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A doença inflamatória intestinal, que abrange a doença de Crohn e a colite ulcerativa, é um quadro recidivante caracterizado pela inflamação crônica em vários locais do trato gastrointestinal, que resulta em diarreia e dor abdominal. A inflamação resulta de resposta imunitária celular na mucosa gastrointestinal. A etiologia precisa da doença inflamatória intestinal é desconhecida, mas evidências sugerem que a flora intestinal normal desencadeia inapropriadamente uma reação imunitária em pacientes com predisposição genética multifatorial (talvez envolvendo barreiras epiteliais anormais e defesas imunitárias da mucosa). Não se identificou qualquer fator dietético, ambiental ou infeccioso. A reação imunitária envolve a liberação dos mediadores inflamatórios, incluindo citocinas, interleucinas e fator de necrose tumoral (FNT). Embora a doença de Crohn e a colite ulcerativa sejam similares, elas podem ser diferenciadas em muitos casos (ver tabela Diferenciando doença de Crohn e colite ulcerativa). Cerca de 10% dos casos de colite não são inicialmente distinguíveis e são denominados não classificados; se um espécime patológico cirúrgico não pode ser classificado, ele é chamado de colite indeterminada. O termo colite se aplica somente às doenças inflamatórias do colo (p. ex., colite ulcerativa, granulomatosa, isquêmica, por radiação e infecciosa). A colite espástica (mucosa) é um termo inadequado aplicado a uma doença funcional, síndrome do intestino irritável. ● Artrite axial envolvendo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. ● Artrite oligoarticular afetando as grandes articulações dos braços e das pernas. ● Distúrbios inflamatórios dos olhos, geralmente uveíte. ● Lesões cutâneas, especialmente eritema nodoso. ● Estomatite. ● Anemia autoimune. ● Hipercoagulabilidade sanguínea. ● Colangite esclerosante. ● Possíveis manifestações sistêmicas que podem prenunciar a recidiva da doença intestinal. ● Atraso do crescimento em crianças, principalmente quando os sintomas são persistentes e a ingestão de nutrientes não é satisfatória. Doença de Crohn Colite ulcerativa https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/doen%C3%A7a-inflamat%C3%B3ria-intestinal/doen%C3%A7a-de-crohn https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/doen%C3%A7a-inflamat%C3%B3ria-intestinal/colite-ulcerativa https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/s%C3%ADndrome-do-intestino-irrit%C3%A1vel-sii/s%C3%ADndrome-do-intestino-irrit%C3%A1vel-sii Intestino delgado envolvido em 80% das vezes. Doença é confinada ao colo. O reto é geralmente poupado; o envolvimento colônico é geralmentedo lado direito. O reto é invariavelmente acometido; o envolvimento colônico é geralmente no lado esquerdo. Sangramento retal intenso é raro, exceto em 75 a 85% dos casos de colite de Crohn. Sangramento retal significativo está sempre presente. Fístulas, massas e abscessos são comuns. Não ocorrem fístulas. Lesões perianais são significativas em 25 a 35% dos casos. Nunca ocorrem lesões perianais significativas. Em radiografias, a parede intestinal é afetada assimetricamente e de maneira segmentar, com áreas poupadas entre os segmentos afetados. A parede intestinal é afetada simétrica e continuamente do reto proximal. A aparência endoscópica é irregular, com ulcerações discretas separadas por segmentos de mucosa com aparência normal. A inflamação é uniforme e difusa. A inflamação microscópica e fissuras se estendem transmuralmente; a distribuição da lesões costuma ser altamente focal. A inflamação é restrita à mucosa, exceto em casos graves. Granulomas epitelioides (tipo de sarcoidose) são detectados na parede intestinal ou linfonodos em 25 a 50% dos casos (patognomônicos). Não ocorrem granulomas epiteliais típicos. Característica Doença de Crohn Colite Ulcerativa Macroscópica Região intestinal afetada Íleo ± cólon Apenas cólon Envolvimento retal Algumas vezes Sempre Distribuição Lesões “em salto” Difusa Constrições Sim Raras Aspecto da parede intestinal Espesso Fino Inflamação Transmural Limitada à mucosa e submucosa Pseudopólipos Moderados Evidentes Úlceras Profundas, cortantes Superficial, base ampla Reação linfoide Evidente Moderada Fibrose Evidente Nenhuma ou leve Serosite Evidente Não Granulomas Sim (∼35%) Não Fístulas Sim Não Clínica Fístula perianal Sim (na doença colônica) Não Má absorção de gordura/vitamina Sim Não Potencial maligno Com envolvimento colônico Sim Recorrência após cirurgia Comum Não Megacólon tóxico Não Sim Nota: Nem todas as características podem estar presentes em um único caso. Padrões de distribuição da doença com (A) lesões intercaladas na doença de Crohn e (B) acometimento contínuo do cólon a partir do ceco na colite ulcerativa. Doença de Crohn (Enterite Regional, Ileíte granulomatosa; ileocolite granulomatosa) A doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica transmural que normalmente afeta o íleo distal e o colo, mas pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal. Etiologia Idiopática - multifatores e poligênica 1. Reação Imune: A Doença de Crohn pode ser desencadeada por uma resposta imune inadequada a bactérias intestinais indefinidas e, possivelmente, a antígenos próprios. O sistema imunológico ataca a mucosa intestinal, resultando em inflamação crônica. 2. Granulomas Não Caseosos: Ocasionalmente, granulomas não caseosos podem se formar na parede do intestino, acompanhados por um denso infiltrado inflamatório crônico. 3. Predisposição Genética: A Doença de Crohn tem um forte componente genético. Parentes de primeiro grau de pacientes têm um risco significativamente maior de desenvolver a doença. Mutações em genes como CARD15 (NOD2): DLGS, SLC22A4 e SLC22A5, CARD4, 1L-23R, ATG16Ll, PHOX2B eNCF4, que está associado à resposta imune, são frequentemente encontrados em pacientes com a doença. 4. Fatores Ambientais: Fatores como tabagismo, dieta, infecções intestinais, exposição a antibióticos e uso de anti-inflamatórios não esteroides podem desencadear ou exacerbar a Doença de Crohn. A flora intestinal também desempenha um papel crucial, com a presença de determinadas bactérias intestinais influenciando o desenvolvimento da doença. 5. Imunidade da Mucosa: Anormalidades na imunidade da mucosa intestinal, especialmente uma resposta inflamatória exagerada e desregulada, são centrais na patogênese da Doença de Crohn. 6. Fatores Perinatais: Complicações durante a gestação, como infecções pré-natais, e a exposição a certos vírus, como o sarampo, têm sido associados a um risco aumentado de desenvolvimento da Doença de Crohn. Epidemiologia A incidência da DC está aumentando, especialmente devido ao diagnóstico mais precoce em pacientes com dor abdominal crônica ou histórico familiar positivo. Em adultos, a DC apresenta uma distribuição bimodal, com picos de incidência entre 20-40 anos e 60-80 anos. A predisposição familiar é o principal fator de risco. Segundo a World Gastroenterology Organization (2009), a incidência da DC varia globalmente, sendo inferior a 1/100.000 na Ásia e América do Sul, mas com tendência de aumento. Em áreas como Nova Zelândia, Austrália, Canadá, e EUA, a incidência é significativamente maior. A doença é mais comum em áreas urbanas e entre classes sociais mais elevadas, o que pode estar relacionado à hipótese da higiene. Esta sugere que a menor exposição a infecções na infância pode estar associada ao desenvolvimento de doenças imunológicas crônicas, como a DII. No Brasil, no entanto, não há correlação clara entre a incidência da DC e a classe social. Fisiopatologia ● Permeabilidade Intestinal: Aumenta na doença de Crohn (DC), levando a maior carga de antígenos e inflamação. Pode normalizar após cirurgia e estar presente em familiares saudáveis. ● Lesões Intestinais: A DC pode afetar qualquer parte do intestino, com lesões descontínuas e anormalidades como aumento dos folículos linfoides, ulcerações, e formação de estenoses e fístulas.● Dor Abdominal: Inicialmente causada por obstrução funcional (espasmo e edema), evolui para obstrução orgânica (fibrose e estenose) e dor intensa com a progressão da doença. ● Má Absorção: Localização das lesões no intestino delgado afeta a absorção de nutrientes como folatos, vitaminas, ferro e lipídios. A hipoalbuminemia e anemia são comuns, devido à má absorção e inflamação. ● Déficit de Crescimento: Fenômenos disabsortivos e ingestão insuficiente de calorias levam ao déficit de crescimento em 20-30% dos pacientes pediátricos. ● Inflamação Transmural: Causa linfedema, espessamento da parede intestinal, fibrose e estenose, resultando em obstrução intestinal, abscessos e fístulas. ● Granulomas: Podem ocorrer em várias partes do corpo, mas não estão presentes em todos os pacientes e não são indicadores do curso clínico. São patognomônicos. Patogênese Imunomolecular 1. Defeitos na Expressão de Moléculas do Sistema Imune Inato: ○ Expressão deficiente de moléculas como defensinas, resultando em aumento da invasão bacteriana comensal ao longo do epitélio intestinal. ○ Diminuição da secreção de enzimas antimicrobianas pelas células de Paneth, reduzindo a secreção de lisozimas e defensinas. ○ Disbiose intestinal, caracterizada por um desequilíbrio na microbiota intestinal. 2. Regulação Negativa Inadequada a Organismos Comensais: ○ Polimorfismo em genes como NOD2, levando a uma regulação insuficiente dos organismos comensais. 3. Função Defeituosa das Células T Reguladoras: ○ Função inadequada das células T regulatórias (Tregs), com modelos murinos (Treg deficientes– IL-2 / rIL-2 / foxp3 KO) demonstrando predisposição à Doença Inflamatória Intestinal (DII). Os mecanismos subjacentes ainda são elusivos. 4. Ativação das Respostas Th1 e Th17: ○ Nas áreas acometidas do intestino, há uma ativação das respostas Th1 e Th17. 5. Elevação de Citocinas Associadas: ○ Níveis aumentados de IL-12, IL-23, IFN-γ e TNF-α estão presentes, associados à resposta Th1. ○ IL-23, atuando como marcador de superfície, leva à produção de IL-17, IL-21, IL-22 e IL-26 pelas células Th17. 6. Tratamento com Anticorpos Monoclonais: ○ A terapia inclui o uso de anticorpos monoclonais que se ligam ao polipeptídeo p40, compartilhado pelas citocinas IL-12 (Th1) e IL-23 (Th17). 