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<p>INTRODUÇÃO À</p><p>CIÊNCIA POLÍTICA:</p><p>ANÁLISES E</p><p>PERSPECTIVAS</p><p>Aula 1</p><p>ENTRE A FILOSOFIA</p><p>POLÍTICA E A CIÊNCIA</p><p>POLÍTICA</p><p>Entre a Filosofia Política e a</p><p>Ciência Política</p><p>Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você</p><p>irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos</p><p>assisti-la? Bons estudos!</p><p>Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.</p><p>Alto Contraste A- A+ Imprimir</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 1/43</p><p>Ponto de Partida</p><p>Boas-vindas!</p><p>Gostaríamos de lhe convidar para um bate-papo direto e científico! Vamos</p><p>conversar a respeito da importância da política e a sua origem. Não há como</p><p>negar que a presença de relações políticas ultrapassa a compreensão</p><p>cotidiana imediata, e de fato, estrutura toda a vida social. Quando pensamos</p><p>em política, na maioria das vezes escutamos no cotidiano popular a menção</p><p>de fatos políticos que nos cercam de maneira imediata, afinal, quem nunca</p><p>escutou expressões como “políticos são todos corruptos”, ou “político é ‘tudo’</p><p>igual!”, ou ainda “política e religião não se discutem!”. Fato é que, quando</p><p>falamos e tratamos das sociedades humanas, falamos de política. Por isso o</p><p>convite que fazemos nesta aula é para aprofundarmos de maneira científica</p><p>o conteúdo das relações de poder que sempre acompanharam a história da</p><p>nossa sociedade.</p><p>Vamos Começar!</p><p>Filosofia e política</p><p>Podemos começar a nossa conversa com uma inquietação milenar e</p><p>humana. De onde vem a política e qual é a sua finalidade? No interior do</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 2/43</p><p>campo da filosofia política não é incomum encontrarmos a definição de que a</p><p>origem da política está nos gregos e romanos. Isso porque essas civilizações</p><p>na história compreenderam a estreita relação entre ética e política e, com</p><p>isso, a finalidade da política, que na sua origem busca o equilíbrio tênue da</p><p>vida coletiva entre a justiça e a felicidade.</p><p>Para essa finalidade, foi necessário aproximar a ética da política, pois a vida</p><p>nas cidades, com o caráter conflituoso e opressor da guerra, dependia</p><p>diretamente do conjunto de regras, leis e principalmente das qualidades</p><p>morais dos cidadãos. As relações de poder na Antiguidade Clássica tinham</p><p>como referência principal a vida nas cidades, que devem ser pensadas neste</p><p>momento não como espaços urbanos e sim como espaços coletivos,</p><p>políticos, onde a vida acontecia.</p><p>Quando se afirma que os gregos e romanos inventaram</p><p>a política, não se quer dizer que, antes deles, não</p><p>existia o poder e a autoridade. O que se quer dizer é</p><p>que inventaram o poder e a autoridade propriamente</p><p>políticos, ou seja, que substituíram o poder despótico</p><p>ou patriarcal exercido pelo chefe de família sobre um</p><p>conjunto de famílias a ele ligadas por laços de</p><p>dependência econômica e militar e por alianças</p><p>matrimoniais. Nessa forma de poder anterior, a relação</p><p>era pessoal, e o chefe garantia proteção enquanto os</p><p>súditos lhe ofereciam lealdade e obediência (Chaui,</p><p>2014, p. 313).</p><p>Mas a filosofia buscou compreender a razão, a ética, a justiça, as relações</p><p>humanas e a vida política. Vem da filosofia a compreensão do termo política.</p><p>É preciso ficar evidente que a noção imediata, do senso comum e que temos</p><p>no adquirido pela empiria, não trata da política como a filosofia desenvolve,</p><p>sobretudo porque política não é o conjunto de profissionais específicos que</p><p>dela se apropriam, tampouco o significado de ação coletiva de forma</p><p>exclusiva. Mas, afinal, o que é a política? “É a atividade de governo? É a</p><p>administração do que é público? É profissão de alguns especialistas? É ação</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 3/43</p><p>coletiva referida aos governos? Ou é tudo que se refira à organização e à</p><p>gestão de uma instituição pública ou privada?” (Chaui, 2000, p. 475).</p><p>Podemos, assim, distinguir entre o uso generalizado e</p><p>vago da palavra política e um outro, mais específico e</p><p>preciso, que fazemos quando damos a ela três</p><p>significados principais inter-relacionados: 1. o</p><p>significado de governo, entendido como direção e</p><p>administração do poder público, sob a forma do Estado.</p><p>[...] 2. o significado de atividade realizada por</p><p>especialistas – os administradores – e profissionais –</p><p>os políticos –, pertencentes a um certo tipo de</p><p>organização sociopolítica – os partidos –, que disputam</p><p>o direito de governar, ocupando cargos e postos no</p><p>Estado. [...] 3. o significado, derivado do segundo</p><p>sentido, de conduta duvidosa, não muito confiável, um</p><p>tanto secreta, cheia de interesses particulares</p><p>dissimulados e frequentemente contrários aos</p><p>interesses gerais da sociedade e obtidos por meios</p><p>ilícitos ou ilegítimos (Chaui, 2000, p. 476).</p><p>Cada significado elencado da política traz uma concepção com a realidade</p><p>moderna, contemporânea e atual. Enquanto conversamos, as relações</p><p>sociais se desencadeiam de maneira acelerada e dando respostas à forma</p><p>como produzimos e reproduzimos a vida, e a ela empreendemos nossas</p><p>ações sociais, portanto, políticas.</p><p>Nas escolhas que fazemos, no preço dos alimentos no supermercado, na</p><p>decisão tomada pelos países em guerra, a política é estruturante porque é</p><p>coletiva, é coletiva porque é social e é filosófica porque nos revela que a vida</p><p>é também política. A filosofia política trata das relações de poder. O uso da</p><p>razão e da ética traz a ciência para compreender essas relações. Na origem</p><p>do pensamento científico e da ciência política como a conhecemos, está a</p><p>busca pela igualdade e pelas relações que dela se apropriaram, como no</p><p>caso grego.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 4/43</p><p>A eliminação da referência à autoridade exterior entre</p><p>homens iguais e a necessidade de argumentar com</p><p>todos os demais deu nascimento a novas formas de</p><p>pensamento, dentre as quais a mais influente</p><p>historicamente foi a Filosofia, e, nela, a Ética e a</p><p>Política, tais como as concebemos desde então (Barros</p><p>et al., 2021, p. 7).</p><p>Com a filosofia política, podemos primeiro compreender o contexto histórico</p><p>em que o conflito determina a relação entre os indivíduos na busca pela</p><p>igualdade, liberdade, poder e leis. É possível afirmar que na mesma medida</p><p>em que as sociedades humanas se complexificam, surgem relações de</p><p>poder, relações estas que estão intimamente ligadas à divisão do trabalho e</p><p>das tarefas, da construção histórica da monogamia, da dominação humana e</p><p>das maiores contradições e conflitos que a história nos revelou. Portanto, é</p><p>com a filosofia propriamente política que podemos atualmente entender o</p><p>caráter histórico das relações de poder a partir da antiguidade e da formação</p><p>da nossa própria compreensão da política. Hoje, como disciplina acadêmica,</p><p>a filosofia política chama para si a existência e a delimitação do fenômeno</p><p>político.</p><p>Determinar a essência própria do fenômeno político e</p><p>os elementos que o distinguem no campo mais vasto e</p><p>complexo dos fenômenos sociais; avaliar criticamente o</p><p>método seguido cada vez pelos estudiosos que se</p><p>ocuparam desses fenômenos; avaliar as razões por</p><p>eles propostas para explicar essas relações; examinar,</p><p>enfim (nem que seja só por interesse histórico), os</p><p>vários modelos ideais de uma sociedade perfeita que,</p><p>de tempo em tempo, inspiraram e, às vezes,</p><p>obcecaram as mentes de grandes pensadores (Bobbio,</p><p>1998, p. 629).</p><p>É a filosofia política que estuda o constructo dos pensadores clássicos na</p><p>história, é ela quem define a essência própria do fenômeno político, e</p><p>entende que a política pode ser abordada de maneira científica. É a filosofia</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à</p><p>Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 5/43</p><p>política que distingue os elementos políticos no campo complexo das demais</p><p>ciências, e a disciplina que conduzirá a formação de uma ciência</p><p>propriamente política na modernidade.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Filosofia política: origem do pensamento</p><p>Sabemos que o termo e a expressão “política” vêm etimologicamente do</p><p>grego politeia, que significa o que acontece na cidade. O termo faz referência</p><p>à vida na pólis, onde o cidadão era considerado no usufruto de uma vida</p><p>política na cidade, de suas relações com a polis grega. Mas também</p><p>sabemos que essas relações e a vida na pólis ateniense, por exemplo, entre</p><p>os séculos VI e IV antes da conhecida era cristã, nada tinha de passiva; pelo</p><p>contrário, era uma sociedade escravista, opressora e conflituosa,</p><p>principalmente produto de seu tempo histórico.</p><p>Por essa razão, a política nos chega por meio do pensamento filosófico. Em</p><p>uma sociedade contraditória, opressora e de classes, a isonomia como vetor</p><p>foi mais bem compreendida no contexto de guerras, e a filosofia nos trouxe</p><p>esse questionamento no uso da razão e da ética. Na origem do pensamento</p><p>em filosofia política, é muito usual compreendermos a política na Antiguidade</p><p>Clássica a partir de dois principais pensadores: Platão (428 a.C.–348 a.C.) e</p><p>Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.).</p><p>A Atenas em que Platão viveu se encontrava recém-saída da chamada</p><p>Guerra do Peloponeso, dominada pelos espartanos no século V a.C.,</p><p>produto de uma crise histórica e da tirania.</p><p>Atenas tinha perdido a guerra e se encontrava em total</p><p>desordem, governada por um grupo de oligarcas</p><p>indicados por Esparta que se tornaram tiranos na</p><p>cidade. É nessa situação de desorganização política</p><p>que Platão se encontra, e se faz necessário pensar</p><p>uma forma de governo capaz de tornar os homens</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 6/43</p><p>melhores, quer como indivíduos, quer como cidadãos.</p><p>(Ferrari, 2019, p. 2).</p><p>O pensamento de Platão faz uma relação direta entre os seres humanos e a</p><p>vida na pólis. A cidade e os indivíduos têm a mesma estrutura, portanto, uma</p><p>cidade justa é o resultado do indivíduo justo. Mas o que seria um indivíduo</p><p>justo para Platão? O “homem” cuja alma racional é mais forte e maior do que</p><p>outros dois estruturantes humanos: o desejante e o colérico.</p><p>Para Platão, os seres humanos e a pólis possuem a</p><p>mesma estrutura. Os humanos, são dotados de três</p><p>almas ou três princípios de atividade: a alma</p><p>concupiscente ou desejante [...] que busca satisfação</p><p>dos apetites do corpo, tanto os necessários à</p><p>sobrevivência como os que apenas causam prazer; a</p><p>alma irascível ou colérica [...] que defende o corpo</p><p>contra as agressões do meio ambiente e de outros</p><p>humanos, reagindo à dor para proteger nossa vida; e a</p><p>alma racional ou intelectual [...] que se dedica ao</p><p>conhecimento (Chaui, 2014, p. 319).</p><p>A política na filosofia de Platão estaria na justiça e na ética provenientes do</p><p>homem e da pólis. Na leitura do filósofo, a pólis estaria dividida em três</p><p>classes sociais: “a classe econômica dos proprietários de terra, artesãos e</p><p>comerciantes”, que garante a sobrevivência material da cidade; a “classe</p><p>militar dos guerreiros, responsável pela defesa da cidade”; e a classe dos</p><p>“magistrados, que garante o governo da cidade sob as leis” (Chaui, 2014, p.</p><p>319).</p><p>Nessa filosofia, o que seria e como poderíamos realizar uma cidade justa e</p><p>uma justiça política? Somente pela educação dos cidadãos – homens e</p><p>mulheres, pois é possível compreender que em Platão existe a crítica aos</p><p>gregos por excluir as mulheres do processo e da política. “A cidade justa é</p><p>governada pelos filósofos, administrada pelos cientistas, protegida pelos</p><p>guerreiros e mantida pelos produtores. Cada classe cumprirá sua função</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 7/43</p><p>para o bem da pólis, racionalmente dirigida pelos filósofos” (Chaui, 2014, p.</p><p>319).</p><p>Já na filosofia de Aristóteles a teoria da política encontra uma interpretação</p><p>diversa da posição de Platão. A justiça passa por uma determinação que é</p><p>da política: para determinar o que é justiça, “precisamos distinguir dois tipos</p><p>de bens: os partilháveis e os participáveis” (Chaui, 2014, p. 320) – os dois</p><p>elementos olhados para a vida nas cidades, a justiça na cidade, a ética e o</p><p>cidadão na cidade. Portanto, dois tipos de justiça política de vida na pólis são</p><p>a distributiva e a participativa. Esses pontos da teoria política de Aristóteles</p><p>lembram muito a nossa conjuntura contemporânea atual, que é a análise da</p><p>qualidade das formas das instituições políticas.</p><p>Enquanto Platão se preocupa com a educação e a</p><p>formação do dirigente político – o governante filósofo -,</p><p>Aristóteles se interessa pela qualidade das instituições</p><p>políticas (assembléias, tribunais, forma da coleta de</p><p>impostos e tributos, distribuição da riqueza,</p><p>organização do exército, etc.). [...] Com isso, ambos</p><p>legam para as teorias políticas subsequentes duas</p><p>maneiras de conceber a qualidade justa da cidade:</p><p>platonicamente, essa qualidade depende das virtudes</p><p>do dirigente; aristotelicamente, das virtudes das</p><p>instituições (Chaui, 2014, p. 320).</p><p>Portanto, a origem do pensamento político, científico e racional acerca das</p><p>relações de poder deve ser buscada na filosofia política.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>A localidade onde você mora conta com acesso à energia elétrica, água</p><p>encanada, rede de esgoto ou mesmo acesso a alguns serviços de</p><p>assistência em saúde, uma escola ou segurança considerada públicas? Em</p><p>qualquer das respostas, todos esses elementos do nosso cotidiano são ou</p><p>passam por decisões políticas. O que você consome, produz ou troca passa</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 8/43</p><p>por relações políticas. No bojo das relações de poder que se construíram na</p><p>história, a forma como a nossa sociedade se organiza ou é estruturada</p><p>passa fundamentalmente pela complexidade de relações de poder, portanto,</p><p>relações humanas, sociais e políticas – relações que estão diretamente</p><p>ligadas à forma como produzimos a vida em sociedade, como nos</p><p>relacionamos. A política é, enfim, parte do que somos e do mundo em que</p><p>vivemos – é a vida política. E se atualmente podemos negar a política, fato é</p><p>que não podemos extinguir essa dimensão estruturante da vida social, pois,</p><p>como nos revela a própria filosofia política,</p><p>não podemos aceitar como óbvias e verdadeiras certas atitudes e</p><p>afirmações que, se examinadas mais a fundo, seriam percebidas</p><p>como absurdas (Chaui, 2000, p. 476).</p><p>Por isso, filosofia e política surgem na mesma toada.</p><p>Saiba Mais</p><p>Quando falamos de política, pouco nos prendemos às concepções</p><p>científicas, pelo fato de tratarmos de uma dimensão estruturante da vida</p><p>social no dia a dia. Por isso, conceitos como poder, política e sociedade</p><p>aparecem no nosso cotidiano, carregados de ideologias e interpretações</p><p>comuns. Para entender de maneira objetiva e leve, sugerimos a leitura</p><p>acadêmica a seguir.</p><p>TANSEY, S. D.; JACKSON, N. Política: coleção homem, cultura e sociedade.</p><p>São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>Desenvolva uma leitura já do capítulo inicial e aproveite os conteúdos da</p><p>aula.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 9/43</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-02-63836-5/pageid/0</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-02-63836-5/pageid/0</p><p>ARISTÓTELES. A Política. [Ed. Especial]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,</p><p>2011.</p><p>BARROS, A. R.</p><p>G. de et al. Manual de Filosofia Política. São Paulo:</p><p>Saraiva Educação, 2021.</p><p>BOBBIO, N. Dicionário de política. Brasília: Editora Universidade de</p><p>Brasília, 1a ed., 1998.</p><p>CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.</p><p>CHAUI, M. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Ática, 2014.</p><p>FERRARI, S. C. M. Filosofia política. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.</p><p>PLATÃO. A República. [Ed. Especial]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.</p><p>STRAUSS, L. História da Filosofia Política. Rio de Janeiro: Forense, 2019.</p><p>TANSEY, S. D.; JACKSON, N. Política: coleção homem, cultura e sociedade.</p><p>São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>Aula 2</p><p>A POLÍTICA NA</p><p>ANTIGUIDADE: RECORTES</p><p>A Política na Antiguidade: recortes</p><p>Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você</p><p>irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos</p><p>assisti-la? Bons estudos!</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 10/43</p><p>Ponto de Partida</p><p>Na Atenas da Antiguidade, as decisões importantes, aquelas capazes de</p><p>afetar a vida e o cotidiano de seus cidadãos, eram tomadas coletivamente</p><p>após intensas discussões na praça pública. Mentalize essa realidade</p><p>atualmente. No espaço da cidade moderna, como você se sente</p><p>politicamente? Será que o nosso tempo é preenchido com esse afazer? Não</p><p>ter tempo para nada também é não ter tempo para a participação coletiva? A</p><p>seguir, veremos que a política não se refere apenas a cumprir mandatos</p><p>eletivos ou fazer parte da máquina do Estado, mas, sobretudo, em pensar,</p><p>refletir e decidir como viveremos juntos.</p><p>Vamos Começar!</p><p>Atenas, atual capital da Grécia e sua maior cidade, já povoou largamente</p><p>nosso imaginário por diversas razões. Na mitologia grega foi o palco de</p><p>disputa entre os deuses Poseidon e Atena, sendo que a vencedora motivou a</p><p>escolha do nome dessa localidade. Atenas, que se localiza na região da</p><p>Ática, também sedia alguns dos mais conhecidos sítios arqueológicos da</p><p>humanidade: o Parthenon e os edifícios da Acrópole. Entretanto, não é sobre</p><p>a Atenas atual que nos debruçaremos, mas, sim, sobre a Atenas da</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 11/43</p><p>Antiguidade clássica, especificamente sobre o seu desenvolvimento cultural</p><p>e político entre os séculos IV e V a.C. – período também chamado de</p><p>“milagre grego” (Châtelet; Duhamel; Pisier, 2009) – e que de tamanha</p><p>importância é capaz de nos impactar até os dias de hoje. Assim, a despeito</p><p>das importantes invenções nas artes e na técnica, a presente seção trata de</p><p>uma forma política original surgida na Grécia antiga: a pólis, ou a cidade.</p><p>Raiz de inúmeros conceitos e palavras, a</p><p>expressão pólis remete de forma imediata à</p><p>ideia de cidade, não somente no sentido urbano</p><p>e espacial, mas sobretudo no sentido de</p><p>comunidade organizada, de comunidade</p><p>política, na qual os cidadãos são os</p><p>personagens centrais (Nogueira, 2015, p. 703).</p><p>Contudo, foram muitas as pólis surgidas naquele período, e com</p><p>características diversas. Elas se aproximavam por terem</p><p>uma organização política e militar própria, eram autônomas e</p><p>autossuficientes, o que lhes possibilitava serem independentes umas</p><p>das outras (Nogueira, 2015, p. 703).</p><p>Então, por que nos deteremos às vicissitudes de Atenas? Pelos fundamentos</p><p>colocados em prática e que não nos servem exatamente como um modelo a</p><p>ser seguido, mas como uma fonte de inspiração, visto que Atenas foi o lócus</p><p>da gênese do pensamento político, das instituições democráticas e da</p><p>política em um sentido lato: o interesse pela coletividade. Nosso intuito é</p><p>compreender os fundamentos democráticos vivenciados pelos atenienses e</p><p>a política que vem da antiguidade. Para tanto, é preciso dizer que a</p><p>sociabilidade grega era entendida como produzida pela natureza, mas</p><p>passível de ser ordenada pelos homens. A sociabilidade ateniense era então</p><p>vivenciada na pólis, o “lugar por excelência da vida civilizada” (Nogueira,</p><p>2015, p. 703).</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 12/43</p><p>Tomando Aristóteles como referência, Châtelet, Duhamel e Pisier (2009)</p><p>destacam que o homem é um animal político porque tem no agrupamento –</p><p>pólis – uma forma política de viver em uma comunidade consciente, com a</p><p>qual é desejável que cada um desenvolva suas próprias virtudes. E o</p><p>desenvolvimento de suas virtudes só poderia acontecer por conta de uma</p><p>outra importante característica dos gregos da Antiguidade: a relação com o</p><p>tempo.</p><p>O tempo não estava ligado apenas ao trabalho, ao futuro, mas ao que estava</p><p>acontecendo naquele momento, naquela localidade, e o vivenciar o agora</p><p>colocava o desenvolvimento individual como algo muito importante.</p><p>Entretanto, não se trata de um individual como pensamos atualmente,</p><p>egocêntrico e fechado em si, mas algo indissociável da coletividade,</p><p>integrando</p><p>[…] desejos, vontades e interesses em uma convivência coletiva</p><p>(Nogueira, 2015, p. 705).</p><p>Não é por acaso que a palavra grega politikós, com a qual se designa</p><p>tudo aquilo que é próprio da política (politiké), significa também</p><p>polido, cortês, delicado. Do mesmo modo, o termo grego polis, de</p><p>onde vem política, se estende do latim civitas e urbe, de onde vêm</p><p>civil e urbano, que tanto dizem respeito à cidade quanto à</p><p>urbanidade, à civilidade, à cortesia e à afabilidade. Nem mesmo a</p><p>palavra polícia (do grego politeia e do latim politia) escapa dessa raiz:</p><p>tem a ver não tanto com repressão, como pensamos hoje, mas com a</p><p>atividade administrativa dedicada a tutelar e proteger a coletividade e</p><p>suas partes (Nogueira, 2015, p. 703).</p><p>Siga em Frente</p><p>Em relação à autonomia da política, temos dois aspectos a considerar acerca</p><p>dessa discussão:</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 13/43</p><p>1. Segundo a interpretação de Sartori (1981), no mundo grego essa</p><p>autonomia não existia, pois o político e o social estavam completamente</p><p>imbricados, ou seja, tudo que se tratava de política, também se tratava de</p><p>coletividade. Sartori (1981), interpretando os escritos de Aristóteles, afirma</p><p>que a concepção de vida na Grécia tomava o homem como parte intrínseca</p><p>à pólis – ele se fazia nela e ela nele – e aquele que perdesse o vínculo com</p><p>ela estaria sujeito a uma existência não política. Para ele, a pólis era</p><p>considerada uma totalidade, ou seja, condicionava todas as interações</p><p>sociais.</p><p>2. Já Marco Aurélio Nogueira (2015) destaca a autonomia dos demos (a</p><p>parte politicamente ativa, os cidadãos, homens livres nascidos em Atenas)</p><p>em sua capacidade de modificar as leis de acordo com o contexto</p><p>vivenciado. Cabendo lembrar que o</p><p>conceito de cidadania teve origem nas cidades-Estados da Grécia</p><p>antiga, onde o status de “cidadão” era concedido aos que viviam</p><p>dentro dos limites da cidade (Giddens; Sutton, 2015, p. 306).</p><p>O conjunto desses cidadãos era soberano em suas decisões, e a soberania</p><p>era operacionalizada em um ambiente de igualdade política</p><p>da igual repartição da atividade e do poder (Nogueira, 2015, p. 703).</p><p>Mas também de igualdade perante a lei. Em outras palavras, a igualdade</p><p>ateniense se desdobrava na obtenção de um conjunto de direitos que não</p><p>eram passivos, mas ativos no sentido de que a participação não era apenas</p><p>bem-vista como também estimulada, encorajada pelas próprias regras da</p><p>pólis e em como elas eram vivenciadas – e vivenciadas tendo um objetivo</p><p>como norteador: a busca e a conquista do bem comum.</p><p>Outro aspecto destacado por Nogueira (2015) capaz de dialogar com Sartori</p><p>(1981) é a questão da verticalidade na política na antiguidade. No que se</p><p>refere à pólis, podemos dizer que não havia verticalidades acentuadas,</p><p>ao</p><p>contrário. Ressaltará Nogueira (2015) que:</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 14/43</p><p>Não se tratava de um Estado na concepção moderna do termo, como</p><p>uma instituição apartada da sociedade.</p><p>Havia muitos elementos da democracia direta, e o lócus privilegiado da</p><p>participação política direta era a Assembleia do Povo – o corpo</p><p>soberano efetivo –, concretizada em praça pública, portanto, uma</p><p>questão central para as democracias modernas, a saber, a relação</p><p>entre representantes e representados, era secundária na democracia</p><p>ateniense, isto porque não havia “especialistas” em assuntos políticos,</p><p>algo muito corriqueiro na política atualmente.</p><p>Assim, o cidadão na contemporaneidade fica relegado à função de votante</p><p>nos dias marcados para o pleito, e não como um agente capaz de discutir as</p><p>pautas e as ações públicas e seus desdobramentos. A pólis entra em</p><p>decadência no século IV e as causas para tal declínio pode ser resumidas</p><p>em</p><p>um individualismo desenfreado, onde a participação na assembleia</p><p>não é mais entendida como contribuição para o bem comum, mas</p><p>como meio de obter vantagens pessoais” (Bonini, 2004, p. 953).</p><p>E dessa rica experiência, o que fica para nós? Nogueira (2015) elenca</p><p>alguns pontos importantes:</p><p>A possibilidade de domesticarmos a autoridade e o poder.</p><p>Reconhecer no conflito e na apresentação de diferentes pontos de vista</p><p>a possibilidade de convivência pacífica e justa com as diferenças que</p><p>são intrínsecas a todo agrupamento humano (e político).</p><p>A possibilidade de nos ajudar a formular um tipo de sociabilidade mais</p><p>solidária e democrática.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Você se lembra do debate que abrimos no início desta aula? De que na pólis</p><p>ateniense muitas das decisões eram tomadas de forma coletiva? O que isso</p><p>tem a ver com o tempo?</p><p>Vamos responder a essas questões trabalhando com dois polos de análise:</p><p>um que é o tempo para os gregos, e outro que é o tempo para nós na</p><p>contemporaneidade. Na Grécia Antiga, vimos que a cidade ou a pólis era o</p><p>lugar propício para o desenvolvimento de nossas virtudes pessoais – ou seja,</p><p>o nosso bem-estar estava diretamente ligado a uma vivência coletiva.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 15/43</p><p>Por outro lado, o fato de o tempo ser mais longo – no sentido de não ser</p><p>imediato, instantâneo, acelerado – e de não ter uma concepção linear – ou</p><p>seja, oposto à concepção que há um progresso natural da sociedade em</p><p>diferentes aspectos e que devemos persegui-lo a qualquer custo –, mas de</p><p>ser cíclico, faz muita diferença na forma de pensarmos a convivência</p><p>humana e a forma de pensarmos a política. Por quê?</p><p>Porque o tempo cíclico sempre volta e marca substancialmente o conteúdo e</p><p>a forma de nossas decisões, pois nos dá a capacidade de escaparmos do</p><p>individualismo egocêntrico e de nos vermos como parte de uma coletividade,</p><p>assim, aquilo que afeta você poderá me afetar no futuro. Além disso, o tempo</p><p>mais longo, que não está aferrado ao trabalho e à obtenção de experiências</p><p>efêmeras continuamente, nos permite uma vivência mais plena da cidade, de</p><p>seus problemas e eventuais soluções, no “como viver junto”.</p><p>Saiba Mais</p><p>Vamos aprofundar os conhecimentos a respeito da política na antiguidade?</p><p>Indicamos uma leitura da sua Biblioteca Virtual que trata da construção</p><p>romana da política. Entre as principais características da história política de</p><p>Roma, estão cada um dos seus momentos: a monarquia, a república e o</p><p>império. Aprofunde seu entendimento da história política e social de Roma no</p><p>Capítulo 3 do livro Antiguidade clássica: Grécia, Roma e seus reflexos nos</p><p>dias atuais. Também procure o Capítulo 5 para desenvolver uma leitura de</p><p>ligação com o conteúdo da Aula 2 e a contemporaneidade nas contribuições</p><p>da política a partir da Antiguidade Clássica.</p><p>SILVA, L. P. da. Antiguidade Clássica: Grécia, Roma e seus reflexos nos</p><p>dias atuais. Curitiba: Intersaberes, 2017.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BONINI, R. Polis. In: BOBBIO, N. MATTEUCCI, N. PASQUINO, G. (org.).</p><p>Dicionário de política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 16/43</p><p>CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER, E. História das ideias políticas.</p><p>São Paulo: Zahar, 2009.</p><p>GIDDENS, A.; SUTTON, P. W. Conceitos essenciais da Sociologia. São</p><p>Paulo: Editora UNESP, 2015.</p><p>NOGUEIRA, M. A. Polis. In: DI GIOVANNI, G.; NOGUEIRA, M. A. Dicionário</p><p>de políticas públicas. São Paulo: Unesp, 2015.</p><p>SARTORI, G. A política: lógica e método nas Ciências Sociais. Brasília:</p><p>Editora Universidade de Brasília, 1981.</p><p>SILVA, L. P. da. Antiguidade Clássica: Grécia, Roma e seus reflexos nos</p><p>dias atuais. Curitiba: Intersaberes, 2017.</p><p>Aula 3</p><p>CONCEPÇÕES DA POLÍTICA</p><p>NA IDADE MÉDIA</p><p>Concepções da política na Idade</p><p>Média</p><p>Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você</p><p>irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos</p><p>assisti-la? Bons estudos!</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 17/43</p><p>Ponto de Partida</p><p>Saudações, estudante!</p><p>Vamos conversar a respeito da Idade Média, mais precisamente acerca das</p><p>características da política na Idade Média. Imagine que estamos em alguma</p><p>porção de terras onde atualmente está a Europa Ocidental, entre os séculos</p><p>V e IX d.C. Trabalhamos e produzimos alimentos para a subsistência da</p><p>nossa família, e nos organizamos em uma comunidade para proteção dos</p><p>sítios e dos familiares. Porém, ainda não sabemos a real extensão do mundo</p><p>que hoje conhecemos; os grandes impérios estraram em declínio e</p><p>precisamos nos proteger para sobrevivência a partir de uma organização</p><p>política. Parece difícil imaginar uma sociedade sem a forma política</p><p>centralizada que desenvolvemos hoje me dia, mas conhecer a Idade Média e</p><p>posteriormente o feudalismo é tarefa fundamental para compreendermos a</p><p>política e as características do mundo moderno. Por isso, convidamos você</p><p>para uma conversa histórica que trata da política na Idade Média,</p><p>tradicionalmente analisada em Alta Idade Média e Baixa Idade Média. É</p><p>fundamental que nossa conversa contextualize o feudalismo. Vamos</p><p>entender o porquê? Bons estudos!</p><p>Vamos Começar!</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 18/43</p><p>A nossa incursão na política da Idade Média tem como princípio o</p><p>entendimento do feudalismo, sabendo que se trata de uma estrutura política</p><p>que perpassa especialmente a Europa entre os séculos V e XV d.C., um</p><p>período marcado em seu início e fim por dois fatos históricos resumidos a</p><p>seguir:</p><p>• Início: a queda do Império Romano e o fortalecimento de povos que</p><p>estavam fora da cultura greco-romana e que eram antagonistas ao</p><p>expansionismo de Roma.</p><p>• Fim: a tomada de Constantinopla, antiga capital do império romano no</p><p>Oriente, pelos turcos otomanos, inaugurando, assim, a transição para a</p><p>Idade Moderna.</p><p>Destacamos essa periodização do tempo eurocêntrica para fins de</p><p>localização do feudalismo – da emergência dos escombros da Idade Antiga e</p><p>de encerramento na aurora da Idade Moderna – para fins didáticos, pois nos</p><p>ajudará a compreender, no decorrer de nossa exposição, as bases do</p><p>absolutismo e as diferenças entre essas duas estruturas políticas.</p><p>Do que se trata o feudalismo? Para muitos de nós não é um termo novo, já</p><p>que nos faz rememorar as aulas de história que tivemos na escola</p><p>secundária. Contudo, não trataremos neste momento dos aspectos</p><p>ideográficos do feudalismo, um método próprio da história que busca</p><p>descrever e</p><p>sistematizar todas as minúcias de um fato histórico, mas nos</p><p>deteremos na abordagem própria da ciência política, tendo o entendimento</p><p>de sua estrutura política e de sua organização do poder como objetivos</p><p>centrais. Dialogando com essa preocupação, de localizar o feudalismo em</p><p>uma linearidade histórica, Colliva (2004) nos diz que:</p><p>O sistema feudal na sua maturidade outra coisa</p><p>não é senão o produto da tentativa régia,</p><p>parcialmente conseguida, de substituir uma</p><p>nova classe dirigente de origem monárquica</p><p>pelas velhas castas dirigentes, formadas</p><p>tradicionalmente, pelos diversos grupos étnicos</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 19/43</p><p>populares germânicos. Só que a capacidade</p><p>insuspeita desta nova classe se autorreproduzir</p><p>fez com que os monarcas perdessem quase</p><p>completamente o controle do sistema: portanto,</p><p>concebido como realidade substancialmente</p><p>centralizada, o ordenamento feudal assumiu,</p><p>em breve, as características do mais acentuado</p><p>fracionismo. E a história do Ocidente ficou</p><p>irremediavelmente marcada (Colliva, 2004, p.</p><p>490).</p><p>Por esse trecho de Colliva (2004) já delimitamos o tipo de feudalismo que</p><p>estudaremos nesta aula como característico de um fenômeno tipicamente</p><p>europeu-ocidental, pois como bem descreveu Weber (1999), foram muitas as</p><p>experiências de feudalismo – chinês, indiano, otomano –, todas distintas em</p><p>seus antecedentes e evolução, mas próximas sociologicamente por terem</p><p>autênticas relações feudais. Contudo, e apesar dessa pluralidade, foi o</p><p>feudalismo de vassalagem ocidental que trouxe consequências mais</p><p>importantes para desenvolvimento do que viremos a chamar de estado</p><p>absolutista.</p><p>Além de delimitar um tipo de feudalismo, a citação de Colliva (2004) trata de</p><p>outros dois pontos importantes que nortearão nossa exposição: a</p><p>centralização e a descentralização do poder. Adotando como marco histórico</p><p>de início do feudalismo a queda do Império Romano, podemos retomar a</p><p>concepção de império como uma forma política que, a despeito de ter</p><p>objetivos definidos, como o expansionismo e a universalização da civilização</p><p>romana, contêm em si sua própria contradição, pois:</p><p>Quanto mais o império se expande, tanto mais</p><p>se multiplicam os fluxos que o atravessam [...]</p><p>pesam ameaças nas fronteiras distantes; os</p><p>povos recém conquistados apresentam o</p><p>permanente risco de se rebelarem. Se</p><p>permanece em Roma, o imperador abandona</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 20/43</p><p>suas legiões; se se bate nas fronteiras, perde o</p><p>controle da rede administrativa (Châtelet;</p><p>Duhamel; Pisier, 2009, p. 26).</p><p>Nesse sentido, o império como conceito e como realidade empírica transita</p><p>entre a centralização e a descentralização, entre a territorialização e a</p><p>desterritorialização (Hardt; Negri, 2004), e sua derrocada também mantém</p><p>essa lógica. Vamos ser mais específicos: a dispersão política e territorial</p><p>resultou no fortalecimento de povos que estavam fora da cultura greco-</p><p>romana, como dissemos anteriormente, e para tentar manter o poder régio,</p><p>os monarcas foram da cidade para o campo a fim de impedir que a</p><p>fragmentação se acentuasse, afastando do poder uma classe dirigente que</p><p>surgiu de sua própria dinâmica, uma classe dirigente que começava a</p><p>ameaçar a continuidade do poder. Contudo, a escolha de outra classe</p><p>dirigente para ocupar o lugar desta não teve o efeito esperado de neutralizar</p><p>os opositores; ao contrário, ao escolher apoiar as velhas classes dirigentes</p><p>germânicas, os monarcas não atentaram a uma importante característica da</p><p>sociabilidade desses povos: serem fragmentados e descentralizados, ou</p><p>seja, eram o inverso daquilo que objetivavam. Assim, esse fracionismo</p><p>(Colliva, 2004) típico da sociabilidade dos povos germânicos foi incorporado</p><p>ao sistema, resultando no que chamamos de ordenamento feudal. Os povos</p><p>germânicos eram conhecidos pelo nomadismo e pelo eficiente manuseio de</p><p>armas não apenas para fins de sobrevivência (guerra e alimentação), mas</p><p>também para fins simbólicos de produção de honrarias. Somada a isso,</p><p>temos a evidência de que o rei germânico estava mais para chefe militar do</p><p>que para chefe político, mais para guia de expedições militares do que para</p><p>um detentor de autoridade suprema:</p><p>assim, o rei [feudal] era somente o símbolo e o modelo das virtudes</p><p>militares de seu povo (Colliva, 2004, p. 490).</p><p>Esse esquema interpretativo sustenta um dos principais fundamentos da</p><p>estrutura política feudal: a vassalagem ou o senhoralismo.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 21/43</p><p>Essa relação continha, além do aspecto armamentista, uma influência</p><p>significativa dos laços de consanguinidade, contudo, a reprodução da</p><p>vassalagem em larga escala, ou seja, para além dos limites dos grupos</p><p>nômades, somente pode existir por ter se libertado da limitação espacial</p><p>dada pelas configurações familiares, culminando no nomeado vínculo</p><p>vassálico. Dito em outras palavras, a cultura e as normas aprendidas no</p><p>ambiente familiar passaram a se reproduzir, não de forma direta, mas como</p><p>orientadoras de condutas na vassalagem, assim,</p><p>o dever de fidelidade pessoal desprende-se do contexto das relações</p><p>gerais de piedade da comunidade doméstica, desenvolvendo-se</p><p>neste fundamento um cosmo de direitos e deveres (Weber, 1999, p.</p><p>288).</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 22/43</p><p>Figura 1 | Representação artística do feudalismo. Fonte: Wikimedia Commons.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Há, ainda, outro elemento a ser abordado em relação ao desenvolvimento da</p><p>vassalagem: o estabelecimento da fidelidade entre rei e vassalo por meio da</p><p>concessão de benefícios, mais especificamente de concessão de terras,</p><p>portanto, sem o caráter de propriedade (Colliva, 2004). O rei oferece</p><p>proteção e, em contrapartida, o vassalo fica a ele subordinado direta e tão</p><p>somente.</p><p>O feudo completo é sempre um complexo de direitos</p><p>que proporciona rendas e cuja posse pode e deve</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 23/43</p><p>fundamentar uma existência senhorial. Em primeiro</p><p>lugar, direitos senhoriais territoriais e poderes políticos</p><p>rendosos, isto é, direitos senhoriais que proporcionam</p><p>rendas, são concedidos como dotação dos guerreiros</p><p>(Weber, 1999, p. 290).</p><p>Para Colliva (2004, p. 491), portanto,</p><p>[...] o instituto feudal, como negócio jurídico, pode ser definido como</p><p>uma espécie de contrato desigual, privado, mas com crescente</p><p>relevância pública.</p><p>O que lembra o conceito de “patrimonialismo” em Max Weber, que veremos</p><p>mais adiante nesta disciplina. O instrumento patrimonial materializava a</p><p>relação vassálica. A terra como conteúdo concreto se tornou um bem muito</p><p>mais valioso do que benefícios régios de cargos e títulos, mesmo porque</p><p>estamos nos referindo a uma economia predominantemente natural. Sem o</p><p>entendimento dessa materialização não é possível compreender o processo</p><p>de descentralização monárquica que marca o feudalismo e que será</p><p>combatido no futuro, pois se a um lado o fracionismo germânico, como</p><p>dissemos antes, foi capaz de infundir germes no estabelecimento do</p><p>ordenamento feudal, por outro, sua ampla ramificação pelo usufruto das</p><p>terras, especialmente na Europa do século IX, fez do feudalismo um:</p><p>[...] instrumento fundamental nas mãos das novas</p><p>aristocracias locais [gerando] uma parede impenetrável</p><p>ao poder soberano nas províncias que iniciavam aquela</p><p>progressiva autocefalização e fragmentação, que</p><p>constituem o dado mais característico da sociedade</p><p>feudal no seu apogeu (Colliva, 2004, p. 492).</p><p>No escopo da fragmentação ocorrida já por volta do século XIII, situaremos</p><p>outra forma específica de exercício do poder: o absolutismo. E se a um lado</p><p>seu término é consensualmente localizado na inauguração da Revolução</p><p>Francesa, seu início não pode ser atribuído a um evento único ou tão bem</p><p>situado na história, restando a compreensão de que teria emergido na</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 24/43</p><p>transição do sistema feudal para o Estado moderno, em que já se podia</p><p>experimentar o desenvolvimento de monarquias com nuances nacionalistas.</p><p>Veremos mais a esse respeito posteriormente.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>É interessante observarmos que a política na Idade Média constrói a forma</p><p>de organização do feudalismo. Como na história da Alta Idade Média, temos</p><p>a realidade conflituosa em que as populações buscam se organizar a partir</p><p>do poder, da dominação e da sobrevivência – a partir do declínio</p><p>principalmente romano, em se tratando da história da Europa em que se</p><p>desenrola o feudalismo –, e percebe-se a diferença para o período da Baixa</p><p>Idade Média. O camponês da Alta Idade Média não é o mesmo camponês da</p><p>Baixa Idade Média em que se desenvolve o modelo feudal de sociedade e</p><p>organização política. Por isso, a organização política do feudo retrata a</p><p>realidade dos conflitos, do poder e da dominação que constitui uma</p><p>sociedade estamental e o trabalho servil. O apogeu e crise do modelo feudal</p><p>europeu ocorre do século X ao XV, sobretudo nos laços como conhecemos</p><p>de uma sociedade estamental. Portanto, a diferença da nossa situação</p><p>levantada ao começo da aula é que agora somos servos presos à terra a</p><p>partir do trabalho servil e na relação de suserania e vassalagem como</p><p>elemento central das relações de poder.</p><p>Saiba Mais</p><p>Vamos conhecer mais elementos da política na Idade Média a partir do</p><p>conhecimento histórico? Indicamos, a seguir, um texto que trata da evolução</p><p>do sistema feudal europeu, que estudamos nesta aula, e com ele você pode</p><p>aprofundar seus conhecimentos a respeito da formação da era moderna. A</p><p>obra está disponível em sua Biblioteca Virtual.</p><p>SANTIAGO, T. Do feudalismo ao capitalismo: uma discussão histórica.</p><p>São Paulo: Contexto, 2015.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 25/43</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>CALAINHO, D. B. História medieval do Ocidente. São Paulo: Vozes, 2014.</p><p>CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER, E. História das ideias políticas.</p><p>São Paulo: Zahar,2009.</p><p>COLLIVA, P. Verbete Feudalismo. In: BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.;</p><p>PASQUINO, G. (org.). Dicionário de política. V. 2. Brasília: Editora</p><p>Universidade de Brasília, 2004.</p><p>FOSSIER, R. O trabalho na Idade Média. São Paulo: Vozes, 2018.</p><p>HARDT, M.; NEGRI, A. Império. Buenos Aires: Paidós, 2004.</p><p>WEBER, M. Economia e sociedade. V. 2. Brasília: Editora Universidade de</p><p>Brasília, 1999.</p><p>SANTIAGO, T. Do feudalismo ao capitalismo: uma discussão histórica.</p><p>São Paulo: Contexto, 2015.</p><p>Aula 4</p><p>A IDADE MODERNA E A</p><p>CIÊNCIA POLÍTICA</p><p>A Idade Moderna e a Ciência</p><p>Política</p><p>Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você</p><p>irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 26/43</p><p>assisti-la? Bons estudos!</p><p>A Idade Moderna e a Ciência Política</p><p>Ponto de Partida</p><p>Olá, estudante!