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Unidade 2
Aula 2: Outras características dos grupos
Nesta aula, vamos continuar nossos estudos sobre os grupos e suas características.
Ao final, você terá visto conteúdos que lhe permitirão:
 identificar os principais fatores que influenciam os grupos;
 distinguir os tipos de grupo;
 reconhecer as principais razões para nos reunirmos em grupos.
Boas reflexões e bons estudos!
1 Objetivos de aprendizagem
2 Principais fatores que influenciam os grupos 
Desde o momento em que é constituído, um grupo sofre a influência de vários fatores,
tais como:
Ambiente
Um grupo é influenciado pelo ambiente (físico e psíquico) dentro do qual foi formado e vive. O
tipo de organização na qual se encontra, as definições estratégicas e operacionais que recebe
ou deixa de receber da administração a que está subordinado, as facilidades ou dificuldades
materiais ou psicológicas, a ergonomia e tantos outros fatores irão afetar o grupo positiva ou
negativamente.
”
Importantes tipos de influência dessa categoria são as decisões gerenciais que
determinam a formação, modificação ou supressão de grupos dentro de uma estrutura
formal.
De toda forma, os ambientes geralmente oferecem ameaças e oportunidades que
afetam a coesão do grupo e os sentimentos dos integrantes deste, sejam essas influências
ambientais reais ou percebidas pelo grupo.
Próprio grupo
Os grupos recebem influências deles próprios e distinguem-se uns dos outros por
causa de suas propriedades intrínsecas, como tamanho/número de integrantes, gênero(s),
área de formação daqueles que o compõem, idade (do próprio grupo e dos seus
integrantes), ideologia, tipo de missão, forma de interagir e de se comunicar, atitude diante
de desafios grupais e relacionais, simpatia e sintonia dos componentes e efeito sinergético
que o conjunto de indivíduos produz como resultante de sua agregação.
Para saber mais, assista ao videocast do educador e filósofo Sergio Cortella sobre a
importância da sinergia, sintonia e simpatia nas organizações, disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=cGihGJHttpg
Indivíduo
O indivíduo, com seu conjunto característico de fatores de personalidade, desenvolvimento,
valores, crenças, emoções, sentimentos, interesses e experiências, combinados com os
mesmos fatores dos demais membros do grupo, contribuem para que este tenha uma
identidade e um desempenho específicos.
Esses três tipos de influência – ambiente, grupo e indivíduo – combinam-se uns com
os outros e moldam o grupo num padrão característico de comportamentos orientados para
dois tipos de resultados: a execução das tarefas e a manutenção do grupo como tal.
Como exemplo, assista ao vídeo “Trabalho em Equipe – Procurando Nemo”,
disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yEJ5kdqeGPk.
Em qualquer espécie de organização, há inúmeras situações que demandam o uso
do trabalho em grupo, como a busca da solução mais adequada de conflitos por meio da
formação de uma equipe multidisciplinar ou o estabelecimento de formas mais participativas
de gestão para a aplicação do princípio da complementaridade de competências e
crescimento do grupo como um todo.
Muito embora a correlação entre trabalho em grupo e sucesso organizacional
esteja bem estabelecida na prática e na teoria, nem todos os grupos e organizações
conseguem operacionalizar métodos eficazes de coordenação de grupos, de tal forma que
o uso da energia sinérgica é quase sempre um resultado casual do processo de organizar
indivíduos para trabalhar conjuntamente, fato que dificulta a manutenção de tal
desempenho.
Cabe lembrar que cada pessoa, por representar um conjunto peculiar e único de
interesses, aptidões e experiências, leva para os grupos dos quais participa expectativas e
contribuições diferentes das oferecidas por outros indivíduos.
Por esse motivo, as relações interpessoais e a colaboração dentro de um grupo
nem sempre são fáceis. Assim, torna-se desafiador alcançar e manter um equilíbrio entre
os membros de grupo de trabalho de tal modo que seus objetivos e sua sobrevivência
permaneçam sendo favorecidos.