7. Polimorfismos Genéticos Relacionados: ○ Polimorfismos em genes associados à macroautofagia e à resposta ao acúmulo de proteínas não-dobradas no retículo endoplasmático. Os segmentos afetados do intestino são precisamente diferenciados das áreas adjacentes normais (chamadas áreas poupadas), daí o nome enterite regional (1): ● Cerca de 30% dos casos de doença de Crohn envolvem apenas o íleo (ileíte). ● Cerca de 40% envolvem o íleo e colo (ileocolite), com uma predileção pelo lado direito do colo. ● Cerca de 30% envolvem somente o colo (colite granulomatosa), a maioria dos quais, ao contrário da colite ulcerativa, poupa o reto. Ileíte de Crohn O íleo está inflamado em cerca de 80% dos casos da doença de Crohn. Ocasionalmente, o intestino delgado está envolvido (jejunoileíte). Raramente, o estômago, o duodeno e o esôfago são clinicamente envolvidos, embora evidências microscópicas de doenças muitas vezes sejam detectáveis no antro gástrico, especialmente em pacientes jovens. Na ausência de intervenção cirúrgica, a doença não se estende para áreas do intestino delgado que não estavam inicialmente envolvidas na ocasião do diagnóstico inicial. Classificação A doença de Crohn é classificada em 3 padrões principais: (1) primariamente inflamatória, que depois de vários anos costuma evoluir para (2) primariamente estenótica ou obstrutiva ou (3) primariamente penetrante ou fistulizante. Complicações ● Risco de Câncer: ● Má Absorção: ○ Deficiências nutricionais, especialmente das vitaminas D e B12, devido à má absorção crônica. ● Colite Tóxica: ○ Complicação rara, envolvendo dilatação colônica e potencial necessidade de intervenção cirúrgica. ● Hemorragia: ○ Menos comum que na retocolite ulcerativa (RCU), mais frequente no íleo. ● Outras Complicações Intestinais: ○ Perfuração intestinal. ○ Abscesso intra-abdominal. ○ Estenoses. ○ Suboclusão e obstrução intestinal (as mais frequentes). ○ Fístulas e doença perianal. ○ Megacólon tóxico (raro). ● Malignidade: ○ Aumento do risco de câncer nos segmentos afetados do intestino delgado. ○ Risco de câncer colorretal semelhante ao da colite ulcerativa em pacientes com acometimento colônico. ○ Aumento do risco de câncer de cólon após 8 anos de doença, especialmente em casos com grande área do cólon comprometida. ○ Risco elevado de adenocarcinoma do intestino delgado. ○ Colangite esclerosante primária pode ocorrer e aumentar o risco de colangiocarcinoma. ● Complicações Extraintestinais: ○ Incluem manifestações que afetam outros sistemas e órgãos fora do trato gastrointestinal. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/doen%C3%A7a-inflamat%C3%B3ria-intestinal/doen%C3%A7a-de-crohn#v86136715_pt https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/doen%C3%A7a-inflamat%C3%B3ria-intestinal/colite-ulcerativa https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/doen%C3%A7a-inflamat%C3%B3ria-intestinal/colite-ulcerativa Manifestações clínicas Manifestações Iniciais Mais Comuns: ● Diarreia crônica com dor abdominal, febre, anorexia e perda de peso. ● Sensibilidade abdominal com possível presença de massa ou distensão palpável. ● Sangramento retal abundante é incomum, exceto em casos de doença colônica isolada. ● Apresentação inicial pode simular apendicite aguda ou obstrução intestinal. ● Cerca de 33% dos pacientes apresentam doenças perianais (fissuras e fístulas). Em Crianças: ● Manifestações extraintestinais predominam, como artrite, febre de origem indeterminada, anemia ou atraso no crescimento. ● Dor abdominal ou diarreia podem estar ausentes. Recorrência da Doença: ● Dor abdominal é o sintoma mais comum, podendo ser associada à formação de abscessos. ● Segmentos estenosados podem causar obstrução colônica, com dor em cólica, distensão, obstipação e vômitos. ● Fístula enterovesical pode causar pneumatúria. ● Perfuração livre para a cavidade peritoneal é rara. Doença Crônica: ● Sintomas sistêmicos incluem febre, perda de peso, má nutrição e manifestações extraintestinais. Evolução Clínica: ● A doença pode apresentar períodos de exacerbação e remissão, com sintomas variando conforme a localização das lesões. ● Dor abdominal intensa, geralmente em cólica, é mais frequente que na retocolite ulcerativa. ● Diarreia moderada, intermitente, e menos sanguinolenta que na colite ulcerativa. ● Perda de peso pode ser o sintoma inicial devido a diversos mecanismos, como redução da ingestão alimentar e aumento das necessidades nutricionais. ● Déficit de crescimento e atraso de maturação sexual são comuns em crianças, podendo preceder os sintomas gastrointestinais. Doença Perianal: ● Observada em 15 a 40% dos pacientes, podendo ser a primeira manifestação da doença de Crohn. Manifestações Extraintestinais: ● Envolvem órgãos como articulações, pele, mucosas, olhos, fígado e rins, podendo seguir curso independente da doença intestinal. Complicações: ● Incluem formação de fístulas, abscessos abdominais e obstrução intestinal. ● Fístulas entre segmentos do sistema digestório podem causar má absorção e diarreia. Fatores de risco 1. Predisposição Genética: ○ Histórico familiar de doença inflamatória intestinal (DII). ○ Presença de mutações em genes específicos, como o NOD2/CARD15. 