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NÍVEL SUPERIOR 2023 APOSTILA PARA CONCURSOS PÚBLICOS E PROCESSOS SELETIVOS DE PROFESSORES PROFESSOR DE INGLÊS Educart.Estude com a Educart.Estude com a TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 1 1. Planejamento e organização do trabalho pedagógico ................................................................................. 2 Processo de planejamento: concepção, importância, dimensões e níveis ............................................................ 2 Planejamento participativo: concepção, construção, acompanhamento e avaliação ............................................ 8 Planejamento escolar: planos da escola, do ensino e da aula ............................................................................ 10 2. Currículo: do proposto à prática .................................................................................................................. 18 3. Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação ........................................................................ 25 4. Educação a Distância .................................................................................................................................... 28 5. Educação para a Diversidade, Cidadania e Educação para os Direitos Humanos ................................. 32 6. Educação Integral .......................................................................................................................................... 35 7. Educação do Campo ...................................................................................................................................... 36 8. Educação Ambiental ...................................................................................................................................... 37 9. Fundamentos legais da Educação Especial/Inclusiva e o Papel do Professor ....................................... 39 10. Educação/sociedade e prática escolar ...................................................................................................... 43 11. Tendências pedagógicas na prática escolar ............................................................................................. 44 12. Didática e prática histórico-cultural ........................................................................................................... 50 13. A didática na formação do professor ......................................................................................................... 59 14. Aspectos pedagógicos e sociais da prática educativa, segundo as tendências pedagógicas ........... 62 15. Coordenação Pedagógica ........................................................................................................................... 65 Coordenação Pedagógica como espaço de formação continuada ..................................................................... 65 16. Processo ensino-aprendizagem ................................................................................................................. 67 17. Relação professor/aluno ............................................................................................................................. 69 18. Compromisso social e ético do professor ................................................................................................ 79 19. Componentes do processo de ensino ....................................................................................................... 80 Objetivos .............................................................................................................................................................. 80 Conteúdos ............................................................................................................................................................ 85 Métodos ................................................................................................................................................................ 85 Estratégias pedagógicas e meios ........................................................................................................................ 86 20. Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade do conhecimento ............................................................. 88 21. Avaliação escolar e suas implicações pedagógicas ................................................................................ 90 22. O papel político pedagógico e organicidade do ensinar, aprender e pesquisar ................................... 93 Função histórico-cultural da escola ..................................................................................................................... 106 Escola: comunidade escolar e contextos institucional e sociocultural ................................................................ 108 23. Projeto político-pedagógico da escola ..................................................................................................... 114 Concepção, princípios e eixos norteadores ........................................................................................................ 114 24. Políticas Públicas para a Educação Básica........................................................................................... 120 25. Gestão Democrática ................................................................................................................................... 124 26. Parte introdutória do Currículo de Pernambuco do Ensino Fundamental e parte Introdutória, Ensino Médio e Itinerário Formativo do Currículo de Pernambuco do Ensino Médio ...................................................................................................................................................... 125 TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 2 PROCESSO DE PLANEJAMENTO: CONCEPÇÃO, IMPORTÂNCIA, DIMENSÕES E NÍVEIS PLANEJAMENTO: CONCEPÇÕES O planejamento não deve ser tomado apenas como mais um procedimento administrativo de natureza burocrática, decorrente de alguma exigência superior ou mesmo de alguma instância externa à instituição. Ao contrário, ele deve ser compreendido como mecanismo de mobilização e articulação dos diferentes sujeitos, segmentos e setores que constituem essa instituição e participam da mesma. A preocupação com o planejamento se desenvolveu, principalmente, no mundo do trabalho, no contexto das teorias administrativas do campo empresarial. Essas teorias foram se constituindo nas chamadas escolas de administração (abordadas na Sala Ambiente Políticas e Gestão na Educação), que têm influenciado o campo da administração escolar. Para muitos teóricos e profissionais, os princípios por elas defendidos seriam aplicáveis em qualquer campo da vida social e ou do setor produtivo, inclusive na gestão da educação e da escola. Essa influência deixa suas marcas também no que se refere ao planejamento, à medida que o mesmo assumiu uma centralidade cada vez maior, a partir dos princípios e métodos definidos por Taylor e os demais teóricos que o seguiram. Isso porque, a partir do taylorismo, assim como das teorias administrativas que o tomaram como referência, uma das principais tarefas atribuídas à gerência foram o planejamento e o controle do processo de trabalho. Na verdade, o formalismo e a burocratização do processo de planejamento no campo educacional decorrem, em boa medida, das marcas deixadas pelos modelos de organização do trabalho voltados, essencialmente, para a busca de uma maior produtividade, eficiência e eficácia da gestão e do funcionamento da escola. Isso secundariza os processos participativos, de trabalho coletivo e do compromisso social, requeridos pela perspectiva da gestão democrática da educação. É o caso, porexemplo, dos modelos e das concepções deplanejamento orientadas pelo horizonte do planejamento tradicional ou normativo e do planejamento estratégico. Mas, em contraposição a esses modelos, se construiu a perspectiva do planejamento participativo. O planejamento tradicional ou normativo O planejamento tradicional ou normativo trabalha em uma perspectiva em que o planejamento é definido como mecanismo por meio do qual se obteria o controle dos fatores e das variáveis que interferem no alcance dos objetivos e resultados almejados. Nesse sentido, ele assume um caráter determinista em que o objeto do plano, a realidade, é tomada de forma estática, passiva, pois, em tese, tende a se submeter às mudanças planejadas. Ao lado dessas características, outros elementos marcam o planejamento normativo: ● Há uma ênfase nos procedimentos, nos modelos já estruturados, na estrutura organizacional da instituição, no preenchimento de fichas e formulários, o que reduz o processo de planejamento a um mero formalismo. ● O planejador é visto como o principal agente de mudança, desconsiderando-se os fatores sociais, políticos, culturais que engendram a ação, o que se traduz numa visão messiânica daquele que planeja. Essa visão do planejador geralmente conduz a certo voluntarismo utópico. ● Ao mesmo tempo em que, por um lado, há uma secundarização das dimensões social, política, cultural da realidade, por outro lado, prevalece a tendência de se explicar essa realidade e as mudanças que nela acontecem como resultantes, basicamente, da dimensão econômica que a permeia. O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O planejamento estratégico, por sua vez, se desenvolveu dentro de uma concepção de administração estratégica que se articula aos modelos e padrões de organização da produção, construídos no contexto das mudanças do mundo do trabalho e da acumulação flexível, a partir da segunda metade do século XX. Essa concepção de administração e de planejamento procura definir a direção a ser seguida por determinada organização, especialmente no que se refere ao âmbito de atuação, às macropolíticas e às políticas funcionais, à filosofia de atuação, aos macroobjetivos e aos objetivos funcionais, sempre com vistas a um maior grau de interação dessa organização com o ambiente. Essa interação com o ambiente, no entanto, é compreendida como a análise das oportunidades e ameaças do meio ambiente, de forma a estabelecer objetivos, estratégias e ações que possibilitem um aumento da competitividade da empresa ou da organização. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 3 Em síntese, o planejamento estratégico concebe e realiza o planejamento dentro um modelo de decisão unificado e homogeneizador, que pressupõe os seguintes elementos básicos: ● determinação do propósito organizacional em termos de valores, missão, objetivos, estratégias, metas e ações, com foco em priorizar a alocação de recursos ● análise sistemática dos pontos fortes e fracos da organização, inclusive com a descrição das condições internas de resposta ao ambiente externo e à forma de modificá-las, com vistas ao fortalecimento dessa organização ● delimitação dos campos de atuação da organização NÍVEIS DO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL O planejamento educacional é um ato de intervenção técnica e política (CALAZANS, 1990) que se efetiva em três níveis distintos e, ao mesmo tempo, inter-relacionados. Vejamos, inicialmente, como se definem esses níveis em suas especificidades. O planejamento no âmbito dos Sistemas e Redes de Ensino Planejar a educação no âmbito de sistemas e redes de ensino implica a tomada de decisões, bem como a implementação de ações que compõem a esfera da política educacional propriamente dita. De acordo com Baia Horta, o planejamento educacional constitui uma forma específica de intervenção do Estado em educação, que se relaciona, de diferentes maneiras, historicamente condicionadas, com as outras formas de intervenção do Estado em educação (legislação e educação pública), visando a implantação de uma determinada política educacional do Estado, estabelecida com a finalidade de levar o sistema educacional a cumprir funções que lhe são atribuídas enquanto instrumento deste mesmo Estado (BAIA HORTA, 1991). Historicamente, em nosso país, o planejamento educacional compôs uma forma de exercício do controle, por parte do Estado, sobre a educação, cujo ápice se observa durante o regime militar. Os anos que marcaram esse período produziram sucessivos Planos, dos quais resultou uma intensa burocratização do sistema escolar. Como forma de viabilizar o controle, o Estado desencadeia um processo de burocratização das instituições. Procedendo à análise histórica do desenvolvimento capitalista no Brasil, Félix nota que, ao se configurar um Estado de caráter plenamente intervencionista, intensifica-se o processo de burocratização do sistema escolar. Salienta que, na década de 1970, este processo se verificou de forma mais acentuada em decorrência das relações que se estabeleceram entre a burocracia existente e o Estado autoritário. Fundamenta sua constatação da seguinte forma: (...) as relações que se estabelecem, na década de 70, resultam de um processo histórico da formação de Estado capitalista brasileiro que data do período colonial...( ), esse corte histórico só se justifica pelo fato de ser, nessa década, que se dá a consolidação da forma de Estado intervencionista, cuja emergência pode ser atribuída a uma causa mais imediata que é o golpe de 64 (FÉLIX, 1986). Verifica-se, então, (...) a criação de mecanismos e órgãos no aparelho de Estado que assumem o planejamento, execução e controle sobre a política econômica do TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 4 país. Isso pode ser constatado nos governos pós 64 e de modo mais sistemático nos governos da década de 70, que se incumbem da execução dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (FÉLIX, 1986). O aperfeiçoamento da burocracia corresponde, segundo Félix, às exigências do desenvolvimento econômico do país, o que implica, por sua vez, a modernização da administração pública, atingindo, além do setor econômico, também outros setores, como é o Criam-se, assim, os Planos Setoriais de Educação e Cultura. O primeiro deles, durante o governo Médici e, os dois últimos, nos governos Geisel e Figueiredo. Maria de Fátima Félix analisa cada um desses planos e conclui que possuíam como principal objetivo intensificar o processo de burocratização do sistema escolar brasileiro, para adequá-lo ao projeto econômico. Este processo foi evidenciado a partir da análise dos Planos Setoriais de Educação e Cultura. Ficou evidente, em todos os planos, a relação estabelecida pelo governo entre a política econômica e a política social e, de modo específico, a política educacional, provocando a predominância dos interesses econômicos da classe dominante, mesmo quando foram anunciadas medidas orientadas para o atendimento das necessidades das classes dominadas. Com base nas análises efetuadas, a autora conclui que: (...) a principal função da administração escolar no processo de desenvolvimento do capitalismo é, ao tornar o sistema escolar, cada vez mais, uma organização burocrática, permitir ao Estado um controle sobre a educação para adequá- la ao projeto econômico, descaracterizando-o como atividade humana específica e submetendo-o a uma avaliação, cujo critério é a produtividade, no sentido que lhe atribui a sociedade capitalista (FÉLIX, 1986). A autora salienta, porém, que, se a organização burocrática da escola se configura como uma ameaça à especificidade da educação, mediante o seu controle por parte do Estado, este controle se dá de forma relativa, pois, na escola, reproduzem-se as contradições geradas no seio da sociedade: (...) a relação antagônica entre as classes sociais mantém o movimentocontraditório no nível da estrutura e da superestrutura. Logo, a escola não é apenas a agência ’reprodutora’ das relações sociais, mas o espaço em que se reproduz o movimento contraditório da sociedade que gera os elementos da sua própria transformação (FÉLIX, 1986). A história evidencia que há uma estreita aproximação entre planejamento e poder, e entre estes e o saber: “o plano se situa na articulação do saber e do poder, ali onde o pensamento cessa de ser puro, mas onde a ação não é ainda senão um projeto” (MASSÉ apud BAIA HORTA, 1991). A perspectiva de planejamento educacional como atributo do exercício do poder constitui uma abordagem funcionalista na qual: o plano torna-se funcional, não em relação ao todo social, mas em relação a uma vontade política que pode estar alienada do projeto da própria sociedade, e que se utiliza do plano como instrumento para fazer valer seu próprio projeto (BAIA HORTA, 1991). Ainda segundo Baia Horta, estruturam-se três grandes concepções de política educacional, cada uma delas engendrando formas específicas de planejamento. Assim, uma concepção ingênua de política educacional firma como princípio que a educação tem autonomia suficiente para demarcar seus fins, cabendo ao Estado cuidar para que eles sejam atingidos. Atribui-se, aqui, uma aparente neutralidade ao planejamento educacional, que comportaria mais um caráter técnico do que propriamente político. Uma segunda concepção de política educacional assume um caráter liberal, na medida em que toma como ponto de partida a idéia de que são os “interesses coletivos” que legitimam os rumos a serem tomados. Nesta concepção, o planejamento adquire legitimidade, uma vez que as decisões são tomadas em nome de “todos” ou da “maioria”. A terceira concepção de política educacional, realista, segundo o autor, tem como princípio que as decisões tomadas nesse âmbito articulam-se aos interesses dos grupos hegemônicos, constituindo, portanto, um problema fundamentalmente político. Nesta perspectiva, o planejamento educacional reflete as relações entre poder e saber numa dada sociedade.Seria possível, então, pensar uma concepção de planejamento educacional articulada, de fato, a princípios democráticos comprometidos com um projeto de educação emancipatório? Que pressupostos e métodos deveriam estar contidos nessa concepção? Certamente entre esses pressupostos e métodos estariam: a construção de uma direção política e pedagógica de forma transparente e coletiva; o diagnóstico e as prioridades dela resultantes definidos de forma participativa, extensiva a todos os aspectos da ação educacional: financiamento, currículo, avaliação etc.; o conhecimento amplo da realidade para a qual se planeja; a definição de objetivos de forma consistente e articulada às ações; o acompanhamento sistemático e coletivo das ações implementadas, com o fim de redirecionamento, sempre que necessário; e, sobretudo, a construção da autonomia das escolas, pautada em um projeto educativo consensual, comprometido com uma educação emancipatória. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 5 O princípio norteador desse planejamento, a participação, pode ser compreendido em quatro dimensões: a) Processo: enquanto tal, ela se constrói e se desenvolve através de um sem número de pequenas ações, no cotidiano educacional, não podendo ser adquirida de repente, por um ato jurídico, ou decreto; b) Objetivo: precisamente para poder ser caracterizado como participativo, um processo deve ter como propósito, como fim, a participação plena, irrestrita, de todos os agentes desse processo; c) Meio: constrói-se a participação, precisamente, participando. Ela é, portanto, seu próprio método; d) Práxis: se a participação é entendida como processo, que os seres humanos constroem, conscientemente, com fito de alcançar, como fim, a participação plena (leia-se democracia real), então podemos entendê-la como uma prática, cujo caráter é político (PINTO, 1994). O planejamento no âmbito da Unidade Escolar O planejamento da escola se concretiza pela elaboração de seu Projeto Político-Pedagógico [estudado na Sala Ambiente Projeto Vivencial]. Na perspectiva aqui desenvolvida, deve pautar- se pelo princípio da busca da unidade entre teoria e prática e se institui como momento privilegiado de tomada de decisões acerca das finalidades da educação básica. O planejamento no âmbito da unidade escolar caracteriza-se como meio, por excelência, do exercício do trabalho pedagógico de forma coletiva, ou seja, como possibilidade ímpar de superação da forma fragmentada e burocrática de realização desse trabalho. Na definição do Projeto Político- Pedagógico, materializam-se os diferentes momentos do planejamento: a definição de um marco referencial, a elaboração de um diagnóstico e a proposição de uma programação com vistas à implementação das ações necessárias à realização de uma prática pedagógica crítica e reflexiva. A concepção de planejamento escolar sustentada na idéia de Projeto Político- Pedagógico emerge, em nosso país, a partir da crítica ao modelo de planejamento tecnoburocrático, que se consolidou ao longo do regime militar. Este modelo buscava produzir uma maior aderência entre as proposições da esfera governamental e as ações das escolas propriamente ditas. Com esta finalidade, o planejamento, no interior das escolas, adquiria os contornos de instrumento a serviço da viabilização do controle. Em virtude desta natureza burocrática, o planejamento passou a ser tido como mero instrumental técnico, amplamente criticado durante o processo de redemocratização do país. Neste momento, para se contrapor a essa concepção tecnicista, sem negar, porém, a necessidade do planejamento, é que se passa a disseminar a necessidade de elaboração do Projeto Político- Pedagógico, como forma de democratizar o planejamento na escola, incorporando o princípio da participação. Neste contexto de redemocratização do país, outras políticas educacionais passam a ser implementadas e, desse modo, nos vemos diante da indagação: de que forma se constituem as relações entre o planejamento no âmbito do sistema e o planejamento nas unidades escolares? A principal forma pela qual ocorre a intervenção do Estado na educação é por meio de ações que buscam produzir alterações no sistema educacional. Quando essas proposições abarcam um conjunto significativamente amplo de ações, elas caracterizam um processo de reforma educacional. Tais proposições se pautam em determinadas concepções de educação, de escola, de trabalho docente, de currículo e são, com frequência, o resultado de mediações oriundas das relações de poder que se estabelecem no processo de constituição das proposições. Essas concepções e mediações se explicitam na forma com que passam a ser incorporadas pelas escolas. Tendo em vista a implementação das proposições oficiais, tem-se, geralmente, na sequência, um conjunto de ações que compõem o planejamento no âmbito dos sistemas e redes de ensino. As propostas e ações têm, sobre as escolas, no entanto, alcance limitado, ainda que sejam capazes de atuar como um forte componente ideológico que pode conferir legitimidade às mudanças propostas. O alcance relativo do planejamento no âmbito do sistema educacional sobre as escolas se verifica na medida em que as mudanças propostas confrontam-se com as práticas já consolidadas. Neste processo, as escolas atribuem às proposições oficiais significados muitas vezes distintos das formulações originais. Ainda que as escolas reinterpretem, reelaborem e redimensionem as proposições oficiais, não se pode menosprezar a importância desse nível do planejamento no que se refere à produção de transformações no sistema educacional. Ele tem se sido capaz de adquirir legitimidade, seja ao assumir o discurso de inovação educacional, seja ao articular-se a um ideário pedagógico já legitimado. Martins realiza uma interessante pesquisa em que se propôs a analisar os limites e as possibilidades de gestão autônoma da escola pública da rede estadual de ensino paulista, tomando como base as relações que se estabeleciam, no contexto investigado 2 , entre as medidas legais e os programas do governo e a sua TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 6 materialização pelos educadores. Dentre as conclusões da autora, destacamos: o acompanhamento cotidiano das ações que movimentam a unidade escolar possibilitou o desvendamento dos problemas que atingem a rede de ensino, pois, com efeito, as questões de ordem burocrática - aliadas às graves questões sociais e econômicas que afetam boa parte da clientela que a frequenta - dominaram o cenário e as relações de trabalho, ocupando espaço central em detrimento de questões pedagógicas. Nesse sentido, a observação do cotidiano escolar propiciou uma visão mais ampla do campo de tensão constituído pelo imbricamento entre a norma formal e a norma vivida, ou entre a instituição imaginada e a instituição vivida, pois esta (re) significa aquela (Lobrot, 1966). Compreender as representações em tela, tecidas por um intrincado e ambíguo jogo de resistências, contradições e conflitos, permitiu vislumbrar parte de um universo turbulento que extrapola, invariavelmente, os limites dos relatórios oficiais (MARTINS, 2001).[...] A equipe aceitou e rejeitou, ao mesmo tempo, as orientações da Secretaria de Estado da Educação, compreendendo que a sobrevivência da instituição escolar dependerá permanentemente dessa relação ambígua, pois a necessidade cotidiana de (con)viver com os rituais que materializam as medidas políticas não permite ilusões: mergulhados na necessidade de cumprimento das formalidades burocráticas, transitaram pela escola obedecendo a horários rígidos estabelecidos pela Secretaria de Educação, preenchendo quantidades infindáveis de papéis, planilhas, encaminhando processos e fazendo negociações com a comunidade em torno da escola para doações, colaborações e trocas de notas fiscais. [...] Observou-se, ainda, que professores e equipe de direção procuravam explicitar, à comunidade, as medidas impostas, de um lado, mas, de outro, demonstravam cumprir de maneira ritual as normas e a regulamentação legal, alegando terem sido demandados apenas para executarem tarefas (MARTINS, 2001). Observa-se, assim, um distanciamento entre as proposições do planejamento ao nível do sistema educacional e sua incorporação pelas escolas, ao planejar suas próprias ações. Isto implica que se considere que, na relação entre esses dois âmbitos do planejamento, produzem-se mediações que muitas vezes escapam ao controle puro e simples dos propositores das políticas educacionais. É neste movimento, muitas vezes,. que se consolida a autonomia das escolas, que se constitui, no entanto, de forma sempre relativa. O planejamento no âmbito do Ensino Lopes indica alguns pressupostos para um planejamento de ensino que considere a dinamicidade do conhecimento escolar e sua articulação com a realidade histórica. São eles: Produzir conhecimentos tem o significado de processo, de reflexão permanente sobre os conteúdos aprendidos buscando analisá-los sob diferentes pontos de vista; Significa desenvolver a atitude de curiosidade científica, de investigação da realidade, não aceitando como conhecimentos perfeitos e acabados os conteúdos transmitidos pela escola (LOPES, 1992). O processo de seleção da cultura, materializado no currículo e, em especial, nos conhecimentos a serem trabalhados, deve estar intimamente relacionado à experiência de vida dos alunos, não como mera aplicabilidade dos conteúdos ao cotidiano, mas como possibilidade de conduzir a uma apropriação significativa desses conteúdos. Como afirma Lopes, “essa relação, inclusive, mostra-se como condição necessária para que ao mesmo tempo em que ocorra a transmissão de conhecimentos, proceda-se a sua reelaboração com vistas à produção de novos conhecimentos” (LOPES, 1992). Deste modo, o planejamento de ensino passa a ser compreendido de forma estreitamente vinculada às relações que se produzem entre a escola e o contexto histórico-cultural em que a educação se realiza. Nesta perspectiva, deve-se levar em conta, ainda, as articulações entre o planejamento do ensino e o planejamento global da escola, explicitado em seu Projeto Político- Pedagógico. O planejamento de ensino se verifica, portanto, como um elemento integrador entre a escola e o contexto social. Em virtude deste seu caráter integrador, é fundamental que se paute em alguns elementos: No estudo real da escola em relação ao contexto: o que demanda a caracterização do universo sócio-cultural da clientela escolar e evidencia os interesses e necessidades dos educandos; Na organização do trabalho didático propriamente dito, o que implica: a) definir objetivos - em função dos três níveis de aprendizagem: aquisição, reelaboração e produção de conhecimentos (LOPES, 1992); b) prever conteúdos - tendo como critérios de seleção a finalidade de que eles atuem como instrumento de compreensão crítica da realidade e como elo propiciador da autonomia; c) selecionar procedimentos metodológicos - considerando os diferentes níveis de aprendizagem e a natureza da área do conhecimento d) estabelecer critérios e procedimentos de avaliação - considerando a finalidade de TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 7 intervenção e retomada no processo de ensino e aprendizagem, sempre que necessário. Nesta forma de planejamento de ensino, a avaliação da aprendizagem adquire especial relevância, uma vez que não pode constituir-se unicamente em forma de verificação do que o aluno aprendeu. Antes de mais nada, deve servir como parâmetro de avaliação do trabalho do próprio professor. Estabelecer critérios mais, ou menos, rigorosos de avaliação não é tarefa difícil. Difícil é saber trabalhar com os resultados obtidos, de modo a construir instrumentos de análise que permitam intervir no processo de ensino e aprendizagem no momento mesmo em que ele está ocorrendo. A avaliação da aprendizagem, nessa acepção, não pode ocorrer somente após ter-se concluído um período letivo (bimestre, semestre etc), mas é processo, sem o qual compromete-se, irremediavelmente, a qualidade do ensino. Avaliar o desempenho do educando não pode se tornar, ainda, mecanismo de coerção, por parte do professor, em um exercício arbitrário de poder. A avaliação como mecanismo disciplinar traumatiza e anula individualidades, mediante a imposição da visão de mundo daquele que pretensamente “detém” o saber. Deste modo, a avaliação da aprendizagem deve constituir-se em instrumento por meio do qual o professor possa ter condições de saber se houve, e em que medida houve, a apropriação do conhecimento de forma significativa por parte do aluno. Deve permitir, ainda, ao professor, reconhecer se houve adequação em termos de suas opções metodológicas, bem como evidenciar em que medida as relações pedagógicas estabelecidas contribuíram para o processo de ensino e aprendizagem. Torna-se, assim, elemento ímpar para o planejamento das ações docentes. Esta perspectiva de planejamento de ensino toma, ainda, como principais diretrizes: 1) a ação de planejar implica a participação de todos os elementos envolvidos no processo; 2) a necessidade de se priorizar a busca da unidade entre teoria e prática; 3) o planejamento deve partir da realidade concreta e estar voltado para atingir as finalidades da educação básica definidas no projeto coletivo da escola; Um dos maiores desafios, nesta perspectiva, é o da produção de coerência entre o planejamento da escola e o planejamento de cada professor, ao nível do ensino propriamentedito. A este respeito, Cruz (1995), aponta algumas dificuldades: a) muitos dos professores não acreditam que o plano global vá ser colocado em prática concretamente. Muitos pensam que ficará só no discurso (como acontece em muitas escolas mesmo); b) muitas instituições querem o Planejamento Participativo para organizar a escola e não como instrumento de transformação social; c) não há clareza teórico-conceitual e metodológica de certos conceitos utilizados com frequência nos marcos referenciais como: democracia, participação, justiça, liberdade, solidariedade, igualdade, consciência crítica; d) por outro lado, há desconhecimento da forma camuflada como a escola e as instituições reproduzem mecanismos de discriminação e controle social, de injustiça, de consumismo, de tutela e outros mais, através das práticas educativas que realizam. Diante dessas dificuldades, muitos professores fazem a opção pelo isolamento, comprometendo, com isso, a possibilidade de potencialização do trabalho pedagógico, pelo não reconhecimento de sua natureza coletiva. É justamente neste momento que a força do coletivo deve se mostrar, não como imposição, mas como elo catalizador, com vistas a orientar um trabalho pedagógico consistente e orgânico ao Projeto Político-Pedagógico da escola. 4) o reconhecimento da dimensão social e histórica do trabalho docente. Nesta abordagem, o planejamento ultrapassa o caráter de instrumental meramente técnico e adquire a condição de conferir materialidade às ações politicamente definidas pelos sujeitos da escola. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 8 PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: CONCEPÇÃO, CONSTRUÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO O PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO ● engajamento de todos os níveis da organização para a consecução dos fins maiores. Em contraposição a esses modelos de planejamento, a perspectiva da gestão democrática da educação e da escola pressupõe o planejamento participativo como concepção e modelo de planejamento. O planejamento participativo deve, pois, enquanto metodologia de trabalho, constituir a base para a construção e para a realização do Projeto Político-Pedagógico da escola. O planejamento participativo não possui um caráter meramente técnico e instrumental, à medida que parte de uma leitura de mundo crítica, que apreende e denuncia o caráter excludente e de injustiça presente em nossa realidade. As características de tal realidade, por sua vez, decorrem, dentre outros fatores, da falta ou da impossibilidade de participação e do fato de a atividade humana acontecer em todos os níveis e aspectos. Nessa perspectiva, a participação se coloca como requisito fundamental para uma nova educação, uma nova escola, uma nova ordem social, uma participação que pressupõe e aponta para a construção coletiva da escola e da própria sociedade. O planejamento participativo na educação e na escola traz consigo, ainda, duas dimensões fundamentais: o trabalho coletivo e o compromisso com a transformação social. O trabalho coletivo implica uma compreensão mais ampla da escola. É preciso que os diferentes segmentos e atores que constroem e reconstroem a escola apreendam suas várias dimensões e significados. Isso porque o caráter educativo da escola não reside apenas no espaço da sala de aula, nos processos de ensino e aprendizagem, mas se realiza, também, nas práticas e relações que aí se desenvolvem. A escola educa não apenas nos conteúdos que transmite, à medida que o processo de formação humana que ali se desenvolve acontece também nos momentos e espaços de diálogo, de lazer, nas reuniões pedagógicas, na postura de seus atores, nas práticas e modelos de gestão vivenciados. De outra parte, o compromisso com a transformação social coloca como horizonte a construção de uma sociedade mais justa, solidária e igualitária, e uma das tarefas da educação e da escola é contribuir para essa transformação. Por certo, como já analisamos em outros momentos neste curso, a escola pode desempenhar o papel de instrumento de reprodução do modelo de sociedade dominante, à medida que reproduz no seu interior o individualismo, a fragmentação social e uma compreensão ingênua e pragmática da realidade, do conhecimento e do próprio homem. Em contrapartida, a educação e a escola articuladas com a transformação social implicam uma nova compreensão do conhecimento, tomado agora como saber social, construção histórica, instrumento para compreensão e intervenção crítica na realidade. Concebem o homem na sua totalidade e, portanto, visam a sua formação integral: biológica, material, social, afetiva, lúdica, estética, cultural, política, entre outras. A partir dos aspectos aqui destacados, é possível definir os seguintes elementos básicos que definem e caracterizam o planejamento participativo: ● distanciam-se daqueles modelos de organização do trabalho que separa, no tempo e no espaço, quem toma as decisões de quem as executa ● conduzem à práxis (ver conceito na Sala Ambiente Projeto Vivencial) enquanto ação de forma refletida, pensada ● pressupõem a unidade entre pensamento e ação ● o poder é exercido de forma coletiva ● implicam a atuação permanente e organizada de todos os segmentos envolvidos com o trabalho educativo ● constituem-se num avanço, na perspectiva da superação da organização burocrática do trabalho pedagógico escolar, assentado na separação entre teoria e prática. O trabalho coletivo e o compromisso com a transformação social colocam, pois, o planejamento participativo como perspectiva fundamental quando se pretende pensar e realizar a gestão democrática da escola. Ao mesmo tempo, essa concepção e esse modelo de planejamento se constituem como a base para a construção do Projeto Político-Pedagógico da escola. O planejamento participativo implica, ainda, o aprofundamento crescente, a discussão e a reflexão sobre o tema da participação. Sobre essa temática, na Sala Ambiente Projeto Vivencial, importantes elementos são destacados também. Planejamento participativo, construção, acompanhamento e avaliação. O planejamento faz parte da ação especifica humana e a problematização e suas concepções. O planejamento participativo tem a sua importância teórica a descentralização do sistema educacional ao encontro do caminho democratização da gestão na melhoria de qualidade de ensino. A proposta tem as suas condições de um ajuste social nas condições grupais devidos aos problemas que encontram no cotidiano escolar. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 9 A sua realidade é proporcionar um equilíbrio de criar novas perspectivas necessárias à execução no seu planejamento, coordenação, acompanhamento e avaliação em todo o projeto com intencionalidade politica determinante. A construção do Projeto Político Pedagógico da escola em sua proposta de participação de todos e construção coletiva das metas e seus compromissos de organização e gestão escolar. Estas perspectivas da continuidade do projeto educacional que contribui na formação cidadã com o planejar técnico com valores e objetivos, que marca a realidade dando soluções aos grupos sociais ou pessoas. Nas diferentes segmentos das instituições galga a realidade do sistema escolar com a sua autonomia de forma relacional dentro do contexto de interdependência. Com o seu olhar critico no processamento de resolução dos problemas que afetam a sua diretriz administrativa e o seu fragmento que é vivenciado pelas atitudes não correspondente aos processos educacionais. A participação é estendida no processo de aprendizagem e os espaços sociais e na preocupação na formação de cidadãos democráticos. Como estabelecer uma gestão eficiente com educação de qualidade, é uma pergunta freqüente entre os educadores. A cada dia novos desafios surgem e a necessidadede se adequar a esta nova realidade educacional. Como definir metas? Proporcionar um ambiente agradável? Por em prática os objetivos propostos na A construção desse planejamento participativo depende da visão geral do contexto sócio-cultural da comunidade local bem como dos alunos no geral. teoria? Ao pensarmos no papel que a escola exerce na comunidade, sabemos que é de uma instituição que socializa conhecimentos (Prof. Maria Leila Alves) Com isso podemos definir as metas a serem alcançadas. Uma educação de boa qualidade, ao alcance de todos que influencie não só a vida dos alunos como também de toda a comunidade em volta. Quando pensamos em planejamento participativo, muitas idéias podem nos vir à mente, porem é de fundamental importância que todos os detalhes sejam analisados. Devemos conhecer nossos alunos, como são? Quais são seus interesses e potencialidades?saber em que situação vive a comunidade local? Quais são seus reais interesses?E fazer parceria com todo projeto social inserido no entorno escolar. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 10 PLANEJAMENTO ESCOLAR: PLANOS DA ESCOLA, DO ENSINO E DA AULA Entenda o que é o planejamento escolar Como o nome já dá a entender, o planejamento escolar é um plano elaborado periodicamente para definir as atividades futuras da escola. No entanto, além das questões que podem parecer meramente burocráticas — como distribuição dos conteúdos pela grade de horários, definição das turmas, elaboração do calendário escolar, etc. — esse documento é fundamental para entender como a escola pode cumprir sua missão diante de suas demandas e obstáculos particulares. Para isso, o planejamento deve acontecer em três etapas, que destacamos a seguir: O que e para quê: finalidade Em primeiro lugar, o planejamento serve para questionar e precisar o que será ensinado e por quais motivos. Assim, ele esboça as intenções da instituição de ensino, explicitando o que cada turma ou professor espera atingir ao final do período letivo contemplado no plano. No momento de esclarecer o que será ensinado, ou seja, o conteúdo de cada disciplina, de cada ano e de cada etapa (bimestre, trimestre e/ou semestre), é importante basear-se nas diretrizes repassadas pelo MEC — por meio da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), por exemplo — e pelas secretarias municipais e estaduais. Além disso, porém, cabe lembrar que a escola também tem liberdade para acrescentar seus próprios projetos e conteúdos à base nacional, e é, sobretudo, aí que entra a questão do “para quê”. Isso porque o planejamento não deve limitar-se aos conteúdos curriculares previstos por lei, mas deve focar-se ainda em cumprir com a missão proposta pela escola em seu PPP (Projeto Político-Pedagógico), considerando seus valores e o tipo de cidadão que pretende formar. Outro ponto indispensável nesse momento e que contempla tanto a questão curricular em si quanto sua finalidade é a necessidade de se visualizar a progressão dos alunos pelo conhecimento de uma maneira mais macroscópica. Isso significa não perder de vista, no planejamento de cada série, o panorama de todo um ciclo de aprendizado em que cada nova etapa exigirá o domínio de conhecimentos prévios. Trata-se, em suma, de um projeto muito amplo, e que exatamente por isso deve ser elaborado com o apoio de toda a equipe pedagógica e revisto periodicamente, como veremos adiante. Onde: realidade Se o passo anterior concentra-se, de uma maneira mais teórica e talvez até mesmo um pouco utópica, nas intenções da escola para o próximo período letivo, aqui, é hora de sair do mundo das ideias para encarar a realidade em que está inserida a instituição de ensino. Nesta parte do planejamento, deve-se analisar dois aspectos da realidade escolar: » a realidade interna, que reflete a infraestrutura da instituição, a qualificação e o número dos docentes, os resultados dos alunos nas últimas etapas, as principais dificuldades enfrentadas pela gestão pedagógica, entre outros; » e a realidade externa, que inclui o relacionamento da escola com os pais dos alunos, a comunidade em que se encontram suas dependências, o cumprimento com as exigências do mercado e do governo, etc. Pesquisas, análises, diagnósticos de desempenho e coleta de depoimentos de todos os membros da comunidade escolar podem ser úteis, neste momento, para ajudar professores e coordenadores a compreender a situação da maneira mais apurada possível. Como: plano de ação Aqui, cabe confrontar as intenções da escola com sua realidade para, por fim, compor um plano de ação que combine o que se quer fazer com o que se pode e se deve fazer. A partir disso, será possível decidir como a escola poderá aproximar-se de sua missão sem desconsiderar o contexto em que se encontra inserida. Elabora-se, então, um documento que se desdobra em vários níveis, afunilando-se da instituição de ensino como um todo até o planejamento de cada professor, em cada turma e disciplina. De maneira mais ampla, no plano da escola, definem-se questões burocrático-administrativas que afetarão todos os alunos e professores (assim como, muitas vezes, a comunidade local), como: » o calendário geral da instituição; » as regras de uso dos espaços coletivos (pátio, quadras, bibliotecas, laboratórios, etc.); » e os projetos interdisciplinares de que devem participar todos os alunos, em todos os níveis, entre outros pontos. No nível das séries, define-se o calendário de avaliação, distribui-se os alunos pelas diferentes turmas, se houver (sempre buscando equilibrar o nível das turmas com base nas avaliações passadas dos alunos), e monta-se a grade de horários de cada uma. Por último, no nível das disciplinas por turma, deve-se estabelecer metas e objetivos bem- TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 11 definidos e com prazos delimitados a fim de orientar os professores em relação ao cumprimento do currículo. Formas de avaliação, objetivos não curriculares e diretrizes de ação em casos específicos também devem fazer parte do plano. Qual a importância do planejamento escolar? Depois de entender um pouco melhor o que é, para que serve e como é feito o planejamento da escola, vejamos agora, em detalhes, por que ele é tão importante. Confira: Transformar conceitos em realidade Longe de ser apenas um requisito burocrático ou um documento cujas propostas não visam realmente sair do papel, o planejamento é uma oportunidade para que a escola repense sua missão, bem como a participação dos professores e coordenadores pedagógicos em seu cumprimento. Ao confrontar a realidade da escola com as intenções da equipe e elaborar um plano de ação, o planejamento provoca justamente um questionamento que gere soluções para concretizar os ideais da escola, trazendo as metas e objetivos o tempo todo para o dia a dia da instituição. Dessa forma, toda a equipe pode trabalhar junta em prol da mesma missão, sendo constantemente relembradas pelo planejamento geral do contexto muito maior que envolve o cronograma de cada docente e turma. Por meio de uma organização desse tipo, cada membro do time pode direcionar seu próprio trabalho para o objetivo que toda a escola tem em comum, facilitando a realização das metas globais e aliando todo o plano da instituição com sua missão e seus valores. Revisar e reavaliar o que já foi feito Outro ponto importante do planejamento é que ele obriga a equipe pedagógica a rever as ações e resultados do passado a fim de manter as atitudes positivas e eliminar ou mudar aquelas que não têm levado a escola em direção à sua missão. Por consequência, a cada novo planejamento, surge a oportunidade de avaliar o que foi ou não foi atingido a partir do planejamento anterior e, assim, pensar em novas estratégias para que ainstituição continue avançando de maneira constante, sempre atenta aos novos desafios e demandas que possam surgir de dentro ou de fora da escola. Trocar ideias e experiências entre os docentes Mais uma oportunidade propiciada pelo esforço que a elaboração de cada novo planejamento gera é a de troca de ideias e experiências entre professores e coordenadores pedagógicos. Além de reportar problemas e obstáculos relativos ao planejamento anterior, chamando a atenção para o que deve ser modificado no próximo ano, o encontro de toda a equipe docente e pedagógica permite que se troquem, também, soluções encontradas por cada um no enfrentamento de desafios em comum, assim como conhecimentos adquiridos pela própria vivência ou na formação continuada. Desse jeito, todos podem aprender uns com os outros, os laços entre as diferentes partes do time se estreitam e, claro, a escola garante respostas e propostas mais eficientes para cumprir sua missão, frutos do debate entre quem mais entende da sua realidade particular. 