. (5º parágrafo)
D “Câmeras nas ruas e aplicativos nos celulares monitoram os passos dos cidadãos.” – está empregada em
sentido próprio e se refere ao controle do modo de caminhar das pessoas. (3º parágrafo)
E “impor limites à inteligência artificial para tentar impedir que a coisa fuja do controle.” – está empregada em
sentido próprio e se refere à perda de exclusividade de uso dessa tecnologia. (4oºparágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000739254
Questão 38 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Diamantes no deserto
Vales marcados pela intensa aridez parecem ter se tornado ambientes ideais para o orescimento de frutos típicos do
século XXI: os produtos tecnológicos. O maior centro de inovação do planeta se encontra em uma região seca da
Califórnia. Todos os anos, o Vale do Silício concentra 50 bilhões de dólares de investimentos de alto risco, usualmente
destinados a startups – quase metade do montante movimentado dentro dos Estados Unidos –, além de 15% daprodução
de patentes desse país.
A mais de 10 000 quilômetros de distância de lá, no Oriente Médio, o Deserto de Nevegue, em Israel, vê crescer, sobre
seu solo abrasador, um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen pelo
posto de maior polo de inovação do mundo. No oásis tecnológico proliferam companhias de ponta, que se espalham
ainda pela costa litorânea, nos arredores de Tel-Aviv, fazendo dessa pequeníssima nação, com menos de 10% da área do
Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso.
Como Israel transformou um deserto árido em centro de inovação mundial? Responde Ran Natanzon, especialista em
vender tal faceta do país: “Trata-se de uma combinação dos seguintes fatores, todos igualmente essenciais: somos uma
nação altamente militarizada; mantemos a indústria em ligação com as pesquisas acadêmicas; o governo atua para fomentar
o setor; há operação ativa de fundos de investimentos e multinacionais; e existe uma proliferação de startups”.
Todo israelense, homem ou mulher, é obrigado a servir no Exército ao completar 18 anos. O que não quer dizer, no entanto,
que o contingente completo vá para a linha de frente. Há, por exemplo, uma unidade, a 8 200, integrante do Corpo de
Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. “Essa tropa fornece
veteranos hábeis em trabalhar com segurança de dados digitais e em outras áreas do mercado da tecnologia”, explicou o
engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, que che a uma divisão que mescla agentes ligados ao governo e representantes
de empresas parceiras, como a IBM, em ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel ou, como vem sendo
mais frequente, sistemas de companhias privadas.
(Filipe Vilicic. Veja, 12.02.2020. Adaptado)
É correto afirmar que a expressão
A vender tal faceta do país está empregada em sentido próprio e refere-se à atividade de divulgação de dados
sobre Israel.
B frutos típicos do século XXI está empregada em sentido próprio e refere-se à produção de tecnologia.
C oásis tecnológico está empregada em sentido figurado e refere-se a ambiente produtivo em meio ao território
desértico.
D existe uma proliferação de startups está empregada em sentido figurado e refere-se ao insucesso de novos
negócios.
E solo abrasador está empregada em sentido figurado e refere-se ao território israelense envolvido em conflitos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000739150
Questão 39 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Caracteriza-se pelo emprego de linguagem em sentido figurado a seguinte passagem do texto:
A No primeiro dia do ano, o periódico científico Nature apresentou estudo que amplia a confiança na aplicação de
inteligência artificial…
B Comparou-se o desempenho de um sistema computadorizado com o de seis radiologistas especializados na
busca de tumores precoces…
C O discernimento do computador não fez feio na comparação com os resultados obtidos pelos olhos e pela
massa cinzenta de especialistas humanos.
D O estudo contou com financiamento do Google Health e colaboração de vários hospitais e
instituições acadêmicas nos dois países.
E No Brasil, realizaram-se em 2018 quase 2,5 milhões de mamografias, exame que o Ministério da
Saúde recomenda…
Essa questão possui comentário do professor no site 4001175355
Questão 40 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Capitania investiga lançamento de óleo no mar em Ilhabela
De acordo com a Cetesb, o que pode ter ocorrido é o aparecimento de uma mancha órfã.
O termo é usado em referência ao aparecimento de faixas oleosas na água por meio do vazamento de embarcações.
(www.g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2018/08/15/,acesso em 18.02.20)
A expressão mancha órfã – está empregada em sentido gurado. Assinale a alternativa em que se observa a mesma
ocorrência.
A Em beleza natural, Ilhabela, com suas praias maravilhosas, atrai turistas de todo o Brasil
B Em algum ponto dessa maravilha, existe um lugar perfeito para você curtir o mar!
C Lá existem todos os tipos de praias, aquelas voltadas para o Canal de São Sebastião são mais urbanizadas.
D Já as praias que têm a face para o mar aberto são mais desertas, e não há estrada asfaltada até elas.
E O Centro Histórico é um ótimo ponto de descanso, já que tem um jardim com alguns bancos. Entre eles, antigos
canhões relembram o lado histórico de Ilhabela.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000802309
Questão 41 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Clareiras
Se um autor faz você voltar atrás na leitura, seja de um período ou de uma simples frase, não o julgue profundo
demais, não fique complexado: o inferior é ele.
A atual crise de expressão, que tanto vem alarmando a velha-guarda que morre mas não se entrega, não deve ser
propriamente de expressão, mas de pensamento. Como é que pode escrever certo quem não sabe ao certo o que procura
dizer?
Em meio à intrincada selva selvagem de nossa literatura encontram-se às vezes, no entanto, repousantes clareiras. E clareira
pertence à mesma família etimológica de clareza… Que o leitor me desculpe umas considerações tão óbvias. É que eu
desejava agradecer, o quanto antes, o alerta repouso que me proporcionaram três livros que li na última semana.
Porque, ao ler alguém que consegue expressar-se com toda a limpidez, nem sentimos que estamos lendo um livro: é como
se o estivéssemos pensando.
E, como também estive a folhear o velho Pascal, encontrei providencialmente em meu apoio estas suas palavras, à pág. 23
dos Pensamentos:
“Quando deparamos com o estilo natural, camos pasmados e encantados, como se esperássemos ver um autor e
encontrássemos um homem”.
(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. Adaptado)
Com a expressão “intrincada selva selvagem”, Mario Quintana expressa, em sentido
A figurado, a ideia de que nossos escritores se dedicam a temas rudes e com vocabulário vulgar.
B figurado, a ideia de que a produção literária brasileira precisa buscar temas mais civilizados. 
C figurado, a ideia de que nossa literatura é um emaranhado de textos carentes de clareza.
D próprio, a ideia de que não é possível produzir boa literatura num país marcado pela selvageria. 
E próprio, a ideia de que é preciso entender nossa realidade para produzir uma legítima literatura nacional.
Essa questão possui comentário do professor no site 1352866176
Questão 42 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Quem vai viajar e passar dias fora de casa, deve car atento ao que vai postar nas redes sociais: elas podem virar uma arma
para os assaltantes de plantão. O alerta é da Polícia Militar e do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de
São Paulo (Sesvesp).
“Se a pessoa posta que está saindo de férias ou pelo menos deixa subentendido, dá um prato cheio para o bandido, que
saberá que a casa está vazia. Mesmo que se publique apenas para os amigos, a informação vai passando, circulando. A
pessoa acaba preparando uma armadilha para si mesma”, afirma o capitão Cleodato Moisés, porta-voz da PM.
O vice-presidente da Sesvesp, João Palhuca, concorda: “O bandido sempre vai procurar o caminho mais fácil e as redes
sociais estão funcionando como uma ferramenta facilitadora. Não dá mais para se preocupar apenas com um vizinho mal-
intencionado”.
Segundo Palhuca, “as pessoas entram nas redes sociais com um espírito de compartilhamento, mas não se dão conta de
que também há ladrões lá, querendo levantar informações. O ideal é jamais fornecer dados como o número de posses e
propriedades. A recomendação é nunca mostrar ostentação”, diz.
O uso adequado da internet, no entanto, é apenas um dos cuidados que precisam ser tomados por quem planeja
“abandonar” o lar para aproveitar as férias ou a merecida pausa no trabalho.
(http://www.g1.globo/sao-paulo. – Acessoem: 08.12.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa que contém palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A O alerta é da Polícia Militar e do Sindicato das Empresas de Segurança Privada...
B “Se a pessoa posta que está saindo de férias ou pelo menos deixa isso subentendido, dá um prato cheio para o
bandido…”.
C “... Não dá mais para se preocupar apenas com o vizinho mal-intencionado”.
D O ideal é jamais fornecer dados como o número de posses e propriedades.
Essa questão possui comentário do professor no site 1263371374
Questão 43 Denotação e conotação
Vida e morte das agendas
Agendas de telefones precisam ser refeitas de anos em anos, de acordo com o número de pessoas que entram e saem de
nossa vida. De repente não cabe mais ninguém. Nomes que um dia foram anotados porque tinham a ver com algo
terrivelmente importante passam para a categoria do “quem era mesmo?”. Tornam-se nomes sem rosto, tragados pela
nossa desmemória.
Mas o pior é o doloroso processo de suprimir os que já se foram. É incrível quantos amigos ou conhecidos têm o hábito de
nos deixar a cada dez ou 15 anos. As agendas são um registro macabro dessa fatalidade.
De algum tempo para cá, outro tipo de supressão cou obrigatório: o dos telefones xos. Se a agenda anterior contém o
número do telefone xo e do celular de cada pessoa, e você tenta ligar para um e para outro a m de certi car-se de que
continuam valendo, cará espantado com quantos xos, de repente, não existem mais. É terrível constatar que até os seus
companheiros de geração reduziram-se ao celular.
Para completar, as próprias agendas de papel estão sob ataque. Mesmo entre os coroas, quase ninguém mais as usa – os
números de telefones são anotados diretamente no celular. Mas o que acontece quando têm o celular roubado ou o
esquecem em algum lugar, e já jogaram fora o velho caderno ensebado?
Talvez as agendas do futuro sejam gravadas diretamente no cérebro – no mísero cérebro humano, arcaico, analógico, que
ainda é o nosso.
(Ruy Castro. Folha de S.Paulo. 29.11.2019. Adaptado)
Na seguinte frase do texto, há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado:
A Agendas de telefones precisam ser refeitas de anos em anos...
B De algum tempo para cá, outro tipo de supressão ficou obrigatório...
C Para completar, as próprias agendas de papel estão sob ataque.
D ... os números de telefones são anotados diretamente no celular.
E Mas o que acontece quando têm o celular roubado ou o esquecem em algum lugar...
Essa questão possui comentário do professor no site 4000946970
Questão 44 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder a questão abaixo:
Meu lho, John Jr., agora com 16 anos, passara de adolescente barulhento e rebelde a um introvertido extremado, que
gastava todo o seu tempo livre surfando por só Deus sabe que sites da internet ou jogando videogames violentos. Seu
desempenho escolar havia despencado para um punhado de notas baixas, e ele só manifestava interesse em mergulhar de
cabeça em coisas cibernéticas.
[...]
Em menos de uma semana, Sara gingava para lá e para cá, exibindo abertamente a tatuagem, e, de quebra, uma argola no
nariz, para dramatizar sabe-se lá qual a rmação. As duas semanas de castigo que recebeu por essa estupidez serviram
apenas para deixá-la mais insolente e distante.
(James C. Hunter. De volta ao mosteiro)
Assinale a alternativa cuja frase apresenta apenas linguagem com sentido próprio.
A Meu filho, John Jr., agora com 16 anos, passara de adolescente barulhento e rebelde...
B ... que gastava todo o seu tempo livre surfando [...] por sites da internet...
C Seu desempenho escolar havia despencado...
D ... para um punhado de notas baixas...
E ... ele só manifestava interesse em mergulhar de cabeça em coisas...
Essa questão possui comentário do professor no site 4000943631
Questão 45 Classif icação dos advérbios Denotação e conotação Língua Portuguesa Português
Na tira, a expressão “máquina de moer corações” está empregada em sentido , e o termo “certamente” expressa
circunstância de . 
As lacunas do enunciado devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com: 
A figurado … intensidade 
B figurado … modo 
C figurado … afirmação 
D próprio … afirmação 
E próprio … dúvida
Essa questão possui comentário do professor no site 4000662457
Questão 46 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Mais cansaço e menos resultado
Estamos trabalhando mais, por mais horas e com menos equilíbrio entre tempo de lazer e labuta. Mas isso não
necessariamente signi ca que nos tornamos mais produtivos. Um estudo da RescueTime, empresa de software de
gerenciamento de tempo, analisou 185 milhões de horas computadas por seus usuários e identi cou que os trabalhadores
têm, em média, somente duas horas e 48 minutos de tempo produtivo por dia, embora trabalhem pelo menos uma hora fora
do escritório em quase metade dos fins de semana do ano.
“Há 30 anos, uma jornada de trabalho típica tinha oito horas por dia, das 9h às 17h, e você estava livre antes e depois”, diz
Larry Rosen, professor emérito do departamento de Psicologia da Universidade do Estado da Califórnia, que pesquisa os
efeitos da tecnologia na produtividade. “Desde a introdução dos celulares, essa separação desapareceu e a tecnologia
trouxe tarefas adicionais, como checar e-mail e redes sociais”. E não são poucas vezes: segundo a RescueTime, as pessoas
veri cam e-mails e apps de mensagem a cada seis minutos. E, a cada interrupção dessas, são necessários cerca de 20
minutos para recuperar o estado de foco inicial.
“É por isso que vemos empresas com muitos workaholics, mas sem resultados”, diz Caio Camargo da Silva, professor de
gestão de pessoas e empreendedorismo da PUC-PR. “As pessoas entram em um modo de fazer 80 mil coisas ao mesmo
tempo sob pressão, e isso é a receita do desastre”.
Entre os millenials, a situação é pior. Estudo da Adobe mostra que, ao contrário do estereótipo de que essa geração passa
o tempo todo nas redes sociais ou mandando mensagens de texto, ela é a que mais usa e-mail fora do trabalho: é comum
responder pelo smartphone inclusive na cama (70%), do banheiro (57%) e enquanto dirige (27%).
(Marília Marasciulo, “Mais cansaço e menos resultado”. Galileu, junho de 2019)
Assinale a alternativa em que há emprego de termos em linguagem figurada.
A “As pessoas entram em um modo de fazer 80 mil coisas ao mesmo tempo sob pressão, e isso é a receita do
desastre”. 
B “Há 30 anos, uma jornada de trabalho típica tinha oito horas por dia, das 9h às 17h”...
C E, a cada interrupção dessas, são necessários cerca de 20 minutos para recuperar o estado de foco inicial. 
D Um estudo da RescueTime, empresa de software de gerenciamento de tempo, analisou 185 milhões de horas
computadas por seus usuários...
E ... é comum responder pelo smartphone inclusive na cama (70%), do banheiro (57%) e enquanto dirige (27%).
Essa questão possui comentário do professor no site 4000615445
Questão 47 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
A entrevista estava marcada na casa dele, numa das favelas mais pobres de Fortaleza. De manhã bem cedo, eu e o
fotógrafo esperávamos, na porta de uma ONG ainda fechada, o educador que nos levaria até aquele emaranhado de
endereços desencontrados, um território dividido por duas quadrilhas rivais do trá co de drogas. O menino apareceu de
repente, vestido com uma camiseta do Brasil. Sem olhar para mim, ele disse: “Na minha casa, não.” Não dizia o porquê.
Apenas sacudia a cabeça em sinal de negativa explícita. Ele era pequeno para os seus 15 anos, mas o seu “não” era
enorme.
A porta da ONG abriu, e ele entrou. Sentou-se na cadeira da recepção e tentou ligar o computador. Passou-se muito
tempo, talvez quase uma hora de silêncios entre nós, interrompidos por uma ou outra palavra que servia ao menino apenas
como demarcação do território.O território que ele não queria que eu alcançasse, as palavras curtas marcando que não
haveria palavras longas. Eu não sabia se tinha o direito de continuar ali, talvez nunca saiba. Mas ele também não ia embora.
Então a cozinha da ONG abriu. E, de um salto, ele já estava lá. Como se eu fosse um vira-lata esquecido, me chamou com
displicência. Mas ainda não me olhava. Sentei-me diante dele e o vi devorar um pão em menos de um minuto. No segundo
pão, ele me enxergou pela primeira vez, oferecendo-me um pedaço. A certa altura, parecendo com pena de mim, disse:
– Você entende só um pouco de português, né?
O menino tinha razão. Eu não alcançava a riqueza da sua língua portuguesa, que dava conta de um Brasil diverso, com
palavras nascidas ali mesmo. Expressões gestadas na necessidade de dar conta de uma realidade na qual era necessário,
por exemplo, nomear o momento-limite em que o gatilho da arma é acionado, mas a bala não sai.
Mas era mais do que isso. Eu demorei a lê-lo. Eu era analfabeta dele. O seu “não” da altura de um edifício, a postura do seu
corpo, entre acuada e pronta para saltar no meu pescoço, o seu medo de mim, que às vezes beirava a raiva, era fome.
Frequentemente me deparei com essa fome, a fome que é um substantivo sem adjetivo possível.
O menino me leu muito antes de eu a ele. Percebeu que eu era estrangeira ao seu Brasil. Estranhou a cor da minha pele, a
tonalidade do meu cabelo, a forma e o som das minhas palavras. Estranhou que eu precisasse de tradução para algumas de
suas frases. Estranhou porque havia que estranhar.
(Eliane Brum. Limites da linguagem. https://brasil.elpais.com, 04.08.2014. Adaptado)
Segundo o contexto em que se encontra, assinale a alternativa que apresenta, em destaque, vocábulo empregado em
sentido figurado.
A A entrevista estava marcada na casa dele, numa das favelas mais pobres de Fortaleza. (1º parágrafo)
B Sentou-se na cadeira da recepção e tentou ligar o computador. (2º parágrafo)
C Sentei-me diante dele e o vi devorar um pão em menos de um minuto. (3º parágrafo)
D Expressões gestadas na necessidade de dar conta de uma realidade na qual era necessário… (5º parágrafo)
E Estranhou que eu precisasse de tradução para algumas de suas frases. (7o parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000182594
Questão 48 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder
A tecnologia ajuda, mas, no Japão, não são os sensores e as câmeras os principais protagonistas da segurança pública. É
uma combinação bem-sucedida de leis rigorosas, policiamento preventivo, ações comunitárias e educativas que têm
garantido ao país uma posição de destaque entre os lugares mais seguros do mundo. 
Segundo a Agência Nacional de Polícia do Japão, houve, em 2017, apenas 22 crimes cometidos com armas de fogo –
deixando 3 mortos e 5 feridos. 
A título de comparação, no mesmo período, houve 15 612 mortes por armas de fogo nos Estados Unidos, segundo a
organização Gun Violence Archive. Isso dá uma média de 42 mortes por armas de fogo por dia nos EUA, contra um total de
44 mortes do tipo no Japão nos últimos oito anos até abril de 2018. 
Num país repleto de leis rígidas como o Japão, não é de estranhar que policiais façam suas rondas ostensivas de bicicleta e
abordagem sem o uso de armas de fogo, recorrendo a movimentos de artes marciais ou até mesmo redes e cobertores
quando é necessário conter um suspeito. 
Se você quer comprar uma arma no Japão, é preciso paciência e determinação. É necessário um dia inteiro de aulas, passar
numa prova escrita e em outra de tiro ao alvo com um resultado mínimo de 95% de acertos. 
As forças policiais têm de ser informadas sobre onde a arma e a munição cam guardadas – e ambas devem estar em locais
distintos, trancadas. Uma vez por ano, a polícia inspecionará a arma. Tudo isso ajuda a explicar por que os tiroteios e
massacres com armas de fogo são muito raros no Japão. Quando um massacre ocorre no país, geralmente o criminoso
utiliza facas. 
(Fatima Kamata. Como tolerância zero a armas e álcool tornou o Japão um dos países mais seguros do mundo.
www.bbc.com, 05.03.2019. Adaptado)
Uma palavra empregada em sentido figurado está em destaque em:
A … não são os sensores e as câmeras os principais protagonistas da segurança pública. (1º parágrafo).
B … ações comunitárias e educativas que têm garantido ao país uma posição de destaque entre os lugares mais
seguros do mundo. (1º parágrafo).
C Isso dá uma média de 42 mortes por armas de fogo por dia nos EUA, contra um total de 44 mortes do tipo no
Japão… (3º parágrafo).
D …não é de estranhar que policiais façam suas rondas ostensivas de bicicleta e abordagem sem o uso de armas de
fogo... (4º parágrafo).
E Se você quer comprar uma arma no Japão, é preciso paciência e determinação. (5º parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 4000049401
Questão 49 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Quando não se leva o conhecimento para a vida
O voo era de São Paulo para Londrina, no Paraná. Já estava quase chegando. Lá embaixo, um rio serpenteava no meio dos
campos. Qual seria? Rubem sabia os nomes dos grandes rios e podia localizá-los num mapa virtual na cabeça dele, mas
aquele ele não conhecia. Nisso, a comissária de bordo passou. Ela fazia aquela viagem quase todo dia, com certeza sabia o
nome daquele rio. Rubem a chamou. Ela foi sorridente.
− Que rio é aquele?
Sem perder o sorriso, ela respondeu:
− Acho que é o São Francisco!
O espanto de Rubem cou evidente em seu rosto, apesar de ele ter cado mudo, porque, no fundo, morreu de tristeza por
dentro. A moça percebeu e, embora estivesse quase certa do que lhe dissera, pronti cou-se a procurar con rmação com
outra pessoa.
− Vou me certificar com o comandante!
Voltou logo a seguir:
− Não é o São Francisco, é o Paranapanema! 
Rubem pensou que ela, por ser uma comissária de bordo, tinha de ter alguma escolaridade. Estudara Geogra a, vira o São
Francisco nos mapas, rio enorme, que nasce em Minas, na Serra da Canastra. Nasce no meio de Minas e vai para o norte.
Estavam no Paraná. E a comissária pensava que aquele era o São Francisco.
Como explicar que ela visse o São Francisco no Paraná? Para ela, o rio só existia no mapa. Rubem conclui que
conhecimento que não decifra a vida e não ilumina o mundo não é conhecimento, é enganação. Não importa que se tire
nota alta. Quando não se leva o conhecimento para a vida, de nada ele serve.
(Rubem Alves. Entre a ciência e a sapiência – o dilema da Educação. São Paulo: Loyola. 1999. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A O voo era de São Paulo para Londrina.
B Já estava quase chegando.
C Rubem sabia o nome dos grandes rios...
D ... no fundo, morreu de tristeza por dentro.
E ... prontificou-se a procurar confirmação com outra pessoa. 
Essa questão possui comentário do professor no site 2073987179
Questão 50 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Meu endereço: a calçada
Onde vou dormir hoje à noite? Essa tem sido a minha preocupação diária no último ano. Sou formada em letras – falo inglês
e francês –, tenho duas lhas e fui casada com o pai delas por vinte anos. Uma série de acontecimentos, porém, me fez virar
moradora de rua. E foi essa situação que me levou a trabalhar numa área da prefeitura paulistana que atende pessoas na
Cracolândia.
Acabei na rua principalmente por causa dos problemas que eu tinha com meu ex-marido. Vivi um relacionamento abusivo. As
agressões não eram físicas, mas verbais, psicológicas e, digamos assim, patrimoniais. Em qualquer discussão, ele me xingava
e me ameaçava, dizendo que iria tirar minhas lhas. Eu me sentia presa ao casamento não só pelas meninas – que hoje têm
18 e 13 anos de idade –, mas também pelo fato de meu marido ser o provedor da casa.
Foi em dezembro que eu soube que havia uma vaga na Secretaria Municipal de Direitos Humanos para um cargo
comissionadoresponsável pela intermediação entre os serviços públicos e os moradores de rua. Imaginava que não teria
chance alguma, no entanto, me candidatei. Para minha surpresa, fui selecionada – e deparei com outra di culdade. Não
conseguiria abrir conta-salário em um banco, nem sequer começar no emprego se não comprovasse endereço. E eu não
tinha. Inventei, então, um para mim: Avenida Duque de Caxias, 367. No complemento, inseri: “Calçada”. Depois de explicar a
situação, acabei aceita. 
Quando dei início ao meu trabalho, ganhei reconhecimento de estranhos. Minha família, porém, tem di culdade de me
aceitar e, em especial, ao meu novo companheiro. Mas estou em processo de transição e atualmente durmo em um centro
de acolhida. Eu e o Fábio agora batalhamos para ter o nosso teto. 
(Depoimento de Eliana Toscano dado a Jennifer Ann Thomas. Veja, 19.06.2019. Adaptado)
Há termo empregado em sentido figurado na passagem:
A Essa tem sido a minha preocupação diária no último ano.
B Uma série de acontecimentos, porém, me fez virar moradora de rua
C Foi em dezembro que eu soube que havia uma vaga na Secretaria Municipal…
D Para minha surpresa, fui selecionada – e deparei com outra dificuldade
E Eu e o Fábio agora batalhamos para ter o nosso teto
Essa questão possui comentário do professor no site 2068192355
Questão 51 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Nos primeiros anos de vida de uma criança, dizem os entendidos, forma-se o seu caráter, criam-se os seus valores,
desenha-se o seu perfil no fundo do espelho da vida, aquele que ela vai tentar preencher pelo resto de seus dias.
E isso, sinto muito, não pode ser delegado à escola nem esperado dela. Para a ição dos pais e mães que trabalham o dia
inteiro, que chegam em casa exaustos, carregados de con itos e preocupações, sinto muito dizer: a escola apenas tenta
dar alguma continuidade, e olhe lá.
A escola lida com material que chega de casa formatado, embora ainda não definitivamente. O essencial está ali: a confiança
ou a incerteza, a capacidade de amar e ser amado ou a hostilidade solitária e assustada, a consciência de certo e errado
com sua listinha comportada, ou borrões confusos e incoerentes.
Pouco do que se puder mostrar na escola (valores não se ensinam, se praticam) vai alterar profundamente ou
de nitivamente a personalidade que ali chega com seus traços fundamentais delineados, sejam os genéticos, sejam os
adquiridos na família... 
O convívio entre pais e lhos torna-se mais difícil numa sociedade em que pais e mães geralmente precisam trabalhar fora,
chegando em casa à noite estressados, sem força para ajudar nos temas, no banho, botar na cama, fazer um carinho, contar
uma história ou conversar um pouco. Não tenho receita. Há quem diga que sou pessimista; há quem diga que sou uma
incurável romântica. Prefiro pensar que sou uma otimista cautelosa, como alguém já escreveu a meu respeito.
(Lia Luft. A riqueza do mundo. Rio de Janeiro, Record, 2011. Adaptado)
Observa-se o emprego de palavras com sentido figurado no seguinte fragmento do texto: 
A Nos primeiros anos de vida de uma criança [...] forma-se o seu caráter... (1º parágrafo).
B ... desenha-se o seu perfil no fundo do espelho da vida... (1º parágrafo).
C ... não pode ser delegado à escola nem esperado dela. (2º parágrafo).
D O convívio entre pais e filhos torna-se mais difícil... (5º parágrafo). 
E Há quem diga que sou pessimista... (5º parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 2015885685
Questão 52 Denotação e conotação
Juventude, velhice
A cultura brasileira é cruel no quesito idade. Dizer que uma pessoa é – ou parece – jovem é um elogio, e chamar de velho é
uma maneira de insultar, geralmente usada quando não encontram outra coisa para falar daqueles de quem não gostam, com
quem não concordam.
A rigor, o assunto idade nem deveria existir – a não ser, é claro, quando se trata de ajudar os que não podem viver com
independência, precisando de cuidados especiais porque infelizmente têm sérios problemas de saúde.
Na minha última viagem, percebi que em Paris, por exemplo, ninguém é apontado como jovem ou velho, disso não se fala.
As pessoas são como são, e ninguém perde tempo carimbando ninguém; simplesmente não tem importância.
Mas aqui no Brasil, ai da mulher que é ou foi bonita, quando os anos vão chegando. Essas não são perdoadas, e a idade que
têm é assunto de discussão.
Por isso, ainda não cheguei aos 70, mas resolvi aumentar a minha idade, e se me perguntam, digo que acabei de completar
91 anos; assim, corro o risco de ouvir um “mas que incrível, não parece”, o que é sempre bom de ouvir.
(Danuza Leão. Folha de S.Paulo, 29.01.2012. Adaptado)
Considere as expressões destacadas nos trechos do texto.
• Acultura brasileira é cruel no quesito idade. (1º parágrafo)
•  ... e ninguém perde tempo carimbando ninguém; simplesmente não tem importância. (3º parágrafo)
É correto afirmar que as expressões
A no quesito e carimbando foram empregadas em sentido próprio e significam, respectivamente, na categoria e
criticando.
B no quesito e carimbando foram empregadas em sentido figurado e significam, respectivamente, no item e
definindo
C no quesito foi empregada em sentido figurado e carimbando em sentido próprio, significando,
respectivamente, no aspecto e julgando
D no quesito foi empregada em sentido próprio e carimbando em sentido figurado, significando,
respectivamente, no tema e persuadindo.
E no quesito foi empregada em sentido próprio e carimbando em sentido figurado, significando,
respectivamente, na questão e rotulando.
Essa questão possui comentário do professor no site 1965296656
Questão 53 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder à questão
Todos os seres humanos necessitam de segurança. Todos os seres humanos têm o direito de serem protegidos do medo,
de todas as espécies de medo.
O medo tem raízes profundas na alma dos seres. Radica--se no inconsciente e é objeto constante da pesquisa cientí ca,
com destaque para a Psicanálise.
Temos medo do abandono, de passar necessidade e privações, medo das agressões, da doença, da morte.
Uma sociedade que se funde no “espírito de solidariedade” procurará construir modelos de convivência que afastem o
medo do horizonte permanente de expectativas. Numa sociedade fraterna, o homem não será “lobo” do outro homem.
Nossa Constituição determina que a Segurança Pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. Será
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, mas, antes de tudo, com
absoluta prioridade, sem qualquer bem ou valor que se possa assemelhar a este, a Segurança Pública deve preservar a
incolumidade das pessoas.
O provimento da Segurança Pública inscreve-se dentro de um quadro de respeito à Cidadania. A Cidadania exige que se
viva dentro de um ambiente de Segurança Pública. Não pode haver pleno usufruto da Cidadania, se trabalhamos e
dormimos sob o signo do medo, do temor, da ameaça de dano ou lesão a nossa individualidade ou à incolumidade de nossa
família.
A busca da Segurança Pública e a busca da Cidadania Plena deverão constituir um projeto solidário do Poder Público e da
Sociedade.
(Disponível em: http://www.dhnet.org.br. Acesso em 13.09.2019. Adaptado)
A passagem do texto em que a palavra destacada está empregada em sentido figurado é:
A ... é objeto constante da pesquisa científica, com destaque para a Psicanálise.
B ... modelos de convivência que afastem o medo do horizonte permanente de expectativas.
C Temos medo do abandono, de passar necessidade e privações...
D Todos os seres humanos têm o direito de serem protegidos do medo...
E Será exercida para a preservação da ordem pública...
Essa questão possui comentário do professor no site 1602184895
Questão 54 Denotação e conotação
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolasexistem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob
controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram
de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos
pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo
não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
(Por uma educação romântica. Editora Papirus. Acessível via https://books.google.com.br. Acesso em 19.06.2019)
Assinale a alternativa cuja frase apresenta palavras empregadas em sentido figurado.
A Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
B Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
C Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
D Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
E O voo não pode ser ensinado.
Essa questão possui comentário do professor no site 1472004488
Questão 55 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido denotativo próprio ou literal
Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia trecho da canc ̧a ̃o de Caetano Veloso para responder a ̀ questão.
LIVROS
Tropec ̧avas nos astros desastrada
Quase na ̃o tínhamos livros em casa
E a cidade na ̃o tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram 
Sa ̃o como a radiac ̧a ̃o de um corpo negro 
Apontando pra expansa ̃o do Universo 
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
E ́ o que pode lanc ̧ar mundos no mundo.
(https://www.letras.mus.br/caetano-veloso, acessado em 09.11.2018)
Considere a imagem e retome a canc ̧a ̃o de Caetano para responder a ̀ questa ̃o.
Sobre a canc ̧a ̃o e a imagem, e ́ correto a rmar que
A tanto na canc ̧a ̃o como na imagem na ̃o ha ́ nenhuma palavra de sentido gurado, predominando palavras com
sentido pro ́prio.
B na imagem ha ́ sentido gurado em – “partitura musical” – e signi ca que o texto litera ́rio e ́ capaz de enlevar o
leitor.
C na canc ̧a ̃o de Caetano predominam palavras de sentido pro ́prio, como nos segmentos – “tropec ̧avas nos astros”
e “mundos no mundo”.
D na canc ̧a ̃o de Caetano, ha ́ sentido gurado em – “a cidade na ̃o tinha livraria”, isto e ́, a cidade era pobre
culturalmente.
E na imagem ha ́ sentido gurado em – “aquele que le ̂ e ́ um artista”; e na canc ̧a ̃o, em – “na ̃o tínhamos livros em
casa”.
1437836193
Questão 56 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O time de futebol paraense Paysandu anunciou a criação do projeto Alegria do Povo, o qual, em parceria com o curso de
serviço social da Universidade da Amazônia (Unama), selecionou torcedores para um programa de concessão de entradas
gratuitas em jogos do clube.
Do outro lado, o também paraense Remo não cou atrás. Em dezembro de 2018, a agremiação azulina reformulou seu
plano de sócio-torcedor e incluiu a categoria Ouro Social, destinada a bene ciários de programas sociais como o Bolsa-
Família. Em apenas um mês, as 600 vagas da modalidade foram esgotadas. Nela, os torcedores pagam mensalidade de 30
reais e têm acesso garantido a todos os jogos. “Fizemos questão de não colocar nenhuma distinção na carteirinha de
sócio”, conta o presidente Fábio Bentes. “Para cumprir nosso papel social é fundamental mostrar que todo torcedor tem
importância.”
Na contramão dos clubes do eixo Sul-Sudeste, o preço do ingresso praticado pela dupla “Repa”, como é conhecido o
clássico paraense, ainda se encaixa no orçamento de boa parcela de seus torcedores. Enquanto o Corinthians, terceira
bilheteria mais cara do país, cobra em média 50 reais na Arena, Remo e Paysandu se mantêm estáveis na casa dos 20 reais.
“Quando jogamos contra times de outros estados, nosso trunfo é o apoio maciço do torcedor”, a rma Bentes. “Vamos
provar que aproximá-lo do clube, não importa de onde venha, vale a pena.”
(Breiller Pires. A receita dos times do Pará para se reconectar ao povo e encher os estádios. https://brasil.elpais.com,
05.05.2019. Adaptado)
Em destaque, encontra-se vocábulo empregado em sentido figurado em
A … selecionou torcedores para um programa de concessão de entradas gratuitas em jogos do clube. (1º
parágrafo) 
B Em apenas um mês, as 600 vagas da modalidade foram esgotadas. (2º parágrafo) 
C Nela, os torcedores pagam mensalidade de 30 reais e têm acesso garantido a todos os jogos. (2º parágrafo)
D … ainda se encaixa no orçamento de boa parcela de seus torcedores. (3º parágrafo)
E “Quando jogamos contra times de outros estados, nosso trunfo é o apoio maciço do torcedor”… (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 1407792421
Questão 57 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Do primeiro celular ao smartphone* 
Do primeiro celular a gente nunca se esquece: falo do tijolão preto, quando chegou ao Brasil! Lembro como se fosse o
primeiro dinossauro. Causou uma revolução em nossos costumes. Mas era apenas um telefone – falar e ouvir.
Foi um susto ao ver as pessoas falando nas calçadas. Na época, eu pensei que aquele estardalhaço pelas ruas, com o
aparelho no ouvido, seria coisa passageira, logo as pessoas entrariam em equilíbrio. Mas não, piorou. Sem cerimônia
entramos na vida dos outros, nas conversas de família, nas doenças, nas brigas. E não se respeitam mais hospitais, clínicas,
elevadores, lojas... O tranco é o mesmo. Um berreiro. E assim seguiremos, já acostumamos a compartilhar toda a nossa
vulnerabilidade em lugar público. Compartilhamos o que somos e o que gostaríamos de ser. Uma mistura surreal
contemporânea, massificada.
Atualmente estamos com o que há de mais moderno. Frequentemente, enormes las se formam à espera de mais um
“trocinho” moderno.
Estou sentindo que não levará muito para acabarem com teclados, mouses e a sensação gostosa de sentar à mesa e
escrever em silêncio. Contar nossas vivências, nossas histórias, nossa poesia. Não é difícil de entender esse vínculo que
criamos de interação em torno da escrita. Mas já ouvi falar em escrita por “comando de voz”. Um desencanto!
O mundo virtual está engolindo o mundo real nas lojas e Bancos. Há uma ânsia em se comunicar, alegrias e tristezas a
compartilhar. Os lhos não querem saber de papo familiar, vão direto às redes sociais e lá tiram suas dúvidas com centenas
de amigos. Só o futuro dirá algo sobre isso.
(Taís Luso. Disponível em: https://taisluso.blogspot.com/. 22.11.18. Adaptado)
* Smartphone – celular com tecnologias avançadas.
Assinale a alternativa em que há expressão empregada em sentido figurado. 
A Do primeiro celular a gente nunca esquece... 
B E não se respeitam mais hospitais, clínicas, elevadores, lojas...
C Atualmente estamos com o que há de mais moderno. 
D Não é difícil de entender esse vínculo que criamos de interação em torno da escrita. 
E O mundo virtual está engolindo o mundo real nas lojas e Bancos.
Essa questão possui comentário do professor no site 1396435313
Questão 58 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Ao longo de todo o ano passado, assistentes sociais municipais abordaram cerca de 105,3 mil pessoas nas calçadas da
cidade de São Paulo. Esse número é 66% maior do que a quantidade de pessoas abordadas na mesma situação em 2016,
quando foram contabilizados 63,2 mil indivíduos, e 88% acima da de 2015.
O número de indivíduos abordados não representa a quantidade de pessoas que vive de fato nas ruas. Entre os abordados
há, por exemplo, moradores da periferia que passam dias e noites vivendo nas calçadas da região central em busca de
doações, mas em parte do mês retornam a suas casas, pessoas que estão de passagem pela cidade, entre outras situações.
O cálculo o cial de moradores de rua na capital paulista está defasado, uma vez que é feito a cada quatro anos pela
prefeitura por meio da contratação de um censo especí co. O levantamento mais recente é de 2015, quando foram
contabilizadoscerca de 15 mil moradores de rua. Naquele ano, foram abordados 56,1 mil indivíduos.
Com a crise econômica que já dura cinco anos, mudou também a motivação principal que leva as pessoas à rua. Os
con itos familiares, que, em 2018, apareciam em primeiro lugar como motivo mais frequente para permanecer nas ruas,
foram ultrapassados pelo desemprego, que figura como a explicação mais comum dada pelas pessoas abordadas.
A consolidação de São Paulo como destino de imigrantes em busca de melhores condições representa outra camada no
cenário social devastador da cidade. Ao longo do ano passado, mais de 260 estrangeiros foram abordados como
moradores de rua. Migrantes também engordam as estatísticas. Entre os abordados pelos assistentes sociais que
informaram origem, metade veio de fora da capital, apesar de o estado ser citado pela maioria como local de origem. Os
outros estados mais citados são Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná.
(Mariana Zylberkan. “Em dois anos, SP vê salto de 66% de pessoas abordadas vivendo nas ruas”. www1.folha.uol.com.br,
22.06.2019. Adaptado)
No contexto, é empregado em sentido figurado o vocábulo destacado em:
A … assistentes sociais municipais abordaram cerca de 105,3 mil pessoas nas calçadas da cidade de São Paulo. (1°
parágrafo)
B O número de indivíduos abordados não representa a quantidade de pessoas que vive de fato nas ruas. (2°
parágrafo)
C Entre as abordagens há, por exemplo, moradores da periferia que passam dias e noites vivendo nas calçadas da
região central em busca de doações… (2° parágrafo)
D O levantamento mais recente é de 2015, quando foram contabilizados cerca de 15 mil moradores de rua. (3°
parágrafo)
E … mais de 260 estrangeiros foram abordados como moradores de rua, e migrantes também engordam as
estatísticas. (5° parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 1387754305
Questão 59 Denotação e conotação
Mais ócio, por favor
Quando o sociólogo italiano Domenico De Masi lançou o conceito de “ócio criativo”, em seu livro homônimo de 2000, foi
alçado à condição de pensador revolucionário e à lista dos mais vendidos. 
O sucesso se deveu à explicação do espírito daquele tempo, ao apontar que tão essencial ao crescimento pro ssional
quanto o estudo e o trabalho eram os momentos de desconexão com a labuta que abririam as portas para a criatividade e
para “pensar fora da caixinha”. A intenção era alcançar uma fusão entre estudo, trabalho e lazer para aprimorar o
conhecimento, vivenciar diferentes experiências e instigar a criatividade. 
Com o lançamento de “Uma Simples Revolução”, um best-seller, o sociólogo prega uma nova guinada no pensamento
empresarial. 
Ao analisar as taxas de desemprego e de desocupação, para De Masi, a única saída é reduzir a carga de trabalho individual e
abrir novas vagas. “Se as regras do jogo não mudarem, o desemprego – aberto ou oculto – está destinado a crescer em
dimensão patológica”, escreve. 
O Brasil é um dos países que vivem essa realidade, com um desemprego de mais de 13 milhões de pessoas, segundo dados
mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística). Mais de 5 milhões de pessoas procuram trabalho no
país há um ano ou mais, o que representa quase 40% desse total. 
A lógica do mercado não ajuda a melhorar esses números. As empresas tentam reduzir suas folhas de pagamento, mesmo
que isso signifique mais horas extras. 
Só que, de acordo com o sociólogo, quanto mais horas um indivíduo trabalha, mais ele contribui para a taxa de
desocupação. “Na Alemanha, onde todos trabalham, em média, 1400 horas, o desemprego está em 3,8% e o emprego está
em 79%. Já na Itália, onde um italiano trabalha em média 1800 horas, o desemprego está em 11% e o emprego está em
58%”, detalha. 
“Para eliminar o desemprego, o único remédio válido é reduzir as horas de trabalho, mantendo o salário e aumentando o
número de vagas”, diz, em entrevista ao UOL.
(Lúcia Valentim Rodrigues, “Mais ócio, por favor”.https://noticias.uol.com.br. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se transcreve uma passagem do texto na qual o termo destacado é empregado em sentido
figurado. 
A O sucesso se deveu à explicação do espírito daquele tempo... (2º parágrafo) 
B As empresas tentam reduzir suas folhas de pagamento... (6º parágrafo) 
C ... o sociólogo prega uma nova guinada no pensamento empresarial. (3º parágrafo) 
D ... mais ele contribui para a taxa de desocupação. (7º parágrafo) 
E … que abririam as portas para a criatividade … (2º parágrafo) 
Essa questão possui comentário do professor no site 1273972607
Questão 60 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Alugam-se amigos
Imagine sair com um amigo para um lanche ou uma caminhada e no nal do encontro perguntar: “Quanto foi a conversa?”
ou “Quanto devo pela companhia?”. Se o amigo for um amigo de fato, vai achar que você enlouqueceu. Mas se for um
personal friend, que pode ser traduzido como amigo pessoal, ou, mais realisticamente, amigo de aluguel, tudo bem. Ele dá o
preço, que varia, em média, de cinquenta a trezentos reais a hora, o cliente faz o cheque e, se o orçamento permitir,
poderão se encontrar novamente.
A mais nova pro ssão do mercado chegou sem fazer alarde, mas agora já aparece em anúncios, e quem anuncia faz
questão de esclarecer que não há qualquer conotação sexual ou amorosa nos relacionamentos com os clientes. O fato é
que há pessoas pagando por uma sessão em que se conversa sobre a vida, o pôr do sol, os problemas, a família, a solidão
ou um lme. O personal friend pode ser um estudante de direito, um professor de ginástica, um engenheiro, não importa, já
que para ser um personal friend basta se apresentar como tal.
A pergunta que muitos se fazem é: por que alugar um amigo num mundo em que é possível ter setecentos amigos sem
pagar nada? Afinal, não é o que permitem os sites de relacionamentos, em que se colecionam amigos às centenas? Ou essa
fartura virtual, que faz com que muitos morram de inveja, não tem sido capaz de suprir as carências das pessoas?
Talvez se esteja perdendo a capacidade de fazer amizades. Estamos desaprendendo os caminhos da convivência. É uma
constatação preocupante! Numa cultura que prega o individualismo, a competição e a descon ança, é pouco prová¬vel
que ferramentas criadas pela tecnologia transformem seus usuários numa grande e nobre família, unida pela amizade.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve. São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A Ele dá o preço, que varia, em média, entre cinquenta e trezentos reais…
B … se o orçamento permitir, poderão se encontrar novamente.
C … há pessoas pagando por uma sessão em que se conversa sobre a vida…
D ... faz com que muitos morram de inveja…
E Talvez se esteja perdendo a capacidade de fazer amizades.
Essa questão possui comentário do professor no site 1242588053
Questão 61 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Crianças pequenas devem ter acesso a tablets? É preciso controlar as horas de exposição de adolescentes a jogos de
computador? Se você está confuso com essas questões, tem bons motivos. Cientistas que estudam como o cérebro lida
com meios digitais também estão. Acaba de sair no Brasil “O Cérebro no Mundo Digital”, em que a neurocientista
especializada em leitura Maryanne Wolf tenta ao menos mapear o terreno em que pisamos.
Para Wolf, existem motivos para preocupação, ainda que não para pessimismo. Embora seja cedo para qualquer conclusão
de nitiva, as evidências até aqui colhidas sugerem que a proliferação dos meios digitais pode ter impactos sobre a
formação do cérebro leitor.
A preocupação maior, diz Wolf, é com a leitura profunda (uma leitura razoavelmente detida, na qual compreendemos não
apenas as palavras como extraímos o sentido geral delas e experimentamos as emoções que elas evocam). Crianças e
mesmo adultos que leem em um dispositivo digital apresentam menores taxas de compreensão e retenção do textodo que
quando o leem em versão impressa.
A sugestão de Wolf é que tentemos desenvolver uma espécie de bilinguismo literário. Precisamos ser capazes de exercer
tanto a leitura rápida cobrada pelos meios digitais — um ser humano médio recebe hoje nos vários dispositivos que acessa
34 gigabytes de informação num único dia, o equivalente a um romance de 100 mil palavras — como, quando for o caso, a
leitura profunda, exigida para pensar direito e fruir de tudo aquilo que um bom texto oferece.
(Helio Schwartsman, Computadores contra a leitura (adaptado). Folha de São Paulo, 23.06.2019)
Assinale a alternativa que contém palavra na frase em sentido figurado.
A … adultos que leem em um dispositivo digital apresentam menores taxas de compreensão…
B Para Wolf, existem motivos para preocupação, ainda que não para pessimismo.
C … 34 gigabytes de informação num único dia, o equivalente a um romance de 100 mil palavras…
D …  as evidências até aqui colhidas sugerem que a proliferação dos meios digitais pode ter impactos sobre a
formação do cérebro leitor.
E … uma leitura razoavelmente detida, na qual compreendemos não apenas as palavras como extraímos o 
sentido geral delas…
Essa questão possui comentário do professor no site 1213494082
Questão 62 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A arte maior
Di cilmente alguém não gosta de cinema, de música ou de assistir a um espetáculo. Gostam, mas muitos engolem
facilmente tudo o que lhes despejam goela abaixo. Sendo assim, adianta ter este contato sem graça com a arte se não há
entendimento do que se vê?
O que faz com que uma pessoa entenda o que está enxergando e saiba julgar a qualidade é, e sempre será, a leitura. O livro
é o combustível que nos conduz às demais manifestações artísticas. O escritor e cineasta Woody Allen disse numa
entrevista: “a leitura foi o começo da engrenagem que me levou a visitar exposições de arte, ir ao teatro e tudo mais”. Sem
leitura, pode-se ir a museus e espetáculos, mas o ingresso sempre parecerá muito caro diante do nada que se receberá em
troca, por falta de compreensão do que se está vendo.
Há quem defenda a ideia de que ler livros serve para muito pouco. Muitas pessoas acreditam que literatura é só diversão. É
diversão também. Mas quando o livro é bem escrito e bem pensado, diversão vira educação.
Os livros nos dão consciência dos sentimentos, destroem preconceitos, dão vontade de viajar, até tornam as pessoas mais
tolerantes com as diferenças. Para isso serve a literatura: para incentivar nossa própria evolução.
(Martha Medeiros. Non Stop - Crônicas do cotidiano. Porto Alegre: L&PM, 2012. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavras empregadas com sentido figurado.
A ... alguém não gosta de cinema, de música ou de assistir a um espetáculo.
B O livro é o combustível que nos conduz às demais manifestações artísticas.
C O escritor e cineasta Woody Allen disse numa entrevista...
D ... pode-se ir a museus e espetáculos...
E Muitas pessoas acreditam que literatura é só diversão.
Essa questão possui comentário do professor no site 1193912615
Questão 63 Equivalência entre locuçõespalavras e entre conectivos Sentido denotativo próprio ou literal
Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O mundo daqui a uma década
Em dez anos, olharemos para trás e morreremos de vergonha do festival de sel es, das fotos dos pratos de comida, da
postura perfeita na ioga, do exibicionismo sem fim, da ostentação sem limite que desfilamos nas redes sociais.
Reclamamos que o Facebook entrega de bandeja nossos dados, mas todos os dias servimos sem parcimônia, depois de
uma mãozinha de verniz, claro, uma versão melhorada do que somos.
A superexposição transformou pessoas sem talentos em celebridades. Vivemos numa época em que somos o que
postamos, não o que fazemos. Nossa individualidade virou produto para consumo externo.
Mas essa onda já começa a dar sinais de decadência. Por que passamos tanto tempo vivendo experiências que não são
nossas ou escancarando nossas vidas à espera de likes? 
A empresa de tendências Box1824 detectou um novo comportamento entre jovens de 18 e 24 anos, o de deixar as redes
sociais ou decretar uma grande mudança em como elas funcionam.
Contas fechadas, poucos amigos, posts efêmeros e o m da busca pelo feed perfeito. É a geração Exit (saída), que vai abrir
mão de ser seguida para viver a liberdade de ser anônima. Privacidade será o novo cool*. Tomara que essa moda pegue.
(Mariliz Pereira Jorge. https://bit.ly/2ZajulS. Adaptado)
No segundo parágrafo, as expressões destacadas em – o Facebook entrega de bandeja nossos dados – e – depois de
uma mãozinha de verniz – podem ser substituídas, respectivamente e sem alteração do sentido original, por:
A posta rapidamente; omitir qualidades prestigiadas
B transmite sem proibições; criticar a hipocrisia do mundo virtual
C expõe comedidamente; imitar o comportamento das celebridades
D veicula sem restrições; reformular nosso perfil
E divulga com ressalvas; alterar algumas características físicas
Essa questão possui comentário do professor no site 991101643
Questão 64 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O bom combate
Apesar dos extremismos discursivos e de retrocessos democráticos registrados em vários países nos últimos tempos, não
dá para negar que a humanidade melhora a olhos vistos.
Por qualquer medida objetiva que adotemos, o mundo evoluiu nos últimos 30 anos, e a proporção de terráqueos vivendo
em pobreza extrema, que era de 35% em 1990, está agora abaixo dos 10%. A expectativa de vida ao nascer, que batia nos
65 anos em 1990, saltou para mais de 72.
Também observamos melhoras importantes nos índices globais de escolarização e na disponibilidade de itens como água
tratada e eletricidade. É difícil de acreditar, mas até a inteligência dos humanos tem avançado. O fenômeno, bem
documentado, atende pelo nome de efeito Flynn.
Se trocarmos a lente das décadas pela dos séculos e ampliarmos a noção de riqueza para incluir não só renda, mas acesso
a serviços e bens de consumo, os progressos são ainda mais signi cativos. Nas contas da economista americana Deirdre
McCloskey, nos últimos dois séculos, o habitante médio do planeta viu sua riqueza multiplicar-se por dez, chegando a 30
nos países desenvolvidos.
O mundo ainda está muito longe de ser um lugar bom para todos ou razoavelmente justo, mas é preciso estar cego para
não ver que estamos melhorando.
Os dois motores principais desses sucessos são o saber técnico, alimentado pela ciência, e a disseminação das de‐
mocracias, cujo número mais do que dobrou de 1990 para cá. Democracia, aqui, deve ser compreendida em seu conceito
mais amplo, que inclui a busca por benefícios expressa pela vontade popular, mas traz, também, uma defesa intransigente de
direitos universais que abarcam as minorias, mas não se restringem a elas.
São justamente o saber técnico e a democracia que estão sob ataque em vários países. Defendê-los é o dever das forças
pró-civilização neste momento delicado.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 05.05.2019. Adaptado)
Há expressão em sentido figurado no trecho:
A ... o mundo evoluiu nos últimos 30 anos... (2º pa​rágrafo)
B ... e na disponibilidade de itens como água tratada e eletricidade. (3º parágrafo)
C Se trocarmos a lente das décadas pela dos séculos e ampliarmos a noção de riqueza... (4º parágrafo)
D Nas contas da economista americana Deirdre McCloskey, nos últimos dois séculos... (4º parágrafo)
E ... que inclui a busca por benefícios expressa pela vontade popular ... (6º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 990799292
Questão 65 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que há emprego de palavras em sentido figurado.
A A violência é o fator de maior preocupação da população brasileira, de acordo com pesquisas de opinião pública.
B Atitudes violentas acontecem de formas variadas no ambiente escolar: nas manifestações de racismo...
C ... podemos facilmente perceberas modificações que ele vem acarretando na maneira de viver e ser das
pessoas...
D E sem a participação da maior das instituições, a família, essa reversão é muito mais difícil.
E ... é como se a epidemia de violência infestasse a teia social, colocando em risco a nossa saúde emocional e
física.
Essa questão possui comentário do professor no site 856139333
Questão 66 Denotação e conotação
Sidarta Ribeiro tem um sonho: convencer educadores de que o sono é decisivo para o aprendizado. O neurocientista do
Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trabalha há anos nessa vertente e agora traz
novos dados para tornar esse sonho realidade. Durante seis semanas seu grupo testou a hipótese em 24 alunos de 5o ano
do ensino fundamental, com resultados animadores.
Todas as “cobaias” assistiram às mesmas aulas de ciência e história, abrangendo temas curriculares. Na sequência, alguns
alunos puderam tirar uma soneca, enquanto outros tiveram outra preleção sobre assunto diverso; outros, ainda, zeram uma
pausa do tipo recreio.
A oportunidade de dormir surgia às 8h15, logo após a primeira aula do dia. O artigo explica que o nascer do sol em Natal
ocorre por volta das 5h e que os meninos acordam em geral ali pelas 5h30, chegando à escola bem zonzos, sem
dificuldade para cair no sono.
O experimento comprovou que sonecas de 30 a 60 minutos de duração aumentaram em cerca de 10% a retenção do
conteúdo. Por outro lado, não se observaram melhoras signi cativas nos casos em que os alunos dormiam menos de 30
minutos. 
Para os autores do estudo, a melhora deve ter sido propiciada pelo estágio 2 de sono, bené co para a memória declarativa,
de curto prazo. Sonecas matutinas também envolvem sono com sonhos, o chamado estágio REM, mais associado com
criatividade.
“Estou cada vez mais convencido de que a revolução educacional que o Brasil precisa fazer começa pelo aumento dos
salários do magistério e passa em seguida pela otimização da siologia (sono, alimentação, exercício) e pela avaliação
contínua personalizada via computador”, diz Ribeiro. 
(Marcelo Leite. Sonecas de 30 minutos ou mais melhoram aprendizado na escola. www1.folha.uol.com.br,
02.09.2018. Adaptado)
Em destaque, encontra-se vocábulo empregado em sentido figurado em:
A Sidarta Ribeiro tem um sonho: convencer educadores de que o sono é decisivo para o aprendizado. (1º
parágrafo)
B Durante seis semanas seu grupo testou a hipótese em 24 alunos de 5o ano do ensino fundamental… (1º
parágrafo)
C … outros, ainda, fizeram uma pausa do tipo recreio. (2º parágrafo)
D O experimento comprovou que sonecas de 30 a 60 minutos de duração aumentaram em cerca de 10% a
retenção do conteúdo. (4º parágrafo)
E Para os autores do estudo, a melhora deve ter sido propiciada pelo estágio 2 de sono…(5º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 796424790
Questão 67 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que há palavras ou expressões empregadas no sentido figurado.
A Segundo recentes descobertas científicas, o café tem diversas propriedades...
B ... contribuem para a prevenção de doenças e promoção do bem-estar.
C Quando você bebe o café, uma parte dessa substância vai para o seu cérebro...
D ... pelo menos quatro xícaras de café por dia diminuem as chances de sofrer de cirrose no fígado.
E ... pesquisas revelam que o café deixou o banco dos réus para se tornar...
Essa questão possui comentário do professor no site 617422317
Questão 68 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Mais um desastre
 
