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<p>INFECÇÕES HOSPITALARES/NOSOCOMIAIS</p><p>TRATO RESPIRATÓRIO SUPERIOR E INFERIOR</p><p>Superior à cavidade nasal, faringe, laringe, seios paranasais e ouvido médio.</p><p>Na maioria dos casos são autolimitadas e de etiologia viral, no entanto podem ser provocadas por bactérias e demandar antibioticoterapia.</p><p>Os sintomas incluem cefaleia, conjuntivite, coriza, espirros, tosse, febre, lesões ulcerativas e até mesmo diarreia.</p><p>A maioria dos patógenos causadores de infecções do TRS pertencem à microbiota endógena</p><p>Ex: Streptococcus alfa hemolíticos e não hemolíticos, Streptococcus beta hemolítico não pertencentes ao grupo A, Neisserias não patogênicas, Staphylococcus sp., Micrococcus sp.</p><p>As infecções do trato respiratório superior que podem acometer são:</p><p>· Faringite à Streptococcus pyogenes (bactéria causa amigdalite e escarlatina), mas a infecção viral é a causa mais comum (Rhinovírus, Coronavírus, Adenovírus, Influenza vírus).</p><p>A febre reumática é um processo inflamatório autoimune sistêmico, tardio a um quadro de faringite estreptocócica, pela deposição de imunocomplexos em tecidos cardíacos, renal e muscular, e o diagnóstico é realizado pela presença de ASLO.</p><p>S.pyogenes apresentam toxinas eritrogênicas que são responsáveis pelo eritema da escarlatina.</p><p>O diagnóstico é por swab de orofaringe, devendo ser semeadas em meio ágar sangue de carneiro 5% (não ocorre a lise de eritrócitos, ou seja, sem hematina e hemina).</p><p>O S.pyogenes (beta hemolítico grupo A) é bacitracina sensível, catalase negativa e PYR positivo.</p><p>Além do swab, temos os testes rápidos por imunocromatografia ou aglutinação em látex, para pesquisa do antígeno A (parede celular)</p><p>· Difteria à acomete primariamente crianças, caracterizada pela presença de placas pseudomembranosas branco-azuladas ou acinzentadas que recobre as amigdalas, faringe, laringe, e não apresenta garganta avermelhada como na faringite à Nasofaringe e orofaringe</p><p>Causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae (gram positivo pleomorfico), observada na coloração de Albert-Laybourn, tem a presença de corpúsculos citoplasmáticos/Babes Ernst.</p><p>Ágar de Loeffler</p><p>· Laringite à Mycoplasma pneumoniae (fastidiosos, não tem parede celular, ou seja, não se cora ao GRAM), mas infecção viral é a causa mais comum.</p><p>Angina de Plaut-Vincent é uma infecção ulcero-necrotica causada pela simbiose de um bacilo fusiforme (Fusobacterium necrophorum) e um espirilo (Borrelia vincenti), sendo então uma associação fusoespirilar.</p><p>· Sinusite à inflamação mucosa dos seios paranasais devido à sua comunicação com a cavidade nasal, sendo frequentemente secundarias à infecção viral de vias aéreas superiores, embora tal processo nem sempre seja de origem infecciosa, visto que em muitos casos a origem é alérgica</p><p>Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, e em sinusites de origem intra-hospitalar, os agentes mais frequentes são Sthapylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e fungos como Candida.</p><p>· Otite à canal auditivo externo ou do ouvido médio, sendo causadas geralmente por bactérias.</p><p>Na otite media os principais patógenos envolvidos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Streptococcus pyogenes.</p><p>Na otite externa os mais comuns são Pseudomonas aeruginosa, Proteus spp. e Staphylococcus aureus.</p><p>Inferior à traqueia, brônquio principal, pulmão. A presença de bactérias nestes sítios anatômicos se dá pela aspiração de secreções da orofaringe, inalação de aerossóis contendo bactérias, translocação de MO do TGI ou disseminação hematogênicas.</p><p>As infecções do trato respiratório inferior que podem acometer são:</p><p>· Pneumonia à infecção dos alvéolos pulmonares ou do espaço intersticial pulmonar, normalmente bacteriana e cursa com tosse, dor peito, febre e produção de escarro.</p><p>Os principais da comunidade são Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, anaeróbicos cavidades orais, Moraxella catarrhalis.</p><p>Os principais internados/nosocomial/hospitalar são por Klebsiella, E.coli, Enterobacter, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus.</p><p>O que varia de um ao outro, é a gravidade da infecção, e os sintomas são iguais.</p><p>O diagnóstico, o material podem ser obtidos de forma invasiva, como aspirado traqueal, lavado brônquico, biopsia de tecido ou da forma não invasiva, como escarro expectorado e induzido.</p><p>Esse material deve ser coletado em todos os pacientes antes que seja iniciada a antibioticoterapia.</p><p>O escarro deve ser obtido nas primeiras horas da manhã por ser mais concentrada (não escovar dente, apenas gargarejo), e ser encaminhada ao laboratório e processado no prazo de até 2hrs à temperatura ambiente ou 24hrs para amostra refrigerada.</p><p>A presença de muita célula epitelial, corresponde a presença de saliva na amostra. Portanto, a contagem deve ter mais de 25 neutrófilos e menor de 10 células epiteliais</p><p>A secreção traqueal é a amostra padrão-ouro, apresentando cultura quantitativa</p><p>Os meios de cultura utilizados são Ágar chocolate (H.influenzae, tem a lise de eritrócitos, obtendo hematina e hemina), Ágar sangue (S.pneumoniae e S.aureus) e Ágar MC (BGN fermentadores e P.aeruginosa). As placas dever ser incubadas por 35-37graus por 24-48hrs.</p><p>TUBERCULOSE</p><p>A tuberculose é causada por cinco espécies de bactérias pertencentes ao gênero Mycobacterium e definidas como complexo M.tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch (BK). Anaerobica, ou seja, aeróbia estrita</p><p>Incubação 4 a 12 semanas.</p><p>São BAAR, pois apresentam uma camada intensa de lipídeos (principal lipídeo ác. micolico), atrapalhando antibioticoterapia.</p><p>Após a multiplicação bacilar ocorre a disseminação para todo o organismo através da corrente sanguínea e dos vasos linfáticos.</p><p>Sintomas como tosse com expectoração constante por mais de 3 semanas, febre, suor noturno, falta de apetite, cansaço, falta de ar e emagrecimento rápido.</p><p>Tuberculose Pulmonar (TB) e Tuberculose Extrapulmonar.</p><p>O diagnóstico é feito através do exame clínico, exame radiológico de tórax, prova tuberculínica (PPD, aplicação via intradérmica da tuberculina/Ag, e ver a reação de hipersensibilidade cutânea) e laboratorial (baciloscopia e cultura no meio de Lowenstein Jensen).</p><p>No sangue, realiza-se somente a cultura, uma vez que a baciloscopia nesse tipo de amostra, apresenta com muita frequência FP.</p><p>Amostras de fezes não dever ser utilizadas para baciloscopia e nem para cultura, portanto, o diagnóstico de TB intestinal é realizado por meio de biópsia.</p><p>A coleta do escarro, é recomendável duas amostras de cada paciente. Caso não consiga a expectoração, ocorre a indução do escarro através de nebulização com solução salina hipertônica a 3% (causa irritação) durante no mínimo de 5 e no máximo 20 minutos.</p><p>Se o envio ao laboratório for realizado no máximo em 24 horas, as amostras de escarro poderão ficar em temperatura ambiente, protegidas da luz solar, e caso demore no máximo de 7 dias, refrigerar as amostras de 2 a 8graus. O escarro deve ter um volume de 5 a 10mL, e uma amostra ideal é mucopurulento.