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<p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ</p><p>15ª CÂMARA CÍVEL</p><p>Autos nº. 0062471-94.2024.8.16.0000</p><p>Agravo de Instrumento n° 0062471-94.2024.8.16.0000 AI</p><p>9ª Vara Cível de Londrina</p><p>Neocir DemarchiAgravante(s):</p><p>MARCO AURELIO ALIBERTI MAMMANAAgravado(s):</p><p>Relator: Desembargador Jucimar Novochadlo</p><p>PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO</p><p>EXTRAJUDICIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE APLICOU O TEMA 677/STJ E</p><p>DETERMINOU A REMESSA DO AUTOS À CONTADORIA JUDICIAL, PARA</p><p>RETIFICAÇÃO DOS CÁLCULOS. INSURGÊNCIA DO EXECUTADO. 1.ALEGADA</p><p>PRECLUSÃO QUANTO A FORMA DE ATUALIZAÇÃO DOS VALORES.</p><p>INOCORRÊNCIA. DECISÃO ANTERIOR IMPUGNADA PELO EXEQUENTE E</p><p>EXPRESSAMENTE REVOGADA PELO JUÍZO DE ORIGEM, COM A</p><p>DETERMINAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE NOVOS CÁLCULOS EM OBSERVÂNCIA</p><p>AO TEMA 677/STJ. 2 APLICAÇÃO DA ANTERIOR REDAÇÃO DO TEMA 677 DO</p><p>STJ, VIGENTE À ÉPOCA DO DEPÓSITO JUDICIAL. INVIABILIDADE. TESE</p><p>JURÍDICA DO TEMA 677 DO STJ QUE FOI MODIFICADA. NÃO REALIZADA A</p><p>MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA ALTERAÇÃO JURISPRUDENCIAL.</p><p>APLICABILIDADE IMEDIATA. ENCARGOS CONTRATUAIS QUE DEVEM SER</p><p>CALCULADOS ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO (LEVANTAMENTO). 3.MULTA</p><p>MORATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA SOBRE OS JUROS DE MORA.</p><p>IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. DECISÃO AGRAVADA REFORMADA EM</p><p>PARTE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.</p><p>1.Considerando a inexistência de decisão homologatória dos cálculos, em</p><p>razão da existência de discussão em relação aos valores devidos, e ainda</p><p>considerando que a decisão agravada revogou o contido no mov.537 quanto a</p><p>aplicação da sumula 179 do STJ, não há que se falar em preclusão quanto a</p><p>forma de atualização dos cálculos.</p><p>2. Considerando que não há qualquer ressalva acerca da incidência da tese</p><p>revisada no Tema 677 do STJ, tampouco houve a modulação de efeitos, sua</p><p>aplicação se revela impositiva, em observância aos termos do art. 927, inciso</p><p>III, do CPC, razão pela qual a penhora de ativos financeiros não afasta a</p><p>incidência dos consectários da mora, os quais devem ser aplicados até a data</p><p>do efetivo pagamento do crédito.</p><p>3.Inviável a cumulação de cláusula penal e juros de mora, sob pena de incorrer</p><p>em bis in idem.</p><p>Agravo de Instrumento parcialmente provido.</p><p>Vistos, relatados e discutidos estes autos Agravo de Instrumento nº 0062471-</p><p>94.2024.8.16.0000 AI, de Londrina, 9ª Vara Cível, em que figuram como agravante Neocir Demarchi e</p><p>como agravado Marco Aurelio Aliberti Mammana.</p><p>1.Trata-se de agravo de instrumento interposto por Neocir Demarchi em face da</p><p>e execuçãodecisão de mov.557.1, complementada pela decisão de mov.572, ambas proferidas nos autos d</p><p>de título extrajudicial (autos nº 0013747-71.2011.8.16.0014), a qual acolheu as alegações do exequente</p><p>/agravado e determinou a remessa do autos à Contadoria Judicial, a fim de que promova a retificação dos</p><p>cálculos.</p><p>Inconformado, o agravante sustenta, em síntese, que: a) conforme atesta a conta de</p><p>mov. 540, que foi feita em consonância com a determinação da Súmula 179 do STJ (explicação de mov.</p><p>550) o saldo final para a data de junho de 2023, estaria em R$ 147.069,32 (cento e quarenta e sete mil,</p><p>sessenta e nove reais e trinta e dois centavos); b) a conta que foi elaborada consoante orientação da</p><p>Súmula 179 – STJ, encontrou um valor para a satisfação do crédito do Exequente bem mais próximo da</p><p>realidade, haja vista que já houve levantamento de valores por parte do Exequente e não se mostra justo</p><p>querer atualizar a conta total por uma forma e o valor penhorado por outra forma; c) os Embargos à</p><p>Execução opostos que foram julgados improcedentes, não foram aceitos com efeito suspensivo, assim o</p><p>Exequente poderia ter levantado o valor penhorado a qualquer momento, fato este que ficou exclusivamente</p><p>por sua vontade, não podendo com isso ser imputado ao Executado que sofra agora com a correção</p><p>desigual dos valores bloqueados, em face do valor de atualização da Execução; d) não pode o Exequente</p><p>se beneficiar de sua própria torpeza, em solicitar o levantamento do valor, quando bem lhe convier e depois</p><p>apresentar um conta, corroborada até então pelo Contador Judicial, em flagrante ofensa ao direito do</p><p>Executado; e) em menos de 1 ano após a conta de Junho de 2023, o valor se mostra em quase 3 vezes o</p><p>valor apresentado anteriormente; f) precluiu o direito de questionamento da forma de apuração dos haveres</p><p>do Executado, constante da conta judicial, que se apresentou mais