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1 
Khilver Doanne Sousa Soares 
Anemias e Fisiologia Eritropoiese
Anemia
Define-se anemia como uma redução da 
massa eritrocitária circulante abaixo dos limites 
normais. A anemia reduz a capacidade de 
transporte de oxigênio no sangue levando a uma 
hipóxia dos tecidos. Em geral é diagnosticada 
com base na redução do hematócrito e 
concentração de hemoglobina. 
Os sinais e os sintomas de anemia incluem 
fadiga, batimentos cardíacos rápidos, 
encurtamento da respiração, palidez, tonturas e 
insônia. 
 Anemias Megaloblásticas 
 
Fonte: Site remexer. Acessado em 01/10/2020. 
http://www.femexer.org/12431/deficiencia-congenita-de-
factor-intrinseco/ 
 
Fonte: Site gramho. Acessado em 01/10/2020. 
https://gramho.com/media/2033544299456761148 
Obs.: a vitamina B12 e o ácido fólico são coenzimas 
necessárias à síntese de timidina, uma das quatro bases 
encontradas no DNA. 
Morfologia das Anemias Megaloblásticas 
A presença de hemácias macrocíticas e 
ovais (macro-ovalócitos) é altamente 
característica. São maiores que o normal e tem 
mais hemoglobinas, a maioria é “hipercrômica”, 
sem a palidez central da hemácia normal. Tem 
variação do tamanho (anisocitose) e da forma 
(poiquilocitose). Os neutrófilos também são 
maiores que o normal (macropolimorfonuclear) e 
hipersegmentados, com cinco ou mais lóbulos 
nucleares. 
http://www.femexer.org/12431/deficiencia-congenita-de-factor-intrinseco/
http://www.femexer.org/12431/deficiencia-congenita-de-factor-intrinseco/
2 
Khilver Doanne Sousa Soares 
A medula óssea é acentuadamente 
hipercelular. As células mais primitivas são 
grandes, com um citoplasma profundamente 
basófilo, nucléolos proeminentes e um padrão 
distinto de cromatina nuclear fina. Quando essas 
células vão s diferenciando o núcleo retém a 
cromatina finamente distribuída e a maturação 
citoplasmática e o acúmulo de hemoglobina 
prosseguem em ritmo normal, levando a uma 
assincronia entre núcleo e citoplasma. 
A hiperplasia da medula é uma resposta aos 
maiores níveis dos fatores de crescimento, como 
eritropoietina. Mas a desorganização da síntese 
de DNA faz com que a maioria dos precursores 
sofra apoptose na medula e provoca pancitopenia. 
Metabolismo vitamina B12 
É um composto organometálico complexo, 
conhecido também como cobalamina. 
Normalmente os humanos são totalmente 
dependentes da vitamina B12 dietética. Embora 
os microrganismos constituam a origem da 
cobalamina na cadeia alimentar plantas e 
vegetais possuem pequena quantidade dela. 
 Anemia por Deficiência de Folato 
Deficiência de ácido fólico resulta em 
anemia megaloblástica e apresenta os mesmos 
aspectos patológicos que a causada por 
deficiência de vitamina B12. Os derivados de FH4 
atuam como intermediários na transferência de 
unidades de carbono. Portanto, FH4 pode ser visto 
como intermediário biológico em trocas que 
envolvem porções de um carbono. 
As três principais causas de deficiência de 
ácido fólico são diminuição da ingestão, aumento 
da necessidade e utilização prejudicada. Os 
humanos são totalmente dependentes de fontes 
dietéticas para sua exigência de ácido fólico (50 
a 200µg). 
Obs.: apesar de sua abundancia em alimentos 
crus os poliglutamatos são sensíveis ao calor, 
fervura, cozimento ao vapor ou fritura de 
alimentos por 5 a 10 minutos destroem até 95% 
do teor de folato. Suas reservas no corpo são 
modestas e se a ingestão for inadequada 
deficiência pode surgir em semanas a meses. 
  Anemia por Deficiência de Ferro 
A deficiência de ferro é o distúrbio 
nutricional mais comum no mundo e resulta 
comumente em sinais e sintomas relacionados à 
síntese inadequada de hemoglobina. 
Metabolismo do Ferro 
A dieta ocidental costuma ter quantidades 
suficientes para equilibrar as perdas diárias fixas 
(10 a 20mg). Cerca de 80% do ferro funcional é 
encontrado na hemoglobina, mioglobina e 
enzimas que contêm ferro, como catalase e os 
citocromos, abrigam o resto. Os principais locais 
de armazenamento de ferro são o fígado e os 
fagócitos mononucleares. 
Mulheres jovens saudáveis apresentam 
menor depósito de ferro que os homens. 
Provavelmente pela perda menstrual e gravidez. 
O ferro é reciclado extensivamente, 
transportado no plasma pela transferrina 
(glicoproteína de ligação). Cerca de 1/3 da 
transferrina está saturada com ferro e produz 
níveis séricos de ferro entre 120 em homens e 
100µg/dL em mulheres. 
Obs.: a principal função da transferrina plasmática é 
fornecer ferro às células, inclusive os precursores 
eritroides. 
 
