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<p>CENTRO EDUCACIONAL UNIPLAN</p><p>CURSO BACHARELADO EM ENFERMAGEM</p><p>KESIA MIRLEM SOUSA MOREIRA</p><p>MANEJO DE INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU) EM GESTANTES INTERNADAS</p><p>BARCARENA – PA</p><p>2024</p><p>KESIA MIRLEM SOUSA MOREIRA</p><p>MANEJO DE INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU) EM GESTANTES INTERNADAS</p><p>Estudo de caso apresentado como parte dos requisitos avaliativos para a conclusão do Estágio Supervisionado em área hospitalar, do Curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário do Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN.</p><p>Preceptor: Enf.º: JESSÉ PRESTES</p><p>BARCARENA/PA</p><p>2024</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>As infecções do trato urinário (ITU) são comuns durante a gestação, representando um desafio significativo tanto para a saúde da mãe quanto do feto. A gravidez induz uma série de mudanças fisiológicas e anatômicas no trato urinário que predispõem as mulheres a infecções. Segundo Coutinho et al. (2012), a progesterona e outros hormônios da gravidez causam relaxamento da musculatura lisa do trato urinário, levando a uma dilatação dos ureteres e dos rins, o que pode facilitar a ascensão de bactérias da bexiga para os rins, aumentando o risco de pielonefrite.</p><p>Além disso, o aumento do volume do útero exerce pressão sobre a bexiga, reduzindo sua capacidade de esvaziamento completo e criando um ambiente propício para o crescimento bacteriano (SZWEDA & JÓŹWIK, 2016). A ITU durante a gestação pode variar de bacteriúria assintomática a cistite aguda e pielonefrite, sendo esta última uma condição potencialmente grave que pode levar a complicações como trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer (DELZELL & LEFEVRE, 2000).</p><p>O diagnóstico precoce e o tratamento adequado das ITUs são cruciais para prevenir complicações maternas e fetais. A bacteriúria assintomática, por exemplo, deve ser tratada com antibióticos para prevenir a progressão para infecção sintomática (FOXMAN, 2014). No entanto, o uso de antibióticos durante a gestação deve ser cuidadosamente selecionado para evitar potenciais efeitos teratogênicos.</p><p>Neste contexto, o papel do enfermeiro na maternidade é fundamental. O manejo de ITU em gestantes envolve uma abordagem multidisciplinar, onde o enfermeiro desempenha um papel central na avaliação, intervenção e educação do paciente. De acordo com Silva e Santos (2018), a anamnese detalhada e o exame físico realizados pelo enfermeiro são essenciais para identificar precocemente os sintomas e sinais de ITU. Além disso, o enfermeiro é responsável pela coleta de amostras de urina para exames laboratoriais, que são fundamentais para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento.</p><p>A intervenção do enfermeiro não se limita à administração de medicamentos prescritos pelo médico. É necessário também monitorar os sinais vitais da paciente, avaliar a resposta ao tratamento e educar a gestante sobre medidas preventivas. Segundo Guimarães et al. (2017), a orientação sobre a ingestão adequada de líquidos, a importância da higiene íntima e a necessidade de completar o curso de antibióticos são aspectos fundamentais do cuidado de enfermagem.</p><p>A educação do paciente e da família sobre a prevenção de novas ITUs e a importância do seguimento pré-natal regular são partes integrantes do cuidado. O enfermeiro deve fornecer informações claras e práticas que a gestante possa seguir facilmente, contribuindo para a redução da recorrência de ITUs e melhorando o desfecho gestacional (MANN & WILLIAMS, 2014).</p><p>O manejo e o cuidado da Infecção do Trato Urinário em gestantes, requer do enfermeiro, como parte da equipe de saúde, boa identificação, com abordagem integral e humanizada, e que esteja sempre atualizado com as últimas recomendações e protocolos de tratamento para proporcionar um cuidado seguro e eficaz. Este estudo de caso visa explorar a prática clínica de enfermagem no manejo de ITUs em gestantes, destacando a importância do diagnóstico precoce, intervenção adequada e educação do paciente para melhorar os resultados maternos e fetais.