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AULA 4 
VIGILÂNCIA EM SAÚDE 
Profª Joy Ganem Longhi 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Para entender o conceito de ambiente e entorno saudável, é preciso 
compreender a necessidade de ter provisões urbanas básicas como saneamento, 
espaços físicos limpos e estruturalmente adequados e redes de apoio, para se 
conseguir hábitos psicossociais sadios e seguros (Cohen, 2003). 
Para que os riscos ambientais sejam tratados como problemas de saúde, 
ou seja, passíveis de solução e/ou controle, o ambiente deve ser internalizado à 
política, ao diagnóstico, ao planejamento e às ações de saúde (Augusto, 2003). 
TEMA 1 – VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL – DEFINIÇÃO E HISTÓRICO 
A Vigilância em Saúde Ambiental caracteriza-se como um dos 
componentes da Vigilância em Saúde. É definida como um conjunto de ações que 
propiciam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores determinantes 
e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a 
finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco 
ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde (Ministério da 
Saúde, 2009b). 
A relação saúde-ambiente vem sendo ressaltada desde os primórdios com 
Hipócrates, na Grécia antiga, no início do século IV a.C. Sua obra denominada 
Dos Ares, das Águas e dos Lugares trazia inquietações com aspectos ambientais 
na determinação das doenças, destacando a relação entre as enfermidades, 
principalmente as endêmicas, e a localização de seus focos (Ribeiro, 2004). 
O movimento ambientalista, que começou a ganhar força nos anos 1960 e 
1970, contribuiu para ampliação da compreensão dos problemas ambientais, 
antes restritos aos aspectos de saneamento e controle de vetores, bem como para 
a recuperação da dimensão política e social relacionada a eles (Freitas, 2003). 
As condições ambientais adversas nos países em desenvolvimento 
passaram a ser identificadas como riscos à saúde, gerando a necessidade de 
estudar e intervir sobre novos problemas. Também foi verificada a necessidade 
de abordar antigos problemas sob uma nova perspectiva integradora. Essa 
tendência apontou a necessidade de superação do modelo de Vigilância à Saúde 
baseada em agravos, incorporando a temática ambiental nas práticas de Saúde 
Pública (Barcellos; Quitério, 2006). 
 
 
3 
Assim, em meados do século XX, foram retomados os estudos 
relacionados à saúde e ao ambiente, e foi estruturada a área de Saúde Ambiental, 
caracterizada como um campo da Saúde Pública com objetivo de formular 
políticas públicas relacionadas à interação entre a saúde humana e os fatores do 
meio ambiente natural e antrópico (resultantes da ação humana) que determinam, 
condicionam e influenciam, com vistas a melhorar a qualidade de vida dos ser 
humano, sob o ponto de vista da sustentabilidade (Ministério da Saúde, 2009a). 
As questões ambientais ganharam destaque em 1972, com a realização da 
Conferência de Estocolmo, na Suécia, organizada pelas Nações Unidas, com 113 
nações participantes, quando foram feitas discussões que resultaram em 
recomendações para os povos para a busca da melhor relação entre o homem e 
o ambiente (Rohlfs et al., 2011). 
Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde de 1975, a Lei n. 
6.259/75 e o Decreto n. 78.231, de 1976, instituíram o Sistema Nacional de 
Vigilância Epidemiológica (SNVE), com atribuição do controle e fiscalização dos 
padrões de interesse sanitário de portos, aeroportos e fronteiras, medicamentos, 
cosméticos, alimentos, saneantes e bens (Ministério da Saúde, 2000a). 
Em meados da década de 1980, foram promovidas iniciativas para se 
instituir no âmbito do setor da saúde ações da Vigilância de Saúde do Trabalhador 
e do Meio Ambiente, de acordo com a Constituição de 1988 e a lei Orgânica de 
Saúde de 1990 (Ministério da Saúde, 2000b). A questão ambiental no Ministério 
da Saúde foi incorporada à estrutura da então Secretaria Nacional de Vigilância 
Sanitária por meio de sua Divisão de Ecologia Humana e Saúde Ambiental 
(DIEHSA), em 1991. 
A relação entre ambiente e impacto à saúde ganhou forte apoio nacional e 
internacional na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (CNUMAD), a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, 
onde se instituiu o compromisso da definição e adoção de um conjunto de políticas 
de meio-ambiente e de saúde, no contexto do desenvolvimento sustentável 
(Rohlfs et al., 2011). 
Mas foi no final da década de 1990 que se iniciou a construção da vigilância 
ambiental em saúde em sua dimensão sistêmica, no SUS (De Seta; Reis). Assim, 
as ações de controle sobre o meio ambiente, relacionadas à saúde, como a 
vigilância da qualidade da água para o consumo humano, estiveram até o final da 
década de 90 subordinadas à Vigilância Sanitária (Augusto, 2003). 
 
