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<p>INSTITUTO SUPERIOR MUTASA</p><p>Licenciatura em Psicologia Social e do Trabalho</p><p>Disciplina: AGO</p><p>Tema: Gestão da Qualidade das Organizações</p><p>Turma: B Pós laboral Sala: 36 2º Ano</p><p>Discentes:</p><p>1-José Mesquita</p><p>2-Arminda Alexandre</p><p>3-Ana Isabel</p><p>4-Jascito zefanisa</p><p>5-Saide Marcos Natala</p><p>6-Muanssumo Aly Mabui</p><p>7-Mirfaty Isac Ambasse</p><p>8-Telma Cristina Manuel</p><p>Docente:</p><p>Narciso Silvio</p><p>Maputo, Agosto, 2024</p><p>INSTITUTO SUPERIOR MUTASA</p><p>Licenciatura em Psicologia Social e do Trabalho</p><p>Disciplina: AGO</p><p>GESTÃO DA QUALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES</p><p>Trabalho de campo apresentado ao departamento de Ciências Sociais e Humanas, como requisito para avaliação na Disciplina de AGO, sob orientação do Docente: Narciso Silvio</p><p>Discentes:</p><p>1-José Mesquita</p><p>2-Arminda Alexandre</p><p>3-Ana Isabel</p><p>4-Jascito zefanisa</p><p>5-Saide Marcos Natala</p><p>6-Muanssumo Aly Mabui</p><p>7-Mirfaty Isac Ambasse</p><p>8-Telma Cristina Manuel</p><p>Maputo, Agosto, 2024</p><p>ÍNDICE</p><p>1.Introdução 4</p><p>1.1.Justificativa 5</p><p>1.2. Metodologia 5</p><p>2.REFERENCIAL TEÓRICO 6</p><p>2.1. Breve Histórico da Qualidade 6</p><p>2.2. Conceitos da Qualidade 7</p><p>2.3. Gestão de qualidade 9</p><p>2.3.1. Controle de qualidade 9</p><p>2.3.2. Importância da Qualidade nas Organizações 10</p><p>2.3.3. Princípios de gestão da qualidade 12</p><p>2.3.3.1. Norma NP EN ISO 9001:2008l 12</p><p>2.3.4. Gestão de Qualidade das Organizações Moçambicanas 13</p><p>2.4.1. Sistemas de Gestão da Qualidade de uma Empresa Moçambicana (CONSULTEC) 14</p><p>3.Considerações Finais 15</p><p>4.Referências Bibliográficas 16</p><p>1. Introdução</p><p>A qualidade de um produto é uma das necessidades de pré-existência do que um factor estratégico como se tem visto actualmente no mercado, isto é, já a muitos anos a sociedade consumidora de um produto manifestava o interesse na qualidade do produto, tanto que criou mecanismos e ferramentas para sua implementação” (Oliveira, 2003).</p><p>Assim na execução do produto, a qualidade era um factor que os produtores e executores já deviam considerar. Graças as demais teorias que hoje os produtores que procuram qualidade em seus serviços se orientam e também com base em normas destacando-se as mais abrangentes normas internacionais de qualidade para as organizações a ISO 9000 e ISO 9001, em que a ISO 9000 define o conjunto de fundamentos e vocabulário (termos, definições e conceitos) aplicados para a qualidade do produto, enquanto que a ISO 9001 determina a partir dos fundamentos e princípios da ISO 9000 os requisitos que devem ser seguidos e como implementa – los para atingir a qualidade do produto de acordo com as especificações.</p><p>A gestão da qualidade abrange uma visão macro da existência humana, influenciando modos de pensar e de agir. Qualidade significa muito mais do que apenas o controle da produção, a qualidade intrínseca de bens e serviços, o uso de ferramentas e métodos de gestão, ou a assistência técnica adequada. Num sentido mais amplo, o conceito de qualidade total ou de gestão da qualidade passou a significar modelo de gerenciamento que busca a eficiência e a eficácia organizacional. (JUNIOR, 2003).</p><p>A estrutura e o funcionamento do processo de Gestão da Qualidade envolvem um conjunto de referências, por exemplo: qualidade como conceito dinâmico, qualidade como um termo de domínio público, a cultura da qualidade (transformar a qualidade em um valor), entre outros que direciona todas as suas ações. Os mais relevantes referem-se à forma de como se entende a qualidade, ou seja, a definição da qualidade adotada em cada organização.</p><p>O controle da qualidade destaca-se, nesse contexto, como importante ferramenta pois reconhece as necessidades das pessoas e estabelece padrões para o atendimento dessas necessidades, visa manter os padrões que atendem às necessidades e, ainda, visa melhorar (continuamente) os padrões (CAMPOS, 1999).O processo de qualidade torna-se importante para as organizações, uma vez que, com o desenvolvimento da qualidade, conduzirá a empresa a competir no mercado atual. Para que a empresa possa sobreviver é necessário desenvolver novos produtos ou serviços (melhores, mais baratos, mais seguros, de entrega mais rápida, de manutenção mais fácil etc. que os dos concorrentes) (CAMPOS, 1999).