Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINOVAFAPI SISTEMAS ORGÂNICOS E INTEGRADOS 4⁰ PERÍODO – TICS ABDOME AGUDO Dugediva Alves de Sousa Neta Teresina-PI 2024 PERGUNTA: Defina, citando exemplos, os cinco tipos de abdome agudo. Envie aqui sua resenha do tipo texto. RESPOSTA: A expressão abdome agudo refere-se na região abdominal. É uma condição clínica que se manifesta com dor abdominal, alteração da peristalse, sensibilidade à palpação e rigidez muscular, que necessita de tratamento imediato, uma vez que o retardo na intervenção clínica ou cirúrgica aumenta a mortalidade. Pode se classificar o abdome agudo em cinco tipos: Inflamatório É o tipo mais comum de abdome agudo. Habitualmente, o processo se inicia com a obstrução mecânica de vísceras ocas normais, ou anatomicamente alteradas, originando diversos fenômenos inflamatórios na parede da víscera, com tendência à progressão para infecção franca e comprometimento da vascularização do órgão. O início do quadro geralmente é insidioso, com sintomas a princípio vagos (dor abdominal incaracterística, náuseas, anorexia, vômito, alteração do trânsito intestinal). A dor abdominal pode levar de uma a várias horas para atingir seu pico, ocasionalmente até dias, sendo inicialmente mal definida. Com o evoluir da doença, e com o acometimento do peritônio parietal adjacente ao órgão afetado, a dor torna-se bem localizada e piora progressivamente. As causas de abdome agudo inflamatório incluem: Apendicite, colecistite, colangite, diverticulite, pancreatite, anexite, doença inflamatória pélvica aguda, doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa), abscessos abdominais. Hemorrágico Nos quadros de abdome agudo hemorrágico, além da dor súbita, chama a atenção o rápido comprometimento hemodinâmico, com palidez intensa e hipovolemia acentuada. Apesar da forte dor, não se encontra contratura muscular no hemoperitônio, visto que o sangue não é tão irritante para a serosa peritoneal. A ruptura espontânea de vísceras parenquimatosas e a ruptura vascular não são situações comuns, e o abdome agudo hemorrágico é mais frequentemente associado ao trauma, ao pós-operatório e a complicações pós-procedimentos (biópsias hepáticas, por exemplo). Na mulher em idade fértil, sempre ponderar a possibilidade de gravidez ectópica rota. O tratamento é a cirurgia imediata, mas a arteriografia pode ser terapêutica em alguns casos. As causa incluem: gravidez ectópica, ruptura de aneurisma, de cisto ovariano, de tumor hepático, de baço. Vascular O abdome agudo vascular constitui doença grave, às vezes pouco lembrada no momento do exame clínico, com mortalidade atingindo 80% na maioria dos estudos. Tal fato se deve ao diagnóstico quase sempre tardio, e pelo fato de acometer principalmente pacientes idosos, que já apresentam várias doenças crônicas, por si só graves, além da frequente progressão da isquemia após as cirurgias de revascularização. A fisiopatologia envolve uma lesão isquêmica inicial, decorrente da redução do fluxo arterial ou venoso (o que leva a lesões precoces na mucosa, tornando-se posteriormente transmurais), perpetuada pelo vasoespasmo reflexo da circulação mesentérica e completada pela lesão de reperfusão (principalmente pela formação e ação de radicais livres de oxigênio, que desencadeiam a síndrome da resposta inflamatória sistêmica, podendo evoluir para falência de múltiplos órgãos). Suas causas incluem: infarto intestinal, trombose mesentérica, embolia/trombose da artéria mesentérica. Perfurativo Trata-se de uma das causas mais frequentes de cirurgia abdominal de urgência. A dor tem início súbito, geralmente dramático, já começando de forma intensa. rapidamente atingindo seu pico. • problema advém do extravasamento de secreção contida no trato gastrintestinal para a cavidade peritoneal, o que é traduzido por peritonite. As perfurações costumam ser divididas em altas (gastroduodenal e delgado proximal) e baixas (delgado distal e cólon). Nas perfurações mais baixas de delgado, a dor abdominal é mais discreta, e os sinais de irritação peritoneal são menos exuberantes, mas originam quadros sépticos mais precoces, em função da flora bacteriana local. Suas causas incluem: úlcera gástrica, úlcera duodenal, diverticulite, neoplasias do trato gastrintestinal, doença de Crohn, Iatrogênica (colonoscopia/endoscopia). Obstrutivo Sintoma cardinal do abdome agudo obstrutivo é a cólica intestinal, demonstrando o esforço das alças para vencer o obstáculo que está impedindo o trânsito normal. A dor é visceral, localizada em região periumbilical, nas obstruções de delgado, e hipogástrica, nas obstruções de cólon, intercalada com períodos livres de dor no inicio da evolução. Os episódios de vômito surgem após a crise de dor. inicialmente reflexos. e sao progressivos. na tentativa de aliviar a distensão das alças obstruídas. Este é mais bem caracterizado quando se ausculta o abdome no momento da crise dolorosa e se manifesta por uma cascata de ruídos. As causas incluem: íleo adinâmico (paralítico), bridas (aderências), hérnias abdominais e internas, intussuscepção, neoplasias intestinais, vólvulo de sigmoide, fecaloma. REFERÊNCIAS: NORRIS. PORTH Fisiopatologia, 10 a edição - Rio de Janeiro: guanabara Koogan, 2021 Como visto na APG, pôde-se ser compreendido que além dessa classificação, o abdômen agudo também pode ser classificado anatomicamente com base na localização da dor, processo subjacente e causas abdominais ou extra- abdominais. Por isso a importância de se conhecer a sua fisiopatologia, etiologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento.