Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3 
2 FISIOLOGIA DA FECUNDAÇÃO ........................................................................... 4 
2.1 O ciclo ovariano .................................................................................................. 4 
2.2 A fecundação ...................................................................................................... 8 
2.3 Os anexos embrionários ................................................................................... 10 
3 FISIOLOGIA DA GESTAÇÃO .............................................................................. 12 
3.1 A gestação ........................................................................................................ 12 
3.2 Alterações fisiológicas ...................................................................................... 13 
3.3 Principais hormônios envolvidos no período gestacional e suas funções ........ 34 
4 FISIOLOGIA DO PARTO ..................................................................................... 39 
5 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ......................................................................... 43 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao 
da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno 
se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para 
que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça 
a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, 
é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao 
protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida 
e prazos definidos para as atividades. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 FISIOLOGIA DA FECUNDAÇÃO 
 
Fonte: bit.ly/3DA92ha 
A fisiologia é o ramo das ciências biológicas que estuda o funcionamento e as 
funções dos seres vivos. A fisiologia da fecundação inclui, portanto, uma descrição das 
etapas da fertilização e todo o conhecimento da reprodução humana. Este estudo 
começa com a compreensão das células germinativas originais que residem no embrião 
e se diferenciam em gametas. Neste capitulo você aprendera sobre o ciclo ovariano, 
fecundação e a formação dos anexos embrionários. 
2.1 O ciclo ovariano 
A idade reprodutiva feminina normal é caracterizada por flutuações rítmicas 
mensais na secreção do hormônio feminino, correspondendo a alterações nos ovários e 
outros órgãos genitais. Esse padrão rítmico é conhecido como ciclo ovariano feminino 
(mais precisamente, ciclo menstrual). O ciclo dura em média 28 dias. Ciclos menstruais 
longos duram 45 dias e curtos 20 dias embora o ciclo de duração anormal esteja, com 
frequência, associado à menor fertilidade. O ciclo sexual feminino tem duas 
consequências importantes. Primeiro, em condições normais, apenas um óvulo é liberado 
do ovário a cada mês, então geralmente apenas um feto começa a se desenvolver de 
 
5 
 
cada vez. Em segundo lugar, o endométrio uterino antecipadamente é preparado para a 
implantação do óvulo fertilizado (GUYTON; HALL, 2011). 
De acordo com os autores, as gônadas compõem os órgãos sexuais feminino e 
masculino, bem como as glândulas acessórias, ductos e estruturas reprodutivas, também 
chamadas de genitálias. As gônadas constituem os ovários nas mulheres e testículos nos 
homens, liberam os gametas ou células germinativas: ovócito e espermatozoide. 
Iniciaremos exemplificando as partes do aparelho reprodutor feminino e suas 
funções. Externamente a genitália feminina possui uma dobra de pele chamada de 
grandes lábios. Internamente, identificamos outra estrutura formada por uma dobra de 
pele um pouco menor, que compõem os pequenos lábios, e o clitóris, que é uma pequena 
porção de tecido sensorial erétil. Logo abaixo do clitóris encontra-se o meato urinário e, 
a vagina. Observe na Figura 1 as estruturas do aparelho reprodutor feminino. 
 
Figura 1 - Composição do aparelho reprodutor feminino. 
 
Fonte: Guyton; Hall (2011, p. 1041). 
 
6 
 
Abordaremos agora o chamado ciclo ovariano, cuja duração, em média, é de 28 
dias. A principal característica é exatamente essa: ser um ciclo, diferentemente do sexo 
masculino, no qual a produção dos gametas ocorre de forma contínua. Os gametas 
femininos são desenvolvidos em ciclos mensais (média de 28 dias, variando entre 24 e 
35 dias), e o ciclo ovariano influencia o ciclo menstrual, que ocorre no útero. 
Acompanhe, na Figura 2, o esquema visual para o ciclo ovariano. É interessante 
observar as diferentes morfologias dos folículos primário, secundário, terciário, ovócito 
ovulado, corpo lúteo e o corpo lúteo em regressão. 
 
Figura 2 - Estágios do crescimento folicular no ovário, mostrando também a formação 
do corpo lúteo. 
 
Fonte: Guyton; Hall (2011, p. 1043). 
 
7 
 
A Figura 2 mostra os estágios progressivos do crescimento folicular nos ovários. 
Logo após o nascimento em uma criança do sexo feminino, cada óvulo é circundado por 
camada única de células da granulosa; o óvulo, com esse revestimento de células da 
granulosa, é denominado folículo primordial, como mostrado na figura. Ao longo de toda 
infância, as células da granulosa nutre cada óvulo e secretem um fator inibidor da 
maturação do oócito que mantém o óvulo parado em seu estado primordial, no estágio 
de prófase da divisão meiótica. Alcançando a puberdade, quando FSH e LH da hipófise 
anterior começam a ser secretados, os ovários, em conjunto com alguns dos folículos em 
seu interior, começam a crescer. 
O aumento moderado do óvulo é o primeiro estágio de crescimento folicular é, 
onde o diâmetro aumenta por duas a três vezes. Logo em seguida ocorre o crescimento 
de outras camadas das células da granulosa, conhecidos como folículos primários. 
Logo nos primeiros dias de cada ciclo sexual mensal feminino, as concentrações 
de FSH e de LH, secretados pela hipófise anterior, aumentam, esse aumento do FSH é 
ligeiramente maior do que o de LH e o precede em alguns dias. Esses hormônios, 
especialmente o FSH, induzem o crescimento de seis a 12 folículos primários por mês. 
Inicialmente ocorre uma rápida proliferação das células da granulosa, levando ao 
aparecimento de muitas outras camadas dessas células (GUYTON; HALL, 2011). 
 Ainda segundo autor, as células fusiformes derivadas do interstício ovariano, 
unem-se em diversas camadas por fora das células da granulosa, acarretando ao 
aparecimento de uma segunda camada de células, conhecida como teca, que se dividem 
em duas camadas. As células adquirem características epitelioides semelhantes na teca 
interna, e desenvolvem a capacidade de secretar mais hormônios esteroides (estrogênio 
e progesterona). Já na teca externa, é formada a cápsula de tecido conjuntivo muito 
vascular, que passa a ser a cápsula do folículo em desenvolvimento. 
Logo após a fase proliferativa inicial do crescimento que pode durar alguns dias, a 
massa de células da granulosa secreta um líquido folicular que contém estrogênio em 
alta concentração, um dos hormônios sexuais femininos mais importantes. O que 
acarreta ao aparecimento do antro dentro da massa de células da granulosa, como 
mostrado na Figura 2. 
 
8 
 
Inicialmente ocorre o crescimento dofolículo primário até o estágio antral 
estimulado, principalmente, pelo FSH. Em seguida, ocorre crescimento muito acelerado, 
levando a folículos ainda maiores, denominados folículos vesiculares. 
Os seguintes fatores acarretam o crescimento acelerado: (1) o estrogênio é 
secretado no folículo e faz com que as células da granulosa formem quantidades cada 
vez maiores de receptores de FSH, o que leva a efeito de feedback positivo, uma vez que 
as células da granulosa ainda mais sensíveis ao FSH. (2) O FSH hipofisário e os 
estrogênios juntos ligam-se a receptores de LH nas células originais da granulosa, 
permitindo, assim, que ocorra a estimulação do mesmo além da estimulação do FSH, o 
que leva a secreção folicular acelereda. 
Resumidamente após a ovulação, as células secretoras dos folículos residuais se 
desenvolvem em corpo lúteo que secreta grande quantidade dos principais hormônios 
femininos, estrogênio e progesterona. Passado 2 semanas, o corpo lúteo degenera, 
levando a diminuição dos hormônios ovarianos estrogênio e progesterona, surgindo a 
menstruação. Um novo ciclo ovariano, então, se segue (GUYTON; HALL, 2011). 
2.2 A fecundação 
Após a ejaculação durante a relação sexual, alguns espermatozóides são seguem 
por 5 a 10 minutos na direção ascendente da vagina e através do útero e das trompas de 
Falópio até as ampolas das trompas próximas às terminações ovarianas. Contrações do 
útero auxiliam no transporte dos espermatozóides ate as trompas de Falópio, estimuladas 
por prostaglandinas no líquido seminal masculino e também por ocitocina liberada pela 
hipófise posterior da mulher durante o seu orgasmo. Cerca da metade dos bilhões de 
espermatozóides depositados na vagina, alguns milhares chegarão a cada ampola 
(WIDMAIER et al., 2017). 
Para que ocorra gravidez, a introdução do espermatozoide precisa ocorrer de 5 
dias antes a 1 dia depois da ovulação. Isso se deve ao fato de que o espermatozoide, 
após sua ejaculação na vagina, mantém sua capacidade de fertilizar um óvulo por um 
período de 4 a 6 dias, e o óvulo que sofreu ovulação permanece viável por apenas 24 a 
48 horas. 
 