</p><p>Você tem um comércio? É proprietário de uma loja virtual ou de algum</p><p>estabelecimento comercial? Trabalha de forma autônoma? Vende</p><p>mercadorias? Então, você poderia ser conhecido na Itália da renascença</p><p>como um comerciante ou mercador. É dessa realidade histórica que surge o</p><p>embrião do capitalismo contemporâneo. Mas vamos com calma. No início da</p><p>chamada “Era moderna”, o comércio estava em ascensão com a crise do</p><p>feudalismo europeu, e é nesse contexto que surgirá a ciência política.</p><p>Precisamos compreender a gênese do mundo moderno e das relações</p><p>políticas que originaram a forma como nos organizamos atualmente; uma</p><p>tarefa e tanto. Vamos lá!</p><p>Vamos Começar!</p><p>Maquiavel e a ciência política</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 27/43</p><p>O termo ciência remonta o fim da Idade Média, quando havia uma</p><p>preocupação em descrever tanto o conhecimento adquirido até então quanto</p><p>aquilo que era passível de observação da vida, mas é a chamada Revolução</p><p>Científica do século XVII que demarcará definitivamente esse termo como</p><p>um método de investigação. Alguns cientistas partícipes da Revolução</p><p>Científica do século XVII foram fundamentais para a evolução do</p><p>pensamento científico. Nas ciências naturais, destacamos Galileu Galilei</p><p>(1564-1642) e Isaac Newton (1643-1727), e naquilo que podemos chamar de</p><p>os primórdios das ciências sociais, está Francis Bacon (1561-1626) e seu</p><p>legado de um empirismo latente à matéria.</p><p>No entanto, se para entendermos a ciência política é necessário primeiro</p><p>distinguir a ciência da política, então, do que se trata esse último termo? É</p><p>importante dizer que há um elemento de autonomia, de distinção na política,</p><p>mas com relação a quê? Nicolau Maquiavel (1469-1527) pode ser</p><p>considerado o primeiro teórico a dissociar completamente a política de outras</p><p>duas formas de enxergar o mundo e de orientar comportamentos: a moral e</p><p>a religião. Essa dissociação nos diz que a política não é apenas diferente da</p><p>religião e da moral, mas é sobretudo autônoma, no sentido de ter suas</p><p>próprias leis, padrões e regularidades.</p><p>Se a política tem essa autonomia no que concerne aos agrupamentos</p><p>humanos, como podemos defini-la? Para Weber, a política é um conceito</p><p>bastante amplo, mas que pode ser visto como um</p><p>conjunto de esforços feitos com vistas a participar do poder ou a</p><p>influenciar a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior de</p><p>um único Estado (Weber, 1968, p. 56).</p><p>Ele está destacando duas entidades constitutivas da política: o Estado e a</p><p>liderança política.</p><p>Entenderemos por política apenas a direção do agrupamento político</p><p>hoje denominado “Estado” ou a influência que se exerce em tal</p><p>sentido. Mas o que é um agrupamento “político”, do ponto de vista de</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 28/43</p><p>um sociólogo? O que é um Estado? Sociologicamente, o Estado não</p><p>se deixa definir por seus fins. Em verdade, quase que não existe uma</p><p>tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado</p><p>alguma vez; de outro lado, não é possível referir tarefas das quais se</p><p>possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade,</p><p>aos agrupamentos políticos hoje chamados Estados ou que se</p><p>constituíram, historicamente, nos precursores do Estado moderno.</p><p>Sociologicamente, o Estado não se deixa definir a não ser pelo</p><p>específico meio que lhe é peculiar, tal como é peculiar a todo outro</p><p>agrupamento político, ou seja, o uso da coação física (Weber, 1968,</p><p>p. 55-56).</p><p>Assim, Weber (1968) está dizendo que a política está voltada para a ação</p><p>pública no interior do que denominamos Estado moderno, e este como um</p><p>tipo de agrupamento político, um tipo de Estado historicamente localizado,</p><p>apenas se diferencia de seus precursores por ser capaz de em um território</p><p>delimitado usar a força das polícias, do Exército, de forma legítima. Além</p><p>disso, Weber (1968) afirma que todo aquele que se entrega à política, aspira</p><p>o poder – seja porque o considere instrumento a serviço da consecução de</p><p>outros fins, ideais ou egoístas, seja porque deseje o poder “pelo poder”. Ele</p><p>distingue duas maneiras</p><p>desse fazer: entre aqueles que vivem “para” a</p><p>política, que têm uma causa a ser defendida, sendo esta sua motivação</p><p>única; e aqueles que vivem “da política”, tendo essa atividade como fonte de</p><p>renda.</p><p>Mas foi um filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527), que soube como</p><p>ninguém entender essas transformações, e o lugar de suas observações e</p><p>reflexões era a Península Itálica que, com o fim do período medieval,</p><p>passava por um longo processo que consolidava a região de Florença em</p><p>meio ao intenso período que inclui o final da Idade Média. Cabe destacar que</p><p>a Península Itálica vivenciou uma experiência feudal muito particular, em que</p><p>a fragmentação não se tornou tão acentuada e em que houve a</p><p>recuperação de um tecido nacional através do reaparecimento do</p><p>instituto monárquico” (Colliva, 2004, p. 492)</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 29/43</p><p>Possível ainda que sua plena unificação tenha sido tardia em relação aos</p><p>demais Estados nacionais europeus.</p><p>Figura 1 | Mapa da Península Itálica em 1494. Fonte: Wikimedia Commons.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Foi o secretário florentino quem, segundo por Châtelet, Duhamel e Pisier</p><p>(2009, p. 36), introduziu a ruptura decisiva em relação aos ensinamentos da</p><p>teologia como orientadores da prática política, e foi ele quem deu ao Estado</p><p>a:</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 30/43</p><p>[...] significação de poder central soberano legiferante e capaz de</p><p>decidir, sem compartilhar esse poder com ninguém, sobre as</p><p>questões tanto exteriores quanto internas de uma coletividade.</p><p>Podemos, portanto, dizer que Maquiavel foi o primeiro a publicizar o</p><p>entendimento de que as questões relativas à política e ao Estado deveriam</p><p>estar separadas das questões próprias da religião e da moral, isto porque a</p><p>política deve estar orientada para a manutenção desse Estado; esse é o fim,</p><p>a finalidade da política.</p><p>Em seu livro mais conhecido, O Príncipe, escrito em 1513 e publicado</p><p>postumamente em 1533, o autor sistematiza conselhos destinados ao</p><p>governante, condottiere ou príncipe (todos tidos como sinônimos). Esses</p><p>conselhos não estão ancorados em um repertório de conduta moral, mas tão</p><p>somente no que é necessário para a manutenção, a unificação e o</p><p>fortalecimento do Estado.</p><p>Como diplomata e burocrata, Maquiavel (1976) pôde pesquisar a natureza da</p><p>política e coletar dados e material para a elaboração de seus estudos. Assim,</p><p>seu olhar não partia de um mundo ideal ou de um Estado ideal, mas do</p><p>mundo que estava vivenciando, de certa forma, da observação empírica e do</p><p>estudo da história.</p><p>Essa foi uma importante ruptura em relação às reflexões políticas anteriores,</p><p>pois tendo a política uma lógica própria, autônoma, Maquiavel (1976)</p><p>introduz a substituição:</p><p>• Do dever ser pelo ser.</p><p>• Do idealismo para o realismo político.</p><p>É com Maquiavel que do ponto de vista teórico veremos primeiro a natureza</p><p>do que virá a ser chamado de Estado moderno, vertical por essência, e</p><p>principalmente a importância do príncipe.</p><p>O príncipe ter ou não uma conduta moralmente aceitável é secundária,</p><p>embora não totalmente dispensável, visto que ele deve agir conforme as</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 31/43</p><p>circunstâncias. Assim, a bondade e a generosidade devem estar</p><p>subordinadas à manutenção do Estado. Dessa forma, entre ser amado ou</p><p>temido, Maquiavel (1976) afirma que é mais seguro ser temido, e que se o</p><p>príncipe não puder suscitar amor entre os súditos, que ao menos evite o ódio</p><p>e ocasione o respeito. Nessa perspectiva, destacamos um trecho contido no</p><p>capítulo V de O Príncipe:</p><p>Como se devem governar as cidades ou principados que, antes de</p><p>serem ocupados, se regiam por leis próprias.</p><p>Quando se conquista um país acostumado a viver segundo as suas</p><p>próprias leis e em liberdade, três maneiras hão de proceder para</p><p>conservá-lo: ou destruí-lo; ou ir nele morar; ou deixá-lo viver com as</p><p>suas próprias leis, exigindo-lhe um tributo e estabelecendo nele um</p><p>governo de poucas pessoas que o mantenham fiel ao conquistador</p><p>(Maquiavel, 1976, p. 55).