Ainda demorará um tanto até que o impacto humano e ambiental do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) possa
ser propriamente avaliado. Algumas lições preliminares, entretanto, já podem ser extraídas desse lamentável desastre.
 
A primeira deriva do fato acabrunhante de que não se traa de tragédia inédita no gênero. Há apenas três anos o país
consternou-se diante das 19 mortes e da incrível devastação desencadeadas pelo colapso de uma barragem da Samarco,
que varreu do mapa a localidade de Bento Rodrigues (MG). 
 
Pouco ou quase nada se fez desde então. A não ser, por óbvio, as suspeitas medidas usuais: instalaram-se comissões para
tratar do assunto. Resultado? Nenhum. 
 
Segundo relatório da Agência Nacional de Águas, ao menos 45 barragens estão vulneráveis no país. Rachaduras, in ltrações
e ausência de documentos que comprovem a segurança são algumas das irregularidades identificadas.
 
Torna-se claro que há uma falha coletiva, institucional. Autoridades estaduais e federais não atuaram como deve-riam, e o
mesmo se diga da Vale, sobretudo pela reincidência – a mineradora foi corresponsável pela tragédia da Samarco. 
 
Diante da nova catástrofe consumada, o Ibama multou a Vale – a conferir se a penalidade será paga –, enquanto a Justiça
determinou o bloqueio de bilhões de reais para garantir reparação de danos. Ao mesmo tempo, Polícia Federal e Ministério
Público mostram-se empenhados em investigar as causas e identificar os culpados. 
 
Tais iniciativas, porém, serão inúteis se perderem ímpeto com o tempo. Elas precisam ser efetivas e exemplares, pois só
assim ajudarão a impedir um terceiro desastre. 
 
(Editorial. Folha de S.Paulo, 28.01.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido figurado.
A Algumas lições preliminares, entretanto, já podem ser extraídas desse lamentável desastre.
B ... pelo colapso de uma barragem da Samarco, que varreu do mapa a localidade de Bento Rodrigues (MG)
C A não ser, por óbvio, as suspeitas medidas usuais: instalaram-se comissões para tratar do assunto.
D Segundo relatório da Agência Nacional de Águas, ao menos 45 barragens estão vulneráveis no país.
E ... Polícia Federal e Ministério Público mostram-se empenhados em investigar as causas e identificar os
culpados.
Essa questão possui comentário do professor no site 481854839
Questão 69 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido denotativo próprio ou literal
Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Mais um desastre
Ainda demorará um tanto até que o impacto humano e ambiental do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) possa
ser propriamente avaliado. Algumas lições preliminares, entretanto, já podem ser extraídas desse lamentável desastre.
A primeira deriva do fato acabrunhante de que não se trata de tragédia inédita no gênero. Há apenas três anos o país
consternou-se diante das 19 mortes e da incrível devastação desencadeadas pelo colapso de uma barragem da Samarco,
que varreu do mapa a localidade de Bento Rodrigues (MG).
Pouco ou quase nada se fez desde então. A não ser, por óbvio, as suspeitas medidas usuais: instalaram-se comissões para
tratar do assunto. Resultado? Nenhum.
Segundo relatório da Agência Nacional de Águas, ao menos 45 barragens estão vulneráveis no país. Rachaduras, in ltrações
e ausência de documentos que comprovem a segurança são algumas das irregularidades identificadas. 
Torna-se claro que há uma falha coletiva, institucional. Autoridades estaduais e federais não atuaram como deveriam, e o
mesmo se diga da Vale, sobretudo pela reincidência – a mineradora foi corresponsável pela tragédia da Samarco.
Diante da nova catástrofe consumada, o Ibama multou a Vale – a conferir se a penalidade será paga –, enquanto a Justiça
determinou o bloqueio de bilhões de reais para garantir reparação de danos. Ao mesmo tempo, Polícia Federal e Ministério
Público mostram-se empenhados em investigar as causas e identificar os culpados.
Tais iniciativas, porém, serão inúteis se perderem ímpeto com o tempo. Elas precisam ser efetivas e exemplares, pois só
assim ajudarão a impedir um terceiro desastre. 
(Editorial. Folha de S.Paulo, 28.01.2019. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
• Há apenas três anos o país consternou-se diante das 19 mortes e da incrível devastação... (2º parágrafo)
• Diante da nova catástrofe consumada, o Ibama multou a Vale... (6ºparágrafo)
• Tais iniciativas, porém, serão inúteis se perderem ímpeto com o tempo. (7º parágrafo)
No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
A abateu-se; planejada; emoção.
B chocou-se; prevista; objetivo.
C paralisou-se; completada; brandura.
D escandalizou-se; aproximada; segurança.
E entristeceu-se; concluída; força.
Essa questão possui comentário do professor no site 481846525
Questão 70 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Denotação e conotação
Leia a crônica “Não parta”, de Antonio Prata, para responder a questão abaixo.
Ter trinta e poucos anos signi ca, entre outras coisas, que é praticamente impossível reunir cinco casais num jantar sem que
haja pelo menos uma grávida. E estar na presença de uma grávida signi ca, entre outras coisas, que é praticamente
impossível falar de qualquer outro assunto que não daquele rotundo e miraculoso acontecimento, a desenrolar-se do lado
de lá do umbigo em expansão.
Enquanto a conversa gira em torno dos nomes cogitados, da emoção do ultrassom, dos diferentes modelos de carrinho, o
clima costuma ser agradável e os convivas se aprazem diante da vida que se aproxima. Mas eis então que alguém pergunta:
“e aí, vai ser parto normal ou cesárea?”, e toda possível harmonia vai pra cucuia.
Num extremo, estão as mulheres que querem parir de cócoras, ao pé de um abacateiro, sob os cuidados de uma parteira
de cem anos, tendo como anestesia apenas um chá de or de macaúba e cantigas de roda de 1924. Na outra ponta, estão
as que têm tremedeiras só de pensar em parto normal, pretendem ir direto pra cesárea, tomar uma injeção e acordar
algumas horas depois, tendo no colo um bebê devidamente parido, lavado, escovado, penteado e com aquela pulseirinha
vip no braço, já com nome, número de série e código de barras.
Os dois lados acusam o outro de violência: as naturebas dizem que a cesárea é um choque; as arti cialebas alegam que dar
as costas à medicina é uma irresponsabilidade. Eu, que durante meses ouvi calado as discussões, pesei bastante os
argumentos e cheguei, enfim, a uma conclusão: abaixo o nascimento! Viva a gravidez!
Imaginem só a situação: os primeiros grãos de consciência germinam em seu cérebro. Você boia num líquido morninho –
nem a gravidade, essa pequena e constante chateação, te aborrece. Você recebe alimento pelo umbigo. Você dorme,
acorda, dorme, acorda e jamais tem que cortar as unhas dos pés. Então, de repente, o líquido se vai, as paredes te
espremem, a fonte seca, a luz te cega e, daí pra frente, meu amigo, é só decadência: cólicas, fome, sede, pernilongos,
decepções, contas a pagar. Eis um resumo de nossa existência: nove meses no paraíso, noventa anos no purgatório.
Freud diz que todo amor que buscamos é um pálido substituto de nosso primeiro, único e grande amor: a mãe. Discordo. A
mãe já é um pálido substituto de nosso primeiro, único e grande amor: a placenta. Tudo, daí pra frente – as religiões, os
relacionamentos amorosos, a música pop, a semiótica* e a novela das oito – é apenas uma busca inútil e desesperada por
um novo cordão umbilical, aquele cabo USB por onde fazíamos, em banda larga, o download da felicidade. Do parto em
diante, meu caro leitor, meu caro companheiro de infortúnio, a vida é conexão discada, wi- mequetref e, e em vão nos
arrastamos por aí, atrás daquela impossível protoconexão.
No próximo jantar, se estiver do lado de uma grávida, jogarei um talher no chão e, ao abaixar para pegá-lo, cochicharei bem
rente à barriga: “te segura, garoto! Quando começar a tremedeira, agarra bem nas paredes, se enrola no cordão, carca os
pés na borda e não sai, mesmo que te cutuquem com um fórceps, te estendam uma mão falsamente amiga, te sussurrem
belas cantigas de roda, de 1924. Te segura, que o negócio aqui é roubada!”.
(Revista Ser Médico. Edição 57 – Outubro/Novembro/Dezembro de 2011.www.cremesp.org.br. Adaptado)
*semiótica: ciência dos modos de produção, de funcionamento e de recepção dos diferentes sistemas de sinais de
comunicação entre indivíduos ou coletividades.
Assinale a afirmação correta a respeito dos trechos selecionados do texto.
A Em “... outro assunto que não daquele rotundo e miraculoso acontecimento, a desenrolar-se do lado de lá do
umbigo em expansão.” (primeiro parágrafo), nota-se a comparação entre ideias e o emprego da expressão
rotundo e miraculoso em sentido figurado.
B Em “... tendo no colo um bebê devidamente parido, lavado, escovado, penteado e com aquela pulseirinha vip no
braço...” (terceiro parágrafo), nota-se a sequência gradativa de ideias e o emprego da expressão devidamente
parido em sentido figurado. 
C Em “Eis um resumo de nossa existência: nove meses no paraíso, noventa anos no purgatório.” (quinto parágrafo),
nota-se a comparação entre ideias e o emprego das expressões paraíso e purgatório em sentido próprio. 
D Em “... uma busca inútil e desesperada por um novo cordão umbilical, aquele cabo USB por onde fazíamos, em
banda larga, o download da felicidade...” (sexto parágrafo), nota-se a sequência gradativa de ideias e o emprego
da expressão download da felicidade em sentido próprio. 
E Em “... meu caro companheiro de infortúnio, a vida é conexão discada, wi-fi mequetrefe, e em vão nos arrastamos
por aí...” (sexto parágrafo), nota-se a comparação entre ideias e o emprego da expressão conexão discada em
sentido figurado.
 
