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Assédio Moral no Local de Trabalho - Estudo FGV

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do assédio moral 
 
 
Andersson (2001) notou que falta informação sobre os custos relacionados com as situações 
de assédio moral, as razões disto são: 1) a base estatística é insuficiente, 2) as investigações 
são muito recentes, 3) não se sabe ainda a relação com outras circunstâncias e causas e 4) é 
difícil mensurar com precisão as conseqüências econômicas. Ainda assim, alguns 
pesquisadores se lançaram ao desafio de estimar os custos decorrentes deste mal que afeta 
tantos trabalhadores e tantas empresas. 
 
Pesquisadores da Inglaterra calcularam que um terço de todo estresse reportado é devido a 
situações de assédio moral, sendo os custos diretos de situações de estresse $ 4.5 bilhões de 
libras-esterlinas por ano (ERNSHAW e COOPER, 1996 apud LEE, 2000). Segundo Lorho e 
Hilp (2001), o custo das situações de assédio na Alemanha está entre 15 e 50 bilhões de 
euros por ano. 
 
Entretanto pesquisadores alertam que é muito problemático tentar comparar as informações 
disponíveis sobre outros países. Segundo estes autores, tentar estimar os custos mundiais 
não faz sentido devido a variações regionais dos salários e benefícios. (HOEL, SPARK e 
COOPER, 2007) 
 
Nos tópicos a seguir detalharemos a literatura encontrada sobre os custos individuais, 
organizacionais e sociais relacionados ao fenômeno assédio moral. 
 
7.1 Indivíduos 
 
Os custos individuais de uma situação de assédio moral são extremamente difíceis de 
calcular, são valores subjetivos e seria impossível calcular a perda da saúde ou mesmo do 
valor de uma vida no caso das pessoas que chegaram ao extremo do suicídio. Já abordamos 
os efeitos que esta violência causa na saúde física e mental das pessoas e pode-se facilmente 
deduzir que os gastos médicos não são baixos. 
 
 
 
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Adicionalmente, é preciso levar em conta os custos relacionados à demissão e à “quebra” 
da carreira da pessoa, os danos morais sofridos, e as conseqüências sobre a família já que 
facilmente as situações de assédio desestruturam a família e podem afetar o círculo social da 
vítima. Além disto, dependendo da gravidade da situação (algumas situações de assédio, 
como já citamos, podem durar anos) pode haver outros custos indiretos relacionados com a 
situação de assédio moral. 
 
 
7.2 Organizações 
 
Os resultados das situações de assédio não se traduzem somente em conseqüências para as 
vítimas afetadas pela situação, as organizações são muito afetadas e de um modo tão sutil, 
que muitas empresas ainda não perceberam como isto pode degradar seus resultados 
econômicos, no curto e no longo prazo. Para Niedl (1996), assédio deveria ser visto como 
um fator de custo que influencia a eficácia do trabalho. 
 
As pesquisas que encontramos mostram que o assédio está associado a maior absenteísmo, 
maior intenção de se desligar da empresa, aumento na rotatividade (turnover), redução da 
produtividade e aposentadoria precoce. (LEYMANN 1996; NIEDL, 1996; SALIN, 2001; 
HOEL e COOPER, 2000; FOX e SPECTOR, 1999; GARCIA, HACOURT e BARA, 2005; 
DAVENPORT, SWARTZ e ELLIOTT, 1999; ANDERSSON, 2001; BREEN e 
MCNAMARA, 2004; HOEL, SPARK e COOPER, 2007); baixa satisfação com a empresa, 
grande propensão a sair e baixo comprometimento organizacional (HOEL e COOPER, 
2000; ANDERSSON, 2001); agressão contra a organização e agressão interpessoal (FOX e 
SPECTOR, 1999; HOEL et. al, 2007); queda na confiança nos líderes, aumento de 
frustração e reatividade, aumento de sensação de desamparo (helplessness) e alienação 
(ASHFORTH,1989); desmotivação no trabalho (GARCIA, HACOURT e BARA, 2005); 
piora do ambiente psicossocial do trabalho (LEYMANN, 1996); custos de produção mais 
altos (LEYMANN, 1996; ANDERSSON, 2001); piora na imagem da empresa e perda de 
clientes (ANDERSSON, 2001); redução na qualidade e quantidade de trabalho realizado 
(DAVENPORT, SWARTZ e ELLIOTT, 1999), sobrecarga de trabalho sobre os colegas, 
custos ligados à licença, recrutamento e ao treinamento de novos empregados (GARCIA, 
HACOURT e BARA, 2005); potenciais litígios (DAVENPORT, SWARTZ e ELLIOTT, 
 
 
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1999). Segundo pesquisa de Hirigoyen (2001) 74% das vítimas de assédio moral haviam 
faltado ao emprego em conseqüência das situações de assédio. 
 