1.1.1 Conciliar os interesses de toda a comunidade Englobando todo o contexto de atuação da instituição de ensino (isto é, em suas relações internas, entre discentes, docentes e funcionários, assim como externas, com os pais, o governo e toda a comunidade), o planejamento articula todos esses interesses diversos com o papel da própria escola a fim de atingir seu objetivo final — educar seus alunos — da forma mais eficiente e proveitosa possível. Assim, além de possibilitar a troca de experiências entre os membros da equipe de coordenação pedagógica e docente, o planejamento escolar também é o momento de dar voz ao conselho de pais e à comunidade, a fim de combinar os interesses de todos esses participantes da escola, tornando-a mais democrática e consciente das demandas externas. Como fazer um planejamento escolar eficiente Vimos que o planejamento é importante para que as ideias e propostas da escola não fiquem só no papel, certo? Sendo assim, é hora de passarmos, aqui também, da teoria à prática. A seguir, veja como elaborar um bom planejamento na sua instituição de ensino e prepare-se para colocar a mão na massa: Reúna toda a equipe e incentive o debate O primeiro requisito para fazer um planejamento eficiente é reunir professores e coordenadores pedagógicos a fim de dialogar a respeito do futuro da escola. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 12 É importante estabelecer uma relação de igualdade entre os participantes do debate, acolhendo a opinião e o conhecimento de cada um como essencial para a formação do novo planejamento. Nesse contexto, o coordenador pode servir como mediador da discussão, dando voz a todos os participantes, anotando as pautas e propostas levantadas e, possivelmente, conciliando interesses diversos a fim de chegar num consenso. Vale lembrar que quanto mais experiências e opiniões forem partilhadas, mais rico será o debate e, consequentemente, mais eficiente e democrático será o planejamento que sair dali. Principalmente nos quesitos mais polêmicos ou em relação aos obstáculos enfrentados pela escola, a diversidade de pontos de vista poderá contribuir para que se encontre mais facilmente a raiz do problema e, assim, uma solução viável para ele. Por meio da discussão, a escola garante ainda que todos os professores e coordenadores se sintam contemplados pelo novo planejamento e compreendam sua importância, dando o seu melhor para que ele seja cumprido. Contraste dados recentes com planejamentos anteriores Nenhum planejamento que se preze deve acontecer “a partir do nada”. Além de levar em conta a realidade da escola e consultar planejamentos anteriores (mesmo que tenham sido elaborados por processos distintos), verificar seus resultados por meio da análise de dados também é essencial. Somente assim será possível modificar as estratégias e atitudes que não têm trazido benefícios e substituí-las por novas soluções. Além disso, é apenas identificando as dificuldades já enfrentadas pela escola que será possível propor novas alternativas e caminhos para que ela supere esses desafios e continue crescendo. Clique na imagem abaixo para ver nosso gráfico informativo com o passo-a-passo de como utilizar dados na escola: Transforme o planejamento em metas realizáveis Para que aquilo que foi planejado antes do início do novo período letivo seja realmente aplicável, é imprescindível que se criem metas e objetivos passíveis de serem realizados pelos docentes. Para isso, sugerimos que todo planejamento transforme suas propostas em metas que sejam: » objetivas, no sentido de trazerem ideias concretas e fugirem de qualquer vagueza; » mensuráveis, de modo que seja possível estabelecer claramente, mais tarde, se a meta foi ou não cumprida; » e datadas, isto é, providas de um prazo para seu cumprimento. Nesse caso, a partir do desejo de melhorar o desempenho dos alunos no ENEM, por exemplo, os professores poderiam incluir no planejamento a seguinte meta: “conseguir média geral acima de X pontos no ENEM 2017”. Outro fator importante é desdobrar essas metas maiores em submetas ou objetivos em curto prazo que permitam medir, ao longo da etapa, se a escola está caminhando para o cumprimento da meta ou não. Ainda no exemplo da média geral do ENEM, seria possível estabelecer isso por meio de simulados regulares que indiquem o que precisa ser melhorado para atingir o objetivo final. Permita a flexibilidade e faça revisões regulares do plano Como todo planejamento, aquele feito pela escola também enfrentará, ao longo de seu cumprimento, imprevistos e incidentes que obriguem a equipe a mudar de curso no meio do caminho. Diante disso, nada melhor do que prever a necessidade dessas alterações e organizar reencontros periódicos com todos os docentes e coordenadores para revisar a situação. É possível, por exemplo, promover reuniões bimestrais ou trimestrais em que as metas estabelecidas no planejamento são contrastadas com os últimos resultados dos alunos e a vivência dos professores a fim de verificar se precisam ser modificadas ou se as estratégias para seu cumprimento estão mesmo funcionando. Baseado nesses encontros, pode-se mudar de tática ou mesmo alterar as prioridades da escola, eliminar ou incluir novas metas, de acordo com o que aconteceu desde o planejamento inicial. Colha feedbacks diversos constantemente Finalmente, no intuito de avaliar o efeito do planejamento e reunir o maior número de perspectivas possíveis para verificar se ele está funcionando e alterá-lo no que for necessário, é interessante que a escola esteja sempre aberta e até mesmo incentive o feedback de diversas fontes. Assim, além de contar com as reuniões regulares e discussões entre os membros do time, é importante consultar também pais e alunos, bem como outros membros da comunidade escolar e local. Dessa maneira, será possível manter o planejamento a par das demandas e necessidades de cada um, monitorar os obstáculos enfrentados dentro e fora da escola e atentar-se para que as ideias e intenções elaboradas de início estejam sempre de acordo com a realidade mais imediata da sala de aula e dos estudantes. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 13 Vantagens e benefícios de se ter um planejamento escolar Por último, agora que você já sabe o que exatamente constitui um planejamento escolar, qual é a sua importância para a instituição e as pessoas envolvidas com ela, além de como elaborar um plano bem-feito, cabe ressaltar, ainda, alguns dos principais benefícios dessa ação para a escola e a comunidade. Veja só: Guia para o planejamento cotidiano dos professores Ao organizar de maneira geral — com base no PPP da escola e na BNCC — os conteúdos a serem estudados por cada série, em cada disciplina, oplanejamento não só distribui a matéria ao longo do período letivo, garantindo que todo o currículo seja contemplado adequadamente, como facilita, ainda, a elaboração cotidiana das aulas pelos professores. Assim, os docentes têm um cronograma mais amplo de quando cada conteúdo deve ser ensinado, restando-lhes apenas separar as atividades necessárias para sua assimilação em cada etapa (dentre as quais destacamos aulas expositivas, exercícios práticos, revisões, avaliações, simulados, experimentos em laboratórios, excursões, etc.) e adequar-se às atividades interdisciplinares do calendário. Dessa forma, é possível: » reduzir o tempo gasto pelo professor no plano de aula diário, já que o planejamento escolar servirá de guia para orientá-lo; » uniformizar o conteúdo ensinado em cada ano nas diferentes turmas (para as escolas com mais de um professor da mesma disciplina lecionando no mesmo nível, por exemplo); » e dar espaço para que questões locais (como a necessidade da revisão de conteúdos anteriores antes de progredir ou dificuldades de estudantes e turmas específicas) sejam sanadas sem afetar os prazos gerais. Emprego correto dos dados obtidos nas avaliações dos alunos Coletar dados e informações sobre o desempenho dos alunos — seja por meio das próprias atividades avaliativas internas e/ou por simulados e resultados do ENEM, por exemplo — é uma excelente maneira de enxergar que pontos precisam ser aprimorados em sua formação, e o planejamento é o lugar ideal para se pensar nessas melhorias e colocá-las em ação. Quando as provas e exames indicam, digamos, uma defasagem de determinado ano em Matemática, é possível ir mais fundo para descobrir precisamente qual é o problema e, por meio do planejamento, reorganizar a formação daquele grupo de alunos para que sua dificuldade seja sanada. Da mesma forma, quando os resultados são positivos, pode-se recorrer ao planejamento para destacar as ações que deram certo e continuar a empregá-las em outros contextos ou nos próximos períodos letivos. Inclusão da formação docente continuada nas metas da escola Com um plano organizado que permita visualizar o que deverá ser ensinado por cada professor no próximo período letivo, fica mais fácil encontrar espaço para a formação continuada dos docentes, bem como direcionar essa formação para as necessidades internas e externas da escola já apontadas no próprio planejamento. Ao incluir essa questão nas metas da escola, a direção garante que ela seja contemplada, tranquiliza os professores ao conciliar, no planejamento, sua formação com seu trabalho na instituição, além de se beneficiar, evidentemente, do conhecimento adquirido pelos docentes por meio dessa oportunidade. Cumprimento das exigências externas Por falar em formação continuada dos docentes, outro benefício do planejamento escolar é o fato de ele prever o cumprimento das exigências do Ministério da Educação de tal forma que, com o plano pronto, basta à direção e coordenação da escola verificar se esses requisitos estão sendo atendidos conforme estabelecido no início do período letivo. Não se corre, assim, o risco de se esquecer de algum ponto importante nem de ter de reformular o plano no meio do semestre para acatar alguma exigência negligenciada, por exemplo. Além disso, como o planejamento também pressupõe uma pesquisa prévia quanto às demandas dos pais e do próprio mercado de trabalho, ele serve ainda como forma de aproximar a escola dessas exigências e, consequentemente, oferecer uma formação mais relevante aos estudantes. Realização de mudanças efetivas Quantas vezes uma instituição — ou, por que não, uma pessoa, em sua vida privada — precisa adotar algumas mudanças para melhorar, mas simplesmente não consegue deixar de fazer o que sempre fez? Diante disso, o planejamento é também uma forma de garantir que as melhorias de que a escola, os professores e os alunos precisam sejam efetivamente realizadas, por meio de prazos e metas mensuráveis e com o apoio e ciência de toda a comunidade. Abandonar velhos hábitos e mexer-se para fazer as transformações acontecerem realmente não é fácil, mas quando há objetivos acordados entre todos e planos bem-definidos para conquistá-los, TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 14 todos os personagens da escola podem fazer sua parte para que ela cumpra com a missão que se propôs. O planejamento escolar só tem vantagens a oferecer à escola, à sua equipe, aos alunos e a toda a comunidade em seu entorno. Felizmente, com o nosso guia em mãos, vai ficar mais fácil elaborar o seu e explicar ao seu time por que essa etapa do período que antecede o início do ano letivo é tão importante. PLANOS DE ENSINO Em nível da instituição escolar o planejamento se refere a um processo que pode se enfocar a partir dos ângulos administrativo e técnico- pedagógico, e cujos objetivos unem-se para conseguir melhores serviços educacionais ao alcance de toda população em idade escolar, dentro dos meios materiais e dos recursos humanos disponíveis. Diante de todo o sistema educacional, pode- se considerar o planejamento como um processo de tomada de decisões que envolvem três fases específicas, mas inter-relacionadas. E são elas: a fase de preparação, a fase de desenvolvimento e a fase de aperfeiçoamento do planejamento. A fase de preparação é onde o professor realiza um cuidadoso estudo das características dos seus alunos, buscando determinar, nos limites da possibilidade, suas condições pré-requisito. Em outras palavras, podemos dizer que o professor procura determinar a realidade imediata dos alunos coletando dados sobre suas capacidades, habilidades desenvolvidas no lar ou na escola, interesses e necessidades, pois é preciso conhecer aquilo que eles podem fazer, o que eles sabem fazer e o que gostam de fazer, para estimar o que cada um precisará e será capaz de aprender. A preocupação básica do professor é utilizar um meio adequado à sistematização e racionalização das ações que empreenderá para satisfação das necessidades de seus alunos, explicitadas em termos de propósitos do processo ensino-aprendizagem. O Ministério da Educação, junto com seus órgãos na escala federal, estadual e municipal, é responsável pela estruturação e funcionamento do sistema educacional. O planejamento de ensino é desenvolvido basicamente a partir da ação do professor, por isso ele tem a aptidão de definir os objetivos a serem alcançados, desde seu programa de trabalho até eventuais e necessárias mudanças de rumo. Contudo, o professor tem que analisar o objetivo a ser alcançado, conteúdo da matéria, estratégias de ensino e de avaliação e, agir de forma a obter um retorno de seus alunos no sentido de redirecionar sua matéria. O plano de ação é um meio seguro para o êxito do processo de ensino-aprendizagem, porque, anulando a improvisação e o jogo do acaso, conduz ao máximo aproveitamento do tempo disponível, variável que tanto preocupa e angustia os professores, desde as primeiras séries do ensino fundamental até às últimas séries do ensino médio. Sendo um roteiro sistematizado das atividades docentes e discentes, pode o plano tomar várias formas envolvendo distintos graus de abrangência ou amplitude. Distinguindo dessa forma, como fundamentais para uma segura orientação da TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 15 aprendizagem, três tipos de planos da ação docente ou plano de ensino: • Plano de curso; • Plano de unidade ou unidade de ensino; e • Plano de aula. Esses três tipos de planos de ensino se constituem, na realidade, em momentos da ação de planejar, que ocorrem numa sucessão de causa e efeito. O critério principal e diferenciador de cada momento é a progressiva especificação dos objetivos, conteúdos, procedimentos, recursos e modalidades de avaliação, à medidaque se aproxima o instante da aplicação, na sala de aula. Um plano de ensino bem feito permite a execução das tarefas do professor e dos alunos de maneira sistemática, com um sentido ordenador e estruturado, endereçando a ação, com firmeza, na conquista dos resultados previstos, bem como facilitando a comunicação entre todos os elementos engajados no processo educativo. Como elaborar um plano de ensino e aprendizagem Como o próprio nome indica, um plano de ensino nada mais é do que um planejamento no qual o professor interliga os objetivos, os conteúdos e as metas que pretende atingir com os alunos em determinada disciplina. Um plano de ensino bem elaborado possui o poder de facilitar a vida do professor durante o ano/semestre, organizando suas atividades de modo a atingir as metas estabelecidas para aquela disciplina. E embora pareça simples colocar no papel tudo o que se pretende na disciplina ministrada, fazer um plano de ensino, na maioria das vezes gera muitas dúvidas sobre o quê colocar e onde colocar as informações, principalmente para as pessoas que na graduação não tiveram contato com disciplinas pedagógicas. Não existe uma “receita” para se elaborar um plano de ensino, e o presente artigo não deve ser encarado como uma. Um plano de ensino é passível de modificações e deve ser elaborado de acordo com a necessidade de cada público. Como então elaborar um plano de ensino? Em geral, cada instituição possui suas próprias normas de elaboração de planos de ensino, mas existe uma base que é comum à todas. O planejamento tem como ponto inicial a reflexão do “o quê“, “para quê“, “como” e “com o quê” ensinar, e sobre os resultados das ações empreendidas. A resposta a essas questões resultam em objetivos, conteúdos, metodologia, e formas de avaliação. Os objetivos são os propósitos da ação. Funcionam como horizonte e alicerce da prática. São expressos por meio de verbos no infinitivo que traduzem comportamentos, habilidades, atitudes e competências esperadas dos alunos. Indicam propósitos amplos, denominados objetivos gerais, os quais se referem à formação de atitudes, convicções e valores ao longo do curso; e objetivos específicos, que sinalizam propósitos com resultados mais rápidos, observáveis pelo professor a cada aula. Os conteúdos abrangem os conceitos e assuntos que serão trabalhados durante a disciplina. Recomenda-se que a organização curricular acompanhe um crescimento das dificuldades conceituais e a integração dos conteúdos a fim de promover um saber que seja articulado, interdisciplinar. A metodologia trata dos recursos que serão necessários para promover os objetivos e conteúdos e dessa forma precisa haver coerência entre os mesmos. Para a escolha do recurso didático leva-se em conta questões como: Os recursos são condizentes com os objetivos, com a natureza do conteúdo que se trabalha, com o perfil dos alunos, com as atividades propostas e o tempo disponível? E por fim, a avaliação, onde conceitos, atitudes e habilidades a serem demonstrados pelos alunos serão avaliados a fim de verificar se os objetivos foram alcançados. Para tal é necessário estabelecer critérios de avaliação onde se tenha claro o que se pretende avaliar e de que forma. Didaticamente falando, a melhor maneira de se medir o aprendizado é uma avaliação abrangente que avalie o individuo como um todo, não só a habilidade de reter conhecimento, mas também de processá-lo, (re)construí-lo, e utilizá-lo em outras situações. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 16 PLANO DE AULA O planejamento é considerado uma peça chave para o alcance de qualquer objetivo profissional. Ele é responsável por nortear a realização de suas atividades, bem como de suas ações, sendo imprescindível na carreira de um professor. Profissionais da área da educação que se comprometem a fazer o planejamento de aula possuem mais chances de obter êxito no processo de aprendizagem, de modo que sejam evitadas aulas monótonas, desestimulantes e desorganizadas. O que é plano de aula Principalmente se você for um professor iniciante, é comum que não saiba do que se trata esse recurso didático, mas vamos te explicar. O plano de aula se refere à descrição específica de tudo que o professor executará em sala de aula durante um período determinado, tendo em vista aprimorar a sua prática pedagógica e melhorar o aprendizado dos alunos. Ao elaborá-lo, é importante que preze pela clareza e objetividade, que o atualize periodicamente, que tenha conhecimento dos recursos disponíveis da escola, que saiba sobre as principais características de seus alunos, que aposte em metodologias diversificadas e inovadores e que tenha flexibilidade para lidar com imprevistos no ambiente escolar. Modelo de plano de aula Agora que já está contextualizado com o tema, vamos apresentar um passo a passo de como fazer um plano de aula. Pode até parecer complicado no início, mas acredite, está longe de ser considerado um bicho de sete cabeças. Pense que ele te ajudará a melhorar a qualidade do seu trabalho e que logo fará parte de sua rotina. Segue o roteiro de como elaborar um plano de aula: ESCOLHA O TEMA Toda aula precisa de um tema principal, que deverá ser minuciosamente desdobrado. Escolha um nome interessante, que estimule o interesse do aluno, e faça relações com o seu conteúdo. DEFINA OS OBJETIVOS O que você deseja ensinar aos seus alunos ao abordar determinado assunto? Pensando assim, pode ser mais fácil pontuar os objetivos específicos de cada aula. PONTUE OS CONTEÚDOS É nesse momento que será definido o conteúdo programático ligado ao tema já estabelecido anteriormente. ESTABELEÇA A DURAÇÃO Para que você não se perca em meio aos conteúdos a serem passados em sala de aula, estipule um período para abordar cada um deles, de modo que consiga fechar o seu raciocínio em tempo hábil. Evite que sejam acumulados conteúdos. Caso a sua programação esteja muito extensa, procure reduzi-la ou dividi-la. ESCOLHA OS RECURSOS Para obter êxito em suas aulas, defina quais materiais serão utilizados. Verifique com antecedência se a escola poderá disponibilizá-los ou se terá que optar por diferentes alternativas. DEFINA A METODOLOGIA Para que o tema em questão seja bem trabalhado, é necessário que defina as etapas a serem seguidas na aula. A metodologia se refere aos caminhos a serem percorridos pelo professor, em vista de alcançar os objetivos estabelecidos. FAÇA A AVALIAÇÃO Após a finalização da aula, é fundamental que você faça uma recapitulação de tudo que aconteceu. Anote os imprevistos, os comentários das crianças, se o seu investimento foi satisfatório ou se deve propor novas alternativas de ensino. Essa prática fará com que você evolua como profissional e melhore sua didática ao longo do tempo. Plano de aula educação infantil Ensinar é também saber planejar. Obviamente na educação infantil não é diferente. É nesse momento que o professor deve colaborar na construção da base da criança, de modo que ele esteja mais preparado para lidar com os diversos conhecimentos que irá adquirir pela frente e possa fazer suas escolhas de forma consciente. Para atingir os seus objetivos educacionais, é preciso que utilize métodos que reforcem o seu compromisso profissional, de modo que tenha sempre em mente o desenvolvimento integral da criança, mais especificamente até os seis anos. Ao elabora o seu plano para o público infantil, é fundamental que leve em consideração os aspectos físico, psicológico, intelectual e social, a fim de complementar a ação da família e da comunidade. Plano de aula ensino fundamental O plano de aula para o ensino fundamental também deve ser estruturado com consistência. Esse período também se refere a uma das etapas da educação básica no Brasil e é destinada a crianças com idade entre seis e 14 anos. Selecionaros materiais e escolher uma boa metodologia de ensino faz parte da construção de uma aula planejada, que possivelmente trará mais resultados e motivação para o professor e para os alunos. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 17 Plano de aula pronto Se você começou a dar aulas recentemente e visa criar uma boa rotina de prática pedagógica, saiba que não está sozinho nessa. Existem diversos profissionais que levam um tempo para se organizar e aprender novas maneiras de aumentar a sua credibilidade e o rendimento dos seus alunos. ANOTAÇÕES TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 18 O Currículo e a Prática Docente A DEFINIÇÃO DE CURRÍCULO ESCOLAR Preliminarmente entende-se que o termo currículo deriva-se da palavra latina Scurrere e refere-se à corrida, curso e/ou o “curriculum”, cuja tradução ao pé-da-letra, significa: pista de corrida, uma vez que sintetiza a ideia do que o indivíduo é, e o que nos tornamos, basta querer. Segundo as teorias mais modernas sobre a compreensão enfocando o currículo, verifica-se um maior privilegio sobre o por quê? do que o quê?, tendo em vista o reflexo permanente do conjunto de práticas vivenciadas na instituição escolar. De modo que o pano de fundo para qualquer teoria sobre currículo é justamente, o de saber qual conhecimento deve ser ensinado, uma vez que o currículo é em síntese o resultado da seleção teórica (inclusão) pura e simples de conteúdos, bem como da exclusão de outros de maior ou de menor complexidade ou valor didático pedagógico. O calvinismo teve ascendência política no século XVII e assim sendo surgiu pioneiramente o conceito de currículo como sendo a seqüência estrutura ou disciplina, segundo Goodson (1995). O termo currículo é usado dentro e fora da sala de aula de várias maneiras e com vários sentidos, conceitos ou definições. Assim sendo, para distinguir o uso desse termo ou palavra no sentido de denotar o conteúdo programático de um assunto ou da área de estudos específicos, no sentido d e se referir ao programa total das disciplinas de uma escola de qualquer nível ou grau de ensino. De modo que o currículo é “o produto amorfo de gerações de remendões” (TABA,1962, p. 8). A história das disciplinas escolares segundo a visão de diversos autores, dentre os quais podemos mencionar Chervel (1990), Herbrard (1990), Goodson (1995 e 1999),Hamilton (2001) e Júlia (2002), levando-se em consideração de que o currículo escolar na visão dos teóricos mencionados é uma construção moderna, tendo em vista a herança do movimento que tem como objetivo civilizar a chamada sociedade ocidental a começar do primado científico racional, conforme enfoca Souza (1998), Rocha (2000), e Viñao (1990). Segundo Macedo (2002), enfocando o pensamento complexo de Edgar Morin, bem como o pensamento multirreferencial de Jacques Ardroino, define currículo como terreno fértil para a constituição de uma teoria educacional mais ampla, tendo em vista que permite a interação coletiva de vários sujeitos, tais como, professores e alunos, nos espaços formal e informal. Na realidade não temos uma definição única de currículo, cada teórico tem o seu próprio conceito ou definição, de modo que Taba (1974), Macedo (2002), Saviani (2003), Silva (1999) e tantos outros teóricos, apesar de todos terem seus pontos de vista diferentes na maneira de conceituar o referido termo, por unanimidade convergem em identificar o currículo como produto da seleção cultural, onde estão inclui avaliação, organização, distribuição e conteúdos programáticos, compreendendo não apenas um conjunto de conhecimentos acadêmicos ou científicos e saberes organizados estruturalmente através de uma grade ou desenho curricular, acontecendo aí, também a ligação dos saberes e/ou conhecimentos científicos com o processo didático-pedagógico. A tendência linear e fechada do currículo defendida pelas diretrizes e/ou trajetórias do final do século XVI, através da influência protestante calvinista, via a Holanda e a Escócia, já não tem tanto significado para a elite educacional do século XXI em sala de aula. Na realidade, o currículo deve ter seu planejamento e organização a planejamento aberto, tendo em que um currículo aberto, ético- politicamente afetado pelos acontecimentos, é um currículo que se politiza, na medida que acolhe, reflexivamente, os movimentos contraditórios do real; vive a dialogicidade e a dialeticidade da realidade, inclusive, disponibilizado a acolher o acontecimento e seu caráter desestruturante e estruturante, na organização e implementação dos saberes em articulação, onde o homem em educação continuada seria sempre a principal inquietação, segundo Macedo (2002, p. 61-62). Dessa forma, Silva (1999), afirma que “teoria é uma representação, uma imagem, um reflexo, um signo de uma realidade que – cronologicamente, ontologicamente – a precede”. Assim sendo, por analogia, podemos afirmar de que a teoria é uma imagem, uma visão de mundo, segundo a razão fenomenal da de cada indivíduo, motivo pelo qual o currículo é algo vinculado a teoria multidimensional. Sem sombra de dúvida podemos afirmar de que o currículo é anterior a teoria, pois, serve apenas como instrumento necessário para dar uma explicação particular em cada caso e segundo o foco cronológico e social. E o mesmo teórico mencionado finaliza afirmando que “ao descrever um objeto, a teoria, de certo modo, inventa-o. O objeto que a teoria supostamente descreve é, efetivamente, um produto de sua criação” (SILVA, 1999), tendo em vista a sua visão pós-estruturalista. As Teorias Curriculares Tradicionais afirmam que “o currículo aparece, assim, como o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações” (SACRISTÁN, 2000, p. 46). E até porque é certo que, TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 19 […]as pessoas podem construir por si mesmas, seus métodos de resolução de problemas, segundo seu próprio estilo de pensamento, que devem ser respeitados, identificados e incentivados pelos professores. (ALMEIDA, 1992, p. 155). Por outro lado, as Teorias Curriculares Críticas definem que “o currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes […]o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações…”, Silva (1999). Enquanto que as Teorias Curriculares Pós- críticas afirmam que “…o conhecimento não é exterior ao poder, o conhecimento não se opõe ao poder. O conhecimento não é aquilo que põe em xeque o poder: o conhecimento é parte inerente do poder […], o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade “, na concepção de Silva. As teorias do currículo tentam atender as necessidades atuais do mundo e sua globalização, valendo salientar que o mesmo será igualmente substituído e/ou adaptados a realidade de cada sociedade dentro do seu momento histórico vivenciado, segundo as verdades culturais e sociais. Evidentemente que o principal problema no tocante as teorias que tentam explicar de maneira convincente o currículo é justamente saber na realidade qual o conhecimento que deve ser ensinado na teoria e na prática ao individuo. É justamente o que ensinar? Levando-se em consideração os fundamentos de todas as teorias que tentam arranjar uma resposta para a referida pergunta,tendo em vista o caráter da multidimensionalidade do sujeito do aprendizado, onde estão presentes: a natureza humana, a natureza da aprendizagem e/ou a natureza do conhecimento, da cultura, da sociedade, da religião e/ou da natureza transcendental desse individuo. É justamente o que diferenciam as teorias entre si. De modo que uma teoria de currículo, na concepção de Silva (1999), é justamente encontrar uma resposta verdadeira para saber o que deve ser incluído ou excluído para ser ensinado como conhecimento aceito como básico para a formação da sociedade. Dessa forma, currículo é a construção de novos saberes ou conhecimentos, a visão de mundo, de sociedade, de nós e de outros seres humanos, a libertação dos preconceitos de todos os níveis e graus, fundados e infundados, os padrões sociais, religiosos, culturais e mentais incoerentes e inconsequentes da nossa visão da realidade em si. E até porque, “privilegiar um tipo de conhecimento é uma operação de poder. Destacar, entre as múltiplas possibilidades, uma identidade ou subjetividade como sendo a ideal é uma operação de poder. ”, ex-vi Silva (1999), pois, é justamente aí onde está o elemento que serve de separação entre as teorias tradicionais (que aceitam a verdade como incontestável) e as teorias críticas (o por quê?) do currículo. De modo que o currículo em todas as suas especificidades tem que explicar para que serve a escola e seus ensinamentos, de modo que: Entretanto, o pensamento pedagógico contemporâneo não pode se esquivar de uma reflexão sobre a questão da cultura e dos elementos culturais dos diferentes tipos de escolhas educativas, sob pena de cair na superficialidade. (FORQUIN, 1993, p. 10). É importante mencionar que “as sociedades da modernidade tardia, são caracterizadas pela diferença; elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de deferentes posições de sujeito, isto é, identidades para os indivíduos”.(HALL, 1999). Da mesma maneira que Forquin (1993), afirma que “a cultura é considerada como o conjunto dos traços característicos do modo de vida de uma sociedade, de uma comunidade ou de um grupo, aí compreendidos os aspectos que podem considerar como os mais cotidianos, os mais triviais ou os mais inconfessáveis”. Pensar ideologicamente diferente em termos culturais, por exemplo, faz parte da individualidade de toda e qualquer sociedade. A cultura praticada dentro ou fora da escola nada mais é que “os valores, os hábitos e costumes, os comportamentos da classe dominante são aqueles que são considerados como constituindo a cultura. Os valores e hábitos de outras classes podem ser qualquer outra coisa, mas não são a cultura. “, tendo como base a concepção do pensamento de Silva (1999). Entendemos que quando falamos de escola, de cultura e de currículo, estamos na realidade falando das relações de poder, que na visão de Forquin (1993), tal relacionamento encontra-se implícito justamente “no currículo oculto que designara estas coisas que se adquirem na escola (saberes, competências, representações, papeis, valores) sem jamais configurar nos programas oficiais ou explícitos, seja porque elas realçam uma programação ideológica tanto mais imperiosa quanto mais ela é oculta”. Assim sendo, não existe sociedade sem ideologia e bem não existe saberes sem o enfoque ideológico de seus autores. Por outro lado, devemos compreender a ideologia como sendo a ciência das idéias, interessando assim não somente aos filósofos e/ou ideólogos, apesar da conotação simplista pejorativa do termo, o que não é diferente diante da cultura inspiradora do currículo em qualquer dimensão histórica, filosófica, psicológica e ou política no mundo e ou na visão ideal de seus autores e ou criadores, e isso não importa se no socialismo e ou no capitalismo. Ter uma ideia é ter uma ideologia, não existe ideia TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 20 neutra, seja ela acadêmica e/ou doutrinária de qualquer espécie. O currículo é a produção e/ou a reprodução permanente dos conflitos, tensões, compromissos culturais, religiosos, econômico, políticos e sociais que organizam e ao mesmo tempo desorganizam um povo, na concepção de Aplle (2000, p. 53). Vale mencionar de que seja qual for a “Pedagogia” e seja qual for o “Currículo”, nenhum direta e ou indiretamente substituem os anteriores, em direção ao melhor e/ou perfeito, completo, acabado, pronto, mais avançado do que o outro. Porém, cada pedagogia, bem como cada currículo, envolvendo os professores, os grupos, as ações, as palavras, as políticas, os países, os povos, as religiões, as famílias, os indivíduos, as ideias, o que vale apenas afirmar, ainda que por analogia do conhecimento relativo, isso representante as metamorfoses, híbridas, mestiças, multifacéticas, polimorfas, de traços caleidoscópicos, pelo sim e/ou pelo não em qualquer cultura do planeta Terra. Não importa que sejamos velhos, adultos e novos, pretos, mestiços e brancos, homens e mulheres, grandes e pequenos, ricos, pobres e desamparados sociais. Na realidade nua e crua somos os neutros e os da suspeita. Todos juntos somos muitos para compor e enfrentar o desafio educacional do século XXI na sua labuta diária em nossa práxis pedagógicas. O currículo escolar pode ser formal, real e oculto. É assim que tipificam os teóricos preocupados com a temática em qualquer academia em que qualquer continente até o momento conhecido e habitável humanamente falando. Assim sendo, entende-se por currículo formal o conjunto de prescrições oriundas das diretrizes curriculares, produzidas tanto no âmbito nacional, a exemplo dos PCNs –Planos Currículares Nacionais da Educação Infantil, do Ensino Fundamental I e II e do Ensino Médio, quanto nas secretarias de educação estaduais e municipais e bem assim na própria escola, onde indica os documentos oficiais, nas propostas pedagógicas e nos regimentos escolares das instituições educacionais em todos os níveis e graus de ensino da Educação Básica, segundo a Lei nº 9.93/96 (BRASIL, 1996). Por outro lado, entende-se como currículo real a transposição pragmática do currículo formal, a interpretação que professores e alunos constroem, conjuntamente, no exercício cotidiano de enfrentamento das dificuldades, sejam conceituais, materiais, de relação entre professor e alunos e entre os alunos. São os resumos e ou as sínteses construídas por professores e alunos, a partir dos elementos do currículo formal e das experiências pessoais vivenciadas de cada um na construção de sua aprendizagem escolar e social. O currículo oculto é aquele que escapa das prescrições, não foi planejamento, não consta dos conteúdos originários do currículo formal ou do real. São as práticas preconceituosas, discriminatórias e formas de compreensão e tratamentos envolvendo professor aluno. O currículo oculto também vai se manifestar, entre outras formas, na maneira como os funcionários tratam os alunos e seus pais, no modo de organização das salas de aula, no uso da quadra de esportes, no tipo de cartaz pendurado nas paredes, nas condições de higiene e conservação dos sanitários, no próprio espaço físico da escola como um todo. Assim sendo, o uso do vídeo na sala de aula, como tecnologia inovadora, propicia soluções imediatas para os problemas crônicos do ensino- aprendizagem, no desenvolvimento do currículo escolar, tendo em vista que o vídeo ajuda a um bom professor, atrai os alunos, mas não modifica substancialmente a relação pedagógica, tendo em visa que jamais substituirá a cultura e a inteligência do docente. Porém, é certo que aproxima a sala de aula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, mas também introduz novas questões no processo educacional, segundo Moran (1995). Por analogia o vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contextode lazer, e entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula. E até porque, vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não “aula”, o que modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamos aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do nosso planejamento curricular e pedagógico. Mas ao mesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula, segundo a visão de Moran (1995). Para Santomé (1996, p.64), o currículo integrado é a “[…] forma de organizar os conteúdos culturais dos currículos de maneira significativa, de tal forma que desde o primeiro momento os alunos e alunas compreendem o quê e o porquê das tarefas escolares nas quais se envolvem”. Diante de tal afirmação o uso de vídeo em sala de aula passa a ter um papel especial, agradável e contextualizado no tocante a aprendizagem dos alunos, além de ser mais uma fonte de pesquisa usada pelos discentes, além de mostrar parte de sua realidade social e educacional. De modo que o pesquisador Moran (1995), menciona que o vídeo significa também uma forma de contar multilinguística, de superposição de códigos e significações, predominantemente audiovisuais, mais próxima da sensibilidade e prática do homem urbano e ainda distante da linguagem educacional, mais apoiada no discurso verbal-escrito. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 21 A PRÁTICA PEDAGÓGICA COTIDIANA A prática pedagógica que se realiza na sala de aula não existe de forma autônoma e independente; elas se encontram entrelaçadas entre si e com outras práticas, não necessariamente pedagógicas, que estão inseridas no currículo escolar. Para poder compreender melhor essas práticas de sala de aula, e em especial as que de uma e/ou outra forma se relacionam com o vídeo-cassete, é preciso situá-las no currículo escolar, e, para tal, é preciso entender o currículo escolar como um processo que se constitui dentro e fora da sala de aula, e também dentro e fora do sistema de ensino. Isso significa dizer que o currículo escolar é fruto da interação permanente de diversas esferas de influência, como: sociais, políticas, econômicas, históricas, sociológicas, administrativas, tecnológicas, entre outras, agindo cada uma de sua forma, com maior e/ou menor interferência na construção do currículo pretendido. E assim sendo, […] o currículo faz parte, na realidade, de múltiplos tipos de práticas que não podem reduzir- se unicamente à prática pedagógica de ensino; ações que são de ordem política, administrativa, de supervisão, de produção de meios, de criação intelectual, de avaliação, etc., e que, enquanto são subsistemas em parte autônomos e interdependentes, geram forças que incidem na ação pedagógica (SACRISTÁN, 1998, p. 22). Pensando o currículo escolar a partir das práticas que o constituem, provindas das esferas político/administrativa, tecnológica e de produção de meios, de organização escolar, de execução de tarefas e de processos de avaliação e reavaliação, terei uma visão ampla que contempla o processo em algumas dimensões, nas quais se inserem as práticas pedagógicas que são o foco deste trabalho. Para compreender o que chamo de como currículo escolar, apoiado em Sacristán (1998a, p. 138), verei o currículo a partir de algumas dimensões que não o representam como um todo, porque precisam ser constantemente reorganizadas e retomadas, mas podem ajudar a situar o que chamo de práticas pedagógicas e sua relação com o vídeo. O CURRÍCULO COMO PROCESSO SOCIOCULTURAL Ao propor o currículo escolar como um processo que se desenvolve dentro e fora da instituição escolar, Sacristán (1998a) aponta para cinco dimensões em que o currículo pode ser fixado, por assim dizer, para efeito de estudo, como sendo: um currículo prescrito e regulamentado; um currículo planejado; um currículo organizado; um currículo em ação e um currículo avaliado. Não são dimensões estanques, elas se relacionam, se entrelaçam e estão em constante negociação, retomada e reorganização, existe ai uma interdisciplinaridade de contexto. Em cada uma dessas dimensões do currículo, ele é modelado com mais e/ou menos intensidade pelos interesses de esferas e/ou instituições sociais, políticas, administrativas, econômicas, tecnológicas, e até mesmo pelos administradores, docentes e discentes. O currículo escolar prescrito e regulamentado se expressa em forma de documentos curriculares, como é, por exemplo: os Paradigma Curriculares Nacionais do MEC no Brasil, que definem os conhecimentos escolares e normas, oriundos das esferas política e administrativa: “A política é um primeiro condicionante direto do currículo, enquanto regula, e indiretamente através de sua ação em outros agentes moldadores” (SACRISTÁN, 1998, p. 109). Nessa dimensão, o currículo escolar é um elemento regulador das práticas pedagógicas como elemento prescritivo e como agente que atua sobre outras instâncias que nele interferem, como por exemplo: as editoras de livros didáticos. O currículo prescrito e regulamentado define, entre outras coisas, os conhecimentos escolares mínimos que devem ser ensinados e uma cultura comum. Em outras palavras, tem uma função de homogeneidade. Sua importância reside na definição de grandes opções pedagógicas, mas não é eficiente para orientar a prática cotidiana dos docentes. A tradução para a prática das orientações oficiais é uma tarefa que, na maioria das vezes, foge às possibilidades dos docentes que atuam em sala de aula. Muitas vezes, eles estão à mercê das políticas educacionais, e/ou até mesmo das pressões socioeconômicas. Essa tradução é uma das funções que “os meios didáticos cumprem, mas sobretudo, os guias didáticos e os livros-texto, que são os autênticos responsáveis pela aproximação das prescrições curriculares aos professores” (SACRISTÁN, 1998, p. 149). Os meios didáticos podem interferir fortemente no currículo escolar planejado. E os educadores, por carências na sua formação na área de pedagógica e com dificuldades para fazer uma análise crítica em profundidade, acabam submetendo-se a um currículo apresentado pelas editoras de livros, produtores de materiais de apoio, produtores de vídeos e audiovisuais, entre outros. É o currículo preparado para o consumo de docentes e discentes, e se apresenta como auxiliar do docente na preparação das tarefas e atividades pedagógicas práticas. Essa é uma face bastante polêmica do currículo, porque é, em grande parte, definida por agentes externos, portanto, alheios ao que se passa em sala de aula em cada turma e instituição escolar, são realidades distintas e diversificadas. Nessa dimensão é que o currículo sofre maior influência do mundo econômico externo, pois a produção desses meios é uma atividade econômica que não depende nem da escola nem dos poderes públicos. Os materiais produzidos para esse fim, em geral, são esquemáticos, genéricos e superficiais, “daí que, do ponto de vista cultural, sejam produtos estereotipados e, em muitos casos, bastante deficientes” (SACRISTÁN, 1998, p. 152). Diante TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 22 desses materiais preparados para a aplicação prática, estão os professores e a organização escolar, que, por sua vez, fazem planos e contextualizam as práticas educativas. Pode-se, então, definir outra dimensão: o currículo escolar organizado no contexto da instituição educacional. No contexto da escola é que aparece, de forma mais definida, a atuação do docente, sua formação e seus conceitos. Ao organizar os conhecimentos escolares e prever as práticas a se realizarem na sala de aula, os professores atuam sobre o currículo de forma mais e/ou menos autônoma. No entanto, fica claro que, […] a atividade dos professores é uma ação que transcorre dentrode uma instituição. Por esta razão sua prática está inevitavelmente condicionada. A ação observável é fruto da modelação que os professores realizam dentro de campos institucionais de referência. […]O professor não decide sua ação no vazio, mas no contexto da realidade de um local de trabalho, numa instituição que tem suas normas de funcionamento marcadas às vezes pela administração, pela política curricular, pelos órgãos de governo de uma escola ou pela simples tradição que aceita sem discutir (SACRISTÁN, 1998, p. 166-167). Nesse contexto, atuam as instâncias administrativas, disponibilizando os meios e recursos para os docentes. Essa dimensão apresenta-se através dos planos de aula, que mostram o currículo escolar contextualizado numa determinada escola. No planejamento das aulas, podemos ver, em parte, a ação mediadora dos docentes, apesar de sua limitada autonomia. O currículo escolar em ação pressupõe práticas educativas quando os docentes desencadeiam ações planejadas, das quais têm controle apenas parcial, adaptando-as e corrigindo-as, à medida que a ação acontece. Aí o currículo escolar se configura nas práticas pedagógicas, que, por sua vez, são conjuntos de tarefas que vão sendo realizadas no tempo da aula, não se restringindo ao espaço de sala de aula, considerando que, […] o conjunto de tarefas de aprendizagem que os alunos/as realizam, das quais extraem a experiência educativa real, que podem ser analisadas nos cadernos e na interação da aula e que são, em parte, reguladas pelos planos ou programações dos professores (-as) – é o chamado currículo em ação. Este nível de avaliado, é o conteúdo real da prática educativa, porque é onde o saber e a cultura adquirem sentido na interação e no trabalho cotidianos (SACRISTÁN, 1998a, p. 138). É na ação da sala de aula, predominantemente, que acontece o processo de ensino-aprendizagem, e onde o docente tem sua ação mediadora mais evidente. Na sala de aula, a docente lida, constantemente, com um grande número de situações imprevisíveis. Isso põe em jogo, a cada instante, seu poder de decisão. Na prática, os docentes utilizam esquemas simplificadores da ação, as tarefas, que estruturam a prática docente. Essas tarefas, como esquemas simplificadores, são elementos reguladores e, de certa forma, filtram as inovações e/ou são elas próprias inovadoras, ao se apresentarem como formas inovadoras de trabalhar determinados conhecimentos. Os saberes escolares (propostos pelo currículo escolar) e formas de trabalhar os mesmos (tarefas/atividades), em grande parte, determinam as aprendizagens na prática. As tarefas propostas pelo docente, dependendo de sua natureza, vão possibilitando ao aluno a memorização, a compreensão, a criação de rotinas ou procedimentos, a formação de opinião e a descoberta de conhecimentos escolares. Tanto é assim que “a própria tarefa acadêmica é também por si mesma todo um ambiente, fonte de aprendizagens múltiplas: intelectuais, afetivas, sociais, etc. e é um recurso organizador da conduta nos ambientes escolares” (SACRISTÁN, 1998, p. 225). É nessa dimensão do currículo escolar em ação que este trabalho se centrará, já que me interessa mais diretamente o ambiente da sala de aula e a sua relação com o uso vídeo em sala de aula. No entanto, não podemos esquecer, é claro, que essa dimensão faz parte de um processo, não existe isolada e é controlada tanto de dentro da sala de aula, pelas tarefas de avaliação do docente, como externamente, pelas exigências da sociedade e dos sistemas avaliativos instituídos, como por exemplo, o Exame Nacional de Curso – ENADE do MEC, no aos cursos de graduação e formação do magistério da Educação Básica. Essa é uma das dimensões do currículo escolar avaliado, submetido às práticas avaliativas de controle interno e externo, mais do que práticas avaliativas críticas e de revisão e ou fortalecimento. Portanto, essa pode ser uma dimensão de análise para compreender o currículo escolar, a avaliação, pois, ao buscarmos a compreensão que é exigida no final de uma etapa de aprendizagem, podemos também ter uma compreensão do que é proposto previamente pelo currículo. A avaliação aparece de duas formas: uma ostensiva, como é o caso daquela que o docente e/ou a escola fazem, visando à aprovação do aluno para uma etapa seguinte, e/ou a que é feita externamente pelos órgãos governamentais, outra discreta, que é realizada pelas exigências da sociedade e do mercado de trabalho, que aprovam e/ou desaprovam os conhecimentos mínimos e os processos de ensino. Ao analisar o currículo escolar dessa forma processual, vimos que, em cada uma dessas manifestações, o currículo apresenta-se de uma maneira diferente. Também vimos que em cada uma dessas etapas e/ou dimensões o currículo sofre diferentes influências de outras instâncias sociais, não necessariamente ligadas ao sistema de ensino. O currículo regulamentado sofre a influência do poder público, o planejado, de instâncias externas à escola TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 23 e dos docentes, o organizado, do entorno da escola, o em ação, dos conhecimentos escolares, crenças, valores morais e sociais, e, finalmente, o avaliado, pela sociedade, pelo mercado, pelo poder público, e também internamente, pela instituição e docentes. Essas influências reforçam a idéia de um currículo inserido em um sistema ecológico em que qualquer alteração em um dos elementos implica modificação dos outros. Assim sendo, falo numa perspectiva ecológica do processo curricular e de ensino, apoiado em Ferrés (1996b, p. 31s). Uma comunidade, uma escola, o currículo e/ou uma sala de aula podem ser vistos como um sistema em que os processos e conhecimentos estão ecologicamente equilibrados. Entretanto, qualquer inovação ou outra forma de alteração provocará um desequilíbrio, que poderá desencadear um processo de rejeição, adaptação, acomodação e/ou negociação com o novo, por exemplo. Seus efeitos são mais amplos do que a escola, pois o currículo não se reduz às práticas de sala de aula, ao que é determinado, planejado, executado e/ou avaliado, e, sim, desenvolve-se como um processo social dinâmico em que muitas instâncias interferem, e ele próprio vai além dos muros da escola. O CURRÍCULO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INOVADORAS Enquanto processo político e sociocultural, o currículo escolar apresenta-se intimamente articulado às comunidades e/ou à sociedade com as quais interage mais de perto. Não só reproduz como produz conhecimentos, valores, formas de pensar, sentir e agir. Mais do que isso, ele próprio exige mudanças para responder às exigências sociais e, por sua vez, produz inovações. Por isso, Sacristán (1998b, p. 207s), define o desenvolvimento do currículo escolar na prática como indeterminado, passível de alterações e imprevisível antes de ser realizado. Nessa concepção, não se admite a precisão de planos, nem de resultados previstos, mas passamos a contar, para a tomada de decisões, com outros fatores que interferem na organização curricular, nas práticas pedagógicas e nos resultados. A prática educativa é uma realidade complexa e indeterminada em função de condições como: multidimensionalidade, simultaneidade, rapidez nas decisões, não-previsibilidade, e até porque fica evidenciado que, […] por essa carência ou impossibilidade de regulação total e determinante é que se diz que as atividades de ensino em geral – e o plano é uma – têm uma dimensão artística, o que não significa que sejam processos nos quais não se podem aplicar certos princípios orientadores, observar algumas regularidades gerais, acumular experiência e aproveitar modelos que parecem dar bons resultados em outros casos (SACRISTÁN, 1998b, p. 209). Essa concepção da prática educativa como arte deve-se principalmente ao fato de que cada situação se configura como única, tanto pelas pessoas e/ou profissionaisenvolvidos como pelas circunstâncias, uma vez que, […] o ensino é artístico, pois os fins obtidos vão se originando ou adquirem significado no próprio processo de seu desenvolvimento prático, no sentido de que não se pode prever de antemão com um significado preciso, senão que, partindo de idéias e aspirações, encontramos seu valor quando se realizam (SACRISTÁN, 1998b, p. 210). O ensino pode ser qualificado dessa forma, pois exige de quem o pratica intuição, criatividade, expressividade e organização. A cada instante, o docente lida com circunstâncias novas e imprevistas, que exigem dele múltiplos conhecimentos, incluindo- se aí o bom senso: “Continuamos instalados na incerteza como forma de pensar, o que não significa improviso, na qual os protagonistas da prática se destacam por seu valor mediador” (SACRISTÁN, 1998b, p. 210). Na sua dimensão criativa, o currículo escolar e as práticas de sala de aula são produzidas mais pelas circunstâncias, pelas formas peculiares de cada docente e discente reagirem diante do inesperado do que pelo plano elaborado a priori. Além do mais, é essa dimensão do currículo que mais poderá interferir no sistema social em que está contextualizado e/ou inserido, rompendo com conhecimentos, valores e formas de agir, e, por isso, podemos atribuir-lhe um lugar especial para a mudança e para a inovação, aceitando o novo. Se, de um lado, algumas dimensões do currículo atuam como elementos de regulação e conservação como instâncias unificadoras das ações de ensino, apoiadas na regulamentação oficial, nos conteúdos dos livros-texto e materiais didáticos e dirigidas pelas avaliações externas, quer dos sistemas avaliativos oficiais, quer do mercado de outro lado, estão os docentes e discentes a conviver e interagir em vários ambientes que se entrelaçam em suas vidas, dentre os quais está o ambiente escolar, onde atua o currículo na sua dimensão em ação. Nesse espaço, onde o currículo é traduzido em atividades que configuram as práticas educativas, o docente insere o novo, o específico, o diferente, modificando as determinações de saberes curriculares e planos que vêm de fora: “[…] é que não se planeja esta prática ex-novo, desde o nada, já que se desenvolve historicamente em circunstâncias determinadas; o professor não cria as condições de ensino, muitas vezes vêm dadas” (SACRISTÁN, 1998b, p. 206). Os problemas, as inovações e as transformações que acontecem, quer nos costumes, nas tecnologias, nos recursos e/ou nas decisões políticas e/ou econômicas de uma sociedade, atingem as práticas educativas da sala de aula antes de atingir as outras dimensões do currículo, pois é TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 24 nelas que interagem os docentes e os discentes com os outros ambientes e/ou instâncias sociais das quais participam. Por isso, o primeiro lugar onde atuam as mudanças é na prática, e na sala de aula, muitas delas unem-se e/ou defrontam-se com mudanças propostas pelos docentes, e/ou questionamentos e inovações trazidas pelos discentes a partir de sua própria cultura. Também é na sala de aula que constatamos a presença de determinações sociais, quer inovadoras, quer conservadoras, dando significado às práticas pedagógicas. Convivem, portanto, as várias dimensões do currículo na sala de aula, mesclando-se ora com predominâncias prescritivas, ora avaliativas, envolvendo conhecimentos, crenças e valores a serem conservados e/ou transgredidos. Além disso, enquanto ação, a sala de aula apresenta-se impregnada de desejos de transformação e busca de soluções criativas para os problemas apresentados pela sociedade. Nesse espaço, onde atuam forças, às vezes, antagônicas, insere-se o vídeo não só como tecnologia, mas também como linguagem. Se hoje está presente na sala de aula, significa que existe uma necessidade de compreensão e adequação do currículo escolar à forma de o vídeo produzir sentido, o que exigirá da escola, dos docentes e discentes aprender como ele pode integrar-se às propostas curriculares. A sua presença na sala de aula gera tensões, que precisam ser compreendidas, avaliadas e estudadas, até para compreendermos a abrangência das transformações que ele pode impor aos outros elementos que fazem parte do processo. Ao eleger o currículo escolar em ação como o ambiente mais propício para as transformações originadas em outros ambientes da sociedade e inseridas no processo educativo, também o enfoco como um lugar privilegiado para o estudo e a pesquisa sobre que mediações ocorrem, como docentes e discentes se apropriam de suas linguagens, seu modo de produzir sentido, e quais desafios se apresentam diante dessas interações. Para tal, preciso conhecer o vídeo como tecnologia e como ambiente de múltiplas linguagens e possibilidades de aprendizagens formais e informais, capaz de inserir o novo e/ou conservarem processos que já não são mais significativos aos alunos e à sociedade, e até porque o mundo globalizado precisa urgentemente de profissionais de qualquer área de conhecimento, inclusive na educação, que lutem para ter autoconhecimento, poder de imaginação, foco na meta, atualização constante, aprendizado em equipe e compreensão dos sistemas, onde deverá ter analise e compreensão para entender as inter- relações do sistema escolar, na sala de aula e na comunidade, bem como se permitir mudanças constantes e com a maior agilidade possível, haja vista o uso das tecnologias modernas na educação formal e informal. As novas tecnologias representadas pela televisão tradicional, do vídeo, da televisão a cabo, dos computadores e da rede mundial conhecida como internet, estão abertas plenamente para serem usadas em todos os níveis e graus de ensino em qualquer parte do mundo, conforme Moran (1996), quando da realização do XXVIII Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, realizado no Rio de Janeiro. Em síntese, o homem da aldeia global do século XXI tem a televisão e a escola como parte integrante de sua história social e cultural. Os alunos de todos os níveis e graus de ensino ficam horas sem fins expostos aos programas de televisão com muita satisfação e até porque faz parte do seu lazer e de sua formação cultural no sentido positivo e/ou negativo, advindo daí suas mudanças de atitudes e de comportamentos diversificados, a começar pela reprodução de hábitos e costumes sociais transmitidos através da cultura midiática e o ambiente da educação formal e informal envolve as aprendizagens do ser humano em sua totalidade. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 25 Considerando os avanços tecnológicos que começaram a aparecer mais fortemente no final dos anos 60 e início dos anos 70 sendo um dos resultados uma nova sociedade na qual estamos inseridos, mediante características e procedimentos evolutivos que se adaptam ao crescimento do forte sistema capitalista, da globalização, da economia e da virtualidade atendendo a produção de formas sofisticadas de exclusão. Estas formas vão gradativamente influenciando na convivência e ao mesmo tempo rotulando os que ficam indiferentes. Portanto, viver em sociedade nos dias atuais é basicamente buscar instrumentos de mobilização e expansão que favoreçam conhecimento e interação com as novas tecnologias numa dimensão de emancipação do ser humano. São muitas as tecnologias que estiveram e estão a favor do homem ao longo da história, contudo, o surgimento das tecnologias da informação tem gerado transformações até então impensadas pela maioria das pessoas, já que a internet se tornou um novo canal de convivência e não apenas mais um instrumento de comunicação. Estar conectado é uma condição para estar incluído na sociedade da informação e comunicação. Esta é uma das questões que deve ser discutida de forma crítica, que aponte caminhos e metas que passem a incluiro maior número de pessoas possível. Se esta é uma das condições de inclusão que venha acontecer de maneira mais responsável. A escola pública pode representar e atuar como uma das alternativas para o uso das novas tecnologias, com base nas informações e comunicações superando as consequências apontadas em nível cultural e social. Todo o sistema tecnológico não pode ser entendido ou visto de forma isolada, o mesmo nos transporta para um contexto globalizado sujeito a mudanças constantes, as quais nos proporcionam novos acessos a essas bases e dados de informação. Precisamos estar abertos, pois estamos inseridos num processo de evolução, o qual nos enriquece e nos eleva cada vez mais a capacidade de sermos cidadãos e cidadãs na busca de informações, conhecimentos e experiências que permeiam o mundo da informatização. A utilização das novas tecnologias nos possibilita uma reflexão crítica da realidade como novos espaços geradores de inovações. É pelo processo de comunicação que as pessoas interagem sem perder sua capacidade subjetiva de aprender. Ninguém pode aprender pelo o outro, mas é possível criar condições que levem a uma interação, tornando a comunicação e a informação um canal indispensável à vida em comunidade, o que pressupõe transformação nas organizações contemporâneas, inclusive a escola que deve ser gerida de forma diferente e com um processo diferente de ensino aprendizagem. O que deve ser considerado diferencial é sair do modelo autocrático, para um processo de gestão democrática, rompendo limites e quebrando paradigmas ultrapassados, trazendo para dentro das estruturas educacionais as novas tecnologias. Se isto não acontece podemos perguntar: será que se consegue educar as crianças, os adolescentes e jovens que fazem parte deste contexto de informações diversificadas em todas as áreas do conhecimento humano, sem a presença e a vivência das novas tecnologias? No convívio familiar e comunitário a maioria tem acesso, ao frequentar a escola passam a ter uma vida desvinculada de contexto maior de vivência diária, é como se estivesse atuando em um mundo diferente do seu. Sabemos que a globalização da economia e os avanços tecnológicos demandam cada dia mais a alta qualificação, os países que não conseguem se adequar rapidamente as novas exigências correm o risco de aumentarem a defasagem social e econômica. Por outro lado, as exigências de alta qualificação profissional e as demandas da sociedade são fatores de concentração de mercado, de renda e de competição global e de exclusão social. Considerando todos os avanços tecnológicos citado nos dias de hoje, ressaltamos que mesmo assim o sistema não vai parar de produzir, de inovar, de confundir. O que se percebe é que uma minoria consegue acompanhar toda essa evolução, enquanto outra parte mesmo antes de concretizar um aprendizado totalmente eficaz sobre um instrumento tecnológico se depara com novas técnicas, aumentando o abismo entre uns indivíduos e outros. A globalização das redes de educação apresenta desafios para o desenvolvimento dos processos de inovação na experiência social e cognitiva, na aprendizagem e na criação do conhecimento. Nesse sentido, mais do que integrar as TIC na educação e na escola o desafio atual compreende a identificação das perspectivas de inovação na educação. Pense-se, neste sentido, que as coletividades e as instituições são constituídas por acoplamentos com diferentes modalidades e intensidades. As técnicas de comunicação e de processamento de informação desempenham, nelas, um papel constitutivo. Tal condição institucional permite pensar que as instituições possam ser equivalentes a uma organização reticular de tecnologias intelectuais. Assim, além de ser pensada como um sistema cognitivo, uma instituição poderia ser analisada a partir da rede de tecnologias que a constitui (MARASCHIN & AXT, 2005, p. 43). Mesmo antes de o aluno chegar à escola ele já passou por várias experiências e aprendizagens, ele vivencia no contexto familiar rico ou não culturalmente e emocionalmente seus roteiros TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 26 mentais e consequentemente suas linguagens e a família facilita ou complica sua forma de comunicação. Sabemos que toda criança também é educada pela mídia, aprende a informar-se, a conhecer os outros, o mundo e a si mesmo ouvindo as pessoas ditarem como viver, como ser feliz ou infeliz e até mesmo como amar e odiar e isso é feito de forma sedutora e ilusionista. A mídia envolve o sistema da comunicação e se torna necessário identificar e utilizar suas influências nos espaços escolares e enfrentar o desafio de desenvolver a consciência crítica dos alunos com relação aos benefícios apresentados pelas novas tecnologias. Já existe em várias escolas o uso dos meios de multimídia nas próprias salas de aula, como lousas digitais, computadores com acesso a internet e a distribuição de notebooks para professores e crianças nos primeiros anos do ensino escolar. São muitos os casos de sucesso na utilização das tecnologias em sala de aula como aliada no processo de ensino aprendizagem, pois a criança independentemente da idade mantém um contato frequente com tais instrumentos, e a escola deve aproveitar-se disto desde cedo, ou seja, desde a educação infantil. A ideia de utilizar computadores para ensinar crianças a se tornarem melhores pensadores surge como algo novo e permeado ainda de alguns mistérios, pelo fato de que os docentes não reconhecem ainda em sua maioria como essas tecnologias podem ser usadas para facilitar o trabalho de ressignificação de conceitos que é o papel da escola. De acordo com Lévy (1993), as tecnologias se transformam em tecnologias da inteligência, ao se construírem enquanto ferramentas que auxiliam e configuram o pensamento, tendo nele, portanto, um papel constitutivo. Ao mesmo tempo, tornam-se metáforas, servindo como instrumentos do raciocínio, que ampliam e transformam as maneiras precedentes de pensar. Para o autor citado, as tecnologias agem na cognição de duas formas: (a) transformam a configuração da rede social de significação, cimentando novos agenciamentos, possibilitando novas pautas interativas de representação e de leitura do mundo; (b) permitem construções novas, constituindo-se em fonte de metáforas e analogias (MARASCHIN & AXT, 2005, p. 43). Para nós professores as TIC exigem uma linguagem contemporânea e um aprimoramento rápido e eficaz e devem despertar maior interesse. A forma tradicional e bancária de lecionar estão ultrapassadas e nesse sentido as tecnologias cumprem um papel fundamental nas escolas rumo a modernidade porque não há uma pós- modernidade. O sistema educacional, principalmente quando se fala da rede municipal de ensino – que é o âmbito da Educação Infantil -, está distante de fazer valer a inserção tecnológica no processo ensino aprendizagem, quando a preocupação ainda é com os conteúdos tradicionais impostos pelo próprio sistema governamental. A escola (enquanto instituição social) ainda não se deu por conta que a utilização didática das novas tecnologias da informação e da comunicação favorece o processo pedagógico da proposta curricular no mundo novo, tornando a aprendizagem uma atividade prazerosa. O que de fato mais preocupa é que o acesso às informações hoje está por toda parte, sendo transmitida pelos diversos meios de comunicação, não tem mais como a escola se fechar, se distanciar dessas mudanças. O desafio na verdade frente a esse novo contexto é: Como orientar o aluno para saber o que fazer com essas informações, que venham a ser internalizadas em vez de conhecimento e como fazer para saber aplicar este conhecimento de forma responsável na prática cotidiana? Dentro do processo ensino aprendizagem, é preciso ter cuidado com o uso de novas tecnologias a ansiedade de inseri-las no dia-a-dia podetornar-se algo desvinculado daquilo que é a proposta propriamente dita. O acesso a informação e a mídia, a conexão, é, atualmente, uma definição de característica de vida. Nunca usar as novas tecnologias da informação e da comunicação como passa tempo, pois inovar nem sempre significa mudar. Ainda trazendo a Educação infantil para o mundo contemporâneo ressaltamos que o uso das novas tecnologias deve considerar que essas crianças apesar da pouca idade já estão expostas a essas novas tecnologias e como tal necessitam dominá-las para interagir em seu meio social e a escola não pode ficar à margem desse processo. O processo educativo passa por reflexão e habilidade no olhar dos docentes, no olhar daquele educador que questiona, que desafia seus alunos e se desafia, diariamente, que busca mais, que ressignifica sua prática dentro do mundo contemporâneo. É inerente que o educador utilize-se de vários olhares. Eles são mais importantes no ato de planejar e avaliar planos de aula. O olhar tem poder para despertar e para intimidar a inteligência. No plano de trabalho educacional constituído pelos docentes a partir das OTMS dando ênfase neste artigo a Educação Infantil por ser o ponto de partida do ensino aprendizagem, com responsabilidade de mediar os discentes, bem como sensibilizá-los, motivá-los para ingressar no mundo considerado por eles novo, mas, não tão distante. Convidamos os educadores a enfrentar os desafios da educação do século XXI que passa por garantir desde a Educação Infantil e demais níveis a presença e participação ativa dos nossos alunos em relação às TIC. Neste contexto desafiador faz-se necessário a memorização de procedimentos e técnicas, necessária a um bom desempenho em processos produtivos rígidos, passa a ser substituída pela TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 27 capacidade de usar o conhecimento científico de todas as áreas para resolver problemas novos de modo original e flexível, o que implica domínio não só de conteúdos predefinidos, mas dos instrumentos metodológicos e das formas de trabalho intelectual multidisciplinar e interdisciplinar desde a educação infantil. O que nos faz considerar que a validade do conhecimento adquirido, assim incorporado, é julgada por sua viabilidade ou por sua utilidade na vida cotidiana e futura. As principais habilidades de ensino, que nada mais são do que os conjuntos de comportamentos do professor, quando este está face a face com seus alunos. Destacam-se as habilidades de introdução de fatos de forma contextualizada, de aproximação, de olhar para o aluno, de conhecer sua realidade de vida, de manter diálogo com a família, de fazer com que família e escola vivam e assumam dimensões sociais numa perspectiva de cidadania tendo como base fundamental a Educação Infantil através do uso das novas tecnologias. Muitos fatores contribuem para que a aprendizagem ocorra e devem ser levados em consideração pelos educadores e educadoras, como por exemplo, a quantidade e a qualidade do conhecimento acumulado que constitui a estrutura cognitiva do ser que aprende; o conteúdo que vai ser ensinado e a forma como ele está organizado; as maneiras como ele será disponibilizado para o aluno; as interações que o indivíduo manteve e mantém na vida. Para ser um bom professor ou uma boa professora não basta dominar um determinado conteúdo; é preciso saber como transmiti-lo. Para isso chamamos a atenção para um dos fatores mais importantes que é conhecer a estrutura cognitiva dos seus alunos. A postura do professor é um dos assuntos mais falados nos seminários, palestras e demais eventos de caráter educativo. Os educadores têm procurado melhorar a postura, inovando suas práticas pedagógicas através do estudo sobre novas tecnologias, bem como as formas de se relacionar com os discentes e seus familiares. É importante que haja uma relação de confiança e amigavelmente entre os atores que formam o quadro educacional o qual chamamos de base sólida (docentes discentes e comunidade escolar). A educação infantil por ser a porta de entrada das crianças na instituição escolar não pode eximir-se da obrigação de introduzir os pequenos nas linguagens e interações que ocorrem através das TIC, pois as crianças precisam desse aparato para desenvolver suas potencialidades em seu contexto social onde essas tecnologias já está há muito presente. ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS Os recursos tecnológicos devem ser utilizados como mais uma ferramenta na construção de conhecimentos. Através deste projeto os professores devem reconhecer que estão gerando autonomia e facilitando a aprendizagem. O conhecimento prévio sobre as novas tecnologias abre um leque de oportunidades, facilitando a transmissão dos saberes de professor para aluno que podem ser desenvolvidos em várias áreas do ensino com crianças de 3º ano. As tecnologias inseridas em sala de aula despertam no aluno a curiosidade estimulando o desenvolvimento cognitivo para uma melhora na aprendizagem. Em Computadores encontramos aplicativos básicos para editar textos, softwares de apresentação (PowerPoint) e recursos na internet em tempo real como mapas atualizados e notícias do mundo todo. Envolver os alunos em métodos atuais como laboratórios de informática e apresentações em multimídia, programas ou jogos educativos com áudio e vídeo, auxilia na aprendizagem dos conteúdos das disciplinas de forma rápida e prática. Lembrando que o professor deve ser mediador na aproximação das crianças com as TICs (tecnologias da informação e comunicação), ensinando-as a fazerem bom uso delas. Para melhor eficácia do trabalho de inclusão das tecnologias no interior das escolas, devem ser adotadas algumas atitudes e métodos em relação às práticas pedagógicas já desenvolvidas: 1. Analisar o comportamento dos alunos, a fim de detectar as dificuldades no decorrer da realização do projeto. 2. Separar pequenos grupos de alunos que tenham dificuldades semelhantes, promovendo melhor interação entre eles e facilitando o trabalho do professor. 3. Os gestores devem avaliar se os professores estão conseguindo atender os alunos com eficiência, caso contrário, é necessária a atuação de auxiliares de informática. 4. Promover a conscientização da comunidade escolar, promovendo palestras no interior da escola com professores, pais e alunos. Ao fim dos estudos sobre as tecnologias podemos através de exposição de objetos utilizados na escola antigamente e os novos da atualidade e fazer uma comparação de como a tecnologia hoje em dia está muito avançada. Podemos trabalhar a aprendizagem sobre a tecnologia através de cartazes com textos, recortes de jornais e revistas sobre o assunto, produzidos pelos alunos. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 28 A educação a distância (EAD) é uma modalidade ensino que tem como objetivo oferecer um processo de aprendizagem completo, dinâmico e eficiente por intermédio de recursos tecnológicos. Aqui, posso dizer que a educação a distância funciona a partir de uma integração virtual entre um aluno e um tutor EAD, separados por tempo e espaço, mas […] A educação a distância (EAD) é uma modalidade ensino que tem como objetivo oferecer um processo de aprendizagem completo, dinâmico e eficiente por intermédio de recursos tecnológicos. Aqui, posso dizer que a educação a distância funciona a partir de uma integração virtual entre um aluno e um tutor EAD, separados por tempo e espaço, mas que conseguem se relacionar entre si de maneira eficiente. Isso significa que na modalidade de educação a distância ambos os envolvidos no processo não estão no mesmo ambiente físico, mas mesmo assim se relacionam a partir de uma plataforma LMS para tal que, claro, proporciona esse tipo de contato e relacionamento. É possível afirmar também, nesse sentido, que o crescimentoda educação a distância se configurou de forma mais assertiva, direta e estruturada a partir do avanço tecnológico e de sua acessibilidade para as pessoas, principalmente a partir do advento e popularização da Internet de banda larga no Brasil. Nesse contexto, é importante fazer uma associação entre a evolução tecnológica por mim aqui citada com a mudança nos padrões comportamentais e hábitos de consumo de pessoas dos mais variados perfis econômicos, demográficos e psicográficos. As pessoas, nesse sentido, começaram a mudar a forma como se relacionam com outras pessoas entre si e isso foi considerado uma grande evolução, ou até mesmo uma grande revolução, nos mais diversos formatos de comunicação e processo de troca de informações diversas entre pessoas. Somado a este fato, as pessoas começaram a ficar cada vez mais dinâmicas e, principalmente, interativas, onde tudo agora era fácil de ser encontrado e a distância entre as pessoas começou a se reduzir drasticamente a partir das redes sociais e aplicativos de mensagens de smartphones gratuitos.. O acesso as informações, por sua vez, ficou muito mais fácil com o advento da Internet e as pessoas começaram a buscar por si novos produtos, serviços, conteúdos variados e, além disso, até mesmo novas formas de conhecimento. Isso fez com que cada vez mais as pessoas começassem a utilizar recursos digitais para consumirem novos conteúdos, se desenvolverem profissionalmente e adquirirem novas competências e habilidades das mais variadas possíveis e existentes. Na realidade, as pessoas nesse momento começaram a ter acesso a tudo o que elas precisam e demandam na palma de suas mãos através de um smartphone, computador ou tablet, ambos com acesso à Internet. Em paralelo a essa mudança de paradigma, onde inclusive pessoas comuns começam a produzir seus próprios conteúdos objetivando melhoria de performance e ensinamento a pessoas terceiras, ou até mesmo como oportunidade de negócio, a educação a distância cresce de forma cada vez mais acelerada, cada vez com mais recursos e funcionalidades específicas e relevantes para deixar o processo de aprendizagem cada vez mais intuitivo, completo e eficiente. Coloque o seu email aqui para receber gratuitamente as atualizações do blog! Importância da educação a distância Muito além de ser uma nova modalidade de ensino, a educação a distância, antes bastante criticada e até por algumas vezes banalizada, hoje tem um papel de extrema importância para a educação brasileira como um todo e já é considerado como o grande divisor de águas em termos de educação em todo o país. A educação a distância traz uma possibilidade de aprendizagem jamais vista em outros tempos. Como podemos ver no Manifesto Somos EAD, um manifesto em favor da educação a distância, “os tempos são outros. O mundo é digital e conectado. Não vamos fechar os olhos para este fato. Vivemos uma nova era e a educação online faz parte disso”. Neste contexto, a educação a distância funciona hoje como um grande catalizador, idealizador e multiplicador de conhecimento, onde pessoas que não tem condições de acessar informações em ambientes físicos conseguem de maneira simples, rápida e dinâmica consumirem conteúdos cada vez mais personalizados e eficientes por intermédio da educação a distância a partir de uma plataforma e-learning. Logo, podemos dizer que a educação a distância tem um papel fundamental para a educação como um todo em nosso país e em todos os outros que possuem fácil acesso à Internet banda larga para tal. Dados do mercado EAD disponíveis em nosso ebook gratuito O futuro promissor do mercado de EAD no Brasil confirmam que o ensino online ganha cada vez mais espaço a partir da necessidade de atualização da população como um todo, seja por aspectos pessoais ou profissionais, que busca por TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 29 facilidade de acesso aos materiais, interatividade e valores acessíveis. Em outras palavras, podemos dizer que a educação a distância proporciona um novo paradigma no ensino regular. Isso não é mais um tendências, mas sim uma realidade que você beneficiando milhares de pessoas em todos os cantos de nosso país. Novas possibilidades são descobertas a cada dia com a evolução das plataformas EAD em geral e cada vez mais novos formas de consumo de conteúdos diversos são disponibilizados, resultando em uma modalidade de ensino cada vez mais completa, eficiente e que engloba cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. Educação a distância (em inglês: distance education) é uma modalidade de educação mediada por tecnologias em que discentes e docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão fisicamente presentes em um ambiente presencial de ensino- aprendizagem. História A EaD, em sua forma empírica, é conhecida desde o século XIX. Entretanto, somente nas últimas décadas passou a fazer parte das atenções pedagógicas. Ela surgiu da necessidade do preparo profissional e cultural de milhões de pessoas que, por vários motivos, não podiam frequentar um estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com as tecnologias disponíveis em cada momento histórico, as quais influenciam o ambiente educativo e a sociedade. A EaD também é considerada um recurso que contempla as necessidades de desenvolvimento da autonomia do aluno. O desenvolvimento da autonomia é considerado, por teóricos tais como Jean Piaget e Constance Kamii, peça chave do processo de aprendizagem, no qual o aluno é o foco e o professor possui papel secundário, pois apenas orienta o aluno que por sua vez escolhe o ritmo e a maneira como quer estudar e aprender, de acordo com suas necessidades pessoais. Os séculos XVII e XVIII Com a Revolução Científica iniciada no século XVII, as cartas comunicando informações científicas inauguraram uma nova era na arte de ensinar. Um primeiro marco da educação a distância foi o anúncio publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728, pelo professor de taquigrafia Cauleb Phillips. O século XIX Em 1833, um anúncio publicado na Suécia já se referia ao ensino por correspondência, e na Inglaterra, em 1840, Isaac Pitman sintetizou os princípios da taquigrafia em cartões postais que trocava com seus alunos. No entanto, o desenvolvimento de uma ação institucionalizada de educação a distância teve início a partir da metade do século XIX. Em 1856, em Berlim, Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt fundaram a primeira escola por correspondência destinada ao ensino de línguas. Posteriormente, em 1873, em Boston, Anna Eliot Ticknor criou a Society to Encourage Study at Home. Em 1891, Thomas J. Foster iniciou em Scarnton (Pensilvânia) o International Correspondence Institute, com um curso sobre medidas de segurança no trabalho de mineração[3]. Em 1891, a administração da Universidade de Wisconsin aceitou a proposta de seus professores para organizar cursos por correspondência nos serviços de extensão universitária. Um ano depois, o reitor da Universidade de Chicago, William R. Harper, que já havia experimentado a utilização da correspondência na formação de docentes para as escolas dominicais, criou uma Divisão de Ensino por Correspondência no Departamento de Extensão daquela Universidade. Por volta de 1895, em Oxford, Joseph W. Knipe, após experiência bem-sucedida preparando por correspondência duas turmas de estudantes, a primeira com seis e a segunda com trinta alunos, para o Certificated Teacher’s Examination, iniciou os cursos de Wolsey Hall utilizando o mesmo método de ensino. Já em 1898, em Malmö, na Suécia, Hans Hermod, diretor de uma escola que ministrava cursos de línguas e cursos comerciais, ofereceu o primeiro curso por correspondência, dando início ao famoso Instituto Hermod. História Moderna No final da Primeira Guerra Mundial, surgiram novas iniciativas de ensinoa distância em virtude de um considerável aumento da demanda social por educação. O aperfeiçoamento dos serviços de correio, a agilização dos meios de transporte e, sobretudo, o desenvolvimento tecnológico aplicado ao campo da comunicação e da informação influíram decisivamente nos destinos da educação a distância. Em 1922, a antiga União Soviética organizou um sistema de ensino por correspondência que em dois anos passou a atender 350 mil usuários. A França criou em 1939 um serviço de ensino por via postal para a clientela de estudantes deslocados pelo êxodo. A partir daí, começou a utilização de um novo meio de comunicação, o rádio, que penetrou também no ensino formal. O rádio alcançou muito sucesso em experiências nacionais e internacionais, tendo sido bastante explorado na América Latina nos programas de educação a distância do Brasil, Colômbia, México, Venezuela, entre outros. Após as décadas de 1960 e 1970, a educação a distância, embora mantendo os materiais escritos como base, passou a incorporar articulada e integradamente o áudio e o videocassete, as TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 30 transmissões de rádio e televisão, o videotexto, o computador e, mais recentemente, a tecnologia de multimeios, que combina textos, sons, imagens, assim como mecanismos de geração de caminhos alternativos de aprendizagem (hipertextos, diferentes linguagens) e instrumentos para fixação de aprendizagem com feedback imediato (programas tutoriais informatizados) etc. Atualmente, o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos de quase todo o mundo, tanto em nações industrializadas quanto em países em desenvolvimento. Novos e mais complexos cursos são desenvolvidos, tanto no âmbito dos sistemas de ensino formal quanto nas áreas de treinamento profissiona. A educação a distância foi utilizada inicialmente como recurso para superação de deficiências educacionais, para a qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos. Hoje, cada vez mais foi também usada em programas que complementam outras formas presenciais, face a face, de interação, e é vista por muitos como uma modalidade de ensino alternativo que pode complementar parte do sistema regular de ensino presencial. Por exemplo, a Universidade Aberta oferece comercialmente somente cursos a distância, sejam cursos regulares ou profissionalizantes. EaD no mundo A Suécia registrou sua primeira experiência em 1833, com um curso de contabilidade. Na mesma época, fundou-se na Alemanha em 1856 o primeiro instituto de ensino de línguas por correspondência. O modelo de ensino foi iniciado na Inglaterra em 1840 e, em 1843, foi criada a Phonografic Corresponding Society. Fundada em 1969, a Open University mantém um sistema de consultoria, auxiliando outras nações a implementar uma educação a distância de qualidade. Também no século XIX, a EaD foi iniciada nos Estados Unidos na Illinois Wesleyan University. Já no século XX, em 1974, a Universidade Aberta Allma Iqbal no Paquistão iniciou a formação de docentes via EaD. A partir de 1980, a Universidade Aberta de Sri Lanka passou a atender setores importantes para o desenvolvimento do país: profissões tecnológicas e formação docente. Na Tailândia, a Universidade Aberta Sukhothiai Thommathirat tem cerca de 400 mil estudantes em diferentes setores e modalidades. Criada em 1984, a Universidade de Terbuka na Indonésia surgiu para atender forte demanda de estudos superiores, e prevê chegar a cinco milhões de estudantes. Já na Índia, criada em 1985, a Universidade Nacional Aberta Indira Gandhi tem objetivo de atender a demanda de ensino superior[5]. A Austrália é um dos países que mais investe em EaD, mas não tem nenhuma universidade especializada nesta modalidade. Nas universidades de Queensland, New England, Macquary, Murdoch e Deakin, a proporção de estudantes a distância é maior ou igual à de estudantes presenciais. Na América Latina programas existentes incluem o Programa Universidade Aberta, inserido na Universidade Autônoma do México (criada em 1972), a Universidade Estatal a Distância da Costa Rica (de 1977), a Universidade Nacional Aberta da Venezuela (também de 1977) e a Universidade Estatal Aberta e a Distância da Colômbia (criada em 1983). Brasil No Brasil, desde a fundação do Instituto Radiotécnico Monitor, em 1939, hoje Instituto Monitor, depois do Instituto Universal Brasileiro, em 1941, e o Instituto Padre Reus em 1974, várias experiências de educação a distância foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso. As experiências brasileiras, governamentais e privadas, foram muitas e representaram, nas últimas décadas, a mobilização de grandes contingentes de recursos. Os resultados do passado não foram suficientes para gerar um processo de aceitação governamental e social da modalidade de educação a distância no país. Porém, a realidade brasileira já mudou e o governo brasileiro criou leis e estabeleceu normas para a modalidade de educação a distância no país[6]. Em 1904, escolas internacionais, que eram instituições privadas, ofereciam cursos pagos, por correspondência. Em 1934, Edgard Roquette-Pinto instalou a Rádio-Escola Municipal no Rio de Janeiro no projeto para a então Secretaria Municipal de Educação do Distrito Federal dirigida por Anísio Teixeira integrando o rádio com o cinema educativo (Humberto Mauro), a biblioteca e o museu escolar numa pioneira proposta de educação a distância. Estudantes tinham acesso prévio a folhetos e esquemas de aulas. Utilizava também correspondência para contato com estudantes. Já em 1939 surgiu em São Paulo o Instituto Monitor, na época ainda com o nome Instituto Rádio Técnico Monitor. Dois anos mais tarde surge a primeira Universidade do Ar, que durou até 1944. Entretanto, em 1947 surge a Nova Universidade do Ar, patrocinada pelo SENAC, SESC e emissoras associadas. Durante a década de 1960, com o Movimento de Educação de Base (MEB), Igreja Católica e Governo Federal utilizavam um sistema rádio- educativo: educação, conscientização, politização, educação sindicalista, etc.. Em 1970 surge o Projeto Minerva, um convênio entre Fundação Padre Landell de Moura e Fundação Padre Anchieta para produção de textos e programas. Dois anos mais tarde, o Governo Federal enviou à Inglaterra um grupo de educadores, tendo à frente o conselheiro Newton Sucupira: o relatório final marcou uma posição reacionária às mudanças no sistema educacional brasileiro, colocando um grande obstáculo à TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 31 implantação da Universidade Aberta e a Distância no Brasil. Na década de 1970, a Fundação Roberto Marinho[6] começou a oferecer o telecurso, um programa de educação supletiva a distância para ensino fundamental e ensino médio. Essa foi uma maneira de incluir para educar, disponibilizando aulas transmitidas através da emissora de televisão Rede Globo para milhares de brasileiros que precisavam concluir o ensino básico, já que a televisão era o principal meio de comunicação no Brasil, com a maior cobertura. Entre as décadas de 1970 e 1980, fundações privadas e organizações não- governamentais iniciaram a oferta de cursos supletivos a distância, no modelo de teleducação, com aulas via satélite complementadas por kits de materiais impressos, demarcando a chegada da segunda geração de EaD no país. A maior parte das Instituições de Ensino Superior brasileiras mobilizou-se para a EaD com o uso de novas tecnologias da comunicação e da informação somente na década de 1990. Em 1992, foi criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92), podendo atingir três campos distintos: a ampliação do conhecimento cultural com a organização de cursos específicos de acesso a todos, a educação continuada, reciclagem profissional às diversas categorias de trabalhadores e àquelesque já passaram pela universidade; e o ensino superior, englobando tanto a graduação como a pós- graduação. Em 1994, teve início a expansão da Internet no ambiente universitário. Dois anos depois, surgiu a primeira legislação específica para educação a distância no ensino superior. As bases legais para essa modalidade foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional n°9.394, de 20 de dezembro de 1996[7], regulamentada pelo decreto n°9.057[9], de 25 de maio de 2017, e a Portaria Normativa n° 11[10], de 20 de junho de 2017. Revogando as normativas anteriores e estabelecendo novas regras para a educação a distância no Brasil, como abertura de novas Instituições de Educação Superior, expansão de Polos e funcionamento dos cursos na modalidade EaD. Tecnologias Na educação a distância, professores e alunos estão conectados, interligados, por tecnologias da informação e comunicação (TICs) chamadas telemáticas, como a internet e em especial as hipermídias, mas também podem ser utilizados outros recursos de comunicação, tais como carta, rádio, televisão, vídeo, CD-ROM, telefone, celular, iPod, notebook etc ANOTAÇÕES TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 32 Educação para a Diversidade A Educação, como mecanismo de transmissão e reprodução do conhecimento tem um papel fundamental na socialização de práticas e informação sobre as questões tratadas pelos temas da diversidade cujo eixo fundador baseia-se na garantia dos direitos fundamentais e na dignidade humana, condições essenciais para o enfrentamento das desigualdades. Assim, o Ministério da Educação tem orientado suas políticas públicas para perceber e incluir os grupos historicamente apartados buscando a promoção dos direitos humanos e o reconhecimento dos diversos saberes das diferentes populações. A proposta de Educação para a Diversidade visa promover o debate sobre a educação como um direito fundamental, que precisa ser garantido a todos e todas sem qualquer distinção, promovendo a cidadania, a igualdade de direitos e o respeito à diversidade sociocultural, étnico-racial, etária e geracional, de gênero e orientação afetivo-sexual. Objetivo Geral Promoção e compreensão da educação como direito fundamental e estratégia para a inclusão de saberes diversos e enfrentamento da discriminação e do preconceito. Objetivos Específicos Introduzir a abordagem da Educação na diversidade com o reconhecimento e valorização das diversas populações e temáticas a serem tratadas; Apresentar conceitos sobre as diversas populações e temáticas da diversidade; Abordar as alterações da LDB que determina a inclusão de diversos aspectos da história e da cultura negra e indígena brasileira, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil; Desenvolver processos e metodologias de introdução desses conceitos na educação básica; Oferecer seminários, palestras virtuais, materiais didáticos e tecnologias sobre os temas da diversidade; Possibilitar a formação continuada por meio das redes de discussão dos diversos cursos de formação para a diversidade oferecidos no âmbito da Rede de Educação para a Diversidade. A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 33 aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoionecessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. (Artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos) Igualdade entre as pessoas, fim da opressão e discriminação, justiça, garantia da dignidade, proteção e liberdade. Estes são alguns dos princípios e valores que regem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em vigor há 66 anos, desde 10 de dezembro de 1948. O documento surge no contexto pós 2ª Guerra Mundial a partir de um esforço da Organização das Nações Unidas (ONU) em promover a paz. Na Declaração, a educação aparece não apenas como um direito mas também como um meio para que se alcance os objetivos propostos no documento. Em seu preâmbulo, ela pede “que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades”. Ainda que a Declaração exista há 66 anos e, no Brasil, a Constituição de 1988 contemple o tema há 26 anos, muitos direitos seguem desconhecidos ou incompreendidos. “Há mais de 20 anos, há esforços por difundir a agenda dos direitos humanos no Brasil, onde há dificuldades nesse sentido pois é um país onde não há prática de direitos”, explica a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Flávia Schilling. A consequência deste panorama, segundo a pesquisadora, é a inexistência de uma cultura de respeito aos direitos humanos. Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (Artigo III) Para romper com esta situação é que surge a educação em direitos humanos. “Ela é importante por sensibilizar e difundir a ideia do que são os direitos, conjunto indivisível de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.” Para a socióloga e diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, Helena Singer, “a educação em direitos humanos educa para as pessoas se sentirem cidadãs responsáveis e com direito a seus direitos”. Direitos humanos na sala de aula A escola, como instituição de referência na educação e central na formação dos indivíduos, não pode abrir mão do debate, prática, promoção e garantia dos direitos humanos. A instituição só conseguirá cumprir seu papel se olhar para este tema. “Não dá para educar sem garantir as condições básicas da existência como saúde, moradia e proteção”, argumenta Helena. Uma das primeiras tarefas da escola é a oferta de uma educação de qualidade, prevista no artigo 26. A Declaração afirma que “a instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana”, dialogando com o pressuposto central da educação integral que busca estimular as várias dimensões do indivíduo. A Declaração afirma ainda que a instrução deve atuar no sentido do “fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais”. Os caminhos pelos quais as instituições de ensino podem fazer isso são vários, mas para Helena, não basta apenas incluir uma disciplina sobre o assunto. “É completamente insuficiente para garantir a escola como espaço de valorização e promoção dos direitos humanos”, explica a socióloga. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 34 Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão. (Artigos XVIII e IX) Flávia destaca ainda que quando se aborda o tema em apenas uma disciplina corre-se o risco de dissociá-lo das outras. “Os direitos humanos dizem respeito a todos nós em nossa vida atual e cotidiana. Falar de direitos, nas diferentes disciplinas curriculares, é importante para mostrar essa atualidade.” Como exemplo, a docente mostra como o direito ao casamento poderia ser trabalhado em sala de aula. “É possível estudar esse tema no Brasil, se sempre foi assim, como se dá hoje, quais são os direitos envolvidos no casamento, o casamento igualitário, o divórcio, os direitos dos pais e das mães e as relações de gênero.” Os debates poderiam se dar em diferentes disciplinas, apenas mudando o enfoque. “As possibilidades são muito grandes”, defende. Direitos humanos na prática Além de trazer o tema para a sala de aula, a escola também pode promover os direitos humanos em suas práticas e vivência cotidianas. Para isto, a instituição deve repensar seus posicionamentos e modos de atuação. “Está muito incorporado na cultura institucional a ausência dos direitos das crianças. Elas não são vistas como cidadãos e, portanto, vários dos direitos listados na Declaração não costumam ser atribuídos às crianças”, defende Helena. Para a socióloga, direitos como de expressão, locomoção e associação são comumente desrespeitados dentro do ambiente escolar. “É tão incorporado na cultura escolar de que o melhor aluno é o que fica quieto enquanto o professor fala, que a pauta do direito de se expressar pelo aluno não é colocado”, exemplifica. Helena considera prioritário romper com estas práticas. “Uma cultura institucional que desrespeita dos direitos humanos e que não atribui direitos às crianças e adolescentes se torna um celeiro para violações mais graves, como violência e abuso”, explica. “Onde não há direitos, há violência.” ANOTAÇÕES _ TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 35 Educação integral representa a opção por um projeto educativo integrado, em sintonia com a vida, as necessidades, possibilidades e interesses dos estudantes. Um projeto em que crianças, adolescentes e jovens são vistos como cidadãos de direitos em todas as suas dimensões. Não se trata apenas de seu desenvolvimento intelectual, mas também do físico, do cuidado com sua saúde, além do oferecimento de oportunidades para que desfrute e produza arte, conheça e valorize sua história e seu patrimônio cultural, tenha uma atitude responsável diante da natureza, aprenda a respeitar os direitos humanos e os das crianças e adolescentes, seja um cidadão criativo, empreendedor e participante, consciente de suas responsabilidades e direitos, capaz de ajudar o país e a humanidade a se tornarem cada vez mais justos e solidários, a respeitar as diferenças e a promover a convivência pacífica e fraterna entre todos. Os programas de educação integral do Ministério da Educação são o Mais Educação (ensino fundamental) e Ensino Médio Inovador. As crianças de zero a cinco anos também são objeto de um programa de educação infantil integral. 10 pressupostos da educação integral O nome “educação integral” induz a uma armadilha fácil: considerar que, se o aluno fica o dia inteiro na escola, ele tem acesso a uma educação integral. Nada disso. A educação integral, que deve chegar a 60 mil das 160 mil escolas públicas brasileiras até o ano que vem, tem um conceito muito mais amplo, em que tem o cerne no desenvolvimento integral do aluno. O tempo de permanência na escola – ou melhor, em circunstâncias de aprendizagem – é apenas um dos três pilares que o sustentam. O primeiro deles é o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões. Ou seja, para se ter um ambiente de educação integral, o aluno deve ser formado não só do ponto de vista intelectual, mas também no afetivo, no social, no físico. Para que isso ocorra e já chegando ao segundo pilar, é preciso que haja uma integração de tempos e espaços, com a inclusão de diversos atoresno processo educativo. Assim, a educação não deve ficar limitada ao espaço escolar nem se apoiar exclusivamente no professor. A educação integral é, portanto, aquela em que os cidadãos se envolvem e compartilham saberes, dentro ou fora da escola. Já o terceiro pilar é o do desenvolvimento das atividades em tempo integral. Para ajudar educadores, pais e qualquer cidadão a entender o que é educação integral e o que é preciso para desenvolvê-la, o Porvir fez um compilado dos 10 pressupostos que envolvem o conceito. Confira! TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 36 1. O direito a uma educação de qualidade é a peça chave para a ampliação e a garantia dos demais direitos humanos e sociais. 2. O objetivo final da educação integral é a promoção do desenvolvimento integral dos alunos, por meio dos aspectos intelectual, afetivo, social e físico. 3. A educação não se esgota no espaço físico da escola nem no tempo de 4 h, 7 h ou mais em que o aluno fica na escola. 4. A educação deve promover articulações e convivências entre educadores, comunidade e famílias, programas e serviços públicos, entre governos e ONGs, dentro e fora da escola. 5. A escola faz parte de uma rede que possibilita a compreensão da sociedade, a construção de juízos de valor e do desenvolvimento integral do ser humano. 6. Organizações e instituições da cidade precisam fortalecer a compreensão de que também são espaços educadores e podem agir como agentes educativos. Já a escola precisa fortalecer a compreensão de que não é o único espaço educador da cidade. 7. O projeto político-pedagógico deve ser elaborado por toda a comunidade escolar refletindo a importância e a complementariedade dos saberes acadêmicos e comunitários. 8. Ficar mais tempo na escola não é necessariamente sinônimo de educação integral; passar mais tempo em aprendizagens significativas, sim. 9. A escola funciona como um catalisador entre os espaços educativos e seu entorno e serve como local onde os demais espaços podem ser ressignificados e os demais projetos, articulados. 10. Além de demandar a articulação de agentes, tempos e espaços, a educação integral se apoia na articulação de políticas (cultura, esporte, assistência social, meio ambiente, saúde e outras) e programas. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 37 A Educação do Campo envolve diversos níveis e modalidades de ensino, possui legislação própria e está vinculada a um projeto de desenvolvimento sustentável, articulado com outras instituições ligadas ao meio rural. O objetivo é qualificar os espaços escolares e garantir o acesso à educação, contribuindo para a permanência dos jovens no meio rural. Segundo o Decreto n° 7.352, Escola do Campo é aquela situada em área rural (IBGE) ou em área urbana, desde que atenda predominantemente a populações do campo. A Política de Educação do Campo destina- se à ampliação e qualificação da oferta de educação básica e superior às populações do meio rural, e é desenvolvida pela União em regime de colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, de acordo com as diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação. Educação no campo é uma modalidade da educação que ocorre em espaços denominados rurais. Diz respeito a todo espaço educativo que se dá em espaços da floresta, agropecuária, das minas e da agricultura e ultrapassa, chegando também aos espaços pesqueiros, a populações ribeirinhas, caiçaras e extrativistas. É destinada às populações rurais nas diversas produções de vida já citadas, assim como serve também como denominação a educação para comunidades quilombolas, em assentamento ou indígena. Na educação no campo, é preciso considerar a diversidade contida nos espaços rurais, contemplando no currículo escolar as características de cada local, bem como os saberes ali presentes. O Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), lançado em 2011, tem modificado a realidade das regiões rurais, O país tem hoje 73.483 instituições de ensino municipais e estaduais no campo, das quais 1.856 quilombolas, 2.823 indígenas. As demais 68.804 são escolas rurais ou unidades em assentamentos. Integral — Entre as iniciativas a serem apresentadas aos secretários nos dois dias de encontro estão a formação de professores no campo, a distribuição de computadores e a ampliação do número de escolas em tempo integral. O programa Mais Educação atingiu a meta de 10 mil escolas no campo. A educação em tempo integral contempla mais de 32 mil instituições de ensino da rede pública. A adesão das escolas pré- selecionadas pelo programa deve ser feita até 30 de abril pelo Sistema de Monitoramento Execução e Controle do MEC (Simec). O Mais Educação foi instituído pela Portaria Interministerial nº 17, de 24 de abril de 2007, e regulamentado pelo Decreto nº 7.083, de 27 de janeiro de 2010. Para professores interessados em cursos de licenciatura, o Pronacampo lançará edital em breve. Estão previstas 43 turmas em 31 universidades federais. A meta é formar mais 4.865 professores no campo. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 38 Conceitos de Educação Ambiental "Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade." Política Nacional de Educação Ambiental - Lei nº 9795/1999, Art 1º. “A Educação Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental.” Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, Art. 2°. “A educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a comunidade educativa tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido a transformação superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para dita transformação.” Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a Educação Secundária – Chosica/Peru (1976) “A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida” Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977) “A Educação Ambiental deve proporcionar as condições para o desenvolvimento das capacidades necessárias; para que grupos sociais, em diferentes contextos socioambientais do país, intervenham, de modo qualificado tanto na gestão do uso dos recursos ambientais quanto na concepção e aplicação de decisões que afetam a qualidade do ambiente, seja físico-natural ou construído, ou seja, educação ambiental como instrumento de participação e controle social na gestão ambiental pública.” QUINTAS, J. S., Salto para o Futuro, 2008 “A Educação Ambiental nasce como um processo educativo que conduz a um saber ambiental materializado nos valore séticose nas regras políticas de convívio social e de mercado, que implica a questão distributiva entre benefícios e prejuízos da apropriação e do uso da natureza. Ela deve, portanto, ser direcionada para a cidadania ativa considerando seu sentido de pertencimento e co- responsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, busca a compreensão e a superação das causas estruturais e conjunturais dos problemas ambientais.” SORRENTINO et all, Educação ambiental como política pública, 2005 “A Educação Ambiental, apoiada em uma teoria crítica que exponha com vigor as contradições que estão na raiz do modo de produção capitalista, deve incentivar a participação social na forma de uma ação política. Como tal, ela deve ser aberta ao diálogo e ao embate, visando à explicitação das contradições teórico-práticas subjacentes a projetos societários que estão permanentemente em disputa.” TREIN, E., Salto para o Futuro, 2008 “A EA deve se configurar como uma luta política, compreendida em seu nível mais poderoso de transformação: aquela que se revela em uma disputa de posições e proposições sobre o destino das sociedades, dos territórios e das desterritorializações; que acredita que mais do que conhecimento técnico-científico, o saber popular igualmente consegue proporcionar caminhos de participação para a sustentabilidade através da transição democrática”. SATO, M. et all, Insurgência do grupo- pesquisador na educação ambiental sociopoiética, 2005 “Um processo educativo eminentemente político, que visa ao desenvolvimento nos educandos de uma consciência crítica acerca das instituições, atores e fatores sociais geradores de riscos e respectivos conflitos socioambientais. Busca uma estratégia pedagógica do enfrentamento de tais conflitos a partir de meios coletivos de exercício da cidadania, pautados na criação de demandas por políticas públicas participativas conforme requer a gestão ambiental democrática.” LAYRARGUES; P.P. Crise ambiental e suas implicações na educação, 2002. "Educação ambiental é uma perspectiva que se inscreve e se dinamiza na própria educação, formada nas relações estabelecidas entre as múltiplas tendências pedagógicas e do ambientalismo, que têm no “ambiente” e na TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 39 “natureza” categorias centrais e identitárias. Neste posicionamento, a adjetivação “ambiental” se justifica tão somente à medida que serve para destacar dimensões “esquecidas” historicamente pelo fazer educativo, no que se refere ao entendimento da vida e da natureza, e para revelar ou denunciar as dicotomias da modernidade capitalista e do paradigma analítico-linear, não- dialético, que separa: atividade econômica, ou outra, da totalidade social; sociedade e natureza; mente e corpo; matéria e espírito, razão e emoção etc." ANOTAÇÕES _ LOUREIRO, C. F. B. Educação Ambietal Transformadora. In: Layrargues, P. P. (Coord.) Identidades da Educação Ambiental Brasiliera. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. "Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política." MOUSINHO, P. Glossário. In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente no século 21.Rio de Janeiro: Sextante. 2003. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 40 Educação Inclusiva Movimento pela Educação Inclusiva LDB - Art. 58 Educação Inclusiva e PPP Iniciou-se nos anos de 1980, época marcada pela ampla discussão acerca dos direitos da pessoa humana. A educação inclusiva passa a integrar o projeto político-pedagógico da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidadese/ou superdotação. A educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos Fundamentos Legais e Papel do Professor DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem. Segundo SALAMANCA cabe aos governos: Atribuir a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluirem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais Em 1994, realizou-se a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, na Espanha, onde se assinou a DECLARAÇÃO DE SALAMANCA em que ficaram estabelecidas as diretrizes a serem implantadas em relação às necessidades educativas especiais. A educação especial que se inicia no nascimento, é uma modalidade de educaçao escolar oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, para educandos com necessidades especiais, havendo a existência de serviços de apoio especializado, na excola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial quando necessário. Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas. Os sistemas educacionais devem designar programas educacionais a serem implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades. Àqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso a escola regular, que dever acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades. Adotar o princípio da educação inclusiva em forma de lei ou de política, matriculando todas as crinças em escolas regulares, a menos que existam fortes razões para agir de outra forma. Segundo SALAMANCA cabe aos governos: Desenvolver projetos de demonstração e encorajar intercâmbios com países que possuam experiências de escolarização inclusiva. Estabelecer mecânismos participativos e descentralizados de planejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com necessidades educacionais especiais. Segundo SALAMANCA cabe aos governos: Encorajar e facilitar a participação de pais, comunidades e organizações de pessoas portadoras de deficiências nos processos de planejamento e tomada de decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais especiais. Investir maiores esforços em estratégias de identificação e intervenção precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva. Garantir que no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de professores tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de educação especial dentro das escolas inclusivas. Escolas Inclusivas Com o movimento pela Inclusão, começaram a surgir as Escolas Inclusivas, como uma terceira espécie, caracterizando-se por receberem, simultaneamente, na mesma sala de aula, pessoas com e sem necessidades educacionais especiais. O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Comete grande equívoco quem pensa que o ato de incluir-se, o esforço de socializar-se, está restrito aos portadores de necessidades especiais. Avaliando todo o nosso processode vida, desde o ventre materno à velhice, todos nós estamos em constante movimento de inclusão. Quando rompemos a vida intra-uterina e despertamos no nascimento, passamos imediatamente a ser incluídos. No primeiro momento, em nosso núcleo familiar. Aos poucos, todos ao redor terão que se adaptar à chegada de mais um, que, diga-se de passagem, muda toda uma rotina. Depois, temos que lutar para que sejamos incluídos nos grupos com os quais desejamos interagir. Lutar para nos incluir numa escola, num curso, na turma do clube, no time de futebol, nos grupos religiosos… Mais tarde, nas turmas do TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 41 cursinho, na turma dos programas de fim de semana… Temos que nos incluir, também, na turma do computador e logo logo teremos que nos incluir na vida profissional, ensinar por nosso esforço e dedicação que somos capazes, que a sociedade pode nos confiar a tarefa e execução da proposta profissional. Temos assim que nos incluir no mundo, para que vivamos, nos socializemos e cresçamos a partir dessa convivência. Ainda existem as inclusões relativas a cada indivíduo, aquelas que vão acontecendo paralelamente a todas as já citadas. Incluir-nos no paradigma de beleza construído pala sociedade, nos padrões da moda de cada estação… É o “feio” que precisa ser incluído no universo dos “bonitos”, o idoso que precisa incluir-se numa sociedade que demonstra que, cada vez mais, não está preparada para abraçar seus “velhos”, o analfabeto que precisa incluir-se numa sociedade de signos, nem sempre fáceis de serem decifrados… Inclusão, inclusão, inclusão… É de inclusão que se vive a vida. Para Paulo Freire, é assim que os homens aprendem, em comunhão. “O homem se define pela capacidade e qualidade das trocas que estabelece” e isso não seria diferente com os portadores de necessidades especiais. Inseridos numa sociedade que exige saber conviver para sobreviver, necessitamos cada vez mais nos esforçar para garantir a inclusão deles, desde os primeiros anos de idade, em todos os espaços sociais, e a escola não está à parte desse espaço. É fato que ao longo da vida, em nossas tantas lutas adaptativas, encontramos pessoas que nos facultam apoio e formação, seja de caráter ou de conhecimento teórico, para seguirmos nosso caminho. Não poderia ser diferente na educação formal. Assim, é que no âmbito escolar – em sala de aula, no pátio, no refeitório, enfim, em cada parte -, o professor tem papel decisivo e de imensa responsabilidade nesse processo. Não basta que haja numa escola a proposta de inclusão, não basta que a arquitetura esteja adequada. É claro que estes são fatores favoráveis, mas não fundamentais. É preciso que o coração esteja aberto para socializar-se e permitir-se interagir. E, como quem semeia com o tesouro do conhecimento, que refaz e constrói, é o professor que alavancará os recursos insubstituíveis para uma educação inclusiva de qualidade. Para isso, portanto, seu coração também precisa estar aberto. Ele igualmente terá que acreditar e se ver em processo de inclusão permanente, terá que criar e recriar oportunidades de convivência, provocar desafios de interação e aproximação, estabelecer contatos com os diversos e distintos saberes, planejando de forma flexível, mas objetiva, entendendo que a comunhão, a busca do semelhante e o reconhecimento de que ninguém detém um saber, favorecem a troca, a parceria e a segurança de uma inclusão com qualidade. Se o professor acreditar que incluir é destruir barreiras e que ultrapassar as fronteiras é viabilizar a troca no processo de construção do saber e do sentir, ele exercerá seu papel, fundamental, para assegurar a educação inclusiva que todos nós desejamos, semeando assim um futuro que sugerirá menos discriminação e mais comunhão de esforços na proposta de integrar e incluir. PRINCIPAIS DISPOSITIVOS LEGAIS 1988 – Constituição da República Federativa do Brasil Estabelece “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º inciso IV). Define, ainda, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). 1989 – Lei nº 7.853/89 Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social. Define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa. 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei nº. 8.069/90 O artigo 55 reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. 1990 – Declaração Mundial de Educação para Todos Documentos internacionais passam a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva. 1994 – Declaração de Salamanca Dispõe sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educacionais especiais. 1994 – Política Nacional de Educação Especial Em movimento contrário ao da inclusão, demarca retrocesso das políticas pública ao orientar o processo de “integração instrucional” que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(…) possuem condições de TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 42 acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais”. 1996 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394/96 No artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental em virtude de suas deficiências e; a aceleração de estudos aos superdotados para conclusão do programa escolar. Também define, dentre as normas para a organização da educação básica, a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado” (art. 24, inciso V) e “(…) oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37). Em seu trecho mais controverso (art. 58 e seguintes), diz que “o atendimento educacional especializado será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular”. 1999 – Decreto nº 3.298 que regulamenta a Lei nº 7.853/89 Dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino, enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular. 2001 – Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Resolução CNE/CEB nº 2/2001) Determinam que os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais (art. 2º), o que contempla, portanto, o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização. Porém, ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular, acaba pornão potencializar a educação inclusiva prevista no seu artigo 2º. 2001 – Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 10.172/2001 Destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. 2001 – Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3.956/2001 Afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas, definindo como discriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. 2002 – Resolução CNE/CP nº1/2002 Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, define que as instituições de ensino superior devem prever em sua organização curricular formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais. 2002 – Lei nº 10.436/02 Reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. 2003 – Portaria nº 2.678/02 Aprova diretriz e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braile para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. 2004 – Cartilha – O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular O Ministério Público Federal divulga o documento com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes mundiais para a inclusão. 2004 – Decreto nº 5.296/04 Regulamenta as leis nº 10.048/00 e nº 10.098/00, estabelecendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida (implementação do Programa Brasil Acessível). 2005 – Decreto nº 5.626/05 Regulamenta a Lei nº 10.436/02, visando à inclusão dos alunos surdos, dispõe sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular, a formação e a certificação de professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação bilíngüe no ensino regular. 2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos Lançado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, pelo Ministério da Educação, pelo TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 43 Ministério da Justiça e pela UNESCO. Objetiva, dentre as suas ações, fomentar, no currículo da educação básica, as temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem inclusão, acesso e permanência na educação superior. 2007 – Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE Traz como eixos a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares, a implantação de salas de recursos multifuncionais e a formação docente para o atendimento educacional especializado. 2007 – Decreto nº 6.094/07 Estabelece dentre as diretrizes do Compromisso Todos pela Educação a garantia do acesso e permanência no ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas. 2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Traz as diretrizes que fundamentam uma política pública voltada à inclusão escolar, consolidando o movimento histórico brasileiro. 2009 – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Aprovada pela ONU e da qual o Brasil é signatário. Estabelece que os Estados Parte devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. Determina que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório; e que elas tenham acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art.24). 2008 – Decreto nº 6.571 Dá diretrizes para o estabelecimento do atendimento educacional especializado no sistema regular de ensino (escolas públicas ou privadas). 2009 – Decreto nº 6.949 Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Esse decreto dá ao texto da Convenção caráter de norma constitucional brasileira. 2009 – Resolução No. 4 CNE/CEB Institui diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado na Educação Básica, que deve ser oferecido no turno inverso da escolarização, prioritariamente nas salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular. O AEE pode ser realizado também em centros de atendimento educacional especializado públicos e em instituições de caráter comunitário, confessional ou filantrópico sem fins lucrativos conveniados com a Secretaria de Educação (art.5º). 2011 – Plano Nacional de Educação (PNE) Projeto de lei ainda em tramitação. A Meta 4 pretende “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.”. Dentre as estratégias, está garantir repasses duplos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) a estudantes incluídos; implantar mais salas de recursos multifuncionais; fomentar a formação de professores de AEE; ampliar a oferta do AEE; manter e aprofundar o programa nacional de acessibilidade nas escolas públicas; promover a articulação entre o ensino regular e o AEE; acompanhar e monitorar o acesso à escola de quem recebe o benefício de prestação continuada. 2012 – Lei nº 12.764 Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 44 1. SOCIEDADE É uma estrutura organizada em função das relações estabelecidas e atende aos interesses que se desembocam em relações sociais. Daí surgindo a estrutura social organizada em classes, cuja movimentação ou manutenção das mesmas vai depender do curso que estas relações tomarão. A escola, seria nessa ótica, a sociedade concreta cujo papel seria a mescla dos interesses políticos e pedagógicos. 2. EDUCAÇÃO Educação é um processo que visa a realização de variados objetivos, como despertar e desenvolver as diversas habilidades e virtualidades do ser humano; auxiliar o sujeito no conhecimento de seu meio, para que ele possa atuar com responsabilidade, eficácia e objetivamente; incentivar o ser na busca dos seus objetivos e também no auxílio à busca dos objetivos sociais. Ver-se assim, que a educação pode ter enfoques diferentes, daí procurar-se conceituá-la em dois sentidos: Sentido amplo: refere-se ao processo de desenvolvimento unilateral da personalidade, de qualidades humanas físicas, intelectuais, estéticas, sociais, espirituais, éticas, morais… tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o meio social, num determinado contexto de relações sociais. Sentido restrito: é o processo que possui finalidades explícitas de instrução e ensino. Neste contexto ela é sistemática, formal. 3. PRÁTICA ESCOLAR A prática escolar atua no campo “restrito” da EDUCAÇÃO Formal (Escola), tratando-se,pois, das finalidades de instrução de ensino. Está, portanto, vinculada ao conceito “restrito” de Escola. Dessa forma, refere-se especificamente à ação docente (professor), à ação discente (alunos) e ao espaço para a prática pedagógica. Prática escolar não se confunde com a prática educativa que se relaciona ao sentido amplo de EDUCAÇÃO. CUIDADO! Não existe sociedade sem Prática Educativa e nem Prática Educativa sem sociedade. Por meio da Prática Educativa é que os papéis sociais serão estabelecidos. 4. NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS 4.1. OS 4 PILARES DA EDUCAÇÃO (UNESCO): a) Aprender a ser; b) aprender a conhecer; c) aprender a aprender; d) aprender a conviver. COMPREENDENDO O QUE MUDOU NA ESCOLA ERA DEVE SER CONTEÚDO um fim em si mesmo um meio para desenvolver competências. CONHECIMENTO fragmentado, dividido por disciplinas, de caráter enciclopédico, memorizador e cumulativo interdisciplinar, contextualizado, privilegia a construção de conceitos e a criação do sentido. CURRÍCULO fracionado, estático, organizado por disciplinas em rede, dinâmico, organizado por áreas de conhecimento e temas geradores. SALA DE AULA espaço de transmissão e recepção do saber local de reflexão e de situações de aprendizagem. TODA ATIVIDADE padronizada, rotineira centrada em projetos e resolução de problemas. PAPEL DO PROFESSOR transmissor do conhecimento facilitador da aprendizagem, mediador do conhecimento. AVALIAÇÃO classificatória e excludente formativa, busca avaliar as competências adquiridas. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 45 A análise da prática pedagógica envolve referenciais amplos, como a compreensão da função social da educação escolar e a identificação das concepções de aprendizagem e ensino que lhe dão suporte. Como a função social atribuída à educação influencia a prática educativa? . educar para conservar ou para transformar a sociedade faz diferença; . educar para formar cidadãos conformados à ordem estabelecida, ou para formar cidadãos críticos, faz diferença. Como as concepções de aprendizagem afetam a prática pedagógica? . acreditar que a aprendizagem é um processo puramente racional, que depende apenas do exercício e amadurecimento da razão (racionalismo, inatismo), ou perceber a aprendizagem como uma decorrência da captação dos conhecimentos por meio da experiência externa (empirismo), faz diferença no modo de organizar o ensino na escola; . acreditar que a aprendizagem provém da atividade mental do sujeito ao interagir com a realidade, ou da atividade do sujeito mediada por outros sujeitos socioculturais (cognitivismo, interacionismo, sociointeracionismo) leva as outras formas de organizar o ensino. Ao longo da história da educação, diferentes concepções de aprendizagem e diferentes funções atribuídas à educação geraram diferentes tendências ou teorias pedagógicas. Função social do ensino(intenções educativas) Concepções Correntes / Tendências /Teorias Pedagógicas deaprendizagem Ideologias Organização do currículo Configuração de aspectos concretos do ensino subjacentes Org. Tempo / Espaço Conteúdos às Relação tendências prof./alunoAgrupamentoAvaliação pedagógicas Na literatura educacional, vários autores desenvolveram estudos e se posicionaram acerca das tendências educacionais, classificado-as segundo suas ideologias subjacentes. O conhecimento dessas propostas pode ajudar os professores na identificação de critérios de análise e reformulação de sua prática. Entre os autores mais presentes na nossa formação podemos destacar: Palácios (1979), Saviani (1985) e Libâneo (1985). Palácios (1979) classificou as principais tendências contemporâneas para uma escola diferente entre três grandes grupos, de acordo com os aspectos envolvidos: aspectos didáticos (Escola Nova, aspectos de relacionamento (Antiautoritarismo) e aspectos sociopolíticos (Sócio-Política). Ao concluir o seu trabalho, o autor critica o parcialismo de cada uma dessas tendências, referindo-se à ilusão pedagógica da primeira (redução dos problemas da escola a problemas didáticos), a ilusão psicológica da segunda (redução dos problemas da educação a problemas de relações humanas no interior das instituições escolares) e à ilusão sociopolítica da última (tentativa de esgotar todos os problemas da escola com o conhecimento de sua função social). Palácios (1979) sugere a busca de uma perspectiva integradora que permita a abordagem do fator educativo como fator pedagógico de relacionamento sociopolítico (propõe uma análise dialética das questões educacionais). Saviani (1985) considera um primeiro grupo de teorias – pedagogia tradicional, pedagogia nova e pedagogia tecnicista – como teorias não críticas, por desconhecerem as determinações sociais do fenômeno educativo e pela abordagem técnica e neutra com que tratam as questões educacionais, atribuindo à escola um papel redentor de equalização social. Critica essa visão como ingênua e aponta um grupo de teorias no extremo oposto, as teorias crítico- reprodutivistas que atribuem à educação uma função de reprodução das desigualdades sociais. Ou seja, de um grupo que atribui um poder ilusório à escola remete a outro que enfatiza uma situação de impotência da mesma diante dos condicionantes sociais. Nesse impasse, posiciona-se em relação à escola como uma realidade histórica, isto é, suscetível de ser transformada intencionalmente pela ação humana. O desafio que apresenta é a busca de uma teoria crítica da educação que capte a escola como um instrumento capaz de contribuir para a superação do problema de marginalidade social. Libâneo (1985), por sua vez, utiliza como critério de classificação a posição que as tendências adotam em relação aos condicionantes sociopolíticos da escola, agrupando-se em dois grandes blocos: pedagogias liberais e pedagogias progressistas. Entre as liberais, inclui as tendências tradicional, renovada e tecniscista. Entre as progressistas, as tendências libertária, libertadora e crítico-social dos conteúdos. As pedagogias liberais, como o próprio nome indica, assumem princípios da doutrina liberal: liberdade, igualdade, respeito aos interesses individuais. O papel que assume a educação escolar no contexto das propostas de inspiração liberal é a preparação dos indivíduos para desempenhar diferentes papéis sociais de acordo com as suas aptidões. A função social da escola é, pois, a adaptação dos indivíduos à sociedade num sentido conservador. A ideologia liberal não tem um projeto de transformação social no sentido da equalização. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 46 TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 47 Admite as diferenças de condições sociais como resultado das diferenças individuais inatas: diferenças de dons e aptidões. Ocuparão as melhores posições, serão mais bem-sucedidos na vida social, os mais talentosos, os mais bem dotados, os mais esforçados. A tônica é posta no indivíduo e nos seus méritos pessoais (meritocracia). As pedagogias progressistas, contrariamente, partem da análise critica da realidade social. Vêem a educação como um mecanismo de transformação. A função da escola nesse contexto é a instrumentalização do educando para compreender a realidade social e atuar sobre ela num sentido transformador. Visam à inserção crítica do educando na realidade social. As correntes pedagógicas que se situam nessa perspectiva dão grande peso à igualdade, desenvolvendo propostas emancipatórias para todos. As diferenças invidivuais são compreendidas numa perspectiva de diferenças de universo socioculturais, justificando a diversificação do trabalho pedagógico em respeito àsmesmas e, não, diferentes graus de aprendizagem e sucesso na escola. Considerando as classificações de Libâneo (1985) e Saviani (1985), podemos dizer que, no sistema educacional brasileiro, até a década 70 do século XX, predominam correntes pedagógicas de inspiração liberal conservadora ou não críticas: tendências tradicional, nova e tecnicista. Essas teorias de educação, ainda hoje, orientam e influenciam a prática pedagógica de muitos professores. No final de 70, as teorias crítico- reprodutivistas fizeram-se presentes no discurso educacional brasileiro especialmente no meio acadêmico. A década de 80 representou a reação a essa crítica extrema e a busca de alternativas para a construção deu uma educação pública de qualidade, fazendo emergirem teorias críticas autoritárias. Ganharam relevância, nesse momento, proposta como a pedagogia libertadora dos conteúdos socioculturais. O exame de algumas dessas teorias pode ser instrumental para a melhor compreensão da prática pedagógica e para a construção de projetos de educação bem fundamentados nas escolas. Teorias não críticas Pedagogia Tradicional A pedagogia tradicional baseia-se numa visão essencialista de homem, segundo a qual, todo homem é dotado de uma essência universal, apriorística e imutável (espírito, faculdades, razão), a qual deve ser realizada pela educação. Os homens são essencialmente iguais, as diferenças sociais entre ele se devem a diferenças de destino. A idéia de uma essência universal igual justifica o estabelecimento de esquemas lógicos predefinidos de educação, aos quais devem submeter-se todos os alunos. Ou seja, justifica a utilização do mesmo método, do mesmo ritmo, dos mesmos materiais e atividades para todos. As diferenças de resultados não levam ao questionamento do método (que se baseia na essência humana). Os fracassos e sucessos são da responsabilidade do aluno: decorrem de seu esforço, interesse, empenho nos estudos. Em outras palavras, do ponto de vista político, a ideologia que orienta essa tendência é conservadora (o destino é que define a posição de cada uma na sociedade); do ponto de vista da aprendizagem, a perspectiva é inatista: todos já nascem com uma essência; esta amadurece ao ser exercitada. Portanto, as capacidades superiores da inteligência (pensamento complexo, análise, síntese, julgamento) não são aprendidas, mas exercitadas. O modo de ensinar na escola tradicional reflete essas concepções: organizam-se os conhecimentos de cada disciplina a partir de uma lógica interna do mais simples para a mais complexo; estipulam-se programas para serem desenvolvidos por todos os alunos, em tempos determinados de acordo com a necessidade do professor para executá-los. Avaliam-se os resultados da aprendizagem com o objetivo de classificar os alunos, exercendo a educação uma função seletiva: identificação dos mais esforçados, dos mais interessados nos estudos, dos melhores (ver também verbete Avaliação Classificação no Dicionário Avaliação). Essa pedagogia sistematizou o modo como se desenvolve o ensino tradicional, ou seja, o ensino baseado na transmissão dos conteúdos culturais pelo professor: o método expositivo. O método expositivo se identifica com os passos formais de Herbat, levando ao seguinte desenvolvimento da aula: Apresentação do assunto (estimulação dos sentidos ver, ouvir, sentir a realidade); Associação (associar o novo com as idéias preexistentes); Sistematização (generalizar, organizar os conceitos); Aplicação (aplicar em situações práticas, exercitar). Os jesuítas foram os grandes difusores dessa pedagogia no Brasil. O método expositivo vulgarizou- se nos sistemas de ensino, reduzindo-se à fala do professor seguida de exercícios de fixação repetitivos. Ou seja, no processo de difusão, o método perdeu as características que lhe davam um caráter de ensino sistemático, assumindo um caráter mecânico e repetitivo de condução do ensino. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 48 Pedagogia nova (ou renovadora, ou moderna) A pedagogia nova baseia-se numa visão existencialista de homem, segundo a qual, a natureza humana é moldada na existência, sendo o homem uma “tábua rasa” ao nascer. Indivíduos essencialmente diferentes exigem uma educação diferenciada, devendo predominar uma seqüência psicológica na organização do ensino. A abordagem dos fenômenos educacionais nessa vertente é de natureza predominantemente psicológica. À escola cabe suprir as experiências que permitem ao aluno educar-se, num processo ativo de construção e reconstrução do objeto, numa interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e estrutura do ambiente. Essa perspectiva apresenta uma série de deslocamentos em relação à escola tradicional: do intelecto (lógico) para o sentimento, do esforço para o interesse, dos conteúdos para os métodos e processos de ensino. Segundo a proposta da escola nova, a educação deve apoiar-se nas Ciências Sociais e Humanas (Fisiologia, Biologia e Psicologia) e basear-se em princípios científicos. Educar-se para a vida, consistindo a educação integral do aluno no desenvolvimento de suas aptidões peculiares, de valores morais, de hábitos de higiene e saúde, vida cívica e social, literária e artística. O ensino é articulado com o método científico ou da descoberta, dando grande ênfase à atividade do aluno na solução de problemas. Podem-se identificar os seguintes passos na organização do ensino: . atividade (o ensino parte sempre de uma atividade que apresenta um desafio ao aluno); . problema a (atividade inicial leva à formulação de problemas); . levantamento de dados (levantamento dos dados disponíveis sobre a situação para subsidiar a formulação de hipótese de solução); . formulação de hipótese (que serão objeto de estudos pelos alunos); . confirmação ou rejeição das hipóteses. O ideário da escola nova difundiu-se entre os educadores brasileiros no século XX, especialmente a partir da década de 20, absorvendo sua ênfase psicológica (centrada nos métodos de aprendizagem, nos testes psicométricos) e sociológica (dinâmicas grupais, trabalho em grupo, agremiações, atividades sociais no interior da escola) que influenciaram especialmente a escola primária. Pedagogia tecnicista A partir dos anos 50, ganha força entre nós a influência behaviorista americana (comportamentalista), introduzindo alterações na organização da escola e o currículo, e culminando no tecnicismo que se instala oficialmente no sistema educacional brasileiro na década de 70, com a Lei n. 5.692/71. A intensificação da preocupação com os métodos levou à busca da eficiência instrumental. O eixo do ensino nessa perspectiva é a organização racional dos meios. Enquanto na escola nova os meios são controlados e definidos por professores e alunos, na tecnicista o processo racionalizado é que define o que farão professores e alunos, como e quando. Preocupação com a objetividade e a operacionalidade do ensino. Aqui o pressuposto é de que a maior produtividade do indivíduo (capital cultural individual) conduz à maior produtividade da sociedade (visão desenvolvimentista). A educação subordina-se à sociedade (reduzida a mercado) em sua função de formar recursos humanos (mão-de-obra) em primeiro lugar e não seres humanos plenos, cidadãos. É o que alguns autores vão chamar de visão produtivista da educação. Em termos da concepção de aprendizagem, a perspectiva empirista predomina nessa proposta, tendo como postulado básico que o conhecimento é produto da experiência exterior. Essa concepção coloca em relevo o objeto, os estímulos externos, a pressão do ambiente e, em plano secundário, a atividade do sujeito que conhece. O behaviorismo apóia suas investigações numa base empirista e chega a definir a aprendizagem como mudança de comportamento resultante do treino ou da experiência. Nessa perspectiva,a aprendizagem identifica-se com o condicionamento (reações a estímulos que podem ser previstas, medidas e controladas). O sujeito que aprende é um receptáculo de informações, passível de ser moldado (objeto e não sujeito). A aprendizagem, resultando da experiência externa, não precisa das significações do sujeito, nem de sua atividade organizativa. O que garante a aprendizagem é o ensino baseado em práticas pedagógicas que submetem os alunos à autoridade do professor, dos livros, dos exercícios programados, das avaliações. Essa perspectiva conduz à crescente burocratização da escola, à fragmentação e à especialização do trabalho docente e ao reinado dos materiais instrucionais, reduzindo o papel do professor à administração de um sistema de instrução concebido por especialistas. Teorias Críticas Teorias crítico-reprodutivistas O cunho economicista da abordagem educacional dos anos 70 (visão produtivista da educação, propostas tecnicistas de organização da educação), gerou análises educacionais de fundamentação marxista, que colocam em discussão a relação escola-sociedade numa perspectiva de TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 49 profunda crítica à escola como reprodutora das desigualdades sociais. As teorias crítico-reprodutivistas – teoria da escola/aparelho ideológico do Estado, Althusser (1974); teoria da violência simbólica, Bourdieu e Passeron (1975); teoria da mistificação pedagógica, Charlot (1979); teoria da escola dualista, Baudelot e Establet (1980) – preocuparam-se em explicar o funcionamento da escola tal como este ocorre na sociedade capitalista. Não apresentaram propostas pedagógicas, mesmo porque não viam a escola como instrumento de luta pela transformação social. Essas teorias tiveram como principais conseqüências no meio educacional: . colocaram em evidência o comprometimento da escola com os interesses do grupo dominante (escola dual: escola de natureza e qualidade diferenciadas para o povo e para as elites; escola excludente: instrumento de discriminação social e de legitimação do sucesso dos já favorecidos ); . disseminaram um pessimismo desmobilizador entre os educadores (especialmente da escola pública), levando-os a sentirem-se impotentes diante dos condicionadores sociais e a descreverem da força-educativa. Teorias críticas emancipatórias Se não é do interesse da classe dominante transformar radicalmente a escola, essa proposta deverá partir daqueles que lutam pelos interesses dos dominados, e foi essa busca que movimentou os educadores na década de 80: luta contra a seletividade, a discriminação, o rebaixamento do ensino das camadas populares. Na busca de saídas teórico-práticas para o impasse criado pela visão da escola como instância reprodutora da sociedade capitalista Dermeval Saviani, Luís Antônio Cunha, Guiomar Namo de Mello e outros que se destacaram na época parecem ter encontrado em Gramsci seu grande inspirador. Com Gramsci, a escola recupera seu potencial da mudança como espaço contraditório em que se encontram em permanente conflito os interesses dos grupos dominantes e a luta emancipatória dos grupos historicamente subalternizados. A tendência democrática, intrinsecamente, não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada “cidadão” possa se tornar “governante” e que a sociedade o coloque, ainda que “abstratamente”, nas condições gerais de poder fazê-lo; a democracia política tende a fazer coincidir governantes e governados (no sentido de governo com o consentimento dos governados), assegurando a cada governo a aprendizagem gratuita das capacidades e da preparação técnica geral necessárias ao fim de governar. (GRAMSCI, 1979, p. 137). Neste momento, ganham espaço tendências pedagógicas impregnadas de uma visão crítica e transformadora de educação, voltadas para o desenvolvimento humano e/ou para os interesses populares numa perspectiva emancipatória. Seus teóricos reconhecem tanto o papel ativo do educador na transformação da sociedade quanto os condicionantes histórico-sociais de sua prática (daí sua criticidade). Educação como uma instância dialética que serve a um projeto de sociedade. Instância mediadora que pode mediar tanto a conservação quanto a mudança. O projeto que realiza é definidor nesse sentido. Incluem-se nessa perspectiva progressista ou transformadora proposta não-formais como a Libertadora (Paulo Freire) e a Libertária (defensores da auto-gestão pedagógica). No plano da educação escolar formal, destaca-se a proposta crítico-social dos conteúdos que acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. Pedagogia Libertária (autogestionários) A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionário. A escola instituirá, com base na participação grupal, mecanismos institucionais de mudança (assembléias, conselhos, eleições, reuniões, associações, etc), de tal forma que o aluno, uma vez atuando nas instituições externas, leve para lá tudo o que aprendeu. A autogestão é o conteúdo e o método. Há um objetivo pedagógico e um objetivo político. A relação professor/aluno é de não diretividade. Educar na liberdade exige, também, a utilização de métodos de ensino-aprendizagem não impositivos, não coercitivos, que se baseiam nas investigações livres dos alunos, que quebrem pela raiz a velha transmissão do saber de cima para baixo. O professor é mais um facilitador da aprendizagem e animador do grupo à disposição dos alunos. Se a classe tradicional era a negação da palavra, da comunicação e das inter-relações, o grupo institucional se transforma em meio de diálogo, de mudanças e de intercâmbios, e o professor considera-se mais um técnico em organização de atividades grupais e um especialista em relações humanas do que um professor interessado em determinados conteúdos, em fazer adotar uma ou outra postura. Pedagogia Libertadora Na perspectiva libertadora de Paulo Freire, somente o processo de conscientização pode libertar o homem da alienação, da manipulação ideológica, da dominação de uma estrutura social determinada. A educação libertadora questiona concretamente a realidade das relações do homem com a natureza e TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 50 com os outros homens, visando a uma transformação. A produção pedagógica de Paulo Freire apresenta dois momentos: o primeiro, de cunho idealista, acreditava na educação como o motor de transformação social; o seguinte, mais dialético, discute social, numa perspectiva de contradição. Assume a educação como um processo de diálogo, por meio do qual educador e educando problematizam o seu estar no mundo e suas visões sobre o mundo. Os conteúdos do ensino, denominados temas geradores, são extraídos da problematização da prática de vida dos educandos. A forma de trabalho educativo é o grupo de discussão, ao qual cabe gerir a aprendizagem tendo o professor o papel de animador, problematizador e de organizador das situações de ensino e aprendizagem significativas. Aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Conhecer é um processo ativo e interativo. Educação crítica não é substituir os conceitos básicos das disciplinas por política, mas politizar o conteúdo das disciplinas a serem ensinadas e aprendidas (apropriadas). Pedagogia crítico-social dos conteúdos (ou dos conteúdos socioculturais) Reconhece e afirma o papel fundamental da escola na socialização do saber, patrimônio cultural da humanidade de conteúdos abstratos e formais, mas da socialização de conceitos significativos, concretos, ligados às realidades sociais; conteúdos escolares que tenham ressonância na vida sociaisdos alunos. Nessa perspectiva emancipatória, reunindo elementos das diversas tendências, mais especialmente da libertadora e da crítico-social, podemos identificar as seguintes características nos componentes da prática educativa: objetivos da educação: socialização dos conhecimentos; problematização da prática; conteúdos escolares: conteúdos culturais relacionados à prática social, abordados de forma contextualizada, objeto de apropriação crítica; metodologia: de uma visão sincrética (fragmentadas, confusa), por uma visão analítica (mediada pelo professor), para uma visão sintética; processos que garantam uma relação de continuidade entre o universo cultural do aluno e os conteúdos do ensino; metodologia dialética; professor: mediador, orientador do processo de conhecimento; sujeito que aprende no processo de ensinar; investigador, pesquisador, ser contextualizado; aluno: sujeito da aprendizagem, ser sociocultural; relação professor/aluno: de respeito-mútuo, dialógica; vínculo emancipatório ou libertador; relação professor/aluno/conteúdo: (conhecimento): interativa, mediana, não-linear, dialógica; relação escola/sociedade: a escola reflete as contradições sociais; necessidade de explicitação das contradições para superá-las; avaliação: acompanhamento do desenvolvimento do aluno; regulação do processo ensino-aprendizagem; comprovação do progresso do aluno na direção de um saber mais elaborado. Com o objetivo de ajudar o professor a situar-se no contexto dessas teorias educacionais procuramos traduzir, de forma esquemática (QUADRO 1), as configurações que assumem alguns elementos da prática educativa sob a influência das tendências mais presentes no nosso sistema educacional ao longo do século XX. QUADRO 1 Tendências pedagógicas X práticas educativas Tendê ncias Tradici onal Papel do Professor Implementar ações Vigiar / Corrigir Aconselhar Papel do Aluno Memorizar conhecimen to ouvir c/ atençãoFaz er exercícios Conteúdo s Escolares Fatos e conceitos científicos das disciplina s escolares Metodologia Didática Exposição oral pelo professor Função de Avaliação SelecionarClassifi carContabilizar Renov ada / Nova Facilitar a aprendizage m Coordenar atividade Apoiar Participar ativamente Pesquisar Demonstrar curiosidade Temas de interesse do aluno Temas da vida Descoberta pelo aluno Passos do método científico Acompanhar o processo de desenvolvimento do aluno Tecnic ista Implementar ações Aplicar materiais instrucionais Controlar Dar respostas programada s Reagir a estímulos externos FatosCon ceitos Princípios científicos fragment ados Aplicação de materiais instrucionai s pelo professor Medir Controlar Liberta dora Crítico -social Mediar a construção do conheciment o Provocar, desafiar, problematiza r Criar situações de aprendizage m Pensar, refletir Interpretar experiência s, vivências Buscar informações Pensar, refletir, interpreta r experiênc ias, vivências. Buscar informaçõ es Processa r informaçõ es, fatos, conceitos , princípios , normas, procedim entos, valores, atitudes Diálogo Construção coletiva do conhecimen to Interações entre os sujeitos no processo de conhecimen to Diagnosticar e regular as aprendizagens Orientar as intervenções pedagógicas Acompanhar o desenvolvimento do aluno TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 51 mesmas, nem sempre inseridos de forma coerente à intencional: resultam daquilo que incorporamos em nossa passagem pela escola como alunos, das trocas com os colegas de profissão, de prescrições dos livros didáticos, dos cursos de formação e de soluções empíricas geradas no dia-a-dia da sala de aula. Identificar as ideologias subjacentes às próprias práticas, posicionando-se coletivamente sobre elas, é um passo importante no processo de autoconhecimento das escolas que desejam construir seu próprio caminho. Construir o seu Projeto Político Pedagógico é o grande desafio das escolas hoje e este projeto não se constrói sem uma consciência crítica e coletiva da direção que se deseja tomar. Educar para conservar ou transformar? Formar cabeças cheias ou cabeças bem feitas? A reflexão conjunta sobre questões dessa natureza é fundamental à organização curricular. A (re) construção da escola interpenetra o processo de formação sem serviço do seu grupo de educadores. Inúmeros professores da escola pública que se ocupam hoje de uma pedagogia e conteúdos socioculturais, articulada com a adoção de métodos que garantam a participação do aluno em um processo de aprendizagem significativa, avançam na construção de uma nova escola. Projetos de educação pública como a Escola Plural da PBH, a Escola Cidadã da Prefeitura de Porto Alegre, a Escola Sagarana do Estado de Minas Gerais, inserem-se numa perspectiva de educação democrática e inclusiva, pelo seu comprometimento com a construção de um ensino de qualidade para todos. Coerentes com esse propósito, buscam formas alternativas de desenvolver o processo ensino aprendizagem, fundamentadas em teorias da aprendizagem de base construtivista, interacionista e sociointeracionista (ver também verbete Aprendizagem, Dicionário Avaliação), de forma a garantir a todos os alunos o lugar de sujeitos do processo de conhecimento, promovendo o desenvolvimento de sua criticidade e de sua autonomia moral e intelectual, necessárias à construção de identidades cidadãs, conscientes de seus direitos e deveres. Conheci mentos científicos e experiênc ias sociocultu rais vistos de forma globaliza da Teorias “pós-críticas” Os anos 90 trouxeram uma nova perspectiva de abordagem das questões educacionais. Sem perder de vista a característica crítica, foram incorporadas outras categorias de análise ao campo educacional, reconhecido como um espaço epistemológico social (SILVA, 1999), em que é importante identificar as conexões entre saber, identidade e poder. Assim como as teorias críticas deslocaram a ênfase dos conceitos pedagógicos de ensino, aprendizagem, métodos didáticos, para os conceitos políticos e conscientização, libertação, prática social, as teorias pós-críticas vieram trazer um novo deslocamento na direção de conceitos como subjetividade, intersubejtividade, multiculturalismo, diversidade, identidade, gênero, etnia, representação (ver Dicionário de Educação Inclusiva). As teorias educacionais, sustentadas tradicionalmente pela Biologia e pela Psicologia (final do século XX, início do século XXI), passaram a receber influência também da Sociologia e, no período de 50 a 70 do século XX, sofreram significativo viés desenvolvimentista e economicista, chegando nos anos 80, e mais especificamente na década de 90, a rever suas disposições em função de uma visão antropológica. É sobretudo a antropologia que vem obrigar os educadores a pensar os alunos como sujeitos socioculturais, portadores de subjetividades construídas no entrecruzamento de influências globais e particulares, devendo ser as diferenças objeto de respeito e, por outro lado, de questionamento em função de suas condições de produção numa sociedade desigual. Nesse contexto de influências de múltiplos campos do saber é que hoje pensamos a educação. Tendências / teorias pedagógicas x Práticas escolares O modo como os professores realizam o seu trabalho, selecionam os conteúdos das disciplinas, organizam os tempos e os espaços escolares, orientam as atividades dos alunos e definem instrumentos de avaliação indicam as intenções educativase as concepções de aprendizagem que os orientam. Observando nossas práticas escolares, encontraremos evidências da presença de elementos das várias teorias pedagógicas nas TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 52 O interesse em tornar a escola um espaço significativo para o desenvolvimento dos sujeitos que a frequentam tem acompanhado nossa trajetória profissional. Os modos de ensinar e aprender foram se constituindo em objetos de nossa atenção, seja na pesquisa seja na prática cotidiana. Nesse percurso, uma afirmação de Vigotski1 tem sido extremamente provocativa e desencadeadora de nossas reflexões: "[...] uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental" (Vygostky, 1998, p. 115). Essa afirmação suscita, quase automaticamente, a pergunta: o que seria uma correta organização da aprendizagem? Sem ter a Didática como foco, Vigotski tangencia um aspecto nuclear desse campo do conhecimento, a organização do ensino. Induz-nos, assim, a entender que a interação entre Teoria Histórico- Cultural e Didática pode ser um caminho promissor para o encaminhamento da prática pedagógica. Nesse sentido, temos procurado investigar, compreender e produzir conhecimentos sobre a organização do ensino. Nesse percurso de investigação, com o apoio do Grupo de Pesquisa Ensino Aprendizagem e Conteúdo Escolar, pudemos chegar a uma espécie de síntese de princípios didáticos e ações docentes que se mostram favoráveis à aprendizagem. É essa síntese que apresentamos neste artigo. Unidade entre Função da Escola e Encaminhamentos Didáticos Nosso pressuposto é o de que a educação, em sentido amplo, é o processo de humanização caracterizado pela apropriação dos bens culturais produzidos pela humanidade no decorrer da história. Parte dessa apropriação é direta: ocorre por meio da participação dos sujeitos na cultura. Outra, porém, não pode ser captada diretamente pelos sujeitos em sua interação com o mundo; trata- se do conhecimento teórico. Propiciar o acesso a esse bem cultural específico, que não está garantido aos sujeitos por outras práticas culturais, que não se adquire por meio da vivencia e da empiria, é o papel que cabe às instituições de ensino. É por essa especificidade da instituição escolar que se valorizam os conhecimentos sistematizados pelas diferentes ciências - os conhecimentos teóricos - como conteúdos centrais da atividade pedagógica. Com a perspectiva do desenvolvimento humano, juntamente com a valorização do conteúdo escolar, surge um desafio: criar modos de tornar esses conhecimentos acessíveis a todos, já que nem toda forma de transmissão de conhecimentos científicos caminha nessa direção. Como bem demonstra Davidov2 (1988), a escolarização contribui para a humanização dos sujeitos quando propicia o desenvolvimento de um tipo de pensamento que, sob a base dos conceitos científicos, favorece uma nova relação com os objetos e fenômenos. Nesse tipo de pensamento, denominado por Davidov (1982) de pensamento teórico, o conceito científico não seria um simples meio de descrição e classificação do mundo objetivo. O conceito é tratado aqui como forma da atividade mental mediante a qual se reproduz o objeto idealizado e o sistema de suas conexões, que refletem em sua unidade a generalidade e a essência do movimento do objeto material. O conceito aparece tanto como forma de reflexo do objeto material, como meio de sua reprodução mental, de sua estrutura, ou seja, como singular operação mental (Davydov, 1982, p. 300, destaques do autor). Para levar à formação do pensamento teórico, é preciso que o ensino de conceitos científicos esteja assentado em procedimentos didáticos voltados para a apropriação do conceito como atividade mental, o que em muito se diferencia do modelo de ensino conceitual próprio da tradição escolar e materializado em livros didáticos e apostilas. Organizar o ensino nessa perspectiva é, portanto, um grande desafio já que implica trilhar caminhos ainda pouco conhecidos. Entendemos que é fundamental enfrentar esse desafio e realizar pesquisas sobre a organização didática do ensino, produzindo conhecimentos para apoio ao trabalho docente. Na antiga URSS, com base nas produções de Vigotski, segundo Bogoyavlensky e Menchinskaya (1977), promoveu-se um trabalho conjunto entre a Psicologia e a Didática com a finalidade de dinamizar a aprendizagem de conteúdos curriculares. A colaboração de psicólogos acadêmicos, por um lado, e de quantos se interessavam pela metodologia e a didática, por outro, facilitou o debate e a escolha dos projetos de investigação mais importantes para a escola (Bogoyavlensky; Menchinskaya, 1977, p. 156). Todavia, em terras brasileiras, a Teoria Histórico-Cultural não desencadeou o mesmo processo. Entre 1980 e 1990, quando essa teoria se tornou conhecida no Brasil, a Didática passava por um momento de autorreflexão e de recuo no trato das questões do ensino. Como denunciam vários pesquisadores (André, 2008; Amaral, 2004; Libâneo, 2008; Marcondes; Leite; Leite, 2011; Oliveira, 2011; Pimenta, 2008; Sforni, 2008), inicialmente, no campo da Didática, evitou-se o tecnicismo (década de 1980); posteriormente, adotaram-se perspectivas de formação advindas das políticas neoliberais (década de 1990 e início deste século), dentre as quais se destacam as discussões sobre sua própria identidade, os estudos de novos temas típicos da TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 53 pós-modernidade e as pesquisas sobre formação de professores com foco nas representações, nos saberes, nas aprendizagens docentes. Em suma, esse campo não tem se destacado pelas investigações sobre o caráter didático do ensino. Na produção acadêmica brasileira observa-se uma lacuna entre as teorias que versam sobre a aprendizagem e aquelas que, por princípio, deveriam se ocupar da organização didática da atividade de ensino. Assim, considerando que a função principal da escola é a socialização do conhecimento produzido historicamente e consolidado nas diversas áreas do conhecimento, entendemos que o domínio desses conteúdos e dos meios de favorecer sua apropriação pelos estudantes são conhecimentos necessários ao professor. Segundo Moraes e Torriglia: [...] é na relação entre o campo disciplinar e o campo da Didática que se constrói o ser e se produz o conhecimento docente. Ou seja, a apropriação do conhecimento científico - do conteúdo das disciplinas que compõem o campo disciplinar, das formas de sua produção e sua socialização - deve articular-se aos modos de sua transmissão (Moraes; Torriglia, 2003, p. 50). Reconhecer que a disciplina de Didática é responsável por oferecer conhecimentos acerca de modos de transmitir os conteúdos curriculares não significa reduzi-la à dimensão técnica e sim que os modos de transmissão do conhecimento são o núcleo em torno do qual giram os conteúdos teóricos da formação docente. Evitar o tecnicismo não significa negar a necessidade de conhecimentos acerca da dimensão técnica e operacional do trabalho docente. Afinal, o problema não é a técnica em si, mas o uso da técnica da qual se desconhecem a origem, a razão e os resultados. O conhecimento da técnica em seus aspectos apenas operacionais, de fato, enrijece o trabalho e aliena o professor, torna-o mero executor de procedimentos cujos significados lhe são alheios. Assim, para que a prática do professor não se caracterize por essa alienação, a saída não está na desvalorização de discussões sobre metodologias e técnicas de ensino, mas no oferecimento de conhecimentos teóricos sobre elas. Para que a ação do professor não seja uma repetição irrefletida de procedimentos presentes em livros didáticos ou em modelos de aula disponíveis na mídia, o conhecimento acerca das bases teóricas nas quais as metodologias e técnicas estãoassentadas faz-se necessário. Essa é uma condição, embora não a única, para que ele seja sujeito de sua própria ação. A reflexão sobre as ações docentes e discentes, orientada pelo fim que se deseja atingir, é inerente ao processo de planejamento da atividade de ensino. Ou seja, tão importante quanto à clareza sobre o que se deseja produzir (o tipo de aprendizagem almejada) é o domínio dos meios que tornam possível essa produção. Não basta ao professor concordar com pressupostos vigotskianos de que o papel da escola é a humanização dos sujeitos, de que o conteúdo escolar é importante para essa finalidade ou de que é sua função mediar esses conhecimentos; é necessário também que ele domine os instrumentos necessários para fazê-lo. As discussões acerca da função da escola e a definição dos encaminhamentos didáticos formam uma unidade. Os cursos de formação, ao considerarem essa unidade, podem oferecer aos professores conhecimentos que os auxiliem a levar em conta o objeto do conhecimento e a atividade necessária ao estudante para que este se aproprie desse saber, enfim, que os auxiliem a compreender e organizar o ensino. Trata-se de um conhecimento acerca do objeto de ensino (conteúdo), sobre o sujeito da aprendizagem e, principalmente, sobre as relações entre os dois em situação de ensino. É fato que as teorias não oferecem respostas definitivas e diretas para o enfrentamento de todos os desafios da docência, mas o reconhecimento desse fato não as torna dispensáveis. Os conhecimentos sobre a didática e os processos de ensino e aprendizagem constituem instrumentos simbólicos valiosos para que o professor analise e redefina sua prática. Por meio desses conhecimentos, ele adquire a flexibilidade necessária para pensar e redefinir os princípios e ações conforme as situações particulares e singulares encontradas nas condições concretas de cada sala de aula. Pode, portanto, analisar o concreto pela mediação dos conhecimentos teóricos de sua área de atuação, adquirindo, assim, domínio sobre sua própria atividade. Experimentos Didáticos como Metodologia de Pesquisa Com foco específico no papel da atividade interpsíquica para a promoção do desenvolvimento humano, os autores da Teoria Histórico-Cultural deixam pistas para pensarmos a organização de um ensino com a mesma finalidade. Assim, embora essa teoria não tenha sido produzida com a finalidade pedagógica de orientar a ação docente, podemos identificar nela princípios educativos. Nascimento (2010), compartilhando desse mesmo entendimento, destaca alguns desses princípios: A despeito de ser uma teoria da ciência psicológica, podemos identificar, na teoria histórico- cultural, alguns princípios educativos gerais, tais quais: a) a concepção de homem como um sujeito histórico; b) a compreensão da formação social da consciência; c) a definição da educação como um processo de apropriação da experiência social da humanidade; TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 54 d) a defesa do desenvolvimento do psiquismo como resultado da atividade prática humana, mediada pelos signos e instrumentos; e) o entendimento de que as funções psíquicas superiores são primeiro compartilhadas entre os sujeitos (interpsíquicas) e posteriormente internalizadas (intrapsíquicas); f) a defesa de que a apropriação dos conhecimentos é sempre uma atividade mediada por outras pessoas (colaboração dos mais experimentes) (Nascimento, 2010, p. 102). A autora considera que tais princípios têm um potencial prático para a organização do ensino, mas, por si mesmos, não se constituem como princípios didáticos. De fato, nas discussões sobre as contribuições da Teoria Histórico-Cultural para o ensino, a tônica tem sido a repetição desses princípios educacionais amplos, sendo raro o diálogo com a Didática (Sforni, 2013). Assim, fica ao encargo do professor fazer a transposição, nada simples, desses princípios para a prática pedagógica. Talvez seja por isso que, embora essa teoria conste como pressuposto teórico nos PPPs (projetos político-pedagógicos) de algumas escolas, não se observa uma modificação significativa na organização cotidiana do seu ensino, especialmente no que se refere à estruturação do conteúdo, às metodologias de ensino e à avaliação da aprendizagem. Concordamos com Nascimento (2010) quando afirma que, para elaborar um modo geral de ação educativa, "[...] precisamos realizar um movimento tanto de aprofundamento destes conceitos presentes na teoria histórico-cultural, quanto de novas elaborações teóricas que partam deles" (Nascimento, 2010, p. 103). Essas novas elaborações teóricas, em nosso entendimento, não podem prescindir do diálogo com a própria prática pedagógica. Por meio da análise de dados de campo, é possível elucidar, referendar, redimensionar e/ou reestruturar esses conceitos tendo em vista a aprendizagem de um tipo específico de conhecimento, o teórico, em um contexto particular, a sala de aula. Nesse sentido, experimentar modos de organização do ensino e acompanhar o seu impacto na aprendizagem dos estudantes tem sido nosso caminho para atingir esse fim. Em nossos projetos de pesquisa, utilizamos uma metodologia inspirada nos princípios do método genético experimental de Vigotski (1993) para o estudo da elaboração de conceitos e no experimento formativo, elaborado por Zankov e utilizado por Davydov (1988). Segundo Zankov: A aplicação do experimento na investigação científica permite estudar as relações de determinadas facetas do processo e achar as causas que condicionam a necessidade de que apareça o fenômeno dado. Desse modo, o experimento permite evidenciar as leis da esfera da realidade objeto de estudo (Zankov apud Aquino, 2013, p. 240)3. Considerando que nossas pesquisas não se situam no campo da Psicologia e sim no da Educação, já que são movidas pela necessidade de investigar procedimentos didáticos que favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes, utilizamos o procedimento metodológico denominado de experimento didático 4. Nesse caso, o pesquisador planeja atividades de ensino especialmente para fins da pesquisa, cuja intenção é intervir para colocar em movimento os processos que visa investigar. Para isso, atua como professor ou em conjunto com o professor da sala de aula. Para o método do experimento formativo é característico a intervenção ativa do investigador nos processos psíquicos que ele estuda. [...] Para nós, se pode chamar ao experimento formativo experimento genético modelador, o que traduz a unidade entre a investigação do desenvolvimento psíquico das crianças e sua educação e ensino (Davidov, 1988, p. 196). As fontes de pesquisa são aulas videogravadas, materiais escritos e outros tipos de material produzidos pelo professor/pesquisador e pelos estudantes durante a intervenção. Na análise, a atenção do pesquisador volta-se tanto para os dados do ensino quanto para os da aprendizagem, já que a intenção é identificar o efeito da interação entre esses dois processos. Experimentos didáticos realizados em diferentes áreas do currículo escolar da Educação Básica resultaram na identificação de alguns princípios didáticos e ações docentes que se mostraram favoráveis à aprendizagem. Esses resultados, portanto, podem sinalizar para os professores algumas possibilidades de organização do ensino. Cada um dos experimentos5 do grupo teve uma especificidade, seja pelo nível de ensino e pela área do conhecimento em que foi realizado, seja pela própria singularidade dos proponentes e executores. Embora isso tenha acarretado modos diferenciados de ação e focos específicos na análise dos dados, algumas ações se repetiram, evidenciando seu valor pedagógico em todos os experimentos. São essas ações e os correspondentes princípios que as orientaram que procuramos relatar neste artigo. Princípios Didáticos e AçõesDocentes Favoráveis à Aprendizagem Ao defender um ensino voltado para o desenvolvimento do pensamento teórico pelos estudantes, nosso objetivo não é criar uma Didática com base na Teoria Histórico-Cultural e sim identificar alguns princípios que possam orientar os professores nos momentos de planejamento, TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 55 execução e avaliação do ensino. Os estudos de Moura (1996; Moura, 2001; Moura, 2010), Núñez (2009) e, mais recentemente, de Nascimento (2010) também apontam princípios ou ações didáticas com base nessa perspectiva teórica e, assim, foram tomados como referência em nosso trabalho. Observamos uma estreita sintonia entre as produções desses autores, especialmente quanto às orientações didáticas que apresentam, ou seja, notamos que seus textos expressam os resultados de um ensino pautado na Teoria Histórico-Cultural e na Teoria da Atividade. Por isso, mais do que simplesmente referendá-los, optamos por destacar os princípios por eles apresentados e que foram intencionalmente colocados em movimento nos experimentos realizados por nosso grupo. Assim, a síntese que ora apresentamos teve por base: a) as obras de autores da Teoria Histórico-Cultural (Vigotski, Luria, Leontiev, Elkonin, Galperin e Davidov); b) as obras de autores brasileiros que, apoiados nessa teoria, têm refletido a respeito da Didática (Moura, Núñez e Nascimento) e c) os dados coletados durante experimentos didáticos realizados em sala de aula por nosso grupo de pesquisa. Ressaltamos que os dados das pesquisas de campo realizadas por esse grupo foram decisivos na definição dos princípios que deveríamos abordar neste artigo. Destacamos cinco princípios orientadores da ação docente: 1. Princípio do ensino que desenvolve 2. Principio do caráter ativo da aprendizagem 3. Princípio do caráter consciente 4. Princípio da unidade entre o plano material (ou materializado) e o verbal 5. Principio da ação mediada pelo conceito Destacamos também as ações docentes que materializam cada um desses princípios na atividade de ensino. Princípio do Ensino que Desenvolve Orientar-se pelo princípio do ensino desenvolvimental6 implica considerar que, ao planejar, executar e avaliar o ensino, o norte deve ser o próximo desenvolvimento dos estudantes. Analisemos o argumento apresentado por Davidov e Markova: Se a assimilação é a reprodução pela criança da experiência socialmente elaborada e o ensino é a forma de organização desta assimilação, aceita nas condições históricas concretas na sociedade dada, o desenvolvimento se caracteriza, principalmente, pelos avanços qualitativos no nível e na forma das capacidades, nos tipos de atividade etc. dos quais se apropria o indivíduo (Davídov; Márkova, 1987, p. 322). A experiência socialmente elaborada, sistematizada em forma de linguagem, compõe os conteúdos das diferentes áreas do conhecimento, os quais, quando apropriados pela criança, promovem seu desenvolvimento. Assume-se, portanto, que essa experiência é o conteúdo central do ensino com a perspectiva desenvolvimental. Ao caracterizar o desenvolvimento por avanços qualitativos no nível e na forma das capacidades e nos tipos de atividades do sujeito, os autores deixam implícito o processo de passagem de um nível de desenvolvimento a outro. Torna-se, então, uma exigência conhecer o nível de desenvolvimento presente dos estudantes para planejar ações adequadas à passagem para o próximo nível. Embora esse nível inicial possa ser identificado por meio de avaliação formal do desempenho dos estudantes, conta-se também com avaliações informais resultantes da observação, da análise de atividades dos estudantes, dos diálogos com a turma, dentre outros procedimentos. Segundo os professores, a maior dificuldade que eles enfrentam ao atuar sobre o desenvolvimento dos estudantes nas situações de ensino específicas do contexto escolar relaciona-se ao fato de a sala de aula ser um espaço coletivo, não individual, de aprendizagem. Assim, ao mesmo tempo em que o professor tem a clareza de que é necessário atuar sobre a Zona de Desenvolvimento Próximo (ZDP), enfrenta o desafio de fazê-lo em uma sala de aula composta por alunos com diferentes níveis de desenvolvimento. Isso parece inviabilizar a efetivação de uma prática comprometida com o desenvolvimento, nos termos da Teoria Histórico- Cultural. Em nossas pesquisas, temos procurado adequar esse princípio geral ao contexto particular em que ocorrem as situações de ensino, diferenciando atividades coletivas e atendimentos individualizados. Embora na sala de aula prevaleçam atividades coletivas, é possível contemplar as duas situações: o atendimento individualizado pode acontecer em alguns momentos da aula, mas, sobretudo, em horários e espaços próprios para isso. No caso do ensino individualizado, parece não haver dificuldade para a atuação específica sobre a Zona de Desenvolvimento Próximo; no entanto, essa atuação não pode ser descartada nas situações coletivas de ensino. Em nossos experimentos didáticos, procuramos identificar o que poderia ser chamado de Zona de Desenvolvimento Próximo da turma, ou seja, procuramos identificar os conhecimentos e capacidades que são comuns à turma, as aprendizagens que, de modo geral, já estão consolidadas e as que merecem investimento. O desenvolvimento de cada criança ocorre de forma singular, no entanto, há traços comuns entre estudantes de uma mesma sala de aula, seja porque participaram de situações sociais de desenvolvimento semelhantes, seja porque frequentaram a mesma sala de aula, a mesma escola, seja ainda porque TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 56 participaram ou participam da mesma comunidade. Enfim, os estudantes de uma sala estão envoltos em uma mesma cultura na escola e na comunidade e partilham um histórico semelhante. Essa também é a compreensão de Hedegaard: Embora cada criança seja única, as crianças obviamente compartilham traços comuns com as outras crianças. Sendo da mesma tradição, as crianças na mesma classe tem um grande volume de conhecimento e habilidades em comum. O ensino pode ser construído com base nesses aspectos comuns, se levar em conta que as crianças variam em sua velocidade e forma de aprendizagem (Hedegaard, 2002, p. 224). Atuando com base nesses aspectos, é possível organizar situações de ensino em sala de aula, atendendo a todos e, ao mesmo tempo, a cada um dos estudantes. Um levantamento acerca dos conhecimentos e das habilidades de cada estudante, com a finalidade de conhecer o que é comum à turma e avaliar seu desenvolvimento atual e potencial, oferece ao professor a possibilidade de atuar coletivamente, sem que isso constitua uma negação da especificidade do desenvolvimento de cada aluno. Esse levantamento inicial serve como referência para o professor selecionar os conteúdos e definir o modo de abordá-los. Assim, além de integrar o planejamento do ensino, constitui-se como parâmetro para acompanhar o processo, ou seja, oferece elementos para que o professor realize a avaliação contínua do processo. Comparando o ponto de partida e a expectativa de aprendizagem, este tem condições de, quando necessário, redirecionar as ações de ensino ainda durante o percurso. Os dados iniciais também são uma referência para avaliação final do processo, pois oferecem parâmetros para a verificação do que se modificou nos conhecimentos e habilidades dos estudantes, após uma aula, unidade de ensino ou curso. Enfim, o levantamento inicial, aliado à clareza do professor sobre o desenvolvimento esperado do aluno, serve como parâmetro para as avaliações inicial, contínua e final do processo de aprendizagem dos estudantes, bem como para a da eficácia do caminho percorrido pelo professor. Isso significa que a identificação da Zona de DesenvolvimentoPróximo não é apenas um procedimento que precede a aula, mas também um norte para as ações do professor ao longo da intervenção pedagógica. A perspectiva do desenvolvimento dos estudantes precisa ser materializada na forma de abordagem dos conteúdos e nas ações a serem realizadas pelos alunos, pois o pensamento teórico vincula-se ao desenvolvimento das Funções Psíquicas Superiores, que se desenvolvem com a própria atividade do sujeito. Ou seja, a atenção, a percepção, a memória, o raciocínio, a imaginação, o sentimento desenvolvem-se à medida que são ativados. Tais atividades, no entanto, não se reduzem a exercícios para o desenvolvimento dessas funções: devem ser realizadas com os conteúdos curriculares, colocando, de maneira integrada, essas funções em movimento. Cada atividade escolhida ou elaborada pelo professor deve ser analisada em seu potencial para a mobilização das funções psíquicas. Com base nessa análise, algumas atividades podem ser consideradas mais adequadas ou menos adequadas para a sala de aula. Tarefas como siga o modelo, defina, exemplifique, liste, dentre outras do gênero tendem a exigir dos estudantes pouca atividade psíquica, diferenciando-se, assim, de outras tarefas, como explique, analise, justifique, demonstre, argumente. Enfim, tarefas que exigem o uso do conceito para serem adequadamente respondidas tendem a ativar a atenção, a memória, o raciocínio, ou seja, um conjunto de funções que, colocadas em movimento, são desenvolvidas. É fato que a atividade mental do estudante é algo subjetivo e não pode ser captada diretamente pelo professor; no entanto, resulta em manifestações externas, como os gestos e a linguagem oral, que podem sinalizar a atividade mental que o aluno está realizando com o conteúdo. Mais do que verificar se a resposta do aluno está certa ou errada, é preciso observar se, em sua explicitação verbal durante a realização das atividades, ele está caminhando em direção à abstração e à generalização do conteúdo ou se está preso à situação particular da atividade realizada. Nesse sentido, tal explicitação verbal pode se apresentar como um diagnóstico da eficácia do ensino sobre a Zona de Desenvolvimento Próximo. Em síntese, podemos destacar algumas ações docentes motivadas pelo princípio do ensino que desenvolve: a) avaliação do nível de desenvolvimento atual e previsão do nível de desenvolvimento esperado; b) uso de atividades com os conceitos que mobilizam as Funções Psíquicas Superiores; c) criação de situações em que os estudantes expressem verbalmente o que e como estão pensando (como estão atuando mentalmente com os conceitos). Princípio do Caráter Ativo da Aprendizagem A defesa de que o objetivo principal da escola é a transmissão-assimilação do conhecimento sistematizado não pode ser confundida com a aceitação de um modelo linear e mecânico de transmitir e assimilar conhecimentos. À valorização do conteúdo deve ser aliado o principio do caráter ativo da aprendizagem para que não sejam, em nome da teoria, defendidas metodologias tradicionais de ensino que foram criticadas pelo próprio Vigotski: A experiência pedagógica nos ensina não menos do que a investigação teórica que o ensino TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 57 direto de conceitos é impossível e, na verdade pedagogicamente infrutífero. O professor que tenta seguir esse caminho geralmente não conseguira mais que uma assimilação irrefletida de palavras, um simples verbalismo, que simula e imita os conceitos correspondentes na criança, mas na verdade esconde um vácuo. Em tais casos, a criança não adquire conceitos, mas palavras, assimila mais com a memória do que com o pensamento e sente-se impotente diante de qualquer tentativa de empregar com sentido o conhecimento assimilado. Em essência, este procedimento de ensino dos conceitos é o defeito fundamental do método verbal de ensino, puramente escolástico, que todos condenam. Este método substitui o domínio dos conhecimentos vivos pela assimilação de esquemas verbais mortos e vazios (Vygotski, 1993, 185). A aprendizagem dos conceitos científicos é valorizada por essa perspectiva teórica porque possibilita a "[...] transformação qualitativa no desenvolvimento do psiquismo da criança" (Davídov; Márkova, 1987, p. 324). No entanto, essa transformação não ocorre se, no ensino, a linguagem (definição do conceito) for dissociada do pensamento conceitual (processos psíquicos mediados pelo conceito). Para que haja unidade ente linguagem e pensamento, ou, dito de outra forma, para que de fato se aprendam conceitos e não apenas palavras ou procedimentos vazios de significado, é necessário que o estudante atue mentalmente com o conceito. Nesse sentido, o princípio ativo da aprendizagem implica a participação efetiva do aluno na elaboração da síntese conceitual, na qual estão aliados pensamento e linguagem. Não estamos, com isso, aderindo à concepção de que o estudante, individualmente, constrói seu próprio conhecimento; nossa perspectiva é a de uma elaboração conjunta entre professores e estudantes, orientada pelo professor. Esse princípio tem por base a compreensão de que, mediante o ensino, desenvolvem-se, conjuntamente, forma e conteúdo do pensamento. Não se trata de uma acumulação conhecimentos já em sua síntese, em sua definição verbal ou "[...] cobertura verbal", como nomeia Davidov (1987, p. 148), mas sim de uma apropriação do processo lógico- histórico de elaboração do conceito e, ao mesmo tempo, do desenvolvimento conjunto de formas de pensamento mais complexas. [...] o caráter real dos conhecimentos não consiste nas abstrações verbais, mas sim nos procedimentos de atividade do sujeito cognoscente, para quem a transformação dos objetos, a fixação dos meios de tais transformações constituem um componente tão indispensável dos conhecimentos como sua cobertura verbal (Davídov, 1987 p. 148). O estabelecimento dessa relação ativa com o conhecimento permite ao aluno compreendê-lo como produção humana em movimento, como resposta às necessidades humanas produzidas ao longo da história, não como verdade atemporal, absoluta e imutável. No processo de elaboração da síntese pelos estudantes, ações mentais de reflexão e análise são colocadas em movimento e, portanto, desenvolvidas. Nos experimentos realizados por nosso grupo de pesquisa (Rodrigues, 2006; Cavaleiro, 2009; Belieri, 2012; Oliveira, 2013), observamos que, quando os estudantes participam ativamente da elaboração da síntese, eles têm maior facilidade para generalizar o conhecimento aprendido, aplicando o conhecimento abstrato a situações concretas. Além disso, a necessidade e o motivo para aprender um determinado conteúdo não existem a priori no aluno, são criados no decorrer da atividade. Portanto, oferecer o conteúdo sem que o aluno esteja envolvido com as problematizações relacionadas a tal conteúdo, sem que esteja inserido na compreensão das razões humanas da elaboração dessa síntese, assemelha-se a oferecer a alguém respostas a perguntas que não fez. A falta de sentido da informação para o sujeito manifesta-se em sua apatia diante dela. É, portanto, necessário criar a necessidade e o motivo no estudante, o que significa inseri-lo no horizonte investigativo que deu origem ao conceito (Davidov, 1988), tendo a síntese como elaboração abstrata do percurso de sua elaboração. Algumas atividades favorecem a formação de necessidades e motivos para a apropriação do conhecimento pelos alunos. É o caso de jogos; situações problema criadas por meio de narrativas reais ou imaginárias, semelhantes às vividas pelos homens quando elaboram determinados conhecimentos; problemas relacionados a fenômenos cotidianos; filmes; notícias, etc. Tais situações problema desencadeiam nos estudantes ações mentais inerentes ao conceito que é objeto de estudo. Por essa razão, Moura (1996; 2001) incluia criação do problema desencadeador da aprendizagem como um dos elementos fundamentais no planejamento da atividade de ensino e, dependendo da idade e da área de conhecimento, a forma de fazer isso pode ser adequada ou não. Além das situações problema, as tarefas coletivas que exigem discussão e elaboração conceituais em grupo mostram-se favoráveis ao processo ativo do estudante. Dentre essas tarefas, destacamos o estabelecimento de diálogo entre os alunos de um grupo com a finalidade de elaborar a síntese, bem como as situações intergrupos, cuja finalidade é apresentar essas sínteses para os demais (Bernardes, 2012). Observamos nos experimentos (Rodrigues, 2006; Cavaleiro, 2009; Belieri, 2012; Oliveira, 2013) que esses momentos em grupo, orientados e acompanhados pelo professor, induzem o aluno a ter mais cuidado na explicitação verbal de seu pensamento do que quando seu interlocutor é apenas o professor. Ao se dirigir aos colegas, para ser entendido, ele não pode elaborar e apresentar TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 58 seus argumentos com meias palavras, como faz com o professor. Explicar algo ou negociar significados com os colegas é diferente de dialogar com o professor e exige do aluno mais clareza na elaboração e na explicitação dos argumentos. Em síntese, podemos destacar algumas ações docentes motivadas pelo princípio do caráter ativo da aprendizagem: a) elaboração de situações problema que permitam inserir o estudante no horizonte investigativo que deu origem ao conceito; b) previsão de momentos em que os alunos dialoguem entre si e elaborem sínteses coletivas, mesmo que sejam provisórias; c) orientação do processo de elaboração de sínteses conceituais pelos estudantes. Princípio do Caráter Consciente Considerar que o estudante deve ser consciente da aprendizagem parece óbvio; afinal, em princípio, os alunos estão na escola com a consciência de que, nesse local, realizam atividades cuja finalidade é a aprendizagem de conteúdos específicos. No entanto, Leontiev (1983) alerta-nos para o fato de que, muitas vezes, a própria organização da atividade leva o estudante a se afastar daquilo que seria o conteúdo de aprendizagem. Alguns exemplos: para ensinar conceitos históricos, o professor utiliza-se de um filme, um drama ambientado em um determinado momento histórico, mas os alunos ficam atentos ao aspecto romanesco e não ao contexto histórico retratado no filme; o professor recorre a receitas para ensinar unidades de medidas de massa e de volume, mas a atenção dos alunos volta-se mais para a receita em si do que para as unidades de medida; o professor trabalha com um projeto ambiental que integra conhecimentos biológicos e geográficos, mas os alunos prendem-se ao discurso da conscientização e pouco aos conceitos de biologia e geografia. Situações desse tipo levam os professores a considerar que, se os conteúdos foram ensinados, devem ter sido aprendidos. Quando percebem que isso não aconteceu, não conseguem compreender a razão. Acontece que, nesses casos, mesmo estando contido na atividade, o conteúdo não foi objeto da atividade mental dos estudantes e, portanto, não resultou em aprendizagem. Segundo Leontiev (1983), o conteúdo pode ter sido percebido pelo aluno, mas não conscientizado, pois o plano da percepção é amplo, ao passo que o da atenção - objeto da consciência - é estreito, tem foco específico. Se, no aluno, não surge uma atividade mental com o conteúdo central de ensino, a tendência é sua atenção deslocar-se para outro conteúdo, normalmente mais estimulante aos sentidos ou mais emocionante, conforme demonstram os exemplos. Isso evidencia que, se o ensino direto de conceitos é infrutífero, como afirma Vigotski (1993), caso não sejam tomados alguns cuidados, também a criação de situações que contextualizam o conceito pode não ser tão favorável à aprendizagem. No caso de situações problema, se o estudante se mantiver atrelado à especificidade do problema, se considerar um problema prático e não teórico, não conseguirá se apropriar do conhecimento geral que se pretende ensinar por meio da situação particular apresentada. Como afirma Nascimento (2010): A solução de um problema de aprendizagem constitui-se mais na explicitação de um modo geral de ação por parte do educando e, portanto, na apropriação de um conceito pelo estudante, do que na resolução concreta do problema, ainda que essa resolução sempre se dê. Em outras palavras, a resolução concreta de um problema deve ser considerada como um caso particular da resolução geral do problema, isto é, do modo geral de ação para resolver aqueles tipos de problemas (Nascimento, 2010, p. 115). O mesmo pode ocorrer com a contextualização de conceitos por meio de projetos interdisciplinares: se a ênfase recair mais no tema do projeto do que nos conceitos científicos presentes, estes podem não ser tão favoráveis à aprendizagem dos conceitos. Se estes não forem o foco da atenção e da atividade mental dos estudantes durante a realização do projeto (Sforni, 2010), por mais rico que seja, ele pode não resultar na aprendizagem esperada. Durante os experimentos foi possível reconhecer que a transição da situação singular, apresentada como desencadeadora do ensino de conceitos, para a abstração daquilo que é essencial, o que poderia ser caracterizado como um modo geral de ação, não é algo simples. Os estudantes tanto podem se fixar na situação singular quanto se desviar para aspectos secundários do problema. Em ambos os casos, não chegam à abstração e, por decorrência, à generalização. Portanto, é a consciência do conteúdo central da atividade e das razões de suas ações que leva o aluno a reconhecer nas ações realizadas um modo geral de ação e generalizar o conhecimento, não se restringindo ao modelo da atividade oferecida. Ou seja, não basta que o conteúdo esteja contido na atividade, tampouco basta a ação do aluno: é preciso que este tome consciência da relação da sua ação com o conteúdo da atividade. Nesse sentido, é necessário que o professor também tenha consciência do conteúdo central da atividade para que, assim, possa prever ações que dirijam a atenção dos estudantes para o objeto da aprendizagem. As interações verbais entre professor e estudantes favorecem o acompanhamento do tipo de relação que o aluno está estabelecendo com o conteúdo: se está preso a situações particulares ou periféricas ou se está voltado para o que é nuclear na atividade proposta. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 59 Em síntese, podemos destacar algumas ações docentes motivadas pelo princípio do caráter consciente da atividade: a) elaboração de atividades que tenham potencial para promover o modo de ação geral com o conceito; b) previsão de ações mentais para que o conteúdo central da atividade seja o foco da consciência dos estudantes; c) atenção para as explicitações verbais dos estudantes, as quais sinalizam se eles estão estabelecendo relação entre o particular e o geral. Princípio da Unidade entre o Plano Material (ou Materializado) e o Verbal A necessidade de criação de situações problema que sejam desencadeadoras da aprendizagem e a necessidade de ascensão do abstrato ao concreto implicam a necessidade de interação entre o plano material (fenômenos ou objetos), ou representações dele (ilustrações, mapas, filmes, maquetes, etc.), e o plano mental (atuação com as abstrações). No movimento abstrato/concreto e concreto/abstrato, a mediação da linguagem verbal (oral e escrita) é fundamental, já que pode tornar os processos conscientes, destacar o que é essencial da atividade realizada e focar o(s) conceito(s) nela contidos. A linguagem (do professor, dos alunos, dos textos científicos) é mediadora entre os dois planos: material e mental é condição para a abstração do conteúdo, paraa passagem da ação externa, plano material, para o pensamento teórico. A exposição do professor, o texto científico e as interações verbais entre os estudantes favorecem a transição do ilustrativo para o pensamento conceitual. Ou seja, a linguagem científica/teórica é fundamental para que os estudantes possam abstrair da ação externa material, ilustrativa, os elementos essenciais que a tornaram objeto de aprendizagem. A leitura de textos científicos pelos estudantes é fundamental para que as sínteses provisórias, resultantes das discussões com o grupo acerca do problema desencadeador de aprendizagem, sejam ampliadas e avancem na direção da compreensão e do uso da linguagem própria da área de conhecimento em pauta. Em síntese, podemos destacar algumas ações docentes motivadas pelo princípio da unidade entre o plano material (ou materializado) e o verbal: a) organização de atividades que coloquem em interação o plano material ou materializado (ilustrativo) e a linguagem verbal (oral e escrita); b) uso de textos científicos e clássicos da respectiva área de conhecimento. Princípio da Ação Mediada pelo Conceito Se os conceitos científicos são mediadores sociais na interação do sujeito com os fenômenos, a apropriação desses mediadores significa a possibilidade de tê-los como instrumento simbólico que orientam as ações mentais (Leontiev, 1978). Nesse sentido, no planejamento de ensino cabe prever a contextualização do conceito, não apenas em termos de sua presença na realidade imediata, mas também em termos de seu movimento lógico- histórico de elaboração. O lógico reflete não só a história do próprio objeto como também a história do seu conhecimento. Daí a unidade entre o lógico e o histórico ser premissa necessária para a compreensão do processo de movimento do pensamento, da criação da teoria científica. À base do conhecimento dialético do histórico e do lógico resolve-se o problema da correlação entre o pensamento individual e o social; em seu desenvolvimento intelectual individual o homem repete em forma resumida toda a história do pensamento humano. A unidade entre o lógico e o histórico é premissa metodológica indispensável na solução de problemas de inter-relação do conhecimento e da estrutura do objeto e conhecimento da história de seu desenvolvimento (Kopnin, 1978, p. 186). A contextualização não deve ser apresentada aos alunos como uma narrativa histórica, seja por meio de um texto seja por aula expositiva: deve permear as atividades e ser destinada a inserir os estudantes em situações semelhantes àquelas que gestaram a necessidade de elaboração do conceito. Esse tipo de tarefa escolar leva o aluno a compreender os conceitos como instrumentos simbólicos criados pelos homens para atender às suas necessidades de compreensão e intervenção no mundo. Nos experimentos, durante a elaboração do plano de ensino, antes de definirmos as tarefas de aprendizagem, foi fundamental analisar o conteúdo, de forma a identificar sua essência como instrumento simbólico. Orientamo-nos pela seguinte indagação: esse conceito permite compreender e atuar sobre quais fenômenos? Para tanto, assumimos o pressuposto de que conhecer a origem e o desenvolvimento do conceito na história ajuda-nos identificar sua essência como instrumento da atividade humana, leva-nos a compreender "[...] a que propósito e por que, em que base, com que potencial o objeto veio a existir nessa forma e não em outra" (Pasqualini, 2010, p. 44). Identificada sua essência, é preciso prever o movimento necessário ao pensamento do estudante para a apreensão do objeto. Nesse momento, precisamos pensar em tarefas de aprendizagem que induzam o aluno a ir se aproximando do conceito. Para que seja apropriado como instrumento do pensamento, o conceito precisa estar contido nas tarefas de aprendizagem que exijam dos estudantes TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 60 operações mentais de transição do universal para o particular e vice-versa. Esse não é um percurso natural, espontâneo. Por isso, nas primeiras situações de ensino de um novo conteúdo, como foi exposto anteriormente, as ações precisam ser acompanhadas e orientadas constantemente pelo professor, de modo que, com sua ajuda, o aluno possa fazer o que não poderia fazer sozinho: no caso da aprendizagem conceitual, a transição do universal para o particular e vice-versa. Aos poucos, é preciso incluir outras atividades e novos problemas, de forma a levar o aluno a usar o conceito de forma mais autônoma. Nesse momento, pode-se evidenciar, de forma mais clara, se houve apropriação do conceito. Atividades que exigem a realização de ações mentais mediadas pelos conceitos (matemáticos, artísticos, filosóficos, físicos, químicos, históricos, etc...) tornam possível, ao estudante, a apropriação do conceito como instrumento simbólico na sua interação com a realidade. Esse é o fim esperado do ensino de conceitos: a apreensão do concreto pela mediação do abstrato. Portanto, esse ponto de chegada, conforme o caminho a ser organizado e orientado pelo professor constitui, por isso mesmo, o principal aspecto a ser considerado na avaliação da aprendizagem. Na avaliação não se considera a definição do conceito como sinônimo de sua aprendizagem, o que não significa prescindir dessa definição e sim que é necessário ir além dela. Também não se considera que a repetição de procedimentos adquiridos por meio de treinamentos ou de resolução de listas de exercícios revele aprendizagem. Considera-se que houve aprendizagem quando essa linguagem é internalizada pelo aluno, levando-o a realizar operações mentais com o conceito em novas situações, com novos objetos e diante de novos fenômenos. Dito de outra forma, na avaliação, é preciso verificar se o aluno adquiriu formas de ações gerais ou procedimentos que o tornam capaz de resolver uma categoria de problemas que, para além das diferenças e semelhanças empíricas, são vinculados à mesma base conceitual. Durante o processo de ensino ou em seu final, é possível encontrar alguns indícios desse tipo de apropriação, de operação mental com o conceito. Tais indícios revelam-se na linguagem do estudante, à medida que ele explica determinados fenômenos; na incorporação da explicação conceitual em suas argumentações; na resolução autônoma de atividades que, embora se diferenciem em seus aspectos externos, em suas manifestações particulares, relacionam-se à mesma base conceitual estudada; na forma como, dependendo do conteúdo, ele age no plano material. Ao final dos experimentos realizados, após o trabalho sistematicamente orientado pelo professor, com a intenção de captar esses indícios de aprendizagem, levamos os estudantes a analisar novas situações empíricas. Procuramos verificar se eles interagiam com essas situações de um modo teórico, mediado pelos conceitos, ou se as entendiam apenas como um fenômeno particular, novo, sem estabelecer relação com os conceitos estudados. Concluímos que essas atividades de avaliação são ferramentas importantes para verificar se o aluno realiza a ascensão do abstrato ao concreto. Em síntese, podemos destacar algumas ações docentes motivadas pelo princípio da ação mediada pelo conceito: a) análise da gênese do conceito no seu aspecto lógico-histórico para buscar o que é nuclear no conceito; b) elaboração de problemas desencadeadores com a finalidade de levar os alunos a resolvê-los por meio da mediação do conceito; c) inclusão de novos problemas de aprendizagem ao final do processo de estudo para analisar se os alunos operam mentalmente com o conceito. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 61 A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DOS EDUCADORES Josiane Griffo de Jesus Pereira Costalonga Compreender-se que o educador, é visto como “um sujeito, que junto com outros sujeitos,constrói em seu agir” (LUCKESI, 2001), entretanto o educador tem a capacidade de transformar vidas por meio da educação. Portanto sua formação pedagógica reflete em sua prática de ensino, por isso, a importância da didática, como disciplina, em sua formação acadêmica dos futuros educadores. Nessa prerrogativa da importância da didática na formação dos educadores que abordaremos neste artigo, envolvendo o estudo sintetizado da contribuição da didática na pratica pedagógica e a avaliação das diferentes tendências pedagógicas que influencia a didática dos educadores no âmbito escolar. A palavra didática origina-se do grego didaktiké, traduzido como “arte de ensinar”. Em primeiro momento, este sentido mais originário correspondia aproximadamente a tudo aquilo que é “próprio para o ensino”. O termo Didática surge das ações de Comênio (1592-1670) em sua obra Didática Magna, e originalmente significa “a arte de ensinar” que tinha como objetivo a reformar a escola e o ensino. E através da Didática Magna, Comenius pretendia estabelecer os fundamentos da “arte universal de ensinar tudo a todos”, privilegiando sobre tudo o educador, o método e o conteúdo. Durantes séculos, a didática foi entendida como técnicas e métodos de ensino, sendo uma ramificação da pedagogia que correspondia somente por “como ensinar”. Entretanto, a didática pode ser definida como um conjunto de atividades organizadas pelo docente visando o favorecimento da construção do conhecimento pelos estudantes. Os elementos da ação da didática constituem tradicionalmente em: professor, aluno, conteúdo, contexto e estratégias metodológicas (PACIEVITCH, 2012). Presentemente, a didática é uma ramificação da pedagogia, sendo uma das disciplinas fundamentais na formação dos professores, denominada por LIBÂNEO (1990, p.25) como “teoria do ensino” por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. Portanto, a didática está inteiramente associada à teoria da educação, as teorias da organização escolar, as teorias do conhecimento e à psicologia da educação. Nesse contexto teórico a base da pratica educativa, entretanto, a didática tornou-se principal ramo da pedagogia, sendo necessária a dominação de todas as teorias na integração para desenvolver uma boa pratica educativa. Assim, o professor dispõe de recursos teóricos para organização e articulação dos processos de ensino e aprendizagem. Segundo LIBÂNEO (1990) aponta que a didática: “A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos (...) trata da teoria geral do ensino (1990, p.26).” De acordo com PACIEVITCH (2012) afirma que a disciplina da didática deve desenvolver a capacidade crítica dos docentes, no intuito que possam avaliar de forma clara a realidade do ensino. Um dos desafios da didática é de articular os conhecimentos adquiridos sobre o como, para quem, “o que” ensinar e o “por que” ensinar. Para LUCKESI (2001) a função da Didática é de criar condições para que o educador se prepare técnica, cientifica, filosófica e efetivamente para qualquer tipo de ação que irar exercer. Por sua vez, existem vários elementos que formarão a didática do professor, e cada classe turma exigirá uma pratica diferente. Entre os elementos da didática encontramos o planejamento, a metodologia e a avaliação. Para isso o professor necessitar conhecer cada um deles para desenvolver um trabalho de excelência como educador. Em outras palavras o professor tem o conhecimento teórico da didática e dos métodos a ser aplicados em sala de aula. De acordo com COMENIUS (2001, p.51) expõe que “os educadores são os especialistas que estão mais bem dotados para exercer a tarefa educativa, dado que, por um lado, detém o conhecimento e por um lado conhecem o método”. Portanto, como a tarefa educativa é reponsabilidade dos educadores, compete aos professores à atualização constantemente, pois a competência de ensinar deve estar unida as de aprender. O professor antes de exercer suas atividades de ensinar, deve optar por uma tendência pedagógica que orienta a sua pratica educativa, não se deve usar uma delas de forma isolada em toda a sua docência. Entretanto, procurar analisar cada uma e averiguar a melhor que convém ao seu desempenho acadêmico, com maior eficiência e qualidade de atuação. Atualmente, na pratica docente, existem uma mistura dessas tendências. 1 As diferentes tendências pedagógica incluída na pratica pedagógicas De acordo com os educadores LIBÂNEO (1990) E SAVIANI (1997) onde faz uma analise demonstrando as principais tendências pedagógicas usadas na educação, que se dividem em duas TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 62 grandes linhas de pensamento pedagógico. Sendo elas: Tendências Liberais e Tendências Progressistas. A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar o indivíduo para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Para isso, os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos vários valores e às normas vigentes na sociedade de classes, através de desenvolvimento da cultura individual. A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois, embora difundida a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições. (LIBÂNEO, José Carlos. 1990 pg. 22) Existem quatro tendências pedagógicas liberais: Tendência tradicional: tem como objetivo a transmissão dos padrões, normas e modelos dominantes. Os conteúdos escolares são separados da realidade social e da capacidade cognitiva dos alunos, sendo impostos como verdade absoluta em que apenas o professor tem razão. Sua metodologia é baseada na memorização, o que contribui para uma aprendizagem mecânica, passiva e repetitiva. Tendência renovada: a educação escolar assume o propósito de levar o aluno a aprender e construir conhecimento, considerando as fases do seu desenvolvimento. Os conteúdos escolares passam a adequar-se aos interesses, ritmos e fases de raciocínio do aluno. Sua proposta metodológica tem como característica os experimentos e as pesquisas. O professor deixa de ser um mero expositor e assume o papel de elaborar situações desafiadoras da aprendizagem. A aprendizagem é construída através de planejamentos e testes. O professor passa a respeitar e a atender as necessidades individuais dos alunos. Tendência renovada não-diretiva: há uma maior preocupação com o desenvolvimento da personalidade do aluno, com o autoconhecimento e com a realização pessoal. Os conteúdos escolares passam a ter significação pessoal, indo de encontro aos interesses e motivação do aluno. São incluídas atividades de sensibilidade, expressão e comunicação interpessoal, acentuando-se a importância dos trabalhos em grupos. Aprender torna-se um ato interno e intransferível. A relação professor-aluno passa a ser marcada pela afetividade. Tendência tecnicista: enfatiza a profissionalização e modela o individuo para integrá-lo ao modelo social vigente, tecnicista. Os conteúdos que ganham destaque são os objetivos e neutros. O professor administra os procedimentos didáticos, enquanto o aluno recebe as informações. O educador tem uma relação profissional e interpessoal com o aluno. Logo, nas tendências pedagógicas progressistas analisam de forma critica as realidades sociais, cuja educação possibilita a compreensão da realidade histórico-social, explicando o papel do sujeito como um ser que constrói sua realidade. Ela assume um caráter pedagógico e político ao mesmo tempo. Libâneo (1990) defende que a pedagogia progressista não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista; daí ela serum instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais (pg32). É divida em três tendências: Tendência libertadora: o papel da educação é conscientizar para transformar a realidade e os conteúdos são extraídos da pratica social e cotidiana dos alunos. Os conteúdos pré-selecionados são vistos como uma invasão cultural. A metodologia é caracterizada pela problematizarão da experiência social em grupos de discussão. A relação do professor com o aluno é tida como horizontal em que ambos passam a fazer parte do ato de educar. Tendência libertaria: a escola propicia praticas democráticas, pois acredita que a consciência política resulta em conquistas sócias. Os conteúdos dão ênfase nas lutas sociais, cuja metodologia é está relacionada com a vivência grupal. O professor torna-se um orientador do grupo sem impor suas idéias e convicções. Tendência crítico-social dos conteúdos: a escola tem a tarefa de garantir a apropriação critica do conhecimento cientifico e universal, tornando-se uma arma de luta importante. A classe trabalhadora deve apropriar-se do saber. Adota o método dialético, esse que é visto como o responsável pelo confronto entre as experiências pessoais e o conteúdo transmitido na escola. O educando participa com suas experiências e o professor com sua visão da realidade. Para que toda prática educativa seja efetiva, o professor precisa conhecer a didática enquanto conteúdo específico, isto ajudara em sua formação no âmbito escolar discernindo as diferentes formas de educar e as diversificadas tendências pedagógicas buscando a melhor pratica para desenvolver em cada turma estudantil. Mas a prática educativa não pode suceder de forma espontânea, sem um planejamento, metas e instrumentos a ser aplicados em sala de aula. Segundo MARINHO e FERREIRA (2012) o professor tendo posse desses conhecimentos, terá uma variedade de metodologias e concepção que auxiliarão a elaborar seus planejamentos e sua didática em sala de aula. Por isso é fundamental o professor tem uma excelente formação em didática no curso de graduação conhecendo diversos tipos de abordagens de praticas educativas, pois ele exercer a função de educador e disseminador de conhecimento aos discentes no processo de ensino e aprendizagem. Para exercer uma pratica educativa de qualidade, os profissionais da educação precisam ter TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 63 um pleno “domínio das bases teóricas cientificas e tecnológicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino” (LIBANÊO, 2002, p.28), por meio desse domínio que ele poderá estar revendo, analisando e aprimorando sua prática educativa. Essa concepção de didática visa auxiliar na compreensão crítica da arte de ensinar. Compreendemos que a didática muda conforme a mudança dos paradigmas tendo seu objeto de estudo é o ensino-aprendizagem do aluno, é possível afirmar que diante do contexto social que vivemos, a didática que ajudará ao educador em sua prática pedagógica é aquela que permite o desenvolvimento do ser humano em todas as áreas e não aquela que se limita ao avanço cognitivo intelectual (CASTRO, 1991). Para cumprir essa função ela deverá apresentar-se como mediação entre o fazer pedagógico e o contexto sociopolítico e cultural. O papel da Didática na formação do educador é fundamental para ajudá-lo em sua práxis pedagógica, pois, a contribuição que ela desempenha no campo educacional nenhuma outra disciplina poderá cumprir como elucida Castro (1991). ANOTAÇÕES Para que toda prática educativa seja efetiva, o professor precisa conhecer a didática enquanto conteúdo específico, isto ajudara em sua formação no âmbito escolar discernindo as diferentes formas de educar e as diversificadas tendências pedagógicas buscando a melhor pratica para desenvolver em cada turma estudantil. Mas a prática educativa não pode suceder de forma espontânea, sem um planejamento, metas e instrumentos a ser aplicados em sala de aula. Entretanto, ter numa sala de aula um educador que domina os conteúdos, possui um bom planejamento e alunos motivados, não significa que a aprendizagem esteja acontecendo no espaço local. Para que suceda a relação ensino- aprendizagem, necessário adotar diferentes procedimentos, selecionar conteúdos e livros didáticos, inseri também a tecnologia no ensino, embora não sejam os únicos métodos do trabalho pedagógico do professor. É desejável buscar complementá-las a fim de ampliar o acesso às informações e as atividades propostas no material adotado, ou, ainda, com o objetivo de adequá-lo ao grupo de alunos que o utilizam. Por isso, é importante a didática na formação dos educadores dando suporte pedagógico em suas práticas educativas no desenvolvimento em sala de aula. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 64 As relevantes modificações sofridas por nossa sociedade no decorrer do tempo, dentre elas o desenvolvimento tecnológico e o aprimoramento de novas maneiras de pensamento sobre o saber e sobre o processo pedagógico, têm refletido principalmente nas ações dos alunos no contexto escolar, o que tem se tornado ponto de dificuldade e insegurança entre professores e agentes escolares resultando em forma de comprometimento do processo ensino- aprendizagem. Dessa forma, faz-se necessário à busca de uma nova reflexão no processo educativo, onde o agente escolar passe a vivenciar essas transformações de forma a beneficiar suas ações podendo buscar novas formas didáticas e metodológicas de promoção do processo ensino- aprendizagem com seu aluno, sem com isso ser colocado como mero expectador dos avanços estruturais de nossa sociedade, mas um instrumento de enfoque motivador desse processo. A sociedade atual se vê confrontada com o desenvolvimento acelerado que ocorre a sua volta, onde o desenvolvimento e as descobertas ocorrem em frações de segundos, ocasionando um certo desgaste e comprometimento das ações voltadas para o aprimoramento do ensino, colocando a sala de aula como um ambiente de pouca relevância para a consolidação do conhecimento, enfatizando a vivência social o requisito primordial para a busca de aprendizado. Diante do exposto, é facilmente observado que a busca pelo conhecimento não tem sido o foco de interesse principal da sociedade, pois a atualização das informações tem ocorrido de forma acessível a todos os segmentos satisfazendo de uma forma geral aos interesses daqueles que as buscam. Dessa forma, a escola nesse contexto tem alternativa rever suas ações e o seu papel no aprimoramento da sua prática educativa, sendo que, uma análise sobre seus conceitos didático- metodológicos precisa ser feita, de forma a adequar sua postura pedagógica ao momento atual e principalmente colocar-se na posição de organização principal e mais importante na evolução dos princípios fundamentais de uma sociedade, cumprindo assim sua função transformadora e idealizadora de conhecimentos científicos-filosóficos pautando o resultado de suas ações em saber concreto. A PRÁTICA PEDAGÓGICA DA ATUALIDADE O processo educacional sempre foi alvo de constantes discussões e apontamentos que motivaram sua evolução em vários aspectos, principalmente no que tange a condução de metodologias de ensino por nossos educadores e a valorização do contexto escolar formador para nossos alunos. Nesse aspecto GADOTTI (2000:4), pesquisador desse processo afirma que, Enraizada na sociedade de classes escravista da Idade Antiga, destinada a uma pequena minoria, a educação tradicional iniciou seu declínio já no movimento renascentista, mas ela sobrevive até hoje, apesar da extensão média da escolaridade trazida pela educação burguesa. A educação nova, que surge de forma mais clara a partir da obra de Rousseau, desenvolveu-se nesses últimos dois séculos e trouxeconsigo numerosas conquistas, sobretudo no campo das ciências da educação e das metodologias de ensino. O conceito de “aprender fazendo” de John Dewey e as técnicas Freinet, por exemplo, são aquisições definitivas na história da pedagogia. Tanto a concepção tradicional de educação quanto a nova, amplamente consolidadas, terão um lugar garantido na educação do futuro. (GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação, 2000) Diante de enumeras transformações sociais, onde informações e descobertas acontecem em frações de segundo, o processo de desenvolvimento da escola entra na pauta como um dos mais importantes aspectos a serem discutidos neste processo, pois é nela que são promovidas as mais importantes formulações teóricas sobre o desenvolvimento cultural e social de todas as nações, dessa forma, a pesquisa educacional acaba tomando um lugar central na busca de perspectivas que possibilitem uma nova prática educacional, envolvendo principalmente os agentes que conduzem o ambiente escolar, transformando o ensino em parte integrante ou principal na motivação dessas transformações. Com as constantes modificações sofridas por nossa sociedade no decorrer do tempo, dentre elas o desenvolvimento de tecnologias e o aprimoramento de um modo de pensar menos autoritário e menos regrado, os agentes educacionais e a escola de uma maneira geral, vêm vivenciando um processo de mudança que tem refletido principalmente nas ações de seus alunos e na materialização destas no contexto escolar, fato que tem se tornado ponto de dificuldade e insegurança entre professores e agentes escolares de forma geral, configurando em forma de comprometimento do processo ensino- aprendizagem, sobre isso, GADOTTI (2000:6) afirma que, Neste começo de um novo milênio, a educação apresenta- se numa dupla encruzilhada: de um lado, o desempenho do sistema escolar não tem dado conta da universalização da educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não apresentam ainda a consistência global necessária para indicar caminhos realmente seguros numa época de profundas e rápidas transformações.(GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação, 2000) TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 65 A escola contemporânea sofre com o desenvolvimento acelerado que ocorre a sua volta, onde as informações são atualizadas em frações de segundos, ocasionando de certa forma, o desgaste e o comprometimento das ações voltadas para o aprimoramento do ensino, fazendo com que a sala de aula se torne um ambiente de pouca relevância para a consolidação do conhecimento, tornando a vivência social o requisito primordial para a busca de aprendizado, sobre essa escola, AMÉLIA HAMZE (2004:1) afirma em seu artigo “O Professor e o Mundo Contemporâneo”, que Como educadores não devemos identificar o termo informação como conhecimento, pois, embora andem juntos, não são palavras sinônimas. Informações são fatos, expressão, opinião, que chegam as pessoas por ilimitados meios sem que se saiba os efeitos que acarretam. Conhecimento é a compreensão da procedência da informação, da sua dinâmica própria, e das conseqüências que dela advem, exigindo para isso um certo grau de racionalidade. A apropriação do conhecimento, é feita através da construção de conceitos, que possibilitam a leitura critica da informação, processo necessário para absorção da liberdade e autonomia mental.(HAMZE, A .O professor e o mundo contemporâneo, 2004) É perceptível que o saber cientifico e a busca pelo conhecimento, tem fugido do interesse da sociedade em geral, pois a atualização das informações tem ocorrido de forma acessível a todos os segmentos satisfazendo de uma forma geral aos interesses daqueles que as buscam. A escola nesse contexto tem por opção repensar suas ações e o seu papel no aprimoramento do saber, e para isso, uma reflexão sobre seus conceitos didático-metodológicos precisa ser feita, de forma a adequar-se ao momento atual e principalmente colocar-se na postura de organização principal e mais importante na evolução dos princípios fundamentais de uma sociedade, DOWBOR (1998:259), sobre essa temática diz que, ...será preciso trabalhar em dois tempos: o tempo do passado e o tempo do futuro. Fazer tudo hoje para superar as condições do atraso e, ao mesmo tempo, criar as condições para aproveitar amanhã as possibilidades das novas tecnologias.(DOWBOR, L. A Reprodução Social, 1998) GADOTTI (2000:8), sobre o assunto afirma que seja qual for à perspectiva que a educação contemporânea tomar, uma educação voltada para o futuro será sempre uma educação contestadora, superadora dos limites impostos pelo Estado e pelo mercado, portanto, uma educação muito mais voltada para a transformação social do que para a transmissão cultural. Dessa Forma, a prática pedagógica dos agentes educacionais no momento atual, bem como a condução do processo ensino-aprendizagem na sociedade contemporânea, precisa ter como primícia a necessidade de uma reformulação pedagógica que priorize uma prática formadora para o desenvolvimento, onde a escola deixe de ser vista como uma obrigação a ser cumprida pelo aluno, e se torne uma fonte de efetivação de seu conhecimento intelectual que o motivará a participar do processo de desenvolvimento social, não como mero receptor de informações, mas como idealizador de práticas que favoreçam esse processo Na sociedade da informação, a escola deve servir de bússola para navegar nesse mar do conhecimento, superando a visão utilitarista de só oferecer informações “úteis” para a competitividade, para obter resultados. Deve oferecer uma formação geral na direção de uma educação integral. O que significa servir de bússola? Significa orientar criticamente, sobretudo as crianças e jovens, na busca de uma informação que os faça crescer e não embrutecer.(GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação, 2000) Segundo Ladislau Dowbor (1998:259), a escola deixará de ser “lecionadora” para ser “gestora do conhecimento”. Prossegue dizendo que pela primeira vez a educação tem a possibilidade de ser determinante sobre o desenvolvimento. A educação tornou-se estratégica para o desenvolvimento, mas, para isso, não basta “modernizá-la”, como querem alguns. Será preciso transformá-la profundamente. O professor nesse contexto deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura norteadora do processo ensino-aprendizagem, levando em consideração que sua prática pedagógica em sala de aula tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual de seu aluno, podendo ele ser o foco de crescimento ou de introspecção do mesmo quando da sua aplicação metodológica na condução da aprendizagem. Sobre essa prática, GADOTTI (2000:9) afirma que “nesse contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos”. Ele afirma ainda que: Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros “amantes da sabedoria”, os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constroem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mas produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindíveis.(GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação, 2000) HAMZE (2004:1) em seu artigo “O Professor e o Mundo Contemporâneo” considera que TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 66 Os novos tempos exigem um padrão educacional que esteja voltadopara o desenvolvimento de um conjunto de competências e de habilidades essenciais, a fim de que os alunos possam fundamentalmente compreender e refletir sobre a realidade, participando e agindo no contexto de uma sociedade comprometida com o futuro. (HAMZE, A .O professor e o mundo contemporâneo, 2004) Assim, faz-se necessário à busca de uma nova reflexão no processo educativo, onde o agente escolar passe a vivenciar essas transformações de forma a beneficiar suas ações podendo buscar novas formas didáticas e metodológicas de promoção do processo ensino- aprendizagem com seu aluno, sem com isso ser colocado como mero expectador dos avanços estruturais de nossa sociedade, mas um instrumento de enfoque motivador desse processo. ANOTAÇÕES TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 67 COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA COMO ESPAÇO DE FORMAÇÃO CONTINUADA A realidade contemporânea demanda profissionais da educação críticos e transforma- dores de um panorama de perplexidade diante das aceleradas mudanças sociais, das novas configurações do mundo do trabalho e das novas exigências de aprendizagem. Como afirma Alarcão (2008: 32). O grande desafio dos professores é ajudar desenvolver nos alunos, a capacidade de trabalho autônomo e colaborativo, mas também, o espírito crítico. O desenvolvimento do espírito crítico se faz no diálogo, no confronto de ideias e de práticas, na capacidade de ouvir o outro, mas também ouvir a si próprio e de auto-criticar. E isto só é possível num ambiente humano de compreensiva aceitação. Se a escola como instituição não quiser estagnar, deve interagir com as transformações ocorridas, no mundo e no ambiente que a rodeia. Deve entrar na dinâmica atual marcada pela abertura, pela interação e pela flexibilidade. As instituições, à semelhança das pessoas são sistemas abertos, estão em permanente interação com o ambiente que as cerca, que as estimula ou condiciona que lhes cria contextos de aprendizagem. A educação de qualidade é uma busca constante das instituições de ensino, para que isso se torne realidade são necessárias ações que sustentem o trabalho em equipe. As organi-zações precisam cada vez mais de profissionais responsáveis, dinâmicos e inteligentes, com habilidades para resolver problemas e tomar decisões. Um desses profissionais é o coordenador pedagógico, que tem que ir além do conhe-cimento teórico, pois para acompanhar o trabalho pedagógico e estimular os professores é necessário percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos e professores, tendo que se manter sempre atualizado, buscando fontes de informações e refletindo sobre sua prática como nos fala Nóvoa (1992: 36) “a experiência não é nem formadora nem produtora. É a reflexão sobre a experiência que pode provocar a produção do saber e a formação”. Com esse pensamento ainda é necessário destacar que o trabalho deve acontecer com a colaboração de todos, assim o coordenador deve estar preparado para mudanças e sempre pronto para mo-tivar a sua equipe. O trabalho em equipe é fonte inesgotável de superação e valorização do profissional. A atribuição essencial do coordenador pedagógico está associada ao processo de for- mação em serviço dos professores. Processo denominado de Educação Continuada, tanto nos textos oficiais de secretarias municipais e estaduais de educação, como na literatura recente sobre formação em serviço. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humano, como práticas que se transformam constantemente. A formação continuada de professores justifica-se para que se criem condições gera-doras de competências e inovações para intervenções propositivas nas situações que vão ocor-rendo. É uma concepção de formação que faz das práticas profissionais dos professores con-textos de “requalificação do coletivo de trabalho.” (NÓVOA, 1992: 32). É o conhecimento construído naquilo que Schon (1987 apud ALARCÃO 2008) designa por reflexão na ação e reflexão sobre a ação e sobre a reflexão na ação. Os professores devem ser agentes ativos de seu próprio conhecimento e o contexto de trabalho deve propiciar espaços de requalificação da competência profissional. A formação continuada visa incentivar a postura de sujeitos críticos, reflexivos e transformadores, capazes de refletir sobre suas ações, com vistas a produzir saberes que lhes permitam avançar em práticas pedagógicas mais significativas e relevantes para atender as demandas da sociedade. Durante o estágio em Coordenação Pedagógica, percebemos que a escola não promo- via essa ação pedagógica, surgindo então, a necessidade de pesquisar sobre a temática O papel do coordenador pedagógico enquanto agente articulador da formação continuada dos professores, uma vez que sabemos da importância da formação continuada para a efetivação de uma práxis docente mais refletida e comprometida, contribuindo para a melhoria da educa-ção. Este estudo teve como problema a seguinte questão: A articulação que o coordenador pedagógico desenvolve na escola contribui para o processo de formação de professores. Sendo assim, teve como objetivo geral: Analisar o processo de articulação do coorde-nador pedagógico frente à formação continuada de professores. Nesse sentido, para possibili-tar a investigação fez-se necessário desmembrar este objetivo geral em três específicos: • Investigar o contexto histórico da função do supervisor / coordenador pedagógico e suas implicações para a formação continuada de professores; • Refletir a concepção de formação continuada que o quadro docente e a equipe gesto-ra da escola apresentam; • Identificar como ocorre a articulação do coordenador pedagógico no momento de promover a formação continuada de professores na escola. Saviane (2002), aborda a trajetória do supervisor pedagógico desde a chegada dos jesuítas no Brasil, com o plano de ensino adotado por eles Rátio Studiorum, trazendo a função supervisora por TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 68 meio de uma figura de-nominada prefeito geral de estudos. Com as reformas ocorridas na educação a função supervi-sora recebeu outras denominações como: diretor de estudos e comissários, inspetor escolar e por fim o supervisor, sendo que a sua função era de fiscalizar e controlar o trabalho do profes-sor, até ganhar o nome de coordenador para retirar a idéia de fiscalizador e controlador. Medeiros; Rosa (1987), apresenta as discussões dos ENSEs , encontros que carac- terizaram o momento de voz dos supervisores e educadores nos quais puderam expor suas experiências e propor alternativas para um novo atuar na educação, visando uma ação demo- crática. Minayo (2001), que aborda a importância da pesquisa para a educação, visando eluci-dar dúvidas, sem a pretensão de quantificar os fatos. Fusari (2008) discute a importância da escola como lócus de formação contínua e o coordenador pedagógico sendo um dos profissionais responsável por articular esse processo, cabendo ao professor a responsabilidade pelo seu processo de formação. Nóvoa (1992), fala da importância da formação de professores centrada na escola, baseada na trilogia de Schon, da reflexão na ação, da reflexão sobre a ação e da reflexão sobre a reflexão na ação. Imbernóm (2009 e 2010) discute a importância da formação continuada centrado nos professores e nas situações problemáticas de seu trabalho, destacando também a importância de outros fatores que contribuem para o desenvolvimento profissional do professor como: salário, nível de participação e decisão, carreira, clima de trabalho etc. Vasconcelos (2009) aborda uma visão diferenciada do supervisor, não mais aquele fis- calizador, controlador do professor, mas, um supervisor coordenadorarticulador do trabalho pedagógico na escola, que trabalha junto aos professores, discutindo com eles os problemas e as possíveis soluções para a melhoria do ensino – aprendizagem. Garrido (2008), ressalta que o trabalho do professor coordenador é essencialmente a formação continuada em serviço, ao promover a reflexão dos professores sobre suas práticas docentes, está favorecendo a tomada de consciência dos professores. A autora destaca a im- portância de um espaço coletivo e formador para o coordenador, no qual ele possa refletir sobre sua prática, trocar experiência e crescer profissionalmente. Contudo, outros autores con- tribuíram de forma significativa com este estudo, como Alarcão (2008), Almeida (2006), C-hristov (2006), Lima (2008), Pimenta (1999), Santos (2008). ANOTAÇÕES TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 69 Para se analisar os vários conceitos que envolvem o processo ensino-aprendizagem é necessário ter-se em mente as diferentes épocas nas quais estes se desenvolveram, como também compreender sua mudança no decorrer da história de produção do saber do homem. O conceito de aprendizagem emergiu das investigações empiristas em Psicologia, ou seja, de investigações levadas a termo com base no pressuposto de que todo conhecimento provém da experiência(1). Ora, se o conhecimento provém de outrem, externo ao indivíduo, isto significa afirmar o primado absoluto do objeto e considerar o sujeito como uma tábula rasa, como um ser vazio, sem saberes e com a função única de depositário de conhecimento. Este conceito inicial é baseado no positivismo que influenciou diferentes conhecimentos, entre eles o behaviorismo. Neste, a aprendizagem se dá pela mudança de comportamento resultante do treino ou da experiência. E se sustenta sobre os trabalhos dos condicionamentos respondente e, posteriormente, operante. Para refutar estes conceitos que determinam o ser humano como passivo e não produtor, surge a Gestalt, racionalista. Neste momento histórico não se fala em aprendizagem mas em percepção, posto que tal corrente não acredita no conhecimento adquirido, mas defende o conhecimento como resultado de estruturas pré- formadas, do biológico do indivíduo. Por fim, há de se chegar à psicologia genética tendo como representantes nomes como Piaget, Vygotsk e Wallon e que segundo Giusta, levam a uma concepção de aprendizagem a partir do confronto e colaboração do conhecimento destes três: empirismo, behaviorismo e gestáltico. Atualmente, não só na área da educação mas também em outras áreas, como a da saúde, pensa-se no indivíduo como um todo – paradigma holístico. Parte-se de uma visão sistêmica e portanto, amplia-se o conceito de educação, o conceito do processo de ensino-aprendizagem. O processo de ensino-aprendizagem tem sido historicamente caracterizado de formas diferentes que vão desde a ênfase no papel do professor como transmissor de conhecimento, até as concepções atuais que concebem o processo de ensino-aprendizagem com um todo integrado que destaca o papel do educando. As reflexões sobre o estado atual do processo ensino-aprendizagem nos permite identificar um movimento de ideias de diferentes correntes teóricas sobre a profundidade do binômio ensino e aprendizagem. Entre os fatores que estão provocando esse movimento podemos apontar as contribuições da Psicologia atual em relação à aprendizagem, que leva todos a repensar a prática educativa, buscando uma conceptualização do processo ensino-aprendizagem. Apesar de tantas reflexões, a situação atual da prática educativa das escolas ainda demonstra a massificação dos alunos com pouca ou nenhuma capacidade de resolução de problemas e poder crítico-reflexivo, a padronização dos mesmos em decorar os conteúdos, além da dicotomia ensino- aprendizagem e do estabelecimento de uma hierarquia entre educador e educando. A solução para tais problemas está no aprofundamento de como os educandos aprendem e como o processo de ensinar pode conduzir à aprendizagem. Acrescenta-se ainda que a solução está em partir da teoria e colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo de forma crítica-reflexiva-laborativa: crítica e reflexiva para pensar os conceitos atuais e passados e identificar o que há de melhor; laborativa não só para mudar como também para criar novos conhecimentos. “Para que se repensem as ciências humanas e a possibilidade de um conhecimento científico humanizado há que se romper com a relação hierárquica entre teoria, prática e metodologia. Teoria e prática não se cristalizam, mas se redimensionam, criam e são também objetos de investigação. Nesse sentido, pesquisa é a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino/aprendizagem e a atualiza”. (DIAS, 2001) Paulo Freire apud DIAS diz que daí que seja tão fundamental conhecer o conhecimento existente quanto saber que estamos abertos e aptos à produção do conhecimento ainda não existente. Ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses dois momentos do ciclo gnosiológico: o que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. A dodiscência – docência-discência – e a pesquisa, indicotomizáveis, são assim práticas requeridas por estes momentos do ciclo gnosiológico. Pensar nesse processo ensino- aprendizagem de forma dialética associando-se à pesquisa promove a formação de novos conhecimentos e traz a ideia de seres humanos como indivíduos inacabados e passíveis de uma curiosidade crescente – aqui considerada como uma curiosidade epistemológica, uma capacidade de refletir criticamente o aprendido – capaz de levar a um continum no processo ensinar-aprender. No processo pedagógico alunos e professores são sujeitos e devem atuar de forma consciente. Não se trata apenas de sujeitos do processo de conhecimento e aprendizagem, mas de TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 70 seres humanos imersos numa cultura e com histórias particulares de vida. O aluno que o professor tem à sua frente traz seus componentes biológico, social, cultural, afetivo, linguístico entre outros. Os conteúdos de ensino e as atividades propostas enredam-se nessa trama de constituição complexa do indivíduo. O processo de ensino-aprendizagem envolve um conteúdo que é ao mesmo tempo produção e produto. Parte de um conhecimento que é formal (curricular) e outro que é latente, oculto e provém dos indivíduos. Todo ato educativo depende, em grande parte, das características, interesses e possibilidades dos sujeitos participantes, alunos, professores, comunidades escolares e demais fatores do processo. Assim, a educação se dá na coletividade, mas não perde de vista o indivíduo que é singular (contextual, histórico, particular, complexo). Portanto, é preciso compreender que o processo ensino-aprendizagem se dá na relação entre indivíduos que possuem sua história de vida e estão inseridos em contextos de vida próprios. Pela diversidade individual e pela potencialidade que esta pode oferecer à produção de conhecimento, consequentemente ao processo de ensino e aprendizagem, pode-se entender que há necessidade de estabelecer vínculos significativos entre as experiências de vida dos alunos, os conteúdos oferecidos pela escola e as exigências da sociedade, estabelecendo também relações necessárias para compreensão da realidade social em que vive e para mobilização em direção a novas aprendizagens com sentido concreto(2). Pensar cada indivíduo como um contribuinte no processo de ensinar-aprender é participar da colocação de Giusta sugerindo que se deve superar a dicotomia transmissão x produção do saber levando a uma concepção de aprendizagem que permite resgatar: a) a unidade do conhecimento,através de uma visão da relação sujeito/objeto, em que se afirma, ao mesmo tempo, a objetividade do mundo e a subjetividade; b) a realidade concreta da vida dos indivíduos, como fundamento para toda e qualquer investigação. Lembrando que o processo ensino- aprendizagem ocorre a todo momento e em qualquer lugar questiona-se então neste processo, qual o papel da escola? Como deve esta deve ser considerada? E qual o papel do professor? É função da escola realizar a mediação entre o conhecimento prévio dos alunos e o sistematizado, propiciando formas de acesso ao conhecimento científico. Nesse sentido os alunos caminham, ao mesmo tempo, na apropriação do conhecimento sistematizado, na capacidade de buscar e organizar informações, no desenvolvimento de seu pensamento e na formação de conceitos. O processo de ensino deve, pois, possibilitar a apropriação dos conteúdos e da própria atividade de conhecer. A escola é um palco de ações e reações, onde ocorre o saber-fazer. É constituída por características políticas, sociais, culturais e críticas. Ela é um sistema vivo, aberto. E como tal, deve ser considerada como em contínuo processo de desenvolvimento influenciando e sendo influenciada pelo ambiente, onde existe um feedback dinâmico e contínuo. É neste ambiente de produções e produto que se insere o professor, o educador, não como um indivíduo superior, em hierarquia com o educando, como detentor do saber-fazer, mas como um igual, onde o relacionamento ente ambos concretiza o processo de ensinar-aprender. O papel do professor é o de dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo. É seu dever conhecer como funciona o processo ensino-aprendizagem para descobrir o seu papel no todo e isoladamente. Pois, além de professor, ele será sempre ser humano, com direitos e obrigações diversas. Pensar no educador como um ser humano é levar à sua formação o desafio de resgatar as dimensões cultural, política, social e pedagógica, isto é, resgatar os elementos cruciais para que se possa redimensionar suas ações no/para o mundo. Ainda no processo da história da produção do saber, permanece na atualidade o desafio de tornar as práticas educativas mais condizentes com a realidade, mais humanas e, com teorias capazes de abranger o indivíduo como um todo, promovendo o conhecimento e a educação. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 71 O VALOR PEDAGÓGICO DA RELAÇÃO PROFESSOR‐ALUNO Diante das grandes transformações e dos conflitos que permeiam a nossa sociedade hoje, e que exige a escola, mais especificamente, a sala de aula, precisamos levar até a mesma o confronto através do diálogo e da troca de argumentos, instrumentos indispensáveis à educação desse novo milênio. Nesse sentido, cabe resgatar no contexto da prática pedagógica o valor da relação dialógica entre professor-aluno que é fundamental para a produção do conhecimento em termos qualitativos e para a descoberta do outro. Sabemos que a sala de aula é um espaço de interação entre pessoas - professor e alunos, alunos entre si - cada qual com sua forma própria de percepção e de conhecimento da realidade. Nessa relação pedagógica, compete ao professor o papel de mediados entre o conhecimento escolar e o aluno, considerado como alguém que já possui determinadas noções e informações sobre o objeto a ser estudado. Não é o professor que define todo o plano do ensinar A questão da excelência do processo de ensino-aprendizagem não é algo que pode ser garantido apenas pelo professor e pelas suas estratégias didático-pedagógicas. Ela é uma conquista e supõe o diálogo, a participação efetiva do aluno e, sobretudo, a construção de relações de proximidade e empatia com os estudantes. Muitos professores vivem dramas terríveis porque não conseguem atrair e construir sentido e significado para seu projeto pedagógico. Não são poucas as estratégias que implementam no sentido de fazer com que os alunos apresentem interesse e vontade de aprender os conteúdos que ministra e as atividades que realizam. Há casos em que os próprios alunos boicotam as aulas, constroem estratégias para driblá-las e apresentam-se apáticos para as mesmas. Fica evidenciado que não basta ter um plano de aula bem estruturado, organizado e fundamentado. Da mesma forma, fica revelado que o plano do ensinar e do aprender supõe a construção de relações de proximidade, empatia e significado que vão além dos conteúdos estabelecidos pelo professor e de suas estratégias didático-pedagógicas. A construção dessas relações tem a ver com a concepção e a prática docente no que se refere ao próprio processo de ensino-aprendizagem e ao modo como os professores vêem os alunos, seu lugar e papel na ação pedagógica. As visões sobre o ensino-aprendizagem e a relação professor-aluno Afirmei que o plano de ensino-aprendizagem não garante necessariamente excelência na formação dos educandos. Ela é decorrente também das relações que o professor constrói com seus alunos e alunas, relações essas de proximidade, empatia e significado. Contudo, a construção dessas relações, a sua qualidade e consistência, bem como seus impactos no processo de ensino-aprendizagem, dependem da concepção que os professores apresentam do ensino e da aprendizagem, do modo como concebem seu papel, o papel dos alunos e como consideram o pensar e o fazer docente no contexto escolar. Nesse sentido, grosso modo, pode-se falar em duas concepções e práticas: uma autoritária e antidemocrática, ancorada numa visão de que o professor é “dono” do saber, é ele que detém o poder do conhecimento; é ele que sabe o caminho através do qual se ensina e se aprende. Essa visão, naturalmente, vai produzir um tipo de relação também autoritária com os alunos, uma vez que estes são vistos como “latas” onde o professor “sabe tudo” despeja seus conhecimentos e saberes. Estabelece-se assim uma relação pautada no autoritarismo e no não diálogo. O ensinar e o aprender assumem um caráter “bancário” e antidialógico, como dizia Paulo Freire (1987). A relação que se constrói não é de empatia e proximidade, mas de negação do outro como legítimo outro (MATURANA, 1998). O aluno, segundo essa visão, é visto como objeto da ação pedagógica e não como sujeito. A segunda concepção e prática docente referente ao processo de ensino–aprendizagem pode ser caracterizada como dialógica (FREIRE, 1987). Essa concepção parte de outro pressuposto, onde a atitude dialógica é, antes de tudo, uma atitude de amor, humildade e fé no ser humano, no seu poder de fazer e de refazer, de criar e de recriar. Portanto, o “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção", (FREIRE, 1996, p. 21); o aprender, nessa perspectiva dialógica, é mais que uma relação de saber; é relação de existência de vida; aprender é uma modificação estrutural não do comportamento, mas da convivencia (MATURANA,1998). O processo de ensino-aprendizagem decorre então de uma relação entre parceiros, onde todos ensinam e todos aprendem. Numa relação como essa, onde professores e alunos se sentem acolhidos em seus saberes e experiências, constroem juntos o conhecimento, alegram-se juntos pelas descobertas que fazem, percebem juntos o movimento da vida e da convivência no ato de ensinar e aprender coletivamente, produzindo proximidade, empatia e significado. Nesse sentido, a proximidade e a empatia podem ser consideradas como um instrumento da TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 72 dialogicidade, na medida em que, quando nos juntamos para, parceiramente, descobrir, conhecer, resolver problemas, ficar juntos e referendar o outro no seu jeito de ver o mundo, de explicá-lo e mobilizar as experiências e saberes de que é portador, vivenciamosuma relação ontológica, uma relação de totalidade do ser, existencialmente produtiva, nunca uma busca objetivista do conhecimento, muito menos um esforço de uso do parceiro (FONSECA, 2000). Sabendo que a construção de relações de proximidade, empatia e significado, no processo de ensino-aprendizagem, será sempre um desafio, visto que é contextualizada, isto é, precisa considerar a história, o ambiente, as trajetórias formativas de professores e alunos, seus saberes e experiências, etc., pode-se apontar algumas recomendações que podem contribuir na superação do desafio de construir relações de proximidade e empatia, e perseguir a excelência no ensinar e no aprender. 1 – É preciso adotar uma postura dialógica, fundada na construção parceira do saber e na afirmação da vida de cada ator do processo educativo; 2 – Construir coletivamente um ambiente de aprendizagem onde todos possam ser escutados, sentirem-se acolhidos e valorizados em seus saberes e experiências, implicando o conhecimento das histórias, trajetórias, perfil dos alunos, de seus gostos, problemas e dificuldades; 3 – Estabelecer, em cada aula ou espaço de ensino-aprendizagem, condições alegres e bonitas para se trabalhar, vivenciando momentos de inquietação epistemológica, produção individual e coletiva, sistematização e valorização das descobertas, procurando identificar os significados da convivência pedagógica; 4 – Trabalhar o gosto pela curiosidade e a investigação, motivando e fomentando atitudes e práticas produtivas, procurando dar um sentido social para a produção do saber; 5 – Criar espaços de avaliação, entendendo-a não só como aferição de resultados do ensino-aprendizagem, mas como identificação dos sentidos e significados do saber e do fazer epistemológico e social. Reforçando a ideia de que não haverá excelência no processo de ensino-aprendizagem se não houver uma busca permanente por uma excelência nas relações de convivência, no ambiente ou espaço de aprendizagem, entre professores e alunos. É no espaço da convivência, onde se dá a proximidade e a empatia, que o ato de ensinar e aprender se efetiva, ganha sentido e significado. A relação professor-aluno na construção do conhecimento. É imprescindível pensar a escola como um espaço onde ocorrem as mais variadas inter- relações, pois a instituição escolar ao longo dos anos já passou por várias mudanças em suas relações de convivências, seja entre escola / professor, escola / aluno, aluno / aluno e professor / aluno e essas relações mudaram com o tempo e as mudanças ficaram visíveis através das Tendências Pedagógicas, que cada tendência tem suas características próprias e definem bem as relações interpessoais no âmbito escolar. Conhecimento definido por Melhoramentos (1997) como ideia, noção, informação, notícia, ciência, consciência da própria existência. Nesse sentido o governo, as secretarias de educação e as escolas em si desenvolvem inúmeros projetos e programas para que o conhecimento chegue até aos educadores e também educandos, mas para que essa relação ocorra é necessário ter um professor fazendo a mediação entre o que o projeto ou programa pretende desenvolver e o aluno, caso contrário à construção do conhecimento não se dá de forma consistente. Entre tantos os projetos do governo federal pode-se citar o Brasil Alfabetizado que representa um portal de entrada na cidadania, articulado diretamente com o aumento da escolarização de jovens e adultos e promovendo o acesso à educação como um direito de todos em qualquer momento da vida. O programa enfatiza a qualidade e o maior aproveitamento dos recursos públicos investidos na educação de jovens e adultos. Em nível de Secretaria de Educação do município de Valparaíso de Goiás pode-se citar o Projeto ABC, que prevê sondagem de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental quanto aos níveis da psicogênese para posterior abordagem e retomada nas estratégias para a construção do conhecimento. A escola é um espaço em que projetos direcionados são desenvolvidos e em nível de escola pode-se relatar o projeto Com viver que visão a recepção dos alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, de forma dinâmica e prazerosa pelos professores e demais funcionários, onde esse primeiro contato favorece a relação entre professor, alunos e demais funcionários da escola. Na tendência pedagógica Liberal Tradicional a relação professor aluno se dá pela extrema autoridade do professor, pois somente o professor é quem dispõe de todo o conhecimento, enquanto que o aluno tem a obrigação de receber e aceitar como sendo uma verdade pronta e que em hipótese alguma mudará. Os alunos não se relacionam entre si, pois o professor não permite que isso ocorra, entende-se que ele não tem conhecimento prévio e que qualquer TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 73 forma de comunicação entre os alunos vai atrapalhar o desenvolvimento das aulas. A escola prepara o aluno moral e intelectualmente para atuar na sociedade, mas não trabalha de maneira a abordar o que está acontecendo na sociedade e tão pouco o que os alunos vivenciam, mostrando assim uma relação totalmente alheia à realidade verdadeira da sociedade a qual os alunos integram. Na tendência Liberal Renovada Progressivista o professor dar oportunidade para que o aluno desenvolva-se de forma livre e espontânea, intervindo somente quando esta intervenção é para auxiliar no crescimento do aluno. Os alunos relacionam-se, trocam ideias e conscientizam-se sobre o seu papel perante a sociedade e a escola funciona como agente mediador daquilo que eles buscam, abrindo espaço para realizarem os seus interesses sociais. Na tendência Liberal Renovada Não- diretiva o professor mantém um clima estável com os alunos, não intervindo e nem confrontando-os, pois entende-se que qualquer forma de intervenção ameaçará e inibirá o desenvolvimento do educando. Os alunos trocam experiências entre si para a busca de seu pleno desenvolvimento e auto- realização. A escola tem relação direta com a sociedade para que os alunos tomem atitude social. Na tendência Liberal Tecnicista o professor mantém uma relação técnica com o aluno, repassando somente o necessário para que ele busque aprender. O aluno recebe de forma passiva sem questionar. O lado pessoal e afetivo de cada um pouco importa. A relação aluno-aluno não há, pois eles não discutem, não questionam. A relação escola sociedade é bastante acentuada, pois a escola prepara esses indivíduos para integrarem o que a sociedade está exigindo que é a mão-de-obra qualificada. Na tendência Progressista Libertadora o professor é alguém que está bem próximo do aluno, sem despertar qualquer forma de autoridade, pois entende-se que com a postura autoritária o professor inviabilizará o seu trabalho. Portanto é necessário que o professor compreenda a realidade do povo e coloque-se no lugar deles. Os aluno interagem entre si, havendo discussão dos pontos de vistas que estes estão abordando. A relação escola sociedade é de extrema cumplicidade, pois os alunos têm a liberdade para estudarem aquilo que está enfocada no momento histórico social, para a construção de uma consciência de liberdade. Na tendência Progressista Libertária o professor atua como conselheiro e orientador dos alunos, mesmo não fazendo parte diretamente da realidade social do aluno. O professor insere-se ao grupo e há sempre uma reflexão comum entre professor e aluno. A relação aluno-aluno ocorre de maneira autêntica, onde eles trocam ideias e interagem uns com os outros. A escola pretende transformar a sociedade a partir da conscientização dos alunos que difundirão os pensamentos de liberdade em toda a sociedade. Na tendência Progressista Crítico-social dos Conteúdos o professor a princípio expõe ao aluno o que sabe e isso é confrontado com o conhecimento prévio do aluno em busca denovos conhecimentos. Em um segundo momento o professor adequa o saber a realidade cultural de cada comunidade, onde o aluno interage de maneira crítica e questionadora buscando sempre a verdade. A relação aluno-aluno é de troca de experiência. A relação que a escola tem com a sociedade é de suma importância, pois os conteúdos aprendidos pelos alunos é que vão garantir a ele a igualdade perante a sociedade. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 99) enfatiza que: Para que uma aprendizagem significativa possa acontecer, é necessária a disponibilidade para o envolvimento do aluno na aprendizagem, o empenho em estabelecer relações entre o que já sabe e o que está aprendendo, em usar os instrumentos adequados que conhece e dispõe para alcançar a maior compreensão possível. Essa aprendizagem exige uma ousadia para se colocar problemas, buscar soluções e experimentar novos caminhos, de maneira totalmente diferente da aprendizagem mecânica, na qual o aluno limita seu esforço apenas em memorizar ou estabelecer relações diretas e superficiais. A aprendizagem significativa depende de uma motivação intrínseca, isto é, o aluno precisa tomar para si a necessidade e a vontade de aprender. Aquele que estuda apenas para passar de ano, ou para tirar notas, não terá motivos suficientes para empenhar-se em profundidade na aprendizagem. A disposição para a aprendizagem não depende exclusivamente do aluno, demanda que a prática didática garanta condições para que essa atitude se manifeste e prevaleça. Primeiramente, a expectativa que o professor tem do tipo de aprendizagem de seus alunos fica definida no contrato didático estabelecido. Se o professor espera uma atitude curiosa e investigativa, deve propor prioritariamente atividades que exijam essa postura, e não a passividade. Deve valorizar o processo e a qualidade, e não apenas a rapidez na realização. Deve esperar estratégias criativas e originais e não a mesma resposta de todos. O que os Parâmetros Curriculares Nacionais ressaltam é a necessidade de o professor contextualizar suas aulas para que o aprendizado do aluno não ocorra de forma estanque sem significação e o aluno passe a ter interesse pelo aprendizado, uma vez que ele encontra vínculo com a sua realidade. Incita também o educador a ousar e angariar soluções aos mais diversos problemas encontrados durante o processo pedagógico, pois além de levar o aluno a resolver situações TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 74 problemas, ganhará o educador outras habilidades, a de investigar, refletir sobre a prática pedagógica. O foco maior da escola é sem dúvida o aluno e partindo desse princípio foi buscado em Vygotsky o seu pensamento a cerca da relação professor/aluno, que não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor/aluno, mas também a relação aluno/aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bem próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um “empurrão”. O educador restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na zona de Desenvolvimento Proximal. Vygotsky acreditava que a Zona de Desenvolvimento Proximal já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando seja satisfatória. Para isso o professor tem que interferir na Zona de Desenvolvimento Proximal do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotsky, essa se dava através da linguagem. Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade d acriança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não tem paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontâneo de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa ideia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor/aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emília Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir dasestruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor/aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 75 desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmica dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto. As relações humanas, embora complexas, são fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. Desta forma, a análise dos relacionamentos entre professor/aluno envolve interesses e intenções, se esta interação o expoente das consequências, pois o desenvolvimento comportamental e agregação de valor nos membros da espécie humana. Neste sentido, a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos, organização, sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. No entanto este paradigma deve ser quebrado, é preciso não limitar este estudo em relação ao comportamento do professor com resultados do aluno, devendo introduzir processos construtivos como mediadores para as limitações do paradigma do processo-produto. Segundo Gadotti (1999, p.29) “o educador para por em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida”. Desta maneira, o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é uma tarefa que se cumpre com satisfação, sendo que em alguns casos é encarada como obrigação. Para que isso possa ser melhor cultivado, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da observação de informações, mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. É necessária a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador da aprendizagem, aberto às novas experiências, procurando compreendê-los numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los à auto-realização. De modo concreto, não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. O papel do professor consiste em agir com intermediação entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. O trabalho do professor em sala de aula, seu relacionamento com os alunos é expresso pela relação que ele tem com a sociedade e com a cultura. ABREU & MASETTO (1999), afirma que é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos, fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por vez reflete valores e padrões da sociedade. O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos casam, não dormem. Cansam por não acompanhar as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas. (FREIRE, 1996). Apesar da importância da existência de afetividade, confiança, empatia e respeito entre professores e alunos para que se desenvolva a leitura, a escrita, a reflexão na aprendizagem e a pesquisa autônoma. Logo, a relação entre professor e aluno depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir, discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o conhecimento. Indica também, que o professor, educador da era industrial com raras exceções, deve buscar educar para as mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global, trabalho o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. O processo de tomada de decisão, as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão tem como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referências tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticas e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não der atenção aos aspectos internos e dinâmica organizacional, relações humanas, práticas formativas, procedimentos e avaliação, visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. Assim, a partir dessa interação, a escola vai adquirindo na vivência do dia- a-dia, traços culturais próprios, vai formando crenças, valores, significados, modos de agir, práticas. (LIBÂNEO, 2001). TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 76 Piaget e Vygotsky dão bastante ênfase ao ato de brincar, pois na brincadeira se trabalha pontos essenciais para a formação do educando, tais como a aquisição de novos conhecimentos, além de melhorar a atenção, a concentração, o equilíbrio e entre outros tópicos fundamentais para o desenvolvimento do aluno. Percebe-se o quanto é importante a formação do professor de Educação Infantil, uma vez que este trabalha com o aluno nas primeiras fases do seu desenvolvimento e o profissional qualificado saberá precisar que tipo de atividade é necessária desenvolver para atingir os objetivos com o educando. Ao brincar de faz de conta a criança põe em prática o jogo simbólico que tem como características a liberdade de regras, o desenvolvimento da imaginação e da fantasia e entre outros aspectos que ajudam o aluno a exercitar a sua capacidade de pensar, além de melhorar suas habilidades motoras nos momentos de representação desse jogo. Piaget destaca que os jogos infantis são caracterizados por quatro estruturas: jogo de exercício, jogo simbólico/dramático, jogo de construção e jogo de regras, ressalta a importância do conteúdo e das regras de um jogo. Vygotsky afirma que o desenvolvimento cognitivo resulta da interação entre a criança e as pessoas com quem mantém contatos regulares, o que ele chama de Zona de Desenvolvimento Proximal e que geralmente nos jogos o aluno vive essa fase do desenvolvimento e quando a criança participa de um jogo simbólico ela representa adultos por meio de comportamentos e papéis. Piaget destaca que a imaginação da criança não é mais do que atividade deformante da realidade enquanto que para Vygotsky a criança desenvolve o comportamento combinatório a partir do que conhece e na interação com o meio. Os estágios e períodos do desenvolvimento da criança segundo Piaget são divididos em estágio sensório-motor que vai de 0 a 2 anos; estágio pré- operacional, de 2 a 6 anos; estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 anos e estágio das operações formais que vai dos 12 anos em diante, embora Piaget não coloque essas idades como via de regra, podendo oscilar. Quanto ao papel do educador, este deve ser de formação e integração, proporcionando um ambiente adequado ao jogo infantil, selecionar materiais adequados, permitindo a repetição dos jogos, enriquecendo e valorizando os jogos realizados pelos alunos, além de respeitarpreferências de cada indivíduo e não reforçar papéis sexistas e ou outros valores do professor. O professor deve ser um motivador e facilitador, na escola tradicional o aluno não fazia parte deste processo, o professor era autoritário, o aluno apenas decorava o conteúdo, já na escola nova o aluo é construtor deste conhecimento e o professor passou a ser um observador e mediador entre o ensino e a aprendizagem. Vygotsky nesta construção acreditava que ela se dava no ambiente social, ele postula que a criança já nasce num mundo social e desde o nascimento, vai formando uma visão de mundo através da interação com os adultos ou crianças mais experientes, para ele procede do social para o individual, já para Piaget os conhecimentos são elaborados espontaneamente pela criança de acordo com o estágio de desenvolvimento em que esta se encontra em sua concepção, a construção do conhecimento procede do individual para o social. Nesta busca de facilitar esta construção, inovando, trazendo o lúdico, valorizando a vivência para assim o conteúdo ser significativo. Cabe a escola ser dinâmica sempre visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. Segundo Libâneo a instituição escolar deve ser aberta e que estes processos sejam construídos por toda equipe do âmbito educacional, pais e comunidade em prol da construção do conhecimento e de uma relação que favoreça a aprendizagem do aluno. A relação professor/aluno na atual estrutura escolar Vamos refletir sobre o papel do professor do século XXI a partir dos questionamentos: a) a relação professor-aluno; b) a diferença entre educação, ensino, instrução e treinamento a partir dos meios de multimídia e c) a informática na educação e o microcosmos da sala de aula. É importante ressaltar que as reflexões apresentadas têm como base a leitura de uma série de textos selecionados nas aulas de Sociologia da Educação. Assim, pode-se ter uma visão intertextual de algumas das reflexões aqui propostas, dialogando sempre com os autores lidos e exercendo a crítica, a fim de que o trabalho seja uma ponte entre a teoria e a prática educacional do século XXI. É real a afirmação da professora Malca Dvoira Beider quando diz que poucos se lembraram de alguém que exerce uma função social de alta complexidade, lutando pela sobrevivência da cultura e do saber, em condições nem sempre favoráveis - o professor. Com essa afirmação, Malca inicia seu artigo sobre a triste constatação de que o Dia do Professor passou em branco. Por que a sociedade esqueceu- se desse dia? Por que não valorizarmos aqueles que nos incentivaram à prática da leitura, ao interesse TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 77 pelos números, à curiosidade pelo corpo humano, à investigação pelos fatos, ao encantamento pelas línguas e à descoberta dos espaços habitados e inabitados? Por quê? Não poderíamos deixar de lado a atual situação da educação no Brasil e da relação professor-aluno, que reflete o que ocorre fora do ambiente escolar. Quantos professores sentiram na pele a discriminação de alguns alunos em relação ao seu papel em sala de aula? Quantos se perguntaram - "o que estou fazendo aqui?" - e obtiveram como resposta sempre a mesma afirmação: "eu gosto de lecionar, adoro conhecer pessoas, fazer algo por elas, adoro vê-las descobrindo coisas a partir das indagações propostas por mim ou pelo mundo", e, por último, dizem: "não saberia fazer outra coisa na vida". É fato que o professor, ao longo do tempo, foi perdendo prestígio e respeito perante a sociedade o que acabou afetando sua posição hoje na sala de aula. O que se vê agora como bem disse Paulo Freire é que as empresas estão se tornando cada vez mais escolas e as escolas, cada vez mais empresas. Dessa forma, o alunado, principalmente nas instituições privadas, vê no professor um funcionário pago por ele e acaba sentindo-se "patrão" direto dos mesmos. Atualmente, o aluno é quem manda, quem diz se gostou ou não de tal professor e funciona quase como um diretor paralelo, não escolhendo, mas eliminando alguns sujeitos da grade docente de determinadas escolas, sobretudo nas da rede particular de ensino. Essa situação não deve continuar. É preciso resgatar a imagem do professor e valorizar o seu importante papel na escola e na sociedade. É preciso resgatar a magia da leitura, falada por Rubem Alves (1999) Foi D. Iva - não sei se ela ainda vive - quem me ensinou que ler pode ser delicioso como voar ou como patinar. Ela lia para nós. Não era para aprender nada. Não havia provas sobre livros lidos. Era pura alegria. Poliana, Heidi, Viagem ao céu, O saci. Ninguém faltava, ninguém piscava. A voz de D. Iva nos introduzia num mundo encantado. O tempo passava rápido demais. Era com tristeza que víamos a professora fechar o livro. Por outro lado, há professores que, por medo, ignorância ou arrogância, não conseguem ter um bom relacionamento com os alunos e deixam de lado a aprendizagem afetiva, colocando em prática somente a pedagogia tradicional na qual o aluno é visto como uma folha em branco pronta para ser preenchida pelo digníssimo professor "sabichão". Nesse método, não há trocas. Não há críticas. Não há crescimento. Há platéia. Há ouvintes. Há fã- clube. Contudo, não é esse tipo de relacionamento, unilateral, que desejamos para os nossos jovens. Não é dessa forma que se ajuda alguém a contestar, a ter o direito a não concordar com as coisas, ou até de concordar, criticamente, com o assunto apresentado. O professor, do século XXI, deve funcionar como um facilitador no acesso a informações. Deve funcionar como um bom amigo que auxilia o sujeito a conhecer o mundo e seus problemas, seus fatos, suas