 
4 
A partir do ano 2000, o Ministério da Saúde formulou a denominada 
Vigilância Ambiental, a qual já se configurava como um conjunto de ações que 
proporcionavam o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde 
humana, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e 
controle dos fatores de riscos e das doenças ou agravos relacionados à variável 
ambiental (Ministério da Saúde, 2000b). 
No Ministério da Saúde, criou-se a Vigilância Ambiental em Saúde e, em 
maio de 2000, foi publicado o Decreto n. 3.450, que instituiu no Centro Nacional 
de Epidemiologia (Cenepi) a gestão do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental 
em Saúde (Sinvas) (De Seta; Reis) 
O Decreto n. 3.450, de 10 de maio de 2000, descreve que a Vigilância 
Ambiental em Saúde 
Prioriza a informação no campo da vigilância ambiental, de fatores 
biológicos (vetores, hospedeiros, reservatórios, animais peçonhentos), 
qualidade de água para consumo humano, contaminantes ambientais 
químicos e físicos, que possam interferir na qualidade da água, ar e solo, 
e os riscos recorrentes de desastres naturais e de acidentes com 
produtos perigosos (Augusto, 2003). 
A partir de 2005, esse sistema foi redefinido e passou a ter a sigla SINVSA. 
Em um primeiro momento, a Coordenação-Geral de Vigilância Ambiental 
(CGVAM/SVS) ficaria responsável também pelos fatores biológicos, mas 
atualmente eles se vinculam a outra coordenação da SVS (De Seta; Reis). 
Assim, a Vigilância em Saúde Ambiental foi definida em documentos do 
Ministério da Saúde como: 
Conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente 
que interferem na saúde humana, com a finalidade de identificar as 
medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais 
relacionados às doenças ou a outros agravos à saúde. (Ministério da 
Saúde, 2005) 
TEMA 2 – OBJETIVOS 
Segundo o Ministério da Saúde – Funasa (2002), destacam-se os seguintes 
objetivos da Vigilância Ambiental em Saúde: 
1. Produzir, processar, integrar e interpretar informações, visando a 
disponibilizar ao SUS, instrumentos para planejamento e execução de 
 
 
5 
ações relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e 
controle de doenças relacionadas ao meio ambiente; 
2. Estabelecer os principais parâmetros, atribuições, procedimentos e ações 
relacionadas à vigilância ambiental em saúde nas diversas instâncias de 
competência; 
3. Identificar os riscos e divulgar informações referentes aos fatores 
ambientais condicionantes e determinantes das doenças e outros agravos 
à saúde; 
4. Intervir com ações diretas de responsabilidade do setor ou demandando 
para outros setores, com vista a eliminar os principais fatores ambientais 
de risco à saúde humana; 
5. Promover, junto aos órgãos afins ações de proteção da saúde humana 
relacionadas ao controle e recuperação do meio ambiente; e 
6. Conhecer e estimular a interação entre a saúde, meio ambiente e 
desenvolvimento visando ao fortalecimentoda participação da população 
na promoção da saúde e qualidade de vida. 
TEMA 3 – VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO BRASIL 
 Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 
1988, o meio ambiente foi elevado ao patamar de garantia fundamental, com a 
inserção de um capítulo especialmente dedicado à matéria em seu corpo (Morais; 
Costa, 2019). 
Atualmente, com a incorporação na Vigilância Ambiental ao Sistema 
Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde (SNVA), no âmbito 
do SUS, amplia-se a compreensão de que há um ambiente maior e relacional, em 
que as ações de promoção à saúde devem ser implementadas levando-se em 
consideração o ambiente em que as pessoas residem e trabalham (Augusto, 
2003). 
 A área de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) começou a ser implantada 
pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com base no Decreto n. 3.450/2000, 
que estabeleceu, entre suas competências, a “gestão do sistema nacional de 
vigilância ambiental”. No início, as atividades da VSA foram centradas na 
capacitação de recursos humanos, no financiamento da construção e reforma dos 
Centros de Controle de Zoonose e na estruturação do Sistema de Informação da 
Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) (Rohlfs et al., 2011). 
 