</p><p>A coleta deve ocorrer duas vezes, uma no momento da consulte e outra no dia seguinte, ao despertar</p><p>Para a baciloscopia, escolher a porção mais purulenta e fixação em chama (bico de Bunsen) 3 vezes.</p><p>A coloração ocorre pela técnica de Ziehl-Neelsen, em que adiciona a fucsina fenicada, que será aquecida até emissão de vapores até 3 vezes e deixar esfriar por 5 minutos, após esse processo, faz-se a descoloração com álcool-ácido, pois apenas as bactérias BAAR estarão coradas/reterão com fucsina, e depois coloca-se azul de metileno.</p><p>A leitura da lâmina é observada 100 campos</p><p>O padrão ouro é a cultura e teste de sensibilidade, já que apresenta elevada sensibilidade e especificidade.</p><p>Os meios de cultura, temos o meio de Lowenstein-Jensen e o meio Ogawa-Kudoh, em que ambos apresentam verde de malaquita 2% para inibir a microbiota contaminante. Incubação de 35 a 37 graus, com crescimento lento, sendo necessário esperar 60 dias para liberar resultados negativos.</p><p>Para provas de bioquímicas temos:</p><p>· Prova de crescimento de</p><p>colônias bacterianas em PNB à M.tuberculosis não cresce nesse meio de cultura.</p><p>· Prova de produção de niacina à M.tuberculosis produz</p><p>· Prova de redução do nitrato à detecta nitrato produzido pela redução do nitrato, positivo para M.tuberculosis.</p><p>Teste TRM-TB as amostras podem ser escarro expectorado e induzido, lavado broncoalveolar, lavado gástrico, liquor e gânglios linfáticos</p><p>OBS: o exame de escarro em geral somente é possível a partir dos 5 ou 6 anos de idade e a forma pulmonar difere do adulto, pois costuma ser abacilífera.</p><p>Técnica de cultura celular é considerada o padrão ouro para o diagnostico devido sua alta sensibilidade e especificidade</p><p>HANSENÍASE</p><p>Doença infectocontagiosa, de evolução lenta (período incubação 2 a 7 anos), que se manifesta principalmente através de sinais e sintomas dermatoneurológicos (pele e nervos/células de schwann)</p><p>Causada pelo M.lepra (BAAR), também conhecido como bacilo de Hansen, sendo um parasita intracelular obrigatório, tendo uma alta infectividade e baixa patogenicidade.</p><p>BAAR capacidade das micobacterias de reter corantes, não descorando mesmo após a lavagem com uma solução de álcool-ácido, por conta da alta quantidade de lipídios (ácido micólico). Apresentam características semelhantes aos fungos.</p><p>Casos PAUCIBACILARES pessoas que adoecem, mas que apresentam resistência ao bacilo, pequeno número de bacilos no organismo, insuficiente para infectar outras pessoas.</p><p>Caso MULTIBACILARES não apresenta resistência, bacilo multiplica sem problemas.</p><p>Lesões nodulares, manchas, placa, infiltrações, e essas lesões têm alterações de sensibilidade, não sentirá nada ao tocar.</p><p>Diagnóstico exame clínico (dermatoneurologico) e laboratorial (BAAR em esfregaço amostra linfa e cultura)</p><p>Baciloscopia (BAAR) e Cultura (ágar Lowenstein Jensen).</p><p>OBS: a baciloscopia negativa não afasta o diagnóstico da hanseníase (baixa sensibilidade). Quando a baciloscopia estiver disponível e for realizada, não se deve esperar o resultado para iniciar o tratamento do paciente tratamento precoce.</p><p>A linfa colhida em pelo menos 4 locais (lóbulos auriculares e/ou cotovelos) ou fragmentos de biopsias.</p><p>Coleta com auxílio da Pinça de Kelly, pressionar a pele o suficiente para obter a isquemia, mas evitando o sangramento, fazer um corte na pele para que a linfa consiga fluir.</p><p>Armazenamento e transporte no prazo máximo de 24hrs.</p><p>Coloração por:</p><p>· Método de Ziehl-Neelsen aquecimento causa agitação das moléculas, fazendo o corante fucsina entrar. ZN a frio é recomendado por preservar as condições morfotintoriais do bacilo</p><p>· Método de Kinyoun</p><p>Indice Baciloscópico proposto por Ridley, método quantitativo</p><p>Indice morfológico aspecto da morfologia, pode-se apresentar de bacilo integro, fragmentado ou granuloso, sendo o integro considerado a forma viável.</p><p>INFECÇÕES GENITAIS – DSTs</p><p>São condições causadas por bactérias, fungos, vírus ou parasitas, que afetam os órgãos sexuais externos e internos.</p><p>Pode ter vulvovaginete, vaginose bacteriana, candidíase, cervicite, endometrite, salpingite e abscesso ovariano em mulheres, e epididimite e prostatite em homens. Temos a uretrite e úlceras genitais podem ser em ambos os sexos.</p><p>Temos as infecções urogenitais sexualmente transmissíveis e não sexualmente transmissíveis (microrganismos endógenos).</p><p>Microbiota residente</p><p>Amostras genitais frequentemente contaminadas com MO da microbiota da pele e mucosa.</p><p>As culturas não são muitas solicitadas pelos clínicos, devido à maioria das manifestações clínicas serem bastante sugestivas.</p><p>Os tipos de amostras, a informação clínica influência a interpretação:</p><p>· Secreção uretral --> obtida 1 a 3 horas após a última micção, e sempre antes da coleta do primeiro jato urinário</p><p>· Secreção vaginal --> obtida com auxílio de um swab após colocação do espéculo (abrir o canal vaginal) e limpeza do excesso de muco cervical</p><p>· Secreção de lesões --> obtidas do centro da lesão (fluido seroso), para pesquisa de treponemas.</p><p>VAGINOSE BACTERIANA</p><p>Ocorre a diminuição ou ausência de lactobacilos vaginais e um aumento de Gardnerella vaginalis, que é uma bactéria anaeróbia facultativa, cuja colônias são pequenas e beta hemolítica (ágar sangue), sendo cocobacilos Gram variáveis</p><p>Tem corrimento vaginal de odor fétido (peixe podre), que acomete principalmente mulheres na idade reprodutiva.</p><p>Diagnóstico laboratorial feito por Papanicolaou ou Coloração de Gram</p><p>Diagnóstico clínico através dos Critérios de Amsel, precisando de 3 critérios positivos, sendo o aumento de corrimento, elevação do pH, teste das aminas positivo (KOH 10%) e presença de clue-cells, que é uma célula epitelial com a Gardnerella fixada nela (patognomônico)</p><p>CANDIDÍASE VULVOVAGINAL</p><p>Causado por uma levedura (unicelular), não sendo considerado como IST, pois Candida faz parte da microbiota vaginal normal. Principal tipo de candida é a Candida albicans e em segundo a Candida glabrata.</p><p>Fatores predisponentes são gravidez, uso de anticoncepcionais orais de alta dosagem, diabetes, uso de corticoides, imunossupressores e antibióticos.</p><p>Diagnóstico laboratorial por secreção vaginal ou secreção uretral, realizando exame direto a fresco com KOH 10% e/ou após coloração de Gram (positivo, toda levedura).</p><p>Pode ser feito o Papanicolaou, isolamento em meio de cultura (ágar Saboraud ou ágar sangue), bioquímico (auxonograma e zimograma) e prova do tubo germinativo (positivo para Candida albicans).</p><p>Auxonograma é uma prova de assimilação de fontes de carbono e nitrogênio</p><p>Zimograma fornece açucares, para observar a fermentação.</p><p>TRICOMONÍASE</p><p>IST curável mais prevalente, causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis.</p><p>Exame direto do conteúdo secreção vaginal ou secreção uretral, cultura ou técnicas moleculares. pH vaginal elevado e aumento do número de leucócitos polimorfonucleados.</p><p>GONORRÉIA</p><p>IST causada pela bactéria Gram negativa, aerobia, diplococos, a Neisseria gonorrhoeae (MO fastidioso</p><p>Envolve primeiramente trato genito-urinário, podendo causar endocardite, meningite, artrite, pielonefrite, em mulheres pode ter a doença inflamatória pélvica (DIP).