</p><p>O presente trabalho refere-se a um estudo sobre a Gestão de Qualidade das Organizações, trata-se de um estudo que busca a melhor compreensão de gestão de qualidade a ser utilizado pelas organizações. O objetivo geral é estudar as noções de qualidade de gestão de qualidade das organizações, e falar da realidade moçambicana.</p><p>1.1. Justificativa</p><p>Este trabalho justifica-se pela relevância que tem a qualidade para as organizações ao implantarem a ferramenta de controle da qualidade com a finalidade de garantir qualidade aos seus produtos e manter-se competitiva no mercado. Assim, analisar o controle da qualidade, proporcionará maior entendimento das peculiaridades da ferramenta e as vantagens que ela proporciona, aliado à busca de resultados efetivos no processo produtivo.</p><p>1.2. Metodologia</p><p>De acordo com Lakatos e Marconi (1991, p. 40), “todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciência”. Conforme Bio (1996, p. 54):</p><p>“Na organização e conduta de uma pesquisa cientifica, a definição de uma metodologia tem relevância fundamental. Esta pode ser entedida como disciplina que se relaciona com a epistemologia ou filosofia da ciência.</p><p>Método de abordagem</p><p>O método de abordagem mais adequado para o desenvolvimento deste trabalho de pesquisa é o dedutivo, pois parte de um conceito geral que se tem sobre qualidade para um particular</p><p>Lakatos e Marconi (1991, p. 43) explicam que o “argumento dedutivo tem o propósito de explicar o conteúdo das premissas, reformular ou enunciar de modo explícito a informação já contida”</p><p>Para se alcançar os objetivos estabelecidos serão realizadas pesquisas bibliográficas em livros voltados à qualidade, sites que tratam do tema da qualidade, na Internet e todo tipo de material que se refira ao tema que está sendo desenvolvido.</p><p>2.REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>2.1. Breve Histórico da Qualidade</p><p>Pode-se dizer que a qualidade passou por três grandes eras, a primeira é a era da inspeção, logo em seguida o controle estatístico da qualidade e por último a era da garantia da qualidade.</p><p>A era da inspeção foi marcada primeiramente na Idade Média pelos artesãos e artífices que eram responsáveis pela fabricação de seus produtos com qualidade. Naquela época são definidos "padrões rudimentares da qualidade para bens e serviços e níveis básicos de desempenho da mão-de-obra, tendo sido determinadas as condições gerais para o trabalho humano." (PALADINI, 1995).</p><p>A inspeção formal só passou a ser necessária com o surgimento da produção em massa e a necessidade de peças intercambiáveis. As atividades de inspeção foram relacionadas mais formalmente com o controle da qualidade em 1922, com a publicação da obra The Control of Quality in Manufacturing de G. S. Radford. P e. Do ponto de vista do controle da qualidade, a principal conquista foi a criação de um sistema racional de medidas, gabaritos e acessórios no início do século XIX. (GARVIN, 2002).</p><p>A 2º era da qualidade corresponde ao controle estatístico, neste período a inspeção foi aprimorada por meio da utilização de técnicas estatísticas. Em função do aumento da produção industrial foi inviabilizado a verificação de produtos um a um.</p><p>O ano de 1931 representou um marco no movimento da qualidade. A obra Economic Control of Quality of Manufactured Product, de W. A. Shewhart, foi publicada naquele ano, conferindo pela primeira vez um caráter científico à disciplina. Grande parte do moderno controle da qualidade pode ser atribuída àquele livro. (GARVIN, 2002).</p><p>Com o objetivo de atender às reais necessidades dos clientes, técnicas estatísticas foram desenvolvidas para controlar a qualidade. Walter A. Shewhart reconheceu a variabilidade como inerente</p><p>aos processos industriais, utilizando técnicas estatísticas para o controle de processos. São criados conceitos como "Risco do produtor e consumidor, probabilidade de aceitação, fração defeituosa tolerável e nível de qualidade aceitável." (PALADINI, 1995).