injustiças e suas solidariedades, de forma que o aluno possa caminhar com liberdade de expressão e, conseqüentemente, de ação. Em contrapartida, o aluno deve respeitar o espaço escolar e valorizar o professor, sabendo aproveitar a magia do momento, o encantamento do aprender-ensinar-aprender. Portanto, o professor hoje é aquele que ensina o aluno a aprender e a ensinar a outrem o que aprendeu. Porém, não se trata aqui daquele ensinar passivo, mas do ensinar ativo no qual o aluno é sujeito da ação, e não sujeito-paciente. Em última instância, é preciso ficar evidente que o professor agora é o formador e como tal precisa ser autodidata, integrador, comunicador, questionador, criativo, colaborador, eficiente, flexível, gerador de conhecimento, difusor de informação e comprometido com as mudanças desta nova era. REGO (2001) nos mostra que os postulados de Vygotsky parecem apontar para a necessidade de criação de uma escola bem diferente da que conhecemos. Uma escola em que as pessoas possam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes. Onde há espaço para transformações, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade. Uma escola em que os professores e alunos tenham autonomia, possam pensar, refletir sobre o seu próprio processo de construção de conhecimentos e ter acesso a novas informações. Uma escola em que o conhecimento já sistematizado não é tratado de forma dogmática e esvaziado de significado. Assim deve ser a relação professor-aluno, o aluno precisa aprender a aprender e o professor precisa aprender a reaprender sempre. Educação, Ensino, Instrução E Treinamento DEMO (1994) diz que o aprender a aprender é fundamental, uma vez que a habilidade obtida em processos de mero ensino e de mera aprendizagem caracteriza-se pela cópia, pela imitação. Não se fazem "mestres", apenas aprendizes, executores de planos e projetos alheios, "fazedores" fidedignos. Disso resulta o "treinado", aquele trabalhador capaz de perfazer a tarefa como cópia perfeita no esquema do reflexo condicionado. Atualmente, muitas são as técnicas específicas de auxiliar o aprendera aprender. Antes de qualquer coisa é importante definir o que é aprender. DEPRESBITERIS (1999) nos esclarece que para os comportamentalistas, aprender é modificar comportamentos. Numa outra perspectiva, aprender é resolver problemas, é apropriar-se de respostas. Pessoas que defendem essa concepção acreditam que a inteligência não é um dom nem um acúmulo de saberes. Ela se constrói TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 78 no decorrer de um longo processo. A inteligência é, portanto, o resultado de uma construção progressiva, mas não estritamente cumulativa. Ela produz respostas em diferentes níveis. O educador dispõe de dois meios para desenvolver o aprender: transmitida seja assimilada por aquele a quem ela se destina. A descoberta pela experiência permite uma solução original pela própria pessoa que aprende. Nesta perspectiva, aprender é agir na direção de construir respostas para problemas, suplantar os conflitos cognitivos em um ambiente estimulador, tendo direito ao erro, descobrir fatores invariáveis e variáveis e se apropriar de raciocínios. Para aqueles que defendem uma aprendizagem significativa, o agir é um interagir consigo mesmo e com outras pessoas. Atentos à definição de uma aprendizagem significativa, podemos começar a pensar sobre a diferença entre educação, ensino, instrução e treinamento, a partir dos meios multimídias. É inegável que estamos vivendo uma nova era, a era tecnológica na qual o mundo encontra-se plugado e globalizado de tal forma que o profissional de hoje não deve ser mais o melhor da "turma", ou do bairro, ou da sua cidade, nem mesmo do seu país, mas sim o melhor do mundo. Da mesma forma, a educação não pode, simplesmente, ignorar os avanços dessa nova era tecnológica, deve sim acompanhar as mudanças e aproveitar os benefícios que essa nova realidade traz para si. Quando se fala em educação, fala-se em educação, em casa, na escola, na rua e na igreja. A educação se dá de várias formas e em vários lugares e contextos. Ao falarmos que fulano não tem educação, pois entrou em sala de aula - após o início da mesma - sem pedir licença à professora, estamos nos referindo à educação dos pais, à educação de casa, à educação informal. Por outro lado, quando - ao procurar um emprego - exige-se do candidato o diploma de ensino médio, e este não o tem, diz-se que não tem a educação necessária, a educação formal. Não podemos esquecer que esses são apenas uns dos muitos exemplos que poderiam ter sido apresentados para distinguir educação formal da informal. Na verdade, dependendo do exemplo dado, elas poderiam mudar de papel. Desse modo, nota-se que há várias teorias em torno do que seja educação. Para DURKHÜEIM (1972) a educação é uma ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social e tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança particularmente se destina. Essa definição é deveras tendenciosa e manipuladora, pois não leva em consideração os conhecimentos reais do educando, mas sim sua capacidade de adaptação à sociedade vigente, sem qualquer questionamento crítico. Alguns teóricos defendem a idéia de que a educação deve ser individualizada, uma vez que o homem seria o objeto central do processo educativo. Outros defendem a tese da educação comunitária, uma vez que o destino do homem é viver em sociedade. Contudo, há, ainda, os que acreditam na educação socializante pela qual o homem integra-se à comunidade de forma ativa e participativa, preservando assim tanto os seus interesses como os da comunidade em que vive. Assim, a educação hodierna tem que atender igualmente aos interesses do indivíduo e da comunidade. Nessa concepção NÉRICI (1993) diz: educação é o processo que visa a revelar e a desenvolver as potencialidades do indivíduo em contato com a realidade, a fim de levá-lo a atuar na mesma de maneira consciente (com conhecimento), eficiente (com tecnologia) e responsável (eticamente) a fim de serem atendidas as necessidades e aspirações da criatura humana, de natureza pessoal, social e transcendental. No que diz respeito à definição de ensino, esse é entendido como conseqüência da educação. Para NÉRICI (1993) ensino é o processo que visa a modificar o comportamento do indivíduo por intermédio da aprendizagem com o propósito de efetivar as intenções do conceito de educação, bem como habilitar cada um a orientar a sua própria aprendizagem, a ter iniciativa, a cultivar a confiança em si, a esforçar-se, a desenvolver a criatividade, a entrosar-se com seus semelhantes, a fim de poder participar na sociedade como pessoa consciente, eficiente e responsável. Para o professor José A .Valente, da Unicamp, informação é o fato, é o dado que encontramos nas publicações, na Internet ou trocando informações. O conhecimento é a informação interpretada, relacionada e processada. Logo, podemos partir para a diferença entre ensino, instrução e treinamento. Com o avanço tecnológico, o indivíduo encontra rapidamente informação, porém a informação só passará a ser conhecimento se esse for bem instruído, ou melhor, direcionado por um profissional da educação, para ajudá-lo a compreender que nem tudo que ele lê transformar- se-á em conhecimento, pois nem tudo que existe na rede é, primeiro de qualidade, e; segundo, de relevância educacional. O ensino confunde-se então com conhecimento e instrução; por esse prisma, confunde-se com a função do educador atual que é de facilitar a aprendizagem do educando. Por último, treinamento é algo que nos faz lembrar da teoria de condicionamento de Skinner na qual o educando é estimulado a aprender a partir da repetição de exercícios, seguida de recompensa. Também na rede podemos treinar e ser treinados, mas só poderemos nos instruir, ou nos educar se tivermos arreigados os conceitos de crítica e autonomia da educação, senão o que teremos é um enorme número de informações TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 79 desconexas e, com certeza, não é esse o objetivo da educação. Portanto, Gabriel Mario Rodrigues conclui muito bem seu ensaio quando diz: a tecnologia facilita a transmissão da informação, mas o papel do professor continua e continuará sendo fundamental para auxiliar o aluno a construir o conhecimento. Os que não entenderem essa nova realidade correm o risco de serem substituídos por uma máquina. O professor que trabalhar mais como um facilitador será insubstituível e inesquecível, como até hoje é, para qualquer de nós, a figura da primeira professora. Observamos que os dias atuais trazem inovações a cada minuto e que se ampliou o número de profissionais com diferentes funções na educação. Hoje temos o professor tradicional, aquele que professa; o educador, aquele que educa e o instrutor, aquele que instrui, geralmente, soa à tecnicismo esta nomenclatura, mas, no fundo é o que se tem na verdade; instrutores de informática, e não professores ou educadores de informática. Portanto, os educadores, que somos, devemos utilizar todos os recursos que o século XXI nos proporciona sem esquecer nunca, é claro, da intenção do uso feito deles. Assim, a educação deve ter sempre uma função humanitária e progressista e visar sempre à construção de um cidadão crítico, autônomo e seguro de seu espaço nesta sociedade, a fim de que possa reivindicar os seus direitos com a responsabilidade de seus deveres. A relação Professor/Aluno no processo de ensino e aprendizagem As relações humanas, embora complexas, são peças fundamentais na realização comportamental e profissional de um indivíduo. Desta forma, a análise dos relacionamentos entre professor/aluno envolve interesses e intenções, sendo estainteração o expoente das consequências, pois a educação é uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores nos membros da espécie humana. Neste sentido, a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos, organização, sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos. No entanto este paradigma deve ser quebrado, é preciso não limitar este estudo em relação comportamento do professor com resultados do aluno; devendo introduzir os processos construtivos como mediadores para superar as limitações do paradigma processo- produto. Segundo GADOTTI (1999: 2), o educador para pôr em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida. Desta maneira, o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é uma tarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação. Para que isto possa ser melhor cultivado, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenvolver das atividades. O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações, mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. Apesar de tal, para que isto ocorra, é necessária a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem, aberto às novas experiências, procurando compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los à auto-realização. De modo concreto, não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. O papel do professor consiste em agir com intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. O trabalho do professor em sala de aula, seu relacionamento com os alunos é expresso pela relação que ele tem com a sociedade e com cultura. ABREU & MASETTO (1990: 115), afirma que “é o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade”. Segundo FREIRE (1996: 96), “o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”. Ainda segundo o autor, “o professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. Apesar da importância da existência de afetividade, confiança, empatia e respeito entre TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 80 professores e alunos para que se desenvolva a leitura, a escrita, a reflexão, a aprendizagem e a pesquisa autônoma; por outro, SIQUEIRA (2005: 01), afirma que os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. Assim, situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como melhorar a nota deste, para que ele não fique de recuperação), apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia, não deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de opiniões”. Logo, a relação entre professor e aluno depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Indica também, que o professor, educador da era industrial com raras exceções, deve buscar educar para as mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global, trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais. ANOTAÇÕES TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 81 ANOTAÇÕES O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é seu primeiro compromisso com a sociedade. Sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho, nas associações de classes, na vida cultural e política. É uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a formação cultural e científica do povo, tarefa indispensável para outras conquistas democráticas. A característica mais importante da atividade profissional do professor é a mediação entre o aluno e a sociedade, entre as condições de origem do aluno e sua destinação social na sociedade, papel que cumpre provendo as condições e os meios. O sinal mais indicativo da responsabilidade profissional do professor é seu permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o ensino e as atividades de modo que estes dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, capacidades físicas e intelectuais, tendo em vista prepará-los para enfrentar os desafios da vida prática no trabalho e nas lutas sociais pela democratização da sociedade. (Libâneo,J.C.) O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente o de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes nas relações sociais, na família, no trabalho e na vida cultural e política. O professor deverá zelar para a aprendizagem dos alunos, constituir para os alunos e para a comunidade num exemplo de dedicação ao trabalho e a observância da ética. O trabalho docente visa também a mediação entre a sociedade e os alunos. Tem ainda certo posicionamento crítico e político. José Carlos Libâneo afirma que, como toda a profissão, o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 82 TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 83 OBJETIVOS A seleção dos objetivos de ensino é considerada um elemento fundamental noprocesso de planejamento da prática educativa, pois dá segurança ao educador, orientando a sua atuação pedagógica, ajudando-o na seleção dosmeios mais adequados para a realização de seu trabalho. Podemos definir objetivos educacionais como os resultados que o educador espera alcançar por meio de uma ação educativa intencional e sistemática. Historicamente, os objetivos de ensino têm assumido diferentes formas de elaboração (tendo em vista as Tendências da Educação: Tradicional, Escolanovista e Tecnicista). A partir da década de 70 (após o modelo de desenvolvimento econômico de 1964) pôde-se perceber, no sistema educacional brasileiro, uma grande ênfase na proposta behaviorista de formulação de objetivos educativos, presente no modelo pedagógico tecnicista, objetivos estes, que possam ser previstos, observados, medidos e comparados. As raízes deste modelo, remontam os E.U.A. nos anos 10, quando começou a apologia da administraçãocientifica (mais conhecida como ”taylorismo”). Segundo Castanho (1989), o movimento chegou logo à educação e com ele, a busca de eficiência na escola, à semelhança do que se fazia na fábrica. A visão da escola como empresa, primando pela eficiência, fabricando em séries, aceitando comportamentos esperados e repelindo comportamentos que fogem da previsão, passou a dominar em tal perspectiva. Esta ênfase exagerada com a formulação muito precisa dos objetivos educativos, pareceu se tornar suficiente para garantir a eficácia do desenvolvimento do processo de ensino, através do desenvolvimento de processos de aprendizagem necessários, em vez de tomá-los (os objetivos educativos) como o “(...) primeiro passo para estudar a ação que os processos de ensino têm que desenvolver para que, estimulando e guiando os processos de aprendizagem, o aluno alcance, de alguma forma, os objetivos propostos. O projeto consiste em prever o processo de ensino mais adequado para despertar o processo de aprendizagem nas condições precisas para que o aluno alcance as metas. Partir de objetivos claros e definidos não é somente o primeiro passo para adequar o projeto que prefigura tanto o processo de ensino como o de aprendizagem”. (Sacristán em Merchan,2000 –p.37) A critica realizada pelo autor citado, estabelece que esta pedagogia visa através da educação, a mudança direcionada de comportamento, definida com exatidão nos objetivos operacionais que devem ser alcançados para promoverestas mudanças, especificando: 1. O que o aluno deve fazer em termos de conduta final; 2. Que objetivos específicos, o aluno deve alcançar, através das estratégias de ensino (ações), para manifestar a conduta prevista no objetivo geral. Surgem então taxionomias complexas combinando tipos de capacidades, condutas gerais, condutas finais operativas, especificas, surgindo muitas interrogações como: Quantos objetivos específicos são necessários para se considerar plenamente alcançado um objetivo geral? Deverão ser planejadas atividades de ensino correspondentes a cada objetivo específico, para que se possa conseguir a aprendizagem prevista no objetivo geral? Quando estará esgotado o mundo do observável, o significado de um conceito ou de um objetivo geral? Quais são os critérios de validação de uma hierarquia de objetivos? Que indicações são oferecidas de como conseguir desenvolver e dinamizar os processos necessários que influenciam o ensino? Em Merchan,2000 – p.39, Sacritán argumenta: “(...) uma psicologia que descreve o ser humano como algo estático, não pode ajudar aos educadores a estabelecerem uma metodologia pedagógica para alcançar esses resultados educativos”. Segundo Castanho,1996, os objetivos da educação são os resultados buscados pela ação educativa: comportamentos individuais e sociais, perfis institucionais, tendências estruturais. Em outras palavras, são mudanças esperadas como conseqüência da ação educativa nas pessoas e grupos sociais, nas instituições de âmbito mais largo responsáveis por políticas educacionais. Libâneo1991 – 120-130, afirma que: 1- Os objetivos de ensino são importantes no desenvolvimento do trabalho docente, pois o fato de que a prática educativa é socialmente determinada, respondendo às exigências e expectativas dos grupos e classes sociais existentes na sociedade, cujos propósitos são antagônicos em relação ao tipo de homem a educar e às tarefas que este deve desempenhar nas diversas esferas da vida prática. Procuramos destacar, especialmente, que a prática educativa atua no desenvolvimento individual e social dos indivíduos, proporcionando-lhes os meios de apropriação dos conhecimentos e experiências acumuladas pelas gerações anteriores, TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 84 como requisito para a elaboração de conhecimentos vinculados a interesses da população majoritária da sociedade. 2- Os objetivos educacionais expressam, portanto, propósitos definidos, explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. O caráter pedagógico da prática educativa está, precisamente, em explicar fins e meios que orientem tarefas da escola e do professor para aquela direção. Em resumo, podemos dizer que não há prática educativa sem objetivos. 3- Três são as referências para formulação dos objetivos educacionais: Os valores e ideais proclamados na legislação educacional e que expressam os propósitos das forças políticas dominantes no sistema social. Os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurso da prática social da humanidade. As necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade, decorrentes das condições concretas de vida e de trabalho e das lutas pela democratização. Essas referências estão interligadas e sujeitas a contradições, não podendo ser tomadas isoladamente, pois por exemplo, os conteúdos escolares estão em contradição não somente com as possibilidades reais dos alunos em assimilá-los como também com os interesses majoritários da sociedade, na medida em que podem ser usados para disseminar a ideologia de grupos e classes minoritárias. 0 mesmo se pode dizer em relação aos valores e ideais proclamados na legislação escolar. Isso significa que a elaboração dos objetivos pressupõe, da parte do professor: Uma avaliação crítica das referências que utiliza, em face dos determinantes sócio-político da prática educativa. Uma avaliação da pertinência dos objetivos e conteúdos propostos pelo sistema escolar oficial, verificando em que medida atendam as exigências de democratização política e social. Saber compatibilizar os conteúdos com necessidades, aspirações, expectativas da clientela escolar, bem como torná-los exeqüíveis face às condições sócio culturais e de aprendizagem dos alunos. Se perceber como agente de uma prática profissional inserida no contexto mais amplo da prática social, capaz de fazer a correspondência entre os conteúdos que ensina e sua relevância social, frente às exigências de transformação da sociedade presente e diante das tarefas que cabe ao aluno desempenhar no âmbito social, profissional, político e cultural. Segundo Libâneo, 1991, os professores que não tomam partido de forma consciente e crítica, ante as contradições sociais, acabam repassando para a prática profissional valores, ideais, concepções sobre a sociedade contrários aos interesses da população majoritária da sociedade. Assim sendo, os objetivos educacionais são uma exigência indispensável para o trabalho docente, requerendo um posicionamento ativo do professor em sua explicitação, seja no planejamento escolar, seja no desenvolvimento das aulas. 2- Níveis de Objetivos Educacionais Consideraremos, aqui, dois níveis de objetivos educacionais, objetivos gerais e objetivos específicos: Objetivos Gerais expressam propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino, diante das exigências postas pela realidade social e diante do desenvolvimento da personalidade dos alunos. Os objetivos Gerais, definem, em grandes linhas, perspectivas da prática educativa na sociedade brasileira, que serão depois convertidas em objetivos específicos de cada matéria de ensino, conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. Os objetivos gerais são explicitados em três níveis de abrangência, do mais amplo ao mais específico: a) pelo sistema escolar, que expressa as finalidades educativas de acordo com ideais e valores dominantes na sociedade; b) pela escola, que estabelece princípios e diretrizes de orientação do trabalho escolar com base num plano pedagógico-didático que represente o consenso do corpo docente em relação à filosofia da educação e à prática escolar;(Projeto Político Pedagógico) c) pelo professor, que concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de educação e de sociedade. Ao considerar os objetivos gerais e suas implicações para o trabalho docente em sala de aula, o professor deve conhecer os objetivos estabelecidos no âmbito do sistema escolar oficial, seja no que se refere a valores e ideais educativos, seja quanto às prescrições de organização curricular e programas básicos das matérias. Esse conhecimento é necessário, não apenas porque o trabalho escolar está vinculado a diretrizes nacionais, estaduais e municipais de ensino, mas também porque precisamos saber que concepções de homem e sociedade caracterizam os documentos oficiais, uma vez que expressam os interesses dominantes dos que controlam os órgãos públicos.“Isto significa que não se trata simplesmente de copiar os objetivos e conteúdos previstos no programa oficial, mas de reavaliá-los em função de objetivos sócio-políticos TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 85 que expressem os interesses do povo, das condições locais da escola, da problemática social vivida pelos alunos, das peculiaridades sócio- culturais e individuais dos alunos”. (Libanêo, 1991) Objetivos Específicos de Ensino determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos, referentes a conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de transmissão / assimilação ativa das matérias de estudo. Estes devem ser vinculados aos objetivos gerais sem perder de vista a situação concreta (escola, matéria, alunos) em que serão aplicados. Norteiam, de forma mais direta, o processo ensino aprendizagem. Na redação dos objetivos específicos, o professor transformará tópicos das unidades de ensino, em proposição (afirmação), onde se expresse o resultado esperado, que deve ser atingido por todos alunos ao final daquela unidade. Os resultados podem ser de: CONHECIMENTOS (conceitos, fatos, princípios, teorias, interpretações, idéias organizadas, etc.). HABILIDADES (o que o aluno deve aprender para desenvolver suas capacidades intelectuais: organizar seu estudo ativo e independente; aplicar formulas em exercícios; observar, coletar e organizar informações sobre determinado assunto; raciocinar com dados da realidade; formular hipóteses; usar materiais e instrumentos como, dicionários, mapas, réguas, etc.). ATITUDES, CONVICÇÕES E VALORES que se deve desenvolver em relação à matéria, ao estudo, ao relacionamento humano, à realidade social (atitude cientifica, consciência critica, responsabilidade, solidariedade, etc.) Orientações que se deve observar ao formular objetivos específicos: · Formular objetivos consiste em descrever os conhecimentos a serem assimilados, as habilidades, os hábitos e as atitudes a serem desenvolvidos, ao final do estudo dos conteúdos de ensino. · Os objetivos devem ser redigidos com clareza, realidade, expressando tanto o que o aluno deve aprender, como os resultados de aprendizagem possíveis de serem alcançados. · Nesta tarefa ainda deve-se levar em conta, alem das orientações acima, o tempo que se dispõe, as condições em que se realiza o ensino, a capacidade de assimilação dos alunos conforme a idade e nível de desenvolvimento mental e a utilidade dos objetivos para motivar e encaminhar a atividade dos alunos. Alguns exemplos de redação de objetivos: Após diferenciar, os elementos que compõem o ambiente de uma determinada região, explicar os seus diversos efeitos sobre os seres vivos. Aplicar adequadamente as medidas – metro, quilo, dúzia – em várias situações sociais reais. Resolver problemas de multiplicação de um número com três algarismos por outro com dois algarismos. Relacionar unidades de medida (comprimento, massa, volume, tempo, valor) aos tipos de objetos medidos. Como se pode verificar nos exemplos acima, os objetivos podem se referir a operações mentais simples – “conhecimentos” – (definir, listar, identificar, reconhecer, usar, aplicar, reproduzir etc.) e operações mentais mais complexas – “habilidades intelectuais” – (comparar, relacionar, analisar, justificar, diferenciar etc). Levando em conta que se deve ter a preocupação de formular com suficiente clareza os objetivos, e sem ter a necessidade de se prender muito tecnicamente à sua “forma” de redação, há alguns verbos que ajudam muito a explicitar com mais precisão ou operacionalidade, o que se espera da atividade de estudo dos alunos: apontar (num gráfico, num mapa), localizar, desenhar, nomear, destacar, distinguir, demonstrar, classificar, utilizar, organizar, listar, mencionar, formular etc. Estes verbos indicam a ação ou operação que se espera dos alunos sem margem de duvidas. Os chamados objetivos formativos, referentes a atitudes, convicções, valores são expectativas do educador que podem se transformar em objetivos, mas, deve-se ter em mente que eles não são alcançáveis de imediato e sua comprovação não pode ser constatada objetivamente. Estes objetivos formativos se referem à formação de traços de personalidade, de caráter, de postura diante da vida, de atitudes positivas em relação ao estudo etc. A função dos objetivos específicos é ajudar o professor a: Definir os conteúdos determinando os conhecimentos e conceitos a serem assimilados e as habilidades a serem desenvolvidas para que o aluno possa aplicar o conteúdo na vida prática; Estabelecer os procedimentos de ensino e selecionar as atividades e experiências de aprendizagem mais relevantes a serem vivenciadas pelos alunos, para que eles possam adquirir as habilidades e assimilar os conhecimentos previstos, tanto para sua vida prática como para continuação dos estudos; TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 86 Determinar o que e como avaliar, isto é, especificar o conteúdo da avaliação e selecionar as estratégias e os instrumentos mais adequados para avaliar o que pretende; Fixar padrões e critérios para avaliar o próprio trabalho docente – auto avaliação – com fins ao replanejamento; Comunicar, de modo mais claro e preciso, seus propósitos de ensino aos próprios alunos, aos pais e a outros educadores. 3- Objetivos Educacionais e a Seleção de Objetivos Específicos e Conteúdos de Ensino De acordo com Libanêo, 1991, alguns Objetivos Educacionais Gerais podem auxiliar os professores na reavaliação dos objetivos previstos no programa oficial, ajudando-os na seleção de objetivos específicos, que expressem os interesses do povo, das condições locais da escola, da problemática social vivida pelos e das peculiaridades sócio-culturais e individuais dos alunos. O PRIMEIRO OBJETIVO coloca a educação escolar no conjunto das lutas pela democratização da sociedade, que consiste na conquista, pelo conjunto da população, das condições materiais, sociais, políticas e culturais através das quais se assegura a ativa participação de todos na direção da sociedade. O SEGUNDO OBJETIVO consiste em garantir a todas as crianças, sem nenhuma discriminação de classe social, cor, religião ou sexo, uma sólida preparação cultural e científica, através do ensino das matérias, possibilitando-lhes o compreender, o usufruir ou o transformar a realidade. Todas as crianças têm direito ao desenvolvimento de suas capacidades físicas e mentais como condição necessária ao exercício da cidadania e do trabalho. Esse objetivo implica que as escolas não só se empenhem em receber todas as crianças que as procurarem como também assegurarem a continuidade dos estudos. Para isso, todo esforço será pouco no sentido de oferecer ensino sólido, capaz de evitar as reprovações. O TERCEIRO OBJETIVO o de assegurar a todas as crianças o máximo de desenvolvimento de suas potencialidades, tendo em vista auxiliá-las na superação das desvantagensdecorrentes das condições sócio-econômicas desfavoráveis. A maioria das crianças capaz de aprender e de desenvolver suas capacidades mentais. Este objetivo costuma figurar nos planos de ensino como "auto-realização", "desenvolvimento das potencialidades" etc., mas, na prática, os professores prestam atenção somente nos alunos cujas potencialidades se manifestam e não se preocupam em estimular potencialidades daqueles que não se manifestam ou não conseguem envolver se ativamente nas tarefas. O QUARTO OBJETIVO formar nos alunos a capacidade crítica e criativa em relação: As matérias de ensino e a aplicação dos conhecimentos e habilidades em tarefas teóricas e práticas. - A assimilação ativa dos conteúdos toma significado e relevância social quando se transforma em atitudes e convicções frente dos desafios postos pela realidade social. - Os objetivos da escolarização não se esgotam na difusão dos conhecimentos sistematizados; antes, exigem a sua vinculação com a vida prática. 0 professor não conseguirá formar alunos observadores, ativos, criativos frente aos desafios da realidade se apenas esperar deles a memorização dos conteúdos. Deve, ao contrário, ser capaz de ajudá-los a compreender os conhecimentos, pensar sobre eles, ligá-los aos problemas do meio circundante. - A capacidade crítica e criativa se desenvolve pelo estudo dos conteúdos e pelo desenvolvimento de métodos de raciocínio, de investigação e de reflexão. Através desses meios, sob a direção do professor, os alunos vão ampliando, de forma objetiva, o entendimento, das contradições e conflitos existentes na sociedade. - Uma atitude critica não significa, no entanto, a apreciação desfavorável de tudo, como se ser "crítico" consistisse somente em apontar defeitos nas coisas. Atitude crítica é a habilidade de submeter os fatos, as coisas, os objetos de estudo a uma investigação minuciosa e reflexiva, associando a eles os fatos sociais que dizem respeito à vida cotidiana, aos problemas do trabalho da cidade, da região, etc. O QUINTO OBJETIVO visa atender a função educativa do ensino, ou seja, a formação de convicções para a vida coletiva. O trabalho do professor deve estar voltado para a formação de qualidades humanas, modos de agir em relação ao trabalho, ao estudo, à natureza, em concordância com princípios éticos. Implica ajudar os alunos a desenvolver qualidades de caráter como: a honradez, a dignidade, o respeito aos outros, a lealdade, a disciplina, a verdade, a urbanidade e cortesia. Implica desenvolver a consciência de coletividade e o sentimento de solidariedade humana, ou seja, de que ser membro da sociedade significa participar e agir em função do bem-estar coletivo, solidarizar-se com as lutas travadas pelos trabalhadores, vencer todas as formas de egoísmo e individualismo. Para que os alunos fortaleçam suas convicções, o professor precisa saber colocar-lhes perspectivas de um futuro melhor para todos, cuja conquista depende da atuação conjunta nas varias esferas da vida social, inclusive no âmbito escolar. Ainda em relação ao atendimento da função educativa do ensino devemos mencionar a educação física e a educação estética. A educação física e os TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 87 esportes ocupam um lugar importante no desenvolvimento integral da personalidade, não apenas por contribuir para o fortalecimento da saúde, mas também por proporcionar oportunidade de expressão corporal, auto-afirmação, competição construtiva, formação do caráter e desenvolvimento do sentimento de coletividade. A educação estética se realiza mais diretamente pela educação artística, na qual os alunos aprendem o valor da arte, a apreciação, o sentimento e o desfrute da beleza expressa na natureza, nas obras artísticas, como música, pintura, escultura, arquitetura, folclore e outras manifestações da cultura erudita e popular. A educação artística contribui para o desenvolvimento intelectual, assim como para a participação coletiva na produção da cultura e no usufruto das diversas manifestações da vida cultural. O SEXTO OBJETIVO educacional se refere à instituição de processos participativos, envolvendo todas as pessoas que direta ou indiretamente se relacionam com a escola: diretor, coordenador de ensino, professores, funcionários, alunos, pais. A par do aspecto educativo da organização de formas cooperativas de gestão do trabalho pedagógico escolar, é de fundamental importância o vínculo da escola com a família e com os movimentos sociais (associações de bairro, entidades sindicais, movimento de mulheres, etc.). O conselho de escola exerce, portanto, uma atuação indispensável para o cumprimento dos objetivos educativos. Esses objetivos não esgotam a riqueza da ação pedagógica escolar em relação à formação individual e social dos alunos em sua capacitação para a vida adulta na sociedade. Entretanto, podem servir de orientação para o professor refletir sobre as implicações sociais do seu trabalho, sobre o papel da matéria que leciona na formação de alunos ativos e participantes e sobre as formas pedagógico-didáticas de organização do ensino. Com essa visão de conjunto do trabalho escolar e com a programação oficial indicada pelos órgãos do sistema escolar, o professor está em condições de definir os objetivos específicos de ensino. dos alunos. Há, portanto, estreita relação entre os objetivos, os conteúdos e os métodos. O professor além de vincular os objetivos específicos aos objetivos gerais, deve, também, seguir as seguintes recomendações: especificar conhecimentos, habilidades, capacidades que sejam fundamentais para serem assimiladas e aplicadas em situações futuras, na escola e na vida prática; observar uma seqüência lógica, de forma que os conceitos e habilidades estejam inter- relacionados, possibilitando aos alunos uma compreensão de conjunto (isto é formando uma rede de relações na sua cabeça); expressar os objetivos com clareza, de modo que sejam compreensíveis aos alunos e permitam, assim, que estes introjetem os objetivos de ensino como objetivos seus; dosar o grau de dificuldades, de modo que expressem desafios, problemas, questões estimulantes e também visíveis; sempre que possível, formular os objetivos como resultados a atingir, facilitando o processo de avaliação diagnóstica e de controle; como norma geral, indicar os resultados do trabalho dos alunos (o que devem compreender, saber, memorizar, fazer, etc.). Os objetivos específicos particularizam a compreensão das relações entre escola e sociedade e especialmente do papel da matéria de ensino. Eles expressam, pois, as expectativas do professor sobre o que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de ensino. Têm sempre um caráter pedagógico, porque explicitam o rumo a ser impresso ao trabalho escolar, em torno de um programa de formação. A cada matéria de ensino correspondem objetivos que expressam resultados a obter: conhecimentos, habilidades e hábitos, atitudes e convicções, através dos quais se busca o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 88 CONTEÚDOS MÉTODOS Podemos definir os conteúdos como o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e a aplicação pelos alunos na prática de vida. Geralmente são associados aos conhecimentos cognitivos que devem ser trabalhados em uma determinada área. Os conteúdos são compostos por: conhecimentos sistematizados, habilidades e atitudes e convicções. Segundo Godoy (2009), “deve abarcar, considerar todos os tipos de conhecimentos científicos produzidos e transformados em conhecimentos escolares ou saberes a ensinar, por meio de uma transposição didática” (GODOY, 2009,p.69). Os diferentes métodos de ensino Teoria Construtivista, por Jean Piaget Para Jean Piaget, epistemólogo suíço e um dos grandes teóricos da pedagogia, a principal meta da educação é criar seres capazes de fazer coisas novas e não repetir, simplesmente, o que as outras gerações fizeram. Seres que sejam criadores, inventores e descobridores. A segunda meta da educação, de acordo com ele, é formar mentes que tenham condições de criticar e não aceitar tudo que lhes é proposto. Resumindo, sua teoria busca formar cidadãos criativos e críticos. Além disso, a teoria de Piaget defende que o professor não deve apenas ensinar, mas, acima de tudo, orientar os alunos para uma aprendizagem autônoma. Paulo Freire e a Educação Libertadora O conteúdo tem uma história ligada ao desenvolvimento social, trazendo uma outra dimensão para a didática do professor, assim são elaborados e reelaborados de acordo com as necessidades práticas de cada época e tem sua importância para atender necessidades práticas da vida social, como os problemas sociais, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, as necessidades humanas básicas, etc. O professor tem autonomia para selecionar os conteúdos que são mais adequados para seus alunos quanto à idade, tempo ou outra adequação. A seleção e a organização dos conteúdos são atividades que exigem: conhecimento do assunto e do grupo de estudantes para os quais será ministrado e, além disso, são indispensáveis, ao professor, segurança, atualização constante, criatividade, iniciativa e sistematização. A seleção dos conteúdos, além de importante e significativa, deve atender às necessidades sociais e individuais dos estudantes numa determinada realidade e época, levando em consideração: vinculação aos objetivos, validade, significância, utilidade, flexibilidade, adequação à diversidade dos estudantes e adequação ao tempo. A ordenação criteriosa simplifica a compreensão dos conteúdos e favorece o progresso da aprendizagem num espaço de tempo mais curto. Libâneo (1994) afirma que o “professor é aquele guia que tem autoridade para guiar”, para orientar, para abrir perspectivas a partir dos conteúdos e das experiências vividas, para propor métodos de estudo e exigir esforços do aluno, incentivando sua participação. O professor, além de estar comprometido com seu trabalho e de ter uma atitude crítica diante de sua prática pedagógica em sala de aula, deve ter também um bom preparo e dominar o seu conteúdo e as formas de trabalhar esses conteúdos. O pernambucano Paulo Freire foi o mais célebre educador brasileiro. Reconhecido mundialmente, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Seu maior objetivo era conscientizar o aluno com relação às classes menos favorecidas e fazê-lo entender sua situação de oprimido e agir em favor da própria libertação. Por isso, seu principal livro foi Pedagogia do Oprimido. Ele propôs uma prática de sala de aula que desenvolvesse a criticidade do aluno. Criticava a ideia de que ensinar é transmitir saber e condenava a educação bancária, onde, segundo ele, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno. Para o educador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, porém, não como verdade absoluta. “Os dois lados devem aprender juntos, um com o outro”, defendia. Paulo Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. Ele afirmava, ainda, que enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los. Seu método de ensino ficou conhecido como Educação Libertadora. Sociointeracionismo, o ensino como processo social Para o psicólogo bielorusso Lev Vygotsky, o teórico do Sociointeracionismo, o desenvolvimento intelectual é construído através das interações com o meio social, da relação com outros indivíduos. Nesse caso, o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. Sua teoria defende que o indivíduo constrói suas concepções através da assimilação do conhecimento do ambiente em que ele vive. Vygotsky costumava dizer que “na ausência do outro, o homem não se constrói”. Avaliação por competência É uma forma de avaliar o aluno levando em consideração, ao longo de sua vida escolar, o TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS @educart.concursos Página 89 que ele já sabe, o que aprendeu com a aula e como coloca em prática aquilo que aprendeu. Ou seja, leva em consideração não só os conhecimentos adquiridos, mas também as habilidades e as atitudes desenvolvidas pelos estudantes, buscando a sua transformação. A avaliação por competências é parte norteadora no processo de ensino-aprendizagem porque permite a formação permanente do estudante. Esse tipo de avaliação sobrepõe os aspectos qualitativos sobre os quantitativos, portanto, não valoriza somente os resultados de provas. Pedagogia de Freinet Celestin Freinet era um educador francês que desejava criar um sistema democrático de educação, livre de contradições sociais. O teórico tinha como objetivo desenvolver uma escola popular. Foi o criador do Movimento da Escola Moderna, na França, que se caracteriza por sua dimensão social. Para ele, a criança tem que ser vista não como um indivíduo isolado, mas como parte de uma comunidade e jamais ser marginalizada, principalmente quando fizer parte de classes menos favorecidas. Freinet utilizava como técnica de pedagogia desenho e texto livres, aulas- passeio, jornal de classe, livro da vida, entre outras, que representavam momentos de um processo de aprendizagem, propiciando as condições para estabelecer a apropriação do conhecimento. Ele dizia que “se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos". ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS E MEIOS A atividade docente é caracterizada pelo desafio permanente dos profissionais da educação em estabelecer relações interpessoais com os educandos, de modo que o processo de ensino- aprendizagem seja articulado e que os métodos utilizados cumpram os objetivos a que se propõem. No ensino superior nota-se de maneira acentuada que os universitários, genericamente falando, buscam na formação uma oportunidade de ascensão social. Esse fator condiciona a postura do aluno para uma conduta de interesse maior, senão quase exclusivo, nas disciplinas de formação específica, não compreendendo, muitas vezes, a relevância das disciplinas de formação básica e complementar. Dessa forma, o discente espera dos professores das disciplinas específicas uma atuação destacada, tendo-o como modelo profissional, esperando desses profissionais a transmissão dos conhecimentos e métodos necessários para um destaque na sua futura atuação no mercado de trabalho. A maneira pela qual o professor planeja suas atividades de sala de aula é determinante para que o grupo de alunos de sua plateia reaja com maior ou menor interesse e contribua no modo como a aula transcorre. Para Petrucci e Batiston (2006, p. 263), a palavra estratégia esteve, historicamente, vinculada à arte militar no planejamento das ações a serem executadas nas guerras, e, atualmente, é largamente utilizada no ambiente empresarial. Porém, os autores admitem que: [...] a palavra ‘estratégia’ possui estreita ligação com o ensino. Ensinar requer arte por parte do docente, que precisa envolver o aluno e fazer com ele se encante com o saber. O professor precisa promover a curiosidade, a segurança e a criatividade para que o principal objetivo educacional, a aprendizagem do aluno, seja alcançada. Desse modo, o uso do termo “estratégias de ensino” refere-se aos meios utilizados pelos docentes na articulação do processo de ensino, de acordo com cada atividade e os resultados esperados. Anastasiou e Alves (2004, p. 71) advertem que: