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AULA 4 VIGILÂNCIA EM SAÚDE Profª Joy Ganem Longhi 2 INTRODUÇÃO Para entender o conceito de ambiente e entorno saudável, é preciso compreender a necessidade de ter provisões urbanas básicas como saneamento, espaços físicos limpos e estruturalmente adequados e redes de apoio, para se conseguir hábitos psicossociais sadios e seguros (Cohen, 2003). Para que os riscos ambientais sejam tratados como problemas de saúde, ou seja, passíveis de solução e/ou controle, o ambiente deve ser internalizado à política, ao diagnóstico, ao planejamento e às ações de saúde (Augusto, 2003). TEMA 1 – VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL – DEFINIÇÃO E HISTÓRICO A Vigilância em Saúde Ambiental caracteriza-se como um dos componentes da Vigilância em Saúde. É definida como um conjunto de ações que propiciam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde (Ministério da Saúde, 2009b). A relação saúde-ambiente vem sendo ressaltada desde os primórdios com Hipócrates, na Grécia antiga, no início do século IV a.C. Sua obra denominada Dos Ares, das Águas e dos Lugares trazia inquietações com aspectos ambientais na determinação das doenças, destacando a relação entre as enfermidades, principalmente as endêmicas, e a localização de seus focos (Ribeiro, 2004). O movimento ambientalista, que começou a ganhar força nos anos 1960 e 1970, contribuiu para ampliação da compreensão dos problemas ambientais, antes restritos aos aspectos de saneamento e controle de vetores, bem como para a recuperação da dimensão política e social relacionada a eles (Freitas, 2003). As condições ambientais adversas nos países em desenvolvimento passaram a ser identificadas como riscos à saúde, gerando a necessidade de estudar e intervir sobre novos problemas. Também foi verificada a necessidade de abordar antigos problemas sob uma nova perspectiva integradora. Essa tendência apontou a necessidade de superação do modelo de Vigilância à Saúde baseada em agravos, incorporando a temática ambiental nas práticas de Saúde Pública (Barcellos; Quitério, 2006). 3 Assim, em meados do século XX, foram retomados os estudos relacionados à saúde e ao ambiente, e foi estruturada a área de Saúde Ambiental, caracterizada como um campo da Saúde Pública com objetivo de formular políticas públicas relacionadas à interação entre a saúde humana e os fatores do meio ambiente natural e antrópico (resultantes da ação humana) que determinam, condicionam e influenciam, com vistas a melhorar a qualidade de vida dos ser humano, sob o ponto de vista da sustentabilidade (Ministério da Saúde, 2009a). As questões ambientais ganharam destaque em 1972, com a realização da Conferência de Estocolmo, na Suécia, organizada pelas Nações Unidas, com 113 nações participantes, quando foram feitas discussões que resultaram em recomendações para os povos para a busca da melhor relação entre o homem e o ambiente (Rohlfs et al., 2011). Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde de 1975, a Lei n. 6.259/75 e o Decreto n. 78.231, de 1976, instituíram o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), com atribuição do controle e fiscalização dos padrões de interesse sanitário de portos, aeroportos e fronteiras, medicamentos, cosméticos, alimentos, saneantes e bens (Ministério da Saúde, 2000a). Em meados da década de 1980, foram promovidas iniciativas para se instituir no âmbito do setor da saúde ações da Vigilância de Saúde do Trabalhador e do Meio Ambiente, de acordo com a Constituição de 1988 e a lei Orgânica de Saúde de 1990 (Ministério da Saúde, 2000b). A questão ambiental no Ministério da Saúde foi incorporada à estrutura da então Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária por meio de sua Divisão de Ecologia Humana e Saúde Ambiental (DIEHSA), em 1991. A relação entre ambiente e impacto à saúde ganhou forte apoio nacional e internacional na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, onde se instituiu o compromisso da definição e adoção de um conjunto de políticas de meio-ambiente e de saúde, no contexto do desenvolvimento sustentável (Rohlfs et al., 2011). Mas foi no final da década de 1990 que se iniciou a construção da vigilância ambiental em saúde em sua dimensão sistêmica, no SUS (De Seta; Reis). Assim, as ações de controle sobre o meio ambiente, relacionadas à saúde, como a vigilância da qualidade da água para o consumo humano, estiveram até o final da década de 90 subordinadas à Vigilância Sanitária (Augusto, 2003). 