</p><p>O verdadeiro príncipe, ou condottiere, para manter-se no poder deve ser</p><p>capaz de combinar virtu e fortuna. A fortuna se refere ao circunstancial, ao</p><p>imponderável, ou seja, ao contexto e às condições que são dadas</p><p>independentemente da vontade do príncipe, e a virtu se refere à capacidade</p><p>pessoal do príncipe de usar a fortuna em seu proveito, e ao fim em proveito</p><p>da manutenção do Estado – uma sabedoria de agir conforme as</p><p>circunstâncias e as necessidades, e não conforme um arcabouço moral.</p><p>A reabilitação de Maquiavel de “autor maldito”, capaz de inspirar toda a sorte</p><p>de tiranos, segundo Sadek (2006), veio do fato de a obra ser um dos mais</p><p>importantes tratados políticos já escrito, defendendo a liberdade e a</p><p>soberania do Estado, ainda que fossem empregados meios pouco usuais.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Se você não trabalha no comércio, com certeza já comprou mercadorias.</p><p>Atualmente, as relações comerciais – a compra e venda de mercadorias –</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 32/43</p><p>são questões corriqueiras. Portanto, a origem da sociedade dos nossos dias</p><p>deve ser buscada no período em que o comércio transforma realidades</p><p>históricas a partir de novas formas de trabalho e em conjunto com novas</p><p>formas políticas de organização da sociedade moderna. Cercadas pela</p><p>revolta social dos camponeses contra a exploração feudal e com a crise do</p><p>modelo de sociedade feudal europeu concomitante à busca por novos</p><p>mercados no período da renascença, inauguram-se novas formas de vida na</p><p>política, com a centralização do poder político, que mais à frente na história</p><p>consolidará o que atualmente conhecemos como Estado moderno. É nesse</p><p>cenário que a ciência política surge, com objeto e método próprios, a partir</p><p>do realismo político de Nicolau Maquiavel.</p><p>Saiba Mais</p><p>Para qualquer estudante de ciência política, a leitura e a pesquisa da obra de</p><p>Nicolau Maquiavel parecem inevitáveis. Vamos conhecer um pouco mais</p><p>desse pensador? À sua disposição na Biblioteca Virtual, procure:</p><p>COLLIN, D. Compreender Maquiavel. São Paulo: Vozes, 2019.</p><p>Também é fundamental que o cenário histórico do Renascimento, quando se</p><p>desenvolvem relações modernas, seja mais bem conhecido. Para isso,</p><p>busque na Biblioteca Virtual o seguinte livro:</p><p>LOBO, A. M. C. Percursos da história moderna. Curitiba: Intersaberes,</p><p>2017.</p><p>Nesse trabalho, direcione a leitura para o Capítulo 1, que trata da Idade</p><p>Moderna e do Renascimento. Tenha uma ótima leitura!</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BARROS, V. S. de C. 10 Lições sobre Maquiavel. Petrópolis: Vozes, 2014.</p><p>CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER, E. História das ideias políticas.</p><p>São Paulo: Zahar, 2009.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 33/43</p><p>COLLIN, D. Compreender Maquiavel. São Paulo: Vozes, 2019.</p><p>COLLIVA, P. Verbete Feudalismo. In: BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.;</p><p>PASQUINO, G. (org.).</p><p>Dicionário de política. V. 2. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.</p><p>LOBO, A. M. C. Percursos da história moderna. Curitiba: Intersaberes,</p><p>2017.</p><p>MAQUIAVEL, N. O príncipe. 6. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.</p><p>MAQUIAVEL, N. O conspirador. São Paulo: Vozes, 2019.</p><p>RODRIGUES, A. E. M.; KAMITA, J. M. História moderna: os momentos</p><p>fundadores da cultura ocidental. São Paulo: Vozes, 2018.</p><p>SADEK, M. T. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de</p><p>virtú. In: WEFFORT, F. (org.). Os clássicos da política. São Paulo:</p><p>Ática,</p><p>2006.</p><p>WEBER, M. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 1968.</p><p>Encerramento da Unidade</p><p>INTRODUÇÃO À CIÊNCIA</p><p>POLÍTICA: ANÁLISES E</p><p>PERSPECTIVAS</p><p>Videoaula de Encerramento</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 34/43</p><p>Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você</p><p>irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos</p><p>assisti-la? Bons estudos!</p><p>Ponto de Chegada</p><p>Olá, estudante!</p><p>Para desenvolver a competência desta unidade, que é compreender a</p><p>historicidade do conceito de poder, política e sociedade, tradicionalmente</p><p>ligada à ciência política em diferentes formas e contextos de organização da</p><p>vida política e social, você deverá primeiramente conhecer os conceitos</p><p>fundamentais apresentados didaticamente, de uma forma histórica que</p><p>considera o caminho literário tradicional, com alguns recortes.</p><p>Da filosofia política ao feudalismo</p><p>A gênese de compreensão da política e da origem da vida política podem ser</p><p>buscadas na filosofia política. Isso porque os principais traços de “invenção”</p><p>da política remontam o surgimento das cidades, não como espaços urbanos</p><p>como conhecemos, mas sim, como a pólis, o lugar por excelência em que se</p><p>vive a política, e em que se exercem os poderes políticos em uma forma de</p><p>organização alternativa ao “despotismo”.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 35/43</p><p>Derivado do adjetivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o</p><p>que se refere à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil,</p><p>público, e até mesmo sociável e social, o termo Política se expandiu</p><p>graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política,</p><p>que deve ser considerada como o primeiro tratado sobre a natureza,</p><p>funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo</p><p>(Bobbio; Matteucci; Pasquino, 1998, p. 954.)</p><p>Para os gregos, a finalidade da vida política era a justiça na</p><p>comunidade (Chaui, 2014, p. 318).</p><p>Para os romanos, inspirando-se no</p><p>governante-filósofo de Platão, os pensadores romanos produzirão o</p><p>ideal do príncipe perfeito ou do bom governo (Chaui, 2014, p. 321).</p><p>Por isso, o significado da invenção da política aparece:</p><p>Para responder as diferentes formas assumidas pela luta de classes,</p><p>a política é inventada de um modo que, a cada solução encontrada,</p><p>um novo conflito ou uma nova luta podem surgir, exigindo novas</p><p>soluções. Em lugar de reprimir os conflitos pelo uso da força e da</p><p>violência das armas, a política aparece como trabalho legítimo dos</p><p>conflitos, de tal modo que o fracasso desse trabalho torna-se a causa</p><p>do uso da força e da violência (Chaui, 2014, p. 315).</p><p>A concepção de política que vem da antiguidade está muito ligada aos</p><p>pensadores gregos e romanos pela “invenção da política” com os traços que</p><p>ainda analisamos atualmente. É claro que não se pode cometer o equívoco</p><p>de transportar a realidade contemporânea e sua complexidade, que a história</p><p>transformou, para hoje, contudo, no reservado contexto conflituoso da</p><p>antiguidade, a partir dos gregos e romanos, ainda problematizamos as</p><p>instituições, os governantes, as leis, o poder e a autoridade modernos. Para</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 36/43</p><p>o cientista político, a filosofia política e os pensadores da política que vêm da</p><p>antiguidade materializaram o vínculo entre a ética e a política. Por isso, não</p><p>há como negar a importância do que desenvolviam em relação à qualidade</p><p>das leis e do poder com foco na cidade e nas qualidades morais de seus</p><p>cidadãos, da justiça e do bem comum, contudo, a Antiguidade deve ser</p><p>orientada para uma crítica aos modelos escravistas de sociedade e dessas</p><p>relações de opressão que constituem a base real em que se erguem os</p><p>modelos políticos antigos.</p><p>Já no contexto e para compreensão da historicidade do poder e das relações</p><p>de poder e política na Idade Média, precisamos contextualizar que a</p><p>realidade capitalista que nos cerca atualmente como modelo de sociedade,</p><p>está muito ligada ao processo que se configura no território europeu dos</p><p>séculos V ao XV d.C., mais precisamente entre os séculos X e XV, no</p><p>apogeu e crise do modelo de sociedade feudal europeu.</p><p>Uma ressalva se encaixa no argumento que tomamos: escolher a</p><p>compreensão do modelo de feudalismo europeu se deve pela origem da</p><p>sociedade moderna, capitalista, industrial, como hoje a conhecemos, ser</p><p>buscada a partir da crise desse modelo de feudalismo frente a outros no</p><p>mundo. Neste ponto é importante conhecer as estruturas que de maneira</p><p>ampla e geral originaram o moderno Estado.</p><p>Os conflitos entre os vários atores envolvidos nesse processo foram,</p><p>simultaneamente, de natureza política e jurídica, e que nessa</p><p>discussão construíram-se os alicerces legais e ideológicos do poder</p><p>do Estado, ao mesmo tempo em que se determinou sua extensão”</p><p>(Kritsch, 2004, p.103).</p><p>Strayer indicou três condições essenciais à constituição do Estado a</p><p>partir das formações medievais: 1) o aparecimento de unidades</p><p>políticas persistentes no tempo e geograficamente estáveis; 2) o</p><p>desenvolvimento de instituições duradouras e impessoais; 3) o</p><p>surgimento de um consenso quanto à necessidade de uma</p><p>autoridade suprema e a aceitação dessa autoridade como objeto da</p><p>lealdade básica dos súditos (Kritsch, 2004, p.104).</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 37/43</p><p>Maquiavel e a ciência política</p><p>Quando Nicolau Maquiavel estabelece a sua obra e o seu realismo político,</p><p>algumas condições históricas já estavam amadurecidas com a crise do</p><p>feudalismo europeu e o contexto formador do comércio, das trocas e do</p><p>próprio Renascimento.</p><p>Quando Maquiavel escreveu, não precisou cuidar de questões legais</p><p>(ele referia-se já à lei como um dado político e social). O trabalho de</p><p>construção já tinha sido realizado: o Estado, como entidade</p><p>juridicamente definida, era um fato plenamente desenvolvido, não</p><p>uma novidade (Kritsch, 2004, p. 103).</p><p>Neste sentido, outro ponto se levanta: o realismo de Maquiavel aparece em</p><p>contraposição ao idealismo da política na Antiguidade Clássica, mesmo na</p><p>essência da realização da filosofia política no campo da justiça, da ética e</p><p>das leis, do poder e da autoridade. Fato é que a realidade medieval está</p><p>separada por mil anos de conflitos e transformações jurídico-políticas</p><p>materializadas pelo próprio feudalismo em declínio.</p><p>Para compreender as relações de poder e a materialização da ciência</p><p>política, a obra de Maquiavel é condição necessária. A literatura ocidental</p><p>considera que as relações políticas da pólis e o seu caráter normativo das</p><p>leis e da justiça por muito tempo investigam a política nos termos da moral.</p><p>Na Idade Média, essa tendência permanece, só que, em vez de</p><p>preceitos racionais e abstratos arquitetados pela razão humana […]</p><p>[A Igreja desempenha um papel central na ordem social em que se</p><p>estabelece o feudalismo, na]</p><p>estruturação de uma ordem universal, harmônica e pacífica, tendo por</p><p>lastro os ditames cristãos – associando a prática política a ética da</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 38/43</p><p>Igreja (Barros, 2016, p. 59).</p><p>Mas o que de fato Maquiavel desenvolveu em termos diretos para a ciência</p><p>política?</p><p>É com esse pensador que a ciência política ganha objeto e método próprios</p><p>e o status de ciência, por colocar o fenômeno do poder no centro da análise.</p><p>A teoria de Maquiavel, ao colocar no epicentro da análise o fenômeno das</p><p>relações de poder na história, considera</p><p>a política como fenômeno concreto</p><p>e a realidade dos fatos políticos a partir da empiria e da objetividade</p><p>científica. Percebemos essa característica com a análise que Maquiavel</p><p>desenvolve para além da idealização de governos bons ou juntos como nas</p><p>condições teóricas da Antiguidade – ele volta a atenção para uma</p><p>sistematização</p><p>fria da política, observando-a, antes de tudo, com o estudo da luta</p><p>pelo poder” […]</p><p>Desse modo, ao não analisar as questões do Estado por intermédio</p><p>da moral, Maquiavel termina por conferir ao universo político sua</p><p>autonomia, analisando-o como uma esfera de atuação – sujeita à sua</p><p>própria lógica e as suas próprias leis – separada da ética, da religião</p><p>e do direito (Barros, 2016, p. 60)</p><p>A política ganha sua dimensão própria quanto é separada da moral e da</p><p>idealização do bom governante, e fica sujeita a uma ética muito mais utilitária</p><p>do poder. Por esse motivo, ao interesse “público” não importa o meio ou</p><p>caminho para a política se fazer pelas mãos do governante – que pode</p><p>esconder as reais intenções no uso do poder do Estado.</p><p>É Hora de Praticar!</p><p>Leia a seguinte passagem:</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 39/43</p><p>A política se faz atualmente através do uso das novas tecnologias,</p><p>das redes sociais, afirmando-se “verdades” ou disseminando-se “fake</p><p>news”, com gestos de humanos e de robôs. Apesar da profusão de</p><p>discursos que defendem o “fim da política” (assim como outros</p><p>defendem o “fim da história”, o “fim do comunismo” etc.), observa-se</p><p>pelas redes sociais que a política tem mobilizado muitas paixões,</p><p>inclusive desfazendo amizades virtuais. Entretanto, fatores como os</p><p>anteriormente mencionados – novas tecnologias, redes sociais, fake</p><p>news – representam apenas uma parte de uma nova configuração de</p><p>política que está se delineando (Furlaneti; Bueno, 2019, p. 1).</p><p>Imagine a seguinte situação: você é o chefe de gabinete de um governo, e</p><p>deve proferir um discurso para a nação, uma nota geral para imprensa</p><p>prestando esclarecimentos acerca de uma mentira e um boato de corrupção</p><p>no governo que foi espalhado como fake news pelas redes sociais e canais</p><p>de notícias na internet. Você deve utilizar frieza e argumentos a partir da obra</p><p>e do pensamento de Nicolau Maquiavel para escrever essa nota. Quais</p><p>argumentos você buscaria para enriquecer sua nota para a imprensa?</p><p>Reflita</p><p>Será que atualmente podemos refletir a respeito do poder e da política com</p><p>os vetores de justiça e bem comum desenvolvidos pelos filósofos da</p><p>Antiguidade Clássica?</p><p>Quais características consolidaram a formação do mundo moderno a partir</p><p>da Idade Média e da crise do feudalismo europeu?</p><p>É possível afirmarmos que Nicolau Maquiavel é o fundador da ciência</p><p>política?</p><p>Vídeo com a resolução do estudo de caso</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 40/43</p><p>Resolução do estudo de caso</p><p>Para analisarmos e entendermos questões contemporâneas no campo</p><p>político, é preciso um bom conhecimento histórico e sobretudo da política</p><p>clássica. Os argumentos de Nicolau Maquiavel, no seu livro O Príncipe,</p><p>podem ser usados de diferentes maneiras no trato com a habilidade dos</p><p>argumentos políticos, sobretudo quando se trata do distanciamento que o</p><p>governante deve observar para manutenção do poder. Veja o Capítulo XVIII:</p><p>Todos veem aquilo que pareces, mas poucos sentem o que és; e</p><p>estes poucos não ousam opor-se a opinião da maioria, que tem, para</p><p>defendê-la, a majestade do Estado. Como não há tribunal onde</p><p>reclamar as ações de todos os homens, e principalmente dos</p><p>príncipes, o que conta por fim são os resultados. Cuide pois o</p><p>príncipe deve vencer e manter o Estado: os meios serão sempre</p><p>julgados honrosos e louvados por todos, porque o vulgo está sempre</p><p>voltado para as aparências e para o resultado das coisas, e não há</p><p>no mundo senão o vulgo; a minoria não tem vez quando a maioria</p><p>tem onde se apoiar (Maquiavel, 2018).</p><p>Podemos pensar que, para Maquiavel, uma ação governamental é moral ou</p><p>imoral, dependendo do benefício que traz para a população ou povo, à parte</p><p>de qualquer ato ilícito cometido para esse benefício geral.</p><p>Material Complementar</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 41/43</p><p>Fonte: elaborada pelo autor.</p><p>Referências</p><p>BARROS, V. S. de C. 10 Lições sobre Maquiavel. Petrópolis: Vozes, 2014.</p><p>BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. (org.). Dicionário de política.</p><p>Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.</p><p>CHAUI, M. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Ática, 2014.</p><p>COLLIN, D. Compreender Maquiavel. São Paulo: Vozes, 2019.</p><p>COSTA, S. P. M. Idade Média: mil anos no presente. Porto Alegre:</p><p>ediPUCRS, 2016.</p><p>FURLANETI, O. N.; BUENO, A. M. Discursos políticos na</p><p>contemporaneidade: desafios teóricos e analíticos. Estudos Semióticos [on-</p><p>line], v. 15, n. 1. São Paulo, 2019. Disponível em:</p><p>https://www.revistas.usp.br/esse/article/download/148997/155115/363464.</p><p>Acesso em: 29 dez. 2023.</p><p>KRITSCH, R. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de</p><p>seus elementos formadores. Rev. Sociologia e Política, Curitiba, v. 23, p.</p><p>103-114, nov. 2004.</p><p>MAQUIAVEL, N. O príncipe. 6. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.</p><p>REZENDE, J. Filosofia simples e prática. Curitiba: Intersaberes, 2020.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 42/43</p><p>https://www.revistas.usp.br/esse/article/download/148997/155115/363464</p><p>STIRN, F. Compreender Aristóteles. 4. ed. São Paulo: Vozes, 2011.</p><p>06/08/2024, 15:32 Introdução à Ciência Política: Análises e Perspectivas</p><p>https://alexandria-html-published.platosedu.io/65738123da1460eee48c5239/v1/index.html 43/43</p>

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