</p><p>CASO CLÍNICO: INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU) EM GESTANTE</p><p>HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL</p><p>Paciente feminina, 28 anos, G1P0, com 24 semanas de gestação, internada na maternidade devido a queixas de dor lombar, urgência e frequência urinária, e disúria (dor ao urinar) há três dias. Relata também febre intermitente (38,2°C), mal-estar geral e sensação de bexiga cheia mesmo após micção. Não possui histórico prévio de infecções urinárias e está realizando pré-natal regular.</p><p>1.2. EXAME FÍSICO REALIZADO PELO ENFERMEIRO</p><p>· Sinais Vitais:</p><p>· Temperatura: 38,2°C</p><p>· Frequência cardíaca: 98 bpm</p><p>· Pressão arterial: 120/80 mmHg</p><p>· Frequência respiratória: 20 rpm</p><p>· Avaliação Geral:</p><p>· Aparência geral: cansaço e desconforto evidente</p><p>· Pele: quente e úmida</p><p>· Abdômen:</p><p>· Sensibilidade à palpação na região suprapúbica</p><p>· Sistema Urinário:</p><p>· Sinais de dor durante a palpação lombar</p><p>DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM (NANDA)</p><p>1) Dor aguda relacionada à inflamação do trato urinário, evidenciada por disúria e dor lombar.</p><p>2) Risco de complicações infecciosas relacionadas à infecção urinária durante a gestação.</p><p>3) Déficit de conhecimento relacionado ao manejo de infecção urinária durante a gestação, evidenciado por questionamentos da paciente sobre sua condição e tratamento.</p><p>RESULTADOS DE ESFERMAGEM ESPERADOS (NOC)</p><p>1) Controle da Dor (NOC 1605): A paciente relata redução da dor em uma escala de 0-10.</p><p>2) Estado Febril (NOC 0800): A temperatura da paciente retorna aos níveis normais.</p><p>3) Conhecimento: Controle da Infecção (NOC 1845): A paciente demonstra conhecimento adequado sobre as medidas para prevenir infecções urinárias durante a gestação.</p><p>INTERVENÇÕES PROPOSTAS (NIC)</p><p>1) Controle da Dor (NIC 1400):</p><p>· Avaliar a dor da paciente regularmente utilizando uma escala de dor.</p><p>· Administrar analgésicos conforme prescrição médica.</p><p>· Ensinar técnicas de relaxamento à paciente.</p><p>2) Controle da Infecção (NIC 6540):</p><p>· Monitorar sinais vitais e observar sinais de piora da infecção.</p><p>· Coletar amostra de urina para cultura e exame de sensibilidade.</p><p>· Administrar antibióticos conforme prescrição médica e monitorar efeitos adversos.</p><p>3) Educação sobre a Saúde (NIC 5510):</p><p>· Ensinar a paciente sobre a importância da ingestão de líquidos para ajudar na eliminação da infecção.</p><p>· Orientar sobre medidas de higiene para prevenir novas infecções (ex. higiene íntima adequada, urinar após relações sexuais).</p><p>· Fornecer informações sobre a necessidade de completar todo o curso de antibióticos, mesmo que os sintomas melhorem.</p><p>PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM</p><p>1) Monitorar dor:</p><p>Frequência: A cada 4 horas</p><p>Objetivo: Controle adequado da dor</p><p>2) Administração de medicamentos:</p><p>Tipo: Analgésicos e antibióticos conforme prescrição médica</p><p>Frequência: Conforme horário prescrito</p><p>3) Monitorar sinais vitais:</p><p>Frequência: A cada 4 horas</p><p>Objetivo: Detectar alterações precocemente</p><p>4) Hidratação:</p><p>Tipo: Incentivar a ingestão de pelo menos 2 litros de água por dia (a menos que contraindicado)</p><p>Frequência: Continuamente</p><p>5) Educação para a saúde:</p><p>Tipo: Sessões de orientação sobre prevenção de ITU</p><p>Frequência: Diária até alta hospitalar</p><p>6) Coleta de exames:</p><p>Tipo: Urina para cultura e antibiograma</p><p>Frequência: Imediatamente após admissão e conforme orientação médica</p><p>DISCUSSÃO</p><p>A infecção do trato urinário (ITU) em gestantes é uma condição clínica que requer atenção cuidadosa devido às suas potenciais complicações para a mãe e o feto. O caso clínico apresentado destaca uma gestante de 28 anos, com 24 semanas de gestação, apresentando sintomas clássicos de ITU, como disúria, dor lombar e febre. Essas manifestações clínicas, associadas às alterações fisiológicas da gravidez, aumentam o risco de complicações como pielonefrite, trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer, conforme apontado por Delzell e Lefevre (2000).