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Fique por dentro! cursomeds.com.br Resumos – Epidemiologia e SUS Medicina de Família e Comunidade Princípios da especialidade • Tem foco na Atenção Primária a Saúde (APS) por isso é regida pelos mesmos princípios. São quatro atributos essenciais: - Acesso ou primeiro contato - Integralidade - Longitudinalidade - Coordenação do Cuidado • Também por três atributos derivados: - Orientação para a família - Orientação para a comunidade - Competência cultural Competência Cultural pode ser definida como a habilidade dos profissionais e dos serviços de saúde em compreender as necessidades culturais de um determinado grupo social de forma a estabelecer um processo comunicativo capaz de superar as diferenças culturais existentes. O entendimento, por parte dos profissionais da saúde, das concepções, valores, práticas e dinâmicas sociais relacionadas ao processo saúde-doença, além de melhorar a satisfação dos usuários e possibilitar melhores desfechos clínicos permite a adequação dos serviços e dos profissionais às particularidades de cada comunidade. Fique por dentro! cursomeds.com.br A competência cultural não deve ser vista como uma forma de "falar a língua do outro” na tentativa de convencê-lo a fazer o que a cultura dominante ou a cultura biomédica determina, mas que sejam procurados acordos a partir de objetivos pactuados. A competência cultural não consiste exclusivamente em tarefas extras para o médico, mas compreende seu usual trabalho intersetorial, de negociação e mobilização de atores e recursos comunitários ou externos no processo terapêutico. • O contexto da MFC é de extrema importância saber diferenciar dois conceitos: - Doença ou disease: processo explicável a partir da fisiopatologia, dos sinais e sintomas clínicos e dos exames complementares. - Moléstia, adoecimento ou illness: experiência subjetiva que cada pessoa vive ao adoecer, expressa em queixas, problemas ou disfunções. O ciclo de vida das famílias O ciclo de vida familiar é uma sequência de transformações na história e na estrutura de uma família, apresentando novas tarefas a serem realizadas em cada etapa. É na transição desses estágios que normalmente aparecem as dificuldades. O estudo do ciclo vital permite que o médico perceba os entraves que a família está atravessando e tente abordá-las como uma estratégia terapêutica. O ciclo de vida de uma família de classe popular Estágio 1 - Adolescência/Adulto jovem solteiro: As fronteiras entre a adolescência e a idade adulta jovem são confusas. Os adolescentes ainda não são totalmente responsáveis por si mesmos, mas muitas vezes começam a assumir responsabilidades, inclusive sendo fonte de renda para a família. Estágio 2 - A família com filhos: Começa sem que ocorra necessariamente o casamento, mas com a geração de filhos e a busca por formar um sistema conjugal, assumir papéis paternos/maternos e realinhamento dos relacionamentos com a família. Estágio 3 - A família no estágio tardio da vida: Ocorre com frequência uma composição familiar com três ou quatro gerações. Sendo assim, há pouca probabilidade de haver "ninho vazio", e muitas vezes a base de sustentação familiar depende da aposentadoria de um dos avós, em geral a avó, que persiste com responsabilidades sobre a sobrevivência de todos. Fique por dentro! cursomeds.com.br O ciclo de vida de uma família de classe média Caso Clínico Helena, 28 anos, vem à consulta mostrar resultados de exames solicitados por outro colega médico, porque há três meses apresenta tonturas, dores de cabeça e mal-estar. Os resultados dos exames estavam normais, mas a sintomatologia persistia. Seu médico de família e comunidade refez a história, realizou novo exame físico, mas, mesmo assim, não conseguiu elucidar o problema. Questionou sobre o quê de novo havia ocorrido nos últimos tempos e descobriu que ela havia se casado há quatro meses, que estava prestes a mudar de estado e ficar longe de sua família e comunidade de origem. Helena afirmava estar muito feliz com o casamento e, ao mesmo tempo, descrevia um turbilhão de "inadaptações" que ocorriam e a preocupavam. O médico de família e comunidade conversou sobre a previsibilidade do momento, reconheceu seus afetos, suas ambiguidades e sugeriu as possíveis negociações que poderia realizar com o esposo, ofereceu uma consulta em conjunto com o casal (que não ocorreu), mas "surpreendentemente" o mal-estar e as tonturas desapareceram. Fique por dentro! cursomeds.com.br Crises no ciclo de vida familiar Crise normativa: esperada ao longo de cada ciclo. Ex: gravidez, aleitamento, separação dos filhos, climatério. Crise paranormativa: não estão previstas e por isso, acabam gerando mais impacto. Ex: aborto, infidelidade, suicídio, desemprego, migração, crimes. ATENÇÃO: A família funcional não difere da disfuncional pela ausência de problemas. O que as faz diferentes é a forma como manejam os seus conflitos. Risco Familiar No intuito de estabelecer prioridades no atendimento domiciliar e na atenção à população sob o cuidado de determinada equipe de Saúde da Família, foi elaborada a Escala de Risco das Famílias, comumente chamada de Escala de Coelho, baseada em sentinelas para avaliação de situações de risco, procurando-se classificar, dentre elas, quais seriam as famílias que demandam maior atenção da equipe de saúde. Objetivos da visita domiciliar: A escala de Coelho e Savassi A ficha A do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) é preenchida na primeira visita que o Agente Comunitário de Saúde faz às famílias de sua comunidade. As informações recolhidas permitem à Equipe de Saúde da Família reconhecer indicadores demográficos e socioeconômicos referidos nas famílias da sua área de abrangência e, com isto, realizar o planejamento estratégico. Fique por dentro! cursomeds.com.br Abordagem Comunitária • Conhecer e lidar com instrumentos de diagnóstico de saúde da comunidade, acessando os diversos setores relacionados e correlacionando-os com a prática clínica do médico; • Identificar a organização da sociedade e da comunidade, os modos de produção presentes e os determinantes sociais do processo saúde-adoecimento; • Identificar e respeitar a diversidade cultural; • Compreender o que é “território vivo”; • Reconhecer e desenvolver ações de vigilância em saúde e participar de atividades de educação popular em saúde, compreendendo a existência de diferentes concepções pedagógicas e valorizando o saber popular.