3 
Khilver Doanne Sousa Soares 
Fonte: ROBBINS & COTRAN, Bases patológicas das 
doenças, 9ed. 
Obs.: o ferro livre é extremamente tóxico 
A ferritina é encontrado mais no fígado, 
mas também no baço, medula óssea e músculos 
esqueléticos. 
Na deficiência de ferro a ferritina sérica 
está sempre abaixo de 12 µg/L, enquanto que na 
sobrecarga de ferro pode-se observar valores 
próximos a 5000 µg/L. 
 Hemograma 
É o exame de sangue periférico no qual 
vêm expressos o número dos eritrócitos e índices 
hematimétricos, número de leucócitos em valor 
absoluto, valores relativos ou percentuais dos 
vários tipos de leucócitos e número de plaquetas 
por milímetro cúbico. 
O número de eritrócitos circulantes é de 
4’500’000 s 5’000’000/mm3. 
O exame qualitativo dos eritrócitos é feito 
por esfregaço do sangue periférico corado pelo 
método Leishman ou Giemsa. 
Obs.: os eritrócitos têm a forma de disco bicôncavo, com 
diâmetro de 7 micra. 
 
 
 
Índices Hematimétricos 
Índice 
hematimétrico 
O que avalia Valor normal 
(adultos) 
VCM O tamanho 
(volume) médio 
dos eritrócitos 
80 a 10fl 
CHCM O grau de 
saturação de 
hemoglobina no 
eritrócito 
31 a 36 g/dl 
HCM A média de 
hemoglobina 
por eritrócito 
26 a 35pg 
*tabela adaptada de PORTO & PORTO. 8ed. Semiologia 
Médica 
 Mielograma 
Pesquisa a função hematopoética da 
medula, obtido por aspirado da medula óssea ou 
estudo anatomopatológico ou exame histológico 
de um fragmento de medula óssea obtido por 
biopsia. Esse material é coletado no esterno, na 
região do manúbrio ou parte superior do corpo 
esternal, ou ainda puncionando-se a apófise 
espinhosa anterior do ilíaco ou de uma vértebra 
dorsolombar. o material deve perfazer duas a 
três gotas de sangue e conter grumos. 
O esfregaço de três a quatro lâminas, deve 
ser corado pelos corantes Leishman ou Giemsa. 
Faz-se a contagem de 500 células, dando-
se o resultado em valores percentuais. 
Obs.: é importante também avaliar a celularidade em 
busca rigorosa de células não hematopoéticas e 
parasitos. 
 