2. Fatores Ambientais: ○ Tabagismo: aumenta significativamente o risco de desenvolver DC. ○ Dieta rica em gorduras e alimentos processados. ○ Uso frequente de antibióticos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). 3. Fatores Imunológicos: ○ Desregulação do sistema imunológico que leva a uma resposta inflamatória anormal no trato gastrointestinal. 4. Fatores Microbiológicos: ○ Alterações na microbiota intestinal (disbiose). ○ Infecçõesintestinais prévias podem predispor ao desenvolvimento da doença. 5. Idade e Sexo: ○ A doença de Crohn pode se desenvolver em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens, entre 15 e 35 anos. ○ Homens e mulheres são igualmente afetados, embora alguns estudos sugiram ligeira prevalência em mulheres. 6. Geografia e Etnia: ○ Maior incidência em países desenvolvidos, especialmente na Europa e América do Norte. ○ Pessoas de ascendência judaica Ashkenazi têm risco aumentado. 7. Estresse: ○ Embora não seja um fator causador, o estresse pode agravar os sintomas e precipitar crises. Esses fatores combinados podem influenciar o surgimento e a progressão da doença de Crohn. Diagnóstico Diagnóstico Clínico ● História Clínica e Exame Físico: Avaliação detalhada dos sintomas, como dor abdominal, diarreia, e sinais físicos, como dor à palpação e fístulas perianais. ● Sintomas: Pode incluir dor abdominal intensa, diarreia, febre, anemia, crescimento retardado em crianças, e manifestações extraintestinais como artrite ou eritema nodoso. Exames Endoscópicos ● Sigmoidoscopia: Exame direto das áreas afetadas e obtenção de biópsias. ● Colonoscopia e Endoscopia Alta: Avaliação do cólon e do trato gastrointestinal superior. ● Enteroscopia de Duplo Balão: Para acessar áreas do intestino delgado e realizar biópsias ou dilatação de estenoses. Exames de Imagem ● Radiografias Contrastadas: Incluem trânsito intestinal com bário para o íleo terminal. ● Tomografia Computadorizada (TC): Avaliação de abscessos, fístulas, e extensão da doença. ● Enterografia por TC ou Ressonância Magnética (RM): Detecção de estenoses e fístulas. ● Ultrassonografia (US): Identificação de espessamento da mucosa e outras complicações. ● Ressonância Magnética (RM): Avaliação detalhada de fístulas e estenoses, sem radiação. Exames Laboratoriais ● Hemograma e Testes de Função Hepática: Avaliação de anemia, hipoalbuminemia, e possíveis anormalidades hepáticas. ● Marcadores Inflamatórios: Velocidade de hemossedimentação, proteína C-reativa. ● Deficiências Nutricionais: Níveis de vitaminas e minerais, densidade mineral óssea. Testes Específicos ● Anticorpos Anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA): Marcador relativamente específico para Doença de Crohn. ● Anticorpos Anticitoplasma de Neutrófilos Perinucleares (pANCA): Associado à colite ulcerativa. Exames de Fezes ● Pesquisa de Patógenos e Marcadores: Inclui pesquisa de parasitas, bactérias, Clostridium difficile, calprotectina, lactoferrina. Outras Modalidades Diagnósticas ● Cintigrafia com Leucócitos Marcados: Avaliação da localização e intensidade da lesão. ● Endoscopia Virtual e Cápsula Endoscópica: Usadas para visualização do intestino delgado e diagnóstico de áreas de difícil acesso. Considerações Gerais ● Diagnóstico Clínico Predominante: O diagnóstico continua a depender fortemente da experiência clínica e da combinação de dados endoscópicos e histológicos. ● Monitoramento: Acompanhamento regular da atividade da doença e monitoramento de complicações é crucial. Tratamento ● Medicamentos para Supressão da Inflamação: ○ Corticoides: Para controlar a inflamação. ○ Sulfassalazina: Fármaco tópico com ação anti-inflamatória, que libera ácido 5-aminossalicílico (5ASA) no intestino. ○ Metronidazol: Antibiótico para tratar proliferação bacteriana excessiva. ○ Tiopurinas (azatioprina e 6-mercaptopurina): Reduzem as recidivas da doença de Crohn. ○ Metotrexato: Outra opção para tratamento, embora com menos estudos. ○ Infliximabe: Anticorpo monoclonal que bloqueia o fator de necrose tumoral (TNF), usado em casos moderados a graves. ● Tratamentos Nutricionais: ○ Dieta Nutritiva: Alta em calorias, vitaminas e proteínas, com baixo teor de gorduras. ○ Dietas Elementares: Sem resíduos e fibras, para a fase aguda, absorvidas no jejuno. ○ Nutrição Parenteral Total: Infusão intravenosa de soluções hipertônicas para pacientes com dificuldade de absorção. ● Outras Intervenções: ○ Loperamida: Para alívio sintomático de cólicas e diarreia. ○ Antiespasmódicos: Para alívio de sintomas. ○ Ácido 5-aminossalicílico (5-AAS): Para reduzir inflamação. ○ Cirurgia: Ressecção do intestino afetado, drenagem de abscessos, ou reparo de trajetos fistulares quando necessário. ● Cuidados Adicionais: ○ Evitar Dietas Ricas em Fibras: Em casos de doença estenosante ou inflamação ativa. ○ Medidas de Manutenção: Imunizações e rastreamento para câncer. Doença Leve ● Características: Pacientes ambulatoriais, toleram ingestão oral, sem sinais de toxemia, desconforto abdominal, massa ou obstrução. ● Tratamento Inicial: ○ Budesonida com revestimento entérico: 9 mg/dia por 4 a 8 semanas, depois reduzida para 3 mg a cada 2 a 4 semanas durante 2 a 3 meses. Disponível também como enema. ● Alternativas: ○ 5-AAS (mesalamina): Usado raramente como primeira linha, preferido o Pentasa® para intestino delgado e o Asacol® HD para íleo distal e cólon. ○ Antibióticos: Considerados por alguns médicos, utilizados quando 5-AAS não é eficaz. Tratamento por 8 a 16 semanas. Doença Moderada a Grave ● Características: Pacientes com dor significativa, febre, vômitos, ou falta de resposta ao tratamento para doença leve. ● Tratamento: ○ Corticoides: Prednisona ou prednisolona oral para alívio rápido; budesonida para menos efeitos adversos. ○ Agentes Biológicos: Infliximabe, adalimumabe, certolizumabe pegol, vedolizumabe, ustekinumabe, risancizumabe. Pode ser usado com ou sem antimetabólitos (azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato). ○ Upadacitinibe: Para resposta inadequada ou intolerância a bloqueadores do TNF. ○ Cirurgia: Considerada se outros tratamentos falharem. ● Obstrução: ○ Tratamento Inicial: Sonda nasogástrica e líquidos IV. Se a obstrução não desaparecer em poucos dias, requer cirurgia imediata. Doença Fulminante ou Abscessos ● Características: Pacientes com toxemia, febre alta, vômitos persistentes, descompressão positiva ou massa palpável. ● Tratamento: ○ Hospitalização: Administração de líquidos IV e antibióticos. ○ Drenagem de Abscessos: Por via percutânea ou cirurgicamente. ○ Corticoides IV e Agentes Biológicos: Somente após controle da infecção. Se não houver resposta à corticoterapia em 5 a 7 dias, cirurgia geralmente é necessária. Fístulas ● Tratamento Inicial: ○ Antibióticos: Metronidazol e ciprofloxacino. Se não houver resposta em 3 a 4 semanas, adicionar imunomodulador (azatioprina, 6-mercaptopurina) com ou sem infliximabe ou adalimumabe. ○ Alternativas: Ciclosporina ou tacrolimo. ○ Tratamentos Adicionais: Cola de fibrina guiada por ultrassom endoscópico ou dreno seton. Colostomia temporária é uma opção em alguns casos, mas geralmente recidiva após reconexão. Terapia de Manutenção ● Para Remissão com 5-AAS ou Antibióticos: Manutenção com o mesmo medicamento. ● Para Remissão com Corticoides ou Agentes Anti-TNF: ○ Manutenção: Azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato, terapia anti-TNF ou combinações de terapias. ○ Ajustes de Dose: Muitos pacientes necessitam de ajustes na dose ou intervalos de tratamento com agentes anti-TNF ao longo do tempo. ● Monitoramento: ○ Sintomas e Exames de Sangue: Monitoramento durante a remissão. Exames radiológicos ou colonoscopia não são rotineiramente necessários, exceto vigilância para displasia após 7 a 8 anos. Cirurgia ● Indicações: ○ Obstruções Intestinais Recidivantes ○ Fístulas e Abscessos Intratáveis ● Objetivo: ○ Ressecção do Intestino: Pode melhorar sintomas, mas não cura a doença. A doença de Crohn tende a recidivar mesmo após a remoção do segmento afetado. ● Recidiva Pós-Cirurgia: ○ Taxa de Recidiva Endoscópica Grave: Aproximadamente 50% em pacientes que não usam medicamentos para a DII. ○ Necessidade de Nova Cirurgia: Cerca de 50% dos pacientes precisam de uma nova intervenção. ● Profilaxia Pós-Operatória: ○ Medicamentos: Reduzem a taxa de recorrência. Incluem 6-mercaptopurina, azatioprina, metronidazol ou infliximabe. ● Qualidade de Vida: ○ Melhoria: Quase todos os pacientes experimentam melhora na qualidade de vida quandoa cirurgia é realizada com indicações precisas. ● Tabagismo: ○ Risco de Recorrência: Aumenta, especialmente em mulheres. Incentivar a cessação do tabagismo é recomendável. Retocolite ulcerativa Colite ulcerativa é uma doença inflamatória ulcerativa crônica que surge na mucosa do colo, caracterizada com mais frequência por diarreia com sangue. Etiologia ● Predisposição Genética: ○ Genética: A predisposição genética para colite ulcerativa é menor e menos clara do que para a doença de Crohn. Estudos mostram que, embora haja um componente genético, a relação não é tão evidente e não segue o padrão mendeliano clássico. ○ Genes Associados: Associado a genes no complexo HLA e outros marcadores genéticos, mas a confirmação definitiva ainda está pendente. ● Fatores Ambientais: ○ Flora Intestinal: A relação entre flora intestinal e colite ulcerativa é observada, mas não completamente estabelecida. Pode haver um papel no desencadeamento da resposta imune inadequada. ○ Tabagismo: ■ Associado a Não Fumantes: Colite ulcerativa é mais comum em indivíduos que nunca fumaram ou que pararam de fumar. ■ Efeito Protetor: O fumo pode ter um efeito protetor na colite ulcerativa, mas o uso de nicotina no tratamento não tem se mostrado eficaz. ○ Dieta: ■ Alimentos Associados: Dietas ricas em gorduras e pobres em fibras, como fast food, têm sido associadas à colite ulcerativa. A relação com leite e outros alimentos ainda não é confirmada. ■ Leite Materno: A falta de leite materno pode estar associada ao aparecimento da doença. ○ Infecção: ■ Teoria Infecciosa: A teoria de que infecções causam colite ulcerativa não foi confirmada, apesar de observações sobre a presença de bactérias em áreas afetadas. ■ Ambientes Higiênicos: A exposição a ambientes higiênicos pode estar associada a um risco maior de colite ulcerativa. ○ Apendicectomia: ■ História de Apendicite: Apendicite na infância ou juventude pode estar associada a um menor risco de desenvolver colite ulcerativa. A apendicectomia em si não apresenta efeito protetor. ● Fatores Sociopsicossomáticos: ○ Influência Psicológica: Embora fatores emocionais e estressantes possam afetar a motilidade e função intestinal, a relação direta com a colite ulcerativa não é solidamente confirmada em estudos recentes. Epidemiologia ● Incidência Mundial: ○ Taxa de Incidência: 3 a 20 novos casos por ano para cada 100.000 habitantes. ○ Aumento de Incidência: Observado paralelamente ao desenvolvimento social, econômico e à ocidentalização do estilo de vida. ● Distribuição por Sexo e Idade: ○ Sexo: Afeta ambos os sexos igualmente, com uma leve tendência para mulheres. ○ Idade: ■ Homens: Picos entre 15-35 anos e 60-70 anos. ■ Mulheres: Principalmente entre 15 e 35 anos. ● Aspectos Étnicos: ○ Raça: Tradicionalmente mais comum em pessoas brancas e jovens, mas estudos recentes mostram aumento na incidência entre negros, equiparando-se aos brancos. ● Histórico Familiar e Fatores de Risco: ○ História Familiar: 10 a 15% dos pacientes têm histórico familiar positivo. ○ Tabagismo: Maior frequência da doença entre não fumantes em comparação a fumantes. Fisiopatologia ● Início e Extensão: ○ Início: Geralmente começa no reto. ○ Extensão: Pode permanecer localizada no reto (proctite ulcerativa) ou se estender proximalmente, eventualmente envolvendo todo o cólon. ○ Envolvimento Total: Raramente envolve todo o intestino grosso de uma só vez. ● Características da Inflamação: ○ Camadas Afetadas: A inflamação atinge a mucosa e a submucosa; a muscular é raramente envolvida. ○ Aspecto da Mucosa: ■ Início: Eritematosa, finamente granular e friável, com perda do padrão vascular normal e frequentemente áreas hemorrágicas. ■ Casos Graves: Caracterizados por úlceras grandes na mucosa com exsudato purulento abundante. ■ Áreas Normais: Presença de mucosa relativamente normal ou com mucosa inflamatória (pseudopólipos) projetando-se sobre a mucosa ulcerada. ● Complicações: ○ Fístulas e Abscessos: Não ocorrem na colite ulcerativa. Complicações ● Megacólon Tóxico: ○ Incidência: Ocorre em 3 a 5% dos pacientes com colite ulcerativa. ○ Características: Dilatação progressiva do cólon associada a sintomas tóxicos sistêmicos como febre, taquicardia, dor e distensão abdominal. ○ Leucograma: Intensa leucocitose. ○ Tratamento e Prognóstico: Requer colectomia urgente. A mortalidade é alta, afetando cerca de metade dos pacientes. ● Displasia e Carcinoma do Cólon: ○ Incidência: Maior em pacientes com colite ulcerativa do que na população geral; é uma das complicações mais temidas. ○ Progressão: Inflamação persistente pode progredir de colite sem displasia para displasia de baixo grau (DBG), displasia de alto grau (DAG) e, eventualmente, carcinoma. Recentemente, acredita-se que a DBG pode evoluir diretamente para câncer. ○ Fatores de Risco: Duração e extensão da doença, e a gravidade da inflamação. Após 15 anos de doença, o risco de câncer é de 5 a 8%; após 20 anos, 12%; e após 25 anos, 25 a 30%. ■ Limitação ao Reto: Risco semelhante ao da população normal. ■ Envolvimento Total do Cólo: Risco de 13% após 15 anos; 23% após 20 anos; e 42% após 25 anos. ○ Tumores: Geralmente muito agressivos, com lesões planas e infiltrativas, frequentemente com metástases ao diagnóstico. ● Colite Tóxica: ○ Descrição: Também conhecida como colite fulminante ou tóxica, ocorre quando ulcerações transmurais causam íleo e peritonite localizados. ○ Sintomas: Perda do tônus muscular do cólon e dilatação rápida. ○ Causa e Precipitação: Pode surgir espontaneamente em casos graves de colite ou ser precipitada por opioides, antidiarreicos e anticolinérgicos. ○ Risco de Perfuração: Aumenta significativamente a mortalidade. Manifestações clínicas ● Crises de Diarreia: ○ Características: Diarreia com sangue de intensidade e duração variáveis, alternando com períodos assintomáticos. ○ Início: Discreto, com urgência evacuatória crescente, cólicas em hipogástrio, sangue e muco nas fezes. ○ Infecções: Pode surgir após infecções como amebíase ou disenteria bacilar. ● Ulceração Restrita ao Retossigmoide: ○ Fezes: Podem estar normais ou duras e secas; muco com leucócitos e eritrócitos pode ser eliminado entre evacuações. ○ Sintomas Sistêmicos: Ausentes ou leves. ● Ulceração Proximal: ○ Fezes: Mais amolecidas, com >10 evacuações por dia, cólicas intensas e tenesmo significativo, dia e noite. ○ Aspecto das Fezes: Aquosas, contendo muco ou, frequentemente, sangue e pus. ● Colite Tóxica ou Fulminante: ○ Características: Diarreia súbita e violenta, febre >40°C, dor abdominal, sinais de peritonite e toxemia profunda. ○ Sintomas Adicionais: Perda do tônus muscular do cólon, dilatação rápida, e possível perfuração. ● Sintomas Sistêmicos: ○ Comuns em Colite Ulcerativa Grave: Mal-estar geral, febre, anemia, anorexia, perda de peso. ○ Manifestações Extraintestinais: Complicações articulares e cutâneas são mais comuns. ● Curso da Doença: ○ Episódios de Diarreia: Persistem por dias, semanas ou meses, seguidos por intervalos assintomáticos que podem durar meses ou anos. ○ Características das Fezes: Geralmente contêm sangue