</p><p>A avaliação inicial realizada pelo enfermeiro, incluindo a coleta detalhada da história da paciente e exame físico, foi fundamental para identificar os sinais e sintomas da ITU. A literatura enfatiza a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para prevenir a progressão</p><p>da infecção (COUTINHO et al., 2012). A coleta de urina para cultura e exame de sensibilidade é uma etapa essencial no manejo, orientando a escolha do antibiótico mais adequado, minimizando o risco de resistência bacteriana e de efeitos adversos para a gestante e o feto.</p><p>O diagnóstico de enfermagem identificado incluiu dor aguda, risco de complicações infecciosas e déficit de conhecimento sobre o manejo da infecção urinária durante a gestação. Essas intervenções refletem a prática baseada em evidências e são fundamentais para o cuidado holístico da gestante. A educação da paciente e da família é uma intervenção crucial que pode reduzir a incidência de recorrências e melhorar os resultados de saúde (MANN & WILLIAMS, 2014).</p><p>As intervenções propostas, como a administração de analgésicos e antibióticos, monitoramento dos sinais vitais e orientações sobre ingestão de líquidos e higiene íntima, são estratégias eficazes para o manejo de ITUs. De acordo com Silva e Santos (2018), a implementação de cuidados contínuos e personalizados melhora a adesão ao tratamento e promove a recuperação da paciente.</p><p>Cabe ressaltar que, antes da alta, revisar com a paciente e sua família todas as instruções de autocuidado, incluindo o manejo da dor, a importância da ingestão de líquidos, a higiene pessoal, e a necessidade de finalizar o curso de antibióticos. Agendar uma consulta de seguimento com o obstetra para monitorar a recuperação e o progresso da gestação.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>O manejo da ITU em gestantes exige uma abordagem multidisciplinar e centrada no paciente, onde o enfermeiro desempenha um papel central na avaliação, intervenção e educação. O caso clínico apresentado ilustra a importância de uma avaliação detalhada e intervenções baseadas em evidências para garantir o bem-estar materno e fetal. A implementação de estratégias de controle da dor, monitoramento rigoroso e educação contínua são fundamentais para o sucesso do tratamento.</p><p>A educação da gestante e de sua família sobre medidas preventivas, como a ingestão adequada de líquidos e a importância da higiene íntima, é crucial para evitar novas infecções. A colaboração entre os profissionais de saúde e a paciente contribui para um cuidado mais eficaz e humanizado, promovendo um ambiente seguro para a mãe e o bebê durante a gestação.</p><p>Em suma, o papel do enfermeiro na maternidade é vital para o manejo eficaz das ITUs em gestantes. Através de intervenções bem planejadas e orientações adequadas, é possível minimizar os riscos e promover a saúde e o bem-estar das gestantes, assegurando uma gravidez mais segura e saudável.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>COUTINHO, T.; OLIVEIRA, T.; ALMEIDA, A. (2012). Infecção urinária na gravidez: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 34(7), 331-337.</p><p>DELZELL, J. E.; LEFEVRE, M. L. (2000). Urinary tract infections during pregnancy. American Family Physician, 61(3), 713-721.</p><p>FOXMAN, B. (2014). Urinary tract infection syndromes: occurrence, recurrence, bacteriology, risk factors, and disease burden. Infectious Disease Clinics of North America, 28(1), 1-13.</p><p>GUIMARÃES, R. M.; OLIVEIRA, J. D.; SILVA, C. S. (2017). Orientações de enfermagem sobre a prevenção de infecções urinárias em gestantes. Journal of Nursing UFPE, 11(6), 2345-2350.</p><p>MANN, S.; WILLIAMS, K. (2014). Strategies for preventing recurrent urinary tract infections in pregnancy. Obstetrics & Gynecology, 123(4), 857-862.</p><p>SILVA, A. B.; SANTOS, L. M. (2018). Abordagem de enfermagem na infecção urinária durante a gestação. Revista Brasileira de Enfermagem, 71(3), 945-951.</p><p>SZWEDA, H.; JÓŹWIK, M. (2016). Urinary tract infections during pregnancy: old and new unresolved diagnostic and therapeutic problems. Archives of Medical Science, 12(1), 67-77.</p><p>image1.png</p>