Considerando que a capacidade de trabalhar em equipe em geral não acontece
automaticamente como uma consequência natural da competência técnica ou da
experiência profissional que cada indivíduo traz para o grupo, ressalta-se a necessidade de
que essa capacidade seja constantemente estimulada e desenvolvida por todos os
integrantes, especialmente por aqueles que assumem a responsabilidade de fazer a
gestão do grupo.
3 Tipos de grupo
Dentro das organizações existem basicamente dois tipos de grupo.
1 Grupos Formais
Os grupos formais, conforme Stoner (1995), são definidos pela própria estrutura
organizacional existente para a realização de tarefas específicas que contribuam para o
alcance de objetivos predeterminados. Nesses grupos, o comportamento das pessoas é
estipulado e dirigido em função das metas organizacionais.
2 Grupos Informais
Os colaboradores de uma vara, de um gabinete, de uma seção ou de uma divisão do
Tribunal de Justiça de Santa Catarina podem ser citados como exemplos de grupos
formais.
Os grupos informais são alianças que não são estruturadas formalmente nem
determinadas pela organização. Esses grupos são formações naturais dentro do ambiente
de trabalho, que surgem em resposta à necessidade de contato social.
Três colaboradores de unidades de trabalho diferentes (por exemplo, um do
cartório, outro do gabinete e outro da secretaria) que regularmente se reúnem para almoçar
caracterizam um grupo informal.
3.1 Outras informações sobre os grupos informais
Os grupos informais são dedicados ao bem-estar das relações pessoais e
coexistem com os grupos formais nas organizações.
1
Há grupos informais que, embora formados espontaneamente, almejam objetivos
profissionais, como a solução de um problema que afeta o desempenho da
organização.
2
Muitas vezes, esses grupos informais conseguem ser mais eficazes na solução
de seus objetivos específicos do que os grupos “apenas formais”.
3
Os grupos informais tornam-se muito importantes na medida em que
satisfazem as necessidades sociais e favorecem o bem-estar de seus membros.
4
Por causa das interações que resultam da proximidade na realização do
trabalho, é possível observar colaboradores de uma mesma unidade de trabalho
que optam por tomar café acompanhados uns dos outros, que pegam carona
com o colega para o serviço, que almoçam juntos ou que se reúnem em torno do
bebedouro num intervalo. É fundamental reconhecer que esse tipo de interação
entre os indivíduos, ainda que informal, afeta o comportamento e o desempenho
de cada um na instituição formal.
5
4 Subclassificação dos grupos
É possível ainda subclassificar os grupos em: comando, tarefa, interesse ou
amizade. Os grupos de comando e tarefa são ditados pela organização formal, enquanto os
grupos de interesse e amizade são alianças informais. Vejamos cada um deles.
GRUPOS DE COMANDO
“Um grupo de comando é determinado pelo organograma da instituição e é composto por
pessoas que se reportam diretamente a um chefe hierárquico.
EXEMPLO: um grupo de comando pode ser formado pelo chefe de cartório e os respectivos
colaboradores ou pelo chefe de seção e os servidores e estagiários da unidade.
GRUPOS DE TAREFA
Os grupos de tarefa, também determinados pela organização, são formados por
pessoas que se reúnem para executar uma determinada tarefa. Contudo, o grupo de tarefa
não se limita às fronteiras do superior hierárquico imediato, pois pode ultrapassar as
relações de comando. Pode-se dizer que todos os grupos de comando são também grupos
de tarefa; entretanto, como estes últimos podem romper as fronteiras hierárquicas dentro da
organização, o inverso não é verdadeiro.
EXEMPLO: para a construção ou reforma das instalações de uma comarca, há o
envolvimento de colaboradores da Diretoria de Engenharia e Arquitetura, da Diretoria de
Infraestrutura, da Secretaria do foro da comarca, entre outros. Esse conjunto depessoas
poderia ser definido como um grupo de tarefa. Outro exemplo seria uma comissão de
estágio probatório composta por servidores de diferentes cargos e unidades de trabalho.