4 A partir do ano 2000, o Ministério da Saúde formulou a denominada Vigilância Ambiental, a qual já se configurava como um conjunto de ações que proporcionavam o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos e das doenças ou agravos relacionados à variável ambiental (Ministério da Saúde, 2000b). No Ministério da Saúde, criou-se a Vigilância Ambiental em Saúde e, em maio de 2000, foi publicado o Decreto n. 3.450, que instituiu no Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) a gestão do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde (Sinvas) (De Seta; Reis) O Decreto n. 3.450, de 10 de maio de 2000, descreve que a Vigilância Ambiental em Saúde Prioriza a informação no campo da vigilância ambiental, de fatores biológicos (vetores, hospedeiros, reservatórios, animais peçonhentos), qualidade de água para consumo humano, contaminantes ambientais químicos e físicos, que possam interferir na qualidade da água, ar e solo, e os riscos recorrentes de desastres naturais e de acidentes com produtos perigosos (Augusto, 2003). A partir de 2005, esse sistema foi redefinido e passou a ter a sigla SINVSA. Em um primeiro momento, a Coordenação-Geral de Vigilância Ambiental (CGVAM/SVS) ficaria responsável também pelos fatores biológicos, mas atualmente eles se vinculam a outra coordenação da SVS (De Seta; Reis). Assim, a Vigilância em Saúde Ambiental foi definida em documentos do Ministério da Saúde como: Conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou a outros agravos à saúde. (Ministério da Saúde, 2005) TEMA 2 – OBJETIVOS Segundo o Ministério da Saúde – Funasa (2002), destacam-se os seguintes objetivos da Vigilância Ambiental em Saúde: 1. Produzir, processar, integrar e interpretar informações, visando a disponibilizar ao SUS, instrumentos para planejamento e execução de 5 ações relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e controle de doenças relacionadas ao meio ambiente; 2. Estabelecer os principais parâmetros, atribuições, procedimentos e ações relacionadas à vigilância ambiental em saúde nas diversas instâncias de competência; 3. Identificar os riscos e divulgar informações referentes aos fatores ambientais condicionantes e determinantes das doenças e outros agravos à saúde; 4. Intervir com ações diretas de responsabilidade do setor ou demandando para outros setores, com vista a eliminar os principais fatores ambientais de risco à saúde humana; 5. Promover, junto aos órgãos afins ações de proteção da saúde humana relacionadas ao controle e recuperação do meio ambiente; e 6. Conhecer e estimular a interação entre a saúde, meio ambiente e desenvolvimento visando ao fortalecimentoda participação da população na promoção da saúde e qualidade de vida. TEMA 3 – VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO BRASIL Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, o meio ambiente foi elevado ao patamar de garantia fundamental, com a inserção de um capítulo especialmente dedicado à matéria em seu corpo (Morais; Costa, 2019). Atualmente, com a incorporação na Vigilância Ambiental ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde (SNVA), no âmbito do SUS, amplia-se a compreensão de que há um ambiente maior e relacional, em que as ações de promoção à saúde devem ser implementadas levando-se em consideração o ambiente em que as pessoas residem e trabalham (Augusto, 2003). A área de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) começou a ser implantada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com base no Decreto n. 3.450/2000, que estabeleceu, entre suas competências, a “gestão do sistema nacional de vigilância ambiental”. No início, as atividades da VSA foram centradas na capacitação de recursos humanos, no financiamento da construção e reforma dos Centros de Controle de Zoonose e na estruturação do Sistema de Informação da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) (Rohlfs et al., 2011). 6 Em 2003, com a publicação do Decreto n. 4.726, houve a restruturação do Ministério da Saúde, com a criação da Secretaria da Vigilância da Saúde (SVS), que passou a ter como uma de suas competências a gestão do Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVSA), compartilhadas com Estados, Municípios e Distrito Federal em articulação com fóruns intra e intersetoriais e o controle social (Rohlfs et al., 2011). A atualização das competências da Vigilância em Saúde Ambiental se deu pela IN SVS n. 01/2005, na qual foram estabelecidas as áreas de atuação do SINVSA: água para consumo humano, ar, solo, contaminantes ambientais e substâncias químicas, desastres naturais, acidentes com produtos perigosos, fatores físicos e ambiente de trabalho. Além disso, incluíram os procedimentos de vigilância epidemiológica das doenças e agravos decorrentes