Essa questão possui comentário do professor no site 449388947
Questão 71 Acepções de uma palavra Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
No contexto do último quadrinho, o verbo esvaziar foi empregado em sentido
A próprio, significando decepcionar.
B próprio, significando limitar a imaginação.
C figurado, significando ensinar o correto.
D figurado, significando reprimir a criatividade.
E figurado, significando bajular.
Essa questão possui comentário do professor no site 367909040
Questão 72 Denotação e conotação
O poder da gentileza
Clóvis, numa viagem de ônibus, escutou o passageiro da frente lhe perguntar: 
− Você se incomodaria se eu recuasse o encosto da minha poltrona?
O sotaque carregado do jovem japonês deixou Clóvis admirado. Não havia dúvida: o rapaz queria mesmo saber se afastar a
poltrona iria incomodá-lo. Em poucos segundos, Clóvis reconheceu que havia vivido uma experiência de grande valor. Ele é
daqueles que se encantam mais por pessoas e suas atitudes do que por outras atrações do mundo. Ali, no interior daquele
ônibus, alguém tinha considerado, na hora de agir, os afetos de outra pessoa.
E o jovem só reclinou a poltrona um pouquinho. Clóvis pensou nas tantas longas viagens que fez, deixando-se desmoronar
como um prédio nos assentos marcados e recuando encostos com a rudeza de quem percebe o mundo como princípio e
fim, apenas pensando em si mesmo, no próprio prazer e conforto. 
Aquele passageiro japonês tinha ensinado algo precioso a Clóvis, o que sua mãe chamaria de “bons modos”. Um jeito
melhor de se comportar, de agir, de conviver. 
Daquele dia em diante, Clóvis nunca mais reclinou o encosto do seu assento sem consultar o passageiro de trás.
(Clóvis de Barros. Shinsetsu: o poder da gentileza. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada no sentido figurado.
A ... escutou o passageiro da frente lhe perguntar...
B ... o rapaz queria mesmo saber...
C ... deixando-se desmoronar como um prédio...
D Clóvis reconheceu que havia vivido uma experiência...
E E o jovem só reclinou a poltrona um pouquinho.
Essa questão possui comentário do professor no site 348657222
Questão 73 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A força do movimento feminista é uma característica da década atual. As passeatas e manifestações em defesa das
mulheres e contra a violência sexual, o coro unido do “Não é não”, a dissonância política são demonstrações inequívocas
disso. De certa maneira, ecoam movimentos contestadores que surgiram desde 2008, como os protestosdo
acampamento “Occupy Wall Street” nos Estados Unidos, as grandes manifestações na Índia contra o estupro e as passeatas
gigantescas na Argentina em defesa do direito ao aborto.
No campo intelectual, pesquisadoras mundo afora se debruçaram na busca por respostas a questões complexas: que
resultados as antigas feministas conseguiram e quão adequados eles foram para as necessidades das mulheres? Que
mudanças foram trazidas globalmente para alterar relações injustas de gênero? O poder masculino na esfera pública ruiu na
mesma velocidade que na esfera particular ou se transferiu de um polo para outro?
Não são poucos os estudos a apontar que os avanços na igualdade de gênero têm andado de mãos dadas com o
crescimento da desigualdade socioeconômica pelo mundo.
A britânica Susan Watkins, editora da revista New Left Review , publicou um longo ensaio em que analisa as principais
conquistas do feminismo global nos últimos 25 anos. Disse que, sem dúvida, o maior ganho foi um notável avanço de
conhecimento, com a expansão da coleta de dados, estudos de campo e análise comparativa.
“A mudança social concreta atribuível à agenda feminista global, entretanto, tem sido menor e está em grande parte
concentrada no topo da pirâmide social. O mais signi cativo tem sido o aumento de mulheres jovens no ensino superior, em
parte devido à expansão dos sistemas universitários na China, no Oriente Médio e na América Latina. No plano político, a
proporção total de mulheres nos parlamentos nacionais aumentou de 12% em 1997 para 24% em 2017, com alguns dos
maiores aumentos na América Latina (53% na Bolívia); a e ciência com que essas gestões femininas representam os
interesses das mulheres, uma vez eleitas, é outra questão”, analisou.
(Victor Calcagno, “Sobre o feminismo”. Época, 17.06.2019. Adaptado)
Identifica-se trecho com termos empregados em linguagem figurada em:
A ... que resultados as antigas feministas conseguiram e quão adequados eles foram para as necessidades das
mulheres? (2º parágrafo)
B ... ecoam movimentos contestadores que surgiram desde 2008, como os protestos do acampamento “ Occupy
Wall Street” nos Estados Unidos... (1º parágrafo)
C ... os avanços na igualdade de gênero têm andado de mãos dadas com o crescimento da desigualdade
socioeconômica pelo mundo. (3º parágrafo)
D A britânica Susan Watkins [...] publicou um longo ensaio em que analisa as principais conquistas do feminismo
global nos últimos 25 anos. (4º parágrafo)
E O mais significativo tem sido o aumento de mulheres jovens no ensino superior, em parte devido à expansão dos
sistemas universitários... (5º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 291853975
Questão 74 Denotação e conotação
Pais e filhos: tão perto, tão longe
Valdeli Vieira
A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado
o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta. 
Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que
atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões,
compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos
correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos
demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o
tempo. 
Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas
por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão. 
Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos car mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na
nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos
distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro. 
Educar lhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que,
embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos
essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as
crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças
em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso
silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.
(Valdeli Vieira Pais e lhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E:
https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS. Acesso 10.06.2019)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão em sentido figurado.
A … hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão.
B … uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia.
C … é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação…
D … porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.
E Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo…
Essa questão possui comentário do professor no site 263377278
Questão 75 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto
Sempre acreditei que um texto, para ser “bem escrito”, deveria ser conciso, claro e verdadeiro. O problema é quando a
concisão compromete a clareza. As siglas, por exemplo. Nada mais conciso do que elas. Mas serão claras? Só se você
souber previamente o que signi cam. Um absurdo de siglas circula hoje alegremente pela língua – nem sempre identi cadas
entre parênteses –, o que nos obriga a piruetas mentais para saber qual é o quê. Como é impossível saber todas, a sigla é a
língua estrangulada.
(Ruy Castro. A língua estrangulada. Folha de S.Paulo, 22.03.2019. Adaptado)
Há emprego de linguagem em sentido figurado na seguinte frase do texto:
A Sempre acreditei que um texto, para ser “bem escrito”, deveria ser conciso...
B Nada mais conciso do que elas.
C Só se você souber previamente o que significam.
D ... nem sempre identificadas entre parênteses...
E Como é impossível saber todas, a sigla é a língua estrangulada.
Essa questão possui comentário do professor no site 252614425
Questão 76 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A inveja
Todo mundo conhece os sete pecados capitais e, por séculos, muita gente viveu sob o pêndulo da censura e da
condenação moral por eventual cometimento de um desses pecados. Hoje em dia, quase ninguém mais dá tanta
importância a eles, que mais parecem uma herança esquecida no passado medieval. Mas, ainda assim, um dos sete pecados
encontra-se presente em quase todos nós; em uns mais, em outros menos: a inveja. 
Melanie Klein, uma das guras centrais da história da psicanálise, realizou estudos sobre esse assunto e concluiu que a inveja
é um sentimento negativo que o ser humano começa a desenvolver desde os primeiros tempos da infância e que, como
regra geral, acompanha a pessoa por toda a vida. Ninguém gosta de admitir, mas todos nós, em algum momento, sentimos
inveja de alguém, por uma razão ou outra. Segundo os especialistas, isso é natural. 
O problema são aquelas pessoas que, de tão invejosas, acabam por car cegas para as suas próprias potencialidades. São
pessoas que dedicam a sua existência a admirar e desejar intensamente tudo o que pertence aos outros. Como não
conseguem tomar para si as coisas ou qualidades dos outros, passam a desejar a destruição daquilo que tanto admiram. Daí
a negatividade da inveja. 
Entre os inúmeros ditados que falam sobre a inveja, há um bem interessante: “Não grite a sua felicidade, pois a inveja tem
sono leve”.
(João Francisco Neto. Diário da Região,19.10.2019. Adaptado)
Na expressão “pêndulo da censura e da condenação moral”, o termo destacado está empregado em sentido
A figurado e associado à ideia de desejo.
B figurado e associado à ideia de ameaça.
C próprio e associado à ideia de certeza.
D próprio e associado à ideia de oscilação.
E próprio e associado à ideia de determinação.
Essa questão possui comentário do professor no site 252390762
Questão 77 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Como controlar as brigas de casal?
Todo casal briga. Às vezes, por uma questão de momento, um dos dois está estressado e acaba descontando no parceiro.
Ou então, os dois estão nervosos e a situação piora ainda mais. Só que, quando essas brigas acontecem a todo momento e
são graves a ponto de atrapalhar a vida de casal, é sinal de que algo não vai bem no relacionamento.
Existem vários tipos de casais. Aqueles que brigam a cada cinco minutos, mas são pequenas discussões leves e tudo volta
ao normal rapidamente. E há aqueles que, quando brigam, é por algo mais sério, gerando uma grande batalha entre
argumentos e pontos de vista. O que não é saudável para um relacionamento é quando as brigas se tornam momentos de
agressão e xingamentos, quando as opiniões se tornam uma chuva de desaforos. Isso mostra que o respeito e a tolerância
já não fazem mais parte do relacionamento.
Brigar com frequência também acaba gerando um desgaste na relação. Justamente por isso, é bom evitar essa situação se
realmente não for um motivo válido. E, mesmo que seja, é preciso aprender a ter uma discussão respeitosa e que renda
bons frutos.
(Disponível em: http://www.psicologosberrini.com.br. Acesso em: 06.10.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A ... um dos dois está estressado...
B Existem vários tipos de casais.
C E há aqueles que, quando brigam, é por algo mais sério...
D ... as opiniões se tornam uma chuva de desaforos.
E ... evitar essa situação se realmente não for um motivo válido.
Essa questão possui comentário do professor no site 252259384
Questão 78 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
As grandes metrópoles brasileiras são marcadas por profundas desigualdades que se expressam em uma distribuição muito
desequilibrada das condições de moradia, saúde, mobilidade e em outros aspectos. Em uma mesma cidade, é possível
encontrar bairros cujo índice de desenvolvimento se assemelha aos de países mais desenvolvidos, enquanto outros se
comparam a países marcados por fragilidades sociais. Isso faz com que o bairro ou a região em que a pessoa vive in uencie
nas suas oportunidades de ser atendido por um bom hospital, obter um bom emprego ou frequentar uma boa escola,
determinando suas chances de ascender socialmente. Interessados nesse último ponto, procuramos veri car como a
distribuição desigual das oportunidades escolares no espaço urbano in uencia as decisões escolares das famílias,
favorecendo-as ou desfavorecendo-as, de acordo com a posição que viviam no território. Para isso, estudamos duas
regiões de Belo Horizonte que se diferenciavam no per l social de seus moradores, bem como em relação à distribuição
de oportunidades sociais. Procuramos entender então como a desigualdade urbana in uencia os percursos escolares.
Apesar de a sociologia da educação no Brasil contar com muitos estudos dedicados aos efeitos da renda, escolaridade, ou
mesmo das características das escolas, que in uenciam as desigualdades escolares, poucos estudos nacionais investigaram
especialmente o peso dos fatores urbanos sobre a escolarização, o que nos motivou a oferecer subsídios para
compreender como o espaço urbano é relevante para entender as trajetórias escolares dos estudantes.
(Gustavo Bruno de Paula e Maria Alice Nogueira. Como a desigualdade urbana in uencia percursos escolares.
www.nexojornal.com.br, 15.05.2019. Adaptado)
Um vocábulo usado em sentido conotativo no contexto em que se encontra está em destaque em:
A As grandes metrópoles brasileiras são marcadas por profundas desigualdades…
B … obter um bom emprego ou frequentar uma boa escola, determinando suas chances de ascender socialmente.
C Procuramos entender então como a desigualdade urbana influencia os percursos escolares.
D … o que nos motivou a oferecer subsídios para compreender como o espaço urbano é relevante para entender
as trajetórias escolares dos estudantes.
Essa questão possui comentário do professor no site 241737863
Questão 79 Linguagem coloquial ou norma popular Norma culta ou norma padrão Ambiguidade
A fala do segundo mosquito caracteriza-se por conter termos empregados em sentido
A figurado, os quais reforçam a ideia de proliferação das doenças.
B coloquial, os quais mostram o bom humor na referência às doenças.
C próprio, os quais enfatizam a falta de combate às novas doenças.
D ambíguo, os quais ironizam o perigo que as doenças representam.
E formal, os quais apregoam a necessidade de se evitarem as doenças.
Essa questão possui comentário do professor no site 240945045
Questão 80 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A internet mudou o mundo – e também o meu mundo. Os textos agora podem ter o tamanho que exigirem. E descobrir o
seu tamanho é parte do desa o de escrever. Há quem defenda que a internet foi feita para textos curtos e notícias
instantâneas. Só se fôssemos doidos de perder essa chance. Na internet cabem todos os formatos, mas, para jornalistas e
para leitores, talvez a maior conquista seja a ampliação da possibilidade de escrever – e de ler – textos de profundidade,
analíticos, que respeitam a complexidade dos temas. E, assim, ficar menos dependente da disputa por espaço e por páginas,
que, se é importante quando traduz um debate movido pela relevância, é também uma a rmação de poder e de hegemonia
de uma visão de mundo sobre outras. O leitor não gosta de textos longos? Não é o que a audiência tem mostrado. E agora
há como provar. Me parece que na internet o leitor abandona o lugar de entidade quase metafísica, para encarnar em
comentários, compartilhamentos e cliques. Tornando-se, ele mesmo, também um escritor, na medida em que o texto
continua a ser escrito a partir de suas observações, no acréscimo de nuances e argumentos. A leitura evolui para um debate
– o que antes era vertical se horizontaliza. Acredito que uma parte signi cativa dos leitores não avalia ou decide sua leitura
pelo tamanho do texto, mas pelo tamanho do respeito pelo seu tempo e pela sua inteligência. Por aquilo que o texto faz
ecoar nele – mesmo quando o incomoda.
(Eliane Brum. A menina quebrada. Porto Alegre, Arquipélago, 2013. Adaptado)
Há palavras com evidente sentido figurado no seguinte trecho do texto:
A Há quem defenda que a internet foi feita para textos curtos e notícias instantâneas. (1º parágrafo)
B ... o leitor abandona o lugar de entidade quase metafísica, para encarnar em comentários... (2º parágrafo)
C E descobrir o seu tamanho é parte do desafio de escrever. (1º parágrafo)
D O leitor não gosta de textos longos? (2º parágrafo)
E Acredito que uma parte significativa dos leitores não avalia ou decide sua leitura pelo tamanho do texto... (2º
parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 239048281
Questão 81 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Organograma
Dizem que em matéria de organização aquele Ministério é de amargar. De vez em quando um processo cai no vazio e
desaparece para nunca mais. Por quê? Porque o único Ministro que se lembrou de organizá-lo, segundo me contaram, tinha
mania de organização. 
Mania oriunda de uma sensibilidade estética o seu tanto exacerbada, capaz de exteriorizar-se em requintes de planejamento
burocrático. Aparentemente, essa marca de sua personalidade condizia com as altas funções que já lhe cabiam. Mas só
aparentemente: a primazia do fator estético, feito de equilíbrio, proporção e harmonia, passou a ser a determinanteprincipal
de todos os seus atos – tudo mais no Ministério que se danasse. Como no remédio para nascer cabelo: não nascia, mas
dava brilho. 
Dizem que, quando tomou posse do cargo, a primeira coisa que fez foi encomendar a confecção de um artístico
organograma. Quando lhe trouxeram o trabalho, encomendado no Departamento do Pessoal, que por sua vez o
encomendou a um desenhista particular, o Ministro não fez mais nada a não ser estudar a galharia daquela árvore
geométrica, em função da qual as atividades de sua Pasta passariam a desenvolver-se. 
– Este organograma está uma droga. Não posso dependurar uma coisa destas na parede de meu gabinete. 
Pôs-se imediatamente a inventar novas repartições, serviços disso e daquilo – tudo ctício, irreal, imaginário – para
estabelecer o equilíbrio organogramático com departamento disso, departamento daquilo. 
O certo é que o novo organograma foi executado, e todo aquele que tivesse a ventura de penetrar em seu gabinete podia
admirá-lo. 
– Tudo isso sob seu controle, Ministro? 
– Para você ver, meu lho: se não fosse eu, todo esse complexo administrativo já teria desabado para um lado, como uma
árvore desgalhada.
Dizem, mesmo, que até hoje o magní co organograma gura no tal Ministério, como uma das mais importantes realizações
de sua gestão. 
(Fernando Sabino, A mulher do vizinho. Adaptado)
É caracterizada pelo emprego de palavra(s) em sentido figurado a passagem:
A ... a primeira coisa que fez foi encomendar a confecção de um artístico organograma.
B ... o Ministro não fez mais nada a não ser estudar a galharia daquela árvore geométrica...
C ... todo aquele que tivesse a ventura de penetrar em seu gabinete podia admirá-lo.
D ... essa marca de sua personalidade condizia com as altas funções que lhe cabiam.
E Dizem, mesmo, que até hoje o magnífico organograma figura no tal Ministério...
Essa questão possui comentário do professor no site 213396814
Questão 82 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Torneira seca 
Um de cada três domicílios do país não tem acesso à rede de esgoto, informou o IBGE. Um de cada dez não tem
fornecimento de água garantido todo dia, mesmo quando as torneiras estão conectadas ao sistema de abastecimento. 
Os novos dados do instituto revelam que a situação piorou em dez estados nos últimos anos. Eles mostram que os
investimentos têm sido insu cientes não só para ampliar o acesso dos brasileiros ao saneamento básico, mas também para
manter em bom estado a rede implantada. 
É evidente que o poder público perdeu a capacidade de lidar com o problema sozinho há muito tempo – e que não haverá
solução sem mecanismos inteligentes para atrair a participação da iniciativa privada, atualmente responsável por fatia
pequena dos serviços. 
No ano passado, ao editar medida provisória (MP) com novas regras para o setor, o governo abriu caminho para que se
fizesse isso. 
A MP logo perderá a validade se não for aprovada pelos parlamentares. Mas, no exíguo tempo que resta, poucos se
empenham na articulação dos interesses em jogo, e o governo já indicou estar prestes a jogar a toalha. 
Na Câmara dos Deputados, sugeriu-se como alternativa a apresentação de um projeto de lei nos moldes da proposta
enviada originalmente ao Congresso. Mas os sinais de que os participantes da discussão perderam o sentido de urgência
são preocupantes. 
A medida provisória busca desfazer alguns dos principais nós do setor ao concentrar na Agência Nacional de Águas a
definição de normas e diretrizes, evitando a desorganização causada hoje pela atuação de prefeituras e agências locais. 
Além disso, o novo modelo obrigaria os municípios a abrir licitação sempre que vencerem seus contratos com as empresas
estaduais que hoje atendem à maior parte da população, assim estimulando a entrada do capital privado. 
Governadores que se opõem à iniciativa dizem temer que os investidores só se interessem em prestar serviços em regiões
ricas, deixando o resto para as concessionárias públicas. 
Com a iminente expiração da MP, caberá ao governo e ao Congresso encontrar a melhor forma de promover as mudanças
necessárias para destravar o saneamento, com a presteza que as intoleráveis carências do país requerem. 
(Editorial. Folha de S.Paulo, 28.02.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há termo empregado em sentido figurado. 
A Um de cada dez não tem fornecimento de água garantido todo dia… (1º parágrafo) 
B Os novos dados do instituto revelam que a situação piorou… (2º parágrafo) 
C … e o governo já indicou estar prestes a jogar a toalha. (5º parágrafo)
D … deixando o resto para as concessionárias públicas. (9º parágrafo) 
E … com a presteza que as intoleráveis carências do país requerem. (10º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 210167819
Questão 83 Denotação e conotação
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada com sentido figurado. 
A … abrir a porta de casa com os pãezinhos quentinhos no colo. 
B … Fabrício não levaria os pães cabisbaixos, frios e duros…
C Fabrício já salivava imaginando a geleia de morango…
D Não pode nem fechar o saco onde estão os pães… 
E Não existe desentendimento com a mulher…
Essa questão possui comentário do professor no site 209836629
Questão 84 Denotação e conotação
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão em sentido figurado.
A O Paraguai foi certificado por ter eliminado a malária de seu território em junho deste ano.
B A Argentina está trilhando o caminho para obter sua certificação em 2019.
C ... o que põe em risco a consecução das metas de redução e eliminação da doença na região até 2030.
D Muitos dos afetados são populações indígenas, pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade...
E A eliminação da malária está mais próxima do que nunca.
208352203
Questão 85 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Há flagrante emprego de linguagem figurada na seguinte passagem:
A Ao filósofo americano Daniel Dennett, os editores da revista Edge perguntaram... (1º parágrafo)
B “Em 2013, o que deve nos preocupar?” (1º parágrafo)
C ... os países pobres, que não teriam acesso à nova tecnologia e a seus aparelhos. (1º parágrafo)
D E citou a lista daquilo com que devemos nos preocupar... (2º parágrafo)
E ... milhares de Davis, porém, estão rapidamente aprendendo o que precisam. (2º parágrafo)
62128631
Questão 86 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder a questão a seguir.
Visitando a psicóloga
No m do Ensino Médio, Fabrício vivia brigando com os colegas, desa ando os professores, respondendo desaforado aos
pais. Óbvio que foi forçado a visitar a psicóloga da escola. Prometeu a si mesmo que lacraria a boca, ficaria calado durante a
consulta inteira, faria terrorismo com a quietude. Não achava justo ser obrigado a se analisar e ainda mais numa época em
que a terapia estava vinculada preconceituosamente à loucura.
Fabrício se ajeitou na poltrona com o estojo e caderno debaixo do braço e a indisposição absoluta de colaborar com a
psicóloga. Mas ela não questionou nada, e o silêncio inesperado dela foi enervando Fabrício. Ela o observava com
interesse, e ele querendo cada vez mais se esconder. Quando alguém permanece quieto muito tempo em nossa frente é
como encarar um espelho e o tamanho das dúvidas. Ela o provocava não o provocando, ela o emparedava abrindo todas
as portas. Aquela liberdade assustadora de não ser cobrado a participar o aprisionava.
Fabrício mexeu no estojo para se distrair. Ela perguntou se ele poderia emprestar-lhe uma caneta. Ele pegou uma Bic azul. A
psicóloga viu que a tampa estava mordida. Olhou com carinho e comentou:
─ Enquanto não morder o tubo, está tudo bem.
Ele riu de nervoso e demonstrou curiosidade.
─ Morder a tampa significa alguma coisa?
─ Signi ca que não fecha as conversas, que foge das discussões com medo de dizer a verdade, que reprime o desejo e vira
as costas remoendo sozinho as suas frustrações e decepções, jamais repartindo a sua verdadeiraopinião.
Fabrício não revelou coisa alguma durante uma hora do encontro, mas ela o decifrou inteiramente apenas analisando a
tampa mordida da caneta. Uma mera, idiota e banal tampinha iluminou o seu comportamento.
A partir daquele dia, Fabrício nunca mais subestimou a psicologia e cuidou para morder somente a insossa borracha nos
momentos de maior ansiedade. Aprendeu que o que se sente ou se deixa de sentir está impresso nos mínimos gestos.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra empregada com sentido figurado.
A Óbvio que foi forçado a visitar a psicóloga da escola.
B Prometeu a si mesmo que lacraria a boca...
C ... ficaria calado durante a consulta inteira.
D Mas ela não questionou nada.
E Fabrício se ajeitou na poltrona...
Essa questão possui comentário do professor no site 62122818
Questão 87 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Um boi vê os homens
Tão delicados (mais que um arbusto) e correm e correm de um para o outro lado, sempre esquecidos de [alguma coisa.
Certamente falta-lhes não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente
graves, até sinistros. Coitados, dir-se-ia que não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como também
parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço. E cam tristes e no rasto da tristeza chegam
à crueldade. Toda a expressão deles mora nos olhos – e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra. Nada nos
pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que
impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e [necessárias. Têm, talvez, certa graça melancólica (um
minuto) e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda e o [translúcido vazio interior que os torna tão pobres e
carecidos de emitir sons absurdos [e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós), sons que se despedaçam e
tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.
(Carlos Drummond de Andrade. Reunião: 10 livros de poesia. Ed. José Olympio. São Paulo, 1977).
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A ... sons que se despedaçam e tombam no campo...
B ... que impossibilidade de se organizarem...
C ... e correm e correm de um para o outro lado...
D ... sempre esquecidos de alguma coisa.
E Certamente falta-lhes não sei que atributo essencial...
Essa questão possui comentário do professor no site 62089968
Questão 88 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado.
A … inevitavelmente, um deles salta da pilha para as nossas mãos.
B Nada disso me faz falta, assim como o livro e a livraria a eles.
C Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita.
D Comentei que também gostava de todos os táxis…
E Tenho amigos que não leem e não frequentam livrarias.
Essa questão possui comentário do professor no site 62079501
Questão 89 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O padeiro
Levanto cedo, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão
costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”
– uma greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã
com pão dormido conseguirão não sei bem o quê do governo.
Está bem. E enquanto tomo meu café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha
deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
“Então você não é ninguém?”
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma
casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando
quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim cara
sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu preferi não o deter para explicar que estava
falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho
noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros
exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além
de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou um artigo em meu nome. O jornal e o pão
estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre
todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”
E assobiava pelas escadas.
(Rubem Braga. Para gostar de ler. Vol. 1 – crônicas. São Paulo: Ática, 1979. Adaptado)
Assinale a alternativa que se caracteriza pelo emprego de palavra ou expressão em sentido figurado.
A Era pela madrugada que deixava a redação de jornal... 
B ... ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento... 
C ... e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem... 
D Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. 
E E enquanto tomo meu café vou me lembrando de um homem modesto...
Essa questão possui comentário do professor no site 4001051410
Questão 90 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Ei-lo agora, adolescente recluso em seu quarto, diante de um livro que não lê. Todos os seus desejos de estar longe
erguem, entre ele e as páginas abertas, uma tela esverdeada que perturba _____ linhas. Ele está sentado diante da janela, a
porta fechada _____ costas. Página 48. Ele não tem coragem de contar as horas passadas para chegar _____ essa
quadragésima oitava página. O livro tem exatamente quatrocentas e quarenta e seis. Pode-se dizer 500 páginas! Se ao
menos tivesse uns diálogos, vai. Mas não! Páginas completamente cheias de linhas apertadas entre margens minúsculas,
negros parágrafos comprimidos uns sobre os outros e, aqui e acolá, a caridade de um diálogo – um travessão, como um
oásis, que indica que um personagem fala _____ outro personagem. Mas o outro não responde. E segue-se um bloco de
doze páginas! Doze páginas de tinta preta! Falta de ar! Ufa, que falta de ar! Ele xinga. Muitas desculpas, mas ele xinga. Página
quarenta e oito... Se ao menos conseguisse lembrar do conteúdo dessas primeiras quarenta e oito páginas!
(Daniel Pennac. Como um romance, 1993. Adaptado)
No texto, um dos trechos construídos com palavras e expressões em sentido próprio é
A “Se ao menos conseguisse lembrar do conteúdo dessas primeiras quarenta e oito páginas!”, o qual revela o
pensamento do adolescente e, ao mesmo tempo, sinaliza sua dispersão na leitura.
B “Ele está sentado diante da janela, a porta fechada...”, o qual remete à ideia de que o adolescente, tendo de
realizar a tarefa de ler, fica circunspecto, analisando-se frente à situação imposta.
C “Todos os seus desejos de estar longe erguem, entre ele e as páginas abertas, uma tela esverdeada que
perturba...”, o qual remete à ideia de que o adolescente queria estar em outro lugar.
D “Páginas completamente cheias de linhas apertadas entre margens minúsculas, negros parágrafos comprimidos
uns sobre os outros...”, o qual mostra a percepção objetiva que o adolescente tem da leitura.
E “... e, aqui e acolá, a caridade de um diálogo – um travessão,como um oásis, que indica que um personagem
fala...”, o qual indica que, aos poucos, o adolescente vai se interessando pelo livro.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000675165
Questão 91 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Ai, Gramática. Ai, vida.
O que a gente deve aos professores!
Este pouco de gramática que eu sei, por exemplo, foram Dona Maria de Lourdes e Dona Nair Freitas que me ensinaram. E
vocês querem coisa mais importante do que gramática? La grammaire qui sait régenter jusqu’aux rois – dizia Molière: a
gramática que sabe reger até os reis, e Montaigne: La plus part des ocasions des troubles du monde sont grammairiens – a
maior parte de confusão no mundo vem da gramática.
Há quem discorde. Oscar Wilde, por exemplo, dizia de George Moore: escreveu excelente inglês, até que descobriu a
gramática. (A propósito, de onde é que eu tirei tantas citações? Simples: tenho em minha biblioteca três livros contendo
exclusivamente citações. Para enfeitar uma crônica, não tem coisa melhor. Pena que os livros são em inglês. Aliás, inglês eu
não aprendi na escola. Foi lendo as revistas MAD e outras que vocês podem imaginar).
Discordâncias à parte, gramática é um negócio importante e gramática se ensina na escola – mas quem, professoras, nos
ensina a viver? Porque, como dizia o Irmão Lourenço, no schola sed vita – é preciso aprender não para a escola, mas para a
vida.
Ora, dirão os professores, vida é gramática. De acordo. Vou até mais longe: vida é pontuação. A vida de uma pessoa é
balizada por sinais ortográ cos. Podemos acompanhar a vida de uma criatura, do nascimento ao túmulo, marcando as
diferentes etapas por sinais de pontuação.
Infância: a permanente exclamação:
Nasceu! É um menino! Que grande! E como chora! Claro, quem não chora não mama!
Me dá! É meu!
Ovo! Uva! Ivo viu o ovo! Ivo viu a uva! O ovo viu a uva!
Olha como o vovô está quietinho, mamãe!
Ele não se mexe, mamãe! Ele nem fala, mamãe!
Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste! Criança não verás nenhum país como este!
Dá agora! Dá agora, se tu és homem! Dá agora, quero ver!
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, 1996. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há expressão(ões) empregada(s) em sentido figurado.
A Oscar Wilde, por exemplo, dizia de George Moore: escreveu excelente inglês, até que descobriu a gramática.
B Aliás, inglês eu não aprendi na escola. Foi lendo as revistas MAD e outras que vocês podem imaginar.
C Este pouco de gramática que eu sei, por exemplo, foram Dona Maria de Lourdes e Dona Nair Freitas que me
ensinaram.
D Ora, dirão os professores, vida é gramática. De acordo. Vou até mais longe: vida é pontuação.
E Simples: tenho em minha biblioteca três livros contendo exclusivamente citações.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000675140
Questão 92 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder à questão
Frei Caneca e a Virgem Maria
No dia 13 de janeiro de 1825, um condenado caminhava com passos rmes na direção da forca, no centro do Recife. Era o
frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o lendário Frei Caneca, lutador incansável pela independência do Brasil. Ele tinha
participado da revolta da Confederação do Equador, sufocada pelo governo de Pernambuco. Vestia o hábito da Irmandade
da Madre de Deus. Sob o olhar curioso da multidão, foi submetido ao degradante ritual da desautoração*, perdendo os
direitos eclesiásticos, para que pudesse enfrentar o suplício da forca.
Impassível e altivo, deixou que os monges despissem suas vestes sagradas. Permaneceu rme quando recebeu na tonsura**
o golpe simbólico da excomunhão. O carrasco já se preparava para o gesto fatal, quando recuou, com o rosto pálido,
dizendo que a Virgem Maria estava junto ao condenado. Veio então o ajudante do carrasco, que também se recusou a
executar Frei Caneca, diante da visão da Virgem Maria. Aí foram buscar dois escravos. E esses, mesmo duramente
açoitados, negaram-se a participar da execução. O juiz mandou trazer dois presos da cadeia pública e lhes ofereceu a
liberdade em troca da execução de Frei Caneca. E eles igualmente se negaram, alegando a visão da Virgem Maria.
Mas era preciso matar Frei Caneca de qualquer jeito, como exemplo para desencorajar futuros conspiradores. O juiz então
ordenou que ele fosse fuzilado. Percebendo que os soldados tremiam com as armas na mão, Frei Caneca procurou exortá-
los:
– Vamos, meus amigos. Não me façam sofrer muito. Virgem Maria há de compreender os vossos temores. Tenham fé, ela já
os perdoou.
E os tiros provocaram um arrepio na multidão silenciosa.
(Eloy Terra. 500 anos: Crônicas pitorescas da história do Brasil. Adaptado)
*Desautoração: privação da dignidade do cargo, como medida punitiva.
**Tonsura: corte redondo dos cabelos no topo da cabeça dos clérigos.
A frase em que a palavra destacada está empregada em sentido conotativo (figurado) é:
A Ele tinha participado da revolta da Confederação do Equador, sufocada pelo governo de Pernambuco.
B Impassível e altivo, deixou que os monges despissem suas vestes sagradas.
C Mas era preciso matar Frei Caneca de qualquer jeito, como exemplo para desencorajar futuros conspiradores.
D E esses, mesmo duramente açoitados, negaram-se a participar da execução.
E Vestia o hábito da Irmandade da Madre de Deus.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000536260
Questão 93 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O oi é importante. É o mínimo de civilidade e pode ser legal, também, se a pessoa não for mala. Você encontra o
conhecido na festa. Há uma surpresa genuína, “Ah, você!”, “Olha só!”, “Há quanto tempo!”. Vocês pensam um pouco:
quanto, mesmo? “Foi na casa do Ricardo, aquele churrasco?”.
“Não, depois do churrasco a gente se trombou na Virada Cultural.” “A Virada Cultural não foi antes da casa do Ricardo?!”.
“Não sei. Na casa do Ricardo você contou que tinha acabado de tirar o aparelho, tava reclamando que precisou usar
aparelho, adulto”. “Ah, então foi depois da Virada. Eu tava de aparelho na Virada. Foi 2011!”. “E o Ricardo? Tem visto o
Ricardo?”. Ele diz que não. O Ricardo separou. Agora mora em Natal.
O tchau não é assim. O tchau é mentira do começo ao m. Você se despede e em vez da surpresa do encontro surge uma
pequena culpa por estar partindo. Aí você fala, depois do abraço, “Ah, a gente precisa se ver mais!”. Balela.
Se o oi te deixou com uma sensação boa, o tchau é emissão de papel moeda afetivo sem lastro e a in ação que começa ali
desvaloriza até a alegria produzida pelo oi.
(Antonio Prata, Contra o tchau. Folha de S.Paulo. 03.06.2018. Adaptado)
Há expressão empregada em sentido figurado na passagem:
A ... e pode ser legal, também, se a pessoa não for mala. (1ºparágrafo)
B Você encontra o conhecido na festa. Há uma surpresa genuína... (1º parágrafo)
C “... tava reclamando que precisou usar aparelho, adulto”. (2ºparágrafo)
D Ele diz que não. O Ricardo separou. Agora mora em Natal. (2ºparágrafo)
E Aí você fala, depois do abraço, “Ah, a gente precisa se ver mais!” (3º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000195618
Questão 94 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido denotativo próprio ou literal
Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Evitar campanhas de desinformação no Whatsapp pode ser uma tarefa hercúlea, principalmente em razão da criptogra a
que impede que terceiros acessem as mensagens. É o que explica Fabrício Benevenuto, professor de ciência da
computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). frente do projeto Eleições Sem Fake, o acadêmico
reconhece que mentiras podem ser espalhadas em qualquer meio, mas alguns fatores tornam o Whatsapp um terreno
especialmente fértil ao boato.
Aliadas descrença generalizada, as facilidades que acompanham o Whatsapp enchem os olhos de muita gente. Benevenuto
comentou que diversas operadoras oferecem pacotes em que o uso do aplicativoé gratuito, mesmo que as pessoas não
tenham internet para acessar outras plataformas. “Isso é perigoso no sentido de que a pessoa passa ver notícia através do
Whatsapp. O acesso grande mídia é menor. A checagem de fatos também é menor. Para ler alguns sites, é preciso pagar;
mas no aplicativo, a informação de má qualidade chega gratuita e incluída no plano.” 
(https://epoca.globo.com. Adaptado)
No texto, está empregada em sentido figurado e corretamente associada ao seu significado a expressão
A “tarefa hercúlea”, remetendo ao sentido de amenidade.
B “em qualquer meio”, remetendo ao sentido de mídia impressa.
C “terreno especialmente fértil”, remetendo ao sentido de infecundo.
D “enchem os olhos”, remetendo ao sentido de atração.
E “é preciso pagar”, remetendo ao sentido de ser explorado.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000193069
Questão 95 Denotação e conotação
Paisagem com figuras
Em meados dos anos 60, o poeta João Cabral de Mello Neto jantava na cantina Fiorentina, no Leme, com seus colegas
Fernando Pessoa Ferreira e Felix de Athayde, pernambucanos como ele. Em certo momento, ouviu-se um rumor na
varanda e João Cabral perguntou o que estava acontecendo. “É o Chacrinha, que acabou de chegar”, informou Fernando.
“Chacrinha? Quem é Chacrinha?”, quis saber João Cabral. “É um apresentador de tevê, muito famoso”, disseram. Cônsul do
Brasil em Barcelona, com raras vindas ao Rio e famoso por não se interessar por música e tomar dez aspirinas por dia para a
dor de cabeça, o poeta estava por fora do que acontecia por aqui.
E, mesmo que estivesse a par, não podia haver ninguém menos Chacrinha do que João Cabral. Na sua poesia grave e
desidratada, altamente cerebral, as palavras eram de pedra; os cães, sem plumas; e as facas, só lâminas. Já Chacrinha, o
divino palhaço, era o barroco em Technicolor, embora a tevê ainda fosse em preto e branco. Em seu programa,
apresentava os piores cantores do Brasil, atirava bacalhau para a plateia e promovia concursos de comer barata. Os
comunicólogos ainda não o tinham descoberto como símbolo do “mau gosto genial”.
Chacrinha entrou ventando pela Fiorentina, cercado de dez ou quinze aspones. Ao passar pela mesa de João Cabral,
estacou e olhou-o xamente. Então, abriu os braços e exclamou: “Cabral!!!”. O poeta levou um susto, mas não deixou a bola
cair: “Abelardo!!!”, respondeu. Levantou-se no ato e os dois se jogaram nos braços um do outro, aos soluços.
O poeta João Cabral de Mello Neto e o apresentador Abelardo “Chacrinha” Barbosa, colegas de curso primário no
Colégio Marista, do Recife, e que não se viam havia mais de 30 anos, tinham acabado de se reencontrar, reconhecer e
abraçar. É o Brasil.
(Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2018)
Está empregada com sentido figurado a palavra destacada no seguinte trecho do texto:
A … ouviu-se um rumor na varanda… (1° parágrafo)
B … com raras vindas ao Rio… (2° parágrafo)
C Os comunicólogos ainda não o tinham descoberto… (3° parágrafo)
D Chacrinha entrou ventando pela Fiorentina… (4° parágrafo)
E O poeta levou um susto… (4° parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000137431
Questão 96 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
As ciências e as humanidades
 Os grandes pensadores do Iluminismo eram tanto cientistas, muitos com grandes contribuições à matemática, às ciências
da natureza e à física, como filósofos que refletiam sobre nossa condição humana compartilhada. Posteriormente, dentro de
uma lógica instrumental, por razões didáticas e para possibilitar maior profundidade nas abordagens, optamos por
especializar os domínios de saber e pesquisa.
 Isso nos trouxe inúmeras vantagens e permitiu que avanços importantes ocorressem em áreas mais diversas. Mas foram
igualmente relevantes as perdas: o mundo real não é separado em disciplinas, ele apresenta problemas a desa ar nossa
inventividade e senso de justiça.
 Precisamos ter mecanismos para religar os saberes, tanto na prática pro ssional e de pesquisa como na educação das
novas gerações que terão que enfrentar um mundo muito distinto do nosso. Mas, mesmo dentro do que é especí co de
cada domínio de saber, parece que há distâncias intrans poníveis para que se faça uso de ferramentas próprias de qualquer
ciência, como o raciocínio matemático.
 Steven Pinker, psicólogo cognitivista e linguista, ressalta em seu livro recente, “Enlightenment Now” (Iluminismo já), a
importância de análises quantitativas e do uso de evidências científicas nas humanidades. 
 Isso me fez lembrar das nossas di culdades para formar analistas de políticas sociais que não tiveram, no ensino superior,
um aprendizado sólido de estatística e um raciocínio matemático bem desenvolvido. A nal, políticas públicas devem ser
avaliadas em seus resultados e em seu impacto.Dizer que determinado programa educacional é instigante, apaixonante não
quer dizer necessariamente que funciona
para assegurar aprendizado em alto nível para todos. 
 Um dos grandes erros em educação é nos basearmos só em impressões ou adotarmos abordagens em escala sem
testarmos projetos num número menor de escolas para verificar se causam bons resultados de aprendizagem. 
 Isso não quer dizer que as aulas devam ser monótonas ou não engajadoras. Hoje sabemos, graças a boas pesquisas
educacionais que contam com dados qualitativos e quantitativos, que aulas em que alunos participam mais, aplicando
conhecimentos adquiridos em problemas concretos, com bons professores orientando, tendem a dar mais certo.
 (Claudia Costin. Folha de S.Paulo,
03.08.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado, no contexto, está empregado em sentido figurado.
A ... como filósofos que refletiam sobre nossa condição humana compartilhada...
B ... das novas gerações que terão que enfrentar um mundo muito distinto do nosso.
C Isso me fez lembrar das nossas dificuldades para formar analistas de políticas sociais...
D ... um aprendizado sólido de estatística e um raciocínio matemático bem desenvolvido.
E ... num número menor de escolas para verificar se causam bons resultados de aprendizagem.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000133995
Questão 97 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Denotação e conotação
Leia o texto, para responder à questão.
Escravos no século XXI
Esses retratos, junto com muitos outros, formam uma galeria que o país não gosta de ver. São vários Antônios, vários
Franciscos, vários Josés que dão carne e osso a um grande drama brasileiro: o trabalho em condições análogas às de
escravidão. Sim, todas essas pessoas foram escravi- zadas – em pleno século XXI.
Enredadas em dívidas impagáveis, manipuladas pelos patrões e submetidas a situações deploráveis no trabalho, elas
chegaram a beber a mesma água que os porcos, e algumas sofreram a humilhação máxima de ser espancadas, para não
falar de constantes ameaças de morte.
Quando os livros escolares informam que a escravidão foi abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, há exatos 130 anos, ca
faltando dizer que se encerrou a escravidão negra – e que, ainda hoje, a escravidão persiste, só que agora é multiétnica.
Estima-se que atualmente 160 000 brasileiros trabalhem e vivam no país em condições semelhantes às de escravidão – ou
seja, estão submetidos a trabalho forçado, servidão por meio de dívidas, jornadas exaustivas e circunstâncias degra- dantes
(em relação a moradia e alimentação, por exemplo). Comparada aos milhões de africanos trazidos para o país para trabalhar
como escravos, a cifra atual poderia indicar alguma melhora, mas abrigar 160 000 pessoas escravizadas é um escândalo
humano de proporções épicas. Em 1995, o governo federal reconheceu o cialmente a continuidade da- quele crime
inclassificável – e criou uma comissão destinadaa fiscalizar o trabalho escravo. O pior é que, em vez de melhorar, a situação
está ficando mais grave.
(Jennifer Ann Thomas, Veja, 09 de maio de 2018. Adaptado)
Com a expressão em destaque na passagem “…abrigar 160 000 pessoas escravizadas é um escândalo humano de
proporções épicas.”, a autora está afirmando, mediante o emprego de palavras em sentido
A próprio, que a dimensão do escândalo é verídica.
B figurado, que a dimensão do escândalo é comovente.
C figurado, que a dimensão do escândalo é grandiosa.
D próprio, que a dimensão do escândalo é terrível.
E figurado, que a dimensão do escândalo é insana.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000084844
Questão 98 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco certas seitas – as ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por
discípulos ferrenhos, mas suas instituições parecem não responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o
autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las.
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento. Como a tecnologia de então não
lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a psicanálise. Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por
suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele chegou a a rmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades
ilimitadas do qual podemos esperar as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que respostas ela
dará, em poucos decêndios, aos problemas que formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício
de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias. 
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há termo ou expressão empregada em sentido figurado.
A Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento.
B Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las.
C Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício de nossas hipóteses colapsar.
D Como a tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria…
E Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000062786
Questão 99 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A vida não mais nos pertence
Os encontros deveriam ser marcados na última hora. Pena que não funcionam. Agendamos compromissos quando estamos
dispostos de manhã e não nos damos conta da exaustão do nal do dia. Planejamos um cinema, um show, uma balada com
amigos no momento de tranquilidade, e não percebemos que ainda teremos que atravessar um percurso inteiro de
preocupações. Não há como ter conhecimento prévio do estresse que nos espera.
Sempre ocorre um desgaste mental, um jogo de nervos, um dilema moral: será que vou ou não vou?
O contentamento vai desaparecendo lentamente, devido às atribulações da rotina. Somos um ao combinar saídas e outro
completamente diferente na véspera de sair. Não é desamor pelas amizades, não é velhice ou depressão, é simplesmente
cansaço inesperado. Não possuímos controle do que virá pela frente, dos improvisos e desmandos pro ssionais. Somos
sugados pela carga cada vez maior do emprego, pois não descansamos nem um minuto dos apelos das obrigações, dos e-
mails e das ligações. Morreu o lanche da tarde que animava o serviço e renovava o gás – o recreio e a sirene caram
enterrados na vida escolar. A jornada de 8 horas é folclore – não conheço quem não se dedique mais de 12 horas para a
sobrevivência.
Quando um amigo desmarca um encontro, não condeno. Perdoo os furões. Sei que ele também é vítima da insalubridade
digital.
(Fabrício Carpinejar. Disponível em: http://carpinejar.blogspot.com/2018/01/a-vida-nao-mais-nos-pertence.html. Acesso em:
23.08.2018. Fragmento).
Uma frase do texto em que há emprego de palavra(s) em sentido figurado é:
A Os encontros deveriam ser marcados na última hora.
B O contentamento vai desaparecendo lentamente, devido às atribulações da rotina.
C Agendamos compromissos quando estamos dispostos pela manhã…
D Não possuímos controle do que virá pela frente, dos improvisos e desmandos profissionais.
E Morreu o lanche da tarde que animava o serviço e renovava o gás…
Essa questão possui comentário do professor no site 4000062464
Questão 100 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O trabalho dignifica o homem. O lazer dignifica a vida 
“Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida.” A frase do pensador Confúcio tem
sido o mantra de muitos que, embalados pela concepção de que ofício e prazer não precisam se opor, buscam um estilo de
vida no qual a fonte de renda seja também fonte de alegria e satisfação pessoal. A questão é: trabalho é sempre trabalho.
Pode ser bom, pode ser até divertido, mas não substitui a capacidade que só o lazer possui de tirar o peso de um cotidiano
regido por prazos, horários, metas. 
Não são poucas as pessoas que eu conheço que negligenciam o descanso em prol da produção desenfreada, da busca
frenética por resultado, ascensão, status, dinheiro. Algo de errado em querer tudo isso? A meu ver, não. E sim. Não, porque
é digna a recusa à estagnação. Sim, quando ela compromete momentos de entretenimento, minando, aos poucos, a saúde
física e mental de quem acha que sombra e água fresca são luxo e não merecimento.
Recentemente, um construtor com o qual eu conversava me disse que estava havia nove anos sem férias, e lamentou o
pouco tempo passado com os netos. O patrimônio veio de dedicação e empenho, mas custou caro também. Na hora me
perguntei se era realmente preciso escolher entre sucesso e diversão. 
Poucas coisas são tão e cazes na função de honrar alguém quanto o ofício que se exerce. Momentos de pausa, porém,
honram o próprio ofício. A vida se equilibra justamente na possibilidade de converter o dinheiro advindo do esforço em
ingressos para o show da banda preferida, passeios no parque, pipoca quentinha e viagens de barco. 
(Larissa Bittar. Revista Bula. www.revistabula.com. Adaptado
Há palavras empregadas com sentido figurado em:
A “quem acha que sombra e água fresca são luxo e não merecimento” (2º parágrafo).
B “lamentou o pouco tempo passado com os netos” (3º parágrafo).
C “me perguntei se era realmente preciso escolher” (3º parágrafo).
D “um construtor com o qual eu conversava me disse” (3º parágrafo).
E “Não são poucas as pessoas que eu conheço que negligenciam o descanso” (2º parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 4000060490
Questão 101 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
‘Me corrige’, pede o pronome
Uma das principais marcas do português brasileiro permanece alijada da escrita
Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos
últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa
norma culta.
É claro que me re ro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe
que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.
No livro “O cina de Texto”, um guia de redação sensata- mente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos
Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza, colunista da Folha, escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única
regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.
Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça
com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastanteduvidosa” das tais palavras
atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si.
No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo de nitiva: “Pre ra a forma que soar
melhor”. Se você é brasileiro, isso exclui quase certamente a mesóclise, além de limitar a lusitana ênclise. Nossa inclinação é
naturalmente proclítica.
O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o
lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.
Argumentava que “a pronúncia brasileira diversi ca da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar
espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.
Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-
me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.
(Sérgio Rodrigues, “‘Me corrige’, pede o pronome”. Em: Folha de S.Paulo, 02.08.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido figurado.
A No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal... (5° parágrafo)
B Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas... (4° parágrafo)
C No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado... (3°parágrafo)
D Isso inclui pessoas de alta escolaridade... (2° parágrafo)
E Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase... (1° parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 2379602956
Questão 102 Denotação e conotação
Almoço com as estrelas
 Já houve muita discussão sobre a autenticidade de uma das fotos mais famosas de todos os tempos: Lunch atop a
skyscraper (algo como Almoço no topo de um arranha-céu). A teoria mais escandalosa é que a foto seria uma montagem.
Não é. Nos anos 30, quando foi tirada, não havia tecnologia para forjar os personagens num fundo falso. O negativo é de
vidro e encontra-se nos cofres da Agência Corbis.
 Outra teoria: os onze operários estariam ali protegidos por redes. Não. Estão correndo risco, ainda que tenham topado
posar para a foto. Ou seja, não apareceu um fotógrafo do nada ao meio-dia de 20 de setembro de 1932 simplesmente
agrou o almoço da rapaziada. Até porque fotógrafos e modelos estão a quase 250 m de altura, na estrutura de um edifício
na Rua 48, em Nova York.
 Naquele dia, três fotógrafos estiveram na construção, segundo Ken Johnston, diretor de fotos históricas da Corbis. 
 A foto, hoje atribuída a Charles C. Ebbets, foi publicada no dia 2 de outubro de 1932, no jornal The New York Herald
Tribune, e trazia a legenda: “Enquanto milhares de nova-iorquinos se apressam em restaurantes e lanchonetes fervilhantes de
clientes, esses trabalhadores intrépidos obtêm todo o ar e liberdade que querem almoçando sobre uma viga de aço”.
(Aventuras na História, dezembro de 2012. Adaptado)
No último parágrafo, os termos fervilhantes e intrépidos foram empregados:
A ambos em sentido próprio, significando respectivamente cheios e arrojados.
B ambos em sentido figurado, significando respectivamente abarrotados e destemidos.
C o primeiro em sentido próprio e o segundo em sentido figurado, significando respectivamente repletos e
ousados.
D o primeiro em sentido figurado e o segundo em sentido próprio, significando respectivamente lotados e
corajosos.
E o primeiro em sentido figurado e o segundo em sentido próprio, significando respectivamente dependentes e
habilidosos.
Essa questão possui comentário do professor no site 1973732498
Questão 103 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão
Uma amiga me disse que em alguns cursos da Universidade de Princeton o celular e o iPad foram proibidos porque os
estudantes lmavam e fotografavam as aulas, ou simplesmente brincavam com joguinhos eletrônicos. A proibição do uso de
aparelhos eletrônicos em sala de aula numa das maiores universidades dos Estados Unidos e do mundo não é nada
desprezível. O celular na palma da mão desconcentra o estudante e abole uma prática antiga: a caligrafia
Dos milenares hieróglifos egípcios gravados em pedra e palavras escritas em pergaminho à mais recente prescrição médica,
a caligra a tem uma longa história. Mas essa história – que marca uma forte relação da palavra com o gesto da mão –
parece fenecer com o advento do minúsculo teclado e sua tela.
Lembro uma entrevista radiofônica com Roland Barthes, em que o grande crítico francês dizia que as correções das provas
tipográ cas dos romances de Balzac pareciam fogos de artifícios. É uma bela imagem do efeito estético da caligra a no
papel impresso, da relação do corpo com a escrita, as letras que vêm da mão, e não da máquina. Quando pude ver essas
páginas numa exposição de manuscritos, quei impressionado com a metáfora precisa de Barthes, e admirado com a
obsessão de Balzac em acrescentar, cortar e substituir palavras e frases, e alterar a pontuação, como se a respiração e o
tempo da leitura fossem – como de fato são – importantes para o ritmo da escrita.
Mas há beleza também na caligra a torta e hesitante de uma criança, numa carta de amor escrita a lápis ou à tinta, na
mensagem pintada à mão no para-choque de um caminhão, nas paredes de banheiros públicos, no muro grafitado da cidade
poluída, nada impoluta.
Na mão que move a escrita há um gesto corporal atávico, um desejo da nossa ancestralidade, que a maquininha subtrai, ou
até mesmo anula. Ainda escrevo alguns textos à mão, antes de digitá-los no computador. No trabalho diário de um jornalista,
isso é quase impossível, mas na escrita de uma crônica, pego a caneta e o papel e exercito minha pobre caligrafia.
(Milton Hatoum. “Linguagem da mão”. https://oglobo.globo.com, 11.08.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a palavra em destaque foi usada respectivamente em sentido próprio em uma frase e em
figurado na outra: 
A Os hieróglifos são uma forma antiga de escrita. / Novos hieróglifos foram descobertos no Egito. 
B Os alunos fotografam a lousa para estudar em casa. / O texto fotografa de maneira muito clara os problemas da
educação. 
C Há muitas escritas nos muros das grandes cidades. / Os muros do jardim impedem que se veja o que está lá fora. 
D No para-choque do caminhão, o filho escreveu uma homenagem à mãe. / Foi necessário transportar os
alimentos num caminhão. 
E As páginas estavam expostas num museu. / Os jornalistas escrevem muitas páginas todos os dias.
1625383036
Questão 104 Denotação e conotação Análise das estruturas linguísticas do texto
Leia o texto, para responder a questão
Elas vão substituir você 
Quando, em 1956, o cientista da computação americano John McCarthy cunhou o termo “inteligência arti cial”, durante
uma conferência na universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, a intenção já era desenvolver máquinas capazes de
livrar os seres humanos de tarefas de alguma complexidade, porém largamente enfadonhas. 
“A proposta é usar todo o nosso conhecimento para construir um programa de computador que saiba e, também,
conheça”, resumiu McCarthy, expressando uma ambição que vem de muito antes de ele proferir tais palavras. Uma narrativa
mitológica judaica, por exemplo, já apresentava, milênios atrás, a ideia de um ser arti cial pensante, o Golem, feito de barro
e que serviria os humanos. Na Idade Média, alquimistas chegaram a sonhar em dar vida à criatura por eles batizada de
Homunculus. Era apenas um devaneio que o tempo e a ciência se encarregaram de trazer para o plano das realidades. 
E a inteligência arti cial (IA) de hoje em dia, tal como foi formulada por McCarthy, é a concretização dessa aspiração que
se confunde com a história. No entanto, no momento em que a humanidade parece estar perto de construir um robô capaz
de substituiro homem em um sem-número de atividades – o Golem do século XXI –, o que poderia ser motivo de unânime
comemoração arrasta consigo o pavor de que tais softwares deixem milhões de seres humanos desempregados. A
preocupação é tamanha que o tema ganhou lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial – evento anual
que reúne líderes políticos e empresariais em Davos. Segundo levantamento feito pela organização do fórum, a soma de
empregos perdidos para a IA será de 5 milhões nos próximos dois anos. No estudo, as áreas de negócios mais afetadas
serão as administrativas e as industriais. 
Um estudo publicado pela consultoria americana McKinsey avalia que em torno de 50% das atividades tidas como
repetitivas serão automatizadas na próxima década. Nesse período, no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados
pela automação. Em todo o mundo, o legado da mecanização avançada será de até 800 milhões de pessoas à procura de
oportunidades de trabalho. Desse total, boa parte terá de se readaptar, mas 375 milhões deverão aprender competências
inteiramente novas para não cair no desemprego. 
Nem tudo, entretanto, é pessimismo. Os economistas ingleses Richard e Daniel Susskind, ambos professores de Oxford,
defendem a ideia de que quando atribuições são extintas, ou modi cadas, os seres humanos se transformam no mesmo
ritmo. “O benefício é que os pro ssionais farão mais, em menos tempo”, defendem. Para eles, a bonança tecnológica levará
à criação de novos tipos de emprego. 
(Veja, 31.01.2018. Adaptado)
Considere o sentido das palavras destacadas – legado da mecanização (4o parágrafo) e bonança tecnológica (5o
parágrafo) – nos contextos em que se encontram. 
É correto afirmar que 
A ambas estão empregadas em sentido próprio, significando, respectivamente, testamento e avanço. 
B ambas em sentido próprio, significando, respectivamente, posses e avanço. 
C ambas estão empregadas em sentido figurado, significando, respectivamente, aquilo que é transmitido, como
efeito, e boa fase. 
D a primeira está empregada em sentido próprio, significando bens materiais; a segunda, em sentido figurado,
significando fase posterior. 
E a primeira está empregada em sentido figurado, significando bens transmitidos; a segunda, em sentido pró- prio,
significando bondade.
1539931750
Questão 105 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder a ̀ questão. 
Hostil mundo novo
Voce ̂ ja ́ passou por isso. Nas últimas semanas, tenho sido torturado por computadores que ligam e desligam sozinhos,
mouses travados, “reiniciac ̧o ̃es” lentas e outras deliciosas avarias. Ligo para o te ́cnico e ele me instrui a ligar e desligar este
ou aquele bota ̃o da torre, “usar o aplicativo” ou car de quatro, meter-me debaixo da mesa e desplugar tudo da parede,
esperar cinco minutos e plugar de novo. Naturalmente, na ̃o da ́ certo.
Nem pode dar. Em jovem, sobrevivi aos zeros em matema ́tica, ́sica, estatística e outras cie ̂ncias do diabo, e me
concentrei apenas no que me interessava: portugue ̂s, histo ́ria e línguas. Desde enta ̃o, passei a vida pro ssional a bordo de
um único veículo – a palavra. Com ela, tenho me virado em jornais, revistas, editoras de livros, ra ́dios, TVs, audito ́rios, salas
de aula e outros cena ́rios onde a palavra seja chamada a dirimir dúvidas ou dinamitar certezas.
De repente, va ́rias eras geolo ́gicas depois, em idade de na ̃o querer aprender mais nada, a tecnologia exige que eu me torne
engenheiro eletro ̂nico.
Cada vez mais func ̧o ̃es dispensam o papel, a ida pessoal ao banco ou a conversa “presencial”. Para reinstalar a internet no
computador, tenho de ligar um cabo en ado na televisa ̃o. Desbloquear um carta ̃o de cre ́dito exige saber extrair uma raiz
quadrada. A vida agora e ́ online e cabe no bolso, mas, diante daquele inferno de teclas, plugues e boto ̃es sem sentido,
pode-se perder tudo se digitar algo errado.
A tecnologia tornou o mundo hostil para os que na ̃o conseguem acompanha ́-la. E ́ verdade que ela na ̃o pode parar por
causa de meia dúzia de macro ́bios incapazes de se atualizar. Acontece que, no ́s, os macro ́bios, na ̃o somos meia dúzia.
Somos milho ̃es e, grac ̧as a ̀ cie ̂ncia e a no ́s mesmos, estamos ameac ̧ados de viver ate ́ os cem anos. Pois, se for para chegar
la ́, que seja para continuar usando algo mais nobre do que apenas os polegares.
(Ruy Castro. Folha de S. Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/ 2018/10/ hostil-mundo-
novo.shtml. Publicado em 28.10.2018)
Assinale a alternativa em que o termo destacado e ́ empregado no texto em sentido gurado.
A Nas últimas semanas, tenho sido torturado por computadores que ligam e desligam sozinhos, mouses travados...
B ... meter-me debaixo da mesa e desplugar tudo da parede, esperar cinco minutos e plugar de novo.
C A tecnologia tornou o mundo hostil para os que na ̃o conseguem acompanha ́-la.
D ... a palavra seja chamada a dirimir dúvidas e dinamitar certezas.
E .. que seja para continuar usando algo mais nobre do que apenas os polegares.
1442494753
Questão 106 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O Marajá
 A família toda ria de dona Morgadinha e dizia que ela estava sempre esperando a visita de alguém ilustre. Dona
Morgadinha não podia ver uma coisa fora do lugar, uma ponta de poeira em seus móveis ou uma mancha em seus vidros e
cristais. Gemia baixinho quando alguém esquecia um sapato no corredor, uma toalha no quarto ou – ai, ai, ai – uma almofada
fora do sofá da sala. Baixinha, resoluta, percorria a casa com uma anela na mão, o olho vivo contra qualquer incursão do
pó, da cinza, do inimigo nos seus domínios.
 Dona Morgadinha era uma alma simples. Não lia jornal, não lia nada. Achava que jornal sujava os dedos e livro juntava
mofo e bichos. O marido de dona Morgadinha, que ela amava com devoção apesar do seu hábito de limpar a orelha com
uma tampa de caneta Bic, estabelecera um limite para sua compulsão por limpeza. Ela não podia entrar em sua biblioteca.
Sua jurisdição acabava na porta. Ali dentro só ele podia limpar, e nunca limpava. E, nas raras vezes em que dona Morgadinha
chegava à porta do escritório proibido para falar com o marido, esse fazia questão de desa á-la. Botava os pés em cima
dos móveis. Atirava os sapatos longe. Uma vez chegara a tirar uma meia e jogar em cima da lâmpada só para ver a cara da
mulher. Sacudia a ponta do charuto sobre um cinzeiro cheio e errava deliberadamente o alvo. Dona Morgadinha então
fechava os olhos e, incapaz de se controlar, lustrava com a sua flanela o trinco da porta.
(Luis Fernando Veríssimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado.
A Dona Morgadinha não podia ver uma coisa fora do lugar...
B Dona Morgadinha era uma alma simples.
C ... achava que jornal sujava os dedos e livro juntava mofo e bichos.
D Ali dentro só ele podia limpar, e nunca limpava.
E Uma vez chegara a tirar uma meia e jogar em cima da lâmpada...
Essa questão possui comentário do professor no site 1401256300
Questão 107 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
No contexto da tira, emprega-se a frase
A “O mundo é uma máquina...”, em sentido próprio, para fazer referência ao atual estágio de evolução tecnológica
em que se encontra a humanidade.
B “... é uma máquina de moer corações.”, em sentido figurado, para expressar a ideia de que, nas relações sociais,
predominam o respeito e o altruísmo.
C “Como alguém tem coragem de operar...”, em sentido figurado, para condenar a apatia de algumas pessoas em
um contexto de transformações sociais.
D “Certamente é gente...”, em sentido próprio, para negar que possam existir pessoas indiferentes ao fato de o
mundo ser um ambiente hostil.
E “... gente que não tem coração.”, em sentido figurado, para se referir à insensibilidade de pessoas cujas ações
tornamo mundo um lugar opressivo.
Essa questão possui comentário do professor no site 1384867290
Questão 108 Metáf ora Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Vizinhos
Fabrício via na infância moradores pedindo um pouco de açúcar, de sal, de arroz e de café emprestado para os vizinhos.
Era natural a convivência harmoniosa na urgência. Chegava uma visita inesperada e não se tinha tempo para sair e dar um
pulo no mercado. Então batia-se na porta ao lado e dificilmente alguém recebia um não. 
Com a insegurança atual, o máximo que Fabrício testemunha na vida adulta é vizinho gritando para baixar a música,
chamando a polícia ou denunciando os outros nas reuniões de condomínio. 
Fabrício e a mulher, Beatriz, estavam jantando, num sábado, quando a campainha do apartamento deles tocou. Fabrício já se
encontrava receoso, tanto que tratou de criticar e expelir o veneno pela boca:
– Quem veio nos incomodar e estragar a paz do final de semana?
Beatriz, ao contrário do marido, abriu a porta com generosidade:
– Como posso ajudar, querida?
Uma senhora do apartamento do andar de cima, Dona Lúcia, vinha solicitar um abajur emprestado. Beatriz não estranhou o
pedido nem hostilizou a necessidade da vizinha. Foi ao quarto e, imediatamente, trouxe o objeto.
– Não tenha pressa de devolver. 
Fabrício ainda se sentia irritado com a cara de pau da vizinha e cou descon ado com o destino do empréstimo. Não quis
se meter no assunto, embora considerasse que Beatriz tinha sido ingênua ao emprestar o abajur. Logo mais estariam
pedindo o sofá, as cortinas, a máquina de lavar, as cadeiras, o fogão, a geladeira... Não teria fim a ciranda de favores. 
Entretanto, no dia seguinte a vizinha voltou com o abajur e mais um vaso com ores muito perfumadas para retribuir a
gentileza de Beatriz. Quando Fabrício olhou para as ores no centro da mesa, sentiu o perfume em seu rosto. Arrependeu-
se de pensar e desejar o pior, pensando no quanto a confiança é perfumada.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra ou expressão empregada no sentido figurado.
A Fabrício via na infância moradores pedindo um pouco de açúcar...
B Chegava uma visita inesperada e não se tinha tempo para sair...
C Fabrício e a mulher, Beatriz, estavam jantando...
D ... a campainha do apartamento deles tocou.
E ... tratou de criticar e expelir o veneno pela boca...
Essa questão possui comentário do professor no site 1381891314
Questão 109 Denotação e conotação
A grama do vizinho 
Ao amadurecermos, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo
barco. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com pro ssão, marido, lhos, saúde, e ainda assim
elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. 
Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o
qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os
outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho. 
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes e falsas notícias. Os
notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, não dão bandeira das suas fraquezas, então ca
parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão
animada assim. Ao amadurecermos, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos
todos no mesmo barco, com motivos para dançar pela sala e também motivos para nos refugiarmos no escuro,
alternadamente. Só que os motivos para nos refugiarmos no escuro raramente são divulgados. 
Nesta era de exaltação de celebridades, ca difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas, tem. Paz interior,
amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa
biogra a. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos
patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a pro ssão de modelo exige? Estarão
mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida
sensacionalista. 
As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento. 
(Martha Medeiros,www.refletirpararefletir.com.br/cronicas-de-martha-medeiros/ Adaptado. Acessado em 09.08.2018) 
Observa-se emprego de palavra(s) em sentido figurado em:
A Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde. 
B Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar.
C É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são.
D Será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos
patrocinadores?
E Os notáveis não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes
paixões.
Essa questão possui comentário do professor no site 1286406297
Questão 110 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder a questão.
O drama dos viciados em dívidas 
Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número de brasileiros endividados chegou a 61,7 milhões em fevereiro
passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número é alto porque o hábito de manter as contas em dia não é
apenas uma questão nanceira decorrente do estado geral da economia – pode ser uma questão comportamental. Por
isso, há grupos especializados que promovem reuniões semanais com devedores, com a nalidade de trocar experiências
sobre consumo impulsivo e propensão a viver no vermelho. Uma dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que
funciona nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA). 
Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém do problema. As pessoas de maior renda são justamente as que
têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum que, diante dos apuros, como a perda do emprego, algumas
tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um empréstimo
para quitar outra dívida é um comportamento recorrente entre os endividados. 
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo. Uma vez que o devedor reconhece o problema, a próxima etapa é
se planejar. 
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado)
A alternativa em que está caracterizado emprego de palavras em sentido figurado é:
A Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém do problema...
B ... há grupos especializados que promovem reuniões semanais com devedores...
C ... o número de brasileiros endividados chegou a 61,7 milhões em fevereiro passado...
D Pedir um empréstimo para quitar outra dívida é um comportamento recorrente entre os endividados.
E Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo.
Essa questão possui comentário do professor no site 1016785693
Questão 111 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Dar à luz
Todos sabem que a luz é um dos componentes indispensáveis para que haja vida. Além de ser um fenômeno físico, a luz e
sua importância são elementos simbólicos utilizados, há séculos, por religiões, por estudiosos e pela cultura popular, como
forma de ilustrar momentos de transição importantes vivenciados pela humanidade.
Culturalmente, a luz assume uma representação tão marcante quanto para a ciência e a tecnologia. Isso porque, em muitas
nações, ela simboliza a própria vida. Não é por acaso que a expressão “darà luz” representa um momento de celebração,
de extrema felicidade, traduzindo o momento em que é dada ao homem a oportunidade de deixar o escuro do útero e
passar a experimentar a luz do mundo, a luz que passará a ser a chama de sua própria existência.
“Trazer à luz” ou “lançar luz” acerca de um determinado assunto são expressões há muito utilizadas por estudiosos. Essas
expressões signi cam a possibilidade de, por meio do conhecimento, da razão, compreender melhor e encontrar respostas
para questões que, até então, o homem sem conhecimento não conseguiria enxergar, uma vez que estaria mergulhado nas
trevas da ignorância. Por volta do ano 400 a.C., Platão relacionaria a luz ao conhecimento. Para o lósofo, a percepção do
mundo exterior, à luz do sol, correspondia ao conhecimento produzido pelo intelecto, à luz da razão.
Por outro lado, é comum encontrar textos que se referem a parte da Idade Média como a idade das trevas, um período em
que se utilizava da fé como mecanismo de controle, de imposição. E, ao fazer isso, os homens, não Deus, impediam o
desenvolvimento cultural e a liberdade intelectual. Desde a Idade Média, governantes utilizam-se da conhecida estratégia de
mergulhar a sociedade na ignorância para poder doutriná-la mais facilmente.
O acesso à liberdade intelectual passaria a ser conquistado graças a um movimento losó co que surgiu na Europa, no
século XVIII, movimento esse que cou conhecido como Iluminismo. Novamente, o homem escolheria a luz para
representar a única forma de trazer novas alternativas para que a humanidade pudesse sair das trevas.
Infelizmente, nem o Iluminismo nem qualquer outra tentativa de conter os períodos de obscuridade impediram que esta
continuasse, de forma voraz e persistente, a assombrar os homens. As trevas ressurgem a cada dia nas guerras, na fome, na
intolerância, no ódio, no preconceito, na corrupção e em outras formas que, talvez, a humanidade ainda desconheça.
Portanto, para os que não desejam viver na escuridão, a única opção é manter a chama do conhecimento acesa.
(Ademar Pereira dos Reis Filho. Diário da Região, 22.04.2018. Adaptado)
A passagem em que se caracteriza o emprego de palavras em sentido figurado é:
A O acesso à liberdade intelectual passaria a ser conquistado graças a um movimento filosófico que surgiu na
Europa, no século XVIII...
B Culturalmente, a luz assume uma representação tão marcante quanto para a ciência e a tecnologia.
C Portanto, para os que não desejam viver na escuridão, a única opção é manter a chama do conhecimento acesa.
D E, ao fazer isso, os homens, não Deus, impediam o desenvolvimento cultural e a liberdade intelectual.
E Além de ser um fenômeno físico, a luz e sua importância são elementos simbólicos utilizados, há séculos, por
religiões, por estudiosos e pela cultura popular...
Essa questão possui comentário do professor no site 1010906375
Questão 112 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Considere a charge.
(Alves. Folha de S.Paulo, 25.03.2018)
As novas tarifas para a comercialização do aço, impostas pelo presidente Donald Trump, são Muralhas da China a serem
superadas pelos exportadores do produto.
Na frase elaborada a partir da charge, a expressão Muralhas da China está empregada em sentido
A próprio, indicando que o valor arquitetônico e histórico dessa construção é inquestionável.
B próprio, indicando que o presidente Trump usa estratégias para defender o mercado interno.
C próprio, indicando que o presidente Trump quer combater a instabilidade econômica nos EUA.
D figurado, indicando que Donald Trump quer ampliar as relações comerciais com a China.
E figurado, indicando que Donald Trump está dificultando as negociações para os exportadores de aço.
934341108
Questão 113 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Psiquiatras em pé de guerra
Os psiquiatras americanos estão em pé de guerra, e o motivo é Donald Trump, mais especificamente seu estado mental.
Já durante a campanha eleitoral, alguns pro ssionais de saúde mental diziam que Trump não batia bem. Depois da posse e
dos primeiros “tweets”* presidenciais, essas vozes se multiplicaram e culminaram, em outubro, na publicação de The
Dangerous Case of Donald Trump (O perigoso caso de Donald Trump), volume organizado pela psiquiatra Bandy Lee, no
qual pro ssionais de saúde, advogados e jornalistas tentam mostrar que o presidente não estaria apto a exer cer suas
funções. Os textos trazem considerações interessantes e muita informação, mas não dá para ignorar que a obra é acima de
tudo política. 
O problema é que a Associação Psiquiátrica Americana (APA) tem, desde 73, uma diretriz, conhecida como regra
Goldwater, que autoriza pro ssionais a dividir com o público seu conhecimento técnico, mas considera antiético que deem
opinião sobre pessoas que não tenham examinado. A regra foi reforçada em 2017. A ideia é evitar diagnósticos pela TV,
bem como tornar mais robusta a separação entre psiquiatria e política. 
Os autores da obra sobre Trump estão cientes da norma. Ela é objeto de longo debate na parte dois do livro. O que alegam
é que, por vezes, a obrigação do médico de alertar a comunidade para riscos que ela corre prevalece sobre a privacidade.
Se o médico descon a de que seu paciente psicótico planeja assassinar alguém, precisa alertar a vítima potencial, mesmo
que isso implique violação do sigilo profissional.
A discussão é boa, e ambos os lados têm argumentos. Penso que, em teoria, a necessidade de se fazer um alerta sobre a
saúde mental de pacientes sobrepuja a regra Goldwater. Mas seria preciso encontrar um modo de reduzir um pouco as
investidas políticas dos psiquiatras. Se deixar mos que a prática médica e a política se misturem, é quase certo que a
medicina sairá perdendo.
* tweet: mensagem enviada pela rede social Twitter. (Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 21.01.2018. Adaptado)
Caracteriza-se pelo emprego de palavra ou expressão em sentido figurado a seguinte passagem do texto:
A Já durante a campanha eleitoral, alguns profissionais de saúde mental diziam que Trump não batia bem.
B ... advogados e jornalistas tentam mostrar que o presidente não estaria apto a exercer suas funções.
C ... considera antiético que deem opinião sobre pessoas que não tenham examinado.
D Os autores da obra sobre Trump estão cientes da norma.
E ... a obrigação do médico de alertar a comunidade para riscos que ela corre prevalece sobre a privacidade.
851650236
Questão 114 Reescritura de f rases Sentido denotativo próprio ou literal
De patas para o ar
Rafiki é um angolano, filho de uma economista e de um funcionário de multinacional. Veio para o Brasil estudar medicina e foi
surpreendido pela carga de preconceito que encontrou aqui. Já enfrentou o constrangimento de perceber que pessoas
fecham os vidros dos carros nos sinais quando o veem, ou mulheres se agarram a suas bolsas ao cruzarem com ele na
calçada.
O universitário Ra ki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar em seu prédio, viu um
casal passar por ele, entrar e bater a porta. O angolanoentrou em seguida e encontrou o casal esperando o elevador. Como
a mulher o encarava insistentemente, ele perguntou:
─ Estou sujo? Tem alguma coisa errada comigo? Qual é o problema?
O marido se desculpou dizendo:
─ Sabe como é hoje em dia, né? A gente tem que ficar ligado...
Quando as pessoas, porém, ficam sabendo que Rafiki é estudante de medicina, mudam a forma de tratá-lo. 
Ra ki também não compreende um comportamento que chama sua atenção no Brasil: as pessoas pedirem informações na
rua sem antes dizer “bom dia”, “por favor”, “com licença”. Mas ele não acredita que essa falta de educação seja maior aqui
do que em outros países. A gentileza tem sido pouco valorizada. Ra ki costuma dizer ultimamente que o mundo todo está
de patas para o ar.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve. São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)
Na frase contida no 1º parágrafo – Já enfrentou o constrangimento... – a palavra destacadapode ser substituída, sem
alteração de sentido, por
A desinteresse.
B vexame.
C medo.
D descuido.
E perigo.
840493535
Questão 115 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que há emprego de linguagem em sentido figurado. 
A No Brasil, entretanto, é uma expressão dos nossos piores vícios... 
B A civilidade que demonstramos nas estradas e ruas das cidades vem em pequenos atos. 
C É fundamental investir em pesquisas e campanhas inovadoras de mudança de atitude de quem está ao volante.
D ... estudos no Brasil que busquem uma correlação entre o estresse do trânsito e o nível de violência em nossa
sociedade. 
E ... uma sociedade que só preza por interesses individuais e familiares, driblando as regras e acelerando por nossos
interesses privados?
Essa questão possui comentário do professor no site 839920932
Questão 116 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A revolução digital fortalece as previsões de que as casas ou lares inteligentes oferecerão mais conveniência e menos
dispêndio de energia em um futuro próximo.
A de nição de conveniência para esses novos lares tecnológicos está ligada ao ganho de tempo para os moradores, com
redução ou eliminação de trabalhos domésticos. Portanto, para que as edi cações inteligentes tenham sucesso, elas
deverão se estruturar com base nessa visão de conveniência como solução para os que vivem em um mundo acelerado e
estar ancoradas em uma grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis e fáceis de operar, tornando a vida das
pessoas mais simples.
Além da conveniência, outro relevante benefício das casas inteligentes para os consumidores é a sua capacidade de
incorporar aspectos relacionados à administração do gasto de energia, principalmente com iluminação, condicionamento
de ar e eletrodomésticos. Um conjunto de sensores, adequadamente con gurados para gerenciar esses sistemas, pode
gerar diminuição considerável nos gastos com energia, com reflexos ambientais e econômicos importantes.
O departamento de engenharia da computação da Academia Árabe de Ciências e Tecnologia desenvolveu um estudo para
avaliar a economia no consumo de energia gerada com o uso de sensores inteligentes em um apartamento de um
dormitório, cozinha, sala de estar, sala de jantar e banheiro. O estudo concluiu que a economia pode chegar a quase 40%
do consumo médio mensal de energia.
A tendência de crescimento desse mercado é clara. A empresa de pesquisas Zion Market Research prevê que a tecnologia
das casas inteligentes deve alcançar um faturamento de US$ 53 bilhões (R$ 170 bi) em 2022. O crescimento estará calcado,
principalmente, na conexão da casa com os ambientes digitais externos, como, por exemplo, a conexão do refrigerador
com os equipamentos dos fornecedores de alimentos.
Naturalmente, a tecnologia das casas inteligentes continuará a evoluir, tornando-se acessível e barata. Com isso, mais
pessoas poderão utilizar-se dela, e novos padrões, modelos e estilos de vida devem se consolidar, principalmente nas áreas
urbanas.
(Claudio Bernardes. Casas inteligentes trarão conveniência e reduzirão gasto de energia. Folha de S.Paulo.
www.folha.uol.com.br. 22.01.18. Adaptado)
Um vocábulo empregado com sentido figurado está em destaque na seguinte passagem:
A ... outro relevante benefício das casas inteligentes para os consumidores... (3o parágrafo)
B ... elas deverão [...] estar ancoradas em uma grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis... (2o parágrafo)
C A definição de conveniência para esses novos lares tecnológicos está ligada ao ganho de tempo para os
moradores... (2o parágrafo)
D ... administração do gasto de energia, principalmente com iluminação, condicionamento de ar e eletrodomésticos.
(3o parágrafo)
E ... a conexão do refrigerador com os equipamentos dos fornecedores de alimentos. (5o parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 773475522
Questão 117 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Empatia: a arte de se colocar no lugar do outro
Certamente a empatia não é uma habilidade fácil de se colocar em prática. Além de as relações humanas serem complexas,
há o fato de o individualismo ser uma característica cada vez mais recorrente, em razão da escassez de tempo das pessoas
para se preocupar com o próximo. A empatia, caso você não saiba, é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de
entendê-lo, de tentar compreender o que se passa em sua mente não a partir da nossa perspectiva, mas tentando pensar
como ele, com as suas crenças e valores, e imaginando se teríamos a mesma atitude se estivéssemos na situação dele.
De qualquer forma, com uma coisa todo mundo concorda: a empatia é um antídoto poderoso para esses tempos de
individualismo e uma ferramenta eficaz para uma vida melhor.
“Ver o mundo conectado no olhar do outro facilita a comunicação, cria laços, fortalece, promove a solidariedade e permite
aprender com a experiência do outro”, diz a psicoterapeuta Socorro Leite. Se você deseja se relacionar saudavelmente,
precisa aceitar e compreender os sentimentos e emoções das outras pessoas. “Essa conduta nos leva a agir com mais
respeito, lealdade, transparência e generosidade. 
Afinal, todos queremos um mundo mais pacífico, justo, colaborativo e sustentável”, ressalta.
Mas por que algumas pessoas têm a capacidade de se colocar no lugar dos outros enquanto outras não? A falta de empatia
pode ser ocasionada pela falta de carinho e atenção ao longo da vida.
Segundo pesquisa de uma universidade norte-americana, o brasileiro não está entre os povos mais empáticos do mundo. O
Brasil cou em 51º lugar na lista entre os 63 países pesquisados. A boa notícia é que a empatia pode ser aprendida. Graças à
maleabilidade dos circuitos neurais do nosso cérebro, a chamada neuro plasticidade, a tendência de empatia e compaixão
do cérebro nunca é xa; ou seja, é possível reprogramá-lo para que seja mais compreensivo em pequenas escolhas do dia a
dia.
(Gisele Bortoleto, Revista Be Bem-estar, 20-05-2018. Adaptado)
A passagem do texto em que se caracteriza emprego de palavra(s) em sentido figurado é:
A Mas por que algumas pessoas têm a capacidade de se colocar no lugar dos outros enquanto outras não?
B A falta de empatia pode ser ocasionada pela falta de carinho e atenção ao longo da vida.
C ... a empatia é um antídoto poderoso para esses tempos de individualismo...
D Essa conduta nos leva a agir com mais respeito...
E ... imaginando se teríamos a mesma atitude se estivéssemos na situação dele.
586664314
Questão 118 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O que nos distancia e nos faz ignorar que somos uma só espécie? Como aceitamos abismos sociais tão cruéis? A razão
desses questionamentos foi um jovem adolescente na mesa ao lado da minha na padaria onde tomei o café da manhã antes
de ir ao trabalho. Ainda que bem arrumado e cabelo penteado, percebia-se que era um rapaz economicamente vulnerável,
humilde. 
Ele tinha na mesa uma xícara de café, como eu, e um pão provavelmente recheado de presunto e queijo. Mas o que me
chamou a atenção para aquela quase criança foi que, enquanto alguns na padaria conversavam em suas mesas, todos os
demais aproveitavam para mexer no celular, menos ele. O rapaz comia o pão e tomava o café, olhando para a mesa à sua
frente e para o vazio da parede adiante. 
Ele estava inibido, pois parecia não sentir pertencer àquele lugar. Por que a nal ele não apanhava seu celular e começava a
dedilhar nele, mandando mensagens, postando fotos? Concluí que ele não tinha um celular. Sua situação de pobreza não
devia permitir esse prazer. E isso o incomodava. 
Diferentemente do que se pode esperar de adultos, conscientes de seu lugar no mundo e seguros o su ciente para
sentarem-se sozinhos à mesa de qualquer lugar e desfrutar o momento independentemente de um aparelho tecnológico nas
mãos, os adolescentes não possuem ainda segurança e autoestima consolidadas. Mais do que os outros, elesbuscam
aceitação, mesmo que tentando ser diferentes. 
Para aquele rapaz, o fato de não ter a que se ater, além da comida, num mundo onde as redes tecnológicas estão presentes
nos quatro cantos, o chateava. E acabou por também me constranger: que mundo difícil esse que cria consumidores e não
cidadãos. 
Guardei meu celular no bolso e, sem mais, tomei meu café, olhando para a mesa à minha frente e para o vazio da parede
adiante. 
(João Marcos Buch. O café que nos une. 12.09.2017. Adaptado)
A palavra em destaque foi usada em sentido figurado em: 
A Como aceitamos abismos sociais tão cruéis? (1o parágrafo) 
B … percebia-se que era um rapaz economicamente vulnerável… (2o parágrafo) 
C Sua situação de pobreza não devia permitir esse prazer. (4o parágrafo) 
D … eles buscam aceitação, mesmo que tentando ser diferentes. (5o parágrafo) 
E … que mundo difícil esse que cria consumidores e não cidadãos. (6o parágrafo)
556242955
Questão 119 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
É correto a rmar que a passagem – Mais a ada é a língua que a navalha, e não há quem se salve das esfoladuras. –
caracteriza-se pelo emprego de palavras
A em sentido figurado, expressando a ideia de que todos estão expostos a comentários maledicentes do barbeiro.
B em sentido figurado, expressando a ideia de que ninguém escapa de ferimentos físicos causados pelo barbeiro.
C em sentido figurado, expressando a ideia de que os que não frequentam a barbearia se protegem da difamação.
D em sentido próprio, expressando a ideia de que ninguém está sujeito a críticas de pessoas mal-intencionadas.
E em sentido próprio, expressando a ideia de que alguns se submetem à imperícia do barbeiro, que fala de todo
mundo.
433546235
Questão 120 Denotação e conotação
Após 15 anos do Estatuto do Idoso, desafio é cumprir a lei
Quinze anos após ter sido criada, a principal lei de d efesa dos direitos do idoso ainda tem sua aplicação completa
como desa o. Em outubro de 2003, quando o chamado Estatuto do Idoso entrou em vigor, 8,5% da população tinha 60
anos ou mais —15 milhões de pessoas. Hoje, esse grup o já representa 13% do total e supera 27 milhões, segundo o IBGE.
O envelhecimento da população não tem sido acompanhado por medidas que garantam todos os direitos desse
público, dizem especialistas. A baixa oferta de políticas de cuidado para idosos que precisam de apoio, como os chamados
centros-dia, é um dos gargalos apontados. Outros problemas são di culdade no _________________ saúde,
_____________________ abordagem nas escolas sobre _________________ idoso e falta de políticas de emprego.
“Existe uma cultura de que envelheceu e acabou: você ganha um pijama, um chinelo e uma poltrona. Queremos mostrar que
o idoso continua sendo sujeito de direitos”, diz Delton Pastore, promotor que atua na defesa do idoso no Ministério Público
de São Paulo. Para ele, falta integração de serviços ao idoso, como na saúde e na assistência social.
Desde que entrou em vigor, o estatuto já foi alterado em mais de 20 pontos, por 11 leis. Uma das mais recentes, de 2017, deu
prioridade especial no atendimento a quem tem a partir de 80 anos.
Pesquisa Datafolha mostra que a maioria dos idosos têm visão pessimista sobre as condições do país: 69% d eles avaliam
que o Brasil está pior hoje do que na sua juventude. Saúde pública e condições de trabalho têm as piores avaliações.
(Natália Cancian e Laís Alegretti. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br>. 10.07.2018. Adaptado)
A alternativa cujo enunciado emprega palavra(s) em sentido figurado é:
A Queremos mostrar que o idoso continua sendo sujeito de direitos”, diz Delton Pastore, promotor que atua na
defesa do idoso no Ministério Público de São Paulo.
B Uma das mais recentes, de 2017, deu prioridade especial no atendimento a quem tem a partir de 80 anos.
C O envelhecimento da população não tem sido acompanhado por medidas que garantam todos os direitos desse
público, dizem especialistas.
D A baixa oferta de políticas de cuidado para idosos que precisam de apoio, como os chamados centros-dia, é um
dos gargalos apontados.
E … 69% deles avaliam que o Brasil está pior hoje do que na sua juventude. Saúde pública e condições de trabalho
têm as piores avaliações.
347842740
Questão 121 Denotação e conotação
Alguns fracassos
Em comparação com meus fracassos, não posso dizer como no poema de Fernando Pessoa que “todos os meus
conhecidos têm sido campeões em tudo”, ou que “toda a gente que eu conheço (...) nunca foi senão príncipe – todos eles
príncipes – na vida”, mas tenho minhas incompetências. Jamais consegui fazer certas coisas que contam para o convívio
social, coisas que vejo tantos fazerem com facilidade e até alguma graça. Hoje não ligo para essas minhas incompetências,
mas houve tempo em que me doíam; não, não, apenas me diminuíam, intimidavam, vá lá, humilhavam. Quando se é jovem e
se disputam atenções, essas coisas contam. Vou falar de apenas cinco. Dançar. Em pista de dança, nunca consegui manter
o interesse de uma garota por mais de três minutos, o tempo de uma música. O normal, numa festa, era eu car ali no banco
de reservas, vendo a bela me escapar em volteios e volutas volutuosas com um pé de valsa. Abandonei esse palco de
derrotas e resolvi tentar seduções em papos de botecos, aí com alguma vantagem. Nadar, outro fracasso. Se a gente não
começa criancinha, é difícil pegar o jeito. Sem piscina, rio ou mar, onde bater pernas e braços, em zoeira de tentativa e
erro? Adulto inepto, mas não medroso, fui quase um afogado no Leblon, em Cabo Frio, na cachoeira de Iporanga...
Bicicleta é igual: ou você a domina quando criança ou será um ciclista inseguro a vida toda. De pequeno, não tive sequer um
velocípede, e me consola pensar que isso explica tudo. Minhas lhas tentaram dar um jeito nisso, quando eu já era um
senhor de 55 anos, e, lógico, o resultado foi ridículo. Só pedalo em campo aberto, sem ter por perto humanos, bicho de
quatro patas ou outro engenho sobre rodas. Cantar, nem em coro. Não emendo duas notas no mesmo tom. A falha se
estende à música em geral: não toco, não batuco, não danço. Isso é bom? Não, mas fazer o quê? A quinta é mais uma leve
inveja, não faz falta para o convívio, mas poderia dar brilho a certos momentos: assobiar com perfeição. Nasceu quando vi o
Myltainho, na redação do Jornal da Tarde, assobiar a melodia da sinfonia inacabada de Schubert, inteira, sem vacilações ou
erro. Pálido de espanto, incluí aquele pequeno recital de sala de redação entre as admirações de minha vida e me
acrescentei mais uma frustração.
(Veja São Paulo, 26.07.2017. Adaptado)
Considerando o contexto, é correto afirmar que a expressão destacada em:
A certas coisas que contam para o convívio social – tem sentido próprio e corresponde a sucesso profissional. 
B bicho de quatro patas ou outro engenho sobre rodas – tem sentido figurado e corresponde a carros.
C Abandonei esse palco de derrotas – tem sentido figurado e corresponde a local das festas.
D Minhas filhas tentaram dar um jeito nisso – tem sentido próprio e corresponde a me proibir. 
E A falha se estende à música em geral – tem sentido figurado e corresponde a se aplica.
336959311
Questão 122 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Uma invenção humana
Vejo a literatura como um instrumento excepcional da nossa civilização. Ela ajuda a esclarecer o mundo. Quem nós somos?
Quem nós fomos? Lendo a Ilíada, você pode imaginar quais foram os sentimentos de Aquiles ou de Príamo. Você se
pergunta: “Por que esse fervor pela narrativa?”. Porque o ser humano precisou narrar, para que os fatos da vida, da poética
do cotidiano, não desaparecessem. Enquanto o ser humano forjava a sua civilização, dava combate aos deuses e procurava
entender em que caos estava imerso, ele contava histórias. Para que nada se perdesse. Não havia bibliotecas. No caso de
Homero, os aedos – e quase podíamos intitulá-losos poetas da memória – memorizavam tudo para que os fatos humanos
não se perdessem. E, assim, a angústia em relação à apreensão da vida real, o real humano, visível, intangível, esteve
presente em todas as civilizações. Nas nossas Américas, por exemplo, houve entre os incas uma categoria social, a dos
amautas, que tinha por nalidade única memorizar. Memorizar para que os povos não se esquecessem das suas próprias
histórias. Quer dizer, a literatura não foi uma invenção dos escritores, gosto muito de enfatizar isso. Foi uma invenção
humana.
Milhões de pessoas já leram Dom Quixote. Milhões, em diferentes línguas. Mas é o mesmo livro para diferentes leitores.
Isso prova que a literatura dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais
desesperados, às esperanças mais condicionais do ser humano. E a literatura conta histórias porque os sentimentos
precisam de uma história para que você se dê conta deles. Então, a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa
nossa complexidade extraordinária. Porque somos seres fundamentalmente singulares. E, por isso, a literatura é singular.
(Nélida Piñon. Uma invenção humana – depoimento ao escritor e jornalista José Castello. Rascunho no 110. Curitiba: 2009.
In http://rascunho.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Book_Rascunho_110.pdf. Acesso em 15.11.18. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que o trecho apresentado emprega palavra em sentido figurado.
A ... houve entre os incas uma categoria social, a dos amautas, que tinha por finalidade única memorizar.
B Lendo a Ilíada, você pode imaginar quais foram os sentimentos de Aquiles ou de Príamo.
C ... a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa nossa complexidade extraordinária.
D Quem nós somos? Quem nós fomos?
E ... a literatura não foi uma invenção dos escritores...
Essa questão possui comentário do professor no site 287048948
Questão 123 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido figurado.
A Ontem à noite, impelido pela desolação, me pus a refletir sobre os rumos da pátria.
B Desestimula a economia e encoraja a sonegação.
C A construção do maior parque pesqueiro do mundo vai reativar as nossas combalidas empreiteiras.
D Mas já adianto aqui algumas propostas, nascidas do conluio quase sempre profícuo entre o lúpulo e a divagação.
E Só um doido nega o rombo na Previdência!
Essa questão possui comentário do professor no site 286304391
Questão 124 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
De acordo com a leitura do último quadrinho, é correto afirmar que o menino está se referindo
A ao quanto as pessoas desvalorizam a aparência.
B à dificuldade de se perceber a essência das pessoas.
C à necessidade de enxergar para avaliar bem as aparências.
D a problemas de baixa visão de muitas pessoas.
E à discriminação com os que têm problemas visuais graves.
284520335
Questão 125 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Conforme a leitura do 2º e 3º quadrinhos, é correto afirmar que o menino se refere
A à dificuldade de enxergar de perto. 
B a pessoas que são deficientes visuais. 
C a outro sentido da palavra visão. 
D a problemas de visão que requerem cirurgia. 
E a situações em que o melhor é usar lentes.
284513831
Questão 126 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa em que há palavras empregadas com sentido figurado.
A … Helenice ia ao banheiro várias vezes… 
B Foi ignorada, humilhada e muito observada… 
C Alguns vendedores riram dela… 
D … saiu dos shoppings morrendo de raiva… 
E Ela não culpa os vendedores…
284344435
Questão 127 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A nossa democracia é laica, mas nossas decisões políticas são tomadas sob a premissa de que Deus é - e sempre será -
brasileiro. Queremos benefícios sem custos (e quem em sã consciência não quereria?).
Exigimos que seja assim. Os custos hão de ser empurrados para algum momento indeterminado do futuro e cair sobre as
costas de alguma entidade benévola não especi cada, sem machucar ninguém. Algum dia alguém dá algum jeito e ca tudo
certo. Deus resolve.
A maioria dos brasileiros concorda com o controle de preço do diesel, e quer ainda o controle de preço da gasolina e do
gás natural. Só não aceita ter que pagar a conta. A Petrobras que tenha um prejuízo. E quem vai cobri-lo? O Tesouro, essa
entidade superior e fonte de riquezas.
Não é um caso isolado. Todos pedem por mais gasto para suas causas e setores de preferência, sem nunca especi car
quem vai car com a conta; essa ca para uma gura oculta, alguém com um bolso vasto e generoso. Há quem diga,
inclusive, que o aumento de gastos vai aumentar a arrecadação; multiplicação milagrosa dos pães.
Essa é a lógica que governa o Brasil desde 1500, consagrada na Constituição de 1988, tão pródiga em direitos para todo
mundo. O direito é a manifestação do fiat* divino entre os homens: uma obrigação incondicional que a realidade - alguém -
terá de dar algum jeito de cumprir.
O problema é que acabou o “milagre econômico” - um crescimento acelerado e sem causas conhecidas, que ocorre
apesar de todas as de ciências e entraves, esses sim muito bem conhecidos. Deus parece ter conseguido o green card** e
nos abandonou.
O que fazer? Uma alternativa é seguir con ando na intervenção divina até o m, deixando o ajuste ao deus-dará. A corda
estoura para o lado mais fraco, e voltamos ao caos primordial. A outra é ser impiedoso e olhar para a realidade com olhos
de descrença.
Para que alguns continuem ganhando, pessoas de carne e osso terão que pagar. E aí sim poderemos responder à pergunta
que o Brasil é mestre em evitar: quem?
O problema é que para as escamas caírem de nossos olhos também será necessário um milagre...
(Joel Pinheiro da Fonseca, Folha de S.Paulo, 12.06.2018. Adaptado)
* fiat: do latim, faça-se, haja; referência à frase bíblica: “faça-se a luz".
** green card: cartão de residência permanente nos EUA.
Associando-se as a rmações contidas no penúltimo e no último parágrafo, é correto a rmar que, no último, o autor se vale
de expressão em sentido
A figurado, para defender a ideia de que é melhor ocultar o fato de que a conta de benefícios concedidos a uns
poucos deva caber a muitos outros.
B figurado, para afirmar a descrença na possibilidade de o brasileiro conscientizar-se de que é inevitável a
população arcar com o ônus de concessões feitas a alguns.
C figurado, para assegurar que o brasileiro precisa ver os efeitos de medidas econômicas tomadas sem amparo na
constituição de 1988, contrariando, pois, direitos de todos.
D próprio, para levar o leitor a perceber que milagres econômicos não se repetem e que é preciso que o
enfrentamento da realidade seja assumido sem medo.
E próprio, para contradizer a ideia de que o país atravessa uma fase de crise econômica, que o impede de ver as
necessidades reais da parcela mais pobre da população.
Essa questão possui comentário do professor no site 280897330
Questão 128 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
É correto afirmar sobre o verso - Brinque com meu fogo - que há emprego de sentido
A próprio: é perigoso brincar com fogo e desaconselha-se a sugestão do autor.
B figurado: o autor não se importa com a falta de segurança do amigo.
C próprio: qualquer tipo de fogo acarreta destruição e demanda cuidado.
D próprio: os conselhos do autor merecem crédito e não desconfiança.
E figurado: o autor convida o amigo a compartilhar do seu estado de espírito.
Essa questão possui comentário do professor no site 262213827
Questão 129 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Tempo incerto
Os homens têm complicado tanto o mecanismo da vida que já ninguém tem certeza de nada: para se fazer alguma coisa é
preciso aliar a um impulso de aventura grandes sombras de dúvida. Não se acredita mais na existência de gente honesta; e
os bons têm medo de exercitaremsua bondade, para não serem tratados de hipócritas ou de ingênuos.
Vivemos um momento em que a virtude é ridícula e os mais vis sentimentos se mascaram de grandiosidade, simpatia,
benevolência. A observação do presente leva-nos até a descer dos exemplos do passado: os varões ilustres de outras eras
terão sido realmente ilustres? Ou a História nos está contando as coisas ao contrário, pagando com dinheiros dos
testemunhos a opinião dos escribas?
Se prestarmos atenção ao que nos dizem sobre as coisas que nós mesmos presenciamos – ou temos que aceitar a mentira
como a arte mais desenvolvida do nosso tempo, ou desconfiamos do nosso próprio testemunho, e acabamos no hospício!
Pois assim, é, meus senhores! Prestai atenção às coisas que vos contam, em família, na rua, nos cafés, em várias letras de
forma, e dizei-me se não estão incertos os tempos e se não devemos todos andar de pulga atrás da orelha!
Agora, pensam os patrões, os empregados, os amigos e inimigos de uns e de outros e todo o resto da massa humana. E
não só pensam, como também pensam que pensam! E além de pensarem que pensam, pensam que têm razão! E cada um é
o detentor exclusivo da razão!
Pois de tal abundância de razão é que se faz a loucura. E a vocação das pessoas, hoje em dia, não é para o diálogo com ou
sem palavras, mas para balas de diversos calibres. Perto disso, a carestia da vida é um ramo de ores. O que anda mesmo
caro é alma. E o Demônio passeia pelo mundo, glorioso e imune.
(Cecília Meireles, Tempo incerto. Em: Escolha o seu Sonho. Adaptado)
Assinale a alternativa em que está transcrita do texto uma expressão em sentido gurado, acompanhada da correta
indicação do seu sentido.
A “pensam os patrões” (5º parágrafo) → ideia de raciocinar com profundidade.
B “a arte mais desenvolvida do nosso tempo” (3º parágrafo) → ideia de verdade.
C “os mais vis sentimentos” (2º parágrafo) → ideia de enobrecimento.
D “andar de pulga atrás da orelha” (4º parágrafo) → ideia de desconfiança.
E “o mecanismo da vida” (1º parágrafo) → ideia de trabalho.
226124481
Questão 130 Sentido denotativo próprio ou literal
Geovani Martins: como a favela me fez escritor 
Nasci em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 1991. Em 2004, aos 13 anos de idade, mudei com minha mãe e meus
irmãos para o Vidigal, na Zona Sul da cidade. Destaco esses lugares e essas datas para dizer que O sol na cabeça, meu
primeiro livro, publicado em março de 2018, teve início com o choque provocado por essa mudança.
Era tudo diferente: o jeito de falar, de brincar na rua, as regras no futebol, a música, o ritmo das pessoas, até o sol parecia
queimar de outra forma. Eu cava no meio, tentando me adaptar. Depois dessa primeira mudança encarei mais umas tantas;
até o ano de 2015 já havia me mudado 17 vezes. A partir desse trânsito constante entre tantas casas, becos, ruas e praças,
parti para o livro com a ideia de que a periferia precisa ser tratada sempre como algo em movimento.
A favela hoje é centro, produz cultura e movimenta a economia. O favelado cria e consome como qualquer outra pessoa
do planeta. E quando digo consome, não me re ro apenas a Nike, Adidas, Samsung, Microsoft. Falo também da cultura pop
que faz a cabeça dos jovens do mundo todo, como os lmes e as séries de sucesso mundial. A cultura erudita, como
Shakespeare e Machado de Assis, também encontra seus públicos por becos e vielas.
(Geovani Martins. https://epoca.globo.com. 06.03.2018. Adaptado)
Uma expressão empregada com sentido figurado está destacada em negrito na alternativa:
A ... os filmes e as séries de sucesso mundial. (3º parágrafo)
B ... cultura pop que faz a cabeça dos jovens... (3º parágrafo)
C ... encontra seus públicos por becos e vielas. (3º parágrafo)
D Destaco esses lugares... (1º parágrafo)
E ... meu primeiro livro, publicado em março de 2018... (1º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 207812764
Questão 131 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Capas de caderno
Era tão certo quanto Natal e Ano-Novo. A família de Fabrício se reunia na véspera das aulas para encapar os cadernos.
Sentavam-se todos os irmãos e a mãe ao redor da mesa para colocar uma capa transparente e uma estampa que sobrava
dos presentes. Um dos únicos dias do ano em que dormiam tarde, atravessando de longe a meia-noite, morrendo de alegria.
Estudar signi cava um prêmio. Não podiam chegar de qualquer jeito à escola. Não era permitido que o uniforme não
estivesse limpo, apesar de gasto. Não se permitia que nenhum livro viesse desencapado. Tinha que durar. Tinha que
sobreviver aos sanduíches do recreio. Tinha que aguentar as viradas de página e o manuseio in nito. A mãe transformava a
tarefa em festa. Ela os ensinava a embrulhar devagar, a preencher o nome e a série, colocava durex com o nome dos lhos
nos objetos que iam no estojo de madeira. Estimulava os lhos a terem orgulho da letra e do capricho. Nenhum dos lhos
tinha caderno diferente de outro irmão. Tudo igual, para não gerar ciúme e competição. Fabrício amava aquele tempo de
expectativa, de preparação para momentos importantes da vida. Existia uma paciência que não existe hoje, de esperar a
televisão aquecer até vir a imagem, de escrever cartas, de ir até o orelhão para falar com um parente do interior, de pensar
como seríamos felizes se fôssemos aprovados em mais um ano escolar.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro: Bertrand, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavra empregada em sentido figurado.
A Sentavam-se todos os irmãos e a mãe ao redor da mesa...
B ... atravessando de longe a meia-noite, morrendo de alegria.
C Ela os ensinava a embrulhar devagar, a preencher o nome e a série...
D Nenhum dos filhos tinha caderno diferente de outro irmão.
E ... como seríamos felizes se fôssemos aprovados em mais um ano escolar.
207401818
Questão 132 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Literatura no cárcere
Desde 2013, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou a remição da pena pela leitura, 5.547 detentos foram
bene ciados por esse projeto no Brasil. É um número baixo, se comparado com as quase 700 mil pessoas privadas de
liberdade em todo o país.
A recomendação do CNJ determina que, a cada livro lido, é possível reduzir quatro dias da pena. Para isso, o leitor deve
escrever um resumo da obra que deve ser aprovado por um parecerista. Esses documentos seguem para o juiz
responsável, que julga o pedido de remição.
Medir os benefícios dessa proposta tem feito orescer debates acalorados entre os que veem na leitura ganhos efetivos
para a reintegração do indivíduo à sociedade e os que a avaliam como um privilégio concedido a pessoas que, de algum
modo, causaram danos à população. Sem entrar no mérito dessa discussão, é fato que, dentro ou fora da prisão, as
benesses da leitura são muitas e difíceis de mensurar.
Uma pesquisa feita em 2017 pela editora Companhia das Letras, que em parceria com a Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro
Pimentel (Funap) subsidia um projeto de clubes de leitura e remição de pena, indicou que os ganhos são mais concretos do
que se pode imaginar.
Durante um ano, 177 detentos se reuniram mensalmente para discutir uma obra selecionada pela curadoria do projeto.
Quando perguntados sobre as eventuais mudanças percebidas em si próprios, a resposta mais frequente foi que os
envolvidos conseguiram perceber uma “ampliação de conhecimentos”. Em segundo, que se sentiam mais motivados “para
traçar planos para o futuro”. Na sequência, aparecem motivações como “capacidade de re exão” e de “expressar
sentimentos”, possibilidade de “dizer o que pensa”, “maior criatividade” e, por último, “maior criticidade”.
Por qualquer prisma que se procure observar, esses ganhos já seriam signi cativos, pois no ambiente prisional revelam uma
extraordinária mudança na chave da autoestima.
(Vanessa Ferrari, Rafaela Deiab e Pedro Schwarcz.Folha de S. Paulo, 25.06.18. Adaptado)
Assinale a alternativa em que os três fragmentosdo texto apresentam sentido figurado.
A ... a cada livro lido, é possível reduzir quatro dias... (2º parágrafo)
... 177 detentos se reuniram mensalmente... (5º parágrafo)
Por qualquer prisma que se procure observar... (último parágrafo)
B ... tem feito florescer debates acalorados... (3º parágrafo)
... as benesses da leitura são muitas... (3º parágrafo)
... 177 detentos se reuniram mensalmente... (5º parágrafo)
C ... subsidia um projeto de clubes de leitura... (4º parágrafo)
Quando perguntados sobre as eventuais mudanças percebidas... (6º parágrafo)
... uma extraordinária mudança na chave da autoestima. (último parágrafo)
D ... a cada livro lido, é possível reduzir quatro dias... (2º parágrafo)
Quando perguntados sobre as eventuais mudanças percebidas... (6º parágrafo)
... uma extraordinária mudança na chave da autoestima. (último parágrafo)
E ... tem feito florescer debates acalorados... (3º parágrafo)
Por qualquer prisma que se procure observar... (último parágrafo)
... uma extraordinária mudança na chave da autoestima. (último parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 207390626
Questão 133 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Texto 2 
Malfadada tecnologia 
Sob o comando de Lúcifer, a tela conseguiu hipnotizar multidões de mulheres, homens, crianças mantidos on line. Antes,
podíamos alegar não ter visto a mensagem enviada, por estarmos longe do computador. A tela jogou por terra essa
possibilidade. Não satisfeito, criou o WhatsApp. Cinco minutos depois de enviar um email, o inimigo manda um WhatsApp
para cobrar a resposta. Desafetos mais ansiosos executam as duas operações simultaneamente. 
(Drauzio Varella, Folha de S.Paulo. 28.10.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavras com sentido figurado.
A Antes, podíamos alegar não ter visto a mensagem enviada.
B A tela jogou por terra essa possibilidade.
C A tela conseguiu manter multidões de mulheres, homens, crianças on line.
D Desafetos mais ansiosos executam as duas operações simultaneamente.
E Os cientistas, não satisfeitos, criaram o WhatsApp.
Essa questão possui comentário do professor no site 62104787
Questão 134 Denotação e conotação
Progresso, enfim
Em atraso nas grandes reformas da Previdência Social e do sistema de impostos, o Brasil tem obtido avanços em uma
agenda que, tomada em seu conjunto, mostra-se igualmente essencial – a da melhora do ambiente de negócios. Trata-se de
objetivos tão diferentes quanto facilitar a criação de empresas, reduzir o custo de licenças ou ampliar o acesso ao crédito.
Grande parte dessas providências não depende de votações no Congresso, mas sim do combate persistente a empecilhos
burocráticos e ine ciências do setor público. A boa notícia é que o país subiu 16 posições no mais conhecido ranking dessa
modalidade, divulgado a cada ano pelo Banco Mundial. A má é que a 109ª colocação, num total de 190 nações
consideradas, permanece vergonhosa. O progresso ocorreu, basicamente, em quatro indicadores – fornecimento de
energia elétrica, prazo para abertura de empresa com registro eletrônico, acesso à informação de crédito e certi cação
eletrônica de origem para importações. Pela primeira vez em 16 anos de publicação do relatório, o desempenho brasileiro
se destacou na América Latina. Os países mais bem posicionados da região, casos de México (54º lugar), Chile (56º) e
Colômbia (65º), apresentaram pouca ou nenhuma melhora. Numa perspectiva mais ampla, o ambiente de negócios vai se
tornando mais amigável na maior parte do mundo. A edição mais recente do ranking catalogou número recorde de 314
reformas realizadas em 128 economias desenvolvidas e emergentes no período 2017/2018. Fica claro, no documento, que
o maior atraso relativo do Brasil se dá no pagamento de impostos, dados a carga elevada e o emaranhado de regras dos
tributos incidentes sobre o consumo. Nesse quesito em particular, o país ocupa um trágico 184º lugar no ranking. O caminho
óbvio a seguir nesse caso é uma reforma ambiciosa, que racionalize essa modalidade de taxação. Mesmo que não seja
possível abrir mão de receitas, a simpli cação já traria ganhos substanciais em e ciência ao setor produtivo. (Editorial, Folha
de S.Paulo, 06.11.2018. Adaptado)
Há termo empregado em sentido figurado na passagem:
A ... mostra-se igualmente essencial – a da melhora do ambiente de negócios.
B A edição mais recente do ranking catalogou número recorde de 314 reformas...
C ... o maior atraso relativo do Brasil se dá no pagamento de impostos...
D Nesse quesito em particular, o país ocupa um trágico 184º lugar no ranking.
E ... a simplificação já traria ganhos substanciais em eficiência ao setor produtivo.
Essa questão possui comentário do professor no site 62096645
Questão 135 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Texto
Chris Bolin, engenheiro de software da Formidable, empresa de Seattle (EUA), criou uma página de internet cujo conteúdo
só pode ser lido offline – ou seja, você tem que desconectar sua internet no PC ou celular e só assim a página mostrará o
texto. Se você ainda não está pronto para desligar sua internet por dois minutos, a gente te ajuda: Veja abaixo o manifesto
de Chris Bolin: “2017. 2 minutos de leitura. Você quer ser produtivo? Basta desligar, pois manter uma conexão constante
com a internet é manter uma conexão constante com interrupções, tanto externas como internas. As interrupções externas
são uma legião e bem documentadas: você tem uma nova mensagem no Gmail, Slack, Twitter, Facebook, Instagram,
Snapchat, LinkedIn. Amigos, familiares, colegas de trabalho e spammers: cada um tem acesso direto à sua preciosa atenção.
Mas são as distrações internas verdadeiramente perniciosas. Você pode silenciar as noti cações do Twitter e sair do Slack,
mas como você impede sua própria mente de descarrilar sua atenção? Passei horas capturadas em teias da minha própria
curiosidade. O mais perigoso é o capricho dividido, a propósito do nada: ‘Eu me pergunto qual é o segundo idioma mais
falado?’ Aqueles 500 milissegundos poderiam mudar seu dia, porque nunca é apenas uma pesquisa no Google, apenas um
artigo da Wikipédia. A desconexão da internet faz um curto-circuito desses caprichos, permitindo que você se mova sem
embaraços. Esta página em si é um experimento nesta veia: e se certo conteúdo nos obrigasse a desconectar? E se os
leitores tivessem acesso a essa gloriosa atenção que faz devorar um romance por horas de uma forma tão grati cante? E
se os criadores pudessem emparelhar isso com o poder dos aparelhos modernos? Nossos telefones e laptops são incríveis
plataformas para novos conteúdos – se apenas pudéssemos aproveitar nossa própria atenção. O conteúdo o ine apenas
obrigaria os criadores a pensar de forma diferente. Olhe para esta página: não há um único link, nenhuma oferta de nota de
rodapé para distrair os leitores. Quantos bons artigos você deixou a metade da leitura porque você caçou um cintilante link
sublinhado? Quando você está offline, aqui é o único lugar em que você pode estar. Eu já posso ouvir os gemidos: ‘Mas eu
tenho que estar online para o meu trabalho.’ Eu não ligo. Crie tempo. Aposto que o que o torna valioso não é a sua
capacidade para o Google, mas a sua capacidade de sintetizar informações. Faça suas pesquisas online, mas crie offline.
Agora volte para sua internet acessada regularmente. Apenas lembre-se de se dar um presente ocasional de desconexão.”
(https://uoltecnologia.blogosfera.uol.com.br. Adaptado)
Assinale a alternativa cujo trecho retirado do texto contém um verbo empregado em sentido figurado.
A ... ou seja, você tem que desconectar sua internet no PC ou celular e só assim a página mostrará o texto.
B ... manter uma conexão constante com a internet é manter uma conexão constante com interrupções...
C E se os leitores tivessem acesso a essa gloriosa atenção que faz devorar um romance por horas de uma forma
tão gratificante?
D Nossos telefones e laptopssão incríveis plataformas para novos conteúdos – se apenas pudéssemos aproveitar
nossa própria atenção.
E Olhe para esta página: não há um único link, nenhuma oferta de nota de rodapé para distrair os leitores.
Essa questão possui comentário do professor no site 62081072
Questão 136 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Ex-vice-presidente do Facebook critica redes sociais
Ao falar em uma palestra nos Estados Unidos, Chamath Palihapitiya, ex-vice-presidente de crescimento do Facebook,
criticou o efeito causado pelas redes sociais.
Ele sugere que as curtidas e outros tipos de interação automática são voltados para a sensação de grati cação de curto
prazo, e não geram conversas entre as pessoas. Palihapitiya diz usar o mínimo possível o Facebook e não permite que seus
lhos acessem a plataforma. Apesar das palavras duras, ele ameniza o discurso dizendo que a empresa faz o bem no
mundo.
Ao site Futurism, Lizbeth M. Kim, candidata a doutorado em psicologia social na Universidade Estadual da Pensilvânia, diz
que a mensagem de Palihapitiya é importante para nos lembrar de algo que normalmente ignoramos por escolha. Estudos
indicam que passar muito tempo usando redes sociais pode levar à depressão.
(Lucas Agrela. https://exame.abril.com.br/. 06.01.2018. Adaptado)
Uma palavra empregada com sentido figurado está destacada em:
A falar em uma palestra (1° parágrafo).
B sensação de gratificação (2° parágrafo).
C palavras duras (2° parágrafo).
D psicologia social (3° parágrafo).
E normalmente ignoramos (3° parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 33485130
Questão 137 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
No front da alfabetização, a rede municipal de educação da cidade de São Paulo obteve conquista apreciável: 92% dos
alunos sabiam ler e escrever ao término do segundo ano, ante não mais de 77% em 2017. Com isso, a prefeitura estipulou a
meta de 85% de alfabetização no primeiro ano, quando as crianças em geral têm seis anos.
Uma ousadia, quando se tem em vista que, até recentemente, a diretriz nacional se limitava a preconizar leitura e escrita até
o nal do terceiro ano. Só em 2018, com a Base Nacional Comum Curricular, esse objetivo foi antecipado para o segundo
ano, algo que a rede paulistana já havia adotado com um ano de antecedência. 
Fica assim comprovado, na experiência de São Paulo, que metas ambiciosas nada têm de incompatível com progresso de
aprendizado – ao contrário. Em particular no campo da alfabetização, base de tudo que virá a seguir, um nível alto de
exigência dará motivação extra para educadores e estudantes se aplicarem mais.
Conforme se avança no ensino fundamental, contudo, os descaminhos e a leniência do passado se fazem manifestar nos
parcos resultados obtidos por estudantes em provas padronizadas.
A de ciência manifesta-se em todas as grandes áreas de conhecimento. Quando concluem o quinto ano, nal da fase 1 do
fundamental, só 39% das meninas e dos meninos alcançam desempenho satisfatório em língua portuguesa. Pior, são apenas
27% em matemática e 20% em ciências.
A perda agrava-se na fase seguinte. Quando saem do fundamental 2, no nono ano, apenas 25% dos estudantes estão no
nível adequado de língua. E há inaceitáveis 10% e 9% nessa faixa de desempenho, respectivamente, nas áreas de
matemática e ciências naturais, o que torna fácil de entender o desastre que hoje se observa no ensino médio.
Não deixa de ser animador constatar que ao menos nos fundamentos do aprendizado – a alfabetização – houve avanço em
São Paulo. Mas a cidade mais populosa e rica do país ainda precisa fazer mais e melhor por suas crianças e jovens.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 02.01.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a frase, reescrita a partir das informações textuais, contém termo empregado em sentido
figurado.
A As escolas municipais da cidade de São Paulo obtiveram uma conquista de grande vulto na educação.
B Compromisso que as escolas paulistanas já haviam assumido com um ano de antecedência em sua educação.
C Um nível alto de exigência dará motivação suplementar para educadores e estudantes se aplicarem mais.
D O desempenho em matemática e ciências facilita entender o fracasso que se observa no ensino médio.
E São Paulo é uma cidade que precisa repensar suas práticas e cuidar mais e melhor de suas crianças e jovens
Essa questão possui comentário do professor no site 22448257
Questão 138 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
(Fernando Gonsales. Níquel Náusea. Folha de S. Paulo. 27.12.2018. www.folha.uol.com.br)
Contribuindo para o efeito de humor dos quadrinhos, o vocábulo que está empregado com dois sentidos, um próprio e
outro figurado, é:
A país
B neve
C feijoada
D louco
E queimação
Essa questão possui comentário do professor no site 20569302
Questão 139 Denotação e conotação
Em sentido gurado, manter-se escondido embaixo da cama pode representar, tanto da parte do garoto quanto da parte
do pai, um ato de
A submissão e filantropia.
B autoritarismo e pretensão.
C extroversão e prepotência.
D recolhimento e rebeldia.
E disciplina e conformismo.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000494267
Questão 140 Prosopopeia ou personif icação Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Quando criança, lembro da carroça passando em casa para deixar lenha; agora, seis décadas depois, todo dia toca a
campainha e alguém oferece gás. A pequena mudança da energia que move o fogão caseiro simboliza o acelerado
processo de transformação do Brasil. Do pacato país rural que abria os anos 1950, nos transformamos num país
predominantemente urbano, que vive e produz inchado em grandes centros.
A cidade grande é um espaço abstrato, uma criação geométrica, que nos arranca de todos os laços mentais de natureza e
vizinhança; a comunidade urbana é antes mental que física. Os compartimentos culturais e sociais isolados acabam por se
tornar imperativos. Ao mesmo tempo, a grande cidade é a con uência do mundo; seu sonho é sair de si mesma e conversar
com suas iguais, que estão em outros países, e não a dez quilômetros dali. A cidade é sempre globalizante; ela parece
a rmar, com alguma arrogância, o triunfo do homem sobre a natureza, enquanto o campo é naturalmente conservador,
como alguém que se submete, pela simples proximidade física, pela vizinhança avassaladora e pelo império do tempo, às
regras simples, recorrentes, imutáveis e inexoráveis das estações do ano, das chuvas e secas. Metaforicamente, o Brasil
vive com um pé no campo e outro na cidade.
(Cristovão Tezza. “Mundo rural, mundo urbano, e o Brasil no meio”. 27.10.2014. www.gazetadopovo.com.br. Adaptado)
Uma palavra empregada com sentido figurado está em destaque no trecho:
A Quando criança, lembro da carroça passando em casa para deixar lenha... (1º parágrafo)
B A pequena mudança da energia que move o fogão caseiro simboliza o acelerado processo de transformação
do Brasil. (1º parágrafo)
C ... a grande cidade é a confluência do mundo; seu sonho é sair de si mesma e conversar com suas iguais... (2º
parágrafo)
D A cidade é sempre globalizante; ela parece afirmar, com alguma arrogância, o triunfo do homem sobre a
natureza... (2º parágrafo)
E ... regras simples, recorrentes, imutáveis e inexoráveis das estações do ano, das chuvas e secas. (2º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000483603
Questão 141 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder às questões.
A fórmula chinesa
A China vai virar uma democracia? Liberais, especialmente os da vertente institucionalista, apostam que ou ela se transforma
numa sociedade aberta ou verá o m de sua pujança econômica. Pequim, porém, parece empenhada em desmentir os
liberais.
Um resumo rápido do último quinquênio sob a liderança de Xi Jinping é que o dirigente, que acaba de ser escolhido para
permanecer mais cinco anos à frente do Partido Comunista chinês, conseguiu concentrar poderese sufocar as tímidas
tentativas de abertura, tudo isso sem ameaçar o crescimento.
Os liberais, porém, não precisam, por enquanto, atirar a toalha. Como nunca deram um prazo preciso para que sua profecia
se concretizasse, não foram formalmente contraditados. É até possível que tenham razão e que, em horizontes mais
dilatados, a China ou promova uma abertura ou sofra um apagão econômico.
O pressuposto teórico dessa tese é bastante razoável. A prosperidade sustentável, a nal, depende de um uxo constante
de inovações e ganhos de produtividade que são coibidos quando indivíduos não podem trocar ideias livremente. Dá para
construir uma boa argumentação mostrando que esse foi um grande problema na antiga URSS e contribuiu para seu ocaso*
econômico.
O ponto central é descobrir se a liberdade é condição necessária para o desenvolvimento cientí co e econômico ou só um
tempero desejável. Gostaria de acreditar na primeira alternativa, mas receio que ela não passe de um desejo liberal. Não me
parece “a priori” impossível criar um sistema fortemente autoritário na política e su cientemente liberal nas áreas cientí cas.
A China pelo menos tem conseguido.
(Hélio Schwartsman. Folha de São Paulo. 27.10.2017. Adaptado)
* enfraquecimento que leva à destruição; perda de influência, de poder; decadência.
Uma frase do texto em que há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado é:
A … acaba de ser escolhido para permanecer mais cinco anos à frente do Partido Comunista…
B Os liberais, porém, não precisam, por enquanto, atirar a toalha.
C O pressuposto teórico dessa tese é bastante razoável.
D Dá para construir uma boa argumentação mostrando que esse foi um grande problema…
E … descobrir se a liberdade é condição necessária para o desenvolvimento científico…
Essa questão possui comentário do professor no site 4000285956
Questão 142 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto de Lygia Fagundes Telles para responder às questões.
A disciplina do amor
Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo
voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu
encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro, e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr
todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali car sentado até o momento em que seu
dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a
ir diariamente até a esquina, xo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse
indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro
até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo,
distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.
Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou.
Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o
cachorro já velhíssimo continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está
esperando?… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para “aquela” direção.
(http://www.beatrix.pro.br/index.php/a-disciplina-do-amor-lygia-fagundes--telles/ Adaptado)
Assinale a alternativa cujo trecho completa a frase a seguir, apresentando sentido figurado.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro a esperança...
A não findou.
B continuou a existir.
C permaneceu.
D não deixou de florescer.
E não se extinguiu.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000265697
Questão 143 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
A vontade do falecido
Alguns dias depois, deu-se o evento. Seu Irineu pisou no prego e esvaziou. Apanhou um resfriado, do resfriado passou à
pneumonia, da pneumonia passou ao estado de coma e do estado de coma não passou mais. Levou pau e foi reprovado.
Um médico do SAMDU*, muito a contragosto, compareceu ao local e deu o atestado de óbito.
Tudo que era parente com razoáveis esperanças de herança foi velar o morto.
Tomou-se conhecimento de uma carta que estava cuidadosamente colocada dentro do cofre, sobre o dinheiro deixado
por seu Irineu. E na carta o velho dizia: “Quero ser enterrado junto com a quantia existente nesse cofre, que é tudo o que eu
possuo e que foi ganho com o suor do meu rosto, sem a ajuda de parente vagabundo nenhum”. E, por baixo, a assinatura
com firma reconhecida para não haver dúvida: Irineu de Carvalho Pinto Boaventura.
Para quê! Nunca se chorou tanto num velório, sem se ligar pro morto. A parentada chorava às pampas, mas não apareceu
ninguém com peito para desrespeitar a vontade do falecido.
Foi quase na hora do corpo sair. Desde o momento em que se tomou conhecimento do que a carta dizia, que Altamirando
imaginava um jeito de passar o morto para trás. Era muita sopa deixar aquele dinheiro ali pro velho gastar com minhoca.
Pensou, pensou e, na hora que iam fechar o caixão, ele deu o grito de “pera aí”. Tirou os sessenta milhões de dentro do
caixão, fez um cheque da mesma importância, jogou lá dentro e disse “fecha”.
– Se ele precisar, mais tarde desconta o cheque no Banco.
* SAMDU – Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, já extinto. 
(Stanislaw Ponte Preta. Dois amigos e um chato, 1986. Adaptado)
Assinale a alternativa em que os termos estão empregados em sentido próprio.
A Seu Irineu pisou no prego e esvaziou.
B … um jeito de passar o morto para trás.
C Tirou os sessenta milhões de dentro do caixão…
D Era muita sopa deixar aquele dinheiro ali…
E … pro velho gastar com minhoca.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000261419
Questão 144 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão
Briga de irmãos... Nós éramos cinco e brigávamos muito, recordou Augusto, olhos perdidos num ponto X, quase sorrindo.
Isto não quer dizer que nos detestássemos. Pelo contrário. A gente gostava bastante uns dos outros e não podia viver na
separação. Se um de nós ia para o colégio (era longe o colégio, a viagem se fazia a cavalo, dez léguas na estrada
lamacenta, que o governo não consertava), os outros cavam tristes uma semana. Depois esqueciam, mas a saudade do
mano muitas vezes estragava o nosso banho no poço, irritava ainda mais o malogro da caça de passarinho: “Se Miguel
estivesse aqui, garanto que você não deixava o tiziu fugir”, gritava Édison. “Você assustou ele falando alto... Miguel te
quebrava a cara”. Miguel era o mais velho, e fora fazer o seu ginásio. Não se sabe bem por que a sua presença teria
impedido a fuga do pássaro, nem ainda por que o tapa no rosto de Tito, com o tiziu já longínquo, teria remediado o
acontecimento. Mas o fato é que a gura de Miguel, evocada naquele instante, embalava nosso desapontamento e de
certo modo participava dele, ajudando-nos a voltar para casa de mãos vazias e a enfrentar o risinho malévolo dos
Guimarães: “O que é que vocês pegaram hoje?” “Nada”. Miguel era deste tamanho, impunha-se. Além disto, sabia palavras
difíceis, inclusive xingamentos, que nos deixavam de boca aberta, ao explodirem na discussão, e que decorávamos para
aplicar na primeira oportunidade, em nossas brigas particulares com os meninos da rua. Realmente, Miguel fazia muita falta,
embora cada um de nós trouxesse na pele a marca de sua autoridade.E pensávamos com ânsia no seu regresso, um pouco
para gozar de sua companhia, outro pouco para aprender nomes feios, e bastante para descontar os socos que ele nos
dera, o miserável.
(Carlos Drummond de Andrade, A Salvação da Alma. Em: O sorvete e outras histórias.)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada está empregada em sentido figurado.
A Briga de irmãos... Nós éramos cinco e brigávamos muito...
B ... inclusive xingamentos, que nos deixavam de boca aberta...
C ... a viagem se fazia a cavalo, dez léguas na estrada lamacenta...
D Miguel era o mais velho, e fora fazer o seu ginásio.
E ... embora cada um de nós trouxesse na pele a marca de sua autoridade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000235100
Questão 145 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Mal aproveitado no Brasil, telhado de casas pode gerar energia e captar água
Tente imaginar as cidades brasileiras vistas de cima. Agora repare no desperdício que é a soma dos telhados de todas as
edi cações. O modelo construtivo convencional banalizou a função dessa parte de casas, prédios, escolas, ginásios,
estádios etc. Ainda hoje, ensina-se em muitos cursos de engenharia e arquitetura que o telhado é apenas um telhado. Um
reles arremate que cobre o que está embaixo. Não seria exagero chamar isso de crime de lesa-cidade. No século 21, essas
áreas ganham progressivamente importância e prestígio na promoção da qualidade de vida de seus donos com múltiplos
usos inteligentes. Quem mora em São Paulo aprendeu isso na raça. No auge da crise hídrica, muita gente adaptou às pressas
o telhado para captar água de chuva.
Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), uma casa com 100 m² de área de telhado no centro da capital paulista pode
captar água su ciente para abastecer uma família de quatro pessoas em suas necessidades de limpeza e descarga do vaso
sanitário, por exemplo. Dependendo da localização, o telhado pode ser uma miniusina solar. Um kit completo, incluindo
inversores e outros acessórios, custa cerca de R$ 15 mil e é capaz de reduzir em até 80% a conta de luz, com o retorno do
capital investido em, no máximo, 12 anos. É caro, mas o valor vem caindo 5% ao ano. O telhado verde,com o plantio de
certas espécies mais indicadas para esse m, promove o isolamento térmico e acústico e, se desejar, captação de água de
chuva. Tudo isso sem falar no ar caprichoso da casa, que fica parecendo ter saído de um conto de fada dos irmãos Grimm.
Quer experimentar algo mais simples e barato? Pinte todo o telhado com tinta branca re exiva e reduza em até 70% a
temperatura no interior da construção, além de re etir os raios solares que agravam o efeito estufa. Um projeto simples, de
eficácia indiscutível e que assegura bem-estar pessoal e munição extra contra o aquecimento global
Emprega-se com sentido figurado uma palavra que se encontra no trecho:
A Agora repare no desperdício que é a soma dos telhados de todas as edificações. (1º parágrafo)
B … pode captar água suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas… (2º parágrafo)
C … promove o isolamento térmico e acústico e, se desejar, captação de água de chuva. (2º parágrafo)
D Pinte todo o telhado com tinta branca reflexiva… (3° parágrafo)
E … assegura bem-estar pessoal e munição extra contra o aquecimento global. (3º parágrafo)
2213269944
Questão 146 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Estima-se que, até o m deste ano, o número de pessoas vivendo na miséria no Brasil crescerá de 2,5 milhões a 3,6
milhões, segundo o Banco Mundial. O número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza passou dos 16 milhões, em
2014, para cerca de 22 milhões neste ano, de acordo com o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV
Social). Em momentos assim, o Brasil depara com outra chaga, diferente da pobreza: a desigualdade. Os mais ricos se
protegem melhor da crise, que empurra para baixo a parcela da população já empobrecida. Por isso, o FGV Social alerta
sobre um aumento relevante da desigualdade no país. Ela já subiu no ano passado, na medição que usa um índice chamado
Gini. Foi a primeira vez que isso ocorreu em 22 anos. Trata-se de um fenômeno especialmente ruim num país em que a
desigualdade supera a normalmente encontrada em democracias capitalistas. Para piorar, descobrimos recentemente que
subestimávamos o problema. 
Até o ano retrasado, a régua da desigualdade era organizada só com o Índice de Gini, baseado na Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad). Por esse método, cavam de fora do quadro os rendimentos que principalmente os mais
ricos conseguem de outras fontes, que não o salário – a renda do capital, oriunda de ativos como aplicações nanceiras,
participação em empresas e propriedade de imóveis. Isso mudou quando a Receita Federal publicou números do Imposto
de Renda (IR) de pessoa física de 2007 em diante. Os números mais recentes, referentes a 2015, foram abertos em julho
deste ano. Eles evidenciam que a concentração de renda no topo da pirâmide social brasileira é muito maior do que se
pensava. A análise restrita às entrevistas domiciliares indicava que o 1% mais rico de brasileiros concentrava 11% da renda.
Com os dados do IR e do Produto Interno Bruto (PIB), essa fatia saltou para 28%.
(Época, 13.11.2017)
Assinale a alternativa em que o termo em destaque está empregado no texto em sentido figurado.
A ... o número de pessoas vivendo na miséria no Brasil crescerá...
B ... o FGV Social alerta sobre um aumento relevante da desigualdade no país.
C ... a desigualdade supera a normalmente encontrada em democracias capitalistas.
D ... a régua da desigualdade era organizada só com o Índice de Gini...
E A análise restrita às entrevistas domiciliares indicava...
1805197166
Questão 147 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Cota é uma palavra antipática. Pronunciá-la traz à mente discriminar, racionar, excluir. A conotação negativa só fez acentuar-
se quando a universidade brasileira, inviolável trincheira da elite, começou a reservar uma parcela de suas vagas para alunos
pobres e negros, duas classi cações quase sinônimas no país. O primeiro portão se abriu no distante 2002, na Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e outras se seguiram, aqui e ali, até o governo baixar uma lei que instituiu, em 2012, o
conceito de cotas em todas as universidades. Foi um salseiro. O que seria da excelência e da premiação pelo mérito, em
um câmpus contaminado por estudantes menos quali cados? O que esperar dos cotistas, além de mau desempenho e
abandono no meio do curso? Que justiça haveria em deixar de fora jovens bem preparados só por serem brancos e não tão
pobres?
Pois, passados quinze anos do empurrão inicial e cinco da obrigatoriedade por lei, as previsões catastró cas não se
con rmaram, e o balanço é mais positivo do que se imaginava – a ponto de a Universidade de São Paulo, a mais prestigiada
do país, que nem federal é, ter anunciado há pouco que implantará as cotas. O vestibular deste ano da USP, cujas inscrições
começam no dia 21 de agosto, já será baseado no sistema de cotas.
(L. Bustamante, M. C. Vieira, Rita Loiola. “Cotas? Melhor tê-las”. Veja, 16.08.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, nas duas passagens do texto, há palavra empregada em sentido figurado.
A passados quinze anos do empurrão inicial / instituiu, em 2012, o conceito de cotas.
B inviolável trincheira da elite / o balanço é mais positivo do que se imaginava.
C A conotação negativa só fez acentuar-se / só por serem brancos e não tão pobres?
D duas classificações quase sinônimas no país. / cinco [anos] da obrigatoriedade por lei.
E Cota é uma palavra antipática. / O primeiro portão se abriu no distante 2002.
Essa questão possui comentário do professor no site 1126972113
Questão 148 Sentido denotativo próprio ou literal
Cidades inovadoras
Se uma cidade criativa fosse uma simples soma aritmética, os termos seriam: tecnologia, tolerância, talentos e tesouros.
A equação original,cunhada pelo urbanista americano Richard Florida, continha os três primeiros “tês”. O último é acréscimo
do engenheiro e professor brasileiro Victor Mirshawka, autor de “Cidades Criativas”.
De acordo com Mirshawka, o uso da tecnologia nas cidades não se reduz ao universo digital. Inclui também iniciativas que
têm impacto direto no cotidiano da população.
Ele cita Barcelona, que implementou o sistema de captação de lixo por tubos. A medida levou à redução no número de
caminhões de coleta, com consequências positivas no trânsito.
Os itens tolerância e talentos, por sua vez, estão intimamente ligados. O primeiro, diz o autor, abarca temas como
orientação sexual e migração. “Essa mescla, envolvendo várias religiões e costumes, permite diversidade, com resultados
em campos como gastronomia e música.”
Já o quesito talentos depende de um excelente sistema educacional, que funciona como um ímã para pessoas com ideias
inovadoras.
“Nesse sentido, a cidade com mais talentos do mundo é Boston (EUA), que tem 350 mil estudantes em instituições como
Harvard e MIT. Metade dos alunos são estrangeiros e, obviamente, os americanos ganham com isso.”
Por último, há os tesouros, que são tanto obras humanas (museus e monumentos) quanto da natureza (rio Amazonas e
cataratas do Iguaçu). Essas atrações, diz Mirshawka, geram “visitabilidade”, fator fundamental para as cidades criativas. “A
grande questão é como fazer com que as pessoas queiram estar na sua cidade.”
Assim, também é preciso pensar na criação de um calendário de eventos. Holambra, com seu Festival das Flores, e
Barretos, com sua Festa do Peão, são dois exemplos em São Paulo. O Brasil conta com cinco membros na Rede de
Cidades Criativas da Unesco, escolhidos pela atuação em áreas especí cas. A capital do Pará, por exemplo, destaca-se na
gastronomia pela pesquisa e utilização dos múltiplos ingredientes de origem amazônica e pela capacidade de gerar milhares
de empregos.
(Bruno Lee. Folha de S.Paulo, 30.06.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada está empregada em sentido próprio.
A De acordo com a Unesco, Belém vem se tornando um manancial para muitas instituições voltadas a pesquisas
em tecnologia de alimentos.
B De acordo com a Unesco, Belém tem aberto horizontes para muitas instituições voltadas a pesquisas em
tecnologia de alimentos.
C De acordo com a Unesco, Belém tem sido embrião de muitas instituições voltadas a pesquisas em tecnologia
de alimentos.
D De acordo com a Unesco, Belém vem se tornando endereço de muitas instituições voltadas a pesquisas em
tecnologia de alimentos.
E De acordo com a Unesco, Belém vem se tornando uma joia preciosa para muitas instituições voltadas a
pesquisas em tecnologia de alimentos.
856749500
Questão 149 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto, para responder a questão.
Personagem do imaginário popular e de uma novela, a marquesa de Santos, célebre amante de dom Pedro I, aos poucos
deixa o rodapé da história para ganhar personalidade, ambição e protagonismo mais nítidos. A partir de arquivos pouco
estudados, pesquisadores e historiadores redesenham a trajetória da paulista Domitila de Castro Canto e Melo como uma
mulher forte, independente, pragmática e de excepcional tino nanceiro. “Domitila era plural, muito mais que uma amante”,
resume o historiador Paulo Rezzutti, que está relançando seu livro Domitila – A verdadeira História da Marquesa de Santos,
de 2013, com documentos inéditos e reveladores.
O mais signi cativo, em termos históricos, é o diário que con rma a existência do primeiro dos cinco lhos dos dois
amantes, um menino sobre o qual se especulava haver nascido, mas de quem não se tinha notícia de ter sobrevivido.
Mesmo sendo criticada pelas costas e alvo constante de caricaturas e artigos injuriosos, Domitila, mulher bonita, inteligente
e alegre, experimentou ascensão social meteórica na capital. Frequentava seus saraus todo mundo que era importante. No
ápice da trajetória de amante imperial, foi nomeada dama de honra da pobre Leopoldina, que sofria com a situação, e
ganhou o título de marquesa, o segundo degrau da nobreza brasileira.
A paixão de Domitila e dom Pedro cou registrada em cartas não recomendáveis para menores. “Ele a amava com amor
selvagem, sem conhecer limites nem regras de direito, moral ou religião”, diz a historiadora Mary Del Priore, que pesquisou
a vida da marquesa.
(Luísa Bustamante, As faces de Domitila. Veja, 09.08.2017. Adaptado)
A frase do texto em que se encontra emprego figurado de palavra(s) é:
A ... a marquesa de Santos, célebre amante de dom Pedro I, aos poucos deixa o rodapé da história para ganhar
personalidade, ambição e protagonismo mais nítidos.
B O mais significativo, em termos históricos, é o diário que confirma a existência do primeiro dos cinco filhos dos
dois amantes...
C ... um menino sobre o qual se especulava haver nascido, mas de quem não se tinha notícia de ter sobrevivido.
D Frequentava seus saraus todo mundo que era importante.
E A paixão de Domitila e dom Pedro ficou registrada em cartas não recomendáveis para menores.
Essa questão possui comentário do professor no site 853616610
Questão 150 Denotação e conotação
O cachorro
Avenida larga e movimentada. Duas pistas, um canteiro no meio, muitos quilômetros. Eu ia em uma mão, o trânsito uindo
lento, mas andando. Do outro lado, na calçada, observei a chegada de um cachorro pequeno. Desses de apartamento. Não
sei o nome, mas uma raça dessas bem amorosas, que adora ficar no colo, em especial de mulheres.
Ele apontou na esquina, olhou para um lado e para o outro e parecia ansioso em tomar uma decisão. Não sei se alguém o
chamou, ou se o barulho da avenida sugeria sentenças gravíssimas. A decisão veio rápida como um raio: o cachorro
começou a correr rapidamente. Escolheu a contra-mão, ou seja, fomos na mesma direção. Eu com os olhos grudados nele,
e ele se desviando das pessoas que tentavam detê-lo, na calçada, atendendo a meus apelos silenciosos. Pelo que podia
observar, ele não estava se poupando. Imprimia toda a velocidade que seu pequeno porte possibilitava. Não havia razão
para poupar o fôlego, mesmo que ele não soubesse para onde estava indo. E certamente ele não sabia. Em determinado
momento, resolveu se livrar das pessoas e das ruas transversais que tinha de atravessar e que o obrigavam a diminuir o
passo, e escolheu o asfalto. Contra tudo, naquele mar de gente e máquinas barulhentas. Sem rumo, sem lógica, sem sentido
e com muita pressa. E corria, corria, corria.
Nada mais era certo: a vasilha com comida, a hora de dar o passeio, os braços e afagos da dona, as brincadeiras e os
latidos. A realidade era outra agora, e ameaçadora. Tudo tinha a incerteza do impulso que não sabe em que vai dar. A
vontade sem o ponto. O medo. E o desespero.
(Leo Jaime. Blônicas. São Paulo:Jaboticaba, 2005)
Assinale a alternativa em que há palavras empregadas no sentido figurado.
A E certamente ele não sabia.
B ... o cachorro começou a correr...
C Duas pistas, um canteiro no meio, muitos quilômetros.
D ... observei a chegada de um cachorro pequeno.
E Contra tudo, naquele mar de gente e máquinas barulhentas.
842907473
Questão 151 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Ao deparar-me com o vendaval poético das crianças de 1º grau, na época em que servi de animadora dos Ateliês de
Literatura no Colégio Internacional de Curitiba, quei entre espantada e admirada com a porosidade infantil diante do
universo das palavras e do contato com o universo em geral. Não houve nenhum “abracadabra” mágico que servisse para
provocar a expressão poética infantil. Se tive alguma contribuição nesta vivência, foi a de percebê-las curiosas, criado- ras,
articuladoras e poetas. O privilégio de poder sintonizar-me poeticamente com as crianças e poder fruir momentos
inesquecíveis de criação, percepção e descoberta no campo da poesia devo, sem dúvida alguma, à educação poética
recebida nos primeiros anos de vida, noambiente familiar. 
Na sala de aula, tudo era motivo para o acontecimento poético surpreender-me: “(...) cai uma folha; algo passa voando / o
que olham os olhos criado seja / e a alma do ouvinte tremendo esteja (...)”. A voz do poeta [Vicente Huidobro] parecia
constatar comigo a atmosfera de criação e fruição poética em sala de aula. E, para que isso aconteça, apenas é necessário
permitir que criança e palavra re-unam-se, na sala de aula, como era uma vez. E que o professor, mediador desse encontro,
seja capaz de rememorar sua própria infância, que não é tão diferente da infância de poetas e escritores. O fascínio pelas
palavras afeta indistintamente a todos os seres humanos.
 
O espaço para o exercício lúdico prestava-se para a intervenção espontânea e imprevisível dos alunos. Numa oportunidade,
diante do poema de Sidônio Muralha – “Quando um tatu / encontra outro tatu / tratam-se por tu...” –, um dos alunos recriou:
“Quando um boi encontra outro boi, tratam-se por ‘oi’”.
(Glória Kirinus. Criança e poesia na Pedagogia Freinet. Adaptado)
No texto, é exemplo de linguagem figurada a expressão destacada em:
A Ao deparar-me com o vendaval poético das crianças de 1o grau...
B Se tive alguma contribuição nesta vivência, foi a de percebê-las curiosas...
C ... à educação poética recebida nos primeiros anos de vida, no ambiente familiar.
D Na sala de aula, tudo era motivo para o acontecimento poético surpreender-me...
E O fascínio pelas palavras afeta indistintamente a todos os seres humanos.
773590954
Questão 152 Denotação e conotação
Leia o texto, para responder à questão a seguir.
A quem pertence um país e quem tem o direito de morar nele? Com um passado incomparável e camadas históricas
extraordinariamente variadas, inclusive em seus momentos de uxo e re uxo populacional, a Itália já fechou o debate. A
lotação está esgotada. Foram mais de 180 000 pessoas, na maioria absoluta vindas da África, no ano passado. Até
organizações humanitárias dizem que não dá mais para acomodar gente em cidadezinhas minúsculas, vilarejos medievais ou
bairros distantes de uma metrópole como Roma.
As ondas humanas criaram situações sem precedentes. As ONGs para as quais sempre cabem muitos mais tornaram-se
colaboradoras dos tra cantes que ganham com o comércio de gente, um escândalo ético espantoso. Começaram a fazer
o bem e se transformaram em parte integrante de um processo de imensa perversidade, cujos promotores praticam abusos
indescritíveis. Embora cruel, o sistema é de uma e ciência impressionante. Até os botes de borracha, cujos passageiros
pagam para ser resgatados por navios de ONGs, da Marinha italiana ou de outros países europeus, são fabricados
especi camente para esse tipo de trans- porte. Cada passagem custa por volta de 1 500 euros, ou 5 500 reais. O negócio
foi calculado em 390 milhões de dólares no ano passado.
A questão dos grandes deslocamentos humanos vindos do mundo pobre, encrencado, con agrado ou simplesmente com
menos benefícios sociais, em direção ao mundo rico, já provocou conhecidas reações políticas, das quais a mais
estrondosa foi a eleição de Donald Trump. A palavra-chave no fenômeno atual é benefícios. Ao contrário dos imigrantes
que vieram para o Novo Mundo, entre os quais tantos de nossos antepassados, com uma malinha, muitos carimbos nos
documentos e esperança de emprego, as ondas humanas atuais chegam aos países ricos com abrigo, saúde e educação
providos pelo Estado de bem-estar social. Organizações supranacionais, como a própria União Europeia, também têm
verbas para dar garantias inimagináveis pelos imigrantes do passado. O problema, como sabemos, é que o dinheiro não
aparece magicamente nos cofres dos Estados ou seus avatares.
(Vilma Gryzinski, Lotou ou ainda cabe mais? Veja, 26.07.2017. Adaptado)
A frase do texto que se caracteriza pelo emprego de palavra(s) em sentido figurado é:
A O negócio foi calculado em 390 milhões de dólares no ano passado.
B A quem pertence um país e quem tem o direito de morar nele?
C Foram mais de 180 000 pessoas, na maioria absoluta vindas da África, no ano passado.
D As ondas humanas criaram situações sem precedentes
E Embora cruel, o sistema é de uma eficiência impressionante.
754504585
Questão 153 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Os laranjas
Amsterdã é arquitetura, é mobilidade, é segura, é sexo, ores e bike’n’roll, é Van Gogh. E é ainda mais dionisíaca no Dia do
Rei, o Koningsdag. Todo 27 de abril, a capital holandesa vira um ímã de gente festeira. Até os cães usam trajes à Guilherme
de Orange e se divertem pelas ruas e por seus 165 canais. É o canal.
No texto sobre a festa do Dia do Rei, a expressão “É o canal”, que corresponde a “é muito bom”, “vale a pena”, foi
empregada em sentido ___________ , assim como a expressão ___________ .
As lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, por:
A próprio … segura
B próprio … laranjas
C figurado … ímã
D figurado … cães
E figurado … festeira
Essa questão possui comentário do professor no site 539266716
Questão 154 Metáf ora Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Agenda lotada
Flávia logo percebeu que as outras moradoras do prédio, mãe dos amiguinhos do seu lho, Paulinho, de seis anos, olhavam
para ela com um ar de superioridade. Não era para menos. Afinal, o garoto até aquela idade se limitava a brincar e ir à escola.
Andava em total descompasso com os outros meninos, que já haviam desenvolvido múltiplas e variadas atividades desde a
mais tenra infância. Então, Flávia pediu ao marido que tivesse uma conversa com o filho.
– O que você gostaria de fazer, Paulinho? – perguntou o pai, dando uma de liberal que não costuma impor suas vontades.
– Brincar…
– Você não acha que já passou um pouco da idade, filho?
A vida não é uma eterna brincadeira. Você precisa começar a pensar no futuro. Pensar em coisas mais sérias, desenvolver
outras atividades. Você não gostaria de praticar algum esporte?
Alheios ao desejo do filho, os pais resolveram colocar Paulinho na natação, na ginástica olímpica, no inglês, judô, francês…
Quando os amiguinhos da rua chamavam Paulinho para brincar depois do colégio, ele respondia:
– Não posso, tenho aula de inglês.
– E depois?
– Vou pro judô.
– Então quando poderemos brincar?
– Não sei. Tenho que ver na agenda.
À noitinha chegava mais cansado do que o pai. Nunca mais brincou. E Paulinho foi cando adulto antes do tempo, como
uma fruta que amadurece antes da hora.
(NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista. 8a ed. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta palavra empregada em sentido figurado.
A … já desenvolveram múltiplas e variadas atividades…
B Flávia pediu ao marido que tivesse uma conversa com o filho.
C A vida não é uma eterna brincadeira.
D Você não gostaria de praticar algum esporte?
E Então quando poderemos brincar?
Essa questão possui comentário do professor no site 527567890
Questão 155 Denotação e conotação
Assinale a alternativa em que ocorre termo empregado em sentido figurado.
A Basta recordar a persistente crença sobre a falsidade das viagens tripuladas à Lua... (2º parágrafo)
B ... de modo a favorecer interesses e prejudicar adversários. (3º parágrafo)
C ... não é difícil que os rumores se disseminem sem serem confrontados... (5º parágrafo)
D ... é a prática do bom jornalismo, comprometido com a veracidade dos fatos que relata... (6º parágrafo)
E Embora haja remédios legais para reparar os excessos... (7º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 416807111
Questão 156 Metáf ora Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomarmos
“Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômica. Tomando “Ipanema” como um símbolo, no entanto, como um
exemplo de alívio, promessa de alegria em meio à vida dura da cidade, a frase passa a ser de um triste realismo: o problemade São Paulo é que você anda, anda, anda e nunca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o parque do Estado, o Jardim da Luz
são uns raros respiros perdidos entre o mar de asfalto, a floresta de lajes batidas e os Corcovados de concreto armado.
O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere estendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois metros
quadrados de chão. É o que vemos nas avenidas abertas aos pedestres, nos ns de semana: basta liberarem um pedacinho
do cinza e surgem revoadas de patinadores, maracatus, big bands, corredores evangélicos, góticos satanistas, praticantes
de ioga, dançarinos de tango, barraquinhas de yakissoba e barris de cerveja artesanal.
Tenho estado atento às agruras e oportunidades da cidade porque, depois de cinco anos vivendo na Granja Viana, vim
morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no m da tarde, eu corria em volta de um lago, desviando de patos e assustando jacus.
Agora, aos domingos, corro pela Paulista ou Minhocão e, durante a semana, venho testando diferentes percursos. Corri em
volta do parque Buenos Aires e do cemitério da Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas encostas do Sumaré,
até que, na última terça, sem querer, descobri um insuspeito parque noturno com bastante gente, quase nenhum carro e
propício a todo tipo de atividades: o estacionamento do estádio do Pacaembu.
(Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toalha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em: 13.04.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa cuja frase contém palavras empregadas em sentido figurado, no contexto em que se encontram.
A O Ibirapuera, o parque do Estado, o Jardim da Luz são uns raros respiros perdidos entre o mar de asfalto... 
B Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério da Consolação... 
C Lá em Cotia, no fim da tarde, eu corria em volta de um lago, desviando de patos... 
D É o que vemos nas avenidas abertas aos pedestres, nos fins de semana... 
E ... parque noturno com bastante gente, quase nenhum carro e propício a todo tipo de atividades...
Essa questão possui comentário do professor no site 413913930
Questão 157 Denotação e conotação
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa
fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, nos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às
vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia
dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir,
puxa vida! Como deixava a garganta seca.
A brisa na, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a
pouca saliva que pacientemente juntava.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para
fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de pedra, de onde
brotava num filete a água sonhada.
O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente no orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco
desceu, escorrendo pelo peito até a barriga
Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua tando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da
boca da mulher que saía a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma
boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado. Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo
rosto em brasa viva.
(Clarice Lispector, “O primeiro beijo”. Felicidade clandestina. Adaptado)
Assinale a alternativa cuja frase contém apenas palavras empregadas em sentido próprio.
A ... e seus olhos saltavam para fora da janela, procurando a estrada, penetrando entre os arbustos... 
B O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra... 
C Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. 
D Sofreu um tremor que [...] se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa
viva. 
E ... deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos...
Essa questão possui comentário do professor no site 413593667
Questão 158 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Personagem do imaginário popular e de uma novela, a marquesa de Santos, célebre amante de dom Pedro I, aos poucos
deixa o rodapé da história para ganhar personalidade, ambição e protagonismo mais nítidos. A partir de arquivos pouco
estudados, pesquisadores e historiadores redesenham a trajetória da paulista Domitila de Castro Canto e Melo como uma
mulher forte, independente, pragmática e de excepcional tino nanceiro. “Domitila era plural, muito mais que uma amante”,
resume o historiador Paulo Rezzutti, que está relançando seu livro Domitila – A verdadeira História da Marquesa de Santos,
de 2013, com documentos inéditos e reveladores.
O mais signi cativo, em termos históricos, é o diário que con rma a existência do primeiro dos cinco lhos dos dois
amantes, um menino sobre o qual se especulava haver nascido, mas de quem não se tinha notícia de ter sobrevivido.
Mesmo sendo criticada pelas costas e alvo constante de caricaturas e artigos injuriosos, Domitila, mulher bonita, inteligente
e alegre, experimentou ascensão social meteórica na capital. Frequentava seus saraus todo mundo que era importante. No
ápice da trajetória de amante imperial, foi nomeada dama de honra da pobre Leopoldina, que sofria com a situação, e
ganhou o título de marquesa, o segundo degrau da nobreza brasileira.
A paixão de Domitila e dom Pedro cou registrada em cartas não recomendáveis para menores. “Ele a amava com amor
selvagem, sem conhecer limites nem regras de direito, moral ou religião”, diz a historiadora Mary Del Priore, que pesquisou
a vida da marquesa.
(Luísa Bustamante, As faces de Domitila. Veja, 09.08.2017. Adaptado)
A frase do texto em que se encontra emprego figurado de palavra(s) é:
A … a marquesa de Santos, célebre amante de dom Pedro I, aos poucos deixa o rodapé da história para ganhar
personalidade, ambição e protagonismo mais nítidos.
B O mais significativo, em termos históricos, é o diário que confirma a existência do primeiro dos cinco filhos dos
dois amantes...
C ... um menino sobre o qual se especulava haver nascido, mas de quem não se tinha notícia de ter sobrevivido.
D Frequentava seus saraus todo mundo que era importante.
E A paixão de Domitila e dom Pedro ficou registrada em cartas não recomendáveis para menores.
Essa questão possui comentário do professor no site 57542009
Questão 159 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
O cachorro
Avenida larga e movimentada. Duas pistas, um canteiro no meio, muitos quilômetros. Eu ia em uma mão, o trânsito uindo
lento, mas andando. Do outro lado, na calçada, observei a chegada de um cachorro pequeno. Desses de apartamento. Não
sei o nome, mas uma raça dessas bem amorosas, que adora ficar no colo, em especial de mulheres.
Ele apontou na esquina, olhou para um lado e para o outro e parecia ansioso em tomar uma decisão. Não sei se alguém o
chamou, ou se o barulho da avenida sugeria sentenças gravíssimas. A decisão veio rápida como um raio: o cachorro
começoua correr rapidamente. Escolheu a contramão, ou seja, fomos na mesma direção. Eu com os olhos grudados nele,
e ele se desviando das pessoas que tentavam detê-lo, na calçada, atendendo a meus apelos silenciosos. Pelo que podia
observar, ele não estava se poupando. Imprimia toda a velocidade que seu pequeno porte possibilitava. Não havia razão
para poupar o fôlego, mesmo que ele não soubesse para onde estava indo. E certamente ele não sabia. Em determinado
momento, resolveu se livrar das pessoas e das ruas transversais que tinha de atravessar e que o obrigavam a diminuir o
passo, e escolheu o asfalto. Contra tudo, naquele mar de gente e máquinas barulhentas. Sem rumo, sem lógica, sem sentido
e com muita pressa. E corria, corria, corria.
Nada mais era certo: a vasilha com comida, a hora de dar o passeio, os braços e afagos da dona, as brincadeiras e os
latidos. A realidade era outra agora, e ameaçadora. Tudo tinha a incerteza do impulso que não sabe em que vai dar. A
vontade sem o ponto. O medo. E o desespero.
(Leo Jaime. Blônicas. São Paulo:Jaboticaba, 2005)
Assinale a alternativa em que há palavras empregadas no sentido figurado.
A E certamente ele não sabia.
B ... o cachorro começou a correr…
C Duas pistas, um canteiro no meio, muitos quilômetros.
D ... observei a chegada de um cachorro pequeno.
E Contra tudo, naquele mar de gente e máquinas barulhentas.
Essa questão possui comentário do professor no site 57421507
Questão 160 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Não se pode dar corda à memória: a gente começa brincando, mas ela não faz cerimônia e vai invadindo nossas mentes e
nossos corações. Para mim são, ainda e sempre, as recordações da infância na praia muito mais fortes do que eu podia
imaginar.
No terreno das brincadeiras, a mais comum era o caldo: quem não se lembra do terror de levar um? Também se
brincava de jogar areia nos outros, aos gritos, para horror dos adultos, e a pior de todas: se deixar ser enterrada cando só
com a cabeça de fora, e todo mundo fingir que ia embora, só de maldade, deixando você sozinha e esquecida.
No terreno mais leve, a grande proeza era mergulhar e passar por baixo das pernas abertas da prima, lembra? Aliás, essa é
uma raça em extinção: as primas. Elas eram muitas, e a convivência, intensa. Hoje, nas cidades grandes, existem poucas tias
e pouquíssimas primas.
As crianças catavam conchas para colar, e era difícil fazer um buraquinho com um prego e um martelinho, sem quebrar a
concha, para passar o barbante. As cor-de-rosa eram as mais lindas, e, quando se encontrava um búzio, era uma verdadeira
festa. As conchas acabaram; onde terão ido parar?
No nal da tarde, a praia já sem sol, voltavam os barcos de pesca: as pessoas cavam em volta comprando o peixe nosso
de cada dia, que seria feito naquela mesma noite. Naquele tempo não havia nem alface nem tomate nem molho de
maracujá, e para dar uma corzinha na comida se usava colorau – já ouviu falar?
Camarão só às vezes, mas, em compensação, havia cações com a carne rija, que davam uma moqueca muito boa. Os
peixes eram vendidos por lote, não custavam quase nada, e o que sobrava era distribuído ali mesmo. Mas os fregueses
eram honestos, e ninguém deixava de comprar para levar algum de graça, no final das transações.
Às vezes corria um boato assustador: de que o mar estava cheio de águas-vivas, o que era um acontecimento. Água- -viva
é uma rodela gelatinosa que, segundo diziam, se encostasse no corpo, queimava como fogo. Ia todo mundo para a beira da
água tentando ver alguma, mas ninguém entrava no mar, de medo. No dia seguinte, a areia estava cheia delas, e com uma
varinha a gente cava mexendo, sempre com muito cuidado: a nal, era uma gelatina, mas viva – uma coisa mesmo muito
estranha.
Para evitar queimaduras, se usava óleo Dagele, e se alguém dissesse que anos depois uma massagem de algas, daquelas
mesmas algas verdes e marrons com as quais a gente dançava dentro da água, não custaria menos de
US$ 100 em Nova York ou Paris, ninguém acreditaria.
Naquele tempo não havia refrigerantes, não se tomava água gelada, e as crianças rezavam uma ave-maria antes de dormir,
sendo que algumas ajoelhadas. 
Não havia abajur nas mesas de cabeceira e na hora de dormir se apagava a luz do teto, com sono ou sem sono, e
ficávamos com os pensamentos voando, esperando o sono chegar.
E ninguém se queixava de nada, até porque não havia do que se queixar, porque era assim e pronto.
(Folha de S.Paulo, 17.04.2005. Adaptado)
O trecho do texto que traz expressão em sentido figurado está na alternativa:
A Também se brincava de jogar areia nos outros, aos gritos...
B ... era mergulhar e passar por baixo das pernas abertas da prima...
 
C Hoje, nas cidades grandes, existem poucas tias e pouquíssimas primas.
D ... não custaria menos de US$ 100 em Nova York ou Paris, ninguém acreditaria.
E ... e ficávamos com os pensamentos voando, esperando o sono chegar.
Essa questão possui comentário do professor no site 1918218463
Questão 161 Sentido denotativo próprio ou literal Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Análise das estruturas linguísticas do texto
Lições da Educação Infantil
De uns 15 anos para cá, passamos a ter boas escolas de educação infantil. Antes disso, já tínhamos algumas que respeitavam
a primeira infância, ouviam as crianças, reconheciam sua potência de aprendizagem no ato de brincar.
Esse número passou a se multiplicar devido a experiências em escolas pelo mundo. Por isso, hoje, já é possível encontrar
uma escola para crianças com menos de seis anos em que o currículo não seja apenas um elenco de conteúdos, em que o
ato de brincar seja a principal atividade para a criança, em que não haja uma profusão de brinquedos prontos e em que haja
professores com formação contínua e em serviço. Escolas desse tipo ainda são minoria, mas já é uma boa notícia saber que
elas existem.
Nessas escolas, as crianças aprendem a se concentrar porque a brincadeira exige isso e porque elas participam ativamente
da escolha da brincadeira, seja em grupo, seja pessoalmente. Aprendem também a fazer perguntas e a pesquisar para buscar
respostas, a exercitar sua criatividade, a colocar a mão na massa em tudo. Atenção: na massa e não, necessariamente, na
massinha.
Os alunos aprendem, também, a conviver: os professores aproveitam todas as ocasiões para dar oportunidades de a
criança aprender a ver e a considerar o seu par, a esperar a sua vez, a simbolizar em palavras o que sente e pensa, a viver
em grupo e a ser solidária.
É uma pena que as escolas de ensino fundamental e médio não tenham humildade para olhar com atenção para as de
educação infantil e aprender com elas. Há uma hierarquia escolar espantosa, caro leitor: as escolas de graduação pensam
que praticam um ensino “superior”; as de ensino médio se consideram mais especializadas no conhecimento sistematizado
do que a escola de ensino fundamental; e todas pensam que a de educação infantil não exige conhecimento científico.
As escolas de ensino fundamental e médio precisam se inspirar nas de educação infantil e não deixar o aluno ser totalmente
passivo em sua aprendizagem: ele precisa, para se motivar, fazer algumas escolhas.
O aluno que participa não se distrai com tanta facilidade. E é bom lembrar que uma das maiores queixas em relação aos
alunos é exatamente a falta de atenção, de foco e de concentração.
Precisam também reconhecer que aprende mais quem pratica o que deve aprender. Como eu já disse: mão na massa!
Ninguém merece ficar horas em aulas expositivas ou arremedos de trabalho em grupo.
O que as famílias têm a ver com isso? Tudo! Quando a sociedade questionar verdadeiramente a organização escolar atual,
certamente teremos mudanças. Mas, até agora, vemos mais conformismo e adesão do que questionamentos, não é
verdade?
(Rosely Sayão, Folha de S.Paulo, 05 de maio de 2015.Adaptado)
Assinale a alternativa cuja frase possui expressão empregada em sentido figurado.
A Esse número passou a se multiplicardevido a experiências em escolas pelo mundo. (2º parágrafo)
B ... em que não haja uma profusão de brinquedos prontos... (2º parágrafo)
C ... a considerar o seu par, a esperar a sua vez, a simbolizar em palavras o que sente e pensa, a viver em grupo e a
ser solidária. (4º parágrafo)
D ... e não deixar o aluno ser totalmente passivo em sua aprendizagem: ele precisa, para se motivar, fazer algumas
escolhas. (6º parágrafo)
E Precisam também reconhecer que aprende mais quem pratica o que deve aprender. Como eu já disse: mão na
massa! (8º parágrafo)
1648318985
Questão 162 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Quem Ama Inventa
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!
(Mário Quintana. Disponível em http://pensador.uol.com.br/poesias_de_mario_quintana.)
Assinale a alternativa em que há sentido figurado.
A Quem ama inventa as coisas a que ama...
B Então de súbito acendeu-se a chama!
C O palpitar de nossos corações
D … meu grande amor distante
E Nem sabes tu o bem que faz à gente
1643928033
Questão 163 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade.
Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desa a. Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico,
mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o
computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita.
Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. [...]
Outra coisa: ele é mais inteligente. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale
com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas que ele
tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A
máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empá a, o mesmo ar de quem só
aguentava você. Ele sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. [...]
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas di cilmente voltará à máquina de
escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos
com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais formal
e exigente. Mas é fascinante.
(Luís Fernando Veríssimo. Disponível em http://pensador.uol.com.br/contos_de_luis_fernando_verissimo. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há sentido figurado.
A Para começar, ele nos olha na cara. (1º parágrafo)
B Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade. (1º parágrafo)
C Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. (2º parágrafo)
D A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria... (2º parágrafo)
E É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. (3º parágrafo)
1642519853
Questão 164 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Na China, 10 de setembro é Dia do Professor. A comemoração celebra a contribuição dos educadores para a sociedade
chinesa e costumava ser o momento de estudantes expressarem sua gratidão com cartões e ores. Mais recentemente,
porém, a data ganhou novos contornos e tornou-se comum os pais comprarem presentes extravagantes para os mestres
de seus filhos, como iPads, cosméticos de luxo, bolsas de design e vale-compras opulentos.
Esses itens raramente re etem a gratidão dos alunos. Contrariamente, fazem parte da grande competição que se tornou a
educação na China. E ser o preferido do professor é uma das facetas desses jogos.
Alguns pais com carteiras recheadas acreditam que um bom presente pode ajudar os lhos a terem sucesso escolar– o que
pode ser caracterizado como propina. Essas grati cações perpetuam a desigualdade: nem todos podem dar presentes
desse porte. Em 2012, o presidente Xi Jinping condenou essa prática nas escolas e recriminou outras atitudes como a
realização de banquetes, a fabricação de tortas da lua (típico doce chinês) em ouro maciço.
Há alguns dias, o ministro da Educação proibiu as gratificações extravagantes em todas as instituições educacionais do país.
(O Estado de S.Paulo,14 de setembro de 2014. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há termos empregados com sentido figurado.
A Na China, 10 de setembro é Dia do Professor. (1º parágrafo)
B ... costumava ser o momento de estudantes expressarem sua gratidão com cartões e flores. (1º parágrafo)
C ... tornou-se comum os pais comprarem presentes extravagantes para os mestres de seus filhos... (1º parágrafo)
D Em 2012, o presidente Xi Jinping condenou essa prática nas escolas... (3ºparágrafo)
E Alguns pais com carteiras recheadas acreditam que um bom presente pode ajudar os filhos...(3ºparágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 1619934230
Questão 165 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Os perigos de estar sempre conectado
Quem acha que o comportamento dos jovens – e de muitos adultos – que não desgrudam os olhos e os dedos da tela de
um celular quando estão em grupo é apenas sinal de falta de educação ou de respeito com quem está em volta pode
começar a se preocupar com outras questões mais sérias.
Um novo estudo da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, mostra que mesmo os alunos mais inteligentes
podem piorar seu desempenho acadêmico quando o uso de celulares, tablets ou notebooks torna-se frequente em sala de
aula. Foram avaliados 500 alunos de psicologia. Todos eles (mesmo aqueles com melhores habilidades intelectuais) tiveram
uma queda de rendimento e notas, à medida que crescia o uso de internet durante as aulas – olhando notícias, respondendo
a e-mails ou publicando nas redes sociais.
Se o fenômeno ocorre com os mais jovens – em teoria, mais bem adaptados a administrar múltiplas tarefas ao mesmo
tempo –, não é difícil imaginar que os mais velhos enfrentem o mesmo tipo de problema em seu trabalho, quando
pulverizam sua atenção em estímulos vindos do celular e dos computadores. Os resultados desse trabalho da Universidade
de Michigan sugerem que as atividades extremamente envolventes da internet podem tirar até os mais “brilhantes” do rumo.
Outro estudo, em Atlanta, nos Estados Unidos, investigou o fenômeno das mensagens pelo celular. O resultado mostrou
que 41% dos jovens que já dirigem admitiram ter mandado um texto ou um e-mail enquanto guiavam seu carro. Em alguns
Estados, esse índice ultrapassou 60%. Trata-se, claramente, de um comportamento cada vez mais comum entre eles. A
questão aqui é a habilidade em conduzir um veículo de maneira segura quando o foco de atenção do motorista, além dos
olhos e das mãos, está longe do volante. Os jovens, que tendem a ter comportamentos mais impulsivos, correm maior risco
de acidentes.
Como não é possível imaginar um mundo e uma escola sem celulares e internet, o importante é saber qual o momento mais
adequado e seguro para usar essas tecnologias. Que tal desligar o aparelho e prestar um pouco mais de atenção à aula e ao
trânsito?
(Jairo Bouer. Época, 30 de junho de 2014. Adaptado)
Assinale a alternativa cuja frase apresenta palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
A ... mostra que mesmoos alunos mais inteligentes podem piorar seu desempenho acadêmico... (2º parágrafo)
B ... imaginar que os mais velhos enfrentem o mesmo tipo de problema em seu trabalho, quando pulverizam sua
atenção em estímulos... (3º parágrafo)
C ... não é difícil imaginar que os mais velhos enfrentem o mesmo tipo de problema em seu trabalho... (4º parágrafo)
D ... o importante é saber qual o momento mais adequado e seguro para usar essas tecnologias. (5º parágrafo)
E Que tal desligar o aparelho e prestar um pouco mais de atenção à aula e ao trânsito? (5º parágrafo)
1485190928
Questão 166 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa que apresenta palavras empregadas em sentido figurado.
A É preciso evitar o desperdício de alimentos.
B Há descargas que consomem muita água.
C Aqueles móveis custam o olho da cara.
D Não se deve demorar no banho.
E O desperdício prejudica o meio ambiente.
Essa questão possui comentário do professor no site 1477714717
Questão 167 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.
Eu co realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país
em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.
Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e
realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não leem as informações
que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?
Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas las de espera por produtos, e os aeroportos
estão lotados. Passe diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no m de semana e perceberá que seguem
lotados.
Aliás, isso é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são
as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com o que é supér uo – e o entretenimento não
consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz etc.
Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público
recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.
Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida
pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.
“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”
“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais.”
“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas.”
Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.
Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à
realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver
“em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na
mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.
(Apesar da crise. Disponível em: www.pragmatismopolítico. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o pessimismo ao qual o autor do texto se refere foi ilustrado em sentido figurado.
A ... colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias...
B ... não leem as informações que seus próprios jornais publicam...
C Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar.
D Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”...
E Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está...
1460422225
Questão 168 Interpretação de charges e tirinhas Denotação e conotação
Leia a tirinha a seguir para responder à questão abaixo.
O efeito de sentido dessa tirinha está no fato de
A as expressões “copo meio cheio” e “copo meio vazio” serem usadas em sentido próprio para se referir às formas
idênticas que o otimista e o pessimista têm de enxergar a vida.
B as expressões “copo meio cheio” e “copo meio vazio” serem usadas em sentido próprio, fazerem referência a
um mesmo copo e isso não ser percebido pelos pessimistas e otimistas.
C as expressões “copo meio cheio” e “copo meio vazio” serem usadas em sentido figurado para se referirem à
forma como o otimista e o pessimista, respectivamente, encaram os fatos da vida.
D haver uma contradição entre o sentido figurado que caracteriza o ponto de vista realista e o sentido próprio
atribuído a “lavar o copo”, que também caracteriza o ponto de vista do otimista.
E haver uma contradição na forma de enxergar o copo: enquanto o realista enxerga os problemas referentes a esse
copo, o otimista e o pessimista apenas enxergam as virtudes dele.
1460000038
Questão 169 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
As rondas ostensivas da patrulha ideológica
 
O pensamento patrulheiro cou vasto e variado. Os mili- tantes das rondas percorrem as ruas da internet e da imprensa. É
uma forma de censura. Quando eu era jovem, alguns patrulheiros diziam que não se podia ler Gilberto Freyre. Era, claro, uma
patrulha ideológica. A questão não era dizer que Casa Grande e Senzala deveria ser vista com ressalvas históricas. A postura
era do índex inquisitorial: você não pode ler! 
 
Rea rmarei sempre, em todos os lugares: um texto pode ser conservador e genial, como o de Alexis de Tocqueville. Um
texto pode ser de esquerda e conter conclusões fundamentais, como o de Pierre Proudhon ou de Karl Marx. Texto bom é
o que faz pensar. Não se trata de isenção, mas de reconhecer que a inteligência não assenta morada exclusiva em um setor
do espectro político. O pensar abomina gaiolas. 
 
Um patrulheiro dogmático é alguém que, em geral, compreende pouco de um tema. A de ciência é compensada pela
retórica e pelo ardor do debate. O ataque é uma forma de disfarçar o medo. 
 
Pensar é complexo. Necessita esforço constante e direcionamento com foco. A re exão precisa de dados e de análise. É
uma mistura de esforço braçal e intelectual. Vamos dar um exemplo. O simples conceito capitalismo traz uma imensa
quantidade de leituras e pesquisas. O caminho é árduo. A alternativa mais fácil é lascar à queima-roupa: o capitalismo nunca
deu certo! Matou milhões! Leia O Livro Negro do Capitalismo! Slogans são cômodos. 
 
Vamos inverter o vetor. Estudar os socialistas utópicos e suas experiências já ocupa meses de leitura. Marx, ainda que seja
somente O Capital, é uma tarefa imensa. Melhor disparar com ar douto*: o socialismo nunca deu certo! Matou milhões!
Vejam O Livro Negro do Comunismo! As frases substituem o debate com a profundidade de um pires. 
 
Considerem um exemplo que irritará o patrulheiro zeloso. Um aluno me pergunta: Che Guevara foi um assassino ou um
herói? Respondo com calma: os dois. Matou pessoas, e participou de lutas armadas na América Latina e África para
implantar o socialismo. Outros exemplos de heróis com sangue? Churchill, admirável para alguns ingleses e assassino para
povos do Oriente. Vai depender da sua identidade étnica, caro estudioso, da sua orientação ideológica e do seu empenho
na pesquisa. 
 
Eu sei: ao dizer essas coisas retirei a certeza moral que dá à patrulha ideológica a tranquilidade rasa. Tornei o mundo um
caleidoscópio instável e introduzi um incômodo relativismo. 
 
Certezas são próprias de pessoas que, tendo lido (ou escrito) um único livro, podem a rmar com segurança que todos os
estudos comprovam suas ideias. Nós precisamos de humildade e método. Insultar é fácil e imediato.Odiar é um ópio.
Vamos esperar o trio elétrico da patrulha passar para continuar nossa conversa calma. Pensar dá um trabalho imenso.
 
* Douto – que ou aquele que possui extensos conhecimentos
 
(Leandro Karnal. O Estado de S.Paulo. 08.11.2016. Adaptado)
O autor utiliza linguagem figurada para afirmar que: 
(I) algo pode ser feito ou falado de modo contundente; 
(II) a reflexão detesta falta de liberdade. 
Essas ideias estão contidas, correta e respectivamente, nas frases: 
A O patrulheiro dogmático é alguém que compreende pouco de um tema. / A postura era do índex inquisi- torial:
você não pode ler! 
B A deficiência é compensada pela retórica e pelo ardor do debate. / O ataque é uma forma de disfarçar o medo. 
C A reflexão é uma mistura de esforço braçal e intelectual. / Tornei o mundo um caleidoscópio instável e introduzi
um incômodo relativismo. 
D Os militantes das rondas percorrem as ruas da internet e da imprensa. / Melhor disparar com ar douto: o
socialismo nunca deu certo! 
E A alternativa mais fácil é lascar à queima-roupa: o capitalismo nunca deu certo! / O pensar abomina gaiolas.
Essa questão possui comentário do professor no site 1420400791
Questão 170 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto.
Um homem que dorme mantém em círculo em torno de si o o das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Ao acordar
consulta-os instintivamente e neles veri ca em um segundo o ponto da terra em que se acha, o tempo que decorreu até
despertar; essa ordenação, porém, pode-se confundir e romper. Se acaso pela madrugada, após uma insônia, vem o sono
surpreendê-lo durante a leitura, em uma posição muito diversa daquela em que dorme habitualmente, basta seu braço
erguido para deter e fazer recuar o sol, e, no primeiro minuto em que desperte, já não saberá da hora, e cará pensando que
acabou apenas de deitar-se.
(Marcel Proust. No caminho de Swann. Trad. Mario Quintana. 17. ed. São Paulo: Globo, 1995, p. 11. [Em busca do tempo
perdido, v. 1])
Em consonância com o restante do texto, no trecho – Um homem que dorme mantém em círculo em torno de si o o das
horas, a ordem dos anos e dos mundos. –, empregam-se termos com sentido figurado, atingindo, entre outros efeitos, o de
A atribuir conotação negativa à representação do sono.
B conferir características espaciais à noção de tempo.
C descrever o sono como um ato meramente biológico.
D sugerir que o insone dificilmente perde a noção do tempo.
E enfatizar a estaticidade do corpo de alguém que está dormindo.
1395309814
Questão 171 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Entreouvida na rua: “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” Não sei se é uma frase feita comum que só eu não
conhecia ou se estava sendo inventada na hora, mas gostei. Tudo, no m, se resume no que tem e não tem a ver com o
nosso café com leite, no que afeta ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos. É uma questão que envolve
mais do que a vizinhança próxima. Outro dia camos sabendo que o Stephen Hawking voltou atrás na sua teoria sobre os
buracos negros, aqueles furos no Universo em que a matéria desaparece. 
 
Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os buracos negros não eram
nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a gente nunca vai entender. Nosso consolo é que nada
disto tem a ver com nosso café com leite. Os buracos negros e o nosso café com leite são, mesmo, extremos opostos, a
extrema angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar. Não cabem na mesma mesa ou no mesmo cérebro.
(Luis Fernando Verissimo. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2008, p. 09)
O sentido atribuído pelo autor à frase – “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” – está expresso, em outras
palavras, na alternativa:
A Será que somos capazes de compreender isso?
B Até que ponto isso desperta o interesse dos cientistas?
C De que modo nós poderíamos contribuir para isso?
D Por que eu deveria crer na veracidade disso?
E Como isso pode impactar o meu cotidiano?
1340526207
Questão 172 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Mesmo os pouco observadores devem ter notado um novo aparelho na temporada de férias. Tecnologia de ponta? Só no
sentido mais estritamente literal.
Neste ano, o “pau de sel e”, monopé que permite tirar autorretratos, conquistou o mercado dos viajantes. Não deixará de
surpreender que em pleno 2015 o homem tenha redescoberto a utilidade tecnológica de um bastão.
Na pré-história, o homem vagou pelos bosques apoiando-se nele; milhares de anos depois, a moda volta, de forma
distorcida: o instrumento que servia para conectar o homem com o que estava sob seus pés – a terra – e o apoiava,
literalmente, para abrir passo pelo mundo se converteu em uma ligação com o mundo superior. Se eu não me vejo, como
sei que existo? Esse novo cajado nos permite uma perspectiva aérea da existência.
O lósofo alemão Peter Sloterdijk explica que aquilo que nós entendemos por tecnologia é uma tentativa de substituir os
sistemas imunológicos implícitos por sistemas imunológicos explícitos.
Em nossa época, os sistemas de defesa que criamos procuram nos isolar de um exterior que se nega a ceder à tendência
individualista da sociedade. Por isso andamos de um lugar a outro sem renunciar nunca a nosso mundo: nos transformamos
em uma sociedade de caranguejos-eremitas, carreando no lombo nossas casas. Sentados entre centenas de passageiros,
nos protegemos, com nossos fones de ouvidos, celulares e vídeos, do encontro com o exterior. Agora, o “pau de sel e”
nos permite tirar fotos sem a incômoda necessidade de interagir com estranhos. Nos transformamos em seres
autossuficientes e, em decorrência disso, necessariamente antissociais.
A máxima ironia do mundo globalizado é a crescente insularidade do indivíduo. Como o exterior é impessoal, nos
embrenhamos no interior; como a comunidade nos debilita, a individualidade se torna preponderante; é assim que a casa
familiar dá lugar ao apartamento individual – e a autogamia moderna surge.
O fenômeno do “sel e” responde a essa condição insular e por isso se arraigou como a manifestação estética da revolução
digital. O isolamento do indivíduo é tal que, liberto do voyeurismo*, teve de conceber um autovoyeurismo: nos tornamos
paparazzi* de nós mesmos. O “sel e” procura esconder nossa natureza isolada e solitária sob o verniz da felicidade e do
gozo.
(Emilio Lezama, Paparazzi de nós mesmos. Folha de S.Paulo, 30-08-2015. Adaptado)
*Voyeurismo: forma de curiosidade mórbida com relação ao que é privativo, privado ou íntimo.
*Paparazzi: fotógrafos que perseguem celebridades, para bater fotos indiscretas. 
A alternativa que se caracteriza pelo emprego das palavras destacadas em sentido figurado é:
A Neste ano, o “pau de selfie”, monopé que permite tirar autorretratos, conquistou o mercado dos viajantes.
B Agora, o “pau de selfie” nos permite tirar fotos sem a incômoda necessidade de interagir com estranhos.
C Por isso andamos de um lugar a outro sem renunciar nunca a nosso mundo…
D Mesmo os pouco observadores devem ter notado um novo aparelho na temporada de férias.
E ... nos transformamos em uma sociedade de caranguejos-eremitas, carreando no lombo nossas casas.
Essa questão possui comentário do professor no site 1262893532
Questão 173 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Na época escolar, minhas “viagens espaciais” ao mundo da lua pintavam a Terra e seus objetos com as cores mais
inusitadas. Por pouco tempo... até virarem luas de papel amassadas nas mãos da professora. Na escola diziam que devia
pintar a Terra e seus objetos com as cores verdadeiras da verdade. Isto é, o tronco das árvores de marrom e a copa de
verde.
Viver “no mundo da lua” e olhar para a Terra de outras distâncias, de outros ângulos, não era bem-vistopelos adultos, em
geral, e pelos adultos da escola, em particular.
O mundo do Era uma vez..., do conto contado, lido, ouvido ou imaginado signi cava para mim a nave espacial que me
permitia inúmeras viagens na travessia terra-lua-terra.
Então encontrava, no texto literário, a misteriosa conspiração das palavras. Sabia que elas, de alguma maneira,
comunicavam-se entre si. Era como se tivessem muitos braços e entre abraços formassem uma rede invisível. Um tecido.
(Glória Kirinus, Criança e poesia na pedagogia Freinet. Adaptado)
No texto, há várias passagens em linguagem figurada, tais como:
A nas mãos da professora; as cores verdadeiras da verdade.
B Na época escolar; não era bem-visto pelos adultos.
C Por pouco tempo; o tronco das árvores de marrom.
D luas de papel amassadas; a misteriosa conspiração das palavras.
E não era bem-visto pelos adultos; as cores verdadeiras da verdade.
1119665597
Questão 174 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
Igualdade X liberdade
“Igualdade” se tornou a palavra de ordem deste início do século 21. Para os países pobres, a bandeira não é nova. Eles
sempre tiveram no horizonte a meta de reduzir tanto a desigualdade interna (entre milionários e miseráveis) como a externa
(entre nações).
Não há dúvida de que sociedades menos desiguais funcionam melhor. Elas tendem a ser mais ricas, assim como mais
educadas e menos violentas, e por aí vai. O que é causa e o que é efeito pode ser difícil de determinar, mas está claro que a
redução das desigualdades é algo a perseguir.
É preciso, porém, resistir à tentação das interpretações unidimensionais*. Uma das contradições básicas da política, que
raramente é mencionada, é que liberdade e igualdade são incompatíveis. Se a sociedade é livre, as pessoas que se
esforçarem mais acumularão mais bens e os transmitirão a quem desejarem, tipicamente os lhos. Mas, neste caso, a
sociedade deixa de ser igualitária, pois não só alguns terão mais do que outros como também herdarão riquezas pelas quais
não trabalharam.
O paradoxo não tem solução. Cada sociedade precisa de nir o “mix” de liberdade e igualdade que concederá a seus
membros. Não podemos esquecer, porém, que a proporção escolhida tem implicações. Se a liberdade é total, cenários de
concentração de renda tendendo ao in nito se tornam possíveis. Se a igualdade é plena, desaparecem os incentivos para
produzir mais e, principalmente, para inovar.
Considerando que foi o desenvolvimento cientí co que tirou a humanidade do estado de penúria material em que viveu na
maior parte da história, penso que a liberdade deve ter prioridade. Não se mata a galinha dos ovos de ouro.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 02.01.2016. Adaptado)
Vocabulário:
*unidimensional: que tem apenas uma dimensão ou que é considerado sob uma única dimensão
Assinale a alternativa em que há emprego de linguagem em sentido figurado.
A Não há dúvida de que sociedades menos desiguais funcionam melhor.
B Elas tendem a ser mais ricas, assim como mais educadas e menos violentas...
C ... as pessoas que se esforçarem mais acumularão mais bens...
D ... não só alguns terão mais do que outros como também herdarão riquezas...
E Não se mata a galinha dos ovos de ouro.
Essa questão possui comentário do professor no site 1088197272
Questão 175 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Drogas na ONU
Teve lugar em Nova York, na última semana, a terceira sessão especial das Nações Unidas sobre drogas, com a
participação de dezenas de chefes de Estado – a primeira iniciativa do gênero desde 1998.
Os debates deixaram claro um cisma crescente na comunidade internacional com respeito ao tema. De um lado, países
como México, Colômbia, Canadá, Noruega, Uruguai, entre outros, denunciaram a falência do paradigma de guerra às
drogas e a necessidade de uma abordagem mais flexível da questão.
De outro, nações como Rússia, China, Irã, Indonésia e Arábia Saudita, além de países da África, defenderam a manutenção
do modelo atual e, em alguns casos, até a utilização da pena de morte para enfrentar o problema. 
O documento final reflete a difícil negociação entre esses dois polos.
Verdade que houve avanços. As políticas sobre entorpecentes passaram a contemplar cada vez mais preocupação com o
usuário. Manteve-se, porém, o espírito de 1998, com o compromisso de buscar um mundo livre de drogas.
Ocorre que o planeta não se aproximou nem um pouco desse objetivo nestes 18 anos. Trilhões de dólares foram gastos na
repressão, enquanto centenas de milhares de pessoas receberam penas de encarceramento sem que fossem reduzidas a
proporção global de usuários ou a produção de entorpecentes.
Diante desse quadro, floresceram abordagens alternativas.
Durante o encontro da ONU, o presidente do México anunciou um plano para liberar o uso medicinal da canabis e aumentar
a posse permitida da substância; o representante do Canadá con rmou que o país concluirá em breve um projeto para
legalizar a maconha.
Trata-se de um caminho mais promissor para lidar com a questão, na visão desta Folha.
A comunidade internacional deveria reconhecer o fracasso do paradigma proibicionista, passando a preconizar uma
abordagem pela via da descriminalização e da legalização, a começar pela maconha, num modelo que resulte em ampliação
das liberdades e economia de recursos, com o menor impacto possível sobre a saúde pública.
(Folha de S.Paulo, 25.04.2016. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há termos empregados em sentido figurado.
A ... a primeira iniciativa do gênero desde 1998. (1º parágrafo)
B ... até a utilização da pena de morte para enfrentar o problema. (3º parágrafo)
C Verdade que houve avanços. (5º parágrafo)
D Trilhões de dólares foram gastos na repressão... (6º parágrafo)
E Diante desse quadro, floresceram abordagens alternativas. (7º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 1078783189
Questão 176 Interpretação de charges e tirinhas Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Ao a rmar no terceiro quadrinho – Pensando bem, eu também sou assim... –, o personagem atribui sentido gurado à
expressão “fica esquentando à toa” (2° quadrinho), sugerindo que ele (o personagem)
A tem hábitos saudáveis.
B é uma pessoa calma.
C não gosta de rotina.
D se preocupa facilmente.
E sabe como se distrair.
998072781
Questão 177 Noções gerais de compreensão e interpretação de texto Sentido denotativo próprio ou literal
Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Assinale a alternativa que apresenta palavras em sentido figurado.
A Muitos pais têm tido dificuldade para impor limites aos filhos.
B Aquela menina, quando está com os pais, é uma cobra.
C Existem crianças que nunca suportam ouvir não.
D A mãe do menino o deixava à vontade para brincar.
E Educar filhos requer muita paciência e rigor.
996065099
Questão 178 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto “Carnes vivas”, de João Pereira Coutinho, e responda às questão
Tive uma infância de príncipe. Passei longas horas na rua, sem supervisão parental, a me aventurar. Isso na cidade.
No campo, o cardápio era melhor. Parti o braço (uma vez) e o pulso (idem). Tudo porque teimava em subir nas árvores. E,
por falar em árvores, cheguei a construir uma casa rudimentar no cimo de uma oliveira que aguentou apenas duas horas.
Findas as duas horas, já eu estava no chão, com os joelhos em carne viva.
Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que fui reaparecesse agora. Provavelmente,
seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré--púbere.
“Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!” 
Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos lhos – ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a
dose apropriada de pixels.
E a minha mãe certamente estaria presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da
Carolina do Sul, foi detida por deixar a filhade nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.
Engraçado. Na década de 1950, uma criança tinha cinco vezes mais possibilidades de morrer precocemente do que uma
criança do século 21. Mas os pais da “baby-boom generation” deixavam as suas crianças à solta, talvez por entenderem que
uma criança é uma criança. Esses pais não eram, como diz a revista, “pais-helicóptero”.
Expressão feliz. Conheço vários casais que devotam aos lhos a mesma atenção obsessiva que um pesquisador dedica aos
seus ratinhos de laboratório. Gostam de controlar tudo sobre os lhos. Como os helicópteros, estão constantemente a
planar sobre a existência dos petizes.
E quando nalmente descem a terra, é a desgraça: correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática. No
regresso a casa, é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos, antes de se recolherem aos quartos.
Não sei que tipo de crianças os “pais-helicóptero” estão a produzir. Deixo essas matérias para os especialistas. Digo apenas
que a profusão de “pais-helicóptero” é uma brutal amputação da infância e da adolescência. Para além de corromper a
relação entre pais e filhos.
Sobre a amputação, não sei que adulto eu seria se nesses primeiros anos não houvesse a sensação de liberdade, mas
também a percepção do risco, que me acompanhava todos os dias. Apesar dos ossos que quebrei, dores foram
compensadas pela con ança que ganhei e pela intuição de que o mundo não é uma ameaça constante, povoado por
sequestradores, pedófilos ou extraterrestres.
Mas os “pais-helicóptero” corrompem a relação essencial entre eles e os lhos. Anos atrás, o lósofo Michael Sandel
escreveu um ensaio contra o uso da engenharia genética para produzir descendências perfeitas. Dizia Sandel que se os pais
pudessem manipular os fetos para terem super lhos, estaria quebrada a qualidade essencial da parentalidade: o fato de
amarmos os filhos incondicionalmente. Sejam ou não perfeitos.
Igual raciocínio é aplicável aos “pais-helicóptero”: é natural desejar o melhor para os lhos. Porém não é natural ter com os
lhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida – acadêmica, pessoal, emocional –
fosse uma mini-Olimpíada permanente.
Na minha infância, as únicas medalhas que colecionei são as cicatrizes que trago no corpo. Não as troco por nada.
(Folha de S.Paulo, 29.07.2014. Adaptado)
Assinale a alternativa correta
A Em “e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels”, tem-se um trecho em sentido próprio, significando que
os pais contribuem para tornar os filhos dependentes da conectividade.
B Em “estão constantemente a planar sobre a existência dos petizes”, tem-se um trecho em sentido figurado,
significando que os pais-helicópteros procuram supervisionar tudo a respeito dos filhos
C Em “correm com eles para aulas de música, caratê, natação, matemática”, tem-se um trecho em sentido próprio,
significando que os pais-helicóptero fazem questão de realizar as mesmas atividades dos filhos
D Em “é ver esses pequenos escravos, mortificados e exaustos”, tem-se um trecho em sentido figurado,
significando que os pais se sentem culpados pela sobrecarga emocional a que submetem os filhos.
E Em “é uma brutal amputação da infância e da adolescência”, tem-se um trecho em sentido figurado, significando
que os pais-helicóptero restringem o lazer, pois querem que seus filhos se tornem adultos antes do tempo.
Essa questão possui comentário do professor no site 912567404
Questão 179 Sentido conotativo f igurado ou metaf órico
Leia o texto para responder à questão.
O fato de a beleza aplicar-se a certas coisas e não a outras, o fato de ser um princípio de discriminação constituiu, no
passado, a sua força e a sua atração. A beleza pertencia à família de ideias que estabelecem escalas e casava bem com uma
ordem social sem remorsos quanto à posição, classe, hierarquia e ao direito de excluir. 
O que antes havia sido uma virtude do conceito passou a ser o seu defeito. A discriminação, antes uma faculdade positiva
(signi cava julgamento re nado, padrões elevados, esmero), tornou-se negativa: signi cava preconceito, intolerância,
cegueira para as virtudes daquilo que não era idêntico a quem julgava. 
O movimento mais forte e mais bem-sucedido contra a beleza ocorreu nas artes: beleza — e dar importância à beleza —
era restritivo; como reza a expressão corrente, elitista. Nossas apreciações, assim sentiam, poderiam ser muito mais
inclusivas se disséssemos que algo, em vez de ser belo, era “interessante”.
Claro, quando as pessoas diziam que uma obra de arte era interessante, isso não signi cava que necessariamente tivessem
gostado — muito menos que a achassem bela. Em geral signi cava apenas que achavam que deviam gostar. Ou que
gostavam, mais ou menos, embora não fosse bela. Ou podiam de nir algo como interessante a m de evitar a banalidade de
chamá-lo de belo. A fotogra a foi a arte em que “o interessante” triunfou primeiro, e bem cedo: a nova maneira fotográ ca
de ver propunha que tudo era um tema potencial para a câmera. O belo não poderia consentir numa gama tão vasta de
temas. 
O amplo emprego do “interessante” como critério de valor acabou, inevitavelmente, enfraquecendo o seu gume
transgressivo. O que resta da antiga insolência repousa sobretudo no seu desdém pelas consequências das ações e dos
julgamentos. O interessante é, agora, sobretudo uma ideia consumista, vergada sob o peso da ampliação do seu domínio:
quanto mais coisas se tornam interessantes, mais o mercado se expande. 
(Susan Sontag. “Uma discussão sobre a beleza”. In Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das
Letras, 2008. Adaptado)
Considere o segundo parágrafo: 
O que antes havia sido uma virtude do conceito passou a ser o seu defeito. A discriminação, antes uma faculdade positiva
(signi cava julgamento re nado, padrões elevados, esmero), tornou-se negativa: signi cava preconceito, intolerância,
cegueira para as virtudes daquilo que não era idêntico a quem julgava.
Um vocábulo empregado com sentido exclusivamente f igurado, nesse contexto, é:
A virtude.
B discriminação.
C faculdade.
D esmero.
E cegueira.
817394592
Questão 180 Denotação e conotação
 Ai, que preguiça!
O corpo humano é uma máquina desenhada para o movimento. É dotado de dobradiças, músculos que formam alavancas
capazes de deslocar o esqueleto em qualquer direção, ossos resistentes, ligamentos elásticos que amortecem choques, e
sistemas de alta complexidade para mobilizar energia, consumir oxigênio e manter a temperatura interna constante. 
 
Se o corpo humano fosse projetado para os usos de hoje, para que pernas tão compridas e braços tão longos? Se é só
para ir de um assento a outro, elas poderiam ter metade do comprimento. Se os braços servem apenas para alcançar o
teclado do computador, para que antebraços? Seríamos anões de membros atro ados, mas com um traseiro enorme,
acolchoado, para nos dar conforto nas cadeiras. 
 
A possibilidade de ganharmos a vida sem andar é aquisição dos últimos cinquenta anos, com a disponibilidade de alimentos
de qualidade acessíveis a grandes massas populacionais, saneamento básico, antibióticos e tecnologia para satisfazer as
nossas necessidades. 
 
No entanto, os efeitos adversos desse estilo de vida não demoraram para surgir: sedentarismo, complicações
cardiovasculares, degenerações neurológicas, etc. Se todos reconhecem que a atividade física faz bem para o organismo,
por que ninguém se exercita com regularidade? 
 
Por uma razão simples: descontadas as brincadeiras da infância, fase de aprendizado, nenhum animal desperdiça energia. Só
o faz atrás de alimento, sexo ou para escapar de predadores. É tão difícil abandonar a vida sedentária, porque malbaratar
energia vai contra a natureza humana. Os planos para andar, correr ou ir à academia naufragam, no dia seguinte, sob o peso

Mais conteúdos dessa disciplina