GRUPOS DE INTERESSE
As pessoas também podem se reunir para atingir um objetivo comum, sendo ou não
membros de um grupo de comando ou de tarefa. Isso é um grupo de interesse.
EXEMPLO: servidores de um determinado cargo (por exemplo, os psicólogos) que se
reúnem para criar uma associação; colaboradores de uma comarca que se juntam para
tentar adequar seus agendamentos de férias ou para apoiar um colega que retornou de um
afastamento por motivo de saúde ou, ainda, para solicitar um curso in company à Academia
Judicial.
GRUPOS DE AMIZADE
Os grupos que se formam frequentemente em virtude de seus membros possuírem
algumas características ou interesses em comum são denominados grupos de amizade.
Essas alianças sociais, que geralmente extrapolam o ambiente de trabalho, podem se
basear, por exemplo, na faixa etária, na herança cultural, no gosto por um determinado
hobby, na prática de um esporte ou na filosofia de vida.
5 Principais razões para nos reunirmos em grupos
Pertencemos a diversos grupos simultaneamente (família, trabalho, estudo,
amizade, entre outros), e cada um deles nos oferece benefícios diferentes. Embora não
exista uma razão única para nos reunirmos em grupos, é possível identificar os principais
motivos pelos quais as pessoas se agrupam.
1. Pertencimento: trata-se de uma necessidade natural de qualquer ser humano, ou seja,
necessidade de ser reconhecido como membro, respeitado no seu lugar e no seu papel
dentro do sistema do qual faz parte.
2. Segurança: reunindo-se em grupos, é possível reduzir a insegurança de "estar sozinho".
Os indivíduos se sentem mais fortes, têm menos dúvidas e se tornam mais resistentes às
ameaças.
3. Status: a inclusão em um grupo considerado importante pelos outros proporciona
reconhecimento e status para seus membros.
4. Autoestima: grupos podem proporcionar a seus membros uma sensação de valor
próprio; ou seja, o pertencimento a um grupo também pode fazer com que seus membros
se sintam valorizados por si mesmos.
5. Associação: os grupos podem satisfazer necessidades sociais. As pessoas apreciam a
constante interação com os outros dentro do grupo. Para muitas delas, essas interações
no trabalho são a principal fonte de satisfação de suas necessidades de associação.
6. Poder: as coisas que não são possíveis de serem obtidas individualmente podem se
tornar viáveis por meio da ação grupal. Existe poder no pertencimento a um grupo.
7. Alcance de metas: há ocasiões em que é preciso mais de uma pessoa para realizar uma
determinada tarefa. São necessários diferentes talentos, conhecimentos, competências
ou poderes para que uma meta seja atingida.
“ As pessoas são pessoas 
através de outras pessoas.
(Ditado Xhosa– língua materna de Nelson 
Mandela)
”
Chegamos ao final de mais uma aula. Vamos revisar o que aprendemos?
Nesta aula, você estudou:
 os principais fatores que influenciam os grupos;
 os tipos de grupo e as suas subclassificações;
 as principais razões para nos reunirmos em grupos.
Até a próxima aula!
6 Revisão
7 Referências
AUBRY, J-M; SAINT-ARNAUD, Y. Dinâmica de grupo. São Paulo: Loyola, 1978.
CASTELLAN, Y. Introdução à psicologia social. São Paulo: Vértice, 1987.
GAHAGAN, J. Comportamento interpessoal e de grupo. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.
LEWIN, K. Teoria de campo em ciência social. São Paulo: Pioneira, 1965.
______. Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo: Cultrix, 1978.
MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Gerência do trabalho em equipe. São Paulo: Pioneira, 1986.
MINICUCCI, A. Dinâmica de grupo: teorias e sistemas. São Paulo: Atlas, 1982.
MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001.
______. Equipes dão certo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.
STONER, James A. F. Administração. 5. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1995.
WILSON, E. O. A conquista social da terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
ZIMERMAN, D. Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
______. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
* Neste curso foram utilizadas imagens livres, disponibilizadas nos sites abaixo.
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