Para Gates (2004) o assédio destrói o trabalho em equipe, a confiança e o sentido de 
propósito comum e pode levar as vítimas a comportamentos de vingança como roubo e 
outros potenciais problemas negativos (GLENDINNING, 2001). Há ainda outros custos 
mais difíceis de mensurar, tais como a redução da cooperação, má vontade, aumento na 
dificuldade de recrutamento de novos empregados e perda da lealdade de clientes. (PAUL e 
TOWNSEND, 1998) 
 
Compilamos e resumimos na tabela abaixo os custos organizacionais decorrentes das 
situações de assédio moral. 
 
Tabela 12- Efeitos organizacionais das situações de assédio moral 
 
Conseqüência Referência
Maior absenteísmo
Leymann, 1996; Niedl, 1996; Salin, 2001; Hoel & Cooper, 2000; Fox &
Spector, 1999; Garcia et al, 2002; Davenport et al, 1999; Breen & McNamara,
2004; Hoel et al, 2007; Soares, 2002; Di Martino et al, 2003; Seco, 2003;
Hirigoyen, 2001; Rayner, 2006; Luna, 2003
Aumento na rotatividade (turnover)
Leymann, 1996; Niedl, 1996; Salin, 2001; Hoel & Cooper, 2000; Fox &
Spector, 1999; Garcia et al, 2002; Davenport et al, 1999; Breen & McNamara,
2004; Hoel et al, 2007; Hoel & Cooper, 2000; Hoel & Giga, 2006; Valle,
2005; Djurkovic et al, 2004
Queda na produtividade
Leymann, 1996; Niedl, 1996; Salin, 2001; Hoel & Cooper, 2000; Fox &
Spector, 1999; Garcia et al, 2002; Davenport et al, 1999; Breen & McNamara,
2004; Hoel et al, 2007; Di Martino et al, 2003; Glendinning, 2001
Baixa satisfação com a empresa Hoel & Cooper, 2000; Di Martino et al, 2003
Queda no comprometimento organizacional Hoel & Cooper, 2000; Di Martino et al, 2003; Rayner, 2006
Atos agressivos contra a empresa
Fox & Spector, 1999; Hoel et al, 2007; Glendinning, 2001; Ayoko, Callan &
Hartel, 2003
Baixa confiança nos líderes Ashforth, 1994
Aumento na frustração Ashforth, 1994
Aumento na alienação no trabalho Ashforth, 1994
Desmotivação Garcia et al, 2002; Davenport et al, 1999; Rayner, 2006
Piora no ambiente do trabalho Leymann, 1996; Soares, 2002
Aumento nos custos de produção Leymann, 1996; Di Martino et al, 2003
Piora da imagem da empresa Andersson, 2001; Hirigoyen, 2001; Rayner, 2006
Perda de clientes Andersson, 2001; Paul & Townsend, 1998
Redução na qualidade do trabalho Davenport et al, 1999
Sobrecarga de trabalho sb colegas Garcia, Hacourt & Bara, 2005
Custos relacionados as licenças de saúde Garcia, Hacourt & Bara, 2005
Custos de treinamento (de novos funcionários) Garcia, Hacourt & Bara, 2005
Queda nos lucros Davenport et al, 1999
 
Tradução, compilação e categorização nossa 
 
 
 
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Além destes há outros custos não tão óbvios e pouco mencionados tais como criação de 
um “vácuo no processo sucessório” (BING apud GLENDINNING, 2001), já que a vítima e 
os próprios colegas podem decidir sair da empresa ou simplesmente, por medo do agressor, 
se desestimularem a tentar ascender na empresa. 
 
Há outro problema pouco mencionado que é o recrutamento de talentos para a organização. 
Conforme apontou Glendinning (2001), os empregados atuais e potenciais consideram não 
somente o salário como fator de escolha de um empregador, mas ganhos intangíveis, tais 
como cultura organizacional e qualidade de vida. Ele alerta que o resultado para as empresas 
que tacitamente toleram o assédio é um processo de seleção adversa onde o melhor e mais 
brilhante talvez saia, por conta dos mais agressivos e incivilizados. 
 
O gráfico abaixo, apesar de detalhar os efeitos sobre as vítimas e compará-los com os 
funcionários que não estão sofrendo uma situação de assédio moral, mostra como as 
empresas podem estar perdendo produtividade por