 
6 
 Em 2003, com a publicação do Decreto n. 4.726, houve a restruturação do 
Ministério da Saúde, com a criação da Secretaria da Vigilância da Saúde (SVS), 
que passou a ter como uma de suas competências a gestão do Subsistema 
Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVSA), compartilhadas com 
Estados, Municípios e Distrito Federal em articulação com fóruns intra e 
intersetoriais e o controle social (Rohlfs et al., 2011). 
 A atualização das competências da Vigilância em Saúde Ambiental se deu 
pela IN SVS n. 01/2005, na qual foram estabelecidas as áreas de atuação do 
SINVSA: água para consumo humano, ar, solo, contaminantes ambientais e 
substâncias químicas, desastres naturais, acidentes com produtos perigosos, 
fatores físicos e ambiente de trabalho. Além disso, incluíram os procedimentos de 
vigilância epidemiológica das doenças e agravos decorrentes da exposição 
humana a agrotóxicos, benzeno, chumbo, amianto e mercúrio (Ministério da 
Saúde, 2005). 
No processo de consolidação, os caminhos percorridos construíram 
avanços técnicos e operacionais, com resultados positivos na implementação da 
Vigilância em Saúde Ambiental dentro da estrutura do SUS. Destacam-se entre 
seus principais objetivos a produção e interpretação de informações, visando 
disponibilizar ao SUS instrumentos para o planejamento e execução de ações 
relativas às atividades de promoção à saúde e de prevenção e controle de agravos 
relacionados a fatores ambientais (Rohlfs et al. 2011). 
• Vigipeq – Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Contaminantes 
Químicos: tem como objetivo o desenvolvimento de vigilância em saúde, 
visando adotar medidas de prevenção, promoção e atenção integral de 
populações expostas a contaminantes químicos. 
• Vigidesastres – Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos associados aos 
Desastres: tem como objetivo o desenvolvimento de um conjunto de ações 
a serem adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para 
reduzir a exposição da população e dos profissionais de saúde aos riscos 
de desastres e a redução das doenças e agravos decorrentes deles. 
• Vigiagua – Vigilância da Qualidade da Água para o Consumo Humano: 
consiste no conjunto de ações adotadas continuamente pelas autoridades 
de saúde pública para garantir que a água consumida pela população 
atenda ao padrão de potabilidade estabelecido na legislação vigente. 
 
 
 
7 
Para atender às demandas de estados e municípios, uma rede de 
laboratórios de referência nacional (LACEN) realiza análises de média e alta 
complexidade em amostras ambientais e biológicas. Essa rede é responsável 
pelas seguintes ações de vigilância: 
1. Análise da qualidade da água para consumo humano; 
2. Análise para a vigilância de populações humanas expostas aos fatores 
ambientais biológicos, químicos e físicos; 
3. Análise para a vigilância de saúde de trabalhadores expostos aos fatores 
ambientais, biológicos, químicos e físicos. 
4. De modo geral, pode-se concluir que ao longo dos últimos anos, a área de 
Saúde Ambiental no Brasil adquiriu reconhecimento institucional na 
estrutura do Ministério da Saúde, entretanto, diversos ainda são os desafios 
a serem enfrentados pela área. 
TEMA 4 – SANEAMENTO BÁSICO 
Saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as 
condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a 
saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo 
e facilitar a atividade econômica. No Brasil, é um direito assegurado pela 
Constituição e definido pela Lei n. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, 
infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento 
sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de 
águas pluviais (Trata Brasil, 2019) e que em seu capítulo IX orienta a ação do 
governo federal por meio da definição de um conjunto amplo de diretrizes, 
objetivos e metas para a universalização e definição de programas, ações e 
estratégias para investimentos no setor (Brasil, 2007). 
O saneamento básico é item essencial para um país poder ser chamado 
de desenvolvido (Trata Brasil, 2019). 
Nos países em desenvolvimento, percebe-se que um significativo 
percentual da população não dispõe de condições sanitárias básicas para o 
lançamento adequado de seus resíduos, que aliadas à deficiência de educação 
em saúde, os descartam indiscriminadamente na superfície do solo, com 
consequente poluição e/ou contaminação do mesmo e das águas superficiais e 
subterrâneas (Ministério da Saúde, 2015). 
 
 
8 
Por ser um direito essencial à sociedade, é atribuído ao Poder Público a 
sua implementação, regulamentação, fiscalização e prestação. Da mesma forma, 
o princípio da universalização ganha previsão legal na regulamentação do serviço, 
a fim de se garantir o direito à igualdade (Morais; Costa, 2019). 
Desde a década de 1950 até o final do século passado, o investimento em 
saneamento básico no Brasil ocorreu pontualmente em alguns períodos 
específicos, com um destaque para as décadas de 1970 e 1980. Em decorrência 
disso, o Brasil ainda está marcado por uma grande desigualdade e déficit ao 
acesso, principalmente em relação à coleta e tratamento de esgoto (Leoneti; 
Prado; Oliveira, 2011). 
A situação do sistema sanitário em que o Brasil se encontra é de grande 
precariedade, à semelhança de outros países em desenvolvimento. Essa situação 
é caracterizada pelo descaso às atividades de saneamento básico, o que resulta 
em diversos problemas sociais, econômicos e ambientais (Costa, 2013). 
Enchentes, lixões a céu aberto, contaminação de mananciais, água sem 
tratamento e doenças apresentam uma estreita relação. A inexistência de 
condições de saneamento adequadas, muitas vezes aliada à falta de práticas de 
educação sanitária e ambiental, têm resultado na alta incidência de várias 
doenças, principalmente de veiculação hídrica. Doenças como diarreias, dengue, 
febre tifoide e malária resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de 
crianças. Elas são transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, 
dejetos animais e resíduos sólidos dispostos de forma imprópria (Costa, 2013). 
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2008) estimam que cada 
US$ 1,00 investido em saneamento básico gera um retorno de US$ 9,00 para a 
economia de um país, demonstrando a importância dos investimentos previstos 
para o setor de saneamento, refletindo diretamente na saúde pública (Costa, 
2013). 
4.1 Água tratada 
Os serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos levam à 
melhoria da qualidade de vidas das pessoas,sobretudo na saúde infantil, com 
redução da mortalidade infantil, melhorias na educação, na expansão do turismo, 
na valorização dos imóveis, na renda do trabalhador, na despoluição dos rios e 
preservação dos recursos hídricos etc. (Trata Brasil, 2019; Leoneti; Prado; 
Oliveira, 2011). 
 
 
9 
Levar água potável a uma comunidade deve ser a primeira ação sanitária 
e social que um programa de saneamento deve implementar, pois constitui o 
ponto central de um conjunto de ações para promover o saneamento e, logo, a 
saúde pública (Ministério Da Saúde, 2015). 
Entre as atividades de saneamento apresentadas, apenas o tratamento e 
distribuição de águas encontram-se em um nível satisfatório no Brasil, atendendo 
81,1% da população total e 92,5% da população urbana, segundo dados do SNIS 
no ano de 2010 (Costa, 2013). 
O sistema de abastecimento de água para consumo humano consiste em 
um conjunto de infraestruturas, obras civis, materiais e equipamentos, desde a 
zona de captação até as ligações prediais, para o fornecimento coletivo de água 
potável, por meio de rede de distribuição. A solução alternativa coletiva de 
abastecimento de água destina-se a fornecer água potável a partir de captação 
subterrânea ou superficial, com ou sem canalização e sem rede de distribuição. 
(Ministério Da Saúde, 2015) 
4.2 Tratamento de esgoto 
A Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela norma 9.648/86, 
define esgoto sanitário como “Despejo líquido constituído de esgotos doméstico e 
industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária”. 
A utilização de água traz a necessidade de criar soluções para o retorno de 
uma parcela desta água ao meio ambiente. Após usada, a água tem suas 
características naturais alteradas, incorporando inúmeras substâncias cuja 
constituição está relacionada ao objetivo para a qual foi empregada (Ministério da 
Saúde, 2015) 
Segundo o Manual de Saneamento da Funasa – Ministério da Saúde 
(2015), os tipos de esgoto podem ser definidos como: 
• Esgotos domésticos: de composição essencialmente orgânica, 
compreendem as águas que contêm a matéria originada pelos dejetos 
humanos no esgotamento de peças sanitárias e as águas provenientes das 
atividades domésticas. Incluem também os efluentes das instalações 
sanitárias de estabelecimentos comerciais, de empresas e instituições. 
Podem ser divididos em: 
 