da exposição humana a agrotóxicos, benzeno, chumbo, amianto e mercúrio (Ministério da Saúde, 2005). No processo de consolidação, os caminhos percorridos construíram avanços técnicos e operacionais, com resultados positivos na implementação da Vigilância em Saúde Ambiental dentro da estrutura do SUS. Destacam-se entre seus principais objetivos a produção e interpretação de informações, visando disponibilizar ao SUS instrumentos para o planejamento e execução de ações relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e controle de agravos relacionados a fatores ambientais (Rohlfs et al. 2011). • Vigipeq – Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Contaminantes Químicos: tem como objetivo o desenvolvimento de vigilância em saúde, visando adotar medidas de prevenção, promoção e atenção integral de populações expostas a contaminantes químicos. • Vigidesastres – Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos associados aos Desastres: tem como objetivo o desenvolvimento de um conjunto de ações a serem adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para reduzir a exposição da população e dos profissionais de saúde aos riscos de desastres e a redução das doenças e agravos decorrentes deles. • Vigiagua – Vigilância da Qualidade da Água para o Consumo Humano: consiste no conjunto de ações adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para garantir que a água consumida pela população atenda ao padrão de potabilidade estabelecido na legislação vigente. 7 Para atender às demandas de estados e municípios, uma rede de laboratórios de referência nacional (LACEN) realiza análises de média e alta complexidade em amostras ambientais e biológicas. Essa rede é responsável pelas seguintes ações de vigilância: 1. Análise da qualidade da água para consumo humano; 2. Análise para a vigilância de populações humanas expostas aos fatores ambientais biológicos, químicos e físicos; 3. Análise para a vigilância de saúde de trabalhadores expostos aos fatores ambientais, biológicos, químicos e físicos. 4. De modo geral, pode-se concluir que ao longo dos últimos anos, a área de Saúde Ambiental no Brasil adquiriu reconhecimento institucional na estrutura do Ministério da Saúde, entretanto, diversos ainda são os desafios a serem enfrentados pela área. TEMA 4 – SANEAMENTO BÁSICO Saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica. No Brasil, é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei n. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais (Trata Brasil, 2019) e que em seu capítulo IX orienta a ação do governo federal por meio da definição de um conjunto amplo de diretrizes, objetivos e metas para a universalização e definição de programas, ações e estratégias para investimentos no setor (Brasil, 2007). O saneamento básico é item essencial para um país poder ser chamado de desenvolvido (Trata Brasil, 2019). Nos países em desenvolvimento, percebe-se que um significativo percentual da população não dispõe de condições sanitárias básicas para o lançamento adequado de seus resíduos, que aliadas à deficiência de educação em saúde, os descartam indiscriminadamente na superfície do solo, com consequente poluição e/ou contaminação do mesmo e das águas superficiais e subterrâneas (Ministério da Saúde, 2015). 8 Por ser um direito essencial à sociedade, é atribuído ao Poder Público a sua implementação, regulamentação, fiscalização e prestação. Da mesma forma, o princípio da universalização ganha previsão legal na regulamentação do serviço, a fim de se garantir o direito à igualdade (Morais; Costa, 2019). Desde a década de 1950 até o final do século passado, o investimento em saneamento básico no Brasil ocorreu pontualmente em alguns períodos específicos, com um destaque para as décadas de 1970 e 1980. Em decorrência disso, o Brasil ainda está marcado por uma grande desigualdade e déficit ao acesso, principalmente em relação à coleta e tratamento de esgoto (Leoneti; Prado; Oliveira, 2011). A situação do sistema sanitário em que o Brasil se encontra é de grande precariedade, à semelhança de outros países em desenvolvimento. Essa situação é caracterizada pelo descaso às atividades de saneamento básico, o que resulta em diversos problemas sociais, econômicos e ambientais (Costa, 2013). Enchentes, lixões a céu aberto, contaminação de mananciais, água sem tratamento e doenças apresentam uma estreita relação. A inexistência de condições de saneamento adequadas, muitas vezes aliada à falta de práticas de educação sanitária e ambiental, têm resultado na alta incidência de várias doenças, principalmente de veiculação hídrica. Doenças como diarreias, dengue, febre tifoide e malária resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças. Elas são transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, dejetos animais e resíduos sólidos dispostos de forma imprópria (Costa, 2013). Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2008) estimam que cada US$ 1,00 investido em saneamento básico gera um retorno de US$ 9,00 para a economia de um país, demonstrando a importância dos investimentos previstos para o setor de saneamento, refletindo diretamente na saúde pública (Costa, 2013). 4.1 Água tratada Os serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas,sobretudo na saúde infantil, com redução da mortalidade infantil, melhorias na educação, na expansão do turismo, na valorização dos imóveis, na renda do trabalhador, na despoluição dos rios e preservação dos recursos hídricos etc. (Trata Brasil, 2019; Leoneti; Prado; Oliveira, 2011). 9 Levar água potável a uma comunidade deve ser a primeira ação sanitária e social que um programa de saneamento deve implementar, pois constitui o ponto central de um conjunto de ações para promover o saneamento e, logo, a saúde pública (Ministério Da Saúde, 2015). Entre as atividades de saneamento apresentadas, apenas o tratamento e distribuição de águas encontram-se em um nível satisfatório no Brasil, atendendo 81,1% da população total e 92,5% da população urbana, segundo dados do SNIS no ano de 2010 (Costa, 2013). O sistema de abastecimento de água para consumo humano consiste em um conjunto de infraestruturas, obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona de captação até as ligações prediais, para o fornecimento coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição. A solução alternativa coletiva de abastecimento de água destina-se a fornecer água potável a partir de captação subterrânea ou superficial, com ou sem canalização e sem rede de distribuição. (Ministério Da Saúde, 2015) 4.2 Tratamento de esgoto A Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela norma 9.648/86, define esgoto sanitário como “Despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária”. A utilização de água traz a necessidade de criar soluções para o retorno de uma parcela desta água ao meio ambiente. Após usada, a água tem suas características naturais alteradas, incorporando inúmeras substâncias cuja constituição está relacionada ao objetivo para a qual foi empregada (Ministério da Saúde, 2015) Segundo o Manual de Saneamento da Funasa – Ministério da Saúde (2015), os tipos de esgoto podem ser definidos como: • Esgotos domésticos: de composição essencialmente orgânica, compreendem as águas que contêm a matéria originada pelos dejetos humanos no esgotamento de peças sanitárias e as águas provenientes das atividades domésticas. Incluem também os efluentes das instalações sanitárias de estabelecimentos comerciais, de empresas e instituições. Podem ser divididos em: 10 o Águas negras: parcela proveniente das instalações sanitárias, contendo fezes e urina; o Águas cinzas: parcela proveniente de banhos, lavagens e outros usos domésticos. • Esgotos industriais: sua composição pode variar de orgânica a mineral. Compreendem os resíduos orgânicos de indústrias em seus diversos ramos e água de refrigeração. Nos efluentes industriais, há uma fração associada às instalações sanitárias dos funcionários e aos refeitórios, usualmente com características similares aos dos esgotos domésticos. O destino adequado dos esgotos é essencial para a saúde pública, pois tem como objetivo o controle e a prevenção de doenças relacionadas, por meio de soluções que buscam eliminar focos de contaminação e poluição. Os fatores relacionados ao saneamento interferem no aumento da vida média do ser humano, uma vez que há redução da mortalidade visto a redução dos casos de doenças; na diminuição das despesas com o tratamento de doenças evitáveis; na redução do custo do tratamento da água de abastecimento, devido à melhor qualidade da água bruta, pela prevenção da poluição dos mananciais; no controle da poluição das praias e dos locais de entretenimento, com o objetivo de promover o turismo e na preservação da biota aquática (Ministério da Saúde, 2015) 4.3 Resíduos sólidos Resíduos sólidos são um conjunto heterogêneo de materiais, substâncias, objetos ou bens descartados resultantes das atividades humanas, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam, para isso, soluções técnicas ou economicamente inviáveis frente a melhor tecnologia disponível (Ministério da Saúde 2015). O gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos ainda é um dos maiores problemas do país. Como possui grande quantidade de matéria orgânica, os resíduos sólidos servem como meio de cultura, ambiente e alimento para diversos organismos vivos. Além disso, possibilita a proliferação de mosquitos que se desenvolvem em água acumulada em recipientes abertos. Assim, existe a possibilidade de contaminação do homem pelo contato direto com os resíduos sólidos ou por meio da massa de água poluída (Ministério da Saúde, 2015). 11 No Brasil, a questão dos resíduos sólidos urbanos foi regulamentada, estabelecendo as diretrizes para sua gestão integrada, dando ênfase à política de redução de resíduos gerados. Pode-se citar como principais avanços contidos: a responsabilização do gerador dos resíduos, desde o acondicionamento até a disposição final ambientalmente adequada; a elaboração de Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos pelo titular dos serviços; a análise e avaliação do ciclo de vida do produto e a logística reversa (Ministério da Saúde, 2015). Desde 2010, cidadãos, governos, setor privado e sociedade civil organizada passou a ser responsável pela gestão ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. Assim, o cidadão é responsável não só pela disposição correta dos resíduos que gera, mas também é importante que repense e reveja o seu papel como consumidor; o setor privado, ficando responsável pelo gerenciamento ambientalmente correto dos resíduos sólidos, pela sua reincorporação na cadeia produtiva e pelas inovações nos produtos que tragam benefícios socioambientais, sempre que possível; as diferentes esferas do governo federal, estaduais e municipais são responsáveis pela elaboração e implementação dos planos de gestão de resíduos sólidos, assim como dos demais instrumentos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (MMA, 2019). A busca por soluções na área de resíduos reflete a necessidade de uma sociedade que pressiona por mudanças, motivadas pelos elevados custos socioeconômicos e ambientais. Quando corretamente manejados, os resíduos sólidos adquirem valor comercial e podem ser utilizados em forma de novas matérias-primas ou novos insumos (MMA, 2019). TEMA 5 – DOENÇAS E A VIGILÂNCIA AMBIENTAL Segundo o Ministério da Saúde – Funasa (2015), o saneamento ambiental como instrumento de promoção da saúde proporciona redução do sofrimento humano e perdas de vidas por doenças que podem ser evitadas, especialmente na população infantil. A contaminação da água e a poluição encontram-se como as principais causas de enfermidades, especialmente em populações de baixa renda não atendidas por sistemas de abastecimento de água e de coleta e disposição de esgotos. As doenças relacionadas ao uso da água causam grande número de internações hospitalares e são responsáveis por grande parte dos índices de mortalidade infantil (Ministério da Saúde, 2015). 12 Os fenômenos associados às mudanças climáticas podem aumentar a incidência de doenças respiratórias (devido à maior concentração de ozônio próxima à superfície), doenças diarreicas, desnutrição, morbimortalidade causadas por eventos climáticos extremos como ondas de calor ou frio, tempestades, inundações, secas e incêndios, incidência de algumas enfermidades como cólera, malária, dengue, como reflexo da expansão das zonas de calor e umidade para latitudes e altitudes mais elevadas (Ministério da Saúde, 2015). Além da água e da temperatura, outros fatores como a umidade e a densidade, o tipo do cultivo da safra, a densidade da vegetação e a habitação podem ser determinantes para a sobrevivência de espécies diferentes de vetores transmissores de doenças(Ministério da Saúde, 2015). As doenças de transmissão vetorial como a malária, dengue, Chagas e leishmanioses são um grave problema de saúde pública e o controle de seus vetores é o único meio de proteger a população da infecção (Ministério Da Saúde, 2015). Doenças como diarreias, dengue, febre tifoide, amebíase, giardíase e malária, resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças, são transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, dejetos animais e resíduos sólidos dispostos de maneira inadequada (Costa, 2013) As ações necessárias para que protejam a população de sua contaminação combinam manejo ambiental, promoção de proteção pessoal, educação ambiental, controle biológico, controle químico legais e melhoramento de gestão dos serviços públicos de controle de vetores (Ministério Da Saúde, 2015). 13 REFERÊNCIAS AUGUSTO, L. G. S. Saúde e vigilância ambiental: Um tema em construção. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 12, n. 4, p. 177-187, 2003. BARCELLOS, C.; QUITÉRIO, L. A. D. 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