9 
 
A fertilização começa com a fusão do espermatozóide e do óvulo na tuba uterina, 
geralmente algumas horas após a ovulação. Em geral, o óvulo deve ser fertilizado dentro 
de 24 a 48 horas após a ovulação. Muitos espermatozoides se movem entre as células 
da granulosa que ainda circundam o óvulo (formando a corona radiata) se ligam à zona 
pelúcida (Figura 3). 
 
Figura 3 - Fertilização e bloqueio da polispermia. O retângulo na parte superior indica a 
área aumentada na imagem abaixo. O tamanho do espermatozoide está exagerado 
para maior clareza. 
 
 
Fonte: Widmaier et al (2017 p. 974). 
As glicoproteínas da zona pelúcida atuam como receptores para as proteínas da 
superfície do espermatozoide. A cabeça do espermatozoide contém muitas dessas 
 
10 
 
proteínas e, portanto, liga-se simultaneamente a vários receptores espermáticos na zona 
pelúcida. Essa conexão desencadeia a chamada reação acrossômica: a membrana 
plasmática da cabeça do espermatozóide muda para que as enzimas do acrossoma 
ligadas à membrana abaixo estejam agora expostas ao ambiente externo - ou seja, a 
zona pelúcida. As enzimas quebram o caminho através da zona pelúcida à medida que 
os espermatozoides usam suas caudas para passar por esse revestimento. O primeiro 
espermatozóide que passa por toda a zona pelúcida e atinge a membrana plasmática do 
oócito se funde com essa membrana, em seguida a cabeça do espermatozoide então 
penetra lentamente no citosol do óvulo (WIDMAIER et al; 2017). 
 
2.3 Os anexos embrionários 
Você pode observar ate aqui a complexidade da reprodução humana, desde a 
formação das células germinativas até seu encontro, gerando a fecundação. Ocorrendo 
a fertilização do ovócito pelo espermatozoide na tuba uterina, a partir daí uma intensa 
divisão celularse inicia (duas, quatro, oito, 16 até centenas de células) ao mesmo tempo 
em que esse conjunto de células se desloca em direção ao útero para a implantação no 
endométrio. 
De acordo com Silverthorn (2017), o blastocisto é uma cavidade oca com mais de 
100 células. Suas camadas externas formam o córion, membrana extraembrionária, que 
eenvolve o embrião e forma a placenta. As células internas do blastocisto formarão o 
embrião e outras membranas, como o âmnio, o alantoide e o saco vitelino. O âmnio é 
responsável pela secreção do líquido amniótico no qual o embrião boiará; o alantoide 
torna-se o cordão umbilical. 
Para que ocorra a infiltração na parede uterina é secretado pelas céluas externas 
do blastócito enzimas, consequentemente as células do endométrio crescem e recobrem 
o blastócito até ele ficar totalmente implantado no endométrio. Sequencialmente o córion 
forma a placenta com as vilosidades coriônicas, responsáveis pela absorção dos 
nutrientes e gases do sangue materno. O sangue fetal e o materno não se misturam, e 
são transportadas por difusão simples ou transmembrana (SILVERTHORN, 2017). 
 
11 
 
Concluindo, observe a Figura 4A, que mostra o desenvolvimento embrionário e os 
anexos: placenta, cordão umbilical, saco vitelino, cório e âmnio. A Figura 4B demonstra 
um recorte ampliado da placenta, onde ocorre a dinâmica da absorção de nutrientes, 
gases, anticorpos do sangue materno e liberação das toxinas do embrião para serem 
excretados pelo organismo materno. 
 
Figura 4 - (a) Embrião em desenvolvimento e os anexos embrionários. (b) Ampliação das 
vilosidades coriônicas da placenta e a relação com a absorção de nutrientes, gases e 
anticorpos maternos. 
 
 
 
 Fonte: Silverthorn (2017, p. 829). 
 
 
 A B 
 
12 
 
3 FISIOLOGIA DA GESTAÇÃO 
 
 
Fonte: bit.ly/3gKf7Pl 
Durante a gestação ocorrem várias adaptações fisiológicas que acabam afetando 
o organismo materno. Decorrente ao fato parâmetros laboratoriais plasmáticos e urinários 
apresentam-se alterados principalmnete nos dois últimos trimestres (FERREIRA et al., 
2016). Neste capítulo, você conhecerá os principais fatores fisiológicos que exercem 
maior influência nas alterações do organismo materno. 
3.1 A gestação 
Segundo Ferreira et al. (2016), o primeiro trimestre da gravidez é caracterizado 
por importantes alterações biológicas devido à intensa divisão celular que ocorre nesta 
fase. A saúde do embrião depende do estado nutricional da mãe antes da gravidez, não 
apenas em termos de suas reservas energéticas, mas também em termos de vitaminas, 
minerais e oligoelementos. A natureza biológica seria muito contraditória se não fosse 
assim, pois nesse período a mulher sofre com náuseas e vômitos devido à nova fase 
hormonal, que faz com que ela fique sem alimentação. Mesmo que essa mãe coma 
 
13 
 
bolachas e água por um dia e perca peso (dentro dos limites adequados), isso não 
prejudicará o feto. 
As adaptações maternas mais importantes à gravidez são mediadas 
principalmente pela placenta, que é considerada a interface funcional entre mãe e feto e 
secreta hormônios maternos e fatores de crescimento que têm efeitos fisiológicos. 
O segundo e terceiro trimestres fazem parte da segunda fase da gestante, onde 
as condições ambientais afetam diretamente o estado nutricional do feto. Peso suficiente, 
ingestão alimentar, fator emocional e estilo de vida são fatores decisivos para o 
crescimento e desenvolvimento normal do feto. Esta fase dura aproximadamente 28 
semanas, período relativamente curto em termos de morbimortalidade materna e fetal. 
Portanto, a disciplina da gestante, relacionada ao seu estilo de vida e à qualidade do pré-
natal, é responsável pelas consequências imediatas e futuras tanto para a mãe quanto 
para o filho (FERREIRA et al., 2016). 
O Quadro 1, a seguir, apresenta essa diferenciação celular nos períodos 
gestacionais e o aumento de peso do feto nas últimas 10 semanas. 
 
Quadro 01 - Diferenciaçãocelular nos períodos gestacionais e aumento de peso do feto 
nas últimas 10 semanas. 
Idade gestacional Tipo de 
crescimento 
Velocidade Peso médio do feto 
1ª Trimestre (12 semanas). Hiperplasia Lenta 12ª~=300g 
2ª Trimestre (13-27 semanas). Hiperplasia e 
hipertrofia 
Acelerada 27ª~=1.000g 
3ª Trimestre (acima de 28 
semanas). 
Hipertrofia Máxima 38ª~=3.000g 
Fonte: Adaptado Ferreira et al. (2016). 
3.2 Alterações fisiológicas 
A seguir, serão apresentadas as principais alterações fisiológicas que ocorrem 
durante o período gestacional: 
 
14 
 
Composição corporal e ganho de peso 
 
Segundo Guyton e Hall (2017), a mais aparente dentre as diversas reações da 
mãe ao feto e os altos níveis de hormônios da gravidez é o aumento de tamanho dos 
vários órgãos sexuais. Por exemplo, o útero aumenta de aproximadamente 50 gramas 
para 1.100 gramas, e as mamas quase dobram de tamanho. Ao mesmo tempo, a vagina 
aumenta, e o introito se expande mais. Além disso, os diversos hormônios podem causar 
mudanças acentuadas na aparência da gestante, às vezes resultando no 
desenvolvimento de edema, acne e traços masculinos ou acromegálicos. 
Em média, a gestante engorda durante a gravidez cerca de 11 kg a 15 kg, e grande 
parte desse ganho de peso ocorre nos últimos dois trimestres. Desse peso adicional, 
cerca de 3,5 kg são do feto e 2 kg do líquido amniótico da placenta e das membranas 
fetais. O útero aumenta perto de 1,3 kg, e as mamas outro 1 kg, ainda restando aumento 
médio de peso de 3,4 kg a 7,8 kg. Cerca de 2 kg são líquido extra no sangue e no líquido 
extracelular, e geralmente o restante 1,3 kg a 5,6 kg é acúmulo de gordura. 
O líquido extra é eliminado na urina, nos primeiros dias após o parto, ou seja, 
depois da perda dos hormônios retentores de líquido da placenta. Durante a gravidez, a 
mulher normalmente sente mais vontade de comer, em parte como consequência da 
remoção de substratos alimentares do sangue materno pelo feto e em parte devido a 
fatores hormonais. Sem o controle pré-natal apropriado da dieta, o ganho de peso da 
mulher pode ser tão grande quanto 34 kg, em vez dos usuais 11 kg a 15 kg (GUYTON; 
HALL, 2017). 
O principal objetivo de identificar a desnutrição em mulheres antes da gravidez é 
atingir o maior número possível de mulheres com baixas reservas energéticas e, assim, 
encaminhá-las para tratamento diferenciado para reduzir os riscos de desnutrição 
intrauterina e complicações maternas e fetais resultantes desse processo. 
Portanto, o peso da mãe depende de seu estado nutricional pré-gestacional. As 
mulheres que estavam desnutridas antes da gravidez deveriam ganhar mais peso, 
enquanto as mulheres que estavam acima do peso ou obesas antes da gravidez 
deveriam ganhar menos peso. 
 
15 
 
O Quadro 2, a seguir, apresenta o ganho de peso de acordo com o estado 
nutricional pré-gestacional. 
 
Quadro 02 - Ganho de peso da gestante e estado nutricional pré-gestaocional. 
IMC (Kg/m3) 
pré - gestacional 
Ganho de peso total 
(Kg) 
Ganho de peso semanal 
(g/semana) 
<19,8 (baixo peso) 12,5-18 500 a partir do 2° trimestre 
19,26 (eutrofia) 11,5-16 400 a partir do 2° trimestre 
26,1-29(sobrepeso) 7,0-11,5 300 a partir do 2° trimestre 
>29 (obesidade) 7,0-9,1 200 a partir do 2° trimestre 
Fonte: Adaptado de Ferreira et al. 2016. 
O Quadro 3, abaixo, o maior ganho de peso é devido ao feto, seguido do líquido 
amniótico e da placenta. O restante é devido ao aumento dos tecidos maternos, incluindo 
o útero e as glândulas mamárias, o tecido adiposo (gordura), o sangue materno volume 
e o líquido extracelular. Nas primeiras 10 a 13 semana de gestação ocorre um ganho de 
peso próximo a 5%; o restante ocorre relativamente de modo uniforme durante o resto 
da gravidez, a uma taxa média de aproximadamente 400 a 450 g por semana. 
 
Quadro 03 - Peso de cada componente da gestação 
Componentes da 
gestação 
Ganho de peso 
(Kg) 
Feto 3,5 
Reserva de gordura 3,3 
Volume de liquido 
materno 
1,8 
Liquido amniótico 0,8 
Volume sanguíneo 1,3 
Útero e músculos 1 
Mamas 0,8 
 
16 
 
Placenta 0,70 
Ganho de peso total 13,2 
Fonte: Adaptado de Ferreira et al. (2016). 
 
O ganho de peso excessivo durante a gravidez está associado a uma série de 
complicações semelhantes às associadas ao sobrepeso e à obesidade (por exemplo, 
pressão alta e diabetes gestacional). Além disso, o ganho de peso extremo durante a 
gravidez provavelmente fará com que a puérpera fique com sobrepeso e obesidade. Por 
outro lado, o baixo peso gestacional em mulheres com baixo peso ou peso normal antes 
da gravidez está associado ao risco de ser pequeno para a idade gestacional (PIG). 
 
Composição e volume sanguíneos 
 
Um dos fatores fisiologicos observados na gestação é a alteração no volume 
sanguíneo que aumenta em aproximadamente 50% ate o final da gestação. Os eritrócitos 
e hemoglobina aumentam em 20%. Essa diluição fisiológica promove queda de 20% da 
hemoglobina plamática, 15% no hematócrito. Contudo, o volume corpuscular médio 
(VCM) e a concentração média de hemoglobina permanecem inalterados em pacientes 
não-anêmicas. Ainda com o aumento do volume sanguíneo ocorre a diminuição de 
albumina sérica, outras proteínas séricas e vitaminas hidrossolúveis. Por outro lado, as 
concentrações séricas de vitaminas lipossolúveis e frações lipídicaa, como triglicerídeos, 
colesterol e ácidos graxos livres podem aumentar (FERREIRA et al., 2016). 
A maioria das mulheres grávidas precisa de suplementos de ferro. As mulheres 
podem começar a gravidez com reservas de ferro relativamente baixas devido à depleção 
durante a menstruação. O feto precisa de cerca de 300 mg de ferro por dia; uma mulher 
precisa de 500 mg/dia adicionais de ferro principalmente no segundo trimestre, porque a 
massa de glóbulos vermelhos na circulação aumentou. Além do aumento da necessidade 
de ferro, a diminuição da acidez gástrica pode impedir a absorção desse elemento. É por 
isso que muitos profissionais de saúde prescrevem suplementos de ferro durante a 
gravidez para prevenir a anemia. 
 
17 
 
De acordo com Ferreira et al. (2016), as necessidades de ácido fólico também 
aumentam durante a gravidez para prevenir a anemia megaloblástica materna (glóbulos 
vermelhos grandes e disfuncionais), que tem sido associada a um risco aumentado de 
defeitos do tubo neural. Como o ácido fólico ajuda a sintetizar o DNA necessário para o 
rápido crescimento celular, as mulheres devem, idealmente, começar a tomá-lo pelo 
menos três meses antes de engravidar. Recomenda-se que todas as mulheres em idade 
reprodutiva que podem engravidar consumam 400 µg/dia (0,4 mg/dia) de ácido fólico. 
Esta ingestão extra ajuda a mulher a produzir mais glóbulos vermelhos e apoia o 
crescimento da placenta e do feto. Também pode ajudar a reduzir outros defeitos 
congênitos, como fenda palatina, lábio leporino e alguns defeitos cardíacos. 
 
Função cardiovascular e pulmonar 
 
Importantes alterações ocorrem no sistema cardiovascular da mulher durante a 
gestação. Essas mudanças são necessárias para a circulação placentária e fetal 
adequada (ORSHAN, 2010). 
O sistema cardiovascular também sofre alterações durante a gestação. O coração 
se eleva, em aproximadamente 12%, pela posição e pelo aumneto da pressão 
intrauterina. O débito cardíaco aumenta de 30 a 40% devido a circulação placentária 
(625mL/min) nas fases iniciais, aumentando o trabalho cadíaco, devido aumento da 
frequência cadiaca e do volume sistólico, possivelmnete devido as alterações 
decorrentes do volume sanguíneo, do retorno vesnoso e dos hormônios circulantes 
(FERREIRA et al., 2016). 
Ainda segundo autor, nos dois primeiros trimestres a pressão arterial cai, 
decorrente da pressão diastólica, aumento da condutância periférica total e decremento 
da pressão sistólica. A pressão venosa aumenta em membros inferiores, devido a 
compressão das veias cavas inferiores eilíacas pelo útero em crescimento, podendo 
levar ao aparecimento de varizes em membros inferiores, na vulva e hemorroidas. Esse 
maior represamento de sangue nos membros inferiores, caso o retorno de sangue 
diminua significativamente, pode levar ao aparecimento de síndromes hipotensiva. 
 
18 
 
A gestação afeta o sistema respiratório mais notadamente nos estágios finais. Em 
consequência das crescentes demandas de oxigênio dos tecidos fetais e maternos, a 
quantidade de oxigênio que a mulher usa aumenta em quase 20% no final da gestação. 
Uma quantidade correspondente de dióxido de carbono também se forma. Os efeitos 
dessas mudanças, que se acredita serem causadas pela progesterona, são o aumento 
do esforço respiratório, a dispneia ocasional e a diminuição de PaCO2 ligeiramente 
abaixo do normal. 
O útero empurra o diafragma para cima devido crescimento. A compensação 
resulta de troca gasosa pulmonar mais eficiente. As ações da progesterona e estrógeno 
aumentam a sensbilidade e vascularização, dos centros respiratórios, levando a 
hipervetilação para suprir o aumento de 20% da necessidade de oxigênio (FERREIRA et 
al., 2016). 
 
Quadro 04 - Mudanças fisiológicas na gestação e épocas esperadas 
Trimestre Semana Mudanças fisiológicas 
Primeiro 1 a 2 
6 
8 
10 a 12 
16 
Implantação do blastócisto 
Gonatropina coriônica Humana secretada 
Naúseas e vômitos 
Perfil do feto visivel na ultarssonografia 
Coração fetal audivel no doopler 
Mudança na pigmentação da pele 
Possivel expressão do colostro 
 
Segundo 18 a 20 
 
20 
Percepção dos movimentos fetais 
Coração fetal audivel no sonar 
Partes fetais palpáveis atraves da parede 
abdominal 
Lactogéno placentário humano secretado 
 
Terceiro 27 
 
38 
Maior volume sanguíneo, aumento do 
debito cardíaco e pulso 
Aumento uterino, provocando hipotensão 
postural supina, falta de ar, edema, 
hemorroidas e lordose. 
Insinuação 
Fonte: Adapatado de Orshan (2010). 
 
19 
 
Função gastrintestinal 
 
Segundo Ferreira et al. (2016), durante a gravidez o trato gastrointestinal sofre 
diversas modificações que afetam o estado nutricional. No primeiro trimestre, naúseas e 
êmese ocorrem frequentemente. Desejos e aversões a alimentos são comuns. Ocorre o 
relaxamento do músculo uterino devido o aumento das concentrações de progesterona, 
possibilitando o crescimento fetal reduzindo a motilidade GI com reabsorção aumentada 
de água, resultando em constipação. A diminuição da motilidade intestinal resulta da 
pressão do feto em crescimento sobre o intestino e dos efeitos da progesterona, 
provocando constipação. (Figura 4). 
 
Figura 4 - O útero e o feto em crescimento empurram o fígado para cima, comprimem o 
estômago e a bexiga e deslocam o diafragma para cima. 
 
 
Fonte: Orshan (2010). 
 
20 
 
Com o relaxamento do esfincter esofagiano inferior e a pressão no estômago 
devido o crescimento uterino causam regurgitação e refluxo gátrico. Durante o segundo 
e o terceiro trimestre ocorre um aumento da vesícula biliar, reduzindo sua capacidade de 
esvaziar. A vesícula tende a tornar-se lenta, possivelmente devido aos efeitos da 
progesterona sobre a musculatura lisa. A estase subsequente da bile e o aumento dos 
níveis de colesterol na gestação podem predispor as mulheres a colelitíase (FERREIRA 
et al., 2016). 
Função do Sistema tegumentar 
A pigmentação adicional geralmente ocorre devido ao aumento do hormônio 
estimulador de melanócitos secretado pela glândula pituitária e aos efeitos estimulantes 
de melanócitos do estrogênio e da progesterona (CUNNINGHAM et al., 2020). 
Uma linha escura (linha nigra) do esterno a pube pode ser visível que divide o abdome 
verticalmente em dois hemisférios (Figura 5). 
 
Figura 5 - As mudanças na pele na gestação incluem a linha nigra e as estrias gravídicas. 
 
Fonte: Cunningham et al. 2020. 
Manchas escuras também podem aparecer em todo o rosto, principalmente no 
nariz e bochechas - cloasma. Cloasma também é conhecido como uma "máscara de 
 
21 
 
gravidez". A hiperpigmentação aumentada geralmente desaparece quando o hormônio 
estimulador de melanócitos diminui durante o período pós-parto (CUNNINGHAM et al., 
2020). Tal pigmentação pode aparecer novamente com o uso de contraceptivos orais. 
À medida que a gravidez avança, a pele do abdômen se expande. Isso causa 
pequenos rasgos na camada conjuntival da pele, resultando no que chamamos de 
estrias. Essas manchas nunca desaparecem completamente, mas tendem a amolecer e 
tornar-se prateadas ou brancas quando o bebê nasce. As estrias podem aparecer em 
seus seios à medida que crescem ou em outras partes do corpo à medida que você ganha 
peso. Outros também acreditam que a massagem que acompanha o uso desses 
produtos é benéfica na prevenção ou redução de alterações na pele. 
À medida que a gravidez progride, o músculo reto pode esticar até o ponto de 
separação. Isso é chamado de diástase. Quando isso acontece, uma forma piramidal 
pode aparecer na parte inferior do abdome quando a mulher levanta a cabeça de uma 
superfície plana e os músculos subjacentes se projetam da amputação. A gravida não 
deve levantar pesos até 1-2 semanas após o parto. 
 
Função Renal 
 
Em decorrencia da gestação a taxa de filtração glomerular (TFG) aumenta em 
torno de 50%, embora o volume urinário não modifique. Devido ao aumento do volume 
sanguíneo a TFG aumenta com redução da creatinina sérica e concentrações de 
nitrogênio da ureia. Ocorre a diminuição da reabsorção tubular renale a glicosúria pode 
ocorrer juntamente com a excreção aumentada de vitaminas hidrossolúveis (FERREIRA 
et al., 2016). 
 
Quadro 5 - Modificações fisiológicas primordiais ocorridas durante a gestação. 
Mudanças 
cardiovasculares 
 
Mudanças respiratórias 
 
Modificações renais 
Volume vascular: 
hipervolemia 
Volume respiratório Fluxo plasmático renal 
efetivo 
Condutância periférica 
total 
Volume corrente Taxa de filtração 
glomerular 
 
22 
 
Volume sistólico Pressão de gás 
carbônico 
Fração de filtração 
Débito cardíaco Capacidade residual 
funcional 
Retenção primária 
eletrólitos - sódio 
Pressão arterial sistólica Volume de reserva 
inspiratória 
Limiar osmótico 
Pressão arterial 
diastólica 
Alcalose respiratória Sensação de sede 
Fluxo sanguíneo tissular, 
em geral 
 Secreção de arginina e 
vasopressina 
 Retenção acumulada de 
sódio 
 Secreção de fatores 
natriuréticos – ANP 
(peptídeo natriurético 
atrial). 
Fonte: Adaptada Ferreira et al. (2016). 
Função do Sistema reprodutivo 
 
As alterações relacionadas à gravidez afetam o útero, colo do útero, ovários, 
vagina e mamas. As mudanças mais óbvias estão no útero, que aumenta gradualmente 
para acomodar o feto em crescimento. 
 
Útero 
O útero durante a gravidez sofre um crescimento constante e previsível. O peso 
aumentou de 50 g para 1100 g. Seu volume varia de 10 a 5.000 ml e a parede do útero 
aumenta de 1 a 2 cm, tornando-se mais fina, elástica e com cerca de 1,5 cm de espessura 
no final da gestação (CUNNINGHAM et al., 2020). 
Por volta da sexta semana de gravidez, a parte inferior do útero logo acima da 
cérvice fica bastante mole. Um médico pode confirmar esse achado realizando um exame 
bimanual. Para este teste, uma pessoa insere um dedo na vagina e sente o abdômen 
com a outra mão. O examinador mal consegue sentir a parte inferior do útero ou é muito 
fino. O útero se inclina ligeiramente sobre o colo do útero. Esse amolecimento é chamado 
de sinal de Hegar. (Figura 6). 
 
 
23 
 
Figura 6 – Sinal de Hegar 
 
Fonte: Orshan (2010). 
O sinal de Hegar na gestação é o amolecimento do segmento uterino inferior 
imediatamente acima da cérvice. Na palpação, a área torna-se difícil de sentir ou parece 
extremamente fina; além disso, o útero flexiona-se com mais facilidade sobre a cérvice. 
As contrações uterinas começam por volta da 12ª semana de gravidez e continuam 
enquantopersistirem. Sua intensidade aumenta à medida que a gravidez avança. As 
mulheres podem experimentar contrações de Braxton-Hicks já no terceiro trimestre da 
gravidez, isso contribui para o aumento do fluxo sanguíneo para a placenta, como 
ondulações no útero, tais contrações podem ser sentidas e vistas na fita do monitor. 
Durante os últimos meses de gravidez, eles podem aumentar tanto que os clientes os 
confundem com dores de parto (CUNNINGHAM et al., 2020). 
Após cerca de 20 a 24 semanas, a parede uterina é fina o suficiente para permitir 
que os contornos do feto sejam palpados por um examinador experiente. Essa palpação, 
chamada de método de Leopold, ajuda o especialista a determinar a posição do feto. 
Também facilita a ausculta do coração fetal (CUNNINGHAM et al., 2020). Ainda segundo 
autor, a altura do fundo (parte superior do útero) deve corresponder à semana 
gestacional. Por exemplo, com 28 semanas de gestação, a distância da pube ao fundo 
deve ser de aproximadamente 28 cm. Com 34 semanas de gestação, deve ser de 34 cm. 
 
24 
 
Com cerca de 38 semanas na primigesta, a altura uterina diminui ao nível da altura de 36 
semanas. Esse fenômeno, denominado de insinuação, ocorre quando a cabeça fetal 
encaixa na pelve em preparação para o parto. 
 
Cérvice 
 
O colo do útero torna-se vascularizado e inchado em resposta ao aumento do 
estrogênio circulante da placenta. Os vasos sanguíneos aumentados tornam o colo do 
útero roxo escuro em vez de rosa pálido. O aumento de fluido entre as células amolece 
o colo do útero. (Figura 7). 
 
Figura 7 - O enfermeiro avalia a altura da sínfise até o fundo uterino com uma fita métrica. 
 
Fonte: Orshan (2010). 
Esse amolecimento, sinal de Goodell, é significativo. A consistência do colo do 
útero não grávida se assemelha à ponta do nariz, enquanto a consistência do colo do 
útero grávida se assemelha ao lóbulo da orelha. Pouco antes do nascimento, o colo do 
 
25 
 
útero amolece até poder ser comparado à consistência da manteiga. A descoberta é 
característica da 'maturidade para o nascimento (CUNNINGHAM et al., 2020). 
 
Ovários 
 
A ovulação é interrompida pelo feedback de estrogênio e progesterona produzidos 
pelo corpo lúteo (início da gravidez) e placenta (final da gravidez). Esse feedback 
interrompe a secreção do hormônio folículo-estimulante (FSH) e causa amenorreia 
(ORSHAN, 2010). 
 
Vagina 
 
O estrogênio circulante altera o epitélio vaginal. O aumento da vascularização faz 
com que a parede vaginal mude de cor de rosa pré-gravidez para roxo escuro (sinal de 
Chadwick). O aumento do estrogênio também afeta o epitélio vaginal e os tecidos 
subjacentes, fazendo com que eles inchem e se tornem ricos em glicogênio. Este tampão 
mucoso atua como uma barreira para evitar a entrada de bactérias na vagina, prevenindo 
a infecção do feto e das membranas (ORSHAN, 2010). 
O pH das secreções vaginais muda de um valor alcalino acima de 7 para um valor 
ácido de 4 ou 5. O principal culpado é o Lactobacillus acidophilus, uma bactéria que 
prospera em um ambiente rico em glicogênio. Essa mudança de pH tem efeitos 
benéficos, pois ajuda a evitar a entrada de bactérias na vagina durante a gravidez, mas 
também tem um efeito desfavorável, pois proporciona um ambiente propício ao 
crescimento de albicans, embora o tratamento de C. Albicans são projetados 
principalmente para promover conforto, mas também precisam prevenir infecções no 
recém-nascido ao passar pelo canal do parto durante o parto. O tratamento pode incluir 
miconazol, clotrimazol ou nistatina. 
 
 
 
 
 
26 
 
Mamas 
 
As alterações mamárias resultam de altos níveis de estrogênio e progesterona 
circulantes e aumento do fluxo sanguíneo. No início da gravidez, as mulheres podem 
relatar sintomas como formigamento, inchaço ou sensibilidade. À medida que a gravidez 
progride, o tamanho da mama aumenta de cerca de 45 g na décima semana para cerca 
de 405 g na quadragésima semana. As clientes necessitam de um sutiã maior para 
acomodar o tamanho aumentado das mamas (ORSHAN, 2010). 
Durante a gestação, as mamas da mulher crescem. As aréolas escurecem e 
aumentam, e as glândulas sebáceas tornam-se maiores e podem ficar protuberantes. 
(Figura 8). 
 
Figura 8- Mamas na gestação 
 
Fonte: Orshan (2010). 
 
27 
 
A aréola escurece e aumenta de tamanho. As glândulas sebáceas na aréola 
(nódulos de Montgomery) aumentam e às vezes incham. As secreções dessas glândulas 
ajudam a manter os mamilos intactos e evitam o ressecamento e rachaduras durante a 
amamentação. Veias azuladas podem aparecer acima dos seios. Isto é devido ao 
aumento da vascularização na área. Na 16ª semana, o mamilo pode começar a passar 
colostro. 
 
Função do Sistema urinário 
 
Durante o início da gravidez, as mulheres podem urinar com mais frequência até 
que o útero se mova para fora da pelve e alivie a pressão na bexiga. Essa frequência 
retorna ao final da gravidez quando ocorre a insuinação e a cabeça do feto pressiona a 
bexiga (ORSHAN, 2010). 
No final da gravidez, a água corporal total aumenta cerca de 6,5 litros. Durante a 
gravidez, os rins da mulher devem filtrar os excrementos fetais e maternos. Os rins 
também devem ser capazes de lidar com o aumento do fluxo sanguíneo renal. O tamanho 
do rim aumenta em quase 1,5 cm. A taxa de filtração glomerular e o fluxo plasmático 
renal começam a aumentar no início da gravidez para atender às crescentes demandas 
do sistema circulatório. 
No início do segundo trimestre, a taxa de filtração glomerular aumenta em 
aproximadamente 50% e permanece nesse nível durante toda a gestação. Em segundo 
lugar, o fluxo plasmático renal aumenta simultaneamente em 30-60%, mas diminui do 
final da gravidez ao termo e é aproximadamente 50% maior do que em mulheres não 
grávidas. Esses aumentos resultam em níveis diminuídos de nitrogênio ureico no sangue 
(BUN) e creatinina. Aminoácidos e vitaminas hidrossolúveis são perdidos na urina em 
grandes quantidades (ORSHAN, 2010). 
A frequência urinária na gestação está relacionada com a mudança de posição do 
útero à medida que o feto cresce. (Figura 9). 
 
 
 
 
28 
 
Figura 9 - Mudança de posição do útero à medida que o feto cresce 
 
(A) No início da gestação, a pressão do útero contra a bexiga provoca o aumento da frequência urinária. 
(B) No segundo trimestre, a posição uterina muda, aliviando a pressão na bexiga. (C) No final da 
gestação, o útero mais uma vez é pressionado sobre a bexiga, aumentando a frequência. 
Fonte: Orshan (2010). 
O aumento do índice de filtração glomerular, do hormônio antidiurético (ADH), das 
prostaglandinas e da progesterona e a diminuição da resistência vascular fazem com que 
a mulher excrete sódio. O corpo aumenta a reabsorção de sódio nos túbulos renais para 
manter a pressão osmótica. A progesterona aumenta as respostas do sistema renina-
angiotensina-aldosterona, aumentando a produção de aldosterona e auxiliando na 
reabsorção de sódio. Estrogênio e cortisol também afetam o aumento da ingestão de 
sódio (CUNNINGHAM et al., 2020). 
Ainda segundo autor, quanto maior a taxa de filtração glomerular, mais glicose é 
filtrada nos túbulos renais. A reabsorção de glicose pelas células tubulares ocorre a uma 
taxa constante, de modo que parte da glicose é eventualmente excretada na urina 
durante a gravidez. Da mesma forma, quando os níveis séricos de glicose estão baixos, 
a glicose é excretada na urina. 
Altos níveis de progesterona aumentam o diâmetro do ureter. A compressão 
ureteral do útero aumentado e do plexo venoso ovariano e a pressão do ureter contra a 
borda pélvica podem causar hidronefrose e hidroureter. A compressão da uretra pode 
impedir que a bexiga esvazie adequadamente, o que pode levar à infecção. Mais tarde 
 
29 
 
na gravidez, o útero em crescimento exerce pressão sobre a bexiga, causando retenção 
urinária e pielonefrite. Essas infecçõessão importantes porque aumentam o risco de 
parto prematuro. 
 
Sistema musculoesquelético 
 
Segundo Orshan (2010), as necessidades de cálcio e de magnésio aumentam 
porque os ossos fetais estão em formação e os níveis plasmáticos estão baixos. A ingesta 
de cálcio deve ser de 1.300 mg/dia nas gestantes de 18 anos ou menos e de 1.000 mg/dia 
naquelas com mais de 18 anos. A ingesta de magnésio deve ser de 400 mg/dia para as 
primeiras e de 350 mg/dia para as últimas. Alguns estudos demonstram que a 
suplementação de cálcio é eficaz na redução da incidência de pré-eclâmpsia, enquanto 
outros não encontraram nenhum efeito. 
À medida que a gestação progride, as articulações pélvicas tornam-se mais 
flexíveis sob a influência da relaxina. Essa maior flexibilidade facilita o parto do feto, mas 
também pode causar desconforto para a mulher. Às vezes, a sínfise púbica separa-se 
até 3 a 4 mm, provocando dificuldade para caminhar (ORSHAN, 2010). 
Segundo o autor, o peso crescente do feto e a protrusão do abdome causam 
lordose, uma curvatura anterior anormal da coluna na região lombar, enquanto a mulher 
tenta manter o centro de gravidade. Ela pode, posteriormente, apresentar dor lombar 
crônica. 
 
Diferenças fisiológicas relacionadas com idade e raça ou etnia 
 
Muitas mudanças fisiológicas são comuns a todas as mulheres durante a 
gestação, independentemente da idade, da raça ou da etnia. Algumas diferenças, no 
entanto, são exclusivas de determinadas faixas etárias ou de pessoas de uma raça ou 
etnia específica (PACHECO et al., 2018). (Figura 10). 
 
 
 
 
30 
 
Figura 10- Mudanças progressivas na postura materna durante a gestação. 
 
Fonte: bit.ly/3Dqwlc8 
Mães adolescentes que ainda não terminaram de crescer podem estar em maior 
risco de complicações relacionadas, como desproporção cefalopélvica (DPC), o que 
aumenta a probabilidade de cesariana. Baixo peso ao nascer, parto prematuro e 
gravidez. Há um risco aumentado de bebês nascer com hipertensão (HIG), embora 
alguns estudos sugiram que o risco HIG esteja relacionado ao parto e não à idade. Tais 
riscos são maiores em adolescentes jovens, especialmente aquelas que concebem nos 
primeiros dois anos da menarca. Riscos como má nutrição, problemas de saúde e 
problemas relacionados à pobreza também podem afetar negativamente a gravidez 
(PACHECO et al., 2018). 
As mulheres acima de 35 anos apresentam maiores incidências de condições 
preexistentes, como diabete e hipertensão. A hipertensão preexistente aumenta o risco 
de desenvolvimento de descolamento prematuro da placenta e de hipertensão induzida 
 
31 
 
pela gestação, que podem resultar em recém-nascidos de baixo peso. O risco para parto 
cesáreo é maior para essas mulheres. Têm sido levantadas dúvidas sobre as taxas mais 
elevadas de parto prematuro e cesáreo estarem relacionadas com a maior incidência de 
complicações maternas ou simplesmente com o aumento da idade. 
Existem poucos estudos identificando as diferenças entre os grupos minoritários 
ou as alterações entre as mulheres em idade reprodutiva nesses grupos. As mulheres 
mexicano-americanas geralmente dão à luz bebês com maior peso do que as afro-
americanas e as brancas com fatores de risco similares. Os bebês de baixo peso ao 
nascer que são filhos de mulheres mexicano-americanas têm, no entanto, um índice de 
mortalidade mais alto do que qualquer dos dois outros grupos. Um estudo constatou que 
as afro-americanas tinham três vezes mais probabilidade e as asiático-americanas duas 
vezes mais chance de dar à luz um bebê com baixo peso ao nascer do que as brancas, 
independentemente de idade, paridade, educação ou nível de pobreza (PACHECO et al., 
2018). 
Várias doenças ou alterações que podem afetar a gestação parecem ser 
prevalentes em mulheres em idade reprodutiva de diferentes antecedentes étnicos ou 
raciais. A incidência de diabete é maior entre as nativas americanas e as afro-
americanas. A tuberculose é mais prevalente nas primeiras e nas asiáticas. A hipertensão 
preexistente é mais frequente em afro-americanas, assim como a anemia falciforme. A 
doença de Tay-Sachs é mais comum na população judaica Ashkenazi. Já a talassemia é 
mais comum nas mulheres do Mediterrâneo, do Oriente Médio e do sudeste da Ásia. 
As afro-americanas têm maior risco de morrer por causas relacionadas com a 
gestação, como hemorragia, hipertensão induzida pela gestação e embolia pulmonar, do 
que as mulheres brancas. Algumas razões sugeridas para essa diferença incluem acesso 
diferenciado ao cuidado, bem como qualidade e conteúdo do atendimento. As afro-
americanas e as de outras minorias étnicas apresentam maior índice de mortalidade 
neonatal do que as brancas (PACHECO et al., 2018). 
 
 
 
 
 
32 
 
Alterações nutricionais 
 
A gravidez está associada ao aumento da demanda energética, incluindo o gasto 
energético, devido à alta taxa metabólica basal (TMB). Esse aumento na TMB é devido 
ao aumento do consumo de oxigênio devido ao aumento do trabalho nas funções 
circulatória, respiratória e renal da mãe, bem como ao aumento da massa tecidual. A 
magnitude do aumento da TMB durante a gravidez varia consideravelmente entre as 
mulheres, mas as razões para essa variação não são totalmente compreendidas (SALLY, 
2018). 
Assim, segundo autor, vários fatores adicionais podem ser responsáveis pela 
variabilidade na resposta da TMB à gravidez, como, por exemplo, a variação na 
magnitude do aumento do trabalho cardíaco. Esse aumento é considerado responsável 
por aproximadamente 40% do aumento no consumo de oxigênio no final do 1º trimestre 
e 25% do aumento no final do 2º trimestre. Além disso, os aumentos nas concentrações 
séricas do fator de crescimento I (IGF-I) semelhante à insulina durante a gravidez estão 
relacionados com o aumento da TMB, pois sabe-se que tais concentrações estão 
correlacionadas com o peso corporal durante a gravidez e variam em resposta à ingestão 
de alimentos, de modo que refletem a situação nutricional materna. 
A gestação causa um aumento de 2 a 3 vezes na necessidade de ferro, não 
apenas para a síntese de hemoglobina, mas também para o feto e para a produção de 
certas enzimas. Há um aumento de 10 a 20 vezes na necessidade de ácido fólico e um 
aumento de duas vezes na necessidade de vitamina B12. O feto médio requer cerca de 
30 g de cálcio para manter os seus processos fisiológicos, porém a maior parte desse 
cálcio é transferida para o feto durante o 3º trimestre e deriva do aumento da absorção 
dietética pela mãe (SALLY, 2018). 
Há uma diminuição na concentração sérica total de cálcio durante a gravidez, em 
virtude, principalmente, de uma redução nos níveis séricos de albumina devido à 
hemodiluição, resultando em uma diminuição na fração ligada à albumina do cálcio. 
Entretanto, a fração fisiologicamente importante — o cálcio sérico ionizado — permanece 
inalterada. Portanto, os níveis séricos maternos de cálcio são mantidos durante a 
 
33 
 
gravidez e as necessidades fetais são supridas pelo aumento da absorção intestinal, que 
dobra a partir da 12ªsemana de gestação. 
O pico da demanda de cálcio ocorre apenas no 3º trimestre, e o aumento precoce 
na absorção desse nutriente pode permitir que o esqueleto materno armazene cálcio com 
antecedência. Além disso, os níveis séricos de vitamina D aumentam na gestação, e esse 
aumento é diretamente responsável pelo aumento da absorção intestinal de cálcio. 
 
Alterações metabólicas 
 
As alterações nas secreções hormonais maternas levam a mudanças na utilização 
de carboidratos, gorduras e proteínas durante a gravidez. A gravidez é um estado 
diabetogênico, e as adaptações no metabolismo da glicose permitem o desvio da glicose 
para o feto, a fim de promover o seu desenvolvimento, mantendo uma nutrição materna 
adequada. As células β-pancreáticas secretoras de insulina sofrem hiperplasia, o que 
resulta no aumento da secreçãode insulina e no aumento da sensibilidade insulínica no 
início da gravidez (KAMPMANN et al., 2019). 
A resistência materna à insulina tem início no 2º trimestre e seu pico no 3º 
trimestre, em decorrência do aumento da secreção de hormônios diabetogênicos, como 
lactogênio placentário humano, hormônio do crescimento, progesterona, cortisol e 
prolactina. Esses hormônios causam uma diminuição da sensibilidade insulínica nos 
tecidos periféricos, como adipócitos e músculo esquelético, interferindo na sinalização do 
receptor de insulina. 
Segundo Kampmann et al. (2019) o efeito dos hormônios placentários sobre a 
sensibilidade insulínica torna-se evidente no pós-parto, quando há uma diminuição 
repentina na resistência insulínica. Os níveis de insulina são aumentados tanto no estado 
de jejum quanto no pós- -parto na gravidez. Os níveis de glicose no jejum, no entanto, 
são diminuídos devido a: 
 
 Aumento do armazenamento de glicogênio tecidual; 
 Aumento do uso de glicose periférica; 
 Diminuição da produção de glicose pelo fígado; 
 
34 
 
 Absorção de glicose pelo feto. 
 
As mudanças nos níveis hormonais também ajudam a garantir que a massa 
muscular materna seja conservada, pois impedem que ela seja utilizada para fornecer 
energia ou aminoácidos para o feto. A taxa de acúmulo de nitrogênio aumenta dez vezes 
ao longo da gravidez, sem aparentemente nenhum aumento no equilíbrio de nitrogênio. 
Além disso, ocorre uma redução de 30% na síntese de ureia e uma queda em 
concentração de ureia plasmática no último trimestre de gravidez. Isso sugere que a 
decomposição de aminoácidos pode ser suprimida, representando um mecanismo de 
economia de proteínas (KAMPMANN et al., 2019). 
Evidências também sugerem que a proteína pode ser armazenada no início da 
gravidez e utilizada em um estágio posterior para atender às exigências do feto em 
crescimento. 
As respostas adaptativas ajudam a atender ao aumento da demanda por 
nutrientes, independentemente do estado nutricional da mãe. Tais respostas 
homeostáticas incluem o aumento da absorção de ferro e cálcio. Outros minerais, como 
o cobre e o zinco, também podem mostrar melhor absorção. Há uma redução da 
excreção urinária de alguns nutrientes, incluindo a riboflavina e a taurina. 
O aumento da secreção do hormônio aldosterona, particularmente no final da 
gravidez, pode levar ao aumento da reabsorção de sódio dos túbulos renais, o que pode 
encorajar a retenção de fluidos (KAMPMANN et al., 2019). 
3.3 Principais hormônios envolvidos no período gestacional e suas funções 
Na gravidez, a placenta forma quantidades especialmente grandes de 
gonadotropina coriônica humana, estrogênios, progesterona e somatomamotropina 
coriônica humana, esses hormônios desempenham papéis cruciais na condução das 
adaptações fisiológicas maternas durante a gravidez., modulando a fisiologia materna. A 
produção hormonal se inicia logo após a concepção e mesmo antes da implantação, 
como evidenciado pela identificação no soro materno da hCG apenas alguns dias após 
a ovulação em um ciclo fértil (GUYTON; HALL, 2017). 
 
35 
 
A Figura 11, a seguir, apresenta a anatomia de uma placenta. 
 
Figura 11 - Anatomia da placenta e seus componentes. 
 
Fonte: bit.ly/3WgrbYO 
Gonadotrofina coriônica humana 
 
A menstruação geralmente começa em mulheres não grávidas cerca de 14 dias 
após a ovulação, quando grande parte do endométrio uterino se desprende da parede 
uterina e sai do útero. Se isso acontecesse após a implantação do óvulo, a gravidez seria 
interrompida. No entanto, esta escala é evitada pela secreção de gonadotrofina coriônica 
humana através do desenvolvimento de tecidos embrionários. Simultaneamente com o 
desenvolvimento das células trofoblásticas no óvulo fertilizado, as células trofoblásticas 
sinciciais secretam gonadotrofina coriônica humana no fluido materno (GUYTON; HALL, 
2017). 
O autor afirma que a secreção desse hormônio pode ser medida primeiramente no 
sangue, 8-9 dias após a ovulação, logo após a implantação do blastocisto no endométrio. 
Depois disso, a secreção aumenta rapidamente, atingindo um nível máximo em cerca de 
10-12 semanas de gravidez, e diminui novamente para um nível mais baixo em cerca de 
 
36 
 
16-20 semanas de gravidez, e continua nesse nível pelo resto da gravidez. Função da 
gonadotrofina coriônica humana. A gonadotrofina coriônica humana é uma glicoproteína 
com um peso molecular de aproximadamente 39.000 e tem basicamente a mesma 
estrutura molecular e função do hormônio luteinizante secretado pela hipófise. 
 Sua principal função é prevenir a involução do corpo lúteo no final do ciclo sexual 
mensal da mulher. Em vez disso, o lúteo secreta quantidades ainda maiores de seus 
hormônios sexuais – progesterona e estrogênio – nos meses seguintes. Esses hormônios 
sexuais impedem a menstruação e fazem com que o endométrio continue a crescer e 
armazenar grandes quantidades de nutrientes em vez de serem distribuídos ao produto 
menstrual. Como resultado, as células semelhantes a deciduais que se desenvolvem no 
endométrio durante o ciclo sexual normal de uma mulher tornam-se verdadeiras células 
deciduais – bem inchadas e nutritivas – ao mesmo tempo que o blastocisto se desenvolve 
(GUYTON; HALL, 2017). 
Sob a influência da gonadotropina coriônica, o corpo lúteo no ovário materno 
cresce para cerca de duas vezes original cerca de um mês após o início da gravidez. E 
sua secreção constante de estrogênios e progesterona sustenta a natureza decidual do 
endométrio uterino, que é essencial para o desenvolvimento fetal precoce. Se o corpo 
lúteo for removido antes de aproximadamente sete semanas de gestação, quase sempre 
ocorrerá aborto espontâneo, às vezes até a 12 a semana. 
Após esse período, a placenta secreta quantidades suficientes de progesterona e 
estrogênios para a manutenção do período gestacional. O corpo lúteo involui lentamente 
depois da 13 a a 17 a semana de gestação. 
A gonadotrofina coriônica humana também tem um efeito estimulador nas células 
intersticiais testiculares em fetos do sexo masculino, resultando na produção de 
testosterona em fetos do sexo masculino até o nascimento. Essa pequena liberação de 
testosterona durante a gravidez faz com que a genitália masculina cresça no feto em vez 
da genitália feminina. No final da gravidez, a testosterona secretada pelos testículos do 
feto também faz com que os testículos desçam para o escroto (GUYTON; HALL, 2017). 
 
 
 
 
37 
 
Progesterona 
 
A progesterona também é necessária para uma gravidez bem-sucedida; na 
verdade, é tão importante quanto o estrogênio. Não só é secretado em quantidades 
moderadas pelo lúteo no início da gravidez, mas a placenta o secreta em quantidades 
enormes mais tarde. Os efeitos específicos da progesterona, necessários para o curso 
normal da gravidez, são os seguintes, segundo Guyton; Hall (2017): 
1. A progesterona faz com que células deciduais se desenvolvam no endométrio 
uterino. Essas células têm papel importante na nutrição do embrião inicial. 
2. A progesterona diminui a contratilidade do útero grávido, evitando, assim, que 
contrações uterinas causem aborto espontâneo. 
3. A progesterona contribui para o desenvolvimento do concepto mesmo antes 
da implantação, pois especificamente aumenta as secreções das trompas de Falópio e 
do útero, proporcionando material nutritivo apropriado para o desenvolvimento da mórula 
(massa esférica, de 16 a 32 blastômeros, formada antes da blástula) e do blastocisto. 
Existem ainda razões para acreditarmos que a progesterona afeta a clivagem celular no 
embrião em desenvolvimento inicial. 
4. A progesterona, secretada durante a gravidez, ajuda o estrogênio a preparar 
as mamas da mãe para a lactação. 
 
Estrogênio 
 
Segundo Guyton e Hall (2017), a placenta, como o lúteo, secreta tanto estrogênio 
quanto progesterona. Estudos histoquímicos e fisiológicosindicam que esses dois 
hormônios, como a maioria dos hormônios placentários, são secretados pelas células 
trofoblásticas sinciciais da placenta. Perto do final da gravidez, a produção diária de 
estrogênios da placenta aumenta em aproximadamente 30 vezes a produção normal da 
mãe. No entanto, a secreção de estrogênios pela placenta difere da secreção ovariana. 
Mais importante ainda, os estrogênios secretados pela placenta não são sintetizados de 
novo a partir de substratos placentários básicos. Em vez disso, eles consistem quase 
inteiramente de compostos esteróides androgênicos, dehidroepiandrosterona e 16-
 
38 
 
hidroxidehidroepiandrosterona, que são produzidos nas glândulas adrenais maternas e 
fetais. 
O sangue transporta esses andrógenos fracos para a placenta e as células 
trofoblásticas os transformam em estradiol, estrona e estriol. (As glândulas adrenais fetais 
são muito grandes e cerca de 80% compõem a chamada zona fetal, cuja principal função 
parece ser a secreção de desidroepiandrosterona durante a gravidez.) (GUYTON; HALL, 
2017). 
Durante a gravidez, níveis extremos de estrogênio (1) fazem com que o útero 
aumente; (2) aumento das mamas da mãe e aumento da estrutura dos ductos lácteos; e 
(3) aumento da genitália externa materna. Os estrogênios também relaxam os ligamentos 
da pelve da mãe, tornando as articulações sacroilíacas relativamente flexíveis; e músculo 
púbico, elástico. Essas mudanças facilitam a passagem do feto pelo canal do parto. 
Existem fortes razões para acreditar que os estrogênios também influenciam muitos 
desenvolvimentos fetais gerais durante a gravidez, como a intensidade da proliferação 
celular no embrião inicial (GUYTON; HALL, 2017). 
 
Somatomamotropina coriônica humana 
 
A somatomamotropina coriônica humana é um hormônio proteico com peso 
molecular de aproximadamente 22.000 que é secretado pela placenta por volta da quinta 
semana de gestação. A secreção desse hormônio aumenta gradativamente durante o 
resto da gravidez, proporcionalmente ao peso da placenta. Embora as funções da 
somatomamotropina coriônica sejam incertas, ela é secretada muitas vezes mais do que 
todos os outros hormônios da gravidez combinados. Também tem algumas implicações 
potencialmente importantes (GUYTON; HALL, 2017). 
Primeiro, quando a somatomamotrofina coriônica humana é administrada a 
vários tipos de animais, ela causa pelo menos o desenvolvimento parcial das mamas do 
animal e, em alguns casos, a lactação. Como essa foi sua primeira função a ser 
descoberta, esse hormônio foi chamado de primeiro lactogênio placentário humano e 
acreditava-se que tivesse funções semelhantes à prolactina. Mas as tentativas de usá-lo 
para promover a amamentação em humanos não foram bem-sucedidas. 
 
39 
 
Em segundo lugar, esse hormônio tem um efeito fraco, semelhante ao hormônio 
do crescimento, que causa a formação de tecidos proteicos da mesma forma que o 
hormônio do crescimento. Sua estrutura química ainda é semelhante à do hormônio do 
crescimento, mas requer 100 vezes mais somatomamotropina coriônica humana do que 
o hormônio do crescimento para promover o crescimento. 
Terceiro, a somatomamotropina coriônica humana reduz a sensibilidade materna 
à insulina e a utilização de glicose, de modo que maiores quantidades de glicose podem 
ser usadas pelo feto. Como a glicose é o principal substrato usado pelo feto para produzir 
energia para o crescimento, a importância potencial dessa influência hormonal é óbvia. 
Além disso, o hormônio promove a liberação de ácidos graxos livres das reservas de 
gordura da mãe e, assim, fornece essa fonte alternativa de energia para o metabolismo 
da mãe durante a gravidez. Portanto, a somatomamotropina coriônica humana parece 
ser um hormônio metabólico geral com efeitos nutricionais específicos na mãe e no feto 
(GUYTON; HALL, 2017). 
4 FISIOLOGIA DO PARTO 
 
Parto significa o nascimento de um bebê. No final da gravidez, o útero torna-se 
cada vez mais excitável e, eventualmente, ocorrem contrações rítmicas muito poderosas 
para expelir o bebê. A causa exata do aumento da atividade uterina é desconhecida, mais 
duas principais são: (1) alterações hormonais progressivas que aumentam a 
excitabilidade do miométrio e (2) alterações mecânicas contráteis progressivas 
(GUYLTON; HALL, 2011). 
Durante grande parte da gravidez, o útero experimenta periodicamente contrações 
lentas, lentas e rítmicas, chamadas de contrações de Braxton Hicks. Essas contrações 
se fortalecem gradualmente no final da gravidez; então, de repente, dentro de algumas 
horas, eles mudam e se tornam excepcionalmente fortes, começam a apertar o colo do 
útero e então forçam o bebê a passar pelo canal do parto, resultando no parto. 
Esse processo é denominado trabalho de parto e as intensas dores de parto que 
antecedem a parturição final são chamadas de contrações do parto. Não se sabe o que 
faz com que o ritmo lento e fraco do útero de repente se transforme em fortes contrações. 
 
40 
 
No entanto, com base na experiência com outros tipos de sistemas de controle fisiológico, 
foram propostas teorias para explicar o início do trabalho de parto (GUYLTON; HALL, 
2011). 
A teoria do feedback positivo sugere que a expansão do colo do útero pela cabeça 
do feto acaba se tornando tão grande que o reflexo que aumenta a contratilidade do corpo 
uterino. Este processo é repetido até que o bebê seja expelido. A demonstração dessa 
teoria está na Figura 12 e as observações que a correspondem são as que se seguem. 
 
Figura 12 –Teoria do desencadeamento de contrações intensamente fortes durante o 
trabalho de parto. 
 
Fonte: Guylton & Hall (2011 p. 1069). 
Primeiramente, as contrações do trabalho de parto correspondem a todos os 
princípios de feedback positivo, ou 1. A cabeça do bebê abre o colo uterino 2. A distensão 
cervical excita a contração fúndica 3. A contração fúndica empurra o bebê para baixo e 
distende ainda mais o colo 4. O ciclo se repete várias vezes. 
 
41 
 
Em segundo lugar, dois tipos conhecidos de feedback positivo aumentam as 
contrações uterinas durante o trabalho de parto. (1). Quando todo o útero se contrai 
devido à dilatação cervical e a cabeça do bebê é empurrada para baixo, essas contrações 
dilatam ainda mais o colo do útero. (2) A dilatação do colo do útero também faz com que 
a hipófise secrete oxitocina. Este é outro meio de aumentar as contrações uterinas. 
Resumindo, podemos assumir que múltiplos fatores aumentam a contratilidade do útero 
ao final da gravidez. 
Em última análise, as contrações tornam-se mais fortes o suficiente para 
estimular o útero, especialmente o colo do útero, e o feedback positivo aumenta ainda 
mais a contratilidade do útero, tornando a segunda contração mais forte que a primeira, 
mais forte que a segunda e assim por diante. Quando essas contrações se tornam fortes 
o suficiente para provocar esse tipo de feedback, cada contração subsequente se torna 
mais forte que a anterior e o processo termina - uma vez que o fortalecimento do processo 
de feedback atinge um certo feedback crítico inicia-se um ciclo vicioso. 
Você pode perguntar sobre os muitos casos de aborto espontâneo em que as 
dores do parto se tornam progressivamente mais fortes, depois mais fáceis e depois 
desaparecem. Se em algum momento após o início das dores de parto não estimular 
suficientemente o útero, o feedback positivo pode ser revertido e as dores de parto 
desaparecem (GUYLTON; HALL, 2011). 
 
Contrações Musculares Abdominais durante o Trabalho de Parto 
 
Fortes contrações uterinas durante o trabalho de parto enviam sinais de dor tanto 
do útero quanto do canal do parto. Esses sinais não apenas causam dor, mas também 
desencadeiam reflexos neurogênicos na medula espinhal para os músculos abdominais, 
causando contrações violentas desses músculos. As contrações do abdômen contribuem 
significativamente para a forçade expulsão do bebê (GUYLTON; HALL, 2011). 
Portanto, quando o útero se contrai, o bebê é empurrado para baixo em direção 
ao colo do útero. No início do trabalho de parto, as dores do parto ocorrem a cada 30 
minutos. À medida que o trabalho de parto progride, ele começa a cada 1 a 3 minutos e 
aumenta rapidamente em intensidade, com períodos muito curtos de relaxamento entre 
 
42 
 
eles. As contrações combinadas do útero e dos músculos abdominais durante o 
nascimento do bebê exercem uma força descendente de 12 kg em cada contração. 
Felizmente, essas contrações são intermitentes. O trabalho de parto severo pode 
bloquear ou até mesmo interromper o fluxo sanguíneo através da placenta. Se continuar, 
o feto pode morrer. De fato, o uso excessivo de múltiplos estimulantes uterinos, como a 
ocitocina, em vez de contrações rítmicas, pode causar espasmos uterinos e levar à morte 
fetal. Em mais de 95% dos nascimentos, a cabeça é expelida primeiro. 
Quando o bebê entra no canal de parto primeiro com as nádegas ou os pés, isso 
é chamado de apresentação pélvica. A cabeça age como uma cunha, abrindo a estrutura 
do canal de parto quando o feto é empurrado para baixo. 
O primeiro grande obstáculo para a expulsão do feto é o próprio colo do útero. A 
chamada primeira fase é o período de dilatação cervical progressiva até que a abertura 
do colo do útero seja tão grande quanto a cabeça do feto. Este estágio geralmente dura 
de 8 a 24 horas para as primeiras gestações e apenas alguns minutos para gestações 
múltiplas. Quando o colo do útero está totalmente dilatado, as membranas fetais 
geralmente se rompem e o líquido amniótico vaza repentinamente da vagina. 
A cabeça fetal então se move rapidamente para o canal do parto, exerce uma 
força para baixo e é eventualmente expelida pelo canal do parto. Esta é a segunda fase 
do trabalho de parto e dura menos de um minuto em gestações múltiplas e mais de 30 
minutos nas primeiras gestações (GUYLTON; HALL, 2011). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
5 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. 25. ed. Porto Alegre: AMGH, 2020. 
(E-pub). 
 
FERREIRA, C.D. et al. Ciclos da vida. Salvador: SANAR, 2016. 358p. 
 
GUYTON, A.C. & Hall J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed; Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2011. 
 
GUYTON, A.C. & Hall J.E. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 
2017. 
 
KAMPMANN, U. et al. Determinants of Maternal Insulin Resistance during Pregnancy: An 
Updated Overview. J Diabetes Res. 2019. 
ORSHAN, SUSAN A. Enfermagem na saúde das mulheres, das mães e dos recém- -
nascidos: o cuidado ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2010. 
 
PACHECO, V. C. et al. As influências da raça/cor nos desfechos obstétricos e neonatais 
desfavoráveis. Saúde debate. Rio de janeiro, V. 42, N. 116, P. 125-137, JAN-MAR 2018. 
 
SALLY, E. O.F. Ingestão dietética e taxa metabólica basal de gestantes 
adolescentes de NiteróI, RJ. Tese apresentada à Pósgraduação em Saúde da Criança 
e da Mulher, como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Ciências. 
Rio de Janeiro – RJ, 2018. 
 
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2017. 
 
WIDMAIER, ERIC P. V. et al. Fisiologia humana. 14. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2017.

Mais conteúdos dessa disciplina