 
10 
o Águas negras: parcela proveniente das instalações sanitárias, contendo 
fezes e urina; 
o Águas cinzas: parcela proveniente de banhos, lavagens e outros usos 
domésticos. 
• Esgotos industriais: sua composição pode variar de orgânica a mineral. 
Compreendem os resíduos orgânicos de indústrias em seus diversos 
ramos e água de refrigeração. Nos efluentes industriais, há uma fração 
associada às instalações sanitárias dos funcionários e aos refeitórios, 
usualmente com características similares aos dos esgotos domésticos. 
O destino adequado dos esgotos é essencial para a saúde pública, pois 
tem como objetivo o controle e a prevenção de doenças relacionadas, por meio 
de soluções que buscam eliminar focos de contaminação e poluição. Os fatores 
relacionados ao saneamento interferem no aumento da vida média do ser 
humano, uma vez que há redução da mortalidade visto a redução dos casos de 
doenças; na diminuição das despesas com o tratamento de doenças evitáveis; na 
redução do custo do tratamento da água de abastecimento, devido à melhor 
qualidade da água bruta, pela prevenção da poluição dos mananciais; no controle 
da poluição das praias e dos locais de entretenimento, com o objetivo de promover 
o turismo e na preservação da biota aquática (Ministério da Saúde, 2015) 
4.3 Resíduos sólidos 
Resíduos sólidos são um conjunto heterogêneo de materiais, substâncias, 
objetos ou bens descartados resultantes das atividades humanas, nos estados 
sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas 
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou 
em corpos d’água, ou exijam, para isso, soluções técnicas ou economicamente 
inviáveis frente a melhor tecnologia disponível (Ministério da Saúde 2015). 
O gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos ainda é um dos maiores 
problemas do país. Como possui grande quantidade de matéria orgânica, os 
resíduos sólidos servem como meio de cultura, ambiente e alimento para diversos 
organismos vivos. Além disso, possibilita a proliferação de mosquitos que se 
desenvolvem em água acumulada em recipientes abertos. Assim, existe a 
possibilidade de contaminação do homem pelo contato direto com os resíduos 
sólidos ou por meio da massa de água poluída (Ministério da Saúde, 2015). 
 
 
11 
No Brasil, a questão dos resíduos sólidos urbanos foi regulamentada, 
estabelecendo as diretrizes para sua gestão integrada, dando ênfase à política de 
redução de resíduos gerados. Pode-se citar como principais avanços contidos: a 
responsabilização do gerador dos resíduos, desde o acondicionamento até a 
disposição final ambientalmente adequada; a elaboração de Planos de Gestão 
Integrada de Resíduos Sólidos pelo titular dos serviços; a análise e avaliação do 
ciclo de vida do produto e a logística reversa (Ministério da Saúde, 2015). 
Desde 2010, cidadãos, governos, setor privado e sociedade civil 
organizada passou a ser responsável pela gestão ambientalmente adequada dos 
resíduos sólidos. Assim, o cidadão é responsável não só pela disposição correta 
dos resíduos que gera, mas também é importante que repense e reveja o seu 
papel como consumidor; o setor privado, ficando responsável pelo gerenciamento 
ambientalmente correto dos resíduos sólidos, pela sua reincorporação na cadeia 
produtiva e pelas inovações nos produtos que tragam benefícios socioambientais, 
sempre que possível; as diferentes esferas do governo federal, estaduais e 
municipais são responsáveis pela elaboração e implementação dos planos de 
gestão de resíduos sólidos, assim como dos demais instrumentos previstos na 
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (MMA, 2019). 
A busca por soluções na área de resíduos reflete a necessidade de uma 
sociedade que pressiona por mudanças, motivadas pelos elevados custos 
socioeconômicos e ambientais. Quando corretamente manejados, os resíduos 
sólidos adquirem valor comercial e podem ser utilizados em forma de novas 
matérias-primas ou novos insumos (MMA, 2019). 
TEMA 5 – DOENÇAS E A VIGILÂNCIA AMBIENTAL 
Segundo o Ministério da Saúde – Funasa (2015), o saneamento ambiental 
como instrumento de promoção da saúde proporciona redução do sofrimento 
humano e perdas de vidas por doenças que podem ser evitadas, especialmente 
na população infantil. 
A contaminação da água e a poluição encontram-se como as principais 
causas de enfermidades, especialmente em populações de baixa renda não 
atendidas por sistemas de abastecimento de água e de coleta e disposição de 
esgotos. As doenças relacionadas ao uso da água causam grande número de 
internações hospitalares e são responsáveis por grande parte dos índices de 
mortalidade infantil (Ministério da Saúde, 2015). 
 