</p><p>Paladini (1995, p. 37) surge no Japão "o conceito de círculos da qualidade, dentro de um modelo que viria mais tarde a ser conhecido como a ‘a abordagem participativa da qualidade’."</p><p>Essa era da qualidade ficou marcado pelo surgimento de novos elementos que constituem a qualidade, como a quantificação dos custos da qualidade, o controle total da qualidade, a engenharia da confiabilidade e o zero defeito. Surge neste momento nomes que marcaram a qualidade, como Fengenbaum, conhecido como o pai do controle da qualidade total, Crosby com o zero defeito, entre outros, este movimento pela qualidade se inicia após a 2º guerra mundial, e vai até a qualidade começar a ser vista como parte do gerenciamento estratégico da organização.</p><p>Na próxima era a qualidade incorpora um sentido mais amplo, deixa de ser apenas qualidade do produto ou serviço para englobar todos os membros da organização, já se buscava uma visão pró-ativa em relação aos possíveis problemas, por isso a necessidade de se englobar todos na contribuição pela qualidade para impedir eventuais falhas, esta era da qualidade é conhecida como garantia da qualidade.</p><p>Segundo Garvin (2002, p. 13):</p><p>A prevenção de problemas continuou sendo seu objetivo fundamental, mas os instrumentos da profissão se expandiram para muito além da estatística. Havia quatro elementos distintos: quantificação dos custos da qualidade, controle total da qualidade, engenharia da confiabilidade e zero defeito.</p><p>2.2. Conceitos da Qualidade</p><p>A qualidade tem seu papel cada vez mais presente nas organizações, o que torna importante que se tenha um conceito que seja adequado às necessidades reais de cada organização. Para explicar as diferenças de percepção e interpretações do assunto, serão expostos alguns conceitos de qualidade, provenientes de diversos autores.</p><p>A qualidade de um produto ou serviço está diretamente ligada à satisfação total do consumidor. A satisfação total do consumidor é à base de sustentação da sobrevivência de qualquer empresa. Essa satisfação do consumidor deve ser buscada nas duas formas, defensiva e ofensiva. A satisfação na forma defensiva se preocupa em eliminar os fatores que desagradam o consumidor, por meio da retro alimentação das informações do mercado, já a satisfação na forma ofensiva, busca antecipar as necessidades do consumidor e incorporar esses fatores no produto ou serviço. (FALCONI, 1989)</p><p>Segundo Garvin (2002, p. 47) qualidade é um termo que apresenta diversas interpretações e por isso, "é essencial um melhor entendimento do termo para que a qualidade possa assumir um papel estratégico".</p><p>Segundo Deming (1990, p.125):</p><p>A qualidade só pode ser definida em termos de quem a avalia, na opinião do operário, ele produz qualidade se puder se orgulhar de seu trabalho, uma vez que baixa qualidade significa perda de negócios e talvez de seu emprego. Alta qualidade pensa ele, manterá a empresa no ramo. Qualidade para o administrador de fábrica significa produzir a quantidade planejada e atender às especificações. Uma das frases mais famosas de Deming para conceituar qualidade é “atender continuamente às necessidades e expectativas dos clientes a um preço que eles estejam dispostos a pagar”.</p><p>Segue alguns dos conceitos de qualidade que se enquadram perfeitamente nesta abordagem, como (JURAN, 1974 apud MARSHALL, 2003) onde para ele “qualidade é adequação ao uso”, (DEMING, 1968 apud MARSHALL, 2003) “qualidade consiste na capacidade de satisfazer desejos”.</p><p>Feigenbaum é considerado o pai do conceito de “Controle da Qualidade Total” (Total Quality Control - TQC). De acordo com sua abordagem, qualidade é um instrumento estratégico pelo qual todos os trabalhadores devem ser responsáveis.</p><p>Qualidade é uma filosofia de gestão e um compromisso com a excelência. Mais do que uma técnica de eliminação de defeitos nas operações industriais. Volta-se para fora da empresa e tem por base a orientação para o cliente. (FEIGENBAUM, 1961 apud MARSHALL, 2003).</p><p>Segundo Feigenbaum (1994, p. 5) “é a qualidade, assim como o preço, que motiva as vendas atualmente; e a qualidade é o fator que proporciona o retorno do cliente pela segunda, terceira e décima vez”.</p><p>2.3. Gestão de qualidade</p><p>A gestão da qualidade corresponde a uma vertente que visa a adequação de equipamentos, pessoas e serviços, para a satisfação dos seus stakeholders. Na gestão da qualidade, o importante é satisfazer as necessidades dos stakeholders, principalmente dos clientes, de modo a que isso traga dividendos à organização, visíveis nos seus resultados operacionais e na reputação construída (Juran, 1990).</p><p>Conforme Toledo (1997), a gestão da qualidade é uma maneira adotada e o somatório de práticas utilizadas para obter, de forma eficiente e eficaz, a qualidade no produto. Ou seja, o foco é na qualidade do produto, mas visando eficiência e eficácia.</p><p>De acordo com Xavier (1994, cit. por Longo, 1996), diz que, deve-se ver gestão da qualidade não como mais um programa de modernização. Trata-se de uma nova maneira de ver as relações entre as pessoas, na qual o benefício comum é superior ao de uma das partes. Fazendo uma ilação nos propósitos apresentados pelos autores no âmbito da gestão de qualidade, mostrar a nossa concordância que a gestão de qualidade seja vista como um processo de envolvimento de todos interveniente e que os resultados ou os benefícios sejam reciproco, não se trata de atender em primeira instância as necessidades do cliente mas a pare as necessidades dos funcionários, da instituição e dos clientes, deve existir uma satisfação para ambos, a qualidade depende do bem fazer, do bom uso e da boa oferta.</p><p>Mais do que a gestão da qualidade, hoje, as empresas precisam se preocupar com a qualidade da gestão. E a promoção de um ambiente favorável à criatividade, experimentação e implementação de novas ideias pode gerar um diferencial competitivo para a organização. Para permanecer competitiva, a organização precisa gerar continuamente ideias originais e incorporá-las a seus processos, produtos, serviços e relacionamentos. É importante gerar uma cultura que incentive o desejo de fazer as coisas de maneira diferente, a capacidade de entender de forma simples questões complexas, a propensão ao risco e à tolerância ao erro bem-intencionado (MARTINS, 2013).</p><p>2.3.1. Controle de qualidade</p><p>No que se refere à qualidade do produto, a organização procurará sempre estar empenhada em manter o nível de qualidade desejado, com foco nos resultados esperados que compreendem em atender as necessidades dos consumidores.</p><p>Armand V. Feigenbaum desenvolveu o conceito de controle de qualidade em seu livro de 1983. Argumentou que a responsabilidade pela qualidade deveria ficar com as pessoas que executam o trabalho (GAITHER; FRAZIER, 2004). Corrêa e Corrêa (2009, p. 189) afirma que o controle de qualidade:</p><p>É um sistema efetivo para integrar os esforços dos vários grupos dentro de uma organização, no desenvolvimento da qualidade, na manutenção da qualidade e no melhoramento da qualidade, de maneira que habilite marketing, engenharia, produção e serviço com os melhores níveis econômicos que permitam a completa satisfação do cliente.</p><p>controle da qualidade envolve a medida da característica da qualidade, feedback dos dados, comparação com padrões especificados e correção, quando necessário (MONKS, 1987). Portanto, o estabelecimento, a manutenção e o controle da qualidade tratam por isso da determinação de padrões de qualidade e da medição e controle necessários para se verificar se tais padrões são mantidos e observados (BUFFA, 1972)</p><p>Com isso, o controle da qualidade faz-se necessário para coordenar o processo produtivo em todos os aspectos, para que não se percam dos objetivos e das metas propostas. Por isso, o controle de qualidade se faz necessário, uma vez que com as inspeções</p><p>que ocorrem no processo produtivo reduz-se o índice de produtos defeituosos.</p><p>Assim, deve-se exercer o controle sobre as dimensões da qualidade, tendo como objetivo garantir a qualidade do produto e assumindo a prática consciente do controle da qualidade por todas as pessoas da empresa (FEIGENBAUM, 1994). Dessa forma, o controle da qualidade conduz a organização com êxito, obtendo a qualidade esperada em seus produtos ou serviços.