Fonte: PORTO & PORTO. 8ed. Semiologia Médica. 
Esfregaços de sangue periférico e de medula óssea. A. 
Coloração da peroxidase em medula óssea normal. B. 
Anemia megaloblástica, coloração de Leishman. C. 
Eritroblastos circundam um macrófago (seta), coloração 
de Leishman. D. Sangue periférico, segmentados 
neutrófilos positivos pela reação citoquímica da 
fosfatase alcalina. E. Grupo de blastos mieloides corados 
pelo Leishman. Bastonete de Auer presente no 
citoplasma. F. Aspecto histológico de medula óssea. HE. 
Eritroblasto (seta). 
 Ferro 
4 
Khilver Doanne Sousa Soares 
O ferro é armazenado nas células da 
mucosa intestinal, do fígado, do baço e da medula 
óssea como ferritina (um complexo ferro-
proteína) até que ele seja necessário para o 
organismo. O ferro é oferecido para a medula 
para a produção de hemoglobina por uma 
proteína transportadora denominada transferrina. 
A deficiência de ferro resulta de perdas de 
sangue agudas ou crônicas. Assim, a deficiência 
de ferro resulta de um equilíbrio negativo 
decorrente da perda dos estoques de ferro e/ou 
da ingestão inadequada, culminando em anemia 
microcítica hipocrômica (devido a baixo ferro e 
eritrócitos de tamanho pequeno). a anemia por 
deficiência de ferro pode 
causar pica (fome de gelo, sujeira, papel, etc.), 
coiloníquia (curvatura para cima das unhas dos 
dedos e artelhos) e dor e rachaduras nos cantos 
da boca. 
Entre aspreparações orais, estão sulfato 
ferroso, fumarato ferroso, gliconato ferroso, 
complexo ferro-polissacarídeo e ferro carbonila. 
Dessas preparações, o sulfato ferroso é, em geral, 
a mais usada, graças ao seu alto conteúdo de 
ferro elementar e relativo baixo custo. 
 Ácido Fólico (folato) 
O uso primário do ácido fólico é o 
tratamento de estados deficitários que se 
originam da ingestão inadequada da vitamina. A 
deficiência de folato pode ser causada por 1) 
aumento da demanda (p. ex., gestação e 
lactação); 2) baixa absorção causada por 
patologia no intestino delgado; 3) alcoolismo; 4) 
tratamento por fármacos que são inibidores da 
di-hidrofolato redutase (p. ex., metotrexato, 
pirimetamina e trimetoprima). 
O resultado primário da deficiência de ácido 
fólico é a anemia megaloblástica (eritrócitos de 
grande tamanho), que é causada pela diminuição 
da síntese de purinas e pirimidinas. Isso leva à 
incapacidade do tecido eritropoiético de produzir 
DNA e, por consequência, de se proliferar. 
O ácido fólico é bem absorvido no jejuno, a 
menos que haja alguma patologia. 
 Cianocobalamina e hidroxocobalamina 
(vitamina B12) 
Deficiências de cianocobalamina podem 
resultar de baixa oferta na dieta ou, o que é mais 
comum, de má absorção da vitamina devido à 
insuficiência das células parietais gástricas em 
produzir fator intrínseco (como na anemia 
perniciosa) ou à perda da atividade do receptor 
necessário para a captação intestinal da vitamina. 
O fator intrínseco é uma glicoproteína produzida 
pelas células parietais do estômago, que é 
necessária para absorção da vitamina B12. Além 
dos sinais e sintomas gerais de anemia, a 
deficiência de vitamina B12 pode causar 
formigamento (com sensação de agulhadas) nas 
mãos e nos pés, dificuldade de caminhar, 
demência e, nos casos extremos, alucinações, 
paranoia ou esquizofrenia. Além dos sinais e 
sintomas gerais de anemia, a deficiência de 
vitamina B12 pode causar formigamento (com 
sensação de agulhadas) nas mãos e nos pés, 
dificuldade de caminhar, demência e, nos casos 
extremos, alucinações, paranoia ou esquizofrenia. 
 Eritropoietina e a-darbepoetina 
A eritropoietina (EPO) estimula células-
tronco para se diferenciarem em pró-
eritroblastos, promove a liberação de reticulócitos 
da medula e inicia a formação de hemoglobina. 
A EPO, assim, regula a proliferação e a 
diferenciação dos eritrócitos na medula óssea. A 
eritropoietina humana (a-epoetina), produzida 
pela técnica de DNA recombinante, é eficaz no 
tratamento de anemia causada pelo estágio 
terminal da doença renal, anemia associada com 
a infecção pelo vírus da imunodeficiência 
humana (HIV), anemias em distúrbios da medula 
óssea, anemias da prematuridade e anemia em 
alguns pacientes com câncer. A a-darbepoetina é 
uma versão de longa ação da eritropoietina, da 
qual se difere pela adição de duas cadeias de 
carboidratos que aumentam sua atividade 
biológica. Por isso, a a-darbepoetina tem menor 
depuração e meia-vida cerca de três vezes maior 
5 
Khilver Doanne Sousa Soares 
com relação à a-epoetina. Devido ao início de 
ação demorado, a a-darbepoetina não tem valor 
no tratamento agudo da anemia. 
 Hidroxiureia 
Triagens clínicas mostraram que a 
hidroxiureia pode aliviar o curso doloroso da 
anemia falciforme. Na anemia falciforme, o 
fármaco aparentemente aumenta os níveis de 
hemoglobina fetal, diluindo, assim, a hemoglobina 
S (HbS) anormal. Esse processo demora vários 
meses. A polimerização da HbS é retardada nos 
pacientes tratados, combatendo as crises 
dolorosas causadas pela obstrução dos capilares 
e a anoxia tissular causada pela anemia 
falciforme. 
 Pentoxifilina 
A pentoxifilina é um derivado da 
metilxantina denominado modificador reológico. 
Ela aumenta a deformabilidade dos eritrócitos 
(aumenta sua flexibilidade) e diminui a 
viscosidade do sangue. Isso diminui a resistência 
vascular sistêmica total, melhora o fluxo de 
sangue e aumenta a oxigenação tissular em 
pacientes com doença vascular periférica. A 
pentoxifilina é indicada no tratamento da 
claudicação intermitente, pois pode, ainda que 
modestamente, controlar a função e os sintomas. 
Entre os usos extrabula, está a melhoria nos 
sintomas psicopatológicos em pacientes com 
insuficiência cerebrovascular. 
 
Referências
KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N.; ASTER, 
J.C. Robbins & Cotran Patologia: Bases 
Patológicas das Doenças. 9. ed. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2010. 
PORTO, Celmo Celeno; PORTO, Arnaldo 
Lemos. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. 
WHALEN, Karen; FINKEL, Richard; 
PANAVELIL, Thomas A. Farmacologia 
Ilustrada, 6ed. Porto Alegre: Artmed, 2016 
 
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