 
12 
Os fenômenos associados às mudanças climáticas podem aumentar a 
incidência de doenças respiratórias (devido à maior concentração de ozônio 
próxima à superfície), doenças diarreicas, desnutrição, morbimortalidade 
causadas por eventos climáticos extremos como ondas de calor ou frio, 
tempestades, inundações, secas e incêndios, incidência de algumas 
enfermidades como cólera, malária, dengue, como reflexo da expansão das zonas 
de calor e umidade para latitudes e altitudes mais elevadas (Ministério da Saúde, 
2015). 
Além da água e da temperatura, outros fatores como a umidade e a 
densidade, o tipo do cultivo da safra, a densidade da vegetação e a habitação 
podem ser determinantes para a sobrevivência de espécies diferentes de vetores 
transmissores de doenças(Ministério da Saúde, 2015). 
As doenças de transmissão vetorial como a malária, dengue, Chagas e 
leishmanioses são um grave problema de saúde pública e o controle de seus 
vetores é o único meio de proteger a população da infecção (Ministério Da Saúde, 
2015). 
Doenças como diarreias, dengue, febre tifoide, amebíase, giardíase e 
malária, resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças, são 
transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, dejetos animais e 
resíduos sólidos dispostos de maneira inadequada (Costa, 2013) 
As ações necessárias para que protejam a população de sua contaminação 
combinam manejo ambiental, promoção de proteção pessoal, educação 
ambiental, controle biológico, controle químico legais e melhoramento de gestão 
dos serviços públicos de controle de vetores (Ministério Da Saúde, 2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
AUGUSTO, L. G. S. Saúde e vigilância ambiental: Um tema em construção. 
Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 12, n. 4, p. 177-187, 2003. 
BARCELLOS, C.; QUITÉRIO, L. A. D. Vigilância ambiental em saúde e sua 
implantação no Sistema Único de Saúde. Revista de Saúde Pública, v. 40, n. 1, 
p. 170-177, 2006. 
BRASIL. Instrução Normativa MS/SVS n. 1 de 7 de março de 2005. Regulamenta 
a Portaria n. 1.172/2004/GM, no que se refere às competências da União, 
Estados, Municípios e Distrito Federal na área de Vigilância em Saúde Ambiental. 
Diário Oficial da União, 8 mar. 2005. 
BRASIL. Lei n. 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais 
para o saneamento básico. Diário Oficial da União, 8 jan. 2007. 
BRASIL. Ministério Da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Subsídios para a 
construção da Política nacional de Saúde Ambiental. Brasília: Ministério da 
Saúde, 2009a. 
BRASIL. Portaria n. 3.252 de 22 de dezembro de 2009. Aprova as diretrizes para 
execução e financiamento das ações de Vigilância em Saúde pela União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios e dá outras providências. Diário Oficial da União, 
23 dez. 2009b. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Vigilância 
ambiental em saúde. Brasília: Funasa, 2002. 
_____. Curso básico de vigilância ambiental: Módulo I. Brasília: Funasa, 
2000a. 
_____. Vigilância ambiental em saúde. Brasília: Funasa, 2000b. 
_____. Manual de saneamento. 4. ed. Brasília: Funasa, 2015. 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resíduos Sólidos. Disponível em: 
<https://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos>. Acesso em: 5 
out. 2021. 
COHEN, S. C. et al. Habitação saudável no SUS. Uma estratégia de ação para o 
PSF: uma incorporação do conceito de habitação saudável na política pública de 
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