</p><p>2.3.2. Importância da Qualidade nas Organizações</p><p>Johnston (2009), satisfazer os clientes internos pode ser tão importante quanto satisfazer os consumidores externos.</p><p>Uma boa qualidade resulta em maiores lucros, ou seja, produtos e serviços de alta qualidade podem ter um preço maior do que os dos concorrentes de menor qualidade e proporcionar maior retorno financeiro (RITZMAN; KRAJEWSKI, 2004).</p><p>Portanto, a qualidade deve ser prioridade em todo o processo produtivo, em todas as áreas da organização, enfim, deve-se ter o comprometimento de todo o pessoal envolvido para que a organização consiga obter os ganhos que a qualidade proporciona.</p><p>Faz-se necessário o método de desdobramento da função qualidade, ou seja, um método que levante as necessidades dos consumidores com o propósito de serem atendidos. Segundo Gaither e Frazier (2004), o desdobramento da função qualidade é um sistema formal para identificar os desejos dos clientes e eliminar características de produtos e atividades que não contribuem para nada</p><p>Com isso, a área de marketing destaca-se por meio de pesquisas de mercado, que conseguirão revelar as reais necessidades dos consumidores, as especificações desejadas em um produto, como também suas sugestões para melhor desempenho de determinado produto.</p><p>Logo, a área de produção se organizará para produzir os produtos de acordo com os resultados alcançados com as pesquisas de marketing. Dessa forma, com o desdobramento da função qualidade, a gestão da qualidade estará desempenhando seu papel em conformidade aos desejos esperados dos consumidores.</p><p>Além da área de marketing, produção e recursos humanos, a gestão da qualidade torna-se importante também para as demais áreas da administração, tais como:</p><p>Contabilidade: que precisa avaliar e estimar os custos da má qualidade e proporcionar dados isentos de erros a seus clientes internos. Finanças: que precisa avaliar as implicações para o fluxo de caixa dos programas de gerenciamento da qualidade e elaborar relatórios financeiros sem falhas a seus clientes internos. Sistema de informação gerencial: que cria os sistemas para acompanhar a produtividade e o desempenho da qualidade. Operações: que cria e implementa programas de gerenciamento da qualidade. (RITZMAN; KRAJEWSKI; 2004, p.97).</p><p>dessa forma, a qualidade deve ser implantada em conjunto com todas as áreas que compõem a organização, ou seja, envolvendo todo o pessoal, desde o mais alto escalão até o chão de fábrica, propondo objetivos claros e metas específicas de qualidade. Sendo assim, com uma estruturação ágil e consistente, a fim de vencer os desafios do mercado e as manobras táticas e estratégicas da concorrência, a organização poderá garantir continuidade operacional e vantagem competitiva (GIL, 2007)</p><p>2.3.3. Princípios de gestão da qualidade</p><p>A gestão da Qualidade baseia-se em oitos princípios, nomeadamente:</p><p>1. Focalização no cliente – as organizações dependem dos seus clientes, devem compreender as suas necessidades actuais e futuras e esforçarem-se por exceder as suas expectativas;</p><p>2. Liderança – os líderes devem saber manter um ambiente interno motivador, de modo a obterem a envolvência das pessoas para atingirem os objectivos previstos pela organização;</p><p>3. Envolvimentos das pessoas – as pessoas são a principal valia de uma organização, o seu envolvimento permite que as suas aptidões sejam utilizadas em benefício da organização;</p><p>4. Abordagem dos processos – quando as actividades e os recursos que lhes estão associados são geridos por processos, os resultados desejados são atingidos de forma mais eficiente;</p><p>5. Abordagem da gestão como um sistema – gerir processos inter relacionados como um sistema, contribui para que a organização atinja os seus objectivos com eficácia;</p><p>6. Melhoria contínua – deve ser uma preocupação constante, com avaliação sistemática do desempenho global da organização;</p><p>7. Abordagem factual – decisões eficazes, são baseadas na análise de factos, dados, informações, etc.;</p><p>8. Relações mutuamente benéficas com fornecedores – devem ser criadas condições para ambas as partes criarem valor. (Santos et al, 2008:22)</p><p>2.3.3.1. Norma NP EN ISO 9001:2008</p><p>A Norma NP EN ISO 9001:2008 apresenta-se organizada de acordo com um modelo genérico, e que pode ser descrito resumidamente no âmbito do Ciclo Deming (PDCA) da seguinte forma:</p><p>Plan – (planear) – estabelecer os objectivos e os processos necessários para apresentar resultados de acordo com os requisitos do cliente e as políticas da organização; Do – (executar) – implementar os processos; Check – (verificar) – monitorizar e medir processos e produto em comparação com políticas, objectivos e requisitos para o produto e reportar os resultados; Act – (actuar) – empreender acções para melhorar continuamente o desempenho dos processos.</p><p>2.3.4. Gestão de Qualidade das Organizações Moçambicanas</p><p>Moçambique possui apenas 116 empresas certificadas pelo Sistema de Gestão de Qualidade, norma ISO 9001, do Instituto Nacional de Normalização de Qualidade (INNOQ, IP).</p><p>O numero é considerado muito baixo se comparado com as mais de 51 mil empresas existentes em todo o território nacional, segundo o último censo de empresas realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) (2014-2015).</p><p>“A implementação da norma ainda é uma barreira porque quando a empresa tem acesso ao documento faz o seu estudo, mas começa a ter dificuldades na implementação de alguns aspectos. Então, a partir destes aspectos procura alguma consultoria, e é aí onde começam as dificuldades com as PME’s (Pequenas e Medias Empresas),”</p><p>Infelizmente, segundo a fonte, Moçambique é novo em termos de certificação de qualidade. “As empresas ainda continuam no mundo tradicional e, hoje, este mundo tradicional está a ser substituído pelo mundo global , digital/moderno, então começa a ter esse desafio em termos de investimento”,</p><p>O processo de certificação está na responsabilidade das empresas, uma vez que o INNOQ só aprova a certificação quando estas seguem um leque de aspectos da norma ISO 9001 ou seja Sistema de Gestão da Qualidade.</p><p>A certificação é um instrumento que concede credibilidade e reconhecimento às empresas a nível nacional e internacional, reconhecendo, porém, as imensas dificuldades pela qual as empresas nacionais passam.</p><p>A certificação das empresas por padrões internacionais relevantes tem sido considerada como estratégia e requisito de enorme significância para o desenvolvimento da competitividade e melhoria da sustentabilidade das PME’s,”</p><p>A certificação é considerada uma ferramenta adequada para demonstrar a conformidade e capacidade de fornecimento de serviços por parte das empresas locais mediante padrões internacionais.</p><p>Contudo, uma parte significativa do empresariado local, incluindo membros da ACIS, têm vindo a apresentar dificuldades significativas para efectivar o investimento nestas áreas e obter de forma autónoma as certificações.</p><p>Acrescentando que a ACIS junto de parceiros diversos tem feito programas para ajudar as empresas nacionais a aderirem a certificação para a melhoria do seu ambiente de negócios.</p><p>Reconhecendo os constrangimentos que as empresas nacionais enfrentam para aceder à certificação e terem maior competitividade no mercado, a ACIS, em parceria com a “Insite”, instituiu, em Outubro de 2020, o Programa Nacional de Capacitação e Preparação das Empresas para a Certificação, designado por “Qualificar”.</p><p>2.4.1. Sistemas de Gestão da Qualidade de uma Empresa Moçambicana (CONSULTEC)</p><p>A CONSULTEC está licenciada para prestar serviços de consultoria na área de Engenharia, estando ainda autorizada pelo Ministério da Terra e Ambiente</p><p>(MTA) para operar como Consultor e Auditor Ambiental.</p><p>É também membro fundador da Associação das Empresas Moçambicanas de Consultoria (AEMC) e do Fórum Empresarial para o Meio Ambiente (FEMA), estando ainda registada como provedor de serviços no Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e outros organismos internacionais.</p><p>A CONSULTEC detém, desde 2012, o selo “Made in Mozambique”, uma marca de garantia do Ministério da Indústria e Comércio, atribuída a empresas nacionais que respeitam a legislação moçambicana, seguem boas práticas de negócio e implementam planos de qualidade.