</p><p>Ocorre disúria (dor urinar), poliúria, corrimento mucoide e purulento, que aprece 2 a 5 dias após relação suspeita.</p><p>Diagnóstico por exame direto pelo método de Gram da secreção vaginal ou uretral, em que não deve ser utilizado como método diagnóstico definitivo para mulheres.</p><p>Pode ser feito o isolamento em meios de cultura, como de Thayer-Martin, que é destinado para isolamento de N.gonorrhoeae e N.meningitidis.</p><p>Temos técnicas moleculares, para detecção de antígenos por enzima-imunoensaio e pesquisa de DNA (captura híbrida) ou por PCR.</p><p>DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA</p><p>Inflamação de natureza infecciosa na região pélvica e causada por vários MO, como a N.gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Mycoplasma homines, Ureaplasma urealyticum, além de anaeróbios e Streptococcus agalactiae (Grupo B)</p><p>Diagnóstico a partir a secreção vaginal, uretral, cervical, urina de primeiro jato, esperma e líquido prostático por metodologia molecular ou técnicas sorológicas</p><p>INFECÇÕES URINÁRIAS</p><p>Sistema urinário rins, ureteres, bexiga e uretra, dividido em TU baixo (cistite/bexiga, uretrite, prostatite) e TU alto (pielonefrite).</p><p>As infecções urinárias podem ocorrer por via:</p><p>· Ascendente vem da uretra, chagando a bexiga, ureter e rins. De cima para baixo, principalmente em mulheres por conta do comprimento da uretra.</p><p>· Hematogênica infecção sistêmica</p><p>· Linfática</p><p>ITU não complicada fora do ambiente hospitalar, sem anormalidade anatômica ou funcional do aparelho geniturinário.</p><p>ITU complicada indivíduos que já possuem alguma anormalidade estrutural ou funcional do processo de diurese, presença de cálculos, doenças subjacentes em que haja predisposição a infecção renal.</p><p>Gestantes parto prematuro e aborto por conta da infecção urinária alta.</p><p>Sinais e sintomas urgência miccional (parede da bexiga inflamada, não dilata, necessidade de urinar incontrolável),</p><p>poliúria, dor e/ou ardência ao urinar (disúria), urina escura/turva e com forte odor, dor na região da bexiga, febre (pielonefrite comum). Pode ter lombalgia.</p><p>Agente etiológicos mais frequentes são as enterobactérias (BGN fermentadores de glicose), em especial a Escherichia coli (lactose +, indol +, citrato -). Além dela, temos o Enterococcus spp. (gama hemolítico) e Staphylococcus saprophyticus (resistente a novobiocina), além de outras.</p><p>Nefrolitíase/pedra nos rins os cálculos são precipitações como agregados de vários componentes de baixa solubilidade, normais da urina, podendo ser formados pela combinação de bactérias, células epiteliais, sais minerais em uma matriz proteica e muco.</p><p>A descida do cálculo, causa cólicas renais, acompanhada de hematúria (hemácias isomórficas) por danos teciduais (ureter). Pode ter hidronefrose, que é a dilatação do rim e ocasionar infecções (bacteriúria e piuria).</p><p>A composição predominante é por oxalato de cálcio (urina ácida), apresenta uma matriz orgânica de proteína uromucóide (Tamm Horsfall).</p><p>Hipercalciúria aumento da absorção intestinal de cálcio, da falta de uma reabsorção tubular renal adequada do cálcio, da reabsorção ou da perda de cálcio.</p><p>Doença de Crohn pode resultar em absorção excessiva de oxalato, com subsequente excreção pela urina.</p><p>Doença renal qualquer patologia que afete os glomérulos, vasos renais ou túbulos renais, mantendo a função renal preservada, porém pode levar a IR. Uma IRA, terá uma função renal comprometida.</p><p>Glomerulopatias pode ter origem imunológica com deposição de imunocomplexos nas membranas glomerulares, origem produtos químicos e rupturas das cargas elétricas da membrana glomerular.</p><p>A proteinúria elevada constitui a característica básica das glomerulopatias e indica comprometimento na capacidade do capilar glomerular em reter as macromoléculas do plasma</p><p>Síndrome nefrítica processo inflamatório agudo dos glomérulos (alteração da permeabilidade glomerular), cujas principais manifestações são o edema (retenção de sódio e água), HA (retenção de sódio e água) e hematúria (dismórficos), além de proteinúria discreta com cilindros</p><p>Ex: Glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica após infecção por Streptococcus pyogenos beta hemolítico, tendo deposição glomerular de imunocomplexos formados com a proteína M. Fazer a pesquisa de ASLO no soro.</p><p>Glomerulonefrite crônica conjunto de distúrbios que produzem lesões redicivantes ou permanentes nos glomérulos. É a causa mais comum de IRC e requer dialise ou transplantes renais.</p><p>Síndrome nefrótica lesão na barreira de filtração glomerular, causando uma alteração na permeabilidade dos glomérulos às proteínas, apresentando proteinúria maciça com cilindros, hipoalbuminemia, edema generalizado (por conta da hipoalbuminemia – redução da pressão oncótico/osmótica do plasma). Pode-se observar lipiduria</p><p>Tubulopatias prejudicada a função tubular como resultado de dano real ao túbulo e aquelas quais um distúrbio metabólico ou hereditário afeta as funções tubulares.</p><p>Necrose tubular aguda danos aos túbulos renais, que pode ser produzido pela diminuição do fluxo sanguíneo que provoca a falta de aporte de oxigênio para os túbulos ou presença de agentes nefrotóxicos.</p><p>Síndrome de Fanconi falha generalizada na reabsorção tubular proximal, ocorrendo glicosúria.</p><p>Diabetes insipidus nefrogênico</p><p>Cistite inflamação da bexiga em consequência da infecção do TU, caracterizada pela presença de bacteriúria e piúria. Não apresenta proteinúria e cilindros patológicos.</p><p>Pielonefrite alteração inflamatória renal que constitui uma complicação frequente da cistite não tratada e pode acarretar lesão nos tecidos renais, comprometimento da função renal, hipertensão e até mesmo septicemia. Apresenta proteinúria moderada, cilindros leucocitários, cilindros granulares, hialinos, células tubulares renais e células epiteliais renais.</p><p>UROCULTURA ideal coletar a primeira urina da manhã, após dispensar o primeiro jato e o jato do fim, coletar apenas o jato médio, após higienização da genitália externa, ou realizar uma retenção urinaria por no mínimo 2 horas antes da coleta.</p><p>Para o transporte, levar no laboratório até 2horas ou 24horas em refrigeração por 2 a 8graus.</p><p>Bacteriúria presença de mais 100.000 bactérias por mL (105) de urina na urocultura</p><p>Bacterioscopia de urina não centrifugada (BUNC) ou Gram de gota (triagem – urgência) urina não centrifugada, apenas homogeneizada, retirar uma alíquota de 10uL de urina (alça calibrada) e depositar sobre uma lâmina de vidro, que irá secar e corar por Gram. Observar com objetiva de imersão, e 1 ou mais bactérias por campo, sugere uma contagem de mais 100.000 UFC/mL.</p><p>Urocultura com semeadura em alça calibrada utilizar urina não centrifugada e fazer semeadura utilizando-se uma alça de platina ou de plástico calibrado (0,001 – 1uL ou 0,01mL – 10uL), padronizando fator de diluição.</p><p>Alça de 1uL 1 colônia é igual a 1.000 UFC/mL</p><p>Alça de 10uL 1 colônia é igual 100 UFC/mL</p><p>Amostra de jato médio e cateter utilizar alça de 1uL e amostras de punção supra púbica utilizar alça de 10uL</p><p>A placa CLED (não seletivo e diferencial) será incubada por 18-24hrs, caso não apareça nada, reincubar 24hrs.</p><p>Lâmino cultivo consiste em um recipiente plástico cilíndrico, no qual pode também ser coletada a urina, com uma tampa ligada a um suporte pasticho com duas faces contendo meios de cultura como CLED e MacConkey, ou seja, permite identificar através algumas provas bioquímicas.</p><p>Não ter nitrito na fita reativa, não quer dizer que não tenha infecção urinária (piúria e bacteriúria), pois algumas bactérias não possuem a nitrato redutase.</p><p>Ausência de crescimento bacteriano, após 18 a 24hrs de incubação, associada à piúria e ou microbiota moderada ou intensa ou, ainda, presença de leveduras ou nitrito positivo, reincubar a placa por mais 24hrs a 35 graus e semear 10uL na urina refrigerada em ágar sangue.</p><p>EAS sedimentoscopia</p><p>Células epiteliais descamação normal das células velhas, enquanto outras representam lesão epitelial por processos inflamatórios ou doenças renais.</p><p>Células escamosas provêm do revestimento da vagina, uretra feminina e do terço distal da uretra masculina.</p><p>Células epiteliais de transição/uroteliais reveste cálice renal, a pelve renal, ureter e bexiga, e apresenta formato arredondado ou em pera, com um núcleo central redondo.</p><p>Células do túbulos renais descamação normal do epitélio velho dos túbulos renais, porém em elevação de [ ] indica dano tubular.</p><p>Hemácias número aumentado de 3 por campo na urina representa rompimento da integridade da barreira vascular, por lesão ou doença, na membrana glomerular ou no trato geniturinário.</p><p>A presença de hemácias e de cilindros na urina pode ocorrer após exercícios físicos.</p><p>Hipertônica (concentrada) meio hipotônico (hemácia) para o meio hipertônico (urina), murcha a hemácia.</p><p>Hipotônica água da urina entra nas hemácias, já que na hemácia o meio está hipertônico.</p><p>Ácido acético ajuda a identificar as hemácias, já que a acidificação ocorre a lise.</p><p>Hemácias dismórficas apresentam protusões celulares ou fragmentação, permite a origem da hematúria, sendo de origem glomerular, importante no diagnóstico das glomerulonefrites.</p><p>Hemácias isomórficas sugere patologias extra-glomerular</p><p>Piócitos (esterase leucocitária) um aumento de acima 5 por campo, temos uma piúria, sendo resultado de infecções bacterianas (pielonefrite, cistite, prostatite e uretrite) ou de outras doenças inflamatórias renais ou do trato urinário. Na infecção tem a presença de bacteriúria, já na inflamação não.</p><p>Infecção de Chlamydia (bactéria IST) tem piúria, porém não é possível observar a bacteriúria.</p><p>Leucócitos em urina hipotônica ou alcalina ocorre lise.</p><p>Cilindros (glicoproteínas Tamm Horsfall, secretada pelas células tubulares renais) únicos elementos urinários de origem renal, e podem ocorrer em indivíduos sadios após a prática de exercícios físicos, acompanhados de proteinúria.</p><p>Tipos de cilindros:</p><p>· Hialino exercício físico intenso, febre, desidratação e estresse emocional, glomerulonefrites, pielonefrites, doença renal crônica.</p><p>· Hemático doença renal intrínseca, exercício físico intenso, nefrite lúpica e hipertensão maligna.</p><p>· Leucocitário infecção ou inflamação renal, glomerulonefrite, pielonefrite (origem tubular – observa piúria).</p><p>· Granuloso exercício físico, estrese, doença renal glomerular ou tubular.</p><p>· Epitelial descamação túbulo renal, sendo observado em conjunto com cilindros de hemácias ou leucócitos.</p><p>· Céreo origem a partir dos hialinos e granular, e indica mau prognóstico, IRC, rejeição de transplantes, estase do fluxo urinário.</p><p>Cristais formação pela precipitação de sais urinários. Os precipitados podem aparecer sob a forma de cristais verdadeiros ou de material amorfo.</p><p>Tipos de cristais na urina ácida:</p><p>Oxalato de cálcio ocorre por hipercalciúria (intoxicação vitamina D, hiperparatireoidismo), osteoporose, acidose tubular renal, hipocitratúria, hiperoxalúria</p><p>Tipos de cristais na urina alcalina:</p><p>Carbonato de cálcio ocorre a produção de dióxido de carbono na presença de ácido acético.</p><p>Cistina aparece em urina ácida, causada por hipercistinúria.</p><p>Tirosina aparece em urina ácida, aparece em doenças hepáticas severas.</p><p>Leucina pode precipitar-se com os cristais de tirosina mediante adição de álcool à urina</p><p>Sulfadiazina e Ampicilina em urina ácida.</p><p>INFECÇÕES SISTÊMICAS Sepse, Hemocultura e Cateter</p><p>As bacteremias são causadas por um único microrganismo, contudo, em algumas situações, caracterizam-se por etiologia polimicrobiana.</p><p>Sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção.</p><p>Bacteremia:</p><p>· Primária origem no próprio sistema circulatório ou entrada direta de MO na corrente sanguínea.</p><p>· Secundárias através de outro sítio caindo na corrente circulatória.</p><p>Pode-se classificar a bacteremia em:</p><p>· Transitória</p><p>· Intermitente manifesta em intervalos variáveis</p><p>· Contínua endocardite</p><p>· Escape paciente tomando antibiótico, porém o efeito não está sendo suficiente.</p><p>Hemocultura deve ser realizada antes do início da antibioticoterapia ou imediatamente antes da administração da próxima dose, e para aqueles que apresentam quadro clínico sugestivo de infecção. Jejum dispensável.</p><p>Para coleta em adulto, coletar 5 a 10mL de sangue venoso (1 a 4mL criança) por frasco em cada punção, totalizando volume final de 20 mL (10 a 20% do volume total do frasco), de sítios anatômicos diferentes. Coletar no mínimo 2 amostras, e utilizar a primeira garrafa para meio aeróbica e a segunda garrafa para meio anaeróbico ou duas coletas para cultura aeróbia.</p><p>Em relação ao transporte, deve ser mantido em temperatura ambiente e encaminhados até 30min</p><p>Utiliza o anticoagulante SPS (Polianetolsulfonato de Sódio – 0,025 a 0,05%).</p><p>A incubação é de 35 +- 2graus, por 5 ou 14 dias (5 dias para suspeita de bactérias e 14 dias para fungos).</p><p>A antissepsia deve ser com álcool 70% e repetir o procedimento utilizando solução de iodo a 1% ou clorexidina alcoólico 0,5%, deixando a solução atuar por até 2 minutos, para em seguida ser retirada com álcool 70%.</p><p>Caldo infusão cérebro-coração (BHI) método manual, adiciona o anticoagulante SPS. Pode fazer repique em Ágar Chocolate após 24 horas, 72hrs e 5 dias, sendo um sub-cultivo.</p><p>Hemocultura positiva:</p><p>· S.aureus</p><p>· E coli</p><p>· Pseudomonas aeruginosa</p><p>· S. pneumoniae</p><p>· Candida albicans</p><p>Cultura de ponta de cateter método de Maki (cultura do cateter, observando a face interna e externa) e hemocultura pareada (não tem remoção cateter, a coleta é pelo cateter e uma outra no braço sem cateter).</p><p>Tempo de positividade hemocultura do cateter, a positividade 2hrs antes da amostra periférica, está relacionado ao cateter.</p><p>A face interna observar a turvação (maior que 100 UFC) e a face externa (maior que 15 UFC), o segmento do cateter é rolado 4 a 5 vezes na superfície em ágar sangue.</p><p>INFECÇÕES INTESTINAIS E COPROCULTURA</p><p>image4.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image1.png</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.png</p>