e muco, diarreia noturna pode ocorrer em casos graves. ● Classificação da Gravidade: ○ Branda: <4 evacuações/dia, sem manifestações sistêmicas. ○ Moderada: >4 evacuações/dia, sinais mínimos de toxicidade. ○ Grave: >6 evacuações sanguinolentas/dia, sinais de toxemia (febre, taquicardia, anemia, VHS elevada). ○ Fulminante: >10 evacuações/dia, sangramento contínuo, febre, sinais de toxemia, distensão abdominal, necessidade de transfusão, dilatação do cólon. Manifestações Extraintestinais ● Articulares: ○ Frequência: 10-20% dos pacientes. ○ Características: Artrite ou artralgia migratória, assimétrica, envolvendo joelhos, quadris, tornozelos e cotovelos. ○ Outras: Sacroiliite e espondilite ancilosante. ● Pele e Mucosa Oral: ○ Aftas: Acompanham a atividade da doença intestinal. ○ Eritema Nodoso: Lesões nodulares avermelhadas, dolorosas, não ulceradas, geralmente nas pernas. ○ Pioderma Gangrenoso: Úlcerasgrandes e profundas, com centro necrótico, geralmente associadas à atividade da doença. ● Oculares: ○ Frequência: 1-10% dos pacientes. ○ Condições: Episclerite, uveíte, irite, podendo levar à cegueira. ● Hepáticas: ○ Alterações: De 15 a 50% dos pacientes apresentam alterações das provas de função hepática. ○ Colangite Esclerosante: 1-5% dos pacientes. Caracteriza-se por astenia, prurido, icterícia, dor abdominal e febre; diagnóstico feito por colangiografia endoscópica retrógrada. Mecanismos das Manifestações Extraintestinais ● Imunocomplexos circulantes. ● Antígenos bacterianos. ● Crioproteínas circulantes. ● Reações imunes envolvendo anticorpos contra antígenos das células epiteliais intestinais. Fatores de risco ● História Familiar: ○ Presença de RCU em familiares de primeiro grau. ● Fatores Genéticos: ○ Alterações em genes relacionados ao sistema imunológico. ● Fatores Ambientais: ○ Exposição a um estilo de vida ocidentalizado (dieta rica em gorduras e açúcar, baixa fibra). ○ Poluição ambiental e mudanças no microbioma intestinal. ● Fatores Imunológicos: ○ Disfunção do sistema imunológico, incluindo resposta inflamatória exacerbada. ● Etnia: ○ Maior prevalência em pessoas de origem europeia comparado a outras etnias. ● Idade: ○ Início geralmente em jovens adultos (15-35 anos), mas também pode ocorrer em outras faixas etárias. ● Sexo: ○ Pode haver uma leve predominância em mulheres, embora a diferença não seja muito significativa. ● Não Fumantes: ○ Menor risco em fumantes e maior risco em não fumantes. ● História de Infecções: ○ Infecções intestinais precoces, como amebíase e disenteria bacilar, podem estar associadas ao desenvolvimento da doença. ● Dieta: ○ Dieta pobre em fibras e rica em gorduras e açúcares. ● Uso de Medicamentos: ○ Alguns medicamentos, como contraceptivos orais, podem ter uma relação com o risco aumentado. ● Estilo de Vida: ○ Estilo de vida moderno e mudanças no comportamento alimentar e ambiental. Diagnóstico Diagnóstico ● Baseado em: História clínica, exame físico. ● Confirmação: Sigmoidoscopia, colonoscopia, biópsia, exames de fezes para excluir agentes infecciosos. ● Cuidados: Colonoscopia não indicada em casos graves devido ao risco de perfuração. Realizada após melhora para avaliação da extensão da doença e monitoramento do câncer. Exames Diagnósticos ● Coproculturas e Microscopia: Excluir causas infecciosas. ● Sigmoidoscopia com Biópsia: Confirmação visual e coleta de amostras. Apresentação Inicial ● Sintomas Típicos: Diarreia com sangue e muco, dor abdominal, febre, perda de peso. ● Diferenciação: Doença de Crohn e outras causas de colite aguda. Exames Laboratoriais e Radiológicos ● Laboratoriais: Anemia, hipoalbuminemia, leucocitose, elevação de velocidade de hemossedimentação e proteína C-reativa. Testes adicionais incluem lactoferrina e calprotectina fecal. ● Radiológicos: Raios X do abdome (para detectar megacólon), enema opaco (para avaliar extensão da doença), tomografia computadorizada (para complicações). Exames Endoscópicos ● Sigmoidoscopia/Colonoscopia: Exames de escolha para diagnóstico e avaliação da extensão da doença. Não indicada em casos graves com risco de perfuração. Histopatologia ● Achados: Hiperemia, edema, friabilidade, ulcerações, exsudato fibrinoso, infiltração inflamatória aguda e crônica, microabscessos, e depleção de células caliciformes. Monitoramento e Tratamento ● Recorrências: Exames como sigmoidoscopia ou colonoscopia, e testes laboratoriais. ● Crises Agudas Graves: Hospitalização necessária, monitoramento de peritonite ou perfuração, exames radiológicos frequentes, e acompanhamento rigoroso. Prognóstico e Monitoramento ● Instabilidade Genômica: Associada à desnaturação do DNA e instabilidade dos microssatélites na mucosa. ● Monitoramento: Todos os pacientes devem realizar colonoscopia de triagem nos primeiros 8 anos após o início dos sintomas. ○ Frequência: Geralmente, exames a cada 1 a 3 anos, dependendo dos resultados das biopsias. Tratamento Tratamento Geral ● Manejo Dietético: ○ Evitar cafeína, lactose, alimentos condimentados e formadores de gases. ○ Suplementos de fibra para diarreia e sintomas retais. ○ Dieta sem leite pode ser benéfica, mas não deve ser mantida sem benefícios evidentes. ● Medicamentos: ○ Ácido 5-aminossalicílico (5-ASA): Preparações não absorvíveis como mesalamina e olsalazina. ○ Corticoides: Usados seletivamente para inflamação aguda; podem ser administrados por via retal (supositórios ou enemas). ○ Loperamida: Para alívio da diarreia leve a moderada; doses maiores podem ser usadas, mas com cautela em crises graves. ○ Imunomoduladores e Agentes Biológicos: Incluem antimetabólitos, agentes anti-TNF, inibidor da Janus quinase, e modulador do receptor da esfingosina-1-fosfato (S1P). ● Tratamento Cirúrgico: ○ Ressecção do reto e do intestino grosso com ileostomia ou anastomose ileoanal para pacientes não respondendo a tratamentos conservadores. Cuidados Adicionais ● Manutenção da Saúde: ○ Ingestão adequada de cálcio e vitamina D. ○ Imunizações e rastreamento de câncer conforme recomendação. Doença Leve do Lado Esquerdo ● Tratamento: ○ Enemas de 5-ASA (mesalazina) 1-2 vezes ao dia. ○ Supositórios são preferidos para doença distal. ○ Enemas de corticoide ou budesonida se 5-ASA não for eficaz ou tolerado. ○ Após remissão, reduzir gradualmente a dose do medicamento até manutenção. ○ 5-ASA oral pode ajudar a prevenir extensão proximal da doença. Doença Moderada ou Extensa ● Tratamento: ○ Agentes biológicos (infliximabe, adalimumabe, golimumabe, ustekinumabe, vedolizumabe) com ou sem imunomodulador (azatioprina ou 6-mercaptopurina). ○ Corticoides em altas doses para induzir remissão em casos moderados a graves. ○ Combinação de imunomodulador e terapia anti-TNF pode ser eficaz. ○ Considerar inibidor da Janus quinase (tofacitinibe ou upadacitinibe) ou ozanimode. Doença Grave ● Tratamento: ○ Hospitalização para agentes biológicos e/ou altas doses intravenosas de corticoides. ○ Reposição volêmica IV e transfusões de sangue conforme necessário. ○ Monitorar desenvolvimento de colite tóxica. ○ Hiperalimentação parenteral para suporte nutricional se necessário. ○ Se não houver resposta em 3 a 7 dias, considerar ciclosporina IV ou cirurgia. ○ Se ciclosporina IV for eficaz, mudar para ciclosporina oral e azatioprina ou 6-mercaptopurina. ○ Tacrolimo pode ser uma alternativa à ciclosporina. ○ Profilaxia contra pneumonia por Pneumocystis jirovecii recomendada. Colite Fulminante ● Tratamento: ○ Interromper medicamentos antidiarreicos. ○ Jejum oral e inserção de tubo intestinal longo com sucção intermitente. ○ Reposição volêmica IV agressiva com cloreto de sódio, potássio e sangue conforme necessário. ○ Altas doses de corticoides IV ou ciclosporina. ○ Antibióticos (metronidazol e ciprofloxacina IV). ○ Infliximabe pode ser considerado. ○ Mudar o paciente de decúbito regularmente e usar sonda retal com cautela. ○ Se não houver melhora em 24 a 48 horas, cirurgia imediata é necessária para evitar sepse ou perfuração. Terapia de Manutenção ● Tratamento: ○ Diminuir gradualmente corticoides após agudização até descontinuação. ○ Continuar 5-ASA (oral ou retal) indefinidamente para manutenção. ○ Terapia oral e retal combinada é mais eficaz do que uma única terapia. ○ Pacientes que não podem parar de tomar corticoides devem receber tiopurinas, metotrexato, agentes biológicos, inibidores da Janus quinase, ou ozanimode. ○ Continuar infliximabe se foi usado na indução. Cirurgia ● Proctocolectomia Total: ○ Curativa para colite ulcerativa extensa. ○ Restaura a expectativa de vida e reduz o risco de câncer de cólon. ○ Até 25% dos pacientes podem desenvolver inflamação no intestino delgado, semelhante à doença de Crohn, anos após a cirurgia. ○ Após proctocolectomia com anastomose ileal-anal (IPAA), há risco de displasia ou câncer na zona de transição anal e na bolsa ileal. ○ Melhora a qualidade de vida, mas pode apresentar novos desafios. ● Colectomia Emergencial: ○ Indicadapara hemorragia maciça, colite tóxica fulminante ou perfuração. ○ Colectomia subtotal com ileostomia e fechamento do retossigmoide (procedimento de Hartmann) é o procedimento preferido em casos graves. ○ O coto retossigmoide pode ser removido eletivamente ou utilizado para anastomose ileoanal. ● Cirurgia Eletiva: ○ Indicada para câncer, estenoses sintomáticas, retardo de crescimento em crianças ou doença crônica intratável. ○ Procedimento eletivo de escolha é a proctocolectomia restaurativa com anastomose ileoanal para pacientes com função esfincteriana normal. ○ Cria um reservatório pélvico (bolsa ileal) conectado ao ânus, permitindo continência anal com 4 a 9 evacuações/dia. ● Bolsite: ○ Reação inflamatória após proctocolectomia restauradora com IPAA, ocorrendo em cerca de 50% dos pacientes. ○ Maior risco em pacientes com colangite esclerosante primária, manifestações extraintestinais pré-operatórias ou altos títulos sorológicos. ○ Tratada com antibióticos (ex.: quinolonas) e probióticos; 5 a 10% dos casos podem ser refratários e necessitar de conversão para ileostomia tradicional (Brooke). ● Ileíte: ○ Tratada como outros tipos de doença inflamatória intestinal. ○ Procedimentos cirúrgicos são raramente necessários. ● Aspectos Emocionais e Físicos: ○ Reconhecimento e tratamento dos traumas físicos e emocionais impostos pela ressecção do cólon. ○ Esclarecimento e suporte psicológico são necessários antes e após a cirurgia.