próxima da realidade que as anteriores,</p><p>que como já informado, meramente atualizaram a conta do Exequente, o que para isso não é necessário</p><p>Contador Judicial; g) em relação a apuração do saldo remanescente, verifica-se que a contadoria não</p><p>desmembra os valores residuais após os abatimentos em principal x juros vencidos, ou seja, apurando juros</p><p>sobre juros, incorrendo em anatocismo que é rechaçado pelo ordenamento jurídico; h) o correto</p><p>procedimento para atualizar os valores devidos até o presente momento, seria desmembrar os juros da</p><p>parcela principal e corrigir todos os importes de forma apartada para não agregar juros sobre juros; i) no</p><p>tocante ao abatimento do valor depositado, em que pese o Juízo ter o entendimento de que o desconto deve</p><p>ocorrer na data de levantamento (setembro/2019), a jurisprudência consolida que a executada é responsável</p><p>pelo adimplemento dos consectários (correção e juros) do saldo remanescente, após o abatimento na data</p><p>em que ocorreu o depósito; j) os cálculos da contadoria têm de ser retificados para que sejam abatidos os</p><p>depósitos nas respectivas datas, como feito no cálculo de Mov. Ref. 540.1, sendo junho/12, fevereiro/13 e</p><p>fevereiro/15, assim, após corrigindo apenas o saldo e não a dívida integral; k) não incide juros de mora sobre</p><p>multa contratual; l) merecem reforma os Despachos de movs. 557 e 572, reforçando que o Executado não</p><p>foi intimado do primeiro despacho (mov. 557). Diante disso, pugna pelo recebimento do recurso com efeito</p><p>suspensivo e ao final, pelo provimento do recurso, com a reforma da decisão agravada (mov.1.1)</p><p>Deferido o pedido de efeito suspensivo ao recurso e determinado o seu</p><p>processamento, o agravado apresentou contrarrazões (mov. 15.1).</p><p>É o relatório.</p><p>O recurso merece parcial provimento.2.</p><p>Preclusão – Tema 677/STJ</p><p>Alega o agravante que precluiu o direito de questionamento da forma de apuração</p><p>dos haveres do Executado, constante da conta judicial, que se apresentou mais próxima da realidade que as</p><p>anteriores, que como já informado, meramente atualizaram a conta do Exequente, o que para isso não é</p><p>necessário Contador Judicial.</p><p>Todavia, sem razão.</p><p>Isso porque, de uma análise dos autos, verifica-se que apesar de ao mov.537, o juízo</p><p>de origem ter determinado remessa dos autos à Contadora Judicial para recálculo do débito à luz da Súmula</p><p>179, do STJ, nota-se que, disponibilizado o novo cálculo ao mov.540, o exequente/agravado impugnou ao</p><p>mov.544, expressamente o cálculo apresentado ao fundamento de que “não foi considerada a data em que</p><p>efetivamente o exequente teve disponibilizado o valor a seu favor, o qual consta do extrato emitido pela</p><p>Caixa Econômica Federal e juntado pela R. Serventia no mov. 298.2, com valor total de R$ 172.494,74</p><p>(cento e setenta e dois mil e quatrocentos e noventa e quatro reais e setenta e quatro centavos) em 25/09</p><p>.” Assim, pugnou o credor pela atualização do cálculo até a data em que o valor foi efetivamente/2019</p><p>disponibilizado ao exequente.</p><p>Remetidos os autos ao contador para fins de esclarecimentos, novamente o</p><p>exequente ao mov.554 impugnou os cálculos pugnando pela atualização dos valores até a data do</p><p>levantamento, com a aplicação do tema 677/STJ.</p><p>Diante disso, ao mov.557.1 foi proferida a decisão agravada a qual consignou que “</p><p>Em que pese o contido no despacho de seq. 537.1, nos termos da tese firmada pelo Eg. STJ no julgamento</p><p>do Tema Repetitivo 677, o depósito de quantia decorrente da penhora de ativos financeiros (ou seja,</p><p>bloqueio via BACENJUD/SISBAJUD) não afasta incidência dos acréscimos sobre o débito exequendo, de</p><p>.modo que cabe a atualização monetária e juros de mora até a efetiva entrega dos valores à parte credora”</p><p>Desse modo, considerando a inexistência de decisão homologatória dos cálculos, em</p><p>razão da existência de discussão em relação aos valores devidos, e ainda considerando que a decisão</p><p>agravada revogou o contido no mov.537 quanto a aplicação da sumula 179 do STJ, não há que se falar em</p><p>preclusão quanto a forma de atualização dos cálculos.</p><p>Nesse sentido:</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO</p><p>ATUALMENTE EM FASE DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE</p><p>ACOLHEU EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E HOMOLOGOU LAUDO PERICIAL.</p><p>ALEGAÇÃO DE QUE A DECISÃO APLICOU ERRONEAMENTE O TEMA</p><p>REPETITIVO 677 DO STJ AO CASO. SUPOSTA PRECLUSÃO DA QUESTÃO EM</p><p>RAZÃO DE DECISÃO HOMOLOGATÓRIA ANTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO.</p><p>DECISÃO ANTERIOR QUE FOI EXPRESSAMENTE REVOGADA PELO JUÍZO DE</p><p>ORIGEM, QUE DETERMINOU AO PERITO QUE REFIZESSE OS CÁLCULOS.</p><p>. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DEQUESTÃO NÃO ATINGIDA PELA PRECLUSÃO</p><p>APLICAÇÃO DA ANTERIOR REDAÇÃO DO TEMA 677 DO STJ, VIGENTE À</p><p>ÉPOCA DO DEPÓSITO JUDICIAL. INVIABILIDADE. TESE JURÍDICA DO TEMA 677</p><p>DO STJ QUE FOI MODIFICADA. NÃO REALIZADA A MODULAÇÃO DOS EFEITOS</p><p>DA ALTERAÇÃO JURISPRUDENCIAL. APLICABILIDADE IMEDIATA. ENCARGOS</p><p>CONTRATUAIS QUE DEVEM SER CALCULADOS ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO.</p><p>DECISÃO ESCORREITA.RECURSO DESPROVIDO. (TJPR - 13ª Câmara Cível -</p><p>0116052-58.2023.8.16.0000 - Londrina -  Rel.: DESEMBARGADOR NAOR RIBEIRO</p><p>DE MACEDO NETO -  J. 07.06.2024)</p><p>Assim, resta afastada a tese de preclusão suscitada pelo agravante.</p><p>Atualização dos cálculos – Tema 677/STJ</p><p>Sustenta o agravante que conforme atesta a conta de mov. 540, que foi feita em</p><p>consonância com a determinação da Súmula 179 do STJ o saldo final para a data de junho de 2023, estaria</p><p>em R$ 147.069,32 (cento e quarenta e sete mil, sessenta e nove reais e trinta e dois centavos).</p><p>Afirma que a conta que foi elaborada consoante orientação da Súmula 179 – STJ,</p><p>encontrou um valor para a satisfação do crédito do Exequente bem mais próximo da realidade, haja vista</p><p>que já houve levantamento de valores por parte do Exequente e não se mostra justo querer atualizar a conta</p><p>total por uma forma e o valor penhorado por outra forma.</p><p>Menciona que os Embargos à Execução opostos que foram julgados improcedentes,</p><p>não foram aceitos com efeito suspensivo, assim o Exequente poderia ter levantado o valor penhorado a</p><p>qualquer momento, fato este que ficou exclusivamente por sua vontade, não podendo com isso ser imputado</p><p>ao Executado que sofra agora com a correção desigual dos valores bloqueados, em face do valor de</p><p>atualização da Execução.</p><p>Expõe que no tocante ao abatimento do valor depositado, em que pese o Juízo ter o</p><p>entendimento de que o desconto deve ocorrer na data de levantamento (setembro/2019), a jurisprudência</p><p>consolida que a executada é responsável pelo adimplemento dos consectários (correção e juros) do saldo</p><p>remanescente, após o abatimento na data em que ocorreu o depósito, de modo que os cálculos da</p><p>contadoria têm de ser retificados para que sejam abatidos os depósitos nas respectivas datas, como feito no</p><p>cálculo de Mov. Ref. 540.1, sendo junho/12, fevereiro/13 e fevereiro/15, assim, após corrigindo apenas o</p><p>saldo e não a dívida integral.</p><p>Alega que merecem reforma os Despachos de movs. 557 e 572, reforçando que o</p><p>Executado não foi intimado do primeiro despacho (mov. 557).</p><p>Pois bem.</p><p>Quanto a alegada nulidade de intimação do despacho de mov.557, sem razão o</p><p>recorrente. Isso porque verifica-se dos autos que não houve intimação das partes quanto ao referido</p><p>despacho, todavia, houve egular expedição de intimação no ev. 562, a partir da qual fluem os prazos</p><p>relativos à decisão de seq. 557.1 e cálculo de seq. 560.1, dos quais o recorrente se insurgiu através da</p><p>interposição e embargos de declaração ao mov.566 e através do presente recurso não havendo qualquer</p><p>prejuízo ao agravante.</p><p>Quanto a forma de atualização do cálculos e abatimento dos valores pagos, é sabido</p><p>que a responsabilidade do devedor pelos juros de mora e correção monetária, foi enfrentado pelo Superior</p><p>Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo. Confira-se:</p><p>DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CUMPRIMENTO</p><p>DE SENTENÇA. RECURSO ESPECIAL. PROCEDIMENTO DE REVISÃO DO</p><p>ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA 677/STJ. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.</p><p>PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS. DEPÓSITO JUDICIAL. ENCARGOS</p><p>MORATÓRIOS PREVISTOS NO TÍTULO EXECUTIVO. INCIDÊNCIA ATÉ A</p><p>EFETIVA DISPONIBILIZAÇÃO DA QUANTIA EM FAVOR DO CREDOR. BIS IN</p><p>IDEM. INOCORRÊNCIA. NATUREZA E FINALIDADE DISTINTAS DOS JUROS</p><p>REMUNERATÓRIOS E DOS JUROS MORATÓRIOS. NOVA REDAÇÃO DO</p><p>ENUNCIADO DO TEMA 677/STJ. 1. Cuida-se, na origem, de ação de indenização,</p><p>em fase de cumprimento de sentença, no bojo do qual houve a penhora online de</p><p>ativos financeiros pertencentes ao devedor, posteriormente transferidos a conta</p><p>bancária vinculada ao juízo da execução. 2. O propósito do recurso especial é dizer</p><p>se o depósito judicial em garantia do Juízo libera o devedor do pagamento dos</p><p>encargos moratórios previstos no título executivo, ante o dever da instituição</p><p>financeira depositária de arcar com correção monetária e juros remuneratórios sobre</p><p>a quantia depositada. 3. Em questão de ordem, a Corte Especial do STJ acolheu</p><p>proposta de instauração, nos presentes autos, de procedimento de revisão do</p><p>entendimento firmado no Tema 677/STJ, haja vista a existência de divergência</p><p>interna no âmbito do Tribunal quanto à interpretação e alcance da tese, assim</p><p>redigida: "na fase de execução, o depósito judicial do montante (integral ou parcial) da</p><p>condenação extingue a obrigação do devedor, nos limites da quantia depositada". 4.</p><p>Nos termos dos arts. 394 e 395 do Código Civil, considera-se em mora o devedor que</p><p>não efetuar o pagamento na forma e tempos devidos, hipótese em que deverá</p><p>responder pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros e atualização dos</p><p>valores monetários, além de honorários de advogado. A mora persiste até que seja</p><p>purgada pelo devedor, mediante o efetivo oferecimento ao credor da prestação</p><p>devida, acrescida dos respectivos consectários (art. 401, I, do CC/02). 5. A purga da</p><p>mora, na obrigação de pagar quantia certa, assim como ocorre no adimplemento</p><p>voluntário desse tipo de prestação, não se consuma com a simples perda da posse</p><p>do valor pelo devedor; é necessário, deveras, que ocorra a entrega da soma de valor</p><p>ao credor, ou, ao menos, a entrada da quantia na sua esfera de disponibilidade. 6. No</p><p>plano processual, o Código de Processo Civil de 2015, ao dispor sobre o</p><p>cumprimento forçado da obrigação, é expresso no sentido de que a satisfação do</p><p>crédito se dá pela entrega do dinheiro ao credor, ressalvada a possibilidade de</p><p>adjudicação dos bens penhorados, nos termos do art. 904, I, do CPC. 7. Ainda, o</p><p>CPC expressamente vincula a declaração de quitação da quantia paga ao momento</p><p>do recebimento do mandado de levantamento pela parte exequente, ou,</p><p>alternativamente, pela transferência eletrônica dos valores (art. 906). 8. Dessa</p><p>maneira, considerando que o depósito judicial em garantia do Juízo - seja efetuado</p><p>por iniciativa do devedor, seja decorrente de penhora de ativos financeiros - não</p><p>implica imediata entrega do dinheiro ao credor, tampouco enseja quitação, não se</p><p>opera a cessação da mora do devedor. Consequentemente, contra ele continuarão a</p><p>correr os encargos previstos no título executivo, até que haja efetiva liberação em</p><p>favor do credor. 9. No momento imediatamente anterior à expedição do mandado ou</p><p>à transferência eletrônica, o saldo da conta bancária judicial em que depositados os</p><p>valores, já acrescidos da correção monetária e dos juros remuneratórios a cargo da</p><p>instituição financeira depositária, deve ser deduzido do montante devido pelo</p><p>devedor, como forma de evitar o enriquecimento sem causa do credor. 10. Não</p><p>caracteriza bis in idem o pagamento cumulativo dos juros remuneratórios, por parte</p><p>do Banco depositário, e dos juros moratórios, a cargo do devedor, haja vista que são</p><p>diversas a natureza e finalidade dessas duas espécies de juros. 11. O Tema 677/STJ</p><p>passa a ter a seguinte redação: "na execução,</p><p>o depósito efetuado a título de garantia</p><p>do juízo ou decorrente da penhora de ativos financeiros não isenta o devedor do</p><p>pagamento dos consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo,</p><p>devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante</p><p>final devido o saldo da conta judicial". 12. Hipótese concreta dos autos em que o</p><p>montante devido deve ser calculado com a incidência dos juros de mora previstos na</p><p>sentença transitada em julgado, até o efetivo pagamento da credora, deduzido o</p><p>saldo do depósito judicial e seus acréscimos pagos pelo Banco depositário. 13.</p><p>Recurso especial conhecido e provido. (REsp n. 1.820.963/SP, relatora Ministra</p><p>Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 19/10/2022, DJe de 16/12/2022.”</p><p>Veja-se que o referido o julgamento deu ensejo a uma mudança na redação do tema</p><p>677, que passou a ter a seguinte redação:</p><p>“Tema 677 - “Na execução, o depósito efetuado a título de garantia do juízo ou</p><p>decorrente da penhora de ativos financeiros não isenta o devedor do pagamento dos</p><p>consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo, devendo-se,</p><p>quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final devido o</p><p>saldo da conta judicial”</p><p>Importante observar, que o aludido acórdão não fez qualquer ressalva acerca da</p><p>incidência da tese revisada, tampouco houve a modulação de efeitos, de modo que a sua adoção se revela</p><p>impositiva, em observância aos termos do art. 927, inciso III, do CPC.</p><p>Ademais, o entendimento resultante do repetitivo não é novo e apenas consagra uma</p><p>posição jurisprudencial que já vinha excepcionando a antiga redação do tema 677 e encampando o</p><p>argumento de que o depósito judicial do não tinha o condão de purgar a mora do devedor.quantum debeatur</p><p>Nesse sentido, os precedentes: AgInt no AREsp 1.077.478/PR, 3ª Turma, DJe 31/10/2017; AgInt no AREsp</p><p>688.982/RS, 4ª Turma, DJe 19/12/2019; AgInt no AREsp 348.446/SP, 4ª Turma, DJe de 03/09/2019; AgInt</p><p>no AgInt no REsp 1.404.012/PR, 4ª Turma, DJe de 13/02 /2019 e AgInt no AREsp 1.060.625/SP, 4ª Turma,</p><p>DJe 06/02/2018.</p><p>Nesse contexto, a imediata incidência da tese é correção da obsoleta anteriormente</p><p>fixada, a qual estava dissociada do ordenamento jurídico vigente.</p><p>Esse entendimento parece convergir com o que propugna o Superior Tribunal de</p><p>Justiça, para o qual “a alteração de entendimento jurisprudencial tem aplicação imediata aos recursos</p><p>pendentes de apreciação, mesmo aos interpostos antes do julgamento que modificou a jurisprudência, já</p><p>que caracteriza apenas interpretação da norma e não o estabelecimento de nova regra que se submete ao</p><p>princípio da irretroatividade ou do tempus regit actum” (AgInt no AREsp 238170/RJ, Ministro RICARDO</p><p>VILLAS BÔAS CUEVA, T3 - TERCEIRA TURMA, julgado em: 23/05/2017, DJe 30/05 /2017)</p><p>Sendo assim, não há como acolher a insurgência recursal de que seja afastada a</p><p>incidência do Tema 677 do STJ.</p><p>Nesse sentido, a jurisprudência desta Corte de Justiça:</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO NPU 0009151-66.2023.8.16.0000 AI (ITAÚ</p><p>UNIBANCO S/A). AÇÃO REVISIONAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.</p><p>DEPÓSITO PARA GARANTIA DO JUÍZO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE</p><p>MORA. TERMO FINAL. EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO ESPECIAL</p><p>REPETITIVO N.º 1.820.963/SP. REVISÃO DO TEMA 677/STJ. DECISÃO</p><p>AGRAVADA MANTIDA.1. No julgamento do recurso especial repetitivo n.º 1.820.963</p><p>/SP, o Superior Tribunal de Justiça revisou o entendimento firmado no Tema 677/STJ,</p><p>que passou a ter a seguinte redação: “na execução, o depósito efetuado a título de</p><p>garantia do juízo ou decorrente da penhora de ativos financeiros não isenta o devedor</p><p>do pagamento dos consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo,</p><p>devendo-se, quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante</p><p>final devido o saldo da conta judicial”. 2. Agravo de instrumento conhecido e não</p><p>provido. (...) .3. Agravo de instrumento parcialmente conhecido e, nessa parte, não</p><p>provido. (TJPR - 15ª Câmara Cível - 0009151-66.2023.8.16.0000 - Cascavel - Rel.:</p><p>DESEMBARGADOR LUIZ CARLOS GABARDO - J. 17.06.2023)</p><p>EXECUÇÃO. LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA</p><p>EM PROCESSO COLETIVO. DECISÃO QUE LIMITA A INCIDÊNCIA DOS</p><p>CONSECTÁRIOS DA MORA ATÉ A DATA DO DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO</p><p>PELO RÉU. INSURGÊNCIA DOS AUTORES. REVISÃO DO TEMA REPETITIVO 677</p><p>/STJ. SUPERAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO RECURSO ESPECIAL</p><p>1.348.640/RS. FIXAÇÃO DE NOVA TESE PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE</p><p>JUSTIÇA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL 1.820.963-SP: “NA</p><p>EXECUÇÃO, O DEPÓSITO EFETUADO A TÍTULO DE GARANTIA DO JUÍZO OU</p><p>DECORRENTE DA PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS NÃO ISENTA O</p><p>DEVEDOR DO PAGAMENTO DOS CONSECTÁRIOS DE SUA MORA, CONFORME</p><p>PREVISTOS NO TÍTULO EXECUTIVO, DEVENDO-SE, QUANDO DA EFETIVA</p><p>ENTREGA DO DINHEIRO AO CREDOR, DEDUZIR DO MONTANTE FINAL DEVIDO</p><p>O SALDO DA CONTA JUDICIAL”. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO.</p><p>INCIDÊNCIA DOS CONSECTÁRIOS DA MORA QUE NÃO SE EXTINGUE NA DATA</p><p>DO DEPÓSITO JUDICIAL. RECURSO PROVIDO. (TJPR - 15ª Câmara Cível -</p><p>0013401-45.2023.8.16.0000 - Toledo - Rel.: DESEMBARGADOR LUIZ CEZAR</p><p>NICOLAU - J. 20.05.2023)</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO</p><p>AGRAVADA PROFERIDA NO SENTIDO DE QUE OS ENCARGOS DE MORA</p><p>CESSAM COM A PENHORA À TÍTULO DE GARANTIA DO JUÍZO COM</p><p>DETERMINAÇÃO DE RECÁLCULO DA DÍVIDA PELO CONTADOR DO JUÍZO.</p><p>DISCUSSÃO SOBRE OS JUROS DE MORA. ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA</p><p>677 DO STJ. APLICABILIDADE. CONSECTÁRIOS DA MORA QUE DEVEM INCIDIR</p><p>ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO AO CREDOR. NOVO CÁLCULO DE ATUALIZAÇÃO</p><p>NOS TERMOS DA TESE FIRMADA PELO STJ. DECISÃO REFORMADA. AGRAVO</p><p>DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 15ª Câmara Cível - 0007087-</p><p>83.2023.8.16.0000 - Maringá - Rel.: DESEMBARGADOR SHIROSHI YENDO - J.</p><p>13.05.2023)</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. SENTENÇA DE</p><p>EXTINÇÃO DO FEITO PELA SATISFAÇÃO DA OBRIGAÇÃO (ART. 924, II, DO CPC</p><p>/15). INSURGÊNCIA DE AMBAS AS PARTES.RECURSO DOS EXECUTADOS. 1.</p><p>PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.</p><p>EFEITO SUSPENSIVO OPE LEGIS. INTELIGÊNCIA A CONTRARIO SENSU DO</p><p>ART. 1.012, §1º, DO CPC/15. 2. MÉRITO RECURSAL. INVOCADA NULIDADE DA</p><p>SENTENÇA POR CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO ART. 520, IV, DO</p><p>CPC/15. ALEGAÇÃO DE QUE O LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL</p><p>DEVERIA TER SIDO PRECEDIDO DE CAUÇÃO, UMA VEZ QUE PENDENTE</p><p>JULGAMENTO DE EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA Nº</p><p>317 DO STJ. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL QUE É DEFINITIVA, AINDA</p><p>QUE PENDENTE APELAÇÃO CONTRA SENTENÇA DE EMBARGOS À</p><p>EXECUÇÃO.RECURSO DA EXEQUENTE. POSTULADO PROSSEGUIMENTO DO</p><p>FEITO EXECUTIVO. DEVEDORES QUE EFETUARAM DEPÓSITO JUDICIAL PARA</p><p>GARANTIA DO JUÍZO. INVOCADA NECESSIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO</p><p>FEITO PELO DÉBITO REMANESCENTE, A ENGLOBAR OS ENCARGOS</p><p>MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA POSTERIOR AO DEPÓSITO.</p><p>ACOLHIMENTO. TEMA REPETITIVO Nº 677 DO STJ SUPERADO. ENCARGOS</p><p>CONTRATUAIS QUE DEVEM SER CALCULADOS ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO.</p><p>SENTENÇA PROFERIDA ANTES DO OVERRULING. IRRELEVÂNCIA. TÉCNICA</p><p>DE JULGAMENTO-ALERTA ANTES DO DEPÓSITO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE</p><p>VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA CONFIANÇA.</p><p>SENTENÇA CASSADA. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA REGULAR</p><p>PROSSEGUIMENTO. RECURSO DOS EXECUTADOS NÃO PROVIDO (MANOEL E</p><p>NEIDE). RECURSO DA EXEQUENTE PROVIDO (AGRÍCOLA JANDELLE). (TJPR -</p><p>13ª Câmara Cível - 0000742-76.2018.8.16.0162 - Sertanópolis - Rel.:</p><p>DESEMBARGADOR NAOR RIBEIRO DE MACEDO NETO - J. 26.04.2023)</p><p>Dessa forma, ainda que a alteração jurisprudencial possa sim repercutir na</p><p>estabilidade das relações jurídicas formadas e construídas sob a égide de posicionamento anterior, tal</p><p>possibilidade é inerente ao sistema de precedentes judiciais.</p><p>E, além de constituir mecanismo inerente à própria ordem jurídica, a superação de</p><p>precedente revela-se como imperativo quando não mais corresponder aos padrões de congruência social e</p><p>consistência sistêmica, e quando as normas jurídicas que sustentam sua estabilidade, tais como a isonomia</p><p>e a segurança jurídica, mais fundamentam sua revogação do que sua preservação.</p><p>É, aliás, o que se depreende da hipótese,</p><p>posto que dentre as questões trazidas ao</p><p>julgamento que resultou na superação do Tema nº 677, o colegiado pontuou que o Código de Processo Civil</p><p>de 2015 é claro ao dispor que a satisfação do crédito ocorre com a entrega do dinheiro ao credor, conforme</p><p>prevê seu art. 904, inciso I; e o art. 906 do mencionado diploma expressamente assevera que a quitação da</p><p>quantia paga ocorrerá apenas quando do recebimento do mandado de levantamento pela parte exequente,</p><p>ou, alternativamente, pela transferência eletrônica dos valores.</p><p>De fato, diante da ausência de modulação de efeitos pelo Superior Tribunal de</p><p>Justiça, a imediata incidência da tese é, na verdade, correção da obsoleta tese anteriormente fixada que, no</p><p>mais, estava dissociada do próprio ordenamento jurídico vigente.</p><p>Com base nessas premissas, conclui-se que, diversamente da tese defendida nas</p><p>razões recursais, a Súmula 179 do STJ foi superada pela tese consolidada por ocasião do Tema 677, razão</p><p>pela qual a penhora de ativos financeiros não afasta a incidência dos consectários da mora, os quais devem</p><p>ser aplicados até a data do efetivo pagamento do crédito (levantamento).</p><p>Não bastasse, não há que se falar em inércia do exequente quanto ao levantamento</p><p>de valores, conforme suscitado pelo agravante, uma vez que de uma análise dos autos, verifica-se que</p><p>somente ao mov.297.1 o juízo de origem determinou que fosse certificado se os valores penhorados se</p><p>encontravam em conta judicial vinculada ao processo, determinando providências em caso negativo.</p><p>Ademais, não se desconhece o disposto no art.6º do CPC, que dispõe sobre a cooperação das partes no</p><p>processo, de modo que se era também de interesse do executado, nada obstaria que se insurgisse nos</p><p>autos a fim de que os valores fossem efetivamente entregues ao credor. Ainda, é de se ver que os valores</p><p>levantados sofreram atualização no período em que ficaram depositados em conta judicial, não havendo que</p><p>se falar em efetivo prejuízo ao executado.</p><p>Aduz ainda o agravante que em relação a apuração do saldo remanescente, que a</p><p>contadoria não desmembra os valores residuais após os abatimentos em principal x juros vencidos, ou seja,</p><p>apurando juros sobre juros, incorrendo em anatocismo que é rechaçado pelo ordenamento jurídico e que o</p><p>correto procedimento para atualizar os valores devidos, seria desmembrar os juros da parcela principal e</p><p>corrigir todos os importes de forma apartada para não agregar juros sobre juros.</p><p>Todavia, de uma análise do cálculo apresentado pelo Contador ao mov.560, nota-se</p><p>que o valor principal foi atualizado até a data do levantamento dos valores, em setembro de 2019, em</p><p>conformidade com o tema 677/STJ e que o saldo remanescente de R$176.557,42, foi atualizado de</p><p>setembro de 2019 até março de 2024, não havendo que se falar em anatocismo.</p><p>Conforme bem fundamentado da decisão de mov.557, “evidente que, após o</p><p>abatimento das quantias penhoradas e levantadas em favor da parte credora, haverá a incidência de</p><p>”.correção monetária e juros de mora sobre o saldo residual, por mera consequência lógica</p><p>Assim, não se observa o alegado anatocismo, uma vez que, de acordo com os</p><p>cálculos, sobre o saldo remanescente deverão incidir encargos de correção monetária e juros no período</p><p>imediatamente posterior ao depósito (desconsiderando o período anterior). A propósito:</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DECISÃO</p><p>AGRAVADA QUE REJEITOU A IMPUGNAÇÃO E HOMOLOGOU OS CÁLCULOS</p><p>APRESENTADOS PELOS EXEQUENTES, RECONHECENDO COMO LÍQUIDA A</p><p>OBRIGAÇÃO DE PAGAR DOS EXECUTADOS EM R$ 110.727,18. I) PRETENSÃO</p><p>DE ATUALIZAÇÃO DAS PARCELAS DE FINANCIAMENTO PAGAS PELOS</p><p>AGRAVADOS APENAS ATÉ A DATA DO DEPÓSITO REALIZADO PELA</p><p>INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. NÃO CABIMENTO. PAGAMENTO PARCIAL NÃO</p><p>ILIDE CORREÇÃO E ATUALIZAÇÃO DO REMANESCENTE. II) ALEGAÇÃO DE</p><p>QUE HOUVE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE JUROS. REJEIÇÃO. CORREÇÃO</p><p>MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS SOBRE O SALDO REMANESCENTE,</p><p>III) TESE DEAPÓS O DEPÓSITO PARCIAL, NÃO IMPLICA EM ANATOCISMO.</p><p>QUE O RESULTADO DA AMORTIZAÇÃO DE 30% DO VALOR DO VEÍCULO É</p><p>INFERIOR AO OBTIDO PELOS EXEQUENTES. IMPROCEDÊNCIA. UTILIZAÇÃO</p><p>DA TABELA FIPE NA ÉPOCA DO FURTO (MAR/2010), CONFORME SENTENÇA.</p><p>IV) ALEGAÇÃO DE QUE OS VALORES DAS SEXTA E SÉTIMA PRESTAÇÕES</p><p>PAGAS SÃO INFERIORES AOS UTILIZADOS NOS CÁLCULOS. NÃO</p><p>ACOLHIMENTO. APRESENTAÇÃO INCOMPLETA DO HISTÓRICO DE</p><p>PAGAMENTO OBTIDO JUNTO AO SISTEMA. ATÉ PORQUE, DE ACORDO COM A</p><p>TELA CAPTURADA, A QUINTA PARCELA TERIA SIDO PAGA EM VALOR</p><p>SUPERIOR AO INFORMADO. UTILIZAÇÃO DOS COMPROVANTES QUE</p><p>INSTRUÍRAM A INICIAL DA AÇÃO DE CONHECIMENTO. DECISÃO MANTIDA. O</p><p>depósito judicial parcial não elide totalmente os efeitos da mora, sendo devida a</p><p>incidência de juros e correção monetária sobre o saldo remanescente, sem que tal</p><p>operação implique em anatocismo.RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.(TJPR</p><p>- 12ª Câmara Cível - 0036270-02.2023.8.16.0000 - Curitiba -  Rel.:</p><p>DESEMBARGADORA IVANISE MARIA TRATZ MARTINS -  J. 21.08.2023)</p><p>Ademais, quanto ao cálculo apresentado ao mov.560, que incluiu os honorários</p><p>advocatícios de 10%, é cediço que inexiste óbice à computação da verba honorária decorrente dos</p><p>embargos à execução em apenso, visto que, nos termos do art. 85, §13, do CPC, “as verbas de</p><p>sucumbência arbitradas em embargos à execução rejeitados ou julgados improcedentes e em fase de</p><p>”.cumprimento de sentença serão acrescidas no valor do débito principal, para todos os efeitos legais</p><p>Por fim, quanto a alegada ausência de abatimento dos valores bloqueados no importe</p><p>de R$ 493,30 (mov.466), verifica-se que não houve certificação nos autos quanto a transferência do referido</p><p>valor para conta judicial, nem mesmo houve qualquer decisão do juízo de origem sobre o referido montante,</p><p>de modo que qualquer determinação ou decisão deste Tribunal acerca do referido valor, configuraria</p><p>supressão de instância e ofensa aos princípios do duplo grau de jurisdição, do contraditório e da ampla</p><p>defesa.</p><p>Diante disso, não merece reparos a decisão agravada que determinou a remessa dos</p><p>autos à Contadoria Judicial, a fim de que fosse promovida a retificação dos cálculos nos termos do tema 677</p><p>/STJ.</p><p>Juros sobre multa contratual</p><p>Sustenta o agravante que não incide juros de mora sobre multa contratual.</p><p>Pois bem.</p><p>Nos autos, o inadimplemento da obrigação principal restou caracterizado e a multa</p><p>restou prevista em contrato.</p><p>Juros moratórios e multa são juridicamente cumuláveis, pois consistem em institutos</p><p>jurídicos distintos, cada um servindo ao seu propósito – os juros, para o ressarcimento do credor pelo atraso</p><p>no pagamento, incidindo continuamente, e a multa para a penalização do devedor pelo atraso, incidindo uma</p><p>única vez. O próprio Código Civil prevê, em algumas circunstâncias, sua cumulação (a exemplo do art.</p><p>1.336, § 1º).</p><p>A respeito da base de cálculo da multa, assiste razão o agravante. É orientação desta</p><p>Corte que a incidência da multa sobre os juros de mora constitui , devendo sua cobrança serbis in idem</p><p>realizada de maneira apartada.</p><p>Nesse sentido:</p><p>EMBARGOS À EXECUÇÃO. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. PEDIDO JULGADO</p><p>PROCEDENTE. INSURGÊNCIA DOS EMBARGADOS. (A) EXIGIBILIDADE DO</p><p>TÍTULO. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL RURAL.</p><p>IMÓVEL GRAVADO COM HIPOTECA, A PEDIDO DO PROMISSÁRIO</p><p>COMPRADOR, APÓS A CELEBRAÇÃO DO INSTRUMENTO PARTICULAR.</p><p>DESCUMPRIMENTO DA AVENÇA NÃO CARACTERIZADO. INEXISTÊNCIA DA</p><p>EXIGÊNCIA DA OUTORGA UXÓRIA NA HIPÓTESE. DEVERES DE BOA-FÉ E</p><p>MULTACAUTELA OBSERVADOS PELOS PROMITENTES VENDEDORES. (B)</p><p>MORATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA SOBRE OS JUROS DE MORA.</p><p>IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. (C) JUROS DE MORA. RELAÇÃO CONTRATUAL.</p><p>INCIDÊNCIA DESDE A CITAÇÃO. ART. 405 DO CÓDIGO CIVIL. (D) ÔNUS</p><p>SUCUMBENCIAIS. READEQUAÇÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA.</p><p>CONDENAÇÃO DE AMBAS AS PARTES AO PAGAMENTO DE METADE DAS</p><p>CUSTAS E DOS HONORÁRIOS, ESTES FIXADOS EM DEZ POR CENTO DO</p><p>PROVEITO ECONÔMICO, OBSERVADO O LIMITE GLOBAL DE VINTE POR</p><p>CENTO ENTRE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL E EMBARGOS.</p><p>RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.(TJPR - 15ª Câmara Cível - 0008160-</p><p>02.2020.8.16.0031 - Guarapuava</p><p>-  Rel.: DESEMBARGADOR LUIZ CEZAR</p><p>NICOLAU -  J. 02.08.2023)</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR</p><p>DANOS MATERIAIS E MORAIS. LOTEAMENTO. COMPROMISSO DE COMPRA E</p><p>VENDA. APELAÇÃO 1. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE.</p><p>INOCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE</p><p>INFRAESTRUTURA. INAPLICABILIDADE DA TEORIA DA IMPREVISÃO. MULTA</p><p>CONTRATUAL. INCIDÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DATA</p><p>DA ASSINATURA DO CONTRATO. DANO MORAL CONFIGURADO.</p><p>MANUTENÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. HONORÁRIOS RECURSAIS.</p><p>CABIMENTO. APELAÇÃO 2. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE.</p><p>INOCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INCIDÊNCIA DE</p><p>JUROS DE MORA SOBRE MULTA CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN</p><p>IDEM. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. 1. Ambas as partes</p><p>demonstraram os motivos pelos quais buscam a reforma da sentença, de modo que</p><p>não se verifica violação ao princípio da dialeticidade. 2. O fato de inexistir rede</p><p>coletora para atender a região não pode ser considerado fato extraordinário e</p><p>imprevisível, capaz de justificar a aplicação da Teoria da Imprevisão. 3. A correção</p><p>monetária deve incidir a partir da data da assinatura do contrato, por se tratar de mera</p><p>recomposição da moeda. 4. Não realização de obras de infraestrutura básica que</p><p>ultrapassa os meros dissabores cotidianos e enseja a condenação da ré ao</p><p>pagamento de indenização a título de danos morais.5. Inviável a cumulação de</p><p>cláusula penal e juros de mora, sob pena de incorrer em bis in idem. 6. Fixação dos</p><p>honorários que observou as peculiaridades do caso concreto. 7. Recurso de apelação</p><p>1 parcialmente conhecido e, na parte conhecida, não provido. 8. Recurso de apelação</p><p>2 conhecido e não provido.(TJPR - 20ª Câmara Cível - 0008881-57.2015.8.16.0021 -</p><p>Cascavel -  Rel.: DESEMBARGADOR FABIO MARCONDES LEITE -  J. 18.04.2023)</p><p>No caso, verifica-se no cálculo apresentado pelo contador (mov. 560 dos autos de</p><p>origem) que a base de cálculo da multa levou em consideração o valor total acrescido dos juros de mora.</p><p>O cálculo, portanto, revela-se inadequado e deverá ser retificado, incidindo a multa,</p><p>tão somente, sobre o valor principal corrigido monetariamente.</p><p>Assim, deve ser mantida a decisão agravada que determinou a retificação dos</p><p>cálculos nos termos do Tema 677/STJ, todavia, necessária a retificação do cálculo apresentado ao mov.560</p><p>em relação à multa moratória, conforme fundamentado acima.</p><p>Diante do exposto o recurso merece parcial provimento apenas para determinar a</p><p>retificação do cálculo de mov.560, para o fim de incidir a multa moratória tão somente, sobre o valor principal</p><p>corrigido monetariamente.</p><p>3.Ante o exposto, dá-se parcial provimento ao recurso, apenas para determinar a</p><p>retificação do cálculo de mov.560, para o fim de incidir a multa moratória tão somente, sobre o valor principal</p><p>corrigido monetariamente, nos termos da fundamentação.</p><p>Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 15ª Câmara Cível do</p><p>TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em julgar CONHECIDO O RECURSO DE</p><p>PARTE E PROVIDO EM PARTE o recurso de Neocir Demarchi.</p><p>O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Luiz Carlos Gabardo,</p><p>sem voto, e dele participaram Desembargador Jucimar Novochadlo (relator), Desembargador Luiz Cezar</p><p>Nicolau e Desembargadora Luciane Bortoleto.</p><p>30 de agosto de 2024</p><p>Desembargador Jucimar Novochadlo</p><p>Juiz (a) relator (a)</p>

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