</p><p>Em 2014, a CONSULTEC é certificada pelo Instituto Nacional de Normalização e Qualidade com a norma IS0 9001:2008, actualizada em 2018 para IS0 9001:2015, que certifica o Sistema de Gestão de Qualidade da empresa para a prestação de serviços de consultoria nos vários domínios da engenharia e disciplinas afins, compreendendo estudos, projectos, fiscalizações, gestão de empreendimentos e auditorias, designadamente nas áreas de Infra-Estruturas Hidráulicas, Electricidade, Gestão de Recursos Hídricos, Ambiente e Socio-Economia, Edifícios, Estradas e Aeroportos.</p><p>3.Considerações finais</p><p>Em função do crescimento da competição global e da exigência dos clientes por produtos e serviços que atendam as necessidades atuais e futuras, a qualidade se tornou intensamente importante para as organizações que almejam sobreviver num mercado cada vez mais acirrado. É por meio da administração voltada para a qualidade que as organizações têm mecanismos para promover ganhos de competitividade e otimizar o processo produtivo em direção ao atendimento das necessidades dos clientes.</p><p>Em Moçambique são poucas as instituições específicas deste sector que promovem programas de qualidade em seus produtos. Perante esta situação e de forma peculiar com vista aos objectivos comerciais, a organização na qual o estudo foi feito possui seu Sistema de Gestão de Qualidade baseado nos princípios da ISO 9001, que aplica como ferramenta para promover a qualidade de seus produtos e serviços, em particular os da construção civil.</p><p>As organizações devem priorizar a qualidade em suas atividades, com o objetivo de obter vantagem competitiva e se destacar diante da concorrência. Pode-se concluir que a qualidade em organizações se relaciona com o aspecto produtivo, por meio de uma produção que vise a melhoria contínua e a redução de produtos com erros, concentrando esforços em vários elementos do produto, tais como: desempenho, estética, conformidade, segurança, confiabilidade, durabilidade e o atendimento pós-venda</p><p>4. Referências Bibliográficas</p><p>BUFFA, E.S. Administração da produção. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1972</p><p>CORRÊA, H.L.; CORRÊA, C.A. Administração da produção e operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>CAMPOS, V.F. TQT – Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). Rio de Janeiro: Desenvolvimento Gerencial, 1999</p><p>DEMING, W. Edwards; Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990;</p><p>FEIGENBAUM, A.V. Controle da qualidade total. São Paulo: Makron Books, 1994</p><p>GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2007.</p><p>GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.</p><p>GARVIN, David A., Gerenciando a qualidade: a visão estratégica e competitiva, Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002</p><p>Juran, J. M. (1990). Juran na liderança pela qualidade. Tradução de João Mário. São Paulo: Pioneira</p><p>JOHNSTON, R. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>Longo, R. M. J. (1996). Gestão da qualidade: evolução histórica, conceitos básicos e aplicação na educação. Brasília: IPEA. p. 11</p><p>LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade, Fundamentos de metodologia científica, 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 1991;</p><p>MONKS, J.G. Administração da produção. São Paulo: McGraw-Hill, 1987</p><p>MARSHALL, Island Junior (org); Gestão da Qualidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003;</p><p>MARTINS, J. É preciso investir na qualidade da gestão.</p><p>OLIVEIRA, O.J. Gestão de Qualidade, Tópicos Avançados.</p><p>PALADINI, E.P. Gestão da qualidade no processo: a qualidade na produção de bens e serviços. São Paulo: Atlas, 1995</p><p>RITZMAN, L.P.; KRAJEWSKI, L.J. Administração da produção e operações. São Paulo: Prentice Hall, 2004.</p><p>SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSON, Robert.Administração da produção. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 2009</p><p>TOLEDO, J.C. Gestão da Qualidade na Agroindústria. In: BATALHA, M. O. (Org). Gestão Agroindustrial. São Carlos: Ed. Atlas, 1997.</p><p>2</p><p>image1.png</p>